Drive to Survive – Lando Norris

Drive to Survive – Lando Norris

Sinopse: Ele fazia ela rir e ao mesmo tempo a deixava com os cabelos em pé. De fora, era possível ver que ali existia algo, mas foi preciso ter coragem de dizer isso pessoalmente para conquistar o coração daquela mulher que já fazia parte do seu dia-a-dia.
Gênero: Comédia, Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Fic escrita com o piloto de Fórmula 1, Lando Norris. Personagens fixos e o nome Isabella Maria (Bia), já está em uso. A fic contém spin-off de Drive To Survive – George Russell.
Beta: Sharpay Evans

Mais um dia de trabalho, acordei mais cansada do que na hora que fui dormir. Tentei fechar os olhos por mais 15 minutos e quando acordei tinha dormido 45, levantei voando e corri pro banho. Não daria tempo de tomar café, muito menos de passar em algum lugar comprar. Só me restava tomar café no trabalho mesmo. Os dias tem sido muito cansativos, eu estou praticamente trabalhando como babá e no meu contrato não constava isso. Dentro da McLaren, cuido de cada decisão de forma a verificar qual impacto financeiro irá gerar à equipe, sou formada em jornalismo com especialização em mídias sociais e análise de risco, porém hoje é mais um dia que eu tenho que cuidar daquela peste do Norris enquanto preciso dar conta das minhas verdadeiras funções.
-Norris, abre o portão! Já estamos aqui na frente! – Falei, enviando áudio para ele enquanto esperava com o carro estacionado na frente do portão da casa dele.
– Eu não acredito que ele ainda não acordou. – Falava a staff Anelise e a Olivia, assistente de vídeo.
– Pois acredite! – Galei, dessa vez ligando e ele atendeu.
– JÁ ESTOU INDO! – Ele gritava no telefone e parecia que estava correndo. E lá se foram uns 10 minutos até ele aparecer na porta da casa e apertar o botão do controle, voltando para dentro logo em seguida… “Eu não acredito, ele apareceu vestido de…? O que é aquilo?”. Norris veio vestido com um pijama? ou seria uma fantasia de cachorro? Eu não sabia se ria ou se chorava, vendo que o humor dele já estava a todo vapor a essa hora, queria eu ter essa energia. Então eu liguei o carro e estacionei em frente a garagem, até que descarregássemos os equipamentos de vídeo.
– É sério isso? Ele vai ficar assim? É um vídeo de marketing pra uma empresa de bebida e não de um zoológico… – Falou Anelise, sem conseguir controlar o riso.
– Vocês terminam aqui? Vou conversar com ele sobre isso e ver se ele sabe o que tem que falar. – Falei, vendo as duas assentirem com a cabeça e me encaminhei em direção a interior da casa, onde ele morava com os pais, que no momento não estavam. Quando adentrei o interior da casa eu percebi Lando nervoso, parecendo procurar algo em uma pilha de papéis.
– O que foi? – Perguntei, já prevendo medo pela resposta.
– Eu perdi o negócio que eu tinha que falar. – Respondeu, ainda revirando os papéis.
– Ainda bem que eu já imaginava isso. – Falei, estendendo os braços na direção dele com cópias do texto nas mãos. – Só me diga que você leu pelo menos uma vez, por favor. – Disse de um jeito preocupado.
– Ainda bem que você pensa em tudo, . – Ele disse sorrindo. – Sim, claro que eu li. – Ele disse de maneira confiante.
– Então vou ajudar as meninas com o que falta e você continua lendo isso. Nada pode sair errado, dependemos desse patrocínio. E troca esse pijama, por favor. Eu não precisava saber que você dormia assim. – Falei rindo e ele concordou.
Depois de organizarmos o set de filmagens na sala, chamei o Lando que ainda estava na cozinha lendo o texto para que fizéssemos a primeira filmagem como teste. Fiquei surpresa, dessa vez ele colaborou e falou tudo certinho e soou muito natural, eu acho que o patrocinador irá ficar muito satisfeito. Claro, eu reconheço o esforço do Lando nesse comercial, porém, sei que ele gostar da bebida ajudou muito no “improviso” dele falando que o sabor era viciante e que quem provava o energético EnergyFlavor não iria conseguir provar outro. Ele soou muito convincente. Antes de sairmos, lembrei ele que o próximo compromisso seria no dia seguinte. Eu e ele teríamos uma reunião para decidirmos a pauta do marketing com uma empresa de roupas esportivas.


Cheguei na casa dele para a reunião um pouco mais cedo que o previsto, estava na rua e não quis ir para casa. O portão estava aberto, eu estacionei atrás dos carros dos meninos e me escorei no muro, analisando a cena. Lá estavam George Russell, Alex Albon e Charles Leclerc junto com o Lando. Eles estavam correndo um atrás do outro, no pátio, com arminha de água com sabão. Eu nem tentei falar algo, só esperei que se acalmassem.
– Hey , você está aí. Faz muito tempo? – Lando finalmente me notou e veio na minha direção, já que eu ainda permanecia escorada no muro sem falar nada, com uma vontade de rir dos cabelos dele cheios de espuma, mas mantendo uma postura seria.
– Não faz muito tempo que cheguei, ainda está cedo e eu estava tentando entender o que está acontecendo. – Falei, olhando na direção dos outros que também estavam molhados e cheios de espuma.
– Ahh, isso é porque o Alex perdeu a aposta e não queria cumprir o trato. – Ele me explicou como se fosse uma coisa que adultos fizessem.
– E o que ele não cumpriu? – Eu quis saber, me aproximando e tirando os óculos de sol.
– Era pra ele conseguir o número de uma garota, mas ele não teve coragem. Agora o George vai pegar o número dela e enviar essa foto… – Falou ele pegando o celular e mostrando uma foto do Alex dormindo. Eu não segurei o riso.
– Ahh, era por isso que vocês estavam correndo atrás dele, pra pegar o celular. – Falei, refletindo.
– Sim, e Charles você é o próximo da lista, então já sabe se não cumprir … – Então ele riu e me mostrou uma foto do Charles dormindo com um ursinho e eu ri mais ainda.
– Tem a opção da foto que ele está jogando vestido de banana. – Eu disse, nessa hora eu já devia estar roxa de tanto rir.
– Bem lembrado, por isso você é a melhor jornalista que eu conheço. – Disse ele, fazendo uma cara pensativa.
– Hey! Qual o motivo de vocês quererem queimar o meu filme? – Retrucou, Charles.
– Você não ganhar as apostas, Charlinho? – Revidou, Lando.
– Calma Lando. Cenário 1, Cenário 1! Precisamos cuidar do Alex primeiro. – Dessa vez, quem falou foi George, apontando a arminha de água que tinha nas mãos na direção do Alex.
– Vocês vão ter que fazer o trabalho sem minha ajuda, sou um homem de negócios e ocupado agora. Me desculpem, pessoal. – Disse Lando, fingindo estar sério e fazendo todo mundo cair na risada. – Vamos, ? Enquanto eles brincam a gente que é adulto aqui vai trabalhar. – Ele disse, e eu só conseguia rir e mexer a cabeça assentindo. Enquanto íamos em direção ao interior da casa, pude ouvir os famosos gritos do Alex, “Geoooorge! No, Geooorge! Please, no!”.
Antes de começarmos a reunião, como um cavalheiro, Lando me ofereceu algo para beber e eu aceitei um café. Durante a reunião, ele ficou focado no que eu estava dizendo, mas eu confesso que às vezes perdia o foco com os barulhos fora de casa.
– Estamos quase acabando. Pra finalizar, me diz quais desses aqui você prefere. – Falei, mostrando alguns moletons no tablet para que ele escolhesse. – Eu preciso que você escolha porque vou na empresa e já vou trazer eles pra sessão de fotos da próxima semana.
