08. She

08. She

Sinopse: Louis Tomlinson havia aprendido a enterrar certos sentimentos na esperança de que cada passo que desse fosse mais fácil do que no dia anterior, até mesmo no que dizia respeito a ele. Por mais doloroso que fosse ignorar cada lembrança que dominava sua mente com um simples referência ao nome do outro. Até aquele momento estava dando certo: Seu álbum estava cada vez mais perto da estréia e se sentia extremamente satisfeito, seu relacionamento com o pequeno Freddie estava maravilhoso, tinha o carinho e respeito dos fãs, uma vida estável, acima de tudo. Mas então seus olhos se encontraram. O verde dele nos seus azuis. Não precisou de um “Ops” ou um “Hi” para que soubesse que sua vida viraria de pernas para o ar novamente, daquela forma familiar que só Harry Styles conseguia.
Gênero: Romance, songfic,
Classificação: Livre
Restrição: Não interativa, os personagens são fixos.
Beta: Rosie Dunne

I

Louis tinha as mãos nos bolsos, olhava de um lado para o outro e cantarolava baixinho alguma música de sua juventude. Olhou rapidamente para o relógio em seu pulso, ainda faltavam cinco minutos para que Freddie fosse liberado da escola que frequentava. O filho ficaria consigo durante a semana e o homem não poderia estar mais feliz com a notícia, havia sentido falta do pequeno nos dias em que tiveram de ficar separados por conta do trabalho. Deu alguns passos para trás e se encostou na carroceria do sedan preto que dirigia, ajeitou o boné na cabeça, puxando o mais para baixo, e cruzou os braços. Não precisa se esconder ali, todas as mães e pais dos colegas de Freddie já estavam acostumados a vê-lo, já que o filho estudava no mesmo local desde sempre.

Sorriu ao ouvir o sinal, indicando o fim do período escolar, tocar. Logo a bagunça feita pelas crianças podia ser ouvida, fazendo os pais se aproximarem com sorrisos no rosto. Louis manteve-se no mesmo lugar, preferia esperar a situação se acalmar. E Freddie era sempre o último a sair. Esperou por um ou dois minutos, a maior parte dos pais já tinham se dispersado, até ver o conjunto de fios loiros correndo pelo pequeno corredor. Freddie puxava a mochila de rodinhas e usava o conjunto vermelho e branco que configurava o uniforme da escola. Ao ver o pai apertou o passo e abriu um sorriso, fazendo Louis sorrir instantaneamente e se aproximar do portão, se agachando em frente ao mesmo e abrindo os braços para recepcionar o pequeno. Pegou-o no colo e girou, fazendo a criança dar gostosas gargalhadas. Havia sentido falta do pai.

— Como foi a aula hoje, campeão? — Perguntou ao filho, ainda com o mesmo no colo.

— Foi muito bom, papai! — Contou animado. — A gente jogou futebol e eu fiz um gol!

Louis riu, colocando o filho no chão e bagunçando seus cabelos. Os dois deram as mãos e foram caminhando até a sorveteria que ficava no fim da rua, era uma tradição que completavam todas as segundas-ferias desde que Freddie começou a estudar no mesmo bairro em que o pai mora.

— E o seu time ganhou?

— Não. — Respondeu com um bico adorável nos lábios, fazendo o pai segurar o riso. — Mas a culpa foi do Connor. Ele não sabe ser goleiro papai, fica correndo de todas as bolas.

— Vocês são novos, ele ainda vai aprender. — Louis disse, passando pela porta da sorveteria e ouvindo o sino familiar. Cumprimentou rapidamente a dona, que estava em uma mesa ao canto e escolheu um lugar para si e Freddie, deixando o garoto ali para buscar os sorvetes. Pegou para si duas bolas de menta com chocolate e para o filho duas bolas de morango,cobrindo cobertura de chocolate e os adicionais favoritos do pequeno. Sempre escolhiam os mesmos sabores.

Haviam criado uma pequena rotina sempre que se viam, e gostavam muito da forma que as coisas aconteciam. Louis buscava Freddie na escola às segundas, e o garoto ficava consigo até sexta, o pequeno passava os fins de semana com a mãe. Faziam esse processo durante um mês, quando a rotina se alterava e Freddie passava os dias de semana com sua mãe e os fins de semana com o pai. Foi uma maneira encontrada pelos pais de ambos terem tempo de sobra com o filho. Essa era a primeira semana do mês que Freddie passaria com o pai, não o tendo visto há quase sete dias.

