La Excepción

La Excepción

Sinopse: Ela tem regras preciosas das quais nunca abre mão. Uma delas é a de não se envolver com jogadores de futebol, sentimental ou sexualmente. Mas ele veio para ratificar o ditado que diz que para toda regra há uma exceção.
Fandom: Futebol
Gênero: Romance, Comédia, Drama
Classificação: 18 anos. Contém palavras de baixo calão, cenas de sexo explícito, uso de drogas lícitas e ilícitas
Restrição: Originalmente escrita com o jogador Isco Alarcón, então o elenco do Real Madrid das temporadas 2016/2017 e 2017/2018 é citado constantemente, além de algumas das esposas e filhos dos jogadores desses elencos, mas não impede a leitura com outros jogadores. Os nomes Andrea e Amelie são utilizados.
Beta: Regina

Prólogo

Tinha bebido mais do que deveria, tinha certeza absoluta e a cabeça pesada era a confirmação de que a bebedeira tinha extrapolado os limites do saudável. A cama embaixo de seu corpo estava extremamente confortável, não abriria os olhos de forma alguma, talvez até voltasse a dormir se ficasse quieta. Não que ela pudesse mesmo fazer isso, mas era a sua maior vontade.
A noite tinha sido ótima, lembrava-se de boa parte das coisas. Saiu com alguns amigos da faculdade para comemorar que… comemorar o quê? Isso entrava na lista de coisas que ela tinha esquecido. E tinha ficado com um homem muito bonito. Não que ela se lembre, de fato, do rosto dele, mas sua lembrança do homem é a de que ele era muito bonito. E bom de cama.
Tinham saído juntos e ido para a casa dele, ignorando todas as instruções dos pais, que sempre foram enfáticos, sobre falar e sair com estranhos. O sexo tinha sido muito bom, não o melhor de sua vida, ambos estavam mais bêbados do que deveriam e as coisas foram meio descoordenadas, mas foi muito bom.
Passaria o sábado acompanhada de uma ressaca imensa e duas crianças. A cabeça doía muito mais só de pensar nisso. Abriu minimamente o olho direito e viu que o homem ainda dormia. Tinha o corpo espalhado na cama – porque espalhado é a palavra correta para a forma como ele estava – com o rosto estava virado para ela. Uma expressão serena de um sono tranquilo pós bebedeira.
Conhecia aquele rosto. E não apenas da noite anterior. O conhecia de antes. Tinha certeza absoluta. Abriu o outro olho devagar e quase caiu da cama ao ver quem era o homem. Sentou-se de uma vez, sentindo o corpo protestar e o cômodo girar. Não era possível que, com mais de três milhões de pessoas na cidade de Madri, sem contar os turistas, ela acabaria transando com um dos melhores amigos do irmão.

– Sou uma mulher morta se ele ficar sabendo disso. – Murmurou para si e se levantou devagar, enrolada ao lençol. Acharia suas roupas e iria embora sem que ele a visse.
– Ei, aonde você vai? – ouviu a voz rouca dele e quis sair correndo, mas estava enrolada ao lençol, não sabia onde estavam suas próprias roupas e não tinha condições físicas de correr depois do porre que tinha tomado na noite anterior.
– Embora? – disse numa constatação óbvia.
– Tão cedo? – ele se espreguiçou e se sentou na cama, encarando a mulher que estava de pé procurando as próprias roupas.
– Preciso ir pra casa. Cadê minhas roupas?
– Não faço ideia. – Riu e passou uma das mãos pelos cabelos bagunçados e pelo próprio rosto para afastar o sono que ainda estava lá. – Não dá pra repetirmos a dose da noite?
– Infelizmente não, eu tenho mesmo que ir.
– Acho que seu vestido ficou na sala, porque foi lá que começamos. Vou buscar. – Ele se levantou completamente nu e ela quis desviar o olhar, mas isso não faria sentido, já tinha visto e usado daquele corpo inteiro na noite anterior.
E, se o fizesse, perderia a chance de admirar a vista espetacular. As costas do coitado estavam todas arranhadas e ele tinha algumas marcas de chupão pelo abdome e pescoço também. Ele amarrou uma toalha na cintura e saiu do quarto.
Voltou para o quarto trazendo o vestido e a calcinha que tinha ficado pelo sofá, junto com as roupas que ele tinha usado na noite anterior. Ele mal entregou as peças e ela já as estava vestindo com pressa. Ele estava agora só de boxer e tinha a toalha nos ombros.

– Vamos tomar café, te deixo em casa.
– Não me leve a mal, mas eu prefiro que não me vejam na rua com você.
– Posso saber o motivo? – ele perguntou num tom ofendido.
– Porque eu prefiro que meu irmão não seja preso por duplo homicídio.
– Como assim? – perguntou encarando a garota e, de repente, a reconheceu. Não era possível que entre tantas pessoas em Madrid, tinha que acabar levando aquela pra cama.
– Pela sua cara você entendeu. – Ela deu um sorriso sem jeito. – E acho que nós dois sabemos que o Real Madrid precisa de você vivo, . E do capitão do time em campo e não na cadeia.

Capítulo 1 – I want to drive you into the corner…

… and kiss you without a sound. (Hot – Avril Lavigne)

– Pela cara de ressaca que nunca vai passar, sua noite foi muito boa, hein? – Sergio brincou quando apareceu. Ela tinha ido em casa, tomado um banho e tentado ficar apresentável, mas não conseguiu um resultado consistente, apenas amenizou o máximo que conseguiu as marcas aparentes que tinha deixado em seu corpo.
– Só não foi melhor, porque acabou. – respondeu e ele a abraçou, lhe dando um beijo no rosto.
– Já tomou café da manhã? – perguntou dando passagem para a irmã entrar.
– Sim, em casa.
– Na sua casa ou na casa em que você dormiu?
– Eu dormi na minha casa. – Resmungou e Sergio deu um sorriso debochado.
– Você e mais quantos?
– Só eu, idiota. Cuida da sua vida. – respondeu e Sergio voltou a sorrir de forma debochada. – Cadê meus pipotinhos?
– Pilar tá trocando a fralda do Marco, mi Nano está na sala vendo televisão. E eu estava esperando você chegar ou a Pilar terminar de trocar o Marco pra sair, então agora eu vou pro treino ou vou chegar atrasado. Nos vemos mais tarde.
– Bom treino, capi. – falou, dando um beijo no rosto do irmão e ele saiu. seguiu pelo corredor, encontrando o sobrinho mais velho sentado no sofá assistindo desenho.
– TITIA!
Mi amor. – Ela sorriu apertando Sergio Junior num abraço.
– Posso deixar os dois com você e tomar banho? Estou quase atrasada. – Pilar fez uma careta quando chegou na sala trazendo Marco no colo e assentiu.
– Deve.
– A noite foi boa, hein? – repetiu o que o marido tinha dito e deu um sorriso sugestivo para a cunhada. – Eu recomendo passar uma base nesses roxos no seu pescoço.
– E esses são os mais tranquilos. – resmungou e Pilar riu.
– Sergio não viu?
– Acho que ele tava com tanta pressa de sair que nem deve ter percebido, mas comentou sobre minha cara.
– Eu vou tomar banho, já volto. – Pilar disse saindo da sala.
– Titia, vamos brincar lá fora? – Sergio sugeriu.
– Vamos. – Ela sorriu desligando a televisão e os três saíram para o grande quintal da casa.

🤍⚽️ 🤍
– Acho que o brigou com um leão essa noite. – Marco Asensio foi o primeiro a implicar com o amigo no vestiário.
– Nem um leão teria feito tanto estrago assim. – Sergio foi o próximo a implicar e tratou de vestir a camisa o mais rápido que pode, quase como se o amigo estivesse tentando fazê-lo contar que tinha dormido com sua irmã. – Não adianta, o que está visto, está visto.
– E tem nos braços também. – Lucas Vázquez acrescentou rindo.
– E não foi só arranhado, tá todo roxo de chupão também. – Álvaro Morata provocou.
– A noite foi boa, hein Magia? – Dani Carvajal sorriu sugestivo.
– Excelente. – respondeu sorrindo e passou as mãos pelos cabelos. – Mas tô numa ressaca fodida.
– Vocês vão ficar fofocando ou vão treinar? – Bettoni entrou no vestiário e falou sério.
– Vamos treinar, mas só porque podemos fofocar enquanto fazemos isso. – Lucas falou num tom divertido e o homem riu. Os atletas saíram do vestiário e seguiram até o campo onde treinariam.

Treinar de ressaca foi difícil, não que já não tivesse feito isso algumas vezes, mas era sempre difícil correr enquanto seu corpo implorava por cama, ainda mais que as costas ardiam pelos arranhões conseguidos na noite anterior. Mas, naquele dia em especial, as coisas estavam ainda mais difíceis, principalmente quando Sergio o olhava, parecia que o amigo sabia o que tinha acontecido e estava apenas esperando o momento certo de picá-lo vivo por ter feito aquilo com sua irmãzinha.
Será que ele sabia? duvidava, afinal, teria que ter contado e pela forma como ela falou pela manhã, estava claro que ela não faria aquilo nem sob tortura. E também não contaria, seria se entregar muito facilmente à morte. Ele tem um filho para criar e uma Copa do Mundo a ganhar, não pode se dar ao luxo de morrer assim tão facilmente.

– Ei, . Acorda! – Morata passou as mãos na frente dos olhos do amigo, que encarava o nada, e pareceu despertá-lo dos pensamentos. – Tá pensando na sua noite?
– Mais ou menos.
– Foi tão bom assim?
– Estávamos os dois mais bêbados que o considerado saudável e acho que isso impediu de ser excelente. De zero a dez, sete e meio. Oito.
– Então foi muito bom!
– Foi, mas podia ter sido melhor.
– Liga e repete a dose, mas sem álcool envolvido.
– Eu não tenho o número dela.
– Nunca mais então.
– Aí que você se engana. – deu um sorriso de lado e voltou a correr.
– Como assim? – ouviu Morata perguntar curioso, mas o deixou pra trás enquanto voltava a correr pelo campo.

– Nos vemos amanhã, chavales. – disse enquanto rumava para a saída do vestiário após o treino.
– Não vai tomar banho? – Nacho perguntou e ele negou.
– Tomo banho em casa. E nem tô tão suado. – Mentiu, dando de ombros.
Sem chance que tiraria aquela camisa ali de novo. E preferia tomar banho em casa, porque lá ele poderia sentir a dor sozinho e fazer todas as caretas possíveis sem ser zoado.
– Passa uma pomadinha nas costas pra não inflamar, Magia. – Sergio Ramos provocou e fez os outros rirem. queria sair correndo, porque realmente parecia que o homem sabia quem tinha feito aquilo.
– Como assim? – Nacho perguntou sem entender. Quando os outros implicaram com pelas marcas, o jogador já tinha saído do vestiário e estava no campo.
– Não faço ideia do que esse idiota tá falando.
– Do que você me chamou? – Sergio Ramos perguntou num tom ofendido e, como um bom grupo de homens adultos e maduros, os outros soltaram um sonoro “uuuh”. Sergio seguiu até onde Nacho e estavam, fazendo a feição mais ameaçadora que conseguiu, apesar de estar se segurando para não rir da cara de pânico que fazia.
– De idiota. Eu ouvi bem. – Lucas respondeu antes que pudesse falar alguma coisa.
– Eu não deixaria barato. Tem que ensinar os subalternos a respeitarem o capitão. – Foi a vez de Marco se pronunciar rindo.
– Achei que tinha sido o Lucas que tinha falado, capi. Não precisa ficar bravo, eu tô só brincando. – disse dando um sorriso de lado e tentando se desculpar.

Sergio parou bem em frente ao homem, fazia cara de quem tinha realmente se ofendido e no milésimo de segundo que sabia ter, começou a raciocinar quais eram suas saídas, porque alguma coisa aconteceria, ainda que ele não soubesse o que seria.
Podia correr, mas duvidava que conseguisse chegar até a porta sem que algum dos companheiros o segurasse ou fechasse a porta; podia pedir desculpas por ter transado com a irmã dele, mas não sem ter certeza de que Sergio já sabia e que, portanto, já era um homem morto; podia pedir desculpas pelo que disse, mas não adiantaria se Sergio estivesse mesmo ofendido; podia ficar ali e esperar para ver o que aconteceria.
Antes que tomasse uma decisão sobre o que fazer, Sergio o envolveu num abraço de urso, apertando-o com mais força do que seria necessário para segurá-lo, apenas para fazer os arranhões doerem.

– Aí porra, me solta! – reclamou e saiu sendo carregado pelo capitão, que arrancava a risada dos demais companheiros e o jogou na banheira de gelo. não saberia dizer qual tinha sido a pior sensação: a do choque térmico ou a ardência dos arranhões.
– Isso é pra você aprender a respeitar seu capitão. – Sergio falou em tom divertido e mantinha seu braço segurando na água fria. Não mencionou irmã. Não sabe. quase respirou aliviado. – Idiota aqui é só você.
– Você tá ficando ofendido muito fácil, capi. Acho melhor você parar de andar com esses bundões. – provocou, mas arrancou uma gargalhada de Sergio, que o soltou e estendeu a mão, ajudando o amigo a sair. – Agora preciso tomar banho. Filho da mãe.
– Sua sorte é que te joguei no gelo, se eu te enfio debaixo do chuveiro quente, você estaria chorando por causa desses arranhões.
– Não é como se eu não estivesse fazendo isso internamente agora. – resmungou e mentalmente agradeceu a todas as entidades superiores das quais conseguia se lembrar, não queria nem imaginar o que Sergio Ramos faria com ele se descobrisse.
– Caralho , você brigou com um leão ontem à noite? – Nacho perguntou assustado quando viu sem camisa.
– Só se, além de unhas, o leão também souber usar bem a boca. – Marco respondeu provocando o amigo. – Além de arranhado, ele tá todo marcado de chupão.
– Até a boca dele tá inchada. – Morata apontou rindo.
– Que noite para o Magia. – Lucas acrescentou rindo.
– Tomem conta das vidas de vocês. – respondeu enquanto se enfiava sob o chuveiro.

A água estava morna e o contato com os arranhões o fez arrepender quase que imediatamente de não ter apenas trocado de roupa e ido embora. Tomou um banho rápido enquanto ainda ouvia os amigos fazendo piadas sobre as marcas que tinha no corpo e que não sairiam tão cedo. Se secou de qualquer jeito e não demorou muito a sair e ir embora. Quanto menos tempo ficasse perto de Sergio Ramos, mais seguro se sentiria.

🤍⚽️ 🤍
– O papai vai demorar? – Sergio Junior perguntou pulando no sofá. estava deitada no chão e Marco estava dormindo em seu quarto.
– Acho que seu pai deve chegar pro jantar, Nano.
– Tô com fome.
– O que você quer comer? – ela perguntou olhando para o relógio. Cinco da tarde.
estava com os dois desde cedo, porque Sergio foi treinar, Pilar foi trabalhar, mas passou em casa para amamentar Marco, e os dois – Pilar e Sergio – tinham um evento, chegariam perto das nove, pelo que disseram, mas disse que não precisavam ter pressa, sempre ficava bem com as crianças Ramos Rúbio.
Os sobrinhos eram ótimas crianças para se cuidar, bagunceiros, mas obedientes e cheios de energia, e amava ficar com os dois, era sempre muito divertido brincar e cuidar deles. Ainda que um deles fosse um bebê que demandasse mais atenção do que diversão.
– Bolo de chocolate! – Sergio parou de pular e a olhou esperançoso.
Os olhinhos brilhavam e se não tivesse bolo de chocolate naquela casa, ela atravessaria o mundo por um para o menino.
– Então comeremos bolo de chocolate. – Ela sorriu para o menino e se pôs de pé. Sergio Junior pulou do sofá para o colo da tia e os dois seguiram até a cozinha.

O bolo estava na geladeira e o menino se agitou animado. Aquele típico bolo de chocolate de vitrine de confeitaria, com calda e pedaços de chocolate. O motivo de um daqueles estar na geladeira daquela casa era um mistério, mas apenas agradecia por ter.
Partiu dois pedaços de bolo, maiores do que Pilar e o irmão considerariam saudável e os dois se sentaram à mesa para aproveitar aquela delícia. Enquanto observava o menino comer, passava os olhos pelo Instagram. Talvez descobrisse o que estavam comemorando na noite anterior. Tinha sido marcada em duas fotos e a legenda fez se lembrar, era a despedida de uma das amigas que estava se mudando para Portugal.
O Instagram também lhe mostrou uma solicitação nova de amizade. . Ela se engasgou com o café que tomava e isso fez o sobrinho rir. Fechou o aplicativo. Se ele estava esperando que ela aceitasse, estava enganado. Ela já tinha infringido a própria regra de nunca sair com jogadores e não se colocaria em tentação para quebrar a própria regra de novo.

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– Tomara que alguém queira trocar de camisa com você. Vai ser muito engraçado ver as imagens na televisão depois. – Lucas disse rindo.
– Cala a boca.
– Convidou a leoa pra vir te ver jogar? – provocou e lhe mostrou o dedo do meio.
– Cala a boca. – Repetiu e Lucas deu uma gargalhada.

O time se alinhou para entrar em campo e ainda esperava que sua solicitação fosse aceita no Instagram. Se ela deixava que Lucas, Iker, Nacho e Modrić a seguissem, ele podia também. Certo? E era o único jeito de conseguir falar com , já que não tem o número do seu celular, ela não recebia mensagem de não seguidores e ele queria desafiar o perigo e chamá-la para sair de novo.
Ele começaria na reserva, Zidane escalou o time misto contra o Sevilla, tinham outro jogo no meio da semana e a final da Champions League estava próxima. O time venceu por quatro a um, com dois gols de Cristiano, um de Nacho e outro de Toni Kros. não saiu do banco naquele jogo, o que para ele era horrível, mas não tinha o que fazer a respeito. Quando o jogo acabou, tratou de ir rápido para o vestiário, não queria mesmo correr o r de alguém querer sua camisa.
Os jogadores saíram todos juntos, depois de passarem pela área onde alguns concederam entrevistas e ele a viu. Estava encostada em um carro e estava com o celular em mãos, lendo alguma coisa que a fez rir.

– Vai precisar de carona? – a voz de Sergio o despertou e olhou para o amigo que vinha andando próximo a ele.
– Peço um táxi.
– Vamos comigo, eu te deixo em casa. – Sergio sorriu e abraçou o amigo pelos ombros.
– Mas não é seu caminho, capi, não precisa.
– Relaxa, Magia, eu te deixo em casa.
– Então tudo bem.
– Me dá a chave. – Sergio disse para a irmã, que ergueu o olhar e um leve pânico passou por seus olhos quando viu quem estava junto do irmão.

mudou de cor quatro vezes antes de assumir um tom meio esverdeado que dava a impressão de que ela vomitaria ou desmaiaria. Não podia ser sério que aquilo estivesse acontecendo. Será que Sergio sabia do que tinha acontecido entre eles e os estava levando para matá-los num terreno baldio e largar os corpos incinerados por lá?
Não era possível que tivesse contado alguma coisa, Sergio estava todo amistoso com o companheiro e duvidava muito que o irmão estaria assim com qualquer um que tivesse dormido com sua irmãzinha mais nova. Ele estaria com cara de bravo e tendendo ao homicida e não rindo abertamente. E preferia nem olhar muito para , porque isso a fazia querer repetir a noite anterior, mas sem álcool. Lembra-se de cada detalhe daquele corpo, de cada toque e isso é absurdamente errado e perigoso.
Contra as regras.
Não.

– Me dá a chave do carro, . – Sergio repetiu.
– Ahn? Ah. – Despertou dos próprios pensamentos e o encarou confusa. – Por quê?
– Porque eu já te vi dirigindo e não quero morrer indo pra casa depois de um jogo. E esse carro é o meu, então eu vou dirigir. – Sergio provocou rindo e a abraçou, dando um beijo demorado em seu rosto.
– Bom jogo, capi. – sorriu para o irmão.
– Oi. – a cumprimentou tentando usar um tom normal.
Aquela voz. Ela se lembrava muito bem de como era gostoso ouvi-lo gemer seu nome em seu ouvido…
Para com isso, !
– Vocês já se conhecem, certo? – Sergio perguntou num tom casual e quase saiu correndo antes de repetir mentalmente que o irmão não fazia ideia do que tinha acontecido e ela não tinha motivos para se preocupar. E que realmente conhecia de antes.
– Nos conhecemos faz um tempo, eu acho.
– Desde a festa de La Decima, se não me engano. Ou antes, não sei.
– É, algo assim. – ela deu de ombros.
– Podemos? – Sergio perguntou tomando as chaves da irmã, que fez cara feia para o ato do irmão mais velho.
– Pode ir na frente. – disse sem olhá-la por muito tempo, porque se lembrava muito bem daquele corpo em sua cama e sem roupa. Era melhor evitar ficar pensando muito nisso, em todo caso.
– Você que sabe. – deu de ombros e deu a volta, sentando-se no banco do carona. Sergio tomou seu lugar como motorista e no banco de trás. – Por que Pilar não veio?
– Ela tinha umas coisas do trabalho pra fazer.
– Me deixa em casa primeiro? – pediu ao irmão.
– Na sua casa?
– Por favor. Eu tenho que terminar um trabalho e se eu for pra sua casa, já sei que não vou terminar nada e isso será um problema enorme.
– Você se importa, ?
– Sem problemas. – O homem respondeu e deu de ombros.
– Tenho que levar minha irmãzinha pra dormir em casa pela primeira vez o fim de semana inteiro. – Sergio brincou. e travaram em seus lugares. Não era possível que aquilo estava acontecendo.
– Cuida da sua vida, Sergio Ramos García. – disse num resmungo.
Ele não demorou a parar o carro à frente de um prédio de fachada bem simples. Os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto antes de descer do carro, se despedindo por alto de .
– Quantos anos sua irmã tem?
– Vinte e dois. Por que o interesse? – Sergio perguntou sério, enquanto passava para o banco do carona.
– Nenhum. – ergueu as mãos. – Só que ela é parece ser bem mais nova que você.
– Eu tinha nove anos quando ela nasceu.
– Vocês se dão bem?
– Muito. – Ele sorriu. – Sempre fomos próximos e amigos. Um pouco menos quando ela era uma adolescente insuportável, alguns poucos anos atrás. Nós brigamos várias vezes nessa época, mas somos amigos e falamos sobre tudo um com o outro. E ela tem um dom sobrenatural de lidar com crianças. Raramente me preocupo com babás, ela sempre cuida dos meninos quando pode ficar com eles e é como se não existissem crianças naquela casa quando ela está por lá.
– Depois me passa o contato então, eu tenho sérios problemas com isso de babás. Não acho uma babá que o Junior goste e se adapte. – disse suspirando derrotado.
– Depois pergunta ao Luka e ao Nacho. Ela ganha um dinheiro extra sendo babá e os dois devem ser os clientes mais fiéis que tem. – Sergio riu. – Ela consegue manter Ivano, Ema, Ale e mi Nano brincando juntos sem brigarem e sem fazerem bagunça. E cuidando de Nachito e Marco também.
– Ela é tipo uma bruxa? – perguntou rindo.
– Um pouco parecida com a Mary Poppins, mas sem a música. – Sergio riu. – Mas tô meio ferrado nas férias.
– Por quê?
– Ela vai passar dois meses em Munique fazendo um curso pra acrescentar créditos na faculdade, pelo que entendi. No ano passado ela estava estudando em Londres e por isso ainda não formou.
– E o que ela estuda?
– Direito.
– Tomara que dê tudo certo pra ela. – disse e Sergio parou o carro na entrada do condomínio. – E valeu pela carona, capi.
– Sempre que precisar, Magia. – Sergio sorriu. – Ah, toma aqui o número dela. Talvez Junior seja o próximo membro da “Creche da Tia ”.
– Valeu, capi. – agradeceu enquanto anotava o número em seu próprio celular.
– Se eu te pegar de conversinha com minha irmã, eu quebro suas duas pernas. – Sergio disse sério e assentiu dando um sorriso.
Anotou o número da mulher e seguiu caminhando até sua casa. Victoria estava de carro e tinha uma expressão de impaciente. Não falou com , apenas se despediu do filho e foi embora.

Capítulo 02 – I got only good intentions…

…So give me your attention. (Ruin the Friendship – Demi Lovato)

“Me socorre, eles vão me deixar doida!”, dizia a mensagem que recebeu de Maria, esposa de Nacho. A mensagem veio acompanhada de uma foto de três crianças: Alejandra, Nachito e Junior. E eles não pareciam estar brincando.
“Chego em uma hora mais ou menos, vamos fazer um piquenique”, enviou de volta e tratou de se arrumar.

A melhor parte de ser uma boa estagiária, era que podia trabalhar em casa ou pedir folga, porque o chefe sabia que quando precisasse, a ajuda dela viria rápido e de forma muito competente, por sinal. mandou uma mensagem para o homem, disse que precisava ajudar uma amiga e o chefe a liberou, dando o dia livre. Sem aulas naquele dia, poderia sair com as crianças e Maria sem problemas.
Na noite anterior, fizera um bolo de chocolate, tinha a intenção de levar para os sobrinhos mais tarde naquele dia, mas Maria parecia precisar muito mais, seria ela a contemplada com o bolo de chocolate. alguns sanduíches pequenos e os embalou, colocando os pedaços de bolo em uma vasilha e os sanduíches embalados, numa bolsa térmica, que teve de procurar pela casa. Suco ela compraria quando estivessem saindo, era muito mais prático do que fazer.
Tomou um banho rápido e vestiu-se com uma bermuda, camiseta e tênis, além de passar repelente e protetor solar e colocá-los na bolsa que levaria. Ela deixou a bolsa sobre o balcão enquanto pegava o telefone para ligar para Pilar, afinal, já que sairia com crianças, podia levar Sergio Junior junto.

– Alô. – o telefone foi atendido no segundo toque e ela pode ouvir uma música de desenho animado ao fundo.
– Oi Pilar, sou eu, . Tudo bem?
– Tudo, . E você?
– Tudo ótimo. Você vai sair com os meninos?
– Só com o Marco, vamos ao médico pra consulta do mês. Por quê?
– Me empresta o Sergio? Vou socorrer Maria com as crianças dela e Junior, vamos fazer um piquenique. Queria levar Nano também.
– Claro. Você vem por agora?
– Passo aí em dez minutos. Nem preocupa com banho, ele vai voltar pra casa imundo.
– Eu sei. – ela riu. – Então estaremos esperando.

tinha comprado uma cesta de piquenique há uns meses, ainda que não soubesse bem o motivo quando o fez, e não a tinha usado ainda, então aquela era a oportunidade perfeita de ter um piquenique de filme pela primeira vez na vida. Pegou uma toalha de mesa grande e colocou tudo dentro da cesta. Seu telefone tocou e o nome de Maria apareceu na tela.

– Chego daqui a pouco. – disse quando atendeu. – Vou buscar Sergio e vamos.
– Pilar também vai?
– Não. Somos apenas nós duas.
– O que você vai levar?
– Bolo e uns sanduíches.
– Aqui tem suco, frutas, biscoito e água.
– Vamos levar tudo isso.
– Eles vão me deixar doida. – Maria resmungou e riu.
– Daqui a pouco eu chego.
– Estou te esperando. – Maria disse e desligou.

saiu após conferir se levava tudo. Buscou o sobrinho e chegou na casa de Maria ainda dentro do prazo de uma hora prometido. Soltou o menino da cadeirinha e seguiram com as mãos dadas até a entrada da casa. Ela podia ouvir as crianças gritando e gargalhando. Maria devia estar prestes a ter um colapso nervoso com três crianças fazendo bagunça e uma dessas crianças nem um ano tinha ainda. E quando tocou a campainha, Maria atendeu o mais rápido que conseguiu.

– Faça sua mágica, tia . – Maria disse dando um sorriso nervoso e riu, abraçando a mulher. Ela cumprimentou Sergio Junior com um beijo no rosto e os dois entraram na casa.
– TIAAAAA! – Alejandra foi a primeira das crianças a vê-la e correu em sua direção, a abraçando pelas pernas.
– ALEEEE! Opa. – Junior vinha correndo e parou no meio do caminho quando viu a desconhecida.
– Olha a minha tia!
Alejandra exibiu , como se ela fosse um brinquedo novo que tinha acabado de ganhar, e Junior arregalou os olhos com vergonha, dando meia volta antes que pudesse ser cumprimentado. Sergio Junior e Ale se abraçaram animados, antes de saírem juntos e conversando pelo caminho que Junior tinha feito segundos antes. e Maria também foram e chegaram até a sala, onde os quatro estavam.
– Oi raiozinho de sol! – falou, dando um beijo demorado na bochecha de Nachito, quando o pegou no colo e o menino deu uma gargalhada enquanto ela o apertava e beijava.
, esse é o , amigo de Ale e do Nachito. – Maria disse e sorriu para o menino, que a olhava desconfiado.
– Ele é meu amigo também, tia! – Sergio Junior disse e Maria assentiu.
– Oi, . Você é muito mais lindo do que seu pai me falou. – disse dando um sorriso sincero.
– Você conhece meu pai? – ele perguntou assustado.
– Conheço. – sorriu. – E ele me falou muito sobre você. Disse que você é lindo e que sabe jogar futebol muito bem, que logo logo vai jogar pelo Madrid e fazer muitos gols e ganhar muitos títulos.
– Ah, então oi! – ele deu um sorriso receptivo e sorriu de volta.
– Podemos ir fazer o nosso piquenique? – perguntou e os três maiores comemoraram.
– E como faremos? Todos juntos?
– Pode ser. E é até melhor.
– E pra onde iremos?
– Parque de Atracciones de Madrid. – ofereceu. – Porque se um piquenique não for suficiente, temos mais opções.
– Ótimo. Então vamos. – Maria disse e estendeu a mão para Sergio Junior, que foi até ela e pegou sua mão, enquanto no outro braço ela carregava Nacho Junior; Ale e Junior deram as mãos para Maria.

Ajeitaram as crianças na minivan dos Fernández Córtes, tomou seu lugar no banco do carona e Maria no lado do motorista. As crianças estavam comportadas assistindo a um DVD de desenhos animados colocado por Maria enquanto percorriam a distância da casa até o Parque, para que ficassem todas quietas pelo menos um pouco. E o principal: para que Alejandra ficasse calada por mais de quinze segundos.

– E por que você não trouxe o Marco? – Maria perguntou sem desviar os olhos da pista.
– Imagina dois bebês e esses três. – respondeu rindo.
– Marco e Nachito ficariam comigo enquanto você dá um chá de cansaço nesses três.
– Marco é tipo a Ale, ligado em potência máxima o dia inteiro.
– Sério? – Maria desviou o olhar rapidamente, da rua para , e pareceu surpresa.
– Muito sério! Quando ele se junta com aqueles três cachorros da casa é um Deus-nos-acuda. Principalmente se o Sergio Pai estiver junto. E Pilar disse que ia levá-lo ao médico também, em uma daquelas consultas de rotina.
– Chegamos. Finalmente. – Maria disse estacionando o carro e desligou o DVD, ouvindo os resmungos das crianças. – Nós chegamos.
– EBA! – o coro animado de vozes infantil substituiu as lamúrias e logo estavam todos fora do carro e caminhando até um bom local para um piquenique.

Sentaram-se sob a sombra de uma árvore e comiam algumas das coisas que tinham sido levadas. Maria tinha ficado preocupada que as crianças não comeriam as frutas, tendo em vista a quantidade de coisas atrativas que tinha levado, mas viu sua preocupação se esvair quando os convenceu a comer primeiro as frutas para que pudessem ir brincar. Parecia mesmo que fazia mágica, porque nenhum ser humano comum era capaz de convencer crianças a comerem frutas, quando sanduíches e bolo de chocolate eram opções. Os quatro estavam sentados quietos, comendo e observando os pássaros que voavam por ali.

– Você faz mágica, não é possível. – Maria falou e riu.
– Tia, você me dá água? – Junior pediu deitado na toalha e olhava para o alto. Tinham comido as frutas e lhes pediu um tempo antes de comerem o bolo e os biscoitos.
– Claro, lindinho. – respondeu pegando água e o entregou. Ale e Sergio Junior seguiram a deixa e também pediram água, enquanto Junior se sentava para tomar sua água. – Vamos brincar? – ela sugeriu e as crianças sorriram animadas.

Pularam, correram, suaram e riram muito e um bom tempo se passou até que, finalmente, sentiram fome e quiseram comer mais um pouco. Maria tinha ficado sentada com Nachito observando a brincadeira quase escandalosa de com as crianças, além de ver os pássaros que voavam por ali e deixavam o menino em estado de êxtase; foi a responsável por correr e brincar com os outros três, que pareciam incansáveis e davam gargalhadas aos montes enquanto corriam e brincavam.
As crianças estavam imundas de rolar na grama e suados pelo tanto que correram, mas estavam muito felizes com a atividade diferente da que sempre faziam. Sentaram-se para comer enquanto as crianças contavam para e Maria o que tinham feito (e daí que as duas estavam lá e tinham visto?) nas brincadeiras.

– Vamos tirar uma foto pra mandar pros papais? – Maria perguntou e as crianças comemoraram animadas, até Sergio Junior que não era lá um adepto de fotos.

Tiraram uma selfie sorridentes e ela enviou para Nacho, que, obviamente, repassaria aos outros dois pais das crianças presentes na foto. E postou no Instagram, marcando e os pais das crianças.
Depois de um tempo, Nachito estava deitado na toalha com e Maria; os maiores, Junior, Alejandra e Sergio Junior, estavam na grama jogando migalhas para os patos e passarinhos e achavam isso a coisa mais divertida do mundo.

– Tia, nós vamos passear agora? – Alejandra perguntou se virando para .
– Vocês querem fazer alguma coisa? – perguntou e acariciou os cabelos de Nachito que estava deitado ao seu lado.
– Zoo! – Junior deu um sorriso animado e os outros dois concordaram animados.
– Então vamos passear no zoo. – respondeu sorrindo e Alejandra comemorou com palminhas. – Vamos juntar as coisas e guardar no carro, depois vamos pro zoo.

As duas mais velhas juntaram as coisas com “ajuda” das crianças, foram até o carro guardar as coisas e seguiram para o zoológico, dentro do próprio parque. As crianças estavam encantadas e, apesar de não apoiar a existência de zoológicos, considerava absurdamente fofo e encantador como as crianças ficavam felizes ao verem os animais tão de perto.
Não andaram por todo lugar, claro, viram alguns dos bichos, foram ao aquário, ao tanque de golfinhos, depois de Sergio Junior pedir insistentemente para irem até lá. e Maria tiraram algumas fotos e resolveram que era hora de ir embora com as crianças.

– Ainda são cinco horas, o jogo é só às oito. – Maria olhou o relógio enquanto caminhavam até o carro.
– Quer ir pra sua casa? Eu te ajudo com eles.
– Se você for me ajudar mesmo, vamos. Apesar de achar que eles vão dormir antes de chegarmos lá.
– Não vão. – deu um sorriso. – Só mantê-los interessados em ficar acordados.
– Eu não sei até onde eles ficarem acordados é bom. – Maria riu enquanto tinha Sergio Junior sobre os ombros e caminhava de mão dada com Junior.
– Se eles ficarem acordados agora a tarde, vão dormir cedo.
– Eu não vou dormir. Quero ver o papi jogar. – Junior disse cheio de opinião, fazendo e Maria rirem.
– Então vamos combinar o seguinte: vamos ficar acordados e brincar bastante quando chegarmos em casa, que aí ninguém perde o jogo e todos vamos poder torcer para o Madrid vencer. O que vocês acham?
– Sim! – Alejandra, Sergio Junior e Junior disseram animados enquanto caminhavam.

Nachito estava quase dormindo no colo da mãe, não daria trabalho algum para elas. Bom, talvez mais tarde. As crianças foram colocadas em suas cadeirinhas e para que não dormissem durante o percurso, foi cantando com eles e fazendo o máximo de gracinhas e brincadeiras que conseguia para que todos chegassem acordados na casa de Maria e Nacho. À exceção de Nachito, que foi o único que dormiu basicamente quando foi colocado em sua cadeirinha.

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– Maria recorreu à super tia . – Nacho falou rindo e mostrou a foto para Sergio Ramos e .
– Ela postou no Instagram. – Sergio Ramos disse e deu um sorriso ao rever a foto. – E pelo jeito a tia conseguiu mais um membro para o fã clube.
– Nunca vi o Junior assim com algum adulto que ele não conhece sem que eu ou a mãe dele estivéssemos perto. – soltou num muxoxo quase enciumado, enquanto observava a foto em que o filho estava nas costas de , a abraçava pelo pescoço, tinha o rosto bem próximo ao dela e dava um sorriso imenso para a foto.
– É impossível explicar como ela faz essas coisas. Ale e Nachito a adoram desde que nasceram.
– Eu nem sabia que ela ia ficar com mi Nano hoje.
– Deve ter levado quando Maria pediu socorro. – Nacho presumiu. – E pela mensagem que Maria me mandou agora pouco, eles ainda estavam brincando cheios de energia.
– Eles nem vão ver o jogo. Quer apostar? – Sergio Ramos falou rindo. Conhecia aquela tática da irmã.
– Aposto que não verão mesmo. tá dando um chá de cansaço neles. Sua irmã é um anjo.
– Não é à toa que é minha irmã. – Sergio disse convencido.
– É, mas ela é um anjo do bem, já você… – Nacho implicou e ganhou um tapa na nuca.
– E é claro que ela deixa as crianças quietas porque sabe lidar com elas e não porque é assustadora igual a você. – falou rindo e Sergio Ramos acabou não conseguindo se conter e o acompanhou na risada.
– É melhor ser temido do que amado, . – Sergio disse ainda rindo.
– Estamos saindo. – Álvaro Morata chamou e seguiram até o ônibus que os levaria para o estádio.

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– Agora que as ferinhas estão de banho tomado e dormindo, e que isso vai durar até amanhã e o jogo já acabou, eu vou embora com essa criança que passou o dia fora e de quem a mãe deve estar sentindo muita falta. – sussurrou e Maria, meio sonolenta, assentiu.
– Eu nem sei o quanto te agradeço por toda a ajuda hoje, . toda hora perguntava do pai e até chorou quando percebeu que ele tinha ido embora e não voltaria tão cedo para busca-lo, eu estava quase entrando em desespero de verdade, porque a Ale resolveu acordar totalmente ligada e bagunceira. E Nachito também – Maria falou em tom cansado e sorriu para a amiga.
– Sempre que precisar e eu puder ajudar, sabe que pode me chamar e eu venho correndo. – pegou Sergio no colo e Maria saiu com ela.

As duas trocaram um abraço de despedida depois de colocar o sobrinho, totalmente adormecido, em sua cadeirinha. Ela dirigiu até a casa dos Ramos Rúbio e mal bateu na porta, Pilar a atendeu. Sergio Junior foi colocado em seu quarto e as duas se despediram rapidamente, depois de Pilar agradecê-la pelo passeio com o menino. foi embora para casa sem se demorar com a cunhada, pois precisava vencer o cansaço e estudar para a prova que teria no dia seguinte de manhã.
A marcação da foto que Maria tinha feito lhe rendeu diversas solicitações de amizade e marcações em fotos de perfis sobre famílias dos jogadores e fã-clubes do irmão, de Nacho, Maria e das crianças. Aquilo era tudo que vinha evitando durante sua vida quase inteira e, aparentemente, o “Ramos García” em seu sobrenome chamou a atenção.
Não que as pessoas não soubessem que Sergio tinha uma irmã mais nova, mas ninguém antes tinha se dado o trabalho de procurar pelo seu perfil no Instagram, já que tinha proibido, permanentemente, o irmão de marca-la em qualquer coisa. A pessoa famosa é ele, não ela. preferia a discrição.

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– Obrigado mesmo por você ter cuidado dele, Maria. E desculpa pelo trabalho que ele deu. – agradeceu quando chegou junto com Nacho à casa deste.
– Ale e Nachito adoram brincar com ele. E foi ótimo ficar com ele aqui, . Ele ficou meio enjoadinho no começo, perguntou diversas vezes por você e quando você voltaria, mas depois esqueceu completamente que tinha um pai. – Maria disse em tom divertido.
– E ele adora brincar com os dois. – deu um sorriso. – Ele ainda tá dormindo?
– Sim. Ainda é bem cedo né, ? E eles estão bastante cansados de ontem, porque brincaram o dia inteiro e só pararam perto da hora do jogo, quando demos banho e eles mal saíram do chuveiro e estavam dormindo o sono mais profundo que já vi crianças dormirem. – Maria falou dando um sorriso para o amigo. – Venham tomar café, vocês devem estar famintos.

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PAPI! Junior falou animado quando entrou na cozinha, acompanhado de Alejandra, e viu o pai ali. A primeira coisa que fez foi correr até o mais velho e abraçar as pernas do pai. Nachito vinha no colo da mãe e esfregava os olhinhos, com uma expressão pouco humorada, num claro sinal de quem tinha acordado contra a própria vontade.
Mi campeón. – falou e ergueu o filho, lhe dando um beijo no rosto, depois bagunçou os cabelos de Alejandra e Nacho Junior. – Como foi ontem?
– MUITO LEGAL! – o menino falou alto e sorriu animado.
– Brincamos um tantão, tio. – Alejandra se pronunciou, dando um sorriso.
– Teve piquenique e a gente brincou com a tia !
– Tia ? – perguntou um tanto surpreso com a intimidade e o menino assentiu sorrindo.
– A gente viu o leão, papai! E o urso! E um tantão de golfinho! Foi muito legal, a tia brincou muito com a gente.
– Sério? Que legal. – sorriu enquanto o menino contava sobre o dia anterior, com a ajuda de Alejandra, que também falava e gesticulava animadíssima, como sempre.

Os dois – e Junior – ficaram por mais um tempo na casa dos Fernández Córtes, até que resolveu que era hora de irem embora para a própria casa, porque queria se trocar e descansar um pouco, recusando educadamente o convite de ficarem e almoçassem todos juntos ali. A casa de Nacho era relativamente perto, mas preferiu pedir um táxi a arriscar ir caminhando com o filho até seu condomínio.
O menino ainda contava animado sobre o dia anterior, repetindo tudo que já tinha dito e sendo bem enfático e animado ao falar sobre como tinha amado o passeio que tinham feito e o como tinha brincado bastante com Sergio Junior, Alejandra, Nachito e . Quer dizer, tia .

– Eu nem dei tchau pra tia , papi, ela vai ficar triste comigo. – Júnior disse quando chegaram em casa, sendo recebidos por um Bubu muito animado.
– Não vai, filho. Você estava dormindo, não tinha como dar tchau pra ela.
– Você liga pra ela pra eu poder pedir ‘decupa? – o menino pediu dando um sorriso quase irresistível.
– Ela deve estar na aula, filho. Falamos com ela depois, mas não precisa pedir desculpa, ela sabe que você não fez por mal.
– Depois você me deixa brincar com ela? – pediu e olhou surpreso.
– Ahn… Claro. – disse meio incerto, mas sorriu. – Só que agora vamos almoçar, mais tarde a gente pode brincar com Bubu ou nadar um pouco.
– EBA! – Junior comemorou a ideia do pai e os dois subiram as escadas da casa, sendo seguidos pelos passinhos apressados de Bubu, o pequeno Spitz Alemão de estimação de , que tinha sido adquirido quando era noivo de Victoria, que ainda latia satisfeito por ter o dono em casa, finalmente.
– O que você quer almoçar?
– Não sei. – ele levantou as mãozinhas, fazendo uma expressão de quem não tinha ideia do que queria para o almoço e deu uma risada enquanto tirava a camisa social que usava, deixando sobre a poltrona. – Ainda tá dodói papai.
– Mas já tá sarando, filho. – ele deu um sorrisinho que o filho não viu.
Foi ao closet pegar uma bermuda e voltou com uma camiseta em mãos. Os dois desceram as escadas e foram para a cozinha. Ele precisava dar um jeito de aprender a cozinhar ou contratar alguém para ajudá-lo com isso. Ligou para um restaurante que vendia uma comida muito boa e pediu que entregassem uma boa, completa e saudável refeição. Enquanto esperava, pegou o celular para enviar uma mensagem a .

: Seu irmão me passou seu número no dia do jogo, quando falou que você ganhava um dinheiro extra sendo babá, eu não tive coragem de te pedir pra cuidar do Junior, mas queria te agradecer por ter ajudado Maria ontem
Ele virou seu fã, não para de falar de você e perguntar quando vocês vão poder brincar de novo. E isso é muito raro, porque ele é tímido e te adorou de primeira.
Obrigado, de verdade.

enviou a mensagem, com um pouco de dúvida se deveria mesmo ter feito isso, porque ela não tinha lhe passado o próprio número, então podia considerar aquilo invasivo ou ignorá-lo. Deixou o celular de lado por um tempo, enquanto esperavam pelo almoço pedido, que não demorou tanto a chegar, e ele tratou de dar comida ao filho e de comer também, porque estava com fome e tinha se arrependido de não ter aceitado o convite de Maria para que almoçassem por lá. O celular alertou a chegada de uma mensagem e ele viu que era de quando desbloqueou a tela do aparelho.

: Oi , sem problemas. Bom que já fica salvo e você me fala quando precisar, porque ficar com ele será um prazer!
Ele é uma criança ótima, muito criativo, cheio de energia, muito fofo, carinhoso, educado e muito alegre. Adorei brincar com ele e quando você quiser ou precisar, nesses dias de preparação para a final da Champions, fico com ele sem problemas. Mande um beijo enorme pra ele e diga que eu também o adorei.
: Acho que vou querer sim, ele volta comigo depois do último jogo da Liga e eu vou passar meus dias todos treinando.
E aproveitando que estamos conversando, ele vai pra Málaga antes de mim, você acha que podemos nos ver de novo? Com menos álcool, se você preferir. Você aceita?

Capítulo 03 – I can keep a secret…< /h3>

… can you? (Cool For The Summer – Demi Lovato)

leu aquele “não” uma porção de vezes, mas não sabia qual tom deveria usar na leitura. Imaginava que ela não tivesse sido grosseira na resposta, que não era como se ela tivesse arremessado um abajur em sua cara, mas sentia como se o abajur, daqueles enormes e pesados, tivesse sido atingido em cheio seu ego. E doeu. não estava acostumado a ser rejeitado.
Será que tinha feito alguma coisa errada? Para o sexo tinha sido muito bom, ainda que os dois estivessem bêbados e descoordenados. Seria pelo irmão? Era uma possibilidade, apesar de saber que Sergio não sabia de nada sobre o que tinha acontecido entre a irmã e o companheiro de time, mas ela podia estar tentando evitar que ele descobrisse alguma coisa mesmo.
Será que tinha se arrependido? não conseguia pensar em algo que pudesse fazê-la se arrepender do que aconteceu. Seria aquele não, na verdade, um sim, pois ela espera que ele insista em chamá-la para sair de novo? Ela não parecia ser o tipo de pessoa que faz isso e se fosse essa a intenção, teria dado alguma desculpa ridícula e dado brechas para que insistisse, ele conhecia aquele tipo.
Seu não foi escrito sozinho e acompanhado de um ponto final. “Não.”, e só.
queria ter coragem de perguntar se tinha feito algo errado, mas ela tinha sido bem direta quando escreveu aquela pequena, mas imperiosa, negativa. Aquele não, sem qualquer outra palavra que o acompanhasse, tinha deixado bem clara a intenção dela de não repetirem o que aconteceu e se ela tinha um motivo para isso, não era da conta dele, aparentemente.
E com que cara pediria para que o ajudasse com o filho naqueles dias de preparação para o final da temporada? Não pediria, claro. Acabaria deixando o menino em Málaga e só o veria em Cardiff, no dia da final. Depois ele mesmo iria passar uns dias em Málaga, iria aos casamentos de Morata e Lucas, voltaria a Málaga e depois viajaria com o time em pré-temporada e ficaria longe do filho quase um mês.

– Acorda pra vida, . – Marco Asensio falou quando o empurrou com o ombro e se deu conta de que estava em pé no meio do campo de treinamento e olhando para o nada, provavelmente com cara de idiota.
– Que é?
– Cadê seu filho? – Marco perguntou e olhou ao redor.
Não via o filho por perto e nem mesmo correndo com as crianças que estavam por toda parte brincando. Zidane tinha resolvido promover um churrasco de confraternização para a equipe, em agradecimento à excelente temporada e buscando unir mais ainda o elenco.
Algumas famílias já tinham chegado, outras chegariam em breve, o treino tinha acabado a pouco, os atletas ainda precisavam tomar banho e se trocar para passar algumas horas confraternizando com os companheiros e as próprias famílias, antes da viagem para Málaga, que definiria se o time era mesmo o campeão espanhol da temporada 2016/2017.
– Que merda. Cadê esse menino?
– Relaxa. – Marco falou rindo e segurou pelo braço, quando este fez menção de sair à procura do menino. – Ele tá sentado com a irmã do Sergio faz um tempão.
– Com a irmã de quem? – perguntou quase assustado.
– Do Sergio Ramos, o capitão do time… sabe quem é?
– Claro que eu sei quem é Sergio Ramos, idiota. – respondeu mal humorado, fazendo Marco rir. – É porque o Junior não é muito de ficar quieto e nem com outras pessoas assim.
– Mas ele está. E tem um tempão! Você já podia ter tomado banho e voltado, que eu duvido que ele teria saído dali. – Marco respondeu e se virou para olhar na direção dos dois. O filho estava deitado com a cabeça no colo de , enquanto ela falava e mexia nos cabelos do menino. – Para de encarar a irmã do capi desse jeito, tá estranho.
– Não entendi o que ela tá fazendo aqui, hoje é sexta-feira, ela não devia estar trabalhando ou estudando?
– Eu não faço ideia e não me importo, sinceramente. E, tem o fato de que é o churrasco de confraternização, então é meio óbvio que ela estaria aqui. – Marco falou dando de ombros. – Aonde você vai? – perguntou quando viu começar a se afastar.
– Pegar meu filho, a mãe dele deve vir busca-lo daqui a pouco. – respondeu.
– Ele não vai ficar?
– A Victoria vai embora de Madri daqui a pouco e vai levá-lo pra Málaga esses dias até a final. Eu não consegui convencê-la a deixá-lo ficar.
– Entendi. Vou tomar banho e você vai buscar seu pivete. – Marco respondeu e saiu na direção em que estava sentada com o filho.
– TIA ! – ouviu uma voz infantil e viu uma me correndo na direção em que ele mesmo estava indo.
– Ema! – sorriu quando Ema Modrić se aproximou e lhe deu um abraço desajeitado. – Quanto tempo!
– Você sumiu! – Ema falou quase brava e cruzou os braços, arrancando uma risada de .
– Verdade, mas só porque eu estava estudando muito. – fez uma careta franzindo o nariz. – E o que você me conta de novidade?
– Papai me deu uma casa da Barbie nova! – Ema disse sorrindo. – Você quer brincar comigo?
– Claro! Podemos fazer isso essa semana.
– EBA!
– E eu, tia? – Junior perguntou num tom ofendido por ter sido esquecido.
– Do que você quer brincar? – perguntou, acariciando os cabelos dele e o menino deu de ombros. – Então podemos brincar com a Ema.
– Essa semana vocês não vão brincar de nada, você vai pra Málaga com sua mãe, polito. Esqueceu? – se pronunciou, atraindo os olhares de , Ema e do filho.
– Achei que ele fosse ficar em Madri. – disse surpresa.
– Ele vai pra Málaga agora com a mãe, mas vai pra Cardiff e depois da final vamos pra passar uns dias juntos em Málaga.
– Então quando eu voltar de Munique a gente pode brincar muito. – falou com o menino e ele a olhou sem entender.
– O que é Munique? – Junior perguntou curioso.
– É o lugar para o qual eu vou viajar na semana que vem pra poder estudar um pouco. Quando eu voltar a gente brinca.
– A gente pode brincar hoje. – Junior sugeriu sorrindo.
– Não posso demorar muito, só vim buscar uma coisa com meu irmão, não vou ficar pro churrasco.
– E sua mãe deve vir te buscar daqui a pouco também. – falou para o filho.
– Você sabe jogar futebol? – Junior perguntou sorrindo e assentiu.
– Creche da tia ? – a voz de Sergio soou enquanto ele se aproximava do pequeno grupo.
Ema estava sentada ao lado de , encostada em seu braço, Junior deitado com a cabeça em seu colo e estava de pé, de frente para os três.
– E acaba de chegar mais uma criança pra tia cuidar, que gracinha. – falou zombando do irmão.
– Você dá sorte que tem crianças perto, . – Sergio disse sério, mas acabou rindo da careta que a irmã fez. – E você, Magia, tá azarando minha irmã?
– Azarando é anos noventa demais. Até pra você. – falou rindo, mas ficou tensa com o tom usado e pela sugestão do irmão.
– Eu ia falar flertando, mas achei muito anos oitenta. – Sergio disse fazendo uma careta, franzindo o nariz de leve, que fez rir.
– Tio, sabia que a tia vai brincar de Barbie comigo? – Ema se pronunciou e Sergio Ramos se abaixou para ficar da altura dela e deu um sorriso.
– Sério? Que legal!
– Papai me deu uma casinha nova.
– Fica a dica do que me dar de presente de aniversário. – falou e piscou para o irmão, que riu do comentário.
– Eu já te dei uma dessas quando você era da idade da Ema.
– Quero outra. – falou em tom infantil e lhe mostrou a língua, fazendo com que Sergio assentisse positivamente e desse uma risada.
– Você quer brincar comigo também, tio? – Ema perguntou sorrindo animada com a perspectiva de mais gente brincando de casinha com ela.
– Não levo tanto jeito quanto a tia , acho que vocês brincariam melhor sem mim, mas obrigado pelo convite. – Sergio Ramos respondeu e a me deu de ombros.
– Tia, eu vou no meu pai agora. – Ema se virou para e lhe deu um beijo no rosto, saindo correndo em seguida para o lugar onde Luka Modrić estava conversando com Marcelo e Mateo Kovačić.
– Magia, se você estiver tentando… qual é a melhor palavra pra usar: azarar, flertar ou paquerar? – Sergio se levantou e olhou para , que não conteve a risada. – Bom, não interessa, minha irmãzinha tem uma regra de nunca sair com jogadores de futebol, o que eu gosto muito. Acho que é a única coisa que ela segue fielmente na vida desregrada que ela leva. Ela te daria um pé na bunda e seria péssimo para o time que seu rendimento caísse por causa de um coração partido. E tem o fato de que eu não deixo.
– Você não é meu dono, eu posso sair com quem eu quiser. – o olhou quase entediada, mas o tom era muito mais petulante e desafiador do que aparentava. – Mas é, sem jogadores.
– Só vim descobrir a fórmula para manter essa criança deitada sem que isso envolva um celular ou uma televisão. – ergueu as mãos, tentando mostrar que era inocente de qualquer uma das “acusações” de Sergio Ramos.
Aquela informação esclarecia bastante a mensagem que tinha recebido. Era uma regra idiota, mas deixava claro que ele não tinha feito nada errado.
– Tento saber isso desde que mi Nano nasceu, mas ela não conta. – Sergio disse e deu um sorriso convencido. – Só sei que ela tem um dom para lidar com crianças.
– Um de nós tinha que sair com o carisma. – falou dando de ombros e mandou um beijo para o irmão para provoca-lo.
– Eu saí lindo, você teve que sair gente boa. Sei como é. – Sergio falou em tom convencido.
– Há as pessoas que te iludem falando que você é lindo, mas eu não levaria a sério se fosse você. – disse debochada e olhando para o irmão. – Linda é a Pilar, você é, no máximo, organizado.
– Organizado?! Isso nem mesmo existe, ! – Sergio Ramos protestou em tom insultado e riu. – Eu devia te colocar de castigo.
– Eu tenho vinte e dois anos, você não é meu pai e muito menos manda em mim, queridinho. – enumerou, fazendo uma feição debochada e riu.
– Vai embora logo. Você tem que trabalhar. – Sergio respondeu de má vontade e estendeu uma pequena bolsa de mão para a irmã e ela deu um sorriso imenso.
– Não tenho nada. Quer dizer, tenho, mas hoje vou trabalhar lá de casa.
– Você vai brincar comigo, tia? – Junior perguntou e virou o olhar para ele, ainda sorrindo.
– Claro. – respondeu sorrindo. – Se seu pai não tiver nenhuma objeção.
– Por mim tudo bem. – sorriu para o filho, que ficou de pé o mais depressa que conseguiu e olhava animado para , que se levantou e entregou a chave do carro para o irmão.
– Você não tá fazendo nada mesmo, guarda lá. – falou atrevida e saiu com Junior para o campo antes que Sergio pudesse responder.
– Ainda bem que a diferença de idade é grande, porque se tivéssemos a mesma faixa etária, eu teria matado minha irmã quando éramos crianças.
– Você ia apanhar calado, capi. – disse rindo e Sergio Ramos concordou rindo também. – Se você vir Victoria por lá, me avisa pra eu levar o .
– Agora eu virei seu empregado também? – Sergio Ramos perguntou num tom divertido e caminhou na direção do estacionamento.
se virou e voltou para o campo, onde e Junior brincavam. Era melhor tomar banho apenas depois de Victoria buscar o filho, porque se ela tivesse que esperá-lo, por um minuto que fosse, os dois acabariam brigando e a última coisa que queria era brigas com a ex. estava no gol e Júnior chutava na esperança de fazer gols e, claro, conseguia.
– Eu não quero ficar no gol. Tenho zero habilidades com as mãos. – falou, fingindo um tom derrotado, depois de tomar, propositalmente, outro gol de Júnior, que tinha os bracinhos erguidos e comemorava.
– Eu discordo. – falou e corou, fazendo o homem rir. – Você é uma boa goleira, mas mi bichito é um artilheiro nato.
– Ele é. – falou e sorriu para o menino.
– E sobre as mãos, discordo de qualquer forma.

– O que está feito, está feito, . Mas você podia ter sido um pouco mais clara quando me respondeu. Fiquei achando que eu tinha feito algo de errado. – disse fazendo embaixadinhas com a bola que pegara do filho e o menino tentava tomar a bola do pai, mas sem sucesso.
– Você não fez nada de errado. Só não pretendo quebrar minha regra.
– Não de novo.
– Estávamos muito bêbados pra que eu me lembrasse de você. – disse olhando séria enquanto driblava o filho, mas sem sair do lugar. – Mas é, não de novo.
– É uma regra idiota.
Papi, joga a bola pro alto. – o menino ergueu os braços e deu um sorriso cheio de expectativa.
deu três passos para trás e chutou a bola para o alto, fazendo o menino gargalhar enquanto observava a bola subir e voltar, caindo longe de onde estavam. Júnior correu até onde a bola caiu para busca-la e voltou para perto dos dois, na esperança de brincarem mais.
– Não é idiota.
– Se você tivesse se lembrado de mim, teria me dado um fora?
– Sim.
– E teria perdido a oportunidade de ter uma grande noite.
– Nah, seis. – falou em tom que beirava o pouco caso e deu de ombros, fazendo arquear uma das sobrancelhas.
– Se com um seis, nós fomos daquele jeito, não quero nem imaginar como seria o dez então. – respondeu sorrindo malicioso.
– Mas deveria imaginar, porque é só assim pra acontecer de novo. – respondeu e piscou, fazendo rolar os olhos.
– Regra idiota.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é. E cala a boca que meu irmão tá vindo pra cá. – falou quando avistou Sergio caminhando na direção dos dois.
Papi, água. – Junior pediu.
– Vem, vou te levar pra beber água e vamos esperar sua mãe. – falou com o menino bem quando Sergio chegou e jogou para a irmã as chaves do carro.
– Se precisar de alguém pra ficar com ele na semana que vem, pode falar, , e eu fico sem problemas. – disfarçou e assentiu.
– Ele vai pra Málaga, como eu te disse, mas se a Victoria resolver deixá-lo voltar de lá comigo, eu te aviso. – respondeu. – Dá tchau pra , filho.
– Tchau . – o menino falou, abraçando e lhe dando um beijo demorado no rosto.
– Tchau lindinho, faça uma boa viagem. – falou, retribuindo o beijo que tinha recebido e o menino foi até o pai, que o colocou sobre os ombros e caminhou para longe.
– Agora você já pode ir embora. – Sergio disse desaforado e abraçou a irmã, quando ela ficou de pé. – Não vai ficar mesmo?
– Não posso, tenho que fazer bastante coisa do trabalho hoje.
– E eu te vejo em Málaga?
– Não. Preciso terminar uma última coisa no meu trabalho.
– Você não está de férias?
– Não totalmente. Segunda preciso entregar o trabalho e apresentar a proposta ao meu orientador e ele me liberar totalmente pra terminar tudo no intercâmbio.
– Boa sorte. – Sergio disse e lhe deu um beijo na testa.
– Eu verei de casa e estarei torcendo. Tenho muito orgulho de você.
– E eu de você. – Sergio disse e deu um beijo na bochecha da irmã.
– Agora me solta, preciso muito ir embora dar um jeito na minha vida.
– Você viaja quando?
– Domingo, dia quatro. Nem volto pra Madrid, viajo direto de Cardiff.
– Jantamos juntos essa semana?
– Só me falar o dia, o lugar eu já sei qual é. – falou dando um sorriso e um beijo no rosto do irmão. – Bom jogo, capitán.
– Obrigado. – Sergio lhe retribuiu o sorriso antes de sair do campo em direção ao vestiário para tomar banho antes do churrasco. Pilar devia chegar dali a pouco com as crianças e ele queria estar pronto.

seguiu rapidamente até o estacionamento, cumprimentando com acenos algumas das pessoas que conhecia, pois precisava mesmo trabalhar e ainda tinha que dar um jeito de ir ao supermercado e lavar roupa, mal tinha água na geladeira de casa e estava com as últimas peças de roupa limpas no corpo. Limpas mais ou menos, na verdade, já tinha usado aquelas roupas uma vez, mas como não estavam fedorentas e nem pareciam usadas, ela resolveu reutilizá-las, não tinha sequer uma peça de roupa limpa. E precisava começar a fazer as malas, já que viajaria dali alguns dias para a Alemanha, então lavar as roupas ainda naquele dia tinha se tornado tarefa obrigatória.

– Ei. – ouviu a voz de , que agora estava sozinho e caminhava em sua direção. Um carro sumia pelo estacionamento e ela presumiu ser Victoria que tinha ido buscar Junior.
– Oi . – respondeu.
– Um dez e eu paro de importunar.
– Não. – respondeu sem olhá-lo e abriu a porta do carro.
– É uma regra idiota.
– Não é uma regra idiota. E já falei, não vou quebrá-la de novo.
– Não precisamos sair. – falou e deu um sorriso convencido, pela genialidade da ideia que tivera.
– Isso não faz sentido. – se virou para olhá-lo totalmente confusa.
– Faz.
– Não consigo ver como.
– Teoricamente, nós nunca saímos, então não é quebrar sua regra idiota de novo. Nós nunca a quebramos.
– Ah não? – perguntou quase debochada, cruzando os braços e erguendo as sobrancelhas.
– Você foi com seus amigos, eu fui com os meus. Não começamos a noite daquele dia juntos, nem sequer combinamos de nos encontrar, mas o destino agiu e nós terminamos a noite juntos, mas isso é totalmente diferente de sair. E não precisamos sair dessa vez também, você pode escolher entre nos encontrarmos na sua casa ou na minha e aí mudamos o seu seis para dez. – falou convicto e abriu a boca para contestar aquela ideia, mas não conseguiu as palavras certas. tinha encontrado uma boa brecha naquela regra. – Eu levo um bom vinho.
– Achei que você tinha sugerido sem álcool.
– Eu disse com menos álcool, se você preferisse. – falou dando um sorriso. – Segunda lá pelas oito?
– Eu não estou certa se devo aceitar essa proposta.
– Foi tão ruim assim?
– Não foi ruim, só não tenho certeza se é uma boa ideia. Por todos os riscos que envolve, você sabe.
– Se mudar de ideia, você tem meu número. – falou, dando de ombros e o olhou, ainda desconfiada e desconfortável por ele ter conseguido uma brecha em sua regra de ouro.
– Bom jogo.
– É o Real Madrid podendo confirmar o título do campeonato, , claro que é um bom jogo. – respondeu sorrindo e lhe deu as costas, caminhando na direção do vestiário para tomar um banho antes do churrasco.

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– Gostei da proposta. – o professor falou ao final da apresentação e deu um suspiro aliviado, sentindo como se o peso do mundo tivesse saído de suas costas. – Tenho certeza que seu intercâmbio vai engrandecer muito seu curso e será ótimo para o seu trabalho de conclusão.
– Eu espero que sim. – respondeu, sorrindo aliviada.
– Por mim você está liberada. E dê os parabéns ao seu irmão por ontem.
– Obrigada, de verdade, professor. E pode deixar, eu darei os parabéns quando falar com ele. – respondeu ainda sorrindo e pegou sua cópia do trabalho sobre a mesa e foi embora.
Precisava dormir um pouco, tinha passado o fim de semana quase inteiro terminando o trabalho, no dia anterior quase não assistiu ao jogo que confirmou o trigésimo terceiro título de La Liga para o Real Madrid, por causa disso e ainda virou a noite ajeitando a apresentação para que nada desse errado.

: Confirmado.
Minha casa, 20h
Vinho tinto.

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– Você vai na casa do Nacho hoje? – Álvaro Morata perguntou a . Estava deitado no sofá depois de pararem de jogar videogame.
– Tenho outro compromisso. – respondeu num tom banal e deu de ombros, mas o sorrisinho de lado que deu lhe entregou.
– Já podemos nos preparar pra te ver todo arranhado amanhã de novo?
– Tomara que não tanto. – falou rindo.
– Você está trocando seus amigos por sexo, ?
– Vocês não vão morrer se ficarem sem mim em um jantar.
– Então você conseguiu o telefone?
– Consegui.
– Com a ou com o capitão? – perguntou e se engasgou com a água que bebia, fazendo Álvaro gargalhar alto. – Calma, cara. Não morre ainda, nós precisamos de você no sábado. E tenho certeza absoluta que o Sergio ficará muito mais feliz em te matar com as próprias mãos do que se você morrer engasgado com água.
– Não sei do que você tá falando.
– De você sair com a irmã do nosso amado capitão, Sergio Ramos. De novo.
– Não sei do que você tá falando. – repetiu.
– Eu vi o jeito que você estava olhando pra ela no sábado, , depois os vi no estacionamento e acabei fazendo a conexão com o que você disse sobre ver a garota da noite anterior mesmo sem ter o telefone dela. E sua reação agora só confirmou.
– Sergio vai me matar se ficar sabendo. – choramingou e Álvaro concordou rindo.
– Claro que vai! Torce pra que ele nem desconfie, porque você sabe como Sergio é.
– Sei. – voltou a resmungar.
– Se ele descobre, quebra suas pernas, te tortura por duas semanas, pica em mil pedaços e come no almoço, misturado na paella.
– Porra, Morata! Você não devia ficar me desanimando desse jeito, mostrando que eu sou quase um homem morto.
– Desculpa, cara, mas é a realidade e você sabe. – Morata falou rindo. – Só te dou um conselho: usa umas quinze camisinhas de uma vez, se for possível. E tente não se apaixonar.
– Isso não vai acontecer, pode ficar tranquilo. Só vamos mudar o seis para dez.
– Não era sete e meio quase oito? – Morata perguntou curioso. Lembrava-se perfeitamente do que tinha dito.
– Ela falou seis. Eu, particularmente, fiquei ofendido.
não tem uma regra sobre nunca sair com jogadores de futebol? Antes de ir pra Turim, eu ouvi Sergio falar isso quando um dos meninos do Castilla tinha falado algo sobre querer sair com ela.
– Ela tem essa regra idiota sim, mas não vamos sair. Nós nunca saímos, na verdade. Nós nos encontramos por um acaso do destino, já que ela tinha ido com os amigos dela e eu com os meus, sem pretensão nenhuma de nos vermos e acabamos juntos no fim da noite. E não vamos sair pra lugar nenhum, eu vou até a casa dela.
– Ela que sugeriu isso não foi? Parece complexo demais para que você tenha elaborado esse pensamento todo sozinho. – Morata implicou.
– Ah vai se foder. – xingou e o amigo riu. – A ideia foi minha.
– É, faz sentido que seja sua ideia, porque eu duvido que a , te dando um seis pela noite, teria pensado em repetir a dose. – Morata debochou.
– Vai embora da minha casa. – resmungou
– Se você me dá licença, eu vou mesmo pra minha casa, falei com a Ali que não ia demorar muito e já estou aqui há duas horas e meia. E você precisa se aprontar para seu encontro. Corta esse cabelo. – Morata sugeriu e lhe mostrou o dedo do meio.
Álvaro Morata se pôs de pé, rindo da reação mal-educada do amigo, que também ficou de pé, e os dois trocaram um cumprimento antes de irem até a porta da casa para que o atacante fosse embora.

🤍⚽️ 🤍
Quando o relógio marcou oito da noite, a campainha do apartamento tocou. Que pontualidade, pensou. tinha deixado avisado ao porteiro que receberia visita naquela noite que poderia subir sem precisar ser anunciada, então não se surpreendeu por não ter sido avisada da chegada de . Ela caminhou até a porta e a abriu, tendo a visão que menos esperava naquele momento: o irmão, a cunhada e os sobrinhos.

– Oi! – disse dando um sorriso e abriu passagem para os quatro.
– Titia! – Sergio Junior se agarrou às pernas da tia num abraço.
– Você vai sair? – Sergio perguntou ao vê-la arrumada. Obviamente ele tinha outros planos para a noite de : que ela fosse babá.
– Vou. – respondeu sem jeito.
– Mas vai jantar em casa? – Sergio perguntou quando sentiu o cheiro do que quer que fosse que a irmã estava cozinhando.
– Sentem aí, eu vou na cozinha desligar o forno. – falou e foi para a cozinha, onde o celular estava, e mandou uma mensagem para que ficasse longe do prédio até que ela lhe dissesse que podia ir, porque Sergio tivera a maravilhosa ideia de ir até lá naquele momento. Ele respondeu com um “ainda não sai de casa, me avise quando eu puder ir”.
– E eu conheço seu novo namorado? – Sergio perguntou quando voltou.
– Ninguém te garante que é um homem, muito menos que isso era um jantar de casal, Ramos. – respondeu dando de ombros.
– Eu quero saber é se eu conheço, sua chata.
. – mentiu, voltando a dar de ombros. – Ele vem jantar aqui, depois vamos sair com a minha turma, despedida do semestre. Sempre fazemos isso. Esqueceu?
– Esqueci. – Sergio falou fazendo cara de decepcionado. – Ia pedir um favor, mas o jeito vai ser levá-los com a gente.
– Fico te devendo essa, hermanito, mas só porque já tá marcado faz tempo. – respondeu, odiando-se por mentir. – Mas terão outras crianças por lá também, em todo caso.
– Tia, eu tô com fome. – Sergio Junior reclamou e sorriu.
– Vem, acabei de fazer lasanha.
– Não, . – Pilar falou antes que o menino se levantasse para ir até a tia. – Nós vamos jantar na casa do Nacho, daqui a pouco ele come.
– Deixa ele comer um pedacinho, Pilar. – falou e o menino sorriu.
– É mami, deixa. – Sergio Junior pediu fazendo beicinho.
– Vem. – estendeu a mão para o menino. – Venham todos, vamos comer um pouco. Uma espécie de pré-jantar.
– Não precisa. – Sergio disse, mas seguiram para a cozinha.

Os adultos também acabaram comendo enquanto ajudava o sobrinho mais velho a comer para que não sujasse a roupa e Pilar fazia o mesmo com Marco. Eles ficaram cerca de quarenta minutos no apartamento e foram embora a contragosto dos pequenos, que queriam ficar. Quando, seguramente, estavam longe, enviou uma mensagem para falando que estava liberado.
O interfone tocou pouco mais de quinze minutos depois e dessa vez era realmente , ela abriu o portão do prédio, já que não havia mais ninguém na portaria, e esperou na porta até que ele chegasse. Quando apareceu, tinha uma expressão sem graça e trazia o vinho em mãos. deu espaço para que ele entrasse e fechou a porta atrás de si.

– Oi. – disse sem jeito quando entrou.
– Oi. – respondeu dando um sorriso. – Sinta-se à vontade.
– Obrigado.
– Eu até tinha feito o jantar, mas minhas visitas inesperadas comeram metade.
– Jantar? – ele deu um sorriso surpreso. – E qual o cardápio?
– Lasanha bolonhesa. As crianças adoram essa e aparentemente meu irmão e minha cunhada também. Mas ainda tem. Vem. – chamou e seguiu pelo corredor até a cozinha, apontando a mesa e ele se sentou. Ela pegou pratos novos, duas taças e o abridor de garrafas no armário, colocando sobre a mesa.
– Eu gosto bastante de lasanha.
– Você não foi convidado para o jantar na casa de Nacho? – perguntou sem entender a presença de ali.
– Fui, mas disse que eu já tinha um compromisso e não sabia se daria tempo de passar por lá quando terminasse, mas que tentaria ir. – falou dando de ombros e recebeu um prato. – Seu irmão não foi pra lá?
– Justamente por isso ele veio, queria deixar os meninos aqui. Eu detesto mentir pra ele, mas não tinha outro jeito.
– E o que você disse?
– Que ia sair com um amigo depois de jantarmos. Nosso ritual de fim de semestre.
– E ele engoliu isso?
– Sim, porque sabe que e eu sempre fazemos esse tipo de coisa desde quando morávamos em Sevilla. – deu de ombros quando respondeu e abriu a garrafa de vinho, servindo-o nas taças.
– Esse mora aqui em Madrid?
– Mora sim. – assentiu antes de tomar seu lugar na cadeira em frente à de , após se servir da lasanha e o olhou. – Nós somos amigos desde crianças, estudamos juntos desde o jardim de infância.
– E vocês já se pegaram?
– Credo! – falou fazendo uma careta de nojo. – é meu melhor amigo, o vejo como um irmão. Nossos pais são amigos há muito tempo, desde antes de Sergio nascer, então isso colaborou para que a nossa amizade acontecesse e durasse.
– Isso é legal. Tenho alguns amigos de infância também, mas todos moram em Málaga. – disse e tomou um gole do vinho. – E você só tem um irmão?
– Que vale por vinte. – respondeu e rolou os olhos, fazendo dar uma risada. – E você?
– Tenho um irmão também, Antônio, mas nós nos damos bem.
– Ah, Ses… Sergio e eu também nos damos bem. Só gosto de implicar com ele. E ele adora implicar comigo, mas nos damos muito bem desde sempre. – falou dando um sorriso de lado e os dois voltaram a comer em silêncio.
– Posso falar que isso é meio estranho? – se pronunciou, dando um sorriso sem graça, depois de um bom tempo em silêncio enquanto comiam. – Não que eu esteja reclamando, porque a lasanha está muito boa, mas é estranho estar num encontro escondido e com a irmã mais nova de um dos meus grandes amigos no time e na vida.
– Eu estou me sentindo em um filme adolescente, daqueles bem clichês, pra ser sincera. – disse em tom divertido e sorriu, fazendo com que sorrisse de lado e concordasse com um aceno de cabeça. – Então, você achou uma brecha na minha regra, hein?!
– Essa regra existe por algum motivo específico?
– Sim.
– E eu posso saber qual? – perguntou curioso.
– Não acho que valha a pena o desgaste, tanto o de apenas sair com um jogador, quanto o de ter um relacionamento sério com um.
– Por quê?
– Vocês chamam muita atenção da mídia. Tudo que fazem vai parar em jornais, revistas e internet. Não podem ir ao supermercado sem saírem fotos. Vejo fotos do meu irmão e da minha cunhada simplesmente andando pela rua. Ser jogador é uma profissão perigosa também, vocês correm muitos riscos de lesão e coisas ruins, tipo aconteceu com o Bartra aquela vez, também sempre existe a chance de irem jogar do outro lado do mundo, num país completamente diferente e que nem todos se adaptam. Além de, claro, todo o assédio que sofrem. E para muitos, inclusive exemplos que você conhece, a carne e o caráter são realmente fracos.
– Então você não gosta de mídia?
– Prefiro me manter no anonimato.
– Você é irmã do capitão da seleção e do Real Madrid, . Isso é meio impossível. – disse dando uma risada.
– As pessoas sabem que eu existo, mas minha vida pouco interessa a elas. Ninguém tira foto minha quando eu vou ao supermercado, ninguém comenta se eu sair com uma roupa estranha e descabelada. – falou dando de ombros e pareceu ponderar. – Sergio e Pilar não têm essa sorte. E nem você.
– É, isso é. – falou, dando um sorriso de lado.
– Eu prefiro ser uma pessoa comum e que não chama a atenção da mídia e nem de fãs, porque sou livre para fazer o que bem entendo, sem ter que ficar pensando no que vão publicar a meu respeito. Posso ir pra balada, passar a noite inteira por lá e encher a cara, que ninguém vai me cobrar por isso. Bom, talvez o Sergio, mas não vou ter problemas com boa parte da população mundial se eu viver minha vida, já vocês…
– Faz sentido. – concordou, dando um sorriso de lado. Quando terminaram de comer, pegaram a garrafa de vinho e foram se sentar na sala. – Seu irmão me disse que você estuda Direito.
– Sim, vou para o meu último ano. Eu deveria me formar agora, mas eu passei o ano letivo passado em Londres estudando inglês, com uma bolsa da faculdade, então tranquei o curso e voltei no começo desse ano letivo, em setembro passado, pra terminar a faculdade. Esses dois meses em Munique vão servir para o meu trabalho de conclusão e para me dar mais alguns créditos.
– Que legal! Seus pais moram em Sevilla ainda?
– Moram. E minha mãe é louca para que eu volte a morar lá.
– E você voltaria?
– Não sei, acho que não. Gosto muito de morar aqui em Madrid, a cidade é ótima. Estou perto do meu irmão, dos meus sobrinhos e do meu time, meus pais vêm pra cá frequentemente, tenho um bom emprego, estudo e me divirto por aqui. Amo muito Sevilla e tenho orgulho de ser de lá, mas sou muito feliz aqui em Madrid também, acho que não voltaria pra lá se não tivesse um excelente motivo para isso. – respondeu e colocou a taça que tinha em mãos sobre a mesa de centro, passou a língua pelos próprios lábios para umedece-los e se virou para falar com .
– Não me leve a mal por cortar o assunto, não é como se eu não me interessasse, mas eu quero muito te dar um beijo desde a hora que eu cheguei aqui. – disse e deu um sorriso cheio de segundas intenções, tomou o restante do vinho que tinha em sua taça e a colocou sobre a mesa de centro.
– E ainda não deu por quê? – perguntou ainda ostentando o sorriso malicioso e ele encerrou a distância entre os dois, juntando seus lábios aos dela e a colocou sentada em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo.

🤍⚽️ 🤍
A luz do sol atravessou uma fresta da cortina e atingiu em cheio o rosto de . Cedo demais. E percebeu isso quando viu que o relógio ao lado da cama marcava sete horas da manhã. estava deitada ao seu lado, mas de costas para ele e de frente para a janela. E não fazia ideia de como ela não tinha acordado com aquela faixa de claridade iluminando o quarto. Ela respirava calmamente imersa num sono deliciosamente invejável.
se levantou devagar para não acordar , pegou a cueca caída ao lado da cama e saiu do quarto. Não conseguiria dormir de novo, sabia disso, então não insistiria. Seguiu pelo corredor até o banheiro, lavou o rosto e ajeitou os cabelos da melhor forma possível. Realmente precisava de um corte, mas não faria isso antes das férias.
Estava menos marcado que da primeira vez, sem arranhões, mas a boca estava inchada e meio roxa e tinha um roxo novo no pescoço, mas apenas isso. Tinha sido um sexo sóbrio, bem menos agressivo e descoordenado do que o anterior.
E tinha sido um onze.
Tranquilamente podia dizer aquilo.
Saiu do banheiro e refez o caminho de volta ao quarto, parou à porta e observou que ela ainda dormia do mesmo jeito.
não sabia se iria embora antes que acordasse – porque parecia que ela não acordaria tão cedo – ou se esperaria o máximo que pudesse, ainda que ela continuasse dormindo. O treino seria apenas na parte da tarde, então ele podia ficar até perto da hora do almoço. E pensando em almoço, sentiu seu estômago roncar e foi até a cozinha, podia se permitir fazer uma caneca de café ou procurar algo para comer? Podia. Ele encontrou um pote com biscoitos e colocou a cafeteira para fazer uma caneca de café.

– Assaltando minha cozinha? – estava prestes a lavar a caneca em que tinha tomado café quando ouviu a voz sonolenta de e se virou para a porta para olhá-la. Ela ainda ostentava a expressão sonolenta de quem tinha acabado de acordar, os cabelos bagunçados e usava apenas uma camiseta e calcinha.
– Achei que você demoraria a acordar e eu acordei com bastante fome. – respondeu mostrando a caneca para .
– Não tem problema. – ela falou e sorriu de lado. – Faz uma pra mim? Eu vou no banheiro dar um jeito na minha cara de sono.
– Faço. – falou sorrindo e se virou para sair da cozinha. O movimento foi acompanhado por , até que ela que ela saísse totalmente de seu campo de visão e ele não pudesse mais observar o corpo dela.
Ele colocou a cafeteira para funcionar de novo para fazer o café pedido e acabou fazendo outro para si. Poucos minutos depois estava de volta, os cabelos agora presos, a feição de sono afastada e ela se espreguiçou demoradamente ao entrar na cozinha.
– Você vai ficar desfilando só de cueca pela minha casa? – ela perguntou abrindo a geladeira a procura de algo para comer.
– Posso desfilar pelado se você quiser.
– Eu não vou achar ruim, pode ter certeza. – respondeu sorrindo antes de se virar para olhá-lo. – Você comeu direito?
– Principalmente à noite. – respondeu dando um sorriso malicioso.
– Não estou falando disso, idiota. – falou rindo, colocando o pão sobre a mesa. – Eu quero saber sobre o café da manhã.
– Eu comi uns biscoitos que encontrei. E vou morrer de fazer abdominal pra queimar toda essa gordura hidrogenada. – ele fez drama e passou a mão pela barriga. Gesto que foi devidamente acompanhado pelo olhar de . E ele percebeu.
– Então come direito. Senta, vou fazer um café da manhã decente.
– Eu prefiro que a gente queime o café da manhã que tomei antes de ter uma segunda rodada. – ele a puxou pra perto e mordiscou seu lábio inferior. – Tenho até a hora do almoço pra tomar café.
– Não pode ir muito cansado pro treino, Magia. – falou baixo, com os lábios próximos aos de , deslizando as unhas bem devagar pela nuca dele.
– Cacete, não faz isso.
– Achei seu ponto fraco? – perguntou sorrindo maliciosa e repetiu o gesto.
– Eu achei o seu ontem, não esquece. – murmurou no ouvido de e mordeu seu lóbulo, fazendo-a se arrepiar.
Ela envolveu o pescoço de com os braços e ele tinha uma das mãos nas costas dela e a outra em sua nuca. mordeu o lábio de e o puxou devagar, ouvindo um arfar leve e juntou os lábios aos dele, beijando-o com vontade. enfiou a mão sob a blusa de e a deslizou pelas costas da mulher, mas antes que conseguisse fazer alguma coisa efetiva, a cafeteira apitou em sinal e quebrou o beijo.
– Tá pront…
– Ah , me poupe. – falou e deu uma risada antes de arrancar dela a camiseta que usava, voltando a beijá-la.

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– Você tem algum programa pra essa noite? – perguntou quando entrou no quarto após tomar banho e ela estava na cama apenas com o lençol cobrindo seu corpo e mexendo no celular.
– Dormir. – respondeu rindo. – Por quê?
– Ia te convidar para repetirmos a noite.
– Eu vou dispensar. E não tem nada a ver com a regra, antes que você ache que é isso. Eu não dormi de domingo pra segunda, porque estava terminando minha apresentação do projeto. E essa noite… bom, nós fizemos muitas coisas e nenhuma delas envolveu dormir o suficiente.
– Isso é.
– Vai ficar pra outra hora. – falou e o observou desfilar apenas de toalha pelo cômodo. – Você vai com essa roupa de ontem pro treino?
– Não. Vou em casa antes de ir pra Valdebebas. Preciso buscar algumas coisas também.
– Vai se atrasar.
– Dá tempo. – ele deu de ombros.
– São onze e meia.
– O treino só começa às duas e meia.
– Hoje você vai sem marcas.
– Que nada, minha boca tá inchada e meu pescoço tá roxo. – ele falou rindo e apontou para a marca.
– Posso dizer o mesmo. – riu.
– E você, não vai trabalhar? – perguntou.
– Hoje vou trabalhar de casa. – ela deu de ombros e se inclinou para que pudesse beijá-la nos lábios. – Cool for the summer.
– Quê? – ele perguntou confuso e ela sorriu.
– A música. Cool for the summer.
– Ah. – riu. – Mas ela não foi escrita pra uma mulher?
– É, mas podemos aplicar nesse caso também. – ela o puxou pela toalha em sua cintura. – I can keep a secret. Can you?
– Claro. – respondeu dando um sorrisinho.
– Got my mind on your body. And your body on my mind… I just need to take a bite. falou as frases com pausas enquanto beijava o pescoço de e ele arfou quando ela mordeu seu lóbulo.
– Agora sim eu vou me atrasar. – resmungou quando deitou seu corpo sobre o dela, se livrando da toalha e do lençol que separavam o contato direto entre os corpos.
– E o principal – ela sussurrou em seu ouvido. – Don’t tell my brother.

Capítulo 04 – Vivamos la aventura…

… que no tiene mucha cincia bebé. (Sin Contrato – Maluma)
– Se você sair atrasado e perder o voo, não coloque a culpa em mim. – falou num resmungo enquanto sentia os lábios de ) em seu pescoço, distribuindo beijos demorados e provocativos. – ), eles vão voar pra Cardiff sem você!
- Ainda dá tempo. – ) respondeu com a voz abafada enquanto roçava os dentes pela pele do pescoço de e ela precisou de muito autocontrole para não se deixar levar.
- Não dá não. – se pronunciou e o afastou, com o mínimo de consciência que ainda não tinha sido devastada pelas carícias de ), e ele suspirou frustrado. – E eu preciso sair também.
- Precisa?
- Sim. Tenho que comprar as últimas coisas antes de viajar.
- E quando você volta pra Madrid?
- Cinco de agosto.
- Vai demorar. – ) resmungou frustrado.
- Dois meses. – ela deu de ombros. – Agora vai tomar banho.
- Você também precisa tomar banho, vamos os dois juntos e nós economizamos tempo e água. – se pôs de pé e a puxou pela mão, trazendo-a para mais perto e juntando seus corpos.
- , para com isso e vai logo tomar seu banho. – falou, mas não se moveu e nem tentou se soltar dos braços dele.
- Vem comigo, . – pediu, mordendo o lábio inferior de e ela rolou os olhos, tentando se fazer de difícil. – Eu sei que você quer.
- Agora você lê pensamentos?
- Não preciso, está escrito na sua testa que você quer aproveitar bastante os nossos últimos momentos juntos. – ele respondeu convencido e não deu tempo para que ela respondesse da forma desaforada que pretendia, apenas juntou seus lábios em um beijo e logo os dois estavam se beijando pelo corredor à caminho do banheiro.

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O jogo que definiria o campeão da Champions League da temporada 2016/2017 foi tenso, quase comeu todos os dedos das mãos enquanto assistia, ainda que o placar tenha sido tão elástico ao final.
Cristiano Ronaldo foi o responsável por abrir o placar aos vinte minutos do primeiro tempo, mas pouco menos de sete minutos depois veio o empate da Juventus, pelos pés de Mario Mandžukić. O empate persistiu pelo restante da primeira etapa e a cada boa chance desperdiçada – fosse do Real Madrid, fosse da Juventus – era uma tensão a parte.
Aos dezesseis minutos do segundo tempo, Casemiro deu um belo chute fora da área e devolveu a vantagem ao time madrileno. Cristiano Ronaldo marcou de novo, aos dezenove minutos, após um cruzamento perfeito de Luka Modrić. Três a um para o time espanhol. A conquista do décimo segundo título da Champions League parecia muito bem encaminhada àquela altura, ainda que o time italiano não tivesse desistido de tentar ser campeão.
O time merengue ainda perdeu algumas boas chances de ampliar o placar e levava os torcedores presentes no estádio à loucura, além de algumas boas chances que o time da Juventus teve de diminuir a diferença, mas sem sucesso nas conclusões.
foi substituído aos trinta e sete minutos do segundo tempo, sendo muito aplaudido pela partida que tinha feito, e deu lugar a Marco Asensio. E então, no último minuto do tempo regulamentar, Marcelo entrou na área e cruzou a bola para Marco Asensio fazer o último gol do time espanhol.
Quando o juiz encerrou a partida, os jogadores do Real Madrid se abraçavam em campo e comemoravam a conquista de La Duodécima, enquanto os jogadores da Juventus, desolados, davam espaço para a festa merengue. Um tempo depois, a entrada em campo das famílias foi permitida e o gramado se encheu de crianças correndo por todos os lados, em meio a papel picado e gritos da torcida.

- Não fez mais que sua obrigação de ganhar mais um título, Capi. – provocou o irmão quando o abraçou e ele deu uma risada alta, a abraçando de volta. – Você é o meu orgulho! Parabéns pela conquista, por terem se superado e jogado como se a vida de vocês dependesse de cada jogo. Eu tenho muito orgulho desse time, principalmente de você, que é o capitão e quem ajuda Zidane a botar esses marmanjos todos na linha.
- Obrigado, princesa. – Sergio disse apertando a irmã num abraço e lhe deu um beijo no rosto. – O apoio de vocês é a coisa mais importante que eu tenho e isso é o que faz a diferença.
- Vai monopolizar seu irmão ou vai nos deixar abraça-lo também, ? – Paqui perguntou em tom implicante e deu uma risada, antes de dar um beijo demorado no rosto do irmão e soltá-lo de seu abraço para que a família pudesse fazer o mesmo.

Os pais o abraçaram demoradamente, assim como Pilar, Sergio Junior e Marco. Depois iniciou-se a sessão de fotos com a taça, claro. Primeiro com o capitão, que tirou foto com a taça da Champions League que acabava de ser conquistada e com a da Liga, que também estava com o time, o doblete seria devidamente comemorado em uma enorme festa no Santiago Bernabéu no dia seguinte.
Logo as crianças estavam correndo por todos os lados umas com as outras, as taças já estavam com os outros jogadores e a festa continuava.
A volta para o hotel foi barulhenta no ônibus, os jogadores estavam animados e mais barulhentos que o normal, enquanto as famílias voltavam em seus próprios carros ou de outras formas. Jantariam juntos, um jantar oferecido pelo time para as famílias e para os jogadores, em agradecimento pela fantástica temporada e permaneceriam no hotel até a manhã do dia seguinte, quando retornariam para Madrid e comemorariam com a torcida.

: Estou esperando meus parabéns pela conquista de La Duodécima
: Parabéns, 😊
Não fez mais que sua obrigação 😂
: Qual o andar do seu quarto?
: Quinto
: A gente se encontra lá em cinco minutos
: E qual desculpa eu vou dar pra sair de perto da minha família assim?
: Improvise 😉
Qual número?
: 502
: Te vejo daqui a pouco

encarou a tela do celular e reprimiu um sorriso pela ousadia e loucura de . Depois da primeira noite que passaram juntos em seu apartamento, naquela semana ele ainda apareceu outras três vezes e tinha sido realmente muito bom.
Onze, ela tinha de admitir. Ele era tão habilidoso entre quatro paredes quanto dentro das quatro linhas e se ela o achava um craque em campo, descobriu que na cama ele também o é. Agora ela podia afirmar com certeza absoluta que tinha sido o melhor sexo de sua vida até então.

- Tá rindo do quê? – Sergio perguntou e despertou de seus pensamentos.
- . – mentiu dando de ombros.
- Sei. – Sergio disse desconfiado.
- E quando vocês dois vão assumir que são namorados? – Pilar provocou e fez uma careta.
- Deus me livre! Mais fácil eu virar freira do que namorar .
- Infelizmente você não preenche os requisitos pra isso, irmãzinha. – Sergio disse rindo. – Se preenchesse, eu já teria te mandado pra um convento.
- Sua sorte é que seus dois filhos estão aqui, senão eu ia usar o palavreado adequado com você, idiota.
- Você não tem coragem de falar assim com seu irmãozinho querido que você ama e que acabou de conquistar La Duodécima. – Sergio provocou e ela olhou ao redor, vendo que os sobrinhos estavam distraídos com os avós, e lhe mostrou o dedo do meio, sussurrando um “vá se foder”. – Você está muito sem educação.
- E você está insuportável. Mais do que é normalmente. – respondeu rolando os olhos. – Não sei como Pilar te aguenta.
- E por que o não veio? – Sergio perguntou e ela deu de ombros.
- Eu o chamei, ele disse que não poderia, mas estará lá no Bernabéu amanhã. Teve um problema com a namorada, uma coisa assim.
- Ah. E você vai?
- Saio junto com vocês, mas meu voo é direto pra Munique. – respondeu num tom sentido. – E vou ligar e descobrir o que quer me contar que não pode ser escrito.
- Sei. – Sergio repetiu desconfiado e rolou os olhos.
- Vejo vocês no jantar. – falou e se levantou, saindo do quarto e indo para o andar em que estava hospedada. Quando o elevador abriu as portas, ela deu de cara com , que estava preparado para entrar. – Já vai?
- Achei que você não vinha, na verdade. – ele sorriu e a puxou para mais perto, juntando seus corpos e juntou os lábios aos dela.
- Tá doido? – o afastou, antes que o toque de lábios se tornasse um beijo de verdade e olhou para os lados, procurando por alguém, no corredor.
- Seu irmão não vai aparecer aqui. – sorriu e lhe roubou um selinho, dando uma risada da cara de espanto que ela fez.
- Ele não é o único que não pode nos ver, , porque qualquer outro jogador que passe aqui, ou qualquer outra pessoa que veja beijando uma mulher no corredor do hotel, vai fazer com que isso rode a internet inteira e vão saber que sou eu. E Sergio mata os dois. – falou e se soltou dos braços de , caminhando pelo curto caminho que separava o elevador do quarto em que estava hospedada, por sorte, sem os pais. Mal a porta foi fechada e a prendeu contra a mesma, indo desesperado de encontro aos lábios dela, dessa vez dando um beijo de verdade, que foi correspondido na mesma intensidade. o agarrou pelos cabelos e deixou que ele ditasse o ritmo daquele beijo afobado e intenso.
- Tô esperando os parabéns, Ramos. – ele disse quando se separaram, as bocas vermelhas e inchadas pela forma como se beijavam, e ela lhe tirou a blusa sem nenhuma demora, tirando a sua própria em seguida.
- Parabéns, . Você fez um grande jogo hoje. – falou e o empurrou até que ele se sentasse na cama, sentando-se em seu colo, voltando a passar os dedos pelos fios de cabelo do homem. – Mas me fala uma coisa?
- Falo até duas. – ele respondeu com a boca muito próxima à dela.
- Qual a graça de beijar meu irmão? – ela perguntou num tom divertindo e deu um sorriso, fazendo rir.
- Ah, eu sabia. – ele riu. – Não beijei seu irmão. Nem hoje e nem em Málaga.
- Olha, não foi o que pareceu. – riu e roçou seus lábios nos dele.
- Da família Ramos eu só gosto de beijar você, .
- Que ótimo. – ela sorriu e o olhou nos olhos. – Eu vou te dar um presente pela conquista do doblete.
- Gostei disso.
- Eu espero que goste mesmo. – ela sussurrou em seu ouvido, lhe dando uma mordida leve no lóbulo e a apertou contra seu corpo antes de voltarem a se beijar.

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O apartamento em Munique era muito parecido com o seu em Madrid, notou quando chegou. As únicas diferenças que conseguia ver eram a existência de mais um quarto e a sala também era um pouco maior. Dividiria o local com uma tal de Andrea, que também iria estudar em Munique por dois meses, segundo as orientações recebidas há pouco.
Como chegou primeiro, foi quem recebeu todas as orientações sobre a conservação pelo tempo em que moraria ali. Ela teve a liberdade de escolher o quarto em que ficaria, não que houvesse diferença, porque eram exatamente iguais, mas ela escolheu o quarto mais próximo do banheiro, porque se tivesse que lutar pelo cômodo, que era o único do apartamento, ela teria vantagem. pegou a toalha dentro de uma das malas e foi tomar um banho para tirar o cheiro de avião e tentar amenizar um pouco o cansaço, tinha dormido pouco e viajar cedo não tinha ajudado muito.
Assim que saiu, deu de cara com um rapaz andando no corredor, caminhando em direção ao outro quarto do apartamento e sua primeira reação foi voltar correndo e se trancar no banheiro.

- Eu não acredito que vou ser morta no intercâmbio e vão vender meus órgãos na internet. Puta que pariu! – resmungou segurando a porta o mais forte que conseguia antes de gritar em inglês. – QUEM É VOCÊ?
- Andrea. – o rapaz respondeu em um tom bem humorado e continuou em um inglês cheio de sotaque. – É, eu imaginava que sua reação seria essa. Meu nome é Andrea Giandavide, sou de Turim, vou estudar aqui em um curso de férias de Engenharia e somos colegas de apartamento durante esses dois meses. Eu não vou te matar pra vender seus órgãos na internet, pode ficar tranquila.
- ¿Hablas español?
- Não.
- Então como você entendeu o que eu disse?
- Não foi difícil deduzir o que você quis dizer quando falou “internet”, até porque eu imaginei que sua reação ao me ver seria essa. Você estava esperando por uma mulher chamada Andrea e não um homem com esse nome, então é normal que pensar em sequestro e vendas de órgãos na internet. – ele respondeu em inglês, usando um tom divertido tentando amenizar a tensão. – Desculpa te assustar, prometo que não vou te matar. Só se tivermos algum problema com relação a futebol.
- Pra que time você torce?
- Juventus.
- Obrigada por La Duodecima. – respondeu dando uma risadinha.
- Ah não é possível. – ele disse em tom decepcionado e abriu a porta minimamente e encarou o rapaz pela pequena fresta. – Pode sair, eu não vou te matar, eu prometo.
- Eu sou . – ela sorriu e abriu mais a porta, saindo do banheiro para se apresentar ao rapaz. – Ramos García, sou de Sevilla, mas moro em Madrid há alguns anos, vim estudar Direito nessas férias e prometo que não sou tão estranha quanto pareço.
- Certeza? Porque você parece ser bastante estranha. – ele brincou e deu um sorriso. – Mas não tanto quanto eu ter nome de mulher.
- Talvez. – ela falou dando um sorrisinho e analisou o rapaz.

Era mais alto que ela, maior que Sergio e tinha mais de um metro e noventa fácil. Pelo porte, era adepto dos exercícios físicos, mas não se encaixaria no estereótipo de marombeiro, mas no de frequentador de academia para a conservação do provável tanquinho que estava sob a camisa preta e dos músculos dos braços que eram muito bem delineados para serem dádivas divinas. Os cabelos pretos pareciam ondulados, se crescessem, mas estavam cortados e penteados, os olhos castanhos quase amarelos dando um contraste maravilhoso em sua pele morena e junto com longos cílios e as sobrancelhas com o formato mais bonito que já tinha visto.
O rosto era másculo e ostentava uma barba por fazer, o queixo parecia ter sido esculpido demorada e detalhadamente a mão por alguma divindade, a boca carnuda e delicadamente desenhada, assim como o belo nariz, tinha um sorriso com dentes perfeitamente alinhados e tão brancos quanto poderiam ser. Não era possível que aquele homem fosse real, pensou, tampouco que fosse um ser humano e não um anjo. Ou um deus grego que se perdeu a caminho do Olimpo e acabou parando na Alemanha.

