Traveling On Love

Traveling On Love

  • Por: Tatye
  • Categoria: Especiais | Verão
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Sinopse: Quando uma viagem pro Havaí reúne quatro amigos de longa data, as coisas podem
mudar de rumo. Enquanto um deles completava ano de namoro, o outro tentava entender
que sentimentos tão bonitos não deveriam ficar guardados.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrições: Nenhuma
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

✈ ✈ ✈

As duas garotas recolheram os cartões de check in e passaram pelo saguão da Aloha!, puxando as pequenas malas que haviam levado naquela semana de férias longe de todas as responsabilidades e perto das praias mais lindas de Honolulu, Havaí. O grupo tinha planejado aquela viagem durante meses a fio e após conseguir os mesmos dias de folga na agenda de todo mundo, reservaram quartos duplos em uma das pousadas mais conhecidas e aconchegantes daquela cidade.
estava feliz por finalmente dar um tempo em todos os papeis que pastas que ocupavam sua manhã de gerente e exalava isso pela forma que andava balançando os cabelos. Já parecia encantada com a arquitetura do lugar e pouco ligava se não estava olhando pra frente, ela só queria poder gravar tudo com a mente, além das inúmeras fotos que já tinha tirado no intervalo dos últimos 10 minutos.
-Eu nunca vou entender a sua paixão por hotéis e pousadas! – riu ao ver todo o encanto e magia que cegava a amiga toda vez que ela entrava em um recinto daqueles.
-Todos eles têm algo incrível. Fora a arquitetura. – a moça suspirou satisfeita. – Todos eles nos guardam histórias incríveis! – o sorriso imenso varou as bochechas de . Era realmente empolgante imaginar que algo novo poderia acontecer a cada viagem. – Aqui parece ser realmente incrível e a comida deve ser melhor ainda. Quero provar tudo! – as duas tiram.
-Opa! E qual será a história desse? – fez a pergunta como se aquele fosse um dos mistérios das produções cinematográficas.
-De verdade? Eu espero que seja incrível. – suspirou ao começar andar de costas enquanto puxava a mala.
Era incrível toda a decoração da pousada e os elementos mais havaianos que as duas podiam imaginar, pequenas palmeiras em jarros, esculturas em madeira e um lobby cheio de pranchas de surfe, que as duas tinham certeza já terem sido usadas. Os boatos que corriam é que uma das filhas dos donos da pousada era campeã júnior dali. suspirou animada e foi questão de segundos até ter seu corpo segurado por um relativamente maior. Ela tinha batido em alguém!
-AI MEU DEUS! – virou de uma vez, até meio envergonhada por sua desatenção e quis rir ao ver o rapaz que ainda lhe encarava.
-Desculpa, moça! – ele verbalizou com um sorriso muito bonito, deixando encantada por nunca tê-lo visto antes. O sorriso, não o rapaz!
-Eu sou desastrada! – a garota prendeu a risada em uma linha fina com os lábios e logo os dois miraram o olhar em, que bufou alto.
-Não, não, você estava de costas. Eu que errei! – o rapaz simpático insistiu. – Deveria ter prestado mais atenção.
-Eu não devia andar de costas, definitivamente! – os dois riram com o jeito que ela advertiu a si. – Ou deveria, não sei mais! – ela mordeu levemente a boca e sentiu o queixo ir no chão. não estava fazendo aquilo, de verdade. Ela não tinha soltado uma cantada na cara de pau.
-Acho que eu deveria. Quem sabe não tenho mais encontros desse? – ele piscou ainda mais galante que ela, vendo a moça morder um sorriso bonito, mas que parecia o atormentar há eras.
, prazer! – a garota esticou a mão mostrando estar disposta a conhece-lo melhor.
. – ele piscou ainda com um sorriso largo e completou ao beijar o dorso da mão dela. – O prazer é todo meu!
-Vocês são dois idiotas! – esbravejou com o teatrinho do irmão e da melhor amiga, embora duvidasse que metade daquilo fosse brincadeira.
tinha um crush na garota desde sempre e parecia seriamente interessada no professor de música há uns bons meses. Ela só não sabia se os dois estavam cientes daquilo. Os xingados soltaram a maior gargalhada com a indignação da filha mais nova dos e acabaram se abraçando como em um cumprimento que exalava amizade, ao menos por enquanto.
