Drive to Survive – Carlos Sainz

Drive to Survive – Carlos Sainz

Sinopse: Até que ponto uma rixa de família pode afetar a amizade de dois jovens? Quando Eva se torna a maior patrocinadora de Carlos, o que resta aos dois é tentar viver em harmonia.
Gênero: Comédia romântica.
Classificação: 10 anos (contém palavras de baixo calão)
Restrição: Sem restrição.
Beta: Sharpay Evans

Nota de liberdade criativa: Declaro que algumas informações podem estar diferentes do que acontece na vida real, mas foi necessário para o desenrolar da história.

Odiava chegar atrasada nos lugares, principalmente quando se tratava de compromissos profissionais, mas aquele dia já tinha começado difícil. Além de acordar atrasada em 20 minutos, o que me custou um atraso progressivo durante o dia, ainda tive a má sorte de trombar com um arrogante odioso no saguão do prédio. Era difícil admitir, mas encontrar aquele homem depois de tantos anos tinha me desestabilizado completamente.
Sacudi a cabeça assim que estacionei no prédio da McLaren, em Woking, no Reino Unido e respirei fundo algumas vezes pra me recompor, não ia deixar que o encontro de mais cedo com a cria do capeta acabasse com minha manhã de glória. Os era uma família que já estava há anos no ramo da velocidade, começando com meu avô, seus filhos, netos e em especial, meu pai, Agapeto , o piloto que mais se destacou nos anos 2000, com mais vitórias dentro da Fórmula 1. No auge dos meus 25 e uma fortuna vinda da família, decidi investir nos negócios que estavam no sangue dos e, embora amasse a velocidade, correr era por puro prazer, não pra viver. Foi um dos motivos que decidi patrocinar pilotos da primeira divisão.
Sacudi meus cabelos loiros e abaixei os óculos escuros no rosto, entrando naquele lugar com toda a segurança que me cabia. Tinha sido ensinada por papa a nunca abaixar o queixo pra quem não merecesse, só assim seria respeitada em um meio no qual homens ainda reinavam. Além do dinheiro da marca, óbvio, eu também tinha desenvoltura e eloquência.
– Senhorita . – O rapaz me cumprimentou com um sorriso leve e devolvi o aceno, acompanhando-o pelo corredor claro enquanto o ouvia falar sobre quem já estava presente para a reunião.
E dentre os inúmeros nomes que ele falou, não revelou o nome do “meu piloto”, mas garantia ser o melhor da equipe e ter as melhores marcas de tempo, foco, concentração e extremamente promissor. Aquilo fez com que eu me sentisse maravilhosa, pois além de estar apostando um caro patrocínio no cara, os homens do negócio tinham realmente me levado a sério. Sorri agradecida por todas as informações e a gentileza que o secretário fez em abrir a porta pra mim.
Na imensa mesa de reuniões, estava um grupo misto, homens e mulheres, mas homens em sua maioria. Na ponta oposta onde eu tinha parado, estava um homem de meia idade, que eu já conhecia como presidente da equipe, algumas pessoas extremamente formais ao meu lado direito me sorriram em cumprimento. Ao lado esquerdo mais alguns sorriso e após me sentar na cadeira, a cara de dor, deboche e ódio no homem ao meu lado, fez com que meu estômago sacudisse violentamente. Engoli o reflexo de vômito, perguntando aos Deuses qual era meu grande erro em merecer aquele castigo.
– Senhorita , ao seu lado esquerdo, nosso melhor piloto e agora, seu também. – Pisquei os olhos mais de uma vez pra ter certeza do que o presidente de equipe falava e ainda mantinha um sorriso largo no rosto. – O sr. . – Respirei fundo e vi que o homem a outra ponta, parecia extremamente empolgado com a parceria. Coisa que eu também estaria, se não fossem as circunstâncias.
. – Cumprimentei-o secamente em espanhol, ainda sem olha-lo, porque tê-lo visto de manhã no saguão do meu prédio já tinha sido o bastante para o dia.
. – Ele respondeu exatamente no mesmo tom e me segurei pra não deixar o almoço voltar. A voz, a merda da voz, continuava a mesma. A mesma que ele me chamava de rubia* há 10 anos.
– Ah, que ótimo, vejo que já se conhecem. Isso vai ser muito bom! – O presidente de equipe abriu um sorriso animado e ao meu lado, resmungou que preferia não conhecer. Felizmente, eu concordava com ele.
O resto da reunião passou em um borrão sem fim, precisei ser chamada algumas vezes e dei respostas estratégicas sobre estar patrocinando. Felizmente, uma longa e interminável hora depois, aquele encontro terminou. Me despedi brevemente, peguei minha bolsa no tampo de madeira que recobria a mesa, a agenda pontilhada – a qual eu tinha um apego imenso desde que começara usar –, o celular e saí dali o mais rápido possível.
A falta de respeito para com o nosso ódio histórico tinha me deixado imensamente chateada. Não era possível, não era minimamente possível que nenhuma pessoa naquela sala, ou envolvida com o mundo da Fórmula 1, talvez até alguns fãs de velocidade, não conhecesse a briga icônica que tinha acontecido entre nossos pais, o meu e o do . Agapeto e , o pai, tinham se tornado inimigos mortais depois de um desentendimento de equipe que havia feito papai perder o GP de Dubai, por precisar ceder a merda do lugar para o pai do , que por sua vez, perdeu feio pra um piloto de outra equipe. Foi aquele dia que vi uma amizade tão bonita desmoronar, eles gritaram um com o outro, esbravejaram grossamente e…
Sacudi a cabeça quando o meu alerta de mensagens tocou.

