Trato Feito

Sinopse: Ela é uma cantora famosa que arrasta multidões em seus shows, além de ter muita atenção da mídia sobre si. Ele é um jogador que sofreu diversas lesões que o levaram ao quase ostracismo. Ele quer voltar ao cenário principal do futebol, e quem melhor do que a maior sensação pop do momento para conseguir ajudá-lo nisso?
Fandom: Futebol
Gênero: Romance, Drama, Comédia.
Classificação: 18 anos. Contém palavras de baixo calão, uso de drogas lícitas e ilícitas, cenas de insinuação a sexo, cenas de sexo explícito, além de tratar sobre relacionamentos abusivos, violência explícita e transtorno de ansiedade
Restrição: Originalmente escrita com o jogador Holger Badstuber e ambientada na Alemanha, então deem preferência a jogadores alemães, mas não tem impedimento nenhum ler com outros jogadores. Alguns jogadores alemães são mencionados, mas não com frequência. Os nomes Mia, Davi, Thomas, Allie, Höward e Helga estão em uso.
Beta: Regina

Prólogo

Janeiro de 2017, Munique – Alemanha

– Eles desistiram de me esperar? – perguntou quando chegou ao escritório e encontrou apenas seu melhor amigo/empresário na sala de reuniões. Tinha ficado presa no trânsito no centro da cidade e estava mais do que excessivamente atrasada. Leonard negou com um aceno. – Então desistiram da reunião?
– Estão presos no trânsito. Aparentemente aconteceu um acidente e a cidade está parada.
– Eu fiquei um tempão presa no trânsito também. – suspirou. – E sobre o que é? Um novo contrato?
– É.
– Vou comprar alguma coisa pra comer, tô morrendo de fome. Quer algo?
– Não, obrigado. E não demore, eles devem chegar daqui a pouco.
– Vou na lanchonete do outro lado da rua, pode ficar tranquilo. E, em todo caso, Bob sempre vai comigo… – sorriu e se virou, saindo da sala.

Precisava comer, porque sabia que essa reunião não acabaria rápido e ela estava morrendo de fome. Comprou um sanduíche e uma Coca Cola, algo que seu personal trainer e sua nutricionista reprovariam. Flashes foram disparados em seu curto caminho até a lanchonete do outro lado da rua e no retorno ao escritório de seu empresário/melhor amigo, como sempre.

– Eles chegaram. – Gretchen, a recepcionista, a avisou quando voltou ao escritório e ela fez uma careta.
– Espero que não se importem se eu comer durante a reunião. Mas se eles se importarem, vou comer do mesmo jeito.
– Você não existe, . – a mulher disse rindo.
– Essa reunião provavelmente vai demorar muito, aposto que vou ficar entediada em cinco minutos. – resmungou, seguindo até a sala de reuniões. Ao abrir a porta, deparou-se com Leonard e outros dois homens. E ela conhecia um deles.
– Ah, chegou. – Leonard falou, dando um sorriso.
– Perdão pela demora, ficamos presos no trânsito.
– Eu cheguei agora pouco também, essa cidade hoje está um verdadeiro inferno. Espero que vocês não se importem se eu comer enquanto conversamos, eu estou morrendo de fome, não tive tempo de tomar café da manhã em casa. – falou e tomou um lugar ao lado de Leonard e ficando de frente para os dois homens.
– Sem problemas. – o outro homem disse. – Meu nome é Hugo, esse é meu amigo .
– Eu o conheço, ele é do meu time. – falou sem olhar para os dois, estava preocupada em abrir sua Coca Cola. – Enfim, pra que é tudo isso?
está passando por um momento difícil, o ostracismo está batendo à porta depois daquelas lesões todas, ainda tem, também, a questão de frequentemente as perguntas se tornarem pessoais sobre relacionamento. – Leonard foi quem se pronunciou.
– E o que eu tenho a ver com isso? – perguntou depois de mastigar um pedaço do sanduíche que tinha comprado.
– Resolvemos unir o útil ao agradável e fazer um contrato de marketing.
– Continuo sem entender.
– Ele perdeu a mídia, você a tem quase toda para si e os dois estão solteiros e já se cansaram de ouvir coisas sobre relacionamentos. – Hugo explicou e ela assimilou as informações.
– Principalmente porque gostam de comentar sobre o acúmulo de fracassos nos seus relacionamentos, . – Leonard falou e ergueu uma sobrancelha, olhando-o demoradamente.
– Então é um contrato para fingirmos ser um casal? – perguntou e os três assentiram. – Vocês só podem estar de sacanagem comigo.
, você sabe que eu nunca faria algo para te prejudicar. – Leonard disse sério.
– Vocês não podiam ter tentado fazer isso da forma convencional?
– Teríamos feito isso se não os conhecêssemos tão bem. – Hugo disse olhando para , que tinha permanecido calado o tempo inteiro e estava cada vez mais desconfortável. – Nós os apresentaríamos, vocês se cumprimentariam e acabaria aí.
– E o que você acha disso? – perguntou a , que não abriu a boca, só ficou mais vermelho do que já estava. – Eu sei que você fala e nós dois sabemos que eles já decidiram e estão apenas nos comunicando sobre o que vai acontecer, então expresse sua opinião, mesmo que ela não valha nada nessa situação que já está totalmente decidida.
– Eu… – ele disse tão baixo que quase nem se ouviu. – Não sei se vejo problemas nisso. Queria voltar à seleção, queria voltar para o Bayern, eles não querem renovar comigo quando o empréstimo acabar, em alguns meses eu estarei de férias e desempregado.
– Primeiro vocês se sigam em redes sociais e…
– Eu já o sigo há muito tempo. – interrompeu a fala. – E ele me segue também.
– Então comecem a trocar alguns eventuais comentários em fotos e…
– Depois nós seremos convenientemente vistos juntos, fotos serão tiradas e postadas na internet por alguém que nos verá, os rumores aumentam, continuamos a comentar as fotos um do outro e um tempo depois assumimos que estamos namorando para o total choque de todas as pessoas do mundo. – disse rolando os olhos enumerando as fases pelas quais aquele “relacionamento” passaria. – Mas, espero que vocês saibam que não adianta nada “atrair a mídia” se ele não jogar mais do que os que estão na seleção. E se não parar de tomar bola nas costas e correr feito um desesperado sem rumo quando volta pra marcar ou tentando sair para o jogo.
– Isso não vai dar certo. – resmungou.
– Muito pelo contrário. – Hugo deu um sorriso observando terminar de comer seu sanduíche. – Acho que vai ajudar. E muito.
– A contar pela quantidade de fotógrafos na porta, já devem estar especulando algo.
– Descemos no estacionamento do prédio e subimos direto. – Hugo disse e se virou para .
– Você tem dezoito meses para conseguir o que quer, a contar de quando assumirmos, . – disse séria. – Nem um dia a mais.

Capítulo 1

Desde a tal ideia do contrato, vinte e dois dias atrás, ela e trocaram algumas mensagens, coisas básicas como avisar um ao outro da postagem de fotos ou qualquer coisa que Hugo ou Leo mandassem. Trocavam comentários em algumas fotos, não em todas, queriam passar uma imagem convincente de serem apenas amigos, mas nunca tinham sido vistos juntos.
Ainda.
Nenhum dos dois gostava de noitadas e baladas, então não teriam problemas em fingir aquele relacionamento era sério. estaria em turnê dali uns meses e os dois não se veriam por muito tempo, bastaria fingir que sentiam falta um do outro nas redes sociais e fim de papo.
mora permanentemente em Munique e ainda mora em Gelsenkirchen, em breve deve se mudar de lá, não sabe para qual cidade, já que o Bayern não parece mesmo disposto a tê-lo de volta e muito menos o Schalke parece interessado em comprá-lo em definitivo. Outras propostas estavam sendo analisadas, então era bem provável que morassem longe. Ambos não poderiam ficar viajando para eventos e nem para serem vistos juntos todo fim de semana.
No fim das contas, aquele relacionamento atrairia marketing e ambos ganhariam dinheiro sem fazer realmente algum esforço. Os termos ajustados entre eles eram bastante simples: fingiriam ser namorados e os encontros aconteceriam na medida que seus compromissos profissionais permitissem, contato físico apenas em público, independentemente de ser em algo midiático ou não, porque sempre há alguém disposto a tirar fotos de famosos e soltar na internet.

– Já tá na hora de vocês serem vistos juntos. – Leonard falou e ignorou, fingindo mexer no celular. – Você me ouviu?
– Marque o que você quiser, não tenho outra escolha mesmo.
está na cidade, amanhã vocês vão ao cinema. Marquem o horário entre vocês. É preciso que esse namoro comece de verdade. – falou sério e ela suspirou, assentindo.
– Não é como se eu tivesse opções, de qualquer forma. E sei que entrei numa coisa que não vai dar em nada, duvido que ele volte para a seleção e para o time apenas por ser meu namorado.
– Você ainda tem aquele crushzinho nele? – Leonard perguntou e ela rolou os olhos.
– Estamos grandinhos demais pra usar esse termo, você não acha? – perguntou debochada.
– Você não negou. – Leonard sorriu abertamente. – Então esse deve ser o motivo de você não ter berrado que não participaria disso tudo.
– E você usou essa informação pra unir o interesse dele por mídia e o da mídia em me arrumar um namoro que dure.
– Talvez. – Leonard deu de ombros e sorriu, abraçando a amiga de lado. – Mas vai que essa é a chance de fazer aquela sua paixãozinha platônica se torne real.
– Sem chances. Aquilo acabou faz tempo. E tem o fato de ele ser gay.
– Ele é gay? – Leonard perguntou assustado.
– É o que se especula. E eu acredito nisso mesmo.
– Ah, mas muita gente fala do Cristiano Ronaldo e ele não é.
– Falam apenas por ele ser bonito e gostar de se cuidar, o que não é fazer mais do que a obrigação.
– E o que te faz achar que é gay?
– O jeito. Não com aquele estereótipo que criam, mas ele nunca teve uma namorada publicamente, não curte foto de mulher no Instagram e, sei lá, não parece ser hétero.
– Isso é estereótipo. – Leonard riu. – Não acho que ele seja gay.
– Ele é. – assentiu. – E vamos parar de falar, você vai embora e eu vou dormir. Aparentemente tenho um encontro amanhã.
– Jeito bem sutil de me mandar embora. – ele riu e deu um beijo na bochecha da amiga.
– Não é sutil, estou mesmo te enxotando da minha casa. – respondeu, dando uma risadinha, retribuindo o beijo no rosto. – E dê um beijo em Allie por mim.
– Pode deixar. – Leonard sorriu e se pôs de pé. – Bom encontro amanhã.
– Eu vou te demitir.
– Você não duraria um dia sem mim, meine Liebe. – ele disse e ela rolou os olhos. Leonard seguiu até o elevador e foi embora, deixando sozinha na sala de casa.
Aquela paixão platônica tinha acabado, certo? Ela queria que sim, ainda que soubesse que, lá no fundo, ainda o achava uma gracinha e podia muito bem ser a garota que era louca por ele uns anos atrás.

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já tinha decorado o feed de no Instagram, entrava lá todos os dias para acompanhar a rotina da futura namorada e para conhecer o trabalho dela. Havia diversas fotos de shows, mas também de muita coisa pessoal: família, passeios, amigos, selfies… Descobriu, durante esses dias, que ela sabia tocar piano, guitarra e violão, que tinha cantado com o ídolo, John Mayer, que é louca por comida italiana, que gosta de dançar e é apaixonada por animais.
Ele tinha escutado algumas músicas e visto alguns dos vídeos dos shows, além de clipes, a voz era realmente muito boa, ainda que não fosse o estilo musical favorito dele. , além de muito bonita, era talentosa. Os dois se falavam esporadicamente, trocaram uma ou outra informação necessária, mas ela não parecia em concordância com nada daquilo. E ele não lhe tirava a razão.
Ela postou uma nova selfie, não mostrava muita coisa, apenas a parte superior do biquíni azul, tinha um olho fechado e fazia língua. Tinha a expressão cansada, olheiras e parecia prestes a dormir. A legenda dizia “Amanhã eu volto para o estúdio 🌞😜” e milhares de comentários falando sobre o álbum, outros falavam para que ela descansasse e aproveitasse o fim de semana, comentários chamando-a de linda e derivados.
curtiu a foto e pensou se deveria ou não comentar. Repetiu os emojis que ela colocou no comentário e mal o fez, recebeu diversas respostas e pessoas que começaram a segui-lo. Uma das pessoas que comentou, mencionou e perguntou os motivos de não ter ido. nem se deu ao trabalho de responder ou ler o que se seguiu, resolveu tomar um banho e ver um filme. Tinha que sair com no dia seguinte e esperava ser um bom ator, porque seria necessário.

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– E o que vamos assistir? – perguntou quando parou o carro na rua lateral a do cinema e os dois desceram, seguindo lado a lado até entrarem no local.
– Não faço a menor ideia. – deu de ombros.
– Você já viu Logan?
– Ainda não.
– Pode ser esse? Eu também não vi.
– Por mim tudo bem. Vou comprar a pipoca e você compra os ingressos. – falou e assentiu. – E 3D não, por favor. Só se for a única opção.
– Tudo bem.
– Pipoca com manteiga?
– Sim. E suco, se tiver. – pediu educado e ela assentiu, saindo em direção ao local em que a pipoca era vendida.
– Eu quero dois ingressos para Logan, por favor. – pediu ao atendente. O rapaz tinha uma expressão entediada, mas quando viu quem estava ali, ele deu um sorriso.
! Cara, sou seu fã! Posso tirar uma foto com você? – perguntou todo animado e deu um sorriso.
– Claro. – falou e o rapaz saiu animado da cabine de vendas e se aproximou. Tirou umas cinco fotos antes de outra pessoa, um cliente, pedir fotos. E depois o outro atendente que estava voltando do horário do intervalo.
– Precisa de ajuda com os ingr… Ah. – ouviu a voz de e se virou. Ela tinha dois baldes de pipoca em um suporte. Havia também dois copos grandes com as bebidas.
– Não, , tudo sob controle por aqui. – deu um sorriso para a mulher e se virou para o atendente. – Posso pegar os ingressos?
– Claro. – o atendente disse ainda sem acreditar em quem estava vendo. – Espero que o Bayern te pegue de volta quando o empréstimo acabar.
– A intenção é essa. – sorriu de lado. Pagou os ingressos e os pegou. Nenhum dos dois viu uma foto ser tirada enquanto caminhavam até a entrada da sala em que o filme seria exibido, tampouco viram a outra que foi tirada antes do filme começar. – Você vai comer isso tudo?
– Você não come pipoca?
– Como, mas não isso tudo.
– Ah, então come o que aguentar e eu como o resto. Amo pipoca.
– Eu percebi. – respondeu rindo.
– Agora cala a boca, o filme vai começar.

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– Eu tô com fome. – disse como se fosse super normal sentir fome depois de comer toda a pipoca que tinha comido e a olhou incrédulo.
– Você tá brincando comigo?
– E por que estaria?
– Tudo bem… O que você quer comer?
– Não sei, mas não quero comida.
– Você vai comer mais porcaria? Você comeu quase dois baldes de pipoca agora mesmo.
– Primeiro: você comeu o seu quase inteiro, não se faça de inocente. E segundo: agora mesmo nada, eu acabei de comer bem antes da metade do filme. – respondeu emburrada e riu.
– Você come feito uma pessoa que ficou presa por dez dias. – falou rindo. – Quer comer fast food?
– Burger King! – ela comemorou. – Adoro aquelas coroas que eles dão. E acho que vamos conseguir conversar e ficar em público por tempo suficiente para sermos fotografados juntos.
– Tem um aqui perto, vamos caminhando mesmo.
– Por favor. – assentiu e os dois saíram do cinema, caminhando pela avenida movimentada que os levaria até o Burger King. – E então, o que há para saber sobre , além da parte profissional?
– Sei lá, o que você quer saber? – ele perguntou rindo.
– Ué, , sobre você. O que faz fora dos campos. – perguntou dando de ombros. Ainda que tivesse sido uma das maiores fangirls dele, havia muito pouco sobre ele na internet.
– Eu adoro sorvete, mas não posso comer demais porque é muito gorduroso e queimar gordura hidrogenada é bem difícil. Gosto de cantar, apesar de não saber fazer isso, me ajuda a aliviar a tensão. Gosto de andar de bicicleta, nadar e dirigir sem ter um lugar específico para chegar. Não sou de sair para baladas e essas coisas, sou mais caseiro. Gosto de crianças também e de animais.
– Você tem só uma irmã?
– E ela é tão insuportável que vale por vinte.
– Você tem algum sonho a realizar?
– Ganhar a Copa. – sorriu. – Seria maravilhoso.
– E se você não fosse jogador, seria o quê? – perguntou curiosa.
– Eu não sei. Sinceramente. – ele deu um sorriso pequeno enquanto caminhavam. – Nunca parei para pensar nisso. Mas acho que eu teria feito algo que pudesse trabalhar com futebol. E eu não sei mais o que falar sobre mim.
– Você é muito tímido, acho isso uma coisa rara, ainda mais no futebol. Conheço alguns jogadores, todos são falantes e extrovertidos. E aí tem você, quieto e introvertido.
– Eu sou mais reservado, na verdade. Mas eu gosto de me divertir, de sair, de ir a shows…
– Você tem um sorriso muito bonito. – ela elogiou e ele corou. – , não fica sem graça, foi só um elogio.
– Não é algo controlável. – respondeu num muxoxo, dando um sorriso sem jeito.
– Estou autorizada a dizer que é estranho você não ser comprometido? Porque você é muito bonito. – falou, jogando verde. Era a hora de descobrir a verdade.
– Eu também não sei o motivo. – coçou a nuca sem jeito.
Não falaria sobre aquilo. Não por enquanto.
– Vamos mudar de assunto, você tá desconfortável. – disse rindo e assentiu. – E então, tipo musical favorito?
– Rock, mas ouço algumas coisas de pop e rap.
– Rock eu até acredito que goste, mas os outros dois eu duvido muito. – respondeu rindo. – E o que gosta de fazer quando está de folga?
– Saio com meu cachorro, fico com minha mãe, saio com alguns amigos…
– Qual sua comida favorita?
– Qualquer uma que minha mãe fizer. – riu. – Sou bem tranquilo pra comer, mas adoro Sauerbraten mit Knödel e Käsespätzle. Minha mãe faz um delicioso, um dia te levo lá pra comer.
– Você já parou pra pensar nisso? – suspirou enquanto caminhavam. – Vamos enfiar nossas famílias nisso tudo. Minha mãe vai achar um máximo que eu tenho um novo namorado, meu pai e meu irmão talvez não. E sua mãe e sua irmã? Acho que Hugo e Leo não pensaram nisso com o devido cuidado.
– Podemos apenas explicar isso a eles, não?
– Eu não sei você, mas eu não sei se quero falar com meus pais que tô namorando de mentirinha. – disse e assentiu. – E meu irmão faz picadinho de nós dois, depois mata Leonard e Hugo. Não me sinto confortável em estar nessa mentira, mas já que estamos, temos que fazer isso direito.
– Ainda somos apenas amigos, podemos planejar com calma. – sorriu, mas ela não sorriu de volta.
– Estamos sendo vistos hoje exatamente pra deixarmos de ser “apenas amigos”.
– Pra mídia. – deu de ombros e sorriu. – Nós dois seremos apenas amigos, de qualquer forma, temos tempo de pensar em como resolveremos algumas coisas. Por enquanto, preciso saber um pouco mais sobre você.
– Ah, eu sou meio doida. – deu um sorriso e os dois entraram na lanchonete.
Estava quase deserta, se não fosse um casal sentado numa ponta e dois atendentes que conversavam sem prestar atenção nos novos componentes do ambiente.
– Boa noite. – os anunciou e, enquanto o rapaz a olhava admirado, a garota a olhou com desdém, desviando os olhos rapidamente para , mas sem se demorar muito.
. – o rapaz sorriu. – Eu sou seu fã! Você pode, por favor, me dar um autógrafo e tirar uma foto comigo?
– Claro. – sorriu simpática. – Você tem papel?
– Tenho. – ele, desesperado, pegou um guardanapo e entregou com uma caneta.
– Como você se chama?
– Joshua. – falou quase hipnotizado. Ela escreveu uma dedicatória e autografou o papel. O garoto atravessou o balcão e entregou o celular para , que prontamente tirou a foto e o rapaz abraçou . – Seu último álbum é meu favorito! É o melhor de todos! Você é maravilhosa!
– Espere para ver o próximo. – deu um sorriso quase orgulhoso e o garoto o olhou dando um sorriso sugestivo.
– E o que vocês vão pedir? – a garota perguntou entediada.
– Eu quero o combo doze. – disse animada. – E pode colocar a batata grande.
– E você?
– O mesmo, mas ao invés de refrigerante, eu quero suco. – pediu e a garota anotou.
– Eu quero uma daquelas coroas, você tem? – pediu a Joshua, que se abaixou rapidamente para pegar.
Ela sorriu em agradecimento e foi sentar-se com num lugar mais afastado depois de pagarem e pegarem seus lanches.
– E você? O que há pra saber sobre ? – perguntou, falando baixo, quando se sentaram.
– Eu vivo meu sonho, sempre quis cantar. Adoro comer, minha comida favorita é italiana. Qualquer coisa da cantina italiana é minha comida favorita. Gosto de malhar e fazer yoga, estou sempre ouvindo músicas e frequentemente escrevendo. Tenho mania de ficar cantarolando, minha fonoaudióloga já brigou comigo diversas vezes por isso, mas é mais forte que eu. Amo coisas em família, queria ter um cachorro, mas minha agenda e rotina não permitem porque quero um cachorro grande e não posso levá-lo em turnês, porque não são todos os hotéis que aceitam cachorros e mesmo os que aceitam, não aceitam cachorros grandes. Quando estou em Munique, eu gosto de ficar com minha família, que é composta por meus pais e meu irmão mais velho, ou com meus melhores amigos. Amo rock, mas gosto muito de reggaeton, pop, soul e R&B, amo dançar, sei falar cinco idiomas e arroto alto pra caramba.
– Muitas informações interessantes. – falou rindo. – Cinco idiomas é?
– Sim. Alemão, inglês, italiano, espanhol e francês.
– Que poliglota. – riu. – E em quantos países já esteve?
– Na maioria deles. Alguns dá pra ficar mais do que dois dias e conhecer algumas coisas, outros não. E você?
– Só os países em que joguei, mas estar e conhecer são duas coisas diferentes.
– É. – concordou, abrindo o sanduíche e dando uma mordida.
– Você conhece Leonard há muito tempo? – perguntou e esperou que ela terminasse de mastigar para responder.
– Crescemos juntos, nossos pais trabalharam juntos. Sempre estudamos nas mesmas escolas, éramos das mesmas salas, saíamos juntos… Ele é meu melhor amigo e eu sou a melhor amiga dele. Nos separamos, por assim dizer, quando eu consegui um contrato, aos dezesseis, para gravar um CD e ele foi para a faculdade no ano seguinte, enquanto eu dava uma volta ao mundo. Mas sempre conversávamos e nos víamos quando eu estava na cidade. Leo sempre acompanhou minha carreira, mas só quando saiu da faculdade se tornou meu empresário. Há uns três anos.
– E vocês nunca tiveram nada?
– Credo. – fez uma careta. – Leo não faz meu tipo.
– E qual o seu tipo?
– Você. – deu de ombros e ficou vermelho, fazendo-a se segurar para não dar uma gargalhada e chamar atenção de um jeito que não queriam. – Eu não podia perder essa.
– Você joga baixo. – ele falou num murmuro.
– Mas, não menti, em todo caso. Você é esteticamente meu tipo. Resta saber se na personalidade também. Não é no guarda-roupa, você se veste muito mal e aliado a isso, tem esse corte de cabelo com essa barbicha, preciso te levar para fazer compras e dar um jeito nessa sua cara.
– Você tá me chamando de brega e feio? – ele se fingiu de ofendido.
– De brega, sim, de feio, não. Você está abandonado, na verdade. Parece que tá cortando o cabelo sozinho em casa e usando uma faca de pão. E essa barbicha… Deus me livre. – falou fazendo rir da expressão desgostosa que ela fez.
– Então você é a senhorita perfeitinha que tem os cabelos bem cuidados e o closet mais do que perfeito? – debochou e assentiu enquanto mordia um pedaço do sanduíche. Ele deu um sorriso e sacudiu a cabeça negativamente, voltando a comer seu sanduíche, o mesmo que ela estava fazendo. – Me deixa tirar uma foto sua com essa coroa. Tá ótimo.
– Claro que está, sou uma princesa, princesas usam coroas. – respondeu estendendo o próprio celular para ele. – Tira nos stories.
– Claro que é uma princesa. A Fiona. – ele implicou, rindo, e tirou a foto. Ela tinha colocado as duas mãos sob o queixo e dava um sorriso de olhos fechados. Ele escreveu “uma verdadeira princesa da Disney” e postou.
– Se eu sou a Fiona, isso faz de você o Shrek. – deu um sorriso vencedor e deu de ombros.
– Ainda bem que você concluiu isso, porque a partir de agora posso me comportar como um ogro.
– Você não pode ser ogro tão cedo. – falou séria e reprimiu a vontade de rir alto ao ouvir a seriedade na voz da mulher. – Não vou te aturar peidando e nem arrotando feito um ogro.
– Que isso, Fiona… – falou brincando e ela lhe jogou uma batata.
– Cala a boca e vamos embora. – resmungou e ele riu.

Os dois saíram do restaurante e caminharam pela rua sem conversar. estava empanzinada, no real e completo significado da palavra. podia jurar que estava prestes a explodir de tanto que tinha comido. Os dois entraram no carro e quando o rádio foi ligado, uma música dela estava tocando e comemorou como se fosse a primeira vez que tinha uma música tocando na rádio, como se não fosse a coisa mais comum do mundo. Ela pegou o celular e gravou alguns stories toda animada cantando enquanto ouvia a música.

– Você ainda comemora quando suas músicas tocam nas rádios? – perguntou bem-humorado.
– Claro! É sempre muito legal ver meu trabalho ser reconhecido. E não te vi cantando, então faça o favor de comprar meus cinco álbuns e aprender todas as músicas. Você não pode ser meu namorado se não souber cantar todas elas.
– Você pode me dar também.
– Autografados e com uma camisa com minha cara pra ir aos shows. E uns convites pro meet. Aceita? – ela perguntou debochada.
– Aceito. E uma faixa pra colocar na cabeça com seu nome escrito com glitter. – ele falou rindo e ela rolou os olhos.
– Quando você volta a Munique?
– Não faço ideia, mas deve demorar um pouco. Estamos perto do final da temporada, não posso ficar viajando tanto.
– Essa semana eu tenho um show em Düsseldorf, já que fomos vistos hoje, vou te dar um ingresso, você vai, fico em Gelsenkirchen com você no dia seguinte e volto. Precisamos fazer isso acontecer.
– Por mim tudo bem. – deu de ombros. – Só depende do dia, porque se eu tiver jogo no dia seguinte…
– O show é na quinta.
– Por mim tudo bem. – repetiu. – E você vai mesmo me arrastar pra comprar roupas?
– Primeiro preciso analisar o que fica e o que será enviado para doação.
– Você vai doar minhas roupas? – perguntou incrédulo e deu uma risada. – Cara, você é DOIDA!
, já vi algumas das suas fotos e você tem umas roupas bem desnecessárias. Então, por favor, não tente me impedir.
– Como é o nome daquele programa que passa no Discovery Home & Health?
– Esquadrão da Moda. – respondeu. É, se ele conhecia isso, estava comprovado que ele é mesmo gay. – E sim, isso mesmo. Vamos doar essas peças, tem gente que precisa, apesar de eu considerar colocar fogo em algumas, porque são atentados ao bom gosto.
– Há coisas com valores sentimentais.
– Essas ficarão. Escondidas a sete chaves. – rebateu e deu uma gargalhada. Ela sentiu o carro diminuir a velocidade e parar. Estava em frente ao prédio em que mora.
– E quando você pretende fazer isso?
– Bom, não sei. – respondeu, pensativa. – Já que vou passar um dia na sua casa, posso dar uma olhada e ver qual o tamanho do problema.
– Me dá o setlist do seu show, aprendo a cantar todas e posso ser divulgado cantando a plenos pulmões as suas músicas sem errar nada.
– Envio quando eu entrar em casa.
– Me dá três ingressos, vou levar minha irmã e o otário do namorado dela. – pediu, rolando os olhos.
– Anotando que você tem ciúmes da sua irmã. – riu, provocando.
– O cara é um babaca. Apresenta um amigo seu pra ela, porque os meus não vão namorar minha irmã mais nova.
– Só depois de conhecê-la pra saber o estilo dela e fazer o serviço completo.
– Ela é chata, inoportuna e insuportável.
– Se você falar isso com meu irmão, ele vai perguntar se você também é meu irmão. – ela rolou os olhos. – Irmãos mais velhos são todos insuportáveis, acabo de concluir.
– Ou as mais novas são pentelhas demais. – falou rindo. – E acho que estamos sendo observados pelo fotógrafo que está esperando sua chegada em seu castelo.
– Nós vamos nos beijar? – ela perguntou entredentes e ele ponderou.
– Ele já viu que eu o vi, melhor não. Deixa pro show. – falou quase sem mexer a boca e deu uma gargalhada, sendo acompanhada por ele.
– Vou pedir Leo pra enviar os ingressos. – disse e o abraçou em despedida.
– Eu já imagino que tenham quinhentas mil fotos nossas em todas as redes sociais.
– O objetivo é esse, afinal de contas. – ela deu de ombros e deu um sorriso. – Obrigada pelo passeio e pela companhia.
– Obrigado por me mostrar que você pode comer mais do que um time de futebol inteiro.
– Cala a boca, . – respondeu rindo. – Nos vemos quinta-feira.
– Até lá. – respondeu e ela abriu a porta do carro, saltando de lá e ele arrancou quando a porta foi fechada.
– Você está bonita, . – o fotógrafo disse e ela sorriu.
– Obrigada, Phill. Mas você não vai me derreter com um elogio. Achei que já tivesse conversado com sua revista sobre respeitar a privacidade dos meus vizinhos, porque para respeitarem a minha eu desisti de pedir.
– Ouvi boatos, tive que vir conferir. – o homem sorriu. – É meu ganha pão.
– Se eu tiver saído feia nessas fotos, não publique. – ela sorriu simpática e ele sorriu de volta.
– Nunca deixei de publicar suas fotos, você sempre sai linda.
– Obrigada. E mande beijos para suas filhas.
– Elas amaram o seu show. E já estão me enchendo pra levá-las a outro.
– Vou a Düsseldorf na semana que vem, leve-as. É o último da turnê.
– A mãe delas não estará na cidade semana que vem e eu preciso trabalhar. – Phill fez uma careta e sorriu.
– Agora que você já veio me dar boa noite, pode ir pra casa. E mande beijos para as duas.
– Boa noite, . E espero que vocês dois deem certo.
– Ele é só meu amigo, não tem nada de mais nisso.
– Vocês movimentaram a noite nas redes sociais, foram até trending topics.
– Sexta-feira à noite e as pessoas estão no Twitter e no Instagram… – se fingiu de decepcionada e deu um sorriso. – Enfim, boa noite Phill.
– Boa noite, . – ele se despediu e ela entrou no prédio, cumprimentando o porteiro e foi até o elevador.

Pegou o celular e foi conferir as fotos em que tinha sido marcada durante sua saída com , que, aparentemente, tinha causado um furor enorme na internet. Curtiu a de Joshua, depois de procurar por um Instagram que o tivesse marcado e deixou um coração no comentário da foto, ele realmente tinha feito uma legenda bem fofa.
Depois analisou as fotos em que aparecia ao lado de . Era excelente para o contrato, mas péssimo que não tivesse paz de sair sem ser fotografada de todos os ângulos possíveis. Tinham fotos do cinema, da rua e do Burger King. E em breve teriam as fotos de Phill.
queria fugir do esquecimento e só queria um dia em que pudesse sair de casa sem estar rodeada de fotógrafos ou seguranças, um dia livre em que ninguém a conhecesse e ela fosse apenas mais uma pessoa comum.
Foi direto para o quarto, trocou de roupa, escovou os dentes e voltou para a cama. Estava sem sono, mas não queria ficar na internet, então resolveu ler. Foi até a estante e procurou por algo que pudesse ler, ainda que soubesse que aquilo não ajudaria a ter sono, mas que a atrapalharia a dormir e que ela, provavelmente, viraria a noite lendo.

🎤❤️⚽️
estava com o celular em mãos e encarava a mensagem de Hugo, quase soltando foguetes pela repercussão da saída. Ele não fazia ideia de como tinha se enfiado naquilo e nem se valeria a pena, podia ser apenas perda de tempo e que nem desse certo, podia dar muito errado. Mas ele quis arriscar quando a ideia surgiu, ele precisava de visibilidade se quisesse voltar para a seleção. Tinha que ir para um bom time e então o Bayern o enxergaria de novo, além da seleção.
parecia ser uma boa pessoa, pelo menos ela era divertida e bonita, mas podia ser perda de tempo para ambos. Ela era atenciosa com os fãs, ele tinha percebido. Gostava de falar e parecia ter o riso fácil, mas só tinham saído uma vez e não podia tirar tantas conclusões assim.
Aquelas lesões quase o impediram de continuar vivendo seu sonho. Ele sabe que não é o melhor do mundo e que a Alemanha possui vários melhores que ele, mas também sabia que era um bom jogador e que tem espaço na seleção. E ele queria lutar por aquilo. Era triste ter que usar a mídia de outra pessoa para conseguir isso, mas tempos de desespero pedem medidas desesperadas.

Sauerbraten mi Knödel: joelho de porco. A carne é bem macia e a pele por fora é crocante. Normalmente vem acompanhado de chucrute e batata.
Meine Liebe: meu amor

Capítulo 02

– Até que você é boa. – disse quando apareceu no estacionamento. Visivelmente cansada, o cabelo preso num rabo de cavalo alto, mas já sem maquiagem.
– Olha como você fala com sua namorada, idiota! – a irmã de disse e lhe deu um tapa no braço. – Se eu fosse você, terminava com ele.
– Se eu fizer isso, ele chora por três dias no banheiro. – provocou e rolou os olhos, dando nela um abraço.
– Já assumimos. – sussurrou no ouvido dela. – E precisamos falar sobre isso.
– Certo. – sussurrou de volta e o soltou do abraço, indo em direção a irmã de e do rapaz que estava abraçado a ela. – Oi, eu sou , namorada do seu irmão.
– Eu sou Ute. Ute . – respondeu sorrindo e as duas trocaram um abraço antes de Ute continuar as apresentações. – Esse é meu namorado, Höward.
– Muito prazer. – estendeu a mão em cumprimento e o rapaz fez o mesmo, a observando demoradamente.
– Ótimo show. – Ute disse e sorriu agradecida.
– Obrigada. Espero que vocês tenham gostado mesmo.
– Ute é sua fã desde o começo da sua carreira. – disse e passou um dos braços pelos ombros de .
– Sério?
– Sim. De ter pôster na parede, chorar e tudo mais.
, cala a boca. – Ute disse sem jeito. – Mas sou mesmo. Gosto muito do seu trabalho, te acho muito talentosa. E te vendo de perto, estou me perguntando como meu irmão conseguiu uma mulher tão linda e que tivesse coragem de namorá-lo.
– Seu irmão só precisa dar um jeito no guarda-roupa, mas eu farei isso amanhã.
– Finalmente! Eu tento fazer isso há anos e ele nunca permitiu!
– Não acredito que vocês vão se juntar contra mim! – disse num tom ofendido e Ute deu um sorrisinho divertido.
– Melhores amigas. – sorriu se virando para , que rolava os olhos em reprovação ao novo complô.
– Podemos ir? Ou vamos ficar confabulando contra mim aqui?
– Você vai lá pra casa do também? – Ute perguntou animada.
A presença da irmã mudava algumas coisas, porque eles teriam que dividir um quarto e, bom, não queria.
– Não. – fez uma careta decepcionada. – Tenho uma reunião pela manhã aqui em Düsseldorf, vou pro hotel e devo ir à tarde pra lá.
– Ah, que pena. – Ute disse decepcionada. – Posso tirar uma foto com você?
– Claro. – sorriu e se soltou do abraço de .
Ute deu o celular para o irmão tirar a foto. O namorado de Ute ainda encarava as pernas de quase descaradamente. A foto foi tirada e as duas se abraçaram em despedida.
– Nos vemos amanhã. – disse e assentiu, dando um sorriso, e os dois se abraçaram.
– Ah, vocês não vão dar nem um beijo? – Ute perguntou e riu da cara do irmão. – Eu não vou te zoar, .
– Nos vemos amanhã. – repetiu e deu um selinho em . – E sem mais do que isso, tem gente tirando foto e eu prefiro não ser manchete por estar agarrando meu namorado que ainda não assumi pra mídia.
– Minha mãe vai adorar saber que o filho dela finalmente desencalhou! – Ute provocou o irmão.
– Tem certeza que não quer ir? Dirigir por quarenta e cinco minutos aguentando essa nojenta enchendo meu saco não vai ser legal. – reclamou e negou com um aceno.
– Não posso. – fez uma careta. – Leo vai me enforcar se eu faltar a essa reunião.
– Tudo bem. – se fingiu de decepcionado. – Te vejo amanhã de tarde.
– Claro. – sorriu e lhe deu outro selinho.
Antes que pudesse fazer uma feição de assustada, abraçou Ute e cumprimentou o namorado da cunhada com um aperto de mãos. Seguiu até a van que levaria a equipe para o hotel e Leonard a encarou sem entender.
– Você não ia pra Gelsenkirchen?
– A irmã dele tá junto e vai ser bem estranho se não dormíssemos no mesmo quarto. Inventei uma reunião pela manhã e só vou pra lá quando não tiver ninguém. Já foi horrível ter que beijá-lo.
– Vocês se beijaram? – Leonard deu um sorriso sugestivo.
– Não beijo de cinema, dois selinhos.
– Então não beijaram. – ele riu e os dois embarcaram no ônibus. – E seu show foi ótimo.
– Obrigada.

🎤❤️⚽️
– E como foi sua reunião imaginária? – perguntou bem-humorado quando ela entrou em sua casa.
– Fantástica. Dormi até onze e meia da manhã. – deu um sorriso arteiro. – Não fazia isso há tempos.
– E o que faremos? – perguntou e se jogou no sofá. Um Weimeraner marrom entrou na sala da casa e a encarou curioso.
– Ai meu Deus, ele é ainda mais lindo pessoalmente! – disse animada e se abaixou, num claro convite para que o animal fosse até ela.
– Não deixe meu cachorro sem vergonha. – disse num tom brincalhão e ela chamou o cachorro, que a olhou por um tempo antes de caminhar até onde ela estava ajoelhada.
– Ei coisa linda, como você se chama? – perguntou, fazendo um carinho na cabeça do cachorro.
. – falou e deu uma gargalhada da cara que fez ao ouvir aquilo. – Petros.
– Ei Petros. – sorriu e voltou a fazer um carinho no cachorro, que lhe lambeu a mão em resposta. – Parece que ele gostou de mim.
– Ele gosta de todo mundo, não se sinta tão especial.
– Você perguntou o que vamos fazer… Bom, eu vim te salvar de ser essa tragédia fashion. Marquei um horário no melhor salão da cidade e nós estamos indo.
– Estamos?
– Sim. Vamos começar dando um jeito nesse cabelo mal cortado e nessa coisa que você acha que é um cavanhaque, mas não é. E depois vamos fazer compras.
– Você tá falando sério?
– Claro. Eu sugiro que você coloque uma roupa que seja mais fácil de tirar, porque você vai experimentar muitas roupas hoje.
– No meu dia de folga?
– Sim, no seu dia de folga. Anda logo. – o apressou e resmungou algo que ela não entendeu, mas se colocou de pé e foi até o quarto. Colocou uma camisa preta, uma calça jeans e calçou um tênis. Ela não podia encrencar com aquilo. Poderia?
– Pronto. – reapareceu na sala e o encarou por um tempo. – Se você achar defeito numa roupa simples, eu desisto.
– Eu nem falei nada. – deu um sorrisinho e se pôs de pé. – Precisamos de uma foto.
– Precisamos?
– É. O Hugo me mandou uma mensagem falando disso. – Cahterine respondeu, rolando os olhos. – Um stories, só pra “mostrar para o mundo” que a gente tá junto hoje.
– Entendi.
– No seu. Quero fazer uns stories no carro e espero que você tenha aprendido a cantar minhas músicas, vou te gravar cantando.
– Tudo bem. – resmungou e pegou o próprio celular para tirar uma selfie.
Ela o abraçou pela cintura, ele passou o braço livre pelos ombros dela e ambos sorriram para a foto. Tinha ficado muito bonita. Ele escreveu “dia de folga 💙” e postou nos stories.
– Você sabe que teremos que andar de mãos dadas, não sabe? – perguntou e ele assentiu. – Então vamos.
– Sim senhora. – ele fez uma continência e os dois saíram.

🎤❤️⚽️
– Você pediu pra fecharem a loja? – perguntou incrédulo e deu de ombros.
– Apesar de sermos os dois famosos, há uma diferença gritante na abordagem de fãs de futebol para os fãs de artistas.
– Deve ser muito estranho ter uma loja apenas para você comprar o que quiser, atenção total de todo mundo. – fez uma careta e ela deu de ombros.
– É péssimo. Muita bajulação e puxação de saco, não gosto disso. Sou uma pessoa como qualquer outra. Mas é o único jeito de não causar tumultos e de eu conseguir olhar as coisas com calma pra comprar. – respondeu tirando o cinto e prendeu o cabelo num coque, colocou os óculos de grau que usava e os dois desceram do carro, caminhando lado a lado até a loja, que ficava no segundo piso do shopping.
Conseguiram chegar à loja sem serem notados. Aparentemente, os fãs de futebol e os fãs de música pop não estavam passeando naquele dia. Depois da bajulação de sempre com os astros que acontecia em todas as lojas, os dois foram para a parte que interessava: fazer compras. E odiava ter que ficar experimentando roupas e as exibindo.

, eu tô cansado de experimentar roupa e de desfilar pra você. Tenho a impressão de ter experimentado todas as roupas dessa loja. – resmungou de dentro do provador. estava sentada esperando por ele.
– Para de falar e sai logo daí. – respondeu e voltou a resmungar antes de sair usando a milionésima peça de roupa que experimentava naquele dia. – Ficou ótimo.
– Você disse isso pra tudo que me mandou vestir.
– Claro, porque eu tenho senso de moda, lindinho. – respondeu afiada e rolou os olhos. – E já temos uma parte do seu closet refeito, falta pouco para alcançar o sucesso total.
– Você é chata. – resmungou e voltou para o provador. Pelas suas contas, ainda tinha trinta combinações de roupa diferentes para fazer.

Saíram da loja um bom tempo depois e levavam uma porção de sacolas, colocaram no carro antes de voltarem a outra loja e repetirem o mesmo ritual. estava ficando sem paciência, odiava aquilo de experimentar roupas. Experimentou outro tanto de roupas e outras várias sacolas foram carregadas até o carro. nunca havia comprado tantas coisas assim de uma só vez. Quer dizer, tinha comprado.

– Podemos ir? – perguntou educado e assentiu.
– Eu tô com fome.
– Vamos arriscar comer aqui?
– Conseguirmos fazer compras em três lojas sem sermos perturbados foi um milagre, não vamos ser mal-agradecidos com as forças divinas. – negou. – Podemos comer na sua casa.
– Por mim tudo bem. – deu de ombros enquanto tomava seu lugar ao volante e colocava o cinto. Ela fez o mesmo.
– Eu posso te fazer uma pergunta?
– Tenho o direito de não responder? – perguntou e assentiu. – Então pode.
– De quem foi a ideia? – perguntou antes de ele ligar o carro e dar a partida.
– O Hugo e o Leonard já se conheciam, devem ter estudado juntos, não faço ideia. E quando surgiu essa conversa do Bayern não querer renovar, comecei a ficar preocupado, porque depois das lesões as coisas ficaram complicadas. E Hugo disse que eu precisava atrair mídia, porque as pessoas têm memória curta e se esquecem muito fácil de jogadores, então se eu quisesse voltar para a seleção para o Bayern, eu precisava atrair mídia. Envolver você foi uma ideia do Hugo, acho que Leonard mencionou como a mídia vinha sendo cruel com você e eles resolveram unir o útil ao agradável. – respondeu e assentiu. – Acho que você não gostou muito, né?
– O meu problema não é com você, longe disso, mas com essa ideia absurda de ter que agradar a mídia e arrumar um namorado apenas porque eles querem me ver namorando alguém, ou encontrar uma pessoa para ser “minha inspiração”. Duas das minhas músicas mais românticas foram escritas para os meus pais, mas ninguém acredita quando eu falo isso. Não vejo mal nenhum em te ajudar, ainda que eu não ache que eu vá conseguir que você volte para a seleção e que o Bayern renove com você, mas acho um absurdo que eu seja obrigada a ter um namorado ou alguém só porque sou mulher.
– Me cobram namorada, porque sou jogador de futebol. – respondeu e deu um suspiro sentido. – E, infelizmente, em alguns momentos temos que ceder pra conseguir viver nossos sonhos em paz.
– Conheço vários casais que são de contratos, alguns até tem química, outros são um verdadeiro desastre. E conheço um que deu certo e virou amor de verdade, mas não posso contar qual é.
– Espero que o nosso seja convincente.
– E se não der certo?
– Melhor tentar e não conseguir, do que não conseguir por não ter tentado.
– Uau, frases prontas da internet. – brincou. – Temos bastante tempo pra ver se funciona.
– Hugo está conversando com o Stuttgart. É muito provável que eu vá pra lá.
– Sério? – perguntou e assentiu sem tirar os olhos da rua. – Não acho que o Stuttgart seja ruim, mas e as propostas de outros países? Eu li algo sobre o Liverpool.
– Olha, você está lendo coisas sobre mim? – brincou. – Mas isso não é oficial. Pelo menos não chegou nada oficial pra gente.
– Entendi. – falou e pegou o celular na bolsa.
– E você vai embora hoje ainda?
– Não sei, acho que sim.
– Fica. O jogo é aqui esse fim de semana, você pode ir ao estádio ver o meu show.
– Olha, eu já te vi jogando diversas vezes, não é bem um show. – provocou e rolou os olhos, fazendo-a rir. – Mas é uma boa, vou avisar ao Leonard.

🎤❤️⚽️
– Eu não ia usar uma camisa do Schalke, sinto muito. – falou quando se aproximou, na saída do estádio ao final do jogo. Usava uma camisa da seleção alemã com o nome e o número dele. E era, literalmente, dele.
– Eu imaginei mesmo.
– Bom jogo.
– Obrigado. – sorriu agradecido.
– Vamos comer alguma coisa? Tô com muita fome.
– Estranho seria se não estivesse. – riu em provocação e rolou os olhos.
– E preciso ir pra Düsseldorf hoje ainda.
– Por quê? – perguntou curioso e os dois entraram no carro do jogador, ele no banco do motorista e ela no banco do carona.
– Porque minha vida acontece em Munique.
– Amanhã eu tô de folga, fica.
– Você tá levando a sério demais esse namoro, . – deu um sorriso debochado enquanto dirigia pra fora do estádio.
– Eu tenho dezoito meses, lembra? – Perguntou num tom divertido.
– Dezoito meses pra conseguir o que quer, não pr… – começou a dizer e ouviu seu telefone tocar. Quando o tirou da bolsa, se arrependeu quase que imediatamente. Era o irmão. – Meine Liebe! – ela fingiu uma animação inexistente
– Meine Liebe um cacete, que história é essa que você estava na Veltins-Arena num jogo do Schalke e que tá namorando o ?
– Eu estava vendo meu namorado jogar. – respondeu num tom óbvio e prestou um pouco mais de atenção na conversa, apesar de não saber quem era e nem ouvir quem falava do outro lado da linha.
– Você tá grávida? – perguntou nervoso e deu uma gargalhada.
– Não!
– Então por que tá namorando um jogador?
– Porque a gente não escolhe por quem vai se apaixonar, idiota. – respondeu e o irmão ficou em silêncio um amontoado de segundos antes de falar, dessa vez num tom mais calmo.
– E quando você pretende trazê-lo para conhecer a família?
– Vamos comer agora e voamos pra Munique. Avisa a mãe e o pai que vamos almoçar lá amanhã.
– Nos vemos amanhã. – ele resmungou antes de desligar.
– Acho que podemos ir direto pra sua casa, vou ligar e pedir ao piloto pra irmos para Munique ainda hoje. Chegou a hora de te apresentar pros meus pais.

Sauerbraten mit Knödel: joelho de porco. A carne é bem macia e a pele por fora é crocante. Normalmente vem acompanhado de chucrute e batata.
Käsespätzle: macarrão caseiro beeeem fininho e servido com bastante molho de queijo e cebola frita por cima.
Meine Liebe: Meu amor

Capítulo 03

– Tem alguma coisa que eu preciso muito saber sobre eles? – perguntou nervoso quando saíam do apartamento de .
– Minha mãe, provavelmente vai te bajular, meu pai vai te olhar torto e Davi vai querer atirar em você, mas ele não tem uma arma e provavelmente eu sou mais forte que os dois, então você não vai apanhar. Ambos amam o Bayern e cervejas, talvez isso ajude na conversa. E meu pai ama pescar. Eles não vão fazer nada para te deixar constrangido ou qualquer coisa do tipo, minha mãe pode ser que deixe, porque vai te bajular de verdade. Davi vai olhar torto por um tempo, mas logo eles ficam normais. Eles fizeram isso quando levei meus ex-namorados em casa.
– Você já teve namorado? – perguntou surpreso e assentiu.
– Alguns, mas não deu certo.
– E você ainda gosta de um deles. – concluiu.
– Não. Não mais. – deu de ombros enquanto caminhavam até o carro que estava na garagem.
– E alguma coisa aconteceu? – perguntou tomando seu lugar no banco do carona.
– Sim, com um deles.
– Sinto muito.
– Por ele, só se for. – deu de ombros enquanto saía da garagem do prédio. – Na época foi horrível, chorei muito e achei que não sobreviveria, mas sobrevivi e muito bem.
Antes que pudesse falar alguma coisa, o telefone de tocou e ela atendeu pelo painel do carro.
, espero que você tenha uma explicação excelente para que sua melhor amiga não tenha sido a primeira a saber sobre seu namoro com .
– Oi . – disse rindo. – E fale oi para o também.
– Por que você atendeu essa merda no viva-voz? – a amiga perguntou envergonhada. – Agora ele vai achar que eu sou doida!
– Eu já acho. – se pronunciou rindo. – Finalmente é bom associar uma voz aos relatos e a imagem em algumas das fotos de .
– Relatos? perguntou curiosa e o olhou de canto. Contou pouca coisa sobre , ele não podia nem imaginar que a amiga é realmente doida.
– Ela me contou algumas histórias. – disse num tom divertido. – E espero que não seja um problema que eu seja o namorado dela.
– Zero problemas quanto a isso, pode ficar tranquilo, . falou educada. – O problema é que resolveu não me contar antes de deixar o mundo saber.
– Você está ocupada com os preparativos do casamento, não quis interromper.
– Nem me fale nos preparativos desse casamento. falou num resmungo deprimido. – Você é uma péssima madrinha! Preciso da sua ajuda.
– Estou livre essa semana, meine Süsse, e sou toda sua.
– Espero mesmo.
– Acabei de chegar na casa dos meus pais, nos falamos mais tarde.
– Tudo bem. Tchau, casalzinho. desligou bem quando estacionou o carro.

A casa branca e as madeiras da cerca, dos telhados e das janelas era escuro, quase preto, não era grande. A cerca era simples, reta, sem vãos e contornava a entrada da casa, deixando livre apenas a garagem. Havia grama, além de um pequeno jardim que parecia muito bem cuidado. As janelas frontais do segundo andar possuíam um suporte com flores, reparou. Era uma casa muito bonita e bem cuidada.
A porta escura era um pouco mais larga que as portas convencionais e os dois pararam sobre um tapete vermelho com um escudo do Bayern de Munique.
tocou a campainha e juntou as mãos com as dele antes que uma figura masculina abrisse a porta. Ele analisou de cima a baixo e depois de baixo a cima, parando demoradamente nas mãos juntas dos dois. Tinha uma garrafa de cerveja na mão direita, usava uma bermuda, camiseta e um boné virado para trás. E era do tamanho de .

– Você vai nos deixar entrar em casa ou vai ficar atrapalhando a passagem? – perguntou em um tom atrevido, soltando a mão da de e abraçando o irmão da forma mais apertada que conseguiu.
– Entra logo, idiota. – Davi resmungou a abraçando de volta, dando um sorriso ao fazê-lo. – Vocês demoraram.
– É meio dia agora, idiota. – falou, se soltando do abraço e virou-se para , que encarava a cena entre os dois irmãos. E parecia estranhamente familiar, porque ele e a irmã se tratavam da mesma forma quando se encontravam. – Davi, esse é . , esse é o Gremlin que meus pais acharam no lixo e pensaram que seria legal trazer pra casa e ver no que daria, nós o chamamos de Davi.
– É um prazer finalmente conhecê-lo. – disse educado estendendo a mão e Davi o cumprimentou.
– Agora seja educado e ofereça uma cerveja ao seu cunhado. – disse e Davi rolou os olhos. – Cadê a mãe e o pai?
– Cozinha. – Davi apontou e os três seguiram pelo corredor.

reparou que havia diversas fotos penduradas nas paredes do corredor pelo qual passavam. Fotos de e Davi juntos e separados, em atividades escolares, premiações, festas… os pais, outras pessoas. Havia um arranjo de flores também antes da entrada da cozinha. E quando entraram no cômodo, encontraram duas pessoas: os pais de .
O homem estava encostado ao batente da porta que dava para o quintal aos fundos da casa e era do tamanho de Davi, não parecia tão velho, apesar de ter alguns cabelos brancos espalhados pelos cabelos castanhos, estava de costas para a cozinha, tinha uma das mãos na cintura e observava alguma coisa no quintal.
A mulher era menor, devia ter pouco mais de um metro e sessenta, os cabelos loiros estavam presos em um coque firme. Ela ria de algo, enquanto lavava alguma coisa que não conseguiu ver o que era.

– Cheguei. – se anunciou e os pais se viraram na direção da voz dela.
era quase a cópia do pai, mas os olhos, tanto no formato quanto na cor, eram idênticos aos olhos da mãe. Ela abraçou a mulher de forma carinhosa, recebendo um beijo demorado no rosto, enquanto o pai de observava atenta e demoradamente. Ele também tinha uma cerveja em mãos.
– Finalmente! Achei que tivessem desistido. – a mulher disse dando outro beijo no rosto de e a olhando demoradamente, segurando o rosto da mais nova entre suas mãos para analisar cada milímetro possível. Novamente, sentiu-se familiarizado, pois sua mãe fazia o mesmo todas as vezes que ele ia visita-la. – Você está dormindo direito?
– Sim.
– Defina o dormir direito, . – a mulher a olhou séria e rolou os olhos antes de ir abraçar o pai, que a envolveu num abraço apertado que a fez soltar uma risadinha manhosa, enquanto se aconchegava ao carinho do pai. – Você vai começar a viajar pelo mundo de novo em breve, precisa dormir direito!
– Eu sei disso, Mama. E eu estou dormindo direito. E eu escrevi uma música pra vocês. De novo. – falou dando um sorriso para a mãe, mas sem se soltar do abraço do pai, e a mulher sorriu de volta.
– Fico esperando a minha música. – Davi reclamou em tom ciumento e o olhou de forma divertida.
– Eu já escrevi uma música pra você, Davi, esqueceu? Aquela sobre o idiota… – ela provocou e ele lhe mostrou o dedo do meio.
– E quem é esse rapaz bonito? – a mãe de , finalmente, se virou para e deu um sorriso enorme ao vê-lo.
– Esse é o , mãe, meu namorado. – se soltou do abraço do pai e foi até , o puxando pela mão até que ele se aproximasse mais da reunião familiar que acontecia ali e da qual ele tinha sido excluído. – , essa é minha mãe, Mia, e esse é meu pai, Thomas.
– É um prazer conhecê-los, senhor e senhora . – estendeu a mão para cumprimentar os dois. A mãe de o olhava encantada, o pai estava desconfiado, mas foi absolutamente educado.
– Pegue uma cerveja pra ele, Davi. – Mia ordenou. – E não me chame de senhora, me chame de Mia. E ele é Thomas. Não somos tão velhos assim.
– Estávamos esperando vocês. – Thomas disse sério, mas em tom educado e sem parecer rude. – Vamos colocar a mesa para almoçar.
– Qual o cardápio do dia? – Davi perguntou curioso.
Sauerbraten mit Knödel e Käsespätzle. – Mia respondeu e deu um sorriso enorme ao ouvir aquilo.
– Lavem as mãos. Seu pai e eu vamos levar para a mesa. – Mia disse ainda olhando admirada para .
– Vão vocês lavarem as mãos. – apontou para os homens. – Vou ajudar minha mãe com isso. Só não matem o , por favor. Eu não tenho dinheiro suficiente pra pagar ao Bayern se isso acontecer.
Davi rolou os olhos e os três saíram da cozinha. Mia agora tinha o olhar fascinado voltado para a filha.
Mama, para de me olhar assim. – resmungou.
– Bonitinho que seu namorado seja aquela sua paixãozinha adolescente.
– É, mas ele não precisa saber desse detalhe, Mama, por favor. – a mais nova resmungou pegando a travessa e seguindo até a mesa na sala de jantar. Pouco depois, estavam todos sentados para almoçar.
– E então, como vocês se conheceram? – Davi perguntou curioso.
– Hugo e Leonard. – deu de ombros enquanto se servia. – Hugo é o empresário de . Ele e Leonard são amigos da faculdade, acharam que seríamos um bom casal e nos apresentaram.
– Você deve estar bem feliz, kleine Schwester.
– Claro que eu estou feliz. Eu não namoraria alguém se não fosse pra estar feliz com a pessoa, Arschloch.
– Olha os modos, mausi. – o pai a advertiu.
– Desculpa.
– Eu digo, você está feliz por estar namorando com ele, especificamente. – Davi provocou dando um sorriso de lado.
– O que ele quis dizer com isso? – perguntou curioso.
– Lembra que eu te falei que quando o Davi fala a gente deve ignorar? Pois é. – respondeu fuzilando o irmão com o olhar.
– Eu quis dizer que ela está muito feli… AI! Você me chutou? – Davi perguntou bravo.
– Foi sem querer, kleiner Bruder. – disse se fingindo de sentida. – Desculpa.
– E há quanto tempo vocês estão namorando? – Mia foi quem quis saber.
– Acho que não tem nem um mês. – deu de ombros.
– É legal que você esteja namorando seu ídolo da adolescência, filha. – Thomas se pronunciou, fazendo Davi dar uma gargalhada exageradamente alta e suspirar.
– Ídolo da adolescência? – perguntou sem entender o que o homem quis dizer com aquilo. queria cavar um buraco e se enfiar lá.
– Chuta o pai também, . – Davi provocou e ela quis mandá-lo para cinco lugares diferentes, ainda que em outro idioma, mas não o fez em respeito aos pais que estavam à mesa.
– Ela nunca te contou? – Thomas perguntou surpreso. – Quando tinha uns dezesseis anos, ela era muito sua fã. Tinha pôsteres, camisas e tudo mais que pudesse e fosse relacionado a você e ao Bayern, mas nunca teve tempo hábil de ir conhecer os jogadores.
– Eu não sabia disso. – disse reprimindo uma risada ao ver totalmente envergonhada.
– Quando ela começou a namorar o Nicholas, isso diminuiu, mas acho que não totalmente, pelo visto. – Mia falou, dando um sorriso para a filha.
– Obrigada de verdade, gente. Agora ele vai encher o meu saco pra sempre! – resmungou envergonhada. – E é exagero, eu não tinha pôster nenhum. Era uma foto que ficava colada ao lado de outras fotos dos jogadores do Bayern e da seleção.
– Não era só uma foto, eram várias. Com vários corações colados junto. – Davi se pronunciou.
– Eu preferia que a mãe mostrasse fotos antigas embaraçosas. Seria menos vergonhoso do que isso. – resmungou e voltou a comer. teve que se segurar para não rir da expressão desolada dela.
– Bom, eu não a conhecia pessoalmente, mas minha irmã é muito fã de desde o começo da carreira. Ainda tem pôsteres pela parede do quarto e tudo mais que é possível, como nós morávamos juntos, posso dizer que eu também tinha pôsteres dela espalhados pelas minhas paredes. – falou, tentando amenizar a situação e deu um sorriso para .
– Mas eles não eram seus. – David provocou.
– Vocês dois têm certeza que esse Gremelin encontrado no lixo tem vinte e oito anos mesmo? – perguntou rolando os olhos e Davi lhe mostrou a língua.
– Mia, devo dizer, o almoço está fantástico. – mudou de assunto antes que os dois irmãos começassem uma discussão e acabassem jogando comida um no outro. – E, Thomas, excelente Sauerbraten mit Knödel. O melhor que já comi. Só não deixe minha mãe ouvir isso.
– Obrigado. – Thomas disse dando um sorriso agradecido.

O almoço se seguiu, acompanhado de um Apfelstrudel com sorvete e creme. ajudou a mãe a lavar os pratos para colocar a conversa em dia com a mais velha; enquanto , Thomas e Davi conversavam animadamente na sala sobre pescaria, que era algo em comum entre os três.
estava preocupada com tudo aquilo, não tinha a intenção de envolver a família naquilo, mas não tinha outra saída, uma hora ou outra, os pais iam querer conhecê-lo.
Os dois passaram o resto da tarde na casa dos pais de e era quase noite quando foram embora, já que precisava voltar para Gelsenkirchen, afinal, tinha de treinar no dia seguinte pela manhã. Despediram-se sem muita demora e prometeu voltar naquela semana, teria uma semana livre antes de gravar alguns vídeos e viajar para os Estados Unidos, onde faria três shows, gravaria dois videoclipes, três programas de televisão e voltaria para casa, depois de um mês, para férias. Junto com as férias de .

– Minha fã, uh? – provocou enquanto dirigia de volta ao próprio apartamento.
– Fatos exagerados. – respondeu sem olhá-lo e deu de ombros. – A camisa eu realmente tenho, quanto ao resto é mentira.
– Sei… – brincou. – Você vai me levar ao aeroporto?
– Vou. Você comprou a passagem? Eu não falei com o Mark e não sei se o avião tem condições de voo.
– Comprei.
– Então eu te levo. E vamos ficar um bom tempo sem nos ver, você sabe.
– É, você mencionou. E sim, entendi bem que não devo postar mil fotos nossas e essas coisas, porque sempre fui muito reservado com a minha vida pessoal e assim continuarei. Alguns stories, quando você mandar, nada exagerado.
– Bom menino. – respondeu dando um sorriso quando o olhou rapidamente antes de voltar sua atenção para a rua. – Que horas é o seu voo?
– Nove e quarenta.
– Temos tempo.
– Você viaja na outra semana ainda, certo?
– Sim.
– Preciso te levar até a minha casa, minha mãe vai querer te conhecer também, eu tenho certeza. E provavelmente a Ute já deve ter falado sobre você e nosso namoro.
– Por mim tudo bem, a gente marca. – voltou a dar de ombros, colocando o carro em sua vaga habitual na garagem do prédio.

Os dois subiram em silêncio até o apartamento. seguiu o corredor até o próprio quarto, subiu até a parte aberta e observou a extensão da cidade que se iluminava aos poucos com o cair da noite. Sentia falta de Munique, não apenas do time, mas da cidade. Era um lugar ótimo para morar, sua família e seus amigos estavam ali. Munique era um lugar fantástico e ele sempre amou tudo naquele lugar. Tudo.
Era péssimo estar sozinho, a maioria dos amigos estava em Munique, a mãe não podia ficar viajando o tempo todo, porque tem a própria vida na cidade, a mesma coisa também servia para sua irmã, com quem ele tinha acostumado a morar durante boa parte da vida. E esse é um dos inúmeros motivos de querer voltar para o Bayern, ali ele estaria perto das pessoas que ama, no lugar que ama e no time que ama. Não devia ter que sair de lá sem querer. Era feliz no Bayern, por que não podia continuar lá até se aposentar?

– Gostou da vista? – apareceu depois de um tempo. Usava uma calça jeans e uma camisa preta lisa. Os cabelos estavam molhados e ela os secava com uma toalha.
– É bem bonita.
– E inspiradora. – falou e parou ao lado dele. – Gosto de ficar aqui, me faz pensar bastante e a maioria das músicas desse novo álbum saiu daqui.
– Posso te fazer uma pergunta? – perguntou sem olhá-la, ainda observava a cidade começar a se acender para a noite.
– Tenho o direito de não responder? – perguntou e assentiu positivamente. – Então, sim.
– Você acha que foi a escolhida nessa história, por causa dessa história de ser minha fã?
– Eu tenho certeza absoluta. Não acho que Leo teria me deixado entrar nisso se fosse me prejudicar de alguma forma, mas tenho certeza que fui uma escolha proposital não apenas pela mídia, mas porque eu nunca seria capaz de te prejudicar e jogar tudo isso no ventilador. Eu sairia como a vítima, vocês três sairiam como os vilões e eu acabaria com sua vida. Eu jamais faria uma coisa dessas. Nem por todo dinheiro do mundo eu seria capaz de prejudicar alguém, ainda mais se esse alguém for você.
– Obrigado. – agradeceu e se virou, olhando pela primeira vez desde que aquela conversa tinha se iniciado. – Tanto por aceitar entrar nessa história, quanto por não me cobrar nada.
– Se não der em nada, eu espero que pelo menos a amizade sobreviva.
– É, eu também. – disse dando um sorriso fraco. – Ainda que seja bem estranho para as pessoas que ex-namorados sejam amigos.
– Ninguém precisa saber dos detalhes. – falou dando um sorriso de lado. – E você deveria arrumar suas coisas, daqui a pouco preciso te deixar no aeroporto.
– Você vai fazer outro show aqui?
– Agora só nos Estados Unidos, fico lá por um mês e volto, se casa, tiro férias, o álbum sai e eu começo a divulgação antes de viajar em definitivo para a turnê.
– Nós vamos namorar à distância, aparentemente. – disse num tom divertido.
– É. – ela riu. – Vamos namorar por fotos no Instagram.
– Mas você não vem pra casa nenhum dia?
– Não sei, ainda não montei a rota da turnê, mas acho que sim. – respondeu e assentiu. – Mas você deve ir a alguns shows quando estiver desocupado. E, provavelmente, você vai comigo em algumas premiações, se estiver disponível.
– Você vai estar aqui em dezembro?
– Acho que sim, por quê?
– Jantar de fim de ano do clube. Seja lá qual for. Todos os clubes têm isso. – deu de ombros. – Se você estiver por aqui e quiser ir, seria legal te levar como acompanhante.
– Se eu estiver aqui, vou com o maior prazer. – sorriu. – Vamos precisar comprar um terno bem bonito pra você.
– Vamos?
– Você vai ao casamento da comigo.
– Quando você quiser. – respondeu e deu um sorriso simpático, saindo de perto de e descendo até o quarto em que tinha ficado. Ela ainda ficou ali um tempo antes de descer as escadas e encontrar na sala.
– Você já está pronto? – ela perguntou se aproximando e ele assentiu. – Falta uma hora pro seu voo sair. Você já fez o check-in pelo celular?
– Fiz. – respondeu e a olhou. Ela se sentou ao lado dele.
– É muito estranho tudo isso, você não acha?
– Só na frente das pessoas. – falou dando de ombros. – Quando somos apenas os dois, não precisamos fingir nada. Podemos ser amigos.
– Podemos.
– Principalmente porque você tem um videogame e uma prateleira cheia de jogos. – ele brincou. – Será que dá tempo de uma partida de FIFA antes de ir?
– Duvido que vamos jogar uma só. – disse rindo e se levantou, indo até a prateleira e pegando o FIFA 2017. Ele já tinha ligado a televisão e ela se preocupou em ligar o videogame e os dois se sentaram lado a lado. – Já tá preparado pro mundo inteiro saber que você é meu pato?
– Coitada de você.
– Eu vou jogar com o Bayern.
– E eu com o Real Madrid.
– Você vai perder. – afirmou enquanto colocava a partida pra começar.
– Ninguém ganha de mim, . Eu sou invencível.
– Era. Até passar daquele elevador pra cá. – piscou. – E eu vou te filmar nos stories e espalhar pro mundo inteiro que você é meu pato.
– Você não tem tanta sorte assim. – provocou enquanto jogavam e logo ficaram em completo silêncio.
Silêncio que durou até ele fazer o primeiro gol e dar um grito em comemoração, ficando de pé e erguendo os braços.
– Cristiano Ronaldo! SIIIIIIIIIU! – provocou.
– Eu vou virar.
– Claro que vai. – ele riu.
E ela virou.
Dois gols de Robben e gritou tanto que parecia que aquilo valia um título de Liga dos Campeões de verdade. ria da reação exagerada e fez realmente um vídeo para postar no Instagram zoando o rapaz.
– Anda logo, você vai me fazer perder o voo.
– O que você tem a dizer sobre sua derrota? – provocou.
– Que foi sorte de principiante. – sorriu debochado.
– Dá um tchauzinho pra cá, gracinha. – provocou e ele rolou os olhos.
– Anda logo, você vai me fazer perder o voo. – repetiu rindo e ela riu, publicando o vídeo.
– Vamos logo então. – falou e se pôs de pé, pegando a mochila no outro sofá e os dois desceram, enquanto ainda o provocava.
– Semana que vem tem troco.
– Sonha. – disse quando entraram no carro.
Assim que afivelaram os cintos, deu partida e eles seguiram para o aeroporto, enquanto ela o alfinetava pela derrota no jogo e ele ria da empolgação com que ela comemorava aquela vitória. deixou o carro no estacionamento e eles seguiram lado a lado rindo.
– Acho que os stories não foram uma ideia muito boa. – resmungou quando avisou alguns fotógrafos que pareciam estar esperando pelos dois, mas ainda não os tinham visto. Ela suspirou e passou o braço pela cintura dele e o fez abraça-la pelos ombros.
– Aja naturalmente. – murmurou enquanto caminhavam.
Quando entraram no saguão, as presenças foram notadas pelos fotógrafos e os flashes começaram. O voo, felizmente, sairia em alguns minutos e ele não demoraria ali.
– Ei, casal, deem uma olhada para as fotos. – um dos fotógrafos pediu, mas eles não se viraram.
– Precisamos nos abraçar. – falou entredentes e estava virada de frente pra ele e de costas para os paparazzi, apenas o envolveu com o outro braço e ele a abraçou, quase da forma como o pai dela havia feito mais cedo. – Nos vemos no fim de semana?
– Se você quiser ir pra Gelsenkirchen me ver essa semana, pode ser antes. – falou a soltando minimamente para olhá-la nos olhos. Um dos fotógrafos estava próximo, ouviria aquilo.
– Não posso garantir, preciso mesmo ajudar a . – ela fez uma careta e ele sorriu. A primeira chamada do voo aconteceu e ele deu um sorriso de lado.
– Nos falamos quando eu chegar em casa. – ele falou e ela assentiu.
– Boa viagem. – ela disse, dando em um selinho e um sorriso em seguida.
– Só isso? – ouviram um dos paparazzi falar.
A segunda chamada do voo. Ele se afastou, rumando ao portão em que seu avião sairia e ela nem mesmo se deu o trabalho de ouvir o que os paparazzi diziam, apenas deu meia volta e seguiu até seu carro o mais rápido possível, antes que fosse impedida de sair de lá.

🎤❤️⚽️
– Eu quero te dar um soco! – disse séria e a olhou assustada. Tinham terminado de escolher a decoração, cores, flores, pratos e tudo mais para o casamento, depois de uma semana de trabalho intenso na organização do evento.
– O que eu fiz?
– Estava enfiada no estúdio trabalhando! Eu não consegui fazer nada desse casamento e você pensou em TUDO em menos de uma semana!
– Você está surtando, eu não. – riu. – E você pode relaxar, porque tá tudo feito e combinado.
– Eu fico muito agradecida que você seja minha madrinha, você pensou em tudo bem rápido e me ajudou demais, mas vamos falar do que interessa. Quero saber essa história toda de namoro com o seu crush da adolescência.
, nós estamos um tanto velhas pra usar essa palavra. – disse rolando os olhos. – Não há muito que ser dito e… na verdade, preciso te contar uma coisa, mas você tem que prometer que nunca vai contar nada pra ninguém.
– VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA? – gritou assustada, fazendo gargalhar e se sentar no sofá.
– Não. – ela disse ainda rindo. – Se eu estivesse grávida, em breve o mundo inteiro ficaria sabendo.
– É, isso é.
– Mas é sério. Não vou conseguir mentir pra você e preciso que você guarde segredo eternamente.
– Ai meu Deus… – se ajeitou no sofá e encarou .
e eu não somos um casal de verdade. É um contrato, ele quer voltar para o Bayern e pra seleção e precisa de mídia. E, aparentemente, eu fui a melhor opção. Leonard é amigo antigo do empresário dele e eles tiveram essa ideia.
– Como é que é? – parecia mais em choque ainda.
– Eles acham que por eu ter muita mídia, vou levar os holofotes para . A parte boa é que eu entro em turnê em breve, então não vamos passar muito tempo juntos, só postar fotos falando que estamos sentindo falta um do outro e essas coisas. Quer dizer, eu né, porque ele não posta nada da vida dele e se começar a fazer isso do nada, as pessoas vão desconfiar. Sou apenas um trampolim e um holofote para que ele ressurja, uma coisa bem fênix mesmo.
– Por quanto tempo?
– Um ano e meio a contar de quando assumimos, então faltam dezessete meses.
– Você sabe que dezoito meses e um ano e meio são coisas diferentes, certo?
– Sei, senhora minha advogada. – falou e soltou um suspiro, jogando a cabeça para trás, desviando os olhos de e encarando o teto. – Infelizmente, eu acho que não era só um crushzinho. E ele é gay, então…
– Eu vou matar o Leonard! Onde já se viu? Isso não é coisa de se fazer! Ainda mais que ele sabe disso tudo!
– NÃO! – disse num rompante. – Leonard não pode nem sonhar que você sabe. Você vai ter que fingir que acha que somos o novo casal do futepop e que nos ama muito.
– Vocês acordaram alguma quantia em dinheiro? Por que esse contrato nunca chegou até mim?
– Não é escrito, foram termos verbais. Não dá pra correr o risco de redigir e isso cair na mídia.
– Eu sinto muito, . – abraçou a amiga. – Se eu pudesse, eu mataria o Leo, mas não posso. E quero que você me apresente seu namorado, em todo caso. Sendo ele de verdade ou não.
– Ele é muito educado e fofo, apaixonável, eu diria, mas gay e isso é fora do meu alcance.
– De onde você tirou que ele é gay? Ele falou?
– Não, mas nem precisa. – deu de ombros. – Tá muito na cara.
– Eu não acho que seja, em todo caso, mas se você diz… – fez um carinho no cabelo da amiga. – Acho que devíamos sair pra nos divertir.
– Não posso sair hoje, vou jantar com minha digníssima sogra.
– Vocês enfiaram suas famílias nisso?
– Não tem como ser diferente, . Eles não sabem. – suspirou. – E preciso ir, precisa de um terno pro seu casamento e eu ainda tenho que ir pra casa da mãe dele.
– Espero que ele fique bonito.
– Claro que vai, eu estou refazendo o guarda-roupa, tanto que ele está bem menos largado agora. E ainda tenho que fazer malas pra viajar. – ela resmungou. – Mas volto para a última prova dos vestidos e da sua despedida.
– Ainda bem, você é quem vai garantir nosso acesso a qualquer lugar. – disse rindo.
– Pela primeira vez na vida minha fama vai servir de alguma coisa pra você, olha que emocionante. – falou rindo e fez rir junto. – Nos falamos depois.
– Depois você me conta sobre esse jantar.
– Com certeza. – se pôs de pé e as duas se despediram com um abraço.

🎤❤️⚽️
A maior dúvida de naquele momento era o que vestir para ir jantar com a família de . Não queria causar má impressão. Vestiu uma calça jeans skinning preta de cintura alta e encarou as blusas do closet. Não queria ir muito desleixada, mas também não podia ir produzida parecendo que estava prestes a ganhar um Grammy. Se fosse toda de preto, podia ser mal interpretada, assim como se fosse muito colorida.
Colocou uma blusa cinza de mangas compridas e que batia na metade de suas coxas um pouco mais grossa pelo frio que fazia em Munique naquele dia, uma jaqueta jeans de lavagem clara e uma bota marrom de cano curto com um salto pequeno de madeira. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo, fez uma maquiagem simples e leve, colocou um colar grande, pegou uma bolsa para colocar a carteira, chaves, outra blusa de frio e o celular, e voltou para a sala.
Ele estava sentado, concentradíssimo jogando videogame, com a boca aberta enquanto mexia os dedos pelos botões e nem mesmo percebeu quando ela chegou ao cômodo.

– E aí, vai ficar jogando ao invés de irmos comer? – perguntou e desviou a atenção do jogo para ela.
– Minha mãe deve estar nos esperando. – ficou de pé e desligou a televisão.
– Somos apenas os três?
– Não. Ute vai levar aquele babaca que namora com ela. – rolou os olhos.
– Qual é a da implicância com ele?
– Ele é um otário.
– Ciúmes, entendi. – disse rindo e os dois saíram do apartamento. Uns andares abaixo, o elevador parou e um dos vizinhos de , que nunca a cumprimentava, entrou e ficou encarando os dois descaradamente, só parou quando desceu na portaria e eles continuaram no elevador até a garagem. – E então, devo saber algo sobre sua mãe?
– Só que ela é ótima. – sorriu, afivelando o cinto. – E provavelmente vá contar pra você sobre seus pôsteres que a Ute tem.
– É muito difícil ser fã nos dias de hoje. – resmungou enquanto tirava o carro da garagem.

dirigiu seguindo as orientações de , até que chegaram à casa. Era uma casa muito bonita, diferente da casa dos pais de , era ampla e tinha um espaço grande entre a cerca e a porta de entrada. Parecia a casa da Barbie. Ela estacionou à frente da casa e os dois desceram.
Os dois pararam em frente à porta e ele tocou a campainha, estendendo a mão para e ela entrelaçou os dedos aos dele. A porta não demorou a ser aberta por Ute, que deu um sorriso ao vê-los. Cumprimentou com um abraço e um beijo no rosto e deu um abraço no irmão.

– Que cheiro gostoso. – falou quando entrou na casa.
– Eu te falei, minha mãe é a melhor. – deu um sorriso, que morreu assim que viu o cunhado aparecer no hall e dar um sorriso para ele.
– Ah, finalmente vocês chegaram. – Höward disse e olhou demoradamente para .
– Alguém ficou jogando FIFA e esqueceu que tínhamos que sair. – provocou . – Talvez agora ele aprende a jogar e consegue me vencer.
– Você teve sorte, já falei.
– Reconheça, eu sou melhor que você.
– Eu ganho dele no FIFA, ele é realmente péssimo. – Ute entrou na brincadeira e rolou os olhos.
– Você ganhou uma única vez e porque eu deixei.
– Se isso é o que te faz colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo à noite, tudo bem. – Ute disse rindo. – E vamos comer, eu tô morrendo de fome. E a mãe fez aquele risoto maravilhoso.
– Ela não tinha dito que ia fazer ravióli? – perguntou confuso enquanto caminhavam até a cozinha.
reparou nas fotos pelas paredes, e Ute em uniformes de futebol e quimonos, roupas comuns, fotos de escola, além de fotos com os pais, sozinhos e juntos. Os dois pareciam ser bem amigos desde pequenos, ainda que a diferença de idade fosse razoável, seis anos. E talvez isso explicasse o ciúme de pela irmã.
– Chegamos. – disse entrando na cozinha.
A mãe estava arrumando a mesa e já havia colocado a travessa de raviólis por lá. Ela ergueu os olhos e deu um sorriso ao ver os dois juntos. reparou como se parecia com ela, ainda que fosse muito mais parecido com o pai, os traços da mãe estavam bem presentes nele. A mulher caminhou diretamente até , já que havia visto o filho mais cedo, e a abraçou.
– É um prazer conhecê-la. – a mulher sorriu, quando soltou-se do abraço. – Meu nome é Helga.
– Muito prazer, eu sou , mas me chame de , por favor.
disse que você gosta de comida italiana, fiz ravióli especialmente pra você. – a mulher sorriu.
– Não era risoto? – Ute perguntou confusa.
– Tapada. – lhe deu um tapa na testa e a irmã lhe beliscou.
– Parem com isso vocês dois. – Helga disse séria. – O que vai pensar sobre nossa família se vocês ficarem implicando um com o outro assim?
– Vou pensar que todos somos iguais. – deu um sorriso. – Meu irmão e eu somos do mesmo jeito.
– Temos que lavar as mãos antes de comer. – se pronunciou. – Vem, .
– Com licença. – pediu e saiu com pelo corredor, até o banheiro que ficava algumas portas à frente. – Que cara é essa?
– Eu detesto esse namorado da Ute. – resmungou enquanto lavavam as mãos no banheiro do corredor. – E ele tá olhando pra sua bunda descaradamente. Não tá nem mesmo tentando disfarçar e na frente da minha irmã. Ele é um otário.
– Relaxa. – sorriu, secando as mãos e ele fez o mesmo. – Vamos jantar e logo isso acaba.
– Tudo bem. – resmungou e os dois voltaram para a cozinha.

O jantar foi tranquilo, a mãe de fez basicamente as mesmas perguntas que os pais de , sobre como tinham se conhecido, desde quando estavam juntos e coisas típicas de pais quando os filhos levam os namorados até suas casas para serem formalmente apresentados.
Ute e Höward também participavam da conversa e reparou como o homem a olhava. Nojento. , como se tivesse percebido, a puxou para mais perto e ela se encostou nele. Não era possível que Ute não tivesse notado que o namorado estava agindo daquela forma.
Comeram um pudim de leite condensado de sobremesa e resolveu ajudar a sogra com a louça, mandou para a sala com o cunhado e a irmã e as duas ficaram sozinhas na cozinha. Por um tempo, ficaram em silêncio, lavava os pratos e Helga os enxugava e guardava.

– Você gosta dele mesmo? – Helga perguntou e se virou para olhá-la. A mulher tinha um olhar ansioso, de uma mãe excessivamente protetora e que queria resguardar o filho de todo mal.
– Gosto sim. – sorriu de lado. Não era mentira, em todo caso, afinal.
– Desde que o pai deles morreu, se tornou muito fechado e retraído, o futebol é a única coisa que o faz relaxar e se soltar. E as lesões todas também o tornaram tão mais fechado e o entristeceram tanto… logo depois ele teve que se mudar, saiu do clube do coração e perdeu espaço na seleção. Não quero que meu filho sofra mais, por favor, não o magoe. – Helga disse séria e assentiu, dando um sorriso leve para a mulher.
– Não tenho essa pretensão. E espero que eu consiga fazê-lo feliz.
– Eu também. E fico muito feliz que ele tenha aberto o coração de novo. E espero que ele nunca mais o feche, vocês formam um casal bonito.
– Obrigada. – agradeceu, dando um sorriso, mas tinha o coração na mão. Ninguém tinha medido exatamente as consequências daquele contrato. Era uma granada que feriria muita gente quando explodisse.

meine Süsse – meu docinho
kleine Schwester – irmãzinha
Arschloch – imbecil
kleiner Bruder – irmãozinho

Capítulo 04

tinha demorado uma eternidade até conseguir dormir no avião e sabia que não poderia continuar seu sono quando chegasse ao hotel em Los Angeles, local da primeira gravação.
Naquela viagem aos Estados Unidos, ainda iria a San Francisco e Las Vegas para gravar os outros dois videoclipes. Faria três shows: um em Denver, um em Miami e um em Dallas, voltaria à Califórnia para gravar The Ellen Show e voaria para Nova York, onde gravaria programas com Jimmy Fallon e James Corden, além de um pocket show, resultado de uma promoção de uma rádio local, e voltaria para a Alemanha. Era cansativo só de pensar.
O desembarque foi tranquilo, tirou fotos com fãs que estavam por lá, além de alguns fotógrafos que costumeiramente fazem plantão em aeroportos e quem chegar é o “sortudo” de ser fotografado, mas foi tranquilo. Seguiram rapidamente até o hotel, deixaram as coisas e tomaram café da manhã antes de irem para o local em que gravariam algumas partes do primeiro videoclipe, que era um dueto com um cantor americano.
Passaram o dia em gravação, parando algumas vezes para acertar detalhes de filmagem e roteiro, uma pausa rápida para o almoço e depois retornaram a todo vapor. Voltariam no dia seguinte, e em todos os demais dias daquela semana, trabalhariam pesado e tentariam terminar tudo dentro daquele prazo.

– Eu dormiria por cinco dias inteiros se eu pudesse. – resmungou enquanto subiam de elevador até o andar em que estavam hospedados.
– Mas não pode. Você tem que estar pronta pra sair às oito da manhã. – Leonard disse sério e resmungou quando a porta do elevador se abriu, revelando o corredor amplo e vazio.
Não teria oito horas de sono, mas como dia havia sido realmente produtivo, não demorariam todos os dias daquela semana para gravar todo o videoclipe e revisá-lo, então, provavelmente, conseguiria descansar durante todo o fim de semana se não surgisse nenhum compromisso de última hora arranjado por Leonard.
O celular tinha sido esquecido o dia inteiro, não teve tempo para olhar nenhuma notificação de redes sociais. Não receberia ligações, mas o Wi-Fi era suficiente para conseguir falar com os pais e amigos. Se é que teria tempo de fazer isso.
Despediu-se de Leonard com um abraço e caminhou preguiçosamente até seu quarto, indo direto para o chuveiro. O banho quente era uma tentativa de relaxar os músculos e tornar o ato de dormir mais fácil, mas nem mesmo teria tempo hábil pra aproveitar seu sono. Ainda que com fome, deitou-se cama de roupão mesmo e apagou quase que imediatamente.

🎤❤️⚽️
– Podemos refazer? Não gostei desse take. – pediu ao diretor enquanto assistiam ao que tinha gravado.
– Qual o problema?
– Não enquadrou bem, o ângulo não ficou bom. E, se você prestar atenção, aqui no canto – ela apontou. – dá pra ver a outra câmera. Ficou parecendo os meus primeiros vídeos que eu fazia em casa antes de ser famosa.
– É mesmo. – o homem resmungou observando atentamente o que tinha dito. – Vamos refazer.

🎤❤️⚽️
– E então, como anda o namoro? – Hugo perguntou a .
Os dois passaram o dia todo jogando videogame e conversando, como os bons amigos que sempre foram, mas mal tinham tempo para sê-lo daquele jeito nos últimos tempos.
– Ótimo. – respondeu dando de ombros e Hugo riu. – Ela viajou tem uns quinze dias, só sei que está viva porque tem postado algumas fotos e eu curto e comento algumas, conforme manda o nosso contrato e a dica dela, sobre não comentar tudo, pra não dar bandeira.
– Ela entende de marketing, no fim das contas. Eu espero que isso dê resultado.
– Eu também espero, porque tivemos que nos apresentar para as famílias um do outro. – falou e Hugo o encarou surpreso. – Eu imaginei que sua cara seria essa, duvido que vocês tenham pensado nisso quando tiveram essa ideia incrivelmente louca e estúpida.
– Realmente não pensamos, até porque vocês estão bem grandinhos pra ficarem se apresentando pra família e essas coisas. Mas logo acaba, vocês têm prazo de validade.
– Só espero que isso renda seleção e minha volta para o Bayern.
– Você está recuperado e jogando bem, então não tem motivos para isso não acontecer. E eu preciso ir, tenho um encontro.
– Eu desejaria sorte, mas você não é o tipo de cara que precisa disso. – falou fazendo Hugo rir antes de trocarem um abraço e o amigo ir embora, o deixando na companhia apenas de seu cachorro.
O celular soou em notificação e quando a tela foi desbloqueada, encontrou uma mensagem de .

: esse é o link da entrevista pra Ellen, falei de você
Jimmy e James saem essa semana, te mando depois
Ela vai postar no perfil do Instagram e nos marcar, só curtir e comentar um coração, já tá ótimo
Enfim, preciso passar o som pro show
Nos falamos depois

abriu o link enviado e se deitou no sofá, segurando o telefone para assistir o vídeo: uma entrevista de quinze minutos num talkshow muito famoso dos Estados Unidos e mundialmente conhecido.
E legendada.
Mentalmente ele agradeceu à por isto.

– Hoje nós vamos receber a cantora alemã que arrasta multidões para seus shows em todos os cantos do mundo. Dona de uma voz linda e de um talento incrivelmente absurdo. , pessoal. – Ellen disse e uma música de introdução tocou, aplausos e apareceu.
Estava com um jeans preto de cintura alta, uma camisa larga de flanela xadrez grosso azul escuro com preto, com as mangas dobradas até os cotovelos e com a parte da frente dentro da calça e um sapato de salto alto também preto, cabelos soltos e uma maquiagem muito bonita. As duas se sentaram em poltronas separadas após se cumprimentarem com um abraço.
– Fico muito feliz que você tenha vindo ao meu programa.
– Finalmente. deu um sorriso.
– Você está no país para shows, certo?
– Certo, mas também vim gravar algumas coisas.
– Que tipo de coisas?
– Videoclipes.
– ela sorriu. – E alguns programas de televisão.
– Videoclipes?
– Ellen perguntou surpresa e assentiu.
– Sim. Meus fãs podem esperar boas novidades ainda pra esse ano. – ela disse sorrindo.
– E seu novo álbum está pra ser lançado, não é?
– Isso. Lançamento mundial em quinze de agosto.
– E você não escolheu nenhuma música pra lançar antes?
– Nós resolvemos fazer algo diferente dessa vez e quando eu voltar para a Alemanha, vamos começar a divulgar o lançamento.
– Eu gosto muito do seu trabalho, você sabe.
– Ellen disse sorrindo e sorriu junto ao ouvir aquelas palavras. – E eu te acompanho nas redes sociais, você é bem ativa.
– Eu já fui bem mais ativa e interativa.
– E você está namorando.
– Sim.
deu um sorriso ao responder. Um sorriso iluminado, quase como se estivesse mesmo apaixonada, percebeu.
– E ele é jogador de futebol? Quer dizer, aquilo que vocês chamam de ‘football’, mas que na verdade se chama ‘soccer’.
– Ele é.
concordou dando uma risadinha. – E realmente se chama ‘football’, joga-se com os pés.
– Você está errada.
– Ellen falou e riu. – Como é o nome dele?
. .

– E como vocês se conheceram? Porque você torce pra outro time, não é?
– Ele jogou no meu time por muito tempo, o Bayern, mas não nos conhecemos nessa época. Fomos apresentados por amigos em comum, criamos uma amizade e agora estamos juntos.
respondeu e deu um sorriso.
– Vocês foram vistos algumas vezes pelas ruas e você postou alguns vídeos jogando videogame com ele. – Ellen disse e nesse momento algumas fotos apareceram na tela atrás das duas.
Os stories, fotos de paparazzi e uma que tinha postado nos stories há alguns dias atrás, tirada no apartamento dela, ele estava sorrindo e ela fazia uma careta, entortando os olhos.
– E ele não conseguiu me vencer ainda, coitado.
– E como está sendo esse mês longe?
– Muito bom por tudo que eu estou fazendo, pelos projetos e gravações que estão sendo feitas, mas é péssimo estar longe dele.
– ela franziu o nariz ao falar, fazendo uma careta que considerou fofa e a plateia soltou um sonoro “awn” ao ouvir. – Mas nos falamos todos os dias e nas folgas que tive, nós jogamos online e ele ainda não ganhou.
– Você acha que ele está te deixando vencer?
– Não, porque ele é competitivo demais pra deixar isso acontecer.

– Então, como eu disse, eu te acompanho nas redes sociais e percebi que você já tinha mencionado seu namorado diversas vezes antes desse romance começar. – Ellen disse num tom risonho e arregalou os olhos, ficando vermelha.
– Não! Ai meu Deus. Ai meu Deus! tampou o rosto com as mãos, fazendo Ellen e a plateia gargalharem com seu gesto. – O dia que apresentei ele aos meus pais, eu passei vergonha, se ele assistir isso, nunca mais vai me dar paz.
– Mas você nem sabe o que é!
– Ellen disse rindo.
– Eu faço uma boa ideia. resmungou envergonhada.
No mesmo momento, apareceram alguns prints de tweets dela falando sobre ele. Tweets antigos, além de fotos que ela tinha postado no Twitter com os tais pôsteres que Davi tinha falado, fotos usando as camisas dele, do Bayern e da seleção. E riu bastante ao ver as caras e bocas que fazia ao ver as fotos passando no telão.
– Eu não faço a menor ideia da maioria das coisas que estão escritas, mas a julgar pelos emojis, você já tinha uma quedinha por ele.
– Mais ou menos isso. –
resmungou envergonhada. – Tá bom, chega.
– Mas é bonitinho.
– Ellen falou segurando o riso ao ver a expressão que tinha. Ela estava absolutamente sem jeito. – Ele era seu ídolo e vocês agora estão namorando! soltou um resmungo em concordância, fazendo Ellen e a plateia rirem mais. – E como você tinha tempo de ir a jogos?
– Essas fotos são de antes de eu ter uma carreira e ser mundialmente conhecida. Eu terminei a escola e iniciei uma turnê, mas eu sempre acompanhei meu time, ainda que por links na internet e televisão. Cresci vendo meu pai e meu irmão serem torcedores fanáticos, aprendi com eles a amar o Bayern. Eu ia bastante aos jogos, ainda vou quando estou em Munique ou em algum país em que o time esteja jogando.
– Você esteve em um jogo recente do , é assim que se pronuncia?
– Ellen perguntou e ela assentiu. – E não usou a camisa do time, mas da seleção.
– Eu torço para o Bayern, não vou vestir outra camisa. Ainda mais uma camisa do Schalke.
disse franzindo o nariz em careta. – Somos rivais e, bom, isso não vai acontecer. Como ele já esteve na seleção, usei uma blusa que agrada gregos e troianos.
– E por que ele não está mais?
– Ele sofreu lesões muito sérias, ficou muito tempo fora dos campos, passou por cirurgias e recuperações lentas e dolorosas. Vê-lo de volta agora é maravilhoso, porque ele realmente ama o que faz e o faz com toda sua alma e dedicação. Ele vem jogando bem e aposto que logo volta a ter espaço na seleção.
– ela disse num tom sincero.
– Já falamos demais dele, vamos falar sobre você, que é a minha convidada e de quem eu quero saber várias coisas e aposto que seus fãs também. – Ellen disse num tom espontâneo e fez rir da mudança. – Você gravou uma música com Sam Smith recentemente.
– Ele é ótimo! Foi bem legal cantar com ele. Ele tem talento escorrendo pelos poros, chega a ser irritante como ele é absurdamente talentoso e fantástico, como cantor e como pessoa. Ele é simplesmente maravilhoso! Admiro o trabalho do Sam há bastante tempo, nunca o tinha visto e nem o conhecia pessoalmente, mas foi ótimo.
– Eu fiquei sabendo que você é muito fã de John Mayer.
– Absolutamente! –
disse animada. – Tive a oportunidade de cantar com ele no ano passado e posso dizer que foi o melhor dia da minha vida.
– Vocês cantaram juntos num show dele?
– Em uma premiação em Nova York. Nós éramos duas atrações do evento, ele simplesmente apareceu na passagem de som e sugeriu que cantássemos juntos, disse que podia ser algo meu, mas cantamos “Edge of Desire”, uma música dele, que é uma das minhas favoritas, e foi ótimo. E ele me seguiu no Instagram nesse dia, curte minhas fotos e eu fico igual uma louca quando isso acontece. –
confessou rindo.
– Acho que só precisa ter medo de um homem. –
Ellen disse rindo, fazendo a plateia e gargalharem.
– Talvez. – ela concordou rindo.
– Você vai cantar pra gente?
– Vou.
– E o que você vai cantar?
– Pensei em cantar uma música do álbum passado que escrevi pros meus pais. All About You.
– ela deu um sorriso ao falar e automaticamente abriu um sorriso.

já conhecia e gostava muito do carinho de pela música, que costumava dizer que aquela era a sua música favorita. E tinha se tornado uma das favoritas dele também, achava letra muito bonita e a voz de era realmente muito boa e perfeita para falar aquelas palavras. Depois de cantar, as duas fizeram uma espécie de jogo, mas não considerou que aquilo fosse tão relevante, já tinha visto o que precisava e logo encerrou o vídeo.
Por estar sozinho e sem o que fazer, resolveu que importunar um pouco era uma boa ideia, abriu o aplicativo do Twitter e começou a retweetar coisas antigas que ela tinha postado sobre ele e comentando as fotos dela usando suas camisas, tanto no Twitter quanto no Instagram. Enquanto fazia isso, ria imaginando que ela iria mata-lo assim que tivesse oportunidade, mas se não podia vencê-la no FIFA, a deixaria irritada.
Ele procurou pelo user dela no Twitter, pesquisando o mesmo acompanhado de “” e acabou dando boas risadas de alguns tweets de fãs e de tweets dela, porque ao mesmo tempo em que dizia que o amava, estava xingando por algum erro nos jogos, tanto do Bayern quanto da seleção. E, claro, a atividade dele no Twitter deixou boa parte dos fãs dela agitados, interagindo, retweetando e favoritando as coisas também. E logo os nomes dos dois estavam no Trending Topics mundial.
fechou o aplicativo, abriu o Instagram e postou uma foto dela em um show da turnê passada nos stories, desejando um bom show e falando que estava sentindo sua falta, deixou o celular de lado e foi tomar banho. Ligou a televisão, ia assistir alguma coisa, qualquer uma, até ter sono suficiente pra dormir.

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acordou com o celular tocando, abriu os olhos com dificuldade e o visor mostrava uma ligação via Skype e que eram quase quatro da manhã. . Devia ser importante, então ele atendeu como vídeo-chamada mesmo.

– AI MEU DEUS! Eu esqueci do fuso! Me perdoa.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado esfregando os olhos e olhando para a tela do celular.
– Não. Só queria conversar com alguém. E acho que você seria uma boa, porque poderia me explicar o que diabos você arrumou naquele Twitter hoje!
– Eu estava entediado, precisava me distrair um pouco.
– Você é um idiota, isso sim. resmungou.
– E como foi o show?
– Ótimo. Durou uma hora, foi num espaço pequeno, uma promoção de rádio e quarenta pessoas estavam na plateia, foi muito legal.
– E quando você volta?
– Na semana que vem. Vou a Chicago gravar uma campanha e conversar com uns produtores do álbum pra mudar umas coisas.
– Mas o álbum não está pronto?
– Sim, mas eu quero uma opinião sobre arranjos e algumas outras coisas. E, talvez, mudar algo antes do lançamento oficial.
– Entendi.
– Desculpa ter te acordado, eu esqueci do fuso e você tem que acordar daqui a pouco pra treinar. Vai dormir, eu também vou.
– Não vou rejeitar a proposta. – falou dando um sorriso que a fez sorrir também. – Achei bem legal sua entrevista na Ellen. Você tem uma boa relação com as câmeras.
– Benefícios das aulas de teatro. falou óbvia, mas riu.
– E gostei muito da música que você cantou, até agora é minha versão favorita.
– Obrigada. Agora vá dormir, não quero você dando desculpas de estar com sono quando perder no FIFA pra mim.
– Boa noite, . – se despediu antes de encerrar a ligação e voltar a dormir.

