11. New Angel

11. New Angel

Sinopse: Os anos passaram e as coisas não são mais como antes. John retorna a sua cidade natal e reencontra todos os colegas de escola, os amigos que ali ainda vivem e os sentimentos adormecidos durante todo esse tempo, até seus olhos encontrarem os de Jimmy e a paixão lhe tomar como fogo, queimando de dentro para fora.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Todos os personagens são fixos;
Parte 3/3.
Beta: Thalia Grace.

Aviso: Essa é a terceira e última parte dessa história. As outras, assim como essa, também fazem parte do Especial Heartbreak Weather, sendo respectivamente Bend The Rules e Everywhere.

III

Os anos passaram rápido e várias memórias tornaram-se apenas lembranças distantes na cabeça de todos, como John Jones — que fora embora para a América tentar a carreira de cantor e conseguiu a almejada fama — e Jimmy Parker — que tornara-se professor de dança em uma academia local, sócio de Hope. Mas foi assim que aconteceu, perderam contato e seguiram suas vidas. Porém, todas as noites em que lembravam-se de olhar as estrelas, sentiam lá no fundo algo que andava perdido.

Então, em mais um dia nublado e comum na Inglaterra, a cidade parou com a notícia de que John estava voltando. Jimmy sentiu o ar parar nos pulmões quando Hope deu a notícia e, do outro lado da cidade, ao bater na porta da casa dos pais, John sentiu todo seu ar sair numa lufada só por seus lábios.

O telefone da casa da mãe não parava de tocar, todos os amigos de seu adolescência ligando para conversar, colocar o papo em dia. John pediu para que a mãe não atendesse nenhuma, queria aproveitar a breve férias que conseguira com a família que já não via há anos.
Jimmy se reuniu com os outros rapazes — Vincent e Noah, que haviam permanecido na cidade — e debateram sobre irem ou não até a casa do Jones, afinal não conversavam há um bom tempo e talvez fosse muito invasivo simplesmente aparecer lá. Jimmy debateu consigo mesmo por vários minutos, pois a forma com que tudo ocorreu fora extremamente complicada: havia sumido do mapa após o Baile de Formatura e não fora se despedir de John.

John engoliu o gosto amargo de não ter dito adeus, mas seguiu e entrou no ônibus a caminho de Londres, onde, junto de Lisa, voaram para a América. Depois de chegarem ao Novo Mundo, não levou muito tempo para que Lisa e John dessem um fim ao relacionamento, mas a amizade de anos que nutriram foi o suficiente para que a garota continuasse o apoiando a seguir seus sonhos. Logo John já tinha contrato com uma boa gravadora do país e não demorou muito para que lançasse seu primeiro CD, intitulado Youngblood — Que fora um sucesso. Apenas mais alguns meses na indústria e John Jones já era um nome extremamente conhecido no mundo inteiro, havia conquistado a vida que sempre sonhou e tinha ao seu lado aquela que havia se tornado sua melhor amiga.

Mas mesmo a vida perfeita cobra seu preço, John não havia pisado de volta na cidade natal desde sua partida, quase seis anos atrás. Havia sentido uma falta imensurável de sua família e amigos, aos poucos o contato foi se tornando tão escasso que até mesmo sua mãe o ligava apenas uma vez por semana para saber como estava.

Estar deitado em sua antiga cama, com o quarto exatamente da forma que deixara quando partiu, fora como reviver memórias que ele não se recordava serem tão fortes. Se levantou da cama, indo até a pequena coleção de discos — agora colecionava CDs, em seu apartamento em Nova York. — e abrindo um sorriso ao notar que seu The Police ainda estava por cima, fora do lugar como a última vez que o ouvira na noite anterior a sua partida. Colocou o disco para tocar mais uma vez, adormecendo junto das lembranças que lhe inundavam mais há cada momento.

— Hey, Johnny boy, acorda, garotão! — Hope insistia, sacudindo o homem que babava no travesseiro, assim como costumava fazer quando era mais novo. — Vamos lá, John. Não tenho muito tempo.

