Drive to Survive – Alex Albon

Drive to Survive – Alex Albon

Sinopse:A cafeteria no centro de Milton Keynes era aconchegante, agradável e um refúgio para muitos. Até mesmo para aqueles considerados destemidos como os super-heróis.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Os nomes Eddie, Ryan, John e Will já estão em uso.
Beta: Sharpay Evans

Quando iniciou seu primeiro ano na Universidade de Milton Keynes, a cidade ao lado da sua, o combinado com seus pais era claro: ela deveria arranjar um emprego se realmente quisesse estudar aquele curso. O Millie’s Café ficava no centro, a poucos minutos do campus, e parecia exatamente como uma cafeteria deveria parecer – alegre, calorosa e caseira. Toda vez que ela entrava no pequeno estabelecimento, parecia que estava sendo envolvida em um grande abraço e naquela quarta-feira não era diferente.
fez seu caminho em direção ao balcão, iniciando seu turno tranquilamente. Ela atendeu os clientes de sempre, sorrindo e anotando seus pedidos. Apenas um casal e um grupo de pré-adolescentes ocupavam as mesas quando um rosto desconhecido entrou na cafeteria. Um jovem rapaz que aparentava ter a idade de olhava para os lados, como se procurasse por algo. Ele vestia uma camisa polo que mais parecia um uniforme, mas o que chamou a atenção da atendente foi sua aparência. Ele tinha uma beleza diferente que a fazia querer pegar um pedaço de papel e passar a noite inteira o desenhando. Seus cabelos escuros estavam bagunçados no topo da sua cabeça e, quando ele sorriu para ela, seus olhos brilharam.
– Olá, bem-vindo ao Millie’s. – sorriu gentilmente. – Qual vai ser o seu pedido?
O rapaz correu os olhos pelo cardápio sobre o balcão, mas não demorou a responder.
– Um expresso, por favor.
sorriu para ele novamente, assentindo.
– Para viagem?
– Sim. – Ele sorriu com um aceno de cabeça, voltando a olhar em volta da cafeteria e através das janelas de vidro.
não pensou muito nisso. Ele era apenas mais um cliente, embora seu pedido de café fosse abençoadamente descomplicado.
– Qual o seu nome? – A atendente então perguntou, segurando um copo de café e uma caneta em mãos.
O rapaz rapidamente voltou o olhar para ela, franzindo as sobrancelhas. Ele abriu a boca para responder.
– Você não… – Pausou, hesitando.
Ela indicou o copo com a caneta.
– É apenas para eu poder endereçar o pedido. – Explicou.
Ele anuiu, limpando a garganta.
– É… É A… – Pareceu pensar por um momento. Por fim, ele sorriu levemente, satisfeito. – Ryan.
Mais uma vez, não analisou o comportamento peculiar dele por muito tempo. Achou que estava tudo bem. Ele poderia ser um Ryan.
O rapaz recebeu o café e sorriu educadamente antes de deixar o lugar. A atendente franziu as sobrancelhas enquanto o observava sair, sem conseguir conter o sorriso divertido que se formou em seus lábios. Que cliente estranho, ela pensou, mas não insistiu nisso.

*

Na próxima vez que o cliente estranho apareceu, ele estava vestindo roupas comuns, apenas moletom e jeans. Seus olhos castanhos eram visíveis por trás dos óculos que ele usava. Ele fez o mesmo pedido da semana anterior, mas quando perguntou o seu nome, como era de praxe, ele disse:
– É Will.
Era totalmente plausível que ela tivesse entendido o nome dele errado da última vez, mas, ainda assim, ela estreitou os olhos para ele.
Will?
O rapaz se contorceu um pouco, mas confirmou com a cabeça mesmo assim.
– Isso.
Mesmo desconfiada, ela seguiu em frente com o atendimento. Quando Will foi embora, franziu as sobrancelhas mais uma vez, totalmente confusa com o que tinha acabado de acontecer.

