07. Put A Little Love On Me

07. Put A Little Love On Me

Sinopse: Ele foi um babaca com ela, mas ainda acredita que tem uma chance de consertar as coisas. Seria essa uma coisa real ou apenas uma maluquice da cabeça dele?
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Beta: Thalia Grace.

Capítulo Único

No ranking de pessoas que tomavam as melhores decisões, ele claramente não estaria no topo da lista. E talvez sair de casa para ir no aniversário da melhor amiga de sua ex namorada – com quem ele tinha sido um filho da puta, só para constar – fosse uma dessas decisões de merda que estava acostumado a tomar.

Mas havia tomado decisões piores ao longo daquele último ano e ouvir brigando e o xingando de todos os palavrões que ela conhecia era algo pequeno se comparado ao sentimento de derrota que ele vinha sentido desde que havia se dado conta da merda que havia feito.

Suspirou, passando a mão pelos cabelos cacheados e sentando-se na cama para calçar os tênis. Havia escolhido jeans e camiseta, e sentia-se confortável, mesmo que sua cabeça estivesse uma bagunça. queria muito que fosse para a festa naquela noite. era a melhor amiga dela e seria completamente injustificável para a garota perder a comemoração do aniversário dela. Mas tinha certeza de que ela não iria. Não quando ele havia deixado claro que estaria presente naquela noite e para ela, seria doloroso demais estar no mesmo ambiente que ele depois de tudo o que tinha acontecido entre eles.

Não que não fosse doloroso para ele, já que seu coração andava aos frangalhos, cada batida sendo um grito de saudade. Saudade de e de tudo o que eles tinham juntos antes de ser um otário e decidir que precisava de um tempo sozinho.

Eles tinham namorado por quase cinco anos. Haviam se conhecido durante o Ensino Médio e tinham começado a namorar no segundo ano. Estudaram na mesma universidade e faziam planos sobre noivado e casamento após a formatura. era o amor da vida de , mas em algum ponto do caminho, ele parou de viver aquele amor e passou a sentir inveja dos amigos. Ele não viajava mais com eles, não saia para festas, não tinha algo que ele classificava como liberdade. Não que o prendesse, de forma nenhuma. Ela sempre deixara claro que mesmo não gostando de sair como ele gostava, ela não se importava em ficar em casa enquanto ele se divertia. havia privado a si mesmo de fazer coisas que gostava e com o tempo, passou a culpar por aquilo.

E sim, ele sabia que era um grandessíssimo babaca. E por ser um babaca tão grande, terminou o relacionamento de forma abrupta – literalmente pegou suas coisas e foi embora do apartamento que dividiam – e saiu pelo mundo em um mochilão com os amigos. Passou seis meses viajando e quando voltou para sua cidade natal, passou mais alguns meses curtindo a vida antes de começar a se dar conta da merda que tinha feito.

As últimas semanas não estavam sendo fáceis para ele. Sentia falta de a todo instante. Lembrava dela em todos os momentos e quando tentou contato pela primeira vez, descobriu que ela havia bloqueado seu número, o excluído de todas as redes sociais e deixado claro para todos os amigos que tinham em comum que ela não queria saber de .

Na cabeça dele, ainda estava sofrendo e não o havia perdoado por ter sido um otário. E ele nem podia culpá-la, porque tinha sido mesmo babaca demais.

Terminou de ajeitar os cabelos no banheiro e então colocou a carteira e o celular no bolso da calça. Trancou a casa e seguiu para a garagem, ligando o aparelho de som e colocando sua playlist favorita para tocar. Teve sorte e não pegou trânsito e a viagem só demorou mais tempo porque passou na casa de e , já que tinha oferecido carona para os melhores amigos.

A chegada na festa não foi tumultuada. Na verdade, foi completamente ignorado por e percebendo que não teria chances de acertar os pontos com a garota, se enfiou na cozinha junto dos amigos para beber e se afundar em autopiedade.

Tudo o que passava por sua cabeça era que poderia estar com naquela noite. Ele poderia beber sem culpa porque ela voltaria dirigindo. Eles iriam comer toda a comida que tinha escondido na geladeira, iriam dançar e talvez transar no banheiro dos fundos, como haviam feito tantas vezes ao longo daqueles cinco anos. Ela passaria a noite reclamando da música, do cigarro e da bebida, mas não sairia do abraço de . Em contrapartida, ele a faria rir e dançar da forma boca e descoordenada que só eles eram capazes de entender e aquilo faria aos dois muito feliz.