- Você tá me assustando. – ele falou divertido e a voz soava realmente como a voz de um anjo. Não que soubesse o som que a voz de um anjo tinha, mas se tivesse um som, era aquele com toda certeza.
- É que você é muito bonito, desculpa. – falou tentando parar de encará-lo feito uma psicopata.
- Você também é. – ele disse dando um sorriso de lado, parecendo mais ainda um ser celestial e não um humano qualquer e sentiu vontade de beijá-lo até o mundo acabar.
- Obrigada. – ela sorriu agradecida. – Agora, se você me dá licença, vou trocar de roupa, porque ficar de toalha no meio do corredor nesse dia nublado e frio não é uma boa ideia.
- Tudo bem, mas fique à vontade pra andar de toalha por este apartamento sempre que quiser.
- É, eu digo o mesmo pra você. – ela respondeu baixo e em espanhol, enquanto caminhava para seu próprio quarto para se trocar. Não ficaria ali, queria e precisava sair, porque estava morrendo de fome.

- Vai sair? – ela ouviu a voz de Andrea quando entrou na sala e o viu sentado no sofá, com a televisão ligada e parecia procurar alguma coisa para assistir.
- Não quero ficar nesse apartamento me lembrando que escolhi ser responsável ao invés de escolher estar bêbada no meu país.
- Vai chover. – ele advertiu e ela deu de ombros.
- Eu não sou de açúcar, Andrea.
- Você pode chamar de Gian, fica menos estranho. Todo mundo me chama assim, na verdade. – ele deu um sorriso de lado e ela assentiu, ainda hipnotizada pela beleza do sorriso que lhe foi oferecido, e o rapaz se colocou de pé. – Espera cinco minutos, vou trocar de roupa e a gente sai.
- Então vai logo. – respondeu e sentou no sofá para esperar, desligando a televisão em seguida.
Ouviu o barulho de notificação e ao destravar a tela se deparou com mensagens de duas pessoas: tinha lhe encaminhado uma foto na comemoração, um copo enorme de cerveja em mãos, vários desconhecidos que estavam tão bêbados quanto ele estava prestes a ficar, camisas do Real Madrid por toda parte e sorrisos imensos no rosto. foi o responsável pela outra mensagem, uma foto beijando a taça da Champions League, em cima do ônibus do time, enquanto desfilavam pela cidade.

: Pena que não vamos poder estender nossa comemoração
Tô beijando a taça, mas queria estar te beijando ☹
: Teremos outras oportunidades, vá comemorar o título, Magia!

- Podemos? – Gian perguntou aparecendo alguns minutos depois e ela assentiu, colocando o celular no bolso da calça e os dois saíram do apartamento, desceram os três lances de escada até a saída do prédio.
- Sabe, nós precisamos nos conhecer de verdade, então pode começar se apresentando decentemente, Andrea Giandavide. – mudou de assunto e ele deu um sorriso de lado antes de começar a falar.
- Eu tenho vinte e três anos, sou o irmão mais velho de quatro filhos: tenho um irmão de dezenove, uma de quatorze e a menorzinha de três anos, que é minha pessoa favorita do mundo; faço Engenharia Química em Turim, torço para Juve e sempre vou aos jogos na cidade e em alguns fora quando tenho tempo. Gosto muito de rock, correr e malhar, mas nada excessivo, só pra manter a forma. Bebo sempre que possível e oportuno, sou péssimo jogando futebol, até tentei ser jogador quando era criança, mas claro que não deu certo. – ele falou e deu uma risadinha antes de continuar. – Porém, sou ótimo dançando e jogando tênis, mediano jogando vôlei, apesar do tamanho. E sei cozinhar muito bem. Não sei mais o que falar sobre mim.
- Você não parece mais um assassino vendedor de órgãos de intercambistas inocentes que vieram estudar nas férias. – brincou.
- E o que há para saber sobre você?
- Eu tenho vinte e dois, sou a mais nova de dois filhos, meu irmão mais velho tem trinta e um, nos damos muito bem e ele é meu ser humano favorito do mundo. Tenho dois sobrinhos, eles são as coisinhas mais fofas do universo e eu amo muito aqueles dois! Eu sou muito boa jogando futebol, muito boa de verdade, mas nunca sonhei em ser profissional. Torço para o único time possível, sempre vou ao Bernabéu e as vezes vou a outros jogos pelo país ou fora de lá, amo rock, mas adoro reggaeton e algumas coisas de indie rock e pop, bebo mais do que meus pais consideram devido e menos do que eu gostaria, cozinho bem, me viro muito bem com crianças e uso isso pra ganhar um dinheiro extra em Madrid. Eu não sei dançar e nem gosto, na verdade; joguei tênis só uma vez então não sei se sou boa. Vôlei e golfe são duas coisas que nunca tentei, sou organizada e limpinha, gosto de viajar, tirar fotos das coisas, de ver filmes, séries e ouvir música. Acho que é isso, não consigo pensar em mais nada pra falar.
- Solteira?
- Sim, senhor. – respondeu dando um sorriso. – Solteiro?
- Também. – ele sorriu. – E então, o que vamos fazer?
- Comer.
- Eu duvido que você vá comer a comida alemã.
- Não vou mentir, algumas coisas pareceram muito estranhas nas fotos que vi, só que não sei se são estranhas e ruins ou se são apenas estranhas, esqueci de perguntar a um amigo alemão do meu irmão, mas sempre existe um McDonald’s para salvar os necessitados.
- Gostei da quantidade de bares perto de casa.
- Eu mais ainda. – falou animada. – Não que nós realmente teremos tempo pra isso, mas temos agora, então vamos andar rápido, porque quero comer e afogar minha tristeza de não estar em Madrid comemorando.
- Parabéns pelo título. Pelos títulos. – Gian se corrigiu, dando um sorriso logo em seguida, enquanto caminhavam na direção de um restaurante.
- Obrigada. Você pode me pagar uma cerveja por isso. Ou doze. Uma pra cada Champions. – falou dando de ombros e ele riu. – E então, qual é a do seu nome?
- Na Itália é um nome bem comum e serve pra mulher e pra homem.
- Só lá.
- Pirlo também se chama Andrea e ninguém comenta nada sobre. – ele disse, se fingindo de ofendido, e deu uma risada.
- Ele é o Pirlo, ele poderia se chamar “Caixa de Sapato” que seria aceitável.
- O De Rossi se chama Daniele e ninguém fala nada também.
- E quem vai ser o doido de falar alguma coisa com ele? Abriu a boca, toma uma voadora na cara. – zombou e Gian concordou rindo.
- Xabi Alonso é um nome muito aceitável né? – ele debochou e ela levantou uma das sobrancelhas, tentando fazer um olhar ameaçador. Adorava Xabi, tanto em campo quanto fora dele, é um ser humano fantástico e muito amigo do irmão.
- Respeite este homem. E ele se chama Xabier, portanto é mais do que aceitável e permitido. E ele é outro que poderia chamar “Sacola Biodegradável” e estaria tudo bem. – deu de ombros, fazendo Gian rir, e os dois entraram no restaurante. – Agora vamos comer.

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se jogou em sua cama quando chegou ao apartamento, após um dia absolutamente exaustivo. Estava na Alemanha há duas semanas, trabalhando e estudando, mal tivera tempo de descansar e dormir de forma decente, virou algumas noites estudando, adiantando o trabalho de conclusão da faculdade e o projeto que estava desenvolvendo. Não era nada além do esperado, tinha sido muito difícil conseguir aquela bolsa de estudos na Alemanha e ela sabia que as coisas seriam disso para pior.
Passaria o fim de semana fazendo um trabalho do curso que deveria estar pronto há dias, mas ela não teve tempo hábil para fazer. Perderia os três casamentos: Álvaro Morata e Alice Campello, Mateo Kovačić e Izabel Andrijanic e Lucas Vázquez e Macarena Capilla, mas já tinha enviado os pedidos de desculpas e os presentes.
Mal tinha falado com durante aquela semana, esteve envolvida em um processo complicado no estágio, não entendia bem as leis e as regras do Direito alemão, então ficava até mais tarde sempre que podia, para aprender mais sobre tudo e conseguir fazer bem seu trabalho.

- Ei, , eu vou sair com a turma do curso. Quer vir? – ela ouviu Gian falar, mas não se virou para olhá-lo. – Você tá viva?
- Não e mais ou menos. Preciso descansar um pouco pra conseguir terminar um trabalho que tenho que apresentar na segunda. – falou e se virou para olhá-lo.
- Você não ia viajar?
- Não tenho condições de estar em três casamentos em um fim de semana, em três países diferentes, e voltar a tempo de fazer e apresentar esse trabalho na segunda-feira. Além de ter que ir para o estágio.
- Seus amigos resolveram casar em datas muito próximas e em lugares muito distantes. Eles se conhecem?
- Conhecem, mas quiseram se casar nas férias e em seus próprios países.
- Fiz o jantar, tome um banho e coma, espero que você goste.
- Sempre gosto.
- Qualquer coisa que você precise é só me ligar.
- Divirta-se. E tente não ficar muito bêbado, você é grande demais pra ser carregado. – brincou e Gian deu um daqueles sorrisos pelo qual se derretia e desconfiava que ele já tinha percebido e por isso o exibia com tanta frequência.
- Pode deixar. E não me espere acordada.
- Eu não esperaria nem que você pedisse. – falou rindo e Gian mandou beijos no ar, saindo logo em seguida do quarto dela e do apartamento.

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- Você já tá bêbado o suficiente pra pegar o celular? – Nacho perguntou rindo quando tirou o telefone do bolso e parecia prestes a enviar uma mensagem.
- Quero saber notícias do . Hoje mais cedo a Victoria disse que ele não estava muito bem. – suspirou e digitou a mensagem para Victoria.

: Como o está?
Victoria: Teve uma febre bem alta mais cedo, eu o levei ao médico e agora está medicado, a febre abaixou e ele está dormindo. A garganta inflamou muito e isso causou a febre, mas ele tá bem agora.
: Me avise sobre como ele vai acordar?
Qualquer coisa eu não vou ao casamento do Lucas e vou praí ficar com ele.
Victoria: Como se isso fosse resolver alguma coisa e fazer o melhorar
: Sou pai dele e não quero estar longe no momento em que ele precisa de um mínimo conforto que eu possa oferecer.
Apenas me avise sobre ele amanhã.

não entendia como sua boa relação com Victoria tinha virado aquilo. Os dois ficaram juntos por um bom tempo, conviviam muito bem e quando a relação chegou ao fim, tinham decidido que seriam maduros, que se tratariam bem por respeito mútuo e também pelo filho, mas não era assim que as coisas estavam há tempos. Não havia cordialidade, não havia nem mesmo uma boa relação. Havia rancor, troca de farpas, obrigatoriedade e indiretas, apenas. Ambos querendo provar que eram melhores pais do que o outro.
Ele duvidava que Victoria fosse lhe dar alguma notícia do filho depois daquilo, então daria um jeito de ir embora o mais rápido que pudesse pela manhã e voltaria a Madrid para o casamento de Lucas, se conseguisse. Estava preocupado e ainda que não pudesse fazer nada pelo filho, queria fazer alguma coisa.
Encarou a mensagem visualizada e não respondida e suspirou pesadamente em frustração. não visualizava as mensagens há muitas horas e pensou que, provavelmente, ela estava dormindo e não a incomodaria. Precisava beber alguma coisa forte, porque senão acabaria com sua noite bem antes do previsto e do devido.

Capítulo 05

… yo lo que quiero es pasarla bien, yo tengo miedo de que me guste y que vaya a enlouquecer… (Perro Fiel – Shakira ft. Nicky Jam)

– O que nós estamos comemorando? – Gian falou quando viu chegar equilibrando a bolsa no ombro, duas caixas de cerveja, uma caixa de pizza nas mãos e ostentando um sorriso enorme.
– Que meu professor achou meu projeto fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. Palavras dele. – disse em tom satisfeito e seu sorriso pareceu aumentar, fazendo Gian sorrir de volta, enquanto ela caminhava para sentar ao seu lado no sofá e deixava as caixas sobre a mesa de centro e largando a bolsa no chão.
– Parabéns! – Gian disse lhe dando um abraço.
– Estou me sentindo importantíssima e muito inteligente também.
– Você merece, tem se esforçado muito para as coisas darem certo. Menos que isso seria impensável.
– Obrigada. – disse e ouviu seu telefone tocar em sua bolsa. O nome de Sergio e uma foto do irmão lhe dando um beijo no rosto apareciam na tela e ela atendeu rápido. – Oi mi amor.
– Quanto tempo não falo com você.
– Eu estava estudando muito e isso me rendeu um elogio e tanto.
– E qual foi?
– Meu professor disse que meu projeto é fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. – disse feliz e o ouviu dar aquela risada de irmão mais velho orgulhoso da irmã caçula.
– Você merece, porque eu tenho certeza absoluta que você tem batalhado muito pra conseguir fazer tudo bem feito. E como as coisas estão aí?
– Ótimas! Corridas, mas ótimas. E as férias, como estão?
– Tranquilas. Estamos viajando.
– Eu vi as fotos e estou morrendo de inveja, não vou negar. Aqui mal faz sol!
– Pilar vai viajar de volta pra Madrid pra resolver umas coisas do trabalho, vou ficar com os meninos e eles não param de falar que estão sentindo sua falta, então vou passar uns dias ai.
– VEM! – ela disse animada.
– Chego na quinta e volto pra Madrid na segunda-feira.
– Vai ser ótimo ter vocês aqui uns dias. Não aqui exatamente, mas você entendeu o que eu quis dizer.
– Morata, Alice, Lucas, Maca, Mateo e Iza perguntaram por você.
– Eu falei com eles, pedi milhões de desculpas por não ter ido e enviei os presentes, eles entenderam. E você conseguiu ir a todos?
– Eu fui no do Morata e no do Lucas, ir pra Croácia ia ser um pouco mais difícil, porque você não estava aqui pra me ajudar com as crianças. – Sergio disse rindo e o acompanhou na risada. – Mas eu já tinha comentado com eles que você talvez não conseguisse ir.
– Eu mal tenho dormido, estava terminando o que precisava. Amanhã só tenho que trabalhar, então posso dormir umas horas a mais.
– Espero que você reserve seu fim de semana pra mim e pros seus sobrinhos.
– Pode ter certeza absoluta disso, eu estou com muita vontade de ver vocês.
– Eu te liguei só pra te falar isso, nós vamos sair pra jantar.
– Mande beijos para todos.
– Mando.
– E outro enorme pra você.
– Obrigado. Nos vemos no fim de semana, pirralha. – Sergio disse e desligou o telefone após se despedirem.
– Meu irmão vem me ver no fim de semana! – falou animada, batendo palminhas feito criança. – E vai trazer os meninos!
– Que legal. – Gian sorriu pegando um pedaço da pizza, fez o mesmo, além de pegar uma das garrafas e abri-la, tomando um gole grande.
Os dois continuaram bebendo e comendo enquanto assistiam a um filme qualquer que passava, sem prestar atenção de verdade, e conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo. falou sobre algumas coisas do curso e sobre a Espanha, Gian fez o mesmo, falando sobre seu curso, sobre a Itália e os lugares que já tinha conhecido.
Não chegaram a ficar bêbados, estavam apenas mais espontâneos e alegres que o habitual, com riso um tanto mais solto e com algumas palavras escapando mais facilmente dos lábios.
– E então, você vai me deixar te dar um beijo? Venho esperando por essa chance há tempos! Achei que ia conseguir te convencer a sair comigo, mas você só sabe estudar. – Gian falou, fazendo um sorrisinho brotar no rosto de .
– Ainda bem que você falou, porque eu quero te beijar desde o primeiro dia aqui em Munique.
deixou sua garrafa vazia sobre a mesa de centro e se inclinou, juntando os lábios aos de Gian sem hesitar, entreabrindo sua boca para que as línguas se encontrassem e ele a segurou pela nuca, enquanto tinha as mãos nos ombros fortes dele, tanto para se apoiar, quanto para aproveitar a oportunidade de tocar aquele corpo que ela vinha cobiçando há tempos.
– Eu acho que não quero te beijar, pra ser bem sincero. – Gian disse quando pararam de se beijar para tomar fôlego.
– Que bom que você percebeu que não vamos ficar apenas nos beijos. – ela respondeu, voltando a beijá-lo, dessa vez de forma mais comedida, apenas para atiçá-lo um pouco mais, enquanto suas mãos deslizavam pelos ombros dele, ainda cobertos pela camisa que usava.
– No seu ou no meu?
– Tanto faz, o que aparecer primeiro. – ela disse e se pôs de pé, puxando Gian pela mão e os dois seguiram pelo corredor.

🤍⚽️ 🤍
: Meu filho virou seu fã e quer te ver! 🙄
E agora?
: Manda um beijo imensoooo pra ele!
Diz que logo volto pra casa e poderemos brincar
E deixa de ser ciumento 😜
: Posso falar que o pai dele também virou seu fã e quer te ver?
: Pode
: O pai dele virou seu fã e quer te ver
: É, eu também quero vê-lo
: E quando poderia ser isso?
: Sergio vem pra cá hoje, então sem chance de ser esse fim de semana
Devo ter uma folga no fim de semana que vem
: Meio termo?
: Se eu viajar até aí é mais discreto do que você vir pra cá
: Em Málaga ou você prefere outro lugar?
: Pode ser em Málaga mesmo, mas onde?
: Tenho um amigo que não está na cidade esse mês e a casa tá vazia
: Pode ser, mas combinamos isso durante a semana que vem, pode ser?
Preciso resolver umas coisas do trabalho agora
: Certo.

deixou o telefone de lado e voltou a concentrar-se no processo que tinha em mãos e precisava entregar para a chefe antes de sair do escritório, dali a pouco. Estava atrasada naquilo e ainda precisava buscar o irmão no aeroporto dali duas horas.
Sergio podia ir sozinho até o apartamento, sabia disso, porque seria apenas alugar um carro e usar o GPS, que ele chegaria tranquilamente, mas ela também sabia que dada a habilidade do homem com eletrônicos, ele acabaria perdido, então era melhor que fosse buscá-lo no aeroporto e evitassem transtornos, ainda que também não soubesse andar tanto por Munique assim, mas pelo menos sabia usar o GPS melhor que o irmão. Sergio Ramos perdido na Alemanha não era uma boa ideia.

🤍⚽️ 🤍
– TITIA! – Sergio Junior falou alto enquanto corria em sua direção quando a viu na área de desembarque e a abraçou apertado quando a alcançou.
– Amorzinho! – o apertou em seu abraço, recebendo um beijo demorado no rosto. – Como você está?
– Bem! Papa vem com Marco. – o menino se virou e apontou na direção em que o pai vinha arrastando um carrinho com duas malas pequenas e o filho mais novo sentado sobre elas. ficou de pé e Sergio Junior abraçou sua perna esquerda.
– Cheguei. – Sergio disse se aproximando da irmã e Marco se agitou, esticando os bracinhos para a tia, que o pegou e deu um beijo estalado na bochecha, o menino a abraçou e lhe deu um beijo babado no rosto.
– Como foi a vinda?
– Achei que seria difícil, mas parece que seu nome também é mágico e faz as crianças ficarem quietas. – Sergio disse e abraçou a irmã de lado, lhe dando um beijo na bochecha.
– Então vamos pra casa. – ela disse e Sergio ergueu Sergio Junior no colo.
– Posso ficar na sua casa?
– Acho que sim, podemos descobrir se cabem todos por lá, mas se não couber, você procura um hotel pra você e os dois ficam comigo. – respondeu e os quatro seguiram até o carro que tinha alugado para usar durante aqueles dois meses em Munique e partiram em direção ao apartamento.

🤍⚽️ 🤍
– Cheguei! Tem alguém em casa? – ela ouviu a voz de Gian chamando na sala.
– Cozinha. – falou mais alto enquanto terminava de fazer o jantar.
– Quem é? – Sergio perguntou curioso e só aí lembrou que o irmão não sabia que ela dividia o apartamento com um homem.
Sergio estava sentado em uma cadeira e de lado para a porta, Marco estava em seu colo, com um boneco do Olaf em mãos, e Sergio Jr estava sentado em outra cadeira ao lado do pai, brincando com Woody e Buzz Lightyear e parecia muito entretido para se dar conta do que acontecia fora da sua brincadeira.
– Então esse é o fam… SERGIO RAMOS? – o rapaz disse assustado quando entrou na cozinha e se deparou com o homem que estava na cadeira.
– Não é possível que você não sabia. – rolou os olhos e Gian negou com um aceno de cabeça, ainda em choque, com a boca entreaberta pela surpresa e sem tirar os olhos do zagueiro espanhol que o olhava. – O sobrenome? Eu tenho duas fotos com ele no Instagram! E ele me segue!
– Eu nunca fui te stalkear pra saber da sua vida, . – Gian disse e a olhou pela primeira vez naquela conversa. – E nunca me passou pela cabeça que o seu Ramos era o mesmo do dele! – ele disse quase exasperado e estendeu a mão para o homem que estava a sua frente. – Cara, é um prazer te conhecer. Você é foda! Sou seu fã.
– Obrigado. – Sergio disse aceitando o cumprimento, mas ainda desconfiado e sem entender bem o que estava acontecendo. – E quem é você mesmo?
– Divido o apartamento com sua irmã. Meu nome é Andrea Giandavide, mas pode me chamar de Gian.
– Ah, achei que Andrea era uma mulher. – Sergio se virou para , olhando curioso por saber por que ele não sabia que Andrea era, na verdade, um homem, e ela deu de ombros.
– Ela também achou. – Gian falou rindo. – É um mal comum do nome. Até mesmo na Itália.
– Por isso todo mundo chama o Pirlo só de Pirlo. – brincou e fez Gian rir. Sergio deu um sorriso de lado, mas totalmente sem humor. – Vai lavar essas mãos, Gian, nós já vamos jantar.
– Sim senhora. – ele fez uma continência e saiu da cozinha. Sergio se virou para a irmã e ergueu uma das sobrancelhas como se questionasse sobre aquilo.
– O que foi?
– Por que você não me disse que divide o apartamento com um homem? – ele sussurrou ultrajado.
– Não pensei que fosse relevante. – deu de ombros. – E vá lavar as mãos.
– Claro que é relevante! E se ele for um assassino que vende órgãos das pessoas na internet?
– Essas coisas não acontecem na vida real, hermanito, isso é coisa de filme e seriado. – disse rindo e Sergio rolou os olhos. – Tudo bem que eu pensei a mesma coisa no primeiro dia que o vi, mas fazem uma investigação social imensa antes de nos aceitarem nesse intercâmbio. Qualquer coisinha que ele tivesse feito, teria sido descoberta.
– Espero que sim. – Sergio disse desconfiado. – Neños, vamos lavar as mãos para o jantar.
– Eu quero dormir com minha tia hoje. – Sergio Junior falou e deu um sorriso.
– Claro, mi Nano. – sorriu.
– Eu também vou dormir por aqui. – Sergio disse se colocando de pé. – Não estou gostando muito dessa história.
– Vai lavar essas mãos logo. – disse rindo e Sergio saiu da cozinha com os filhos, bem quando Gian retornou e se aproximou dela.
– Eu não consigo acreditar que você não me disse que é irmã de Sergio fucking Ramos! – foi a vez de Gian sussurrar ultrajado.
– Normalmente eu não falo sobre isso com ninguém. – falou dando de ombros, segurando-se para não rir da expressão de Gian, que parecia perdida entre a descrença na realidade daquela situação, o ressentimento por não ter contado e a admiração pelo zagueiro espanhol. – E ele está um tanto quanto desconfiado da sua índole.
– Você é a irmãzinha mais nova dele, claro que ele está preocupado. Eu também estaria. – Gian deu uma risada baixa e se aproximou de , envolvendo-a pela cintura e deu um sorriso cheio de segundas intenções. – Mas é uma pena que ele esteja desconfiado, porque vai ficar aqui e atrapalhar todos os meus planos para o fim de semana.
– Nós temos outros fins de semana pela frente. – falou, sorrindo de volta e selou seus lábios aos dele em um beijo rápido. – Agora vá colocar a mesa, não quero que ele se mude permanentemente pra cá.
– Sim senhora. – Gian falou rindo e foi até o armário buscar o que tinha sido solicitado, antes de ouvirem os passos dos outros três de volta até a cozinha.

🤍⚽️ 🤍
– O que você acha de irmos a Dachau? – perguntou ao irmão. – Tem um local que é um memorial de um dos campos de concentração da época do nazismo e…
– Não. Nada contra a questão histórica, mas eu queria curtir um dia com meus filhos e minha irmã mais nova.
– Você é famoso, vai acabar me colocando em fanpages do Instagram. – implicou. – Podemos ir à Viktualienmarkt.
– Vik… O quê?
– É isso ai mesmo. – riu. – É uma feira, mas tem várias coisas lá perto, podemos ir com os meninos e passear.
– Tudo bem. O italiano vem?
– Não, ele tem coisas do curso pra fazer. – deu de ombros. – Vou trocar de roupa e a gente sai.
– Vou te esperar aqui. – Sergio respondeu, enquanto assentia lhe dando as costas.
Os filhos estavam sentados no sofá, entretidos com os próprios brinquedos. não demorou muito a voltar, usando um short jeans e uma camiseta, e os dois logo saíram do apartamento com as duas crianças.
– Eu ofereceria a Allianz Arena, mas imagina as notícias: “Sergio Ramos é visto em tour pelo estádio do Bayern de Munique, seria este um indício de que o defensor espanhol está de mudança?”
– Você é idiota. – Sergio falou rindo.
– Sou, mas você sabe que é verdade. E nem na Marienplatz, porque você pode ser morto por impedir os bávaros de comemorar títulos lá ou podem mesmo cogitar sua transferência e você já está conhecendo o ponto em que o time comemora suas conquistas com a torcida.
– Você está muito entendida sobre o Bayern e suas coisas, hermanita, está mudando de lado? – Sergio provocou e o olhou feio.
– Cala a boca, senão eu te largo sozinho na cidade e volto pra casa com os dois.
– Eu duvidaria da sua capacidade de fazer isso, mas te conheço o suficiente pra saber que você faria isso sem pensar duas vezes. – Sergio falou rindo. – E vamos logo. Posso até te levar no cinema mais tarde.
– Bom mesmo, pra compensar sua chatice. – falou desaforada.
– Vamos andando?
– Nós já estamos chegando, inclusive. – deu de ombros. – Eu te diria pra ser discreto, mas essa sua roupa não ajuda em nada.
– O que tem de errado com a minha roupa?
– Tudo. – falou implicante. Não estava assim tão ruim, mas era seu papel de irmã mais nova encher o saco do irmão mais velho.

🤍⚽️ 🤍
– Nem acredito que já preciso deixar vocês irem embora. – reclamou, segurando Sergio Junior no colo antes que eles se dirigissem para a área de embarque.
– Ainda vamos passar uns dias em Sevilla, então temos mesmo que ir. – Sergio Ramos disse e ela fez bico.
– Queria ir pra Sevilla também, mas preciso ir pra aula em vinte minutos.
– Eu aviso quando nós chegarmos.
apertou o sobrinho mais velho em um abraço e lhe deu um beijo demorado no rosto, recebendo o mesmo carinho do menino. Fez o mesmo com Marco, que soltou uma risadinha quando ela o apertou e lhe devolveu o beijo no rosto um pouco mais molhado que o que tinha recebido da tia. O abraço no irmão foi tão demorado quanto os dados nos sobrinhos, odiava ter que se despedir dele, sempre tinha sido assim e ela sabia que aquilo nunca mudaria.
– Não esquece de me avisar mesmo quando chegarem, por favor.
– E você, toma cuidado. – Sergio a advertiu preocupado e deu um sorriso, assentindo em seguida e dando um beijo no rosto do irmão, antes de correr para o estacionamento, tinha menos de quinze minutos para chegar à aula.

Sergio Ramos e os filhos tinham passado o fim de semana inteiro com , os dois adultos passearam pela cidade com as crianças, que se divertiram bastante com a tia e o pai, sem a inclusão de Gian, que estava ocupado com seu próprio projeto do intercâmbio e não os acompanhou. Os dois não tiveram oportunidade de se beijar outras vezes, porque tal qual em campo, a marcação de Sergio Ramos foi implacável.
A semana que seguiu ao retorno do irmão para a Espanha, foi tão intensa quanto as anteriores. O estágio estava cheio de coisas a serem feitas e rendeu algumas boas horas extras, cheio de casos e processos complicados e difíceis, nem mesmo parecia que estavam na época das férias de verão, além de muitas aulas, estudos, poucas noites de sono e muito estresse.
tinha certeza absoluta de que aquele curso a deixaria louca antes que conseguisse voltar para a Espanha, talvez enlouquecer os estudantes fosse a meta daquele intercâmbio, no fim das contas. Mas a parte boa é que ela já tinha aprendido uma boa quantidade de palavrões em italiano e alemão e os utilizava em uma frequência maior do que a mãe e o pai achariam devido.

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– Você parece tensa. – ouviu a voz de Gian enquanto ela lavava as vasilhas após o jantar.
– Porque eu estou tensa. – respondeu sem se virar para olhá-lo, ele se aproximou para lhe massagear os ombros, e soltou um suspiro aliviado ao sentir as mãos dele sobre seus músculos tensos. – Ah. Isso é bom.
– Claro que é bom, sou eu quem estou fazendo.
– Às vezes eu esqueço que você usa muito bem suas mãos. – ela disse num tom dúbio e soltou um suspiro de alívio quando ele voltou a lhe apertar os ombros em uma massagem. – Ai Gian, que delícia. Continua, vai.
– Se você gemer meu nome assim mais uma vez, eu vou ser obrigado a parar essa massagem.
– Por quê?
– Porque eu vou preferir te fazer gemer de outro jeito. – Gian respondeu dando uma risada e passou os nós dos dedos pelas costas de , que voltou a soltar um grunhido de alívio. – Você dormiu direito esses dias?
– Mais ou menos, eu estou muito cansada e tens… Ah que delícia. Santo gol do meu irmão nos acréscimos do segundo tempo na final da Champions League! Você devia ter falado que era bom de massagem também.
– Deixa isso aí que eu termino de lavar e guardar mais tarde. Agora, eu vou te fazer uma massagem decente. Você merece. – Gian falou, tirando o prato ensaboado das mãos de e depois que ela secou as mãos, os dois seguiram até o quarto dela.
– Você devia mesmo ter me dito que essas mãos também são boas pra fazer massagem.
– Tira a blusa, vou passar um óleo nas suas costas. – Gian falou enquanto saia do quarto e tirou a própria blusa, deitando-se na cama de bruços. – E eu tinha que manter uns segredos, senão você já teria me usado antes. – ele respondeu em tom de brincadeira quando voltou para o quarto.
– Teria mesmo. – ela deu uma risadinha enquanto sentia ele espalhar o óleo por suas costas e espalmar as mãos na região, pressionando devagar e fazendo círculos com os polegares para amenizar a tensão. – Ai que delícia.
– Se preocupe apenas em relaxar, você precisa descansar um pouco, . Vai ter um troço antes de conseguir terminar esse curso.
– Vou, mas pelo menos quando eu voltar pra Espanha, já volto com o trabalho de conclusão pronto. – falou e ele passou o polegar por sua nuca, pressionando de leve o lugar e ela soltou um gemido aliviado. – ¡Ay papi, eso és muy bueno!
– Eu não tenho muito controle quando você fala espanhol. – ele falou, depois de dar um suspiro pesado e tentando conter a vontade de terminar de arrancar as roupas dos dois.
– Digo o mesmo pra quando você fala italiano.
– Eu conheço uma coisa que relaxa muito mais do que essa massagem. – ele falou no ouvido de e ela sentiu seu corpo se arrepiar.
– Ah é? E o que seria? – ela se virou, sentando-se na cama e o encarou.
– Sexo. Muito sexo. – Gian respondeu e ela o puxou pela camisa, para que deitasse em sua cama também.

🤍⚽️ 🤍
estava deitado no sofá da casa dos pais. Messi deitado no chão aos seus pés, Bubu no sofá ao seu lado e Junior do outro lado, com os pés sobre o peito do pai e a mamadeira na boca. Na televisão, algum desenho que o menino já tinha visto mais vezes do que devem existir números capazes de contabilizar.
Com os dedos, ele deslizava o feed do Instagram, conferindo fotos e vídeos postados pelas pessoas que seguia, curtiu alguns antes de mudar para o aplicativo do Twitter e ler outras coisas na timeline e nas menções recebidas, não respondeu nada, estava com muita preguiça para interagir com as pessoas. E ainda tinha que arrumar as coisas para voltar a Madrid no dia seguinte.
O nome de apareceu em uma notificação, ela tinha enviado uma mensagem, algo que ela não fazia há dois ou três dias, ele não demorou a abrir.

: Fim de semana confirmado?

E então ele se lembrou. Tinham marcado de se ver no fim de semana, ali mesmo em Málaga, para evitar que os olhares dos fotógrafos os denunciassem, mas ele acabou se esquecendo e marcando outro compromisso, que já não podia mais ser adiado.

: Esse fim de semana?
: É o que combinamos…
: Esse fim de semana não vai dar
Tenho um compromisso
: Sem problemas
: Eu esqueci ☹
E nem consigo desmarcar esse, desculpa mesmo,
: Sem problemas,
Fica pra próxima 😉

Capítulo 06

… no me deje con las ganas. (Chantaje – Shakira ft Maluma)

– Tá podendo falar? – a voz de saiu do fone do celular quando atendeu à chamada.
– Com você eu sempre posso.
– Tá fazendo o quê?
– Compras, já que não pude vir antes, nem o Gian, e nós estamos muito perto de passar fome. – respondeu rindo. – E você?
– Estou de férias em Sevilla. Vi sua mãe hoje, ela me perguntou se vou aproveitar que estou solteiro pra você e eu começarmos a namorar de verdade.
– Você está o quê, ? – perguntou assustada e mais alto do que deveria e gostaria, atraindo a atenção das pessoas que estavam no mesmo corredor, afinal ela deu um grito em espanhol. Ninguém na Alemanha está acostumado com esse tipo de coisa.
– É pra isso que te liguei. Tomei um pé na bunda.
– E por que não me contou antes?
– Porque foi ontem à noite. respondeu rindo.
– E você fala isso rindo? O que aconteceu? Por quê?
– Ela disse que era o melhor terminar, porque tinha caído na rotina. Eu concordo que realmente tínhamos caído na rotina e que não há nenhuma chance da gente se casar tão cedo, mas ela podia ter me falado isso antes de eu ter descoberto que ela já tinha outro. Há uns três meses.
– E por que você não me falou antes?
– Porque eu comecei a desconfiar, mas era apenas uma suspeita, então se eu desse alarde ela ia saber que eu sabia. Não que você fosse contar, mas você mudaria seu comportamento e isso ia entregar que um de nós, ou os dois, já sabia que ela estava me traindo. Mas nem posso falar muito, depois que descobri a verdade, no mês passado, também andei ficando com outras pessoas. Enfim, sua mãe já quer que nós dois formemos um casal. Eu nem curti minha fase de solteiro ainda e ela já quer que eu arrume outra dor de cabeça.
– Só vamos ficar juntos se nada der certo nas nossas vidas até fazermos cinquenta anos. – falou rindo e ouviu a risada do amigo do outro lado da linha. – Precisa de um ombro amigo, carinho, sorvete e alguma outra coisa? Vem passar uns dias comigo.
– Não precisa, eu estou bem. Sério. Eu já imaginava que ia acontecer, mas eu esperava que ela tivesse a decência de respeitar nosso relacionamento e terminar comigo antes de arrumar outro.
– Se eu estivesse aí, bateria nela.
– Você é irmã do seu irmão, eu não esperaria uma reação diferente. respondeu rindo do tom de . – E como estão as expectativas para os últimos vinte dias?
– Imensas! Estou sentindo muita falta de casa, apesar de saber que vai ser bem ruim deixar de conviver com meu coleguinha de apartamento.
– Duas horas e pouco de avião, vocês podem continuar nessa de sexo casual vez ou outra. E ainda de forma internacional.
– Eu não vou sugerir isso e espero que ele também não sugira. Não vou pegar avião pra isso. Ainda que valha bastante a pena, porque ele é realmente muito bom de cama. – falou, fazendo rir.
– Você volta quando?
– Eu ia no sábado de manhã, mas adiantei pra sexta no final do dia, dia quatro.
– Vem pra Sevilla ao invés de ir pra Madrid. Ainda temos um mês antes das aulas começarem e de você voltar ao estágio, podemos fazer alguma coisa.
– Trocar o destino talvez seja complicado, mas vou tentar e te aviso sobre isso.
– Tudo bem. Agora vou te deixar terminar de fazer compras e vou descer pra jantar antes que minha mãe grite de novo.
– Qualquer coisa que você precisar, me liga.
– Ligo sim.
– Eu te amo, .
– Também te amo, Ramos. respondeu e desligaram.
voltou sua atenção aos molhos de tomate nas prateleiras, enquanto escolhia qual comprar.

🤍⚽️ 🤍
Sergio voltara da Alemanha preocupado com a irmã, afinal, ela estava dividindo o apartamento em Munique com um homem. Ele falava daquilo quase todos os dias durante os treinos, apesar de conhecer bem a irmã que tinha e de saber que ela não teria problema, ele estava com medo de que o “fulano” pudesse fazer algo à sua irmã, nunca tinha falado o nome do rapaz até aquele dia, em que parecia estar mais preocupado ainda com a situação, mesmo sem um motivo aparente. tinha o celular em mãos e observava a foto que tinha postado em seu Instagram e o tal “fulano” estava lá: se chama Andrea e é italiano.
A foto tinha sido postada há algumas horas, estavam em turma e pareciam ter jogado futebol. Quer dizer, tinham jogado futebol. A foto era igual às que os jogadores costumam tirar do time vencedor do rachão pós treino. Oito pessoas estavam presentes: e mais sete rapazes que deviam ser da idade dela. Ela usava uma camisa do Real Madrid e uma calça também do time madrileno dobrada um pouco acima da metade da canela, meião e chuteira, os braços cruzados na frente do corpo, as pernas um pouco abertas e fazia a feição mais marrenta que conseguia, no maior estilo Cristiano Ronaldo possível.
Ela estava no meio, tinha dois dos rapazes à esquerda, dois à direita e os quatro copiavam a pose dela. Três estavam sentados e o tal Andrea sorria para a foto com os olhos semicerrados pela claridade do sol, estava sentado em cima de uma bola, ao lado de e parecia estar encostado nela.
A legenda era provocativa: “Real Madrid ganhando em Munique? 🤔 Tudo muito normal! 👊⚽️ #oGianépernadepau”
Tinham comentários em alemão dos que estavam na foto e de alguns outros, provavelmente do time perdedor ou companheiros de curso, não se importava com aqueles comentários.
O tal Andrea comentou “eu te avisei que sou péssimo jogando futebol, ainda bem que temos você pra nos salvar, capi!”, em inglês. O amigo comentou “Real Madrid desde sempre mandando na Alemanha, sem novidades.”, havia comentário de alguns parentes, o próprio Sergio Ramos havia comentado perguntando se aquela era a chuteira dele e implicando com a legenda que a irmã tinha feito, e Lucas Vázquez comentou um “vai aquecendo que a temporada vai começar e precisamos de você”.
Ele tinha direito de se sentir daquele jeito ao saber que ela dividia apartamento com um homem e que os dois eram amigos e que talvez essa amizade tivesse alguns benefícios? Não. Ele não tinha. Afinal, e ele não eram nada. Ele vinha saindo com outra pessoa também, em todo caso. Era apenas ego ferido, não tinha cogitado a ideia de perder seu espaço como transa ocasional e podia haver uma ameaça.
Não era?

🤍⚽️ 🤍
Finalmente o dia de voltar para a Espanha tinha chegado, ela tinha até mesmo feito uma contagem regressiva, estava sentindo muita falta de casa. O tempo na Alemanha tinha sido ótimo, conseguiu pegar experiência em outro Direito, além de ter ampliado seu objeto de pesquisa e finalizado seu trabalho, também tinha feito alguns bons colegas, conhecido um pouco da cultura local e adorava conviver com Gian e com toda sua loucura italiana, toda a intensidade e as boas risadas que dava, mas sentia muita falta de Madrid e de como era estar em casa.
Foram dois meses intensos e cansativos, longe da família e dos amigos, falando outros dois idiomas (um bem mal e porcamente, mas ainda sim, dois idiomas!), mas voltava para Madrid com o trabalho de conclusão do curso pronto, com a promessa de uma publicação internacional e a de um emprego caso ela quisesse voltar para a Alemanha quando se formasse.

– Foram dois ótimos meses em sua companhia, . – Gian disse abraçando em despedida.
– Foram mesmo. – falou e o abraçou de volta. Ele ainda ficaria mais uma semana antes de voltar a Turim. – Obrigada pela companhia durante esses dois meses e pelas risadas. Você é uma ótima pessoa.
– Achei que você ia agradecer, de novo, pela Champions. – Gian deu uma risada pelo nariz, fazendo dar um sorriso.
– Ah, obrigada por isso também. É sempre importante agradecer por essa grande conquista. – provocou e Gian soltou um resmungo, ainda apertando em seu abraço.
– E posso dizer o mesmo sobre você, , você é muito engraçada e divertida, além de ser uma boa companhia e uma pessoa muito fácil de se conviver. Obrigado por tudo e espero que a gente se encontre em outras oportunidades.
– Claro. – ela respondeu e se afastou um pouco para dar um sorriso ao rapaz.
– E eu queria te dar um beijo.
– Por favor. – ela sorriu e ele juntou os lábios aos dela para se beijarem.
Nada apaixonado, intenso ou qualquer coisa do tipo. Tinha sido um romance de verão, recheado de muito sexo e brincadeiras entre os dois, sem amor, sem apego, sem nada além de pura vontade. E tinham se tornado amigos, no fim das contas. – Preciso descer. O táxi deve chegar daqui a pouco.
– Nos falamos depois. E avise quando chegar. – ele sorriu e se soltou de seu abraço, pegando as duas malas e saiu do apartamento para descer e esperar o táxi que a levará ao aeroporto.

Iria para Madrid, a troca de destino ficaria mais cara que uma nova passagem de Madrid para Sevilla. E estava considerando ir no próprio carro, ou de trem, ela ainda não se decidira sobre como iria para Sevilla. E tinha o fato de estar sentindo muita falta do próprio apartamento, queria passar pelo menos algumas horas por lá depois de tanto tempo longe. Além dos pais, do irmão e de , ninguém mais sabia que ela iria para Madrid primeiro.
E ninguém, neste caso, é .
sabia que não tinha direito de sentir ciúmes, porque os dois não tinham nada, mas foi exatamente o que sentiu quando viu uma foto de com uma mulher, uma atriz, que tinha sido tirada por algum fã no fim de semana em que ele a dispensou dizendo que tinha outro compromisso.
Ela não gostava dele. Só tinha se sentido ameaçada. Ameaçaram seu posto de sexo casual. Era só isso. Nada mais do que isso.
O conceito de sexo casual estava um pouco distorcido em sua cabeça naquele momento, já que queria ser a única a ocupar o posto, ainda que negasse isso veementemente em sua cabeça ou se alguém perguntasse. Tinha considerado o sexo com um dos melhores que já tinha feito na vida e não queria dividir aquilo com o restante das mulheres do mundo, mas não é bem assim que esse tipo de coisa funciona, ela sabe. Ele podia ter várias mulheres para transar e sem ter um relacionamento sério com nenhuma delas. Assim como ela podia muito bem arrumar uma boa quantidade de homens para ter sexo, sem envolvimento emocional.
Pelo menos ela tentava se convencer de que era apenas isso, o medo de perder o posto ou ter que dividir com outra, assim como também tentava se convencer de que foi isso o que sentiu ao saber que dividia apartamento com um homem e depois quando viu aquela foto e todos os comentários dele no Instagram dela. E dos comentários dela no Instagram dele. E de outra foto com ele que postou uns dias depois. E das fotos que ele tinha postado com em seu próprio perfil.
Não pensavam ser possível que fosse ciúmes, afinal, não tinham nada. Tinha sido só sexo. E mensagens. Mensagens diárias, nos momentos em que conseguiam se falar, e conversas sobre muitas coisas, não apenas sacanagem. Era impossível que fosse ciúmes. Definitivamente.
Ela sentiu falta dele, ele sentiu falta dela, dos toques, dos beijos, dos gemidos e das sensações que causavam um no outro. E não interessava com quem tivessem transado durante aqueles dias separados, quantas bocas tivessem beijado ou o que quer que fosse. Não era algo que fizesse sentido para os dois, afinal não tinham ficado juntos muitas vezes, contando com a primeira, em que estavam bêbados, tinham sido cinco vezes e nada mais. Cinco encontros muito intensos, mas apenas cinco.
O voo de foi tranquilo e ela chegou com duas horas e meia em Madrid, nunca pensou que sentiria tanta falta daquele lugar e nem que amava tanto aquela cidade. Nem mesmo passando um ano em Londres ela tinha sentido tanta falta de Madrid quanto descobriu estar sentindo assim que pôs os pés do lado de fora do aeroporto naquele momento. Definitivamente não se mudaria dali para lugar nenhum no mundo.
Seguiu rapidamente até seu prédio, de táxi, e encontrou quem menos esperava: . Ele estava sentado no corredor com as costas apoiadas na porta do apartamento de e pôs-se de pé tão rápido quando a viu, que se perguntou se não estava de pé antes e ela apenas o imaginou sentado.

– O que você está fazendo aqui? – perguntou surpresa ao vê-lo.
– Oi, . Bom te ver também. – brincou, dando um sorriso.
Ela ergueu uma sobrancelha e tirou as chaves do bolso, indo abrir a porta.
– Oi , bom te ver. O que você está fazendo aqui? Como sabia que eu ia chegar hoje? E como subiu até aqui?
– Seu irmão não sabe conter a própria felicidade em te ter de volta ao país. – respondeu e ela acenou para que ele entrasse no apartamento, quando abriu a porta e empurrou as próprias malas para dentro. – Só precisei checar se chegariam voos da Alemanha no aeroporto de Sevilla hoje e não tinham voos programados. Olhei no site do aeroporto de Madrid, descobri três horários de voos vindos da Alemanha, como você não atendeu ao interfone quando cheguei, eu eliminei um dos voos que chegaria pela manhã e só sobraram dois. Eu estou esperando aqui há um tempinho. E, como o porteiro não está lá embaixo, eu usei o interfone, como você não me atendeu, eu apertei o do apartamento ao lado, falei que era o e que queria te fazer uma surpresa.
– Ah.
– E como foi a viagem?
– Bem tranquila.
– E como foi a Alemanha?
– Intensa. – disse e deu um sorriso de lado, deixou as chaves sobre o aparador, arrastando as malas, deixando-as ao lado do sofá antes de voltar a falar. – Mas foi ótimo. Uma experiência e tanto. As aulas foram em inglês, então foram fáceis de entender, mas a vida fora da sala era em alemão e isso era difícil. Fiz alguns amigos, me diverti nos dias em que consegui sair e aproveitei bastante a minha experiência. Terminei meu projeto, posso fazer as disciplinas extras que queria, porque terei tempo. Meu orientador daqui adorou e me liberou.
– Que ótimo! – sorriu. – Eu trouxe comida.
– Ah, obrigada, eu realmente estou morrendo de fome. – disse e só então reparou que ele tinha dois sacos de papel em mãos. Comida chinesa. Como ele sabia que ela adorava comida chinesa?
– Podemos?
– Claro, mas antes…
– Lavar as mãos. Eu sei. – falou dando um sorriso quase infantil e deixou os sacos de papel sobre a mesa de centro antes de ir lavar as mãos. levou as malas e as deixou no canto do quarto e foi lavar as próprias mãos também.

sentou-se no chão, com as costas apoiadas no sofá e estava deitada no sofá, os dois comiam enquanto conversavam sobre tudo que tinha acontecido durante aqueles dois meses. Bom, sobre quase tudo.
contou sobre as férias e os dias que passou com a família e os amigos em Málaga, sobre os casamentos dos companheiros aos quais compareceu, sobre a viagem para os Estados Unidos com o time, as saídas de alguns jogadores do elenco naquela temporada, principalmente as de James Rodriguez e Álvaro Morata, e a expectativa da viagem do dia seguinte para jogarem a decisão da Supercopa da Europa,contra o Manchester United, na Macedônia. Mas, claro, não mencionou a outra e nem que tinha ficado tão ansioso pela volta de ao país quanto o próprio Sergio Ramos e que pesquisar os voos para vê-la o mais rápido possível tinha sido uma forma de amenizar a falta de tê-la por perto.
contou sobre sua viagem, a estadia na Alemanha, os estudos, a visita de Sergio e os passeios que fez pelas cidades próximas e sobre as coisas estranhas que comeu e bebeu por lá durante aqueles dois meses. Obviamente ela não mencionou Gian e nem que tinha se sentido particularmente feliz em ver ali, sentado à sua porta.
Conversaram por horas sobre os acontecimentos, sobre o projeto de e, apesar do clima entre os dois parecer meio estranho, já era tarde quando juntaram a bagunça da sala e se preparou para ir embora.

– Descanse bastante em Sevilla, agora você está de férias. E aproveite o seu tempo com seus pais. – falou quando se despedia e a abraçou. – Faça uma boa viagem.
– Você também, não a parte do descanso, claro. – respondeu dando uma risadinha. – Faça uma boa viagem e um bom jogo, você vai brilhar, eu tenho certeza. E obrigada pelo jantar. Como você sabia que eu gostava de comida chinesa?
– Sergio falou sobre isso outro dia, que estava cansado de comer comida chinesa e japonesa, mas como você gosta, ele sempre come pra te agradar, mas prefere quando vocês comem outras coisas. Pensei que você chegaria com fome, ainda que a viagem seja curta. Não sabia em qual voo você viria, então preferi não arriscar trazer comida japonesa.
– Obrigada mesmo, . – sorriu e deu um beijo no rosto do homem.
– Podemos ser amigos, certo? Ou sua regra também envolve não ser amiga de jogadores?
– Podemos.
– Não precisamos viver de sexo, não que eu esteja dizendo que não quero mais, porque eu quero, mas você entendeu.
– Entendi. – respondeu rindo da afobação de em consertar o que tinha dito. – E podemos ser amigos e passar tempo juntos sem precisar transar. Tipo hoje.
– Que bom. Enfim, boa noite. Dorme bem e até outra hora.
– Até outra hora. – ela sorriu e eles voltaram a se abraçar antes de ir embora.

🤍⚽️ 🤍
– Não acredito que vocês não fizeram nada. – falou rindo enquanto dirigia até a casa dos pais de , após busca-la no aeroporto. – Dois meses sem se ver e sem transar e vocês apenas sentaram, comeram e conversaram.
– Não podemos ser amigos?
– Claro que podem, mas achei que o lance entre vocês era apenas físico.
– Não precisa ficar preocupado, meu melhor amigo sempre será você. – provocou apertando uma das bochechas dele.
– E agora também sou um potencial candidato a ser seu namorado. – falou tirando a mão dela de seu rosto.
– Mas eu sempre fui sua namorada, agora a gente tem é que casar. – falou rindo e a acompanhou na risada.
– E então, algum plano para as nossas férias?
– Muitos. Hoje, por exemplo, vamos ver algum filme, comer alguma coisa e dormir bem cedo. Eu estou cansada.
– Ah vai se foder, , com todo respeito. Eu não vou ficar em casa. E nem você.
– Podemos sair pra algum lugar pacífico pra colocar todas as fofocas em dia, se for importante pra você ter minha companhia fora de casa.
– Você é bem esperta. – respondeu sorrindo. – Está entregue e estarei aqui às oito.
– Vamos dormir na sua casa ou na minha?
– Espero que você na sua e eu na minha. – respondeu rindo. – Não sei, fala pra Paqui que provavelmente dormiremos na minha.
– Tudo bem. A gente se vê mais tarde. – falou, dando um beijo no rosto do amigo e desceu do carro.

pegou as malas e foi até a porta da casa dos pais, vendo arrancar e buzinar em despedida. Foi amassada em um abraço da mãe, que alegou que a filha estava com uma aparência terrível e parecia muito cansada, que estava sumida e precisava ir a Sevilla mais vezes, pois mal aparecia por lá e ela sentia falta de ficar perto de sua filhinha.
O pai foi mais comedido em sua demonstração de alegria ao ver a filha depois de dois meses, mas também reclamou que sentia falta dela e que poderia visitá-los mais vezes, que não faria mal algum se ela fizesse isso. Almoçaram juntos e dormiu a tarde inteira, estava se sentindo cansada da rotina enlouquecedora da Alemanha e das viagens, e a perspectiva de sair à noite só tinha aumentado o cansaço, além do calor infernal que fazia naquele dia.
Ela se arrumou da melhor forma que conseguiu, estava muito quente para uma produção elaborada. Colocou um tubinho preto que ia até a metade da coxa, um scarpin preto, fez uma maquiagem simples e que não corria o risco de derreter naquele calor de quarenta e um graus de Sevilla, mas não dispensou passar um batom vermelho bem destacado nos lábios. Os cabelos soltos, pulseiras, anéis, um colar e estava pronta para sair.
Tirou uma foto, claro, uma roupa daquela merecia uma foto, e postou no Instagram: “¡Que empiece mi verano!”. Não demorou a receber algumas curtidas, a de foi a primeira e acompanhada de um comentário: “eres caliente ma’ 🔥🔥. Outros comentários vieram na foto, incluindo um do irmão: “o seu verão começa e a roupa termina? Vai sair só de camiseta? 👀”

: Estou concentrado, preciso de foco para o jogo de amanhã e você posta essa foto
Sabe como é difícil não imaginar o que poderíamos estar fazendo agora?
: Aqui está tão quente que eu aceitaria fazer qualquer coisa sem roupa
: ,
Não faz isso comigo, eu não mereço uma tortura dessa!
: Então tá bom, não vou falar mais nada
Vou sair com e você vai descansar pra trazer esse título pra Madrid
: Ganho uma premiação especial se isso acontecer?
: Faça por merecer 😉
Bom jogo amanhã
😘

Ela guardou o celular na bolsa, se despediu dos pais e saiu, encontrando esperando no carro.

Tu tienes talento, ma’! sorriu, passando a língua pelos lábios, enquanto observava caminhar em sua direção e se debruçar em sua janela.
– Se você for agradável, posso te mostrar que tenho mesmo. – respondeu ao gracejo e piscou, fazendo rir.
– Eu prefiro não ser agradável. – falou ainda rindo quando ela deu a volta e sentou ao seu lado, fazendo com que ela risse também. – Mas você tá bem gostosa.
– Eu sempre fui gostosa e você sempre soube disso. – ela deu de ombros. – Mas é muita coisa pra você.
– E eu prefiro evitar a dor de cabeça que você me daria. – respondeu arrancando o carro.
– Em alguns anos, se tudo der errado, isso tudo é seu. Não esquece. – piscou e balançou a cabeça negativamente, mas rindo. – Seu amigo me mandou uma mensagem falando da foto.
– Eu vi que o italiano comentou, mas não entendi porra nenhuma. – falou dando uma risada. – E o que meu grande amigo ) disse?
- Que precisa se concentrar e eu postei aquela foto, que estava imaginando muitas coisas que podíamos estar fazendo. Aí eu falei que aqui está muito quente e se fosse qualquer coisa sem roupa seria bem-vindo. – deu de ombros. – E o Gian comentou algo tipo o que você disse.
- Te chamou de gostosa também?
- Sim. Os comentários em alemão eu ignorei, porque não entendi e nem queria colocar no tradutor, mas acho que entendi um. Pelo que eu entendi, ele quis dizer que eu sou muito gostosa pra ser tão grossa jogando bola. Ou pode ter sido outra coisa, aquele idioma é muito difícil.
- Só macho comentando, fiquei com ciúmes.
- Teve comentário da minha mãe. E da Maca. E da Pilar. E da Maria. E da Amelie.
- Sua mãe nem conta, ela sempre comenta suas fotos. E as minhas também. E ela é sua mãe, então não vale. – ele riu. – E pra onde vamos?
- Ainda tenho contas a pagar, ou seja, vamos ao lugar de sempre.
- O que você acha de irmos pra Ibiza essa semana?
- Sem chances, eu não tenho dinheiro pra isso. O rico aqui é você.
- Meus pais têm casa lá, você esqueceu? Vamos pegar uma praia e aproveitar nossa juventude sem regras e sem pessoas vigiando nossos passos e atitudes impensadas. – falou rindo. – E não vamos gastar tanto, conheço pessoas e podemos ir em festas e pagar pouco.
- Vamos perto do fim das férias, eu quero passar uns dias sossegada com meus pais aqui em Sevilla, se não for pedir muito, promoter.
- Sem problemas. E chegamos. – ele parou o carro e deu um sorriso.

Era o melhor bar de todos os bares de Sevilla, pelo menos para os dois. A cerveja era boa e barata, e o principal: conheciam o dono desde que eram crianças e quem frequentava aquele lugar para beber eram seus pais, mas levavam os dois junto para comer batata frita e assistir aos jogos do time do coração, o Real Madrid, ainda que por algum bom tempo também tenham assistido aos jogos do Sevilla, para ver o Ramos mais velho em campo.
Os dois desceram do carro e seguiram até o bar, que estava relativamente cheio para um dia das férias de verão em Sevilla, e trataram de encontrar um lugar no balcão, como sempre faziam quando iam até ali, para se sentarem, beberem e conversarem sossegados.

- ? ? Quanto tempo! – Hermano, ou apenas Nano para os dois, disse quando os viu sentando.
- Estamos de férias na cidade, Naninho. – ela sorriu para o homem. – E como estão as coisas por aqui?
- Ótimas. Leonora foi para a faculdade, está fazendo medicina. – ele disse todo orgulhoso sobre a filha mais nova. – E com vocês? Como estão as coisas em Madrid?
- Também estão ótimas. Estamos prestes a nos formar, finalmente. – sorriu para o homem.
- Vou cuidar que vocês tenham copos cheios a noite inteira. – ele sorriu. – E você, , quando falar com Sergio, mande os cumprimentos pela Champions e pelo título da Liga.
- Mando sim, Naninho. – ela sorriu e o homem saiu de perto, mas voltando logo em seguida com duas grandes canecas com cerveja. A noite seria muito boa.

🤍⚽️ 🤍
- Desde quando você segue minha irmã no Instagram? – Sergio perguntou a enquanto tomavam café da manhã no hotel.
- Desde quando Maria postou aquela foto no parque, acho. – deu de ombros e mentalmente agradeceu por não ter comentado a foto postada por no dia anterior. – Por quê?
- Nada. É que ela não costuma aceitar jogadores.
- Ela é coleguinha do meu filho, acho que isso ajudou. – riu. – Não aguento mais ouvi-lo falando da sua irmã.
- Mary Poppins, eu te falei. – Sergio riu. – E espero que seja só isso mesmo, ela está fora das suas jogadas, Magia.
- Sem problemas, capi.
- Até porque ela não vai te dar espaço pra nada além de ser pai do amiguinho dela.
- Novamente, sem problemas. – repetiu, dando uma risadinha. – Não que ela não seja bonita, mas prefiro evitar um coração e uma cara partidos.
- E as pernas. – Sergio disse sério.
- Tenho um filho pra criar e sonhos a conquistar, preciso da minha vida intacta.
- Que bom que você sabe. – Sergio disse num tom ciumento e apenas assentiu, reprimindo a vontade de rir, afinal, ela já tinha dado espaço a . E como tinha.
- Eu sei. E vou subir, nos falamos mais tarde. – se levantou e saiu, deixando Sergio sentado à mesa que dividia com Marco Asensio e Nacho. Ele subiu para o quarto e a primeira coisa que fez foi abrir o Whatsapp, onde uma mensagem dela o esperava.

: mandou um oi e disse que se você não jogar bem, ele vai contar tudo pro Sergio 🙄
Releve, dormimos poucos e já estamos no aquecimento para o jogo 🍻
: Seu irmão me perguntou desde quando eu te sigo no Instagram e ameaçou quebrar minhas pernas se eu tentar alguma coisa
Falei que não quero um coração e uma cara quebrados
: Sergio é insuportável quando quer
Se eu quiser abandonar essa regra idiota pra te dar uma chance e ter alguma coisa com você, ele não tem nada com isso

encarou o telefone e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios. De alguma forma tinha gostado de ler aquilo. tinha reconhecido que a regra era idiota e que poderia abandoná-la. Por ele. Estava bêbada, provavelmente usaria isso como desculpa, caso aquilo virasse assunto um dia, e diria que era papo de bêbado, mas estava dito. Ele tinha uma motivação a mais para jogar bem naquele dia.

Capítulo 07 – You’re my new obsession…

… Let go of any hesitation. (Sexy Dirty Love – Demi Lovato)

– Você está tentando desfalcar nosso time? – perguntou a enquanto estavam deitados em suas espreguiçadeiras na praia.
– Por quê? – ela perguntou sem entender.
– Postando várias fotos de biquíni no Instagram e mandando fotos para o meu amigo Magia, no mínimo você tá tentando matar o coitado do coração.
– Para de mexer no meu celular! – reclamou e riu.
– Não mexi, só vi as fotos que você postou e vi você mandando fotos pra ele. E se ele ficou desesperado com a foto do vestido, nem quero imaginar o que anda fazendo e falando sobre essas de biquíni. – deu de ombros, rindo da cara que fez. – Se seu irmão descobre…
– Ele mata o e me mata logo em seguida.
– Talvez torture os dois antes. E o time fica sem o capitão, sem o Magia e eu fico sem minha melhor amiga.
– Sergio não vai descobrir nada sobre isso, porque nenhum dos dois vai contar. E nem você. – ela deu de ombros.
– Espero que não descubra mesmo, porque o time precisa muito dos dois.
– E você precisa muito de mim. – falou convencida, e ele rolou os olhos.
– Não vou confirmar e nem negar.
– Eu nem acredito que amanhã, uma hora dessa, estaremos em Madrid. Sem férias, sem praia, sem descanso. – resmungou mudando de assunto.
– O dever nos chama. Você principalmente, três meses longe de casa, uma hora você precisa pagar suas contas. – disse rindo e ela fez uma careta, assentindo em confirmação. – E quando você vai encontrar com ?
– Ele joga no sábado pela seleção, se voltar pra casa, sábado à noite.
– Não o canse muito, ele precisa ter forças pra jogar o outro jogo das eliminatórias com a seleção. – provocou rindo.
– Eu não sei quando foi que minha vida sexual se tornou interessante pra você, .
– Adoro comentar sua vida sexual com você. Principalmente porque você fica irritada e acaba se entregando sem eu precisar falar nada. – provocou e rolou os olhos. – E falando em vida sexual, você acaba de receber uma mensagem e eu prefiro não ficar aqui pra ver como isso vai se desenrolar. Aproveitem.
riu sugestivo e se levantou da espreguiçadeira, indo para o mar e deixando pra trás.

: Você chega antes que eu me junte à seleção?
: Eu volto amanhã de manhã
: Quero muito te ver
Não consigo mais passar vontade
: Podemos pensar nisso
: Eu vou depois de amanhã pra seleção
Amanhã eu estou em casa o dia todo
E o está em Málaga
: Vou chegar em casa e nós combinamos onde é melhor
: Vou passar o resto do dia olhando pra essas fotos
Você acaba comigo, .

Ela não respondeu, deixou o celular de lado e foi até o mar. Aproveitaria seu último dia ali, afinal, é Ibiza.

🤍⚽️ 🤍
deixou suas malas pela sala e se deitou no sofá, nunca tinha voado tão cedo de Sevilla pra Madrid, mas era o único voo entre as cidades naquele dia e ela precisava voltar, não tinha outa opção. Sentia falta de curtir o silêncio e a paz de seu próprio apartamento, mas como tinha ido até lá quase todas as vezes em que se encontraram, com exceção do pós-balada, era a vez de ir até a casa dele. A única exigência, por assim dizer, era que ela usasse aquele tubinho da foto que tinha postado no Instagram. Ele queria vê-la pessoalmente usando aquilo.
Tomou um banho mais rápido do que gostaria, colocou o tal vestido, fez a mesma produção de maquiagem que tinha feito em Sevilla e saiu. Passariam o dia na casa de , então resolveu pedir um táxi, pois seria mais discreto do que usar o próprio carro.
E ela tinha sérias dúvidas sobre o funcionamento do veículo, dado o tempo que se encontrava parado na garagem.
Quando o táxi estacionou à frente do grande condomínio, demorando-se muito pouco no trajeto, pagou pela corrida e desceu do carro, caminhando pela curta distância até a guarita onde um homem uniformizado estava sentado.

– Bom dia. – cumprimentou o homem, sorrindo simpática.
– Bom dia. – ele respondeu educado. – Posso te ajudar em alguma coisa?
– Eu vim visitar um amigo que mora aqui, . Ele disse que deixaria minha entrada autorizada. Meu nome é . – ela respondeu e o homem deu um sorrisinho que demorou meio segundo pra entender.
Ótimo, tinha falado que ia “visitar um amigo” e pela roupa e a maquiagem que usava àquela hora da manhã, ele deve ter concluído que ela era uma prostituta e que estava chamando prostitutas pra sua casa em plena manhã na véspera de se apresentar à seleção!
– E ele deixou. Ramos García. – o homem sorriu. – A senhorita Ramos sabe chegar lá?
– Sei sim. E, por favor, me chame de .
– Tudo bem. – o homem deu um sorriso educado. – Sua entrada está autorizada.
– Obrigada. – ela agradeceu e o homem abriu o portão para que ela passasse e adentrasse no condomínio.
Ela seguiu a pé da portaria até a casa de , arrependendo-se de não ter ido de carro ou pedido para o táxi entrar no local, já que teve que caminhar mais do que gostaria usando salto alto até uma das últimas casas do condomínio. Tocou a campainha, ajeitou o vestido no corpo e esperou que a porta fosse aberta.
E percebeu que era muito cedo quando apareceu usando apenas um short da seleção holandesa, com os cabelos – agora cortados – bagunçados, cara de sono e coçando os olhos pela claridade que lhe atingiu. apenas se arrumou e saiu antes que acabasse dormindo. Ainda não eram nove da manhã.
– Não pensei na hora, desculpa por vir tão cedo. – desculpou-se e deu um sorriso sonolento, se espreguiçando logo em seguida.
– Sem problemas. Entra. – falou com a voz rouca e abriu espaço pra que ela passasse e fechou a porta, coçando os olhos e bocejando demoradamente em seguida, antes de voltar a falar. – Já tomou café?
– Já sim.
– E como foi a volta?
– Tranquila. Eu queria ficar mais tempo em casa, mas o dever chamava.
– Senta aí. Vou lavar o rosto. – apontou o sofá e seguiu pelo corredor antes que respondesse.
– Ei coisinha fofa. – ela disse para o cachorro, que olhava meio desconfiado, mas se aproximou de , cheirando seus pés e deu um latido estridente. – Vem cá, lindinho.
sentou-se no sofá e bateu levemente a mão no móvel para que o cãozinho subisse, o que ele fez sem demora e voltou a cheirá-la, antes de subir em seu colo, fazendo rir quando ele colocou a cabeça sob sua mão, em um claro pedido de carinho, que ela fez sem demora, e correu os olhos pelo ambiente: alguns brinquedos de Júnior espalhados, uma camiseta de um time de basquete que ela não sabia o nome jogada sobre a mesa de centro, um par de chinelos e fotos de com a família e os amigos por todos os lados.
, eu vou comer alguma coisa, talvez você queira também. – ouviu a voz ainda sonolenta de e se virou, encontrando o homem já com a feição mais desperta, os cabelos ajeitados e um sorriso ainda um pouco preguiçoso no rosto. Levantou-se, deixando o cachorro sobre o sofá e foi até , antes de saírem para a cozinha, ele a pegou pela mão e a olhou, dos pés à cabeça, de forma demorada, com o olhar ardendo em desejo e mordeu o próprio lábio. – Pessoalmente é melhor que em foto. Muito melhor.
– É, eu digo o mesmo. – ela disse passando os olhos pelo tronco nu do homem.
– Acho melhor a gente não perder muito tempo conversando ou comendo. O café da manhã, no caso. – falou num tom sugestivo e a puxou para mais perto, juntando os corpos e ela sentiu o membro dele começando a ficar duro contra si.
– Alguém estava mesmo muito ansioso pra me ver.
– Você não faz ideia, Ramos. – ele respondeu num resmungo e a apertou mais um pouco, beijando-lhe os lábios com vontade.
tinha as mãos na nuca de e deslizou as pontas das unhas por ali, e ele a apertava o máximo que podia contra si, ampliando o contato entre os corpos. a conduziu de volta ao sofá e se deitou, prendendo o corpo dela entre suas pernas, ainda beijando seus lábios e usando as mãos para tocar cada centímetro do corpo de , mesmo que parte dele ainda estivesse coberto pelo vestido.
– Vamos transar na sala de novo? – ela perguntou ofegante quando separaram os lábios para tomar fôlego.
Os lábios de eram convidativos demais para que ficassem separados por tanto tempo, mas ambos precisavam respirar um pouco antes de voltar a aproveitar daqueles beijos.
– Na sala, na cozinha, no banheiro, nos quartos, no corredor, na mesa, no chão, no carro e em qualquer lugar que você quiser. – enumerou e deu um beijo na curva do pescoço de , fazendo a mulher arfar ao sentir a barba do homem roçando em sua pele.
– Então pede seu cachorro pra dar licença, eu não me sinto confortável com ele observando. – riu e se virou, encontrando o cachorro parado um pouco distante e encarando os dois.
– Sai daqui Bubu. – ralhou e jogou uma almofada, mas sem que acertasse o cachorro. Deu certo e Bubu saiu correndo, depois de soltar um latido estridente como protesto. – Podemos voltar ao que estávamos fazendo?
– Claro. – ela deu um sorriso, preparada para voltar a beijar-lhe os lábios. a observava detalhadamente, a forma como os seios dela ficavam absurdamente deliciosos naquele decote, como as pernas dela estavam maravilhosas, como o bronzeado adquirido nos últimos dias estava perfeito e deixava o conjunto ainda melhor do que habitualmente. Se ele pudesse defini-la em uma palavra naquele momento, era estonteante. – O que foi?
– Você é linda. – ele disse tocando as coxas de e voltou a se inclinar, beijando seus lábios de um jeito um pouco menos agressivo. Suas mãos se moviam por todas as partes do corpo de , erguendo o vestido lentamente enquanto seus dedos deslizavam pela pele, sentindo-a se eriçar sob seu toque. Logo o vestido estava fazendo companhia à blusa que estava sobre a mesa de centro. – Esse sutiã não é ótimo apenas em fotos – ele sorriu sacana e mordeu o queixo de devagar, antes de deslizar os lábios até o ouvido dela e sussurrar o restante da frase. – mas você fica muito melhor sem ele.
– Você vai ficar conversando ou vai fazer alguma coisa? – perguntou num tom sofrido, enquanto sentia os lábios de em seu maxilar e a respiração do homem batia em seu rosto.
– Pelo visto eu não sou o único ansioso aqui. – ele voltou a sussurrar, beijou o pescoço e o colo de , abrindo o sutiã de forma demorada propositalmente, arrastando os dedos pela pele exposta e a ouviu soltar um resmungo sofrido antes de tirar a peça completamente e deixá-la no chão. – Mas eu vou bem devagar, nós temos o dia inteiro.

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– Você fica ótima com a minha camisa. – deu um sorriso enquanto a observava, estava sentado à mesa e admirava a mulher. estava cozinhando, tinha resolvido fazer um almoço para os dois e usava apenas uma camisa do Real Madrid número 22 e a calcinha preta.
– Fico ótima com qualquer camisa do Real Madrid, não apenas com a sua. – ela respondeu sem olhá-lo e não o viu se aproximar.
– Fica ótima de qualquer jeito. – falou e a virou para si, voltando a beijá-la, colocando a mão direita por dentro da blusa, apenas para sentir a pele de se eriçar sob seu toque e um gemido baixo escapou pelos lábios dela enquanto se beijavam.
– Preciso prestar atenção aqui, . – falou, separando os lábios dos dele, mas sem se soltar dos braços do homem.
– É difícil te soltar. – ele falou, deslizando a mão pelas costas de e apertou sua bunda, voltando a beijá-la.

🤍⚽️ 🤍
– Eu preciso ir pra casa. – falou sentando-se na cama e a olhou, permanecendo deitado.
– Já?
– São sete e meia da noite. Eu preciso descansar um pouco e você tem que arrumar suas coisas para se apresentar à seleção amanhã de manhã.
– Fica até de manhã? – pediu manhoso.
– Sem chance.
– Posso tentar te convencer? – ele se sentou na cama, virando-se de frente pra e sorriu sugestivo.
– Você pode tentar, mas não vai conseguir. Eu sou mais difícil que você. – ela respondeu e deu um sorriso de lado.
– Nada me impede de tentar.
– Você devia poupar forças para os treinos e para o jogo. É a Itália, sabe? É um jogo difícil.
– Você vai? – perguntou e ela assentiu. – E vem comemorar a vitória comigo?
– Ou te consolar pela derrota.
– Então quer dizer que independente do resultado você vem? – perguntou dando um sorriso de lado e sorriu de volta, sem responder. se inclinou e a beijou nos lábios, empurrando seu corpo com cuidado até que ela se deitasse de novo e tirou o lençol que impedia o contato direto dos corpos.
– Você vai mesmo voltar pra casa no sábado? – ela perguntou, com os braços envolvendo o pescoço do homem.
– Não. – ele resmungou. – Só depois do jogo contra Liechtenstein.
– Então nos vemos semana que vem. – ela lhe deu um selinho e o afastou, antes que voltassem a se beijar e sair dali se tornasse impossível. – Preciso ir embora.
– Eu te levo. – falou num tom frustrado.
– Não precisa, vou pedir ao . Você tem muita coisa pra fazer.
, eu te levo. Não precisa incomodar seu amigo com isso.
– Já incomodei. – falou pegando o próprio telefone no criado-mudo e enviou uma mensagem a , que não demorou a responder pedindo a localização e informando que em dez minutos estaria lá.
– Chegamos dia seis pela manhã. – falou enquanto observava sair da cama e começar a se vestir. Ela ajeitou o vestido no corpo e fez um rabo de cavalo nos cabelos.
– Cadê meus sapatos?
– Acho que eles ficaram pela sala.
– Já volto. – falou saindo do quarto e foi até a sala, observava como ela caminhou provocativa, rebolando propositalmente. A campainha tocou e segundos depois estava de volta, mais branca do que papel. – É o Sergio.
– Você está falando sério? – perguntou quase tão assustado quanto . Como ele tinha entrado sem que o porteiro informasse?
– Claro que sim! Esse filho da puta sente meu cheiro de longe. – ela falou num tom sofrido e a campainha soou de novo, mas dessa vez, acompanhada por batidas na porta. – E meus sapatos estão lá na sala. Vai logo.
– Puta merda. – falou nervoso e se pôs de pé, pegando a bermuda que estava caída ao lado da cama e a vestiu. – Fica aqui, ele não vai subir.
– Esconde os sapatos. Foi um presente dele, vai reconhecer na hora. – orientou e assentiu, saindo rápido do quarto e descendo as escadas, pegou os sapatos e os enfiou em uma das caixas de brinquedo do filho, pegou a blusa que estava sobre a mesa e a vestiu antes de abrir a porta.
Capi! Entra. – disse dando um sorriso ao encontrar Sergio parado, deu espaço para que o homem entrasse e fechou a porta atrás de si.
– Ocupado? – Sergio perguntou quando entrou na casa do amigo.
– Vendo televisão no quarto, peguei no sono e achei que estava sonhando com o barulho. – deu de ombros. – A que devo a honra?
– Passei na minha irmã e ela não estava por lá, eu estava a caminho de casa, mas resolvi passar aqui. Perguntei seu porteiro se você estava e ele disse que sim, falei que era surpresa e ele me deixou entrar.
– Senta aí. Quer beber alguma coisa? – apontou o sofá e Sergio se sentou.
– Só água, ou suco. Tô de carro.
– Vou pegar um suco pra você então. – falou antes de se levantar e ir até a cozinha buscar o suco para Sergio Ramos.
No banheiro do quarto de , enviou uma mensagem a pedindo para que ele esperasse pronto para arrancar, contou que Sergio tinha chegado ali e que ela faria uma fuga pela janela do quarto. Deixou um bilhete na cama dizendo que avisaria quando chegasse em casa e encarou a altura que teria que pular para sair dali.
Era alto e seria difícil, mas tinha alguma experiência depois de sair escondida tantas vezes enquanto morava em Sevilla. Claro que nem se compara, já que a janela da casa dos pais em Sevilla tinha como se apoiar no pequeno telhado e ela sabia como não se machucar, mas ali não tinha nada disso, era uma queda de alto risco.
se sentou na janela e observou. Seria difícil. Não tinha onde se apoiar para sair, era pular da janela e torcer para cair bem na grama, no máximo se apoiar na beirada e tentar não quebrar o pé quando aterrissasse. Por que ele tinha que morar numa porcaria de casa de dois andares tão altos? E numa casa com uma problemática gigantesca para se sair pela janela? E o pior: por que ela tinha que fazer aquilo usando o vestido mais apertado que tinha? Nem em filmes coisas como aquela aconteciam.
Depois de se segurar pela beirada da janela e fazer uma oração silenciosa, fechou os olhos e pulou, caindo num baque surdo na grama da frente da casa. Não parou tempo suficiente para analisar o feito e nem se tinha machucado alguma parte do corpo, apenas caminhou o mais rápido que conseguiu, se afastando do carro do irmão enquanto agradecia mentalmente por não ter ido com o próprio carro. O que diria ao irmão, caso ele chegasse e a encontrasse ali?
Quando chegou à portaria, despediu-se do porteiro com um aceno e avistou o carro de parado um pouco mais a frente. Caminhou um pouco mais rápido até lá e abriu a porta, sendo recebida por uma risada alta e o carro foi arrancado.
– Eu não acredito que você saiu pela janela! – ele gargalhou.
– E vamos pra sua casa, Sergio já passou na minha e se ele quer mesmo me ver, vai até a sua casa em breve. E sim, eu sai pela janela.
– Ainda bem que você fazia isso em Sevilla.
– É, mas a casa dele é mais difícil. Porra de casa complicada! Não dava pra sair pela cozinha, porque a escada dá bem na sala e eu ia acabar dando de cara com Sergio, dava pra pular a janela do quarto do Junior, que tem um parapeito, mas as portas de vidro da cozinha são enormes e lá da sala eles me veriam passar. E o cachorro ia latir quando me visse. Eu não sei por que o Sergio inventa de sair de casa tem hora! Ele sente meu cheiro nos lugares, não é possível!
– Só você pra me fazer de piloto de fuga numa situação dessa, . Esse tipo de coisa não acontece nem em filme! – gargalhava. – E cadê seus sapatos?
– Ficaram lá. Estavam na sala, deve ter escondido antes do meu amado irmão entrar. Bom, eu espero que tenha escondido, foi Sergio quem me deu e eu realmente gosto daquele par. E você não tem noção de como é difícil pular uma janela usando um tubinho!
– Você podia ter ficado no quarto esperado seu irmão ir embora.
– Ele vai demorar um tempo lá, eu tenho certeza. E dirige logo, preciso tomar um banho e comer alguma coisa antes que Sergio dê o ar da graça na sua casa.
– Precisa mesmo, você tá fedendo a sexo.
– Cala a boca e dirige. – ela resmungou e ele riu enquanto ainda dirigia.

colocou seu carro na garagem do prédio e os dois subiram de elevador até o andar do apartamento. tomou um banho, vestiu uma camisa de e um short seu que estava ali, já deixado para situações de emergência, tanto dela, quanto dele. também tinha algumas roupas no apartamento de , principalmente para ocasiões em que os dois saíam a noite e ele não tinha condições de se locomover até o próprio apartamento.
Os dois estavam sentados no sofá vendo filme depois de jantarem, quando o interfone tocou e ambos se olharam já sabendo quem era que estava prestes a subir, antes que se levantasse e fosse atender o interfone. O porteiro disse, num tom surpreso, que Sergio Ramos estava ali e tinha perguntado se podia subir, o que foi aceito e logo o homem estava no apartamento.

– Ah, então é aqui que você está! Fui na sua casa e o porteiro disse que você tinha saído de manhã e ainda não tinha voltado. – Sergio falou quando viu a irmã deitada no sofá.
– E você saberia se tivesse ligado pra saber como e onde eu estava antes de sair de casa às cegas. – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e se pôs de pé, indo até o irmão e o abraçou da forma mais apertada que conseguiu. – Senti sua falta.
– Sentiu tanto que nem se deu ao trabalho de ir me ver. – Sergio respondeu, se fingindo de ressentido pelo descaso da irmã, mas a apertando em seu abraço na mesma proporção, dando um beijo demorado em sua bochecha.
– Para de drama. – respondeu, rolando os olhos, ainda abraçada ao irmão. – Já cumprimentou o dono da casa?
– Já. – Sergio disse e se soltou do abraço, voltando a se deitar no sofá.
– Sente e sinta-se em casa. – falou apontando para o outro sofá que estava livre. – E você – apontou para . – pode voltar e continuar a massagear meus pés.
– Você é muito folgada. – Sergio disse e ela fez língua. – Precisa de carona?
– Preciso. – respondeu sorrindo. – Você é muito fofo.
– Então vamos?
– Só preciso pegar um chinelo.
– Acho que seu chinelo está no meu quarto. – falou e reprimiu o desejo de xingá-lo com um palavrão pouco aceitável.
Vaffanculo*. – disse em um tom simpático e sorriu para o amigo, apertando-lhe as bochechas.
sabia que não era um elogio, tampouco um agradecimento, só não fazia ideia do significado, mas vindo de , sabia que, no mínimo, era um palavrão dos feios. Ela voltou uns minutos depois com um chinelo da ex-namorada de nos pés e ele, novamente, teve que se segurar para não rir.
– Vai embora com a blusa dele?
– Vou, a minha está suja de molho de macarrão e como a culpa é toda dele, espero que me devolva a blusa lavada e sem manchas. – respondeu, dando de ombros. – Agora podemos ir.
– Eu não sei como você aguenta, . Realmente não sei.
– Nem eu sei como fui acabar amigo dessa encrenca. – disse rindo e lhe deu um tapa nas costas. – Ai! Filha da…
– Cuidado, o outro filho está aqui. – apontou para o irmão e riu.
Deu um abraço em , murmurando “obrigada” em seu ouvido e lhe deu um beijo no rosto. Sergio e ele se despediram também e os irmãos saíram do apartamento.
– Você vai se importar se eu te levar lá em casa antes?
– Sem problemas, quero ver meus pipotinhos. – ela deu um sorriso e abraçou o irmão pela cintura dentro do elevador. – Aconteceu alguma coisa?
– Não. – Sergio respondeu, passando um dos braços pelos ombros da irmã. – E como foi a Alemanha e as férias?
– A Alemanha foi ótima. Uma experiência fantástica, consegui me livrar do trabalho de conclusão e vou poder fazer uma matéria opcional que eu quero muito, eu aprendi muito por lá e sei xingar alguns palavrões em alemão. E em italiano. – respondeu, dando uma risada, enquanto caminhavam para fora do prédio de , após se despedirem do porteiro. – Foi bem legal, apesar de ter sentido muita falta de casa e de ter quase surtado em alguns momentos com aquele idioma difícil. E as férias foram maravilhosas! Descansei, me diverti muito e aproveitei. O pai e a mãe querem que você vá lá também. Eles reclamaram que nós dois estamos muito sumidos e precisamos visitá-los mais vezes do que eles vêm nos visitar.
– É, eu preciso mesmo. – Sergio falou pensativo e soltou-se do abraço da irmã quando chegaram ao carro. – Mas os feriados de fim de ano vamos passar lá, de qualquer forma.
– Eu quero ir ao mundial, por favor me leve. – ela pediu entrando no carro.
– Levo. E sábado você vai ao Bernabéu?
– Claro! Ao contrário da Itália, eu não perco esse jogo por nada. – falou dando um sorriso arteiro e Sergio deu uma gargalhada. ligou o rádio do carro e tratou de conectar ao seu Spotify.
– Você vai mesmo ouvir isso? – perguntou fazendo uma careta pela música escolhida e ela assentiu.
– Já estamos ouvindo. – ela sorriu e se virou pra ele, que tinha dado partida no carro e começava a se mover pelas ruas de Madri. – The mirror’s image, it tells me it’s home time, but I’m not finished, cause you’re not by my side…
– Eu não me importo de ouvir, mas você não pode cantar. – Sergio riu e lhe mostrou a língua. – A mãe me ligou, disse que você e estavam em Ibiza.
– E foi ótimo.
– E que ele tá solteiro.
e eu não estamos namorando e nem temos nada além de uma boa amizade. Fomos para Ibiza, aproveitamos os dias por lá e foi só isso. Não nos beijamos, nem fizemos nada, nunca fizemos e nem faremos. Deus me livre!
– Ah, eu não ia falar isso. – Sergio disse visivelmente sem jeito, usando uma das mãos para coçar a própria nuca, e ela riu.
– Claro que ia.
– E desde quando você e se seguem no Instagram? – Sergio soltou a pergunta num tom casual e quis pular do carro em movimento, mas se conteve e tentou responder em um tom tão casual quanto o dele.
– Acho que desde o dia da foto que Maria postou. – deu de ombros, o que era mesmo verdade, de qualquer forma. – Por quê?
– Porque você não costuma fazer amizades com jogadores. Mal tem Lucas, Nacho e Modrić por lá.
– Também tenho o Iker. E o Nando. E o Marcelo. E o Xabi. E o Keylor. E o Luca. E o Enzo. E o Arbeloa. Nossa, tem vários. – enumerou rindo. – E tinha o Dani, mas ele excluiu o Instagram. Eu não tenho nada contra jogadores, vocês só não fazem parte da população com quem eu teria um relacionamento.
– Entendo.
– Você devia parar de ser ciumento. Isso não é legal.
– Você é minha irmãzinha, quero cuidar de você.
– Não precisa, mi amor. Eu tenho vinte e dois anos, eu sei me cuidar.
– Pra mim você sempre será a pestinha de cinco anos que me infernizava, mas corria pro meu quarto quando tinha pesadelo.
– Eu sempre serei uma pestinha que te infernizará, mas com vinte e dois anos agora. E eu sei me cuidar, apesar de ainda querer correr pro seu quarto quando tenho pesadelos. – confessou rindo e Sergio a acompanhou na risada.
Um tempo depois, ele parou o carro na porta da própria casa e os dois seguiram até o interior do imóvel. Marco e Sergio Junior estavam com Pilar na sala.
– Olha quem eu trouxe. – Sergio falou e as crianças se viraram.
Sergio Junior se pôs de pé e correu até a tia, abraçando-a pelas pernas.
– Titia!
Mi Nanito! Como você está grande! – falou e se soltou do abraço, se abaixando até ficar da altura do menino e o abraçou, apertando-o e fez o pequeno soltar uma gargalhada. Marco veio logo em seguida e abraçou os dois.
– Titia! – ele disse sorrindo e lhe deu um beijo.
– Estão tão grandes que mal cabem nos meus braços! – disse envolvendo os dois em um abraço desajeitado. – Como senti falta de vocês!
– Acho bom esse abraço ter espaço pra mais um, porque vai precisar. – Pilar disse do sofá e se virou para a cunhada, que tinha um sorriso imenso no rosto. – Você vai ficar pra titia de novo.
– AI MEU DEUS! – exclamou animada.
– Mas ainda é segredo. – Sergio disse e se pôs de pé, depois de soltar o abraço dos sobrinhos, e foi abraçar o irmão e a cunhada, parabenizando-os.
– Que coisa mais linda! – sorriu animada. – É me ou menino? E desde quando vocês sabem?
– Não sabemos o sexo ainda. Tem duas semanas mais ou menos que estávamos desconfiando, o médico confirmou ontem. Era isso que eu queria te falar, mas não te encontrava de jeito nenhum. – Sergio disse empurrando de leve a irmã com o ombro.
– Podia ter me ligado, eu teria falado que estava no e você não teria ido lá em casa à toa. – respondeu rolando os olhos. – E estou muito feliz! Já preparando pra morder, apertar, amar, paparicar e encher de presentes e beijos mais uma criança linda. Estou muito feliz por vocês. De verdade.
– Por isso quisemos que você fosse a primeira a saber. – Pilar falou sorrindo.
– Posso ser madrinha?
– Você já é madrinha do Junior, . Sossega. – Sergio rolou os olhos.
– E sou do Marco também. Pelo menos eu me considero e me comporto como se fosse a oficial. Eu estou pedindo, mas também estou afirmando que sou a madrinha do próximo bebê dessa casa. – ela deu de ombros e Pilar riu.
– Não consigo pensar em outra pessoa para ocupar esse cargo. – Pilar disse e sorriu para a cunhada.
– Colo. – Marco pediu para e ela o atendeu sem demora, apertando o menino num abraço e lhe deu um beijo no rosto.

Os cinco permaneceram na sala por um tempo, conversando sobre a viagem de nas férias para a Alemanha e como as coisas tinham sido, além de Sergio e Pilar contarem sobre as próprias férias e as crianças também tagarelarem sobre a viagem que fizeram. Já estava perto das dez da noite quando as crianças foram dormir e apenas os três adultos ficaram na sala.

– Você quer ficar?
– Vou pra casa, preciso dormir lá pelo menos um dia. – riu e Sergio assentiu.
Ela se despediu de Pilar e foi embora com o irmão. Sem demora, ela estava de pijama e em sua cama. Assim que pegou o celular, percebeu que havia uma mensagem de , preocupado com ela.

: Você é doida?
Machucou?
Tá tudo bem?
Me dá um sinal de vida! 😩
: Sou. Não. Está. E dando sinal
: Fiquei preocupado! Por que demorou a responder?
: Fui pra casa do , depois Sergio foi lá e eu fui pra casa dele
: Doida!!!
Isso é o que você é, Ramos García!
: Um pouco de loucura as vezes é bom 😜
: Achei que você ficaria aqui e passaria a noite comigo ☹
: Podemos deixar isso para o dia que você voltar pra casa
Fez sua mala?
: Sim senhora
: Então vá dormir que amanhã precisa ir treinar cedo
A caminhada para o bicampeonato começa pelas eliminatórias
: Se seu irmão não tivesse aparecido, você teria dormido aqui?
: Talvez você conseguisse me convencer
: Posso ir dormir ai?
: Ai , sossega 🙈
: Não dorme, chego em dez minutos

Capítulo 08 – I’m about to blow…

I don’t think you know, I’m telling you loosen up my buttons, babe… (Buttons – The Pussycat Dolls)
– Você também tá ficando com o Carvajal? – perguntou quando chegou ao quarto, após um banho tão demorado que nenhum ambientalista aprovaria, e ela o olhou sem entender.
– Por quê?
– Não negou… – falou desconfiado e deu uma gargalhada.
– Ele é bonitinho, mas é apenas meu amigo. – falou ainda rindo e se aproximou para dar um selinho em seus lábios. tinha chegado de Liechtenstein, depois do jogo pelas eliminatórias da Copa, e ido direto para o apartamento dela. E, agora, estava deitado em sua cama. – Mas por quê?
– Enquanto você estava no banho, ele te ligou seis vezes. – falou tentando não soar tão desconfiado e ciumento, e o olhou sem entender. Ligações repetidas de Dani Carvajal? O que diabos estava acontecendo?
– Mas por que ele ligaria pra mim?
– Não faço ideia. – deu de ombros.
pegou o próprio celular para retornar a ligação, que foi atendida assustadoramente rápido.
– Porra , eu te liguei trezentas vezes! Por que você não me atendeu? – a voz de Dani Carvajal parecia brava, mas sabia que ele não estava mesmo bravo. Ou, pelo menos, esperava que não estivesse.
– Oi Daniel, tudo bem comigo sim. E com você?
– Estaria melhor se você tivesse me atendido na hora em que eu te liguei! E se eu estivesse precisando de socorro? E se eu tivesse sido sequestrado ou sendo roubado? E se minha casa estivesse pegando fogo?
– Se fosse isso, você teria ligado para o número errado, Danizinho. Eu não sou ambulância pra socorrer doente, nem polícia pra resolver ou impedir crimes e muito menos bombeiro pra apagar fogo. – falou rindo.
– Ah, , vai se foder. – Carvajal tentou soar sério, mas não conteve a risada.
– Tá tudo bem mesmo, Dani?
– Tá sim, . E com você? Por que não me atendeu?
– Eu estou bem também e demorei, porque eu estava tomando banho. Se nem o Sergio é naturalmente cheiroso e perfumado daquele jeito, imagina eu que sou uma mera mortal, ainda que seja irmã dele.
, sinceramente, eu não te liguei pra te ouvir elogiar o cheiro do seu irmão.
– E qual é o motivo dessa ligação, Daniel Carvajal Ramos? – perguntou desconfiada. – Pra você me ligar seis vezes todo desesperado, você quer alguma coisa. E alguma coisa que não pode ser enviada por mensagem e que não podia pedir ao Sergio para me falar. Ou seja, é algo errado.
– Eu ia te deixar de babá, mas gosto de você, acho que vai ser legal se você for e sei que isso vai deixar Sesse enciumado e bravo, então é a chance perfeita para irritar seu irmão e te desencalhar. – Carvajal falou em tom divertido e teve que se controlar para não rir do tom usado pelo jogador.
– Primeiro: vai ser legal se eu for aonde, Dani? Segundo: se vai irritar meu irmão, pode confirmar minha presença. Terceiro: encalhada vai ficar a minha mão quando eu enfiar no s…
– Então, respondendo suas perguntas… – ele a interrompeu rindo. – Darei uma festa.
– Ah! Pra dar festa você está muito bem não é mesmo, Daniel Carvajal Ramos? Mas pra jogar e ajudar o time a vencer o Valência no Bernabéu, você não está nem um pouco bem, não é verdade?
– Às vezes eu me esqueço que você é mais chata que seu irmão. – Carvajal falou quase entediado. – A festa é no sábado, depois do jogo contra o Levante.
– E por que você não mandou isso por mensagem ao invés de ligar feito um desesperado parecendo que estava prestes a morrer, Daniel?
– Convites são feitos pessoalmente ou, em último caso, por ligação, . Sei que a Paqui te ensinou isso, porque ela te deu educação, você só não usa.
– Daniel, se vocês não vencerem de goleada, eu vou espalhar pra torcida inteira que você vai dar uma festa depois de uma derrota-barra-empate contra o Levante em casa. Espero que você e seu condomínio tenham seguro.
, você está convidada e vai se quiser, se não quiser é só ficar na sua casa e não aparecer na minha. – Carvajal falou desaforado.
– Com todo respeito, Dani, vá se foder. – falou num tom sereno, fazendo Carvajal dar uma gargalhada.
– Eu nunca deixaria um filho meu com você, olha o seu palavreado.
– Eu só uso essas palavras com os babacas tipo você. – respondeu usando o tom desaforado que tinha sido usado por Carvajal, mas deu uma risada antes de continuar falando. – Eu vou, adoooooro festas! E vou levar o comigo.
– Vocês são gêmeos siameses? Aonde um vai o outro tem que ir? – Carvajal perguntou em tom implicante.
– Espero que você compre muita bebida, minha meta é te dar prejuízo.
– Sabe o convite? Cancela. Você está folgada demais.
– Que horas começa?
– A partir das oito. Chegue mais ou menos pelas nove. Ou melhor, nem é pra chegar.
– Sete e meia eu estarei aí.
– Eu devia ter entendido essas chamadas não atendidas como um sinal divino pra eu não te convidar.
– Perdeu a chance, agora vai ter que me aturar e bancar meu porre. E avisa aos seus amiguinhos que eu não vou ser babá dos filhos deles, porque estarei na sua festa junto com todos eles.
– Avisa você, . – Carvajal falou, novamente usando o tom desaforado.
– E, Daniel, faça uma playlist decente dessa vez. A última foi péssima.
, você está proibida de aparecer aqui no sábado. – falou quase impaciente, mas deu uma risada.
– Beijos Dani, obrigada pelo convite. – falou rindo.
– Se cuida, Ramos. – ele falou rindo. – E nós nos vemos no sábado.
– Com certeza. – falou, desligando a chamada. estava deitado e mexia no próprio celular, tentando fingir não prestar atenção na ligação. – Que cara é essa, ?
– A única cara que eu tenho. – resmungou e riu, se inclinando para dar nele um selinho. – Vocês são bem amiguinhos.
– Ai meu Deus do céu, , você está com ciúmes do Dani? – perguntou e permaneceu calado. – Que coisa ridícula.
– Você vai na festa? – mudou de assunto e assentiu.
– Eu sempre vou. Eu só não fui em duas.
– Provavelmente são as únicas duas em que eu fui.
– Eu preciso avisar Nacho, Luka e Sergio que eles estão sem babá. – falou, abrindo o WhatsApp e criou um grupo com os três mencionados e .

criou o grupo “👶🍼🚫”

: Oi lindos do meu coração, eu criei esse grupo apenas para avisar que, caso estejam interessados em ir à festa do Dani, posso passar o telefone de uma amiga, que é muito boa com crianças, porque vou à festa também 😊
Sergio: Inferno! 😡😩
Eu ia te mandar uma mensagem agora mesmo pedindo pra você ficar com os meninos
Nacho: Sem problemas,
Imaginei que você iria e como meus pais estarão aqui, já pedi pra ficarem com Ale e Nachito
, se quiser, pode deixar o Júnior aqui.
: Ele vai pra casa da mãe
Valeu pela oferta, Nacho
Luka: Vanja vai viajar pra visitar a família e minhas crianças vão com ela
: Sergio, eu te passo o telefone dessa minha amiga, se você quiser
Sergio: A Pilar já falou que vai pedir pra mãe dela ficar com eles
E você nem devia estar convidada pra essa festa
: Antes que ele comece, eu vou me retirar desse grupo
Nos vemos sábado, queridíssimos 😘

saiu do grupo

– Desfaz essa cara, . Dani é meu amigo igual ao Lucas.
– A diferença é que o Lucas é casado. – resmungou.
ficou de pé, respirando fundo para não responder de forma grosseira e foi até o pequeno closet pegar uma roupa para se vestir.
– E tem o fato de que eu não quero nada além de amizade com o Dani. – respondeu séria.
– Se você está dizendo…
– Sim, eu estou dizendo, . – falou, ainda séria, se virando para olhá-lo, depois de vestir uma blusa. – Eu conheço o Dani há muito tempo, muito tempo mesmo! Desde bem antes de ele ir para a Alemanha, porque eu andava atrás do Sergio o tempo inteiro quando vinha visitá-lo, ia a todos os lugares possíveis e permitidos com meu irmão, e nós viramos amigos pela convivência e também pela proximidade das idades. Se você for ficar com essa cara toda vez que eu tiver um amigo que não seja o ou que não seja comprometido, nunca mais vai sorrir na vida.
– Eu não quero brigar. – falou e suspirou, sentando na cama. – Desculpa, , eu sei que não tenho direito de querer controlar suas amizades. Eu acabei descontando em você e na sua amizade com o Dani algo que nem devia.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou e suspirou.
Não era o momento de terem aquela conversa. Não era mesmo. Nem ele sabia bem se queria ter aquela conversa e nem como abordaria o assunto.
– Não quero falar sobre isso. A gente pode só dormir?
– Claro. – falou dando um sorriso pequeno e vestiu uma calça de flanela, apagou a luz do quarto e foi se deitar, abraçando em seguida.
– Você está bem mesmo depois daquela escapada? – perguntou e assentiu.
– Perfeitamente. E sem nenhum arranhão.
– Senti sua falta. – falou em tom carente e se aconchegou ao abraço dela.
– Eu também senti a sua. – respondeu e começou a lhe acariciar os cabelos. Logo a respiração dele se tornou mais leve e compassada, mostrando que tinha dormido.

