Soon You’ll Get Better

Soon You’ll Get Better

Sinopse: Kyra estava perdida e com medo, ela sentia que estava perdendo seu marido, mas ela não estava pronta para dizer adeus. Ela nunca desistiria de Jordan, mesmo que todos digam que já é hora, ela iria até os confins da terra para que seu marido viva.
Após quatro anos tudo que a mulher tem é esperança de que um dia tudo vai melhor, que logo seu marido vai melhorar e voltar para ela.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição:
Beta: Natasha Romanoff

 

I know delusion when I see it in the mirror

Capítulo Único

Quando você se olha no espelho, tudo que você vê é uma sombra de todas as suas versões. Essas versões são a pessoa que você costumava ser, a que se tornou e aquela que sonha ser.
Parada diante do espelho, tudo que Kyra conseguia sentir era a enorme desilusão de ver todas essas versões desmoronando.
A mulher tinha uma enorme dificuldade em aceitar que tinham chegado àquela situação. Por mais que todos diziam que era hora de dizer adeus, Kyra se negava em acreditar que seu marido estava morrendo.
Há um pouco mais de quatro anos, Kyra via Jordan morrer pouco a pouco, dia após dia, e ela não podia fazer nada a respeito.
Jordan Knight conheceu Kyra Jenkins quando eles tinham apenas dezesseis. Se engana quem pensa que logo eles se apaixonaram e viveram um lindo romance.
Eles eram amigos. Jordan, aos dezenove, se casou com uma aluna de intercâmbio vinda da Rússia e, aos vinte e dois, era um homem divorciado. Enquanto Kyra foi para a faculdade de direito e, aos vinte e dois, já estava começando sua carreira promissora.
Eles não esperavam ser alguma coisa mais que amigos, mas já estava destinado a ser, as estrelas já tinham escrito a história dos dois.
Antes dos trinta, Jordan e Kyra estavam subindo ao altar e declarando seu amor perante todas as divindades. Eles se encaixavam perfeitamente, eram um casal invejável, eles tinham uma conexão inegável e um sentimento inefável.
Quando Max e Melanie nasceram, a felicidade dos dois parecia completa, nada parecia poder os derrubar.
Até que aquela maldita noite veio, como um furacão, derrubando tudo que estava no caminho, tornando o mundo um lugar frio e terrível.
Quatro anos atrás, a família tirou férias para comemorar os 32 anos de Jordan, eles iam aos Alpes suíços, lugar favorito do homem, e tudo parecia perfeito, até o acidente.
Esquiando, Jordan sofreu um acidente, ele bateu a cabeça e sofreu uma lesão cerebral, o que nos leva à atual situação.
Os últimos quatro anos foram resumidos para Kyra como um verdadeiro inferno. Duas crianças que sentiam a falta do pai, dias e noites intermináveis naquele quarto branco de hospital e o olhar vazio de Jordan a encarando todos os dias.
Jordan tinha passado por diversas cirurgias, tratamentos inovadores, várias coisas novas, mas ainda assim nada mudava.
Estado vegetativo. Essas palavras acertaram Kyra como uma bomba de canhão. Jordan estava daquela forma e assim permaneceria, segundo os médicos, mas ela rezava e acreditava que seu marido ia ficar bom outra vez.
Ele chegou a ir para casa, com cuidados especiais, quatro enfermeiras, mas uma complicação respiratória o levou novamente àquele ambiente que virou uma segunda casa para Kyra.
Ela sentia uma falta absurda de ouvir a voz de Jordan, sua risada, mas a confortava o ver de olhos abertos. Todos os dias ela olhava para aqueles olhos e sentia suas esperanças renovadas.
— Mãe? — Melanie disse, entrando no quarto de Kyra saltitando. — Você vai ver o papai?
