Memory Lane

Memory Lane

Sinopse: Depois de um dia cansativo, Dougie se reúne em um bar no Soho com o restante da banda. Porém, um amor do passado retorna deixando-o intrigado, a partir daí Dougie relembra alguns momentos que passaram juntos e tenta reparar os erros do passado.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Somente a personagem principal interativa.
Especial de Inverno

Capítulo Único

Acordamos bem cedo para produzir o novo álbum, Memory Lane, um dia inteiro de produção não era pra qualquer um. Decidimos passar em um bar do Soho para esfriar a cabeça e distrair.
– Pode trazer mais uma cerveja, por favor? – Tom pediu para o garçom que passou pela nossa mesa e coloquei o celular no bolso, após responder alguns amigos.
– Já volto. – levantei-me da mesa e fui em direção do banheiro, descarreguei o incômodo que sentia e fui lavar as mãos. Detestava tomar cerveja por essa agonia de mijar toda hora. Empurrei a porta do banheiro e pedi um maço de cigarro para o caixa. Fiz sinal para os meninos e sai do estabelecimento já abrindo o maço.
Coloquei um cigarro entre os lábios e tampei a ponta do mesmo enquanto tentava acender o palito com o isqueiro preto. Quando finalmente consegui, encostei-me na parede do bar e encarei as pessoa passando pelo Soho. Tinha muita menina gostosa naquele horário e eu já tinha tomado algumas.
Perto do cigarro chegar ao fim, reparei em uma menina de cabelos ruivos, vestido vermelho colado e sobretudo preto passar por mim. Eu não estava sentindo frio, o bar me manteve aquecido. Porém algo na minha cabeça parecia dizer que eu a conhecia. Assim que ela olhou para trás para ver se alguém a seguia, deixei o palito cair dos meus dedos para o chão. ?
Não poderia ser, ela estava morando na França. Desde que tínhamos terminado, ou seja, 5 anos atrás.
A menina curvou um beco e fui atrás da mesma, se fosse ela mesmo, iria me explicar, coisa que nunca fiz.

x FLASHBACK x ON x
– Você me chamou até aqui para dizer que está terminando comigo? – ela levantou uma das sobrancelhas surpresa.
– Sim. – dei de ombros encostando-me na grade do gazebo.
– O que? Mas por quê? – ela se aproximou de mim tentando entender.
– Porque eu tenho uma carreira para construir, não posso dar conta das duas coisas. Você seria um empecilho para mim. – aquilo soou ridiculamente babaca, mas era o que os produtores tinham me dito e de certa forma estavam certos.
– Você me trouxe ao lugar onde me pediu em namoro, 2 anos atrás, para me dizer que sou um atraso na sua vida? Você é inacreditável Dougie, inacreditável. Acho que se você terminasse comigo por telefone, seria menos babaca do que isso! – ela estava começando a ficar irritada.
– Na verdade, tem mais coisa. – passei a mão pela pescoço e ela me olhou feio.
– Ah, tem mais coisa. – ela riu ironicamente e colocou as mãos na cintura.
– Semana passada eu acabei ficando com uma menina e…
– E você a levou pra cama. – concluiu a frase para mim.
– Isso. Olha eu sei que fiz errado, eu estava bêbado, não queria te mach… – minhas ações me condenavam, eu estava nervoso, parecia que sentia ela indo embora como areia caindo das minhas mãos.
– Parabéns Dougie Poynter. Conseguiu o que queria. – pegou sua mochila no chão e saiu do gazebo pisando duro. – e outra, torça para ela não engravidar, senão você vai ver o que é empacar a sua carreira. – ela ia continuar andando, mas voltou para me encarar nos olhos. – Você jogou 2 anos de namoro. 2 anos de alegria. 2 anos de viagens. 2 anos em que eu estive ao seu lado quando estava com dores no pescoço e nos dedos. 2 anos te ajudando a tratar o seu vício por drogas. 2 anos dormindo na sua casa todos os dias para não te deixar sozinho. 2 anos ao seu lado no hospital quando precisava. 2 anos do meu tudo. 2 anos do meu eu. Você pegou todos esses anos e jogou em uma lata de lixo como se não tivesse sido nada. – ela deu as costas para mim e saiu andando como se nada tivesse acontecido. Uma das coisas que admirava nela, era a sua força.
x FLASHBACK x OFF x

Nunca achei alguém como ela. foi a única que mudou o meu aspecto de vida, ao lado dela eu queria viver e sentir as coisas que o mundo proporcionava, porém estraguei tudo indo na onda dos antigos produtores da banda. Fui um completo idiota tratando-a daquele jeito no dia que terminamos. Eu realmente gostava dela, não, eu a amava.
As ruas de Londres a noite não eram muito iluminadas, quando me dei conta já estava bem longe do bar, mas aonde estava indo? E o que fazia em Londres? Será que ia se encontrar com algum idiota? Eu parecia um psicopata seguindo-a.
Ao passar na frente de uma loja de instrumentos musicais, meu olho bateu justamente no violão marrom idêntico ao que tinha.

