You Belong With Me

You Belong With Me

Sinopse: Sempre que ele olhava para ela, só conseguia pensar em como aquela garota era incrível, perfeita até mesmo em seus piores momentos. Doía nele o quanto ela não conseguia enxergar isso e como sempre se deixava levar por opiniões e rasteiras alheias. Desde o colegial, sabia que era completamente apaixonado pela moça e mesmo sabendo que aquilo poderia nunca passar de amizade, estar ao lado dela bastava. Nunca é fácil descobrir que ama a melhor amiga em proporções maiores do que deveria, mas tinha certeza de que estaria com ela sempre, independente dos sentimentos que gritavam dentro dele ou dos sonhos que povoavam sua mente todas as noites.
Tudo o que ele menos queria era que aquela amizade de anos fosse colocada em risco. Em uma noite, sem medir as consequências, ele se viu colocando tudo a perder.
Confusa, ela está dividida entre aquela amizade e as sensações diferentes que ele havia lhe causado. De quebra, há uma paixão por outro cara, mas talvez ela perceba que tudo o que mais deseja sempre esteve ao seu lado.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Alguns nomes são fixos.
Beta: Natasha Romanoff.

 

Capítulo Único

Exclamações de dor ecoaram por toda a arquibancada. Archibald havia conseguido fazer a proeza de tropeçar sozinho e cair, perdendo mais uma vez a bola para o time adversário. Pela careta, além da cena que fazia, realmente era o caso. O placar um pouco acima dele denunciava que o time de futebol americano da faculdade perdia por uma diferença vergonhosa e aquele definitivamente era um dos maiores fiascos que eu já havia presenciado na vida. Não que eu entendesse tudo sobre o esporte, eu sabia o suficiente para alguém que não era muito fã de qualquer prática desportiva e tenho certeza de que até quem não conhecia nada conseguiria perceber o quão ruim era aquele time. Isso não evitava, é claro, que seus jogadores seguissem o estereótipo de gente esnobe que achava que todos precisavam se curvar aos seus pés.
Suspirei fundo. Aquele tipo de interação me esgotava e não me restavam dúvidas de que meu humor estaria muito melhor se eu estivesse em casa, com meu violão velho, compondo uma música qualquer mesmo que nunca fosse mostrar para ninguém. Música era tudo na minha vida. Eu gostava de dizer que na verdade o que corria nas minhas veias eram notas musicais e toda vez que escutava isso, me empurrava e dizia que eu era completamente maluco.
era a razão de eu assistir a um jogo pelo qual não possuía o menor interesse quando claramente tinha coisas melhores para fazer, mas toda vez que eu pensava nisso, mentalizava logo em seguida que na verdade nada era melhor do que a companhia dela. Por mais que não tivesse paciência com o time de futebol americano e menos ainda com as líderes de torcida, não havia nada que me pedisse que eu não fizesse.
Talvez eu fosse o ser mais trouxa do universo por agir daquela forma, mas eu não conseguia evitar por mais que tentasse. era a garota mais incrível que eu conhecia e um sorriso dela já bastava para que eu ganhasse o meu dia. Ela tinha uma dificuldade absurda de enxergar isso, mas toda vez que meus olhos batiam nela era só isso que eu via.
Eu devia ter uns treze ou catorze anos quando percebi que gostava de muito mais do que eu deveria se a ideia fosse sermos apenas amigos. Nós nos conhecíamos desde que nos entendíamos por gente, nossas mães foram colegas na faculdade e eram inseparáveis desde então. A amizade das duas era tão forte que engravidaram praticamente na mesma época e eu e nascemos com apenas algumas semanas de diferença.
Como nossas mães, eu e também éramos inseparáveis, o que só deixou as coisas mais complicadas para mim quando percebi meus sentimentos por ela. Eu não deveria olhar para daquela forma. Com toda certeza ela me via como um irmão e isso era notável toda vez que ela olhava para mim ou suspirava por Corey Cooper. No entanto, não importava quantas vezes eu repetisse aquilo para mim mesmo, meu coração era teimoso e adorava ser judiado. Eu já havia tentado de tudo e não tinha jeito de esquecer minha melhor amiga.
Corey Cooper não era o capitão do time de futebol, como na grande maioria dos clichês. Na verdade, ele fazia parte do grupo de líderes de torcida e não havia um jogo ao qual não fosse, obviamente por causa dele. Não era fácil ter que acompanhá-la em todos eles só para ver o quanto a garota babava em outra pessoa, mas o que eu poderia fazer? Eu era masoquista o suficiente para pensar que era muito melhor estar ao lado dela daquele jeito do que não estar.
, vulgo eu, era o ser mais patético da humanidade.
Suspirei quando o jogo acabou, pondo um fim no sofrimento da torcida quando a derrota dos Salukis da Southern Illinois University foi declarada. Eu sabia que a minha tortura só ia aumentar dali a alguns minutos e quando se levantou ao meu lado, fazendo aquela cara de quem implorava para que eu a esperasse para irmos embora juntos, de novo, eu não fui capaz de lhe dizer não.
— Vou te dar uns quinze minutos. Depois disso, eu vou para casa — impliquei com ela, mesmo que nós dois soubéssemos que eu não a abandonaria nem que fizesse eu esperar por horas.
— Amo você, — fechei meus olhos de um jeito bem tosco quando ela beijou minha bochecha e acompanhei com meu olhar quando desceu praticamente correndo as arquibancadas, seguindo na direção de Corey.
O garoto estava rodeado por líderes de torcida e jogadores do time, mas era bem fácil distinguir minha melhor amiga entre eles porque suas roupas destoavam completamente. Eu vi o momento exato em que ela se aproximou de Cooper, dizendo algo de um jeito sorridente e lindo que era só dela e eu o invejei. Daria qualquer coisa para que sorrisse para mim daquela forma.