*

Na terceira vez, quando ele pareceu falando em seu telefone, ela soube que não estava louca. O problema era com o cara bonito. Daquela vez, ela sabia que não estava errada, porque ele encerrou a ligação assim que chegou ao caixa, pediu um expresso e disse:
– John.
O quê?!
levantou uma sobrancelha, observando-o por cima do caderninho no qual ela anotava os pedidos. Ela reparou em como as luzes da cafeteria refletiam sobre a pele dele de um jeito diferente à noite. Estava acostumada a vê-lo de manhã.
– Aí está você! – Uma voz interrompeu sua linha de pensamentos.
, colega de quarto e melhor amiga de , entrou pelas portas do estabelecimento. Ela deu passos largos na direção da bancada, caminhando até a atendente.
– Meu turno acaba em 20 minutos. Já vamos. – avisou a amiga, voltando-se para o rapaz. John.
Ela finalizou o atendimento sob o olhar atento de , que percebeu a forma como olhava para o estranho e, com a presença de mais uma pessoa na conversa, levemente inquieto cliente. A recém-chegada não disse nada, nem mesmo no caminho para o dormitório do campus. Somente quando as duas já estavam no quarto que dividiam foi que abriu a boca para questionar a situação.
– Então, você obviamente quer descobrir qual é o nome real dele, certo? – perguntou quando finalmente contou a ela sobre o cara.
– Claro que sim! Você não quer?
deu de ombros, arrumando o rabo de cavalo.
– Talvez o nome dele seja constrangedor, ok? Talvez seus pais fossem fãs de Star Wars e o chamaram de C3PO.
bufou com isso, agarrando seu travesseiro com força. Ainda assim, ela estava intrigada. Sim, poderia ser um nome estranho, mas algo disse a ela que não era o caso.
Ele parecia ser uma boa pessoa, mesmo que um tipo de mistério o envolvesse. Pelo que ela sabia, ele poderia estar salvando gatinhos das árvores em seu tempo livre.
Portanto, a única conclusão lógica era: ele era um super-herói.
Era exatamente isso que ela diria a ele na próxima vez que ele aparecesse.

*

Não demorou muito para que encontrasse o rapaz novamente. Na noite seguinte, ele entrou na cafeteria com olheiras e uma jaqueta. Ele estava de óculos, e quase desmaiou no balcão enquanto murmurava seu pedido usual – expresso.
– Salvou alguma vida hoje?
Ele abriu as pálpebras, erguendo uma sobrancelha acima dos óculos de aro grosso. Sim, ele era fofo. Aquele poderia ter sido pelo menos 70% do motivo pelo qual ela se importava.
O quê?
– Ok, bem, você dá um nome falso sempre que vem aqui… – Ela começou a assinalar nos dedos as razões. – Está constantemente cansado. Usa óculos. Você sabe quem também usa óculos? Sim, o Super-Homem!
Sua risada a surpreendeu, a profundidade dela, e quando ele finalmente olhou para ela, ele tinha um novo brilho nos olhos.
– Basta endereçar para o Batman hoje, hein?
Ela acenou com a mão, apesar de balançar a cabeça negativamente.
– Para viagem?
Ele olhou em volta da cafeteria que se encontrava vazia naquele dia, considerando a pergunta.
– Sabe o quê? Acho que vou ficar aqui por um tempo. – Ele abriu um sorriso sereno.
sorriu de volta e fez o que ele pediu, escrevendo Batman no copo de café, mas não sem revirar os olhos excessivamente enquanto o cara sorria para ela como se estivessem compartilhando uma piada. Havia algo nele que ela não conseguia identificar, mas ainda assim gritou:
– Um expresso para um super-herói playboy bilionário!
Felizmente, não havia mais ninguém na cafeteria, caso contrário, seria estranho, mas o cara foi até o caixa com um sorriso. Ele tomou um gole de seu expresso como se estivesse morrendo de vontade de fazer isso o dia todo e, então, fez uma careta, franzindo a testa para o líquido quente no copo.
– Ugh. – Ele soltou. – Isso é horrível.
Quando ele encontrou os olhos surpresos e ligeiramente magoados de , o rapaz percebeu o que havia dito e se atrapalhou para se desculpar.
– Merda, não, eu não quis dizer isso; você é ótima. Você é! – Ele a assegurou quando ela ainda parecia desapontada. – Mesmo. Eu só odeio café expresso. Tenho certeza de que há pessoas que gostam e ficariam maravilhadas com suas habilidades, mas eu realmente odeio isso.
– Tudo bem. Sem problemas. – Ela sorriu, achando a atrapalhação dele fofa. – Se você não gosta, por que beber, então?
O jovem buscou por uma resposta, pousando os olhos sobre o moletom da Universidade de Milton Keynes que a menina usava naquela noite.
– Provas finais? – Ele ofereceu.
suspirou.
– Isso eu entendo. – Ela acenou com a cabeça, virando as costas para ele novamente. tinha uma mochila cheia de livros que ela precisava ler a tempo para o teste de quinta-feira e nenhum expresso era tão amargo quanto aquilo. Ela teve uma ideia e voltou a olhar o rapaz. – Espere aqui, eu tenho exatamente o que você precisa.
O latte de caramelo que ela trouxe em seguida tinha um gosto ambrosíaco e ele cambaleou atordoado para uma banqueta livre. Um novo cliente entrou em seguida e se ocupou em atendê-lo. Quando ela desviou o olhar para o estranho rapaz, percebeu que ele já lançava um olhar para ela. A atendente fez um sinal de positivo com o polegar, envergonhada.
Depois de algum tempo, o jovem fez o caminho de volta para o caixa. Estava de saída.
– Obrigado, ãhn… – Ele olhou para ela. Não sabia o nome da garota.
teve uma ideia e cruzou os braços sobre o peito, sorrindo travessa.
– Selina Kyle. – Disse, esperando que ele entendesse a brincadeira.
Então ele sorriu, um tipo de sorriso aberto que colocou covinhas em suas bochechas e o fez parecer ainda mais adorável do que antes.
– Uau, o sujo falando do mal lavado. Esse não é o nome da Mulher-Gato?
Ela levantou uma sobrancelha enquanto o cara sorria.
– Você não sabe que eles trabalham juntos agora?
Ele murmurou em confirmação, dando seu próprio sorriso maroto.
– Sim, obrigado. – Piscou. – Mas prefiro trabalhar sozinho.
– E dirigir seu Batmóvel também, aposto! – Ela riu.
À menção do famoso carro, os olhos do rapaz baixaram. não entendeu, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ele balançou a cabeça.
– É… – Soltou uma risada fraca, recuperando-se do pequeno momento. – Até mais, Mulher-Gato.
Ela abriu um pequeno sorriso.
– Até mais, Batman. – Ela acenou, assistindo-o caminhar para a porta da cafeteria e bater continência.

