Summer ’09

Summer ’09

  • Por: Bea H
  • Categoria: Especiais | Verão
  • Palavras: 5090
  • Visualizações: 175

Sinopse: No verão de 2009, eles se conheceram e dividiram seus sonhos. Mas, será que um amor de verão pode durar para sempre, ou é apenas algo passageiro?
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrições: Nenhuma
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

“Do you remember summer ’09?”

Junho de 2009

, vamos logo. – minha mãe gritava do andar de baixo, me apressando. – Você vai perder o ônibus, filha.

– Já vou, mamãe. – abri a porta do quarto e falei em tom alto.

Corri novamente em direção à minha cama, onde jogava as roupas de qualquer jeito em minha mala e fechava logo em seguida.
Passei o olhar rapidamente pela estante de livros que havia ali, graças aos céus o verão estava se iniciando e eu estava de férias na escola.
Minha mãe decidiu que o ideal seria me mandar para um acampamento, já que ela teria que viajar à trabalho, e meu pai também não teria férias.
Eu, como qualquer criança, amei a ideia, porque nunca tinha vivido aquele tipo de experiência e todos sempre diziam que era muito divertido.

Peguei a mala com um pouco de dificuldade e a arrastei sobre suas rodinhas até a escada. Desci com cuidado para não correr o risco de sofrer um acidente e ir para o hospital ao invés do Life Summer Camp.
Minha mãe, ao ver a cena – no mínimo engraçada – que era eu me segurando no corrimão, enquanto tentava equilibrar a mala com a outra mão, começou a rir e veio até mim, me ajudando com a bagagem.

– O ônibus chega em dez minutos. – ela falou. – Você colocou todo o necessário aqui? – apontou para grande mala azul.

– Sim. – falei, pulando do último degrau para o chão.

– Vai conseguir se virar sozinha lá, ? – perguntou, se abaixando para ficar da minha altura.

– Mamãe, eu já tenho onze anos, posso me virar. – sorri, fechando os olhos.

– Tudo bem. – depositou um beijo em minha testa. – Confio em você, garotinha. – afagou meus fios loiros e apertou minha bochecha. – Mas, qualquer coisa pode ligar para mim. – eu assenti e ela sorriu. – Vamos, temos que esperar lá fora.

O verão da Califórnia era um dos mais quentes que já presenciei, normalmente íamos para a casa de minha avó, no Canadá. Não por ser um pouco mais fresco, mas sim porque ela morava sozinha desde a morte de meu avô e minha mãe não gostava de deixá-la passar algumas datas sem ninguém ao lado. No entanto, dessa vez, não seria possível fazermos isso. Então, ela pediu para meu tio ficar com minha avó, enquanto ela trabalhava e eu ia para o acampamento.

Meu pai? Bom, ele é Biólogo – assim como mamãe – e desde que se divorciou dela a alguns anos, voltou para sua cidade natal; Honolulu no Havaí.
Eu sinto falta dele constantemente, mas sempre que possível ele vem me visitar e vice-versa, o relacionamento dele e de minha mãe se manteve saudável e isso fazia com que as coisas fossem mais fáceis entre nós.

Sabendo da profissão de meus pais, deve-se parecer notável que eu queira seguir o mesmo rumo que eles. Mas, enganava-se quem pensava dessa forma. Meu maior sonho era poder me tornar a maior surfista do mundo.

Eu treinava constantemente após a escola, tinha aulas todos os fins de semana, e quando visitava meu pai no Havaí, meu avô – por parte dele – insistia em me ensinar mais coisas e me colocar para surfar algumas das melhores ondas. Era divertido, e só me fazia ter ainda mais vontade de correr atrás de meu sonho.

O ônibus parou subitamente em um local arborizado, interrompendo meus pensamentos. Camille, a menina que estava sentada ao meu lado, dormia há algumas horas, mas acordou assim que sentiu o veículo frear.

– Já chegamos? – perguntou.

– Acho que sim. – respondi, abrindo a cortina para observar melhor.
Uma placa gigante de madeira, com as palavras “Life Summer Camp” esculpidas me fez ter a certeza de que, sim, havíamos chegado.

Esperei Camille se levantar para que eu pudesse fazer o mesmo. Minhas malas estavam no bagageiro do ônibus, as quais logo antes de embarcar foram etiquetadas com meu nome e com o número da cabana na qual ficaria, para assim que chegássemos, os monitores já as levassem para o lugar certo, evitando bagunça e desorganização.

