mad woman

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Sinopse: Como Rainha Má, você é chamada de tirana, louca e má, e tudo o que você buscava era ter um final feliz de contos de fada.
Gênero: drama.
Classificação: +14
Restrição: citações de Once Upon A Time (série).
Beta: Rosie Dunne

1. A Rainha Má.

“O que sonhamos é tudo que importa.”

— Swedish house máfia.

Louca.
Tirana.
Louca.
Ela teria o mesmo título que o Chapeleiro Louco, enquanto pensava: porque aquela frase soava tão conveniente naquele momento?
Ser chamada de má. Louca? Sempre.
“Seu maior medo sempre foi ser feliz, minha Rainha”.
Aquilo era um absurdo dos absurdos, e a pessoa deveria ir à forca, mas ela não tinha como o fazes, seria crueldade, mas ela sempre fora cruel, e porque apenas naquele momento havia um pouco de piedade em seus olhos por aqueles que difamavam seu nome? Com aquela pessoa estava sendo piedosa? Fora uma dos milhares de questões que ela levantou sobre aquele menino; e a Rainha sabia disso, afinal porque ela teria medo daquilo que tanto ansiara em sua vida? Porque ela temeria aquilo que mais ansiava em sua vida? Porque ela teria medo de algo como ser feliz? Como ela poderia ter medo de tal desejo? Porque ser feliz a deixava com medo? Ser feliz?
Afinal era aquilo que ela queria.
Enquanto foi difamada por ser má, por desejar poder, por matar, por ser louca naqueles que se atreviam a injuriar seu nome.
apenas lembrou-se daquela frase proferida com medo, e a verdade nas orbes azuis celestiais, e ela nunca pensou que gravaria aquele tom insultado de azul em sua mente – afinal, a criança em questão era nada comparada a ela, afinal ela era a Rainha e não um mendigo que pedia esmolas. A questão era, e quem era aquela criança para lhe dizer algo? O menino de expressivos olhos azuis observava com atenção, enquanto alguém suplicava pela vida daquela pequena e inofensiva criança. Eu devo ser piedosa com ele? Observou com desdém e se foi, afinal ela não gastara o seu tempo e a sua magia com uma criança sem importância para si, ele era apenas um mendigo do seu reino.
Apenas um qualquer que não sabia as verdades sobre ela, que não entendia a gravidade de sua própria ruína, de sua loucura, de seus desejos mais primitivos.
se lembrava daquele encontro insultado, e não fora o último até fatídica morte do menor – afinal, quem era aquela criança? E naquele tempo, ela não havia percebido que as palavras estavam certamente lhe ferindo a alma mais do que tudo.
Ela só queria ser feliz.
Era pedir muito? Era pedir muito ser feliz? Porque ela não podia? Então Mills pensou, porque ela não podia ser feliz como qualquer pessoa normal? Mas e claro que ela não era normal, e nunca seria. Era um ser humano também? Porque não podia? Sendo quem ela era sim, parecia que ser feliz sendo a Rainha Má era pedir demais, sabia que tinha tanto direito tanto quanto Branca de Neve e Encantador, ou até mesmo Cinderela e seu príncipe, e porque ela não podia ter um final feliz ao lado de quem se amar?
Era apenas um sonho de menina apaixonada que um dia ela quase conseguira ao lado de Daniel, mas Daniel se fora assim como qualquer pessoa em sua vida, até mesmo o seu pai que sempre estivera ao seu lado. E porque ela se sentia só naquele momento? observou o céu escuro daquela noite sem estrelas, estava nublado, e a tempestade da noite deveria vim forte.
E deitou-se em sua cama – sozinha naquela noite de tempestade, e todos os seus medos, pesadelos, receios e dúvidas vieram á tona, e encolheu-se com uma corsa assustada. Estava só de novo. Então, aquela noite voltou como um soco no estomago.
Ela corria pelo conhecido caminho de sua mente.
A floresta encantada nunca pareceu tão aterrorizante como parecia naquele pesadelo que tinha todas as noites – desde aquele dia –, e ouviu a doce e melódica canção de ninar soar na voz do menininho de 10 anos que vinha a perseguindo.
E gritou assim que o viu ali, os olhos estreitos estavam fixos em si, enquanto os lábios se entreabriram e proferiu tal frase com certa pena da Rainha Má, e sentiu-se no fundo do poço.
“Você não merece um final feliz, , afinal você é louca por poder, de dar o medo aos outros, você é má por inteiro e não merece nenhum final feliz”.
A voz era infantil, mas macia como veludo, e os lábios se distorceram em um sorriso feliz com aquilo. Era de corto o coração, e fora isso que acontecera com quando aquela frase fora proferida com tanta convicção por aquele menino. Era apenas um mero garoto, e tinha os olhos fixos e cheios de uma verdade que feria cada vez mais o seu coração de pedra.
Ele estava ali como um fantasma conjurado do seu inferno pessoal, enfrentando-a, e ela lembrava nitidamente dos olhos intensamente azuis como o mar que parecia duas bolas de gude de tão reais, e aquele menino era o seu pior pesadelo, e naquele momento ele fez a pergunta que se fez durante todos aqueles anos.
