mirrorball

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Sinopse: Com a morte de sua mentora favorita, eles precisam voltar ao lugar que representa as melhores memórias de sua infância e adolescência. Há tanto para sentir que pode ser confuso e até sufocante, mas pode ser bom também. Na companhia certa, pode ser muito bom.
Gênero: Drama, Romance.
Classificação: 12 anos.
Restrição: O nome Tessa Yang está em uso.
Beta: Alex Russo

— Tudo está igual. – é a primeira a entrar no chalé principal da propriedade, e é a primeira a falar também, rindo de maneira triste.
— Parece até que o tempo parou aqui – concorda, olhando em volta.
É verdade. O tempo sequer parece ter passado, mesmo que faça pelo menos quatro anos desde que o mais novo deles passou o verão ali. É um acampamento de férias para crianças e adolescentes, afinal. Faz algum tempo que passaram daquela fase. Ainda assim, seria mentira dizer que não sentem falta. Um pouquinho mais a cada dia.
Tessa Yang foi uma das primeiras, e com certeza a mais importante, referência de mentora que tiveram. E agora ela se foi. Deixou de existir. Morreu.
Eles acabam de voltar do funeral e, mesmo assim, não parece real. Mesmo que a doença da mais velha sequer seja uma novidade.
Tessa fechou as portas do acampamento há um ano e meio, quando recebeu o diagnostico de Osteossarcoma, mas apesar de lutar da maneira mais agressiva que pôde, já estava condenada. Quando aceitou aquilo, pediu alta do hospital e voltou para o chalé principal onde vivia, onde fazia o que mais gostava no mundo inteiro: Moldava os jovens. Ao longo de seus últimos seis meses de vida, alguns desses jovens voltaram para lhe visitar, se despedir. Os mesmos jovens que, ainda que soubesse que não devia, que não era certo, ela escolheria como seus alunos favoritos se pudesse.
, a mais velha deles, é um refresco, um sopro de luz tanto quanto foi em sua época no acampamento. Talvez mais agora que está mais segura. Tessa gostaria de ver. Gostaria de ver como passou o tempo todo no funeral com um braço ao redor da loira, segurando o choro. Ele sempre foi um garoto chorão, e Tessa muitas vezes o repreendeu, ela dizia: você precisa aprender a ser forte ou essas lágrimas vão te devorar, garoto. Ele estava aprendendo.
— Bom, passou – lembra. Não é sua intenção soar tão dura, mas se preocupa com seus amigos. Cada um deles sente suas dores de maneira muito especifica, e tem medo que se percam nelas, nas dores e nas lembranças, e não consigam encontrar seu caminho de volta. não pensou naquilo, mas se estivesse ali, se visse agora, Tessa sorriria. – Eu acho que tudo parece diferente, na verdade. Tinha música da última vez que estive aqui – comenta, abrindo um pequeno sorriso, satisfeita também pelo tom mais suave das próprias palavras. Era melhor daquele jeito.
… – começa a reclamar quando vê a namorada se aproximar da vitrola, colocando um dos discos favoritos de Tessa para tocar. Chuck Berry. Ele se cala. Tessa era apaixonada por música, ouvia todos os dias no fim de sua vida. O rádio estava sempre ligado. Ela ia gostar daquilo, e o garoto é capaz de reconhecer aquilo tanto quanto os outros.
A alma gentil de , que além de namorado de é irmão de e , sempre foi alento, e uma fragilidade particular de Tessa. Ela gostava de imaginá-lo mais velho, como o homem doce e bondoso que sabia que seria. Que, de fato, ele é. Ela viu isso quando ele a visitou pela última vez. E, porque nunca pediu por mais do que achava que merecia, às vezes pedindo até por menos, Tessa nunca foi capaz de lhe negar também.
Got so much skills and such a beautiful Will, she oughta be somewhere in Hollywood… cantarola baixinho com o rádio quando todos ficam em silêncio, sem saber muito bem o que fazer. Os outros lhe encaram e ele dá de ombros, então abre um pequeno sorriso e também.
Im talking about you, nobody but you – cantam, um tantinho mais desafinadas que o garoto. ri por isso, mas não ousa provocá-las como normalmente faria. – come on and give me a cue so i can… – as duas se calam. Get a message to you.
