White Horse

Sinopse: Uma viagem de acampamento foi o suficiente para mostrar a todos que nem tudo é tão perfeito quanto parece, e que nem todos os contos de fadas precisam de um príncipe.
Gênero: Romance
Classificação: 14 anos – palavras de baixo calão.
Restrição: A continuação se encontra nesse mesmo especial, em uma música chamada Betty

A garota estava sentada na sua penteadeira, enquanto admirava a visão que tinha do por do sol pela janela. Penteava seus cabelos loiros com calma, mas seus pensamentos estavam uma completa e apaixonada bagunça.
estava em todo canto em suas lembranças. O primeiro dia em que se conheceram na escola e ela detestou o senso de humor dele, afinal, aquele menino nunca parecia ter problemas; estava sempre sorrindo, de bem com a vida e nunca reclamava de nada, nem mesmo das aulas de matemática do Sr. Jeffrey.
Era irritante.
Com alguns anos, eles se tornaram amigos, amizade essa que custou alguns anos e tentativas falhas do garoto, para evoluir. O primeiro beijo aconteceu na casa da árvore; ela estava chorando por conta de uma nota baixa e ele tentava a todo custo consola-la. Quando ambos perceberam, o beijo já estava acontecendo.
A felicidade constante do rapaz não irritava mais. Muito pelo contrario, a deixava leve e passou a ser contagiante.
Naquela mesma semana a pediu em namoro, na frente da escola inteira durante o intervalo. Se tornaram o casal mais invejado da escola, e não era para menos, já que o garoto fazia o possível e impossível para trata-la como uma princesa. As garotas, inclusive as amigas da menina, suspiravam pelos quatro cantos do colégio desejando um namorado como .
O relacionamento dos dois era realmente um conto de fadas. Sem mentiras, sem brigas ou intrigas, e os pais dela amavam , assim como os pais do garoto eram apaixonados pela menina.
Era o ultimo ano do colégio. Ultimo verão. havia ido para um acampamento de verão, juntamente com alguns colegas da escola. A garota se recusou a ir; detestava mosquitos. Mas confiava o bastante no namorado para deixa-lo ir durante quinze dias e aproveitar com os amigos, afinal, depois das férias, todos iriam para suas faculdades ao redor do mundo e o rapaz não teria mais a companhia de todos os amigos.
Iriam para a faculdade juntos. Ambos passaram para Oxford, e não poderiam estar mais felizes; a ida para a faculdade não atrapalharia em nada, afinal, estariam juntos no mesmo lugar.
Ela também queria ficar um tempo com o seu grupo de amigos, e apesar da saudade que sentiriam um do outro, era apenas quinze dias, não afetaria o relacionamento incrível que tinham. Pelo menos eles achavam que não.
estava voltando para a cidade após os quinze dias longe. A garota podia sentir a euforia e a ansiedade no ar; desde que começaram a namorar, nunca haviam ficado longe por tanto tempo.
Era uma sexta-feira, e eles iriam completar três anos de relacionamento no sábado. O presente do garoto já estava guardado bem ao fundo do armário para que não fosse encontrado antes da hora, mesmo sabendo que o presente dele para ela deveria estar guardado no mesmo lugar. Tinha certeza de que havia providenciado tudo para o tão esperado sábado. Ela também já havia decidido;
Entregaria a sua primeira vez a ele. Sabia que não se arrependeria, parecia um príncipe em seu cavalo branco, sempre tão gentil e carinhoso; seria uma noite perfeita.
O sorriso nos lábios da garota denunciava a paixão. Era incrível estar apaixonada mesmo depois de tanto tempo. Olhar para o rapaz sempre que ele se aproximava e ainda sentir aquela euforia; sentir as borboletas no fundo do estomago.
Os devaneios foram interrompidos quando suas três fieis amigas entraram no quarto.
… — uma das meninas, Elise, chamou, fazendo a menina se virar, ainda sorrindo. — chegou.