— Sim, senhorita — Kyra disse, puxando a filha para seu colo e a dando um beijo. — Prometo que amanhã você pode ir, mas hoje você fica com a tia Clara.
— Você pode levar isso para o papai e dizer que eu estou com saudade? — a menina disse, entregando um desenho para a mãe.
Pela explicação de Meli, aquele era o pai tocando piano, uma de suas maiores paixões.
— Claro que sim, meu amor, ele vai ficar muito feliz — Kyra disse sentindo uma pontada em seu peito.
Explicar para os gêmeos de cinco anos a situação do pai quando o acidente aconteceu foi uma missão quase impossível para Kyra, ela se lembrava das inúmeras sessões de terapia e de todo trabalho psicológico que foi para Max e Melanie compreenderem a situação. Agora, com nove anos, as coisas pareciam um pouco mais fáceis, pelo menos com Meli, já que Max tinha enormes problemas.
Melanie sempre queria ver o pai, estava sempre mandando desenhos e toda noite rezava para ele voltar para casa, já Max, tinha crises de choros a maioria das vezes que via Jordan e quase nunca falava do assunto.
Todos davam todo o suporte necessário para os dois, mas algumas coisas não podiam ser feitas.
— Mamãe? Ele vai voltar logo, não vai? — Meli disse, entregando o desenho para a mãe com um olhar cheio de esperança.
— Espero que sim, princesa — Kyra disse, dando um beijinho na menina e colocando-a no chão. — Cadê o Max? Tenho que levar vocês para a casa da tia Clara.
Melanie saiu correndo rumo ao quarto do irmão gêmeo, sabendo que ele estava arrumando as coisas para passar o dia na casa da tia.
— Max querido, vamos? — Kyra disse, entrando no quarto do menino, que logo pegou sua mochila animado.
— Quando voltarmos da casa da tia, podemos tomar sorvete? — ele disse sorridente.
— Claro que sim — Kyra disse, bagunçando o cabelo dele. — Mas apenas se vocês se comportarem.
— Leva isso pro papai — Max disse rápido, entregando um desenho para a mãe. — Diga feliz aniversário.
Max saiu rápido do quarto, indo atrás da irmã para fora da casa, deixando Kyra sem tempo de resposta encarando o desenho.
Aparentemente, os quatro, uma casa e escrito na caligrafia bagunçada do Max: “Fique bem logo, papai, sentimos sua falta”.
Kyra limpou uma lágrima solitária do seu rosto antes de pegar sua bolsa e fechar a porta de casa.
— Como eu posso continuar fazendo isso sem você, Jay? — ela disse baixinho, passando o dedo sobre sua aliança antes de voltar sua atenção para os filhos.
Max ainda implicou com a irmã alguns minutos enquanto atravessavam a rua até a casa da cunhada de Jordan. Clara era um verdadeiro anjo na vida de Kyra e os gêmeos, ela era o ombro que Kyra chorava, a mão que a ajudava a se levantar e que ajudava com as crianças quando as coisas ficavam difíceis. Clara e Ed até se mudaram para perto da cunhada para ajudar, eles eram a família que Kyra tinha e eram mais que suficiente.
— Você conseguiu o dia livre no escritório? — Clara disse, depois de cumprimentar Kyra e pedir para as crianças entrarem.
— Heyden sabe que hoje é aniversario do Jordan, eu não precisei nem pedir — Kyra disse, pegando a chave de casa e entregando para Clara. — Caso eles precisem de alguma coisa, eu volto quando o horário de visitas acabar. Obrigada, Clara, por tudo.
— Sempre vou estar aqui por vocês, sempre, sempre, sempre — Clara disse, abraçando a amiga. — Ele vai voltar para nós, Kyra, tenha fé.
— Eu tenho tido esperança há quatro anos e posso ter por mais quatro. Eu preciso disso, ela que me mantem em pé — Kyra disse sorrindo de lado. — Eu nunca desistiria do Jordan.