Passaram quase trinta minutos dentro da sorveteria, rindo e brincando. Freddie contava do novo boneco que havia ganhado da mãe e pedia para ver a tia Lottie, de quem estava sentindo falta. Louis apenas ria e deixava o filho falar, concordando com tudo o que o pequeno pedia. Tomlinson tinha um sorriso bobo no rosto e era claro para qualquer um que os observasse o fato de amar o filho profundamente. Há cada momento passado com o mais novo, Louis tinha mais certeza de que o pequeno ‘incidente’ que deu vida a Freddie é a melhor coisa que já havia feito em toda a sua vida. De repente, Freddie arregalou seus olhinhos, se lembrando de algo importante, abrindo sua mochila e tirando de lá um papel dobrado, um bilhete da escola.

— Por favor papai, vem ver o show! — Pediu, os olhos brilhando e exibindo um sorriso lindo, sujo até as bochechas de sorvete. — A professora falou que vai ser muito legal!

— Show, é? — Louis disse, desdobrando o bilhete, mas não precisava nem mesmo ler o conteúdo para saber que concordaria. Não sabia dizer não ao filho.

O bilhete era um convite aos pais para um show que seria organizado na sexta, após o horário de aulas. A escola indicava a presença de um grande nome do cenário musical acompanhado de seu aprendiz – que prometia ser o próximo grande sucesso inglês. Seria mentira dizer que Louis não havia se interessado e muito pela proposta da escola, pensou em alguns nomes que estavam com lançamento marcado para os próximos meses, um em específico se fixando em sua mente. Logo afastou o pensamento, não se viam desde o enterro de sua mãe quando o afastou pela última vez. Soltou um suspiro e olhou para o filho, que ainda estava a espera de uma resposta.

— É claro que eu vou, amor. — Respondeu, vendo o filho soltar um gritinho e abrir um sorriso em comemoração. Involuntariamente Louis abriu um sorriso também, era tão fácil fazer Freddie feliz.

A semana se passou rapidamente. Na segunda, Freddie passou boa parte da tarde mostrando seus desenhos para o pai e brincando sozinho no enorme quintal da casa, enquanto Louis finalizava algumas melodias que iriam para a versão final de seu álbum, a noite assistiram desenhos até tarde. Terça, assim como nos outros dias, Louis deixava Freddie na escola às nove e ia até o escritório no centro resolver certas pendências para que o Walls pudesse ser lançado o quanto antes. O rosto dele estava estampado em todos os lugares, diversos sites noticiavam sobre um possível retorno em dezembro, em apenas dois meses. Na quinta, Louis finalmente levou Freddie à casa de sua irmã, assim como foi pedido insistentemente pelo garoto. Logo era sexta e Louis deixava o estúdio, dirigindo-se até a escola de Freddie. Chegaria bem no horário e estava feliz de ter conseguido finalizar o álbum, agora pronto para ser lançado.

Alguns minutos mais tarde e Louis cruzava os portões da escola, encontrando Freddie sentado com as outras crianças na frente do palco. Acenou rapidamente para ele, sendo retribuído animadamente. Sentou-se próximo de outros pais ao fundo, conversando com alguns amigos enquanto esperava pelo show começar. Ao ouvir os primeiros acordes de Sign Of The Times , soube que sua intuição estava certa e pode sentir seu coração errar algumas batidas antes de acelerar. Seus olhos foram, instintivamente, para o palco no exato momento em que Harry cantava os primeiros verso. Era a primeira vez que Louis o via pessoalmente há mais de um ano. Os 3:47 minutos da canção se passaram rapidamente, sendo seguida por Sweet Creature e Two Ghosts .

Há muito tempo Tomlinson não ouvia aquelas duas últimas músicas em especial e se lembrou do exato motivo por não o fazer: Traziam lembranças demais, era doloroso. Trazia de volta à superfície sentimentos que Louis pensou ter enterrado há muito tempo. Admirava-se do fato de Harry conseguir cantá-las tão bem, afinal haviam vivido as mesmas coisas. Estava tão perdido dentro de si que nem mesmo percebeu o momento em que Harry apresentara um adolescente à sua platéia, o jovem era loiro e Louis podia jurar que o mesmo tinha algumas semelhanças com o jovem Leonardo DiCaprio.

Harry apresentou o novo artista de sua gravadora, um jovem promissor de apenas 17 anos e com um talento imenso. O jovem cantaria She , uma música inédita do Fine Line, próximo álbum de Styles, em uma versão acústica exclusiva para aqueles ali presentes.