Percebi que algo estava errado quando ele pareceu sem graça diante dela e meu cenho se franziu quando a garota lhe deu as costas e refez o caminho até mim. A pressa dela era nítida, mas ela não correu. Eu a conhecia muito bem, era apenas para não parecer tão desesperada para sair dali.
Rapidamente, eu fui em sua direção, diminuindo a distância entre nós dois o mais rápido possível e eu quis arrebentar a cara de Corey Cooper quando notei os olhos da minha menina brilhantes de lágrimas.
— O que ele fez dessa vez, ? — perguntei, da forma mais sutil que consegui, e ela apenas negou com a cabeça.
— Depois. Eu preciso sair daqui primeiro, — praticamente me implorou e eu assenti, entrelaçando meus dedos nos dela porque eu sabia que assim lhe daria uma melhor firmeza para vir comigo.
Pelo canto de olho, percebi que Cooper olhava na nossa direção e segundos depois uma de suas companheiras de time se pendurou no pescoço dele, rindo de . Eu não era de desejar a morte das pessoas, mas senti que poderia acabar com a vida dele com minhas próprias mãos. Quando olhou para trás, sentindo que era observada por Corey, um suspiro escapou de seus lábios e eu tomei as rédeas da situação, guiando minha amiga para longe daquele lugar antes que eu não conseguisse mais me manter são.
Deixei que o silêncio permanecesse entre nós dois até estarmos bem longe do campo. Percebia nas feições de que ela precisava de cada vez mais força para se manter firme, mas sabia que no primeiro momento em que surgisse oportunidade desabaria. E mais uma vez pensar que alguém era capaz de magoar alguém como ela quase me tirava do sério. Isso e o fato de que eu não conseguia acreditar na falta de maturidade daquelas pessoas. Era como se nunca tivéssemos saído do colegial.
Não me surpreendi quando vi o lago cada vez mais próximo de nós, aquele era como nosso lugar sagrado, fosse para sorrir ou desabafar as mágoas. Parei de caminhar assim que vi minha amiga fazer o mesmo e fiz uma careta quando ela me encarou e deixou as lágrimas rolarem por suas bochechas.
— Uma palavra, . Uma só palavra e eu acabo com a raça dele — me adiantei na direção dela, segurando-a em meus braços e deixando que ela molhasse minha camiseta ao encostar seu rosto em meu peito. Sentir aquela proximidade sempre mexia comigo, mas o meu papel naquele momento era mais importante do que aqueles sentimentos que eu tinha por . Ela fungou baixinho, soluçando quando tentou falar e eu esperei com paciência até que se acalmasse.
— Não precisa. Eu é que sou uma boba — se desvencilhou de mim, mordendo o lábio. — Corey nunca me prometeu nada. Não sei por que eu continuo me iludindo — soltou um suspiro que doeu em mim.
— Por que você sempre se culpa? — tentei não soar tão frustrado, mas era difícil. Ver minha menina sofrer por causa de um babaca era a pior coisa do mundo. — , você é incrível e qualquer cara que não queira gritar para todos que tem alguém como você é um tremendo imbecil — toquei suas bochechas, secando as lágrimas dela por mais que outras acabassem surgindo logo em seguida.
Seus olhos, que tinham se fixado nos meus, quebraram o contato quando ela encarou o chão, discordando de mim ao negar com a cabeça.
— Qual é, ? Eu não sou incrível coisa nenhuma. Sou apenas uma garota qualquer. Não há nada de especial em mim — sua voz morreu ao fim da frase e mais algumas lágrimas escorreram por suas bochechas.
— Ei — chamei, esperando até que ela voltasse a me encarar. — Eu não acredito que você vai deixar um babaca te dizer se você é especial ou não, .
… — suspirou, mas não deixei que continuasse.
— Vá para casa, . E quando chegar ao seu quarto pare diante do espelho e olhe para você, mas olhe de verdade. Expulse da cabeça qualquer besteira que tenham dito e aí eu tenho certeza de que você vai se enxergar de outra forma e vai perceber que não precisa da opinião de ninguém, nem mesmo da minha — enquanto eu falava, não desviou seu olhar do meu e eu precisei de muita força de vontade para não confessar que mesmo minha opinião não contando eu poderia ficar por horas só listando as coisas que admirava nela.
Levei minha mão mais uma vez até seu rosto, então ela me impediu, segurando-a e entrelaçando seus dedos nos meus. respirou fundo, enquanto eu engolia em seco, me sentindo um tanto nervoso porque não consegui decifrar o que havia em seus olhos.
— Você não existe, — sua voz soou tão doce que me peguei sorrindo feito um idiota.
— Só quero te ver feliz — era verdade, por mais que minha mente fosse sacana e me fizesse sonhar com minha melhor amiga todas as noites, eu só queria que fosse feliz. Eu sabia que uma hora ou outra ela conheceria alguém muito melhor do que Corey Cooper e sentia uma pontada de dor porque eu sempre seria o melhor amigo, mas acho que é assim que o amor funciona. Você quer o melhor mesmo para alguém, por mais que esse melhor não seja você.
Aquela era uma péssima hora para eu constatar aquilo que sempre foi óbvio. Eu amava e não era de amor de amigo que eu estava falando. Eu era completamente doido por ela.
— O que foi? — eu devia ter deixado algo transparecer em minhas feições e seu questionamento me pegou de surpresa.
— O que foi o quê? — respondi, com outra pergunta, confuso.
— De repente, você me pareceu triste — neguei com a cabeça, então sorri.
— Não estou triste, apenas preocupado com você — contei uma meia verdade e ela aproximou seu rosto do meu de um jeito que me deixou tenso por mais que eu soubesse que, da parte dela, não havia nada demais naquilo.
— Pode se preocupar menos então. Vou seguir o seu conselho e ainda te digo mais. Corey Cooper a partir de hoje é passado — suas feições eram determinadas e quando ela tocou seus lábios em minha bochecha, deixando um beijo ali, eu lutei para não fechar os olhos.

