Deutsch Surprises

Deutsch Surprises

Sinopse: Ela foi à Alemanha a trabalho. Ele veio ao Brasil pela copa. Ela era uma editora de livros. Ele, um jogador de futebol. Ela não o reconheceu. Ele não fez questão de contar. Ele se encantou após poucas horas ao seu lado. Ela o achou interessante. Um jogo, uma amiga, a verdade. Será que se encontrarão novamente?
A história se refere à Copa do Mundo de 2014, os jogadores são fixos com exceção dos personagens principais.
Gênero: Comédia e Romance
Classificação: 14
Restrição: Todos os jogadores são fixos com exceção dos principais.
Beta: Sharpay

Capítulos:

Capítulo 1 – Business or Pleasure

Nunca em sua vida tinha se sentido tão bem em uma segunda-feira. O clima em Munique estava fresco e ela havia deixado a janela do carro aberta, aproveitando aquela sensação dos raios de sol em seu rosto. A sensação de dever cumprido dominava todo o seu corpo e de sua mente e ela mal via a hora de voltar para casa e, quem sabe, receber a tão sonhada promoção na editora em que trabalhava.
Claro que a mudança para um cargo mais alto dependia também da resposta oficial da editora alemã, mas confiava no seu potencial e sabia que tinha desempenhado seu trabalho com sucesso.
– Senhorita, chegamos. – O taxista informou ao estacionar no aeroporto Franz Josef Strauss.
– Oh, muito obrigada! – Agradeceu, voltando a realidade.
Entregou a ele o dinheiro da corrida, avisando que ele podia ficar com o troco. Agradeceu novamente quando ele fez questão de tirar a bagagem dela do carro, mesmo sendo apenas uma mala pequena de rodinhas. Guardou os óculos de sol na bolsa e a ajeitou na mala para que puxasse um peso só. Desbloqueou o celular, conferindo em seu e-mail a passagem e então tomou um susto. Seu voo havia sido adiantado e ela estava prestes a perdê-lo.
Entrou andando o mais rápido que conseguia sem chamar a atenção e agradeceu aos céus quando encontrou um totem de autoatendimento da companhia aérea. tinha plena consciência de que já estavam fazendo a primeira chamada para embarque e rapidamente digitou o identificador da passagem na tela do totem, a passagem apareceu na tela sem demora, o único problema era que o nome dela estava errado, ou melhor, o sobrenome dela não era aquele.
Como estava viajando a trabalho, todas as reservas tanto de passagens como de hotel eram feitas pelo setor responsável da empresa. No entanto, alguém não havia prestado atenção o suficiente e agora ela sentia um leve desespero por medo de perder o voo ou até mesmo em ter que pagar uma nova passagem ou uma nova diária se tivesse que ficar na cidade até o dia seguinte.
– Estou enrolada! – Reclamou voltando a puxar a mala em direção a fila para o atendimento pessoal.
A fila não estava muito longa e ela se permitiu criar esperanças de ainda ter tempo de consertar o erro da empresa, de dar tudo certo. Enquanto esperava as duas pessoas em sua frente serem atendidas, tentou ligar para a própria empresa, mas só quando não foi atendida é que lembrou que a empresa havia sido dedetizada e que não abriria pela manhã. Respirou fundo quando chegou a sua vez.
– Bom dia, em que posso ajudá-la? – A atendente era simpática, e sentiu que talvez pudesse convencê-la de que ela era a dona da passagem.
– Bom dia, eu queria fazer o check-in para o voo que sai para o Rio de Janeiro em dez minutos ou menos. – Fez uma cara derrotada. Era praticamente impossível conseguir estar dentro do avião em 10 minutos.
– O voo das 15 horas?
– Isso.
– Me dê um documento, por favor. – Entregou o passaporte que estava separado. – Você sabe o localizador? – Mostrou o telefone desbloqueado para que ela visse o e-mail que a empresa havia enviado.
– Sim, mas acho que a empresa cadastrou meu nome errado. – Suspirou. – Eu sou Ferrara e com esse código aparece Ferreira, veja. – Apontou pra tela dela, tamanho era o seu desespero.
– Precisarei ver com meu superior, pois não podemos ter certeza de que essa passagem é realmente sua. – Apenas assentiu, afinal era exatamente o que ela esperava que acontecesse.
A vontade dela era conseguir falar na empresa, era obrigação deles resolver a bagunça. No entanto, tudo o que ela poderia fazer era esperar e torcer para o melhor.

balançava a perna direita sem parar, estava ansioso para sair logo de Munique. Na verdade, estava ansioso para chegar logo ao Brasil, mesmo com plena consciência de que o voo demoraria cerca de catorze horas.
Conferiu novamente o relógio de pulso, pelo horário o avião já deveria ter decolado. Sabia que pequenos atrasos sempre aconteciam por vários motivos diferentes, só queria saber quanto tempo ainda demoraria, visto que os bagageiros já estavam fechados. Olhou para os lados discretamente e constatou que nenhum outro passageiro parecia ter a pressa que ele tinha.
Fechou os olhos e imaginou o que os amigos da seleção estariam fazendo. Provavelmente, curtindo uma praia, aproveitando tranquilamente as horas vagas antes dos treinos finais e do início da Copa do Mundo.
Uma movimentação na frente do avião chamou a atenção de e ele mudou do assento da janela para o do corredor para tentar ver o que era. Uma mulher bastante ofegante procurava o seu lugar enquanto explicava alguma coisa para uma das comissárias. O lugar dela era cinco fileiras à frente do dele. Não a conhecia, mas julgou que fosse alguém importante para segurar a decolagem de um voo, ou tinha sido uma coincidência e tanto.
Sorriu aliviado assim que o avião começou a se mover. Seria uma longa viagem, mas ele estaria, enfim, no Brasil. Tentou se concentrar em algo, mas não podia negar que era muito estranho viajar sozinho. As viagens dos últimos dois anos tinham sido todas com os companheiros de time, e agora ele estava num voo comum de classe econômica, escondido por óculos escuros, boné e uma blusa de frio, sentado sozinho na fileira L.
Depois de uma hora e quarenta e cinco minutos, pousaram em Paris, a única escala do voo. Alguns passageiros saíram e logo outros entraram. Aproveitou o tempo em solo para tirar o celular do modo avião. tinha mandado print de uma matéria publicada num jornal alemão dizendo que ele não tinha viajado com a seleção por causa de uma virose com risco de contaminação aos outros jogadores e que por isso iria depois.
Era uma desculpa ridícula que tinha inventado, mas quem era ele para negar? Parecia mais fácil assim. Recolocou o aparelho em modo avião, colocou os fones de ouvido e escolheu uma playlist. Já estavam voando novamente e pouco tempo depois acabou cochilando.

