13. San Francisco

13. San Francisco

Sinopse: Cinco anos. Cinco anos da sua vida dedicando-se a medicina. As primeiras férias de Emma sem tocar em qualquer livro ligado a sua futura profissão foi em São Francisco e foram as férias mais incríveis dela, principalmente por ter conhecido uma pessoa muito especial. Porém, ao voltar para a sua vida normal em Londres, os problemas começam a persegui-la em um caminho doloroso.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Os personagens principais são interativos. Niall é fixo como secundário.
Beta: Lara- Jean Covey.

Férias. Finalmente teria um descanso. Essa última semana tinha sido uma completa correria. Tinha finalizado a minha graduação em medicina e precisaria passar no programa de trainee. Minha prova tinha sido na quarta-feira, na quinta eu tinha pego um voo da Inglaterra para os EUA, onde passaria a minha férias. Tecnicamente era pra eu passar as férias com o meu pai, mas ele vivia para o trabalho como toda a minha família, então eu estaria sozinha.
A noite chegou e eu me apressei para me arrumar, Charlotte e Olivia iriam passar em minha casa por volta de nove horas da noite. Elas que haviam ido me buscar no aeroporto no dia anterior, quando me viram fizeram praticamente uma festa. Havia quase um ano que não as via. Nove horas era considerado tarde, e nunca tínhamos saído tão tarde de casa, mas segundo eles iriamos em um bar novo que inauguraria essa noite. Geralmente os bares de San Francisco fechavam por volta de uma ou duas da manhã, não era atoa que sempre saíamos cedo de casa. Vesti um conjunto de cetim que incluía um cropped preto de alça fina deixando meus seios bem demarcados e uma saia justa de cintura alta, deixando ainda uma parte da minha cintura a mostra. Sentei-me a frente da penteadeira e fiz uma maquiagem bem carregada e escura, para que meus olhos azuis se ressaltassem, e na boca um batom nude. Fiz alguns cachos com o babyliss nos meus fios quase pretos, que iam até a altura do ombro, e coloquei alguns acessórios de prata. Espirrei, no pescoço e nos pulsos, o meu perfume preferido de aroma doce. Meu celular começou a tocar quando fui procurar pelo meu salto nude, um rosa bem clarinho. Era Charlotte. Elas tinham chegado dez minutos mais cedo. Peguei meu celular e corri em direção do elevador que me levaria até o térreo. Charlotte continuava ligando. Minha nossa, ela não sabe esperar? Enquanto estava no elevador, aproveitei para checar se meu cartão estava dentro da capinha do celular.
Passei pela portaria correndo maravilhosamente nos meus saltos e avistei o SUV branco no outro lado da rua. Abri a porta do passageiro e olhei para Charlotte com cara feia, ela que estava dirigindo hoje.
– Você chegou dez minutos adiantada. Era o tempo que eu iria descer. – Mostrei a hora no celular e era exatamente nove horas em ponto.
– Era só pra ver se você está esperta. – Olivia riu no banco de trás, ela estava com os olhos fixos na tela do celular.
– Muito engraçadinhas vocês duas. – Revirei os olhos e coloquei o cinto assim que Charlotte deu partida no carro. – A onde fica esse tal bar? – Perguntei cruzando as pernas.
– Fica na Fillmore. Como hoje é inauguração devem ficar abertos até mais tarde. Eu não aguento mais esses bares que fecham uma hora da manhã, será que pra eu tomar um porre tenho que beber antes de sair de casa? Na verdade, é como se fosse uma boate, não é bem um bar, bar… – Charlotte parou no sinal e olhou para o banco de trás. – Você trouxe as pulseiras Olivia? – Ela levantou uma das sobrancelhas.
– Sim, eu trouxe. – Ela concordou. Olivia trabalhava com eventos, logo, era óbvio que ela conseguiria as pulseiras de entrada e não era por acaso que seu olhos viviam vidrados no celular.
– Acho que já estou me arrependemos de ter saído hoje. – Resmunguei olhei para as ruas.
– Como assim? Porque? – A menina ao meu lado perguntou.
– Estou começando a ficar com sono. Não dormi nada essa semana por conta da prova.
– Minha nossa , como você vai arrumar um namorado se você não sai de casa e vive pro trabalho? – Olivia me perguntou.
– Já se perguntou que talvez eu não queira um namorado? – Respondi virando o rosto para trás. A ruiva deu de ombros.
– Todas nós queremos um namorado.
– Eu não preciso de um namorado, se alguém aparecer tudo bem, mas não vou sair desesperada atrás de um.