Uma mulher de cabelos ruivos e sorriso grande nos mandava sentar em um amontoado de bancos que havia em uma espécie de auditório, assim que descemos do ônibus.
Camille e eu caminhamos juntas até o tal local e pegamos um lugar ao lado de outras duas meninas, um pouco mais velhas que nós.

– Bom dia, meus jovens. – um rapaz, que aparentava ter seus trinta anos, apareceu no palco improvisado que havia ali, e chamou nossa atenção. – Bem vindos ao Life Summer Camp. – ele sorria. – Como devem saber, em todos os locais há regras. – falou. – Então, vamos às nossas. – puxou uma folha de sua prancheta. – Em primeiro lugar; temos crianças e adolescentes de dez a dezesseis anos. Ou seja, vocês serão separados por suas faixas etárias, para poderem participar das atividades específicas. – todos no auditório concordaram. – Mas, não se preocupem, existem atividades para todas as idades. Como as noites de fogueira e as festas temáticas. – sorriu. – Dando continuação: temos dois blocos de alojamentos. – apontou para o lado de fora. – O masculino, e o feminino. – virei meu rosto para a janela e consegui visualizar os dois. – Autoexplicativos. – Terceiro: os horários de todas as atividades, incluindo café da manhã, almoço e jantar, estarão espalhados por todo o acampamento. – mostrou um exemplo do panfleto que deveríamos procurar. – Quarto: é permitido ficar fora do alojamento apenas até as nove da noite. Se alguém ficar do lado de fora depois desse horário, será suspenso de um dia de atividades. – abaixou a prancheta e olhou novamente para todos nós. – Que nossas férias comecem!

Estava alojada no quarto 402, junto de Camille, Ashley, Ella e Kassie. Todas tínhamos a faixa etária de dez a doze e dividíamos duas beliches e uma cama de solteiro.
Ella ficou com a cama, enquanto eu e Camille dividimos um beliche e Ashley e Kassie a outra.

Já de início nos demos bem, era fato de que nos divertiríamos muito naquele mês de acampamento.

– Ei, gente. – Ash falou, enquanto tirava sua sapatilha e calçava o tênis. – No programa diz que teremos um banquete de boas vindas daqui a pouco. – deu um laço nos cadarços e se levantou, pegando o papel que estava na cama de cima da beliche.

– Falta só a Ella se arrumar e nós podemos ir. – Camille falou.

– Só vou colocar a camisa. – Ella gritou do banheiro, o que nos fez rir.

Todas nós estávamos vestidas com camisas do acampamento. As nossas eram roxas, pois representavam nossa faixa etária, os jovens de treze a quinze vestiam amarelo e os de dezesseis, vermelho. Era uma maneira interessante de diferenciar todos, além de que era divertido ver tudo colorido.

– Estou pronta. – Ella saiu do banheiro ajeitando seus óculos de grau. – Vamos!

Saímos juntas do quarto e fomos caminhando até o refeitório, uma pequena fila se formava para pegar as comidas. Alguns jovens de amarelo estavam na nossa frente e falavam sobre lasanha, macarrão e panqueca, o que me fez chegar a conclusão de que o banquete especial eram massas. Meu estômago roncou em agradecimento.

Quando chegou nossa vez, eu me servi de tudo que era possível, assim como minhas novas amigas. Logo depois, fomos pegar uma mesa. Andamos por todo refeitório e não conseguimos achar uma que estivesse totalmente vazia, então, encontramos uma na qual estavam sentados dois meninos; um de camisa amarela e outro de camisa roxa.
O de camisa amarela tinha cabelos loiros, que conseguiam ser mais claros que os meus, olhos verdes como as folhas das árvores e um sorriso largo. Já o de camisa roxa tinha cabelos castanhos, sua pele era bronzeada, assim como a minha, seus olhos eram pequenos e seu sorriso era tão grande quanto o do menino em sua frente.

– Podemos sentar aqui? – Kass perguntou e os meninos concordaram em acenos de cabeça. – Obrigada.

