the last great american dynasty

the last great american dynasty

Sinopse: Essa história é sobre Rebekah, uma mulher apaixonada por coisas verdadeiras. Alguém que, acima de tudo, sabia que para encontrá-las era necessário ter coragem. E ela teve em todos os momentos que pode. Quando aceitou o pedido de casamento de um homem que mal conhecia. Quando ela viajou para morar com ele perto de pessoas que a odiavam. E, principalmente, quando ela precisou segurar a mão de seu marido à beira da morte. Todos diziam que ela o tinha matado, mas apenas Rebekah sabia que ela o salvou. Ele não tinha uma vida para perder até que Rebekah deu uma para ele. Os dois tiveram um tempo incrível arruinando tudo juntos, infelizmente, apenas Rebekah ficou viva para poder contar essa história.
Gênero: Drama, Romance
Classificação: Livre
Restrição:
Beta: Donna Sheridan

Aquela era a terceira vez que entrava no bar afastado das luzes chamativas e luxuosas da cidade em que vivia. O lugar em nada parecia com os locais que frequentava geralmente. O ar era úmido e o cheiro forte de bebida derramada no chão chegava a ser incômodo, as mesas e as cadeiras tinham marcas do tempo e as pessoas falavam alto mesmo que estivessem perto uma das outras. Se ele quisesse, tinha dinheiro o suficiente para comprar o bar com todos dentro. Não seria difícil afirmar que sua conta bancária era maior do que todos os salários unidos daquelas pessoas. E era isso o que ele mais gostava. Não era nada sobre dinheiro. Sobre poder. Ali ele era apenas e não o herdeiro de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos. Ninguém sabia disso e ainda assim todos sorriram e gritaram seu nome quando o viram entrar pela porta. Todos inclusive . E para era apenas isso que importava. Ela chamava a atenção de todos do bar, sua beleza realmente se destacava, mas também o fato dela ser uma das poucas mulheres que trabalhava no bar fazia com que ela chamasse a atenção. Com não foi muito diferente.

Ele se lembrava a primeira vez que havia parado naquele lugar. Uma chuva o pegou de surpresa e não restou nada além de pedir abrigo e esperar que a tormenta passasse para que ele pudesse voltar para casa, mas ele nunca esperou se apaixonar. Uma paixão avassaladora e que o atingiu com tanta força quanto os trovões daquela noite chuvosa. Era como se a natureza tivesse o avisando que tudo mudaria depois daquela noite. Os jornais noticiaram a maior tempestade em anos, mas esqueceram de falar que algo além das enchentes aconteceram aquela noite. teve seu coração tomado por uma dançarina em um bar.

— Achei que não daria o ar da graça, . — falou com o mesmo sorriso de sempre. Ela tentou tratá-lo como qualquer outro homem que aparecia por ali com promessas de amor, mas era diferente. Ele era diferente, ela sabia. — E nem está chovendo ainda.

— Talvez comece a chover agora que eu apareci. — riu e se sentou no mesmo banco de sempre. Ele poderia anotar seu nome naquele assento de tanto que passava seus dias nele. — O de sempre. — Pediu.

— O que aconteceu para você aparecer por aqui em um meio de semana? — não queria responder. percebeu quando o sorriso dele diminuiu e as covinhas sumiram.

Ela estranhou encontrá-lo em um meio de semana no bar. costumava aparecer apenas nos sábados ou domingos. No fundo, tentava não pensar muito nesse padrão de visita apenas ao fim de semana. Se fizesse, ela talvez reconhecesse que seu ex-marido fazia a mesma coisa quando começou a traí-la com a vizinha.

— Eu preciso te contar uma coisa. — não pretendia que fosse daquele jeito. , por outro lado, já conseguia se sentir da mesma maneira que se sentiu em seu casamento: enganada, ainda que não fizesse ideia do que estava acontecendo. Mas o jeito que ele desviava o olhar para todos os lugares menos para ela, o jeito que pela primeira vez desde que eles se conheceram, ele parecesse perdido. Ela sabia que nada de bom viria depois daquilo. — Podemos nos encontrar nos fundos depois do seu expediente? — Puxou a mão dela, que estava em cima do balcão, para a sua tentando trazer algum conforto. ainda sorria, mas de maneira falsa e exagerada. percebeu.

Pelo resto da noite, a garçonete voltou a atender aos pedidos da maneira mais normal que conseguiu. Sentia o olhar de a seguir por todos os lugares que passava, mas se recusava a olhar para ele que entendeu, pois não pediu mais nenhuma bebida além da primeira. já queria começar naquele momento a esquecê-lo. Não conseguiria é claro, mas ainda assim tentava. Em poucas horas, a garota desejava esquecer as últimas semanas.

