Superman

Superman

Sinopse: Um encontro numa lanchonete faz com que o Superman saiba o que é ser humano.
Gênero: Drama e romance.
Classificação: +14
Restrição: menção à bebidas alcoólicas.
Beta: Bridget Jones

 

Capítulo Único.
Humano.
O sentimento humano que ele sentia naquele momento era o amor.
Um sentimento humano ao qual várias vezes ele achou que não teria em sua vida, e ao qual ninguém além de humanos deveria possuir, mas ele sentia a cada batida de seu coração.
Ele sentia em cada célula de seu corpo aquele amor transformado.
E ele atravessava barreiras. Clark sentiu as mãos sobre as suas enquanto o aperto firme lhe dava a sensação de liberdade que faltava em sua infância.
Ao mesmo tempo em que o temor pelos poderes deles.
Ivy sorria sem dentes enquanto balbuciava palavras desconexas ao pai, ambos jogados no chão da sala de estar cercados de brinquedos. Clark sentiu então o garoto se jogando sobre si.
— Ataque do super boy!
A risada infantil preencheu o ambiente ao mesmo tempo em que Levi sorriu para o pai. Clark tocou na cabeça do garoto de seis anos que encarava a menininha de poucos meses.
— Oi, Ivy.
— Não assuste ela, Levi. Ela ainda é pequena.
Clark encarou a mulher que aparecia da cozinha, os olhos verdes fixos no trio de pessoas enquanto o sorriso misterioso surgia nos lábios dela. Era uma de suas coisas favoritas no mundo.
Assim como na primeira vez que se viram.

X

Oito anos antes.

O homem estava triste em sua visão, assim como as emoções que emanavam dele e ela não conseguia conter sua animação em conhecê-lo.
E ao mesmo tempo ela queria retirar aqueles sentimentos.
sentia cada uma daquelas emoções enquanto seus sentidos estavam a flor da pele de um jeito que ela estava agitada em sonho.
Ela sentia demais, como diriam alguns. Ansiava pela chegada dele enquanto a ansiedade de conhecer aquele homem a conquistava lentamente ao mesmo tempo em que pensava se ele iria gostar dela… Se ele sentiria o mesmo que ela. Eram questões absurdas as quais a mesma remexia os anéis em seus dedos. Era a hora e momento certos, e ela estava preparada para ir para cima dele se necessário com um enorme sorriso para abafar os ruídos em seu coração.
Mas ela ainda não o conhecia e ele não sabia de sua existência.
O timming perfeito desde que vira ele pela primeira vez aos 10 anos.
E foi quando o viu: alto, musculoso e com óculos ridículos que ela achou, a primeira vista, fofos demais para ele.
Ao mesmo tempo sua expressão era completamente derrotada e ele sentou-se no canto extremo da lanchonete.
sentiu suas mãos suarem enquanto respirou fundo, pegando o café preto a sua frente ao mesmo tempo em que se colocava na frente dele.
— Oi.

Se havia algo que Clark Kent queria ser quando era criança era… Ser humano.
O Superman encarou o café naquela lanchonete qualquer no meio de Metrópolis e o gosto era dos melhores para seu paladar enquanto a chuva do lado de fora o impedia de sair.
Não que pudesse se preocupar com isso, mas Clark Kent tinha que agir como um ser humano ao mesmo tempo em que desejava isso intimamente.
Humano?
Desde quando tinha aquele desejo de pertence? De querer? Talvez, desde sua infância, quando percebeu que não era como as outras crianças. Ele devia sempre se conter, jamais chamar atenção.
Jamais ser ele mesmo e então o acúmulo de frustrações naqueles trinta e poucos anos lhe lembravam de que ele não era humano.
Não pertencia àquele lugar.
Mas antes que aquela crise de identidade que ele pensou ter superado em sua adolescência viesse, a mocinha se sentou a sua frente com dois copos de café em sua mão, oferecendo a outra para ele.
— Oi.
A saudação tímida enquanto a mulher o encarava com as grandes orbes castanhas, com curiosidade.
— Eu sou . E você me deixou esperando muito tempo, garoto.
— Você deve está confundindo, moça.
A mulher suspirou enquanto sorriu para garçonete, que parecia pouco interessada em atender.
— Ele quer panquecas com molho extra. Certo, Clark?
A mulher apenas percebeu o olhar sério dela enquanto se afastava.
— Ok, você precisa comer rápido.
— Por quê?
— Porque vai salvar o dia, meu amigo. E precisa de energia para voar por aí, não é?
— O que?
Enquanto um leve sorriso de canto surgiu, a mesma mexeu no café e encarou-o com expectativas.
— Você é o Superman, certo?

