Mine

Mine

Sinopse: Por um dia, vocês irão pertencem um ao outro.
Mas quando chega ao final? Você não deseja por mais?
Gênero: drama e romance.
Classificação: +14
Restrição: bebidas alcoólicas, insinuação sexual e linguagem imprópria.
Beta: Brooke Davis

 

 

1. You are the best thing that’s ever been mine

 

.
A caixa estava repleta de lembranças antigas, uma a uma, trazia os melhores momentos ao lado dele, e se apaixonar pelo melhor amigo de infância de seu irmão mais velho era um clichê universal, sabia disso quando se apaixonou por ele.

Porém, ele não era apenas o melhor amigo de infância de seu irmão, encarou o homem que sorria nas fotos de família, enquanto pensava que aquilo era um pecado de sua parte.

Como ela se apaixonou pelo enteado do seu avô? E consequentemente, o melhor amigo de seu irmão?

era o típico garoto problema em sua vida, pelo menos, ela sempre soube que a relação deles era fadada ao fracasso desde o início.

Mas quem disse que seu coração ouvia?

2005.

A primeira vez que o viu, ela estava chorando no banco do lado de fora da casa funerária.

O choro de deu avô era alto do lado de fora, mexia na boneca de pano, ao passo em que as lágrimas desciam pelo seu rosto ao pensar que ela não ouviria mais as palavras gentis de sua mãe.

O acidente de carro levara a vida de seus pais, e deixara ela e Aoi sem qualquer figura materna ou paterna em sua vida, sobrando apenas o avô que estava em luto pela perda da nora e do filho.

— Ei, está tudo bem, ?

encarou o menino de 12 anos com atenção. A mesma sentiu as lágrimas banhando sua face, enquanto os dedos sobre seu rosto limpavam as gotículas.

— Se acalme.

Talvez naquele momento, ela tenha se apaixonado por ele.

de sete anos era uma sonhadora.

de 23 anos pensava que as coisas não eram tão simples como parecia, a mesma lembrava da convivência deles durante sua adolescência, ao passo que pensou que era o amor de sua vida, e muitas vezes, ela acreditou que seria a princesa dele e que um dia, ele casaria com ela.

Uma mera ilusão. se lembrava do menino de 12 anos que sorria com animação, enquanto a mesma o seguia para todos os cantos como uma adoradora dele sem entender a profundidade de seus sentimentos.

era diferente, ao menos, era diferente de Charles e Aoi para ela.

Eles eram o quarteto fantástico, e talvez, ela pudesse ser a Susan Stone na vida de . E outro ledo engano que uma garotinha como ela pudesse competir com as meninas na idade de .

A garota sempre pensou que aquele mundo deles não mudaria desde que ela pudesse estar sempre ao seu lado com seu , porém, no momento em que conheceu o ciúmes, soube que jamais seria seu.

E assim, ela manteve isso em seu coração.

2007.

estava atrasado.

Era seu aniversário, e a pessoa preferida dela no mundo estava atrasada –, encarava a cidade fria de Tokyo, enquanto os flocos de neve caiam sobre o chão da rua.

E de novo, não havia aparecido. A menina estava irritada com isso, enquanto o bolo de chocolate, os salgados e doces estavam ali todos prontos apenas aguardando a chegada do restante de sua família –, Maya preparava as comidas favoritas de , ao passo em que a garota olhava para fora da janela.

Será que ele esqueceu?

Charles já havia chegado a tempos, e estava jogado no sofá com seu avô, enquanto comentavam sobre o campeonato de baseball de ensino médio, a menina bufou de novo, e se sentava sobre o sofá que ficava na janela.

— Ei, pestinha.

A voz de Aoi soou, o adolescente da mesma idade de tocou na cabeça dela, enquanto beijou a face da irmã mais jovem que ainda encarava a janela com expectativa, ao mesmo tempo em que Charles questionou:

— Cadê o ?

— Ele foi levar a namorada para casa.

— Namorada? Que namorada? – A voz de Maya soou curiosa, enquanto encarou o adolescente, que riu. – arrumou uma namoradinha?

parou. Namorada? A garota de nove anos encarou a neve, enquanto as risadas de Charles e Aoi sobre a novidade, ao mesmo tempo em que pensava que havia esquecido de seu aniversário por causa da namorada.

— Vamos comer. Amanhã você tem competição, .

abriu seu melhor sorriso, porém seu coração murchou, ao mesmo tempo em que encarou a neve.