🤍⚽️ 🤍
– E como vai ser estar no mesmo ambiente com , ambos bêbados e provavelmente cheios de tesão, mas sem poder fazer nada e mal podendo se olhar? – perguntou do quarto, enquanto se arrumava no banheiro de sua suíte.
O jogo de mais cedo, contra o Levante, tinha terminado empatado com um gol para cada lado. Marcelo tinha sido expulso perto do final da partida e o Real Madrid simplesmente não parecia o Real Madrid naquele começo de temporada. O time tinha saído atrás no placar e graças a Lucas Vázquez não tinham perdido o jogo.
Tudo bem, não tinham começado com o time titular, mas ainda assim, e todos os outros madridistas não achavam aquilo certo, afinal é o Real Madrid, o atual melhor time da Europa e do Mundo. Reservas ou titulares, tinham de ser sempre os melhores.
– Normal. – respondeu alto, enquanto passava o rímel. – Vamos fingir que ele apenas joga no time pelo qual eu torço e é amiguinho do meu irmão.
– Vocês deviam assumir esse namoro e parar com essa palhaçada.
– Não começa com essa história, . – falou cortando o assunto. – Nós não somos namorados e nem seremos. Já falei sobre isso com você.
– Você vai me levar pra ser uma forma de você e se evitarem. – concluiu.
– Mais ou menos. – deu de ombros, mas ele não viu. – E, também, porque somos gêmeos siameses, segundo Dani.
– Você ainda vai demorar muito tempo?
– Pode entrar no banheiro, vou vestir a roupa agora. – falou, entrando no quarto e se deparou com deitado na cama, encarando o teto, apenas de cueca e com a toalha atravessada sobre a barriga.
– Aposto que eu fico pronto antes de você. – implicou, sentando-se na cama e olhou demoradamente para , que ainda estava enrolada na toalha que tinha usado para se secar ao sair do banho. Apontou para o rosto dela antes de voltar a falar, implicando com a amiga. – Pra que isso tudo?
– Porque a cara é minha e eu passo o que e o quanto eu quiser de maquiagem nela e isso não te interessa. – respondeu desaforada e ele riu.
– Grossa. – respondeu rindo, ficando de pé, mas não esperou pela resposta desaforada da amiga, apenas foi tomar banho.
se livrou da toalha que vestia, sem estragar a maquiagem que tinha feito, que, ao contrário do que tinha sugerido, não estava extravagante e nem exagerada – não que ele tivesse alguma coisa com isso, em todo caso –, e foi pegar sua roupa.
Sabia que, mesmo odiando dançar, se acabaria na pista de dança como sempre fazia em festas, então escolheu um vestido justo com listras finas horizontais em rosa escuro e preto, com as laterais abertas na cintura, e ia até a metade da coxa, aquele vestido, apesar de justo, lhe dava liberdade nos movimentos de dança que ela sabia que faria quando estivesse suficientemente bêbada para tanto, calcinha e sutiã pretos e calçou uma sandália preta modelo meia pata de salto fino.
Modelou o cabelo o suficiente para que parecessem arrumados-mas-não-tão-arrumados-assim, colocou brincos, anéis e pulseiras, além de um colar comprido que ia até abaixo dos seios, e assim que terminou de conferir o resultado de sua arrumação, saiu completamente arrumado do banheiro.
– Podemos dizer que houve um empate. – falou e deu uma olhada sem pudor nenhum em e passou a língua pelos próprios lábios enquanto o fazia. – E você vai matar o coitado do .
– Que nada, ele aguenta. – ela piscou.
– Você tá bem gostosa, , parabéns.
– Eu sou gostosa desde sempre e você sabe disso. – piscou, arrancando uma risada do amigo.
– Seu irmão vai botar um ovo quando vir sua roupa. – falou rindo e riu em concordância.
– Podemos?
– Devemos.
– Já pediu nosso táxi ou Uber?
– Por isso mesmo falei que devemos, Ramos, o Uber está chegando e logo nós é que chegaremos a um lugar lotado gente desconhecida, apenas pra beber de graça.
– Amém. – falou sorrindo animada e os dois saíram do apartamento, rumo ao condomínio de Dani Carvajal.

🤍⚽️ 🤍
– Nossa senhora, . ¡Viva la madre que te parió! mesmo. – Dani Carvajal falou quando a viu, descendo seu olhar pelo corpo de antes de os dois se abraçaram. A casa estava cheia e uma música alta tocava. – Se você não fosse tão grossa, chata, sem educação e não tivesse um irmão tão… Sergio Ramos, eu ia muito querer te pegar.
– Você sabe que não tem cancha pra lidar com tudo isso, Dani. Sou areia demais pro seu caminhãozinho. – falou no ouvido dele enquanto estavam abraçados, arrancando uma gargalhada do homem.
– Deus me livre de você e do seu irmão. E ai, gêmeo siamês. – Carvajal implicou com e os dois trocaram um abraço em cumprimento. – Vocês sabem onde tem de tudo nessa casa em dias de festa, se virem e aproveitem.
– Nós nos viraremos e aproveitaremos, pode ter certeza. – respondeu, piscando, e saiu puxando .
! – a primeira voz que ouviram foi a de Sergio Ramos, que se pôs no caminho dos dois antes que pudessem chegar à cozinha.
– Hermanito! – deu um sorriso aberto, que foi murchando ao prestar mais atenção à roupa que o irmão usava. – Jesus Cristo! Quem te vestiu foi o Marco? Você está horroroso!
– E você vestiu apenas a camiseta dele pra sair de casa, aparentemente! – Sergio falou exasperado.
– Eu vou sair antes que sobre pra mim. – falou rindo e saiu de perto dos irmãos.
– Para de ser chato, eu não fico enchendo seu saco quando você sai brega desse jeito de casa. – falou rindo e abraçou o irmão, que a envolveu no abraço, sentindo-se ultrajado com a ofensa ao seu estilo.
! – Carvajal reapareceu, dessa vez acompanhado de outro homem, bem bonito, e supôs que deveria ter a mesma idade de Carvajal. Soltou-se do abraço de Sergio, passando apenas um dos braços pela cintura do irmão e olhou para os outros dois homens que tinham chegado.
– Dani! – ela respondeu na mesma animação.
– Eu vim te apresentar um amigo. Leon, essa é a , minha amiga e irmãzinha do capi. E esse, claro, é o capi. Esse aqui é o Leon, um amigo meu de longa data.
– Oi, Leon! – falou animada.
O tal Leon agora olhava para o Sergio Ramos sério que tinha um dos braços sobre os ombros bela mulher que lhe tinha sido apresentada. Leon já tinha visto em alguns jogos e em algumas festas de Dani Carvajal, mas nunca tivera coragem de se aproximar e nem sabia que ela era a irmã mais nova do capitão do time. Agora ele começava a achar que a falta de coragem, na verdade, era seus instintos de autoproteção e sobrevivência falando mais alto.
– Oi . Oi Sergio. – falou um pouco sem jeito. – Eu vou buscar uma cerveja, vocês aceitam?
– Não. Obrigado. – Sergio disse olhando feio para Carvajal, que se esforçava para não rir do amigo.
– Eu quero! Vamos começar essa festa! – falou animada e soltou-se do abraço do irmão.
Sergio soltou um resmungo incomodado, mas inaudível pela altura da música que tocava. saiu acompanhada de Leon e Sergio se virou para Carvajal.
– Se seu amigo encostar na minha irmã, eu vou quebrar suas pernas.
– As minhas? – Carvajal perguntou gargalhando. – Eu não tenho nada com isso! Se ele fizer algo, você tem que quebrar as pernas dele!
– Ele eu vou matar.
– Vá beber e se divertir, homem, pare com essa história de matar e agredir pessoas. E deixa sua irmã desencalhar, vai que dá certo?! – Carvajal falou rindo, saindo de perto de Sergio Ramos e caminhando até a porta, onde acabava de entrar. – !
– Você convidou Madrid inteira? – perguntou, falando alto, quando entrou no local e Carvajal deu de ombros antes de se abraçarem em cumprimento.
– Sinta-se à vontade para dançar, beber, beijar na boca… Se for preciso, espalhei camisinhas pela casa inteira. Nunca se sabe.
– Vou aceitar apenas a parte do beber e talvez a de dançar, mas obrigado. – falou rindo, mas Carvajal não estava mais perto dele.
seguiu até a cozinha, em busca de uma cerveja. Já tinha visto alguns dos companheiros, mas queria uma cerveja e, antes de qualquer coisa, enviar uma mensagem para saber quando pretendia chegar. Mas não foi preciso enviar nada, já que assim que entrou na cozinha, avistou conversando bem animada com um homem.
Ela estava encostada na parede, tinha uma cerveja em mãos, conversava sorrindo abertamente para o homem que estava de frente para ela, tinha um sorriso malandro no rosto e também segurava uma cerveja. Perto demais.
estava maravilhosa e tentadora, percebeu. Desceu os olhos por todo corpo da mulher, sem nenhum pudor e começava a pensar se a intenção de não era provocá-lo, já que ele não poderia fazer nada com tantos conhecidos por perto. Tudo bem, ela não se vestiria para homem nenhum, ele sabia, mas também sabe que gosta desses joguinhos. pegou uma cerveja na geladeira e passou bem em frente a , justamente para ser visto.
? – fingiu surpresa ao vê-la ali e se virou para olhá-lo, dando um sorriso em seguida. – Não sabia que te veria aqui.
– Tirei uma folguinha dos livros e das crianças alheias pra me divertir um pouco. – respondeu dando um sorriso, sabia muito bem que tinha se pronunciado apenas por vê-la acompanhada. – Ah, deixa eu te apresentar, esse é um amigo do Dani, o Leon. Leon, você conhece o .
– Claro. O Magia. – Leon falou, estendendo a mão livre para cumprimentar , que aceitou o cumprimento.
– Muito prazer. – falou dando um sorriso sem mostrar os dentes. – , seu irmão já chegou?
– Ele é o ser humano mais brega de toda a festa, você vai achar rapidinho. – ela respondeu franzindo o nariz numa careta, que achava fofa, e deu um sorriso.
– O veio com você? – perguntou, tentando fazer o tal Leon querer saber quem eram os dois homens citados e saísse de perto, mas ele não parecia se importar.
– Veio sim, mas eu me perdi dele com menos de um minuto. Fui trocada pelo álcool e por alguma mulher bonita por ai.
– Você pode me levar até seu irmão? – pediu.
– Não faço ideia de onde ele está. – deu de ombros. – Não prestei atenção pra onde ele foi quando vim buscar uma cerveja com Leon.
– Tudo bem. Nós nos vemos depois. – respondeu e deu as costas a , caminhando entre o que parecia ser metade da população de Madrid, tentando encontrar algum dos companheiros de time e ignorar o incômodo em vê-la tão à vontade com outro e o dispensando daquela forma.
– Achei que não fosse te ver aqui. – Lucas falou quando se aproximou do pequeno grupo de jogadores e esposas.
– Eu não perderia por nada. – falou sorrindo e olhou para Marco, que tinha um copo de água em mãos e dava passos de uma dança que não faziam o menor sentido. – Estranho mesmo é esse aqui ter vindo.
– Eu também não perderia por nada. – Marco deu de ombros. – Eu não bebo nada com álcool e nem refrigerante, mas não significa que eu não possa me divertir bebendo minha água e dançando.
– Que menino mais hidratado e sociável. – Lucas caçoou, apertando uma das bochechas de Marco.
– Cadê a Maki, Luqui? – Maria, a esposa de Nacho, perguntou.
– Saiu com a irmã e me abandonou. – Lucas fez cara de triste, arrancando risadas dos amigos.
– O que você tentou fazer usando essa roupa, Sesse? – Nacho foi o responsável por implicar com o companheiro.
– Mirou no estilo do Cristiano e acertou no do Benzema. – Lucas brincou e Sergio lhe mostrou o dedo do meio.
– Benzema? Quem dera! Tá mais pra ter acertado no Dani Alves. – Marcelo falou rindo.
– Uma mistura de Neymar e Dani Alves. E mirou de olho fechado. – Casemiro implicou, fazendo os amigos rirem.
– Muito de olho fechado! – Modrić caçoou do amigo.
– Sesse tá mais feio que briga de foice no escuro. – Casemiro falou rindo, fazendo os amigos gargalharem.
– Vocês estão com inveja da autoestima do capi. – debochou. – Ele é confiante o suficiente pra sair de casa completamente horroroso desse jeito e se achando o maior ícone fashion do mundo.
– A Pilar não viu sua roupa? Ela nunca te deixaria sair assim. – Marcelo voltou a implicar com o amigo, arrancando uma nova gargalhada do grupo.
– Ah, não está tão ruim… – Izabel, namorada de Mateo Kovačić, falou em defesa do amigo.
– Não está ruim mesmo, está péssimo, Iza! – Marcelo falou rindo.
– Credo amor, não fala assim. – Clarice falou rindo.
– Olha essa calça quadriculada de bandeira de Fórmula 1! – Luka apontou rindo.
– E essa blusa que parece que ele costurou todos os retalhos de casa… – Marcelo implicou de novo.
– Podia ser pior. – Marco Asensio falou, observando o amigo.
– É, podia… – Lucas falou, segurando a risada.
– Vamos parar de zoar o capi, porque senão ele volta a se vestir bem e acaba com nossas brincadeiras sobre seu gosto excêntrico pra se vestir. – Marcelo falou rindo.
– Cadê a ? – Sergio perguntou, mudando o assunto e tentando desviar o foco de si e de suas roupas.
, internamente, se fazia a mesma pergunta.
– A última vez que eu a vi, ela estava na cozinha pegando cerveja com um cara. Mas isso já tem um tempo. – Lucas falou dando de ombros. – Deixa a sua irmã desencalhar.
– Vocês precisam parar de chamar a de encalhada. – Maria defendeu a amiga. – Ela é solteira porque quer.
– Ou seja, sozinha. – Lucas implicou e Maria negou com um aceno.
– Ser solteira é muito diferente de estar sozinha, é solteira, mas não sozinha.
tentou disfarçar a tensão que sentiu ao ouvir aquelas palavras, pois Maria tinha falado com uma convicção fortíssima. Será que ela sabia dos dois?
– Tem alguém aqui que sabe de bastante coisa da vida da … Pode contar mais, Maria, queremos saber de tudo. – Lucas provocou, recebendo um pedala de Nacho.
– Respeita minha mulher, idiota. – Nacho falou, fingindo-se de bravo.
– Mas eu respeito muito a Maria, eu só quero saber de coisas pra zoar a mesmo, Nachito. – Lucas falou, dando de ombros.
– É, Maria, conta mais. Agora eu fiquei curioso também. – Sergio falou, olhando para a mulher e, depois, para , que sentiu o corpo gelar.
Não era possível que ele sabia.
! – Maria falou mais alto, chamando a atenção de , que passava perto do grupo e estava acompanhada de .
– A melhor pessoa da festa acabou de chegar! – brincou.
– O , claro. – Lucas falou rindo.
– Hoje você pode fazer piadinhas, Vázquez. Só você. – falou, olhando para os demais jogadores. – Mas estão todos liberados a fazer piadinhas com o ícone fashion de Madrid.
– Pelo menos eu vim com a roupa toda. – Sergio respondeu usando seu melhor tom de irmão mais velho implicante.
– A roupa toda horrorosa, só se for. – falou rindo e arrancou uma risada geral dos presentes. – Quem quer dançar?
– Você já está bêbada nesse nível? – implicou, fazendo os outros rirem e rolar os olhos.
– Eu nem comecei a beber, meu querido. – respondeu. – Sério que vocês vão ficar parados num canto escondido em uma festa?
– Preciso ficar um pouco mais bêbada se quiser começar a dançar no meio da sala pra toda a população de Madrid ver. – Maria falou rindo.
– Isso é uma festa e vocês estão feito um grupo de idosos encostados num canto.
– Leva o menino hidratado e dançante aqui. – Marcelo apontou para Marco, que ainda estava com o copo de água em mãos e arregalou os olhos.
– Eu não vou dançar!
– Você acabou de falar que podia muito bem se divertir bebendo sua água e dançando, sem precisar de álcool. – Lucas provocou.
– Não vou dançar pras outras pessoas verem. – Marco Asensio falou sem graça.
– Ninguém vai? Ótimo, eu vou sozinha. – deu de ombros e saiu de perto do grupo.

levou a garrafa até a boca para disfarçar enquanto observava se distanciar do grupo e ir para a pista de dança improvisada no meio da sala de Dani Carvajal. De longe, a viu cumprimentar um grupo de mulheres, que deviam ser da sua idade ou com uma diferença mínima, e começar a conversar animadamente. Ele não fazia ideia de quem eram aquelas, mas tinha ido a mais festas de Dani Carvajal do que ele, então, provavelmente, conhecia algumas das pessoas presentes. Sem contar o fato de que tinha tanta gente ali que, provavelmente, se conheciam de fora das festas.
Ele não se importava com as outras, queria observar , que mesmo sem se mover, era provocante ao extremo. E não tinha sido o único a perceber aquilo, claro. Um pouco depois de ter se afastado do grupo de jogadores, estava conversando com um rapaz que parecia ser conhecido, e os dois conversavam sorrindo, enquanto ainda bebia da própria cerveja e o tal tinha uma das mãos em suas costas, se inclinava para falar ao ouvido e parecia gostar bastante do que era dito.
afastou-se do grupo de amigos e foi andar pela casa, dando a desculpa de que tinha que ir ao banheiro, mas queria mesmo era se afastar da visão de com outro. De novo. Não que ele pudesse criticar, já que também vinha saindo com outra mulher, mesmo estando naquele ele-não-sabia-o-que com . Não queria dispensar a outra, afinal, não sabia se o que tinha com tornaria sério em algum momento, e também não dispensaria porquê… bom, porque não! Ele gostava de estar com ela e queria que fosse sério entre os dois, mas sabia bem que ela não se renderia tão fácil e deixaria sua regra de lado. E era muito cedo para pensar naquilo.

🤍⚽️ 🤍
– E então, , você vai ficar só me olhando ou vai me beijar? – Nyan perguntou.
Ele é primo de Dani Carvajal e tinha sido da turma de antes do intercâmbio para Londres no ano anterior. Os dois costumavam ficar quando eram da mesma sala, mas depois de um tempo passaram a ser apenas nas festas e vez ou outra fora de lá. Nenhum dos dois queria nada sério, não se importavam em ter frequência, só queriam quando desse vontade e nenhuma outra opção estivesse disponível.
– Claro. – falou antes de colocar a garrafa de cerveja na boca para um gole que disfarçou a olhada geral que deu no local. Não queria que visse nada daquilo. Ela, tampouco, estava interessada em beijar Nyan, mas não queria correr o risco de perder a outra opção que guardava para o caso de tudo entre e ela dar errado.
– E então… – Nyan falou dando uma risadinha e olhou na direção em que o irmão estava e para onde estava voltando.
– Hoje a marcação do Sergio está pior que a habitual. Nós vamos ter que sair daqui.
– Sem problemas. A casa é grande.
– O Dani não gosta que ninguém vá lá pra cima.
– Por isso mesmo nós não vamos pra lá. – Nyan piscou e estendeu a mão para que o acompanhasse.
E, de mãos dadas, os dois saíram desviando das pessoas até o lado de fora da casa. Lá, poderiam se beijar o quanto quisessem sem serem vistos por Sergio Ramos ou por qualquer outra pessoa. Era o que pensava, mas, de longe, tinha visto os dois saírem de mãos dadas e sabia muito bem o que estava por vir.

🤍⚽️ 🤍
– Nossa Sesse, sua roupa está horrorosa! – Carvajal falou, aproximando-se do grupo de amigos.
– Pilar não deve ter visto isso. – Marcelo voltou a implicar com o amigo.
– Ela não deixaria a própria imagem ser associada a desse desastre. Ela é uma mulher muito sensata pra isso. – Lucas falou, caçoando, de Sergio Ramos.
– Nem tão sensata, já que é basicamente casada com o Sesse. – Carvajal provocou, fazendo os amigos rirem.
– Vocês deveriam cuidar das próprias vidas. – Sergio falou sério.
– É mesmo, vamos cuidar das nossas vidas e evitar falar deste homem péssimo aqui, afinal Sergio Ramos é um jogador sujo e mal caráter, provavelmente ele vai quebrar nossas pernas se continuarmos provocando assim. – Casemiro falou, fazendo os amigos rirem.
, você está com uma cara péssima. – Carvajal falou quando se aproximou do grupo de amigos e bufou.
– Eu estou péssimo.
– Então vem comigo, vou te apresentar uma amiga. Esteja péssimo, mas esteja péssimo beijando na boca. – Carvajal o abraçou pelos ombros e o levou até um grupo de mulheres muito bonitas.

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– Eu vou buscar uma cerveja, já volto. – falou para Nyan, separando os lábios dos dele, e ele assentiu antes de vê-la caminhando para o interior da casa.
– Tá se divertindo, priminha? – Carvajal provocou, interrompendo a caminhada de .
– Deus me livre ser da sua família, Daniel. – riu e o abraçou pelos ombros, sendo abraçada de volta pela cintura, e os dois caminharam até a cozinha.
– Sei… você tá aproveitando bastante da companhia do meu primo que eu sei. – Carvajal implicou.
– Bastante, mas ele está me atrapalhando a te dar prejuízo, enquanto ocupa minha boca com outra coisa que não é beber.
– Eu não quero saber essas coisas, Ramos.
– Foi você quem começou. – deu de ombros.
– Eu acho bom você beber muito, eu comprei muita bebida por sua causa.
– Cadê o Sergio?
– Deve estar imaginando formas bem dolorosas de quebrar minhas pernas. Ele falou que vai fazer isso comigo por sua causa.
– Conseguimos irritá-lo. – ela falou rindo e os dois trocaram um high-five com as mãos livres.
– Você implicou com ele por causa da roupa?
– Muito! – riu. – E você?
– Também! Ele está bem… exótico.
– Coitada da minha cunhada que tem a imagem daquela criatura associada a ela…
– Dani! – uma voz femi chamou e Carvajal se soltou de , indo até a mulher que tinha chamado pelo seu nome. continuou seu caminho e encontrou encostado no balcão da cozinha, bebendo uma cerveja e com cara de poucos amigos.
– Achei. – falou, parando ao lado dele, que continuou bebendo como se ninguém tivesse falado nada. –
– Que foi?
– Eu quero te beijar.
– Que bom. – ele respondeu sem se dar ao trabalho de olhar para o lado, voltando a tomar um gole da cerveja.

– O que foi? – voltou a perguntar, mas, dessa vez, mais ríspido e se virou para olhá-la.
Toda a rispidez que tinha em mente para usar se esvaiu quando colocou os olhos sobre ela. o olhava sincera, dando um daqueles olhares que costumava dar quando dormiam juntos depois de passar algumas horas vendo televisão ou apenas conversando. Aquele olhar que considerava a melhor coisa para se ver antes de dormir.
– Hm, nada. Você está bem ai sozinho, não vou te atrapalhar.
– Eu também quero muito te beijar, , muito mesmo, mas me parece muito difícil que isso aconteça hoje. – ele respondeu e suspirou.
– Não vejo dificuldade nenhuma da gente se beijar agora mesmo, pra ser bem sincera.
– Eu vejo muitas, porque sei que não quero apenas te beijar, que quero fazer muito mais do que isso com você.
– E o que mais você quer fazer comigo, ? – perguntou dando um sorriso cheio de segundas intenções.
! – Lucas apareceu, já um pouco mais alegre do que o habitual, e o abraçou pelos ombros. – Estamos vivendo um dilema!
– Estamos?
– Sim, vem comigo pra eu te contar. – o homem falou e saiu puxando , sem reparar na presença de ao lado dele.
A conversa entre e acabou ali, porque foi fisgado pelo amigo para resolver o tal dilema e apenas pegou a cerveja e voltou para o exterior da casa.

🤍⚽️ 🤍
– Desculpa.
se desculpou, enquanto caminhava pela sala cheia, tentando chegar à cozinha para buscar alguma coisa para beber e refrescar-se do calor que sentia. Aquela, certamente, era a festa mais cheia de convidados que Dani já tinha feito e parecia que as pessoas não paravam de chegar.
– Vou pensar no seu caso. – a voz masculina que a respondeu era conhecida e, erguendo os olhos, ela se deparou com , que a segurava pela cintura.
– Você não terminou de me falar o que queria fazer comigo, . Eu estou curiosa. – ela falou ao ouvido do homem, juntando seus corpos e ele deu uma risada abafada.
– Você está maravilhosa com esse vestido. – ele falou em seu ouvido, recebendo um beijo no pescoço em seguida.
– Obrigada, mas isso não responde minha pergunta de mais cedo.
– E mesmo estando maravilhosa com esse vestido, eu sei que fica muito melhor sem ele, rebolando no meu pau daquele jeito que você sabe. – respondeu em seu ouvido, lhe mordendo o lóbulo de leve e deu uma risadinha.
– E o que mais? – ela perguntou, sentindo a mão da trazer seu corpo para mais perto do dele.
– Gemendo bem alto e pedindo por muito mais. – respondeu, dando uma mordida leve no pescoço dela.
– De que jeito?
– Por cima, por baixo, de lado, de costas, de quatro…
– E o que mais? – ela repetiu a pergunta, deslizando uma das mãos pelo abdome de , parando perto do cós da calça jeans que ele usava.
– Não só isso, não só assim. Eu qu…
! – ouviu seu nome e se virou, encontrando parado a um passo dela, tomando um gole da cerveja que tinha em mãos. – Sergio.
– Merda. – ela se soltou de , virando-se de costas e abraçou o amigo, não sem antes piscar para o jogador e começar a dançar com .
– Eu sabia que vocês não iam conseguir se segurar. – provocou. – Nyan está louco atrás de você também.
– É muito difícil ser uma mulher gostosa e disputada. – brincou.
– Agora você vai atrás do Nyan e me solta, eu estou há horas tentando beijar aquela loira maravilhosa que está perto da escada e só agora as amigas saíram de perto.
– Se joga, . – o soltou e se virou para voltar a se espremer entre as pessoas para sair do meio da sala lotada.
– Achei que você não ia voltar mais. – Nyan falou quando viu se aproximar e ela sorriu de lado.
. – deu de ombros.

A conversa entre os dois também não passou disso. Nyan aproximou-se de e a beijou, como queria há alguns bons minutos, e correspondeu. Podia não querer tanto passar a noite com ele, mas Nyan era bom. Muito bom.

🤍⚽️ 🤍
À distância assistia do lado de fora da casa, o corpo grudado ao do tal com quem ela andava se esgueirando durante a festa. Beijavam-se de forma invejável e ver aquele outro tocando não estava deixando muito confortável.
Ciúmes.
Não que ele fosse admitir aquilo, mas com toda certeza do mundo era ciúmes. E uma grande pontada de inveja, porque ele queria estar no lugar do tal que a beijava naquele momento.
caminhou para a cozinha em busca de uma cerveja ou de algo mais forte que o deixasse anestesiado o suficiente para não se importar com aquela visão. Era melhor ir embora, ele sabia, mas não queria ir e deixar com o outro. Queria que ela fosse embora com ele, que passassem a noite juntos e sozinhos.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro garrafas de cerveja foram consumidas quase que de uma vez e ainda sim não lhe saia da cabeça. Ah ele queria muito que pudessem se beijar, que ele pudesse se livrar do homem com quem ela estava agarrada há horas. queria tirar cada peça de roupa de , queria ir embora dali com ela para que pudessem transar muito, em várias posições e lugares, depois pedir uma pizza e ficarem abraçados até dormir.
A programação se repetiria no dia seguinte.
E no outro
E também no outro.
E por todos os outros dias até o fim dos tempos.
Inferno.
A música alta continuava ecoando por todos os cantos e até cantarolou algumas que conhecia enquanto observava a quantidade enorme de pessoas convidadas pela casa. Não era humanamente possível que Dani realmente conhecesse toda aquela gente que estava ali.
a viu se aproximar, caminhando perfeitamente bem e não parecia nem um pouco alterada pelo álcool que já tinha consumido, e ele sabia que tinha sido uma quantidade considerável. Mas não era surpresa, ele também sabia que a mulher era bem resistente e que podia beber mais do que ele e não demonstraria nenhum sinal.
– Oi.
– Oi.
– Tá tudo bem com você? – perguntou, parando ao seu lado, e assentiu. – Tá tudo bem com a gente?
– Não sei. Está?
– Por mim, sim.
– Então por mim também. – respondeu dando um sorriso sem mostrar os dentes e se afastou sem falar mais nada.
– Ei, do vestido listrado, quer jogar? – um desconhecido perguntou para , que se virou e encarou a mesa. Beerpong. Ela deu um sorriso e assentiu.
– Claro.
– Vamos com a regra simples: acertou, eu bebo; errou, você bebe. E tem que virar de uma vez.
– Por mim, perfeito. – sorriu. – Você vai ficar bêbado rápido.

Vinte copos plásticos cheios até a metade com cerveja. Dez de cada lado para formar o triângulo. As bolinhas eram de papel, seria melhor assim. No par ou ímpar, começou jogando e acertou o copo. Ela já tinha jogado aquilo tantas vezes que, se fosse um esporte, seria jogadora profissional e ganharia o “Copo de Ouro” todos os anos. Ela venceu, claro. O fez beber as dez cervejas antes que ele conseguisse fazê-la beber metade das suas.
Um tempo depois, estava em uma rodinha que tinha se organizado para jogar “Eu Nunca” com tequila. A coisa mais clichê possível em festas, pensava, mas também a que a deixaria bêbada mais rápido e isso era o que ela queria, afinal, ainda estava sóbria e em momento nenhum aquilo foi um objetivo.
E logo estava começando a ficar bêbada, mas lúcida o suficiente para se retirar do jogo antes de piorar sua situação e acabar fazendo alguma coisa que não gostaria. Pegou uma cerveja e com o olhar, encontrou um pouco distante de onde ela estava. Ele estava encostado em uma parede, bebia sua cerveja e ao lado dele estava Sergio, que falava alguma coisa.
queria provocá-lo e deixá-lo sem possibilidade de agir. Queria que ele sentisse tanta vontade de tê-la, mas não pudesse fazer aquilo imediatamente. Queria deixá-lo enlouquecido o suficiente para que fossem embora e começassem a aproveitar a noite sozinhos, da forma que mais gostavam de fazer. Seguiu equilibrando-se sobre os saltos e sentiu os olhos de sobre si quando parou ao lado do irmão e o abraçou, encostando a cabeça em seu ombro.
– Você está fedendo álcool. – Sergio reclamou, mas a abraçou pela cintura.
– Eu gostava mais quando você me tratava como sua irmãzinha que você ama mais do que tudo na vida. Agora você briga e implica comigo por tudo. – fingiu um tom sentido e, percebendo que ainda a observava, usou a mão para subir um pouco o vestido e fingiu coçar a perna. Movimento que foi devidamente acompanhado pelos olhos de , que logo encontraram os dela e ela piscou.
– Eu te amo muito, você sabe, mas você está fedendo álcool.
– Eu estava bebendo, talvez seja por isso. – falou em tom óbvio, dando de ombros em seguida e soltou-se do abraço, parando de frente para o irmão e ajeitou a gola da camisa que ele vestia. – Cadê a Pilar?
– Não quis vir, disse que estava com dor de cabeça e enjoo. Onde você estava?
– Na cozinha, jogando beerpong e depois joguei “eu nunca”.
! – os três ouviram um coro de vozes femininas e virou-se muito rápido, sentindo-se um pouco zonza, e voltou a olhá-la sem disfarce e sem pudor. – Vem dançar!
– Vocês vão ter que me ensinar essa. – falou animada e virou o rosto para olhar o irmão. – Para com isso.
– Eu não falei nada. – Sergio se defendeu.
– Mas eu sei ler sua mente. – falou rindo e o abraçou, dando um beijo demorado em seu rosto. – Te amo, hermanito.
– Deus me livre de você bêbada, . – Sergio falou e saiu de perto de e de , que ainda não tinha saído com o grupo de mulheres que a esperava.
– Você vai ficar me olhando torto mesmo? – ela perguntou a .
! – as mulheres chamaram de novo.
– Eu já alcanço vocês. – falou e as mulheres se afastaram. – Vai?
– Você vai ficar por aí beijando outros?
– Eu podia estar te beijando nesse exato momento, como eu disse que queria muito, se você não estivesse fazendo jogo duro comigo, .
– Eu não estou fazendo jogo duro com você, .
– Ah, você está sim, . Só que tem um pequeno detalhe, – começou a falar e se aproximou para terminar a frase no ouvido de , lhe deu um beijo no pescoço e mordeu o lóbulo de leve, escorregando a mão pelo tronco até lhe tocar sobre a calça. – eu também sei jogar. E eu nunca perco.
– Filha da p… – começou a falar, mas lhe deu as costas, deixando para ele apenas a missão de observá-la caminhar provocante até o grupo de mulheres, que se preparava para começar a dançar.

🤍⚽️ 🤍
finalmente estava muito bêbada.
Bêbada de riso frouxo, enturmando com as pessoas mais fácil que o habitual e bem mais predisposta a dançar. Depois de provocar , ela já tinha bebido outras tantas cervejas e tequilas que tinha perdido a conta – não que estivesse mesmo contando –, dançou com e Dani Carvajal, além de dançar com Nyan e de os dois terem sumido por um bom tempo antes que ela retornasse para o interior da casa e evitasse que acabassem transando no jardim da casa e ela acabasse em algum site pornográfico.
Em algum momento depois de tudo isso, ela tinha conhecido uma brasileira, que não sabia quem era ou o motivo de estar ali, que a estava ensinando alguns passos, ao som de batidas bem diferentes das de reggaeton. Descoordenada, aprendeu poucas coisas e logo estava dançando ao lado de algumas pessoas de quem não lembrava se realmente conhecia e rebolando ao som de uma música que ela não entendia nada do que era cantado, mas a batida era boa demais para ser ignorada e como tinha conseguido aprender alguns movimentos, queria colocar em prática.
estava mais bêbado do que , porque tinha passado a maior parte do tempo naquela festa apenas bebendo, observava de longe os movimentos do corpo de , naquele vestido que a deixava ainda mais desejável, rebolando daquele jeito que o deixava louco para que ela estivesse rebolando daquela forma nele. Parecendo sentir o olhar de sobre si, virou-se em sua direção e mordeu o próprio lábio, antes de voltar a dançar de forma provocante e bastante convidativa. Convite que ele não poderia aceitar naquele momento. Ela realmente sabia jogar e estava jogando com ele. E sairia vencedora.
já tinha beijado outra das amigas de Dani Carvajal quando voltou a sumir pela festa, ele sabia que ela estava em algum canto com o mesmo cara de antes e que tinha descoberto ser um primo do anfitrião e que e ele sempre ficavam nessas festas, às vezes até fora de lá. Mas, sabia que poderia beijar todas as mulheres que estavam naquela casa – e seria um número considerável de bocas beijadas –, e não adiantaria nada, já que a mulher que queria beijar, estava ocupada provocando-o e o fazendo ter pensamentos impuros que começavam a lhe causar certo desconforto.
A casa estava cheia de desconhecidos e de conhecidos, aquilo seria um problema enorme para que pudesse, finalmente, beijar . O irmão dela estava ali, não podiam arriscar. Já tinham experimentado o gosto de quase serem pegos por Sergio Ramos poucos dias antes e se não fosse louca o suficiente, os dois estariam a sete palmos do chão naquele momento e não em uma festa trocando provocações baratas.
colocou as mãos nos joelhos e rebolou, tinha os olhos fixos em enquanto dançava provocativa e piscou para ele, mordendo o próprio lábio. Ela já tinha testado a resistência de o suficiente com aquele toque e depois com gestos, palavras e danças. Ele tinha chegado ao seu limite. E quando voltou a rebolar, dessa vez de costas, para contemplar os movimentos que ela fazia, ele teve certeza que precisavam transar.
Naquele momento.
E não importava se Sergio e os companheiros de time estivessem ali (junto com o que parecia ser toda a cidade!) e que os dois pudessem ser pegos por qualquer uma das pessoas presentes naquele lugar. Eles simplesmente precisavam transar. Ou ele ia enlouquecer antes de conseguir ir pra casa.
Quando se virou para olhá-lo, maneou a cabeça na direção do corredor, gesto que a fez abrir um sorriso quase provocativo. Tinha vencido e sabia disso. Ela terminou de dançar a música, enquanto observava se esquivar de pessoas e seguir para o local indicado.

– Vou buscar alguma coisa pra beber e já volto. – falou para ninguém específico e saiu caminhando depressa.
Não sabia se o irmão ainda estava na festa, na realidade, nem sabia que horas eram. Seu celular estava em casa e ela estava apenas se divertindo, dançando e bebendo. E ignorando o fato de que teria uma ressaca e tanto no dia seguinte.
Quando, finalmente, conseguiu alcançar o corredor indicado por e o viu encostado na parede, com uma cerveja em mãos, foi interrompida no meio de sua caminhada.
– Finalmente eu te encontrei. – ouviu uma voz masculina e não sabia se agradecia aos céus por ser Sergio e não Nyan, ou se xingava um palavrão.
– Eu estava dançando visivelmente no meio da sala. – falou em tom óbvio, e o irmão franziu o cenho, a virando para si e observou atentamente a mais nova.
– Você está muito bêbada.
– Felizmente, sim. O que você quer comigo?
– Queria te encontrar e saber se você está viva. – falou e rolou os olhos.
– Viva e inteira. – falou, abrindo os braços e Sergio rolou os olhos.
– Magia! – Sergio falou e deu um sorriso para o amigo.
– Agora que você tem companhia do seu amiguinho, eu vou me retirar, beber e dançar mais.
falou ácida, quase brava, virando-se para sair do corredor, deixando Sergio com . Sergio era o dono do troféu “Maior Empata Foda do ano” e aquela semana era a prova disso. começava a acreditar que o irmão realmente sentia seu cheiro e a seguia, parecia ser a única explicação para que ele sempre aparecesse nos locais em que ela estava e prestes a fazer algo que queria muito. Ela seguiu até a cozinha, em busca de algo para refrescar o calor que sentia e pegou uma garrafa de cerveja na geladeira.
– Você quer mesmo me dar prejuízo. – a voz era de Dani Carvajal, já bastante bêbado.
– Vivo por isso. – sorriu, abrindo a garrafa e tomando um gole grande para matar a sede. – Dani, preciso te pedir um favor e você tem que aceitar, porque é a única pessoa que pode fazer isso por mim.
– Eu tô muito bêbado, muito mesmo, mas quem eu tenho que matar? – perguntou bem-humorado, tomando um gole da própria cerveja.
– Não matar, porque eu amo muito meu irmão, ele tem uma família linda pra cuidar e um time pra capitanear, eu só preciso que você o tire da minha cola.
– O que você está planejando fazer? – Carvajal perguntou dando uma risada.
– Você não precisa dos detalhes, Daniel, só o faça esquecer que eu existo e estou aqui.
– Sexo, entendi. – Carvajal falou e deu um sorriso. – Cadê ele?
– Acabei de deixá-lo no corredor do banheiro que vai pro outro lado da casa, porque eu ia fazer outra coisa e ele apareceu, me procurando. – mentiu e Carvajal assentiu.
– Posso tentar, mas não garanto nada, você sabe como ele é quando cisma com alguma coisa.
– Ele é ariano, claro que ele é assim. – riu.
– Não faço ideia do que isso significa. – Dani deu de ombros, mas ria.
– Eu só quero conseguir beijar na boca em paz, ele está empatando minha vida.
– Nyan?
– Também.
– Vou tentar dar um jeito dele te deixar sossegada, mas não posso garantir que vai dar certo. Tem camisinha em todos os cantos dessa casa, então use. Não precisamos de mais crianças Ramos nesse mundo por enquanto. Principalmente se essa criança for sua.
– Eu não vou transar.
– E eu não vou ludibriar meu capitão pra te ajudar. – Carvajal debochou rindo e saiu de perto de , que terminou sua cerveja com tranquilidade e iniciou outra, sabia que demoraria um tempo até que pudesse ir ao encontro de .
– Você está fugindo de mim. – a voz de Nyan veio acompanhada da presença dele, se encostando ao seu lado na ilha da cozinha.
– Eu não estou fugindo de você, eu estou fugindo do meu irmão. – contou uma meia verdade.
– Sei… – Nyan falou e deu um sorriso.
não deu chance para que ele voltasse a falar, apenas o puxou para um beijo. Enfiou os dedos da mão livre nos cabelos dele e Nyan se virou, ficando em frente ao corpo dela para prendê-la contra a ilha da cozinha. Uma das mãos de Nyan lhe apertaram a bunda e lhe mordeu o lábio em resposta. Nyan era ótimo de cama e de beijo, mas, naquele momento, queria beijo e sexo com outra pessoa.
Nyan ergueu uma das pernas de e a mão escorregou pela parte externa da coxa, por baixo do tecido do vestido e a apertou diretamente, fazendo soltar um ofego enquanto ainda o beijava.
Os dedos de Nyan a acariciaram na coxa, trilhando o caminho até a parte interna, e depois sobre o tecido da calcinha, fazendo arfar pesado. Estavam expostos demais, mas não havia um ser humano sóbrio o suficiente para reparar no que estava acontecendo ali, no meio da cozinha. Nyan brincou com seus dedos sobre o tecido da calcinha dela, antes de afastá-lo para tocar diretamente, sem muita cerimônia e pressa, deslizando o indicador por toda a extensão de e ela soltou um resmungo baixo quando separou os lábios dos dele.
– Nyan… – gemeu baixinho em seu ouvido, o que pareceu dar a ele uma motivação a mais para aquilo.
O polegar pressionou levemente o clitóris de , movimentando-se vagarosamente sobre a área, fazendo com que ela voltasse a soltar gemidos baixos, mordiscando o lóbulo dele, enquanto sentia os movimentos lentos e propositalmente arrastados.
Da forma como conseguiu, ele inseriu dois dedos nela, fazendo-a soltar um gemido um pouco mais alto, mas totalmente abafado pela música alta. Nyan era bom com as mãos, sabia muito bem. Seus dedos eram ágeis e ela podia sentir que teria um orgasmo no meio da cozinha da casa de Dani Carvajal. Ele lhe deu uma mordida leve no lábio inferior, aumentando a intensidade com a qual movimentava seus dedos dentro dela.
É, ela ia mesmo gozar em público.
– A gente podia passar da fase dos beijinhos e provocações, . Tem tempo que a gente não transa, estou sentindo falta das nossas fodas. – Nyan falou baixo, ainda com os dedos na intimidade de , agora parados e ela sentiu vontade de gritar para que ele terminasse o que tinha começado. Tinha que transar naquele momento. Mas não com ele. Então tinha de se livrar de Nyan também.
– Dá um jeito de subir e me esperar lá em cima. Sergio está feito cão de caça, vou tentar dar um perdido nele e te encontrar. Mas não garanto nada. – falou e Nyan deu um sorriso satisfeito, antes de beijá-la rapidamente e se afastar para sair da cozinha.
No timing perfeito, viu Carvajal conversando com Sergio e , saindo pelo corredor de volta ao ambiente da festa, terminou de beber sua garrafa de cerveja em goles apressados e saiu da cozinha para que se fizesse visível e pudesse, finalmente, beijar aquele a quem ela queria beijar desde que tinha acordado naquele dia. Nyan que a perdoasse por aquele bolo, mas era necessário. Pensaria numa desculpa depois, mas, naquele momento, ela só pensava em .
Dani Carvajal estava entretendo Sergio Ramos com um assunto qualquer, e , que parecia ter percebido o que o amigo estava fazendo e mentalmente o agradecia, ainda que não soubesse se Dani estava fazendo aquilo propositalmente ou não, e deixou que se distanciassem o suficiente para que ele pudesse desaparecer sem ser visto.
viu passando entre as pessoas e refez o caminho que tinha acabado de fazer acompanhado dos dois amigos. Mal encostou-se na parede e adentrou o corredor, agora, de forma lenta e absurdamente sensual naquele maldito vestido que vinha pensando em arrancar há horas. Ela parou bem a sua frente, cruzou os braços e deu um sorriso vencedor.
se aproximou o suficiente para que seus corpos quase se tocassem, não desfez o contato visual, tampouco o sorriso vencedor saiu de seus lábios. a puxou para que realmente se encostassem, achando que se assustaria ou tentaria desfazer o contato por medo do irmão ou de alguém aparecer, mas isso não aconteceu. Ao contrário, ela aproximou mais ainda o quadril do dele e aumentou seu sorriso ao senti-lo duro contra si.
– Você trouxe a festa pra cá. – falou sorrindo e , sem nenhum pudor, escorregou as mãos para as nádegas dela e as apertou.
– Eu podia falar que não quero te beijar, porque você já andou beijando outras bocas hoje, mas eu estaria mentindo. E eu estou louco pra arrancar esse seu vestido, .
– E eu estou louca que você arranque meu vestido e use essa sua boca maravilhosa para outras coisas que não envolvam falar tanto, . – respondeu com os lábios bem perto dos de e ele deu um sorriso cheio de malícia, soltando-a para que pudesse abrir a porta do banheiro ao lado.
Não demoraram a entrar no recinto e trancou a porta atrás de si, antes de colocar sobre a pia e avançar sobre seus lábios sem nenhum pudor. Queria beijá-la interminavelmente. Incansavelmente. Eternamente. Os dedos de passeavam pela nuca , enquanto as mãos dele apertavam suas coxas livres do vestido, que tinha sido erguido até a altura da cintura e ela nem mesmo tinha percebido.
abandonou os lábios de para que pudesse lhe beijar o pescoço, do jeito que ele sabia que ela gostava e da forma como ansiava fazer desde que tinha acordado naquele dia. E conseguiu arrancar dela um suspiro pesado, além de sentir a pele se eriçando sob o toque molhado e demorado de seus lábios. O vestido foi erguido sem esforço e os lábios dele só pararam de beijar-lhe o pescoço, para que a peça fosse totalmente tirada e abandonada no chão. A camisa e a calça dele tiveram a mesma destinação antes que ele parasse para observar o corpo seminu de . Ele adorava cada milímetro daquele corpo, da forma mais desejosa e intensa possível.
Ela o envolveu com as pernas pela cintura, para que se aproximassem e voltou a beijá-lo de forma luxuriosa. Queria voltar a sentir o gosto de cerveja da boca dele na sua própria, matar a vontade de que tinha sentido o dia inteiro e que tinha se intensificado durante a noite.
– Gostei do sutiã. – falou, observando . – Mas prefiro sem.
As mãos dele foram ágeis para arrancar dela o sutiã e deixa-lo pelo chão. mordeu seu lábio com força e soltou um gemido de dor. Seus lábios voltaram ao pescoço dela e, sem muita demora, ele os desceu pelo ombro e inclinou o corpo de , para trás, fazendo com que ela se encostasse à parede e lhe desse livre acesso aos seios.
soltou um gemido sofrido quando a barba de roçou em sua pele e seus lábios logo estavam ocupados em sugar bem vagarosamente cada pedaço de pele acessível, deslizando sua língua pelos mamilos dela antes de mordiscar de leve e fazê-la gemer um pouco mais alto que o recomendado. E, para evitar que acabasse fazendo mais barulho, levou um dedo até a própria boca e o mordeu com força, sentindo a mão de brincando de forma perigosa pela parte interna de suas coxas, enquanto seus lábios ocupavam-se em sugar seus seios.

– Como você venceu nosso joguinho, merece o prêmio. – falou, erguendo o olhar e sentiu que podia ter um orgasmo só pela forma que a olhou. – E já que você acha que eu uso minha boca melhor de outras formas do que falando, é ela que vai dar o prêmio.

não respondeu, apenas deixou que ele saísse do meio de suas pernas e o ajudou a tirar a calcinha que usava e que também foi dispensada sem muita cerimônia. se ajoelhou para que pudesse ter acesso total e completo à intimidade de . Mas, antes, ele deixou sua boca percorrer as coxas nuas dela sem pressa, roçando sua barba pela pele exposta e resmungou de forma sofrida, sentindo passar a língua de forma lenta pelos grandes lábios, antes de, realmente, começar a chupá-la.
tentava conter os gemidos mais altos enquanto percorria toda sua extensão com a língua, em movimentos precisos e bem coordenados. Ele chupou seu clitóris inchado e soltou um gritinho, tampando a boca em seguida, sentindo a língua de tocá-la com uma precisão invejável. Ela acariciava os próprios seios com as mãos, enquanto movimentava o quadril contra o rosto de , para que ele pudesse ir mais rápido. E, percebendo, resolveu usar os dedos, inserindo o indicador e o médio em e voltou a lhe sugar o clitóris.
também estava desesperado para que logo seu pênis estivesse ocupado o lugar de seus dedos, que se moviam numa lentidão torturante para ambos. sentiu seu corpo amolecer, ainda sob o toque preciso da língua de e ele adorava quando podia sentir o gosto dela e saber que tinha sido ele o responsável por um orgasmo verdadeiro dela. mordeu de leve o interior da coxa de , antes de beijá-la da barriga até o queixo, aproximando a intimidade dela de sua ereção e ela gemeu ao senti-lo tão perto.

– Como sou muito boazinha, vou deixar você ganhar um prêmio também. – falou, depois de recobrar a sanidade, deslizando o indicador pelo peito nu de e ele sentiu sua pele se arrepiar sob o toque dela.
– E o que eu ganho?
– Hoje, você escolhe como vai me comer. – ela sorriu sacana e ele soltou um gemido sofrido ao senti-la se apertando mais contra si e falando ao seu ouvido com a voz arrastada. – Pensa direitinho.
, isso não se faz… – resmungou, quando sentiu que ela lhe tirava a cueca com ajuda dos saltos. Nunca tinha imaginado que aquilo podia acontecer na vida real, mas estava acontecendo.
No exterior do banheiro a música continuava alta e as pessoas que estavam ali não deviam fazer ideia do que acontecia naquele banheiro. Talvez até fizessem, mas não imaginavam que os dois estavam ali, escondidos dos conhecidos e dos olhares dos desconhecidos. E eles agradeciam pelo barulho alto ecoando por toda casa, porque eles estavam fazendo barulho. Bastante barulho.
não respondeu, apenas tomou os lábios dele nos seus em um beijo lento, que fez com que perdesse o resto de sanidade que tinha tentado manter. E os dedos dela envolvendo seu membro e se movimentando lentamente, era ainda pior para a concentração. Quando ele tentou fazer o beijo se intensificar, ela não permitiu. era um teste para sua sanidade, estava totalmente convencido disso.
– Você passou a noite me olhando, , seus olhos berrando que você queria fazer, até mesmo falou o que queria e como queria, mas até agora você não fez nada… – provocou, soltando as palavras em seu ouvido e resmungou atordoado.
… – falou atordoado e ela o olhou com o olhar mais cínico que conseguiu, tombando a cabeça de lado e ainda mantendo as mãos se movimentando de forma lenta e torturante.
– Vai , fala pra mim, como você quer me comer? – perguntou num tom inocente e soltou um resmungo sofrido ao sentir o polegar de acariciar sua glande sem pressa e com a exata pressão para fazê-lo enlouquecer.
– De costas. Em pé. Porta. – soltou as palavras, não tinha condições de elaborar uma frase, e desceu da pia, encostando-se na porta, de costas para ele, inclinando-se um pouco para trás para que ele pudesse penetrá-la sem problemas.
– Onde tem camisinha nessa merda de banheiro? – perguntou quase desesperado.
– Na segunda gaveta do armário tem uma caixinha e tem várias dentro, são as melhores.
apontou, virando-se para olhá-lo e não demorou a abrir o armário no local indicado, encontrando as camisinhas exatamente onde falou. Não queria saber o motivo dela saber tão precisamente o local em que as camisinhas ficavam, apenas queria transar com aquela mulher que o estava enlouquecendo.
Abriu a embalagem de uma delas e não demorou a colocá-la e se aproximar de , escorregando suas mãos por suas costas nuas, antes de lhe apertar a bunda com força e voltar uma das mãos à nuca de . Ele roçou seu membro na entrada e gemeu, encostando o rosto na porta e sentindo a mão de a segurando daquela forma. Raramente gostava de ser tão submissa, mas vê-lo assumir aquela postura, daquele jeito… era arrebatador e totalmente excitante. Ela podia sentir como sua intimidade pulsava de desejo para que ele a fodesse como se não houvesse amanhã e da forma como bem quisesse.
Sem muita demora, estava dentro de , que gemeu alto, sentindo entrar e sair com uma lentidão exagerada, ainda a segurando contra a porta. tinha acesso completo, conseguindo se colocar inteiro dentro de , que gemia sofrida pela lentidão exagerada que ele impunha aos movimentos. Se o objetivo era enlouquecê-la, ele estava conseguindo perfeitamente bem.
Os gemidos eram abafados unicamente pela música alta, porque os dois estavam pouco preocupados com a altura dos ruídos emitidos e nem mesmo pensavam na possibilidade de alguém estar do lado de fora ouvindo tudo. mordeu de leve o ombro de e ela mordeu o próprio lábio, sentindo começar a se mover com rapidez e mais força, entrando totalmente dentro dela.
Ele aproximou mais o corpo do de , até que as costas dela se encostassem totalmente em seu abdome e tratou de usar a mão livre para estimular o clitóris, o massageando com a pressão correta e que fazia querer mais e mais. Os lábios dele deixavam beijos em seus ombros, de forma pesada e que pudessem abafar pelo menos um pouco os gemidos que ele não conseguia controlar. saiu de e a virou de frente para si, para que pudessem se beijar. apertou a bunda de e ele gemeu ao sentir as unhas dela o apertando.
– Eu quero que você rebole em mim igual estava rebolando enquanto dançava, . – pediu desesperado.
– Eu não consigo fazer isso em pé hoje, mas podemos tentar isso quando estivermos sóbrios. Agora você vai ter que pensar em outro jeito.
– Num banheiro não há muitas opções. – ele falou, beijando o pescoço de , que soltou um gemido quase mimado ao sentir os lábios dele em sua pele.
– Já que você não consegue pensar em uma boa posição por aqui, eu tive uma ideia.
falou e empurrou para que se sentasse sobre a tampa fechada do vaso sanitário e sentou-se sobre o membro dele de uma vez, ambos gemeram alto pelo ato e começou a rebolar bem devagar, contraindo-se e observando tombar a cabeça, sentindo os movimentos de .
Começou lentamente, mas logo estava fazendo os movimentos de forma mais rápida, rebolando e depois movimentando-se para cima e para baixo com mais rapidez e deixando que se enterrasse inteiro nela. Os lábios estavam novamente juntos, em busca de abafarem os gemidos mais altos que escapavam de seus lábios.
Logo resolveu tomar as rédeas da situação, de novo, e voltou a diminuir a velocidade dos movimentos, rebolando tão devagar que o grunhido de quase se sobrepôs à música que tocava naquele momento.
– As pessoas não precisam saber que estamos transando, . – falou em tom debochado.
– Eu não estaria fazendo tanto barulho se você não ficasse me torturando! – resmungou e riu, ainda movimentando-se vagarosamente sobre o corpo de .
As mãos de , agora, estavam espalmadas em sua bunda, tentando fazer o contato entre eles aumentar, como se fosse possível ir mais fundo do que já estava. também não aguentava mais toda aquela ladainha de se provocarem, de ir devagar e testar limites. Ela estava testando os próprios e não passaria naquele teste.
– Eu quero gozar, . Faz daquele jeito que eu gosto. Do jeito que só você sabe. – pediu, soprando as palavras em seu ouvido num gemido quase manhoso, e isso fez se acender mais.
Saber que era o único que sabia fazê-la chegar àquele ponto da forma como ela gostava, era a melhor coisa que podia ouvir naquele momento. continuou dentro dela, agora comandando os movimentos com mais avidez e passou a língua pelo mamilo rígido de , enquanto usava a outra mão para tocar-lhe o clitóris em movimentos circulares precisos e lentos que a deixaram um tanto desnorteada. contraiu-se contra e soltou um gemido pesado e alto, anunciando que tinha gozado e chegou logo em seguida ao seu próprio clímax, quando gemeu seu nome em seu ouvido e lhe arranhou a nuca.
– Só eu sei fazer, é? – ele perguntou, ainda ofegante, e beijou o ombro de , que estava quase debruçada sobre ele.
– Vai ficar convencido? – ela perguntou num ronronar preguiçoso, lhe beijando o pescoço.
– Não. Isso só mostra que você é mesmo boazinha, porque ganha o joguinho e me dá o prêmio.
– Quero ir embora.
– Pra sua ou pra minha?
– Pra minha, se Sergio me procurar mais tarde será menos catastrófico do que aquela vez. E eu quero continuar usando esse seu corpinho até a hora em que você tiver que voltar para Valdebebas, na segunda-feira.
– Por mim tudo bem. Eu quero te ouvir gemer meu nome em alto e bom som, pedindo por mais e do jeito que só eu sei fazer.
– Então guarde saliva e língua pra usar o resto do fim de semana, estamos sumidos há tempo demais e temos que sair daqui sem que nos vejam ou que desconfiem que estamos juntos. – falou se colocando de pé e juntando as peças de roupa enquanto se vestia e depois tentava dar um jeito na própria maquiagem.
– Você é muito gostosa. – falou, enquanto tirava a camisinha e a enrolava para jogar fora.
– Eu sei. – falou quase convencida, limpando os olhos borrados.
– E como faremos agora?
– Eu saio, procuro pra fingir que vamos embora juntos, despisto e vou embora sem me despedir, invento uma desculpa barata pro Sergio depois, porque ai você pode se despedir deles sem que pareça estranho.
– Você vai estragar a noite dele com a loira? – perguntou enquanto vestia a calça.
– Ah é. Bom, isso não interessa de verdade, farei o resto e nós nos encontramos na minha casa em… meia hora. – falou, virando-se para lhe dar um selinho.
abriu uma fresta da porta e viu que o corredor estava livre, saiu rápido e fechou a porta, deixando para trás. Ela viu o irmão conversando com Dani Carvajal de longe e saiu sem se despedir, em casa mandaria uma mensagem e diria que estava cansada ou qualquer coisa do tipo e que não quis procurar por ninguém naquele lugar lotado.
E ainda tinha que mandar uma mensagem para Nyan, justificando seu sumiço. Pensaria nisso a caminho de casa. Ou quando chegasse por lá.
Não demorou a conseguir um taxi e ir embora. O caminho foi rápido e quando conseguiu, finalmente, entrar em seu apartamento, a primeira coisa que fez foi se livrar da roupa suada, tomou um bom banho e pegou o celular que tinha ficado em casa, conferindo as mensagens recebidas, respondeu algumas, avisou ao irmão que tinha ido embora sem se despedir, porque estava com muito sono e tinha ficado com preguiça de procurá-lo pela festa, mas que tinha chegado em casa e estava bem e se preparando para dormir. Deixaria Nyan para depois.

Dani: Foi embora sem me agradecer pessoalmente pela ajuda?
Que falta de educação…
: Danizinho, vou te agradecer pessoalmente depois
Você foi ótimo, te devo uma.
Dani: Talvez eu cobre. E você tá ferrada.

não demorou muito a aparecer e também foi tomar um banho e, ainda bem, tinha deixado uma cueca por ali e poderia usá-la para dormir. estava deitada em sua cama, quase dormindo, e ele deitou-se trazendo o corpo dela para mais perto e se aninhou em seu abraço.

– Eu queria muito que a gente transasse mais antes de dormir, mas eu estou cansada em níveis alarmantes. – soltou num muxoxo e deu uma risadinha.
– A nossa noite foi muito boa. Quer dizer, na parte em que estivemos juntos, porque fora isso não me pareceu nada bom. – resmungou.
– Você beijou duas gatas, não reclama. Bom, três, se contarmos comigo.
– É, mas eu preferia ter beijado só você e que você só tivesse me beijado.
– Você fala muito e faz pouco. – soltou no último resmungo antes de cair no sono.
Mas sua frase ainda deixou pensando por um bom tempo no que aquilo significava e se era mesmo aquilo que ele estava pensando.

¡Viva la madre que te parió!: é uma referência a uma faixa que a torcida do Real tem pro Sergio Ramos. Significa “Viva a mãe que te pariu, Sergio!” (ou “bendita seja a mãe que te pariu, Sergio!”

Capítulo 09 – Dame um señal…

…para perder el miedo. (Bailame Despacio – Xantos)
– E de quem o meu time vai ganhar hoje? – apareceu ao final do treino e Sergio rolou os olhos enquanto Modrić, Lucas e Nacho comemoraram.
– O que você está fazendo aqui? – Sergio perguntou. – Pode ir embora, os times estão completos.
– Meu amigo Lucas Vázquez me convidou. – respondeu em tom petulante e Sergio bufou. – E se você não sabe contar, hermanito, vocês estão em quinze. Isso não dá dois times iguais.
– Eu não disse iguais, eu disse completos.
– E dá na mesma, fofinho. – sorriu debochada.
– Pode ir embora. – Sergio Ramos repetiu sério.
– Você está com medo de perder pra mim de novo? – voltou a debochar e os presentes riram.
Sergio fez a feição mais ameaçadora que conseguiu e os risos cessaram. É, ele realmente preferia o que Maquiavel ensinou em “O Príncipe”: era melhor ser temido do que amado.
– Nosso time é o do grupo combinado? – Lucas se pronunciou e ela assentiu.
– E o nosso colete é o azul. – falou e pegou um dos coletes.

Usava a camisa com o número 14 e o nome “Casemiro” estampado nas costas e logo Keylor Navas, Nacho, Varane, , Luka Modrić, Lucas Vázquez, Marco Asensio e Dani Ceballos estavam usando o colete azul e se preparavam para enfrentar o time adversário, que usava o colete laranja: Kiko Casilla, Sergio Ramos, Achraf Hakimi, Marcelo, Mateo Kovačić, Toni Kroos, Karim Benzema e .
O treinamento tinha sido intenso antes de permitirem que os familiares entrassem, mas aquele jogo já tinha sido combinado anteriormente e não seria cancelado pelo cansaço dos jogadores pós-treino. Pelo menos o time de já sabia o que aconteceria e estava preparado.

– E qual a estratégia de jogo, capi? – Lucas perguntou e deu um sorriso.
– Ganhar, Luqui. A estratégia sempre é ganhar.
– Não consigo entender o motivo da felicidade de vocês por tê-la no time. – Toni Kroos se pronunciou.
– Logo você vai descobrir, pode ficar tranquilo. – Nacho falou rindo.
– Quem começa com a bola? – perguntou e olhou para .
– Podem começar, bom que vão se acostumando, já que vão fazer isso outras quatro vezes antes desse jogo acabar. – sorriu debochada e piscou para o irmão.
Sergio pegou a bola e colocou no meio do campo, iniciando a troca de passes com Toni. passou por ela e sorriu de lado.
– Vou pegar leve com você aqui.
– Eu duvido bastante que você consiga jogar, Magia. – respondeu dando um sorriso e cortou o lançamento de Marcelo para , saindo de perto com a bola e a tocou para Modrić, voltando logo em seguida. – Eu não gosto de muita conversa, prefiro quando jogam bola.

Apesar de Toni e Mateo terem tirado o pé em duas divididas com , o jogo era levado bastante a sério. Nem mesmo Sergio teve pena, fez duas faltas duras na irmã e se comportava como num jogo oficial, não apenas um rachão sem nenhuma importância ou validade. E ficou bravo ainda quando viu a irmã fazer o primeiro, no maior estilo Casemiro de fazer gols: um belo chute de fora da área; e sair comemorando com o time de colete azul. Sergio xingou meia dúzia de palavrões enquanto observava os rivais comemorarem animados o gol que os dava vantagem no placar.
O segundo gol do time de azul veio dos pés de Marco Asensio, depois de uma bela jogada que começou com tomando a bola de da forma mais limpa que ele já tinha visto em todos aqueles anos jogando futebol. O time de laranja descontou com Toni Kroos e isso os fez aumentar a intensidade dos ataques, mas não adiantou, porque Dani Ceballos marcou logo em seguida e Sergio Ramos estava prestes a bater em alguém.
mal deixou encostar na bola e ele estava ficando incomodado com aquilo, pois ela lhe tomava a bola sem fazer falta, de forma totalmente limpa. tentava sair de sua marcação, mas acaba marcado por Varane e anulado quase totalmente. O time azul marcou outra vez, agora com Lucas Vázquéz após uma belíssima assistência de Luka Modrić. Quatro a um. O time laranja descontou com Sergio Ramos e ele passou olhando sério para a irmã, que reprimiu a vontade de rir.
Lucas e Marco deram a saída, mas perderam a bola para Mateo antes de conseguirem avançar e ele correu na direção de . Ela o olhou desafiadora e fez um sinal com as mãos, chamando para que ele tentasse passar, fazendo o croata sorrir de lado. Encararia a marcação e não tiraria o pé daquela vez. Ela tinha conseguido provocá-lo e ele perderia a bola, todos pareciam saber disso, menos ele. Quando Mateo tentou passar, lhe tomou a bola e saiu livre, ouvindo-o falar algo que ela não entendeu.
Sergio berrou para Achraf marcá-la e quando o rapaz se aproximou, lhe deu um drible, passando a bola entre suas pernas e apenas ouviu as zoações dos outros ficando atrás de si. Sergio se lançou num carrinho que visava a bola, mas conseguiu desviar e estava cara-a-cara com Kiko, que foi fechar o lance, mas acabou encoberto.
A bola quicou duas vezes antes de morrer dentro do gol. Cinco a dois. Sergio estava bravo e saiu correndo para comemorar com o próprio time.

Verdammte Scheiße. – Toni xingou e deu uma gargalhada. – Você entendeu?
– Morei dois meses em Munique e aprendi poucas coisas em alemão nesse tempo. E foram palavrões.
– O que ele disse? – Lucas perguntou.
– Não te interessa. – Toni falou rápido e riu.
– E cadê a foto do time vencedor? – Nacho perguntou.
O fotógrafo tirou a habitual foto dos treinos quando um dos times vence. estava de pé no meio, braços cruzados e pose marrenta de sempre. Lucas, Nacho e Modrić faziam continência, Marco estava abraçado pelos ombros com Varane e Ceballos, Keylor Navas estava sorrindo ao lado deles.
– Tudo normal em Valdebebas. – provocou o irmão. A foto foi postada mais tarde com aquela mesma legenda.
– Vou proibir sua entrada aqui. – Sergio disse sério e o abraçou, não sendo abraçada de volta.
Hau ab Du Arschloch. falou e foi a vez de Toni gargalhar.
– O que você disse? – Sergio perguntou sério.
– Eu não falei nada. – respondeu segurando-se para não rir e Sergio olhou ameaçadoramente para o único alemão do time.
– Não me olha assim, capi. – Toni falou, erguendo as mãos. – O que é falado em alemão, em alemão permanece.
– Gostei. – sorriu.
– Eu vou te proibir de chegar perto do Bernabéu e de Valdebebas pra sempre. – Sergio falou sério olhando para a irmã.
– Você não manda nem na sua casa, fica calado. – implicou.
, então você ficou dois meses na Alemanha e só aprendeu a falar os palavrões? – Lucas perguntou rindo e ela assentiu.
– Aprendi em italiano também. Luka e Mateo podem me ensinar uns em croata.
– Sem mais palavrões pra você. – Sergio disse sério.
– Não fica bravinho, mi amor. Prometo que na próxima eu pego leve e deixo o jogo durar mais de vinte minutos. – provocou, apertando as bochechas do irmão.
– Você, – Sergio disse bravo e apontou pra Lucas, que estava rindo da cara que o capitão fazia. – leva isso embora, porque a culpa é toda sua dela estar aqui.
– Eu vim no meu próprio carro, lindinho. – sorriu debochada. – E temos que conversar, então você vai me levar pra almoçar e resolveremos essa parte.
– Eu me recuso.
– Tenho quatorze testemunhas e a partir desse momento você não vai saber o que eu ia falar. – deu de ombros, na intenção de provocar o lado curioso do irmão. – Time, vocês são ótimos, jogam muito, são maravilhosos e espero que continuemos invictos. Já são quantos?
– Sete a um é o placar. – Lucas deu um sorriso provocando os colegas.
– Eu não gostei do sorriso. – Marcelo se pronunciou e riu.
– No próximo jogo, eu quero ser do seu time. – Achraf pediu e riu, assentindo positivamente.
– Nunca deixem meu irmão esquecer que ele só ganhou um jogo contra mim de oito disputados, por favor. – sorriu e o irmão lhe mostrou o dedo do meio, fazendo todos os que estavam próximos gargalharem. – Agora eu vou embora. Beijos pra todos vocês.
– Eu estou arrependido de não ter implorado pra ser do time azul. – Toni Kroos falou em tom sentido.
– Na próxima você pode vir pro meu time, Toni. – falou e o alemão sorriu animado. Ela acenou em despedida e começou a caminhar para fora do campo, enquanto as crianças que estavam ali começavam a correr por todos os lados.
– O que você quer falar comigo? – Sergio perguntou enquanto caminhavam para fora do campo, mas tinham destinos diferentes: ela para o estacionamento e ele para o vestiário. passou um dos braços pela cintura do irmão e ele a abraçou pelos ombros.
– Você se recusou, perdeu a chance. – provocou, dando um sorriso, e Sergio rolou os olhos. – Eu só quero saber se vamos fazer alguma coisa no aniversário da nossa mãe, porque já está chegando. Pensei de fazermos uma festinha surpresa pra ela. O que acha?
– Podemos pensar. – Sergio passou as mãos pelos cabelos suados. – Passa lá em casa pra combinarmos isso. A Pilar é melhor que eu pra essas coisas.
– Passo. – sorriu e deu um beijo no rosto do irmão em despedida.
Ela tomou o caminho até o estacionamento e encontrou encostado no próprio carro, próximo ao carro dela.
– Oi.
– Oi, .
– Não sabia que você jogava tão bem.
– Claro que jogo. – sorriu. – Se o Zidane me colocar no time, talvez a nossa campanha fique mais regular e paremos de perder pra times tipo o Real Betis e passar sufoco pra ganhar de Getafe. Ou empatar em casa com o Levante.
Mi neña é uma torcedora chata. – falou e rolou os olhos, mas deu um sorriso. – E hoje, na sua ou na minha?
– Nenhum dos dois, hoje vou sair com . Esqueceu?
– É verdade, eu esqueci. Depois do jogo de amanhã? Eu levo o jantar.
– Japonês. Agora preciso ir. – caminhou até a porta do próprio carro e foi até ela, juntando seus lábios num selinho demorado e o olhou assustada. – Ficou doido?
– Um pouco de loucura às vezes é bom, . – piscou e voltou a lhe dar um selinho. – Nos vemos amanhã depois do jogo.
– Doido. – murmurou entrando no próprio carro e foi embora.

e estavam numa espécie de relacionamento, ainda que nenhum dos dois admitisse. Viam-se quase todos os dias e um estava sempre dormindo na casa do outro desde a volta dela das férias. E não estavam apenas fazendo sexo, às vezes apenas aproveitavam a companhia um do outro, deitados vendo televisão, conversando, se beijando ou apenas sem fazer nada, apenas juntos.
Ele a chamava de “mi neña” e ela não se opunha, ela o chamava de “mi vida” e ele também não discordava. Mas não, eles não reconheciam estar num relacionamento.
Entretanto, não podiam estar em um relacionamento, pois apesar de as coisas estarem assim, mantinha a outra como opção, na reserva, como Morata tinha dito uns tempos antes. Tinha saído com ela outras vezes, ido nas casas um do outro nos dias em que não podia ficar com ele. não sabia nomear o que ele e tinham, não queria dispensar a outra opção antes de ter certeza que tinha mesmo algo com a primeira.
sabe que existe alguma coisa a mais entre os dois, que não se trata apenas algo físico, mas não podia aceitar e nem admitiria aquilo, porque era errado. Era ferir uma das regras que ela segue fielmente em sua vida. Bom, que costumava seguir antes de aparecer e bagunçar tudo. E, mesmo sabendo que havia algo a mais entre eles, ela saira com outro por diversas vezes.
era uma exceção e isso a assustava, pois sempre soube e conseguiu falar não aos jogadores que surgiram em seu caminho, mas para esse em particular, era quase impossível. Era difícil falar tchau, se soltar daqueles braços e ir embora, ou deixá-lo ir, quando na verdade queria que ele ficasse.
E ainda tinha Junior, que era uma preciosidade sem fim. tinha caído em uma armadilha e tanto. E não queria se soltar. Esse era o problema. Pelo menos ela acha que isso é um problema.

🤍⚽️ 🤍
O celular tocou em cima da cama, avisando que tinha chegado e que a noite estava prestes a começar. conhece um cara, que conhece um cara, que conhece um cara que é dono de uma das melhores boates de Madrid e, de alguma forma, tinha conseguido colocar os dois na lista permanente do lugar. não sabia se comemorava por conseguirem uma coisa daquela ou se sentia pena pelo dono do lugar. Ele não fazia ideia do tipo de pessoas que estavam entrando naquela lista.
ajeitou a roupa no corpo, deu uma última olhada no espelho, tirou uma foto e a enviou para , desejando uma excelente noite, e saiu do apartamento, depois de pegar tudo que precisava e jogar dentro da pequena bolsa tiracolo que levava. Encontrou esperando do lado de fora do prédio.

– Você está tão bonito que eu quase sinto vontade de te dar um beijo. – brincou e o abraçou. – E cheiroso.
– Eu sempre sou lindo e cheiroso. – respondeu dando uma risada.
– Cadê o carro?
– Nenhum de nós terá condições de dirigir, eu espero. Vamos de táxi.
– Amo que você sempre pensa em tudo.
– Seu namorado sabe que você está indo pra balada comigo e usando essa roupa extremamente sexy? – perguntou sorrindo provocativo, sabia que ela ficaria brava e ele não perderia a chance de perturbá-la.
estava com uma camiseta branca de alças bem finas e solta no corpo, uma saia colada de couro preta até a metade da coxa, um scarpin preto, muito bem maquiada e com o clássico batom vermelho, os cabelos soltos e alguns acessórios.
– Primeiro, ele não é meu namorado e eu já te falei isso um bilhão de vezes. Segundo, ainda que fosse, eu uso o que eu quiser, se ele não gostar, é só ele não vestir minhas roupas. Terceiro, eu saio com meu melhor amigo quando eu bem entender e ninguém tem nada com isso. E, quarto, ele não é meu namorado.
– Do jeito que vocês dois se comportam, só falta assumir.
– Cala a boca e vai procurar um táxi, . Não estrague minha noite antes mesmo dela começar. – disse séria e ele riu, piscando para a mulher.
– Nosso táxi está chegando, ma’, pedi quando te liguei.
– Que esperto, papi. – piscou em resposta.
Seu celular soou em alerta de mensagem e ela viu o nome de na tela.

: A mais linda de todas 😍 😍 😍 😍
Divirtam-se, cariño 😘
E nos vemos amanhã 💙

O táxi não demorou a aparecer e os dois seguiram até a tal boate, entraram sem demora, usando as pulseirinhas douradas que deviam ser mais cobiçadas que qualquer coisa por ali, já que é um passe livre pelo lugar inteiro e pelos bares. Estava lotado, tanto do lado de dentro quanto do lado de fora, e os dois foram direto ao bar. Pediram duas tequilas, com sal e limão, e depois do ritual “arriba, abajo, al centro y adentro”, pediram duas cervejas e encararam a movimentação.
– Vamos dançar? – gritou em seu ouvido e ela negou.
– Eu não danço. Não estando sóbria. – respondeu gritando e rolou os olhos, dando um gole em sua cerveja e pôs a mão na cintura dela, conduzindo-a até uma das mesas livres.
– Nem eu, mas você se lembra da única regra da noite?
– Nós vamos encher a cara e nos divertir. E, teoricamente, são duas regras e não uma. – respondeu tomando um gole da cerveja.
– Siga e teremos uma noite e tanto. – piscou, ignorando o que tinha dito depois de citar as regras da noite. – Tem um cara logo atrás de você que está quase arrancando sua roupa no olho. – apontou com o queixo e se virou discretamente e viu quem era o tal e como ele estava olhando.
– Grosseiro. – falou em tom enojado. – Homens.
– Não goste de homens, homens são péssimos.
– São mesmo. – disse rindo. – Vem cá, deixa eu fazer uns stories com você.
– Vou cobrar direito de imagem. – riu e pegou o próprio celular, fazendo uma selfie com ele e postando nos stories do Instagram, escrevendo um pedaço da música Vacaciones, do cantor Wisin: “solo me basta mis amigos y um traguito de cerveza 🍻”.
– Agora vamos ficar bêbados e dançar, porque eu quero sair daqui com o pessoal largando serviço e o dia amanhecendo.
– Eu gosto desse tipo de animação. – sorriu e se pôs de pé. – Vou buscar mais.
– Você foi a pior coisa que aconteceu ao meu fígado, . – disse alto no ouvido dele e em resposta, riu, saindo de perto e indo ao bar buscar mais o que pudessem beber.

Uma notificação fez a tela do celular se acender. Sergio. deu uma risada antes de abrir a mensagem e se deparar com uma foto dele totalmente sério, a olhando com a cara mais inquisidora que conseguia fazer: “Tenham juízo, pelo amor de Deus, !”.
fez um boomerang mandando beijos e enviou para o irmão junto com um emoji de coração em resposta. Guardou o celular, bem quando voltou com dois copos em mãos e um sorriso enorme no rosto. Ela sabia que aqueles copos eram o início de uma bebedeira colossal, conhecia bem aquele sorriso de quando era ligado a álcool. Não era como se ela achasse ruim, em todo caso, mas só esperava se lembrar de alguma coisa no dia seguinte.

– Acho que nem gasolina tem esse teor de álcool. – falou fazendo careta depois do primeiro gole. – Vamos dançar. Adoro essa música que começou.
– E quem é que não gosta? – sorriu e tomou outro gole, fazendo uma careta enquanto engolia.

🤍⚽️ 🤍
– Nós estamos sendo convidados a nos retirar. – falou embolado, arrastando a pronúncia das palavras e riu.
Os dois estavam absurdamente bêbados, já passava das seis da manhã e todos estavam sendo gentilmente convidados a se retirar, pois o lugar precisava fechar.
– Eu quero uma última cerveja. – falou arrastado e saiu caminhando até o bar, tentando não cair dos saltos que usava. – Ei, papi, me dá uma última cerveja e eu vou embora.
– Eu vou te dar uma água e você vai pra casa descansar, neña. – o homem disse simpático e lhe entregou duas garrafinhas de água gelada. – E leva essa pro seu namorado, vocês dois estão precisando.
– Ele não é meu namorado. – resmungou e pegou a outra garrafinha, andando cambaleante até e o entregou. – Sem mais cervejas pra nós.
– Tem cerveja na minha casa. – disse e bocejou demoradamente enquanto abria a garrafa de água. – Vamos pra lá beber mais.
– Vamos. – sorriu e os dois cambalearam pra fora do lugar. – Vai chover.
– Então vamos correr. – falou num tom arteiro e negou com um aceno de cabeça.
– Estou de salto, bêbada e não quero correr. Queria encontrar com e fo…
– Já entendi. – a interrompeu. – Liga pra ele.
– Ele está lá em Valdebebas, seu idiota.
– Ah é verdade. – disse se lembrando do jogo daquele dia. – E você vai ficar com vontade até a noite?
– Vou, porque não tem outro jeito de resolver isso. – deu de ombros e tomou um gole da água.
– Até tem, mas eu me recuso. – respondeu rindo.
– Eu quero ele e não você, então não adianta nada. – deu de ombros, fazendo dar uma risada escandalosa. – Para de rir e vá procurar um táxi.
e seguiram cambaleantes e de braços dados a procura de um táxi, mas depois de vinte minutos, desistiram e resolveram ir de ônibus.
Uma aventura e tanto, considerando como estavam bêbados.
Desceram na rua atrás do prédio em que mora e subiram o mais rápido que puderam até o apartamento. A primeira coisa que fez foi ir ao banheiro, precisava – e muito! – fazer xixi e tomar um bom banho, além de estar se sentindo prestes a vomitar, mas não o fez.
Assim que terminou seu banho, saiu a procura de uma roupa que pudesse usar, uma blusa de e um short seu que estava ali. foi até a cozinha, pegou o que tinha de cerveja na geladeira e os dois se sentaram na sala.
– A meta é passar o dia inteiro bêbados e morrer de ressaca amanhã? – perguntou e assentiu rindo.
– Eu comprei tequila esses dias. E tem uma garrafa inteira de whisky também.
– Depois de hoje, você só pode me embebedar depois da nossa formatura.
– Vamos precisar do tempo todo daqui até lá pra nos recuperar.
– E tem mundial em dezembro. – falou abrindo sua garrafa e tomando um gole. – Não vamos poder comemorar ou afogar a tristeza.
– Fale por você, Ramos. – riu, abriu a própria cerveja e tomou um gole grande antes de voltar a falar. – Você não vai assumir mesmo que gosta do ?
– Não, porque eu não gosto. Quer dizer, eu gosto, mas não como você acha.
– Ah , eu te conheço há muito tempo pra você querer mentir pra mim desse jeito. – disse rindo e olhou para . Para as três que ele estava enxergando. – É muito óbvio que vocês se gostam.
– Mas não desse jeito, . E eu não quero falar disso, estou bêbada demais.
– Você sempre foge quando o assunto é este. Sóbria ou bêbada. – falou ainda rindo. – Mas tudo bem.
, precisamos dormir um pouco. – encostou a cabeça no ombro do amigo e tomou um gole da cerveja que tinha em mãos.
– Não acho. Eu estou ótimo.
– Tem alguma coisa pronta pra comer?
– Acho que não.
– Nós vamos ao jogo?
– Vamos.
– Então eu vou dormir.
– Não! Vamos assim.
– Vamos dormir lá no Bernabéu! Sério, vamos dormir um pouquinho só. São sete e alguma coisa da manhã e nós estamos acordados faz quase vinte e quatro horas! E temos aula amanhã de manhã.
– Então espera eu guardar as cervejas, podemos tomar antes de ir para o jogo.
– Vou colocar o despertador pra umas quatro da tarde. Eu estou com fome.
– Tem biscoito e pão.
– Comida não tem?
– São sete e alguma coisa da manhã!
– E daí? Eu estou com muita fome! E se eu comer, eu consigo ficar acordada.
– Você vai fazer alguma coisa agora?
– Vou. Você quer?
– Claro que quero. – respondeu e foram os dois pra cozinha.

🤍⚽️ 🤍
, você pode me dar uma carona? – Marco pediu quando o jogo acabou e eles caminhavam até o estacionamento.
quis falar que não tinha como, mas demandaria muita explicação e era melhor evitar.
– Claro.
– Ih, vai atrapalhar o esquema? – Marco perguntou rindo enquanto caminhavam até onde o carro de estava no estacionamento do estádio.
– Não vou pra casa, de qualquer forma. – respondeu, dando de ombros.
– E vai pra casa da irmã do capi? – Marco perguntou e sentiu o corpo gelar. Não era possível que mais um sabia. destravou a porta e os dois entraram no carro, mas antes que saíssem e que conseguisse pensar numa resposta que não fosse mentira, Marco continuou: – Vi vocês no estacionamento ontem.
– Ela me mata se ficar sabendo que alguém sabe disso. E o Morata também sabe, porque viu.
– Vocês são péssimos em disfarçar, na verdade. Ontem vocês trocavam uns olhares que até o capi percebeu. Eu o ouvi falar com o Marcelo que ia quebrar suas pernas se você ficasse olhando pra irmã dele ao invés de jogar pra ganhar dela. E depois que saí do campo, vi vocês dois no estacionamento. Vocês estão namorando?
– Não. Não sei. É só um lance. É complicado. – se embolou e suspirou dando partida para que saíssem do estádio. – O importante é o capitão nunca descobrir.
– É só vocês pararem de dar bandeira em público. – Marco falou rindo.
– Estou fazendo o possível, mas é meio difícil. – resmungou.
– Então a coisa entre vocês está séria?
– Sim e não. É complicado, como eu te disse. Ela tem aquela regra sobre não se envolver com jogadores, mas estamos bem mais do que envolvidos e faz tempo.
– E qual o problema de oficializar?
– Essa regra. E que, bom, como não estamos juntos oficialmente, eu tenho saído com outra.
– Aquela?
– É. – assentiu.
– Conversa com a irmã do capitão, pelo jeito como você falou, você gosta dela e ela de você. Vale a pena investir e oficializar.
– Eu vou pensar nisso. – disse e suspirou.
Os dois seguiram conversando sobre outras coisas, enquanto dirigia para deixar Marco em casa, antes de procurar um lugar em que pudesse comprar a comida que tinha ficado sob sua responsabilidade. Deixou Marco em casa e enviou uma mensagem a perguntando se já podia ir, mas a resposta demorou, quando ela disse que tinha acabado de sair do Bernabéu e que demoraria um pouco a chegar em casa por causa do trânsito, já tinha se encarregado de comprar o jantar.
Quando o avisou de sua chegada, quase meia hora depois, tinha quase desistido e ido para sua própria casa, mas seguiu, deixando o carro na rua lateral e caminhou para o prédio que vinha frequentando quase tanto quanto frequentava a própria casa. O porteiro já o conhecia, então subiu sem problemas e sem precisar avisar . Ele bateu na porta e ela não demorou a aparecer para abri-la. Deu espaço para que ele passasse e fechou a porta atrás de si.

– Você está bêbada? – perguntou, mas nem precisava, era visível.
– Talvez eu estivesse bebendo desde ontem. – deu um sorriso ébrio para . Para os dois que ela estava enxergando.
– E quando parou?
– Antes de abrir a porta.
– Você comeu alguma coisa hoje?
– Comi. E comida. – falou erguendo um dedo para que ele não desse um sermão sobre a irresponsabilidade dela e de . – Macarrão na casa de umas sete e alguma coisa da manhã, nós continuamos bebendo, almoçamos mais macarrão, fomos pro jogo, bebemos e eu cheguei agora pouco e ainda tinha duas cervejas comigo, então terminei de beber.
– Você e o não dormiram?
– Não, nós só bebemos e conversamos bastante. E bebemos mais. – deu de ombros, como se aquela atitude fosse bastante saudável e recomendada, e cambaleou até o sofá. sentou-se ao lado dela e colocou a comida sobre a mesa de centro.
– Como você consegue?
– Eu queria ter te visto de manhã, quando saímos da boate, mas era muito cedo e você estava lá em Valdebebas. – ignorou a pergunta de e falou com a voz arrastada.
, você precisa de um banho frio urgentemente. Amanhã você vai ter uma ressaca enorme.
– Eu preciso urgentemente é de outra coisa. – falou e se sentou no colo de , o olhou nos olhos antes de beijá-lo de forma descoordenada.
O gosto do álcool era perceptível e não fazia ideia de como ela tinha conseguido beber daquele jeito por quase vinte e quatro horas sem passar mal. Bom, pelo menos ele achava que ela não tinha passado mal.
Ainda que soubesse que aquilo era pura irresponsabilidade, ele estava, ao mesmo tempo, admirado e confuso com tudo. Como era possível que ela conseguisse beber tanto e por tanto tempo sem acontecer nada? Ele, mesmo gostando muito de beber, não conseguia beber mais do que algumas horas, pois logo estava sonolento, cambaleando e se bebesse a mesma quantidade que ela parecia ter bebido, teria passado mal sem demora.
As mãos desajeitadas de tentavam tirar-lhe a blusa, mas ela estava alterada demais para conseguir alguma coisa que demandasse reflexos e habilidade de movimentos.
– Não. . – falou parando de beijá-la e segurando suas mãos para que ela parasse de tentar despi-lo. – Você está muito bêbada e eu tenho certeza que amanhã você não vai lembrar de nada do que aconteceu hoje. E transar com você nesse estado, como você bem sabe, é crime.
, eu vou me lembrar muito bem de tudo que a gente fizer. – resmungou de forma arrastada, enquanto ele ainda a segurava. – Eu me lembro da primeira vez e nós estávamos bem bêbados!
– Estávamos os dois muito bêbados e agora só você está e isso não é certo.
– Eu estou consentindo, não é crime.
– Você está bêbada e suas ações e palavras não podem ser levadas em conta para fins de consentimento e vontade. É abuso sexual, você sabe.
– Que gracinha, você presta atenção nas coisas de Direito que eu falo. – deu um sorriso ébrio e um beijo na ponta do nariz dele.
– Eu sempre presto atenção no que você fala, cariño. Acho que você deveria prestar atenção nas que eu falo também.
– Não faz isso. – choramingou em tom infantil suplicante, mas permaneceu inflexível. Além de saber que era errado, ter um filho de três anos o ajudava a saber lidar com súplicas e pirraças. – Que saco!
se soltou e sentou-se emburrada ao lado dele no sofá. a puxou para mais perto e lhe deu um beijo na bochecha.
– Nós temos todo o tempo do mundo, mi neña. Vamos comer, você toma um banho frio e um analgésico pra tentar amenizar sua ressaca de amanhã. – falou e não contestou, apenas obedeceu e os dois jantaram em silêncio.
Quando terminaram, a conduziu até o banheiro para que tomasse um banho bem frio, na intenção de fazê-la reagir um pouco, já que estava começando a sofrer com os efeitos da bebedeira, deixou-a no banheiro e voltou para a sala, levou as bandejas vazias para a cozinha, onde as jogou no lixo.
tinha começado a sentir-se mal, o que era esperado e acabou vomitando tudo que tinha bebido e comido. Escovou os dentes demoradamente para tirar o gosto ruim da boca, além de ter usado enxaguante bucal para tentar melhorar a situação, e depois seguiu para o quarto, se sentindo péssima.
deu um sorriso quando a viu entrar no cômodo arrastando os pés e soltando um resmungo de quem não estava se sentindo bem antes de se sentar na cama, ainda enrolada na toalha. Ele já tinha pegado água, analgésico e deixado uma lixeira ao lado da cama se ela precisasse vomitar, além do pijama para que ela dormisse.
– Eu estou péssima. Nunca mais eu vou beber. – reclamou.
– Vomitou?
– Sim.
– É bom, você está se livrando do álcool todo que bebeu. Eu trouxe muita água pra cá, então bebe bastante.
– Eu não quero passar a noite fazendo xixi.
– Seu organismo está desidratado, mi amor, você tem que beber água pra repor o que o álcool absorveu. – falou em um tom paternal, erguendo o rosto dela e lhe deu um selinho.
– Eca.
– Não tem nada além do gosto da pasta de dente e do enxaguante bucal. – falou rindo e pegou o short do pijama ao lado dela. – Consegue colocar sozinha?
– Sim. – resmungou pegando o short das mãos dele e o vestiu, de forma descoordenada, fazendo o mesmo com a blusa.
lhe estendeu a garrafa de água, que ela bebeu quase que em apenas um gole, tomando um pouco mais em seguida junto com o analgésico.
– Agora vamos dormir. – falou e se pôs de pé, fazendo sinal para que ele esperasse.
– Eu sabia que eu ia ao banheiro.
– Vai, mas não é por causa da água que você acabou de beber. – falou rindo enquanto já tinha saído do quarto.
ajeitou a cama e logo ela estava de volta e se deitou ao lado dele, que a trouxe pra mais perto de si.
– Você não devia me fazer gostar de você desse tanto. – resmungou com o rosto escondido na curva do pescoço dele, enquanto estava aninhada ao seu abraço e ele lhe fazia um carinho no braço. – Não vai dar certo.
– Só não vai dar certo se você não quiser. – respondeu num murmuro e deu um beijo em seus cabelos. – Mas falaremos sobre isso outra hora, você está cansada e bêbada.
– Obrigada por cuidar de mim. sussurrou já quase dormindo e depositou um beijo no ombro dele.
– Enquanto você deixar, cariño, vou fazer isso. respondeu, mas não ouviu, já tinha dormido enquanto sentia o corpo de aninhando o seu.

Capítulo 10 – Your words cut deeper…

…than a knife. (Stitches – Shawn Mendes)

– Eu vou matar todos vocês. Sem exceção. – falou quando abriu a porta.
Ele tinha chegado de Londres pela manhã, com uma derrota na bagagem. Uma derrota feia. Mais uma.
O Real Madrid vinha de duas derrotas nos dois últimos jogos: uma pelo Campeonato Espanhol, contra o Girona – quebrando um tabu, em que o time madrileno não perdia para um time que estreante na primeira divisão do Campeonato Espanhol, desde 1990, e que fez com que a distância para os líderes do campeonato aumentasse – e outra contra o Tottenham, pela Champions League. E isso ameaçava a classificação do Madrid em primeiro lugar no grupo, indicando um chaveamento bem mais complicado pela frente.
– Oi, mi amor, é bom te ver também. – falou dando um sorriso sem humor e fechou a porta quando entrou.
Ele a segurou pela mão e a puxou, dando um selinho demorado em seus lábios.
– É ótimo te ver também, mi vida, vou deixar minha raiva do Real Madrid do lado de fora da sua casa, mas só porque eu senti sua falta. – sorriu quando se separaram e passou os dedos pelos cabelos do homem, e lhe deu outro selinho demorado. – Trouxe pizza. E um vinho bem gostoso.
– Você é um anjo. – disse sorrindo e deu um beijo na ponta do nariz dela, que o abraçou.
– Você está bem? Fiquei preocupada.
– Eu estou sim, foi um choque normal de jogo. – sorriu e lhe fez um carinho no rosto.
Os dois se sentaram no sofá para poderem comer e tomarem o vinho.
– Não me pareceu um choque normal de jogo. – falou e negou com um aceno de cabeça.
– Já apanhei muito mais, o de ontem foi bem normal. – deu de ombros e o olhou consternada.
– Coloca gelo. E toma cuidado pra não se machucar.
– Olha, não é tão fácil assim, mi amor. – falou rindo. – Eu tento não me machucar, mas tem uns caras que não tentam tanto assim.
– Eu queria bater naquele nojento do Dele Alli. E no time do Tottenham inteiro. E em vocês! Pra ser bem sincera, eu até pensei em ir ao aeroporto e espancar um por um, mas eu tinha prova e não pretendo sem ser presa por enquanto. – resmungou fazendo uma careta e riu.
– E então, como foi o seu dia? – perguntou, mudando de assunto.
Enquanto comiam, os dois começaram a conversar sobre outros assuntos que não fossem as últimas péssimas atuações do Real Madrid, mas que tratassem deles mesmos e de acontecimentos em suas vidas. Tomaram toda a garrafa de vinho e comeram quase a pizza inteira.

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– Agora a gente pode pular pra parte que queremos muito fazer? – perguntou, deixando sua taça sobre a mesa de centro.
– Fale por você, eu estou muito triste pra fazer sexo. – disse fingindo um tom triste e Mariana soltou uma risada pelo nariz, antes de sentar-se em seu colo e passar as mãos pelo rosto de , fazendo carinho.
– Tem certeza? – perguntou e assentiu, fazendo bico e ela teve que se controlar para não rir e nem apertá-lo num abraço, por ter achado aquele gesto fofo. subiu a barra da camisa de e passou as unhas devagar pelo abdome dele, que se contraiu sob seu toque. – Certeza absoluta?
– Absoluta. – resmungou com dificuldade em manter seu fingimento.
– Ah, que pena. Hoje eu queria muito mesmo… – sussurrou, usando um tom sentido para falar, dando um beijo no pescoço de antes de lhe mordiscar o lóbulo, enquanto ainda tocava seu abdome e ele soltou o ar com um resmungo sofrido. tinha as mãos nas coxas de sob o vestido que ela usava e as apertou.
– Uma pena mesmo.
– Será que eu não posso te convencer?
– Você pode tentar, mas vai ter que ser bem convincente. – falou forçando uma expressão triste e assentiu, puxando o próprio vestido para tirá-lo e o jogou pelo chão da sala. Estava agora apenas de calcinha e ele deu um sorriso satisfeito. – É, você sabe ser convincente.
– Mas eu ainda nem comecei. – se debruçou e sussurrou no ouvido de .
Ele soltou um resmungo quando sentiu os lábios de na curva do seu maxilar, num beijo macio, antes de terminar de erguer a camisa e tirá-la sem demora, selando os lábios aos dele num beijo lento e provocativo, mantendo as mãos em seus cabelos e movimentando-se no colo de , que agora tinha as mãos presas aos quadris de , querendo que ela tornasse aqueles movimentos mais rápidos e sem tantas roupas entre eles. Não deu certo.
– Eu estou convencido. – falou ofegante, separando os lábios para respirar e para acabar com toda aquela ladainha de convencimento. Fez menção de deitá-la no sofá, mas o segurou sentado sob seu corpo e deu um sorriso.
– Que bom, mas estar convencido não significa que vai ser do seu jeito. E nem que eu tenha terminado mesmo de te convencer, mi amor. sorriu de lado e mordeu o lábio inferior de , puxando de leve, e recebendo um grunhido sofrido em resposta.
adorava quando não lhe permitia tomar as rédeas em se tratando de sexo, ainda que gostasse bastante de poder comandar, e quando era ela quem estava no comando de tudo. Era ótimo.

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– Eu queria transar na sua piscina um dia, porque nunca transei em uma piscina, mas seu filho nada lá e eu não vou me sentir confortável de fazer isso. – falou e deu uma gargalhada.
– Eu troquei a água na segunda-feira, na próxima vez, antes de trocar, eu te aviso e nós podemos usá-la sem problemas.
– Você é muito bom pra mim.
– Só porque você merece. – respondeu sorrindo e lhe deu um selinho demorado.
Antes que pudesse beijá-lo de verdade, como bem queria fazer, ouviu seu celular tocar, o nome do irmão e uma foto dele lhe dando um beijo no rosto apareciam na tela.
– Lá vem. – resmungou quando se esticou no sofá e pegou o aparelho que estava sobre a mesa de centro e o atendeu. – Mi amor, a que devo a honra desta ligação?
– Fui colocar os meninos pra dormir, mas acabei pegando no sono junto com eles e tive um sonho estranho com você, acordei preocupado. Como você está?
– Eu estou bem, Sese. – o chamou pelo apelido que sempre usava e teve que se segurar para não rir alto do apelido que ele pensava ser usado pelos companheiros apenas para importunar o capitão. – O que você sonhou?
– Que você tinha sofrido um acidente e mais algumas coisas muito estranhas, eu fiquei preocupado. Você está em casa? Vai ficar sozinha hoje? Vem dormir aqui.
– Amanhã tenho que sair cedo, mi amor, não vou incomodar vocês. Eu te dou notícias quando acordar, não precisa ficar preocupado, foi só um sonho.
Estou acostumado a ser eu quem fala “foi só um sonho”, – Sergio resmungou e deu uma risadinha do tom usado. – mas me liga se precisar de qualquer coisa, ok? Eu dou um jeito de ir até você, não importa a hora.
– Ligo sim. Pode ficar tranquilo, eu estou e continuarei perfeitamente bem.
– Amo você, caçula.
– Eu também te amo, Sese. – respondeu e a ligação se encerrou, permitindo que finalmente gargalhasse e ela o encarou sem entender. – E você está rindo de quê?
– Sese. – falou ainda rindo do apelido. – Nós usamos esse apelido quando queremos importuná-lo. Principalmente o Marcelo.
– Eu o chamo assim desde que eu era pequena. Na verdade, eu sempre o chamei de Sessy, mas não achei que seria legal fazer isso agora, – começou a falar e deu outra gargalhada bem espalhafatosa ao ouvir. – porque você ia rir descontroladamente e ele ia ouvir. E você está proibido de falar assim com ele.
– E ele sonhou com você? – perguntou quando se recuperou do ataque de risos, ainda sentindo a barriga doer pela quantidade de risadas que tinha dado.
– Ele falou que teve um sonho estranho, um acidente e algumas outras coisas do tipo e acordou preocupado. Até queria que eu fosse dormir lá.
– Sinto muito, mas hoje você é minha e eu não vou dividir com ninguém. Nem com seu irmão. – disse e lhe deu um selinho. – Vai sair cedo mesmo?
– Vou sair depois das dez. – respondeu e sorriu.
– Então temos muito tempo.
– Temos. – falou e se sentou no sofá. – Mas eu gosto mais da sua cama.
– Então vamos pra lá. – respondeu e se sentou também, olhando para e abriu um sorriso.
– Que foi?
– Você é linda. – colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e lhe fez um carinho no rosto.
– Você me deixa sem graça desse jeito. – resmungou a resposta, sentindo as bochechas arderem de vergonha. – E você também é lindo.
– Eu sei. – piscou convencido, mas deu um sorriso sincero e fez outro carinho no rosto dela.

vestiu a camisa de e juntou a própria roupa que estava no chão, colocando o vestido sobre os ombros para que pudesse pegar a caixa com o resto da pizza que não tinham comido, vestiu a cueca, pegou as taças e a garrafa de vinho vazia e as os dois levaram tudo para a cozinha.
Ela colocou a pizza na geladeira, ele deixou as taças dentro da pia, a garrafa vazia mais no canto para que não caísse e os dois subiram as escadas, em direção ao quarto de .