– Eu gostei desses 3 aqui. – Disse ele passando as fotos e apontando 3 moletons nas cores preta com verde limão, laranja com azul e azul com branco.
– Certo, eu vou pedir esses. Nos vemos na semana que vem, então. Nosso primeiro compromisso serão as fotos. – Expliquei, levantando do sofá e indo em direção a saída e quando fui me despedir, ele se antecipou.
– Hey, ! Eu estava pensando, você quer ir com a gente pro golf nesse final de semana? – Ele perguntou um pouco tímido.
– Quê? Esse é um dos poucos finais de semana que eu tenho folga de vocês. – Falei em tom de brincadeira, fazendo Lando fingir que estava chorando. – Nem adianta, não caio nessa mais. Talvez na próxima. – Disse, piscando na sequência. Então, me despedi de todo mundo e fui pra casa, realmente organizar todo o trabalho acumulado. Era tanta coisa pra fazer e eu ficava a toda hora cuidando o horário no celular, estava passando muito rápido. Até que recebi um vídeo do Lando no Instagram. Era o George jogando a bolinha de golf na lama e eu que nem entendo do esporte, vi como aquilo foi ruim. Abaixo do vídeo estava escrito “Você devia ter vindo para ver esse fiasco”. Eu respondi com uma figurinha do Daniel rindo e ele mandou um outro vídeo do Alex, dando um show e depois mostrava uma menina ao lado. Não sei porque, mas eu senti algo esquisito dentro de mim. Até que a resposta veio “Você também poderia ter visto essa jogada do tipo sorte de principiante e arrumado uma nova amiga”. Tá legal, sei nova amiga, pensei e na hora recebi uma nova mensagem “Namorada do George, não se preocupa” com um monte de figurinhas do Daniel rindo. Lando desgraçado. Depois dessa, só respondi com uma figurinha com um dedo do meio do Max e a conversa cessou.
Na segunda, fui na empresa OctaSports, nosso novo patrocinador, pegar os moletons e levar para Lando. O prédio era imenso, era a primeira vez que eu iria lá e estava torcendo para conseguir achar a Martha, responsável pelo marketing da empresa, o mais rápido possível. Mas não foi bem assim, eu perguntei para duas pessoas como chegava na sala dela e a terceira resolveu me ajudar a chegar lá.
– Bom dia Martha! Tudo bem? – Disse, entrando na sala, juntamente com a secretária dela que já havia me anunciado.
– Bom dia, ! Tudo bem e com você? – Ela cumprimentou, fazendo sinal para que eu me sentasse naquela poltrona requintada igual a mulher dona daquela sala.
– Tudo ótimo! Então, nós conversamos na semana passada sobre os moletons que iriamos usar na campanha de lançamento. O Lando já escolheu e eu vim para buscar, como havíamos combinado. – Expliquei, pegando o tablet e mostrando as fotos dos moletons e explicando como iria ser o marketing feito por nós. Após isso, seguimos para uma sala onde estavam guardadas as novas produções da marca.
, posso pedir um favor para você? – Ela dizia meio sem jeito, enquanto procurava separava os moletons por cor e por tamanho.
– Claro, pode falar. Qual seria? – Respondi.
– Eu tenho uma filha que é muito fã do Lando. Será que você poderia conseguir para mim um autógrafo? Ela se chama Sarah, está morando em Londres por causa da faculdade. – Ela terminou de falar, não sabia o que dizer. Era estranho eu estar surpresa pelo pedido, mas eu não iria negar.
– Claro, eu consigo sim. Quando eu vier aqui de novo eu trago. – Respondi e ela fez mil e um agradecimento.
Depois de sair de lá, fui para a fábrica. Dessa vez não podia me dar ao luxo de um home office com tanto trabalho que eu tinha. Era tanto contrato para revisar, campanha para montar, apresentação, publicação de mídia. Eu sou uma pessoa organizada, mas às vezes esqueço de seguir os planejamentos. Consegui me concentrar por uns bons minutos, lendo os contratos e eu esperava que por hoje não me trouxessem mais. Até que Lando entra na minha sala com três envelopes.
– Bom dia! São para você. Pediram para eu te entregar. – E se aproximou me entregando os envelopes. Enquanto eu sem perceber, fiz uma cara de decepção.
– Bom dia. Eu nem consegui terminar de ler esses ainda. – Falei fazendo cara de triste.
– Mas você nem viu o que tem dentro dos envelopes. – Falou indo em direção a minha cafeteira, que ficava ao lado direito da sala, em cima de um balcão onde eu guardava documentos.
– Se não for uma piada sua, são mais contratos para ler. E dessa vez eu juro que estou rezando para ser uma piada sua. – Falei, voltando minha atenção ao que já estava lendo. – E se você me fizer bagunça nesses papéis do lado, eu te jogo pela janela. Não vai virar café aí! – Falei analisando-o tentar abrir um pote de biscoitos com um copo de café descartável na mão.
– Você não faria isso, porque sentiria minha falta. – Rebateu, me fazendo ficar calada. Depois ele se acomodou no sofá da sala, colocando o café na mesinha de centro e pegando os arquivos que eu deixo para ele ir conhecendo as empresas que vamos trabalhar. E de repente eu escuto um “drooooga”, ecoar pela sala. Pois bem, ele tinha conseguido virar o café. – Fica tranquila, tá tudo sob controle.
– Estou vendo. – Falei, vendo ele ir em direção aos guardanapos que ficavam próximos a cafeteira, na tentativa de limpar tudo. Por sorte, os papéis estavam intactos, sujou somente a roupa dele e o sofá. – Isso me lembra que deixei os moletons no carro. – Comentei.
– Pode deixar que eu pego lá. Cadê a chave? – Ele perguntou, e eu levantei a mão em direção a ele, segurando a chave.
– Sem nenhuma gracinha, tá entendo? – Falei, cerrando os olhos.
– Por que você acha que eu faria isso com você? – Disse ele, rindo. – Posso pegar essa camiseta aqui? – Perguntou, indo em direção a camiseta da equipe que estava em cima do sofá e por sorte não foi atingida com café.
– Pode. Mas depois me traz outra. Isso é para uma fã sua. Aproveita e já me traz assinada, o nome dela é Sarah, é filha da Martha, chefe de marketing da OctaSports. – Expliquei.
– Fãs, fãs, muitas fãs. – Ele falava, empolgado.
– Cala a boca e busca logo os moletons. Você tem trabalho a fazer. – Eu disse, rindo da cara de decepcionado dele.
– Primeiro preciso trocar isso. – Falou apontando para a camiseta suja que usava e tirando em seguida. Juro que por essa eu não esperava. Sem perceber, eu acabei prestando atenção no corpo dele. Lando podia agir como uma criança às vezes, mas não podia negar que ele não era uma criança. Me perdi facilmente naquela imagem dele sem camiseta e só percebi quando ele falou comigo.
– Algum problema, ? – Ele disse, me fazendo ficar constrangida.
– Não. Nenhum. – Falei e voltei a ler os contratos mais uma vez, tentando disfarçar. Depois ele saiu da sala para buscar os moletons e a camiseta para a “fã”. E só espero que ele não faça igual da última vez que ele apagou minha seleção de músicas do drive do rádio e colocou uma música de parabéns. Ele é uma peste, mas eu confesso que não mudaria nada nele. É esse jeitinho dele que me faz rir quando os dias ficam cansativos demais. A demora dele estava me assustando, mas desviei meu pensamento ao atender um telefonema do chefinho.
, precisamos conversar sobre a cobertura do final da temporada. Você disse que tinha um planejamento já. Poderia vir me mostrar? Estou com tempo agora, mas não muito, tenho uma reunião em meia hora. – Dizia Zak Brown do outro lado da linha.
– Claro chefe, dois minutos eu chego aí. – Respondi.
– Okay, traga o Lando junto por favor. O Carlos ainda não chegou né? – Questionou ele.