Charlotte estacionou o carro em uma das vagas próximas do local e saltei do veículo. A fila para entrar estava enorme. Olivia finalmente guardou o celular na bolsa é entregou a pulseira verde para nós.
– É só me seguir que não teremos problemas. – Ela começou a andar na direção da entrada do bar. Eu coloquei a pulseira que não era fácil de tirar e fui logo atrás dela é de Charlotte. Ambas estavam usando vestidos, a diferença era que o de Charlotte era mais solto e o de Olivia era estilo tubinho. Olhei para o céu rapidamente e percebi que não haviam nuvens de chuva como a manhã, o céu estava limpo e lua minguante estava bem iluminada.
Olivia arrematou a sua pulseira e indicou que haviam mais duas acompanhantes, o homem pediu para ver as pulseira e fomos liberadas para entrar no estabelecimento.
– A onde está o pessoal? – Charlotte praticamente gritou observando o local.
Era uma boate extremamente grande com dois andares. Em cima ficavam as mesas e provavelmente o pessoal que pagava mais caro para ter privacidade, ou seja, o VIP. No térreo estava a pista e dois bares, um de cada lado para atender os clientes. Sem contar que no andar de cima também havia outro bar, estava agradecendo aos céus que o lugar era grande o suficiente para não me sentir claustrofóbica.
– Venham. – Olivia dez sinal entre as pessoas para que a seguíssemos até as escadas que davam para o andar de cima.
– A onde você está indo? – Perguntei perto o seu ouvido ao me aproximar.
Você acha que essas pulseiras servem somente para entrar sem pagar um absurdo? – ela levantou uma das sobrancelhas passando pelos dois guardas que ficavam próximo das escadas. Segui Olivia até uma das mesas em que nossos amigos estavam. Todos estavam reunidos em uma mesa retangular com o estofado embutido na parede, como outras mesas espalhadas por ali. Cumprimentei o pessoal e me sentei ao lado de Charlotte. Eles não eram bem meus amigos, eram mais conhecidos de Olivia e da Charlotte.
– Vou pegar alguma coisa para eu beber. – Falei levantando do sofá e fui em direção do bar, apoiei os antebraços no balcão. – Boa noite, poderia me dar gin com chá de frutas vermelhas, por favor? – Perguntei para o barman que havia acabado de ficar livre.
– Claro. Já vou fazer.
– Obrigada. – Abri um pequeno sorriso e me sentei em um dos bancos de madeira para esperar.
– Quem vem para um lugar desses e não pede uma cerveja? – O homem ao meu lado perguntou, levando a garrafa de Blue Moon até os lábios para dar um gole.
– Alguém que não gosta de cerveja. – Dei de ombros virando o rosto para encará-lo. Quando vi o rosto do ao meu lado eu não pude disfarçar a surpresa.
– Eu iria preferir a cerveja do que o chá com gin. Chá eu tomo em casa, na verdade nem em casa… – Ele fez uma careta, o que me fez rir.
– Bom, então você fica com a sua cerveja e eu com os meus deliciosos chás.
– Aqui está senhorita. – O garçom me entregou a taça com o liquido de cor meio rosada.
– Obrigada. – Agradeci entregando o meu cartão de consumo.
– Mais uma cerveja, por favor. – Escutei pedir enquanto voltava para a minha mesa. – Ei. Ei. – olhei para trás por cima do ombro e observei o menino vir atrás de mim e me segurar pelo braço livre. – Você não me disse o seu nome.
– Ah, claro. É . . E o seu é? – Perguntei virando o meu corpo de frente para ele. Ele ficou com uma expressão de dúvida. – Acho que algumas vezes na vida você já quis ser tratado como uma pessoa normal, não é senhor…?
. – Ele respondeu ao entender o que eu estava fazendo.
– É um prazer conhecê-lo, . – Estendi o braço para cumprimentá-lo e ele correspondeu. – Bom, eu preciso voltar, minhas amigas vão achar que alguma coisa aconteceu.
– Tudo bem. – Ele concordou balançando a cabeça positivamente, confesso que por uma fração de segundos eu me perdi enquanto ele me encarava. Dei as costas para o mesmo e voltei para a minha mesa, olhei rapidamente para trás e percebi que ela tinha se sentado no banco novamente, mas dessa vez não estava de costas para o pessoal como quando havia encontrando-o.
– A onde você estava? Achei que tivesse se perdido. – Charlotte olhou para mim e em seguida para o copo. – Chá?
– Sabia que tem álcool aqui dentro? Álcool Charlotte. – Bufei dando um gole da minha bebida.
