The First Day Of Summer

The First Day Of Summer

  • Por: Gabbevii
  • Categoria: Especiais | Verão
  • Palavras: 6913
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Sinopse: Para a alegria daquela garota, o primeiro dia de sua estação favorita seria comemorado na confraternização anual da empresa de seu pai. Herdeira de uma das maiores gravadoras do país, ela sentia uma necessidade curiosa de aparecer nessa festa, mesmo que as circunstâncias não estivessem propícias a ela. Algo lhe dizia que aquela festa traria algo importante para a sua vida e não apenas porque seu Dad lhe apresentaria os novos artistas contratados. Ela gostava de viver momentos intensos e talvez aquela noite fosse um deles. Ela só não esperava era que aquela noite,  traria algo que ela nunca havia imaginado. Ou seria melhor dizer, alguém?
Devia admitir que ela amava o verão porque era uma estação que sempre trazia consigo muitas novidades e surpresas. Sempre havia algo novo e intenso. Pra sua alegria, aquele era apenas o primeiro dia.
Gênero:
Romance
Classificação: 14 anos
Fandom: Shawn Mendes
Restrição: Essa fic é um crossover com The Other Side of First Day of Summer da K.Moura, que também faz parte desse Especial de Verão.
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

Ser jovem apaixonada por viver coisas intensas, talvez fosse a definição perfeita para . A garota, no auge dos seus vinte e dois anos, podia afirmar que aproveitar as pequenas coisas, era com ela mesma. Por isso, quando acordou aquela manhã, jamais imaginou que estava prestes a dar início ao melhor verão de sua vida.
A primeira coisa que a garota notou quando abriu os olhos, foram os raios de sol saindo pelas frestas de sua cortina. Ao julgar pelo horário – bem cedo – e pelo calor que emanava da janela, certamente sabia que o primeiro dia do verão brasileiro estava perto. sorriu, pois aquela era sua estação favorita do ano – afinal, todas as boas histórias de amor aconteceram durante o verão – desceu as escadas de sua casa preparada para tomar seu café quando seu celular tocou. O nome de seu pai brilhava na tela do aparelho e ela tinha o breve sentimento de já saber do que se tratava mesmo antes de atender.
— Oi pai. – Cumprimentou o mais velho da família , enquanto se direcionava a cozinha na manhã de sábado.
— Oi filha, como está? – O tom dele era animado e ela sorriu. Adorava a animação do mais velho.
— Bem e você? – Ligou a cafeteira e se dirigiu para o armário em busca de algo que pudesse preparar.
— Estou bem. – Houve uma breve pausa onde ele respondeu à pergunta de alguém, algo sobre ele preferir gin Nordés ao invés do Beg – Bom, eu tenho algumas coisas para fazer hoje, mas queria falar sobre algo com você. – Ele iniciou.
— Deixe-me adivinhar: a festa da gravadora, certo? – Questionou e o ouviu rir fraco – Pai, eu sei que é amanhã e sim eu vou. Já é terceira vez essa semana que você me liga para falar disso. – A menina riu porque aquela mania de repetição de Daniel era no mínimo engraçada.
— Ok, entendi. É que estou animado com isso e realmente quero que conheça os dois novos artistas que fecharam conosco. Você sabe , quando eu me aposentar a empresa vai ficar com você e eu queria que você estivesse por dentro dos negócios. Seu pai já está velho e querendo descanso. Criar uma garota elétrica como você levou toda a minha energia embora. – Brincou e riu.
— Sem exageros. Eu sempre fui boazinha. – Murmurou e foi a vez de Daniel rir – Mas fique tranquilo, eu vou estar lá. – Afirmou e ele pareceu aliviado.
— Tudo bem. A vem com você? – Ele questionou se referindo a melhor amiga da garota que ele sabia, onde uma ia a outra estava, desde de quando eram adolescentes.
— Sim, ela vai passar aqui em casa e nós vamos. Chegamos aí amanhã por volta das dez horas, pode deixar os quartos arrumados. – Informou.
— Sim senhorita. Mais alguma coisa que posso fazer? – Ele brincou e a garota riu.
— Por enquanto não, mas meu assistente vai te mandar minha lista de exigências. – Ela informou e o homem riu.
— Eu criei um monstro.