Tinham conversado bastante no mês em que ela tinha passado longe, ainda que tivessem que usar brechas de tempo e enfrentar um fuso horário para isso. Usaram os momentos livres para jogarem online, e tinha de admitir, é realmente boa jogando videogame.
Os dois conversaram sobre séries e filmes, além de músicas. E, com todas essas conversas sobre assuntos aleatórios, a única coisa que queria era que, quando tudo chegasse ao final, a amizade entre os dois permanecesse, pois ele tinha percebido que é uma boa pessoa para conviver e para se ter amizade.
Se aquele contrato faria algum efeito para seu retorno ao Bayern e à seleção alemã, ele não fazia ideia, mas o número de seus seguidores em redes sociais e comentários em suas postagens, além de notícias sobre ele, tinham aumento exponencialmente depois de terem, oficialmente, assumido o namoro.

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– Minha filha me perguntou se você consegue um autógrafo da sua namorada pra ela. – Lars, o motorista do ônibus do Schalke 04, disse quando viu saindo do treino. Já era oficial que ele não continuaria no elenco para a próxima temporada, ele estava prestes a entrar de férias e a ficar desempregado.
– Consigo. – respondeu num tom simpático – Ela chega de viagem na semana que vem peço pra ela e te entrego antes de viajar pra Munique.
– Você não vai ficar mesmo?
– O time não tem interesse em me comprar e o Bayern também não tem interesse na minha volta.
– E pra onde você vai?
– Ainda não sei. Tenho uma proposta do Chicago Fire pra jogar a MLS, Liverpool e o Stuttgart também têm interesse. Hugo tá cuidando disso.
– Você é bom, filho, vai dar a volta por cima.
– Espero que sim, Lars. – falou e deu um sorriso de lado. Os dois trocaram um abraço e seguiu até o próprio carro. Quando estava prestes a ligar o carro para sair, o celular chamou e ele o pegou, percebendo que era uma solicitação de chamada de vídeo feita por . – Olá.
– Você precisa aprender a falar inglês. E a escrever em inglês, porque aquele seu agradecimento tem uns erros muito horrorosos.
– Oi , tudo bem? – brincou e ela deu uma risada.
– Tudo melhor que seu inglês. E você?
– Tudo bem também.
– O Bayern não quis mesmo renovar?
– Não. Recebi uma proposta do Chicago Fire pra jogar a MLS e tem uma, agora oficial, do Liverpool e outra do Stuttgart.
– E alguma delas é boa?
– Segundo o Hugo, a do Chicago é a melhor, mas ir pra lá é pedir pra nunca mais voltar pra seleção. A do Liverpool é boa, mas eu não teria espaço. A do Stuttgart é boa financeiramente, eu já joguei lá na base, então é um lugar que conheço e é aqui na Alemanha mesmo, vou ficar perto da família e dos amigos.
– Que horas é o seu último jogo?
– Sábado, três e meia, horário local.
– Espero que seja um bom jogo. Não chego a tempo. Vou chegar só no domingo à noite. Desculpa.
– Não tem problema, . Nem sei se vou jogar.
– Tomara que sim. E que faça um gol, pra eles ficarem bem arrependidos de não comprarem você.
– Não acho que um gol vá fazê-los mudar de ideia, mas obrigado. – agradeceu rindo. – E como estão as coisas?
– Boas. Fiz alguns ajustes em algumas músicas e agora sim meu álbum está perfeito.
– Ele já estava, . O lançamento ainda é o mesmo?
– Sim. Mesma data. Você tá em casa?
– Não, eu estou saindo do treino, preciso começar a arrumar minhas coisas pra viajar pra Munique e depois pra mudar.
– Então nem vou te atrapalhar, só queria saber se era verdade mesmo que o Bayern não quis renovar. Eu estou num SPA aqui e liguei enquanto espero o horário da minha massagem.
– Que vida boa. – brincou.
– Olha, eu estou destruída! Tive um mês intenso, eu mereço.
– Merece.
– E vou passar três dias fazendo detox, não sei pra quê! Vou encher a cara de comida de verdade assim que sair daqui.
– Eu te espero com um balde de frango frito e cerveja. Além de um bom FIFA.
– Eu estou pensando em te deixar ganhar uma partida, porque já tá humilhação demais. provocou.
– Sem frango frito e sem cerveja pra você. – respondeu de má vontade e ela deu uma gargalhada.
– Minha vez chegou! Nos vemos em Munique pra dar um jeito nessa sua cara.
– Começou…
– Se você ousar cortar esse cabelo antes de eu voltar, vou te dar uma surra. E nem é no FIFA que eu tô falando.
– Tchau, . – disse entediado e gargalhou do outro lado, mandando beijos e desligou.

Ele guardou o celular e ligou o carro para sair do centro de treinamentos, rumo à sua casa. Teria a última semana ali antes do final da temporada – que o Bayern venceu sem nenhuma dificuldade, e quase vinte pontos à frente do segundo colocado – antes de estar, oficialmente de férias e desempregado.
O Schalke terminará no meio da tabela, não vai à Liga Europa, tampouco à Liga dos Campeões, terá que se contentar em disputar competições nacionais na próxima temporada. Só restava a torcer para que na próxima temporada ele esteja visível e retorne para o lugar ao qual suas lesões lhe tiraram.

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– Foi um bom jogo, pena que você não jogou. – ouviu uma voz feminina quando estava passando pelo túnel de acesso aos vestiários, e ergueu a cabeça, dando de cara com .
Ela sorria, ainda que estivesse muito cansada e ansiando por sua própria cama para dormir por horas a fio, tinha conseguido antecipar a volta para estar ali no último jogo dele, usando uma camisa azul (não a do time), mesmo que ele tivesse ficado na reserva e nem mesmo tivesse entrado em campo. se perguntava como ela tinha conseguido chegar até o corredor que levava aos vestiários, mas no fundo ele sabia a resposta: Ela é . E isso abre todas as portas do mundo. Inclusive as que levam aos vestiários de um time.
– Empatamos com o vice lanterna, . – falou fazendo uma careta e riu.
– Acontece.
– Parabéns pelo campeonato.
– Obrigada. E eu estou esperando meu abraço, a gente não se vê há um mês e você vai ficar parado me encarando feito um dois de paus? – ela falou abrindo os braços e só então se atentou para as vozes que começavam a ecoar pelo corredor, juntamente com os passos, anunciando que os outros jogadores estavam passando por ali. Estava há um mês sem ver a namorada e nem perto o suficiente dela ele estava. encerrou a distância entre os dois e a ergueu num abraço que a fez rir.
– Bom te ver. Senti sua falta.
– Digo o mesmo. Você vai pra Munique comigo? – perguntou quando foi colocada no chão e o abraço foi separado.
– Vou pra Gelsenkirchen com o time, minhas coisas estão lá. E o Petros. Mas viajo essa semana pra Munique.
– Acho que vai ser difícil de te ver, porque os preparativos finais para o casamento da vão me consumir muito tempo. Preciso ir na última prova dos vestidos, despedida de solteira, jantar de ensaio, SPA, casamento… – ela disse num tom cansado que fez rir.
– Ah, preciso te pedir uma coisa.
– Fala.
– A filha do Lars, o motorista do nosso ônibus, é muito sua fã. Ela quer um autógrafo seu.
– Então me dá algo que eu possa assinar. – respondeu sorrindo. – Você sabe o nome dela?
– Não, mas pergunto ao Lars. Você espera aqui.
– Claro que espero, não vou entrar pra ver vocês tomarem banho. – falou rindo e rolou os olhos. – Vai logo.
– Você é muito chata. – falou entediado e riu enquanto o observava seguir até o vestiário.
– A patroa veio te buscar? – Donis provocou rindo.
– Só me ver. – respondeu dando de ombros e foi pegar o celular na mochila. – Preciso ir pra Gelsenkirchen antes de sair de férias oficialmente. E ela tem uma semana e tanto antes do casamento da melhor amiga.
– Ela não tem nenhuma amiga solteira pra me apresentar?
– Acho que não, mas posso perguntar. – respondeu sem olhá-lo, digitando a mensagem para Lars e o homem respondeu na mesma hora com o nome da filha. apenas trocou de roupa e saiu do vestiário, afinal, não tinha jogado e nem suado estava. continuava esperando e parecia adorar o fato de estar sozinha. – O nome dela é Andie e ela tem doze anos.
– E o que eu vou autografar? – ela se desencostou da parede e olhou lhe dando um sorriso.
– Minha camisa? – perguntou em dúvida e ela assentiu.
– Preciso de uma caneta, . – ela deu uma risada quando lhe entregou a camisa e parou esperando que ela a assinasse. Os companheiros de time começavam a sair do vestiário e logo ele teria que ir embora.
– Puta merda, onde eu vou arrumar uma caneta? E nem pode ser uma caneta comum, tem que ser aquelas… – gesticulou sem saber o nome e riu.
– Tem caneta normal e papel? – perguntou e negou com um aceno. – Algum dos seus companheiros de time, provavelmente, deve ter aquelas canetas de autografar camisa. Ou alguém do staff.
– Verdade. Espera aqui. – falou e lhe deu as costas, andando rápido até onde sabia que encontraria alguém do staff do time.
Conseguiu a tal caneta permanente e voltou o mais rápido que podia, estava fazendo um vídeo no celular e percebeu que era para Andie. Ela autografou a camisa e digitou algumas coisas no celular, fazendo o celular de vibrar em seu bolso.
– Mandei um vídeo pra você passar pro Lars e ele passar pra filha. – ela sorriu.
– Você vem pra Gelsenkirchen comigo? – perguntou e negou com um aceno.
– Eu estou mais perto de casa, preciso descansar e regular meu sono nesse fuso de novo. E nem fui em casa, desci no aeroporto de Munique e vim.
– Tudo bem, a gente se vê essa semana. – falou e assentiu positivamente.
– Boa viagem. – ela sorriu e lhe deu um abraço, seguido de um selinho e se virou, saindo do campo de visão de .
– Vocês passam um mês longe e mal se encostaram? – ouviu Donis falar enquanto se aproximava.
– Você queria que a gente se agarrasse no meio do corredor, cara? – perguntou rindo. – Já estamos muito velhos pra isso, Donis. O único adolescente aqui é você.

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– Você está maravilhosa. – falou quando viu na entrada do local em que seria o casamento de , um clube muito bonito e refinado. Ele teve de ir sozinho, pois fazia parte do dia da noiva e não poderia acompanha-lo.
– Obrigada, você também está bastante bonito. Essa sua estilista é ótima, mande os parabéns. – brincou. – Mas a sua gravata tá torta. – se aproximou, ajeitando a gravata e passou uma das mãos pelos cabelos dele. – Pronto.
– E então, quando vamos começar a beber?
– Ainda não, mas em breve podemos começar. – ela piscou e sorriu.
– Fico no aguardo.
– Nós devíamos ter começado a namorar antes, porque eu vou ter que dançar com meu ex.
– Vai dançar com seu ex? Mas por quê? – perguntou confuso.
– Ele é irmão do Ian. E é o padrinho. As damas vão dançar com os outros e eu, infelizmente, tenho que dançar com ele.
– Vai ser rápido. Faz isso pela sua amiga. Mas vocês já ensaiaram, como foi?
– Não foi. Eu não ensaiei com ele. Paguei um coreógrafo pra me ensinar.
– A coisa foi feia assim?
– Ele me traiu. Um monte de vezes. E quando terminei com ele, depois de ficar sabendo, ele foi meio filho da puta comigo.
– Como assim?
– Não sei se quero falar sobre isso. Não agora, a poucos minutos do casamento da minha melhor amiga e tendo que conviver com ele tão de perto assim.
– Quando você se sentir à vontade, estarei à disposição para ouvir. – respondeu, dando um sorriso e sorriu de volta.
– Agora preciso me juntar ao resto do pessoal, nos vemos depois. Sente do lado esquerdo. É o lado da família da noiva. – falou e deu um beijo no rosto de antes de se virar, saindo de perto e voltando para perto de outras quatro mulheres, que usavam vestidos iguais aos dela, num azul claro bonito.
Seguindo a dica, foi se sentar ao lado esquerdo, mais ao fundo do local, afinal, não conhecia ninguém ali e considerava que, quanto mais perto da saída, melhor e mais fácil para chegar até a festa.
O casamento foi bonito, ainda que não gostasse de casamentos, em todo caso. chorou, muita gente chorou. estava muito bonita e o noivo, Ian, a olhava absolutamente encantado. Como se os dois não estivessem juntos quase a vida inteira e que ele já conhecesse cada detalhe daquele rosto, maquiado ou não. O que mudava era que estava com um vestido de noiva. Só. Pelo menos era isso que passava pela cabeça de enquanto ele assistia à cerimônia.
Quando, finalmente, a cerimônia terminou, o céu começava a escurecer, as pequenas lanternas que iluminavam o caminho e serviam de guia até o local da festa, estavam acesas. Flores em vasos faziam parte da decoração e o local era amplo, aberto e muito bonito. Fotos eram tiradas dos noivos com convidados, com madrinhas e padrinhos, com familiares… E então eles foram dançar.
A dança dos padrinhos e damas foi ao som de uma das músicas de . E ela ostentava uma fisionomia de quem estava aproveitando e gostando muito de fazer aquilo, mas seus olhos gritavam de descontentamento por estar tão perto de quem ela não queria. observava atentamente aquela dança, fora da pista e abraçada a Ian, preparada para se enfiar no meio da dança se fosse necessário para separar aqueles dois.
O ex-namorado de a mantinha bem perto de si enquanto dançavam e falou algo em seu ouvido, fazendo com que desse um sorriso forçado e sua resposta foi suficiente para murchar um pouco o sorriso que ele ostentava. Quando a música acabou, aplausos foram ouvidos e ela logo se soltou, saindo de perto o mais rápido que conseguiu.
A dança dos noivos começou e ela se aproximou de .

– Você sobreviveu. – brincou e ela rolou os olhos, ajeitando sua gravata.
– Felizmente pra você. – riu e se virou para a pista de dança onde e Ian dançavam ao som de Ed Sheeran.
– Eu fiquei curioso… o que ele disse que te fez dar aquele sorriso forçado?
– Ele soltou uma cantada barata e disse que podíamos fazer um remember hoje, mandei ele dar uma conferida nas notícias a meu respeito e descobrir que tenho namorado. E que ele, inclusive, está aqui comigo.
– Acho que ele é quem ainda gosta de você. – falou em tom divertido e deu de ombros, pegando duas taças na bandeja do garçom que passava por ali, entregando uma para ele.
– Ele que enfie o amor n…
– Ok, eu entendi. – falou rindo. – E então, você vai sentar lá – apontou para a grande mesa montada num nível mais alto que as demais. – e eu aqui?
– Lá só os noivos, pais e irmãos. Infelizmente você não vai se ver livre de mim hoje mais.
– Ah, que pena! Achei que conseguiria te dar um perdido. – brincou e ela virou todo o conteúdo da taça de uma vez. – Vai com calma.
– Eu estou calma. E sou alemã, nasci bebendo cerveja.
– Muito bom. – ele falou depois de tomar um gole da bebida.
– É, mas prefiro cerveja. E hoje eu prefiro muita.
– Vai com calma, porque imagina sair em capa de jornal passando vergonha?
– Vamos sentar lá logo, quero comer antes que meu estômago abra um buraco no meu corpo. – ignorou o que disse e saiu puxando-o pela mão até a mesa em que se sentaria com as damas.
– Nossa, ele é mais bonito ainda pessoalmente. – uma delas comentou. – Com todo respeito, .
– Eu sei. – concordou rindo e apontou para , dando um sorriso simpático. – Meninas, esse é o . , – ela falou, dessa vez apontando para cada uma das mulheres sentadas. – essas são Annie, Dallas, Gloria e Kristen.
– Muito prazer em conhecê-las. – falou educado e puxou uma cadeira para se sentar, que murmurou um agradecimento, e logo ele se sentou ao seu lado.
A comida começou a ser servida pouco tempo depois e as cinco mulheres pareciam entretidas demais em comer e comentar coisas que não entendia, e nem fazia questão de entender, e as vezes até riam enquanto conversavam sobre o que quer que fosse. Ele tratava de aproveitar cada garfada que dava, porque a comida estava realmente muito boa.
– Vocês dois vão ficar sentados? – a mulher apresentada como Dallas perguntou.
– Eu comi demais, preciso esperar um pouco antes de fazer meu agradecimento e poder dançar. – resmungou num tom de voz cansado e as quatro riram.
– Nós vamos dançar, estamos aguardando vocês. – Annie disse e assentiu, vendo as quatro mulheres saírem da mesa, deixando-a a sós com .
– Suas amigas parecem ser legais.
– São amigas da e do Ian, na verdade, mas elas são legais sim.
– Você vai falar?
– É coisa rápida, aí poderemos nos jogar nessa festa de verdade.
– Você precisa descansar, .
– Vou viajar na semana que vem. Só tenho uma apresentação a fazer e então estarei de férias por vinte e poucos dias e vou viajar.
– Então esse é o famoso namorado de ? – uma voz masculina foi ouvida e se virou, dando de cara com o ex-namorado de parado ao lado da mesa. – Eu sou Nicholas. Irmão do noivo, padrinho do casamento e o ex-namorado de .
– São muitos títulos, você devia experimentar coloca-los no currículo. – falou dando um sorriso debochado e recebeu um olhar de desprezo. – Em todo caso, eu sou . O atual namorado da .
– É, já ouvi falar de você.
– Fico feliz que tenha, porque eu nunca ouvi falar de você, isso talvez signifique que não haja tanta relevância na sua passagem pela vida da . – deu de ombros e Nicholas pareceu irritado.
– E o que você quer, Nicholas? – perguntou sem paciência.
– Vim saber do seu namorado, se posso pedir a madrinha emprestada para uma dança. E para que ela faça seu agradecimento. – ele disse olhando para .
– Se você acha que quem tem que permitir algo relacionado a ela sou eu, você está muito errado. Sou o namorado e não o dono. Pergunte a ela se ela quer dançar, não a mim. – falou antes de tomar um gole da cerveja que estava à sua frente. deu um sorriso de lado e Nicholas não gostou muito do comentário.
pediu pra eu vir aqui te chamar. – Nicholas falou sem paciência.
– Ah, eu duvido muito que ela tenha falado pra você vir falar comigo. – respondeu num tom debochado. – Mas pode ficar despreocupado, daqui a pouco eu vou até ela.
– E quanto a nossa dança?
– Não gosto de dançar. Não com você. – ela deu um sorriso forçado e se virou para . – Você veio de carro né? Porque eu vim de táxi.
– Vim sim, linda, você já tá pensando em ir embora?
– Não! – falou rindo. – E se eu fizer isso, me mata! Você ainda tá aqui? – ela se virou para Nicholas, que não respondeu, apenas saiu de perto bufando. – Argh, que preguiça.
– Acho que quer mesmo falar com você. – falou e apontou na direção em que gesticulava tentando chamar a atenção de .
– Eu já volto. – disse e se levantou. , para passar o tempo livre, tirou o celular do bolso e se deparou com uma mensagem de Hugo.

Hugo: viaja pra Porto Rico na semana que vem, faça suas malas, você também vai.

Capítulo 05

– Eu não acho que isso seja uma boa ideia. – resmungou olhando para Leonard enquanto seguiam para a passagem de som da apresentação que faria no The Voice Kids na final do programa.
– E por que não? – Leonard perguntou confuso, mas sem desviar os olhos da rua enquanto dirigia.
– Leo, é muito recente! Dois meses de namoro e nós vamos viajar para o outro lado do Oceano Atlântico?
– Deixa de ser mente fechada, .
– Isso não vai dar certo.
– Vocês vão viajar e só vão se encostar e essas coisas quando estiverem em público.
– O que, claramente, é a maior parte do tempo. – ela resmungou.
– E ficar na companhia dele é ruim?
– Não. Ele é muito agradável, mas não acho que isso deveria acontecer agora.
– Você tem medo de alguma coisa acontecer nessa viagem?
– Ah, só se for mesmo! – disse e deu uma gargalhada. – É mais fácil nevar no deserto do que algo acontecer entre nós dois.
– Então qual o problema? – Leonard perguntou e ela não respondeu. – E ele gostou da ideia, acho que seria legal.
– Detesto que vocês três sejam maioria e eu seja a única com bom senso nisso tudo, mas, infelizmente, sou a única mulher envolvida, não dá pra ser diferente mesmo. – resmungou e Leonard riu. – Tudo bem.
– Fico feliz que você tenha concordado, senão precisaríamos de uma excelente desculpa para que ele ficasse e você viajasse sozinha por quase um mês.
– Consigo pensar em, pelo menos, dez. – falou, fazendo Leonard rolar os olhos. – Não vejo a hora de descansar, esses últimos meses foram intensos demais e ano que vem vai ser ainda pior.
– Vai mesmo.
– E você vai viajar?
– Allie e eu vamos pra Grécia.
– Ela está com saudade do Olimpo? – brincou.
– Nós estamos. – Leonard respondeu rindo.
– Preciso levar meu namorado às compras essa semana para irmos para Porto Rico.
– Preocupe-se com isso amanhã, agora você vai passar som e fazer uma apresentação e tanto mais tarde.
– Você acha que vai ser legal lançar esse single aqui?
– Vai. – Leonard deu um sorriso mostrando empolgação. – Assim que você apresentar, as vendas do começam no iTunes. Vou postar o teaser também no seu Instagram.
– Eu não sei se é inteligente lançar isso e eu sair de férias sem promover nada.
, você vai soltar um single, não o álbum.
– Ainda sim. – falou e Leonard parou na vaga que tinha sido destinada a ele na emissora.
Assim que saíram do carro e Leonard trancou as portas, os dois seguiram caminhando pela curta distância até o estúdio em que ela passaria o som.
– Quer reconsiderar? Podemos conversar com a Ash.
– Quero. Estou com medo de flopar. Prefiro cantar alguma antiga do que correr o risco de desperdiçar uma música nova, ainda mais que gosto muito dessa.
– Vou mandar uma mensagem pra ela. Você pensou em tocar qual?
– Wir Sind Hier, pra ocasião é uma boa. – respondeu e Leonard assentiu conferindo as mensagens no telefone.
– Ash disse que a decisão é sua. Vai segurar mesmo?
– Vou. – falou prendendo o cabelo em um rabo de cavalo, ajeitou os óculos no rosto e o olhou.
– Então pode ajustar os novos detalhes com a banda. – Leonard falou.
assentiu, caminhando até a banda, enquanto ele ainda conversava com alguém por mensagens, provavelmente ainda falava com a produtora.
– Oi pessoal, bom dia. – cumprimentou educada, dando um sorriso ao se aproximar da banda do programa.
– Bom dia. – eles responderam simpáticos.
– Eu mudei a música que vou cantar.
– Você vai cantar qual? – o baterista perguntou curioso.
– Wir Sind Hier.
– E como você tá pensando em fazer? Os arranjos normais? Temos as partituras e tudo que é necessário? – um dos homens, o que estava de pé encostado no piano, perguntou.
– Pensei no piano, só. Vocês têm sugestões?
– Acho que na parte que você canta “Wir werfen anker aus ‘nem rohr”, ia ficar legal se rolasse isso. – o baterista disse e usou duas baquetas, batendo nos pratos, e fazendo um barulho trêmulo e suave.
– Você conhece essa música? – perguntou surpresa.
– Todo mundo conhece suas músicas. – ele respondeu simpático e sorriu sem jeito. – Quer tentar ensaiar?
– Quero sim, gostei da sugestão. – ela assentiu.
– Seu retorno está em cima do piano. – o baixista apontou. – Vai precisar de backvocal?
– Não, eu gosto dessa sem.
sentou-se ao piano, ajustou seu retorno e deslizou os dedos sobre as teclas sem emitir nenhum som. Respirou fundo antes de começar a cantar.

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– Vem logo, , vai começar! – Ute falou empolgada da sala. – Espero que ela lance alguma coisa. Pelo menos é essa a conversa do fandom.
– Seria um tiro no escuro, Ute. Ela vai perder divulgação, soltar uma música nova antes de viajar por vinte dias é desperdiçar boa música, esse álbum novo está realmente fantástico.
– Desde quando você está tão entendido de divulgação de álbuns, hein? – Ute implicou, empurrando o irmão com o ombro.
– Antes de viajar eu queria conversar com você, mas agora vamos apenas ver a apresentação.
– Ih, não gostei do tom. – Ute disse séria e a abraçou pelos ombros.
– Relaxa. Vai começar. – deu um sorriso ao ver o apresentador do programa aparecer.
não sabia qual a música cantaria, mas sabia que gostaria, já que ele tinha mesmo começado a gostar de ouvir a voz dela.
– Boa noite! Hoje nós estamos aqui para as finais do The Voice Kids, já assistimos à apresentação de uma das candidatas e veremos agora uma das nossas atrações da noite. Ela é uma das cantoras pop mais influentes da atualidade, além de recordista de vendas e duas vezes nominada ao Grammy, arrasta multidões em seus shows, já lançou cinco álbuns e está prestes a lançar o sexto, ganhadora de prêmios e sempre quebra recordes de vendas, , cantando seu sucesso: Wir Sind Hier. – o homem disse e a câmera se deslocou até a mulher que estava sentada ao piano.
– Ah, eu adoro essa! – Ute disse e deu um sorriso.
O foco da iluminação era apenas em , que estava concentrada, tocava o piano de olhos fechados e alcançava as teclas corretas sem precisar abri-los, conhecia muito bem sua própria música. A voz, suave, tornava a música ainda mais bonita.
nunca tinha perguntado quais eram as inspirações das músicas, apesar de saber de duas que ela tinha escrito para os pais, mas, de alguma forma, ele sabia que aquela música era especial, não tinha surgido do nada. Tanto pela letra, quanto pela forma que ela sempre a cantava.
Quando terminou a apresentação, foi aplaudida de pé por toda a plateia e pelos jurados do programa. abriu um sorriso que era um misto de alegria, satisfação e vergonha, e se levantou do banco.
– Obrigada. agradeceu ainda sorrindo.
– Eu fico impressionado como você consegue melhorar a cada vez que te ouço cantar ao vivo. – um dos jurados, Sasha, disse e ela sorriu.
– Obrigada. agradeceu novamente, dessa vez um pouco mais sem jeito, e se despediu da plateia, saindo do palco.
Não poderia se demorar, porque as apresentações precisavam continuar e ainda tinham outras atrações.
– Você é um namorado muito babão. – Ute implicou ao ver que o irmão tinha postado um stories da apresentação.
– Estou apenas apoiando minha namorada, cala a boca. – resmungou e a empurrou de leve com o ombro, fazendo a irmã rir.
– Tão bonitinho ver você apaixonadinho. – ela o abraçou, cutucando sua barriga e tentou se afastar, mas não conseguiu.
– Sai aqui! Mãe! – ele chamou pela mãe, em tom mimado, e a irmã riu.
– Vocês dois já estão bem crescidinhos, se resolvam sozinhos. – a mãe falou alto da cozinha.
– E então, o que você vai fazer nas férias?
– Vou viajar com a pra passar uns dias em Porto Rico. – respondeu, dando de ombros.
– Você vai viajar? – Ute perguntou surpresa. – Bom, é o apocalipse mesmo.
– Eu acho que você devia ir com a gente.
– Você quer me levar na sua primeira viagem com sua namorada? – Ute gargalhou.
– E por que não?
– Eu não vou viajar pra ficar de vela, . Deixa de ser idiota. – Ute disse ainda rindo.
– Acho que e Ian vão encontrar com a gente por lá.
– Pior ainda, outro casal!
– Você é muito chata.
– E então, o que você queria falar comigo? – Ute desligou a televisão e mudou de assunto.
– Não quero falar sobre isso hoje.
volta pra cá hoje?
– Pelo que me disse, sim. – deu de ombros. – Vou perguntar. Até porque amanhã ela quer comprar algumas coisas pra viajarmos.
– Claro, porque você é uma negação. – Ute provocou e rolou os olhos. Antes que pudesse ligar, a própria o fez.
– Alô.
– Oi.
– Você foi ótima.
– FOI ÓTIMA, CUNHA! – Ute falou alto e riu.
– Obrigada. Agradeça a Ute por mim.
– Você volta hoje?
– Eu estou indo pro aeroporto agora, inclusive. E essa ligação é pra falar sobre isso, você me busca?
– Claro. Que horas você chega?
– Vou sair daqui quinze minutos, em uma hora eu chego.
– Vou tomar um banho e te busco.
– Nós vamos às compras amanhã, então você dorme lá em casa. falou animada e resmungou. – Não resmunga, porque é Porto Rico!
– Eu sei que é Porto Rico, os meus resmungos são pra sua animação em fazer compras.
– Ute não quer viajar com a gente? Ela e o namorado?
– Não. – ele suspirou. – Mas nós falaremos disso mais tarde.
– Está tudo bem?
– Só o de sempre.
– Ah. Entendi. Então a gente se vê e se fala daqui a pouco.
– Você me dá muito trabalho, . – ele disse rindo.
– E eu quero comer.
– E o que você quer?
– Eu queria alguma massa bem gostosa.
– Compramos na volta do aeroporto e você come quente, pode ser?
– Você é um anjo, talvez eu te deixe ganhar no FIFA.
– E talvez eu deixe você ganhar no Counter Strike.
– Retiro o que eu disse. disse fingindo estar brava e riu.
– Cala a boca e embarca logo. – falou ainda rindo e desligaram. Ute o olhava com uma expressão encantada. – Que foi?
– Que bonitinho, você todo fofinho com sua namorada.
– Ah Ute, vá procurar um serviço. – disse num tom fingido de mau humor e ela deu um sorriso. – Ela perguntou se você não quer mesmo ir com a gente.
– Vou ficar por aqui, até porque tenho que trabalhar.
– Fica pra próxima. – deu de ombros, ainda que soubesse que não haveria uma próxima vez.
– Assim espero. Agora vá tomar banho e ficar cheiroso pra ver minha cunhada.
– Cuida da sua vida. – resmungou e passou pela irmã, que estava sentada no sofá, lhe dando um tapa leve na testa.
Ute xingou um palavrão e ameaçou ir atrás do irmão para descontar. riu e correu o mais rápido que podia escada acima, se enfiando no banheiro do quarto para tomar banho.

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Quando finalmente apareceu, fotógrafos estavam esperando, além de alguns fãs, a quem ela atendeu prontamente e com toda atenção como sempre fazia. Ela vinha com uma mochila nas costas, sua única bagagem. Usava uma camisa do Iron Maiden, uma calça jeans simples de lavagem clara, um tênis e os óculos de grau, sem maquiagem e sua feição era cansada.
Os flashes eram impiedosos e tão logo começaram, estava escoltada por dois seguranças, que a ladeavam e afastavam os fotógrafos até que ela conseguisse sair da área de desembarque e chegar à para que os dois pudessem, finalmente, ir embora dali.
deu um beijo no dorso da mão dela, antes de entrelaçarem os dedos e seguirem até o carro, ainda acompanhados pelos seguranças. Ouviram alguns “é só isso?”, mas não se deram ao trabalho de responder. Entraram no carro e alguns flashes foram disparados antes que ele conseguisse arrancar e sair do aeroporto. No carro de trás, os seguranças fizeram a mesma coisa.
, você precisa descansar. – falou enquanto dirigia até o restaurante italiano que fica perto da casa dela. estava com a expressão cansada, olheiras e prestes a dormir a qualquer segundo.
– Preciso. – resmungou. – Cancela o macarrão e vamos pra casa.
– E pode dormir bastante, sem limites de horários.
– Certo. – ela resmungou sonolenta.
– Mas não dorme ainda, subir te carregando não está nos meus planos. – brincou e voltou a resmungar, ligando o rádio.
– E então, qual é a história da Ute?
– Conversamos sobre isso amanhã. – respondeu sem olhá-la, enquanto dirigia.
– Você gostou da apresentação?
– Gostei. Essa música é muito bonita, é uma das minhas favoritas. – ele a olhou rapidamente e a viu sorrir agradecida. – Sua voz é maravilhosa.
– Obrigada. Eu gosto muito dessa música.
– Ela tem uma história?
– Tem, mas não vamos falar sobre isso agora, depois eu te conto. – disse e bocejou. – Acho que vou dormir metade dessa viagem.
– Você precisa descansar mesmo. – ele disse e virou a rua, entrando na rua em que mora. Sem fotógrafos, um milagre.
estacionou o carro à frente do prédio de e os dois desceram, antes do carro dos seguranças passar por eles e buzinar em despedida. Ele pegou a mochila de , colocou sobre os ombros e os dois entraram no prédio, cumprimentaram o porteiro e esperaram pelo elevador que não demorou tanto a chegar.
seguiu direto para o próprio quarto, estava cansada demais para fazer cerimônia ou tentar desenvolver uma conversa decente, a única coisa que queria era sua cama e mais nada. seguiu para o quarto em que tinha ficado da última vez e foi se preparar para dormir, escovou os dentes, trocou de roupa e se deitou. O dia seguinte prometia ser cheio quando , finalmente, acordasse.

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– Você dormiu por quinze horas e meia, . – falou rindo quando desembarcaram em San Juan, após reclamar de ainda estar com sono.
Ainda tinham um trajeto de trinta e sete minutos até a cidade em que ficariam, Dorado.
– Cala a boca e não enche o saco. – resmungou mal humorada, esfregando os olhos e colocando os óculos de sol em seguida.
e Ian chegariam dali dois dias e ficariam por cinco, depois voltariam para a Alemanha e para suas vidas, enquanto e terminariam de passar as férias naquele paraíso chamado Porto Rico.
Os dois ficariam em um bangalô de casal no resort à beira da praia, com piscina na varanda, dois banheiros, televisão, frigobar… e apenas uma cama. A ideia não parecia muito boa para , mas antes que ela falasse alguma coisa, já tinha sugerido dormir no sofá, então não teriam problemas.
Os trinta e sete minutos de carro, previamente alugado no aeroporto, foram em total silêncio, já que tinha voltado a dormir. O carro foi deixado no estacionamento do resort e após descarregarem o porta-malas, seguiram juntos para fazer o check-in na recepção. O dia estava abafado, uma chuva fina os acompanhou por todo percurso, mas não tinha aliviado em nada o calor e o ar abafado.
Após o devido registro, os dois seguiram para o bangalô, que nem se deram ao trabalho de saber como era, teriam dias suficientes para fazê-lo com calma, naquele momento queriam apenas descansar da viagem longa que fizeram. se jogou na cama e voltou a dormir, nem considerava ser humanamente possível que ela ainda estivesse com sono, já que tinha dormido as dezesseis horas da viagem.
mal tinha dormido no avião, estava cansado, e por sorte o sofá que ficava no canto do amplo quarto, era grande, ele podia dormir sem problemas de espaço, e torcia para que o sofá também fosse tão confortável quanto parecia, já que seriam vinte dias dormindo ali e não queria uma dor nas costas pra atrapalhar suas férias naquele paraíso.
Antes de dormir, tomou um banho frio, ainda que estivesse chovendo, o tempo permanecia abafado e quente, vestiu uma cueca e uma bermuda, secou o cabelo mal e porcamente, ligou o ar-condicionado e se deitou no sofá, dormindo quase imediatamente.

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acordou com o barulho de seu estômago roncando alto, se não fosse isso, poderia muito bem continuar dormindo até o dia seguinte. Ou até mesmo depois disso. O relógio ao lado da cama marcava dezesseis horas e trinta e dois minutos. Sentia-se dolorida pela quantidade de horas passadas dormindo, mas ao mesmo tempo o corpo parecia implorar por outras dezenove horas quase ininterruptas de sono.
Antes que pudesse fechar os olhos novamente para atender a este desejo, seu estômago voltou a roncar alto e se obrigou a sair da cama, que tinha considerado maravilhosa, tomar um banho e ir procurar algo para comer.
As malas estavam perto do sofá em que estava deitado, dormia um sono pesado e profundo, até roncava. pegou uma das próprias malas, tirou uma muda de roupas e foi para o banheiro e “marcou território”. Não para proibir de usar aquele banheiro, mas na intenção de mostrar que ela teria a preferência em caso de extrema necessidade, e ele que subisse as escadas e usasse o banheiro que ficava no andar de cima, onde, descobriu, ficava um cômodo do tamanho do quarto, mas vazio, uma janela de vidro enorme dava uma vista linda para o mar à frente. E lá também havia um banheiro, do tamanho do banheiro do andar inferior. Ele não sairia perdendo.
A chuva continuava, ainda preguiçosa, e o clima permanecia abafado o suficiente para que fizesse calor. vestiu uma camiseta, shorts, calçou um chinelo e penteou os cabelos, indo contra as recomendações de todos os profissionais sobre não se pentear os fios ainda molhados.

– Vai sair? – ouviu a voz rouca de enquanto caminhava até a porta. Ele estava sentado no sofá, esfregava os olhos tentando afastar o sono e depois passou os dedos pelos cabelos.
– Eu estou com fome.
– Eu também. – ele se pôs de pé e se espreguiçou, voltando a passar a mão pelo rosto. – Vou lavar o rosto e procuraremos algo para comer.
– E vestir uma roupa, claro.
– É, isso também. – ele respondeu ainda sonolento e se arrastou até o banheiro.
sentou-se na cama, pegou o celular e conectou-se à rede Wi-Fi do lugar, avisou aos pais e a Leonard que tinha chegado há algumas horas e não avisou antes, porque tinha dormido, mas que estava tudo bem e que depois ela daria mais notícias. Não abriu nenhum aplicativo ou outras conversas, sabia que era um caminho sem volta e acabaria por horas vendo fotos, mensagens, tweets e posts ao invés de ir comer.
saiu do banheiro com uma feição menos sonolenta, ainda sem camisa, e se debruçou sobre as malas, pegando uma camiseta e a vestiu, colocando chinelos e um boné virado para trás. Os dois saíram calados do bangalô, seguindo pela pequena trilha que os levaria à recepção, pediria informações sobre onde poderiam ir para comer.
– Você avisou sua mãe que já chegou? – perguntou e negou com um aceno. – Cadê seu celular?
– Ficou no quarto. – ele deu de ombros.
¡Hola! – a recepcionista sorriu educada ao cumprimentá-los.
O nome do hotel, “Dorado Beach, a Ritz-Carlton Reserve”, estava estampado na blusa que ela usava e na parede atrás dela.
¡Hola! também a cumprimentou sorrindo e continuou falando em espanhol. – Há algum restaurante aqui perto?
– Dentro do hotel ou fora?
– Dentro, hoje não estamos com tanto ânimo para passeios. – falou usando um tom descontraído e a mulher deu um sorriso.
– Há um restaurante aqui, o Mi Casa, de culinária local. Vocês sairão daqui da recepção pelo caminho que vieram, virarão a primeira a esquerda e seguirão reto por poucos metros. Mas o jantar só começa a ser servido às seis. – ela falou e assentiu.
– Obrigada. – agradeceu e a recepcionista sorriu. encarava a conversa sem entender e o puxou pela mão até saíram da recepção.
– Vamos comer?
– O jantar só começa a ser servido às seis. Eu não aguento esperar mais de uma hora, eu estou morrendo de fome. Quer sair e procurar algum lugar?
– Quero. Você pegou seu celular? – perguntou e assentiu em confirmação. – Procura no Google pelos restaurantes próximos e vamos comer.
– Até que você é inteligente. Come capim é porque gosta mesmo. – implicou, tirando o celular do bolso do short e foi procurar pelos restaurantes próximos. – Tem um Applebee’s e um chamado Metropol, de culinária local.
– Então vamos pro Applebee’s, teremos muito tempo pra experimentar comida local outra hora, no momento eu quero qualquer coisa pra acalmar o monstro que está no meu estômago.
– Somos dois. – concordou e os dois saíram a pé do resort.
O trajeto foi feito em dez minutos e os dois descobriram que o restaurante ficava num shopping, ou seja, teriam mais opções de alimentação.
– Você já fez algum show aqui? – perguntou quando se sentaram à mesa na praça de alimentação.
– Não, minha fanbase aqui é pequena, é difícil fazer shows em lugares assim. Tenho fãs aqui, mas não a quantidade suficiente para que os empreendedores queiram que eu venha me apresentar.
– Entendi.
– E então, você vai contar a história com a Ute? – perguntou enquanto comia uma das batatas fritas do prato.
– Ah, o de sempre. – suspirou e a olhou. – O namorado dela é um otário. Ele não tem um pingo de respeito por ela e nem pelo relacionamento deles, mas Ute acha que eu falo por implicância, por ser o mais velho. Eu tenho medo que ela esteja em um relacionamento abusivo e não tenha se dado conta, porque é descarada a forma como ele te olha quando estamos no mesmo ambiente, como ele é um babaca e os comentários que faz sobre outras mulheres e sobre ela.
– Você já tentou conversar com ela? Sem usar o tom do irmão mais velho.
– Acho que sempre acabo usando, é natural da preocupação de um irmão mais velho. – suspirou. – Na verdade, não sei nem se é possível não usar esse tom. Ela é minha irmã mais nova, só quero cuidar dela e que ela tenha o melhor.
– Fala isso pra ela, mas sem usar o tom de posse que todo irmão mais velho tem, ainda que sem querer. Diz como você tem percebido que ele não é o que diz ser, sobre o comportamento e o que te faz crer que é um relacionamento abusivo. Você acha que ele bate nela?
– Eu espero que não, porque eu o mato se isso acontecer. – falou sério.
– Conversa com ela quando voltarmos. Aliás, por que ela não quis vir?
– Ela sabe que não gosto do Höward, eu a convidei, mas ela falou que não queria ser vela, ou seja, entendeu que o convite não se estendia ao namorado. Ainda bem, porque falar isso geraria uma briga que eu não estava disposto a ter.
– Você quer que eu fale com ela? Acho que de mulher pra mulher a conversa fica menos… tensa.
– Não sei. – ele suspirou e voltou a comer uma das batatas. – O bom tempero é universal.
– Você já conseguiu fazer uma refeição com tanta paz e tranquilidade assim na sua vida? – perguntou seguindo a deixa da mudança de assunto e ele a olhou. – Não que eu não goste dos meus fãs, não disse isso, mas eu sinto falta de conseguir sair sem ser perseguida por fotógrafos e essas coisas.
– Eles não vão aparecer por aqui?
– Ah eles vão, pode ter certeza. – falou e lhe direcionou um olhar complacente. – Talvez demorem até semana que vem. Se postarmos fotos, temos que tomar cuidado para não mostrar localização.
– Eles podem pesquisar sua localização, não? Jogar seu nome no Google pra saber sobre reservas de hotéis.
– Essa reserva está no nome da Glória. – disse sorrindo. – Ela me emprestou o nome pra que eu pudesse descansar de verdade e em paz. Então, se pesquisarem por mim, não vão encontrar nada. Nós saímos do prédio em outro carro, ou seja, ainda não sabem estamos na Alemanha. Quer dizer, vão começar a suspeitar quando não virem nenhum rastro meu por lá e caso eu poste fotos, mas para todos os efeitos, estou em casa.
– Inteligente. – disse, dando um sorriso, e os dois terminaram de comer enquanto trocavam poucas palavras.
Antes de irem embora, deram uma volta no shopping e tomaram sorvete antes de voltarem para o resort em paz, sem serem parados por fãs pedindo fotos e autógrafos. Aquela era a primeira vez, em quase dez anos, que conseguia andar na rua sem seguranças e totalmente em paz, sem medo das abordagens das pessoas.
Por mais ingrato que pudesse parecer, queria mais momentos como aquele, de um quase anonimato e esquecimento. Mas, quanto mais ela tentava não aparecer, mais sua vida se tornava destaque em todos os jornais e revistas do mundo.
Ao retornarem ao resort, resolveu ficar na cama ouvindo música, enquanto algumas palavras dançavam em sua mente numa possível nova composição, mas esvaíram-se ao ver na piscina da varanda.
– Essa viagem vai dar muito errado. – sussurrou para si antes de desviar os olhos de volta para o teto.

Capítulo 06

Dessa vez, foi acordada pela claridade que entrava pela porta de vidro. Os dois tinham dormido e se esquecido de fechar o blackout e a claridade, ainda que não tão intensa, a despertou. O relógio ao lado da cama marcava seis e vinte e dois da manhã, equivalente às onze e vinte e dois em Munique, se suas contas estivessem certas. Podia dizer, seguramente, que tinha colocado o sono atrasado totalmente em dia.
se sentou na cama e esfregou os olhos, tentando despertar um pouco mais rápido. Não adiantaria tentar dormir de novo, ela sabia, estava sem sono e começando a ter fome. Espreguiçou-se demoradamente, ouvindo alguns estalos com a movimentação e soltou um grunhido satisfeito ao sentir suas articulações se movendo e parecendo voltar ao lugar. Abriu os olhos e vasculhou o cômodo, não havia sinal da presença de , então seus olhos foram na direção da porta de vidro, localizando-o na piscina, de costas para o quarto e parecia observar a paisagem a sua frente.
Depois de uma passada no banheiro para o ritual matutino de todos os seres humanos e vestir-se com um short jeans e uma camiseta, se sentou na beirada da piscina, colocando apenas os pés na água.

– Acordou cedo. – falou, mas não se virou para olhá-la.
– Eu já dormi muito, agora estou pronta para iniciar nossas férias. – respondeu quase animada. – Você acordou muito cedo também.
– Perdi o sono, mas não foi muito antes de você.
– Temos que lembrar de fechar as cortinas ou vamos acordar muito cedo todos os dias.
chega hoje? – perguntou e se virou para olhar .
– Só a noite. Por quê?
– Só pra saber. – deu de ombros. – E então, qual a programação do dia?
– Praia, claro. Vou deixar o SPA pra quando chegar, porque podemos ir apenas as duas, já que Ian e você com toda certeza ficarão juntos enchendo a cara e conversando coisas de homens chatos.
– Por mim tudo bem.
– Você dormiu bem?
– Dormi sim, perdi o sono agora pouco. E, em todo caso, dormi cedo.
– Quem dormiu cedo fui eu. – disse rindo.
– Você deve ter algum problema de sono, não é possível. – implicou, mas a acompanhou na risada.
– Eu estava cansada, ok? – se justificou e deu um sorriso debochado.
– Quer correr antes do café?
– De jeito nenhum! Correr? Nas férias?
– Você não disse que adora fazer exercícios? Qual o problema?
– O problema, , é que estou de férias, longe de Jay e de Leonard, não vou me prestar a este papel nas minhas férias. Eu quero apenas sol, folga e água fresca. Nada além disso. – respondeu fazendo com que desse uma gargalhada. – Escandaloso.
– Amanhã nós vamos correr. Nós quatro.
– Se você conseguir fazer a concordar em sair pra correr pela manhã nas férias-barra-lua-de-mel dela, você consegue qualquer coisa que quiser na vida. – falou e riu, estendendo a mão.
– Se ela concordar, você vai ter que correr comigo todos os dias nessa viagem. Mesmo depois dos dois irem embora.
! Sem chance! – protestou e ele maneou a cabeça.
– Trato é trato, . Se não aceitar, eu não menciono mais isso e vou correr sozinho.
– Eu não aceitei nada! – falou, cruzando os braços.
– Você disse que eu consigo o que eu quiser, então é isso que eu quero.
– Eu vou procurar um lugar em paz pra fazer meu yoga, você está emanando energias da enganação.
– Deixa de ser dramática. – falou rindo.
– Você devia vestir uma roupa, porque o café vai começar a ser servido daqui a pouco e eu não vou ficar esperando ninguém pra ir pra praia.
– E você já trocou de roupa? Porque eu pretendo ir de lá pra praia.
– Volto aqui antes. Ah, pode sair agora da água, se secar pra que eu passe protetor solar em você, se você ficar torrado e me atrapalhar a aproveitar minhas férias, eu te mato.
– Você fala igual a minha mãe. – falou, rolando os olhos, e recebeu um olhar ameaçador de . – Tudo bem, tudo bem.
– Isso mesmo, a última palavra aqui é sempre sua. Você deve responder “sim senhora” ou “não senhora” a tudo que eu falar. – disse num tom divertido e soltou uma risada. – É sério, sai logo daí! – falou e ele se virou, caminhando até a escada de saída da piscina, pegou a toalha que estava sobre a cadeira e secou os cabelos. Estava de bermuda e mal secou o corpo até chegar ao banheiro. – Deus me ajude.
Enquanto não saía do banheiro do andar inferior, pegou um biquíni na mala, subiu para o andar superior, passou protetor solar, vestiu o biquíni sob a roupa que usava e desceu. Voltaria ao quarto apenas para pegar o que precisasse levar para a praia. saiu do banheiro um tempo depois, de camiseta e com uma bermuda seca, chinelos, os cabelos molhados e penteados despretensiosamente.
– Pode passar. – ele esticou os braços de lado e deu um sorriso quase infantil.
– Tira a camisa, porque suas costas vão precisar.
– Isso é um pretexto pra me ver sem roupa. – falou num tom brincalhão.
É, realmente é ótimo te ver seminu, mas não adianta nada, já que você é gay!, pensou
– Cala a boca e faz o que eu mandei. – respondeu, fingindo estar sem paciência, deu uma risada antes de tirar a camiseta. Ela passou o protetor em suas costas enquanto ele mesmo passava na barriga e braços, poupando-a da vergonha de tocar mais ainda naquele corpo. – Vira de frente, deixa eu passar no seu rosto.
– Já passei.
– Não passou. E vira logo. – falou e ele bufou, mas se virou. Ela passou o protetor em seu pescoço e no rosto.
– Até na orelha?
– Eu devia te deixar ficar sem protetor solar e te deixar ficar todo ardido pra entender que eu tenho razão.
– Não vamos brigar ainda, meine Liebe. – provocou em tom zombeteiro, apertando-lhe a bochecha e quis lhe dar um soco, mas acabou rindo.
– Anda logo.
– E você já passou protetor?
– Já.
– Até nas costas?
– Já.
– Sozinha? Duvido!
– Eu sou mais flexível do que você imagina. – respondeu e deu uma gargalhada exagerada. – Nossa, que quinta série você é.
– Eu não falei nada, você que está pensando besteira. – respondeu debochado e teve que se segurar para não rir mais, já que o olhava quase prestes a lhe dar um soco. – Agora anda, eu estou com fome.
– Vamos. – ela respondeu e os dois saíram do quarto, rumo ao restaurante para o café da manhã.

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¿Y quién me va a entregar sus emociones? ¿Quién me va a pedir que nunca la abandone? ¿Quién me tapará esta noche si hace frío? ¿Quién me va a curar el corazón partido? ¿Quién llenará de primaveras este enero y bajará la Luna para que juguemos? Dime, si tú te vas, dime cariño mío. ¿Quién me va a curar el corazón partido? cantou enquanto passava protetor solar nos próprios braços.
– Você está me xingando? – perguntou, observando e ela deu uma risada.
– Não, palhaço. É uma música do Alejandro Sanz.
– E por que você está falando como se eu devesse saber quem é?
, você tem a obrigação moral de saber quem é Alejandro Sanz!
– Eu não faço ideia de quem seja.
– Você é um caso perdido.
– Eu não escuto essas coisas que eu não entendo.
– Ótimo, vou te fazer uma playlist. – sentenciou, deixando o protetor solar sobre a espreguiçadeira e o olhou.
– Aposto que eu vou odiar.
– Aposto que você vai amar e nunca mais vai parar de ouvir.
– Eu imagino que você não vai me deixar em paz até que eu ouça tudo.
– Imaginou corretamente. – falou e ficou de pé, antes de sorrir feito criança prestes a aprontar. – E o último que chegar na água é torcedor do Borussia!
– Volt… – começou a dizer, mas já estava correndo até o mar e a ele só restou correr, rindo.
Heja BVB, heja BVB, heja, heja, heja BVB…* zombou quando , finalmente, entrou no mar.
– Acho que Thomas e Davi ficarão bem decepcionados ao saber que você sabe cantar parte do hino de um dos maiores rivais do Bayern.
– Eles só sabem gritar isso, qualquer um aprende. – ela deu de ombros.
– Você é péssima. – riu.
– Se você ao menos cogitar a ideia de ir pra lá, eu termino com você e conto pro mundo inteiro que nunca namoramos de verdade.
– Quanto rancor no coração, .
– Já me basta ter que aturar esses últimos meses no Schalke. – falou, tombando a cabeça para trás, numa tentativa de boiar.
– Eu fiquei lindo de azul.
– Eu prefiro de vermelho.
– Posso ir pro United, quem sabe.
– Você não respeita o Bayern mesmo. – falou, fingindo-se de brava.
– Eu não tenho culpa se você odeia todos os times do mundo além do Bayern.
– Eu não odeio todos. Só alguns.
– Quais você não odeia?
– Tudo bem, odeio todos. – admitiu, fazendo rir.
Ela estava boiando, tinha os olhos fechados e mesmo assim franzia o nariz pela força da claridade. observou como o rosto dela ficava ainda mais bonito daquele jeito. Linda.
Achá-la linda não era ter interesse. Claro que não. Era uma constatação natural, pensava. É só isso.

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– Eu comi demais. – declarou, escorregando o corpo na cadeira e deu um sorriso divertido.
– Você sempre come muito.
– Hoje foi mais que o normal. – ela resmungou.
– Então vamos passar umas horas no quarto. – falou, fazendo gargalhar.
– Ainda bem que você falou em alemão, porque essa frase daria uma excelente manchete sensacionalista. – falou, ainda rindo. – Imagina, pegar o Bild e ler: “ insinua publicamente sobre sua vida sexual com . Saiba mais.”.
– Você é péssima. – riu. – Mas não tem como discordar, porque antes de assumirmos a mídia ficou… insana.
– Eles ficaram curiosos depois das primeiras fotos que circularam. – riu.
– Tinha paparazzi na porta do centro de treinamento todos os dias. Eu nunca vi tantos fotógrafos assim andando atrás de mim.
– Podemos ir pro quarto? Prefiro conversar em particular, ainda que em alemão, as paredes têm ouvidos. – falou, acertando sua postura, e assentiu.
– Sim senhora. – falou, levantando-se.
Os dois seguiram para o bangalô e não demorou a se jogar na cama, se sentou no sofá e cruzou as mãos sobre a barriga.
– Eu adorava ver as manchetes que ficavam perguntando quando nós sairíamos de novo e quando assumiríamos o namoro.
– Eu recebi diversas directs no Instagram. – riu. – E quando tiraram aquela foto do estacionamento no seu show…
– Foi insano. – riu.
– Nós saímos em todos os veículos de comunicação da Alemanha!
– Da Europa. – gargalhou ao lembrar-se das diversas reportagens sobre o namoro. – Américas, Ásia, Oceania…
– Você é famosa demais.
– A queridinha do mundo todo, eu mesma. – zombou. – Acho que a melhor reação foi a do Davi.
– Até hoje acho que ele quer me bater.
– Talvez queira. – implicou, dando de ombros. – Brincadeira. Mas ele ficou muito chocado.
– Ute também. Ela riu uns vinte minutos sem parar antes de ver que eu estava falando sério, parar de rir e me encarar chocada. E implorar por ingressos, claro.
– Davi achou que eu estava grávida! – riu ao lembrar. – Disse que só isso explicaria eu estar namorando um jogador.
– Ai sim ele teria me matado! – riu.
– Que nada, Davi é um anjo incapaz de fazer mal a qualquer um.
– Não foi isso que eu o ouvi dizer… – deu uma risadinha pelo nariz, arrependendo-se profundamente quando viu se virar em sua direção, olhando confusa.
– Como assim?
– Bom, no dia do almoço com seus pais… ele mencionou que bateu no seu ex-namorado.
– Nossa, eu tinha esquecido disso. É, o Davi é um anjo incapaz de fazer mal a qualquer um. Exceto se esse qualquer um me fizer alguma coisa.
– Compactuo da mesma opinião. – respondeu em tom divertido. – E então, podemos ir pra praia?
– Você pode ir, eu ainda estou empanturrada e não consigo nem imaginar ficar no sol ou na água nesse estado.
– Mais meia hora então e nós vamos. Você só fez dormir e comer desde que chegamos, precisa de um pouco mais de sol.
– Young and full of running. Tell me where has that taken me? Just a great figure eight or a tiny infinity? cantou, voltando a se deitar e olhar para o teto do quarto.
– Você vai ficar cantando por meia hora?
– Você vai reclamar?
– De forma alguma, eu gosto bastante. – respondeu sincero.

E a meia hora que passaram no quarto foi acompanhada da voz de .

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– Quem canta isso? – perguntou.
Estavam no mar, fundo o suficiente para que a água batesse quase em seus ombros.
, você precisa sair do seu mundinho musical e explorar novas áreas, sabia? – rolou os olhos.
– Você não respondeu minha pergunta.
– Adele!
– Eu nunca adivinharia uma coisa dessas!
– Pelo amor de Deus, essa música tocou nas rádios por semanas! E ainda toca!
– Eu não me lembro de ter ouvido isso em rádio nenhuma. – resmungou.
– Should I give up or should I just keep chasing pavements? Even if it leads nowhere or would it be a waste? repetiu a parte anteriormente cantada e ele negou com um aceno. – Chasing Pavements! , você precisa muito de mim mesmo.
– Minha vez. – falou, ignorando a alfinetada e pareceu pensar por alguns segundos antes de sorrir, lembrando-se da música que queria. – Don’t tell me of any wonder shitting gold, don’t tell me of a hard way we have to go through. Still we pay your warmth out of the cold, do you really think we’re that blind?
– Don’t spit on my mind…
– ela cantou no ritmo e sorriu. – Você precisa ser mais criativo se vai escolher uma banda de rock. Eu amo Helloween e Don’t Spit on my Mind é uma das minhas músicas favoritas.
– Você é muito chata.
– Vou escolher uma fácil agora. – riu, voltando a boiar. – But I wonder where were you when I was at my worst, down on my knees, and you said you had my back. So I wonder where were you when all the roads you took came back to me, so I’m following the map that leads to you…
– Maroon 5 e a música se chama Maps.
– Acertou uma, finalmente! – zombou.
– Eu gosto de Maroon 5.
– Adam é meu amigo há anos.
– Sério?
– Sério. Ele é um amor. Ele, Behati e a Dusty… são pessoas fantásticas e eu gosto muito deles.
– Minha vez.
– Escolhe uma difícil. – pediu, voltando a fechar os olhos enquanto boiava e esperava.
– Don’t wanna kiss, don’t wanna touch, just smoke my cigarette and hush… – ele cantou totalmente desafinado depois de pensar por um tempo.
– Eu falei pra você escolher uma difícil, . Você pensou um tempão e ainda cantou uma fácil. – ela riu. – É Alejandro, da Lady GaGa.
– Eu gosto muito de cantar essa, me deixa. – resmungou.
E isso dizia muita coisa.
– Odeio que você saiba tudo de música.
– Eu não sei tudo. – riu, submergindo antes de ficar de pé e olhar para . – Você que escolhe músicas fáceis.
– Eu acho que nós deveríamos tomar banho e ir jantar, já parece prestes a escurecer. – falou e concordou.
– Vamos. e Ian devem chegar depois do jantar.

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– CHEGAMOS! – falou animada quando abriu a porta.
– Finalmente! – falou sorridente e abraçou a amiga. – Entrem.
– E como foi o dia? – perguntou entrando no bangalô, observando cada detalhe do local, e abraçou Ian.
– Ótimo, nós passamos o dia na praia e foi muito tranquilo. Aqui é muito bom pra descansar e relaxar. E a viagem?
– Foi bem longa, mas bastante tranquila. – Ian respondeu e se sentou no sofá.
– Nós temos um dia de praia amanhã? – perguntou e assentiu animada. – Você já tem marquinha!
– Isso não é uma marquinha. – falou dando de ombros. – E sim, temos um dia de praia.
– Vocês já jantaram? – Ian perguntou.
está no banho justamente pra irmos jantar.
– Então jantamos juntos, pode ser? – ele perguntou e assentiu.
– Por mim, tudo bem.
– Estamos no bangalô do lado, vamos tomar banho e nos encontramos na recepção em… quarenta minutos. – falou conferindo o relógio do celular.
– Pode ser. – concordou e os dois saíram do quarto, poucos segundos antes de descer as escadas secando os cabelos numa toalha e com outra enrolada em sua cintura. É, eu realmente vou precisar de ajuda celestial pra conseguir viver esses vinte dias sem pular nesse homem e agarrá-lo, pensou. – e Ian chegaram. Vamos jantar juntos.
– Aqui ou fora?
– Aqui. – respondeu dando de ombros. Ele assentiu e foi até o guarda-roupas, em que as roupas tinham sido, finalmente, guardadas.
– Vai escolher minha roupa? – ele perguntou num tom divertido.
– Hoje vou deixar por sua conta, mas escolha bem, porque senão eu vou escolher todos os seus looks até o fim dessa viagem.
– E vai me fazer andar de preto a viagem inteirinha. – ele resmungou.
Pegou uma camisa de mangas curtas e botões azul escura, com riscos em azul claro, uma cueca preta, uma bermuda de sarja cinza e um tênis de couro marrom.
– O branco. – disse e ele deixou o tênis e pegou o outro. – E como você acertou a maior parte, vou te deixar se vestir sozinho mais uns dias.
– Ah, obrigado por ser tão boazinha e generosa pra mim desse jeito. – debochou e foi para o banheiro se vestir.
– Que cheiro bom. – falou quando retornou.
– Esse é o meu perfume, você já sentiu antes.
– Não disse que não senti, disse que o cheiro é bom. – ela deu de ombros.
– Você é muito grossa, . – implicou, fazendo rolar os olhos. – Podemos ir?
– Temos que esperar e Ian. – respondeu.
assentiu, sentando-se no sofá, pegou o celular e se distraindo enquanto aguardava pela chegada dos amigos dela. pegou o próprio celular, tirou uma foto dele totalmente distraído com o próprio celular e postou em seus stories com um emoji de coração.
– And I’m trying to ignore you, try to go on with my day, but I still pick up the phone, yeah, and get lost in what you say. cantarolou baixo, desafinado, e sem se dar conta de que era observado.
– Shawn Mendes? – perguntou e ergueu os olhos do celular.
– Acho que sim, não tenho certeza.
– É sim. Tenho quase certeza que é “Like This”.
– Então você conhece?
– Claro! Quem não conhece o Shawn?
– Digo… conhecer pessoalmente e essas coisas.
– Conheço. E ele é ótimo. Agora, me conta uma coisa…
– Que coisa?
– Se você canta e ouve músicas em inglês, por que não sabe falar inglês? Você cantou tudo certinho hoje.
– Não sei. – deu um sorriso, franzindo o nariz numa careta.
– Ótimo, vou te dar umas aulas de inglês, você vai adorar.
– Sinto como se eu não tivesse muita escolha.
– E não tem mesmo. – riu.
– Você é mandona.
– E você fará bem se me obedecer, . – piscou. – Vamos?
– Outra coisa na qual não tenho escolha… – assentiu, ele colocou o celular no bolso e continuou com o seu em mãos.
– Você está muito bonita. – elogiou.
– Obrigada. Agora levanta essa bunda daí, eu estou com fome.
– Eu preciso saber de alguma coisa específica pra esse jantar? – perguntou, ficando de pé e negou com um aceno.
– Só seja você. Ian é um amor de pessoa, uma das melhores que conheço. é… . E isso significa que ela é a pessoa mais maravilhosa do universo e que os dois vão te tratar muito bem e tentar enturmar, afinal, você é novo entre nós e eles vão querer te conhecer pra te tratar bem. Então, apenas seja você e vai dar tudo certo.
– Tomara. – mordeu a parte interna da bochecha antes dos dois saírem do bangalô, de mãos dadas, e caminhassem até a recepção.
– Finalmente, achei que precisaria buscar vocês. – reclamou quando e chegaram à recepção.
– Você falou quarenta minutos, demoramos trinta e seis. – deu de ombros e os quatro seguiram até o restaurante do resort.
Um local lindo e aconchegante, com uma comida maravilhosa e um ambiente realmente agradável. e Ian conversavam como se fossem conhecidos de longa data, os assuntos emendavam um ao outro e não havia silêncios ou constrangimentos. Os dois tinham se dado bem e até mesmo com ele tinha conseguido conversar sem se sentir constrangido ou envergonhado. Ian e eram pessoas absolutamente leves e tranquilas de se estar por perto, os dois puderam apenas ser eles mesmos, sem precisar de toques e beijos para provar nada. E isso, de alguma forma, os deixava aliviados.
E, de alguma forma, conseguiu convencer e Ian a correrem pela manhã durante aqueles dias que ficariam por ali. quis matá-los quando os ouviu aceitando e quando sorriu vitorioso ao ouvir a aceitação animada do casal, mas apenas concordou em fazer parte daquele momento fitness. Não que não gostasse de se exercitar, mas não era sua pretensão fazer exercícios físicos nas férias, ficaria apenas no yoga matinal, mas aquela era uma batalha perdida.

🎤❤️⚽️
– Eu te odeio profundamente, . – falou de mau humor quando foi acordada, às seis da manhã, para correr.
– Odeia nada. Você vai ver como vai ter mais animação hoje.
– Toda vez que Jay fala comigo desse jeito, eu sinto vontade de dar um chute na cara dele. – resmungou mal humorada, levantando-se da cama para se trocar.
– Melhora essa cara.
– Pense no pior palavrão que conseguir, estou te xingando com ele. – respondeu do banheiro, fazendo gargalhar.
Ao chegarem à recepção, se deparou com uma bastante animada para a atividade e aquilo a deixou confusa. E irritada. A amiga era seu elo forte no mundo pouco fitness e agora ela estava jogando no outro lado da Força. Não. Aquilo tinha que ser mentira.
Ian, pelo menos, compartilhava do mesmo ânimo (ou falta dele) e os dois ficaram pra trás, observando e correndo com bastante foco e empenho pelas ruas do resort. acordando cedo por pura vontade e saindo para correr era a última coisa que imaginava ver em toda sua vida.
, me conta uma coisa… – Ian falou, enquanto os dois caminhavam, numa distância considerável dos outros dois, que corriam animadíssimos.
– Até duas.
– Como é namorar seu crush da adolescência? – implicou e lhe deu um empurrão com o ombro.
– Você pode me falar bem sobre isso, afinal, se casou com o seu. – ela devolveu a provocação no mesmo tom e foi abraçada pelos ombros, passando um dos braços pela cintura do amigo.
– Posso. – Ian sorriu. – Mas quero saber como é essa sensação pra você.
– É normal. – deu de ombros ao falar, mas o coração apertado pela mentira de ter que sustentar aquele relacionamento falso para um dos melhores amigos. – A gente se dá muito bem, ele é muito carismático e me trata muito bem, gosta de mim e da minha companhia e não fica falando sobre minha carreira ou essas coisas.
– Espero que dê tudo certo dessa vez, vocês formam um casal realmente bonito.
– Não mais do que você e a .
– Mas isso é impossível, . – Ian sorriu. – E como vocês se conheceram?
– O Leo é amigo de longa data do empresário do , os dois acharam que nós seríamos perfeitos um para o outro e resolveram nos apresentar. Quando nos conhecemos, ele mal me olhava e nem mesmo no WhatsApp ele rendia muito o papo, mas, de alguma forma, deu certo e nós começamos a namorar.
– E ele não conversava com você por quê?
– Depois que saímos da primeira vez, ele disse que me achava intimidadora.
– E ele está certo. – Ian implicou, recebendo um tapa no braço. – E agressiva.
– Antes de eu começar a realmente comentar as fotos dele, eu tentava fazer as conversas renderem, mas ele era bem evasivo… pra gente conseguir sair foi bem difícil.
– Ei, molezas, vocês vão perder o café da manhã! – interrompeu o assunto, aproximando-se dos dois. Estava suada, ofegante, mas parecia realmente feliz com aquilo.
– Ian, você conhece essa musa fitness aqui? Eu nunca a vi na vida. – implicou e rolou os olhos.
– Não faço ideia de quem seja. Falando nisso… você viu minha esposa por ai? É a mulher mais linda de todas, mas ela não é fitness.
– Andem logo. – respondeu entediada e começou a caminhar na direção do restaurante. – Vocês vão perder o café e atrasar nosso dia de praia!
– Sim senhora, General. Já estamos indo, General. – respondeu debochada, fazendo uma continência, e viu se afastar.
Os dois caminharam, ainda abraçados, até o restaurante e foram se servir do café da manhã, que foi feito mais rápido do que pretendia que fosse, mas ela queria ir logo aproveitar o sol e o calor com sua melhor amiga, sem se sentir culpada por deixar as obrigações de lado por um tempo.

🎤❤️⚽️
– E então? Dividindo a cama? – perguntou, provocando, enquanto procurava por um filme no catálogo.
e Ian tinham saído para beber e conversarem para se conhecerem melhor, já que era o “novo integrante” do grupo e os dois ainda não se conheciam. e aproveitaram para ficarem juntas, reeditando o que faziam quando ainda eram adolescentes, iam uma para a casa da outra e passavam a madrugada vendo filmes, comendo porcaria e conversando.
– Ele dorme no sofá, eu na cama. – respondeu fazendo rir.
– Isso é medo de agarrá-lo durante a noite?
– É. – respondeu sincera e olhou para a amiga. O sorriso de morreu e sua expressão se tornou preocupada. – Eu realmente estou com medo disso. E vai dar muito errado, porque vai dar climão.
– Climão por quê?
– Porque ele é gay, . Por isso. – respondeu e se jogou de costas na cama, encarando o teto. – E o clima vai ficar péssimo, o que vai ser um saco, porque ele não passa a maior parte do tempo me questionando sobre coisas da carreira, quer saber sobre a pessoa comum e não a cantora. E conversa comigo sem me bajular, como a maioria das pessoas faz.
– Eu repito que não acho que ele seja gay.
– Ele cantou Lady GaGa numa brincadeira que fizemos.
– Pare de usar estereótipos altamente preconceituoso. Não é porque ele cantou Lady GaGa que ele é gay.
– Eu sei que isso é errado, mas nada me convence do contrário.
– Leonard foi um baita filho da puta em concordar com uma coisa dessas. Ele, o empresário do Hugo e o próprio , só que o Leonard ainda mais, porque ele sabe que no passado você teve uma quedinha pelo .
– Antes fosse uma quedinha e que tivesse ficado no passado. – falou num tom frustrado.
Infelizmente nunca tinha sido apenas uma quedinha e ainda pioraria muito. Ela podia sentir.

Heja BVB…: é um dos gritos comuns da torcida do Borussia e até faz parte do hino. O significado é tipo “Hala Madrid”, ou seja, seria tipo “Vamos Borussia!”

Capítulo 7

– Eu queria te perguntar uma coisa, mas não sei se você vai responder. – falou, deitado no sofá, e virou o para olhá-la.
Os dois tinham voltado do almoço há algum tempo e estavam aguardando a temperatura amenizar um pouco, além de, claro, esperar pela sagrada hora após se alimentarem para que pudessem retornar à praia sem risco de passar mal.
– Pergunte e se eu não quiser responder, eu não respondo. – deu de ombros, apoiada sobre os cotovelos na cama.
– Você escreveu “Das Gold von Morgen” por algum motivo especial? – perguntou quase tímido e deu um sorriso pequeno.
– Todas as minhas músicas são escritas por algum motivo especial.
– É uma música bonita, triste, mas bonita.
– Eu gosto muito dela.
– E foi pra alguém especial?
– Sim. – lhe olhou, ainda com o sorriso pequeno em seus lábios.
– Você quer fazer uma versão especial dela pra mim neste momento? – perguntou e rolou os olhos.
– Você sabe que podia ter pedido e eu teria cantado, não sabe? Sem precisar enrolar.
– Sei, mas eu realmente queria saber, é uma música muito bonita e parece ser especial.
– Todas elas são. – deu de ombros. – E eu vou ter que cantar a capela, não tem um piano por aqui.
– Posso pedir mais algumas?
– Você vai pagar o ingresso? – ela perguntou implicante.
– Depende, o que você quer como pagamento?
– Dinheiro, claro. Não se paga ingresso de shows de outro jeito.
– Eu consigo pensar em coisas melhores que dinheiro no seu caso. – deu de ombros e ergueu uma das sobrancelhas, sem saber se tinha mesmo ouvido um tom dúbio naquela frase. – Eu estou falando de alimentos, ! Meu Deus, você tem uma mente muito poluída.
– Não tenho culpa se você fala coisas que dão a entender outras.
– Sei… E então, vai aceitar mais pedidos?
– Depende.
– “Herz aus zweiter Hand”.
– Mais alguma?
– Não, eu acho que não. – ele falou sorrindo pela aceitação do pedido e se deitou na cama, olhando para o teto do quarto. – Vai cantar olhando pro alto?
– Vou. Você me encarando me deixa sem graça. – falou quase num muxoxo, deixando a verdade basicamente escancarada, mas ele não entendeu desta forma e apenas deu uma sonora gargalhada ao imaginar um cenário em que ficava envergonhada com alguma coisa. – E sinta-se honrado, serão versões exclusivas.
– Eu mereço, sou seu namorado.
– Será que merece mesmo? – implicou, fazendo dar uma risada baixa pela implicância. – Porém, primeiro, preciso de um aquecimento vocal, pra não ficar tão desafinado.
– Você não vai mesmo fazer um show, . Pode só cantar. Eu não vou me importar caso você desafine um pouco.
Ela suspirou, fingindo uma impaciência que não tinha, e soltou alguns ruídos que considerou engraçados, mas já tinha escutado: ela costumava fazê-los antes de começar a cantar nas gravações do CD que ele tinha acompanhado. Após alguns minutos daquele jeito, permaneceu deitada e sem olhar para . Olhava para o teto branco liso sem nenhuma rachadura, sujeira ou elevação.
Aquela era uma música muito pessoal, escrita em um momento de extrema fragilidade, e sabia que, se o olhasse, acabaria chorando e falando demais e não, ela não contaria aquilo pra ele.
Não naquele momento.
não viu a pequena ruga que se formou entre as sobrancelhas de quando ela se preparava para cantar, também não viu os olhos dela sendo fechados. Apenas a viu suspirar longamente, dessa vez prestes a começar a cantar e ele, claro, pegou o celular e começou a gravá-la. Era a oportunidade perfeita de ter versões especiais daquelas músicas que ele tanto gosta.
– Lang der Tag und kurz die Nacht, oh oh oh oh oh. Schon wieder kopflos aufgewacht, oh oh oh oh oh. Das Herz ist leer, der Kopf zu voll, Nichts gelingt und alles sol. Der nächste Tag, das reicht als Ziel, der nächste Tag, ist schon das Ziel… – ela começou a cantar, fazendo sorrir involuntariamente.
A música era profunda, muito sincera e tinha um significado muito mais importante do que quis fazer parecer enquanto cantava com suavidade, sabia daquilo. Sua voz não se alterou em momento algum, ela cantou a música inteira com a mesma afinação e tom pacífico e suave que sempre cantava, mas, dessa vez, sem seu piano para acompanhá-la.
– Fang an zu graben, Denn dort ist es verborgen genau da findest du Das Gold von morgen… – terminou de cantar, recebendo os aplausos de .
– Você é ótima.
– E você nem mesmo era meu fã. – respondeu se fingindo de ofendida, mas não mudou de posição, permaneceu deitada sem olhá-lo. – Mas, obrigada.
– Eu posso dizer que me arrependo muito de não ser seu fã antes, você é realmente é uma artista fantástica. – falou sincero. – E essa música é maravilhosa.
– Obrigada. – agradeceu sem graça, sentindo as bochechas corarem. – Você quer mesmo “Herz aus zweiter Hand”?
– Só se você quiser cantar. – deu de ombros.
– Posso cantar, mas meu pagamento tem que acontecer. E, não, eu não estou falando de dinheiro. Quer dizer, estou, mas não desse jeito.
– O que você quer dizer com isso, ? – perguntou curioso e virou-se para olhá-lo, dando um sorriso travesso.
– Vamos sair essa noite.
– Não sei se vou gostar da continuação disso, mas, continue.
– Vamos a San Juan, perto do aeroporto, eu quero dançar.
– Você quer o quê?
– Dançar.
– E eu terei que dirigir até San Juan pra isso? – perguntou quase perplexo.
– Você pode ir no banco do carona, se preferir. – deu de ombros. – Eu não aguento mais ficar nesse resort, . Sério. Nós chegamos e ficamos na praia, Sam e Ian chegaram e foram embora e nós não fizemos nada além de ir à praia, jantar, jogar videogame, ver filmes e ir ao SPA. E correr de manhã. E eu acho isso absurdo!
– Não tem nada mais perto?
– Não que eu saiba, posso perguntar na recepção. – voltou a dar de ombros.
– Preferia se fosse por aqui, é mais fácil de voltar. Não gosto muito da ideia de ficar passeando longe em um país que não conheço.
, sério, a gente só ficou aqui e eu estou entediada! Quero passear, conhecer a noite porto-riquenha, comer alguma coisa gostosa e dançar muito.
– Tudo bem, tudo bem… – ele resmungou derrotado. – Mas por perto.
– Eu duvido que tenha alguma coisa por aqui. San Juan é a capital, as coisas acontecem muito mais por lá.
– Mas é longe e…
– Por favorzinho, . – pediu, juntando as mãos e fazendo bico, de uma forma quase infantil.
– Você gosta tanto assim de beber e sair pra baladas?
– Não tenho tempo pra isso, normalmente. – deu uma risada triste. – Eu gosto de dançar e me divertir, mas não tanto de beber. Prefiro ter uma noite divertida sóbria e me lembrar de tudo que aconteceu com riqueza de detalhes, ao invés de ter uma ressaca que vai apagar a animação da noite anterior, mas gosto de beber às vezes. Principalmente quando se trata de um bom vinho.
– Tudo bem, , você venceu. – ele bufou, fingindo uma irritação que não tinha e ela sorriu abertamente. – Agora cumpra sua parte e cante.
– Posso saber qual é a dessa de gostar dessas músicas? Você escolheu duas das minhas músicas mais tristes.
– São músicas bonitas e profundas. – deu de ombros.
Mas não era só por aquilo, claro.
As músicas podiam ter sido feitas por contextos de que ele não conhecia e talvez jamais conhecesse, mas eram músicas com letras que, de alguma forma, mexiam com ele. Mexiam porque eram reais demais, quase como se as tivesse escrito para ele. Era absurdo pensar nisso, sabia, mas eram músicas que o tocavam.
– Vou fingir que acredito que é apenas por isso, porque se você não quer falar, quem sou eu pra questionar. – ela deu de ombros, voltando a se deitar e olhar para o teto.
– Mas é só por isso. – respondeu dando de ombros, gesto que não foi visto por .
Die Vorbesitzer waren keine Könner, manche sogar das Gegenteil von talentiert. Man sieht es an den Rissen und den schrammen es wurde mehr als nur ein paarmal repariert. Ich habe oft den Sinn der vorletzten Sekunde, die live-erträge wieder annulliert. Damit es nicht ein frühes Ende findet, damit nicht noch was Schlimmeres passiert. Neue Liebe, Neues Glück…

Enquanto cantava, deitada e ainda sem olhá-lo, mantinha-se gravando aquela versão em vídeo e sustentava um sorriso pequeno em seus lábios, aquela letra lhe trazia uma retrospectiva pouco animadora de sua vida.
Primeiro perdera o pai para o câncer, em 2009, logo que conseguiu chegar ao time principal do Bayern e à seleção principal, mas as coisas passaram a ir de mal a pior durante aqueles anos e agora ele estava desempregado.
Lembrava-se de cada segundo daqueles dias horríveis, dos dias de luto em que precisava ser mais forte do que achava ser capaz e do que gostaria de ser naquele momento, porque precisava ser “o homem da casa” a partir de então, tinha que ser forte para dar suporte à mãe e à irmã mais nova, e não demonstrar que estava triste e deprimido, pois perder o pai tinha sido a pior coisa que lhe acontecera, ele era apenas um garoto de quase vinte anos e viu o pai partir cedo demais.
Hermann partiu sem ver os atletas que treinava se tornarem profissionais. Não viu o filho chegar ao topo do mundo e pouco depois cair até o fundo do poço algumas vezes. Não viu a filha mais nova entrar pra faculdade e tornar-se uma mulher linda e forte, conforme ele sempre a incentivava a ser. Partiu cedo e não compartilhou mais sorrisos e declarações de amor com a esposa que tanto amava. Hermann se foi cedo. E ficou. E aquele buraco nunca seria preenchido, era um vazio eterno. Mesmo sabendo que o pai precisava descansar depois de lutar tanto, sentia falta de tê-lo por perto.
Enquanto ouvia a voz doce de , lembrava-se da alegria de ir para o time profissional do Bayern de Munique, virar titular e jogar todos os jogos daquela temporada, em 2009/2010. E foi quando ele fez seu primeiro gol como profissional. O Bayern foi o campeão e ele sabia que aquilo tinha sido uma conquista e tanto. Principalmente para levá-lo à seleção principal.
Lembrava-se claramente do entusiasmo de estar na África do Sul, em 2010, quando a Alemanha ficou em terceiro lugar na competição, em um trabalho que começava a ser desenvolvido na categoria principal por Joachim Löw, que já o tinha feito na base da seleção com alguns dos atletas que, agora, ele comandava na chamada categoria profissional.
Lembrava-se vividamente dos problemas que teve com van Gaal, no Bayern, de ter amargado a reserva em diversos jogos e não ter sido relacionado em outros tantos. Os dois tiveram tempos turbulentos em seu relacionamento e aquilo, dada a época em que ocorrera, deixou menos confiante.
Lembrava-se da chegada de Jupp Heynckes ao time bávaro, da confiança que o treinador tinha nele e em como o apoiava e incentivava, ensinava e procurava sempre manter confiante, animado e atento aos jogos e buscando sempre aperfeiçoar os erros, não com berros e humilhações, mas com conversas amigáveis e educativas, isoladas e sem chamar a atenção de todos os companheiros. E funcionou. Foram onze clean sheets na Bundesliga naquela temporada e isso era algo grande. Muito grande.
Lembrava-se da alegria de ter sido colocado na seleção da UEFA em 2012, junto com os outros companheiros de defesa do time. A linha defensiva inteira do Bayern de Munique estava lá. E, por óbvio, ele também.
Lembrava-se da tristeza de perder aquela final da Champions League, da temporada 2011/2012, para o Chelsea, em plena Allianz Arena, diante de sua torcida.
Lembrava-se de quando, num amistoso, Löw resolveu testar um time e o colocou como zagueiro central. Aumentando os rumores de que, sim, ele era titular incontestável e, sim, ele teria lugar na seleção para a Eurocopa de 2012 e, quem sabe, para a Copa do Mundo de 2014.
Lembrava-se da Eurocopa de 2012, jogando nove dos dez jogos feitos. A seleção foi muito bem até a semifinal, quando foram eliminados pela Itália. Foi durante essa Eurocopa que ele fez seu primeiro gol pela seleção profissional, na vitória de 5-1 contra o Azerbaijão.
Lembrava-se, vividamente, daquele dia 1º de dezembro de 2012, num jogo contra o Borussia Dortmund, na Allianz Arena, quando machucou o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Da dor insuportável e de ter chorado muito. Era o primeiro tempo do jogo e ele dividiu uma bola com o amigo Mario Götze e levou a pior. Ele só voltou ao time na temporada seguinte.
Lembrava-se de, poucas semanas após o retorno ao time, romper, novamente, o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Perdeu toda a temporada 2013/2014. Perdeu a Copa do Mundo. Perdeu a chance de ser parte do elenco tetracampeão do mundo, não pode aproveitar cada minuto daquela conquista que tinha sido fantástica e da qual ele poderia fazer parte, já que era peça importante do esquema de Joachim Löw. Os amigos estavam sendo campeões do mundo e ele estava no Colorado, EUA, operando seu joelho.
Lembrava-se do retorno aos campos, num amistoso contra o time de sua cidade natal, no dia 18 de julho de 2014, depois de quinhentos e noventa e quatro dias. O Bayern venceu de 3-0 o FC Memmingen. Foram cinquenta e oito minutos em campo, com direito à faixa de capitão.
Lembrava-se da chegada de Pep Guardiola, de como o homem lhe tratava como um filho e como, de certa forma, lembrava-lhe do pai. Os dois se davam muito bem e na temporada 2014/2015, era seu titular. Mas, em setembro de 2014, lesionou a coxa esquerda, depois de vinte meses afastado por lesão, e passou o resto do ano fora do time.
Lembrava-se de seu retorno, contra o Hamburgo, numa goleada de 8-0 que aplicaram. Jogou os noventa minutos. E voltava ao time, com a confiança dos companheiros, da torcida e do treinador.
Lembrava-se do seu gol contra o Shakhtar Donetski, pela Champions League, em 11 de março de 2015, dois dias antes de seu aniversário. Um gol que, naquela goleada de 7 a 0, não faria tanta diferença, mas pra ele contava e muito. Era o segundo gol de sua carreira profissional. E aquele jogo era especial: seu primeiro jogo iniciando pela Champions League desde 2012.
sentira que a vida, agora, só subiria. Sem quedas.
Estava enganado.
Lembrava-se da ruptura do músculo da coxa esquerda de novo, no jogo contra o Porto, em 21 de abril de 2015. jogou todo aquele jogo, os noventa minutos, mas se machucou, teve que operar e passou o resto da temporada fora dos gramados.
Lembrava-se do retorno e das poucas oportunidades, afinal, o clube já tinha sua zaga titular e ele mal tinha espaço no elenco. Na temporada 2015/2016 ele fez apenas nove jogos. E apesar de falar que não ia desistir, só pensava em parar. Só queria desistir. Sofrimento atrás de sofrimento, lesão atrás de lesão, as coisas pareciam de mal a pior.
Lembrava-se de ter sido chamado para ir com a seleção para dois amistosos – um contra a Austrália e outro contra a Suécia – e uma das qualificatórias para a Euro de 2016, contra a Georgia. jogou contra a Austrália e a Suécia, mas não viajou para a Georgia, por sentir dores nos quadris e retornar para tratamento na Alemanha.
Lembrava-se do empréstimo para o Schalke 04, em janeiro, dias antes de passar por momentos difíceis em sua vida pessoal e ainda ter que mudar de cidade e deixar mãe e irmã. torcia para o Bayern, não gostava da ideia de ter que usar as cores de outro time, mas não podia falar nada. Era um empréstimo, havia a opção de compra, mas torcia para que o Bayern o quisesse de volta.
Lembrava-se do primeiro jogo que fez pelo time de Gelsenkirchen, contra o próprio Bayern, na Allianz Arena, em que os times empataram por 1 a 1 em partida válida pela Bundesliga.
Lembrava-se dos dois cartões amarelos na Allianz Arena e de sua expulsão, ainda que Arjen Robben tenha tentado convencer o juiz a não fazê-lo. O Schalke perdeu por 3-0, pelas quartas-de-final da DFB-Pokal.
Lembrava-se do final da temporada pífia que o time fez, ficando no meio da tabela sem ambição nenhuma a nada, quando os dirigentes do Schalke lhe avisaram que não exerceriam o direito de compra e, até então, o Bayern não tinha dado um retorno sobre querê-lo de volta.
Ele estava de férias, mas desempregado.
Sua vida era uma montanha-russa que vivia embaixo. Raramente tinha altos e quando existiam, eram rápidos e as quedas eram absurdamente dolorosas.
Vinte e oito anos.
Estava ficando velho, diziam os jornais, mas tinha aprendido com seu pai a lutar. O homem lutou até não conseguir mais manter-se de pé, mas não desistiu e não foi derrotado pelo câncer. Ele o derrotou. Mas precisou descansar. Então continuaria lutando e acreditando. Ainda que, por diversas vezes, sentisse vontade de largar tudo, de aposentar, fazer o curso da FIFA e se tornar treinador de crianças, como o pai era.
E o que será que o pai acharia do namoro? Não que fosse mesmo contar que estava namorando de mentira apenas para atrair mídia e reconquistar seu lugar ao sol, mas será que Hermann aprovaria aquele namoro? Claro. Ele era um bom homem e enxergava sempre o bem em todo mundo. Saberia que é uma pessoa boa e que só quer o bem do filho e nada mais do que isso.
podia se comparar ao coração maltratado e não novo, já bem esfarrapado e estrupiado que cantava sobre, mas, assim como a música dizia, um coração precisa de perigos para viver, caso contrário, morre na solidão. E era isso que pensava, afinal, já tinha passado por tanta coisa, não desistiria agora. Vinha passando pelos perigos, uma hora ele precisava parar de estar solitário.
Ainda batia em alto e bom som, ainda tinha muito sangue.

– E é por isso que eu prefiro músicas animadas para as pessoas dançarem, porque quando faço músicas reflexivas, eu fico falando sozinha feito uma idiota e a pessoa fica ai, perdida no mundinho dela. – falou, depois de lhe jogar uma almofada, que acertou em cheio em seu rosto.
– Grossa.
– Sou, mas você é um tapado. Em que você está pensando? – perguntou curiosa e deu de ombros. Não, ele não contaria. Até porque ela já sabia de todos aqueles acontecimentos.
– Em como eu sou um tapado por aceitar que você me convencesse a sair daqui pra ir pra balada. Em outra cidade.
– Meu avô tem quase cem anos e não reclama igual a você.
– Se ele passar um dia inteiro na sua companhia, com certeza ele vai reclamar. – implicou e lhe mostrou o dedo do meio, praguejando em espanhol. – Não faço ideia do que você disse, mas com certeza comprova o que eu falei.
– Eu te odeio. – rolou os olhos, ficando de pé. – Agora, com sua licença, eu vou pra praia.
– Sinta-se a vontade. Eu vou daqui a pouco. – deu de ombros e não demorou a sair do quarto, pegando sua bolsa e rumando para a praia.
Ele aproveitou o momento sozinho e postou dois stories dela cantando as duas músicas, claro, pedaços delas, fez uma legenda pequena elogiando-a, e logo estava a caminho da praia, tentando tirar da cabeça todas aquelas péssimas lembranças e pensando em como as coisas começariam a dar certo de agora em diante.

🎤❤️⚽️
– Da próxima vez que eu te deixar me convencer a fazer alguma coisa desse tipo, eu vou passar duas horas batendo a cabeça na parede. – reclamou, quando desceram do carro, já em San Juan.
– Se você não se divertir nada, absolutamente nada, eu compro um time de futebol pra você. – falou desaforada e ele sorriu.
– Feito. Prometo não me divertir e você vai me comprar o Real Madrid.
– Primeiro, eu nunca disse que você poderia escolher o time que seria comprado. Segundo, eu nunca disse que te compraria um time conhecido. Terceiro, com tanto time no mundo você tem que escolher logo esse? – perguntou fazendo uma careta.
– Eu pensei em falar o Bayern, mas você não me daria o seu time.
– Eu compraria algum time beeeeeem pequeno, de um lugar beeeeeeem distante.
– Ah é?
– Sim, mas como eu sei que você vai se divertir muito, não preciso me preocupar.
– Não prometo nada.
– Saia da casinha, . – piscou e deu um sorriso animado, fazendo sorrir junto.
– Você não vai me arrumar problemas, vai?
– Olha bem na minha cara de quem causa problemas, . – falou quase desaforada.
– Eu não disse causar, eu disse arrumar.
– Olha bem na minha cara de quem arruma problemas, . – repetiu, usando a mesma palavra que e ele sorriu debochado.
– Espero mesmo, eu não quero ser preso por sua causa.
– Cala a boca.
, você vai apresentar seus documentos… vão vazar a informação que você está aqui.
– Talvez. – deu de ombros. – Mas eu quero muito me divertir, já cansei de ficar enfiada naquele resort e só ir à praia ou ao SPA.
– Mas se começarem a te reconhecer e virar um tumulto, nós vamos embora. – falou e assentiu, logo quando chegaram à entrada do local escolhido.
Não estava cheio, o que era bom e ruim; menos gente possibilitaria a chance de serem reconhecidos bem rápido, mas com poucas pessoas por perto era melhor para terem mais privacidade e, caso os reconhecessem, não teriam tantos problemas com tumultos ou coisas do tipo que a presença de uma superestrela da música costumava causar.
sentiu-se absolutamente agradecida e feliz quando chegaram ao local e ela não foi reconhecida de imediato, o segurança a olhou como se ela fosse apenas mais uma turista qualquer e permitiu a entrada sem nem se atentar ao fato de serem os dois figuras públicas famosas. Não foram reconhecidos nem enquanto caminhavam até o bar, ou pelo barman quando pediram suas bebidas – um suco de manga pra ela e um suco de laranja pra ele – e ficaram por um tempo sentados bebendo seus sucos e vendo as pessoas dançarem por todos os lados.
– Ah! Eu adoro essa música! – sorriu quando ouviu “Hips Don’t Lie”, da Shakira, começar a tocar.
– E pela entonação, parece que eu deveria saber quem canta.
– Meu Deus, ! – exclamou ofendida. – É Shakira! Eu serei obrigada a terminar com você desse jeito.
– Eu sei que é Shakira. – falou rindo. – E então, vai dançar?
– Vou. E você?
– Não. Prefiro só assistir, não sou dado a danças quando estou sóbrio. – deu um sorrisinho.
– O volante é meu, você pode beber.
– Prefiro aproveitar a saída de forma sóbria.
– Você é quem sabe. – deu de ombros e se pôs de pé. – Agora vou dançar muito. Até o dia raiar!
– Isso! Até o dia raiar! – falou, fingindo uma animação que não tinha, enquanto caminhava para a pista de dança.
Ela dançou algumas músicas e parecia conhecer todas, reparou, porque cantava enquanto dançava animada e lhe lançava diversos sorrisos convidativos, que ele negava com um aceno e apontava para o copo de suco que tinha em mãos.

🎤❤️⚽️
– Se eu quisesse sair sozinha, eu teria deixado você dormindo no resort e não teria te chamado pra vir. Levanta essa bunda dai e vem dançar! – apareceu, com as mãos nos quadris e deu uma gargalhada.
– Você fala como minha mãe.
– E você se comporta como o meu avô. Anda logo!
… – resmungou.
– Nem começa.
– Tá bom, mamãe.
– Isso mesmo, kleiner Opa. – zombou, fazendo rir.
– Só uma.
, você é chato demais. – rolou os olhos.
Quando chegaram à pista de dança, uma música eletrônica que não tinha nenhuma letra estava terminando, mas acabou se sacudindo ao som das batidas – aquilo não podia ser chamado de dança nem se ela quisesse – e só restou a rir da cena.
comemorou animada quando “Work”, da Rihanna, começou a tocar. Mas a animação morreu um pouco quando percebeu que não poderia dançar como queria. Ela queria dançar como a Rihanna no clipe? Queria. Mas estava sóbria demais pra fazer aquilo na frente de tanta gente. E por tanta gente, significa dizer .
– Eu preciso ir ao banheiro, já volto. – ele falou alto em seu ouvido, recebendo apenas um aceno de , e saiu de perto.
Realmente precisava ir ao banheiro, mas queria mesmo era deixá-la dançar e aproveitar. queria se divertir e ele não seria um obstáculo. Primeiro, porque ela tinha dito mais cedo que era algo que ela adorava fazer, mas não tinha tempo pra isso em sua vida normal. Segundo, porque ela visivelmente queria dançar aquela música com a coreografia de Rihanna e tinha ficado sem graça de dançar perto dele, então poderia dançar como bem queria, enquanto ele fingia demorar bastante no banheiro para que ela tivesse sua dança e aproveitasse enquanto ninguém a reconhecia e ela pudesse dançar livre e sem ninguém controlando o que ela fazia ou não.
Assim que saiu do banheiro ele a viu dançando outra música com outras três mulheres que pareciam ser nativas de Porto Rico. se enturmava fácil demais, tinha que admitir. Queria ter toda aquela extroversão e facilidade de comunicação que ela tem, aqueles sorrisos fáceis que fazem com que os olhos dela fiquem pequenininhos e o nariz se franza um pouco. Queria conseguir se comunicar com a proficiência que ela consegue, em vários idiomas e sem medo, sempre educada, sempre simpática.
Enquanto dançava e ria com as novas amigas, a observava totalmente animada, parecendo a pessoa normal que ela queria ser, independentemente da fama mundial e de causar furor midiático e de fãs; ele não fazia ideia dos nomes das músicas ou quem as cantava, não entendia uma palavra que era dito, mas vê-la se divertir era bom e quase reconfortante, afinal, ela não podia fazer essas coisas sem que um milhão de lentes de câmeras estivessem apontadas e que outro milhão de jornais e revistas ficassem comentando suas danças, risadas, roupas e comportamentos. Ele quase podia ouvir o som das risadas dela ao observar as mulheres dançando e enquanto se divertia com aquilo, com aquela liberdade que, há anos, não tinha e nem sabia o que era.
Os olhos de encontraram os de e ela sorriu, maneando a cabeça para que ele se aproximasse e voltassem a dançar. Quer dizer, ela voltasse a dançar e ele a ficar basicamente parado, observando-a feito um idiota, porque não se prestaria ao papel de dançar. Não mesmo. Ele estava sóbrio demais pra isso.
– Vem! – se aproximou, puxando-o pela mão e sem lhe dar chance de negar.
Não que ele fosse mesmo negar, não quando ela veio sorrindo daquele jeito todo animado, quase como uma criança que ganha o presente que pediu de Natal.
– Eu conheço essa música… – falou quando a nova música começou.
Sim, pela terceira vez na noite ele conhecia a música que começava a tocar. E eles estavam ali há horas.
– Ainda bem, eu ficaria desapontada se você não conhecesse.
– Eu nem sabia que já podiam tocar isso em rádios e boates.
– Claro que podem. – respondeu quase como se fosse óbvio que, tocar em boates e rádios era parte da divulgação. – … nothing’s ever tripped me off my feet, but I’m tipping over every single time you touch me…
– Eu só sei o refrão. – falou rindo, girando pela mão e ela riu.
– Você é um péssimo namorado! Deveria saber cantar tudo, eu te mandei a música logo que eu a recebi! – ela falou alto, enquanto ouvia a própria voz ecoar pelo local.
– As soon as you’re close, I feel my reaction. Baby, all I know is I’m down like dominos…
– Não faz mais do que sua obrigação de saber cantar isso. – ela falou rindo, voltando a ter o corpo girado por .
I’m down down, like dominos…
– Eu adorei cantar essa música.
– É uma música bem legal, mas suas músicas mais lentas são bem melhores.
– Ah é?
– Não que as outras sejam ruins, mas e…
– Você só piora as coisas. – implicou, fazendo rolar os olhos.
A música – feita em parceria com um amigo e DJ inglês, que tinha gravado quando viajou aos Estados Unidos há alguns meses – continuou enquanto os dois dançavam da forma como conseguiam, com girando de forma despretensiosa e ela sem se importar muito em dançar de verdade.
Outras músicas tocaram, os dois foram aos banheiros, beberam mais suco e voltaram a dançar e cantar. A boate começava a esvaziar, mesmo que um número considerável de pessoas ainda estivesse presente, mas os dois ficariam e curtiriam mais.
O plano era ficar por San Juan e conhecerem um pouco da cidade. tinha se animado com isso, também estava começando a ficar entediado de apenas ficarem pelo resort e Porto Rico parecia ser um lugar bem interessante, valia a pena a experiência.

