NOLLA: SIE

NOLLA: SIE

  • Por: Giulia M., T. Kneip e Vanessa Vasconcelos
  • Categoria: Especiais | Inverno
  • Palavras: 7652
  • Visualizações: 128
Sinopse: Sempre muito dedicada a sua carreira, ao receber uma proposta de emprego ela decidiu que precisava escolher entre o amor e o sucesso. Como já era de se esperar, ela optou pela segunda.
Dez anos depois, a notícia de que uma pessoa querida havia partido foi o ponto de partida para que ela retornasse a Nolla. Mais madura, dona de uma carreira impecável, seu único plano era de ir naquele enterro, viver seu luto e retornar para a vida que já tinha se acostumado. Contudo, uma carta mostrou que seu plano estava longe de dar certo.
Levando-a a se perguntar: O que escolheria dessa vez?
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 16 anos
Restrições: Morte e palavrões
Beta: Regina George
Especial de Inverno

PRÓLOGO

sabia que tinha algo de estranho naquele dia, tudo estava dando errado e fora do lugar desde o minuto que ele tinha acordado, para ele, era mais um daqueles dias de azar que tanto odiava, sempre tinha um assim na semana. E calhou de cair bem no qual se encontraria com .
Ele estava se sentindo nervoso, sabia que não tinha motivo, afinal era só mais um encontro que teria com ela, como todos os outros anteriores a este. O pressentimento estava o corroendo aos poucos, contudo, decidiu que não se deixaria levar e se manteve positivo em relação a um dia que estaria fadado ao azar.
Primeiro seu chuveiro queimou e teve de ir comprar um novo, onde, aparentemente, todos os chuveiros não estavam mais disponíveis. A cidade era pequena, logo, não havia muitas opções de lojas de departamento.
Ele pegou seu carro em seguida, reparando que estava atrasado para o trabalho no pet shop — almejava se tornar veterinário —, mas o motor não estava ligando por nada desse mundo. Então resolveu ligar para o mecânico, mas, antes mesmo de terminar a ligação, a chuva desabou sobre sua cabeça, encharcando-o depois de alguns segundos. Ele saiu correndo para se refugiar em um toldo de alguma loja, e, quando conseguiu, tentou voltar para a ligação, mas seu celular estava desligado. achou estranho, tentou ligá-lo novamente, mas metade da tela funcionava, a outra não.
— Perfeito. – Soltou e decidiu que não se deixaria abalar.
foi a pé para o trabalho e, depois de longas horas se torturando e tentando se convencer de que nada poderia dar errado com seu encontro, finalmente chegou o momento: se encontraria com .
Chegou na cafeteria de sempre, com as comidas de sempre e as pessoas de sempre. Só uma pessoa importava para ele, mas aonde ela se encontrava?
Antes que ele pudesse se sentar, Mark Koskinen, o dono do café, já o aguardava com uma carta em mãos. Koskinen observou adentrar o estabelecimento, e, já sabendo o que viria a partir disso, respirou fundo e saiu de trás do balcão, indo em direção ao garoto. Tudo o que fez foi colocar sua mão sobre o ombro dele, chamando sua atenção e, em seguida, entregou o envelope a ele, soltando um “Sinto muito, garoto”.
não estava entendendo absolutamente nada, mas quando abriu o envelope e abriu o papel dobrado, bateu os olhos na caligrafia e seu coração parou. Reconheceu de imediato de quem era e não precisou terminar de ler a carta. Ele já sabia.
Ela não viria e sentiu: ela partira.