(…)

Na manhã seguinte chegou, como de costume, cinco minutos depois do horário combinado. Com certeza o problema dela com horários era patológico, por que a menina não conseguia, nunca, chegar no horário marcado. Porém após anos de convivência havia aprendido que deveria marcar com ela sempre meia hora antes do horário que pretendia sair.
Jogou sua mochila no banco de trás do jeep da amiga e logo entrou a cumprimentando. deu a partida no veículo e logo estava escolhendo uma playlist aleatória para tocar.
— Qual é a dessa festa do seu pai? – questionou com os olhos na estrada.
— É um tipo de confraternização. Acontece todos os anos no primeiro dia de verão. – A garota que dirigia tirou seus olhos do caminho brevemente encarando a amiga com confusão e em seguida voltando sua atenção para onde devia – Nem adianta me perguntar. Eu não faço ideia do por que esse dia, só sei que é todo ano assim. – informou e fez a nota mental de perguntar a Daniel o porquê daquilo, já que era curiosa e não sabia se conter.
— E ele te disse quem sãos os tais dois artistas que fecharam com ele?
— Não, só me disse que quer muito que eu os conheça. – levantou uma das mãos demonstrando sua indignação.
— Seu pai é muito cheio dos segredos para o meu gosto. – A garota murmurou e riu alto.
— Ou você que é curiosa demais. – Acrescentou e viu a garota fazer um bico.
(…)
A festa havia começado próximo ao final da tarde e até aquele momento os dois convidados do pai de não haviam chego. A festa estava bem animada, cheia de gente da gravadora, com comida, bebida e música. Por todo o lugar as pessoas comprovaram que Daniel sabia dar uma festa.
e estavam sentadas à beira da piscina com seus pés na água fresca. O verão podia até ter começado naquele dia, mas o calor já castigava e muito mesmo estando próximo do início da noite. Uma música eletrônica animada tocava lá dentro onde pessoas pulavam e dançavam enquanto as duas conversavam sobre algo que havia visto.
— Eu vou pegar um mojito, quer alguma coisa? – perguntou e pensou por um momento.
— Caipirinha. – Pediu e assentiu.
— Já volto. – Informou e se foi, se enfiando no meio das pessoas até chegar no bar.
Pediu as duas bebidas para o barman e aguardou observando as pessoas ali. Havia algo que não podia negar: seu pai era um bom chefe. Fazia de tudo pelos funcionários e havia construído o que tinha com todo esforço e amor possíveis. Ele amava a gravadora e desde sempre deixava claro o quanto queria que ela se mantivesse na família .
Depois de minutos esperando o mesmo barman deixou dois copos médios sobre a bancada e sorriu agradecida, se dirigindo com cuidado para fora do local. Ela nem havia demorado tanto, mas a cena com a qual se deparou foi de uma encharcada e tossindo enquanto um rapaz – também encharcado – segurava suas costas e tirava seus cabelos do rosto. Ela estava no chão ao lado da piscina e não precisou de mais nada para constatar o que havia acontecido. Ela havia caído na grande piscina.
! – gritou se aproximando da amiga e deixando as bebidas no chão quando se abaixou — Ai meu deus, eu só fui pegar uma bebida e você quase morre afogada? – Questionou abanando a amiga que agora havia parado de tossir.
— Está tudo bem, foi muito rápido. – explicou — E depois que ele se tocou que eu não sabia nadar, pulou lá. – Ela apontou o rapaz e só então o encarou. Ele tinha o cenho franzido como quem não entende nada do que elas diziam. Tinha olhos e cabelos castanhos e a pele branca indicava que pouquíssimas vezes ele saia ao sol. Era um cara bonito e trazia a a sensação de já tê-lo visto antes.
— Obrigada. – Ela soltou em um sussurro e ele torceu os lábios confuso.
— Desculpa, eu não falo sua língua. – Ele soltou em um inglês perfeito e ali ela entendeu por que ele parecia confuso, era por que não entendia nada.
— Ah, certo. Bom, eu disse obrigada. – respondeu em inglês e ele sorriu aliviado por ela falar o idioma dele.
— Por nada, de todo modo foi minha culpa. Eu esbarrei nela sem querer. – Ele mordeu o lábio e o encarou como se estivesse hipnotizada.
— Está tudo bem. – foi quem respondeu e notou que lhe lançava um olhar esquisito, assim como para ele — Eu vou me trocar, de todo modo. – informou e ambos os outros dois a ajudaram a se levantar.
— Quer que eu vá com você? – questionou se abaixando para pegar os copos.