*loira em espanhol

– Você perdeu o inferno do juízo? – Perdi toda a noção de respeito e compostura para com o presidente da minha equipe e enfiei as mãos entre os cabelos. já tinha deixado a sala há cerca de 10 minutos e eu continuava catatônico até Zac Brown me perguntar o que estava acontecendo. O homem me olhou por cima dos óculos de grau. – Perdão! – Me remexi na cadeira giratória.
Era inacreditável que com todo o ódio público das nossas famílias, ainda aceitassem que me patrocinasse naquela temporada. Era sim um puta de um patrocínio, tenho que confirmar que um dos mais caros que eu já tinha recebido naqueles tempos correndo. Mas, merda, vinha dos ! Meu pai ia ter uma síncope se descobrisse de onde estava vindo meu financiamento.
Passei as mãos pelos cabelos mais uma vez, sentindo meu corpo tensionar um pouco mais com toda a situação que rodava na minha cabeça. me financiando. Meu pai em surto. Ah que merda! Por mais que eu me distanciasse de toda a imagem profissional do meu pai, iria ser difícil quando minha família e a de eram inimigas mortais.
Comecei a bater o dedo na mesa de madeira e só me dei conta quando Zac me chamou atenção.
! – Olhei-o, vazio. – Eu sei de toda essa merda envolvendo a família de vocês. Mas você – Ele apontou pra mim. – é meu melhor piloto e não vai perder essa oportunidade por causa de picuinha envolvendo dois velhos.
– Você conhece o meu pai! – Exclamei exasperado, embora não tenha feito muito efeito pra cima do meu chefe de equipe.
– E conheço o Agapeto pra saber a tamanha tolice que foi essa briga. – Ele suspirou saturado e pressionou o meio entre os olhos. – Não me venha com gracinhas.
Me dei por vencido ao afirmar com ele e nos despedimos com um aceno leve de cabeça. Brown tinha razão sobre eu não ser o meu pai, eu sabia que não era e nunca iria ser, principalmente quando o assunto era a .
A mulher loira estonteante tinha bagunçado energeticamente todo o meu dia assim que quase capotou por cima de mim no saguão do prédio que moro aqui em Surrey. Fazia uns bons meses que não via , da última vez que a tinha encontrado, tinha sido em um Grande Prêmio há mais de 8 meses e dei graças aos céus que ela não tinha me visto. De longe, era até reconfortante saber que ela estava bem, mas o contato com a filha única dos tinha mudado toda a perspectiva do meu dia.
Atrasei para a maioria dos compromissos, a falta de foco me atingiu e preferi usar um uber, antes que causasse um acidente por falta de atenção. tinha acabado com a parte metódica e sistemática que fazia de mim o homem mais focado que conhecia, até mais que o pai dela e mesmo assim, só conseguia pensar em como ela estava ainda mais linda.
Cheguei à conclusão que era melhor tirar da cabeça, se íamos trabalhar juntos dali em diante.
Ignorei todas as mensagens, notificações e lembretes do meu celular enquanto saía do prédio às pressas. Precisava reorganizar minha cabeça e só tinha um jeito de fazer aquilo. Chamei o uber no aplicativo e selecionei o endereço do Kart de um amigo no centro de Londres, eu precisava de velocidade e apostar num motor de verdade era suicídio com minha falta de foco recorrente aquele dia.