🎤❤️⚽️
– É, eu acho que eles sabem que você está aqui. – falou, quando outra música de começou.
– Duvido, já teriam falado alguma coisa. E alguém por aqui teria percebido. – ela deu de ombros, ouvindo as batidas iniciais da música.
– I went everywhere for you, I even did my hair for you! I bought new underwear, they’re blue, and I wore ‘em just the other day… cantou imitando a voz de de forma caricata e a puxou pelas duas mãos e juntou os corpos numa dança totalmente descoordenada.
– Você é péssimo. – falou rindo, sendo girada e depois teve o corpo puxado para mais perto de .
– Se eu não sei cantar você me xinga, se eu sei cantar você também xinga… É difícil te agradar, .
– O problema é que você está me imitando de uma forma horrível.
– Love, oh, love, I gotta tell you how I feel about you, cause I, oh, I can’t go a minute without your love! Like a satellite, I’m in an orbit all the way around you and I would fall out into the night, can’t go a minute without your love! – ele voltou a imitá-la, cantando o refrão, e gargalhou.
– Pelo amor de Deus, você é péssimo!
– Eu sou seu namorado favorito, pode falar. – respondeu rindo.
– Sam me ensinou a nunca, jamais, em hipótese alguma, dizer algo que pode ser usado contra mim, então vou ficar calada.
– É, meu advogado sempre fala que o silêncio significa concordância, então vou tomar isso como um sim. – ele piscou, dando um sorrisinho vencedor.
– Eu te odeio.
– O ódio é uma emoção apaixonada.
– Meu Deus, você viu Crepúsculo! – falou, dando uma sonora gargalhada que quase sobressaiu-se à sua música que ainda tocava.
– Os créditos vão pra minha querida irmã que assistia todos os filmes todos os dias. Todos. Os. Dias.
– Não julgo, eu fiz o mesmo. – deu de ombros. – Eu estou morrendo de fome.
– Agora conta a novidade. – zombou e lhe deu um tapa no braço. – Você fica com fome e fica agressiva.
– Eu estou com fome e com sono.
– Então nosso passeio vai ficar pra outro dia ou vamos procurar um hotel por aqui?
– Outro dia. Podemos voltar depois de amanhã bem cedinho, até teremos tempo de planejar roteiros e essas coisas.
– Por mim tudo bem. – ele deu de ombros. – Quer comer aqui ou lá fora?
– No resort.
– São quase quarenta minutos até chegarmos lá, você sabe.
– Eu quero tomar café da manhã.
– Até a hora do café ainda falta um bom tempo, . – falou, mas ao consultar o relógio viu que não, não faltava. Cinco horas da manhã.
– Viu só?! – ela riu. – Vamos ao banheiro e voltamos pra Dorado. Depois de amanhã a gente vem visitar esse lugar lindo.
– Sim senhora. – respondeu e os dois se soltaram, bem quando a música chegou ao fim.
Encontraram-se perto da saída e seguiram até o carro, estacionado na rua lateral. deu um bocejo exagerado, seguido de um sonoro arroto que escapou sem querer por seus lábios.
– Saúde, Fiona.
, faça um favor pra humanidade e cala a boca. – falou, pegando a chave na bolsa que trazia à tiracolo e destravou o carro.
– Quer que eu dirija?
– Não. Eu quero ir dirigindo de janelas abertas, cantando bem alto enquanto esse ar quente de mar bagunça meus cabelos e eu me sinto em um filme adolescente dos anos noventa que se passa na Califórnia.
– Você é doida.
– Eu te avisei isso quando nós saímos pela primeira vez.
– Mas na prática é mais assustador. – implicou, sentando-se no banco do carona, enquanto afivelava o próprio cinto e ligava o rádio. – Minha cabeça ainda está zumbindo pelo barulho, tente não ser tão escandalosa.
– Sem problemas, kleiner Opa. – respondeu debochada, enquanto escrevia o endereço do resort no GPS e aguardava pela rota a ser definida.
Logo estava dirigindo, cantando a plenos pulmões, com as janelas abertas e sentindo o ar quente e marítimo em seu rosto, tal como disse que queria. Estava com sono, mas também estava absolutamente em êxtase pela noite que tiveram. Amava dançar e se divertir, mal tinha tempo praquilo durante sua vida normal e poder sair sem tumultos e sem um milhão de pessoas tirando fotos dela era ótimo.
– Minha irmã escuta isso. – falou, ouvindo a música que começou.
– Little Mix é ótimo! – exclamou sorrindo. – Elas são fantásticas, mega talentosas e umas fofas!
– Não faço ideia do que seja, mas parecem ser boas mesmo.
– Pega meu celular ai e procura por “Secret Love Song”. É do jeito que você gosta. Mas é triste.
– Então não quero. Prefiro que a gente ouça algo animado, não vamos terminar a noite assim. – falou e deu de ombros.
– Sur ma route, oui, Il y a eu du move, oui, de l’aventure dans l’movie, une vie de roots. Sur ma route, oui, je n’compte plus les soucis, de quoi devenir fou, oui, une vie de roots. Sur ma route… cantou com a música e soltou um resmungo. – O que foi?
– Por que você fala CINCO idiomas?
– Eu estudei em uma escola bilíngue então eu não tinha muita escolha no caso do inglês, mas eu sempre gostei muito de idiomas e de estudar, de modo geral, então não foi um problema. Espanhol eu aprendi por causa da Shakira, queria cantar as músicas dela bem certinhas e fiz um curso. Francês eu aprendi fazendo curso também, porque acho o idioma lindo e sexy. E italiano eu aprendi, porque não tinha muito o que fazer numa das minhas primeiras turnês, contratei um professor e aprendi. – respondeu como se fosse uma coisa simples e gargalhou.
– Você não tinha nada pra fazer e foi aprender italiano?
– É. – deu de ombros. – Eu quero aprender português, grego e, sei lá, talvez japonês. Ou árabe. Ou os quatro.
– Você é uma inspiração, .
– Normalmente eu não tenho muito o que fazer nas viagens, além de entrevistas e essas coisas, essa era a minha distração. As aulas de italiano foram na mesma época em que eu comecei a fazer yoga. Queria aprender alguma luta, mas não acho que isso vá dar certo.
– Você não pode ser real, . Sério. – riu.
– E então, você vai querer um time de futebol ainda? – perguntou, mudando de assunto, e deu uma risada.
– Dessa vez você está livre de me comprar um time. Eu me diverti bastante hoje.
– Essa é especialmente pra você. – falou, apontando para o rádio do carro, quando uma nova música iniciou, olhando rapidamente para .
– É?
– I could write a song with my new piano, I could sing about how love is a losing battle. Not hard, it’s not hard… cantou, batucando o volante.
– Vou fingir que entendi tudo que você disse. – ele riu, vendo-a cantar animada. – Essa música é sua?
– Você não reconhece minha própria voz! – falou ofendida. – Mas não, essa não sou eu, é a Ariana Grande.
– Eu reconheço sua voz, por isso perguntei.
– Essa sua frase não faz sentido nenhum. – balançou a cabeça. – And I could sing about cupid and his shooting arrow, in the end, you’ll find out that my heart was battered. Real hard, real hard. It’s so hard, so hard…
– E sobre o que a Ariana Grande está cantando?
– Descubra. – deu de ombros, rindo em seguida. – Ela fala que poderia escrever uma música em seu piano e como sobre o amor é uma batalha perdida, isso não seria difícil. E realmente não é.
– Não?
– Não. – deu de ombros. – Enfim, ela também fala que poderia cantar sobre o cupido atirando flechas e que no final a outra pessoa descobriria que ela tinha um coração muito bom, blablabla, no refrão ela canta “but I rather make a song they can play on the radio, that makes you wanna dance, don’t it make you wanna dance? But I rather make a song they can play on the radio that makes you wanna grab your lover’s hand. So hold up and take it through the night and you should follow through to make it alright, now grab each others’ hands, get ‘em up, I want to see you rock to the piano, the piano…”.
– Ah, fez todo sentido agora. – respondeu debochado, fazendo rir.
– Um dia você vai ter que aprender inglês.
– Mas enquanto isso não acontece, você traduz e me explica por que essa música é especialmente pra mim.
– Ela fala que prefere fazer músicas que podem ser tocadas na rádio, que façam as pessoas quererem dançar, segurando a mão da pessoa amada e aproveitar bastante com a pessoa amada, no caso, então eles podem dançar ao som do piano. E ai tem o piano.
– Entendi. E como isso é especialmente pra mim? Porque é muito mais pra você.
– Você quem falou que gosta de músicas no piano, as tristes e tal.
– É, mas é você quem gosta de músicas animadas pra fazer as pessoas dançarem, se animarem e ficarem de mãos dadas com as pessoas amadas. E eu nunca disse que gosto de músicas tristes, gosto das músicas lentas.
– Tristes. – concluiu e soltou um “nah” em negativa. – Ah, não?
– Nem toda música lenta é triste. Por exemplo, a que você fez pros seus pais no álbum novo é lenta e muito bonita, romântica e essas coisas. Música triste pode ser agitada.
– Você tem um ponto.
– Claro que eu tenho. – riu. – Eu gosto de todas as suas músicas, mas as lentas são as minhas favoritas.
– Por algum motivo?
– Porque é a sua voz pura, sem modificações com programas pra acompanhar a batida da música e essas coisas que eu não entendo nada e nem sei os nomes. – ele deu de ombros, gesto que ela não viu, mas a sinceridade estava escancarada em suas palavras. – E hoje mais cedo eu falei sério quando disse que me arrependo de não ter ouvido suas músicas antes. Você é ótima e eu gosto muito de te ouvir cantar, principalmente nas versões sem alteração de programas na voz.
– Hm… obrigada. – agradeceu sem graça. – Fiquei sem graça agora.
– Não fique. – riu. – Você é uma cantora sensacional, .
– I’d rather tell you about how I’m feeling boy, and how I’m doing things my way, if I got my piano, then I know I’d be okay, baby! – ela cantou, fazendo sorrir, mesmo sem entender.
– É isso ai mesmo. – falou debochado.
– You’re the beat to my melody. falou, dando um sorriso.
– Quê?
– Nada. Só pensando alto mesmo. – deu de ombros.
As palavras que, há alguns dias dançavam em sua cabeça pra uma música, começavam a tomar forma. Ela tinha mais uma música a lançar. E a primeira coisa a fazer seria mandar uma mensagem para Leonard e avisar, tinha uma música e queria colocá-la no álbum. Se não desse, tudo bem, lançaria fora, mas estava ali.
Ela preferia cantar o que estava sentindo, mas do jeito dela e não apenas no piano. Era uma música que tocaria no rádio, que as pessoas dançariam segurando as mãos das pessoas amadas.
Mesmo que ela não pudesse fazer isso.

Kleiner Opa:
vovozinho
Clean sheet: quando a defesa de um time fica sem tomar gols. Conta não apenas para o goleiro, mas para todo o sistema defensivo do time.

Capítulo 08

– E então, o que mais há para saber sobre ? – perguntou curioso, deitando-se na espreguiçadeira ao lado de .
– O que mais você quer saber? – ela perguntou sem se virar para olhá-lo.
– O que você quiser me contar. – deu de ombros, mas ela não viu.
– E se eu não quiser contar nada?
– Então não haverá nada mais para saber sobre você. – respondeu em tom divertido.
– Pergunte o que quiser e eu respondo o que eu quiser. – falou, ainda sem olhar para o lado, apenas aproveitando o sol.
– Qual seu dia favorito da semana? – perguntou a primeira coisa que veio à cabeça.
– Quinta-feira. E o seu?
– Acho que sábado. – ele deu de ombros. – E por que quinta-feira?
– Thor’s Day. – falou sorrindo e se virou para olhá-lo. – A quinta-feira se chama “Thursday” em inglês por causa do Thor e da mitologia nórdica. Eu explicaria, mas eu não sei tudo sobre o assunto pra poder dar uma palestra sobre e imagino que você tenha mais perguntas.
– Você é de Munique mesmo?
– Nascida e criada. – sorriu. – E você?
– Eu sou de Memmingen. E imagino que você já sabia, ou então era uma péssima fã. – provocou e rolou os olhos, fazendo com que ele risse.
– Você é um idiota.
– Qual é a sua cor favorita?
– Vermelho.
– Clubismo.
– Eu ia falar preto, mas imaginei que você fosse debochar.
– Você tem algum hobby?
– Quando eu tenho tempo, gosto muito de colorir. Ameniza o estresse, me ajuda a aliviar a ansiedade e também na concentração.
– Qual era sua matéria favorita na escola?
– História.
– Nossa, que surpresa. – implicou, fazendo lhe mostrar a língua.
– Então por que você perguntou? – perguntou debochada.
– Quando você começou a ganhar dinheiro, gastava à toa?
– Só uma vez que eu gastei muito dinheiro à toa, de resto eu comprava algumas bobagens, até hoje na verdade, mas naquela vez…
– E o que você fez?
– Eu comprei um monte de coisas do Bayern e meu quarto quase parecia a própria Südkurv em dia de jogo. Minha mãe surtou quando viu tudo o que eu tinha comprado… E então passou ela mesma a cuidar do meu dinheiro e essas coisas, porque eu gastei muito dinheiro em coisas do time. Tipo muito dinheiro mesmo. Depois eu cresci e parei de ser louca e sem noção, então ela me deixa cuidar das finanças agora. – respondeu rindo.
– Você ainda tem tudo?
– Não. Quando eu comecei a fazer mais sucesso, eu fiz um bazar, vendi a maioria das coisas autografadas e doei o dinheiro para o hospital em que meu pai trabalhava.
– Seu pai é médico?
– Cardiologista. Mas agora ele não trabalha mais. – deu de ombros.
– Qual o melhor livro que você já leu até hoje? E não, não vale Harry Potter, eu sei que você gosta disso.
– Então eu posso escolher dois?
– Não, é um só. – riu.
– O Pequeno Príncipe.
– Sério? – perguntou surpreso.
– Sim. É um livro muito bonito.
– E qual era o outro?
– Todo Dia.
– Nunca ouvi falar. Sobre o que é?
– Então, o livro é narrado por um… espírito.
– É de terror? – perguntou quase assustado.
– Não! Assim, ele é uma espécie de espírito, mas nem ele mesmo sabe se é essa a definição certa. E nem sabemos se é ele ou ela, em todo caso, tanto que o espírito que narra se chama de “A”. Enfim, “A” todo dia acorda em um corpo diferente, nunca sabe onde e nem quem será, não tem aviso e essas coisas. Dá meia noite e ele vira outra pessoa e vive a vida daquela pessoa por vinte e quatro horas. E, por isso, ele criou algumas regras: a primeira é nunca se apegar, a segunda é não interferir, mas ai ele conhece a Rhiannon, quando passa o dia sendo o namorado dela. E se apaixona. E a história se desenvolve a partir desse ponto, porque “A” passa a viver os dias em função de encontrá-la de novo e que ela goste dele…
– Parece interessante.
– E é! – falou empolgada. – Quando voltarmos pra casa, eu te empresto.
– Olha, eu não sou um cara que lê muito…
– Todo dia é dia de se aprender e começar alguma coisa, . E é um livro pequeno e rápido, você vai gostar.
– Não acho que eu tenha muita escolha.
– E não tem mesmo.
– Se você pudesse ouvir apenas uma música pelo resto da sua vida, qual seria?
– Isso está parecendo aquelas entrevistas de revista de conteúdo adolescente, sabia? – falou rindo. – E eu acho que escolheria Don’t Stop Me Now, do Queen. É uma música que me deixa bem feliz.
– Boa escolha. – sorriu. – Você prefere frio ou calor?
– Depende. Se não forem extremos, gosto dos dois. Se forem extremos, odeio os dois. – respondeu rindo. – Munique, por exemplo, há momentos em que eu odeio.
– Qual o lugar mais bonito em que você já esteve?
– Ilhas Maldivas. Passei as férias do ano passado lá e aquele lugar nem parece de verdade, parece um sonho.
– Sério? Nunca fui até lá.
– É maravilhoso, eu não consigo nem descrever com palavras como eu amei viajar praquele lugar. Davi adorou, surfou horrores.
– Foram só vocês?
– Sim. Mama und Papa quiseram ficar na Alemanha, quando nós voltamos das Maldivas viajamos pra Ibiza e ficamos uma semana. Foi bem legal.
– Você e seu irmão parecem se dar muito bem.
– E a gente se dá. – dessa vez o sorriso de foi aberto. – Amo Davi com todo meu coração e nós sempre fomos muito unidos e parceiros. Acho que a pouca diferença de idade ajuda muito, isso nos fez ter afinidade e nos tornarmos muito amigos. Davi me conhece melhor que quase qualquer um.
– Só não conhece melhor que a Sam.
– Correto. – deu um sorriso em confirmação.
– Você e a Sam se conhecem há muito tempo?
– Desde o primário. Éramos sempre das mesmas salas e viramos inseparáveis.
– E o Leo?
– Na mesma época. Só que ele era meio distante em alguns momentos, principalmente quando Ian apareceu.
– Eles não se dão bem?
– Se dão sim, mas é que o Leo é de lua. – deu de ombros. – Enfim, nós somos amigos de infância.
– Isso é legal.
– E você e Ute?
– A gente se dá muito bem. – sorriu ao lembrar-se da irmã. – Ela é ótima, mesmo quando enche meu saco e fica me importunando. E eu a amo demais.
– Ela parece mesmo ser uma ótima pessoa.
– Vocês deviam combinar alguma coisa depois, ela gosta muito de você. Não apenas da sua música e de você como cantora. Sei que ela gosta da sua pessoa, porque sempre elogiou muito todas as coisas que você faz e fala.
– Awn. – sorriu. – Vou mesmo. Ela parece ser ótima.
– E ela é.
– Agora senta, vou passar o protetor solar de novo.
– De novo? – soltou um muxoxo quase em tom infantil.
– Para de resmungar e senta logo. – falou, sentando-se em sua própria espreguiçadeira.
– Você é a pessoa mais chata que eu já conheci na vida. – resmungou, sentando-se e observando se inclinar em busca do protetor solar.
– Vira. – falou, simplesmente, e voltou a resmungar. – Você resmunga mais que um velho.
– Eu já falei hoje que você é a pessoa mais chata que eu já conheci na vida?
– Além de reclamar feito um velho, está começando a ficar esquecido. Você acabou de falar isso. – implicou.
Abriu o vidro de protetor solar e derramou um pouco do conteúdo na mão de , ele sabia o que tinha que fazer – e fez de má vontade. – com aquilo. Ela fez o mesmo na própria mão e aplicou nas costas de , que continuava resmungando.
– Acho que te descobriram. – falou sem se virar.
Estavam em Porto Rico há nove dias e como quase não tinham visto fãs e eram poucas as pessoas que tiraram fotos deles no resort, além de não haver fotógrafos na ilha, eles mal andaram de mãos dadas.
Passaram os dias entre corridas matinais, passeios por Dorado e uma ida à Playa Flamenco, em Culebra, em um dos dias, os dois também iam à praia do resort, conversavam muito, assistiram filmes e seriados, saíram em um dos dias para uma boate em San Juan e voltarem com o dia amanhecendo.
Não dividiram a mesma cama pra nada além de jogar videogame e ver televisão e estava se controlando o máximo que podia ao vê-lo desfilando de sunga ou bermuda e com aquele bronzeado. Ele estava tentador. fingia não reparar em cada detalhe do corpo de , que desfilava de biquíni pra todos os lados e tinha aquele bronzeado maravilhoso.
– Como assim? – perguntou enquanto ainda passava protetor nas costas dele, sem erguer o olhar.
– Paparazzi. – falou, quase sem mexer a boca, e resmungou, terminando de espalhar o creme nas costas de .
– Demoraram. – suspirou.
– Considerando que você contou nos comentários de uma foto que estava aqui, também acho que eles demoraram a aparecer. – caçoou.
– Eu não tive culpa nenhuma disso. O Shawn perguntou onde eu estava e eu apenas respondi. – ela deu de ombros, fazendo rir.
– Você podia ter mandado uma mensagem privada pra ele ao invés de falar nos comentários da foto, que teve mais de três milhões de curtidas, que você estava em Porto Rico.
– Porto Rico é um país grande. E eu nunca falei que estava em Dorado.
– Porto Rico não é um país grande, , aqui não tem nem dez mil quilômetros quadrados de extensão. – pontuou. – E já tinha diversos hóspedes tirando fotos nossas escondidas, eles iam publicar suas fotos e as revistas iam te achar.
– Ai , cala a boca. – resmungou. É, ele estava certo, ela podia ter mandado mensagens, mas nem mesmo se atentou àquele fato na hora, apenas respondeu o comentário de Shawn em sua foto. Então colocaria a culpa nele, era o mais fácil a se fazer naquele momento. – E vira a aba do boné pra tampar o rosto do sol uns minutos.
– Você fala igual minha mãe falava quando eu tinha quatro anos. – reclamou virando o boné pra frente.
– E você reclama como se ainda tivesse quatro anos.
– Chata.
– Queria um lugar em que nenhum fotógrafo me importunasse e que eu pudesse curtir minhas férias em paz, sem ter que me preocupar com o que vão publicar a meu respeito. E sem ter que andar com seguranças me cercando.
– Impossível. – disse num resmungo e se sentou ao lado dele.
– Daqui a pouco recebo alguma mensagem do Leo avisando que vai mandar uma equipe de segurança pra acompanhar cada um dos meus passos até eu voltar pra casa. – resmungou.
– Você acha que é necessário?
– Não sei, talvez.
– Sinto muito, . De verdade.
– Que inferno. – ela reclamou e deu uma risada baixa. – Para de rir!
– Vem, vamos mergulhar.
– Seu protetor ainda não secou o suficiente pra isso, . – falou séria e rolou os olhos. – Nós estamos de férias, mas esse projeto de pelos faciais não vai prosperar. Hoje você se livra disso.
– Você é muito chata, . – se pôs de pé, deixou o boné sobre a espreguiçadeira e a puxou pelas mãos, a erguendo e a abraçou, dando ótimos cliques aos dois fotógrafos que estavam em barcos perto da praia.
– Meu Deus, você é muito ator. – riu. – Deveria tentar uns testes, acho que você se sairia muito bem.
– Cala a boca e vamos pro mar.
– Pode voltar a sentar essa sua bunda nessa espreguiçadeira, debaixo desse guarda-sol e esperar os vinte minutos. – falou séria, o envolveu com os próprios braços e o olhou.
– Qual a diferença desse protetor pro de semana passada? Porque a gente usou e entrou na água logo em seguida.
– É o mesmo, mas nós ficamos bem vermelhos nos primeiros dias e só não ficamos ardidos e doloridos porque Deus nos concedeu essa graça e não tenho muita certeza de que nos será novamente concedida, porque seria burrice demais e acho que as forças divinas não colaboram nesses casos.
– Você deveria ter comprado aquele que pode entrar na água logo que passa no corpo. – falou emburrado, feito uma criança.
– Esse é o meu protetor solar e eu estou te emprestando porque eu sou uma pessoa muito legal. Se você estiver achando que usar esse aqui ruim, compra um pra você e para de usar o meu. – respondeu quase desaforada.
– Chata. – resmungou derrotado, soltando o abraço e foi se sentar na espreguiçadeira.
– Eu vou te deixar ficar ardido de queimadura de sol pra você aprender a me obedecer e parar de reclamar. – falou e deu um sorrisinho, se deitando.
deitou-se sobre espreguiçadeira que não estava sob o guarda-sol e fechou os olhos, para desfrutar melhor do sol completamente relaxada. O que, de agora em diante seria difícil, com a presença dos paparazzi que fariam de tudo por um clique duvidoso.
E nem queria imaginar o tamanho do esporro que receberia de Leonard. Ele, com toda certeza, reclamaria que ela tinha sido absolutamente irresponsável, que ela tinha o número do celular de Shawn Mendes e deveria ter mandado o local em que estava pelo WhatsApp ao invés de responder em um comentário do Instagram, falaria que agora teriam que gastar dinheiro enviando seguranças para escoltá-los… E não, ele não perguntaria das férias, se ela estava bem… Com Leonard tudo era sempre os negócios.
Só de pensar nisso, sentia vontade de se enterrar na areia da praia.
– Faça o favor de não tomar muito sol, vou te levar pra jantar hoje. – se pronunciou após um tempo em silêncio.
– E o que isso tem a ver?
– Se você tomar muito sol e ficar cansada e dolorida, e, consequentemente, vai ficar mal-humorada e mais chata do que já é. – implicou.
– E onde vamos jantar? – perguntou sem olhá-lo.
– Aqui mesmo. Um jantar romântico de casalzinho fofo que somos. – disse baixo e ela riu.
– Então tenho que ir muito bonita. – falou animada e se sentou rápido, sorrindo. – Aproveite sua praia, eu vou para o SPA.
– Espero que você esteja muito bonita às oito. – piscou e riu, vestiu os shorts e se virou para olhá-lo.
– E eu espero que em quatro horas você passe protetor de novo. – recomendou, jogando o protetor solar e o pegou no ar, antes que acertasse sua cabeça. – E que espere vinte minutos depois de cada passada antes de ir pro sol e pra água.
– Sim, mamãe. – debochou.
– É, você é meu filhinho mesmo.
– Mas, … nas costas eu não alcanço sozinho. – falou quase infantil.
– Isso ai é um problema seu. – falou rindo e lhe jogou o boné, mas sorria da forma como ela falara.
– Você é péssima.
– Ah! Você vai ter que se virar sozinho com o protetor e com a roupa, espero que saiba escolher bem. – piscou, ficando de pé, e sorriu. – Agora seja discreto ao olhar e me fala se eles ainda estão olhando pra cá e tirando fotos.
– É claro que eles estão olhando e tirando muitas fotos. – respondeu, rolando os olhos. – E focando na sua bunda.
– E como eu estou pleníssima de shorts, eles não vão ter muito mais do que têm habitualmente. – deu de ombros. – Então deixa eu te dar um beijo de despedida.
– Claramente se aproveitando da situação. – provocou, dando um sorriso, e se inclinou na direção dela.
– Nossa, com toda certeza eu estou mesmo. – disse debochada. – Eu não devia ter dado tanta intimidade assim pra você, .
– Mas deu, já era. – ele riu e deu um selinho nela.
– Acho bom se livrar dessa barba. – apontou para o queixo de , que deu uma gargalhada, assentindo positivamente.
– Sim senhora.
– Aprendeu direitinho. – piscou e mandou um beijo no ar, lhe dando as costas e indo para o SPA.
sorriu sozinho, vendo os fotógrafos tirarem diversas fotos do momento, antes de deixar o boné sobre a espreguiçadeira e ir para o mar.

🎤❤️⚽️
– Caprichou, hein? – disse ao vê-la sair do banheiro.
usava um vestido longo de alças finas verde claro, com um decote em V, justo até metade da coxa e solto até os pés. Uma rasteirinha que não estava visível e uma bolsa de mão. Os cabelos soltos, uma maquiagem simples, um colar dourado que caía pelo vão dos seios, algumas pulseiras e ostentava um olhar analítico sobre e sua roupa. Ele estava com uma camisa de mangas curtas e de botões azul clara lisa, uma calça de sarja bege e um tênis branco, relógio no pulso esquerdo. Os cabelos estavam devidamente penteados e a barba feita.
– Você está ajeitadinho, parabéns.
– Aprendi com uma estilista muito boa. – ele sorriu. – Você estava muito bonita nas nossas fotos de hoje.
– Eu também achei. – sorriu de volta. – Inclusive postei uma delas nos stories.
– Eu vi. Você é péssima. – falou rindo.
tinha postado uma das fotos que tinha sido marcada nos stories e escreveu “eu, ele e os paparazzi de férias no paraíso 🌞”.
Leonard, como previsto, tinha enviado uma mensagem tão grande que nem mesmo leu tudo, apenas disse que tinha mesmo vacilado, mas que uma hora ou outra isso ia acontecer mesmo, já que os hóspedes vinham tirando fotos dela há dias e que ela já tinha comunicado à gerência do resort sobre a presença dos paparazzi, e eles seriam retirados da faixa de praia pertencente ao resort, já que nenhum deles estava hospedado lá, e ela poderia ficar em paz, ou seja, não precisaria de uma horda de seguranças cercando o local. E ele, claro, odiou a resposta.
Ela queria ter usado uma foto que ilustrava uma matéria falando sobre como os dois eram muito fofos e carinhosos, tinha sido tirada quando falou da barba e gargalhava, com os olhos quase fechados e um sorriso enorme no rosto, mas ela não conseguiu salvar a foto e nem tinha sido marcada em nenhuma daquela no Instagram. A matéria era capa de uma revista alemã e falava sobre os sorrisos e olhares dos dois na praia, tinha fotos apenas daquele dia. Ela riu muito, mas retweetou no Twitter e ainda adicionou alguns corações.
– É preciso rir da própria desgraça, .
– Podemos ir?
– Claro. – concordou e os dois saíram do bangalô de mãos dadas.
Agora que o mundo inteiro tinha descoberto onde estavam, os dois não podiam dar brechas para comentários e tinham que se comportar como o casal fofo e apaixonado que o mundo jurava que os dois eram. De mãos dadas saíram do quarto e seguiram pelo caminho inteiro até o restaurante do resort, já tinham jantado lá durante a estadia no local, mas naquele dia seria diferente.
tinha cuidado de reservar uma mesa para os dois na varanda do restaurante, com vista para a praia e o som do mar seria a trilha sonora do jantar dos dois.
A mesa era a única naquele espaço, a iluminação era feita por velas que estavam em globos de vidro, além do sol que ainda não tinha se posto totalmente e dava ao céu uma coloração maravilhosa, um vaso de flores estava sobre a mesa e todo um clima de romance instalado no local.
Tudo propositalmente arquitetado, afinal, precisavam passar um pouco mais de credibilidade do que vinham demonstrando.
pegou o celular e tirou uma foto de tomando vinho, distraído, e postou nos stories do Instagram: “Aproveitando uma noite linda, em um lugar lindo e com uma companhia mais linda ainda ❤️”.
– Esse é o nosso primeiro encontro em dois meses de namoro. – falou depois de tomar um gole do vinho em sua taça.
– Fomos ao cinema juntos. E ao Burger King depois disso.
– Aquilo não foi um encontro. Foi, na verdade, um evento traumatizante te ver comer feito um prisioneiro de guerra. – zombou.
– Não tenho culpa se você tem o estômago de minhoca e não conseguir comer direito.
– Comer direito é diferente de ser um morto de fome. – voltou a implicar e o xingou em espanhol, ele podia assegurar, porque não tinha entendido sequer uma palavra. – Se vai me xingar, fale em um idioma em que eu possa entender.
– Estamos em terras latinas, você tem que falar espanhol. – deu de ombros, dando um sorriso debochado.
– Na verdade, é um território livre e não incorporado aos Estados Unidos. Então não é um território latino, de verdade.
– Você está estudando geografia mesmo, hein? – perguntou debochada, mas não teve tempo de responder, já que o garçom vinha com os pratos para servi-los naquele momento.
– E então, como vai ser agora? – perguntou quando o garçom se afastou, ainda que o homem não falasse alemão, era melhor não arriscar.
– Como vai ser agora o quê? – perguntou sem entender.
– A nossa estadia… o Leo falou alguma coisa sobre mandar uma equipe de segurança?
– Falou, mas já cortei a ideia. Estamos em um país pequeno, como você falou hoje, e o resort é bem tranquilo, não precisaremos disso. Os paparazzi não vão ficar aqui nos importunando, não teremos tantos problemas, mas os hóspedes… bom, eles vão continuar tirando fotos a gente goste ou não. Eu aprendi a lidar com isso faz um tempo, então, apesar de odiar e me sentir completamente invadida, eu consigo levar isso numa boa, agora eu já me acostumei a ver fotos minhas de todos os jeitos circulando pela internet.
– Sinto muito.
– Vamos esquecer disso e vamos comer. Não vale a pena o desgaste mental que isso causa. Agora a gente apenas aceita, porque dói menos, e curte nossos dias de férias, tentando não pensar demais nisso e já planejando se vamos ou não até Culebra de novo ou não.

Os dois jantaram aproveitando o sabor da comida, trocaram algumas palavras durante a refeição, riram e passaram um tempo, após comerem, conversando, além de fazerem planos para o dia seguinte. Sempre tinham o que falar, não ficavam em silêncios constrangedores e desconcertantes. e se davam bem, afinal, conseguiam concordar em muitas coisas e compartilhavam o grande amor por videogames e futebol, além de começarem a se entender sobre seriados e filmes.
Ficaram no restaurante até às dez, quando o local precisava fechar e os dois foram gentilmente convidados a se retirar. Não tinham visto outros fotógrafos, já que, avisou ao gerente sobre a invasão da faixa de praia pertencente ao resort, que é propriedade privada, onde só podem transitar e navegar as pessoas hospedadas no local. E o valor da diária é absurdamente caro. Caro demais pra revistas pagarem para seus fotógrafos cuidarem da vida de famosos.
E, também, em todo caso, as revistas não precisavam pagar para que seus fotógrafos estivessem ali, alguns dos hóspedes já vinham fotografando os dois há dias, aquilo daria muito material, então as revistas não precisariam bancar diárias absurdamente caras pra conseguir o que queriam.

– Você anima dar um mergulho? – perguntou enquanto andavam pela praia, postergando o retorno ao bangalô.
– Sem chance! Eu não vou ficar pelada, mesmo que esteja um calor dos infernos, que esteja a noite e que ninguém vá ficar sabendo.
– Você pode ficar de roupa e nós podemos ficar na piscina do quarto. – deu de ombros. – Pedimos um whisky, sei lá, e tomamos enquanto conversamos mais um pouco.
– Não aguento mais ouvir sua voz, . – brincou e rolou os olhos. – Pode ser, mas sem álcool.
– Então vamos.
– Vamos mesmo prolongar as férias? – perguntou enquanto seguiam até o bangalô.
– Você é quem manda. Tem algum lugar em mente?
– Grécia. – deu um sorriso animado ao falar. – Santorini.
– Pode ser. – concordou, dando de ombros. – Eu nunca fui a Santorini.
– Você nunca viaja, . – falou dando uma risada. – Sempre fica em Munique, eu me lembro disso desde… sempre.
– Eu viajo sim! – ele protestou.
– Memmingen não conta como viagem. – disse rindo e rolou os olhos.
– Já viajei pra Sardenha.
– Uma vez na vida. – disse rindo enquanto entravam no bangalô que dividiam. – Você precisa viver.
– Eu tinha medo de deixar minha mãe e minha irmã sozinhas no começo. – confessou, sentando-se no sofá para tirar os sapatos. – Elas não queriam viajar e eu ficava em casa com elas, ainda que eu sempre ouvisse que não era necessário, que eu precisava descansar e essas coisas. Depois que meu pai morreu, eu assumi a responsabilidade de ser o homem da casa e fazer o possível para cuidar bem delas e oferecer conforto e tudo mais, porque, afinal, eu era mesmo. Sou. Ainda que não estejamos mais na mesma casa há um tempo.
– Faz sentido. – disse remexendo nos biquínis que estavam no pequeno armário.
– Eu me acostumei. – deu de ombros, enquanto caminhava para o banheiro e fechava a porta atrás de si, e ele tirou a camisa e a calça logo em seguida e largou tudo jogado no sofá. Não esperou por ela, apenas se jogou na piscina.
– Ah, muito bonito da sua parte me esperar. – falou em tom debochado, parando à beira da piscina de braços cruzados e ele riu.
– Foi mais forte que eu. – riu. – Antes de entrar, coloca uma música pra tocar.
– Seu desejo é uma ordem, senhor. – falou, novamente, debochada.
Deu meia volta e pegou o celular sobre a cama, abrindo o Spotify e procurando por sua playlist, tinha feito uma com as três músicas favoritas da vida em todos os álbuns que gostava.
deixou o celular um pouco afastado da beirada da piscina e entrou na piscina com um pouco mais de cuidado do que havia feito.
A primeira música que tocou foi “All My Life”, do Foo Fighters.
– Finalmente alguma coisa que eu conheço e gosto de ouvir. – deu um sorriso.
– Você tem que lembrar que eu entendo de música, meu querido, pode confiar em mim que sempre vai ter coisa boa. – ela sorriu. – Eu amo Foo Fighters. Tipo, muito mesmo. Eu quero muito cantar com eles um dia, mas acho que não vai rolar.
– Você os conhece?
– Eu os vi em uma das premiações do Grammy que fui, não ficamos próximos e eu não fui à after party, então não tive contato, mas já fui a dois shows deles e eles são fodas!
– Você já ganhou algum Grammy?
– Não. – falou e fez um bico. – É meio difícil quando se concorre com Adele, Beyoncé…
– Você já quis desistir de tudo?
– Diversas vezes no começo da carreira e há dias em que eu realmente considero essa ideia. – deu um sorriso sem mostrar os dentes e mordeu a parte interna da bochecha. – Mas eu não sei fazer nada além de cantar. E é o que eu mais amo fazer na vida, eu não seria feliz fazendo outra coisa.
– E você considera fazer isso por quê?
– Não parece, mas eu sou um pouco insegura quanto à minha voz e talento. Ainda que eu saiba que sou realmente boa no que faço, não é sempre que eu sei disso. Entende?
– Entendo, mas por que você acha isso?
– As pessoas gostam de ser más a troco de nada. Eu não incomodo ninguém, não faço picuinha e nem nada do tipo, mas sempre tem várias pessoas que me mandam hate e falam que eu sou péssima, que canto mal, que faço sucesso por ser bonitinha e mais nada… e há momentos em que eu realmente acredito que é por isso mesmo.
– A multidão de fãs que você tem é a prova de que você tem talento de verdade e não é apenas um rostinho bonito, apesar de ser linda. Você é fantástica e uma das melhores cantoras que já ouvi na vida, . As pessoas são cruéis sem necessidade, eu concordo com você, mas não as leve em consideração. Só você sabe o que passou para conseguir seu lugar ao sol nessa indústria tão competitiva que é a indústria da música. E nunca esqueça que quando uma pessoa tenta derrubar a outra, sempre é por inveja e as pessoas só sentem inveja de quem é realmente muito bom. – falou sincero, fazendo abrir um sorriso tímido. – é um fenômeno mundial, porque é excelente no que faz. E linda.
– Obrigada. – ela respondeu envergonhada.
– Você já pensou em mudar da Alemanha?
– Leonard queria muito que eu me mudasse pra Los Angeles há um tempo, mas eu não farei isso, posso ir por algum tempo, mas nunca permanentemente. Eu amo muito morar no meu país e minha vida inteira está lá. Se eu consegui fazer sucesso e me manter assim morando na Alemanha, continuarei assim.
– Mas lá na Alemanha é bem mais difícil você levar uma vida… normal. Em Los Angeles seria mais fácil, não? Tem várias celebridades pra dividir os holofotes.
– Lá existem, pelo menos, mil paparazzi por famoso, eu teria a minha cota de fotógrafos para me perseguir também. – soltou uma risada pelo nariz quando falou. – Eu tento levar uma vida normal, sabe? Agora eu conheço os limites que tenho, mas eu gosto de dirigir meu carro, mesmo que nem sempre eu possa fazer isso, gosto de sair pra comprar minhas próprias coisas sem ter que pedir alguém fazer por mim, mas sempre tenho que pedir para fecharem as lojas, pra não gerar tanto tumulto e pra que eu não demore umas três horas a mais que uma pessoa normal demoraria. E eu sempre ganho as coisas ao invés de pagar por elas. Não que ganhar coisas seja ruim, mas sei que é por pura bajulação e esperam que eu divulgue as marcas e tudo mais.
– Quando eu jogava no Bayern alguns fotógrafos sempre andavam atrás do Basti e da Sarah.
– Mas são abordagens diferentes. Bom, menos pra Cristiano, Messi e Neymar, mas normalmente com jogadores a abordagem é bem menos invasiva do que pra um cantor, ator ou modelo, até mesmo a abordagem dos fãs é diferente. Eu me sinto exposta com muito mais frequência, eu sou fotografada por qualquer coisa e em qualquer lugar. Não posso ir na padaria sem demorar duas horas a mais pra chegar até lá, porque os fotógrafos não me deixam caminhar e isso atrai atenção de todas as pessoas na rua, que, consequentemente, me pedem fotos e autógrafos. Eu amo meus fãs e nunca deixo de atendê-los, seja qual for o momento, eles não são nem parte do problema, longe disso. O problema mesmo é a exploração midiática e a exposição desnecessária que fazem pra ganhar dinheiro às minhas custas quando eu estou, sei lá, indo até a academia, por exemplo.
– Já publicaram coisas ruins sobre você?
– Ah, claro. – soltou uma risadinha. – Já cometi algumas gafes.
– Sério? – perguntou surpreso e assentiu.
– Uma delas foi depois da eliminação do Bayern contra o Real Madrid na Champions da temporada 2013/2014, naquele quatro a zero vergonhoso na Allianz Arena. Eu me envergonho de ter surtado como surtei, mas a culpa também foi dos paparazzi que não me deixaram em paz. Você deve imaginar o quão furiosa eu estava depois de ver aquele… jogo acontecendo em Munique. Acho que furiosa ainda é pouco pra definir como eu fiquei. E soltei uma boa quantidade de palavrões para os fotógrafos que não me davam sossego e nem me deixavam sair da Allianz em paz pra voltar pra casa, poxa vida meu time tinha tomado um sarrafo dentro de casa, eu estava nervosa pela atuação pífia e só queria sair de lá o mais rápido possível, mas eles cercaram meu carro e começaram a gritar perguntas e falar demais, eu abri as janelas e falei tantos palavrões que senti vergonha de olhar na cara da minha mãe quando publicaram tudo o que tinha sido dito. No dia seguinte eu era capa de basicamente todas as revistas do país por causa disso. Até falaram que era por coisas como essas que lugar de mulher era longe de futebol, porque somos esquentadinhas demais.
– Eles não fizeram isso! – falou desacreditado.
– Fizeram. E um monte de mulheres começou a se virar contra mim por causa disso, outras tantas me defenderam… Mas nada disso me surpreende, na verdade, eles sempre fazem essas coisas pra conseguir o pior lado das pessoas e lucrar em cima de tragédia, tristeza, problemas e desgraças dos outros. Quando damos atenção demasiada para as fofocas, estamos contribuindo pra perturbar a cabeça de quem é o objeto da fofoca, mesmo que a pessoa fale que não se importa.
– Você tem razão. Mas aconteceu alguma coisa com essas reportagens?
– Repercutiram por uma semana, mencionaram quando perdemos em Madri também, mas depois se preocuparam com outros aspectos da minha vida e das de outras pessoas e largaram meu escândalo por causa de futebol pra lá.
– Já aconteceu alguma outra coisa?
– Já publicaram diversas coisas, mas acho que a minha pior lembrança é a de quando os paparazzi me deixaram basicamente ilhada dentro de um restaurante em Munique. Eu sai pra jantar sozinha e não avisei ao Bob, achando que eu era apenas uma pessoa comum e podia fazer isso sem nenhum tipo de problema ou inconveniente. Cheguei ao lugar tranquilamente, fiz meu pedido, comecei a comer, tirei algumas fotos com fãs que estavam lá e me pediram, essas fotos foram postadas com a localização e cinco minutos depois o restaurante estava rodeado de fãs e fotógrafos. Tiveram que fechar o lugar, ninguém entrava ou saía, porque estavam quase ameaçando invadir e isso seria catastrófico demais, então resolveram simplesmente proibir entrada e saída até que aquele tumulto se dissolvesse. – suspirou com a lembrança. – Liguei para o Bob e ele demorou cerca de vinte minutos pra conseguir me tirar de lá e eu ainda tive que ouvir um mega sermão, depois de pagar pelo jantar de todos os presentes e ainda deixar um dinheiro pra compensar todo o transtorno.
– Que horror!
– Eu tento fazer algumas coisas ainda, sabe? Comprar roupas, comida… mas é difícil. É muito raro eu conseguir sair sem ser vista e denunciada por gritos e flashes. Eu perdi toda a minha privacidade, porque a mídia acha que por eu ser famosa, eles têm todo o direito de expor cada centímetro do meu corpo e da minha vida. No ano passado eu tive que pagar muito caro pra todas as revistas saírem de perto do meu prédio, num raio de cinco quilômetros, porque meus vizinhos fizeram um abaixo-assinado e uma reunião de condomínio para me convidar a me mudar de lá, quando perguntei o motivo, já que eu sempre fui tranquila e nunca causei problemas, eles disseram que o motivo era que, por minha causa, eles não tinham mais privacidade ou sossego, que viviam rodeados de fotógrafos na calçada e na portaria e isso era um inconveniente e tanto.
– E como você resolveu isso?
– Sam queria processar as revistas, mas Leo a convenceu de que era melhor não sujar meu nome daquele jeito e acabar me tornando “a encrenqueira que odeia a mídia que a sustenta e paga suas contas” – fez aspas com os dedos para parafrasear Leonard. – e eu paguei um absurdo pra que deixassem meus vizinhos em paz. Não adiantou muito, já que vez ou outra aparecem alguns paparazzi por lá. E eu estou mesmo pensando em comprar uma casa, um pouco mais distante do centro de Munique, posso ficar mais isolada e não dar tantos transtornos aos meus vizinhos. Mesmo que eu vá passar um ano longe de lá.
– Credo, Cat. – falou espantado.
– E você, já considerou a ideia de se mudar da Alemanha? – ela mudou o foco do assunto e deu um sorriso de lado, entendendo bem a mudança.
– Com algumas propostas que recebi enquanto estava no Bayern, sim, mas se eu aceitasse seria só pelo dinheiro, minha vida inteira também está na Alemanha e eu sempre fui muito feliz lá, mesmo com todas as lesões e coisas ruins que aconteceram.
– Eu jamais aguentaria viver tão distante dos meus pais.
– Minha mãe iria comigo, disso eu não tenho a menor dúvida. E também tenho certeza que a sua mãe iria com você.
– Claro. – riu. – Ela jamais me deixaria mudar de país sozinha.

deu um sorriso ao observá-la, parecia ainda mais bonita com a pele bronzeada, quase dourada, e sorrindo pela lembrança saudosa dos pais e da Alemanha. Ao contrário do que ele tinha pensado no começo de toda essa história, era uma pessoa realmente interessante, nada fútil e uma mulher realmente forte e de opinião.
Ele sabia tudo que os fãs e as revistas sabiam, mas também sabia que ria de piadas idiotas, que não sabia contar piadas, que era péssima para citar ditados populares, que entendia bem de vários assuntos e não apenas de música, que tinha começado uma faculdade à distância de História, mas acabou largando por não ter tempo suficiente para se dedicar aos estudos da forma como queria, que sabia cozinhar muito bem e adorava fazê-lo, que era ela quem limpava o próprio apartamento quando estava em casa e outras diversas coisas que as revistas e os fãs, provavelmente, jamais saberiam.
, que conhecia poucas coisas sobre antes, acabou conhecendo várias que não eram públicas, por sempre ter sido tão reservado com sua vida pessoal. Aprendeu sobre gostos musicais, de séries, livros e filmes, coisas que ele gostava ou não de comer, hobbies… era muito reservado com sua vida e acredita que pela orientação sexual dele ainda ser um tabu no esporte, ele se mantém tão afastado dos holofotes.

– Ah! Eu amo essa música. – falou, dando um sorriso enorme, quando uma nova música começou.
– Que música é essa?
– XO. – ela sorriu. – Ela é da Beyoncé, mas o John fez a melhor versão possível. E é essa. Eu já cantei uma vez, mas pff… não chega nem perto dos dois.
– Essa eu nunca ouvi.
– Agora conte a novidade.
– Palhaça. – resmungou.
Your heart is glowing and I’m crashing into you. Baby, kiss me, kiss me, before they turn the lights out… cantou de olhos fechados, como se isso fosse fazê-la aproveitar melhor a música.
Adorava aquela música, a forma com que a letra, a melodia e a voz de John Mayer pareciam feitas para serem usadas juntas. Ainda que soasse excelente na voz de Beyoncé, parecia ter sido feita sob medida para John Mayer e sua voz. amava vê-lo interpretá-la de forma tão intensa e derramando verdade em todas as palavras cantadas, como se fosse algo que ele tivesse escrito, porque estava sentindo, ainda que não pudesse, de forma alguma, garantir a veracidade disso.
a olhava atentamente, como ela estava entregue à música. Ele queria beijá-la. Uma vontade imensa de fazer isso. E esperava que ela também se sentisse da mesma forma. era absolutamente interessante, fascinante e linda. Não apenas por fora, mas por dentro. Principalmente por dentro. Seu coração, seu jeito, a forma apaixonada com que ela canta basicamente o tempo inteiro, a forma carinhosa como fala dos fãs, o jeito simples e simpático da mulher que contrastam com o físico de mulher, um mulherão da porra, linda e cheia de atitude.

– É, é mesmo uma música muito boa. – falou enquanto ainda a observava absolutamente focada na música que tocava, de olhos fechados e com um sorriso pequeno brincando em seus lábios enquanto cantarolava aquela letra que ele desconhecia, mas parecia ser algo bonito, ele pesquisaria para saber.
– Mas a música mal começou. – falou num tom risonho, franzindo o nariz em uma careta, e abriu os olhos para lhe lançar um olhar divertido, mas surpreendeu-se pela pouca distância entre os dois.
– É, mas menos da metade da música e eu realmente quero te beijar. – falou sério e o encarou surpresa.
Como assim? Ele queria beijá-la? Mas… Ele não era gay?
– Cer…teza? – ela perguntou olhando para , reparando em cada mínimo detalhe daquele rosto.
Desde o queixo ridiculamente perfeito até os profundos olhos azuis que a encaravam. A ruga que se formava entre suas sobrancelhas sempre que ele estava apreensivo estava ali e aquilo dava à sua fala a veracidade que mentalmente contestava de forma voraz.
E toda a voracidade com que sua mente a alertava sobre as consequências daquilo só aumentou quando mordeu o próprio lábio, quase sopesando se tinha mesmo dito aquilo, enquanto ainda a observava fixamente.
Ah, ela também queria beijá-lo. E como queria!
Tinha sonhado com aquilo por anos a finco na adolescência, mentiria se dissesse que não mais sonhava em beijar , principalmente agora com a convivência e com o fato de ter que, vez ou outra, tocar os lábios dele com os seus para agraciar as câmeras dos paparazzi que estavam sempre a procura dos dois, “o casal alemão do ano”. era total, absoluta e incontestavelmente beijável e ela queria muito provar daquele beijo, descobrir se seria tão bom quanto fantasiava há anos ou se não, não seria nada daquilo. Ou se seria infinitamente melhor do que ela tinha imaginado.
E seu medo era esse.
O medo era descobrir que aquele beijo seria o melhor de sua vida e que ela jamais conseguiria gostar do beijo de outra pessoa. Porque, bom, ele era gay e não ia querer beijá-la depois daquilo ali. Não mesmo. Então lhe restaria uma frustração eterna e nada mais. Na verdade, nem tinha entendido ainda de onde tinha saído aquilo de “eu realmente quero te beijar”. Aquilo nem fazia sentido.
Internamente estava em conflito, seu coração torcia para que ele confirmasse que queria beijá-la, mas sua cabeça insistia em repetir que deveria dizer que era brincadeira e que nunca faria aquilo, que fosse apenas uma brecha para ele dizer que não, eles não se beijariam, porque ele é gay.
– Absoluta. – respondeu sério, ainda a um passo de distância, sem desfazer o contato visual.
Ele mantinha seu olhar fixo ao de , de forma intensa e profunda. De uma maneira tão sincera que estava escancarado que, sim, ele queria mesmo beijá-la e que estava apenas aguardando pela permissão ou negativa. Seu coração batia rápido contra seu peito na expectativa do sim, sua cabeça martelava que aquilo era uma péssima ideia e que daria errado de tantas formas que era impossível quantificar. Mas ele não ligava.
– Então por que você não beija? – ela perguntou.
Estava incerta se deveria mesmo ter feito aquela pergunta e se aquilo seria prudente. Sua mente berrava que não, aquilo não era prudente e que daria errado de todas as formas possíveis, berrava que não, ela não deveria ter falado aquilo, que não devia ter concordado com aquela loucura, mas já tinha dado a permissão e nem mesmo queria negá-la.
não respondeu, apenas deu o passo que os separava, envolveu o corpo de com um dos braços de forma delicada, encerrando toda a distância anterior entre os corpos e a mão livre, ele usou para lhe acariciar o rosto. apenas o observava, ainda incerta sobre a situação. Aquilo terminaria mal, ela podia sentir. Mas, mesmo sentindo, não ligava o suficiente para se afastar. Poderia pensar nisso depois, mas, no momento, ela apenas queria que aquele beijo acontecesse.
Tinha que recuar, sua mente sabia disso, não podia levar aquilo adiante! Mas seu corpo resolveu ignorar os gritos que o cérebro dava e não se moveu e nem repeliu o movimento de aproximação feito por . Não adiantava mais recuar, as coisas ficariam ruins de qualquer jeito, então que pelo menos tivessem um motivo pra isso.
aproximou-se mais e podia sentir a respiração dele batendo em seu rosto. Seu perfume, ainda que menos intenso do que costumava ser quando não estava na piscina, e o hálito do bom vinho ingerido no jantar, se misturavam de forma sedutora para o olfato de , que já tinha desistido de tentar entender o que tinha motivado aquilo e de pensar nas consequências, apenas queria provar aquele beijo com o qual sonhava desde a adolescência.
voltou a fazer um carinho no rosto de , que dessa vez fechou os olhos para aproveitar a carícia. Parecia mentira que aquilo estava mesmo acontecendo. A de dezesseis anos, com certeza, estaria desmaiada nos braços firmes desse homem. a mantinha segura e ela estava rendida, não se afastaria, deixaria que ele a beijasse e que se danasse a prudência que deveriam ter, segundo sua cabeça ainda insistia em repetir, como se fosse possível vencer pelo cansaço e ela acabasse se afastando antes de alguma coisa efetiva acontecer. aproximou o rosto do dela, umedeceu os próprios lábios e, finalmente, a beijou.
Os lábios, de forma tímida, se encontraram ainda sem muita certeza, ambos pensando no que podia ou não acontecer depois daquilo, mas logo se renderam ao momento, não adiantava mais pensar ou sopesar coisas, a razão não conseguiria explicar a emoção do momento, então tinham apenas que fazer. Ela entreabriu os lábios, dando a a permissão para que se tornasse um beijo de verdade.
Era o que os dois queriam, de qualquer forma, por que negar?
envolveu o pescoço de com os braços enquanto se beijavam e ele a pressionou contra a parede da piscina, sem alterar o ritmo do beijo que trocavam. Ambos, agora, envolvidos demais para sentirem medo do resultado, beijavam-se com calma, conhecendo o que cada um gostava e como as bocas se encaixavam de forma perfeita e sob medida.
A boca dele, reparou, diferente da dureza que aparentava, era macia e deliciosamente beijável, mordível, consumível. A boca de fazia jus à voz que dela saía, percebeu, era suave e ao mesmo tempo poderosa, era a melhor boca que ele já tinha beijado, por mais clichê que tal constatação pudesse parecer.
Quando separaram os lábios e deram fim àquele beijo, nenhum dos dois se olhou, ambos permaneceram de olhos fechados e com os rostos ainda próximos, testas coladas, outra música tocava e nenhum deles conseguia identificá-la, estavam desnorteados demais.

– Isso não devia ter acontecido… – sussurrou em tom culpado, ainda com o rosto próximo ao de , tão próximo que não fazia sentido que suas bocas não estivessem juntas.
– Shh… – sussurrou antes de encurtar a distância milimétrica entre suas bocas para que se beijassem de novo.
Ele não retesou, não tentou afastá-la, apenas voltou a aproveitar aquele beijo do qual tinha gostado tanto. Os dedos de brincavam com os cabelos molhados de , que tinha as mãos em sua cintura e a mantinha perto de si. podia sentir que viraria seu inferno particular, mas não sabia se importava-se o suficiente para tentar lutar contra aquela sensação que tinha um quê de realidade escancarado.
Quando, novamente, os dois se separaram, tiveram coragem de se encarar por um tempo. Não falaram, os dois apenas se olharam durante poucos segundos, mas, dado o contexto, pareceram os mais longos minutos. ainda a abraçava pela cintura, ainda mantinha os braços ao redor do pescoço dele.
– Isso aconteceu? – perguntou e negou com um aceno.
– Mal somos donos das nossas vidas, é melhor mantermos isso só entre nós.
– E isso vai se repetir? – perguntou olhando-a nos olhos.
não sabia o que responder, dizer não seria mentir, mas dizer sim traria consequências que ela não tinha certeza se estava pronta para enfrentar, afinal, mesmo tendo gostado (e muito!) de beijá-lo, sabia que aquilo seria uma caminhada penosa em um terreno perigoso e traiçoeiro.
As coisas podiam muito bem dar errado e era esse o desenho do futuro.
– Eu não sei. – respondeu, por fim, tirando os braços do pescoço de , o afastando de leve. – Isso pode não terminar bem.
– É. – ele suspirou, se afastando. – Desculpa.
– Você não precisa pedir desculpas, foi muito bom e teve consentimento, então não tem problema. – falou se virando em busca do celular, fingindo procurar uma nova música, mas queria mesmo era desviar os olhos dos dele, porque sabia que seria entregue pelos próprios olhos. Ela queria que aquilo se repetisse muitas e muitas vezes, tinha sido realmente muito bom, mais até do que ela achava que seria, mas também tinha medo do que uma possível repetição daquele ato poderia se tornar. – Se acontecer, tudo bem.
– Não vai mudar em nada a forma como a gente se comporta, vai?
– Eu realmente espero que não. – se virou e voltou a olhar para , dando um sorriso de lado, que foi correspondido.
– Eu vou dormir, tivemos um dia longo, estou cansado. Você vem?
– Ainda estou sem sono e morrendo de calor, vou ficar aqui mais um tempo.
– Então, boa noite, . Até amanhã. – se despediu.
– Boa noite e até amanhã, . – respondeu educada.
deu um sorriso, saindo da piscina e virou-se para o lado do oceano, debruçando-se sobre a borda da piscina, fechando os olhos e sentindo o ar quente com aroma de mar e também para começar a pensar naquilo.
Lembrou-se do dia na casa da mãe de , quando a conheceu. Lembrou-se do pedido pedido de Helga para que não magoasse seu filho, pois toda a situação de sua vida já era triste e desoladora o suficiente para que um coração se partisse e piorasse mais ainda as coisas.
E depois daquele beijo a única certeza que tinha era que a granada explodiria em suas mãos. Ela podia sentir que alguém sairia de coração partido.
E talvez fossem os dois.

Capítulo 09

’s POV
Eu acordei antes de , quer dizer, eu passei a noite acordada e levantei da cama antes que ele parasse de roncar e que seu celular despertasse para nossa corrida matinal.
E por que eu passei a noite acordada?
COMO eu conseguiria dormir depois do que aconteceu ontem? Depois de beijá-lo!
Quer dizer, depois que ele me beijou!
Certo, sem surto adolescente, . Haja como uma mulher adulta e forte como você é!
Segui para o banheiro silenciosamente, é melhor evitá-lo até entender bem o que aconteceu. Não que haja muito a ser entendido: estávamos alegrinhos pelo vinho, tivemos um momento, o beijo aconteceu e só. Tudo culpa do álcool. Apenas isso. Até porque, bem… eu não faço o tipo dele.
Foi um deslize que não pode e nem vai se repetir, somos apenas partes de um contrato. Se ignorarmos o acontecimento, ele passa a não existir, certo? É algo que Sam sempre fala: se não está nos autos, não existe. O que isso significa? Eu não faço a menor ideia, o que interessa é que nós vamos ignorar esse ocorrido, não repetiremos e seguiremos esse contrato pelos meses restantes.
Depois de lavar o rosto, a boca, fazer xixi e escovar os dentes, vesti a calça para o yoga, um top, calcei os tênis, peguei o celular, os fones e sai da forma mais silenciosa que consegui, rumando ao local em que eu tinha feito yoga por quase todos os dias desde que chegamos: uma espécie de varanda, no local chamado “Santuário Botânico”, próximo ao SPA. Um local calmo, tranquilo e vazio, onde eu podia fazer yoga relaxada e sem preocupações.
Inferno.
Quarenta minutos depois de chegar ali, eu estava de saída para correr. Coloquei os fones e deixei que a música alta soasse, sentindo meu cérebro agradecer e me odiar ao mesmo tempo, já que agora se ocuparia em reconhecer as músicas, em não deixar meus tímpanos explodirem, nos movimentos das pernas e braços para a locomoção, na cadência da respiração, em dar o toque para as glândulas liberarem suor e outras tantas atividades que meu corpo tinha que realizar para correr, e não teria tempo de pensar em tudo aquilo de antes.
Meu estômago roncou alto depois de um tempo correndo e eu resolvi atendê-lo, afinal, se eu continuar correndo, provavelmente vou encontrar com , é melhor ir comer e ir para o SPA sozinha.
Mas, claro, a vida não funciona como eu planejo. Nunca.
Quando me virei para ir a caminho do restaurante para tomar café, eu esbarrei em alguém.
Não em um alguém qualquer.
Esbarrei no alguém chamado .
E eu cai.
Ele não teve tempo de me segurar e impedir que eu tomasse um tombo, eu me choquei com seu corpo e cai de bunda. Porque apenas esbarrar nele não era o suficiente, eu precisava cair de bunda e ter a humilhação completa.

! Você está bem? – perguntou preocupado, me ajudando a levantar.
Eu quis responder um “claro que não, eu estou humilhada e envergonhada, não tem nada bem comigo!”, mas aqueles olhos… aqueles olhos não me deram a chance de ser sincera e mal educada.
– Sim. Foi só um tombo. – respondi, ficando de pé. – Obrigada.
– Eu fiquei preocupado, acordei e não te vi.
Mas é claro que aconteceu! Eu fiquei morrendo de vergonha por ontem e fugi feito uma personagem de filme clichê, mas você me encontrou da forma mais humilhante possível.
– Acordei muito cedo, aproveitei pra fazer yoga em paz e com muita calma antes de correr. – respondi, dando de ombros.
– Devia ter me chamado, eu teria te acompanhado. – foi a vez dele dar de ombros. – Você já está indo embora?
– Você estava roncando. Se eu te acordasse, você me daria um soco. E sim, eu estou indo tomar café.
– Até onde eu sei, meu nome não é pra dar socos nas pessoas quando sou acordado. – ele debochou.
– Devolva a intimidade que eu te dei, .
– Há quanto tempo você está correndo?
– Quase uma hora. – respondi, depois de olhar o relógio em seu braço.
– Eu estou fora do quarto há pouco tempo, mas tem um cara que tá andando atrás de você parece que há um tempo e é melhor não arriscar que ele, sei lá, te sequestre.
Passar mais tempo com você depois de ontem é exatamente tudo que eu preciso nesse momento, . Obrigada. É tudo que eu pedi aos céus e ainda bem que fui atendida.
– Então vamos, eu estou morrendo de fome. – respondi, fazendo dar um sorriso cheio de deboche.
– Você sempre está morrendo de fome.
– Cala a boca. – respondi de má vontade, fazendo com que ele risse e entrelaçasse os dedos aos meus.
Dei uma risada baixa ao ouvir “Talk Dirty”, do Jason Derulo, começar a tocar em meus fones, porque, bom… conhecendo Jason, é absurdamente engraçado ouvi-lo cantar coisas desse tipo. Ele é um doce, além de ser um pouco tímido e muito respeitador. Jason não é do tipo de cara que realmente faz as coisas que canta em algumas músicas.
Não que eu saiba de verdade, nunca tivemos esse tipo de relação. Infelizmente. Ele me trata quase como uma irmã mais nova e eu o trato com o mesmo respeito e carinho que tenho por Davi. Mas se ele resolver que quer alguma coisa, eu me encontro muito afim.
– Do que você está rindo?
– Da música que está tocando. – dei de ombros. – “Talk Dirty”, do Jason Derulo.
– Ah, ele é muito bom. – falou dando um sorriso.
É, se o Jason o quiser, parece que outra pessoa também está muito afim…
– Ele é um doce de pessoa, então ouvir isso me faz rir, ele não é assim.
– Não?
– A imagem que passam dele, e que ele mesmo passa, é a de ser um safado desapegado, mas não é mesmo! Jason é um amorzinho.
– Eu jurava que ele era, ele tem cara de ser exatamente desse jeito. – falou, fazendo uma careta que foi uma das coisas mais fofas que já vi na vida.
– Nah, ele é um fofo. – respondi e voltamos a ficar em silêncio.
O café da manhã foi tão silencioso quanto boa parte da nossa caminhada, o caminho até o bangalô foi silencioso, sem contar as músicas nos fones, que eu nem prestava mais atenção, todo aquele contato corporal com estava me deixando um tanto quanto desnorteada. A troca de roupa foi silenciosa, passei o protetor solar em suas costas em silêncio. E em silêncio seguimos para a praia.

– Some people want it all, but I don’t want nothing at all if it ain’t you baby, if I ain’t got you baby…
– cantei quando deixei as coisas sobre a espreguiçadeira antes de decidir sobre entrar no mar ou não, e olhou de lado. – Desculpa.
– Pelo quê? – perguntou confuso.
– Por cantar demais.
– Eu gosto de te ouvir cantar. – ele sorriu e pareceu verdadeiro.

Ele sorriu com aquele sorriso lindo que costumava dar quando estava no Bayern ganhando títulos ou comemorando alguma vitória com os companheiros ou com o Berni. Ou apenas com Bastian, quando saíam, enquanto faziam alguma gracinha para as câmeras ou se divertiam juntos. E foi inevitável não sorrir de volta, afinal, ele tinha sido sincero e aquele sorriso não podia ser ignorado.
Parando pra pensar, pertencia àquele lugar. Ele pertencia ao Bayern, de alguma forma, eram como se fossem feitos um para o outro. Ele pertence. Foram anos difíceis, mas ele fica tão bem com a camisa do Bayern… o vermelho destaca bastante a cor dos olhos. Eu sei, o azul do Schalke os fazem ficar mais evidentes pela cor semelhante, mas ele fica melhor com a camisa do Bayern.
– Você está bem? – colocou a mão em meu braço e eu me assustei, deixando a bolsa cair.
– Eu estou bem. Desculpa, só estava pensando. Você falou alguma coisa?
– Certeza que você está bem? – perguntou dando uma risadinha.
– É a segunda vez que você ri de mim hoje. – reclamei, fazendo sorrir debochado.
– É a segunda vez que você me dá motivos pra isso hoje. Enfim, mergulho?
– Você é um idiota. – resmunguei. – Pode ser.
voltou a sorrir. Inferno.
– Vai ficar ai parada me olhando ou vamos pro mar?
– Eu vou pegar um sol primeiro. – respondi e ele me olhou sem entender.
Alguns segundos antes eu tinha dito que queria ir, agora tinha mudado de ideia? Não fazia sentido.
Pra ele, claro, porque pra mim fazia e muito!
Eu preciso evitá-lo e não ficar compartilhando mergulhos e momentos, ainda que fotos estejam sendo tiradas por hóspedes e paparazzi em todos os cantos desse lugar. Ele encostou em mim e eu comecei a sentir meu estômago quase voando pela quantidade de borboletas que estão nele??? Isso é um sacrilégio!
Tudo bem, não um sacrilégio, mas é tão absurdo quanto um.
me deu as costas e eu deitei em uma das espreguiçadeiras que estava sob o forte sol porto-riquenho, fechei os olhos e me concentrei apenas nos raios solares que torrariam minha pele e me fariam parecer menos pálida e valeriam cada centavo que gastei nessa viagem. E são muitos centavos. Muitos mesmo.
Sem pensar em , em seus sorrisos, em seus belos olhos ou naquele maravilhoso corpo bronzeado que ele vem desfilando, passeando de bermuda e sunga como se estivesse tudo bem fazer isso.
Ok. Estamos na praia, mas não importa. Ele não pode fazer isso.
Permaneci de olhos fechados por um bom tempo, absorvendo bastante vitamina D e tentando focar no barulho do mar e dos pássaros, alheia às conversas que podiam acontecer por perto ou qualquer outra coisa, sentindo o sol queimando minha pele e o suor começando a aparecer, claro.
Mas, claro, não por muito tempo.

– Cause I’m fast enough to get in trouble, but not fast enough to get away. I’m old enough to know I’ll end up dying and not young enough to forget again. It’s all a fickle game, life’s a fickle game we play…
– Eu gosto dessa música. – ouvi a voz de e acabei me sobressaltando, fazendo com que ele gargalhasse. – Hoje você está bem distraída.
– Ou você é quem tem aparecido em momentos inoportunos. – resmunguei e ele ficou sem graça. – Eu estou brincando.
– Não pareceu brincadeira, você está distante e estranha.
– Eu acordei muito cedo. – menti, dando de ombros. Aquilo pareceu convencê-lo e eu me tranquilizei. – E então, você gosta de Fickle Game?
– Sim. Eu gosto de Amber Run.
– Sério? – perguntei surpresa.
– Muito. Eles são muito bons.
– Eu sou muito fã, gosto demais de ouvir.
– Você os conhece?
– Pessoalmente não. Eu os descobri sem querer há um tempo e acabei viciada.
– Entendi. – ele assentiu. – E então, mergulho?
– Não me soa interessante.
– Ah, deixa de ser chata, vamos lá. Faz dias que a gente não mergulha.
– Mentira, nós fizemos isso ontem. Ou anteontem, uma coisa assim.
– Ontem não. Vamos lá, deixa de ser chata!
, você é insuportável.
– Sou e você gosta de mim mesmo assim. – ele deu uma risadinha, em tom de provocação.
– Você bem queria, mas eu acho que vou pro quarto. Eu estou morrendo de calor.
– Água serve pra amenizar isso, sabia?
– Sim, eu sei, mas eu quero ficar um pouco no ar condicionado.
– Ajudando a destruir a camada de ozônio, claro.
– Eu vou te ignorar, juntar minhas coisas e voltar pro quarto.
– Então a gente se encontra no almoço. – ele respondeu e eu assenti. Fiquei de pé e comecei a juntar as coisas enquanto ele corria de volta para o mar.
O caminho para o bangalô, quase duas horas depois de termos ido para a praia, foi rápido e a primeira coisa que fiz quando entramos foi tomar um banho, eu estava suada e começando a me sentir fedorenta.
Porto Rico é um lugar quente e abafado proporcionalmente à beleza.
Sai do banho esfregando os cabelos numa toalha e me deitei na cama, encarando o teto e relembrando de ontem, do beijo. Dos beijos. E de como tinha sido bom. Mas teremos vários dias de clima estranho, isso vai ser bem legal. Imagina ter que ficar medindo gestos e palavras? Ótimo. Maravilhoso. Álcool é a pior coisa que pode acontecer na vida de qualquer pessoa, sinceramente. Nunca mais eu vou beber.
A Oktoberfest não conta.

🎤❤️⚽️
– Se você gosta tanto de cachorros, por que não tem um? – perguntou quando já estávamos à mesa.
– Eu já falei sobre isso com você. – franzi o nariz. – Naquele dia do Burger King.
– Ah, verdade. – ele pareceu se lembrar. – Eu tinha esquecido.
– Quando eu era pequena, meu pai adotou um cachorro de rua. Minha mãe quase teve um troço! Davi e eu éramos uma dupla um pouco… agitada e um cachorro só tornaria tudo mais agitado. Mama sempre teve muito apreço pelas plantas dela e achava que o bicho ia estragar tudo, sendo que deveria temer mais pelo troglodita do filho. Dos filhos. Enfim, ele se chamava Vogelfrei.
– Sério? – perguntou dando uma risada.
Mama deu esse nome ao coitado e ele adorou. Logo que ela o chamou assim, num ataque de nervos quando o viu na cozinha de casa, cercado por Davi e por mim, no dia que Papa tinha nos dado, ele deu um latido animado e saiu todo serelepe na direção dela. No começo, minha mãe era bem resistente, mas acabou se apegando muito e Davi costuma dizer que ela gostava mais do cachorro que de nós. Quando eu comecei a fazer shows, ele ficou muito doente, tipo o Marley do filme, sabe? – perguntei e confirmou com um aceno. – E optamos pela eutanásia, ele não podia mais sofrer.
– Sinto muito. – murmurou sincero.
– Eu lembro que chorei muito, muito mesmo, eu não estava perto quando isso aconteceu e nem tive chance de me despedir. E esse é um dos motivos que me leva a pensar muito sobre ter um cachorro, ou qualquer bicho, porque sei que fatalmente ele vai morrer e eu posso não estar perto para me despedir. E vai ser horrível. De novo. Vamos mudar de assunto, eu não quero chorar.
– Você falou que gosta de quinta-feira, porque é o dia do Thor… Então, ele é seu herói favorito?
– Ele não é apenas um herói, ele é um deus, vamos deixar isso claro. – pontuei e ele me olhou dando um sorrisinho. – E, não, ele não é meu favorito. É um dos, mas gosto muito do Homem Aranha e da Capitã Marvel.
– Disserte.
– Peter Parker tem uma história de vida muito ferrada. Ele podia ser um baita babaca como o Batman é em alguns momentos, mas ele escolhe ir por outro caminho e é um cara bacana. A Capitã Marvel é simplesmente a heroína mais forte de todo Universo Marvel.
– E da DC, você não gosta de nada?
– É muito previsível se eu falar Mulher Maravilha e Estelar? – perguntei e ele assentiu. – Então vou falar do mesmo jeito.
– E você prefere a Marvel ou a DC?
– Gosto das duas do mesmo jeito. – dei de ombros. – E você, quais seus super-heróis favoritos?
– Flash e Superman.
– E da Marvel?
– Sem Marvel. – ele respondeu categórico e nós voltamos a ficar em silêncio.
Ele parecia prestes a falar sobre ontem, quase como se estivesse pensando em como abordar o assunto e eu apenas consigo pedir a todos os deuses que isso não aconteça, porque: a) não há o que ser dito, b) ele vai acabar descobrindo que o que eu tinha por ele nunca foi apenas um crush adolescente pelo ídolo, c) vai deixar o clima absolutamente pesado e, d) vamos ficar tão sem graças que não vamos conseguir nos olhar, provavelmente pelo resto da vida.
Terminamos de almoçar em silêncio e sem demora, estava quase insuportável permanecer juntos sem que falássemos sobre o ocorrido. Ou pior: que repetíssemos! Deus me livre!
Mas quem me dera…
Assim que saímos do restaurante, coçou a nuca e parecia incomodado, mas não sabia como externar as palavras. E mesmo sabendo que eu provavelmente me arrependeria de perguntar o que ele queria falar, eu estava ficando curiosa.
– O que foi? – perguntei e ele ficou vermelho.
Não.
Ele ficou roxo feito uma beterraba.
Tão roxo que ele parecia prestes a explodir. Nem o Joffrey agonizando enquanto morria ficou tão roxo. E isso deixou os olhos dele ainda mais azuis. E lindos.
Pelo amor de Deus, !
– Eu não sei se posso perguntar isso. – voltou a coçar a nuca, agora de cabeça baixa.
– Faça e eu respondo se quiser. – respondi em tom de obviedade.
– Você namorou com o Nicholas um bom tempo, certo?
– Certo. É essa a pergunta?
– Não. – ele deu uma risadinha sem graça. – E faz tempo que terminaram, certo?
– Certo de novo. E suponho que não seja essa a pergunta também.
– E não é. – ele tomou ar, ainda prestes a explodir de vergonha. – Bom, você ficou solteira tanto tempo por quê? Você é linda e interessante, e… sei lá, é estranho que você tenha ficado muito tempo solteira.
– Eu não fiquei. – dei de ombros e ele me olhou curioso. – Eu fiquei um tempo solteira, mas namorei outras duas pessoas antes de você. O último terminou pouco tempo antes de você e eu começarmos nossa história.
– Entendi.
– Eu prefiro relacionamentos sérios a ficadas ocasionais, caso seja essa a real dúvida.
– Eles eram famosos?
– Um não. O outro mais ou menos.
– Entendi.
– Mais alguma pergunta? – perguntei e ele negou com um aceno. – Então agora eu vou para o SPA, você está livre de mim até mais tarde.
– Graças a Deus. – ele respondeu dando um sorriso enorme e zombeteiro.
Aquele sorriso que fazia seus olhos ficarem feito fendas.
E prestando atenção nisso, não me atentei a alguma coisa no caminho que me fez tropeçar. Eu estava preparada para ir de encontro ao chão, mas dessa vez ele me segurou pelo cotovelo, impedindo a queda.
Impedindo a queda, mas despertando aquela maldita sensação no estômago.
Tomara que seja gastrite e não paixão.
– Você tem certeza que consegue chegar até lá sem cair? – zombou. – Ou que consegue voltar de lá sem acabar, sei lá, sofrendo algum acidente?
Tentando recuperar um pouco minha dignidade, soltei-me de sua mão firme e o olhei quase com desdém.
– No me toque los cojones.
– Quê? – perguntou confuso, mas tinha aquele sorrisinho vencedor brincando em seus lábios.
E que lábios.
– Você está em terras latinas, tem que falar espanhol. – respondi mal humorada e ele gargalhou.
Se ele repetir aquele discurso de “território livre não incorporado aos Estados Unidos blábláblá”, ele vai tomar um tapa.
– Apelou, perdeu.
– Eu vou jogar meu chinelo na sua cara!
– E vai cair quando tentar arremessar. – zombou e eu quis, realmente, jogar o chinelo nele.
– Você é um idiota.
– E você gosta de mim mesmo assim. – ele provocou e eu não respondi, apenas lhe dei as costas e continuei meu caminho até o SPA.
Eu não podia contestar, em todo caso.
É meio que inevitável.

Alma Gomez: Você está em Porto Rico e nem se dignou a me contar!
Darei uma festa daqui três dias na minha casa, em San Juan.
Sua presença é OBRIGATÓRIA!

Festa de Ama Gomez.
Aquilo daria muito certo ou muito errado.
Nunca há um meio termo quando a situação envolve Alma e uma festa.


Vogelfrei: é uma expressão em alemão que significa “livre como um pássaro”, mas comumente ela é usada para uma pessoa “fora da lei”.

Capítulo 10

– Eu marquei um mergulho com golfinhos pra duas da tarde, mas agora é a hora em que você se levanta e nós vamos correr. – falou, cutucando e ela soltou um resmungo quase dolorido.
– Eu não participo de atividades que envolvam exploração animal. E, de qualquer forma, não estou me sentindo bem. – resmungou, virando-se em sua direção, e a olhou. Tinha olheiras e parecia cansada, além de estar bastante pálida.
– O que você está sentindo? – perguntou preocupado.
– Minha cabeça está doendo muito, eu vou passar o dia na cama, não dormi nada essa noite. – respondeu num resmungo.
– Quer ir ao médico? – perguntou preocupado e negou com um aceno.
– Eu tenho remédio pra dor de cabeça no armário do banheiro, vou tomar e dormir um pouco. Se eu melhorar, eu te encontro na praia mais tarde.
– Eu não vou sair e te deixar sozinha. E se você precisar de alguma coisa?
– Não vou, . Pode aproveitar seu dia sem problemas. Não quero atrapalhar suas férias. – disse e deu um sorriso fraco.
– Então toma o remédio, vou ficar aqui até você dormir.
– Não precisa. – ela repetiu.
não deu ouvidos e foi até o banheiro, pegou o remédio que ela tinha mencionado, além de uma água no frigobar, e voltou até a cama, onde estava sentada.
podia jurar que era culpa do calor que fazia ali, não estava acostumada àquele tempo tão abafado e quente todos os dias, seu corpo não estava acostumado àquilo e provavelmente nunca se acostumaria. Nenhum dos dois conversou. sentou-se ao lado dela e se deitou, fechando os olhos na esperança de encontrar um jeito de melhorar aquela dor de cabeça infernal e a sensação péssima em seu corpo.
Dois dias se passaram desde o episódio da piscina, não haviam se beijado e nem falado sobre, ainda que tivessem jurado que aquilo não mudaria em nada o que tinham, em alguns momentos a tensão foi palpável, ainda que tentassem disfarçar. Jogaram videogame, foram à praia, riram e conversaram, ainda que o clima estivesse um pouco diferente.
não demorou a dormir e permaneceu ali, não achava uma boa ideia deixá-la sozinha, e se ela precisasse de algo? Ele tomou a liberdade de deitar ao seu lado, guardando a devida distância e ligou a televisão, procuraria um filme ou qualquer coisa que estivesse passando e fosse interessante.

🎤❤️⚽️
Quando abriu os olhos, deparou-se com deitado ao seu lado. A televisão estava ligada na ESPN e passava algum programa que ela não fazia ideia do que era. Sua dor de cabeça tinha diminuído e ela se sentia um pouco melhor, mas não o suficiente para passar o dia na praia. Queria ficar deitada e a visão de um adormecido ao seu lado era absolutamente tentadora. Se pudesse, passaria o dia o observando dormir.
abriu os olhos ao sentir a movimentação na cama e sorriu de lado. Num primeiro momento, devolveu o sorriso, mas logo percebeu que estavam na mesma cama e assustou-se um pouco, isso não tinha acontecido em nenhum daqueles dias. Ainda que dividissem a cama para jogar videogame e ver televisão, não era a mesma coisa de dormirem na mesma cama por sabe-se lá quanto tempo!
Mas, percebeu, não parecia brava ou incomodada. Ele fez menção de falar, mas foi interrompido pelo indicador dela sobre seus lábios.
Os dois se olharam por milésimos antes de se aproximar e beijá-lo. Ambos sabiam que aquilo voltaria a acontecer em algum momento, ainda que negassem veementemente se alguém perguntasse, não estavam incomodados, porque queriam que aquilo acontecesse. E isso, de alguma forma, para eles, não era certo.
– Desculpa. – ela pediu quando separaram o beijo. Ele deu um sorriso de lado e se sentou na cama, sendo acompanhado por ela.
– Não tem problemas. – respondeu. – E você está se sentindo melhor?
– Sim, mas não quero sair. Você ficou aqui o tempo todo?
– Eu fiquei com medo de você passar mal, precisar de algo e estar sozinha, então resolvi ficar, mas acabei dormindo também. E não tem muito tempo, de qualquer forma.
– Ah, obrigada. – sorriu agradecida, recebendo um carinho no braço.
– Você está quente.
– Estou?
– Está. Parece que está com febre. – falou preocupado, colocando a mão na testa de . – Você trouxe antitérmico?
– Não.
– Então eu vou comprar. Você tem alergia a algum remédio? – perguntou e ela negou com um aceno. – Vou tentar conseguir na recepção, se não achar, vou sair e comprar.
– Relaxa, eu vou ficar bem.
– Febre nunca é um bom sinal, .
– É só um mal estar, talvez uma gripe se anunciando. – deu de ombros.
– Vou trazer alguns remédios. Fica quietinha, por favor. – falou e se pôs de pé, vestindo uma camisa e saindo.
demorou quarenta e cinco minutos para voltar, precisou sair do hotel para comprar os remédios e o fato de não falar espanhol e nem inglês tornou a situação um tanto mais difícil. E engraçada, ele tinha que admitir. Depois de a recepcionista lhe falar que não tinha remédios – quando ela finalmente entendeu o que ele quis dizer –, saiu do resort em busca de uma farmácia. E não demorou a encontrar, mas seus problemas se tornaram piores lá.
Ele tentou falar em inglês, que era tão ruim quanto deveria ser seu espanhol, e só depois de um bom tempo – e de uma das clientes do local traduzir o que tinha sido pedido – é que ele conseguiu se fazer entender e voltar com os remédios para a dor de cabeça, febre e outro para uma eventual gripe.
continuava deitada enquanto passava os canais da televisão e aguardava o retorno de , quase preocupada pela demora, mas esperaria mais um pouco antes de ficar desesperada de verdade e dar um jeito de procurar por ele.
Quando entrou no quarto, com a pequena sacola de remédios em mãos, lhe ofereceu um sorriso sem mostrar os dentes e se aproximou da cama, voltando a colocar a mão na testa dela e constatando que ainda estava quente.
– Eu trouxe um remédio para a gripe, outro pra dor de cabeça, mais forte que o seu, e um antitérmico. Toma o antitérmico primeiro, precisamos dar um jeito nessa febre. – falou preocupado e assentiu. – Vou pegar água.
– E como você conseguiu comprar isso?
– Foi difícil, depois de um bom tempo gesticulando e tentando falar em inglês o que eu queria, uma cliente apareceu, decifrou o que eu estava tentando dizer, traduziu pra um inglês legítimo e aqui estou eu. – falou em tom divertido enquanto procurava uma garrafa d’água no frigobar, fazendo rir.
– Eu queria ter visto isso.
– Se você estivesse lá, eu não teria passado essa vergonha. – falou rindo.
pegou o celular e abriu o Instagram. Era uma boa hora para fazer uma live? Provavelmente não, mas ela faria do mesmo jeito, não fazia nada assim há tempos e sentia falta de interagir com os fãs, ainda que fosse bem rápido. levantou-se da frente do frigobar, enquanto ela o filmava e assistia às visualizações subirem rapidamente.
– O que você está fazendo? – chamou numa voz dengosa e se virou, olhando para o celular que ela tinha em mãos e rolou os olhos.
– Eu estou cuidando de você, encrenca. – disse num tom bem humorado e a olhou. – Já que você resolveu ficar doente durante nossas férias. Stories?
Live. – respondeu e virou a câmera para si, voltando a observar a rapidez com que as visualizações subiam e os milhares de comentários dos fãs antes de continuar falando em inglês. – Oi gente. Essa será uma live rapidinha, vim apenas dar um oi e um sinal de vida. Eu ando sumida, as férias estão maravilhosas, esse lugar é um paraíso e eu tenho aproveitado muito, mesmo que agora eu não tenha mais tanta paz, há paparazzi e pessoas tirando fotos o tempo todo, mas eu fiquei doente. Bom, não é doente, só estou indisposta, acho que pelo clima abafado e pelo calor, mas, de resto, eu estou aproveitando muito e descansando, assim que eu voltar, começo a trabalhar e espero que vocês gostem do que vem por ai. Sei que vocês têm dado muiiiita repercussão a Dominos e eu agradeço! O single sai um pouco depois do meu retorno à Alemanha e o álbum também. Fiz de todo coração e espero que vocês gostem. Ah, e Porto Rico é absolutamente paradisíaco! Venham visitar esse lugar maravilhoso, que não é lindo apenas em aparência, mas em cultura também. Estamos realmente encantados por tudo e eu queria poder passar mais dias aqui.
– Toma seu remédio. – pediu num sussurro e assentiu, pegando o comprimido que ele tinha em mãos e a água e tomou.
– Senta aqui, meine Liebe. – pediu e o segurou pela mão, para que se sentasse ao seu lado. , sem jeito e completamente sem graça, obedeceu e sentou-se ao lado de , que se aconchegou ao seu lado, dando um sorriso visivelmente envergonhado. – Manda um beijo pra gente despedir do pessoal.
– Beijo gente. – ele disse envergonhado e deu um sorriso de lado. – Você precisa descansar um pouquinho, .
– Beijooooosss! Faço outra live depois pra conversarmos bastante! Tento fazer antes do lançamento. Eu amo vocês! – falou mandando beijos para a câmera e encerrou a transmissão, deixando o celular de lado. fez menção de sair e ela o segurou. – Fica.
– Claro. – ele deu um sorriso de lado e ligou a televisão.
– Odeio febre. – disse num tom baixo e ele colocou a mão em sua testa de novo. Ainda quente.
– Sem cobertores, precisamos baixar sua temperatura. – falou sério e ela se aninhou ao seu corpo. – E se você não melhorar, vou te levar ao hospital.
– Tudo bem. – falou baixo e ele lhe fez um carinho no cabelo.
– Agora dorme um pouco. – falou e ela resmungou em concordância, enquanto sentia seu corpo se entregar ao sono que a febre e o remédio tinham lhe dado.

🎤❤️⚽️
… Acorda. – chamou e resmungou virando para o outro lado, tentando livrar-se dele e voltar a dormir. – Você precisa comer.
– Não quero comer. – ela disse afundando o rosto nos travesseiros e a cutucou de leve.
– Acorda e vem comer, . – insistiu e resmungou, se sentando na cama com os olhos fechados e emburrada. – E pode desfazer esse bico, você tem que comer.
– Você é chato. – reclamou em tom infantil, coçou os olhos e os abriu devagar.
tinha levado apenas frutas, pois não sabia o que ela conseguiria comer naquele momento.
– Sente-se melhor? – perguntou, comia um pedaço de manga e ela assentiu. Mediu a temperatura com sua própria mão e percebeu que ela não estava mais quente. – Você está sentindo dor de garganta ou qualquer coisa do tipo?
– Só a cabeça doendo bem pouquinho.
– Febre e dor de cabeça são coisas perigosas, vamos ao médico.
– Se eu não acordar totalmente bem, amanhã a gente vai.
– Ter febre é sempre perigoso, sabia?
– Sabia. – ela deu de ombros. – Não vai comer?
– Eu almocei no restaurante agora pouco.
– Você não precisava ter perdido seu dia inteiro comigo, sabia?
– Sabia. – ele repetiu a fala dela e deu um sorriso. – Mas não seria um bom amigo se te deixasse doente sozinha.
– Acho que quero ir pra piscina.
– Sem chances.
– Por favor. – fez uma cara pedinte e rolou os olhos.
– Você está passando mal, tem que ficar quieta.
– Você não vai me deixar dormir de novo. – rebateu.
– Não mesmo, porque você não vai dormir à noite e amanhã vai passar o dia no quarto e vai se tornar um ciclo vicioso.
– Então vamos pra piscina. Sem praia, só piscina.
– Você é teimosa demais, . – disse maneando a cabeça negativamente e ela deu um sorriso.
Terminou de comer a manga que tinha no prato à sua frente, escovou os dentes e trocou a roupa por um biquíni. Quando saiu do banheiro, o encontrou sentado, apenas de bermuda, com os pés dentro d’água.
– Hoje você me esperou… – disse e se sentou ao lado dele.
– Claro, pra poder fazer isso. – respondeu num tom arteiro e a empurrou.
nem teve tempo de gritar de susto, apenas prendeu a respiração e caiu na água que contrastava bastante com a sensação térmica de seu corpo, ouvindo a gargalhada de quando emergiu.
– Idiota. – ela falou tirando o excesso de água do rosto e o puxou pela perna, o fazendo entrar na água também.
emergiu um tempo depois, rindo, enquanto ainda tentava ostentar uma feição brava.
– Qual seu sabor de sorvete favorito?
– Sério? – perguntou rindo. – Limão.
– Limão?
– É. Adoro doces não tão doces e que tenham um gostinho azedo.
– Gosto de limão, mas o meu favorito é chocolate.
– Eu recebi uma mensagem de uma amiga que tem uma casa aqui em Porto Rico e está passando férias. – mudou de assunto, dando um sorriso arteiro.
– Eu vou gostar da continuação dessa fala? – perguntou desconfiado e riu, assentindo positivamente. – Continue.
– Ela vai dar uma festa depois de amanhã, em San Juan, e nos convidou. Quer dizer, ela nos intimou. E também disse que podemos dormir lá se bebermos demais. Ela é ótima e…
– Festa? Eu não sei…
– A única coisa que fizemos foi ficar nesse resort, vamos sair e nos divertir!
– Nós saímos pra dançar e nos divertir. E fomos a San Juan conhecer um pouco da cidade. Duas vezes. E também fomos até Culebra. – pontuou.
– Por favoooor. – pediu, juntando as mãos e fazendo a expressão mais pedinte que conseguiu.
– Só se você melhorar totalmente.
– Amanhã preciso ir ao shopping comprar uma roupa! Uma pra mim e uma pra você. Já estou até me sentindo melhor só de pensar nisso.
– Ah, pelo amor de Deus! – resmungou e gargalhou.
– Eu estou brincando! – ela disse rindo. – Tenho roupa pra isso. E você também.
– Você trouxe mil malas, provavelmente tem roupa até pra esquiar! – disse num tom quase ultrajado, fazendo gargalhar.
– Quando se viaja pra um lugar desses, nunca se sabe o que vai acontecer. É preciso estar preparado. – ela deu um sorriso e piscou para ele. – Principalmente quando se tem a chance de ir a uma festa de Alma Gomez.
– Eu não tenho certeza se gostei dessa última parte.
– Ah, pode ficar tranquilo, provavelmente você vai gostar. E muito. – deu um sorriso provocativo, apenas para fazê-lo estreitar os olhos em suspeita.

A verdade é que nem ela sabia se gostava muito daquela última parte. As festas de Alma realmente eram boas, lendárias, mas as coisas eram sempre muito intensas. Para o bem e para o mal. E, na atual situação, não sabia qual das duas opções era a melhor.

Capítulo 11

estava sentado, com a boca entreaberta, mal piscando, concentradíssimo em disparar muitos tiros no jogo, não começaria a se arrumar até que faltasse perto de trinta minutos para o horário combinado. E assim o fez. Quando viu que faltavam menos de meia hora para saírem, ele desligou tudo, subiu e foi se arrumar. Acabou ficando pronto antes mesmo de fazer menção de parar de cantar no banheiro e sair já pronta.
Só depois de alguns minutos, de volta ao jogo, é que ele sentiu o perfume de invadir o quarto quando ela, finalmente, saiu do banheiro, e se virou para encarar a mulher estonteante que estava ali.
usava um conjunto de cropped e saia brancos, que faziam seu bronzeado se destacar ainda mais. O cropped, de alças finas, com as costas em renda e um decote que deixava a vista do colo de bastante agradável. A saia de cintura alta branca, com uma fenda na lateral da coxa direita que ia até bem perto do cós. Os cabelos foram ondulados e presos num rabo de cavalo alto, deixando algumas mexas soltas para dar um ar despojado.
Como assessórios, usava brincos, pulseiras, anéis, uma tornozeleira fininha, um conjunto de colares em que o maior parava propositalmente no vão dos seios de . Nos pés, uma sandália de salto bem alto. A maquiagem bonita tinha os olhos bem delineados, mas com uma sombra clara e o batom vinho deixando os lábios dela absolutamente mais atrativos, percebeu.
Tudo nela estava atrativo.
Ela estava poderosa, perigosa.
E o bronzeado parecia tornar tudo mais intenso: a beleza, a atratividade, a periculosidade.
sentiu-se um trapo para sair com aquela mulher maravilhosa que ele observava absurdamente encantado. Estava com uma calça jeans clara, um tênis branquíssimo que nunca tinha sido usado, uma camisa azul escura de botões e que estava com as mangas dobradas até o cotovelo, os cabelos penteados, mas não ajeitados demais, a barba feita e seu único adereço era o relógio que sempre estava em seu pulso.

– Não sei se tenho palavras para dizer o quanto você está bonita. – falou olhando-a dos pés à cabeça.
– Eu sei. Inclusive, tira uma foto minha! – sorriu segura de si e muito satisfeita com o resultado de sua arrumação.
pegou o celular e a seguiu até o local em que ela queria tirar a tal foto e fez pose. Ele demorou alguns segundos para parar de olhá-la e outros tantos para tirar a foto. Ela estava maravilhosa. Mais do que o habitual. E aquilo podia ser um problema.
– Pronto.
– Podemos?
– Claro. – ele respondeu e entregou o celular à , que não demorou a postar a foto nos stories e no Instagram. – Vamos mesmo passar a noite fora e deixar tudo aqui?
– O resort é seguro.
– Então vamos.
pegou as duas mochilas e estendeu a mão livre para . As unhas estavam grandes e perfeitamente esmaltadas em um tom bem vivo de vermelho. E aquilo mexeu um tanto com a imaginação dele.
– Pra gente sair, você tem que parar de ficar me olhando com essa cara de bobo e começar a andar. – falou rindo.
– Não estou te olhando com cara de bobo, eu estou pensando se não estamos esquecendo nada. – mentiu.
– Você não sabe mentir, , e eu estou maravilhosa, claro que você vai ficar me olhando feito bobo. – implicou e não respondeu, apenas rolou os olhos e os dois saíram do bangalô, trancando a porta e seguiram até o estacionamento.
deixou as mochilas no banco traseiro e depois tomou seu lugar no banco do motorista. estava ocupada conectando o celular ao rádio do carro, colocando suas músicas para tocar. Ele não conhecia nenhuma das músicas que tocaram, tampouco as entendia, então aquilo com certeza era espanhol.
Ela cantava perfeitamente, em algumas chegava a improvisar uma coreografia, mesmo presa ao cinto de segurança, enquanto ele dirigia concentrado e tentando ignorar como tudo nela estava atrativo. seguiu batucando o volante no ritmo das músicas que não conhecia e prestando atenção ao caminho e às orientações que o GPS dava de quando em quando sobre o caminho a ser seguido.
Eles chegaram ao destino quase quarenta minutos depois de saírem do resort, em Dorado. A enorme casa estava cheia, reparou pela quantidade de carros parados na rua, uma música alta tocava e luzes coloridas escapavam das grandes janelas de vidro. As mochilas foram resgatadas do banco traseiro e os dois rumaram à entrada da casa, sendo recebidos por uma loira muito bonita que estava com um vestido verde tão apertado que não fazia ideia de como ela conseguia respirar.

– Achei que você não viria! – a loira berrou em espanhol e tomou num abraço apertado que foi correspondido na mesma intensidade.
– Ficar bonita assim demora. – gritou de volta. – Onde podemos deixar essas coisas pra começar a curtir a festa?
– Só depois de me apresentar devidamente seu acompanhante. – a loira analisou de cima a baixo e, se seu olhar tivesse esse poder, ele estaria pelado.
– Alma, esse é , meu namorado. – falou em alemão e , pela primeira vez, entendeu o que tinha sido dito desde que chegaram. – , essa é Alma Gomez, você com toda certeza a conhece.
– Claro! – ele mentiu sorridente.
Não fazia ideia de quem era aquela mulher e nem por que deveria conhecê-la. E já começava a se acostumar com isso. sempre falava de coisas e pessoas que ele nunca ouvira falar na vida. A tal Alma o abraçou da mesma forma que fez com .
– Cuide muito bem de mi pequeña, se você a fizer sofrer, eu vou pessoalmente lhe cortar los aguacates. – Alma disse num tom ameaçador e fingiu entender, já que tudo fora dito em espanhol, então assentiu e sorriu antes da mulher se virar para e voltar a falar em espanhol. – Isso vocês podem colocar na última porta do corredor lá em cima. E tranquem a porta, ou vão encontrar pessoas transando na cama em que dormirão.
– Certo. – disse rindo e puxou para dentro do mar de pessoas que dançavam.
Eles subiram as escadas juntos e deixaram as mochilas, trancaram a porta e ele ficou com a chave no bolso da calça. A casa estava simplesmente lotada, como costumavam ser as festas de Alma Gomez, havia um bar servindo bebidas e vários garçons circulando com copos pela festa. tratou de pegar dois copos, de algo que ela não fazia ideia do que era, e empurrou um para .
– Saúde. – ela piscou, batendo de leve seu copo no dele em um brinde e tomou um gole grande. – Isso é água.
– Eu percebi. – disse rindo e terminou de tomar a água em seu copo. – O que você quer beber?
– Algo forte.
– Você? Você quer beber algo forte? – perguntou surpreso.
– Sim. Se eu entrei na chuva, vou me molhar sem medo.
– Então eu já volto. – ele falou se enfiando no meio da multidão e indo até o bar.
! – ela ouviu uma voz feminina berrar e se virou, encontrando Alma e um grupo de amigas. – Não vai beber?
foi buscar. – ela disse sorrindo.
– E onde você arrumou esse homem maravilhoso?
– Amigos em comum. – disse dando de ombros.

não demorou a voltar com dois copos de vodca, uma das mais fortes que ele já tinha tomado em toda sua vida, e os dois começaram a beber enquanto berrava um diálogo com Alma, que era passado de espanhol para alemão e de alemão para o espanhol, mas a mulher logo os deixou sozinhos para falar com outros convidados. cantarolava algumas músicas, mas não era ouvida, apenas percebia pelos movimentos dos encantadores lábios coloridos em vinho.

