07. To Be So Lonely

07. To Be So Lonely

Sinopse: Depois da última noite que tiveram juntos, quatro anos antes, Harry nunca imaginou que a encontraria de novo – mesmo que a tal noite ainda rodeasse seus pensamentos vez ou outra. Porém, em uma visita a casa da amiga de sua mãe em Holmes Chapel, assim que a porta da frente é aberta por uma garotinha de olhos verdes, ele descobre que aquela noite havia lhe trazido muito mais que apenas boas lembranças. Perguntas, confusão e a sensação de que seu mundo havia sido virado de cabeça para baixo é tudo que Harry tem. Em meio a tantas questões e pensamentos, Harry apenas sabia que era difícil ir para casa e ficar sozinho. E tudo que ele esperava era que não precisasse ficar sozinho.
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama/Romance
Restrição: Harry Styles é fixo.
BetaSharpay Evans

Dezembro, 2018 - Holmes Chapel.

You can’t blame me, darling
Not even a little bit
I was away.
A pequena cidade de Holmes Chapel amanheceu coberta por neve. Era fim de dezembro, o ano novo anunciava sua chegada em dois dias e Harry, que estava sentado na poltrona da casa da mãe encarava a árvore montada, com luzes e bolas coloridas enquanto uma memória o invadia.
Ele, a mãe e a irmã montando a árvore quando ele era mais novo. A mãe o erguia para que encaixasse as bolas onde ele não alcançava, e depois, quando acendiam as luzes, a empolgação tomava conta de Harry. Eles fizeram aquilo por anos, até que Harry e Gemma tivessem deixado a casa da mãe para fazer faculdade.
Naquele momento, com aquela lembrança Harry se perguntava quando seria a vez dele levantar uma criança para encaixar as bolas na árvore. Ou quando ele levaria uma pequena versão dele para a casa da mãe e a veria correr pela sala de estar em busca de seus presentes embaixo da árvore na manhã de Natal.
Desde que a fama surgiu Harry havia viajo o mundo sendo um sucesso sem precedentes. Pessoas de todas as nacionalidades gritavam suas músicas a plenos pulmões em seus shows lotados em arenas, seu nome estava em meio a trends no Twitter toda semana, prêmios preenchiam sua estante e ele era constantemente parado na rua por pessoas que ele nunca havia visto, mas que sabiam sua história melhor que ele mesmo.
Durante aquele tempo havia conhecido e namorado pessoas, mas sem nunca realmente sentir que era ali que devia firmar suas raízes e iniciar uma família, e no auge de seus quase vinte e cinco anos, ele sentia falta de uma família para quem pudesse voltar depois de turnês longas.
Alguns dos amigos que tinha feito no meio musical viviam lhe contando como era incrível voltar para casa, para os filhos e a família e tê-los os recebendo de braços abertos. Louis, um cantor alguns anos mais velho que ele que já tinha um filho, Freddie, era o pai mais coruja que Styles conhecia. Vivia mandando fotos e vídeos do garoto fazendo bobagens, em um grupo que os dois tinham com mais três outros amigos que também eram cantores. E cada novo passo de Freddie era como a melhor coisa do mundo para Louis. Liam, outro cantor amigo deles também tinha um filho e vivia partilhando as alegrias da paternidade com os rapazes.
Harry se lembrava de querer para si aquilo milhares de vezes enquanto eles se encontravam em Londres, no meio de suas pausas das turnês, para churrascos em conjunto onde os rapazes apareciam com filhos e esposas.
Talvez fosse uma crise da idade, mas era aquilo que Harry queria para si. Uma família. Harry tinha a vida que tinha. A vida que poucos músicos tinham o privilégio de ter e não podia reclamar, mas era difícil para ele ir para casa e ficar tão solitário.
— Filho? – A voz gentil de Anne irrompeu pela sala e Harry a encarou apenas para ver a mulher ajeitando a bolsa em seu ombro – Pode pegar a travessa de pavê para mim? Já estamos de saída. – Ela pediu e Harry sorriu.
Naquela tarde iriam almoçar com uma amiga de Anne que morava ali perto. A mulher havia ajeitado um almoço e os convidado para que participassem. Mary havia se tornado uma das melhores amigas de Anne depois de ela perder o marido em meados de 2017 e as famílias que nunca haviam tido chance de se conhecerem finalmente haviam encontrado a oportunidade já que Harry estava na cidade e a filha dos também, junto a neta deles.
— Claro senhora Anne. – Brincou passando pela mulher e indo em direção a cozinha pegando a travessa ali. Quando voltou, Gemma já esperava junto a mãe com as chaves do carro em mãos.
— Vamos, estou morrendo de fome. – A garota apressou já abrindo a porta e Harry riu junto à mãe enquanto deixavam a casa.
O caminho foi tomado apenas pela música que tocava no rádio e não demorou muito, já que os moravam a apenas algumas quadras da casa de Harry. A mãe havia contado a ele como estava impressionada por nunca terem os visto já que moraram ali a vida toda.
Quando pararam em frente à casa que tinha um tom de amarelo claro, um arrepio correu a coluna de Harry e ele se movimentou no banco meio desconfortável com a sensação.
Desceu do carro e encarou a casa tentando buscar na memória se algo havia acontecido ali quando era mais novo para que tivesse aquela sensação, mas nada lhe veio à mente.
Seguiram para a porta da frente a qual Anne foi quem bateu e lá de dentro ouviram uma voz fina, infantil gritar “eu atendo vovó”, que fez Anne rir fraco.
— Está na hora de vocês me darem uma versão mini de vocês que me chame de vovó. – Harry e Gemma trocaram um olhar rindo e em seguida a porta se abriu.
Quando a estrutura de madeira foi completamente aberta, uma figura pequena e sorridente surgiu ali vestida em um conjunto turquesa de moletom. Tinha cabelos enrolados em um tom claro de castanho, quase se tornando loiro. A pele era branca como a neve que cobria o chão. E quando os olhos de Harry encontraram os da criança ele sentiu todo o seu corpo gelar e fraquejar quase o fazendo perder as forças para segurar a travessa com a sobremesa.
Havia algo nos olhos dela. Algo que Harry via todas as manhãs no espelho. Eram de um verde muito característico, mas além da cor havia uma intensidade nos olhos, o jeito como os cílios se curvavam levemente e o quanto as irises pareciam grandes demais, exatamente como Harry quando era criança.