-Uma mulher linda dessas no meio do saguão… eu não ia deixar passar. – beijou a cabeça da moça, que portava um sorriso bem superior de alguém que concordava inteiramente com aquilo.
-E eu não sou obrigada a te ver cantando minha melhor amiga, sem saber se isso é brincadeira ou verdade! – a moça deu um sorrisinho sacana de quem sabia coisa demais, vendo o irmão mais velho arregalar os olhos como se pudesse matá-la com aquilo.
-Em minha defesa! – quis desviar do assunto, embora duvidasse que tivesse entendido o olhar dos dois: – Ela que me cantou primeiro! – ele apontou pra amiga.
-Mas claro! – o agarrou de lado como se o rapaz fosse um urso. – Um cara lindo desses, bicho! Para de ciume do meu ! – ela mostrou a língua, ganhando olhares duvidosos dos dois irmãos, a maior cara de “É o quê?”.
-Vocês ainda estão aí? – apareceu até confuso com tanta demora, ele e tinham levado as malas mais pesadas para o corredor em que o quarteto dividiria quarto, mas não tinha entendido porque e estavam demorando tanto.
“Salva pelo gongo. Ou melhor, pelo !” pensou, mas logo afrouxou os braços em torno do corpo de . Não era tão confortável quanto parecia dar em cima do irmão da amiga bem na frente dela, principalmente quando ela tinha entendido e ele não. Homem era tudo lerdo mesmo!
-Esses dois parecem crianças! – apontou. – Vem, , a gente precisa guardar as malas e comer alguma coisa. – o chamado foi com um gesto singelo e os dois se soltaram do abraço, cada um ganhando um beijo na bochecha.
-A gente vai pedindo alguma coisa pra comer. – apontou na direção do restaurante aconchegante da pousada. – Não demorem!
-E se possível, desçam prontas! – apontou como se fosse autoridade sobre as duas moças mostraram a língua igual crianças de cinco anos.
passou pelo primo e não deixou de bater levemente na cabeça do rapaz, embora na mais pura pirraça e brincadeira. Ele mostrou a língua como protesto e aproveitou pra abraçar , sua namorada há quase um ano, os dois completariam um ano de namoro naquela viagem e o rapaz tinha bons planos em mente para comemorar o primeiro aniversário. e rolaram os olhos com o grude dos dois, demonstrado quando sorria largamente e ganhava um beijinho fofo do namorado.
-Quer também? – a comprometida riu da careta do irmão e antes que ele pudesse retrucar, continuou: – Pede pra , ela parecia bem interessada quando te cantou. – ela abriu um sorriso esperto, ganhou um beijo espremido do namorado na bochecha e estava até feliz com a certeza de que mal nenhum tinha feito.
-Cala a boca! – reclamou ao sentir a cara esquentar e a puxou pelo punho, separando os pombinhos apaixonados.
-Eu achei que estávamos todos em uma imensa brincadeira. – ria enquanto se deixava ser levada pela melhor amiga. Sinceramente? Seu maior presente seria a amiga de infância e o irmão se gostando.
estreitou os olhos pra ela, parando no meio do corredor ainda embalada pelas risadas divertidas da outra.
-O quê?
-Os irmãos são dois doidos! – o dedo da mais nova estava em riste, quando ela tentava se convencer do que dizia, porque claramente tinha dado em cima dela e ela aceitado as cantadas, assim como também devolvendo-as ao dono.
-Ele é doido por você, ! – passou a mão no rosto pra se recuperar das risadas após a cena do irmão, certa que a melhor amiga sabia de tudo aquilo. Na verdade, era impossível que ela não soubesse, era o ser humano que mais dava na cara pra tudo que sentia. – Não é possível que você não saiba disso. Tudo mundo, repito, todo mundo percebe o quanto a babá dele escorre por você.
-Não viaja! – abriu a porta do quarto, ainda que tentasse esconder um sorriso e um par de bochechas coradas.
-Nós quatro estamos! – a outra moça zoou e as duas acabaram rindo. – Mas sério, eu sei que ele é meio vergonhoso às vezes, mas é um cara legal. – as duas entraram no quarto e enquanto colocava a mala na cama, foi vasculhar o quarto.
