The Last Time

The Last Time

Sinopse: Eadlyn e Kadam se machucavam sem querer, sem se deixar saber que seus corações batiam doloridos um pelo outro. Mas aquela seria a última vez.
Gênero: Drama / Romance
Classificação: Livre
Restrições: Personagens fixos
Beta: Thalia Grace

 

 

The Last Time

 

Kadam mordia o lábio com força, enquanto batia na porta da frente da casa dos Swift. Estava puto, muito puto. Sua — até cerca de meia hora atrás — namorada o havia traído com um idiota qualquer da escola, e, mesmo que não gostasse dela o suficiente para sofrer por isso, não podia evitar se sentir trocado. Belamente trocado, com seu chifre conhecido por todos os adolescentes da cidade toda, afinal conseguira se tornar a merda de um popular e sua vida era vigiada pelos outros, como se estivesse num “Show de Truman” particular.

Mas sabia onde poderia encontrar alguém que o escutaria e o abraçaria ternamente, fazendo seu coração acelerar e a vontade de beijar Eadlyn, como sentia constantemente desde os treze anos, crescer dentro de si. Suas pernas sempre lhe levavam até a casa da garota, e era estranho como nunca sabia dizer como chegava lá, como se as estrelas o guiasse. Kadam conseguia imaginá-la perfeitamente, sozinha no quarto enquanto escutava alguma música do Mono., o álbum solo do seu membro favorito do BTS, deitada enquanto lia algum romance de época clichê.

Quando a porta fora aberta pelo senhor S, o pai de Eadlyn, bastou que o velho visse seus olhos avermelhado para sorrir sem graça e dar passagem. Apressou-se em atravessar a sala dos Swift e logo subir as escadas. Quanto mais avançava no corredor segundo andar, Forever Rain soava mais alto, vindo detrás da última porta à direita. Sequer bateu na porta antes de entrar apenas girou a maçaneta.

Lá estava ela, parada em frente a janela enquanto cantarolava junto de RM. Os cabelos cacheados caiam por suas costas, e seu rosto e braços eram banhados pela luz da lua, como num quadro bonito que poucas pessoas tinham a sorte de apreciar.

— Ade? — chamou baixinho, quase como se tivesse medo que se interrompesse aquele momento estaria cometendo um crime.

Eadlyn levou alguns segundos para se virar, porém, assim que seus olhos amendoados encontraram os de Kadam, o rapaz sentiu como se o mundo parasse só para que pudesse apreciar as grandes orbes azuis dela. Bastava olhá-los e então tudo parecia melhor.

Então Kadam esfregou o rosto fortemente com ambas as mãos. Ah, como era quase insuportável para ele saber que, apesar de se conhecerem desde sempre, conhecer mais a ela do que a si mesmo muitas vezes, apesar de ser completamente apaixonado por Eadlyn desde seus doze anos, jamais teria qualquer chance de poder chamá-la de sua.

— Kai! — ela comemorou. Fazia algum tempo que não se falavam, nem que ele a visitava. A última vez fora alguns meses antes, quando Kadam terminou um namoro e foi até ela chorar as mágoas.

Se aproximou rapidamente. Para ele, cada passo que Ade dava parecia ser dançado, um ritmo especial que só ela tinha. Os braços dela logo enrolaram-se em seu pescoço e o puxou para um abraço apertado, enterrando a cabeça em seu pescoço, ao mesmo tempo que ele buscava nos cachinhos de seu cabelo o perfume familiar do shampoo que ela usava desde criança.

— Sentiu saudade? — era uma pergunta retórica, ainda assim adorava ver os lábios dela formar o bico infantil para em seguida dar-lhe um tapinha no ombro.

— É claro que sim! — reclamava, afastando-se para diminuir o volume da música. — Então, o que trouxe o senhor Kadam Jones a minha residência? Achei que estava ocupado demais com sua nova namorada para se lembrar da pobre e impopular amiga de infância. — dramatizou, sentando-se na cama e dando batidinhas para que o rapaz sentasse a seu lado.

Kadam atendeu ao pedido rapidamente, porém deitando-se com a cabeça em seu colo, vendo o sorriso se abrir e os olhos transformarem-se em fendinhas, cheios de carinho. Então ela embrenhava os dedos entre os fios loiros de Kadam e começava a fazer carinho em sua cabeça.

— Ela terminou comigo. — disse, desviando o olhar a tempo de não ver o semblante antes animado de Ade se transformar em um decepcionado.

Então era aquilo, a mesma coisa se repetindo pela… ela sequer conseguia contar. Engoliu em seco o nó que se formou na garganta, mas não parou de fazer o carinho em Kadam.

— Quer dizer, ela não terminou, ela meio que me traiu, mas fica subentendido que quando se trai e todos sabem, o natural é terminar, né? — voltou a olhar pra ela que apenas assentiu com um sorriso fraco.

— Não fique triste, Kai. Eu sei que várias garotas são doidas por você — mas nenhuma delas é você, pensou ele. —, e uma delas vai te fazer feliz Você só precisa encontrá-la.

Kadam levantou uma mão e tocou o rosto de Eadlyn. Instintivamente, ela buscou por seu toque, se acomodando no carinho que o dedão do rapaz fazia em sua bochecha.

— Se nós namorássemos, eu tenho certeza de que seria perfeito. Nós já sabemos tudo o possível sobre o outro, gostamos das mesmas coisas… você até me fez escutar BTS… seria tão mais fácil! — sorriu cafajeste como sempre fazia. Usava esse tom de brincadeira sempre que tocava nesse assunto, Eadlyn costumava rejeitá-lo terrivelmente.