Era a primeira de muitas que deixaria seus aniversários de lado.

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Ambos estavam constrangidos, sentiu aquele sentimento estranho ao perceber ela como sua parente a partir do momento em que sua mãe havia dito que se casaria com o senhor .

E o romance de quase 20 anos seria oficializado perante os parentes, amigos e conhecidos mais próximos.

A foto de família, enquanto ele estava de um lado, e ela do outro sorrindo, enquanto as mãos do mais velho estavam sobre seus ombros, ao lado de Aoi que sorria para o então amigo de infância.

estava fodidamente linda naquele kimono com as cores brancas, e suas flores desenhadas de forma graciosa sobre a vestimenta, ao lado do avô, que beijava sua face genuinamente feliz em vê-la depois dela ter se mudado da casa onde eles cresceram.

queria beijar ela, de novo –, enquanto apenas sentiu a mãe sorrir gentilmente ao seu lado, no dia do seu casamento com avô de que mantinha um bom humor ao citar os novos membros da família .

Apesar da pequena família se resumir a eles, Yuki tratava-o como seu próprio filho.

A lembrança de se encontrarem numa festa era viva, lembrava da garota dançando de forma provocante, as feições cobertas pela máscara enquanto os olhos negros estavam fixos em si, enquanto o último encontro parecia lembrar das mãos pequenas sobre seu corpo, dos sussurros incompreensíveis da boca dela. Mas naquele momento tentou não imaginar a garota sem qualquer vestimenta durante o almoço de família.

Era o dia de sua mãe.

Porém, o rosto de fazia ele lembrar da expressão sexy que a mesma fazia quanto entregue aos caprichos do corpo como naquela noite.

E, por algum motivo, ele não estava arrependido.

Quando foi que tudo ficou tão complicado?

2010.

A quadra de vôlei no centro de Tokyo estava agitada, encarou o grande aglomerado de pessoas, enquanto o time feminino do colégio Seidou acabava de entrar para seu jogo.

O voo até ali fora longo, e pensava em suas merecidas férias durante seu recesso de inverno. Enquanto pensava que os dias em Oxford logo estariam no final, percebeu a figura miúda entre as jogadoras, ao mesmo tempo em que se sentou ao lado de sua mãe e de Yuki, enquanto o irmão mais velho, Charles, gritava a pleno pulmões com a torcida da Seidou juntamente com sua então namorada, e Aoi tocava juntamente a banda da escola da irmã.

A menina de cabelos escuros tinha cabelos curtos, o rosto pálido, enquanto segurava com firmeza a bola em sua mão.

— Querido, você chegou.

— Meu Deus, ela vai sacar?

— Sim, ela vai.

Cochichou a mulher, enquanto torcia os dedos nas mãos. de 15 anos sacou a bola acertando um ace entre duas jogadoras, o jogo de vôlei valia o Campeonato de Inverno e o último saque definiria se a Seidou ou não seria campeã.

E naquele segundo, percebeu que havia mudado naqueles três anos que esteve fora no Reino Unido.

Ela não era mais uma garotinha.

riu de si mesmo, e o gole de champanhe desceu por sua garganta. Ao pensar nisso, a garota pequena e de grandes olhos castanhos havia se tornado uma moça esbelta aos seus olhos, ao mesmo tempo em que a menina se tornava cada dia mais bonita.

não tinha mais nenhum ar infantil.

A menina que o seguia por todos os lados, agora era uma moça de 23 anos com um sorriso enorme no rosto enquanto tiravam a foto.

apenas suspirou, enquanto apenas sentiu a mão sobre a sua, ao mesmo tempo em que a mãe chamava sua atenção. Maya estava linda em um kimono em tons vermelhos, enquanto a maquiagem estava impecável.

— Está feliz?

— Sim, muito. Mas você parece distraído, meu amor. O que houve?

bebeu um gole do champanhe, enquanto apenas sorriu de lado.

— Está tudo bem, mamãe.

está arrasando corações. Seus primos estão doidos para que o Yuki apresente para eles. Onde está a Melanie?

— Nós terminamos. Já faz um tempo, mãe.

— Oh, meu filho. Por que?

Hm, é o seu dia, mãe. Vai enamorar seu marido. Vai.

— Depois eu quero saber o nome da garota que você está escondendo de mim, ok?

— Sim, mãe.

Riu, enquanto a mulher foi chamada atenção de seu marido. pensava que o nome?, Maya conhecia bem a garota por quem estava completamente apaixonado.