– Não senhor, Carlos ainda não chegou. E o Lando… eu não sei onde ele tá no momento, já era para… – Quando ia terminar de falar, Lando entrou na sala voando.
, como você não me disse que tinha isso?? – Dizia Lando, com uma caixa de doces que eu tinha comprado mais cedo e eu fiz sinal para que ele ficasse quieto.
– Ele acabou de chegar. – Informei Zak.
– É o chefe?? Quero falar com ele. – Lando disse, se aproximando de mim.
– Você vai falar com ele, temos reunião agora. Solta esses doces e lava as mãos pra irmos lá. – Pedi, voltando a prestar atenção no chefe ao telefone.
– Eu não acredito que vocês estão comendo donuts da DolceVitta e não iam me trazer aqui. Depois da reunião vocês dois podem passar no RH. – Dizia Zak, fingindo estar decepcionado.
– Desculpa chefe, eram para o senhor, mas Lando comeu tudo. Demita ele. – Expliquei, fazendo ele rir alto do outro lado da linha.
– Okay, estou esperando. É até bom que Lando e Carlos estejam separados para a reunião, hoje não tenho muito tempo. – Ele comentou e depois disso, desliguei seguindo com Lando em direção a sala dele.
– Você realmente vai levar isso? Tá feio. – Falei me referindo a caixa de donuts que ele já tinha aberto.
– Ué, ele não pediu? Se eu não dividir, você me chama de mal. – Dizia ele, balançando negativamente a cabeça.
– Bom dia, chefe! – Dizia Lando, animado. – São para você. – Falou, entregando aquela caixa aberta.
– Obrigada Lando, mas eu acho que vou esperar o almoço. – Agradeceu Zak, olhando sem empolgação para os donuts. Depois disso, iniciamos a reunião, onde a pauta era o projeto de final de ano. Tudo que seria feito na mídia, como os vídeos de natal, as comemorações conforme o resultado obtido, lançamento da nova logo, as retrospectivas. Tudo seria agendado e já estavam sendo produzidos vídeos de melhores momentos de Lando e Carlos e de toda a equipe.
– Foi feito pedido para colocarmos uma foto da primeira vitória do Lando no nosso hall, atrás do carro dele. Mas só temos imagens do Lando de cabeça para baixo, preciso falar com o Henrik sobre isso. – Falei isso olhando com os olhos cerrados para Lando, na hora que me referi as fotos dele de cabeça para baixo.
– Não tem problema, coloca assim então. Já pode mandar produzir para que deixarmos o local pronto para receber o carro no final do ano. Só escolhe a que estiver com toda a equipe. E a do pódio vai pro quadro né? – Questionou Zak e eu concordei. Eu adoro trabalhar com ele pelo fato dele ser essa pessoa gentil e paciente. É assim que o time funciona, baseado em respeito, liberdade, compreensão e isso tem trazido muito resultado. Depois da reunião, voltamos para minha sala, onde Lando finalmente acabou de ler sobre a empresa que íamos trabalhar nessa semana, a OctaSports.
– Ahh! Está aqui a camiseta, assinada já! Olha isso! – Disse ele, colocando a camiseta aberta em cima da minha mesa.
– “Dear Sarah” e corações. Sério isso? – Falei, rindo dele.
– Eu sou um cara romântico! Você devia aprender a ser mais amável. – Disse, pegando a camiseta de cima da mesa.
– Eu? Mas eu sou amável. Você que me estressa. – Retruquei.
– Não vou dizer o que é isso, não tenho tempo agora. Sou um moço ocupado. – Falou irônico.
– Cala a boca e sai daqui. Me deixa trabalhar. – Falei jogando papel nele, que pegou as almofadas do sofá, jogou em mim e saiu correndo.
Depois que eu consegui terminar de organizar a papelada de cima da mesa, pude seguir para o almoço. Como de costume, eu tinha um lugar marcado junto com Anelise e Olívia e Henrik, éramos uma equipe de chefia do marketing.
– O que você acha sobre a nova empresa que está entrando? – Perguntou Olívia pra mim.
– Excelente. Estive analisando, a visibilidade deles é sensacional e voltada para jovens. Não podia ser mais perfeito, além do fato de que eles produzem roupas unissex que é o que o pessoal está procurando no momento. Os fãs querem roupas exatamente iguais as do ídolo e que possam ser usadas em diferentes ocasiões, sem ser aquela propaganda forçada. – Expliquei. – Henrik, tudo certo para sexta-feira, as fotos? Eu entreguei os moletons pro Lando hoje.
– Certo! Combinado! – ele respondeu.
– Temos que resolver aquela questão da Estrella Galícia também. O Carlos vai ter que ficar aqui para gravarmos. Vou falar com ele amanhã. É amanhã que ele chega né? – Perguntei, vendo eles assentirem com a cabeça. – Amanhã de tarde vamos pra Silverstone, então? Gravar os testes e o Unboxed.
– Sim. O pessoal da Williams vai estar lá, dizem que a engenheira deles pediu para testar os carros amanhã também. Mas acredito que das outras equipes também deve ter chegado alguém. – Comentou Henrik.
– A novata? Ela foi no último jogo de golf. – Falei para não parecer que estava ignorando.
– Sim, eu a sigo. Foi uma comédia os stories dela. Parece que ela não estava muito contente de ir e se divertiu vendo-os se darem mal. “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”. – Disse Henrik. – Tá na cara que ela foi por causa do George, eles andam muito juntos. Tem algo aí. Igual você e o Lando. – Ele ia continuar, até que eu o olhei de cara feia.
– Agora você conseguiu estragar o meu almoço. Menos Henrik, menos. – O olhei em reprovação.
– Okay, desculpa. É só trabalho, né. – Concluiu, rindo no final.
Depois do almoço, eu segui fazendo os meus projetos e entrando em contato com os patrocinadores para confirmar datas e acertar detalhes de filmagens. Tudo tem que passar por eles, inclusive o texto. Mesmo um responsável acompanhando, é necessário encaminhar uma cópia, antes de qualquer publicação. No outro dia, eu iria ficar em casa para reuniões online e depois iria seguir direto para Silverstone, e assim o fiz. Chegando lá, eu vi que a galera realmente invadiu o autódromo. Pedi a câmera da Anelise para tirar fotos, pois não queria voltar no carro buscar a minha.
, você pode me devolver a câmera agora? – Pediu Anelise, se aproximando.
– Ahh, daqui a pouco os nossos carros vão pra pista. – Falei, fazendo cara de triste.
– “Nossos carros vão pra pista”. Eles não andam sozinhos bebê. – Dizia Carlos, com aquela voz gostosa.
– Eu sei, meu bem, desculpa. Eu quero fotos de vocês e do carro. Tá melhor agora? – Eu respondi rindo.
– Tá. – Disse ele me abraçando. – Cadê o Lando? – Ele perguntou.
– Tinha alguma bagunça lá na garagem? – Eu perguntei na sequência.
– Não. – Ele respondeu, sem entender.
– Então a peste ainda não chegou. – Respondi.
– Noooo, não diga isso. – Dizia ele, tentando proteger o amigo.
– Vou deixar você arrumar tudo o que ele faz. – Falei o desafiando.
– Vocês estão falando de mim? – disse Lando, se aproximando.
– Como é que você adivinhou? Mas é conversa de adultos, saí daqui. – Falei e fiz sinal de tchauzinho com as mãos, fazendo com que Lando fizesse fingir que estava chorando.
– Tá, venha cá. Me desculpa, okay? – Disse, o abraçando.
– Vou pensar. – Respondeu. – Vocês viram o George por aí? – Questionou, Lando.
– Não, mas acho que ele já chegou, deve estar na garagem. – respondeu Carlos.