Capítulo Único

Eu olhava pela janela a cidade de Vantaa se aproximando. Suspirei ao lembrar que logo mais estaria em um carro rumo a Nolla, minha cidade natal. Nunca pensei que voltaria para lá, para esse lugar que me causou tantas lembranças marcantes na minha vida — sendo elas boas ou não.
O homem ao meu lado lia o jornal do dia, enquanto esperávamos que o avião pousasse. Eu estava já de cinto — tinha pavor de avião, apesar de estar sempre utilizando esse meio de transporte — e, quando chamei uma das comissárias de bordo, um aviso nos alto-falantes dizia para que o colocássemos. O homem ao lado logo dobrou o papel do jornal e obedeceu, enquanto eu pedia para a comissária se ela poderia me trazer uma água.
Eu ficava nervosa em voos internacionais, mas sabia que esse nervosismo todo não era por conta disso e sim sobre a minha volta para Nolla. A moça trouxe o copo d’água rapidamente e tentava se equilibrar ao ponto que o avião estava começando a pousar. Ela se despediu de mim e foi para o seu banco sentar-se e colocar o próprio cinto. Assim, pousamos tranquilamente e os aplausos foram se espalhando pelo ar.
Eu desejava que o caminho até em casa fosse calmo, mas isso não ocorreu. Quando saí da alfândega meu pai estava me esperando com uma placa com os dizeres “meu amor ”. Sorri fraco para ele, logo o abraçando de lado.
— Oi, pai. – Disse ainda com o sorriso no rosto e ele me devolveu com outro, seguido de um beijo na minha testa.
— Olá, querida. É ótimo te ter de volta, uma pena que seja por um motivo tão triste. – Ele disse apenas e concordei com a cabeça.
No carro ficamos em silêncio, salvo os comentários sobre alguns detalhes da paisagem que se seguia e sobre minha infância. Essa última parte foi mais difícil de aturar, eu tive que concordar sempre que ele dizia que minha vida sempre fora muito boa ali, sendo que a verdade estava longe de ser isso.
Chegamos por volta das dez horas da manhã em Nolla. A cidade estava igualzinha, sem mudar um detalhe dela. Até aquela cafeteria antiga estava lá… A cafeteria fatídica.
Meu pai me levou até em casa, onde pude tomar um banho e me trocar. O velório seria às 15h da tarde, então tinha muito tempo de sobra. Depois que saí do banheiro enrolada na toalha, entrei no meu quarto e fui direto para minha mala. Abri-a e a primeira peça que apareceu foi o vestido preto que eu trouxe para hoje — era um vestido de manga comprida e gola alta. Coloquei-o e, como estava frio, vesti uma meia-calça também preta. Procurei meu casaco na mala, mas não o encontrava de maneira alguma. Resolvi tentar a sorte e ver se tinha algum sobretudo ou algo do tipo no meu armário do quarto.
Abri o armário e a primeira coisa que eu vi foi o vestido do meu aniversário de dezoito anos, quando eu quebrei a perna no dia anterior e tive que usar uma bota ortopédica. Eu, e Leevi fomos para nosso esconderijo — que não era tão secreto assim — na parte rural da cidade. Era um pequeno lago no meio da floresta que ficava maior parte do ano congelado, mas na época que não, usávamos para nadar e quando éramos menores ainda, era onde reis e rainhas, piratas e agentes secretos ganham vida. Passei a mão sobre o tecido, enquanto as lembranças me atingiam em cheio.
Rolei os olhos pelas roupas ali presentes, mas me distraí com as memórias que apareciam na minha mente, aquelas que estavam até me deixando com a garganta fechada e uma dor no peito aparecer. Decidi que não iria mais procurar nada no meu guarda-roupa, fechei a porta e fui para o quarto do meu pai. Escolhi um casaco que parecia ser o menor de todos ali e o vesti. Voltei para o banheiro e fiz a minha maquiagem, passando um blush e um gloss labial. Nada de muito extravagante, era um momento realmente muito pesado para ficar me importando com a minha aparência.
Peguei as chaves de casa, minha carteira e celular, coloquei tudo nos bolsos do casaco — odiava que casacos femininos não tinham bolsos fundos o suficiente para isso, pelo menos eu estava com um casaco masculino — e saí de casa. Assim que pisei fora, senti o frio começar a me congelar e o vento gelado bater contra meu rosto. Voltei para casa e coloquei um gorro e uma luva — como que eu fui me esquecer dessas peças de roupa? Pelo amor de Deus, estava muito frio.
Saí caminhando pela cidade, depois de estar propriamente vestida. Passei na frente do cinema, cumprimentei algumas pessoas do passado que ainda estavam lá e conversei um pouco com eles. E obviamente me perguntaram o que eu estava fazendo profissionalmente.
— Ah, eu acabei de abrir uma filial da empresa em Frankfurt, cada dia que passa eu fico mais atolada de coisas para fazer. — Disse dando um risinho sem graça no final da frase. Kalevi, o garoto que quando eu saí da cidade era só uma criança e que agora estava trabalhando na bilheteria do cinema, franziu o cenho.
— E você trabalha com o quê? – Ele perguntou coçando a cabeça.
— Sou engenheira mecânica, Kalevi. – Disse sorrindo e ele se espantou.
— Ah… — ele disse baixinho. Aina, a porteira do cinema, estava ainda me olhando, parecendo pensar muito, até que se lembrou de algo e fez um estalo com a boca.
— Espera, você é a dona daquela empresa de engenharia, a…? – ela começou a perguntar, mas eu terminei.
Enterprises? – eu fiz que sim, a deixando boquiaberta.
— Mas… Você não tinha fugido das obrigações da sua família?
— Quem te disse isso? – eu perguntei com uma das sobrancelhas arqueada.
— Olha, é só o que a cidade inteira andou dizendo quando você se foi. — Ela levantou
as mãos para o alto, como se tirasse a culpa dela.
Sabia que algo assim seria espalhado pela cidade.
— Ah, não. Pois é, não foi por isso. – Eu respondi e eles ficaram em silêncio, me dissecando com os olhos, como se dissessem “você mudou e não mudou para melhor”. Talvez esse julgamento seja coisa da minha cabeça, mas disse que iria continuar dar uma volta pela cidade, me despedindo deles.
Eles só foram os primeiros com que eu conversei, as pessoas seguintes disseram coisas piores do que só “fugir das obrigações”, o que acabou me deixando abalada, mas me mantive forte por fora.
Andei tanto que cheguei em frente ao Koskinen’s. Eu estava com as mãos dentro do bolso do casaco, pensando se eu deveria entrar ou não. Observava que estava completamente vazio, assim como muitos lugares da cidade. A maioria das pessoas estavam se arrumando para o enterro, já que passavam das 14 horas. Ponderei muito e quando estava prestes a ir embora, vi Mark lá dentro, lavando alguns pratos. Uma sensação de familiaridade apareceu e Mark levantou o olhar até a mim. Eu sorri com a linha da boca e tirei uma das mãos de dentro dos bolsos para acenar para ele, que acenou de volta. Ele me chamou com a mão e eu aceitei entrar.
Aquele lugar não tinha mudado nada, assim como muitos lugares de Nolla, mas havia sim algo de diferente no ar: a tristeza.
— Então resolveu voltar? – Mark disse colocando um pano de prato sobre um dos ombros e desligando a torneira. Eu meneei a cabeça.
— Não de vez. Preciso me despedir de um amigo – eu desviei o olhar para o chão quando disse isso.
— E vai voltar para a Alemanha em seguida? – Mark continuou. Olhei para ele e fiz que sim. — Entendi.
Um silêncio se instalou sobre nós. Eu sabia que ele não estava me julgando como os outros, Mark me ajudou a seguir esse sonho que eu tinha de estudar engenharia e ainda mais no país perfeito para isso. Ele sempre me ajudava, não importava o que eu precisava.
Mark Koskinen era como um segundo pai para mim. Na verdade, eu confiava mais nele no que meu pai — desde que a minha mãe morreu, meu pai se tornou muito distante e Mark, sendo o melhor amigo dele, acabava fazendo algumas tarefas que meu pai deveria ter feito, como me buscar na escola, me levar aos jogos de futebol e às aulas de Jazz, enquanto meu pai se focava muito no trabalho. Nesse meio tempo acabamos por conversar, e assim uma intimidade foi criada.
De qualquer maneira, esse silêncio até me deu um certo conforto. Ele me olhava como se quisesse dizer algo, mas não estava me dizendo por algum motivo. Então ele saiu de trás do balcão e foi até o meu lado, abrindo os braços. Eu logo o envolvi com os meus e um abraço gostoso se formou entre mim e ele. Mark passou a mão por meu cabelo, e foi aí que eu não aguentei e comecei a chorar. Era muito difícil pensar que eu não pude me despedir dele da maneira correta, nosso contato foi inexistente durante esse tempo todo que eu estive na Alemanha. Acho que Mark sabia o que eu estava sentindo, pois ele apertou o abraço e sussurrou:
— Tenho certeza que ele está em paz agora.
Aquilo foi muito duro para mim. Pode até ser que ele esteja em paz, mas eu o deixei.