Kyra fez o trajeto conhecido até o hospital central da cidade, parando o carro na mesma vaga de sempre e fazendo o trajeto até o quarto 320, como tinha feito todos os dias nos últimos quatro anos. Antes de entrar, ela suspirou, limpando sua mente e dando um sorriso. Não importava o quando o dia estava nublado lá fora, ela sempre tentava ao máximo parecer forte para Jordan. Era exatamente isso que ele precisava, força, ela tinha outras horas para ser fraca.
Ela adentrou o quarto, encontrando o marido sendo cuidado por uma enfermeira, Lisa. Kyra tinha um carinho enorme pela mulher de meia idade que sempre tratava Jordan com muito carinho.
Lisa sorriu ao ver Kyra entrar, logo falando com o homem.
— Olha só, aniversariante, a sua mulher chegou mais cedo hoje — Lisa disse simpática, terminando de arrumar Jordan na cama.
— Hey, meu amor, sentiu minha falta? — Kyra disse, se aproximando e dando um beijo na testa do homem. — Feliz aniversário, minha vida.
— Eu vou olhar outros pacientes. O doutor pediu pra ele não ficar muito tempo nessa posição, daqui alguns minutos você me chama que eu te ajudo a deitar ele mais. — Lisa disse meiga. — Feliz aniversário, garoto — ela disse, fazendo um carinho na mão do homem.
Os olhos abertos de Jordan estavam sempre atentos às pessoas no quarto, sempre procurando por rostos familiares e, por mais que ele não conseguisse mexer nenhum mísero músculo de seu corpo, deixava claro para Kyra em seus olhares que ele ainda estava ali, que ele ainda a ouvia, que ele ainda lutava.
Os aparelhos apitando já não causavam dores de cabeça em Kyra, causavam uma sensação de alívio por ver que o coração do marido ainda batia forte. A traqueostomia, que antes parecia um bicho de sete cabeças aos olhos dela, hoje era a garantia de que Jordan estava respirando melhor e a sonda nasoenteral, que Kyra nem fazia ideia do que era a alguns anos atrás, hoje mantinha Jordan alimentado e sem perder peso.

— Max e Meli mandaram desenhos para você — Kyra disse, se sentando em uma ponta da cama onde Jordan pudesse ter seus olhos nela. — Ambos estão com saudades e vêm amanhã te ver. — Kyra pegou os desenhos, mostrando para o marido, que tinha os olhos cheios de lágrimas.
Era sempre dessa maneira. Sempre que o nome dos filhos era citado, Jordan chorava. Era uma maneira clara de expressar como ele se sentia.
— Você sempre uma manteiga derretida quando se trata das crianças — Kyra disse humorada, limpando as lágrimas do marido. — Vou por na parede junto aos outros, mas não agora. Eu quero ficar um pouco perto de você. Senti sua falta nas últimas vinte e quatro horas — Kyra disse e Jordan piscou duas vezes, era como ele falava sim. — Espero que o senhor também tenha sentido minha falta, senhor Knight, ou você vai ter problemas grandes. — Jordan piscou mais duas vezes rapidamente, arrancando um sorriso da mulher. — Eles querem te mandar para casa na próxima semana se seus exames derem todos normais. Você quer ir pra casa, Jay?

Jordan encarou a mulher por alguns minutos, piscando apenas uma vez, dizendo não. Kyra conhecia o marido o suficiente para saber que ele não queria ir pra casa daquela forma, ele queria ir pra casa saudável, andando, não naquela situação.