O que iria fazer talvez estragasse tudo, ele sabia disso. poderia virar e nunca mais falar com ele. Ela poderia gritar com ele. Ela poderia dar um tapa em seu rosto e para ele tudo bem. Ele tinha feito a única coisa que ela pediu para não fazer. pediu para não mentir, mas não havia nada além de mentiras em tudo que ele dizia para ela. Ele tinha deixado de fora das conversas toda a sua vida real. Não era comentado sobre o seu sobrenome, a sua família ou a quanto iria herdar no final daquele ano quando fosse obrigado a se casar e foi exatamente por esse motivo que ele estava ali a observando tão atentamente. Tentando gravar todas as suas curvas no fundo da sua mente para que ele pudesse levar para todos os lugares. não iria perdoá-lo por ter escondido a verdade. E não havia nada que ele pudesse fazer para mudar isso.

— O quanto eu deveria estar preocupada? — perguntou tentando soar tranquila, mas o cigarro nos seus lábios a denunciavam.

Eles estavam na parte afastada do bar. encostada na parede gelada e a encarando atentamente pensando na loucura que estava prestes a fazer. Sua mãe o mataria e seu pai… Bem, ele nem queria pensar no que ele faria.

— O quão louco seria se eu pedisse para você casar comigo? — Sem rodeios ou preparação, ele apenas soltou a bomba. encarava a mulher na sua frente buscando qualquer reação, mas surpreendentemente para ele nada aconteceu. A mulher segurou o cigarro entre os dedos e soltou a fumaça. O ar agora tinha cheiro de nicotina e desespero.

— Muito louco. — Respondeu dando de ombros. Ela pensava que tinha escutado algo errado. Devia estar enganada, pensou. E por isso nada disse. Deu uma resposta simples para a sua pergunta. Se ela o achava louco? Sim. Sobre o casamento? não tinha certeza se realmente escutou isso ou foi apenas a sua mente brincando com ela.

— Talvez eu seja louco. — se aproximou da amada pegando o cigarro de sua mão e jogando no chão. Ele sentia cheiro do seu perfume e de paixão. cheirava como o amor da sua vida se isso tivesse um cheiro. Ele queria gravar aquilo também e talvez pudesse fazer um perfume e levar para sua casa. — Você é perfeita. — Declarou ao observar seu rosto mais de perto. tinha o nariz perfeito, mas, para , ela era toda perfeita. Ele amava tudo sobre ela. Ele amava como ela fazia tudo parecer fácil.

, você está bêbado? — Tentou soar engraçada, mas percebia o olhar dele nela e nada ali a indicava uma brincadeira. Ele fala sério sobre o casamento. E a pior parte, ela não pensaria muito em aceitar.

Os dois estavam naquele romance avassalador de verão. Forte e marcante como tempestades são feitas, os dois se encontraram e marcaram a vida um do outro. Beijos a noite e sorrisos de manhã. não o conhecia muito, ela assumia, mas ela também não conhecia muito seu ex-marido antes de resolver dizer sim no altar. Sua mãe dizia que a garota não era a mais correta para namoros. Seu coração era fácil de ser tomado, mas difícil de ser mantido. disse isso para o quando eles se conheceram, mas ainda assim ele aceitou o desafio.

— Eu preciso me casar até o fim do mês e eu só posso pensar em fazer isso com você. — Assumiu abaixando o rosto para não ter que lidar com o olhar curioso de .

— Qual é a pressa? Casamentos não são tão legais, eu sei disso. — A mulher não entendeu onde ele queria chegar com aquele assunto, mas não poderia se enganar, ela queria se casar com ele. Se conheciam há pouco tempo, mas quando você conhece o amor da sua vida não há motivo para esperar.

— Preciso me casar para receber uma pequena herança de família. — Ela notou seu olhar vacilar, sua mão na dela soar mais do que o normal para uma noite gelada e pensou que conhecia aquele nervosismo. — Eu te amo. — Disse por fim voltando a olhar nos olhos azuis de . Os dois sorriam agora.

tinha sofrido com todos os seus antigos relacionamentos, ela coleciona corações partidos e histórias mal contadas e mesmo assim era uma romântica incurável. Ela não tinha ficado com medo do amor, muito pelo o contrário, quanto mais se permitia amar pessoas erradas, mas certa ela se sentia sobre encontrar o certo. Ela amou todos os homens que passou por sua vida de todas as maneiras que foi possível e olhando para , ela faria tudo de novo. amaria todos aquelas corações errados porque saberia que apenas assim teria certeza quando encontrasse o certo. Ela sentia isso por .