“Eu estava sentada no chão daquela floresta, em frente ao lago, pensando em como a vida pode ser efêmera e como temos que aproveitá-la ao máximo, passar por ela, e não a vida passar por nós.
Eu estava nervosa, só tinha chamado um deles para dizer sobre o que estava para acontecer, não sabia qual seria a reação de nenhum dos dois. O outro eu contaria mais tarde, mas precisava contar para ele primeiro, porque era algo que estava me deixando muito ansiosa.
Mas lá estava ele andando de um lado para o outro, com a mão nos cabelos, desesperado.
— Não acredito que você vai mesmo fazer isso. — Ele disse depois de muito tempo. Lancei o meu olhar a ele. — Não me olhe assim, não é certo o que você está fazendo!
— Qual é…? Você sabe que eu preciso fazer isso! Não consigo mais esperar. – Eu disse brava e ele soltou a ar de dentro de si.
—Você é quem sabe sobre isso, . E você sabe que está traindo todo mundo ao não contar a todos. Eles vão enlouquecer!
Eu não quero mais ouvir isso. — Eu disse me levantando e já me direcionando para sair dali. — Você não sabe quanto que é difícil para eu fazer o que vou, mas eu já disse, está decidido.”

Me soltei de Mark, mas ele manteve suas mãos sobre meus braços, delicadamente. Ele viu que eu estava chorando e limpou uma lágrima que escorria com a mão.
— Ó, criança… — Ele disse e eu solucei. — Você sabe que ele não te culpava por ter feito suas escolhas.
— Não tenho certeza sobre isso, Mark. — Eu olhei para fora daquele estabelecimento, pela enorme janela que tinha, e notei que o pet shop não estava mais lá. Tinha se tornado uma loja de roupas. — Não importa, já acabou.
Eu disse por último e ele assentiu, me dando um último abraço. Ele disse que estávamos atrasados e fomos juntos para o cemitério.
O cemitério da cidade ficava na parte mais afastada, antes da parte rural. Fomos caminhando mesmo, tínhamos tempo e precisávamos conversar. Contei a Mark que todos da cidade tinham achado mesmo que eu tinha fugido, ele disse que não entendia o porquê de isso ser um problema, e eu respondi que eu não tinha fugido, eu tinha ido embora, o que é bastante diferente.
Falamos sobre as pessoas e como elas mudam, crescem e se mostram quem elas podem ser. Conversei com ele também sobre minha vida na Alemanha. Ele, logicamente, quis saber se eu tinha algum namorado. Eu tive alguns, é verdade, mas foram dois e que eu preferia não lembrar desses relacionamentos. Então Mark veio com aquela frase “Ninguém era como ele, não é?”. Eu respirei fundo quando ele disse isso, me contendo o máximo que podia, e deixei a resposta no ar.
— Papai não doou o meu vestido de quando eu fiz 18 anos, acredita? Mesmo que tínhamos combinado de fazer isso, ele não fez.
— Seu pai tinha muito apego por você, .
— É, não parecia.
— Mas ele tinha. Ele te ama acima de tudo e você sabe como ele não consegue seguir em frente. — Mark disse por fim e eu concordei com ele com essa última parte.
Chegamos ao cemitério finalmente. As pessoas já estavam ali, quase toda a cidade estava no enterro dele. Ele era muito especial e ver que ele era especial para muita gente me deu um acalento no coração.