— Não. – negou com a cabeça pegando sua caipirinha — Fique aí babando no carinha. – Ela declarou em português e lhe lançou um olhar feio. Talvez estivesse certa é realmente estivesse babando no carinha, mas mesmo se ela estivesse, provavelmente ele não estaria.
Não enche. – murmurou e apenas levantou seu copo já de costas e seguiu pela lateral da casa para ter acesso aos quartos sem precisar passar por dentro da festa. voltou seu olhar para o rapaz e ele a encarava, e aquilo fez com que ela corasse levemente. Ficaram um tempo em silêncio.
— Hum… Eu acho que vou trocar essa roupa também e já volto. – O rapaz informou despertando-os e assentiu.
— Tudo bem. – Ela sorriu simpática e ele assentiu indo em direção a casa, mas sem deixar de dar uma última olhada para trás.
se sentou em uma cadeira que havia ali em uma mesa de quatro lugares e puxou o líquido de seu copo pelo canudo tentando forçar sua mente a parar de pensar nos olhos castanhos do rapaz, mas passou longos minutos os vendo e divagando.
— Com licença. – Uma voz soou próxima a ela com um sotaque carregado e assim como o outro rapaz, não era a língua falada naquele país – Desculpa incomodar, mas você viu um cara bem alto, de camisa vermelha florida? – Ele questionou e sabia quem era. Não dava para confundir, afinal o rapaz que havia derrubado na piscina era realmente muito alto.
— Ele estava aqui agora a pouco, mas foi trocar de roupa. – Informou e viu a sobrancelha de seu acompanhante se levantar em confusão — Ele se jogou na piscina para ajudar minha amiga, por isso foi trocar de roupa. – Ela informou e ele assentiu — Se quiser se sentar aqui para esperar… – ela deixou a frase solta e o rapaz assentiu. Tomou a cadeira esquerda da menina e deixou um copo alto ao centro, se virando para em seguida e lhe estendendo a mão.
— Prazer, meu nome é Niall. – Se apresentou e apesar de o nome ressoar conhecido em suas orelhas, ela apenas segurou a mão dele e a balançou.
, mas pode me chamar de . – Ela se apresentou e ele sorriu fraco.
— Ei, você já fez outro amigo. – A voz de soou meio longe e se virou para encará-la. A menina sorria e assim que parou na mesa deixou seu olhar no garoto.
notou ela fazer cara de dúvida por um momento e encarou Niall que parecia meio abobado olhando .
— Oi. – sorriu pequeno e Niall pareceu despertar. Levou sua mão sob a mesa para lhe entregar a , mas acabou por esbarrar no copo grande e cheio que estava reservado para seu amigo e o mesmo caiu sob a mesa. O líquido atingiu tão rapidamente que ela nem teve tempo para reagir, quando notou parte de sua blusa estava respingada e suas pernas estavam encharcadas pelo líquido, que ela descobriu ser apenas suco, aparentemente.
— Aí droga, me desculpa. – Niall tinha os olhos arregalados e encarava a amiga assustada a princípio. Niall estava vermelho de vergonha e se mantinha meio perplexa.
tapou a boca prendendo uma risada, mas logo o olhar dos outros dois estava sobre ela, enquanto os olhos dela marejaram em uma imensa vontade de rir alto. queria se manter séria, mas quando os ombros de subiram indicando a risada que estava escapando a própria garota não conseguiu se conter e naquele momento foi que riu alto.
Ai, me desculpa amiga, mas esse tipo de coisa só acontece com você. – Ela murmurou em português deixando o rapaz confuso enquanto ria junto das amigas que riam alto.
— É , nós sabemos que sim. Vou até o quarto me trocar. – Informou em inglês para que o outro não ficasse confuso e começou a caminhar para dentro deixando os dois sozinhos. Passou pelas pessoas e logo estava na escada que dava acesso ao quarto onde suas coisas estavam. Assim que alcançou o corredor deu de cara com o garoto que havia ajudado enquanto ele fechava o botão da camisa preta. Ela tentou desviar o caminho para que ele não a percebesse, mas logo o sorriso do rapaz a fez parar. Ele vinha em sua direção e a veria suja de suco.
— Mais alguém caiu na piscina? – Ele questionou rindo fraco e o acompanhou.
— Não, seu amigo derrubou seu suco em mim, então te aconselho a passar pelo bar e pedir outro. – O rapaz franziu o cenho.
