She likes spring, but I prefer winter

She likes spring, but I prefer winter

Sinopse: Ainda que vocês fossem diferentes em alguns aspectos, funcionavam bem juntos. Ainda que ele fosse o rapaz de afetos simples, e você nem sempre fosse fácil de agradar, a dinâmica entre vocês era como nenhuma outra. Ainda que você gostasse da primavera e ele preferisse o inverno, juntos, as estações do ano estavam sempre a seu favor. Ele estava pronto pra provar isso.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Nenhuma
Beta: Alex Russo
Especial de Inverno

Capítulo Único

detestava o inverno. Não tanto pelo frio, embora não fosse exatamente fã dele também. O que a garota realmente detestava era o branco gélido e interminável que tomava as ruas e tudo que sua visão pudesse alcançar. O céu estava sempre naquela cor monótona e desanimadora de gelo, as ruas frias e desertas e a neve por todo lugar. A neve, definitivamente, só era bonita em fotografias. Tornava tudo na rotina de todos pouco prático, isso fora o quanto lhe deixava preguiçosa, sentindo como se a única coisa possível até que o sol voltasse fosse ficar na cama. E gostava de ser produtiva, se orgulhava disso, quando conseguia, é claro.
Nada daquilo era novidade para , que, diferente dela, até gostava da estação. Mas ele não era assim tão difícil de agradar, era, geralmente, uma pessoa tranquila, de afetos simples e numerosos. Seu afeto favorito, porém? Agradar .
Foi por isso que fez um verdadeiro malabarismo naquele dia a fim de acordar antes da namorada, colocando o celular pra despertar debaixo de seu travesseiro e quase caindo da cama quando ele o fez, desesperando o garoto, que se atrapalhou todo tentando desligar o alarme antes que a namorada acordasse. tinha o sono leve.
Com os airpods nos ouvidos, preparou o café da manhã ao som de algumas de suas músicas favoritas da Tori Kelly. Cortou algumas das frutas favoritas de e pôs numa tigela, preparou também uma jarra de suco de laranja e dispôs na mesa junto com o restante um pouco de queijo fatiado, não esquecendo também as torradas, que gostava muito mais que ela. Aquela era a parte saudável do café da manhã, a parte que beliscaria para agradá-lo e, respeitando a troca, não ousou esquecer a calda de chocolate e as panquecas, ou o ovomaltine que aprendera a fazer apenas porque ela gostava. descobriu gostar também, assim como descobriu gostar de uma porção de outras coisas por causa dela, mas aquilo era apenas um dos tantos detalhes que adorava sobre os dois. não entendia porque ele a admirava tanto, sabia daquilo, mas a verdade era que ele não conseguia não olhar com amor para tudo que ela fazia e aprender com ela era provavelmente a atividade cotidiana favorita de .
Tudo que ela fazia e falava era tão interessante para ele.
Ele não parou de pensar nisso enquanto aumentava a temperatura da casa, de modo a não permitir que o ar gelado lá fora continuasse a invadir o apartamento da namorada por baixo das portas. Pensou em tudo que nem desconfiava ter lhe ensinado ao longo dos anos que namoravam. Gostava de ouvi-la falar porque não gostava das coisas que não gostava, porque sempre tinha uma explicação tão justa, mas gostava mais ainda de ouvi-la falar do que gostava. era só sentimentos quando falava de suas coisas favoritas, desde as músicas até a mais simples das coisas, como sua cor favorita.
tinha certeza que ela nem sabia, mas irradiava poesia com uma simplicidade tão única, tão deliciosa, era encantador. Era por isso que queria fazê-la feliz o tempo todo, agradá-la o tempo todo, mesmo que soubesse que era impossível, e soubesse também que ás vezes só precisava de um pouco de espaço, algumas horas sozinha com seus cachorros, dormindo ou lendo, mergulhada em particularidades que não lhe cabiam, que eram só dela. Ele entendia aquilo, e não se importava em lhe dar aquele espaço, às vezes só queria ficar sozinho e jogar também, mas se pudesse fazer a terra girar diferente para que o inverno, de repente, se tornasse primavera, só para fazê-la sorrir, então ele o faria.
E, bem, ele podia. Do jeito dele, podia.