A cerimônia de enterro não demorou muito. Pessoas quiseram dizer algumas palavras, certas delas foram bonitas, outras confusas, mas eu acredito que todas valeram a pena. Eu sabia que ele estaria muito grato por todos eles.
Chegou a parte de enterrar o corpo. Todos pegaram um punhado de terra e jogavam em cima do caixão, ao passo que se despediam dele. Quando foi a minha vez, eu me aproximei com o monte de terra dentro do meu punho fechado e na outra mão estava um áster. Suspirei. Uma lembrança boa surgiu.

Estávamos os três correndo, um atrás do outro. Assim que eu toquei em , ele parou de correr, me fazendo trombar contra seu corpo e cair no chão.
— Qual foi, por que parou assim? Você é idiota? – eu disse me levantando. Ele se agachou e depois de alguns segundos ficou ereto novamente. Ele se virou para mim e me entregou um áster.
Eu estava totalmente surpresa, Leevi estava olhando de mim para e vice-versa. Olhei para a flor entre os dedos de e a peguei, observando-a contra o sol. A áster era muito comum por aquelas terras, mesmo assim, foi a primeira vez que eu ganhei uma flor na minha vida.
Olhei para Lee e entreguei-a a ele. tomou um susto, e Leevi entregou a ele de volta a flor. Nós três começamos a rir e então Leevi gritou em plenos pulmões:
— Nomeio nosso reino: Áster.
— Fala baixo, menino! – Eu bati em seu braço e voltamos a rir.”

Quando eu estava prestes a jogar a áster em cima do caixão, uma flor da mesma espécie foi jogada antes. Olhei para a direção de onde ela veio e o encontrei ali.
estava encarando o caixão, sem me olhar nenhum instante. Ele estava com os olhos inchados e o nariz vermelho, as mãos dentro dos bolsos da calça social preta. Ele lançou um pequeno sorriso que evidenciava que ele se lembrava da mesma memória que eu e foi embora. Fiquei atônita e Mark apareceu perguntando se eu não iria jogar a flor ali. Eu me despertei e fiz o que ele disse, dando um adeus a Leevi.
Fomos todos para a casa de Leevi, a mãe dele estava fazendo um jantar para todos que gostariam de lembrar de Lee. Ainda não tive coragem de ver tia Esteri e muito menos Lahja… Mas acho que não poderia mais adiar.

(Recomendamos que coloque Already Gone — Sleeping At Last)

Assim que chegamos na casa dela, que estava completamente cheia, notei que a porta estava aberta e as pessoas circulavam livremente por ali. A maioria da cidade estava lá, estava um clima diferente do enterro, as pessoas conversavam e pareciam se lembrar das memórias de Leevi com muito orgulho. Ele era o garoto mais especial daquela cidade, eu sempre soube disso. E ver todas aquelas pessoas honrando sua memória, me deixou completamente emocionada.
Ouvi um latido e quando olhei para o lado, lá estava Lahja correndo na minha direção. Sorri animada para ela que latiu mais uma vez e pulou em cima de mim, com as patas apoiadas na minha cintura.

“— Não acredito nisso! – eu disse assim que entrei na casa. Leevi estava sentado nas escadas com um filhote de cachorro em seu colo. O cachorro abanou seu rabo assim que me viu e eu corri para chegar perto dele. – Meu Deus, que coisa mais linda! Como ele chama?
— É ela. – apareceu da cozinha com um pacote de salgadinhos nas mãos. Olhei para ele e voltei meu olhar para Lee que me ofereceu a pequenina. – Se chama Lahja.
— Onde vocês a acharam? – eu perguntei a pegando no colo. Ela pendeu a cabeça para o lado com a língua de fora, parecia estar cansada.
a encontrou em uma caixa perto do pet shop. Alguém deve ter a abandonado ali, mas o grandea salvou. – Lee disse orgulhoso. Olhei para que deu de ombros, mas que não conteve o sorriso. Meu coração acelerou com essa notícia.”