— Oi, eu sou a Lucy. – A garotinha se apresentou sorrindo ainda mais e Anne pareceu sair de um breve transe, bem como Harry.
— Oi Lucy, eu sou a Anne, amiga da sua avó. – A mulher se apresentou olhando rapidamente o filho. Ela havia notado as semelhanças bem como Harry, apenas Gemma parecia mais alheia a toda a situação.
— Lucy? – Uma voz foi ouvida e logo uma mulher que devia ter a idade de Anne estava a porta sorrindo — Vocês chegaram. – A mulher sorriu encarando os três — Venham, entrem. O almoço está praticamente pronto. – Ela abriu espaço e Anne foi a primeira a entrar abraçando a amiga.
— Esses são Harry e Gemma, meus filhos. – A mulher indicou os dois e Gemma entrou na frente cumprimentando-a com um abraço. Harry sentia o corpo a beira de um colapso, mas ainda assim conseguiu se mover para dentro da casa e sorrir.
— Ah querido é um prazer conhecê-lo. – Mary beijou Harry e assentiu com a cabeça estendendo a travessa em seguida para ela.
— O pavê que te falei. – Anne comentou e Mary pegou a travessa da mão de Harry sorrindo e iniciando uma conversa sobre como não era necessário.
era o sobrenome que ecoava na cabeça do rapaz. Se lembrava dela. Se lembrava daquela noite e se lembrava daquela manhã onde foram juntos a farmácia.
“Um bebezinho com esses seus olhos lindos, não seria nada mal.”
Fora o que ela dissera naquela manhã para ele e agora estava ali, diante de uma criança com os exatos mesmos olhos.
Não podia ser real, certo? Aquelas eram apenas um monte de coincidências malucas, não eram?
Harry apesar de querer aquilo não estava preparado para aquele baque e seu mundo girava de maneira desorientada.
Sentiu uma mão tocar a sua e quando olhou para baixo viu a pequena garotinha sorrindo para ele. O sorriso, ele bem se lembrava, era o da garota com quem havia passado aquela noite. Era de . Radiante, ele se lembrava.
— Eu tenho um castelo. – Ela informou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e talvez fosse.
— Vamos para a cozinha. – Mary chamou fechando a porta. Harry mantinha seus olhos grudados em Lucy.
— Vovó, ele pode brincar comigo no castelo? – A pequena pediu e Harry encarou Mary a vendo franzir o cenho parecendo estranhar a reação.
— Ah Lucy, deixe o rapaz, ele não deve querer…
— Não, eu quero sim. – Harry se apressou em tom baixo e viu Mary sorrir.
— Então pode querida. – Ela tocou o braço de Harry o fazendo encara-la — Se ela te atormentar pode gritar por socorro. – Mary brincou e Harry sorriu fraco.
— Venha, eu tenho um castelo, princesas e dragões. – E assim a pequena o puxou para a sala de estar, onde um pequeno castelo de plástico cor de rosa repousava no carpete junto a bonecas e uma miniatura do dragão do filme do Shrek — Eu não tenho príncipes, mamãe disse que princesas não precisam de príncipes para salvá-las e que elas podem muito bem fazer isso sozinha, então minhas princesas tem espadas, veja. – Ela puxou uma pequena espada do chão e mostrou a Harry ao mesmo tempo que o rapaz se sentava para recobrar a força das pernas.
— Sua mãe está certa. Princesas podem se salvar sozinhas. – Ele comentou e viu um grande sorriso surgir no rosto de Lucy.
— Eu sou uma princesa sabia? – Harry sorriu de modo automático para a cara que a garotinha fez.
— Eu notei assim que abriu a porta. – Ela o olhou confusa e Harry pegou uma boneca do chão — Você foi gentil como uma princesa também é. – Comentou tocando o nariz da menina que riu o fazendo rir junto a ela.
Lucy se sentou e iniciou uma brincadeira com Harry a qual ele se juntou de bom grado.
Deveria estar louco e estava criando apego a uma criança que provavelmente nem se parecia com ele, mas por conta dos pensamentos de mais cedo ele achava que sim. Só podia ser aquilo. Estava era ficando maluco e carente, provavelmente.
Encarou Lucy por um momento enquanto a pequena ria de como Harry fazia a boneca lutar contra o dragão. Ele estava encantando. Encantando com as semelhanças. Encantando com a garotinha. Mesmo que aquilo fosse tudo um engano, estava encantado e sentia seu coração aquecido no peito.
Ouviu uma conversa vinda da cozinha, e uma nova voz que havia se juntado a elas o fez arrepiar por inteiro. Conhecia aquela voz, não estava maluco. Definitivamente não estava.
— Onde está Lucy? Vou mandá-la se lavar. – A voz questionou parecendo se aproximar de onde eles estavam.
— Está na sala com Harry. – E assim que aquelas palavras foram proferidas estava parando à porta do cômodo com os olhos de Harry Styles sobre si.
A expressão não escondia que tanto Harry quanto ela não esperavam por aquele encontro. Os olhos arregalados, a boca se movendo como quem está prestes a dizer algo, mas não diz.
tremia. As mãos, as pernas, se fosse possível até os fios de cabelo tremeriam. Tremia porque de tudo que não esperava nessa vida, encontrá-lo ocupava o último lugar da lista. Encontrá-lo brincando com Lucy então, sequer existia em sua mente. Mas ali estava ele, com uma boneca em mãos enquanto Lucy ria. Ele estava ali e seu olhar sobre ela dizia que ele também achava que ela tinha os olhos dele.
— Oi . – Foi Harry quem quebrou o silêncio e engoliu em seco.
— O-oi. – Gaguejou e se apressou em cruzar os braços. Lucy se virou de repente sorrindo.
— Mãe, eu fiz um amigo. Ele é filho da amiga da vovó e também acha que princesas são aquela palavra que você sempre usa. – A pequena se enrolou ao buscar em sua mente a tal palavra e não encontrar.
— Independentes, amor. – explicou e Lucy sorriu.
— Isso, essa. E ele disse que sou gentil. – Ela sorriu orgulhosa e sentiu o coração apertado.
— Você é. Querida, vá se lavar sim? O almoço está pronto e logo vamos comer, tudo bem? – pediu e a pequena assentiu.
— Eu já volto, não fuja. – Pediu a Harry que a encarou sorrindo.
— Não vou, Lucy. – Ele garantiu em um tom amável que fez fechar os olhos por um momento se sentindo idiota pelas decisões tomadas no passado.