Nenhuma palavra foi trocada entre nós e os meninos, apenas alguns olhares curiosos e uns sorrisos simpáticos.
Depois do banquete voltamos para o quarto, o primeiro dia seria para reconhecimento do local, então estaríamos livres para passear pelo acampamento e conhecer lugares diferentes. As meninas decidiram sair, e eu optei por continuar no quarto organizando minhas coisas, para depois sair.
Vesti uma calça, já que alguns mosquitos poderiam se aproveitar das minhas pernas nuas, caso usasse shorts, e saí para um passeio. Os limites do camping eram sinalizados e não podíamos passar deles.
Eu não esperava encontrar com as meninas, pois não sabia onde estavam. Mas, ainda eram cinco da tarde, tínhamos tempo para brincar de alguma coisa juntas.

A grama era baixa e as árvores eram altas. Perto do alojamento, alguns amarelos brincavam de pique-bandeira e do outro lado, alguns vermelhos jogavam Twister.
Era legal ver todos se divertindo.

Comecei a caminhar pelo camping, onde passei por alguns monitores, que improvisavam jogos com o pessoal, e outros que carregavam lenha, provavelmente para montar a fogueira.

Me distrai um pouco quando, de longe, pude ver o horizonte. E isso só podia significar uma coisa; se tinha o horizonte claro, tinha água.
Estávamos em Modesto, Califórnia. Obviamente, por ser uma cidade litorânea, tinha água. Mas, não sabia que estávamos tão perto do mar. Corri em passos longos para chegar o mais rápido possível no local. Passei por algumas árvores e pedras – quase tropecei em algumas também, mas essa informação não é tão relevante. -, apenas para descobrir que não era o oceano, e sim um lago.

Respirei fundo e, mesmo um pouco decepcionada, sorri. Era bonito da mesma forma, não tinham as ondas ou o cheiro salgado do mar, mas tinha sua beleza e sua calmaria. Um píer de madeira ficava sobre as águas densas do lago, ao fim da construção, uma estaca vermelha, um sinal de que ali era até onde poderíamos ir.

Cheguei mais perto do local e percebi que não estava sozinha como imaginava, tinha um menino sentado em pernas cruzadas sobre o píer. Ele tinha um violão sobre os braços e sua camisa era roxa como a minha. Senti um frio na barriga e fiquei relutante em me aproximar, mas fiz mesmo assim.

– Ei. – falei baixo, tentando chamar sua atenção. Ele virou o rosto devagar e eu percebi que era o mesmo garoto que sentou conosco no banquete mais cedo.
– Oi. – ele sorriu simpático. – Vejo que descobriu o lago. – riu.

– Muito bonito aqui. – falei.

– Senta. – ele bateu na madeira do píer e eu fiz o que ele sugeriu. – Você também usa camisa roxa.

– Sim, tenho onze anos. – falei, orgulhosa.

– Eu tenho doze. – sorriu e soltou uma das mãos do instrumento em seu colo. – . – esticou-a em minha direção e eu demorei um pouco para entender que ele estava me cumprimentando.

. – apertei sua mão.

– Que nome legal. – ele arregalou os olhos e eu gargalhei.

– Sim, meu pai é havaiano. – agora mesmo que o garoto tinha ficado ainda mais impressionado.

– Que incrível. – se ajeitou, ficando de frente para mim. – E o que ele faz?

– Ele é biólogo. – ri fraco. – E os seus?

– Os meus pais são só… Pais. – ele colocou a mão no queixo e deu de ombros. – Nunca soube ao certo o que fazem.

– Vai que são agentes da CIA disfarçados de seus pais. – sussurrei, como se aquilo fosse o maior segredo de todos os tempos.

– Agora você me deixou assustado e curioso. – começamos a rir.

e . – ouvimos uma voz feminina nos chamar e olhamos para a mesma direção, encontrando com uma das monitoras. – Está na hora de jantar. – ela falou. – Venham. – nós concordamos e nos levantamos.

– Bom, foi legal te conhecer. – ele apertou minha mão novamente. – Vamos jogar alguma coisa amanhã? – perguntou.

– Depois das atividades podemos jogar Monopoly no alojamento. – sugeri e ele concordou.

– Prepare-se para pagar hipotecas. – apontou para mim, com um olhar brincalhão.

– Sei nem o que é isso. – dei de ombros e começamos a gargalhar de novo. – Eu vou lá, vou encontrar minhas amigas para comer. Nos vemos. – saí correndo, passando pela monitora e indo em direção ao refeitório novamente.

Era a terceira semana de acampamento, tudo estava sendo muito divertido. Eu, as meninas, e Adam – o loirinho que estava com ele no refeitório, no primeiro dia. – sempre arrumávamos um tempo para fazer nossa sessão de jogos. Normalmente jogávamos Monopoly, Twister e Mímica, mas outros jogos sempre eram bem vindos.
A amizade que eu estava criando com eles era incrível, e com certeza algo que gostaria de levar para o resto da vida.