Passou os olhos pela platéia, agora que já estava fora do palco, e franziu as sobrancelhas ao se deparar com uma criança mais do que conhecida para si. Não deveria ser surpresa encontrá-lo estudando ali, dado onde seu pai vivia. Passou os olhos por onde os pais estavam sentados e não demorou para que encontrasse Louis, que já o encarava. Não quebrou o contato, mesmo de longe podia sentir seu corpo todo se alertar pelo olhar que recebia. Louis Tomlinson não havia mudado nada. Mantiveram-se como em um transe até o momento em que palmas puderam ser ouvidas, Harry precisava voltar ao palco. Após algumas palavras de agradecimento dos cantores, as crianças foram chamadas ao palco para uma foto. Quando Harry se deu conta, Freddie estava ao seu lado sorrindo para a câmera. Ficaram na posição por aproximadamente um minuto, até todos os pais terem tirado suas próprias fotos.

— Você se parece muito com o seu pai. — Harry disse, antes que pudesse se conter.

— Você conhece o papai? — Freddie perguntou, com um semblante confuso. A expressão idêntica a que Harry conhecia tão bem.

— Conheço sim. — Respondeu, se abaixando na altura do mais novo. — Ele nunca te falou que trabalhamos juntos?

Freddie pareceu pensar por um momento, buscando em sua memória alguma menção que seu pai poderia ter feito a um de seus cantores favoritos.

— Você trabalhou com ele e com o tio Niall? — A criança cruzou os braços em dúvida.

— E com o tio Liam também. — Louis completou se aproximando dos dois, completamente sem jeito, pousando uma das mãos no ombro do filho enquanto a outra coçava a nuca desajeitadamente. — Oi Harry.

Harry olhou de um para o outro, encontrando cada vez mais semelhanças entre pai e filho. Lembrava-se nitidamente do dia em que soube que Louis seria pai, do desespero que o mais velho sentira e como teve medo. Ficou feliz ao observar que aquela fase parece ter sido totalmente esquecida.

— Você nunca falou pra ele da One Direction? — Arqueou a sobrancelha, com um sorriso brincalhão no rosto e os braços cruzados, se levantando.

Louis revirou os olhos, com um sorriso fraco. Falar com Harry novamente era, ao mesmo tempo, constrangedor e aliviante. Era como tirar um peso dos ombros, peso esse que nem sabia que carregava.

— É claro que falei, que tipo de pai pensa que eu sou? — Soltou um riso anasalado. — Eu… bom… só não falei muito de você.

A confissão do mais velho pegara Harry desprevenido. Sabia e entendia os motivos de Louis para isso, mas não imaginava que esse seria um assunto abordado tão cedo. Ou em qualquer momento, se fosse sincero.

— Louis, eu… — Harry começou, soltando um suspiro e deixando um semblante cansado tomar conta. Queria conversar, queria que as coisas entre eles se resolvessem. Eram Harry e Louis afinal de contas, não deveriam acabar de uma forma tão excruciante para ambos. Eram melhores amigos, ou pelo menos costumavam ser. Styles sentia falta, e temia ser o único.

Mas,antes que pudesse completar sua sentença, a diretora da escola se juntou a eles, agradecendo a Harry pelo mini show e a Louis pela presença. Desandou em uma conversa e acabou por puxar Styles para longe do outro, levando-o até as professoras e a equipe gestora do colégio. Quando deu por si, Louis e Freddie já haviam ido embora. Soltou um longo suspiro, juntando suas coisas para poder finalmente ir pra casa.

Algumas horas haviam passado desde o ocorrido, mas Louis não conseguia descansar. O filho dormia tranquilamente ao seu lado, havia o enchido com diversas perguntas sobre Harry até cair no sono, após um bom banho e vinte minutos de irmão urso. Tomlinson roía as unhas nervosamente, se questionava sobre o que Harry queria lhe dizer antes de serem interrompidos. Ao mesmo tempo em que sentia medo, desejava ouvir aquilo que também desejava dizer ao outro. Suspirou profundamente, olhando Freddie e sorrindo amorosamente para ele. Quase não percebeu seu celular vibrar.

Lou, a gente pode conversar?

Nota da autora: Oi gente, muito obrigada pra quem leu até aqui! Essa é a primeira de duas partes dessa história (e talvez role um extra no fim). A próxima parte deve entrar logo aqui no site, fiquem atentos! ❤