Se tinha dúvidas sobre ser mãe um dia, a experiência com esse voo a fazia ter certeza de que crianças dão muito trabalho! Ela sentia que o dia tinha tido um início promissor, mas desde que descera no aeroporto era como se ele estivesse do avesso e esse sentimento se intensificava a cada minuto que passava sentada ao lado de uma criança. Um garoto que não parava quieto um segundo. A mãe dele, juntamente com uma garotinha, aparentemente mais nova que o menino, estavam sentadas na mesma fila, porém do outro lado do corredor.
O incômodo era tanto que começou a se questionar se realmente gostava de crianças e quando começou a planejar formas de dar sonífero ao garoto sem que a mãe dele visse, percebeu que tinha atingido o limite de sua paciência. Para não fazer nada estúpido, levantou e foi ao banheiro, caminhando com a maior paciência do mundo.
Respirou fundo ao trancar a porta e sorriu. Nunca tinha dado tanto valor ao silêncio quanto naquele momento. Nada de conversas, cantorias ou gritinhos. Lavou o rosto demoradamente, se secou e ao sair, aproveitou para pedir uma água para a comissária de bordo, que prontamente a entregou um copo. Bebeu tudo ali, enrolando ao máximo para voltar ao assento. E então ela voltou e o ditado “nada é tão ruim que não possa piorar” ocupou sua mente no mesmo instante.
O garotinho inquieto havia derramado o seu suco de caixinha em todo o assento de e agora ele estava inutilizado. A fim de evitar mais dor de cabeça, optou por deixar a bagagem onde estava e foi procurar um outro local para se sentar. O lugar mais próximo estava algumas fileiras atrás, uma poltrona ao lado da janela. Mas havia um homem no assento do lado e era impossível que ela se sentasse sem o incomodar.
sentiu algo o cutucando e ao abrir os olhos percebeu que havia cochilado por algum tempo. Viu uma mulher parada no corredor o encarando. A mulher que havia, na cabeça dele, atrasado o voo. E agora, a vendo de perto, ele percebeu que ela era muito bonita e que a beleza e os traços dela não eram de uma alemã.
– Er… Me desculpe, mas será que eu poderia me sentar ao seu lado. – Basitan a encarou mais um pouco e considerou a hipótese de ele não falar inglês.
Que ele era europeu estava óbvio para ela, se fosse para chutar, diria que ele era alemão. Estava prestes a repetir a pergunta em outra língua quando respondeu.
– Claro, prefere a janela ou o corredor? – Sorriu simpático.
– A janela mesmo. – Ele se levantou e deu passagem.
passou rapidamente pelos lugares, sentou-se e colocou o cinto e não percebeu quando fez um sinal com a cabeça para a comissária que apareceu com uma expressão de desespero. A equipe tinha sido instruída para que o lugar ao lado do jogador ficasse vazio durante todo o trajeto e eles não tinham impedido a aproximação dela. Mas ele não tinha a intenção de fazer nenhuma reclamação à companhia aérea, pois, para sua total surpresa ela não fazia a menor ideia de quem ele era.
recolocou o próprio cinto e não a encarava mais, mas no fundo tinha a sensação de que ele estava incomodado com alguma coisa. Só esperava que não fosse com a presença dela ali.
– Desculpe ocupar o seu lugar vazio. – olhou na direção dele, tinha adorado o sotaque dele e queria ouvir mais. – O garoto que estava sentado ao meu lado molhou todo o assento com um suco de caixinha.
– Já disse, sem problemas. – Deu um breve sorriso e o silêncio novamente se instalou entre eles. Para , a olhava intrigado, mas ela preferiu esperar que ele falasse algo.
– Você deve ser bem importante. – Ele soltou após alguns minutos e ela o olhou sem entender. – Você é a garota que parou o avião, certo? – ela não conseguiu evitar o leve rubor que tomou conta do seu rosto e tudo o que ela pensava era que de fato alguém achava que ela tinha segurado o voo.
– É, sou a garota do atraso. Mas só para você saber, tiveram um outro problema, não atrasou por minha causa. – Explicou. – E não sou famosa. – Acrescentou. – A culpa disso foi toda da empresa onde eu trabalho que cadastrou a passagem no nome de outra pessoa e deu a maior confusão.
– Ah sim. – Assentiu enquanto ela falava. – Você não é europeia, certo?
– Certo. – percebeu que estava sorrindo de novo. Um sotaque europeu realmente mexia com ela. – Não é muito difícil perceber, não é mesmo? Aposto que meu sotaque me entrega, além do físico que já deixa bem claro. Bem diferente de você! – Ele riu.
, prazer! – Ele estendeu a mão para ela.
, e o prazer é meu. – Retribuiu o cumprimento. – E eu sou brasileira.
– Hum… Que interessante. – O olhar dele estava fixo no rosto dela. – Essa é a primeira vez que vou ao Brasil.
– Sério? – Ele assentiu. – Espero que você goste bastante.
– Acho bem difícil não gostar, todo mundo sempre fala muito bem de lá.
– É, mesmo com todos os problemas, eu sou apaixonada pelo país.
– E o que a levou para a tão distante Alemanha? Diversão ou trabalho?
– Trabalho, infelizmente. – Fez uma careta involuntária. – Foi a primeira vez que fui à Alemanha também, e fiquei tão pouco tempo que nem deu pra conhecer nada.
– Entendo. Mas talvez você tenha oportunidade de ir novamente como turista.
– Espero que sim. Amo viajar, mas sempre acabo passeando pela América do Sul mesmo.
– Qual o seu trabalho? Se não for invadir demais a sua privacidade. – Sorriu discreta pela escolha de palavras dele.
não negaria que a cada frase ele se tornava mais interessante aos olhos dela, ele tinha um charme, sabia manter uma conversa, era simpático e educado, coisas que ela não vinha encontrando nos homens que conhecia.
– Não, tudo bem. – Mais um sorriso tomou conta do rosto dela. – Eu sou editora de livros de uma grande editora do Rio de Janeiro. Estamos querendo os direitos de tradução e de publicação de alguns livros alemães famosos e nesse fim de semana tivemos uma espécie de reunião que foi na realidade uma disputa entre todas as editoras com interesse. Geralmente é o trabalho da minha chefe, mas desde que ela teve gêmeos, ela tem me passado mais coisas e essa foi a primeira vez que fiquei responsável por um trabalho dessa importância.
– Você parece boa no que faz. – Ele sorriu, e ela achou adorável como os olhos dele quase fechavam. – Aposto que conseguiu convencê-los.
– Obrigada! Espero que tenha convencido mesmo e que escolham a nossa empresa.
– Ah, você não sabe ainda o resultado?
– Não. Eles demoram um tempo pra decidir e mandar a resposta oficialmente. Agora só resta esperar. Se tudo der certo, além do reconhecimento, eu talvez consiga uma promoção. – Brincou.
– Entendi. Espero que consiga e tenha outra oportunidade de ir e conhecer a Alemanha. – Reforçou.
– Eu também, mas agora é sua vez. – Ele a olhou receoso, como se tivesse medo do que ela perguntaria, mas ela não se incomodou. – Brasil é o seu destino de férias?
– De certa forma, na verdade estou indo pela Copa do Mundo.
– Nossa, a Copa! Esqueci completamente! – Ela riu, escondendo o rosto nas mãos.
– Esqueceu da Copa no seu país, acho que não gosta de futebol…
– Ah, é mais ou menos isso… – Respirou fundo ganhando tempo para explicar. – Meu pai era completamente viciado no esporte, mas ele nunca teve o menor controle emocional para assistir. Era sempre uma situação tão chata em casa que eu e meu irmão não pegamos gosto.
– Que pena! – Ela deu de ombros, não queria se estender naquele assunto.
– E você vai ficar no Rio mesmo? – Sondou, não seria nada mal encontrá-lo por lá.
– Não, vamos ficar na Bahia. Acho que é assim que fala, ainda estou aprendendo.
– É assim mesmo. – Confirmou, mas o que tinha chamado a atenção era o “vamos”.
se sentiu boba por presumir que ele estaria sozinho no país e também um pouco chateada ao constatar que queria que ele estivesse sozinho por lá e que quisesse a companhia dela em algum momento. Mais tarde culparia a sua carência por aqueles pensamentos.
– Que bom que vai com alguém. – Seu tom não saiu como ela queria, mas não pareceu perceber.
– Na realidade meus amigos já estão lá. – E a palavra “amigos” trouxe um sorriso ainda maior para o rosto dela, ela não estava interessada em alguém que encontraria a namorada afinal. – Eles foram semana passada e eu fiquei por causa de uns… problemas de saúde. – Optou pela mentira que estava sendo veiculada. – Não era nada grave, mas pediram que eu ficasse em casa em observação por mais uns dias. Sabe como são os médicos.
– Sei como é.
Não estava nos planos mentir mais do que o necessário, por isso tinha mantido a história sobre a virose, até porque não faria o menor sentido contar a verdade para uma recém-conhecida. A verdade é que tinha ficado mais um tempo em Munique para tentar resolver as coisas com a Sarah, sua ex-namorada.
e Sarah ficaram por muito tempo juntos, quase sete anos, e como ela é uma modelo famosa e bem sucedida na Alemanha, ele nunca havia cogitado a possibilidade de que ela estivesse com ele pelo reconhecimento que ele tinha. O fato foi que, nos últimos meses, ela passou a pressioná-lo novamente com a história de casamento e isso desgastou a relação ainda mais.
não tinha nada contra casamentos, esperava se casar normalmente em um ponto da vida. Mas ele era bem diferente de Müller, por exemplo, que casou com 19 anos. Ele estava com quase 30 e devia estar preocupado, mas não estava e mesmo com Sarah jogando diretas e indiretas, ele não sentia que era a coisa certa. Não havia dito isso a ela, disse apenas que não achava que era o momento certo para isso, mas ela havia interpretado de uma forma totalmente diferente e soltado uma avalanche de sentimentos e outras reclamações.
Sarah havia dito que não estava pensando nela, que ele fazia questão de enrolar, que sete anos era muito tempo, que ela não aguentava esperar mais do que isso e que ela nunca mais queria ser conhecida como a “companheira de ”. Era aceitá-la como esposa ou separar, e optou por seguir sua intuição, o que resultou em outro escândalo dela. Desde então, ela quis voltar atrás e também quis muitas coisas que tinha na casa que eles dividiam e era isso que ele havia tentado resolver, era por isso que tinha ficado para trás.
– E qual a sua história com futebol? – Ele a olhou confuso. – Digo, a história que faz um homem encarar catorze horas de voo para assistir futebol. – disse como se fosse algo absurdo.
– Ah, é algo tipo meta de vida sabe? Aquelas coisas que você considera que não pode morrer sem fazer.
– Me conte mais sobre isso. – Pediu.
– Você nem gosta de futebol.
– Pelas minhas contas nós ainda temos duas horas antes de algum filme bom começar a passar e talvez umas dez horas até a nossa aterrissagem, seria legal te ouvir. – Ele gostava da forma como ela parecia estar genuinamente interessada e cedeu.
– Tudo bem, você venceu.
contou coisas que o ligavam ao futebol sem mencionar em momento algum que era um jogador da seleção. Durante toda a conversa que tinha tido até aquele momento ficou claro que ela não fazia mesmo ideia de quem ele era e para ele aquela sensação era ótima. Ele nem se lembrava da última vez que tinha conversado com alguém sendo ele mesmo, sem preocupação com imagens e afins. Foi conversando com que ele percebeu a quantidade de pessoas interesseiras que o cercava, em vários aspectos da vida.
Passaram de um assunto a outro com facilidade e quando ia começar a passar o primeiro filme que ela queria assistir, ela se empolgou já que ela nunca tinha visto O Turista. já tinha visto, mas por falta do que fazer, decidiu assistir novamente e poderia dizer que se divertiu muito com as reações dela, sempre muito espontânea.
O segundo filme que ela queria assistir, pois nunca tinha visto, era O Amigo Oculto. garantiu a ele que não tinha problema com filmes de suspense e que não se assustava fácil, mas ela se entregou quando deu um pulo no assento e agarrou o braço de com um pouco de força. Conversaram sobre o filme quando acabou, nenhum dos dois esperava aquele final e, apesar de antigo, era mesmo um filme muito bom.

acordou assustado de um sonho. Olhou para o lado e viu que estava dormindo tranquilamente encostada em seu ombro. Passou a mão livre pelo rosto e conferiu as horas, ainda faltava um tempo até pousarem no Galeão. Evitou se mexer para não a acordar. Riu fraco ao perceber que não era o tipo de preocupação que ele tinha com Sarah, pelo menos não nos últimos anos.
Se alguém perguntasse, não saberia dizer se era apenas curiosidade ou se realmente tinha surgido um interesse depois daquelas horas que passaram juntos na aeronave. Se questionou se era errado sentir qualquer tipo de interesse por ela, pois caso tivesse oportunidade, ele adoraria passar mais um tempo com ela. Algo nela havia mexido com ele.

. Já estamos quase chegando. – a chamava baixinho.
Ela demorou um pouco a acordar e a se lembrar que estava no avião. Quando abriu os olhos viu que havia dormido apoiada no braço do e logo se ajeitou no assento.
– Ai meu Deus! Me desculpe! – Colocou as mãos no rosto lembrando que nem havia escovado os dentes para conversar com ele tão de perto.
– Fique tranquila, não me atrapalhou. Percebi só quando acordei, mas não queria te acordar. – ficou um pouco sem graça, ele definitivamente era um homem pelo qual ela adoraria se apaixonar. – Agora que acordou, vou ao banheiro. – Avisou e se levantou em seguida.
aproveitou para pegar sua necessaire e fazer o mesmo quando o outro banheiro ficou livre.
– O que vai querer? – Ele sorriu abrindo um cardápio para que os dois pudessem ver.
– Acho que nada. – Ele a olhou com a sobrancelha arqueada. – Já estamos chegando, vou preferir comer algo na cidade.
– Hum… E você já tem companhia para o seu café da manhã? – O tom dele era divertido, mas na verdade ele estava um pouco apreensivo, tinha dito por impulso.
– Adoraria que você me fizesse companhia. – Respondeu segura, apesar do nervosismo que sentiu no estômago.
– Mas tem um problema.
– Qual?
– Eu não acho que vá ter tempo para sair do aeroporto por causa da proximidade com o voo para Salv… Bahia, ah, você entendeu. – Ela confirmou com a cabeça.
– Nós pedimos algo no aeroporto então.
Já era possível ver a cidade pela janela e não demorou para que a voz do comandante desse o aviso de que estavam prestes a pousar. estava maravilhado com o que via, gostaria de poder conhecer o Rio antes de ir para Salvador, mas ele não podia perder mais nenhum dia com a seleção.