-x-x-x-

Passar o dia longe de todas aquelas problemáticas não tinha sido de todo ruim. Descarreguei minhas frustrações na velocidade e voltei pro aconchego do meu apartamento logo em seguida, por mais que ainda mantivesse o encontro com ela sendo o ponto principal dos meus pensamentos. Digitei meu andar no painel do elevador e aproveitei que estava sozinho pra encostar as costas no ferro gelado, só precisava de um banho, uma cerveja gelada e dormir a noite toda. Assim que saí do elevador, vi a rubia, digo, , recebendo o que parecia ser algum tipo de comida de delivery na porta oposta à minha e porra, eu não esperava por aquilo. Ela poderia morar em qualquer lugar do bairro, pelas finanças da família, a mulher poderia ter um prédio só pra ela se quisesse. Então por que infernos, dividia o andar comigo?
Passei direto pra casa, bufando de ódio em estar com minha cabeça tão ocupada na presença dela. Tranquei a porta da frente e fui direto para o banheiro, enfiei a roupa usada no cesto do banheiro, não esperando muito pra entrar debaixo da água quente. Suspirei frustrado e deslizei as mãos pelos cabelos como se aquele movimento pudesse tirar de mim todo aquele desconforto ruim no meu peito, mas só parecia ter o efeito contrário, principalmente quando a água ficou gelada de uma hora pra outra e todas as luzes apagassem.
MIERDA! – Reclamei enfurecido. – Esqueci de pagar o carajo do condomínio de novo! – Bati na parede de azulejos em meu banheiro e suspirei frustrado, sabendo que só tinha uma solução imediata pra que eu não congelasse antes de fazer minha corrida da vitória.

Estava muito entretida conversando com minha mãe por telefone, enquanto comia meu ravióli quando tomei um susto com os esmurros na minha porta da frente. Me desculpei com mamá pela interrupção e desligamos, desejando que a outra ficasse bem, embora estivéssemos cheias de saudade. Não tive coragem de falar que patrocinaria o nessa próxima temporada, a verdade é que nem sabia como raios eu ia contar isso aos meus pais.
Não sabia se ligava pro porteiro, ou resolvia aquela confusão no hall sozinha, então por via das dúvidas, peguei meu taco de baseball no quarto e em pose de ataque, abri minha porta de madeira só pra encontrar um parecendo um cachorro molhado. Era do tipo chihuahua com aquela cara enjoada, mas ainda um cachorrão molhado.
– O que você quer? – Esganicei mais do que realmente queria.
– Você está com o aquecedor ligado, ? – se encolheu dentro dos próprios braços e pude jurar que vi um queixo tremer de… frio?
– Por quê? – Fiz uma careta involuntária e o vi rolar os olhos castanhos.
– Está ou não? – Santa educação viu? Me armei até os dentes.
– Estou . Qual é o problema? Está incomodando? – Cruzei os braços na minha melhor pose de ataque, embora já desse espaço pra que o piloto passasse por mim. Eu era rancorosa, mas não era uma bruja.
– Preciso entrar, posso? – Ele ainda foi educado em perguntar e apontei pra minha sala com o queixo. passou por mim em uma rapidez tão grande que parecia seu tempo nas pistas.
Fechei a porta em um baque tentando entender o porquê daquele circo, mas ainda sentindo a necessidade de ser gentil quando ele esfregou os braços e soltou um suspiro gostoso de quem estava aliviado por ter saído do frio. Aquilo mexeu com meu coração e meu estômago.
! – Chamei sua atenção e o homem virou de uma vez como se tivesse esquecido da minha presença. – O que houve com o seu? E por que bateu na minha porta? – Fiz uma fingida careta de asco. Ele não estava nem aí, parecia um cachorro quando encontrava conforto no quentinho, quase abanando o rabinho.
– Não está funcionando no momento. – Ele desviou o olhar do meu pra responder. – E eu conheço você, não ia bater em outra porta primeiro.
– E me odeia até a próxima geração. – Afirmei algo que era confuso até pra mim. Pra minha infelicidade, pareceu não ouvir minha afirmação duvidosa.
– Eu tenho maiores problemas agora, . – Ele tremeu o corpo levemente, demonstrando ainda estar com frio.
– Quais, exatamente? – Andei graciosamente e encostei na minha bancada que separava a cozinha, vendo de frente agora. Me odiava terrivelmente por achá-lo ainda mais bonito depois de tantos anos. Os lábios grossos, a barba por fazer, os olhos castanhos expressivos. Suspirei.
– Descongelar meu corpo e pagar minha luz.
– Por mim, você continuava um picolé. – Abri um sorrisinho presunçoso que o fez prender uma risada. – Mas eu sou uma alma muito caridosa. – Apontei pro corredor dos quartos. – Tem um banheiro no corredor com água quente, pode usar.
– Você é um anjo, freira. – debochou já se deslocando pro corredor e botando a mão na gola da camisa. AI DEUS, ELE IRIA TIRÁ-LA ALI?
– Não aprendeu viver fora da cola da mamãe? – Fiz um biquinho de deboche e depois que soltou um palavrão foi que me dei conta que estávamos conversando em espanhol.
Desde quando nós usávamos espanhol tão espontaneamente um com o outro?
– Anda logo! Antes que a minha compaixão se acabe. – Gritei em mais uma provocação e o idiota bateu a porta do meu banheiro com toda força. – BUNDÃO!
saiu do banheiro depois de uma interminável espera, eu já tinha me cansado de aguardar no corredor e acabei sentando no sofá pra comer meu docinho de sobremesa enquanto via um filme qualquer nos sistemas de streaming. Não conseguia focar, porque aquele doce era o preferido do e eu sabia que poderiam passar 30 anos, o virginiano metódico dentro dele não mudaria tão cedo.
, obrigado pela água quente. – Ele contraiu de leve a boca como se tentasse esboçar ou prender um sorriso grato.
Meneei a cabeça em um gesto indefinido, afinal minha personalidade não queria dar o braço a torcer, por mais que não matasse responder que estava tudo bem.
– Bom… – Ele apertou os próprios dedos. – Te devo uma.
Um sorriso fechado e logo que ele saiu por minha porta, me dei conta que precisa arranjar um jeito de ele retribuir o favor e imediatamente.