💑
Se eu não tivesse presenciado aquilo antes, definitivamente teria me surpreendido ao ver Cooper sair de uma sala de aula parecendo preocupado em ser visto. Um suspiro escapou de meus lábios minutos depois, quando apareceu com a mesma expressão e quando seus olhos pararam em mim ela abriu um pequeno sorriso.
Não era a primeira vez que Corey havia agido como um idiota e o perdoou. Para ser sincero, aquilo acontecia com cada vez mais frequência e além de morrer um pouco por dentro toda vez que eu via que eles estavam juntos, me sentia mal por minha amiga porque eu sabia que por mais apaixonada que ela fosse, isso não o mudaria, já que ele não sentia o mesmo.
Eu sempre odiei triângulos amorosos e a vida havia sido bem irônica comigo me metendo em um.
— Pelo jeito você gosta do passado, né? — acusei, assim que se aproximou de mim e uma risada culpada ecoou de seus lábios enquanto caminhávamos pelo corredor.
— É complicado, , você sabe. A Hilary não dá sossego. Eu me precipitei indo atrás dele depois do jogo, mas Corey prometeu mudar as coisas e estou sentindo que vai até me chamar para aquele baile que vão fazer — a animação dela era nítida e eu queria realmente ficar feliz, mas não conseguia. Cooper havia conseguido enrolá-la mais uma vez.
— Vão mesmo fazer esse baile? Achei que isso tinha ficado no colegial — tentei desviar do assunto.
— Claro que vão. Quando é que eles perdem a chance de uma festa? E não é algo formal como no colégio, mas é para relembrar — deu de ombros.
— Pois eu fico bem feliz sem precisar relembrar, muito obrigado — soltei, em tom de riso. Bailes só costumam ser memoráveis para pessoas populares e eu nunca fui um deles.
— Não acredito que você não vai! — reclamou, parando de andar e me olhando indignada.
— Tenho nada para fazer nesse baile, . E se você vai com o Cooper, o papel de vela nunca foi a minha cara — fora que seria um chute no estômago ter que ver os dois juntos lá.
— Você devia convidar alguém. Eu já vi várias garotas da nossa turma te olhando — não ia negar, talvez ela tivesse mesmo razão, mas eu não queria outra garota e não achava justo brincar com os sentimentos de ninguém até dar um jeito nos meus.
— Eu sei, mas não gosto muito de bailes. Vou acabar ficando em casa, fazendo maratona de Supernatural — fui sincero, o que fez ela negar com a cabeça.
— Vai maratonar sem mim? Essa doeu! — aquele comentário me fez rir.
— Você está mais do que bem vinda a se juntar a mim, sabe disso — mas era óbvio que preferia ir ao baile e ficou mais ainda quando ela mordeu o lábio, nervosa.
— Se eu não fosse ao baile…
— Eu sei, . Relaxa — pisquei para ela, então nós voltamos a caminhar. Tínhamos uma aula dali a alguns minutos e eu devia estar com pressa de chegar, porém não estava.
Com quem você acha? Óbvio que vou com Corey Cooper. Ele me convidou hoje mais cedo — naquele momento eu desejei que não tivéssemos alcançado Brenda e Casey. A primeira havia soltado aquilo de um jeito tão animado quanto o de minutos atrás e aquilo doeu em mim, principalmente quando minha melhor amiga paralisou ao meu lado.
Por isso que vocês chegaram os dois atrasados para a aula de metodologia do trabalho. Vocês não prestam, sabia? — era Casey. As duas deram risadas cúmplices, mas eu nem me importei mais com elas. A única coisa que consegui focar foi na expressão de nojo e decepção de .
— Não acredito nisso — sua voz quase não pôde ser ouvida de tão fraca e dessa vez ela saiu correndo sem nem me dar tempo de dizer ou fazer qualquer coisa.
As duas se assustaram quando passou por elas e eu pisquei meus olhos, tentando processar as coisas, então segui na mesma direção segundos depois, tentando acompanhá-la, mas percebendo que era tarde demais quando já não consegui mais localizar minha amiga.
A frustração me fez grunhir baixo e a sorte de Corey foi não aparecer na minha frente naquele momento. Eu poderia procurá-lo só para esmurrar sua cara, mas em vez disso eu corri para a casa de , porque era lá que eu a encontraria.