-Eu sei! – a garota esganiçou sobre ser incrível. – O banheiro é imenso! – o gritinho animado fez correr onde ela estava pra surtar junto.
-E ele está solteiro, então você poderia dar uma chance… – arqueou de leve a sobrancelha pra melhor amiga que parecia radiante com a notícia.

🌴🌴🌴

A praia estava excepcionalmente linda aquele dia, o mar quebrando bonitas ondas na beira da praia, a areia morna sob os pés, o sol na medida certa distribuindo vitamina D por onde ia e a leveza que o ambiente trazia. Algumas crianças brincavam de vôlei ao lado, gargalhando sempre que a bola escapava das mãos e ia parar nas toalhas vizinhas, mandadas de volta com um sorriso e a vontade de se juntar a brincadeira.
-Você tá nervoso? – perguntou sentado em uma toalha, abraçando frouxamente os joelhos e ouviu um grunhido meio desesperado do amigo. Os dois riram alto.
-Uma pilha de nervos! Eu sei que é uma decisão importante, mas eu sinto que o momento certo de chamar sua irmã pra morar junto, sabe? – sacudiu o cabelo ao olhar pro melhor amigo, esperando o maior apoio do mundo. E foi exatamente aquilo que ele recebeu, sorriu largamente e afirmou com um aceno sincero.
-Acho muito bonito o jeito que vocês se gostam! – o rapaz sentiu as bochechas ficarem mornas e teve o péssimo impulso de olhar pra à beira da praia, jogando um tipo de vôlei esquisito com . Ele sacudiu a cabeça e sentiu o ombro ser empurrado pelo amigo, como se o comprometido o incentivasse a investir em . – Não é tão simples, cara. A gente é amigo desde a época do colégio, chega a ser vergonhoso o tanto que eu sou arriado por essa mulher.
, você tá se escutando? – o outro arregalou de leve os olhos e viu o amigo suspirar parecendo frustrado. – Eu também sou amigo da sua irmã desde o colégio e o sentimento só veio surgir uns anos depois. – explicou movimentando as mãos como já era sua marca. – Aproveita que a gente tá aqui nesse lugar incrível e faz logo o certo de uma vez.
O outro confirmou com um aceno de cabeça, mas parecia meio apavorado com a ideia.
-Já é um bônus, já que eu vou jantar com e não quero nenhum de vocês no pé como se fossem duas crianças insuportáveis. – se encolheu com nojo ao receber uma sacudida de areia na cara.
-Você é tão idiota, ! – rolou os olhos, embora concordasse em partes com aquilo. Ele e junto dos pombinhos não iria ser exatamente uma boa ideia, principalmente porque iria se retrair um pouco e tudo que o professor de música não queria, era estragar a noite perfeita do amigo.
-Vocês vem jogar, ou vão ficar namorando aí sentados? – o grito de chamou mais atenção do que o esperado e riu da cara dos dois sedentários.
-Até parece que o aniversário de namoro é com meu irmão! – a mais nova soltou um gritinho escandaloso, vendo a pessoa que ela mais amava e odiava ao mesmo tempo, se jogar na areia rindo.
Era muita viagem em uma cabeça tão pequena. fez a maior cara de ofensa fingida e num pulo, levantou na areia correndo em disparada na direção da namorada, soltou um gritinho com a imagem do rapaz indo sem freio na sua direção e largou a bola sem pensar muito. Logo o rapaz alcançou-a e misturando cocegas e beijos, abraçava a namorada como se nada no mundo pudesse atrapalha-los.
-Quer dar um mergulho? – perguntou a uma que sorria com a cena do casalzinho. Era um sorriso lindo na opinião do .
-Vem! – ela agarrou a mão dele com um sorriso ainda maior, o que esquentou o coração mole do rapaz.
Ele sorriu exatamente da mesma forma, enquanto se deixava ser arrastado mar a dentro e pensava que poderia ser muito bem uma sereia pra lhe encantar daquele jeito. Os dois riram com a água gelada que arrepiava a pele quente do sol e aproveitou o momento para abraça-la pela cintura tirando-a do chão. A moça sacudiu as pernas como se fosse uma criança mimada e espirrou água para todo lado, fazendo risadas mágicas brotarem da garganta do mais velho.