— Jordan Knight, já falamos sobre isso. Eu entendo você, querido, mas em casa você vai estar perto de mim e das crianças — Kyra disse, usando o ponto fraco do marido. — Além do mais, meu amor, sentimos muito sua falta em casa. Você não sente falta de acordar com nossa voz? De dormir ao meu lado? — Jordan piscou duas vezes, arrancando um sorriso de Kyra, que pegou em sua mão. — Você vai passar por isso, Jay, você vai ficar melhor. Jordan, você tem que ser forte, ok? Por nós, por mim. Não existe Kyra sem Jordan.
Kyra fez um carinho no cabelo do homem, que ainda tinha os olhos cheios de lágrimas. Deus sabia o quanto ela queria chorar, o quanto no silêncio do seu quarto ela gritava por uma resposta, todas a noites em claro que ela passava imersa em lembranças e sentindo falta de Jordan, como ela se sentia impotente de ambas as mãos atadas, sem poder ajudar o marido.
Jay fechou os olhos, denunciando que, se Kyra continuasse aquele carinho, ele cairia no sono logo, sempre foi dessa forma, ele sempre dormia com as mãos da mulher entrelaçadas ao seu cabelo. Em minutos, Jordan já dormia com a expressão serena de sempre, como se eles não tivessem nenhum problema e como se tudo estivesse bem e em paz.
Talvez em seus sonhos Jordan tinha paz, lembranças boas embalavam seus sonhos. Talvez fosse enquanto dormia que Jay tinha esperança de que tudo ficaria bem um dia.
Kyra observou o marido por alguns segundos e logo se viu se desfazendo em lágrimas. Ela se afastou para não a acordar, indo colar os desenhos na parede, mas antes deitando a cama para Jordan ficar confortável.
A parede repleta de desenhos dos últimos quatro anos deixava o quarto de Jay diferente do restante do hospital, cada desenho feito pelos filhos tinha uma história e a foto dos quatro na cabeceira da cama de Jordan era o lembrete diário que ele tinha que ser forte, não apenas por ele, mas por seus filhos e principalmente por Kyra.
Quem conheceu Kyra Knight antes do acidente do marido, conhecia outra Kyra. Ela era cheia de vida e com um brilho próprio capaz de ofuscar até a mais brilhante das estrelas. Jordan costumava dizer que de todas as constelações conhecidas a estrela mais brilhante estava na terra bem ao seu lado. Kyra hoje era uma sombra da pessoa feliz que ela fora um dia, apenas um amontoado de memórias boas e esperanças.
Muitas pessoas desistiram de ver Jordan saudável novamente. O pai de Jordan era um desses casos. Há mais de dois anos Richard não via o filho e várias vezes disse para Kyra esquecer, que Jordan nunca mais seria o mesmo, mas Kyra se recusava a desistir de Jordan, ela sabia que ele faria o mesmo por ela.
Ela não via tudo que fazia como um sacrifício e sim como uma prova de amor. Jurou que estaria com o marido na saúde e na doença e ela estaria, não importava o que as pessoas pensassem ou dissessem, ela lutaria por Jordan todos os dias de suas vidas, mesmo que o mundo desistisse dele, não existia ela sem ele.
A verdade era que Kyra não conseguia nem ao menos imaginar como seria sua vida se ele não estivesse mais ali. Tudo seria apenas um borrão e dias nublados. Ele era sua força, sua inspiração, ele era, junto a Max e Meli, a vida da mulher.
Kyra voltou ao seu lugar ao lado do marido ainda chorando baixinho e pegou sua mão com delicadeza.
— Tenho sido forte por todo esse tempo, Jay, mas eu não posso fazer isso mais, eu não consigo sem você — ela disse em um sussurro. — Volte para mim, querido, por favor.

Batidas à porta fizeram Ky limpar as lágrimas apressada, falando um entra alto o suficiente para a pessoa ouvir.

— Bom dia, senhora Knight — Liam Potter, neurologista que cuidava de Jordan nos últimos dois anos, disse entrando no quarto. — Tenho o resultado dos exames do seu marido.
— Então, doutor Potter? Jordan vai poder ir para casa? — Kyra disse esperançosa.
— Não tenho notícias muito boas — o médico disse tenso. — Kyra, os pulmões dele ainda estão muito comprometidos da última pneumonia. Não recomendamos que ele saia do hospital.
— Certo, podemos ficar um pouco mais aqui até isso se resolver — Kyra disse, fazendo um carinho no marido ainda dormindo.
— Tem outro assunto que eu queria falar com você. Será que podemos ir lá fora um instante?
Kyra foi com o doutor até o corredor. Ela já tinha uma vaga ideia sobre do que aquela conversa se tratava e ela não estava no clima para aquele assunto outra vez.
— Fizemos uma reunião com os responsáveis pelo caso do seu marido essa manhã, Kyra, achamos que é hora.

