06. Nice To Meet Ya

06. Nice To Meet Ya

Sinopse: Nathan nunca tinha pensado sobre vidas passadas e menos ainda sobre ter ligações nessa vida que fossem frutos de relações vividas anteriormente. Mesmo se acreditasse, nunca acreditaria que aconteceria com ele. Pelo menos até conhecer Lorraine.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Os nomes Arthur, Ella e Oliver estão em uso.
Beta: Thalia Grace.

Capítulo Único

se mexeu na cama, tateando em busca do celular. Desbloqueou a tela e demorou alguns segundos para se acostumar com a claridade da tela no quarto escuro. O relógio marcava 13:42. Dia 16 de julho, aniversário do Arthur, dizia o lembrete que tinha colocado na tela de todos da banda. Arthur não queria comemorar, mas com muito custo o tinha convencido a não deixar passar em branco, nem que fossem só eles em pub novo que ele tinha descoberto recentemente.

Claro que o que era para ser só a banda escalou e muito, pois acabou convidando várias outras pessoas do convívio deles e a simples reuniãozinha seria, de fato, uma surpresa para Arthur, com pelo menos setenta pessoas lá. Isso o fazia lembrar de que tinha enrolado a semana inteira e não tinha comprado um presente para o amigo.

Considerou a ideia de ir a algum shopping, já que além do presente ele precisava comer alguma coisa, mas a possibilidade de encontrar algum fã ou ser flagrado por algum paparazzi acabou o desanimando. Abriu o Maps e procurou por lojas de presentes. Ele não tinha a menor ideia do que daria para Arthur, então acreditava que em uma loja cheia de opções ele acabaria encontrando um bom presente. tinha gostado de duas lojas, mas acabou escolhendo uma que era próxima de um restaurante, pois ele realmente precisava de uma refeição decente.

A loja tinha uma fachada simples e pequena, mas pela vitrine pode ver que era um lugar promissor. Cruzou a porta e o sino fez barulho.

— Boa tarde. — a vendedora apareceu em seu avental com o nome da loja. — Procurando um presente?

— Sim. — ele sorriu ao ver algumas figuras de ação em miniatura.

— Já tem algo em mente? — ele negou. — É para homem ou mulher?

— Homem. Aniversário de 23 anos do meu amigo. — ela assentiu.

— Eu vou dar uma olhada lá nos fundos e trago o que eu achar interessante. E se você encontrar algo por aqui que ache legal, você me avisa. — ele concordou novamente. Quanto menos falasse menor era a chance de ser reconhecido.

achou que a maioria dos presentes ali, no final das contas, eram para mulheres. Tinham vários porta-retratos, copos de água e café, canecas e almofadas. Mas nada ainda parecia com Arthur. Preferiu esperar a vendedora voltar e se encostou no balcão. Notou o livro em cima dele com um marcador de páginas de flores. Um amor de outras vidas. Riu fraco com o nome do livro.

— Não acredita em outras vidas? — ela perguntou, aparecendo do nada e o assustando.

— Não é isso. — se apressou a negar.

— Do que estava rindo então? — o tom dela era de alguém que fora ofendido e ela tratou de tirar o livro de lá.

— Só pensei o quanto seria engraçado dar um livro desses para ele. Provavelmente ficaria me olhando com cara de tacho enquanto os outros zoariam bastante.

Ela apenas ignorou e colocou algumas opções na frente dele. Alguns ele descartou de imediato. Estava decidido sobre a almofada com balde de pipoca, se ele não gostasse, Ella gostaria. E foi então que notou na última prateleira uma caneca que lhe chamou atenção.
Sou quente, sou gostoso, e te faço ficar acordado a noite inteira! Prazer, café!

— Vai ser aquela caneca. — apontou rindo.

— Você tem certeza? — o encarou em dúvida.

— Pode embrulhar, vai ser essa mesmo.

Ele não explicaria à vendedora, mas ele tinha se lembrado de Ella contando da noite que tinha se produzido toda em uma lingerie nova e Arthur havia dormido enquanto esperava por ela. Aquele era o presente perfeito.

os havia ameaçado sobre chegarem tarde demais e estragar a surpresa, por isso, pontualmente às 21h, Oliver e estavam no pub. As setenta pessoas tinham facilmente se transformado em cento e setenta e Arthur quase fuzilou com o olhar quando chegou e viu todas aquelas pessoas gritando surpresa para ele.