💑
Naquele dia eu não poderia estar mais errado sobre o paradeiro de minha melhor amiga. Eu não a encontrei em casa, muito menos em nenhum dos lugares onde costumávamos ir quando estávamos chateados. Aquilo me deixou preocupado. não seria capaz de cometer alguma loucura por causa de Corey Cooper, ou será que seria?
Só sosseguei quando recebi uma ligação dela, quase duas horas depois, dizendo que estava bem, só tinha seguido para um lugar mais afastado porque precisava colocar as ideias nos eixos. Me senti um pouco magoado por ela não dividir comigo onde era, mas entendi e fiquei calado. Se fosse parar para pensar, eu também escondia segredos de .
Os cinco dias que antecediam ao baile passaram voando. Parecia que o botão de acelerar havia sido apertado no controle do universo e era engraçado o quanto meus colegas de faculdade estavam agitados com o evento. Realmente, parecia que voltávamos aos tempos de escola e enquanto eu saía de uma aula tediosa acabou me ocorrendo que por mais que meu colegial não tenha sido dos melhores, eu não podia esquecê-lo completamente. fazia grande parte dele e foi nela que nossa amizade atingiu novos patamares. Nós não tínhamos apenas brincadeiras bobas para compartilhar, nós dividíamos segredos. Nem todos, é claro, mas a grande maioria deles.
Foi no colegial também que eu comecei a compor algumas músicas e no início eu não fazia ideia, mas quando me dei conta percebi que quase todas as minhas letras falavam sobre ela.

Every insecurity, like a neon sign, as bright as day
Toda insegurança, brilhante como um néon, tão clara quanto o dia
If you knew what you were to me
Se você soubesse o que você é para mim
You would never try to hide away
Você nunca tentaria se esconder
‘Cause everybody’s lookin’ at you now, my, oh my
Porque todo mundo está olhando para você agora, oh, minha querida
I guess some queens don’t need a crown
Eu acho que algumas rainhas não precisam de coroa
And I know why
E eu sei o motivo
Even when your tears are fallin’ down
Mesmo quando suas lágrimas estão caindo
Still, somehow, you’re perfect now
Ainda assim, de alguma forma, você está perfeita agora