— Niall? – assentiu e ele negou com a cabeça — Niall só me envergonha. – Informou e gargalhou.
— Não diga isso. Pessoas desastradas só são incompreendidas. – Informou e foi a vez de ele gargalhar. Aquilo novamente lhe pareceu conhecido.
— Devo concluir que você é a parte desastrada da relação? – Ele questionou e corou.
— É, sim, se eu estivesse em uma sim, mas não estou, estou solteira e… – quando ela viu o menino prender o riso ela notou do que ele falava. Droga, por que estou toda desconcertada assim? — Ah, você está falando da , certo? Da nossa amizade? – Ele assentiu e sentiu seu rosto esquentar. É claro que era sobre isso . Agora ficou parecendo que você estava se jogando para cima dele. Pensou. — Certo, eu vou trocar de roupa e aproveitar para morrer de vergonha ali no cantinho. – Ela apontou com o polegar e ele riu enquanto ela já se afastava.
— Ei… – ele chamou e ela o encarou prendendo a respiração — Foi bom saber disso, de todo modo. – Ele respondeu corando e ela pressionou os lábios um contra o outro assentindo — Hum… Eu sou Shawn, a propósito. – Ele mexeu nos cabelos meio sem jeito e sorriu fraco.
, mas pode me chamar de . – Acenou e ele assentiu.
— Certo, . Te vejo daqui a pouco. – E dito isso Shawn deu passos lentos em direção a escadas e enfiou as mãos nos bolsos, enquanto deixava o sorriso se abrir em seus lábios. Quando a imagem alta do rapaz sumiu ela ficou repassando aquele momento em sua cabeça por algum segundo até o nome dele ecoar em sua mente.
Shawn. Era claro que era ele, como havia deixado passar assim? Ele não tinha um rosto comum e também, quem mais no mundo era alto daquele jeito?
Ela havia acabado de conhecer Shawn Mendes, toda suja de suco e havia deixado claro que estava solteira mesmo que sem querer. E aparentemente ele havia flertado com ela. Não havia como aquilo estar acontecendo. Havia?
É, sim, havia. concluiu que talvez ela fosse uma das pessoas mais sortudas do mundo – ou a mais azarada-, e ficou pensando no acontecido durante todo tempo em que se trocava.
Ela não sabia o porquê daquela reação. Entendia quem ele era agora e era isso que a havia deixado tão curiosa, não era? Por isso falou tanta merda, não foi? De qualquer maneira, a festa da gravadora de seu pai sempre recebia convidados importantes e provavelmente ele era um deles, apenas isso. Então, porque raio estava pensando tanto em Shawn Mendes? Algo ali cheirava muito podre e não estava gostando nada daquilo, porque tudo que era desconhecido assustava a garota e apesar de conhecer suas músicas, ela não sabia nada sobre Mendes.
Quando estava pronta, se deu o último trabalho de olhar no espelho e verificando se tudo estava de acordo, saiu de seu quarto para o andar de baixo, parando apenas para observar algo curioso ao final da escada. apertou o olhar na esperança de ver melhor e a poucos metros de distância, confirmou que seu pai estava acompanhado do garoto que não saia de seus pensamentos. respirou fundo. Shawn estava ao lado de seu pai que conversava com ele animadamente em seu inglês perfeito que a garota teve a sorte de herdar. parou e piscou algumas vezes, resolvendo se devia prosseguir até seu pai ou continuar onde estava. Por alguma razão, ela queria evitar olhar novamente para Mendes.
— Você está aí! – suspirou ao perceber a voz de seu pai. Ela sorriu para o mais velho e ele estendeu o braço indicando que a filha se aproximasse. deu passos lentos até os dois xingava mentalmente seu pai. E quando chegou lá, não pode deixar de notar a expressão que Shawn fazia – era um misto de confusão e um certo interesse – e ela sabia exatamente o porquê. Seu pai já devia ter falado de sua vida inteira ao garoto. Droga. Aquilo foi o suficiente para que ficar inteiramente vermelha de vergonha.
— Hey. – Se esforçou para parecer normal e simpática, tentando ao máximo fugir do olhar do garoto, tanto pelo episódio anterior quanto por temer o que Daniel tinha falado. A tentativa da garota, porém, foi estragada quando seu pai se apressou para apresentar – novamente – os dois jovens.