Ao mesmo tempo em que pensava no beijo pecaminoso dela.

Na noite de ontem.

estava aos beijos –, queria esquecer .
Afinal, a mulher não era para seu bico, e muito menos podia brincar com ela, ao qual tinha certeza que ele seria o brinquedo naquela relação.

sentiu as mãos pequenas, enquanto a mulher ofegava sobre seu toque, o cheiro do álcool escapava por seus lábios, e ambos completamente drenados por suas paixões.

queria esquecer , porém o perfume primaveril escapava daquele corpo, enquanto o mesmo apenas sentiu as costas sendo arranhadas por cima da camisa branca.

Não houve palavras entre eles, e muito menos qualquer tipo de sentimento, ambos estavam ali para se entregar um ao outro de forma impura, para esquecer.

Porém, a mulher paralisou.

A mão gentilmente tocou sobre uma das poucas tatuagens expostas, enquanto se afastou soltando um palavrão em japonês.

?

Ele reconhecia aquela mania, reconhecia aquele cheiro, enquanto a máscara caiu lentamente pelo rosto completamente constrangido de , que tentava cobrir o vestido que subia.

— O que está fazendo aqui, ?

franziu o cenho. Enquanto tentava fugir, a puxou para cama, o rosto completamente vermelho pela vergonha e pelo álcool.

?

— Me solta. Ah, você estava… Ah, meu deus eu preciso sair daqui, me solta, .

— Esqueceu que sou seu tio?

— Você não é meu tio. Você é o cara por quem eu estou apaixonada. Agora, me solta!

— O que?

sentiu a vermelhidão piorar, enquanto pegava seus sapatos, porém a segurou e se jogou sobre ela na cama, os olhos verdes fixos nos castanhos escuros ao mesmo tempo em que a mesma perdeu o ar de seus pulmões.

— O que você disse?

— Você não é meu tio.

— A outra frase, . O que você disse?

A garota, vermelha, desviou os olhos, enquanto encarava as lágrimas descendo por sua face, e a soltou de imediato, porém ainda mantendo seu corpo sobre o dela.

O que ele mais odiava no mundo era ver chorando, a mesma fungou e o encarou, as lágrimas cristalinas descendo por sua face.

— Eu gosto de você. Sou completamente apaixonada por você. E eu estou nessa merda de balada para esquecer você. Satisfeito?

O som que escapou era só um sussurro, sentiu os dedos nervosos, enquanto avançou sobre a boca borrada de batom vermelho arrancando um gemido dela, mordeu os seus lábios enquanto lentamente as mãos que lutavam contra aquele desejo o puxavam para mais perto.

— Repete.

. O que…?

— Eu sou louco por você, . Completamente louco por você, e eu sou tão louco ao ponto de vir pra essa balada para esquecer você também… – apertou os lábios, enquanto beijou a boca dela, o álcool era combustível para aquelas palavras tolas que escapavam dos seus lábios – Eu gosto de você. Eu gosto de você.

Sussurrou em japonês tomando os lábios dela novamente nos seus, apertou as unhas ao redor dele, ao mesmo tempo em que beijava seu pescoço.

— Mas não pode ser meu.

Sussurrou ela. parou de remexer enquanto segurou a ponta dos cabelos escuros nas suas mãos e se afastou.

A razão havia voltado – era neta de Yuki e Yuki era seu padrasto. A mesma ajeitou a roupa e constrangida encarava o quarto de hotel em que ambos estavam enfurnados.

— Eu sinto muito, .

— Pelo que?

— Por isso.

A puxou para um beijo, ao qual apenas sentiu o gosto salgado ao passo em que a mesma o empurrava.

— Você não pode ser meu, .

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.
A lembrança ainda queimava sua pele.

soube que não poderia agir como uma criança mimada e querer para si. Num momento de distração, a taça foi retirada da sua mão, arqueou as sobrancelhas enquanto bebeu do mesmo copo que , a mulher suspirou enquanto todos olhavam para ambos, ao mesmo tempo em que as fotos de família eram tiradas, e o sorriso polido e contido estava em seus lábios para as então recordações.

Afinal, naquele momento, eram tio e sobrinha.

— Você parece bem da sua ressaca?

apenas arranhou um sorriso simpático, ao passo em que pensava que não esqueceria de sua dança sensual na boate, e que ambos trocaram beijos sem saber a identidade um do outro.

Bêbados ainda –, a jovem suspirou em pensar nas tatuagens do então filho de Maya, e ocupou a boca com um pedaço de salgado que afanou de uma das bandejas que estava sendo servida.