Fazia alguns minutos que eu encarava aquele caderno de composições e a letra daquela música em especial saltava aos meus olhos. Dentre todas, definitivamente aquela era a que demonstrava com mais clareza tudo o que eu sentia por . Desde a admiração extrema que até me confundiu a princípio até o fato de que aquela garota era linda, não importava o que fizesse. Se sorrisse, ficasse braba, fizesse cara de tédio ou se chorasse. Ela era perfeita.
Larguei o caderno, soltando um suspiro bem alto de frustração. Eu amava a única garota que não poderia ter e aquilo estava acabando comigo. Vê-la triste a semana inteira também e por mais que ela conseguisse disfarçar bem quando Cooper passava ou tentava chamar sua atenção, eu sabia que estava sofrendo.
Eu já tinha decidido que não iria ao baile desde o dia em que foi anunciado, mas quando uma ideia veio à minha cabeça, dei um jeito de arrumar uma roupa mais social e me aprontei. Ainda não gostava daquelas coisas, mas queria ir, então por que eu não poderia ser o par dela naquela noite? Eu corria o risco de ela ser enrolada pelo Corey outra vez, mas não dei importância. Desde que ela ficasse feliz, eu estaria também.
Eram seis e quarenta quando eu toquei a campainha dos , então esperei pacientemente, até ver uma descabelada e de pijamas abrir a porta da frente.
— Bela roupa — elogiei, em tom de brincadeira, o que fez com que ela risse e arqueasse uma sobrancelha ao notar as roupas que eu vestia enquanto dava passagem para que eu entrasse.
— Você que o diga, hein — me encarou dos pés à cabeça ao fechar a porta. — Então resolveu me ouvir e convidar alguém para ir ao baile? Você está maravilhoso. Agora me conta. Quem é? — disparou, empolgada.
— Quem é o quê? — me fiz de desentendido, o que fez com que estreitasse os olhos para mim.
— Quem é seu par, ? — era bem provável que se eu a enrolasse mais um pouco receberia uns tapas. Se tinha uma coisa que minha melhor amiga odiava, era ficar curiosa por muito tempo.
— Você — resolvi responder na cara dura, o que a fez me encarar, piscando os olhos rapidamente.
— O quê? — questionou, com certeza querendo que eu repetisse para se certificar que não estava imaginando coisas.
— Você é meu par nessa noite, — então estendi o pequeno arranjo de flor que eu havia trazido comigo e ela nem havia percebido. — Quer ir ao baile comigo?
Ela não me respondeu de imediato, seus olhos continuaram fixos em mim e eu senti um calafrio percorrer minha espinha. Se havia me analisado daquela forma antes, eu certamente não havia percebido. Alguma parte de mim quis acreditar que era a primeira vez em que ela me via como alguém além de um amigo.
Então abriu um sorriso triste e mordeu o lábio inferior, do jeito que ela sempre fazia quando algo lhe incomodava. Antes mesmo de ela dizer, eu soube que não aceitaria.
, me desculpa. Você sabe que eu jamais recusaria um convite seu e seria o máximo ter a sua companhia nesse baile, mas sabe o que é? Eu não quero ir até lá. Não quando ainda estou vulnerável a Corey Cooper e pensando bem, que mal há em ficar em casa, maratonando Supernatural? — tentou descontrair a última parte e por mais que a rejeição inicial tivesse me chateado, eu sorri para ela e assenti.
— Tudo bem então. Mudança de planos — dei de ombros.
— É sério, você seria o par perfeito, eu só… Espera, você disse que tudo bem? — me olhou, confusa.
— Sim. E disse também que mudei meus planos. Já que não vamos ao baile, maratona de séries, aqui vamos nós! — tirei meu casaco e arregacei um pouco as mangas da camisa.
! Você não precisa fazer isso. Vá ao baile! — negou, mas eu nem pensei no assunto.
— Eu só iria por você, . Sabes que não gosto de bailes — minha fala fez com que ela abrisse um sorriso lindo na minha direção e era claro que não havia nada demais nisso, mas fiquei agitado.
Depois disso, me puxou para que fôssemos até a cozinha. Reviramos os armários e não tinha muita coisa interessante, então pedimos uma pizza e aproveitamos para comer enquanto assistíamos alguns episódios da nossa série.
Eu me sentia bem ali, era os efeitos dela sobre mim, mas algo naquela noite me deixava mais nervoso.
— E se nós abríssemos aquela garrafa de rum velha do meu pai? — não fiquei nem um pouco surpreso ao ouvir a proposta porque nós sempre dávamos um jeito de desfalcar os estoques de nossos pais.
— Eu achei que você nunca fosse sugerir isso. Estava até te estranhando — ri quando ela me deu língua.
— Bobo — provavelmente a minha cara era realmente a do ser mais bobo do universo ao ouvi-la dizer aquilo. Eu poderia puxar para mim e cobri-la de beijos naquele momento. Força de vontade era uma necessidade constante.
Observei ela se levantar para pegar a garrafa de rum com uns dois copos e arqueei uma sobrancelha porque tínhamos ali uma bacia de pipoca e o rum.
— Combinação interessante essa daí — brinquei e ela sorriu de canto.
— Ouvi dizer que as combinações mais improváveis são as mais gostosas — me encarou de um jeito travesso ao dizer aquilo e eu me senti mais mexido do que nunca.
Seria improvável que ficássemos juntos, mas em todos os meus sonhos tê-la em meus braços não era apenas gostoso, era inesquecível.
— Talvez. A gente só vai saber se provar — me vi retrucando e certamente ela atribuía aquela conversa ao lance da pipoca com rum, mas eu não. Eu queria descobrir como seria beijá-la e puxá-la para mim, só desgrudar quando precisasse muito de ar.
— Abra a boca, — quando me dei conta, já estava muito próxima e eu a obedeci sem pestanejar, abrindo minha boca e esperando-a fazer o que pretendia.
Senti quando ela colocou a pipoca e em seguida me inclinei um pouco quando ela dispensou o copo e levou a garrafa de rum até meus lábios. De forma automática, sorvi um pouco da bebida e mastiguei a pipoca junto. Aquela mistura havia sido desastrosa, mas eu não me importei porque meus olhos não se desgrudavam de .
Ela levou uma pipoca à boca e bebeu alguns goles de rum. Vi a bebida escorrer de seus lábios até o queixo e me perguntei se ela teria deixado aquilo acontecer de propósito.
Por que ela tinha que estar tão próxima?
Sem pensar direito, levei uma de minha mãos até seu rosto, limpando o rum que havia escorrido e subindo com o toque de meus dedos até seus lábios, deslizando e sentindo a textura gostosa que tinha.
Vi minha melhor amiga fechar os olhos, gostando daquele contato e meu corpo formigou de vontade de romper o resto de distância entre nós dois. Ela parecia tão entregue a mim e um beijo nunca me soou tão certo.
Eu estava prestes a ceder meus anseios, mas então tornou a abrir os olhos e se afastou com um sorriso, bebendo mais longos goles do rum enquanto eu a encarava com cara de tacho.
— Dance comigo, — fui pego de surpresa por ela, que me puxou pela mão para o meio da sala.
— Dançar? Você sabe que eu não danço, — tentei fugir, mas no fundo sabia que não ia resistir.
— Ah, vamos lá! Você não veio aqui todo pomposo querendo me levar ao baile? Nos bailes a gente dança, sabe! — riu da minha cara e eu neguei com a cabeça.
— Então agora você quer que eu te mostre minhas habilidades de dançarino no particular? Saiba que não é assim, dona . Tem que me pagar jantar antes — brinquei com ela, que gargalhou.
— E por que você acha que pedimos pizza? Está pago o jantar. Agora quero os seus serviços de dançarino — me surpreendi porque ela tinha dado um jeito de desligar a televisão e colocar música. O efeito dela era tão forte sobre mim que eu perdia a noção das coisas ao meu redor.
— Só de dançarino? Tá parecendo que você quer me fazer de escravo sexual seu, isso sim — estreitei meus olhos para ela, empurrando para algum canto da minha mente que eu adoraria se aquilo fosse verdade.
— Não falei nada sobre sexo, mas já que você mencionou — mordeu os lábios para mim, de um jeito que quase me fez perder os eixos, então voltou a beber o rum.
— Me dá aqui essa garrafa antes que… — interrompi minha fala, pegando a bebida e tomando alguns goles enquanto dançava meio desajeitado com .
— Antes que o quê, ? — vi que ela me encarava com uma sobrancelha arqueada.
— Antes que eu esqueça todos esses anos de amizade — não sei o que deu em mim, mas de repente as palavras saíram e pareceu surpresa, mas não recuou.
— E por que você faria isso? — me senti nervoso pelos questionamentos dela e meu cérebro gritava que eu precisava parar. Que dizer a verdade acabaria com tudo o que tínhamos, mas o controle estava bem longe de mim.
— Porque você é a garota mais incrível e perfeita que eu já conheci, , e eu sou apaixonado por você desde o colegial — não tinha mais conserto, num impulso eu contei tudo para ela e fiquei esperando a rejeição me dar o soco no estômago.
— Mesmo? — fiquei surpreso ao ouvir ela dizer e só então percebi que havia fechado meus próprios olhos, apertando-os com medo da reação dela. sorria para mim de um jeito que eu sempre quis que sorrisse.
— Mesmo — afirmei, em dúvida do que eu faria.
— Isso explica muita coisa — soltou, parecendo conter a vontade de rir. Eu riria se fosse ela, minha cara devia estar patética.
— É? Tipo o quê? — perguntei, confuso.
— Tipo o porquê de você estar aí parado sem fazer nada. Você acabou de confessar que está apaixonado por alguém e não dá nem um beijinho? — eu mesmo caí na risada e por alguns segundos nós dois só sabíamos rir mesmo.
— Você quer? — questionei, quando paramos.
— Quero — nem acreditei quando ouvi aquela resposta, mas não hesitei mais.
Puxei de encontro a mim como havia desejado tantas vezes e nosso lábios se uniram em um beijo, que começou calmo e se encaixou perfeitamente.
Aquela garota era tudo na minha vida e eu não fazia ideia se estava arruinando uma amizade, mas naquele momento eu não me importei.
Era tudo sobre ela.