Era muito engraçado o contraste de Arthur e Ella e às vezes não entendia como podiam dar tão certo. Ela tinha adorado a surpresa e Arthur tinha relaxado um pouco à medida em que abraçava os amigos. Mas foi só ver o presente de que voltou a fechar a cara, o que causou o triplo de risos à banda e à namorada dele, pois foram os únicos que sabiam da história.

Aos poucos os convidados foram se dispersando, uns para beber no bar, outros para dançar na pista, alguns foram para o lado de fora fumar. Oliver estava com a namorada, Arthur era a atração da noite e tinha ido atrás da sua provável companhia naquela noite. Então se afastou, decidido a ir até o bar e pedir outra cerveja.

Estava acabando a sua garrafa quando a notou sentada a três assentos de distância. Ele tinha certeza que sim. Tinha visto a mesma garota quatro dias seguidos na cafeteria durante o café da manhã. O que mais tinha chamado a atenção de era a camiseta dos Beatles que ela usara no primeiro dia em que ele a viu pelo vidro.
tinha uma mesa preferida na cafeteria, uma mesa que pegava toda a lateral da rua que ele adorava observar enquanto tomava café. E foi dessa mesa que ele a viu. Foi uma reação imediata. Dentre todas as pessoas que passavam ali a pé dia após dia, ela tinha sido a primeira e única a de fato capturar o olhar dele até desaparecer pelo vidro. sentia que ela não era uma completa estranha, ao mesmo tempo em que tinha certeza de que não a conhecia. Era estranho, ele sabia, mas era exatamente assim que ele se sentia.

Durante todos os dias que ela passou por ali, e ele secretamente torceu para que ela passasse, ela tinha usado uma camiseta de uma banda diferente, Kiss, Metallica e Pink Floyd, e era por isso que ele tinha certeza de que era ela ali. Com os cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo alto, jeans pretos e uma camiseta do Queen. Foi pego de surpresa quando ela o olhou e em seguida desviou o olhar.

Terminou o conteúdo de sua garrafa e pediu mais duas, caminhando até ela em seguida e a oferecendo uma. não mencionou que já tinha a visto antes e menos ainda como se sentia, afinal acabaria saindo como uma cantada de péssimo gosto. Mas nada disso fez falta. , que ele descobriu ser o nome dela, fazia qualquer assunto fluir com facilidade. Soube então que ela era uma arquiteta que trabalhava com conservação, reparação e reconstrução de obras históricas e que ela amava aquilo pela paixão que contou alguns de seus trabalhos. Soube também que ela tinha um excelente gosto musical e que não fazia ideia de que a banda dele existia, logo ele descartou a possibilidade de tê-la conhecido em algum show.

As horas passaram numa velocidade absurda e não acreditava que estava conversando com há quase duas horas. Pediu licença quando realmente precisou ir ao banheiro, porque tinha dado um jeito de escapar quando ele pedira o telefone dela e ele não queria ir embora sem o número. Ele definitivamente estava encantado com ela e no caminho até o banheiro pensou que se a única forma de ter o número dela fosse tatuado, ele o faria. Riu sozinho com aquela possibilidade, era ridículo, mas talvez desse uma boa música.

Voltou ao bar e não a encontrou ali. Varreu o lugar, agora bem mais vazio, com os olhos, mas não a viu em lugar nenhum. Cogitou a possibilidade de ela também ter ido ao banheiro, mas depois de alguns minutos, se fosse isso ela já teria voltado. estava achando a noite tão boa que tinha dificuldade de acreditar que ela simplesmente tinha decidido ir embora sem ao menos se despedir dele, mas ficar plantado ali não a faria voltar.

Voltou para perto dos amigos e chegou a perguntar para eles se por acaso eles tinham visto por ali, e para a surpresa dele, os amigos nem tinham visto uma garota com ele a noite toda. chegou a brincar que o notou sozinho no bar por um tempão, mas que ele estava ocupado demais para ir fazer companhia a ele. não tinha ficado tanto tempo sozinho no bar, achou estranha a fala de , mas ele já estava bêbado e simplesmente deixou o assunto quieto.

Na semana que se seguiu, voltou a cafeteria todos os dias pela manhã, no mesmo horário. Esperou dia após dia pelo momento em que passaria pela calçada e ele poderia casualmente aparecer, mas não aconteceu. Já estava ali por umas três horas naquela sexta feira e já não acreditava que ela passaria por ali.

Suspirou frustrado. Ele nem mesmo entendia porque queria tanto vê-la de novo já que ela tinha deixado-o no pub. Ele só sentia que existia algo ali, algo que o fazia não desistir da possibilidade de encontrar com ela novamente.