A garota levantou em um pulo, se direcionando ao closet enquanto batia palminhas em excitação. Precisava trocar de roupa, tirar aquela calça jeans skinny e o suéter marrom, e colocar algo mais arrumado. Um vestido azul claro que adorava parecia uma ótima opção naquela altura, e a garota não pensou duas vezes antes de agarra-lo e voltar para o quarto, indo em direção a penteadeira de novo, visando passar um pouco de maquiagem.
já havia visto a menina em seus piores estados; chorando, descabelada ao acordar, de pijamas, doente, mas mesmo assim ela queria estar bonita para revê-lo.
Ah, a paixão e seus atributos…
— Vou precisar de ajuda para fechar o zíper, acho que engordei. Ele vai me achar uma porca de gorda! — comentou ao sentar em frente ao espelho, olhando de relance para as amigas, que se mantinham caladas e sérias. — Ok, me digam o que aconteceu. Ele pintou o cabelo? Quebrou uma perna? Por que vocês estão com essa cara de velório?
— Você sabe, nós moramos em uma cidade pequena, os comentários aqui correm rápidos… — uma das meninas, Emily, começou.
— Podem falar porque agora eu já estou preocupada. Esta tudo bem com o ? — pediu, largando o gloss de morango em cima da mesa e se virando para as amigas.
traiu você com a Inês, enquanto ele estava no acampamento. — a ruiva, Ellie, se pronunciou cortando o suspense.
traiu você com a Inês.
traiu você.

— Quê? — foi a única coisa que a garota conseguiu pronunciar.
Traiu você com a Inês.
Traiu.

— Joshua mandou avisar. Já está correndo por toda a cidade. — a garota completou.
— Como? — perguntou, já sentindo seus olhos enxerem d’agua e seu peito doer.
— Eles começaram a dormir juntos lá para o nono dia no acampamento. A barraca dela rasgou e ela precisava dormir com alguém. — Emilly contou, se sentindo péssima por ser a porta voz de uma noticia como aquela.
Nono dia. Foi quando ela ligou para desejar boa noite e ele desconversou. Durante os quinze dias, todas as noites eles ligavam para ficar conversando um pouco e tentar matar a saudade, mas de uns dias para cá, ele não estava mais atendendo, se limitando a trocar mensagens.
Ela compreendeu, achando que era a falta de tempo, afinal, quem vai para um acampamento com os amigos para ficar no celular?!
Ela havia sido ingênua. Burra, para ser mais direta.
— Uns dizem que ela pediu para dormir com ele… Outros falam que ele ofereceu… — Ellie continuou. Sabia que estava machucando a amiga, mas sabia também que ela não iria querer ser poupada de ouvir a história.
— Ele me traiu. — concluiu, não segurando mais as lagrimas. — Ele já esta em casa?
— Sim, chegou a mais ou menos uma hora. — Elise informou.
não pensou duas vezes em sair do quarto, descendo as escadas o mais rápido que pode, tropeçando em alguns degraus enquanto ouvia as amigas chamarem seu nome, mas se limitava a ignorar.
Ela sabia que era verdade. Suas amigas não lhe mentiriam. Mas precisava escutar dele.
Suas mãos não hesitaram em agarrar as chaves da caminhonete de seu pai, cantando pneus ao ligar o carro.
Filmes passavam pela cabeça da menina. Memorias vividas demais para não doerem. Enquanto ela estava aqui, pensando em mil maneiras para surpreende-lo, ele estava dormindo com outra. Dormindo era uma palavra até que delicada para a situação; ele estava trepando com outra pessoa.
Sempre que quebrava um prato, queimava uma comida ou queria alguma coisa, ele tinha uma tática infalível de fazer uma cara de anjo para que não fosse reclamado. Uma cara de ‘fiz besteira, mas não briga comigo’, e sabia que dessa vez não seria diferente. Mas ela não era apenas algo que ele havia esquecido no forno, ou uma porcelana quebrada. Era a namorada dele.
Bom, agora não mais.
A casa do rapaz não era longe. Deveria ser uma distancia de dez minutos, mas a pressa fez com que a garota chegasse lá em cinco.
