14. Still

14. Still

Sinopse: Após se encontrarem pela primeira vez em anos, Louis e Harry se vêem tomados outra vez pelo que sentem um pelo outro — Inclusive o medo de repetirem os mesmos erros. Continuação de She.
Gênero: Romance.
Classificação: +10.
Restrição: Os personagens são fixos.
Beta: Thalia Grace.

Atenção: Essa é a última das duas partes dessa história, a primeira pode ser encontrada no especial Fine Line como She. No entanto, não é necessária a leitura da primeira parte para que se possa entender essa.

II

Harry esperou por uma resposta por oito dias. Durante cento e noventa e duas horas esperou que Louis ao menos lhe dissesse que não, não poderiam conversar. Qualquer tipo de resposta seria melhor do que não receber nenhuma. Talvez estivesse exagerando, não via o outro há quase dois anos e não conversavam propriamente desde o final da One Direction. Era tempo demais. Mas estava decidido a ajeitar as coisas, de compensar o ex namorado por tudo de ruim que houve entre eles. Suspirou, largando o celular de lado e passando as mãos no rosto, deixando o cansaço o tomar. Precisava tirar o mais velho de sua mente, pelo menos por agora.

A cabeça de Louis estava uma confusão, não sabia como ou se deveria organizar os pensamentos que rondavam sua mente na última semana. Não pretendia ignorar completamente Harry, mas sim se preparar para o turbilhão que o mesmo causaria em sua vida outra vez, mas agora tempo demais havia passado e Tomlinson não sabia como progredir. Durante a semana seguinte, tudo o que Freddie quis fazer era assistir seu pai em palco na época da banda. Viram desde a apresentação de Louis no The X Factor até o History e Perfect, a criança havia achado muito engraçado tudo, principalmente ver seu pai atuando em Night Changes. Mas bem, para Louis foi como reviver todos aqueles anos outra vez, cada pequeno detalhe passando por sua mente. Principalmente aqueles que envolviam Harry.

Era sábado e haveria uma festa, a qual foi convidado a comparecer por sua gravadora, para a qual já estava atrasado. Não sentia vontade alguma de comparecer, mas seu empresário havia insistido que seria uma boa forma de já divulgar seu álbum, a ser lançado no início do ano seguinte, devido ao público que estaria presente.

Se olhou no espelho uma última vez, ajeitou seu relógio e respirou fundo. Pegou a chave do carro no aparador da sala, entrando no carro e indo para o local da festa logo em seguida. Passou pelas ruas movimentadas tamborilando uma música qualquer que tocava na rádio. Não levou mais do que trinta minutos até chegar ao prédio onde a festa ocorreria.

Não demorou a encontrar amigos e conhecidos, se distraindo dos pensamentos em sua mente. Logo já era quase onze horas da noite e Louis encontrava-se sentando em um dos sofás da longa varanda junto de alguns amigos. Riam como não faziam há tempos, já que mal se viam devido às próprias agendas, era bom não ter preocupações por uma noite e Louis quase se esqueceu do motivo de ter relutado em aparecer. Quase.

— Harry! — Um de seus amigos disse, e Louis sentiu o sangue gelar com a risada rouca que chegou aos seus ouvidos. — Vem aqui, cara. Senta com a gente!

— Tudo bem se eu ficar um pouco aqui? — Styles perguntou, percebendo o incômodo do ex namorado.

— Claro que sim. — Outro amigo respondeu, antes de apontar para um local vazio a frente de Louis. — Vem, senta aqui.

Estava atento às reações do outro, se surpreendendo com como ainda era fácil de lê-lo. Percebia claramente seu nervosismo, como havia tensionado o corpo sem ao mesmo perceber tal fato, tão automático que havia sido. Louis evitada olhá-lo, encarando apenas as mãos e rindo fracamente das piadas dos amigos ou quando era incluído na conversa, bem diferente de como estivera radiante há apenas alguns minutos, quando Harry o observava a uma distância segura. Havia se esforçado ao máximo para não ser visto por ele durante toda a festa, sabia qual seria sua reação. Observá-lo sorrindo despreocupado era muito mais prazeroso do estar próximo fisicamente, mas ao mesmo tempo tão distante como o que ocorria no momento. Soltou um suspiro, havia prometido a si mesmo que consertaria as coisas..