— Querida, lembra que eu havia falado sobre novas parcerias? – mordeu o lábio inferior e concordou com a cabeça. — Ótimo. Bem, esse é um dos dois grandes nomes que fechamos contrato. – Ok, por essa não esperava. Permaneceu estática – será que teria que conviver com o garoto por mais tempo? -. Daniel sorriu largo e Shawn observava a reação de curioso. — , esse é Shawn Mendes. Shawn, essa é minha filha, . – o cantor arqueou a sobrancelha e em um gesto de educação frente ao pai de , estendeu a mão para ela. Era hora de a garota agir.
— É um prazer revê-lo. – sorriu voltando a realidade e cumprimentando. Seu pai arqueou a sobrancelha.
— Vocês já se conheciam? – Perguntou para filha que sorriu murmurando as palavras “É claro, pai”. — Ah. Isso é novo para mim. – Comentou rindo. — Mas continua sendo ótimo. Sendo assim, acho que está na hora do coroa deixar os jovens aproveitarem e deixar que se conheçam mais. Já que passaram muito tempo juntos quando você herdar a empresa.
Daniel deu uma piscadela para filha e levantou o copo em sinal de cumprimento para os dois antes de se distanciar e ir em direção a outros convidados da festa. ficou alguns segundos olhando para o chão enquanto mexia os pés em uma demonstração clara de que ela ficava um pouco nervosa perto de Mendes. Na verdade, ela não era a única a estar daquele jeito. Em um momento raro da vida de Shawn, ele também havia ficado nervoso na presença de alguém.
— Então, como você está? – Para surpresa de , Shawn havia quebrado o silêncio entre os dois. A garota fixou o olhar no moreno, pensando no que iria falar.
— Menos molhada. – Arregalou os olhos. Merda. — Quer dizer, por causa do suco, não em outro sentido, você sab… – estava falando merda novamente e dessa vez ela com certeza gostaria de se enfiar em um buraco. Começou a se explicar cada vez mais na tentativa “amenizar” o que havia falado, só que tinha certeza que estava piorando a situação cada vez mais e Shawn provavelmente fugiria da garota agora mesmo. Porém, a reação de Shawn não foi nada parecido com aquilo. Ele segurou gentilmente suas mãos e sorriu para ela. soube no exato momento, o porque sentia como se como se as paredes estivessem desmoronando em cima deles. Sabia porque fugia de Mendes, era porque seu sorriso era o mais lindo que ela já havia visto na vida.
, olha para mim. – Shawn suavizou sua voz e a garota respirou fundo olhando fixo para seus olhos.- Está tudo bem, eu entendi. Você não precisar se explicar. – Mendes sorriu novamente. paralisou mordendo o lábio, se fosse qualquer outra pessoa agora, estaria zoando ela. Mas Shawn não, e aquilo era no mínimo a coisa mais fofa do mundo.
— Desculpa, eu normalmente não sou assim. – disse e Shawn concordou com a cabeça, sem nenhum dos dois notarem que ainda estavam de mãos dadas. — Não sei porque, mas eu falo um pouco demais perto de você.
— É, não dá para evitar. – Comentou o garoto. — Isso é mais forte que você.
— Claro que é. – gargalhou e Mendes não sabia lidar com aquele riso gostoso. Agora, próximo de , ele sequer pode acreditar que havia cogitado não vir até a festa mais cedo. Um pouco mais descontraídos, os dois soltaram as mãos e rumaram para encontrar seus quase esquecidos amigos. A noite já cobria o céu e Shawn se admirou com quantidade de estrelas que o cobriam. Resolveu interagir mais com a garota.
— O céu aqui é sempre assim? – Questionou e tirou de seu transe.
— Como? – Perguntou confusa.
— Se o céu é sempre iluminado assim. – Apontou para as estrelas.
— Ah! De onde estamos, sim. – Comentou sorridente enquanto caminhamos. — Eu gosto desse lugar exatamente por isso. Se estivéssemos onde eu moro, jamais conseguiríamos essa imagem.
— Então, acho que prefiro ficar com você aqui. – Sorri sem se dar conta no que havia falado. mordeu o lábio. Do que ele estava falando?
— Então, senhorita filha do meu novo chefe. Pensa em seguir a carreira de seu pai? – arqueou a sobrancelha e pensou um pouco.