. – ouvi um sussurro vindo da porta do quarto e me levantei para ver de quem se tratava.

? – cocei os olhos. – O que faz aqui? Já passou da hora de dormir. – falei em tom baixo.

– Quero te mostrar uma coisa. – ele tinha um sorriso largo no rosto, não parecia estar com um pingo de sono. – Vem comigo.

– Você vai me meter em encrenca, . – bocejei.

– Vamos, . – ameaçou começar uma birra que acordaria o resto das pessoas no quarto, então apenas fiz um sinal para que ele esperasse e voltei para pegar um casaco.

– Vai ser rápido, ouviu? – disse autoritária e ele assentiu, sorrindo. – Vamos. – fechei a porta do quarto com cuidado. Olhei para os lados, observando se havia algum monitor por perto, mas a área estava limpa – por enquanto. –

– Me segue. – sussurrou e começou a andar levemente, e eu fazia os mesmos passos.

Saímos da área dos alojamentos com facilidade, já que naquele horário não ficavam muitos monitores por ali. Geralmente, eles faziam pequenas rondas de vinte minutos e voltavam para o seu descanso.
Estávamos perto da área da fogueira, quando ouvimos passos e um conjunto de risadas se aproximando. Trocamos olhares suspeitos e meu coração acelerou, nós seríamos pegos naquele momento.
pensou rápido, uniu sua mão à minha e me puxou para perto das árvores, onde ninguém poderia nos ver, a não ser que tivessem uma…

– Lanterna. – sussurrei. – Eles têm uma lanterna, . – meu estômago revirava. Era um misto de adrenalina e medo.

– Vem. – o garoto me puxou e corremos pelas árvores. Não estava tão escuro quanto imaginado, a luz da lua era como uma lâmpada sobre nossas cabeças. Ela guiava o caminho, nos mostrando a trilha. – Estamos chegando. – ele falou e alguns segundos depois parou de repente.

– Mas, estamos no lago. – falei, um tanto arrependida. Se soubesse que ele me traria ao lago, não teria me arriscado.

– Sim, mas você não viu a melhor parte. – nossas mãos ainda estavam unidas, e eu poderia facilmente me acostumar com aquela sensação. Dessa vez, ele me guiou calmamente até o píer. – Deita. – ele sugeriu e eu olhei com um semblante duvidoso. – Sério, . Deita e olha para o céu. – riu fraco e eu dei de ombros, em seguida fazendo o que disse.

Levei meus olhos para a imensidão negra que chamamos de universo e fui agraciada por milhares de estrelas. Aquilo era tão lindo que me passava a sensação de não ser real.

– A noite aqui fica bem mais legal. – ele sussurrou e eu murmurei em concordância, ainda estava chocada com a quantidade de pontos brilhantes que haviam ali. – Semana que vem é a nossa última semana aqui, . – sua voz parecia triste. – Vou sentir falta do acampamento. – meneei em concordância, por mais que ele não estivesse vendo. – Vou sentir sua falta também. – virou a cabeça para mim e sorriu. – Você foi uma das melhores amigas que fiz aqui. – suas mãos, que antes estavam sobre a madeira do píer, agora estavam unidas as minhas. – Eu gosto de você, . – uma sensação estranha surgiu em meu corpo. Nunca tinha experimentado aquele tipo de coisa antes. Era como se borboletas brincassem em meu estômago e uma brisa fria cortasse meu corpo. Era engraçado, mas era bom.

– Eu também gosto de você, .

Julho de 2019

“Will we remember different summers?”

Meu corpo estava pesado e meus olhos fechavam, o cansaço tomava conta de mim de uma maneira que nunca havia experimentado antes.
Joguei todo meu peso em cima da cama e respirei fundo, finalmente algumas horas de descanso. Fixei meu olhar no teto, que era pintado com várias estrelas e tive um pequeno dèja vu. Sorri fraco e finalmente fechei os olhos, caindo no sono.

Estava tão exausta que não consegui, ao menos, sonhar com algo. Sabe quando você sonha apenas com uma “tela preta”? Então…

Porém, há um ditado que diz que a felicidade não dura para sempre, e eu pude comprová-lo ao ver a porta do meu quarto abrindo e dando passagem para o furacão moreno que entrava.

