Melhor Amigo

Sinopse: Ele é apaixonado pela melhor amiga desde que tinha quatorze anos, mas antes que pudesse contar como se sentia, ela foi estudar na Califórnia e lá permaneceu por quase oito anos.
Mas, agora, ela está de volta a Alemanha e pra ficar.
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 16 anos. Uso de palavras de baixo calão, consumo de drogas lícitas e cenas de insinuação ao sexo
Restrição: A fanfic é originalmente escrita com o jogador Leon Goretzka, há menção ao elenco do Bayern de Munique da temporada 2019/2020, mas nada que atrapalhe a compreensão da história.
Beta: Regina George.

Capítulos:

Capítulo 01 – Tá chegando a hora de te encontrar…

… e a ansiedade vai chegar ao fim. Tô com medo, mesmo assim vou perguntar, pois o não já tenho, agora eu quero o sim.

Munique, 01 de fevereiro de 2020

– Você tá tão nervoso que parece que vai bater o pênalti pra garantir o título da Copa do Mundo agora mesmo. – Niklas Süle falou observando o amigo, que ajeitava a roupa pela enésima vez frente ao grande espelho de seu quarto. – Há quanto tempo vocês não se veem?
– Desde que ela foi estudar na Califórnia, há quase oito anos. – respondeu e suspirou pesadamente. – Quando ela veio pra cá nas férias de meio de ano, eu sempre estava em pré-temporada em algum lugar longe. Nas festas de fim de ano, os pais dela foram pra lá e eu não a vi pessoalmente, a gente só se fala por Skype e FaceTime. Agora ela voltou, pois conseguiu uma bolsa de especialização na faculdade em Munique.
– E ela não faz ideia que você gosta dela? – Niklas perguntou e negou com um aceno de cabeça. – E por que você nunca contou?
– Medo de perder a amizade. – Marius respondeu e rolou os olhos.
– Podemos ir? Eu preciso chegar lá antes dos convidados.
– É um milagre você querer uma festa. – Niklas disse rindo e se levantou do sofá.
– Um milagre chamado . – Marius zombou fazendo Niklas rir.
– Vamos logo. – respondeu, simplesmente, e os três saíram da casa do jogador.Foram de Uber, claro, porque não pretendia ficar sóbrio o suficiente para voltar dirigindo pra casa. Não que fosse festeiro e gostasse de encher a cara, mas não dispensava uma boa cerveja quando lhe era oferecida. E seu aniversário de vinte e cinco anos lhe ofereceria muitas.
Ele, que nunca tinha gostado de festas de aniversário, viu-se ser convencido por sua melhor amiga, , a celebrar seus vinte e cinco anos, porque ela estava voltando para a Alemanha, depois de passar quase oito anos nos Estados Unidos, e queria celebrar com o melhor amigo todos os aniversários que passaram longe um do outro. nem mesmo achava que um dia veria sua melhor amiga pessoalmente de novo, a vida dela parecia ter se desenvolvido bem nos Estados Unidos e, por mais que soubesse como ama a Alemanha, sabia que ela vivia muito bem na Califórnia.
e sempre foram muito amigos, de fazerem absolutamente tudo juntos e não se desgrudarem, mesmo que depois de entrar para as categorias de base do VfL Bochum, aos oito anos de idade, eles tenham perdido boa parte do tempo de convívio e se vissem menos que antes, mas isso, na verdade, pareceu fortalecer a amizade.
era a maior fã de e sempre fez questão de deixar isso claro, mesmo quando ele se transferiu para o Schalke 04, o maior rival de seu time do coração.
percebeu que gostava de aos quatorze anos, mas sempre foi muito tímido e teve medo de falar sobre o que sentia e estragar a amizade. Quando, finalmente, achou que tinha coragem o suficiente para dizer o que sentia, chegou toda contente em sua casa, com uma carta de admissão para estudar na Califórnia, com bolsa integral, e se mudaria dali uns meses para o outro lado do mundo.
tentou, desesperadoramente, esquecê-la e superar aquele amor que não daria em nada, mas isso só o fez gostar mais de , ainda que isso pareça ser a coisa mais clichê do mundo.
Enquanto seguiam para a festa, tentava controlar o nervosismo de reencontrar sua melhor amiga depois de tanto tempo. estava linda, ele sabia porque via as fotos e estavam em constante contato por Skype e FaceTime, mas ver fotos é diferente de ver pessoalmente. E ele não sabia se estava preparado para isso.
já tinha avisado que tinha comprado uma roupa maravilhosa para aquele reencontro e que era bom ele se preparar, porque ela estava no fuso da Califórnia, menos nove horas do horário local, então teria pique para dançar a noite inteira. Com ele.
Dos noventa lugares disponíveis na área VIP da boate mais famosas de Munique, sessenta e cinco seriam dos convidados da festa, entre amigos de infância e os amigos de profissão. tinha cuidado de tudo, absolutamente tudo, e ainda estava na Califórnia quando isso aconteceu.
A só tinha sobrado uma tarefa: aparecer no dia do próprio aniversário, às dez e meia da noite, meia hora antes da abertura oficial da casa, para recepcionar seus convidados, que também podiam entrar antes das onze. Benefícios de ser um jogador de futebol. Quando o carro parou em frente ao tal lugar, a fila que se formava do lado de fora era enorme e isso era esperado, claro, já que era um sábado à noite.