– Vamos lá? Aí você pode conhecer a Bia, . – Convidou, Lando. E eu o acompanhei, até a garagem da Williams. Chegando lá, eu vi o George conversando com uma mulher ruiva, enquanto analisavam aqueles dados no painel de controle.
– Hey cara. – Cumprimentou, Lando. E Carlos logo na sequência, com um aperto de mãos. Logo após ambos cumprimentaram aquela mulher, a famosa Bia.
– Bia, essa é a . – Disse Lando. E mal ele acabou de falar e ela me abraçou, eu demorei a reagir pelo susto.
– Oi , prazer em conhecê-la. – Ela disse com uma doçura na voz.
– Prazer em conhecê-la também, Bia. – Falei cumprimentando-a.
– Então, na próxima vez que tiver jogo de golf, vamos junto, por favor. É deprimente ficar lá vendo eles jogarem mal, sozinha. – Ela disse, fingindo desespero.
– Hey!! DEPRIMENTE??? Quem foi que postou stories rindo, mesmo? – Disse Lando, indignado.
– O pior é que os stories não eram nem seus Lando. Que decepção, Isabella. – Falou George, balançando a cabeça.
– Você, ponha-se no seu lugar de piloto e não de jogador de golf. – Acrescentou Bia, rindo alto.
– Calmem, deixem pra filmar quando eu estiver jogando. – Disse Carlos.
– Você, não. Você não sabe brincar. – Rebateu Lando, cruzando os braços e fechando a cara.
– Tá com medinho, tá com medinho. Quer jogar boliche de novo, então? – Perguntou Carlos, colocando as mãos na cintura.
– Não, pra mim chega de boliche com você e com o Ilott. – Respondeu Lando.
– Quando vocês se decidirem me avisem, por favor. Enquanto isso eu vou achar a Anelise e fazer umas fotos. – Eu disse, fazendo eles se calarem.
– Obrigada , sinto que não estou mais sozinha. – Disse Bia, rindo.
Depois que os meninos finalmente se entenderam e aceitaram que são pilotos e não jogadores de golf, foram se organizar para os testes de desempenho dos carros, como forma de fazer ajuste para a corrida do final de semana. Confesso que fiquei impressionada com a Bia, que desafiou aquele bando de marmanjos para correr. Não imaginei que fosse gostar tanto dela, ainda mais logo de cara, mas gostei que ela impôs respeito. Gostei de ver que ela se saiu muito bem, dá pra ver que a mulher cumpre o que fala, mesmo com a desaprovação dos pais dela que estavam ali também e não queriam que ela fosse correr. – Segundo lugar, hein? Foi por pouco. – Comentei.
– Ahhh, obrigada, ! – Ela disse se aproximando e me abraçando, deve ser coisa de brasileiro. Eu gostei do jeito fofo e, ao mesmo tempo, seguro dela.
– Ela trapaceou. – Disse Max, revoltado.
– EU?? QUANDO FOI QUE EU FIZ ISSO MAXEMILLIAN?? – Falou, indignada.
– Ah, vai dizer que você não facilitou pro George? – Disse ele, gesticulando com as mãos, bem próximo dela.
– SE eu jogasse o carro em cima dele, seria eu que teria que arrumar. – Respondeu, Bia.
– Hey!! Vocês vão ficar discutindo sobre isso? Sério mesmo? – Disse Charles.
– Eu tô impressionado que ela nem se preocupa comigo e sim com o carro. Doeu viu? – Disse George.
– Vocês estão magoando o meu garoto. – Disse Lando, abraçando George.
– Posso falar agora? – Eu perguntei, vendo os outros assentirem. – Bia, olha aqui. Eu fiz umas fotos. Achei muito boas, se você quiser eu mando para você. – Falei, enquanto ela se posicionava ao meu lado e olhava as fotos no rolo da câmera.
– Claro, quero sim! Estão muito lindas! – Ela agradeceu.
– Essa roupa fica muito bem em você! – Comentou Carlos, inocentemente, sobre o macacão da Williams que Bia estava usando.
– Que isso? – Disse George.
– Carlos… – Disse Lando, engasgado de tanto rir.
– Ué, pra você que eu não ia dizer que fica boa essa roupa né, George. – Respondeu Carlos, ainda sem se importar com o acontecido. – Tem fotos nossas, ? – Perguntou.
– Tenho, mas não muitas. Eu tiro foto de vocês a toda hora. – Respondi, tentando achar onde estavam as fotos do carro laranja na câmera.
– Muitas fotos do Lando você quer dizer né? Cadê a tua câmera? Vamos ver as provas. – Continuou Carlos, delatando.
– Como é isso?? Eu tiro fotos suas também! – Eu falei envergonhada, enquanto os outros só riam.
– Vocês já viram a sala dela? – Disse Carlos, rindo alto. – Tem um quadro com o Lando do lado do carro dele. – E quando ele terminou de falar, os outros riram mais ainda.
– Em minha defesa, foi ele mesmo que colocou aquilo lá. MAS, se você tá com ciúmes, manda fazer um quadro também e coloca lá, eu vou gostar de ter a foto de um bonitão na sala. – Falei, ficando roxa de tanto rir.
– Tá bem, agora eu me retiro deste ambiente. – Disse Lando, magoado. E eu acho que dessa vez, ele levou a sério.
– Não fica assim. É brincadeira, você sabe disso. – Eu disse, indo em direção a ele e o abraçando.
– Não sei não se devo perdoar esse desaforo. Vou te demitir… – Ele disse, fingindo superioridade.
– Antes que você termine, devo lembrá-lo de que só o chefinho pode me demitir e que você já foi demitido antes de mim. – Retruquei.
– Como eu não tô sabendo disso? – Perguntou, Carlos.
– Ele comeu os donuts do chefinho. Tá demitido. – Respondi, fazendo todo mundo rir da resposta.
Depois das conversas e risadas, era a hora da segunda parte do trabalho. As filmagens do Unboxed e a propaganda do novo carro da McLaren, que ficou a cargo do Henrik a ideia, dessa vez. Eu apenas ia auxiliar nas filmagens. Estávamos esperando-o aparecer com os equipamentos de filmagem, enquanto desciam os carros do caminhão. E eram… três? Minha dúvida foi respondida quando vi Henrik chegando junto com a piloto Sophia Flörsch. E pode ser coisa da minha cabeça, mas eu percebi Lando diferente desde que ela chegou. Eu estava sentindo algo esquisito dentro de mim. Acabei por me manter calada, enquanto eles tinham ido em direção aos carros.
– Sabe, eu entendo esse sentimento. – Disse Bia do meu lado. Enquanto analisávamos Lando, Sophia e Carlos entrando nos carros. – Ninguém aqui conhece ele melhor do que você, mas na minha opinião ele sabe o que você sente e tem medo de falar. – Completou, analisando a situação
– Do que você tá falando? – fingi não saber qual era o teor do assunto, mas era só para evitar falar disso.
– Eu percebi o teu desconforto desde que a Sophia chegou. Você devia estar lá agora né? Se você quiser, eu vou com você. Mas pensa sobre falar com o Lando, coloca esse sentimento pra fora. Ele é muito tímido, é normal ele ficar enrolando assim e não falar nada. – Ela prosseguiu com a análise.
– E você e George, o que é que rola? – Perguntei, percebendo-a engasgar. – Pois é, complicado falar sobre isso né.
– Eu sei que é, mas ficar guardando isso, não te deixa mal? – Ela questionou, desviando o olhar deles e olhando em minha direção.
– Bastante. É como você disse, eu não espero que ele vá falar alguma coisa. – Expliquei.
– Mas você gosta dele né? Tá na cara, por isso resolvi falar. – Ela disse sincera.
– Eu diria o mesmo. – Falei rindo pra descontrair. Depois da conversa decidimos ir até onde eles estavam, do outro lado do autódromo.