— Existe algo que você queira me falar? — Ela sabia, mas ele não sabia disso ainda. tinha medo, mas havia coragem. Apenas um homem corajoso merece encontrar o amor da sua vida. Não há maior coragem em se entregar de maneira sincera e aberta para alguém. Ele havia aprendido isso com e precisava colocar em prática.

— Eu não sou quem você pensa que eu sou. — Começou cauteloso, mas sentindo as mãos de nas suas ele sabia que conseguiria dizer tudo. Levou seu olhar até o dela e viu tudo que precisava ver para continuar. — Meu nome é e geralmente eu não uso essas roupas, na verdade, geralmente, eu não faço nada que eu faço aqui. Ainda assim, eu sei que eu sou muito mais eu aqui do que na minha casa…

— Você pensou que eu iria querer seu dinheiro? — A mulher perguntou realmente curiosa, mas não triste ou raivosa.

— Claro que não, . Nunca pensaria isso de você. Eu apenas queria fugir da minha vida. — Confessou em um suspiro derrotado.

— Se ela é tão ruim assim, por que quer me levar para ela? — Aquela não era a pergunta que ele esperava ouvir.

— Porque eu percebi que só há felicidade na minha vida se tem você nela. Em casa ou nesse bar. Na sua cama ou na rua. Não há felicidade se não existe você. — Ele colocou todo seu coração pra fora como nunca tinha feito antes para ninguém, nem mesmo para os seus pais. poderia fazer o que quisesse com ele.

— Eu sabia sobre você, . — Ela não tinha certeza sobre como se sentia com aquele sobrenome tão poderoso sair de seus lábios de maneira tão íntima. Ela era apenas uma dançarina frustrada trabalhando em um bar no interior de uma cidade pequena. Nada sobre ela era minimamente poderoso ao seu ver. — Soube desde o primeiro dia se quer saber.

não esperava aquele fim, mas não era nada surpreendente. Infelizmente, ele carregava o cargo de um dos solteiros mais cobiçados do estado e por isso era bastante famoso nos jornais. Sentiu-se mais aliviado sabendo que não causou um estrago tão grande quanto imaginava.

— Mas ainda não entendo por que você quer casar comigo? Eu ainda posso ser uma golpista e querer apenas o seu dinheiro. Nos conhecemos apenas há um mês. — Ela queria entender o que se passava naquele pedido tão repentino. Não tinha medo ou receios, a mulher era muito destemida para ter esses sentimentos em sua vida.

— Preciso me casar para conseguir receber minha herança e eu não posso me casar com ninguém além de você. — Ele não se importava tanto com o dinheiro. Já tinha meses que seu pai não parava de lembrá-lo daquela condição e tudo que ele pensava era em desistir, não se casaria. Mas tudo mudou quando ele a conheceu, ele queria se casar. Não era pelo dinheiro, mas sim por .

— Então você só quer se casar comigo pelo dinheiro? Depois você vai me abandonar? — Ela não dizia aquilo de maneira ruim, tudo que ela queria era entender.

— Claro que não, eu amo você. — Repetiu soltando uma das mãos dela para levar até o rosto. o encarava com os olhos semicerrados analisando tudo que conseguia. O que ele falava com a boca, com o toque, com o olhar e com o coração. — Eu entendo se você não quiser, nos conhecemos há um mês e eu já te peço esse tipo de coisa…

— Eu aceito. — Respondeu após longos segundos de silêncio. Ela o amava o suficiente para se casar, afinal tinha se casado antes e por muito menos do que aquilo. piscou surpreso sequer tendo tempo de sorrir, a única coisa que seu corpo consegui fazer foi reagir da maneira mais apaixonada que ele sentiu. Aproximou-se rapidamente e selou seus lábios com o dela. Nunca pensou que a combinação de nicotina e brilho labial seria tão agradável, mas para ela era a melhor do mundo. correspondeu e soube naquele instante que tinha feito a escolha certa. Se pedisse para ela fugir com ele, ela fugiria.

— Eu nunca vou deixar de te amar, você sabe disso? — perguntou ainda sorrindo e aproveitando para beijar todo o rosto de sua futura mulher. assentiu realmente acreditando naquilo, o que ela poderia dizer afinal? Nunca foi a pessoa mais racional do mundo. Se ele estivesse mentindo, ela iria superar aquele coração partido como superou todos os outros. — Vem pra casa comigo? Preparamos nosso casamento e fugimos juntos.