– Sua cama é muito gostosa. Não sei como você consegue sair dela todos os dias. – se jogou na cama e deu uma risada.
– É difícil mesmo, principalmente quando você está nela. – respondeu, deitando-se sobre o corpo de , apoiou o peso em seus próprios braços e a beijou demoradamente, sentindo o gosto do vinho que ainda estava ali. Não era um beijo com segundas intenções, era um dos beijos que eles mais davam: um beijo lento, íntimo, demorado e detalhado, que explorava cada pedaço da boca um do outro e da forma como sabiam que o outro gostava. – Vai ter um dia em que passaremos o dia inteiro, vinte e quatro horas mesmo, juntos?
– Talvez. – sorriu e se deitou ao lado dela, puxando-a pra mais perto.
– É complicado, porque você tem que estudar e trabalhar, eu tenho que trabalhar e meu filho mora aqui.
– E falando nele, não era pra ele ter voltado de Málaga hoje?
– A mãe dele quis que ele ficasse mais uns dias, só devo vê-lo no fim de semana. Conversamos hoje mais cedo, mas é uma merda quando ele vai pra lá.
– Por que a Victoria não vem morar aqui em Madrid?
– Ela tem a vida dela em Málaga, não posso pedir pra ela largar tudo e vir morar em Madrid, apenas pra que eu possa ficar perto do meu filho todos os dias.
– Pelo menos agora ele mora aqui e só passa alguns dias longe.
– Minha mãe ia vir e ia ficar em casa esses dias, mesmo que eu estivesse na Inglaterra, mas Victoria quis que ele ficasse por lá. Ela não está errada, eu sei, mas às vezes acho que ela faz algumas coisas pra pirraçar.
– Achei que vocês se davam bem por causa do .
– No começo até que sim, quando nos separamos. Concluímos que era melhor ele ir pra Málaga, até porque ainda era um bebê e precisava muito mais da mãe do que de mim, além do fato de que eu estou sempre viajando e nem sempre fico em casa durante tempo suficiente, mas era horrível ficar longe, meu rendimento caiu e ele também sentia a distância, mesmo sendo muito novo, então conversamos muito sobre tudo, até ofereci comprar uma casa pra ela e conseguir alguma coisa pra ela trabalhar aqui em Madrid, mas ela preferiu continuar em Málaga, porque já tem a vida toda lá, além da família, mas concordou em deixá-lo voltar. Ela terminou comigo e ainda que estivesse errada pelos motivos que usou, eu não me opus, mesmo que eu ainda gostasse muito dela. Eu tentei que nossa relação fosse boa por causa do , mas não adiantou muito. Tudo vira troca de farpas e nos tratarmos com frieza e indiferença. É péssimo que tudo que nós sentíamos um pelo outro tenha virado esse ressentimento todo. – desabafou. – E é uma merda pro Junior, porque tem que ficar indo daqui pra Málaga e de Málaga pra cá o tempo todo.
– Ele está crescendo, então logo vai entender melhor como funciona o esquema de ter pais separados e vai ser mais fácil de lidar.
– Assim espero, . – disse num tom pensativo e ela lhe fez um carinho no rosto.
– Pode ter certeza que sim. O importante é que vocês dois o amam muito e que isso nunca vai mudar.
– Não mesmo. Ele é a melhor coisa que me aconteceu na vida.
– Sei como é. Meus pipotinhos são as melhores coisas que me aconteceram e eu amo aqueles dois incondicionalmente, o que não é meio por cento do que pais e mães sentem pelos próprios filhos.
– Vamos parar de falar de coisas tristes, porque vou acabar chorando.
– Então vamos dormir. – falou e assentiu concordando. – Mas antes, escovar dentes.
– Sim senhora. – se sentou na cama antes de se colocar de pé e puxar pela mão e os dois foram escovar os dentes para dormir.

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– Eu tenho tanta coisa pra resolver hoje, que só de lembrar me dá vontade de ficar deitadinha com você, totalmente escondida do mundo. – resmungou contra o pescoço de , depois de ouvir o celular despertar.
– Falando em coisas a serem resolvidas, quando é que nós vamos resolver essa questão implícita entre nós? – perguntou e a olhou.
– Que gracinha, você está citando Guardiões da Galáxia volume 2 pra mim. Adorei. – sorriu e ergueu o rosto para lhe dar um selinho. – Mas não gostei muito desse, podia ser melhor se tivesse menos comédia e drama e um pouco mais de ação. E não sei que questão implícita temos a resolver.
– Nós dois. O que nós somos?
– Amigos. – respondeu num tom óbvio. – Com benefícios.
– Não, . Não somos só amigos. E você sabe disso.
– Não sei não. – o olhou séria. – Somos amigos, . Amigos que fazem sexo. Apenas isso.
– Amiga você é do , . Nós temos alguma coisa a mais do que apenas amizade e você sabe perfeitamente disso. Eu gosto de você. E sei que você também gosta de mim.
– Claro que eu gosto de você, . – se soltou do abraço de e se sentou na cama. – Se eu não gostasse, a gente nem mesmo conversaria. Mas não é desse jeito que você tá falando.
– Ah , para com isso. – falou sério.
– Eu estou falando sério.
– Eu quero que você fale isso olhando nos meus olhos, fala que não gosta de mim desse jeito e que nós dois não temos nada, que você não acha que já passamos, e muito, da fase de sermos apenas amigos que fazem sexo. Porque, sinceramente, eu não vejo o que nós somos como uma mera amizade colorida. Nós passamos bastante tempo juntos e nem sempre é fazendo sexo, estamos constantemente preocupados um com o outro, eu te chamo de “mi neña”, você me chama de “mi vida”, nós ficamos em silêncio sem ser incômodo, tem roupa sua na minha casa e roupa minha na sua casa, a gente troca mensagens com coisas de casais, falando do que comprar ou o que fazer, pedindo notícias e essas coisas. A gente escova dente um na frente do outro, ! Mas, tudo bem, se você conseguir me olhar nos olhos e falar com sinceridade que não somos nada além de amigos e que você não gosta de mim do jeito que eu gosto de você, de um jeito que não é apenas amizade, eu acredito em você. – falou sério e o encarou um tempo antes de se pronunciar.
, nós não temos nada além de uma amizade com benefícios e eu não gosto de você desse jeito. – mentiu olhando para ele.
Ambos sabiam que aquela fala era uma mentira deslavada, mas também sabiam que não iria assumir que gostava dele muito além do gostar de apenas amigo, porque precisava manter a imagem de que sua regra ainda existia e que não era apenas uma lembrança de tempos há muito idos.
– Você não vai abrir mão dessa regra idiota mesmo? Sério?
– Ela não é idiota.
– É idiota sim e você mesma já disse isso, principalmente porque eu gosto de você, sei que você gosta de mim e nós não vamos ficar juntos por causa dessa idiotice.
– Não é idiota, .
– É idiota sim.
– Não é suficiente pra você sermos amigos? – perguntou tentando não soar grosseira.
– Não, não é. Principalmente porque não somos apenas amigos faz bastante tempo, . – falou quase exasperado.
– Nós não vamos cruzar essa linha, . Ou ficaremos com isso que temos agora ou com nada. – falou séria e assentiu, voltando a se deitar e encarando o teto.
– Seu irmão tinha razão quando falou que eu ia acabar com a cara e o coração quebrados se me apaixonasse por você. – falou em tom decepcionado sem olhá-la. – É melhor você ir, , vai se atrasar e tem uma quantidade enorme de coisas que precisa resolver.

não se opôs e nem falou mais nada, apenas pegou suas roupas e se vestiu o mais rápido que conseguiu, as palavras de ainda martelando em sua cabeça. Ela não se despediu quando terminou de se vestir e caminhou para fora do quarto. também não falou nada, nem ao menos olhou para o lado e mal se mexeu quando ouviu a porta se fechando no andar debaixo e o carro dela arrancando.

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– Ih , que cara é essa? – Sergio perguntou quando chegou ao treino, já com o uniforme de treino. Estava de cara fechada, com o pior humor possível.
– A única que eu tenho. – respondeu de má vontade e jogou suas coisas em seu armário, saindo sem olhar pra trás.

A cara fechada de afastou todos os curiosos e ninguém perguntou mais nada durante o período de treino, até porque se ele tinha respondido Sergio Ramos daquele jeito, não pouparia ninguém de seu mau humor e grosseria. imaginava que fosse defender aquela regra idiota que já tinha ido por água abaixo há tempos, mas não pensou que ela mentiria daquele jeito. De forma tão descarada.
gosta de , sabe que também gosta dele, da mesma forma e na mesma intensidade, mas não ficaria esperando que ela mudasse de ideia, se é que mudaria, porque tinha sido muito firme ao dizer que não cruzariam aquela linha – que já haviam cruzado há muito tempo! – e não se achava com vontade de jogos de interesse. Se ela tinha dito que não, ele não insistiria.
O treino pareceu durar uma eternidade, apesar de ter sido apenas na parte da tarde, fez um péssimo treinamento, foi repreendido diversas vezes pelos assistentes técnicos e pelo próprio Zidane, e saiu sem falar com ninguém e sem parar para tirar foto com fãs que esperavam por uma foto ou um autógrafo na porta do centro de treinamentos. Ele já tinha deixado as coisas de todas juntas e devolveria o mais rápido que pudesse. Não ligava se não pegasse suas coisas que estavam com ela, para , podia tacar fogo em tudo se quisesse, ele não se importava.

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passou o dia inteiro com a cabeça na conversa que e ela tiveram pela manhã e nas palavras dele que rondavam sua cabeça e pareciam martelar cada um de seus neurônios. Passou o dia inteiro ouvindo a voz dele repetir aquilo em looping. “Seu irmão tinha razão quando falou que eu ia acabar com a cara e o coração quebrados se me apaixonasse por você”.
Ainda não tinha falado para ninguém e não queria falar com sobre, pelo menos não por enquanto. queria pedir colo ao irmão, mas sabia que não podia falar sobre isso com ele, porque podia ir até lá e pedir pra não falar sobre quem era o responsável pela sua tristeza e coração aperado, mas Sergio não se contentaria com isso e seria mil vezes pior se ele descobrisse que e foram um casal e que ela tinha escondido aquilo.

– Terra chamando . – ouviu a voz de e se virou para o amigo, que a olhava atentamente e extremamente preocupado com o silêncio excessivo. – O que aconteceu? Hoje você está com a cabeça totalmente longe daqui.
– Nada. – deu de ombros.
– Depois de tantos anos você ainda quer tentar mentir pra mim? Prefiro que você fale que não é da minha conta ou que não quer falar sobre.
– Eu não quero falar sobre. – falou, dando um sorriso fraco e suspirou antes de continuar falando. – Já é hora de ir embora?
– Já. Precisa de carona? – perguntou e ela negou com um aceno de cabeça. – E você vai conseguir dirigir?
– Vou sim. – sorriu e apertou a mão dele. – Amo você.
– Também te amo, ma’. E quando quiser conversar, sabe que tenho todo tempo do mundo pra te ouvir.
– Sei sim. – se levantou e lhe deu um beijo demorado no rosto.

não queria falar sobre aquilo com ele por enquanto, queria alguém que entendesse aquele medo que ela estava sentindo, um medo de sentir o que sentia e medo das consequências daquilo. queria falar com alguma mulher que soubesse falar com ela sobre toda aquela situação.
apenas teria razão quando dissesse que ela tinha sido idiota ao mentir, que deveria ter aberto o jogo ao invés de mentir de forma descarada, mas não queria uma pessoa com razão, porque sabia que tinha errado feio ao mentir para daquele jeito, principalmente porque ele tinha pedido sinceridade em sua resposta. queria falar com alguém que entendesse bem o medo de gostar de alguém daquele mundo. Juntou suas coisas e saiu o mais rápido que conseguiu do prédio, sem esperar por .
O trânsito estava péssimo por causa de um acidente, então aproveitou para enviar uma mensagem a Maria, perguntando se as duas podiam se encontrar em algum lugar, porque ela precisava conversar com alguém e queria que fosse com ela. Maria, estranhando que ela tivesse sido a escolhida – e não ou Sergio – ficou preocupada com o que viria, disse que as duas se encontrariam em um café próximo à casa dela e que as crianças ficariam com Nacho, para que as duas pudessem conversar sem problemas.

– Aconteceu alguma coisa? – Maria perguntou preocupada quando se sentou à mesa em que já estava sentada e tinha uma xícara à frente.
– Mais ou menos. Só preciso que você prometa que não vai contar pra ninguém.
– Alguém vai morrer se eu contar?
– Vai. e eu. E seremos mortos pelo Sergio. – falou séria e Maria arregalou os olhos.
– Prometido, pode soltar a bomba. – Maria falou preocupada e suspirou quase dolorosamente, fazendo mil coisas passarem pela cabeça da mais velha.
– Vou resumir a história toda.
– Não posso te ajudar se você me contar um resumo, . – Maria disse dando um sorriso quase maternal para , que deu um suspiro demorado antes de começar a contar toda sua história com .
contou sobre o dia em que acordou na casa de após a noite de bebedeira em que se encontraram, como as coisas se desenvolveram depois disso e como vinham acontecendo de forma natural desde maio, mesmo que ela tivesse passado dois meses em Munique; como os dois tinham avançado da opção “amigos que transam” para “casal escondido”, finalizou contando sobre a discussão que tiveram pela manhã e sobre a intensidade da decepção que ela percebeu que sentia quando a ouviu dizer que eles nunca atravessariam aquela linha.
– Ainda bem que foi o a exceção à sua regra, , porque ele é um fofo, um excelente pai e uma pessoa maravilhosa. Não entendo sua relutância em baixar a guarda, porque você gosta dele e isso ficou muito claro só de te ouvir contar, sem precisar presenciar. Você está triste pela discussão que tiveram, porque percebeu que ele ficou decepcionado com sua mentira, você gosta dele da mesma forma que ele gosta de você e sabe disso. Não perca a chance de ter algo de verdade com alguém legal por medo do que pode ou não acontecer no futuro.
– Ah, Maria, mas… – começou a falar, mas foi interrompida.
, e daí que você vai acabar saindo na capa de uma ou outra revista e que algumas fãs dele vão te odiar apenas por você ser a namorada dele? E daí se ele for embora de Madrid pra outro time? E daí se ele machucar e for uma coisa feia? E daí se algumas das fãs desconhecem o significado da palavra limite? Estamos todas sujeitas a isso, sejam eles jogadores ou não. Eu tinha dúvidas também, mas o que eu sinto por Nacho é muito maior do que qualquer medo e dúvida. E sei que se você se permitir, vai perceber que gosta do muito mais do que tem dúvidas e medo. – Maria falou dando um sorriso e suspirou.
Ela tinha razão.
– Sergio vai nos matar.
– Ele vai querer matar, mas se o é o cara que te faz desistir da regra de ouro, ele vai entender que existe algo especial entre vocês dois. E o relacionamento é seu, Sergio não tem nada a ver com isso.
– Eu não sei. – disse mordendo o próprio lábio, ainda não tinha plena certeza se desistir de sua regra era a coisa certa a fazer.
– Você sabe sim. – Maria falou dando um sorriso. – Tenta falar com o e consertar isso antes que você perca a chance de ser feliz com alguém que quer te fazer feliz e que você, claramente, faz muito feliz também
– É. – suspirou. – Obrigada por ter vindo conversar comigo e por ter paciência de ouvir tudo.
– Dê notícias sobre tudo, por favor.
– Claro. E obrigada mesmo. – sorriu e as duas trocaram um abraço antes de irem embora, cada uma para a própria casa.

seguiu até sua casa ensaiando mentalmente o que falaria com . Enviaria uma mensagem e perguntaria se podia ir até a casa dele para que pudessem conversar sobre tudo que tinham falado pela manhã, pediria desculpas e seria sincera, falaria que ele não era o único apaixonado, que ela também estava – e muito! – e que queria que fossem um casal, mesmo que não assumissem para o mundo inteiro, pelo menos por enquanto.
estava com tudo muito bem ensaiado em sua mente, mas um balde de água fria foi jogado assim que ela pôs os pés na portaria de seu prédio. tinha deixado algo para ela: uma sacola com todas as suas coisas que tinham ficado na casa dele durante aqueles meses.
E então ela percebeu que as coisas entre os dois já não podiam ser consertadas. Que a situação implícita entre eles agora estava clara: estava acabado.
tinha realmente ficado magoado. E não estava errado, afinal, ela tinha sido bem convicta ao dizer que eles eram apenas amigos e nunca cruzariam aquela linha. preferia não ser nada do que ser apenas o “amigo colorido” de , porque não queria brincar com os próprios sentimentos.
A ideia de mandar uma mensagem se esvaiu, porque tinha ficado claro que não queria mais nada e tinha todo o direito de estar assim, ela sabia. Era uma conversa encerrada. A “amizade com benefícios” tinha acabado e eles voltariam a ser apenas os conhecidos que eram antes, que mal se cumprimentavam com um aceno de cabeça se passassem um pelo outro e nada além disso.
separou tudo dele que estava em seu apartamento e deixou sobre o sofá, passaria pelo condomínio no dia seguinte antes de ir para a aula e deixaria as coisas dele com o porteiro, não precisavam se encontrar mais. Era melhor.
tomou um banho quente demorado e foi se deitar, mas precisou trocar toda a roupa de cama que estava com o cheiro dele, era melhor não se torturar. Não tinha conseguido nem mesmo chorar, ainda em choque com a forma rápida e desastrosa com que as coisas tinham acontecido naquele dia.
, em sua casa, tinha feito a mesma coisa: trocou os lençóis, toalhas e tudo que tinha algum resquício de . Ele tinha esperado o dia inteiro por uma ligação ou uma mensagem, mas nada aconteceu, nem mesmo devolver as coisas dela tinha gerado uma reação, uma mensagem que fosse.
Então, enviou uma mensagem que nunca tinha realmente acreditado que enviaria. Ele mantinha sua reserva e era hora de torna-la titular. Se ela quisesse.
E ela queria.

Capítulo 11 – I can taste it…

…my heart’s breakin’. (Cry Baby – The Neighbourhood)

– Você não vai ao jogo? – perguntou a , que negou com um aceno enquanto lia um dos livros que usaria na construção do seu trabalho de conclusão.
– Ao contrário de você, não usei as férias para estudar. Eu estou lindo, bronzeado e descansado, mas atrasado e enrolado.
– Achei que teria companhia. – resmungou.
– No returno eu prometo que vamos ao Bernabéu, mas hoje não dá mesmo, .
– Tudo bem. – respondeu num tom triste. – Então nós nos vemos amanhã, preciso ir. Boa leitura, .
– Toma cuidado e qualquer coisa que precisar, me liga. – falou tirando os olhos do livro e ela assentiu, deu um beijo no rosto dele e saiu rumo ao Wanda Metropolitano.

A cidade estava mobilizada, como sempre ficava em dia de clássico na capital, e demorou um bom tempo para chegar ao novo estádio do adversário e estacionar seu carro no estacionamento destinado aos carros dos jogadores e seus familiares, o caminho até lá estava bastante cheio entre o estacionamento comum e a área privativa. só tinha ido de carro e pararia naquela área, pois Pilar não iria ao jogo, então precisava dar uma carona ao irmão.
tinha achado realmente estranho, já que ele poderia voltar pra casa com qualquer um dos companheiros que moram no mesmo condomínio, mas sabia que combinar aquela carona era a forma de Sergio Ramos saber que ela estava bem e inteira depois do jogo.
e não conversaram depois do fatídico término, há quase vinte dias. Ele tinha assumido o namoro com uma atriz com quem vinha trocando comentários em fotos e por um tempo, antes mesmo dele e terminarem oficialmente seu não-relacionamento, especulava-se sobre esses comentários e um provável namoro de com a atriz, que tinham até mesmo sido vistos juntos no cinema, mas agora estavam assumidos e a namorada estava no estádio, nos camarotes reservados para os familiares e jogadores. Restava saber se torcendo pelo namorado ou pelo time do coração.
Os dois, e , tinham se visto na casa de Sergio há alguns dias, ela tinha ido até lá para ver o irmão, a cunhada e os sobrinhos e estava lá com o filho. brincou com as crianças até que eles acabaram dormindo, dando a uma brecha para ir embora sem parecer que estava fazendo isso pela chegada de . Os dois não se falaram e nem se olharam enquanto estiveram no mesmo ambiente. O clima não foi dos melhores, mas se alguém percebeu não disse nada.
O jogo começou com pressão dos donos da casa, algumas boas chances e logo o Real Madrid assumiu uma postura mais ofensiva, sofrendo faltas e mais faltas que o juiz insistia em não assinalar. Um pênalti em Toni Kroos não foi marcado e a torcida merengue presente começava a perder a paciência, pois o juiz marcava tudo a favor do time da casa, sendo falta ou não, mas para o visitante parecia ser um crime assinalar as faltas que aconteciam.
Aos trinta e cinco minutos do primeiro tempo, numa dividida dentro da área do Atlético de Madrid, Sergio Ramos caiu e não se levantou, rolava de um lado para o outro com a mão no rosto e deu alguns tapas e socos no gramado enquanto se contorcia em dores. Os jogadores novamente reclamaram de um pênalti, mas o árbitro não marcou.
Os médicos do time entraram em campo, deixando preocupada, viu pelo telão que Sergio Ramos, ainda estava caído e tinha uma das mãos no rosto e vertia uma quantidade considerável de sangue pelo nariz. Uma toalha foi usada para auxiliar na limpeza e no estancamento, a camisa estava toda manchada e por bastante tempo tentaram conter o sangramento, que não parecia diminuir e nem cessar.
estava agoniada enquanto assistia o irmão sendo atendido do lado de fora do campo, o jogo tinha retornado como se nada tivesse acontecido e a torcida do rival comemorava a ausência do capitão merengue como se fosse um verdadeiro título. Pilar lhe enviou uma mensagem preocupada e disse que procuraria informações e passaria a ela, bem quando viu o irmão vestindo outra camisa e com o sangramento aparentemente contido, pronto para voltar ao jogo.
Sergio permaneceu em campo até o final do primeiro tempo, mas nem mesmo terminou de ver a primeira etapa do jogo, saiu de seu lugar quando o viu entrar em campo, precisava descobrir como ele estava – e aquele retorno não lhe convencia de que estava tudo bem – então daria um jeito de ir ao vestiário se fosse necessário.
demorou um pouco para chegar até lá, teve que passar pelos camarotes e implorar por informações do irmão e ajuda para ir até ele. Por sorte, um dos seguranças do camarote destinado às famílias dos jogadores do Real Madrid a conhecia e conseguiu que ela pudesse descer aos vestiários, avisou aos outros seguranças da futura presença da irmã de Sergio Ramos pelos corredores do estádio e os informou qual seria o trajeto a ser feito. seguiu rápido, chegando logo no início do intervalo e entrou direto, sem nem ao menos pensar que alguém podia estar pelado por ali.

– Sergio! – exclamou desesperada.
Estava quase chorando quando entrou no vestiário, sem se dar conta da quantidade de homens seminus ao seu redor ou se Zidane ou algum dos assistentes estava falando com os jogadores sobre o que fazer no segundo tempo do jogo. Aproximou-se do irmão, atravessando a distância rapidamente e o encarou preocupada, abraçando-o logo em seguida.
– O que você está fazendo aqui, ? – Sergio perguntou sem entender.
– O que aquele idiota fez com você? – sentou-se ao lado de Sergio e fez um carinho no rosto inchado do irmão, enquanto o estudava cuidadosamente procurando qualquer outro sinal de lesão. Sergio Ramos tinha dois pedaços de algodão tampando as narinas, numa contenção improvisada, mas não estava resolvendo muita coisa, porque ainda saía sangue. – Fiquei preocupada. E Pilar também.
– Não foi nada. Já aconteceu antes. – Sergio respondendo dando de ombros.
– Você ainda está sangrando! – falou séria e ele voltou a dar de ombros.
– Acontece. Nem falta foi. – resmungou em tom dolorido, bem quando o telefone de tocou.
Pilar.
transformou a ligação em chamada de vídeo e entregou o aparelho ao irmão.
– Vou esperar lá fora, Zidane provavelmente quer conversar com vocês e eu acho que nem podia estar aqui.
– Eu te entrego quando acabar o intervalo. – Sergio falou e assentiu, dando um beijo na cabeça do irmão e se levantou, virando-se para Theo Hernandez.
– Eu vou quebrar o nariz do seu irmão assim que eu o vir lá fora. – falou séria, fazendo Theo dar uma risada.
– Não faz isso, coitado. – Theo respondeu sorrindo e usando um tom divertido, mas o sorriso morreu ao ver que parecia falar sério. – É sério, não faz isso.
– Não vou, mas eu deveria. – resmungou, virando-se para sair do vestiário antes que alguém da comissão técnica a tirasse de lá com as próprias mãos, mas acabou trombando em alguém enquanto caminhava até a porta, tentando não olhar para os jogadores seminus que pareciam se importar bem pouco com sua presença ali. – Desculpa.
– Sem problemas. Se nós ficamos preocupados, imagino você. – falou dando um sorriso de lado.
– Se eu encontrar com o Hernandez, eu vou quebrar o nariz dele. O dele e o desse juiz filho da puta. – falou brava.
reprimiu a vontade de rir do tom revoltado que ela usava e que apenas confirmava que ela e o irmão tinham muita coisa em comum, principalmente o temperamento.
– Não faz isso, vai arrumar um problema enorme pra gente e pra você.
– Eu sei. – resmungou e deu um sorriso. – Enfim, Zidane deve querer falar com vocês e eu vou esperar lá fora. Espero que vocês façam um segundo tempo melhor, com menos erros de passe e que consigam furar essa retranca nojenta do adversário.
– Pode deixar, nós faremos o possível. – respondeu sorrindo.
– E fala com o Zidane que eu pedi desculpas por ter entrado feito uma louca, mas eu fiquei muito preocupada pra ficar esperando por notícias lá fora. – falou e assentiu em confirmação.
saiu do vestiário e foi esperar perto da área comum dos times, que levava ao túnel de acesso ao campo, dando de cara com Fernando Torres, que estava por ali e ela imaginou que esperava por notícias do amigo.
? – Fernando perguntou surpreso ao vê-la ali.
– Nandinho! – falou dando um sorriso enorme e os dois trocaram um abraço demorado. – Quanto tempo!
– Faz bastante tempo que a gente não se vê mesmo. E como Sergio está?
– Ainda está saindo sangue do nariz e o rosto dele está bem inchado. Aquele retardado enfiou a perna na cara do meu irmão, eu vou matar esse filho d…
– Fica calma, . – Fernando falou rindo e colocou uma das mãos sobre o ombro de , tentando acalmá-la, mas ela era uma Ramos, o temperamento deles era um pouco difícil de se controlar. – Não foi por querer, pode ter certeza.
– Olha Nando, eu queria que você saísse desse time horrível. Você é muito fofo pra jogar com esse tipo de pessoas.
– O que diabos essa torcedora tá fazendo aqui? – ouviu uma voz masculina e se virou.
Deu de cara com Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid, o que a fez rolar os olhos, detestava aquele homem de uma forma que não era nem capaz de colocar em palavras.
– “Essa torcedora” – fez aspas com os dedos, misturando um tom de deboche e de irritação. – veio ver como o irmão está, depois que o idiota do seu jogador quase o matou em campo agora pouco.
– E você é médica do time por acaso? – Simeone perguntou debochado e se controlou para não voar no pescoço do homem. – Só adianta se for uma das médicas da equipe, caso contrário pode estar aqui para ouvir o que falo aos meus atletas e repassar aos do outro time.
– Não preciso ouvir, porque todo mundo sabe que você é retranqueiro e covarde e que seu time só sabe retrancar e bater. Como sempre. A Europa inteira sabe disso, pode ficar despreocupado. – respondeu em tom petulante para irritar o homem.
E deu certo.
– Você acha que está falando com quem?
– Com Diego Simeone, o dono de um ego gigantesco e que acha que pode se intrometer no que não é da conta dele. – respondeu e sorriu debochada para o homem. – Você tem alguma coisa a resolver tão perto do vestiário do Real Madrid ou só veio ouvir o que o único técnico de verdade dessa cidade tem a dizer aos atletas do único time de Madrid?
– Você é muito petulante. – Simeone disse sério e Fernando Torres colocou uma das mãos sobre o ombro de para que ela não respondesse, aquilo ia sair do controle, ele podia pressentir.
– E você é chato e intrometido.
– O que está acontecendo aqui? – Sergio Ramos perguntou quando chegou ao corredor com o celular da irmã em mãos e encarou a cena: e Simeone trocando olhares mortais e entre eles Fernando Torres, disposto a não deixar que os dois se matassem.
– Nandinho veio saber notícias. Sernando é muito o amor da minha vida. – falou em tom doce, contrariando totalmente a expressão que fazia para Diego Simeone, e virou-se para olhar o irmão, dando um sorriso e ignorando completamente a presença do técnico argentino. – Quer ir ao hospital? Podemos ir agora, eu te levo.
– Tem que desinchar um pouco pra saber de verdade o que aconteceu. Amanhã vou fazer exames. – Sergio respondeu e se virou para o amigo. – E ai, Nando?!
– Lucas conseguiu te deixar mais feio do que você já é. – Fernando Torres brincou, depois que trocaram um abraço, e Sergio lhe mostrou o dedo do meio, fazendo e Fernando rirem.
– Vou te mostrar o que é feio em campo no segundo tempo, seu otário. – Sergio provocou e Torres sorriu.
– Você não vai voltar pro jogo, você ficou doido? – falou desesperada encarando o irmão. – O primeiro pique que você der, vai sangrar de novo.
– Espero que você se recupere logo, Ramos. – Simeone disse e Sergio assentiu num agradecimento silencioso.
– Nossa, mas essa… criatura ainda tá aqui? Tenha bom senso e faça o favor de ir embora, ninguém te chamou aqui. – o olhou com a pior cara que conseguiu fazer e Simeone saiu de perto dos três, fazendo uma cara pior que a dela. – Eu odeio muito esse cara. Insuportável.
– Ele é gente boa. – Fernando falou dando uma risada do tom usado por e ela fez uma careta de desgosto.
– Nandinho, venha pro único time possível no mundo. Nós te aceitamos e perdoamos seu tempo do lado errado da Força. – pediu e foi a vez de Fernando fazer uma careta, negando com um aceno.
– Sinto muito por você, , mas sem chance disso acontecer. – Fernando respondeu rindo e a abraçou pelos ombros. – Mas me fala cara, como tá isso?
– Doendo pra caralho, pra ser bem sincero, Nando. – Sergio respondeu sincero e soltou uma risadinha. – Mas eu sei pouco do que realmente aconteceu, eu não lembro do choque e nem da situação, eu lembro do atendimento e de sentir dor pra caralho, mas não sei o que aconteceu e se quebrou mesmo ou não, só vou saber amanhã, depois de ir ao médico.
– Então amanhã te ligo pra saber as notícias disso e como você estará. Nós nos vemos lá em cima.
– Valeu pela preocupação, Nando. – Sergio agradeceu e os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto.
– Meu Sernando é tudo de bom. – falou em tom fangirl e abraçou os dois, fazendo Fernando Torres rir.
– Você gosta muito de Serzil também que eu sei. E Seriker. – Fernando falou fingindo um tom ciumento e assentiu.
– Melhores brotp’s são os que envolvem meu irmão, eu amo todos. – falou arteira e Fernando riu.
– Nos vemos depois, . Nora e Leo perguntam sempre por você.
– É só você me chamar pra ser babá, que eu vou.
– Pode deixar. Agora eu vou mesmo, porque Diego deve estar falando com o time. – Fernando falou e os dois assentiram.
reprimiu a vontade de falar: “ah, ele só vai mandar vocês retrancarem e baterem nos jogadores de mi Madrid, mais nada”, Fernando deu um abraço e um beijo no rosto de antes de se virar e caminhar na direção do vestiário do próprio time.
– Sessy, por favorzinho, não volta. – suplicou, olhando consternada para o irmão e o abraçou, sendo abraçada de volta.
– Nacho vai entrar, eu quase não consegui terminar o primeiro tempo.
– Tadinho do meu irmão. – falou em tom choroso e o apertou num abraço.
– E o que você estava falando com o Simeone?
– Ele apareceu todo grosso e intrometido, perguntando o motivo de eu estar aqui embaixo e eu apenas disse que não era da conta dele.
– Eu te ouvi chamá-lo de intrometido e chato.
– Também chamei de egocêntrico, arrogante, retranqueiro, covarde e disse que o único técnico em Madrid é o Zizou. E que o único time da cidade é o Real Madrid, ou seja, falei apenas a verdade. – deu de ombros e Sergio não respondeu, apenas sorriu de lado.
– Você é terrível, .
– Eu queria quebrar o nariz do idiota do Lucas pra deixar tudo igual.
– Sem mais narizes quebrados, por favor. Só volta pro Olimpo. – Sergio falou sério.
– Deus me livre! Eu não estou no Olimpo, vim na torcida.
veio? – Sergio perguntou preocupado e negou com um aceno.
– Não, hoje eu estou sozinha.
– Então volta pro Olimpo.
– Sem chance, lá eu não vou poder xingar e eu pressinto que vou fazer muito isso no segundo tempo. E não vi ninguém que eu conheça quando passei por lá buscando informações sobre você, então prefiro ficar na torcida, tenho alguns conhecidos.
– Cuidado, , por favor. – Sergio pediu preocupado e ela assentiu.
– É, eu digo o mesmo pra você. – sorriu para o irmão e os jogadores dos dois times começaram a ocupar o corredor que dava acesso ao campo.

Quando Lucas Hernandéz passou por eles, quis xingá-lo e pensou seriamente em ir até lá para lhe dar um soco no nariz e deixar as coisas iguais, mas Sergio a olhou sério e apenas abraçou o irmão demoradamente, recebendo um beijo desajeitado na bochecha e um novo pedido para que ela se cuidasse. Logo estava de volta à parte reservada à torcida do Real Madrid no estádio, mas não sem antes pedir desculpas a Zidane pela invasão ao vestiário. A camisa branca estava suja de sangue do irmão, mas ela não se importava o suficiente para se preocupar com aquilo.
ficou um pouco perturbado com a visita inesperada de e como tinha sido tão natural conversarem com o tom que sempre tinham usado um com o outro nas conversas que tinham quando estavam juntos. Era muito fácil gostar dela e isso era irritante. E errado. Ainda mais que agora estava namorando outra pessoa. E a perspectiva de ter as duas num mesmo espaço era um pouco assustadora para ele.
Não que Sara soubesse de ou que fosse fazer ou falar alguma coisa com Sara sobre eles e o que tiveram antes, mas estava com medo do que podia acontecer se elas se encontrassem, principalmente por serem duas torcedoras fervorosas de seus times.

– Acorda pro jogo, . Porra. – ouviu Luka Modrić ralhar, quando passou perto dele.
Precisava se concentrar no jogo e esquecer de como o encontro com tinha mexido tanto com ele.

O jogo prosseguiu com o ataque ineficaz do time merengue parando na retranca colchonera, que nem mesmo parecia estar jogando em casa, dada a maneira defensiva na qual jogava, sempre atrás e esperando o adversário partir pro jogo e ai sim tentar alguma coisa.
Sergio Ramos estava no banco de reservas, com um saco de gelo no rosto para ajudar a diminuir o inchaço, e assistia ao jogo com cara de poucos amigos, falando e gesticulando o máximo que conseguia, quase que exercendo a função de técnico com Zidane. Odiava ser substituído, mas não tinha outra opção, não podia estar em campo, ainda sentia-se zonzo com a dor da pancada e os médicos tinham achado melhor não lhe dar remédio antes do sorteio para o antidoping, não queria correr o risco de ser punido por ter tomado um analgésico para resolver seu problema, já que sempre encontravam um motivo para implicar com ele e com o Real Madrid.
Da arquibancada, assistia ao jogo e ao mesmo tempo tentava conferir a situação do irmão no banco de reservas. Estava preocupada com o jeito como Sergio tinha se machucado, o impacto parecia ter sido muito forte, a aparência dele estava péssima e os médicos não tinham dado um diagnóstico preciso sobre aquela lesão.
E ainda tinha o fato de toda aquela conversa amistosa com na saída do vestiário. Nem parecia que tinham terminado aquela “situação implícita” da forma rude como foi, nem que se encontraram há poucos dias, não se falaram e o clima tinha sido péssimo. Ele tem namorada agora. Fim. não quis cruzar a linha da amizade e encontrou quem aceitou fazer isso. Justo.
O jogo terminou sem gols, um jogo bem morno marcado por erros de arbitragem e por pouca efetividade de ambas as equipes. saiu o mais rápido que conseguiu quando a torcida visitante foi liberada para deixar o estádio, e foi para o estacionamento esperar pelo irmão. Sergio demorou a sair, pois foi escolhido para dar entrevista na zona mista, também tinha sido brevemente avaliado e medicado pelo médico do time quando não caiu no sorteio para o antidoping, e acabou demorando um pouco mais que o habitual.
Quando finalmente saiu do interior estádio, Sergio Ramos caminhava lentamente e ainda segurava a bolsa de gelo contra o rosto inchado numa tentativa de diminuir o inchaço e ajudar a refrear a dor que o analgésico começava a fazer sumir. O coração de apertou ao ver o irmão daquele jeito, machucado, com dor e parecendo ridiculamente indefeso. Era estranho demais ver Sergio Ramos daquele jeito.

– Podemos ir com o rádio desligado? Minha cabeça está doendo muito. – Sergio pediu com a voz arrastada quando se sentou no banco do carona.
– Tem certeza que não quer ir ao médico? – perguntou preocupada, colocando o cinto.
– Amanhã vou cedo fazer os exames. – Sergio resmungou, colocando o cinto de forma desajeitada. – E eu estou grogue desse analgésico, preciso muito dormir. Acho que me deram algum remédio pra dopar cavalos, estou me sentindo quase totalmente anestesiado.
– Pode dormir, quando chegarmos no seu condomínio, eu te acordo. – respondeu e deu partida, pronta para, finalmente, sair do estacionamento do Wanda Metropolitano.

Os dois seguiram em silêncio e Sergio estava mesmo quase dormindo sob o efeito do remédio. Quando o carro parou, ele pareceu despertar um pouco e se despediu da irmã com um abraço, um beijo demorado e desajeitado no rosto e uma promessa de dar notícias pela manhã sobre tudo.
Pilar estava à porta, tinha sido avisada da chegada dos dois e estudou Sergio Ramos demorada e detalhadamente quando ele chegou perto o suficiente. Despediu-se de com um aceno e quando os dois entraram, ela arrancou o carro e foi para casa.
A mãe também tinha ligado, viu a chamada atendida no horário em que o time ainda estava no vestiário. Imaginava que a mãe estivesse com o coração na mão de tanto desespero ao ver a forma com que ele tinha se machucado. Ela tinha achado que o futebol era mais seguro que as touradas que Sergio amava (e sentia vontade de socá-lo por isso), mas estava provado que nem tanto, já que era a segunda vez que ele se machucava daquela forma.
deitou-se no sofá, após tomar um banho, e ligou a televisão, estava sem sono e não tinha o que fazer, já que estava atolado em trabalhos, os colegas de faculdade estavam quase na mesma situação e agora era namorado de outra, então apenas se concentrou em procurar alguma coisa para assistir que lhe desse sono.

🤍⚽️ 🤍
– Você vai ficar com essa cara pra sempre? – perguntou enquanto entravam na sala de cinema. – Já passou da hora de superar.
– Não enche o saco, senão eu não te ajudo e você vai ter que parar de sair de casa pra conseguir terminar seu trabalho.
– Você é muito chata. – disse e rolou os olhos.
– Sou. – riu e os dois foram procurar seus lugares. – Aqui.
– Eu estou sentindo falta das minhas férias. – resmungou, sentindo-se derrotado, quando se sentaram em seus lugares.
– Se você tivesse feito o mesmo que eu, estaria bem tranquilo. – falou, dando um sorriso que soava como um “eu te avisei”. – E eu te falei pra fazer.
– Eu devia ter ouvido seu sábio conselho, como ouvi ano passado e tivemos um ano e tanto em Londres. – falou derrotado, mas antes que pudesse responder, as luzes se apagaram e os trailers começaram a passar.
– Realmente, você deveria me ouvir. Eu mereço ser sempre ouvida. – sussurrou em seu ouvido.
– Se for sobre você ser a Dua Lipa das regras erradas, melhor não ser ouvida de forma alguma. – sussurrou de volta.
– Cala a boca, . – resmungou e se virou para a tela.
Ele tinha razão, ela não tinha como discordar.

🤍⚽️ 🤍
– Se Liga da Justiça não é o único filme possível no mundo neste momento, não sei qual pode ser. – falou e concordou com um aceno quando saíam do cinema.
– Muito bom mesmo. E o que vamos fazer agora?
– Eu estou com frio, não quero fazer nada e hoje é segunda-feira.
– Seu irmão vai viajar? – perguntou e negou com um aceno de cabeça.
– Ele ainda não tem condição de jogo.
– Entendi. – assentiu. – Então, agora nós vamos pra sua casa, porque você precisa do meu ombro amigo.
– É, talvez. – respondeu num resmungo.
Os dois saíram do cinema, caminhando rápido até o carro de e foram embora. Seguiram em silêncio e o único barulho era da música que tocava no rádio, mas nenhum deles prestava atenção de verdade ao que tocava. dirigia batucando levemente os dedos no volante, enquanto estava entretido com o próprio celular, curtindo fotos e respondendo mensagens aleatórias enquanto não chegavam ao destino. O caminho não foi demorado e logo os dois estavam aconchegados e aquecidos no apartamento de .
– Abra seu coração, dona Ramos García. – falou quando se sentou no sofá e a puxou para que ela deitasse com a cabeça em seu colo.
– Não tenho o que falar, . Você sabe o que aconteceu.
– Mas você não colocou pra fora tudo que precisa falar, . E mesmo sabendo e te conhecendo bem, não te ouvi falar e você precisa falar, isso vai aliviar um pouco esse peso. E nós nunca chegamos, realmente, a conversar sobre toda essa sua história com o .
– Eu fui idiota. Fui idiota e não te ouvi. – falou num tom triste e suspirou antes de retomar a fala. – Perdi um cara legal, que gostava de mim e queria me fazer feliz, porque me apeguei a uma regra estúpida, inútil e que já tinha ido por água abaixo há muito tempo. foi sincero comigo e eu não fui sincera com nenhum de nós dois quando menti descaradamente dizendo que não sentia o que sinto e estou pagando pelo preço da minha escolha.
– Acho que você devia ter tentado falar com ele naquele dia, mesmo depois dele ter trazido suas coisas, porque aquilo foi tentando provocar uma reação em você, foi pra tentar te fazer falar com ele depois da briga que tiveram. Vocês deveriam ter conversado e resolvido tudo, mesmo que não fossem ficar juntos, seria melhor do que ficar inacabado da forma como está. Agora não tem nada a ser feito, ele está namorando outra pessoa, como você falou. A oportunidade passou, você vai viver sua vida e ele vai viver a dele, cada um no seu canto. Não é tão simples quanto na teoria, mas é o que deve ser feito.
– Eu sei disso.
– E falando no diabo… – apontou para o telefone de que tocava e o nome “” aparecia na tela, acompanhado de uma foto dos dois juntos: ele fazendo uma careta entortando os olhos e ela sorrindo com o braço passando pelos ombros dele. – Quer que eu atenda?
– Não precisa. – suspirou e pegou o telefone, deslizando o dedo pela tela e o atendeu. – Alô.
? Tudo bem?
– Oi , aconteceu alguma coisa?
Não. respondeu dando uma risadinha ao ouvir o tom preocupado de . – Tudo bem?
– Tudo sim e você?
– Tudo bem também. Eu preciso te pedir um favor para o fim de semana, se não for te incomodar.
– Pode falar.
– Você pode ficar com o Junior no domingo?
– Você quer que eu fique com ele aí ou aqui?
– Você decide.
– Eu fico com ele, sem problemas.
– E quanto vai ser?
– Nada.
– Ah , para com isso. Fala quanto você vai cobrar.
– Vemos isso depois, . Não precisa preocupar.
– Tudo bem. respondeu. – Era isso. Desculpa te incomodar.
– Não é incômodo. Ele é um amor, vai ser ótimo passar o domingo com ele.
– Tudo bem então.
– Ah, , a partir de que horas?
– Eu vou sair daqui uma e meia, pode ser essa hora mesmo.
– Certo, uma e meia estarei aí.
– Valeu mesmo, .
– Qualquer coisa pode me ligar antes.
– Tudo bem, obrigado e até domingo. agradeceu e desligou.
olhava curioso.
– Serviços da creche da tia . – respondeu à pergunta silenciosa do amigo e deu de ombros.
– Deus me livre de crianças. – falou franzindo o nariz numa careta e rolou os olhos. – Ainda mais as que correm, pulam, falam e gritam.
– Com você elas são assim, eu tenho o dom de lidar e controlar crianças.
– Eu sei, já vi de perto. – riu e afagou os cabelos dela. – Mas você está preparada pra isso?
Junior é uma gracinha, eu o adoro.
– Eu estou falando é do Pai. Você sabe que corre o risco de vê-lo com a namorada, não sabe?
– E daí? – perguntou e deu um risinho do falso tom de descaso usado.
, para com isso. Eu sei que você ainda não está bem pra lidar com isso.
– Eu já vi fotos, já vi os comentários que eles trocam o tempo inteiro nas fotos um do outro, e ele parece feliz com ela, . Se ele está feliz, que bom, fico feliz por ele.
– Fotos e comentários são diferentes de ver pessoalmente, você sabe muito bem disso. Eu vi como você ficou quando ouviu a voz dele, imagina encontrando com ele, na casa dele, e não poder fazer nada, já que não estão mais juntos.
, eu vou ficar bem. Já encontrei com ele duas vezes depois que tudo isso aconteceu e estou viva. A culpa é minha das coisas estarem assim e não vou abrir mão do dinheiro que vou ganhar pra fazer absolutamente nada, porque tenho contas a pagar. – falou e deu de ombros, mas antes que pudesse responder, ouviram batidas na porta.
se levantou e foi atender, dando de cara com Sergio Ramos.
– E aí, cunhado. – cumprimentou o homem com um aperto de mão e um sorriso, fechando a porta quando o irmão de entrou no apartamento.
– COMO É QUE É? – Sergio perguntou alto e assustado fazendo os outros dois gargalharem. – Vocês são dois idiotas.
– Sessy. – falou em tom manhoso e sorriu quando olhou para o irmão que estava parado no meio da sala. – A que devo a honra?
– Ao meu tédio. – Sergio respondeu sincero e se aproximou, dando um beijo no topo da cabeça da irmã, que ainda estava deitada no sofá.
– E o nariz, capi? – perguntou se aproximado.
– Ainda está do mesmo jeito, vou usar uma máscara por um tempo, posso jogar sem problemas se fizer isso. A outra opção é operar e ai teria que ficar uma eternidade sem jogar e eu não vou fazer isso.
– Aquele fodido te pediu desculpas? – perguntou e o irmão negou com um aceno de cabeça. – Vindo do tipinho de gente que joga naquele time, não me surpreende. Único ser humano que eu gosto de lá é o Nandinho.
não sugeriu quebrar o nariz do Hernandéz ela mesma?
– Sugeri. – respondeu dando de ombros. – Mas meu querido irmão não quis deixar.
– E ela sugeriu ao irmão dele, inclusive. – Sergio falou e deu uma risada.
– Você é completamente sem noção, . – riu. – E agora que você tem companhia, eu vou pra casa.
– Não precisa ir embora só porque eu cheguei, . – Sergio falou e deu um sorriso de lado.
– Eu já enjoei da cara da sua irmã, capi. Passei o dia inteiro com ela, preciso de folga.
– Eu te vejo amanhã de manhã, gracinha. E espero que você leve pelo menos cinco páginas pra eu ler e revisar. – falou depois que a abraçou em despedida. – E obrigada.
– Eu não quero mais a sua ajuda, você é pior que meu orientador. – resmungou dando um beijo no rosto de . – Nos vemos depois, capi.
– Com certeza. – Sergio respondeu e os dois trocaram um abraço antes de dar meia volta e sair do apartamento.
– Senta, Sessy. Você não vai crescer mais. – sorriu para o irmão, que se sentou no sofá e ela colocou a cabeça em seu colo. – Cadê meus sobrinhos e minha cunhada?
– Pilar foi ver uma amiga, os dois foram com ela e eu fiquei sozinho, abandonado e entediado, por isso resolvi vir te ver.
– Só lembra que tem uma irmã nessas horas, seu ingrato. – se fingiu de triste e Sergio riu.
– E então, como você está? – perguntou, fazendo um carinho nos cabelos da irmã mais nova.
– Bem. E você?
– Bem mesmo?
– E por que não estaria? – perguntou sem entender.
– Porque o está namorando. – Sergio falou em tom sereno, acariciando os cabelos dela e prendeu a respiração, sentindo o corpo travar. Não era possível que estava mesmo ouvindo aquilo.
– E o que eu tenho com isso? – ela tentou soar desentendida, mas não adiantaria, Sergio reconhecia qualquer tremular em sua voz.
– Além do fato de que vocês dois estavam juntos desde maio? – Sergio perguntou num tom óbvio e ficou calada. – Quem cala consente.
– Desde quando você sabe? – perguntou enquanto sentia o carinho que ele fazia em seus cabelos.
– Eu tenho cara de idiota, mas eu não sou idiota, . Eu desconfiei no dia que você foi ficar com os meninos e estava com um chupão enorme no pescoço, mas achei que podia ser apenas coincidência que vocês dois estivessem marcados daquele jeito, afinal você tinha aquela regra idiota, só que vocês se entregaram quando se viram no estacionamento do Bernabéu no dia seguinte depois do jogo. Depois eu fui prestando atenção em como vocês se comportavam e percebi que estavam namorando. E nem preciso mencionar a festa na casa do Dani…
– Nós não estávamos namorando.
, vocês estavam namorando, só não assumiram.
– Nós não estávamos namorando e eu estraguei a chance de estarmos. – falou e soltou um risinho sem graça. – perguntou quando resolveríamos a questão implícita entre nós e eu menti falando que não gostava dele do mesmo jeito que ele disse que gostava de mim e que não passaríamos do status de apenas amigos, justamente por causa dessa regra estúpida.
– E vocês não chegaram a conversar sobre isso de forma adulta e madura?
– Ele já perguntou tendo outra opção, mas ele não estava errado em fazer isso, em todo caso. – respondeu e deu um suspiro demorado. – Você não cogitou a ideia de nos matar?
– Cogitei a ideia de dar um soco em quando eu tive certeza que vocês dois estavam juntos, afinal você é minha irmãzinha mais nova, mas eu percebi que se ele te fazia ignorar aquela regra idiota, você devia gostar mesmo dele. E a vida é sua, não tenho que dar palpite em nada e nem te proibir de fazer as coisas, eu só gosto de implicar com você, porque você é minha irmãzinha. – Sergio falou dando um sorriso de lado que não viu. – E quando ele apareceu bastante mal-humorado no treino há uns dias, eu pensei que vocês tivessem brigado, que foi quando cogitei conversar com ele sobre tudo, mas não tive oportunidade de fazer isso, e depois vi como vocês mal se olharam lá em casa, foi o que eu precisei pra entender que ele estava tão mal humorado, porque vocês tinham terminado. E então ele assumiu o novo namoro, pensei que ele tinha superado e que estava mesmo tudo acabado.
– Acabou. – suspirou. – Foi a personificação do ditado “tudo que é bom dura pouco”.
– Ele gosta de você.
– Eu sei.
– E você gosta dele.
– Eu sei.
– Qual a dificuldade de resolver tudo isso então?
– Tem outra pessoa nessa história agora e ela não tem nada a ver com essa bagunça, não é justo com ela, que não tem nada a ver com os dois idiotas que criaram essa situação. Eu errei, perdi por uma idiotice e reconheço. Sei que é muito clichê falar que se ele está feliz eu também estou, mas é a verdade, ainda que dolorosa. Ele merece alguém que não tenha medo de se apaixonar por ele e aceitar isso, de falar que gosta e assumir para si, para ele e para o mundo inteiro. merece alguém assim, e esse alguém não sou eu. – falou e o irmão ficou em silêncio enquanto acariciava seus cabelos.

Aquela conversa a deixou mais emotiva do que imaginava ser possível, e ela acabou chorando em silêncio enquanto o irmão fazia carinho em seus cabelos. Quando percebeu que estava chorando, foi a vez de Sergio ficar sem reação e sentir o corpo travar. Nunca tinha lidado com a irmã chorando por uma decepção amorosa. Ele já tinha visto lágrimas de saudade, de raiva, de tristeza e de alegria vindas da irmã, mas nunca tinha visto aquele tipo de lágrimas. Lágrimas de tristeza por um coração partido, por dor de amor. E ele estava apavorado. Não sabia o que fazer ou falar, não sabia como se comportar diante de tamanha fragilidade da sua irmã mais nova.
Sua irmãzinha estava em seu colo derramando lágrimas por uma decepção amorosa. Obviamente, não era a primeira vez que ela estava chorando por isso, mas era a primeira vez que ela chorava por isso perto dele.
Em todas as vezes que chorou, pelo menos nas que foram choros ruins, ele tinha conseguido resolver, mas, naquele momento, não fazia a menor ideia do que fazer, falar ou de como agir.
Quando era apenas uma criança e chorava por medo do Bicho Papão, por um pesadelo, filme de terror ou por outra coisa que lhe apavorasse, Sergio tinha dado um jeito, deixava que ela dormisse em sua cama enquanto tivesse medo e foi ele quem a ensinou que o Bicho Papão não existia, que pesadelos sempre acabavam quando ela acordava, e filmes eram mentiras, que aquela história de “baseado em fatos reais” era só para vender mais.
Quando chorou pelo peixinho que morreu e do cachorrinho que fugiu, Sergio tratou de lhe conseguir outros e acabou com a tristeza da pequena me pelos bichinhos.
Quando ela ainda era uma criança de oito anos, e perderam a avó, Sergio era quem a fazia se lembrar das coisas boas que viveram com a matriarca, de todos os momentos únicos que tiveram ao lado da mulher e ele era o responsável por ajudá-la a tornar sua saudade da avó em um mar de boas lembranças em que amava mergulhar.
Os choros relacionados à mudança do irmão mais velho, de Sevilla para Madrid, eram solucionados com visitas semanais de , que estava sempre grudada ao irmão onde quer que ele fosse.
Quando o choro era causado pelas derrotas do time do coração, que sempre fora o Real Madrid, ou da seleção espanhola, Sergio compensava doando-se cada vez mais em campo, jogando com mais empenho e tornando-se uma referência de garra e raça. Se tornando um herói. E não só para ela.
Mas aquele choro de , o de coração partido e dor de amor, Sergio nunca tinha presenciado. E apesar de ser silencioso e contido, onde apenas as lágrimas escorriam, Sergio sentia como se estivesse soluçando e gritando, implorando por uma solução para o problema.
Sergio queria que aquilo molhando sua calça não fossem as lágrimas da irmã e sim que ela tivesse adormecido e estivesse babando, porque ele não sabia como lidar com aquela situação. Vê-la fragilizada daquele jeito era algo que ele nunca tinha imaginado que aconteceria. E por não saber o que fazer ou falar, escolheu ficar em silêncio, apenas continuou acariciando os cabelos de enquanto ela chorava silenciosamente.
E agradecia por isso.
Não queria ouvir nenhum clichê, sobre ela ter feito a escolha errada e que agora a vida seguiria. Não tinha mais forças para mentir que estava tudo bem, porque não estava e demoraria bastante a ficar.
Ela tinha se apaixonado e quando teve a chance de viver aquilo intensa e verdadeiramente, deixou escapar entre seus dedos por um medo bobo. Ela só queria chorar, colocar para fora a decepção e tristeza. Era daquele colo que ela precisava para chorar, o colo de quem não julgaria e que a deixaria chorar até que ela se cansasse. Sergio acariciou seus cabelos enquanto ela chorava. E chorou até dormir.

Capítulo 12 – All I know is…

…the answer is in the air (Walk in the Sun – McFly)

parou o carro à porta da casa de vinte minutos antes do horário combinado. Ela não queria chegar tão cedo, mas tinha se tornado muito difícil conter o nervosismo que cercava aquele momento e ela acabou saindo mais cedo de casa, dirigiu mais rápido do que gostaria e chegou cedo demais, mas podia ser que saísse logo que a visse e os dois nem ficassem no mesmo ambiente por mais que alguns segundos. E se não saísse, tentaria se distrair fazendo outra coisa com Junior e ignoraria a existência do pai do menino.
Depois de passar a semana se odiando por ter aceitado ficar de babá de Junior, acabou aceitando que não tinha mais volta e começou a mentalizar e a tentar planejar como agir naquela casa de novo, tão pouco tempo depois de tudo entre os dois ter se tornado aquele amontoado de nada.
Seria simples como fora no vestiário aquele dia. Tinha que ser. Os dois se tratariam com a cordialidade de conhecidos e pronto, mais nada. E seriam pouquíssimos minutos de convívio, não tinha como dar errado.
Mas deu.
Assim que a porta foi aberta pela namorada, reparou como a mulher era realmente estonteante. E percebeu, também, que tinha razão: não estava preparada para vê-la de perto e tampouco naquela casa, abrindo a porta e agindo como a namorada de , ainda que ela, de fato, fosse a namorada dele.
não tinha se atentado ao fato de que ia sair acompanhado da namorada e provavelmente por isso ele não levaria o filho junto. Merda. deu um sorriso sem graça para a mulher, que a olhava desconfiada.

– Eu posso te ajudar em alguma coisa? – Sara perguntou educada.
– Ah, desculpa. Oi, eu sou a babá. – falou dando um sorriso e estendeu a mão em cumprimento.
– Babá de quem? – Sara perguntou confusa.
– Do ?! – falou fazendo a cara mais óbvia que conseguiu. – Do menor, claro. – riu. – Junior.
– Mas ele vai sair com a gente. – a mulher pareceu mais confusa do que já estava, mas aceitou o cumprimento.
– Vai? – agora é quem estava confusa. – me ligou na segunda, pediu pra eu ficar com o Junior hoje, porque ele ia sair.
– Ele não ligou pra desmarcar? – Sara perguntou surpresa e negou com um aceno. – Não acredito que ele te fez vir aqui à toa.
– Quem é? – perguntou, mas de onde estava, não o viu.
– A babá. – Sara o olhou com cara de “você esqueceu de cancelar?”, e ele respondeu com a melhor expressão “sim, eu esqueci” que podia fazer.
– Entra, . – falou e deu um sorriso sem jeito, quando a viu passar pela porta.
A simples menção do nome de fez com que Junior, que estava deitado no sofá mexendo distraidamente no tablet, se levantar e correr até a mulher.
! – ele falou alto enquanto percorria o caminho do sofá até e a abraçou pelas pernas.
– Ei meu lindinho. – ela se abaixou para que se abraçassem direito, ganhando um beijo demorado no rosto e um abraço apertado do menino.
– Eu senti tanto a sua falta! – o menino reclamou e ela deu um sorriso.
– Eu também senti a sua, mi amor.
– Vem, , vamos brincar! – Junior pediu animado.
– Outra hora a volta e vocês brincam, filho. Nós vamos sair, esqueceu?
– Não vamos não. – o menino se virou pro pai usando um tom ultrajado e reprimiu a vontade de rir ao ver a cena. – Eu quero ficar com a .
– Você não quer ir com a gente? – Sara perguntou e ele negou com um aceno, mas sem se virar para olhá-la.
– Eu quero ficar com a . – Junior repetiu para o pai e agarrou-se à perna de .
não podia estar mais aflito com os acontecimentos daquele exato momento em sua casa: , sua ex-ele-não-sabia-como-nomear, estava parada no meio da sala, Junior estava agarrado a ela e implorando para que pudesse ficar ali, e sua atual namorada presenciando tudo sem ter a mínima ideia de quem era de verdade.
– Eu nem me apresentei. – Sara deu um sorriso simpático para , que o devolveu da mesma forma. – Eu sou Sara.
– Eu te conheço. – respondeu educada. – Já te vi na televisão. Eu sou .
– E irmã do capitão. – completou.
– Eu sabia que te conhecia! Eu te vi no dia do clássico, quando você passou pela área restrita procurando informações. – Sara sorriu ao, finalmente, lembrar de onde a conhecia.
– A própria. – sorriu de lado. – Mas menos descabelada e desesperada.
, vamos jogar bola! – Junior a chamou puxando a barra de sua blusa, atraindo a atenção da mulher para si.
– Você não cansa de jogar futebol, pirralho? – bagunçou os cabelos do filho e o menino sorriu arteiro para o pai.
– Você tem certeza absoluta que não quer ir? – ergueu o menino no colo e o olhou séria, vendo-o assentir positivamente e colocar as duas mãozinhas em seu rosto, fazendo carinho.
– Quero ficar com você, . – o pequeno sorriu e a abraçou, encaixando o rosto na curva do pescoço dela.
– Perdeu, , ele é meu. – riu e balançou a cabeça negativamente, dando um sorriso derrotado.
– Eu vou calçar um tênis, já volto. – falou e saiu da sala, deixando as duas e o filho para trás.
Precisava sair de perto daquele cenário, era angustiante demais presenciar todo aquele amor do filho por em contraste com a indiferença do menino por Sara, e ainda tinha o fato da conversa que teve com o irmão de naquela semana agora estar martelando em sua cabeça junto com um coro de “burro” por ter se esquecido de cancelar com .

– Você já foi babá dele muitas vezes? – Sara perguntou quebrando o silêncio e pareceu pensar se conseguia contar quantas vezes tinha cuidado do menino.
– Acho que não muitas, mas não sei quantas exatamente. Eu sempre fico de babá pros filhos do time do Real Madrid. Modrić, Nacho, Sergio e estão na lista preferencial, mas já cuidei de quase todas as crianças do time. E já cuidei da Nora e do Leo, filhos do Torres também.
– Você é babá mesmo ou faz outra coisa?
– Eu estou terminando a faculdade, faço Direito, mas fico de babá pra ganhar um dinheiro fácil e extra.
, eu ganhei um carrinho novo. Vou buscar pra você ver. – Junior se pronunciou e o colocou no chão, vendo o menino disparar escada acima para buscar o brinquedo.
– Acho que ele não gosta de mim. – Sara falou com um tom entristecido. – Ele mal me cumprimenta e não é de ficar perto quando estou aqui.
– Ele é muito tímido, então você tem que deixá-lo ir no tempo dele. é uma criança ótima, muito fofo, carinhoso e educado. Ele dá espaço aos poucos.
– Os seus sobrinhos são lindos.
– São. – concordou sorrindo orgulhosa – Puxaram a mãe, porque meu irmão só acha que é bonito, coitado.
– Nisso nós concordamos. – reapareceu na sala e observou como ele estava bonito.
Usava com uma roupa simples: calça jeans, um moletom e tênis, mas ele tinha aquele dom sobrenatural de ficar lindo usando qualquer coisa e de qualquer jeito.
– Não desfaça do meu irmão desse jeito, você já beijou aquela boca, . E duas vezes. – brincou e rolou os olhos. – E espero que o Morata não tenha ficado com ciúmes.
– Talvez tenha ficado um pouco. – riu, entrando na brincadeira. – Você quer mesmo ficar com ele? E, por falar nisso, cadê ele?
– Olha o meu carrinho novo, ! – Junior se anunciou falando alto enquanto voltava com o carrinho em mãos.
– Não corre descendo a escada, pirralho! Você vai cair! – alertou, mas o menino já estava descendo animadíssimo com o brinquedo novo em mãos e correndo na direção de .
– Meu pai me deu! Olha! É aquele que eu queria! – Junior disse animado parando perto de e lhe entregando o brinquedo.
– Que legal, mi amor! Vamos brincar um montão com ele! – disse sorrindo para o menino e lhe afagou os cabelos.
– Então nós vamos sair agora. – se abaixou e falou para o filho. – Comporte-se, por favor, polito. Daqui a pouco eu volto.
– Tchau, papi. – o menino o abraçou e lhe deu um beijo no rosto.
– Tchau, gracinha. – Sara se despediu de Junior com um aceno que não foi correspondido pelo menino. – Tchau , foi um prazer te conhecer.
– Digo o mesmo, Sara. – falou educada e sorriu para a mulher.
– Não vamos demorar. – disse e o olhou.
– Pois pode demorar sim, senti muita falta de brincar com meu fofinho e quero aproveitar nosso tempo juntos. – falou sorrindo sincera.

não pode deixar de sorrir junto ao ouvir aquilo, adorava a forma como era carinhosa e atenciosa com seu filho. Aquilo para ele valia o mundo. Sara estava com a mão estendida e os dois saíram da casa de mãos dadas. jogou aquela imagem no fundo de sua mente e se concentrou na criança que estava a sua frente animadíssima para brincar com ela naquele dia.
dirigia em silêncio, enquanto uma música qualquer tocava no rádio. Ele não fazia ideia do que era, quer dizer, talvez até fizesse, mas não estava prestando atenção. Batucava os dedos no volante num ritmo que nada tinha a ver com a música e a namorada, claro, percebeu.

– Você está bem? Parece preocupado. – Sara perguntou se virando para ele.
– Frustrado, na verdade. Não sou acostumado a ver o Junior preferir ficar com outras pessoas a ficar e sair comigo. – disse uma meia verdade, fazendo uma careta sem olhar pra mulher. – E ele é absolutamente apaixonado por . – completou dando um sorriso de lado. E antes fosse só ele.
– Ela também parece ser por ele. E parece ser bem legal.
– E ela é. – sorriu de lado ao confirmar. – Menos quando é torcedora fanática do time. Ela é insuportável quando cobra que a gente jogue bem. Consegue ser pior que Zidane e Bettoni juntos. Pior que o próprio irmão.
– Vocês têm esse nível de intimidade? – Sara perguntou num tom normal, não estava acusando ou inquirindo. Só curiosa.
Pra quê eu fui abrir minha boca?!
– Eu já a vi fazer isso com Lucas, Nacho, Modrić, Dani e Sergio, eles são bem próximos. – mentiu dando de ombros e sem olhar para o lado, mantendo os olhos fixos na rua.
– Vocês se conhecem há muito tempo?
– Desde que vim pra Madrid, mas não somos amigos. – Isco voltou a dar de ombros e olhou rapidamente para Sara, tentando parecer convincente. – Sergio que me contou que ela era boa com crianças quando eu estava com problemas pra arrumar uma boa babá pro , ele não se adaptava e nem gostava de ninguém, nem na escola direito, eu achei que ela seria mais uma na lista até o dia em que eles se conheceram e com menos de cinco minutos ele já a chamava de tia , a abraçava e beijava, além da risada solta e fácil que ele dava a cada cinco segundos. Eu estava fora da cidade, ele estava com Maria, a esposa do Nacho. Foi uma espécie de amor à primeira vista e desde então, ela quebra uns galhos pra mim.
parece ser realmente encantadora. – Sara disse num tom simpático. E ela é. – Diferente do irmão, que tem cara de quem está prestes a assassinar alguém a qualquer minuto.
– Depende de quem, mas Sergio é uma boa pessoa e um grande amigo. – disse dando uma risada.
– Ah! Eu adoro essa música. – Sara sorriu, aumentando o volume do rádio e cantando alto com o cantor.

Aquela música ele realmente não conhecia, mas Sara conhecia e fazia uma coreografia estranha enquanto cantava animada, que o fez dar um sorriso pequeno e voltar sua atenção para a rua. continuou dirigindo pela pouca distância que faltava para chegarem até a casa do tal amigo de Sara, pensando em como tinha sido burro e não deveria ter esquecido de cancelar com depois de tudo que tinha conversado com Sergio e ouvido o homem falar.

🤍⚽️ 🤍
colocou o carro na garagem e se encaminhou para o interior da casa, que estava completamente silenciosa, mas isso era esperado quando estava com as crianças. O andar inferior estava vazio, nem mesmo Bubu estava por ali, as luzes estavam apagadas e os brinquedos estavam guardados. subiu para o segundo andar, imaginando que estariam ali, e os encontrou no quarto do filho.
O menino estava dormindo aninhado ao corpo de , que fazia carinho em seu rosto. Pela hora, devia ter imaginado que encontraria aquela cena. também tinha os olhos fechados e só dava para saber que estava acordada pelo movimento da mão acariciando o rosto de Junior.
já tinha perdido a conta de quantas vezes ele a observara dormir pelas manhãs que acordavam na mesma cama e quantas vezes tinha ficado perdidamente encantado com a visão. Já tinha presenciado outras tantas vezes ela dormindo ao lado do filho depois de horas e mais horas de brincadeiras e era algo que ele nunca se cansaria de ver, porque os dois amam-se reciprocamente, não é nada forçado. sempre amou estar na presença de Junior e para isso era algo que não cabiam palavras para expressar.
Era como sua mãe sempre havia dito: “Quem meu filho beija, minha boca adoça”. E aquela era a definição perfeita.
, como se tivesse sentido a presença de , abriu os olhos devagar e o viu parado no batente da porta, observando o sono dos dois e deu um sorriso de lado para ele. Soltou-se do pequeno, que dormia um sono profundo e pesado, o ajeitou na cama, colocando a coberta inteira sobre seu corpinho e saiu do quarto com passos leves, encostando a porta atrás de si sem fazer barulho para não o acordar antes da hora. percebeu que ela estava com um dos seus moletons.

– Peguei sua blusa emprestada, desculpa. – disse num sussurro, tirando o moletom, quando estavam próximos um do outro no corredor.
– Não precisa tirar, depois você me devolve, . – respondeu também em tom baixo, mas já era tarde, tinha tirado o moletom e estava lhe entregando a peça. – Quando te vi chegar com essa blusa, achei que você tinha outra no carro. Essa época do ano sempre esfria muito por aqui quando anoitece.
– Eu não achei que fosse ficar aqui até essa hora, pra ser sincera. – respondeu dando de ombros.
Queria sair dali o mais rápido que pudesse e ir para casa, para os seus edredons e sua cama. Para bem longe de . E ainda precisava tomar um bom banho e tirar aquele perfume de si. Nunca fora adepta do masoquismo, não seria agora que começaria a ser.
– Desculpa pela demora. Os amigos de Sara são realmente muito falantes e…
– Sem problemas. – o interrompeu. Não queria saber sobre nada daquilo e queria ir embora. – Passei um dia realmente bom com ele.
– Desculpa não ter falado que você não precisava mais vir.
– Duvido que teria se divertido metade do que se divertiu se ele tivesse ido junto, porque você já teria voltado há horas. – falou em tom simpático.
deu um sorriso sem mostrar os dentes. Queria falar que metade de nada é nada do mesmo jeito, mas ficou quieto e apenas assentiu tentando parecer que concordava.
– E quanto te devo?
– O de sempre. – deu de ombros e ergueu a sobrancelha e deu um sorrisinho de lado, quase zombeteiro, o de sempre entre eles não era algo que pudesse acontecer entre os dois naquele momento. Ainda que fosse o que os dois queriam. – Não! Não esse de sempre, eu quis dizer o de sempre que os outros pais pagam. Pelo amor de Deus. – falou desesperada sentindo o rosto arder de vergonha.
– Eu sei. – respondeu rindo do desespero de e tirou o dinheiro da carteira. – Obrigado mesmo.
– Sempre que precisar.
– Ele te deu trabalho?
– Nunca dá. Ele é um fofo e eu queria roubá-lo pra mim, como sempre. – falou sorrindo, fazendo sorrir junto pela forma como ela demonstrava carinho por seu filho. – Mas agora você chegou, eu vou embora. Ele dormiu há uns trinta minutos mais ou menos, deixei seu jantar na cozinha, é só esquentar. E Bubu está deitado na cama também, fiquei com dó de deixá-lo sozinho.
– Vou com você até a porta. – falou dando um sorriso e os dois seguiram em silêncio até a porta da casa, no andar debaixo. – Mais uma vez, obrigado por ter ficado com ele, .
– Disponha, . E desculpa.
– Desculpar? Desculpar pelo quê? – perguntou confuso, enquanto o olhava nos olhos da forma mais profunda e aberta que já a tinha visto fazer.
– Por tudo. – respondeu e lhe deu as costas, caminhando até o próprio carro que estava parado ali na porta da casa.
Ela logo arrancou o carro e saiu do condomínio, sem que tivesse sequer a reação de ir atrás dela para que conversassem direito sobre tudo. Merda. Que merda. Ele fechou a porta e foi até o sofá, se sentando e encarando a televisão desligada, que refletia sua imagem na tela preta. A única coisa que lhe vinha à memória era a conversa que tivera com Sergio alguns dias antes.

Flashback

– Como você está? – Sergio perguntou se aproximando de na saída do evento da Audi em que tinham ganhado carros novos.
– Bem. E você? Como está o nariz?
– Melhorando. – Sergio respondeu, dando de ombros. – Mas você está bem mesmo?
– E por que eu não estaria bem, capi? – perguntou confuso.
– Pelo que aconteceu entre você e . Da forma como foi e da forma como terminou.
– Eu não faço ideia do que você está falando. – falou tentando passar segurança em seu tom e Sergio rolou os olhos.
– Faz sim. E eu quero conversar com você. Uma conversa séria, de homem pra homem.
– Quando quiser, capi.
– Pode ser na sua casa? – Sergio perguntou e assentiu. – Agora?
– Claro. Vou avisar Sara, porque ela ia pra lá.
– Eu não vou te matar, pode ficar tranquilo. Já sei desse namoro há muito tempo.
– Mas começamos a namorar tem pouco tempo. – falou confuso e Sergio rolou os olhos. Era claro que não estava falando de Sara. – Ah. Nós não éramos namorados.
– Até o discurso é o mesmo. – Sergio voltou a rolar os olhos. – Só vamos logo.
– Tudo bem. – respondeu e os dois saíram de Valdebebas. Cada um em seu novo carro, e seguiram até a casa de para que pudessem conversar. O caminho foi feito sem muita demora e logo os dois estavam na sala da casa, sentados no sofá. – Desde quando você sabe?
– Desde o começo. – Sergio deu um sorriso de lado. – Eu tenho cara de idiota, mas eu não sou. E vocês dois se entregaram no estacionamento do Bernabéu quando te ofereci carona pra casa, logo quando vocês ficaram pela primeira vez, depois ficavam de conversinha, trocaram olhares demais naquele jogo que fizemos após um treino, mediam muito as palavras e os movimentos que faziam quando eu estava por perto e acham que podem se beijar lá em Valdebebas sem que eu fique sabendo. Duas vezes ainda por cima.
– Você viu?
– Não, mas fiquei sabendo, vocês deviam ter pensado nisso. E eu nem preciso mencionar a festa na casa do Dani. Ou preciso?
– Não, não precisa. – respondeu rápido.
– Quando eu percebi que vocês estavam juntos, eu quis te matar, porque é minha irmãzinha que gosto de atormentar e proteger, mas me dei conta de que se algo estava acontecendo, era porque ela sentia alguma coisa de verdade por você. E você é um excelente pai, responsável e um bom cara para se relacionar, minha irmã estava em boas mãos.
– É, mas ela não quis e foi bem clara ao falar que ou era daquele jeito ou não seria de jeito nenhum. Eu gosto dela, mas estamos em momentos diferentes. Ela quer curtir a vida, eu já passei dessa fase e quero alguém pra ter algo sério e construir um futuro. Eu quero casar, ter mais um filho, talvez dois, uma família, não quero apenas curtição, baladas, bebidas e sexo sem compromisso. Eu tenho um filho pra criar. Não é saudável que ele veja uma mulher diferente saindo daqui todo dia. Não quero ser esse tipo de pai. – desabafou.
– Eu não sei em que momento a está, se é no de curtição ou não, mas sei que ela errou feio ao mentir o que sente e por defender aquela regra idiota.
– Quando ela foi pra Munique, eu comecei a sair com a Sara, porque, afinal, a gente não tinha nada, tínhamos ficado poucas vezes, mas as coisas foram avançando e se tornando… confusas. Nós trocávamos mensagens e ligações como bons amigos, conversávamos sobre coisas normais e sem segundas intenções e as coisas começaram a fluir e viraram aquilo que a gente tinha, mas eu não queria que ficássemos escondidos por mais tempo, eu queria que a gente assumisse que tinha alguma coisa de verdade entre a gente. Primeiro pra gente, depois pro resto do mundo. E ela parecia pensar da mesma forma, por isso eu falei que deveríamos resolver a situação. Eu fiquei muito decepcionado quando percebi que ela estava mentindo sobre o que sentia só pra defender aquela regra idiota que já tinha ido pro saco há muito tempo ao invés de assumir que também sentia alguma coisa.
– E você não se arrepende de ter começado a namorar tão em seguida?
– Não, capi. Eu gosto da Sara, ela é uma pessoa muito boa, a companhia dela é ótima. Ela não é sua irmã, mas gosto dela e sei que ela também gosta de mim, sem medo de assumir isso e sem desculpas. E estamos no mesmo momento de querer algo sério e concreto, não apenas diversão.
– Por sua causa eu fiquei sem reação pela primeira vez na minha vida essa semana. – Sergio falou e o encarou confuso.
– Eu? O que eu fiz?
– Estive no apartamento da , tivemos essa mesma conversa e ela chorou.
– Ela chorou? – perguntou perplexo, recebendo um aceno de cabeça do amigo em confirmação.
– Eu já tinha visto minha irmã chorar por vários motivos, Magia, mas nunca tinha visto um choro por decepção amorosa. E foi horrível. Ela chorou caladinha, mas era como se estivesse berrando me pedindo para resolver tudo e eu me senti de pés e mãos atados sem saber o que fazer. Ela chorou até dormir e eu fiquei lá feito um idiota sem conseguir acreditar que minha irmã tinha deixado o amor entrar de novo na vida dela. Eu achei que nunca mais veria a se apaixonar depois de o único namoro sério que ela teve dar errado, mas eu me enganei, ela se apaixonou e logo por um jogador de futebol, o tipo de cara que ela evitava a todo custo. Vi minha irmã dar foras e mais foras em jogadores, mas com você foi diferente. Ela gosta de você, Magia, e reconheceu que errou ao mentir e sabe que agora não tem mais jeito, afinal Sara não tem nada a ver com essa bagunça e não pode pagar pelos erros dela.
– E ela tem razão. – se pronunciou depois de um tempo digerindo tudo que foi dito pelo amigo. – A Sara não tem culpa de ter entrado no meio desse furacão e não pode pagar pelos nossos erros.
– Eu só quero te pedir uma coisa, . Uma única coisa.
– Claro, Sergio, se eu puder fazer, considere feito.
– Não coloque minha irmã na reserva e dê falsas esperanças de que um dia ela volta a ser titular na sua vida se você não tem essa intenção.
– Jamais faria isso. é uma pessoa maravilhosa, uma mulher fantástica e merece alguém que faça bem a ela e a quem ela também faça bem. E ela vai encontrar essa pessoa, porque ela é maravilhosa. E eu sinto muito por ela ter chorado por causa disso tudo.
– E eu sinto muito que não tenha dado certo entre vocês, mas só posso te agradecer por ter feito tão bem a minha irmã durante esse tempo.
– E eu a ela. – sorriu de lado.

Flashback OFF

tinha achando que parecia bem, já que foi extremamente simpática com Sara e teve uma postura tão firme perante os dois, nem passou pela sua cabeça como devia ter sido difícil para ela estar naquela casa e vê-lo com a nova namorada tão pouco depois do fim; mas depois do último olhar que recebeu e ali sozinho, percebeu que tinha sido mais do que difícil e que tinha doído bastante passar um tempo ali, naquela casa, e ver como estava com a vida caminhando para frente. Ele percebeu que tinha doído muito. E que doeria por muito tempo ainda. Porque tinha doído nele também.
não tinha coragem nem de enviar uma mensagem pedindo desculpas pela situação e sabia que se enviasse, responderia amenizando a situação e se fazendo de forte. era esse tipo de pessoa, que mascarava a própria tristeza para não deixar que uma pessoa de quem ela gostava se sentisse culpada, que se enganava dizendo que estava tudo bem quando, claramente, não estava. E ele detestava quando ela fazia isso, quando colocava a própria dor em segundo plano apenas para parecer mais forte do que realmente estava ou era.
Ele reconhecia, agora, que tinha sido um verdadeiro e completo idiota. Devia ter ido até a porta e conversado com ela lá ao invés de tê-la convidado para entrar. Não devia ter cedido ao que o filho queria, mas vê-lo feliz com era algo que amava, os dois sempre se deram muito bem e Junior gosta dela de um jeito que tinha superado todas as expectativas de . Ele devia ter enviado uma mensagem para cancelar assim que Sergio tinha ido embora de sua casa, mas tinha esquecido totalmente do combinado entre os dois.
Suspirou pesada e pesarosamente, não podia mais mudar o que tinha acontecido, e seu olhar desviou para a blusa de frio em suas mãos. Podia sentir o perfume dela sem precisar levar a blusa ao nariz. Podia sentir o cheiro dos dois misturado, como era antes, naquela combinação que parecia totalmente certa e da qual ele gostava tanto. Tirou a blusa que usava e vestiu aquele moletom com o cheiro de , de forma saudosa, e foi até a cozinha, esquentou o prato com o jantar e sentou-se para comer. Ela tinha se preocupado o suficiente para lhe deixar o jantar pronto. Como sempre. Ele tirou o celular do bolso e abriu o Instagram para passar o tempo enquanto comia.
Há tempos ele não olhava o Instagram de e quando o fez, se deparou com uma foto dela com Junior e Bubu tirada naquela tarde. Ela estava sentada no chão, Junior estava sentado em seu colo e dando aquele sorriso enorme que ele dava sempre que via ; Bubu estava no sofá, com a cabeça apoiada sobre o ombro de . “Meus dates do dia”, ela escreveu na legenda.
viu os comentários de Maria, falando sobre Ale e Nachito, viu um de Vanja, um de Alice e outro de Pilar. A mãe dela também comentou, assim como e outras pessoas que ele não conhecia. E então teve um comentário, o único ao qual ele se atentou de verdade. O italiano. “Anota aí que seu date de quinta a domingo sou eu. Tô chegando em Madrid.”.

 

Capítulo 13 – The dissonance…

…is killing me. (Emoji of a Wave – John Mayer)
estava sentado no vestiário da Ciudad Real Madrid, encarando de forma intensa a parede à sua frente.
Quinta-feira.
Aquele maldito comentário tinha atormentado por todos os dias daquela semana.
Quinta-feira.
O tal italiano estava chegando e passaria o fim de semana inteiro em Madri.
Quinta-feira.
Com .
Quinta-feira.
sabe que não tem o menor direito de sentir ciúmes, que o máximo que pode fazer é esperar que esse seja o cara certo, o que vai fazê-la feliz, já que ele mesmo não é.
Quinta-feira.
Mas a cabeça saber é diferente do coração entender.
Quinta-feira.
Seu mau humor se iniciou no domingo, logo quando leu o comentário deixado na foto, e piorou conforme o avançar da semana fazia com que a fatídica quinta-feira se aproximasse.
Quinta-feira.
Queria poder voltar no tempo e… E o quê? Voltar no tempo e nunca ficar com ? Voltar no tempo e não deixar que ela saísse do quarto naquele dia, indo embora e terminando tudo entre os dois daquele jeito catastrófico, doloroso e desnecessário?
Não era justo com Sara que ele se sentisse daquele jeito.
Não era justo com que ele se sentisse daquele jeito.
Não era justo com ele que ele se sentisse daquele jeito.
não era nada dele. Não mais. Nunca tinha sido, na verdade. Eles não eram nada além de amigos que transavam, ela mesma disse isso com todas as letras. Não cruzaram a linha, segundo ela, nunca houve nada sério entre os dois, era apenas sexo entre amigos. Se ela tinha se convencido daquilo, ele também deveria se convencer. Ou fingir se convencer para poder seguir sua vida em paz e deixar toda aquela história pra trás.
Quinta-feira.

– Até que horas você vai ficar me encarando com essa cara de quem está prestes a me dar um tiro? – Carvajal perguntou, atraindo a atenção de para si, depois de jogar uma toalha no amigo para despertá-lo de seus pensamentos.
– Eu não quero te dar um tiro.
– Assim espero. – o lateral riu, mas continuou sério. – E tá pensando em quê?
– Nada. – maneou a cabeça para os lados e Carvajal deu de ombros.
– Você finge que é verdade, eu finjo que acredito e fica tudo bem.
– Por mim parece ótimo. – falou, dando um sorriso sem mostrar os dentes, e ficou de pé. – E eu vou embora.
– Melhora essa cara, a Sara não vai acreditar em você. Se eu não acreditei, imagina ela que é sua namorada.
– Até amanhã. – respondeu simplesmente e saiu, sem se dar ao trabalho de despedir-se dos demais companheiros.

🤍⚽️ 🤍

Mas você não ia pra Sevilla esse fim de semana? – Sergio perguntou enquanto faziam uma vídeo-chamada.
– Ia, mas Gian vem passar o fim de semana em Madrid, talvez seja bom ocupar a cabeça com isso.
– Tem certeza?
– Eu acho que vai ser bom, Sessy.
– Não sei… – Sergio falou desconfiado. – Fala que você vai pra Sevilla e ele que se vire.
– O recesso de fim de ano começa em breve e vou pra lá ficar uns dias totalmente tranquila e curtindo nossos pais.
– Sei…
– Já avisei que ele está proibido de oferecer baladas ou saídas que me levem a não ficar perto dos meus pais durante três quartos do dia.
– E como foi no domingo? – Sergio perguntou e o breve silêncio que se seguiu foi suficiente para que ele começasse a interpretar a resposta que viria.
– Junior é uma gracinha, é sempre bom ficar com ele.
– E o pai?
– Quase não nos falamos. Ele saiu de perto quando eu cheguei e quando ele voltou eu procurei sair o mais rápido que pude.
– E Sara estava por lá. – Sergio afirmou e assentiu confirmando.
– Ela ficou surpresa quando cheguei, achou que ele tinha cancelado com a babá, já que o plano era levar Junior, só que quando ele ouviu meu nome, saiu do sofá e disse que ia ficar comigo e não sairia com os dois. Não teve nada que o convencesse do contrário. Ela foi muito educada e simpática, além de ser muito bonita. Pelo menos Junior ficou e deixou que os dois se divertissem. – deu de ombros, apesar de saber que não tinha sido assim tão divertido pela expressão que fez quando ela disse a mesma coisa a ele.
– Preciso ter uma conversa séria com o . – Sergio resmungou achando que a irmã não entenderia, mas ela entendeu.
– Não precisa nada. – disse séria encarando a imagem do irmão na tela do celular. – Ele deve ter esquecido de cancelar e tudo bem, porque eu passei uma tarde agradável com o Junior e eu ainda ganhei um bom dinheiro sem fazer esforço. A vida anda pra frente, Sessy. Eu o verei de qualquer forma, ele joga no meu time e na seleção. E é seu amigo. A culpa foi minha, eu fiz merda, eu arco com as consequências.
– Se você está dizendo…
– Sim, eu estou. E quero que você me prometa que não vai falar nada com ele sobre isso. De agora em diante, porque eu tenho certeza que você já falou.
– Talvez eu tenha conversado com ele.
– Nosso pai não se chama Sergio Ramos García, sabia?
– Sabia, mas seu irmão mais velho, que te ama e se preocupa com você, sim.
– Você é um anjinho.
– E então, você vem?
– Vou. Posso levar Gian?
– Ele vai dormir na sua casa?
– Provavelmente. – falou e deu de ombros. – Ele está na cidade para um congresso de engenharia e acabou unindo o útil ao agradável.
– Só… tenha cuidado, ok? – Sergio disse usando o tom de irmão mais velho preocupado e se segurou para não rir da cara que o irmão fez. – E, sim, pode.
– Você vai viajar pra Bilbao?
– Acho que sim, já posso jogar.
– Você é nosso Batman. – falou observando a imagem do irmão usando aquela máscara e Sergio lhe deu um sorriso. – O herói que nós precisamos, mas não merecemos.
– Você sabe que a frase certa não é essa, não sabe? – Sergio perguntou rindo.
– Sei, mas adaptei pra você, Sessy. Vou buscar meu visitante, nós nos vemos mais tarde. – falou dando um sorriso e mandou beijos para o irmão, encerrando a chamada e tratou de entrar no carro.

dirigiu sem muita pressa, ao som de Oasis, coisa que ela raramente fazia, cantando a plenos pulmões a música “Magic Pie”. A distância entre seu estágio e o local do congresso não era grande, e mesmo que o trânsito estivesse começando a ficar intenso, logo estacionou o carro à frente do belo prédio em que a tal conferência estava acontecendo.
Assim que desceu do carro, o viu e percebeu que Gian conseguia estar mais bonito do que se lembrava e também parecia mais alto do que estava há alguns meses. Ele não demorou a vê-la e despediu-se do grupo de pessoas com quem conversava, seguindo até onde estava, arrastando uma pequena mala, parando próximo do local em que ela o esperava.

– Você é o meu Uber? – Gian brincou e deu um sorriso.
– Uber, guia e hotel. – respondeu em tom divertido e os dois se abraçaram demoradamente. – Você passou o dia inteiro aqui e está cheiroso. Por favor, me ensine esse segredo.
– É um dom natural. – Gian falou convencido e piscou. – Mas você também está cheirosa.
– Fui em casa antes de ir pro estágio e tomei banho. – respondeu fazendo uma careta.
– Gostei da roupa de trabalho.
– Às vezes eu preciso me vestir feito a Barbie. – respondeu e fez uma careta. – Não posso trabalhar todos os dias usando camisa do Real e tênis, como eu fazia em Munique.
– Tá parecendo aquelas advogadas de seriado. – Gian brincou e riu.
– Sou a própria Jessica Pearson. – piscou, fazendo Gian dar uma risada pela comparação feita. – Agora vamos, porque hoje temos um lugar pra ir.
– Temos?
– Sim, vamos na casa do meu irmão. – falou em um tom banal e deu de ombros, indo para o lado do motorista e Gian a encarava boquiaberto. – Que é?
– Vamos pra casa do Sergio Ramos?
– Se você ficar parado com essa cara de tonto ao invés de entrar no carro, não vamos. – falou rindo. – Coloca logo essa mala no porta-malas e vamos, eu ainda preciso tomar banho e aposto que você também vai querer.
– Tudo bem. – respondeu ainda em choque, mas obedecendo o que tinha sido dito, e logo os dois seguiram até o apartamento de .

Durante o trajeto, Gian contou sobre a última semana que passou em Munique sem ela, sobre um dos colegas de sala que tinha ficado bastante interessado em , mas que além de achar que ela e Gian tinham algo, ele a achava muito intimidante para tentar alguma coisa; e que o congresso em Madri ainda duraria todo o dia seguinte, mas ele teria o fim de semana livre e talvez conseguisse ficar até terça-feira, se conseguisse uma folga em Turim. Não demoraram a chegar ao prédio de e logo estavam no apartamento dela.

– Pode colocar sua mala no quarto e ir tomar banho. – falou assim que entraram no apartamento.
– E por que não tomar banho juntos? – Gian sugeriu dando um sorriso de lado e teve que respirar fundo para não pular no colo daquele homem maravilhosamente indecente e bonito.
– Eu mentiria se dissesse que não é uma excelente ideia, mas não podemos demorar, Sergio é chato demais com horários.
– Não vamos demorar, em nome do meio ambiente. – Gian piscou.
Os dois seguiram pelo corredor até o quarto, pegou sua própria toalha e uma toalha limpa no guarda-roupa para que ele pudesse usar, mas quando virou-se, deu de cara com Gian, que estava perigosa e deliciosamente perto, tinha um dos braços apoiados na porta do guarda-roupa e a olhava nos olhos.
– Aparentemente, vamos demorar antes mesmo de entrar no chuveiro. – falou dando uma risadinha.
Gian não se ocupou em responder, apenas trouxe o corpo de para mais perto, envolvendo-a pela cintura e os dois se beijaram. As mãos dele a seguravam firmemente, e agradecia mentalmente por isso, já que se dependesse apenas de si, estaria no chão; as mãos dela estavam nos ombros largos e fortes do rapaz. Tinha sentido falta do sexo com ele.
– Acho que a gente pode deixar o banho pra daqui a pouco, porque precisaremos bastante. – Gian falou quando se separaram para tomar fôlego e apenas abriu os botões da camisa que ele usava e jogou pelo chão, observando cada detalhe daquele abdome esculpido pelos deuses do Olimpo.
– Você conseguiu a proeza de ficar mais bonito e mais gostoso desde a última vez em que eu te vi. – falou, esquadrinhando o corpo dele com os olhos.
– Acho que posso dizer o mesmo, mas tem roupa demais atrapalhando meu julgamento. – Gian respondeu com segundas intenções.
– Então é hora de resolver esse problema. – ela ergueu a própria blusa e a jogou pelo chão, conduzindo Gian até sua cama. Ele abriu o sutiã que ela usava antes que pudessem se deitar e deu um sorriso safado.
– É, eu realmente posso dizer o mesmo. – Gian sorriu antes de deitá-la na cama e se deitar por cima de , sem deixar que seu peso todo caísse sobre ela, e os dois voltaram a se beijar.

🤍⚽️ 🤍

– Achei que você não chegaria mais. – Sergio implicou quando abriu a porta e viu a irmã parada ali.
– Meu hóspede teve uma crise existencial sobre vir ou não para a casa de Sergio fucking Ramos – imitou toscamente o tom de voz de Gian ao falar sobre a ida até a casa do zagueiro. – e isso me atrasou um pouco, mas o importante é que eu cheguei. – falou e deu um passo até que estivesse dentro da casa e abraçou o irmão que não via há dias, sendo abraçada de volta com a mesma intensidade e ganhando um beijo demorado no rosto.
– É um prazer revê-lo, Sergio Ramos. – Gian o cumprimentou com um aperto de mãos e estava visivelmente sem graça de estar ali. A porta foi fechada pelo dono da casa.
– Sinta-se à vontade. – Sergio disse simpático, mas soou mais sério do que pretendia.
– Cadê as minhas crianças e a cunhada mais linda de todas as cunhadas que eu já tive na vida? – perguntou, já que não havia sinal de vida naquela casa e não tinha barulho algum.
– Estão lá nos fundos. Os meninos estão brincando com Ale, Nachito, Liam e Júnior. – Sergio disse em um tom quase monótono e sentiu todos os músculos travarem ao ouvir o último nome.
Como podia ter esquecido que ele também estaria ali? Ele sempre estava! Automaticamente se lembrou do domingo que passou com Junior e da conversa que os dois tiveram.

Flashback

Estava frio e precisava de uma blusa de frio se não quisesse ficar doente ou congelar. não se importaria se ela pegasse uma emprestada por algumas horas. E ela podia devolver antes que ele chegasse, em todo caso, então ele nem ficaria sabendo. só precisava se esquentar, estava realmente sentindo muito frio. Tinha saído de casa apenas com uma camisa de malha, não imaginou que o dia fosse esfriar tanto. E nem que ficaria tanto tempo fora.
Arrependeu-se amargamente da escolha de pegar uma blusa emprestada no momento em que entrou no quarto de e sentiu o perfume que ela tanto gostava de ter em seus lençóis e em suas próprias roupas. O perfume do qual sentia tanta falta que não sabia como colocar em palavras. Quase desistiu de pegar um moletom, mas o vento frio que entrou sabe Deus por onde, a fez continuar caminhando até o closet. Pegou um moletom vermelho, era grosso e ela já o tinha usado algumas vezes, sabia como era quente e confortável.

– Você está com fome? – perguntou a Junior quando voltou para a cozinha e o menino assentiu. – E o que quer jantar?
– Não sei. – o pequeno deu de ombros, erguendo as mãozinhas e apertou as bochechas dele.
– Que tal se eu fizer aquele macarrão que você adora? – perguntou sorrindo e o menino bateu palminhas animado.
– Batatinha também?
– Será que tem aqui?
– Papi comprou. – Junior apontou para a geladeira e deu um sorriso.
– Então vou fazer com batatinha também. – sorriu, pegando um avental para não sujar a roupa que usava.
, você gosta mais do Batman ou do Superman?
– Do Batman, mi amor. – falou colocando a panela com a água para cozinhar o macarrão no fogão e se virou pra ele. – E você?
– Do Batman também. – o pequeno sorriu. – Mas eu gosto bem mais de você.
– Eu também gosto muito mais de você do que do Batman. – respondeu, dando um sorriso e se aproximou, batendo de leve o indicador no nariz do menino, que riu.
– Você gosta do papi?
– Gosto, mi amor, somos amigos.
– Então por que você não vem mais aqui? – Júnior perguntou inocente e a encarou, com os olhos que classificava como os mais lindos do mundo. Não era possível que aquela criança tivesse apenas três anos e estivesse falando aquele tipo de coisa.
– Agora você não precisa mais de babá, mi amor, seu papi consegue cuidar de você e tem a ajuda da Sara.
– Eu não gosto dela, eu gosto de você e do papi.
– Ela é legal, , você tem que dar uma chance pra ela.
– Não é não. – ele franziu o nariz numa careta. – Ela é chata, bem chata.
– Não fala assim, , a Sara é a namorada do seu pai e ela gosta de você.
– Eu não gosto dela, prefiro você. Papi devia namorar você. – o menino falou sorrindo e quase teve um troço ao ouvir aquilo.
– Por que você não assiste um pouco de televisão enquanto eu faço o nosso jantar? – perguntou fugindo do assunto.

Junior assentiu, saindo da cozinha acompanhado de Bubu e indo até a sala. Ela ouviu a televisão ser ligada, acompanhada de uma música de desenho, e respirou fundo, tentando reencontrar a concentração, não podia ficar pensando e remoendo aquele assunto, tinha que fazer o jantar e cuidar do menino. Só. Até porque não existia “aquele assunto”, ela mesma tinha dado um basta em tudo e agora tinha que lidar com as consequências dos próprios atos.
E lidar com as consequências não incluía ficar remoendo pensamentos sobre um possível relacionamento que não mais aconteceria.
Quando tudo estava pronto, chamou Junior e o menino voltou para a cozinha, com Bubu em seu encalço, e se sentou à mesa para jantarem sua comida favorita: macarrão com batata frita.
Depois de jantarem, conversando um pouco e vez ou outra dando batatas fritas a Bubu, os dois assistiram um pouco de desenhos. achou que chegaria antes dela colocar o menino para dormir, mas não aconteceu. Quando ele começou a dar sinais de que queria dormir, levou Junior para escovar os dentes e depois foi colocá-lo na cama, estava ficando tarde e o ele teria aula no dia seguinte.
Deitaram-se na cama de Júnior e leu uma história para que ele dormisse, como fazia antes, quando era presença constante naquela casa e não apenas eventual. Estava tarde e parecia que tinha mesmo seguido o conselho de não se apressar.