Aquilo não parece justo, mas a morte nunca parece e já dissecaram o assunto algumas vezes em sua curiosidade juvenil, imaginando o que acontece quando morrem e quem realmente importa quando isso acontece: quem fica ou quem vai. E não ousam desejar uma deixa para dizer algo novo a Tessa, todos eles tiveram. Tiveram suas despedidas.
— Ei, por que eu e a não preparamos o almoço enquanto vocês tomam um banho e vestem algo limpo? – Clara acaba sugerindo depois de um instante. Precisam começar a seguir em frente, e a melhor forma de fazer aquilo é vivendo, mesmo que soe estranho e enferrujado no inicio. Como deve soar, aliás. É normal que soe.
— Isso, vão todos – concorda, sorrindo pequenininho para Clara. Aquela garota de voz doce e coração acolhedor é tão forte que acaba sendo uma extensão de força para todos os outros ali. Consideram Clara algo próximo a um guia de moral, assim como .
Dessa forma, ninguém discute, embora abrace e brevemente e pergunte se elas não precisam de ajuda. “Podem fazer aquilo sozinhas”, é o que diz.
Ainda no corredor do andar de cima, entram num acordo sem muita discussão sobre seus quartos. Ninguém está com muito ânimo para brigar por besteira e fica na porta do quarto que lhe é designado, observando os amigos entrarem, alguns em duplas, alguns sozinhos, nos cômodos que tomam para si também. A falta de uma discussão, uma provocaçãozinha boba, qualquer coisa, faz seu peito doer e ela sabe que faria o de Tessa doer também, mas não tem como ser diferente.
coça a nuca e se vira para finalmente entrar no quarto também, mas não antes que seu olhar encontre o de e ela pare novamente. . não sabe muito sobre muita coisa e, definitivamente, acha que não sabe muito sobre si também. Na maior parte do tempo, ela acha que é um grande esforço, e só. Ela é sonhadora, é crédula, é verdade, mas não se sente como quem demonstra aquilo. Nunca foi natural.
Exceto quando olha para . Toda vez que olha para ele sente que sabe exatamente quem é. E que ele sabe também.


Já é de madrugada.
não sabe se é a única acordada, mas imagina que é a única no andar de baixo, do lado de fora do chalé, no balanço de madeira que está na entrada desde sempre. Ele cheira a verniz, porque Tessa cuida de renová-lo de tempos em tempos. Cuidava.
imagina se devem cuidar daquilo agora, mas tem uma resposta para aquela pergunta tanto quanto para as várias outras que zunem perto de seus ouvidos.
Quando eram crianças, chamavam aquele balanço de Problema, pois era para onde Tessa lhes levava quando faziam algo de errado. Era onde escutavam um sermão, levavam uma bronca. Hoje, pensa que precisam mudar o nome do Problema.
recebeu alguns dos melhores conselhos ali. Talvez… Espertinho? Não, aquilo é bobo demais. Ela não é boa com aquilo. Pediria ajuda aos outros depois.
Bom, talvez. Não sabe muito bem o que vai acontecer com o chalé agora, ou com o resto da propriedade do acampamento. Seria legal se alguém os assumisse, se alguém pudesse dar continuidade ao legado de Tessa, não por obrigação, mas por ser tão apaixonado por aquilo quanto ela. Mas a garota não consegue pensar em ninguém e leva a garrafa de vinho barato que encontrara na geladeira a boca.
Parece um bom jeito de se despedir do Problema, bebendo, no auge de sua maioridade. Quando acha que sabe tudo, e coisa nenhuma.
Não é uma dor dilacerante, aquela que sente quando pensa em Tessa. É uma melancolia saudosa, inevitável. Ela praticamente não faz mais parte de suas vidas quando morre e, exceto aquela dolorosa visita de despedida, não é como se a vissem com regularidade. Mas ela foi uma parte tão grande de suas vidas. Ela os moldou, eram quem eram agora, também, por causa dela. morria de medo de não deixá-la orgulhosa. E se pergunta se já não está começando aquilo errado, pensando em si e em suas escolhas de vida quando Tessa acabou de morrer. Quer dizer, não devia estar chorando? Chorou tão pouco no funeral que se sente culpada.