— Fugir? — Riu de maneira sincera ao enxergar aquele brilho infantil no olhar de seu amado.

Ela não conseguia ver um cruel homem de negócios naquele rosto tão sereno que ele tinha. sempre achou que envelheceu muito cedo. Mesmo com apenas 30 anos, ela já tinha marcas de expressão ao redor dos olhos, um acidente que a impediu de seguir na carreira de dança e um divórcio. Perto de , a mulher se achava quase mais velha do que ele com seu rosto tão livre e sem marcas da vida. Ela pensava que isso seria um problema, mas para não havia nada que ele amasse mais do que ouvir todas as histórias da vida dela depois de uma noite de amor. Ele se sentia finalmente vivendo e não apenas existindo.

— Nós podemos nos divertir e abrir sua academia de balé se você quiser ou apenas gastar todo o dinheiro em champanhe. — Ele não se importava, só queria fazê-la feliz porque isso o faria tão feliz quanto. sabia que receberia dinheiro para todas as gerações da sua vida, mas ele não queria ter uma vida miserável trabalhando para acumular mais. Ele não entendia a razão de ter tanto dinheiro se não poderia gastar com coisas reais. Felicidade finalmente parecia algo real para ele e não apenas um sonho distante que o distraía nas reuniões da empresa.

— O que o seus pais pensam de você se casar com uma forasteira divorciada? – Pelo olhar que deu, percebeu que eles não sabiam. Ela era um segredo. De todas as notícias, aquela foi a que mais pesou em seu coração. não gostava de ficar nas sombras.

— Não importa. – Ele não se importava com a opinião dos pais, pela primeira vez, ele estava sendo corajoso. – Seu coração está seguro comigo. – Disse para acalmar . Ele a amava mais do que amou qualquer coisa no mundo.

— Não estou preocupada com o meu coração, . – Sorriu carinhosamente. Ela estava preocupada com o coração dele. Um coração sem marcas da vida e sem problemas. Uma tela perfeitamente em branco pronto para ser colorido com a confusão de cores da sua vida.

***
Pela primeira vez, subiu em um trem em direção à sua nova casa. Uma nova vida se iniciava naquele dia. Sua mãe apenas pediu para que ela comprasse lembranças no caminho. Ninguém acreditava que aquele casamento duraria mais do que poucas semanas. Nem mesmo se deu o direito de acreditar em algo diferente daquilo. Ela sabia o que a esperava. Olhares indiferentes, comentários maldosos, mas acima de tudo, o coração de . E era apenas isso que ela estava indo atrás.

— Você está linda como sempre. – sorriu e segurou a mão dele para sair do carro que a buscou na estação. A mansão atrás dele a distraiu de tudo o que ela tinha pensado em dizer naquelas horas de viagem. Era imponente e nada parecido com a sua casa em St. Louis, mas nem isso a fez recuar. – Ansiosa para amanhã?

— De todos os meus casamentos, esse é o que eu mais estou ansiosa para comparecer. – Riu e apesar de todas as etiquetas, não se segurou. Ele a puxou para perto de seu corpo e a beijou como se fosse a primeira vez. E talvez fosse mesmo para os dois. Aquela era a primeira vez que beijava o verdadeiro , o herdeiro da Standard Oil.

— Minha mãe está animada para conhecê-la. – Avisou a pegando pela mão e caminhando para dentro da casa. Ele não poderia parecer nervoso, mas a ideia de sua mãe perto de era assustadora.

— Eu imagino que animada não é exatamente a palavra certa. – Tentou descontrair.

— Ela não dirá nada ruim. – quase acreditou até seguir com seu olhar pela entrada e ver a mulher que aguardava na porta. Se ela pensou que apenas um sobrenome exalava poder, nada poderia ser dito diferente da senhora . Tudo nela era sobre poder. Seu cabelo loiro era como ouro. Seus olhos azuis como diamantes. Sua pele lisa como seda. Tudo nela era poderoso, mas seu olhar a queimava como se pudesse matar.

— Você deve ser a noiva escondida do meu filho. — Não era uma pergunta e sequer parecia como uma. não pensava que alguém como aquela mulher poderia ter qualquer tipo de dúvida na sua vida. A garota do interior estendeu sua mão sem se preocupar em limpar o suor de uma viagem de trem a tarde.

— Você tem uma bela casa. — Sorriu simpática, mas logo o sorriso sumiu quando ela percebeu que sua mão ficou estendida a espera de um cumprimento que nunca veio.