x FLASHBACK x ON x
– Escolha uma música. – estávamos no jardim da minha casa, era noite e apenas algumas luzes amarelas iluminavam o local.
– Yellow. – rodou o banco de madeira e apoiou os braços nas minhas costas, encostando a cabeça no meu ombro direito.
– Você e seus gostos melancólicos. – ri em tom baixo e passei a paleta pelas cordas, emitindo a primeira nota.
Look at the stars. Look how they shine for you. – ela levantou o meu rosto para o céu, fazendo-me encarar as estrelas. – And everything you do. Yeah, they were all yellow.
I came along. I wrote a song for you. – virei o meu rosto para o lado, encarando seus olhos e ela sorriu. – And all the things you do. And it was called Yellow.
So then I took my turn. se afastou de mim e foi até a palmeira que havia no jardim, encostando-se na árvore. – Oh, what a thing to’ve done. And it was all yellow.
Your skin. Oh, yeah, your skin and bones. Turn into something beautiful. Do you know. – levantei-me do banco e fui até a menina que encarava o céu.
You know I love you so? You know I love you so? – ela me olhou acompanhando-me a cantar e parei de tocar após algumas notas.
– Viu, algumas músicas melancólicas não são ruins. – ela deu de ombros rindo.
– Já disse que se você quiser, converso com o meu produtor . – joguei o violão para trás e tirei uma mecha do seu rosto.
– Já basta namorar você Dougie, vão dizer que eu estou me aproveitando de ti. Prefiro que eu resolva minha carreira sozinha. Ok?
– Tudo bem. – suspirei alto e dei um beijo na sua testa, abraçando-a em seguida. era diferente suas músicas nunca eram a mesma, faziam as pessoas entrar em estado de êxtase, seu gênero musical principal era o indie, mas gostava de country e alguns outros gêneros menos famosos.
x FLASHBACK x OFF x

Ela olhou para trás em certo momento, por sorte a escuridão me escondeu, já que ela estava em baixo do poste. Seus fios ruivos faziam com que eu me perdesse nos pensamentos, se olhasse demais, poderia enlouquecer, eles tinham um brilho incomum e parecia que ainda sentia o cheiro de camomila.
Quando chegamos no fim do Soho, ela pegou um táxi. Eu iria atrás dela ou não? Passei a mão pelos fios loiros e suspirei. O que eu estava fazendo? Entrei no táxi de trás e pedi que seguisse o outro da frente. Depois de alguns segundos passamos pelo Big Ben. O táxi parou no Convent Garden, paguei a corrida e saltei do veículo, avistando mais à frente.

x FLASHBACK x ON x

– Vem Dougie! – Tínhamos acabado de jantar e me puxou para perto de uma dupla que se apresentava nas ruas, eram dois senhores de mais ou menos 55/56 anos. Ele usava um chapéu de cowboy preto.
Naquele momento ele tocava Fire Away. parecia ser atraída como um imã para esses tipos de músicos. Assim que o homem parou de tocar, ele encarou .
– A mocinha canta? – ele esticou o braço chamando-a.
– Não. Não. – ela balançou a cabeça sem graça.
– Canta sim. – empurrei a menina mais à frente e ela me olhou feio.
– Não precisa ter vergonha. – o senhor riu e ajeitou o violão.
– Eu canto sim, mas estou meio enferrujada para no country. – ela fez uma careta.
– A gente dá um jeito. Que tal… – o senhor bateu as pontas dos dedos no violão pensando. – Any Man Of Mine. A mocinha parece saber.
– Pode me chamar de e eu sei cantar essa sim. – riu e o senhor lhe deu um microfone, em seguida tocou a primeira corda. Aquela música era boa. O outro senhor de cabelos grisalhos e sem chapéu acompanhou com o violino.
This is what a woman wants… – ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e começou a cantar, enquanto batia o calcanhar no chão. A voz dela parecia se encaixar perfeitamente.

Any man of mine better be proud of me
Even when I’m ugly he still better love me

Ela veio até mim e girou na minha frente, passando o dedo pelo meu queixo. Eu apenas ri e balancei a cabeça negativamente tentando não ficar sem jeito.

And I can be late for a date that’s fine
But he better be on time

Ela bateu o indicador no relógio que usava e se aproximou do senhor que tocava violão. Nesse momento as pessoas se aproximavam para observar.