— Não, . Eu não vou. — dizia pela quinta vez ao amigo no telefone.

— Por que não? Você não gostou de lá? Não tinha uma garota misteriosa?
— Sei lá porque , eu só não estou a fim de sair hoje. — continuou mudando os canais da tv procurando algo legal. — E a não é misteriosa, ela só… foi embora do nada. — completou a contragosto.

— Ela pode estar lá essa noite de novo ou você pode conhecer outra pessoa. Já estava passando mesmo da hora de alguém chamar a sua atenção, você terminou o namoro há séculos.

— Meu namoro terminou há três meses, . — riu fraco.

— Que seja. Arthur e Oliver já me dispensaram. Não faça o mesmo, por favor, ! Vamos!

— Eu não sei porque você não quer ir sozinho, você vai me trocar por alguma garota em dois tempos.

— Você está exagerando, eu não faço isso. — pode ouvir o riso dele em seguida.

— Claro que não.

— Passo aí em quarenta minutos. Esteja pronto. — desligou e soltou o ar pesadamente.

— O que eu não faço por você, . — murmurou, desligando a TV e rumando ao quarto para se arrumar.

Surpreendentemente tinha sido uma companhia fiel por quase uma hora ao lado de no bar. Os dois conversavam sobre novas idéias para composições e analisavam algumas das garotas que passavam e se interessavam por eles. tinha esperança de que alguém chamasse a atenção de e que ele pudesse enfim curtir a noite com alguma garota também. E foi então que ela apareceu no meio do pub.

se espantou ao vê-la, até porque tinha encarado a entrada do lugar por tanto tempo e achou estranho não tê-la visto entrar. O olhar dele era tão fixo que acabou virando o rosto na mesma direção do amigo.

— O que é que você está olhando? — perguntou não vendo ninguém especial na pista de dança.

está ali. — indicou sutilmente com a cabeça.

— Ela é a ? — perguntou baixo e confirmou com um aceno. — Uau, ela é fã de rock? — se referiu à camiseta que ela vestia.

— Sim, ela ama bandas clássicas. — respondeu com um sorriso.

estava sorrindo na direção dele, mas não se aproximou.

— Então essa é minha deixa. — disse com um sorriso safado, acenando para uma das garotas em uma mesa próxima.

— Kiss? Acho que seu gosto musical é melhor que o meu. — ele brincou quando ela se sentou ao lado dele, lugar que ocupava anteriormente. — Cerveja? — ofereceu e ela concordou com um aceno.

O barman logo trouxe as garrafas e eles brindaram. Conversaram coisas banais enquanto o sumiço dela na noite anterior ainda rondava a cabeça dele.

— Você foi embora do nada na outra coisa e eu nem tinha conseguido seu telefone. — disse no tom mais leve que conseguiu. – Achei que não te encontraria novamente.

— Eu fui? — ela perguntou parecendo um tanto confusa e isso o deixou no mesmo estado. — Eu não me lembro. — ela deu um sorriso sem graça e achou que talvez ela não quisesse compartilhar o que tinha acontecido.

O assunto mudou para viagens e tendo viajado por todos os continentes fazendo shows, o assunto era infinito para . ouvia atenta já que sempre tinha morado nos Estados Unidos e só tinha visitado o Canadá uma vez. Ela contou que amava praias e que vinha tentando se mudar para um lugar mais próximo da costa.

— Posso te levar a um lugar? — perguntou num ímpeto.

— Agora? — ela devolveu, incerta.

apenas concordou com a cabeça e ela deu de ombros. Não era como se ela tivesse outro lugar para estar. Ele pagou o consumo do bar e mandou uma mensagem para avisando que estava indo para casa. Chamou um táxi e logo estavam no apartamento.

— Feche os olhos. — pediu enquanto destrancou a porta e ela o fez.

a guiou até a sacada, que tinha a melhor vista do mar, na opinião dele.

estava fascinada com a beleza do mar e adoraria morar numa localização daquela. Estavam aconchegados no sofá, e assim como no primeiro dia qualquer assunto fluía numa facilidade absurda. À medida em que a noite a caía a temperatura fazia o mesmo e buscou dois cobertores. Tinham combinado que ficariam ali até o amanhecer, pois queria poder ver o nascer do sol.
acabou cochilando e quando abriu os olhos novamente o sol já estava ali.

? — chamou ao perceber que estava sozinho no sofá.