– E então? O que vai querer? – Ela repetiu as palavras dele quando chegaram até a praça de alimentação.
– Acho que vou deixar você escolher o meu primeiro café da manhã brasileiro.
– Se você não gostar, não me culpe! – Brincou deixando a bagagem ao lado da mesa. – Vai pelo menos me dizer se prefere café ou chocolate quente?
– Não. – Segurou o sorriso e ela negou com a cabeça também sorrindo. Deu as costas a ele e seguiu para a cafeteria que mais gostava.
– É pedir muito um homem assim na minha vida? – Murmurou sozinha enquanto esperava a sua vez de ser atendida.
Fez o pedido, pagou e aguardou mais um pouco em frente ao balcão. Quando pegou os pedidos, percebeu que já se sentia o sentimento triste de despedida, mesmo que o conhecesse a menos de vinte e quatro horas. Talvez , sua melhor amiga, estivesse certa quando dizia que precisava de alguém para se divertir, nem que fosse por uma semana, para que não sentisse sempre vontade de se apaixonar. Espantou os pensamentos enquanto caminhava com a bandeja para a mesa.
– O cheiro está muito bom. O que é isso? – Ele apontou para a cestinha em cima da bandeja.
– Nosso famoso pão de queijo. Não é comida do Rio, mas eu sou apaixonada. Espero que goste. – Ele pegou um e mordeu um pedaço.
esperou a sua reação, mas ele parecia enrolar de propósito, mastigando infinitamente e não demonstrando nada.
– Isso é muito gostoso.
– Até que enfim falou alguma coisa. – Reclamou falsamente. – Não gosto de suspense.
– Ah não?! Não foi o que você disse quando o filme começou ontem… – Devolveu na lata.
abriu a boca duas vezes, mas não conseguiu dizer nada. Normalmente ela reclamaria, no entanto, aquela não era uma ocasião propícia.
– Hey, só estou brincando. – Ele jogou uma bolinha de guardanapo nela.
– E que intimidade é essa? – Tentou se fazer de séria. – Tome seu café e me deixe.
– Se decidiu pelo café então?
– Ué, você não disse o que queria… – Deu de ombros. – Mas pedi o chocolate também. Pode escolher e eu fico com o outro.
– Gosto do café mesmo.
– Homens! – Rolou os olhos.
Eles comeram num clima leve e não acreditava que ninguém o havia reconhecido ali. Sentia-se com sorte e esperava que essa sorte o acompanhasse durante todos os jogos também.
– Estava muito bom, obrigado. – Olhou num painel próximo a eles. – Acho que vão começar a chamar para o embarque.
– É verdade. – conferiu as horas no celular e olhou de novo a tela dos próximos voos. – É melhor você ir.
levou a bandeja para um lixo próximo e os dois caminharam lado a lado até o portão 9. A fila preferencial já estava entrando e os dois se olharam um pouco sem jeito. Era aquilo. Havia chegado a hora de se despedirem mesmo que não estivesse preparada para nunca mais ver o alemão interessante e charmoso.
– Foi muito divertido o voo ao seu lado, obrigado! – Sorriu simpático.
Se desejos jogados ao universo tinham mesmo a possibilidade de acontecer, ela desejou naquele momento que aquela não fosse a última vez que os dois se encontrassem.
– Imagina! Também gostei do voo. Ficou muito melhor ao seu lado do que entre aquelas crianças. – Ela sempre se sentia péssima com qualquer tipo de despedida.
– Então é isso… – tinha a intenção de estender a mão, mas foi surpreendido por um abraço.
Achou estranhou, mas se lembrou que abraços era algo comum no Brasil. Depois de alguns segundos ele retribuiu o abraço, e agradeceu aos céus pela oportunidade de ser abraçada por um corpo daquele.
– A fama dos brasileiros é real então? – Ele perguntou quando se afastaram.
– Qual fama?
– De que são extremamente calorosos e receptivos.
– Acho que sim… Aproveite seus dias no Brasil! Boa viagem! – Desejou quando ele já estava mostrando o passaporte para a funcionária.
– Obrigado! Espero te encontrar novamente! Quem sabe eu não venha para o Rio depois… – Ele piscou e seguiu para o avião sem olhar para trás.

Nota da autora: Oi, gente!
Pra quem se lembra, DS foi postada em 2014/2015. Estou reescrevendo e repostando, dessa vez com interatividade.
Espero matem a saudade dessa história que é meu xodó e que se divirtam como eu me diverti.
Um agradecimento para a Lana e Isis, elas sabem o motivo!
Beijos e até o capítulo 2!

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2 – Deutschland, Deutschland


– Cara, até que enfim você chegou! Você precisa aproveitar isso aqui com a gente! – Podolski estava muito empolgado e disse assim que viu o amigo no aeroporto, o cumprimentando logo em seguida.
– Antes que você pergunte, sim, Poldi soltou a franga aqui! – disse e riu da expressão. – Se ele já é empolgado normalmente, você precisa ver como ele está…
– E como seria isso? – Não conseguia imaginar Podolski mais empolgado do que o normal.
– Mais extrovertido, mais hiperativo e intrometido também. – respondeu e Poldi parou de mexer no celular e os encarou.
– Eu sei que vocês me amam. – Deu um sorriso convencido.
– Como não amar após dez anos juntos? – entrou na brincadeira e recebeu um abraço de Lukas.
– Eu sei que vocês têm uma linda e longa história de amor, mas o que acham de irmos logo embora do aeroporto?
– Poxa , isso tudo é ciúme? – Podolski soltou-se de e foi abraçá-lo.
– Ah, sai pra lá, Lukas. – fez cara de nojo e o empurrou.
– Vai se fazer de difícil pra mim agora que o chegou, é? Você não estava fazendo isso antes… – Falou ressentido e não conteve um riso. Ele tinha sentido saudade dos amigos.
– Vamos logo, Poldi, onde está o carro que me levará ao, segundo você, paraíso? – Sentia-se cansado depois das horas de voo e queria muito tomar um banho e relaxar antes dos treinos.
O carro estava próximo no estacionamento e se surpreendeu ao ver no banco do motorista. Sabia que o goleiro amava dirigir, mas não imaginou que já teria pegado o jeito no Brasil também. Sentou-se no carona, antes que Podolski entrasse no carro, mas ele nem se importou. Sentou-se atrás sem deixar o celular um minuto sequer. Estavam no meio do trajeto para o complexo em que ficariam hospedados quando ele finalmente colocou o aparelho de lado e chegou o corpo para frente, ficando entre os dois.
– Ia perguntar como foi, mas pela sua cara deu tudo certo. – Lukas tinha um sorriso divertido no rosto de quem estava imaginando muitas possibilidades.
– Mais do que certo. – sorriu involuntariamente.
– Não sabia que queria se separar da Sarah tanto assim. – disse ao notar a expressão feliz dele e ele se espantou com as palavras.
– O quê? Do que você está falando? – Expressou a sua confusão e os outros pareciam tão perdidos quanto ele.
– Da Sarah. – fez a cara de óbvio que ele amava. – Pelo seu sorriso idiota só deu pra deduzir isso.
– Ah, eu não queria me separar dela, mas também não sentia que queria casar com ela, mesmo depois de tantos anos. – Deu de ombros, já tinha dito isso aos amigos. – Achei que o Lukas estava perguntando sobre o meu voo. – Explicou.
– Hum… E o que foi “mais do que certo” no seu voo? – Poldi perguntou repetindo as exatas palavras dele, arqueando as sobrancelhas sugestivamente.
– Deixa pra lá. – balançou a cabeça negativamente, não sentia que era prudente falar nada do tipo naquele momento, mas sabia que nenhum dos dois deixaria aquilo passar por muito tempo.

Não havia mais ninguém ali além deles e Lukas não demorou a entregar a chave do quarto que ele tinha separado para . Levou tudo para o cômodo e seguiu para o banho, era o que ele mais precisava naquele momento. Sabia que o Brasil era um lugar quente, mas estava superando às expectativas facilmente e optou por roupas mais frescas ou precisaria de outro banho antes mesmo de alcançar a porta. estava ansioso, apesar do cansaço, para encontrar os outros jogadores.
– Ué, você quem está aqui? – estranhou Lukas estar ali, tinha certeza que ele teria algo para fazer e que o esperaria.
– Sim. – Respondeu alternando o olhar entre o amigo e o celular, novamente em suas mãos. – foi atrás dos outros pra saber se alguém mais vai querer almoçar com a gente e qual o restaurante do dia. – assentiu. – Ele e o Müller se intitularam responsáveis pela nossa boa e diversificada alimentação. – Disse num tom monótono. – Me recuso a ir embora sem experimentar as comidas que quero.
– Você vai ter bastante tempo para comer tudo depois que formos campeões. Vamos? – Chamou numa forma discreta para ver se ele parava de mexer no celular, mas Lukas seguiu o caminho com o aparelho em mãos, da mesma forma de antes. – Não vai parar de mexer nisso? É sério? – Já estava agoniado, mas Poldi riu.
, … Logo você vai compreender. – O meia o encarou com desconfiança. – Eu não quero perder um minuto da nossa estadia aqui e não quero perder nada nesse lugar perfeito. – Disse como se fosse uma aula a ser aprendida.
– Acho que já perdi uma no Rio. – comentou baixo e riu sozinho, mas não baixo o suficiente, pois , além de aparecer do nada ao lado dele, ainda tinha ouvido.
– Perdeu o quê? – Olhou curioso para os dois.
– Pelo visto uma mulher. – Poldi respondeu e percebeu a burrada que tinha acabado de fazer, a expressão em seu rosto terminou de entregar a verdade.
– Mas já?! – Müller tinha um sorriso no rosto enquanto o cumprimentava. – Como foi o voo?
– Foi tran… – começou a responder, mas foi cortado.
– Deve ter sido fantástico ao lado de alguma modelo gostosa. – Podolski deu um sorriso safado e negou com a cabeça.
– Não existe modelo gostosa. – Müller riu. – São todas magras e sem graça, sem ofensa.
– Mas com certeza era, é a segunda vez que ele a menciona em menos de um dia.
– Se ela fosse modelo, ele não ficaria assim, a Sarah era modelo. – Müller continuou teorizando e não sabia se era mais engraçado assistir os dois ou a reação perplexa de .
– Já sei! entrou para o mile high club! Foi isso, não foi? – As sobrancelhas mexiam sugestivamente e nem mesmo segurou o riso.
– Seria seu sonho, Poldi, não o meu. Não aconteceu nada e agora já chega de falar da minha vida. Vamos comer alguma coisa porque estou com fome.