Quando, enfim, terminou de preparar tudo que planejara para trazer a primavera para , ele foi até o quarto acordá-la. Não fazia muito aquilo, não gostava de atrapalhar seu sono tanto quanto não gostava que atrapalhassem o seu, por isso, quando o fazia, acabava sempre por ser fácil. estranhava a situação incomum e acordava rápido. Naquela manhã, é claro, com uma dose a mais de preguiça, contaminada pelo tempo chuvoso lá fora, mas rápido, mesmo assim.
? — a garota piscou, rolando na cama e bocejando enquanto levava as mãos ao rosto, coçando os olhos para despertar. Ele assistiu tudo mordendo um sorriso. Mesmo descabelada daquele jeito, vestida num conjunto de moletom quase três vezes maior que ela, o garoto a achava a mais linda das criaturas. Claramente, era um boiolinha por ela. — O que… ‘Tá tudo bem? Que horas são? — ela balbuciou, olhando confusa em volta, em busca do celular.
riu.
— Está tudo bem, fica tranquila. — murmurou — Preciso que tome um banho e venha pra fora. Não vou contar porque. — riu outra vez quando ela abriu, indignada, a boca para reclamar, mas terminou apenas por fazer um bico, que ele prontamente beijou. — Eu prometo que vai gostar.
revirou os olhos tão logo deixou, silencioso e irritante com todo aquele ar de mistério, o quarto, e bufou, empurrando as cobertas para se pôr de pé e seguir até o banheiro de sua suíte. E , mesmo sem ver, riu do lado de fora, porque sabia que ela fazia justamente aquilo.
Mal podia esperar para ela ver tudo que preparara.
Enquanto esperava, levou a bandeja do café da manhã para o menor cômodo da casa, onde preparara a parte principal da primavera particular dos dois. Deu os últimos ajustes ao local, e então saiu lá de dentro bem a tempo de ver sair do quarto, com os cabelos longos presos num rabo de cavalo não muito apertado e uma nova calça de moletom no corpo. Ela vestia também uma blusa de mangas, fina, já que estava em casa, com a estampa do chimmy, o que fez sorrir.
Ela era adorável.
— Acho que você vai sentir calor. — ele comentou, despretensioso e ela o olhou como se fosse louco.
— ‘Tá caindo um temporal lá fora. — ela retrucou, sem entender coisa alguma. Ainda não havia despertado por completo, então podia ser aquilo também. As coisas estavam fazendo menos sentido que o normal. Ela se abraçou, sentindo falta do clima gelado o quarto. — O que você fez? — perguntou, olhando em volta sem entender o que acontecia ali. Sua casa estava quente? No inverno?
riu.
— Eu não controlo o tempo. — retrucou, os dentes da frente se sobressaindo de maneira adorável quando ele repuxou os lábios num sorriso. revirou os olhos. Às vezes, queria bater nele só por ser fofo daquele jeito.
. — resmungou, deixando claro que não acreditava nele nem por um segundo, o que o fez rir outra vez, estendendo a mão para ela.
— Vem, eu preparei o café. — chamou, abrindo a porta do cômodo atrás de si e entrando lá sem esperar por ela. piscou, ainda mais confusa enquanto o seguia.
— A gente vai tomar café na dispensa? — questionou, entendendo cada vez menos o que acontecia.
Mas isso foi só até pisar o pé dentro de sua dispensa. Deus, não podia acreditar que ele fizera aquilo.
Sua dispensa não parecia mais com sua dispensa, nem minimamente. a transformara numa réplica exata da varanda do apartamento, que, naquele momento, devia estar carregada de neve. Ali, no entanto, naquela dispensa/varanda, não havia neve, nem o minimo vestígio do inverno, além das roupas de .
Haviam flores por todo lado, flores belas, das mais variadas cores e espécies, pequenas samambaias e cactos, uma imensidão colorida e cheirosa. As poltronas que costumavam ficar na varanda, assim como a mesinha que ficava entre elas, estavam ali também. Sob a mesinha, o café da manhã que mencionara.
Torradas, é claro. Queijo, suco de laranja, frutas e… não conseguiu não rir ao ver a calda de chocolate e as panquecas. Meu Deus, ele era perfeito.
! — exclamou, chocada e tocada. Sentia o peito quente de maneira ridiculamente apaixonada quando o encarou, mas ele apenas arregalou os olhos, e fez sinal para que ela esperasse um segundo, correndo para o canto da dispensa/varanda, e mexendo nas duas caixas de som portáteis dispostas ali. riu: da primeira, soaram cantos de passarinhos, comum aos ouvidos de , que adorava quando eles apareciam para visitá-la na primavera. Da segunda, soou uma playlist que conhecia bem. Eram as músicas favoritas dos dois, a sinfonia favorita dela.