— E você? Lembro bem que bebeu bastante. Eu adorei a sua tatuagem no abdômen.
Mordeu de forma despretensiosa a comida, fazendo engoli a seco e beber o restante do álcool na taça, apenas percebeu a mão ser erguida.

— Me concede a honra.

— Sendo honrado? Nós avançamos muito rápido, ontem, querido. Que tal não brincar com fogo?

abriu um sorriso, enquanto ambos dançavam ao som da música romântica, sentiu os dedos em suas costas, e sussurrou.

— E você está me saindo bastante atrevida, . Então, vamos esquecer a noite passada?

— Oh, não quer esquecer?

apertou os lábios, enquanto riu, o riso fraco, e apenas apertou a cintura dela sob o tecido do kimono.

— Eu quero algo de você.

— E seria?

sorriu, enquanto apenas a girou, e sentiu seu coração vacilar com o rosto compenetrado no dele.

— Um dia.

franziu o cenho, enquanto apenas parou na música e sentindo a mão sobre seu ombro, enquanto se afastou com Charles ao seu lado para fotos com sua avó, Maya, sentiu aquele sentimento de perda.

Um dia?

2014.

A primeira vez que reconhecia que tinha um péssimo gosto para mulheres, foi enquanto ela e Aoi encaravam a mulher de cabelos loiros e vestimentas inapropriadas para ocasião.

— E você não tem nada para emprestar para ela?

Os cochichos de Aoi chamou sua atenção, o irmão estava tão vermelho quanto ela, afinal, Lindsay era linda.

— E você acha que algo meu vai caber nela?

Os dois irmãos se olharam e riram, enquanto parecia perceber as impropriedades das roupas da então namorada.

— Vocês… Tem algum casaco?

— Temos o velho casaco da tia Ume. Ela não vai querer. Nós também temos a opção de emprestar uma das roupas da , mas não acho que a minha irmãzinha é menor do que ela.

Avisou Aoi sobre velho casaco, enquanto suspirou, e mandou todos entrarem no carro para a local do casamento, ao passo em que dois irmãos sentiram o clima estranho entre o então casal.

Talvez Lindsay precisasse saber que havia senhores de idade que estavam encarando o vestido curtíssimo que ela estava vestindo, com atenção para as partes quase descobertas. manteve a expressão calma, enquanto todos encaravam a acompanhante do jovem irmão de Charles com um sorriso simpático.

O mesmo Charles que se casava naquele momento com Yumi –, sentiu as lágrimas descendo, durante os aplausos, e apenas seguiu até o banheiro.

Porém, parou ao ouvir a discussão.

— Ah, você realmente veio com essa roupa. É o casamento do meu irmão, Lindsay! Eu pedi discrição.

— E você quer que eu me vista igual a anjinha da sua sobrinha? Você não me disse que ela era adulta. Achei que falasse de uma criança com seu tom amoroso, . Eu percebi o seu olhar para ela. Tá doidinho para comer ela, não é?

A voz soava, enquanto Lindsay se virou, o rosto de perdeu a cor. A mesma percebeu sem graça as mulheres de mais idade também saindo do banheiro, nenhuma delas fluente em inglês enquanto a loira bufou, e a mesma rodou nos calcanhares para sair dali, enquanto a vergonha por ter ouvido tal declaração da boca da namorada de soou, e apesar de ter certeza que era um equívoco dela se sentiu mal por causa disso.

!

sentiu a mão sobre a sua, enquanto encarou os olhos fixos dele em si, ao mesmo tempo em que ele passava a mão pelo cabelo bagunçando.

— Eu sinto muito. Ela não quis dizer aquilo…

— Está tudo bem, tio.

Engoliu a seco, enquanto apenas sorriu, correu para outro lugar, e pensava se poderia vê-la como mulher.

Não.

encarou o celular, enquanto a mensagem de estava brilhando no smartphone.

: me dê um dia.

: um dia de quê?

: para ser minha por um dia, . Me encontre amanhã na estação de trens. Vista roupas confortáveis.

percebeu o homem encarando-a do outro lado do salão, enquanto o mesmo sorriu.

O que estava havendo?

X
 

Não vá.

estava ali –, a mesma encarava as pessoas, enquanto pensava que estava brincando com ela, o mesmo sentimento que sentiu antes.