– Eu vou te dar um conselho e espero que você siga: assim como você precisa falar, ela merece saber que você sempre foi apaixonado por ela. O não você já tem, corre atrás do teu sim. – Niklas falou quando saíram do carro e assentiu, suspirando em seguida.

Era muito mais fácil na teoria, mas ele sabia que Niklas tinha razão. tinha total conhecimento de que precisava resolver essa questão de sua vida, precisava que soubesse do seu amor secreto há tantos anos e que dissesse sim ou não, porque já estava naquela há onze anos.
Deram o nome na portaria para entrar e foram identificados com as pulseiras da área VIP. A de era dourada e um “ANIVERSARIANTE” estava escrito de preto, que ele descobriu brilhar no escuro, com bastante destaque.

: Cadê você? 👀
: Chego daqui a pouco
Lau vem pra cá e vamos juntas
: Se tivesse falado, eu teria te buscado
: Não fazia parte da sua rota, Mausebär
E se prepare, não vou desgrudar de você!
😍😍😍😍
: Duvido!!!!
Quando ficar bêbada, vai me largar 😢
: , você me desrespeita demais!!! 😡😡
Lau chegou, daqui a pouco a gente se encontra, príncipe
😘
E caso não se lembre mais de mim, eu serei a de vestido azul 😉
: Estou no aguardo, princesa.

– Larga esse telefone, kumpel, seus convidados estão chegando e você tem que ser um bom anfitrião. – Marius apareceu e deu um sorriso pequeno. – Daqui a pouco ela chega, se distrai com outras pessoas antes de ser totalmente privatizado pela , porque todo mundo sabe que é isso que vai acontecer assim que vocês se encontrarem.
– É aqui que tem um garotinho comemorando vinte e cinco anos? – Thomas Müller foi o responsável pelo comentário e deu um sorriso para o amigo.
– Aqui mesmo. – respondeu sorridente e o abraçou.
– Parece que eu cheguei muito cedo. – Thomas disse observando o lugar praticamente vazio. – Mas vi que Manu está lá fora com David e Serge. Coutinho falou que estava esperando Thiago pegar o Javi e ir buscá-lo.
– Thiago tá fazendo van escolar? – perguntou rindo. – Quem mais vem lá do Bayern?
– Acho que o Kimmich e o Lewa, mas não tenho certeza, Sven disse que talvez viria. Niklas já chegou também.
– Veio comigo. – disse rindo. – Não fui eu quem fez a lista, eu apenas avisei pra quem eram meus amigos mais próximos e ela foi a responsável por montar a lista e convidar vocês.
– Sua namorada?
– Não. – negou. – Somos apenas bons amigos.
– Sei… – Müller falou rindo.
– É verdade.
– Quando começa a tal festa que me prometeram? – a voz de Manuel Neuer foi a responsável pelo comentário.
– A festa já começou, herr Torhüter. – disse dando um sorriso para o mais velho.

E logo um bom punhado de jogadores do Bayern estava tomando conta da área VIP. Alguns do Schalke também começaram a chegar, além dos amigos que não faziam parte do meio futebolístico. A música estava alta e já havia gente por toda parte bebendo, conversando e dançando.
Não viu pessoas diferentes das que conhecia e começava a suspeitar que tinha reservado toda a área VIP e preenchido os noventa lugares com nomes. Havia até mesmo um lugar para que os presentes fossem deixados. Ela tinha pensado em tudo.

– Uau. – ouviu a exclamação de Niklas e se virou na direção em que ele olhava: a entrada da área VIP.