– O meu papi gosta de você, . Ele que falou. – Júnior falou sonolento e se aninhou mais ao abraço dela. – Gosta dele de novo, .
– Eu gosto, mi amor. – respondeu acariciando o rosto do menino e o viu fechar os olhinhos e começar a dormir sentindo o carinho. – Mais do que devia.

Flashback OFF

– Ei, , você me ouviu? – Gian se aproximou de , abraçando-a pela cintura, e ela despertou dos pensamentos, percebendo que Sergio não estava mais ali.
– Não, desculpa. O que você disse?
– Aconteceu alguma coisa?
– Só estou pensando que provavelmente vou passar o resto da noite como o brinquedo favorito de diversas crianças, sem poder ficar perto de você. – mentiu, dando um sorriso cansado.
– Temos a noite inteira pra isso. – Gian respondeu, dando um selinho rápido nela.
– Você vai gostar do pessoal. – falou, dando um sorriso que previa bem a futura reação dele ao saber quem estava ali.
– Que pessoal?
– Nacho, Modrić e já estão aqui. Lucas, Marcelo e Kovačić devem aparecer mais tarde, além do Dani Carvajal. E, sei lá, talvez todo o resto do Real Madrid resolva aparecer. – deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Bom, para ela era.
– Você está falando sério? – Gian perguntou com uma expressão que variava entre choque e surpresa.
– Estou. Anda logo. – riu da expressão dele e o puxou pela mão até que estivessem na área externa da casa.
Nacho, Lucas Vázquez, Luka Modrić, Mateo Kovačić, Dani Carvajal, , Marcelo e Toni Kroos estavam ali, junto com Maria, Macarena e Pilar.
– Chegou quem faltava. – Maria falou ao ver se aproximar, fazendo todos os presentes se virarem na direção dela.
E a expressão de foi de amistosa, pela conversa com os amigos, à surpresa ao ver ali e acompanhada, sofrimento, por vê-la tão sorridente com aquele italiano, e terminou em algo entre o desprezo e o orgulho ferido, tentando não transparecer tanto seu incômodo ao vê-los ali tão à vontade, de mãos dadas e portando-se como um casal.
– Que bom que você finalmente desencalhou, . – Lucas implicou rindo.
– Ah Lucas, vá se fod…
– Cuidado com essa boca. – Sergio disse sério, olhando para as crianças, que estavam um pouco distantes, totalmente absortas em sua brincadeira.
– Gente, esse é o Gian. Um amigo meu. – disse sorrindo e o apresentou aos presentes e se virou para ele, falando em inglês. – Você conhece todos eles, então nem vou perder meu tempo.
– Sim. – ele falou baixo e quase em choque ao observar os jogadores que estavam reunidos ali.
– Só se mantenha longe do Lucas, ele é o mais insuportável de todos. Não sei como a Maki aguenta.
– Amor. – Lucas respondeu em inglês, fazendo careta e rolou os olhos, dando uma risada em seguida.
– Dani também é desses. Não parece, mas ele é um idiota insuportável e sem noção. Essa carinha de bravo e sério só serve pra dentro do campo. – advertiu, zombando de Carvajal.
, imagina um palavrão bem feio na sua cabeça. Acabei de te xingar com ele. – Carvajal respondeu, fazendo a expressão mais séria que conseguiu e riu.
– E o que tem pra comer? – perguntou olhando para o irmão.
– Morta de fome. – Sergio disse e rolou os olhos.
! – Junior foi o primeiro das crianças a vê-la, largou os brinquedos, levantou e correu até ela, que se abaixou para abraçá-lo e foi abraçada com força.
– Como você está lindo, mi amor. – sorriu para o menino.
– Vem brincar com a gente, ?! – Júnior pediu, se soltando do abraço e dando pulinhos animados.
– Cuidem direitinho do Gian. E agradeçam a ele por La Duodecima. – falou e ficou de pé, apontando para Gian, antes de ser puxada por Junior até onde o grupo de crianças brincava e logo pararam todas as brincadeiras e foram abraçá-la. Gian sentou-se, ironicamente, ao lado de .
– Você fala espanhol? – Marcelo perguntou em espanhol e Gian negou com um aceno.
– Só sei alguns palavrões que ela me ensinou. – respondeu em inglês.
– Então vamos fazer o possível pra conversar com você. – Nacho falou simpático e deu uma risada.
Inglês não era um idioma que todos eles dominassem de verdade.
– Então quer dizer que você é o novo cunhado do capi? – Carvajal perguntou, com o inglês cheio de sotaque, num tom divertido, estendendo uma cerveja para Gian, e sentiu a mandíbula travar ao ouvir aquilo, precisava fingir que estava tudo bem, afinal ninguém sabe de nada e ele não poderia dar bandeira.
– Não. – Sergio foi quem respondeu e Lucas deu uma gargalhada.
– E como vocês se conheceram? – Maria perguntou curiosa.
– Em Munique, naquele intercâmbio de férias. Nós dividimos apartamento pelos dois meses. – Gian respondeu.
– Ah, então ele é o “fulano” que você falou incansavelmente sobre? – Carvajal perguntou rindo para Sergio.
– Não tiro a razão dele. – Gian falou e deu um sorriso de lado, deixando que cada um interpretasse sua fala como bem entendesse.
E entendeu bem o que ele quis dizer com aquilo.
Idiota e exibido.
– E o que é essa história de agradecer por La Duodecima? – Nacho perguntou sem entender.
– Torço pra Juve. – Gian respondeu num resmungo e Lucas deu uma gargalhada.
– Cara, eu sinto muito mesmo por você ter conhecido a chata da logo em seguida. – Carvajal disse ainda rindo. – Ela deve ter enchido seu saco, porque ela é insuportável e não tem limite.
– Encheu. – Gian concordou dando um sorriso. – Passei dois meses ouvindo esse “obrigada por La Duodécima” todos os dias.
sabe ser muito chata quando quer, principalmente quando envolve futebol. – Sergio falou quase envergonhado e Gian assentiu rindo.
– Mas ela joga bem, salvou meu time nos jogos que fazíamos na Universidade. Só que também gosta de provocar os adversários, um dia eu achei que ela ia apanhar.
– Por quê? – Macarena perguntou assustada.
– Porque soltou um “quem manda na Alemanha é o Real Madrid” quando fez um gol e saiu comemorando.
– Ela fez isso? – Luka Modrić perguntou rindo.
– Fez. – Gian respondeu rindo ao relembrar do dia. – Provocou os torcedores do Bayern só pra desestabilizá-los e a gente ganhar um jogo que não valia nada, mas que segundo ela “valia a vitória”.
– É irmã do Sergio Ramos mesmo, não nega. – Mateo Kovačić falou rindo.
– Eu sempre quis que a Juve te tirasse da Inter. – Gian confessou, falando com Mateo. – Queria todos vocês por lá, pra ser sincero. E Cristiano.
– Eu principalmente. – Lucas disse convencido, fazendo os amigos rirem.
– Isso eu duvido muito. – Sergio implicou.
– Mas vocês têm bons jogadores, não precisam da gente. – Luka Modrić falou sincero. – Principalmente Buffon.
– Ele é ótimo mesmo. – Gian deu um sorriso orgulhoso.
– Pena que o Cris não pode vir hoje. – Marcelo falou e Gian arregalou os olhos ao ouvir a menção do nome do português.
– Ele disse que viria, achei estranho ter cancelado. – Sergio Ramos falou para Marcelo.
– Parece que o Mateo não está muito bem e o Cris pequeno também não, ele ficou em casa pra cuidar dos dois junto com a Geo. – Marcelo respondeu e Sergio Ramos assentiu como quem tinha entendido.
– Pela cara do italiano, se o Cristiano estivesse aqui, ele teria desmaiado.
– Meu sonho é que ele um dia vá pra Juventus. – Gian falou dando uma risadinha sem graça. – Sei que é impossível, mas sonhar não paga.
– Sonha mesmo, porque só em sonho. – Sergio Ramos brincou.

A conversa seguiu entre o grupo, falaram sobre futebol, claro, além de Gian contar um pouco sobre a própria vida em Turim, o que estudava e o que fazia por lá, contou sobre os meses em Munique, omitindo a parte em que ele e tinham se envolvido, e sobre a Itália, trocando algumas poucas palavras em italiano com Mateo Kovačić, que tinha jogado na Internazionale por um tempo antes de se mudar para Madri.
continuava brincando com as crianças, envolvida demais com a energia do grupo, correndo e rindo junto com eles, antes de Maria chamá-la, prometendo às crianças que logo a devolveria e poderiam passar a noite brincando com a mulher. As duas foram se sentar num local mais afastado do grupo, que ainda conversava.

– Seu namorado é bonito. – Maria falou quando se sentaram distantes e deu um sorriso.
– Ele não é meu namorado. Nós nos conhecemos em Munique, ficamos e só, ele está na cidade por uns dias e resolvemos fazer um remember. – deu de ombros. – Nada além de sexo casual.
– Você já viu a cara que o tá fazendo pra ele? – Maria perguntou receosa e suspirou.
– Estou evitando olhar pro , por tudo que aconteceu entre a gente ainda ser recente, mas ele vai se sentir mais ou menos como eu me senti quando o vi com a namorada, ainda que Gian e eu não tenhamos nada sério. – respondeu dando de ombros, num tom quase triste.
Maria olhou discretamente para o grupo e apertava a garrafa que tinha em mãos quase com força o suficiente para quebrá-la, além de olhar de desdém que direcionava ao rapaz, que estava numa conversa animada com Mateo Kovačić, Dani Carvajal e Lucas Vázquez.
– E qual o assunto secreto das duas? – Pilar apareceu com Macarena e as quatro formaram uma pequena rodinha.
– A cara do pro namorado da , aposto. – Macarena foi quem falou, em tom baixo, dando um sorriso sugestivo para .
– Gian não é meu namorado, apenas sexo casual. E não há motivos pro olhar torto pra ele. – falou, tentando não se entregar quanto a última parte.
– Essa mentira cola com eles, , que são tapados e não prestam atenção em sinais. – Macarena falou rindo. – Porque a gente conseguiu reparar que o não curtiu muito a sua chegada com o acompanhante e está se contorcendo enquanto escuta a voz dele e as provocações dos outros com seu irmão.
– Mas o Gian não é meu namorado mesmo. – respondeu e deu de ombros antes de retomar a frase. – E isso com … é complicado.
– Ele não estava namorando? – Macarena perguntou confusa.
– E está. Só que antes de namorar essa, ele namorava a . – Maria foi quem se pronunciou, em tom baixo, e retomou a fala antes que a interrompesse para falar que os dois não tinham namorado. – Ainda que ela insista em dizer que os dois não namoravam, que o que tinham era apenas era algo físico e casual. Namoraram em segredo.
– Em segredo, mas nem tanto, porque o Sergio percebeu rapidinho. – Pilar falou baixo. – E ficava testando os dois. Ele foi na casa do uma vez, porque sabia que estava lá. E até hoje ele não acredita que estava errado.
– Mas ele não estava errado. – falou baixo, mas rindo. – Eu estava mesmo lá, prestes a vir embora quando o Sergio chegou, mandei uma mensagem pro me buscar, pulei a janela do quarto enquanto o conversava com ele no andar debaixo e sai correndo do condomínio. Uma cena digna de filme.
– Você é doida? – Macarena perguntou rindo. – Aquela janela é alta demais!
– Eu sei. – reclamou. – Mas ou eu pulava e garantia que chegaria à casa de antes do Sergio, ou ficava esperando ele ir embora e colocar metade de Madri atrás de mim quando não me encontrasse.
– Então vocês dois namoraram em segredo? – Macarena perguntou curiosa e assentiu. – E por que terminaram?
– A regra de ouro, claro. – Pilar respondeu e voltou a assentir, suspirando.
– A regra idiota, você quis dizer. – Macarena falou e Pilar concordou, fazendo voltar a suspirar.
– Nós tivemos uma discussão não muito legal, ele me botou contra a parede perguntando qual era a nossa situação, eu menti, terminamos e ele arrumou outra.
– E arrumou outra pra tampar o buraco que você deixou, porque ele está prestes a ter um colapso nervoso ouvindo que você tem um novo namorado e tendo que ficar perto dele. – Maria disse olhando disfarçadamente para , que estava sentado com os demais, o foco estava na garrafa de vidro que tinha em mãos e era possível ver que estava fazendo bastante força para não falar alguma coisa enquanto ouvia a conversa animada dos demais.
– Vocês não chegaram a conversar depois da briga? – Pilar perguntou e negou com um aceno de cabeça.
– Passei o dia remoendo aquela briga, mas quando tomei coragem de conversar, naquele dia mesmo, ele tinha devolvido todas as minhas coisas que estavam na casa dele e foi quando eu entendi que tínhamos terminado e não tinha mais conserto. – respondeu triste.
– E ele foi bem rápido pra arrumar outra. – Macarena disse e assentiu.
– Ele já saía com ela, mesmo enquanto a gente ficava, então só oficializou.
– Vocês vão ficar de complô longe de nós, panelinha? – Lucas perguntou alto, atraindo a atenção das mulheres, que logo se viraram para ele.
– Vamos, porque você é chato. – respondeu rindo.
– Vai deixar seu namorado sozinho, ? – Luka Modrić perguntou para provocar Sergio.
– Eles não são namorados. – Sergio se pronunciou, fazendo Carvajal e Lucas gargalharem.
– É melhor a gente ir, pra evitar um homicídio na frente das crianças. Olha a cara do . – Maria falou baixo e as quatro observaram de forma discreta que estava perigosamente perto de Gian, e voltaram para perto do outro grupo.
passou para a cadeira do lado e acabou sentada entre ele e Gian.
Seria cômico, se não fosse tão trágico.
pegou a garrafa que estava na mão de Gian e tomou um gole grande, naquele momento apenas o álcool tornaria possível suportar o ambiente, já que não podia simplesmente ir embora, estavam ali há menos de uma hora e isso seria bastante suspeito. estava totalmente alheia às conversas e risadas que aconteciam entre os outros componentes do grupo, até que Lucas, sempre ele, a incluiu na conversa.
– Eu jurava que você e tinham alguma coisa. – Lucas falou e se virou para olhá-lo.
– Temos. – deu de ombros e os demais a olharam surpresos. – Amizade.
– Ah, mas não tô falando de amizade. Só se ela tiver benefícios.
– Deus me livre! – falou fazendo uma careta. – Disso com , no caso.
– Já basta ter que aguentá-los sendo amigos desde pequenos, imagina ter que aguentar os dois namorando. – Sergio fez uma careta e assentiu.
é igual ao Sergio pra mim. Só que lindo. – falou rindo e os demais riram junto.
Menos Sergio, claro. E .
– E quem disse que eu não sou lindo?
– Eu estou dizendo. – falou rindo. – Linda é a Pilar, você é, no máximo, organizado. E não é sempre, ultimamente você anda se superando em ser desorganizado.
– Organizado é uma ótima forma de chamar uma pessoa de feia, mas sem ofender muito. – Nacho falou rindo.
– Sese é puro estilo, , respeita o capi. – Marcelo caçoou do amigo.
– Estilo quem tem é o Benzema, o Sergio é algo perdido entre todas as roupas do Daniel Alves e aquele smoking vermelho do Messi. – falou rindo.
– Cala a boca, . – Sergio Ramos reclamou.
– A verdade dói, né maninho? – provocou.
– Estilo e moda são conceitos subjetivos, . – Pilar defendeu o marido e o abraçou.
– No caso do Sese, são conceitos alternativos. – Marcelo implicou e Sergio Ramos lhe mostrou o dedo do meio depois de praguejar um palavrão.
– Vou pegar mais cerveja, alguém quer? – perguntou quando viu que o cooler estava vazio.
– Eu quero. – Gian respondeu.
– Você vai dirigir, . Tenha responsabilidade e pare de beber. – Sergio disse sério e ela rolou os olhos.
– Ela bebe mais do que todos vocês juntos sem problemas, mi amor. – Pilar saiu em defesa da cunhada, que concordou com um aceno de cabeça.
– Ela ser resistente não significa que pode sair burlando leis. Leis que ela tá estudando pra defender, inclusive. – Sergio falou sério.
– E é por isso, capi, que a noite do poker nunca acontece na sua casa, porque você é muito implicante. – Carvajal disse rindo. – , eu quero uma cerveja.
– Vocês é que são irresponsáveis. – Sergio falou sério e Carvajal rolou os olhos.
– Só mais uma, hermanito. – disse rindo debochada e saiu de perto do grupo, ouvindo a conversa se afastar quando entrou na cozinha da casa em busca das garrafas de cerveja.

Abriu a geladeira, pegou as duas caixas de Heineken que estavam ali e as colocou sobre o balcão, aproveitando para se servir com um grande copo de água. queria se manter distante do lado externo da casa o máximo que pudesse, precisava de ar para pensar em uma boa desculpa para ir embora tão rápido. Ela simplesmente não aguentava mais ficar naquele clima que começava a ficar muito pesado entre ela e .
Não era possível que ninguém mais estivesse sentindo a tensão que só fazia crescer entre os dois e a forma como estavam se evitando, ele nem mesmo vinha conversando com os amigos, fingia prestar atenção no filho ou em alguma mensagem inexistente do celular, tudo para ignorar o grupo. tinha se cansado do jogo de resistência, deixaria Gian tomar as duas cervejas e iriam embora o mais rápido que pudesse.

– Então você arrumou um namorado. – ouviu a voz de enquanto lavava o copo em que tinha bebido água, e virou-se, encontrando o homem encostado no balcão há alguns bons passos dela.
– Não é como se isso fosse da sua conta, de qualquer forma, se eu também tiver arrumado um namorado, .
– Você mal pediu “desculpas por tudo” e já arrumou outro? Interessante. – deu um sorriso debochado.
respirou fundo para não responder alto demais usando a forma mais desaforada na qual conseguia pensar. Estava cansada e esteve prestes a desistir e ir embora para casa, mas não deixaria seu orgulho ser ferido. Se ele queria guerra, guerra ele teria.
– Pelo menos eu esperei o seu lado na cama esfriar antes de colocar outro pra deitar lá. – devolveu o sorriso debochado e ele bufou.
– Eu não precisaria ter colocado outra se você tivesse coragem de assumir que queria aquele lugar pra você permanentemente, porque eu sou a exceção dessa sua regra idiota. – respondeu em tom tão debochado quanto o dela.
– Se você me dá licença, vou levar essas cervejas antes que esquentem. Tchau, .
saiu da cozinha e não deu tempo para que ele fizesse outro comentário para o qual ela não tinha resposta, apenas lhe deu as costas e voltou a se sentar ao lado de Gian, entregando uma das garrafas de cerveja a Carvajal, colocou as outras no cooler e abriu a própria.
– Eu quero saber quando teremos mais futebol em Valdebebas, time. – perguntou na clara tentativa de irritar o irmão.
– Você está proibida de ir lá. – Sergio falou sério, fazendo Lucas e rirem.
– Apelou perdeu, capi. – Nacho provocou.
– Nem precisa apelar, ele sempre perde. – provocou.
– Eu quero mudar de time. – Marcelo falou e Sergio lhe mostrou o dedo do meio.
– Daqui a pouco ele vai acabar sozinho. – Pilar falou reprimindo uma risada.
– Se nem com os melhores jogadores do mundo ele consegue me vencer, imagina sozinho?! – provocou.
– Vai embora da minha casa. – Sergio resmungou.
– Desse jeito, você vai ficar sem namorada, italiano. Sese vai matá-la. – Carvajal provocou.
ouviu a fala do amigo bem quando retornava para perto do grupo e encontrou Gian com um dos braços sobre os ombros de e ela parecia bastante confortável ali. Os olhares de Pilar, Maria, Sergio, Macarena e voltaram-se para ele, que deu meia volta e voltou ao interior da casa.
– Ela gosta de provocar as pessoas, uma hora vai acabar apanhando. – Sergio falou sério. – E eu já falei, eles não são namorados.
… – ela ouviu uma voz infantil antes que pudesse responder o irmão e encontrou Júnior. – Sono.
– Quer dormir, lindinho? – perguntou e ele assentiu.
Ela entregou a cerveja a Gian e pegou Júnior no colo para r o pequeno, bem quando retornou.
– Vem, filho. – chamou e o menino negou, se aninhando ao abraço de .
– Quero a . – Junior falou, com os olhos quase fechados e puxou a jaqueta de para que pudesse se aquecer um pouco mais.
– Perdeu, . – Gian brincou e deu um sorriso forçado na direção dele.
– Até o namorado recém-chegado da tá zoando a gente. Esse time já teve mais moral com os gringos. – Lucas falou rindo.
– Eles não são namorados. – Sergio falou fuzilando Lucas com o olhar e ele gargalhou.
– Isso é por sua conta, hermanito. – piscou para o irmão para provocá-lo.
– Finalmente o italiano foi promovido a cunhado internacional. – Macarena brincou.
– E que comecem as especulações de Sergio Ramos indo para a Juventus na próxima temporada, quando o cunhado postar foto usando a camisa do time ao lado do capitão. – Marcelo provocou, fazendo quase todos rirem.
– Posso colocar o lá no quarto dos meninos? – perguntou em tom de voz baixo para Pilar e ela assentiu. O pequeno já tinha adormecido em seus braços.
– Não. – falou sério e num tom quase duro. – Vou levá-lo pra casa agora.
– Já, Magia? – Lucas perguntou e assentiu. – Eu te levo.
– Não precisa, vou pedir a Sara pra me buscar, ela está com meu carro. – falou, dando de ombros, e tirou o celular do bolso, escrevendo algo e logo o colocou no bolso de novo. – Pode me dar ele, já falei com ela que vou esperar lá fora do condomínio e ela disse que já vem.
– Fala pra ela entrar, vou ligar na portaria e autorizar. Quem sabe ela não fica um pouco também? – Sergio falou e negou com um aceno.
– Não precisa, capi. Ela está aqui perto, provavelmente chegue lá antes de mim.
– Cuidado pra não o acordar. – Maria recomendou.

assentiu sem se importar muito com a orientação, afinal, era seu filho e ele sabia bem o que fazer, não precisava que ninguém tentasse lhe ensinar como se comportar e o que fazer. tentou pegar o filho tentando não encostar em , mas era impossível, e acabou encostando a mão no braço dela, sentindo seu corpo arrepiar e percebeu que ela também tinha sentido algo, seus olhos a entregaram, mas ela soube disfarçar bem a expressão para os demais. se despediu de todos com um aceno de cabeça e saiu levando o filho no colo.
Depois daquele contato, teve certeza apenas de uma coisa: não tinha um vencedor, independente de quem desistisse primeiro. Ambos sairiam perdendo e de goleada.

🤍⚽️ 🤍

– Você está maravilhosa. – Gian falou olhando para , enquanto ela se arrumava em frente ao espelho do banheiro.
O programa para a noite era apresentar a famosa noite madrilena a Gian, regada a muita dança e diversão, da melhor forma que a capital espanhola oferecia e pela qual era tão conhecida. tinha conseguido um dos passes livres para Gian usar naquela noite – que prometia ser longa, como sempre costumava ser em Madrid, principalmente quando envolvia e .
– Obrigada. – respondeu dando um sorriso, mas sem se virar, enquanto terminava de passar o rímel.
– Podemos?
– Vou ligar pro e descobrir se ele já está saindo de casa, vamos juntos de táxi. E preciso passar um batom.
– Antes de você passar o batom, vem cá, me deixa te dar um beijo. – Gian disse entrando no banheiro e a trouxe para mais perto sem dificuldade e sem nenhuma resistência por parte dela, que deu um sorrisinho lotado de segundas, terceiras, quartas… intenções.
passou os braços ao redor do pescoço dele e o puxou pela nuca, juntando seus lábios num beijo. As mãos de Gian deslizaram pelas costas dela e pararam em sua bunda, apertando-a sem nenhum pudor e soltou um ofego enquanto ainda o beijava. Sabia que se continuassem se beijando não sairiam de casa e ela queria muito sair e se divertir, então separou os lábios dos dele, recebendo um olhar desapontado.
– Ainda temos bastante tempo pra isso, agora nós vamos sair e nos divertir a noite inteira. – falou e se soltou dos braços de Gian, pegando o celular, para discar o número de , enquanto abria o batom para começar a passá-lo em seus lábios.

🤍⚽️ 🤍

– Eu sei que você não gosta de dançar, mas vem. – Gian chamou dando um sorriso irrecusável.
– Só porque eu gosto muito dessa. – sorriu, levantando-se do sofá em que estavam sentados bebendo, e seguiram para a pista de dança que estava bastante cheia.
– Não faço ideia de que música é essa, mas a batida é boa. – Gian falou alto em seu ouvido e o olhou, dando um sorriso cheio de segundas intenções enquanto a música tocava.
Muévete a mi ritmo, siente el magnetismo. Tu cadera con la mia, boom! Hacen un sismo. cantou junto com a voz de J Balvin enquanto dançava com o corpo colado ao de Gian.
Tinha os braços envolvendo o rapaz pelo pescoço e ele a puxou para mais perto, passando a ponta da língua pelos próprios lábios, enquanto sentia dançando tão próxima e falando aquele maldito idioma, que ele mal entendia, mas não ligava o suficiente para o que estava sendo dito, ela podia estar xingando até sua vigésima geração que ele continuaria achando sexy e querendo que ela falasse assim com ele para sempre.
– Você vai ficar só me olhando ou vai me beijar? – perguntou em seu ouvido e afastou o rosto do dele para olhá-lo de maneira provocativa, passando as unhas pela nuca do rapaz, que não demorou a juntar os lábios aos dela.
Gian tinha as mãos firmes nos quadris de , mantendo-a bem próxima de si, e ela tinha uma das mãos em sua nuca, o arranhou de leve e Gian soltou um gemido sofrido enquanto ainda se beijavam, apertando mais ainda suas mãos nos quadris da mulher, que continuavam se movimentando no mesmo ritmo da música e perturbando o resto da sanidade mental do italiano.
Ele queria mais do que só aquele beijo e senti-la com o corpo tão perto sem poder fazer nada era atormentador. Quando os dois se separaram, se virou de costas e Gian a envolveu pela cintura, enquanto outra música, que ele não fazia a menor ideia do que dizia ou quem cantava, tinha começado a tocar, ele estava mais preocupado em senti-la dançando contra si e em beijar-lhe o pescoço do que com qualquer outra coisa.
movia-se da forma mais provocativa que conseguia e Gian respirava fundo tentando manter-se lúcido e não enlouquecer bem ali, no meio da pista de dança lotada. Já sentia o incômodo de estar com aquela calça que parecia tão apertada e sabia que precisava resolver aquilo logo. Ou então que ela parasse de provocá-lo.
– Eu não sei como vou conseguir esperar muito mais pra chegar na sua casa e transar bastante. – Gian falou em tom sofrido no ouvido de .
– As paredes do meu apartamento são muito finas, precisaremos ser discretos.
– Lá em Munique elas também eram e nós não tínhamos muito pudor. E discretos é a última coisa que podemos dizer sobre ontem e hoje. E é você, , não dá pra ter muito pudor e controle. – ele respondeu, dando um beijo em seu pescoço e a apertou contra si.
Ela podia sentir como ele estava excitado e virou-se, dando um sorriso singelo e juntando os lábios aos dele, beijando-o devagar, claramente para deixá-lo com mais vontade de tê-la do que já estava. Gian soltou um gemido sofrido quando sentiu passando as unhas devagar em sua nuca e mordendo seu lábio inferior devagar, puxando de leve e dando um sorrisinho para ele.
– Se você não vai rezar o terço, não ajoelha.
– E quem disse que eu não vou? – perguntou ao ouvido dele e o olhou, dando um sorriso sacana.
Uma de suas mãos escorregou pelo peitoral do homem e parou no cós da calça jeans que ele usava.
– E o que você tem em mente? – perguntou quase desesperado. voltou a beijá-lo devagar, não deixando que ele fizesse o beijo se tornar mais intenso, também não estava se aguentando e não podia se entregar, precisava ter foco para fazer o que estava planejando. Gian separou os lábios dos dois e tinha uma feição perturbada. – Para com isso, pelo amor de Deus.
– Mas eu não fiz nada. Ainda. – o puxou pra mais perto e falou em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo.
Ma che cazzo. – Gian praguejou num tom sofrido.
se soltou de seus braços, puxando o rapaz pela mão e seguiu até se aproximarem do banheiro feminino, que, por um milagre, estava sem fila, despistando os seguranças que estavam próximos para evitar que coisas como aquela acontecessem. Ela abriu a porta e se certificou de que o lugar estava mesmo vazio e percebeu que havia apenas duas pessoas em duas cabines diferentes, antes de entrar, puxando Gian pela mão até que entrassem na cabine mais distante da porta e das outras duas e fechou a porta atrás de si e aproximou seu rosto do dele.
– O que você tem em mente? – devolveu num sussurro a pergunta que Gian tinha feito anteriormente, percorrendo o abdome dele sobre a camisa com o indicador e voltando a parar a mão no cós da calça jeans que ele usava.
– Você nem imagina. – Gian respondeu também falando baixo e tentando manter a voz firme enquanto sentia tocar sua ereção sobre a calça jeans que usava, mordendo o próprio lábio e sem parar de encará-lo.
– Então me mostra. – pediu, sorrindo provocativa e Gian a pressionou contra a porta da cabine, avançando sobre seus lábios num beijo intenso, enquanto suas mãos erguiam o vestido de .

🤍⚽️ 🤍

estava com o celular em mãos e observava a foto que estava em seu feed. estava linda com aquele vestido curto azul escuro de veludo de mangas longas, com aquelas botas de cano alto que deixavam pouco da coxa a mostra, com aquele batom vermelho que ele adorava vê-la usar, porque deixava a boca dela ainda mais desejável, com aquela maquiagem bonita que ela sabia fazer.
estava linda, deslumbrante e hipnotizante, da mesma forma que estivera por meses. Da mesma forma que sempre fora. E acompanhada. O italiano, o maldito italiano, tinha uma expressão vencedora, quase como se estivesse vendo observar tão atentamente aquela foto. Ele sustentava um sorrisinho vencedor de quem tinha saído da Itália e ido até a Espanha apenas para mostrar a que nunca tinha sido dele. E que nunca seria.
tinha tirado a selfie, estava atrás dele e o italiano estava atrás dela, com uma das mãos envolvendo-a pela cintura e os três sorriam. O tal Gian tinha aquele sorriso que dizia “você devia ter ficado calado e aproveitado a situação como estava, ou pelo menos ter tentado conversar com ela antes de arrumar uma namorada tão rápido, seu otário”. O sorriso de parecia confirmar aquelas palavras que achava estarem sendo berradas em alto e bom som para ele.
E a pior parte era saber que aquilo era exatamente o que ele devia ter feito, mas não fez.
deu zoom, mas não conseguiria ver nada, não podia simplesmente enxergar a alma dela por uma foto para saber se ela estava mesmo feliz por trás daquele lindo sorriso que ostentava. Se ele não tinha conseguido desvendar isso pessoalmente na casa de Sergio Ramos alguns dias antes, não conseguiria através de uma foto, por melhor que fosse a resolução da câmera.
tinha feito stories, não sabia quantos ou qual o conteúdo, não tinha aberto nenhum deles e nem pretendia, não queria ver coisas que o deixassem mais triste e desapontado do que já estava. O melhor era ignorar aquela foto e seguir sua vida como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse visto a foto. Como se não tivesse visto como ela estava linda. Como se não tivesse ouvido sua consciência falando, com a inconfundível voz de , que ele tinha perdido a chance de realmente terem alguma coisa. Como se ele não estivesse sentindo muita falta dela. Ele tinha que manter o foco, porque em alguns minutos entraria em campo para mais um jogo.

– Você está se sentindo bem? – Nacho perguntou se aproximando de e se sentou ao seu lado.
– O suficiente pra entrar em campo e sair daqui com uma vitória. – respondeu dando de ombros.
– Então tenta não quebrar seu celular, acho que ele não tem nada a ver com seja lá qual for o seu problema. – Nacho falou e só então percebeu que apertava o telefone com mais força que o normal, os nós dos dedos ainda mais brancos que o normal, afrouxando o aperto e colocou o celular dentro da mochila. – Você está bem mesmo?
– O suficiente pra entrar em campo e sair daqui com uma vitória. – repetiu, dessa vez com um tom decepcionado e suspirou. – Mas só.
– Você devia ter resolvido isso com ela, .
– Você também sabe? – perguntou num misto de surpresa e susto.
– Sei do quê? Que você brigou com a Sara? Tá na sua cara. – Nacho falou como se fosse a coisa mais óbvia.
– Não deu tempo de conversarmos sobre o que aconteceu. – mentiu aliviado por não ter sido descoberto.
– Voltamos logo depois do jogo, manda uma mensagem falando que precisam conversar. E lembre-se de que você está errado, não interessa o que aconteceu, a culpa é sua.
– É, eu sei. – deu um sorriso sem humor pela resposta do amigo que, mesmo sendo para uma mentira, também servia para a verdade, e deixou o celular na mochila.
– Hora de subir. – Bettoni se pronunciou, atraindo a atenção dos jogadores, que se puseram de pé para sair do vestiário e irem a campo para o jogo contra o Athletic Bilbao.

🤍⚽️ 🤍

– Seu time está entrando em campo. – Gian falou mais alto, sentado no sofá.
voltou da cozinha com um balde de pipoca se sentou ao lado dele. estava no chão, ao lado dela, e encostou a cabeça no joelho de .
– Preciso dizer que estou odiando estar segurando vela.
– Podemos fazer um menáge. – brincou e piscou para , que fez uma careta.
– Deus que me livre.
– Então deixa pra quem aguenta. – respondeu dando de ombros e Gian a abraçou, trazendo o corpo dela pra mais perto do seu.
– Eu vou é sair de perto dos seus pés, sei que vai dar merda ver esse jogo aqui do chão. – falou e se sentou ao lado dela no sofá
– Só não ouse ir embora, você sabe o que acontece quando não vemos os jogos de La Liga juntos.
– A única coisa que eu sei é que você é doida e acha que é por não assistirmos juntos aos jogos que o time não ganha.
– Todos os jogos que nós perdemos, nós vimos separados. Então tem que ter alguma relação sim, não apenas o time estar oscilando entre jogos sendo o Real Madrid e jogos em que é o Real, só que o Sociedad.
– Então vocês viram a final da Champions juntos? – Gian perguntou e eles negaram.
– Isso é algo apenas para La Liga essa temporada. – deu de ombros.
– E Copa Del Rey.
– A Champions não?
– Normalmente nós vemos todos os jogos juntos, de todas as competições que o Real jogue, mas a Champions parece imune ao poder da nossa união. Nós vimos os dois jogos contra o Tottenham juntos, por exemplo. – deu de ombros.
– E aí ela cria umas superstições loucas e sem sentido, achando que nós dois assistirmos juntos aos jogos é o que faz o time ganhar.
– Não é sem sentido. E para de falar, o jogo vai começar. – o empurrou de leve com o joelho e ele soltou um “ai” baixo.
– Eu posso torcer contra o Real Madrid? – Gian perguntou e lhe lançou um olhar ameaçador, fazendo o rapaz erguer as mãos. – Tudo bem, não está mais aqui quem falou.
– Acho bom mesmo.

O juiz apitou o início do jogo com a saída para o time da capital. A postura do Real Madrid era bastante ofensiva, como era de se esperar, mas muito mais ineficaz do que já vinha sendo naquela temporada. Ainda que Cristiano Ronaldo e Karim Benzema tivessem desencantado em La Liga, os dois não sairiam distribuindo gols a torto e a direito nos jogos que acontecessem. Infelizmente.
Eles chutavam, chutavam, chutavam, mas não conseguiam abrir o marcador, pois, como sempre, os goleiros dos times adversários sempre resolviam fazer “o jogo de suas vidas” contra o Real Madrid e estavam sempre a postos para atrapalhar os lances perigosos do time merengue.

– Nada de novo sob o sol. – comentou quando o irmão recebeu um cartão amarelo logo no início do jogo, fazendo os outros dois rirem.

O jogo estava bastante corrido, com boas chances tanto para o Real Madrid quanto para o Athletic Bilbao, mas nenhuma efetividade nas finalizações de ambas as equipes. Kepa Arrizabalaga defendeu duas boas finalizações de Cristiano Ronaldo, a trave se encarregou de impedir outras tantas do time merengue, além das diversas chances perdidas por chutes mal calculados, impedimentos, erros nas finalizações e nos lances em que a zaga fez seu papel e tirou o perigo. O primeiro tempo terminou sem gols e os times saíram de campo quando o juiz apitou o intervalo.

– Eu odeio quando o Real joga assim. – falou e suspirou desgostoso.
– Nem me fale. Eu odeio quando a gente não tem efetividade, que o meio não ajuda na criação de jogadas e lá na frente as bolas se perdem. Eu adoro o Karim, mas ele não tá rendendo o que pode e o que sabe já faz um tempinho.
– Cadê o Bale? – Gian perguntou pegando pipoca que ainda estava na vasilha.
– Acho que ele nem viajou, não tenho certeza se ele já se recuperou e pode voltar a jogar. – respondeu dando de ombros. – Sinto falta do meu trio BBC goleador.
– Todos sentimos. – resmungou.
– Eu não sinto falta nenhuma de ninguém do Real Madrid. – Gian disse rindo.
– É você que tá pesando o time! – estreitou os olhos, tentando fazer uma cara ameaçadora e Gian riu, segurando o rosto dela entre as mãos e lhe deu um selinho demorado.
– Eu ainda estou aqui, caso vocês tenham esquecido. – falou num tom entediado.
– E o time está voltando. – se sentou virada para a televisão, preparada para prestar atenção no jogo que recomeçaria.

O segundo tempo começou intenso, o Athletic começou ameaçando mais do que na primeira etapa e até mais que o Real Madrid, chegando muito perto de conseguir o gol logo no primeiro minuto da segunda etapa. Após a cobrança de tiro de meta feita por Keylor Navas, o Athletic Bilbao recuperou a bola e tentou voltar a ameaçar, mas Toni Kroos voltou até a defesa para tomar a bola do jogador, que se preparava para passar para o companheiro que estava livre, e lançou a bola visando encontrar Cristiano Ronaldo livre mais a frente, mas parou de acompanhar a trajetória da bola quando viu caindo de um jeito estranho depois de pular para tentar pegar a bola.
Ele chegaria ao lance antes de Cristiano, mas foi impedido pelo pé do rival que o acertou em cheio nas costelas, fazendo com que ele caísse pouco à frente da linha do meio campo.
Cristiano foi o primeiro a insurgir contra o autor da agressão, pois era o que estava mais próximo do lance, e os demais jogadores do Real Madrid se aproximaram para fazerem o mesmo, os jogadores do Athletic Bilbao também começavam a se aproximar em defesa do companheiro e a confusão foi iniciada, tudo isso com ainda caído e sem se mexer.
Os médicos do Real Madrid entraram em campo o mais rápido que puderam e conversavam com enquanto realizavam um atendimento prévio. Ele estava acordado, mas atordoado.
encarava a televisão desesperada e com lágrimas nos olhos que estavam prestes a cair. Não podia chorar. Ela sentia o corpo tremer e a garganta tinha secado imediatamente, quando caiu daquela maneira, quase se fechando.
foi retirado de campo na maca, enquanto a confusão entre os jogadores continuava, apesar de boa parte ter sido dissolvida. Sergio Ramos ainda discutia veementemente com o agressor e com o capitão do outro time. O juiz expulsou o agressor e amarelou Cristiano e Karim Benzema, além de advertir Sergio Ramos para que ele diminuísse o tom de suas reclamações, ou sairia mais cedo do jogo também. foi substituído por Lucas Vázquez e o jogo continuou.
– Você está me machucando. – disse baixo no ouvido dela, colocando a mão sobre a de , acordando-a do transe em que se encontrava.
tinha apertado tanto as unhas no braço de que um filete de sangue saía de uma das marcas.
– Desculpa. – pediu baixo e ele afagou a mão da amiga.
– Caralho, o cara quase matou o . Olha ali. – Gian se pronunciou em choque e sentiu o ar lhe faltar de novo quando encarou a reprise do lance em câmera lenta, fazendo parecer ainda pior. As travas da chuteira atingiram em cheio a lateral do corpo de , na altura das costelas, e ele caiu de um jeito estranho. – Tomara que não tenha sido nada grave.

O jogo terminou ali para , ainda que ela não tenha saído da sala, apenas ficou sentada olhando para a tela e sem expressar nenhuma reação com os lances que seguiram. não tinha ido para o banco, foi conduzido diretamente para o túnel, o que só mostrava que a situação não era boa e que alguma coisa séria tinha acontecido.
O jogo terminou empatado em zero a zero, com Sergio Ramos sendo expulso próximo ao final da partida após fazer uma falta que motivou um cartão amarelo, e como ele já tinha sido advertido, foi mandado para o vestiário mais cedo. Pouco depois o juiz apitou o término do jogo e os jogadores saíram de campo. se pôs de pé para ir embora, alegando que tinha um artigo para ler e precisava escrever alguma coisa para seu trabalho de conclusão de curso.

– Acho que não nos vemos mais até você ir embora. – disse estendendo a mão para Gian.
– Também acho que não, vou embora antes de ir pra aula amanhã. – Gian disse dando um sorriso de lado e cumprimentou .
– Faça uma boa viagem. Você é sempre bem-vindo, principalmente pra curtir as noites madrilenas com a gente.
– Farei o possível para voltar em breve. – Gian falou dando um sorriso. – Eu vou tomar um banho.
– Vou descer com o e ver se tem alguma coisa na portaria. – falou e ele assentiu, seguindo pelo corredor até o banheiro, enquanto ela e saíam em silêncio do apartamento até o térreo.
– Tá tudo bem? – perguntou quando chegaram ao lado de fora do prédio, depois de terem feito todo caminho em total e completo silêncio.
– Estou me sentindo a maior idiota do mundo por estar preocupada e por ter ficado tão afetada.
– Não se sinta, é normal se sentir assim, ainda que vocês nunca tivessem se envolvido. Eu fiquei preocupado, foi uma agressão horrorosa e ele caiu de um jeito bem estranho, não tem como não se preocupar, . E também tem o fato de que você gosta dele, então se preocupar e ficar desesperada e afetada é uma consequência natural.
– Eu queria muito nunca ter ficado com ele, porque eu estaria preocupada apenas por ser um jogador importante que se machucou e não por ser o cara de quem eu gosto! Eu nunca mais eu vou beber na minha vida, . – se lamentou num tom sofrido, recebendo um sorriso de , que a abraçou e lhe deu um beijo demorado na bochecha.
– Tudo bem, sem mais álcool pra você, Ramos. – respondeu fingindo levar a sério o que ela tinha dito.
– Desculpa por eu ter te machucado.
– Não vai me atrapalhar em nada, então tudo bem. Vou até tirar uma foto e mandar pra minha mãe, falar que foi você quem fez isso, ela vai amar. – brincou e a soltou do abraço.
– Eu devia ter me apaixonado por você, seria muito melhor. – concluiu, fazendo rir.
– Você estaria com o coração partido de qualquer forma, Ramos, você não faz meu tipo e já te falei, prefiro evitar a dor de cabeça que você me daria.
– Então dê um jeito da sua vida dar certo, porque senão… – ela disse tentando usar um tom de brincadeira, apontando para si e ele riu.
– Vou baixar o Tinder e resolver essa situação, pode deixar. – falou dando uma piscada e rolou os olhos, sendo abraçada novamente. – Volta pra casa, Ramos. Aqui tá frio.
– Manda uma mensagem quando chegar em casa, . Eu te amo e obrigada por isso. – pediu.
soltou um “uhum” antes de apertar um pouco mais em seu abraço e voltar a lhe dar um beijo no rosto, para que se soltasse e seguiu até o próprio carro, saindo dali pouco tempo depois.

🤍⚽️ 🤍

: Sei que eu não devia mandar essa mensagem, você tem sua namorada e nós dois não somos nada mais, mas fiquei preocupada, porque o lance foi feio e como você não voltou, imagino que tenha sido algo sério e bem ruim, então eu queria saber como você está.
Sei que eu podia perguntar ao Sergio, mas prefiro perguntar diretamente para você.
Enfim, desculpa o incômodo e melhoras 😊

não sabia se ainda estava zonzo pela pancada recebida e a quantidade de analgésicos tomada para aliviar um pouco da dor, ou se aquela mensagem, de fato, existia. E quando percebeu que não era uma armadilha de seu cérebro cansado e dopado, que a mensagem estava mesmo ali e que aquela notificação era mesmo de , ele não pode evitar dar um sorriso.
Ele queria que fosse quem estivesse esperando por ele em Madri, que fosse ela que o aninhasse em um abraço preocupado e cheio de cuidado e carinho, como costumava ser em seu retorno dos jogos, fossem eles no Bernabéu ou fora.
Resolveu não abrir a mensagem antes de chegar em casa, não sabia como responder, ainda que as palavras fossem “só tem como saber se algo mais sério aconteceu quando eu fizer um exame mais detalhado amanhã, a princípio não é nada grave, mas te dou notícias assim que eu souber”.
O time já estava embarcando de volta para Madri, ele teria uma noite difícil pela frente com as dores pela pancada, mas só de ler que ela queria saber como ele estava e se estava tudo bem, diretamente com ele e não por outras pessoas, o ar pareceu mais fácil de respirar e menos dolorido.

Capítulo 14 – Maybe I’m too busy being yours…

…to fall for somebody new. (Do I Wanna Know? – Arctic Monkeys)
– EU JÁ VOU, , INFERNO! – gritou do banheiro ao ouvir as insistentes batidas na porta do apartamento.

Saiu enrolada na toalha e com os cabelos cheios de espuma, mesmo que Madrid estivesse absurdamente fria, ela estava lavando os cabelos a noite, era o único momento que tinha para fazer aquilo e era realmente necessário que o lavasse naquele dia. sabia que era quem estava batendo insistentemente na porta, afinal ele tinha dito que estava indo para lá, porque queria conversar sobre um trabalho que tinham para fazer na faculdade.
Estranho era o fato dele ter subido sem tocar o interfone, mas vindo de , não duvidava que ele tivesse ligado e conversado com o porteiro antes e deixado sob aviso que chegaria mais tarde e precisaria subir direto. E o porteiro aceitaria, porque estava sempre ali.
poderia deixá-lo esperando do lado de fora até que terminasse de tomar banho, mas, aparentemente, ele não pararia de bater na porta e era capaz de derrubá-la no soco se continuasse batendo daquele jeito, então ela seguiu pelo corredor, enrolada na toalha e com restos de shampoo pelo cabelo, até chegar à porta, ele podia esperar do lado de dentro. Pelo menos ela esperava que sim.

– Porra, eu tav… ?
– Desculpa. – pediu ficando sem graça ao perceber como ela estava. – Pode terminar de tomar banho, eu espero.
– Ahn… Entra. – falou ainda confusa, mas abriu mais a porta, dando passagem para e a fechou assim que ele entrou no apartamento. – Aconteceu alguma coisa?
– Termina de tomar banho, preciso organizar meus pensamentos antes de conseguir falar com você tudo o que preciso falar. – falou e o encarou, arqueando uma das sobrancelhas. – Não aconteceu nada que não possa esperar você terminar de tomar banho, . E vai logo, você vai ficar gripada se ficar só de toalha. Já basta que você está lavando o cabelo uma hora dessas.
– O aquecedor está ligado, – ela deu de ombros. – mas fique à vontade, vou terminar meu banho e já volto. deve chegar daqui a pouco.
– Ele não vai chegar, fui eu quem pediu pra que ele te falar isso, mas só pra que você não fosse dormir cedo. E se eu falasse que vinha, você nem estaria aqui.
– Então você precisa parar de chamar no interfone de outros apartamentos pra chegar até aqui, . Vai me arrumar uma multa no condomínio. – falou séria e ele assentiu. – Eu vou terminar meu banho e já volto.
– Eu te espero aqui. – disse por alto, e lhe deu as costas, seguindo pelo corredor e voltando ao banheiro.

demorou um pouco a reaparecer na sala, usando um conjunto de pijama de moletom grosso, meias e secando os cabelos com a toalha, tomando um lugar no sofá e observou , que estava sentado na poltrona e sacudia as pernas nervoso, provavelmente organizando as palavras que queria usar, como disse que faria. bem que tentou, mas não fazia ideia de como começar, então ele apenas a olhava sério.
não conseguia acreditar que estava mesmo na sala daquele apartamento que ele tinha frequentado com bastante assiduidade por alguns meses, que sabia de cor o local de cada objeto e como era a decoração. Ele mesmo ainda não tinha assimilado que tinha feito Marco ligar para ele, simulando uma urgência que o fizesse sair de casa, deixando Sara para trás para “descobrir do que o amigo tanto precisava, que não podia esperar o dia seguinte”.
Não se sentia bem por ter feito isso, mas precisava sair de lá antes que falasse algo que não deveria, porque Sara nada tem a ver com a bagunça que sua vida se tornou depois de entrar nela e virar tudo de cabeça pra baixo, da melhor e da pior forma que ele conseguia pensar.

– E então, a que devo a honra? – se pronunciou depois de um tempo em silêncio e a olhou.
– Primeiro eu quero te pedir desculpas por ter envolvido nisso e por aparecer aqui desse jeito.
– E qual é a motivação?
– Nós nunca conversamos sobre o que aconteceu entre nós, . Na verdade, nós não conversamos nem durante a nossa conversa, apenas discutimos, trocamos uma dúzia de palavras ásperas e decisões foram tomadas de forma precipitada.
– Fale o que você tem pra falar então.
– Eu quero conversar, . Não quero só falar e nem só ouvir. Vamos só… só resolver tudo, pode ser? Não aguento mais conviver com essa sombra que me acompanha desde aquele dia.
– Você pode começar a falar, já que a ideia de vir até aqui foi sua. – falou séria e tomou ar de forma demorada.

o observava esperando que ele começasse a falar o que queria, não tinha um julgamento no olhar ou um ar irritado pela aparição repentina, só estava esperando que ele falasse e que começassem a conversar, mas demorou a fazer isso.
Ele se ajeitou na poltrona e passou as duas mãos pela touca que tinha na cabeça antes de tomar ar de novo e só então abrir a boca. E ele a abriu e fechou três ou quatro vezes, mas não falou, ainda não sabia o que dizer. Na verdade, ele sabia bem o que precisava falar, mas não sabia como falar.
Em sua cabeça aquilo tinha sido muito mais fácil e a essa altura ele já estava em casa com tudo devidamente resolvido e sem mais problemas entre os dois, mas estar ali, sentado em frente para ela, era completamente diferente de ensaiar na frente do espelho ou de imaginar a situação.
Na imaginação e nos ensaios ela não estava lá pessoalmente, e a presença dela era o que tornava tudo tão complicado. se sentia falhando miseravelmente na missão “resolver a situação” que tinha se dado para cumprir, estava imaginando que deveria ter ido embora enquanto tomava banho e fingido que sua ida até ali nunca tinha acontecido.

– Desculpa. – finalmente falou depois de muito tempo em silêncio, mas não a olhava, tinha os olhos em suas próprias mãos, que estavam juntas e apoiadas em seus joelhos.
– Pelo quê? – perguntou confusa.
– Por semana passada, por aquele dia. Por ter sido como foi. Eu não dev…
, – o interrompeu. – você vai conversar comigo ou com o chão? Você pode olhar pra mim, eu não vou arrancar seus olhos. Eu acho. – falou e soltou um risinho pelo nariz, erguendo os olhos e encontrando os de , que não carregavam julgamento ou coisas ruins, eram apenas aqueles olhos que ele tanto gostava de ver.
– Desculpa por aquele dia, . Eu fui muito… Eu não devia ter falado daquele jeito, dado um ultimato da forma como foi, não que eu não quisesse resolver a situação, mas a abordagem não foi certa. Eu não devia ter sido tão rude e podia ter deixado para conversarmos sobre aquilo depois, com a cabeça mais fria, mas agi num impulso e acabei tornando o que tínhamos em algo que não está suportável.
– Eu passei aquele dia inteiro me lamentando por ter mentido, . Eu fui idiota e imatura, mas quando tomei coragem de pedir desculpas e falar sobre tudo para que pudéssemos resolver aquela questão implícita, que estava mais do que explícita, entre nós, eu fui recebida pelas minhas coisas devolvidas na portaria do meu prédio.
– Aquele “ou somos isso ou não somos nada” me fez agir de maneira irracional muito mais rápido do que deveria, e acabei envolvendo uma pessoa que não tem nada a ver com essa bagunça.
– E ela sabe que você está aqui?
– Não. E nem faz ideia que nós dois tivemos alguma coisa. – respondeu sério e suspirou. – Eu gosto da Sara, . Gosto mesmo, de verdade. Mas não do jeito que eu gosto de você. E nem vou perder meu tempo falando que te amei, no passado, porque não é no passado, é no presente mesmo e isso é um inferno! Um verdadeiro inferno, porque eu me corroí de ciúmes daquele maldito italiano, quando você estava lá e quando ele esteve aqui, mesmo sabendo que eu não tenho esse direito, porque você não é absolutamente nada minha e é livre para fazer o que quiser e sair com quem quiser sem ter que dar satisfação pra alguém. E sei que é injusto me sentir assim, mas às vezes eu sinto vontade de nunca devia ter cedido aos pedidos dos meus amigos e ido àquela boate e nem ter te respondido quando você puxou papo comigo lá, porque isso entre nós nunca teria começado e eu não estaria tão confuso e perdido como estou. Não me arrependo pelo tempo que passamos juntos, foi ótimo, mas eu me arrependo por tudo que veio quando terminamos. E às vezes sinto vontade de nunca ter deixado você sair daquele quarto sem que a gente conversasse sobre tudo de forma madura e sem exaltação, tudo teria sido resolvido da forma certa e no tempo certo. Quando eu não estou me lamentando por ter ido àquela boate, eu estou me lamentando por ter te deixado ir embora daquele jeito.
– Eu sempre soube que você saía com a Sara. Eu vi uma foto quando estava em Munique, não tínhamos nada, mas eu posso te dizer que me senti da mesma forma, que senti ciúmes em te ver com outra, principalmente quando as datas bateram com a vez em que você me dispensou e quando me deu um bolo, mas não tínhamos nada e você era livre para ficar com quem quisesse. E sei que vocês também saíam juntos quando nós estávamos aqui, mas eu não podia falar nada, porque eu me recusava a acreditar que nós tínhamos algo além de amizade. Eu também saí com um cara, o Nyan, você sabe quem é.
– O da festa do Dani? O primo dele?
– Isso. – confirmou. – Mas nós apenas nos beijamos e depois da festa do Dani aquilo entre nós acabou, porque eu simplesmente não conseguia mais fazer aquilo, eu só queria te beijar, só queria ficar com você e mais ninguém conseguiria mudar isso. Na verdade, até antes da festa, porque eu queria ficar com você, mas lá, infelizmente, não tive como fazer isso. E eu não vou te julgar por se sentir assim sobre o dia da boate e sobre o dia da nossa briga, eu também me sinto desse jeito. Teria sido muito mais fácil se isso entre nós nunca tivesse começado, porque nenhum de nós dois estaria assim, triste e despedaçado. O tempo que passamos juntos foi maravilhoso, mas os estragos do final não são bons. – falou e os dois ficaram em silêncio por um tempo.
Palavras demais tinham sido ditas e precisavam ser processadas e devidamente digeridas.
– Hoje ela me chamou de “mi Magia”. – falou dando um risinho melancólico pelo nariz, depois de um tempo olhando para e ela desviou o olhar, mordendo a parte interna da bochecha. Ela tinha começado a chama-lo assim e adorava. – E eu basicamente entrei em pânico quando a ouvi falar, de forma tão espontânea, e me enfiei no banheiro, fiz Marco me ligar e fingir que precisava de mim o mais rápido possível, porque eu precisava sair de perto dela antes que eu fizesse outra merda.
– E entrou em pânico por quê?
– Porque eu só gosto do som disso quando sai da sua boca. – falou sem cerimônias e o encarou surpresa. – Usamos aquela hashtag, mas não é a mesma coisa que te ouvir falar assim comigo. E eu não aguento isso mais. Não quero magoar Sara, não quero te magoar, não quero me magoar, mas parece que tudo vai me levar a magoar alguém, no fim das contas. Depois daquele domingo que você ficou com o , eu não consegui ficar em paz. Seu irmão e eu tínhamos conversado naquela semana sobre o que aconteceu entre nós e eu simplesmente não me lembrava de ter te pedido pra ficar com o . E aí quando eu te vi lá em casa, quando vi como ele fica com você e como gosta de estar com você, como ele te adora e a forma como ele te olha admirado, e depois, quando cheguei, que você me olhou daquele jeito triste e dolorido, eu me senti o cara mais filho da puta do mundo inteiro. E eu me odiei profundamente, porque te fiz chorar e te decepcionei de uma forma que eu nunca quis. E aí veio o italiano, a forma como nós nos tratamos na casa do seu irmão, depois aquela mensagem… , eu fiquei tão feliz ao receber uma mensagem sua falando que estava preocupada comigo e da forma doce como você falou! Eu fiquei muito feliz, de verdade. E desde então minha cabeça está mais confusa ainda.
– Você fez uma escolha, , que foi me deixar ir embora. Você escolheu Sara e ela te escolheu. Ela é simpática, muito bonita e educada, gosta de você e você também gosta dela.
– E você não gosta de mim?
– Mais do que deveria. – respondeu sincera. – Eu não devia ter mandado aquela mensagem, , mas eu fiquei realmente preocupada.
– Você podia ter perguntado ao seu irmão.
– Podia, mas eu queria falar com você. – voltou a falar com sinceridade e deu um sorriso agradecido pela preocupação.
– Você ia falar comigo naquele dia? Digo, no dia da nossa discussão?
– Eu estava voltando pra casa depois de ensaiar mentalmente tudo que falaria com você, até pensei em ir direto pra sua casa, mas eu queria tomar um banho e te mandar uma mensagem perguntando se eu podia ir até lá, só que recebi minhas coisas na portaria, isso foi o suficiente pra entender o recado de que as coisas entre nós dois não podiam mais ser consertadas. E a partir daquele dia eu comecei a achar que se eu pudesse voltar no tempo, eu nem mesmo teria saído de casa e ido praquela boate, porque eu não teria te encontrado e nada disso teria começado.
– E me encontrar foi ruim?
– Eu não sei. Talvez sim, talvez não. Porque se isso não tivesse acontecido, eu não teria me tornado uma bagunça tão grande de sentimentos e não teria feito você entrar nessa bagunça, mas eu estaria mentindo se dissesse que foi ruim, porque o tempo que nós estivemos juntos foi maravilhoso e eu não tenho nada a reclamar, só a agradecer. Eu nunca fui de me apaixonar, tanto que eu tive um único namorado, eu era apaixonada por ele e ganhei um belo pé na bunda por nada. Nós namoramos alguns anos e ele simplesmente terminou comigo, porque nunca tinha gostado de mim de verdade e tinha ficado tanto tempo comigo por ter se acostumado a namorar. Depois disso eu não gostei de verdade de ninguém, eu saía com um ou outro cara, mas nunca mais tive nada sério, porque não tinha ninguém que eu me interessasse o suficiente. E aí você apareceu, bêbado no bar tomando um toco fenomenal e me chamando pra beber mais ainda antes de eu conseguir te levar pra dançar e finalmente te beijar e nós irmos pra sua casa. E me fez gostar de você dessa forma tão intensa e natural, sem pressa e sem pressão. E me assustou ver como era difícil manter aquela regra estúpida de não sair com um jogador quando o jogador em questão era você.
– Então qual a dificuldade de ter deixado isso de lado e ter me dito a verdade?
– Você merece alguém que não tenha problema nenhum em assumir isso para quem quer que seja e no momento que for. E você já a encontrou. Eu fico realmente feliz por você, apesar de sentir um pouco de ciúmes e estar triste pelo fim da nossa história, mas sei que essa é sua chance de fazer dar certo.
– Você devia ter me dito isso, ao invés de mentir falando que não gostava de mim e que nunca cruzaríamos uma linha que já tínhamos cruzado há bastante tempo.
– É, eu podia. E me arrependo muito por não ter feito isso, mas são águas passadas e águas passadas não movem moinhos.
– É muito estranho o jeito como você me faz sentir. – confessou e suspirou pesadamente, jogando a cabeça para trás e encarando o teto, com as mãos entrelaçadas sobre sua própria barriga.
– Eu me sinto da mesma forma sobre você. – também confessou. – Essa é sua chance de fazer dar certo, . Não a desperdice.
– Nós estamos em momentos diferentes? Porque é isso que eu tenho usado pra me convencer de que eu fiz a escolha certa de começar a namorar Sara. – perguntou, voltando a olhá-la nos olhos.
– Momentos diferentes? – perguntou confusa.
– É. Eu não quero só curtição, já passei dessa fase. Eu quero alguém pra ter algo sério, que me dê a chance de ter uma família, mais um ou dois filhos, talvez, e viver feliz pra sempre. Clichê, eu sei, mas é isso. Eu não quero meu filho vendo uma mulher diferente sair da minha casa a cada dia, eu não quero ser esse tipo de pai e nem esse tipo de pessoa. Então, eu tento me convencer de que você não queria namorar, porque não estava afim de nada que te impediria de ser livre para curtir o momento, sem pensar no futuro e essas coisas. – explicou e a encarou esperando uma resposta.

Não, definitivamente não estavam em momentos diferentes, porque ela também queria alguém para ter algo sério. Quer dizer, ela queria ter algo sério com ele, ter uma vida e um futuro com ele, mas ela falaria aquilo?
Não podia arriscar falando que sim, que era verdade o que ele tinha dito sobre estarem em momentos diferentes, e vê-lo ficar mais decepcionado ao perceber a mentira; mas falar a verdade também era um risco, pois se ele resolvesse que isso era suficiente para terminar o namoro e correr de volta para ela, seria um problema. Sara não tinha nada com aquilo e eles não podiam brincar com os sentimentos dela assim.

– Essa eu vou deixar você decidir o que quer como resposta, . – respondeu por fim. – Eu quero te pedir desculpas por ter sido egoísta, por não ter pensado nos seus sentimentos e ter colocado meus medos acima do que eu queria de verdade, mas há males que vem para o bem e talvez isso seja apenas para provar que a Sara é sua chance de fazer tudo dar certo no final.
– Ou talvez seja apenas pra que a gente cresça um pouco separados e depois voltemos à mesma sintonia. Eu sinto sua falta, . – falou sincero e não respondeu. Não precisava falar, ele sabia que ela também sentia falta dele.
– Acho que você devia ir embora. – se pronunciou depois de um tempo em silêncio.
– E como nós ficamos?
– Da mesma forma que antes de nos encontrarmos naquela boate, . Você joga no time pelo qual eu torço e na seleção do meu país, é amigo do meu irmão e só. Bom, posso ser babá do seu filho sempre que você precisar.
– De amigos nós vamos passar a meros conhecidos?
– É o melhor, . E você sabe. Não arrisque o que você tem com Sara. Não vale a pena.
– Vale. – falou dando um sorriso sem humor e suspirou. – Você vale a pena, . Sara não tem nada a ver com nossa bagunça e eu me sentiria péssimo por magoá-la, mas eu arriscaria muita coisa por você.
– Não vale a pena. – repetiu. – E é melhor você ir embora, ela deve estar preocupada com você e com Marco. Invente uma história realmente boa para convencê-la sobre essa saída repentina de casa.
– Desculpa, de novo, por tudo. Pela forma como foi e por aparecer aqui desse jeito. – falou, se colocando de pé e fez o mesmo que ele.
Os dois caminharam em silêncio pelos poucos passos que os separavam da porta e quando pararam, a olhou demoradamente.
– O que foi?
– Eu sinto sua falta. De verdade. – falou e a abraçou.

ficou em choque um breve segundo antes de abraçá-lo de volta. Aquele abraço que se davam sempre que ele chegava de viagem e que parecia ser de encaixe perfeito. aspirou o perfume que vinha de antes de afastar o rosto do dela, ainda mantendo o abraço, e a olhou nos olhos, levou uma das mãos para acariciar o rosto de , que fechou os olhos ao sentir aquele carinho do qual sentia tanta falta. voltou a aproximar seus rostos, juntando suas testas, ainda com a mão acariciando o rosto dela.

– Ouvi uma música essa semana, lembrei de você. – sussurrou, os lábios tão próximos que chegava a ser doloroso que não estivessem selados em um beijo. – “Do I Wanna Know?”
– Sei qual é. – respondeu quase em um sussurro enquanto o observava inebriada. Totalmente hipnotizada por aqueles olhos.
– Foi você quem salvou essa no meu Spotify. – foi a vez de ele sussurrar fechando os olhos. – Maybe I’m too busy being yours to fall for somebody new.
falou num sussurro e seus lábios roçaram nos lábios de , mas antes que se beijassem, num estalo de lucidez e sanidade, ela espalmou a mão no peito dele, o afastando.
– Não. – se afastou e o olhou ainda perturbada com tudo. – Tchau .
– Mas…
– Sem mas. Você tem pra quem voltar, tem a quem beijar e que não merece esse tipo de coisa. Vai embora.

não respondeu, apenas se virou e foi embora pelas escadas quando o empurrou para o lado de fora do apartamento e fechou a porta, não conseguiria ficar esperando o elevador, sabia muito bem que voltaria a bater na porta, que a beijaria e o estrago seria muito maior do que já estava. Ele saiu do prédio e seguiu em seu carro totalmente silencioso para sua própria casa, frustrado, mas sabia que ela tinha razão ao não se render e beijá-lo.
fechou a porta atrás de si e foi para o quarto sem pensar muito, ligou o secador de cabelos para não dormir com os cabelos molhados, mas mais ainda para usar o ruído e afastar aquela música de sua cabeça, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto.

Capítulo 15 – Dime como hacer para desprenderme de este frenesí…

… de esta locura que siento por ti. (Me Rehúso – Danny Ocean)

– Se você morrer de tanto beber, Ramos García, nós vamos acertar as contas no inferno. – disse alto em seu ouvido e deu uma risada enquanto virava toda a vodca que tinha no copo de uma só vez. – Porque Sergio vai me matar logo depois de ficar sabendo que você morreu de tanto beber e que eu estava junto e deixei.
– Quer que eu escreva em algum lugar que sou maior de idade e posso beber sem precisar de babá? – perguntou dando um sorrisinho debochado e colocou uma das mãos sobre o ombro do amigo.
– Quero que você pegue leve, porque aí eu vou poder beber em paz.
– Sinta-se à vontade para beber o quanto quiser, , eu sei me cuidar. Já tomei todas as decisões erradas que podia tomar esse ano, não sobrou nenhuma pra hoje, pode ficar tranquilo. Ah eu adoro essa música! – berrou e se virou, saindo de perto dele quando a música começou a tocar.
suspirou e tomou o resto da cerveja que tinha no copo, servindo-se de outra e foi andando até onde pegava um baseado da mão de uma das garotas, que estava perto e que era de sua turma, e tragava demoradamente.
! Pelo amor de Deus! Você vai ficar chapada também? – ralhou, mas não lhe deu atenção.
Pa’ que seguir trabajando? Yo sigo celebrando, así la vida se vive mejor. Anoche fue una locura, mañana es otra aventura, quizás pasado me olvide de hoy. cantou animada e voltou a tragar o baseado, soltando a fumaça depois de um tempo.
– Péssima ideia vir com você pra cá. – disse e lhe deu as costas.
continuou onde estava, dançando em uma roda com algumas das colegas de sala e outras alunas da Universidade, que revezavam o baseado enquanto riam, cantavam e dançavam. Por sorte estava com o celular dela, o que evitava a possibilidade de problemas ainda maiores.

🤍⚽️ 🤍
, vem dançar comigo. – falou com a voz arrastada, puxando o amigo pela mão, pouco se importando se ele estava no meio de uma conversa com uma morena que ela não conseguiu distinguir se conhecia ou não, já combinando de sair dali para irem a um lugar mais tranquilo.
– Você atrapalhou minha foda. – falou em seu ouvido, puxando-a para mais perto quando Bailando, do Enrique Iglesias, começou a tocar.
– Você tem que tomar conta de mim, não pode fazer coisas que não me envolvam. – disse num tom infantil, fazendo bico, mas acabou rindo alto e não conseguiu manter sua expressão.
– Posso te levar junto e você assiste, sem problemas.
– Sem problemas pra você, pra mim tem vários. Que nojo. – falou com a voz embolada.
– Você já propôs um ménage, lembra?
– É, mas participar é melhor que assistir. Não nesse caso, porque com você seria péssimo de qualquer jeito. – falou e fez uma careta enquanto dançavam.
– E você já participou de algum pra saber? – perguntou debochado e negou com um aceno de cabeça.
– Será que se eu propor um ménage ao ele aceita?
– Nós três? Eu espero que ele tenha bom senso e não aceite. – disse num tom divertido, rindo enquanto conduzia a dança.
– Você não! Que nojo. – olhou fazendo cara de nojo e acabou rindo.
– Então quem?
– A Sara. Ou o Gian. – deu de ombros e voltou a rir.
– Olha, , eu duvido que ele vá querer participar de um ménage que envolva você e outro homem. Principalmente se for o outro for o Gian.
– Seria ótimo se fossem os dois, porque o ch… – começou a dizer e tampou sua boca.
– Eu não quero saber. – a interrompeu e fez cara de nojo, soltando e passou as mãos pelo rosto. – Então me poupe desses detalhes que não preciso e nem quero saber. Eu vou buscar algo com bastante álcool, não quero ter que conviver com essa informação pelo resto da minha vida. – falou enojado e soltou dos seus braços, lhe dando as costas e indo buscar algo para beber. Ela, que ainda tinha um copo em mãos, tomou toda a vodca de uma só vez, sentindo a garganta arder enquanto a bebida descia, e logo estava parado à sua frente de novo e segurava dois copos. – Você devia ir mais devagar.
– Eu estou indo devagar. – disse com a voz arrastada e deu de ombros, pegando o copo que ele lhe estendia e virou todo o conteúdo de uma vez.
– Percebi. – disse debochado.
– O único problema de beber é ir ao banheiro toda hora. – resmungou e empurrou o copo vazio para . – Já volto. E pega mais.
– Precisa de ajuda?
– Só se eu puder terminar minha frase sobre o ménage. – ela sorriu arteira.
– Some daqui. – falou enojado e gargalhou, saindo de perto dele e caminhando quase aos tropeços até o banheiro.

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– Ei, você viu se a está aí dentro? – perguntou para uma das garotas que saíam do banheiro.
estava sumida há muito tempo e ele estava ficando preocupado que ela estivesse fazendo alguma coisa errada.
– Não a vi. – a garota deu de ombros e saiu, sem pedir a alguém que estivesse lá dentro dar uma olhada. Ele bufou, abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do banheiro.
, você está aí? – perguntou alto e ouviu alguns gritos de protesto com sua presença ali.
– Ela foi embora, . Eu a vi saindo daqui faz um tempão, coisa de horas já. – uma delas, que ele não fazia ideia de quem podia ser, respondeu.
– Sozinha?
– Sozinha.
– Valeu. – agradeceu e saiu do lugar pensando no que podia fazer e para onde ela poderia ter ido.

Até ligaria para saber, mas o celular de estava em seu bolso, então ele iria primeiro até a casa dela, se não estivesse lá, iria até a casa de Sergio, já que era o destino mais provável. entrou em seu próprio carro, torcendo para não encontrar nenhum policial, não queria tomar uma multa e ter o carro apreendido por estar dirigindo bêbado, e deu voltas e mais voltas pelas ruas do centro de Madri a procura de , mas não deu sorte de vê-la pelos lugares em que passou.
Ele estacionou à frente do prédio dela e tocou o interfone incontáveis vezes, mas não foi atendido. Ligou no telefone da casa e nada. Ela estaria dormindo? Era uma possibilidade, mas não tinha como descobrir se estava em casa, já que a portaria estava fechada e ele só conseguiria subir se algum morador autorizasse, o que seria impossível às três e alguma coisa da manhã.
Iria até a casa de Sergio? Talvez tivesse ido para lá. Ou . Ele não queria nem pensar na chance de ter ido parar no condomínio de àquela hora da madrugada, por isso deu preferência a ir até lá primeiro, dando mais voltas do que o necessário à procura da amiga pelas ruas.

– Boa noite. – cumprimentou o porteiro. – Você pode me informar se a passou por aqui hoje? Ela costumava ir na casa do e…
– A ? Ela está bem? – o homem o interrompeu preocupado. – Faz tempo que ela não vem aqui.
– Está sim, é que estávamos juntos numa festa, ela foi embora sem me avisar, deixou o celular comigo, eu fui até a casa dela e como eu não a encontrei, pensei que ela pudesse ter vindo até aqui. – falou e sorriu sem jeito. – Se ela aparecer, você pode dizer que o está procurando por ela?
– Claro.
– Obrigado e boa noite. – disse educado e arrancou.

Ela não estava em casa, não estava na casa de , então era hora de enfrentar o capitão. Quase quatro horas da manhã. dirigia prestando atenção a todos na rua, mas nenhuma das mulheres que via era , infelizmente. Depois de uma longa conversa com o porteiro, que insistiu em dizer que não tinha ido até lá, foi autorizado a entrar sem acordar Sergio antes da hora e parou o carro, encarou a casa que estava com todas as luzes apagadas e sopesou se deveria incomodá-lo àquela hora.
não estava ali, isso estava evidente depois da conversa com o porteiro, mas não podia simplesmente não contar ao irmão mais velho dela que tinha sumido sozinha, bêbada, curtindo um barato de maconha e sem celular por Madri. E se alguma coisa tivesse acontecido? Então desligou o motor e desceu do carro.
bateu na porta de forma que pudesse ser ouvido, não queria usar a campainha e acordar as crianças muito antes da hora, e precisou repetir outras três vezes antes de ser atendido por um Sergio Ramos sonolento e com cara de poucos amigos, quase preparado para dar um tiro em quem o tinha despertado em plena madrugada.

? O que aconteceu? – Sergio perguntou, sua feição foi de ameaçadora à preocupada quando viu o rapaz parado à sua porta.
está aqui? – perguntou, já sabendo a resposta.
– Eu não a vejo faz uns dias. O que aconteceu?
– Nós estávamos numa festa da faculdade, promovida por alguns alunos, ela disse que ia ao banheiro e sumiu, achei que ela tinha encontrado alguns amigos e sei lá, se entretido, então fui conversar com outras pessoas, mas ela não reapareceu. – passou as mãos pelos cabelos. – Quando fui procurar por ela, uma das nossas colegas disse que a viu indo embora sozinha fazia um bom tempo. Passei na casa dela, ela não está lá.
– Ligou pra ela? – Sergio perguntou e mostrou o celular que estava com ele. – Puta merda.
– Não queria te acordar, Sergio, mas não conseguiria continuar procurando sem te falar.
– Você fez certo. Eu vou… Vou ligar pro . Vai que ela está por lá.
– Não está, já passei por lá e o porteiro disse que não a vê há tempos. Eu não sei por onde começar a procurar. Hospitais, bares, alguém da sala, aeropor… Aeroporto! – falou e bateu na própria testa. – Eu sei onde sua irmã está.
– Sabe?
– Só existe um lugar no mundo para o qual ela iria chorar um coração partido.
– Mas ela ainda está chorando por causa disso?
– Você não ficou sabendo da visita que ela recebeu anteontem? – perguntou e Sergio negou com um aceno. – esteve na casa dela.
– Ele o quê? – Sergio perguntou num tom que mesclava surpresa e raiva.
– Foi até lá para que eles conversassem sobre tudo, eles realmente conversaram e esclareceram as coisas, mas quase se beijaram também e só não o fizeram, porque o mandou embora antes que isso acontecesse e as coisas ficassem piores. E hoje ela usou a festa pra descontar a tristeza e frustração no álcool. Só que eu esqueci que ela ia acabar parando em Sevilla em algum momento.
– Sevilla? – Sergio perguntou confuso. – O que ela vai fazer em Sevilla?
– Quando tomou aquele pé na bunda, ela chorou por duas semanas sem parar e um belo dia ela simplesmente sumiu, eu não a encontrava em lugar nenhum, rodei a cidade inteira e estava pensando em vir até Madri, pensando que ela podia ter vindo ficar com você, então recebi uma ligação do Nano, me dizendo que estava lá e chorando há horas. Naquela época, ela disse que nunca tinha conhecido um lugar tão confortável para chorar e afogar as mágoas de um coração partido. E aí ela superou.
– Mas ela era menor de idade!
– Ela não bebeu nada com álcool. Só ficou escondida enquanto chorava, bebia Coca Cola, comia batata frita e ouvia Radiohead.
– Nossa, ela sabe como fazer um bom drama. – Sergio deu um risinho ao falar aquilo e concordou com um aceno. – Mas você tem certeza?
– Tenho. – assentiu. – E é pra lá que eu vou.
– Não deve ter voo agora.
– Vou de carro. – deu de ombros.
– Você ainda está bêbado, . E daqui a pouco começa a ter sono.
– Eu vou tomar um banho gelado, comer e sair. Eu vou ficar bem.
– Vou pedir a um amigo meu pra conferir se ela realmente está lá, é melhor do que ir sem saber se ela está mesmo lá.
– Não precisa, Nano me responde. – disse pegando o próprio celular, procurou o telefone do bar e ligou. – Alô? Nano? É o . Tudo bem, eu só qu… Tem pouco tempo? É, eu imagino. Certo. Vou demorar um pouco a chegar, mas estou indo. É. Valeu Nano. Até mais tarde.
– Ela está lá? – Sergio perguntou e assentiu.
– Vou tomar um banho e vou pra lá.
– Mas ela não ia ficar na casa dos nossos pais?
– Provavelmente não, temos provas importantes por agora e ela tem que trabalhar também.
– Eu vou matar o . – Sergio bufou.
– Espera El Classico, precisamos de vocês dois em campo, mas depois disso você pode matá-lo sem problemas.
– Eu vou matá-lo hoje mesmo.
– Eu te dou notícias quando chegar lá. E desculpa te acordar uma hora dessas.
– Não precisa se desculpar, você fez a coisa certa. – os dois trocaram um abraço de despedida. – Mas se você não se importa, vou voltar a dormir, as crianças acordam daqui a pouco.
– Tudo bem. Até depois. – se despediu e Sergio fechou a porta, antes que entrasse no próprio carro. Como não tinha pensado naquilo antes?

🤍⚽️ 🤍
– Ela dormiu no quartinho dos fundos. – Hermano disse e assentiu quando chegou ao bar. – E não era cedo. Fechei o bar às seis e ela ainda ficou aqui. Aconteceu alguma coisa?
– Coração partido.
– Hector de novo?
– Não. Outro. – suspirou.
– Deixa ela dormindo, eu te ligo quando ela acordar.
– São duas e meia da tarde, Nano. – disse olhando o relógio em seu pulso antes de voltar a olhar para o homem. – Ela precisa acordar, temos que voltar pra Madri hoje ainda.
– Então pode ir lá.
– Não precisa, eu já estou acordada. – falou com a voz rouca.
Estava com a maior cara de ressaca, mas parecia ter tomado banho antes de chegar ali, o cabelo estava molhado e ela tinha cheiro de sabonete. Usava as mesmas roupas do dia anterior, claro, tinha olheiras fundas e uma expressão péssima de cansaço e ressaca.
– Então nós vamos embora. – falou sério.
– Embora pra onde? – perguntou, mas não respondeu, tirou a carteira do bolso, entregando um bolo de notas a Hermano.
– Não faz mal se passar do que foi consumido, você tomou conta dela e nem todo dinheiro do mundo paga por isso.
– Não preci…
– Precisa sim, Nano. – o interrompeu. – Obrigado mesmo.
– Disponha, . E voltem mais vezes, sinto falta de vocês aqui. Não esperem dor de coração partido para voltarem. – Hermano disse e assentiu, dando um sorriso de lado.
– Pegou tudo?
– Eu não trouxe nada além do necessário e que está nos meus bolsos. – resmungou a resposta, sentindo a cabeça doer.

Os dois se despediram de Hermano antes de saírem do bar e passou em uma farmácia, comprou um “kit ressaca”, fez tomar, ainda que ela tenha feito cara feia e reclamado que não queria nada daquilo e que o gosto era péssimo.
Ele dirigiu em total silêncio até chegar ao Jardin de Murilo, estacionando próximo ao local e saiu do carro, sendo seguido por , que também estava calada, sua cabeça doía mais do que ela achava ser suportável e possível. O clima estava ameno, apesar do vento frio que fez se encolher um pouco enquanto caminhava, estava usando apenas um short jeans e uma camisa de malha. Caminharam em silêncio até chegarem a um banco e se sentaram.

– Algum motivo especial pra estarmos aqui? – perguntou quando finalmente se sentaram.
– Especial? Não. Eu só queria um local público, porque eu quero gritar com você por sua irresponsabilidade e estar em público vai evitar que eu o faça de forma exagerada. – falou sério. – Você podia ter me avisado que estava saindo e vindo pra cá. Eu não teria me dado ao trabalho de sair por Madri te procurando de madrugada e nem dirigido por cinco horas até chegar aqui.
– Você não precisava ter vindo.
– Eu fiquei preocupado pra caralho quando percebi que você tinha sumido da festa, . Eu achei que você tinha me visto conversando com a Amelie e tinha ficado na sua pra ver como ia desenrolar, mas passou muito tempo sem que você aparecesse e eu fui te procurar, não te achei em lugar nenhum e fiquei preocupado pra caralho! Você devia ter me avisado! E não é me avisar porque é sua obrigação, mas só porque estávamos juntos e você já estava muito bêbada e chapada pra sair sozinha. Eu não teria acordado seu irmão quase quatro da manhã pra saber se você estava lá na casa dele.
– Você acordou o Sergio? – perguntou num resmungo lamuriento.
– Você simplesmente sumiu em uma festa e estava completamente bêbada e chapada! Eu precisava testar todas as opções antes de começar a procurar em hospitais, avisar a polícia…
– Ele vai me matar. – resmungou abaixando a cabeça.
– Talvez ele mate o antes.
– E por q… Ah eu não acredito que você contou!
– Claro que eu contei, ! O motivo de você estar aqui é ele. A parte boa é que se você veio pra cá, logo você supera. Foi assim antes, vai ser assim agora.
– É, tomara que sim. – respondeu suspirando.
– Essa foi uma das coisas mais irresponsáveis que você já fez na vida, Ramos García! E olha que você já fez muitas coisas irresponsáveis ao longo desses vinte e dois anos. Você devia ter me avisado, porque eu teria te entregado essa merda de celular e teria te pedido pra me avisar quando chegasse. Eu estaria a caminho do Bernabéu pra ir ao jogo e não aqui, te xingando depois de dirigir por cinco horas, preocupado pra cacete com você! E se você tivesse sofrido algum acidente antes de chegar ao aeroporto? E se te sequestram? E se a porra do avião cai? Porra, ! Você não pensou em ninguém? Você imagina como todos nós ficaríamos se tivesse acontecido alguma coisa séria? Custava sair daquele caralho de banheiro e falado “ô filho da puta, eu vou pra Sevilla beber no bar do Nano igual sempre faço quando coisas que me afetam acontecem. Não precisa se preocupar, pode ir pra sua casa quando resolver ir embora, sem precisar passar na casa do Sergio e na casa do . Tchau”? Não, não custava!
– Você foi na casa dele também? – perguntou em um lamento e respirou fundo antes de responder.
– Fui, mas só na portaria. Eu saí feito um desesperado atrás de você! Rodei metade da cidade tentando te achar e só na casa do seu irmão me ocorreu que você estaria aqui.
– Desculpa. – pediu de forma sincera e não respondeu, apenas encarava as árvores à sua frente e alguns passarinhos voando.
– Toma esse telefone e manda uma mensagem pro seu irmão, ele está bastante preocupado com você também. – estendeu o telefone para , que pegou e encarou a tela desligada.
– Podemos ir embora? – pediu cansada. – Quero ir pra casa.
– Pra casa em Madri ou pra casa dos seus pais?
– Se eu for pra minha casa aqui, não volto pra Madri antes do final do recesso, no ano que vem. E temos provas esses dias e não posso perder nada. E tenho que trabalhar.
– Vamos comer primeiro. – falou sério, não era uma pergunta, era uma indicação do que aconteceria.
– Meu estômago não está bom o suficiente pra isso, prefiro ir embora sem comer.
– Não lembro de ter perguntado nada disso. – disse sério e ficou de pé.
– Grosso. – respondeu e ele a olhou nervoso.
– Eu sei que eu podia muito bem não ter vindo quando liguei pra Nano e descobri que você estava aqui, mas eu vim mesmo assim, porque eu estava preocupado e imaginei que talvez você quisesse seu melhor amigo por perto, nem que fosse só pra sentar do seu lado e ficar em silêncio. Eu cheguei aqui pouco depois das nove da manhã e nem mesmo tentei dormir, estou com muita fome, porque a última coisa que eu comi foi um sanduíche mal feito, que fiz na pressa de sair e eu também estou de ressaca. Então, por favor, só faz o que eu estou pedindo uma vez na vida. – falou com os olhos fechados, tentando se controlar para não alterar o tom de voz e acabar gritando, e não obteve resposta, apenas andou calada ao seu lado.
Os dois almoçaram em total silêncio em um restaurante perto do local em que estavam. Ainda passaram em uma farmácia antes de irem realmente embora, comprou outro analgésico e um antiemético mais forte antes de iniciarem o caminho de volta para Madrid.
Estavam em completo silêncio enquanto ele dirigia de volta a Madrid e ponderava se mandaria ou não uma mensagem para o irmão, porque ele daria um sermão imenso, maior até mesmo que se fosse o pai dela. O rádio estava ligado e cantava algumas músicas, mas sem falar com e nem ao menos tinha olhado para o lado até então.

– Não quero ouvir isso. – resmungou, passando a música que tocava na playlist escolhida por ele.
– Desde quando você não quer ouvir Arctic Monkeys?
– Desde quando falou dessa música antes de… – começou a falar, deixando a frase morrer e suspirou, não precisava falar, sabia. – Quero ouvir outra coisa.
– Sinta-se à vontade para escolher outra playlist, ou para colocar numa rádio que esteja transmitindo o jogo. – deu de ombros, mas ainda sem se virar para ela. – Sinto muito que ele tenha estragado essa música pra você.
– Só por alguns dias, eu espero. – voltou a resmungar enquanto mexia no próprio celular em busca de outras músicas para ouvirem.

🤍⚽️ 🤍
estava deitada em sua cama e encarava o teto do quarto, ainda enjoada e de ressaca. Tinha tomado banho pouco depois de chegar, estava devidamente enrolada em seus edredons, usava o conjunto de moletom mais confortável que tinha, mas o sono não vinha, ainda que ela estivesse cansada e sentindo a necessidade de dormir por muitas horas.
Ela tinha se decidido por mandar uma mensagem ao irmão, falando que estava de volta a Madrid, que estava tudo bem e que tudo tinha sido apenas um grande mal-entendido e como resposta, recebeu um “amanhã nós conversaremos”, e sabia que tomaria um esporro colossal. Um que ele ainda não tinha dado nela até aquele dia, em vinte e dois anos. Sergio seria pior do que o capitão. Ele seria o irmão mais velho e isso era infinitamente mais assustador do que o capitão Sergio Ramos. E o pior de tudo é que ele teria razão.
A ida a Sevilla ainda não tinha surtido efeito, além de uma ressaca pior do que a que ela teria se tivesse ficado apenas na festa. tinha comprado a passagem mais cedo naquele dia, talvez nem viajasse mesmo, mas no auge de sua bebedeira, resolveu que devia ir.
Ela bebeu mais, comeu batata frita, ouviu Radiohead, chorou e simplesmente não sentiu nada de diferente, apenas sentia vontade de chorar mais e mais, além de querer ligar para e chorar mais ainda. Das outras vezes em que tinha ido até lá, o efeito era quase imediato e sabia que provavelmente tinha sido uma viagem inútil, não havia bebedeira que pudesse curar aquele coração partido.
De alguma forma, aquela visita dele há alguns dias tinha lhe dado uma pontinha de esperança de que eles ficariam juntos independente do que estivesse acontecendo naquele momento. Seu lado racional abominava a ideia, mas apenas por Sara, ela não podia pagar o preço e sair magoada, a culpa não era dela e ela tinha sido envolvida em tudo sem querer. Já o seu lado emocional berrava para que ela pedisse que ele fosse até ali e os dois reatassem, que deixassem todo o resto de lado e voltassem a ser o que sempre tinham sido: um casal.
Foi o lado racional de que afastou antes de se beijarem, um mínimo pedaço de seu cérebro funcionou antes que eles fizessem algo errado. E, apesar de saber que era o certo a fazer naquele momento, estava se sentindo mal por não ter deixado que ele a beijasse, porque ela queria ser beijada por ele, sentia falta de beijá-lo, abraçá-lo, de fazer e receber carinho. Gostar de era a coisa mais louca que tinha acontecido em sua vida, porque ele simplesmente entrou de uma forma inimaginável e permaneceu.
Quando o interfone tocou, pensou em fingir que não estava em casa e não atender, mas os toques não cessaram até que ela estava de pé, na cozinha, com o fone no ouvido.

– Quem é?
– Entrega. – a voz respondeu do outro lado. O aparelho era péssimo e sempre parecia que quem estava chamando era o Darth Vader.
– Entrega? De quê?
– Comida chinesa.
– Eu não pedi comida nenhuma, você errou o número.
– Você é Ramos García?
– Sim, mas eu não pedi e nem vou pagar nada. Então, você vai embora com isso e eu posso voltar pra minha cama e dormir, como eu estava tentando fazer.
– Já tá pago, você só precisa me deixar subir. Ou eu posso tocar o interfone do vizinho e você vai acabar mesmo arrumando uma multa no condomínio. – ela ouviu e por aquela fala, soube bem quem era.
– Você não vai subir.
– Eu só quero conversar.
– Tudo que tinha pra ser dito já foi, vai embora.
– Desculpa. – ele disse num tom derrotado. – Eu nunca quis t…
– Guarde suas palavras, . Elas não vão me fazer mudar de ideia e te deixar subir, ainda que eu saiba que são sinceras e que você nunca quis me fazer chorar, me decepcionar e nem qualquer coisa ruim.
– Tudo bem. Desculpa. – ele falou e um silêncio predominou.

Ele tinha ido embora, ela percebeu. Desligou o interfone e voltou para a própria cama. Se antes estava difícil de dormir, ela duvidava que fosse conseguir agora.

Capítulo 16 And up until now I had some sworn to myself that I’m contente with loneliness…

… because none of it was ever worth the risk… (The Only Exception – Paramore)

[N/A: Esse capítulo tem como tema a música “The Only Exception”, da banda Paramore. Não precisa ouvir, mas se quiser, pode. Ah, o capítulo é todo de flashbacks que antecederiam o capítulo 10.]

Flashback

Madri, 23 de outubro de 2017

, você vai na festa de Halloween da Espit? – Amelie perguntou e a olhou sem muita certeza.
– Não sei. Vai ser boa?
– Ouvi dizer que sempre é. – Amelie deu de ombros. – E Alba vem pra cá, é a chance de reunir a turma de novo.
– Dia trinta e um mesmo?
– Isso. Até seis da manhã do dia primeiro de novembro.
– No meio da semana? – perguntou surpresa.
– Iiih… Você está colocando obstáculos para ir a uma festa? – Amelie perguntou num misto de deboche e surpresa.
– Não obstáculos, mas vamos trabalhar no dia seguinte e…
– Estaremos de folga, . – falou animado, abraçando pelos ombros. – Nós vamos nessa festa sim.
– E se eu resolver ir ao jogo lá em Girona?
– O jogo é dia vinte e nove, você pode muito bem voltar e ir conosco.
– Eu não tenho fantasia e…
– Jamais achei que viveria para ver Ramos García colocando empecilhos para ir a uma festa. – Amelie implicou, esbarrando no ombro de .
– Eu não estou colocando empecilhos. – respondeu num muxoxo. – Só não quero ir de qualquer jeito.
– Vamos comprar as fantasias amanhã.
– Eu trabalho, sabia?
– Sim, eu sei, mas seu chefe é legal e pode deixar você sair mais cedo.
– Tudo bem. Mas é melhor combinarmos como cada um vai, não quero fantasias repetidas. – disse, por fim, recebendo um sorriso dos outros dois.
– Gosto quando você é você! – sorriu.
– Eu marquei de ir comer na casa do Sergio com ele e as crianças mais lindas de todo o universo, então vejo vocês amanhã.
– Até amanhã, . Mande um abraço pro capi e amanhã aguardamos suas histórias sobre seus sobrinhos. – implicou.
sabia perfeitamente que ia para a casa de , as noites dela se resumiam, basicamente, a isso há um bom tempo, ainda que ela discordasse e argumentasse que não era verdade e que ela fazia outras coisas além de ficar com nos dias e horários que tinham compatíveis. Os dois estavam num relacionamento, mas não admitiam de forma alguma que, sim, eram namorados.
– Pode deixar, eu contarei várias. – sorriu, abraçando o amigo e lhe beliscando de leve e logo em seguida abraçou Amelie.
Quando estava no carro, seu celular vibrou em uma mensagem e ela tirou do bolso antes de dar partida e sair.

: Linda, tem como você trazer alguma coisa pra gente comer? O pivete sumiu tudo que eu tinha de telefone pra pedir comida ☹
: Chego aí daqui a pouco 😉

Deixou o celular de lado e dirigiu até um excelente restaurante que ficava no caminho entre o estágio e a casa de , comprou uma boa massa para jantarem e seguiu pelo restante do caminho, acompanhada de um trânsito intenso dado o horário, ao som de uma playlist totalmente aleatória criada por há alguns meses.
O jogo do dia anterior no Bernabéu, contra o Eibar, tinha sido realmente bom, o time tinha vencido por três a zero e dera uma assistência para o gol de Marco Asensio e tinha jogado muito bem. lembrava muito pouco do jogo, tinha bebido demais na noite anterior e no dia do jogo, e ainda passou a noite sob os cuidados de .
Quando conseguiu, finalmente, estacionar à porta da casa, já era próximo das oito da noite. Estava cansada, tinha trabalhado bastante naquele dia, além das aulas pela manhã, que realmente tinham lhe deixado exausta e só tornado sua ressaca algo ainda pior do que teria sido normalmente. só queria curtir algumas horas com , já sabia que teria uma semana aparentemente bem difícil e não poderiam passar todos os dias juntos.

– Você demorou. – falou, quando abriu a porta, dando espaço para que ela passasse.
Bubu, que estava próximo aos dois, deu um latido animado ao vê-la.
– Trânsito. Cadê o Junior?
– Festa do pijama na escola. – deu de ombros. – Você fica hoje?
– Não. – suspirou cansada. – Amanhã eu preciso realmente sair bem cedo.
– Tudo bem. – resmungou desgostoso.
– Eu trouxe uma coisa bem gostosa pra você comer.
– Você? – perguntou, fazendo gargalhar.
– Também, mas eu estava falando sobre um macarrão ao molho pesto que você estava com vontade de comer.
– Você é a melhor. – sorriu, quando estendeu a sacola de papel e os dois foram se sentar na sala para comer, acompanhados de perto por um Bubu animado. – Como foi seu dia?
– Cansativo, mas produtivo. E o seu?
– Entediante e zero produtividade. – deu um sorriso. – E a sua ressaca?
– Você cuidou bem de mim, mas precisei tomar dois comprimidos pra dor de cabeça durante o dia pra conseguir trabalhar e não dormir ou fingir um desmaio pra ir embora.
– Bebeu água?
– Bastante. E comi coisas leves, meu estômago estava me matando.
– E agora, como você está?
– Bem melhor. Só estou cansada, meu dia foi puxado. – respondeu dando de ombros. – Você ouviu falar sobre a festa de Halloween da Espit?
– Aitor e Ruben só sabem falar disso nos últimos dias, porque não vão poder vir e estão decepcionados. – respondeu, rolando os olhos entediado. – Por quê?
– Alba vem passar uns dias e a minha turma resolveu organizar uma espécie de encontro nessa festa.
– Você não parece muito animada.
– E eu não estou, pra ser sincera. – soltou um risinho pelo nariz. – Mas estaremos todos juntos depois de quase seis meses separados. O que é um recorde, afinal estávamos quase todos os fins de semana nas baladas de Madri.
– E você não está animada por quê?
– Não sei, só não estou. Talvez seja só por ainda estar de ressaca e não conseguir nem cogitar a possibilidade de me embebedar de madrugada de novo tão cedo. – mentiu dando de ombros.
A verdade era que ela não queria mesmo ir, preferia passar aquelas horas com , aproveitando o dia juntos e sem ninguém para atrapalhar, ainda que, provavelmente, Junior estivesse em casa e eles não fossem mesmo aproveitar nada além da companhia um do outro. Mas, ainda sim, era o tempo que tinham para ficar juntos e logo entraria numa maratona de jogos da Champions League e de La Liga, as coisas tendiam a ficar ainda mais corridas.
– Acho que você deveria ir, são seus amigos e outro dia mesmo você reclamou que sentia falta de todos juntos.
– Isso é. E nós vamos comprar as fantasias amanhã.
– Você tem alguma ideia do que usar?
– Pensei em ir de Mulher Maravilha.
– Você precisa de uma fantasia, não pode ir vestida de você mesma. – falou dando um sorriso fofo para .
– Awn. – sorriu, lhe dando um beijo no rosto. – Mas eu estava falando de Diana Prince.
– Ah, essa… – falou em tom de desdém, mas sorrindo. – É uma boa, mas vai fazer frio.
– Eu pensei nisso. Você tem alguma ideia?
– Se é uma festa de Halloween, então você tem que ir com algo assustador.
– Sergio não vai me emprestar as roupas dele pra eu ir a uma festa. – caçoou do irmão, arrancando uma risada de .
– Eu estava falando de algo um pouco menos assustador que isso.
– Exemplifique.
– Algo que remeta a Halloween, meu amor. – deu de ombros. – Morte, monstros…
– Vou de enfermeira zumbi sexy. – falou dando uma risadinha.
– Isso me parece bem interessante…
– É, mas você não vai, então sinto muito.
– Sabe, nós estamos conversando bastante. Eu quero te beijar desde a hora em que coloquei meus olhos em você.
– É mesmo?
– Absolutamente, mas agora minha boca está fedendo a alho e parmesão.
– Você deixou mesmo ele dormir na escola? – perguntou quase chateada, se aproximando para dar um selinho nos lábios de .
– A professora garantiu que era seguro. E todos os outros pais deixaram, só ele ficaria de fora se eu vetasse, preferi deixá-lo ir e eles ficaram de avisar caso algo aconteça, ele estava tão animado que eu duvido muito que chore ou algo do tipo.
A conversa trivial continuou enquanto os dois comiam e vez ou outra davam um pouco a Bubu.
– Parabéns pela assistência ontem. – falou quando já estavam deitados no sofá, abraçados.
– Obrigado. – agradeceu, fazendo um carinho em seu braço. – Queria que você ficasse.
– Eu também queria, de verdade, mas amanhã tenho que chegar mais cedo na universidade, tenho um trabalho-barra-prova muito chato pra fazer, saio de lá, almoço rápido e vou correndo resolver algumas coisas pro meu querido chefe, temos uma reunião no escritório e eu ainda devo passar boas horas enfiada em lojas de fantasia. Eu nem estava pensando em sair de casa e vou passar a madrugada numa festa.
– É aquela boate em que você e o sempre vão?
– Não. Eu nunca fui na Espit. – negou e aconchegou-se mais ao abraço de .
– Vocês vão se divertir, eu tenho certeza. – a apertou um pouco mais em seu abraço e soltou um resmungo preguiçoso.
– Tomara que sim.
– Você vai acabar dormindo, . Vamos subir.
– Não, aqui tá gostoso. E eu não vou dormir, daqui a pouco eu vou embora. – ela respondeu num resmungo, com os olhos fechados, e encaixou o rosto na curva do pescoço de .
Ele não protestou, apenas permaneceu ali, curtindo a presença de envolta em seu abraço, sentindo a respiração calma dela contra sua pele e aproveitando o momento.
era intensa, mas também era a calmaria que tanto precisava. E pensando nisso, os dois acabaram dormindo pelo sofá mesmo.