– Sophia, essas são Bia e a . – Lando nos apresentou. – Meninas, essa é a Sophia, uma amiga de infância. Corríamos juntos de kart quando éramos criança.
– Tudo bem, meninas? – Ela perguntou e nós respondemos com um sim. Ouvindo Henrik, na sequência, pedir para que nos aproximássemos para que ele explicasse sobre as filmagens.
Sophia iria falar sobre o carro e iríamos gravar ela somente dentro do carro, enquanto três drones iriam filmar Lando e Carlos na pista, mostrando as duas cores disponíveis do modelo, um cobre e um azul claro que Lando escolheu e que eu, particularmente, detestei. Logo após, seriam feitas fotos que eu iria ajudar Anelise, o que foi difícil porque eles ficavam o tempo todo conversando sobre a infância e não focavam no trabalho. Pode ser loucura minha, mas eu estou me sentindo incomodada. E quando terminamos as fotos, Henrik disse que tinha a gravação para o Unboxed ali mesmo e pediu para que Bia ajudasse a montar um circuito com cones. Enquanto Sophia se despedia dizendo que tinha que viajar.
– O que é que você vai fazer Henrik? – Perguntei analisando-o tirar uma bacia de dentro do carro dele.
– Calma, , você já vai ver. – Ele respondeu. – Meninos, me ajudem aqui. – Ele pediu, entregando uma bacia para Lando, abrindo uma caixa de papelão dentro do porta-malas do carro dele e tirando caixas de leite de lá, colocando o conteúdo das caixas na bacia.
– Isso vai dar merda. – disse Bia.
– Será? É agora que eu perco meu emprego. – disse irônica.
– GEORGE! Vem cá! – Gritou Lando, vendo-o se esconder atrás da porta da garagem.
– Prontos? – Perguntou, Henrik.
– Hey, calma ai! O chefe tá sabendo disso? – Perguntei.
– O pior é que tá. – Respondeu Anelise e então os dois seguiram para o interior do carro, que por sorte era aquela azul, esquisita. Uma a menos. Carlos foi dirigindo e Lando no bando do carona com aquela bacia de leite. O objetivo era fazer o circuito sem virar. Eu só conseguia ouvir as risadas altas do lado de dentro. Eram duas crianças ali se divertindo. Depois de Norris, foi a vez de Carlos ficar no banco do carona, fazendo que aquele leite fosse parar todo em Lando. Eu só vi aquela bacia voar dentro do carro e no final Lando saindo completamente molhado. Quando vi o estado do interior do carro, só pensei que se esse vídeo não ficar bom, Henrik vai ter que se entender comigo.
, me dá um abraço? – Disse Lando vindo em minha direção. E antes que eu pudesse fugir, Carlos se apressou e me segurou. Agora eu também estava ensopada de leite.
– E agora? – Falei, olhando para minhas roupas sujas.
– Agora você ajuda e dá uma carona pra nós. – Disse Lando, como se fosse óbvio. Depois disso, Henrik e Anelise foram guardar os equipamentos de vídeo e os meninos foram guardar os carros no caminhão.
– Vocês sabem que vocês vão limpar esses bancos, né? – Falei com os olhos cerrados na direção deles, que estavam sentados com a roupa toda suja nos bancos do meu carro. – Já vou lembrando vocês que tem gravação da Estrella Galícia nessa semana. O Marc e o Mike vão participar também, a gente vai fazer um jogo de perguntas e respostas sobre a marca. – Fui explicando como ia funcionar a gravação.
– Sim , quando vai ser? Porque o Henrik marcou gravação pro Unboxed amanhã de novo. Ele disse que tinha que ser no salão de exposições. – Disse Carlos.
– Eu tinha esquecido completamente como isso é com ele. – Falei, batendo com o punho na cabeça, enquanto dirigia para deixá-los na fábrica. – Tudo bem, já que ele quer que a gravação seja no salão. Só não aprontem, por favor! Tomem cuidado com tudo lá. – Pedi, ouvindo eles prometerem se comportar depois. Após deixá-los na fábrica, eu fui para casa tomar banho. Que beleza de descanso, hoje não olho mais nem o celular. E foi isso que fiz, liguei a tv enquanto cozinhava e me desliguei totalmente do mundo lá fora.
No outro dia, acordei um pouco mais tarde e cheguei atrasada no trabalho. Meu carro estava com um cheiro horrível e eu levei pra lavar, indo para a fábrica de táxi. Preparei meu café de todo dia e sentei na minha cadeira confortável para que fosse ver a edição de toda a mídia de final de ano que já estava sendo feita. Quando Lando entrou na minha sala, com um patinete elétrico da empresa do pai dele.
– Dá próxima vez, você leve o seu patinete e não me peça carona quando estiver sujo. – Reclamei.
– Bom dia para você também, . – Ele disse ignorando o que eu disse. – Você vai conosco lá gravar o Unboxed? O Henrik chegou com uma caixa enorme e deixou lá. – Comentou Lando.
– Ainda não sei, cheguei atrasada porque antes fui deixar o carro pra lavar e tenho umas coisas para revisar e ainda tenho que voltar na OctaSports hoje. A propósito pode passar a sua chave aí! – Falei levantando a mão direita na direção dele, que entendeu e me deu a chave da McLaren dele, sem discutir, sabendo que iria perder.
– Me devolva inteira a Carlotta, por favor. – Disse ele, ironizando e me fazendo revirar os olhos. Depois disso, eu peguei as chaves e segui para o estacionamento. Quando sentei naquele banco do motorista, senti uma atmosfera diferente. Aquele carro era um poder e nada discreto na cor cobre e eu iria aproveitar bem a minha volta. Até o chefinho decidir que também mereço um, porque nos meus sonhos eu mereço.
Segui em direção a OctaSports para buscar novos crockies para Lando ajudar no design, dessa vez associando a marca a McLaren e ao seu projeto Team Quadrant, com mais 4 gamers. Quando voltei para a fábrica, fui falar com o chefe sobre como lançar a notícia da parceria com a Mercedes, porém ele decidiu antes ir ver a gravação dos meninos no salão de exposição da McLaren. Quando chegamos lá, tinha uma caixa de vidro com peixe dentro e Lando sentado em um banco alto com os pés próximos da água. Eu só pensava “vai dar merda”. Só foi um segundo até ele colocar os pés lá dentro, pressionado por Carlos e começar a se debater, chutando o vidro até estourar e aqueles peixes voarem pelo salão.
– Junta! Junta! Junta! – Dizia Carlos, se ajoelhando para tentar pegar os peixes. Lando permaneceu estático por alguns momentos, até começar a gritar vendo os peixes perto dos pés dele. Eu não tinha reação nenhuma, assim como Zak.
– EU DEVIA JUNTAR ESSES PEIXES E COLOCAR DENTRO DAS CUECAS DE VOCÊS! E NA SUA HENRIK, UM TUBARÃO! – Eu disse, incrédula. Enquanto Brown na maior paciência, sorriu e disse “Que droga foi essa?”.
– Tá tudo sob controle. – Disse Henrik, dessa vez preocupado.
– Chefe, você soube o que eles aprontaram ontem? – Eu perguntei, preocupada.
– Falando nisso, a Carlotta está bem? – Disse Lando, ainda em cima do banco com os pés erguidos tentando evitar ficar perto dos peixes.
– Você pare de chamar o carro de Carlotta! – Dizia Carlos irritado.
– Vocês não mudem de assunto! – retruquei.
– Pessoal, vocês sabiam que pegaram um modelo exclusivo? – Brown comentou, fazendo os três se olharem apavorados. Depois deles se desculparem e Brown ameaçar descontar do salário deles na próxima, eu voltei para a minha sala já que as gravações estavam encerradas. Depois do almoço, Lando e Carlos vieram até minha sala para que pudéssemos falar sobre as gravações da Estrella Galícia que seria ainda de tarde. Mas o que era pra ser uma reunião virou um jogo de Jenga, que eu não resisti em jogar também.