E ele a viu.
Estava linda, absurdamente linda. Usando um vestido de mangas longas azul escuro brilhante pelos paetês, que chegava a um palmo acima do joelho, uma sandália de salto fino e bastante alto, mas não chegaria aos um metro e oitenta e nove centímetros de . Os cabelos estavam soltos e maiores do que da última vez que tinham se visto pessoalmente e nos lábios um batom escuro, quase roxo, e que tornava sua boca ainda mais bonita do que o normal.
Ao lado dela, a melhor amiga, Laura. Estava bonita, provavelmente chamando tanta atenção quanto , mas só tinha olhos para a amiga, aquela que ele não via e não tocava há muito tempo.
Aquela de quem ele vinha gostando há tanto tempo que quase nem se lembrava da vida antes de se sentir dessa forma. ainda não o tinha visto, mas não precisou procurá-lo, porque logo estava parado bem a sua frente.

– Essa é uma festa particular. – disse sério e se virou, dando um sorriso imenso e não respondeu, apenas o envolveu em um abraço apertado, fazendo com que sorrisse. – Não adianta tentar me convencer a te deixar ficar, esta é uma festa particular.
– Cala a boca, ! – ela lhe deu um leve tapa em seu braço depois de soltar o abraço e o olhou demoradamente. – Você cresceu.
– Não posso dizer o mesmo sobre você. – brincou e a abraçou de verdade, erguendo do chão, que deu uma gargalhada, envolvendo o pescoço dele com os braços e lhe deu um beijo demorado no rosto.
– Como eu senti sua falta!
– Sentiu nada. Estava muito ocupada estudando e indo a festas na Califórnia pra se lembrar de mim. – brincou, fingindo um tom sentido, e lhe beliscou de leve. – Ai!
– Cala a boca, vamos começar a nos divertir! – ela falou animada. – E me coloca no chão.
– Claro. – ele respondeu obedecendo ao pedido.
– Oi , tudo bem? Eu agradeço pela sua educação. – Laura se pronunciou em tom debochado e ele a abraçou.
– Você eu vejo sempre, Lau.
– Vê? – perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.
– Vejo, porque ela tem um casinho com um amigo meu. – provocou.
– Cala a boca. – Lauren rolou os olhos.
– Ele tá lá perto do bar, Lau. – voltou a provocar e Lauren saiu de perto, ignorando , mas caminhou na direção do bar.
– Eu te marquei de batom. – disse olhando para o rosto dele e fez menção de limpar, mas ele se esquivou.
– Não faz mal, deixa aqui.
– Vai afastar as suas pretendentes.
– Você não disse que ia ficar grudada em mim a noite toda? – perguntou e assentiu. – Você vai repelir pretendentes e não o batom.
– Espero que você saiba que não convidei o Hummels, não gosto dele. E nem o Lewandowski.
– Imaginei. – deu uma risada. – Mas eu chamei. Só não sei se eles vêm
– Você precisa melhorar suas companhias, . – ela falou decepcionada e riu.
– Vem, vamos beber alguma coisa.
– E dançar! E esquecer a existência desses… bleh!
– Isso. – sorriu e ofereceu a ela a mão, caminhando juntos até o bar. E, claro, aquilo atraiu a atenção de todos os conhecidos. – Eu quero uma cerveja, por favor.
– E eu quero sua melhor cerveja, por favor. – pediu, quase numa súplica.
– Desesperada por álcool assim?
– Sim, eu estou. Aquilo que as pessoas bebem nos Estados Unidos é tudo, menos cerveja. É totalmente intragável e nojento!
pegou sua cerveja e eles brindaram. virou metade do conteúdo da garrafa de uma vez e fez uma careta ao vê-la fazer isso, mas mal tomou um gole da própria cerveja e a viu beber o restante da garrafa e pedir outra, ficando de pé e estendendo a mão livre para quando pegou sua segunda cerveja da noite.
– Em que local estão as pessoas que eu conheço?
– Vem, eu te levo. – sorriu e se levantou, pegando a mão de e seguindo até a mesa onde vários amigos em comum estavam.
Gritos foram ouvidos, claro, principalmente de , pelo reencontro com alguns dos amigos de escola. Ele a deixou envolvida com os amigos e seguiu até o local em que Niklas estava conversando com Müller e Neuer.
– Namorada bonita, . – Neuer falou e o empurrou de leve com o ombro.
– Ela não é minha namorada. Somos apenas amigos.
– Ainda. – Niklas disse e piscou para o amigo.
– Tem uma história por trás disso? – Müller perguntou e suspirou, assentindo.
– Paixão antiga, mas ela não sabe e nem sei se eu tenho coragem de falar.
– Deveria, porque ela tem o direito de saber que você é uma opção, kumpel. – Manuel Neuer falou, recebendo acenos de concordância de Niklas e Thomas. – Mas eu entendo, amizade de infância e perder isso seria uma merda.
– Sem dúvidas. Prefiro não correr o risco.
– Talvez ela também se sinta da mesma forma, mas nunca teve coragem de falar.
– Eu duvido muito. – respondeu dando uma risadinha pelo nariz.
– Lá vem ela. – Niklas falou baixo para os amigos.
– Achei você! – apareceu e abraçou pela cintura. – Olá amigos do .
, esses são Niklas Süle, Thomas Müller e Manuel Neuer, como você bem sabe. Essa é .
– Então você é a famosa ? – Manuel Neuer perguntou e deu uma olhadinha rápida para , antes de sorrir abertamente para a mulher.
– Famosa? – ela perguntou e olhou curiosa para . – Que mentiras ele anda falando a meu respeito?
– Só o de sempre. – deu de ombros e estreitou os olhos, desconfiada.
– É um prazer conhecê-los pessoalmente.
– Podemos dizer o mesmo, . – Thomas Müller falou e os outros dois assentiram.
– É bom ter um rosto para associar aos constantes relatos de . – Neuer provocou e voltou a olhar desconfiada para o amigo.
– Cadê a sua namorada, Niklas? – Thomas perguntou, olhando para Niklas.
– Frankfurt. – Niklas mentiu e suspirou. – Ela precisou voltar porque tem aula na segunda-feira e parece que tem um trabalho ou algo assim pra fazer.
– Você também não veio acompanhado, Thomas. – falou rindo. – E nem o Manu.
– Lisa não quis sair. – Thomas respondeu dando de ombros.
– Eu tenho meus motivos… – Manuel Neuer respondeu num resmungo.
– Vocês se sentirão muito ofendidos se eu roubar o aniversariante? – perguntou aos três.
– Todo seu, pode levar. – Thomas Müller foi quem se pronunciou e estendeu a mão para , caminhando até o bar.
– Vamos pegar uma cerveja, porque eu quero me acabar de dançar.
– Sinta-se à vontade.
– Com você. – falou como se fosse óbvio e fez careta. – Não faz essa cara. Eu avisei que não ia desgrudar de você hoje e… AH! Eu adoro essa!