Se levantou levando os cobertores com ele e constatando o que ele já esperava, mais uma vez ela tinha desaparecido. E mais uma vez ele não tinha conseguido o número dela.

tinha decidido cozinhar alguma coisa em casa, estava cansado por não ter dormido direito e a última coisa que ele queria era sair. Claro que ele podia ter pedido algo pronto, mas queria ocupar a mente com outra coisa que não fosse a garota que tinha mexido tanto com ele naqueles dois sábados, mesmo que eles sequer tivessem ficado.

Tinha colocado uma playlist re clássicos do rock em alto volume e estava tão concentrado em fatiar os legumes que não ouviu quando entrou no apartamento com as chaves que ele tinha. ficou parado o observando ser notado, e quando o notou, levou um susto e acabou se cortando.
— Merda, ! — xingou alto, já abrindo a torneira e levando a mão que sangrava bastante para debaixo da água. — O que você pensou que estava fazendo entrando em silêncio assim e ficando parado me olhando? — pressionou o corte, mas muito sangue ainda saia.

— Eu não entrei em silêncio coisa nenhuma, você que estava viajando aí e não me ouviu. — finalmente se aproximou do amigo vendo a extensão do corte. — Merda, ! — imitou o tom de voz. — Olha o tamanho disso! Vai precisar de pontos com certeza!

— Não vou não, logo para. — o olhou, desafiando. — Ou não. — confessou ao ver que o sangue não havia diminuído.

— Anda. Amarra isso na mão. — jogou um pano na direção de . — Eu te levo ao hospital.

enrolou o pano na mão de qualquer jeito e rolou os olhos, amarrando o pano de uma forma mais eficaz. Ele pegou seu celular, desligando a música e colocando o mesmo em seu bolso, assim como a carteira.

O trajeto até o PIH Health Good Samaritan não foi longo, pois o centro de Los Angeles no domingo não era tão movimentado. preencheu os papéis para dar entrada na emergência e logo foi chamado a um dos consultórios.

— Quantos pontos? — perguntou colocando a revista que tinha visto de volta na prateleira.

— Cinco. — fez uma careta. — Pelo menos dez dias sem tocar.

— Que bosta!

— Nem me diga. E a culpa é sua. — repetiu para provocar o amigo.

— Você é louco. Devia estar com a cabeça na , isso sim. — deu um sorriso malicioso na direção de .

E foi como se ao dizer o nome da garota ela tivesse se materializado ali. não entendia como ela tinha aparecido naquele corredor e nem mesmo percebeu que ignorava .
! O que você está fazendo? — perguntou, seguindo amigo que andava rapidamente para dentro do hospital ao invés de irem para a saída.

— É a . — estava confuso. Por que ela simplesmente não parava de andar por aquele corredor e conversava com ele? E por que ele sentia que precisava segui-la?

, não tem ninguém aqui. — ainda assim o seguia, mas não fazia ideia do que estava acontecendo ali.

E então parou em frente ao quarto 312, onde tinha visto entrar. A porta estava só encostada e ele pode ver pelo vidro uma pessoa na cama de hospital e outra que logo se levantou e abriu a porta.

. — ignorou a outra pessoa e se aproximou a pessoa de olhos fechados, com alguns tubos presos ao braço.

— Você conhece minha irmã? — ela o olhou com certa desconfiança.

— Sim, nos conhecemos no fim de semana passado. — explicou. — Nós estávamos juntos ontem… O que aconteceu? — finalmente tirou os olhos de .

— Essa não é a do pub, . — falou com a mão no ombro do amigo. Estava começando a acreditar que ele estava delirando, talvez pelo analgésico.

— Claro que é, ! Você a viu. — respondeu, contrariado. Os dois o olhavam com a mesma expressão de desconfiança e ele soltou o ar pesadamente.

— Olha, eu não sei quem você é, mas isso é impossível. — ela falou num tom ameno se aproximando da irmã.

— Eu sou .
está em coma há dezessete dias, . Ela não esteve com você onde quer que você ache que esteve. — ele não fazia ideia do que estava acontecendo, mas ele tinha certeza de que era ela.

— Então como eu posso saber que ela é uma arquiteta que trabalha com recuperação de construções, que ela ama praia e nunca saiu do país a não ser para uma viagem rápida para Toronto?

Aquilo a deixou um pouco desconcertada, sabia que as pessoas podiam achar informações sobre o trabalho da irmã na internet, mas as outras coisas eram pessoais. Ele só saberia se , de fato, tivesse contado.

, você não se lembra dela? — dava para notar um leve desespero na voz dele.

— Eu nunca a vi naquele pub, . — o amigo falou num tom de pena. — Nem no pub, nem em lugar nenhum. Nunca tinha visto nenhuma das duas antes de hoje.