Sí, sabes que ya llevo um rato mirándote. Tengo. Que. Bailar. Contigo. Hoy. Oooh Yeah! cantou junto com a voz de Luis Fonsi e deu uma risada ao vê-la cantando de forma caricata. Ela ficava bêbada muito rápido. – Vi que tu mirada ya estaba llamándome… Muéstrame. El. Caminho. Que. Yo. Voy…
– Você é doida. – falou alto e tomou um gole da bebida que tinha em mãos, antes de se aproximar e usar o braço livre para envolver o pescoço de .
… solo con pensarlo se acelera el pulso. Oh, yeah. Ya, ya me está gustando más de lo normal, todos mis sentidos van pidiendo más, esto hay que tomarlo sin ningún apuro… cantou dando um sorriso o incentivando a cantar, pelo menos, a palavra mais fácil e mais conhecida e falada no mundo naquele momento.
Des-pa-cito… – ele falou e voltou a falar em seu ouvido, mas dessa vez para cantar.
Quiero respirar tu cuello despacito, deja que te diga cosas al oído para que te acuerdes si no estás conmigo… cantou bem no ouvido de , dando um beijo em seu pescoço antes de continuar. – Des-pa-cito, quiero desnudarte a besos despacito, firmar las paredes de tu labirinto y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito…

Antes que ele pudesse dizer ou fazer algo, foi fisgada por um grupo de mulheres que não fazia ideia de quem eram, mas pareciam se conhecer há tempos, já que dançavam animadas enquanto riam e conversavam. Quase uma cena de filme clichê adolescente.
E ele fora abandonado daquela forma, depois de uma provocação e tanto.

🎤❤️⚽️
– O que um homem tão lindo como você faz sozinho e parado no meio de uma festa?
ouviu a voz feminina e, apesar de não ter entendido absolutamente nada do que ela tinha dito, ele sabia muito bem que era um flerte. A linguagem do flerte é universal e entendível em qualquer idioma, ainda que a pessoa não seja fluente.
– Eu não falo espanhol. – respondeu num inglês porco. – E nem inglês. Só alemão.
– Mas não precisamos falar. – a mulher respondeu em inglês, bem devagar, quando se aproximou dele, dando um sorriso malicioso.
Aquilo ele tinha entendido muito bem.
– Eu prefiro beijar minha namorada. – ele respondeu dando um sorriso sem mostrar os dentes. – .
– Ah. – a mulher respondeu desgostosa, saindo de perto e ele logo foi deixado sozinho para observar sua namorada, de costas, conversando com uma mulher que ele não fazia ideia de quem era.

🎤❤️⚽️
– Seu namorado é muito bonito. – ouviu de uma das mulheres do grupo em que estava.
– Ele é. – ela sorriu sincera. – E eu deveria estar lá com ele, coitado, está totalmente deslocado.
– Deixe que ele se enturme.
– Ele não fala espanhol e nem inglês. – soltou uma risada sofrida.
– Então você deveria, pelo menos, dançar uma música com ele.
dançando? Isso não acontece. não dança.
– Então vamos nós dançar e beber. Estou entediada de só falar.

🎤❤️⚽️
estava sentindo os efeitos do álcool, estava mais solta, mais sorridente e a voz estava mais arrastada enquanto conversava ou cantava as músicas que conhecia. Sabia que teria uma ressaca terrível, mas, como tinha dito antes, se estava na chuva, se molharia sem medo. Lidaria depois com as consequências. Ela observava de longe, ele parecia entediado enquanto bebia o que quer que fosse que tinha em seu copo e corria os olhos pela festa e fingia entender as músicas, mas também pudera, estava sozinho há horas!
estava bêbado, não tinha o que fazer além de beber, havia dispensado outras duas mulheres que se aproximaram e em alguns momentos, ele direcionava o olhar até o local em que dançava com as amigas, quase pedindo que ela fosse tirá-lo daquele tédio, mas não tinha certeza de que ela estava vendo que ele a olhava descaradamente.
Porque, sim, ele estava mesmo prestando atenção em . Em tudo nela. Em cada movimento. Em cada detalhe. Como estava bonita e absurdamente provocativa, dançando e como aquela roupa fazia todo o conjunto ficar melhor ainda de ser observado.
O batom vinho estava quase implorando para que fosse até lá e o tirasse. Ou melhor, sua boca parecia estar louca para isto.

– Preciso cuidar do meu namorado. – falou com a voz embolada ao ouvido de Alma e caminhou até onde estava encostado. Ele deu um sorriso de lado ao vê-la caminhar vagarosamente e medindo os passos. Aquele sapato não ajudava na caminhada de uma bêbada. – Oi.
– Oi. – ele respondeu ainda sorrindo. – Lembrou de mim?
– Infelizmente você não é assim tão fácil de esquecer, . – respondeu com uma sinceridade que não usaria se estivesse sóbria. – Vem, vou te dar uma aula de dança.
– Eu sei dançar, . – respondeu, mas aceitou a mão estendida dela.
– Eu percebi mesmo naquele dia. – falou debochada.
– Naquele dia eu não dancei, . – respondeu passando a língua pelos próprios lábios para umedecê-los e teve que se controlar para não avançar sobre eles.
Não podia.
Uma pequena parte de seu cérebro, ainda não entorpecida pelo álcool, estava lhe informando sobre os problemas que aquilo acarretaria, já bastava que tinham se beijado em duas ocasiões, não podiam piorar ainda mais as coisas, mas ela não sabia se devia ou não considerar uma opinião sóbria naquele momento.
– Então me mostra que sabe mesmo. – provocou. – Apagame la luz y tocame otro poquito de ti hay algo que aloca bebe
cantou o pedaço da música que tocava e aproximou-se do corpo dele, colocando sua mão direita na nuca de e o olhando fixamente. A música acabou e ela sorriu ao ouvir a que se iniciava, conhecia e gostava muito. deslizou as mãos pelas costas de até alcançar a base, pousando sua mão ali e encaixou sua perna esquerda entre as pernas dela. A mão direita, ele usou para segurar a mão esquerda dela, que estava em seu peito.
– Só me acompanha. – sussurrou em seu ouvido e sentiu um arrepio perigoso descer por sua espinha. Aquilo não ia terminar bem.
Esa boquita me mata, tu movimiento me atrapa… cantou no ouvido de , que não fazia ideia do que significava, mas ela não precisaria repetir, o que ela quisesse dele, ela teria. Os movimentos de eram perfeitos, dançava como um profissional, conduzia bem a dança e tinha o domínio total da situação. A mantinha firme, mas livre para rebolar e dançar. Soltou suas mãos, levando a mão direita para a nuca de e ela sorriu sacana enquanto dançava e usava a mão livre para segurá-lo pela cintura. – Baby, yo quiero contigo lo que no hacen los amigos… – ela voltou a cantar no ouvido de , que a puxou para mais perto enquanto a olhava nos olhos intensamente.
O sorriso sacana brincou nos lábios de vendo como ele tinha ficado perturbado com aquela frase, não que ele tivesse mesmo entendido, mas a entonação tinha sido crucial e, como ele bem sabia, a linguagem do flerte é universal, seja você fluente ou não no idioma. Os movimentos seguiram bem feitos e conforme a música pedia, enquanto fazia questão de manter o maior contato corporal que conseguia e sem desfazer o visual.
– Minha boca está implorando para tirar esse batom da sua. – falou em seu ouvido e agradeceu mentalmente, não aguentaria sustentar os olhar de por muito mais tempo.
– E por que sua boca ainda não fez isso? – perguntou também no ouvido dele e lhe mordiscou de leve o lóbulo, recebendo o resmungo de um palavrão em alemão. – Terras latinas, tienes que hablar en español, cariño. Mas vai – ela voltou a olhá-lo nos olhos e sorriu provocativa. – fala o motivo de você ainda não ter tirado meu batom.
– Porque não é só o batom que eu quero tirar de você, . – respondeu sério e pela forma como a olhava, sabia que era verdade.
E aquela partezinha sóbria de seu cérebro voltou a alertar sobre os riscos reais de tudo aquilo: ele estava muito bêbado e não devia realmente querer arrancar a roupa de uma mulher e realmente transar com ela, já que ele é gay. Ou bi. Ela não sabia. resolveu ignorar essa pequena parte de seu cérebro que insistia em não ficar bêbada e agir por impulsos, como o resto de seu corpo.
– E o que mais você quer tirar, meine Süsse? – ela perguntou fingindo-se de desentendida e passou os dedos pelos cabelos de , que resmungou algo que ela não entendeu.
– Não faz isso comigo. – disse reunindo forças para conseguir formular a frase.
– Então faz você alguma coisa comigo.
respondeu séria, com uma sobriedade que não parecia ter há horas, e não perdeu tempo pensando em uma resposta, apenas juntou seus lábios em um beijo que, diferente dos anteriores, tinha segundas intenções. Segundas, terceiras, quartas, quintas… Ela, agora, tinha os dois braços ao redor do pescoço dele e ele a tinha envolta por seus dois braços.
sugou o lábio inferior de com voracidade, aproveitando para tomar um fôlego antes de voltar a beijá-la, sentindo os dedos de se enfiarem em seus cabelos, puxando de leve os fios aparados antes das férias e que quase precisavam de um novo corte.
Os lábios foram novamente separados, enquanto beijava todo o contorno da mandíbula de , descendo para o pescoço da mulher, que soltou um suspiro pesado, sentindo os lábios dele depositando beijos em sua pele.
– Acho que nós devemos subir. Agora. – ela falou ofegante.
, inebriado e desnorteado, assentiu e os dois caminharam de mãos dadas até o andar superior da casa.
A porta mal se fechou às costas de e a trouxe para mais perto de si, voltando a beijá-la da mesma forma como minutos antes: intensamente, transbordando desejo e luxúria. Os dedos dela voltaram a se enfiar nos cabelos dele e ele a pressionava contra a porta, com os corpos completamente colados.
arranhou de leve a nuca de , que soltou um arfar enquanto se beijavam. Ao fundo, a música continuava no andar debaixo, mas eles estavam alheios a qualquer coisa que não fosse o contato físico apressado e totalmente descoordenado. Ele a conduziu até a cama e a deitou, deitando seu corpo sobre o dela, sem interromper o beijo.
As mãos estavam inquietas, tanto as dele quanto as dela, tocavam todos os lugares alcançáveis enquanto ainda se beijavam desejosos. mordeu o lábio dela e o puxou, arrancando um suspiro pesado da mulher.
, a gente não precisa fazer isso… – resmungou enquanto os lábios dele, agora, lhe beijavam o pescoço e sua pele se arrepiava ao sentir aquele toque deliciosamente perigoso. Sabia que aquilo não daria em nada, terminaria a noite frustrada e apenas restaria um clima pesado entre eles.
– Você não quer? – ele perguntou sem olhá-la, com o rosto escondido no pescoço da mulher, ainda entorpecido pelo perfume que ela usava.
– Quero, mas você não precisa fazer isso para me agradar.
– Eu não estou entendendo. – voltou a beijá-la no pescoço e deixou um gemido baixo escapar de seus lábios antes de voltar a falar.
– Eu… eu não quero que você se sinta obrigado a transar comigo só porque eu quero muito, muito, muito mesmo, transar com você. – reuniu forças para falar enquanto escorregava as mãos por todo seu corpo.
– Eu não me sinto obrigado, eu estou com muita vontade mesmo.
– Você está com vontade de transar comigo? Comigo? Mulher?
– E por que eu não estaria com vontade de transar com você mulher? – perguntou confuso, erguendo o olhar até encontrar os olhos dela.
– Porque você é gay.
– Eu sou o quê? – perguntou surpreso.
– Gay.
– Eu não sou gay!
– Não?
– Não!
– Você tem certeza?
, – falou e pegou a mão dela, escorregando até o volume de suas calças, que estava clamando por liberdade há alguns bons minutos. – se eu fosse gay, você não teria esse efeito sobre mim. Poder ter certeza.
– Eu jurava que você é gay!
, por favor, nós podemos deixar isso pra outra hora e nos concentrar no que ambos queremos muito fazer? – pediu quase desesperado e ela, em resposta, voltou a beijá-lo.

I’ve tried to neglect how I feel, but it’s go time, close your eyes and know…

– Eu acho que você está muito bêbada pra isso. – falou, separando os lábios dos de e ela soltou um resmungo.
– Você também está. – respondeu, inclinando o corpo para que pudesse voltar a beijá-lo, mas desviou o rosto. – Você acabou de falar que devíamos nos concentrar no que ambos queríamos fazer, !
– É, mas…
, eu te autorizo totalmente a arrancar minha roupa pra gente transar o resto da madrugada. Isso é um consentimento. – segurou o rosto dele entre as mãos, falando sério, e soltou uma risadinha pelo nariz.
– Consentimento bêbado não é consentimento, . Você está muito bêbada e eu n…
interrompeu a fala, juntando os lábios aos dele num beijo intenso e cheio de todo desejo que ela achava que não existia mais, mas que tinha ressuscitado e se intensificado naqueles dias em que vinha desfilando aquele corpo bem bronzeado por todos os cantos. Ela queria arrancar todas as peças de roupas que os separavam de ter uma noite de sexo bem intensa com ele.
E se estava consciente de cada uma das coisas que tinham acontecido naquela noite, além de lembrar de absolutamente tudo daquelas férias, ela podia consentir em transar. E estava consentindo.
Enquanto se beijavam, começou a desabotoar a camisa de , de forma descoordenada pela concentração em beijá-lo, mas também por estar um tanto bêbada. Os lábios só foram separados para que finalmente se livrasse daquela camisa e a deixasse pelo chão do quarto. Antes que ele pudesse voltar a avançar sobre os lábios dela, o fez se sentar na cama e sentou-se em seu colo, começando a beijar-lhe o pescoço lentamente, dando também leves mordidas no local e ele deu uma risada rouca quando recebeu uma mordida leve no lóbulo esquerdo.
A música no andar inferior era alta o suficiente para ser ouvida claramente no quarto e as mãos dele a apertavam na cintura, apertando a pele exposta, enquanto os lábios dela percorriam toda a extensão da mandíbula aos ombros dele e voltavam, de forma lenta e que fazia se arrepiar.
Mas, assim que fez menção de abrir seu cropped, segurou sua mão e mordeu de leve o queixo dele, antes de sair de seu colo e a olhou totalmente confuso.
– A pressa é inimiga da perfeição, . – ela falou enquanto, vagarosamente, tirava cada um dos colares, pulseiras e anéis que usava.
A música alta tocava no andar inferior e era absolutamente audível no quarto, ainda que não entendesse sequer uma palavra que era dita. Enquanto os acessórios eram retirados, movimentava-se, atraindo os olhos de , que não pode deixar de morder o próprio lábio ao prestar atenção naquele ato, ela era extremamente sexy, ele tinha consciência disso, mas ali, naquele momento, ela parecia ainda mais.
deu um sorriso sugestivo, mas não direcionado a , continuava tirando as pulseiras e abriu a gaveta do móvel, tirando de lá alguma coisa que ele não viu o que era, estava ocupado demais prestando atenção em como ela dançava, mas, quando ela se virou em sua direção, com duas algemas penduradas no indicador direito, ergueu uma das sobrancelhas.


– O que você pretende fazer com isso? – perguntou receoso da resposta que receberia.
– Quiero hacerte cositas que nunca te han hecho, esta noche conmigo tú tocas el techo. Cuando te pelean y estás en despecho, me llamas y yo adentro te la hecho… – ela cantou com a música que tocava alto no andar inferior.
– Isso responde minha pergunta de alguma forma?
– Responde. – ela deu um sorriso malicioso. – Agora seja bonzinho e tira essa calça.

– Você vai preferir tirar sozinho, porque se eu tirar…

– As chaves estão ali, pode ficar tranquilo que eu não vou te amarrar e deixar pelado aqui sozinho. Eu vou ficar junto. – respondeu. – Agora tira logo essa calça.
– Eu não acredito nisso. – deu uma risada baixa e ficou de pé, tirando os tênis, as meias e a calça.
– A cueca pode deixar que eu tiro. – falou, dando um sorriso e empurrou o corpo de , para que ele sentasse sobre a cama e ela sentou-se em seu colo, com uma perna de cada lado.
– Você me enganou muito com essa carinha de anjo.
– A culpa não é minha se você tirou conclusões precipitadas a meu respeito.
– Posso dizer o mesmo, não? – ele indagou, referindo-se ao questionamento dela de alguns minutos antes.
, se eu quisesse ficar conversando com você, eu tinha te oferecido um copo de suco e uns biscoitos e não algemar seu corpo na cama. – respondeu, fazendo gargalhar.
– Eu jamais achei que faria uma coisa dessas na minha vida.
– Cala a boca. – falou e prendeu o pulso esquerdo de em um dos elos da algema e ele deu uma risada.
Antes que ela pudesse prendê-lo à cabeceira da cama, tomou os lábios de em um beijo tão ávido quanto todos os beijos que tinham trocado naquela noite. Envolveu o corpo dela com os braços, para não ser pego de surpresa sendo preso à cama e soltou um resmungo ao sentir apertar seu corpo.
– Você não vai atrapalhar meus planos, . – falou mais sóbria do que imaginava possível estar, separando os lábios dos dele e a olhou curioso.
– Então você já tinha planejado isso?
– Venho planejando desde os dezesseis tudo que eu gostaria de fazer com você, .
– Ah é? Conte mais…
– Eu prefiro fazer. – ela respondeu, prendendo o pulso direito de no elo da outra algema e logo ele estava preso à cama.
Totalmente envergonhado.
, agora de pé, observou o corpo seminu de , algemado na cama e mordeu o próprio lábio. Nunca tinha imaginado sexo com ele e que envolvesse algemas, mas a vista era realmente muito boa e, bom, ele também parecia excitado o suficiente. Tirou as próprias sandálias antes de voltar até a cama e sentar-se sobre , passando as unhas por todo seu tronco nu e fazendo com que ele se contraísse sob seu toque.
Inclinou-se sobre seu torso e aproximou o rosto do dele, quase tocando os lábios dele num beijo, mas sem fechar os olhos, observando a face incrédula dele com tudo aquilo, então o beijou devagar, queria atiçá-lo um pouco, testar limites, ainda que tivesse que testar seus próprios pra isso.
soltou um grunhido sofrido, tentando fazer com que o beijo ficasse mais rápido, mas não adiantou. separou os lábios dos dele e levou as próprias mãos até o fecho lateral do cropped, deslizando devagar até que estivesse aberto e ela se livrou da peça, dando a uma visão e tanto de seus seios. Sob seu corpo, estava absolutamente duro contra si.
– Gosto de saber que minha boca causa esse efeito em você. E eu ainda nem fiz nada do que quero e vou fazer com você hoje. – debruçou-se sobre o corpo de para lhe falar ao ouvido e recebeu um resmungo em resposta.
Ela mordiscou o lóbulo da orelha de e começou a beijar seu pescoço rumando pelo peitoral e barriga de , que não era lá a mais definida e cheia de gomos, mas tinha muita admiração por ela e, próximo ao elástico da cueca, ela parou, erguendo o olhar para , que a olhava num misto de curiosidade e desejo.
Antes de tirar a peça, passou os dedos sobre o membro ainda coberto de e ele soltou um resmungo insatisfeito pela lentidão e por não haver contato direto, mas não falaria, sabia que ela provocaria mil vezes mais, porque se já estava amarrado à cama, ela não pouparia de nenhum tipo de provocação. deu um sorriso de lado, cheio de malícia e puxou a cueca dele pra baixo, mais devagar do que qualquer um dos dois achava que fosse necessário, mas logo ele estava ali, completamente nu e ela mordeu o próprio lábio ao observar a cena.
Era muito melhor do que tinha imaginado.
Não tão grande quanto em suas melhores fantasias, mas era o suficiente. Bastante suficiente, na verdade. Queria muito descobrir se era tão bom quanto tinha imaginado por toda sua adolescência, mas também queria deixar um tanto quanto mais atordoado, queria testar um pouquinho mais a resistência de ambos, levá-lo ao limite. Fazê-lo pedir por favor.
Sem desviar os olhos dos dele, tirou a saia, deixando-a cair em seus pés e observava tudo atentamente, queria soltar-se e agarrar aquela mulher. O bronzeado só o atiçava mais e vendo-a ali, apenas com uma calcinha branca, pequena e que provavelmente não tinha nada de sexy para o resto do planeta, mas pra ele era, só piorava sua condição, tanto a imobilidade quanto o tesão desmedido.

– Você sabe que não precisa ficar só olhando, não sabe? – falou agoniado e ela sorriu maliciosa.
– Ah, eu sei. Mas a visão é muito boa… – respondeu.
voltou a se aproximar, engatinhando por cima do corpo de e voltou a beijá-lo. Devagar, roçando em com uma lentidão exagerada e que também testava sua própria sanidade e seus limites. , com os braços suspensos, queria soltar-se e agarrá-la, beijá-la com mais avidez, tocar cada pedaço daquele corpo. Ela foi a responsável por encerrar o beijo, mordendo o lábio inferior de e puxando para si, devagar, e ouvindo soltar um gemido agoniado e voltar a mexer os braços, na falha tentativa de retirar aquelas algemas.
– Calma, , a pressa é inimiga da perfeição. – sussurrou em seu ouvido, antes de voltar a beijar-lhe o pescoço e descer até alcançar seu membro duro.
deu um sorrisinho para e não demorou a inclinar-se e passar a língua por toda a extensão, ouvindo um gemido mais alto vindo de . Lambeu a glande lentamente, observando fechar os olhos para aproveitar aquele momento e ela não demorou a colocá-lo na boca, fazendo com que ele arfasse um pouco mais alto.
Os gemidos tornaram-se mais altos, principalmente por não ter pressa alguma, sugava devagar e com uma precisão que jamais tinha experimentado antes, ainda tinha a mão direita que ocupava-se da parte do membro que não cabia inteiro na boca. Ela deslizou as unhas da mão esquerda devagar pela virilha de e ele soltou um palavrão.
… pelo amor d…
– Olha pra mim. – ela pediu, interrompendo o que quer que ele fosse dizer.
abriu os olhos e recebeu um olhar tão malicioso vindo de que ele quase gozou, mas logo o colocou na boca de novo, chupando ainda bem devagar e fazendo gemer alto, sem nenhum pudor, porque a visão era fantástica, mas a lentidão era torturante. Ela sabia o que estava fazendo, como fazer e quais os pontos certos a estimular.
Antes que ele pudesse reclamar pela lentidão, intensificou os movimentos, chupando com vontade e fazendo com que ele gemesse alto e tentasse mais ainda livrar-se daquelas algemas.
– Eu vou gozar.
– Não lembro de ter falado que você podia fazer isso. – falou, tirando-o da boca e movimentando as mãos e deu uma risada baixa.
– Olha, isso não é bem algo controlável…
– Ah, é sim. – respondeu, passando a língua por toda a extensão e respirou fundo.
É, ela ia deixá-lo maluco.
voltou a chupá-lo, mas dessa vez mais depressa, arrancando de respirações pesadas, além de fazê-lo fechar os olhos e tentar pensar em outra coisa que não fosse a deliciosa sensação dos lábios de estava lhe causando. Era bem provável que ela fizesse alguma coisa como punição, por assim dizer, se ele não seguisse o roteiro.
– Olha pra mim. – pediu e resmungou.
, é sério… – soltou um resmungo, ainda de olhos fechados, mas não obteve resposta.
voltou para a cama, sentando-se no colo de e ele a olhou, meio incerto, e ela parecia analisá-lo. quase teve medo, mas apenas movimentou-se no ritmo da música que tocava no andar inferior. O atrito da pele com o tecido molhado da calcinha que ela usava era desnorteador.
– Me solta e me deixa fazer alguma coisa. – ele implorou.
– Sabe… essa música… – ignorou o que tinha dito. – Eu costumava cantar com seu nome.
– Meu nome?
– É. – ela deu um sorrisinho, sem interromper os movimentos. – I found love in ’s face…
… – ele resmungou pedinte. – Por favor…
Foi o suficiente para que ela o beijasse sem demora, de forma ávida, intensa e libertando todo tesão que sentia. Ah, ela queria beijá-lo daquele jeito, queria tirá-lo daquelas algemas… mas ainda não era hora. Não.
Quando separou os lábios dos dele, percebeu que acreditava que seria solto, que poderia usar suas mãos, mas não. Ela passou as unhas por toda a extensão dos braços dele, já sensíveis pelo tempo que estavam suspenso e suspirou.
– Você vai me enlouquecer. – ele resmungou e sorriu perversa.
– Você enlouquece fácil… – falou em seu ouvido e o olhou, com uma expressão que variava entre divertimento e malícia. – Eu vou te soltar, mas você vai continuar bem quietinho.
– Isso não é algo possível, porque eu quero fazer muitas coisas com você.
– Ah, é? Conte mais sobre… – ela repetiu a frase de de momentos antes.
– Eu prefiro fazer, você vai gostar muito mais. – falou e deu um sorriso desafiador. – Por favor…
– Tudo bem… – ela falou sorrindo maliciosa e saiu de cima de , indo até a gaveta e pegou as chaves.
caminhou lentamente até a cama, sem desviar o olhar de e imaginando tudo que ele poderia – e deveria – fazer com ela assim que fosse solto e tivesse as mãos livres para uso. A forma como ele a olhava, observando cada pedaço do corpo de e causando nela formigamentos tamanho desejo. Nem ela aguentava mais aquela provocaçãozinha, mas não admitira. Ah não mesmo.
Sentou-se novamente no colo de e o observou atentamente antes de inclinar-se e soltar primeiro o braço direito e depois o esquerdo. Deixou as chaves penduradas e lhe deu um sorriso malicioso, perverso.
– Você não vai me prender. – alertou e ele assentiu. – É sério.
– Eu também estou falando sério. – ele respondeu e virou-se na cama, deitando e a prendeu entre suas pernas.
Os lábios de não tardaram a encontrar os seios dela, fazendo soltar um gemido quase ronronado. Ele lambia e dava leves chupões, mordiscou devagar a pele e ela gemia em aprovação, passando os dedos pelos cabelos dele e o incentivando a continuar. deu uma mordida leve, fazendo arquear o corpo e soltar um gemido mais alto.
Desceu os beijos pela barriga da mulher, que contraiu-se ao receber as carícias, mas logo ele voltou a se deitar sobre , separando um pouco suas pernas para ficar entre elas e a beijou devagar, deslizando a mão esquerda pelo corpo dela, subindo e descendo pelas laterais, até a calcinha de e a tocou por sobre o tecido, arrancando um arfar da mulher.
Molhada.
Absolutamente molhada.
continuou acariciando sobre o tecido da calcinha e beijando-a devagar, queria levá-la ao limite da sanidade, afinal, ela tinha feito o mesmo com ele, era a hora de se vingar. O friccionar dos dedos de e do tecido, faziam arfar enquanto tentava fazer com que ele a beijasse mais rápido, tal como ele tinha tentado, mas totalmente sem sucesso. Sem aviso prévio, ele afastou o tecido e a tocou diretamente, fazendo com que ela arqueasse o corpo com a pouca distância que conseguia e ela soltou um gemido satisfeito antes de falar alguma coisa que ele não entendeu.
Os movimentos circulares tinham a pressão correta, mas ele fazia questão que fossem mais lentos, apenas para ouvir gemer pedindo por mais e observar a expressão dela tornar-se aflita. saiu de cima de , posicionando-se entre suas pernas e ela lhe lançou um olhar malicioso. Ele passou a língua pela entrada, de forma lenta e quando a olhou, quase desafiador, sentiu que podia gozar sem que ele fizesse alguma coisa.
usou os dedos para separar os grandes lábios e logo sua língua deslizava por toda a extensão da intimidade de , tocando cada centímetro e sentindo seu gosto, da forma mais suave que podia, agora com uma precisão que fazia se contorcer e morder o próprio lábio antes de gemer alto. voltou a usar as mãos, passando o indicador por sua entrada, que não demorou a ser colocado, juntamente com o dedo médio, no interior de , enquanto a língua permanecia se movimentando em seu clitóris.
Involuntariamente, começou a movimentar o quadril contra a boca e os dedos de para que a intensidade aumentasse, mas ele parecia muito certo do que estava fazendo e de que a velocidade estava perfeitamente adequada.
Ele aumentou a velocidade dos movimentos e pouco depois voltou a tocar o clitóris de com a língua, fazendo-a soltar um gemido alto e implorar para que ele continuasse daquele jeito. Estava chegando ao orgasmo e sabia que seria dos bons. , percebendo isso, continuou estimulando , que gemia alto e graças à música alta, o resto da casa não os ouvia, até que ela soltou um gemido alto, entregue e profundo, arqueando o corpo, sentindo cada pedaço do próprio corpo estremecer.
teve certeza de que ela tinha chegado ao ápice, mas, por que parar ali se podia intensificar o orgasmo de ? Manteve-se sugando o clitóris de , que agora gemia mais alto, rebolando contra a boca do homem e os espasmos começaram a ficar mais intensos, assim como a altura dos gemidos.
contorceu-se mais um pouco, fazendo com que saísse do meio de suas pernas e beijasse cada pedaço de pele possível até alcançar os lábios de , que dessa vez estavam absurdamente sedentos pelos dele, e ela o envolveu com as pernas.
– Camisinha na gaveta, pega isso logo. – ela pediu desnorteada e riu, assentindo.
Saiu de cima de em busca da camisinha e não demorou muito a colocá-la.
– Como você prefere?
– Prefiro que você pare de falar e a gente foda até perder mais ainda as forças. – ela respondeu sincera, fazendo rir.
– E em que posição você quer que isso aconteça?
– Particularmente eu gosto de costas e de quatro, mas agora eu quero olhar nos seus olhos e te ver gemendo meu nome. – respondeu.
não demorou a se deitar sobre ela, posicionando-se entre suas pernas e roçou seu membro pela entrada de , que soltou um gemido manhoso, buscando os lábios dele para um beijo, queria incitá-lo a ir mais rápido, mas apenas a beijou devagar e continuou ali entre as pernas dela, roçando seu membro para deixá-la atordoada e a respiração pesada de e os olhos fechados foram a resposta que ele queria. a penetrou de uma vez, finalmente, gemendo alto e as estocadas foram precisas, inicialmente lentas.
– Você quer me matar de tédio? – ela perguntou desaforada, fazendo rir.
– Eu não quero te matar de nada, porque prefiro que você esteja viva.
– Então fode com força. – ela falou séria, segurando o rosto dele entre suas mãos e grudou os lábios em um beijo desesperado.
ergueu a perna direita de até que estivesse à altura de seus quadris e aumentou a velocidade das estocadas, fazendo com que ela gemesse alto e agarrasse os ombros dele, enfiando as unhas sem muito cuidado e o fazendo gemer de dor.
contraiu-se propositalmente contra e ele soltou um gemido sofrido ao senti-la tão apertada contra si e isso só o fez aumentar a intensidade das estocadas e ela voltou a gemer alto, acompanhado de alguma palavra em espanhol que ele não entendeu.
fechou os olhos, afundando o rosto no pescoço de e deixou um beijo pesado ali, os movimentos eram rápidos e os gemidos e arfares dos dois eram altos, abafados pela música alta que tocava.
Bom, eles pensavam que estavam abafados.
Batidas na parede.
“Ei, façam menos barulho”, foi gritado em espanhol e deu uma gargalhada antes de gritar um “desculpa” de volta. E a olhou curioso, vendo-a dar de ombros.
– Só continua. – ela falou ainda rindo.
obedeceu e continuou seus movimentos rápidos e os gemidos voltaram a ser altos, mas um pouco mais comedidos, em meio a gemidos entrecortados e apertões que lhe dava nos ombros.
– Olha pra mim. – ela pediu em meio a um gemido baixo e ergueu o olhar, encontrando os olhos de , escuros de desejo.
– Você vai me deixar maluco. – ele falou baixo, mas não conseguiu entender.
– Vira. – pediu e ele saiu de dentro dela, apenas para se sentar na cama, com as costas encostadas na cabeceira e não demorou muito a sentar-se em seu colo, usou a mão direita para segurar o membro de e o deslizou devagar para seu interior, soltando um arfar ao senti-lo naquela posição.
As mãos de estavam nos quadris de , mas não fiz nada para incitar os movimentos dela, que tinha as suas nos ombros de dele. Num primeiro momento nenhum dos dois se moveu, ela apenas juntou os lábios aos dele num beijo calmo, como se tentando recuperar as forças gastas, mas logo o beijo ficou mais intenso e afobado, começou a se movimentar para cima e para baixo devagar, deixando que deslizasse dentro dela por completo.
Os lábios foram separados e gemeu, sentindo as mãos de lhe apertarem as nádegas com vontade, enquanto ela enfiou os dedos entre os cabelos dele e puxou de leve antes de voltar a beijá-lo, agora com menos lentidão, apenas com muito desejo. Os movimentos tornaram-se mais rápidos e os dois soltaram alguns gemidos mais altos.
Mais batidas na parede.
“Ei, e , cocês vão derrubar a casa!”, foi ouvido e mordeu o próprio lábio para não rir.
– O que foi isso? – perguntou sem entender.
– Bet the neighbors know my name, they be stressin while we sexin… – ela parafraseou a música e deu uma risada. – Você conhece?
– Isso é Trey Songz, , claro que eu conheço. – ele respondeu e ela deu um sorriso malicioso.
apertou as unhas nos ombros de e, em resposta, as mãos dele se firmaram em seus quadris, querendo aprofundar ainda mais os movimentos e fazendo com que ela soltasse um gemido abafado contra sua boca. desacelerou os movimentos, rebolando tão devagar que fez soltar um resmungo sofrido. Ela usou as mãos para erguer o rosto de , para que se olhassem nos olhos enquanto ela o provocava e os levava a um limite quase insuportável.
voltou a sentir se contrair contra ele, propositalmente, e foi quando sentiu que não duraria muito mais. levou uma das mãos para a nuca de e arranhou a área devagar, enquanto seus movimentos lentos continuavam, a deixando tão enlouquecida quanto ele estava. não demorou a juntar os lábios aos dela, provocando-a para que os movimentos voltassem a ser rápidos e pareceu dar certo, voltou a subir e descer, movimentando o quadril de forma rápida e se apertando contra ele.
– Só mais um pouquinho. – falou e lhe beijou o pescoço de forma demorada, sentindo-se tão próximo do clímax quanto ela.
E ela voltou a rebolar rapidamente, sentindo o suor escorrer pelas costas e soltou um gemido alto, profundo, acompanhado de outro orgasmo maravilhoso, um daqueles que ela não tinha há muito tempo e logo também gozou, quando gemeu seu nome da forma mais sensual que ele já tinha ouvido na vida. ainda se demorou um pouco dentro dela, juntando os lábios num beijo mais comedido e íntimo.
saiu de cima de , que logo se pôs de pé e foi jogar a camisinha fora no lixo do banheiro, antes de voltar para a cama e se deitar ao lado dela, que tratou de se aninhar aos braços dele.
– Quer descer e aproveitar mais da festa?
– Prefiro que a gente transe mais uma vez, tome um banho e durma. Não necessariamente nessa ordem.
– Acho que eu não tenho forças pra mais uma agora. – falou sincero.
– Então prefiro que a gente se beije ao som de Sin Contrato até você ter forças pra fazer tudo isso de novo. – ela falou, quase rindo da ironia daquela música, mas não o fez, apenas ergueu o rosto para beijá-lo.

’s POV

Eu acordei primeiro.
dormia profundamente aninhada aos meus braços e a única coisa que posso dizer a respeito é que isso é absurdamente tentador. Mantê-la aqui, perto de mim, com tanto contato entre as peles, as lembranças de ontem, de tudo que aconteceu, a vontade maluca de que se repita…
Não!
Ainda de olhos fechados, os apertei com mais força, pois além da ressaca, as lembranças da noite anterior tornam tudo ainda pior. Minha consciência acordou e está revoltada. Não. Revoltada é pouco pro que a minha própria voz berra em minha cabeça nesse momento. Eu devia ter parado quando ela falou que eu não precisava fazer nada para agradá-la e depois quando cogitou que eu era gay.
Merda.
Devagar, afastei o corpo de do meu e vasculhei a mochila em busca da bermuda que eu tinha trazido, para vestir e correr. Correr para me livrar de todo aquele álcool, ainda que só de pensar na ideia, eu sinta meu corpo protestar e implorar para que eu desista e volte para a cama, para o descanso e a ter o corpo de em meus braços pelo resto do dia.
Vesti a bermuda, calcei o tênis da noite anterior, peguei os fones na mochila e sai do quarto bem devagar para não acordar . Os sapatos não são propícios para caminhadas, tampouco para corridas, mas se eu ficar nesse quarto, vamos repetir o que aconteceu ontem à noite. E isso é um risco. Um risco que eu não estou disposto a correr.
Não posso ir longe, não conheço o lugar, então vou apenas me concentrar no barulho dos fones em meus ouvidos em uma altura muito maior do que a recomendada, do que minha mãe aprovaria e do que minha ressaca se sente apta a suportar, mas que me faz correr.
Eu não posso, de forma alguma, me deixar levar.
É um contrato, apenas um contrato e nada mais que isso. Não podemos ter nada além de uma relação contratual, pelo bem do meu futuro profissional e pela amizade criada. Já tive minha cota de problemas românticos nessa vida e não pretendo repeti-los. Isso não pode e nem vai acontecer.
É errado.
É, profunda e absolutamente errado.
é apenas um holofote. Um holofote que beija muito bem, que transa muito bem, que é engraçada, focada, intensa, bonita e agradável, mas é apenas um holofote. Um trampolim. Uma escada para me levar de voltar às graças da seleção e do Bayern. Palavras do Hugo. não é nada além disso. E ela não me vê como nada além de um encargo.
Inferno.
Por que eu não posso ser feito aqueles caras que pegam diversas mulheres e não se apegam a nenhuma delas? Ou um desses que sabem manter as coisas casuais sem envolvimento e sentimentos? Merda. Não, eu não vou me apegar. Foi apenas sexo bêbado e nada além disso. A culpa é do álcool. Pronto.
E de onde diabos ela tirou aquela conversa sobre eu ser gay? Alguém já tinha cogitado isso? Minha vida ser reservada me faz, automaticamente, gay? Ou as não aparições de namoradas? Ou eu ser um cara que toma banho com regularidade e procura não sair fedorento e nem mal arrumado – ainda que ela insista em dizer que eu me vestia muito mal – pra qualquer lugar? Não que o problema seja ela achar que eu sou gay, longe disso, o que me deixou surpreso foi a forma como ela falou.
Corri por mais de uma hora, sob protestos do meu corpo que estava agonizando enquanto se exercitava debaixo do forte sol e pelo esforço físico, mas além de precisar tirar todo o álcool do corpo, eu precisava pensar e me afastar do corpo nu e convidativo de , com quem dividi a cama a noite inteira.
A casa permanecia silenciosa quando retornei, algumas pessoas continuavam dormindo pela sala, que estava cheia de copos e fedia a bebida e suor, todas as portas do corredor estavam fechadas e eu caminhei, pedindo a qualquer entidade divina – e eu não sou lá o tipo de cara que pode ser chamado de religioso – para que ela ainda estivesse dormindo.
E ainda precisamos ir embora juntos!
Quase quarenta minutos num carro com aquela mulher. O clima vai ficar péssimo e pesado, eu posso sentir isso. Inferno. Se já ficou ruim quando apenas nos beijamos, imagina agora depois de uma noite fantástica com muito sexo? A vida tem uma forma muito peculiar de lidar comigo… E eu espero que me evite, não fale comigo e torne fácil a minha missão de evitá-la até esquecermos esse episódio, ou seja, para sempre.
Aparentemente ela ainda está dormindo, então melhor evitar todo e qualquer barulho e pé ante pé eu cheguei ao banheiro de forma silenciosa. Tomei um banho frio, vesti a camisa e a cueca limpas que trouxe e vesti a calça da noite anterior pra que eu possa voltar para o resort e quando sai do banheiro, encontrei acordada.
Minhas orações não adiantaram.
Eu sei, ela não poderia dormir para sempre, mas ninguém se importaria se ela dormisse por mais algumas horas. Eu não me importava nem um pouco se isso acontecesse, eu poderia pensar em alguma forma de evitá-la enquanto isso, ainda que eu tenha certeza absoluta de que nem tendo todo tempo do mundo eu aprenderia a lidar com o ocorrido da noite anterior.

– Eu poderia dormir até amanhã. – falou com a voz rouca de sono. Sexy.
– Sem novidades. Mas já é tarde.
– E aonde você foi? Acordei e você não estava, dormi de novo.
– Fui correr. – respondi.
– Deveria ter me chamado, eu perdi a aposta. – ela falou tentando soar bem humorada, mas me pareceu tensa. – Não que eu tenha trazido roupa pra isso, mas…
– Você me mataria se eu te chamasse pra correr de ressaca E, em todo caso, nós teremos outros dias para correr juntos. – dei de ombros.
Quando peguei o celular dentro do bolso da mochila jogada no chão do quarto, encontrei uma mensagem de Hugo avisando que eu tinha que voltar o mais rápido possível, tínhamos que analisar as propostas recebidas. Minhas férias estavam encerradas sem que eu quisesse, mas eu via aquilo como uma resposta às minhas orações, porque eu estaria longe por alguns dias e isso ajudaria muito a processar todo o ocorrido e lidar com a situação de forma madura.
– Claro. – respondi sem me virar. – E, infelizmente, não vamos estender nossas férias. As minhas, na verdade, foram encurtadas.
– Por quê?
– Hugo pediu que eu volte o mais rápido possível, temos um acerto a fazer.
– O Bayern resolveu te chamar de volta? – perguntou esperançosa e eu neguei com um aceno, evitando olhá-la.
– Não, vou analisar algumas propostas que recebi. Hugo pediu pra que eu volte e analisaremos juntos o que fazer.
– O Bayern vai te querer de volta. Eles vão perceber que seu lugar é e sempre foi lá.
– Espero que sim, mas preciso ir embora amanhã.
– Eu não vou ficar aqui sozinha. – resmungou. – Imagina que saco! Oito dias sozinha!
– Você tem que descansar, , vai começar uma maratona quando voltar pra Alemanha e quanto mais descanso tiver, melhor. Fica e aproveita.
– Você quer voltar pro resort agora?
– Por favor.
– Vou vestir algo pra ir embora. Eu diria que poderíamos comer pelo caminho, mas eu prefiro não comer nada e apenas tentar não morrer de tanto sentir dor de cabeça e vontade de vomitar.
– Tudo bem. – respondi e ela se pôs de pé, enrolada no lençol (ainda bem!) e pegou a mochila, indo para o banheiro se trocar.
E tomara que ela fique mais tempo de férias mesmo. Que dobre o tempo de viagem e essas coisas. Eu preciso focar no objeto desse contrato e não na outra parte envolvida. Chega de vida amorosa pra mim. A última decepção já foi suficiente.

Capítulo 12

– Pegou tudo? – perguntou e assentiu. – Então faça uma boa viagem. E avise quando chegar na Alemanha, por favor.
– Quer ficar com o carro?
– Não precisa, eu peço um táxi pra ir embora.
– Eu te aviso quando chegar. – se pronunciou e saiu do bangalô puxando as próprias malas.
estava retornando à Alemanha, desembolsara uma fortuna para alterar a data do voo de volta pra casa para o dia seguinte, mas era necessário fazer isso ou ficaria desempregado. curtiria o restante das férias sozinha em Porto Rico, ela não tinha gostado muito da ideia, mas não queria voltar antes da hora pra casa, então era melhor ficar e curtir os últimos dias.
Não tinham conversado sobre o ocorrido na festa, claro, e a tensão era palpável, pior do que quando se beijaram, mal trocaram poucas palavras desde que voltaram de San Juan, na tarde anterior. Os dois trocaram olhares de canto de olho, tinham evitado ao máximo ficar juntos durante aquelas horas. O clima estava tão pesado que era quase palpável. Não podiam falar para Leonard e nem para Hugo, não queriam receber sermão sobre a displicência daquele ato.
Aquilo, definitivamente, tinha que ficar apenas entre os dois, ser esquecido e ignorado, sem chances de se repetir ou ficaria pior do que já estava. Era apenas um contrato, mais nada. Ele apenas queria voltar a ser um jogador reconhecido, sair do ostracismo, e ela era a chave para isso.

🎤❤️⚽️
– Que cara é essa?
– Cansaço. – deu de ombros. – Não consegui dormir direito desde que voltei pra casa, mas pelo menos resolvemos o que vai ser feito.
– E como foram as férias? – Hugo perguntou bebericando sua cerveja.
– Muito boas. Porto Rico é um lugar muito bonito.
– E sua companhia era bastante agradável. – Hugo sorriu de lado, dando uma conotação dúbia ao que tinha dito.
– É, realmente. é uma pessoa ótima. Uma pena termos interrompido as férias, mas melhor interromper do que ficar desempregado.
– As coisas estavam tão boas assim por lá? – Hugo perguntou sugestivo e negou com um aceno de cabeça, depois de rolar os olhos.
– Não nesse sentido. Só fomos namorados quando Ian e chegaram e depois quando os fotógrafos apareceram, fingimos umas ceninhas para as fotos e só.
– Sinto muito, cara. Ela não te arruma uma amiga? Dar uns beijos, transar…
– Nós somos namorados publicamente, se ela fizer isso, vamos correr o risco de estragar tudo. – respondeu, mas não era aquela a real justificativa, ele não queria uma amiga dela.
– Sinto mais ainda, cara. Dezoito meses vai ser bem pesado.
– Pesado pra você que é um safado. – respondeu e Hugo gargalhou.
– Você não sente vontade de dar uns pegas na ? Porque, convenhamos, ela é bem gostosa e até o beijo dela deve ser gostoso.
– Não. – respondeu, torcendo o rosto em uma careta, em uma mentira deslavada. Ela realmente é gostosa. E o beijo é tão gostoso quanto. – Ela é muito simpática, somos amigos.
– Amigos podem fazer essas coisas, você sabe…
– Sei, mas prefiro não arriscar a amizade e não tenho vontade de nada disso com ela, em todo caso.
Outra mentira.
– Você só pode ser louco! Até eu tenho! – Hugo disse rindo e arqueou uma sobrancelha. – Ah, qual é! Ela é gata demais!
– É, mas muita areia pro seu caminhãozinho.
– Se ela quiser, eu faço quantas viagens forem necessárias. – Hugo disse dando um sorriso safado.
– Você quer que eu fale isso com ela? – perguntou rindo.
– Se ela cansar de passar dezoito meses sem beijar na boca ou transar, você deve falar. Eu prometo guardar muito bem o segredo. – Hugo voltou a tomar um gole da cerveja e se colocou de pé. – Não se ofenda, é brincadeira.
– Isso não me ofende, cara. – deu um sorriso, tentando fingir que aquilo não tinha realmente incomodado. E mais do que deveria. – Eu preciso muito dormir pra colocar o sono em ordem e ainda preciso ter aquela conversa com a Ute. E sei que ela vai querer saber sobre toda a viagem.
– Boa sorte. – Hugo disse rindo e os dois trocaram um cumprimento.
saiu do apartamento do amigo e iria para a casa da mãe. Ainda não tinha dormido direito e descansado o suficiente, o jet lag ainda estava agindo de forma cruel e o deixando sonolento, confuso e mais cansado do que pensava ser possível.
Hugo, que conhecia há muito mais tempo do que era capaz de contar e de se recordar, sabia muito bem que aquela conversa tinha incomodado o amigo. E isso era, no mínimo, interessante.

🎤❤️⚽️
– Oi, com licença. – ouviu uma voz masculina e abriu os olhos, enxergando a figura que estava parada ao lado da espreguiçadeira.
Um belo homem que parecia saído diretamente das gravações de algum filme no estilo “Baywatch”. E a roupa de surf ajudava a crer que, se ele não estava no elenco de um filme desses, bem que poderia. Não ostentava nenhuma expressão galanteadora, apenas parecia necessitar de ajuda.
– Oi. – ela o olhou, sentando-se na espreguiçadeira.
– Desculpa te incomodar, mas você pode me ajudar?
– Se for possível, sim.
– Só preciso de ajuda com o zíper. – ele apontou para a roupa, que estava vestida pela metade. – Não é humanamente alcançável.
– Claro. – ela deu um sorriso, ficando de pé para ajudá-lo.
– Desculpa o incômodo. – ele pediu, colocando o tronco dentro da roupa, cujo zíper, inexplicavelmente, ficava nas costas.
– Sem problemas. – respondeu educada. – Você passou protetor solar? Não é porque você estará tampado que não precisa passar.
– Não passei. Nunca passo. – ele deu de ombros enquanto ela puxava o zíper.
Não parecia ser um problema, aquele bronzeado estava muito bonito e não parecia propenso a descascar e lhe dar qualquer inconveniente.
– Pronto.
– Obrigado. – deu um sorriso. – Posso deixar meus chinelos aqui?
– Claro. – respondeu educada e o rapaz deixou os chinelos, caminhando na direção da água com a prancha que tinha deixado na areia. Bonito, muito bonito.
voltou a deitar-se na espreguiçadeira para tomar sol, ouvindo a própria voz gritar em seu cérebro qualquer letra de música para tentar afastar os pensamentos do fatídico dia da festa de Alma Gomez.
Ainda sentia-se irritada com toda a situação, cinco dias depois do retorno dele para a Alemanha. O motivo? Tinha deixado que tudo saísse de seu controle quando se beijaram e depois quando foram naquela maldita festa, encheram a cara e acabaram na mesma cama transando loucamente. Era pra ser apenas um contrato! Ela precisava se lembrar dessa parte constantemente, ao invés de se lembrar daquele corpo maravilhoso de que passou dias desfilando de sungas e bermudas com aquele bronzeado que chegava a ser indecente, depois quando aquele corpo-bronzeado-absolutamente-indecente estava sobre o seu, depois embaixo, das boas conversas, risadas e do beijo…
E que beijo.
Precisava lembrar-se, a cada meia hora, que ela só era útil a para lhe reestabelecer num cenário mais aparente. Nunca seria nada além disso. Ela servia para atrair os holofotes e a mídia que ele precisava, mais nada. , por mais que a tratasse bem, queria apenas a sua fama. Precisava lembrar deste fato todas as vezes que estivesse perto dele. Porque pensar o contrário seria um problema enorme.
Não podia gostar dele.
Não era certo.
Infelizmente não podia ficar com outra pessoa (não que ela tivesse alguém em mente ou que quisesse outra pessoa, em todo caso), o que só tornaria as coisas mais difíceis ainda. Apesar de que em breve entraria em turnê e não o veria com frequência, então as coisas podiam ficar controladas.
Ela torcia por isso mais do que torcia pelo Bayern.

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– Eu sabia que te conhecia de algum lugar. – o mesmo surfista falou, depois de um bom tempo, aproximando-se de , que ainda tomava sol, deitada na espreguiçadeira. – Você é a cantora favorita da minha irmã. , certo?
– Certo. – respondeu se virando para olhá-lo. Ele estava sentado sobre a prancha e tinha o olhar fixo na mulher.
– Ela é muito sua fã. De ter pôster pelas paredes, camisas, CDs, faixas, fotos… Ela aprendeu a falar um monte de coisas em alemão por sua causa.
– Quantos anos ela tem?
– Doze.
– E ela está com você?
– Eu vim a trabalho, meu chefe pagou duas diárias aqui e eu vim aproveitar. Nós somos de Montevideo, no Uruguai.
– Espero que você leve sua irmã ao meu show no ano que vem. – ela deu um sorriso. – Eu ficarei muito feliz em conhecê-la. Próximo da data, manda uma direct no Instagram pro meu empresário e fala que você me conheceu aqui e eu dei dois ingressos e passes pra vocês irem ao camarim depois do show e eu possa conhecê-la.
– Sério? – perguntou surpreso.
– Sério.
– Você pode mandar um vídeo pra ela? Ela é muito sua fã mesmo.
– Claro.
– Vou buscar meu celular e já volto. – o homem se pôs de pé e saiu na direção do resort. Ele não demorou a voltar com o celular em mãos e um sorriso no rosto, enquanto conversava com alguém em uma chamada de vídeo. – É ela sim!
– Eu duvido! Você nunca encontraria a , ela está em Porto Rico e você não!
– Olha só. – o homem disse quando se aproximou de e virou a tela do celular em sua direção, sentando-se ao lado da mulher.
A garota do outro lado arregalou os olhos assustada e deu um grito, fazendo dar uma gargalhada.
¡Hola! cumprimentou simpática observando a garota que parecia congelada, com os olhos cheios d’água. – Qual seu nome?
– Sara. – a menina respondeu num tom choroso.
– Não precisa chorar, minha linda. – disse sorrindo. – E então, Sara, qual sua música favorita?
– Das Gold von Morgen e All About You. – a garota limpou uma lágrima que escorria em seu rosto e deu um sorriso enorme. – Amei sua apresentação no The Voice, você foi fantástica.
– Obrigada. Espero que você goste do meu novo álbum.
– Com toda certeza eu vou!
– Seu irmão te contou?
– Sobre o quê? – a garota a olhou curiosa.
– Vou fazer um show no Uruguai no ano que vem, ainda não definimos as datas, mas quando divulgarmos, preciso que você mande uma direct para o Leo e avise pra ele que eu os conheci nas férias e dei um par de ingressos e acesso ao camarim depois do show. – disse e Sara começou a chorar de novo.
– Isso é sério? – a menina perguntou chorosa.
– Claro. – sorriu. – Seu irmão me disse que você até aprendeu algumas coisas em alemão.
– Quase nada. É um idioma bem difícil. – a menina resmungou e deu uma risada.
– É, eu concordo. Mas me conta, o que você aprendeu a falar?
Ich liebe dich sehr viel. – a menina falou sem jeito, numa pronúncia quase perfeita.
– Eu também te amo muito. E obrigada por todo carinho, Sara. – respondeu e a menina sorriu.
– Eu gosto muito de você e do seu namorado, vocês são um casal lindo e fofo. Pena que ele foi embora.
– Obrigada. – deu um sorriso. – Ele precisou voltar pra resolver coisas de contrato do clube, eu fiquei pra descansar mais um pouco antes de voltar ao trabalho.
– Descanse mesmo, por favor. E beba água.
– Tenho bebido água, dormido bem e me alimentado muito bem também.
– E você melhorou do mal estar?
– Melhorei. comprou um remédio naquele dia e eu melhorei. Eu não estou acostumada a esse clima abafado e a esse calor, mas agora eu estou totalmente bem.
– Meu Deus! Eu te amo muito!
– Obrigada.
– Posso tirar um print da tela?
– Claro. – sorriu, a menina sorriu do outro lado e o print foi tirado.
– Ei, Sarita, vou desligar. Vou pedir um autógrafo pra você. – o irmão disse e a garota nem conseguiu contestar, apenas assentiu e ele desligou.
– Você tem algo pra eu autografar?
– Aqui não, devo ter nas minhas coisas.
– Tudo bem, me fala o bangalô em que você está, peço pra entregarem lá.
– Eu estou no bangalô doze.
– Certo. – ela disse e deu um sorriso. – E, desculpe, eu nem perguntei seu nome.
– Carlos. Meu nome é Carlos. – ele disse e os dois trocaram um aperto de mãos antes dele se colocar de pé. – E, de novo, desculpa pelo incômodo.
– Não foi incômodo nenhum. – sorriu simpática e ele sorriu de volta, pegando a prancha no chão e saindo de perto.
Ela voltou a se deitar em sua espreguiçadeira, sem ter percebido a quantidade de fotos que foram tiradas por um paparazzi em seu celular.

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– Podemos conversar? – bateu na porta do quarto da irmã, que estava sentada à mesa do computador e não estava, nem de longe, tão ocupada quanto queria parecer, já que estava com o Facebook aberto.
– Claro. – Ute sorriu, virando-se para o irmão, e apontou a cama para que ele se sentasse. sentou na beirada do colhão e a olhou. Sua irmã caçula. Ela sempre seria a irmãzinha com quem ele se preocuparia e a quem sempre iria querer cuidar e proteger. Era o dever de irmão mais velho cuidar da irmã mais nova, mas também precisava lembrar que ela é uma mulher, dona da própria vida e que sabe muito bem se cuidar sozinha. – Aconteceu alguma coisa?
– Eu queria ter uma conversa séria e não quero que você me interprete mal e nem ache que eu quero te controlar, não é isso. Eu estou preocupado com você, Ute. – falou sério, sem desviar os olhos dos da irmã, que ergueu as sobrancelhas, sem entender.
– Explique-se, bruder. – pediu.
– Não é segredo que não gosto do seu namorado, já te falei e não faço questão de esconder, até ele deve ter percebido. Não por ciúmes, você sabe, mas ele…

– Só me escuta um pouquinho, por favor. – pediu, pegando uma das mãos dela entre as suas. – Eu não quero e nem vou usar o tom de irmão mais velho ciumento e possessivo, porque, ainda que você seja minha irmãzinha e eu queira cuidar de você e te proteger de tudo e de todos, você é uma mulher forte e independente, que foi muito bem criada, que sabe se cuidar e não precisa de alguém para fazer isso por você. Só quero ser sincero e falar o que vejo.
– Tudo bem.
– Ele não te respeita, está sempre fazendo comentários desrespeitosos, sobre mulheres, já o vi fazer algumas comparações desrespeitosas e idiotas entre você e outras mulheres, você meio que virou uma sombra dele também. Não te vejo saindo sem ele, todas as fotos que você posta ele está e nunca mais você saiu só com suas amigas. E elas sumiram. Tenho medo de você estar num relacionamento abusivo e não tenha percebido. E que quando perceba, seja tarde demais.
, não tem nada disso. – Ute sorriu, tentando tranquilizar o irmão e lhe apertou as mãos. – Estamos num relacionamento normal, igual ao seu e da .
Então não é um relacionamento normal. Não é nem mesmo um relacionamento, pensou, mas, para a irmã, o que existia entre ele e era um relacionamento absolutamente normal e saudável.
– Você me promete uma coisa?
– Se for algo possível, claro.
– Se perceber que está num relacionamento abusivo ou se ele fizer algo que te dê medo, cai fora. Não interessa as ameaças que ele faça ou o que diga sobre mudar e melhorar. Ele não vai. Apenas saia desse relacionamento e fala comigo.
– Você vai bater nele? – Ute perguntou rindo.
– Se for preciso. Não quero que você sofra, kleine Schwester. Quero que você tenha um relacionamento saudável, que seja feliz com alguém que te ame de verdade e da forma como você merece. Eu te amo muito, Ute. Muito mesmo. E quero que você seja feliz. Então, se um dia ele fizer algo com você, terror psicológico ou emocional, ou se ele encostar em você, não hesite em denunciar. Você não precisa de migalhas. – falou sério, ainda segurando a mão da irmã, que saiu da cadeira e o abraçou.
– Eu sei. E eu te agradeço por estar preocupado, não precisa, eu não estou num relacionamento abusivo, mas se ele se tornar, está prometido. E eu nunca vou hesitar em te chamar. – Ute disse e deu um beijo demorado no rosto do irmão, que a apertou em seu abraço.
– Amo você, jüngste.
– Eu também te amo, . E agradeço muito por você ser meu irmão e cuidar tão bem de mim desde sempre. – ela se soltou do abraço e fez um carinho no rosto do irmão, que lhe ofereceu o melhor sorriso que tinha. – Agora quero saber tudo sobre Porto Rico, há dias você está enrolando!
– Você é insuportável. – disse rindo e Ute se sentou ao seu lado. – Porto Rico é um lugar mais lindo em que eu já estive. A Sardenha é fantástica, mas Porto Rico…
– Você quase nunca viaja, mas quando faz, sempre é para lugares maravilhosos e paradisíacos. – Ute riu e se jogou de costas na cama, puxando o irmão para deitar ao seu lado.
– Sou bem requisitado e um homem de bom gosto. – brincou, dando uma risada. – Enfim, você poderia ter ido. Teria adorado.
– Eu sei que sim, mas você não ia querer me levar pra ficar de vela no meio da sua viagem com sua namorada. – Ute riu.
– Tive uma ideia. – deu um sorriso. – Vamos viajar.
– Vamos?
– Hoje é quarta-feira, vamos passar o fim de semana na Itália.
– Adoro como as coisas são fáceis pra vocês ricos. – Ute deu uma gargalhada da cara que o irmão fez. – Viagem em família?
– Sim.
– Você acha que a mãe vai querer ir?
– Espero que sim. – falou e se sentou na cama. – Faça suas malas, vou tentar arrumar um bom lugar para ficarmos e aproveitar uns dias antes da rotina voltar oficialmente.
– Queria que o Bayern nunca tivesse te emprestado, sinto falta de você aqui.
– Eu também. – respondeu e lhe deu um tapa leve na coxa antes de ficar de pé e se preparar para sair do quarto. – Vá fazer as malas, viajaremos amanhã.
te fez bem. – Ute falou, se apoiando nos próprios cotovelos para erguer o corpo e olhá-lo. – Ela te fez ficar animado e mais falante. Gosto disso.
– Ela é ótima, realmente. – confessou, dando um sorriso de lado que fez a irmã sorrir. – Agora vou comprar passagens, levar o cachorro pro pet shop e convencer a senhora nossa mãe a largar as plantas por alguns dias e viajar com os dois filhos favoritos dela.
– E você trate de fazer as suas malas sozinho dessa vez.
– São poucos dias, não vou precisar de tanta coisa. – deu de ombros despreocupado.
– Eu vou informar todas as gafes de vestuário para minha cunhada querida.
– Ute, você tem que jogar com seu irmão e não contra ele.
– É para o seu próprio bem. – Ute piscou. – E no avião você terá bastante tempo de me contar sobre Porto Rico de verdade, porque eu sei que lá é um lugar lindo, tenho Google e vi várias fotos da também.
rolou os olhos antes de sair do quarto da irmã, e deixá-la a fazer as próprias malas. Queria uns dias para pensar em somente em si e na própria família, sem ter que fingir, apenas curtir um tempo com as duas pessoas que mais ama no mundo antes de uma nova temporada, num novo clube e com metas diferentes.
Em alguns dias sua vida recomeçaria em outro lugar, um pouco mais perto de Munique, e a única coisa que ele esperava era que tudo desse muito certo e a distância de Munique se tornasse nula, o Bayern o contrataria de volta e ele retornaria à cidade para defender o time de novo. E, quem sabe, num futuro não tão distante, também pudesse retornar à seleção, ou toda aquela mentira seria inútil. queria que desse certo, começava a acreditar que realmente tinha potencial para estar no elenco do Bayern, até mesmo na seleção, ainda que a concorrência, agora, estivesse mais acirrada e que ele estivesse começando a ficar velho.

: Ute me mandou uma mensagem, disse que vocês vão viajar e que você não vai levar muita coisa…
Não me envergonhe, ! 👀
P.S.: aproveite a viagem em família e divirta-se!


Ich liebe dich sehr viel: eu te amo muito
Jüngste: caçula.

Capítulo 13

Enquanto as pessoas se divertiam na água e pela praia, estava sentado sob o imenso guarda-sol, esperando os pesarosos vinte minutos após sua mãe lhe passar tanto protetor solar que, provavelmente, protegeria até sua vigésima geração de ter algum tipo de queimadura de sol.
Helga e Ute conversavam animadamente sobre alguma coisa, mas ele não participava do bate-papo. Sua cabeça estava longe. Muito longe. A estadia na Itália tinha sido estendida, tanto por estarem vivendo dias maravilhosos naquela viagem em família, coisa que não acontecia desde quando ele e Ute eram crianças, o pai ainda era vivo e saudável e a família costumava viajar nas férias, quanto pela falta de vontade de em retornar à Alemanha.
O motivo?
.
Aparentemente, a viagem de em família, enquanto estava em Porto Rico e voltando para a Alemanha depois de alguns bons dias, causou um frisson na mídia. Muitos diziam que o namoro nem mesmo era real, que eles mal se tocavam em público e não eram muito dados a fotos e publicações em redes sociais, ainda que tenha feito diversos posts sobre e com ele em seus stories no Instagram, além de tê-lo marcado em diversas fotos durante aquela viagem; também houve os que disseram que o namoro estava estremecido, que a possível saída de do país para jogar em um time fora da Bundesliga e da futura turnê de , estariam causando problemas no relacionamento.
Inventaram fontes próximas que tinham confirmado tudo, adicionando que os dois brigaram durante a viagem esse era o real motivo do retorno de para a Europa, e o que confirmava a briga era que não tinha nem mesmo o levado ao aeroporto ou se despedido publicamente. E, claro, usaram fotos de com um homem na praia para enfatizar aquela história.
Quando viu as fotos em que foi marcado, demorou-se analisando-as. O tal homem com era um surfista, no maior estilo dos salva-vidas de filmes que correm em câmera lenta e os pássaros voam devagar no plano de fundo, bronzeados e bonitos.
Nas fotos, pelo que tinha entendido, e o homem conversaram, ela o ajudou com a roupa de surf, depois ele se sentou ao lado dela, pelo que tinha sido postado. Havia um celular nas mãos dela e depois nas mãos dele em algumas fotos. Depois foram vistos juntos perto da recepção, sorrindo. E isso tinha acontecido em dias diferentes, percebeu, ela estava usando biquínis diferentes nas fotos, um amarelo e um rosa, ou seja, não tinha sido apenas um fã. E, bom, aquele cara nem mesmo faz o perfil de fã que tem.
tinha ficado com ciúmes, claro, e assumiu isso para si, ainda que justificasse como sendo resultado de ainda não ter assimilado muito bem os acontecimentos entre eles durante a viagem, também tinha ficado incomodado com os comentários de Hugo sobre ela e como os outros homens a enxergavam, e esse incômodo, claramente, mostrava a ele que algo de errado não está certo.
Não estava apaixonado, longe disso, talvez apenas agradecido pela participação dela naquele contrato e envolvido pelo que tinha acontecido durante a viagem, depois de passar um tempo sozinho e solteiro era óbvio que isso aconteceria e era a este fato que atribuía a culpa do incômodo que sentira.
Além disso, claro, ainda tinha toda a questão sobre sua imagem, afinal, os dois são namorados para todo o mundo ver e saber e aquelas fotos com o tal surfista misterioso estavam lhe concedendo o status de corno.
Um corno fugitivo, ainda por cima, porque estava na Itália, aumentando os dias de viagem na expectativa de evitar o máximo que pudesse e pensando na forma como reagiria quando tivessem que se encontrar, enquanto ela já estava de volta à Alemanha vivendo a própria vida sem nem ao menos se importar com ele e com seus pensamentos.
Pelo menos era o que ele imaginava estar acontecendo.
Assim que todas as fofocas e fotos começaram a circular pela internet, postou uma foto dos dois. E ele sabia que era ela, primeiro porque não havia nenhuma assinatura da equipe e, claro, conhecia a forma com que ela escrevia e que era ela quem se pronunciava sobre a maioria das coisas em seu perfil. Ela postou uma foto que ele nem mesmo sabia da existência, mas lembrava-se bem da ocasião e o que escreveu era muito bonito.
Midiático e mentiroso, ponderou, mas muito bonito.
A foto tinha sido tirada no dia em que foram ao cinema para começar a criar os rumores sobre o namoro. Estavam sentados no Burger King, conversando e tentando se conhecer um pouco mais antes de se assumirem oficialmente. Não se beijavam, apesar de estarem próximos também não se tocavam, riam de alguma coisa, ele não se lembrava exatamente do que, e aquela foto fora escolhida propositalmente, ele sabia.
só podia agradecer aos céus que tivesse tirado os comentários naquela foto, ele não sabia o que comentar. Ele postou uma foto dos dois nos stories com um emoji de coração e escreveu que estava sentindo a falta dela, apenas para evitar ainda mais fofocas e o envolvimento de seu nome em toda aquela conversa fiada de tabloides idiotas.
Não era esse o tipo de mídia que queria atrair quando aceitou entrar nessa loucura.
Ainda que o relacionamento dos dois seja uma mentira, tinha descrito um relacionamento da forma como acreditava ser o certo e como tinha vivido os seus relacionamentos: sem precisar alardear para o mundo inteiro que estava com alguém. A mãe sempre dizia que “o que ninguém sabe, ninguém estraga” e ele vivia isso com bastante afinco.
Ainda que ele soubesse que tinha escrito aquilo para evitar as fofocas dos jornais, ele sabia que não tinha sido apenas esse o motivo da publicação, sabia que ela também enxergava um relacionamento daquela forma e não ia apenas postar algo para adular um homem.
Adular depois de enfiar uma faca nas suas costas, era o que ele tinha pensado. Ou melhor, um par de chifres em sua cabeça pública. E esse era um dos motivos pelos quais ele escondia os relacionamentos que tivera antes: o que ninguém sabia, ninguém estragava e nem comentava sobre.
já estava cansado de pensar, precisava se concentrar nas pequenas férias com a mãe e a irmã que estavam prestes a acabar de verdade. E ver como as duas estavam felizes e animadas, o deixa feliz. Muito feliz. Ainda que sua cabeça tenha insistido em martelar e repetir cada milésimo de segundo da viagem para Porto Rico, junto com um belo slideshow das fotos que foram tiradas de com “O Surfista” depois de seu regresso para a Alemanha.

– No que tanto você pensa olhando para o mar? – ouviu a voz de Ute e se virou para olhá-la, percebendo que a mãe não estava mais ali.
– Que eu quero que esses vinte minutos passem logo.
, você vai mesmo tentar mentir pra mim?
– Não quero falar sobre isso. – suspirou e se deitou na espreguiçadeira.
– Você não precisa falar comigo, e sim com a sua namorada. Ainda que eu tenha certeza que nada aconteceu, você ficar assim só piora as coisas. Vamos voltar amanhã, não podemos ficar aqui pra sempre, infelizmente, então trate de conversar com ela.
– Não acredito que as férias estão acabando. – resmungou, evitando o assunto. – E ainda nem tenho uma casa pra morar.
– Hugo já deve ter tudo isso resolvido. – Ute deu de ombros e se pôs de pé. – Eu vou aproveitar meus últimos momentos de água salgada, paz e descanso.
– Daqui a pouco eu também vou. – respondeu, mas Ute não respondeu, apenas deu as costas e saiu caminhando para o mar.

Passaram o dia na praia e a noite ao som das ordens da mãe para que as malas fossem feitas com bastante atenção, para voltarem para casa pela manhã sem atrasos ou problemas com perdas e esquecimentos de roupas e objetos.

🎤❤️⚽️
– Como é que é? – deu uma risada incrédula.
– É isso mesmo que você ouviu.
– É o John Mayer! O JOHN MAYER! – falou exasperada. – O John Mayer me chamou pra cantar com ele nos shows no Brasil e eu não vou simplesmente porque você recusou!
– Eu não recusei, , são seus shows. Você estará em turnê e não pode, simplesmente, sair da rota pra atender pedido de ídolo.
– É O JOHN MAYER! – falou alto. – Não interessa se ele vai fazer show no inferno, se ele me convidar, EU VOU!
– Sua turnê e sua divulgação são mais importantes que as coisas dele. – Leonard deu de ombros. – Agora, voltando ao assunto…
– E você sabe que isso é impossível, não sabe? – perguntou, tentando não soar tão nervosa quanto realmente estava, olhando para os papéis que tinha sobre a mesa.
– Não é impossível. – Leonard respondeu quase debochado. – Você vai ter cento e quarenta e cinco dias de descanso.
– Leonard. São duzentos e dez shows.
– Duzentos e vinte. – Leonard corrigiu.
– Duzentos e vinte shows em um ano! Não são duzentos e vinte shows em um único país ou em um continente; não são duzentos e vinte shows em três anos, são duzentos e vinte shows em cinco continentes, em uma quantidade imensa de países, tantos que eu não consigo nomear todos e em apenas UM ANO!
– Noventa países, se não me engano, não sei com certeza, ai está escrito em quantos e quais são. – ele apontou para os papéis e teve que se conter para não lhe xingar com a maior quantidade de palavrões que conhecia.
– Isso não vai acontecer. – decretou. – Posso fazer show até debaixo d’água se você quiser, mas quero um prazo maior. Um ano é muito pouco pra que eu faça todos esses shows, viagens, entrevistas, os meet & greet, mude de fusos e todas essas coisas.
– Não é, eu já falei, você t…
– Você me entupiu de programações, de viagens que têm rotas tão mal feitas que se tivessem sido feitas por uma criança de cinco anos não estariam tão ruins! A troca de fusos é imensa, as horas de voo também!
– Nós fizemos isso com a equipe, tudo bem programado e arquitetado, as rotas estão perfeitas.
– Essas rotas estão qualquer coisa, menos perfeitas. E eu ainda nem falei sobre meus pais não poderem ficar pulando de país em país, por um ano. Nem o Davi! E nem a !
– Mas quem vai fazer os shows é você e não eles. – Leonard tentou soar descontraído e recebeu um olhar quase assassino de .
– Você não pensou em mim ou no meu bem-estar em nenhum momento na montagem disso aqui! – esbravejou.
… você quer mudar alguma coisa? – Kelly, a assistente e outra empresária de , estava ao seu lado e tinha apenas assistido a tudo em silêncio.
– Quero mudar tudo. – falou sincera. – Amei que eu tenha shows na Ásia e na África, que aquele projeto para a construir uma escola no Mali esteja de pé e a reunião com a UNICEF pra falarmos sobre o abrigo lá na Nigéria, mas as datas estão corridas demais. Tenho pouquíssimo tempo pra conhecer pontos turísticos, pra conhecer os lugares para os quais eu vou e…
– Você vai trabalhar e não passear, . – Leonard falou num tom que beirava a grosseria.
– Kelly, você pode, por favor, nos dar licença? – pediu educada e a mulher suspirou antes de assentir e se colocar de pé, pegando apenas sua agenda e seu caderno de anotações antes de sair da sala. Daria licença sem problemas, mas a briga seria audível do outro lado do mundo. – Eu não vou fazer do seu jeito.
– Já está fechado. – Leonard respondeu, dando de ombros.
– Pois abra e mude! Eu não vou abrir mão do meu bem-estar físico e mental, além do emocional, pra fazer o que você quer e do jeito que você quer.
– Infelizmente nem tudo é do jeito que você quer, . – Leonard falou quase debochado.
– Mas sempre é do jeito que você quer. Engraçado… – ela respondeu, no mesmo tom. – Não vou me enfiar numa viagem de apenas um ano pra fazer duzentos e vinte shows. Não vou mesmo.
– Você tem que se lembrar que quem sabe sobre a logística dessas coisas somos a equipe e eu e não você. Nós estudamos pra isso e sabemos como e o que fazer.
– E você tem que se lembrar que quem canta sou eu e que se eu não estiver totalmente bem, tanto física, quanto mental e emocionalmente, nada disso vai acontecer e todo seu conhecimento em logística vai por água abaixo. – voltou a responder debochada.
– Sua fonoaudióloga aprovou e disse que há tempo suficiente de descanso para não ter problemas.
– Então coloque-a pra cantar no meu lugar. Eu não vou fazer isso com um prazo tão curto.
– Para de ser pirracenta, mimada e teimosa!
– Eu não estou sendo pirracenta, mimada e teimosa, Leonard. Eu estou querendo apenas que você pare de pensar na porra do dinheiro que isso vai dar e pense em mim, no ser humano que vai cantar em duzentos e vinte shows, em mais de noventa países, em diversos fusos, em climas diferentes, em viagens longas e cansativas, que vai dar entrevistas e ainda vai a eventos! Pense nos bailarinos e na banda. Nós somos PESSOAS e não máquinas que não adoecem e nem sentem falta de casa.
– As datas de início e fim da turnê já estão fechadas e já tem ingressos sendo vendidos. – Leonard repetiu. – Não vou refazer cronogramas, só porque você está dando chilique e nada mais que isso. Como sempre.
– Você é um arrogante do cacete, Leonard. – falou exasperada. – Eu só estou pedindo MAIS TEMPO. Não estou pedindo pra cancelar nenhum show e nem diminuir a quantidade de eventos, eu só quero que você aumente o prazo da turnê. Coloca mais uns seis meses ai, no mínimo, me dê tempo de conhecer lugares e pessoas, de saber mais sobre as culturas dos países e dos meus fãs!
– O Google existe pra isso. – respondeu debochado e deu um grito irritado.
– Mas que inferno! Você é idiota ou o quê? Porque eu apenas quero que você aumente o tempo da turnê. Só isso. Qual é a dificuldade?
– A dificuldade é que você não precisa disso! Não tem motivo nenhum pra esse chilique todo que você está dando!
– Como é que é?
– É isso mesmo! Você está dando esse chilique todo à toa! Já planejamos tudo e te poupamos do trabalho. Sua viagem estava tão boa que você nem mesmo sabia do convite e nem da venda de ingressos. – Leonard disse debochado.
– Pois é ai que você se engana, Leonard. Eu vim no avião planejando tudo, absolutamente tudo. Tinha tudo organizado, começaria a turnê depois do show na Times Square, começando na América do Norte, faria a América Central, América do Sul, África, Oceania, Ásia e Europa, terminando na Alemanha e voltaria pra casa em paz, sossegada com uns quinhentos dias de turnê, provavelmente bem mais que isso. Caso você duvide, pode pegar o caderno e ver, tudo escrito e planejado, porque eu queria participar da montagem de tudo. Eu desmarquei um dia inteiro com meus pais pra conversarmos sobre essa turnê, porque na mensagem que você me enviou estava escrito que nós iríamos resolver alguns detalhes da turnê. Nós. Mas eu vim aqui apenas para ser informada do que vai acontecer no fim de novembro, sendo que deveria começar só em janeiro ou fevereiro do ano que vem.
– Na verdade, é no começo de outubro.
– Como é que é? – perguntou perplexa, olhando para os papéis em suas mãos. As datas impressas diziam que ele tinha razão e ela nem tinha sido avisada. – E como é que isso aconteceu sem que eu fosse consultada?
– Como eu falei antes, a equipe sabe dos seus compromissos e sabe o que fazer. E suas férias deviam estar mesmo ótimas.
– Eu te odeio de tantas formas que não devem existir palavras no mundo que sejam capazes de expressar tudo.
– Já ouvi isso diversas vezes. – ele deu de ombros.
– Eu deveria te demitir.
– Sinta-se à vontade. – voltou a dar de ombros. – Eu estou fazendo o que é melhor pra você, . Você sabe que eu nunca faria nada pra te prejudicar.
– Será que eu sei? – ela perguntou nervosa. – Você me mandou diversas mensagens apenas pra brigar depois da chegada dos paparazzi, não teve a decência de me perguntar em nenhum dos dias se estava tudo bem. Eu fiquei doente e você fez o quê? Nada. Não mandou nem uma mensagem pra perguntar se eu ainda tinha voz pra cantar e ganhar dinheiro. Fiquei por dias sozinha e você só mandou mensagens pra brigar sobre as fotos que estavam sendo divulgadas. Eu cheguei e você não me mandou nenhuma mensagem pra perguntar se eu estava bem, se tinha chegado bem, como tinha sido a viagem… você só me mandou uma mensagem ontem a noite falando dessa reunião e mais nada. Reunião entre aspas, o que aconteceu foi apenas uma comunicação do que vai acontecer, eu querendo ou não. Você poderia ter me mandado por mensagem, me pouparia de ter perdido um dia inteiro com minha família pra isso.
– Sua amiga de contar essas coisas é a , você está confundindo os sujeitos.
– Não, Leonard, eu não estou. Você costumava ser meu amigo assim também, mas resolveu se tornar apenas meu empresário e pensar apenas no retorno financeiro que eu posso dar e mais nada.
– Ah então me conta, , como foi a viagem? – perguntou debochado, apoiando os cotovelos sobre a mesa e a cabeça sobre as mãos.
– Não me teste, Leonard, porque eu te demito sem pensar duas vezes. Demito todos vocês e arrumo uma equipe nova.
– Como eu falei, sinta-se à vontade. Você precisa parar de dar chilique quando as coisas não acontecem do seu jeito, , nem todo mundo cai nos seus encantos a troco de nada.
– Como é que é?
– É isso mesmo que eu falei, não vou repetir.
– Eu não acredito que ouvi isso de você, Leonard. – deu uma risada desacreditada. – Eu não consigo acreditar que meu melhor amigo se tornou… isso.
– Seu melhor amigo é diferente do seu empresário. Eu estou cuidando dos seus interesses, .
– Não, você está cuidando dos seus interesses na carreira de . já deixou de existir pra você há muito tempo.
, não é bem assim.
– É assim sim. E você sabe. Vou ganhar muito dinheiro, tenho certeza absoluta, mas também tenho certeza de que chegarei ao final dessa turê em frangalhos, cansada, desanimada e, muito provavelmente, doente. Esse ano você resolveu que ia pesar a mão e me enfiou em vários contratos, – ela deu uma risadinha irônica ao falar sobre aquilo – em diversas campanhas, me fez apressar uma gravação de álbum que eu não pretendia começar até o ano que vem, montou uma turnê enorme em um tempo mísero, criou um plano diferente de divulgação de álbum, copiando o da Demi e nem parou pra pensar nisso…
– Não é copiado, é inspirado.
– Eu acho que a palavra plágio se encaixaria melhor. – deu uma risada debochada.
– Ah, apenas Demi Lovato pode fazer esse tipo de divulgação?
– Eu não falei isso. Estou dizendo que os lançamentos do meu álbum e do lançamento do single dela serão próximos e que fazer as divulgações da mesma forma é copiar.
– E como você sugere que as divulgações sejam feitas, dona de todo o entendimento em marketing? – Leonard perguntou debochado.
– O que eu tinha em mente é bem diferente. Você já viu o clipe de Sugar, do Maroon 5? Pensei em aparições surpresas tipo as do clipe, mas não em eventos. Em casas. Pelo país, co…
– Complexo demais. – ele a interrompeu. – E também é plágio.
– Pelo país, com o mesmo roteiro e sem aviso prévio. E como escolheríamos a casa de fãs? Podemos fingir um concurso de alguma coisa, pra eles ganharem alguma coisa, tipo ouvir o álbum em primeira mão e essas coisas… e eles receberão números por cidade e serão sorteados e podem chamar até dez ou doze amigos. O que justificaria a gente ter uma infraestrutura montada e tal e ai eu apareço e canto. Fim. – falou, sorrindo com sua ideia.
– Complexo demais. – ele repetiu.
– Ou é isso ou não vai ter divulgação. – ela sorriu sem mostrar os dentes. – Estou cansada de não poder fazer coisas legais pros meus fãs, do jeito que eu sei que eles vão gostar, apenas porque você é chato.
– E você está pensando em quantas casas?
– Nós vamos em… – consultou o papel que tinha em mãos para contabilizar em quantos locais se apresentaria. – Munique, Nuremberg, Erfurt, Dresden, Leipzig, Berlim, Hannover, Hamburgo, Bremen, Dortmund, Dusseldorf, Mainz, Freiburg e Stuttgart. São quatorze cidades. Podemos fazer em todas elas tranquilamente em quatro ou cinco dias, fazer um vídeo… E como ninguém sabe a ordem das nossas viagens, vamos mandar um aviso ao ganhador e falar que apenas ele e seus convidados, de lista enviada antecipadamente, podem estar presentes no local. Ganham o álbum autografado, que será entregue no dia do lançamento e pede pra manterem sigilo, vou às entrevistas e o clipe é solto.
– Complexo demais.
– Na verdade… – uma voz interrompeu e os dois se viraram para a porta, onde Kelly estava parada. – É muito viável e bem mais legal, é um contato mais íntimo com os fãs e isso dá um retorno bem legal. E desculpa invadir, mas eu e provavelmente toda a Baviera estávamos ouvindo essa conversa entre vocês.
– Ótimo, se a Kelly concordou é isso que vai acontecer. – falou sorrindo para a mulher.
– Muito em cima da hora pra mudar.
– Não, não está. – Kelly contestou. – Não fechamos contrato com lugar nenhum ainda, então não temos nada a fazer sobre isso.
– Então se virem. – Leonard falou de má vontade. Kelly sorriu para e fechou a porta.
– Mais alguma coisa? – perguntou quase debochada.
– Eu vou adorar ver você destruir todo meu trabalho, simplesmente por achar que sabe o que está fazendo.
– Considerando que eu tenho mais tempo nisso do que você, eu acho que sei bem o que estou fazendo. Brandon me dava liberdade de opinar sobre tudo e me ouvia bastante. Talvez você devesse aprender com ele. – sorriu, falando em uma calma que nem imaginava mais ter.
– Então você não deveria ter trocado de empresário.
– Tem horas que eu penso exatamente a mesma coisa. – respondeu sincera e Leonard deu um sorrisinho que mesclava o deboche e a presunção. – Mas troquei, achei que seria excelente trabalhar com você, mas, aparentemente…
– Você sabe as palavras que precisa dizer, .
– E você também sabe quais são, Leonard. Eu não vou dizê-las simplesmente porque você acredita que eu sou tão idiota quanto você.
– Se eu sou um idiota, você não deveria trabalhar comigo.
– Você é um cara de visão, Leonard, se não fosse tão ganancioso, arrogante e prepotente, conseguiria ser menos arbitrário e saber que dá pra ser uma pessoa ambiciosa sem ser babaca. E saberia que quando você trabalha junto com o artista, as coisas tendem a ser infinitamente melhores. Pra ambos os lados.
– Eu posso até ser arrogante, mas você também é. Principalmente quando vem com esse discurso de sabe-tudo e tem mais experiência.
– Eu não menti em nada do que falei, Leo. Você é um excelente empresário, um cara de visão, mas insiste em ser arrogante e ganancioso.
– Se você não gosta de ganhar dinheiro, comece a fazer shows de graça então, Madre Teresa. – Leonard falou debochado.
– Você saberia que eu tenho vontade de fazer vários assim se ainda fosse o meu amigo e não apenas o babaca do meu empresário.
– Você está avisada do que vai acontecer nessa turnê, não tem nada pra fazer na minha sala. Converse com a Kelly, porque vocês sim têm o que resolver. E boa sorte. – Leonard falou, dando um sorrisinho debochado.
contou até dez mentalmente para não gritar e realmente demiti-lo. Não, ela não faria isso. Ainda. Leonard é um bom empresário, um com uma visão de mercado excelente e que sabe muito bem trabalhar em marketing e ajudou muito no crescimento da imagem de . Mas ele é arrogante, ah isso ele é! Um homem arrogante e ganancioso demais, cheio de si e que acredita ser melhor do que os outros empresários e estava mesmo achando que era ele quem podia e devia controlar a rota de turnê e tempo que isso levaria. E isso é o que tinha deixado nervosa e revoltada. Isso e a forma como ele falara.
– E você também está avisado, Leonard. Você pode achar que não, mas eu estou falando sério. E espero que você esteja preparado para parabenizar a Kelly por ter organizado o melhor lançamento de todos os que já aconteceram na minha carreira. – respondeu debochada.
– Prefiro me preparar pra dizer “eu avisei” quando você perceber que não sabe fazer nada sozinha e precisar de mim. – ele sorriu debochado. – E tente não se cansar muito, você tem duzentos e vinte shows pra fazer em trezentos e sessenta e cinco dias e precisa estar saudável.
– Você testa meus limites, Leonard. E eu acho que é muito perigoso você fazer uma coisa dessas.
– Por quê? Você vai contar pra quem? Pra sua mãe? – ele perguntou como se falasse com uma criança. – Pare de ser chorona e cresça, ! Você não tem mais sete anos e precisa assumir compromissos de uma mulher adulta.
– Eu vou fingir que não ouvi isso, porque eu sinceramente não quero te demitir agora, acho que depois da turnê é melhor. – respondeu nervosa.
– É a senhora quem manda. – respondeu debochado e saiu do escritório batendo os pés e a porta.
Sinalizou para Kelly que conversariam depois sobre o planejamento. Só queria a mulher presente na festa na piscina que daria no dia seguinte, apenas para as mulheres, e depois falariam de trabalho. estava exausta apenas com aquela conversa e só queria ir embora pra casa, passar algumas horas deitada no sofá, assistiria algum filme, comeria um balde enorme de pipoca e só se levantaria de lá quando precisasse limpar tudo pro dia seguinte.
a estava ignorando, ela tinha certeza, então ele que fosse pro inferno junto com Leonard.
É por isso que não existem homens em Temeschyra, pensou.

🎤❤️⚽️
A viagem de volta da família para Munique foi rápida e tranquila, obviamente os três foram fotografados no aeroporto quando chegaram, haviam poucos fotógrafos, mas muito mais do que e a família estavam habituados a ter por perto.
– Terminaram, ? – um deles perguntou enquanto tirava fotos e arrastava o carrinho com as malas.
– E por que terminaríamos? – perguntou confuso. – Estamos bem, como sempre estivemos.
– Abaixe a cabeça quando for entrar no táxi. – ele disse num tom debochado.
não perdeu tempo respondendo, apenas sorriu sem mostrar os dentes antes de continuar a caminhada até a área dos táxis e logo os três estavam em casa, descarregando malas e levando-as até a área de serviço para colocar as roupas para lavar.
Ele não demorou a se deitar no sofá e ligar a televisão, depois de Ute dizer que estava saindo para algum lugar que ele não prestou a devida atenção, devia envolver o namorado, então não queria mesmo saber o que era. Procuraria algo para assistir até que dormisse ou alguma coisa que o entretece o suficiente.
O celular começou a mostrar as diversas notificações que tinham ficado aguardando sinal durante o voo de regresso para a Alemanha, mas ele não se deu ao trabalho de olhar nenhuma das mensagens, não estava interessado em saber de nada que não fosse ficar deitado naquele sofá sem fazer absolutamente nada até o dia em que precisasse ir embora.

– Você vai ficar deitado fingindo assistir televisão ou vai conversar com a ? – Helga disse e se sentou no sofá, colocando as pernas do filho sobre seu colo e olhando para , enquanto ele fingia prestar atenção em um programa de pesca.
– Eu estou assistindo televisão de verdade, mãe, e não preciso falar com ela.
– Calce os sapatos, coloque uma blusa e vá agora conversar com sua namorada.
– Mãe, eu não tenho mais três anos. – respondeu rolando os olhos.
– Eu não me lembro de ter te perguntado absolutamente nada sobre sua idade, . – Helga falou séria. – Pare de ser infantil e vá logo falar com ela.
– Mãe… – resmungou, mas a mulher não se abalou com aquilo. Era uma luta perdida. – Então fique aqui e aprenda as técnicas de pesca do salmão na Noruega por mim, quando eu chegar quero saber de tudo.
– Se você não sair dessa casa agora, eu vou te dar uns bons tapas. – Helga ameaçou e riu, mas se levantou do sofá.
Não adiantaria discutir ou tentar enganá-la, ela seria capaz de ligar para apenas para confirmar se tinha mesmo ido até lá, então deu-se por vencido e foi para o quarto, vestiu uma blusa e calçou um tênis, desceu as escadas, pegando a chave do carro no aparador antes de sair e começar seu caminho até o apartamento de . Ela provavelmente criticaria a roupa, mas não se importava o suficiente com isso naquele momento.
Fez o caminho mais demorado, pensando no que falaria, não fazia ideia de como falar sobre o que aconteceu entre os dois na viagem para Porto Rico, muito menos perguntaria quem era o tal surfista e o que aconteceu por lá enquanto ele não estava. não lhe deve realmente satisfações sobre nada e fazer um discurso sobre ciúmes não é algo aceitável, não gosta dela desse jeito.
É o que vem repetindo mentalmente desde os comentários de Hugo sobre ela e que as fotos tinham saído em toda a internet.
Então, afinal, o que iriam conversar? Não tinham o que falar sobre o episódio do surfista, muito menos conversariam sobre as férias e tudo que aconteceu entre eles. não fazia ideia do que fazer e do que falar, ainda que soubesse que era preciso que conversassem sobre aquilo e impusessem limites.
Estacionou em frente ao prédio, ainda sem saber o que fazer, e desceu do carro depois de relutar por bastante tempo. Ele poderia mentir para a mãe e dizer que não tinha ninguém em casa, mas sabia que não confirmaria nem que a ameaçassem de morte, então lhe restava apenas torcer para que ela não estivesse mesmo por lá.
Mas estava.
Sua subida até o apartamento foi autorizada, depois de uma conversa rápida no interfone entre ela e o porteiro. quis sair correndo e quando questionado, falaria que algum fotógrafo inconveniente tentou se passar por ele. O porteiro não confirmaria a versão, ele sabia, então seguiu no elevador até o último andar pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo, querendo apenas que o clima entre eles não estivesse tão pesado quanto nos dois últimos dias juntos em Porto Rico e que tudo tivesse sido esquecido e deixado no passado.
Quando saiu do elevador e seguiu pelo pequeno corredor até a porta de acesso ao apartamento, percebeu que a porta já estava aberta, e ouviu um barulho de música abafada, que provavelmente vinha do terraço, além de risadas altas que pareciam distantes da sala, mas ainda sim eram naquele apartamento.
Uma festa.
Merda.
Antes que ele pudesse voltar, seu braço foi puxado e se deparou com uma das damas do casamento de , ele não se lembrava qual o nome da mulher, mas sabia que ela era a que tinha dito que ele era muito mais bonito pessoalmente.

! – exclamou animada. – Não sabia que você viria.
– Ah, oi. – falou sem jeito e coçou a nuca. – Eu cheguei de viagem hoje, tem uns dias que não vejo a . Ela não me falou nada de festa e…
– Então vem comigo. – a mulher o interrompeu e saiu puxando pela mão até chegarem ao terraço.
As damas do casamento, , e outras cinco mulheres que ele não conhecia, estavam no terraço, riam, bebiam e conversavam enquanto a música alta tocava e algumas estavam na piscina.
O sonho de qualquer adolescente no auge dos hormônios seria se deparar com aquela quantidade de mulheres bonitas apenas de biquínis e na piscina.
No momento, era o pesadelo de .
– O que essa espécie perdida está fazendo aqui? – uma das desconhecidas perguntou quando o viu e todas as atenções se voltaram para ele.
Quase todas, na verdade, e estavam ocupadas demais mexendo no som para notar a presença dele ali.
– YOOOOOOOOOOOOOOO! – elas gritaram juntas, ainda sem se virar, quando a música começou.
I’ll say you what I want, what I really really want. cantou, olhando para .
– So tell me what you want, what you really really want. cantou, apontando para a amiga.
– I’ll tell you what I want, what I really really want.
– So tell me what you want, what you really really want.
– I wanna, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna really really really wanna zig-a-zig, ah…
cantou e finalmente se virou, dando de cara com .
Sua expressão foi de completa animação a uma seriedade quase assustadora em milésimos e por alguns segundos ela apenas o encarou, sem entender sua presença ali, mas como sabia que ele não ouviria nada na distância em que estavam, caminhou, usando aquele maiô azul claro maravilhoso que a deixava absolutamente estonteante, notou, e parou à sua frente, ainda séria.
– Olha quem eu achei perdido lá embaixo. – a dama desconhecida por disse sorrindo para , que tentou dar um sorriso simpático, mas não deu muito certo. – E como tem muito tempo que vocês não se veem, vou deixá-los a sós.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou baixo, entredentes, quando a mulher saiu de perto e o encarou séria. – Não viu a mensagem que te mandei falando que não era pra você colocar os pés aqui hoje?
– Eu não vi, desculpa.
– Então pode ir embora.
, você vai me enxotar assim?
– Já enxotei. – ela respondeu dando um sorriso sem mostrar os dentes, fazendo uma expressão óbvia.
– O que você está fazendo aqui? – ouviu e se virou, encontrando a irmã, apenas de biquíni e o encarando.
– Eu é que te pergunto isso. – falou e ela rolou os olhos.
– Festa na piscina. me convidou.
– Bom, eu não estou fazendo nada, não fui convidado e acabei de ser enxotado pela dona da casa. – disse fingindo um tom divertindo e se virou para , que ainda o olhava com cara de nenhum amigo. – Conversamos depois. Manda uma mensagem quando estiver livre.
– Tá. – falou sem muita paciência e lhe deu as costas, voltando para o local em que as amigas cantavam Spice Girls e ainda olhando pra como se ele fosse um ser de outro mundo.
– Eu tentei. – murmurou pra Ute, que lhe fez um carinho no braço antes de se afastar.
se virou, rumando à escada para ir embora, em partes feliz por não terem que conversar, em partes ressentido por tê-lo tratado daquela forma, mas antes que conseguisse chegar ao andar inferior, sentiu o braço ser puxado e se virou, encontrando , que ainda sustentava a mesma expressão séria e pouco amigável.
– O que você quer?
– Nada, . Você não parece estar no humor indicado para o tipo de conversa que precisamos ter. E está ocupada, então vamos deixar isso pra depois.
– Infelizmente eu não posso voltar enquanto não conversarmos, elas realmente acham que temos que falar sobre aquelas fotos das férias.
– Não temos. – falou, ainda que quisesse bastante falar sobre.
– E então o que você quer? – ela cruzou os braços.
, eu sei que eu vou parecer um otário por dizer isso, provavelmente você vai achar que eu sou mesmo, mas não desconte sua TPM em mim. Se não é TPM, também não desconte sua raiva de o que quer que seja em mim, eu não fiz nada e não tenho culpa. Eu cheguei hoje, achei que poderíamos conversar feito adultos, mas é melhor deixar pra lá. – falou, omitindo a parte em que ele só queria conversar feito um adulto já que sua mãe lhe disse que era isso que deveriam fazer, e bufou, soltando um grunhido nervoso e fechou os olhos, suspirando.
– E você quer falar sobre o quê?
– Sobre o que aconteceu nas férias, mas não é um assunto que vamos conversar em dois minutos, muito menos com esse seu humor. Volta pra piscina, desculpa não ter visto sua mensagem e ter vindo sem avisar, mas minha mãe também acha que precisamos falar sobre aquelas fotos e me obrigou a vir, eu não queria fazer isso tão cedo, a última coisa que eu queria era falar sobre fotos ou o que aconteceu, mas o clima está chato e ainda temos muito tempo pela frente.
– Não vou falar com você sobre isso aqui. – falou séria e puxou para que entrassem por uma das portas do corredor, pela primeira vez ele colocava os pés no quarto de , e descobriu que o cômodo era seu quarto assim que a porta se abriu e o perfume o atingiu em cheio. – Fala.
– Falar sozinho não é bem a minha ideia, .
– Uau, … – ela falou, dando uma risada debochada.
– É o seu nome. Você quer que eu te chame de quê? – perguntou e ela ergueu uma das sobrancelhas, quase o desafiando a dizer algum nome feminino e ela pudesse, finalmente, gritar.
– Não sei, você tem alguma sugestão?
– Prefiro te chamar de , é o seu nome, não é? – falou tentando não parecer tão grosso.
Não deu certo.
– E como você espera que eu te chame?
– Pelo meu nome, por favor. Eu não quero brigar, por favor. Acho que precisamos conversar, evitar um clima ruim e não piorar o que já não está bom.
– E por que não está bom? – perguntou e pensou o que lhe pareceu uma eternidade antes de responder. A expressão no rosto dela não ajudava, se essa é na TPM, começava a agradecer a qualquer que fosse a divindade existente, porque passará muito tempo longe e não terá que conviver com isso de perto. – RESPONDE!
– Não precisa gritar! Nada, tá tudo ótimo! Agora, se você me dá licença, eu vou embora. Vá se divertir com suas amigas, cantar e ser feliz. Eu não vou te impedir e nem ficar num ambiente em que você pode me matar. Quando você estiver afim de conversar sobre tudo de forma calma, manda uma mensagem me avisando e nós conversaremos. – falou tentando manter o tom de voz o mais sereno possível e deu um passo na direção da porta antes de ouvir o que ela soltou, num tom petulante típico de novelas e filmes.
– Você ficou com ciúmes do Carlos.
– Ciúmes de quem? – perguntou confuso e se virou para olhá-la, e o segundo que ela demorou para responder o fez entender quem era: O Surfista.
– O das fotos.
– A vida é sua, . Você faz o que bem entender com ela. Estou muito mais preocupado com o que aconteceu entre nós do que com aquelas fotos. – falou uma meia verdade e deu um sorriso presunçoso.
– Eu duvido.
– O que você quer que eu diga? Que fiquei com ciúmes e não gostei? Sinto muito, mas não me causou nenhum tipo de sentimento. – mentiu, mas percebeu que era um péssimo mentiroso, porque a feição dela não se alterou. se aproximou, encurralando entre ela e a porta. Pela expressão em seu rosto, podia jurar que a mulher o mataria e picaria em mil pedaços.
– Você precisa aprender a mentir. – falou em tom petulante e deu um sorriso antes de encostar o corpo no dele.
teve que respirar fundo, contar até cinco mentalmente enquanto sentia aquela proximidade e a forma como ela o pressionava contra a porta.
– Eu vou embora, com licença. – tentou se esquivar, mas ela o segurou, aproximando o rosto do dele.
– Você quer mesmo ir embora? – perguntou olhando nos olhos.
O indicador esquerdo percorreu seu pescoço e ombros por cima da camisa e ela não esperou que ele respondesse, apenas terminou de se aproximar e o beijou. Ela não parecia bêbada, apenas com os hormônios descontrolados ou muito brava com alguma coisa. mordeu o lábio de e o puxou, voltando a beijá-lo em seguida e puxando a blusa dele para cima, separando os lábios apenas para que a peça fosse completamente retirada e dispensada pelo chão.
, é melhor a gente não fazer isso. Precisamos conversar sobre e não fazer de novo e deixar tudo pior. – falou enquanto sentia os lábios de percorrendo seu pescoço.
Inferno de mulher que vai me enlouquecer!
– Olha nos meus olhos e fala que você não quer repetir o que nós fizemos em Porto Rico, mas dessa vez sem nenhuma gota de álcool envolvida. – desafiou, olhando fixamente para e ele nem perdeu tempo em responder, apenas a beijou da mesma forma que tinham se beijado naquele dia, na mesma intensidade, com a mesma vontade.
voltou a separar os lábios dos dele para tomar fôlego e a deitou na cama e deitou-se sobre seu corpo, sem deixar que o peso cair totalmente sobre ela, apoiando-se em seus antebraços e voltou a beijá-la. o envolveu com as pernas na cintura e os braços em seu pescoço, buscando mais contato entre os corpos.
– Não podemos demorar muito, preciso voltar pra lá. – falou num sopro, quando os lábios foram separados para uma breve tomada de fôlego.
Ele sabia que devia aproveitar aquela deixa e ir embora, mas não o fez. Assim como não fez em Porto Rico, quando ela perguntou se ele era gay. Apenas apoiou o peso do corpo apenas em um antebraço e usou a mão livre para percorrer a coxa nua, sentindo a pele dela se arrepiar sob seu toque. não demorou muito a mover a mão pra cima e soltou um gemido baixo.
– Precisamos ser discretos dessa vez, . – sussurrou em seu ouvido, sentindo as unhas dela se enfiarem em seus ombros, fazendo com que ele juntasse os lábios aos dela para reprimir o grito de dor.