— Oh, isso? — Pura falsa modéstia, conhecia aquele tom. — Apenas a casa de verão. Mas não me surpreende você não estar acostumada com isso.

— Mãe, por favor, pare com isso. — tentou intervir, mas tarde demais. passou o braço pelas costas de seu futuro marido e sorriu para ele. Não estava assustada com sua mãe. Conheceu monstros maiores durante a sua vida.

— Ansiosa para o casamento, eu imagino. — Senhora voltou a falar enquanto liderava o caminho pela grande sala luxuosa. não poderia se importar menos com todo aquele dinheiro ou com o lustre fabuloso no meio do teto. Ela sempre soube que tanto dinheiro assim deveria transformar qualquer vida em algo cheio de tédio e mentiras. A coisa mais verdadeira naquela casa era a pele dos animais mortos nos casacos chiques.

— Eu prefiro as festas depois. O casamento perde seu apelo depois da primeira vez. — Sentiu o aperto de aumentar na sua mão e quando viu sua mãe parar abruptamente que ela não sabia.

— Já foi casada? — Os olhos azuis a encararam por cima dos ombros acompanhados de um sorriso falso.

— O suficiente para saber que votos de casamento são tão falsos quanto as obras de artes da sua sala. — Ela disse tudo isso sorrindo. segurou o riso e se fosse possível, apaixonou-se ainda mais naquele instante vendo o olhar de sua mãe cair em desgosto.

— E o que uma mulher do interior entende de artes? — Voltou a andar tentando parecer superior, mas sem tanto sucesso.

— Você poderia apenas me dizer que elas são verdadeiras e eu acreditaria em você. — encolheu os ombros sem muita animação para aquela discussão. Ela sabia que eram falsas.

— São falsas mesmo. — comentou ouvindo sua mãe bufar como resposta arrancando um sorriso de sua amada. era a outra coisa verdadeira daquela casa. Bichos mortos, e agora .

***
Havia algo sobre pessoas ricas que odiava. Não era o acúmulo de dinheiro, a maneira soberba que eles agiam, a falsidade por trás de cada sorriso ou a maneira que eles a tratavam. O que mais irritava eram os olhares. Sutis, mas nunca o suficiente para passar despercebido. Ela nunca entendeu a necessidade de esconder o que pensava. E aquela festa de casamento era para mostrar que nada sobre era sutil. O seu olhar era sempre muito direto. Sua voz sempre alta. Seus gestos tão marcantes quanto os de uma bailarina. E aquele casamento era o encontro desses dois mundos. e sua capacidade de agir como um magnata rico e tentando não perder sua essência. Foi encantador, mas um pouco desajeitado. E os dois amantes amaram. O amor deles era, acima de tudo, encantador para quem quisesse ver e, definitivamente, desajeitado para quem não queria entender como uma mulher divorciada de classe média foi parar no meio daquela dinastia americana.

— Vamos ficar nessa casa, . — disse olhando para o horizonte sentada em cima das pedras. Seus pés balançavam no ar e sua mão era aquecida pelo aperto suave de seu marido.

— Mas essa é apenas a casa de verão. — Respondeu ele a encarando com ternura.

— Bom, podemos ter para sempre nosso amor de verão nessa casa então. — Sorriu decidida a morar de frente para aquele mar. — Talvez assim os vizinhos só falem mal de mim nas férias e não todos os dias.

— Eu sinto muito por isso. — se sentia mal pelos comentários maldosos que ouviu durante a festa.

, se eu arruinar tudo com você, como eles dizem, pode ter certeza que teremos um tempo incrível fazendo isso. Eu te prometo. — Ela levou as mãos dele até seus lábios e beijou ainda sorrindo. Ele acreditou nela e ele mal podia esperar para viver esses momentos com ela.

— Qual é o seu maior medo, ? — Perguntou após um tempo em silêncio.

— Chegar no final da minha vida e perceber que eu não tive coragem para procurar algo verdadeiro neste mundo tão falso. Eu só quero morrer sabendo que achei algo pelo o que valesse a pena viver em algum momento. — Levou seu olhar até ele. – Porque às vezes parece que ninguém vive de verdade, mas sim aguarda a morte da maneira mais segura possível. – entendeu e, infelizmente, lembrou de todos os momentos que deixou seu sobrenome falar mais alto que sua coragem. Ainda assim, estava feliz. Todas aquelas escolhas o levou até aquele momento e para ele era o suficiente porque sabia que não havia mais nada a temer. Se ele morresse naquele instante, não se arrependerá de nada na sua vida, pois tudo o levou até aquela noite.