🌙🌙🌙

Depois de empurrar a amiga pra fora daquele quarto, ou nunca escolheria as combinações perfeitas, por mais que ela estivesse incrivelmente linda com a roupa que tinham decidido, suspirou aliviada em saber que tudo estava ocorrendo na mais perfeita ordem. tinha combinado direitinho com ela e o que deveriam fazer pra ajuda-lo e pela força tarefa, parecia estar realmente dando certo, em algumas horas, oficialmente teria um endereço novo quando eles voltassem pra casa. Aquilo era incrível, chegar aos 27 com um relacionamento saudável e estável, esbanjando amor e romantismo.
Ela apertou as têmporas ao sentir a cabeça latejar, certamente pelo sol forte durante o dia e suspirou. Precisava procurar os remédios quietinha levado para casos de emergência, ou precisaria tirar do conforto pra ir comprar remédio com ela no meio de Honolulu. A garota mordeu a boca tentando lembrar onde estava a bolsinha e ouviu três toques na porta.
-Entra! – ela disse alguns decibéis mais altos e alcançou o remédio na mala da outra.
-Seu date night acaba de chegar! – piscou pra amiga, segurando algumas sacolas de papel que ela jurava ser qualquer tipo de massa ou comida típica. O garoto era a melhor companhia pra viagem por motivos de: ele entendia mesmo de comida!
riu com a pose dele e jogou o comprimido na boca. A companhia com certeza ajudaria sua dor a passar mais rápido, até porque conseguia ser o cara mais carinhoso e fofo que ela tinha conhecido em todos aqueles anos, gentil e cuidadoso que só ele com quem quer que fosse. O rapaz já tinha se acomodado no chão da varanda de frente pro mar e organizado as coisas na mesinha de centro que fazia par com as cadeiras de palha. Ela suspirou involuntariamente por se dar conta que ele era sim incrível e talvez ela tivesse perdendo muito tempo da vida em ver apenas como amigo.
-Não quis ver nada na TV? – ela se apoiou na porta de madeira do quarto e logo estava sentada ao lado dele em posição de índio. sorriu meio desacreditado e negou com um aceno.
-Não tem nada de interessante. – ele sorriu levemente. – Tá aí uma coisa ruim no Havaí, a TV! – ela sacudiu a cabeça, mas concordava totalmente com ele.
-O que você trouxe de comida? – esticou as pernas e escorou ao lado dele na parede da varanda.
-Uns petiscos, comprei a massa que você gosta e trouxe cerveja. – abriu um sorriso de quem sabia bem o que estava fazendo. – O que você vai querer, moça?
-Acho que vou dar uma evitada hoje. – ela riu com a cara de interrogação nele e encostou um pouco mais o corpo ao do rapaz, mesmo que só o braço. Arqueou as sobrancelhas grossas bem incrédulo com o que a maior pinguça tinha acabado de falar. Ela estava doente? – É só dor de cabeça! Mas já tomei remédio, só preciso de carinho.
-Vem cá! – ele abriu os braços pra moça que não contou conversa ao se aconchegar no seu abraço e deitar a cabeça no ombro. respirou fundo e sentiu o cheiro gostoso do perfume dele querendo ficar ali pra sempre por estar tão em paz.
-Mas me diz o que o garoto que invadia vestiários planeja, já que a TV não funciona. – ela mordeu a boca pra prender a risada após o comentário sobre o acontecido na adolescência dos dois e ouviu o contrário dele, soltou uma gargalhada espontânea, por mais que tivesse tapado a boca depois em respeito a dor dela. lhe deu um beijo apertado na bochecha levemente barbada.
-Olha, não tem vestiário aqui, então aceito sugestões. – o rapaz aconchegou-a um pouco mais no abraço.
-Tapado! – os dois riram. – Porque raios você fez aquilo? Quase foi expulso! – o esganiço foi sem tamanho e até acompanhado a um tapa no braço com o maior jeito de namoradinho. – Eu neguei até a morte aos meus pais sobre estar lá dentro!