— Isso é pouco provável. – Respondeu finalmente trazendo um misto de surpresa e curiosidade ao garoto. — Quero dizer, isso tudo é fascinante, não é? – Continuou se referindo a vida que o pai tinha. Dava passos lentos e Shawn se esforçou para acompanhá-la no mesmo ritmo. — E não é para menos, digo, quem não gostaria de ter uma carreira já pré planejada…
— Deixa eu adivinhar… você? – Supôs e a garota piscou para ele.
— Corretíssimo. – sorriu. — Não entenda mal. Não pense que estou sendo ingrata nem nada… mas eu só queria poder pensar sozinha em meu futuro e sei lá, deixar as coisas acontecerem. Passar por erros e acertos como a maioria das pessoas. – Falava empolgada e Mendes a observava atento. — Você sabe… fazer algo de que goste, que você seja bom o suficiente para conseguir mudar alguma coisa, fazer a diferença, entende?
— Você quer dizer “mudar o mundo”?
— É. Não. Quero dizer, isso soa muito complexo. – Pensou quando pararam frente um para o outro. não se sentia mais tão constrangida estando próxima de Mendes. — Quem sabe não o mundo inteiro, mas só um pouquinho ao nosso redor. – falou e Mendes concordou com a cabeça. — Eu ainda não sei o que quero fazer, só não quero decepcionar meu pai nem deixar que ele decida meu futuro por mim.
Os dois permaneceram em silêncio como se absorvessem tudo o que havia falado, depois começaram rir em voz baixa.
— Isso foi interessante. – falou Shawn. — Quero dizer, é a primeira vez que vejo alguém pensar da maneira como você pensa e não “se entregar” para aquilo que querem, – sorriu. — Você parece bem segura com isso.
— Segura? Eu estou morrendo de medo.
Shawn sorriu, o pensamento de era o mais doido e incrível que ele havia visto. A garota também não se deixava perder, ela tinha um jeito que Shawn só pode supor como sendo o jeito brasileiro de ser. Era delicada, engraçada e dona de um humor genial.
Juntos, os dois caminhavam pelo jardim até a piscina, continuando uma conversa descontraída e antes que alcançassem o lugar que haviam deixado seus amigos, se depararam com um cena extremamente interessante.
— Eu sempre soube. – Shawn berrou para o amigo e piscou duas vezes até notar o que estava acontecendo.
Mendes e observaram comemorar com algumas pessoas ao seu redor. A mesa fixada ao centro das pessoas, indica nitidamente que um jogo havia acabado de rolar ali. Shawn andou até o amigo que bebia um copo grande de cerveja, desviando de algumas pessoas que cercavam Niall com um sorriso tão desagradável quanto o que ele fazia enquanto bebia. Assim que deu o último gole, se virou para Mendes.
— Não sabia que eu era tão ruim nisso. – Niall resmungou para Shawn que bateu nas costas do amigo em apoio.
— Talvez ela que seja boa demais. – Mendes apontou para a garota que vinha até os dois com sorridente ao seu lado.
— Ela enganou você. – informou recebendo um estirar de língua de enquanto Shawn e Niall franziam o cenho – Ela sempre ganha no beer pong. Invicta. – Niall abriu a boca incrédulo.
— Golpe baixo com alguém tão inexperiente quanto eu. -Niall murmurou fazendo um bico e apertou suas bochechas suavemente.
— Pare de reclamar coisa fofa. – Afetou a voz e gargalhou com a reação do rapaz, levando uma olhada feroz da amiga. — Vem, vamos até o bar. – Mencionou ao irlandês. — Quero que conheças um drink chamado caipirinha.
— Vai me deixar? – perguntou a , que começava a arrastar Niall para longe, parando frente a amiga.
— Você contou meu segredo. – Ela soltou a mão do irlandês que nem notou que havia segurado – Agora estou de greve de você. – fechou a cara e tentou não rir. Os rapazes tiveram certeza que aquilo era um tipo de piada interna e logo estava tomando a mão de Niall e seguindo na direção do bar. Niall apenas informou que logo voltaria, apesar de saber que Shawn estava em boa companhia, o moreno acenou com a cabeça concordando. Gostava de Niall estar se enturmando e vê-lo se divertindo com alguém tão engraçada como , deixava Mendes feliz pelo amigo.
— Você é uma amiga horrível. – berrou para e fingiu se “emburrar”. virou a cabeça para trás antes de gritar em resposta “Não reclame, você está em ótima companhia”, mandando um beijinho no ar para a amiga.