— Divide? – ouve a voz do irmão mais novo de e vira para olhá-lo se aproximar, assentindo e abrindo espaço para que sente perto dela no balanço. Ele aceita a garrafa de vinho que a garota lhe estende e bebe um grande gole. observa o movimento de seu pomo de adão quando ele engole. — Você acha que ela ficaria ofendida? Se nos visse bebendo aqui? – ele a encara e sorri fraco, fazendo que não.
— No máximo, ficaria surpresa – diz. – Ela sempre foi boa em apreciar nosso crescimento.
concorda. Aquilo é verdade. Ele pensa na última vez que viu Tessa, sozinho. e chegaram a chamá-lo para lhes acompanhar quando foram, assim como e , mas ele quis ir sozinho. Pareceu mais certo assim. As coisas que Tessa lhe disse zunem em sua cabeça agora tanto quanto o som do vento, e o ruído das cigarras na floresta. se lembra de todas ás vezes que entrou naquela floresta com os garotos, de quando quase vomitou enquanto eles matavam calangos e de como riu, todo feliz, quando conseguiu escalar uma arvore pela primeira vez. Aqueles momentos significam muito para ele, pois é o mais novo do grupo e ser o mais novo pode ser exaustivo ás vezes. É como se todos o vissem, para sempre, de um único jeito: de acordo com sua memória afetiva, com o que ele foi, dificilmente de acordo com o que é, com seu presente.
Bom, exceto . parece vê-lo exatamente como é e é por isso que as mãos de transpiram sempre que ficam sozinhos juntos. É por isso que sua boca seca também.
— Eu não paro de pensar que posso nunca mais vir aqui. – Parece ter mais quando ele fala, então o encara em silêncio, esperando. – Alguém devia…
— Alguém devia assumir – adivinha, porque estava pensando o mesmo pouco antes. Ela sorri. – Eu pensei a mesma coisa.
sorri também. Não é a primeira vez que aquilo acontece, mas toda vez que acontece é como a primeira vez: seu interior dança e esquenta.
Eu gosto de você, ele quase diz, mas aperta os lábios. Não parece certo falar algo assim essa noite e observa beber o vinho, esperando para tomar mais um pouco também.
— Estou pensando naquela parede perto da escada. – vira para encarar ao falar e ele tira a garrafa da boca depois de um gole pequeno. – Tessa media a altura das garotas ali. Eu sempre ficava entre as menores – ri, lembrando. – me consolava bem, porque ficava entre as menores também e é a mais velha de nós, mas eu me sentia esquisita. Era como mais um afirmativo de que eu era tão pequena, e que sempre seria menor que as outras.
— Bom, nossas alturas são parecidas. Eu gosto disso – sorri e dá de ombros. morde um sorriso grande demais, concordando com a cabeça.
— Eu também.
E tudo dentro dela dança e esquenta também.
Aquela atração não é algo novo, é tão familiar quanto aquele lugar, na verdade. É verdade que nunca fizeram nada a respeito, mas não é algo novo. Chega a ser engraçado. São a primeira coisa que pensam quando pensam num amor romântico, mesmo já tendo estado com outras pessoas antes, e nunca um com o outro. não sabe se, no caso de , é por medo também, mas no dela é. Tem medo de muitas coisas, mas tem medo do que estar com , especificamente , pode significar. Tem a ver com a ideia de se descobrir. sabe que representa muito daquilo: sua vulnerabilidade, suas inseguranças, expostas para ela. Não foi por isso que largou a terapia há algum tempo? Morre de medo de se descobrir, e isso não é novo.
— Você acha que os outros conseguiram dormir? – pergunta. pensa por um instante, mas nem precisa.
— Acho que não – diz. – Mas não acho que vão sair dos quartos também. Têm companhia.
não – devolve e arqueia as sobrancelhas em sua direção. está dividindo o quarto com , e com . Os dois cômodos são exatamente de frente um para o outro. Eles vão se achar.
faz tudo por , sempre fez. Teve sua fase idiota, em que tratou as coisas ruins que lhe aconteceram como uma desculpa para ser um idiota, mas aquilo era passado agora. Ainda faz tudo por ela e, sabe tanto quanto , vão encontrar um ao outro quando precisarem de algo mais que seus pensamentos ensurdecedores naquela noite.