🤍⚽️ 🤍
Madri, 24 de outubro de 2017

¡Viva la madre que te parió, ! exclamou quando lhe estendeu um copo de café, acompanhado de um saco de papel com a logo da cafeteria da universidade, ainda no estacionamento.
– Viva a mãe que te pariu também, . Duplamente. – soltou uma risada, pela referência usada por à faixa que a torcida do Real Madrid fizera para o irmão. – A noite foi boa?
– Dormi muito. – deu de ombros, dando um gole no café. – Mas não dormi em casa. A bateria acabou, o celular não despertou, acordamos atrasados, tomei banho por lá, vesti as primeiras roupas minhas que achei e vim. Preciso ir em casa antes do estágio, não posso ir com essa roupa.
– Poder pode, mas não sei se seria visto com bons olhos você aparecer lá de camiseta, com essa calça jeans mais velha que a cortada pra esquerda do Robben e chinelo, ainda mais por termos reunião.
– Vou sair mais cedo da aula e voar pra casa. – respondeu, mordendo um pedaço do sanduíche que tinha em mãos.
– Você sabia que ia dormir lá, devia ter passado em casa e buscado uma roupa.
– A intenção não era dormir, . – falou antes de morder outro pedaço do sanduíche. – Mas eu estava cansada, acabei apagando no sofá mesmo.
– Você já teve mais pique, agora está ficando cansada muito fácil.
– Claro, ontem eu trabalhei por nós dois, seu cara de pau!
– Você lida melhor com ressaca do que eu.
– Eu te avisei que se bebêssemos daquele jeito nós teríamos problemas.
– Avisou. Eu devia te ouvir mais.
– Devia, mas você é um imbecil.
– E você é mais imbecil ainda, já que avisou e bebeu junto.
– Cala a boca. – resmungou, bebendo o café.
– Você vai mesmo pra Girona?
– Eu não! – riu, mordendo um pedaço do sanduíche e mastigando rápido antes de terminar de falar. – Até porque combinei com a Maria de ficar com as crianças no dia pra ela sair.
– Então por que falou que podia querer ir pra Girona?
– Pra encher o saco. – respondeu, engolindo o último pedaço do sanduíche e se virou para olhar . – Agora a gente corre pra aula, porque a Castillo vai começar a aplicar aquele trabalho maldito daqui a pouco.
– Você estudou?
– Um pouco. E você?
– Bastante. Eu sabia que você estaria muito mais ocupada estudando Anatomia na prática do que Direito Sindical e Procedimentos Laborais.
– Idiota. – deu uma risada, tomando o restante do café. – E eu não estudei anatomia nenhuma ontem. Eu dormi. Nós dois dormimos.
– Você está ficando velha.
– Estou. – concordou rindo. – E eu preciso dizer que te amo muito, você é o melhor amigo de todos.
– Eu sei que sou. E falei que você está ficando velha pra não falar aquilo que já falei algumas vezes e você sempre refuta: ele é a exceção dessa sua regra idiota, de todas elas, na verdade. Você podia até ter mantido as coisas sem envolvimento emocional igual ao que têm agora, deixado ser apenas sexo, mas vocês estão se comportando feito namorados. E é muito claro que você está apaixonada.
– Ainda bem que você não falou, não é mesmo? – falou debochada.
– Ainda bem. – deu um sorriso e a abraçou pelos ombros. – Porque eu jamais falaria isso sabendo que você não vai me dar atenção, mesmo que seja a verdade.
, como funciona aquela parte dos organismos de representação unitária mesmo? – perguntou, na clara intenção de mudar de assunto, enquanto caminhavam até a sala.
Enquanto explicava sobre os conselhos de trabalhadores e delegados pessoais, dentro do tema de Direito do Trabalho que abordavam naquele semestre, os dois seguiram até a sala de aula, passando pelos corredores cheios da Universidad Carlos III de Madrid, cumprimentaram algumas pessoas e logo estavam na sala, sentados em dupla e preparados para o trabalho de uma das professoras mais linha dura que tinham naquele semestre.

: Boa prova, mi amor, você vai tirar total nessa! 😉

Involuntariamente, deu um sorriso, mas guardou o celular antes que pudesse perceber que ela sorria para uma mensagem de . Não precisava ouvi-lo falar por mais tempo sobre aquilo.

🤍⚽️ 🤍
, seu almoço chegou! – ouviu a recepcionista falar mais alto e se virou em sua direção.
Não tinha pedido comida, como assim seu almoço tinha chegado? Ela mal tivera tempo de sentar desde que tinha chegado ao estágio, depois de uma ida em tempo recorde até sua casa para trocar de roupa, uma hora e meia atrás.
Levantou-se e foi até a recepção, encontrando apenas um saco de papel do restaurante, mas não havia entregador.
– Não preciso pagar? – perguntou confusa e a recepcionista deu de ombros.
– O rapaz que trouxe não falou nada. Você provavelmente pagou no cartão de crédito e não percebeu.
– É, pode ser. – respondeu baixo, pegando o saco de papel e encontrou um pequeno post-it dentro, por cima da embalagem.

“Sei que você adora a comida do Paradise e não deve ter tempo de sair para almoçar, já que dormimos demais, você saiu atrasada e falou que teria que ir em casa se trocar depois da aula. Seu dia vai ser repleto de atividades, então espero que você aproveite, pelo menos um pouco, seu almoço.
Beijos.”

Pela segunda vez no dia, uma mensagem de fazia sorrir. Ele não podia ser real, sinceramente! Seguiu pelo corredor até a cozinha dos estagiários. Estava morrendo de fome e só percebeu isso quando sentiu o aroma da comida deliciosa do restaurante.
Sentou-se à mesa e ocupou-se de comer a deliciosa comida mediterrânea que há tempos não comia, mas amava. Mais tarde enviaria uma mensagem de agradecimento a e o chamaria para dormir em seu apartamento.

🤍⚽️ 🤍
– Eu não faço ideia de que tipo de fantasia comprar. – resmungou.
, a festa é temática. – Amelie riu. – Você não viu o flyer?
– Não. – confessou.
– Você está desanimada demais pra essa festa. – Amelie a olhou curiosa.
– Eu estou cansada demais dessa semana que mal começou e já me derrubou. Então, qual o tema?
– Piratas mortos.
– Então temos que ir de piratas mortos?
– Sim! – Amelie sorriu animada. – Cadê o ?
– Ele estava terminando de resolver um memorando pro González, disse que não demoraria.
– Você está namorando. – Amelie não perguntou, ela afirmou.
ergueu uma das sobrancelhas e a olhou curiosa.
– De onde você tirou isso?
– Você tem saído bem menos, e nem todos os dias está disponível quando eu te chamo para irmos pra balada. Você está namorando.
– Você está louca. – riu.
– E você está mentindo pra mim. – Amelie provocou. – Mas, tudo bem, no seu tempo você conta.
– Não tem nada disso, pode ter certeza. – garantiu.
– Podemos? – apareceu animado, dando um sorriso para as duas e as abraçou pelos ombros.
– Devemos. – sorriu.
– Animação, gosto assim.
– E encontraremos com todo mundo?
– Só com Luna, Lorenzo, Serena e Lorena. – Amelie enumerou. – Alba vai comprar lá em Lisboa, Dimitri e Romeo disseram que já têm suas fantasias.
– E nós iremos naquela loja qu…
– É. – interrompeu . – Aquela de sempre. E a Amelie já ligou e pediu pra reservarem algumas pra gente.
– Eu amo vocês. – sorriu. – E vamos como?
no carro dele, você no seu e eu com você. – Amelie deu de ombros.
– Não seria mais inteligente ir de táxi? Ou todo mundo em um carro só? Eu tenho que passar por aqui, de qualquer forma, pra ir pra casa, então podemos ir juntos, eu deixo o aqui na volta e te deixo em casa.
– Pode ser. – respondeu. – E vamos logo!
– Você está muito animado, . – o olhou estreitando os olhos e ele sorriu.
– Festa, Ramos. Festa.

Os três seguiram pelo trânsito caótico e intenso de Madri no fim do dia, enquanto conversavam sobre o que deveriam fazer depois de comprarem as fantasias. queria ir pra casa dormir cedo, queria ir ao cinema e Amelie queria comer, mas não chegaram a um acordo, pelo menos não enquanto iam ao local em que comprariam as fantasias.
Assim que chegaram, os outros quatro já estavam aguardando e eles entraram na loja, que estava relativamente vazia, então poderiam experimentar as fantasias sem muito incômodo e com tranquilidade.

– Acharam alguma coisa? – Amelie perguntou de dentro de um dos provadores.
– Eu sim. – Luna respondeu.
– Eu também acho que sim. – Serena falou olhando-se no espelho do provador em que estava.
– Eu, com certeza, achei! – Lorena respondeu animada.
– Acho que eu também. – se olhava no espelho.
– Então vamos nos ver e apontar os pontos fortes e fracos. – Amelie falou e as cinco estavam paradas frente a frente, todas fantasiadas.
, você vai de calça? – Luna estava quase chocada ao ver a amiga de calça.
– Seu irmão não vai ficar te regulando, pode ir de saia. – Lorena implicou.
– Eu até experimentei um vestido bem parecido com o da Serena, mas o corpete dele é preto, só que eu gostei mais desse.
– É lindo. – Amelie sorriu. – Nós estamos todas lindas, na verdade.
– Coloca o vestido, eu quero ver antes de dar o veredicto. – Serena falou e rolou os olhos antes de dar as costas para as quatro e voltar ao provador.

Daria muito trabalho sair daquela roupa: uma bata branca, de ombros caídos e mangas bufantes, calçe legging listrada em cinza escuro e preto, o corpete de camurça no mesmo tom de cinza da calça, um lenço vinho de camurça amarrado à cintura do mesmo tom do lenço que estava em sua cabeça, sob um chapéu de pirata preto com dourado, e um cinto enorme preto com uma fivela dourada. Mas ela se trocou.
O corpo do vestido era preto, com um corpete que simulava couro e era preso por fitas de um tom bonito de vinho. A saia com três camadas sobrepostas de babados, um tom mais escuro que o da fita, ia a um palmo e meio do joelho, e tinha um forro branco de tule que aparecia na beirada da saia, que tinha a parte de trás mais comprida e ia até a altura dos joelhos. Manteve o lenço na cabeça, junto com o chapéu e saiu do provador.

– É essa! – as outras quatro disseram juntas.
– Parece que vocês escolheram por mim. – riu.
– Claro!
– E vou fazer uma maquiagem, afinal, somos piratas mortas. E usar uma bota maravilhosa que Sergio me deu de aniversário no ano passado.
– Você está fantástica! – Luna sorriu.
– Então estamos todas resolvidas? – Amelie perguntou.
– Parece que sim. – deu de ombros. – Vamos levar espadas e essas coisas?
– Não. – Serena falou e as outras assentiram. – Então vamos nos trocar e não deixar ninguém ver essas roupas.
– E nos arrumaremos na casa da Luna. – Lorena avisou e as outras concordaram enquanto se dirigiam aos provadores.
tirou uma foto da fantasia e encaminhou para .

: A festa é temática, então tenho que ir de pirata. Com a maquiagem acho que vai ficar melhor. O que você acha?

Deixou o celular de lado e foi vestir a roupa com a qual tinha chegado ali, dobrando as peças experimentadas e separando as que levaria para casa. Antes que saísse do provador, seu celular apitou em mensagem e ela pegou o aparelho na bolsa, conferindo o que era.

: O que eu acho? Que você é a pirata mais linda do mundo.
E a mais gostosa também.
Quando chegar em casa me avisa, quero dormir com você de novo.

E, pela terceira vez naquele dia, sorriu por causa de uma mensagem de .

🤍⚽️ 🤍
Madri, 31 de outubro de 2017

– Isso está lotado! – resmungou enquanto caminhavam a caminho do local.
A rua estava lotada. Não. Lotada ainda era pouco. Era possível que toda Madri e arredores estivessem ali. A música alta, um bom rock, como observou , tocava enquanto uma multidão de piratas circulava. Nem os nove graus e os ventos frios afastaram as pessoas da rua.
– TEQUILA! – Alba gritou, puxando pela mão e logo o grupo estava a caminho do bar.
O ritual “arriba, abajo, al centro y adentro” foi feito e logo estavam todos com outras bebidas em mãos e sem se preocupar muito com os gritos de susto dos outros, curtiam as músicas e conversavam aos berros.
– Nyan. – ouviu falar ao seu ouvido e, se pudesse, teria cavado um buraco e se enfiado lá.
Desde a festa na casa de Dani Carvajal eles não se falavam. Há mais de um mês! Ela não tinha conseguido achar uma desculpa plausível para seu sumiço e por tê-lo deixado, literalmente, na mão naquela noite.
É claro que ele estaria ali, finalmente raciocinou, Nyan adorava uma boa festa e aquela prometia ser uma das melhores que Madri já tinha sediado até então. E, mesmo com o local tão cheio, era óbvio que se encontrariam. Ela não tinha tanta sorte assim de não passar por esse tipo de constrangimento.
– Nyan! – Amelie chamou animada, dando um sorriso para o colega, que vinha em sua direção.
Os dois se abraçaram e logo ele estava abraçando e cumprimentando todos do grupo. Tinha sido parte da turma e participava de quase todas as saídas e festas com eles, além de, claro, já ter ficado com durante um tempo e eles se acompanharem em festas algumas vezes. Nyan cumprimentou com um abraço e logo estava parado em frente a , que tentava não mostrar o quão desconfortável estava com aquilo.
– Oi , quanto tempo. – falou quase debochado, quando a abraçou.
– Oi Nyan. Realmente, faz muito tempo. – sorriu sem graça, mas Nyan não viu, ainda estavam abraçados. – Acho que precisamos conversar.
– Depois de um mês? Eu entendi bem que você não queria falar comigo ou qualquer coisa do tipo.
– Não foi por querer. Sergio estava no meu pé e…
– Eu o vi conversando distraidamente com o Dani meia hora depois, . – Nyan interrompeu. – Não precisa mentir, eu sei que você tinha outros interesses naquela noite e tudo bem. Só que você deveria ter me dito.
– É, eu sei. Desculpa, Nyan, de verdade. – pediu sincera, soltando o abraço para olhá-lo nos olhos. – Era algo com outra pessoa e…
– E é alguma coisa que ainda está acontecendo, eu posso ver. – ele deu um sorriso de lado, mas soou sincero e compreensivo. – Tudo bem, mas você deveria ter dito. Perdi minha melhor foda, mas vida que segue.
– Desculpa, de verdade.
– Tudo certo. – ele deu um sorriso sincero e soltou-se do abraço de .
– Uau, vocês são mesmo um casal. – Amelie se aproximou e falou aos berros por causa da música alta. – Agora não se beijam e ficam conversando.
– Não somos um casal. – Nyan fez uma careta. – Ela é doida demais pra mim.
– E gostosa demais também. – Amelie completou, trocando um high-five com a amiga.
– Não posso discordar, mas não somos um casal, sorte dos homens e das mulheres solteiras que nos quiserem. E falando nisso, com licença. – Nyan falou, se afastando do grupo e indo atrás de alguma garota.
– Então não é ele o seu namorado? – Amelie a abraçou e perguntou em seu ouvido.
– Eu não tenho namorado.
– Você não assume, mas tem. – Amelie piscou. – E vamos nos divertir, por favor!
– Vamos. – sorriu e as duas saíram de braços dados pela festa, se separando do grupo.

🤍⚽️ 🤍
estava com um copo em mãos. Um copo de água. Não queria ficar de ressaca no meio da semana, não queria mesmo. Ainda que estivesse de folga e que não fosse à aula, ela pegaria leve, ainda estava se recuperando do porre da semana anterior, tinha sido exaustivo permanecer quase vinte e quatro horas bêbada e lidar com as consequências disso também não tinha sido nada fácil.
Os amigos dançavam, riam, se beijavam e estavam se divertindo espalhados pelo local. Os piratas da casa, contratados para tornar a noite assustadora, vinham fazendo bem seu trabalho. A todo momento era possível ouvir os gritos aterrorizados dos presentes que trombavam com alguns deles ou que entravam nas alas em que eles estavam. Também era possível vê-los passar correndo tentando assustar pessoas.

– Você pode me informar as horas? – pediu aos berros a um barman.
– Meia noite e dez. – ele respondeu alto.
– Obrigada! – ela agradeceu alto e se virou, saindo do bar e esbarrando em alguém: Nyan.
– Eu jamais achei que te veria numa festa dessas totalmente sóbria e com zero vontade de ficar. – ele falou em seu ouvido.
– Eu estou cansada, Nyan. Semana passada eu trabalhei muito e tenho estudado bastante também.
– Vamos tomar uma cerveja e conversar. – Nyan chamou, pegando-a pela mão e os dois foram ao bar, pegaram uma cerveja cada e se afastaram um pouco da multidão.
O local, ainda dentro do pub, estava mais tranquilo, mesmo que a música permanecesse alta e houvesse gente por todo lado.
– Você me desculpa mesmo? – perguntou e Nyan assentiu, tomando um gole da cerveja.
– Naquele dia você estava bem evasiva. Eu até achei que fosse mesmo seu irmão, mas depois percebi que não era. Você estava incomodada com alguma coisa e quando não apareceu eu entendi que era a chance que você precisava para sair me dispensar e ir embora. Só fiquei chateado por você não ter falado, nós sempre fomos bem francos um com o outro.
– É, eu sei. Desculpa. Mas, naquele dia, eu queria estar com outra pessoa e foi bem chato não poder. Eu tive que ir embora.
– Eu conheço?
– Não. – mentiu.
Não falaria quem era a outra pessoa nem que lhe pagassem!
– E hoje você parece incomodada de novo. – Nyan sorriu, observando assentir enquanto tomava um gole da cerveja que tinha em mãos.
– Nyan, você já sentiu medo de se apaixonar?
– Já. – ele deu uma risada baixa. – Por você. Eu tive muito medo de me apaixonar por você quando a gente começou a ficar, porque, bom, você é linha dura e eu sabia que se me apaixonasse, eu gostaria sozinho e corria um risco imenso de quebrar a cara. E de ter a cara quebrada pelo seu irmão caso ele achasse que eu, sei lá, te magoei. Você nunca demonstrou sentimentos assim por ninguém desde que eu te conheci, então eu tive medo, mesmo sabendo que você já tinha namorado e todas aquelas coisas. Só que depois eu percebi que nós seríamos apenas bons amigos que de vez em quando se beijavam e transavam, sem sentimentos, e percebi que pra mim aquilo era ótimo, teria sua amizade e um bom sexo sem precisar namorar. Mas por que a pergunta? Você está se sentindo assim?
– Talvez. – respondeu incerta.
– Você já está apaixonada, . – Nyan riu. – E é visível. Mesmo que você ficasse com outros quando nós dois ainda tínhamos aquele lance, nunca te vi assim. Você está apaixonada, então o seu medo não é de se apaixonar, mas de reconhecer que está apaixonada.
– Talvez. – repetiu.
– Ele não sente o mesmo?
– Ele gosta de mim, eu sei disso, mas não sei se desse jeito. Ele também fica com outra de vez em quando.
– É, eu vi uns boatos sobre ele estar saindo com outra mesmo. Mas, , não deixa essa idiotice superar o que você está sentindo e te impedir de ficar com um cara de quem você gosta.
– Do que você está falando? – perguntou quase com medo.
– Eu reparei os olhares que você e o trocaram naquele dia, . Eu e todo mundo naquela festa, provavelmente. – Nyan deu uma risada abafada. – Ele gosta de você e deu pra perceber. Fala pra ele o que você sente, porque é recíproco.
– Que merda, Nyan. – ela resmungou. – Eu…
, você gosta de seguir regras, eu sei. Você sempre diz que aprendeu isso com seu irmão, mas você não pode se prender a essas regras desse jeito tão ferrenho. Se ele ficasse preso à regra de ser apenas um zagueiro, não teríamos tantos gols dele que salvaram o time e nos deram vitórias e títulos importantes. Regras são valiosas, eu sei, mas há regas que devem ser ignoradas pelo bem dos envolvidos. Principalmente as regras estúpidas e sem fundamento.
– Mas e…
– Diversas vezes eu vi e ouvi você dispensar jogadores do Castilla, do Atlético e de outros times, , te vi ser firme e nunca dar brecha, mesmo quando eram jogadores bonitos e que metade da população femi do mundo daria uma chance. Você poderia ter dado pelo menos uma chance de sair com qualquer um desses jogadores, mas você sempre foi inflexível. Tenho certeza que você tentou fazer o mesmo com o , mas, de alguma forma, deu errado e vocês estão juntos agora. E isso quer dizer muita coisa. Você não estaria com ele se não estivesse mesmo apaixonada, então não perde tempo se apegando a uma regra idiota. Vá ser feliz com uma pessoa que, claramente, quer te fazer feliz também. Ele é a sua exceção. A única exceção.
– Odeio quando você está certo. – resmungou.
– Ele deve estar acordado, vai pra lá e fala com ele. Quer dizer, é tão óbvio que ele sabe. Nem precisa falar.
– Se eu for embora agora, aquelas criaturas que eu chamo de amigos vão me matar!
– Eu invento que te vi saindo com um cara e você me pediu pra avisá-los. Sei que o vai entender e isso é o suficiente.
– Eu te devo uma. – sorriu, abraçando Nyan.
– Aceito o pagamento com uma camisa autografada do seu irmão. – falou e sorriu.
– Verei se consigo. – sorriu. – Agora vou pegar um táxi e ir embora.
– Boa sorte.
– Obrigada, Nyan. De novo. – falou, voltando a abraçá-lo e pouco depois estava caminhando para fora do local.

seguiu para o exterior da boate e foi em busca de um táxi. Tinha pensado em ir para casa e buscar o próprio carro, era melhor. E foi o que fez. Chegou ao prédio, subiu ao apartamento apenas para buscar as chaves do carro e o celular que tinha ficado ali e pouco depois estava descendo de novo, dessa vez até a garagem, e logo seguindo para o condomínio em que mora.
O trajeto foi rápido, dado o horário e em pouco menos de vinte minutos ela estava parando o carro à porta da casa de . O porteiro já a conhecia, sua entrada já era autorizada e então nem foi preciso avisá-lo sobre a visita inesperada que estava recebendo.
As luzes estavam apagadas, mas a televisão da sala estava ligada, percebeu pela janela da sala. Se estava dormindo, ele foi acordado pelas batidas na porta, acompanhadas dos latidos de Bubu. Ele demorou um pouco para chegar até a porta e a abrir, não parecia sonolento e nem que tinha sido acordado.

?
– Atrapalho?
– De forma alguma. – sorriu, dando espaço para que ela entrasse. – Entra. Aconteceu alguma coisa?
– Não. Eu só quero te desejar boa viagem, amanhã vocês vão cedo pra Londres, não é? – perguntou, entrando na casa e fechou a porta atrás de si.
– É. – concordou. – Você está sóbria?
– Estou. E com sono.
– Quer tomar um banho antes de irmos dormir?
– Quero sim.
– Vou desligar a TV e já subo. – falou, observando-a. – Pessoalmente é ainda mais bonito.
– Obrigada. – agradeceu, se virando para olhar a televisão. estava vendo desenho. – Dragon Ball?
– Você também gosta. – respondeu quase desaforado e a abraçou. – Por que você saiu tão cedo da festa?
– Eu não estava tão animada, acabei juntando isso com o cansaço e resolvi sair mais cedo. Mas não queria dormir sozinha…
– Entendi. – sorriu e lhe deu um selinho. – Quer comer alguma coisa?
– Não. Só dormir mesmo, pode ser?
– Claro. Pode ir, vou desligar a TV e juntar as coisas antes de subir.

lhe deu um selinho antes de soltar-se de seus braços e subir as escadas, acompanhada de Bubu, e tratou de juntar o prato e as embalagens que tinha deixado pela sala, desligou a televisão e subiu as escadas.
Quando abriu a porta do quarto, ouviu cantarolando enquanto ainda tomava banho, mas, de primeira, não se atentou ao que estava sendo cantado, apenas começou a ajeitar a cama para que pudessem dormir. Ela continuava cantando, ainda tomando seu banho.

– I’ve got a tight grip on reality, but I can’t let go of what’s in front of me here. I know you’re leaving in the morning when you wake up, leave me with some kind of proof it’s not a dream, yeeeeeeeaaaahhhhh… You are the only exception, you are the only exception…

Ouvi-la cantar aquilo era o sinal que ele tinha tanto pedido. Assim que voltassem de Londres ele colocaria fim em suas incertezas e perguntaria a o que eles realmente eram. Ele queria ouvi-la dizer que ele era a exceção daquela regra idiota. E que ficariam juntos. Que seriam namorados.
Era tudo que ele queria.

Capítulo 17 – Aunque te fuiste…

… no me suelto de ti. (¿Que Ganó Olvidándote? – Reik, Zion & Lenox)

– Livres? – perguntou
assentiu animada enquanto saíam da faculdade rumo ao estacionamento do campus. Tinham feito a última prova do semestre e estavam preparados para o recesso de fim de ano, tanto do estágio quanto da faculdade.
– Graças a Raúl e Xabi Alonso, sim. – respondeu enlaçando seu braço ao de .
– E que horas você viaja?
– Amanhã de manhã, vamos só pro jogo. Você tem certeza que não quer ir?
– Não tenho passagem. E não deve ter pra vender.
– E daí?
– Ah, você espera que eu vá andando daqui até Abu Dhabi, lindinha? – perguntou debochado.
– Não. Eu espero que você vá conosco no voo que Sergio, Nacho e Lucas fretaram.
– Não sei…
, você quer ir, eu quero que você vá, não vai custar nada e ainda temos a chance de ver nosso time campeão do mundo. De novo. – enumerou enquanto ainda caminhavam.
– Eu não tenho ingresso.
– Seu ingresso está com o Sergio, vamos pegar amanhã.
– Você vai ser uma excelente advogada, porque acaba de me convencer a fazer uma coisa que eu não estava pretendendo. – resmungou.
– Você não pretendia, mas queria. – disse dando um sorriso para o amigo e ele assentiu, devolvendo o sorriso, quando pararam ao lado de seus próprios carros no estacionamento. – Não esquece a camisa da sorte.
– Nunca esquecerei. – sorriu. – Que horas vocês têm que chegar ao aeroporto?
– O voo sai às seis da manhã.
– Vou dormir na sua casa.
– Pode.
– Não estou pedindo, estou avisando. – disse rindo.
– Daqui uns dias você não vai andar mais do que dois minutos pra chegar na minha casa.
– Como assim? – perguntou e a encarou confuso.
– Sabe aquela mini-casa bonitinha que tem na sua rua?
– Aquela que você sempre quis morar, porque acha que parece a casa da Barbie que seu irmão te deu quando você era uma criança chata? – perguntou rindo e assentiu dando um sorriso enorme.
– Vou me mudar pra lá. – respondeu ainda sorrindo. – Assim que voltarmos de Abu Dhabi!
– Eu entendi o tom, Ramos. – resmungou. – Sou eu quem vai ter que te ajudar com a mudança.
– Você é muito inteligente, , parabéns. E agora eu vou almoçar com meus pais, com sua licença.
– Nem acredito que eu vou de novo pra ver Mundial de Clubes… – fingiu um tom de tédio.
– Posso levar o Nyan no seu lugar sem problemas. – implicou.
– Nós nos vemos mais tarde. – falou depressa, fazendo dar uma gargalhada antes de assentir em concordância.

Deu um abraço no amigo em despedida, entrou em seu próprio carro, ligou o rádio e seguiu cantando até chegar ao seu prédio. Estava especialmente animada aquele dia, talvez por ser o começo do recesso de fim de ano, na faculdade, e o último dia de estágio até o ano seguinte. E iria a Sevilla passar alguns dias com os pais, logo depois de El Classico. E se mudaria para uma casa em que sempre quis morar. tinha motivos para estar animada.
Não que não gostasse do apartamento, porque o adorava, pagava as contas sozinha, tudo bem que tinha um auxílio do escritório no aluguel, mas se virava basicamente sozinha com as contas e as despesas que tinha. E como sempre morou em uma casa quando estava em Sevilla, sentia falta de ter um pouco mais de privacidade e liberdade do que morando em um apartamento.
tinha passado bons momentos naquele apartamento, mas passaria outros tão bons na “mini-casa” e sabia disso. Era uma casa simples, pouco maior que seu apartamento e ela a achava parecida com a casa da Barbie, apesar de não ter três andares e nem todos os apetrechos que a casa da boneca tem. E o aluguel era mais barato que o do apartamento. Tudo cooperava para que ela se mudasse e talvez isso fosse bom, mudanças, apesar de cansativas, eram boas e necessárias.
As coisas estavam quase todas embaladas e prontas para serem levadas para a casa nova quando voltassem de Abu Dhabi, lá ela teria um pouco mais de privacidade, além de poder, finalmente, ter um cachorro e ouvir música em um volume um pouco mais alto do que o permitido em seu prédio. Como os móveis eram do apartamento e a casa já era mobiliada, ela apenas levaria os pertences pessoais, mas ainda precisava encerrar o contrato com o dono do apartamento na segunda-feira.

🤍⚽️ 🤍
– Cara, você está bem? – Marco perguntou a , mas não obteve resposta. Os dois estavam dividindo quarto no hotel e tinha passado a maior parte do tempo livre deitado, de fones e olhando para o teto, parecendo estar há milhares de quilômetros dali. – . – Marco chamou antes de jogar uma meia no amigo, que se virou em sua direção, tirando um dos fones.
– Que é?
– Você está bem, cara? – Marco perguntou e assentiu. – O pirralho vem?
– Sim, com meus pais.
– E Sara?
– Sara não. Ela falou que gosta de mim, mas não gosta do time o suficiente pra vir comemorar um título. – respondeu e deu de ombros.
– Pensa pelo lado positivo: menos uma pra torcer contra nosso título. – Marco brincou em uma tentativa de animar o amigo, mas não deu certo.
– Você acha que eu devia ter esperado mais tempo e tentado conversar com antes de começar a namorar a Sara? – perguntou sério e se virou para Marco.
) está me pedindo conselhos amorosos? Parece que o jogo virou. – Marco brincou, fazendo dar um sorriso fraco. – Mas, sim, eu acho. Você se precipitou, foi pelo momento e por uma frase que sabia que ela não queria mesmo falar. Você ficou com a Sara um tempão, quase o mesmo tempo que ficou com a , e eu nunca te vi assim. Não que você não goste da Sara, é um jeito carinhoso, mas não do mesmo jeito e nem na mesma intensidade do que você sente pela .
- Não sei. – suspirou derrotado.
- É isso sim, porque você terminaria com a Sara pra ficar com a , mas não terminaria com a pra ficar com a Sara, se tivesse que escolher; mas você não quer magoar a Sara e acha que se insistir, vai gostar mais dela e parar de gostar da , só que não é assim que as coisas funcionam, sinto muito te informar, isso só acontece e dá certo em filme. Eu vi você e a naquele jogo e o jeito que vocês se olham é diferente do jeito que você olha pra Sara. E no dia que o capi machucou e vocês dois se trombaram, o jeito como se olharam era... intenso.
- Eu nem sei o que te falar. – suspirou e se sentou na cama, olhando para Marco, quase desolado. – Eu estava lembrando do dia em que ela foi pra minha casa depois de uma festa, antes da briga, e... – falou e voltou a suspirar desolado. – Eu não quero magoar a Sara, ela não tem culpa de estar no meio dessa bagunça, a culpa é toda minha.
- Sua e da , na verdade. Dela por ter mentido, sua por ter se precipitado. Eu não vou falar pra terminar o namoro com Sara, vocês são um belo casal, mas não force se perceber que não vai gostar dela na mesma intensidade que ela gosta de você. Ou na mesma intensidade que você gosta da .
- É, eu penso nisso sempre, porque eu gosto da Sara, o Junior nem tanto, ele prefere a e já me falou diversas vezes. Não sei de onde ele tirou isso, porque nós nunca nos comportamos como um casal na frente dele.
- Estava tão óbvio, até uma criança de três anos percebeu. – Marco disse rindo.
- E pediu pra voltar pra Málaga.
- Ele pediu? – Marco perguntou surpreso e assentiu.
- Faz um tempo, na verdade, eu até suspeito que a mãe dele tenha algo com isso, mas não posso provar.
- Sério?
- Eu suspeito que sim, mas tem muito dele também, ele adora a Vito de uma forma louca e apaixonada, claro, e sente muita falta de estar com ela. E acho que não ter a em casa com tanta frequência ajudou nessa decisão também, porque ele é completamente apaixonado por ela. Sara gosta dele, tenta se aproximar e brincar, mas é resistente e não dá abertura. Não sei como ele nunca soltou algo sobre a perto dela.
- Sara não sabe?
- Não faz ideia. – respondeu e suspirou. – Ela acha que só foi babá do Junior quando eu saía a noite ou com ela. Ainda bem que ela não sabe.
- Bom, meu conselho já foi dado. – Marco o olhou e deu um sorriso. – Não tenho muito mais a opinar e nem a falar sobre esse assunto.
- Espero que ela fique em Madri também, não sei se quero vê-la.
- Eu não queria te dar essa notícia, mas o capi acabou de falar que a família tá vindo toda.

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O sorriso de era tão grande quanto podia ser.
Campeão mundial.
De novo.
Os demais jogadores encontravam-se no mesmo estado de êxtase, comemoravam em seus grupos de afinidade aquele título que coroava a temporada quase perfeita que tiveram, conquistando o trigésimo terceiro título de La Liga, a décima segunda Champions League e, agora, o hexacampeonato Mundial.
Tinha sido um jogo intenso contra o Grêmio, mas o Real Madrid conseguiu sair vencedor. As poucas famílias que foram prestigiar o time ainda não tinham sido autorizadas a entrar em campo, pois estavam terminando de montar a estrutura para a premiação e só aí a entrada seria liberada.
E então ele a viu.
estava com Sergio Junior no colo e tinha um sorriso imenso no rosto, aquele sorriso que ela sempre tinha quando o time jogava bem e ganhava. estava ao lado dela e também sorria, Pilar estava com Marco no colo e perto deles também estavam os pais dos irmãos Ramos.
só tinha olhos para e toda sua animação contagiante, ainda que distante. Ele quase podia ouvir a voz dela cantando “¡Hala Madrid y nada más!” para o sobrinho mais velho, enquanto comemoravam mais um título conquistado pelo time, sob o comando do capitão Sergio Ramos.
queria um abraço, igual ao que daria no irmão dentro de alguns minutos, mas sabia que isso não aconteceria, era melhor não pensar sobre e evitar criar expectativas que, claramente, não seriam atendidas.

- Você está olhando pro seu filho que está acenando feito um desesperado faz um tempão ou pra moça com um dos filhos do capitão no colo? – foi tirado de seus pensamentos por Marco, que o abraçou pelos ombros, e deu um sorriso implicante para o amigo. – Pela falta de resposta, vou ficar com a segunda opção. E para de encarar, porque tá feio.
- Cala a boca. – respondeu empurrando Marco de leve, bem quando o acesso das famílias ao campo foi permitido e ele viu seu filho correndo em sua direção, com um sorriso no rosto e sendo acompanhado de perto por sua mãe.
- CAMPEÓN, PAPI! Júnior gritou animado quando chegou perto e se abaixou para receber o abraço do filho, que veio acompanhado de um beijo no rosto.
- Campeones, mi bichito! falou sorrindo e dando um beijo demorado na bochecha do filho, que deu uma gargalhada quando o pai ficou de pé e o jogou para o alto duas vezes.
- Parabéns, meu filho. – foi a vez de sua mãe falar e abraçá-lo demoradamente, lhe dando um beijo no rosto.

se viu recebendo os cumprimentos dos pais e do irmão, percebendo que Marco tinha ido embora e provavelmente estava com o pai, o irmão e os amigos; mas com os olhos, acompanhava indo até o irmão para parabenizá-lo por mais uma conquista à frente do clube merengue. Sergio tem muitas fãs por todo o mundo e dentro da torcida do Real Madrid, mas , com certeza, é sua fã número um.
Ela estava sorridente e após Sergio receber todos os cumprimentos dos pais, da esposa e dos filhos, se jogou nos braços do irmão para parabenizá-lo. quase sentiu falta de ar pelo capitão ao vê-lo ser apertado em um abraço da irmã, que foi erguida e depois Sergio Ramos a colocou no chão, separando o abraço. Ela dava pulinhos animada e falou alguma coisa que fez o irmão rir e erguê-la em um novo abraço.

- )! Você está me ouvindo falar com você? – foi retirado de seus pensamentos e se virou para a mãe, dando um sorriso culpado. – Claro que não.
- Eu não estava mesmo, mas não me xinga. Hoje não, mãe. Campeão do mundo!
- Não estou te xingando, eu estou avisando que seu filho saiu correndo e gritando por uma tal de e você nem ouviu! – a mulher falou e a olhou.
Não estava com o filho no colo agora mesmo?
- Ele não para de falar dessa ! Até a Vito me perguntou se eu sabia quem era, fala bastante dela por lá. – Antônio, o irmão de , falou.
- Ela é irmã do Sergio Ramos e às vezes ficava de babá do Junior quando ele morava comigo e eu precisava de ajuda. – deu de ombros contando aquela meia verdade.
- E cadê a Sara?
- Colchonera. – falou e fez uma careta. – Ela falou que gosta de mim o suficiente para querer que eu esteja feliz, mas não gosta do time para vir comemorar um título.
- Você não vai atrás do ?
- Ele está em boas mãos. – deu de ombros e abraçou a mãe, voltando seu olhar para o local, um pouco mais à frente de onde estavam, em que o filho disparava até a mulher.
E ele queria poder fazer o mesmo.

- ! – ouviu uma voz infantil e se virou, bem quando suas pernas foram seguras em um abraço.
Junior.
- Meu amorzinho! – soltou o abraço do menino de suas pernas e o pegou no colo, lhe dando um beijo no rosto e recebendo um abraço.
- Então esse é o famoso Junior? – perguntou se aproximando, e o menino escondeu o rosto no pescoço de .
- Ele é meu amigo, . – sussurrou para o menino e lhe afagou as costas. – Fala oi pro .
- Oi . – Júnior falou envergonhado e o apertou em um abraço.
- Seu pai viu você correndo pra cá?
- A vovó viu. – Júnior apontou na direção em que a avó provavelmente estava e voltou a abraçar . – Senti sua falta, !
- Eu também senti a sua, mi amor! A culpa é do seu pai, nunca mais me chamou pra cuidar de você.
- Culpa da mamãe.
- Por que da sua mãe?
- Eu moro com a mamãe de novo. – o menino disse dando de ombros, como se fosse uma coisa muito natural para uma criança de três anos dar uma informação daquela, mas foi pega de surpresa.
- Então fica difícil da gente se ver, agora você mora bem longe de mim.
- , você tira uma foto comigo? – Junior pediu e assentiu rindo.
Usou a mão livre para tirar o telefone do bolso da calça para tirar uma selfie com o menino. Junior dava um sorriso largo, um dos bracinhos passando pelo pescoço de , o rosto colado ao dela e a selfie foi tirada, ela salvou a foto antes de compartilhá-la nos stories do Instagram e colocar o menino sobre os ombros.
- Temos que ir lá pra fora do campo agora, porque agora eles vão receber as medalhas e o troféu. – apontou para o lado de fora do campo e assentiu em concordância, sentindo as mãos de Junior em sua cabeça depois de tê-lo colocado sobre seus ombros e começarem a caminhar até o local indicado.
Os três seguiram até o local em que as famílias e amigos deveriam esperar a entrega das medalhas, dos prêmios individuais e da taça, ainda tinha Junior em seus ombros e pegou o celular para filmar e fotografar o momento em que o irmão ergueria a taça e que os jogadores celebrariam mais um título conquistado naquela temporada quase perfeita.
- Vovó, olha a ! – Junior disse alto chamando a atenção da avó que estava próxima deles.
- Ah, então você é a famosa ! – ouviu uma voz femi e se virou, recebendo um sorriso caloroso da mãe de , avó de Junior.
- Eu mesma. – disse e sorriu. – Eu estou famosa assim?
- Ele fala de você quase o tempo todo! Eu sou Jenny, mãe do e avó desse lindinho.
- , ex-babá desse lindo e irmã do Sergio Ramos.
- E ela era namorada do meu pai! – Junior disse sorrindo e sentiu o rosto corar.
- Mas ele não namora a Sara?
- Mas antes a namorada do papi era a . – o menino respondeu num tom muito mais crescido do que deveria ter e escorou os bracinhos e o queixo sobre a cabeça de , voltando seu olhar para o local em que os jogadores estavam preparados para erguerem a taça.

ficou tão sem graça com aquela fala que nem mesmo se atentou ao fato de que o irmão tinha recebido o prêmio de fair-play do torneio, apenas fotografou e gravou tudo que acontecia, mas sem prestar a devida atenção. Como assim ele tinha percebido que ela e tinham algo? Será que tinha comentado algo com o filho? Porque apenas assim ele poderia saber que os dois estiveram envolvidos.
Fotos do recebimento das medalhas e da celebração do time foram devidamente tiradas, permitindo que as famílias voltassem a campo para tirarem fotos com a taça e os familiares juntos.
Junior foi com a avó, após uma despedida demorada e carinhosa, e estava de volta ao campo com os pais, , Pilar e os sobrinhos para que celebrassem com Sergio. Tiraram fotos e mais fotos com a taça, além do prêmio recebido pelo zagueiro, e estavam liberados para retonarem a Madrid. Viajariam um tempo depois do jogo, porque precisavam começar os preparativos para El Classico.

🤍⚽️ 🤍
- Você não podia ter contratado alguém pra pintar a casa? Eu sou alérgico a tintas. – disse encarando , que lhe estendia um rolo de pintura.
- , eu te conheço desde sempre e sei que você só é alérgico a castanhas, então faça o favor de pegar logo esse rolo, eu preciso de ajuda e essa casa é muito maior do que parece.
- Se a referência de tamanho for uma casa da Barbie. – resmungou a resposta. – , é sério. Eu pago alguém pra pintar isso, vamos fazer outra coisa divertida neste lindo domingo nublado e frio em Madrid.
- Eu vou pintar essa casa e limpar tudo hoje, porque vou trazer minhas coisas todas amanhã e preciso colocá-las em seus lugares. Se você vai me ajudar, vamos começar logo, já que quanto mais cedo começarmos, mais cedo acabaremos, mas se não vai ajudar, pode ir embora.
- Você ficou brava. O que aconteceu? – perguntou, pegando o rolo que ela estendia, mas deixou de lado, pegando antes uma lixa para a parede.
- Não estou brava, estou cansada. Esses últimos meses foram cansativos em todos os aspectos. E essa semana vai ser complicada, já que tenho que fazer a mudança e viajar pra Sevilla.
- Mas lá nós vamos descansar um pouco.
- Tomara que sim.
- Posso te perguntar uma coisa?
- Sempre pode. – deu de ombros, pegando outra lixa e indo para a parede oposta.
- A ida até Sevilla ajudou em alguma coisa? – perguntou e não respondeu.

Mas ele não precisava que ela respondesse, claro, porque os dois se conheciam o suficiente para saberem interpretar até mesmo os silêncios um do outro.

🤍⚽️ 🤍
Caía uma chuva torrencial em Madrid.
Daquelas em que é quase impossível enxergar qualquer coisa a mais de um palmo de distância do nariz e nem mesmo uma sombrinha de ferro seria capaz de suportar. Uma chuva que há muitos anos não caía na capital espanhola.
estava ilhada embaixo de um toldo, com uma caixa de papelão em mãos, e longe de casa. Bem no meio daquele prenúncio de um possível novo Dilúvio.
Além de um ou outro carro que se arriscava a transitar durante aquele temporal medonho, não havia uma viva alma na rua. Ela tinha saído antes da chuva e fora pega de surpresa, agora estava ali, ilhada, esperando que a chuva parasse para que pudesse ir embora pra casa. E a chuva não parecia disposta a parar tão cedo.
Fora ao antigo apartamento buscar as últimas coisas que tinham ficado e resolveu ir a pé para economizar no combustível e na poluição do meio ambiente, mas acabou sendo pega de surpresa por aquela tempestade e só teve tempo de se refugiar sob o toldo do prédio ao lado. Já estava ali há mais de meia hora, não podia colocar a caixa no chão para descansar os braços, já que a calçada estava completamente molhada, ainda que embaixo do toldo, o que faria a caixa derreter e traria problemas maiores do que os que ela tinha naquele momento.
ouviu uma buzina e ergueu os olhos, vendo um carro parado a poucos passos de onde ela estava escondida.

- Presa do lado de fora de casa? – falou alto, quando abriu a janela do lado do passageiro, já que a chuva fazia muito barulho.
- Longe de casa.
- Mas seu prédio é logo aqui do lado.
- Eu não moro mais aqui.
- Então precisa de carona? – perguntou e ela ponderou.
Entraria num carro com ?
- Preciso, mas não tem como sair daqui sem ficar ensopada e ensopar seu carro.
- O banco é de couro. – falou dando de ombros e se soltou do cinto. – Vou abrir a porta e você corre.
- Isso não vai dar certo.
- Claro que vai. – respondeu dando risada. – No três você corre.
- Se minhas coisas caírem na rua, você vai descer desse carro e pegar tudo.
- Feito. – falou e riu antes de soltar o cinto e se debruçar no banco do carona para abrir a porta. – TRÊS!
- Ai Jesus. – falou e se enfiou sob a chuva, cobrindo a curta distância e logo estava dentro do carro.
Não ficou encharcada como pensou que ficaria, mas os cabelos ficaram muito molhados e respingavam água, a blusa de frio ficou bastante molhada, o banco e o assoalho estavam molhados da chuva que respingou quandi abriu a janela para conversarem e depois a porta para que ela entrasse no veículo.
- Pronto. – falou rindo enquanto pegava a caixa das mãos de para que ela fechasse a porta. – Nem tão molhada assim.
- Vai nessa. – resmungou abrindo o zíper do moletom e o tirou. colocou a caixa no banco de trás. – Obrigada.
- Agora me guie até sua nova casa. – falou, sentando-se direito no banco do motorista, afivelou o cinto e se virou para .
- É na rua da casa do .
- É aquela casa? – perguntou surpreso, dando partida no carro e assentiu. – Que legal!
- E o aluguel é mais barato.
- Sério?
- Aham. E aquela casa é linda, eu sou a pessoa mais feliz do mundo
- Você vai ao jogo amanhã? – perguntou enquanto dirigia em direção à casa mencionada.
Já tinha levado a casa de algumas vezes quando estavam juntos e conhecia a nova casa em que ela mora, já que ela tinha mostrado e falado incansavelmente sobre como a adorava e queria muito morar lá, mas tinha dono, então era impossível se mudar.
- Vou.
- E as festas de fim de ano?
- Vou pra Sevilla logo depois do jogo e vamos passar lá mesmo. Fico até minhas aulas voltarem, no dia oito de janeiro. – respondeu. – E você?
- Eu volto de Málaga antes, logo depois do Natal. Vou passar o ano novo aqui, porque vamos treinar.
- Sergio também volta depois do Natal, mas eu vou ficar em Sevilla até o fim do recesso, estou sentindo muita falta de casa.
- Você não esteve lá esses dias? – perguntou confuso, mas ainda se mantinha atento às ruas.
- Mas não em casa. – respondeu e maneou a cabeça sinalizando que tinha entendido, mas sem olhá-la.
- Posso te perguntar como isso me envolve? Porque esteve no meu condomínio de madrugada e o seu irmão queria me dar um soco no treino seguinte.
- Eu tenho um lugar que me ajuda a lidar com os contratempos e golpes da vida, eu fui sem avisar e por isso deu esse tumulto todo aconteceu.
- E você foi até lá por causa da nossa conversa? – perguntou sem olhá-la, prestando atenção às ruas quase alagadas de Madrid.
- Sim.
- E ajudou? – perguntou encostando o carro à frente da tal casa e só então se virou para olhá-la.
- Não. – respondeu dando um sorriso sem humor.
- Desculpa, , eu não queria ter piorado as coisas, nunca foi minha intenção.
- Eu sei disso , não precisa se preocupar. Ir pro bar do Nano é uma reação que eu sempre tenho quando preciso me recuperar de algo ruim ou triste que tenha acontecido, só que o não teve o insight no momento certo e acabou alertando vocês sem necessidade. Eu vou sobreviver.
- É, eu espero que sim. – respondeu e os dois ficaram em silêncio.
começava a se perguntar como faria para sair daquele carro sem que suas coisas se espalhem pelo caminho, porque a caixa derreteria antes que ela chegasse até a porta. Sem contar que ela acabaria tão ensopada que o esforço de correr e entrar no carro não teria valido a pena.
- Posso perguntar o que você estava fazendo perto do apartamento? Aquele nem mesmo é seu caminho pra nada.
- Eu tinha ido devolver uma blusa sua que ficou lá em casa e eu só a descobri ontem.
- E foi você quem a descobriu? – perguntou desconfiada.
- Não. – confessou e deu uma risadinha. – Sara. Ela perguntou se era da Vito e eu falei que era, pra evitar mais perguntas.
- E qual blusa é?
- Uma camiseta do dia que você cismou de fazer yoga e acabou toda ralada e suja de grama, no dia que a gente... usou a piscina. – falou, corando um pouco ao se lembrar. – Aquela branca com uns furinhos.
- Eu achei que tinha largado essa blusa em Sevilla. – murmurou e se virou, pegando a sacola no banco de trás e colocou sobre a caixa de .
- Ela estava na minha gaveta e eu não tinha percebido. Até ontem.
- Espero que não tenha trazido problemas.
- Só uma discussão sobre ainda ter uma blusa da minha ex no meio das minhas coisas e nunca ter percebido que estava dentro da gaveta que, por acaso, eu abro todos os dias. – disse bem-humorado, reproduzindo as palavras usadas por Sara no dia anterior.
- Eu preciso sair do carro, mas todo esforço de não ficar ensopada será em vão se eu fizer isso agora. – disse, mudando de assunto, e suspirou.
- Eu não estou com pressa, . – deu de ombros. – E espero não estar te importunando ou atrapalhando.
- Não está. E então, Junior voltou a morar em Málaga?
- Ele te contou?
- No mundial.
- Ele pediu, eu não tinha cogitado a ideia até que um dia o Antônio foi buscá-lo e o chorou bastante pedindo pra ficar. Agora ele vem a cada quinze dias como fazia antes, fica alguns dias e volta.
- Sinto muito por isso.
- A casa fica vazia e é muito estranho ver aqueles brinquedos todos lá sem ele pra brincar, mas não ia forçar.
- É como te falei aquele dia, ele está crescendo e vai ficar um pouco mais fácil.
- Ou mais difícil, já que ele vai começar a ter uma vida em Málaga e não vou poder tirá-lo de lá sempre que eu quiser vê-lo. Sinto como se meu filho estivesse me escapando pelos dedos.
- Mas ele não está, . – falou séria e colocou a mão no braço dele, num gesto de conforto. – Ele te ama muito, muito mesmo. E voltar pra Málaga não diminui e nem muda isso. A forma como ele te olha e te admira... Então, não ache que seu filho está te escapando pelos dedos, porque não está e nunca estará, vocês têm uma ligação especial e isso não muda só porque ele voltou a morar em Málaga. O importante é você continuar sendo o pai incrível que é, e não ache que ele não te ama mais e por isso foi embora, porque ele te ama, mas é normal querer ficar junto da mãe, normalmente elas são a maior referência que nós temos na vida. Tudo a gente quer pedir pra mãe, falar com a mãe, estar com a mãe... principalmente quando se tem uma mãe presente e que faz de tudo por nós, como é o caso dele, mas ele te ama muito.
- Obrigado pelas palavras. – disse e a abraçou de lado, meio desajeitado, em agradecimento pelas palavras.
sempre sabia o que dizer, não era surpresa para que aquelas palavras o confortassem tanto e amenizassem um pouco sua tristeza com a ausência do filho constantemente em sua casa. deu um sorriso confortante para o homem e ele sorriu de volta.
- Acho que a chuva diminuiu. – falou olhando pelo para-brisas do carro e a chuva parecia realmente ter diminuído, não para algo quase nulo, mas estava melhor que a tempestade anterior, e se soltou do cinto de segurança. – Obrigada pela carona.
- Você tem sombrinha?
- Não, mas essa chuva não vai me molhar tanto e nem destruir minha caixa. E o caminho até a porta é curto. – falou dando de ombros.
- Tudo bem então. – respondeu dando um sorriso e abriu os braços para ganhar um abraço decente de .
Ela se aproximou para abraçá-lo e quando se virou, acabou dando um selinho nele.
- Ai Jesus! , me desculpa.
- Não se desculpe, porque eu não vou pedir desculpas pelo que vou fazer e espero que dessa vez você não me afaste. – falou sério olhando nos olhos e voltou a aproximar-se, juntando os lábios em um beijo que ambos queriam há tempos que acontecesse.
Um beijo lento, calmo e apaixonado.
segurou o rosto de entre suas mãos enquanto se beijavam, da mesma forma de sempre, com muita intimidade e cuidado, como se ela pudesse escapar a qualquer segundo.
Como se ela pudesse se desfazer entre suas mãos.
Como se não tivessem passado tanto tempo sem se beijar.
Como se nada daquela bagunça tivesse acontecido.
Como se eles ainda fossem eles, aquele casal não assumido de alguns meses atrás.
Ele escorregou uma das mãos pelo braço de e a puxou pela cintura para que se sentasse em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo, enquanto ainda se beijavam.
- , nós não podemos fazer isso. – disse quando os dois se separaram para tomar fôlego depois de um bom tempo se beijando.
Ela olhava para a boca de , que estava vermelha e parecia irresistível não o beijar de novo.
- É, não podemos. – falou voltando a beijá-la, dessa vez com mais vontade, descontando a falta que sentia de beijar aqueles lábios diariamente como tinha beijado por meses.

As mãos de estavam presas aos quadris de , que tinha as próprias mãos nos ombros dele e que logo estavam na nuca. mordeu o lábio inferior de e puxou devagar, arrancando dela um ofego antes de voltar a juntar seus lábios em um beijo urgente e que mostrava a falta que tinham sentido um do outro durante aquele tempo.
soltou um gemido quase ronronado e escorregou as mãos por suas coxas antes de colocar as mãos sob a camiseta de , tocando-lhe a pele da barriga e sentindo-a se arrepiar sob seu toque. Como sentia falta das reações que o corpo dela tinha por causa dele. Como sentia falta das reações que seu próprio corpo tinha sob o toque dela.

- É sério. – interrompeu o momento e escorregou as mãos até o peitoral de para se afastar, dessa vez de olhos fechados, para não cair em tentação de beijá-lo de novo e piorar as coisas.
- Volta pra mim, . Eu nem ligo se você não quiser assumir pro mundo inteiro que estamos juntos. – pediu acariciando o rosto dela, que finalmente abriu os olhos e o viu olhar pedinte. – Se for só pra gente já é suficiente.
- Mas e a Sara?
- Eu terminaria com Sara por você, mas não faria o contrário.
- Você já terminou uma vez. – respondeu, dando uma risadinha sem humor. – E, de qualquer maneira, isso não é certo. Ela gosta de você.
- Não me faz repetir aquela pergunta, , por favor. – pediu aproximando o rosto do dela e lhe deu um selinho.
- Eu vou descer. – disse com a voz quase em um sopro e suspirou.
- ...
- , por favor. – ela pediu. – Vamos fingir que isso nunca aconteceu.
- Eu não vou fingir, porque estou disposto que aconteça sempre se você também estiver.
- Por favor. – repetiu. – Lembra do que te falei aquele dia? Sobre haver males que vêm para o bem? Vamos deixar um pouco mais de água correr nesse rio, porque tá tudo muito recente e...
- E por isso mesmo as coisas têm que ser resolvidas agora, se deixarmos passar, nunca resolveremos e isso só vai piorar tudo.
- , – disse e segurou o rosto dele entre suas mãos. – eu gosto de você. Muito. Muito mesmo, por mim a gente assume um namoro sim, eu gosto de você o suficiente pra isso e sempre estivemos no mesmo momento, o momento de sermos felizes juntos, mas eu não quero que, novamente, por impulso, decisões sejam tomadas e machuquem mais pessoas. Sara não tem nada com isso, ela não pode arcar com as consequências dessa confusão que nós dois criamos. Ela foi a primeira opção para que você fosse viver o momento em que está quando eu tive medo e fugi. Você gosta dela, ela gosta de você e vocês são um casal. Não se leve pelo calor do momento, porque da última vez que isso aconteceu, virou essa bagunça. Então pensa bem em tudo, na sua fala pra mim e na sua situação toda. Pensa bem e me fala o que você concluir. Obrigada pela carona e boas festas pra você.

disse abrindo a porta do lado do motorista e desceu do carro, abriu a porta de trás, pegou sua caixa e saiu correndo debaixo da chuva até conseguir entrar na própria casa.
E ficou ali um bom tempo, totalmente sem reação de sair e ir pra casa, apenas absorvendo todas as palavras que tinham sido ditas por ela.

Capítulo 18 – How am I…

… so far from you? (Cold – Maroon 5)

– Você também pode mandar uma mensagem pra ele, filha, não vai quebrar sua mão. – ouviu a voz da mãe e se virou.

Estava deitada no sofá da casa dos pais em Sevilla e a televisão estava ligada, mas não estava prestando atenção. Tinha o celular em mãos e de trinta em trinta segundos desbloqueava a tela esperando ver alguma notificação de mensagem. Quer dizer, de uma mensagem específica.
Notificação que, segundo ela, se ainda não tinha chegado, não chegaria mais, mas mesmo assim, continuava esperando.

– Mensagem? Que mensagem? – tentou se fazer de desentendida quando a mãe sentou no sofá e colocou a cabeça da filha em seu colo.
, eu sou sua mãe. Não tente mentir para mim. – Paqui falou acariciando os cabelos da filha. – E, em todo caso, eu ouvi o filho dele falando no dia do Mundial.
– Mãe, é muito mais complicado do que simplesmente enviar uma mensagem.
– Ele está namorando outra, não é? – perguntou e assentiu, virando-se para olhar a mãe.
– A gente se beijou antes de eu vir pra cá. Sei que é errado e não fiquei feliz com isso, toda a história é uma bagunça, mas aconteceu e ele me pediu pra voltar. Só que ele tem uma namorada que realmente gosta dele, não é justo que ela saia machucada, sendo que nem devia ter sido envolvida nessa bagunça. Eu disse pra ele pensar muito bem no que tinha pedido e na situação dele, pra não fazer nada impulsivamente de novo e que eu ficaria bem com qualquer que fosse a resposta. E a falta de resposta também é uma resposta.
– Eu achei que você tinha superado, porque veio pra cá, pro bar do Nano.
– A senhora sabia que eu estava aqui? – perguntou surpresa.
– Nano me ligou pela manhã pra avisar que você estava lá desde a madrugada anterior, Sergio também ligou pra falar que você estava na cidade e talvez aparecesse, eu achei que você tinha superado, mas eu vi como você olhava praquele rapaz no Mundial e depois ouvi o filho dele falando e como você ficou. Vocês terminaram por causa daquela sua regra idiota?
– Nós não estávamos namorando, mãe. – suspirou pesadamente. – Quer dizer, estávamos e não estávamos. Estávamos em conteúdo, mas não em forma. Mas sim, foi por causa dessa regra idiota.
– Se tinha conteúdo, tinha namoro, mi pequeña.
– Eu gosto dele, mãe. Gosto de verdade, mas Sara não tem nada a ver com essa bagunça e não pode sair machucada apenas porque nós fomos dois idiotas.
– É muito bonito que você pense nela, mas é preciso pensar em vocês também.
– Eu sei, mas, sinceramente, acho que ela é a melhor opção.
– Por quê?
– Ela é linda, muito simpática e educada, além de gostar dele o suficiente para que começassem a namorar e assumissem para o mundo inteiro que estavam juntos. Há males que vem para o bem, mama, então acho que terminarmos foi o mal que trouxe um bem a ele.
– Você também é linda, muito simpática e educada. E gosta dele o suficiente para que namorem e assumam pro mundo inteiro, você só está com medo que sua vida se torne mais exposta e que você perca parte da liberdade que tem, mas você tem que colocar sua felicidade acima desse medo, minha filha, senão você nunca vai viver.
– Queria que na prática fosse fácil como é na teoria. – suspirou.
– E você voltaria pra ele, como ele pediu?
– Não tem como voltar para um lugar se a gente nunca saiu de lá. – deu um sorriso triste e a mãe acariciou seu rosto.

🤍⚽️ 🤍
– Ei, o que você tem? – ouviu a voz de Sara quando ela puxou um pedaço do edredom para olhá-lo.

Tinha acordado com uma dor de cabeça terrível e o corpo estava péssimo, além de sentir o nariz completamente tampado e a garganta doendo. Depois de tantos anos totalmente saudável, ele estava gripado. E sem celular, já que pulara na piscina com o celular no bolso e só pensou nisso quando sentiu o celular no bolso da calça encharcada. O pulo na piscina gelada tinha lhe dado um prejuízo e uma gripe e tanto.

– Gripe. – resmungou sentindo a garganta doer e voltou a se enfiar sob o edredom, porque estava sentindo frio.
– Quer ir ao médico? – Sara perguntou preocupada.
– Não. – voltou a resmungar e sentiu Sara abraçá-lo por cima do edredom.
– Vou fazer um chá.
– Vou tomar banho, preciso ir treinar. – respondeu fanho e quase dengoso, tirando o edredom de cima de si, e Sara riu. – Não ri de mim.
– Tarde demais, eu já ri. – Sara disse com um tom risonho, mas olhou preocupada para . – E você não vai treinar, você está doente.
– Eu tenho que ir, preciso passar no médico de lá primeiro.
– Eu falei que era uma péssima ideia pular naquela piscina.
– O que está feito, está feito. E eu vou tomar banho. – voltou a falar num tom manhoso e empurrou o restante do edredom com os pés, fazendo uma careta logo em seguida ao sentir a brusca mudança de temperatura. – Você vai gravar?
– Não, mas vou pra casa assim que você sair.
– Volta aqui hoje?
– Só se você precisar de alguma coisa. – Sara falou e assentiu, se colocando de pé e indo para o banheiro.

Tinha pensado bastante, conforme tinha orientado, mas continuava tão confuso quanto antes. Não tinha mandado nem mesmo uma mensagem para desejar Feliz Natal, porque molhou o celular na véspera de Natal e estava basicamente incomunicável desde então, já que não tivera tempo de comprar outro aparelho desde o retorno para Madrid. não sabia o que fazer. Na verdade, pensar não tinha ajudado, tinha piorado as coisas em sua cabeça.
tomou um banho bem quente e se agasalhou o máximo que conseguiu para sair de casa. O chá não foi feito, não tinha nada que pudesse ser usado para se fazer um chá em casa. Ele dirigiu até a Ciudad Real Madrid apenas para ouvir o médico lhe dar três dias de repouso absoluto, uma receita com os remédios que deveria comprar, mandou que ele ingerisse bastante vitamina C e voltasse antes do ano novo para uma nova avaliação, além do tradicional: “se começar a sentir um desconforto maior e dores, vá ao hospital com urgência, pode ter virado pneumonia!”.
saiu do centro de treinamento e foi direto procurar por uma farmácia para comprar os remédios que foram receitados, além de procurar por laranjas, não queria tomar suplementos, comprou outro celular e logo estava de volta ao conforto de seu lar, para passar três dias em total e completo repouso, conforme tinha sido orientado. Seria difícil seguir, mas faria o possível para conseguir, odiava ficar doente e quanto mais rápido melhorasse, mais rápido estaria livre daquele tédio que era ficar convalescente.
Assim que chegou em casa, tomou os remédios e se acomodou na própria cama, sob uma quantidade quase exagerada de edredons, ligou o celular na tomada e começou a instalar os aplicativos que precisava naquele momento. Enviou uma mensagem a Sara avisando que tinha comprado outro celular e foi procurar pelo número de , na agenda de backup, para falar com ela.

: Eu estava sem celular, comprei outro agora, desculpa não ter enviado nada antes.
Espero que seu natal tenha sido ótimo com sua família em Sevilla, que tenha sido um bom feriado, com bastante coisa boa e presentes, sei que em questão de companhia o feriado foi maravilhoso!
E espero que o ano novo seja fantástico também.
Peguei uma gripe e tanto, tô de molho por três dias em casa ☹

Ela não visualizava o WhatsApp há um tempo, mas o importante para era que ela recebesse a mensagem e soubesse que ele não tinha sumido de propósito. também não tinha enviado nada, porque teria chegado e não recebeu nenhuma mensagem, mas tudo bem, ele esperava que lesse aquela mensagem e respondesse, não importava quando.
O remédio o deixou bastante sonolento, então apenas se enfiou mais ainda sob os edredons na intenção de dormir o máximo que conseguisse. Quando estava quase pegando no sono, o celular soou em alerta de mensagem e ele pegou o aparelho esperando que fosse uma mensagem de , mas era de Sara e informando que ficaria fora da cidade até a tarde da véspera do ano novo, já que tinha recebido uma ligação e gravaria alguma coisa em Zamora.
deixou o telefone de lado depois de responder com um “ok” e um emoji de carinha triste – ainda que não estivesse mesmo tão triste assim, já que poderia usar aqueles três dias para pensar um pouco mais em tudo entre e ele, e como as coisas ficariam entre os três – e fez um carinho em Bubu, deitado ao seu lado, que soltou um resmungo manhoso e se aconchegou ao dono antes de ambos pegarem no sono.

🤍⚽️ 🤍
– Para de fazer bullying comigo. – reclamou quando Sergio postou uma foto ao lado dos pais, da esposa e da irmã e legendou usando dois emojis de casais e um de vela em seu Instagram.
– Fazer bullying com você faz parte de ser seu irmão mais velho. – Sergio disse rindo e a abraçou de lado, dando um beijo no rosto da mais nova.
– Eu te odeio muito. – resmungou abraçando o irmão pela cintura e eles se sentaram no sofá da casa dele.
– E então, como você está?
– Bem. E você?
– Bem mesmo?
– Bem mesmo. – respondeu sorrindo para o irmão. – Queria voltar pra Sevilla, mas estou com preguiça só de pensar em viajar e depois ter que voltar. E a mãe e o pai vão ficar, então não tenho motivos pra voltar.
– E o ?
– Volta no dia sete, como voltaríamos antes. – deu de ombros. – Graças a Deus, uma semana sem apaixonado.
– Apaixonado?
– Você se lembra da Amelie? Era da nossa antiga turma, a que nós deveríamos ter formado se não tivéssemos ido pra Londres?
– A que era apaixonada pelo Karim? – Sergio perguntou e assentiu.
– A própria. e ela sempre foram amigos, nós dois, na verdade, mas eles mais ainda, mesmo quando ele namorava e a Amelie também namorava com um outro cara que eu nem me lembro mais quem é e isso nem importa. Enfim, ela e se pegaram na festa da faculdade em que estávamos no dia em que fui pra Seviila e continuam conversando e se pegando desde então. E tudo se encaminha bem para virar um namoro.
– E ela não tem nenhum problema com vocês dois?
– Zero. E é uma das poucas pessoas que acredita quando dizemos que nunca rolou nada entre nós.
– E nunca rolou mesmo? Nem um beijo?
– Que nojo. – falou fazendo uma careta enojada. – é igual a você pra mim.
– Eu acho bom mesmo. – Sergio tentou se fazer de sério, mas acabou rindo da cara de tédio da irmã. – Então ela parou de ser apaixonada pelo Karim?
– Que nada, ainda é louca por ele. – falou rindo. – Mas convenhamos, ele é bem pegável.
– E desde quando você considera que jogadores de futebol pegáveis? – Sergio perguntou curioso, erguendo uma das sobrancelhas.
– Desde sempre. – falou e deu de ombros. – Existe uma diferença muito grande entre achar um jogador bonito-barra-pegável-barra-gostoso para sair ou namorar com um.
– Não posso deixá-lo saber que você acha isso, ele vai querer te provar que é mesmo bem pegável.
– É só você não contar. – falou rindo. – E ele é comprometido, então sem chances.
– Continue evitando jogadores, não quero ninguém me chamando de cunhado em campo.
– Pode deixar, Sessy, não vou te dar esse tipo de aborrecimento.
– Fico agradecido. – Sergio disse e deu um sorriso para a irmã.
– Você está muito bonito hoje.
– Sempre fui.
– Antes da Pilar você era um desastre, hermanito, não se cuidava e nem era todo vaidoso, cheiroso e lindinho assim. E ultimamente você anda muito… excêntrico.
– Eu não era um desastre. E nem sou excêntrico. – Sergio se defendeu.
– Era sim. Agora você está mais organizado e quando é ela quem toma conta da escolha de roupas, você é um ícone fashion. – falou dando um sorriso, encostando a cabeça no ombro do irmão. – Mas eu realmente gostava do cabelo grande, eu pedia pra fazer vários penteados e você sempre deixava.
– Ainda bem que eu aprendi a falar não pra você. – Sergio respondeu dando um sorriso.
– Sessy… – falou usando o tom pedinte de criança que sempre usava quando queria alguma coisa e Sergio bufou, fazendo a mais nova se segurar para não rir e estragar a brincadeira.
– O que você quer? – perguntou de má vontade.
– Só queria testar pra ver se dá certo ainda.
– Infelizmente ainda dá. – Sergio resmungou e ela o abraçou, dando uma risada.

🤍⚽️ 🤍
– Aí eu pulei alto assim – o menino ergueu os braços para o alto enquanto contava a história para o pai. – e bum! no travesseiro. – falou se sentando de uma vez no sofá, imitando o que tinha feito.
– Você tem que tomar cuidado, polito. – disse abraçando o filho e o menino se aninhou em seus braços. – Mas que bom que você tem se divertido, filho. E você gostou do presente do papai?
– SIM! – Júnior disse dando um sorriso. – Papi, eu queria comer batatinha.
– Amanhã vamos comprar batatinha e comer muitas assistindo Minions, o que você acha?
– EBA!
– Cadê a Sara? – a mãe de perguntou, quanto chegou à sala e sentou ao lado do filho.
– Ela disse que ia passar na casa de uma amiga antes.
– E que carinha é essa? – Jenny perguntou e fez um carinho no rosto do filho.
– A gripe ainda não melhorou totalmente. – falou fazendo uma careta. – Eu odeio ficar doente.
– Eu sei disso, te conheço e me lembro bem de quando você era pequeno e ficava doente. Tomou o remédio? – a mulher perguntou e ele assentiu, sentindo a mãe colocar a mão em sua testa e depois em seu pescoço. – Você está com febre de novo.
– Vou colocar o pra dormir, daqui a pouco eu tomo um antitérmico. – disse e ficou de pé carregando o filho, que estava prestes a entrar num sono que duraria até a manhã seguinte, esperava.
Papi… – o menino chamou quando o colocou na cama. – Fica aqui.
– Fico. – deu um sorriso e se deitou ao lado do filho, que se aconchegou em seus braços.
– Papi
– Oi, polito.
– Amanhã a gente pode chamar a pra comer batatinha e ver Minions que nem antes? – o menino perguntou baixo, fazendo soltar um suspiro.
não está em Madri, amor, então vamos ser apenas nós dois. O que você acha?
– Muito bom. – ele sorriu, dando um beijo no rosto de .
– Excelente. – respondeu.
– Eu amo você, papi. Muito muito muito. – Junior falou sonolento e deu um beijo no rosto do pai.
Papi também te ama muito muito muito, polito. Nunca esqueça disso. – falou e fez um carinho no rosto do filho.

Ele fechou os olhos enquanto acalentava o filho e o sono trazido pelo cansaço e pela febre o levou também.

🤍⚽️ 🤍
– Você não vem contar com a gente? – foi acordado pelo sussurro de Sara em seu ouvido e abriu os olhos devagar.

Tinha pegado no sono com o filho, que estava adormecido abraçado a um bicho de pelúcia ao seu lado. Ainda sonolento, levantou-se devagar, ajeitou as cobertas sobre Junior e saiu do quarto acompanhado por Sara, fechando quase totalmente a porta atrás de si. Ele foi ao banheiro, jogou água no rosto e desceu as escadas, encontrando a namorada à sua espera.

– Quantas horas?
– São onze e cinquenta e cinco. Você não pode dormir na virada de ano, tenho que ganhar meu beijo, você sabe. – Sara disse dando um sorriso, mas o olhou preocupada. – Essa gripe não melhorou?
– Não totalmente, mas estou bem melhor. Minha mãe disse que eu estava com febre, talvez seja isso que me fez dormir.
– Toma um antitérmico, mi amor. – Sara falou preocupada e assentiu.
– Depois da contagem, sei que vou dormir pouco tempo depois que tomar esse remédio e não quero perder o momento.

🤍⚽️ 🤍
Quando a contagem regressiva começou, em dois lugares distintos de Madri, os dois fizeram a mesma coisa: olharam para o céu estranhamente estrelado e sentiram o vento frio habitual daquela época do ano.
Ela abraçou os pais.
Ele abraçou a namorada.
Ainda que considerassem que era apenas mais um dia tornando-se outro, sempre há toda a expectativa sobre este novo dia ser, também, um novo ano.
A possibilidade de um novo começo.
E o que viria com um novo ano, causava uma sensação de frio na barriga.
Ela estava ansiosa, com um pouco de medo, mas esperançosa quanto ao que o novo ano que estava chegando guardava para sua vida. Fechou os olhos ao sentir o vento frio de novo. Estava agasalhada, mas o rosto estava livre e as bochechas ficavam avermelhadas pelo frio. Ela amava aquilo, o ar parecia mais puro no inverno. Parecia perfeito para a ocasião. Quando abriu os olhos, o céu parecia mais estrelado ainda.
Ele mordeu a parte interna da bochecha enquanto ainda olhava para as estrelas do céu, relembrando do ano de dois mil e dezessete, que tinha sido muito bom e gratificante. O que podia esperar de dois mil e dezoito? Esperava que as coisas continuassem boas profissionalmente e que na parte pessoal ficassem menos complicadas.
Ela suspirou olhando para o alto na expectativa de ver os fogos que começariam em alguns segundos. Estava ansiosa por vê-los, sempre tinha gostado das cores e do espetáculo das explosões dos fogos, apesar de odiar mortalmente o barulho que faziam.
Ele sentiu a mão ser apertada e viu por quem: a mãe. Os dois trocaram um sorriso terno e ele levou a mão da mulher até os lábios e a beijou no dorso.
Ela prendeu a respiração.
Ele voltou a morder a parte interna da bochecha, pelas incertezas que ainda rondavam sua mente, e recebeu um aperto da namorada em seu abraço.
Ela recebeu um aperto do pai, num abraço carinhoso e cheio de amor.
Os fogos se iniciaram, assim como todos os abraços e bons desejos de ano novo uns para os outros. Os casais se beijaram à meia noite, para manter a tradição.
Os abraços nos pais foram os mais demorados, como sempre, cheios de muito amor e carinho. Depois ela abraçou o irmão demoradamente, assim como fez com a cunhada e os sobrinhos.
Ele abraçou os pais, o irmão e a namorada.
E ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes de Madri, os dois voltaram a olhar para céu e falarem a mesma coisa:

– Que esse ano, as coisas certas aconteçam.

Capítulo 19 – Now here we are…

… so close, yet so far. (Give Your Heart a Break – Demi Lovato)

– Atenção. – Dani Carvajal falou alto, atraindo a atenção dos companheiros que estavam no vestiário após o treino do dia. – Nacho, Marco e eu resolvemos juntar as comemorações de aniversário, na casa do Nacho, depois do jogo no dia 21, vamos aproveitar a folga do dia seguinte e poderemos ficar comedidamente de ressaca depois da nossa festinha. E eu não estou usando o diminutivo porque quero ou por ser uma festa com segundas intenções, mas a Maria já nos proibiu uma festa de verdade, alegando que temos que ter juízo, já que estamos no meio da temporada.
– Alegando que VOCÊ precisa ter juízo, Daniel, fale a verdade. – Nacho se pronunciou rindo.
– E é importante lembrar que terão crianças por lá. – Sergio se pronunciou.
– Chegou o chato. – Lucas zoou o amigo, fazendo os companheiros rirem, e tomou um pedala do capitão.
– E eu ia falar agora mesmo que ela provavelmente está sob ordens de Sergio Ramos pra empatar a festa, mas você já se entregou, capi. – Carvajal implicou, fazendo os companheiros rirem de novo. – Enfim, é por isso que vai ser festinha. E eu acho que você devia mandar sua irmã abrir a creche e todas as crianças ficarem com ela.
– Mas aí o Marco não iria na própria festa de aniversário? – perguntou, zombando do amigo, fazendo os companheiros rirem de novo, e Marco lhe mostrou o dedo do meio.
é convidada, ela não vai poder abrir a creche. – Nacho se pronunciou, dando um sorrisinho. – Não fora de lá, claro.
– Esperamos que vocês compareçam e levem presentes, principalmente pra mim, porque eu sou um companheiro bastante gente boa, mereço presentes e que vocês me amem, agora vocês podem voltar suas atenções ao que estavam fazendo antes. – Carvajal voltou a falar alto.
– E falando em , que dia vai ter mais futebol? – Luka Modrić perguntou e Sergio o encarou com uma feição ameaçadora. – Eu não tenho medo de você, pode fazer essa cara o quanto quiser.
– Tem que deixar os adversários esquecerem. – Lucas provocou.
– O que eu duvido que aconteça, principalmente porque o Sergio deve ouvir a irmã falar disso o tempo inteiro. – Toni se manifestou e Lucas riu concordando.
– Com toda certeza, a é insuportável. – Carvajal implicou, recebendo outra concordância de Lucas.
– Ei! Parem de falar mal da minha irmã! Só eu posso fazer isso. – Sergio falou em defesa da irmã e fez o grupo de amigos rir.
– Não estamos falando mal. – Carvajal falou dando de ombros. – Só estamos falando a verdade. é insuportável.
– Mesmo que seja verdade, só eu posso falar assim. – Sergio voltou a defender a irmã, usando o tom de irmão mais velho, e Carvajal voltou a dar de ombros.
– Já vai, ? – Nacho perguntou quando viu se colocar de pé depois de amarrar os cadarços do tênis.
– Preciso pegar o Junior com a Victoria daqui vinte minutos e ela vai me matar se tiver que esperar.
– Se ela matar, eu quero ficar com o videogame e com todos os jogos. – Marco falou e balançou a cabeça negativamente.
– É tudo do pirralho.
– Então eu espero que ela te mate. – Marco implicou, recebendo um pedala do amigo.
– Não vou nem perder meu tempo com você. Até amanhã gente. – falou num tom bem-humorado e saiu do vestiário.

Precisava mesmo chegar rápido em casa, Victoria estava mesmo a caminho para deixar Junior lá, mas também queria sair de perto daquela conversa que começava a tomar rumos que ele queria evitar. era um assunto complicado e o considerava proibido naquele momento.
Os dois não tinham se falado, ela respondeu a mensagem de ano novo de com um simples “feliz ano novo pra você e pra toda sua família também, 😊. Tudo bem que ele também não tinha tentado conversar, mas não sabia o que falar, quanto mais pensava, mais confuso ficava.
imaginava que ela já tinha tirado as próprias conclusões, mas a verdade era que não sabia o que fazer, porque em todas as escolhas que fizesse, alguém sairia – e muito – machucado. Ele não queria machucar Sara, mas também não queria perder , só que as duas coisas não poderiam acontecer ao mesmo tempo e isso o machucava também.
colocou o carro na garagem de casa e não havia sinal de Victoria por lá e o porteiro informou que a mulher não tinha mesmo aparecido por ali ainda. Ele entrou em casa e deixou as coisas pela sala, estava com muita fome e procuraria algo para comer antes de pensar em organização.
Bubu fez festa quando o dono chegou e o pegou em seus braços, fazendo um carinho no cachorro e foi para a cozinha, levando o bicho no colo, para pensar no que faria e que o filho também quisesse comer quando chegasse, mas antes que conseguisse começar algo, ouviu a campainha tocar e seguiu até a porta, com Bubu ainda em seus braços, encontrando Junior e Victoria.

– Oi Vito. – disse e a mulher torceu o nariz com o chamamento que ele sempre usara enquanto estiveram juntos.
– Oi .
Papi! – Junior deu um sorriso imenso ao ver o pai e o abraçou pelas pernas.
– Não vai me dar tchau, polito? – Victoria perguntou num tom sentido e o menino se virou para a mãe, dando um sorriso arteiro e abriu os braços, indo até ela para lhe dar um abraço e também um beijo demorado no rosto.
– Eu te amo um tantão, mami. – falou, voltando a lhe dar um beijo demorado no rosto e um abraço apertado.
Mami também te ama, amor. Daqui até a lua.
– Um tantão. – ele voltou a sorrir e fez um carinho no rosto da mãe.
Bubu latiu freneticamente na direção de Victoria e o colocou no chão. O cachorro não demorou a disparar na direção da mulher e começar a pular e latir feliz ao vê-la. Sentia falta dela, era óbvio. Victoria lhe fez carinho, pegando-o no colo para abraçar e dar um beijo.
– Nos vemos daqui uns dias. – Victoria sorriu para o filho, dando nele um beijo no rosto, colocando Bubu no colo de Júnior e o menino voltou para perto do pai quando ela ficou de pé.
– Quer entrar, Vito? Tomar alguma coisa? Vai voltar pra Málaga?
– Não, . Obrigada. Eu vou me encontrar com umas amigas, fico até terça em Madrid.
– Ah, então esse macaquinho volta com você? – brincou, batendo o indicador de leve na bochecha do filho, que deu uma risadinha do carinho.
– É.
– Se você precisar de alguma coisa, sabe que pode me ligar.
– Eu sei, obrigada mesmo. – Victoria respondeu sorrindo sincera e quase se perguntou se era uma miragem. – Bom, eu vou agora. E qualquer coisa que precisar, pode me ligar também.
– Boa estadia. – sorriu e Victoria sorriu agradecida antes de ir até o próprio carro, sentando-se no banco do motorista e ir embora sem demora. entrou em casa com o filho e Bubu, sentou no sofá, enquanto Junior e Bubu ficaram pelo chão. – Ei, polito, vamos ao aniversário do tio Nacho depois de amanhã.
– EBA! – o menino comemorou. – Ale vai?
– Claro. É na casa dela. – riu. – Vocês vão poder brincar bastante.
Papi, a gente pode comer pizza?
– Podemos sim. E qual você quer?
– De queijo! – ele disse sorrindo.
– Então vamos comer pizza de queijo.
– Agora?
– Você quer comer pizza de queijo agora?
– É! – ele sorriu animado.
– Então vamos comer agora. – sorriu. – Papi vai só trocar de roupa, tá? Não sai daqui.
– Tá bom. – o menino concordou e subiu as escadas apressado, vestiu uma calça jeans e um moletom, colocou uma touca, tênis e desceu, encontrando os dois da mesma forma que tinha deixado.
– Vamos? – chamou e o filho assentiu.

🤍⚽️ 🤍
– Festa? – Sara perguntou e assentiu.
Estavam sentados na sala da casa dele vendo televisão, apenas os dois, já que Junior estava dormindo.
– Nacho, Dani e Marco decidiram comemorar juntos os aniversários, são poucos dias de diferença e vão comemorar amanhã depois do jogo.
– Amanhã? – Sara perguntou franzindo o nariz numa careta. – Não posso.
– Por quê?
– Esqueceu que amanhã tem o evento em Gijon? – Sara perguntou e bateu a mão na própria testa.
– Esqueci. Eu achei que você iria comigo.
– Não posso dessa vez. – Sara respondeu e fez cara de triste. – Mas espero que você se divirta com seus amigos. Você e o pequeno.
– Ele vai se divertir, com toda certeza. Já está todo animado com a perspectiva de brincar com a Ale e o Sergio Junior.
– Preciso ir embora. E você precisa ir pra concentração também.
– Eu vou terminar de arrumar as minhas coisas e ainda vou levar o Junior pra ficar com a . – falou dando um sorriso de lado e Sara assentiu.
– Então nos vemos na segunda, quando eu voltar. Bom jogo amanhã e divirta-se na festa dos seus amigos. – Sara falou dando um sorriso para e se pôs de pé, sendo acompanhada pelo namorado até a porta, onde trocaram um beijo e Sara foi embora.

tinha pedido para ficar com Junior, não tinha lembrado de pedir dispensa da concentração e não poderia pedir de última hora, nem levar o filho consigo, claro. Ela tinha aceitado, disse que estava sem planos e que seria muito bom ficar com o menino naquela noite. Nem é preciso dizer que Júnior adorou a ideia de ficar com , mas acabou brincando muito durante o dia e dormiu antes de saírem.
terminou de arrumar as próprias coisas para levar para a concentração, ajeitou as coisas do filho que ficariam com , colocou tudo no carro antes de buscar o menino, que dormia um sono tão pesado que nem mesmo acordou enquanto o pai o carregava e dirigia até a casa de , fazendo um caminho totalmente fora da rota para Valdebebas.
tocou a campainha, um tanto nervoso por estar ali, e não demorou a atender a porta, dando espaço para que entrasse e deixasse o pequeno em sua cama, voltando para a sala acompanhado dela, depois de se certificarem que o menino ainda estava dormindo.

– Desculpa te incomodar, mas eu esqueci totalmente de pedir pra chegar amanhã de manhã. – se desculpou novamente.
– Sem problemas, eu não me importo de ficar com ele.
– Eu posso te pedir outro favorzão?
– Pode sim.
– Você pode ficar com ele e levá-lo ao jogo?
– Claro! Ele volta comigo e nos encontramos na casa do Nacho, pode ser?
– Vou direto, nós nos encontramos lá então. – deu um sorriso agradecido e se encaminhou para a porta. – Agora eu vou embora, preciso chegar em Valdebebas rápido, senão vou tomar uma multa ferrada pelo atraso.
– Dirige com cuidado, bom jogo e nos vemos amanhã. – recomendou se despedindo e saiu da casa para dirigir até Valdebebas.

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– Podemos ir? – perguntou a Junior depois de se arrumar. Ele estava sentado na sala, balançava as perninhas no sofá enquanto assistia televisão e esperava terminar de se arrumar. Júnior se virou para olhá-la e assentiu, dando um sorriso. – Então vamos.
– Você está linda, . – o menino disse dando um sorriso, que foi devolvido na mesma intensidade.

estava com uma calça jeans clara de cintura alta, botas pretas com vários rebites prateados, com saltos largos e baixos e de cano curto sobre a calça, uma blusa grossa de mangas compridas azul marinho e um casaco preto, além de uma touca preta para proteger a cabeça e as orelhas. Fez uma maquiagem simples, não era um evento que demandasse uma maquiagem elaborada e ela apenas queria disfarçar a cara de cansada pela semana puxada que tivera.

– Obrigada, mi amor, você também está lindo. – falou sorrindo para o menino e estendeu a mão para que ele se levantasse e os dois pudessem sair da casa.
– E você vai brincar com a gente? – ele perguntou e ela assentiu.
– Vamos, antes que seu pai ache que eu te raptei de verdade. – disse rindo e os dois saíram.

O caminho até a casa de Nacho foi feito rapidamente, ainda que fosse um pouco distante da casa de , e quando chegaram, boa parte dos convidados já estava por lá. Maria tinha descrito o evento como “uma festinha, coisa só para os mais íntimos”, mas os mais íntimos de três jogadores de futebol eram muitas pessoas.
Junior se soltou de assim que entraram na casa e foi até o local onde Alejanda brincava com outras crianças que não reconheceu de primeira, mas não viu os próprios sobrinhos, o que indicava que ou Sergio não tinha chegado ou que as crianças não iriam com ele, o que era o mais provável. foi até os aniversariantes, que estavam num grupinho perto do sofá da sala, para cumprimentá-los pelo jogo e pelo aniversário.

– Vocês jogaram muito bem hoje, parabéns meninos. – falou sorrindo para os três. – Não fizeram mais do que a obrigação, claro, mas parabéns pelo bom jogo. – brincou, fazendo os três rirem. – E parabéns pelos gols, Nacho.
– Obrigado, . – Nacho sorriu sincero quando ela o abraçou.
– Eu nem joguei. – Marco disse sentido. – Mas ainda bem que nós vencemos, imagina se o time tivesse perdido?
– Eu seria a primeira a chegar aqui tacando fogo em vocês.
– Sendo irmã de quem é, não duvido mesmo que você faria isso. – Marco disse rindo e também ganhou um abraço.
– E sendo terrorista como é, teria contado pra torcida inteira sobre essa festa e o condomínio estaria destruído. – Carvajal implicou e recebeu um beliscão antes de abraçá-lo. – Aí! Filha da puta.
– Respeita a minha mãe, idiota. – falou, lhe dando outro beliscão.
– Grossa, sem educação e agressiva. Você é uma versão menos musculosa e mais bem vestida do seu irmão. – Carvajal reclamou, apertando em seu abraço.
– Eu espero que vocês gostem dos presentes, eu não fazia a menor ideia do que comprar, já que vocês ganham várias coisas, são riquíssimos e podem comprar o que quiserem. – falou rindo e entregou os presentes.
– Se for uma camiseta escrito “fã clube oficial da Ramos García”, eu vou te processar. – Carvajal zombou e gargalhou ao ouvir aquilo, já que tinha feito essa peripécia com o irmão uma vez.
– Não dá pra ser uma camiseta, o embrulho é pequeno. economizou muito dessa vez. – Nacho implicou rindo.
– Cadê seu namorado? – Carvajal implicou.
– Namorado?
– É, o italiano. – o lateral provocou e deu de ombros.
– Deve estar em Turim. E a sua namorada, onde está?
– Namorada? – Carvajal perguntou confuso.
– Ah é, você não tem ninguém. É um encalhado. – provocou e recebeu um dedo do meio em resposta. – Cadê a Maria?
– Cozinha. – Nacho apontou. – Pelo menos lá foi o último lugar que eu a vi.
– Vou até lá.
– As cervejas estão na geladeira, fique à vontade, . – Nacho falou dando um sorriso e ela retribuiu, se virando e seguindo pelo corredor que a levaria até a cozinha da casa, mas antes de conseguir chegar, acabou trombando em alguém. A casa estava mesmo cheia.
– Desculpa. – pediu antes de erguer o olhar para ver em quem tinha trombado.
– Vou pensar no seu caso. – ouviu uma vo masculina e percebeu que tinha trombado em .
– Oi .
– Oi . – ele sorriu. – Como foi hoje?
– Ótimo, como sempre é. E você?
– Tudo bem. E cadê o pivete?
– Na sala brincando com Ale, Nachito e outras trezentas crianças que eu não conheço ou não me lembro. – apontou para trás de si, na direção da sala.
– E ent… – começou a falar, mas foi interrompido pelo celular que tocou e ele o tirou do bolso.

Uma foto dele ao lado de Sara aparecia na tela, assim como o nome dela acompanhado de um emoji de coração. Ele não teve tempo de pedir licença para atender à ligação, seguiu o caminho que fazia antes e foi atender à chamada.

– A pessoa mais importante de todas chegou! – disse entrando na cozinha e encontrando algumas das esposas e namoradas dos jogadores.
– Eu estou aqui faz tempo, querida. – Macarena foi a primeira a falar, implicando com a amiga.
– Por isso mesmo eu falei que a pessoa mais importante de todas acabou de chegar, palhaça. – respondeu em tom debochado, mas rindo, e as duas se abraçaram, gesto que se repetiu com Maria, Izabel, Clarice, Adriana, Camille e Anna.
– Fazia tempo que eu não te via, . – Clarice disse dando um sorriso simpático para a mais nova.
– Ela só vai aos jogos na torcida, não gosta de ficar com a gente, Cla. – Maria fez drama e rolou os olhos.
– Vocês não gostariam de me ter perto dos seus filhos e de vocês quando eu estou assistindo jogos.
– Ela só vai com o , nunca lembra da gente. – Macarena foi a próxima a provocar e riu.
– Aquele bonitinho que todo mundo acha que é seu namorado? – Anna perguntou e assentiu. – E por que você não o trouxe?
– Porque ele está com a namorada. – respondeu rindo, fazendo todas as outras rirem junto.
– Preparada pra creche ganhar mais dois membros? – Izabel perguntou, apontando para a barriga de Macarena.
– Dois? – perguntou surpresa.
– É. O Luqui e o seu sobrinho. – Izabel respondeu quase em tom óbvio.
– Ah! – falou quase aliviada. – Achei que Maca também ia ter gêmeos.
– Também? – Clarice perguntou curiosa. – Pilar tá esperando gêmeos?
– Deus me livre! Imagina Sergio Ramos, quatro filhos e mais trezentos cachorros em uma casa só? Ia enlouquecer minha cunhada, coitada. – gargalhou ao falar. – A Alice é quem está grávida de gêmeos.
– Ah é mesmo. – Izabel falou se lembrando.
– Mamãe! – Sara apareceu, interrompendo o assunto, com cara e voz de choro, sendo seguida por Liam, que tinha uma expressão quase culpada no rosto, e Junior logo atrás dos dois.
– Ih… – Adriana se pronunciou rindo, quando Anna ergueu Sara e Clarice fez o mesmo com Liam.
– O que foi? – Anna perguntou.
– Ela caiu, tia. – Liam falou em um tom quase arrependido. – Foi sem querer.
– Você já pediu desculpas pra ela, Lili? – Clarice perguntou e o menino assentiu positivamente.
– Ela não quer. – foi a vez de Liam fazer cara triste.
Junior se aproximou de e puxou de leve o casaco dela.
… – ele chamou baixo e se abaixou para ficar da altura do menino. Junior se aproximou dela e falou em seu ouvido. – Eu preciso ir no banheiro.
– Eu já volto. – disse se colocando de pé e seguiu com Junior até o banheiro.
Onde o pai dele estava? Provavelmente ao telefone com a namorada.

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– Por que você demorou tanto? – Maria perguntou, encontrando sentada e quase dormindo no sofá da sala.
– Eu fui ao jogo com o Junior e até a gente se arrumar, quando chegamos em casa, demorou mais do que eu gostaria. Eu estou meio em ponto morto, essa semana foi cansativa ao extremo. – respondeu cansada e bocejou.
– Você estava com o Junior? – Maria perguntou surpresa.
esqueceu de pedir dispensa da concentração e perguntou se eu podia ficar com ele ontem à noite e hoje durante o dia.
– Entendi. E vocês?
– Nós o quê?
– Conversaram?
– Não. Ele perguntou aquilo, mas não parecia realmente disposto a terminar com ela. E eu estou bem, não mudou nada do que já estava. – falou e deu de ombros.
, você quer dormir? – Maria mudou de assunto quando viu que aquele não era um bom momento para falarem sobre o outro.
– Não, eu estou bem. Vou ao banheiro lavar o rosto e já volto. – falou e Maria assentiu, vendo a amiga se levantar e se distanciar, indo a caminho do banheiro.

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, você está bem? Você está calado… – Lucas Vázquez perguntou com a voz um pouco mais arrastada, dada a quantidade de álcool que já tinha ingerido.
– Estou sóbrio. – respondeu o amigo, que o olhou curioso.
– Por quê? Você tá pagando promessa?
– Estou dirigindo e meu filho está comigo, cara.
– Um cara responsável, parabéns. – Lucas disse dando uma risada exagerada demais para a situação. – E cadê o menino?
– Brincando. – deu de ombros.
– Eu não estou vendo criança nenhuma por aqui. – Lucas deu de ombros e saiu de perto de , que percebeu que Lucas tinha mesmo razão e as crianças não estavam mais por ali.

Também não viu por perto. Da última vez em que a viu, ela estava com Maria no sofá, mas isso já fazia um bom tempo. E, dado todo amor e apreço que as crianças que estão presentes possuem pela mulher, provavelmente, estão brincando em algum lugar da casa com todas as crianças que estão na comemoração.
saiu de onde estava com alguns dos companheiros de time e foi pelo corredor até chegar à área externa da casa. Havia crianças brincando por lá, mas não havia sinal do filho junto com eles.

– Ale, você viu o ? – perguntou para a pequena filha de Nacho e a me o olhou antes de responder.
– Foi dormir lá em cima com a tia . – Alejandra respondeu e voltou a correr junto com outras crianças que não tinha certeza se conhecia.

Ele voltou pelo corredor e subiu as escadas, depois de desviar de algumas das crianças que tinham voltado para o ambiente, e encontrou sentada no final do corredor, com Junior sentado em seu colo e aninhado aos braços dela, de olhos fechados e respiração tranquila, ambos pareciam estar dormindo há um bom tempo e ele não entendeu o motivo de estarem no corredor e não em um dos quartos.
teve todo cuidado para tirar o menino do colo de , ouvindo um breve resmungo do filho pela mudança de posição, seguiu até a porta ao lado e colocou Junior na cama vazia. Acordaria e faria ela ir se deitar também.

– Achei! – falou baixo em seu ouvido e abriu os olhos assustada.
– Jesus Cristo! – falou assustada.
– Não, . – sorriu, se sentando de frente pra ela. – E aí, qual é a de se esconder da festa e dormir no corredor?
– Eu não estou me escondendo, eu estava apenas descansando da semana que tive, o Junior disse que estava com sono, se deitou no meu colo e… e cadê ele?
– O coloquei pra dormir no quarto do lado, totalmente apagado. E vim te acordar pra você ir dormir lá com ele.
– Eu só vim hoje por muita consideração aos aniversariantes, eu estou muito cansada. – respondeu sonolenta.
– E eu te fiz de babá uma noite e um dia inteiro. – falou fazendo careta.
, será que um dia você vai acreditar quando eu digo que o Junior não me cansa em absolutamente nada? – perguntou dando um sorriso sincero que o fez sorrir também. – Nós acordamos tarde, brincamos, almoçamos e fomos ao jogo.
– Você foi lá em cima? – perguntou e ela negou com um aceno de cabeça.
– Estávamos lá embaixo, no lugar em que eu sempre vou.
, você ensinou algum palavrão pro meu filho? – perguntou preocupado e deu uma risada baixa.
– Não! E nem o . O time ganhou e jogou muito bem, isso nos ajudou a manter o nível, ainda que vocês tenham tomado gol primeiro e que isso possa ter nos deixado um pouco revoltados. E que o tenha ficado chateado de não te ver jogar.
– Se ele falar um palavrão que seja perto da mãe dele, eu tô fodido!
– Cuidado com a boca. – falou rindo e deu um sorriso.
– É, eu digo o mesmo. – falou ainda sorrindo e retesou. – Não nesse sentido, , se ele aprende um palavrão antes da hora, a Victoria vai me comer vivo!
– Pode deixar, não serei eu a responsável por ensinar palavrões ao seu filho.
– Fico agradecido. – falou dando um sorriso e os dois ficaram em silêncio. sentia as pálpebras pesadas e estava prestes a cair no sono de novo, quando sentiu se sentando ao seu lado e lhe empurrando de leve com o ombro. – É falta de educação dormir enquanto conversa com as pessoas.
, sai daqui. Vai beber com seus amigos e se divertir. – resmungou.
– Eu vou voltar dirigindo com meu filho no carro. Eu não sou tão irresponsável assim, Ramos.
– Ainda bem. – respondeu de olhos fechados e voltou a empurrá-la com o ombro, tentando mantê-la acordada. – , sai daqui.
– Eles vão cantar os parabéns daqui a pouco e você vai poder ir pra casa dormir.
– Queria estar de folga amanhã também, mas preciso chegar cedo na aula pra resolver umas coisas de um trabalho e tenho uma audiência que, provavelmente, vai acabar muito tarde e não deve durar só um dia.
– Ossos do ofício, Ramos. – respondeu e suspirou, ainda de olhos fechados. – Acorda.
– É mais forte do que eu permanecer de olhos fechados, desculpa.
– Então vamos resolver isso. – falou num tom risonho e antes que pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, sentiu os lábios dele sobre os seus, mas antes que se rendesse a beijá-lo de verdade, sua mente funcionou, fazendo com que ela abrisse os olhos e o afastasse. – Pronto.
– Para com isso.
– Desculpa. – disse num tom divertido, sem perceber a feição séria no rosto de . – Sabia que você ia me empurrar e acordar.
– Toda vez que tudo se encaminha para que eu te esqueça e fique em paz, você aparece e faz esse tipo de coisa, . – falou séria e se pôs de pé para sair dali. – Sério. Eu estou tentando seguir minha vida, mas você não me ajuda quando aparece e faz essas coisas. Você está brincando com meus sentimentos e isso não é legal. E brincando com seu relacionamento com a Sara. Isso é ridículo e absurdo. Pare com isso.
– Desculpa, . Não era essa intenção. – resmungou o pedido quando a viu lhe dar as costas e sair pelo corredor, descendo as escadas e sumir de suas vistas.
E ali ele soube, estava lhe escapando pelos dedos, mas não era justo segurá-la se não sabia se pretendia soltar-se de Sara.