*

– Estou preocupada com você.
Eram dez da noite, ela deveria estar fechando, mas o super-herói entrou cinco minutos antes e ela simplesmente não conseguiu recusá-lo, ainda mais com o quão exausto ele parecia. Então, ela preparou um latte de caramelo para ele e disse-lhe para sentar em uma das mesas.
Ele franziu a testa quando ela colocou um sanduíche em sua frente, observando-o com os lábios apertados. Ele parecia uma boa pessoa e estava cansado demais.
– Por que você está preocupada comigo?
– Você está sempre tão cansado e temo que você simplesmente não vá entrar pela porta um dia, porque terá desmaiado e morrido. E eu nunca vou saber o seu nome. – Ela acrescentou, só para não parecer tão assustador.
– Meu nome é –
– Não! – Ela o parou, pressionando uma mão em sua boca. – Não, isso seria trapaça.
Sua voz estava abafada enquanto ele falava na palma da mão dela, mas havia alegria em seus olhos e ela apenas sorriu. Ter uma queda por um cliente era provavelmente a pior ideia, mas ela não conseguia se conter. Ainda havia o fato de que ele era um mistério para ela e isso era mais um fator, com certeza.
– Então você não quer saber?
balançou a cabeça, deixando sua mão cair e sentando-se em frente a ele.
– Não. Eu vou descobrir. A Mulher-Gato é cheia de recursos, lembra?
O jovem concordou com a cabeça, soltando uma risada.
– Eu também não sei o seu nome ainda. – Lembrou. Então levantou uma sobrancelha. – Que tal uma aposta?
Os olhos dela o observaram, curiosa.
– Prossiga.
– Quem descobrir qual é o nome do outro primeiro vence. – Ele anunciou com um sorriso.
gostou da ideia. Ela gostou muito da ideia.
– Fechado, Batman.
– Que a temporada de caça ao nome comece, Mulher-Gato.