Ela estava sendo boba novamente, porém a flor parou a sua frente, desceu os óculos enquanto encarou a mulher com um sorriso de lado, ao mesmo tempo em que avaliou a roupa dela.

— Você está maravilhosa.

— O que você quis dizer com um dia?

suspirou enquanto enlaçou as mãos na dela e a puxou. A flor foi colocada na bolsa dela, a mesma franziu o cenho para ele, tentou parar ao mesmo tempo em que o homem passou as mãos pelos cabelos.

— Eu fiquei pensando naquela noite. E quando você disse que não podíamos ser um do outro… Por nossa condição, e por um dia, eu pensei: eu quero ser o namorado da por um dia, sem qualquer obstáculo. E cá estamos nós.

, isso…

O homem parou, sentiu as mãos sobre sua cabeça, enquanto sorriu, e a mão erguida para ela.

— Por um dia, . Seja minha namorada.

jamais havia se ariscado, ao passo em que deu um passo para trás, porém alguma força absurda, ou o fato de que queria ter por um dia para si, talvez tivesse dado força.

— Por um dia.

Pegou a mão dele, enquanto o puxou.

— Eu quero todos os clichês possíveis.

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O primeiro clichê que queria ter com ela: pegar pelúcia da máquina que ficava nos fliperamas quando mais jovem.

olhava animada, a mão segurando a sua, enquanto o vento bagunçava os cabelos castanhos, a mesma tentava pegar o urso na máquina, enquanto pulava de frustração.

queria encher ela de presentes –, por um dia, ela seria sua.

— Você é terrível.

— E você consegue?

Desafiou, enquanto apenas a puxou para si, um sorriso surgiu nos lábios dele.

— Um beijo. E aquele coração é seu.

— Depois de ganhar, .

— Ei, ei, ei… isso é injusto.

Antes que ela virasse o rosto, ele roubou um selinho dela, enquanto a mesma corou, tocou na cabeça dela ao mesmo que os olhos castanhos encaravam os dela com atenção.

— E você já tem um coração.

— Não tenho!

— O meu.

sorriu, enquanto tentava pegar o coração na máquina, ao mesmo tempo em que ela riu da falta de habilidade dele.

— Essa máquina está quebrada.

— Suas habilidades são terríveis, querido.

riu, enquanto a mesma o puxou. Naquele momento, encaravam as lojas por onde passavam e entraram numa loja de roupas usadas.

— Ah, não. Não. Não. Nós não precisamos disso. Já fiz isso muito na sua adolescência.

— Vamos, .

suspirou, enquanto a mulher pegou roupas aleatórias e colocou sobre a cabeça dele, ao mesmo tempo em que ele apenas a puxou para si para o canto da loja e beijou seus lábios, e riu do rosto vermelho dela.

— Eu amo seus olhos.

— E você não vai escapar disso.

Suspirou em derrota, enquanto foi empurrado para dentro do provador.

, por favor.

E ele não negaria nada para daquele jeito.

Ok. Ridículo. Enquanto tirava fotos dele usando as roupas aleatórias escolhidas por ela, não sorriu enquanto ela usava uma roupa por cima da camisa branca, e encarava ele com um sorriso de lado.

Ele nunca vira daquele jeito antes.

Havia faces as quais ela não mostrava para ninguém.

2014.

não era como as garotas de sua idade, ao menos na opinião de Aoi. encarou a garota sentada lendo um livro, após as refeições como sempre desde que se tornaram uma adolescente.

A mesma fingia indiferença perante os comentários de Aoi –, não sorriu, enquanto pensava no que Lindsay havia dito, ao mesmo tempo em que pensava que estava louco.

tinha 18 anos –, não havia como, enquanto , de 22 anos, tinha que manter a compostura.

Suspirou novamente, enquanto sentiu as mãos sobre suas.

— Está tudo bem, querido?

— Eu… Eu briguei com Lindsay.

— Oh, o que houve? A roupa que ela veio no casamento do seu irmão fez… Sucesso.

— Ah, todos comentaram. Até mesmo a tia Nao.

— Imagino que seja. Mas entenda, é o jeito dela, é só um choque de cultura.

— Como você soube que amava o Sr. Yuki?

— Yuki é um homem maravilhoso – riu, o tom suave – Eu e ele tínhamos nossas diferenças, quando eu disse que não queria casar.

— Até hoje, ele reclama disso.

, quando for a hora, todos nós sabemos… Ainda não é hora para mim. Afinal, eu amo o Yuki. E isso que importa.

percebia quando a garota o servia, a mesma piscava para ele, enquanto ele mordia a maçã que era oferecida.