O mais novo resmungou, se revirando na cama e esfregando os olhos.

— O quê? — Perguntou, em dúvida do que estava acontecendo.

— Você some por seis anos e é assim que recebe os velhos amigos? — Vincent provocou, com os braços cruzados. — A América estragou o nosso garoto.

John arregalou os olhos ao se deparar com os amigos, o sono já esquecido. Levantou na cama com uma rapidez duvidável e se jogou em cima dos amigos, levando os três ao chão do quarto.

— Hope! Vince! — Chamou por eles, exibindo o maior sorriso que dera em tempos. — Meu deus, como vocês estão velhos!

— Tudo bem, pra mim já deu. — Vincent diz, empurrando o amigo e fazendo com que os outros rissem. — Hope, manda ele de volta pra América agora.

— Cara, cadê a aliança? — Hope perguntou, puxando a mão do amigo e recebendo um olhar confuso em retorno. — Todo mundo achou que você fosse voltar casado com a Lisa e com pelo menos dois filhos.

— Eu e a Lisa não demos certo. — Diz sem graça, coçando a nuca. Não esperava que imaginassem que logo ele se casaria. — Mas somos amigos ainda, ela mora no mesmo bairro que eu e eu vivo almoçando com ela e com o namorado.

— Nosso John está solteiro então? — Vince sorriu malicioso, trocando um olhar com Hope que somente os dois entenderam.

Mas antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita, o aparelho celular no bolso de Hope começou a tocar. Algum hit do momento que John não se importou em reparar.

— Oi! — Atendeu animado. — A gente tá aqui sim. Não, só eu e o Vince. Eu sei, eu falei isso também. Youn, eu vou te colocar no viva voz!

John? Cadê o meu garoto? — A voz do amigo pode ser ouvido pelo telefone, e John respondeu animado. — Espera aí, eu vou chamar o Jin!

Não demorou muito para a ligação se tornasse uma bagunça. Os amigos falavam animados, matando as saudades e falando sobre suas vidas. Hope lamentou que Noah e Jimmy não puderam se juntar a eles naquele dia, e disse sobre Young e Jin não estarem mais na cidade.

Passaram horas e mais horas conversando, até que fosse tarde o suficiente para que se sentissem de volta aos velhos tempos. Vincent e Hope se despediram do mais velho com a promessa que o fariam pagar pelos créditos gastos naquele dia, e de um reencontro completo em breve.

John não ficou nem um pouco surpreso ao descobrir que Jackson havia montado uma casa de shows enorme bem ao lado da adega do pai. Tinha feito sua fama durante a época da escola por dar festas mirabolantes, claro que levaria isso para a vida adulta. Era um galpão enorme e branco com um letreiro tão grande quanto a construção, com um Jackson pintado ali. Nem um pouco discreto.

Hope deu um “Olá!” para o segurança que não demorou em deixá-los passar. Encontraram Vincent no corredor de entrada, encostado na parede e fumando um cigarro enquanto conversava com Noah, que tampava o nariz e abanava a fumaça que ia em sua direção. Quando os dois os viram entrar, logo se aproximaram de braços abertos para receber o amigo que não viam há anos, a saudade apertando o peito dos quatro. Era bom estar em casa, era bom estar de volta.

Após trocarem alguns minutos de conversa, decidiram se dirigir ao salão. John recebendo olhares animados de todos, e foram até uma mesa longa ao lado da pista, onde sentaram-se e fizeram os pedidos de drinks para começarem a noite.

— Então, onde estão os rapazes? — John perguntou.

— Young foi para Londres, está se formando em advocacia. Jin… — Hope segurou o riso, o que fez Noah revirar os olhos.

— Jin está tentando a carreira como ator, mora com Young. Eles vem nos ver pelo menos duas vezes por mês. — Noah disse.

— Entendi, muito legal. — John virou um gole de sua cerveja.