*

passou os dias seguintes pensando em diversos jeitos de descobrir o nome do misterioso rapaz. Não imaginava que seria fácil. Em nenhum lugar da cidade que ela procurava, encontrava informações sobre quem ele era. Lembrou-se de ele ter falado sobre provas finais, então procurou em todas as universidades próximas, mas voltou de mãos vazias. Pelo menos, aquela caçada era uma ótima distração para a menina da universidade e de seus pais.
Em outra ocasião, estaria a ajudando com a missão, mas sua melhor amiga havia começado a sair com um mecânico de uma empresa famosa em Milton Keynes, algo a ver com o energético da Red Bull e carros. Como todo morador da região, sabia sobre a grande fábrica que ocupava os arredores da cidade, mas não sabia muito sobre o assunto.
O que importava é que não poderia ajudá-la. Pelo menos era isso que pensava, até a tarde em que a amiga entrou correndo no quarto que as duas dividiam, tirando a atenção de do trabalho de faculdade que ela terminava.
! ! ! – repetia, eufórica.
– O que foi, ? – Ela perguntou, preocupada. – Aconteceu alguma coisa?
– O cara do Millie’s, o super-herói…
respirou, aliviada. Para uma estudante de teatro, sabia como ser extra dramática. Então ela processou as palavras da menina e imediatamente levantou as sobrancelhas, curiosa.
– O que tem ele?
– Eu já sei quem ele é.
O quê? – Arregalou os olhos.
puxou-a para sentarem na cama juntas, abrindo seu laptop.
– Eddie me levou para conhecer o trabalho dele hoje. Aquela fábrica, lembra? – assentiu enquanto digitava algo na busca. – Você não vai acreditar em quem eu encontrei lá, !
A página da internet carregou e diversas imagens do super-herói de apareceram. Os mesmos ombros largos, a mesma pele bonita, os mesmos olhos castanhos. Na maioria das fotos, ele usava a camisa polo que mais parecia um uniforme e que ele usou na primeira vez que o viu no Millie’s Café. Depois disso, ele nunca mais havia aparecido com a camisa. apertou os olhos para o monitor do laptop, vendo que Red Bull era uma das marcas estampada no tecido. Lembrava-se vagamente de ter visto isso naquele primeiro dia.
– Ele é .
. Piloto de Fórmula Um. Então esse era o super-herói. sorriu, porque era esse nome que combinava com seus olhos gentis e sua pele brilhante e suas expressões que a faziam querer pintar e ir trabalhar com manchas atrás da orelha.

