State Of Grace

State Of Grace

Sinopse: “This is the golden age of something good 

And right and real”

O amor não era nem nunca foi fácil, mas um sentimento inefável como o deles e o tipo que se luta ate o final e nunca se desiste.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Narração em primeira pessoa, ponto de vista da PP.
Beta Rosie Dunne.

State Of Grace

 

I never saw you coming
And I’ll never be the same
 

Capítulo Único
 

Eu nunca fui uma pessoa religiosa, na verdade eu quase não acreditava em nada, até a primeira vez que ele me tocou, transformando todo meu agnosticismo em pó, cada vez que ouvia sua voz era como se eu tocasse o céu, era como ouvir a graciosa voz de um anjo, ela era minha graça salvadora.
Nunca previ que isso aconteceria, nunca o vi chegando em minha vida nem imaginei tudo que sua presença causaria, mas eu sabia que a partir desse momento eu nunca mais seria a mesma.
Não estou dizendo que amar ele foi uma escolha fácil, não foi ainda não era, mas o amor é assim, dói às vezes, sangra, arde, é cheio de caminhos difíceis, mas ainda é o sentimento que mais traz paz, nos transporta para casa mesmo se estivermos a milhas de distância.
Dougie Poynter era como respirar ar puro depois de um longo tempo, com ele eu finalmente percebi o que a palavra lar significava, mas todas essas coisas pareciam sem importância agora, pois eu tinha o perdido.
Veja bem, todas essas coisas que eu digo hoje com tanta clareza e certeza eu não sabia dizer a um par de meses atrás, e era isso que Dougie queria ouvir. Eu deixei meus medos e meus demônios do passado o mandar para longe e agora eu sentia como se eu não tivesse mais salvação, eu estava afundando e não o tinha mais.
Apesar de todo esse lamento eu precisava fazer alguma coisa, um amor como esse não é do tipo que se deve desistir tão facilmente. Ok, talvez eu estava agindo de forma impulsiva e sem pensar nas consequências, mas ele era a única pessoa que conseguia me fazer se sentir eu mesma e, se eu tiver 1% de chance de tê-lo novamente comigo, eu vou me agarrar a isso.
Mesmo com todas nossas opiniões diferentes e todas as coisas, sei que nossos sentimentos são semelhantes, que nossos corações batem no mesmo ritmo. Ai você me pergunta: mas Emery, como você tem tanta certeza que ele ainda tem sentimentos por você? A resposta é bem simples na verdade, o amor não desaparece tão rápido.
O amor transgrede qualquer espaço de tempo, qualquer distância, qualquer coisa, eu tinha fé nisso.
Em um rompante de coragem eu fiz aquilo que eu devia ter feito há muito tempo, depois de pegar o telefone por diversas vezes, era hora de fazer aquela maldita ligação.
1…2…3…4….5…6…. Toques e caixa postal
1…2…3…4….5…6… Caixa postal novamente
Eu sabia o quanto Dougie odiava ouvir recados da caixa postal e como ignorava a grande maioria, mas eu deixei do mesmo jeito, esperando que por alguma razão ele escutasse aquela.
“Oi Doug, é a Emery, bom você deve saber — Eu dei uma risadinha sem graça — Queria saber se podemos conversar, não sei se estou em condição de pedir alguma coisa, mas apenas responda minha mensagem, precisamos disso — Eu dei uma pausa — Espero seu retorno, Dougie.”
Eu encarei a tela do celular após desligar pedindo para todas as divindades para que ele ouvisse aquele recado e quisesse falar comigo.
1
2
3
4
Esse foi o número de dias que passei em total agonia, o silêncio de Dougie estava me matando, a maioria das vezes era eu que ficava em um silêncio mortal, agora eu entendia como ele se sentia.
Não que eu seja a vilã da história, ele nunca foi um santo, longe disso, mas eu aprendi a o amar exatamente assim, éramos duas almas com corações partidos que juntas se curaram.
No quinto dia eu tentei outra vez e tudo que recebi foi um enorme silêncio por mais quatro dias.
Mas no décimo dia enquanto eu corria no Hyde Park meu celular tocou e o nome no identificador de chamadas me fez perder o ar por longos minutos.
— Alô — Eu disse me sentando ofegante no primeiro banco que encontrei trêmula
— Emery, é o Dougie — Ele disse dando uma pausa — Bom suponho que você saiba disso
— Eu reconheceria sua voz até com pouca audição — Eu disse — Como você esta?
— Bem, eu recebi seu recado, eu não respondi antes porque estava ocupado, sabe o retorno da banda e tudo mais, tínhamos muito que acertar.