A primeira música, Euphoria, fez rir junto com ela, num tom muito mais divertido que o dela, adoravelmente descrente.
Então, como se aquilo tudo não fosse o bastante, puxou o pano escuro que cobria o quadro gigantesco escondido ali. nem desconfiava que havia um quadro ali, ou qualquer coisa debaixo do pano. Nem notou o pano, na verdade.
Mas céus, o quadro… Uau. Era a exata visão do meio-dia na primavera de sua varanda, o céu azul, enfeitado com poucas, porém belíssimas nuvens, a sacada branca da varanda no cantinho, lá embaixo, as trepadeiras enfeitando e sacada, os prédios já conhecidos, a rua seca, com gente indo e vindo. Tudo… Era tudo perfeito. A atmosfera de paz, de liberdade, tudo que tanto amava sobre a primavera. Estava tudo ali, como se houvessem sido, de fatos, transportados alguns meses a frente, na estação favorita dela.
— Foi que pintou o quadro, é claro. Eu combinei tudo com . — ele explicou, e riu, virando para encarar o namorado, relutante em dar os créditos de qualquer parte daquela surpresa a outra pessoa, e fazendo-a rir ainda mais por isso, correndo para abraçá-lo. O garoto riu, satisfeito, e passou os braços ao seu redor, rindo ainda mais quando ela escondeu o rosto em seu pescoço. Ela não fazia muito aquilo, não se não quisesse esconder quão comovida estava. — Vamos comer. Antes que as panquecas esfriem. — ele murmurou, afastando-a e beijando sua bochecha, continuando a abraçá-la de lado enquanto seguiam em direção as poltronas para comer.
acabou por optar por se sentar no chão, entre as pernas de , como normalmente fazia quando era, de fato, primavera, e estavam tomando café na varanda. Ficava mais próxima dele daquele jeito.
, particularmente, adorava quando ela fazia aquilo, e inclinou o rosto para o topo de sua cabeça, inspirando o cheirinho doce de seu shampoo e então deixando alguns beijinhos sob seu couro cabeludo, fazendo-a sorrir, abraçando uma de suas pernas para retribuir o carinho de algum modo. Go Go começou a tocar enquanto comiam e os dois riram juntos, mais ainda enquanto movia os braços e a cabeça no ritmo da música.
Céus, será que ela não cansava de ser o amor da sua vida?
— Acho que eu gosto mais do inverno assim. — ela murmurou, colocando um pedaço de queijo na boca antes de passar a cortar uma das panquecas, jogando a calda de chocolate por cima em seguida. — Ele pode ser sempre assim? — ergueu a cabeça para encarar o namorado, que sorriu ao olhar em seus olhos.
— Eu prometo. — murmurou e ela sorriu, puxando sua mão para as suas e deixando alguns beijinhos no dorso. riu por isso, apertando as mãos dela antes de se soltar para comer também.
— Bom, uma coisa eu tenho que admitir… — ela começou, fazendo com que ele voltasse a desviar o olhar para ela enquanto mastigava o pedaço de maçã que mordera, prestando atenção no que dizia. — não sou mesmo fã do inverno, mas ele me deu você. É um presente com o qual estação nenhuma pode competir. — sorriu ao falar e ele sorriu também, apertando a mão livre em seu ombro diante da declaração. Ele nunca sabia como reagir a declarações, o que era bom, porque não se declarava com tanta frequência, e parecia gostar da expressão sem jeito que sempre tomava o rosto dele quando isso acontecia.
— Eu te amo. — ele murmurou enfim e ela sorriu, satisfeita.
— Te amo também. — murmurou, voltando a se concentrar na comida.
E, ali, em sua primavera particular, os dois não sentiram que precisavam de qualquer outra coisa. Podiam controlar o tempo, o que mais podiam querer?

FIM

Nota da Autora:
Hey!!!!! Dedico essa história a minha one true pairing, a única namorada do JK possível: Mayh! Te amo, Mayhmayh!
Espero que tenha gostado do pequeno presente e que tenha te feito tão bem quanto você merece <3
Meninas, eu escrevi essa fanfic com o do BTS, as músicas mencionadas também são deles. Escutem! E, se puderem, me digam o que acharam, sim? Vai significar muito pra mim, de verdade!
Beijo e até a próxima!