*

Quando entrou pelas portas do Millie’s no dia seguinte, um sorriso brilhante tomou conta dos lábios de . Ela sabia exatamente o que faria.
– Olá, bem-vindo ao Millie’s. – Iniciou o atendimento como sempre fazia. – O de sempre?
não pareceu notar o novo brilho que tomava conta de todo o comportamento da garota.
– Sim. Um latte de caramelo, por favor. – Abriu um sorriso. O pedido “de sempre” dele havia mudado de expressos para lattes de caramelo desde a noite em que ela ofereceu a nova bebida. Antes que ela pudesse perguntar, ele completou. – Para tomar aqui.
– Certo. – acenou com a cabeça. – É pra já.
Ela pegou o copo de café e, sem pedir por um nome, usou o marcador para escrever. Das últimas vezes, ela havia feito o mesmo, mas os copos sempre vinham com Batman escrito ao lado de um desenho precisamente perfeito do Bat-Sinal. Dessa vez seria diferente. Aproveitando que a cafeteria se encontrava vazia e com um sorriso enorme, anunciou.
– Aqui, . – Ela estendeu o copo com o nome dele escrito e diretamente apontado para ele.
arregalou os olhos por um segundo ao ouvir as palavras de Olivia, mas recuperou-se rapidamente.
– Muito obrigado, . – Ele atirou de volta, rindo quando ela corou.
– Como você… – Ela juntou as sobrancelhas.
Ele apontou o moletom da Universidade de Milton Keynes que usava naquele dia e que ele já tinha a visto vestindo algumas vezes.
– Assim como a Mulher-Gato, o Batman também é cheio de recursos. – Soltou mais uma gargalhada. – Bastou uma pesquisa pela universidade para eu descobrir o nome da brilhante estudante de artes.
Ela fez uma cara de surpresa, abrindo um sorriso.
– Olha só quem está me chamando de brilhante, o cara que dirige carros em uma alta velocidade.
concordou, também sorrindo.
– Você me descobriu. Sou piloto de Fórmula 1 durante o dia.
não perdeu a oportunidade de acrescentar:
– E super-herói à noite.
Ele soltou uma risada sem graça, quase triste.
– É… Dá pra chamar de heroísmo…
Quando ela franziu a testa para ele, ele abaixou a cabeça, a mão correndo para esfregar o pescoço.
– Você pode me dizer por que sempre escolhia um nome diferente? – decidiu perguntar, quebrando o silêncio.
sorriu.
– Eu achei legal você não saber quem eu era. – Ele contou. – Por causa da fábrica da Red Bull, todos em Milton Keynes parecem já saber, desde que cheguei. Você foi a primeira pessoa que me atendeu normalmente e a única que não me perguntava constantemente sobre trabalho.
– Automobilismo é grande por aqui, mas eu realmente não acompanho. – Ela deu de ombros, antes de justificar. – Culpe a minha profunda paixão por arte. Passei a vida com os olhos pregados em telas e cadernos de desenhos. Não havia tempo para outras coisas.
anuiu, entendendo perfeitamente.
– Foi assim para mim com o automobilismo. – Contou. – Eu precisava treinar, não tinha tempo para outras atividades. Acho que nunca fui em um museu de arte…
arfou, indignada.
– Não?!
– Não.
– Isso é inaceitável, . – Suspirou em desaprovação. – Inaceitável.
Ele levantou os .
– Desculpe, .
Ela negou com cabeça.
– Pode me chamar de . – Ofereceu. Deu um sorriso divertido. – Mesmo que você não saiba nada de arte e nunca tenha ido a um museu.
Ele parou com a boca no meio do caminho para terminar o latte e estudou a expressão da atendente.
. – Testou o nome antes de prosseguir. – E, então, … qual vai ser o prêmio?
– Prêmio? – franziu a testa.
– Pela aposta. – explicou. – A caça aos nomes.
– Quem ganhou? – Ela levantou a questão. Os dois pareceram pensar. – Eu falei seu nome primeiro.
Ele balançou a cabeça.
– Mas eu também já sabia o seu.
Foi a vez da menina negar.
– Mas eu falei o seu primeiro, então eu ganhei.
Ele levantou um dedo.
– Tive uma ideia. – sorriu. – Um prêmio que beneficia ambas as partes.
arqueou uma sobrancelha.
– O que você tem em mente, super-herói?
– Você me leva para conhecer sua faculdade e seu curso, assim eu aprendo sobre arte. Em troca, eu te levo passar um dia na fábrica e entender um pouco do que eu faço, ver os carros…
– Ah, os carros.
– Sim, os carros são muito importantes.
Ambos riram. A garota simplesmente adorou a ideia do rapaz.
– Como um encontro?
– Não. – negou, fazendo-a franzir a testa. Ele abriu um sorriso. – Como dois encontros.
correspondeu-o com um sorriso próprio, animada.
– E onde iremos primeiro? Acho que podemos começar pela fábrica. Parece um lugar misterioso, assim como o cara que trabalha lá. – Ela o olhou com o canto dos olhos, rindo.
Ele sorriu incrédulo, como se não achasse que ela realmente havia topado, e se inclinou para frente.
– Ok, mas você não pode contar a ninguém. Tem segredos de super-heróis guardados lá.
– Claro, os carros. – Ela sussurrou como se conspirasse com ele, incapaz de conter um sorriso. – E, no próximo encontro, eu posso te mostrar que super-heróis também entendem um pouco de arte.
– Ótimo, está combinado.
voltou para a fábrica em seguida, evitando estar na cafeteria quando ela começasse a encher de clientes. Antes de ele ir embora, eles trocaram números de telefone e, embora já soubesse o nome dele, ela ainda assim decidiu colocá-lo como “O super-herói” em sua lista de contatos.