— Eu amo você.

O tom decidido, ao passo em que franziu o cenho para ele, ao mesmo tempo em que sorriu.

— Você não precisa dizer nada, .

Sussurrou com sua testa colada na dela, enquanto beijou seu nariz.

— Vamos para a roda gigante!

Enquanto a puxou, ao mesmo tempo em que sentiu os dedos entrelaçados aos seus.

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Se algum dia, alguém lhe dissesse que estaria naquele momento lhe beijando, ela teria dito que a pessoa não batia bem da cabeça.

A mulher suspirou perante o beijo, ao passo em que sentiu a mão dele sobre sua face, a mesma sorriu enquanto os narizes estavam perto um do outro.

Ela sentia aquela sensação sobre sua boca, trazendo todos os sentimentos que tentou enterrar em sua alma.

Queimava sua pele, o contato dele com a sua, ambos parados num ato sem fôlego, enquanto a roda gigante no meio do dia chegava no seu ápice.

Quando foi que ela começou a sonhar acordada?

não se importava mais enquanto atacou a boca que estava vermelha, enquanto o ar era roubado dos pulmões.

Ao mesmo tempo em que aquele maldito sorriso pintava o rosto dele.

Por um dia, ela seria dele, porém, e se fosse egoísta e quisesse mais? ignorou os questionamentos em sua boca, a mesma apenas respirou fundo.

Enquanto os olhos fixos em si, avaliavam a sua expressão.

— Eu amo você.

2019.

Yuki era o melhor avô do mundo.

Pelo menos para e Aoi, enquanto o homem com mais 70 anos ainda tinha energia e uma felicidade única ao lado de Maya Brown, a mesma mulher que cuidou deles durante a adolescência, encarava o doce de chocolate a moda inglesa, ao passo em que Aoi e Yuki comentava sobre baseball.

— Então, está namorando de novo.

— Oh, ele apresentou já?

A única que desconhecia a nova namorada de era –, ela escapou de conhecer a garota por causa da faculdade, enquanto franziu a sobrancelha.

Talvez devesse ter trazido um plus one para casa, apenas ouvia a conversa fingindo estar entretida.

— Desde a Lindsay, achei difícil ele arruma uma namorada, não é, querido?

Yuki apenas deu de ombros, ao mesmo tempo em que Maya riu.

— Esperemos que seja melhor que a nossa última plus one, não é ?

manteve um sorriso aberto, nenhuma das namoradas de gostava mesmo dela, então não se importava mais em se portar de maneira adequada, enquanto apenas roubou o bolinho recém saído do forno e mordeu sentindo o ardor, fazendo careta ao sentir sua língua sendo atormentada pelo quente.

Mas ignorou, ela queria se afogar em doces.

— Ele vai trazer ela hoje.

mordiscou o bolinho de chocolate, enquanto sentiu aquela comichão, ao passo em que Maya apenas apertava sua orelha de forma contida, e ria da atitude da então jovem mulher, e ralhou como se ainda tivesse cinco anos.

— Ainda com essa mania.

— Seus doces são maravilhosos, é culpa do vovô.

— Lá vem você dizer besteira, , me dê um… – disse com tom sério, enquanto passou as mãos pela cabeça da neta e comeu o bolinho oferecido – Então, pronta para conhecer sua nova tia?

Nova tia? Por que todas as namoradas de tinham que ser sua tia? A garota de 22 anos revirou os olhos, enquanto apenas abriu um sorriso seco, ao passo em que pensava que já tinha seus 27 anos.

E logo, provavelmente, se casaria.

— O que foi, ?

Hmm, eu quero cupcake.

Ela disse ignorando então a porta, as vozes animadas, enquanto trazia a menina de cabelos cacheados e sorriso meigo, e não tinha como ela odiar aquela menina.

! Melanie, essa é a , a minha sobrinha.

O tom dito era fraco, enquanto sorriu para a mulher. Melanie arqueou as sobrancelhas, ao mesmo tempo em que tocou no ombro de de forma instintiva, apesar de que apenas sorriu ao mesmo tempo em que sentiu aquela sinergia entre eles.

Talvez dessa vez eles ficassem juntos, enquanto a mesma apenas se ajeitou e colocou seu melhor sorriso no rosto.