-x-x-x-

O resto da semana seguiu tranquila, quase não vi pelos corredores do prédio e como precisava resolver umas coisas pro meu pai no centro de Londres, também não trombei com ele no prédio da McLaren. Também não abri o bico sobre meu novo patrocinado e talvez, só talvez, tenha feito uma grande merda ao prometer ao papá que ele conheceria o grande corredor no GP de Mônaco em algumas semanas.
Na sexta, quando eu tinha decidido negligenciar todas as minhas obrigações de mulher adulta e viver um pouco a velocidade deliciosa, encontrei indo na direção do elevador com uma mochila.

Soube que tinha feito bobagem quando impedi que o elevador fechasse. A imagem de na outra ponta do corredor com uma blusa branca gola alta e jeans, além dos tênis que denunciavam “VOU CORRER HOJE”, foi o que me fez agir por impulso e enfiar a mão no meio da porta, segurando o elevador pra ela.
Qual é? Eu sei que deveríamos teoricamente nos odiar, mas sinto algo completamente diferente em relação a , algo que se mistura mais entre o conceito de curiosidade sobre como acabamos dessa forma e a esperança que ela não me odeie. Eu não precisava de uma desculpa pra ter segurado o elevador, então apenas… segurei. Recebi um sorriso fechado em troca e agradecimento, o que tinha sido um enorme avanço desde que eu batera em sua porta no começo da semana.
Não nos falamos, não nos olhamos. Quer dizer, eu encarei a silhueta dela pela luz LED da caixa de vidro, mas sem qualquer resposta corporal de e aquilo estava me matando. Ela parecia tão mais entretida com o celular bloqueado que era frustrante. Soltei uns 3 suspiros frustrados e ela sequer virou pra ver o que me incomodava tanto, quando finalmente resolvi deixar pra lá, o elevador abriu no saguão e saímos cada um pra um lado.
Cheguei na pista de treino em questão de 15 minutos e nada da por perto, então tratei logo de ir me vestir, cumprimentei minha equipe no box e depois de alguns tapinhas encorajadores, conversamos sobre minha meta de tempo àquele dia. Zac apareceu e confirmou pra mim que estaria presente para ver o treino, indagando se não seria incomodo e se já tínhamos nos resolvidos. Preferi não confirmar e nem negar, acho que o meio sorriso no elevador mais cedo tinha sido uma trégua. Não é?
Sempre fui muito elogiado pelo foco, concentração e agressividade nas pistas, por mais que fosse um dos mais novos dentro das equipes, tinha começado me preparar para aquela vida cedo demais pra não dar conta do recado. E embora meu pai tivesse sido um dos maiores pilotos da primeira divisão, eu tentava ao máximo me distanciar do legado dele dentro das pistas, das suas marcas e suas rixas também. Infelizmente a única que ainda restava era a que eu mais queria resolver no momento.
representava muito pra mim e tinha sido a coisa mais cruel que o tinha me feito. Tirar ela de perto de mim.
Sacudi a cabeça pra afastar aquelas cargas emocionais negativas e subi o macacão de proteção, passei pelos braços já vestidos com a camisa branca e soltei uma risada assim que vi a marca da no meu braço esquerdo. Aquilo gritava e eu tinha sido burro demais em sequer suspeitar quando fui apresentado ao patrocínio milionário, o que me levava a pensar em porquê ela não estava correndo com a gente ao invés de nos financiar. A mulher era insana nas pistas e lembro disso desde quando a gente, no auge dos 15 anos, pegávamos os carros da Stock da equipe do avô dela, escondido.
Duas crianças ricas e mimadas, babe.
Ri dos meus pensamentos e segui pro box, fechando o macacão de proteção. Abri um sorriso imenso quando vi a minha belezinha laranja esperando pelo papai pra começar a tocar fogo naquele autódromo. Coloquei a balaclava, peguei o capacete e fui ouvindo as instruções do coordenador de equipe aquele dia, mas antes que eu pudesse pegar o volante, a última instrução fez meus miolos ferverem.
Tinha um piloto na pista. Tinha a porra de um piloto na pista acabando com minha manhã perfeita para o treino. Eu simplesmente odiava quando as coisas saíam fora do planejado e me deixavam sem chão, porque um:
Eu conhecia o bastante pra saber que ela surtaria se me encontrasse e eu não estivesse na pista
Dois:
Merda, eu conhecia o bastante pra saber que ela conseguia tudo que queria.
Cocei a cabeça impaciente e ouvi o zunido do carro passando em frente ao box. Aquele com certeza não era um piloto experiente, era rápido, mas não o bastante para àquela categoria de corrida. E puta que pariu, finalmente me dei conta do três:
Ela estava nas pistas.
Pedi que me colocassem em contato com o carro e mesmo a contragosto, a equipe cedeu.
– Você perdeu o juízo? – Falei no microfone. – Isso aqui não é brincadeira, .
Largue de ser controlador, . Se divirta um pouco! – Ela soltou um gritinho que era característico de alguma curva feita. Senti minha cabeça encher com aquele apelido. Odiava quando ela me chamava assim com tanto deboche e em inglês ainda, deixando algumas pessoas prendendo a risada. Senti minhas bochechas queimarem.
, eu preciso treinar. – Apelei pro espanhol e cocei a testa, rezando que ela também decidisse me responder em espanhol.
Pegue seu carro e venha, babe. Vamos ver quem é mais rápido! – Mais uma risadinha debochada e larguei o microfone de vez.
Ainda motivado pela adrenalina do desafio, lembranças de quando aquilo era divertido e uma ansiedade inexplicável de correr com ela na pista, ajustei a balaclava, botei o capacete e entrei na minha cabine, travando o volante logo em seguida. Esperei que passasse mais uma vez e saí do box zunindo atrás daquela mulher impossível, enquanto ainda era provocado pelo irritante ego daquela mulher.
Não precisamos correr muito, não precisamos de mais do que dois minutos naquela pista, o tempo que passamos ali foi o bastante pra encher meu corpo em uma adrenalina fora do normal, além de precisar salvá-la de um quase acidente em uma das curvas. Ela estava rápida demais e tentou diminuir a velocidade, fiz o mesmo com a minha e se não fosse meu toque no pneu de traseira esquerdo, tinha se chocado com a barreira de proteção. Por sorte, ela rodopiou na pista e acabou no gramado oposto.
Isso nos custou 3 pneus e uma bronca filha da puta. Porque quando Zac chegou na pista com o carro da patrulha, estávamos eu e fora dos carros e brigando feito duas crianças mimadas, ela apontando o dedo na minha cara e eu tentando defender a hipótese de que tinha feito aquilo pra evitar que ela morresse. Ela, em contrapartida, me chamou de egoísta e me comparou ao meu pai na época da confusão. nem tinha que estar ali, pra começo de conversa.
– PAROU! Eu não quero saber quem foi o culpado nessa merda e juro por Deus que não estou me importando sobre a hierarquia dos dois. Não quero saber quem traiu quem nessa merda de rixa pueril que existe entre suas famílias, só peço que os dois cresçam. Já são adultos o bastante pra saberem trabalhar com profissionalismo. Dane-se se vocês não se gostam, não estou pedindo isso, mas sejam profissionais.
E com isso, Zac deixou a pista bufando de ódio.
Aquilo tinha colocado uma família de pulgas atrás da minha orelha. Será que ele sabia mais do que a gente?