***
— Aquela mulher está matando meu filho! — A senhora gritava por todos os cantos da casa. conseguia escutar do quarto, mas se recusava a sair de perto de deitado na cama.

— Não há nada que me deixe mais vivo que você, . — O homem sorriu mesmo que com dificuldades por causa dos tubos em seu nariz. Sua esposa apertou as mãos acreditando naquelas palavras.

— Acho que ela não gostou de saber sobre a piscina de champanhe da última festa. — Brincou, mas logo se arrependeu ao ouvir a tosse de seu marido ao tentar rir.

— Eu acho que foi uma das melhores coisas que fizemos nesses meses. — Ele não poderia estar mais feliz naquela noite. Infelizmente, tinha sido a última vez desde que ele pode ficar mais do que poucos minutos longe da cama.

Os doutores avisaram que era para ele se acalmar e não festejar tanto, mas o que poderia fazer? Ele finalmente se sentia vivo, pela primeira vez, desde sempre. Não se importava se seu coração não pudesse acompanhar. sabia que o problema não eram as festas, bebidas ou como todos gostavam de dizer. O único problema era que seu coração não estava acostumado a viver. Sim, ele sempre bateu da maneira correta durante a maior parte da sua vida. Sempre comedido, sem aumento de pressão, sem nada fora do caminho. Mas seu coração nunca soube como a vida poderia ser emocionante. Como era se apaixonar, encontrar o amor da sua vida, casar com ela e ser feliz. Infelizmente, seu coração ficou muito mal acostumado com a mediocridade de seu mundo luxuoso. não o matou, mas o salvou de uma longa vida chata e o trouxe para uma rápida vida perfeita. E para ele era o suficiente.

— Você se divertiu arruinando tudo? — perguntou ainda ouvindo os gritos de sua sogra e os empregados tentando contê-la. A mulher tentava parecer forte na frente de seu marido, mas ela queria chorar. não lembrava da última vez que sentiu seu peito apertar daquela maneira como se ela não pudesse aguentar dentro de seu corpo tudo que estava sentindo ao mesmo tempo.

— Eu tive um tempo incrível estragando tudo com você. — Ele respondeu sabendo que qualquer coisa que ele falasse poderia ser a sua última palavra para a sua amada.

— Eu te amo, . — Ela não conseguiu conter as lágrimas, ela sabia que estava acabando. Os melhores dias da sua vida estavam indo embora e levando o amor da sua vida junto.

— Eu te amo, Johnson. Se divirta muito por mim. Você me deu os melhores dias da minha vida. — levantou sua mão com divindade para limpar a lágrimas do rosto de sua esposa. Ele não queria vê-la chorando. Nada sobre era triste. Nunca foi e ele não quer ser aquele que fará com que seja. Ele queria que a última coisa na sua mente antes de se entregar à escuridão fosse o sorriso que o encantou no meio de uma tempestade. — Sorria para mim, amor. Eu quero ver seu sorriso pela última vez.

pensou em negar e talvez assim ele nunca morresse. Mas o que ela poderia negar para ele? Ela nunca negou nada. E então sorriu porque faria de tudo para ver o seu feliz. E quando ele fechou os olhos pela última vez e ela sentiu seu peito parar de subir e descer, naquele momento, soube. Ela arruinou a única coisa que ela queria manter intacta.

***
Os dias que se passaram foram os piores de sua vida. Aquela casa que simbolizava o seu eterno amor de verão agora a lembrava de tudo que ela nunca mais teria. Ela nunca mais teria . As pessoas ao seu redor comentavam sem tanta vergonha mais. ainda tinha um sobrenome poderoso, uma casa luxuosa, mas sem , ela era apenas a mulher mais louca que aquela cidade já viu. A mulher que matou seu marido. A mulher que destruiu a última dinastia americana, todos diziam sem pudor.

Naquela tarde, assim como todas as outras desde que tinha a casa apenas para ela, resolveu dar mais uma de suas famosas festas, a viúva convidou alguns de seus antigos colegas de trabalho no bar, pagou a passagem de todos e decidiu que aquela seria sua última vez naquele lugar. E assim como a última noite de havia sido marcante para ele, decidiu que a sua iria marcar todos e não apenas ela. No fundo, sabia que eles venceram. A mulher louca que arruinou tudo iria embora das suas vidas perfeitas.