– Entra! – falou alto o suficiente para que quem tivesse batido na porta de sua sala entrasse e Louise, a nova assistente, entrou.
– Aqui estão os documentos que faltavam. – Entregou uma pasta com diversos papéis separados por clipes. – E aqui estão os documentos para a reunião de amanhã.
– Reunião? Não me lembro de nenhuma reunião amanhã. – Buscou a agenda na tela do computador para conferir os compromissos.
– Era uma reunião de Vivienne. – Louis esclareceu. – Ela ligou há pouco e disse que não conseguirá vir nem para a reunião com possíveis clientes. – suspirou, imaginando como encaixaria tudo em sua agenda. Estava feliz por ver a chefe feliz com os gêmeos, mas a cada dia se tornava mais impossível dar conta de duas funções sendo uma pessoa só. – Está tudo na pasta.
– Obrigada, Louise. – pegou o primeiro grupo de folhas da pasta para verificar os documentos.
– Ahn… ? – A assistente chamou quase saindo da sala.
– Sim? – Moveu os olhos dos papéis para ela.
Fernandes ligou de novo e disse que se você não retornar, ela virá pessoalmente falar com você. – Louise não sabia quem era e pela ligação não entendeu se era uma ameaça real ou brincadeira, mas pelo sorriso de , ela deduziu que era alguém conhecida.
– Essa eu queria ver. – falou para si mesma, não aparecia na editora há meses. – Obrigada, Louise. Vou retornar.
Com um aceno Louise se retirou da sala, fechando a porta atrás de si e pegou o telefone ao lado do mouse, decidindo ligar logo para a melhor amiga e descobrir o que ela queria.
– Finalmente me ligou, sua… – Tentou buscar algum palavrão leve.
– Não me xingue! Você me ama! – a impediu, conhecendo o péssimo hábito da amiga com palavrões. – Eu sei que sou irresistível, mas o que quer tanto assim comigo que me liga até no trabalho?
– Só queria saber se minha amiga estava viva, mal agradecida! E ligo na empresa porque no celular você não me atende, nem me retorna.
– Desculpa, . Mas você sabe que ando atolada de coisas desde que Vivienne tirou licença maternidade e cada dia parece que mais coisas estão nas minhas mãos para serem resolvidas. – Apertou a têmpora com a mão livre.
– O que vai fazer amanhã? A gente podia almoçar. – Sugeriu ignorando a fala anterior da amiga.
– Você não prestou atenção em nada que eu disse, mas eu repito. É impossível amanhã, acabei de saber que terei que substituir Vivienne em mais uma reunião.
– Não invente desculpas, Carrião! Amanhã é sábado! Você não trabalha sábado.
– Juro que não estou inventando desculpas, ! Louise trouxe essa informação junto com o seu recado.
– Então vamos encontrar hoje!
– Hoje?! – não era fã de coisas inesperadas e decididas de última hora, mesmo que fosse encontrar a melhor amiga.
– É , hoje tem jogo da Alemanha.
– Você e esse vício. – balançou a cabeça, mesmo que ela não pudesse ver.
– Por favor, ! – Insistiu. – E você ainda nem me contou sobre o carinha do avião.
– Ai, esquece isso! – Riu sem graça. – Foi só um delírio.
– Sem essa, ! Delírio ou não você vai me contar essa história. E, além disso, você precisa comer alguma coisa durante o dia, sabia? – Ela continuou calada. – O jogo começa às 13h. Te espero no Outback, de preferência antes do jogo começar.
– Ok, ok. Darei um jeito. Te encontro lá. Beijo! – sabia que aceitar isso a deixaria trabalhando até mais tarde, mas reconhecia que estava em falta com a amiga e talvez fosse bom tirar um pouco o trabalho de sua cabeça, nem que fosse por noventa minutos de um jogo que ela não estava nem um pouco ansiosa para assistir.
Bloqueou o telefone e o deixou de volta na mesa, recuperando os documentos deixados por Louise e voltando a conferir um por um. Enviá-los com qualquer erro estava fora de cogitação e ela os leria trinta vezes se fosse necessário para garantir que estavam corretos. Respondeu alguns e-mails e designou alguns dos novos pedidos de orçamento de publicação para as duas outras pessoas do departamento.
Conferindo às horas e a fome que sentia, trancou sua sala e seguiu para o restaurante combinado. Conhecia bem o suficiente para saber que se quisesse conversar, precisaria fazer isso antes ou depois do jogo, pois, durante o mesmo, ela não tinha atenção para mais nada. Sabia também que ela chegaria com uma antecedência considerável para se sentar em um lugar com uma boa vista da televisão.
Assim que entrou no Outback, avistou a bandeira da Alemanha em um dos assentos do bar e não precisava de muito esforço para saber que era . A tela maior por causa da Copa fazia com que as pessoas pudessem acompanhar os jogos de qualquer um dos bancos, mesmo assim ela tinha se sentado exatamente no meio, de frente para o telão.
– Oi! – falou bem próximo ao ouvido dela e alto, fazendo-a se assustar por estar concentrada em outra coisa.
– Que susto, ! – Se abraçaram. – E que saudade que eu estava de você!
– Nem me diga. – Suspirou teatralmente. – Sempre desejei ter uma posição como a de Vivienne e agora que estou substituindo-a, minha vida está de cabeça pra baixo.
– Ah, mas deve ser porque você está fazendo o seu serviço e o dela, não?
– É… pode ser. – Sorriu. – Não tinha pensado por esse lado. – Mas aí? O que me conta?
– Hum, acho que nada. – Deu um gole no seu suco. – Lá na revista continua tranquilo e minha vida está da mesma forma. Já não podemos dizer o mesmo de você. – Segurou o copo de suco quando o garçom trouxe o de e as duas brindaram. – Você me deve uma história sobre uma viagem à Alemanha, e, de preferência, antes do jogo começar. – disse como se fosse uma simples sugestão, mas a conhecia bem demais para saber que não escaparia.
– E por que você acha que cheguei mais cedo? – soltou uma gargalhada e riu junto. – Mas, antes de começar, a gente podia fazer o pedido, o que acha?
– Por mim tudo bem.
Fizeram os pedidos e começou a contar detalhadamente a viagem. Falou sobre o pouco que viu de Munique, sobre as pessoas com quem teve contato, sobre a disputa com as outras editoras pelo direito de tradução e publicação e ,finalmente, para a felicidade de , sobre o problema com o voo e o desconhecido. Ela, por sua vez, ficou empolgada. Na maioria das vezes era assim com elas, uma ficava empolgada pela outra, querendo que desse certo, porque a vida amorosa delas nunca foram das melhores.
– Eu não acredito que você passou um voo inteiro ao lado de um autêntico alemão educado assim! – Era a terceira vez que ela emitia um comentário desse tipo.
– Pois é, a parte triste é que a probabilidade de encontrá-lo de novo é praticamente nula.
– Nunca se sabe, . Vai que ele queira te encontrar e venha para o Rio. – Ela falou pensando positivo. sempre era muito mais otimista do que . – Agora, silêncio porque o jogo vai começar.
aproveitou para ir ao banheiro enquanto seleções seriam apresentadas, tocariam os hinos e tudo mais, pois implicaria com ela se ela tentasse sair no meio da partida, mesmo que não tivesse metade do interesse dela. Não fez questão de ser rápida e enquanto retornava para mesa viu que haviam lhe mandado várias mensagens do escritório. Sentou-se novamente e tratou de respondê-las logo. Entre uma resposta e outra, olhou de relance para a tv e ela simplesmente não conseguia acreditar no que seus olhos viam.
– AI MEU DEUS! AI MEU DEUS! – soltou o aparelho e levou as mãos à boca. Seus olhos estavam arregalados e prendeu a respiração por alguns instantes.
– O que foi, ? – a encarou e mirou o ponto em que ela olhava fixamente, ainda com a expressão de incredulidade. – Dá pra me falar o que foi que você viu nesse telefone pra causar esse espanto todo?
– É ele, ! É ele! – respondeu ainda duvidando do que seus olhos viam.
– O cara do avião te mandou uma mensagem? Te achou no facebook? – Começou a citar possibilidades.
– Não! Eu acho que o vi na tv! – disse e ao escutar as próprias palavras percebeu o quão absurdo aquilo ela, riu fraco e relaxou a postura. – Devo ter me enganado.
– Não! – tinha um sorriso enorme no rosto. – Não me diga que você o achou nessa arquibancada lotada! – Ela se empolgou.
– Não, ! Ele está jogando! – repetiu quando a câmera focou mais de perto nos jogadores.
– O quê? – Foi a vez de ela aumentar o tom.
– Esse jogador com o número sete aí! – Apontou para o telão novamente. – Era ele quem estava sentado ao meu lado no voo!
– Puta que… – levou as mãos à boca, abafando o xingamento. – Não acredito, ! Não acredito que você estava ao lado de e nem pegou um autógrafo pra mim.
– Ei, eu não sabia que ele era jogador. – Se defendeu. – Ele não mencionou isso em nenhum momento e ninguém no voo estava em cima dele. – Se lembrou então que todos os lugares na fileira dele estavam desocupados até ela pedir para se sentar. – Eu conheci um alemão famoso! – disse entusiasmada balançando a amiga pelos ombros.
– Ei, dá pra calar a boca? A gente quer ver o jogo. – Um barbudo com cara de motoqueiro gritou mais do fundo e as duas ficaram silêncio por um tempo. prestava atenção no jogo enquanto tentava ainda assimilar o fato de que o lindo e simpático alemão era mundialmente famoso e ela não fazia ideia.
O primeiro tempo acabou e ainda estava aérea, pensando no quanto era surreal a experiência. Sabia que a Alemanha estava ganhando da França por um a zero, mas ela nem tinha prestado atenção no gol ou no autor do gol. Só tinha lido o nome, Hummels, mas ela não fazia ideia de quem era.
Durante o intervalo não tinha poupado elogios ao goleiro, reforçando que tinha feito defesas espetaculares e que devia prestar mais atenção nele também, já que ele era muito bonito. E então pegou o celular para mostrar outras fotos que ela tinha de , uma que inclusive era seu fundo de tela durante a Copa, mas percebeu que ela não estava de fato vendo as fotos.
– Não caiu a ficha ainda, né?
– Pior que não, . Nem sei se estou com vergonha de não saber quem ele era ou não. – Ela riu.
– Larga de besteira, . Não tem nada a ver. Você mesma não contou pra ele a história do seu desagrado de futebol? – Lembrou.
– Contei, mas mesmo assim.
– Então, ele deve ter levado isso em conta. – assentiu. – Se bem que você podia ir atrás dele. – Soltou no ar como quem não queria nada.
– Ficou louca?
– Claro que não, ! Vai atrás dele no twitter, instagram, sei lá. – Ela deu de ombros.
– Tá, e falo o quê? “Oi, sou a menina do avião! Me desculpe não saber quem você era, mas agora eu sei e gostei de você!”? Vou parecer apenas mais uma maria chuteira na fila dele. – Negou com a cabeça.
– Mas , eles estão aqui no Rio! Imagina só se ele também quer te ver!
– Vamos falar de outra coisa, por favor. – Pediu de olhos fechados, estava se sentindo um pouco agoniada. – Não quero pensar nisso por enquanto, muita informação. – deu de ombros e suspirou concordando contrariada.
– Você vai à festa do Arthur, né?
– Não sei. – Voltou a abrir os olhos. – Sendo bem honesta, não estou muito a fim. Nós não somos amigos realmente como vocês são.
– Até parece que ele faz essas festas para os amigos. – riu irônica. – Ele faz festa pra dar ibope e você sabe. – assentiu. – Vamos, !
– Vou pensar, prometo. – quase nunca se sentia à vontade na presença de Arthur, mas entendia que gostava de ter os amigos sempre por perto.
– Adivinha. – falou encarando o celular.
– O quê?
– Sabe o restaurante novo e super concorrido? – Concordou enquanto ela digitava uma mensagem. – Arthur conseguiu reservas para lá, sabe Deus quando, e disse que estou intimada. Isso não pode ser coisa boa.
– Se ele for pagar a conta, aproveita. – Deu de ombros.
– Antes fosse isso. Aparentemente, eu ando “muito solitária” na opinião dele e ele disse que esse jantar será um encontro duplo, ele, Josh, eu e alguém que ele ainda não escolheu. – Contou totalmente descrente. – Por que as pessoas querem se meter tanto na nossa vida?
– Essa é uma excelente pergunta. Ando dando graças que minha mãe parou de me perguntar sobre isso. – Sua expressão era de alívio. – Mas voltando ao jantar, acho que deveria ir. Quem sabe dessa vez ele encontre alguém legal pra você. – Ponderou. – Pensamento positivo, não é o que você sempre diz?
– É verdade, mas depois eu penso nisso. O segundo tempo já vai começar.
– Entendi. Mais 45 minutos de silêncio. – Disse com voz de derrota e mostrou a língua.