Por favor Lou, podemos conversar?

Encarou-o, vendo a apreensão no olhar do outro no exato momento em que lera a mensagem. Louis olhou brevemente para os amigos os redor, antes de encarar Harry e acenar positivamente com a cabeça, se levantando com a desculpa de que iria ao banheiro. Harry contou, ansiosamente, até cem em sua cabeça antes de se levantar. Os amigos tão envolvidos em uma discussão sobre futebol que nem mesmo perceberam a ausência do cantor. Procurou por Tomlinson em todos os lugares menos movimentados da festa, não o encontrando. Estava quase acreditando que o mesmo havia ido embora quando sentiu seu celular vibrar.

Varanda da cozinha

Não tem ninguém aqui

Harry não pôde evitar o sorriso em seu rosto, se lembrou de quando tinha dezoito anos e os dois costumavam procurar por lugares tranquilos quando a pressão se tornava grande demais. Haviam sido o abrigo um do outro por anos, e o mais novo sabia que seria assim no momento em que pousou os olhos pela primeira vez em Louis. Prometeram se casar quando se afastassem da vida pública, costumavam falar sobre filhos e discutir decorações para o pequeno apartamento que dividiam na época. Chacoalhou a cabeça, afastando tais lembranças. Por mais agradáveis que fossem, eram igualmente dolorosas. Atravessou a cozinha, parando um momento em frente a porta entreaberta para respirar fundo uma última vez, até então finalmente entrar no local escolhido pelo outro.

— Antes de você dizer qualquer coisa, eu gostaria de pedir desculpas por não ter respondido sua primeira mensagem. — O mais velho declarou, ainda de costas. — Eu não sei se eu estava preparado pra isso.

— E agora você tá? — Styles perguntou, se aproximando lentamente até estar ao lado do outro.

Louis soltou um riso anasalado, acompanhando de um sorriso triste.

— Eu nunca vou estar. — Confessou. — Mas um dia ou outro nós vamos ter que resolver isso.

Harry concordava, não se sentia preparado para aquela conversa por mais que ansiasse por ela. Em sua casa havia imaginado diversos cenários e conversas oriundas deste encontro, mas agora não sabia o que dizer. Ficaram em silêncio, um ao lado do outro, observando o céu sem estrelas da capital britânica. Ficaram daquele jeito por quase dez minutos, o silêncio costumava ser confortável mas naquele momento só os deixava mais ansiosos.

— Louis, eu… — Quebrou o silêncio, era difícil para si pedir desculpas mas era ainda pior ver a situação na qual estavam. — Eu sinto muito, sinto mesmo. Eu odeio ver o que aconteceu com a gente, odeio que você não se sinta confortável perto de mim. Eu ainda consigo te ler tão bem.<\em> — Suspirou, encarando o homem ao seu lado. — Você sente tanta falta quanto eu?

Louis encarava as próprias mãos, tinha medo. Por Deus, tinha tanto medo.<\em> Pôde sentir os olhos marejarem levemente, olhou para cima e piscou para dispersar as lágrimas.

— Eu não posso, Harry. — Ainda não o encarava, sua voz estava fraca.

— Eu tô sendo sincero com você, Lou. — Styles disse, sem tirar os olhos do outro. — Eu sinto muito por tudo, eu sinto a sua falta e me mata ver como ficamos depois de tudo.

— Harry… — Louis tinha os olhos fechados e o rosto apoiado nas mãos.

— Seja sincero comigo também, Lou. — Pediu baixinho, aproximando-se no outro e passando a mão em seus cabelos, antes de pousar a mão na nuca, fazendo um carinho leve ali. — Por favor.

— Me desculpa. — Pediu sincero, e Harry sabia que ele não estava falando só sobre o momento atual. — Eu…Me desculpa.

— Eu desculpo se você também me desculpar. — Abriu um sorriso leve, ainda fazia cafuné nos poucos fios próximos à nuca de Louis, era bom estar assim.

— Eu deixei de te culpar pelos meus problemas há muito tempo, Haz. — Abriu um pequeno sorriso, encarando o outro.

— Então estamos bem.