A noite caía quase que mais lentamente que o normal. O sol não queria se pôr e dizer adeus para a loira assim como ela relutantemente dizia adeus a sua vida. O som de risadas que vinha da grande piscina era alto, a música tocava mesmo com as reclamações dos vizinhos e olhava tudo aquilo sorrindo, mas nunca verdadeiramente feliz. Sem , ela era tão falsa como qualquer coisa naquele lugar. Talvez tudo fosse falso sem ele lá. Mas ela tentou se divertir apesar de tudo, tinha feito uma promessa para seu marido e cumpriria. Lentamente ela se levantou da beirada da piscina, suas pernas molhadas e uma taça vazia de champanhe na mão que a acompanhava para todos os lugares. Tinha algo que ela precisava fazer antes de sair.

Assim como todas as casas, apenas um enorme jardim separava todos os terrenos. Privacidade não era algo que a classe alta gostava tanto de manter, eles precisam de vidas para cuidar já que as deles eram miseráveis demais. Pela primeira vez, gostou daquele detalhe. Isso facilitou sua caminhada até o quintal do vizinho que tanto a odiava. Um homem de meia idade e pensamentos que a enfureciam. sempre tentou apaziguar os ânimos, mas ele tinha morrido e junto dele toda a vontade de em tentar pertencer àquele lugar.

A loira percebeu que chegou na casa certa quando ouviu o latido do pequeno cachorro da família. amava animais e sabia que ele estava ali apenas para ser mais um artigo de luxo entre todos os outros. Mais um ser vivo transformado em objeto de decoração naquela cidade. A mulher sentiu a grama tão verde quanto poderia ser de baixo de seus pés e se abaixou para chamar o cachorro para perto dela. O pequeno filhote não parecia acuado ou ameaçador então rapidamente veio em sua direção. Os pelos tão brancos que pareciam falsos. Nenhuma marca de sujeira, nenhuma marca de felicidade. Muito sóbrio para aquela mulher. Ela o pegou em seu colo e o levou junto dela. Não iria roubar e fugir. A mulher sabia que eles comprariam um igual e colocariam no lugar. Ela queria marcá-lo. Ela queria sinalizar que a mulher louca não arruinava famílias ou matava homens de ataques no coração. Ela marcava a vida de todos ao seu redor. Apenas para que todos se lembrassem dela. queria que ninguém se esquecesse dos seus dias naquela casa.

Quando ela voltou com o cachorro em seu colo ninguém percebeu. Todos os seus amigos estavam animados e bêbados demais nas suas bolhas de alegria. Ela queria fazer aquilo sozinha. Seu companheiro tinha ido embora, ninguém o substituiria.

— Eu não vou machucar você. — Falou para o cachorro que a encarava com seus grandes olhos negros. — Não me encare desse jeito, não vou te levar comigo também. Infelizmente, seu lugar é aqui. O lugar de também era antes que eu aparecesse para estragar tudo.

Aquele era um pensamento que não tinha compartilhado com ninguém. Ela sabia que não era culpada pela morte precoce de seu amado, mas também não se sentia tão confiante sobre a sua parcela de culpa ser tão pequena. Ela tinha ignorado os médicos, festejou demais e pagou por isso. No fundo, ela se perguntava toda a noite: o que teria acontecido se eu não tivesse aparecido?

O cachorro era apenas um aviso, não queria matá-lo também. Sua vida era louca demais para qualquer pessoa. Talvez até mesmo para ela. tinha aceito que era uma alma solitária. Nasceu para viver e apenas isso. Sem companheiros de jornada, ninguém era capaz de acompanhá-la. O único que resolveu ficar por conta própria, a vida resolveu tirar apenas como um lembrete. aprendeu a lição.

— Você combina com verde. — Apontou para um frasco ao seu lado. Já tinha levado o cachorro para o banheiro para fazer o que tinha planejado. — Você gosta?

Como ela esperava, o cachorro permaneceu encarando seu rosto. Ela decidiu que aquilo era um sinal positivo. Seus pelos brancos seriam pintados de verde assim como os olhos dela. Todos se lembrariam de assim como ela sempre se lembraria dos seus dias naquela casa. Era justo. Ela perdeu o amor da sua vida e todos ao seu redor lembrariam dela. Todos naquela cidade se lembrariam da mulher que arruinou tudo.

***
No dia seguinte, ela acordou com o som da campainha de sua casa soando ininterruptamente. O cachorro, que agora tinha pelos verdes, levantou assustado do seu lado. Os dois ainda estavam no chão do banheiro. Ela não se lembrava de ter terminado a festa, mas também não se importava nenhum pouco. Aquela seria a última de qualquer jeito, sua pequena mala já estava arrumada para ir embora. A mesma que ela tinha quando chegou naquela casa. Não levaria nada, ela precisava fugir do país já que não conseguiria fugir de . Ele ainda a assombrava em todos os seus sonhos, mas se recusava em ficar triste. Ela prometeu a ele que ficaria bem e ela faria isso.