– Caralho. – falou quando esbarrou em alguém.
A casa ainda estava cheia demais.
– Olha a boca, irmãzinha. – Sergio disse dando um sorriso, que foi morrendo ao ver a expressão no rosto dela. – O que foi?
– Minha cabeça está doendo demais. – contou uma meia verdade, na intenção de livrar-se do irmão.
– Aprende a mentir pra mim antes de tentar, . – Sergio deu uma risadinha e abraçou pelos ombros.
– Mas é verdade, Sessy. – disse e suspirou, apoiando a cabeça no ombro do irmão. – Vou dar tchau pros meninos e vou embora.
– Precisa de carona? – Sergio perguntou preocupado e ela negou com um aceno.
– Eu vim de carro. Essa semana foi estressante e essa próxima também vai ser.
– Tudo bem. Se precisar de alguma coisa, sabe que pode me ligar.
– Sei sim. – falou, dando um beijo no rosto do irmão antes de se soltar do abraço e ir procurar pelos aniversariantes para se despedir. Não tinha condições emocionais para ficar no mesmo ambiente que .

🤍⚽️ 🤍
, você está me ouvindo? – Sara chamou a atenção de e o fez despertar de seus pensamentos, que continuavam presos à festa do fim de semana.
– Aham.
– Então me responde. – Sara fez uma cara óbvia.
– O azul. – respondeu sem prestar muita atenção e Sara rolou os olhos.
– E desde quando “o azul” responde à pergunta que eu te fiz? – Sara perguntou cruzando os braços e suspirou, focando os olhos na namorada.
– Não faço ideia do que você disse, desculpa. O que era?
– No que você tanto pensa? Desde segunda-feira eu só tenho te visto olhando para o nada, como se estivesse pensando em algo muito importante.
– Não é nada excepcional, só em alguns comentários que li sobre mim.
– Você finge que é verdade e eu finjo que acredito. – Sara falou séria. – E eu vou pra casa.
– Não precisa ir embora por isso.
– Eu não vou por isso, . Eu vou, pois foi isso que te perguntei. Se você se importava que eu fosse pra casa, preciso sair quase de madrugada e não quero te acordar mais cedo do que o necessário, mas vendo seu nível de interesse, melhor eu ir mesmo.
– Eu não vejo problemas em você ficar aqui.
– Mas eu vejo. Nos vemos quando eu voltar. – Sara respondeu e pegou a bolsa, virando-se e saiu sem lhe dar um beijo de despedida.
Quando ouviu a porta bater no andar debaixo, ele cobriu o rosto com as mãos.
– Idiota. Burro, idiota, imaturo e imbecil. – falou contra as mãos que lhe cobriam o rosto e abafavam as palavras. – Você é um idiota, .

🤍⚽️ 🤍
– Noite difícil? – ouviu uma voz masculina e não se deu o trabalho de se virar para olhar quem falava com ela.
– Semana difícil. – respondeu simplesmente e pegou a garrafa de whisky que estava à sua frente, virando uma boa quantidade no copo e tomando de uma só vez. – Mas prefiro encher a cara sozinha, então pode sair de perto.
– Estou dois bancos de distância e nós podemos passar a noite sem nos falar, . – o homem disse e se virou quando ouviu seu nome.
– Eu te conheço! – ela falou espantada e sua feição ficou séria.
– Claro que você me conhece. – ele riu. – Você estava no meu aniversário no fim de semana, inclusive.
– Sai de perto de mim, Marco Asensio. Um jogador já partiu meu coração e eu não estou disposta e deixar outro fazer o mesmo. – disse séria e voltou a colocar mais do whisky no copo.
– Pode ficar tranquila, , eu não quero nada com você. – Marco ergueu as mãos em sinal de inocência.
– Então tá fazendo o quê aqui? – perguntou desaforada.
– Vi que você está sozinha e prestes a entrar em coma alcoólico, achei que podia te fazer companhia.
– Quer entrar em coma alcoólico também?
– Não. – Marco respondeu rindo. – Eu não bebo.
– E tá fazendo o que aqui então? – perguntou curiosa e pegou a garrafa, percebendo que estava vazia. Ela se debruçou sobre o balcão e chamou o barman. – Eu quero que você me faça uma dose dupla daquele que tem mais álcool que gasolina.
, você devia ir embora. – o barman disse e Marco percebeu que, pelo tom e por ter usado o apelido da garota, ele já a conhecia. – Cadê o ?
– Deve estar com a namorada. – falou e deu de ombros. – Por favor, Berto, me faz uma daquelas.
– Você está de carro?
– Não. – negou com um aceno de cabeça. – Táxi.
– Enquanto eu faço, bebe essa água. – Berto falou, estendendo uma garrafinha de água para . – Toma tudo e eu te dou o que você quer.
– Eu não tenho cinco anos, sabia?
– Sei sim, porque se tivesse, você não estaria sentada aqui bebendo como se o mundo fosse acabar em algumas horas, mas em casa, deitada em sua cama e dormindo abraçada a um ursinho de pelúcia.
– Que saco. – reclamou, pegando a garrafa e tentou abrir. Sem sucesso. Marco riu da cena, pegou a garrafa e a abriu facilmente. – E então, o que você está fazendo aqui?
– Sai com uns amigos. – Marco respondeu dando de ombros. – E você?
– Esses amigos, por acaso, envolvem o ? – perguntou, olhando ao redor.
– Não. Uns amigos de Palma que vieram pra cá, mas estão ocupados demais beijando desconhecidas para se lembrarem de mim. – Marco falou dando de ombros. – E você?
– Estou aqui pra encher a cara e tentar esquecer o imbecil do na base do álcool. – falou dando um gole longo na água. – Mas com você sentado aqui vai ser difícil.
– Você está aqui desde que horas? – ele perguntou e deu de ombros, colocando a garrafa d’água sobre o balcão ao ver que Berto trazia sua bebida.
– Desde oito. – o homem respondeu por ela. – Ela resolveu aparecer hoje bem antes do que o horário em que a casa abre.
– Ainda bem que você gosta de mim e que eu posso. – falou dando um sorriso arteiro e ergueu o braço exibindo a pulseira dourada e pegou o copo.
– Tem quatro horas que você está bebendo sem parar? – Marco perguntou assustado e ela deu de ombros.
– Minha tolerância ao álcool é alta. Ainda não estou bêbada, só um pouco anestesiada. – deu de ombros, tomando um gole grande da bebida em seu copo e fazendo uma careta ao senti-la descer por sua garganta. – Mas a partir de agora eu vou ficar bêbada o mais rápido que eu puder.
– Então vamos fazer um trato. – Marco falou sério e ela se virou para encará-lo.
– Nada que envolva sexo ou beijo na boca. – avisou, fazendo Marco rir.
, eu não quero ficar com você. Não que você não seja bonita, mas você tem sua regra sobre jogadores, eu tenho a minha de respeitar as mulheres que meus amigos gostam ou que são alguma coisa deles. Você é irmã de um e outro gosta de você. Então pode ficar tranquila.
– Ainda bem, porque, em todo caso, você não faz meu tipo. – falou fazendo uma careta e Marco riu da declaração. – Mas fala, qual é o trato?
– Você vai me dar o seu celular, não o número, o aparelho, e pode beber até duas e meia, depois disso nós vamos embora. Vou te deixar na sua casa e vou pra minha.
– Eu não vou embora com você. Vai que você faz alguma coisa?
, eu não vou fazer nada, pode ficar tranquila, vou apenas te deixar na sua casa em segurança e ir pra minha casa depois. Sou amigo do seu irmão, jogamos no mesmo time e eu não sou esse tipo de cara, pode ter certeza absoluta disso. E eu estou falando na frente do Berto, então ele é testemunha. Você pode ligar pra ele quando chegar em casa, se quiser.
– E por que você quer me levar embora?
– Se eu te deixar ir embora de táxi ou de Uber na situação em que você está e que ainda pretende piorar, provavelmente vai acontecer alguma coisa muito ruim a você, e eu nunca vou me perdoar.
– Tudo bem. – reclamou e entregou o celular, que estava ao seu lado, a Marco. – Não ligue pra ninguém.
– Pode deixar. – Marco falou rindo e colocou o aparelho no bolso da calça antes de se virar para ela e continuar falando. – Sinta-se à vontade para encher a cara.
– Berto, me traz outro desse. – pediu sorrindo.
– E você? – Berto perguntou ao jogador.
– Uma água com gás, por favor.
– Você é estranho. – falou maneando a cabeça negativamente. – Água eu bebo em casa.
– Eu costumo beber água em todos os lugares, porque eu não bebo.
– Que garoto certinho. – falou debochada. – Tenho uma coisa pra propor nesse trato.
– E o que é?
– A gente não vai conversar, porque vou lembrar que você joga com o e isso não vai ser bom, já que eu vim aqui pra beber até esquecer aquele idiota.
– Tudo bem. – Marco sorriu concordando com os termos propostos por ela.

O barman voltou com as bebidas e Marco pegou sua água, enquanto cantava a música que tocava e observava a movimentação do lugar. Estava cheio, como era de se esperar, muita gente dançando, alguns seguiam o ritmo, outros nem tanto. Ele nem queria estar ali, pra ser sincero, acabou convencido pelos amigos a sair de casa e se enfiar numa boate lotada, mas foi esquecido pela turma, que se divertia com um monte de desconhecidas que tinham encontrado.
Marco achou ter visto os amigos na pista de dança, todos acompanhados, mas não estava realmente prestando atenção, estava preocupado em manter os olhos em , que bebia mais rápido do que o recomendado e do que, provavelmente, o irmão aprovaria, enquanto cantarolava algumas músicas e encarava o nada, com uma expressão que foi do tédio à tristeza na mesma rapidez com que ela virava copos.

– Sabe, – se pronunciou falando alto, quando terminava de beber dose que tinha em mãos. Os dois estavam em silêncio há quase quarenta minutos e ela já estava bebendo a quarta dose do que quer que fosse aquilo que tinha em mãos. – toda vez que eu estou indo bem, que estou começando a aceitar que nós não vamos ter nada e que ele vai ficar com a Sara, ele aparece, a gente se beija e vira essa merda toda que acaba comigo em algum lugar enchendo a cara. Além de um coração partido esse desgraçado quer me fazer ter cirrose?
– Vocês se beijaram depois do término? – Marco perguntou surpreso.
– Ele foi na minha casa depois que o Gian esteve aqui e a gente quase se beijou. No dia daquela tempestade, ele estava perto da minha casa antiga e me deu uma carona e a gente acabou se beijando. E no seu aniversário também. Ele não contou?
– Não. E eu não sabia que você sabia que eu sabia sobre vocês. – Marco falou e deu uma risada.
– Eu não sabia. Você sabe desde quando?
– Vi vocês se beijando no estacionamento naquele dia do futebol. – Marco falou alto. – , gosta de você. Ele só está sem saber o que fazer.
– Ou seja, não gosta o suficiente. – falou dando um sorriso triste. – E não me deixa esquecê-lo! Fica nesse chove-não-molha e eu fico feito uma otária, achando que ele vai resolver a vida e cumprir o que me pediu, que vai voltar pra mim, mas isso não acontece e sou eu quem acaba triste.
– Vocês dois agiram errado e vão se machucar muito mais se continuarem assim, pode ficar insuportável e vocês talvez nunca fiquem juntos, porque se magoaram demais.
– Eu prefiro. – disse num tom triste, quase choroso, tomando o resto da bebida que tinha no copo e mostrando o mesmo a Berto, num sinal de que queria outro. – Eu queria poder voltar no tempo e nunca ter ficado com ele, seria muito mais fácil. A vida era mais fácil naquela época.
– Vem, vamos dançar um pouco. – Marco falou e se pôs de pé, deixando sua garrafa de água no balcão e estendeu a mão para .
– Eu não danço.
– Todo mundo dança, . – Marco falou sorrindo simpático. – Se ficarmos aqui conversando, você vai se lembrar do e vai acabar chorando, o que não é o que você quer e nem eu quero ver isso, então vamos dançar um pouco.
– Que inferno. – resmungou e se pôs de pé com certa dificuldade. – Você é muito grande.
– Sou menor do que seu irmão, que o Morata e pelo que ouvi, também sou menor que aquele italiano que o não gosta. – Marco falou em tom risonho.
– Esse nome está proibido pelo resto da noite. – falou séria, erguendo um dedo e Marco assentiu. – Eu gosto dessa música.
– Então você é do reggaeton?
– Rock é meu estilo favorito, mas reggaeton ocupa um lugar especial no meu coração. – falou alto e sorrindo enquanto caminhavam para a pista.
– Você dança sim. – Marco falou alto enquanto a observava dançar, ainda que descoordenada pelo álcool que tinha ingerido.
– Não podemos dizer o mesmo sobre você. – falou rindo em seu ouvido e ele gargalhou. – Não! Ai. Você pisou no meu pé.
– Desculpa. – Marco pediu rindo.
A música acabou, iniciando Reggaeton Lento, da banda CNCO.
– Deixa eu te ensinar como faz. – falou rindo e colocou a mão de Marco na base de suas costas, encaixou uma das pernas dele entre as suas, fazendo Marco arregalar os olhos. – Relaxa, só vou te ensinar a dançar, e você pode usar com as garotinhas que você deve iludir.
– Eu não iludo ninguém. – Marco falou sério e ela colocou uma das mãos na nuca dele e o olhou.
– Vou fingir que acredito nisso, jogador. Agora você fica mais firme e comanda os movimentos, mas mexe esses quadris também.
– Como eu vou fazer isso? – ele perguntou rindo e rolou os olhos, iniciando os movimentos da dança.

A música já tinha chegado ao refrão àquela altura e a dança dos dois continuava totalmente descoordenada. Riam de toda a falta de coordenação da coreografia que tentavam desenvolver, soltando diversos “ais” quando Marco pisava em seus pés, mas dançaram cinco músicas inteiras e depois da terceira até que melhoraram um pouco, ainda que Marco tenha pisado nos pés dela em todas as músicas.
Apenas pararam, porque sentiram sede e voltaram ao bar, para o seu “drink de gasolina” e Marco para sua água com gás. E os dois ficaram bebendo, rindo e conversando basicamente aos berros, já que a música estava alta. Ela se enfiando de cara no álcool e ele imaginando quanta ressaca ela teria no dia seguinte, porque não bebia água em momento algum.
foi ao banheiro duas vezes, cambaleante, mas sempre voltava pouco tempo depois e bebia mais. O álcool voltara a surtir efeitos, porque ela estava novamente cabisbaixa e os olhos estavam marejados, provavelmente estava se lembrando de alguma coisa entre ela e , o que deixou Marco preocupado.

– Eu quero ir embora. – pediu em tom choroso e uma lágrima escorreu por seu rosto, não tardando a ser limpa.

Marco Asensio ficou sem reação num primeiro momento ao ver aquela lágrima, mas se pôs de pé o mais rápido que conseguiu, pedindo a comanda para que pudesse pagar o que tinha sido gasto, e o abraçou inesperadamente. Não chorava, mas fungava e soltava resmungos que ele não conseguia ouvir por causa do volume da música.
Marco afagou os cabelos dela num gesto de conforto e pagou apenas sua parte, já que a pulseira estranha de – estranha para ele, pelo menos – tinha lhe dado passe livre para beber tudo o que tinha bebido até então naquela noite.
Os dois saíram do lugar, sendo recebidos pelo vento gelado da madrugada madrilena. Marco e seguiram até o carro dele, que estava estacionado pouco mais a frente, ela foi para o banco do carona e ele para o do motorista.
Seguiram calados enquanto ele cobria a distância da boate até a casa dela, que tinha digitado o endereço no GPS, por cerca de vinte minutos. estava se segurando para não chorar e nem dormir e conseguiu chegar precariamente acordada. Marco parou em frente à casa e saiu do carro, abrindo a porta para e a ajudou a descer, seguindo com ela até a entrada.

– Eu vou te devolver o celular, mas você precisa prometer que não vai ligar e nem mandar mensagem pro .
– Não posso garantir. Leva e amanhã pego com você, eu preciso ver o Sergio.
– Tudo bem. – Marco falou dando um sorriso. – Precisa de ajuda com a porta?
– Por favor. – falou, tirando as chaves do bolso da calça com certa dificuldade e depois entregou a Marco. – É a com a coisinha rosa.
– Pronto. – Marco disse quando abriu a porta, devolvendo a chave. – Você não trouxe bolsa?
– Eu vim em casa antes de ir pra lá, deixei tudo aqui e fui beber pra esquecer aquele idiota do seu amigo.
– Boa noite, Ramos.
– Boa noite, Asensio. Obrigada pela carona e pela companhia. – disse em tom sincero e o abraçou, sendo abraçada de volta. – Agora você vai ter que ser meu amigo de balada reggaeton.
– Vou aprender a dançar pra parar de pisar nos seus pés. – Marco falou rindo.
– Por favor. – riu e se soltou do abraço. – Agora pode ir embora, eu vou dormir e você também, porque amanhã vai treinar cedo e Zidane te mata se você se atrasar. E você vai jogar esse fim de semana.
– Boa noite, Ramos. – Marco repetiu e deu as costas a , que entrava trôpega em casa e dormiu pelo sofá.

Capítulo 20 – Life is full of sweet mistakes…

… and love’s an honest one to make (You’re Gonna Live Forever in Me – John Mayer)

– Bom dia, capi. – Carvajal cumprimentou Sergio Ramos, usando um tom exageradamente animado para aquela hora da manhã, quando o capitão entrou no vestiário.
Os jogadores estavam terminando de se ajeitar para o treino da manhã, que antecederia a viagem para Valência.
– Bom dia. A noite foi boa, Marco? – Sergio perguntou quando se aproximou e viu a cara de sono, maior do que a habitual, que Marco Asensio ostentava.
– Responde seu cunhado, Marco. – Nacho provocou rindo e jogou uma meia no mais novo, fazendo com que Sergio Ramos o olhasse confuso.
– Cunhado? – Marco perguntou mais confuso ainda, depois de arremessar a meia de volta ao dono. – Que diabo de cunhado?
– Você ainda não viu? – Lucas apanhou o próprio celular na mochila e abriu o Instagram. – Fui marcado em uma porção de fotos hoje cedo, até mesmo pelos perfis de fãs que eu sigo.
– Que fotos? – Marco se aproximou curioso e Sergio fez o mesmo.

Alguém tinha tirado algumas fotos da noite anterior: ele e sentados no bar, rindo, dançando, abraçados e depois indo embora do tal lugar juntos. No carro dele. Aquilo passava uma ideia errada do que tinha acontecido.

– Eu não sei como vocês não viram, todos nós fomos marcados. Eu sei lá o que eu tenho a ver com a ou com Marco, mas me marcaram em um monte de publicações dessa. – Lucas disse olhando para os dois.
– Eu não vejo nada disso faz tempo, desativei as marcações. – Sergio falou dando de ombros.
– Seus fã clubes postaram várias, você segue alguns deles. – Lucas falou em tom óbvio.
– Eu não abri o Instagram hoje, tenho mais o que fazer. – Sergio voltou a dar de ombros e se virou para olhar diretamente para Marco. – E eu vou te matar, Marco Asensio. Acho melhor você sumir da minha frente.
– Qual é a dessa de matar o Marco? – perguntou, entrando no vestiário, todo animado e sorridente, e encarou o grupinho dos amigos.
– Sergio vai matar o Marco, porque eles são cunhados agora. – Lucas falou rindo da cara de Marco.
– Marco deu uma rasteira no italiano e, novamente, o Real Madrid atropela a Juventus. – Carvajal provocou rindo e precisou disfarçar o incômodo ao ouvir aquilo.
– Hum. Bom, parabéns. Ou boa morte, eu acho. – se pronunciou depois de alguns segundos, tentando manter o tom de voz normal, e foi se trocar longe dos amigos.
– Não é nada disso que vocês estão pensando! – Marco tratou de tentar se explicar, olhando desesperado para Sergio Ramos e fazendo os companheiros gargalharem. – Não aconteceu nada!
– É isso que todos os culpados falam. – Nacho incitou.
– Mas é verdade! Não aconteceu nada! – Marco falou desesperado.
– Nós vamos conversar mais tarde, Marco Asensio. E eu já vou te avisar que não seremos do mesmo time no rachão nem se o Zidane me obrigar. – Sergio falou sério e o olhava com a feição mais ameaçadora que podia.
– Puta que pariu, é hoje que eu morro. – Marco resmungou derrotado quando Sergio se afastou. Como explicaria o que tinha acontecido na noite anterior para o capitão? Quer dizer, o que não tinha acontecido. E se ele não soubesse da história da irmã com ? As coisas ficariam ainda piores. – Não aconteceu nada. Nós nos encontramos, mas não aconteceu nada!
– Você tem que se explicar é pro irmão dela. – Lucas falou rindo. – Mas acho que ele vai te matar antes de te ouvir.
– Puta merda. – Marco voltou a resmungar e saiu do vestiário quando viu sair rumo ao campo. – Ei, cara.
– Que é? – perguntou de má vontade.
– Não tem nada disso de cunhado. Não aconteceu nada e nem vai. A estava lá há horas bebendo e só nos encontramos, porque eu a vi de longe e ela parecia muito disposta a entrar em coma alcoólico, eu não ia deixá-la sozinha daquele jeito, então me aproximei e ela disse que estava lá por sua causa, fiz companhia durante um tempo, depois eu a levei em casa e fui embora pra minha própria. Nada aconteceu.
– Marco! – ouviu a voz de e quis desaparecer, aquilo não ajudava em nada na explicação que ele tentava dar a . – Oi.
– Oi . – Marco respondeu, virando-se para , dando um sorriso de lado totalmente sem graça.
– Que inveja de você, todo pleno e sem ressaca. Eu estou destruída. Na próxima eu vou beber só água com gás também, ao invés de encher a cara. – resmungou. – Oi .
– Oi. – respondeu de má vontade.
– Cadê meu irmão? E meu celular?
– Tá lá no vestiário. Os dois. Vou buscar. O celular. E seu irmão. Espera. – Marco disse atrapalhando-se com as palavras e saiu o mais rápido que conseguiu de perto dos dois.
– Eu hein, que garoto doido. Além de alto, ele é mesmo estranho. – disse num tom divertido, mas não riu. – Que cara é essa?
– A única que eu tenho. – respondeu de mal humor.
– Trocou as ferraduras antes de vir treinar?
! – ouviram a voz de Lucas, que impediu de responder, e ela se virou para ver o amigo que se aproximava. – Veio jogar?
– Minha ressaca não me permite isso, Luqui. – resmungou o abraçando.
– A noite foi boa né? Seu irmão quer matar o Marco.
– Matar o Marco? Por quê?
– Você não viu seu Instagram?
– Meu celular ficou com o Marco depois que ele me deixou em casa, pra eu não ligar bêbada para quem não devia e acabar arrumando mais problemas do que já tenho. – falou olhando de soslaio para e Lucas riu da última parte. se afastou sem se despedir. – O que aconteceu?
– Vocês dois aconteceram. – Lucas falou ainda rindo. – Tem foto de abraço, de dança, dos dois saindo juntos do lugar em que estavam…
– Quê? – ela perguntou assustada.
– Pois é. E eu não acredito que finalmente o Marco desencalhou! E, de quebra, ainda derrubou a regra de ouro.
– Não tem nada disso! – disse quase desesperada.
– E os dois estão no vestiário, Sergio e Marco. Se o Marco não chegar logo, já pode chamar a polícia pra buscar o corpo e o assassino. – Lucas brincou e soltou um resmungo desolado ao ouvir aquilo.

Não era possível que sua vida viraria aquela bagunça, depois de ela passar meses evitando que o mundo soubesse que ela tinha algo com um jogador. Depois de passar tantos meses sofrendo por não ter tido colhões suficientes pra assumir o namoro com um jogador de quem realmente gostava.
Logo os dois avistaram Marco Asensio e Sergio Ramos caminhando lado a lado, enquanto conversavam e o mais velho ainda ostentava uma feição séria, mas sabia que não era por Marco e sim pelo assunto que tratavam, que ela nem mesmo precisava ouvir pra saber o que era.

– Ah, parece que o capitão já aceitou o mais novo membro da família.
– Cala a boca, Vázquez. – Sergio falou sério quando se aproximou de Lucas e de . – E você – apontou para a irmã. – devia manter sua regra e a promessa de fim de ano.
– Mas nós não fizemos nada! – falou quase desesperada.
– Seu celular. – Marco entregou e nem mesmo se despediu ou esperou por um agradecimento, saiu quase correndo para o aquecimento.
Lucas se despediu de , dando nela um beijo na bochecha, e fez o mesmo caminho que Marco tinha feito segundos antes. observava tudo de longe com cara de nenhum amigo, tamanho mal humor.
– Você vai esperar o treino acabar? – Sergio perguntou e ela negou.
– Sessy, não aconteceu nada!
– Ele me contou a história. Eu vou matar o .
– Não faça isso. O time precisa de você e eu preciso do meu irmão fora da cadeia, então sem homicídios. – falou séria e Sergio fez menção de abraçá-la, mas foi interrompido. – Não quero chorar, então sem abraços.
– E o que você quer comigo? – ele perguntou curioso.
– Com você? Nada. Eu vim buscar meu telefone com Marco.
– Ele disse que você falou que precisava me ver.
– Só senti sua falta mesmo. – deu de ombros, fazendo o irmão lhe dar um sorriso pequeno.
– Preciso treinar, a gente conversa depois. – Sergio falou, olhando preocupado para a irmã, mas deu um sorriso.
– Bom treino e bom jogo amanhã, capi. – falou dando um abraço rápido no irmão e recebeu um beijo no rosto, antes de Sergio caminhar na direção do grupo de atletas que já tinha começado o aquecimento.

saiu de perto do campo, não era um treino aberto, não tinha sido convidada e não poderia ficar nem se quisesse. Não olhou para trás, apenas caminhou até o estacionamento para ir embora de volta para a própria casa e tentar dormir. Só abriria o Instagram quando chegasse em casa, mas já imaginava como estavam as solicitações de amizade, marcações e tudo que falavam a seu respeito.

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– Que cara é essa, ? – Lucas perguntou parando ao lado do amigo enquanto esperavam as próximas ordens de Zidane.
– A única que eu tenho. – respondeu de má vontade.
– Ah não é não. Você tem uma carinha agradável na maioria dos dias, tá brigado com a Sara?
– Não.
– Tá sem sexo?
– Não.
– Tá com fome?
– Não.
– Tá com sono?
– Não.
– Então qual o motivo dessa cara?
– Não é da sua conta. – respondeu novamente com má vontade e Lucas deu uma gargalhada.
– Tudo bem, eu não vou mais insistir, você não vai contar o que está te atormentando, de qualquer forma. – Lucas disse ainda de bom humor. – Mas não precisa ser sem educação.
– Eu não fui sem educação, você torrou minha paciência.
– Você chegou com uma carinha animada, do nada amarrou o burro…
– Impressão sua, ele está amarrado faz tempo. – resmungou.
– Dez minutos e rachão. – Antonio Pintus foi quem falou mais alto e os jogadores se agruparam para o famoso rondo.
tá emburradinho, então ele é o primeiro a ter que pegar a bola. Ele e o Marco, o novo cunhado do capitão. – Carvajal foi quem anunciou, em tom de provocação.
– Não vou jogar. – respondeu sério.
– Ih, tá dormindo no sofá. – Theo Hernandéz provocou.
– Anda logo, . – Sergio falou quase entediado. – Ninguém aqui tem culpa se você acordou de mal humor.
– Marco nem dormiu direito e tá uma gracinha, o outro acordou virado no Jiraiya e resolveu descontar na gente. – Carvajal falou rindo e sentiu o sangue esquentar, suspirou e se virou para o grupo de amigos.
– Eu não vou jogar. – repetiu, tentando manter o tom de voz baixo e calmo para não demonstrar sua irritação com as notícias da manhã. – Vocês são muitos, não faz falta se eu não participar.
– Melhor mesmo, nesse mau humor é capaz de espancar um de nós. – Jesus Vallejo disse dando de ombros.
– Deixa de ser cuzão, . – Sergio disse ainda sério e respirou fundo para não falar mais do que deveria e com quem não deveria. – Se o problema é você começar correndo atrás da bola, eu vou no seu lugar. Juvenil.
– Problema nenhum, capi. – disse tentando conter o tom debochado e se aproximou do grupo.

Aquela era uma atividade que sempre acontecia nos treinos e todos sempre se divertiam muito enquanto driblavam os companheiros que tivessem que pegar a bola, então tentava mentalizar que só precisava se concentrar e esquecer o fato de que o cara que, no time, era seu melhor amigo, estava tendo alguma coisa com a pessoa de quem ele gosta.
Se tinha “lidado bem” com a presença do italiano – e sabendo que os dois tinham feito de tudo e mais um pouco – então teria de lidar bem com Marco, ainda que pareça difícil, já que o italiano era apenas um qualquer e entre ele e Marco exista um vínculo de amizade. A vida de já não lhe dizia respeito há muito tempo.

– Marco conquistou La Decimotercera para o Real Madrid, vencendo a Juventus na final. De novo. – Nacho brincou e fez os amigos rirem.
Quase todos eles.
– Eu não fiz nada! Não aconteceu nada! – Marco parou, olhava desesperado para Sergio, que lhe direcionava um olhar ameaçador, mas se segurava para não rir.
– Todos os culpados falam isso, eu já te falei. – Lucas Vázquez provocou rindo.
– É bom que a tenha desistido da regra de ouro pelo Marco, ele é um bom rapaz. – Carvajal provocou.
– Ela desencalhou nosso bebê. – Achraf Hakimi brincou.
– Você é mais novo que eu, seu idiota. – Marco disse tentando tomar a bola dos colegas, mas sem sucesso, e o amigo riu.
– É, mas eu tenho namorada.
– Podia ter ido dormir sem essa, Marquito. – Marcos Llorente falou rindo.
– Agora Marco também tem. A irmã do Sergio. – Marcelo disse rindo e entrando na brincadeira. – E sabemos que o Marco sempre vai jogar bem, a vai ficar no pé dele todo dia. E ele nunca vai aprontar, o Sergio parte as duas pernas dele ao meio se fizer alguma coisa errada com a irmã mais nova dele.
– Pelo menos ela escolheu um cara do time. – Lucas falou rindo. – Imagina se escolhe namorado do rival?
– Tipo e Theo. – Nacho falou fazendo uma careta e tocando a bola antes que Marco conseguisse chegar até ela.
– Eu duvido que isso acontecesse. – Sergio se pronunciou, passando a bola de volta para Nacho. – é insuportável, principalmente quando tem a ver com futebol. Se o cara não torcer pro Madrid, ele não aguenta ficar com ela.
– A prova disso é o italiano. – Lucas falou rindo e Sergio deu uma risadinha, concordando.
– Mas ele não saiu porque quis, Marco que o tirou da jogada. – Toni Kroos brincou e fez os companheiros rirem.
– E ele é um cara legal, Sese estava até gostando dele. – Luka Modrić implicou.
– Mas ele estava apenas começando a conhecer o cara com nome de mulher, ainda ia demorar a gostar, o Marco ele já conhece e sabe que é um bom rapaz pra irmã dele. – Carvajal ponderou, rindo. – Talvez até ajude a ter juízo, porque aquela dali é doida!
– Acho que depois de ontem, o Sese vai ficar com o pé atrás. – Nacho falou e passou a bola por entre as pernas de Marco.
– Não aconteceu nada! – Marco falou desesperado enquanto corria atrás da bola ouvindo os comentários dos amigos.
estava prestes a ter um ataque de nervos, mas se mantinha calado, querendo que aquilo acabasse logo.
– Marco, não somos da imprensa, pode contar a verdade. – Lucas disse rindo.
– Principalmente porque o irmão dela está aqui. – Theo Hernandéz falou rindo e os companheiros concordaram.
– E, por falar nisso, o Marco já pediu sua bênção pra namorar sua irmã, Sese? Ou está fazendo isso sem pedir permissão? – Nacho perguntou rindo.
– Estou esperando pra ver se ele terá coragem de me desafiar desse jeito. – Sergio falou sério e encarou Marco.
O mais novo ficou estático por um segundo, o tom usado pareceu absurdamente ameaçador. E o olhar que recebia do capitão, não ajudava muito a desfazer aquela impressão. Ameaças de Sergio Ramos eram sempre um perigo.
– Ainda bem que ela escolheu um bonitinho, sossegado e gente boa. – Luka Modrić falou rindo.
– Pois é, imagina se ela escolhe um feio… tipo o . – Lucas provocou rindo, tentando fazer o amigo entrosar, e se virou para encará-lo, ostentando uma feição pouco amistosa. Sergio se preparou para o que podia acontecer. Não os deixaria brigar, mas queria saber como reagiria àquele comentário. Marco parecia pensar a mesma coisa. – Apelou perdeu, Magia.
– Apelou por que foi chamado de feio? – Nacho perguntou rindo. – Esse namoro te deixou mole, .
– Marco, não fique assim, tem que saber brincar com seus amiguinhos. – Toni Kroos falou rindo.
– A gente não tem nada! – Marco falou desolado, erguendo as mãos num gesto de completo desespero. – Não ficamos, não aconteceu nada. Zero. Nada.
– Vamos dividir os times para o coletivo. – Zidane apareceu e interrompeu o assunto, precisavam dividir os times para testar um novo posicionamento que a comissão técnica planejava usar no jogo contra o Valência.

Sergio Ramos e Marco Asensio ficaram em times rivais, o que causou uma divertida reação dos demais companheiros, que foi atiçada por Sergio jurando partir Marco ao meio na primeira bola que fossem dividir. também estava no time rival ao de Marco, ficou quieto e apenas olhando torto.
Mas Sergio não fez nada, claro, ele sabia que Marco e não tinham nada e, mesmo se tivessem, não tinha nada a ver com as escolhas da irmã, só gostava de importuná-la e queria tirar sarro da cara de Marco. Se eles quisessem ficar juntos, que ficassem e que arcassem com suas escolhas no futuro.
não pensava da mesma forma, tanto que, na primeira oportunidade, dividiu a bola com Marco de forma bem mais dura do que o necessário e recomendado, não machucou o companheiro, mas o empurrou e deu um chute forte na bola, mandando-a longe e sem um rumo específico.

– Que foi isso? – Marco perguntou sem entender.
– Que foi isso o quê?
– Esse empurrão.
– Dividida de jogo. Não quer contato físico vai jogar tênis. – disse nervoso.
, nós somos amigos, eu sei que vocês dois se gostam e também tem o fato de que eu não gosto dela desse jeito. Não aconteceu nada.
– São as suas palavras contra imagens. – falou debochado. – Mas se você quer mentir, tudo bem, só não espere que eu entenda e ache que você ainda é meu amigo.
– Eu estou falando a verdadeE a culpa disso tudo é sua, já que ela estava lá por sua causa. Você não decide o que quer, se quer Sara ou se quer ! Acha que pode ficar com uma e ficar mandando na vida da outra.
– Como é que é? – se virou nervoso.
– É isso mesmo que você ouviu, eu não vou repetir. – Marco respondeu sério.
– E com que direito você fala uma coisa dessas pra mim? – a voz de subiu uma oitava. – Belo amigo você é.
– Tão amigo quanto você pensa que eu sou nesse momento, Você está fazendo esse show, mas se estivesse mesmo inconformado, teria terminado com Sara e voltado com a , como você pediu pra ela ano passado. – Marco falou em um tom calmo e o encarou nervoso. – Ela me contou isso e chorou por sua causa ontem. – disse sério e deu um passo em sua direção. – Você vai me bater? Nos faça esse favor. Vai mesmo fazer parecer que o elenco está rachado e só vai alimentar a mídia e os comentários maldosos.
– Ninguém vai bater em ninguém. – Sergio se aproximou e colocou-se entre os dois. A essa altura, o coletivo já tinha sido parado e os que não olhavam para a cena entre os três, ouviam as orientações de Zidane e Bettoni. – Você, , vai sair de perto do Marco agora. Acabou esse assunto, tá todo mundo olhando e se vocês não querem infernizar a vida da minha irmã com essa história, acho melhor parar. Qualquer comentário que ouçam sobre isso, ignorem. Acabou.
– Sim, capi. – Marco disse sério e ainda o olhava quase com ódio.
– O Marco não tem culpa de nada nessa história, . – Sergio falou sério.

E antes que algo mais pudesse ser acrescentado, ouviu-se o apito de Zidane e o treinador mandou que os três voltassem a se concentrar no treino. O coletivo foi interrompido outras diversas vezes, para mudanças táticas e encerrado para treinamentos individuais.

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, Ramos e Asensio. – Zidane chamou sério e os três se aproximaram.
ainda com cara de poucos amigos, Sergio Ramos estava com a feição de sempre e Marco encontrava-se um tanto apreensivo com o chamado.
– Algum treinamento específico? – Sergio perguntou e Zidane respirou fundo.
– Vocês são homens maduros e capazes de viver sem precisar de uma babá e eu odeio ter que me intrometer em suas vidas particulares, mas o que aconteceu hoje foi inaceitável. – Zidane falou sério encarando os três. – E eu estou falando com vocês em separado, depois de parar o treino pra distrair todo mundo, mesmo que eles tenham percebido a ceninha de vocês dois e…
– Desculpa, Zizou, é que eu pr… – Marco interrompeu o treinador, afobado, tentando se explicar.
– Marco, por favor, me deixe terminar. – Zidane pediu educado e o mais novo abaixou a cabeça. – Não me interessa quem está ou não está namorando com quem, o que me interessa é vocês se concentrando para o jogo de amanhã e para os próximos que temos até o final da temporada. Parem de dar assunto para a mídia criar uma crise que não existe. Os problemas pessoais de vocês devem ser resolvidos fora do contexto Real Madrid, aqui vocês são atletas, colegas de profissão e a vida pessoal de vocês não diz respeito a ninguém. Isso aqui não é uma escola para vocês ficarem se estranhando feito adolescentes por causa de namoradas. Parem de expor a dessa forma.
– Sim, Zizou. Sinto muito, não quis causar nenhum problema e nem atrapalhar o treinamento. – Marco pediu sincero.
– Eu sei, Marco. Você e o Ramos, grupo do Luka.
– E eu? – perguntou quando os amigos saíram.
– Você? Academia. Esfria essa cabeça, você não tem condição nenhuma de treino com o time hoje. – Zidane disse sério e se afastou.
não teve chance de contestar, mas também nem iria, Zidane tinha razão.

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– Você vai ficar com essa cara até quando? – Marco perguntou a quando chegaram ao quarto que dividiriam.
– É a única cara que eu tenho. Você prefere que eu cole uma foto da pra você ficar olhando?
– Eu nunca ficaria com ela sabendo que vocês se gostam e que ela é irmã do capitão, . Não aconteceu nada.
– Aquelas fotos não deixaram dúvidas sobre quão proveitosa foi a noite de vocês dois, poupe-se da mentira.
– Eu não vou perder meu tempo me explicando mais. Não aconteceu nada, mas se você não quer acreditar, o problema é todo seu. – Marco disse e colocou a mochila sobre a cama e a mala ao lado desta.
– Não precisa perder seu tempo mesmo. A vida é sua, vocês são dois solteiros e podem fazer o que bem entenderem.
– É isso mesmo, somos os dois solteiros e podemos ficar com quem quisermos, mas antes de ser um cara solteiro que poderia ficar com a se ela quisesse ficar comigo, eu sou seu amigo e não faria isso com você e nem com nossa amizade, só que se você acha que eu sou esse tipo de pessoa, é melhor sermos apenas companheiros de time, nada além disso.
– Como se isso fosse apagar a passada de perna que você me deu. – falou em tom debochado.
– Passada de perna? – Marco teve que se segurar para não dar uma risada debochada. – Vocês não estão juntos, se algo tivesse acontecido, não seria passada de perna.
– É muito mais honrado você ser sincero e falar a verdade.
– Eu já te falei que não aconteceu nada! Eu não fiz nada, eu não fiquei com ela e nem ficaria, sei que vocês se gostam e eu não gosto dela para que a gente fique ou qualquer coisa do tipo! – Marco falou mais alto e antes que respondesse, a porta foi aberta por Sergio Ramos.
– Marco, pode juntar suas coisas e ir pro quarto que eu fico. Vou dormir aqui hoje.
– Não precisa, capi. Tá tudo de boa. – Marco respondeu olhando para Sergio Ramos.
– Tudo tão de boa que dá pra ouvir essa conversa educada e pacífica no começo do corredor. Provavelmente o time inteiro agora sabe que e se gostam e já tiveram algo. Anda logo, Marco. Junta suas coisas e aproveita a chance que eu estou te dando, não vai se repetir. – Sergio disse sério.
– Espero que vocês não se matem, o time precisa dos dois. – Marco falou, pegando a própria mala, e saiu do quarto.
– Precisamos conversar.
– Precisamos? – estava de costas, fingindo procurar algo dentro da mala que estava no chão.
– E eu agradeceria se você conversasse comigo me olhando e não de costas pra mim. – Sergio falou sério e deu um longo suspiro antes de se virar para encará-lo. – Obrigado.
– E o que você quer conversar?
– Você vai ficar com essa cara emburrada até quando?
– Não estou emburrado.
– Está e não deveria, por dois simples motivos.
– Quais?
– Primeiro, não aconteceu nada, não tem motivo pra esse ciúme idiota que você tá sentindo. Segundo, e você não têm mais nada, mesmo que ela e Marco tivessem ficado ou quisessem ficar um com o outro, você não tem direito de achar nada sobre isso, porque tem sua namorada e ela não é a minha irmã.
– Hm. – soltou um resmungo, ainda olhando para Sergio Ramos.
– Eu te pedi pra não criar falsas esperanças pra ela e você prometeu que jamais faria isso, mas vocês quase se beijaram na casa dela, se beijaram no seu carro e na casa do Nacho. Pode não ser intencional, mas você está colocando minha irmã na reserva, dando a ela falsas esperanças de uma volta que nem você sabe se quer. Você pediu para voltarem, mas não teve a iniciativa de terminar o seu namoro, porque o único comprometido nessa história toda é você, . Eu pedi daquela vez, mas agora eu vou te falar o que você vai fazer. Não é um pedido, eu estou mandando você se afastar da .
– E você, por acaso, manda nela? – perguntou quase debochado.
– Sei que você gosta dela, mas você também gosta da Sara e não quer magoar nenhuma das duas, só que está magoando minha irmã, . E se eu tiver que escolher um lado ou quem proteger, é claro que vou escolher a sem pensar duas vezes. Marco foi um ombro amigo e ainda bem que ele apareceu. Pelo que os dois contaram, foi uma noite divertida em que dançaram e riram, não aconteceu nada além disso. E ela terminou a noite chorando por sua causa. Não quero ficar com um clima ruim com você, mas você não me dará outra opção se não deixar minha irmã te esquecer e seguir em frente com a vida dela. – Sergio disse sério.

não respondeu de imediato, apenas abaixou a cabeça e encarou o chão, sabia que Sergio estava certo em tudo que tinha dito e que ele não tinha mesmo o direito de se sentir daquela forma sobre e Marco, mas também sabia que a teoria é muito mais fácil que a prática.

– Eu gosto dela, Sergio. Gosto dela mais do que gosto de Sara, mais do que eu gostava da Victoria, mas a ideia de magoar Sara, que caiu de paraquedas nessa bagunça toda, é horrível. A única coisa que fiz depois da festa na casa do Nacho, foi pensar em como sua irmã me faz sentir e que mesmo gostando de Sara, não me sinto da mesma forma com ela. Eu sou muito burro.
– Sim, você é. – Sergio concordou. – Se você sabe que não gosta da Sara e ainda está com ela, você é burro e filho da puta, porque está prendendo outra pessoa nessa história e isso tudo ainda vai acabar dando muito errado.
– Eu sou um idiota. – voltou a resmungar. – Sara está brava, porque estava falando comigo e eu não ouvi nada, pois eu estava pensando na sua irmã. está magoada, porque eu não tomei uma decisão. Eu só faço merda.
, você não pode ficar com as duas de novo. Ou vai se decidir e resolver sua vida ou vai ficar sozinho.
– Inferno. – falou, se jogando de costas na cama e encarou o teto. – Eu não sei o que fazer.
– Comece fazendo o que eu falei. – Sergio disse e suspirou.
– Queria que fosse fácil assim.
– Então termine com sua namorada antes de ir atrás da minha irmã. Não me interessa se vocês vão assumir pro mundo ou não, só faça as coisas direito e pare de brincar com os sentimentos delas.
– Desculpa.
– Você tem que pedir desculpa é pro Marco, porque ele não tem nada a ver com seu mal humor e sua burrice. E pode deixar que eu repasso suas desculpas pra minha irmã, não te quero perto dela enquanto você não resolver o que realmente quer da sua vida. – Sergio falou sério e não respondeu. – E acho bom você não ficar acordado até tarde, te coloco pra dormir no corredor se me atrapalhar a dormir.

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– Olá namorada do Marco Asensio, tudo bem? – provocou quando abriu a porta da casa.
– Vá se foder, . – disse dando espaço para que ele entrasse em sua casa e quando o fez, ela fechou a porta atrás de si.
trazia consigo uma pizza e Coca Cola.
– Como você está?
– Bem. E você?
– Também.
– E a Amelie?
– Está ótima, mandou beijos.
– E não veio por quê? – perguntou e os dois se sentaram no sofá.
– Disse que isso é uma coisa nossa e que não se intrometeria, justificou falando que nós somos namorados e não gêmeos siameses, porque a minha gêmea siamesa é você.
– Preciso dizer que amo muito a Amelie e que se você fizer minha nova melhor amiga sofrer, vou dar um jeito dela ficar com o Karim. – provocou e ele deu de ombros.
– Ele é casado.
– Eu dou um jeito. – desafiou e ele deu um sorrisinho de lado.
– Agora que você é a namorada do Asensio é mais fácil conseguir fazer essas coisas? – voltou a provocar e rolou os olhos.
– Não aguento mais ver meu nome circulando por fã clubes e tem até gente me xingando!
– Xingando?
– Já fui chamada de golpista, nojenta, feia e aproveitadora.
– Você tá usando aquele perfil fake pra ver essas coisas? – perguntou rindo e pegou um pedaço da pizza, abrindo também a Coca Cola e se servindo.
– É muito bom pra ler certas coisas. – riu, repetindo o que fez e pegou um pedaço da pizza e Coca Cola. – Mas fiquei impressionada com algumas coisas que li. Aparentemente, eu estou querendo fama, já que meu irmão não me mostra muito no perfil dele. E uma delas ainda disse que me segue e que meu Instagram é pura foto do Sergio.
– Então você tem outro perfil que tenha mais de duas fotos do seu irmão e não me contou? – perguntou rindo. – Mas vocês não vão desmentir?
– Quanto mais a gente falar, pior é. – deu de ombros. – Eu estou com a consciência limpa, não fizemos nada.
– Você lembra?
– Lembro de tudo que aconteceu. O Berto não me deu álcool a noite inteira, infelizmente fui enganada e bebi muita água com limão. E Marco foi um fofo, me ajudou a distrair e eu me diverti de verdade com ele.
– Eu vi, vocês até dançaram. Não gostei. – disse em tom ciumento.
– Ele é meu novo amigo pra dançar reggaeton. – provocou.
– Faça bom proveito. – resmungou. – E coloca logo essa merda de filme pra gente ver.
– Awn, que fofinho meu com ciúmes. – implicou, apertando as bochechas do amigo.
– Eu nem sabia que você gostava de dançar. – falou, tentando se desvencilhar de .
– Eu não gosto e nem sei, mas foi divertido. Eu estava mesmo precisando.
– Fico feliz que você tenha se divertido, de verdade. E que sua vida ande pra frente, chega de .
– Chega de . – concordou, dando um sorriso triste. – Talvez se eu ficar repetindo isso, fique mais fácil.
– Precisa ficar, ele está enrolando e isso não é algo que vá fazer bem a nenhum de vocês.
– É. – ela suspirou e ligou a televisão. – Escolhe o filme, vou no banheiro. E eu não quero ver nenhum filme de terror!
– Vou colocar um pornô, pode deixar. – disse rindo e piscou enquanto se levantava para ir ao banheiro. O telefone soou em alerta no bolso e ela viu a mensagem do irmão.

Sergio: Ei caçula, tudo bem?
Espero que sim. Não vou escrever muito, só quero te falar que fiquei preocupado com o que Marco disse, sobre você estar triste com toda essa situação envolvendo você e o . Espero que a vida fique mais fácil em 2018 e as coisas certas realmente aconteçam pra você. Eu te amo muito e sei que isso logo vai passar. E já sabe, eu estou aqui pra tudo que você precisar 😘💙
P.S.: Preciso de carona do aeroporto pra casa depois do jogo, pode ser?

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estava decidido a resolver toda aquela situação.
Terminaria com Sara, era o que já deveria ter feito há muito tempo, já que não correspondia o sentimento dela na mesma intensidade e por ser apaixonado por outra. Sara merecia ter sua vida amorosa andando por um caminho que não fosse tão tortuoso e confuso. E depois falaria com . Se ela o aceitasse de volta, ótimo. Se não aceitasse, ele se viraria e seguiria sua vida, mas precisava resolver aquela situação que não estava fazendo bem a ninguém e não era justo que as coisas ficassem mal resolvidas daquele jeito.
A viagem de volta serviu para refletir com mais cuidado sobre tudo que tinha conversado com Sergio Ramos. Pediu desculpas a Marco com sinceridade e os dois conversarem como dois adultos. Quando o avião pousou em Madri, estava preparado para dar o passo que mudaria sua vida. O passo que faria as coisas certas acontecerem. Ele ligaria para Sara e pediria para se encontrarem, terminaria o namoro de forma madura e tentando deixar o menor estrago possível.

– Quem precisa de carona? – Sergio Ramos perguntou quando começavam a desembarcar.
– Meu carro tá no CT, mas obrigado pela oferta, Sese. – Lucas brincou apertando uma das bochechas do amigo e tomou um tapa na mão.
– Valeu capi, mas a Iza vem me buscar e Lukita vai com a gente. – Mateo Kovačić disse dando um sorriso de lado.
– Cla também está vindo me buscar e daremos carona pro Case, porque somos muito bonzinhos. – Marcelo respondeu.
– Meu carro também está em Valdebebas. – deu de ombros.
– Eu preciso. – Nacho falou fazendo careta. – Maria não está na cidade.
– Eu também. – Marco respondeu enquanto ajeitava a manga da blusa.
– Volto com o Paixão. – Cristiano falou dando um sorriso agradecido.
– Eu preciso de carona também. – foi a vez de Carvajal falar e ninguém mais se manifestou.

estava próxima ao ônibus do Real Madrid, que guardava os atletas que iriam para Valdebebas para a recuperação ou para buscarem seus carros, encostada em seu próprio carro e observava o movimento de fotógrafos que esperavam pelo desembarque do time. Quando o burburinho ficou maior, ela percebeu que os jogadores se aproximavam. Alguns entraram no ônibus, outros foram para os próprios carros com as esposas que estavam esperando e ela viu um pequeno grupo se aproximando e sendo alvo de alguns flashes.
Sergio vinha arrastando a própria mala, acompanhado de Nacho, Dani Carvajal e Marco Asensio. Os quatro caminhando daquela forma, usando ternos e óculos escuros, pareciam uma boyband encenando um clipe que teria deixado milhões de fãs enlouquecidas por todas as partes do mundo. riria, se não tivesse observando os fotógrafos que capturavam cada passo que os quatro davam. E isso acabou incluindo-a nas fotos.

– Além de creche, você também tem um serviço de motorista particular? – Nacho brincou quando se aproximou o suficiente para falar em tom de voz comedido.
– Faço uns bicos de Uber às vezes. – respondeu rindo e os dois trocaram um abraço carinhoso.
Ela abriu o porta-malas do carro e os homens colocaram as bagagens ali.
– Chaves. – Sergio estendeu a mão e riu. – E você está rindo do quê?
– Queridinho, você não vai dirigir meu carro. – falou e tomou seu lugar no banco do motorista, colocando o cinto e ignorando o irmão. – Os que querem carona, entrem no carro. Os que não quiserem, podem pedir um Uber de verdade e seguirem viagem até suas casas.
– Eu racho o Uber com quem quiser evitar andar de carro com essa doida. – Dani Carvajal provocou.
– Sai do meu carro agora, Daniel. – falou fingindo-se de séria quando Carvajal sentou-se no banco traseiro, sendo seguido por Nacho e Marco.
– Se você nos matar, eu espero que todos os torcedores do Real Madrid te encontrem e te matem também. – Sergio resmungou e sentou-se no banco do carona, já que os outros três tinham tomado seus lugares no banco traseiro.
– Não vai deixar seu cunhado sentar na frente, Sese? – Nacho implicou quando deu partida para saírem do estacionamento.
– Jose Ignácio Fernández Iglesias, eu largo você nesse estacionamento se você não sossegar. – disse forçando um tom sério que fez Nacho dar uma gargalhada. – Eu já fui chamada de interesseira, golpista, nojenta, aproveitadora e que só estou com o Marco por querer atenção e mídia, já que meu irmão não me mostra para o mundo. E teve uma que disse que eu adoro mostrar meu irmão jogador em meu Instagram.
– Tem UMA foto dele lá. Postada há uns três anos. – Nacho falou rindo.
– São duas. – Sergio se pronunciou também rindo. – E uma delas foi postada ano passado.
– Se as pessoas querem ver suas fotos, podem ir ao seu Instagram, hermanito.
– Eu sinto muito, . – Marco se pronunciou sem jeito. – Vou desmentir isso.
– Quanto mais se pronunciar, pior é, Marco. Deixa quieto que logo esquecem e começam a tomar conta da vida do Cristiano. – falou dando de ombros.
O celular tocou e o nome de Maria apareceu no painel do carro. Sergio atendeu a ligação antes de poder recusá-la ou atende-la no próprio celular.
que história é essa de você estar pegando o Marco? – Maria falou assim que percebeu que a chamada tinha sido atendida.
– Oi Maria. – os outros quatro falaram rindo.
– Ai meu Deus, !
– A culpa não foi minha! O intrometido do Sergio atendeu a chamada sem autorização, esse idiota. Diga oi para Marco, Dani, Sergio e para seu digníssimo marido.
– Oi meninos.
– Oi Maria. – eles repetiram rindo.
– Eu te ligo depois pra gente conversar então.
– Maria, eu fiquei meio ofendido com o seu tom ao falar sobre esses rumores de um relacionamento entre nós dois. – Marco brincou.
– Não fique, Marco. Eu ia completar a frase com um “E não me contou?”, mas vocês não me deram tempo. – Maria respondeu num tom divertido. – Mas esse é um assunto meu com minha amiga . Nacho, mi amor, voltamos hoje no fim do dia.
– Tudo bem, mi vida.
, te ligo depois. Beijinhos pra todos vocês. – Maria disse e encerrou a ligação.
– Preciso do endereço do Marco, não sei onde ele mora.
– Você me deixa em casa primeiro, depois Nacho, Dani e Marco. Fica menos pior pra você ir embora. – Sergio se pronunciou.
– Você nem sabe se eu vou sair depois que fizer meu papel de van escolar. – ela respondeu. – Não sei se você reparou, mas eu não estou vestida como uma mendiga hoje.
– Mal começou a namorar com o Marco e já está traindo o coitado? – Carvajal perguntou provocativo, fazendo os outros quatro rirem.
– Pode não parecer, mas eu tenho uma vida além de ser namorada do Marco e irmã do Sergio, então tenho que me vestir de forma normal e sem querer chamar atenção, infelizmente.
– Você se veste feito uma mendiga, . – Carvajal implicou.
– Daniel, cala a boca. – replicou.
– E pra onde você está indo, posso saber dona ? – Sergio perguntou, fingindo um tom inquisidor.
– Numa festa na piscina na casa do Nyan. A Alba veio passar o fim de semana de novo, vamos nos divertir um pouco. E você está entregue, capitão. – respondeu sorrindo e o irmão lhe deu um beijo no rosto antes de soltar um “tenha juízo nessa festa, pelo amor de Deus, e descer do carro, pegar a mala e se despedir dos amigos. – E já pode passar um de vocês pra frente, porque eu não sou Uber.
– Vai Marco, pra ela ir pra casa do Nyan é melhor deixar você em casa por último mesmo. – Carvajal falou e Marco assim o fez.
, infelizmente é necessário concordar com seu irmão na ordem de deixar as pessoas. – Nacho falou pesaroso.
– O momento de concordar com Sergio Ramos chega para todos. Infelizmente. Mas vida que segue. – falou se fingindo de triste e arrancou o carro.
– E o que você vai fazer na casa do meu primo? – Carvajal perguntou curioso.
– Não é da sua conta. – respondeu desaforada. – Eu acabei de falar, Danizinho, a Alba está em Madri e estamos dando uma festa, como nos velhos tempos.
– E por que eu não fui convidado?
– Porque você é chato. E não faz parte da turma. Mas se quiser pagar as bebidas, aceitamos.
– Você é uma interesseira.
– E você é um chato.

O caminho que se seguiu até a casa de Nacho demorou um pouco mais de quinze minutos, enquanto conversavam e riam da cara de Marco, que estava todo envergonhado com as zoações sobre as fotos publicadas, mesmo que fosse a responsável pela maioria das coisas ditas.
Depois de uma despedida rápida de Nacho, foi a vez de dirigir pelo curto trajeto até a casa de Dani Carvajal, que ficava próxima à casa de Nacho e de tantos outros jogadores do time madrileno.

– Sem desviar do caminho, pombinhos. – Carvajal brincou quando desceu do carro em sua casa.
– Não posso garantir, você já viu como ele é bonito? É difícil resistir. Talvez eu até o leve comigo pra festa e fique exibindo pras minhas amigas como meu namorado jogador é bonito e bom de bola. – disse, piscando para Carvajal, que deu uma gargalhada, fazendo Marco ficar ainda mais vermelho de vergonha. – Bom descanso, Danizinho.
– Boa festa pra você, . E obrigado pela carona. – Carvajal falou, se inclinando pela janela do carro para dar-lhe um beijo no rosto, e arrancou o carro. Marco a guiou pelo caminho até seu apartamento.
– Não acredito que você deu uma volta enorme pra me deixar em casa naquele dia, Marco! – falou surpresa quando parou o carro à porta do prédio em que Marco mora.
– Relaxa, . – Marco falou sorrindo. – Não podia deixar a irmã do capi sozinha pela cidade àquela hora da noite.
– Obrigada. – agradeceu e deu um sorriso sincero para ele. – Nem pude te agradecer de verdade pela companhia e pela noite, foi bem legal.
– Sempre que precisar. – Marco respondeu sorrindo. – Vou começar a praticar o reggaeton.
– Meus pés agradecem. – falou rindo. – Agora desce logo desse carro, senão vou me atrasar.
– Desculpa. – Marco deu um sorriso e os dois trocaram um abraço, tal qual foi com os outros, e Marco saiu do carro, pegou a própria mala no bagageiro e se debruçou na janela do passageiro. – Ah, me aceita no Instagram.
– Eu não sou obrigada. – falou rindo. – Vou pensar no seu caso e talvez eu te aceite depois da festa pra você curtir minhas fotos e dar mais assunto pras pessoas.
– Divirta-se. – ele disse e ela buzinou, saindo da porta do prédio.

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estava passando os canais da televisão sem prestar atenção. Ainda não tivera coragem de enviar a mensagem para Sara, sabia que ela apareceria mais tarde, era melhor não criar expectativa e ir direto ao ponto. O problema era esperar até a hora em que ela chegaria, porque já tinha feito várias coisas, mas a hora insistia em não passar.
Levantou-se do sofá, precisaria sair de casa se quisesse conseguir esperar pela chegada de Sara dali algumas horas. Subiu as escadas rápido, vestiu um moletom, pegou um boné, calçou o tênis e desceu. Pegou Bubu no colo e quando abriu a porta, deu de cara com Sara, que estava prestes a tocar a campainha.

– Precisamos conversar. – ela e disseram ao mesmo tempo.

Capítulo 21 – Mil canciones de amores pa’ que pienses en mi…

… como yo pienso en ti (Una Lady Como Tú – Manuel Turizo)

– O que aconteceu? – perguntou quando sentaram no sofá.
Sara tinha as mãos juntas e os dedos entrelaçados sobre o colo, parecia tensa, observou. Ela não respondeu de imediato, estava organizando as palavras em sua cabeça, não queria jogá-las em , simplesmente. Mordeu a parte interna da bochecha e suspirou demoradamente. – Você está me deixando preocupado.
– Eu preciso falar uma coisa, mas quero que você me deixe falar tudo antes de responder, pode ser?
– Sara, o que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
– Pode ser? – repetiu e assentiu, ainda olhando preocupado. – Eu já te contei que eu tinha um namorado até ano passado, o Raúl, e nós namoramos por bastante tempo, sempre nos demos bem, trabalhávamos juntos e era ótimo, mas ele foi embora e não tínhamos nos encontrado ou nos falado. Até duas semanas atrás. Raúl voltou, nós nos encontramos numa confraternização da companhia de teatro da qual fizemos parte e acabamos conversamos sobre muitas coisas. Nós nos beijamos, na verdade. Duas vezes. Ele disse que sabe que você e eu estamos juntos, mas que ainda se sente da mesma forma sobre mim, perguntou como eu me sentia sobre ele e me pediu para voltarmos. Eu gosto muito de você, , você é uma pessoa maravilhosa e eu sou muito feliz ao seu lado. E, por isso, não vou mentir e dizer que não fiquei balançada com o que foi dito e pelo que aconteceu, eu sei que gosto muito de você, mas sei que ainda sinto por ele o mesmo que sempre senti enquanto estávamos juntos. Eu ainda amo o Raúl, não apenas como um bom amigo, mas do mesmo jeito que era e não acho justo com nenhum de nós três que as coisas sejam levadas assim. – Sara falou séria, sem desviar os olhos dos de , e suspirou antes de voltar a falar. – Eu quero terminar.

Apesar de ser aquilo que ele planejava dizer quando se encontrassem, ficou um pouco chocado ao receber aquela informação. Ele sabia do namoro, que os dois tinham namorado por quatro anos ou mais e terminaram por convenção, apenas porque o tal Raúl sairia de Madri por tempo indeterminado e eles ainda não se sentiam prontos para dar o próximo passo, tampouco sabiam se valeria a pena desgastar o sentimento tentando um relacionamento à distância.
Aquela informação foi um pouco surpreendente, mas estava aliviado, o medo de magoá-la finalmente se esvaiu, sabia que Sara seria muito feliz (como fora antes) com Raúl, porque o coração dela realmente pertence a ele e sempre tinha pertencido, assim como o seu pertence a .
tomou as mãos de Sara entre as suas e lhe beijou o dorso da mão esquerda, dando um sorriso para a mulher.

– Eu agradeço muito por sua sinceridade. – falou olhando Sara nos olhos enquanto falava. – Eu ia falar a mesma coisa, sobre terminar e sobre refletir em relacionamentos passados que temos a oportunidade de voltar a ter. Meu maior medo era te machucar quando eu falasse isso, mas sei que você será muito feliz com Raúl, como era, porque seu coração é dele e o coração dele é seu. Não posso te desejar nada além de muita felicidade a vocês dois.
– Você ia falar a mesma coisa? – Sara perguntou surpresa e ele assentiu. – Você e a Victoria estão pensando em voltar?
– Não. Outra ex. – ele negou com um aceno.
– A ? – Sara perguntou dando um sorriso e foi a vez de ficar surpreso.
– Como você sabe?
– O jeito como vocês dois se olharam naquele dia entregou que alguma coisa já tinha acontecido e a forma como o Junior a trata é um reflexo disso. E que bom que vocês vão se resolver, vocês também merecem ser felizes.
– Ainda é cedo pra saber se vamos mesmo nos resolver. – falou sincero e suspirou. – Mas era injusto continuar com você, se meu coração não estava completamente no nosso relacionamento.
– Eu espero que se resolvam, vocês merecem. – Sara disse num tom sincero e sorriu para , que sorriu de volta da mesma forma carinhosa.
– Preciso te pedir perdão também. e eu nos beijamos duas vezes depois que você e eu estamos juntos. E por minha culpa. E só não nos beijamos mais vezes, porque ela teve bom senso. Eu meti os pés pelas mãos e acabei perdendo a chance de não ser um babaca.
– Quando você disse que o Marco te ligou…
– Eu menti. – assumiu. – Quando você me chamou de Mi Magia eu travei. me chamava assim e um turbilhão de memórias foram ressuscitadas de uma vez. Não ficamos nesse dia, mas tivemos uma conversa muito séria e sincera. Depois do dia em que você achou a blusa dela e eu fui devolver, nós nos beijamos. E desde então eu só tenho pensado em como resolver essa história sem que todo mundo saísse machucado, mas é impossível. Estamos todos machucados nesse momento.
– É. Eu esperava que fôssemos um pouco mais respeitosos com nós mesmos e com nosso relacionamento, mas… – Sara soltou uma risadinha pelo nariz. – Mas, tudo bem, eu te entendo. Sua história com parece ser intensa e sincera, assim como a minha e de Raúl. Espero que vocês dois se resolvam, mesmo que não fiquem juntos, mas pra darem sequência às próprias vidas.
– Tomara.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo enquanto digeriam as palavras que foram ditas.
– Então… – Sara se pronunciou quebrando o silêncio. – É isso?
– É. – deu um sorriso sem nenhum rastro de humor. – Eu quero te pedir desculpas.
– Desculpas?
– É. Se eu fiz algo que te magoou durante esse tempo, além do que eu contei agora, claro, porque não era a intenção. Eu te desejo tudo de melhor da vida, Sara. Você é uma mulher espetacular, amável e muito forte. Sou muito grato por todo nosso tempo juntos, ainda que pouco, você foi uma namorada maravilhosa.
– Eu digo o mesmo, . – Sara falou sincera e deu um beijo no rosto dele. – Eu trouxe as suas coisas que ficaram lá em casa.
– Obrigado. – sorriu. – Quer comer ou beber alguma coisa?
– Não, obrigada.
– Quer pegar suas coisas?
– Eu levei tudo essa semana. – disse ficando de pé e fez o mesmo. Os dois trocaram um abraço e Sara deu um sorriso, segurando as mãos dele e o olhando nos olhos. – Vá atrás dela, se é isso que você quer mesmo. O amor sempre vale a pena.
– Sempre. – concordou e deu um beijo no rosto de Sara, que deu um sorriso carinhoso em retorno. – E eu vou. Só preciso dar a nós dois um tempo.
– E falando nisso, pode deixar que não vou aparecer com Raúl como um casal por enquanto.
– Não tem problema se vocês quiserem aparecer como um casal, até porque vocês são um, o importante é que vocês sejam felizes. – falou sincero e sorriu e os dois voltaram a se abraçar, mas dessa vez em despedida. Sara saiu, depois de um carinho rápido em Bubu. voltou a deitar no sofá e o pequeno cachorro se deitou sobre ele, recebendo um carinho. – Agora é saber se ela vai me querer de volta.

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– Então você está dizendo que está solteiro de novo, ? – Dani Carvajal perguntou.
O pequeno grupo formado por , Marco Asensio, Nacho, Sergio Ramos, Lucas Vázquez e Dani Carvajal estava, ao final da primeira parte do treinamento do dia, sentado no gramado do campo, enquanto aguardavam novas instruções.
– Sim, eu estou. – concordou. – Sara terminou comigo ontem.
– O que você aprontou? – Lucas perguntou desconfiado.
– Nada. Ela só terminou.
– Tem que ter um motivo. E se você não quer contar é porque aprontou!
– Eu não aprontei. Ela foi lá em casa, disse que o ex-namorado voltou pra cá, eles conversaram e resolveram tentar de novo. – falou dando de ombros.
Sergio e Marco trocaram um olhar rápido antes de caírem na gargalhada.
– Estamos perdendo alguma coisa? – Nacho perguntou e rolou os olhos.
– Não, esses dois só são idiotas mesmo. – resmungou enquanto observava os dois que ainda gargalhavam.
– Chumbo trocado não dói. – Sergio disse em meio às gargalhadas.
– Você ia voltar pra Victoria? – Lucas perguntou curioso.
– Não. Pra outra. – respondeu dando de ombros.
– Então quer dizer que você teve uma namorada oficial e não nos apresentou, ? – Carvajal perguntou e a altura das gargalhadas de Sergio e Marco aumentou. – Parem de rir igual dois retardados, porra.
– Tive.
– Mas os dois conheceram né? Pra estarem rindo tanto assim… – Nacho disse desconfiado.
– Ô. – Sergio disse ainda rindo e respirou fundo tentando conter as gargalhadas.
– Já que você está solteiro, acho que é uma excelente hora para os solteiros saírem, no caso você, eu e Marco, em nome dos velhos tempos. – Carvajal disse dando um sorriso cheio de segundas intenções.
– Que velhos tempos? Marco nunca saiu com você. – Nacho falou rindo.
– E o Marco não está solteiro. Esqueceu que ele é cunhado do Sergio? – Lucas provocou.
– Ah é verdade. – Carvajal concordou, achando que deixaria Marco sem graça, mas fez as gargalhadas de Sergio e Marco duplicarem. – Eu quero entender pra rir também.
estava namorando a . – Sergio disse parando de rir, fazendo Lucas, Nacho e Carvajal o olharem surpresos. – Não façam essas caras de tontos, vocês sabiam!
– Não sabíamos não! – Nacho foi quem se pronunciou quase ofendido.
– Eu não fazia ideia. – Lucas disse num tom ainda surpreso.
– Eu menos ainda. – foi a vez de Carvajal falar.
– Ah para! No dia que saíram aquelas fotos da e do Marco, o deu um piti enorme, principalmente com o Marco e durante o treino! Sem contar a discussão deles em Valência, que dava pra ouvir no corredor do hotel. E a festa na sua casa, Dani, eles deram tanta bandeira que foi impossível não perceber. E todas as outras vezes em que eles dividiram o mesmo ambiente. – Sergio disse quase exasperado. – Não é possível que vocês não perceberam.
– Eu não percebi, sinto muito te desapontar, mas eu estava ocupado prestando atenção em outras coisas. Tanto no treino, quanto na festa. – Lucas deu de ombros.
– Espera… na festa? – Carvajal parecia raciocinar sobre algo.
– É.
– Ah, então quando eu fui atrás de você a pedido da sua irmã, ela queria…
– Isso. – Sergio confirmou. – Eu não quero nem saber o que aconteceu, mas eles deram bandeira demais naquele dia. E em todos os momentos em que estiveram próximos.
– Conta essa história direito. – Carvajal pediu curioso.
– Os dois namoraram por um tempo ano passado, mas não deu certo, já que eles gostam de agir impulsivamente e foram dois idiotas. começou a namorar a Sara, mas queria terminar e voltar pra , só que antes que ele tivesse colhões, a Sara foi lá e terminou. E pelo mesmo motivo. Por isso nós rimos.
– Ele estava mesmo namorando sua irmã? – Nacho perguntou surpreso e assentiu. – E o Marco ficou com ela?
– Não. – Marco fez uma careta.
– Eu no lugar dela ia preferir o Marco, ele é mais bonitinho. – Carvajal zoou fazendo os amigos rirem.
– Eu sou o mais bonito de nós todos. – Marco disse num tom convencido e tomou um pedala coletivo.
– Não sei se é o momento de resolver tudo isso por causa dessa história dela com o Marco. – falou, dando um suspiro frustrado.
– “Essa história” – Marco fez aspas com os dedos. – que no caso não é história nenhuma, porque nada aconteceu.
– E por que não ficamos sabendo desse namoro? – Nacho perguntou curioso.
– Eles não assumiram que eram namorados nem pra eles mesmos. – Sergio respondeu por .
– E como você ficou sabendo? – Carvajal perguntou a Sergio.
– Eles deram muita bandeira. Muita bandeira mesmo. E se beijaram aqui em Valdebebas, acharam que eu não ia ficar sabendo.
– E qual o motivo de não ter matado o quando descobriu? – Nacho implicou.
– Porque se minha irmã tinha desistido da regra de ouro, realmente gostava dele e valia a pena deixá-lo vivo. Mas eu quase mudei de ideia.
– E desde quando vocês estavam juntos? – Lucas perguntou.
– Desde maio, até o começo de novembro. – deu de ombros. – Mas não era namoro, porque eu tinha a Sara.
– Vários contatinhos, como diria o Marcelo. – Carvajal disse rindo.
– Tentou administrar as duas e não funcionou? – Lucas perguntou e negou com um aceno.
não quis oficializar o que a gente tinha, disse que era aquilo de amigos com benefícios ou nada. E eu acabei agindo de forma precipitada, terminei tudo e comecei a namorar oficialmente com a Sara.
– E você acha que a vai te querer de volta? – Lucas perguntou e suspirou.
– Espero que sim.

🤍⚽️ 🤍
– Você tem falado com ? – Sergio perguntou quando terminaram de jantar.
Queria saber se o amigo já tinha tomado a iniciativa depois do fim de seu namoro, mas não perguntaria a ele e nem a ela diretamente.
– Não. Por quê?
– Pra saber se ele te deixou em paz. – Sergio desconversou.
– Ele tem que me deixar esquecê-lo, ficou claro que mesmo que tenha sido ele a sugerir, ele não vai terminar o namoro. – respondeu e suspirou. – E eu preciso ir embora, tenho que acordar cedo demais amanhã.
– Vou te deixar em casa. – Sergio falou dando um sorriso e os dois saíram após pagarem a conta do jantar.

Os dois sempre saíam para jantar juntos uma vez por semana, era uma espécie de ritual, que tinha começado quando ainda era uma criança lá em Sevilla e continuou, mesmo quando Sergio se mudou para Madri.
Sergio dirigiu pela pouca distância até a casa da irmã e eles se despediram com um abraço rápido e promessas de um almoço em família no fim de semana, já que ela viajaria para Sevilla e o irmão ainda não sabia se jogaria, então talvez também fosse para a cidade com ela e a família. estava cansada, queria tomar um banho e dormir, ainda que não passasse de nove e meia da noite.

: Oi 😊

encarou a notificação sem abrir a conversa e suspirou.
Não responderia. Não naquele momento.
Tomaria seu banho em paz, com calma e paciência, depois responderia. Era quase como se ele tivesse escutado seu nome ser mencionado alguns minutos antes e resolvesse aparecer, quase como Beetlejuice, que tinha seu nome mencionado e aparecia. Como ele sempre fazia quando ela achava estar indo bem na missão “esquecer o ”.
fez um chá de hortelã que tinha em casa e deixou em infusão enquanto tomava seu banho sem pressa, ignorando a vontade de se apressar para responder àquela mensagem, tomou seu chá também devagar, contendo a vontade de fazê-lo enquanto respondia à mensagem, escovou os dentes, vestiu um pijama confortável e foi deitar em sua própria cama.
A notificação ainda estava lá, claro, não teria fugido nesse intervalo de tempo entre seu recebimento e o momento em que seria respondida, então ou ela ignoraria e iria dormir, ou responderia. E ignorar não era, realmente, uma opção, então apenas suspirou, antes de responder com um simples oi, sem emojis ou letras repetidas. E, aparentemente, ele estava com a conversa aberta, porque a notificação ficou azul assim que ela enviou o oi e logo um “digitando…” apareceu.

: Tá em casa?
: Sim
: Já jantou?
: Sim
: Eu tô te incomodando?

encarou a mensagem por alguns segundos antes de digitar a resposta. Mentiria se disse que sim, mas também mentiria se dissesse que não. Estava com sono demais, cansada demais e o assunto “” ainda era difícil demais.

: Só estou cansada e indo dormir, preciso acordar realmente cedo
: Que horas você chega em casa amanhã?
: Não chego. Vou direto pra Sevilla passar o fim de semana
: Livre pra almoçar?
: Não.
Tenho uma reunião de almoço, depois vou a uma audiência e de lá viajo pra Sevilla.
Aconteceu alguma coisa?
: Não, só queria te ver mesmo.
: Vai ficar pra depois, não tenho tempo hábil esse fim de semana
: Tudo bem, quando você puder e quiser, me avisa.

Ela não respondeu, apenas colocou o celular de um lado e se virou para o outro, precisava dormir o mais rápido possível, não queria correr o risco de arrepender-se de ter falado daquele jeito e acabasse sugerindo que ele fosse até a casa dela naquele momento.

🤍⚽️ 🤍
O fim de semana em Sevilla tinha sido fantástico, Sergio não tinha ido, mas tinha passado dois bons dias com os pais e voltar para Madri foi difícil. Ela estava ansiosa pelo fim do semestre, iriam para a Copa do Mundo – pelo menos era o que esperava que acontecesse – e imaginava como seria bom passar mais tempo com os pais, sem preocupação com horários e viagens para retornar para casa.
não tinha mandado mais mensagens e nem ela teve tempo de pensar em falar com ele, mas, mesmo que tivesse, não falaria. Não. Ele tem namorada. O que diabos ele quis dizer com aquele “Só queria te ver mesmo”? Fosse o que fosse, não procuraria saber. Precisava esquecê-lo, precisava que a vida andasse para frente e sem que isso envolvesse alguém que não sabe realmente o que quer da vida.
Já era quarta-feira e a semana estava relativamente mais tranquila do que as anteriores, não teria que ir a audiências e podia trabalhar normalmente no escritório, tinha conseguido almoçar com e Amelie no dia anterior e os três conversaram e riram bastante. Era ótimo estar com eles.
Tinha se disponibilizado a cuidar dos sobrinhos no dia seguinte à noite para que o irmão pudesse sair com a esposa. E viajaria na sexta-feira à tarde para uma conferência em Turim, a convite do chefe. Iria com e Amelie também.
passava pela recepção do escritório quando avistou um homem com uma camisa do Atletico de Madrid carregando um buquê enorme de rosas vermelhas e uma pelúcia. Não havia ninguém para atendê-lo e ele procurava por alguém a quem pudesse pedir informações ou entregar o que quer que fosse.

– Oi. Eu posso te ajudar? – disse educada se aproximando e o homem se virou em sua direção.
Devia ser pouco mais velho que ela, se é que não eram da mesma idade.
– Tenho uma entrega pra Ramos García.
– Sou eu. – o encarou. – As flores?
– Não. Isso. – ele fez uma careta ao estender a pelúcia e ela entendeu o motivo quando viu o bichinho de perto: era um urso de pelúcia usando uma camisa do Real Madrid. E ao vê-lo, ela já sabia quem tinha enviado, sem precisar de um cartão. – Ah, tem o cartão.
– Obrigada. – agradeceu. – Tenho que te dar alguma gorjeta ou já te deram?
– Já recebi, mas acho que nem todo dinheiro do mundo será suficiente por ter que carregar essa coisa pela cidade. – o rapaz fez uma careta ao se referir à pelúcia.
– Ossos do ofício. – deu um sorrisinho de lado para não deixar o rapaz sem graça. – Enfim, obrigada.
– De nada. – respondeu e se virou, seguindo pelo corredor até os elevadores, e seguiu até sua mesa.

O ursinho usava uma camisa do Real Madrid, seu nome é Timmy. deixou o bichinho sobre a mesa e pegou o cartão. A letra era dele. O cartão trazia uma música. Uma frase de uma música, na verdade. Uma que adorava.

“You call the shots baby, I just wanna be yours.”

Flashback ON

– Você tem coisas demais do Real Madrid. – disse enquanto estava procurando por uma legging no guarda-roupa.
– Sergio me deu muita coisa ao longo dos anos. – deu de ombros, mas sem se virar para olhá-lo enquanto conversavam. – E se você acha que aqui tem muita coisa do Real Madrid, espere até ver o meu quarto em Sevilla.
– Isso foi um convite? – perguntou cheio de segundas intenções, mas não respondeu, apenas pegou uma calça legging na gaveta e vestiu. – Sua bunda ficou ótima.
– Eu sei, não faço agachamentos à toa. – piscou convencida.
– Então, voltando ao assunto… você coleciona as coisas?
– Posso dizer que sim. – respondeu e foi até onde ele estava sentado na beirada da cama, e se sentou em seu colo.
– E tem alguma coisa que você ainda não tem?
– Uma camisa com seu nome e seu número.
– Tem uma do Casemiro e não tem a minha? Que absurdo!
– Casemiro é o cara! – ela se defendeu. – Tenho uma do Luka, uma do Luqui, uma do Cris, uma do Marcelo, uma do Nacho, uma do Dani e umas vinte do Sergio. Sem contar a do Xabi, do Roberto Carlos, do Zizou…
– Porra! Pra quê isso tudo?
– Não sei, mas eu ganhei deles, estão todas autografadas, inclusive.
– A do Casemiro também?
– A do Casemiro eu comprei. Gosto de todos vocês, mas ele é muito foda. Muito foda. E eu sou foda do mesmo jeito, então… – brincou e deu uma risada. – E falando em loja, preciso ir até lá comprar um ursinho pros meus dois lindinhos, prometi e não fui ainda. Será que eles personalizam com o número do pai deles?
– Eu não faço ideia do que você está falando. – confessou rindo.
– É um ursinho, ele se chama Timmy, é cinza… A coisa mais linda do mundo! Vou comprar um pra mim e dois pra eles.
– Ah que gracinha, você gosta de ursinhos.
– Adoro ursinhos e esse eu ainda não tenho. – falou dando de ombros.
– Então, minha camisa… – ele falou dando nela um selinho. – Qual você quer?
– A preta.
– Vou pensar se você merece ganhar uma. – provocou e passou os dedos por seus cabelos, num carinho.
– Então pensa enquanto a gente faz yoga. – falou se levantando do colo de , que deu um sorriso, e a acompanhou até a sala do apartamento.

Flashback OFF

Ela não tinha comprado os ursos dos dois sobrinhos. E também não tinha ganhado a camisa preta com o nome e o número de nas costas. Mas agora tinha Timmy e, mesmo sem o número 22 nas costas, aquilo era algo do Real Madrid que sempre a faria lembrar de .

🤍⚽️ 🤍
– O que é isso? – perguntou quando saíam pela recepção do prédio em que trabalhavam.
– Isso é um presente que ganhei hoje. – falou e virou o bichinho para que ele visse. – Acompanhado de um cartão com um “You call the shots baby, I just wanna be yours.” escrito.
– E você já agradeceu o presente?
– Não. E nem sei se vou, eu não devia ter ganhado esse presente.
– Ele não podia dar isso pra namorada colchonera, convenhamos. – brincou e acabou rindo. – E é falta de educação não responder.
– Não faço ideia do que responder.
– “Obrigada pelo presente, ”, apenas. Não precisa fazer um textão.
– Só não entendo os motivos, ele tem namorada e não tem pretensão de terminar com ela.
– Não posso te dizer quais são, eu também não entendo. – a abraçou pelos ombros.
– Em casa eu mando alguma coisa. – deu um sorriso para o amigo. – Vai comigo?
– Não. Melie vem me buscar. Tem um aniversário de alguém da família dela.
– Aí que gracinha vocês dois. – sorriu e o abraçou pela cintura com a mão livre. – Bom, eu vou então. Mande beijos pra ela e nos vemos amanhã.
– Até amanhã, Ramos. – lhe deu um beijo na têmpora e se soltaram.

ficou na calçada esperando a namorada e atravessou a rua, entrando no próprio carro para ir embora, não demorando muito a chegar, não era horário de pico e o trânsito estava relativamente tranquilo naquele horário. Ela precisava de um banho, além de comer alguma coisa, estava faminta.
Depois de tomar banho e vestir uma roupa confortável, fez um sanduíche simples com o que tinha na geladeira, um suco de laranja e se sentou na sala, ligando a televisão e começou a passar pelos canais até achar algo para assistir, cogitou assistir ao MasterChef, mas assistir àquele programa comendo um sanduíche de peito de frango com alface e tomate, não era o que ela consideraria como uma boa ideia, então acabou parando em um canal de filme, em que “Clube da Luta” estava passando, já iniciado e que ela já tinha assistido diversas vezes, mas é Clube da Luta, ela não se negaria a assistir de novo.

encarou o relógio que marcava dez e meia da noite, mas estava com tanto sono que mal se aguentava acordada, era hora de ir pra cama e logo. Levou o prato e o copo para a cozinha, lavou e foi para o banheiro, escovou os dentes e seguiu para o quarto. Estava com muito sono, mas ainda sim pegou o celular para enviar o agradecimento pelo presente. estava certo, era falta de educação não agradecer.

: Obrigada pelo presente, . Eu gostei muito.
E “Do I Wanna Know?” é a minha resposta ao seu cartão.

Capítulo 22 – Can you see me breaking down?

… the end to a falling out. (Avalanche – Nick Jonas ft. Demi Lovato)

– Sua irmã está me ignorando. – disse a Sergio enquanto caminhavam para o estacionamento após um dia de treinos. – Não responde minhas mensagens, não me atende…
– Ela não está em Madri, Magia.
– Sevilla?
– Turim. – Sergio disse e o olhou surpreso.
– Turim?
– É. – Sergio deu de ombros. – Vocês não conversaram ainda?
– Ela não teve “tempo hábil” – fez aspas com os dedos. – pra falar comigo.
– Você já contou pra ela que está solteiro?
– Eu quero conversar pessoalmente com a , capi.
não vai querer te ver se ainda achar que você está namorando. – Sergio fez a cara mais óbvia que conseguiu.
– Pode ser. – resmungou.
– Ela volta no domingo, manda uma mensagem e fala que você está solteiro e quer conversar sobre tudo.
– Vou pensar nisso. – resmungou. – Nos vemos mais tarde, capi.
– Até mais tarde, Magia. – Sergio disse abrindo a porta do próprio carro e logo estava de saída do centro de treinamentos.

fez o mesmo. Encontrariam-se na casa de Lucas Vázquez mais tarde, era a noite do pôquer para eles e as mulheres tinham sua “Girls Night Out”.

🤍⚽️ 🤍
– Calem a boca, meu telefone tá tocando. – Sergio falou alto, tentando silenciar os amigos que faziam mais barulho que o habitual, já mais bêbados do que deveriam estar.
– Fala pra Pilar que você é nosso hoje. – Carvajal falou alto e piscou, e os outros concordaram rindo.
– CALEM A PORRA DA BOCA. – Sergio falou mais alto e atendeu a ligação, deixando a chamada no viva-voz para que conseguisse ouvir o que era dito. Sexta-feira à noite, o número que aparecia na tela do celular vinha acompanhado de um “Turim – IT”, local em que a irmã estava de passagem? Aquilo não estava certo. – Alô.
Preciso de um favor. pediu impaciente.
Ao ouvirem a voz da garota, o barulho cessou. O tom não parecia amigável o suficiente para que eles fizessem bagunça ou gracinhas.
– Oi princesa. Aconteceu alguma coisa?
Aquela merda de celular que eu tinha, porque agora eu já nem tenho m…
– Você foi roubada? Aconteceu algo? Tá tudo bem com você, ? – Sergio perguntou preocupado.
Aquela porcaria resolveu parar de funcionar do nada, então eu joguei na parede e depois pisei e teria dado um tiro se eu tivesse uma arma. respondeu nervosa. – Enfim, preciso que você mude minha passagem de volta pra hoje. E se não tiver como mudar, compra outra, por favor.
– Você não ia ficar até domingo?
Ia, do verbo tomei um toco e não vou mais. falou irritada e Sergio ouviu a risada de ao fundo e o xingou em outro idioma.
– Toco?
É! Gian arrumou uma namorada, acredita? Eu só me fodo nessa vida, é incrível! tá namorando, Gian tá namorando! Eu DESISTO oficialmente de ter alguém e vou começar minha vida de tia dos gatos aos vinte e dois anos de idade, já sou tia mesmo, só faltam os gatos! Porque, infelizmente, criaram um rumor falso com o Marco e ele, mesmo sendo fofo e muito gato, não faz meu tipo, ENTÃO EU VOU VIRAR A TIA DOS GATOS MESMO! – ela falou alto e os jogadores se entreolharam curiosos, antes de pararem os olhos sobre . Nem todos sabiam da história. – Enfim, vê se você consegue trocar e me retorna por mensagem com o comprovante da troca ou da compra, no número do , por favor. Só tem um voo de Turim pra Madrid saindo hoje, às dez e quinze.
– Tudo bem, princesa.
– E eu espero que você tenha tirado essa ligação do viva-voz quando me ouviu falar “preciso de um favor”.
– Claro que eu tirei, princesa. – Sergio falou usando um tom sério que ele achou que passava sinceridade e tirou do viva voz, colocando o celular no ouvido.
– Sessy… – ela disse usando aquele tom que ele nunca tinha conseguido mentir ou dizer não.
– É sério, . – Sergio voltou a usar o mesmo tom, mas com o coração na mão pela mentira.
– Tudo bem, só transfere ou compra e me manda o comprovante.
– Por que você não faz isso quando for ao aeroporto?
– Essa merda de companhia aérea não faz trocas pessoalmente, só pela internet, acredita? E comprar lá é mais caro que no site. bufou.
– Tudo bem, mas preciso dos dados pra troca.
– O voo era o único daqui pra Madri no domingo também. Poltrona F10, meus dados você sabe. Ah, o número da passagem é A2117F10.
– Espera que eu já te mando. – Sergio Ramos falou e desligou, torcendo para se lembrar daquele número falado pela irmã. Todos os presentes que não sabiam da história estavam olhando dele para e de para ele. – , faz o favor de contar o que eles querem saber, eu preciso procurar uma passagem pra minha irmã voltar da Itália antes que ela destrua o país inteiro.
– Ainda tem cinco lugares vazios no voo que ela falou. – Lucas disse com o celular em mãos.
Já sabia da história, nem perdera tempo mudando o olhar de para Sergio, até porque, a versão que ele ouvira, tinha sido bem mais engraçada do que aquela que seria contada ali poderia pensar em ser.
– Ela pode pegar conexão também, Valência-Madrid ou Barcelona-Madrid. Tem essa opção. – Nacho falou, olhando para o celular enquanto verificava os voos saindo de Turim para a Espanha.
– Ela pode ir pra Milão pegar o voo que sai de lá pra cá de madrugada. – Carvajal falou olhando para o próprio celular também.
– É muito trabalho, não? Tenta trocar, se não conseguir, compra o desse voo mesmo e deixa a outra passagem ser perdida. – Marco deu de ombros.
– Tomara que eu consiga trocar e sem pagar nada. – Sergio Ramos resmungou e foi se sentar perto de Nacho, abrindo o site da empresa para procurar pela opção de troca de passagem.
– Desembucha, ! – Achraf Hakimi foi o primeiro a se pronunciar.
– Não tem muito mais o que dizer. – falou coçando a nuca. – e eu estivemos juntos ano passado, não deu certo, terminamos.
– E ela acha que você ainda está namorando? – a pergunta veio de Marcelo.
– Sim. – respondeu assentindo positivamente.
– Você ainda gosta dela? – foi a vez de Theo Hernandéz perguntar.
– Muito.
– E qual o motivo de não termos ficado sabendo do seu namoro com a irmã do Sergio? – Karim Benzema perguntou curioso.
– É uma longa história.
– Temos tempo. – o francês garantiu e suspirou.
– Nós nos encontramos numa boate em abril do ano passado, ficamos, depois as coisas continuaram acontecendo e…
– Mas ela não esteve na Alemanha por uns dois meses? – Toni Kroos perguntou confuso e assentiu.
– Foi mais ou menos nessa época que as coisas passaram do sexo sem compromisso para amizade. – falou fazendo uma careta ao falar de sexo sem compromisso com a irmã do capitão do time quando este estava presente, mas Sergio Ramos estava ocupado demais tentando lembrar os dígitos que a irmã tinha falado, para se incomodar. – E então ela voltou e estávamos juntos, mas não estávamos, por causa daquela regra idiota e por eu também estar saindo com Sara. Um dia falei com a que queria resolver aquela situação entre nós, regularizar, nomear e assumir, ela disse que éramos apenas amigos com benefícios e nunca passaríamos disso, então terminamos, comecei a namorar com a Sara e fim.
– Você começou a namorar com uma, gostando de outra? – Mateo Kovačić perguntou confuso.
– Eu gostava das duas, mas…
– Mas não de forma igual, dá pra ver. – Toni Kroos falou e assentiu. – E continuou com a outra por quê?
– Porque é idiota. – Benzema falou. – Desculpa, cara, mas é a única explicação.
– Não dá pra discordar dele, . – Luka Modrić foi quem falou e suspirou, assentindo novamente.
– Eu sei, eu fui um idiota. E no final do ano eu pedi pra gente voltar, nem que fosse pra ficar do jeito que era antes, mas o único que namorava era eu.
– E… – Theo o incentivou a continuar.
– E saiu toda aquela história com o Marco e…
– Ah! Agora eu entendi o motivo daquele chilique todo. – Karim disse rindo. – Era ciúmes do coleguinha.
– O Marco sabia dessa história entre vocês? – Toni perguntou olhando quase inquisidor para Marco.
– Sabia, mas nada aconteceu entre nós dois, foram apenas fotos tendenciosas e vocês mesmos ouviram a falando que é boato. – Marco se pronunciou, mas sem o desespero que antes era óbvio quando falavam sobre isso.
– E que você não faz o tipo dela. – Carvajal implicou, fazendo os amigos rirem da cara que Marco fez.
estava no bar bebendo por causa do coração partido, calhou de encontrar Marco e ele impediu que a fizesse uma grande besteira ou que a noite dela acabasse mal. Enfim, quando tomei coragem de terminar com a Sara, ela terminou comigo primeiro.
– E pelo mesmo motivo. – Lucas disse em tom zombeteiro, fazendo os amigos rirem de .
– O ex-namorado dela voltou pra cidade, eles se reencontraram, resolveram tentar de novo e ela terminou comigo.
– E por que você não contou pra que tá solteiro? – Marcelo perguntou como se fosse a coisa mais óbvia que deveria ter feito assim que Sara saiu de sua casa.
– Não tive a oportunidade. E nem sei se ela me quer de volta.
– Ah , vá se foder. – Lucas falou quase revoltado. – Se depois de ouvir o que ela falou, vocês não resolverem tudo isso, eu mesmo vou me assegurar que você não vai passar perto dela nem na rua.
– Que exagero. – disse rindo.
– Eu estou falando muito sério.
– Consegui trocar. – Sergio disse enquanto tirava print e enviava o comprovante para o celular de , mas ninguém deu importância. Ainda esperavam por mais alguma fala de . – Vocês não vão resolver nada olhando assim pro . Ele sempre soube que minha irmã gosta dele, ele sempre falou que gosta dela e mesmo assim as coisas estão da mesma forma.
– Vamos voltar a jogar pôquer. – se pronunciou num resmungo. – Esse assunto não vai a lugar nenhum.
– O assunto pode até não ir, mas você vai. vai precisar de carona quando chegar. Então sugiro que você pare de beber e se prepare, porque a previsão de chegada é meia noite e vinte. – Sergio disse sério.

🤍⚽️ 🤍
Quando o relógio marcou meia noite, já estava no aeroporto. Fora expulso da casa de Lucas pelos companheiros, que basicamente o colocaram dentro do próprio carro e o mandaram para o aeroporto. Ele tinha pensado seriamente em ir embora para sua casa, mas não pretendia morrer no dia seguinte, quando lhe perguntassem sobre a conversa e ele dissesse que tinha ido embora dormir e não tinha nem sequer passado perto do aeroporto. Maldita hora em que Sergio Ramos tinha atendido aquela ligação no viva-voz.
estava de boné, blusa de frio com capuz e de cabeça baixa mexendo no celular enquanto tentava organizar as palavras que usaria, ainda que soubesse que na prática as coisas não fossem acontecer como em sua cabeça. E sabia por experiência própria. não queria ser visto, não queria envolver em uma nova fofoca sobre namoros e jogadores. Ela não precisava disso. E nem ele.
Quando o voo foi anunciado no quadro como “taxiando”, quis sair correndo e fingir que nunca esteve ali. Estava se sentindo um adolescente idiota, mas o fazia se sentir assim e se odiava por não conseguir controlar isso. fazia que ele sentisse as tais borboletas no estômago, quando estava perto dele ou sua chegada era iminente, suas mãos também suavam e o coração batia mais rápido e mais forte, quase prestes a estourar sua caixa torácica e sair de seu corpo. sabia que ela também se sentia assim, ele percebia como ela ficava em sua presença. Podia sentir.
ficou de pé, colocou as mãos trêmulas nos bolsos da calça para disfarçar seu nervosismo e respirou fundo tentando se acalmar enquanto esperava a chegada de . Precisava ficar menos nervoso se quisesse conversar de forma decente e esclarecedora. De novo.
Logo ela apareceu, vinha emburrada puxando a mala e acompanhada de e Amelie. Os dois estavam abraçados de lado e riam de alguma coisa, provavelmente de .
Amelie foi a primeira a ver , cutucou o namorado discretamente e então o viu. tinha o olhar fixo em , que ainda estava emburrada e não parecia nada feliz de estar de volta tão antes do planejado. Ela ergueu o olhar quando falou alguma coisa, provavelmente avisando-a sobre a presença de , encontrando os olhos de sobre si. A expressão em seu rosto não mudou e soube que a conversa não seria tão amigável quanto ele tinha planejado.