*

A fábrica da Red Bull Racing era gigantesca. Cheia de corredores, salas de escritório, grandes e espaçosas garagens, seu próprio museu de história da equipe. apresentou à cada parte da enorme instalação. Pelo menos, cada parte que ele conhecia, porque nem mesmo o piloto sabia achar-se com perfeição lá dentro.
A cada novo ambiente descoberto, explicava um pouco mais de sua profissão, sua história e sua vida. aprendeu que o piloto estava na equipe há quase um ano e meio e que tinha se mudado com a família para Milton Keynes quando recebeu o emprego.
– Você já morava aqui quase meio ano antes de ir ao Millie’s pela primeira vez? – Ela perguntou e ele murmurou em confirmação. – O que te fez ir até lá? Fica no centro da cidade.
suspirou e, pela primeira vez em algum tempo, pode ver o cansaço que ele carregava nos últimos meses.
– Lembra quando falamos sobre pilotos de Fórmula 1 serem como super-heróis? As pessoas realmente nos veem assim, porque pilotamos carros rápidos. É como se tivéssemos superpoderes, fossemos corajosos a todo momento. Acho que eu não estava me sentindo assim no dia em que entrei naquela cafeteria… – Ele soltou uma risada sem graça. – Eu nem gosto de café, mas aquele lugar tinha uma atmosfera tão boa e agradável, eu fui atraído.
sorriu com isso, era exatamente daquela forma que ela também se sentia dentro do estabelecimento. Então ela recordou-se de uma interação entre os dois.
– Um dia você me disse que bebia expresso por causa das provas finais. – Lembrou. – Eu procurei por seu nome em todas as universidades da região, mas você não constava em nenhuma delas.
riu fraco.
– Nós, pilotos, também temos momentos que são tão estressantes quanto provas finais. Como eu disse, somos super-heróis aos olhos dos fãs e eu estava me sentindo uma farsa…
Ele começou a contar as dificuldades que vinha enfrentando ao longo daquela temporada. Os abandonos em corridas. Já havia explicado para ela sobre os campeonatos de pilotos e construtores de Fórmula 1, a briga pelo título mundial. Ela entendia como as coisas funcionavam e, no momento, elas não estavam funcionando tão bem para .
– Todos me dão o maior apoio do mundo, sabe? Minha equipe acredita em mim, minha família acredita em mim, toda a torcida acredita em mim… – Ele apertou os olhos, refletindo. – Eu só… estou achando difícil acreditar em mim mesmo.
O coração de se partiu um pouco, mas ela respirou fundo e disse:
– Eu acho que você está dando seu melhor e é isso que importa. – Lançou um olhar reconfortante na direção do piloto. – Tem muitas pessoas que acreditam em você, . Você vai conseguir passar por isso. Você vai ver. Você e seu Touro-Móvel vão sair no topo. – Ela fez piada com o animal da equipe dele e o nome do carro do Batman.
riu. Na maioria das vezes, eles estão rindo, e isso é bom para ele, agora que ela sabe seu nome.
Durante todo o dia, não conseguia tirar os olhos do piloto, os dedos formigando para desenhá-lo. Ela não o beijou, embora garotos com lábios como os dele fossem sempre beijáveis. Mas ela repetiu o nome dele pelo menos vinte vezes no caminho até o carro e, depois, repetiu tanto que riu e riu, mesmo enquanto ele dirigia.

*

O simples museu de arte de Milton Keynes poderia não conter obras de grandes pintores como Picasso, da Vinci ou Michelangelo, pela expressão que carregava, as pinturas de expostas ali eram as melhores do mundo.
revelou a ele como descobriu sua paixão por arte e, a cada nova pintura que eles viam, entendia mais e mais o que tanto havia para se gostar naquilo. Ela falou sobre a universidade, sobre como ela estava no segundo ano do curso.
– Esse lugar é incrível. – Ele olhou em volta, maravilhado. – Acho que, ao invés de correr no próximo final de semana, eu deveria visitar os museus de Londres… Será que eu posso faltar uma corrida?
A artista o observou enquanto ele analisava as obras nas paredes, pensativa. Ela não conseguiu conter um suspiro.
– Você tem sorte, . – Soou cansada. Ele virou-se para ela no mesmo instante. – Você tem pessoas que acreditam em você. Não são muitos que tem isso.
sentou em um dos bancos da galeria, o piloto sentando ao seu lado. Ela contou a ele sobre seu pai e sua mãe e como arte nunca pareceu ser uma carreira boa o suficiente para eles. Aos olhos deles, arte não era coisa séria e eles só acreditavam em coisas sérias.
– É por isso que eu trabalho no Millie’s. – Ela explicou. – O combinado para meus pais deixarem eu vir estudar aqui é que eu deveria ter um emprego. É com ele que eu pago para ter minhas pinturas expostas aqui.
– Bom, , pode me colocar na lista de pessoas que acreditam em você. – empurrou o ombro dela com o seu. – Sabe o quê? Talvez eu deva adiar aquela viagem para Londres. Vou esperar até suas pinturas estarem expostas lá. Sei que não vai demorar muito. – Ele sorriu e ela sorriu de volta, agradecida. – E você nunca mais vai precisar servir café.
Com isso, soltou uma gargalhada.
– Ei, você pode dizer não gostar de café, mas adora os lattes de caramelo que eu preparo.
se juntou a ela, rindo.
– Eu amo aqueles lattes de caramelo. – Ele rebateu. – Só, por favor, nunca conte ao meu preparador físico o tanto de café e lattes de caramelo que eu tomei.
Eles riram mais uma vez, acalmando-se aos poucos. Um silêncio confortável pairou no ambiente. Ambos olharam em volta e seus olhos repousaram sobre uma pintura no meio de uma das paredes da sala. Uma explosão de tons de vermelho, amarelo e laranja.
– Isso é tão bonito. – Ela deixou escapar.
– Sim, assim como você. – Ele respondeu, abaixando a cabeça para esconder um sorriso nervoso.
esperou, mas ele não a beijou. Não. apenas deu um beijo na bochecha dela e pegou a mão dela na sua, entrelaçando seus dedos.