– Bom dia, minha grande melhor amiga. Eu estava morrendo de saudades. – a garota se jogou em mim, e eu dei um gritinho.
– Oi, Camille. – empurrei ela para o lado, fazendo-a cair sobre o colchão. – Você tem que parar com essas entradas. Eu estava no meio de um cochilo.

– Ok, apenas por essa semana. – ela disse, com um sorriso maroto nos lábios. – Porque você, senhorita . – ela colocou o indicador em meu tórax. – Vai ser a mais nova campeã do Pro Women Surf.

– Acredita que já é essa semana? – me ajeitei, sentando-me. – Parece até que foi ontem que eu apenas sonhava em ser uma surfista profissional. – sorri fraco e minha amiga me abraçou de lado. – Estou tão nervosa, Cam.

– Ei, não fique. – ela colocou a cabeça em meu ombro. – Você é incrível! – retribuí seu abraço e ficamos ali por alguns minutos, até a garota se levantar da cama em um pulo. – Eu não acredito. – ela disse pausadamente, enquanto se deslocava até o varal de fotos que eu tinha perto do armário. – Você ainda tem isso? – apontou para uma foto revelada de uma daquelas máquinas fotográficas de filme, nela estávamos eu, ela, Kassie, Ashley, Ella, Adam e no acampamento de verão. Todos usávamos blusas roxas, com exceção de Adam, que vestia amarelo. Segurávamos varas de madeira com marshmallows nas pontas e sentávamos perto da fogueira, estava com um violão ao seu lado, e todos tínhamos sorrisos em nossos rostos. – Saudades desses dias. – ela falou e eu concordei com um riso.

– Às vezes me pergunto como estão os outros. – me levantei, ficando em pé ao seu lado. – Ella e Kassie abriram uma empresa de cosméticos, isso eu sei. – Camille me olhou com dúvida. – A marca dela me patrocina, doando alguns protetores solares e produtos para cabelo.

– Bem que eu percebi que seu cabelo está hidratadíssimo. – ela falou, e afagou meus fios.

– Ashley eu não sei o que sucedeu, mas ela gostaria de virar escritora. Se lembra? – perguntei para minha amiga e ela concordou, com um sorriso saudoso no rosto. – Adam é médico, você é estilista, eu também segui meu sonho. – suspirei. – Não sei o que houve do . – Camille me puxou para um abraço.

– Eu sei que vocês criaram uma conexão. – ela disse e eu bufei. – É sério, . Eu jurei que vocês manteriam contato, assim como eu e você.

– Nós tentamos, mas, aos treze anos eu vim para o Havaí e não conseguimos mais nos falar. – sentei na cama novamente. – A única coisa que eu queria saber era se ele conseguiu realizar o sonho de virar músico.

– Podemos solucionar esse mistério, minha cara. – Camille falou. – Atualmente temos uma ferramenta mágica chamada Google. – riu e pegou o notebook em cima da escrivaninha, o ligando rapidamente e abrindo o navegador. – Você lembra o sobrenome dele?

. – falei.

Logo, minha amiga começou a digitar rapidamente, e eu me joguei na cama, voltando a encarar o teto.

– Ele conseguiu, . – ela disse. – Ele participou de um programa de talentos, agora faz parte de uma banda com outros quatro meninos, e parece estar se divertindo muito. – me levantei para olhar a tela do computador e me surpreendi ao ver o quanto havia mudado. Seus cabelos não eram tão curtos como antes e seu corpo agora era mais torneado, tinha algumas tatuagens pelo braço e peito. Entretanto, a única coisa que não havia mudado era seu sorriso. – Olha, ele tem uma filhinha também. – abriu uma foto que mostrava com a menina nas costas, saindo de um aeroporto. Sorri ao ver a cena, ela era linda e parecia muito com ele. – Aqui tem as redes sociais dele. – apontou. – Mande uma mensagem.

– Cam, ele tem milhões de seguidores, acha mesmo que vai me responder? – perguntei, sentindo aquele maldito nervosismo.

– Você fala como se ele fosse um estranho. – riu irônica. – O garoto foi sua primeira paixão de verão, . E eu aposto que você também foi a dele. – colocou uma das mãos na cintura. – Ele, com certeza, lembra de você. – colocou o notebook em meu colo. – Vai, mande a mensagem. – suspirei e meneei em concordância.