Shawn observava sorrindo para distante, tendo certeza de que ela se sentia tão feliz quanto ele por ver a amiga aproveitando a festa. Sem dúvidas era para , o que Niall era pra Shawn e ele sabia que a garota faria qualquer coisa para ver a outra sorrir. Aquilo era a real amizade e Mendes ficou ainda mais contente por estar perto de , pois a garota demonstrou ser incrível nesse pouco tempo.
se virou para Shawn e sorriu ao perceber que ele a observava. Shawn desviou o olhar.
— O que foi? – A garota falou. Mendes havia sido pego.
— O quê? – Perguntou confuso
— Você tem um jeito engraçado de olhar para os outros. – comentou enquanto mexia os pés e olhava para baixo. Shawn corou, reagiu tarde demais.
— Eu só… É que… enfim…estava pensando se vocês são sempre assim. – Gaguejou tentando achar uma desculpa.
— Eu e ? – Perguntou e Mendes concordou com a cabeça. — Às vezes até pior. – Balançou a cabeça sorrindo.
— Se conhecem a muito tempo? – se escorou na mesa do jogo vazia.
— A anos. Ela é como uma irmã que eu nunca tive. – Seus olhos brilharam enquanto falava da amiga. Shawn sorriu, mais um ponto para a garota.
— Niall e eu também. – Foi a primeira resposta que saiu de sua boca. — Quero dizer, somos muito amigos. Saímos o tempo todo e ele é um ótimo ouvinte.
— Ele é a sua pessoa. – mordeu o lábio.
— Como assim? – Perguntou e aquilo fez a garota sorrir largo.
— Veja Grey’s Anatomy. – Piscou. — Depois me diga o que achou e se entendeu.
— Isso é um golpe baixo.- o garoto cutucou o ombro de e ela fez cara de ofendida. — Fazer isso com alguém tão curioso quanto eu. – Pôs a mão sobre o peito. — Por favor, tenha piedade de mim.
— Eu entendi a referência – a garota riu.
— Então…você poderia, por favor, ter piedade, piedade do meu coração? – Fez biquinho.
— Foi mal, Mendes. Mas, nem pensar! – A garota piscou e balançou a cabeça negativamente — Ordens do meu pai despertar curiosidade aos novos contratados. – Mendes imitou a cara que havia feito mais cedo e antes que pudesse responder ela, a música ao fundo chamou sua atenção.
— Hmmm, me parece um sinal divino para dançarmos. – falou para a surpresa de Mendes que escutou um pouco mais a música de olhos fechados. Já fazia um tempo que não ouvia aquela música. Para ser sincero, desde que ele e Camila decidiram findar o relacionamento. Era verdade que foi um término amigável, que já fazia algum tempo e a garota agora estava com outro alguém – ao qual Mendes gostava e apoiava -, mas desde então, não tinha sido forte o suficiente para ouvir aquela música sem lembrar de Camila. Bem, até aquele agora. Shawn deveria confessar que o Brasil estava trazendo surpresas a ele, inclusive aquela vontade louca de dançar Senõrita com . Parecia certo e ele sem dúvidas o faria. Talvez aquela fosse a sua oportunidade.
— Talvez você esteja certa. – Abriu os olhos ao responder , oferecendo sua mão para que ela segurasse logo em seguida. — Vamos?
— Sem dúvidas. – Foi o que conseguiu pronunciar antes de se arrastada para o meio de uma pista improvisada.
Mendes e ficaram frente a frente. se remexia ao ritmo da música olhos fechados, de uma maneira que Shawn achou ser extremamente sexy. Ele não consiga se movimentar de acordo com o ritmo da música pois seus olhos estavam tão vidrados em cada movimento que fazia, que o garoto perdia o totalmente seu rumo. Sentia-se sufocado não só pelo clima brasileiro, mas sim por sentir que deveria fazer algo. Agir rápido.
continuava a se balançar cada vez mais radiante e Shawn só conseguia pensar em quanto queria ficar perto da garota. A pegar pela cintura e acabar com aquela maldita distância. Suas preces foram ouvidas quando alguém passou por trás de , fazendo ela cambalear para frente e se desequilibrar sobre o corpo de Mendes que a segurou agilmente. Com a mão direita firme em suas costas, Shawn esperou alguns segundos até abrir os olhos, e assim que o fez, a garota não pode deixar de notar o olhar que ele lançava sobre ela. mordeu o lábio, estava sentindo coisas por Mendes que Deus saberia que não era certo.