Suspirou, bebendo mais um gole de cerveja e chamando a atenção dos amigos. torceu os lábios e o encarou com preocupação.

— O que foi?

— Eu só… vocês já se sentiram estúpidos? — Indagou e recebeu um olhar debochado dos amigos. — É claro que sim, vocês são idiotas como eu. — Bufou.

— Você consegue ser mais idiota. — murmurou e recebeu o dedo do meio como resposta imediata.

— Eu me sinto péssimo por ficar aliviado em saber que ela não me superou. Tipo… a gente só precisa de uma chance pra conversar e colocar as coisas no lugar. Mas ela tá fugindo e eu entendo. Eu fui um idiota com ela. Não conhecia meu próprio coração e não fazia ideia do que eu queria e acabei culpando e descontando a minha frustração nela.

— Cara… — chamou em alerta, os lábios crispados enquanto encarava o amigo com descrença, sem saber em que realidade ele estava vivendo.

— E hoje ela faltou o aniversário da por minha culpa. Porque eu disse que viria e por mais que ela nunca fale no grupo porque eu estou lá, ela lê as mensagens. Ela vai ficar em casa, sem ter o que fazer. Talvez até tenha vestido algo para tentar vir, mas ela não vai conseguir. E eu tô com tanta vontade de ver ela… — Respirou fundo. — Só me dei conta do quanto eu a amo agora que não a tenho mais.

— Eu não acho que a esteja sofrendo. — foi direto. — Tipo, em todas as vezes que eu a vi, ela estava bem.

— Ela sabe fingir. E ela jamais iria demonstrar estar mal na frente de vocês, porque somos amigos. Ela vai ficar bancando a durona até não poder mais e perceber o mesmo que eu percebi: que nós precisamos um do outro.

estava pronto para retrucar quando um grito soou da sala e os garotos levantaram a cabeça em busca do som. E quando a viu, o coração de perdeu algumas batidas. Os cabelos de estavam diferentes, mas ele ainda conhecia aquele rosto e aquele corpo como a palma da mão. Ignorando os chamados dos amigos, abandonou a cadeira que estava ocupando e seguiu com alguns tropeços até onde ela estava parada, com um enorme sorriso nos lábios enquanto conversava com .

Droga, ele amava aquela garota. Amava o sorriso dela, amava as covinhas e o timbre daquela voz que andava morando em seus pensamentos em formato de lembranças. E precisava, mais do que tudo, do amor que ele sabia que ela sentia por ele.
. — Chamou quase engasgando em seu próprio nervosismo e quando ela ergueu os olhos e o encarou, deu falta do brilho afetuoso que ela sempre carregava quando estava com ele. — Eu não pensei que você viria.

— É o aniversário da melhor amiga dela. — se intrometeu. — Quem não deveria estar aqui é você, babaca. — Chiou, mas não lhe deu atenção. Sequer moveu os olhos para longe da ex namorada e quando ergueu a mão para tocar no ombro dela, se esquivou com uma careta.

— Precisamos conversar. — Ele disse.

— Não precisamos não. — Foi firme e deu um passo para o lado, visando se afastar dele. se colocou na frente dela e bufou.

— Eu sei que você tá magoada, mas a gente pode evitar esse sofrimento. Só precisamos conversar e acertar algumas coisas. — Abriu um sorriso esperançoso e o encarou incrédula.

— O que?

— Não precisa ficar sofrendo. Eu amo você e fui um idiota. — Ele disse.

— Sim, você foi um idiota. Mas eu não estou sofrendo por você, . Sofri no começo, mas sinceramente? Me deixar foi a melhor coisa que você fez por mim em seis anos. — Ela o encarou com o semblante vazio. — Não tenho mágoa nenhuma, porque eu já deixei de sentir qualquer coisa por você há muito tempo. Coloque a cabeça no lugar e de preferência, esqueça que eu existo. — Empurrou o garoto para liberar a passagem e junto de , seguiu para a cozinha e para a mesa de bebidas, enquanto encarava nenhum ponto em específico, como se tivesse levado uma porrada e estivesse completamente fora da realidade.

E bem, ele realmente estava fora da realidade ao pensar que teria de volta em sua vida. Ela estava muito melhor sem ele e ele continuaria sendo um babaca.