Lahja era uma vira-lata única, ela era uma mistura de Labrador com Golden e tinha o maior coração daquela cidade. Não pude deixar de me agachar e ficar no tamanho dela, a abraçando. Meu coração apertou muito ao pensar que ela nunca mais viria Leevi de novo, ela não fazia ideia do que acontecera e que não poderia mais ver seu dono.
Ela me lambia com vontade, eu ria da animação dela, mas sem deixar a dor ir embora. Queria acalentar o coraçãozinho dela de qualquer jeito.
— E aí, Lahja? Calma, eu voltei, querida, eu voltei. – Eu disse a afastando um pouco de mim e passando a mão por suas costas. Ela olhava animada para mim, com a língua saindo de sua boca. – Onde está tia Esteri?
— Mais perto do que você imagina.
Ouvi a voz dela dizer ao meu lado e me virei em sua direção. Tia Esteri estava com um pequeno sorriso no rosto, mas um sorriso que não dizia nada. Era triste, cansado, mas que passava calma.
Levantei-me e logo a abracei. Ela me abraçou de volta e ficamos assim por alguns minutos. Eu sentia seu coração bater forte contra seu peito, sua respiração estava normal, no entanto.
— Como você está? – ela perguntou ao desgrudar de mim. Tentei sorrir, mas não consegui conter a lágrima que escorreu por minha bochecha e ela voltou a me abraçar, o que me fez chorar de verdade.
Esteri sempre foi solteira. Ela era vista assim, pelo o que meu pai me contava quando eu era pequena. Ela e meu pai eram irmãos, meu pai era o mais velho e consequentemente o mais chato. Esteri era alegre desde sempre, seu sorriso contagiava a todos e sua presença iluminava o local. Seu sonho sempre fora ser mãe e ela não esperou muito para realizá-lo. No ano que minha mãe me teve ela quis adotar e foi assim que Leevi se tornou família. Ele era mais velho que eu, alguns meses, mas sempre foi o mais descolado. Pensar que agora ele tinha partido de vez doía muito e imaginar como essa dor estava sendo para ela, nossa, doía mais ainda.
Não consegui parar de chorar tão cedo. Ela dizia palavras para me acalmar, como “está tudo bem, ele vai olhar para nós de onde estiver”, mas essas palavras só me faziam chorar.
Assim que eu me acalmei ela me levou até a sala de estar, onde tinham mais algumas pessoas, e se sentou comigo no sofá, Lahja nos acompanhou de perto, se sentando no chão ao lado.
— Por favor, vamos falar de você. – Ela disse já me cortando antes mesmo que eu pudesse dizer algo. Assenti. – Como está na Alemanha?
— Ah, está tudo bem. Tudo está indo bem, vamos abrir uma filial em Frankfurt, o negócio está crescendo cada vez mais. – Eu disse sem prestar atenção nas palavras proferidas por mim mesma. – Acho que logo mais vamos ter uma filial em todos os estados do país.
— Caramba, isso é ótimo, ! – Ela disse sorrindo e eu sorri de volta, sorrisos sem muitos significados. Ela tinha os olhos cansados com enormes olheiras e pensar que a noite passada deve ter sido terrível fez com que eu voltasse a chorar. – Querida, eu sei que você deve estar se culpando por algum motivo, mas saiba que ele sabia que você o amava, tudo bem?
— Eu sei… — eu murmurei, mas não sabia. Ela passou a fazer um carinho nas minhas costas e eu fechei os olhos, lembrando de como Lee adorava fazer isso em mim. – Eu só… queria ter me despedido direito.
— Não pense que isso é uma despedida. Ele estará conosco sempre, em nossas palavras e memórias. – Esteri disse e eu não conseguia não pensar em como ela era uma mulher maravilhosa. Limpei uma última lágrima que escorria e ela fez uma expressão engraçada, como se lembrasse de algo. – Deixei o frango no forno, já deve estar pronto! Eu já volto, tudo bem?
— Claro. – Eu disse e ela se levantou em um pulo, indo em direção à cozinha. Lahja se deitou nos meus pés e eu voltei a fazer carinho nela. – Como está, garota? Han?
Meu celular apitou e eu com a mão livre o peguei do bolso. Olhei a tela e era uma mensagem de Hans, meu vice-presidente. Ele estava dizendo alguma coisa sobre a empresa, mas não era nada de importante, porque eu pedi a ele que me ligasse se houvesse emergências e não era o caso.
Guardei o aparelho no bolso e parei de fazer carinho na companheira ali deitada. Me ajeitei no sofá e olhei para as pessoas que andavam de um lado para o outro na casa. Eu avistei no meio do caos uma figura muito conhecida por mim, com uma taça de vinho em uma das mãos e o braço apoiado na prateleira em cima da lareira. Ele conversava com Mark sem fazer muitas expressões, estava evidentemente transtornado com a situação. O homem foi deixado por Mark que o tocou em seu ombro e se despediu, indo em direção a outro grupo de pessoas. tomou um gole de sua bebida e correu os olhos pelas pessoas, até pousá-los em mim. Nossos olhares ficaram presos, eu não sabia o que dizer ou fazer, então ele olhou para o lado assim que começou a caminhar na minha direção.
se aproximou e se sentou ao meu lado, colocando a taça na mesa ao lado e fazendo carinho com a outra mão em Lahja. Ele dizia “boa garota” e “vamos, está tudo bem” para ela. Eu sabia que eu deveria dizer algo, só não sabia por onde começar.
e eu nunca mais nos falamos desde aquele dia que eu fui embora e deixei a carta com Mark para entregar a ele. Ele nunca entrou em contato comigo, nem eu com ele. Ficamos separados todo esse tempo, longos dez anos. Por isso eu não sabia nem como dizer que senti sua falta, porque era verdade, eu senti muito sua falta.
— Então quer dizer que alguém precisou morrer para você voltar para Nolla, han? – ele soltou e eu tomei um susto. Não acreditava que em um dia tão horrível como aquele ele conseguia ser ainda mais duro.