Capítulo 14

sentia-se absurdamente envergonhada, não era possível que tinha mesmo feito aquilo.
De novo.
Decidiu responsabilizar seus hormônios, ainda que não fossem eles os culpados pelo que tinha acontecido, não estava de TPM como ele tinha sugerido no dia, apenas tinha brigado com Leonard e descontou a raiva em , mas o sexo foi totalmente por vontade própria. Sem álcool. Sem hormônios alterados por uma futura menstruação. Apenas vontade. Muita vontade.
e estavam se evitando há cinco dias, mas sabiam que precisavam conversar e se resolver, já que iriam juntos a um evento no fim de semana. Evento sem imprensa, porém ainda sim precisariam estar juntos como um casal: o aniversário de Ian. E Nicholas estaria lá.
não tinha como inventar que estava fora da cidade, ainda que torcesse para que isso fosse acontecer, mas não fazia ideia do que ele estava fazendo naqueles dias e como nunca posta nada sobre sua vida na internet, era difícil saber o que está acontecendo ou não.
Então, resolveu arriscar e foi até a casa de Helga, torcendo para que não se encontrassem e então não precisaria mentir sobre a ausência dele no aniversário, sabia que se tivesse que mentir para , estaria em maus lençóis. Quer dizer, nem mesmo conseguiria. e ela precisavam mesmo conversar, deveriam ter feito isso naquele maldito dia ao invés de transarem de novo, mas gostava mais da ideia de ouvir gemendo seu nome do que conversando sobre o que diabos tinha começado a acontecer entre eles.
Incerta, desceu do carro e caminhou até a porta da casa, fazendo uma oração silenciosa para que não estivesse ali, porque não sabia como olharia pra ele sem se lembrar de tudo e sentindo vergonha. Ouviu o latido de Petros, que contornou a casa correndo até onde ela estava e ficou sobre as patas traseiras, apoiando as dianteiras no corpo de e ela deu um sorriso imenso, abraçando o cachorro em retorno.

– Ei meu amorzinho, quanto tempo! O seu pai está em casa?
falou com o cachorro e tocou a campainha, bem quando Petros se sentou, ainda ao seu lado. Ela se ajoelhou ao lado do bicho, fazendo um carinho nele, que lambeu sua mão em resposta e deitou a cabeça em suas pernas. abriu a porta e encarou a cena, ajoelhada e Petros com a cabeça em seu colo, recebendo carinho e aproveitando o momento.
– Você vai deixar meu cachorro sem vergonha. – falou, rolando os olhos, e se pôs de pé dando um sorriso de lado. – Entra.
– Obrigada. – agradeceu e Petros a acompanhou, sem dar tempo para dizer que ele não podia passar por ali e que deveria dar a volta e ficar nos fundos da casa, como estava antes. Seguiram os três até a sala, ela sentou-se no sofá, na poltrona e Petros deitou-se aos pés de .
– Aconteceu alguma coisa?
– Nós precisamos conversar.
tinha um tom sério, mas estava totalmente desconfortável, e não conseguiu conter um risinho pelo nariz, afinal, também quis evitar aquele momento, ainda que tivesse tentado resolver antes e tudo tivesse se repetido.
Nenhum dos dois falou por um bom tempo, nem mesmo se olhavam. olhava, entretida, pela sala e observando cada pedaço do lugar, enquanto tentava escolher as palavras que usaria, já que da última vez tinha ido conversar e logo estavam na cama dela, e também não podia arriscar a possível salvação de sua carreira. Era necessário pensar um pouco para que as palavras não soassem grosseiras demais e acabassem tendo efeito totalmente contrário ao desejado.
Da primeira vez, os dois estavam mais bêbados do que deveriam, foram tomados por toda tensão sexual que os beijos dados tinham criado, além do clima muy caliente da festa que os incitou a levar tudo adiante, já na segunda vez, estava um tanto quanto desequilibrada pelos hormônios, pelo que ele se lembrava, então tudo entre eles só aconteceu por fatores externos, ponderava. Era importante lembrar disso.
Por quase meia hora os dois ficaram em silêncio, continuava a olhar pela sala e continuava pensando. Não queria que a amizade acabasse, que o clima amistoso e o bom convívio se desfizessem e se tornasse tão insuportável ficarem próximos que isso fizesse tudo acabar. A viagem tinha sido tão boa para aproximá-los… não queria que o contrato acabasse antes de saber se pode ou não dar certo. Ainda que, quando a ideia lhe foi sugerida, ele tenha insistido a Hugo que aquilo daria errado e não serviria de nada.
Ainda que saiba que o “relacionamento” possui data de validade, gosta de estar perto de , com sua animação e perspicácia, suas loucuras e risadas, do péssimo humor matinal e de todas as péssimas piadas que ela conta e que o fazem rir, da cantoria sem parar, da fome de dez prisioneiros e do sono de cinco Belas Adormecidas… é agradável e negar isso seria uma mentira deslavada.

– Vamos ficar nesse silêncio incômodo até quando? – foi quem se pronunciou e a olhou um pouco receoso, ainda sem saber o que falar.
– Eu estou tentando organizar as palavras em minha cabeça para conversarmos, mas não consigo fazer isso dar certo. – confessou derrotado.
– Eu também estava tentando encontrar as palavras certas, mas acho que não é tão difícil quanto parece, apesar de ser um assunto… delicado. – o encarou e suspirou antes de voltar a falar. – Ainda temos muitos meses pela frente, teremos eventos a comparecer juntos, inclusive um no fim de semana, além de precisar aparecer ocasionalmente nas redes sociais um do outro e todas aquelas coisas, então não podemos ficar estranhos. E nós criamos uma amizade legal, temos um bom convívio e eu me sinto muito leve perto de você. Acho que pelo bem do acordo, nós não podemos deixar nada disso se repetir e nem falar com ninguém sobre isso. Vamos continuar sendo o casal que somos, um casal de amigos.
– Também acho isso, eu só não sabia como falar, mas eu fico feliz que a gente pense igual. E espero que nada disso afete nossa convivência, eu gosto muito de estar perto de você. É fácil, é agradável e muito bom. – respondeu e deu um sorriso, que foi correspondido por .
– Você vai continuar perdendo pra mim no FIFA, pode ficar tranquilo. – ela piscou provocativa. – E eu vou continuar perdendo em todo o resto pra você.
– Ainda bem que você sabe.
– É, mas eu não sou jogadora de futebol, você é. – provocou.
– Então, qual o evento do fim de semana? – mudou de assunto e se ajeitou na poltrona. Petros continuava deitado e lhe fazia carinho com os pés.
– Sábado. Aniversário do Ian. – ela fez uma careta.
E sabia o motivo daquela careta. Não era por causa de Ian, os dois são amigos de longa data, desde muito antes de ser famosa e de Ian ser o marido da melhor amiga dela. O problema era apenas um: o irmão mais novo de Ian e ex-namorado de .

🎤❤️⚽️
– Eu nem acredito que estou saindo com você. – Ute falou dando uma risadinha nervosa.
– Por quê? – riu da cunhada.
– Você é famosa. E eu sou sua fã desde o começo da sua carreira. sempre me xingava, porque ouvia suas músicas o dia todo em casa.
– Eu me lembro daquele tweet dele. – estalou os lábios, claramente desapontada.
– Tweet? Que tweet? – Ute desviou os olhos da rua rapidamente para olhar para a cunhada.
– É. Ele fez um tweet perguntando quem era a tal que a irmã dele não parava de escutar. – soltou um resmungo ressentido ao responder a cunhada. – Aquilo partiu meu coração na época. De verdade. Eu era muito fã dele e estava sempre tweetando sobre e para ele e ele nem sabia quem eu era.
– Quando? – Ute perguntou chocada.
– Em dois mil e treze. – tirou o celular da bolsa e abriu o Twitter, indo até o campo de busca e digitou o tweet, encontrando-o rapidamente.
é um babaca. – Ute falou ofendida, quando leu ao pararem em um semáforo. – Se eu soubesse que você era tão fã dele assim na época, eu teria entrado em contato e apresentado vocês dois.
– Vou movimentar a internet. – deu uma risada, respondendo o tweet com um “Agora você sabe quem eu sou, uh?” e voltou a colocar o aparelho na bolsa.
– Meu irmão é um idiota. E nessa época, você tinha lançado seu segundo álbum, se não me engano, eu não parava de ouvir “Vida” e “Satellite”, tinha pôsteres seus e tudo mais. E agora eu estou saindo com você. E você namora meu irmão. Isso é muito doido. – Ute deu uma risada.
– Eu sou normal, eu juro. Você se importa de irmos às compras depois do almoço? Preciso buscar partes do presente do Ian, o aniversário dele está chegando e eu ainda não terminei de comprar as coisas e nem busquei o que encomendei.
– Sem problemas, eu estou livre hoje. – Ute respondeu, parando o carro à porta do restaurante escolhido.
Ute não podia acreditar que tinha ido a uma festa na piscina da casa da sua cantora favorita – que também é sua cunhada (!!!) – e agora estavam saindo para comer e fazer compras como se fossem melhores amigas de toda uma vida. Era muito estranho, mas Ute jamais reclamaria daquilo.
As duas sentaram-se à mesa, no interior do restaurante, e logo um burburinho começou a se formar, afinal, não era todo dia que aparecia num restaurante no meio de Munique para almoçar como se fosse uma coisa absolutamente normal para uma celebridade.
– Você é vegetariana? – Ute perguntou enquanto lia o cardápio.
– Não. Não ainda, na verdade. A ideia me agrada, mas ainda não me tornei, apesar de estar reduzindo o consumo de coisas de origem animal e nunca ter participado ou apoiado eventos ou atividades que usem animais. – respondeu.
– Você acha que sua presença aqui pode gerar algum tumulto ou te atrapalhar a fazer alguma coisa?
– Tem uma equipe de segurança do lado de fora e qualquer princípio de tumulto eles resolvem, mas agora as pessoas são um pouco mais cuidadosas, normalmente tiram fotos de longe e postam na internet. Em locais fechados é mais difícil que me abordem agora, mas antes era bem caótico. – deu uma risadinha.
– Eu lembro daquilo. – Ute soltou um resmungo. – Uma vez eu te vi no shopping, eu estava com minha mãe, mas fiquei com vergonha. – Ute confessou. – Achei que você poderia não gostar.
– Quando foi isso?
– Em dois mil e treze, pouco depois do Bayern ser campeão da Champions League. Você estava com sua mãe também e uns cinco ou seis seguranças.
– Você podia ter ido, eu teria tirado a foto. – falou sincera.
Os pedidos das duas foram anotados, depois da garçonete tirar uma foto com , e logo elas engataram uma nova conversa. Ute contou sobre sua própria vida, a faculdade e várias coisas que fizera e fazia. Gostava de flores, de filmes de romance “bem água com açúcar”, como os chamava, adorava o verão, andar de bicicleta e beber cerveja… As duas tinham muita coisa em comum, aparentemente, não apenas a idade.
Quando o almoço finalmente chegou, as duas comeram trocando algumas palavras e depois seguiram até uma livraria em que tinha comprado alguns livros sob encomenda para Ian e acabou levando alguns para si, além de uma loja de joias para buscar outras encomendas, uma loja de roupas e sapatos, uma rápida passada na loja de departamentos e logo depois de deixarem tudo no porta-malas da caminhonete em que Bob estava, as duas foram andar despreocupadas, parando vez ou outra para dar um autógrafo ou uma foto, e foram passear pela Viktualienmarkt.
– O que você quer fazer agora? – perguntou enquanto as duas caminhavam pela feira.
– Eu não sei. – Ute deu uma risada nervosa. – Ainda não consigo acreditar que isso está acontecendo.
– Pois acostume-se, seu irmão me disse que você é ótima, então quero ser sua amiga e gosto de sair com minhas amigas. – falou, dando um sorriso e abraçou Ute pelos ombros.
– Ele falou que eu sou ótima? – Ute perguntou surpresa e assentiu.
– Falou. é realmente um grande fã seu. – sorriu. – E então?
– O que você acha de irmos andar de bicicleta? – Ute deu um sorriso quase infantil para .
– Englischer Garten! – comemorou, erguendo os braços.
As duas passaram boa parte da tarde no parque, próximo de onde estavam, sendo acompanhadas de perto por quatro seguranças, mas divertiram-se andando de bicicleta, apostando corridas e comendo.
Ute contou para um pouco da vida dos , coisas que nunca seriam veiculadas na mídia, sobre como era a vida com o pai e logo quando ele adoeceu e faleceu, deixando para trás um filho de vinte anos e uma filha de dezesseis, mas a família deu um jeito de se virar e se fortalecer. Contou sobre sua relação com a mãe e com , além de falar um pouco sobre o namorado, nada muito aprofundado, apenas que tinham se conhecido há dois anos e desde então estavam juntos.
contou um pouco sobre a própria vida também, sobre a vida com os pais e o convívio com o irmão, antes e depois de ter se tornado uma cantora famosa e conhecida mundialmente.
– Você é muito normal. – Ute falou, arrancando uma sonora gargalhada de .
As duas estavam sentadas bem perto da Chinesischer Turm e tomavam sorvete depois de um bom tempo andando de bicicleta pelo lugar.
– Eu sou normal.
– Você é famosa.
– Mas eu sou normal. – deu de ombros, fazendo Ute franzir o nariz numa careta. – Só que muita gente me conhece e gosta de mim, mas eu sou completamente normal. Seu irmão também é famoso e é uma pessoa normal.
– Normal é a última coisa que é na vida. – Ute falou rindo. – Vocês formam um casal muito bonito.
– Obrigada. – deu um sorriso agradecido. – A parte mais bonita sou eu.
– Eu concordaria totalmente, mas ele é muito parecido com meu pai e meu pai era lindo!
– Tudo bem, eu aceito perder nessas condições. Você tem alguma foto do seu pai ou ele era feito o que não gosta de tirar foto?
sempre odiou exposição, não sei como joga futebol. Lembro de todas as reclamações sobre fotos em campo ou as fotos do time que ficavam circulando pela internet. Acho que ele se acostumou com essas, mas houve uma época em que sempre tinha algum fotógrafo tirando fotos dele na rua. Pra ele fazer um Twitter e um Instagram, o Bastian quase teve que bater nele e no começo era apenas o Hugo quem usava, depois ele começou a usar, mas quase não posta nada.
– Meu lado fangirl não reclamava nem um pouco dessas fotos. – confessou rindo. – Ele é muito reservado, eu conheço alguns jogadores que passam bem longe disso, que adoram exposição e comentários sobre suas vidas, outros que não ligam pra aparecer em fotos o tempo todo… E ai tem o e o Lahm que ninguém fica sabendo de nada da vida deles.
– Esses dois são discretos por todos os outros.
– E agora que estamos juntos, deve odiar a quantidade de gente tirando fotos e escrevendo sobre ele.
– Bom, ele ainda não reclamou de nada.
– Essa é a pior parte de ser uma pessoa conhecida, nada nas nossas vidas passa batido. Um abrir de janela é registrado, tudo que fazemos, falamos e vestimos é comentado… algumas pessoas acham que por sermos figuras públicas, elas podem se enfiar em nossas vidas e não nos dar privacidade e nem respeitar nossas intimidades. E ter um pouquinho de privacidade é uma das poucas coisas que sinto falta da minha vida antes de me tornar famosa. – desabafou.
As duas ficaram em silêncio por um tempo, finalizando seus sorvetes e observando a movimentação do parque, muitos turistas tirando fotos e conversando em diversos idiomas, compenetrados demais na beleza do lugar para se atentar à presença de .
, eu posso te pedir um favor? – Ute falou depois de um bom tempo.
– Se eu puder fazer, claro.
– Cuida bem do meu irmão. Do coração dele e dele.
– É minha meta. – deu um sorriso sincero.
Ainda que aquele namoro não fosse de verdade, não queria quebrar o coração de ninguém. E sabia que não quebraria, claro, porque não teriam a chance de conviver o suficiente para se apaixonar. Ainda bem.
é uma pessoa maravilhosa e merece muito ser feliz, principalmente depois de tudo de ruim que já aconteceu com ele. Vocês são um casal bonito e ele parece estar feliz, então, por favor, cuide bem dele e daquele coração, meu irmão merece.
– Sei que no fim de semana as coisas pareceram fora de controle e a forma como eu me comportei com ele no dia da festa não ajudou muito, mas nós já falamos sobre aquelas fotos que foram tiradas totalmente fora de contexto e estamos entendidos sobre tudo. é realmente uma pessoa maravilhosa e eu não quero, e nem pretendo, magoá-lo.
– Obrigada. – Ute deu um sorriso e as duas observaram Bob se aproximar.
– Já está ficando tarde.
– E você está cansado de ser minha babá, eu entendi. – falou, fazendo Bob assentir em concordância, mas rindo.
– Tenho outras duas crianças pra cuidar agora.
– Tudo bem, eu aceito ser trocada por aquelas duas fofuras. – falou, levantando-se do banco e sendo seguida por Ute.
– O dia foi ótimo, , obrigada por isso, de verdade. – Ute falou, abraçando quando chegaram ao local em que os carros estavam estacionados.
– Vamos fazer outras vezes, por favor. Antes de eu entrar em turnê precisamos repetir isso.
– Claro!
– E por falar em turnê, vou pedir seu irmão pra te entregar uma cópia do álbum na semana que vem, tudo bem? Vou pegar algumas unidades pra dar de presente e uma delas é sua. – falou e Ute a olhou quase em choque, fazendo rir e voltar a abraçá-la. – Por favor, acostume-se comigo.
– Estou tentando, mas você não ajuda. – a mulher reclamou, fazendo Bob rir alto.
Ute soltou de seu abraço, indo para o próprio carro e seguiu com Bob, conversando animada sobre o dia e implicando com o homem, como sempre faziam. Dali quatro dias teria que encarar quase um dia inteiro com e no mesmo ambiente que Nicholas.
Aquilo não daria certo.

🎤❤️⚽️
– O que você acha? – perguntou e ela analisou a roupa.
Existem poucas coisas na vida que odeia, mas com toda certeza uma delas, a maior delas na verdade, é escolher e avaliar suas roupas, então sempre se decide pelo preto, porque ela adora preto e nunca criticaria algo que gosta. Certo?
– Todo de preto? – franziu o rosto e negou com um aceno.
Errado.
Definitivamente, ele nunca entenderia o que se passa na cabeça dela.
– Mortícia Addams está me julgando por estar todo de preto? – falou debochado e rolou os olhos, se colocando de pé e foi até o closet.
– Você tem que saber quando usar a roupa toda preta, Fester. – respondeu alto, de forma ácida, e deu uma gargalhada.
– Se você é a Mortícia, tecnicamente, eu tenho que ser o Gomez. – falou e sentou-se na cama, esperou pela resposta atravessada, mas não teve, ela apenas reapareceu com outra camisa em mãos e outro tênis.
– Usa essa camisa.
– O seu clubismo fala muito alto as vezes. – provocou, pegando a camisa vermelha que tinha em mãos.
– Veste isso logo, precisamos sair. – falou e ele se levantou, tirando a blusa que usava, deixando jogada sobre a cama e tirando os sapatos com os pés. Vestiu a camisa que lhe foi entregue, calçou o tênis branco que ela lhe entregou e ficou de pé. voltou a lhe olhar analisando a roupa.
– Podemos?
– Devemos. – respondeu e saiu do quarto.
a observou desfilar usando aquela mini saia jeans de cintura alta e com uma camiseta branca, que mostravam o belo bronzeado adquirido nas férias, e nos pés um par de tênis tão branco quanto o que ele agora tinha nos próprios pés. Ele desceu as escadas logo em seguida e os dois saíram da casa da mãe de . batucava o volante enquanto dirigia, cantarolando algo que não se deu ao trabalho de tentar descobrir o que ou de quem era.
Cerca de quinze minutos depois, estacionou perto de diversos carros. A casa dos Hoff-Schöllze, ele notou, era a casa com a fachada ampla e muito bonita. ajeitou a saia ao corpo assim que saíram do carro e lhe estendeu a mão, que foi aceita, para que caminhassem até a entrada da casa.
– Nós estamos parecendo aqueles casais de filme dos anos noventa. – disse rindo. – Você todo descolado com essa bermuda, camisa, tênis, óculos escuros e boné, e eu maravilhosa, de mãos dadas…
– Eu sou sempre descolado. – falou se gabando e deu uma risada debochada. – Palhaça. Cadê o presente?
– Ai cacete, ficou no carro. – constatou, soltando a mão dele e voltou correndo para pegar o embrulho.
não fazia ideia do que ela tinha comprado para Ian em nome do casal, mas não precisava, conhecia o aniversariante há muitos anos, sabia muito bem o que comprar e não precisava de ajuda ou dica para que o presente fosse perfeito. Ela voltou rápido até onde a esperava e os dois deram os passos restantes até a porta.
– Vejam só quem chegou. – Nicholas foi quem atendeu a porta e deu um sorriso, demorando seu olhar em , que rolou os olhos.
– Dá pra sair da frente? – perguntou impaciente e Nicholas deu espaço para que passasse e puxasse pela mão.
– E ai, Nicholas, tudo bem? – o cumprimentou, dando o sorriso mais debochado que conseguia, e Nicholas o ignorou.
seguiu puxando pela mão, até que chegassem à área externa da casa, bem longe de Nicholas e encontraram uma quantidade enorme de pessoas pelo amplo quintal, o que, para , acabava absolutamente com o que disse que seria: “uma reuniãozinha com pouca gente”.
– Ian! Feliz aniversário! – disse alegre e deu um abraço apertado no amigo, que retribuiu o abraço e riu de alguma coisa que ela disse e não conseguiu ouvir. Os dois ficaram abraçados mais algum tempo enquanto ele ainda ria e quando se soltaram, foi cumprimentá-lo.
– Feliz aniversário, Ian, tudo de bom, cara. – disse e os dois trocaram um abraço rápido, depois de Ian agradecer.
– Fiquem à vontade. Bebidas na geladeira, copos em todos os lugares. – ele disse e assentiu. Ian saiu com o embrulho de presente para o interior da casa e puxou até o local em que Ian tinha indicado que estavam as bebidas.
– Você disse que era uma reuniãozinha com pouca gente. – falou quase ofendido e deu de ombros.
Ele pegou uma cerveja e ela ponderou se beberia também. Estar bêbada na presença de tinha levado os dois a beijo e sexo. Aquilo não podia ser uma boa ideia, mas resolveu arriscar. Era só não ficar bêbada. Uma cerveja não seria um problema.
– E é uma reuniãozinha com pouca gente. e Ian já fizeram coisas muito maiores. – riu, depois de abrir a garrafa e tomar um gole. – Quando você vai?
– Semana que vem já vou assinar. Hugo resolveu a questão da casa, não vai ser aquela que você falou, não estava mais disponível, é aquela em Luginsland. Vou arrumar tudo e me mudar em definitivo ainda essa semana.
– Eu ofereceria ajuda, mas essa semana lanço o single e começo a viajar pelo país pra divulgar daquele jeito que a Kelly e eu acordamos, tá muito legal.
– Eu imagino que sim. Grave, quero ver tudo.
– Claro! E na outra semana já sai o álbum, começa todo o esquema de divulgação e reuniões, então não devo encontrar com você até… o começo de outubro, eu acho.
– Tudo isso? – perguntou surpreso. – Nem no seu aniversário?
– Eu não posso garantir, nem eu sei as datas e locais para onde eu vou, a turnê foi adiantada, então eu devo ter dias bem corridos agora pra finalizar tudo.
– E quando começa?
– No começo de outubro começam os shows aqui.
– Mas e o seu aniversário?
– Não sei como vai ser. – suspirou. – Sei que não estarei aqui pro da minha mãe e não sei como estarão os ensaios no meio de setembro.
– Seu aniversário vai dar no…
– Domingo. Você vem pra cá?
– Depende, se eu jogar, impossível. E como ainda não tem datas do campeonato, não posso saber com certeza.
– Tentarei ir ao seu primeiro jogo em casa, de verdade, mas como eu disse, não posso garantir. Não sei se estarei por perto, mas farei o possível. – ela deu um sorriso de lado e assentiu. – Talvez eu até use uma camisa do seu time.
– Isso eu duvido. – falou rindo e ela lhe mostrou a língua.
– É, eu também duvido. – Nicholas foi quem se pronunciou, fazendo rolar os olhos. – Não vai levá-lo nas divulgações, ? Eu sempre ia com você.
– Ele não é uma bolsa pra eu carregar pra onde eu for. – disse se virando para olhá-lo e deu um sorriso debochado. – E, diferente de você, ele tem um emprego e responsabilidades a cumprir.
– Uh. – falou baixo reprimindo a vontade de rir.
– Bom, eu não quero ficar aqui. Vamos nos divertir, meine Liebe. – ela disse e olhou para , dando um sorriso forçado que Nicholas não viu, ele assentiu e os dois saíram de perto dele.
– E qual é a da história com Nicholas?
– Ele é um babaca. Quase fez e Ian terminarem quando fez tudo aquilo comigo, de traição e tudo mais.
– O que, exatamente, é o “tudo mais”? – perguntou.
Os dois sentaram-se em duas cadeiras que estavam um pouco afastadas do aglomerado de pessoas. Os olhos curiosos de estudaram a expressão de , que parecia estar se recordando de coisas pouco agradáveis.
– É um assunto… complicado.
– Se você quiser falar, eu tenho todo tempo do mundo pra te ouvir.
– Não sei se esse é o momento. – suspirou, olhando para o céu e tentando encontrar uma forma de contar aquilo.
, se não for uma boa hora pra isso, você pode falar depois, se quiser. Eu achei que tinha apenas o problema da traição, mas parece que as coisas não foram tão… simples. – falou, olhando e ela não falou, apenas continuou olhando para o céu, colocando as mãos entrelaçadas sobre a barriga.
– Prefiro não falar sobre isso agora.
– Você sabia que eu consigo colocar a língua no nariz? – falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça para distrai-la.
se virou em sua direção para olhá-lo diretamente e, pela forma que mexeu sua boca, ele percebeu que ela duvidava. deu um sorriso quase infantil e colocou a língua pra fora e a encostou na ponta do nariz, fazendo dar uma risada, batendo palmas em seguida.
– Parabéns, . Que talento inútil. – falou ainda rindo e ele se colocou de pé, estendendo uma das mãos pra ela. – O que você quer?
– Interagir com as pessoas, não podemos ficar reclusos e isolados na festa de aniversário de um dos seus melhores amigos. – disse e ela rolou os olhos. – E por falar nisso, cadê o Leonard?
– Não vem. Ele tinha alguma coisa com a família dele, não prestei muita atenção, nós estávamos brigando.
– Vocês brigaram de novo?
– É. – ela deu de ombros e se pôs de pé. – Mas não quero e não vou falar sobre isso.

Fazer se enturmar com os demais convidados não foi uma ideia muito boa no fim das contas, acabou sentado sozinho e distante, com um copo de suco em mãos, enquanto conversa animadíssima com um grupo que parecia se conhecer a tempos, usando o boné dele e podia ver seu sorriso ao ouvir o que uma das mulheres falava.
Ele nunca foi muito bom com convenções sociais, não gostava nem um pouco, na verdade, raramente ia quando companheiros de time faziam e o convidavam. Mal frequenta as da própria família, só ia nas que era obrigado e nunca ficava muito tempo. era o oposto, sempre animada o suficiente para ficar em confraternizações de amigos ou família até três ou quatro horas depois do final.
E, tinha que concordar com o que ela tinha dito quando chegaram, realmente parece um filme dos anos noventa: ela, linda e bronzeada conversando e rindo com as amigas, ele distante olhando feito um bobo pra garota mais bonita, sentado longe das pessoas, que estão todas enturmadas e conversam sobre coisas que ele não liga e que tampouco quer saber, e a única coisa que ele realmente quer é ficar olhando feito um idiota a mulher mais bonita da festa sorrindo e conversando com os conhecidos.

? – ouviu uma voz feminina e se virou, encontrando uma ruiva muito bonita.
– O próprio. – ele respondeu dando um sorriso de lado e ela estendeu uma das mãos para um cumprimento.
– Eu sou Jenny. Posso? – ela apontou para a cadeira vazia ao lado e ele assentiu.
– Claro.
– Obrigada. – ela se sentou e o olhou. – Sou sua fã. E odeio o fato que você não esteja mais no time.
– Obrigado. – agradeceu educado.
– Também está se sentindo deslocado?
– Um pouco. – falou e soltou uma risada pelo nariz.
– Minha irmã me arrastou pra cá, não conheço ninguém, mas ela achou uma boa que eu viesse junto para enturmar com as pessoas. E você?
– Algo parecido, mas eu vim com a minha namorada.
, a cantora, certo?
– Isso. – assentiu.
– Ela é fantástica!
– Concordo. – deu um sorriso, olhando rapidamente para o local em que estava conversando com os amigos. – Ela é amiga de longa data do Ian e da , não posso ir embora, porque estamos juntos no carro dela e como ela está bebendo, eu sou o motorista do dia.
– Somos dois. – Jenny suspirou, erguendo o copo vazio. – E todos parecem se conhecer. Esse lugar está lotado e todos eles se conhecem! Isso nem deve ser possível.
– Mas é. – disse rindo. – Devem ser amigos há muito tempo.
– Minha irmã conhece Ian desde antes deles nascerem praticamente. – Jenny falou rindo. – Passaram a vida toda juntos, são melhores amigos.
– Vou buscar alguma coisa zero álcool pra beber, você quer? – perguntou e Jenny assentiu sorrindo. – Guarda meu lugar, por favor.
– Claro, mas não demore, esse lugar afastado de tudo está disputadíssimo. – ela respondeu em tom de brincadeira e se afastou para buscar suco ou refrigerante.
Não viu no local em que ela estava anteriormente, mas supôs que tivesse ido ao banheiro, dada a quantidade de álcool que ela vem ingerindo há horas, por isso não se preocupou em procurá-la e apenas voltou com os copos de refrigerante e entregou um a Jenny, mas antes que pudesse se sentar, viu Nicholas entrando na casa, olhando para os dois lados, como se estivesse se certificando de que ninguém o observava.
– Merda. Eu já volto. – falou baixo e deixou o próprio copo sobre a cadeira antes de seguir até o interior da casa. Não viu Nicholas e nem na cozinha, mas os encontrou no corredor. Ele parado, com os braços abertos e fechando a passagem dela para o exterior da casa. – Eu estou interrompendo alguma coisa?
– Está. – Nicholas se virou e olhou para , estava sem os óculos de sol e parecia assustada.
– Que ótimo. – falou forçando um sorriso e tirou os braços de Nicholas das paredes e parou ao lado de .
– Eu estou conversando com ela.
– Você usou o verbo no tempo errado, Nicholas. Você estava, não está e nem estará mais a partir de agora.
– O que está acontecendo aqui? – a voz de denunciou sua presença e ela, de braços cruzados, olhava diretamente para o cunhado.
– Nada, encontrei os dois enquanto ia ao banheiro. – Nicholas mentiu, dando um sorriso para a cunhada.
veio ao banheiro, Nicholas veio atrás e eu vim descobrir o que ele queria, porque se preocupou o suficiente em conferir se não tinha ninguém olhando antes de entrar. – respondeu e Nicholas o olhou furioso.
– Nicholas, você vem comigo. Agora. – disse séria, mas não esperou que ele caminhasse até ela, o buscou pelo braço e saiu puxando para o exterior da casa.
– Ele fez alguma coisa? Você tá bem? – perguntou preocupado olhando para e ela assentiu, mas sem o olhar. – Esse balançar de cabeça foi pro tudo bem ou por que ele fez alguma coisa?
– Tá tudo bem. Ele… só veio falar que você estava de papinho com outra, que era meu destino não ter ninguém, porque todo mundo sempre escolhia me trocar. Que a culpa é minha e…
– Não. – a interrompeu e a olhou nos olhos, segurando seu rosto entre as mãos. – Você sabe que isso não é verdade.
– Nós é que não somos de verdade. – ela sussurrou com a voz trêmula. – Eu quero ir embora, você pode me levar pra casa dos meus pais?
– Claro. Vou falar com e…
– Não! Eu falo com ela depois. Só… só vamos, pode ser?
– Tudo bem. – falou e se virou, soltando-se de e os dois caminharam para fora da casa.
Não conversaram, foi o caminho inteiro de olhos fechados, fingindo dormir e entendeu o recado, não falou e deixou que ela aproveitasse o silêncio. E agora estava mais do que óbvio que a história entre Nicholas e era muito mais séria do que o que ela tinha contado até então. Quando estacionou em frente à casa dos , despertou de seu sono fajuto e desceu do carro num pulo. também desceu e ela o encarou confusa.
– Pode ir com o carro, busco com você amanhã.
– Não. – falou, negando com um aceno de cabeça, e lhe entregou as chaves do carro. – Vou a pé.
– Você vai andar muito, pode ir com o carro.
– Que nada, dá pra ir à pé tranquilo. Bom que vou fazendo um exercício pra ir aquecendo pra próxima temporada. – falou dando um sorriso e abriu os braços, esperando que ela o abraçasse, mas quando percebeu que ela não o faria, ele foi até e a envolveu num abraço. – Esquece o que aquele idiota falou, ele não sabe nada. Você não tem culpa dele ser um otário sem caráter que precisa brincar com o psicológico e o emocional das pessoas. Ele mentiu. E qualquer coisa que você precisar, me liga.
falou sincero e lhe deu um beijo demorado no rosto, mas não esperou que respondesse, apenas se virou e saiu andando para o longo percurso que tinha a fazer.

Capítulo 15

– Você vai demorar muito? – a voz de soou manhosa ao telefone, quase como uma criança mimada.
– Se você parasse de falar e me deixasse sair de casa, eu já estaria ai. – Davi ralhou e encerrou a chamada.
– Grosso, mal educado, bruto, animal. – praguejou, mas sorria.
Tinha tirado o dia para aproveitar a companhia do irmão, os dois costumavam ser inseparáveis quando mais novos e tinham tempo para ficar juntos em casa o tempo todo ou quando podiam sair para se divertir a qualquer momento, sem que houvesse trabalho a ser feito ou que os fãs de brotassem do chão e se multiplicassem rapidamente e a ocupassem por muito tempo.
Davi tornou-se engenheiro civil em uma grande empresa em Munique, vivia viajando pelo mundo, mas quando ambos estavam na cidade, sempre tiravam um tempo para ficarem juntos, vendo filmes, conversando, comendo ou simplesmente fazendo nada, apenas aproveitando a companhia um do outro, como sempre fizeram.
começaria a viajar para divulgar o lançamento do primeiro single dali alguns dias, então lhe restava pouquíssimo tempo para aproveitar a calmaria e o descanso em família antes que sua vida começasse a ficar agitada e ela não passasse mais do que algumas horas em Munique, mas trabalhando.
A cabeça doía pela noite mal dormida e pelo álcool do dia anterior e sua resolução para o resto do ano – e para o resto da vida! – era a de nunca mais beber nada que tivesse álcool.
Bom, com exceção de um bom vinho.
E a cerveja na Oktoberfest.
Mas só. Fora isso, não queria mais contato com álcool, sempre acabava se arrependendo depois de beber, quando estava de ressaca e tinha que lidar com o corpo reagindo daquele jeito horrível, mesmo que ela nem tivesse bebido muito.
tinha lhe mandado uma mensagem perguntando se estava tudo bem e ela apenas respondeu que sim e que passaria o dia com Davi, conversariam depois e logo deixou o celular de lado. Em partes por não querer conversar com , mas também não queria acabar presa às redes sociais e naquele dia, tudo que ela não queria era se distrair com alguma coisa que desviasse sua atenção de seu irmão.
Os dois – e – tinham quase entrado em um terreno que ela pouco ousava caminhar, não gostava de falar daquilo e não sabia se era a hora de falar sobre tudo com , ainda que ele fosse confiável o suficiente para saber e nunca mais falar a respeito caso ela não quisesse conversar sobre isso, mas ela não gostava de falar daquilo. Tornava tudo mais real. Mais do que tinha sido.
Naquele momento ela só queria passar o dia com o irmão e dar total e completa atenção até que ele tivesse que ir embora no dia seguinte para trabalhar e eles fossem ficar sem se ver por muito mais tempo do que qualquer um dos dois gostaria que acontecesse.
Quando o elevador fez sinal de que tinha chegado ao andar, deu um sorriso animado e correu até a porta para recepcionar o irmão. Davi fazia parte da lista dos autorizados a subirem ao seu apartamento sem necessidade de usar o interfone quando porteiro estava no térreo, então aquilo era o sinal claro de que o porteiro estava trabalhando, já que o interfone não tocou.
E assim que abriu a porta que dava para o corredor, realmente encontrou Davi, mas ele estava acompanhado.
De Leonard.
O sorriso de foi morrendo aos poucos ao ver o empresário ali.
– Leonard? – perguntou frustrada.
– Nossa, obrigado pela a animação.
– Se você veio até aqui pra falar de trabalho, pode dar meia volta. Eu vou passar um dia bem agradável com meu irmão e não vou fazer e nem falar nada de trabalho no dia de hoje.
– Eu vim, porque você passou o dia na casa da ontem e nós temos que conversar sobre algumas coisas.
– Não faz mal, . – Davi falou, coçando a nuca. – Podemos marcar pra depois.
– Não vou remarcar com você, Davi. – falou decidida, olhando para o irmão, e virou-se para olhar para Leonard. – Vou encontrar com você na terça, Leonard, esse assunto vai esperar, porque eu não vou atender nenhuma ligação e nem responder suas mensagens até lá. E você está indo embora agora. Tchau.
– Mas…
– Sem mas. Eu vou passar o dia com meu irmão, sem trabalho e qualquer coisa que possa nos atrapalhar, então respeite isso e nós conversamos na terça-feira.
, nós pr…
– Eu vou ligar pra Allie. – ameaçou e Leonard rolou os olhos. – Tchau.
– Terça-feira, .
– Estarei lá. – falou, dando um sorriso forçado e puxou Davi pela mão para o interior do apartamento e bateu a porta na cara de Leonard.
– Você está cada dia mais sem educação, . – Davi zombou, mas não teve a resposta mal criada que achou que teria, pois a irmã apenas o envolveu num abraço apertado.
– Por Deus, há quanto tempo eu não te vejo, Davi? Senti tanto a sua falta, Schnucki. – perguntou ainda abraçando o irmão.
– Acho que a gente não se vê desde o dia em que você e seu namorado almoçaram na casa dos nossos pais e isso faz mesmo muito tempo. – Davi respondeu rindo e a abraçou de volta. – Senti sua falta também, Schnucki.
– Já tomou café da manhã?
– Ainda não, porque sei que você fez aquele super café da manhã que costumava fazer quando éramos adolescentes e morávamos todos juntos, porque você acha que todo mundo come muito igual a você. E a parte boa é que eu como bastante. – Davi falou rindo, batendo na própria barriga e riu junto.
– Eu discordaria, mas você está certo. – ela rolou os olhos e saiu puxando Davi para a cozinha.
– Eu sempre estou certo, . Principalmente sobre esse super café. – Davi falou ao ver a mesa de café da manhã que a irmã tinha preparado. – Sinto falta de quando isso acontecia em casa. E quando “em casa” envolvia morarmos com nossos pais.
– Era muito bom. – sorriu saudosa. – Vamos comer, tenho planos para o dia de hoje.
– Gosto muito de ser paparicado. – Davi sorriu, tomando um lugar à mesa. – E o que você me conta de novo, ?
– Nada, eu acho. – deu de ombros. – Viajei, você sabe, e foi ótimo.
– E eu ainda não aceitei bem o fato de que você não me convidou pra ir praquele paraíso com você. – Davi parecia desapontado enquanto se servia de café.
– Você aceitaria, foi por isso que eu não te convidei.
– Essa é a intenção de se convidar uma pessoa, jüngste.
– Imagina que ótimo eu te convidar pra ir junto comigo em uma viagem em que eu fui apenas com meu namorado. – falou debochada.
Bom, ela queria que Ute fosse e também, mas os motivos eram outros. E, em todo caso, Davi não precisava ficar sabendo.
e Ian foram.
– Eles são um casal e não ficaram tanto tempo. E foi um pedaço do presente de casamento que eu dei pra eles.
– Não interessa, você deveria ter me convidado.
– Podemos ir depois. Você vai gostar, lá é lindo.
– E quando começa a turnê?
– Outubro. – suspirou derrotada, cortando uma fatia do bolo de limão que tinha feito e era o favorito do irmão. – Você vai nos meus shows?
– Não em todos, infelizmente.
– Davi, eu pago seu ano de salário e bonificações, por favor! – soltou um muxoxo quase mimado.
– Sem chance, , eu estou com um projeto realmente legal lá na empresa.
– Sério? – perguntou animada. Nem parecia aquela de segundos atrás que estava quase subornando o irmão para largar tudo e passar um ano viajando pelo mundo em turnê com ela. – Conta isso direito!
– Nós recebemos um projeto grande, eu não posso contar o que é, mas é algo que eu sempre quis fazer e meu chefe me colocou como um dos engenheiros responsáveis.
– Você é o melhor. – sorriu abertamente. – Aqui em Munique?
– Em Dortmund.
– Espero que não envolva aquele… time. – falou com nojo e Davi riu.
– Eu jamais faria alguma coisa pra colaborar com aquilo.
– Ainda bem. – falou quase com o tom de sua mãe.
– E então, você vai no aniversário da tia Norma?
– Claro que não, graças aos céus eu nem estarei aqui. Não por ela, mas por alguns daqueles seus parentes que, sinceramente, não deveriam nem estar nessa família mais.
– Não acredito que vou sem minha fiel escudeira. – Davi resmungou.
– Você pode não estar aqui também. – deu de ombros. – Pode ser na época de algum show em outro país…
– Fim de novembro.
– Estarei pela Europa, então você pode se refugiar comigo. – piscou.
– Eu te amo muito.
– Eu sei, mas agora me conta, você ainda está saindo com aquela maravilhosa do seu trabalho? – perguntou, direcionando um olhar curioso e malicioso para o irmão.
– Maravilhosa só por ser sua fã que eu sei. – Davi falou debochado e deu de ombros, mas sorriu travessa. – Mas, não. Sydney e eu não temos mais nenhum tipo de envolvimento.
– Ela é linda.
– Eu também sou.
– Depende. – tombou a cabeça e lançou um olhar debochado para o irmão.
– E depende do quê?
– Do meu humor. – ela deu de ombros. – Mas aconteceu alguma coisa?
– Eu estava criando expectativas que ela não queria e nem iria cumprir.
– Você está apaixonado? – perguntou quase perplexa.
– Eu estava me apaixonando. E fui sincero, ela disse que não tinha interesse em nada sério no momento, então era melhor não termos mais nada, porque ela não queria me magoar.
– Pelo menos ela não brincou com seus sentimentos.
– É. – Davi deu de ombros. – Mas agora eu estou bem. De verdade.
Mama disse que está sentindo nossa falta em casa.
– Recebi a uma ligação falando a mesma coisa. – Davi falou, mordendo um pedaço de bolo que tinha cortado. – E fiquei sabendo que você esteve lá ontem.
– Fui depois do aniversário do Ian, senti falta dos dois.
Papa disse que estava junto, mas ele foi embora a pé e você ficou.
– Ele tinha coisas pra fazer. – deu de ombros, tomando um gole de café.
– O que aconteceu nesse aniversário que foi tão sério a ponto de te fazer ir pra casa dos nossos pais ao invés de vir pra cá, sair cedo da festa de um dos seus melhores amigos e seu namorado ir embora ao invés de ficar com você? – Davi perguntou, analisando demoradamente o semblante da irmã.
– Eu bebi, senti um mal-estar e fui embora.
– Eu acredito na parte do beber e se sentir mal, mas eu sei que tinha alguém lá e que esse alguém falou com você.
– Sim, mas eu não quero falar sobre isso, por favor.
– Só preciso saber se…
– Não, ele não se aproximou tanto. esteve comigo e por isso as coisas não foram tão… catastróficas.
– Sinto muito, Schnucki.
– Vamos parar de falar de coisas tristes. – pediu. – Vamos, na verdade, parar de falar e comer. Eu quero passar um bom tempo na piscina e depois n…
– O que vamos almoçar?
– Você nem terminou de comer o seu café da manhã, Davi, pelo amor de Deus!
– Eu só estou curioso, não ansioso.
– É surpresa.
– Delivery, claro, você é péssima na cozinha. – zombou e lhe mostrou o dedo do meio. – Papa adoraria ver isso.
– Eu, pelo menos, sei fazer mais coisas na cozinha do que pegar água na geladeira. Diferente de você. – implicou, garfando outro pedaço do bolo.
Os dois terminaram o café da manhã trocando poucas palavras e algumas provocações antes de saírem da mesa. guardou os alimentos e lavou o que tinha sujado e logo subiu para o quarto para trocar as roupas comuns por trajes de banho e, finalmente, os dois foram para a piscina. , animada, seguiu até o som e colocou a música o mais alto que podia.
– Espero que você tome uma multa por perturbar seus vizinhos. – Davi falou, pulando na piscina e espirrando bastante água.
– Meus vizinhos me adoram. Eu sou uma vizinha exemplar.
– Adoram tanto que fizeram um abaixo-assinado pra te convidar a se retirar do prédio. – Davi caçoou.
– Você é tão desnecessário, Davi, eu nem sei porque eu ainda insisto em você.
– Que música horrível é essa? – ele perguntou fingindo-se de sério, fazendo uma careta de reprovação, mas sabia que a música era da irmã.
– É minha.
– Por isso mesmo. Que coisa horrível. – Davi gargalhou, debruçando-se à beirada da piscina.
– Eu te odeio.
– Nós dois sabemos que isso não é verdade.
– All this time tryna keep my heart in tact, my only dime keeping up my balance act. No use trying, I be falling right off that and there’s nothing I can do about it…
– Você foi escolhida pra cantar essa música, porque ela foi feita sob medida pra você, jüngste. – Davi falou, observando a irmã interpretar a canção que tinha feito em parceria com um DJ britânico, que a escolhera para interpretar aquela canção. – Você deveria me apresentar alguma das suas amigas famosas.
– Não quero você perto dos anjos que são as pessoas que eu conheço.
– Sabe, agora que você namora um jogador…
– Lá vem. – falou, sentando-se à beira da piscina.
– Ele podia me apresentar o Messi.
– Davi, o não é amigo do Messi.
– Ele é amigo do Javi e o Javi é amigo do Messi, então ele pode me apresentar ao Javi e o Javi me apresentaria ao Messi.
– E por que você não vai até Barcelona e conhece seu ídolo? – perguntou em tom óbvio. – É muito mais fácil.
– Abra as portas do Camp Nou pra mim, ó . – Davi debochou.
– Eu acho que eles não treinam no Camp Nou, Schnucki.
– Não interessa. – Davi rolou os olhos. – Você devia ajudar seu irmão.
– Eu vou fazer um show em Barcelona, verei o que posso fazer por você.
– Você é minha irmã favorita! – Davi falou, puxando para que ela caísse na piscina.
– E você é o irmão que eu mais odeio. – falou quando emergiu.
– Você estará aqui pro aniversário da Mama?
– Não. – suspirou. – Em dezembro eu já estarei em turnê.
– Ia sugerir de fazermos uma festinha, como nos velhos tempos.
– Com os parentes todos?
– Credo! – Davi fez uma careta. – Não, apenas nós e algumas das amigas dela.
Oma. – falou fazendo um bico de choro.
A avó materna falecera em 2015, desde então as festas de aniversário tornaram-se um pouco menos alegres, porque a alma delas tinha partido pra sempre. A avó era a maior entusiasta de festas de aniversário, sempre animada, cantante e sorridente, era a primeira a chegar e a última a ir embora, até adoecer e alguns meses depois falecer.
sabia que Davi e ela eram os netos favoritos, nunca falaria aquilo em voz alta, mas sabia. E perder a avó um ano depois de perder o avô fora um golpe e tanto para os dois, que já não tinham avós paternos desde bem pequenos e cresceram acompanhados dos avós maternos, visitando-os com bastante frequência durante todo o tempo que conviveram.
– É, infelizmente seríamos só nós e as amigas da Mama que tentam me empurrar todas as filhas delas. – Davi falou, tentando amenizar o clima.
– Eu não estarei aqui. – ela voltou a suspirar. – Mas acho que você deveria organizar isso com o Papa e eu farei de tudo pra comparecer, mesmo que por algumas horinhas.
– Vou conversar com ele sobre isso e te falo.
– Infelizmente em abril eu estarei muito longe e não devo conseguir comparecer a do papai.
– E nem no meu, sua desalmada. – Davi falou ultrajado.
– Não me importo o suficiente pra me preocupar com minha ausência no seu aniversário. – fingiu descaso e abraçou o irmão pelas costas. – Sinto muito por isso.
– Sem problemas, mäuschen. – Davi falou sincero, afagando o antebraço da irmã e deu um sorriso que ela não viu. – Eu entendo.
– Eu prometo que compro um presente bem lindo.
– Você não pode ME dar de presente pra mim, . – Davi brincou, ouvindo a irmã gargalhar mais alto que a música que tocava. – Pra quê esse escândalo?
– Porque você é engraçado. – zombou.
Mas a ideia era boa. Pelo menos para tirar um sarro da cara do irmão.
– O que nós vamos almoçar?
– O que você quer comer?
– A melhor lasanha de Munique.
– Eu sabia. – soltou o corpo de Davi e voltou para o seu lado. – E, exatamente por isso, eu comprei tudo pra fazer essa lasanha para o meu irmãozinho favortio.
– E de sobremesa…
Apfelstrudel. E sorvete. – sorriu animada.
– Você é linda. – Davi deu um beijo no rosto da irmã.

🎤❤️⚽️
– Sabe… – Davi começou a falar enquanto ainda mastigava.
– Eu não quero ver a pizza sendo mastigada na sua boca, seu porco. Engole e depois você fala. – fez cara de nojo.
– Você é chata. – Davi falou após engolir. – Enfim, você nunca me contou a história.
– Que história?
– A sua e do . – Davi falou como se fosse óbvio.
Ela teria que mentir para o próprio irmão – coisa que odiava fazer – e não tinha outra saída, porque Davi ficaria absurdamente decepcionado com ela se soubesse a verdade por trás daquele namoro. E iria atrás de , o encheria de socos e era capaz de arrancar as duas pernas do jogador, impedindo que ele jogasse em qualquer time de futebol. Leonard e Hugo também não sobreviveriam para contar história.
Para evitar tantos desastres, decidiu-se por uma meia verdade, que era a história que seria contada à mídia, caso fossem questionados sobre isso. E, em todo caso, era algo que mais ou menos tinha acontecido, com algumas alterações, mas ninguém precisava ficar sabendo.
– Leonard e Hugo se conhecem desde a faculdade, e resolveram nos apresentar. Disseram que achavam que daria certo entre nós dois, porque nós… combinamos. – ela deu uma risadinha, focando na pizza para não olhar para os olhos atentos de Davi e acabar contando a verdade. – Mas não foi bem assim.
– Não?
– Ele nem me olhava quando nos conhecemos. Pedi o número dele e depois disso nós trocamos pouquíssimas mensagens, ele mal me respondia. Leonard ficava enchendo o saco sobre ser meu crush da adolescência e que seria engraçado se nós dois acabássemos juntos, mas eu achei que não teríamos nada, dado o pouco entusiasmo nas conversas que tínhamos.
– Você perdoou o tweet? – Davi deu uma risada e assentiu, também rindo.
– Enfim, trocamos poucas mensagens e eu já estava perdendo as esperanças, então um belo dia ele me mandou uma mensagem falando que estava em Munique e perguntou se eu queria sair pra fazer alguma coisa. Nós fomos ao cinema e começaram a especular sobre um possível namoro e um pouco depois começamos a namorar mesmo.
– Mas antes disso vocês trocavam diversas curtidas e comentários nas fotos.
– E sempre quem começava era eu. – deu uma risadinha sem graça.
Aquilo era uma verdade.
– Você é uma mulher de atitude. – Davi brincou. – E então?
– E então o quê? É isso.
– Que sem graça. – Davi resmungou.
– Ele é muito tímido, Davi. Eu tive que ser bem clara pra ele entender que eu queria beijá-lo. – mentiu e Davi a olhou curioso.
– Quando?
– Quando o quê?
– Quando vocês se beijaram?
Ai , o peixe morre é pela boca mesmo.
– Numa espécie de reunião na casa de Hugo, uma pequena festa, na verdade. Estávamos lá, já tínhamos conversado várias vezes, mas ele não parecia muito confortável em ficar perto de mim pessoalmente, já tínhamos ido ao cinema e nada aconteceu, então eu acabei informando que ia beijá-lo. – contou uma meia verdade.
Realmente tinham ido para a casa de Hugo, mas apenas para serem vistos chegando a um mesmo lugar, num mesmo dia e dar mais assunto para as revistas comentarem, mas naquele dia eles mal se falaram, porque ela estava muito ocupada reescrevendo uma música e ajustando a sonoridade para tentar ir ao estúdio no dia seguinte bem cedo.
– Eu sempre achei que ele era gay. – Davi falou, fazendo gargalhar.
Pelo menos ela não tinha sido a única.
– Ele não é. Pode ter certeza disso. – afirmou categoricamente, recordando-se muito bem de todos os acontecimentos entre eles naqueles últimos meses.
– Que nojo. – Davi fez uma careta. – Prefiro não saber dessas coisas.
– Foi você quem perguntou. – ela deu de ombros.
– Eu nem te agradeci… – Davi falou e o olhou sem entender.
– Agradecer pelo quê?
– Por hoje. – Davi sorriu e sorriu junto. – Além de agradecer pela música. É ótima e eu fico muito feliz de saber que você acha isso sobre mim, mesmo sabendo, porque você sempre falou todas aquelas coisas pra mim, todos os dias das nossas vidas desde sempre, mas ver meu nome se tornar um nome de música de uma cantora mundialmente famosa e amada, com uma letra que fala coisas tão boas sobre mim pro mundo inteiro ouvir… é emocionante. E meio doido também.
– É apenas a verdade, bruder.
– Mesmo que eu não tenha uma música pra cantar pra você, sei que você sabe que te amo demais e sou muito feliz por sermos irmãos, por termos crescido tão bem e sermos amigos.
– Eu sei disso.
– Agora que eu já te humilhei no videogame diversas vezes, que nós assistimos filme, conversamos e comemos… podemos dormir? Eu estou velho, já estamos mais perto da manhã do que da noite e eu tenho que acordar cedo pra ir trabalhar amanhã.
– Sim senhor. Eu estou cansada, você é um irmão que dá muito trabalho.
– Eu amo você, mäuschen. Obrigado pelo dia de hoje, eu senti falta disso.
– Eu também senti muita falta de um dia de irmãos, como tínhamos antes da vida virar essa loucura.
– Precisamos de outro antes da sua turnê começar. – Davi falou, ficando de pé.
– Vou conferir minha agenda e nós marcaremos. – concordou, também se levantando e os dois ajeitaram a bagunça de caixas de pizza, refrigerantes e videogame.
Davi seguiu para um dos quartos de hóspedes, depois de um abraço demorado na irmã, e foi para o próprio quarto. Vestiu um pijama e deitou-se na cama com o celular em mãos. Tinha uma foto especial para postar, depois de um dia inteiro ausente das redes sociais.
A foto não tardou a ter diversas curtidas e comentários, claro. Antes que pudesse deixar o celular de lado, o aparelho vibrou em suas mãos e ao destravar a tela, percebeu que a notificação era de mensagem no WhatsApp.

: Queria conseguir me livrar do namorado da minha irmã pra passar um tempo de qualidade com ela também
Igual ao que seu irmão fez hahaha
Fico feliz que seu dia com seu irmão tenha sido proveitoso, vocês merecem
Enfim, boa noite.
E dê notícias, por favor, fiquei preocupado ontem…

Schnucki: não tem uma tradução literal, é apenas uma forma fofa de tratamento em alemão.
Mäuschen: É uma variação de mausi, usada para tratamento carinhoso.

Capítulo 16

– E como está o namoro? – o âncora do programa perguntou sugestivo.
deu um sorriso sem mostrar os dentes, reprimindo a vontade de dar uma resposta atravessada. Estava ali para promover seu single ou passariam mais tempo falando sobre seu namoro com um jogador de futebol de novo?
A divulgação para os fãs tinha sido fantástica, muito bem recebida e todos tinham ficado muito felizes de fazer parte do clipe de promoção da música, por passarem algumas horas com a cantora, vê-la tão de perto e tê-la tão acessível. tinha amado toda a proximidade, o resultado das divulgações e como seu single vinha sendo muito bem recebido pela crítica e pelos fãs mundo a fora, estava amando ler os comentários sobre o que esperar do novo álbum. Seria um sucesso, ela podia sentir.
Mas a coisa que mais parecia importar nas entrevistas, principalmente quando eram entrevistas para programas com apresentadores homens, era o namoro com um jogador de futebol. Ninguém parecia querer saber do trabalho duro que ela teve, apenas das fofocas. E estava ficando de saco cheio daquilo.
– Ótimo.
– E agora ele pode sair do país…
– Não vai, ele acertou hoje de manhã com o Stuttgart. E, em todo caso, eu vou rodar o mundo em turnê, não faria diferença se ele ficasse em Gelsenkirchen, em Munique ou em qualquer outro país. – deu de ombros, forçando um tom divertido. – Mas fico muito feliz por ele estar feliz e de volta a um clube no qual ele jogou na base e pelo qual ele tem muito carinho e respeito.
– Um namoro tão recente e você vai viajar por um ano…
– E o que isso tem a ver? – perguntou sem entender. – Não preciso ficar pendurada nele todos os dias e o dia todo pra que nosso namoro dure, nem ele precisa ficar andando atrás de mim o tempo todo. Somos namorados e não gêmeos siameses.
– Uau, afiada. – o âncora brincou e voltou a dar um sorriso forçado para o homem. Leonard, ao seu lado, estava prestes a ter um colapso pela acidez da resposta, mas não se importava com o âncora, muito menos com as reações de Leonard. – Você escolheu “Mut” como single de lançamento, é uma música fantástica, parabéns.
– Obrigada.
– E ela me parece sincera.
– Minhas músicas sempre são sinceras. Escrevo sobre mim, sobre o que sinto e sobre o que vejo. Essa é uma das minhas favoritas, se não for a minha favorita, desse álbum. Foi uma das músicas que mais gostei de dar vida e forma. E justamente por isso ela foi escolhida para ser a primeira a ser divulgada.
– Você pretende gravar um clipe? – um dos componentes do programa perguntou interessado.
– Sim, mas não sei se seria algo conceitual com roteiro ou algo simples. Quero pensar com carinho e cuidado, porque é uma música muito especial pra mim.
– O clipe de divulgação ficou realmente sensacional. A ideia de divulgar em pequenas apresentações surpresas para os fãs foi ótima.
– Obrigada.
– Parabéns ao empresário e à equipe que pensaram nisso e deram forma e vida de forma perfeita. – o homem cumprimentou Leonard.
– Leonard não teve participação nenhuma. Kelly, minha agente, e eu fomos as responsáveis por tudo, então obrigada.
– Você gravou uma música nos Estados Unidos… “Dominos”, certo? – o homem mudou de assunto.
– Isso.
– E ela faz parte do álbum?
– Não. – negou com um aceno. – Foi algo que aconteceu depois de encerradas as gravações. “Dominos” foi gravada em parceria com o querido Alex Adair, mas não está no meu álbum. É uma composição dele e eu apenas fui contemplada com a honra de cantá-la.
– É uma balada pop bem interessante.
– Eu gosto muito dela, de verdade. Se tivéssemos gravado antes, com certeza eu pediria autorização pra colocá-la no álbum, é uma música muito boa e dançante. Alex é uma pessoa ótima e espero poder trabalhar com ele de novo em breve.
– O álbum tem alguma música nessa mesma pegada?
– Vocês vão ter que esperar pelo lançamento. – deu um sorrisinho e piscou para o âncora.
– E tem alguma música pro seu namorado?
– Nós ainda não nos conhecíamos quando eu escrevi as músicas e quando as gravações foram iniciadas, mas tem uma nova música pros meus pais.
– E você pode falar o nome?
– Prefiro deixar que seja surpresa. – sorriu. – O álbum sai em breve, a divulgação da tracklist também e aguardo as especulações.
– Todas em alemão?
– Não.
– Uma única versão ou vai fazer “deluxe”?
– Só uma versão.
– Quantas faixas? – o âncora perguntou e ela olhou para Leonard, procurando autorização para liberar, ele deu de ombros.
– São quinze músicas.
– E o que seus fãs podem esperar do seu novo álbum? Está muito diferente dos anteriores?
– Eu comecei minha carreira aos dezesseis, mudei muito de lá pra cá e, consequentemente, minhas músicas também mudaram. Então, posso dizer que esse álbum foi escrito e produzido com muito carinho e atenção, além de trazer todas as minhas verdades. Sendo bem parcial, está fantástico.
– Você já tem uma rota para a turnê?
– Já sim. – ela deu um sorriso forçado. Não gostava nem de lembrar de toda a situação envolvendo aquela rota. – Mas a prioridade no momento é o lançamento e a divulgação.
– Já escolheram os outros singles?
– Assim que eu finalizei “Mut”, eu disse que esse seria o primeiro single de trabalho, porque é uma música muito forte e bonita, mas não definimos quais serão as outras e se teremos outras.
Porque minha equipe não tem bom senso de fazer divulgação de músicas antes do lançamento oficial e da turnê começar, mas ninguém me escuta…
– Passarinhos me contaram que você apresentou seu álbum para a Academia do Grammy. É verdade?
– Esses passarinhos mentiram pra você. Quando eu estive nos Estados Unidos, ainda que eu tenha ido à Califórnia, não me apresentei na Academia.
– Você acha que pode ser indicada?
– Não sei, há muitos álbuns dignos de indicação e premiação.
– E os boatos de música com seu ídolo, John Mayer, são reais?
– Se ele quiser, podemos gravar um álbum inteiro em parceria. – disse num tom bem-humorado, mesmo que a simples menção de John Mayer a fizesse ter vontade de socar Leonard. – Mas, por enquanto, não temos nada.
– Parcerias a vista?
– Talvez, mas não posso dar spoilers assim. – ela deu um sorriso para o homem.
– Nesse álbum tem parcerias?
– Daqui uns dias vocês descobrirão. – ela respondeu educada, dando uma piscada e fez o homem rir.
– Essa foi , nós precisamos liberá-la para outros compromissos, mas ficamos no aguardo do lançamento do álbum e dos shows e te esperamos aqui quando o álbum sair, . – o âncora disse animado.
– Obrigada pelo espaço e claro que voltaremos, é só chamar. – ela respondeu educada e o programa foi para o intervalo.

Trocou abraços de despedida com a equipe, além de tirar algumas fotos e logo ela e Leonard estavam de saída da rádio. encontraria em uma cafeteria ali perto e Leonard voltaria para Munique. Estavam em Stuttgart para o programa e como tinha acertado com o time pela manhã, os dois se encontrariam e ela ficaria pelo fim de semana, tinham uma imagem a passar para a imprensa, precisavam que ser vistos juntos.
Desde o aniversário de Ian os dois tinham se visto apenas uma vez, há quase vinte dias, já que entrou em sua apertada agenda de trabalho, com os shows feitos em cinco dias para que o videoclipe fosse produzido, depois as entrevistas em rádio e televisão, e também estava resolvendo os últimos detalhes de sua mudança para Stuttgart.
não tinha ficado em Munique mais do que doze horas desde a última reunião com Leonard, na terça-feira após o aniversário de Ian, viajou por quatorze cidades fazendo os shows de divulgação, entrevistas e algumas reuniões até terminar ali, em Stuttgart.
enviou mensagens diariamente perguntando como ela estava depois do episódio com Nicholas, os dois conversavam nos intervalos em que tinha tempo para responder e tinha ligado há três dias para contar que estava indo a Stuttgart arrumar a casa e assinaria um contrato por três temporadas com o time.
O combinado era se encontrarem assim que o programa acabasse, pouco depois do horário do almoço, em uma cafeteria próxima à nova casa dele. enviou uma mensagem informando que tinha chegado ao lugar combinado, mas nem mesmo confirmação de recebimento teve, apenas um risco informando que a mensagem tinha sido enviada, mas não se preocupou, sabia que apareceria.
Sentou-se em uma das mesas mais ao fundo do lugar, enviando outra mensagem a para falar sobre isso, e pediu um café enquanto o esperava, fez um stories com a xícara e escreveu que estava esperando por ele, já deixando claro pra quem visse que o fim de semana seria em casal.
E esperou.
Por duas horas e meia.
A bateria do celular tinha acabado e ela colocou o aparelho ligado ao carregador na tomada mais próxima, achando que falaria algo sobre o atraso, mas não teve resposta à sua mensagem. Ele nem mesmo a tinha recebido. Alguma coisa tinha acontecido, ele não sumiria sem aviso se algo de muito sério não tivesse acontecido de repente.
saiu da cafeteria depois de pagar pelos dois cafés que tinha tomado enquanto esperava, apagou o que tinha postado e ligou para Bob, que tinha ficado por perto e ele a levou de volta ao hotel em que tinha ficado hospedada na noite anterior. Não sabia o endereço da casa e não ficaria na rua esperando que aparecesse, pois estava claro que isso não aconteceria mais. Ligou para o número dele e as cinco ligações caíram direto na caixa postal. começou a pensar no que fazer, porque aquilo era um tanto quanto preocupante. Por mensagem, Ute disse que estava tudo bem com ela e a mãe e que não saber onde o irmão estava, Hugo disse que a última vez em que tinha visto fora no clube pela manhã, mas deu o endereço da casa para que ela fosse até lá, talvez ele tivesse se ocupado de arrumar as coisas e tenha esquecido do combinado. , que já estava no hotel quando Hugo mandou a mensagem, saiu de novo e seguiu até o endereço, esperando que estivesse mesmo dormindo.
A casa estava fechada, as luzes apagadas e não havia carro na garagem. Ela bateu na porta insistentemente, mas não havia um barulho sequer que desse indícios de que havia alguém em casa.

– Oi mocinha. – ela ouviu uma voz feminina e se virou, encontrando a vizinha de lado de . – O rapazinho que agora mora ai saiu.
– A senhora sabe me dizer se faz muito tempo?
– Ele saiu antes do almoço, um pouco depois das dez e meia. E parecia com pressa.
– Ah, obrigada. – agradeceu dando um sorriso para a mulher.

Deu meia volta e entrou no carro para voltar ao hotel e lá tentaria falar com Hugo, talvez ele já soubesse de algo ou pudesse ter alguma pista do que de tão urgente tinha acontecido para que saísse de casa e não avisasse ninguém. Não era nada com Ute ou a mãe, então seria com ele? Não, ele não teria dirigido se estivesse se sentindo mal. Teria? estava preocupada, mas se algo tivesse acontecido, ela já saberia. Ou a internet saberia…
Boa ideia.
Subiu até seu quarto no hotel e se sentou na cama antes de jogar o nome de nas buscas do Twitter.
E, quando os resultados de sua pesquisa apareceram, viu que estava perfeitamente bem e sem nenhum problema. Antes de continuar lendo as coisas, seu celular tocou e o nome de Hugo apareceu na tela.

– Alô.
– Ele está em casa?
– Ele não está em Stuttgart.
– Como assim ele não está em Stuttgart? – Hugo perguntou confuso.
– Ele está bem, Hugo. – respondeu soltando um risinho pelo nariz. – E está em Munique.
– O que diabos ele está fazendo aqui?
– Não faço ideia do que ele está fazendo, mas está acompanhado de uma bela loira.
– Acompanhado de uma bela loira? – Hugo perguntou confuso, mas pareceu se lembrar de quem se tratava e bufou. – Ah puta que pariu! Eu te ligo mais tarde, e…
– Não precisa, ele não me deve satisfações de verdade sobre nada. Só podia ter avisado, eu fiquei duas horas esperando à toa e fiquei preocupada com o sumiço. Enfim, ele está vivo e bem, pelo menos isso.
– Você tem certeza que está tudo bem?
– Absoluta. – deu de ombros e só ai se lembrou que ele não veria. – Só fiquei preocupada.
– Eu vou matar esse idiota. Qualquer coisa que você precisar, por favor, me ligue.
– Pode ficar tranquilo, Hugo, eu estou bem.
– Então até depois. Beijos. – ele disse e desligou.

suspirou antes de colocar o celular na bolsa, levantar-se da cama e sair do quarto para ir embora, não tinha nada pra fazer em Stuttgart, então podia ir pra casa.
Eles já eram trending topics.
As fotos começaram a circular no Twitter, logo acompanhadas de prints do stories que ela tinha postado e fotos dela saindo sozinha da cafeteria. nem tinha visto fotógrafos e sua expressão era de pouquíssimos amigos e um ar misto de decepcionada e preocupada. Não tinham ido atrás dela até a casa dele, pelo menos, mas milhares de fotos marcando os dois já tinham começado a aparecer, agora, no Instagram.
Fez check-out no hotel e o caminho de Stuttgart a Munique foi feito em total silêncio, ela não queria falar e Bob já tinha tomado conhecimento do que tinha acontecido, então se ela não queria falar, não seria ele quem forçaria um diálogo. encostou a cabeça no vidro lateral, fechou os olhos e mentalizou que, finalmente, estaria em casa e poderia descansar de verdade depois de tantos dias em rota de divulgação. Tentou evitar pensar nas fotos tiradas e até desligou o celular, porque não queria chorar.
Nem tinha motivos para chorar.
Ou tinha?
Tinha, claro, fora esquecida por duas horas, ficou preocupada, achou que algo sério tinha acontecido, mas estava com uma loira bonita, caminhando sorridente ao lado dela por Munique. Os dois estavam aparentemente bem despreocupados, enquanto tomava café sozinha em Stuttgart, esperando que aparecesse para fingirem que eram um casal.
Para dar credibilidade ao contrato em que o único beneficiado é ele.
Aquelas fotos não deveriam incomodar tanto. Deveriam?
Enquanto ia embora de Stuttgart, tentava se convencer de que o incômodo era apenas por não ter sido avisada que ele não apareceria e mais nada.
Não podia ser outra coisa.

🎤❤️⚽️
Quando finalmente parou à porta de casa e saiu do carro para entrar em casa e descansar, depois de ter ido o mais rápido que conseguiu para Munique, encontrou uma senhora parada na varanda da casa ao lado. Ela devia ser pouca coisa mais velha que sua mãe e parecia estar esperando por ele, pois assim que o viu, ficou de pé e deu um sorriso em sua direção.

– Boa noite. – ele cumprimentou educado, prestes a entrar em casa.
– Boa noite. Escuta, rapaz, uma mocinha muito bonita esteve aqui te procurando.
– Mocinha boni… – ele começou a dizer e se interrompeu. Ele sabia quem era a mocinha muito bonita que tinha ido até lá. . – Faz tempo?
– Faz sim, ela esteve aqui era perto das quatro da tarde. – a mulher falou e assentiu.
O relógio de pulso marcava dez da noite. Ele era um homem morto.
– Vou ligar pra ela e avisar que cheguei. Obrigado pelo aviso. – agradeceu e abriu a porta de casa.

A bateria do celular tinha acabado perto da hora do almoço e ele tinha deixado o carregador em casa com a pressa na qual saiu, esteve incomunicável quase o dia inteiro. E assim que conectou o celular na tomada e ligou o aparelho, as notificações de mensagens e chamadas perdidas inundaram a tela.
Inclusive mensagens e chamadas de , avisando que tinha chegado à cafeteria, outras cinco perguntando onde ele estava e o intervalo entre as mensagens era grande. Realmente, ele era um homem morto.
Hugo e Ute tinham mandado mensagens perguntando onde ele estava e antes que pudesse respondê-las, o nome de Hugo surgiu na tela em ligação.

– Sua namorada está em Munique, caso você se importe. Ela voltou depois de você deixá-la esperando por duas horas e não dar um sinal de vida. Por que não avisou que não estava aí? Tinha poupado a coitada de ficar esperando! E todo o inferno midiático que está acontecendo nesse momento.
– Eu sai correndo de casa, meu celular ficou sem bateria e…
– Saiu correndo por quê? Fala que não foi porque a Natascha te chamou!
– Ela disse que precisávamos conversar sério. – disse num tom cansado.
– Espero que seja algo importante, tipo a chave para alcançar a paz mundial ou a cura de todas as doenças existentes.
– Hugo, eu estou muito cansado e preciso tomar banho antes de ligar pra e conversar.
– Não ligue, ela vai acabar com você, se é que ela vai atender. Só espero que você dirija bem rápido de novo até Munique amanhã.

Hugo falou bravo e não esperou por resposta, apenas encerrou a ligação e resmungou um xingamento antes de ir tomar banho.
A foto de tinha sumido do WhatsApp, ele estava bloqueado. A confirmação veio quando enviou uma mensagem avisando que iria a Munique no dia seguinte e só um risco. Seu contrato já era e ele tinha certeza disso.

🎤❤️⚽️
– Nossa, ela é bonita. – falou quando viu a foto e rolou os olhos.
Ela sabia que a mulher que estava com é bonita, não precisava ouvir outra pessoa dizendo algo que era visível.
– Eu sei.
– E isso te incomodou? Digo, a foto.
– Só pelo fato de que fiquei feito uma imbecil esperando, enquanto ele estava aqui em Munique e não me avisou.
– Eu não acredito em você.
– Pois deveria.
– Não acredito e nem deveria, porque é mentira. – respondeu olhando para , que suspirou derrotada. Era impossível mentir para .
– Talvez eu tenha ficado incomodada, mas não é da minha conta, em todo caso. Isso só prova que ele não se importa nem com a nossa amizade, porque não teve consideração de me avisar que não apareceria, me deixou esperando feito uma idiota e achando que algo sério tinha acontecido.
– E você pretende continuar sendo a namorada dele?
– Não sei. Eu não parei pra pensar nisso e nem sei quem é essa mulher.
– Então vamos descobrir. – falou e ficou de pé, entregou o celular de e as duas saíram do quarto até o escritório.

sentou-se à frente do computador e começou a digitar coisas numa velocidade quase assustadora, enquanto rolava o feed do Instagram curtindo fotos aleatórias que apareciam e conferiu alguns stories também.
Ian estava viajando a trabalho e ficaria alguns dias fora, então eram apenas as duas em casa. E depois de ver todo o reboliço causado pelas fotos de com uma loira por Munique, enquanto estava em Stuttgart esperando por ele, foi buscar a amiga em casa para que as duas se fizessem companhia, usando a desculpa de que não queria ficar sozinha naquela casa enorme e que seria ótimo passarem um tempo juntas, como nos velhos tempos.
Mas a ideia de era apenas uma: estando em sua casa, Leonard não teria a audácia de ir atrás dela para encher a paciência sobre nada que envolvesse sua carreira ou aquele contrato. Tampouco . Sua intenção era proteger a amiga, já que bater nos outros envolvidos naquela história idiota a levaria pra cadeia.
Alguns dos fã-clubes de postaram montagens da foto tirada na cafeteria junto com as fotos dele por Munique e a foto dela saindo do café em Stuttgart. As legendas passavam muito longe de amigáveis, mas o que mais deixava surpresa, na verdade, é que até aquele momento nenhum dos fãs tinha descoberto o nome da tal mulher e se os dois se conhecem de algum lugar.
É possível subestimar tudo nessa vida, menos o poder de um fã encontrar coisas sobre a vida de alguém sobre quem ele quer realmente saber sobre.

– Eu acho que eu achei uma coisa… – falou num tom incerto e mordeu o próprio lábio enquanto encarava a tela do computador.
– O quê?
– O nome dela é Natascha. E seu namorado já foi casado com essa mulher.

🎤❤️⚽️
– Nós precisamos conversar.
Essa foi a primeira coisa que ouviu quando abriu a porta do próprio apartamento e encontrou parado com a maior cara de cachorro caído do caminhão de mudança. Ela cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas, sem abrir a boca.
– Ótimo, vamos conversar no corredor. – bufou impaciente com a atitude de . – Eu quero te pedir desculpas, . Eu precisei vir correndo pra cá ontem, acabei ficando sem bateria no meio do dia e não consegui te avisar que estava em Mun…
foi interrompido por lhe dando as costas e fechando a porta em sua cara.
– Abre essa porta. Agora. – falou baixo para que não ouvisse do outro lado da porta, e a olhou antes de negar com um aceno. – Vou embora, vocês precisam conversar.
– Não, , por favor. – pediu num murmuro.
, por favor… – pediu do outro lado.
deu dois passos até a porta e a abriu antes que pudesse impedi-la, até porque também precisava trabalhar e só tinha ido deixar a amiga em casa, mas precisou subir pra buscar sua cópia do álbum que tinha prometido. , parado no mesmo lugar, ostentava uma expressão que oscilava entre o arrependimento pelo ocorrido e o ressentimento pela porta que tinha sido fechada em sua cara.
– Eu vou trabalhar e vocês dois conversem. Resolvam essa situação de forma civilizada. – disse séria olhando para . – Nós nos falamos mais tarde, .
abraçou a amiga e saiu do apartamento, entrando no elevador que ainda estava parado no andar e desceu sem demora e sem olhar pra trás. Os dois ficaram se olhando, ele no corredor e ela parada à porta.
– Vamos conversar no corredor? – perguntou num tom de calma forçada e suspirou antes de dar espaço para que ele entrasse no apartamento e ela pudesse fechar a porta. – Nós precisamos conversar.
– Você é o maior interessado. – falou num tom banal e bufou antes de encará-la e soltou outra bufada de ar.
– Sei que eu errei, , mas não foi proposital, eu não pensei muito quando recebi a ligação. Só me lembrei que não tinha desmarcado o nosso compromisso quando cheguei em casa, dez da noite, e minha vizinha me disse que você tinha ido até lá. Não era minha intenção te deixar esperando feito idiota, eu não faria uma coisa dessas, mas precisei vir até Munique e…
– E aparecer em um monte de fotos com uma mulher, enquanto eu tinha postado uma foto esperando por você em outra cidade que fica a duas horas e meia de distância.
– É, eu sei. Mas eu precisei e…
– E ainda descobri que vocês foram casados. O que, inclusive, já está circulando por toda internet, não sei se você percebeu ou se chegou a ver as coisas em que te marcaram.
– Você não pode falar nada sobre sair em fotos com pessoas. Saiu em fotos com um desconhecido em Porto Rico. – falou num tom quase debochado. – E nós não fizemos nada, só precisávamos conversar.
– Isso é um problema seu, . Eu não quero saber, sinceramente, das suas coisas com sua ex-mulher. – falou e sua voz soou um pouco mais alta do que pretendia e ela respirou fundo antes de voltar a falar, num tom de voz mais comedido. – E até onde eu sei, eu não fiz nada com Carlos e nem com ninguém, muito menos apareci em fotos com algum ex-namorado enquanto nós estamos namorando, . Ah, e também nunca desmarquei nada com você, porque tive que ir correndo por ter recebido uma ligação pra um remember. Se bem que você também não desmarcou, apenas não apareceu.
– Você tem seus problemas com o seu ex-namorado e eu tenho os meus com a minha ex-mulher, . E não era algo que podia esperar eu tomar um café com você e que eu jogasse videogame a porra do fim de semana inteiro! Há coisas que demandam atenção imediata!
– Então, aproveita que está em Munique e vai conversar com ela ao invés de desperdiçar a porra do seu tempo comigo! – voltou a falar alto.
Ah, ela não ouviria todos aqueles desaforos calada e quieta.
– Talvez eu devesse mesmo! Ela, pelo menos, não faz esse circo todo por nada!
– Por nada? – perguntou uma oitava mais alto e a encarou. Ela respirou fundo antes de voltar a baixar o tom de voz. – Como você ousa falar isso? Eu não vinha em casa há quase vinte dias, porque estava trabalhando e você tem coragem de falar que eu estar lá em Stuttgart, me abstendo de dormir e descansar, além de passar um tempo com a minha família, usando esse tempo com você, por causa dessa merda onde o único beneficiado é você, é nada?
– Quer saber de uma coisa? Não vou ficar me desgastando com isso. – falou num tom de voz quase derrotado. – Pode anunciar que acabamos e pode me usar como motivo. Fala que te traí ou o que você quiser, eu não me importo. Sinta-se à vontade pra terminar nosso namoro.
– Você sabe muito bem que eu não vou fazer isso! – falou nervosa, sentindo seus olhos ardendo pela vontade de chorar de raiva e por sentir-se ofendida ao ouvir aquilo. – Meu irmão vai pessoalmente te matar, meus fãs não te darão paz, a mídia vai te massacrar! Eu não sou tão filha da puta a esse ponto, ! E VOCÊ SABE DISSO!
– Eu sei? – deu um riso debochado e passou as mãos pelos cabelos.
– Deveria saber, pelo menos. – respondeu ressentida pelo tom usado por ele. – Você quer terminar? Por mim tudo bem, mas não venha com esse papo de que eu posso te culpar, você não me deve satisfação de com quem está saindo ou sei lá o que!
– Então por que esse show todo? – ele perguntou nervoso, ainda falando alto.
– Porque eu fiquei igual uma imbecil te esperando, animada pra ter uma conversa normal com alguém que não ia encher a porra do meu saco falando sobre trabalho e perguntando sobre meu namoro com um jogador de futebol e essas coisas que eu ouvi toda a minha vida e esses dias então nem se fala! Eu estava feliz por passar alguns dias sendo apenas eu! Porque eu fiz papel de otária pro mundo inteiro ver, porque quando você não apareceu e não deu sinal de vida eu fiquei preocupada achando que alguma coisa séria tinha acontecido! Inferno!
– E o que você quer que eu faça? Eu já pedi desculpas, infelizmente é apenas o que posso fazer, eu não consigo voltar no tempo e mudar o que aconteceu, porque, acredite, se eu pudesse, eu voltaria. E mudaria muita coisa, de muito tempo atrás!
– Vai embora da minha casa. Agora. Eu não quero brigar mais.
– Sabe por que ela me ligou? – falou baixo, ressentido, e uma lágrima escorreu por seu rosto. – Eu ia ser pai. E ia, no passado, porque ela perdeu o bebê e me ligou pedindo que eu viesse pra cá, porque estava no hospital. Não foi uma chamada pra matar saudade ou o que quer que você tenha pensado. Eu perdi um filho, . Um filho que eu nem sabia que ia ter.
soltou as palavras em e para ela foi como tomar um soco no peito, as palavras ácidas que tinha intenção de soltar morreram em sua garganta, formando um nó que quase a deixou totalmente sem ar.
– O que aconteceu? – ela perguntou com um resquício de voz e suspirou, sentando-se no sofá e colocou a cabeça entre as mãos, encarando o chão.
– Nós fomos casados por dois anos e um pouco e nos divorciamos legalmente duas semanas antes daquela reunião. Ela foi bem firme ao dizer que não ia se mudar comigo pra Gelsenkirchen, eu estava me recuperando da lesão, mas não estava totalmente bem e já naquela época as coisas entre nós estavam frias, mas nós tentamos por um tempo antes de colocarmos o ponto final no casamento. Só que nós transamos uma vez depois do término e eu nem sei o motivo, fui buscar minhas coisas e aconteceu… Enfim, foi na semana em que você e eu assumimos o nosso namoro, alguma coisa no meio de março, depois do meu aniversário.
– Quase cinco meses. – falou baixo e ele assentiu.
– Ela estava grávida e ia esconder, porque viu que eu estava com outra pessoa e não queria exposição, quase ninguém sabia que fomos casados, foi tudo muito discreto, justamente pra não atrair atenção da mídia e comentários sobre. Ela passou mal na semana passada, mas achou que era só um enjoo e que logo melhoraria, mas não melhorou. – parou de falar e suspirou, ficando em silêncio por um tempo antes de retomar a fala. – E na segunda-feira ela voltou a passar mal e sangrou, não um sangramento leve, foi um sangramento grande que a mandou para o hospital de ambulância, o bebê estava morto, o médico explicou que não foi por nenhuma causa genética e nem doença, que as vezes acontecem abortos naturais sem causas específicas e o bebê pode morrer na barriga da mãe. Ela recebeu alta ontem pela manhã e me ligou, pediu que eu viesse porque precisávamos conversar, eu fiquei apavorado quando a ouvi falar que estava no hospital e vim o mais rápido que pude. Ela ia esconder isso também, mas ela achou que eu merecia saber e… – ele suspirou, deixando a frase morrer em seus lábios. Seus olhos ainda estavam baixos e ele não tinha olhado para em momento nenhum daquele desabafo. – Foi por isso que eu vim feito um desesperado.
– Desculpa. – pediu se aproximando e se sentou ao seu lado.
– Eu não me importo se você quiser terminar com o contrato, sinta-se à vontade, porque eu perdi minha filha e…
– Era uma menina?
– É, era uma menina. – disse num tom choroso e fungou. – Natascha é uma pessoa ótima, nós tínhamos planos de ter filhos, só que não ficamos juntos tempo suficiente pra concretizá-los. Nosso casamento não terminou em guerra ou com problemas, só não deu certo e foi uma decisão mútua por ver que não tinha mais salvação. Se ela me ligou, era importante. E realmente era. Eu nem sabia que seria pai, mas no momento em que eu descobri e isso foi arrancado de mim sem que eu pudesse fazer nada a respeito, foi como se meu mundo tivesse acabado.
– Não consigo imaginar a dor que você está sentindo, . Desculpa por tudo isso, eu n… – começou a falar, mas as palavras morreram quando ele a olhou.
As marcas das lágrimas pelo rosto, os olhos vermelhos.
Frágil.
Frágil como ela nunca tinha visto e de uma forma que jamais imaginou que veria em sua vida. Nem quando ele tinha chorado em campo por causa das lesões ele tinha parecido tão frágil quanto naquele momento. Ela limpou as lágrimas de seu rosto e o abraçou de forma carinhosa.
E chorou.
Chorou silenciosamente enquanto ela o abraçava e acariciava suas costas tentando lhe consolar. não podia imaginar a dor que estava sentindo, nunca teve uma perda dessas e, sinceramente, desejava nunca ter. E, tinha percebido que, pela forma que ele falou, ainda há algo ali pela ex-mulher.
– Vamos esquecer de hoje, por favor. – pediu depois de um tempo, já recuperado do choro, mas ainda abraçado a . – Vamos fingir que nunca gritamos um com o outro e que não nos ofendemos a troco de nada.
– Por mim tudo bem, mas me desculpa por ter sido tão grossa. – concordou e soltou-se do abraço, a olhando triste.
– Eu também fui, me desculpa.
– Minha mãe sempre me fazia chá com biscoitos quando eu estava triste e, de alguma forma, sempre amenizava um pouco. Fica aqui, vou te fazer chá e alguns biscoitos. Não vai mudar as coisas, infelizmente, mas espero que te faça sentir um pouquinho melhor.
– Obrigado. – ele deu um sorriso de lado e antes que ela pudesse se levantar, deu nele um beijo no rosto e um sorriso reconfortante.

Na cozinha, colocou água para ferver na chaleira e se encostou na pia antes de raciocinar sobre uma receita rápida de biscoitos; precisava colocar a própria cabeça em ordem e não acabar chorando por causa de toda a situação. Ele seria pai e isso lhe foi arrancado de uma vez, sem contar o fato de que ele ainda sente alguma coisa pela ex-esposa e , pra ele, seria apenas um meio de alcançar seu objetivo de voltar ao Bayern e à seleção.
Nunca seria nada além disso, ela precisava manter em mente que era apenas um trampolim e nada mais. Precisava se lembrar disso todas as vezes em que estivessem próximos, porque gostar de beijá-lo e querer fazer isso por todos os dias de sua vida é algo que não poderia acontecer, ela é apenas um holofote, mais nada.
E, pelo tom de voz que ele tinha usado para narrar a história, podia confirmar aquilo. ainda tem sentimentos pela ex. E mentalizava que precisava lembrar disso para se manter forte e mentalmente organizada, com menos vontade de beijá-lo o tempo inteiro e de acordar na mesma cama que ele todos os dias.
Eram apenas um contrato e nada além disso. Uma fraude. Uma fraude com prazo de validade.

Capítulo 17

Stuttgart, 27 de agosto de 2017

– Eu quero dormir mais. – soltou em um resmungo quando sentiu lhe beijar o pescoço. – Sai daqui.
– Não. – ela respondeu desaforada. – E eu acho bom você acordar, eu quero sair.
– Vai chover.
– Eu não sou de açúcar. E nem você.
– Talvez eu seja, eu sou um docinho. – falou debochado e fez uma careta, tentando se afastar de e ele deu uma risada, puxando-a para mais perto e lhe deu um selinho.
– Tira essa sua boca nojenta da minha, porco.
– Você acha que vai chover? – perguntou, finalmente mais desperto, e a soltou de seu abraço, sentando-se na cama e se espreguiçando.
– Não sei, mas eu quero sair. Comer fora, passear um pouco…
– Pode ser. – deu de ombros. – Vamos tomar café e podemos sair.
– Fico no aguardo.
– Eu te chamaria para ir ao zoológico, mas você não vai.
– Não mesmo. E nem você.
– E o que acha de irmos ao Maurischer Garden?
– Parece bom. – respondeu pensativa. – Mas temos que ficar de olho no tempo, pode chover.
– Vamos comer e decidimos. – ele respondeu, ficando de pé e deu uma secada no corpo seminu de . – Quer um babador?
– A resposta que eu gostaria de te dar não pode ser dita antes das dez da noite.
– Em alguma parte do mundo já são dez horas da noite. – piscou, dando um sorriso cheio de segundas intenções.
– Sim, mas nessa parte do mundo em que nós estamos ainda não é, então vá logo comer e para de enrolar. Eu quero sair!
– Sim, senhora. – ele respondeu, saindo do quarto e caminhou até a suíte.
pegou o celular, depois de ter uma ideia, enquanto esperava terminar o que é que estivesse fazendo no banheiro.
– Você morreu ai dentro? – ela perguntou alto e poucos segundos depois abriu a porta do banheiro, enrolado à toalha e fez uma expressão óbvia. – Você tomando banho? Jamais achei que viveria pra ver isso.
– Idiota.
– Eu estava pensando…
– Você pensando? Jamais achei que viveria pra ver isso. – ele repetiu as palavras de e recebeu um dedo do meio erguido como resposta.
– Enfim, eu estava pensando… Hoje em Veneza vai fazer sol o dia inteiro.
– Tá… e o que isso tem a ver?
– Nós vamos pra Veneza.
– Vamos?
– Sim. E você está nos atrasando.
– E como nós vamos pra Veneza?
– Por teletransporte. Eu comprei uma máquina muito boa e quero testar. – respondeu debochada, levantando-se da cama num pulo. – Vou tomar um banho e nós vamos sair, tomar café em Veneza e passar o dia lá.
– Que horas nosso voo sai?
– Em uma hora. Vista uma roupa confortável e fresca, lá está quente. – ela respondeu dando um sorriso arteiro e se enfiou no banheiro.
Quando saiu, dez minutos depois, estava sentado na cama e usava uma bermuda de sarja cáqui, tênis e uma camisa de mangas curtas com uma estampa xadrez verde claro e verde escuro. E óculos de sol em mãos.
, ainda enrolada na toalha, foi em busca da pequena mala de roupas que tinha levado consigo para Stuttgart. Pegou um short jeans, uma blusa de alcinhas rosa claro, calcinha, sutiã e o par de tênis que tinha usado para ir ao jogo no dia anterior. Deixou a toalha de lado e foi se vestir com a maior rapidez possível.
– Você ainda está bronzeada.
– Ainda bem. Aquela viagem foi um absurdo de cara pra eu não ficar bronzeada por, pelo menos, mais uns três meses. – ela respondeu, se virando para olhá-lo.
– Em Veneza, as coisas não podem… sair do controle?
– Duvido muito. – deu de ombros. – Mas eu já avisei ao Bob e ele vai nos encontrar no aeroporto de Veneza.
– Entendi.
– Peguei protetor solar e espero que você esteja com nossos celulares e carregadores bem acessíveis. E com seus documentos.
– Claro. – ele respondeu ficando de pé. – Podemos?
– Devemos. Veneza é um lugar lindo, você vai adorar. – falou, pegando a bolsa em que tinha colocado as coisas que precisava levar.
– Espero que seja mesmo. Já ouvi que fede.
– Lá não fede. As pessoas acham que sim, mas no verão as algas estão mais acessíveis à luz e calor, porque a maré baixa, e ai cheira, mas não fede. – ela respondeu, começando a andar até a sala e pegou o boné que tinha deixado sobre o sofá. – E agora você dirige super rápido até o aeroporto.
– Sem multas.
– Eu não disse que é pra tomar multas, eu disse pra você dirigir o mais rápido. – deu de ombros. – Anda logo, a gente só tem trinta e sete minutos.
– E meu cachorro?
– Devidamente instalado na cozinha, casinha, caminha, tem ração e água pra ele ficar bem por hoje.
– Você devia ter falado ontem, porque eu o deixaria no pet shop.
– Eu não sabia que íamos viajar ontem. – deu de ombros. – Agora cala a boca e dirige.

nem perdeu tempo respondendo, apenas pegou as chaves no aparador e os dois saíram de casa. Depois de dezessete minutos dirigindo, o carro foi deixado no estacionamento e os dois seguiram correndo até a área de embarque. Quase perderam o voo. Foi por bem pouco.
Assim que estavam devidamente instalados em seus lugares e o avião tinha decolado, tratou de passar protetor solar nos braços e pernas, mandando fazer o mesmo. O voo estava vazio, fora eles e a tripulação, outras vinte e duas pessoas ocupavam a aeronave. tinha as pernas espremidas pelo pouco espaço entre os assentos, mas o voo de uma hora e vinte minutos foi tranquilo e suportável. Os dois desceram sem serem notados e logo estavam parados ao lado de Bob.