💑
’s POV

Eu me sentia o ser mais estúpido da galáxia. Como pude perder o controle daquela forma e arriscar tantos anos de amizade? Por mais que meus sentimentos gritassem o quanto eu amava aquela garota, ela era a minha melhor amiga, nós crescemos juntos e sonhar que poderia me corresponder era uma tremenda ilusão.
Não deveria ser nenhuma surpresa vê-la escorregar por meus dedos e se afastar de mim daquela maneira.

Naquele momento, eu não me importava em arriscar nossa amizade. Meus lábios estavam unidos aos de e nossas línguas se enroscavam em um beijo que de uma forma completamente clichê eu diria ser o melhor que eu já havia tido.
Apertei seu corpo contra o meu, em um abraço, enquanto um suspiro escapou de meus lábios ao sentir o gosto do rum na boca dela. Aquela combinação era deliciosa e até viciante. A boca de era viciante e com toda a certeza eu poderia continuar beijando aquela garota pelo resto da minha vida. Naquele momento, eu só queria não precisar soltá-la mais.
Minhas mãos desceram de forma sútil de sua cintura pela lateral de seus quadris e, de uma forma tímida, toquei sua bunda. Senti que sorriu entre o beijo e entendi aquilo como uma permissão, então eu a apalpei com mais intensidade, unindo ainda mais nossos corpos como se eu pudesse fundi-los ali mesmo, no meio daquela sala.
Senti meus cabelos serem puxados pela nuca e sugou meu lábio inferior, puxando-o entre os dentes e me fazendo encará-la quando afastou nossas bocas. Vi desejo estampado em seus olhos e com toda certeza os meus o refletiam, mas antes que eu pudesse tomar qualquer outra iniciativa, a expressão dela mudou para uma confusa e até um tanto assustada. levou uma de suas mãos aos lábios e quando fiz menção de dizer algo, senti uma de suas mãos tocar meu peito, me afastando por completo.
, me perdoa, mas eu não sei se posso fazer isso. Você é meu melhor amigo e… — fez uma careta porque com toda certeza eu deixei transparecer a decepção de ouvir aquelas palavras. — Eu estou confusa. Você me disse aquelas coisas sobre gostar de mim e eu preciso processar isso direito. Não devia ter te beijado, eu… — bufou. — Me desculpe mesmo. Acho que preciso de um tempo sozinha.
também não me deu tempo para falar qualquer coisa.
Não sei quanto tempo eu fiquei ali, parado ainda no meio da sala da casa dela, encarando o caminho que ela havia feito às pressas de volta ao seu quarto.
Se um buraco se abrisse ali no chão, eu me enfiaria e nunca mais sairia de lá.
Eu tinha estragado tudo.

💑
Definitivamente, eu não esperava que o tempo para que ela processasse o que havia acontecido fosse tão longo. Já fazia dias que nós não nos falávamos e todas as vezes que me via no mesmo corredor que ela, desviava ou voltava para a direção de onde havia vindo.
Eu entendia o lado dela, de verdade, mas eu sentia uma dorzinha chata todas as vezes que aquilo acontecia. Ser rejeitado pela garota que eu amava e que também era minha melhor amiga era desesperador.
Com quem eu conversaria sobre o que estava acontecendo? era minha única amiga de verdade. Eu só conseguia confiar completamente nela e a cada dia que passava eu me via mais triste por pensar na possibilidade de ela querer mesmo ficar longe de mim.
Sem nem saber direito do que se tratava, minha mãe percebeu que as coisas estavam estranhas entre eu e . Ela até chegou a questionar sobre o ocorrido, mas eu não consegui lhe dizer uma palavra sequer. Precisei de muito controle para não me debulhar em lágrimas de tão frustrado que eu andava. Então minha mãe simplesmente me disse que não importava o que havia acontecido, se eu desse tempo ao tempo, tudo se ajeitaria. Eu confiei em suas palavras, mas me odiei dois dias depois por aquilo.
Juro que eu doaria todas as minhas revistas em quadrinhos se aquela atitude me poupasse do que eu vi ao entrar no maldito vestiário.
Mais uma vez, estava nos braços de Corey Cooper, agarrada a ele enquanto o garoto cheirava seus cabelos e descia uma das mãos por suas costas.
O olhar de Corey subiu até mim e percebeu a presença de mais alguém, se virando em minha direção e dilacerando meu coração em mil pedaços quando percebi o susto de alguém que havia sido pega em flagrante estampado no olhar dela.
“Estou vendo o seu tempo sozinha, ”.

Tive vontade de dizer aquelas palavras, mas eu sabia que não tinha direito. Eu não podia obrigá-la a corresponder meus sentimentos, então em vez de falar qualquer coisa, eu dei o fora dali.
Só percebi que corria quando cheguei diante da porta de minha casa com a respiração ofegante.

