Wonderland

Wonderland

Sinopse: Ela estava fadada a morrer e ele a viver sob o estigma de seu diagnóstico, mesmo assim se completavam.
Gênero: Romance
Classificação: +16
Restrição: BTS. Kim Seokjin fixo como pp da história. Jung Hoseok também é personagem fixo na fic. Menção sobre suicídio, gatilho quanto a doenças mentais.
Beta: Rosie Dunne

Atenção: essa short é spin off da longfic Stigma, que encontra-se no site na categoria Kpop. No entanto, não é necessária a leitura prévia da fic para a compreensão da história.

 

Wonderland

 

Capítulo único

tocou com os pés a grama recém molhada do hospital em que estava internada há uma semana. Depois de sua conversa com a psicóloga e o psiquiatra que acompanhavam seu caso, a garota sentia necessidade de aproveitar as coisas simples da vida. Como tocar a grama com os pés descalços.
Sozinha no jardim do Sook, ela riu do seu próprio drama. Estava sensível, e isso só podia ser explicado como efeito da medicação que estava tomando desde que chegara ao hospital psiquiátrico. Sentia-se frustrada por ouvir da equipe que ela não teria muito tempo de vida restante, já que a overdose de medicação que tinha ingerido acabara por danificar o funcionamento correto de seu coração.
mexeu um pouco mais com os pés, sentindo a grama úmida entre seus dedos. Pensava o quanto a vida era injusta e não deixava que ela escolhesse o seu momento de viver ou morrer. Há uma semana ela tinha decidido findar com sua vida, mas seu plano tinha sido interrompido quando sua irmã a encontrou desmaiada no chão do banheiro. Por sorte, ou não, tinha sido resgatada a tempo e desde então estava em tratamento no Sook.
As palavras de Jung Hoseok, seu médico, ressoavam pela mente de sem parar: a previsão que podemos te dar , é de dois meses, no máximo. Não era com a morte que se importava, pelo contrário, ainda não tinha gana de continuar a viver, mas o que incomoda a mulher era o prazo de validade que estampava sua etiqueta invisível. Não ter controle dos seus próprios passos assustava bem mais do que morrer. Assim que pensou sobre isso ela levou a mão direita em seu peito, a fim de sentir seus batimentos cardíacos, não entendia do assunto, mas parecia que batiam em ritmo normal, mesmo que Hoseok dissesse que estavam mais fracos.
– Eles não gostam quando pisamos na grama do jardim – a voz apareceu de repente ao lado de , fazendo com que ela se assustasse.
– Quando você chegou aqui? – ela disse ao rapaz parado em sua frente ainda a encarando.
– Logo depois de você – ele sorriu para ela, que não retribuiu – Kim Seokjin – ele estendeu a mão direita para .
– ela respondeu monótona, mas não acompanhou o gesto com a mão do rapaz.
O homem parado em sua frente era mais alto que pelo menos 10 cm, mas sua aparência era cordial. Os traços faciais de Jin eram harmônicos, o que deixava suas feições agradáveis aos olhos de quem o observava. O formato dos olhos, estreitos como de uma raposa, denunciavam a descendência oriental do rapaz, carregavam um brilho quase que inocente.
Ela já tinha encontrado com Jin pelos corredores do Sook algumas vezes, e por mais que não tivesse interesse em observá-lo melhor, era nítido o quanto o homem era benquisto pelo hospital. Seokjin era a atração do ambiente, o achava expansivo demais, mas essa era uma característica que só incomodava a ela aparentemente.
Percebeu que o encarava por mais tempo que gostaria, mas também percebeu que isso não incomodava Jin, ao contrário, ele mantinha um sorriso largo em seu rosto. Naquele momento, percebeu o quanto Kim Seokjin era lindo. Era o homem mais bonito que já tinha visto. Ela então balançou levemente a cabeça com o propósito de afastar aquele pensamento de sua mente, jin tinha entendido o movimento da mulher, o que o fez rir alto em sua frente.
– Eles não gostam quando pisamos na grama do jardim – ele repetiu a frase visto que não tinha dado uma resposta adequada sobre isso a ele.
– Você já disse isso – ela franziu o cenho para Jin.
– E você ainda está aqui – ele colocou a mão em sua cintura – Achei que não tivesse entendido da primeira vez que eu disse.
– Eu não sou burra – ele deu de ombros – Eu só não ligo de pisar na grama mesmo não podendo – Jin arqueou a sobrancelha direita considerando o que tinha acabado de escutar – E você está pisando na grama também.
– Eu só estou aqui pra te avisar sobre eles não gostarem que pisem na grama.
– Meu Deus! – disse sem paciência com o colega – Você é doido?
– Sou – o homem riu assim que viu os olhos da mulher em sua frente aumentarem no susto – Na verdade, você deveria usar o nome esquizofrênico para se referir a mim. Mas, não me incomoda ser chamado de doido – Jin ainda mantinha as mãos em sua cintura – E você quem é?
– ela o viu rolar os olhos diante de sua resposta, sentia-se ofendida por aquela reação.
– Isso eu sei, você já disse- ele afastou uma mecha de cabelo que caia por seus olhos – Estamos em um hospital psiquiátrico, ninguém se importa com nomes e sim com diagnósticos. Qual é o seu?