. . – Bob os cumprimentou, recebendo um sorriso sem graça e um aceno de cabeça por parte de e o abraçou ternamente.
– Bob, não quero que você fique na nossa cola o tempo todo, então eu vou deixar o GPS do celular ligado e qualquer coisa fora do normal e do esperado que acontecer, eu te ligo e a gente se encontra. – falou e Bob torceu a boca, como quem não tinha gostado nada daquilo.
– Não gosto dessa ideia.
– Eu quero namorar, meu querido. – ela falou quase óbvia, mas dando um sorriso para o homem. – Passeio romântico não inclui meu segurança favorito na mesma gôndola que eu e meu namorado.
– Posso ir em outra, sem problemas. – ele falou em tom sério, mas tinha um sorriso nos lábios. – Mas, tudo bem, . Ficarei de olho em vocês, mas um pouco distante.
– Use isso. – ela falou, depois de revirar a bolsa e tirou um cartão. – Você sabe a senha e se não usar, eu juro por Deus que te demito.
– Não jura e nem demite. – ele falou debochado, fazendo-a rir em concordância. – Mas vou usar mesmo, comer muita massa, tomar bastante vinho, comprar umas roupas e sapatos novos, uns ternos italianos… E ainda comprarei uns presentes bem caros pra Jas e para as crianças.
– Isso mesmo! Alugue um carro, vá se divertir e aproveitar um dia de trabalho que é, na verdade, uma folga! – ela sorriu sincera. – Agora nós vamos os três tomar café da manhã e nos dispersar.
– Podem ir sozinhos. Eu já tomei café e vou aproveitar o dia para fazer nada e torcer pra você não ser encontrada e nem reconhecida.
– Eu farei o mesmo. – sorriu arteira e voltou a abraçar o homem. – A gente se vê mais tarde, Bob.
– Tomem cuidado. – ele falou sério e o casal assentiu.
Os dois se afastaram de Bob, com seu boné e óculos escuros parecia uma turista normal. também não passava a imagem de famoso e ambos torciam para que isso continuasse assim até o fim do dia.
– Você tem um programa para o dia? – perguntou e ela negou com um aceno.
– A volte devi improvvisare, amore mio.
– Quê? – perguntou confuso.
– Confia em mim, seu dia será meraviglioso!
– Se você conversar comigo no meu idioma, eu agradeço. – resmungou, sendo abraçado pela cintura. – Vamos comer?
– Sim, mas prefiro que a gente coma quando chegar a Veneza.
– E não estamos em Veneza?
– Estamos, mas eu falo na parte em que todo mundo conhece como Veneza, com mais água que ruas e essas coisas. – ela deu de ombros.
– E como chegaremos lá?
– Táxi. – respondeu e assentiu. – Por favor, fique animado. Quero comemorar sua excelente estreia em casa ontem.
– Achei que tivéssemos comemorado isso a noite. – falou dando um sorriso e rolou os olhos, mas ele não viu o gesto.
– Mas podemos comemorar com um passeio bem legal também, palhaço.
– Se você está dizendo…
– Táxi! – falou alto, chamando o táxi.
– Buongiorno. – o taxista os cumprimentou. – Parli italiano?
. – respondeu educada. – E buongiorno.
– Para onde devo levá-los, senhorita? – perguntou olhando-os pelo espelho.
– Ao terminal, perto da Ponte della Costituzione.
– Sì, signorina. – o homem respondeu educado e deu partida no carro.
A conversa em italiano entre e o motorista se desenvolveu um pouco, deixando totalmente alheio e lhe deu a oportunidade de observar a paisagem do lugar. Lembrava-lhe, um pouco, das autoestradas da Alemanha, até mesmo a forma da vegetação e os carros que passavam.
Até chegarem à Via della Libertà. Estavam em uma estrada cercada de água e permaneceram desta forma por alguns bons minutos, até que chegassem ao local que pediu para que desembarcassem.
A corrida foi paga e os dois desceram do carro, após despedirem-se do taxista. Os dois estavam de mãos dadas e olhou ao redor. Era bonito, o sol estava muito quente e as cores pareciam até mais vivas naquele lugar.
– E agora?
– Agora a gente atravessa essa ponte e vamos ao Giardini Papadopoli. – apontou e assentiu.
– Aqui é bem quente. E eu queria comer.
– Vem, vamos comer antes então. – ela o puxou na direção oposta da que tinha apontado e os dois caminharam por pouco mais de dois minutos entre alguns turistas que estavam por ali e chegaram a uma espécie de padaria.
O cheiro era delicioso, tanto dos pães quanto das pizzas que eram servidas. Era um lugar bonito e aconchegante. estava quase se sentindo em uma daquelas comédias românticas que a irmã adorava assistir.
Deixou que decidisse pelo que comeriam e ambos acabaram tomando cafés expressos e comendo croissants de chocolate e uma fatia de pizza. Compraram água e saíram do lugar. tinha a impressão de que todos os italianos só sabiam conversar se fosse gritando e gesticulando – nada muito diferente dos alemães – mas seu idioma era menos ríspido e, para quem visse de fora, eles pareciam estar brigando com menos efusividade que os alemães.
– Podemos? – ela perguntou e assentiu, virando-se para olhá-la e riu.
– Do que você está rindo, ?
– Da sua boca. Tá sujo. – respondeu, aproximando-se e passou a língua pelo canto da boca de , onde estava sujo de açúcar.
– Você se aproveita da situação.
– Eu? – perguntou fingindo-se de ofendida. – Estou apenas ajudando meu namorado…
– Tão bonitinha, pena que é mentirosa. – falou rindo e lhe mostrou a língua, antes de estender a mão para que pudessem iniciar o passeio. – Você já veio aqui?
– Sim, mas faz muito tempo. Vim com meus pais, há uns sete anos.
– Vamos fazer o mesmo roteiro?
– Não. Até porque nós ficamos três dias aqui, deu pra conhecer algumas coisas mais distantes e fazer roteiros com mais coisas, mas tenho certeza que você vai gostar.
– Confio em você. – piscou ao falar, fazendo sorrir.
Os dois caminharam pela curta Ponte Papadopoli e entraram no parque. E tinha que admitir, ela tinha razão. Ele ia gostar. O lugar parecia ter um tom de verde que ele nunca tinha visto em toda sua vida. O sol iluminava as árvores e o verde parecia brilhar ainda mais. Flores e mais flores por todos os cantos e algumas estátuas.
– Você fica muito ridículo quando está impressionado. – gargalhou, encostando a cabeça no ombro de .
– Isso aqui é muito bonito.
– Você não viu nada ainda, . – riu. – Vai, para ali e me deixa tirar uma foto sua.
– Eu não quero tirar fotos.
– Mas eu quero tirar fotos suas pra que você se lembre que viajou pra um lugar maravilhoso feito esse, sinta vontade de voltar e volte.
basicamente empurrou para que ele parasse perto de uma estátua com o nome “Pietro Paleocapa” inscrito. A foto foi tirada e os dois caminharam pelo pequeno parque por um tempo, até decidir sair de lá e os dois foram procurar por uma balsa para irem à Plaza San Marco, e ainda explicou a que lá é “o lugar onde, provavelmente, todos os pombos do mundo estão ou vêm passar um tempo”. Ela queria ir à Basílica também e depois andar um pouco mais pelas ruas e becos.
O trajeto de balsa demorou vinte e cinco minutos e logo os dois estavam na famosa praça, cheia de turistas e habitantes locais. Fotos foram tiradas da construção, voltou a tirar mais fotos de , tiraram algumas selfies juntos e ela parecia absolutamente necessitada em falar.
– Parece que você vai ter um colapso se não me der uma aula de História.
– Mais ou menos. – ela franziu o nariz. – Se ficar chato, você me fala pra calar a boca.
– E ai você vai continuar falando.
– Isso mesmo. – ela respondeu rindo. – Então, aqui é basicamente o centro de Veneza e é a única praça desse lugar. E é o único lugar em toda a Europa em que as vozes das pessoas se sobrepõem ao som do tráfego motorizado, até porque não tem nada disso por perto. Enfim, ela foi idealizada para ser apenas uma pequena área à frente da Basílica original, isso no século… nove, se não me falha a memória, mas em 1117, algo assim, ela foi estendida, porque um dos rios que a cercava foi aterrado e eles pensaram que era uma boa ideia ampliar e essas coisas. Tudo de importante em Veneza aconteceu aqui desde… sempre. Ela foi pavimentada no século treze e o Napoleão tornou a pavimentá-la em… 1890, eu acho. E falando em Napoleão, muita gente atribui a ele a frase “le plus élégant salon d’Europe”, mas não foi e provavelmente foi Alfred de Musset.
– Não faço ideia do que você disse e nem quem é esse Alfred. – riu.
“Le plus élégant salon d’Europe” significa “o salão mais belo da Europa”. E Alfred de Musset foi um poeta francês do século dezenove. – deu de ombros. – Enfim, aqui nós temos três edifícios que compõem a maravilhosa Plaza San Marco: a Basílica de São Marcos, – apontou para o grande prédio à sua esquerda. – também temos o Palácio Ducal de Veneza, – apontou para o edifício à frente. – e pelo Campanário da Basílica. – apontou para a torre.
– Interessante. Caso você se canse de ser famosa, pode se tornar guia turística.
– Engraçadinho. – rolou os olhos. – Agora vem, nós vamos conhecer a Basílica. Quer dizer, você vai conhecer. Eu já conheço.
– Minha mãe ia adorar isso aqui.
– Na próxima podemos trazê-la. – deu de ombros e saiu puxando .
Ainda não tinham sido abordados por fãs, as pessoas estavam muito pouco interessadas em quem estava ou não ali. Os turistas apenas queriam conhecer o local, tirar fotos e postar em suas redes sociais.
Os ingressos foram comprados para que entrassem na Basílica e depois no Palácio Ducal e, depois de meia hora na fila, passou mais de uma hora ouvindo uma guia falar sobre a Basílica, enquanto adicionava um ou outro detalhe apenas para ele. Ela estava radiante ao falar sobre todos os contextos históricos que conhecia sobre o local e coisas que sabia e queria partilhar.
Os dois tiraram fotos da Basílica e do Palácio Ducal, quando foram até lá, além de fotos deles em alguns lugares, juntos e separados e andaram mais um pouco, ouvindo a guia contar que o Palácio é a antiga sede da magistratura veneziana e do Doge de Veneza, que era o dirigente máximo da República de Veneza, basicamente um Presidente, ou na tradução, um Duque. Além de falar sobre a criação da Porta della Carta, o monumental portão em estilo gótico. Mais fotos. , por fim, comprou alguns suvenires para a mãe que, com toda certeza, adoraria conhecer o lugar e ele a levaria. Com certeza.

– Eu queria muito te beijar. – falou, um tanto sem jeito, e arqueou uma das sobrancelhas, desviando rapidamente o olhar do caminho.
– Achei que você ia falar que queria almoçar, porque eu quero. – falou dando uma risadinha. – Mas gosto da ideia.
– Isso é uma permissão? – perguntou e rolou os olhos, encarregando-se de puxá-lo para um beijo.
Não era algo que ela normalmente faria, não sendo ela quem era e não no meio de tanta gente, mas… bom, ninguém estava prestando atenção neles, em todo caso.
– Pronto. – ela deu um sorriso, depois de beijá-lo, fazendo sorrir. – Agora vamos comer e depois quero passar de gôndola pela Ponte dos Suspiros e por mais alguns lugares bem legais que você precisa conhecer.
– Ponte dos Suspiros? Isso é pra ser romântico?
– Há quem ache que sim, mas, na verdade, tem esse nome, porque a ponte liga o prédio que costumava ser o Tribunal ao prédio que era a prisão, inclusive foi o primeiro prédio do mundo a ser construído com essa finalidade. Enfim, a ponte faz essa ligação e ao passar por ali, os condenados davam seu último suspiro antes de serem presos e ser aquela a última vez que veriam o mundo. – deu de ombros. – Mas acho que as pessoas acharem que se trata de suspiros românticos pela arquitetura ou sei-lá-mais-o-que é mais legal do que imaginar uma coisa tão… trágica assim.
– A Casa da Julieta é aqui?
– Não. É em Verona.
– E isso é longe daqui?
– Duas horas de carro mais ou menos. – deu de ombros. – Mas hoje ficaremos apenas aqui em Veneza. Quem sabe outra hora.
– Sim senhora. – ele respondeu e a abraçou pelos ombros, sendo abraçado pela cintura, e os dois começaram a caminhar em direção à saída do Palácio Ducal, enquanto adicionava um ou outro comentário sobre a história do local, mas nem estava mesmo prestando atenção.
– Por que não podemos comer nesse restaurante aqui? – apontou para o local que ficava do outro lado da praça.
– Pode ser. – deu de ombros. – Eu tinha pensado em andar um pouco mais, mas podemos comer aqui e andar depois. De barriga cheia.
– E quais são os planos?
– Improvisar. – ela piscou.
– Buon pomeriggio. – o garçom os cumprimentou assim que chegaram à porta do restaurante, que parecia chique demais para as roupas que usavam.
– Buon pomeriggio. – respondeu educada.
– Vocês falam italiano? – ele perguntou em um inglês carregado.
– Eu falo, ele não. – ela respondeu em italiano. – Queremos almoçar, por favor.
– Vocês preferem se sentar do lado de fora ou no interior do restaurante?
– No local mais reservado que você tiver, por favor. – pediu.
– Tenho uma mesa em outro ambiente, lá dentro. Me acompanhem, por favor. – o garçom pediu e os dois o seguiram.
Acabaram aos fundos do restaurante, perto de um grande armário com vinhos e onde uma mesa para dois lugares estava posta e não podia ter ficado mais agradecida por estarem tão bem escondidos. Estavam indo bem até agora, ninguém os tinha reconhecido na rua e eles estavam andando pela cidade como um casal normal. O local estava relativamente vazio, o que era estranho dado o horário, e os dois logo foram instalados.
– Espero que seja esse tipo de privacidade que vocês querem. – o garçom falou educado e assentiu. – Inclusive, meu nome é Matteo e sou eu quem vai servi-los hoje.
– Obrigada, Matteo. É exatamente assim o local que eu esperava. – agradeceu educada.
– Já sabem o que vão pedir ou precisam de alguma recomendação?
– Vamos escolher e já chamamos.
– É só erguer a mão e eu venho o mais depressa possível, senhorita. – respondeu sorrindo.
Ele era realmente bonito, ela tinha que admitir.
– Obrigada. – agradeceu e o homem se afastou.
– Ele estava flertando muito com você. – falou rindo.
– E como você sabe? Você nem entende o idioma. – falou debochada e piscou, dando um sorrisinho.
– O flerte é uma linguagem universal, . E ele estava flertando muito, isso foi absurdamente visível. Principalmente porque eu não entendi nada do que foi dito.
– Pode ser que eu também estivesse flertando com ele.
– Não. Você foi apenas educada com ele mesmo. – deu um sorrisinho. – E então, o que vamos comer?
– O que exatamente você quer comer?
– Macarrão. – ele falou óbvio.
– Aqui parece ter boas opções. Você sabe o tipo de macarrão?
– Um que encha minha barriga.
– Idiota. – deu uma risadinha. – Sério, você tem que saber pelo menos o corte da massa.
– Vou te deixar escolher.
– Você não come alguma coisa?
– Não gosto de camarão e nem de ovo.
– Então não pode ser o carbonara… spaghetti alla Veneziana da casa. Carne, frango ou peixe?
– Pode ser carne. – deu de ombros.
– Entrecote ai ferri con patate.
– Quê?
– Vinho rose ou tinto?
– Tinto. Eu não entendo muito de vinhos, então você pode ficar com essa parte.
– Ótimo. – sorriu e assentiu para o garçom, que não demorou a caminhar até a mesa, dando um sorriso educado ao se aproximar.
– Já se decidiram?
– Já sim. – ela sorriu educada. – Pra ele, um spaghetti alla Veneziana e um entrecote ai ferri con patate. Eu quero um penne alle verdure e um entrecote ai ferri con patate. Pra beber nós queremos um Amarone della Valpolicella.
– Sim senhorita. – ele sorriu educado. – Sobremesas?
– Pediremos depois que almoçarmos, obrigada. – agradeceu e o homem se retirou.
Ela aproveitou para mandar uma mensagem para Bob, perguntando se ele estava bem e por onde estava, mandou uma foto do restaurante e disse que mandaria outra da comida, para compararem quem estava comendo a melhor comida italiana do dia. O homem respondeu com uma foto de uma pizza enorme e disse que nunca esteve tão bem, que estava pelas redondezas. Ela deveria ter falado para ele levar a esposa e os filhos, teria sido um passeio agradável se todos estivessem juntos.
Mandou algumas fotos para a mãe e disse que deveriam planejar um retorno, porque a cidade estava ainda mais linda e ela adoraria um novo passeio pela Basílica.
– Em que você está pensando? – perguntou, fazendo desviar sua atenção do celular para ele.
– Devia ter falado pro Bob trazer a esposa e os filhos, faríamos um passeio juntos e seria bem legal.
Antes que pudesse falar, o garçom trouxe as taças e o vinho pedido, servindo-os, e avisou que os pratos estavam a caminho. continuou rolando o feed do Instagram, curtiu algumas fotos e respondeu algumas mensagens de conhecidos, parando apenas quando o garçom chegou com os pratos.
A cara que fez ao ver o macarrão preto à sua frente foi impagável e, por sorte, fotografou o momento.
– Por que esse macarrão está… dessa cor? – ele perguntou num misto de surpresa e nojo.
Não parecia bonito.
Não parecia gostoso.
Parecia apenas estranho.
– Melhore essa cara, na Alemanha a gente come umas coisas bem mais feias e bem ruins. Enfim, o macarrão é preto por causa da tinta de lula que faz parte do molho. Se você quiser trocar, sem problemas, só que o meu é vegetariano, bem simples.
– Você confia no gosto que isso aqui vai ter?
– Confio. Bom, eu já comi desses, mas não nesse restaurante aqui. Se você quiser trocar, eu troco.
– Eu vou experimentar e se for ruim, eu vou mesmo trocar, porque isso está muito… estranho. E essa carne é o quê?
– Contrafilé, mas sem a capa, grelhado e batata frita. Experimenta seu macarrão e me fala o que achou. – respondeu e observou o prato.
O macarrão estava preto! Ele nunca tinha comido aquilo na vida! Ele observou, incerto, enquanto rodava o garfo no prato e sentia o cheiro – delicioso, ele tinha que admitir – da comida. não pensou muito, apenas colocou o garfo na boca, franzindo o nariz, e mastigou. A expressão foi se suavizando aos poucos quando ele viu que estava certa, o sabor era realmente bom. Ele ainda preferia o tradicional, mas era gostoso.
o observava, além de filmá-lo, mastigar de olhos fechados, tentando decidir se tinha gostado ou não do sabor. Quando ele abriu os olhos, com a expressão suavizada, encontrou uma sorrindo divertida de sua expressão.
– E ai?
– Eu vou sobreviver. – soltou um risinho pelo nariz ao falar. – Tem um gosto diferente, exótico, mas é gostoso. Eu normalmente fico na parte tradicional da comida italiana. De qualquer cantina, na verdade.
– Bom saber. Vamos mudar isso. – deixou o celular de lado, depois de encerrar a gravação da cena cômica de experimentando o macarrão, e começou a comer seu macarrão.
– Você pretende me deixar bêbado pra morrer afogado nessa cidade? – perguntou, fazendo uma careta ao provar do vinho.
– Exagerado. – rolou os olhos. – Você não tem que tomar a garrafa toda de vinho, , pode tomar só pra acompanhar a refeição.
– Seu celular tá tocando. – ele apontou para o aparelho, onde o nome de Leonard aparecia e ela rolou os olhos, negando a chamada e enviou um “estou de folga, me deixa em paz!” como resposta.
Os dois continuaram comendo e trocando pouquíssimas palavras entre garfadas e cortes de carnes. perguntou quais eram os planos e deu de ombros, não falando nem meia palavra a respeito.
Pediram a sobremesa – ela pediu um gateau au chocolate, acompanhado de gelato e pediu um tiramisu – e comeram sem pressa, sem conversar e apenas observando o belo ambiente do restaurante, que permanecia relativamente vazio. A conta foi paga e os dois saíram de lá, preparados para o novo rumo do dia. Não sem antes fazer passar protetor solar, ouvindo-o resmungar que aquilo não era necessário. Ele, de má vontade, passou o protetor solar nos braços, encarregando-se ela de passar o protetor no rosto dele e em seu pescoço.

– Para de me olhar assim. – falou sem graça, fazendo dar uma risada e lhe beijar logo em seguida.
– Vem, vamos andar de gôndola. – ela falou, quando separou os lábios dos dele, e riu da animação da mulher.

Parecia que era ela quem nunca tinha pisado ali e precisava conhecer tudo de uma só vez. Os dois saíram se esgueirando pelas estreitas ruas de Veneza, cheias de turistas que não davam a mínima para o casal que fazia o caminho contrário deles. não podia estar mais grata, conseguiria fazer o passeio sem nenhuma interrupção e sem gerar um frisson desnecessário.
De mãos dadas, seguiram pelas vielas até que encontrou a gôndola que parecia perfeita para o passeio, tinha seis lugares, mas ela pediu para que fossem apenas os dois. Sentaram-se e trocou algumas palavras com o gondoleiro, que parecia saído de algum filme, e logo os dois estavam no barco.

– Isso é muito… estranho.
– Aproveita a viagem, . – ela falou, enlaçando seus dedos aos dele e deixando as mãos unidas sobre seu colo. – Vamos passar pela Ponte dos Suspiros, dar um passeio pelo Grande Canal e passar em frente ao Jardim Real, que fica atrás do Palácio e por outros canais menores, que são mais calmos, depois ele nos deixa no mesmo lugar e nós vamos visitar outro lugar.
– E esse passeio vem com aulas de História ou não? – implicou, soltando a mão da de , mas para abraçá-la pelos ombros e lhe deu um beijo no rosto.
– Talvez. – ela deu de ombros. – Temos uma hora, eu dobrei o preço pra ele aceitar.
– Vocês parecem bem apaixonados. – o gondoleiro falou e deu um sorrisinho, corando em seguida. Não, não eram apaixonados, mas ninguém de fora precisava saber daquilo.
– O que ele falou? – perguntou baixo.
– É, estamos. – ela respondeu sorrindo. – Ele é uma pessoa fantástica.
– E de que lugar vocês são?
– Alemanha.
– Você fala italiano muito bem.
– Obrigada. – ela agradeceu sorrindo. – Ele não entende nada do que falamos.
– Nem em inglês? – o homem perguntou e ela negou com um aceno de cabeça e franziu o nariz numa careta. – Essa é a Ponte dos Suspiros, muitos falam que algo romântico… não. A verdade é que os prisioneiros, que saíam do Tribunal, passavam por essa ponte antes de serem encarcerados e nunca mais verem a luz do sol. Suspiravam de tristeza por isso.
O passeio se seguiu, com muitas palavras em italiano que não entendia, mas traduzia tudo, frisando detalhes que o gondoleiro os mostrava, ela recontava as histórias do homem e assentia, prestando atenção. Tiraram fotos dos lugares e algumas selfies, prestaram atenção em tudo durante aquela hora. Até mesmo ouviram o gondoleiro cantar, aplaudiram e logo ele estava parando no mesmo local em que embarcaram.
– A minha neta é sua fã. – o homem falou baixo, dando um sorriso para . – Eu também gosto muito da sua voz.
– Obrigada.
– Eu não quero incomodar, mas você pode autografar alguma coisa pra ela?
– Claro. – ela sorriu. – O senhor tem algum papel?
– Tenho sim. – ele sorriu, tirando uma folha amassada do bolso da calça e uma caneta.
– Qual o nome dela?
– Luna.
– A iluminada. – sorriu ao falar o significado do nome e escreveu uma pequena dedicatória, assinando a folha ao final e entregou ao homem.
– Deixem que eu tire uma foto de vocês. – o homem pediu e lhe entregou o próprio celular, dando um sorriso para a foto ao ser abraçada por pelos ombros. Essa foto foi tirada e o homem olhou para os dois. – Agora uma se beijando.
– Claro. – ela sorriu e virou-se para . – Beijo.
– Oi? – perguntou, mas não teve uma resposta verbal, apenas juntando os lábios aos dele e a foto foi tirada.

Quando saíram da gôndola, falou mais alguma coisa com o gondoleiro e lhe deu mais dinheiro, recebendo um agradecimento e felicitações e logo ela e estavam caminhando até o local em que pegariam uma balsa. não perguntou o motivo de precisarem de uma balsa, não falou nada e ele apenas aceitou que seria, novamente, surpreendido.
Não que pudesse reclamar, longe disso, até então todas as surpresas e improvisos de tinham sido positivos. Ela tinha lhe feito viajar sem planejamento, comer algo que, se dependesse apenas dele, jamais comeria, lhe proporcionou um passeio com conhecimento histórico e cheio de paisagens bonitas… um dia que começou muito cedo, mas que estava sendo fantástico.
Cerca de trinta e sete minutos depois eles desembarcaram em um local, cuja placa dizia “Murano”. não fazia ideia de como pronunciar aquilo, mas a animação e o sorriso de davam a entender que o lugar seria tão fantástico quanto os outros.

– O que faremos agora? – perguntou, envolvendo a mão de e ela sorriu quase de forma infantil.
– Eu quero um gelato. – falou e soltou uma risada.
– E onde te conseguiremos um desses?
– Por ali. – ela apontou. – Temos que ir ao Museu de Vidro! Sabia que Murano é a capital do vidro? Tem fábricas e umas sessões de demonstrações… Hoje não deve ter demonstrações, é domingo e tudo deve estar fechado. E eu sei, vidro demora uma eternidade pra se decompor na natureza, mas decompõe, diferente de plástico e… é lindo. Bom, eu me lembro que era bem legal quando eu vim, mas já tem um tempinho… enfim, você vai adorar! É bem legal e…
– Respira. – a interrompeu. – Vamos, porque o sol está muito quente e ainda temos que voltar pra Alemanha hoje ainda.
– Ai nem me lembre. – resmungou e os dois se puseram a caminhar. – Você treina pela manhã?
– Não. Amanhã só a tarde.
– Quer viajar de manhã?
– Só se não tiver voos hoje. Prefiro que a gente não corra riscos. – respondeu e o abraçou pela cintura.
– Chissà se tu mi penserai, se con i tuoi non parli mai, se ti nascondi come me. Sfuggi gli sguardi e te ne stai rinchiuso in camera e non vuoi mangiare, stringi forte a te il cuscino piangi e non lo sai quanto altro male ti farà la solitudine… cantou baixo, fazendo dar uma risada. – Que foi?
– Hoje você demorou a começar a cantar. – implicou. – Que música é essa?
La Solitudine, da Laura Pausini. E eu sei, você nunca ouviu falar.
– Você me conhece tão bem… – falou rindo.
Gelato! – comemorou quase feito criança, puxando pela mão.
Buon pomeriggio, signorina. – o rapaz que estava atrás da vitrine com os sorvetes falou e arregalou os olhos quando viu quem era. Ele fez menção de falar mais alto, totalmente surpreso com a presença dela ali, mas colocou o indicador sobre os próprios lábios e ele assentiu, ainda chocado.
Buon pomeriggio. Eu quero dois gelatos, de… chocolate com nozes e limão. Uma bola de cada, por favor.
– Cl-claro. – o rapaz respondeu, tratando de fazer o pedido.
Além do rapaz, havia um casal que deveria ter a idade dos pais de por lá. Os gelatos foram feitos e logo tirou o cartão do bolso, para fazer o pagamento.
– Agora que eles foram embora… – ela falou baixo, olhando para ver se ninguém mais tinha aparecido. – Você quer uma foto?
Sì! – ele falou empolgado. – Sou seu fã há muito tempo. Você é fantástica! E vocês são um casal muito bonito, torço pela felicidade de vocês.
– Obrigada. – ela sorriu agradecida e a foto foi tirada pelo próprio rapaz, em uma selfie, e ele sorriu satisfeito. – Se não for pedir muito, você pode postar essa foto apenas amanhã? Quero ter mais alguns momentos sem tumulto para aproveitar o dia.
– Sem problemas. – o rapaz respondeu. – Posso ajudá-los em mais alguma coisa?
– No momento não, mas talvez depois de um passeio a gente volte aqui e compre mais antes de ir embora.
– Ah, claro! – ele sorriu animado. – Tenham uma boa tarde e um bom passeio.
– Obrigada. – ela agradeceu e estendeu a mão livre para , para que seguissem até o tal Museu de Vidro.
– Isso… delicioso! – falou embasbacado. Aquele lugar tinha algum problema com comidas e tudo, absolutamente tudo, tinha que ser delicioso?
– Sim! Eu amo muito sorvete!
– E qual é a desse museu?
– É um museu que conta a história do vidro. Inclusive o daqui de Murano, claro. Parece chato, mas é bem legal. Mostra toda a evolução técnica, das formas como o vidro era feito antes e como é agora, além de ter as peças! É super interessante. Contam toda a história, desde a época em que os fenícios iniciaram a produção, depois conta sobre a produção massiva de Roma, no século um antes de Cristo…
– Você gosta mesmo de História.
– Muito. – respondeu, voltando sua atenção ao seu sorvete que começava a dar indícios de que derreteria muito rápido e faria uma bagunça.
Logo ela deu fim ao próprio sorvete, observando fazer o mesmo com o dele. Deixando o canto da boca sujo, mas não pareceu proposital, o que fez rir e se aproximar, voltando a abraçá-lo pelo pescoço e passou a língua pelo canto de sua boca.
,
– O que foi, ? – ela perguntou, levantando o olhar até o dele e arqueou uma das sobrancelhas.
– Você devia ter um pouco mais de consideração por mim.
– Mas eu tenho, por isso estou limpando sua boca. – ela falou, lhe dando um selinho e o soltou. – Agora anda. Vamos ao Museu de Vidro, depois uma passada no Campo de San Donato e na Igreja, compramos alguns presentes e procuraremos um bom lugar pra ver o pôr-do-sol antes de pegarmos a balsa e retornarmos à Veneza, procuramos um táxi e voltamos.
– Já temos passagens pra casa?
– Ainda não, mas compro quando voltarmos. Se não tiver nada pra Stuttgart, a gente compra pra Munique e eu te deixo em Stuttgart.
– Tudo bem, mas não vamos pensar nisso agora. Foco no vidro. – brincou e os dois seguiram até o Museu.
Para aquilo não fazia muito sentido, porque… um museu cheio de vidro? Mas descobriu que estava errado, claro. Toda a história era contada, desde os primórdios até a atualidade, as formas de produção e as peças, além de falarem bastante sobre a produção em Murano. Ele estava absolutamente interessado por tudo que via e pelo que contava.
Ao saírem de lá, começaram a caminhar pelas ruas da cidade, ignorando a ideia anterior de passear pela Igreja de Santa Maria e Donato. Tiraram algumas fotos juntos em alguns monumentos da cidade e, também, das paisagens, conversando sobre um ou outro detalhe enquanto caminhavam.
– Parece uma cidade de brinquedo. – falou e assentiu.
– São fofas as casinhas coloridas e pequenas, parece bem… aconchegante.
– É muito quente, mas concordo.
– Ah, só é quente assim nessa época do ano. – deu de ombros. – Mas é bonito. Muito bonito.
– Voltamos pra Veneza?
– Queria comer alguma coisa primeiro, mas vamos descobrir o horário da balsa pra retornarmos, se der tempo a gente come aqui.
– Tudo bem. – respondeu e o celular de voltou a tocar em alerta de mensagem, dessa vez era Bob.
– Bob quer saber se está tudo bem, disse que sumi e ele ficou preocupado. – sorriu enquanto digitava.
– Vocês parecem ter uma boa relação.
– Bob é vizinho dos meus pais desde antes de Davi nascer, sempre foi amigo do meu pai e é uma das melhores pessoas que eu conheço.
– Ele parece mesmo.
respondeu a mensagem, enviando uma foto de Murano para o segurança, informando que estava tudo bem e que voltariam ao centro de Veneza dali alguns instantes, veriam o pôr-do-sol e depois seguiriam para o aeroporto.
Os dois seguiram até a área de embarque e desembarque das balsas e não tiveram tempo de comer, comprou as passagens e em menos de dez minutos os dois estavam voltando para o centro de Veneza.
– Vou trazer minha mãe aqui. – falou, observando a ilha se afastar. – Um fim de semana inteiro, pra conhecer bastante coisa.
– Faça isso. Ela vai amar. – sorriu. – Vou tentar arrumar um buraco na minha agenda que coincida com alguma de suas folgas e nós vamos a Verona.
– Você já foi lá?
– Não, mas deve ser muito bonito. E tem a casa da Julieta.
– Eu não acho muita graça na história de Romeu e Julieta, sabe? Eles são muito intensos e meio burros.
– Romances da Idade Média pedem pela intensidade daquela época. E, de qualquer forma, a expectativa de vida deles nem era tão alta, então… – brincou, dando de ombros e fez rir. – Eu até acho legal, mas sei lá, não é algo que eu leia e releia.
– Eu acho que o próximo passeio quem tem que escolher o destino sou eu. – falou, mudando de assunto, e abraçou pelos ombros.
– Tudo bem, mas quero visita guiada com muitos fatos interessantes e históricos.
– Vou pensar no seu caso. – respondeu implicante e ela o beliscou de leve. – Ai! Estamos dando mais voltas nessa balsa…
– Essa vai nos deixar na Ponte dell’Accademia. Dá tempo de comer alguma coisa antes de assistirmos ao segundo pôr-do-sol mais bonito do mundo.
– E qual é o primeiro?
– Na Place du Trocadero, em Paris. O pôr-do-sol lá é estonteante! O sol deslizando maravilhosamente pelo céu, atrás da Torre Eiffel e o céu mudando de cor… Nossa, é fantástico.
– Achei que você ia falar “lá do meu apartamento”. – deu uma risadinha.
– Nah, esse deve ser o quinto ou o sexto. – ela deu de ombros. – E estamos chegando.
– Comer antes, durante ou depois? – ele perguntou, mas não respondeu na hora. Os dois desembarcaram e ela pegou o celular, digitando alguma coisa e estalou os lábios.
– Comemos agora. Nosso voo sai às nove e o pôr-do-sol fica pra outro dia.
– Por quê?
– Porque ainda é verão e o pôr-do-sol é mais tarde, começa às oito e nós temos que chegar no aeroporto rápido.
– Depois a gente volta e vê então, não faz mal. O dia foi ótimo.
– Eu sei, mas você ia gostar do pôr-do-sol. – ela resmungou frustrada e lhe deu um selinho.
– Imagino que sim, mas podemos fazer isso depois, quando você tiver tempo. Agora eu preciso ir ao banheiro. – resmungou a última parte e apontou para o banheiro público que ficava próximo de onde estavam.
Ela tratou de ficar próximo do local, pois se fosse identificada, não teria problemas e poderia se refugiar no banheiro, ligaria para Bob e pronto. Não que isso fosse acontecer, tinham passado o dia todo sem serem reconhecidos por ninguém além de uma única pessoa, então estava tudo bem.
Bom, era o que ela achava.
Algumas fotos suas foram tiradas por turistas, mas ninguém se aproximou dos dois. Ah, ainda estavam remoendo a entrevista de e algumas pessoas tinham certo receio de como ela reagiria a aproximação de fãs quando estava curtindo um dia com o namorado.
não se demorou e logo os dois estavam caminhando para um restaurante próximo do local. Escolheram uma mesa afastada e pediram pizza. Os dois não conversaram muito, estavam cansados de todas as andanças e ainda dariam mais um breve passeio antes de rumarem para o aeroporto e embarcarem no avião que os levariam de volta para a realidade.
– Por que você está pagando tudo? – perguntou quase ofendido enquanto saíam do restaurante e iam à Ponte dell’Accademia. – O homem aqui sou eu.
– Será que é mesmo? – perguntou debochada e a puxou para mais perto, olhando de forma quase tão ofendida quanto tinha sido seu tom anteriormente.

– Tão bonitinho, pena que tem a masculinidade frágil… – debochou, passando os braços pelo pescoço de . – E, respondendo à sua pergunta, estou pagando porque essa é uma viagem de presente pra comemorar sua excelente estreia no time. E essa história de homens pagarem tudo é uma cultura machista idiota.
– Então me deixa te pagar um sorvete, pelo menos. Em agradecimento por você ser uma pessoa maravilhosa e uma fã tão dedicada. – falou sincero e lhe deu um beijo demorado. – Isso é um sim?
– Isso é um “com toda certeza do mundo”. – respondeu sorrindo e soltou-se dos braços de .
– E onde vamos?
– Com licença – ela parou um homem que devia ter idade pra ser seu pai. – O senhor sabe me informar onde posso encontrar uma gelateria?
– Perto da Ponte Longo. A Gelati Nico. – o homem respondeu educado, apontando a direção a ser seguida.
– Obrigada. – agradeceu e saiu puxando pela mão até a tal gelateria.
Havia uma fila, cerca de dez pessoas estavam à frente dos dois e soltou um resmungo baixo, seguido de um abaixar de cabeça. Demoraram um pouco até serem atendidos e falou sem erguer os olhos, apontando para os sabores que queriam e logo os dois estavam refazendo o caminho enquanto tomavam seus sorvetes.
– Jay vai me matar na academia se souber da quantidade de coisas cheias de sódio e gordura hidrogenada que comemos hoje.
– Se você não contar, eu também não conto. – falou, quando chegaram à Ponte, cinco minutos depois de saírem da gelateria.
encostou-se nas madeiras que faziam o arco da ponte e terminou seu sorvete, observando o deslizar quase preguiçoso das balsas e gôndolas abaixo da ponte. tirou uma foto dela e guardou para si. Estava linda à luz do sol, tomando sorvete e totalmente distraída.
– Você sabia que essa ponte, originalmente foi feita em ferro, sua sequência era pra ser em pedras, mas a obra não foi realizada e por isso ela é de madeira?
– Não, eu não sabia. – deu uma risada.
– E é uma das quatro pontes sobre o Grande Canal. E tem esse nome, porque nos leva à Accademia, que é do rumo em que viemos, lá é um museu agora, mas originalmente era uma escola de pintura, escultura e arquitetura. Ainda temos um tempo até precisarmos ir embora, acho que poderíamos fazer uma visita, tem umas coisas legais. Pelo menos tinham quando eu vim com meus pais.
– Você que manda.
– Ou podemos sair andando e nos enfiando nessas vielas sem um destino certo.
– Me surpreenda. – falou, piscando para , que abriu um sorriso ao ouvir aquilo.
– Vamos à Accademia, porque ficar perdida pelas vielas de Veneza com você, ainda que seja tentador, me parece um pouco imprudente, já que não temos tempo suficiente pra isso.
– Tudo bem, tudo bem. Sua boca tá suja. – ele deu um sorriso e limpou o canto da boca de com o polegar.
– Você perde oportunidades.
– Depende do ponto de vista. – ele deu de ombros e aproximou-se para dar um beijo estalado nos lábios dela. – Quanto tempo temos?
– Duas horas antes de precisarmos mesmo ir.
– Museu mesmo?
– Um novo passeio de gôndola e depois aeroporto?
– Me surpreenda. – ele repetiu e assentiu, lhe dando a mão para que segurasse e os dois saíram da ponte.
Um novo passeio de gôndola.
Novamente sozinhos com outro gondoleiro, que cantava ao som de uma música tradicional e cantarolava baixo junto com o homem e, de canto de olho, olhava para , que estava totalmente distraído com a paisagem pela qual passavam.
Quarenta minutos depois, estavam desembarcando próximo ao terminal Casinò di Venezia e começaram a caminhar pelas vielas, tirando algumas fotos e cumprimentando algumas pessoas desconhecidas. Compraram duas porções de anéis de cebolas fritos e alguns cookies e frutas secas e comeram enquanto andavam.
– Precisamos de um táxi. – falou consultando o relógio. Estavam perto da Igreja de São Jeremias e estava concentrado em tirar fotos do lugar.
– Já? – perguntou surpreso e ela assentiu. O céu começava a adquirir um tom rosado, indicando que logo o pôr-do-sol aconteceria. – E onde encontraremos um táxi?
– Lá onde desembarcamos quando chegamos aqui. – ela deu de ombros. – Uns dez minutos andando.
– Então vamos. E Bob?
– Ele vai nos esperar no aeroporto, voltamos todos juntos pra Stuttgart.
– Você vai embora hoje? – perguntou enquanto andavam e negou.
– De lá ele vai pra Munique, eu volto com você e viajo amanhã de volta para a realidade e para ouvir Leonard enchendo o saco, porque eu o ignorei o dia inteiro na minha folga.
– Vocês andaram brigando de novo?
– Não, mas ele é insuportável. – falou entediada. – Vamos focar em andar e não de falar em Leonard e em sua chatice, nosso dia foi bem legal pra estragá-lo assim.
– Você é quem manda. – respondeu e os dois terminaram o caminho até a Ponte della Constituzione.
A procura por táxi não foi demorada e logo estavam refazendo o caminho de mais cedo, indo para o aeroporto. Encontraram Bob quase no mesmo lugar e os três seguiram para a aeronave quando chegou o momento do embarque. O espaço entre as poltronas continuava pequeno, mas quase não teve tempo para reclamar. estava deitada em seu ombro e parecia prestes a dormir.
Bob estava no assento traseiro e, por sorte, sozinho. Suas pernas estavam esticadas e ele quase não se sentiu desconfortável pelas uma hora e vinte de voo. Logo estavam desembarcando em Stuttgart e se espreguiçando enquanto faziam o caminho para a saída do local.
– E como você vai embora, Bob? – perguntou quando chegavam perto da saída do aeroporto.
– Quer pegar meu carro? – perguntou e Bob negou.
– Jas vem me buscar.
– Eu devia ter falado pra você levá-la junto com as crianças. Teria sido ótimo passar o dia juntos assim. – resmungou e Bob deu um sorriso.
– A mãe dela estava lá em casa, ela não iria, de qualquer forma.
– Espero que seu dia tenha sido bom. De verdade.
– E foi, . – o homem sorriu e o abraçou.
– Avise quando chegar em casa.
– Digo o mesmo.
– Avise Jas que na próxima nós vamos todos juntos.
– Pode deixar. – Bob falou, soltando-se do abraço. – Agora vocês dois parem de brincar com a sorte e vão logo, porque já deram muita sorte de passar o dia sozinhos e sem serem incomodados, então melhor ir antes que isso aqui se encha de fotógrafos e vocês tenham problemas pra ir embora.
– Nos vemos amanhã, Bob. – se despediu, mandando um beijo para o homem.
acenou em despedida e os dois foram para o estacionamento buscar o próprio carro para voltarem para a casa de .
Encontraram um Petros altamente entediado, deitado sobre o sofá e que nem mesmo fez questão de se mover para recebê-los. foi a primeira a ir tomar banho, demorando-se mais do que o habitual para sair do chuveiro, com os cabelos enrolados na toalha, vestida com seu pijama e pegou a camisa de jogo que ele tinha trazido pra casa no dia anterior e chegou até a sala.
– Autografe com uma dedicatória bem linda pra mim. – falou e desviou os olhos da televisão e a olhou sem entender.
– Por quê?
– Seu primeiro gol aqui, seu primeiro jogo em casa… é um bom presente.
– E se eu quiser ficar com ela ou, sei lá, dar pra minha mãe?
– Você não quer e eu só aceito ela não ser minha se você for mesmo dar de presente pra sua mãe.
– Posso mandar lavar primeiro?
– Não. Vou emoldurar assim.
– Tudo bem.
– Vai tomar um banho. – ordenou e ele rolou os olhos, mas se levantou, pegando a camisa das mãos de , e foi tomar banho. Estava mesmo querendo se livrar de todo suor e sujeira que o dia de andança em outro país.
Enquanto isso, deitou-se no sofá, já sem a presença do cachorro, que estava deitado na cozinha, colocou as pernas para cima e começou rolar o feed do Instagram, curtiu algumas fotos e foi conferir as que tinha sido marcada. Muitas fotos em Veneza. Muitas mesmo. Ao lado de , os dois riam e conversavam, fotos dos beijos e de um dos momentos em que tinha lhe lambido a boca, fotos deles andando de mãos dadas e renderam cliques bem bonitinhos. Curtiu algumas das fotos e só podia se sentir agradecida por ter sido um passeio bem agradável, sem problemas com tumultos de fotógrafos para estragar tudo.
No Twitter, ela e tinham sido trending topics, as pessoas postavam fotos e mais fotos deles, as mesmas do Instagram, elogiavam… claro, havia os comentários maldosos sobre todo o ocorrido anteriormente e da entrevista, mas, em sua maioria, falavam apenas bem dos dois.
Um site de fofocas tinha publicado uma matéria e clicou para ler. Não pareciam ser ofensivos, então ela queria saber o que diziam.

“O amor está mesmo no ar! e foram vistos hoje, 27/08, num passeio mega romântico e fofo em Veneza.
Isso mesmo!
Eles estão ótimos, obrigado por perguntar, e foram vistos juntinhos em Veneza hoje.
Os pombinhos passaram o dia em uma das cidades mais românticas do mundo, passearam pelas ruas de mãos dadas, conversaram, comeram, trocaram carinhos e se beijaram muiiiitooo, para a alegria dos fãs do casal que agora têm várias fotos dos dois juntos, demonstrando afeto público, coisa que raramente são vistos fazendo.
Aparentemente, os dois conseguiram curtir o dia sozinhos, sem intervenção de paparazzi e fãs, além de estarem sem seguranças, apenas os dois curtindo um dia de casal, no meio da agenda sempre lotada de e do cronograma de jogos de . , inclusive, fez o gol da vitória de seu time ontem e os dois foram vistos abraçadinhos no estacionamento após o jogo. Fofos!
Parece que nada do que aconteceu antes abalou o namoro dos dois, que parecem cada vez mais apaixonados e felizes.
Desejamos toda a felicidade do mundo ao casal e que as pessoas que desejam o mal e o fim desse namoro, fiquem com essas fotos pra ver como eles são fofos e tem muita química!”

Ela saiu da matéria, depois de dar RT em algumas coisas e tweetou sobre o dia, dizendo que tinha sido realmente fantástico e que passar um tempo com o namorado, apenas os dois, tinha sido ótimo. Agradeceu aos fãs por terem respeitado o momento e disse que logo estaria de volta à Itália para fazer os shows da turnê.
Respondeu às mensagens da mãe, disse que iria passar por lá no dia seguinte e almoçariam juntos antes que ela tivesse que se encontrar com a equipe. perguntou se podiam se encontrar naquela semana, não só na academia, e disse que confirmaria no dia seguinte, mas que havia uma enorme chance de que, sim, pudessem se encontrar. Ignorou a mensagem de Leonard, nem mesmo se prestou a ler, e voltou sua atenção para o Instagram novamente. Postou o vídeo de experimentando o macarrão no almoço nos stories com uma legenda provocativa e o marcou, saindo do aplicativo logo que ele entrou na sala, apenas de bermuda e se sentou na beirada do sofá.

– Quer comer alguma coisa? – perguntou e pareceu pensar.
– Acho que não… você quer?
– Não. Quero é dormir mesmo.
– Então vamos, eu estou exausta. – falou e se pôs de pé, caminhando com para o quarto. A cama foi ajeitada e deixar a toalha que enrolava seus cabelos no banheiro, os penteou de qualquer jeito, e voltou para o quarto, apagou as luzes e deitou-se ao lado de .
– Eu vi o vídeo, . – ele falou quase ofendido, puxando-a para mais perto e se aconchegou ali. – Você me paga.
– Você gostou do dia?
– Muito. – ele sorriu agradecido e só viu o gesto por causa do pequeno facho de luz que entrava pela cortina. – Você me fez ter um dia que, sozinho, eu jamais teria. Obrigado, de verdade.
– É um recomeço, sabe? – falou, fazendo um carinho em seu rosto. – Você vai recomeçar as boas atuações em campo aqui, no Stuttgart, e pode recomeçar a viver também. E se depender de mim, você vai.
– Como eu falo “obrigado pelo dia de hoje, pela viagem, pelo guia turístico personalizado, pelas aulas de História, por sua empolgação e por improvisar uma viagem simplesmente sensacional. Obrigado por tirar o fim de semana pra passar comigo, por vir me dar um apoio mesmo depois do que aconteceu, por sempre acreditar em mim e por nunca deixar de torcer pelo meu sucesso.” em italiano?
– Traduzi na minha cabeça, ficou um agradecimento muito bom. Acho que se você falar, vai ficar bem ruim, então vou fingir que falou e você finge que essas palavras em italiano que estão na minha cabeça são suas. – respondeu divertida e deu uma risadinha sonolenta.
– Dorme bem, . E obrigado por fazer parte do recomeço que eu precisava. – falou baixo, dando um beijo em seu rosto.
E, com aquelas palavras, também não demorou a cair no sono.

Capítulo 18

até quis tirar e postar uma foto usando a camisa com o nome e o número de , mas preferiu não fazer. Sabia a repercussão que teria quando ela usasse uma camisa dele – mesmo que fosse da seleção e não a do time – e era melhor evitar esse tipo de atenção e comentários negativos, ainda que ela tivesse limitado dos comentários em suas fotos, deixando que apenas as pessoas que ela seguia comentassem nas fotos, estava cansada de ler as coisas horríveis que vinham escrevendo sobre ela, sobre e sobre os dois.
Tinha postado uma foto com ele, quando foi visitá-lo em Stuttgart antes do lançamento do CD e da estreia dele no campeonato, e os comentários eram péssimos em todas as redes sociais e isso foi o que fez limitar os comentários em suas fotos, tinha cansado de ler que era uma imbecil ao apoiá-lo depois do que ele tinha feito, tampouco queria que ele lesse as coisas cruéis que as pessoas estavam falando. Já bastava as publicações em que vinham sendo marcados no Instagram e no Twitter e de todos os comentários maldosos de sites de fofocas.
Ela estava a caminho da Mercedes-Benz Arena Stuttgart para torcer por ele no primeiro jogo em casa pelo novo clube, estaria lá após liberar o fim de semana inteiro para ficar em Stuttgart, com ele, até mesmo tinha ajudado a arrumar tudo depois da mudança e, agora, estava indo ao jogo.
Após as fotos de com a ex-mulher circularem pela internet e comentários impiedosos começarem a ser feitos, voltaram a especular muito sobre a relação de e de , dos acontecimentos que envolviam as fotos com o desconhecido durante as férias e as de com a ex-mulher.
A história oficial não foi entregue à imprensa, não precisavam tornar a vida de Natascha ainda mais difícil naquele momento, mesmo que ela tivesse entrado em contato para que contassem e fizessem a mídia parar de falar daquela forma, mas e preferiram deixar as coisas como estavam, logo as fofocas encontrariam outros alvos, por enquanto os dois precisavam apenas fingir que não estavam vendo nada.
As perguntas para em entrevistas, antes e depois do lançamento do álbum, concentravam-se quase que apenas em querer saber sobre sua vida pessoal e mais nada, principalmente quando as fotos saíram e todo aquele inferno começou. Ela tentou levar numa boa, desconversava e começava a falar sobre o álbum e suas músicas, mas chegou a um ponto em que estava esgotada de fugir e de ouvir aquelas perguntas invasivas e desrespeitosas, ninguém queria saber do álbum e de seu trabalho, mas da história do relacionamento.
E ela acabou respondendo.

– E então, , você e estão mesmo juntos? – a apresentadora do programa de rádio em que estava, em Berlim, perguntou dando um sorriso debochado.
– Desde fevereiro, mas assumimos mesmo em março. – deu de ombros ao responder. – Mas eu vim divulgar meu álbum e não pr…
– Mesmo com as suas fotos na praia com aquele rapaz e as de passeando com a ex-mulher por Munique enquanto você esperava por ele em Stuttgart? – a mulher a interrompeu, usando um tom maldoso ao falar e suspirou pesadamente antes de responder.
Estava cansada de fugir e de mudar de assunto. Se eles queriam respostas e declarações, eles teriam.
– Vocês ficam feito urubus agourando o relacionamento alheio pra terem o que falar, porque aparentemente pessoas felizes e com suas próprias vidas, sem precisar passar o dia inteiro grudadas nos namorados não rende tantos cliques e dinheiro. Criam teorias absurdas, ultrapassam limites e forçam assuntos em momentos e de formas que não deveriam. Ninguém se importa se eu fiquei em um estúdio por meses gravando e analisando exaustivamente detalhe a detalhe de cada uma das músicas, milésimo de segundo por milésimo de segundo para que estivesse tudo perfeito. Esquecem que eu estou aqui para divulgar meu trabalho e não pra ficar comentando sobre meu namoro. Eu não sou só “a namorada do jogador ”, muito menos ele é apenas “o namorado da cantora ”. Damos duro todos os dias para conseguir chegar onde chegamos e vocês só nos enxergam rotulados por relacionamentos. É a primeira e a última vez que falarei sobre isso, já cansei de ouvir essas perguntas desrespeitosas e invasivas e ter que desconversar para conseguir falar sobre o meu trabalho. Nós estamos bem, obrigada, nunca tivemos problemas e nem terminamos. Aquelas fotos em Porto Rico foram tendenciosas. Eu ajudei o rapaz com a roupa de surf e depois dei um autógrafo e conversei por vídeo com a irmã dele, que é minha fã e mora em Montevideo. Ela postou um print da conversa no perfil dela no Instagram e está disponível pro mundo todo ver. As fotos de com a ex-mulher não mostram nada de excepcional pra vocês começarem todo esse circo e invenção de histórias. Vocês acham que todo término tem de ser catastrófico e que as pessoas devem se odiar quando seus relacionamentos terminam, mas não é assim que as coisas são. Eles tiveram um bom casamento, não deu certo, mas nem por isso precisam se odiar e todas as coisas que vocês esperam que aconteça. e eu estamos muito bem, obrigada, entendemos e respeitamos os espaços um do outro, não precisamos ficar grudados o dia todo e todos os dias para sermos namorados, ele é meu namorado e não minha bolsa, eu sou a namorada dele e não a chave do carro que ele carrega pra todo canto. Parem de tentar criar inferno no relacionamento alheio por pura vontade de angariar audiência. E eu peço desculpas aos meus fãs, mas não vou continuar essa entrevista. Vocês têm a declaração que queriam e, aparentemente, o motivo para que eu viesse aqui era esse, falar sobre meu namoro e mais nada. Meu trabalho de meses é inútil frente ao meu namoro e as crises que vocês tentam criar desde o começo dele, mas só porque a artista sou eu. Se fosse ele, vocês não teriam mencionado isso. Como não mencionaram na coletiva que fizeram no Stuttgart essa semana. Com licença. – falou retirando os fones e saindo do estúdio.

E essa declaração repercutiu para o bem e para o mal, claro.
Boa parte dos fãs saiu em sua defesa, assim como muitas outras pessoas que tinham ficado sabendo, alegando que ela tinha razão, porque tinha dado duro na produção daquele álbum, mas muitos tratavam , desde que tinha voltado a namorar, como a namorada de alguém e não como a artista famosa e premiada que era; outros tantos a atacaram, chamaram de rude, estressadinha, chiliquenta e vários outros adjetivos pouco educados, além de estereotipá-la como uma mimada que não entendia que, por ser uma pessoa pública, era obrigada a aturar aquele tipo de coisa, porque vivia de sua imagem.
já tinha passado por aquilo e não poderia se importar menos com o que pensavam sobre ela. Era uma pessoa pública, mas não significava que por isso não poderia ter privacidade e que as pessoas não devessem respeitar sua intimidade.
Sua declaração encerrou o assunto em todas as entrevistas. Em todas as outras em que compareceu, o assunto era unicamente seu novo álbum, além da turnê que começaria em breve, falavam apenas disso e nada mais. Mas, ainda que as entrevistas que dava só falassem sobre seu trabalho, os sites de fofoca e muitos fãs e haters falavam incessantemente sobre toda aquela história. só queria um pouco de paz e sossego em meio ao furacão profissional e sentimental que estava vivendo.
Aquela conversa, depois da briga, aproximou e ainda mais do que a viagem pra Porto Rico tinha aproximado. Encontraram-se duas vezes depois desse dia, o clima era melhor, até mais do que antes da briga e de tudo que tinha acontecido na viagem.
E agora ela estava ali, em Stuttgart, pronta para vê-lo estrear em casa, jogando por um time novo e que não era mais um dos maiores do país, apesar de antigo e tradicional. Mas os passos não devem ser maiores que as pernas e recomeços precisam vir assim: aos poucos.
não conhecia ninguém que estivesse no estádio, nunca tinha visto e nem falado com nenhuma das esposas ou familiares que estavam ali para torcer pelos seus jogadores. Algumas fotos suas foram tiradas, ela percebeu, mas não se importava, tinha parado de ligar pra isso há muito tempo.
Não usava uma camisa do Stuttgart, nem mesmo tinha ido com a camisa da Alemanha, escolheu uma roupa neutra para não chamar tanta atenção e tentar passar despercebida, queria apenas assistir ao jogo em paz e sem nenhuma atenção voltada para si. Ainda que soubesse que isso nunca aconteceria.
Só ela estava ali por – já que Helga e Ute não puderam comparecer – e torcia do fundo do coração para que o time vencesse a primeira partida em casa, que jogassem bem e não se comprometessem, tinham perdido a primeira partida do campeonato jogando fora de casa contra o Hertha Berlin, na semana anterior.
merecia um bom recomeço. Sua temporada no Schalke 04 tinha sido boa, não o suficiente para manter-se no clube, que estava passando por uma reformulação, tampouco para que o Bayern renovasse o contrato, mas ele tendia a melhorar. podia sentir.
A Mercedes-Benz Arena Stuttgart recebia um bom público e o jogo foi razoável no primeiro tempo, que terminou sem gols, mesmo com tantas chances criadas, tanto pelo Stuttgart quanto pelo Mainz. estava nervosa por , que vinha fazendo um bom jogo, muito seguro e parecia o que conquistou a titularidade no Bayern e na seleção alguns anos antes daquelas malditas lesões.
Quando o segundo tempo começou, observava o jogo atentamente enquanto terminava de comer a pipoca que tinha comprado no intervalo. Aos sete minutos, numa cobrança de escanteio para o Stuttgart, a bola foi lançada na área e alguém cabeceou para o fundo da rede.
Gol.
No primeiro momento, não percebeu quem tinha marcado, comemorou comedidamente e só alguns segundos depois, quando os jogadores em comemoração e uma voz anunciava no alto-falante o nome de quem era o jogador que tinha aberto o placar pelo time da casa, é que ela comemorou de verdade.
.
Ele saiu comemorando totalmente em êxtase e começou a pular e gritar em seu lugar, atraindo uma atenção que normalmente não gostava de atrair, mas não se conteria. Não naquele momento.
tinha feito um gol.
No primeiro jogo em casa da temporada.
O primeiro gol dele na Bundesliga desde 2009.
Ele é um zagueiro que não faz muitos gols, tinha, agora, apenas três atuando como profissional na Bundesliga, mas aquele gol era como um título de Copa do Mundo para . Nem o gol de Mario Götze na final em 2014 valia tanto quanto aquele gol do Stuttgart para ela.
Recomeço.
O Stuttgart ainda perdeu a chance de aumentar o placar numa cobrança de pênalti que foi na trave e ninguém pegou a sobra. E Zieler, o goleiro do time da casa, salvou o time por diversas vezes de tomar o empate.
Quando o juiz apitou o final, a torcida comemorava o triunfo e comemorava a excelente estreia de . Provavelmente ele demoraria a aparecer no estacionamento para irem embora, com certeza seria entrevistado pelos jornalistas na zona mista e ainda podia ser sorteado para o antidoping, então já sabia que teria que esperar.
demorou a sair da área reservada para as famílias e enquanto esperava o tempo passar, procurou um vídeo do gol e postou nos stories, parabenizando , tirou algumas fotos com fãs que estavam por ali, autografou camisas e pedaços de papel e um tempo depois estava a caminho do estacionamento para encontrar-se com .
estava em êxtase. Que estreia em casa! Tinha jogado muito bem, ajudou o time fazendo sua função e ainda marcou um gol. O gol da vitória. Estava confiante e sentia que coisas boas estavam por vir naquela temporada. Que tudo voltaria ao normal em sua vida depois de tantos golpes, finalmente.
Quando o avistou aproximando-se do local em que ela tinha estacionado, depois de um bom tempo aguardando, correu até ele e se jogou em seus braços, absolutamente orgulhosa e feliz. deu uma risada sincera e a apertou num abraço que fez com que dobrasse as pernas e ficasse fora do chão.

– Parabéns! Parabéns! Parabéns! – falou animada, enquanto a segurava no abraço e ria de sua empolgação. – Achei que eu fosse ter um troço vendo esse jogo! Zieler salvou vocês diversas vezes! Ele é ótimo, mas prefiro o Manu, é claro. E eu sabia que você ia se sair bem, eu sabia! Eu sabia! Parabéns! Parabéns!
– Obrigado.
agradeceu, rindo da euforia dela, e não esperou que falasse mais alguma coisa sobre o jogo ou lhe parabenizasse pelo gol de novo, apenas lhe deu um beijo, que foi devidamente correspondido. E fotos, de torcedores e fotógrafos, foram tiradas do momento, mas os dois, ocupados demais em se beijar, não viram e nem mesmo tinham pensado nisso.
– Estou me sentindo aquelas líderes de torcida de filme que beijam o namorado ao final do jogo de futebol americano, quando eles vencem e o rapaz foi quem fez o touchdown que deu o título ao time. – falou em tom divertido quando se separaram e o olhou.
ainda a segurava num abraço e deu um sorriso ao ouvir aquilo.
– Infelizmente não foi gol de título, mas foi um gol. – a colocou no chão quando falou e voltou a abraçá-lo, com o rosto encostado em seu ombro e lhe deu um beijo no pescoço. – E me mostraram sua empolgação ao comemorar. Foi bem engraçado suas palminhas comedidas se tornarem pulos e gritos insanos.
– Eu comemorei como se fosse aquele gol do Götze na final da Copa do Mundo. Só que eu demorei a entender que tinha sido você o autor do gol.
– Podemos ir pra casa agora? Eu estou morrendo de fome.
– Vamos. – falou, soltando-se do abraço e estendendo a mão para que fossem embora do estádio. – Fiz o almoço, que já não é mais almoço, e espero que você goste.
– Eu faço um gol na estreia do time em casa e você vai tentar me matar com uma intoxicação alimentar? – implicou, fazendo rolar os olhos. – E o que você fez?
– Surpresa. – respondeu e sentou-se no banco do motorista.
– E então, o que achou? Joguei bem?
– Jogou sim, gostei bastante do que vi. – assentiu sorrindo, colocou o cinto e deu partida no carro para saírem do estacionamento da Mercedes-Benz Arena Stuttgart a caminho da casa de , que ficava próxima dali. – Ainda que tenha tomado uma bola nas costas que tenho raiva desde sua época de Bayern, mas fora isso você foi muito bem.
– Que bom que você acha que eu joguei bem. – deu um sorriso que não viu.

estava muito feliz com o jogo e com o gol feito, aquela era a sua chance de reaparecer para o mundo e mostrar que mesmo depois de todas as lesões, ele ainda era capaz de jogar em alto nível e ser um zagueiro confiante e importante.
Seu celular estava repleto de mensagens o parabenizando pelo gol e pela excelente partida do time e dele individualmente. estava absurdamente feliz pela estreia em casa, coroada com a vitória e com um gol, além de uma boa atuação. Respondeu às mensagens enquanto dirigia, cantarolando algo que ele não deu a devida atenção, e nem mesmo percebeu quando chegaram em sua casa, só se atentando ao fato quando lhe chamou.

– Vai ficar no carro, bonitinho? – perguntou batendo de leve no vidro, já do lado de fora do carro.
Tirou o cinto e a acompanhou até o interior da casa, sendo recebido por um Petros muito animado com a chegada dos dois e que pulava e latia para o dono, parecendo comemorar a excelente atuação de e seu gol.
O gol da vitória.
seguiu para a cozinha enquanto brincava com o cachorro na sala, ligou o forno para esquentar a lasanha e pegou o vinho que tinha levado para o fim de semana que passariam ali, além das taças, colocou sobre a mesa da cozinha e foi procurar pelos pratos nos armários.

– Can you be my nightingale? Sing to me, I know you’re there. You could be my sanity, bring me peace, sing me to sleep. Say you’ll be my nightingale…

– Gosto dessa música… ela me lembra você.
– Puta que pariu! – disse assustada, quase largando os pratos no chão, e deu uma gargalhada. – Isso não tem graça. Quase quebrei os pratos, idiota.
– E qual o menu surpresa? O cheiro está ótimo. – perguntou e se encostou na bancada ao lado dela.
– Daqui a pouco você descobre. – piscou, virando-se para colocar os pratos sobre a mesa, serviu vinho nas duas taças e entregou uma a ele. – E então, você gosta dessa música? Quando a ouviu?
– Você canta essa música o tempo inteiro, .– falou depois de um gole no vinho que estava em sua taça. – Mais do que canta as suas próprias ou qualquer outra música.
– Essa música é fantástica.
– E ela me faz lembrar de você.
– Por quê?
– Porque é a música que eu mais te ouço cantar e se eu a escuto em qualquer lugar, eu me lembro de você na mesma hora. E mesmo que esse namoro não seja real, você me faz bem e trouxe… paz. Sabe? De um jeito estranho, ainda que você seja esse furacão, você é a calmaria que eu precisava.
– Eu sou um furacão? – perguntou erguendo uma das sobrancelhas.
– Eu falei um monte de coisas legais e bonitas e você só prestou atenção nessa parte? – perguntou rindo.
– Você me chamou de furacão!
– Enfim, essa música é muito bonita e eu gosto muito mais na sua versão do que da original. – respondeu dando um sorriso sincero.
– Obrigada. – agradeceu, tomando o restante do vinho em sua taça, saindo de perto e indo tirar a lasanha do forno.
– Lasanha?
– Não sei fazer Sauerbraten mit Knödel e Käsespätzle. – confessou e franziu o cenho ao falar aquilo. – Até pensei em ligar para sua mãe ou pro meu pai e pedir ajuda, mas achei melhor fazer algo menos complicado e que eu saiba fazer sozinha e por talento próprio. E estamos reduzindo nosso consumo de carne e derivados, caso você tenha se esquecido.
– Estamos?
– Sim, nós estamos. Tudo bem, a lasanha tem carne e queijo, mas nós estamos reduzindo nosso consumo de carne e derivados.
– Certo, estamos reduzindo consumo de alimentos de origem animal, eu entendi. E você acertou, eu amo lasanha! – falou dando um sorriso enorme, como uma criança ganhando o presente que pediu no Natal. – Natascha sempre fazia quan… – começou a falar, mas se calou de uma vez. – Desculpa.
– Pelo quê?
– Por mencionar a Natascha e…
, tudo bem. Não tem problema falar dela, o que vocês tiveram foi algo bom e é alguém de quem você gosta, ela parece ser uma pessoa boa, ser ex não significa que a pessoa seja um lixo e que precise ser esquecida, como se nunca tivesse acontecido. – falou dando um sorriso confortante e assentiu, mordendo a parte interna da bochecha.
– Eu não gosto dela assim.
– Sim, você gosta. – riu, colocando a lasanha sobre a mesa e sentou-se em uma das cadeiras.
– Não, eu não gosto. – negou, sentando-se de frente para ela.
– Gosta sim. – disse ainda rindo e ele rolou os olhos. – Por que vocês terminaram?
– Não estava dando certo.
– Como assim? Bom, só se você quiser falar sobre isso.
– Nós sempre nos amamos, algo que eu nunca achei que sentiria por alguém e foi um tempo excelente o que passamos juntos, mas só amor não sustenta um relacionamento. – respondeu e olhou para , que assentiu. – E levar o casamento de qualquer forma não seria algo bom pra nenhum dos dois e nem pra nossa história, então em respeito a tudo que vivemos juntos, foi melhor terminar. Foram bons anos, mas acabou e vida que segue.
– Eu sinto muito que tenha acabado. De verdade.
– Se não tivesse sido assim, eu não teria te conhecido. – falou dando um sorriso de lado e partiu um pedaço da lasanha, se servindo. – E te conhecer, sem dúvida, foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida.
– Obrigada. Eu acho. – disse rindo, franzindo o nariz numa careta, e também se serviu de um pedaço da lasanha.
– Isso está fantástico! – falou extasiado após provar o primeiro pedaço e sorriu satisfeita.
– Meus dons se estendem além dos palcos, bello.
– Sem incorporar a italiana. Não preciso de tamanha humilhação. – disse se fingindo de ofendido e riu.
Os dois terminaram de comer sem muita conversa, apenas aproveitando a comida e o bom vinho que tinham à disposição. Petros apareceu quase ao final da refeição, fez cara de pedinte e antes que pudesse enxotá-lo, deu um pedaço de lasanha ao cachorro, que comeu satisfeito e lhe deu uma lambida na mão em agradecimento.
– Você está deixando meu cachorro sem vergonha, .
– Se você encher o saco, eu vou levar esse bebezinho para morar comigo e você só o verá nas fotos que postarei no Instagram.
– Você não ousaria.
– Quer apostar?
– Você é doida, não duvido que faça algo do tipo apenas pra provar que sim, você ousaria. – falou se fingindo de sério e deu uma risada, tomando o restante do vinho que estava em sua taça.
– Já que estamos almoçados-barra-quase-jantados, aguardamos um pouco até a hora da sobremesa, eu comi demais.
– Ainda tem sobremesa?
– Refeição completa, afinal eu sou uma namorada maravilhosa. – sorriu e se pôs de pé, pegando a garrafa de vinho que estava sobre a mesa e olhou para . – Mas, nesse momento, eu vou pra sala, porque minha bunda está doendo de ficar sentada nessa cadeira dura e o ar condicionado lá é ótimo.
– Vou lavar tudo e te encontro em alguns minutos. – falou e ela assentiu, seguindo com a taça e a garrafa até a sala.
serviu-se com um pouco de vinho, pegou o celular e foi rolar o feed do Instagram, sendo recebida por diversas notificações de curtidas e marcações em fotos. Abriu um dos fã clubes e viu algumas fotos dela no estádio, além de um vídeo dos dois no estacionamento.

“O Stuttgart venceu o jogo contra o Mainz hoje por 1 a 0 e o gol da vitória foi marcado por no começo do segundo tempo, gerando uma comemoração um tanto empolgada de , como é possível conferir no vídeo abaixo.
Depois do jogo o casal foi visto em clima de romance no estacionamento, com direito a beijo de cinema e muito carinho, sem se importar com o que falam sobre eles, afinal, não é da conta de ninguém. O clima entre os dois parece cada vez melhor, o que é ótimo para mostrar a todos, de uma vez por todas, que não existe crise e que os dois estão felizes!
Como disse em uma declaração feita via Instagram, quando esses rumores idiotas se iniciaram, os dois não precisam de fotos e exposições desmedidas na internet pra estarem juntos, e ninguém sabe o que acontece entre eles além deles mesmos.
Mas nós ficamos muito felizes ao ver vocês juntos e demonstrando afeto em público! Vocês são lindos e amamos ter fotos do casal pra postar e ter como meta de vida!
Felicidades ao casal e vamos torcer para que eles tenham mais momentos fofos e paz para se curtirem, porque merecem toda felicidade do mundo.”

lavou os pratos, guardou o restante da lasanha e quando chegou à sala, estava bebendo o vinho que tinha em sua taça, deixou o celular de lado e estava aproveitando a temperatura mais baixa do cômodo, graças ao ar condicionado.
Petros tinha ficado pelo quintal e se assegurou de que o cachorro permaneceria lá, fechando a porta que dava acesso para a cozinha. Sentou-se ao lado de no sofá, sentindo a mudança de temperatura causada pelo ar condicionado, e se serviu com vinho em sua taça.

– Eu queria muito que você tivesse uma piscina, .
– Podemos tomar banho de mangueira e eu aproveito e dou banho no meu cachorro fedorento.
– Isso me parece uma desculpa pra me ver sem roupa. – brincou.
– Parece que você é muito boa em notar as coisas. – respondeu num tom despreocupado.
– Sabe o que eu queria? – disse tomando um gole grande do vinho que estava em sua taça e se deitou no sofá, colocando as pernas sobre o colo de .
– Uma massagem nos pés? – perguntou óbvio.
– Também, mas não era essa a resposta. – riu e o olhou. – Eu queria andar de patins. Só que nesse calor é sem chance.
– Eu prefiro dormir. – disse, deixando sua taça na mesa de centro e se deitou ao lado de , no canto do sofá, e fechou os olhos. – O cansaço pós jogo se juntou ao peso do almoço.
– Você tem uma cama enorme e vai ficar no sofá, espremido e quase me jogando no chão, ?
– Shiu, fica caladinha e me deixa dormir. – falou baixo, puxando-a para mais perto e fechou os olhos em seguida.
ligou a televisão, quando percebeu que tinha mesmo dormido, e foi procurar algo para passar o tempo, estava sem sono e não tinha o que fazer. Encontrou uma maratona de House e resolveu assistir.

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Uma hora depois, continuava dormindo da mesma forma, até roncando baixo, e estava mais do que entediada, já tinha curtido várias fotos no Instagram, feito stories de dormindo, tweetado e interagido com os fãs, nada mais lhe apetecia.
não parecia prestes a acordar e queria que ele acordasse, podiam mesmo dar banho no cachorro, comer a sobremesa… ou qualquer outra coisa, ela precisava sair daquele sofá antes que se integrasse à mobília ou morresse de tédio.
Virou-se devagar até que estivesse com o rosto de frente para o de e começaria a missão de acordá-lo.

… – sussurrou bem perto da boca dele, que soltou um resmungo em algum idioma muito diferente de qualquer um que seja falado no planeta, mas não parecia ter acordado. – .
Ele soltou um resmungo manhoso de quem não tinha gostado de ser acordado e tentaria dormir de novo, ainda de olhos fechados e sem se mexer. mordeu de leve seu lábio inferior e contornou o rosto de com o indicador, antes de lhe acariciar os cabelos e voltar a aproximar sua boca da dele.
… – chamou num resmungo manhoso e lhe deu um selinho. – Acorda, vai… – pediu, voltando a lhe morder de leve o lábio inferior. – Por favor… – pediu com a voz manhosa, distribuindo novos selinhos nos lábios de e deslizando sua mão por baixo da blusa dele.
– Eu espero que você esteja muito afim, porque se você me acordou à toa, eu vou te colocar pra dormir na rua. – respondeu com a voz rouca de sono e ainda de olhos fechados, o que fez sorrir e passar os dedos pelos cabelos dele, mas desviou quando avançou sobre seus lábios buscando um beijo de verdade.
– Eu estou entediada, vamos dar banho no Petros. – falou e se sentou, fazendo resmungar. Sabia que ela estava comunicando o que aconteceria, não era um pedido. – Vou colocar um short e quando eu voltar, te quero pronto pra dar banho nele.
– Você vai dormir na rua. – falou frustrado, passando as mãos pelo rosto para despertar mais rápido daquele sono tão gostoso em que estava.
só tirou a camisa e continuou com a bermuda do time que ainda usava desde o fim do jogo. Ela voltou alguns minutos depois usando um short de jogo dele, ainda da época de Bayern, e um top preto.
– Podemos?
– Claro. – resmungou, se colocando de pé e saiu da sala depois dela, observando a mulher caminhar até chegar ao quintal.
foi até a mangueira para ligá-la e se ocupou de buscar o shampoo e o condicionador e chamar Petros para o gramado, onde começaram a dar banho no cachorro, que parecia realmente agradecido por estarem amenizando o calor que ele estava sentindo.
– Você vai deixar meu cachorro sem vergonha. – falou, pela milionésima vez, observando esfregar a barriga do cachorro e falar com ele fazendo uma voz fina, como se falasse com um bebê.
– Seu pai é um chato, bebê. – falou com o cachorro rolando os olhos e lhe fez um carinho. – Joga água.
– Sim senhora. – respondeu e jogou água em , que soltou um gritinho pelo choque térmico e se pôs de pé, recebendo mais água no rosto.
xingou em um idioma que ele não conhecia, mas ele riu da expressão ultrajada dela, que agora passava as mãos pelo rosto para tirar o excesso de água e tentava fazer uma feição ameaçadora de quem não tinha gostado de ser molhada.
– Joga água nele, idiota. Pra tirar o condicionador.
– Você é chata demais, . – falou e voltou a molhá-la, dessa vez colocando o dedo na saída de água para que esta se espalhasse e molhasse por inteiro.
Petros pulava ao redor dos dois e recebia algumas boas doses de água enquanto molhava e ria das gargalhadas e dos xingos que ela dava. Quando ela pegou a mangueira de suas mãos, pensou que seria ele quem tomaria um banho, mas se ocupou de tirar todo o condicionador de Petros, que ainda estava eufórico com a brincadeira de minutos antes.
– Apelou perdeu. – provocou e se virou, acertando um jato em seu rosto e ele deu uma gargalhada enquanto ela o molhava e ele se comportava como uma criança de quatro anos pulando para que a água o atingisse.
– Você é ridículo, . – ria enquanto o molhava.
– Eu vou te molhar também.
– Isso lá vai fazer alguma diferença? – perguntou ainda rindo e se virou, tomando a mangueira de , que pensou em correr, mas foi segura pela cintura por , que desligou a água e a virou para si. – Não ia me molhar?
– É, mas não desse jeito. – falou baixo, sorrindo safado e o correspondeu, passando os braços ao redor do pescoço dele, que a abraçou pela cintura com os dois braços.
– Se você estiver falando assim à toa, quem vai dormir na rua é você. – ela falou baixo, aproximando o rosto do de e puxou o lábio inferior dele entre seus dentes, antes de beijá-lo.
E nenhum dos dois estava exatamente se importando com a proximidade das casas dos vizinhos e se alguém estava vendo como se beijavam e como as mãos buscavam tocar cada milímetro disponível para ser tocado de seus corpos.
– Eu acho melhor a gente entrar. – falou, separando os lábios para tomar um ar e assentiu, inebriada.
Os dois entraram na casa e mal a porta da cozinha foi fechada, estavam beijando-se novamente e caminhando cegamente até a sala, esbarrando em tudo pelo caminho.
– Sofá não, vai molhar. – o impediu de se deitar no móvel.
– Eu prefiro evitar bater em mais alguma parede ou móvel até o quarto. Ou que a gente escorregue e acabe se machucando. – respondeu quase aflito, voltando a beijá-la e o empurrou para que se sentasse no sofá, sentando em seu colo.
As mãos de logo foram até a bunda dela, ainda coberta pelo short molhado, e ele a apertou com as duas mãos, fazendo soltar um ofego enquanto o beijava. Ele fez menção em deitá-la no sofá e ela o impediu.
– Hoje não. Hoje a gente vai fazer tudo do meu jeito. – falou num tom provocativo e ele assentiu inebriado.
Se ela estava mandando, ele não iria discutir. Ele gostava quando ela mandava.

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[N/A: Essa parte do capítulo tem a narrativa de um relacionamento abusivo e agressões sofridas nesse relacionamento, caso você não se sinta confortável, pode pular essa parte. Há menção à criação de duas músicas, mas essa criação será mencionada novamente em momento posterior. E eu coloquei um aviso quando esses relatos acabarem e a leitura pode ser continuada sem problemas.]

– Eu quero te contar uma coisa. – falou, quando estavam sentados na sala, comendo o resto da lasanha do almoço.
– Parece ser sério. – a observou demoradamente.
Petros estava deitado no tapete, ao lado de , que tinha as costas encostadas no outro sofá e pernas esticadas e estava no sofá.
– E é. – mordeu a parte interna da bochecha.
– Você tem certeza que quer falar sobre?
– Tenho. Eu só preciso achar um jeito de contar. – soltou um risinho pelo nariz e suspirou demoradamente.
deu uma garfada na lasanha em seu prato, mas sem desviar os olhos de , a quem ele via de perfil, que permanecia concentrada, olhando pra frente e pensando em tudo que tinha pra falar, organizando-se mentalmente para contar e sabendo que seria necessário um esforço hercúleo para não chorar quando contasse tudo. Quando estava prestes a falar sobre outra coisa, percebendo a luta interna de , ela começou a falar.
– Nicholas e eu temos a mesma idade, ele é dois anos mais novo que o Ian, e nós namoramos um tempo e eu realmente gostava dele, ele jurava aos céus que também gostava de mim e, por muito tempo, era isso o que parecia, mas não foi assim. Nunca foi. Enfim, enquanto eu estava na turnê do meu segundo álbum, que foi em 2011, ele tinha uma vida aqui, estudava e essas coisas, mas ele ia a muitos lugares comigo, só que passava muito mais tempo na Alemanha e me traía. Naquela época, não havia tantos fotógrafos aqui igual agora e eu não era tão relevante, tanto que a turnê era pela Europa e um ou outro Estado nos Estados Unidos. E por não ter tanta gente de olho, ele desfilava com outras sem nenhum problema.
– Que filho da puta. – falou mais para si, mas assentiu.
– Ele ficava com três garotas aqui, mas eu só descobri as histórias de traição depois de vê-lo beijando uma das backvocals da turnê. E ele nem se deu ao trabalho de sair de perto de mim, foi no hotel em que estávamos hospedados. Resultado: passei dois meses com a garota na equipe, não tínhamos como substituí-la e ele voltou pra Alemanha, porque terminamos, eu estava muito triste com tudo, mas tinha que continuar a cumprir minha agenda. Eu gostava muito dele na época e, claro, ele se aproveitou disso, falou que tinha sido um erro, que estava arrependido e contou dos casos que tinha, mas justificou falando que, como eu quase nunca estava disponível, ele tinha algumas necessidades, eu acreditei e realmente pensava que a culpa era minha, afinal, quem não estava disponível era eu, então nós voltamos a namorar sob a promessa de que nada daquilo aconteceria de novo.
– Eu sinto muito. – falou e deu um sorriso pequeno, antes de prosseguir com o relato.
– Uns meses depois do ocorrido, eu tinha finalmente chegado da turnê e estava em processo de criação de um novo álbum, aquele começo de carreira era frenético, eu precisava que as pessoas soubessem que eu estava viva e fazendo música. Eu tinha passado o dia no estúdio tentando ajustar algumas coisas em algumas das músicas e estava cansada pra caramba. Meus pais e o Davi não estavam em casa e Nicholas foi ficar comigo, eu tinha passado a semana toda presa no estúdio e mal tínhamos nos falado. Ele queria transar e eu não estava disposta, então ele me bateu. Pela primeira vez ele bateu, nas outras vezes em que eu tinha dito que não queria, ele só tinha apertado meu braço e tentava forçar, soltava algumas frases que me faziam ficar com medo ou pensando duas vezes antes de fazer ou falar algo que o contrariasse.
– Ele já tinha feito isso antes?
– Sim, mas eu não tinha muita noção de que isso era errado, sabe? Que ele não deveria me pressionar pra nada. A minha terapeuta depois me explicou os motivos, mas eu nunca tinha visto nosso namoro como um relacionamento abusivo e tóxico. Pra mim, era inconcebível a ideia de que o meu namorado, uma pessoa que eu amava e que dizia me amar, pudesse me fazer mal. Enfim, nesse dia, eu o mandei embora ameaçando fazer um escândalo, disse que nunca mais queria vê-lo e que ele não era meu pai pra me bater, ele foi embora e eu quase arranquei a pele enquanto tomava banho, eu me sentia tão… suja e culpada por tudo. Afinal, se eu não tivesse aceitado voltar, nada disso teria acontecido, então a culpa era minha.
– E seus pais?
– No dia eu falei que tinha sido apenas uma briga. Davi não acreditou, mas eu disse que era apenas isso e ficou assim até que depois de uns dias o Nicholas apareceu no estúdio, disse que queria falar comigo e como eu ainda gostava muito dele, apesar de magoada, aceitei. É aquilo que eu falei, não consegui enxergar que era abusivo, afinal, eu o conhecia há anos e éramos namorados, então, pra mim, não existia essa situação de agressão. Ele tentou me fazer sentir culpada pelo acontecido, e estava quase conseguindo me convencer, mas eu disse que precisava pensar sobre a chance de voltarmos e estava ocupada, que depois nós nos falaríamos. Eu acabei conversando com a e ela foi quase na mesma hora contar pro Ian e pros pais deles tudo que tinha acontecido. Ela ameaçou largar Ian caso Nicholas voltasse a se aproximar de mim. Ian já era um grande amigo meu naquela época e até bateu em Nicholas por causa de tudo e me garantiu que não voltaria a acontecer, porque não deixaria o irmão se aproximar de mim se não fosse absolutamente inevitável.
– E o Davi?
– Depois disso, eu tive que contar a verdade. Ele socou o Nicholas e se eu não tivesse me enfiado no meio da briga, provavelmente meu irmão ainda estaria preso por homicídio. – falou, dando uma risadinha sem nenhum humor pelo nariz.
– Mas… o casamento?
sempre sonhou em ter um casamento tradicional, ainda que num lugar não tão tradicional assim, e eu não tiraria nada da minha melhor amiga. Nada. Na verdade, ela só se casou lá, porque os avós dela se casaram naquele lugar, aquele lugar tinha sido da família dela, mas precisaram vender quando as coisas ficaram apertadas e os avós dela conseguiram pagar as contas e ajudar os filhos. A primeira opção de padrinho era um grande amigo do Ian e um cara muito legal, mas ele morreu no ano passado e, muito relutante, o Ian chamou o irmão. Não era pra dançarmos juntos, mas isso mudaria totalmente a parte tradicional do casamento, afinal, eu fui a madrinha e madrinhas dançam com padrinhos. Fui eu quem falou que dançaria com ele, porque não perderia nem meio detalhe do casamento que ela queria por minha causa. Nós até brigamos por isso, mas ficou tudo bem quando concordamos que eu não ensaiaria com ele e só aconteceria o contato no casamento. Ian e não tiraram os olhos de nós durante o tempo que tivemos que permanecer juntos. Ian queria chamar você pra ser o padrinho, mas…
– Seria péssimo quando nosso namoro acabar.
– É.
– Ele sabe?
– Não. Eu só falei que o namoro era muito recente pra ele confiar uma posição tão séria a você assim, podia ser que não desse certo e depois as coisas ficariam estranhas.
– Eu sinto muito, . De verdade.
– Eu fiz terapia um tempo e isso me ajudou a abrir os olhos e enxergar que ele era um abusador, que nosso namoro tinha sido abusivo desde o começo, eu comecei a compreender o que precisava fazer para me afastar e consegui. Mas foi muito difícil na época. Ela falou que é muito mais fácil enxergar um abuso quando é cometido por um desconhecido, porque essa pessoa desconhecida é alguém com quem não temos nenhum sentimento ou ligação, mas quando é um conhecido, seja ele namorado ou não, a mente parece um pouco mais lenta em processar essa informação, ou melhor, parece rejeitar que uma pessoa que tenha ligações com outra seja capaz de agir contra essa pessoa, sendo de forma violenta física ou emocionalmente. E enquanto eu fazia terapia, eu fui entendendo como o nosso namoro tinha sido abusivo desde o começo, nunca teve um momento em que foi uma relação saudável.
– Eu não posso imaginar a dor. Eu sinto muito.
– Lembra do que você me perguntou na viagem? Sobre as músicas? – perguntou e ele assentiu. – Todas as minhas músicas são escritas por algum motivo especial, mas não escrevi pra ele, escrevi pra mim.
– E elas são lindas.
– Pedi um tempo no desenvolvimento do novo álbum e passei dois meses cuidando de mim, me afastei de redes sociais e foquei em ficar bem comigo. Fiz terapia por muito tempo depois, mas aqueles dois meses foram basicamente pra mim. Eu não fazia nada além de ficar perto dos meus pais, de Davi, de Ian e de . E terapia, claro. Eu me cerquei de amor e eu as escrevi. “Das Gold von Morgen” foi a primeira, ela fluiu quase instantaneamente, muitas das palavras que estão nessa música foram ouvidas durante as sessões de terapia, elas me ajudaram muito a enxergar que o problema nunca tinha sido eu e que a vida tem formas de nos provar que somos muito mais fortes do que acreditamos ser. É como a letra diz, os dias eram longos e as noites eram curtas, eu acordava desesperada em alguns momentos, me sentindo suja e culpada. E o próximo dia sempre era o objetivo, era o único objetivo, basicamente.
– A vida tem punhos de ferro, temos que nos esquivar pra poder voar. – parafraseou a música e lhe ofereceu um sorriso.
– Quando eu já estava um pouco melhor e pronta para retomar o trabalho e gravar meu terceiro álbum, “Herz aus zweiter Hand” aconteceu.
– Mas elas não estão nesse álbum. – falou confuso.
– Eu não me senti confortável de torná-las públicas tão rápido, geraria perguntas demais, principalmente pelo término, e eu não estaria pronta para lidar com aquilo na época. Eu nem ia lançá-las, na verdade, mas eu precisava torná-las públicas, elas poderiam servir para outras pessoas também. “Das Gold von Morgen” só saiu no álbum passado e “Herz aus zweiter Hand” vai sair nesse.
– Serviram e servirão. – deu um sorriso. – Quando eu ouvi “Das Gold von Morgen”, senti quase como se você tivesse escrito pra mim. Eu estava de cara no chão há muito tempo e era a única coisa que eu via. E suas palavras naquela música são maravilhosas: “Quando a vida ataca de novo e você cai com o rosto no chão, comece a cavar. Então, lá está escondido, e é exatamente onde vai encontrar o ouro do amanhecer”. Sei que essa música é sua, que a vida te golpeou e você encontrou o seu ouro da manhã, mas eu gosto de me ver nessa canção.
– Eu fico feliz por isso.
– E “Herz aus zweiter Hand” é perfeita. É a minha favorita desse álbum, de verdade, ainda que “Mut” e “There’s No One Else” sejam ótimas. E todas as outras, porque seu álbum está fantástico.
– Eu fico feliz que você goste dela, veio de um momento de ressurgimento. Meu coração estava em frangalhos, se tornou um coração de segunda mão, mas tinha voltado a bater forte, alto e com um bom sangue. – deu um sorriso ao parafrasear parte do refrão da música. – “Mut” também tem um pouco de inspiração nesse momento.
– Depois de tudo isso, de apanhar do seu irmão e do próprio irmão, ele ainda tem coragem de tentar se aproximar de você?
– Ele não consegue mais causar o efeito que causava, agora eu sei que ele nunca foi nada do que eu pensava e nem da imagem que passava. E se o Ian ao menos pensar que o Nicholas chega perto de mim, como fez no dia do aniversário dele, volta a socá-lo e provavelmente Ian vai preso por matar o próprio irmão.
Se antes já achava que Nicholas era um otário por ficar correndo atrás da ex-namorada que claramente não o queria mais, agora tem certeza que além de otário, Nicholas é um filho da puta. Que tipo de homem, ou que se nomeia homem, bate em uma mulher? Ou tenta forçá-la a fazer sexo sem querer?
– Ele deixou marcas visíveis?
– Só se eu estivesse sem roupa, mas não chegou a fazer nada mais… grave, eu o empurrei e o tirei de casa. Foi horrível. – falou e tomou um gole do vinho em sua taça e afagou a cabeça de Petros, que dormia um sono pesado ao seu lado.
– Eu sinto muito.
– Eu mais ainda. – soltou um risinho pelo nariz ao falar.
– Algumas feridas não cicatrizam com o tempo, mas um coração precisa de perigos para viver.
– Caso contrário, morre na solidão. – deu uma risadinha ao completar um pedaço da própria música que tinha declamado, e, da forma mais vagarosa que conseguiu para não acordar o cachorro, se pôs de pé. – Vou tomar banho.
– Pode deixar que eu lavo tudo. – sorriu e assentiu, deixando o prato sobre a mesa de centro e seguiu pelo corredor para tomar banho.

🎤❤️⚽️
[N/A: A leitura pode prosseguir a partir daqui.]

– Você vai mesmo dormir aqui? – perguntou, parado no batente da porta enquanto observava deitada na cama do quarto de hóspedes lendo.
Ela desviou o olhar das páginas do livro, ajeitou os óculos e o olhou curiosa. Usava apenas uma blusa branca de malha que tinha sido de seu irmão em algum momento da vida, porque o nome “Davi” estava estampado nas costas, e uma calcinha cor-de-rosa
– Qual o problema?
– Nenhum, mas eu não acharia ruim se você fosse dormir na minha cama.

– A gente não precisa fazer nada, mas é meio idiota a gente não dividir a mesma cama, sendo que já fizemos sexo algumas vezes. – concluiu óbvio e rolou os olhos. – Prometo que te deixo ler em paz.
– Você precisa conhecer a palavra limite, sabia? – perguntou num tom sério, mas tinha um sorriso nos lábios e se pôs de pé. – E se não me deixar ler em paz, eu vou te amarrar na cama e não vai ser pra algo bom.
– Minhas lembranças de estar amarrado numa cama com você são ótimas, isso funciona mais como um incentivo do que um alerta. – falou rindo ao vê-la se aproximar.
– Eu consigo pensar diversas formas de te amarrar numa cama e permanecer junto e nenhuma delas é tão agradável quanto essa sua memória, então melhor você me deixar ler em paz. – falou em tom de ameaça antes de sair do quarto.
A blusa branca era comprida, mas não o suficiente para tampar todo o corpo de e analisou cada passo dado por ela pelo corredor até a porta de seu quarto e depois o caminhar até a cama, em que ela se sentou da mesma forma como estava antes, abrindo o livro e voltando a ler.
foi ao banheiro, escovou os dentes e voltou para o quarto apenas de cueca. O ar condicionado estava ligado, mas ele continuava sentindo muito calor. Aquele calor todo era sinal de que choveria no dia seguinte com toda certeza, afinal, aproximavam-se do fim do verão e chuvas repentinas eram comuns.
Deitou-se ao lado de na cama e pegou o celular. Realmente não fariam nada se ela não quisesse, apenas achava que era mesmo idiota que não dividissem a mesma cama depois de já terem transado. Naquele dia também, inclusive, então podiam ficar no mesmo ambiente sem problemas, afinal, já tinham passado daquele estágio há algum tempo.
Por alguns minutos enviou mensagens, curtiu fotos no Instagram e leu postagens de amigos, jornais e fã-clubes sobre o jogo, mas parou quando percebeu que o observava atentamente.

– O que foi? – perguntou sem se virar, apenas por sentir os olhos de sobre si.
– Você está me atrapalhando a ler. – respondeu e se virou para olhá-la, totalmente confuso.
– Eu estou totalmente quieto!
– Você está seminu.
– E isso te desconcentra de alguma forma? – perguntou e se sentou para olhá-la nos olhos, cruzando os braços e dando um sorriso presunçoso.
, por não querer sair perdendo, deitou-se de bruços na cama e colocou o livro sobre o travesseiro, erguendo uma das pernas e o olhou.
– De forma alguma, meine Liebe. – disse dando um sorrisinho e sacudiu a cabeça negativamente, dando um sorriso.
– Que bom, eu não quero te atrapalhar, de forma alguma. – respondeu, passando uma das mãos pela barriga, gesto que foi acompanhado por com os olhos e um suspiro pesado. Ele ficou de pé e ela o encarou sem entender. – Vou na cozinha, quer alguma coisa?
– Não, obrigada. – respondeu observando o homem seminu que estava bem ali, parado ao lado da cama, numa boxer azul marinho. Ela não podia (e nem iria) parar de olhar.
– Vou te trazer uma água. E um babador. – provocou rindo.
– Eu ia falar uma coisa, mas é melhor ficar quieta. – devolveu num tom ácido provocativo e a encarou curioso.
– Agora eu quero saber.
– Vai logo pra cozinha e me deixa ler em paz.
– Tudo bem. – concordou e se virou, saindo do quarto.
! – chamou e voltou e a encarou curioso da porta. Ela sentou-se, colocando o livro e os óculos sobre o móvel ao lado da cama e arrancou a própria blusa, ficando apenas de calcinha. – Que se dane esse livro.
– Achei que você não ia falar isso nunca. – ele respondeu, voltando para a cama.

Capítulo 19

– Eu não aguento mais. – reclamou, deitada no colchonete no chão da academia. – Eu vou morrer.
– Deixa de ser dramática. Você ama malhar! – disse ofegante, mas animada e parecia até mesmo feliz em estar ali.
– Malhar é diferente de ser torturada. – resmungou. – E eu odeio que você tenha se tornado uma musa fitness. Eu precisava de você do outro lado para equilibrar a balança. Agora conto apenas com pra isso, mas há dias em que ele é pior que você e Jay juntos!
– E, por falar nisso, como foi a viagem de vocês? – perguntou e não reprimiu o sorriso enorme que queria dar.
– Foi legal. – deu de ombros. – E rendeu boas fotos para as revistas de fofoca.
– Você devia ganhar um Oscar.
– Eu devia mesmo. Um Oscar, um Grammy e um descanso dessa academia. E um pote enorme de sorvete de limão. – respondeu numa lamúria.
– Vocês vão ficar conversando? , você pode voltar para sua série. – Jay, o personal trainer, apareceu e as olhou, fingindo estar bravo.
– Eu odeio vocês dois. – reclamou, voltando a fazer as abdominais.
– Como eu estava falando antes de ter essa dúvida sobre a viagem… – retomou o raciocínio enquanto fazia suas próprias abdominais. – Como a turnê foi antecipada… nós temos pouco tempo juntas… quero te informar que… vamos… passar o… fim de semana juntas… e eu já… informei ao seu empresário.
– Sério? – parou de fazer as abdominais, dando um sorriso enorme para a amiga. – Fala pra mim que vamos pra casa que eu mais amo na vida.
– Se você está falando da casa de campo dos meus pais, é pra lá mesmo. Vamos amanhã de manhã, voltamos na segunda pela manhã. Só nós duas.
– E o Ian?
– Ocupado trabalhando. Espero que seu namorado não se importe.
– Se ele se importar é um problema dele. – deu de ombros e abriu mais ainda seu sorriso. – Eu sinto muita falta de quando fazíamos essas coisas com frequência.
– Há muito tempo nós não fazemos nada apenas as duas.
– Agora nós malhamos juntas. E isso é péssimo.
– Por que é péssimo?
– Eu gostava quando você equilibrava a balança e me ajudava a comer porcarias escondida. E reclamava sobre malhar e essas coisas.
– Malhamos juntas, mas tem um personal trainer. Que, inclusive, está nos olhando feio.
– Finalizaram?
– Por que você trocou meu treino? – choramingou derrotada.
– Você estava usando aquele há três meses e meio, , já estava na hora de trocar. Você já fez os de braço e as abdominais, meia hora de aeróbico.
– Bicicleta. – falou sentando-se, já animada com a possibilidade de burlar o exercício e encerrar seu dia de academia mais cedo, mas Jay negou com um aceno.
– Quinze de esteira, quinze de simulador de escada.
– Você está demitido, Jay. – reclamou e Jay a ajudou a ficar de pé.
– Eu sei, mas você tem que ter fôlego e preparo físico para viajar o mundo inteiro.
– E como você vai junto, eu serei torturada em quase todos os países do mundo.
– Com toda certeza. – Jay respondeu sorrindo. – E vai logo fazer o aeróbico, . 3 minutos andando, 5 correndo, 3 andando, 5 correndo e o simulador.
– Eu te odeio.
, você também. – Jay disse e a mulher se pôs de pé animada.
– Quem é você e o que fez com minha melhor amiga? – perguntou estreitando os olhos e deu uma risada.
– Uma hora nós temos que começar a ser mais saudáveis e abandonar os péssimos hábitos alimentares e físicos. E eu não tenho talento nenhum pra isso sem exercícios e dieta rigidamente controlados.
– Realmente, tem esse pequeno detalhe. – disse ligando a esteira numa velocidade mediana, para intercalar os exercícios. – E então, como é a vida de oficialmente casada?
– Igual a vida não oficial de casada, mas com um contrato que oficializou tudo e com a bênção divina cristã. E agora, Ian dorme no sofá quando a gente briga, não vai embora pra própria casa.
– E vocês brigam?
– Durante todos esses anos juntos, nós brigamos poucas vezes. – deu de ombros enquanto caminhava. – Algumas por coisas idiotas, outras por coisas sérias. Estabelecemos a “Regra dos Dez” pra nós.
– Regra dos Dez?
– Quando um assunto gera atrito, temos que sopesar pra ver se ele é relevante para daqui dez minutos, dez dias, dez meses ou dez anos. Se for o primeiro, nem entra em pauta, os outros vão sendo uma escala de importância e aí nós conversamos, raramente brigamos. Menos quando ele come alguma coisa que guardei pra comer depois ou se assiste algum filme ou episódio das nossas séries sem mim.
– Que diferente.
– É ótimo. Evita muitas brigas. Num balanço geral, estamos ótimos e nos damos muito bem, mas também não é difícil, nós nos conhecemos há tanto tempo que muita coisa já está batida.
– E há planos para filhos?
– Se acontecer, ótimo, mas não estamos planejando. Não é barato ter filhos, então melhor planejar bem o orçamento pra sustentar uma criança, já que teremos gastos por uns dezoito anos.
– Ou mais. – acelerou a velocidade da esteira.
– Pois é, não vale a pena fazer nada sem pensar e planejar. Não queremos só colocar uma vida no planeta e deixar que a natureza cuide. – falou e também começou a correr, tornando mais difícil o diálogo, mas teriam bastante tempo para conversar no fim de semana que passariam juntas.