A mulher pegou o cachorro em seus braços e desceu as escadas para que pudesse receber a pessoa que estava na porta. Ela não se preocupou em colocar alguma roupa, arrumar o cabelo ou a maquiagem.

— Eu sabia que essa louca tinha roubado meu cachorro! — Assim que abriu a porta encontrou seu vizinho e sua esposa do outro lado parecendo furiosos.

— Queria apenas me despedir. — Recusou-se a mentir. Ela queria que eles soubessem.

— O que você fez com ele? — Seus olhos arregalaram de tristeza ao ver o pelo verde do cachorro, que abanava o rabo e parecia contente em ver seus donos.

— Ele parecia branco demais, muito sem graça. — Encolheu os ombros e soltou o filhote com cuidado no chão.

— Você é louca! Uma mulher louca que queria matar meu cachorro assim como matou seu marido. — A voz rude do homem soou alto e suas palavras atingiram mais do que ela gostaria. Ela o encarou com desdém, mas não demonstrou nada além de um genuíno ódio.

— Meu marido foi um homem muito mais feliz do que você foi em toda a sua vida miserável.

— Você é louca! — A outra mulher disse ainda com seus olhos afiados para cima de .

— Eu sinto muito por você também. — Sorriu falsamente como aprendeu a fazer desde que conheceu todas aquelas pessoas. — Eu também teria um humor péssimo se precisasse conviver com o seu marido e seu fraquíssimo desempenho sexual.

— Como se atreve? — Os olhos dos dois arregalaram surpresos com a ousadia de em falar sobre aquele assunto tão privado.

— Saiam da minha propriedade antes que eu mostre o quão louca eu sou. — O casal de vizinhos não precisou de um segundo pedido e foram embora rapidamente deixando sozinha com seus pensamentos.

***
Aquela era o seu último dia na mansão, mas parecia como se fosse o primeiro. A casa não tinha mais som de festa, tudo estava organizado e não tinha ao seu lado. O chão de madeira era frio e tudo parecia muito escuro para um final de tarde. Ela caminhou até os quadros que ganhou em apostas com um dos seus pintores favoritos e percebeu que agora a única coisa verdadeira daquele lugar eram aquelas telas. Sem bichos mortos, sem ela e sem seu amado só sobrava a arte para lembrar a todos coisas reais pareciam.

Olhou a redor tentando encontrar algum motivo para que ela postergasse mais a sua saída, mas sem nenhuma surpresa não viu nada. foi até a porta e deu adeus às suas memórias. Elas ficariam trancadas naquela casa e em seu coração para sempre. Talvez um dia alguém a comprasse, talvez queimasse por medo de estar amaldiçoada ou talvez aquela casa se tornasse abandonada pelo tempo e pelas pessoas. não saberia dizer e ela tampouco se importava. Tudo agora era memória. Tudo agora era passado. Tudo agora era uma história em um livro fechado que ninguém leria.

Ela percebeu, naquele instante, de costas para o local onde morou rapidamente com o amor de sua vida que ela nunca mais seria a mesma pessoa. A mulher destemida por quem se apaixonou tinha ido embora junto com ele. Toda a tinta do seu coração havia secado e agora o que restava era uma tela em branco pronta para ser colorida novamente, mas dessa vez nenhuma cor seria forte o suficiente para apagar o que ela já sabia: o amor da sua vida não estava mais lá fora para ser encontrado.

Ela já o encontrou e tão rapidamente o perdeu. sorriu, verdadeiramente sorriu pela última vez, sabendo que poderia morrer naquele instante sabendo que morreria sem nenhuma culpa. Ela tinha vencido seu maior medo ao lado de .

Na chuva, ela o encontrou. Naquele jardim, eles se casaram. Naquela casa, ela o amou. E para ela, isso era o suficiente. Olhou uma última vez para a sua antiga casa de verão e torceu para que o próximo morador também tivesse a sorte que ela teve. A sorte de encontrar algo genuíno, a sorte de encontrar o amor da sua vida.

FIM

Nota da Autora: Oi, gente! Eu espero que vocês tenham gostado dessa histórinha curtinha. É a minha primeira fic em terceira pessoa, mas eu to bem satisfeita com ela. Acho que assim como no álbum é a Taylor que conta as histórias, eu pensei que fosse combinar nessa fic também. Enfim, eu realmente espero que vocês gostem. Beijinhos e fiquem bem.