-Ah tava. Oh se tava, e como tava! – o garoto usou um tom suspeito pra resposta, sentindo se encolher em seu pescoço e não achando nada ruim. – E eu era um moleque tapado, não tenho explicação melhor!
-Se meus pais soubessem disso, eu perdia sua carona e qualquer contato contigo. – ela suspirou nostálgica e sentiu a sensação gostosa do carinho de em sua cabeça. Ele era absolutamente, o único autorizado àquilo. – Eu não ia a pé pro colégio, sem chance! – os dois riram, sabiam bem que nada se resumia a amizade desde muito tempo, embora fosse muito mais confortável fingir que sim.
-Fico muito grato em saber que eles não descobriram nada disso. Os meus, pelo contrário, quase arrancaram meu coro da bronca.
-Você mereceu, ! – respirou fundo pelo carinho gostoso e percebeu quando ele tomou fôlego, provavelmente queria lhe dizer algo importante. Sempre tinha sido assim, quando ele inflava o peito, vinha algo sério pela frente.
-Lembra da nossa formatura do colégio? – perguntou ao deixá-la acomodar as pernas sobre as suas, certamente a câimbra não perdoava.
-Você foi com a Kelly Adams. – um beijo foi estalado na bochecha do rapaz e aquilo além de fazer suas bochechas enrubescerem, lhe deu coragem pra confessar que gostava dela. – E a gente ainda dançou descontrolado no fim da festa, foi incrível!
-Essa foi a melhor parte pra mim e eu queria ter ido com quem eu gostava, na verdade.
Só aquilo foi preciso pra ela levantar a cabeça de uma vez e arregalar os olhos com toda a curiosidade em saber quem era a garota que ele gostava.
-ME CONTA!
-Ah para! Sem zoeira, ! – ele riu da cara de pau dela e bateu no próprio ombro mais uma vez, chamando-a pra deitar ali. Era tão na cara o quanto ele babava por ela que só poderia ser brincadeira da garota.
-Não estou zoando! Quem era a sua crush babaquinha de colegial que não quis ir contigo ao baile? – ela quase o sacudiu de ansiedade, ouvindo a risada desesperada e dolorosa de .
, para de sacanagem! – ele riu um pouco mais por estar nervoso. – Não tinha como não saber, era muito na cara. Puta merda! – o rapaz passou a mão no rosto, tentando controlar as risadas do estado de nervoso. Ela fez a maior cara de choro com as desviadas dele e o moço fechou os olhos, tomando coragem pra contar. – Ai merda, eu não sei se quero falar! – desafinou vendo-a rir alto.
-Não estou preparada pra saber que seu crush de colegial era outra! – botou a mão no peito na intenção de fazer cena, mas a frase saiu até meio ofendida com a ideia, ainda mais quando ela sempre tivera uma quedinha por ele.
-Aí é que tá, , não era mesmo! – o sacudiu de leve as mãos e viu a moça arregalar os olhos até demais.
-PUTA MERDA! – ela tentou manter a comida e o estomago. Será possível que eles tinham perdido tanto tempo? – Caralho! – as mãos taparam a boca de uma vez pelo palavrão.
!
-Eu tinha 16, achei que era só amizade, por mais que eu gostasse de você também. O que ainda é válido! – ela arregalou os olhos ao confessar logo o que estava preso em sua garganta e arrancou dele um dos sorrisos mais lindos que o cara já tinha dado.
-Era amizade! É na verdade, mas eu quero colorir ela. – o bico do garoto era gigantesco, fazendo soltar um grunhido fofinho. Ela também queria e com todas as canetinhas que pudesse.
-Eu adoraria usar o lápis de cor com você! – a moça respondeu inconformada e os dois riram alto. entrou na brincadeira e negou com um aceno vagaroso de cabeça como se a vez dela já tivesse passado. – Nada de usar sua canetinha, hoje? – mais um bico decorava os lábios rosados dela e o fazia perder totalmente o foco.
-Essa frase saiu tão ambígua que até me perdi! – ele abriu bem os olhos e soltou uma risada descontrolada, carregando a dela junto.
! – inclinou a cabeça de lado parecendo estar incrédula com os pensamentos tortos dele, mas foi abraçada por dois braços ágeis.