O tempo passou lentamente, e eu confesso que as vezes olhava na direção do bar. Quando meus olhos se encontravam com o de , sentia um calafrio percorrer pelo meu corpo. Eu não estava interessada nele pelo fato dele ser famoso, estava longe disso. Já havia escutado algumas músicas na época que o One Direction estava ainda na ativa, contudo não era uma fã. Mas o , para mim, sempre fôra o mais bonito, pessoalmente então…
– Licença. – Fui interrompida dos meus pensamentos por uma voz masculina. Eu estava olhando fixamente para o copo de gin vazio na minha frente, ao olhar para cima na direção da pessoa. – Posso pegar a amiga de vocês emprestado? – estava com o braço esticado na minha direção, eu olhei para as minhas amigas que pareciam mais assustadas do que surpresas. – Vou levar isso como um sim. – Ele respondeu pegando a minha mão e me arrastando pelo bar.
– Ei, ei. Para onde estamos indo? – Perguntei seguindo o menino na direção das escadas.
– Por enquanto, para o outro lado da rua. – Ele riu ainda segurando a minha mão. Ao pararmos na recepção, me pediu a minha credencial e eu neguei. – É só um único drink , não tem nada demais em me deixar pagar.
– Não precisa. Obrigada. – Agradeci estendendo o cartão do local para o caixa, paguei com o dinheiro que havia levado por precaução, caso o meu cartão não fosse aceito no local, e sai do estabelecimento junto de .
– Não vamos para o outro lado da rua né? – Perguntei levantando uma das sobrancelhas.
– Não. – Ele riu olhando rapidamente para trás. Ao passarmos pela porta de saída, algumas meninas que estava na fila rapidamente o reconheceram e começaram a gritar desesperadas, quem imaginava que estaria em um lugar como aquele? Só mais uma boate em San Francisco, nada com muito luxo. Ele deu breves acenos e me puxou na direção do carro que tinha acaba de estacionar na nossa frente, entramos dentro do veículo e o motorista logo deu partida. Ao olhar para fora, percebi a quantidade de seguranças que estavam acompanhando a gente.
– Devo ficar com medo de ser raptada? – Perguntei virando o rosto na direção dele.
– Não, claro que não. – ele sorriu. – Eu te arrastei comigo porque você não parecia nada animada lá dentro, parecia estar ansiosa para ir embora.
– Bom… Mentira não é. – Resmunguei deixando o celular no colo. – Eu não me sinto muito à vontade com aquelas pessoas, exceto com as minhas amigas, a ruiva e a loira que estava ao meu lado, sabe? Eu não os conheço, então não sei conversar com eles.
– Posso te deixar em casa, a onde você mora? Ou então se quiser ir para outro lugar, é só me falar o endereço. – Ele me perguntou no outro lado do banco.
– Na verdade, tem um lugar que eu quero ir sim. – Falei olhando o horário no celular, ainda era uma hora da manhã. Uma hora da manhã e tudo que eu tinha feito era tomar um único copo de gin. – Pode me levar na Beaker?
– Claro. Vamos fazer o seguinte então… – pediu para que o motorista seguisse para a sua casa. Literalmente. Havia dispensando-o dos serviços por hoje, até porque já era madrugada. Ao chegar na frente de um prédio, o motorista desceu do veículo e saltou do carro para pegar a direção.
– Você vai ficar ai atrás? – Ele perguntou olhando para mim por cima do seu ombro.
– Ahn… Acho que não. Feche os olhos.
– Como?
– Fecha os olhos! – Insistindo para o menino que concordou, pelo retrovisor eu tive certeza que ele havia cumprido o pedido. Retirei os saltos e joguei os mesmos no chão do banco da frente, em seguida passei entre o espaço dos dois bancos, sentando-me no banco do passageiro. Se ele estivesse com os olhos abertos, provavelmente teria visto a minha calcinha.
– Posso abrir agora? – Ele perguntou franzindo o cenho.
– Sim! – Respondi colocando o cinto.
– Não era mais fácil você ter saltado do carro? – Ele me perguntou como se fosse óbvio.
– Acho que é costume, eu faço isso quando estou com minhas amigas. – Eu ri em tom baixo e ele concordou, acelerando o veículo.
– Porque quer ir até a praia? – Ele me perguntou enquanto dirigia tranquilamente.
– Faz tempo que não vejo o nascer do sol. – Falei encarando a rua que passava diante dos meus olhos.