Você é o Superman, certo?
Clark ajeitou a gravata que tinha posto quando apareceu na porta com seus cabelos amarrados no alto e um sorriso discreto no rosto.
— Você está nostálgico hoje.
— Eu não posso esconder nada de você.
— Você vai se atrasar, querido. E leve o super boy com você.
Ela apenas ajeitou o casaco e os óculos ridículos que ele ainda usava apesar daqueles oito anos. Clark então sorriu enquanto a puxava levemente, ao mesmo tempo em que ela ajeitava sua gravata.
— O dia hoje?
— Talvez chova, mas pode fazer um belo dia!
soava misteriosa e Kent riu.
— Melhor levar uma sobrinha, amor.
revirou os olhos e passou as mãos pelo rosto enquanto ele depositava um beijo casto em seus lábios.
— Você vai se atrasar, Kent.
Ele suspirou e beijou a mão dela.
— Ok, Sra. Kent.
Antes que ela pudesse se afastar ele beijou seus lábios, afoito.
— Eu amo você.
Sussurrou para ela enquanto a mesma abraçou seu corpo.
— Eu te amo mais, Kent. Você precisa ir!

X

Oito anos antes.

A mulher sorriu e Clark engoliu a seco. Superman?
— Eu sonho com você há 15 anos. Não há como negar.
— Sonha?
— Hmm, sensações, sentimentos… Consigo sentir algumas coisas no ar – explicou com as mãos ao mesmo tempo em que o encarava – Você é realmente à prova de balas? Sempre fiquei com medo por você e ficava imaginando se estava bem depois de todos aqueles noticiários.
— Calma, calma… Você é?
– sorriu de novo, encostando o queixo na mão – Rápido demais? Desculpe. Eu espero esse encontro há mais de 10 anos, Kent. Não consegui conter minha animação.
Ela explicou com os olhos fixos em si, suspirando.
— Eu sinto muito. Queria que fosse algo menos estranho, mas estava excitada demais para te conhecer, de verdade.
Clark franziu o cenho para ela, cujo coração batia forte. Ele conseguia ouvir perfeitamente a batida nervosa enquanto a mesma mexia a colher na xícara.
— O que você é?
— Eu não sei. Acho que vamos nos chamar de pessoas fora do comum – ela deu de ombros, enquanto o encarou – Aliás, você gosta da Srta. Lane?
— Como?
— Eu gostaria de saber se tenho alguma chance com você, Clark.
— E porque você ia querer algo comigo?
Mesmo que ele mil vezes mais rápido que ela, a garota se aproximou e sorriu em câmera lenta, como diria Clark, enquanto sussurrou próximo da boca dele.
Porque eu já estou completamente apaixonada por você.
E naquele momento entrou em sua vida.

— Vamos, meu super boy.
— Papai, eu quero ir voando.
— Se sua mãe souber que fomos voando, nós dormiremos no quintal. E mesmo que seja divertido eu não tenho mais idade para isso, Levi.
Avisou e brincou com o filho enquanto o menino ria, o colocando na cadeira infantil e puxando o nariz dele ao mesmo tempo em que Levi disse.
— A mamãe disse para o papai não ir pela rua de sempre, então iremos pegar trânsito e atrasar. Ela disse que não quer você voando com o carro por .
— Sua mãe sabe muito bem como não atrasar o dia.
Murmurou Clark com um sorriso enquanto Levi riu em animação, a mesma risada que soltava quando estava animada.
E a lembrança de um dia chuvoso veio.

Oito anos antes.