, posso falar com você um minuto? – o chamou assim que saíram do treino que antecederia o jogo contra o Brasil.
– Claro. O que foi? – Perguntou enquanto pegava suas coisas, seguindo para fora do vestiário ao lado dele.
– Algumas pessoas estão achando que você anda meio disperso, que estava disperso no treino. Pediram pro Joachim reconsiderar se você jogará o primeiro tempo amanhã.
– O quê? – tinha achado um absurdo a hipótese de ele não ser titular. – Cara, não tem nada de errado comigo, eu joguei normal, não errei passe nenhum.
– Eu sei, e foi exatamente a resposta que o Joachim deu, mas vamos concordar. – parou de andar e encarou o goleiro, queria que ele falasse logo o que sabia. – Você está diferente sim, anda muito calado, sai pra caminhar na praia só com seu headphone. E os caras estão preocupados também, mas que você sabe que eles não falariam com você sobre isso. – concordou com a cabeça. Por mais que Lukas e Thomas fossem grandes amigos, eles não iriam falar com ele, esperariam que quisesse falar com eles.
– Eu entendi, mas realmente não está acontecendo nada, cara. Acho que só estou digerindo os acontecimentos recentes aos poucos. Parece que a realidade te atinge devagar. – Voltaram a andar.
– Se arrependeu de terminar com a Sarah? – soltou um riso fraco.
– Não. Isso não, mas mesmo não estando arrependido, foram sete anos juntos, é uma mudança que eu ainda não me dei conta. E tem também essa loucura da Copa! – O empurrou com o ombro.
– Pois é. Dá pra acreditar que estamos na semifinal?
– E que vamos jogar contra o Brasil?
– E que vamos ganhar do Brasil? – estava extremamente confiante de que esse ano o título seria alemão. Não só ele, como toda a seleção.
– Cara, ganhar deles na casa deles, é cruel.
– E como. – As lembranças de terem perdido em casa ocupou a mente de ambos.
– Só espero que a garota do avião não me odeie por isso! – Brincou imaginando que ela não deveria ter acompanhado nenhum dos jogos.
– Ahá! Você chegou ao assunto que eu queria. – tinha um sorriso esperto e o olhou desconfiado.
– Vai me zoar também?
– Não, por enquanto não. Mas confesse, você ficou mexido com esse voo. Confessa que essa garota é uma das razões de você estar com o pensamento longe a maior parte do tempo.
– Porra , virou psicólogo agora foi? – riu.
– Queria te ajudar, cara. De verdade. Queria conhecer a garota que em um voo fez o que Sarah não conseguiu.
– Não fale assim da Sarah.
– Desculpe. Não era a intenção.
pensou um pouco sobre contar ou não, sabia que podia confiar em e que, diferente de Lukas ou Thomas, permaneceria em segredo se ele quisesse.
– Você tem razão. – Disse depois de alguns segundos. – Aquela garota tinha alguma coisa e parte de mim tinha esperança de encontrá-la no jogo passado.
– E por que não fez nada a respeito?
– Tipo o quê? – aguardou a brilhante ideia do amigo.
– Sei lá. Bom pra esse tipo de coisa é o Poldi e não eu.
– Realmente, eu sei que sou bom em muitas coisas. – Frisou o final. – Mas do que vocês estavam falando mesmo? – Poldi chegou passando um braço nos ombros de cada um deles enquanto entravam no hotel.
e se olharam. O goleiro esperava uma confirmação sobre contar a verdade ou não a Lukas e assentiu. Lukas saberia de um jeito ou de outro, era melhor que fosse por eles. E mesmo sem entender com clareza o que tinha feito para que ele ficasse tão interessado, não conseguia evitar de pensar nela. Ela ainda iria matá-lo, ou ele se mataria se não tentasse encontrá-la antes de ir embora.
não ficou para escutar, não queria responder perguntas e não se sentia pronto para se abrir sobre seus relacionamentos. era o único que realmente estava por dentro de tudo o que tinha se passado com a Sarah, os outros sabiam por alto e ele não estava com cabeça para as possíveis reações que viriam caso soubessem.
A intenção era descansar um pouco, mas acabou cochilando e quando acordou já era noite. Estava terminando de se trocar quando Müller, seguido de mais da metade da seleção invadiram o quarto.
– Mas que merda é essa? – Perguntou ainda sonolento e assustado com a invasão.
– Eu que te pergunto! – Müller respondeu, mas tinha um sorriso debochado no rosto. – Que merda é essa? – Virou a tela do celular para que congelou quando viu do que ele estava falando.
– Mas o quê?! Podolski, seu filho de uma puta! – Gritou já saindo do quarto, procurando o único autor possível para aquilo, enquanto os outros davam gargalhadas vindo logo atrás.

“Nova mensagem:
“Ligação perdida:
“Nova mensagem:
“Nova mensagem:
normalmente ignoraria, mas a insistência a fez temer que algo sério tivesse acontecido. Tateou a mesinha de cabeceira em busca do aparelho e desbloqueou a tela, vendo que todas as notificações vinham de . Normalmente, deixaria para o dia seguinte, mas a sua curiosidade foi maior e ela abriu as mensagens.

do céu! O tá te procurando!”
Ferrara, eu estou falando sério! CADÊ VOCÊ?”
“PQP ! Fala comigo! Estou surtando!”

Nota da autora: E então, o que me dizem? Quais as teorias sobre os surtos coletivos? Ou para quem lia antes, se lembram o que aconteceu?
Hoje o agradecimento especial é pra Dany, a maior apaixonada pelo que eu já conheci e que ama DS tanto quanto eu!
Beijos e até o capítulo 3!
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3 – Too Much for Me


sabia que a probabilidade da amiga estar bêbada em plena segunda-feira à noite era quase nula, mas não estava com vontade de entrar em nenhum tipo de jogo com naquele momento. Sabia que teria um dia cheio no trabalho e precisava de uma boa noite de sono e de descanso. Mesmo não sendo fã de futebol, ela sabia que o país pararia naquela tarde com a semifinal e ,então, ela precisaria render o dobro antes do jogo.
, não sei se você está tramando, mas eu realmente preciso dormir.
Amanhã nos falamos.
Beijo!”

Desligou o telefone assim que enviou a mensagem. Conhecia a amiga bem demais para saber ela era bem insistente quando queria alguma coisa e que acabaria enviando várias outras mensagens até que se cansasse e respondesse.
Acordou cedo como de costume e com medo de quantas notificações teria e quanto tempo ela perderia lendo, preferiu ligar o telefone somente quando já estivesse a caminho do trabalho, assim não se atrasaria.
Se arrumou, tomou café da manhã, colocou seu material no carro e ao sair da garagem do prédio, se assustou com parada quase em frente ao portão. balançou a cabeça incrédula, ela era mesmo insistente quando queria. Abriu a janela do carro e se aproximou.
– É sério que você veio até a minha casa só porque eu desliguei o telefone e não falei com você? – Destravou a porta do carro e sentou-se no banco do passageiro.
– Bom dia para você também. – Foi irônica. – Não foi só por isso, eu queria te chamar para assistirmos ao jogo, mas já vi que você está sem paciência logo cedo. – Fez uma careta.
– Desculpa, . Todo esse trabalho me deixa estressada e eu sei que não deveria descontar em ninguém e nem em você.
– É, eu sei. E como eu sou uma amiga excelente, vim te levar pra tomar café comigo.
– Já tomei. – Sorriu sem graça. – Mas podemos passar em algum lugar para você tomar café. – Voltou a dar partida no carro que tinha estacionado logo à frente da saída da garagem.
– Se você não for me acompanhar, aceito uma carona até o meu trabalho mesmo. Como alguma coisa por lá. – Ela deu de ombros.
– Agora pode falar a verdade. – lançou um olhar a como se a tivesse insultado. – Não foi só para tomar café comigo que você estava na porta do prédio, não é? Inclusive, você foi a pé mesmo?
– Claro que fui, você mora a duas quadras de mim! E o Arthur me leva de volta depois. – Respondeu só a última parte.
– Certo. Mas então acabe logo com esse suspense e fale o que você quer falar, porque sei que você está se segurando desde que entrou no carro.
– Chata! – a olhou quando o silêncio durou tempo demais, voltando a olhar o trânsito logo em seguida. – Você vai pelo menos me escutar antes de surtar? – Ela assentiu. – , o está te mesmo te procurando! É sério! Ele está te procurando desde ontem.
, eu sei que você ficou empolgada por mim, mas não precisa ficar vendo coisa onde não tem só pra tentar me fazer empolgar também.
– Meu Deus, eu tinha esquecido do quão teimosa você pode ser quando quer! – Reclamou. – , qual foi a última vez que você usou o seu Twitter?
– Não faço a menor ideia. – Deu de ombros. – Eu te avisei que não ia usar quando você me forçou a criar uma conta. Você sabe que eu mal uso as outras redes.
– Exato! Se tivesse usado e seguisse as pessoas certas, veria que eu estou falando a verdade. Vários jogadores da seleção postaram mensagens ontem à tarde no twitter procurando você. – ficou satisfeita por ter concluído sem nenhuma interrupção.
– Como é que é? – aproveitou a parada no semáforo para encarar a amiga, aquilo não podia ser real.
– É exatamente o que você escutou, . Todos querem achar você. – Vendo que a amiga continuava com a expressão de incredulidade, continuou contando. – Começou com o Podolski, ele postou uma mensagem no Twitter, em português mesmo, dizendo que estava à procura da garota que voou ao lado de .
– Isso pode ser apenas uma gracinha desse Podolski. – deu de ombros, tentando mostrar que não se importava, mas no fundo sentia uma pontinha de vontade de que tudo fosse verdade.
– Eu também tinha pensado nisso, porque o Podolski é sempre muito engraçado e brincalhão, mas aí os outros começarem a postar também.
– Mais um motivo pra ser só bagunça, não acha? Eles devem estar tirando uma com a cara do , isso sim.
– Não, ! Eu realmente não acho que seja zoeira. Até porque se eles estão postando isso é porque o falou de você para eles. – não tinha pensado nisso até aquele momento. – Eu acho, inclusive, que é só questão de tempo até o próprio postar algo do tipo também! – suspirou, sabia bem que quanto mais alto era o sonho, maior era a queda.
– E o que você quer que eu faça? – Declarou vencida.
– Eu?! Eu não quero que você faça nada, ! Você que tem que querer fazer alguma coisa. Eu só vim fazer meu papel de amiga e te contar o que você não sabia.
Apesar da pose, sabia que tinha conseguido exatamente o que queria. estava curiosa e, mesmo que não demonstrasse, ela se importava. Era questão de tempo até que a amiga entrasse em contato voltando a tocar no assunto.
– Obrigada, eu acho. – não fazia ideia do que fazer com aquela informação, mas tinham chego ao trabalho de , o que significava que ela não precisava pensar sobre isso naquele momento.
, por favor, leve a sério! – pediu, já de fora do carro. – Prometa que vai, pelo menos, pensar a respeito!
– Pode deixar, vou pensar sim. – Sorriu.
– Você realmente não quer assistir ao jogo hoje com a gente? – Convidou antes que fosse embora.
– Acho que seria linchada do local, porque, com certeza, eu torceria para Alemanha. – Brincou, pois realmente não tinha intenção de assistir ao jogo e riu.
– E você acha que vou torcer para quem? – Abriu a bolsa, mostrando a pontinha da bandeira da Alemanha que estava lá dentro.
– Arthur vai te matar, sabia?
– E Arthur entende algo de futebol, ? Ele assiste só para ver aquele tanto de homem junto! – negou com a cabeça.
– Você não tem jeito mesmo! – Olhou as horas no painel do carro, precisava ir ou chegaria atrasada. – Bom trabalho e bom jogo! Se eu não conseguir assistir, me mande notícias.
– Pode deixar. – Mandou um beijo no ar.
Mesmo sem ser fã do esporte, naquele dia torceu para que o dia fosse tranquilo na editora para que ela conseguisse ver pelo menos algumas partes do jogo, e, principalmente, para que ela tivesse tempo de pensar sobre todas as coisas que havia lhe falado.
No entanto, a sorte não parecia estar ao lado dela. Com menos de dez minutos que estava em sua sala, Louise havia aparecido com uma lista enorme de pendências a serem resolvidas e outras anotações de problemas de Vivienne. Uma licença maternidade nunca parecera tão longa para ela.
Organizou os itens por prioridade e prazos, assim não correria o risco de atrasar nada importante. A manhã tinha passado muito depressa e pelo estado de espírito dos outros funcionários, era provável que ela fosse a única a ficar por ali. Tentando ganhar um pouco mais de tempo, fez o pedido de almoço para entregar no trabalho, assim ela não precisaria tirar o horário e nem perderia tempo com deslocamento.
Só desviou os olhos do trabalho quando a secretária entrou com sua refeição, foi também nesse momento que ela notou o quanto o andar já estava mais vazio e aproveitando que estava sozinha novamente, decidiu matar sua curiosidade e ver com seus olhos o que a amiga tinha dito.
Abriu uma guia anônima no navegador e abriu o próprio Twitter, tentando se lembrar da senha. Conseguiu na quarta tentativa e o primeiro nome que colocou na busca foi o de Podolski. Clicou no perfil e lá estava a comprovação de que era tudo verdade. Um tuíte em português procurando quem tinha viajado ao lado de , com um número imenso de curtidas e retuítes.
Buscou o nome de em seguida e outros tantos tuítes com mensagens parecidas apareceram na busca. Muitos realmente de outros jogadores, ou ela julgou que eram já que tinham o verificado ao lado do nome. Clicou no usuário de apenas como curiosidade e precisou reler o último post três vezes para acreditar no que seus olhos viam.
“Não era para ser assim, mas já que meus amigos começaram, me sinto no dever de dizer que é verdade. Gostaria muito de te ver novamente.”
O coração de batia depressa e ela sentia as mãos tremendo. , o alemão simpático e bonito, queria encontrá-la novamente. Sentiu o sorriso ocupando seu rosto e imaginou a cara de boba que ela devia estar encarando a tela.
Notou então uma resposta dele ao próprio tuíte.
“Antes que pense que esqueci o seu nome, eu não esqueci, só achei que seria melhor não dizer.”
Além de estar procurando por ela, ele tinha sido atencioso o suficiente para não colocar o nome dela e ainda se explicar. Naquele momento ela não podia negar a felicidade que sentia por ver que tinha razão, mas ao ver a quantidade de respostas para cada uma das mensagens postadas por cada um dos jogadores, sua empolgação diminuiu.
Aparentemente pessoas de todos os lugares do mundo, inclusive homens, diziam que eram eles quem estava procurando e que queriam vê-lo novamente também. suspirou derrotada, com o clássico sentimento de que era bom demais para ser verdade. Afinal de contas, nada era tão simples assim na vida dela.
Nem se deu ao trabalho de responder a nenhum dos tuítes. Não acreditava que ele fosse ler todas aquelas respostas, e menos ainda que fosse encontrar a resposta dela e que fosse saber que seria a verdadeira. Balançou a cabeça, voltando à realidade e notando que a movimentação do escritório já estava aumentando. Antes de voltar à revisão que estava fazendo e fingir que nada daquilo tinha acontecido, pegou o celular e mandou uma mensagem para .
“Você estava certa! Até ele colocou que quer me ver de novo, mas adivinha…
Tem resposta de tanta gente em todas as mensagens que nem respondi, a chance de ele ler é mínima. :/ ”