A pequena se retirou e Harry soltou a boneca se colocando de pé e passando as mãos pelos cabelos, frustrado, confuso e cheio de perguntas a fazer.
— Harry. – o chamou, mas Harry apenas negou com a cabeça, incapaz de organizar os pensamentos o suficiente para aquela conversa.
— Eu só tenho uma pergunta. – Ele a encarou fundo nos olhos e se arrepiou por inteiro. Ela realmente tinha os olhos dele — Ela é minha… – Ele fez uma pausa notando que aquela era a primeira vez que aquela frase saia de sua boca e não sabia ao certo que resposta estava esperando — Minha filha? – tornou a engolir o seco. Não sabia como ele reagiria a resposta. Começaria a gritar? A xingaria? Até onde sabia ele era muito rico agora, podia levá-la se quisesse. Mas sabia que mentir não era uma opção. Não mais. Não depois de quase cinco anos escondendo quem era o pai da pequena.
— Sim. – Ela respondeu baixo e naquele momento. Aquelas três letras fizeram o chão debaixo dos pés de Harry sumir.
Sentiu a respiração pesar até se tornar muito difícil. As mãos encontraram seus joelhos enquanto ele se curvava e puxava ar com dificuldade.
— Harry, respira. – Sentiu as mãos de em seus braços e a encarou — Respira por favor. – Os olhos suplicantes encontraram os dele e Harry sentiu seu peito angustiado.
Quase cinco anos haviam se passado desde a última vez que a viu. Quantos anos Lucy tinha? Quatro? Provavelmente menos. Não sabia ao certo quando ela nascerá. Não estava lá quando aconteceu. Nem quando ela andou ou quando falou. Não esteve lá quando ela foi para casa. Ela sabia que ele era o pai dela? Por isso havia segurado sua mão? Não acha que aquele fosse o caso. Mas nada impediu que seus olhos marejassem encarando .
— Como você pôde? Como pôde esconder de mim? – Questionou em um tom mais surpreso do que bravo.
— Harry, eu…
— Mamãe, eu já me lavei. Fiz bastante espuma. – A voz de Lucy irrompeu no lugar e Harry engoliu o choro que queria começar e se virou sorrindo forçadamente.
— Isso é ótimo querida. – Viu o sorriso de Lucy sumir e o cenho se franzir, exatamente como ela mesma fazia.
— Você está chorando amigo? – Questionou de maneira carinhosa se aproximando de Harry que sorriu sem conseguir falar – Eu vou te dar um abraço para se sentir melhor. – A garotinha estendeu os braços e Harry sorriu a pegando em seus braços, a abraçando junto a si pela primeira vez.
Pela primeira vez abraçava sua filha. Os pequenos bracinhos ao redor de seu pescoço o mantendo próximo a si, um beijo deixado em sua bochecha e o cheiro característico de bebês fizeram Harry se sentir reconfortado enquanto a abraçava.
encarava a cena e apesar de se sentir feliz pela filha ter o pai junto a si, o principal sentimento dela era medo. Medo de que ele quisesse levá-la. Lucy era tudo para , era seu mundo, seu chão, era o seu coração e não aguentaria a ter longe. Nunca. E por isso tinha medo. Sabia que com a condição financeira de Harry ele poderia tirá-la dela facilmente.
Porém, por um momento aquela sensação a deixou quando viu uma lágrima deixar os olhos de Harry junto a um sorriso. Ele sorria como se agora o mundo girasse da maneira certa, e ela conhecia aquela sensação. Havia se sentido assim quando Lucy nasceu. Seu mundo passou a ter sentido, um real sentido.
Naquele momento Lucy nascia no coração de Harry, e se sentiu o coração apertado no peito quando a garotinha se afastou de Harry e secou a lágrima em seu rosto carinhosamente.
— Está melhor, amigo? – Ela questionou e sorriu. Era uma garotinha a que ela tinha.
— Estou sim, Lucy. – Harry lhe beijou a testa e a colocou no chão encarando . — Nós precisamos conversar. – Avisou e ela assentiu. O tom de Harry era calmo, mas aquilo não deixava menos aflita.
Ouviram a mãe de chamar para o almoço e seguiram para a sala de jantar onde a mesa já estava servida. Lucy pulava na frente dos dois e se sentou entre duas cadeiras vazias.
— Senta aqui, amigo. A mamãe vai se sentar do outro lado. – E dizendo aquilo indicou uma cadeira para Harry que não se negou ao pedido, apenas tomou o lugar a sua direita enquanto tomava o lugar a esquerda da garotinha.
via os pezinhos de Lucy se moverem animados por debaixo da mesa e aquilo apenas indicava o quanto a garota estava feliz por conhecer Harry, mesmo sem saber quem ele era realmente.
O carinho da garota com ele era algo que não sabia explicar. A filha nunca havia se aproximado tão rápido de um estranho, e só conseguia constatar que aquilo se devia ao fato de que, de algum modo que ela não entendia, realmente havia uma conexão entre pais e seus filhos, mesmo que não se conhecessem.
Harry olhava a criança pedir por um pouco de assado e a mãe a servir. Encarou e depois os olhos pousaram em Anne que o encarava com uma expressão leve de surpresa. Bastou apenas um olhar do rapaz para que ela entendesse, ele explicaria depois.
Os olhos de Harry voltaram a Lucy que agora sorria comendo um pedaço de uma batata e sua pequena mão tocou o braço de Harry de modo gentil e ele sorriu. Tinha uma filha afinal e a cada sorriso e toque de Lucy seu coração parecia mais cheio de amor do que nunca.

[…]

Quando o almoço acabou, Mary, Gemma, Anne e Lucy seguiram para a sala, enquanto tomava conta da louça na cozinha. Harry seguiu para o banheiro jogando água em seu rosto. Muita informação havia sido dada a ele naquele dia e precisou de um momento para respirar.
Encarou sua imagem no espelho e só conseguiu pensar que havia começado aquele dia com a vontade de ser pai e estava na metade dele descobrindo que era pai de uma linda e gentil garotinha.
Respirou fundo e seguiu para fora do banheiro decidido a ter aquela conversa com e saber o que havia acontecido. A saber o porquê de ela ter escondido dele a gravidez.
Quando chegou à cozinha encontrou a mulher secando suas mãos e quando seus olhos encontraram Harry o coração acelerou no peito.