– É uma programação muito melhor. – Ele sorriu.
na verdade não tinha me levado até a Baker. Ele tinha estacionado o carro na estrada que dava para a Baker, era um pouco mais alto que a praia então dava pra ver melhor o nascer do sol, porém ainda eram duas horas da manhã. O menino desligou a ignição e tombou o encosto do banco para trás, para que ficasse mais reclinado.
– Então, ainda falta algumas horas pra amanhecer. Me conta um pouco sobre você. – Ele virou o rosto para mim e colocou as mãos atrás da cabeça.
– Oque quer saber especificamente? – Perguntei virando o meu corpo para o lado, deixando as pernas dobradas lateralmente em cima do banco.
– Quantos anos você tem?
– 23 anos. E você?
– 3 anos de diferença de você. Tenho 26.
– Teve algum motivo específico pra vir pra San Francisco? – Perguntei encostando a cabeça no banco.
– Não, eu estou meio que de férias, queria um lugar diferente para ir e acabei aqui. – Ele deu de ombros.
– Qualquer lugar no mundo e você escolhe logo aqui?
– Viu? Ninguém imagina que eu viria para um lugar desses. Aqui não é ruim, mas todos pensam que famosos vão pra lugares caros e com glamour.
– E não vão? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
– Sim, mas… você me entendeu! – Ele olhou para mim com os olhos semicerrados e eu ri alto. – Deve ser um bom lugar para morar.
– Eu prefiro a Inglaterra. – Resmunguei.
– Ei, você não é americana. – Ele sentou-se rapidamente no banco e me encarou. – Agora que eu percebi o seu sotaque, é inglesa.
– Uau. – Bati palmas para ele. – Você demorou muito . Que tipo de inglês é você?
– Você consegue disfarçar o sotaque as vezes, não me venha com essa. – Ele fez sinal de não para mim e eu acabei concordando.
– Meu pai é americano e minha mãe era inglesa. Eu estou aqui somente para as férias. Eu moro em Londres, faço faculdade de medicina lá.
– Viu? É a convivência com o seu pai, por isso que você consegue misturar os sotaques.
– Não muito. – Fiz uma careta. – Eu convivo mais com minhas amigas do que com o meu pai. – soltei uma risada fraca, olhando para as unhas. – Meu pai é empresário no ramo da música, então ele está sempre ocupado, você deve saber como é.
– Sim. Eu sei bem como é. – Ele concordou voltando a se deitar na poltrona.
– Eu não o culpo, sabe? Já me acostumei. – Dei de ombros voltando a olhar para o menino.
– E a sua mãe?
– Ela morreu, câncer nos pulmões. Tem uns cinco anos já, eu morava com ela em Londres, minha história é um pouco embolada na verdade.
– Eu tenho tempo. – Lima realmente parecia muito interessado.
– Então… Eu vim para San Francisco quando tinha 3 anos de idade. Com 15 eu voltei para Londres, foi a época que meus pais se separaram e o câncer da minha mãe piorou. Meu pai vivia visitando a gente, apesar da separação. Quando eu fiz 18 anos ela morreu e eu entrei pra faculdade de medicina, a partir daí eu nunca mais voltei, somente para férias. Na verdade, eu prefiro morar em Londres do que em San Francisco, me sinto mais em casa lá. – Quando terminei de falar percebi que não tinha tirado os olhos de mim um segundo sequer. – O que foi?
– Nada. – Ele balançou a cabeça negativamente e aproximou o rosto de mim calmamente, ainda mantendo uma certa distância. – Todos sabemos que a Inglaterra é muito melhor. – Ele sussurrou e eu ri.
– Todos sabemos. – Concordei com o menino que abriu um enorme sorriso. Às vezes eu tinha a sensação que era como se a gente já tivesse se conhecido, as coisas pareciam tão… normais. Conversamos por horas e horas, até que os primeiros raios de sol começaram a aparecer no céu. saltou do carro e fez sinal para que eu também fosse junto.
– Está frio! – Eu gritei dentro do carro e ele colocou as mãos na cintura, me encarando. Eu suspirei e sai de dentro do carro com os braços e os ombros encolhidos no corpo. subiu no capô do carro e me deu a mão para que eu sentasse ao seu lado.
– Seu nariz nem está tão gelado assim. – Ele falou após colocar o dedo na ponta do meu nariz.
– Você está de calça e tênis, eu estou descalça e olha o que eu estou vestindo. – Olhei para o menino com desdém e ele riu.
– Olha… é um conjunto muito bonito. – Ele concordou dando uma olhada no meu corpo.
– EI! – Dei um leve tapa no seu ombro e ele riu. Os raios de sol aos poucos iluminavam todo o céu e estava começando a nos atingir, eu encostei a cabeça no ombro de e permaneci em silêncio, enquanto observava o sol aparecer no horizonte.