precisou reler o mesmo parágrafo pela quarta vez para perceber que não estava conseguindo se concentrar no trabalho. Precisava admitir para si mesma que todas aquelas informações tinham mexido com sua cabeça. Constatar que era tudo verdade, que, de certa forma, ela havia atraído a atenção dele era um pensamento que dava voltas em sua mente. Isso, definitivamente, não era o tipo de coisa que acontecia na vida de Ferrara. Foi trazida de volta de seus pensamentos com o som do celular, indicando uma nova mensagem.
“Você sabe que eu adoro estar certa, não é? Então nem vou gastar seu tempo falando que eu avisei… kkkk
Se tiver um tempinho, dá uma olhada no seu e-mail. Mas esteja sentada antes, senão você pode cair!”

A mensagem tinha atiçado a curiosidade e se já estava difícil trabalhar antes, sabia que não conseguiria sem ver o que queria. Abriu seu e-mail pessoal, mas sentia que não era algo que gostaria de ver. Não tinha nada além de um link para um site de notícias, ou talvez de fofocas, de famosos. poderia ter pensado em mil matérias diferentes, mas nunca, em milhares de anos, pensaria o que ela leu.
“O longo romance de e Sarah Brandner chegou ao fim?
Parece que o relacionamento de longa data entre a estrela da seleção alemã (29) e a modelo Sarah Brandner chegou ao fim. Rumores já haviam sido levantados quando a companheira dele não foi vista no Brasil em nenhum dos jogos da copa e nem no tempo livre do jogador.
Além disso, o jogador não veio ao Brasil juntamente com sua seleção. Segundo notícias publicadas em jornais alemães, o jogador estava com problemas de saúde e havia chance de riscos para os outros jogadores, mas agora essas informações estão sendo questionadas e a imprensa acredita que se tratava na verdade de sua separação em silêncio com a modelo.
As especulações sobre o término ganharam força após mensagens que foram postadas no Twitter ontem por vários jogadores e pelo próprio dando a entender que buscam uma garota que estava no avião com ele. Claro que pode ser apenas uma brincadeira entre eles. De qualquer forma, milhares de fãs responderam às mensagens buscando um encontro com ele.
Nenhum dos dois, nem as respectivas assessorias, declararam nada a respeito.”

não estava brincando quando disse que ela deveria ler sentada. encarava a tela do computador um tanto surpresa. Ao que tudo indicava, ela era a comprovação da separação de um relacionamento de sete anos de duração.
Afundou na cadeira agradecendo mentalmente por não ter respondido a nenhuma mensagem e por ninguém, além de , saber que era ela naquele voo. Se antes já estava difícil concentrar e raciocinar, depois de todas aquelas informações seria praticamente impossível. Aproveitou que o expediente seria atípico pela semifinal da Copa e decidiu que iria para casa. Juntou os materiais mais urgentes, pegou sua bolsa e seu almoço ainda intocado e saiu do escritório, avisando a Louise que não estava me sentindo bem e que poderia ligar a qualquer momento se fosse preciso.


– Eu avisei que não ia dar certo. – provocou Lukas, checando seu celular pouco antes do início do jogo.
– Culpa desse seu pessimismo. – Ele deu de ombros.
– Culpa dessa sua ideia sem noção! Será que não passou pela sua cabeça que milhares de pessoas iriam dizer que eram elas que viajaram comigo?
– Isso não é culpa dele, . – interferiu. – Você que não quis colocar o nome dela. Se tivesse colocado eliminaria muita gente.
– Mas eu não podia fazer isso com ela, vai que a vida dela vira um inferno por minha causa?
– Preciso ver essa garota para entender que raios ela tem para fazer você ficar assim por ela. – Lukas riu.
– Agora chega desse assunto. – finalizou sério. – Temos um jogo sério a ganhar daqui a pouco. Vamos nos concentrar nisso e depois nós damos um jeito na sua vida amorosa. – Deu tapinhas nas costas de , que assentiu.
O tempo de concentração passou rápido. Entraram enfileirados no campo, se posicionando de frente ao público do Estádio Mineirão. O hino alemão foi o primeiro a ser tocado e aos primeiros acordes do hino brasileiro já dava para sentir a energia do público, que mesmo com o fim da música continuavam cantando. A pressão por jogar contra o time em sua casa era palpável, mesmo que o time brasileiro estivesse sem dois jogadores importantes.
Lahm cumprimentou o capitão David Luiz e os árbitros da partida, reunindo-se com seu time em seguida. Todos extremamente focados para atingir o objetivo de irem para a final e levarem a taça para a casa, nada além disso importava naquele momento e dar o seu melhor em campo era o foco de .
O juiz apitou, dando início a partida. Joachim tinha instruído a manter a mesma tática de todos os jogos anteriores, pois havia funcionado bem até ali. Ou seja, deixariam a bola com a seleção adversária para avaliarem em um curto período qual seria o estilo de jogo do adversário e então saberiam a melhor forma de jogar contra eles.
Antes do primeiro minuto de jogo, cortou um cruzamento entre dois jogadores brasileiros, sentia-se muito confiante ali e para ele era um bom sinal. O jogo estava tranquilo e equilibrado, ora a bola era do Brasil, ora da Alemanha. Marcelo foi o primeiro a finalizar, aos três minutos, Khedira finalizou aos sete, mas foi bloqueado pelo próprio companheiro Kroos. Mas aos onze minutos Müller fez o primeiro para a Alemanha, com um escanteio cobrado por Toni Kroos.
Nos minutos seguintes, a seleção brasileira tentou responder, mas não foram bem sucedidos. Aos vinte e três, após três tentativas seguidas de Klose, ele marcou um gol no rebote após seu primeiro chute ter sido defendido pelo goleiro Júlio César. Com aquele gol, Klose alcançava a marca de dezesseis gols em Copa do Mundo e dava a ele o título de maior artilheiro de todos os tempos, que até então era de Ronaldo.
, assim como seus companheiros, estava feliz, não era certeza de vitória, mas a seleção brasileira parecia completamente perdida em campo depois de levarem o segundo gol, estavam totalmente sem estrutura. Com mais dois minutos de jogo, veio mais um gol alemão, dessa vez de Kroos, com bola recebida de Lahm, e, no minuto seguinte, um Fernandinho errou um passe, perdeu a bola e Kroos fez o seu segundo. Aos vinte e nove minutos, em falta de atenção do Brasil, Khedira roubou a bola no meio de campo, fez tabela com Özil e marcou o quinto gol.
Os jogadores brasileiros não tinham ação, não acertavam os passes e nem chegavam a finalizar. Próximo do final do primeiro tempo, Marcelo cobrou uma falta na área e cortou novamente, dessa vez de cabeça.
O primeiro tempo terminou em cinco a zero, e os jogadores alemães não conseguiam acreditar. Alguns torcedores estavam chorando, enquanto outros vaiavam e muitos deles estavam deixando o estádio. estava feliz por estar um passo mais perto do sonho do tetra, mas reconhecia a dor dos outros, sabia bem a dor que era perder em casa.
No segundo tempo, a seleção alemã jogou mais tranquila, não estavam pressionados e era mais favorável terem jogadores em condições de jogar a final. Mas não deixaram de jogar com seriedade, consideravam isso falta de respeito com a seleção adversária, qualquer que fosse ela. Com as substituições feitas no intervalo, Brasil mostrou mais força no começo do segundo tempo e fez três defesas muito boas nas finalizações de Oscar, Paulinho e Fred.
Aos 15 minutos, fez um passe para Müller que bateu para fora. Müller chegou a chutar duas vezes no gol de Júlio César, que defendeu ambas as tentativas. Schürrle havia entrado em campo a pouco tempo e conseguindo se livrar da marcação, recebeu a bola de Lahm e marcou o sexto gol alemão. Dez minutos depois ele repetiu o feito, desta vez com cruzamento recebido de Müller, deu um chute forte na bola, que bateu no travessão e entrou. Foi um momento de choque, pois os torcedores que ainda estavam ali aplaudiram.
Özil chegou a ter uma oportunidade de marcar o oitavo, mas não conseguiu. Já aos quarenta e cinco do segundo tempo, Oscar driblou Boateng e bateu, não conseguiu pegar, sendo esse o primeiro e único gol deles na partida. Os jogadores brasileiros não se demoraram em campo, saindo com lágrimas nos olhos e debaixo de vaias.
não saberia descrever o que sentia enquanto cumprimentava sua equipe e alguns jogadores do Brasil que ainda estavam por perto, era uma euforia sem tamanho, tinha sido uma vitória brilhante, que ficaria para a história e o mais importante, eles tinham conseguido chegar à final.
Ao deixarem o campo, alguns jogadores foram abordados para serem entrevistados rapidamente, antes da coletiva que teria mais tarde. Müller foi o primeiro, porque ele adora essa atenção e também porque não há quem não o conheça. também falou um pouco e se surpreendeu quando lhe chamaram para algumas palavras. Mesmo sabendo que tinha sido peça fundamental nesse jogo, ele raramente era chamado pelos repórteres. Respondeu a algumas rápidas perguntas que lhe foram feitas e quando a repórter agradeceu fez o inacreditável e jamais esperado por ninguém que lhe conhecia.
– Com licença. – Pegou o microfone das mãos da mulher. – , se você assistiu a esse jogo e no momento não me odeia pelo que aconteceu, por favor, me encontre dois dias após a final da copa, pela manhã, em frente ao hotel que estaremos hospedados. Você saberá. – Devolveu o microfone e seguiu para os vestiários como se não tivesse feito nada diferente do normal.
As pessoas o encaravam boquiabertas enquanto ele passava, mas ele estava feliz demais para se importar.