— Podemos conversar agora? – Styles questionou e respirou fundo.
— Venha comigo. – Foi tudo que ela disse saindo pela porta da cozinha que dava acesso a garagem e sendo seguida por Harry.
Assim que ambos passaram a porta, a fechou e andou pela garagem da mãe pegando dois pequenos bancos que haviam ali e passando um deles para Harry. Se sentaram frente a frente e por alguns minutos apenas se encararam.
Harry havia criado feições mais adultas, o maxilar havia ganho ângulos que antes não existiam. Resquícios do que seria uma barba começavam a aparecer. Os cabelos mais curtos e aparados, porém, ainda com um caimento charmoso. Os lábios finos e rosados ainda eram os mesmos, bem como os olhos intensos e verdes.
havia amadurecido alguns anos, algumas linhas de expressão eram vistas abaixo de seus olhos causadas provavelmente pelo pouco sono. Mas nela, Harry ainda via a mesma garota com quem havia passado uma noite. Um brilho divertido nos olhos que parecia o desafiar novamente para uma rodada de seu drink que havia os derrubado anos atrás. Mesmo que ele soubesse que naquele momento não era aquilo que ela fazia, mas com certeza se lembrava daquela noite tanto quanto ele.
Se lembrou da manhã de seguinte, e pensou se em algum momento tivesse passado a garota a sensação de que ele não assumiria a criança, mas não se lembrava.
— Por que não me contou? – Questionou cansado de tentar adivinhar motivos decidindo apenas deixá-la contar. A mulher respirou fundo esfregando os olhos e Harry aguardou.
— Você estava começando na carreira, Harry. Eu não queria atrapalhar isso. – Ela começou em tom baixo — A princípio nem eu sabia se teria a criança, mas o tempo foi passando, ela crescendo e quando vi estava ouvindo o coração dela bater em um quarto na clínica do obstetra e era como se eu não pudesse não tê-la. – Ela sorriu pequeno dando de ombros – Você já estava com shows marcados nessa época e eu pensei em ligar algumas vezes, mas pra quê? Você começaria a viajar em breve e o que Lucy teria? Um pai viajando e uma mãe cobrando sua presença? Não, honestamente essa não era a vida que eu queria para ela porque eu sei como a vida de mais que se cobram é e isso sempre sobra para as crianças. Então eu decidi que a teria. Sozinha. – Harry negou com a cabeça se colocando de pé e passando as mãos pelos cabelos frustrado.
— E achou que eu nunca fosse descobrir? – Os olhos de Harry estavam sobre e ela apenas deu de ombros.
— Para ser honesta não. Quero dizer como eu poderia saber que você, dentre todas as pessoas do mundo seria nascido no mesmo vilarejo que eu e que sua mãe se tornaria amiga da minha? – Ela riu fraco com o tamanho daquela coincidência — Eu não esperava por isso Harry. – Ela soltou o ar de modo pesado e Harry tornou a se sentar com o rosto entre as mãos.
— Eu tinha o direito de saber, . – Ele sussurrou a encarando e ela mordeu o lábio de maneira incerta.
— Eu sei, Harry. Mas preciso que entenda que fiz o que achei melhor para a minha filha. – Ela se justificou — Havíamos passado uma noite juntos e eu mal o conhecia. O que você acha que uma garota grávida pensa que vai ser a reação de um cara que está no início da carreira de cantor? – Ele mordeu o lábio respirando fundo — Eu sei que você foi atencioso na manhã seguinte e não espero que pense que fez algo de errado, mas é um mundo complicado, Harry, e eu tive medo que você negasse Lucy ou estivesse longe e eu tivesse que explicar a ela isso conforme fosse crescendo. Então apenas deixei para lá. – Harry assentiu.
Entendia os medos de , sabia que não era um mundo fácil para mulheres, muito menos para as que ficavam grávidas tão cedo e nas circunstâncias nas quais ocorreu, mas sabia que não era o tipo de cara que correria da responsabilidade.
— Eu teria ficado, . – Sussurrou.
— Teria aberto mão da sua carreira para criar uma filha? – Ela questionou parecendo alguém que já havia pensado sobre aquilo milhões de vezes – Eu não estou na indústria Harry, mas entendo que um cantor jovem em ascensão, não precisa só de seu talento. O que a sua gravadora diria de você com uma filha? O que o mandariam fazer? – Harry pensou por um momento em Louis e como ele havia contado a Harry como seu empresário insistiu que ele escondesse Freddie do mundo. Louis quase foi convencido daquela loucura, não fosse por sua mãe – Éramos novos Harry. Eu não o culpo de nada. Nem mesmo um pouco. – O tom de era tranquilo e Harry apenas se sentia um poço de pura confusão.
Pensou sobre o que faria dali pra frente, mas naquele momento não tinha respostas exatas, apenas uma porção de possibilidades.
— O que você conta para ela quando ela te pergunta sobre o pai? – A pergunta dele fez engolir em seco antes de responder.
— Eu apenas digo a ela que um dia ela o conhecerá. – Harry assentiu – Mas ela quase não pergunta já que Maison acaba sempre estando por perto. – Harry franziu o cenho negando com a cabeça.
— Maison? Como assim? – se colocou de pé andando por um momento antes de iniciar sua fala.
— Depois que eu descobri sobre a gravidez, ele estava por perto a todo momento, como sempre esteve. – Ela olhou fundo nos olhos de Harry e notou que ele já entendia onde aquilo iria parar — E acabamos nos aproximando mais ainda e bom… – Ela mordeu o lábio e Harry teve que desviar o olhar para evitar se lembrar da noite que passaram juntos — Nós ficamos juntos. Não somos casados, mas moramos juntos e ele é bom para Lucy. – Ela sorriu fraco ao se lembrar da imagem dos dois na sala do apartamento onde viviam em Londres. — Ele a leva às aulas de ballet, faz o jantar para ela e lê histórias antes de dormir. Maison é para Lucy o que um pai é para uma filha e ela o vê como sendo isso. – Não era a intenção de , mas suas palavras atingiram Harry como um soco, fazendo-o virar repentinamente para ela. Seus olhos estavam marejados e viu-o respirar rápido. — Styles, eu… – esticou a mão para tocá-lo no ombro, mas Harry o desvencilhou rápido.