Abaixou o olhar na tentativa falha de mandar os pensamentos embora e quando o encarou outra vez, Mendes mordeu o lábio inferior do mesmo jeito que , fitando milimetricamente sua boca. não fazia menos. Encarava tão firme os lábios do garoto que se alguém a visse, diria estar sendo hipnotizada por Mendes. Sem aguentar tanta distância entre os dois, Shawn se apressou em girar a garota e a pegar pela cintura. Colou seus corpos e sentiu um choque percorrer por cada parte do seu corpo. também não se sentia diferente, pois assim que seus corpos se colaram, ela pode jurar que teria um ataque cardíaco ali mesmo. O que não melhorou nada quando Shawn aproximou os lábios de seu ouvido, sussurrando uma das frases de sua melodia de uma forma tão sedutora que supôs ser um pecado.
I wish I could pretend I didn’t need ya. But every touch is oh, la, la, la. It’s true, la, la, la. – Shawn murmurou causando arrepios pelo corpo inteiro da garota. — Oh, I should be runnin’. Oh, you keep me coming for ya.
Aquilo foi demais para ela. soube no mesmo instante o que deveria fazer. A garota se virou para que ambos ficassem frente a frente novamente e levantou o olhar para Mendes. levou a mão até a sua nuca e viu o garoto fechar os olhos. Mendes não se assustou, pois esperava e queria aquilo tanto quanto a garota. Ela a puxou-o para mais perto, os narizes se encostando, sentindo sua respiração e finalmente uniu seus lábios.
Talvez aquilo fosse errado e estivesse pirando de vez, mas a sensação de estarem tão próximos, com os lábios de Mendes em seus lábios, era quase como familiar. Como se já fizessem aquilo a anos. Os dois não ousaram romper aquele momento. Sabiam que em qualquer instante e Niall voltariam e presenciaram aquela cena, só que eles não estavam nem aí e não pretendiam parar. Eles não podiam se controlar. Não sabiam como descrever aquilo, definir como um misto de sentimos talvez fosse ainda não fosse o suficiente, porque uma sensação eufórica passava por cada parte do corpo dos dois. Mas uma coisa era certa… podia afirmar que beijar Mendes, foi a coisa mais intensa que ela já viveu na vida.
Quando afastaram seus lábios a respiração era acelerada, assim como seus corações que insistiam batucar no peito. A testa de Shawn estava encostada na da garota e nenhum dos dois havia ousado abrir os olhos ainda. Outra música tocava, e eles sequer deram atenção a ela por que naquele momento a atenção deles pertencia apenas uma ao outro e a suas respirações descompassadas.
Se olharam pela primeira vez depois do beijo e não havia vergonha ou falta de jeito um com o outro. Era como se aquilo fosse certo e como se devesse acontecer. entrelaçou seus dedos aos de Shawn e em uma caminhada tranquila os tirou do meio das pessoas, tomando o caminho do jardim. Shawn a acompanhava como se segurar na mão dela e deixá-la guiá-lo fosse algo que fazia a anos. Se sentaram em um banco no jardim onde ninguém os incomodaria e Shawn apenas passou seus braços ao redor da garota já que uma pequena brisa fria começava a soprar, fazendo com que se aconchegasse nele e repousasse sua cabeça no peito do cantor.
— Isso é loucura. – sussurrou e Shawn riu fraco.
— O que? Conhecer alguém em uma noite e já estar sentada abraçada com ela em um canto? – Brincou e a garota riu.
— Também, mas eu estava me referindo a essa sensação de que isso aqui é tão familiar. – Ela apontou os dois e Shawn respirou fundo.
— Eu sei. Eu me sinto assim também. – Ele afirmou e ela o encarou recebendo o olhar de Shawn de volta. Ele sorriu sem mostrar os dentes e ela fez o mesmo.
— Acho que devo te agradecer por ter empurrado na piscina e por ter salvado ela depois. – Ela sussurrou e Shawn riu fazendo com que ela risse também. Ele lhe beijou a testa enquanto a apertava em seus braços.
Passaram o resto daquela noite aproveitando a presença um do outro e se divertindo com e Niall, trocando um novo beijo aqui e ali, sem se apressar. Não precisavam ter pressa, afinal aquele era apenas o primeiro dia do que seria o melhor verão das vidas dos dois. E no que dependesse deles, mesmo que chovesse ou fizesse frio, todos os dias seriam de sol onde estivessem juntos.

Fim