— Imagino, estou feliz por vocês, Doug — Eu disse usando o apelido de sempre — Sei o quanto o McFly significa para você e os meninos.
— Eu queria saber se aquela nossa conversa ainda esta de pé? Eu estou a alguns minutos de Londres e pensei em passar na sua casa e que talvez poderíamos conversar
— Eu estou no Hyde, em 4 minutos estou em casa, você sabe como chegar lá — Eu disse mordendo o lábio com força tensa — Te espero, Poynter.
— Em meia hora estou lá, até daqui a pouco, Jenkins.
Eu desliguei a chamada entrando em total colapso, mas o surto mesmo veio quando eu olhei para minha cara pelo reflexo do celular, ainda bem que eu morava perto do Hyde Park, eu estava um enorme trapo, nunca que Dougie depois de meses me veria naquele estado.
Corri para casa e acho que os quatro minutos viraram três, fatos sobre Emery Jenkins: eu sou extremamente apressada e ansiosa, então aquela foi a meia hora mais tortuosa de toda minha vida.
Eu tentei ficar apresentável depois de um banho, mas eu sabia que era completamente desnecessário, Dougie já havia me visto em dias piores e dito que eu estava linda.
Meia hora depois pontualmente ele estava na porta de minha casa tocando o interfone, ele nunca foi muito pontual, mas parecia que hoje ele queria ser.
Não sei como eu consegui chegar a porta sem tropeçar em meus próprios pés de tanto que tremia, eu estava nervosa em escalas absurdamente grandiosas.
Os segundos pareciam minutos e o caminho até a porta parecia tem mais de 10 km, quando eu finalmente abri a porta, o mundo pareceu parar e eu esqueci por uns segundos como se respirava.
Quatro meses, oito dias, quatro horas e cinco minutos depois do dia que ele saiu por aquela porta e não voltou mais, ali estava ele, incrivelmente perfeito como sempre.
O cabelo bagunçado e a toca vermelha que ele tanto gostava, seus olhos naquele tom azul que me levava a outra atmosfera e seu perfume que me fazia quebrar afundar o rosto em seu pescoço e continuar ali por muito tempo.
Um vento frio me colocou novamente na realidade dando espaço para ele entrar de uma vez
— Que bom que veio — Eu disse quebrando o silêncio desconfortável, parecíamos dois estranhos
— Depois da sua mensagem eu não podia deixar de vir, parecia tão urgente — Ele disse me encarando e lá se foi meu maldito ar outra vez — Ems, está tudo bem?
— Não está, Dougie, sabemos que não
Eu tinha todo um texto para esse momento, mas agora eu não sabia nem ao menos como olhar para ele sem perder todo o ar de meus pulmões, eu estava completamente ferrada.
Me sentei na poltrona velha que eu não tinha coragem de me desfazer pelo simples fato de ser a preferida do Dougie sinalizando o sofá para que o mesmo se sentasse logo a minha frente.
— Eu acho que não estou pronto para essa conversa, Emery
— Eu não estou Doug, mas eu preciso, minha cabeça não aguenta mais pensar sobre isso e meu coração, bem, meu coração dói toda vez que penso sobre como as coisas acabaram.
Ele passou as mãos, inquieto, sobre as pernas e ali ficou claro que eu não era a única nervosa
— Eu não consigo pensar em nós sem pensar na razão que acabou e, honestamente, Emery, eu ainda não entendo — Ele disse encarando a foto ao lado da televisão, nossa foto que eu nunca tirei dali.
— Eu fui tão estupida, sabe, eu sempre acreditei que você merecia alguém melhor que eu — comecei sem conseguir olhar para ele — Quando minha mãe me disse aquelas coisas sobre não ser boa o suficiente para você, eu deixei me levar pelo medo de não ser mesmo e olha onde chegamos.
— Como você pode ter pensado que não era o suficiente para mim, Ems? Você era a droga do meu mundo todo, e eu sempre deixei claro pra você que ninguém nunca seria tão boa para mim quanto você — Dougie disse me encarando com um olhar triste
— Eu nem ao menos conseguia dizer eu te amo, Poynter, era horrível todas às vezes que você falava e eu não conseguia responder.
— Não precisava responder, Emery, eu nunca disse esperando uma resposta verbal — Ele disse tirando a toca e passando a mão pelo cabelo — Você podia não falar, mas todas às vezes que você me olhava nos olhos eu sabia que você era tão minha quanto eu era seu — Ele respirou fundo — Até você me expulsar da sua vida.
Aquelas palavras foram como um soco no meu estômago, eu não devia ter deixado as coisas chegarem a tamanho desastre, eu tinha o magoado no momento que o pedi para sair da minha vida e agora eu estava sofrendo as consequências disso.