– Que isso? – Disse Brown tirando os patinetes do caminho e entrando na sala.
– Isso é o Jenga, chefe! Tem que ir tirando as peças e não pode derrubar. Dessa vez eu ganho. – Disse Lando para Brown que ficou assistindo até o final da partida, para depois seguirmos o trabalho.
Quando fomos gravar as perguntas e respostas da Estrella Galícia, fomos para o bar da fábrica e posicionamos os dois times em volta de dois tambores personalizados da marca que eles haviam enviado. As perguntas eram sobre a data de abertura da empresa, quantos tipos de cerveja haviam, com que prato é comumente servido acompanhando cerveja na Alemanha, etc. Eu ria tanto da risada escandalosa de Lando, ele conseguiu acertar todas as perguntas do Carlos e acabou ganhando e ria mais ainda quando Carlos errava uma. Ele até ficou bravo por eu tentar ajudar.
– Você, sua traíra! Não quero conversa! – Dizia Lando pra mim, enquanto voltávamos para a sala. E eu só conseguia rir.
– Até amanhã! Temos fotos de manhã no parque, e também precisamos falar sobre as peças do Team Quadrant! – Lembrei, me despedindo e vendo ele concordar na sequência. Depois de pegar minha bolsa e a chave na sala, eu peguei um taxi para buscar meu carro e depois fui em direção a minha casa, finalmente. Nada como um bom banho e um macarrão com vinho para recuperar as energias.


– Norris, por favor, desce daí!! – Eu gritava, embaixo da roda gigante e nada. Então, liguei para a staff Anelise, falando que precisava de um tempo para conseguir falar com o Lando.
– Preciso de ajuda, Ane. – Falei irritada ao celular com Anelise. – Eu preciso tirar o Norris da roda gigante, mas ele e o Russell estão lá agora, rindo da minha cara lá de cima. Ele sabe que eu não vou lá.
– Calma, , você sabe que uma hora ele vai ter que sair daí. Pega alguma coisa pra beber e espera. – Me aconselhou, Anelise. E foi isso que eu fiz, peguei uma bebida e me sentei em uma barraquinha perto da roda gigante.
Esse com certeza é o dia que eu mais fiquei brava com o Lando, eu não consegui falar com essa peste, ele fez isso porque sabe que eu tenho medo de altura, mas isso não vai ficar assim. Depois, ele e George foram em direção ao caracol que mais parece uma mini montanha russa e então eu fui na mesma direção.
– Norris, precisamos falar com a Anelise sobre as peças pra Team Quadrant e ela precisa de uma resposta quanto a viagem da semana que vem, ela precisa agendar. – Falei, apontando pro celular.
– Tudo bem, você pode trazer o celular aqui pra mim? – Falava ele, de dentro do brinquedo.
– Não! – Falei, revoltada.
– Então eu falo com ela depois. – Ele falou com ar de chantagem e eu percebendo que aquilo iria longe, decidi não questionar e fui em direção ao brinquedo. Então, sentei no banco atrás do que ele estava e passei o celular pra ele e quando o brinquedo ia parar ele fez sinal para que o técnico prosseguisse com o brinquedo funcionado e assim foi até ele terminar a ligação. Eu saí de lá furiosa, nunca vi uma atitude dessas da parte dele. Sempre ele tá sorrindo e fazendo piada, mas nunca é pra me irritar e ele sempre leva o trabalho a sério. Fui para casa almoçar dessa vez e deixar a raiva passar.

Lando’s POV on
– O que você tá tentando fazer? – Perguntou George.
– Do que é que você tá falando? – Me fiz de desentendido.
– Cara, não seja idiota, tu é afim da garota e se tá tentando chamar atenção dela, isso não vai funcionar. Por que não chega e abra o jogo? – Ele continuou.
– Você acha que é simples? – Respondi impaciente.
– Espera, você tá realmente admitindo isso? – Disse George, rindo. – Lando está na puberdade, já é um homenzinho. – Continuou ele, rindo da minha cara.
– Engraçadinho. Ela é mais velha, você acha que ela tá preocupada comigo? – Eu disse, ironizando.
– E o pior é que tá. Ela conversou com a Bia, eu tô sabendo já. Agora deixa de ser idiota, vai pedir desculpas e abre o jogo de uma vez. – disse ele.
– O que é que ela disse? E eu é que não vou aparecer no trabalho hoje, porque ela sempre disse que iria me jogar pela janela, então dessa vez eu não tô duvidando que ela faça isso. – Comentei.
– Ela não quis falar muito, mas também não negou que sentia algo por você. É melhor você arrumar isso logo, porque senão eu te jogo da roda gigante da próxima vez. – George falou, se fingindo de sério.
– Okay, vou pensar no que falar. Mas agora a gente podia ir em algum lugar almoçar. – Ele concordou, levantando do banco em que estávamos e eu o segui.
Lando’s POV off

Estranho Lando não aparecer no trabalho hoje de tarde, mas eu sei que deve estar se esquivando pelo comportamento dele mais cedo. Mesmo assim eu não consegui conter a risada falando para o chefe que ele não foi porque eu iria bater nele, porque isso tinha um fundo de verdade. Então, peguei uma taça de vinho e fui ver um filme de terror, algo que fazia tempo que eu não fazia, se não fosse de palhaços, eu via. Até que ouvi a campainha tocar e levei um susto.
– Corajoso você. – Falei irônica, vendo Lando tímido do outro lado da porta.
– Eu não quero brigar com você, me desculpa? – Disse ele, fazendo cara de filhote sem dono.
– Até você aprontar de novo… Como eu caio nessa hein? – Falei, rindo e abrindo passagem para que ele entrasse.
– Você tá vendo filme de terror? – Ele falou fazendo cara de pavor, mas indo em direção ao sofá e se sentando lá.
– Sim e vou terminar, tape os ouvidos. – Respondi, colocando as mãos na cintura e depois indo também para o sofá. Quando tirei o filme do pause, ele se agarrou nas almofadas e colocou em volta da cabeça, até fiquei com pena. Até que veio a cena mais cruel do filme e eu senti ele se encolher mais ainda. – Já vai acabar. – Eu disse, puxando-o pra perto.
– Pensei que não ia acabar nunca. – Disse ele, pegando o controle e desligando a TV.
– Hey, que desaforo é esse? – Falei o empurrando, mas tentando pegar o controle de volta e ele não querendo devolver.
– Não vou devolver, senão você não fala comigo. – Ele disse e parecia sério.
– Devolve! Quem disse que eu não falo com você? – Continuei tentando pegar o controle. Já estava virando uma guerra, até que consegui pegar e ele continuou puxando de volta. Eu tentei fazer cócegas, mas eu perdia o fôlego rindo, até que puxei com força e ele acabou caindo por cima de mim. Foram alguns minutos desse jeito, até ele quebrar o silêncio sem se mover do lugar.
– Vai me escutar agora? – Ele perguntou.
– Estou escutando, pode falar. – Falei, séria.
– Eu queria te pedir desculpas mesmo, pelas minhas atitudes, eu sei que foram infantis. – Falou, meio arrastado, como se estivesse procurando as palavras certas.
– Bem infantis você quer dizer. Olha, eu sei que você não é assim e eu queria entender o porquê disso. Você sempre está alegre e fazendo alguma piada, eu entendo e eu gosto disso em você. Mas dessa vez você pareceu ter perdido o juízo, não foi engraçado, você estava tentando me irritar? Era esse o objetivo? – Desabafei e acabei percebendo ao terminar de falar, o semblante triste dele.
– Você tem razão, eu não sei explicar o que aconteceu comigo. Eu acho que era a necessidade de atenção. – Ele falou essa última de maneira mais arrastada do que nunca, deixando claro o incomodo de admitir a real intenção.