—Prazer, .

estava deitado sobre seu colo, ambos olhando o pôr-do-sol. O dia havia trazido alegria, enquanto as horas compartilhadas estavam sendo guardadas no coração e na memória, encarou o nada por um tempo, enquanto apenas absorveu o perfume dele por um tempo, ao passo em que breve, eles iriam se despedir.

— Eu preciso ir.

.

— Já está bom por hoje, , é um dia.

se esticou, enquanto pegou o urso que ganhou numa barraca, ao passo em que o homem segurou sua cintura beijando sua face, seu nariz e bochecha.

— Eu amo você.

Sussurrou, enquanto a mesma sorriu, ao mesmo tempo em que falou em tom baixo de volta.

— Eu também amo você.

E se afastou, porque ele não poderia ser seu mesmo que quisesse, e apenas seguiu para sua própria casa.

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— Precisamos conversar.

A voz de Aoi soava apreensiva, enquanto tinha o cheiro de álcool no sangue. Aoi era do seu tamanho, os cabelos lisos bagunçados, enquanto encarava o então melhor amigo e cochichou.

— Por que eu vi você e a aos beijos no mercado?

Ah, ele viu? apenas suspirou enquanto retirou os calçados de seus pés, enquanto sentiu a exaustão por manter aquilo dentro de si.

— Porque eu a amo.

— Ela…

— Ela não é minha sobrinha, Aoi, assim como você não é meu sobrinho, somos amigos, cara. Eu… Eu… Eu sou completamente apaixonado por ela… Mas, eu não terei qualquer coisa com ela, só por um dia. Por um dia, eu podia dizer que é a minha namorada, eu posso ter isso?

E naquele momento, Aoi percebeu a dor ao passo em que as lágrimas desciam por sua face. sentiu o rasgar de seu peito, enquanto riu em escárnio de si mesmo por ser tão covarde, ao mesmo tempo em que desejava que pudesse ser sua por mais tempo, enquanto encaravam um ao outro.

Ele sentiu o gosto dos lábios dela, das mãos sobre as suas, da risada que pertenceu por um dia ao mundo dele, dos sorrisos incontidos.

Por um dia, pôde ser sua, assim como ele pôde ser dela.

não era nada sua desde o início, enquanto engoliu a seco todo aquele sentimento que havia dentro de si, ao mesmo tempo em que seu melhor amigo o segurou num abraço, e sentiu todo aquele esforço para manter seu coração vivo.

Mas ele havia sido arrebatado de seu peito.

E ele tentou não dizer aquelas palavras, mas era impossível, seus olhos, corpo e coração gravitavam por .

— O que você fez?

A voz que ele não queria ouvir estava ali, Aoi apenas se colocou entre ele e seu avô. Yuki encarou com uma expressão confusa por alguns segundos.

. O que você fez para ?

2019.

— Eu soube que o jovem Gin queria conversar com , será que ele pode se apaixonar por ela?
ouvia alguns nomes da boca de sua progenitora, ao mesmo tempo em que seus olhos pararam em Aoi, o então amigo fez um sinal de desconforto.

— Ah, será? É escolha dela, afinal, ela é livre.

— E se alguém viesse pedir a mão da ?

A voz de Aoi soava risonha, enquanto Yuki riu de forma descontraída, enquanto sentiu a vontade de bater no amigo.

— Sua irmã? Ela parece apaixonada por alguém desde a adolescência, e bem diferente de vocês que ficam sofrendo de coração partido…

— Ah, vovô, a ? Ela é uma tirana escolar¹, as melhores notas, o melhor desempenho. Desde quando ela se interessa por garotos? Se trouxesse alguém como o para casa como namorado? Como seria?

parou a colher, Aoi deu de ombros para o amigo, enquanto sentiu o olhar analítico de Yuki sobre os dois.

jamais tiraria alguém igual ao tio dela, Aoi, já imaginou?

— E você ainda a trata como criança.

— Mas ela é uma criança. Charles, e Aoi vão proteger ela para mim, afinal, é a nossa princesa. Certo, meninos? Vamos comer.

engoliu a seco, enquanto apenas bebeu o suco entre as risadas da família, será que ele era tão longe do tipo ideal de ?

Ao mesmo tempo em que suspirou, que tipo de pensamento é aquele?

O chá posto a sua frente era quente, o cheiro estava penetrando suas narinas, sentiu o olhar duro do então padrasto, enquanto o mesmo avaliava a condição dele falar sobre o que ele havia dito minutos atrás.

— Você e a

— Por um dia, Yuki-san.