— Pare de dizer idiotices, Kai! — reclamou ela, empurrando-o para fora de seu colo. Sempre que essas palavras saiam de sua boca, o rapaz sentia-se desmoronar mais um pouco

— Estou só brincando. — riu forçadamente, sentando-se.

A principal questão envolvendo Kadam e Eadlyn sempre foi a falta de comunicação no que dizia respeito seus sentimentos. Ambos eram apaixonados desde novos, mas tinham medo de admitir um para o outro, como se fossem duas crianças. Kadam flertava com Ade sempre que podia nesse tom de brincadeira para não afastá-la. Eadlyn o rejeitava, pois interpretar aquilo como uma simples brincadeira a machucava, já que sequer imaginava que Kadam falava sério.

Jovens e tolos.

Então Kadam se martirizava. Seu coração se despedaçando pela centésima vez. A olhava ir até o notebook para trocar o álbum e, enquanto Eadlyn se ocupava ali, tentava enviar seus sentimentos através do ar para que ela os interpretasse de alguma forma num pedido desesperado.

Essa é a última vez que estou te pedindo isso. Põe meu nome no topo da sua lista. Esta é a última vez que te pergunto, por que você parte meu coração num piscar de olhos?

Assim que ouviu as batidas na porta numa noite de domingo, Eadlyn sabia exatamente de quem se tratava. Seu coração batia feito um tambor em pura expectativa de poder vê-lo e conversar como fazia quando eram mais novos. Apesar de todas as outras vezes, ela torcia para que naquela vez fosse diferente, que ele estava ali por ter sentido saudade. Por ele gostar dela como ela gostava de Kadam.

Mas assim como todos as vezes, ele havia acabado de terminar com a namorada e fora atrás da garota por quem não sentia nada além de amizade. Então lhe dizia aquelas coisas, a fazia imaginar-se inclinando-se e beijando os lábios de Kadam ternamente enquanto seus dedos se entrelaçam, como dois apaixonados. Tudo para depois rir e dizer que estava apenas brincando.

E então ele sempre dizia se arrepender por ter se afastado, que não faria novamente, que ela era importante, a enchia de esperança. Sempre dava sua melhor desculpa, mas esquecia-se de que Eadlyn sempre estava ali para vê-lo partir de novo, desaparecer.

Para depois voltar, e tudo ser bom novamente.

— O que vai fazer agora? — perguntou após selecionar The Truth Untold e a voz de Taehyung se espalhar pelo quarto.

— Terminar oficialmente, eu acho. — Kadam deu de ombros e se deitou, virando-se para a parede e dando as costas para ela.

Ade esfregou o rosto, sofrendo novamente por Kadam, por saber que logo ele estaria engatando num novo namoro que não duraria, e logo depois voltando ali novamente, onde ela estaria esperando-o animada por ter mentido para si mesma, dizendo que ele sentia sua falta, que estava ali para vê-la.

Então caminhou até a cama e se deitou no espaço vago do colchão de solteiro. Kadam se virou, seus olhos se encontrando. E o mundo parecia parar para eles. Sem passado, sem lugar para esconderem-se. Pois tudo ficava melhor quando só havia os dois.

Ade fechava os olhos e, enquanto suas testas encostvram como faziam quando eram crianças, pensava fortemente:

Essa é a última vez que estou te pedindo isso. Põe meu nome no topo da sua lista. Esta é a última vez que te pergunto, por que você parte meu coração num piscar de olhos?

Os minutos em silêncio pareceram eternos enquanto a música acabava. Ambos imersos na presença um do outro como nunca antes. Talvez houvessem alcançado um limite que sequer sabiam existir. Eadlyn sentia-se quente, como se seu coração estivesse ameaçando explodir depois de guardar tanta coisa dentro de si. Sua boca foi mais rápida que o cérebro, quando percebeu, as palavras já escapavam de seus lábios.

— Me diz que entendi errado. — quase suplicou. — Estou dizendo, Kai,para mim, sempre foi você. Só existe você. Esta é a última vez que deixo você entrar pela minha porta. — respirou fundo. — Só me diga, eu entendi errado?

A princípio o rapaz se perdeu no raciocínio. O que ela poderia ter entendido errado? Então sua mente se abriu. Ela estava perguntando para ele se o que ele havia dito, se aquilo realmente era uma brincadeira. Não era, mas como responderia?

Fez a única coisa que sua cabeça lhe indicou como resposta. Levantou o queixo de Ade com o indicador e fitou os olhos azuis. Fechou os seus próprios e aproximou-se com cuidado. Quando os lábios se encostaram, todas as borboletas que voavam em seus estômagos, pareceram bater suas asas para fora deles e os cobrirem com a brisa delicada que formavam. Encerrou o beijo com um selinho casto.

— Você partiu meu coração cada vez que pediu para que eu parasse de brincar, se é o que está querendo saber. — sorriu.

Agora Eadlyn aproximou-se para começar um novo osculo, mais urgente e mais apaixonado. Abraçou-o pelo pescoço e o colou a si, desejando finalmente senti-lo ali com ela. Verdadeiramente.

— Esta foi a última vez, não vou mais te machucar. — sua voz saiu tão baixa que se não estivessem tão próximos, seria impossível que Kadam escutasse.

Abraçaram-se mais uma vez, e fecharam os olhos. E aquela fora a última vez que seus corações pesaram tristemente. A última vez que Kadam bateu à porta por outro motivo que não fosse vê-la e choramingar sobre a saudade que sentira.