— Não me chame de Styles novamente. – Disparou e deu alguns passos para trás surpresa pela reação repentina. — Você não tinha o direito ! Mesmo tendo suas razões, você não tinha o direito de esconder isso de mim. – Balançou a cabeça rindo fraco. — Agora o que você espera de mim, ein? Que eu simplesmente aceite que você transformou Maison naquilo que EU deveria ser? – Proferia cada palavra de forma ríspida e tentava em vão acalmá-lo para não chamar atenção das duas famílias. — Ou melhor, quem sabe você espera que sejamos amigos e eu cruze os braços fingindo que não sou o pai de Lucy?
Harry acabou falando a última frase mais alto do que queria. Talvez fosse toda aquela situação repentina, ele não sabia, mas havia passado tanto tempo imaginando e desejando ter uma família que quando soube de Lucy, não, quando viu Lucy ele não imaginou que outra pessoa tomaria o seu lugar. Ficou em silêncio por alguns segundos, observando pela primeira vez na vida, vulnerável. Mas que tipo de babaca ele era? Era claro que arrumaria uma pessoa, era claro que alguém se apaixonaria por ela. Que tipo de idiota ele era? Por pensar que ficaria sozinha com toda a responsabilidade jogada para cima dela, por mais que ele soubesse o quão determinada e forte ela era. Harry apenas não queria admitir que ele era um grande idiota, por saber que mesmo tendo tido uma noite apenas com a garota, sabia que havia ficado dias pensando no que aconteceu entre os dois e não ter tido coragem de ir atrás dele. Por saber principalmente que sentia falta do formato dos lábios dela, sentia falta de e agora isso havia se tornado maior ainda.
Harry voltou novamente seu olhar para e viu que ela estava estática. Não sabia o que se passava na cabeça dela, talvez não deveria tê-la julgado daquela forma. Tentou se aproximar, mas mais uma vez a voz infantil chamou sua atenção.
— Mamãe, papai está no telefone. – Harry sentiu o coração apertar. Lucy tinha o smartphone na mão direita e apontava-o para frente como se esperasse sua mãe pegar. saiu de seu transe e seguiu até a garotinha, pegando o telefone, mas não colocando sobre o ouvido. Lucy se voltou para Harry. — Você está dodói amigo?
Harry piscou e pela primeira vez, notou que lágrimas escorriam de seus olhos. Limpo-as com as costas da mão e se direcionou até a garotinha, abraçando-a. respirou fundo.
— E-eu, tenho que ir. – Sua voz saiu embaçada quando se levantou desfazendo o abraço com a garotinha e indo direto de encontro a porta que dava acesso a cozinha.
tinha a mente e o olhar no garoto se distanciando pela porta, e sequer notou que havia deixado Maison na espera no telefone.
— Mamãe, o amigo vai voltar? – Lucy questionou, os olhinhos tristes pareciam prestes a começar um choro e aquilo partiu o coração de . Como pôde fazer aquilo? Como pôde dizer aquilo a ele?
— Eu não sei, meu bem. – A voz baixa quase não deixou sua boca — Vamos, a mamãe precisa falar com o… – e parou. Não podia continuar dizendo que Maison era pai dela. Harry estava certo, ela havia dado o lugar dele para outro e novamente se viu errada – O Maison. – Foi o que respondeu colocando o telefone na orelha.
— Uau, “o Maison”. O que eu fiz dessa vez? – O rapaz brincou do outro lado da linha.
— Nada. – Foi tudo que se sentiu capaz de responder.
— O que há de errado, amor? – Ela engoliu em seco até mesmo diante do apelido carinhoso.
Fato era que apesar de nunca ter contado a Harry sobre a filha deles, cogitou a ideia. Cogitou porque, assim como Harry, ela se lembrou daquela noite. Mais do que aquela noite, se lembrou do dia seguinte. Se lembrou de como Harry a puxou de volta para a cama a fazendo rir, se lembrou em como ele se preocupou com ela e, mesmo com ela dizendo não ser necessário, ele lhe preparou o café da manhã, como os olhos do rapaz brilharam ao contar sobre seu futuro e como ao chegarem a farmácia Harry tomou a responsabilidade do momento que muitos caras sequer se importavam.
Imaginou mil cenários onde contava a ele que estava esperando um bebê e que ele era o pai, e apesar de muitos deles serem ruins – pessimista como era, não havia como ser diferente – haviam os bons também. Aqueles onde ele sorria, os olhos brilhavam e ele lhe dizia o quanto estava feliz com aquilo.
Durante todos aqueles anos ela achou que aquele cenário era o improvável, mas depois daquela tarde notou que era aquilo que receberia se tivesse dito. Olhos brilhantes, sorrisos e comemorações pelo que estava por vir.
— Não é nada, eu só… – E parou a frase ao entrar na sala e encontrar Anne e Gemma em uma conversa com Mary.
Estivera pensando em Harry na tarde toda e sequer havia notado que havia tirado das duas a oportunidade de serem avó e tia. Anne, até onde sabia, nunca havia sido chamada de vovó na vida. E aquilo atingiu a garota tirando o ar dela.
— Mamãe, podemos tirar um cochilo? com sono. – Lucy chamou a atenção e os olhares na sala se viraram para elas. encarou a filha que coçava os olhos de maneira manhosa com as costas das mãos. Ela virou os olhos na direção da sala novamente e a forma como Anne a encarava entregava a surpresa da mulher. Como se um momento de clareza tivesse lhe ocorrido.
E havia. Anne já havia notado as semelhanças, afinal, Harry era seu filho e havia o visto em todas as fases da vida. Mas em uma negação silenciosa ela apenas assumiu que estava imaginando coisas. Mas ali, naquela simples coçada de olhos, ela viu Harry na mesma manha por estar com sono. O garoto coçava os olhos exatamente do mesmo modo, e aquilo era algo que ela não tinha como negar ou ignorar. Mas não entendia a situação, e tendo a personalidade que tinha, apenas decidiu não se exceder. Porém a lágrima que escorreu de seu olho foi inevitável. Era avó afinal.
— Mãe, está tudo bem? – Gemma questionou a tirando do transe e Anne secou os olhos sorrindo.
— Sim, estou apenas emotiva. – Justificou sorrindo para a filha – Tudo vai ficar bem. – E nesse momento ela encarou .
A garota, por conta do choque daquele dia, entendeu a última frase como um tom quase que ameaçador, ao invés do gentil que a mais velha havia lhe entregado. E por conta daquilo o pânico voltou a tomá-la. Anne era mãe, e sabia o que mães eram capazes de fazer pela felicidade de seus filhos.