Jamais havia chamado ele de pai ou qualquer coisa de gênero, tinha as sobrancelhas franzidas, enquanto pensava no sorriso deslumbrante de .

Ele estava viciado por um dia –, desejava está nos braços da mulher.

— Você a ama?

sorriu, ao passo em que deixou todos aqueles sentimentos saírem por sua boca.

— Eu sou fodidamente apaixonado por ela, mas eu sei que ela não pode ser minha. Afinal, nós…

— Você a ama?

então encarou a própria família, os olhos fixos nele, enquanto disse com uma certeza de que nunca teve antes com outra garota em sua vida.

— Eu a amo.

X
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Um dia.

Foi tudo que ela pode ter, encarou a própria sorte, e pensava, como isso tudo ocorreu? Enquanto encarou o espelho, aquela pessoa não era ela.

Não era.

A menina tinha os olhos marejados de lágrimas, a mesma menina que por 10 anos foi apaixonada por alguém, a mesma que agora sentia como se o mundo pudesse parar a qualquer momento, enquanto riu.

Uma risada triste e genuinamente feliz, ao mesmo tempo em que a ficha caiu, de que por um dia foi seu.

respeitou fundo, enquanto sentiu seus pés como geleia por meio segundo, ao mesmo tempo em que riu.

Por um dia, ela pode ser dele.

2019.

Yuki encarou ela.

apenas sentiu o olhar minucioso de seu avô sobre si, e um suspiro resignado escapou dos lábios dele para ela, enquanto a mesma o percebia encarando a mesa o Go², a mesma percebia o rosto concentrado dele.

— Então, você e o Brian não deram certo?

O nome Brian estava fadado a ser esquecido apesar de um ótimo plus one, apenas sorriu para ele com um sorriso desconfortável, enquanto apenas avistou o rosto compenetrado do avô.

— O que se passa na sua cabeça?

— Se eu me apaixonasse por alguém que eu não posso ter, você apoiaria essa paixão, vovô?

suspirou.

— Se você fosse feliz, eu acredito que sim.

sentiu as lágrimas descerem por sua face, talvez fosse o destino lhe dizendo que não deveria estar pensando, enquanto apenas sentiu as lágrimas se misturando a água de seu banho, ao mesmo tempo em que questionava sua própria sanidade.

Os lábios que foram beijados por , o gosto de menta que escapava da boca dele, enquanto apenas baixou a cabeça ao sentir aquele sentimento estranho em seu corpo.

Lentamente, deixou qualquer coisa de lado. As palavras que não deveriam ser ditas naquele dia deveriam ser esquecidas, apenas respirou fundo.

Enquanto apenas vestiu a roupa, e encarou o reflexo no rosto.

Não era para ser. Não era.

Enquanto vestiu a roupa, ao mesmo tempo em que se jogou na cama, a campainha tocou. franziu o cenho, enquanto se levantou.

Logo, estava a sua frente, a mesma o empurrava para a parede, as mãos geladas sobre as suas, enquanto o mesmo ar quente escapava de sua boca.

Enquanto tomou seus lábios novamente, o ar fugindo dos seus pulmões, enquanto ela sentiu seu corpo amolecer de repente.

.

. Por favor, não me afaste mais. Não me afaste mais.

— Nós…

— Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.

Se rendeu, enquanto mais uma vez se deixou levar pelos beijos dele, ao mesmo tempo em que sentiu o gosto na sua boca. apenas segurou sua cintura, ao passo em que sua voz lhe dizia que não deveria se render, ao mesmo tempo em que a mesma sentiu o rosto próximo, lhe beijando com delicadeza.

— Eu sou seu, .

— Meu?

— Sim. Eu sou seu. Eu te amo.

Ao mesmo tempo em que a puxou para si.

— Nossa…

— Eu conversei com Yuki-san. Apenas disse se for desleal, ou fazer você sofrer. Eu…

— Vovô aceitou?

A garota franziu o cenho, enquanto a ergueu, os olhos verdes fixos em si, o mesmo segurou firme enquanto a mulher parecia descrente.

— Eu posso ser seu?

encarou a si mesma no espelho, sendo carregada pelo homem que habitou seus pensamentos nos últimos 10 anos.

Ela o queria.

Sim.

Fim.

¹Termo usado na Ásia para os melhores estudantes que dominam os primeiros lugares em competições, provas e etc.

 

²Go – Weiqi ou Baduk é um jogo estratégico de soma zero e de informação perfeita para tabuleiro em que dois jogadores posicionam alternadamente pedras pretas e brancas.