era estranha.
Ela sempre tinha um jeito atrevido e totalmente diferente das pessoas com quem cruzara em sua vida.
A mulher era uma pessoa fora do comum e com tempo livre demais na opinião de Clark, mas quem diria que ela seria uma escritora famosa de ficção e também fotógrafa famosa que trabalhou em revistas e fez diversos ensaios em New York? Agora uma das editoras do Profeta Diário, entregando a sobrinha para ele de forma natural e com um sorriso misterioso no rosto.
— Hoje vai chover.
— A previsão do tempo disse que não.
— Só pega, Kent. Apenas pegue.
A mulher suspirou enquanto se afastou dele, indo na direção aposta. Clark franziu o cenho com a mulher ao mesmo tempo em que o som da chuva do lado de fora soou.
— Ah, a previsão disse tempo limpo. Eu não trouxe a minha sobrinha.
A voz do colega soou enquanto Kent encarou a sobrinha. Será que ela pensa que sou tão frágil assim? Enquanto a mulher encarava a chuva com um franzido singular de cenho, e tremendo ao ouvir o som do trovão.
Clark a encarava de longe como se ela o temesse ele, era única, seu senso artístico era fora do comum e os comentários soavam pela boca dos colegas, porém havia malícia ali.
era estrangeira apesar de ser tão sociável quanto qualquer um ali, ninguém se atrevia a se aproximar mais.
Era uma defesa como se ela guardasse um segredo terrível e Clark percebeu quando a mesma se sentou no sofá da staff e fingiu adormecer.
— Você está bem?
A garota sorriu para ele enquanto seus olhos verdes estavam fixos em si, analisando cara traço do então herói.
Hmm, eu estou com medo.
— Pelo que?
Você.
Ela apenas suspirou enquanto encarava a chuva. Clark percebeu que estava nervosa.
— Não diga nada.
— Eu…
— Se for o meu destino, está tudo bem.
— Eu não quero.
Sua voz soou fraca e Clark percebeu então o estrondo ao longe enquanto ela suspirou.
— Vai. Pessoas precisam de você, Superman. Mas volte, por favor.
O som de sua voz parecia mortificado e Clark sorriu para ela.
— Eu sou o Superman, lembra?
Ela deu uma risada animada e depositou um beijo inocente no rosto dele.
— Vai.
Ele sorriu enquanto a mesma deu um aceno com mão, sussurrando.
— Volte em segurança.
Segurança? Ele era um dos super-heróis mais poderosos do planeta. Clark pensava que era uma pessoa cautelosa demais, mas a mulher temia por ele e pela vida dele.
Temia que jamais pudesse voltar. Clark cumpriu o dever como protetor da terra e retornou ao seu apartamento naquela noite.
estava deitada na porta com uma sacola de remédios e comida. O quão estranha e ao mesmo tempo fofa ela poderia ser naquele segundo.

X
— Papai, tchau.
O menino deu um aceno animado e Clark sorriu. As pessoas o encaravam enquanto Kent pegava seu carro.
Lois aguardava lado a lado de sua própria filha enquanto o marido da então repórter dava um aceno para ela.
— Vamos, Kent.
— Oi, Emily. Levi já está lá dentro.
— Tchau, tio Clark. Tchau, mamãe.
Lois apenas entrou no carro do parceiro de trabalho.
— Como você pode ter uma criança tão bonitinha, Lane?
— Oh, olha quem fala. Você teve o Levi com a e ele é todo bonitinho. Falando nela, como está indo o livro?
— Ela falou algo sobre terminar essa semana.
— Então ela vai voltar depois da licença?
— Quem sabe? – riu enquanto Lois bufou – O quê? Está preocupada que ela não volte?
— Ah, eu quero minha melhor redatora de volta. Ela me entende ao invés daqueles idiotas e eu não acredito que ela entrou em forma dois meses depois de ter a Ivy. Como ela conseguiu? Eu, depois da Emily, estava uns dez quilos acima do peso.
— Se chama alimentação saudável, Lane.
— Oh, aqueles troços que vocês comem? Não, obrigada.
Clark riu enquanto Lois sorriu para ele, em seguida suspirando.
— Eu quero minha de volta. Não aguento mais sem ela.
— Se eu não te conhecesse, diria que tá apaixonada pela minha mulher.
— E quem não seria? Se não fosse apaixonada pelo Michael eu teria roubado a de você.
Clark riu e dirigiu pelo caminho até o trabalho.
— Eu não deixaria.
— Oh, sei.
A mulher riu enquanto Clark revirava os olhos com os atos de Lois e sua esposa.

X

Oito anos antes.