falou animada quando a música mudou para uma que não fazia ideia do que era, mas não teve muito tempo de raciocinar, foi puxado até a pista de dança no andar de baixo, que estava repleta de pessoas desconhecidas. Os dois nem mesmo pegaram as tais cervejas que tinham sido mencionadas. se aproximou, colocando os braços ao redor do pescoço de e deu um sorriso arteiro para o amigo antes de começar a cantar.

A mí me gusta cuando baja downtown, le pido que se quede allí enviciao’. Me dice: Baby, sueno interesao’, si quieres ven y quédate otro round…
– Quê? – perguntou confuso, fazendo jogar a cabeça para trás, dando uma gargalhada.
Anira! – falou ao ouvido dele, que continuou sem entender. passou um dos braços ao redor do corpo de , mantendo a mulher perto de si e ela lhe deu um sorriso. – Que me quede otro round, tanto que me ha rogao’, ya lo tengo asfixiao’. Yo. Te. He. observao’.
deu uma risada ao ouvir como ela cantava, falando perfeitamente as palavras que eram cantadas por uma mulher que ele nunca tinha ouvido na vida e os dois continuaram dançando e rindo por outras cinco músicas, antes de voltarem ao andar de cima, porque queria ir ao banheiro e queria beber alguma coisa.
– Ela te jogou um Downtown, meu parceiro. – Thiago Alcântara falou quando entrou no banheiro junto com .
– E o que diabos é isso? – perguntou confuso.
– Você tá falando que nunca ouviu?
– Nunca.
– Lerdo.
– Quem é lerdo? – Niklas perguntou quando entrou no banheiro e Thiago apontou para . – Ah, achei que era outro além dele.
– Ooh, sé que me quieres ver bajando por toda tu piel. Ooh, sé que quieres que me quede, enredarte en mis piernas es lo que quieres… – Thiago cantou, zombando de e fez Niklas rir.
– Cara, ela tá tão na sua…
– Ou só gosta da música. – deu de ombros.
– Você tá perdendo tempo de não falar com ela.
– Se ele precisa falar, ela é mais lerda que ele.
– Espera ai… quem te contou? – perguntou confuso, olhando para o espanhol.
– Os lerdos aqui são você e ela, , eu e todos os outros conseguimos enxergar bem as coisas. – Thiago falou rindo, mas antes de ouvir alguma resposta, ele saiu do banheiro.
– Não perde tempo, . Fala com ela.
– Vou pensar. – respondeu sinceramente antes de Niklas sair do banheiro e ele ficar sozinho ali.
Quando saiu, encontrou no bar, acompanhada de uma dose dupla de whisky e de Thiago Alcântara, Javi Martínez e das respectivas companheiras.
– Achei que você tivesse caído no vaso. – falou, fazendo Javi dar uma gargalhada.
– Sua namorada fala espanhol muito bem, . – Thiago disse ainda sorrindo.
– Não somos namorados. – disse sem jeito.
– Ele não me assume por medo de perder os esquemas. – usou um tom sentido, fazendo Javi dar outra gargalhada.
– Esses jovens de hoje em dia estão cada dia mais perdidos. – Julia, esposa de Thiago, brincou.
– Ele vai se arrepender de não me assumir. – falou, passando o braço livre pela cintura de .
– Já falei pra ele te assumir e regularizar a situação entre vocês, mas ele não quer. – Thiago falou em espanhol e soltou um suspiro, maneando a cabeça negativamente para .
– O que o Thiago falou? – perguntou curioso.