Mesmo com todo o trabalho que tinha para aquele dia, tinha assistido o jogo inteirinho. Estava espantada com a qualidade do time brasileiro naquela partida, mas não tinha se lamentado por nenhum gol feito pela Alemanha. Estava feliz por eles, claramente tinham feito por merecer irem para a final e ela desejou que eles realizassem o sonho de ganhar a Copa.
Estava prestes a desligar a televisão quando viu se aproximando para ser entrevistado. Sorriu para a tv, ele era mesmo muito bonito. Negou com a cabeça, rindo de seus próprios pensamentos, ficando séria no instante seguinte ao ouvir seu nome. Abriu a boca, espantada e levou as mãos ao rosto. tinha a convidado a se encontrar com ele em rede mundial. Aquilo era surreal demais.
Sentiu seu celular vibrar na mesa de centro e atendeu sem mesmo ver quem era.
– Alô. – Os olhos estavam presos a tv.
do céu, me fala que você viu o jogo, me fala que você ouviu o que o acabou de dizer. – estava tão empolgada que atropelava as palavras. – Você ouviu?
– Uhum. – respondeu ainda atônita.

 

Nota da autora: Oi gente! Voltei!
O que dizer dessa pp que não sai da cabeça do nosso querido ? Me contem o que estão achando e o que vocês acham que vai acontecer, porque eu adoro teorias!
Beijinhos e até a próxima!
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4 – Another Surprise



– Você vai, não é? – perguntou ansiosa e suspirou, sentia que era informação demais em um só dia e de uma só vez.
– Honestamente, não tive tempo de digerir nada ainda. – Foi sincera e as duas ficaram em silêncio por um tempo.
– Eu entendo, é só que eu estou tão empolgada por você! , ele quer te ver! – Ela enfatizou, extremamente animada.
– Não grita, por favor. Eu já não estou conseguindo pensar direito nem com você em silêncio. – Disse com uma voz exageradamente sofrida. – Pela manhã você me conta que a seleção está atrás de mim, quando estou quase me convencendo do que você me contou, você me manda uma notícia sobre a separação dele e só aí eu já me senti uma destruidora de lares.
, para de besteira! – cortou o drama dela. – Você escutou o que você disse?
– Eu não terminei. – Ignorou a tentativa de interrupção da amiga. – Aí, obviamente estava ansiosa demais e não consegui ficar no trabalho, juntei minhas coisas e vim ver o jogo em casa e ele faz isso! – Concluiu, soltando o restante do ar presente em seus pulmões. – É simplesmente muita coisa. – Frisou.
– Olha, eu entendo o seu lado. De verdade. – Reforçou. – Mas é óbvio que você não teve nada a ver com separação nenhuma. Se eles realmente se separaram, foi antes da Copa porque ela não foi vista em nenhum jogo.
– Justamente, ainda tem chance de eles estarem juntos, . – fechou os olhos, desejando acalmar seus pensamentos. – Eu quero me esconder e só sair quando a copa acabar e eles voltarem para Alemanha.
, se controle! – Falou séria, fazendo-a abrir os olhos e escutá-la. – Não tem nenhuma foto da Sarah aqui no Brasil e olha que com a quantidade de posts no instagram do Podolski, se ela estivesse aqui nós saberíamos. Além disso, eu realmente não acredito que ela falaria aquilo em rede mundial se estivesse namorando ainda.
– Não me diga que você ainda acredita em homens. – comentou e riu, as duas tinham experiências negativas o suficiente para fazê-las desacreditarem no sexo oposto.
– Não é acreditar em homens, eu só acho que o fato de nada ter sido publicado sobre a separação é porque os alemães são bastante reservados, . – Explicou seu ponto de vista. – Eu acho que isso é mais um motivo para você ir ao hotel e conversar com ele. Se quer te ver como está dando a entender, ele com certeza responderá suas perguntas.
As falas de faziam com que considerasse cada vez mais ir até o hotel. No fundo, ela sabia que ela queria ir e queria ter a chance de viver algo que ela não fazia ideia do que poderia ser, mas a realidade a puxava de volta e ela riu fraco.
– O que foi agora? – perguntou, conhecendo bem demais as reações de .
– Eu estava pensando aqui… Se no Twitter aquele tanto de gente respondeu, imagina quantas pessoas vão aparecer procurando por ele no hotel agora! – riu, imaginando o mar de gente no local.
– Isso é problema para ele resolver. Quem mandou ele anunciar aos quatro ventos. – Mesmo sem vê-la, sabia que ela tinha dado de ombros. – Veja pelo lado bom. – Tentou ser positiva, queria que a amiga se convencesse a ir ao encontro.
– E qual seria?
– Ele falou seu nome, já dá uma diminuída boa na quantidade de pessoas que devem aparecer. – Ponderou.
– Claro! Até parece que você não conhece as pessoas do seu país. – riu. – Eu aposto com você que o Rio de Janeiro inteiro vai parar lá em frente! – Falou convencida.
– Eu só estava tentando ajudar! – Suspirou, pensando em outros argumentos. – Mas então veja pelo lado bom. – Repetiu.
– De novo?
– Sim. Pensa comigo. Já que você está convencida de que vai ter tanta gente assim, você pode ir e se der errado você finge que nunca foi lá e se der certo você estará lá. Agora você não tem mais desculpas para não ir. – sorriu satisfeita.
– Qual a probabilidade de isso dar certo? – estava dividida entre se permitir sonhar e ficar com os pés no chão.
– Não interessa! – Pelo tom de voz, sabia que a tinha convencido. – Você sabe que quer vê-lo de novo e se você não aparecer ele vai achar que você não está interessada e aí sim você pode dar adeus.
– Prometo que vou pensar. – assegurou.
– Pensar na roupa que você vai usar, isso sim. – As duas riram. – Ah! E só mais uma coisa. Você vai assistir à final comigo. E nem me venha com desculpas, porque é domingo à tarde!
– Tudo bem, eu assisto a final com você. – Disse como se fosse um sacrifício enorme.
Se provocaram um pouco antes de encerrarem a ligação. desligou a televisão e decidiu tomar um banho para aliviar a tensão que sentia e, também, para clarear os pensamentos.
Depois de comer, se concentrou em todo o trabalho que deveria entregar no dia seguinte. Não se importava em ter que virar a noite para fazê-lo e provavelmente precisaria mesmo trabalhar até mais tarde já que o assunto rondava sua mente de tempos em tempos. riu sozinha, se lembrando de todos os empecilhos criados em sua mente para não encontrar o jogador enquanto a maior vontade dela desde que ele havia dito “Espero te encontrar novamente.” ao se despedirem no aeroporto, era de que eles pudessem realmente se reencontrar.

***

– Você não está com uma cara muito boa, aconteceu alguma coisa? – Louise perguntou assim que passou em frente a recepção. Tinha chegado atrasada.
– Não dormi quase nada e perdi a hora. – Explicou, segurando o bocejo.
– Mas está se sentindo melhor?
– Sim, consigo trabalhar. Obrigada. – deu um breve sorriso na direção dela e seguiu para a própria sala.
– Vivienne ligou. – A secretária disse alto, fazendo se virar no corredor. – Disse que na próxima segunda ela já estará de volta.
– Isso sim são boas notícias! – Sorriu aliviada e fechou a porta da sala atrás de si.

Saber da volta da chefe trouxe um alívio maior do que esperava sentir. Significava que, a partir da semana seguinte, tanto as ocupações quanto a carga horária dela voltariam ao normal, e a melhor parte, não precisaria marcar presença nas reuniões chatas. Pegou a agenda para incluir entre as tarefas a separação dos arquivos de cada uma delas e notou uma pasta nova em cima das dela. Sabia que era nova por ter um post-it com lembrete de uma reunião que não tinha marcado.
Abriu para ver do que se tratava e ao ler o nome no topo da primeira página a reação dela foi fechar a pasta e jogá-la no outro canto da mesa. Não tinha passado nem meia hora de uma notícia boa e uma ruim tinha vindo. até se considerava uma pessoa que lidava bem com surpresas vez ou outra, mas a cota da semana já tinha estourado. Respirou fundo, pegou a pasta novamente e foi até a mesa de Louise.
– O que isso está fazendo na minha mesa? – Perguntou, virando a pasta na direção dela.
Louise a encarou sem entender a reação exagerada. Pegou a pasta das mãos de apenas para conferir o conteúdo e voltou a olhá-la, respondendo o óbvio.
– Uma reunião foi marcada com esse autor. Ele quer publicar o livro dele e disse que o contato que ele tinha na empresa era o seu, que vocês já tinham se falado. – notou naquele instante o quanto a sua reação tinha sido desproporcional uma vez que Louise não fazia ideia de quem ele era.
– Me desculpe. – Pediu sincera. – Eu devia ter imaginado que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. – Suspirou.
– Quer que eu desmarque a reunião? Eu digo que você ainda está doente ou qualquer outra coisa. Posso passar ele para um dos outros revisores de texto. – Louise disparou alternativas.
– Não precisa, não vai adiantar. Eu sei que ele não vai sossegar se não for eu. – Negou com a cabeça, imaginando o que teria que passar.
– Por quê? Quem é esse? – Louise abriu a pasta novamente para olhar o nome. – Miguel Bittencourt?
– Ex-namorado. Não pergunte. – estendeu a mão pedindo a pasta de volta e Louise sorriu solidária ao me entregar.
– Se precisar de alguma coisa… – Deixou no ar.
– Obrigada.
retornou à sala determinada. Qualquer que fosse o plano de Miguel, ela não cairia outra vez. A reunião seria em 30 minutos e ela usou todo esse tempo lendo o material, assim ele não a pegaria de surpresa.
Assim que Louise informou que Miguel tinha chegado, pediu que ela o acompanhasse até a sala de reunião B. Respirou fundo cinco vezes antes de pegar a pasta e outros pertences e se dirigir à mesma sala. Ao passar pela mesa de Louise, percebeu que ela desejou um “Boa sorte!” somente com os lábios, sem emitir som algum e sorriu, agradecida. até poderia ter levado a secretária para a reunião, mas conhecendo Miguel ele alegaria que ela estava com medo de ficar a sós com ele, porque ele era exatamente assim, convencido e inconveniente, principalmente nos últimos tempos. O que a fazia pensar constantemente como namoraram por quase três anos.