– Oque você está pensando agora? – me perguntou, mas eu não escutei. – ? – Ele se inclinou levemente e sorriu ao ver que eu tinha caído no sono, era a primeira vez naquela semana que tinha conseguido dormir sem ter que tomar medicamento.


Eu já não sentia mais frio, estava com o corpo quente e me sentia extremamente confortável, ao abrir os olhos dei de cara com . Minha nossa. Eu dormi?! Arregalei os olhos e olhei ao redor, estávamos deitados em cima do carro e minha cabeça estava sobre o seu peito e parecia dormir profundamente.
– Bom dia. – Ele respondeu ainda de olhos fechados, me dando um tremendo susto.
– Ahn… bom dia… – Respondi meio sem graça. – Que horas são? – Perguntei procurando alguma coisa para ver o horário.
– Seis e meia. – Ele respondeu sentando-se. – Você cochilou por meia-hora. – Ele riu e senti minhas bochechas ficarem rosadas.
– Não precisa ficar com vergonha. – colocou uma mecha de cabelo que estava na frente do meu rosto atrás da orelha. – Parece ter sido um cochilo bom. – Ele riu.
! – Franzi o cenho olhando feio para ele.
– Eu não conto pra ninguém se você sair comigo novamente. – Ele riu ainda falando em tom de brincadeira.
– Tudo bem. – Concordei encarando seus olhos, eu tinha gostado de estar com ele, eu me sentia bem.
– Então temos que assinar o nosso acordo. – Ele se aproximou de mim e levando a mão direita até a minha nuca, eu não recuei, no fundo eu queria ter feito aquilo na festa. Eu fechei meus olhos e deixei seus lábios encostarem no meu, foi um beijo maravilhoso, todo o meu corpo se arrepiou, podia sentir que eu o desejava mais. Muito mais.
O restante das minhas férias foram incríveis. No dia seguinte minhas amigas me ligaram pra entender direito o que tinha acontecido, e eu tinha esquecido de retornar as várias ligações que deixaram no meu celular. Não tive culpa de não ter atendido, estava no silencioso. Visitei o Golden Gate Park junto de , fomos ao Pier 39, no Chinatown, passamos as tardes na praia. Não éramos namorados, simplesmente gostávamos da companhia do outro. Parecíamos que estávamos em uma amizade colorida. As coisas só melhoraram quando tive que voltar para Londres, foi a partir daí que resolvemos tentar alguma coisa entre a gente.
– Bom dia. – resmungou ao meu lado na cama, eu tinha dormido na casa dele, na noite anterior ele havia me levado para jantar no Quo Vadis.
– Bom dia, baby. – Sorri ao ver ao meu lado, passei o braço pela sua cintura e me aconcheguei no seu abraço. Olhei para a minha mão rapidamente e fiquei encarando o anel no meu dedo, na noite anterior ele havia me pedido em namoro.
– Animada pro seu primeiro dia de residência? – Ele me perguntou virando o rosto para mim.
– Claro que estou! – Sentei rapidamente na cama e bati algumas palminhas. – Nem acredito que agora meu jaleco vai estar escrito doutora.
– Doutora . – colocou os braços atrás da cabeça e me encarou.
– Soa muito melhor. – Eu ri e pulei em cima dele, dando alguns beijinhos pelo seu pescoço. – Você sabe que não vamos conseguir nos ver tanto agora, né? – Apoiei a o queixo sobre o seu peito e encarei os olhos castanhos dele.
– A gente vai dar um jeito. – Ele deu de ombros, abrindo um leve sorriso.
– Tudo bem. – Concordei saindo de cima dele. – Vai querer café? – Perguntei vestindo uma de suas blusas.
– Eu vou com você. – Ele levantou-se da cama e se aproximou de mim, abraçando a minha cintura para irmos juntos até a cozinha.
Tudo que é bom dura pouco, não é mesmo? O primeiro mês de namoro foi como o início de tudo, ele me dava flores, quando podia me buscava no hospital, ele era um verdadeiro cavalheiro. Meus amigos e meu pai sabiam do nosso relacionamento, a mídia desconfiava, mas preferíamos manter em sigilo por conta da nossa privacidade. Algumas semanas ele não podia estar presente devido à sua carreira musical, já eu tinha o compromisso com a minha residência todos os dias. Às vezes folgava um dia na semana, mas era raro.