— Por que acha que Tessa quis que ficássemos no chalé hoje? – pergunta, encarando novamente. A garota dá de ombros.
— Não sei – confessa. – Talvez ela quisesse que a gente se despedisse direito daqui.
— Sim, mas… Por que a gente? – insiste. Ele não entende porque está entre os favoritos de Tessa e, honestamente, também não. Ela sempre achou que fosse por ser amiga dos outros, por ter , Clara, e lhe acolhendo e garantindo que nunca estivesse sozinha e não necessariamente por quem era. Mas não pensa aquilo de . Nunca pensou. parece com um dente-de-leão, um sopro pálido de esperança.
— Éramos os seus favoritos – enfim fala. Não faz sentido dizer mais do que tem em sua cabeça e nem menos consegue organizar os pensamentos para fazê-lo. – Você não acha que merecíamos? – o encara com uma pontinha de esperança. Talvez veja o que ela não vê, talvez saiba por que ela está ali. Quem sabe.
— Você, sim – ele acena. – Já eu… – ri e acaba rindo junto.
— Você é doce, . É gentil até quando não quer e sempre faz o que é certo. Você cativa as pessoas – ela dá de ombros, deixando claro que, para ela, faz todo sentido que ele esteja ali. dá um sorrisinho, sem saber como lidar com a risada que coça em sua garganta, mas não escapa. Aquela não era ela, aos olhos dele?
— Engraçado – comenta simplesmente e ri fraco, mesmo sem saber o que exatamente é engraçado. Os dois levam as mãos à garrafa ao mesmo tempo e acabam rindo outra vez por isso. desliza devagar os dedos para longe da garrafa. – Os mais velhos devem ir primeiro.
acena com a cabeça e bebe um gole, estendendo a garrafa para ele logo depois. Aquela altura, a garota se sente um pouco mais entorpecida e os pensamentos fluem mais devagar, de modo que é possível organizá-los.
— Eu nem me sinto mais velha que você – confessa. Se sente, na verdade, igual a ele. É como se refletissem um ao outro, tão claro quanto a luz do dia vai, em algumas horas, refletir nas janelas de todo o chalé e despertar os outros.
— Não tem vontade de me proteger? – o garoto brinca, porque escuta muito aquilo. Todos querem lhe proteger, cuidar e evitar danos. Como se a vida fosse deixar.
o encara com um sorriso secreto e concorda devagar com a cabeça.
— Tanto quanto a mim mesma – e isso é muito. Mas é diferente dos outros e sabe.
— Já é tarde, perdemos alguém importante e estamos bebendo juntos no Problema, então podemos falar sem rodeios, não é? – ele murmura depois de um instante e concorda, com o coração pulando um pouco, curioso. O que ele quer falar? – Você olha pra mim com mais carinho do que pra você. – ri um pouco triste quando escuta. É verdade.
— Eu tenho essa tendência – assume. – Mas, em nome da honestidade… – ela começa, com ar de confidência. Os olhos de encaram atentos os seus. – Acho que você é a pessoa que mais me faz sentir bem em relação a mim mesma.
sorri como quem ganha um presente.
— Por quê? – quer saber, curioso.
— Porque gosto de você. E acho que sou exatamente como você – confessa. congela ligeiramente. O que ela quer dizer com “gosto de você”?
— Você… – ele gagueja, ruborizando. sorri e acena com a cabeça, confirmando. Achava que ele sabia. Quer dizer, sempre que olha para parece que estão no mesmo compasso, então… Achava que ele sabia. Mas não se importa que ele saiba agora. Talvez seja o certo. O que Tessa pensaria? Ela sempre parece saber o que esperar deles, então talvez, onde quer que esteja, esteja satisfeita de estar certa sobre aquilo. Como sempre. Na verdade, nunca vai saber o que ela pensava a respeito daquilo, da possibilidade dos dois, mas acreditar que ela imaginava exatamente aquele desfecho faz sentido.
passa a mão pelos cabelos, um pouco atordoado, e se pergunta o que deve fazer agora. Quer que ela saiba que gosta dela também, mas não sabe como agir. Deseja ter mais jeito para aquilo, ter escutado quando os garotos tentaram lhe aconselhar. Mas estava ocupado demais se sentindo inferior.