Estaca zero. Tínhamos voltado à estaca zero depois daquela discussão ridícula no autódromo no outro dia, que foi preciso a interrupção do Zac ou eu acabaria agarrada nos cabelos do , tentando arrancá-los daquela cabeça grande. Porém, eu precisava de ajuda com uma coisinha na minha cozinha e ponderei mais do que desejara até tomar a decisão de ir atrás do . Quando me dei conta, já batia freneticamente na porta de madeira escura que sinalizava a entrada do apartamento.
Alguns segundos depois e eu tinha um piloto com cara de pouquíssimos amigos me encarando, ele parecia extremamente incomodado com o barulho repetitivo das minhas batidas e confesso que prendi uma risada pelo bico imenso nos lábios grossos dele. Prendi uma risada divertida. Bom, eu queria uma trégua daquela situação ruim, principalmente quando tínhamos sido muito mais do que dois ranzinzas cheios de ódio.
– O que é, ? – O espanhol grave atingiu minhas entranhas e quis gritar quando vi que ele também prendia a risada.
– Boa noite pra você também, ! – Tentei a clássica educação e recebi um arquear de sobrancelhas em resposta. ELE IA ATACAR!
– Boa noite, senhorita ! – O debochado fez até uma meia referência e tive vontade de enchê-lo de tapas. Acabamos rindo com aquela encenação idiota e acho que depois de anos, vi um brilho diferente nos olhos dele quando passou as mãos pelos cabelos escuros. – O que foi, ?
Já estávamos tão mais leves.
– Vim cobrar meu favor. – Apoiei a mão no quadril e ele parecia resgatar na memória que raios de favor era aquele, mas segurou o trinco da porta antes que eu tivesse a chance de retrucar.
– Não é aqui! – empurrou a porta devagar e me pus entre ela.
– É sim! Tira essa bunda preguiçosa daí e vem trocar minha lâmpada. – Estiquei o indicador e em troca, ele fez um bico preguiçoso como se ponderasse meu pedido.
– Você nem gosta de mim, que favor teria pra me cobrar?
! – Gritei em protesto e o homem soltou uma risada gostosa de ouvir. – Minha água quente que você gastou no outro dia, não lembra? – Arregalei de leve os olhos e o puxei pela barra da camisa antes de mais uma recusa dele em ir trocar minha lâmpada.
– Rubiaaaaaa! – O homem gemeu em protesto e foi obrigado a puxar a porta de casa pra fechá-la. Aquele apelido mexeu com meu peito e meu estômago de um jeito que eu não esperava que acontecesse mais.
! – Retruquei da mesma forma, com a mesma manha que ele e acabamos rindo. – Se você trocar minha lâmpada, nunca mais olho na sua cara! – Fiz a promessa furada já o empurrando pra dentro do meu apartamento.
– Larga de mentira, . Você me adora e ainda vai ver muito a minha cara durante essa temporada. – riu e com o olhar, procurou o lugar que estava com a lâmpada queimada.
– Troca logo! – Cortei o assunto e apontei pra bancada da cozinha, mostrando a lâmpada bonitinha ainda na caixa. Na qual, tinha descoberto não se trocar sozinha quando queimava. Morar fora da casa de mamá tinha sempre suas desvantagens.
– Olha, olha, Rubia. – sacudiu o indicador como se eu fosse uma criancinha teimosa. Nós tínhamos a mesma idade, porra! – Se continuar com essa atitude, eu não vou ajudar!
– Dá próxima vez, deixo sua picha* congelar. – Fui vulgar de propósito no vocabulário e arregalou os olhos como se nunca tivesse me escutado falar daquele jeito.
– HEY! Olhe bem seu vocabulário, mocinha! – Ele sacudiu a cabeça como se estivesse horrorizado e soltei uma gargalhada imensa.
– Cala a boca, . Troca logo a minha lâmpada. – Peguei um bule no armário em cima da pia e o enchi com água pra colocar no fogo.
– Fique sabendo você, – Ele tirou a lâmpada do invólucro de plástico. – que se minha picha congelar, quem perde é a senhorita. – piscou como se fosse o único homem no mundo e senti minha cabeça querer explodir.
– Que ótimo, . De qualquer forma, eu a descarto, não dá mesmo pra confiar em qualquer homem. – Eu não estava mais rindo, porque toda aquela arrogância me lembrava uma época que eu queria esquecer. Yey! e seu humor volátil.