— Vem querida, vamos cochilar. – E dizendo aquilo ela pegou Lucy nos braços e seguiu para as escadas da casa.
— Está tudo corrido por aí hoje, não? – Maison questionou ainda no telefone e sequer notou que não havia desligado.
— Está, eu ainda não arrumei as malas, mamãe está com visitas, muita coisa ao mesmo tempo. – Justificou de maneira acelerada. — E eu vou colocar a Lucy para dormir agora. – Explicou a fim de terminar a ligação. Amava Maison, além de namorados eram amigos, mas não estava disposta a aquela conversa naquele momento.
— Tudo bem. Eu só liguei pra avisar que saio daqui dos meus pais em uma hora e daí vou para aí. – Ele havia notado que havia algo a mais de errado, mas daria a o seu tempo para contar.
— Está bem. Dá tempo de fazer tudo. – Afirmou adentrando o seu antigo quarto na casa dos pais.
— Tudo bem. Vou te deixar cuidar das coisas. Nos falamos depois. Te amo. – E um nó se formou na garganta de .
— Também te amo. – E dizendo aquilo ela desligou.
— Mamãe, eu não disse que amava o papai. Agora ele não sabe. – E as palavras de Lucy, apesar de dizerem respeito a Maison, se encaixavam para Harry e suspirou.
— Sinto muito, meu bem. – E com lágrimas nos olhos ela beijou a cabeça da filha.

[…]

Harry pedia pelo que devia ser a quinta dose de whisky. Desde que havia saído da casa de – ou seria melhor dizer “a mãe de sua filha” – tentava inutilmente amenizar o misto de sentimentos que brandiam a sua cabeça, mas a cada vez que fechava os olhos, a voz da garotinha surgia na sua mente. Aquilo era torturante e tudo o que Harry menos queria, era deixar o restante de sua família se sentir daquele jeito, por isso saiu da casa de naquele dia apenas dando uma desculpa qualquer a Anne.
— Gostaria de outro, senhor? – O barman perguntou verificando o copo vazio sobre a mão de Harry que apenas deslizou o copo pela bancada até o encontro do barman. Não precisava proferir nenhuma palavra e mesmo se quisesse, duvidaria muito que conseguiria.
A noite já havia caído sobre Holmes Chapel quando Harry saia a tropeços do bar ao qual estava. Pegou o celular no bolso traseiro com certa dificuldade e teve que forçar a vista para que conseguisse enxergar o dono das chamadas perdidas.
Cinco de sua mãe. Duas de Gemma. Uma de Louis
Por uma fração de segundos, Harry chegou a cogitar a possibilidade de ter contado sobre Lucy a sua mãe e irmã, mas tão rápido quanto esse pensamento chegou ao rapaz, desapareceu. era mãe afinal e sabia o que mães são capazes de fazer pelos filhos. Naquele instante, era provável que Anne apenas tenha notado o jeito cabisbaixo do filho e houvesse se preocupado, mas infelizmente a única pessoa ao qual Harry retornaria, seria Louis. Não tinha condições alguma de falar com sua mãe.
No segundo toque, Louis atendeu.
Só um minuto, lad. – Harry pode ouvir as risadas de Freddie pelo telefone e logo em seguida, um bater de porta. Ele respirou fundo tentando conter sua mente a apenas aquela conversa e não pensar que poderia ser ele que teria que mudar de lugar para atender um telefonema. — Pronto, agora comece.
Harry não precisou sequer dizer uma palavra para que seu melhor amigo notasse que havia algo de errado com ele e isso não era nenhuma novidade já que apesar da vida agitada ao qual os dois viviam, havia passado tempo o suficiente para um conhecer perfeitamente o outro. Styles sentou sobre o meio fio, o cotovelo apoiado sobre o joelho com a mão tampando um lado do rosto e a outra segurando o celular no ouvido. Passou o que previu ser longos minutos explicando toda a descoberta ao amigo que permaneceu em silêncio durante todo o momento, esperando que Harry desabafasse tudo o que tinha que desabafar e quando ele finalmente terminou, pode ouvir o suspirar de Louis do outro lado da linha e ele não estava contente.
Harry, tudo o que você me falou foi o suficiente para entender que você é apenas um filho da puta arrogante… – sua voz soava ríspida, mas não de alguém que desejasse discutir com a pessoa do outro lado da linha e sim de alguém exercendo o papel necessário com aquele ao qual se preocupava. Harry engoliu a seco. — que não consegue admitir quando se arrepende.
Do que você está falando? – A voz de Styles soava rouca e perdida, assim como ele estava.
Estou falando Harry, que você se arrepende de não ter ido atrás da garota anos atrás. – Começou de forma mais branda. — E agora se arrepende de não ter ficado e lutado para ter aquilo que você sempre quis.
Não posso tirar Lucy de dessa forma Lou, apesar de ter tanto direito quanto ela. – Passou a mão sobre o cabelo.
Você sabe que não estou falando apenas de Lucy, Harry.
Caramba Tomlinson! Você acha que eu gosto de ser do tipo ciumento?
Não Harry, mas mesmo assim você é. – Louis falou ainda de forma determinada. — Então se você está tão certo disso, certo do que você quer, vá atrás. Não podes esperar que as coisas venham simplesmente sozinhas até você e lembra-se que você não é mais apenas um garotinho.
Harry ficou em silêncio por alguns segundos. O que Louis falava era verdade. Ele não podia simplesmente cruzar os braços e deixar aquilo o consumir por inteiro, não podia deixar Lucy e sumirem de sua vida daquela forma, não sem antes fazer ver ele de uma forma um pouco melhor.
Harry? – A voz de Louis irrompeu, tirando Harry de seu transe. Aquele dia havia trago um turbilhão de pensamentos a cabeça do rapaz, mas diferentemente de mais cedo, agora ele sabia o que fazer.
Obrigado Lou. – Murmurou antes de desligar o telefone. Do outro lado da linha, Louis sorria.
Harry correu em direção a antiga casa de , agradecendo o suficiente pelo bar ao qual estava antes ficar poucos quilômetros de distância da casa, perto o bastante para que ele demorasse apenas alguns minutos correndo para chegar até casa e quando o fez, estava ofegante.
Parou alguns segundos em frente a porta, ajeitou suas roupas e passou a mão pelo cabelo suado, tentando – mesmo que soubesse ser inútil – parecer menos desleixado e então, levantou a mão direita em punho e bateu três vezes na porta, mas quem abriu-a já não era Lucy ou .