— Eu fui tão estupida por dizer aquelas coisas pra você, eu me deixei levar pelo medo de um dia me magoar e acabei magoando você — Eu encarei ele — Eu fui egoísta, Dougie, e eu não sei como te pedir perdão
Ali estamos nós, sem armaduras, sem mentiras, apenas arrependimentos e um sentimento arrebatador que nos tirava o ar.
— Em momento algum eu tive ódio de você, Emery, mas você partiu meu coração de uma maneira que nem eu mesmo achava possível — Ele respirou fundo — Você é meu calcanhar de Aquiles, sabia? Uma simples menção ao seu nome e todo meu mundo se desfaz, Ems.
— Você não imagina o que seu nome causa na minha vida, eu nunca vou conseguir me perdoar por ter te deixado ir — Eu disse segurando o choro — Desde o primeiro momento que te vi, eu sabia, Dougie Poynter, que você era o amor da minha vida, mas ninguém nunca me disse que o amor era tão difícil e que eu seria tão fraca.
— No momento que eu sai por aquela porta eu deixei de sentir que tinha um lar, não importa onde eu estivesse sempre faltava alguma coisa — Dougie disse sem me encarar — Desde o momento que eu ouvi sua voz naquela mensagem alguma coisa mudou.
— Você é minha graça salvadora, Dougie, você sabe disso — Eu disse sentindo uma lagrima no meu rosto — Eu tenho estado tão perdida sem você, tudo que tem aqui é um enorme…
— Vazio — Falamos ao mesmo tempo
O Silêncio que veio a seguir enquanto encaramos um o outro parecia tão necessário, em um olhar era como se tudo que tivesse que ser dito estivesse acabado de sair.
— Você vai algum dia me perdoar por partir seu coração — Eu disse baixinho antes de me render ao choro que me sufocava
Encarei o chão na minha frente enquanto o choro se tornava mais intenso, então nesse momento senti as mão de Dougie sobre meu queixo fazendo o encarar, ele tinha algumas lágrimas em seus olhos, mas seu olhar estava terno, ele me olhava como sempre olhou, com carinho, amor.
— Eu já te perdoei há tanto tempo, Emms, você partiu meu coração mas ele se refez no momento que ouvi sua voz novamente — Ele disse se vacilar — Eu…
— Não diga nada, Dougie, me deixa falar ok? — Eu disse o calando — Eu fui estupida por não ter dito isso antes, mas eu te amo, Dougie Poynter, você é meu lar, meu ar, minha vida.
Dougie sorriu de lado, enquanto limpava algumas de minhas lágrimas
— Ems — Ele disse em um suspiro — Diga outra vez
— Eu amo você
Dougie fechou os olhos enquanto eu falava, como se absorvesse aquelas três palavras no fundo de sua alma e coração, eu não pude deixar de levar uma das mãos ao seu rosto fazendo um carinho ali.
— Você tira meu ar, Emery — Ele disse abrindo os olhos — Eu amo você e Deus sabe o quanto eu senti sua falta.
Naquele momento todas minhas orações a todas as divindades pareceram ser ouvidas e toda agonia em meu peito foi embora. Dougie acabou com espaço entre nós unindo nossos lábios em um beijo calmo, cheio de saudade e sentimento e mais uma vez nenhuma palavra era necessária.
Aquele beijo cheio de sentimentos, desejo, saudade, amor, só foi interrompido quando o ar foi necessário para ambos, ainda com os rostos colados um sorriso surgiu nos lábios de ambos. Estávamos perfeitamente em sincronia, em uma atmosfera apenas nossa, onde o passado não parecia existir e apenas o agora e o futuro importava.
— Não vá embora — Eu pedi baixinho
— Eu não poderia ir a lugar algum sem você, Ems, eu nunca mais vou — Ele disse me dando um selinho
— Mesmo que eu mande?
— Mesmo que você mande — Ele disse sorrindo — Eu amo você, Emery Jenkins, e sempre vou amar apenas você
— Eu amo você também, Dougie Poynter
— Diga de novo, de novo e de novo, é tão bom ouvir isso — Ele disse ainda sem se afastar
— Eu te amo, seu bobo — Eu disse dando um beijinho rápido em seus lábios, antes de o abraçar apertado afundando o rosto em seu pescoço — Vou amar para sempre.
Ali estávamos nós prontos para recomeçar nossa vida, sem medos, sem fantasmas do passado, apenas eu, Dougie e nosso amor, que era absurdamente grande.
Isso era o começo de uma nova era de coisas boas, reais e lindas, de viver o amor inefável que eu sentia por Dougie Poynter e que eu sabia que ele sentia por mim…
Era hora de recomeçar.

This is the golden age of something good
And right and real