– Esse ataque foi pra mim? – Ele vibrou animado quando achou um jeito de subir no balcão. Se eu o derrubasse dali ainda seria considerado dolo?
– Sim. – Curta e grossa. Ele sabia do que eu estava falando. – Quer chá? – Resgatei os saquinhos do pote de vidro que eu enchia regularmente.
– Você vai envenenar ele? – O homem ainda tinha um ar de divertimento e deboche quando fez a pergunta. O que ele presumia? Que eu risse e a gente fingisse que nada tinha acontecido? Sinto muito, não vai acontecer.
– Pensei em cuspir dentro. – Insinuei que tinha veneno na saliva quando esperava a água ferver. – Era uma ótima opção depois de você prometer nunca se afastar. – A amargura e o rancor tinham tomado conta do meu peito e logo seria o momento dos meus olhos também.
Por um interminável minuto, a tensão tomou conta da minha cozinha e eu podia ouvir o barulho de todos os eletrodomésticos, menos da respiração do . Se eu não soubesse que ele estava ali por ter feito isso, nunca imaginaria sua presença por tamanha quietude.
– Desculpa. – O balbucio saiu sincero, porém perdido.
– Vai querer o chá ou não, ? – Tirei o bule do fogo. – De camomila ou erva doce? – Eu estava propositalmente desviando daquelas desculpas, pois talvez, eu não estivesse preparada pra desculpar também.
– Quero, obrigado. – Ele tirou a lâmpada queimada. – Erva doce. – Respondeu sobre o chá e um punhado de nostalgia me nocauteou no nariz.
– Com pouco açúcar e um pingo de limão. – Fiz o preparo na caneca e suspirei forte, recebendo um sorriso grato pela lembrança de sua preferência no chá. – Eu não sei se consigo.
– Você pode sempre tentar. – Ele tinha trocado a luz e finalmente começara a me encarar naquela conversa confusa e ressentida. Eu tinha muita, mas muita coisa pra falar.
– Eu acreditei em você, , e do nada, você foge pra Inglaterra o mais rápido que consegue. – Umedeci os lábios e o interrompi antes que seu gênio forte desse as caras. – Poderia ao menos ter me avisado que não queria mais me ver, mas não! Você me fez de besta e me fez ficar esperando atrás dos boxes por horas e horas, ! Sabe como infernos eu fiquei depois disso? – Reprimi aquelas lágrimas idiotas que queriam descer.
– Você não fez qualquer esforço pra me manter perto, ! – Ele sacudiu os braços, mas mantinha uma expressão quebrada no rosto.
– Não fui eu quem te abandonei! – Me odiava por demonstrar tanta vulnerabilidade e grunhi frustrada.
– Não foi proposital, rubia… – entristeceu o olhar e eu quis matá-lo por usar aquele apelido novamente.
– Não importa mais! – Enxuguei o rosto com força e limpei minha garganta com um pigarro. – Já acabou aí? Obrigada pela lâmpada. – Sai de detrás do balcão, andando na direção da porta e querendo muito que ele me acompanhasse e fosse embora, mais uma vez. continuo no mesmo lugar, me olhando com uma expressão tão quebrada que senti o bolo na garganta de novo.
– Não, . Eu não acabei e nós dois não acabamos.
– O que falta então? – Debochei.
– A gente conversar que nem adulto. Essa briga ridícula não é minha e nem sua. Eles dois que se matem pro lado da Espanha, mas eu e você vamos resolver isso agora.
Parei no meio do caminho e prendi a respiração ao vê-lo tão tenso e em busca de um sinal meu pra que solucionássemos aquilo. A imagem me relembrava tanta, mas tanta coisa, que meu coração bateu quente sem a minha permissão e me dei conta que já estávamos grandinhos demais pra seguir com uma briga que não era nossa.
– Isso já demorou tempo demais, . – me estendeu a mão em convite para que eu voltasse pra perto dele, mas pacífica. Me rendi ao pedido e comecei a caminhar de volta pra perto dele. – Eu nunca menti pra você, Rubia. Nunca! E também não quis me distanciar de você…
– Então me explica! Me diz por que você fugiu de mim assim. – Segurei em sua mão como um gesto desesperado de tentar não me afogar no rancor. – Eu preciso entender, !