O mais louco é que já estivera com outras garotas antes, assim como sabe que já estivera com outros garotos. Mas sempre foi diferente, sempre foi menos. Menos do que tudo que sentiam com uma simples troca de olhar um com o outro.
Aquele é o momento mais fugaz de suas vidas e, por sorte, notam enquanto ele ainda está ali.
? – chama, e não precisa esperar quase nada até que ela volte a encará-lo. Tem medo de fazer aquilo errado, que seu toque pareça áspero ou bruto quando sua mão encontra a nuca dela e aproxima o rosto ao da garota, mas ela não demonstra incomodo. Ao contrário, sorri um pouquinho ao fechar os olhos, permitindo que ele continue o que faz.
Os lábios de encontram os dela tímidos, e na penumbra da noite, iluminados apenas pela lâmpada amarelada que vem da cozinha e pela luz distante da lua, dão seu primeiro beijo. espera que guie o movimento de suas bocas e quase suspira aliviado contra a língua dela quando ela o faz, segurando em seus cabelos ao passo que a pontinha dos dedos dele alcança as bochechas dela. está quente, o que não é surpresa porque tem álcool no sangue, mas não pensa nisso e acaba apertando um pouco mais em sua bochecha, fazendo com que ela aperte mais em seus cabelos também. Se afastam pouco depois.
Tudo parece diferente, mas igual também. É definitivamente novo, mas familiar, mistura a atração que sempre sentiram e tudo que sempre esteve em seus imaginários com o que de fato acontece. Suas respirações quentes se misturando e o gosto tão real do outro formigando em suas bocas. É como todo o resto sobre eles.
É bom.
— Parece egoísta. Fazer isso hoje – confessa, mas não se sente culpado. Se preocupa por não se sentir. sente algo parecido, como de costume.
diria algo como “finalmente” – retruca.
ri.
— Acho que os garotos também.
Trocam sorrisos espertos, de certo modo secretos também. Não é surpresa que querem guardar os detalhes daquela noite, das lembranças que zunem em sua cabeça e de todas as reflexões que fizeram, apenas entre eles. E então se aconchega nos braços de , que a abraça de lado e apoia o queixo no topo da cabeça dela quando a garota meio que a deita em seu peito. Os dois sempre foram muito carinhosos, então não é como se nunca houvessem se abraçado daquela forma antes, mas é diferente agora. Diferente bom.
Escutam o zunido do vento, as cigarras cantando e o ruído minimo dos grilos de tempos em tempos e por alguns minutos isso é tudo. Não se movem. Encaram o céu, e então o breu da floresta a alguns passos de onde estão. Chega a parecer convidativo.
— É melhor a gente entrar – sugere, e ajuda a se pôr de pé quando o faz. Ainda a abraça de lado enquanto andam para dentro, e ela ainda se enrosca preguiçosamente nele, mas nada que os impeça de seguir até a sala. Pensam em subir, mas o sofá parece confortável o suficiente quando se deitam ali, e puxa a manta ali perto para cima dos dois.
Quando se enroscam, tão perto que seus corações entram em compasso com todo o resto, fecha os olhos, encolhida meio por cima de , meio ao seu lado. Ele a observa por um instante, e então fecha os olhos também. E tudo a respeito daquela noite lembra uma despedida, sim, mas também um começo.
Eles podem apostar que Tessa gostaria.

FIM

Nota da Autora:
Ai, que medo… HAHAHA Acho que todas as músicas do folklore ainda estão “frescas” por assim dizer, então é difícil ter certeza se acertei, mas confesso que gosto bastante dessa história. Espero que tenham gostado também.
Me deixem saber, tá?
Bom, não montei playlist pra essa, mas eu escrevi ouvindo uma playlist que fiz pra um garoto que amo muito e que foi parte da minha inspiração pra essa história. Se quiserem ouvir, é só chegar.
XX!