💑
’s POV

Meu chão desabou quando vi a mágoa nos olhos dele. Por mais que tivesse tentado disfarçar e nenhuma palavra tivesse saído de sua boca, eu o conhecia bem demais para saber que me ver ali com Corey depois do que aconteceu entre nós havia lhe machucado.
Eu queria morrer por fazer meu melhor amigo se sentir daquela maneira e na verdade ele tinha entendido toda a situação de forma errada.
— Estamos bem, não é? — torci a boca, me voltando para Corey, que assentiu e me encarou de um jeito que teria me feito amolecer se eu não estivesse tão preocupada com .
— Não sei se consigo deixar de ficar contigo, — tentou me persuadir, mas eu o afastei.
— Então aprenda, Cooper. Tenho certeza de que não vai ser tão difícil assim — me afastei dele e saí daquele vestiário.
Tentei encontrar o menor sinal de no campus, mas no fundo eu sabia que ele não estaria mais ali e algo me fez travar quando pensei em ir até sua casa.
Eu estava confusa demais desde aquela noite do baile. Não podia mentir e dizer que nunca havia notado que meu melhor amigo me encarava de um jeito diferente, mas gostava de dizer para mim mesma que era apenas coisa da minha cabeça.
Quando eu tinha meus doze anos de idade, tive uma paixonite aguda por , mas ele nunca desconfiou. Não sei o que faria se ele tivesse descoberto meu diário na época porque corações com nossos nomes predominavam nas páginas. Acho que eu só consegui superar quando Corey veio estudar na mesma escola que a gente, alguns anos depois.
Me senti completamente nas nuvens na primeira vez que Corey me chamou para sair. Era como se meu príncipe encantado tivesse aparecido e ele havia sido o primeiro cara que eu beijei. No dia seguinte, o príncipe virou um sapo, já que ele agiu como se eu fosse louca e nada tivesse acontecido.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer enxergar e eu não poderia concordar mais. A paixão por Corey Cooper me cegou por muito tempo, de um jeito que até me fez deixá-lo dançar a macarena no meu coração.
Toda vez que eu me sentia despedaçada, estava lá, com aquele sorriso um tanto arteiro, um mundo de palavras doces e os melhores abraços que alguém poderia querer. Eu me sentia tão segura nos braços dele, tão em paz que poderia ficar agarrada a ele para sempre.
Não conseguia acreditar que eu havia estragado tudo.
Imaginar minha vida sem ele já me fazia querer chorar.
Quando cheguei ao meu quarto, acabei não resistindo e disquei o número de . Chamou várias vezes e ele não me atendeu. Tentei ligar mais e nada de resposta dele.
nunca deixava de me atender e aquilo só provava para mim que eu realmente havia o magoado.
Eu era a pior amiga do universo.

 

💑
Semanas se passaram e eu sequer havia visto na faculdade. Não sabia se ele não estava indo ou se tinha dado um jeito de não cruzar o mesmo caminho que eu, mas aquilo me deixava péssima. Eu precisava falar com ele, precisava vê-lo e preencher aquele vazio horrível que estava instalado no meu peito.
Em nenhum minuto sequer ele deixou de povoar meus pensamentos. Passei algumas noites em claro, ansiosa por uma mensagem que fosse dele, mas nunca vinha e quando eu conseguia finalmente dormir, lá estava nos meus sonhos e era como se tudo estivesse de volta ao normal.
Acordar depois disso era o inferno.
Meu coração doía muito e eu me sentia idiota por mais uma vez tentar ir até a casa dele. Todas as vezes que tentei, fui recebida com desculpas que só comprovavam que ele ainda não queria me ver.
O que eu faria sem ? Eu não podia viver sem ele.
— Desculpe, querida. O precisou ir até a biblioteca buscar um material para um trabalho — foi o que o senhor me disse, assim que abriu a porta e me cumprimentou.
— Ah, jura? — questionei, me sentindo murchar. Biblioteca às nove da noite? Não o .
— Pois é. Ele acabou de sair daqui. Mais um pouco e vocês se encontrariam — deu de ombros, mas eu sabia que mentia porque o desconforto era nítido em suas expressões.
— Tudo bem então. O senhor avisa que passei por aqui? — mordi a boca, segurando a vontade de chorar e mal esperei o pai de fechar a porta para me afastar.
Uma olhada mínima para trás me fez perceber a luz do quarto dele acesa.
Eu sabia que ele não estava fazendo aquilo para me castigar, não era assim. A decisão de se afastar de mim era o jeito dele de superar a mágoa.
Só que eu sentia que merecia ser punida mesmo.

💑
Mais alguns dias se passaram e eu não conseguia fazer mais nada direito. Por algum tempo, eu fiquei questionando a mim mesma, tentando entender por que eu me sentia tão mal. Ninguém é obrigado a retribuir os sentimentos de alguém, não é?
Só que não era só um alguém. Ele era… o . O cara que estava ao meu lado desde sempre. Que me abraçava e desistia de qualquer coisa só para ficar comigo. Era ele que me apoiava, ria e me arrancava risadas quando eu só queria chorar. era meu porto seguro, meu abrigo na chuva e toda vez que o sorriso dele vinha aos meus pensamentos eu sentia o meu coração aquecer.
Eu só queria tê-lo por perto novamente, abraçá-lo, sentir seu cheiro e… O toque dos lábios dele nos meus.
Não tinha me dado conta do quanto era bom beijá-lo. Do quanto nós dois parecíamos o encaixe um do outro e de repente eu me senti a pessoa mais lerda da galáxia.
Eu havia perdido um tempo estúpido correndo atrás de Corey Cooper. Mesmo que ele não fosse um completo babaca, meu coração no fundo nunca havia pertencido ao meu melhor amigo.
Sempre havia sido de .
Num impulso, eu peguei meu celular e comecei a digitar febrilmente, não me dando nem tempo para raciocinar sobre aquilo ou eu perderia toda a coragem.