A dor nos músculos era um incômodo ao qual ele conseguia lidar.
Não era de aço como muitos diziam. Clark se jogou no sofá e pensou que poderia ignorar a fome, mas precisava comer algo, porém, antes que pudesse pensar em qualquer coisa a campainha tocou.
A mulher estava atrás de quatro pizzas e suspirou enquanto encarava a cara de cansaço dele e o sorriso mínimo que tentou reproduzir para ela. Então soltou uma de suas pérolas.
— Meu Deus, você está horrível. Parece até que bebeu!
— É bom te ver também, .
A mulher estava há quase seis meses em sua vida e o cuidava de certa forma. Se tornaram amigos próximos mesmo com a estranha e dinâmica amizade que possuíam. Ela trazia um saco com algo coisa que ele supôs ser cerveja.
Ela ainda tentava o embebedar, mas se frustrava com o metabolismo do herói.
— Fome?
— Como sempre você sabe do que eu gosto.
— Apesar de ser ótima prevendo as coisas, é fácil saber quando você pula as refeições, Kent. E além disso, uma pizza faz bem, sabe? Então podemos comer?
— Stalker.
— Ih, não faço mais – ela disse em tom emburrado enquanto Clark ria. A mulher estava na frente de seu apartamento com quatro caixas de pizza – Se não quiser eu retiro as pizzas e como por mim mesma.
, entra. E obrigado.
Clark a encarou e apesar dos meses estranhos a mulher havia se tornado alguém próximo para ele compartilhar suas próprias dores. Enquanto a mesma servia o suco para si e entrava um whisky envelhecido para ele.
— Eu já disse que não fico bêbado.
— Por Deus, Kent. Apenas beba e depois te dou suco de laranja. E então, foi difícil hoje, não é?
— Nada fora do comum.
— E o Batman? Ele é um cara legal?
— Você deve saber a verdadeira identidade dele, não é?
riu e entregou um prato com pizza para ele, mordendo a própria pizza e sorrindo.
— Oh! Não vamos entrar em detalhes. Se machucou?
— Eu estou bem e inteiro. Pare de se preocupar.
— Oh! Então não precisa disso? – questionou e Clark percebeu uma pomada para dores musculares nas mãos dela – Sabe, você não é tão invencível assim.
— Você é impossível, . Mas obrigado.
A mulher sorriu enquanto mordia a pizza.
— E você e a Srta. Lane? Progresso?
— Eu achei que fosse apaixonada por mim.
— Eu sou. Completamente… – ela disse seriamente e encarou-o com um suspiro – Mas se você e ela se gostam eu só posso desejar felicidades, certo?
Clark Kent sabia o motivo de achar estranha. Ela era boa demais. A mesma mordeu a própria pizza e encarou-o, que franzia o cenho para ela.
— Tem algo no meu rosto?
— Sim. Tem.
A mulher passou as mãos no rosto e Clark se aproximou e beijou o nariz dela, fazendo-a corar.
— Ei, eu não…!
— Não viu isso acontecer?
— Meus poderes não funcionam assim, ok?
Ela disse em constrangimento e percebeu que Clark Kent riu. O homem de aço puxou o nariz dela, notando a garota ficar mais vermelha ainda. Então ele a beijou delicadamente nos lábios, o primeiro de muitos beijos. Um sussurro escapou dos lábios dele.
— Eu também sou apaixonado por você.

X

Sete anos antes.

— E se ela disser não?
— Pelo amor de Deus, Clark. Nós já estamos aqui, não é?
Bruce Wayne estava impaciente enquanto ambos desciam da nave, o anel pesando nas mãos de Clark, que havia tido uma missão fora da terra e passou várias semanas longe de , decidindo pedí-la em casamento.
A torre da liga estava repleta de pessoas e Clark respirou fundo quando percebeu uma pessoa batendo o pé, impaciente lado a lado de Diana, parecendo nervosa demais.
Ele reconhecia aquela impaciência.
— Finalmente!
A voz soava nervosa e ela se jogou em seus braços. tremia enquanto o abraçava forte, inalando o perfume do qual sentira falta naquelas semanas.
. Como…?
— Eu mandei buscá-la. Você estava abrindo um buraco na nave para chegamos aqui.
Bruce disse em tom seco enquanto o encarou séria por um segundo, os olhos verdes analisando o rosto coberto pela máscara.
— Ah, é ele?
.
— Ele realmente devia dizer a verdade sobre seus sentimentos para… – Clark segurou a boca dela – Eh, o que é isso na sua mão?
— Seu anel de casamento.
— Ah, então por isso você estava indeciso! – ela disse em tom sério enquanto o encarou com uma sobrancelha arqueada – Eu quero ele como nosso padrinho de casamento. E então, quando vamos contar a sua mãe?
Sorriu animada e Clark Kent riu, beijando o topo da cabeça dela.
— Agora.

Clark Kent teve um dia tranquilo e corrido no trabalho, por alguma razão havia esquecido seu próprio aniversário e foi lembrando pelos colegas, que lhe deram algumas lembranças.
devia ter esquecido também, pois o deixou no trabalho e pegou a sobrinha enquanto os respingos de chuva caiam sobre sua cabeça.
Porém, ele percebeu as três figuras paradas no local. Ivy estava na cesta enquanto Levi acenava para ele e sorria em sua direção.
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Eu, Levi e Ivy decidimos ter levar para jantar. Afinal, é o seu aniversário, querido. Você achou mesmo que eu tinha esquecido, certo? Sua mãe te desejou um feliz aniversário e disse que vai ligar mais tarde e para não se sobrecarregar de trabalho. Bruce mandou seu presente também, mas deixei em casa com o restante.
— E o que vocês pensaram para hoje?
— Pizza! – Levi e disseram ao mesmo tempo e o garoto pulou nele enquanto continuou – Eu vim sem carro, então vamos?
Ela estendeu a mão e Clark riu, tocando na cabeça dela.
— Mas é claro, Sra. Kent.
Beijou os lábios da esposa enquanto ria.
— Feliz aniversário, querido.

Fim.
 

Nota da autora: Quando comecei a escrever era um plot totalmente diferente do que eu tinha planejado, afinal, quem não quer o Superman na vida, certo? Então eu espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu.
With love,
Lysse.