Após um banho, as duas despediram-se no estacionamento e o combinado era buscar em casa na manhã seguinte e iriam para a casa de campo, em Grasbrunn, um município do distrito de Munique, com menos de cinco mil habitantes e mais pacífico impossível. O lugar perfeito para passarem o fim de semana juntas.
seguiu até seu prédio, sendo seguida de perto por Bob em outro carro, e quando se preparava para colocar o carro na garagem do prédio, viu parado na rua e piscou o farol, para que ele fosse até seu carro.

– O que você está fazendo aqui? – perguntou assim que ele abriu a porta.
– Oi, . – implicou, se sentando no banco do carona. – Tudo bem?
– Não. Jay mudou meu treino, eu estou destruída. – falou cansada e colocou o carro em sua vaga habitual no estacionamento do prédio.
– É bom, pra ter mais fôlego pra turnê.
– E então, o que te traz a Munique em plena quarta-feira? Você não joga hoje?
– Jogo, mas eu aprendi a estar em dois lugares ao mesmo tempo. – falou debochado e deu uma risada da cara que fez, os dois entraram no elevador. – Eu fui cortado da lista, então me liberaram e eu não vou pra Gelsenkirchen.
– Aconteceu alguma coisa?
– O treinador quis levar dois dos meninos que acabaram de subir pro time principal e vai testá-los. – deu de ombros. – Mas volto amanhã de manhã. Você vai passar o fim de semana comigo?
– Eu vou amanhã bem cedo com pra Grasbrunn, passaremos o fim de semana lá.
– Só vocês?
– Como nos velhos tempos. – respondeu animada e a porta se abriu em seu andar.
– Espero que vocês se divirtam. – falou sincero.
– Quer comer? – perguntou quando entraram no apartamento e a olhou de forma sugestiva, fazendo rolar os olhos. – Você é muito idiota.
– Eu sei. Enfim, ainda não, obrigado
– E como estão as coisas em Stuttgart?
– Boas. E aqui?
– Também.
– Sua turnê adiantou e você não vai estar aqui pra irmos à OktoberFest…
– Nem me lembre disso, eu amo a OktoberFest e não vou. – fez beiço e deu uma risada. – Mas volto para o Natal, o ano novo passo nos Estados Unidos, vou fazer o show na Times Square e c…
– Sério? – deu um sorriso enorme ao ouvir aquilo. – Que ótimo! Parabéns!
– E você vai comigo.
– Vou?
– O campeonato vai parar… A não ser que você não queira.
– Não sei se quero… a outra opção é passar o feriado em Memmingen com minha família me fazendo perguntas constrangedoras e uma quantidade enorme de primos que não faço questão de ver. – falou quase debochado e fez uma careta, fazendo dar uma risada.
– Enfim, depois do ano novo eu tenho uns dias de folga, acho que são dois, eu volto a fazer shows pela Europa, termino as datas aqui, depois parto pra Ásia, Oceania, África, Américas e volto pra casa. E no meio de duzentos e vinte shows em um ano, tem entrevistas, fotos e uma porção de coisas que não lembro.
– E eu volto depois do show direto pra cá.
– Mas demora uns dias pro campeonato voltar, você pode ficar comigo. – ela deu de ombros e ele se aproximou.
– Posso? – perguntou, perto demais.
Ela o olhou séria, tentando manter uma pose.
– Pode, mas em quartos diferentes.
– Por quê? A gente fica bem melhor num quarto só. – a abraçou pela cintura e deu um sorriso. – Você não acha?
– Acho, mas não significa que eu queira. – falou num tom banal, dando de ombros, e deu uma risadinha.
– Pra alguém que passou anos fazendo teatro, você mente muito mal.
– Ou você acha que estou mentindo, porque a minha interpretação está perfeita, pois na verdade eu quero te fazer acreditar que estou mentindo. – respondeu, dando um sorrisinho vencedor.
– Então me deixa tirar a prova. – falou e a beijou. levantou a blusa de e deslizou suas mãos pela barriga dele, parando no botão da calça e separou os lábios dos dela, apenas para que ambas as blusas fossem tiradas dos corpos e deixadas de lado pela sala. – Você já fez do seu jeito da última vez que nos vimos, então hoje faremos do meu.
– Sou toda sua. – mordeu o próprio lábio e ele a apertou um pouco mais forte. – Na sala?
– Na sala, no quarto, nas escadas… Temos tempo de usar vários lugares. – respondeu descendo os olhos do rosto de para os seios cobertos pelo sutiã. Que se dane aquela conversinha de “temos que evitar que isso se repita”, porque era muito óbvio que os dois queriam que se repetisse. – O cara que falou que sutiã bege é broxante, nunca viu os seus peitos em um.
– Isso porque você ainda não viu minha calcinha super sexy e charmosa de Homer Simpson. – brincou e a deitou no sofá, deitando-se sobre ela.
– Com certeza deve ser muito sexy e charmosa. Tudo em você fica sexy e charmoso. – respondeu dando um beijo em seu queixo. – Mas acho que sem ela vai ficar muito melhor.
– Só tem como saber quando tirar. – respondeu ao ouvido de , que deu uma risadinha.
– Ainda bem que você sugeriu. – falou e voltou a beijá-la.

🎤❤️⚽️
– Bom dia! – disse animada.
– Desde quando você é animada e feliz às seis e meia da manhã? – perguntou num resmungo quando entrou no carro.
– Desde que estou indo passar um fim de semana inteirinho com minha melhor amiga, como nos velhos tempos, sem nenhum compromisso profissional ou vida adulta pra nos atrapalhar. – respondeu como se fosse óbvio e deu partida no carro.
– Você não podia, sei lá, ter passado dez da manhã?
– Não. Deixa de ser chata!
– Tudo bem, agora caladinha pra eu dormir. – falou e rolou os olhos ao ouvir, bufando em seguida. – Eu dormi pouco essa noite, ok?
– E dormiu pouco por quê? – perguntou curiosa e hesitou em responder àquilo.
Não podia simplesmente soltar um “porque dormiu na minha casa e, bom, nós fizemos muitas coisas essa noite, mas dormir o suficiente não foi uma delas, ainda bem”.
– Porque ainda são seis horas da manhã e eu deveria estar dormindo.
– Sei… – disse desconfiada, mas não rendeu, dando à a chance de fechar os olhos e dormir pelo curto trajeto até a Grasbrunn. Um dos lugares favoritos de , longe de todo agito de Munique e das cidades grandes.

Depois de quase uma hora, já que o trânsito em Munique estava péssimo, provavelmente por ser sexta-feira e com todas as pessoas saindo de casa para o trabalho ou para estudarem, as duas chegaram ao destino.
A casa é simples, mas muito confortável e agradável, fica em uma área afastada do centro da pequena cidade, na região metropolitana de Munique, e tinha ido ali diversas vezes quando criança e adolescente. E amava aquela casa e aquela cidade absurdamente, mesmo que não tivesse nada pra se fazer ali além de ficar na casa. A privacidade, a paz e o sossego que aquele lugar lhe oferecia eram absolutamente apaixonantes e aconchegantes.
tinha feito as compras de comida para o fim de semana, nada que fosse demandar muito trabalho, apenas para que as preocupações das duas naquele fim de semana fossem cozinhar coisas simples para não passarem fome, afinal, Grasbrunn não tinha delivery de comida, e falar muito sobre tudo que não tinham tempo de falar durante os dias, fosse pela rotina de em suas audiências ou em seus shows e entrevistas.

– Eu te amo muito, você sabe, mas eu estou indo dormir de verdade até o meio dia e espero que você não se importe. Mas, se você se importar, eu estou indo mesmo assim. – disse enquanto carregava a própria mala para um dos quartos.
– Não vai mesmo! Estamos acordadas e vamos correr.
, eu me recuso a colaborar com você sendo fitness desse jeito às seis horas da manhã de uma sexta-feira!
– Sete.
– Não interessa. Eu não vou colaborar com isso.
– Por favooooor! – implorou, juntando as mãos.
– Eu odeio sua versão fitness, musa da dieta e dos exercícios com toda a força do meu ser. – reclamou e mandou um beijo no ar. – Eu volto em dez minutos.
– Se não voltar, eu vou te buscar. E você sabe que vai ser pior.
– Estamos numa cidade pequena, não tem nem cinco mil habitantes aqui e você quer sair para correr nesse tempo ótimo pra ficar em casa dormindo. Se aparecer algum fotógrafo, eu juro que eu te esgoelo.
– Só tem gente velha nesse lugar, , ninguém te conhece, pode ficar tranquila. Agora vai logo trocar de roupa! – falou usando o tom autoritário que fez resmungar vencida, caminhando para o quarto.
Voltou nos dez minutos prometidos, de calça de moletom, uma camisa preta e um tênis que não era nem um pouco recomendado para exercícios físicos.
– Pronto.
– Ótimo. – deu um sorriso. – Pegue sua garrafa de água e vamos!
– Que garrafa? Eu não trouxe uma garrafa! Meus planos não envolviam nada que me levasse a sair de casa pra fazer exercícios físicos! Meu tênis não serve pra correr! – disse quase exasperada, tentando fazer com que aquilo servisse para convencer a amiga, mas recebeu um rolar de olhos como resposta.
– Então vai correr sem beber água. – deu de ombros. – Vamos logo.

O tempo nublado e o vento frio foram os companheiros enquanto corriam sem conversar, cada qual presa aos próprios fones de ouvido, ao som de uma playlist de reggaeton alta e animada para ficar acordada, ao som de uma playlist especialmente feita para malhar.
A cidade ainda dormia, ou estavam todos aproveitando o clima mais frio para permanecer dentro de suas próprias casas, sob cobertas e ignorando a vida fora da cama naquele dia. O que bem gostaria de estar fazendo, mas se considerava privada desta maravilhosa opção pela versão fitness da melhor amiga que tinha surgido há pouco tempo. Ela seguia os passos de , que corria focada, cheia de ânimo e energia.
Correram por quarenta e cinco minutos, o que quase era uma volta na cidade. Apesar do dia frio, ambas estavam suadas pelo o esforço; a diferença é que parecia realmente feliz por isso. Assim que entraram na casa, foram tomar seus banhos. saiu do chuveiro primeiro, indo para a cozinha fazer o café da manhã das duas.

– VEM COMER! – gritou quando ouviu a porta do banheiro se abrir.
estava apenas de calça de moletom e sutiã, segurando a blusa que vestiria e secando o cabelo com uma toalha, caminhando para o quarto pronta para dormir por algumas boas horas, mas, ao ouvir o chamado da amiga, seu estômago pareceu entender o recado antes do cérebro e ela mudou de direção, indo para a cozinha.
– O que você fez de gostoso? – perguntou, sentando-se à mesa de madeira que fica no canto do cômodo e deixou a toalha sobre o encosto da cadeira em que estava sentada.
– Café. Tem bolo, pão e torradas, que eu comprei antes de virmos pra cá.
– Eu te amo muito. – disse e deu uma risada. – Você vai em algum dos meus shows?
– Só na Europa. E só os perto, posso ir na Bélgica, talvez Itália ou França e em alguns dos que você fizer aqui na Alemanha.
– Ah não! Quero que você vá ao show eu vou fazer em Johannesburgo!
– Vai ser bem difícil de acontecer, tenho muito trabalho por esses meses. Ser sua advogada atrai muitos contratos para advogar para outras pessoas. – falou, levando o bule de café e colocou sobre a mesa antes de tomar lugar na cadeira à frente de .
– Não. – negou com um aceno de cabeça, pegando uma caneca para se servir do café. – Sua competência é que faz isso. Ninguém sabe o nome da minha assessoria jurídica. Bom, as marcas sabem e talvez meus fãs suspeitem, mas você trabalha muito, porque é competente e é quem capta os próprios clientes. E é apenas sua cliente, uma delas.
– Você me deixa sem jeito quando fala assim. – disse corando, fazendo rir. – Esqueci de pegar as torradas.
– Eu pego.
– Linda.
– Eu sei. – respondeu num tom convencido, piscando para a amiga e se levantou para pegar as torradas sobre a bancada.

O QUE É ISSO? – gritou e se virou assustada.
– Isso o quê?
– Isso em você! Meu. Deus. Do. Céu!
– Onde? Ai meu Deus! É um bicho? Tira isso de mim! Tira! Tira logo! – falou desesperada, dando pulinhos enquanto tentava enxergar o que quer que fosse que estava em seu corpo naquele momento.
– Não. É machucado! – se pôs de pé e foi até a amiga, que estava perto da bancada, ainda assustada pelo grito dado.
– Provavelmente eu mesma fiz isso. – deu de ombros.
Não tinha sentido dor, provavelmente aquilo fosse um machucado antigo, ou nem era mesmo um machucado.
– Só se você anda se apertando. – analisou as marcas nas costas de , na altura dos quadris, passando os dedos com cuidado pela área. – E esses dedos são muito grandes pra serem seus. O que aconteceu? – ela perguntou preocupada e virou para si, a encarando séria.
. – respondeu, mordendo o lábio inferior.
– Ele te bateu? – perguntou assustada.
– NÃO! Ele não me bateu, pode ficar tranquila. Se ele tivesse feito isso, você estaria ocupadíssima o processando e não passando um tempo de qualidade com sua melhor amiga.
– Então…
– Bom… – disse e deu um sorriso sem graça e sentou-se à mesa, sendo acompanhada por .
– Ai. Meu. Deus.
– É.
– Essa noite?
– Também.
– COMO ASSIM TAMBÉM, ? – deu um grito exasperado, fazendo gargalhar da reação exagerada da amiga. – Para de rir e me conta isso direito!
– A primeira vez foi nas férias, depois aconteceram outras vezes quando voltamos pra Alemanha.
– Como isso começou? Eu nem sabia que vocês beijavam na boca!
– Nosso primeiro beijo de verdade aconteceu na viagem, no que pode ser descrito como uma cena de filme adolescente.
– Conte mais.
– Foi logo que os paparazzi chegaram, nós fomos jantar pra criar uma ceninha, mas foi bem agradável, não fizemos nada no restaurante, apenas comemos e conversamos, como vínhamos fazendo antes. Enfim, voltamos pro quarto depois do jantar e estava muito quente, então fomos pra piscina, estávamos ouvindo música e conversando, começou a tocar a versão do John de “XO” e nós nos beijamos. Depois aconteceu outra vez, quando passei mal… e então nós fomos a uma festa da Alma e ac…
– Festas da Alma. Claro. – disse rindo como se fosse óbvio que aquilo aconteceria. – Continue.
– E aconteceu. Ficou um climão horrível, aconteceu de novo quando ele esteve lá em casa no dia que ele voltou da viagem pra Itália, depois nós entramos em acordo que isso não ia se repetir. E vem se repetindo desde então. Mas isso não pode sair daqui!
– Não vai sair, pode deixar. Mas me fala, vocês estão namorando mesmo?
– Não, mas como nós somos obrigados a conviver pra dar credibilidade a toda essa história, ficar só jogando videogame e vendo televisão é chato, então a gente dá uns beijos e faz sexo. – deu de ombros, como se fosse uma coisa normal de se dizer, fazendo dar uma gargalhada.
– Espero que vocês usem camisinha.
– Sempre.
– Mas espera, ele não era gay, ? – perguntou num tom petulante, que gritava a mensagem implícita: “eu te avisei que ele não é gay!”.
– Não. E eu falei disso na primeira vez. – disse envergonhada e voltou a rir. – Falei que ele não precisava fazer aquilo por sentir-se obrigado, ele não entendeu e eu soltei um belo: “mas você não é gay?” e ele ficou meio chocado com a pergunta.
– Ele não é gay, eu te falei.
– E realmente não é.
– Sabia que isso ia acontecer em algum momento. – riu e também não conteve uma risada. – Só espero que as marcas dele estejam escondidas.
– Normalmente não ficam marcas, mas as coisas essa semana ficaram um pouco mais intensas. – voltou a dar de ombros, fazendo rir.
– As coisas realmente ficam boas entre vocês, hein?
– Boas ainda é pouco. Essa noite foi excelente, por exemplo.
– Tanto que viraram a noite!
– É. Viramos a noite e foi ótimo.
– Não quero saber sobre sua vida sexual, obrigada.
– Ótimo, porque também não quero falar dela. Vamos falar sobre outra coisa, mas não agora, porque eu quero muito dormir.
– Você nem mesmo comeu! – protestou e mordeu uma torrada.
– Dormir é preciso, comer não é preciso.
– Você falando que comer não é preciso? – perguntou num misto de choque e deboche. – É melhor ir dormir mesmo, mas vou te acordar pra me ajudar a fazer o almoço.
– Tudo bem, agora com licença. – disse e saiu da cozinha, indo até o quarto para dormir um pouco.

🎤❤️⚽️
– E então, quer falar sobre seu namorado? – perguntou enquanto as duas assistiam à televisão, esperando que Matrix começasse a passar.
– Ele não é meu namorado, então não há o que falar sobre, mas podemos falar sobre aquele seu doutorado.
– Não vai sair tão cedo. – suspirou. – Eu estou cheia de serviço no escritório, como te disse, é complicado pra estudar, eu teria aula duas vezes na semana o dia inteiro, teria que fazer a tese e ao mesmo tempo trabalhar e ser esposa. Ian me apoia e me ajudará se for preciso, mas não sei se vou mesmo fazer. Não por agora.
– Pode não ser por agora, mas se você se planejar direitinho, consegue fazer sem problemas. Você é a pessoa mais organizada e inteligente que eu conheço, , se você pensar com calma, consegue fazer isso sem problema nenhum.
– Você tem muita fé no meu cérebro.
– Porque sei que ele é capaz de coisas incríveis. – respondeu sincera e deu um sorriso tímido. – Eu sinto muita falta de poder ficar perto de você todos os dias. Sinto como se tudo tivesse nos afastado, sabe? Essa história de virar cantora e tudo mais. Às vezes eu sinto falta de ser uma pessoa comum e poder passar mais tempo com você e essas coisas. Como era antes.
– Não que eu não sinta falta disso, porque eu sinto muita, mas eu gosto das coisas como são agora. Você se tornou uma mulher muito forte e independente, aprendeu muito com essas constantes viagens e com essa vida de pessoa famosa e mundialmente conhecida, você sabe impor limites às pessoas agora e tornou-se a melhor versão de que poderia ser. E eu sei que eu também me tornei a melhor versão de que eu poderia me tornar. Advogada, independente financeira, pessoal e emocionalmente, uma mulher que sabe se virar bem na vida… Ainda que estejamos em constante evolução, somos as nossas melhores versões agora e tudo pelo que passamos antes e agora é o que colabora pra essa evolução. É ruim passarmos tanto tempo longe, mas quando estamos perto é como se nunca tivéssemos ficado tanto tempo sem nos ver e a quilômetros de distância. E sermos as nossas melhores versões é o que faz nossa amizade ser maravilhosa assim, porque entendemos nossos espaços e tempos; você sabe que há dias em que eu estou presa até o pescoço no escritório ou em alguma audiência, eu sei que em alguns dias você está em um fuso de dez horas de diferença ou enfiada num estúdio por doze horas e quase incomunicável, mas qualquer coisa urgente a gente sabe bem que palavra usar e todos os compromissos viram nada, vamos de encontro uma a outra, seja lá onde for e quando for. E a distância ou tempo nunca atrapalharam nossa amizade, na verdade só a melhorou.
– Você sempre sabe o que falar.
– Se não fosse assim, eu não seria a melhor no que faço. – piscou convencida, fazendo rir, mesmo sabendo que era verdade. – Agora, vamos procurar outra coisa pra ver, porque eu detesto Matrix.
– Eu queria um filme de terror.
– Filme de terror? Sem chance! – falou rápido e com um tom que não admitiria discussão. – Estamos sozinhas nessa casa, que é um cenário perfeito pra um filme de terror, meu marido não está aqui pra que eu enfie as unhas nele quando sentir medo e não vou dormir com você, então ver um filme de terror significa ficarmos as duas sozinhas aqui, com medo e acordadas pelo resto do fim de semana. Sem chance.
– Você podia ter parado no primeiro “sem chance”, . – falou rindo. – Procure algo pra gente ver que não seja terror então.
– Aqui não tem Netflix e essas coisas tecnológicas, minha querida, vamos ter que nos virar com a televisão normal. – resmungou enquanto passava pelos canais da televisão. – AH! Adoro esse programa!
– Roda da fortuna? Eles ainda passam isso?
– SIM! E eu sou a melhor.
– Eu sei. – resmungou. – Você chega a ser insuportável, sempre acerta as coisas!
– Já te falei diversas vezes que Mike Ross e Harvey Specter são nada perto de mim. – ela falou convencida.
– Bom, eles são lindos. Principalmente o Harvey.
– E eu também. E ainda sou inteligente e maravilhosa de verdade, eles são de mentira. – falou provando seu ponto e a só restou rir.
– Eu canto bem e você tem o cérebro. Faz sentido. – disse num tom zombeteiro e riu.
– Agora vamos prestar atenção enquanto eu acerto todas as palavras. – falou ainda rindo e apontou pra televisão.
E as duas passaram duas boas horas rindo e vendo “Roda da Fortuna” na televisão.

🎤❤️⚽️
…there are no words left to speak, but if you feel like I feel, please let me know that it’s real. You’re just too good to be true, can’t take my eyes off you. Parãparãparaãrã… cantarolava enquanto virava uma das panquecas na frigideira. – I love you baby! And if it’s quite alri…
– Acordou apaixonada? – se assustou ao ouvir a voz de .
– Filha da mãe! Você me assustou! – disse virando-se para a amiga.
– Eu que estou assustada de te ver de pé uma hora dessa, com esse tempo chuvoso que te deixaria enfiada sob as cobertas o dia todo.
– Acordo pra te fazer o café da manhã, que inclusive eu ia levar na sua cama e cantando pra você, e é assim que sou tratada? – se fingiu de ofendida.
– Você ia cantar?
– Claro que ia. Estava ensaiando e você me atrapalhou. Agora não canto mais.
– Fico satisfeita, não gosto de coisas melosas.
– Correção: você gosta de coisas melosas, mas quando é o Ian quem as faz. – disse e mordeu a ponta da própria língua, franziu o nariz e assentiu positivamente, concordando com a amiga. – Agora que vocês casaram, posso ser a filha?
– Você é nossa filha há muito tempo, .
– Sou mesmo. – falou quase num tom infantil enquanto tirava uma das panquecas da frigideira e colocando massa para outra.
– Pode continuar cantando. Frankie Valli eu sempre aceito ouvir, independente de quem cantar.
– Cansei de cantar. – respondeu dando de ombros e virando a panqueca na frigideira. – E não vou fazer mais do que isso.
– Pra mim tá suficiente. E que horas vamos embora?
– Antes do almoço, por favor. Minha mãe quer que eu almoce com ela hoje.
– Então tudo bem, vamos comer, ajeitar as coisas e ir embora.
– Sim, senhora. – falou e desligou o fogão, indo com o prato de panquecas até a mesa, onde já estava o café, leite, algumas torradas e Nutella. – E vamos reduzir esse consumo de coisas de origem animal. Reduzir até se tornar zero e aderirmos ao veganismo.
– Faremos isso. Mas agora vamos consumir, porque eu comprei e estou morrendo de fome!

As duas tomaram café e conversaram sobre algumas coisas banais, entre os momentos em que reclamava que a fez “enfiar o pé na jaca” e comer mais porcaria do que deveria durante aquele fim de semana. Além disso, ainda ameaçou a amiga, dizendo que contaria a Jay sobre tudo que tinham comido naqueles quatro dias, mas repensou ao perceber que ela também teria que malhar o dobro.
O caminho de volta, diferente da ida, foi animado e cheio de música, cantoria e fala. A chuva que caía era constante, não torrencial e prenúncio de um dilúvio, então elas voltaram a gastar quase uma hora até o centro de Munique, enquanto cantavam o que passava no rádio, sem escolher playlists, apenas cantavam o que aparecia nas estações.
deixou na casa dos pais, sob a promessa de que as duas ainda sairiam antes do início da turnê e que depois conversariam sobre as idas a shows de , tanto na Europa, quanto fora, se isso fosse possível.
tinha terminado de almoçar com a mãe quando ouviu seu celular tocar em alerta de notificação, ela se esticou no sofá e percebeu que se tratava de uma mensagem no WhatsApp de .

: Será que você vai ter um tempo para aparecer aqui essa semana pra compensarmos esses dias? Faz tempo que não ganho de você jogando qualquer coisa que não seja FIFA…
E estou sentindo sua falta. Mas só um pouquinho…
Enfim, espero que vocês tenham se divertido, vocês merecem.
Aproveite e traga o convite pra sua festa de aniversário 😛

Capítulo 20

Sábado, 16 de setembro de 2017

“Passamos ai em quinze minutos, esteja pronta ou vai ficar pra trás!”

viu a mensagem do irmão e não demorou a vestir uma calça jeans, a camisa do Bayern daquela temporada de mangas longas, com o nome e o número de Thiago Alcântara impressos nas costas, um boné vermelho do time com a aba virada pra trás e calçou o par de tênis que tinha separado para usar, ficando pronta antes dos quinze minutos que Davi usara para ameaçá-la, sabia que ele chegaria pontualmente. E ela estava animada para voltar ao estádio, acompanhada do pai e do irmão, como não faziam há tempos, então jamais se atrasaria.
Não iriam na Südkurve como antes, não era mais tão seguro, ainda que duvidasse muito que tivesse fãs por lá e que os torcedores desviariam sua atenção do jogo para ela. Era a Südkurve, ninguém queria saber de nada além do Bayern de Munique! Mas o importante era que os três estariam juntos na Allianz Arena para torcer pelo Bayern depois de tanto tempo, não importava o setor em que estivessem.
Pelo menos não estariam trancados num camarote e poderia assistir ao jogo e torcer bem perto da própria torcida, poderia cantar e torcer de verdade, ainda que com certo comedimento, afinal, estaria no mesmo setor em que o presidente do time, as esposas, familiares e os próprios jogadores assistiam aos jogos quando não jogavam.
Mesmo sabendo que sua presença na Allianz Arena seria comentada por todas as revistas e sites de fofocas assim que se dessem conta de que ela estava lá, não se importava o suficiente para sopesar se iria ou não para o estádio e se torceria para o time como era acostumada a fazer: cantando, gritando e xingando quando era necessário; queria aproveitar a véspera do próprio aniversário com o pai e o irmão, como nos velhos tempos.
Nos quinze minutos acordados, o celular de tocou e ela saiu do apartamento, esperando pelo elevador e praticamente saltitou até o carro do pai quando saiu do prédio. Davi estava ao lado dele, no banco do passageiro, e ela sentou-se no banco de trás.

Papa! – falou animada, inclinando-se para frente e deu um beijo demorado no rosto do pai antes que ele desse partida.
– Mäuschen. – falou carinhoso.
– Na volta eu vou sentar na frente, Davi. Eu odeio andar no banco de trás!
– Você sempre anda no banco de trás quando sai de carro, para de reclamar, . – Davi respondeu, abanando a mão para trás, tentando acertá-la. voltou a inclinar-se, dando um beijo demorado no rosto do irmão e o abraçou de forma desajeitada. – Seu aniversário é amanhã e eu ainda não recebi o convite pra sua festa.
– Não vai ter festa. – respondeu, ajeitando-se no banco e colocando o cinto.
– Não? – perguntou surpreso, virando-se para olhá-la.
era uma das maiores fãs de festas de aniversário que ele conhecia, aquela informação de não fazer uma festa para comemorar mais um ano de vida era realmente preocupante.
– Eu até tinha pensado em uma festa a fantasia, mas desisti. – voltou a dar de ombros, fazendo Davi ficar ainda mais surpreso. – Eu vou comemorar, mas uma coisa apenas para os mais íntimos.
– E por que eu não fui convidado? – ele estreitou os olhos, fazendo o pai rir.
– Você está sendo convidado agora, Schnucki, eu ia falar quando voltássemos do jogo, em todo caso. Eu encomendei um bolo naquela confeitaria deliciosa que eu amo e vamos cantar parabéns lá no meu apartamento.
– Sentiu falta das comemorações de infância?
– Eu sinto falta de ficar perto de vocês e prefiro que sejamos só nós.
– E por “nós”, você quer dizer quem?
– Você, Papa, Mama, , Kelly, Matt, Bob e família, e Ian.
– E o Leonard?
– Eu só convidaria se a Allie estivesse na cidade.
– Vocês brigaram de novo?
– Eu não vou convidar justamente pra que isso não aconteça. – deu de ombros. – Compre um presente bem legal pra mim.
– Seu presente é minha companhia no jogo de hoje. – Davi respondeu debochado e riu.
– Eu paguei pelos ingressos, caso você tenha esquecido. – implicou.
– Eu não falei nada de pagar ingressos, falei de companhia. – respondeu rindo e riu junto.
– Tudo bem, eu aceito isso. – respondeu sorrindo para o irmão.
– Deveria ter falado antes, eu comprei um presente pra você. – ele resmungou, mas sorriu.
O caminho até a Allianz Arena não foi demorado e logo os três seguiram pelo caminho que os levaria até o interior do estádio, para suas cadeiras na área em que iriam.
– Gostei das fotos da casa, filha. – Thomas falou, abraçando a mais nova pelos ombros e ela o abraçou pela cintura. – É muito bonita. É em um condomínio?
– Não, é uma casa do lado leste do Rio Isar, mas é apenas uma opção, ainda não sei se vou mesmo me mudar antes de voltar da turnê e se vai ser pra essa casa. – deu de ombros. – Mas é bem bonita mesmo.

Ela estava mesmo pensando em se mudar, mas ainda estava na fase de procura pelo local que fosse devidamente aprovado por todas as regras de segurança que Bob lhe pedira para seguir: muros altos, sistema de câmeras e que fosse possível uma equipe ficar a postos o dia todo. Parecia exagerado demais. E ela considerava que era, mas não iria discutir com Bob sobre isso. Além do mais, para seguir essas orientações, só se fosse num condomínio, ainda não tinham encontrado nada do tipo, mas encontrariam, ela sabia. Não tinha tanta pressa, afinal, demoraria um ano pra voltar a morar na Alemanha, podia continuar sua procura calmamente.
Sentaram-se em seus lugares quando os times saíam do aquecimento rumo aos vestiários para uma última conversa, além de vestirem os uniformes de jogo, e voltarem em definitivo para o campo. Como esperado, tirou algumas fotos com pessoas que tiveram coragem suficiente para pedir e observou outras tantas fazendo fotos suas de longe, pra algumas ela fez poses, pra outras fingiu não ver.
Internamente questionava-se se conseguiria assistir ao jogo sem interrupções, e torcia para que sim.
E conseguiu.
Assistiu aos quatro gols do Bayern sobre o Mainz em total e completa paz, comemorou, cantou, xingou e aproveitou aquele jogo como não fazia há tempos. Obviamente apareceu no telão do estádio, nas transmissões pelo mundo e, claro, em todos os portais de notícias sobre famosos, mas não podia se importar menos, estava contente com a vitória do time e por ter visto isso de perto, por ter a companhia do pai e do irmão no jogo do time de seu coração.
Quando o jogo acabou, tirou mais fotos com torcedores, jogadores e familiares que estavam ali, autografou algumas coisas e ouviu elogios ao novo álbum e à sua música num geral. Organizadores da Allianz Arena, além do Conselho do Bayern de Munique, convidaram os três para aproveitarem o espaço gourmet do estádio, convite que foi educadamente recusado, pois os três queriam manter a tradição e Thomas logo estava dirigindo a caminho do McDonald’s.
Pelo drive thru, fizeram os pedidos e logo estavam comendo os sanduíches e as batatas – no caso de apenas as batatas – dentro do carro, enquanto falavam sobre o jogo e riam. Davi riu por cinco minutos quando Thomas imitou caricatamente a comemoração de no segundo gol do time – um golaço de Arjen Robben, vale dizer – e ela não pode evitar rir junto.
Depois de quase duas horas depois de saírem do estádio, Thomas a deixou em frente ao prédio e os dois garantiram que estariam lá no dia seguinte às sete e meia da noite para comemorarem o aniversário de vinte e cinco anos dela.
subiu sem demora e foi direto para o quarto, o relógio marcava sete da noite e ela resolveu tomar um banho e passar o resto da noite sem fazer nada, comeria as sobras do almoço e assistiria televisão até sentir sono o suficiente para dormir.
Tomou um banho rápido e logo estava vestida com um moletom, na sua calça de flanela mais confortável, os cabelos ainda presos num coque feito de forma apressada para o banho e de pantufas, a caminho da cozinha para buscar o que poderia comer enquanto assistiria televisão.
Um tempo depois, estava seguindo para a sala, munida de um sanduíche que reunia um misto do que tinha comido no almoço e um copo imenso de suco de laranja.

– Oi.
– Jesus Cristo todo poderoso! Pode levar o que quiser, mas não me mata e nem me machuca, por favor! – se assustou ao ouvir a voz e quase deixou tudo cair, mas ao ouvir a gargalhada que foi dada, sua feição mudou de pavor para raiva. – Vá se foder!
– Desculpa. – pediu sem graça, mas ria do exagero da reação.
– Inferno, quase me matou do coração! Filho da puta! – reclamou, indo se sentar no sofá ainda emburrada, e seguiu para sentar-se perto dela.
– Seus pais amariam ouvir esse seu linguajar. – provocou.
– Vá se foder, .
– Desculpa, eu não queria te assustar, .
– Idiota. – ela voltou a resmungar quando ele se sentou ao seu lado.
– Você não ouviu o elevador?
– Pela minha reação, você acha mesmo que eu ouvi? – ela perguntou debochada e riu.
– Depende, você é bem dramática, então nunca sei o que esperar num caso em que você pode reagir exageradamente. – implicou.
– O que você está fazendo aqui? Tinha alguém na portaria?
– Sim. Por isso subi sem tocar o interfone.
– Entendi. Agora eu vou comer meu sanduíche e ver televisão, não quero ouvir sua voz tão cedo. Obrigada.
– Pode comer, morta de fome. – deu uma risada e ligou a televisão, cruzando as pernas sobre o sofá e começou a comer.

Os dois realmente não falaram, apenas assistiam ao filme, “Dunkirk”, com muita atenção. quase não piscava enquanto prestava atenção, tinha comido tudo e agora estava focada na televisão.

– Mosquito não tem freio, , fecha a boca. – deu uma risada ao vê-la boquiaberta enquanto assistia ao filme.

soltou um resmungo, mas não o suficiente pra formar uma palavra e a abraçou pelos ombros, fazendo-a se aconchegar ao abraço, mas permaneceu focada no filme e piscava apenas quando era necessário.
Quando o filme acabou, virou para olhar verdadeiramente para desde que ele tinha chegado, há quase duas horas, e deu um sorriso que foi correspondido da mesma forma.

– Oi.
– Você estava ótima na Allianz hoje. – ele deu um sorriso travesso. – Fui marcado em diversas postagens falando sobre você na Allianz e sobre o fato de não ter ido ao meu jogo.
– Você jogou? – perguntou assustada e ele negou com um aceno.
– Não, mas mesmo se eu tivesse jogado, você não é obrigada a ir pra outra cidade só pra me ver jogar e muito menos deixar de acompanhar o seu time pra isso. – deu de ombros. – Mas… Thiago Alcântara? Não sabia que você gostava dele.
– Adoro! Ele é um excelente jogador e um dos melhores do Bayern. Conciso, faz o que sabe e não compromete. Ele é foda!
– Não posso discordar. E é um cara muito legal.
– O filho e a esposa dele são lindos! Eu os vi hoje, ele é um bebezinho muito bonitinho e bochechudo. – sorriu encantada com a lembrança.
– Eu achava que seu favorito era o Hummels… – provocou.
– Gosto dele, é um excelente zagueiro, mas há outros que vêm antes dele nessa lista. – respondeu em tom de descaso. – Vocês ganharam?
– Ganhamos. Um a zero.
– Parabéns. – ela sorriu, lhe dando um selinho. – Mas o que você está fazendo aqui? Se você não jogou, vai treinar amanhã.
– Eu queria te ver. – deu de ombros, fazendo sorrir sem jeito.
– Você já viria amanhã, .
– Eu não queria ter que esperar até amanhã à noite pra poder te ver, . – ele respondeu dando um sorriso sincero.
– Mas vai ter que acordar mais cedo pra voltar pra Stuttgart pra treinar, não precisava.
– Não me importo de acordar cedo, eu queria te ver e só pelo FaceTime não resolveria.
– Espero que não me acorde. – implicou, sentando-se em seu colo e deu um sorriso, fazendo um carinho em seu rosto. – Mas que bom que você veio, eu também queria te ver.
– Queria poder te levar num lugar bem legal amanhã pra comemorar, como você fez com Veneza, mas vou treinar e não posso te raptar no dia do seu aniversário, infelizmente. – deu uma risada baixa. – Então eu vou planejar uma coisa legal pra depois.
– Eu só não sei quando terei tempo. – suspirou. – Tive folga hoje e amanhã, mas segunda-feira eu volto a dar entrevistas e os ensaios começam daqui uns dias… as coisas vão ficar corridas.
– Daremos um jeito nisso. – respondeu, dando um beijo em seu rosto e se aninhou ao seu abraço, escondendo o rosto na curva de seu pescoço.
Nenhum dos dois falou por um tempo, ficaram apenas abraçados aproveitando o silêncio que o prédio oferecia e o conforto da companhia um do outro. fazia um carinho nos cabelos dela com a mão livre, já que a outra era segura por , que também lhe fazia um carinho.
– Você quer comer alguma coisa? – foi quem interrompeu o silêncio em que tinham ficado por mais de vinte minutos.
– Só se tiver pronto.
– Tem um monte de coisa na cozinha. Você quer um sanduíche também?
– Pode ser. – deu de ombros e saiu de seu colo, ficando de pé e estendeu a mão para que ele se levantasse.
ficou de pé, segurando a mão de e quando ela fez menção de seguir até a cozinha o puxando pela mão, ele permaneceu parado e sem dar tempo para que ela falasse alguma coisa, a beijou. Queria ter feito isso assim que chegou e diversas vezes durante o filme, depois enquanto estavam conversando no sofá…
Queria beijá-la por horas e mais horas.
Todos os dias.
E não se importava se precisasse dirigir por duas horas e meia todos os dias pra isso, ele dirigiria sem problemas. Acordaria mais cedo pra pegar a estrada e ir treinar em outra cidade sempre que fosse necessário.
Mas, infelizmente, dali uns tempos, estariam separados por muito mais do que apenas duas horas e meia dirigindo na A-8, de Stuttgart a Munique. Estariam a milhares de quilômetros e fusos horários diferentes.
foi quem encerrou o beijo, dando um sorriso pequeno e soltou-se do abraço, seguindo para a cozinha com em seu encalço. Ela tirou tudo da geladeira e colocou sobre a pia, enquanto ele a observava.
– Você tem mãos, use-as. – apontou para as coisas sobre a pia e riu, aproximando-se.
– E como foi voltar à Allianz depois de tanto tempo? – perguntou e um sorriso iluminou o rosto de .
– Foi ótimo! Fiquei com medo de não conseguir assistir ao jogo, mas foi tranquilo. Consegui torcer sem problemas e foi muito bom ir ao estádio com meu pai e meu irmão de novo, me senti com quinze anos. Tudo bem, íamos na Südkurve e era bem mais emocionante, mas Papa achou que não seria seguro e que alguma coisa poderia acontecer, então fomos naquele lugar onde os familiares e a diretoria vão. Gritei e cantei muito. E eu sei, perigoso, principalmente com a turnê tão próxima, mas eu estava num estádio! Depois nós passamos no McDonald’s como sempre fazíamos depois dos jogos, ficamos dentro do carro, comendo e conversando por quase duas horas, eles me deixaram aqui um pouco antes de você chegar. – tagarelou, enquanto prestava atenção em cada palavra e em sua empolgação.
– Que bom que você se divertiu, princesa. – deu um sorriso e se inclinou para dar um selinho em .
– Sinto muita falta de fazer isso sempre. Como era antes. – ela falou, se afastando e pegou a garrafa de vinho que estava sobre o balcão e a abriu.
– Vinho? – deu uma risada, encostando-se na pia e ela deu de ombros, colocando um pouco da bebida em uma taça.
– Vinho sempre cai bem. – ela deu de ombros, indo com a garrafa e a taça até a ilha da cozinha e sentou-se lá, enquanto o observava terminar de fazer um sanduíche. – Cadê seu celular? – perguntou e ele tirou do bolso enquanto mastigava e desbloqueou a tela, entregando logo em seguida.

abriu o Spotify e deu um sorriso ao ver que o último artista ouvido era ela, que sua música, inclusive, tinha sido pausada. Os dedos percorreram as playlists salvas e ela foi até a que tinha feito depois da viagem até Porto Rico.
Acompanhando a voz de Demi Lovato, em “Catch Me”, ela cantava de olhos fechados, sem nenhuma intenção além de cantar uma música da qual gostava tanto e era observada atentamente por , que tinha parado de comer e admirava interpretar a canção.
Ele realmente tinha gostado da playlist, que mesclava rock, pop, indie, reggaeton, rap… mas a cada música que ouvia, perguntava-se qual seria a melhor versão da música, se a original ou na versão de .
Naquele momento, ele percebeu que preferiria a versão dela sempre. E não importava qual fosse a música, a versão de seria sempre sua favorita.
Uma garrafa de vinho foi bebida pelos dois sem demora, acompanhada de muita conversa e as músicas da playlist, que faziam cantar e sorrir, já terminado seu sanduíche e a acompanhando no vinho. Ela continuava sentada sobre a ilha da cozinha e ele permanecia encostado no balcão à frente dela, de braços cruzados e um sorriso relaxado.
Outra garrafa de vinho foi aberta e estava perto do final quando a voz de Shakira saiu pelo alto-falante do celular, anunciando “Me Enamoré”, fazendo dar um sorriso na direção de , que estava a poucos passos dela, ainda encostado no balcão. Cantou, já com o riso frouxo e fez sorrir de sua interpretação.

– Mira que ojitos bonitos…
– ela cantou, apontando para os olhos de .
– Acho que é hora de parar com o vinho. – deu um sorriso provocativo, aproximando-se e o envolveu com as pernas.
– Nunca creí que fuera así, ¿Cómo te fijarías en mí? Toda la noche lo pensé: este es pa’ mí, o pa’ más nadie… cantou olhando para . – Acho que a Shakira escreveu isso pra você.
– Ah, com toda certeza! – deu uma gargalhada exagerada. – Aposto que foi pra mim que ela escreveu uma música e não pro Piqué. Ela pensou “hm, acho que vou escrever uma declaração de amor pro . Piqué, quem?” e escreveu.
– Idiota.
– Foi você quem falou que a Shakira escreveu uma música pra mim e não pro marido dela. – implicou ainda rindo.
– O seu olho é muito bonito. – falou, ignorando tudo que ele tinha dito, juntando as testas e o olhou nos olhos.
– Obrigado. Agora vamos dormir.
– Mas ainda é cedo! E é véspera do meu aniversário, então temos que ficar acordados até meia noite pra você me dar parabéns.
– Tudo bem. – concordou, fazendo sorrir.
Reinfeiern. – ela sorriu, fazendo dar um sorriso e assentir.
Soltou do seu abraço e desceu da ilha num pulo, mostrando a ele que ela estava sóbria e muito bem, obrigada. Não falou, apenas pegou o celular e procurou por uma música em específico, fazendo dar uma risada ao ouvir a introdução da música.
segurou suas duas mãos e as esticou, começando a dançar, enquanto Elvis Presley cantava “Kiss Me Quick” em um dueto com , que agora era guiada por em sua dança na cozinha, rodopiando e depois tendo o corpo trazido pra mais perto do dele.
– Não acredito que estamos dançando Elvis no meio da sua cozinha. – deu uma risada, voltando a girar o corpo de , que tinha um sorriso no rosto e dançava animada.
– Hmm, kiss me quick and make my heart go crazy, sigh that sigh and whisper, oh, so low, tell me that tonight will last forever… cantou, abraçando pelo pescoço e ele deu um pequeno sorriso antes de beijá-la.

O gosto adocicado do vinho lembrava-lhe as férias em Porto Rico, daquele primeiro beijo tão desejado, mas cheio de incertezas, que desencadeou tudo que estavam vivendo agora. E isso parecia ter acontecido há muito tempo, mas pouco mais de três meses os separavam daquele dia. Do dia em que eles se beijaram pela primeira vez e tornaram isso um hábito.
foi o responsável por encerrar o beijo, conferindo discretamente as horas no relógio de pulso, faltava um pouco mais de vinte minutos para que fosse, oficialmente, o aniversário de , então podiam ficar ali mais um pouco, dançando pela cozinha, até que a meia noite chegasse e ele tivesse a chance de ser o primeiro a lhe dar parabéns.

– Ah, eu amo essa música. – sorriu ao ouvir “I’ll Name the Dogs”, a música recentemente lançada por Blake Shelton, começar a tocar.
– É muito boa, Blake Shelton é ótimo.
– Tanto como artista quando como pessoa. – sorriu, passando os braços pelo pescoço de e o olhou, dando um sorriso.
– Você conhece todo mundo. – falou e a abraçou pela cintura enquanto começavam uma dança lenta pouco condizente com o ritmo da música.
– Não conheço todo mundo, eu conheço muita gente, é diferente. – ela deu de ombros, fazendo dar uma risadinha.
– Pra mim parece a mesma coisa, .
– I’m talkin’ you and me with the same street name, same last name, same everything. It’s a real thing, how I feel thing, so I’mma go on and take a swing…
– You find the spot and I’ll find the money, you be the pretty and I’ll be the funny… –
cantou e franziu o nariz numa careta e negou com um aceno.
– Você não é nem um pouco engraçado. Não é mesmo!
– Claro que eu sou engraçado! – respondeu ofendido.
– Nem se você quiser muito, . – deu uma risadinha. – Você é tão engraçado quanto uma pedra.
– E nem você é engraçada, .
– Mas eu nunca disse que eu sou engraçada. – ela deu de ombros. – Você é quem está cantando mentiras pra mim.
– Deixa de ser chata, eu sou engraçado sim.
– Vou te deixar pensar que sim, pra você não ficar triste. – ela provocou e rolou os olhos enquanto Blake Shelton ainda cantava.
– Não sei de onde você é parâmetro pra falar que alguém é engraçado, você ri de tudo!
– E nunca rio de você. Pensa nisso. – voltou a provocar.
– Kiss me in the kitchen on your tippy toes… – cantou sugestivo, mudando de assunto, e deu uma risadinha, ficando na ponta dos pés para lhe dar um selinho.

Outras quatro músicas tocaram antes que ele voltasse a olhar as horas. Faltando um minuto para a meia noite, pegou o celular e procurou por uma música em específico, que fez dar um sorriso quando começou a tocar. Ela o abraçou pela cintura, sendo abraçado pelos ombros, enquanto permaneciam naquela dança na cozinha, ao som da voz de cantando “All About You”.

– …dancing on the kitchen tiles, it’s all about you…
– ele cantou desafinado, girando o corpo de e quando a olhou, o sorriso que ela ostentava era ainda maior do que antes. – Feliz aniversário, . Toda felicidade do mundo é pouco pro que você merece e eu te desejo o melhor pra todos os momentos da sua vida. Sempre. Que esse seja o melhor ano da sua vida até agora, cheio de conquistas e de toda felicidade do mundo, com muitos aprendizados e repleto de bons momentos. Você é uma mulher absolutamente admirável, , e eu sou muito feliz por ter ganhado a chance de saber que você é fantástica de perto, por mim, e não apenas pela imprensa ou pelos seus fãs.
– Obrigada. – ela agradeceu dando um sorriso e a beijou.
Desejava, de todo coração, que ela tivesse mesmo o melhor ano de sua vida até então, que fosse um ano repleto de boas coisas, que sua turnê fosse mais do que um sucesso e que ela ficasse ainda mais famosa e reconhecida, que alçasse voos maiores, que conquistasse tudo que quisesse e achasse que faltava e era necessário. Ela merece. Merece o mundo e tudo além disso, tudo de melhor.
Quando encerraram o beijo, lhe deu um sorriso, beijando a ponta do nariz dela e o abraçou. Ao fundo, “Do I Wanna Know?”, do Arctic Monkeys, tocava.
– Vamos dormir, você vai acordar realmente cedo amanhã. – falou, erguendo o olhar para olhá-lo diretamente nos olhos.
– Prometo não te acordar.
– Não vou me opor, porque no meu aniversário eu mereço dormir até bem tarde.
– Merece. – deu um sorriso e os dois seguiram para o quarto.

A música foi desligada, os dois escovaram os dentes e logo estavam sob o edredom grosso da cama, aninhou em seu abraço, que apenas soltou um resmungo baixo antes de cair no sono.

🎤❤️⚽️
De banho tomado, com o apartamento arrumado e já com o bolo e os muffins que serviria, além de ter preparado alguns espetinhos de cenouras, sobre a mesa, algumas mini pizzas assando no forno e cervejas sobre o balcão, o vinho que sempre tinha em casa e suco, esperava por seus poucos, mas queridos, convidados.
Há tanto tempo não fazia uma festa tão íntima e pessoal que se sentia nervosa, como quando criança e sabia que os pais fariam aquela comemoração pequena e simples, tão típica e tradicional, mas que ela amava.
Sentia, também, falta dos avós que sempre foram tão entusiasmados com festas de aniversário dos netos. Sua avó adoraria ter feito o bolo, seu avô amaria participar da arrumação do apartamento, para que nenhum detalhe fosse deixado de lado. Ela fez tudo sozinha, mas lembrando-se de cada uma das festas nas quais eles estavam presentes. Sentia falta dos dois de forma boa, mas também era algo ruim, já que sabia que eles não voltariam.
Ouviu o elevador chegando ao andar e ergueu os olhos para a porta da cozinha, onde alguns segundos depois estavam e Ian.

– Você esqueceu do detalhe mais importante. As bandeirolas de quando éramos duas crianças chatas e nossas mães compraram uma só pra usar em todos os aniversários que envolvessem nossas pessoas e seu irmão.
– Eu não esqueci, eu sabia que você traria. – ela respondeu sorrindo.
Ian foi pendurar as bandeiras atrás da mesa na cozinha, enquanto abraçava a amiga e repetia todos os desejos de coisas boas que já tinha feito mais cedo. Era o vigésimo aniversário que celebravam juntas, ainda que em alguns anos estivesse longe e elas tivessem que se falar por vídeo.
Quando foi solta do abraço, Ian ocupou-se de abraçá-la e de desejar todas as melhores coisas do mundo. apenas podia agradecer aos céus, porque Ian era uma pessoa ótima, um amigo fantástico e cuidava de sua amiga com muito apreço e com todo amor que ela merece.
– Espero que você goste do presente. Eu nunca sei o que te dar, você sempre ganha tudo!
– Contanto que seja dado de coração, eu aceito apenas um abraço. – respondeu sincera.
Ao abrir o embrulho, deu o maior sorriso que podia. Amava ganhar livros. Era ótimo que ganhasse aquele tipo de presente, pois podia levá-los no avião ou no ônibus e se distrair enquanto viajava para os shows. “A Irmandade Perdida” era o título que estampava a capa verde claro, parecia contar uma boa história sobre as Amazonas. Com certeza leria ainda na Alemanha.
– Pensei em alguma coisa em outro idioma, um que você ainda não saiba e que ajudasse a treinar, mas não sei qual é o próximo que você vai aprender.
– Português ou grego. – ela sorriu animada. – Ou os dois ao mesmo tempo.

não teve tempo de responder e falar para parar de ser uma nerd sem limites, porque o barulho do elevador chamou a atenção dos três, que foram para a sala e encontraram chegando acompanhado de Kelly, Matt, Thomas, Mia e Davi, que vinham falantes e sorrindo.
Mia foi a primeira a tomar nos braços e começar a imensa lista de bons desejos, ressaltando o quanto a amava e sempre fora e seria orgulhosa da mulher forte e independente que sua garotinha tinha se tornado. Thomas fez o mesmo, quando finalmente abraçou , desejando que ela continuasse aquela mulher forte, linda e independente, que sempre se mantivesse honesta e simples, sem exageros e sem se deixar deslumbrar pelo que sua carreira podia lhe oferecer.
O abraço em Davi foi tão demorado quanto os abraços nos pais. Ele a envolveu em um abraço cheio de carinho e da cumplicidade que sempre tiveram e suas palavras foram tão sinceras quanto a dos pais e dos amigos.
Kelly foi a próxima, dando um beijo demorado em sua bochecha antes de começar a falar e arrancar risadas da aniversariante, que logo estava quase caindo no choro ao ouvir sua amiga lhe desejar tão sinceramente todas aquelas coisas boas. Matt, o marido de Kelly, fez o mesmo.
observava a cena com um sorriso sincero em seus lábios, sabia o quanto ela estava feliz com aquilo, com a simplicidade e com o carinho daquela pequena comemoração. Aquela era , afinal. Adorava festas e ter atenção das pessoas, mas também amava sua família e seus amigos mais próximos comemorando com ela de forma simples e comedida. Seus olhos encontraram os de quando ela se soltou do abraço de Matt, já prestes a abrir os presentes e ele piscou, convidando-a, de forma muda, a lhe abraçar. a distância entre eles e a abraçou apertado, recebendo uma risadinha em resposta.

– Feliz aniversário, bonitinha. De novo.
– Obrigada, bonitinho, de novo. – ela deu uma risadinha ao falar e deu um selinho nos lábios de antes de se soltar.
– Você esqueceu uma coisa, jüngste. – Davi falou, aproximando-se e lhe deu uma coroa de papel de um papel grosso dourado, cheio de pequenas fotos de coladas, e que a fez gargalhar. – É a tradição, as crianças que fazem aniversário têm que usar a coroa.
– Eu esqueci. – riu, colocando a coroa de papel na cabeça e sorriu.
– Bob pediu desculpas por não poder vir, parece que o sogro está internado e ia operar e eles estavam a caminho de Dachau.
– Ele me falou mais cedo. – suspirou triste. – Disse que passa aqui quando voltarem.
– Agora, presentes. – Mia apontou para os presentes que estavam sobre o sofá.

Os pais tinham lhe dado um suéter rosa, tricotado pela mãe, lindo e que fez sentir vontade de chorar. Kelly deu um livro, “Um Menino em Um Milhão” e ficou interessada ao ler a sinopse, parecia ótimo e como era um livro relativamente pequeno, provavelmente leria numa viagem de avião ainda na Alemanha. Davi lhe deu um cachorro de pelúcia, que seria sua companhia em todas as noites de sono, sabia. tinha mandado flores e chocolates durante o dia, mas ainda tinha mais: um livro de colorir, lápis de cor, um copo térmico da Mulher Maravilha, um lenço de cabelo colorido e um novo caderno para que ela pudesse escrever.

– Vocês me deixam muito mal acostumada.

A maioria das pessoas não entenderia como aqueles presentes tão simples eram coisas que despertassem tanto amor de uma pessoa, principalmente por ser uma pessoa famosa e rica, mas estava sempre sendo bajulada por pessoas e marcas que acreditavam que ela gostava de coisas caras e ostensivas. Ela estava feliz com cada uma daquelas coisas simples que tinham sido compradas ou feitas pensando nela. Na e não na artista .

– Você está fugindo das tradições mesmo. – Davi falou e o olhou sem entender. – O aniversário é na sua casa, você tinha que convidar as pessoas conforme os anos que está fazendo. Deveríamos ser vinte e cinco e não oito.
– Você vale por dezoito pessoas, então somando com as outras sete: vinte e cinco. – respondeu implicante e Davi sorriu. – Agora nós vamos fazer uma festa de verdade. Vamos nos sentar, falar, ouvir música, jogar qualquer coisa, comer, beber e depois cantar parabéns.
– Eu preciso ficar bêbada antes de deixar você me convencer a dançar Macarena no videogame. – Kelly falou rindo.

Garrafas de cerveja foram distribuídas e logo estavam todos pela sala rindo de alguma coisa que alguém tivesse contado, conversando sobre as viagens recentes de , além de ouvirem os relatos de Thomas e Davi imitando a aniversariante na Allianz Arena no dia anterior.
Jogaram cartas e videogame, comeram o que tinha comprado e cantaram parabéns. Os nove ao redor da mesa, o bolo simples e idêntico aos que e Davi tinham quando crianças e quando soprou a vela, não pediu nada, apenas agradeceu. Não queria estar em lugar nenhum que não fosse ali, com eles. Não precisava pedir, já tinha ganhado o melhor presente de todos ao ter aquelas pessoas em sua vida.
Passava da meia noite quando quase todos tinham ido embora, deixando apenas e no apartamento, as coisas já em seus devidos lugares e os dois devidamente deitados e prestes a dormir.

– Obrigada pelos presentes. Eu amei todos. E amei mais ainda que você tenha vindo de Stuttgart pra cá duas vezes só pra ficar comigo um tempinho e passar meu aniversário comigo. Significa muito pra mim.
– Pensei muito sobre o que comprar, porque você ganha de tudo… e lembrei de uma coisa que minha mãe sempre fala sobre presentes: nunca se pede dicas, compra-se aquilo que nos faz lembrar da pessoa a ser presenteada. Sei que você vai ter momentos de estresse que vão pedir por uma pausa para colorir um pouco ao som de alguma banda indie da qual eu nunca ouvi falar, também vai precisar de café para ficar bem acordada, ou de alguma bebida gelada para refrescar do calor no hemisfério sul; e como você está sempre escrevendo, páginas novas podem ser de grande ajuda. E aquele lenço me fez pensar em você assim que o vi. E sobre vir pra cá duas vezes, se eu pudesse faria isso todos os dias, gosto muito de ficar com você e sua companhia é extremamente agradável.
Troco fácil algumas horas de sono pra ficar perto de você sempre, pensou, mas não verbalizou.
, se você não existisse eu teria que te inventar. – falou agradecida e lhe deu um beijo no rosto. – Obrigada por tudo.

não respondeu. Não precisava. Ela sabia que ele também estava grato por tudo e que nunca seria capaz de colocar em palavras o quanto também era agradecido aos céus, ao destino, ao universo ou ao que quer que fosse que tinha colocado os dois no mesmo caminho.

Reinfeiern: Na tradução literal seria “adentra-se o aniversário festejando”, ou seja, aquele típico começar a festa na noite anterior e virar a madrugada.
Häschen: Lebrezinha. É um apelido carinhoso em alemão (alemães têm um jeito estranho de dar apelidos, eu sei)

Capítulo 21

– Eu já falei que você fica muito sexy apenas de camisa e calcinha, deitada no meu sofá escrevendo alguma coisa que não faço ideia do que seja? – apareceu na sala e se assustou ao ouvir sua voz.
– Aí que susto, inferno. – falou assustada fazendo rir. – E não, você nunca disse isso.
– Então considere dito. – ele falou, esquadrinhando todo o corpo de com os olhos, enquanto ela voltava a escrever. – Mas vem pra cama, tenho planos muito melhores e nenhum deles envolve você ficar no sofá escrevendo alguma coisa que não sei o que é.
– Dez minutinhos. – falou sem olhá-lo.
– Ah , por favor… você vai embora muito cedo amanhã. – resmungou em tom quase infantil.
– Dez minutinhos. – repetiu, rabiscando o papel, substituindo o que foi riscado por outras palavras. Encarou o papel e tombou a cabeça para o lado enquanto analisava o que estava escrito. – Olha, vê se você gosta da ordem que coloquei as músicas pros shows.
– Ah, então é isso?
– Eu estou enrolando há semanas, amanhã é o prazo final pra entregar isso e se eu aparecer sem isso, eu serei apedrejada em plena Marienplatz. E o pior: vão escolher por mim! – respondeu e se sentou no sofá, dando espaço para que ele sentasse ao seu lado.
– Acho que você poderia colocar “Please” mais no meio, deixar algumas mais animadas pro começo, sejam elas as do álbum ou alguma antiga que você queira muito, pra começar empolgada, e as mais baladinhas românticas e tristes, tipo “Herz aus zweiter Hand” e “There’s No One Else” perto do meio, antes de algum cover ou de alguma das suas músicas menos animadas por assim dizer, mas encerrar com uma música animada, tipo a em espanhol que eu não sei falar. Já que a turnê tem seu nome, melhor terminar com uma bem animada.
– Você está ficando bom, hein? – brincou e piscou.
– Agora que já resolvemos esse empecilho, podemos passar as nossas prováveis últimas horas juntos na cama?
– Você está sob avaliação médica, por que não vai passar uns dias em Munique comigo? – pediu e deu um sorriso pequeno.
– Você vai ficar ocupada com os ensaios e eu estou fazendo tratamento intensivo por aqui, .
– Achei que ia conseguir massagem de graça. – resmungou e deu um sorriso safado.
– Nada é de graça, eu vou cobrar um preço por isso.
– Eu sei. Mercenário. – rolou os olhos. – Você vai em alguns shows?
– Se o calendário dos jogos permitir, sim. Você vai pra Copa?
– Em junho eu estarei na América Latina, provavelmente não irei a nenhum jogo seu. Talvez na final eu consiga ir, se a Alemanha chegar até lá, o que eu duvido muito pelo que tenho visto essa seleção jogar. – respondeu e a abraçou pela cintura.
– Não sabemos se eu estarei lá.
– Eu aposto que estará. Você tem que confiar em si mesmo, .
– Você está confiante demais, eu acho. – soltou um risinho pelo nariz e o olhou. – Voltei a sentir o joelho, isso me preocupa.
– Você vai se recuperar logo e vai confirmar o que eu estou te dizendo: você estará na delegação que vai para a Rússia.
– Se você está dizendo, quem sou eu para discordar? – deu um sorriso tímido e se virou, colocando as pernas sobre as dele e segurou o rosto de entre as próprias mãos.
– Você é capaz, . Você vai se recuperar, vai fortalecer esses músculos, vai voltar para a seleção e para o Bayern e jogar na cara dos haters que você não é apenas um rostinho bonito. – falou séria, olhando nos olhos e ele deu um sorriso de lado, sentindo o rosto corar pela forma como ela tinha falado e como o olhava nos olhos de forma intensa.
– Você me pareceu bem convincente, acho que vou acreditar.
– Ótimo, porque não gosto de pensamentos negativos.
– Agora podemos?
– Não. – ela pegou a caneta e puxou uma seta, mudando as músicas de lugar e renumerando cada uma antes de reler a ordem. – Eu estou pensando em colocar duas músicas antigas no meio disso tudo, uma do primeiro CD e uma do quinto, o que você acha?
– Mas só essas duas a turnê inteira? Vai ficar repetitivo demais não acha?
– Talvez…
– Já que você gosta de interagir com seu público, por que não usa isso a seu favor e os surpreende?
– Disserte. – o olhou interessada.
– Você cria enquetes antes de fechar as setlists pros shows e coloca, sei lá, os álbuns que são opções ou artistas pra fazer um cover, mas sem contar quais são. Ou coloca mais álbuns e faz um medley entre as músicas. Por exemplo, se quiser, sei lá, escolher só uma entre “Wir Sind Hier” e “All About You”, coloque os álbuns em que elas estão e deixa que eles votem e pronto.
– Você está muito entendido. – o olhou surpresa. – Gostei da ideia.
– Andei estudando. – piscou, dando um sorriso de lado. – Ou você pode adotar uma playlist tipo o John Mayer e em cada show você toca uma sequência de músicas diferente.
– Preciso promover o álbum novo inteiro. Meus fãs me matam se eu deixar alguma música fora da setlist. E a gravadora também. E eu não tenho tanta relevância e nem tanto tempo de carreira quanto ele pra ficar alternando e tendo repertório pra esse tipo de coisa. – disse rindo e se pôs de pé.
– Eu discordo.
– Não deveria, porque sou eu quem está falando e odeio bajulação.
– É a minha opinião. – deu de ombros e ficou de pé também. – Agora, se não for pedir muito, podemos dormir?
– Vou anotar suas sugestões amanhã. Os ensaios começam nove e meia e eu vou gastar duas horas e meia até Munique. – resmungou.
– Então acho que não vamos ficar muito tempo acordados.
– Você vai pra Munique no fim de semana e a gente passa os dois dias em casa.
– Vou pensar no seu caso. E ver se consigo a liberação do departamento médico.
– Então vamos dormir. Dormir mesmo.
– Eu já entendi. – suspirou derrotado e os dois seguiram pelo corredor até chegarem ao quarto. – Eu merecia um pouco mais que isso, porque fui derrotado no CS hoje também. E, além disso, você negou que vamos ter um filho.
– Eu aprendi a jogar e nunca mais você vai ganhar. – provocou. – E não vamos mesmo, eu não ia deixar que começassem a encher meu saco por causa disso.
– Você devia ter esperado o BILD publicar alguma coisa. Seria mais legal.
– Melhor nem dar tempo pra esse tipo de coisa, pra ser sincera. – deu de ombros. – Você tem remédio pra dor?
– Depende, dor de quê?
– Cólica.
– Ah, claro que tenho. – deu uma gargalhada.
– Que inferno. É domingo à noite, não tem farmácia aberta.
– Mas tá muito ruim?
– Dá pra esperar até amanhã quando eu for pra casa. E que péssimo, cólicas bem na época dos ensaios.
– Acho que tem chocolate na cozinha, serve? Quer fazer uma compressa de água quente? Você vai tentar me matar a noite? – perguntou legitimamente preocupado e rolou os olhos.
– Não quero chocolate e nem compressa. – respondeu e se deitou na cama.
– E quanto a outra parte?
– Talvez eu mate, talvez não. Você vai ter que pagar pra ver. – ela deu de ombros.
– Acho que é melhor você dormir no sofá.
– Apenas tente me tirar daqui, . – desafiou, erguendo uma das sobrancelhas e deu um sorriso sem mostrar os dentes. – Eu não vou te matar. Só se você não calar a boca e não me deixar dormir, mas isso eu faria habitualmente.
– Eu tenho medo de você na TPM.
– Eu não estava de TPM naquele dia.
– Se aquilo foi sem TPM, eu nem quero imaginar como é quando é TPM.
– Agora é que nós vamos dormir mesmo. falou e tratou de se deitar ao lado dela, puxando-a para mais perto.
– Ah não…
– Faça o favor de se afastar e me deixar dormir. – falou em tom pirracento.
– Você tem certeza? – perguntou, colocando o rosto na curva do pescoço dela.
– Tenho. Sai. – respondeu, mas não se moveu de perto dele.
– Ah, fica aqui…
– Eu vou enfiar meu pé gelado nessa sua barriga quente e gostosa e eu quero ver você ficar nessa de “ah, fica aqui…” – ela imitou de forma caricata como estava falando.
– Você de TPM consegue ser mais chata do que quando não está. – fez uma careta, erguendo o rosto e o olhou nos olhos, totalmente séria.
– Eu posso te matar e alegar um distúrbio hormonal, eu sei chorar de mentira e convenço o Tribunal de que foi sem querer.
– Você me assusta. Eu que vou dormir na sala.
– Ah não vai mesmo. – ela o segurou pela cintura. – Quero que você fique comigo.
– Se você me matar, faz de um jeito bem rápido e que não doa muito. – choramingou e deu uma risadinha, voltando a se aconchegar perto dele e lhe deu um beijo demorado no pescoço. – E se não pretende fazer nada, não fica provocando também.
– Você é muito fraco. – riu. – Eu não fiz nada e você fica dando chilique, imagina se eu tivesse feito o que eu quero?
– E o que exatamente você quer? – perguntou interessado.
– Isso. – respondeu e virou de costas, se ajeitando no travesseiro ao lado. – Boa noite.
– Você é má. – suspirou. – Vou beber água e volto quando você estiver dormindo.
– Você. Fica. – ela se virou rápido e o segurou.
– Seja convincente.
– E nem precisa de muito. – ela arrancou a própria blusa e o puxou para um beijo.

🎤❤️⚽️
– Amanhã. No mesmo horário. – a coreógrafa disse e assentiu, limpando o rosto com uma toalha. Passaram o dia inteiro ensaiando algumas coreografias, além de ajustar instrumentos e a sonoridade de três músicas.
– Você emagreceu. – Leonard disse enquanto a observava.
– Jay está tentando me matar na academia, Sue está tentando me matar de fome e vocês estão tentando me matar de exaustão. Surpreendente seria se eu não estivesse perdendo peso. – respondeu num tom cansado.
– E como estão as coisas com ? – ele perguntou num tom sugestivo.
– Na mesma. – deu de ombros numa mentira deslavada. – Jogamos videogame, vemos filmes e conversamos. No fim de semana, por exemplo, descobri que ele sabe escolher um bom terreno para plantio de cenouras.
– Que informação útil… – Leonard falou rindo. – E como foi com ?
– Foi ótimo! Há tempos eu não ficava tão livre e em paz.
– Ficou longe de mim e ficou assim.
– Sim, você parece estar pensando em me deixar completamente louca antes dos trinta. – respondeu sincera e Leonard riu.
– E falando nisso, obrigado pelo convite pro seu aniversário. – Leonard falou debochado.
– Imagina, disponha. – respondeu tão debochada quanto.
– Allie quer que você jante conosco antes de viajar.
– Só marcar.
– E ela quer que seu namorado vá também.
– Ela não sabe?
– Ninguém sabe. – Leonard respondeu fazendo uma careta.
– Tudo bem, vou perguntar quando ele pretende vir a Munique e nós marcamos.
– Então nos vemos depois.
– Amanhã?
– Amanhã tenho outras coisas pra fazer.
– Tudo bem. A gente se vê depois. – falou e deu um sorriso pequeno antes de dar as costas e seguir até o próprio carro, no estacionamento do local.
O caminho de poucos minutos foi feito rapidamente e ela logo estava no conforto do próprio apartamento, tomando um banho quente e depois um bom relaxante muscular. Sabia que sem aquele comprimido não conseguiria dormir, estava toda dolorida e cansada pela intensidade dos ensaios, que continuariam por mais alguns dias, antes do início da turnê.
Seus fãs estavam animados, principalmente os dos países do leste europeu, os poucos países africanos nos quais iria, os da Oceania e os asiáticos, em que as vendas tinham sido abertas, estavam esgotados os ingressos dos shows e os passes para os meet and greet.
teria dias de folga entre os shows – preenchidos com entrevistas, campanhas, eventos ou viagens para os próximos shows em outros países ou cidades – até pela conservação da própria voz e bem-estar físico, mas não era estar em casa. E, por mais que adore a ideia de conhecer os fãs e de estar em outros países do mundo, sente-se um tanto sufocada ao passar tanto tempo longe da família, já que eles até podem ir a alguns shows na Europa, mas não viajavam para outros continentes e isso era desolador.
Deitou-se sem demora depois de tomar seu relaxante muscular e nem se deu ao trabalho de conferir mensagens ou ligações naquele momento, porque precisava dormir, tinha que acordar cedo no dia seguinte e ir para mais uma bateria de ensaios.

🎤❤️⚽️
– Jantar? Na casa do Leonard? – perguntou sem se virar e resmungou um “sim” enquanto lia um livro. Ele estava mexendo no celular, sentado em um sofá e estava deitada no outro sofá. – Isso é um aviso do que faremos ou do que você fará?
– O que faremos.
– Tudo bem. Amanhã?
– Sim.
– Tudo bem. – repetiu sem tirar os olhos do celular. – Você sabia que coalas possuem uma dieta que possui baixo valor calórico e nutricional e por isso são altamente sedentários e dormem vinte horas por dia?
– Não fazia ideia. – respondeu sem olhá-lo, mas não reprimiu o sorriso após a informação.
– Agora você sabe uma coisa muito interessante. – disse, desviando o olhar da tela do celular e olhou na direção de , que continuava lendo.
– Um dia essa informação será útil e eu a usarei. E te agradecerei.
– E o que é isso que você está lendo?
– No momento nada, porque você não cala a boca. – disse rindo e levantou o olhar para pela primeira vez durante aquela conversa. – É um thriller, de uma criança psicopata que mata pessoas.
– Isso é sério? – ele perguntou assustado e ela assentiu.
– “Menina Má”. Tem um filme antigo desse livro, eu acho. – deu de ombros e arregalou os olhos. – E é meio estranho, porque a gente fica desejando que a criança morra. Sei lá, eu me sinto meio culpada por me sentir assim sobre uma criança, ainda que ela seja bem parecida com o demônio.
– Olha as coisas que você lê, ! – ele falou um tom mais alto e totalmente exasperado.
– Quando terminar este, vou começar um que chama “Mindhunters”, de um cara do FBI contando sobre o trabalho dele de investigar crimes cometidos por seriais killers com motivação sexual.
– Você tem algum problema.
– Tenho, mas eu gosto de livros com ação e um toque de realidade. – respondeu dando de ombros.
– Pessoas normais leem livros normais.
– E quem disse que eu sou normal?
– É, você tem um ponto. Pode voltar a ler, não vou te atrapalhar mais, estou com medo de você aprender alguma coisa com essa criança e usar em mim.
– Talvez. – voltou a dar um sorriso que sugeria que aquela era uma boa ideia e se pôs de pé.
– Eu tenho medo de você. E vou encontrar minha irmã, nos vemos mais tarde.
– Mande um beijo enorme e peça pra ela vir aqui essa semana? Quero saber em quais shows ela quer ir.
– Ela vai surtar e querer ir em todos. – disse rindo.
– Ela é uma pessoa maravilhosa, vou adorar se ela quiser ir em todos.
– Vou falar com ela pra te mandar uma mensagem e vocês combinam uma data pra ela vir, porque senão ela volta junto comigo.
– Eu não me importo. – deu de ombros.
– Eu me importo muito, você está em dívida comigo, .
– Não faço ideia do que você está falando, .
– Na minha casa essa semana você usou as seguintes palavras: “Você vai pra Munique no fim de semana e a gente pode passar os dois dias em casa”.
– Você é quem está saindo, não sou eu quem está atrapalhando o cumprimento de nada. Mas, se eu bem me lembro, eu falei isso, porque a intenção era dormir cedo naquele dia, o que não aconteceu.
– Então vamos entrar num acordo?
– Apresente-me sua oferta.
– Quando eu voltar, ficamos nesse apartamento sozinhos e bem-intencionados até a hora de ir para a casa de Leonard amanhã. E depois até eu ir embora.
– Só se você massagear minhas costas e meus pés.
– Só se eu puder c…
– Isso não. – interrompeu, fazendo gargalhar.
– Você nem sabe o que é!
– Ah eu sei sim.
– Não é isso, idiota. – respondeu ainda rindo.
– Tchau, . – o enxotou, mas se debruçou sobre o corpo dela e lhe deu um selinho.
– Não sinta muito a minha falta, .
– Você bem que queria. – respondeu desaforada e saiu rindo.

🎤❤️⚽️
– Essa calça está apertando minha bunda. Parece até que é sua. – reclamou e gargalhou.
, pelo amor de Deus, o que você anda comendo que sua bunda está tão grande que não entra na calça que eu te dei há duas semanas?
– Ela entra, mas é apertada. – ele resmungou em resposta e ela o analisou.
– A mim não parece estar apertando nada.
– Mas está! – resmungou num tom infantil.
– Então troca. – respondeu ainda rindo da cara dele.
– Para de rir de mim!
– É mais forte que eu. – ela falou reprimindo uma nova risada. – Coloca a preta.
– Certeza? – perguntou e ela assentiu convicta.
desafivelou o cinto e tirou a calça. Não estava amassando nada, mas ele estava acostumado a usar calças mais largas, qualquer pano que o tocasse um pouco mais justo, era “apertado demais”. Vestiu a tal calça preta indicada e olhou para , que assentiu positivamente e satisfeita com o resultado.
– Agora, muda a blusa. – ela disse rindo e ele rolou os olhos, tirando a camisa que usava.
– Você quer me ver pelado, eu já entendi seu jogo.
– Não podemos nos atrasar, , a Allie é bastante chata com horários. Principalmente os que se referem a comida.
– Ah, mas isso também se r…
– Nem completa essa frase. – riu. – Temos que sair rápido e eu não estou nem um pouco afim de borrar meu batom, então só veste a roupa e depois a gente resolve isso.
– Acho bom você cumprir essa fala, hoje você fez tudo, menos ficar nesse apartamento.
– Eu não tenho culpa de ser uma pessoa requisitada e que tem que resolver os últimos detalhes da própria turnê. – respondeu usando um tom banal, enquanto vestia a blusa azul que ela tinha indicado.
– Espero que o sexo de despedida seja muito bom e compense esses empecilhos que tivemos. E você precisa trocar de blusa.
– Preciso?
– Estamos com a blusa da mesma cor. – ele disse rindo e só então ela percebeu.
– Tira essa e veste a branca, com a jaqueta de couro por cima. – ela indicou e rolou os olhos, desabotoando a blusa novamente.
– Você está se aproveitando de mim, é perceptível.
– Claro, porque só te fazendo trocar de roupa pra poder te ver pelado não é mesmo, ? – ela perguntou debochada.
– Sim. – ele maneou a cabeça positivamente e deu um sorriso. – Tudo parte do seu plano maquiavélico.
, você é homem. Consigo pensar em pelo menos trinta formas de te fazer ficar pelado muito mais fácil do que te mandando trocar de roupa.
– E falando nisso… – ele vestiu a camisa branca, pegando a jaqueta de couro em seguida e a colocou. – De onde você tirou aquela história sobre eu ser gay?
– Isso não é assunto pra esse momento. Anda logo.
– Fala, vai… – pediu, se aproximando e juntou seu corpo ao de .
– Não sei, você sempre foi muito reservado com sua vida pessoal e nunca tinha aparecido com namorada. E, sei lá, tem jeito.
– Eu tenho jeito de ser gay? – ele perguntou surpreso.
– Tinha, até a festa da Alma.
– E tinha jeito por quê?
– Porque… sim. Sei lá! Eu não sei explicar sem usar o estereótipo idiota que a sociedade cria pra falar que uma pessoa é gay ou não. – respondeu e se afastou dele. – Agora, se pudermos sair, eu agradeço.
– Claro. – deu uma risadinha.
– Mas eu tinha um problema com minha teoria sobre você ser gay.
– E qual era?
– Você se vestia muito mal e usava aquela barbicha horrorosa. Só homem hétero dá uns foras desses.
– Você me ofende demais e gratuitamente. – ele reclamou enquanto caminhavam até o elevador. – Já está me chamando de brega e feio. De novo.
– Porque você era. Mas eu aconteci na sua vida e te salvei de você.
– Que legal você é. – ele rolou os olhos, enquanto esperavam pelo elevador.
– Assuma, você anda muito mais bonito agora.
– Depende do ponto de vista. – respondeu quando o elevador chegou e os dois entraram, apertando o botão para a garagem.
– Você tem que parar de usar essas calças que são largas na bunda e apertadas nas pernas, parece que tá cagado. – falou séria e deu uma gargalhada.
– Você não existe, . – ele riu, passando o braço pela cintura dela e a trazendo para mais perto de si, lhe dando um beijo no rosto.
– Eu estou falando sério! Vou passar meses longe. Meses! Se você ousar estragar a obra prima que criei, no caso essa obra prima é você, eu volto pra Alemanha só pra te matar.
– Deixa de ser chata. – riu e o elevador parou, duas pessoas entraram e os cumprimentaram com um aceno.
O término do trajeto até a garagem foi feito em silêncio, o casal olhava de soslaio para e , mas não falaram com os dois e nem comentaram nada entre si, apesar de ser visível que estavam se segurando para não pedirem fotos e autógrafos. Quando o elevador parou na garagem e os quatro saíram, antes que e chegassem ao carro, foram parados pelo casal que pediu por fotos.
– O seu álbum está maravilhoso, . Desculpa por te incomodar, mas sou sua fã.
– Obrigada. – deu um sorriso agradecido. – Nos vemos no show?
– Claro! Estaremos no meet & greet. Boa noite. – ela sorriu, voltando a abraçar antes de se afastar e deixar que o casal fosse até o carro.

e seguiram até o carro dela e o caminho foi feito de forma rápida, já que o horário favorecia e a direção em que seguiam era oposta à do engarrafamento de fim de dia na cidade. Com menos de quinze minutos, o carro foi estacionado e os dois desceram, sendo recepcionados por um vento frio que dava indícios de um outono um pouco mais rigoroso que o habitual.

– Allie não sabe que é mentira. E é claro que Leonard vai tentar nos envergonhar, mas pode ficar tranquilo, eu sei como cortar as asinhas dele caso ele tente fazer alguma coisa. – despejou as palavras e assentiu.
– Ute te mandou mensagem?
– Ainda não, mas mais tarde eu mando uma mensagem pra ela e pergunto quando podemos nos ver. – respondeu e os dois seguiram até o portão do prédio e ela tocou o interfone do apartamento, que logo foi atendido. – Sou eu!
– Entra logo. – a voz do outro lado respondeu e o portão automático foi aberto, dando permissão para que os dois entrassem no prédio.
Seguiram de elevador até o quinto andar e logo encontraram com Leonard que os esperava com a porta aberta e um sorriso animado com a presença do casal ali. Ele trocou um cumprimento com e um abraço com , antes de fechar a porta.
– Cheguei! – se anunciou para a bela mulher que estava saindo da cozinha e chegando à sala.
Era lindíssima, reparou, muito mais bonita do que qualquer modelo da Victoria Secrets ou miss-qualquer-coisa que ele conseguia se lembrar de já ter visto, ainda que não tivesse o mesmo corpo das modelos da marca ou de misses, era uma negra alta, os olhos pretos intensos, cabelos cacheados também pretos e volumosos. Ela era uma das mulheres mais bonitas que já tinha visto na vida.
– Finalmente! – ela abraçou ternamente. – Senti sua falta!
– Ando meio enrolada.
– E comprometida. – a mulher desviou o olhar de para , que estava parado um pouco mais atrás delas. – Finalmente! Não aguentava mais o medo que eu sentia um dia você resolver voltar para aquele traste do Nicholas. E olha que tinha outras opções excelentes pra voltar… Enfim, é um prazer finalmente te conhecer, . Meu nome é Alisson, mas você deve me chamar de Allie. – a mulher disse e se soltou de e foi até , lhe abraçando de forma carinhosa. – Espero que esteja cuidando bem da minha amiga e dando a ela todo amor que ela merece, e isso não é pouco, se eu descobrir que não está, eu vou te picar em pedaços e mandar pra sua família no Natal.
– Então é de você que toma o exemplo da psicopata que ameaça a vida dos outros? Ou é da ? Ou ela é quem está ensinando esse tipo de coisa pra vocês? – perguntou num tom divertido. – É um prazer, finalmente, conhecê-la, Allie. fala muito sobre você.
– Ela mente. – Allie falou séria, causando uma risada em .
– Se pudermos evitar as cerimônias e irmos direto ao que interessa, ou seja a comida, eu ficaria agradecida. Estou morrendo de fome. – falou.
– A culpa é de vocês que estão atrasados. – Allie falou séria e olhou para como se dissesse um “eu te avisei”.
– Às vezes eu acho que você é mantida em cativeiro, porque reclama que está com fome o dia inteiro! – Leonard disse rindo.
– Sue está tentando me matar de fome, Jay está tentando me matar de exaustão nos treinos e a coreógrafa, não me lembro o nome dela, está tentando me matar de dançar e performar, porque ela simplesmente resolveu que é uma boa que eu dance. Eu. Dançando. – falou, tomando um lugar à mesa, e Allie deu uma gargalhada.
– Você já devia ter avisado pra ela que não faz o estilo Beyonce, .
– Eu falei com ela que eu sou tipo a Adele, eu canto e não performo.
– E o que ela disse? – Allie perguntou, sentando-se em seu lugar habitual.
– Que se Adele a tivesse como coreógrafa, até ela dançaria. – rolou os olhos, fazendo os outros rirem. – Eu já conversei com ela e disse que não vou dançar, porque não gosto de ficar dançando, gosto de cantar e ficar livre pra isso, mas ela não entende e fica enchendo meu saco pra eu fazer um monte de coisas que eu não vou fazer em show nenhum.
– Em uma das músicas – Leonard começou a fala, rindo, enquanto se servia do jantar. – ela quer uma performance sexy e destemida.
– Nem me lembra disso. – deu uma risada. – Essa mulher esqueceu que eu tenho fãs que são crianças?
– Mas a sua resposta pra ela foi fantástica. – Leonard gargalhou e acabou rindo junto, ficando um pouco envergonhada.
– Vão compartilhar a piada ou não? – Allie perguntou olhando para Leonard.
soltou “performance sexy e destemida eu faço na cama pro meu namorado e não pra uma multidão de fãs”. – Leonard imitou toscamente , fazendo o que tinha sido a expressão que dela ao falar aquilo, e todos os outros riram junto.
olhou para , erguendo as sobrancelhas, como se perguntasse se ela faria mesmo. Não que ele duvidasse, porque tinha uma lembrança excelente da primeira vez dos dois, além de algumas outras depois de voltarem para a Alemanha, mas ouvir aquilo era, no mínimo, interessante.
– E qual música é?
– Skin. – respondeu dando de ombros.
– Ah, essa é meio esperado que você faça alguma coisa. – foi quem se pronunciou, se servindo do jantar. – Mas eu prefiro que seja só pra mim.
– Eu não faço ideia de onde essa mulher saiu, mas eu espero que ela suma quando a turnê começar, não quero mais uma doida andando atrás de mim.
– De doida por lá já basta você. – Leonard zombou e lhe mostrou o dedo do meio.
– Vá se f…
– Olha os modos, . Estamos na mesa de jantar. – Allie a advertiu.
– Desculpa. – pediu e os quatro começaram a comer, trocando poucas palavras enquanto o faziam.
Os olhares de Allie para eram ternos, ela estava feliz de a amiga ter arrumado outra pessoa, afastando, pelo menos por enquanto, o fantasma de Nicholas. Ainda que tivesse namorado outros dois homens depois de terminado seu relacionamento com Nicholas, havia sempre o medo de que um dia ela acabasse voltando pra ele depois de todo aquele problema que tinha acontecido.
Após o jantar, os quatro foram para a sala e conversaram sobre uma porção de assuntos que surgiam sem nenhum silêncio constrangedor, inseriram em assuntos que já eram comuns e a conversa foi leve, regada a sorrisos, e feita como sempre, como se já fizesse parte do grupo há muito tempo e já conhecesse tudo e todos.
descobriu que Allie é arquiteta e está sempre viajando para fazer projetos pela Europa, em casas de várias pessoas famosas, além de lojas e escritórios e o que mais fosse solicitado, e já fez algumas nos Estados Unidos também. Ela e Leonard se conheceram em um show de , em Berlim, pouco depois dele tornar-se empresário da amiga, os dois começaram a namorar e casaram um tempo depois.
Sem filhos, não queriam crianças, pelo menos por enquanto, porque um filho mudaria totalmente as coisas, principalmente na parte profissional, já que ambos vivem viajando em seus próprios trabalhos. Allie é alemã, mas de Berlim, torcedora do Hertha, uma mulher muito bonita, simpática e educada.
Leonard não fez comentários sobre toques e beijos, pois não foi necessário. e sentaram-se bem próximos e ele a abraçou pelos ombros, num gesto totalmente normal para os dois, que estavam acostumados a se portar dessa forma, e se aconchegou naquele abraço que agora lhe era tão familiar, entrelaçando os dedos aos da mão suspensa de .
Os dois conversavam se olhando e riam de piadas internas, trocavam sorrisos e palavras que passavam total credibilidade de um casal devidamente apaixonado e em sintonia para qualquer um que visse de fora. E a Leonard isso parecia muito interessante.
Era tarde quando os dois foram embora, depois de uma despedida demorada por parte de Allie, que disse que tentaria ir a alguns shows, pelo menos na Alemanha, mas não tinha certeza, pois estava cheia de projetos e não sabia se conseguiria uma folga para viajar.

– Performance sexy e destemida só pra mim? – perguntou num tom provocativo enquanto dirigia de volta para seu próprio apartamento.
– Você queria que eu dissesse o quê? – perguntou sem desviar o olhar da rua para . – Porque eu até quis responder que faria uma dessas na cama com, sei lá, Ben McKenzie, mas preferi usar o seu santo nome, até porque ele é casado. E, teoricamente, somos namorados.
– Eu nem sei quem é, mas tenho certeza que prefiro que seja comigo. – disse num tom divertido, fazendo rir.
– É o Ryan de The O.C. e o Jim Gordon de Gotham.
– Continuo sem saber quem é e continuo preferindo que a performance seja comigo.
– Enfim, a performance sexy e destemida é minha, então eu preferiria fazer pra ele. Quer dizer, se ele não fosse casado. – respondeu, colocando o carro na vaga da garagem e os dois saíram do carro.
O elevador, por sorte, estava no andar da garagem e os dois entraram.
– Prefere nada.
– Quem sabe disso sou eu. – respondeu rolando os olhos e a puxou para mais perto, prendendo-a em seu abraço.
– Você pode admitir que me prefere antes de qualquer um, não conto pra ninguém. – riu e se afastou, o olhando com ar de pouco caso.
– Posso listar outros cinquenta homens que viriam nessa lista antes de você.
– Liste-os. – desafiou e ela riu.
– E você quer essa lista em ordem alfabética, por idade ou nacionalidade? – ela perguntou debochada e a porta do elevador se abriu no andar do apartamento de , os dois desceram e seguiram até o interior do apartamento.
– Pode escolher a ordem. – ele sorriu e se sentou no sofá, puxando para mais perto.
– Vamos por ordem alfabética então. André Hamann, Ben Mckenzie, Chadwick Boseman, Chris Evans, Chris Hemmsworth, D… – antes que ela continuasse a lista, que fazia olhá-la com uma expressão debochada, o interfone tocou e se levantou para atender. – Oi.
– Senhorita ?
– Eu mesma, tudo bem Albert?
– Tudo sim. A senhorita Ute está aqui, posso deixa-la subir?
– Claro. – disse num tom animado e desligou.

Sabia que não curtiria muito a chegada da irmã, porque os planos dele (e dela também) para a noite eram outros e não envolviam visitas inesperadas que atrasariam o cronograma, principalmente por ter que voltar pra Stuttgart tão cedo no dia seguinte.
Aproveitando que já estava na cozinha, serviu-se com um copo de água e aguardou até o elevador fizesse barulho, sinalizando sua chegada ao andar, e quando o fez, voltou para a sala, com a intenção de ir até a porta para receber a cunhada. Por mais que aquela visita inesperada adiasse os planos da noite, tinha aprendido a gostar da mais nova e tê-la ali seria ótimo, até porque poderiam combinar as idas da cunhada aos shows e implicar com .

– Continue sua lista, . – disse de braços cruzados e ela fez sinal com a mão para que ele esperasse, já que ouviu batidas fracas na porta.

Ute tinha os olhos vermelhos e inchados, tinha chorado recentemente e isso era claro, principalmente porque o rímel estava borrado nos olhos também. Ela deu um sorriso trêmulo assim que viu , que deu passagem para que a mulher entrasse no apartamento.

– Merda. – ela resmungou quando viu sentado no sofá.

Capítulo 22

De primeira não percebera quem estava na entrada do apartamento, só depois de alguns segundos, quando virou o olhar para a porta, já que estava demorando a voltar para o sofá e estava calada, deparou-se com a irmã, mas antes que pudesse falar algo para enxotá-la, percebeu que ela estava com o rosto inchado, os olhos vermelhos e o olhar assustado, o que ela sempre tinha quando estava chorando porque alguma coisa séria tinha acontecido.
colocou-se de pé e quase num passe de mágica foi parar ao lado de Ute, a olhou por um tempo antes de pegar em sua mão para que ela se aproximasse mais e fechasse a porta.

– O que aconteceu? – perguntou preocupado olhando para a Ute.
– Hm, eu volto depois, eu não quero atrapalhar vocês.
– Não estamos ocupados, Ute. – lhe ofereceu um sorriso e se colocou ao lado de . – Como você está?
– Bem. – ela mentiu horrivelmente mal, mas antes que dissesse algo, discretamente apertou o pulso dele e deu um sorriso para a cunhada.
– Não vamos ficar em pé sendo que o sofá está logo ali. – apontou para o sofá. – Vem, Ute, vamos sentar. Eu quero mesmo falar com você.
– Não. Eu vou embora. – ela sorriu forçado. – Desculpa incomodar e…
– Espera. – disse sério e olhou para a irmã. – O que aconteceu?
– Você disse que queria falar comigo sobre as datas dos shows, como achei que você já tinha ido embora, resolvi vir e conversar com ela sobre.
– E você resolveu vir até aqui meia-noite? – perguntou sem acreditar no que a irmã tinha dito e o repreendeu com o olhar.
– Não faz mal, eu estou acordada e sem sono, podemos conversar sobre isso sem problema nenhum. – sorriu para Ute.
– Eu não quero atrapalhar vocês.
– Não atrapalha em nada, Ute. já estava indo dormir, porque vai embora amanhã bem cedo e reclamou de sono agora mesmo. – disse e , que pretendeu protestar, recebeu um olhar ameaçador.
– É, eu já ia mesmo dormir. Eu vou subir e não esperarei acordado enquanto vocês conversam. – ele falou, dando um beijo demorado no rosto da irmã e deu um selinho em , subindo as escadas.
– Vem, vamos lá pra cima. Sei que você não quer que ele ouça. – disse e Ute assentiu. As duas subiram e fechou a porta, impossibilitando que fosse até lá ou tentasse ouvir, e as duas foram para a área coberta perto da piscina, refugiando-se do vento frio. – E então, o que aconteceu?
– Promete que não vai contar pro ? – a mulher fungou e negou.
– Vai depender do que você me falar.
– Höward aconteceu. – ela suspirou.
– Ele te fez alguma coisa? – perguntou preocupada e Ute negou com um aceno de cabeça rápido.
– Apenas brigamos. E feio. – ela suspirou pesadamente.
– Você quer falar sobre isso? – perguntou e Ute voltou a suspirar, demorando-se um pouco antes de começar a falar.
– Nós saímos para jantar, ele tinha falado do meu vestido, disse que estava muito frio para que eu saísse com um vestido tão curto.
– Esse vestido?
– É. – a mulher assentiu. Usava um tubinho preto justo, de mangas longas e sem decote frontal ou traseiro, que ia até um palmo acima do joelho. Ela estava usando uma meia-calça fio 80 e um scarpin preto, além de um sobretudo pesado e que parecia bem quente aos olhos de . – E eu disse que estava ótimo, porque eu queria usar essa roupa, já que estava me sentindo realmente linda. Ele já reclamou de outras roupas, de algumas saídas com amigas e essas coisas, mas não da forma como foi hoje.
– E como ele fez isso?
– Ele falou antes de sairmos e duas vezes quando chegamos ao restaurante, mas comemos tranquilamente e conversamos sobre outras coisas, achei que estava tudo esquecido, como sempre. Então, quando estávamos saindo, ele tinha ido pedir o carro e eu fiquei esperando na porta do restaurante, um cara passou em outro carro e falou alguma coisa que eu não entendi, mas mesmo que tivesse, eu ignoraria, porque estava sozinha e não arriscaria responder e o cara, sei lá, sair do carro e me agredir, mas o Höward ouviu o que foi dito, e ao invés de xingar o cara, ele me xingou. Disse que a culpa era minha por ter sido cantada pelo cara, porque se eu me prestava ao papel de sair com “esse tipo de roupa”, – Ute fez aspas com as mãos. – eu, claramente, “estou pedindo esse tipo de coisa” e que “não se surpreenderia se alguém me estuprasse, porque meu traje sugere que eu estou aberta a esse tipo de acontecimento”. Nós discutimos feio e ele disse que ia rasgar meu vestido todinho da próxima vez que eu o usasse, porque dessa forma eu fico pelada de uma vez e dou brecha para que façam comigo o que eu “claramente estou pedindo”.
– Ele falou isso? – perguntou chocada e Ute assentiu antes de limpar uma lágrima que escorreu por seu rosto. – Ele foi um babaca.
– Mas não foi só isso. Ele resolveu passar no supermercado antes de irmos embora, disse que precisava comprar algumas coisas e eu encontrei com algumas colegas de faculdade. Cinco mulheres e um homem, que namora uma delas, conversei com eles rapidinho e quando me despedi, Höward disse que se eu o trair, ele vai me matar sem pensar duas vezes. Que ele nunca vai me deixar largá-lo e que eu não preciso nem cogitar essa ideia, ele não vai permitir. Eu sai de lá na mesma hora, totalmente assustada, e o larguei fazendo chilique no meio do supermercado. Como minha mãe ainda está viajando, pensei que ficar sozinha em casa seria perigoso e você foi a primeira pessoa em quem pensei. Desculpa te atrapalhar, eu vou embora e…
– Não vai mesmo. – a interrompeu. – Você vai dormir aqui, nem que seja escondida do seu irmão. Ele vai embora bem cedo e assim que ele sair, nós vamos à delegacia.
– Não precisa, Höward não vai fazer nada.
– Ele vai. – disse e suspirou, pegando as mãos de Ute entre as suas, olhando-a nos olhos. – Ele já garantiu que vai e se você não tomar uma providência agora, vai protelar, protelar, ele vai conseguir te enrolar, fingir que mudou, isso vai se repetir, repetir, repetir, até que ele cumpra o que disse e te mate, mesmo que você não tenha feito nada, como não fez hoje e tudo isso aconteceu. Vou mandar uma mensagem pra minha advogada e nós vamos resolver isso pela manhã.
, não precisa. Ele não vai fazer nada disso.
– Sabe por que eu terminei com o Nicholas? – perguntou e Ute negou com um aceno. – Por causa de uma situação muito parecida com essa. Tínhamos um relacionamento abusivo e que eu só percebi quando terminamos e eu comecei a fazer terapia, porque ele me agredia emocional, física e psicologicamente, mas não era o que me parecia quando estávamos juntos, porque, afinal, ele dizia que me amava… então jamais me machucaria. Mas machucou e muito. Não quero que você passe por isso, não quero pagar pra ver se ele vai ou não vai te fazer alguma coisa, se ele teve a audácia de falar, ele vai fazer. E eu não quero que isso aconteça. Quando sua mãe volta?
– Daqui vinte dias.
– Então amanhã nós vamos na sua casa buscar suas coisas, você vai ficar comigo até ela voltar. Como você trabalha e estuda, vou mandar dois dos meus seguranças com você, não vou te deixar sozinha em locais em que ele pode aparecer e fazer alguma coisa.
– Você vai viajar em menos de dez dias, , não precisa.
– E você vai comigo. Ou pode ficar aqui em casa, sem problemas.
– Não precisa, . Posso ficar em outro lugar e…
– Ute, é sério. Ele não vai parar. Nicholas até hoje tenta se aproximar, mesmo depois de Davi e Ian terem batido nele e de todo problema que tivemos. Höward não vai parar, então vamos fazer desse jeito e te proteger de qualquer coisa que ele possa querer fazer. Se você não quiser viajar ou ficar aqui, vai ter que contar ao e ir pra Stuttgart ficar com ele.
– Se ficar sabendo, ele mata o Höward. – ela suspirou.
– Ute, você não pode deixar esse idiota nem pensar em chegar perto de você, ele vai cumprir o que falou. Então considere a minha oferta de ficar aqui e depois viajar comigo. Sei que você não pode ficar um ano fora e viajar para todos os shows, também não é muito seguro deixar sua mãe sozinha, porque ele pode tentar alguma coisa pra te atingir. E você vai ter que contar pra ela.
– Pra ela é mais fácil que pro . Ele mata o Höward.
– Eu mesma queria matar, pra ser bem sincera. – disse e Ute deu um sorriso sem mostrar os dentes, enxugando as lágrimas que insistiam em cair de seus olhos. – Você vai ficar aqui, não quero que você vá embora. Vou te fazer um chá também. Chá e biscoitos. Não vai resolver o problema, mas talvez te faça sentir um pouco mais confortável com a estadia.
– Obrigada. – Ute agradeceu e as duas desceram em silêncio.
ajeitou um dos quartos de hóspedes para Ute, além de fazer um chá e lhe dar alguns biscoitos que tinha na casa, e disse que qualquer coisa, ela deveria chamá-los. Não interessava a hora.
, ao contrário do que tinha dito, estava acordado e seguiu com o olhar quando ela entrou no quarto e se dirigiu para o banheiro sem falar nada. Ela trocou de roupa, limpou a maquiagem e escovou os dentes, demorando-se propositalmente em cada uma das coisas, precisava disfarçar a tensão de toda a informação que lhe foi entregue momentos antes.
Ela não sabia se contava ou não para o que tinha ouvido de Ute, porque imaginava que ele teria uma reação um tanto quanto violenta (e não sem razão), e se acontecesse, podia (e daria) muito errado, mas ao mesmo tempo, ela sopesava que se algo acontecesse a Ute, ela sabia e não contou. Era um dilema muito grande em sua mente e ela simplesmente não fazia ideia de como agir.