– Miguel. – estendeu a mão para cumprimentá-lo.
! – Ele respondeu ao cumprimento mais feliz do que ela gostaria.
Nunca tinha gostado tanto de se reunir com alguém em uma mesa tão larga. Da forma como estava, à frente dele, não dava brechas para que ele tentasse abraçá-la.
– Quanto tempo! Como você está? Parece mais bonita do que da última vez que a vi. – reprimiu a vontade de rolar os olhos.
– Corte o papo furado, você não precisa mais dele. – Cortou.
– Só estava sendo educado. – Miguel deu de ombros mostrando que o comportamento arisco dela não o afetava e ela se limitou a erguer as sobrancelhas. – Ok. – Ela se sentou e ele fez o mesmo.
– O que te traz aqui? – Descansou as mãos sobre a mesa e o encarou.
– Bom, acredito que seja bem óbvio, não? – Sua expressão aparentava traços de ironia. – Se não estou enganado, os seus braços estão apoiados exatamente no meu livro a ser publicado.
– Eu vi o que deixou aqui.
– Então, quero que vocês publiquem. – Reforçou sua intenção.
– Depois de procurar a concorrência e ela negar você acha que vai nos conseguir fácil assim? – foi certeira e Miguel se mostrou surpreso por uma fração de segundo, se recompondo logo em seguida, como se soubesse que ela teria acesso a outras informações. – Achou que não seria fácil saber disso?
– Claro que não. Eu sei que você não tira os olhos de mim desde que nos separamos. – se limitou a coçar a nuca e respirar fundo para manter o controle, pois a vontade dela era acertar um tapa em seu rosto desde o fim do relacionamento.
– Já experimentou ser um pouco menos desagradável? – Ela sugeriu, deixando cada vez mais clara a insatisfação com aquele encontro.
– Você não pode recusar sem nem avaliar o material, ou se esqueceu de quantas noites eu vi você se matando para terminar leituras horríveis?
– Miguel, você pode, por favor, se concentrar no motivo pelo qual está aqui agora? Obrigada. – Ele sorriu satisfeito, sabia que a tinha tirado do sério de novo. Miguel não perderia a oportunidade de usar o relacionamento a favor dele e precisava jogar exatamente como ele.
– Como quiser, querida. – Deu de ombros. – Então quando você tiver lido meu livro, e estiver apaixonada e deslumbrada com a qualidade dele, eu aguardo seu retorno.
– Me convença de que seu livro vale a pena. – cruzou os braços, desafiadora. – Pelo que li não me convenceu, e como editora chefe eu posso sim recusá-lo. – Miguel piscou algumas vezes, mostrando-se surpreso por uma fração de segundo. – Ficou surpreso, querido? Não achou que eu fosse conseguir? – Ele permaneceu em silêncio. – Bom, quando tiver um bom argumento sobre eu publicá-lo, me procure que te digo o que achei disso. – Ela sorriu falsamente e, sem esperar por uma resposta, juntou suas coisas e se retirou, desejando que o expediente pudesse encerrar ali mesmo.



, me conta de novo, o que te deu depois daquele jogo? – Müller começou fazendo os outros rirem na sala do complexo.
– Vocês não vão esquecer isso? – estava cansado de ser o assunto das piadinhas do amigo.
– Claro que não! – Quase todos responderam ao mesmo tempo e ele negou com a cabeça.
– E se ela ainda te der o bolo, vai piorar um pouco. – Hummels zoou, mas não disse nada. Decidiu ir para a praia mesmo sabendo que seu sossego não duraria quase nada.
– Ei, a gente está só curtindo, relaxa aí! – Lukas o alcançou rapidamente e se sentou ao lado de na areia.
– Eu estou tranquilo, gosto de aproveitar isso que não temos na Alemanha. – , que tinha desviado o olhar para o amigo, voltou a encarar o oceano acompanhado pelo pôr-do-sol.
– Não quero nem pensar que já está acabando. Dá vontade de ficar aqui. – Lukas também passou a contemplar a vista.
– Se depender dos brasileiros, você fica. Eles adoram você com suas fotos, selfies e postagens em português. – Podolski riu e pegou o celular no bolso. – Nada disso, não quero foto com você agora. – empurrou a mão do amigo para longe.
– Mas é muito bom isso aqui. Já estou pensando em vir para cá em todas as férias. – Os dois riram. – Mas agora, falando sério, sem gracinhas. – voltou a olhá-lo, sabendo sobre qual assunto ele se referia. – O que deu em você naquele campo?
– Última vez? – Lukas assentiu. – Nem eu sei. Eu estava eufórico, ela não havia dito nada no Twitter, pelo que eu vi e nem sei se ela tem uma conta. E ainda saíram aquelas notícias que mais parecem fofoca sobre meu relacionamento com a Sarah, que eu também não tenho como saber se ela viu.
– Entendo.
– Ela também me contou durante o voo que não era muito chegada ao futebol, então pode ser que ela nem saiba que eu não contei a verdade sobre mim. Mas naquele momento eu só pensei que se houvesse uma mínima chance de ela ter assistido a algum jogo do país dela, essa era minha oportunidade de fazer alguma coisa. – Explicou com sinceridade. – Claro que no instante seguinte eu percebi que a probabilidade de dar errado era muito maior.
– Essa garota mexeu mesmo com você, hein? – sorriu sem perceber. – Você acha que pode chegar a gostar dela de verdade? – Franziu a testa sem entender aonde Lukas queria chegar.
– Sei lá! Que tipo de pergunta é essa? – Lukas deu de ombros e continuou esperando por uma resposta. – Eu não sei explicar, alguma coisa nela me chamou a atenção, desde que nos despedimos, eu quis encontrá-la de novo. Acho que vocês gostariam dela.
– E você tem certeza que não gosta mais da Sarah?
– Fala a verdade! Você e o andam praticando psicologia e me fazendo de cobaia. – Riu do rumo que a conversa tomava a cada pergunta. – Não é questão de gostar ou não. Eu tenho um carinho enorme por ela, eu só não sentia que queria casar. Não sei se você entende, você casou cedo. – Lukas mostrou o dedo do meio. – Não era justo eu continuar adiando algo indeterminadamente sendo que é o sonho dela. – Ele assentiu. – Mas por que me perguntou isso?
– Monika encontrou Sarah no supermercado. – Percebendo que não falaria nada ele continuou. – Disse que Sarah estava muito estressada e não quis conversar muito, só mostrou o descontentamento sobre as histórias que surgiram aqui sobre você. – Ele respirou fundo e permaneceu em silêncio. – Monika disse algo como “Mal separou dela e já está com outra”.
– Não vou falar nada, porque não há o que falar. Vocês sabem os motivos e eu não preciso repetir. Conhecer a foi puro acaso, não foi algo premeditado e também não é como se eu estivesse me casando com ela. Se a Sarah se sente assim, infelizmente não posso fazer nada a respeito.
– Eu sei, só achei que valia a pena te contar. – Deu de ombros. – Monika me mata se souber que contei para você. – riu da situação.
– Ela sabe que você me contou, se ela não quisesse que eu soubesse nem teria te contado.
– E desde quando está tão entendido de mulheres, ? – Lukas mexeu as sobrancelhas querendo insinuar algo.
– Não sei delas, meu amigo. Mas eu e Monika conhecemos você muito bem. – Lukas proferiu um palavrão e riu, sabendo que era verdade. – Ela vem para a final?
– Sim, ela e Louis chegam amanhã. Ela disse que ele está muito empolgado, só fala disso.
– E não é para menos! Estamos a um passo do nosso sonho, imagina ele contando que o pai é campeão mundial.
– Estou contando as horas para enfrentarmos a Argentina. – Virou o celular, mostrando para que realmente tinha colocado um cronômetro e ele balançou a cabeça, incrédulo. – Vou voltar, vamos? – Podolski se levantou e limpando a areia da roupa.
– Agora não, acho que vou entrar na água.
– Cuidado com os tubarões! Precisamos de você na final! – Gritou já a certa distância

***

A noite já tinha caído e quase todos os jogadores estavam reunidos em frente à televisão vendo um filme que não reconheceu de imediato quando sentou-se em um sofá. Podolski, como de costume, não largava o telefone um segundo sequer e balançava a perna sem parar, esperando o filme acabar, para fazer um comunicado. Desligou a tv e parou no meio da sala, se certificando em ser o centro das atenções. E esperou que todos estivessem em silêncio para falar.
– Definitivamente esse é o melhor país de todos. – Falou pausadamente e se sentou novamente, fazendo com que os outros se entreolhassem, tentando entender. pegou uma almofada próxima a ele e acertou a cabeça do amigo, que resmungou algo parecido com idiota.
– Era só isso? – Müller perguntou.
– Não posso nem dar uma descontraída no clima, vocês estão tensos demais. – Atraiu todos os olhares para si novamente. – Eu só queria dizer que esse é o melhor país de todos porque mais da metade dos brasileiros estão torcendo por nós, segundo esse site aqui. Em que país do mundo a seleção que tomou uma goleada da gente ainda torceria por nós na final?
– Isso é sério? – Müller foi para o lado dele, tentando ver a tela.
– A rivalidade entre Brasil e Argentina é bem conhecida, então eu acho que é compreensível. – ponderou.
– Imagine seu maior rival ganhando no seu país! – Hummels negava com a cabeça.
– Deve ser um inferno! – concluiu.
– Vocês estão sendo muito inocentes, sabiam? – Müller falou, devolvendo o celular para Podolski. – Mais da metade dos brasileiros estão torcendo por nós porque a maioria da população é femi e elas me acham lindo! – Ele concluiu e as risadas preencheram o ambiente. Podolski pegou a almofada que tinha sido acertado e repetiu o gesto de com Müller.
– Você se superou agora! – se levantou, dando tapinhas nas costas dele.
– Vocês estão com inveja por não serem lindos como eu.
– Eu acho que passou a hora de irmos dormir porque para estarmos discutindo a beleza de Thomas é porque estamos delirando. – Hummels provocou.
– Não sei vocês, mas eu vou. – se levantou do sofá, assim como outros jogadores. – Quero acordar bem para os treinos finais. Essa copa vai ser nossa! – Disse já saindo da sala e os outros gritaram aprovando a fala.



demorou a entender que o barulho que a incomodava era o próprio celular tocando. Sentia que ainda não tinha dormido o suficiente e pela escuridão, ainda não tinha amanhecido. Tateou a mesinha de cabeceira até encontrar o aparelho, que tinha parado de tocar, e viu que eram pouco mais de duas horas da manhã de sábado. Cochilou com o aparelho em mãos quando tocou novamente, atendeu sem olhar quem era.
– Alô. – Murmurou para o telefone.
… – Uma voz estranha e arrastada a chamou e ela não reconheceu a princípio.
Sentou-se na cama, acendendo a luz do quarto e olhou a tela. Era um número desconhecido.
– Quem é? – Perguntou em estado de alerta.
– Eu já sei por que você deve publicar meu livro. – A frase saiu com dificuldade.
– Eu não acredito nisso, Miguel! Você me liga a essa hora da madrugada para falar de trabalho? – Aumentou o tom de voz. – Esqueça o meu número! – Pediu, quase gritando.
– Não! Não desliga! – Ele continuou com a voz enrolada.
– Miguel! Você está bêbado! Vá para sua casa, por favor. A gente conversa depois.
, vamos almoçar juntos amanhã… – cogitou a possibilidade de estar em um pesadelo, ele não poderia estar sugerindo aquilo depois de tudo.
– Não, Miguel! Não vamos almoçar amanhã, nem nunca. Tchau.
, me dá uma chance, por favor. – Ele ameaçou chorar e o asco que ela tinha por bêbados aumentou ainda mais.
– Você já teve sua chance, Miguel. E foi escolha sua jogá-la fora. Adeus. – Desligou o telefone antes que a conversa continuasse.
Deitou-se novamente e apagou a luz, mas tinha perdido o sono. Odiava como Miguel ainda conseguia acabar com o humor dela em questão de segundos. Mesmo estando tarde, digitou e enviou uma mensagem para . Ela a perdoaria quando soubesse do aparecimento do ex.

“Almoço amanhã, por favor!
É uma emergência!
Não se preocupe, estou bem!”

Nota da autora: Olá! Como vocês estão?
Quando superamos o 7×1, aparece um ex na história! O que acharam dele até agora? Ideias do que ele quer?
Me contem também se concordam com o Müller que ele é o mais lindo da seleção! Hahahaha
Sou suspeita, mas prefiro o Basti! <3 Bom, é isso! Até o próximo capítulo! Beijos! Grupo do Facebook>/a>
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