*

Com , era como se o sol estivesse sempre presente, mesmo quando ele aparecia para o encontro após um longo dia e eles simplesmente pulavam para assistir a Netflix no sofá dela. Mesmo quando ele ficava longas semanas longe e voltava depois de uma corrida difícil.
Mas, de alguma forma, o beijo não havia acontecido. O momento era ruim ou o momento era certo o tempo todo. Ela queria beijá-lo quando ele provocava as irmãs e o irmão dele, queria beijá-lo quando ele pedia latte de caramelo, queria beijá-lo quando ele entrelaçava seus dedos, mas beijos pareciam longes de acontecer.
Um mês já havia passado do primeiro encontro deles quando chegou em Milton Keynes carregando um troféu e balançava um panfleto da primeira exposição de arte exclusivamente dela.
Não deveria ser uma surpresa que o primeiro beijo deles acontecesse enquanto assistiam Batman: O Retorno como uma forma de comemorar os acontecimentos. A Mulher-Gato apareceu em cena e ele se inclinou para sussurrar no ouvido dela:
– Nós poderíamos ser um casal poderoso, você e eu.
– Achei que você preferisse trabalhar sozinho.
sorriu para ela, desentrelaçando seus dedos para que ele pudesse deslizar a mão em seu cabelo e colocar um dedo sob seu queixo.
– Uma certa super-heroína me fez mudar de opinião.
-É mesmo?
– Uhum.
– Um casal poderoso? – repetiu. acenou com a cabeça, sua testa pressionada na dela enquanto os créditos rolavam. – É, acho que eu gostaria disso.
– Estou feliz que você disse isso, porque… – Ele se afastou, fazendo franzir a testa, sem entender. Ele tirou alguma coisa de dentro de uma mochila do nada e, então, exclamou. – Eu comprei camisetas para nós!
Nas mãos de estavam duas camisetas, uma do Batman e uma da Mulher-Gato, feitas para um casal. Uma risada brotou da garganta de e, antes que ela pudesse processar um par de lábios estava colado ao seu. Ela não pode deixar de beijá-lo de volta, pressionar seus lábios contra os dele e rir no beijo. Eles eram um casal poderoso e bastava estarem juntos para explosões acontecerem.

 

NOTA DA AUTORA: Oi, gente! Primeiramente, quero agradecer a todos que leram esse conto e chegaram até aqui. Eu escrevi ele com o Alex Albon, um cara simplesmente sensacional. Eu me lembro que quando o escolhi para ser o piloto principal da história, minha ideia inicial era totalmente diferente. Dois dias antes de entregar o conto, eu mudei absolutamente tudo. Comecei a história do zero e o resultado foi esse. Espero que vocês tenham gostado!

Tentei escrever de uma forma que pudesse ser lido com qualquer piloto ou pessoa, mas também falei um pouquinho das lutas do Alex e o que ele passou. Se você não o conhecia e leu com ele, espero que essa história tenha feito você se apaixonar pela pessoa tão adorável que ele é. Se você já o conhecia e leu com ele, espero que o que eu escrevi tenha feito jus ao Alex. Eu queria dar algo digno para ele, porque ele tá indo embora e não sabemos quando ele vai voltar…

Não sei se todos sabem, mas essa história faz parte do projeto Drive To Survive, um união entre várias autoras que escrevem sobre Fórmula 1. Para quem gostou e até mesmo para quem não gostou desse conto aqui, eu gostaria de pedir e indicar os outros contos do projeto.

No mais, é isso! Obrigada, xuxus!