Ele havia sido avisado que ela estava indo. Caso contrario não estaria sentado na escada da frente com a cabeça entre seus joelhos.
O carro foi desligado e ao bater a porta, os olhos verdes do rapaz encontraram com os dela. Ambos com o rosto vermelho por conta do choro, e, exatamente como ela havia dito, lá estava ele com a cara de anjo arrependido.
Que bom que ele estava arrependido. Ele deveria mesmo.– pensou a menina.
— Me diz o porquê. — a garota pediu calmamente, ainda que seu interior gritasse para que ela o estapeasse e gritasse o tamanho do ódio que ela estava sentindo naquele momento. As lagrimas salgadas escorriam deliberadamente, e o vento embatia contra os cabelos loiros da menina. O frio estava doloroso, mas não doía mais que o coração partido.
— Me perdoa, … Ela estava sem lugar para dormir e eu… — começou, se levantando e caminhando em direção da menina, que se afastava como se ele tivesse uma doença contagiosa.
O asco que ela estava sentido já era perceptível apenas pelo olhar de descrença que seu rosto carregava. Ela sabia que aquilo estava machucando ele, mas a ferida do rapaz nunca chegaria aos pés de doer tanto quanto a dela. Ele causou tudo aquilo. Eles viviam um conto de fadas e agora…
— Eu não quero ouvir suas desculpas, . — gritou, perdendo todo o controle que achava que tinha. — Enquanto você fodia com ela, eu morria de saudades suas e contava os dias para ver você! Para poder te abraçar e te beijar, dizer o quanto eu te amo…
— Você ainda pode fazer isso, ! — diz quando a garota para de falar.
— Não, , eu não posso! Como é possível duas horas atrás eu estar devaneando em te encontrar, e agora a única coisa que eu sinto é nojo e vontade de sair de perto de você? — pergunta incrédula, dando uma risada sarcástica ao fim da pergunta. — Me diz o porquê. Sexo? Amor? O que faltou?
— O quê? Claro que não, nossa relação nunca precisou de sexo! — diz e tenta se aproximar novamente, segurando na mão da garota, que se afasta.
— É engraçado porquê você sempre foi um príncipe. Eu te achei um príncipe e todo mundo comprou a ideia de que você era realmente perfeito. — disse soluçando. Deus, ela não deveria ter ido ali. Estar perto dele, pela primeira vez, não estava sendo prazeroso.
— Eu sinto muito. Me perdoa… — pede e a garota nega. O choro de ambos estava tão alto que todos poderiam ouvir. A pequena plateia ao redor dos dois não era perceptível; eles estavam muito concentrados, em pedir desculpas, e em falar tudo que ela queria.
O rapaz não pensou duas vezes em se colocar de joelhos em frente a garota.
havia imaginado uma cena parecida com aquela incontáveis vezes. ajoelhado, mas com um propósito diferente. O tão sonhado pedido de casamento seria o motivo das lagrimas, que por sua vez, seriam de pura emoção.
Tantos planos, tantos sonhos, tantas imaginações com vários finais felizes diferentes… tudo jogado fora.
Ela deveria ter percebido. Deveria ter sido menos ingênua. Mas tudo bem, agora nenhuma lamentação adiantaria mais.
Aquele não era um conto de fadas.
— É tarde demais para você e seu cavalo branco, . — concluiu, limpando o rosto marcado apenas para que novas lágrimas pudessem escorrer.
não pensou duas vezes em sair, se direcionando novamente para a picape vermelha, percebendo finalmente alguns olhos curiosos.
Estava na hora de reinventar o conto de fadas; refazer os sonhos, mudar os planos e ter outro final feliz… dessa vez sem um príncipe no cavalo branco.
Nota da autora: Oi oi, segunda fic no site e devo dizer que foi um desafio e tanto hahaha. Obrigada por lerem, e um obrigada imenso a equipe do fofic que criou um especial incrível e me deu oportunidade de participar. Não se esqueçam de ler Betty para uma continuação, mas dessa vez do ponto de vista de James. Espero que vocês gostem <3All the love, Lary.