– Não te interessa!
Foi a vez de rolar os olhos para ele, e sem demorar muito naquele lugar, deu as costas ao colega e a passos firmes foi direto para seu quarto. Não queria ser incomoda mais por aquele dia.
O resto da tarde ficou deitada em sua cama, refletindo sobre o que faria com toda informação que tinha recebido. Tinha questionado ao médico o porquê dela ser obrigada a continuar o tratamento no Sook se morreria em breve, Hoseok tinha dado dois motivos a ela: 1) no hospital eles continuariam monitorar e dariam uma melhor qualidade de vida a ela e 2) seus pais continuavam pagando o tratamento e por isso iam até o final dele.
A mulher estava encolhida em sua cama, com o olhar fixo para a parede branca de seu aposento, estava entediada, mas não tinha vontade de fazer nada. Antes que pudesse pensar mais sobre qualquer coisa, ela ouviu três batidas vindas da porta que estava aberta – os suicidas eram proibidos de fechar suas portas no hospital. rolou os olhos e em seguida o seu corpo, para averiguar quem estava disposto a importunar sua tarde.
Na soleira da porta estava Jin, sustentando um sorriso aberto enquanto olhava para a mulher de mau humor na cama. continuou na cama, sem mostrar reação ao homem em sua porta. Mas, Seokjin não se fez de tímido, andou em direção a moça, agachando-se ao seu lado: seus olhos estavam sob a mesma linha agora e os olhos de Jin eram lindos. pôde ver o brilho divertido dentro daquelas vistas castanhas escuras. A respiração de ambos estava sincronizada, sentiu vontade de beijá-lo, mas se segurou.
Como se soubesse dos pensamentos da mulher a sua frente, Jin sorriu balançando a cabeça em negativa para em seguida mostrar a flor que segurava entre os dedos. Era uma margarida, colhida recentemente do jardim onde estavam mais cedo.
– Para você – ele disse oferecendo a flor para , ela pegou sem hesitar.
– Por quê? – ela indagou ao rapaz, não estava acostumada a ser mimada. Mas, não tinha achado ruim.
– Porque eu quis – ele respondeu naturalmente enquanto deixava sua cabeça cair ao lado do travesseiro de , estavam mais próximos agora – Nem tudo tem que ter um motivo – ele deu de ombros, ela finalmente sorriu.
– Eles não gostam que retirem as margaridas do jardim – ela disse enquanto cheirava a pequena flor, não tinha um cheiro muito marcante, mas preferia assim.
– Não me importo – ela sorriu ouvindo o homem sendo revoltado quanto as regras do Sook.
Jin buscou a mão esquerda de , e a colocou entre seus cabelos, queria que a moça fizesse cafuné em sua cabeça. O coração da mulher parou por um instante, estava hesitante em continuar o carinho, mas não tinha nada a perder e queria agradecer a Jin pela flor que recebera. Então, ela começou a coçar o couro cabelo dele, levemente, fazendo o homem fechar os olhos.
– Você quer dançar ? – a voz saiu em um murmúrio.
– Não tem música aqui Jin! – ela disse ainda mexendo seus dedos sobre os fios escuros dele.
– Sua vida deve ser um tédio – a mulher parou de movimentar os dedos para olhar para Jin – Você não saber usar a imaginação ?!
Jin então colocou a flor que ainda estava na mão de entre sua orelha e seus cabelos, rapidamente o homem levantou e esticou a mão para ela, a convidando a fazer o mesmo. Dessa vez aceitou o gesto, e com ajuda de um pequeno impulso ela levantou também. A mulher tinha altura do ombro de Seokjin, e por isso, ela podia sentir o cheiro fresco que exalava de sua pele.
Jin passou o braço ao redor da cintura da mulher, trazendo seu corpo para mais próximo do dele. Com a mão direita segurou a mão de , a deixando em uma postura invejável. A passos leves Jin começou os primeiros movimentos com o pé, o acompanhava.
– Eu estou escutando a melodia em minha cabeça , e você? – ele sussurrou próximo a .
Ela estava pronta para dizer que não, mas se esforçou para ver o mundo da forma que Jin enxergava. Com um pouco mais de concentração começou a ouvir as primeiras notas de piano surgir em sua cabeça. Não sabia se era imaginação ou não, mas estava dando certo. Os dois dançavam no mesmo ritmo, como se ouvissem a mesma melodia. Jin rodopiou sua parceira com mais velocidade, o que fez ri alto. Era a primeira vez que ela gargalhava em dias.
O público do lado de fora podia se divertir com a cena que viam. A dupla estava feliz, compartilhando o momento que era só deles. Não eram os melhores dançarinos, mas a harmonia que transmitiam entre si era inegável. Jung Hoseok era um dos que compunham a plateia, o médico contemplava a situação com satisfação em seus olhos.
– Você tem certeza sobre esse método que está testando Dr Jung? – a enfermeira havia perguntado discretamente ao psiquiatra ao seu lado.
– Você tem dúvidas? – Hoseok apontou para o casal que ainda ria e dançava alheios aos olhares curiosos.
O médico estava orgulhoso do seu plano estar começando a dar certo, sabia que muitos duvidavam, mas acreditava que saúde mental ia muito além de medicação e estigmas.