? Estou em casa. – Falei em tom alto ao entrar dentro de sua casa, deixei os sapatos ao lado da porta e fui até o quarto procurar pelo meu namorado. – ? – Chamei pelo seu nome novamente e fui até o estúdio no andar de baixo, ao abrir a porta encontrei com o meu namorado sentado na mesa de gravação. – ? – Ele não me respondeu. – Olha, me desculpa não poder ter ido com você no jantar… – Ele permaneceu sem me responder.
– Bom, eu acho que não tenho o superpoder de ficar invisível. – Cruzei os braços na porta do estúdio e ele virou a cadeira na minha direção.
– Você está começando a ter então. – Ele me encarou indignado.
– Ei, eu estou tentando pedir desculpas. Eu não tenho culpa, precisava fazer um parto, a mãe estava em estado de risco!
– Sabe , eu não quero ouvir suas desculpas, é a segunda vez que você não aparece em algum compromisso que a gente combinou.
. Eu vim aqui pedir desculpas. Acho que você não entendeu que estou me formando em medicina, eu sou residente na área de obstetrícia, eu tenho mais de uma vida em mãos, duas, as vezes até três! Eu não tenho que cuidar somente de um bebê, eu tenho que cuidar da mãe, do útero dela, e a saúde dela e do bebê. Se eu sou chamada para uma cirurgia de emergência, eu não tenho a opção “não”, eu tenho a opção chamada “obrigação”. Agora, se você não entende isso, nós temos um problema. – Peguei a minha bolsa do chão e dei as costas para o menino indo em direção da porta.
. – veio atrás de mim rapidamente. –! – ele gritou e eu olhei para trás.
– O que foi, ?
– Olha, eu não quis… Você sabe, eu não quis te magoar. Eu sinto falta da sua companhia, eu quase não te vejo, eu sinto falta de tocar em você, dormir somente não basta, eu quero ter você perto de mim.
– Essa não é a primeira vez que a gente tem essa conversa, será que vou ter que lembrar a você todos os meses? – Perguntei suspirando, eu estava cansada, precisava de um banho.
– Não, não querida, não vai precisar lembrar. Me perdoa. – Ele segurou a minha mão e me puxou para um abraço, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo. O moletom preto que ele usava trazia uma sensação quente e de conforto.


– Temos vinho? – Perguntei ao ver entrar na minha cozinha com segurando duas sacolas de papel, uma em cada braço.
– Temos vinho, com certeza! – Ele colocou as sacolas em cima do balcão e me deu um selinho demorado. – Como está indo com o laboratório? – Ele ironizou dando uma olhada em cima do balcão, estava uma bagunça, cozinhar não era bem o meu forte. Mostrei a ponta da língua para ele e peguei o bacon de dentro da sacola, eu aproveitei que ele tinha ido no mercado para comprar algumas coisas que faltavam para o carbonara e pedi para comprar produtos para a minha casa também, claro que iria transferir o dinheiro depois.
– Já volto para te ajudar, vou no banheiro. – Ele saiu da cozinha indo em direção do corredor, eu retirei o bacon da embalagem e comecei a cortar o mesmo em pedaços médios. Em cima da mesa do jantar o celular de começou a tocar, minhas mãos estavam sujas de gordura, não poderia atender ou avisar quem era, então deixei o mesmo tocando, quando ele voltasse veria a chamada perdida. Despejei o bacon na panela e lavei as mãos para retirar o excesso de gordura. – Alguém ligou para você. – Informei ao vê-lo voltar do banheiro, enquanto mexia o bacon na panela. olhou o celular e deu de ombros. – Não vai retornar?
– Não. Era o pessoal da produtora, amanhã de manhã eu retorno. – Ele falou colocando o celular no bolso da bermuda jeans. – Quer ajuda em que?
– Pode fazer a mistura dos ovos com o queijo, por favor?
– Claro! – Ele respondeu pegando os ovos de dentro da sacola de papel e o queijo para ralar.
Aquela noite havia sido calma, tinha praticamente um mês desde a nossa pequena discussão e parecia estar tão tranquilo, tão em paz. O álbum que ele estava escrevendo estava quase pronto, ele não estava tendo muitos problemas com isso. Minha residência em obstetrícia estava sendo incrível, era cada situação que aparecia no hospital que qualquer residente ficaria com os olhos brilhando e no caso, essa residente era eu.