— Estamos bem. — Concordou, virando o rosto para observar a cidade outra vez.

Passaram alguns minutos daquela forma, o silêncio agora era confortável mas recheado de todas as coisas que os dois gostariam de dizer. Louis sentia a brisa noturna batendo em seu rosto, o acalmando, junto dos dedos de Harry passeando por seus fios de uma forma tão familiar que quase o fez chorar. Já Harry tinha o coração acelerado, estar com Louis tão próximo daquele jeito outra vez mexia consigo de uma forma que nunca poderia botar em palavras, não importava quantas músicas escrevesse para ele.

— Você sente minha falta, Lou? Sente falta de nós? — Quis saber, precisava sanar a dúvida que dominava sua mente e seu coração nos últimos meses, talvez anos. — Você ainda me ama?

— Haz… — Pediu uma ultima vez, não estava preparado para aquilo, para abrir o coração dessa forma. Não agora.

O resto da noite passou como um borrão para ambos, ficaram na sacada por apenas mais alguns minutos até Louis decidir ir embora. Estava cansado e precisava digerir o que acontecera na festa. Sua cabeça estava cheia, mas seu coração estava incrivelmente leve.

Mas sua paz não durou muito, passaram-se algumas semanas até ver na mídia um possível novo affair de Harry, uma modelo que estava passando o mês na cidade. Sentiu o medo tomar conta de si, o medo de ter deixado sua chance de consertar as passar, o medo de perdê-lo, o medo de ter feito tudo errado outra vez. Pela primeira vez em anos Louis se deixou ser tomado pela emoção, agiu impulsivamente a apareceu à porta de Harry no fim da tarde. Sabia que o mesmo estaria em casa. Precisava confirmar a história, precisava tirar o que sentia de dentro do peito. A grande casa onde Styles vivia era próxima da sua, apenas três quarteirões de distância, optou por ir andando até lá.

Ao chegar à porta da casa de Harry, não precisou nem mesmo tocar a campainha. Subia os degraus quando a porta se abriu e um Harry sorridente acompanhava a tal modelo da matéria. Ela o abraçou apertado e sussurrou algo que Louis não pôde ouvir, antes de se afastar e ir embora. Logo o olhar do mais novo pousou em si, como se atraído por um imã. Tomlinson estava parado no mesmo local, observando o outro com a dúvida explícita em suas íris.

— Lou. — Harry sorriu para ele, tinha medo do quê ele possa ter entendido da situação. Sabia o que estava sendo falado sobre si nos últimos dias.

— Você quer que eu seja sincero, Harry? — Perguntou, terminar de subir os degraus e parando em frente ao mais novo, que estava apoiado no batente da porta.

— Quero. — Foi sincero, assumindo uma expressão séria e se afastando do batente para ficar mais próximo do outro.

— Você está com ela? — Foi direto.

— O quê? Louis, não. — Franziu a expressão. — Ela é minha amiga e só isso.

Louis assentiu, sabia que Harry não mentiria para ele.

— Você quer que eu seja honesto? — Perguntou mais uma vez, se aproximando e quase colando seus corpos.

— É o que eu mais quero, Lou. — Confessou baixinho, aproveitando a proximidade para admirar cada pequeno detalhe do rosto deste. Cruzou seus dedos com o do outro, segurando sua mão levemente e deixando um carinho ali. — Eu quero muito.

E então aconteceu.

Louis colou seus lábios ao de Harry. O beijo era lento e tomado pela saudade que sentiam um do outro. As mãos de Styles foram para o rosto do mais velho, segurando-o levemente, como se este fosse a coisa mais preciosa de todas, fazendo um carinho leve com os polegares. Tomlinson tinha as mãos na cintura do outro, acariciando o local por cima da blusa larga que ele usava. Não tinham noção acima de quanto tempo passaram ali, Harry podia jurar que seu coração explodiria a qualquer momento, tamanha sua felicidade pelo momento. Louis não estava muito diferente, ainda não acreditava que tinha coragem para fazer o que fizera. Afastaram-se depois de sabe-se lá quanto tempo e ficaram se encarando, enquanto recuperavam o fôlego.

— Você quer que eu seja sincero, Haz? — Disse, com um sorriso no rosto. — Eu ainda amo você.