Já não era a primeira vez que o assunto Eutanásia entrava em discussão ali. Ela já tinha deixado claro que não importava o que acontecesse, enquanto ela respondesse por Jordan, ele continuaria vivo.
Às vezes ela se sentia egoísta por nem ao menos perguntar a opinião do homem sobre isso, mas ela não queria ser a pessoa que desistiu do marido e ainda o ajudou a morrer.
— Olha, Doutor Liam, eu aprecio a opinião de vocês, mas minha resposta continua sendo não. Eu não vou matar meu marido.
— Ele está sofrendo, Kyra. Já parou pra pensar que talvez seja isso que ele quer? Você já se colocou no lugar dele? — Liam disse por um minuto usando um tom mais brando, como de um amigo. — Quatro anos, Kyra, você tem que falar com ele.
— Eu me coloco no lugar dele todos os dias. Eu queria que fosse eu no lugar dele, doutor. Conheço meu marido, Jordan nunca desistiria da vida — Kyra disse, engolindo o choro. — Mesmo que exista apenas 1% de chance dele sair daquela cama, tenho certeza de que ele ainda tem esperança e ele ainda luta. Ele tem dois filhos que esperam todos os dias o dia em que poderão ouvir a voz do pai deles novamente — Kyra disse pronta para entrar no quarto do marido novamente. — Se eu tiver que ir até o inferno para achar um jeito de curar meu marido, eu vou, mas não me diga para matá-lo, eu nunca vou assinar esse papel.
Kyra entrou no quarto, fechando a porta atrás dela. Suas mãos tremiam e seu rosto estava vermelho. Em segundos, ela se viu no chão em meio ao choro descontrolado.
— Eu não sei mais como pedir isso, mas eu não aguento mais, eu não tenho forças, eu não posso perder o Jordan — Kyra disse, olhando para cima. — Se existe realmente um Deus no céu, me mande um resposta, eu não posso fazer isso mais.
Kyra se sentia em pedaços. Nada que ela fizesse parecia fechar o buraco em seu peito, a dor era cada dia mais esmagadora. A mulher não sabia por quanto tempo ficou ali encolhida chorando, mas ela soube que foi bastante quando Liz entrou no quarto para trocar Jordan de posição.
— Hey, querida, o que aconteceu? — ela disse, pegando na mão de Kyra, a levantando. Naquele momento, Ky olhou para o marido, que estava de olhos abertos. Ótimo, Jordan tinha a escutado chorar todo aquele tempo.
— Nada, Liz, eu vou ficar bem — Kyra disse, limpando as lágrimas. — Oi, amor, não vi que você estava acordado.
Quando Kyra se aproximou do marido, percebeu seus olhos vermelhos e seu rosto molhado, Jordan chorava também, provavelmente ele tinha ouvido cada palavra de Kyra.
Liz cuidou do homem em silêncio enquanto Kyra fazia um carinho nele.
— Você devia ir almoçar, Kyra. Se pretende passar o dia todo aqui, tem que se alimentar.
— Eu vou mais tarde, quero ficar mais um pouco aqui com ele.