— Vamos, cara, nós não temos mais dezessete anos. Você pode perguntar sobre Jimmy. — Vincent se recostou e sorriu para o mais novo.

— Já que você tocou no assunto… — Todos riram e Vince apontou para algum lugar além de John.

O rapaz levou alguns segundos para entender que devia se virar, mas quando o fez deparou-se com uma cena muito interessante: Jimmy dançando, bem no meio de um círculo que se abriu na pista de dança, com movimentos leves e ritmados de um profissional. Soube por Hope que os dois fizeram faculdade de dança e abriram um estúdio juntos.

John jurou que não havia sentido nada de diferente, acreditou piamente que não havia mais nada ali que alfinetava seu peito. Isso até Jimmy se virar e seus olhos se encontrarem. Tudo pareceu parar, o cenário tornou-se câmera lenta e ambos se sentiram com dezesseis de novo, sem saberem como agir e o que fazer. Jimmy notou que John estava mais bonito do que nunca, com aquela jaqueta de couro que era sua marca registrada e John notara que Jimmy continuava parecendo bom demais para ser verdade. Algumas coisas nunca mudam.

Jimmy não soube dizer em que momento parou de dançar, e nem John quando se levantou e foi até o menor. Quando se deram conta, já estavam de frente um para o outro, olhando-se profundamente e sorrindo.

— Você voltou. — Jimmy disse.

— E você não me disse adeus. — John respondeu.

Jimmy deu de ombros: — Muitas coisas das quais nos arrependemos aconteceu naquela época.

A música agitada foi substituída por uma lenta, onde John pediu a mão de Jimmy para se colocarem a dançar.

— Jimmy, eu quero me desculpar por quem eu fui com você… — John tentou começar a dizer, mas foi interrompido.

— Não se desculpe. Quem você foi não importa agora, importa quem você é nesse momento. Eu não te conheço, não sei do que você gosta, não conheço seus toques, não sinto rancor de alguém que não existe mais. Você é uma nova pessoa agora. —John sorriu, terno. — Eu sei que você nem é mais o Johnny, agora é Cookie, certo?

Riram, finalmente tendo uma conversa decente em anos.

— Jimmy, o que você pensaria se eu dissesse que, em todos esses anos, eu continuei pensando em você?

— Eu diria que você está mentindo. — respondeu no mesmo minuto. — Aposto que você se distraiu muito com a Lisa.

— Está brincando? Nós terminamos pouco tempo depois que chegamos a América. Ela também pensava muito em você. Principalmente depois que descobriu nosso “casinho”.

— Garoto abusado, não chame aquilo de casinho! — riram novamente.

John girou Jimmy no meio da pista e o trouxe de volta para o peito.

— Sabia que escrevi uma música sobre você?

Jimmy arqueou as sobrancelhas, realmente surpreso com a informação. Acompanhava de longe a carreira do amigo, e não conseguia pensar em nenhuma música que sequer remetia qualquer coisa entre ambos.

— Ah, é? Qual delas? — A música finalmente acabou, sendo substituída pela voz que John reconhecia de longe – e que, cá entre nós, não aguentava mais ouvir por aí.

— Falando no diabo… — resmungou, dando espaço para Jimmy se mexer de acordo com a melodia de New Angel, um dos últimos lançamentos de John.

— Você precisa de um “novo anjo”, John Jones? — Jimmy lançou os braços sobre o pescoço de John.

— Eu procurei, confesso, mas todos me trouxeram até você. Sempre tive a sensação de que você era etéreo demais, mas nunca imaginei que você fosse um anjo. O meu, claro.

Jimmy sorriu enormemente e finalmente colou os lábios no do outro, fazendo todos os sentimentos de ambos voltarem numa explosão calorosa. Separaram-se lentamente, olhando fundo nos olhos um do outro.

— Então, Johnny, você se descobriu gay? — Jimmy cortou o clima.

— É, mais ou menos. — disse, abraçando Jimmy pela cintura.

— Que bom.

— Então… Estamos bem agora?

— Sim, estamos bem. Finalmente estamos bem.