-Eu não tenho culpa do que você fala, menina linda! – ele piscou sem deixa-la sair do acocho e nem a garota queria, desconhecia braços mais confortáveis que o dele.
-Mas tem pelo que entende! – o dedo em riste cutucou o queixo dele por estar extremamente perto pelo abraço. – Nem o lápis de cor? – encarou os lábios chamativos do rapaz e o pegou fazendo exatamente o mesmo com os seus. Os dois suspiraram e sentiram a baforada de ar pela proximidade.
-O estojo todo se você quiser, é tudo seu, . Sempre foi. – ele mordeu um sorriso espontâneo e ao umedecer os lábios, sentiu as mãos dela subirem por seu pescoço em um arrepiar gostoso e uma delas pousar em sua mandíbula, enquanto a outra fazia carinho na nuca.
trouxe o corpo dela pra mais aconchegado de frente ao seu sentiu todo nervosismo e tensão antes de capturar os lábios dela em um selinho cuidadoso. não estava tão diferente assim com todo o nervosismo, ainda mais quando a lua incrível iluminava os dois na varanda, o som das ondas quebrando na praia e os sorrisos imensos esticados nos lábios dos dois. Ela passou a mão pelo cabelo dele como se ajeitasse algo nos fios caindo na testa e o garoto mordeu a própria boca, louco pra tirar uma lasquinha daquela na boca dela. Ele tomou a liberdade de roubar mais um beijo, dessa vez passando a língua nos lábios da garota que gostava há tanto tempo e sentiu o carinho ser retribuído quando os lábios macios dela beijaram os seus com uma volúpia imensa, além de carinho, ternura e algo que parecia ser um amor imenso.
-Eu queria isso desde os 17 e duvido que vá deixar de querer algum dia. – disse sem conseguir esconder o sorriso e colocou o cabelo dela atrás da orelha vendo o quanto a jovem mulher estava com as bochechas coradas e sorrindo igual a ele.
rolou os olhos como se esperasse que o cara fechasse o bico e a beijasse de novo, circundou o pescoço dele com os braços e o beijou dessa vez, sentindo o corpo de praticamente derreter sobre seus braços. Era tão clichê imaginar que o rumo dos acontecimentos tinha sido aquele, os dois apaixonados e sem se tocar daquilo, as cantadas divertidas que sempre tinham um quê de verdade e o empurrão de uma viagem pro Havaí.

⛱ ⛱ ⛱

Se o Havaí já era lindo, estava excepcionalmente deslumbrante àquela manhã, talvez o amor e o gostar recíproco colorisse mesmo as coisas, os verdes das palmeiras pareciam mais verdes, a água do mar mais viva e a brisa que os rondava, mais gostosa. e tinham chegado bem cedo à praia naquele dia, antes das sete e os dois já estavam com os pés enterrados na areia, uma prancha colorida do lado, aproveitando da companhia mútua e distribuindo sorrisos a qualquer custo. O rapaz estava de costas entre as pernas da moça, enquanto ela o abraçava por trás e cantarolava qualquer coisa que viesse à cabeça, começando um murmúrio sobre uma música que relembrava tanto a sua adolescência.
-I just wanna date a surfer babe
I hope I’m not a little too late
I never know what you’re gonna say
You don’t think that you’re my type
But you are, but you are, but you are, but you are…
A voz da moça parecia ter saído de uma música previamente gravada, à medida que ela contava as pintinhas naturalmente distribuídas nas costas do rapaz a sua frente. Talvez seu amante, príncipe ou futuramente namorado. Eles não tinham nada a perder se decidissem namorar, apenas a ganhar com tantas vivências e boas lembranças.
-Sabe, eu surfo… – incitou o assunto pela música cantada e a garota riu sem ter exatamente um motivo. Desde que tinha acordado àquela manhã sem saber o paradeiro de e , o mais novo casal sorria pro vento.
-Eu achei que a prancha era só cena! – ela encostou o queixo no ombro dele, fazendo um biquinho zoeiro e sentiu quando o rapaz puxou levemente seus braços para que ela o abraçasse.