Xx

As semanas se passavam e e Jin não se desgrudavam mais, tinham se tornado melhores amigos e todos no hospital já sabiam que onde um estava o outro estaria também. estava mais dinâmica, enquanto Jin mais controlado. Era como se um fosse o complemento do outro.
Ele tornava tudo mais leve enquanto os dias passavam, enxergava a vida como uma brincadeira e não se importava com a impressão que passava para os outros. absorvia cada dia mais a filosofia do amigo. Agora a garota sentia prazer por cada momento que vivência em sua dia: pisar na grama molhada do jardim, rir de uma piada sem graça, dançar quando não havia música, passar os dedos entre os cabelos de Jin, olhar para Seokjin…
Ela amava dividir seus momentos com aquele homem. Amava dividir sua vida com Kim Seokjin e suspeitava que estava se apaixonando por ele. Mesmo que seu lado racional gritasse para que ela não se deixasse cair de amores pelo coreano, ela não se importava mais, tinha aprendido com ele de que nem tudo era conforme planejamos e estava tudo bem quanto a isso.
Os dois estavam observando o por do sol no gramado do Sook, Jin estava deitado com sua cabeça nas pernas de , enquanto ela acariciava seus cabelos, esse tipo de carinho já tinha se tornado um hábito para os dois. Kim mantinha os olhos fechados, enquanto sentia o toque da mulher. Os dois sabiam que faziam bem um para o outro.
– ele disse ao abrir os olhos – Eu te amo!
As palavras repentinas do rapaz pegaram de surpresa, ela parou o movimento da mão de súbito, o que fez Jin sentar-se para poder olhoar nos olhos da moça. Ele falara sério: amava mesmo com tão pouco tempo ao seu lado, e não esconderia seu sentimento. Kim Seokjin nunca escondia o que sentia.
engoliu a seco enquanto olhava fixa para o homem: ela também o amava. Estava com medo de admitir, mas não tinha o porquê controlar suas emoções já que estava a beira da morte. Ela mordeu levemente os lábios inferiores atraindo o olhar do mais velho para sua boca. então puxou Jin pela nuca, acabando com o espaço que tinham entre eles. O beijo durou pouco, mas tinha sido o tempo suficiente para terem certeza que iam fazer aquilo por mais vezes.
– Jin – eles estavam próximos demais a ponto de sentir o hálito quente um do outro – Eu não quero morrer!
estava com medo, não queria deixar a vida que tanto gostava para trás. Não queria deixar Jin agora que o havia encontrado, por isso, ela abraçou o rapaz apertando entre seu corpo. Ele correspondeu ao abraço, segurando sua amada forte demonstrando a ela que estava ali para protegê-la. deixou que as lágrimas caíssem por seu rosto, sem pudor, sentia-se confortável ao lado dele: nos momentos alegres e nos momentos tristes também.
– Eu quero conhecer o mundo com você, meu amor! – ele dizia com ternura
– Mas eu estou – ela fez uma pausa antes de continuar a falar – morrendo.
Ele a obrigou a encará-lo novamente, secou as lágrimas da mulher com seus dedos; era delicado não queria machuca-la nunca.
– Você ainda está viva, em minha frente – ele passou novamente os dedos entre os cabelos de .
– Mas a gente está preso aqui, nesse hospital – ainda chorava, mas seus olhos apoiavam aos olhos de Jin.
– Vamos fugir e eu prometo que você vai viver intensamente todos os dias.
Jin levantou oferecendo sua mão para como ajuda para que ela fizesse o mesmo. Ela estava confusa, nunca tinha sido de quebrar regras, sempre fora a mais tediosa do grupo de amigos, mas a oferta de Jin era tentadora. Ela não conseguia pensar em seus últimos dias dentro do hospital. Queria viver! Queria conhecer lugares novos, queria construir uma vida com Jin. Era assim que queria lembrar-se dos seus últimos dias.
Morreria feliz!
– Quando? – ela limitou-se a perguntar apenas isso ao homem em sua frente.
– Na hora do almoço, quando os vigias estão mais relaxados – ele olhou ao seu redor verificando se alguém estava ouvindo – É só o tempo de buscarmos o essencial.
estava empolgada com o plano, sentia-se como uma criança. Não buscaria nada no quarto, além de sua blusa de frio. O essencial para ela era Jin, e ele já estava partindo ao seu lado. Os dois correndo em direção aos seus quartos, não era uma cena que chamava muita atenção já que no último mês o casal vivia correndo pelo Sook, distribuindo a alegria entre eles pela instituição.
Às 12h daquela tarde estavam de mãos dadas, em frente ao portão principal encarando as grades entreabertas, era como se alguém tivesse deixado pronto para que eles saíssem. Estavam sendo convidados a deixar o Sook, e nem precisariam pular muros. Era uma saída honesta para os apaixonados. Não havia guardas, porteiros ou vigias. Somente Jin e , encarando o mundo de possibilidades que se abria a eles. Então de mãos dadas, os dois deram os primeiros passos para fora do Sook, para então começar a correr em direção a um lugar que nem eles sabiam onde daria.