Abri uma nova guia no navegador, e acessei o Instagram. Digitei o nome do garoto na barra de pesquisas e sua conta foi a primeira a aparecer. Assim como a minha, a sua tinha o selo azul, mas a quantidade de seguidores possuía uma diferença de quase quinhentos mil. Gelei rapidamente e o mesmo sentimento que tive ao estar deitada ao seu lado, observando as estrelas, aos onze anos de idade voltou. As famosas borboletas no estômago e o vento frio cortante que arrepiava cada poro de meu corpo.

– Vai, . – Camille falou, apressada.

– Ok. – respirei fundo.

@.: Ei, não sei se lembra de mim. Mas, eu não posso deixar de me perguntar o que aconteceu da sua vida depois do verão de 2009? Me pergunto se todas as vezes nas quais olhou para as estrelas, se lembrou daquele píer? Enfim, aqui está uma foto dessa época.

Enviei em anexo a mesma foto que Camille tinha visto no varal minutos antes e fechei o computador. Eu não poderia perder meu tempo parada em meu quarto esperando pela resposta, eu tinha que ir treinar, a final do campeonato era em dois dias.

Senti a brisa cortar meu cabelo e olhei para o horizonte. Uma onda se formava, e minha intuição me dizia que aquela era a certa. Deitei em minha prancha comecei a remar em direção a ela. Todos os problemas e medos que eu tinha foram apagados de minha mente no mesmo instante que fiquei em pé na prancha e peguei aquela onda.
Ela deveria ter de dez a doze metros, não era a maior onda que eu já tinha pegado, mas com toda certeza, era a maior do campeonato até então.

Gotículas de água tocavam meu rosto e o vento fresco do oceano tocava meu rosto. Era uma sensação inconfundível: era liberdade.

Passei pelo tubo, finalizando a onda.

Depois de alguns minutos a mais dentro d’água, todos os surfistas saíram e no mesmo momento que eu coloquei o pé na areia, surgiu uma multidão ao meu redor, algumas crianças tirando fotos, outros apenas pedindo um abraço. O que uma bela onda surfada não fazia?

– Acho que depois dessa você ganha. – uma voz desconhecida soou. Mas, diferente de todas as outras, aquela tinha me trazido arrepios. Me virei rapidamente, e encontrei os mesmos olhos pequenos e sorriso largo que vi pela primeira vez no refeitório do Life Summer Camp. Ele usava uma regata branca e tinha os óculos escuros sobre a cabeça. – Oi. – ele falou e eu não consegui sair do estado de choque no qual tinha entrado.

– Como? – perguntei, gaguejando e rindo.

Voilá. – Camille apareceu, jogando os braços para o ar e sorrindo. – Usei da minha influência desenhando roupas para famosos, para entrar em contato com esse rapaz aqui e enviar um convite para ele vir assistir a final do Pro Women. – sorriu, dando um soquinho no ombro de . – Vou deixá-los sozinhos agora.

Nos encaramos por um instante e o garoto abriu os braços, vindo em minha direção.

– Você não faz ideia do orgulho que estou sentindo agora, . – ele disse, enquanto me apertava contra si. Faziam anos que eu não o abraçava, mas aquela sensação não era nova, nem diferente, era como se fizéssemos aquilo todos os dias.

– Eu posso dizer o mesmo. – sussurrei. – Você é um cantor famoso agora. – afastamos o abraço, mas nos mantivemos próximos.

– Eu não vou esquecer. – ele falou e eu fiz um semblante questionador. – Sobre sua mensagem no Instagram, . – colocou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha e sorriu. – Nunca me esquecerei de você me chamando para jogar Monopoly e roubando todas as cartas, ou do quanto você era péssima em mímica. Também nunca me esquecerei do seu sorriso ao se aproximar de mim e de Adam no refeitório. – eu sorri, envergonhada. – Eu não sabia na época, mas hoje eu tenho certeza; você foi minha primeira paixão, . – se aproximou ainda mais, colando nossas testas e unindo nossas respirações. – Eu não podia fazer isso com doze anos, mas posso fazer agora. – e finalmente, nossos lábios foram selados com um beijo. Um beijo do qual imaginei como seria durante anos, e agora sabia como era. Nossas línguas dançavam como velhas conhecidas, sua mão desenhava minha silhueta e me puxava ainda mais para perto. Fomos interrompidos pela falta de ar que surgiu de repente. – Eu nunca esquecerei do verão de 2009.

– Agora teremos diferentes verões para lembrar.