– Eu não fugi de você, rubia. – beijou o dorso da minha mão e senti meu estômago sacudir. – Fui obrigado a mudar pra cá. Meu pai me mandou pra ser treinado aqui e acabei não tendo escolha, pois meu voo estava marcado para a manhã daquele dia que a gente marcou de se encontrar no autódromo. Não consegui te avisar e quando tentei, você já me odiava. – O suspiro aliviado atingiu em cheio o meu coração. se mostrava bem mais leve em ter me contado tudo aqui e confesso, me deixava tão leve quanto ele. Tão leve quanto o toque do seu polegar na minha bochecha. – Eu não tive a chance nem de me despedir de você, rubia. Foi a coisa mais cruel que meu pai fez comigo.
– Olha o que essa rixa terrível fez com a gente! – Meu lábio tremeu sem minha permissão e fui abraçada com tanto carinho. Abracei-o com a mesma intensidade, enterrando o rosto em seu peito e sentindo aquela segurança absurda de novo.
– Calma, ! Respira. – Ele acariciou meus cabelos e pude jurar que sua boca roçou no topo da minha cabeça em um beijo seguro o terno. – Isso não vai mais nos atormentar, eu prometo!
– Você me comprou presentes dos lugares que foi? – Levantei a cabeça com um bico nos lábios e ouvi a risada. Tínhamos um hábito dentro da forte amizade, de sempre comprar um presente pro outro quando visitávamos, separados, um país diferente.
A verdade é que eu e tínhamos sido criados juntos e instigados a sermos melhores amigos um do outro. Eu vivia na casa dele e ele na minha, a gente contava tudo um pro outro, bom, quase tudo da minha parte e aposto que nossos pais até já planejavam o noivado pra quando tivéssemos idade. Mas depois do ocorrido há dez anos, todas relações fraternais tinham desmoronado, restando apenas raiva e ressentimento.
– Claro que te comprei presentes, Rubia. – Ele riu baixinho e me apertou um pouco mais no abraço, fazendo meu coração afundar em uma sensação deliciosa de pertencimento. – Sempre!
– Você gastava toda a sua mesada com comida. – Fiz uma careta ao lembrar do auge dos meus 14 anos. – Eu era gorda por culpa sua! – A acusação foi descabida e o homem que eu tinha acabado de descobrir que virara, soltou uma gargalhada contagiante.
– Eu só comprava, era você quem comia! – Ele beijou minha testa. – Eu senti tanta saudade! – A declaração baixinha fez meu coração explodir novamente, como se aquilo fosse realmente possível mais uma vez naquele dia.
-Eu também! Nem sei dizer o quanto. – Nos abraçamos um pouco mais e me afastou levemente de seu corpo. Aquilo foi completamente confuso pra mim. Meu rosto se transformou em uma careta involuntária e vi a risadinha escapar por seus lábios.
A mão grande se esgueirou por minha bochecha direita, procurando conforto e um lugar que pudesse ficar bem acomodada entre minha mandíbula e meu pescoço. Senti um arrepio desgovernado por minha coluna quando vi umedecer discretamente os lábios e aproximar nosso corpo de novo, mas agora com uma tensão completamente diferente. Talvez fossem todos aqueles anos de briga e ódio gratuito. Mas porra que homem delicioso era aquele à minha frente?
, eu quero muito te beijar, mas preciso saber se… – Ele parou por uns segundos como se estivesse se preparando para uma resposta destruidora vinda de mim. – Tem alguém na sua vida, porque eu quero muito que você me beije de volta.
Deixei que todo o ar dos meus pulmões escapasse com aquela confissão maravilhosa. Agora tudo parecia tão diferente, o brilho dos olhos, a cor dos lábios, o cabelo liso caindo na testa. Pela santa hóstia, não tinha ninguém na minha vida como ele tinha insinuado e eu também queria beijá-lo. Foi o que fiz.
Deletei qualquer espaço entre nós quando segurei seu rosto marcado com as duas mãos e uni nossas bocas em um beijo urgente, gostoso, quente e saudoso de certa forma. Era diferente sentir o daquela forma, me agarrando contra ele como se nossa existência dependesse daquilo, mas descobri que era a única forma que eu queria senti-lo dali pra frente.