– Você vai ficar se olhando no espelho até amanhã ou vem deitar e me contar o que tá se passando na sua cabeça? – se pronunciou e se sobressaltou, só então percebeu que ele estava encostado no batente da porta do banheiro, de braços cruzados e a olhava pelo reflexo do espelho, aparentando estar preocupado.
– Vou passar um creme no rosto e vou pra cama. – forçou um sorriso.
– Esse creme que você já passou? – ele soltou uma risadinha pelo nariz e se aproximou, virando o corpo de para si e a olhou. – O que aconteceu, meine Liebe?
– Minha cabeça está dividida entre falar e não falar e eu quero chorar.
– Não precisa chorar. – ele falou, passando o polegar de forma carinhosa no rosto dela. – Vem, vamos dormir. E você ainda me deve uma lista de quarenta e cinco nomes.
– Depois te mando pelo WhatsApp. – ela disse dando um sorriso sem humor e os dois seguiram de volta ao quarto e deitaram-se na cama. puxou o corpo de para mais perto e fez um carinho no rosto dela.
– Obrigado.
– Pelo quê?
– Por se preocupar com a Ute, conversar e deixá-la ficar aqui hoje. Não sei o que aconteceu, não vou te pressionar a contar, mas sei que é sério. Ela não teria vindo se não fosse.
– Sei que você faria o mesmo pelo Davi, se fosse preciso. – ela sorriu e se aproximou, lhe dando um beijo no rosto e afagou seus cabelos.
– Não chora. – ele falou quando sentiu as lágrimas dela e a olhou consternado.

Ele não sabia o conteúdo da conversa que as duas tiveram, mas era algo que tinha mexido com . a abraçou mais forte e ela soltou um soluço dolorido, escondendo o rosto na curva do pescoço dele. Lembranças demais do seu antigo relacionamento, da forma como Nicholas a tratava e de como as coisas ficaram, ela realmente tinha acreditado que ele mudaria, que ele a amava e que nunca seria capaz de machucá-la. Mas ele foi. E ela não queria que Ute passasse por aquilo.
Ninguém merece ser privado de frequentar lugares, sair com amigos ou com as roupas que quer, apenas porque outra pessoa não gosta ou não quer. Ninguém merece ser agredido, seja verbal, psicológica ou fisicamente. Ninguém está “pedindo por agressão/abuso” quando sai com determinada roupa ou vai a determinado lugar com determinadas pessoas. Por que as pessoas insistiam em propagar essas mentiras como se fossem verdades absolutas?
a abraçava de forma confortável e tornava toda aquela situação ainda pior, porque tudo que já tinha ouvido voltava à sua memória e só a fazia chorar mais, soluçar mais e se sentir ridícula por estar naquela situação, tanto a do choro quanto a do contrato.
queria ter força mental e emocional de se soltar daquele abraço, de mandá-lo embora de sua casa e terminar tudo, mas além de não ter, ela não queria fazer isso. Queria que ele ficasse, mas por vontade própria e não por interesse. Queria que aquele contrato acabasse e se tornasse algo real, algo que não dependia de termos e condições, que não tivesse um objetivo a alcançar diferente da felicidade do casal juntos de verdade, por amor e não por interesse. Ela queria que alguém gostasse dela sem ser por sua fama, por seu dinheiro ou por qualquer coisa que envolvesse , a cantora pop.
era boa demais para ser verdade, pensava, porque era uma boa pessoa, bonita e talentosa. Gostava dela, da amizade e da companhia, além de todos os benefícios que aquilo tinha lhe trazido, claro, porque tinha aprendido a gostar dos beijos dela, do sexo com ela e da forma como ela era tão iluminada. gostava muito disso, da forma como ela tinha chegado obrigada, mas escolheu ficar. Escolheu por não querer “deixá-lo na mão”, por acreditar nele, por não querer prejudicá-lo e nem manchar a imagem que ele tinha construído durante todos aqueles anos.
Ela chorou até dormir enquanto acariciava seus cabelos. Quando a respiração dela se tornou mais leve e ele percebeu que ela tinha finalmente dormido, permitiu-se dormir também.

🎤❤️⚽️
– E então, pensou na minha proposta? – perguntou a Ute, depois de voltar para Stuttgart.
– Vou ficar. – Ute deu um sorriso triste. – E quando você viajar, eu vou pra Stuttgart. Posso dirigir por duas horas e meia todos os dias para vir pra Munique.
– Então vamos tomar café, ainda precisamos ir à delegacia e até sua casa.
– E seus ensaios?
– Não precisam de mim hoje. – mentiu, dando de ombros, já tinha enviado uma mensagem para Leonard avisando que não apareceria por lá naquele dia, porque tinha coisas a resolver.
– E a vai encontrar com a gente lá?
– Ela deve estar quase chegando aqui. Vem, vamos tomar café. – deu um sorriso receptivo e as duas desceram até a cozinha para tomarem café, e o fizeram em silêncio até que tocou o interfone e foi autorizada a subir para o apartamento.
– Que cheiro delicioso. – falou entrando na cozinha e pegando um biscoito.
– Bom dia, morta de fome. – implicou e as duas se cumprimentaram com um meio abraço e um beijo no rosto.
– Bom dia. E eu vou tomar café, porque não comi ainda.
– Desculpa te fazer sair tão cedo de casa. – Ute pediu sem jeito.
– Não se desculpe, eu fiz de caso pensado, porque sabia que a capricharia no café. Ela sempre capricha. – falou dando uma piscada de olho e um sorriso de lado.
– Vou contar ao Jay que você está comendo pão.
– Conta, eu vou falar que comi na sua casa. – deu de ombros e mordeu o pão, começando a tomar o seu café da manhã. As três terminaram de comer e foram se sentar na sala para conversar. – Acho que devemos conversar sobre o que realmente importa.
– Por favor. – falou e Ute deu um suspiro.
me contou um pouco da briga, que foi motivada pelo vestido e que ele te ameaçou, certo? – perguntou e Ute assentiu. – Vamos à delegacia pra fazer o boletim de ocorrência e pedir uma medida protetiva e isso vai ser prova pra embasar o processo.
– Processo? Não. Não precisa disso.
– Se ele te ameaçou agora, ele pode repetir ou cumprir a ameaça. – foi quem se pronunciou e Ute a olhou em dúvida.
– Não apenas por isso, mas a lei mudou recentemente e todos os casos de violência doméstica ou sexual agora são mais rigorosamente punidas, então assim que registrarmos o boletim e solicitarmos a medida, a polícia é obrigada a comunicar à promotoria e o processo vai começar.
– Não sei se quero processá-lo.
– Isso não é bem uma prerrogativa, Ute. Quem decide é a promotoria, conforme análise do caso.
– Eu…
– Você não perde nada em se proteger, Ute. – deu um sorriso confortante para a mulher.
– Vamos até a delegacia, pedimos a medida, buscamos suas coisas e você confia que eu só vou fazer o melhor pra você, por favor. – falou séria e Ute assentiu, ainda desconfortável com a situação. – Podemos ir?
– Podemos. – Ute respondeu e as três saíram do prédio de e foram no carro de .

Seguiram até a delegacia, demorando mais do que gostariam, por causa do trânsito da manhã no centro da cidade, e quando saíram do carro, assumiu seu posto de advogada e de quem controlaria toda a situação dali pra frente, seu caminhar confiante e o “olhar de advogada”, segundo , estavam ali. E isso era um excelente sinal. As outras duas seguiam atrás dela, que caminhou até o primeiro policial que avistou.

– Bom dia. – disse educada e o homem respondeu com um mero aceno de cabeça. – Minha cliente veio registrar um boletim de ocorrência.
– E qual o motivo? – o policial perguntou quase entediado.
– Ameaça do namorado.
– E sua cliente tem língua ou você é quem fala por ela?
– Ela tem língua sim, inclusive é ela quem vai narrar os fatos, eu estou apenas fazendo uma introdução e sugiro que o senhor me respeite, porque eu estou te respeitando e não estou questionando o motivo de quem está na recepção estar me importunando por coisas que um policial vai resolver lá dentro. – ela falou séria e sem desviar o olhar ou aumentar o tom de voz. – E já que você tem tanto tempo para deboches, tem tempo de sobra para nos levar para redigir o boletim de ocorrência, já que eu não tenho tanto tempo de sobra quanto o senhor parece achar que eu tenho.
– Claro. – o homem disse sem muita vontade.
Ele ergueu-se de sua cadeira, apontou o caminho para que as três seguissem com ele, até chegarem à mesa de um policial, que foi muito mais educado e Ute, então, narrou os fatos, da mesma forma que fez com na noite anterior, explicando detalhadamente tudo que aconteceu.
– Agora nós precisamos fazer exame de corpo de delito. – o policial anunciou e Ute perdeu a cor.
– Você está bem? – perguntou baixo ao ver como a mulher tinha ficado.
– Não precisa fazer isso, não aconteceu nada além da discussão. – Ute falou para o policial, tentava disfarçar a expressão desesperada que tinha no rosto.
– É o procedimento padrão, senhorita. – o policial falou sério e se pôs de pé, deixando Ute à beira do desespero. – Por favor, me acompanhe.
– Quer que eu vá com você? – perguntou e Ute negou com um aceno de cabeça, os olhos brilhavam pelas lágrimas que ela segurava. Levantou-se e seguiu o policial até a área onde realizaria o tal exame. – Ela mentiu pra mim. E omitiu coisa pro boletim de ocorrência.
– E sabe que o exame vai entregar que houve agressão física. – falou e deu um suspiro pesaroso. – sabe?
– Eu não contei e nem ela, provavelmente, já que ele foi embora pra Stuttgart hoje de manhã.
– Por enquanto é bom que ele não saiba, porque pode acabar fazendo o que não deve e isso só vai trazer problemas.
– Temos que ir até a casa dela buscar umas roupas, ela não vai ficar lá sozinha. E depois ainda vai pra Stuttgart, quando eu viajar. E como ela estuda e trabalha, vou pedir dois seguranças para ficarem com ela, eles a levam e buscam na faculdade, no trabalho e de volta pra casa. Ou pra onde ela for. Só quero que esse imbecil fique longe dela.
– Eu estou preocupada com você. – falou séria, olhando nos olhos. – Eu te conheço o suficiente pra saber que isso está te afetando. E eu, como sua advogada, quero uma reunião com Leonard e você.
– Por quê?
– Porque é um contrato abusivo. Não dá pra considerar como um contrato, na verdade, não foi consensual, você foi apenas comunicada do que aconteceria.
– Leonard aceitou por mim. – deu de ombros.
, nós não vamos conversar sobre isso aqui, mas nós conversaremos. O nosso contrato de serviços deixa bem claro que tudo que te envolva deve chegar às minhas mãos para prévia análise, que resultará em um relatório que dará uma sugestão do que deve ser feito na situação analisada. E mesmo que você não queira falar com sua advogada, sua melhor amiga quer conversar com você sobre. – disse séria e nem ousou discutir, apenas ficou em silêncio e tentou evitar que os pensamentos da noite anterior voltassem.

Ute demorou a retornar e quando voltou, parecia ter chorado muito mais e que estava prestes a cair novamente no choro, notou. Claro que isso aconteceria, porque tinha omitido a informação de uma agressão física e agora precisariam – e iriam – incluir ao boletim, o que tornava as coisas mais difíceis e mais sérias do que Ute gostaria que fosse.
solicitou a medida protetiva e a medida restritiva, além de uma viatura para acompanhá-las na busca aos pertences de Ute e até a casa de , evitando que fossem seguidas. Ute não falava, apenas observava a forma como liderava tudo. O laudo oficial ficaria pronto em sete dias, mas os hematomas já tinham sido detectados e ela acabou confessando que ele tinha a agredido fisicamente.
E que não tinha sido a primeira vez.
O caminho até a casa em que Ute mora com a mãe foi feito em silêncio, a juntada de roupas e do que mais era necessário foi igualmente silencioso e o percurso até a casa de também. Nenhuma delas queria falar e parecia impossível falar sem que alguma coisa muito ruim acontecesse.
não subiu, apenas despediu-se das duas quando estas desceram do carro e se foi. avisou à portaria que Ute moraria com ela durante um tempo, a colocou na lista de nomes que não precisavam de autorização para subir, além de pegar outra chave do apartamento e as duas subiram caladas no elevador. Ute apertava as alças da mala que tinha em mãos e se segurava para não chorar.
Quando a porta se abriu e as duas seguiram até a entrada do apartamento e logo estavam na ampla sala, as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto e Ute soltou um soluço alto e involuntário, o suficiente para que a abraçasse da forma mais protetora que conseguiu.

– Coloca pra fora, não vai te fazer bem deixar guardado. – falou quase em um sussurro e acariciando os cabelos da cunhada, tentando dar a ela algum conforto.
Ute soluçava ruidosamente e chorava alto, um choro dolorido e que parecia interminável, pois quanto mais chorava mais queria chorar e mais parecia ter lágrimas pra por pra fora. já tinha estado na parte abraçada e sabia como ter apoio, compreensão e carinho eram importantes naquele momento.
As duas ficaram abraçadas por bastante tempo, Ute chorando e a consolando, enquanto sentia as lágrimas da cunhada molhando sua camisa.
– Ele me falou coisas tão horríveis, . – Ute falou depois de muito tempo, a voz trêmula e ainda chorando. – Coisas que eu não consigo nem repetir em voz alta pra você. Desculpa por não ter contado tudo.
– Você não precisa me pedir desculpas, Ute. Sei que é difícil e tudo bem não querer falar tudo pra mim, não é errado. Você sabe como e quando vai conseguir falar sobre isso, mas você não pode é ter medo de denunciar e contar para quem pode te ajudar. E falando nisso, acho que você devia contar pro .
vai matar o Höward. – Ute falou sofrida e as duas sentaram no sofá.
– Ele vai cogitar, mas não vamos deixar. Se fizer alguma coisa, vai prejudicar que Höward receba o que é devido. E ele não quer isso.
– Eu não sei como contar isso pra ele. – Ute voltou a chorar. – Ele vai me achar tão fraca.
– Seu irmão te ama e sabe o quanto você é forte. É necessária muita força pra fazer uma denúncia dessa, Ute. E pra sair de um relacionamento abusivo. Você é mais forte do que imagina. – disse e a abraçou de novo. – Não dá pra ser forte o tempo inteiro, mas você está sendo no momento certo e da forma certa.
– Você acha que ele vai achar isso mesmo? – Ute perguntou quase infantil e a soltou do abraço apenas para olhar diretamente em seus olhos.
– Eu tenho certeza. – sorriu tentando passar a verdade de suas palavras para Ute. – Vamos almoçar e depois vamos a Stuttgart, é melhor contar pessoalmente.
– Mas eu preciso trabalhar.
– Passamos lá e eu convenço seu chefe. Nem que eu tenha que cantar na festa de fim de ano de graça. – deu de ombros e se pôs de pé.
– Vou lavar o rosto primeiro. – Ute falou se levantando e abraçou agradecida. – Obrigada, . De verdade.
– Não precisa agradecer, eu faço isso de coração. Quer avisar que estamos indo?
– Acho melhor não. Ele vai ficar tenso e tenso é a última coisa que eu quero. – Ute disse, soltando do abraço e suspirou.
– Então vamos almoçar, ir até seu trabalho e depois, Stuttgart. – disse dando um sorriso e Ute foi lavar o rosto.

enviou uma mensagem a informando sobre a visita a e outra a Leonard, não garantindo a presença no ensaio pela manhã, mas não se preocupou com a resposta, sabia que ele faria um milhão de perguntas e começaria um interrogatório que ela não responderia. Ute não demorou a voltar até a sala e já estava pedindo comida pelo telefone, não queria perder tempo cozinhando.
Algumas fotos delas chegando escoltadas pela polícia foram tiradas, claro, e já circulavam pela internet, acompanhadas de especulações sobre o motivo. sabia que em breve aquelas imagens estariam em notícias que precisariam de muitas explicações, mas deixaria a cargo de Leonard e da assessoria jurídica para que resolvessem essa parte.
O chefe de Ute foi bem educado, a dispensou do dia de trabalho sem nenhum problema e então as duas seguiram para Stuttgart. O caminho foi feito nas duas horas e meia habituais, mas as duas conversavam e até arriscavam cantar o que tocava no rádio, não estavam acompanhadas daquele silêncio pesado e frio de horas antes, ainda que Ute estivesse triste e tensa.
Não sabiam se já estaria em casa, provavelmente ainda não teria voltado do treino, mas não teriam problemas para entrar na casa, já que tinha uma cópia da chave e as duas poderiam esperar dentro da casa, no conforto da sala e do aquecedor, e não no carro.
Petros as recebeu aos pulos quando abriu a porta da cozinha para que ele entrasse na casa e compartilhasse com elas do conforto da casa aquecida, porque o clima oscilava entre o frio e o nem-tão-frio-assim, então era melhor ficar num lugar aquecido e que não o deixaria doente.

– Ele cresceu tanto. – Ute resmungou quando Petros pulou em seu colo, como costumava fazer em Munique, mas era menor e mais leve naquela época.
fala que vou deixá-lo sem vergonha.
– Eu já comecei isso faz tempo. – Ute deu uma risadinha e fez carinho em Petros, que se aconchegou mais perto da mulher. – Sinto tanta falta de ter os dois por perto todos os dias, de morarmos juntos… Era tão bom quando vivíamos na mesma casa e nos víamos todos os dias.
– Logo ele volta pra lá, o Bayern vai perceber que fez coisa errada ao não renovar o contrato.
– Assim espero. – Ute deu um sorriso fraco e a porta da casa se abriu. Petros se levantou animado ao ver que era entrando na casa e começou a pular e latir comemorando a chegada do dono.
– O que v… ah, claro. – disse olhando para as duas sentadas no sofá, que direcionaram sorrisos ao vê-lo se aproximar, sendo acompanhado de perto pelo cachorro. – Vocês vão deixar meu cachorro mais sem vergonha do que já está. E não estarão aqui pra resolver isso.
– Se ele pudesse falar, aposto que ele nos escolheria. – Ute provocou.
rolou os olhos, deixando a mochila sobre a poltrona e se aproximou das duas, dando um selinho em . Petros refez o caminho para o sofá, esparramando-se sobre os colos de e de Ute e recebeu carinho das duas, fazendo rolar os olhos de novo.
– Invejoso. – provocou.
– A que devo a honra dessa visita?
– Vou fazer um chá e uns biscoitos pra gente. – falou, dando um olhar significativo para .
– Chá e biscoitos? – a olhou e assentiu levemente.
– Eu já volto. – falou antes de sair da sala, deixando os dois sozinhos.

Não era algo que ela deveria contar aquilo, era algo que deveria ser feito por Ute, assim como foi assunto dela com Davi quando aconteceu consigo há bons anos atrás.
Quando chegou à cozinha, seguida de perto pelo cachorro, abriu os armários e começou a procurar o que precisava para fazer um chá, se tinha biscoitos ou se seria necessário fazê-los. Cantarolava baixo alguma coisa que nem ela mesma sabia o que era, apenas para ignorar as vozes da sala e não se intrometer naquele assunto que não era dela, era um momento dos dois e ela não queria ouvir ou atrapalhar.
Os armários cheios mostravam que tinha feito compras recentemente e encontrar alguns biscoitos por lá não foi difícil, então colocou a água do chá para ferver, ajeito os biscoitos em um prato e pegou as canecas nos armários da cozinha. Petros estava deitado no canto, olhava para quase pedindo por um chamego.

– Você está ficando sem vergonha mesmo. – falou sorrindo e sentou à mesa, chamando o cachorro, que apoiou a cabeça no colo dela. – Espero que seu pai não fique muito transtornado com o que vai ouvir. Sei que ele vai ficar, mas que ele segure um pouco.

falou baixo e o cachorro soltou um ganido tão baixo quanto o tom de voz usado por ela, como se respondesse que esperava o mesmo, ela lhe afagou as orelhas e Petros fechou os olhos para aproveitar aquela carícia. A conversa na sala estava num tom baixo, provavelmente nem tinha entrado no assunto.
Quando os chás estavam prontos, foi até a sala, levando as canecas e os biscoitos em uma bandeja. e Ute conversavam, mas não o assunto que tinha levado as duas até ali, era perceptível, estavam calmos e até mesmo sorriam. colocou a bandeja na mesa de centro e entregou as canecas aos dois, pegou uma para si e sentou-se na poltrona.

– E então, eu vou ficar sabendo o real motivo dessa visita? – perguntou depois de comer um dos biscoitos e Ute tomou um gole grande do chá, sentindo a garganta queimar com o líquido quente.
– Vai. – falou baixo e mordeu o próprio lábio, ainda incerta.
– Você está grávida? – perguntou num misto de desconfiança e medo, fazendo as duas mulheres rirem do tom usado. – Espero que essa risada signifique que não tem gravidez.
– Não tem gravidez. – Ute garantiu e seu sorriso foi murchando.
– E algo me faz crer que eu preferiria que fosse uma gravidez do que o que está por vir. – falou analisando a feição da irmã.
– Höward e eu brigamos. E por isso que fui até a casa de ontem.
– O que ele fez? – perguntou com um tom mais alterado e Ute colocou a caneca sobre a mesa de centro.

Ela suspirou demoradamente antes de começar a contar a história e a cada palavra dita, era possível ver contraindo a mandíbula e a ruga entre as sobrancelhas se formar, além da expressão que se tornava mais agressiva enquanto a irmã contava a história.
Se estivessem em Munique, provavelmente nem tivesse terminado de ouvir, teria saído atrás de Höward e o socado até a morte.
Quando, finalmente, terminou de contar, ainda omitindo algumas das coisas ditas na briga que motivou aquilo tudo e nas anteriores, Ute chorava e continuava no mesmo lugar, se segurando para não chorar e atenta a todas as reações de , caso precisasse se colocar de pé e impedi-lo de sair dali e ir até Munique pra matar Höward.

– Fala alguma coisa. – Ute pediu num sussurro e suspirou, deixando a caneca na mesa de centro e abraçou a irmã, fazendo um carinho em seu cabelo e olhou desolado para .
– Eu amo você. – falou baixo para a irmã e soltou o abraço, apenas para olhá-la. Ute ainda chorava e ele limpou suas lágrimas e ergueu o rosto da irmã, para que ela o olhasse nos olhos. – E fico feliz de você ter procurado ajuda. Eu queria muito estourar a cara dele no soco, matá-lo se possível, mas não vou fazer. Você foi muito corajosa e forte por ter denunciado, é muito difícil ter essa força e eu te admiro muito, Ute. Muito.
– Eu agradeço se não socar a cara dele, vai te trazer problemas muito grandes e nenhum de nós quer isso. – Ute disse num tom choroso, mas dando um sorriso para o irmão que ainda a olhava consternado. – Vou ficar com até ela viajar e venho ficar com você depois.
– Ela não quer viajar comigo pela Europa. – disse fazendo drama e lhe direcionou um sorriso.
– A única pessoa que te suporta por horas sou eu, . – implicou.
– Há controvérsias. Leonard, por exemplo, me suporta porque eu pago o salário dele. E de todo mundo que convive comigo, basicamente. – disse dando um sorrisinho.
– Vamos pra Munique? – Ute perguntou e negou.
– Fiquem aqui, amanhã de manhã vocês voltam.
– Por mim, tudo bem. – deu de ombros. – A gente sai daqui antes das sete e chega tranquilo em Munique.
– Pode ser. – Ute deu de ombros.

Os três passaram o resto da tarde conversando sobre outras coisas e os dois, e , tentando fazer com que Ute se distraísse, até conseguiram que ela risse em alguns momentos com algumas histórias e conversas sem nenhum rumo ou assunto específico.
Procuraram desviar do assunto, ela precisava espairecer. Ute teria dias pesados em breve, precisava de um pouco de leveza e sorrisos, ainda que fosse bem difícil de se conseguir após vivenciar uma coisa como aquela. Não queria imaginar o que Höward faria ao receber a ordem de restrição e, futuramente, o processo.

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– Obrigado por cuidar dela, . – agradeceu saindo do banho.
estava sentada na cama, tinha as pernas esticadas, as mãos entrelaçadas sobre o colo, a cabeça encostada na parede, o olhar direcionado para o teto e a mente a quilômetros de distância, porque demorou um bom tempo para responder.
– Não precisa agradecer, faço de coração. Sei pelo que ela está passando, sei que ela precisa de todo apoio e cuidado possível e vou fazer isso por ela. Já solicitei segurança para acompanhá-la e ela vai ficar comigo até eu viajar. Se ela e sua mãe quiserem, posso levá-las comigo na turnê sem problemas. Qualquer coisa que ele tente, eu posto uma foto e conto a história, sem mencionar o nome dela, e ele está ferrado.
– Você chegou nesse ponto também? Com o Nicholas?
– Não. – negou com um aceno e voltou a olhar para o teto. – Se eu fizesse isso, acabaria com o relacionamento da e Ian e passaria o resto da minha vida sendo a cantora que teve um relacionamento problemático, abusada emocional, física e psicologicamente. Nunca me deixariam em paz com esses rótulos e palavras imbecis sobre tudo. Resolvi tudo sem justiça e sem polícia.
– Mas não seria melhor ter feito o mesmo? Porque ele continua te importunando e não te deixa em paz quando te vê.
– No começo era mais difícil e pior, porque eu gostava dele e sentia medo. E isso é o que alimenta esses idiotas, o nosso medo, mas agora eu sinto preguiça e consigo fingir que não estou ouvindo. – deu de ombros e olhou para . – E vá vestir uma roupa, está muito frio pra você ficar só de toalha.
– Ah, mas eu não pretendo ficar de roupa.
– Então dorme pelado aqui, vou dormir na sala.
– Eu estou brincando. – falou rindo e pegou a mão de , dando um beijo leve no dorso. – Vou vestir minha roupa e nós vamos dormir.
– Por favor. – ela falou e assentiu ainda rindo, levantou-se e foi buscar uma roupa para usar. Colocou apenas uma calça de moletom e voltou para a cama.

Quando voltou, já estava sob o edredom e encarava o teto fixamente e, novamente, com a mente totalmente distante. apagou a luz, deitou-se ao seu lado, mas não fez nada para que ela se deitasse mais perto e nem mesmo queria que ele fizesse, estava com os pensamentos vagando entre as lembranças da noite anterior, da conversa com na delegacia e dos acontecimentos do passado.
, agora, entendia as lágrimas dela na noite anterior, entendia porque ela disse que estava triste e queria chorar. Era uma dor conhecida e real. Além de nunca se esquecer do que tinha acontecido, ela fora lembrada de todas as sensações do momento.

– Posso te perguntar uma coisa? – perguntou, também encarando o teto, porque sabia que ela ainda estava acordada.
– Se eu puder não responder.
– Claro.
– Então pode.
– Na primeira vez que nós saímos, você disse que não se sentia confortável nessa situação, com o contrato, e eu fiquei pensando… esse contrato te faz sentir coagida? Como se fosse abusivo, imposto, porque não te perguntaram o que você queria, apenas te obrigaram a aceitar? Que, de alguma forma, você está sendo manipulada e usada?

suspirou, mas não falou nada. Eram perguntas complexas, as fez sabendo que a resposta talvez demorasse um pouco a ser elaborada, então esperaria. Mas ela não respondeu. E essa era a resposta que ele precisava.

Capítulo 23

– E como foi ontem? Como reagiu? – perguntou quando as duas saíram do elevador, caminhando para o interior do apartamento de , depois de passarem um bom tempo na academia.
– Se estivesse aqui em Munique, nem teria ouvido tudo, ia encontrar Höward para socá-lo até a morte, mas como estávamos em Stuttgart, ele ouviu tudo e foi super carinhoso com ela.
– Ainda bem. E como a mãe dela reagiu?
– Ute prefere contar pessoalmente e também achou melhor que seja quando ela voltar, porque ela não está em Memmingen a passeio e sim cuidando de uma irmã doente, é melhor não contar para deixá-la preocupada.
– O oficial deve ir hoje, no máximo amanhã, entregar a intimação das medidas.
– Tempos difíceis estão para começar.
– Estão, mas vou cuidar de tudo, principalmente dela.
– Eu pensei em indicar aquela psicóloga que eu frequentava.
– Você acha que ela vai querer?
– Talvez. – respondeu simplesmente e suspirou antes de tomar coragem para dar a a palavra para o assunto que queria tratar. – Pode falar.
– Eu tinha pensado mesmo em marcar uma reunião com você e Leonard, desde que você me contou a verdade, mas acabei pensando melhor sobre o que falei ontem e se esse contrato não chegou até mim através dos dois, não houve um contato profissional, então sua advogada não faz ideia da existência de nada.
– Não?
– Não. E eu não quero conversar como sua advogada, em todo caso, mas sim como sua melhor amiga que te conhece muito bem e sabe que por trás dessa pose de durona e de quem está bem, as coisas não estão assim tão tranquilas. Eu sei que você vai falar que o é uma boa pessoa, que nunca te fez mal e sempre te trata bem, posso ver isso, realmente é assim, mas é justamente por isso que esse “relacionamento” – fez aspas ao falar. – te faz mal.
– Não me faz mal.
– Vocês se dão bem, mas quando conseguir o que quer, você não vai servir pra mais nada e, por mais que não seja a intenção ser um filho da puta, esse contrato faz com que ele seja. E muito. Namorar alguém por puro interesse é a coisa mais filha da puta que alguém pode fazer na vida e ele escolheu ser uma dessas pessoas. Ele, Leonard e Hugo. Sei que você não vê problemas, ou finge não ver, mas não aceitou por sua conta, quando ficou sabendo, eles já tinham acertado tudo e você foi apenas comunicada.
– Ele me perguntou sobre isso ontem. – disse soltando um risinho, sem humor algum, pelo nariz. – Se eu achava que era abusivo.
– E o que você respondeu?
– Eu não respondi. E acho que isso bastou. Mas, em todo caso, eu aceitei, eles não me obrigariam a participar de uma coisa que eu não quisesse fazer parte, , você sabe disso.
– Vocês se comportam como um casal, por que não começam a namorar de verdade?
– É muito mais complexo que isso, .
– Não, não é. O mundo já acha que vocês namoram, só seria assumir para vocês mesmos que isso não é apenas uma amizade colorida.
– Pra termos um relacionamento não adianta que só eu goste dele, , preciso que ele também goste de mim do mesmo jeito. – respondeu e mordeu o lado interior da bochecha pela confissão. – E eu sei que sou apenas o meio para que ele chegue ao fim que quer e nada mais, que quando conseguir ou quando acabar o tempo, eu já não servirei de nada.
– Você acha que ele não gosta de você?
– Eu tenho certeza, ele ainda gosta da ex-mulher, o término é meio recente e tem toda uma história entre eles. Não voltam mais, ele mesmo disse isso, porque sabe que já deu o que tinha que dar, mas ainda sente alguma coisa. E eu não vou arriscar a amizade ao sugerir uma coisa dessas. Ele é um dos poucos que me trata como uma pessoa normal e sem fama.
– Não tanto assim, né? Já que ele está usando da sua fama pra voltar a ter a mídia que tinha. – falou, tentando não ser dura, mas a verdade era aquela e não tinha uma forma branda de ser dita.
– É.
– Há duas apenas opções: ou vocês começam um namoro real e param com essa idiotice de contrato e de fingir que não sentem nada um pelo outro de verdade ou terminam de vez. Pelo bem da sua saúde mental e emocional, . E eu falo isso como sua amiga, a que não está nem aí pra sua fama e que se importa muito com a vida da .
– A culpa é minha, . – suspirou. – Quem deixou um sentimento unilateral crescer fui eu.
– Toda vez que penso nessa história, eu sinto vontade de colocar minhas mãos no pescoço de Leonard e apertar até que ele morra sufocado, de forma lenta e dolorosa, mas resolvi seguir o caminho da civilidade e conversar com você
– Eu não quero ter que ir na cadeia te visitar, então não faça isso, por favor.
– Allie também não merece ficar viúva tão cedo assim. Inclusive, ela mesma já teria picado Leonard vivo se soubesse disso tudo.
– E ele não faz ideia que você sabe.
– Pois eu sei e ele deveria dar graças aos céus todos os dias por eu não ter dado um soco bem no meio daquela cara dele.
– Não se preocupe, eu vou ficar bem. Logo eu viajo, as coisas ficarão mais fáceis.
– Ou não.
– Por favor, colabore comigo.
– Eu não sou sua amiga falar o que você quer ouvir, , eu sou sua amiga para falar o que você precisa ouvir. – disse séria. – Você tem alguns dias para resolver essa situação, porque lá na frente será muito pior.
– Odeio que você sempre esteja certa e que saiba o que deve ser dito. – foi a vez de suspirar. – Obrigada.
– Não faço mais do que minha obrigação como sua amiga de te alertar sobre as coisas. Sei que você faria o mesmo por mim. – sorriu sincera e se pôs de pé. – Pensa bem em tudo e nós nos vemos amanhã.

deu um beijo demorado e carinhoso no rosto da amiga e saiu antes que pudesse levantar para levá-la até a porta. inclinou a cabeça para trás e encarou o teto, suspirando demorada e pesadamente. tinha razão, ela sabia, aquilo não podia durar mais tempo, pelo bem de sua sanidade mental e emocional.

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– O que você está fazendo aqui? – perguntou quando abriu a porta do apartamento.
– Oi , tudo bem? Eu estou ótimo, obrigado por perguntar. – falou debochado e rolou os olhos, dando espaço para que ele entrasse.
– Aconteceu alguma coisa?
– O médico do Stuttgart me mandou tratar a reta final no Bayern. – falou e ergueu as sobrancelhas. – O Ray mandou o relatório pra eles, disse que eles conhecem muito bem o meu histórico de lesões e o time aceitou; e segundo ele, vamos ficar sem nos ver por muito tempo, então temos que aproveitar o que nos resta. Fico até quando você viajar.
– Sei… – disse em um tom de quem não acreditava que a ideia tinha sido mesmo do médico.
– É sério, a ideia de vir pra cá não foi minha. Eu nem pensaria nisso, na verdade, porque estava tratando lá e estava tudo bem. – falou e deu de ombros como quem não se importava, mas o que passou pelos seus olhos foi algo diferente, só que ele não conseguiu identificar o que era exatamente. – Vai sair?
– Ensaio. Quer vir?
– Quero, não tenho nada pra fazer.
– Espera… se você está aqui, cadê suas coisas?
– Na casa da minha mãe. Vou ficar lá.
– Por quê?
– Eu não sabia se podia trazer meu cachorro pra cá, você tem sua vida e Ute está aqui.
– Pode. Tenho. E por isso mesmo você deveria vir pra cá.
– Não sei, apenas pensei nisso. – mentiu dando de ombros.
– Vamos pro ensaio e depois passamos na casa da sua mãe, buscamos suas coisas e você vem ficar aqui.
– Se você está dizendo… – voltou a dar de ombros e assentiu, pegando a chave no aparador e o olhou.
– Está tudo bem mesmo com você?
– Perfeitamente. E com você?
– Minha cabeça está doendo, estou começando a ficar nervosa pra turnê.
– Tomou remédio?
– Tomei. E três, porque se terei que aturar aquela mulher gritando por horas na minha cabeça e músicas atrás de músicas, eu vou aturar praticamente dopada.
– Vai ficar muito tempo?
– A tarde toda, até umas seis. E nós estamos atrasados. – falou e nem se deu ao trabalho de responder, apenas a acompanhou e os dois seguiram calados até o local do ensaio, depois de digitar uma mensagem para Bob, avisando que iria com , então ele não precisava ir junto, podia aproveitar algumas horas de folga.
O grande galpão estava cheio de gente, pessoas andando para todos os lados e logo avistou a coreógrafa, que analisava a performance de um grupo de dançarinas e corrigia o que quer que fosse, ele não fazia ideia do que se tratava. “Medizin” tocava em um alto-falante e estava em outro canto, conversava com alguém que não sabia quem era e logo sumiu, reaparecendo alguns minutos depois com outra roupa: um short de corrida preto e uma camiseta também preta.
– Mortícia. – sussurrou, dando um sorriso provocativo, e lhe mostrou o dedo do meio em resposta.

sentou-se em um banco, perto de um palco improvisado que fizeram para dar a noção do que seria nos shows de verdade. fez um aquecimento vocal demorado, observando a coreógrafa ajeitar alguns detalhes nas danças e logo se posicionou no centro do palco, em frente à base em que seu microfone estava, a música que tocava no alto-falante foi desligada e a coreógrafa bateu palmas atraindo atenção dos presentes, se virou para a banda, assentindo com a cabeça e começou a ensaiar “Wunderfinder”.
Ajustaram a sonoridade de duas músicas para as performances ao vivo, os movimentos e locais em que o palco ficaria mais vazio e livre para que pudesse se movimentar e ela assim o fez. Muito do que a mulher organizava, ignorava e era óbvio que ela não dançaria na turnê, ela gosta de cantar e de se divertir enquanto faz isso, sem coreografias engessadas.
cantou as músicas, não todas, repassou a sonoridade de algumas mais de uma vez e passou a tarde assim: tocando instrumentos, cantando, tomando litros de água, limpando o suor com uma toalha de rosto pendurada em seu ombro, movimentando-se e ouvindo instruções. Sempre atenta ao que diziam para que ela fizesse e onde deveria estar.

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– Precisamos de você. – ouviu a voz da coreógrafa e levantou os olhos da tela do celular e avistou a mulher parada à sua frente.
– De mim?
– Sim. – a mulher falou, puxando pelo braço e o colocou de pé. – Todos de volta pro palco. Já!
? – olhou sem entender e devolveu o olhar confuso.
– Skin. – a coreógrafa falou e rolou os olhos. – Não faça essa cara.
– Faço sim, já ensaiamos isso sem ele.
– Com ele vai ficar melhor. – a mulher falou sorrindo e colocou duas cadeiras no centro do palco, uma de frente para a outra e direcionou para a cadeira que estava de frente para a banda. – Você. Senta.
– Sim senhora. – respondeu, sentando-se na cadeira e se aproximou. – Performance sexy e destemida, princesa.
provocou e deu um sorrisinho para , que respirou fundo, de olhos fechados, concentrando-se para não xingar com o melhor palavrão que conseguisse imaginar.
– Você sabe que tenho fãs que são apenas crianças e que estarão nos meus shows. – argumentou e a mulher assentiu. – Então nem faz sentido performar isso assim.
– Foi você quem escreveu essa música e a colocou no álbum. Eu sou contratada apenas para coordenar as performances.
– Eles vão dançar. – ela apontou para os bailarinos, que tinham assumido suas posições no palco improvisado. – Eu não preciso fazer o mesmo. E nem vou.
– Don’t hold back, you know I like it rough, princesa. cantou um pedaço da música para provocá-la e o olhou brava.
– Você não vai fazer nada de excessivo, . Senta na cadeira de frente pra ele e canta. – a mulher disse, abanando a mão em pouco caso e bufou, antes de se sentar na cadeira à frente de . – Coloca o pé nele.
– É, eu bem queria, mas no meio da cara dele. – respondeu de má vontade, fazendo dar um sorriso na intenção de provocá-la. – Se eu fosse você, tirava esse sorrisinho da cara, porque eu vou te deixar totalmente sem graça se você continuar testando meu humor.
– Eu estou quieto, . – respondeu ainda sorrindo e abriu as pernas dele usando suas próprias para isso e colocou os pés na beirada da cadeira perigosamente perto. Para o bem e para o mal.
– The mood is set… – ela cantou fazendo um rouco na voz, como fazia no álbum e o “uh uh” das backvocals foi ouvido. – So, you alredy know what’s next, uh uh. TV on blast turn it down, turn it down… – ela movimentou seu pé pela coxa de e deu um sorriso cheio de segundas intenções enquanto cantava com o tom rouco que usava nessa música. – Don’t want it to clash when my body screamin’ out now… – cantava e olhava para com a cara mais sacana que podia, do jeito que ela sabia bem que ele gostava. – I know you hearin’ me, ooh, you got me moanin’ now.

cantou antes de morder o próprio lábio e levar o pé direito até a virilha de , que soltou um resmungo baixo, fazendo com que ela sorrisse sacana de novo.
desviou o olhar do dela e engoliu seco enquanto sentia deslizar seu pé de forma lenta por sua coxa, observava as bailarinas que dançavam às costas dela, sem prestar atenção à mulher que estava tão perto.
Inferno de mulher.
Sentada, deslizava a mão livre do microfone pelo próprio corpo, abriu as pernas e passou o indicador pelas próprias coxas, atraindo os olhos de , que acompanharam o movimento completo, antes de voltar a colocar o pé no local em que estava anteriormente.
Ele queria muito falar que ela já tinha vencido, que podia parar com aquilo, mas antes que pudesse e tivesse forças, tirou o pé da cadeira e se inclinou em sua direção, pegando sua mão direita e colocando em seu corpo, deslizando pelos seios, barriga e coxas, antes de refazer o caminho de forma lenta e demorada para que ele tocasse cada pedaço dela e ativasse as memórias que tinha daquilo.
Ah, ele pagaria caro por testar seu humor.
já estava começando a se sentir incomodado com a quantidade de roupas e espaço que os separava, e , notando, soltou sua mão, tirando de seu corpo e usou a própria mão para tocar o corpo de . Seus dedos desceram pelo pescoço e tórax, até tocarem a coxa, sem tirar os olhos dos dele e sem parar de cantar.
No heels, no shirt, no skirt, all I’m in is just skin. No jeans, take em’ off, wanna feel yo’ skin…
E então ela lhe tocou no lado interior da coxa, indo até a ereção que começava a ficar eminente e deslizou o indicador ali de forma lenta, antes de soltar uma risadinha e refazer todo o caminho, provocando o máximo que podia, enquanto rebolava, cantava e o encarava. Ele vivenciou o momento com a mandíbula travada e respirando o mais devagar que conseguia, afinal, não podia fazer nada além disso.
sentou-se no colo de , de frente para ele e, consequentemente, de frente para quem os assistia e se movimentou, rebolando. A mão livre no encosto da cadeira e o olhando intensamente.

– All in baby don’t hold nothin’ back. Wanna take control, ain’t nothin wrong with that, say you likin’ how I feel, gotta tell me that, just put your skin, baby, on my skin…

cantou com o tom mais provocativo que podia usar, olhando para e rebolou novamente, roçando nele com tanta vontade que precisou respirar fundo, enquanto sentia os movimentos provocativos de , e deixou que seus dedos afundassem em seus quadris, mas ela logo tirou as mãos dele dali enquanto cantava o final da música.
Quando a música acabou, tentava pensar em tudo que pudesse lhe tirar a vontade de transar com ali mesmo. Ela sabia bem como ele gostava, tinha usado do jeito mais cruel para provocá-lo, mas aquilo não era nem um porcento do que ela podia fazer. Ele sabia. E adorava.
tentava organizar os pensamentos, mas tê-la tão perto e em sua mente daquela forma, não ajudava em nada.

– Acho que devíamos ensaiar essa música de novo. – sugeriu e olhou provocativa para .
– Não acho que seja necessário. – ele respondeu num resmungo.
– Você não joga sem treinar, meine Liebe, eu também não posso me apresentar sem ensaiar. – falou com um tom inocente, dando um beijo em seu rosto, fazendo resmungar quando ela se levantou de seu colo.
– Esse ensaio vai ficar pra amanhã. – a coreógrafa falou e quis abraçá-la, mas não podia nem pensar em se levantar daquela cadeira sem entregar que ele era facilmente provocável.
E que toda aquela encenação tinha surtido os efeitos que a coreógrafa queria.
– Eu estarei em tratamento, vai ter que treinar sem mim, meine Liebe.
– Sem problemas, ninguém treina contra quem vai jogar. – respondeu e piscou para antes de dar um sorriso malicioso. – Então, vamos?
– Pode se trocar e nós vamos. – falou e a olhou quase suplicando que ela entendesse que, naquele momento, não era possível que ele se levantasse.
– Ah, eu vou assim mesmo. – ela deu de ombros, limpando o suor do pescoço e passando a toalha demoradamente por seu colo, atraindo o olhar de para a área. E isso não o ajudava muito a resolver o problema que tinha entre as pernas naquele momento.
– Tudo bem. – ele resmungou e suspirou derrotado.
– Você está suado. – falou antes de jogar a toalha nele, que secou a testa e respirou fundo antes de colocar a toalha presa à calça para tentar amenizar a situação.
– Nos vemos amanhã então, pessoal. – se despediu dando um sorriso carismático e foi até o local em que tinha largado a bolsa, sendo acompanhada de perto por e os dois saíram, caminhando calados até o carro.
– Preciso lembrar de nunca mais te provocar. – resmungou e deu uma gargalhada enquanto se ajeitava no banco do carona.
– Eu avisei.
– Avisou. – ele concordou, afivelando o cinto e deu partida no carro.
– Então, quando eu falar, você deve me ouvir. – falou se inclinando na direção de e passando a mão pela coxa dele.
– Se eu bater esse carro, espero que você avise aos seus fãs que a culpa foi toda sua. – ele resmungou enquanto sentia a mão de em seu corpo.
– Eu não fiz nada. – riu e tirou a mão, mas antes de se afastar, deu um beijo no pescoço de , que resmungou. – E não é como se você não soubesse que quando eu aviso, eu faço.
– É, eu sei disso faz um tempo. – voltou a resmungar.
– Preciso ir ao supermercado.
– Você trouxe blusa de frio ou precisa da minha?
– Trouxe. – ela falou e se virou, pegando a bolsa no banco traseiro para pegar o moletom, e vestiu enquanto dirigia até o supermercado.
– Essa música é interessante… – falou e o olhou.
– E você quer saber o motivo dela ter sido escrita.
– Quero.
– Vai ficar querendo. – ela deu de ombros.
– Acho que vou adotar a teoria de muitos e acreditar que é pra mim.
– Se for te fazer dormir tranquilo, pode achar que foi escrita por sua causa, sem problemas. – voltou a dar de ombros. – Mas eu a escrevi bem antes de você surgir na minha vida e de começar a frequentar a mesma cama que eu.
– Você era minha fã há muito tempo, então pode ter sido escrita pra mim… E como você não quer contar a história por trás dessa música, eu vou acreditar que é pra mim e você está com vergonha. – falou convencido e piscou, fazendo rolar os olhos.
– Você provavelmente tem alguma coisa do seu mapa em Leão.
– Hein?
– Nada, , deixa pra lá. – falou dando uma risadinha. – Mas essa música não é pra você.
– Então me conta pra quem é.
– Não é da sua conta.
– É pra mim, mas você está com vergonha de contar. Entendi. – deu uma risada provocativa.
– Não sei se você se lembra, mas a última coisa que eu tenho é vergonha de te contar coisas que envolvem desejos sexuais por e com você. – o olhou furtivamente, fazendo corar. – Essa é por outro, sinto muito.
– Hoje eu vi o quanto você se desgasta, você ganhou uma massagem. – falou, mudando de assunto, porque tinha se sentido um tanto incomodado com as palavras dela.
– Obrigada. – falou aliviada. – Esses últimos dias estão acabando comigo.
– Mas serão shows fantásticos e seus fãs vão adorar. – falou sincero enquanto entrava no estacionamento.
– Pega um carrinho pequeno, vou te esperar na sessão de limpeza.
, ergueu o capuz assim que saiu do carro e começou a caminhar o mais rápido que conseguia até entrar no supermercado, queria evitar o frio que fazia do lado de fora, mas também queria evitar ser vista. Ela foi para a sessão de limpeza e se ocupou de pegar um carrinho para as compras que ela tinha pedido, encontrando-a já com algumas coisas em mãos e assim que o viu, colocou tudo no carrinho.
– Pronto?
– Que nada. – ela franziu a testa. – Eu ainda preciso de uma porção de coisas pra esses últimos dias e pro meu jantar de despedida.
– Você vai fazer um jantar de despedida?
– Sempre faço quando vou sair em turnê.
– E quando você vai fazer?
– Antes de viajar pra Berlim. – deu de ombros. – Vou pra parte de legumes buscar o que preciso.
– Precisa de mais alguma coisa?
– Biscoito. – ela falou dando um sorriso infantil.
– Eu vou contar pro Jay.
– Se você contar, eu faço greve – piscou. – E leia os componentes, por favor.
– Contar o quê? – perguntou, fingindo desconhecer o assunto e piscou, antes de lhe dar as costas e sair.

seguiu até a seção em que encontraria os biscoitos que pediu e foi ler os ingredientes. Ela estava mesmo naquela de virar vegana e estava lendo tudo e todos os rótulos, procurando informações sobre as empresas fabricantes pra saber sobre testes em animais ou outros eventos cruéis.
E ele estava seguindo o mesmo caminho que , depois de ver todos os links e reportagens que ela tinha lhe mandado, além de documentários sobre o assunto, não conseguia nem mesmo pensar em consumir coisas que possuíssem componentes animais ou que realizasse testes nos pobres bichinhos.
tinha virado a vida de do avesso. Quando é que ele ia pensar numa coisa dessas sozinho?
O supermercado estava relativamente vazio, mas enquanto lia os rótulos dos biscoitos, ouviu algumas pessoas cochichando sobre estar ali fazendo compras e, aparentemente, sozinha. Era o preço da fama, ela nunca terá calma para comprar qualquer coisa sem ser reconhecida e com pessoas pedindo por fotos e autógrafos. Não que ela se incomodasse, muito pelo contrário, mas era zero privacidade.
pegou alguns biscoitos que sabia que gostava e que atendiam ao novo requisito de não terem componentes animais e com marcas que não faziam testes e nem tinham nada que as envolvesse em eventos cruéis contra os animais, seguiu até o local onde ela, perto das batatas, tirava fotos e dava autógrafos, sorridente e carismática com os fãs, como sempre. O pequeno grupo se afastou um tempo depois e ela voltou à tarefa de escolher as batatas.

– Posso comprar sorvete? – perguntou quase infantil e deu de ombros.

deixou o carrinho perto de e seguiu até a seção de congelados em busca do sorvete, que ele teve o cuidado de procurar por sorvetes veganos e, por sorte, encontrou três sabores diferentes. adorava sorvete, assim como , e era ótimo saber que poderia continuar tomando sorvete, só precisaria ler o rótulo.
Quando voltou até a bancada de legumes, depois de um bom tempo na seção de congelados, não estava mais por lá, mas antes que pudesse procurá-la em outros corredores do supermercado, ela apareceu arrastando o carrinho de compras e parecia apressada.

[N/A: Essa parte contém um possível gatilho. Caso você não se sinta confortável com um diálogo em que um homem é abusador, recomendo que não leia. Ao final, há um aviso falando sobre a possibilidade de retomar a leitura]

– Podemos ir? – pediu, tentando não parecer tão urgente, mas não deu certo.
– O que foi?
– Nada. – mentiu dando um sorriso fraco.
, não mente pra mim. – pediu, olhando-a nos olhos e ela vacilou por um momento, com os olhos cheios d’água.
– Höward está aqui. – soltou num sussurro quase inaudível.
– O que aconteceu?
– Ele está aqui e me viu. Falou que eu devo tomar conta da minha vida, porque não tenho nada a ver com o relacionamento dos outros. E falou da minha roupa, é claro. – disse tentando dar um tom debochado, mas não conseguiu enganar .
– Ele encostou em você? – perguntou sério e maneou a cabeça em negativa, mas foi traída pela lágrima que caiu.
não esperou que ela falasse alguma coisa, apenas seguiu pelo caminho que ela havia feito e encontrou Höward fazendo compras despreocupado, como se não tivesse acabado de fazer o que quer que tivesse feito.
– Que por… – ele começou a dizer quando o virou, segurando pela gola da camisa e o encarou nervoso.
– Se você se aproximar de Ute ou de de novo, vai passar o resto da sua vida no inferno e eu na cadeia, porque eu vou te matar.
– Estou morrendo de medo. – Höward disse debochado e se soltou, ajeitando a blusa no corpo antes de voltar a falar. – Isso é o que elas merecem, se vestem feito vagabundas, devem ser tratadas como as vagabundas que são.
Höward falou ainda debochado e lhe deu um soco, acertando em cheio seu olho direito. Ele caiu e olhou para , sem perder a pose debochada e deu um sorriso como se tivesse alcançado seu objetivo. Um pequeno talho se abriu abaixo do olho atingido.
– Não se aproxime delas, porque eu vou atrás de você. E você não vai gostar nem um pouco quando acontecer. – disse sério e Höward, ainda no chão, sustentou o sorrisinho debochado.
! – a voz de soou anunciando que, finalmente, tinha chegado até eles. – O que aconteceu?
– Seu namorado está nervosinho, vocês não devem estar transando direito, provavelmente porque você deve estar por aí dando pra outros enquanto anda vestida feito uma vagabunda. – debochou e lhe deu um chute na barriga, fazendo Höward se contrair, mas sem perder a expressão debochada.
! Para. Não vale a pena. – pediu e tentou puxá-lo pelo braço para que parasse com aquilo. – Vamos embora daqui. Agora.
– Espero que você se lembre bem do meu aviso. – falou sério e os dois saíram de perto, deixando Höward caído no meio do corredor.
e não se falaram enquanto seguiam até o caixa para pagarem pelas compras e depois até o carro; mas quando chegaram lá, chorou, em silêncio, olhando pela janela enquanto dirigia até a casa da mãe para buscar as próprias coisas.
Ele foi direto para a cozinha e abriu a porta que dava acesso ao quintal, Petros entrou preguiçosamente e se abaixou para lhe fazer um carinho.

[N/A: A leitura pode prosseguir a partir daqui.]

– Tem uma pessoa na sala que precisa de você. – falou e indicou o caminho, que Petros fez tão preguiçoso quanto entrou na cozinha, mas logo estava no sofá, com a cabeça no colo de . foi buscar as coisas que tinha deixado no antigo quarto e quando desceu, encontrou os dois do mesmo jeito. – Podemos?
– Claro. – deu um sorriso sem mostrar os dentes e se pôs de pé.

pegou a coleira e colocou no cachorro antes de saírem rumo ao prédio, caminho este feito totalmente em silêncio, mas com no banco de trás agora, com o cachorro deitado e lhe fazendo companhia enquanto dirigia pelo curto trajeto.
Petros adorou o novo espaço, andou por todo apartamento e escolheu dormir no tapete do quarto de , claro. E ela adorou a ideia de tê-lo por perto pelos últimos dias em casa.

– Vou tomar um banho, pede alguma coisa pra gente comer?
– Você não ia fazer alguma coisa?
– Perdi a vontade e estou cansada. – respondeu num tom cansado.
– Então vamos descer, vou te apresentar meus dotes culinários.
– Claro… – falou debochada.
– É sério. E é melhor, porque a gente come, depois você toma um banho, eu te faço uma boa massagem e você dorme tranquila e relaxada.
– Boa ideia.
– Então vamos descer, vocês podem me fazer companhia enquanto eu cozinho.
– Desço daqui a pouco. – falou, sentando-se no chão para brincar com o cachorro e soube que não deveria esperar, porque ela não desceria tão cedo.

🎤❤️⚽️
– Oh Love, love, love… Es gibt tausend gute Gründe hier zu bleiben, Ich werd’ noch 1000 Liebeslieder für dich schreiben… estava cantando enquanto picava os tomates em pedaços pequenos, mas totalmente desiguais.

Já tinha colocado o macarrão para cozinhar e agora se preocuparia com o molho que tinha aprendido a fazer em sua viagem para a Sardenha, quando ainda estava casado com Natascha e tinham ido até lá. Ele tinha aprendido apenas duas coisas: texturas de molhos que combinavam com cada tipo de massa e aquele único molho, mesmo que nas aulas que fizeram eles tivessem ensinado pelo menos cinco tipos diferentes.
não tinha dado sinais de que desceria tão cedo e sabia que ela precisava de um tempo para si, principalmente depois do ocorrido no supermercado. Então ele aproveitou aquele tempo para separar os ingredientes para o seu macarrão. A única coisa que ele sabia realmente cozinhar, porque fora isso, não fritava nem um ovo.
Certo, ele não fritaria ovos nunca mais em toda sua vida, mas ele não sabia fazer absolutamente nada além daquele macarrão com um simples molho de tomate.
Assim que terminou de picar os tomates, já tendo as cebolas picadas e o alho triturado, manjericão separado e ele mexeu a massa, provando um pouco e percebendo que ainda não estava no ponto certo. Voltou a cantar a mesma parte da música de Mark Forster, enquanto pensava se precisava de algo além do que já estava sobre a bancada.

– Mark vai adorar saber que você está cantando uma música dele. – falou, fazendo se virar na direção da porta e a encontrou entrando por lá e sentando-se num dos bancos que ficavam perto da ilha.
– Ele é bom.
– Vou contar isso pra ele, pode deixar. – deu um sorriso pequeno e espiou o que estava sobre a bancada. – Macarrão?
– É a única coisa que eu sei fazer. E fica gostoso, eu juro. – respondeu, voltando a provar do macarrão, desligando a panela em seguida e colocando a massa no escorredor.
– Torço por isso.
respondeu, tirando o celular do bolso e respondendo algumas mensagens, além de curtir fotos no Instagram e soltar tweets aleatórios enquanto começava a preparar o molho do macarrão.
– Ute disse que não vem pra cá hoje e que vai dormir na casa de uma tal de Michie. Você conhece? – interrompeu o silêncio e se virou para olhá-la.
– Michelle. É uma amiga de infância. – deu de ombros.
– Que bom que ela foi ver uma amiga. Ela precisa de gente assim por perto nesse momento, porque é necessário. – falou num tom aliviado, ainda que demonstrasse preocupação. – Você sabe onde ela mora? Podemos buscá-la, se ela quiser.
– Sei, mas elas são melhores amigas, Ute não vai querer voltar hoje. Pode ficar tranquila.
– Eu sei… mas eu falei com ela que se ela quiser vir embora, nós vamos buscá-la e não importa a hora. – falou, fazendo dar uma risada pelo nariz e assentir, voltando sua atenção para a panela a sua frente.

Natascha e Ute até se deram bem durante os quase quatro anos que conviveram como cunhadas, mas não eram amigas de conversar da forma como Ute e tinham se tornado, querendo saber detalhes do dia uma da outra, dando risadas e tudo mais. Sabia que se ainda estivesse casado, Natascha não negaria abrigo à irmã, mas não teriam tanta intimidade e afinidade quanto as duas vinham demonstrando.
Talvez fosse pela proximidade nas idades, mas para era ótimo ver que sua irmã tinha uma amiga com quem podia contar num momento como aquele.

– Espero que você goste. – falou, quando finalmente terminou, e se pôs de pé num pulo, indo até o fogão e olhou para a panela com bastante atenção.
Parecia comestível. E estava muito cheiroso.
Com um prato em mãos, serviu-se de macarrão e voltou a sentar-se onde estava, acompanhada de que se sentou à sua frente.
E estava delicioso.
– Você tinha razão, está ótimo.
– Eu sei. – sorriu convencido. – Foi a única coisa que aprendi a cozinhar quando fui a um curso de culinária lá na Itália. Na Sardenha.
– Aposto que eles ensinaram coisas realmente boas por lá.
– Ensinaram, mas não falavam num idioma que eu compreendia. – fez uma careta, franzindo o nariz, e deu uma risada. – Já é uma vitória que eu tenha conseguido aprender isso.
– Eu te daria algumas aulas se tivéssemos esse tempo hábil.
– Natascha tentou, mas eu sou uma negação na cozinha.
– Esse macarrão ficou ótimo. De verdade.
– Seus ex-namorados sabiam cozinhar alguma coisa?
– Ricky era realmente ótimo na cozinha, sabia fazer muitas coisas e ficavam deliciosas, eu adorava quando ele cozinhava pra mim. André não era ruim, mas não era tão bom. – deu de ombros e voltou a comer.
Terminaram a refeição em silêncio, ainda que quisesse muito falar, não o fez. estava quieta e ele não queria importuná-la, então não perguntaria mais nada e nem falaria coisas que não eram interessantes apenas para preencher o silêncio que não era incômodo.
– Eu não esqueci da massagem prometida. – falou, dando um sorriso pedinte quando ficou de pé para deixar o prato na pia.
– Pode tomar seu banho, sua massagem estará te esperando. Vou lavar tudo aqui e já subo.
– Tudo bem. – respondeu e saiu da cozinha, deixando sozinho por lá.

Depois de lavar tudo que tinha sujado, subiu para o quarto dela e encontrou Petros deitado num amontoado de cobertores, como se fosse o dono do lugar. Os olhos fechados e a respiração lenta entregavam que seu sono estava realmente bom e confortável.
Quando saiu do banheiro, enrolada em uma toalha e trazendo consigo o vapor quente do chuveiro recém desligado, Petros abriu os olhos e soltou um ganido mimado para que ela se virasse para ele.

– Você está confortável, meu amor?
– Fala pra sua mãe que você está ficando mimado por causa dela.
– Já que eu sou a mãe, meu filho não vai dormir no chão.
. Não. Sério. Por favor. Ele vai voltar pra Stuttgart pior do que já está, mais sem vergonha e folgado do que você já o deixou. – falou desesperado e riu da reação exagerada.
Petros estava se ajeitando entre as cobertas, voltando a dormir como estava antes e estendeu um frasco para .
– Melhor óleo de massagem do mundo.
– E será usado pelo melhor massagista do mundo. – falou convencido, fazendo rolar os olhos antes de se deitar de bruços na cama. Usava uma calcinha pequena cor-de-rosa de bolinhas pretas, apenas. – Hoje você resolveu testar todos os meus limites?
– Já testei e sei que você não aguenta ir muito longe. – respondeu debochada e reprimiu a vontade de rir. E a de concordar. – Mas hoje eu só quero massagem nas costas.
– Tudo bem. – respondeu um tanto frustrado e despejou uma boa quantidade do óleo em suas costas antes de começar a massageá-la.

Ela soltava resmungos esporádicos conforme massageava suas costas e logo sua respiração ficou mais lenta, ela parou de emitir sons e teve certeza de que ela tinha dormido. Não podia deixar que ela dormisse sem roupa, seria um atestado de óbito garantido, então foi até o closet e pegou um moletom e com muito custo conseguiu colocar o conjunto de moletom nela e a colocou sob o edredom da cama, foi ao banheiro, tomou um banho, escovou os dentes e assim que ele se deitou, ela se aconchegou em seu abraço e lhe deu um beijo no pescoço.

– Você é o melhor e eu tenho muita sorte de você ser meu namorado. – ela soprou as palavras num resmungo sonolento e voltou a dormir.

Nota da Autora: Oi!
Espero que vocês estejam gostando, do mesmo jeito que eu gosto dos meus filhinhos tão bonitinhos que juram de pé junto que são e serão apenas amigos pra sempre e nada além disso. Coitados, burros e iludidos.
Aqui tem o grupo do Facebook e aqui o do WhatsApp.
Vocês podem me seguir no Twitter (mas eu só surto por futebol, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais).
Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar.

Capítulo 24

– Estou impressionado, jamais achei que você namoraria alguém publicamente. Não de novo. Apesar de que a Natascha nem foi tão publicamente, porque a maioria das pessoas só tomou conhecimento da existência dela agora. – Thomas Müller implicou e rolou os olhos ao ouvir aquilo. Os dois entraram no carro de Thomas, que dava carona a naquele dia. – E eu também não achava que sua namorada seria tão famosa que fazem manchetes dela aparecendo na janela.
– Acontece. – deu de ombros.
– Meu bebezinho cresceu. – Müller o abraçou com força e lhe deu um beijo demorado no rosto.
– Sou mais velho que você. E tira essa boca nojenta da minha cara. – respondeu quase enojado e empurrou o amigo sem muita força, mas fez Thomas rir escandalosamente.
– E quando ela viaja?
– O show de abertura é hoje, depois de amanhã ela vai pra Berlim, faz outros oito shows na Alemanha. Ou nove, não sei. E aí viaja pra… França, eu acho. Ou Bélgica. Ou Suíça, não sei.
– Bastian me mandou umas mensagens te zoando esses dias. Com umas fotos que ela postou em stories e no feed do Instagram, já que você nunca posta nada da sua vida na internet.
– Tipo você. – retrucou e os dois entraram no carro, saindo do centro de treinamento.
– Tipo eu. – Müller sorriu concordando.
– E o que o imbecil do Bastian andou falando a meu respeito?
– Que você fica muito fofinho quando está apaixonado. – Müller implicou e quase falou “eu não estou apaixonado”, mas pensou antes que se entregasse. Apenas suspirou e o amigo tomou isso como uma confissão. – E vai sentir muita falta dela.
– Absolutamente.
– Um ano?
– Ela volta pra passar o Natal. – deu de ombros. – E vamos passar a virada do ano juntos nos Estados Unidos.
– Vocês se conheceram muito antes de acabar seu casamento?
– Eu já tinha ouvido falar dela, claro, Ute é uma fã antiga, mas não a conhecia pessoalmente. Um tempo depois que Natascha e eu nos separamos, Hugo me disse que queria que eu conhecesse uma pessoa e era a . Ele e o empresário da são amigos há muito tempo, então meio que intermediaram nosso primeiro encontro, fomos apresentados, conversamos e viramos um casal um tempo depois. – contou e Thomas lhe lançou um olhar rápido.
– E você gosta dela?
– Claro que eu gosto. – disse como se fosse óbvio. – Somos namorados.
– Mais ou menos do que gostava da Natascha?
– Pergunta difícil.
– Então é menos. – Thomas respondeu dando uma risadinha. – Porque se fosse do mesmo jeito ou mais, a sua resposta não teria sido essa.
– Eu me casei com a Natascha com pouco tempo de namoro, isso diz muita coisa.
– E se casaria com a por agora?
– Não estamos nesse momento. A gente se gosta, mas não é o suficiente pra casar. Não agora.
E nem nunca, pensou.
– É muito cedo pra casar.
– Falou o cara que casou aos vinte anos. – falou debochado e Thomas deu um sorriso.
– Lisa e eu nascemos um para o outro, nos casamos no tempo certo. Já vocês dois têm que namorar bastante primeiro. Bom, quando ela voltar. – Thomas disse rindo e riu junto. – Está entregue, .
– Obrigado, Müller. – agradeceu e os dois trocaram um abraço antes do zagueiro descer do carro. – Você vai hoje?
– Sem chances, você é o único aqui que tem passe livre pra shows. Amanhã tenho que chegar tão cedo ao treino que provavelmente serei eu o encarregado de fazer o sol nascer.
– Idiota. – deu uma risada, recebendo um flash de um dos fotógrafos que estavam perto do prédio.
Thomas buzinou em despedida e logo estava entrando no prédio e subindo para o apartamento de .
Ele passaria algumas horas dormindo ou jogando videogame, Ute chegaria, eles se arrumariam e iriam ao show de abertura da turnê.

🎤❤️⚽️
– Você foi incrível! – disse quando saiu do palco ao final do show. Ainda era possível ouvir a plateia a ovacionar.

Ele a abraçou demoradamente e o beijou, sem cerimônias e vergonha, afinal precisavam passar a imagem de um casal unido e feliz, só um “você foi incrível” depois do show de abertura da nova turnê não ajudaria a passar aquela imagem de verdade, mas também queria beijá-lo desde que tinha colocado os olhos nele antes do show. analisava tudo em silêncio e tinha vontade de torcer o pescoço de Leonard.

– Obrigada. – agradeceu quando se separaram e limpou o batom que tinha deixado na boca dele.
– Seu show foi incrível, ! – Ute foi a próxima a abraçá-la, ritual que foi seguido por , Ian, os pais e irmão de .
– Ainda bem que vocês gostaram.
– Você é a melhor, mäuschen! – o pai a abraçou demoradamente, a apertando como fazia quando ela era apenas uma criança.
– Aprendi com vocês. – sorriu. – Agora eu vou atender alguns fãs, me trocar e tirar essa maquiagem. Eu estou exausta.
– Vamos te esperar no estacionamento. – falou.
assentiu, saindo de perto do grupo de pessoas, depois de dar nele um selinho, e seguiu para o camarim em que atenderia alguns fãs e depois cumpriria o ritual de saída de show: trocar de roupa e tirar a maquiagem. Por toda parte tinha gente andando e conversando.
– Você vai pra Berlim? – perguntou e negou com um aceno.
– Vou ao de Stuttgart, Nuremberg e Frankfurt. São os mais próximos, não posso viajar tanto, infelizmente. Vocês vão a todos?
– Na Alemanha, sim. – Davi foi quem se pronunciou. – Acho que Zurique e Paris também, pelo menos eu, talvez Bruxelas, mas não sei. Meus pais devem ir a todos os shows na Europa.
– E são quantos?
– Muitos, uns oitenta pelo continente. – Leonard respondeu e arregalou os olhos. – De outubro ao meio de março, se não me engano. Em algumas cidades os ingressos esgotaram rápido demais e tivemos que marcar shows extras.
– Ela não vai fazer shows por uns dez dias e depois vai fazer o show da virada na Times Square. – disse e Leonard assentiu.
– Teremos dias corridos, mas foi ela quem montou a agenda.
– Sei. – falou desconfiada. – E eu marquei uma reunião com você amanhã.
– Amanhã vamos pra Berlim de manhã, teremos que reagendar essa reunião, . – Leonard respondeu e assentiu.
– Ela vai viajar muito dessa vez. – Mia falou preocupada.
– Como sempre. – Davi deu de ombros.
– Ela vai fazer cinquenta shows só nos Estados Unidos, sem contar o show da virada de ano. – falou séria. – É muita coisa.
– Não são apenas cinquenta. Tem show em todos os Estados, mas em alguns são 2 ou 3 shows.
– Cuide bem da minha filha, Leonard. – Thomas disse sério e Leonard assentiu.
– Esse é o melhor álbum que ela já lançou, as performances foram fantásticas e tenho certeza que só vai melhorar. – Ute falou usando o tom de fã orgulhosa.
– Eu também acho. – Davi concordou, orgulhoso ao falar da irmã. – Ela se superou, apesar de eu achar que vai se desgastar muito nessa turnê.
– Isso porque ela nem queria dançar. – deu uma risadinha ao falar.
Não era como se tivesse feito várias danças, mas dançou bem mais do que tinha dito que faria.
alcançou algo que poucos artistas europeus, se não forem do Reino Unido, conseguem e o que um alemão jamais conseguiu. – Ian se pronunciou e todos concordaram. – Ela é um fenômeno.

O assunto continuou enquanto caminhavam rumo ao estacionamento da arena onde esperariam por , que apareceu quase meia hora depois, já sem maquiagem, usando uma roupa mais confortável e visivelmente cansada após quase duas horas cantando e até mesmo dançando. Despediu-se dos pais e dos amigos e seguiu com e Ute até seu apartamento.
O trajeto foi feito em silêncio, estava quase dormindo no banco do carona, e permaneceram em silêncio durante a subida no elevador e na chegada ao apartamento, quando se separaram: Ute ficou no primeiro andar e o casal subiu para o quarto de , que chegou indo direto tomar um bom banho e logo estava deitada na própria cama.

– Eu estou sentindo muito frio, mas também estou com preguiça de levantar pra pegar uma blusa de frio. – resmungou e deu um sorriso antes de tirar a própria blusa de frio e entregar a ela.
– Que horas você sai amanhã?
– Nove.
– Malas prontas? – perguntou e ela franziu o rosto numa careta.
– Mais ou menos. – falou e maneou a cabeça na direção da mala que estava aberta no chão. Algumas roupas ainda estavam sobre a poltrona ao lado.
– Vou te ajudar nessa.
– Detesto fazer mala.
– Ninguém gosta, eu acho. – deu de ombros enquanto vestia o moletom.
– Você tem um cheiro muito gostoso.
– Eu sei. – disse convencido. – Vai dormir.
– Não precisa fazer minha mala, . O que tem aí é suficiente.
– Você vai fazer outros oito shows só na Alemanha, . E vai precisar de mais roupas do que tem aqui. – falou, abaixando-se para começar a colocar as roupas na mala de forma organizada. escorregou pela cama e foi até a mala dele, pegando outro moletom, um cinza claro, e o jogou em sua própria mala. – Essa não te pertence.
– Eu sei, mas vou levar. E esse aqui também.
– Você pretende me deixar pelado em pleno outono alemão? – perguntou num tom divertido.
– Acho que vou levar um boné seu também. Gosto daquele preto, vou fazer uns shows com ele.
– Você está ficando folgada.
– Eu mereço.
– Merece, mas eu preciso de roupas pra usar também.
– Prefiro quando você fica sem. – falou dando de ombros e deu uma risada, colocando peças de roupa dela na mala.
– Vai dormir, . Você está cansada e vai acordar cedo.
– Eu sei, mas não quero que você faça minha mala pra mim.
– Já era. – respondeu terminando de colocar as roupas que estavam por perto na mala e se pôs de pé, indo ao closet, buscar mais algumas peças.
– Não precisa de mais do que isso, o Leo sempre se encarrega de enviar mais roupas depois que saímos do país. – falou e não respondeu, e ainda demorou um pouco até voltar com três blusas simples em mãos, um casaco grosso e uma calça jeans escura, além de um par de tênis brancos.
– Leva, não custa nada. – deu de ombros, voltando a se abaixar para arrumar a mala de .
– Eu vou viajar amanhã, vamos passar muitos dias separados e você tá mais preocupado em fazer minha mala do que sexo?
– Sim, porque te vejo na semana que vem. – deu de ombros, terminando de colocar as roupas, pegou o boné preto e uma touca cinza, colocou na mala de e a fechou em seguida.
– A última vez que nós nos veremos antes de dezembro é em Stuttgart? – ela perguntou e assentiu, voltando a ficar de pé e a levantou sem esforço algum.
– E aí só nas festas de fim de ano. Será que você volta a tempo de ir ao jantar do time?
– Farei o possível.
– Você foi fantástica hoje. De verdade. – sorriu orgulhoso. – Impecável. Uma apresentação maravilhosa de todas as músicas. Foi lindo.
– Obrigada.
– Agora, cama.
– Cama. – concordou e virou-se, dando dois passos até chegar à cama e se deitou ao seu lado, depois de apagar a luz.
Quando se deitou, se aproximou e ele a abraçou, entrelaçando as pernas e a beijou demorada e lentamente. Nenhum deles tinha pressa de que aquele beijo acabasse; nenhum deles queria falar, apesar de saberem que era necessário que as coisas fossem resolvidas, essa conversa demandaria um tempo que, naquele momento, nenhum dos dois queria perder.
É um assunto delicado e não resolvível em poucos minutos e com poucas palavras, ao contrário do que acharam anteriormente. não sabe como iniciar aquela conversa, não sabe exatamente o que quer dizer, se continuariam com aquele contrato ou não. Definitivamente não era um assunto que devesse ser tratado prestes a dormirem. O tempo deve ser usado para outras coisas, como se beijar, por exemplo.

🎤❤️⚽️
– Ute vai? – perguntou quase ultrajado.
– Vai! – respondeu animada.
– E o processo?
– Quando tiver audiência, nos avisa.
– E minha mãe vai ficar sozinha?
– Ela ainda fica mais uns dias em Memmingen e depois vai pra Stuttgart te mimar um pouquinho.
– E ela já sabe? – ele perguntou enquanto terminava de se vestir.
Ouviu um “uhum” em resposta e circulava pelo quarto certificando-se de pegar tudo que precisava. estava deitado, Petros estava no tapete e observava a movimentação de com um olhar preguiçoso.
– Eu vou sentir sua falta. – disse e pensou em responder, mas percebeu que ela falava com o cachorro, já que tinha se abaixado e o abraçava desajeitadamente. – Avisa ao seu pai pra me mandar fotos suas todos os dias.
– O pai dele está avisado. – disse num tom bem-humorado. – Agora vem cá se despedir dele.
– Não dá tempo. Semana que vem a gente se despede de verdade.
– Anda logo, . – falou num tom preguiçoso e ela se pôs de pé, indo até a poltrona e vestindo o moletom vermelho dele que estava ali.
Leonard já tinha ligado três vezes.
– Não posso fazer nada além de te dar um beijo. – ela disse com a voz abafada pelo moletom que estava vestindo.
– Já é melhor que o nada que você está me dando agora. – respondeu num tom divertido e ela se aproximou, após vestir o moletom.
– Nos vemos em sete dias. – disse dando um sorriso antes de se debruçar sobre ele e beijá-lo.
– Bons shows, se cuida e avise quando chegar em Berlim. – falou quando pararam de se beijar e se sentou na beirada da cama, passando uma das mãos pelo rosto dele fazendo carinho.
– Cuida bem da minha casa.
– Deixo as chaves com ?
– Se quiser ficar com elas, tudo bem. – deu de ombros. – Mas caso não queira, deixe com . Meus pais vão comigo.
– Queria poder ir também.
– E eu queria que você fosse, mas você tem que jogar.
– Leonard está ligando de novo. – falou e maneou a cabeça em direção ao telefone que mostrava uma foto de Leonard em uma chamada.
– Nem acredito que vou passar um ano com esse insuportável na minha cola o dia todo e todo dia. – ela resmungou.
– Como se você não estivesse acostumada.
– Mas não significa que eu queira passar todo esse tempo com ele. Era muito melhor quando Leonard e eu éramos apenas amigos. – suspirou e ficou de pé. – Nós nos vemos em alguns dias.
– Aguardo ansiosamente. – ele lhe deu um beijo no dorso da mão e ela saiu do quarto, depois de um carinho rápido em Petros.

estava a caminho de Berlim, onde faria dois shows, depois viajaria para Hamburgo, de lá seguiria para Nuremberg, Frankfurt, Dortmund, Colônia e Stuttgart, antes de partir para Bruxelas, depois Zurique e continuar pela Europa.
encarou o cachorro, que voltava preguiçosamente para a cama que tinha sido improvisada para ele durante todos aqueles dias. precisava ir para o Bayern, o tratamento estava terminando e em dois dias ele voltaria para Stuttgart, à rotina de treinos e para sua vida.
Para a vida que tinha antes de .
Uma vida que ele mal lembrava como era.
Ainda precisava pensar em como conversariam sobre tudo aquilo entre eles, porque as coisas estavam ficando intensas demais e não parecia saudável que continuassem daquele jeito entre eles e a última coisa que queria era fazer sofrer.
Não sabia como nomear o que sentia por . Sabia que não era amor – não para terem um relacionamento de verdade – como ele tinha sentido por Natascha, mas era alguma coisa mais forte do que sentia por um simples amigo. cogitava a ideia de ser apenas amizade, mas o fato desta ter sido colorida, podia parecer outra coisa que não era. Ele tinha certeza absoluta que não gostava de daquele jeito.
Levantou-se da cama e foi para o banheiro, tomou banho e já pensava no que faria quando retornasse pro apartamento, agora eram apenas ele e Petros, como costumava ser em Stuttgart. Saiu do banho e se vestiu, indo até a cozinha para comer alguma coisa antes de sair.
Quando terminou de comer e lavar o que tinha sujado, pegou o que precisava levar para a fisioterapia e saiu do apartamento sem muita demora. O celular tocou quando chegou ao lado exterior do prédio, um número desconhecido.
Incerto, ele atendeu ao chamado.

– Alô.
? É a .
– Oi . – disse simpático, abrindo a porta do próprio carro e entrando no veículo. – Aconteceu alguma coisa?
– Preciso que você venha ao meu escritório hoje. A disse que você está tratando no Bayern, pode ser quando acabar o dia lá. É perto, inclusive.
– Claro. Mas aconteceu alguma coisa?
– Preciso conversar sobre algumas coisas. Sobre Ute, sobre o processo e tudo que vai acontecer.
– Claro, eu vou sim. Devo sair de lá umas três e meia, me manda o endereço pelo WhatsApp e eu vou.
– Então te espero aqui, tenha um bom dia. falou e desligou.
apenas dirigiu para o clube, tentando não se preocupar tanto com o que ouviria.

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– Oi, boa t…
– Boa tarde, senhor , a senhora Hoff-Schöllze está esperando pelo senhor na sala dela. – a secretária o interrompeu e apontou para a porta. – Seja muito bem-vindo.
– Obrigado. – ele falou e seguiu até a porta indicada.
Quando a abriu, encontrou ao telefone, não parecia muito feliz com o que ouvia, mas o tom de voz era baixo e calmo, fosse o que fosse, ela não se exaltaria. Com um sinal de mão, ela indicou que ele se sentasse em uma das cadeiras à sua frente e ele assim o fez. A ligação não se estendeu muito e logo estava disponível para conversar sobre o que ela queria.
– Olá. – deu um sorriso simpático, mudando totalmente a feição e o humor que tinha durante a ligação.
– Oi . Tudo bem?
– Em total e perfeita ordem. – ela sorriu. – E com você?
– Também.
– Eu te liguei, porque precisamos conversar sobre algumas coisas. A primeira delas é sobre um soco que você deu em Höward no supermercado.
– Ele fez um boletim de ocorrência?
– Não, mas você sabe que isso vai te trazer problemas, certo?
– Sei.
– Ele não foi denunciar, provavelmente vai guardar para a fase de instrução, vai dizer que foi agredido e toda aquela ladainha que esse tipo de gente gosta de falar pra se fazer de vítima.
– E como você ficou sabendo disso?
me contou. – disse num tom despreocupado e deu de ombros, olhando para . – Não sei por qual motivo milagroso ninguém viu e nem como essa filmagem não saiu na imprensa.
– Ela te contou por que eu bati nele?
– Sim. E por isso você está aqui. Você será testemunha no processo da sua irmã e no de , e como eu tenho certeza que ele vai falar do soco, provavelmente você vai acabar se tornando parte também. já sabe, apesar de não ter gostado da ideia de um processo, ela não discute quando eu sou “, a advogada”. Então, precisamos conversar sobre o que vai acontecer, vou gravar seu depoimento, anexar ao processo e…
– E quando é o julgamento?
– Eu ainda não recebi nada sobre e não sei quando seremos intimados, essas coisas demoram, a investigação foi encaminhada para o Ministério Público, e como a vítima foi até eles acompanhada de um advogado, eu também recebo uma intimação para a audiência quando o Ministério Público oferecer a denúncia. E isso eu posso agilizar, conheço gente lá. E, bom, é um nome que faz certos milagres. É um pouco complicado, mas em resumo, teremos uma audiência com o Ministério Público e Höward. A audiência preliminar, em que ele vai apresentar a defesa e o juiz vai decidir se vai ou não ter processo. Vocês não vão, só eu e o promotor.
– E por que não teria?
– Depende se eles acharão se possuí ou não relevância, mas como é dentro da lei de violência doméstica e da nova lei contra violência sexual, vão aceitar com certeza. Eu pedi segredo de justiça, pelas pessoas envolvidas e pelo tipo de ação, e ainda bem que eu sou muito boa no que faço, sem querer me gabar, porque eles adorariam todos os holofotes que isso atrairá, mas se vazarem alguma coisa sobre o caso, as duas terão direito a uma indenização astronômica.
– Höward pode ser um problema?
– Eles sempre são. Ele deve procurar um advogado em breve, se já não tiver feito isso. O julgamento não será longo, estão todas vivas e não é um crime que exige uma investigação demorada, as provas já estão com o Ministério Público e isso ajuda muito. Seu clube vai te liberar quando for solicitado, você vem pra audiência, pegamos os depoimentos lá também e não apenas por gravação para anexo ao juiz. E durante o procedimento, você só precisa confiar em mim, eu sei o que estou fazendo. E o Ministério Público também.
– Tudo bem.
– Agora, vamos até a sala de reuniões, preciso gravar uma espécie de entrevista com você, vai facilitar muita coisa na nossa vida no dia da audiência preliminar e na outra também. Vamos falar sobre o relacionamento de Ute e Höward, do seu relacionamento com ele, da sua percepção de como eram as coisas… E também precisarei fazer isso com sua mãe e alguns amigos da sua irmã. Já gravei com e Ute.
– E ela vai ao julgamento?
– Vem, porque também é parte. Devo receber um comunicado sobre as datas quando o Ministério Público denunciar e vou tentar garantir que isso seja o mais rápido possível, mas creio que o julgamento não deve demorar, a fama da abre as portas no Judiciário também.
– Tudo bem.

Os dois saíram da sala e seguiram pelo corredor até outra sala ampla, com uma mesa grande onde uma câmera estava instalada em um pequeno tripé sobre a mesa. sentou de frente para a câmera, ajustou o aparelho antes de começarem a conversar e gravar tudo que era dito.
Durante quarenta e cinco minutos os dois falaram sobre Ute e Höward, como começou o namoro e como era esse relacionamento. Falaram também sobre o relacionamento de Höward com a família , o de com Ute e as percepções dele sobre todo o relacionamento da irmã que tinha durado tanto tempo.
Foi uma conversa franca e até se sentia mais leve por ter falado tudo o que sempre manteve guardado, ainda que tivesse que medir as palavras pra não falar algo num tom errado, mas tinha sido sincero em todas as suas palavras e sentia-se aliviado por, finalmente, externar tudo aquilo. Também falaram sobre o episódio do supermercado, contou o que motivou o soco, repetindo as exatas palavras que tinha falado a Höward, que estava registrado na gravação do supermercado.

– Estou liberado? – perguntou quando a câmera foi desligada e negou com um aceno.
– Ainda preciso conversar com você sobre uma coisa.
– Pode falar.
– Eu sei que é um contrato.
– Eles te contaram?
– Leonard não faz ideia que eu sei, mas me contou, como melhor amiga e não como cliente. Eu dei a ela minha opinião como melhor amiga e um parecer breve como advogada. Hoje quero fazer o mesmo com você. Ainda que não sejamos amigos e você não seja meu cliente.
– Tudo bem. – disse incerto e se ajeitou na cadeira.
– Não acho que seja um contrato, porque ela apenas foi informada do que aconteceria, nenhum de vocês quis saber se ela estava realmente de acordo com aquilo. diz que não vê problemas, porque vocês se dão bem e não faz mal, mas faz. E muito. é uma mulher fenomenal, . Ela sofreu muito por causa do Nicholas, eu sei que você sabe da história, e eu não quero ver minha amiga sofrendo por sua causa, o que era pra ser apenas aparências, fotos em redes sociais e aparições falsas se tornou isso que vocês dois têm, envolveu famílias e amigos, passou do nível de contrato e se tornou uma bola de neve. Você não precisa disso para jogar na seleção e nem pra voltar pro Bayern. Jonas Hector joga no Colônia, Leno e Brandt são do Leverkusen, Timo Werner é do Leipzig… Pra voltar pra seleção e pro Bayern, você tem que jogar futebol e não há fama de que mude isso, muito menos que te leve pro topo do mundo de novo. Pensa bem se você é esse tipo de cara, um lixo interesseiro, pensa muito se você é igual ao Nicholas, que vai brincar com os sentimentos dela sem se importar com nada além da fama que ela tem e o que de bom isso pode e vai te trazer. – falou séria e assentiu.

Tinha sete dias para decidir as palavras que usaria para dar fim àquilo tudo, porque era necessário. E urgente.

Capítulo 25

Um facho de luz foi o responsável pelo despertar indesejado. resmungou baixinho quando a luz que passava pela fresta da cortina o atingiu em cheio no rosto, mas não se mexeu. E também não podia, se o fizesse acordaria , que o envolvia com um dos braços e respirava diretamente em sua nuca. Ela tinha feito show em Stuttgart na noite anterior e os dois estavam na casa dele.
Apenas os dois.
não quis nem mesmo comer na noite anterior, apenas chegou e se enfiou sob os edredons da cama de e dormiu, o que fazia com que ele agradecesse aos céus e a todas as divindades existentes, afinal, quanto menos as coisas entre eles avançassem, melhor.
tinha ido apenas aos shows em Munique e Stuttgart, os treinamentos e jogos não permitiram que ele ficasse afastado da cidade, então aquela era a primeira vez que e se viam em vinte dias e ainda naquele dia, embarcaria para Zurique. Provavelmente ficariam sem se ver até o julgamento, se fosse marcado para antes das festas de fim de ano, já que estava recuperado e o treinador tinha deixado claro que ele é o titular absoluto e estava em turnê.
Desde a ida ao escritório de , vinha pensando em tudo, mas ainda não sabia definir com exatidão o que sentia por , sabia que não era nada relacionado a estar apaixonado, nem de longe se assemelhava ao que sentira por Natascha desde o começo. imaginava que tudo só tinha se tornado aquela confusão por terem colorido a amizade, se tivessem mantido o script, não estariam com os pés e as mãos enfiados na lama.
As coisas tinham saído do plano original, mas nada entre os dois parecia gostar de seguir roteiros, essa era apenas mais um desvio de rota a acrescentar nessa lista.
E apesar de saber e sentir que é necessário conversar e impor limites – dessa vez de verdade! – no que quer que seja isso que estão fazendo, não quer se precipitar e acabar falando as palavras erradas e afastar , ainda que o contrato tivesse dias contados e que, porventura, pudesse acabar nessa conversa, ele queria que ainda fossem amigos. Queria ficar perto de . Ela era uma companhia que valia a pena.
– Em que você está pensando? – resmungou em seu ouvido e se sobressaltou.
– Nada. – mentiu.
– Podia pensar em fechar a cortina, por favor. – falou com a voz ainda era rouca de quem tinha acabado de acordar, e sabia que se virasse, ela estaria com os olhos fechados e se preparando para voltar a dormir.
– Então me solta que eu vou. – respondeu num tom baixo e ela afrouxou o abraço.
Levantou-se e fechou a cortina, escurecendo o quarto completamente e ouviu soltar um resmungo satisfeito.
– Volta logo, tá frio. – o resmungo pidão de soou irresistível e soltou uma risada pelo nariz antes de ir até a cama e se deitar, dessa vez de frente para ela, que tratou de agarrá-lo sob os edredons e se aninhar de forma confortável. – Quentinho.
– Eu sou bem quente, você sabe.
– E caladinho também. – respondeu e apenas a abraçou mais apertado, esperando também ser conduzido para o mesmo sono que ela tinha retomado.

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O insistente e estridente do celular de foi o responsável por acordar o casal e aquela quantidade de toques denunciava que Leonard era o responsável pela chamada. E o aparelho nem estava perto da cama, obrigando a se levantar para procurá-lo pelo cômodo escuro.
Demorou alguns segundos que, devido ao toque alto e insistente, pareceram bem mais demorados do que realmente foram. sentou-se no chão, encostando as costas na cama, de olhos fechados e atendeu a chamada.

– O que você quer tão cedo? – perguntou cansada.
– Cedo? São duas horas da tarde! – Leonard respondeu exasperado.
– Para de gritar e fala logo o que você quer, eu preciso dormir mais.
– Não ouse dormir mais. Estou passando aí em quinze minutos pra te buscar. Temos que voar pra Zurique, você tem um programa de TV hoje à noite por lá.
– Espero que você traga alguma coisa pra eu comer, acordar me deu fome.
– Levo o que você quiser, só esteja pronta pra embarcarmos.
– Eu quero comida, sei lá alguma coisa de comer que não seja pizza ou fastfood, por favor. E nada de origem animal. – falou e desligou, soltando um resmungo sentido.
– Já precisa ir? – perguntou com a voz rouca de sono, ouvindo um “uhum” em resposta.
– Nos vemos em Zurique? – perguntou ainda com a voz de sono, levantando-se do chão e o encarou.
– Acho que não vou a mais nenhum show, , o Hannes disse que sou o homem de confiança, titular absoluto no time. – falou em um tom sentido por não poder acompanhá-la, mas deu um sorriso largo, aproximando-se e o abraçou desajeitadamente.
– Fico muito feliz por ouvir isso, porque mostra que você está fazendo tudo certo e que estão reconhecendo seu trabalho. Você jogou bem no seu último jogo, isso ajuda o treinador a te querer em campo sempre. – falou, ainda ostentando o sorriso orgulhoso.
– Então você viu?
– Só os lances numa reprise, não consegui assistir no horário, mas gostei do que vi. – respondeu sorrindo. – E eu preciso trocar de roupa. Leonard realmente vai passar aqui em quinze minutos.

ficou de pé, ainda resmungando por não poder dormir mais e tratou de tirar a calça de moletom que usava, confortável, mas a última coisa que usaria num aeroporto onde sempre seria possível encontrar alguém esperando ansioso para clicá-la e alimentar a sede dos que ansiavam por escrever alguma matéria maldosa. A pele se eriçou com a perda da peça e ela logo procurou pela calça jeans que tinha levado. Vestiu a calça e calçou um tênis, iria com o moletom dele e pouparia o próprio corpo do frio que sentiria se o tirasse.
Prendeu o cabelo num rabo de cavalo firme, usava os óculos de grau e colocava as últimas coisas na mochila que tinha levado consigo para a casa de . Petros também estava no quarto com os dois, tinha a cabeça no colo dela e o olhar parecia triste, como se soubesse que estavam se despedindo e que passariam muito tempo sem se ver. Talvez nunca mais se vissem, na verdade.
Buzina.
Leonard tinha mesmo chegado nos quinze minutos prometidos e devia estar uma fera por ter dormido por tanto tempo sem dar notícias. Ela resmungou derrotada e abraçou Petros, lhe dando um beijo na cabeça e afagando o cachorro com carinho.

– Vou sentir sua falta, fofinho. Cuida bem do seu pai e faça ele cuidar bem de você também. E me mandar fotos suas todos os dias. – falou chorosa e o cachorro soltou um ganido triste, passando o focinho pelo rosto de e ganhando outro abraço.
Buzina.
Ela se colocou de pé e estendeu a mão para , que a acompanhou.
– Boa viagem, . – a abraçou, antes de saírem da casa. Buzina. – Você vai fazer shows maravilhosos, eu sei disso. Seus fãs te amam, sua música é maravilhosa e você é fantástica. Dê notícias, por favor. E poste muitas fotos.
– E me mande muitas fotos do Petros, vou sentir falta dele. – ela disse num tom infantil e deu uma risada, assentindo positivamente. Buzina. – Obrigada, . Vou tentar assistir aos seus jogos, mas não posso prometer. Seja o homem de confiança do treinador e o titular indispensável e absoluto do time. E se cuide. Ah, e mande notícias também, vou sentir sua falta.
– Agora vem cá. – falou e deu um sorriso de lado antes de juntar os lábios aos de num beijo de despedida.
Sabia que não devia fazer aquilo, mas não conteve a vontade de beijá-la. Buzina. Os braços de estavam ao redor do pescoço de , que tinha seus próprios braços envoltos na cintura dela, mantendo-a próxima de si, querendo prolongar aquele momento e não ter que deixa-la partir. Buzina. soltou um resmungo ainda beijando e se afastou, pesarosa, lhe dando um selinho demorado em despedida.
– Cuide-se. – falou antes de dar outro selinho demorado em , reprimindo a vontade de falar “Nós precisamos conversar”.
Não era o momento.
– Nós precisamos conversar, você sabe, mas não dá tempo de fazer isso agora e eu nem sei se quero mesmo fazer isso, mas precisamos. – falou e assentiu, dando um sorriso fechado.
– Boa viagem, . E avisa quando chegar em Zurique. – falou, dando um último selinho em seus lábios.

abriu a porta, encontrando um Leonard impaciente esperando do lado de fora do carro com a porta aberta. Caminhou até o grande carro e se virou pela última vez para ver parado à porta e acompanhado de Petros, enquanto ela entrava no carro e logo estavam em movimento, rumando para o aeroporto.

– Você demorou. – Leonard reclamou e ela rolou os olhos, abrindo a sacola de um restaurante vegetariano e observou a comida. – Não tem nada com carne, ovo ou leite.
– Eu fui me despedir do Petros e demorei mais do que gostaria. – justificou dando de ombros e começando a comer.
– Achei que seu namorado chamava . – Mia falou inocente.
– Ele chama , mãe. O cachorro dele que chama Petros.
– Ahhh… – a mulher falou, fazendo cair na risada.
– Cadê meu pai?
– Voltou pra Munique. Ele tem coisas a resolver do trabalho.
– Ele voltou a trabalhar? – perguntou surpresa.
– Nenhum ser humano que trabalhou a vida inteira consegue ficar em casa sem fazer nada, . Seu pai não ficou nem um ano sem trabalhar, na verdade.
– E no que ele tem trabalhado?
– No de sempre, filha. – Mia riu como se fosse óbvio. – Ele está trabalhando na cardiologia do Isarklinikum, mas só segunda, quarta e sexta. Nas terças, quintas e sábado, ele atende num hospital comunitário que fica em Untermenzing.
– Ele atravessa a cidade três vezes na semana? – perguntou surpresa e a mãe confirmou com um aceno.
– O que ele recebe no hospital, usa pra comprar remédios e equipamentos pra clínica. Está muito feliz e animado com o trabalho por lá.
– Eu fico muito feliz por isso. – sorriu.
Sabia o quanto o pai amava ser médico e ele nunca fizera questão de esconder isso de ninguém. Ainda que fosse a r