– Atenção? – Falei, pegando no seu rosto que agora se encontrava muito vermelho. – Quando foi que eu te ignorei? – Perguntei, olhando fixamente.
– Não é isso, você nunca olhou pra mim de outra forma. – Ele falou, tristonho.
– Lando, você acha que não me importo com você? Se não me importasse, não teria ficado magoada. – Expliquei.
– Já disse que não é isso. Eu nunca estivesse nessa situação e não sei como agir, mas eu gosto de você, como um homem gosta de uma mulher. Pra mim, sempre foi difícil falar com você porque eu sempre fiquei inseguro e sempre imaginei que você me visse como uma criança. Eu sempre tive a esperança de que um dia você fosse me notar e falar algo. – Ele falou, desviando o olhar. – Pra ser sincero, eu acho que só tô conseguindo falar agora porque o George pressionou um pouco.
– George! Aquele fofoqueiro! Ele vai ver só! – Falei indignada, imaginando que ele deve ter contado sobre minha conversa com a Bia.
– Mas o que ele falou é verdade né? Porque senão eu estou aqui parecendo um idiota. – Disse ele, caindo na risada.
– Depende do que ele disse. – Continuei o jogo.
– Ele disse que você me ama. – Disse tranquilamente e deve ser por causa de estarmos conversando desse jeito leve, mesmo com a proximidade dele, deitado ao meu lado do sofá, estava um clima confortável.
– Além de fofoqueiro, virou mentiroso. – Falei, fingindo refletir.
– É mentira? – Perguntou ele, me olhando fixamente e muito próximo, me deixando sem conseguir responder e eu até tentei, mas só conseguia mexer a boca sem conseguir dar uma resposta e fazendo ele rir como se tivessem feito cócegas.
– Acabou? – Eu perguntei parando de rir também.
– Por enquanto. Mas ainda vou fazer você admitir que isso é verdade. – Disse ele pensativo, segurando a minha mão e por um estante foi como se cada célula do meu corpo estivesse sob efeito de uma corrente elétrica de alta tensão. Então era isso que as pessoas sentem quando estão perto de alguém que gostam. É uma sensação muito boa, que involuntariamente me fez retribuir, segurando firme a mão dele. Um sorriso veio no meu rosto e ele percebeu, puxando meu rosto para o lado, para que pudesse olhar nos meus olhos. E ao encará-lo ali tão próximo, foi uma sensação que eu já cheguei a imaginar, mas nunca pensei que seria real algum dia.
– Tenta me fazer admitir então. – Falei, deixando-o sem graça, mas sem se mover um milímetro para trás. Pelo contrário, se aproximou mais ainda e eu já podia sentir a sua respiração. Até fechar os olhos e sentir os seus lábios nos meus. Poderia descrever como doce e delicado, mas que foi intensificando. Suas mãos foram parar em minha cintura e os beijos desceram para o meu pescoço. E eu jamais o imaginei agindo assim, não havia timidez, ele parecia bem seguro do que estava fazendo.
– Eu esperei muito tempo por isso. –Disse ele, sorrindo e voltando a aproximar nossos rostos. – Tá tudo bem pra você? – Perguntou e eu concordei balançando a cabeça, com ele acariciando meu rosto na sequência e voltando a me beijar. Sendo tudo mais intenso do que nunca, com ele por cima de mim até chegar num ponto em que não havia roupas e nenhuma distância entre nós. Após aquela sensação de êxtase, senti seu corpo pesar sobre mim e eu comecei a acariciar suas costas, até acabarmos adormecendo, até sermos acordados pelo celular de Lando, que nesse momento se encontrava no chão.
– Mãe? – Falou ele com voz de sono. – E-eu, é… Já vou. – Falou, gaguejando. – Eu tô com a . É, eu estava dormindo. Valeu por acordar. – Falava de um jeito tímido, mas acabou rindo no final.
– Sua mãe? – Perguntei, só pra ele confirmar.
– Sim, agora ela já sabe. Vai fazer mil perguntas quando eu chegar em casa. – Falou, ainda entre risadas.
– Espero que ela não esteja brava. – comentei.
– Não, imagina, ela é bem tranquila. Mas é algo novo pra ela ir se acostumando. – Explicou.
– Ir se acostumando… – Repeti.
– O que eu falei de errado? – Perguntou.
– Nada. Mas eu fico pensando em como vai ser agora… As pessoas vão comentar. – Falei, pensativa.
– Você é a melhor pessoa pra saber como lidar com isso. – Acrescentou.
Depois de um tempo enrolando, ele precisava ir embora e eu precisava dormir. Depois do banho, deitei na cama e dormi como uma pedra, acordando mais cedo do que o normal no outro dia. Quando cheguei no trabalho, tinha um recado de Brown, logo cedo, pedindo uma reunião para que pudéssemos discutir sobre a parecia com a Mercedes. Eu tomei um café e fui em direção a sala dele. Lando foi o último a chegar e sentou do meu lado e eu continuei calada, como se nada tivesse acontecido.
– Acho melhor esperarmos até o último momento para darmos a notícia. Vamos ter que ajustar incluindo a marca deles em qualquer que seja o produto. Já esperávamos por essa exigência. Como anda isso, ? – dizia Brown, mas eu não conseguia me concentrar nas palavras dele. – ? – Disse ele novamente. – ! – Falou ele, um pouco mais alto e eu percebi pelas risadas que se sucederam.
– Desculpa, sobre a Mercedes né? Tudo já foi providenciado para incluir a marca deles. – Eu respondi no susto.
– Alguém está bem distraída hoje… Quer nos contar o motivo? – Disse Carlos e quando Lando teve um ataque de riso após isso, eu gelei, porque eu sei que essa peste não sabe esconder as coisas.
– Quem? Eu? – Me fingi de desentendida e tentando me manter calma.
– Você mesmo, . – Continuou Carlos.
– Pois é, . Também quero saber o que tá acontecendo. Quer dizer alguma coisa? – Disse Lando, rindo alto e eu fiquei mais apavorada ainda.
– Tá bem, eu já vi tudo. Não precisa falar nada. – Carlos disse, tampando o rosto com as mãos e balançando a cabeça em negação.
– Não tem nada pra falar, vocês querem parar de atrapalhar e voltar pra reunião? – Falei, impaciente. – Continua, chefe, por favor.
– Então, como eu ia dizendo, antes de vocês começarem a discutir o relacionamento… – Disse Brown, balançando a cadeira de tanto rir e eu devia ter ficado mais vermelha do que nunca. – Tudo certo com a Mercedes, então? Mesmo que seja divulgado só depois do final da temporada, já devemos ter algo pronto na hora do anúncio.
– Eu pensei ter visto um chili gigante no lugar da . – Comentou Carlos, fazendo as risadas voltarem.
– Como vocês são ruins. – Falei, me fingindo de decepcionada.
– Ruim era o filme que você estava assistindo ontem. – Disse Lando. E eu já comentei que ele não consegue ficar quieto e guardar segredo né?
– Epa! Quero lembrá-los que isso é uma reunião ainda. – Advertiu Brown, fingindo estar sério, mas a risada de Lando e Carlos estava incontrolável. Depois de mais algumas risadas, conseguimos manter o foco e seguir com a verdadeira pauta da reunião. Quando acabou, Brown pediu para que eu esperasse para conversar comigo.
– Você pode continuar sentada aí, preciso conversar com você. – Disse ele.
– Iiih, vamos Lando, antes que a bronca sobre para nós também. – Disse Carlos, se retirando com Lando fazendo o mesmo e saindo mais rápido que ele pela porta.