– Eu perguntaria o que você está fazendo aqui, mas depois da mentira deslavada do meu irmão sobre a ligação, eu já sei a resposta. – disse quando estava próxima o suficiente para que pudesse falar baixo e ouvir.
– Oi . Oi . Oi namorada do . – cumprimentou os três de forma educada. – E sim, tem a ver com a ligação também. Vou deixar vocês em casa.
– Não precisa se preocupar comigo e nem com o , meu pai está vindo nos buscar. – Amelie falou educada. – E eu sou Amelie, é um prazer conhecê-lo pessoalmente, .
– O prazer é todo meu, Amelie. – estendeu a mão e eles trocaram um cumprimento.
– Vou com vocês. – falou e negou com um aceno de cabeça.
– Eu nem vou te dispensar educadamente na frente dele e fingir que você vai empatar foda se vier, não vai e vocês dois precisam conversar e resolver essa situação como dois adultos. – falou sério olhando para e se virou para falar com . – E você, espero que tenha decidido sua vida, senão serei eu o responsável por te deixar fora da Copa do Mundo, vou quebrar suas duas pernas.
– Eu já decidi, pode ficar tranquilo. – deu um sorriso de lado. – Podemos?
– Acho que não tenho outra opção. – resmungou.
e Amelie a abraçaram em despedida e se afastaram na direção de um carro que estava parado próximo e que não demorou a arrancar levando os dois.
– Claro que tem. – disse sério e a olhou nos olhos. – Você pode falar que não quer ir comigo e eu vou embora, .
– Ótimo. Não quero ir com você, não pretendo que meu nome esteja vinculado ao de outro jogador. Já basta as fãs do Marco que não param de inventar teorias sobre nosso namoro e mentiras a meu respeito. Não preciso ser o motivo do seu término com Sara. – alfinetou, dando um sorrisinho de lado.
– Pode ficar tranquila, , o motivo do meu término com Sara foi o ex-namorado dela. – deu um sorriso sem mostrar os dentes. – Mas tudo bem, só cuidado na volta pra casa. – falou, lhe dando as costas e saiu andando.
Não insistiria para que fosse embora com ele, afinal ela não queria e insistir só tornaria tudo mais difícil do que já seria.
– Vocês terminaram? – perguntou um pouco mais alto, já que ele estava a alguns bons passos de distância.
– Ela terminou comigo no dia em que eu ia terminar com ela. – soltou uma risada sem humor pelo nariz. – E pelos mesmos motivos.
– Você está falando sério?
– Por que eu mentiria? – perguntou e não respondeu, apenas caminhou até se aproximar dele.
– E por que você não me disse antes?
– Não tem muito tempo, em todo caso, foi logo que voltamos de Valência. E eu queria te dar um tempo e me dar um tempo também. Você teve seu nome vinculado ao do Marco recentemente, eu estava namorando até outro dia. Eu sei que quero ficar com você, assumindo pro mundo todo ou não, mas não posso chegar chutando a porta e voltando pra sua vida, sei o quanto te machuquei com minhas atitudes e palavras, fui um imbecil e mereço que você tenha suas dúvidas. E a recíproca é verdadeira. Hoje a ligação foi ouvida por bastante gente, como você deve imaginar, e eu fui expulso da casa do Lucas para que nós conversássemos e resolvêssemos tudo, mas não vou te forçar, até porque não é uma conversa de minutos e você não está de bom humor, então podemos deixar para falar sobre isso depois, sem problemas.
– Eu prefiro deixar para conversarmos sobre isso depois. – disse séria e deu um sorriso sem mostrar os dentes.
Ela não estava mesmo no humor de conversar com alguém e ele tinha que ir treinar pela manhã.
– Sei que você está sem telefone, então nem vou te pedir um sinal de que chegou em casa, mas toma cuidado.
– Conversamos depois.
– Quando você tiver outro telefone, me manda uma mensagem. – sorriu e seguiu até seu carro.
pegou um táxi e foi para casa.

🤍⚽️ 🤍
– Você está com uma cara muito descansada, . – Carvajal foi o primeiro a falar quando chegou ao vestiário, já com o uniforme de treino.
– Dormi a noite inteira, talvez seja por isso. – falou dando de ombros antes de deixar a mochila em seu armário. – E antes que comece o interrogatório, nós não conversamos. não estava bem-humorada, como vocês puderam perceber. E não quero mais falar sobre isso, se não for pedir muito.
– Sem mais comentários. – Lucas foi quem se pronunciou.

Eles voltaram a se trocar para o treino e saiu do vestiário, já que estava pronto e não precisava trocar de roupa. Permaneceu o treino inteiro concentrado, mas cabisbaixo e calado. Ninguém comentou nada sobre o episódio da noite anterior, tentaram inventar outros assuntos e até conseguiram arrancar dele um sorriso ou outro, mas nada dos sorrisos que ostentava sempre.
Ao final do treino, estava fazendo embaixadinhas sozinho num canto do campo, enquanto os amigos brincavam entre si, queria ir embora, mas não podia, Zidane queria conversar com o time e só não tinha falado ainda, pois estava conversando com seus assistentes técnicos primeiro. Os atletas voltariam mais tarde naquele dia para se concentrarem para o jogo no dia seguinte.

– Vocês realmente não conversaram? – Sergio se aproximou e negou com um aceno.
– Mas agora a sabe que estou solteiro. – respondeu, parando de fazer as embaixadinhas, colocando a bola debaixo do braço e se virando para olhar para Sergio. – Conversaremos depois.
– Espero que sim. Vocês precisam se acertar. E se seu rendimento em campo cair e atrapalhar o time, eu vou te matar. E depois mato minha irmã. – Sergio disse sério, mas acabou arrancando um sorriso de . – Mas acho que sabendo que você está solteiro, vai ter menos desconfianças e vocês vão conversar da forma como deviam ter feito desde o começo.
– Tomara, capi. Tomara. – suspirou. – Eu tenho consciência que fui um filho da puta e que ela tem todo o direito de ter dúvidas, não aceitar minhas desculpas e não me querer de volta. Ela também não foi nenhuma santa, mas me faz sentir um amor que eu jamais senti na vida, nem pela Vito eu me sentia assim e eu jurava que ela era o amor da minha vida.
– É muito estranho você me contar que está extremamente apaixonado pela minha irmã mais nova, pare com isso. – Sergio disse fechando os olhos tentando afastar a imagem do casal da mente e deu um sorriso. – Só te aviso que se você fizer alguma coisa à minha irmã, eu vou quebrar suas pernas e você não vai pra Copa nem como torcedor.
– Entra na fila, já me deu esse mesmo aviso.
– Posso ficar com uma perna e ele com a outra, sem problemas. – Sergio disse sério, mas os dois trocaram um sorriso. – Mas sei que não vou precisar, vocês vão se resolver.
– Deus te ouça, capi. – sorriu.

🤍⚽️ 🤍
– Oi, você é a irmã do Sergio Ramos? E namorada do Marco Asensio? Você pode tirar uma foto comigo? – uma garota, devia ter uns dezesseis anos, perguntou e se virou.
Estava indo ao supermercado fazer compras antes que a geladeira ficasse realmente vazia.
– Ahn… Posso sim. – disse confusa. Aquilo nunca tinha acontecido, ela nem sabia como reagir exatamente. – E eu sou irmã do Sergio, não sou namorada do Marco.
– Vocês terminaram? Achava vocês um casal muito fofo.
– Marco e eu nunca fomos nada além de amigos.
– Mas vocês não saíram juntos? – ela perguntou desconfiada.
– Você não sai com seus amigos? – perguntou educada e a garota pareceu refletir sobre o que foi dito. – Marco é meu amigo, apenas.
– Mas ainda posso tirar a foto com você? – perguntou e sorriu assentindo. A foto foi tirada e a garota voltou a lhe olhar. – Diga ao seu irmão que sou muito fã dele.
– Vou falar pra ele sim. – sorriu e a garota se despediu com um aceno, saindo de perto.

Ela tirou o celular novo do bolso e digitou a mensagem que vinha pensando se mandaria mesmo ou não desde o dia anterior, quando tinha comprado o novo celular. Iria ao jogo em algumas horas, não podia ignorá-lo para sempre. E estava ansiando por resolver a situação que já não era mais implícita entre os dois há muito, muito tempo.

: Volta do jogo comigo hoje e nós vamos conversar e resolver tudo isso.

Capítulo 23 – Baby, la verdade es…

…que tu me gustas demasiado. (Loco Enamorado – Abraham Mateo ft. Farruko ft. Christian Daniel)

estava encostada em seu carro enquanto esperava após a partida. Já tinha visto todo o time ir embora, seu irmão inclusive, os parabenizou pela vitória contra o Real Sociedad, cumprimentando Lucas Vázquez, Cristiano Ronaldo e Toni Kroos pelos gols feitos dia e continuou esperando por .
Ela estava quase convencida de que ele tinha saindo por outro lugar e ido embora com algum dos jogadores ou algum amigo e a deixara ali, plantada, esperando, quando o viu saindo do estádio e caminhando em sua direção. Os passos eram lentos, contados, e mesmo distante, percebera que estava tão tenso quanto ela.

– Oi. – sorriu de lado, completamente sem jeito, quando se aproximou o suficiente para não precisar falar alto.
Não sabia como cumprimentá-la naquele momento, se devia dar um abraço ou se estender uma das mãos, então optou pelo sorriso.
– Oi. – sorriu da mesma forma que ele. – Podemos ir?
– Podemos sim. – respondeu ainda sem jeito e ela deu a volta, indo para o banco do motorista e ele entrou, sentando-se no banco do carona e afivelando o cinto. – E qual o menu da noite?
– Macarrão, é fácil e rápido de fazer. – deu uma risadinha, colocando o próprio cinto e deu partida no carro para, finalmente, saírem do estacionamento a caminho da casa dela.
– Se for aquele que o Júnior gosta, eu aceito.
– É aquele mesmo, mas sem as batatinhas, não comprei.
– Sem problemas, melhor evitar carboidratos pesados a noite.
– Nós comíamos pizza tarde da noite e você não reclamava. – falou, mas sem desviar os olhos da rua.
– A gente consumia muito e gastava o dobro. – respondeu dando uma risadinha. – E me rendeu dobras na barriga, sabia? Tive que correr feito um maratonista pra voltar ao meu físico natural.
– Físico natural adquirido após anos de futebol e não que nasceu com você, vale ressaltar essa informação. – pontuou. – Já que você está com essa frescura toda, não vou te deixar jantar.
– Claro que vai! Eu acabei de jogar, preciso recuperar as energias.
– Com carboidrato, o que é recomendado.
– Carboidratos leves. E pelo que eu sei, macarrão com batata frita não faz parte desse grupo.
– Não tem batata frita, só macarrão.
– Tudo bem, você me convenceu, eu vou comer o macarrão.
– Você hoje não jogou um tempo inteiro e nem o suficiente para ficar cansado e precisar repor energias. Não está jogando o suficiente há alguns jogos, na verdade. – falou e rolou os olhos.
– Alguém já te falou que você é chata?
– Já, mas é minha função, como torcedora do clube que paga caro por ingressos e compra produtos oficiais que são caros pra cacete, pagando os seus salários astronômicos, cobrar que o time se mantenha no topo, com bom futebol e atuações dignas de Real Madrid Club de Fútbol. É meu direito.
– Chata. – repetiu, mas deu um sorriso.
– Vou sugerir ao Zidane que me coloque no time. Jogo melhor que vocês sem nenhuma dúvida. – debochou, entrando na rua em que mora, e rolou os olhos. – Só não sou melhor que Cristiano, mas ninguém é, então tudo bem.
– Eu sou melhor que você. – se defendeu.
– Eu percebi isso naquele dia do futebol. – riu enquanto colocava o carro na garagem. – Você não ganhou nenhuma bola que disputou comigo, tirou o pé porque quis e eu te anulei quase totalmente. Se eu não torcesse para o Real, ensinaria isso aos rivais e te aposentaria mais cedo.
Mi neña é muito chata, meu Deus! falou rindo quando entraram na casa e o olhou um pouco surpresa. Há tempos não ouvia aquele “mi neña” e só percebeu quanta falta sentia de escutar aquelas palavras quando as ouviu saírem da boca dele. – Desculpa.
– Tudo bem. Vamos entrar nesse assunto daqui a pouco mesmo.
– Vem, senta aqui. – disse, apontando para o sofá, e os dois se sentaram de forma que ficassem de frente um para o outro. – Prefiro conversar antes de comer.
– Eu também. – respondeu, mordendo a parte interna da bochecha, sem saber como começar a falar, a conversa que teriam naquele momento seria tão séria quanto a que tiveram no ano anterior.
– Hoje nós vamos tocar em feridas muito inflamadas, você sabe.
– Sei. – ela suspirou. – Mas precisamos fazer isso, seja qual for a decisão final.
– Depois daquele dia no carro, eu passei dias pensando sobre tudo. Se eu teria coragem de terminar com Sara, ser sincero sobre tudo e deixá-la magoada, se eu ficaria com ela e você ficaria magoada… eu não queria que ninguém saísse machucado, mas em todos os possíveis cenários, dois dos três envolvidos ficavam. E depois teve o dia na casa do Nacho… foram dias confusos. Então aconteceu aquela história com Marco, que eu sei que não aconteceu, e eu percebi que não posso ser feliz se não for com você. Fui um imbecil, perdi a chance de passar bons meses ao seu lado e que a gente amadurecesse a ideia de ficarmos juntos e assumir um relacionamento de verdade primeiro pra gente, depois aos nossos amigos e aí sim pro resto do mundo. Mas você também errou e sabe disso.
– É, eu sei. – resmungou, dando um suspiro. – Errei feio quando menti pra você, porque nós sabíamos muito bem que era mentira, mas eu tive tanto medo, . Eu sempre levei aquela regra a sério, porque além de achar insuportável o assédio da mídia, também tem o assédio de fãs e todas as chances de vocês serem mandados pra jogar do outro lado do mundo, além de lesões sérias ou acidentes que podem acontecer. Eu conversei com a Maria e ela foi bem sincera ao falar que eu devia parar e pensar sobre o que era maior: meu sentimento por você ou o medo. E quando eu quis te dizer que nós éramos um casal, você devolveu minhas coisas. Nós perdemos a chance de estarmos juntos há um bom tempo, de termos crescido como um casal e aproveitado cada momento possível juntos. Nós nos machucamos muito com palavras tortas e atitudes impensadas. Ao invés de seguirmos o caminho reto, resolvemos nos enfiar em todas as curvas e atalhos que encontramos na frente.
– Foi um conjunto enorme de erros seguidos e que tornou a situação insuportável, como a gente já conversou. Mas depois de todo o final de ano intenso que tivemos, desde o dia da nossa conversa no seu antigo apartamento, até o dia do carro, além dos acontecimentos desse ano, na casa do Nacho e das fofocas envolvendo o Marco, eu percebi que é você e sempre vai ser você, . E eu voltei de Valência decidido a terminar com a Sara e vir atrás de você, rastejando se fosse preciso, mas ela terminou comigo no mesmo dia e pelos mesmos motivos. E ela sempre soube de nós dois.
– Sempre soube? Você contou? – perguntou surpresa e negou com um aceno.
– Ela disse que no dia em que você ficou com o Junior, ela percebeu que tinha alguma coisa pela forma como nós dois nos olhamos. E depois ela notou que ele sempre falava de você e que a forma como ele te adora é um indício de que aquilo foi construído com o tempo e um convívio maior do que simplesmente o de uma babá esporádica ou com o seu carisma natural. E me falou pra não desistir de você, pra que conversássemos e resolvêssemos nossa situação, porque merecemos ser felizes. E ela está certa. Então, eu quero começar te pedindo desculpas. De novo. E isso está muito habitual, o que faz com que eu me sinta mais filho da puta ainda, você merece alguém que não precise ficar pedindo desculpas constantemente por coisas que faz ou fala, já que essa pessoa nunca faria nada que te magoasse e…
, – o interrompeu. – Você já leu “O Pequeno Príncipe”?
– Não.
– Existem duas frases nesse livro que falam bem sobre isso. Uma delas é “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar” e a outra é “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer a borboleta”. Ainda que não haja a intenção, às vezes nós magoamos pessoas que gostamos, mesmo que a gente se esforce muito e se atente a cada mínimo detalhe para não fazer isso, às vezes é inevitável que essas coisas aconteçam. Eu sei que você nunca teve a intenção de me magoar, sua intenção era resolver a questão implícita, que estava muito mais do que explícita, entre nós. Mas o que me magoou foram as coisas que aconteceram depois, principalmente o dia em que nos beijamos no seu carro e na casa do Nacho, porque você me pediu para voltar, eu estava totalmente disposta, mas não me pareceu que você estivesse, afinal, quem estava envolvido com alguém era você e não eu. E como nada aconteceu, ficou parecendo que você queria as duas ao mesmo tempo. De novo.
– É, eu errei do começo ao fim. Daquele término louco até essas duas vezes. Desculpa.
– Você não precisa me pedir desculpas pelo término, a culpa foi toda minha. Fui idiota e menti sobre o que eu sentia. Sinto. Tomei a decisão errada ao mentir, falei o que não devia e da forma como não devia, ouvi o que não queria e tive de arcar com as minhas escolhas. Fui idiota de tentar me esconder atrás daquela regra que você já tinha derrubado, fui idiota ao defender que não éramos algo que claramente éramos. Mas quanto ao resto, você está desculpado, foi o que me machucou de verdade. E eu quero pedir desculpas por ter sido imbecil e ter causado todo esse problema. – disse sincera e sorriu de lado.
– Desculpada. – sorriu verdadeiramente.
– Claro que nós dois nos desculparmos não vai nos fazer começar a namorar pro mundo todo ver, mas seria uma mentira deslavada se eu dissesse que não te quero de volta, que não sinto sua falta de uma forma que dói no fundo do meu coração. Só que dessa vez precisamos ir devagar, sem pressa e reestabelecer a conexão que sempre tivemos.
– Esses meses foram uma tortura, apesar de estar namorando, eu estava emocionalmente ligado a você, não conseguia te tirar da cabeça e nem do coração. Eu não me importo em manter tudo só pra gente, se for isso o que você quer, não precisamos de rótulos, desde que tenhamos conteúdo e que seja um bom conteúdo. Se o mundo saberá ou não, é o de menos, eu quero que estejamos bem e juntos. – falou sincero e pegou a mão de entre as suas. – O resto é apenas um detalhe, porque gostar de você é muito fácil.
– Claro que é fácil gostar de mim, afinal, o carisma da família Ramos saiu todo comigo. – falou num tom divertido e piscou, fazendo rir. – Eu só quero te pedir uma coisa.
– Se eu puder fazer, considere feito.
– A partir de agora nós vamos conversar sobre tudo antes de tomar decisões. Sem precipitações, sem desespero, sem brigas desnecessárias que vão acabar com o que temos. Vamos conversar, somos dois adultos que não querem apenas curtição e que se gostam.
– Combinado. E sinceridade sempre, acima de tudo.
– Fechado. – sorriu, fazendo sorrir de volta.
– Então, preciso conversar com você sobre uma coisa importante.
– Qual?
– Posso te dar um beijo?
– Por favor. – respondeu sorrindo e se aproximou, parecia nervoso, como se fosse a primeira vez que a beijaria.

passou o polegar carinhosamente pela bochecha de , antes de juntar os lábios aos dela, primeiro em um selinho, depois em um beijo de verdade. E como sentia falta de beijá-la! Da forma como aquilo parecia a coisa mais certa do mundo e da sensação gostosa que os lábios de lhe causavam. Os dedos dela se ocuparam dos cabelos de , acariciando os fios delicadamente. O beijo não foi demorado, nada que os fizesse perder o fôlego, era apenas para que acabassem com a falta que sentiam um do outro.

– Acho que não existe algo tão certo no mundo quanto eu ter sido feito pra te beijar. – falou, de olhos fechados, quando terminaram de se beijar, acariciando o rosto de .
– Meu aniversário está chegando e você acaba de conseguir o convite pra festa.
– E quando será?
– No dia vinte e três mesmo. E Zidane que me perdoe por mandar alguns atletas com sono, ressaca e cansados pro treino do dia seguinte.
– Vai chamar o time todo?
– Só você, Marco, Nacho, Mateo, Luqui, Lukita, Dani, Marcelo, o Casemiro e os Zidane, converso muito com a Cla, a Anna e tenho a mesma faixa etária de alguns dos filhos do chefe. – enumerou. – Não tenho tanto contato com o resto. E já pode começar a procurar uma fantasia.
– E você vai de quê?
– Surpresa. – piscou.
– Estou com medo do que vai sair disso. – disse rindo.
– Queria ter mais onze amigos madridistas pra ir cada um de nós fantasiado de uma taça da Champions do time.
– Você, , Amelie, eu, Sergio, Pilar, Marco, Lucas, Nacho, Maria, Maki e Carvajal. – enumerou contando nos dedos.
– Vamos de fantasias mesmo, bem bonitinhos.
– E onde vai ser?
– Vou mandar o endereço depois, agora nós vamos pedir algo pra comer, fiquei com preguiça de cozinhar pra você e teremos todo o tempo do mundo pra isso.

🤍⚽️ 🤍
– E aí, você vai postar foto de dia dos namorados? – Lucas perguntou num tom brincalhão enquanto terminava de calçar a chuteira antes do treino.
– Eu preciso descobrir se somos namorados, porque eu não faço a menor ideia.
– Se você está falando da minha irmã a resposta é simples: vocês não são namorados. – Sergio disse sério. – Eu não me recordo de ter recebido um pedido formal.
– Quero namorar com a sua irmã, então o pedido tem que ser feito pra ela e não pra você, capi. – disse dando de ombros e colocou a chuteira no pé.
– Mal entrou pra família e ficou desaforado. – Nacho provocou rindo.
– Ele não entrou pra família.
– Bem que você gostaria, capi, mas já está com os dois pés na família Ramos García. – Marco riu.
já mandou os convites do aniversário pra vocês? – perguntou mudando de assunto e eles assentiram.
– Festa a fantasia… francamente! Esses irmãos Ramos têm algum problema muito sério de cabeça. – Carvajal balançou a cabeça negativamente, mas rindo.
– Agora a gente para de enrolar, porque o Zizou tá vindo pra cá e hoje ele não parece muito feliz. – Lucas disse e ficou de pé, ajeitando a calça de treino quando viu o treinador adentrando o vestiário.

Os outros seguiram o exemplo do companheiro e agilizaram a arrumação para treinarem naquele dia. Antes de sair, enviou algumas mensagens, ainda que não fossem namorados oficialmente, não custava nada fazer um agrado.

: Sei que não somos oficialmente namorados, mas queria te levar pra jantar hoje
E não se preocupe, vamos jantar na minha casa.
: Você quer me matar por intoxicação alimentar no dia dos namorados?
😂😂😂
: Idiota
Sério, eu te busco às oito
Esteja linda e pronta me esperando.
: Por “te busco às oito”, espero que você esteja dizendo “chego na sua casa lá pelas oito e meia, talvez oito e quarenta”
: Não era, mas pode ser
E agora vou treinar antes que Zidane cumpra o que acabou de falar e me leve ao treino pelas orelhas

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! – ouviu seu nome ser dito enquanto passava pela recepção do escritório.

O mesmo rapaz que estivera ali dias atrás com a entrega de estava lá de novo, dessa vez usando uma camisa comum e parecia menos infeliz ao carregar a encomenda. A recepcionista que a tinha chamado tinha os olhos brilhando, o que significava que aquele buquê de tulipas era para .

– Hoje é o buquê? – perguntou e o rapaz assentiu.
Ela se aproximou e pegou sua encomenda. O entregador deu meia volta e foi embora sem se despedir.
– Que lindo. – a recepcionista sorriu.
– É. – ela sorriu. – E ainda bem que já mandou com um vaso.
– Coloca um pouco de água gelada ou umas pedrinhas de gelo, elas estão novas, para não murcharem tanto.
– Vou sim. – deu um sorriso, caminhando até a cozinha, onde pegaria água e colocaria as flores.
Havia um envelope preso com aquela caligrafia que ela conhecia e gostava tanto.

“Que esse seja o nosso primeiro dia dos namorados de agora até o fim das nossas vidas. Vinte e duas tulipas vermelhas, porque 1) esse é um bom número e 2) tulipas vermelhas simbolizam um amor intenso e duradouro, exatamente o que eu sinto por você.
Eu te estimo e desde que você tenha certeza que só você me importa, é o suficiente.
Feliz dia dos namorados, minha não namorada oficial.”

🤍⚽️ 🤍
– Adorei as flores. – disse quando entrou no carro de .
Ela o envolveu num abraço e lhe deu um selinho.
– Que bom. – sorriu dando outro selinho nela. – Como foi seu dia?
– Bem corrido, mas bastante perfumado. – sorriu se soltando do abraço e se ajeitou no banco do carona, colocando o cinto e deu partida. – E o seu?
– Foi puxado, mas valeu a pena, porque vai terminar bem.
– E qual o cardápio do dia? – ela perguntou e o viu dar um sorriso.
– Surpresa, mas você vai gostar.
– Tudo bem. – deu de ombros, desconfiada, e continuou ostentando o sorriso, levando uma das mãos para pegar a dela e lhe deu um beijo no dorso. Seguiram rapidamente até a casa dele e foram direto até a sala de jantar, que estava com a luz baixa, havia velas e flores enfeitando o lugar, além de uma música baixa que tocava. – Que lindo.
– Só o que você merece. – sorriu e puxou a cadeira para que ela se sentasse e tomou lugar na cadeira à sua frente.

E tinha pensado em tudo: contratou um serviço de buffet e o jantar estava servido à mesa para os dois. Vez ou outra trocavam um comentário sobre alguma coisa do dia ou algo aleatório, mas fizeram a refeição em um quase silêncio agradável.
terminou de comer primeiro e pegou o celular com a desculpa de colocar outra música para tocar, mas tirou uma foto dele, que ainda comia e não a olhava. Mal dava para ver quem era, na verdade. E postou nos stories, não o marcou, apenas escreveu “💙😍” e publicou. Ainda que só aceitasse parentes e amigos próximos, não era todo mundo que sabia da existência daquele casal.
colocou “I Wanna Be Yours” para tocar, conectando o celular à caixa de som e sorriu ao ouvir a melodia começar. Ele terminou de comer enquanto a voz de Alex Turner preenchia o ambiente com aquela música que ele tinha aprendido a gostar por causa dela. Como nunca tinha escutado aquilo antes ele não sabia, mas ainda bem que o tinha apresentado àquela banda. As músicas que se seguiram também eram ótimas, algumas ele conhecia, outras não.

– Ouvi dizer que você é muito boa dançando reggaeton. – deu um sorriso quando terminou a sobremesa.
– Se foi Marco quem disse, desconsidere.
– É a palavra de um sóbrio contra a de uma bêbada, estou tentado a acreditar nele.
– Mas não acredite. – falou séria, fazendo rir.
– Então prove o contrário. – provocou.
– Você deveria se lembrar, nós dançamos quando nos encontramos na boate!
– Eu estava bêbado demais e tentando não te agarrar.
– Mas eu me lembro bem que você não sabe dançar. – falou implicante, fazendo ficar de pé e estender a mão para que ela se levantasse.
– Claro que eu sei.
– Mentiroso.
– O que tem de reggaeton aqui? – ele perguntou pegando o celular de e foi até o Spotify.
– Coloca essa. – falou deslizando o dedo pela tela até encontrar a música e a colocou para tocar. – Te confieso llevo un rato idealizándote, toda una vida yo buscándote…
– No sé que hacer, te ves muy bien. Me acercaré. cantou de volta puxando o corpo de para mais perto do seu, colocando a mão direita na base das costas dela, encaixou uma de suas pernas entre as dela, fazendo se surpreender com a desenvoltura de , pelo menos para se posicionar para uma dança, não que ele fosse um profissional, mas dançava razoavelmente bem e sabia conduzir a dança sem pisar nos pés dela e sem se embaralhar nos passos. – É, você tem razão, não sabe dançar.
– Você devia ter acreditado quando eu falei. – deu um sorriso e envolveu o pescoço dele com os braços e o beijou.
Como ela amava beijar aquela boca! Era deliciosamente irresistível olhá-lo e não se sentir tentada a beijar aqueles lábios. mordiscou o lábio inferior de e encerrou o beijo, lhe dando um selinho demorado.
– Eu nem tive a oportunidade de falar que você está maravilhosa. – foi o primeiro a falar e deu um sorriso sugestivo. – É novo?
– Comprei especialmente pra hoje. O vestido e o que está por baixo. – piscou e ele deu um sorriso. Aquilo era mais do que ele esperava.
usava um vestido vermelho justo que ia até um palmo acima dos joelhos de mangas ¾, um par de Loubotin preto nos pés, uma maquiagem muito bem-feita com um belo delineado nos olhos e um batom vermelho destacado que agora também estava na boca de . As unhas exibiam um esmalte preto, os cabelos soltos, uma gargantilha sobre o vestido que não tinha decote algum.
– Você está linda. Sempre é, na verdade. – elogiou.
– Posso dizer o mesmo sobre você. – sorriu para .

usava um suéter preto sobre uma camisa social azul clara e uma gravata preta, uma calça social preta e um sapato social também preto. O cabelo cortado do jeito que gostava, a barba por fazer e aquele perfume que ela não se cansava de sentir.
voltou a beijá-la, dessa vez de forma mais maliciosa, deixando claro sua intenção que, aparentemente, era a mesma dela. Quando se separaram, ele se concentrou em beijar o pescoço de , desde o ombro coberto até chegar ao ouvido, roçando a barba demoradamente por toda a extensão do pescoço, fazendo com que respirasse fundo, tentando manter-se sã e de pé. Mordeu o lóbulo da orelha de antes de roçar os dentes pela área livre do pescoço e sentir as unhas dela deslizarem bem vagarosamente por sua nuca, fazendo com que dessa vez quem se arrepiasse fosse ele.

– A gente vai ficar só se beijando aqui, ou vamos fazer alguma coisa de verdade lá no quarto? – perguntou quase desnorteado e deu uma gargalhada.
– Feliz dia dos amigos coloridos. – disse sorrindo e deu um selinho em .
– Que amigos coloridos o quê! – ele falou rolando os olhos e voltou a rir da forma como ele tinha falado. – Conversa rápida. Você quer ser, oficialmente, minha namorada? Resolveremos os termos de publicidade depois.
– Você usando termos jurídicos é realmente muito sexy. – falou mordendo o próprio lábio e o olhou nos olhos, fazendo um carinho em seu rosto. – E sim, quero.
– Então feliz dia dos namorados.
não esperou resposta, apenas voltou a beijá-la de forma intensa e desejosa. Queria arrancar o vestido dela ali mesmo, mas era melhor irem para o quarto e aproveitassem melhor a cama dele, que provavelmente sentia tanta falta da presença constante de quanto ele sentira.
– Melhor irmos pro quarto. – falou ofegante e assentiu, estendendo a mão para ela e os dois entrelaçaram os dedos enquanto subiam as escadas e rumavam pelo corredor até o quarto de .

E assim que a porta foi aberta, foi recebida pelo perfume do qual sentia falta de acordar sentindo todos os dias, aquele perfume delicioso que usava e tinha se tornado o cheiro favorito de . Ela o empurrou na cama, para que se sentasse e a puxou para mais perto, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, ela o empurrou de leve os afastando.

– Você tem uma mania muito péssima e feia de querer apressar as coisas, . – falou baixo em seu ouvido, fazendo o homem soltar um risinho pelo nariz.
– É meio difícil não fazer isso quando você está desse jeito e testando todos os meus limites, .
– Então nós precisamos estabelecer novos limites pra você. – voltou a sussurrar no ouvido de e mordeu seu lóbulo devagar.

abriu o fecho do vestido nas costas, revelando um conjunto de lingerie vermelho que fez perder o ar por alguns segundos, antes de morder o próprio lábio e olhar para com muito desejo.
E, naquele momento, ele relembrou que a sanidade era um acessório opcional quando se tratava de estar com .

Capítulo 24 – Quiero que me agarre con las patas…

“…como, como nudo de corbata; como, como, como garrapata…” (Boomshakalaka – Sebastian Yatra ft. Dimitri Vegas & Like Mike, Afro Bros, Camilo y Emilia)

, pare de olhar tão fixamente para a dançando do outro lado do salão e vá logo dançar com ela. – Marco falou, encostando no ombro do amigo, que soltou uma risadinha sofrida.
– Não somos um casal assumido pra todas essas pessoas aqui e, com certeza, se eu chegar perto dela do jeito que eu quero, vão tirar fotos e mandar pra algum daqueles programas de fofoca e nós seremos assunto de um jeito que nenhum de nós quer ser.
– Achei que já tivessem assumido. – Marco Asensio falou, ajeitando sua touca de Wally e deu um sorriso solidário ao amigo. – Sei bem como é isso, espero que vocês passem dessa fase logo.
– Foi por isso que Dani não quis vir com você?
– Sim. – Marco suspirou. – Disse que ainda não está preparada para esse tipo de interação pública e que vai causar um inferno.
– Ela está certa.
– Eu sei.
– Queria fazer uma reclamação. – a voz de Dani Carvajal interrompeu a conversa e os dois encontraram o lateral vestido de bobo da corte, ajeitando o chapéu colorido.
– Não queremos ouvir. – Marco falou, recebendo um dedo do meio do amigo.
– Essa ideia de festa à fantasia é idiota.
– A ideia é ótima, Dani, o problema é que você foi burro pra escolher a sua fantasia.
– Cala a boca. – Carvajal respondeu mal-humorado. – E qual é a da conversinha de vocês?
– Nada de excepcional. – Marco deu de ombros, tomando um gole do suco que tinha em mãos. – Só sobre não assumirmos os nossos namoros pra evitar todo desgaste que isso vai trazer.
– Então melhor mudar de assunto. – Carvajal tomou um gole longo de sua cerveja depois de falar. – Vamos beber muito até ficarmos bêbados o suficiente para dançar.
– Vocês gostam de conversar em festas, não é? – Lucas Vázquez apareceu acompanhado de Macarena, sua esposa, e usavam fantasias de Buzz Lightyear e Jessy.
– Gostei do conceito da fantasia. – Marco deu uma risada ao falar.
– Nacho e María de Mamãe e Papai Pig estão melhores. – caçoou do casal de amigos que se aproximava.
, você poderia parar de babar pela minha irmã desse jeito? Estou achando um tanto ofensivo. – Sergio reclamou, aproximando-se do grupo.
– Foi a Pilar quem escolheu sua fantasia, não foi? – Carvajal perguntou e o amigo assentiu.
– Por quê?
– Porque você está bonito. – o lateral direito respondeu rindo.
– Combinaram com a Barbie e o Ken. – María falou sorrindo sincera. – Mas a Pilar é perfeita, qualquer coisa combina com ela.
e foram o único casal que destoou das combinações, aparentemente.
– Ela não quis me contar como viria pra que eu não sugerisse uma fantasia de casal.
– Se você tiver um pouco de criatividade, consegue imaginar o Super Homem salvando a vida da Chapeuzinho Vermelho e os dois se apaixonando e essas coisas. – Carvajal falou, dando uma risada. – Claro, na versão em que a Chapeuzinho é a , maior de idade e não o que deveria ser na história: uma criança.
– É só usar a criatividade. – Lucas falou, dando uma risada antes de voltar a beber.

estava evitando usar sua criatividade. Naquele momento era melhor não pensar em nada, porque a roupa o entregaria e, em todo caso, não adiantava nada ficar pensando se não pudesse fazer nada até que estivessem em casa, dali muitas horas.
Mas era difícil não pensar bastante quando via dançando naquele vestido que deixava cada curva do corpo dela ainda mais desejável, com aquele vermelho que fazia a mente de viajar longe, para dali algumas horas quando poderia ter apenas para si, no quarto e sem todas aquelas roupas e espaço os atrapalhando.
Parecendo sentir o olhar do namorado sobre si, se virou em sua direção e deu um sorriso cheio de segundas intenções, acompanhado de uma piscada e maneou a cabeça para o lado, recebendo um assentir de , que atravessou todo caminho repleto de pessoas e foi encontrar um pouco afastado do grupo de amigos.

– Posso ajudá-lo em algo, Super Homem? – perguntou, aproximando-se de e o abraçou pelo pescoço.
– Com certeza pode. – deu uma risadinha quase desesperada. – Mas, infelizmente, não aqui.
– E que tal na floresta a caminho da casa da vovozinha? Ela mora longe e o caminho é bem deserto…
– Contanto que você faça um strip-tease pra mim, pode ser em qualquer lugar. – falou, fazendo dar uma risadinha.
– Se você for bonzinho, Super Homem, talvez eu faça isso. – respondeu, dando um beijo no pescoço de . – Mas eu prefiro quando você é bem malvadinho…
, não acho que esse seja o lugar pra você ficar me lembrando dessas coisas…
– E por que não, mi amor? – perguntou, pressionando contra a parede e ele soltou um gemido inaudível pela música.
– Porque todos os banheiros têm seguranças na porta, o exterior desse salão de festas é muito exposto e tudo isso me impede de tirar cada pedaço de roupa que está entre nós e transar com você do jeito como eu quero desde que coloquei os olhos em você hoje.
– Então, enquanto eu volto pro outro lado e vou dançar com minhas amigas de um jeito bem provocante pra te deixar bem perto de explodir, você fica imaginando todas as nossas transas. Principalmente a da casa do Dani… – falou no ouvido de , mordendo o lóbulo de sua orelha antes de dar as costas e sair andando de maneira provocante.

O salão de festas era enorme e estava lotado. tinha quase certeza que não conhecia todas aquelas pessoas, até porque era impossível que alguém conhecesse toda aquela gente. Parecia que metade da população de Madri estava ali, fantasiada, bebendo e dançando.
Exatamente como a boate estava quando se encontraram pela primeira vez. Exatamente como a casa de Dani Carvajal estava no dia daquela fatídica festa em que os dois se provocaram bastante antes de cederem ao desejo e se trancarem em um dos banheiros da enorme casa.
E a imaginação de estava voando longe ao observar toda a fantasia de , desde o vestido justo e curto, com um espartilho trançado com fitas pretas e que deixavam a fantasia ainda mais sexy. As luvas ¾ e as meias ⅞ brancas com um laço preto, o salto, a capa, o maldito batom vermelho… tudo era sexualmente estimulante e era usando. estava relembrando e criando diversos novos cenários em sua mente.
o provocaria a noite inteira e a única coisa que poderia fazer era aceitar, observar e aguardar pelo desfecho de sua noite. Não sabia como jogar o jogo dela naquele caso, então seria apenas o provocado e aceitaria de bom grado.
E foi com esse pensamento que ele voltou a beber, olhando dançar e lhe lançar olhares provocantes e quase irresistíveis. Não era possível que eles fossem apenas se provocar daquele jeito! E se continuasse assim, ele teria que ir embora mais cedo. Ou se trancar no banheiro e resolver-se sozinho.

, por favor, vá dançar um pouco com sua namorada. – apareceu, tirando a garrafa das mãos de , que soltou um gemido derrotado.
, ela faz isso de propósito, não faz?
– Faz. – confirmou. – Mas você sabe o que fazer pra que ela também fique mexida, meu amigo. Use seu conhecimento a seu favor nesse momento e deixe a tão desesperada quanto você está.
– E qual o motivo da ajuda?
– Você está visivelmente derrotado e está quase babando. – respondeu sincero, fazendo rir. – Então vá lavar esse rosto e provocar sua namorada o suficiente pra que ela fique fora de órbita por alguns minutos.
– Você é minha pessoa favorita dessa festa.
– Provavelmente sou a única pessoa que você conhece sem contar seus amigos. – deu uma risada. – Mas não julgo, nem a deve conhecer todo mundo que está aqui hoje.
– Obrigado, .
ficou de pé e respirou fundo antes de uma passada rápida no banheiro para lavar o rosto e então foi até onde dançava com um grupo de amigas, que reconheceu como as amigas da faculdade. As que sabiam do namoro.
– Posso dançar uma música com a aniversariante? – perguntou alto, colocando a mão na cintura de , que deu um sorriso sacana e assentiu.
– Tenham decência e respeitem o público. – Alba implicou.
– Pode ficar tranquila, o Super Homem é bonzinho demais pra fazer algo que perturbe a ordem pública. – respondeu, virando-se para e os dois afastaram-se um pouco do grupo de mulheres. – Já entregou os pontos?
– Que nada. – sorriu. – Você movimentou suas peças, agora é a minha vez de jogar.
– Cuidado pros seus movimentos não se virarem contra você, jogador. – sussurrou no ouvido de .
– A única coisa que eu quero virada pra mim é você, . – respondeu baixo no ouvido da namorada, roçando sua barba propositalmente no pescoço da mulher. – E, caso você não se lembre, eu sei bem do jeito que você gosta.
– Eu também sei do que você gosta.
– Claro que sabe. – respondeu, voltando a roçar a barba no pescoço de e a aperto contra si.
– E qual é sua jogada? – perguntou, segurando a vontade de beijar os lábios de e ele piscou, dando uma risadinha abafada.
– A minha jogada, Ramos? – perguntou baixo, com os lábios próximos dos de e a olhando nos olhos. – É te fazer pedir por favor.
– Você sabe que isso não vai acontecer.
– Ah vai. – deu uma risadinha, mordendo de leve o lábio inferior de e deslizou as mãos pelas costas da namorada, alcançando sua nuca e enroscou seus dedos nos cabelos dela. – E mais de uma vez.
– Pois bem, Super Homem… – desceu as mãos, apertando a bunda e deu um sorriso maldoso. – Espero que você saiba que está desperdiçando um movimento ao ficar falando ao invés de fazer alguma coisa.
– E o que você quer que eu faça? – perguntou, mantendo o olhar fixo em , e ela sorriu maldosa.
– O que você quer fazer? – retrucou.
– Isso. – falou, juntando os lábios aos de e ela não resistiu, mas aproveitou para apertar a bunda dele de novo.
O movimento foi devidamente revidado e deu um sorrisinho entre o beijo, que não levou no sentido correto, e mordeu o lábio dela de leve, encerrando o beijo e soltou o corpo de de seu abraço.
– Já terminou sua jogada?
– Terminei. O próximo movimento é todo seu. E eu espero que você se movimente bem. Pensando bastante sobre onde estará se movimentando mais tarde. – piscou, saindo de perto e deixando uma confusa, mas já pensando em seu próximo movimento.

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dançava provocante e direcionando olhares cheios de malícia e sensualidade para , que observava de longe todo o espetáculo. Ela sabia que ele estava imaginando todos aqueles movimentos sendo feitos na cama dali algumas horas, porque era bem o que ela queria e também estava imaginando. Já tinha visualizado até mesmo o strip-tease que faria para ele e como o levaria à loucura.
E ela não percebeu quando ele tirou o celular do bolso, pois o contato visual não tinha sido desfeito. E também não percebeu como ele tinha encontrado com muita agilidade o aplicativo que queria usar. pensava estar provocando o suficiente para deixá-lo tão ansioso que seria necessário se trancar num banheiro. E ela já tinha toda a situação esquematizada.
Mas, logo entendeu aquele maldito sorrisinho entre o beijo que tinham dado. Ele tinha colocado a mão por baixo de seu vestido e tinha descoberto qual era a calcinha que estava vestindo.
Aquela maldita calcinha vibratória.
Sentiu a vibração leve começar e tentou não se abalar, continuou dançando e quase implorando aos céus para que a bateria do celular de acabasse ou que alguém interrompesse aquilo. Ele aumentaria a frequência, ela sabia, e isso seria um problema. Um dos grandes. Estava ansiosa pela hora em que poderiam finalmente transar muito e ainda fazia aquilo?! Era um pedido certo de loucura.
Sua atenção estava fixa no dedo indicador de , que estava sobre a tela do celular e de lá para o sorrisinho que ele ostentava. Infeliz. Quando ele voltou a mexer o dedo sobre a tela, fazendo com que a vibração fosse um pouco mais intensa, deu um suspiro e sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Não era possível que ele faria aquilo com ela. Não em sua festa de aniversário!
Tentando manter a imagem de inabalável, voltou a dançar com Alba e Luna, de um jeito que atrairia a atenção de e ele deixaria o celular de lado. Mas não deu certo. Ele assumiu uma expressão que misturava tédio e uma pitada de malícia e tomou um gole do líquido em seu copo, antes de mexer o dedo pela tela e fazer apertar as duas mãos na cintura de Luna.

– Ai!
– Desculpa. – pediu num resmungo sofrido.
– Aconteceu alguma coisa?
aconteceu. – respondeu, sentindo a vibração parar. – Eu preciso tirar aquele celular da mão dele agora.
– Você não foi burra de fazer isso! – Alba falou, dando uma gargalhada ao ver a expressão da amiga.
– Era a única calcinha limpa! Não tive tempo de lavar roupa esses dias.
– Espero que ele te faça arrastá-lo para o banheiro e implorar por sexo. – Alba provocou.
– Ele também espera por isso, m… – começou a falar, mas foi interrompida pela vibração da calcinha.
sorria debochado do outro lado do salão e teve que se controlar para não usar as mãos para ajudar no estímulo sexual do momento. Alba e Luna observavam, segurando o riso.
é minha pessoa favorita do mundo. – Luna falou rindo.
– Amiga, vá lá e sente naquele homem. – Alba falou no ouvido de , empurrando de leve a amiga na direção de .
– Vou. – deu uma risadinha nervosa antes de respirar fundo e começar a caminhar.
Sentindo brincar com aquele maldito aplicativo enquanto ela se segurava para não se contorcer no meio do salão de festas. Provavelmente todos estavam achando que ela estava muito bêbada e por isso estava andando com passos medidos e um tanto trôpegos.
– Você não dançou com seu irmão ainda! – foi puxada pelo braço e deu de cara com o irmão.
– Eu preciso falar com o . Danço com você depois.
– Nada disso! – Sergio fez cara de pidão. – Gostamos dessa música, temos que dançá-la juntos!
– Tudo bem, tudo bem. – resmungou, lançando um olhar cortante para , que deu uma risadinha e assentiu.
– Toda mi gente se mueve, mira el ritmo como los tiene. Hago música que entretiene, mi música los tiene fuerte bailando y se baila así. – Sergio cantou com a voz de J Balvin, todo animado, enquanto começava a se animar.
Mas antes que pudesse mesmo começar a dançar animada, viu sorrir travesso e o indicador percorrer a tela do celular, fazendo a calcinha recomeçar a vibrar. E intensamente. Mais do que estava antes. Ela fechou os olhos bem apertados, tentando respirar fundo e não dar a entender que tinha algo acontecendo.
Precisava ser forte. E acabar com aquela brincadeira. Se ele queria guerra, ele teria guerra. Uma das grandes. Continuou dançando, com muito custo, com Sergio e assim que J Balvin terminou de cantar, passou por e foi até o banheiro. E isso cortou a rede que conectava o aplicativo e a calcinha. tirou a peça e saiu do banheiro com a calcinha enrolada em mãos, escondida, e parou à frente de .

– Acho que isso aqui te pertence. – ela entregou a calcinha, fazendo dar um sorriso satisfeito. – Você não venceu, mi amor. Se minha calcinha está na sua mão, você sabe que eu estou sem nada. E, lembre-se, a jogada agora é minha. E você vai se arrepender de ter feito isso comigo, .
– Será? – perguntou debochado e quando fez menção de sair andando, a segurou pelo pulso e aproximou os corpos. – Porque me parece que isso aqui é um pedido de “por favor, pare de apenas me provocar e faça alguma coisa”.
– É um pedido de “por favor, observe como eu rebolo e danço sem calcinha e imagine como eu poderia estar rebolando desse jeitinho em você agora mesmo”.
– Você fala muito e não faz nada, Ramos. – falou, mordendo o lábio de devagar e deu um sorrisinho vencedor.
– Eu digo o mesmo. – retrucou. – Prefiro quando sua boca e sua língua estão pelo meu corpo do que falando muito sem objetividade.
– Você perdeu o jogo, . Desistiu da provocação quando tirou a calcinha. – entregou a calcinha na mão de . – E isso significa que meu strip-tease está garantido. E que vamos transar muito hoje.
– Eu não perdi nada.
– Perdeu. – decretou, estalando os lábios, e deu um sorrisinho. – E como eu venci, você pode começar a pensar em como vai me dar… o meu prêmio.
– Quero você no andar de cima em vinte minutos. Terceira porta à esquerda. Seu prêmio estará te esperando lá.

🤍⚽️ 🤍
Quando subiu as escadas e contou as portas, já estava um tanto mais bêbado do que há vinte e três minutos. E quando abriu a porta que lhe fora indicada, encontrou sentada num sofá e mexendo no celular.
Trancou a porta atrás de si e o olhar da Ramos mais nova se ergueu do celular para o namorado, que a olhava sem entender bem o que estava acontecendo, mas com uma certa expectativa do que deveria acontecer ali.

– Eu queria muito que fizéssemos um joguinho agora e nos provocássemos mais um pouco, mas eu quero muito tirar essa sua roupa e transar com você desesperadamente por horas. Infelizmente só temos alguns minutos, bem silenciosos e sem muito tempo pra inventar.
– Gosto do seu modo de pensar.
– E como quem venceu o jogo dessa vez foi você, pode sentar no sofá que seu strip-tease vai começar agora.
– Você vai mesmo tirar a roupa aqui?
– Vou. Você me ajuda a colocar de novo depois. – respondeu, ficando de pé e sentou no sofá, observando mexer no celular e colocar uma música para tocar.

Ele não conhecia, mas parecia ter sido escrita especialmente para sexo ou momentos pré-sexo. deixou o celular de lado e rebolou bem devagar enquanto a voz masculina cantava e apenas observava os movimentos do corpo dela. Podia apreciar aquilo todos os dias de sua vida, o dia todo. E passou as mãos pelo próprio corpo, fazendo os olhos de acompanharem cada movimento.
Tirou as luvas primeiro, deixando-as no chão sem muita atenção e logo os dedos foram na direção do zíper lateral do corpete do vestido, começando a puxá-lo vagarosamente, mas desistiu da ideia e voltou a fechar toda a peça, fazendo resmungar em desaprovação, mas se aproximou, sentando-se em seu colo e começou a rebolar bem devagar e tendo que se controlar bastante. apertou os dedos em seus quadris ao sentir os movimentos de sobre si e ela o beijou devagar.
Muito devagar.
Quando interrompeu o beijo, voltou a ficar de pé e a dançar com a música, algum reggaeton lento e com palavras bastante sexuais. iria explodir. As sandálias e as meias foram as seguintes e logo ela estava apenas de vestido e capa. E dançando de forma provocante, deslizando as mãos pelo corpo e sentia vontade de interromper aquele espetáculo para irem logo ao que interessava, mas assistir estava delicioso.
rebolava enquanto tinha os dedos brincando com a fita do corpete, mas sem desamarrar nada; escorregou as mãos pelo corpo, sem desviar os olhos do de , que a observava com muita devoção e a comia com os olhos. Ela quase podia visualizar as cenas que ele criava em sua cabeça enquanto a observava passar as mãos pelo próprio corpo. Agora, ela tinha as mãos nas coxas mal cobertas pelo vestido curto e que deixava todo o espetáculo ainda mais delicioso.
Ela ergueu o vestido levemente quando se aproximou de , pegando as mãos dele e colocando em suas coxas, fazendo com que ele arfasse pesado, fazendo quase perder a compostura. apertou suas coxas com vontade, querendo que acabasse logo com aquilo, mas, claro, ele tinha dito que queria um strip-tease e ela o faria. sentou-se em seu colo e enquanto a música ainda tocava, ela rebolava sobre seu corpo que ainda estava muito vestido e ele podia senti-la tão perto, porque aquela calça de Super Homem era bem justa e tudo era sentido.
Sentia seu pau pulsando por baixo do corpo de e queria que ela parasse com aquela maldita provocação e que passassem logo ao contato direto. Queria que ela soltasse suas mãos e parasse de apenas provocar, que começassem a transar logo, porque ele provavelmente gozaria antes de ter a chance de colocar o pau pra fora e comê-la.

– Con esa miradita que no mata a nadie, empiezo por tu boca y bajo a Buenos Aires. Yo sé cómo te gusta y tú también lo sabes, tú lo sabes, tú lo sabes, ey… Te gusta el movimiento que tiene mi cuerpo, cuando tú me tocas, yo me dejo. Vení que te doy todo lo que tengo, todo lo que tengo…

cantou com a música e arfou ao sentir a mordida que ela deixou em seu pescoço antes de guiar as mãos de para abrir o zíper lateral, sem parar de rebolar sobre o colo dele e o processo de abertura da roupa foi bem mais demorado do que ambos gostariam. ficou de pé para retirar o vestido, deixando que ele descesse por seu corpo ainda mais lentamente do que o zíper tinha sido aberto, e gemeu baixo, passando a mão direita sobre o próprio pau, ainda enclausurado pela maldita fantasia.
Quando a única peça que sobrou foi a capa vermelha, soltou um suspiro pesado. Observou o corpo de de cima a baixo e mordeu o próprio lábio.
Aquela mulher o deixaria completamente maluco. E ao ver a capa ser lentamente desamarrada e deixada para cair aos seus pés, não aguentou, ficou de pé e foi até , tomando-a em seus braços e não falou nada, apenas a beijou com vontade e deixou que suas mãos passeassem pelo corpo da amada, apertando de quando em quando um ou outro pedaço, enquanto soltava o zíper da fantasia de e começava a despi-lo.

– Não podemos demorar muito mais do que já estamos demorando. – falou afobada, tentando tirar a fantasia de e ele soltou um resmungo quase indecifrável. – Por favor. Eu não aguento mais.
– Calma, princesa, a pressa é inimiga da perfeição. – murmurou no ouvido de e deslizou os dedos pelo rosto da namorada, antes de descê-los pelos seios, barriga e parar no baixo ventre. – E eu quero mais firmeza nesse seu implorar.
, por favor… – soltou um suspiro sofrido. – Vamos transar!
– Hoje eu quero testar sua resistência.
– Eu não tenho nenhuma. – ela respondeu sincera, quase afobada, enquanto acompanhava a lentidão excessiva dele para tirar o cinto. – Por favor, . Por favor…
– Ah, tem… eu sei que tem.
, pelo amor de tudo que é mais sagrado, vamos transar logo!
– Seja convincente. – falou, dando um sorriso safado.
– Você tá sentindo como isso está molhado? Está assim desde aquela maldita hora da calcinha vibrando, quando eu queria sentar em você com toda a minha força e deixar que você me fodesse como bem entender e pelo tempo que quiser. – falou, pegando a mão de e colocando entre suas pernas.
riu, passando os dedos por toda a extensão da intimidade de de um jeito lento e provocativo.
– E eu nem fiz nada. Ainda.
– Imagina quando fizer… – falou sofrida. – Sério, eu quero só uma foda fantástica com muito suor, beijos e gemidos contidos, porque a música na festa está alta, mas não o suficiente pra abafar os nossos gemidos.
– Deixa eu testar uma coisa primeiro. – falou baixo, dando um sorriso safado, e tocou diretamente.
– Filho da p… – antes que conseguisse completar o xingamento, deslizou o indicador por toda a extensão interna da intimidade de e, quando chegou ao clitóris, ela gemeu quase manhosa, colocando os braços nos ombros de .
pressionou levemente o clitóris com o polegar, da forma como ela gostava e que ele fazia tão bem. Seu pau estava pulsante preso à roupa, mas ele lidaria com isso dali a pouco. Primeiro precisava fazer ter um orgasmo fantástico em sua festa de aniversário. Um daqueles que só ele conseguia fazer que ela tivesse.
Da forma como conseguia fazer pela posição em que estavam, pressionou o clitóris dela entre o indicador e o polegar, fazendo soltar um gritinho. Naquela posição as coisas eram difíceis, era melhor que ela estivesse deitada e ele tivesse total e livre acesso ao seu corpo para provocá-la um pouquinho mais.
– Sofá. – falou sério.
entendeu bem o recado, e foi para o sofá sem demora, a acompanhou e tratou de deitar-se sobre a mulher, beijando-a com uma voracidade quase dolorida e urgente.
Ela o envolveu com as pernas com força, buscando mais contato, roçando contra o membro coberto dele e os dois soltaram gemidos baixos enquanto se beijavam daquele jeito desesperado. foi o responsável pela quebra do beijo. Precisava respirar, mas também precisava terminar o que tinha começado.
Desceu os lábios pelo pescoço de , roçando a barba propositalmente por cada centímetro possível de pele e lambeu todo cangote da mulher, que soltou um gemido agoniado pelas carícias demoradas e provocantes. Os lábios tomaram conta dos seios, primeiro no esquerdo e depois o direito, lambendo cada centímetro alcançável e demorando-se ao tocar os mamilos da mulher, rígidos, o que a fez se contorcer sob seu corpo.
deslizou a língua entre os seios de , antes de voltar a beijar-lhe o colo e o pescoço, mordiscando de leve seu queixo e, encostando a testa à dela, deslizou o indicador e o dedo médio da mão direita pela barriga de até seu baixo ventre para que pudesse, dessa forma, tocá-la de novo.
fechou os olhos assim que sentiu os dedos dele passeando pelos grandes lábios, um gemido sofrido escapou de seus lábios enquanto sentia aquela carícia despretensiosa.

– Olha pra mim. – pediu num sussurro e , entorpecida, abriu os olhos devagar.

Assim que ela o olhou, penetrou dois dedos, fazendo com que se arqueasse sob seu corpo, soltando um gemido satisfeito por, finalmente, ter conseguido algo mais efetivo, ainda que preferisse que outra parte do corpo dele estivesse ali. Com muita dificuldade mantinha os olhos abertos, olhando nos olhos e se afundando naquele olhar que lhe dizia tanto sobre o que queria e que refletia tanto o desejo dela. Involuntariamente começou a movimentar-se contra os dedos dele, para que os movimentos ficassem mais rápidos e esse foi o sinal para que ele mudasse de estratégia.
saiu de cima de e foi para o meio de suas pernas, lambendo a parte interna da coxa esquerda dela antes de chupá-la efetivamente. soltou um grunhido quase animalesco, mais alto do que gostaria, agarrando-se aos próprios seios, sentindo a língua de explorando-a daquele jeito íntimo, tão conhecido e adorado, daquele jeito que só ele sabia como fazer para deixá-la louca. Ele sugou o clitóris com um pouco mais de força e voltou a gemer alto.
Quando passou a língua pela área, agora sensível, gemeu manhosa, pedindo por mais, e ele a atendeu. Com os dedos, voltou a masturbá-la e manteve a língua em seu clitóris. Ah ela gozaria e ele queria que fosse um daqueles que a deixaria com as pernas moles e formigantes por bastante tempo.
E foi o que aconteceu.
movimentava os dedos com uma habilidade profissional, acompanhando os movimentos com os lábios, e soltou um gemido rouco, entregue e profundo, acompanhado dos leves espasmos que produziu e teve certeza de que ela tinha chegado ao ápice, mas, por que parar?
Manteve-se sugando o clitóris de , que agora gemia alto, rebolando contra a boca do homem, pedindo “por favor” e murmurando outras palavras que ele não entendeu bem, e os espasmos começaram a ficar mais intensos. contorceu-se mais um pouco, fazendo com que saísse do meio de suas pernas e voltasse para cima de seu corpo, beijando-a com uma voracidade abrupta.

– Eu quero muito te chupar, de verdade, mas preciso me recompor um pouco, porque você me fez ter o orgasmo mais intenso dos últimos tempos.
– Você pode me chupar mais tarde, temos tempo. Agora eu quero te comer.
– De quatro. – pediu, ronronando, e sorriu antes de se aproximar para beijá-la. – Ou de costas.
– Ou dos dois jeitos. – ele soprou contra os lábios de , que assentiu e o envolveu pelo pescoço, beijando seus lábios com uma lentidão exagerada.
soltou um grunhido impaciente enquanto o beijava devagar, explorando cada pedaço daquela boca já tão conhecida por ela. Ele precisava resolver o seu “problema” também. E, pela segunda vez, foi ele o responsável pelo fim do beijo.
– Que foi? – perguntou quase inocente.
– Vira. – falou quase em tom de ordem, recebendo um olhar divertido de , que permaneceu como estava e ele aproximou o corpo do dela, roçando o membro coberto por sua intimidade, fazendo com que o olhar de se tornasse menos confiante.
– Eu quero te chupar muito, . Tanto que você vai desejar que seu pau nunca saia da minha boca.
– Você nem precisa me chupar pra isso, . – respondeu sincero e foi o suficiente para que ela o empurrasse para que se sentasse no sofá e tratasse de arrancar a única peça que o impedia de estar completamente nu.
Ajoelhada no chão, envolveu o pau de com os dedos e começou a movimentá-los com total maestria.
Ah ela sabia muito bem como tocá-lo, melhor do que qualquer uma das mulheres que ele já tinha levado pra cama – e era um número considerável – e era delicioso vê-la daquele jeito tão entregue ao objetivo de fazê-lo sentir prazer.
não demorou a deslizar pelo tronco de , dando beijos e leves mordidas por sua extensão, era apaixonada por cada pedaço do corpo dele, cada milímetro era apaixonável e adorável. Quando os lábios chegaram ao baixo ventre de , ela ergueu os olhos e sorriu transbordando malícia para ele. E sentiu que poderia gozar só de vê-la lhe olhar daquela forma.
Os lábios de logo estavam ocupados em dar prazer a , sugando seu pau com total devoção e deliciando-se de cada expressão de prazer que o homem fazia ao sentir a carícia.
Os gemidos dele eram mais comedidos que os de , mas ele parecia fazer um esforço hercúleo para isso, enquanto sentia a língua de em seu pau daquela forma devota e prazerosa. Ela o tirou de sua boca, passando a língua pela glande, em movimentos circulares, e sugou de leve a área, fazendo as mãos de agarrarem-lhes os cabelos e ela tomou isso como incentivo, lambendo toda a extensão do membro rígido de bem devagar.
o colocou na boca e voltou a chupá-lo devagar, movimentando a mão direita junto com a boca e o grunhido pesado de só a incentivou a continuar naquele ritmo lento e deliciosamente provocativo. As unhas da mão esquerda foram usadas para arranhar de leve a coxa de , que grunhiu novamente. aumentou a velocidade dos movimentos, fazendo voltar a respirar pesado, abafando gemidos altos.

– Eu vou gozar e prefiro fazer isso dentro de você, mas não na boca. Não agora. – falou e o tirou da boca, passando o polegar pela glande e o olhou.

não esperou que tomasse as rédeas da situação, apenas sentou-se sobre seu membro, soltando um gemido satisfeito por finalmente ter o pau dele dentro de si. afundou os dedos nos quadris dela e a observou começar a se movimentar com agilidade e com bastante anseio por mais um orgasmo. tinha os olhos fechados, aproveitando a sensação de tê-lo dentro de si, movimentando-se sem nenhum pudor, do jeito como ambos gostavam.
Os lábios de trilharam a extensão da mandíbula até o lóbulo esquerdo de e ele rebolou devagar, soltando um gemido baixo pela mudança abrupta de velocidade. Sempre tinha gostado muito de ficar por cima, de sentar, e só a fazia gostar ainda mais da deliciosa sensação de poder mover-se sobre o pau dele, mesmo que não se importasse tanto com posições quando se tratava de , porque ela gostava de qualquer uma desde que fosse ele quem estivesse fodendo com ela.

– Levanta um pouco. – ele soprou o pedido e atendeu, sentindo-o deslizar vagarosamente pra fora, mas não completamente. – Devagar é mais gostoso.
comandava o ritmo lento das estocadas. A sensação de tão molhada em seu pau era maravilhosa. , apoiada aos ombros de , sentia os movimentos lentos e gemeu desgostosa pela velocidade tão baixa.
– Fica em pé? Faz tempo que não transamos assim.
– Quer testar meus bíceps? – perguntou, ficando de pé, e com envolta em si.
– Rápido e com bastante força agora. Por favor. – falou séria e assentiu.

E, de pé, segurando pelas coxas, os movimentos eram um pouco desajeitados, mas profundos e rápidos, causando gemidos que precisaram ser abafados com beijos desesperados.
As mãos de apertavam sua bunda com vontade enquanto a carregava e o envolveu com mais força, rebolando como podia em e ele soltou um gemido entre o beijo. Ele ia gozar e não demoraria, mas ela tinha que ir primeiro.
soltou as pernas de de si e a colocou no chão, fazendo com que sorrisse travessa. Ah, ela adorava quando ele tomava o controle e não agia com pudor ou avisando. Virou-se de costas, inclinando-se e apoiando as mãos no sofá e a penetrou sem nenhum aviso prévio, enrolou os cabelos dela em sua mão e estocou fundo, arrancando um gemido alto dos lábios de .
O ambiente quente cheirava e soava como o mais selvagem dos sexos. Esperava que o barulho estivesse sendo abafado pela música no andar inferior, mas duvidava que isso estivesse acontecendo e, em todo caso, já deveriam ter notado que ela e tinham sumido da festa juntos e há muito mais tempo do que planejavam.
ainda em posição dominante, segurava pelos cabelos e estocava fundo, ouvindo-a gemer e rebolar contra ele, aumentando o atrito e a sensação deliciosa do sexo. As estocadas eram fundas, rápidas e fortes, ambos gemiam mais alto do que deveriam, mas não era algo controlável. Ela, empinando-se contra o membro dele, sentia cada estocada com um prazer febril.

– Vai , mais rápido. Eu tô quase lá. Quase onde só você consegue me fazer chegar. Mais rápido… – ela pediu num ronronar dolorido e se inclinou para morder o lóbulo de sua orelha.
O grunhido que saiu do homem foi alto, animalesco e pesado. Ele adorava ouvir aquilo, ouvir que só ele conseguia fazê-la chegar ao orgasmo de um jeito que ninguém mais conseguia era, no mínimo, arrebatador.
Atendendo ao pedido, aumentou a velocidade, fazendo os gemidos já altos da mulher se tornarem quase gritos. Os olhos reviravam de prazer, as respirações entrecortadas pareciam fazer o ar pesar mais, esquentavam o ambiente e o suor dos corpos se misturavam. Assim como o gozo, porque ao ouvir gemer seu nome num gemido fraco e sentindo-a se contrair contra ele, foi sua hora de chegar ao ápice e gozar ainda dentro da mulher.
Os espasmos continuavam e só sentia vontade de estocar mais e mais e mais. Apesar de sentir o corpo mais fraco do que quando chegara ali, permaneceu dentro de , deslizando dentro dela com uma lentidão exagerada, fazendo com que ela soltasse leves resmungos.
Quando, finalmente saiu de dentro de , exausto, a puxou para si e os dois se beijaram de uma forma apaixonada, intensa e agradecida. Queriam poder ficar abraçados ali por um bom tempo, mas não podiam, era necessário descer e terminar aquelas horas de festa.

– Será que notaram nossa falta? – perguntou, começando a recolher suas peças de roupa para se vestir.
– Se tiverem notado, podemos dizer que a Chapeuzinho precisava da ajuda do Super Homem pra se livrar do Lobo Mau. – falou dando uma risadinha e foi em busca das próprias roupas.
– Eu contaria por ai que o Super Homem, na verdade, é o Lobo Mau, mas prefiro manter o segredo e me perder pela estrada a fora com ele sempre. – falou, colocando o vestido e indo até . – Agora, Super Homem, faça a bondade de fechar esse zíper. Preciso voltar pra festa do meu aniversário.
– Tudo bem, Chapeuzinho, mas mais tarde se você quiser levar uns doces pra mim na minha casa, eu aceito. – falou, fechando o zíper do vestido de . – E agora preciso da sua ajuda aqui também.
– Você desce primeiro, eu vou depois. E te encontro na sua casa meia hora depois que a festa acabar.
– E começaremos outra. – falou, dando uma risadinha e calçou os sapatos antes de dar um selinho em . – E você vai precisar retocar a maquiagem.
– Eu sei, por isso você vai primeiro. – piscou. – Tente disfarçar que transou, por favor, não preciso dos meus pais me olhando como se eu fosse doida. E nem do Sergio com aquela cara de tonto que está pronto para dar um esporro colossal em nós dois.
– Mas você é doida.
– Por você? Talvez.
– Depois dessa eu vou descer me sentindo mesmo o Super Homem.
– Mas você é. O meu. – sorriu ao falar. – Agora vá logo! Eu preciso arrumar minha maquiagem e fingir que não estava tendo uma foda épica e muito gostosa com você.
– Pode colocar a calcinha de novo.
– Eu vou, mas não tenho condições de lidar com isso hoje de novo. Então, por favor, tenha um pouco de compaixão, você já me comeu bastante e ainda teremos mais quando sairmos daqui.
– Ótimo. Estarei com o aplicativo aberto e pronto pra te receber em sua festa. – piscou, dando uma risadinha antes de abrir a porta, olhar para os lados e sair.
queria ter praguejado um palavrão, mas preferiu apenas sorrir e ajeitar a maquiagem que tinha borrado.
E, claro, vestir a calcinha antes de descer de volta pra festa.

Capítulo 25 – Esta noche conmigo…

“…tu tocas el techo…” (Diles – Ozuna part. Bad Bunny, Farruko, Arcangel, Ñengo Flow)

Santiago Bernabéu, Madri, 08 de abril de 2018
Rodada 31 de La Liga: Real Madrid x Atlético de Madrid


Os jogadores desceram para o vestiário do Santiago Bernabéu quando o primeiro tempo do Derby Madrilenho acabou. Estavam empatados sem gols e era um inferno jogar contra aquele time retrancado que parecia ter trinta jogadores na defesa.
estava em seu habitual lugar no estádio e acompanhada de e Amelie, os três estavam tão nervosos quanto todos os demais torcedores. Não era possível que fossem mesmo ficar empatados de novo com aquele time. queria ir ao vestiário e gritar com os jogadores feito uma louca, porque Zidane era muito educado pra xingar todos os palavrões que ela tinha em mente.
– Eles estão tão desmotivados que dá pena de ver. Pena e ódio. – reclamou, sentando-se na cadeira e isso pareceu acender uma luzinha na mente de .
– Vou ao banheiro. – falou e os dois concordaram.
Desmotivados? Pois ela motivaria um dos jogadores o suficiente pra que pelo menos um gol saísse.
No vestiário, tinha o celular em mãos, mas não tinha aberto nenhum aplicativo, ainda estava ouvindo Zidane e Bettoni falarem. Sentiu o celular vibrar em sua mão, mas nem poderia visualizar a mensagem naqueles minutos. Precisavam mesmo vencer aquela retranca, porque empatar com o Atletico de Madrid por causa daquela maldita retranca era insuportável.
Já tinham empatado o jogo de ida, naquele fatídico dia em que Sergio Ramos teve o nariz fraturado, ele estava triste pelo término com e os dois tinham se encontrado quando ela entrou feito uma louca no vestiário, preocupada demais com o irmão para se atentar aos homens seminus que observavam a cena sem entender nada e sem reparar que Zidane tinha ficado olhando como se ela fosse um extraterrestre.
Assim que foram dispensados, faltando menos de três minutos para voltarem a campo, abriu o WhatsApp e se deparou com uma mensagem de que acompanhava uma foto. Uma foto sem roupa… quer dizer, sem a camisa e sem o sutiã.

“Faça um gol, garanta a vitória e eu garanto que essa será o melhor resto de domingo da sua vida até agora, . Vamos do inferno ao paraíso.”

engoliu em seco e respirou fundo, fechando os olhos.
Ele tinha que, primeiro, entrar no jogo. Estava no banco e nem sabia se entraria em campo no segundo tempo… ter que fazer um gol seria ainda mais difícil! Se Bale, Cristiano e Marco não tinham conseguido fazer nada ainda, ele duvidava que ele conseguiria, mas queria muito que aquela promessa de um melhor resto de domingo de sua vida até agora.

: Você não pode me mandar uma foto dessa assim, !
Eu estou no vestiário e de pau duro, porque você é uma gostosa do caralho e eu vou passar o resto do jogo assim!
Isso é errado de várias formas e você deveria ter um pouquinho de compaixão do seu namorado!
não pode ver a resposta que estava sendo digitada, porque foi chamado para subir a campo e teve que deixar o celular dentro do armário. Vestiu a blusa e só conseguia torcer para que ninguém percebesse que ele estava subindo a campo com o pau duro e provavelmente permaneceria assim por um bom tempo.
A primeira coisa que fez quando viu que os reservas estavam voltando para o campo foi reparar em como estava andando comedido, tinha o colete em mãos e parecia querer tampar alguma coisa em seu calção. Deu uma risadinha baixa e recebeu um olhar curioso de Amelie.
– O que você está aprontando? – perguntou a amiga e fingiu-se de ofendida.
– Eu?? Estou apenas lembrando de uma piada que ouvi esses dias e ri.
– Ah é? – perguntou, erguendo as sobrancelhas e ela assentiu. – Então conte, quero rir também.
– Não dá tempo, olha lá, vai começar o jogo. – falou e apontou para o campo.
– Quem não te conhece que te compra, . – Amelie riu.
O assunto não rendeu muito, porque o jogo tinha mesmo recomeçado e nenhum deles gostava de perder os lances. Queriam os três pontos, assim diminuiriam a distância para o segundo colocado – já que, pensar em título, àquela altura do campeonato, era ser muito iludido e idiota – e tentar não terminar o campeonato tão mal colocados.
Aos sete minutos do segundo tempo, Gareth Bale cruzou a bola dentro da área na medida certa para Cristiano Ronaldo bater de primeira, com frieza, e o placar estava aberto em favor do Real Madrid. Finalmente. Um golaço.
, que tinha se acalmado, voltou a ficar excitado, afinal a vitória estava nas mãos do Real Madrid e isso era uma boa coisa. Ele esperava, pelo menos. Era uma vitória, então poderia ser boazinha e considerar que ele tivera participação naquela vitória, que contribuiu, nem que fosse com boas vibrações enviadas para o time.
O problema foi que o gosto da vitória logo foi tirado dos madridistas quatro minutos depois, porque Antoine Griezmann fez um gol depois que a zaga do Real Madrid se atrapalhou totalmente dentro da área. Os três pontos escorriam por entre os dedos e a chance de se aproximar do próprio Atlético de Madrid na tabela de classificação estava sendo desperdiçada. Não era possível.
queria estapear a cara de cada um dos jogadores do Real Madrid. De todos. Quer dizer, não de todos. Keylor Navas tinha feito o que pode até então, salvando as lambanças da zaga e do resto do time, mas os outros… ah, queria esfolar todos vivos!
O time precisava reagir, o gol fez com que o time colchonero começasse a ficar ainda mais atrevido e chegando ainda mais. Aos dezoito, Zidane colocou Benzema e quase chorou de tristeza. O francês estava em uma fase tão ruim que dava vontade de chorar mesmo.
só entrou em campo aos trinta minutos do segundo tempo, junto com Luka Modrić. Marco Asensio e Mateo Kovačić foram para o banco e, além de querer muito que fizesse um gol para que pudessem ter uma foda épica, também queria os três pontos para o Real Madrid.
Aos quarenta e quatro minutos do segundo tempo, quando as esperanças de uma vitória madrilenha escapavam pelos dedos, Sergio roubou a bola no meio campo e lançou para , que estava bem posicionado, conseguiu passar entre Godín e Lucas Hernandez, e, mesmo sofrendo falta do francês, seguiu no lance, girou e chutou para o gol. Oblak até tentou, mas a bola entrou mesmo assim.
saiu comemorando e foi abraçar o cunhado totalmente eufórico. Como poderia agradecer ao irmão mais velho de sua namorada por aquela assistência maravilhosa que lhe renderia um sexo tão maravilhoso quanto? Apenas o abraçou e deu um beijo demorado na bochecha do capitão, que sorria animado e logo vários jogadores do time pularam sobre os dois.
E, para aumentar a alegria de , Lucas Hernandéz foi advertido com um cartão amarelo pela falta feita em . Tudo bem, não se equiparava ao nariz quebrado do irmão no jogo do primeiro turno do campeonato, mas o simples fato de ele ter tomado um cartão ao fazer uma falta que não adiantou nada já ajudava muito.
Quando o juiz apitou o final do jogo, uma sensação de alivio atingiu os madridistas presentes no estádio, ainda que não pudessem ser campeões, pelo menos podiam terminar em segundo lugar… não era a melhor das posições, mas estar à frente do Atlético de Madrid já era ótimo.
Ainda teriam o jogo de volta da Champions League contra a Juventus dali alguns dias, o primeiro jogo tinha terminado 3 a 0 para o Real Madrid em Turim, estava um pouco menos apreensiva quanto a isso, a vantagem era grande e bastava apenas que o time segurasse um empate em casa.
Mas, naquele momento, ela só queria chegar à casa de o mais rápido possível. E, claro, depois agradeceria ao irmão pela assistência maravilhosa que dera ao cunhado para aquele gol que tinha dado ao time os três pontos e daria em mais coisa. Ainda bem.
O caminho até a casa de demorou mais do que o habitual, principalmente porque a cidade estava toda mobilizada pelo Derby, mas, pelo menos, chegou antes de e teve tempo de tomar um banho rápido antes de ouvir a porta ser aberta e Bubu sair latindo para o andar inferior para receber seu dono.
estava desesperado.
O tempo gasto do Santiago Bernabéu para casa foi três vezes maior que o habitual pós jogo – que já era bem demorado – e cada segundo que passava dentro do carro a caminho de casa, sentia que explodiria de tesão antes mesmo de chegar perto de . Tomar banho depois do jogo foi difícil, porque só de pensar no que o aguardava em casa fez com que ele ficasse excitado e até conseguir sair pra dar a entrevista pós-jogo fora um martírio.
Quando chegou à porta do quarto, encontrou em sua cama com uma calcinha bem pequena e uma das camisas de jogo dele. Sentada e o olhava com aquela expressão safada que fazia perder o ar.
– Bom jogo hoje, Magia. – falou e deu uma risadinha ao ouvir.
– Entrei em campo bastante motivado. – falou, entrando no quarto e fechando a porta antes que Bubu entrasse também.
– Espero que continue assim em todos os jogos. – respondeu e deixou a bolsa ao lado da porta, depois andando até perto da cama.
– Se eu continuar sendo incentivado como fui, acho que dará certo; mas é uma merda ficar de pau duro num vestiário e durante um jogo.
, agora você para de falar, senta nessa cama e me deixe cumprir minha promessa de te dar o melhor resto de domingo da sua vida até hoje. – falou séria, ficando de pé e parando bem perto de .
– Você vai cumprir sua promessa, mi amor, mas eu também quero participar desse momento. E, já que eu ganhei o direito de ter o melhor resto de domingo da minha vida até agora – falou, enfiando os dedos nos cabelos de e puxando levemente para que ela o olhasse nos olhos. – então quem vai colocar as cartas na mesa sou eu.
– Hoje você pode fazer o que quiser de mim, . – respondeu num tom que misturava sensualidade, desejo e provocação.
– Eu não espero nada menos que isso, . – respondeu, umedecendo os lábios com língua, sem desviar os olhos dos dela. fez menção de beijá-lo, mas a segurou pelos cabelos e deu o sorriso mais sacana que conseguiu. – Calma, neña… Não estamos com pressa…
– Ah, pois eu estou.
– Neña, nós não estamos com pressa. – falou sério, olhando com seriedade e ela, se pudesse, teria arrancado a roupa naquele momento e pulado nele.
Mas sabia que ele faria as coisas em seu próprio tempo, com a calma de quem não estava tão excitado quanto ela. levaria ao inferno antes de levá-la ao paraíso, mas era exatamente disso que ela gostava, de todas aquelas provocações e toques instigadores, como os dedos dele em seus cabelos, os olhos escuros de tesão e a respiração quente dele em seu rosto.
observava atentamente cada detalhe das feições de , da forma como ela o encarava num mix de desafio e súplica, deixando-o ainda mais excitado e determinado em fazer daquela a melhor foda que os dois já tiveram na vida até aquele momento. Se queria dar a ele um domingo perfeito, ele fazia questão de que pra ela fosse tão perfeito quanto.
Aproximou os lábios dos de , quase tocando-os e sentiu que ela estremeceu enquanto ele ainda tinha os dedos embrenhados em seus cabelos. Mordeu de leve o lábio inferior da mulher e puxou, sentindo a respiração dela ficar mais pesada e um suspiro fundo escapar. Então, a beijou.
Um beijo desesperado, repleto de tesão e quase descontrolado. envolveu o tronco de com os braços, tentando maior contato com o corpo do namorado, mas tinha outros planos e o beijo logo foi finalizado. O olhar dele, nublado de desejo, fazia as coisas ficarem ainda mais deliciosas. Todo seu plano tinha sumido de sua cabeça, mas, aos poucos, começava a relembrar o que, exatamente, queria fazer com .
– Você vai ficar só me olhando, , ou vai fazer alguma coisa? – perguntou, provocando.
– Eu vou, . – sorriu. – Eu vou te comer, mas primeiro eu vou te fazer implorar.
– Enquanto isso – soltou-se e o olhou. – eu vou fazer algo com você. Algo que você não vai esquecer nunca.
– Me surpreenda. – sussurrou e deu um sorrisinho antes de segurar seu pau sobre a bermuda e acariciá-lo.
A expressão convencida de deu lugar a expressão de puro tesão enquanto sentia lhe tocando daquele jeito e ele podia ter gozado quando ela enfiou a mão dentro da bermuda e o tocou diretamente. Os dedos estavam frios e o toque fez com que ele soltasse um arfar. E o sorriso vencedor de apareceu.
– Você sabe como eu gosto de regras, mi amor, então vou estabelecer algumas e você deve cumpri-las. – falou séria. – A primeira delas é que você não está permitido a encostar em mim quando eu estiver no controle; você só pode encostar em mim se eu deixar.
– Você pretende me amarrar?
– Não. – sorriu de forma provocativa. – Você vai ficar solto, mas se desobedecer, você vai sofrer com as consequências.
– Parece interessante… E quais são as outras?
– Eu falo em momentos oportunos. – respondeu, num tom de ordem e apenas assentiu. – Senta.
– De roupa?
– A segunda regra é que você obedece calado, Magia. – falou, empurrando o corpo de para que ele se sentasse na cama.
o observou demoradamente antes de prender o cabelo num coque no alto da cabeça e olhá-lo como se ele fosse a refeição mais deliciosa do mundo. estremeceu apenas com o olhar selvagem que recebeu e observou enquanto aproximava-se e sentava em seu colo, com uma perna de cada lado e o olhando de um jeito predador. Isso o deixava ainda mais excitado.
passou os dedos pelo rosto de com uma lentidão exagerada, passando as unhas devagar e sem desviar os olhos dos dele, descendo pelo pescoço e indo até a nuca, antes de enfiá-los em seus cabelos e puxar de leve, dando um sorrisinho ao fazê-lo. Sentia tenso sob seu toque e como ele estava duro embaixo dela.
– Tira a camisa. – falou séria e obedeceu sem contestar.
Não desobedeceria a aquela mulher nem que quisesse. Assim que a peça foi descartada, voltou a olhá-lo com o olhar predador, como se ele fosse sua próxima refeição, e passou as unhas pela barriga de , fazendo-o arfar sob seu toque e observar o caminho lento e suave que as unhas de faziam em sua pele, mas que causavam ardência como se ela estivesse arrancando sua pele. Os dedos pararam no elástico dos shorts que usava e o beijou sem aviso prévio, apenas juntou os lábios aos dele sem pressa, de um jeito provocativo e perigoso, moveu as mãos para colocá-las em , mas ela o impediu, segurando-as ao lado do corpo dele e mordeu de leve o lábio inferior do homem antes de voltar a beijá-lo devagar.
Como se não fosse suficiente beijá-lo devagar para incitá-lo, começou a rebolar em seu colo, fazendo arfar. O atrito dos tecidos fazia com que as sensações fossem ainda mais dolorosas. parecia não estar afetada com aquilo, mas mal sabia o esforço hercúleo que ela estava fazendo para não arrancar todas as peças de roupas que os vestiam e começar a transar.
– Tão gostoso… – falou, separando os lábios dos dele, indo beijá-lo no pescoço, sem parar de rebolar e fazendo arfar. – Cada vez mais duro e vai entrar tão fácil… eu estou tão molhada,
… – arfou, sentindo os lábios dela em seu pescoço e como ela rebolava em seu colo, podia sentir a calcinha úmida e o roçar entre os dois o instigava ainda mais.
Ela iria enlouquecê-lo e destruí-lo, tinha certeza absoluta, mas não reclamaria nunca. mordeu levemente seu pescoço e soltou um gemido rouco em seu ouvido, fazendo grunhir. Poderia muito bem desvencilhar-se das mãos dela que o prendiam, arrancar dela a roupa e foder como bem queria, mas era mais gostoso ser provocado e levado ao limite. Limite que ele descobria, a cada transa com , ser menor do que ele imaginava.
– Você está sentindo? – perguntou baixo, sem parar de rebolar. – Vai entrar tão fácil, … você vai escorregar pra dentro de mim de um jeito tão gostoso…
– Você vai me fazer gozar antes de tirar a roupa, inferno. – falou, fazendo sorrir vitoriosa.
– Quer que eu pare?
– Quero.
– Uma pena que não vou fazer o que você quer. – ela respondeu baixo, em seu ouvido, fazendo estremecer quando a mão direita foi levada para dentro do short que ele usava.
O gemido que soltou foi alto, um pouco satisfeito pelo contato direto, e sentir os dedos de , ainda que não fossem onde ele queria, era melhor do que apenas aquela provocação. Era o que ele pensava, até começar a movimentar-se um pouco mais rápido, gemendo baixo em seu ouvido e arranhando de leve seu baixo ventre, arrancando de um sôfrego.
Mas, da forma como começou, parou a provocação e o encarou séria, levantando-se do colo de . Observou o corpo seminu do namorado sentado de qualquer jeito na cama e a expressão sofrida que ele tinha no rosto, podia imaginar como estava sendo difícil pra ele aguentar todo aquele joguinho de provocações, estava tão difícil quanto para ela.
– Tira. – falou e ele arrancou os shorts e a cueca. – Em pé. – falou e ele não demorou a ficar de pé, fazendo sorrir e aproximar-se.
Ajoelhou-se e usou a mão esquerda para acariciar a coxa de , usando a direita para tomá-lo em mãos e sorriu, não dando tempo de falar, apenas o colocou na boca, chupando e passando a língua do jeito que sabia que ele gosta. Os movimentos eram rápidos, fazendo soltar gemidos altos e arfar. De repente, diminuiu a velocidade e passou a língua da base até a cabeça, de um jeito lento e torturante, soltou um gemido pouco satisfeito, mas bastante desejoso, ainda sem poder movimentar os braços e envolver os cabelos dela com as mãos para coordenar o ritmo.
voltou a passar a língua de forma lenta por todo o comprimento e, tão de repente quanto tinha parado de chupá-lo, ela retomou o movimento, mas de forma lenta e logo os dedos de estavam em seu cabelo, coordenando a velocidade, movimentando os quadris junto para que ela o tivesse por inteiro na boca. Os olhos de permaneciam atentos às expressões de , de total prazer, ao vê-la assim, tão disposta e entregue.
tirou as mãos de de seu cabelo e retomou o controle da situação, intercalando os movimentos rápidos e mais lentos, sugando e lambendo e os gemidos dele ficaram ainda mais altos e sofridos, quando o tirou da boca, segurando e roçou os dentes na cabecinha, sensível, deu um urro, arfando e sorriu, voltando a colocá-lo na boca sugando rápido, até que ele gozasse e respirasse fundo, aliviado. engoliu, passando o indicador pelos lábios e não desviou o olhar do de , que parecia ainda mais cheio de tesão do que antes.
– Você é muito desobediente.
– E o que você vai fazer pra me castigar? – perguntou, atrevido, mas não esperou pela resposta.
Ergueu e a tomou em seus braços, beijando os lábios dela de forma ávida e desejosa, sugando o lábio inferior e segurando-a pelos cabelos, sem permitir que ela escapasse. soltou um gemido satisfeito e arranhou as costas de com um pouco mais de força do que queria e deixando um rastro dolorido nas costas do homem, que gemeu de dor.
O beijo foi separado para que tirasse a camisa de e a empurrasse para que ela se deitasse na cama, mas antes que pudesse deitar sobre ela, o impediu e deu um sorriso perverso.
– O seu castigo, Magia, é observar o que eu faço. Você não pode me tocar e nem se tocar. E nem fechar os olhos. – respondeu, empurrando para que ele sentasse na cama e ficou de pé, indo até uma poltrona perto da cama.
engoliu seco, observando caminhar, apenas com aquela maldita calcinha minúscula e sentar-se de frente para ele. O mero ato de sentar-se na poltrona e olhá-lo fez com que sentisse o corpo tremer e quando percebeu o que faria, sentiu que estava mesmo fodido.
Os dedos dela percorreram com lentidão o próprio corpo, nos seios com bastante calma, apertando os mamilos entre os indicadores e polegares e gemendo baixo. Apertava de leve e não desviava os olhos dos de , atentos a cada movimento dela, que permaneceu nos seios, tocando, beliscando e apertando.
A mão esquerda foi a primeira a deslizar pela barriga, fazendo um caminho lento e sentiu o corpo arrepiar enquanto observava atento a tudo que ela fazia. Passou o indicador pelo elástico da calcinha, roçando a unha pelo baixo ventre e sentindo o corpo estremecer. Passou os dedos sobre o tecido da calcinha e lambeu os próprios lábios antes de continuar a carícia, que era devidamente acompanhada por .
Ele observava atentamente todo o movimento, sentindo vontade de ir até lá e ser o responsável por aqueles toques e pelo que estava por vir, mas, obediente, resolveu assistir, mesmo que não pudesse bater uma enquanto observava a mulher da sua vida se masturbar apenas para provocá-lo.
gemia um pouco mais alto, tocando-se com um pouco mais de pressão, passando os dedos pelo tecido da calcinha e a afastou, tocando-se diretamente. Junto com seu gemido, ouviu o de , enquanto ela deslizava os dedos sem nenhuma dificuldade. Estava molhada de um jeito que não se lembrava de já ter estado, então os dedos passavam pela área já tão sensível e necessitada facilmente.
Abriu mais as pernas e tinha uma vista privilegiada do que estava acontecendo, para sua alegria e desespero, enquanto observava passar os dedos pela própria língua agora, antes de colocá-los sobre o clitóris e começar a massageá-lo devagar, em movimentos circulares que pareciam calculados, medidos e precisos. gemeu baixo, contendo a vontade de fechar os olhos, apenas para sustentar o olhar de e vê-lo arfar.
Estava prestes a gozar, então cessou os movimentos no clitóris e seguiu com os dedos até a entrada, passando o indicador e o médio ali, na área sensível, fazendo que iria coloca-los em si e desistindo, apenas para ver apertar o edredom da cama e respirar fundo. Então o fez, da forma como conseguiu, colocou os dedos e gemeu alto, usando a mão livre para apertar o braço da poltrona. Mexeu os dedos da forma como conseguia, tirando e recolocando, gemendo alto e rebolando como podia.
Pouco depois, voltou a tocar o clitóris e movimentar os dedos de forma circular, dessa vez um pouco mais rápido, gemendo mais alto e soltou um gemido sofrido junto. Estava desesperado. Essa era a palavra correta para o estado em que se encontrava, observando continuar se tocando, fazendo aquela expressão de quem estava prestes a ter um orgasmo daqueles. Ele conhecia bem quando ela fazia aquela expressão, que os olhos se apertavam e ela gemia de um jeito cansado e pesado.
E aconteceu.
gozou, soltando um gemido alto e os espasmos de seu corpo serviram para usar como incentivo. Aproximou-se do corpo da namorada e, para intensificar o orgasmo que ela já tivera, ajoelhou-se à frente do corpo dela e usou a língua para sugar o clitóris de , fazendo-a gemer alto, quase num grito desesperado.
rasgou a calcinha sem dificuldade, descartando o pequeno pedaço de pano em qualquer lugar e voltou a lamber e chupar, separando os grandes lábios e passando a língua com a precisão e conhecimento que enlouqueciam , percebendo que ela estava mesmo tão molhada que ele deslizaria facilmente para dentro dela.
O toque preciso de sua língua fazia arfar e gemer, querendo mais para intensificar a sensação que o orgasmo tinha causado, soltando resmungos que nem ela sabia o que significavam. Só precisava que continuasse fazendo aquilo, chupando e fazendo com que cada célula de seu corpo parecesse se incendiar ainda mais.
acariciava os próprios seios, movimentando os quadris para que fosse ainda mais rápido e ele, entendendo o recado, resolveu usar os dedos, inserindo o indicador e o médio em e concentrando-se em estimular seu clitóris do jeito que só ele sabia fazer e que a deixava completamente entregue.
voltou a sugar seu clitóris com um pouco mais de força e movimentando os dedos dentro de com mais agilidade, fazendo com que os gemidos ficassem ainda mais altos do que antes e logo ela sentiu o corpo estremecer mais, mas permanecia entre suas pernas, com sua língua causando mais espasmos no corpo de e fazendo os gemidos sofridos da mulher ficarem ainda mais incompreensíveis, menos pelos “por favor” que eram ditos e que entendia bem.
Tinha conseguido que ela implorasse – não que precisasse – e agora queria apenas foder do jeito que ambos queriam e gostavam. Saiu do meio das pernas dela e distribuiu beijos por sua barriga, fazendo questão de roçar a barba ali para que ela se contorcesse sob seu corpo e ocupou-se dos seios dela, chupando e lambendo, primeiro o esquerdo e depois o direito; beijou o pescoço de de forma lenta, arrastando a barba e fazendo com que ela gemesse.
– De quatro. – falou sério e deu um sorriso satisfeito, andando cambaleante até a cama.
foi até a gaveta do móvel ao lado da cama e tirou de lá uma camisinha, colocando-a e já o esperava na posição solicitada, tinha um olhar desejoso e a provocou antes. Roçou seu pau pela entrada de , fez que ia penetrar e não o fez, arrancando uma lamúria da mulher, que nem teve tempo de reclamar de forma compreensível, porque segurou seus quadris e entrou de uma só vez.
O gemido que soltou só não foi mais alto que o de , que tinha quase rugido ao escorregar tão facilmente dentro dela. Apertou os dedos nos quadris de , que apertou os dedos no edredom antes de inclinar o corpo pra baixo e desceu uma das mãos até segurá-la pela nuca, arrancando um gemido satisfeito de , enquanto os movimentos continuavam.
– Mais fundo. – pediu num fiapo de voz, fazendo grunhir e meter com mais força.
Quanto mais forte e mais fundo – se é que era possível ir mais do que ele já estava – metia, ouvia os gemidos de ficarem mais altos e senti-la tão escorregadia era delicioso. Principalmente por saber que era por causa dele que ela estava tão molhada e rendida.
– De costas. – pediu, inclinando o corpo mais pra frente, para deitar-se na cama.
– Ainda não. – falou, saindo de e ela se virou, olhando curiosa.
virou o corpo de , erguendo as pernas da mulher e penetrou de uma só vez, arrancando dela um gemido entregue, sentindo-a pulsar contra seu pau, as pernas dela estavam em seus ombros e ele apertava os dedos nas coxas de enquanto movimentava-se com pressa, fazendo-a gemer alto e pedir para que ele não parasse, que continuasse daquele jeito.
Sentia as mãos suadas e observava tocando os próprios seios enquanto ele metia sem parar, os gemidos altos e misturando-se. queria continuar com mais força, com mais rapidez, mas sentia que podia gozar de novo a qualquer momento.
– Só mais um pouquinho, porque eu vou gozar de novo. – pediu e soltou um urro antes de apertar os quadris dela com força, fazendo gemer alto.
Entre vários pedidos de “por favor” e “continua”, gozou gemendo o nome de e ele, pouco depois, soltando o nome dela num lamurio sofrido e quase dolorido. Saiu de dentro dela, indo até o banheiro para descartar a camisinha e voltou para a cama, deitando ao lado do corpo de , que respirava fundo e estava tão suada quanto ele.
– É, realmente, esse foi o melhor resto de domingo que eu já tive na vida até hoje.
– Isso porque ainda nem terminamos o que vamos fazer. – falou, virando-se na direção de e colocou a perna sobre seu tronco. – Mas, agora, preciso de um descanso.
– Acho que eu não tenho pau pra mais, .
– Pois eu acho bom ter, . Eu ainda não estou satisfeita e, em todo caso, é preciso te agradecer mais pelo gol e pelos três pontos.
– Você vai me enlouquecer.
– Do inferno ao paraíso, meu amor.

Epílogo

Madrid, 18 de maio de 2018

ajeitou uma dobra inexistente em sua beca algumas dezenas de vezes antes de tomar seu lugar no palco do auditório principal da Universidade. Estava, finalmente, formando e dando o primeiro passo na vida adulta. Já tinha emprego garantido no escritório em que estagiara, mas o simples fato de que sua vida acadêmica, pelo menos a graduação, tinha chegado ao fim, era um pouco aterrorizante.
Lembra-se de ter passado a vida inteira estudando, suas lembranças sempre remetem a tempos em que já estava na escola e agora isso tinha se encerrado, pelo menos por enquanto.
Ouvia distante a voz do reitor, mas não fazia ideia do que o homem dizia, porque seus olhos estavam fixos em outro homem. Um que estava sentado em sua direção, no meio de tantas outras pessoas convidadas para aquele evento. Ao lado dele estavam as outras pessoas mais importantes de sua vida: seus pais, seu irmão e a cunhada. Os sobrinhos tinham ficado com uma babá, ninguém em sã consciência levaria crianças a um evento longo e chato, como uma colação de grau.
Mas seus olhos estavam fixos naquele homem. E ele também estava olhando fixamente para ela, ostentando um sorriso orgulhoso, quase igual ao sorriso da mãe dela, que estava se segurando para não chorar, tinha no rosto.
Palmas.
E então, viu ficar de pé e caminhar até o local onde o reitor estava para fazer o discurso, como orador da turma. já conhecia todas as palavras que seriam ditas pelo melhor amigo, o ajudou a escrever, mas nunca se cansava de ouvir recitá-las enquanto criavam e corrigiam o que tinha sido escrito.
mudou sua atenção para , agora tinha os olhos fixos no rapaz que acabou se tornando também seu amigo.

– Senhor reitor, senhores professores componentes da mesa de homenageados, senhores convidados e colegas formandos. É um prazer estar aqui para dizer minhas últimas palavras antes de me tornar, oficialmente, um bacharel em Direito. E quero iniciar o texto com um verso de Fernando Pessoa, em “A Tabacaria”, que disse “À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”, e essa é a nossa realidade. Cheios de sonhos e planos, ideias e ideais, nós encerramos um ciclo em nossas vidas. Temos metas e objetivos a alcançar. Nesses quatro anos, mudamos ideias, planos, pontos de vista e crescemos. Nós vencemos. Vencemos, pois ainda que considerado um país desenvolvido não é toda a população da Espanha que tem a oportunidade de ter um curso superior. Saímos temerários, afinal a realidade é outra. Acabaram-se as provas, trabalhos e aulas da graduação e daqui em diante nossa vida acadêmica apenas se aprimorará em áreas específicas. Agora é a hora de colocar em prática o que aprendemos em sala de aula. Procurei uma boa frase para terminar esse texto e encontrei uma de um escritor brasileiro, chamado Guimarães Rosa, e achei perfeita a forma como ele sintetizou em poucos versos o que precisamos para vencer na vida: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”. Que nunca nos falte coragem. Que nunca deixemos de ir atrás do que queremos e acreditamos por medo, a vida quer da gente é coragem e perserverança. Nós estamos formando, senhores, vamos precisar de toda coragem do mundo se quisermos viver. Avante! – encerrou e foi aplaudido por todos os presentes, voltando a sentar em seu lugar.

Um dos professores falou por algum tempo, mas também não estava prestando atenção no que ele dizia. Estava ansiosa pelo momento em que seu nome seria dito, ela pegaria seu diploma e abraçaria sua família, além de estar bastante ansiosa pela hora em que se veria livre daquela roupa absurdamente quente.
Os nomes começaram a ser chamados, em ordem alfabética pelo sobrenome, fizeram o juramento e fotos foram tiradas, antes do encerramento formal que os liberava para seguirem até o local em que receberiam os cumprimentos de familiares e amigos. Ela puxou quando teve a oportunidade e tiraram uma foto juntos, já que passaram o evento inteiro separados, mas ficaram perto na área dos cumprimentos.
abraçou primeiro os pais. A mãe chorava, emocionada com a conquista da filha, a parabenizou pela formatura e fez um longo discurso sobre como a amava e estava orgulhosa. O pai não chorava, mas trazia o mesmo olhar da mãe e os mesmos cumprimentos e discurso sobre como a amava e se orgulhava da