Xx

Jung Hoseok observava a cena, de longe, ansioso para o plano do casal dar certo. Ele sabia que a ideia viria de Jin, já que o homem não suportava mais morar no hospital. Hoseok cruzou os braços em frente ao peito, questionando a demora do casal em ir embora. Tinha sido difícil achar um jeito de tirar Jack, o vigia, do seu posto naquele momento, e mais difícil abrir o portão sem que ninguém o percebesse.
Concentrado na cena, ele pôde enfim, ver a sombra da dupla hesitante em frente a entrada do hospital. Queria empurrar os dois para que fossem embora de uma vez, mas não poderia ser tão indiscreto. Esperou alguns minutos, até que o casal se despediu do Sook sem olhar para trás.
Jung Hoseok estava confiante com a fuga, sabia que Jin tinha reservas bancárias que os sustentaria tempo suficiente até que se estabelecessem. Também sabia que a família do rapaz não o procuraria tão cedo, ninguém se importava, de fato, com o Kim. Mantê-lo no Sook era só uma forma de esconder o homem da sociedade sul coreana. Hobi sorriu ao pensar que Jin era um dos homens mais lúcidos que já havia conhecido, e que seu diagnóstico não significava nada além de que ele era fora dos padrões estabelecidos.
E ser fora do padrão era algo bom. Jin cuidaria melhor de do que ela própria.
Quanto a , Hoseok sabia que ela aprendera com o susto que havia levado. Ela não tinha nenhuma doença cardíaca; não morreria do coração. Aquela tinha sido só mais uma intervenção, não tão habitual que fizera com a moça. amava a vida agora que pensava que esta prestes a morrer, e isso faria com que ela e o namorado aproveitassem cada segundo de cada dia que teriam pela frente.

Nota da autora:
Oiii!! Obrigada por ler minha fic, só queria dizer que é esse plot é inspirado em um livro que li quando mais nova, então espero que gostem da minha história.