Liz saiu do quarto, deixando a mulher sozinha com o marido. Kyra se espremeu com cuidado na pontinha da cama, deitando do lado do marido e pegando em sua mão.
— Eu sei que você me ouviu chorando, Jay. Prometi que você nunca veria isso, mas eu não consigo ser forte todo tempo, sabe? — ela disse, fazendo um carinho nele. — Meu mundo todo está desmoronando, Jay, eu preciso de você. Eles querem que eu desista de você, mas eu não posso fazer isso.
— Eu sou egoísta o suficiente para não te deixar ir. Não sei como fazer se eu não puder mais ver seus olhos, sentir seu cheiro, eu não sei, Jordan. — Kyra já chorava outra vez com a voz trêmula. — Eles querem que eu assine os papeis, que eu te deixe morrer, Jordan.
— Me diga que você quer viver, Jay — ela disse, encarando o homem, que piscou rápido duas vezes. — Eu não vou deixar você morrer, Jordan, você vai ficar bem logo. Seja forte por mais um tempinho, ok? — O homem piscou mais duas vezes, fazendo a mulher sorrir. — Você é a pessoa mais forte que eu conheço, Jay.
Kyra respirou fundo, colocando a cabeça delicadamente sobre o peito do homem, apertando sua mão com um pouco de força como um aviso silencioso de que ela sempre estaria ali.
Desde aquele tortuoso dia, foram poucos os momentos que Kyra sentiu que o céu era azul novamente, que a vida tinha cor, mas uma coisa que ela sabia era que depois de longas tempestades vinham sempre um arco-íris, mostrando que o sol voltara a brilhar novamente.
— Eu te amo, meu amor.
Naquele momento, o arco-íris dos Knight estava começando a aparecer e o sol finalmente parecia começar a brilhar pouco a pouco. Mas foi no momento em que Kyra pronunciou que amava o marido que finalmente seu mundo voltou a ter cor.
A mão de Kyra sentiu os dedos de Jordan se fechando sobre sua mão, apertando um tanto forte e soltando em seguida. A mulher levantou a cabeça, encarando o marido com lágrimas nos olhos.
— Você mexeu a mão, minha vida? Jordan, sua mão, você consegue fazer outra vez?
Kyra disse eufórica, sentindo o marido apertar a sua mão outra vez com mais força e permanecendo daquela forma por algum tempo.

— Eu te amo, Jordan. Eu te amo, eu te amo. Obrigada por voltar para mim.

A mulher depositou um rápido e desajeitado beijo nos lábios do homem, que assim como ela chorava, mas ambos sabiam que agora eram lágrimas de felicidade.
Finalmente parecia que a tempestade estava perto do seu final, que finalmente o mundo parecia colorido novamente e certamente a vida recomeçava agora para eles.

Bônus

Quatro meses e meio depois
Kyra estava animada naquela amanhã. Os últimos meses estavam sendo incríveis, ela ainda se lembrava há um mês, quando ouviu a voz de Jordan novamente, como ela ficou em êxtase. Agora ela queria que os filhos tivessem essa sensação.
Jordan quis esperar conseguir pronunciar uma frase completa para poder falar com os filhos, saber que depois de todos esses anos ele finalmente poderia abraçar os dois e dizer o quanto ele os amava o deixava simplesmente em outro mundo.
— Eu e o Papai temos uma surpresa para vocês — Kyra disse, parada com os filhos na frente da porta do quarto 320, que agora estava mais perto que nunca de ser deixado para trás. — Primeiro se lembrem do que eu disse
— Não apertar muito o papai — Meli disse.
— Nem pular — Max disse.
Era a primeira vez que eles veriam Jordan quase como ele costumava ser antes, sem fios ou tubos, podendo abraçar os filhos e falar com eles, mas as crianças ainda não sabiam disso.
— Meu amor, chegamos — Kyra disse travessa, antes de abrir a porta.
Max e Melanie entraram correndo como sempre, mas pararam subitamente, no meio do caminho, encarando o pai sentado na cama com um sorriso no rosto.
— Será que eu não mereço um abraço dos filhos mais lindos do mundo? — Jordan disse pausadamente.
Meli foi a primeira que ignorou todos os pedidos de cuidado da mãe, correndo até o pai, que a abraçava com força.
— Você não ‘tá’ mais deitado e voltou a falar? — Max disse, ainda encarando o pai.
— E com muitas saudades do meu garotinho — Jordan disse.
Max correu até o pai, se juntando ao abraço. Jordan agora tinha em seus braços seus maiores tesouros, ele estava finalmente completo.
— Eu amo vocês — Jordan disse, dando um beijo em cada um dos filhos
— Eu também amo você, papai — Os dois falaram juntos, arrancando risadas da mãe.
Jordan encarou a mulher com um sorriso terno, dizendo sem emitir som.
— Obrigado por não desistir de mim.
— Eu nunca faria isso — Ky disse, se juntando ao abraço dos três.

Agora eles tinham absoluta certeza de que tudo ficaria bem daqui para frente, porque eles estavam juntos novamente, para sempre e um pouco mais.
Fim