Any man of mine’ll say it fits just right
When last year’s dress is just a little too tight

correu até uma moça que a observava e passou a mão pelo corpo, fazendo-a imitar já que estava com um vestido amarelo justo.

And anything I do or say better be okay
When I have a bad hair day
And if I change my mind
A million times

Ela rodava as pessoas enquanto cantava e eles se divertiam, parecia que ela tinha nascido para isso. A menina bagunçou o cabelo e ergueu a cabeça no meio do público convencida. Em seguida parou diante de mim e sorriu. fez o primeiro “yeah” e colocou o microfone diante da minha boca, intercalando entre ela e eu.

I w hear him say
Yeah, yeah, yeah yeah, yeah I like that way
Any man of mine better walk the line

Better show me a teasin’ squeezin’ pleasin’ kinda time
I need a man who knows, how the story goes

Ela se colocou no meio de um grupo de amigas que trabalhavam como garçonetes e começou a jogar a perna de um lado para outro, intercalando entre a direita e a esquerda.

He’s gotta be a heartbeatin’ fine treatin’
Breathtakin’ earthquakin’ kind
Any man of mine

Em seguida passou por uma senhora e bateu a mão na dela, em seguida a senhora ergueu a mão com o punho fechado como se tivesse o poder feminino. As mulheres estavam adorando.

Well any man of mine better disagree
When I say another woman’s lookin’ better than me

Novamente veio até mim e passou a mão pelo corpo, em seguida fez sinal negativo com o indicador. Ela sempre seria a mulher mais bonita para mim.

And when I cook him dinner and I burn it black
He better say, hummm, I like it like that
And if I change my mind

A million times
I w hear him say
Yeah, yeah, yeah, yeah, I like it that way

Logo após ela foi até a dupla e se colocou entre nós dois, balançando a mão de um lado para o outro, em seguida começou a bater palmas. A dupla repetiu o refrão e ela apoiou o braço no ombro do senhor que tocava violão, virou-se para ele e terminou de cantar com eles a acompanhando.

Let me hear you say yeah, yeah, yeah yeah, yeah I like it that way

foi até o meio e começou a dançar.

You gotta shimmy shake
Make the earth quake
Kick, turn, stomp, stomp, then you jump

A menina seguiu a música, chutou, girou, bateu o pé duas vezes no chão e pulou, fazendo todos os outros a seguirem.

Heel to toe, Do Si Do
Til your feet And your backache

Ela agachou apontou para o pé e subiu apontando para as costas.

Keep it movin’ `till you just can’t take anymore
Come on everybody on the floor

girou com a mão na cintura e chamou todos para a acompanhá-la.

A-one two, a three four
Hup two, hup

A plateia deu um passo à frente, dois pulinhos e em seguida outro passo, batendo palmas três vezes.

If you w be a man of mine, that’s right
This is what a woman wants…

No final da música, todas as mulheres deram uma piscadinha para os homens que as observaram. me enviou um beijo no ar e eu apenas sorri. Ela tinha talento para o palco, só não via quem não quisesse.
A dupla ficou imensamente feliz com a participação de , inclusive ela pegou o contato deles para uma possível apresentação. Estávamos indo embora quando ela soltou uma pérola.
– Viu? É daquilo que uma mulher procura.
– Ah, então quer dizer que eu não tenho nada daquilo? – levantei as sobrancelhas ofendido, porém brincando.
– Fica no ar. – ela deu de ombros gargalhando, enquanto andava ao meu lado em direção do estacionamento para voltarmos para casa.