“Por que gosta de causar a dor? Por que amar aquilo que destroem? Por que simplesmente quer que as pessoas sejam infelizes? Por que faz mal as pessoas, Rainha ? Por que quer que as pessoas vivam tão infeliz quanto você? Isso é felicidade para quem? Para a Rainha ? Para quem? Por que simplesmente não tentar esquecer, e tentar ser feliz?”
não sabia a resposta, e nem mesmo queria procurar, afinal aquele garoto apenas era uma mera ilusão de sua cabeça, mas bem no fundo sabia que ele era um pesadelo – mas ela sabia a resposta, que estava bem no fundo de sua alma maltratada e cheia de cicatrizes e a prova disso era aquele pesadelo que a perseguia.
“Por que você teme a si mesma, Rainha ”. Era macia e cheia de delicadeza, diferentemente da frieza das primeiras frases de seu pesadelo, “porque não tentar ser feliz agora, Rainha?” surpreendeu-se com aquela pergunta, e então observou o seu interlocutor que apenas estava tenso com isso – estava claro como água que ele estava contestando a real intenção da Rainha e, mesmo assim, ela estava com medo de ser feliz? Será que era isso? Bobagem, sua mente gritou, ela estava tentando ser feliz daquele modo.
Afinal, ela devia acabar com a vida daquela menina, da doce e ingênua Branca de Neve para que a mesma não tivesse o final feliz, e que a morte fosse o seu fim, era esse o seu final feliz, e porque parecia tão difícil ter aquilo que se quer? Por quê? Uma das muitas perguntas que se fez ao longo dos anos depois da tragédia que acometera a si mesma e ao seu amado Daniel – aquela pessoa que ela tanto gostaria de reviver, mas era impossível, e a mesma sabia disso. Daniel não voltaria mais, tinha que se lembrar disso.
Ele fora assassinado por sua mãe, e já não era o suficiente? Já não o bastante para a vida? Ela tinha perdido quem tanto amara, ela tinha perdido o seu coração, ela tinha perdido a razão para ser boa, e a vida achava que era pouco? Perda do pai? Da mãe? De Henry? Do caçador? De todas as pessoas que ela – pensou – amar? Será que não era o suficiente para a vida? Será que ela deveria sofrer muito mais por tudo aquilo que fez em sua vida? Será que era um castigo por todos aqueles anos de crueldade? Será que era ruim pensar em ser feliz ao menos uma vez? Será? Aquilo a confundia, mas era os maiores receios da Rainha , e ela sempre pensou que a vida era cruel com ela, e que ela estava pagando caro demais por essa vida sem amor.
“Final feliz”, e aquilo era a única coisa que ela queria em sua vida. Um final que fosse só dela, e ela lutaria por ele até o fim. Era pedi muito, achava que não, afinal todos tinham o seu final feliz, e porque ela não podia ter o mesmo? Por que ela deveria seguir sem o seu final feliz? Por que ela deveria agir sem lutar por aquele final feliz que tanto ansiava? Por que ela deveria ser a única privada da sensação de ser feliz para sempre? Mesmo sem ele, o seu amado que fora retirado de forma tão abrupta de sua vida, ela ainda teria o seu final feliz.
“Por que não posso ter o meu final feliz?” Não fora poucas as vezes que ela se perguntou para si mesma aquilo, por que ela não podia ter o seu final feliz? Por que ela tinha que ser tratada como a Rainha Má? Por que simplesmente seu final feliz não podia ser tão feliz quanto os dos contos de fadas tolos que estava cercada? Por que só ela não podia ter o seu final feliz?
Como da Branca de Neve, ou da Cinderela, ou de qualquer uma dessas princesas que tinham os seus príncipes, e por que só ela não podia ter aquele final feliz? nunca entendera realmente o porquê o dela, o tal final feliz, deveria ser tão ruim.
Então ela lutaria por um final feliz diferente.
Apenas pulou da cama – o suor escorrendo por sua face, e o terror estava presente. Estava com medo de novo daquele menino? Diabos! Porque agora? Respirou fundo, e saiu da cama. O céu noturno não lhe era convidativo como antes, estava frio ainda e cheio de nuvens. apenas andou até o banheiro.
O reflexo no espelho estava pior do que ela imaginara.
“Porque lutar por isso? Para destruir as pessoas? Por que causar a dor numa família tão doce e unida quando João e Maria? Porque causar tal dor a todos? Por que ? Porque semear o mal quando se deve semear o bem?” e ouviu novamente o som da voz daquela criança soar em sua mente. Era apenas um menino, de olhos expressivos, ao qual ela matara anos atrás depois de ele ter lhe dado uma resposta infame, e por que ainda se lembrava daqueles expressivos olhos azuis?
apenas bateu com força na parede do banheiro, e sentiu aquele temor conhecido do fundo de sua alma que gritava em alto e bom som em sua mente – estava com medo, muito medo – e aquilo a deixava vulnerável, por causar daquela criança estava com medo de conseguir o seu tão sonhador final feliz. Por que ela não poderia ter esse final feliz? Ter um final como as outras pessoas? Era uma escolha? Sim, era uma escolha e ela tinha todo o direito de escolher, e ela havia escolhido.
Ela teria o final feliz dela mesmo que todos dissessem que ela não merecia tal feliz porque ela era a Rainha Má.
A louca por poder, beleza e riqueza.
Mas, ela lutaria por aquele final.
Fim.