— Oi querido. – Apesar de estar surpresa, a voz de Mary era calma e gentil. Havia notado a reação de sua filha para o garoto, mas não achou prudente pressioná-la então simplesmente de espaço a garota e vendo que o rapaz estava ali novamente, serviu apenas para confirmar suas suspeitas acerca aos sentimentos de sua filha. Não sabia como e nem porque, mas o rapaz a sua frente mexia com a cabeça de . — Sua mãe e irmã já foram.
Harry respirou fundo, era claro que a mulher pensaria que ele estava atrás das duas e não de .
— Na verdade, vim a procura de . – Sua voz soava calma, mas mesmo assim Mary conseguia sentir a tensão no rapaz. Talvez esse fosse um super poder de mãe – saber quando as coisas não estão realmente bem.
— Ah bem, Maison passou a alguns minutos atrás para irem até o aeroporto. – Harry sentiu suas pernas amolecerem e olhou piedoso a Mary que ficou estática por segundos. Será possível que? Então algo repentino lhe correu a mente… eram os olhos, os olhos do rapaz em sua frente, ela já havia os visto, era algo característico. Sempre soube que apesar Lucy ter Maison como seu pai, ele não era, sabia que a filha havia engravidado de outra pessoa, mas sequer chegou a cogitar ser o filho de Anne.
Mary limpou a garganta segurando as mãos do rapaz sutilmente.
— O voo dela é daqui a quarenta minutos. – Respondeu sorrindo e Harry a olhou confuso antes de entender o que se passava. — Chame um táxi.
Harry sentiu seus olhos marejarem novamente e sorriu com os lábios fechados para a mulher. Sussurrando logo após “obrigado”.

(…)

Não demorou muito para um táxi estacionar na frente da casa e quando Harry embarcou, pegou o celular a procura do contato que ele tinha anos atrás e jamais excluirá, olhou para o relógio e mesmo com o coração apertado por faltar tão pouco tempo para que as duas mulheres de sua vida embarcarem no avião e então começou a discar. Talvez ele tivesse que lidar com o que sentia por mais tarde, por hora, consertaria as coisas com sua filha.
Ligou três vezes sempre caindo na caixa de mensagens, talvez soubesse que era ele e não quisesse atendê-lo e Harry torceu para que não estivessem no avião ainda e quando na quarta tentativa aconteceu o mesmo, ele decidiu enviar uma mensagem.
, eu sinto muito por ter sido um babaca mais cedo, eu não estava preparado para tudo isso e bem, acho que você não pode me culpar, nem mesmo um pouco. Eu sei que estive ausente na vida de Lucy, mas, você tem que me dar a chance de consertar tudo isso. É difícil para eu ir para casa e ficar tão, tão sozinho e por favor, não me culpe pela ligação bêbado eu só preciso que você me veja como uma pessoa um pouco melhor. Uma pessoa capaz de te ajudar a criar a nossa filha, porque é isso que eu quero, , é isso que eu sempre quis, se você apenas tivesse me dado a oportunidade de fazer, mas não se ofenda, eu sei que você fez tudo isso pensando no melhor a mim, pensando no melhor a Lucy. De qualquer forma, estou indo até o aeroporto para conversarmos. Por favor, me espere.
Então é isso aí, me desculpe”

No aeroporto, olhava para o celular sem sinal em sua mão e se em sua mente apenas a cena de Harry deixando a sua casa se passava. Não sabia ao certo o que aconteceria dali pra frente. Não sabia se veria Harry de novo, ou se o rapaz ao menos iria atrás da filha. O futuro, mais do que nunca, era incerto.
— Ei. – A mão de Maison pousou no joelho de e ela o encarou. — Eu quero muito respeitar o seu tempo, mas estou começando a ficar preocupado com você. Desde que saímos da casa da sua mãe você não disse nada e não para de olhar para esse celular sem fazer nada a pelo menos cinco minutos. – Ele sorriu de canto para ela e respirou fundo.
Ainda não havia contado a ele sobre Harry e sobre a repentina aparição dele na casa de sua mãe. Não havia contado que Lucy havia o conhecido, apesar de a garotinha só saber falar do novo amigo que havia feito.
— Lucy conheceu o pai. – Soltou de uma vez mordendo os lábios e Maison se manteve inexpressivo por alguns instantes.
— Como? Quero dizer, o que Harry fazia em Holmes Chapel? – Questionou confuso.
— Se lembra da amiga da minha mãe? Anne? – Ele assentiu se lembrando do comentário da sogra sobre a amiga — Ela é a mãe do Harry. Aparentemente ele nasceu na mesma cidade que eu, porém nunca nos encontramos. – Maison assentiu devagar – Ele estava visitando a família e foi junto a Anne e a irmã lá para casa. E assim ele conheceu a Lucy. – Explicou de modo lento enquanto Maison absorvia as informações que lhe eram dadas.
— E aí? – A cautela no tom de Maison estava ali presente.
— Eu expliquei a ele porque não contei sobre Lucy, mas acho que o magoei quando disse que você desenvolvia o papel de pai para ela. – Maison respirou fundo. Apesar do receio em ser trocado por Harry, ele também sentia que aquilo não era algo que o rapaz merecia.
Ele sabia sobre a história toda e sobre as decisões de quanto a filha e a Styles. Desde o início ele havia deixado claro o quanto achava que o cantor deveria saber sobre Lucy, mas respeitava as decisões de e não sentia que tinha real poder para opinar sobre aquilo.
— Eu não tiro a razão dele, amor. – assentiu concordando com Maison. Ela também não tirava — Mas e agora? – Questionou e ela deu de ombros.
— Não sei. Ele apenas foi embora depois disso. Disse que eu havia te tornado o que ele deveria ser e foi embora. – Ela torceu os lábios sentindo os olhos marejarem. Não queria ter feito aquilo. Agora era mais claro que nunca que havia tomado péssimas decisões. Não tinha o direito de tirar Lucy da vida dele assim. Sentiu os braços de Maison a envolverem e se permitiu por um momento se sentir vulnerável e chorar — O que eu fiz, Maison? – O choro caindo cada vez mais intenso tornavam sua voz embargada.