Duas semanas depois desse jantar tinha conseguido uma folga do meu plantão na parte da noite, decidi que iria fazer uma surpresa para , eu sabia que ele sentia a minha falta, ele não dizia para evitar qualquer discussão, mas no fundo eu dava o meu melhor. Como tinha a chave da casa dele, abri a porta principal deixando meu casaco pendurada na entrada e os sapatos, em seguida subi até o andar de cima e ao abrir a porta do quarto, escutei o barulho do chuveiro que vinha da suíte. Deixei minhas coisas em cima da cama e retirei a roupa, ficando somente com as roupas íntimas, faria uma surpresa para ele no banho. Quando Fui em direção do banheiro, escutei o celular dele vibrar em cima da escrivaninha, eu iria ignorar se não tivesse vibrado pela segunda e depois pela terceira vez. Peguei o celular e desbloqueei o mesmo com a minha digital. A tela abriu em uma conversa com uma mulher que eu não conhecia.

?” – foi a primeira mensagem que ela tinha mandado.
“Aconteceu alguma coisa? A onde você está? Que demora!”
“Combinamos de você vir aqui as 20hrs, já são 20h30.” – ela não parava de mandar as mensagens.
“Estou com saudades, hoje estou com aquele conjunto vermelho que você gosta.”

Rolei algumas mensagens para cima e suspirei ao ver as conversas do dia, provavelmente não tinha mais devido ao fato dele ter apagado. A partir do momento que ela mandou uma foto dos seios, eu bloqueei o celular e a porta do banheiro se abriu. Ao me ver ficou surpreso.
? – Ele olhou para mim e em seguida para o celular na minha mão.
– Oi . – Tentei forçar um sorriso, mas não consegui. – Aqui. – Estendi a mão com o celular na sua direção.
– Achei que estivesse de plantão no hospital. – Ele respondeu pegando o celular na mão.
– Eu estava sim, apareci para fazer uma surpresa, mas acredito que outra pessoa já está providenciando isso. – Respondi colocando as minhas roupas de volta.
– Do que você está falando? – Ele me perguntou se aproximando de mim somente de toalha. Eu olhei para ele com uma expressão cansada e apontei para o celular.
, por favor, não mente pra mim. Se tem uma coisa que eu não gosto são mentiras, agora a Emily eu já não sei, talvez você descubra com o tempo, quando estiverem juntos. – Peguei a minha bolsa e fui na direção da porta, porém segurou o meu pulso. Eu precisava ir embora dali, estava me sentindo sufocada.
– Droga… – murmurou enquanto lia as mensagens e segurava o meu pulso com a outra mão.
– Droga? É tudo que você tem pra me dizer? – Perguntei ainda em tom calmo, puxando o meu braço para que me soltasse.
– Olha, , a gente precisa conversar.
– Eu não tenho nada pra conversar com você . Absolutamente nada.
– A Emily é uma antiga amiga minha, na verdade eu sempre fui meio apaixo…
– Eu não quero ouvir, . – Interrompi o garoto passando as mãos pelos cabelos.
– Me perdoa , eu não queria magoar você. Mas eu precisava de atenção também, você praticamente mora no hospital, nem parece que somos namorados! – Ele começou a falar enquanto vestia alguma coisa decente.
– Eu moro no hospital porque eu escolhi cursar medicina se você não está lembrado, porque eu acho que você tem amnésia. Eu já te falei isso diversas vezes e não entra na sua cabeça. Eu estou lá para aprender, para que futuramente eu não mate alguém! – Eu estava perdendo a minha paciência, eu estava segurando tantas emoções naquele momento.
– Mas você esqueceu que você também tem uma vida e na sua vida existem pessoas que amam você, e que você não dá atenção, você não liga! – Ele olhou para mim indignado.
– Não , as pessoas que me amam entendem que eu abri mão de um enorme tempo da minha vida, para disponibilizar ele há pessoas que precisam de ajuda. As pessoas que me amam entendem. – Falei sentando-me na cama suspirando, eu fechei os olhos e coloquei as mãos no rosto, até que ponto as coisas desandaram.
, eu não sei o que está acontecendo comigo, de verdade, eu nunca quis magoá-la, mas eu sentia tanto a sua falta… – Ele se ajoelhou na minha frente e eu abri os olhos, encarando os seus. Pousei a mão direita na sua bochecha e abri um sorriso fraco.