— Não, tudo bem. Como você está? – ele se encostou no sofá e esticou o braço por cima dele. Engoli o choro que estava por vir.
— Terrível. Você?
— Muito mais que você, eu acredito. Afinal, eu estive aqui quando ele foi parar no hospital e você, não.
Respirei fundo e balancei a cabeça negativamente.
— Você precisa ser assim?
— Assim como, ?
Desviei o olhar quando ele direcionou o dele para mim. Molhei o lábio inferior com a língua e resolvi me levantar.
— Acho que não sou bem-vinda aqui… — comecei, mas ele colocou sua mão sobre a minha, me causando um arrepio.
— Desculpa. – disse e eu o observei. Ele olhava para o chão até seus olhos se levantarem aos meus, fazendo com que eu notasse que estavam marejados. Ele engoliu a seco e trincou o maxilar, quem parecia segurar o choro daquela vez era ele. – Quer ir para o jardim?

***

Aquele dia nublado estava cada vez mais gelado. Eu estava parada no meio do gramado atrás da casa de Leevi, enquanto fechava a porta que dava para o jardim dos fundos. Ele voltou e parou ao meu lado, pegando de seu bolso do casaco um maço de cigarro. retirou um de dentro da caixa e me ofereceu, eu balancei a mão negando. Abracei meu próprio corpo para me proteger do frio e respirei fundo contra o vento.
Ficamos em silêncio por um tempo, com o cigarro na boca e eu com pensamentos na cabeça. Um turbilhão de sentimentos estavam me atingindo naquele momento, acredito que para ele também, mesmo ele querendo transparecer que estava tudo calmo dentro de si. Enquanto isso, Lahja estava correndo atrás de uma borboleta no jardim. Fiquei a observando até que ela pegou um graveto do chão e veio correndo até a mim. Sorri e peguei o graveto de sua boca, o jogando longe para que ela fosse atrás dele, e assim ela o fez.
— Lembra-se de quando fomos levar Lahja pela primeira vez para tomar banho no pet shop? – ele disse de repente e eu me virei em sua direção. Balancei a cabeça afirmativamente.
— Que ela tremeu tanto que achamos que estava doendo? – eu disse e ele soltou uma risada anasalada. – Claro que eu me lembro!
— E o pior foi eu quem deu o banho nela.
— Lembro disso também – eu dei risada e ele sorriu fraco. tragou seu cigarro e soltou a fumaça para o outro lado. Lahja voltou com o graveto na boca e dessa vez foi ele quem jogou longe o pedaço.
Fiquei olhando Lahja se distrair com outras coisas no jardim e comecei a pensar em como nem tudo era ruim quando eu morava aqui em Nolla. Eu tinha e Lee e, por mais que eu quisesse muito que isso bastasse, não bastou. Eu precisava seguir minha vida e não queria ser dona de um comércio ou até uma cafeteria, que eram as chances que eu tinha aqui. Eu queria muito ser engenheira e consegui. Mas parecia não entender isso, mesmo depois de 10 anos. Inclusive, ele estava me tratando de uma maneira horrível, ele nunca foi de ser grosso e era assim que ele estava agindo.
— Tudo bem, eu já sei o que você está pensando. – Ele disse me despertando de meus devaneios.
— Ah, é? E o que eu estou pensando? – eu perguntei ainda sem o olhar.
— Que eu estou diferente. Mais seco. Mais grosso.
Ri de nervoso com esse comentário. Ele pode estar diferente nesses quesitos, sim, mas continuava a adivinhar o que eu estava pensando.
— Acho que é compreensível. – Eu disse olhando para minhas botas. – A garota te deixou e isso deve ter quebrado seu coração.
Dei uma cutucada nele, que pareceu se ressentir.
— Outch. – Ele respondeu. – Tudo bem, mas acho que não é tão simples assim.
— Ah, não?
— Acho que tem toda a história de eu ter perdido meu melhor amigo… – Ele respondeu ainda mais grosso do que eu poderia imaginar e perdi as palavras. – Eu quis chorar, gritar, amaldiçoar e me abrir para alguém, mas a única pessoa que eu sabia que entenderia o que eu estava passando tinha me abandonado anos atrás.
Senti meu coração pesar. Olhei para que ainda fumava, mas estava com os olhos cheios de lágrimas. Ele piscou e uma gota escorreu sobre sua bochecha. Eu estava com os braços cruzados na altura do peito e olhei para o gramado, onde avistei uma pedrinha, logo a chutando em seguida.
— E o que você quer que eu diga? Que eu me arrependi? – eu disse baixo, mas continuei. – , desculpa se eu te fiz sofrer. Mas eu estava ainda pior e não poderia cogitar em continuar com a vida que eu estava tendo aqui em Nol…
— Mas precisava me contar da maneira que me contou?
O encarei. Ele estava com a expressão brava, mas ainda chorava.
— Você sabe o porquê de eu ter feito o que fiz da maneira que eu…
— Que droga, ! Você só pensou em si mesma aquele dia e pelo visto…
— Você sabe que você nunca me deixaria ir! – eu choraminguei e ele balançou a cabeça negativamente.
— Mas para você foi fácil me deixar aqui.
, não seja estúpido, acha mesmo que foi fácil? – Eu estava ficando cada vez mais brava com ele. – Eu pensava todo o dia em voltar, mas eu sabia que se eu voltasse eu acabaria…
— Acabaria como? Como eu? – ele disse alto essa última parte e então Lahja latiu para nós dois, chamando a nossa atenção.
— Ah, aí estão vocês! Esteri acabou de descobrir que Lee deixou uma carta para todos nós! Ela vai ler agora, venham rápido! – Mark disse abrindo a porta e fazendo com que nos olhássemos para ele. Eu e nos entreolhamos.