*pau

Já estávamos naquele chamego escondido há umas duas semanas. Eu não tinha contato ao meu pai sobre a identidade do patrocinador e aposto que nem tinha contado ao dela sobre o patrocinado, mas tínhamos começado a investigar com muito afinco, o que tinha acontecido dez anos antes. Zac foi a peça principal pra que a gente descobrisse tudo, na época, ele era só mais um estagiário da equipe e infelizmente não tinha muita voz.
– Você lembra de um cara mal encarado da Ferrari? – se aconchegou no meu peito e a abracei com força, resgatando o tal cara na memória.
– LEMBRO! O Adonnis. – Respondi e ela sobressaltou do meu peito pra me encarar.
– Eu tinha medo dele e fiquei sabendo do Zac ontem pela manhã, que ele tava envolvido com a problemática “Agapeto e “.
– Wow, wow, wow, Eva. Como assim? – Sentei no tapete também.
– Ele foi quem disse ao meu pai pra dar a posição ao seu pai. – Ela parecia desesperada e segurei seus ombros pra que ela respirasse. – E depois com o assumiu a posição sem saber, ele disse ao seu pai pra ceder pro meu. Ou seja! Incitou a discórdia e o resto eles fizeram, porque estavam cheios de ódio e ego ferido.
– MIERDA! – Enfiei as mãos nos cabelos. O próprio ego ferido daqueles dois teimosos o destruíram. – Rubia, precisamos fazer alguma coisa a respeito disso. Minha corrida é em 3 dias!
– Ok, acho que posso ter tido uma ideia. – Ela mordeu a boca, pensativa e o gesto delicioso me fez beijá-la. Eva riu. – Seu pai vai estar no GP, eu vou levar o meu, porque bom ele quer te conhecer. Zac vai estar lá e a gente consegue fazer com que os dois escutem o cara.
– E se não conseguirmos?
– Eu não me importo, sou grandinha demais pra levar as brigas do meu pai a sério. – Ela sorriu largamente e caiu por cima do meu corpo.
Abracei-a com força e virei com ela na cama. Sabia que a chance dos dois velhos se acertarem era mínima. Mas em que realidade alternativa eu estaria beijando Eva, fazendo de Eva minha namorada e sendo patrocinado por ela? Não me importava o que achassem, nós fazíamos uma bela dupla, na pista, na cama e na vida.

FIM

Nota:

O projeto: Essa fanfic faz parte do projeto Drive to Survive, um projeto no qual 11 autoras apaixonadas por Fórmula 1 se reuniram para escrever uma short para cada piloto do grid, divulgando e homenageando esse esporte incrível.
Nessa segunda etapa os pilotos são: Checo Perez, Pietro Fittipaldi, Carlos Sainz, Romain Grosjean e Kevin Magnussen
Mas em breve todos os pilotos da temporada de 2020 terão um história para chamar de sua, todas feitas com muito amor.
Esperamos que curtam nossa propostas e embarquem nesse mundo com a gente.
Não esqueçam de deixar aquele comentário no final e motivar uma autora a sempre continuar.