– Tudo bem, eu perdoo você. – Eu balancei a cabeça positivamente. – Eu te perdoo, mas eu não quero ser mais a sua namorada. – Ele franziu o cenho, me encarando. – Sabe, tá tudo bem, eu juro que tá tudo bem. Sabe porquê? Porque eu fiz o meu melhor, eu dei tudo de mim para você, eu estou com a minha mente leve, não tenho nenhum arrependimento. Eu te amei intensamente, eu vivi momentos com você que jamais vou esquecer, mas na sua visão, eu não sou suficiente. – Eu levantei da cama calmamente, parecia querer falar alguma coisa, mas fiz sinal para que ficasse quieto. – Eu não quero mais te escutar, estou falando sério. Você não é uma pessoa ruim. – Continuei falando enquanto pendurava a mochila nas costas. – Estou com sentimento de tristeza, pelo simples fato que eu não fui a sortuda a ver o seu lado incrível e amoroso, porque se você me amasse, não teria me traído, se você me amasse entenderia o meu lado. Eu posso ser o amor da sua vida , mas eu não sou o amor para a sua vida como você não é o meu. – Eu estava me segurando para não chorar, sentia um nó na garganta. – Não quero que você me procure mais, por favor, não torne isso mais difícil, ok? Espero que tenha uma ótima vida com a Emily. – Eu abri a porta do quarto e sai sem olhar para trás, parecia horrorizado, não devastado, ele parecia não ter palavras, ele queria ter, mas ele não tinha as palavras certas.
No momento em que pisei na calçada da sua casa, eu senti as lágrimas escorrendo desesperadamente pelas minhas bochechas, eu estava ofegante, chorava que nem uma criança enquanto ia em direção do meu carro. Eu estava com uma enorme dor, dor porque a pessoa que eu tinha escolhido para a minha vida não tinha o mesmo sentimento que eu por ela.
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As duas primeiras semanas depois do meu término com tinham sido tranquilas. Na verdade, não tinha muita diferença, já que ela quase nunca estava em casa. As coisas começaram a ficar diferentes quando percebi que ela não aparecia de repente depois de um plantão com aquela expressão de cansada, ou então com mais uma das histórias cirúrgicas, ou quando ela chegava com uma expressão triste por ter pedido uma paciente ou algum recém-nascido. Eu comecei a perceber que estava mais presente na minha vida do que eu imaginava, eu sabia que ela havia chegado ao ver a caixa de cereal em cima da mesa e encontrava ela na sala assistindo Netflix.
Toda vez que passava na frente da London Eye lembrava da vez em que convenci ela a dar uma volta comigo, pois morria de medo de altura. Tanto que em um desses dias eu larguei o carro em qualquer vaga na rua e corri para o seu apartamento. Eu precisava voltar para ela, eu tinha culpa, mas quanto mais ficava longe dela, mais falta eu sentia da sua companhia. Com certeza ela tinha desconfiado que eu estivera lá, pois estava completamente encharcado, ela não estava em casa, mas eu tinha deixado um rastro grande de água na sua porta. Eu não queria nada com Emily, a pessoa que eu sentia falta era , a pessoa pelo qual era apaixonado era a .
A bebida estava sendo a minha melhor amiga, era com ela que eu conversava sobre , até que ela me encorajou outra vez. Em uma madrugada de quarta, eu liguei para e não obtive resposta, foram mais de dez ligações e nada…
Dois meses depois do término eu decidi dar um rumo na minha vida, seria a minha última tentativa, não poderia viver o resto da minha vida desse jeito, ela estava certa, só pioraria as coisas e o erro havia sido meu, se ela não me queria de volta, era com razão. Decidi escrever uma música, demorei em torno de três dias para compor, fui até o apartamento dela e pede para que o porteiro entregasse para ela junta das correspondências, já que eu não estava mais autorizado ao entrar no seu apartamento. Se ela não me desse nenhuma resposta, eu iria me mudar e recomeçar as coisas novamente.

. [4 meses depois]

Eu estava voltando do meu plantão de 48 horas, quando escutei no rádio que Niall Horan, ex-integrante da banda One Direction tinha lançado um novo álbum e em comemoração, tocariam uma das músicas. O nome era San Francisco. Quando escutei os primeiros versos, estranhei porque me lembravam os momentos que tinham passado com . A música parecia ser tão… familiar. No final da música percebi que estava chorando enquanto dirigia, a música tinha sido escrita por , era a carta que ele tinha me mandado. Porém, no final dela ele pedia que eu desse algum sinal de que eu aceitaria dar uma nova chance para o nosso namoro, como eu não respondi nada, ele parou de aparecer, não me ligou mais, não apareceu no meu apartamento, nada. Eu confesso que sentia ainda falta dele, mas eu tinha uma opinião bem formada quanto a traição. Escutar aquela música foi reviver todos os momentos com novamente.
Is there a way to make it up somehow…? – Sussurrei retirando as lágrimas da bochecha e respirei fundo, eu sabia o que eu queria, e naquele momento era chegar em casa e tomar um banho, afinal no outro dia eu tinha vidas para ajudar.