***

— Obrigada a todos que conseguiram vir aqui essa noite. Sei que é um dia difícil para todos nós, mas fico feliz que quiseram honrar a memória de Lee. — Esteri disse. Estávamos todos reunidos na frente de sua casa, com ela sentada em uma cadeira na frente da porta. — Encontramos essa carta, que na realidade estava com Mark — ela olhou para Mark com um olhar repreensivo —, mas que agora já está aqui comigo. Decidi ler na frente de vocês, porque não estava endereçada a ninguém especificamente, então acredito que seja uma carta geral. Vamos lá.
Assim Esteri passou a ler a carta. Ela começou com Leevi citando quando ele era pequeno e gostava de correr pelo campo de trailers que tinha na parte rural da cidade. A dona do campo era Astrid Johnson, uma senhora que se mudou para Helsinki quando tínhamos uns quatorze anos, mas eu também me lembro. Ele disse sobre as pessoas que o ajudaram a escolher sua carreira como professor — que eu não o vi trabalhar muito nesse ramo, aliás, pois quando eu fui embora ele era só um substituto na escola municipal — e disse que amava muito Esteri, já que ela foi a principal a apoiá-lo sempre em tudo. Nesse momento, Esteri parou para chorar um pouco, lágrimas rolavam por seu rosto, até Mark perguntou se ela queria que ele continuasse. Ela entregou a ele a carta e então Mark começou a ler.
— Agradeço também ao grande, meu melhor amigo, por sempre ser meu reforço e estar comigo para o que der e vier… E eu não poderia me esquecer de . Espero que ela esteja bem, aonde quer que esteja. Eu gostaria muito que vocês soubessem que eu os amo muito, por isso, eu não confiaria a mais ninguém a guarda de Lahja a não ser em vocês. — Mark disse e eu parei de ouvir aí. Ele continuou a dizer outras coisas que fizeram o público chorar, mas eu estava presa em “guarda de Lahja” e ainda com . Como eu poderia ter a guarda compartilhada dela, se eu não moro mais aqui?
Assim que terminou tudo, e eu fomos conversar com Esteri sobre nossa mais nova filha. Ela disse que tudo bem ficarmos com ela, desde que cuidássemos com nossas vidas. disse para conversarmos melhor sobre a guarda definitiva dela no dia seguinte. Fui para casa com meu pai e trouxe Lahja conosco. Combinei com de que eu a levaria na sua casa amanhã.
Eu mal consegui dormir essa noite. Tive pesadelo atrás de pesadelo, todos envolvendo Leevi. Quando meu pai me escreveu sobre Lee, dizendo que ele estava com leucemia e que tinha falecido, eu não entendi nada. Achei que fosse mentira, mas era tudo verdade. Eu balbuciava em choro e tremia sentada na minha cama, com o rosto enterrado em minhas mãos. Foi terrível. E esses sonhos ruins eram sobre os últimos momentos dele no hospital.
Acordei suando no dia seguinte e tentei recuperar o fôlego alguns minutos depois. Fui olhar o relógio e quando notei eu já estava atrasada para meu encontro com .
Tomei um banho rápido, me troquei e penteei o cabelo, passando em seguida rímel e blush. Coloquei uma coleira em Lahja e saí de casa, rumo a residência de.