x FLASHBACK x OFF x

Minha ex-namorada entrou em um bar extremamente lotado, mas ela não iria tocar, já que havia um músico no pequeno palco e ela não carregava nenhum instrumento, além disso ela já tinha passado dessa época, sua carreira tinha decolado. Minutos depois ela saiu do bar, infelizmente eu não consegui disfarçar e ela me reconheceu no outro lado da rua, entre todas aquelas pessoas. Ela estreitou os olhos e eu permaneci imóvel, enquanto ela se aproximava de mim desviando das pessoas, eu fingi que não estava olhando-a.
– Dougie? – ela se aproximou de mim com a expressão surpresa.
– Ah, oi ! – levantei as sobrancelhas fingindo surpresa.
– Como você está? – ela me perguntou enfiando as mãos dentro do sobretudo.
– Estou bem e você? Achei que estava fazendo turnê na França.
– Estava sim, mas já tem um tempo que acabou, umas três semanas, daí estou aproveitando pra fazer pequenas apresentações em bares.
– É… você sempre gostou disso. – abri um sorriso ladeado, lembrando-me das suas apresentações.
– Sim! – ela riu baixo.- Bom, tenho que ir, a gente se vê por aí. Foi ótimo encontrar você! – ela me deu um beijo rápido na bochecha.
– Foi realmente muito bom te encontrar. – concordei com a menina e ela sorriu dando as costas para mim. Eu ia deixá-la ir embora, uma parte de mim não queria mexer no passado, mas a outra insistia em eu ir atrás dela e foi o que eu fiz.
! – eu chamei uma vez, ela não me escutou. –! – na segunda vez ela olhou para trás e parou de andar para me esperar.
– Sim? – ela enfiou as mãos dentro do bolso do sobretudo e me encarou com aqueles olhos castanhos profundos.
– Será que algum dia desses você não quer sair pra tomar um café ou algo só tipo? – perguntei passando a mão direita na nuca. Minhas mãos estavam geladas e o meu nariz também, era pra eu ter pego o casaco, aquele suéter não estava me aquecendo.
– Não sei se é uma boa ideia Dougie, o nosso último encontro não foi agradável, e bom, acho que tenho motivos para recusar. – ela franziu o cenho.
– Por favor , eu preciso me explicar. Aquilo que eu con…
– Explicar o que? Você não tem o que me explicar, já se passaram 5 anos Dougie. 5 anos.
– Eu sei, eu sei. Por favor, aceita tomar esse café comigo pra gente poder conversar, aquilo que aconteceu não era verdade.
– Como assim? – ela arqueou as sobrancelhas.
– Se aceitar tomar o café comigo, eu te explico tudo direito. – ela permaneceu alguns segundos me encarando é resposta dela não foi bem a que eu esperava.
– Vou pensar, eu entro em contato com você. – ela deu as costas novamente para mim e seguiu o caminho para ir embora. Droga. Que merda eu fiz.

demorou em torno de uma semana para me dar uma resposta, achei que ela nem iria querer conversar comigo. Combinamos de nos encontrar na Dulce Coffee, quando cheguei no local já estava sentada em uma mesa no fundo do estabelecimento. Ao me ver se aproximar, ela levantou e me cumprimentou.
-Não posso demorar muito, tenho um outro compromisso daqui a pouco. – ela se desculpou e eu balancei a cabeça confirmando. Eu pedi um café expresso e ela um chocolate quente. – Então. Sou toda ouvidos. – ela se encostou na cadeira e cruzou os braços, me olhando fixamente.
-Não sei nem como eu começo essa conversa. – passei a mão pela nuca tentando encontrar as palavras certas. – Digamos que nada do que eu falei no dia em que terminamos é verdade. – ela levantou uma das sobrancelhas, confusa.
-Como é?
-Eu não te traí , os antigos produtores fizeram a minha cabeça. Eles achavam que você realmente era um problema para a minha carreira e que estava comigo para se aproveitar, eu acabei concluindo que era melhor a gente terminar para que a minha carreira se desenvolvesse melhor, mas nunca concordei com o fato deles terem falado que você estava se aproveitando.
-Bom, eu achei que viria aqui para ter uma conversa amigável, mas acho que você só está piorando a situação. – ela soltou uma risada fraca e continuou me encarando. – Você me chamou mesmo pra falar isso?
-Às vezes eu ainda pen…
-Não, não continua. – ela fez sinal com a mão e suspirou. – Olha, eu não tenho nada contra você Dougie, do fundo do meu coração. Quando você terminou comigo, aquilo me machucou demais, mas acho que agora sabendo que tudo era mentira e você terminou comigo por causa da sua carreira, é pior ainda. Eu jamais atrapalhei a sua carreira, inclusive eu te apoiava em todas as suas decisões.
-Eu sei , eu sei. Eu me arrependo profundamente, não queria ter te magoado. – respondi enfiando as mãos dentro da jaqueta de couro.
-Tudo bem Dougie, as pessoas erram mesmo. – ela concordou, mas a sua expressão parecia triste. – Bom… era só isso que tinha para falar comigo?
-Sim, eu só queria esclarecer as coisas. – na verdade eu tinha mais coisa pra falar, mas eu não acho que não iria adiantar de muita coisa.
-Então eu já vou indo. Obrigada Dougie, acho que até outro dia. – ela riu e eu acenei brevemente. Segui ela com os olhos até o a porta do estabelecimento e vi a mesma atravessar a rua, parecia que alguém a esperava. A atendente trouxe os pedidos e eu fiquei encarando a sua xícara intocada no outro lado da mesa, eu suspirei e peguei o meu café expresso para dar um gole. Ótimo Dougie, que fiasco de conversa. Eu revirei os olhos e me levantei deixando o pagamento sobre a mesa, em seguida sai da cafeteria e fui em direção do meu carro que estava próximo dali, na medida que andava olhei para cima e senti os primeiros flocos de neve daquele inverno.