Eu preciso te dizer uma coisa, . Me encontre na arquibancada às 19hrs, por favor.
Sinto sua falta.
.
Não sei se fiz o certo em dizer que sentia falta dele, mas não consegui me refrear e apertei a tecla de enviar.

💑
Eu cheguei à arquibancada perto das 18hrs, de tão ansiosa que estava. Assisti um dos treinos e quis socar Corey quando ele tentou mais uma vez se aproximar de mim.
Incrível que ele não se importava mais que os outros nos vissem.
Consegui me livrar dele e quando faltavam cinco minutos para as sete eu sentia que meu coração saltaria pela boca a cada segundo. Na verdade, ele estava mesmo por um fio, já que eu o sentia trancando minha garganta.
Quando vi meu relógio marcar sete horas em ponto, senti um calafrio. não era de se atrasar, muito pelo contrário, mas talvez fosse apenas neura da minha cabeça.
Sete e cinco, sete e quinze… Sete e meia.
Nada dele.
Meu estômago afundou e eu encarei o visor do celular, onde eu havia deixado minha mensagem aberta porque me certificava a cada minuto de que realmente havia enviado a mensagem a ele.
Por fim, tive que aceitar a verdade. não viria. Eu havia o perdido mesmo.
Um suspiro alto ecoou de meus lábios, então eles tremeram e eu escondi meu rosto entre as mãos, deixando que o choro preso escapasse. Meu peito sacudiu um pouquinho e eu não sabia se conseguiria sair daquela arquibancada e encarar a minha vida dali para frente.
Tarde demais eu tinha percebido que o cara dos meus sonhos estava ao meu lado o tempo todo.
Eu precisava ser forte. Erguer minha cabeça e ao menos me arrastar até em casa, então eu me levantei e ao me virar para sair dali acabei levando o melhor susto da minha vida.
caminhava na minha direção.
Por uns segundos, eu achei que estivesse sonhando, mas então ele se adiantou, fazendo uma careta ao me ver chorando.
, você está bem? — questionou, como se não tivéssemos passado aquele tempo todo sem nos falar.
— Eu… — abri a boca para lhe responder, então engoli em seco e puxei novamente a coragem para falar tudo que eu queria que ele soubesse. — Eu sinto muito, , pela maneira que as coisas aconteceram desde aquela noite.

— Não devia ter fugido de você. Na verdade, eu não devia ter fugido de muitas coisas por achar que acabaria com a nossa amizade. Por muito tempo eu menti para mim mesma e realmente acreditei que o jeito que você sempre fez eu me sentir tinha a ver com o laço que a gente criou desde pequeno. É ridículo pensar que só te perdendo eu consegui perceber que sempre foi você, .
Desviei meu olhar dele, porque não conseguia mais sustentá-lo. O medo de ele estar ferido demais para me perdoar me deixava insegura.
, olha para mim — pediu, fazendo com que eu voltasse a encará-lo. — Eu não sei o que dizer.
— Você não precisa dizer nada, . Eu o chamei até aqui porque eu quero que você saiba que eu amo você. Não como amiga, eu sou apaixonada por você desde os doze anos de idade — ri ao confessar a última parte.
Por alguns segundos, ele ficou apenas me olhando, como se tentasse decifrar onde estava a pegadinha. Quando percebeu que não havia nenhuma, um sorriso iluminou suas feições.
— Você não faz ideia do quanto eu sonhei em ouvir isso. Só que eu nunca achei que fosse acontecer, principalmente aquele dia em que te vi com o Corey.
Soltei um suspiro.
— Aquele dia você entendeu tudo errado, . Eu terminei tudo com Corey. Percebi que ele não passava de uma ilusão porque ele não me fazia sentir metade das coisas que sinto quando estou com você.
— Você está falando sério, ? — me questionou, dando uns dois passos em minha direção.
— Pare de duvidar de mim, . Sabe o meu coração? Hoje eu também vim aqui para entregá-lo para você. Daqui para frente, é você quem decide o que vai fazer com ele se você aceitá-lo — me senti tensa com o peso daquilo, mas tudo foi embora quando aquele lindo sorriso voltou a iluminar o rosto dele.
— Vou aceitar seu coração com uma única condição. Se você ficar com o meu também.
Parecia que mil fogos de artifício explodiam em meu peito.
— Eu amo você, .
— E eu amo você, .
De repente, eu voltei a sentir as mãos firmes dele na minha cintura e sem hesitar eu mesma colei meus lábios nos seus.
Na primeira vez que beijei , senti que as coisas tinham se encaixado e aquilo me deixou confusa. Naquele momento, eu não tinha mais dúvida de nada porque eu não poderia querer outro alguém para me completar tão bem quanto ele.
Nós ficamos ali, nos beijando e aproveitando a companhia um do outro até as luzes do campo se apagarem e nos colocarem para correr.
Aquele foi o começo de uma vida onde e já não eram mais apenas melhores amigos.
Nós éramos o amor da vida um do outro.

FIM

Nota da autora: Meu coração ficou bem quentinho com esse final. Vocês sentiram o mesmo? Comentem ali embaixo para eu saber.
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Beijos e até a próxima.
Ste.

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