— Eu não sou daqui. Vim para ficar com ela, eles não sabem quanto tempo esse quadro de coma vai persistir. — enxugou uma lágrima.

— O que aconteceu? — insistiu.

— Ela foi atropelada e quem quer que seja o motorista não prestou socorro. Os médicos fizeram todos os exames, tudo parece bem, mas ela não acorda. Acham que o corpo dela pode estar se protegendo, não entendi muito bem.

— Eu posso ficar aqui um pouco? — perguntou com cautela. No lugar dela, não iria querer um estranho ao lado da irmã, mas era como se um ímã o puxasse cada vez para mais perto.

— Eu acho que sim. — respondeu incerta.

— Vou buscar um café. — avisou.

— Acho que também preciso de um. — e olhando para mais uma vez, ela deixou o quarto atrás de .

Ela sabia que nunca se abria, nunca confiava em homens e ela nem mesmo se lembrava da última vez que tivera um homem em sua vida, mesmo que fosse um amigo. Aquilo tudo era muito estranho, mas ela sentia que podia confiar em deixar ali com ela.

puxou a cadeira para mais perto e ficou a olhando. Nada daquilo fazia sentido, ele sabia, mas porque ele sentia que era tão concreto.

— Eu sei que te conheço. — falou baixinho. — Mesmo que eu nunca consiga explicar, eu sei que te conheci.

O bipe ritmado do aparelho continuava enquanto a admirava. Levou a mão até a mão dela, encostando sutilmente. E num piscar de olhos ele não estava mais no hospital. Ele nunca tinha estado naquela casa, mesmo assim ela era estranhamente familiar. Um tremor se iniciou, era um terremoto e instintivamente ele puxou a mão. Estava novamente no quarto de hospital.

— Mas o quê? — levou a mão ao coração, sentindo as batidas muito rápidas.

Olhou para os lados, mas ainda estavam só os dois ali. O terremoto não era real. O que estava acontecendo então? era a chave daquilo, ele sabia que sim. Colocou novamente sua mão na dela, segurando-a melhor dessa vez. Fechou os olhos novamente e respirou fundo. Estava na mesma casa, na cozinha.

O calendário na parede estava em junho. Se aproximou vendo o ano, 1925. Ele tinha voltado quase cem anos no tempo e algo lhe dizia que aquela era a sua casa. Sabia que estava em Santa Bárbara. Imediatamente o livro da atendente apareceu em sua mente.

— Um amor de outras vidas. — ele repetiu.

Nunca tinha pensado muito sobre outras vidas, seria aquela a sua vida passada? Saiu da cozinha e seus pés o guiaram até o quarto. estava dormindo tão serena. Teriam eles uma conexão de outra vida? Era absurdo e ao mesmo fazia sentido. Ele estava muito confuso!

Deixou-se ser guiado novamente pelos pés, estava no quarto ao lado. Algumas caixas, mas um berço já montado. Engoliu em seco, eles teriam um bebê? Mas não teve tempo de absorver a informação. A casa começou a tremer novamente, e parte dela desmoronou.

! — ouviu o grito de .
Tentou passar pelo corredor, mas o tremor continuava. Ele precisava tirá-la de lá, ele precisava salvá-la. Com dificuldade ele conseguiu chegar até o quarto, e no momento que deram as mãos a casa veio abaixo.

— O que está acontecendo? — ouviu a irmã dela gritando e precisou de alguns segundos para se situar. — O que você fez? — gritou com ele.

— Eu não fiz nada! — se defendeu.

Os batimentos de não eram mais ritmados como antes e um apito constante soava. Enfermeiras e um médico se aproximaram e o puxou.

— O que aconteceu?

—Você não acreditaria. — os olhos dele ainda estavam nela.

— Ela está acordando. — o médico anunciou e todos ficaram em silêncio, apenas esperando que os olhos dela abrissem.
piscou uma, duas, três vezes até de fato conseguir focalizar alguma coisa.

! — a irmã disse aliviada e a abraçou como pode. — Como você está se sentindo?

— Zonza. — ela confessou.

O médico falava alguma coisa, mas ela não ouviu. Seus olhos estavam presos em um dos rapazes que estava um pouco mais afastados. E então os olhares se conectaram, ficaram assim por alguns segundos até que ela piscasse.

?!

FIM

 

Nota da autora: Confesso que por muito tempo fiquei com receio de que essa história não fosse sair e agora que está escrita eu estou completamente apaixonada!
Espero que assim como eu, vocês também tenham gostado!

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Beijos e até a próxima!