-Cena? Que nada! Eu sou melhor do que muito surfista profissional por aí. – ele inclinou a cabeça pra olha-la e piscou. Não tinha nada mais gostoso do que aquelas brincadeiras entre os dois. – I’m a surfer babe, babe. – o moço arqueou a sobrancelha pra ela, ganhando um beijo estalado no canto da boca.
-Conhece mesmo a música?
-As crianças me pedem bastante McFLY na escola. – o sacudiu levemente a cabeça com aquilo e ouviu uma risadinha encantada da garota.
-E quando você pretende me mostrar que sabe surfar? – manteve o bico.
-Quando você quiser! – ele roubou um beijo, deixando-a mais sorridente do que já estava.
-Tem certeza? – ela o apertou mais no abraço quentinho. – Você pode ser o surfista de outra garota… – deu de ombros e ouviu a risada incrédula dele.
-Se você contar minha mãe e minhas alunas, aí talvez. Conta? – fez careta pelo sol e sentiu um beijinho gelado no ombro.
-Hm. – a moça fechou um dos olhos. – Da dona Sarah não dá pra ganhar. Mas me lembra aí a idade das suas alunas.
-Na maioria são crianças e adolescentes. 10 e 15 anos. Nessa faixa. – enlaçou os dedos aos dela, apoiados em seu peito pelo abraço em um aconchego tão gostoso que ele não queria sair mais nunca dali.
-Nossa, então ferrou pra mim! Não estou a fim de encarar adolescentes raivosas porque roubei o surfista delas!
-A maioria na faixa dos 15 já namora, porque eu não posso, moça? – ele pendeu a cabeça pra trás, escorando a nuca no ombro nu da moça e ganhando um carinho com o nariz dela em sua bochecha. – A juventude ta precoce né?
-Qual é? A gente era bem pior com 15, invasor de vestiários! – o cutucou na cintura e ouviu a gargalhada espontânea.
-Eu era um santo, isso aí foi delírio coletivo! – esticou o dedo em riste, piscou pra ela e de quebra, ganhou um beijo sugado nos lábios. As vantagens de estar muito cedo na praia era o pouco movimento das pessoas.
-Então eu vou ter que encarar suas fangirls? – a moça fez uma careta fingida de desgosto, como se fosse um martírio se submeter àquilo.
-É o preço que se paga né? – ele deu de ombros fingindo não dar a mínima pra pseudo preocupação dela sobre suas alunas.
-Primeiro preciso que você me ensine a surfar. Sabe, ai eu vou poder ser a garota da música, assim vai que elas nem me odeiam tanto. – piscou com um sorriso mais do que maroto, aproveitando que as ondas estavam calmas, a praia estava calma e nem tinham aparecido ainda. A noite parecia ter sido muito boa mesmo e ele saberiam de um milhão de coisas assim que acordassem, a primeira delas era que o quase casal estava finalmente junto.
levantou da areia limpando as mãos e a bermuda suja, sacudiu de leve o cabelo que insistia em cair na cara e ao sorrir pra uma de biquíni, bochechas róseas, além de um dos sorrisos mais lindos que ela tinha. Os dois eram mesmo sortudos por ter algo tão preciso e recíproco. O garoto esticou as duas mãos pra ela, sentindo as dela segurarem as suas com força e confirmação de que ela confiava nele cegamente. Ela aproveitou o impulso, levantou de uma vez e sentindo a areia pregada na sua bunda, sacudiu o corpo de uma forma engraçada que fez os dois rirem.
-Vem surfer babe, vamos aprender a surfar!
Ele piscou enquanto sorria largamente e abraçou-a pela cintura, ganhando mais uma série de beijinhos apaixonados pelas bochechas e boca, tendo a mais absoluta certeza de que aquela viagem estava sendo a mais inesquecível da sua vida. O lugar já ajudava pela beleza e riqueza de natureza, mas ver a irmã dando mais um passo no relacionamento de um ano com seu melhor amigo e ele mesmo conquistando a garota que sempre sonhou, não tinha o menor preço.
O verão era mesmo a melhor estação do ano e nada superaria aquele.

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N/a: Olá gente! Primeiro especial do ano e meu primeiro desafio com data também! Fico muito grata de poder participar de algo tão gostoso.
A fic dessa vez veio diferente, levinha e cheia de amor. Espero que vocês gostem!
Beijinhos, Taty!