Ao chegar lá, foi como se um sentimento saudoso aparecesse e me tomasse por completo. Ver sua casa me remeteu várias lembranças boas e alegres. Corri para tocar a campainha, pois eu sabia que ele reclamaria pelo horário que eu havia chegado.
Assim que toquei o botão, aguardei alguém aparecer. Em seguida a porta se abriu, revelando a senhora .
— Ah, oi, senhora . Como vai? — eu disse formalmente e ela sorriu, me abraçando em seguida.
— Para que toda essa formalidade, ? Não parece que nos conhecemos de anos! Imagino que você esteja procurando .
— Ah, sim, estou! — eu disse animada com sua resposta e ela assentiu. A senhora deu um passo para fora da casa e apontou para o fim da rua.
— Lá é a casa dele. Espero que vocês se entendam logo! – Ela disse entre risos e me despedi dela.
Caminhei com Lahja ao meu encalço e, assim que eu ia tocar sua campainha, ele abriu a porta, dando de cara comigo.
— Você está atrasada — disse de forma totalmente grosseira.
— Encantador desde cedo — eu respondi e Lahja pulou em cima dele.
— Ao menos alguém reconhece os meus encantos — ele disse acariciando a cachorrinha, que não era nem um pouco pequena. passou por mim e começou a caminhar na direção da rua, Lahja me puxou junto. Começamos a caminhar os três, lado a lado.
— Para onde estamos indo? — perguntei.
sorriu de lado.
— Surpresa — ele disse e sorriu de forma sugestiva.
Fomos andando pelas ruas de Nolla, foi cumprimentando algumas pessoas no caminho, até que chegamos a uma casa verde clara, com detalhes brancos. Adentramos o local e a primeira coisa que eu vi foi um enorme aquário em cima de uma mesa de madeira. Apetrechos para pets estavam espalhados em uma das paredes e um balcão gigante no canto da sala sem ninguém atrás dele compunha o ambiente. Parei de andar e ele continuou em direção a corredor, enquanto eu permaneci parada com Lahja ao meu lado.
— Espera… O pet shop não tinha sido…?
— Destruído? — colocou a cabeça para fora perguntando entre riso.
Observei-o voltar de uma das salas do corredor com uma pasta em mãos. Ele foi até o balcão e colocou a pasta em cima da mesa, em seguida a abrindo. retirou de dentro dela papéis e passou a ler em silêncio o que estava escrito ali.
— Quer dizer que você é o novo dono do pet shop da cidade? — perguntei e ele assentiu, pegando o telefone e discando um número. Consegui ouvir o som do chamado.
— Bom dia, aqui é o Dr. . Eu falo com a proprietária do Pipoca? — Escutei perguntar de forma séria, nunca o tinha visto se comunicar daquela forma tão profissional com alguém.
Precisei conter o riso ao ouvir o nome do animal.
— Certo — escutei ele dizer, como se estivesse tomando nota de alguma informação passada pela pessoa do outro lado da linha. — Eu só queria informar que o procedimento cirúrgico deu certo, não tivemos nenhuma complicação. Porém, quero mantê-lo em observação pelas próximas horas.
Enquanto falava no telefone, uma mulher saiu de outra sala e da escada no final do corredor descia um outro homem vestido com um jaleco. Na hora reconheci-o como Aatos, um dos nossos colegas de escola. Ele estava com papéis em mãos quando subiu o olhar até a mim e um sorriso aberto surgiu em seus lábios.
? — ele se aproximou de mim com um dos braços aberto e eu o abracei de volta. — Não te vi ontem…
Ele mudou seu sorriso para um triste. Troquei o tirante da coleira para a outra mão após nos soltarmos.
— Aatos? — perguntei tão surpresa quanto ele. Pelo o que eu me lembrava ele era um garoto bem miudinho, não esse homem com o porte físico de atleta. — Como você está… diferente.
Ele soltou uma risada gostosa e olhou para ele ainda com o telefone em mãos. A mulher que tinha saído da sala pediu licença aos dois e se sentou na cadeira atrás do balcão.
— Tudo bem, vou te manter informada. Obrigado pela atenção — escutei dizer e o vi encerrar a chamada.
, acabei de fazer a checagem do Bolinha, a senhora Pajari já pode vir o buscar o quanto antes. — Aatos disse para , que assentiu e entregou os papéis para a mulher sentada. — Kauane, essa é prescrição para o Bolinha. Você entrega para a senhora Pajari?
— Entrego, sim, doutor Esko. — Ela disse guardando os papéis.
— Vocês são colegas então? — perguntei, mesmo sabendo que a pergunta era meio óbvia.
— Não, nós somos casados. — Aatos respondeu e eu arregalei os olhos.
riu.
— Ser seu sócio está sendo quase como um casamento mesmo — ele comentou rindo e todos rimos juntos, no meu caso, foi de nervoso mesmo. — Eu não faria isso com a Eliza.
— Você e a Eliza se casaram? — disse com um sorriso no rosto.
Aatos sorriu e o abraçou de lado.
— Eu pedi para oprimeiro, mas ele não quis… — Aatos começou e deu risada. — Brincadeira, eu nunca faria isso com a Eli, ela é maravilhosa. Não poderia esperar mais dela, aquela mulher é simplesmente a mulher da minha vida. — Aatos disse com um sorriso e o olhar distante.
Sorri com seu comentário, e quando notei, eu olhava para , que devolvia o olhar. Ele estava me encarando de maneira terna, até que Aatos pigarreou e pegou a pasta das mãos de .
— Bom, acho que eu estou segurando uma grande vela aqui. Eu vou aproveitar e ficar com a minha esposa hoje.
— Tive uma ideia — disse e olhamos um pouco preocupados para ele, que riu fracamente. — Que tal uma volta no passado?
— Como? — perguntei confusa.
— Um jantar lá em casa, hoje à noite — ele respondeu empolgado e engoli em seco.
Não sabia se aquilo era uma boa ideia.
— Eu não se…
— Nós topamos — Aatos disse e passou o braço pelos meus ombros.

Continua…

Nota das Autoras: Oláaaa, pessoal! Eu (Giulia), T e a Van estamos muito felizes por vocês terem lido até aqui! Aguardem, pois a continuação em outras duas fanfics vem ainda nesse mês de Julho! Esperamos que vocês tenham gostado da história até aqui e que acompanhem ela nas próximas partes, porque , e Lahja têm muito ainda o que contar! Ah, e entrem nos grupos do face da Van (https://www.facebook.com/groups/vanelovers) e na da T. Kneip (https://www.facebook.com/groups/449543055547876)! É issooo, beijos de luz :*