— Tudo vai ficar bem, . – Garantiu — Você vai ver. – Ele afagava seus cabelos e beijou o topo de sua cabeça — Vai ficar tudo bem. – E afirmando aquilo mais uma vez ele ouviu a chamada de seu voo — Vamos. Agora temos que ir para casa. – Ele beijou sua cabeça mais uma vez e se colocou de pé — Lucy, vamos amor. – Ele acenou para Lucy que brincava a alguns assentos deles com um garotinho.
viu a filha se despedir com um aceno do garoto e seguir saltando em direção a eles. Maison a pegou no colo e naquele momento seu coração apertou no peito. Era muito grata a tudo que Maison havia feito, mas o desconforto que sentia naquele momento era por que de algum modo sentia que poderia estar fazendo algo que pudesse magoar Harry. E se sentia péssima com aquilo.
Dentro do mesmo aeroporto Harry acabara de cruzar as portas da frente do local correndo. Precisava alcançar Lucy. Precisava alcançar a filha e retomar as chances de ser o pai dela. Precisava estar lá.
Seguiu para o balcão a fim de comprar uma passagem, já que o acesso para a zona de embarque seria improvável sem uma. E depois de um longo processo a tinha em mãos e tornou a correr.
Passou pela segurança de modo apressado e depois de tomar seus pertences tornou a correr. Tudo era difícil por conta da bebida em seu corpo, mas o surto de adrenalina ajudava de algum modo.
Conferiu duas ou três vezes o portão de embarque para os voos para Londres e viu que o próximo voo já estava sendo chamado pela última vez. Se apressou mais e assim que virou uma curva, ao longe, no último portão de embarque viu sorrindo e pegando as passagens da mão da funcionária do aeroporto e caminhando para dentro das portas do corredor que dava acesso ao avião. Eram os últimos da fila. Ela, Maison -ele reconheceu- e Lucy.
! – Gritou, porém, a garota pareceu não escutar e Styles correu o mais rápido que pode. Ele batia em pessoas, malas e tudo que surgia no caminho.
Quando estava a alguns metros do portão de embarque, ele foi fechado e Harry novamente se apressou.
— Espera, espera. – Pediu e a mulher no balcão o encarou — Eu preciso entrar naquele avião. – Informou estendendo a passagem para ela que a pegou.
— Senhor, essa passagem é para Liverpool. O voo só sai em uma hora naquele portão. – Ela apontou.
— Eu sei, mas preciso entrar naquele avião. – Insistiu e ela negou com a cabeça.
— Eu não posso permitir isso senhor. Sua passagem é para outro voo e esse avião já está partindo. – Harry passou as mãos pelos cabelos.
— Minha filha está naquele avião. – Ele soltou já de olhos marejados e a mulher o encarou com pesar.
— Eu sinto muito senhor, não posso ajudar. – Ele a encarou já sentindo as lágrimas quentes escorrerem de seus olhos.
Harry já havia ouvido falar sobre quando se é pai, se é capaz de fazer tudo, mas não imaginava que seria capaz de perder a cabeça daquele modo. Ele apenas ignorou a mulher a sua frente e sentindo o sangue ferver se dirigiu a porta.
— Senhor, não posso deixar que entre aqui. – A mulher alertou parando em frente a porta e Harry a encarou.
— É a minha filha que está lá! Minha filha! Eu preciso dizer a ela que sou o pai dela! – Harry gritava, de modo desesperado, por que era como se sentia. Desesperado com a ideia de Lucy passando mais um dia sem saber que ele era seu pai.
— Senhor, eu entendo, mas o senhor não pode entrar aqui. – A mulher tentava acalmá-lo do melhor modo que podia, mas era impossível.
— Eu preciso! – Ele gritou e a mulher se assustou arregalando os olhos — Ela não sabe! Não sabe que sou o pai dela. Não sabe que eu a amo mesmo tendo a conhecido apenas hoje. Não sabe que se dependesse de mim eu estaria com ela desde o primeiro dia! Ela não sabe e eu preciso que saiba! – Harry gritava em meio a um choro compulsivo e sentia o coração acelerar, bem como uma crise asmática tendo seu início e o ar se tornando cada vez mais difícil de conseguir — Por favor! Eu preciso que ela saiba. Preciso que minha garotinha saiba que eu a amo. – E com aquelas palavras foi que Harry sentiu mãos o segurando pelos braços e se virou encontrando dois seguranças.
— Precisamos que nos acompanhe senhor. – Os seguranças pediram e Harry encarou o portão de embarque.
— Não, por favor. – Ele pediu, porém já estava sendo levado e decidiu que lutar era inútil.
Enquanto era levado notou alguns celulares virados em sua direção e apenas baixou a cabeça sabendo que em breve, quando aquilo estivesse na internet, ele receberia uma ligação de Jeff, seu empresário, em busca de resposta de porquê Harry havia ido visitar a família e terminado envolvido em uma confusão no aeroporto.
Foi levado para uma sala naquele mesmo corredor e ali foi deixado pelos seguranças junto a um copo de água enquanto se acalmava.
Harry demorou alguns minutos até finalmente aceitar que naquele momento não havia mais nada a ser feito. Elas iriam embora. Iriam de volta para sua casa junto a Maison e ele não sabia o que seria do futuro ou da descoberta que havia feito naquele dia.
Se colocando de pé próximo a janela que havia na sala ele encarou o avião deixar o último portão de embarque e seguir para a pista de decolagem e logo içar voo, levando consigo sua filha.
— Senhor Styles? – Ouviu a voz masculina na sala e se virou brevemente encontrando o chefe da segurança do aeroporto ali. Voltou seu olhar para o avião que se tornava cada vez menor conforme se afastava no céu — Não vamos registrar nenhum tipo de queixa, pois entendemos a situação. Então o senhor está liberado. – O homem informou e Harry assentiu sem olhá-lo — O que pretende fazer senhor Styles? Quer que eu chame um táxi? Ou alguém? – O homem ofereceu e com os olhos marejados ele o encarou.
— Não é necessário. Obrigado. Eu só… só vou para casa. – Informou baixo e o homem assentiu.
Harry caminhou em direção a porta e dando uma leve tapinha nos ombros do homem junto a um sorriso agradecido, ele deixou a sala. Caminhando pelo aeroporto com alguns olhares sobre si, Harry revivia aquele dia em sua mente e sentia que tudo havia virado de cabeça para baixo.
Seus pensamentos e sentimentos eram uma bagunça e naquele momento havia apenas uma certeza: voltaria para casa sozinho naquela noite.