, faz tempo que eu conheço você. Quando você nem existia ainda, seu pai e eu já éramos amigos. Eu me preocupo com você, como eu me preocupo com o McGuire. Eu vi vocês crescerem juntos e não é porque você é adulta agora que eu vou deixar de falar as coisas. Lando e a família dele também são meus amigos, mas antes de tudo eu preciso saber de você o que está acontecendo. É sério isso, ou é só brincadeira de vocês? – Ouvindo tudo aquilo, eu só suspirei, tentando entender tudo o que ele estava falando e não consegui falar nada. – Eu sei que você gosta dele e o Lando é muito tímido, mas dá pra ver que ele sente o mesmo. Você bem sabe como lidar com a mídia, só quero que saiba que pode contar comigo. – Ele continuou.
– Eu não sei como agir, na verdade eu tenho medo da repercussão, caso alguma notícia saísse algum dia. Não é de hoje que eu vejo os haters em cima de namorada de famoso. Mas acho que nem é preocupação para agora, se um dia a gente se acertar, eu já estou ciente do que vem junto. – Expliquei.
– Meu conselho: não tenha medo. Não deixa inventarem uma notícia para terem o que falar. Não dá essa chance, antecipe as coisas sempre, mostre a realidade de como vocês se dão bem e as pessoas irão aceitar. – Disse Brown, com um tom acolhedor na voz. Depois disso, ele me convidou para um chá maravilhoso que ele importa da Índia enquanto falávamos da infância e do quanto eu era próxima do filho dele, McGuire, que agora mora na Suíça e trabalha com tecnologia.
– Boa sorte para nós nesse final de semana! – Eu falei me despedindo, pois já havia passado da hora de acabar o expediente, porque quando viajamos, o chefe nos libera ao meio dia. Quando cheguei na minha sala, peguei meu celular e vi uma mensagem de Lando “Ainda tá de castigo?”, eu respondi com uma figurinha do Daniel rindo e ele enviou outra mensagem “Não quis te esperar, não sabia o que horas iria sair. Nos vemos no aeroporto amanhã?” e eu respondi que sim, com uma figurinha dele com as mãos no rosto, imaginando a risada dele quando visse.
No outro dia, cedo, embarcamos para Abu Dhabi, nosso hotel era ao lado da pista. E meu quarto era no mesmo andar do quarto de Lando e dos pilotos amigos dele. Enquanto eu desfazia as malas, ouvi uma batida na porta. Era Lando com uma caixa de chocolates.
– Isso é pra você não dizer não, quando eu pedir pra ficar aqui. – Disse ele, escorado na porta.
– Você nem desfez as malas ainda… – Comentei, desviando o assunto.
– Não preciso delas agora. – Falou ele se aproximando e deixando os chocolates na cama e eu não acreditava que eram da Godiva.
– Mas eu preciso. – Falei colocando os uniformes no cabide e ele começou a fazer o mesmo.
– Pronto. Bem mais rápido. – disse ele, convencido. – O que eu mereço por ser um cara legal? – Perguntou, com os lábios curvados num sorriso malicioso e eu comecei a rir, me aproximando e o beijando. Quando escuto Henrik bater na porta.
– Hey! Eu sei que o Lando tá aí, vocês têm que descer pras entrevistas! – Falou do outro lado da porta.
– Tá vendo, temos que trabalhar, não é só diversão. – Eu falei me fingindo de seria, com ele me seguindo até a saída do quarto. Quando abrimos a porta demos de cara com George e Alex no corredor.
– Acho que deviam trocar o H da palavra hotel aqui, não é mesmo Alex? – Disse George para Alex em meio a risadas.
– Fale por você, George! – Retrucou Lando. – Vocês vão lá falar com os repórteres também? – Perguntou.
– Já fomos, enquanto você está aí ocupado. – Disse Alex. E depois que Lando mandou um dedo do meio para eles, descemos até o salão onde seria uma pequena coletiva de imprensa.
– Você fica sentado bonitinho na cadeira e não começa com as risadas no meio das perguntas, ok? Se bem que, eu tenho um vídeo muito engraçado com todas as vezes que você não conseguia parar de rir nas entrevistas. – Eu dizia no caminho do salão.
– Tá bem, , vou ficar quietinho. – Disse ele, fazendo cara de que ia aprontar.
– Eu tô falando sério com você! Se controle! – Eu adverti.


Sentamos no lugar organizado para a entrevista, depois do puxão de orelha que dei nele, eu acredito que ele vá se comportar, mas em qualquer caso estou aqui do lado pra arrumar qualquer merda que ele faça, mas não quero ter que ficar lá dizendo se controla a cada minuto, novamente.
– Norris, o que você espera para esse campeonato? – Perguntou a repórter da Sky Sport.
– Ahh, eu espero que eu vá bem, que consiga trazer mais pontos pra equipe do que o meu colega. – Falou, rindo.
– Como é a sua relação com o Sainz? -Dessa vez foi a vez da repórter do SporTV 2 fazer a pergunta.
– Nos damos muito bem, ele tem paciência comigo e eu acho que estamos evoluindo juntos de uma maneira leve, existe competitividade, mas de forma saudável.
– Como você vê sua carreira daqui a alguns anos? – Ela prosseguiu.
– Não quero estar velho e nem gordo, quero correr por muitos anos do lado dos meus amigos.
– Você é visto como um cara bem humorado, como você consegue manter a energia com a rotina pesada? – Dessa vez, foi um cara da Fox Sports que perguntou.
– Eu tomo muito energético. – Respondeu rindo. – É difícil, se eu não manter esse ritmo eu fico triste e meu rendimento cai, eu só procuro aproveitar tudo que eu tenho e não pensar nos problemas quando eu preciso estar focado em algo. Eu queria aproveitar e agradecer a minha coat que tem muito trabalho comigo, eu sei que é difícil e cansativo, mas eu queria te agradecer e dizer que os resultados que estamos alcançando tem muito de você.
– Você deve ao que os bons resultados dessa temporada? O melhor em oito anos, já está garantido o terceiro lugar de construtores. – Perguntou um repórter da Ziggo sports da Holanda.
– Somos um time e agimos como um time. Todo mundo trabalha arduamente e tem mérito nos resultados, mas eu, pessoalmente, gostaria de agradecer a uma pessoa muito especial, que sempre está do meu lado apoiando, comemorando juntos, aconselhando quando é preciso. , vem aqui…- Disse ele, segurando minha mão e me aproximando para ficar do lado dele. E os repórteres não deram nem chances de ele continuar falando, enchendo de perguntas todos ao mesmo tempo, sendo impossível entender o que eles estavam falando. – Ela é muito importante pra mim e eu fico feliz que ela esteja comigo nesse momento! Espero que o Carlos não veja isso. – Falou, fingindo nervosismo e depois nos retiramos em direção ao Paddock, com os repórteres ainda nos seguindo.
– Você tem noção do que você fez? – Eu perguntei, esperando uma resposta que me fizesse acreditar no que ele tinha feito.
– Sim, eu tenho. Uma hora nós íamos ter que falar. – Explicou de forma simples. E apesar de sempre ter a companhia da mídia por perto, estávamos tão concentrados com a corrida dessa semana, que por momento esquecíamos deles. E o resultado da corrida terminou com um pódio de Carlos em terceiro e Lando em quarto lugar, garantindo o terceiro lugar de construtores. Finalizamos o dia com um jantar com a equipe para comemorar, onde já colocamos conteúdo na mídia em comemoração com stories da pontuação e do jantar. E se não bastasse, Lando publicou uma foto de nossas mãos e me marcou, com um coração na legenda. Começava ali uma nova vida, nós dois, a companhia dele, as piadas dele, as trapalhadas dele, era mais do que nunca a minha rotina, definitivamente eu tinha incluído isso no contrato.

Nota: Escrever sobre Lando Norris, gera algumas risadas, espero que você sinta o mesmo quando estiver lendo. Agradeço imensamente ao apoio das autoras do grupo de F1 e também agradeço a parceria das autoras do projeto. Precisamos de mais projetos como esse!!!