gosta da vida na rua e não pensa em quem fica em casa esperando por ele todos os dias da vida. – fez drama, também em espanhol, e fez os outros quatro rirem.
– O que tem eu? – perguntou confuso.
– E por que você fala espanhol tão bem? – Aline, esposa de Javi, perguntou curiosa, mantendo a conversa em espanhol, para a decepção de .
– Pra conseguir uma bolsa integral na faculdade, além de boas notas, eu precisava de muitos créditos e fiz aulas de espanhol aqui, mas gostei muito do idioma e continuei fazendo aulas lá.
– E onde é esse lá?
– Stanford, em Palo Alto.
– Que inteligente. – Thiago falou sincero.
– Eu desisto de vocês. – rolou os olhos e saiu de perto dos quatro.
– Adoro deixá-lo irritado. – disse rindo. – E adoro mais ainda ter com quem falar espanhol.
– Sinta-se à vontade. A gente prefere ouvir e falar espanhol também.
– Vocês vão ficar escorados no bar ao invés de dançar? – Robert Lewandowski apareceu abraçado à esposa e já se mostrava bem alegre.
– Vamos todos dançar. – disse dando um sorriso, tentando não questionar os motivos pelos quais o polonês resolveu abandonar seu Borussia e ir para a Baviera, fazendo com que ela fingisse odiá-lo, ainda que o adorasse e quisesse tanto que ele retornasse para Dortmund.

O grupo se direcionou até a pista de dança, atraindo olhares dos outros presentes que estavam na área VIP. Desengonçados. Essa era a palavra que definia – e muito bem – a desenvoltura dos jogadores já num estado etílico um pouco avançado, na pista de dança. Péssimos em níveis alarmantes, mas as danças desengonçadas do grupo faziam gargalhar. Quando “Havana” começou a tocar, ela era a única que ainda estava na pista e dançava animada. Sentiu um corpo atrás do seu e pelo abraço que a envolveu, sabia que era .

– I knew it when I met him, I loved him when I left him. Got me feelin’ like ooh, ooh, ooh ooh, and then I had to tell him, I had to go, oh na na na na na…
– cantou, se soltando do abraço e se virou para , que tinha um sorriso no rosto.
– Havana, ooh na na, half of my heart is in Havana, ooh na na… – ele cantou, ainda mantendo o sorriso no rosto e se aproximou do ouvido dela. – Essa eu conheço.
– Finalmente. – respondeu rindo. – Você trouxe alguma coisa pra eu beber?
– Não, mas a gente pode ir buscar. Preciso falar com você.
– Conversa séria? – perguntou e assentiu. – Vou ao banheiro e você pega um Jack pra mim. Duplo.
assentiu e os dois saíram da pista de dança, voltando à área VIP. seguiu para o banheiro e pediu duas doses duplas de Jack Daniels, virando a sua de uma vez, se odiando por ter feito isso, e seguiu até uma das mesas que estava vazia. Em sua cabeça ele já tinha pensado em pelo menos dez maneiras diferentes de abordar aquele assunto e nenhuma parecia realmente boa. Não sabia se soltava tudo de uma vez, se contornava o assunto até chegar ao ponto.
– E então, qual é o assunto sério? – se pronunciou e só então percebeu que ela estava sentada à sua frente. Ele empurrou devagar o copo até que ela pegasse e tomasse um gole pequeno.
– Não sei como falar. – franziu o nariz e ergueu uma sobrancelha.
– Lembra aquela coisa do band-aid? Que é melhor arrancar e sentir a dor de uma vez só ao invés de tirar devagar e doer muito mais só que aos pouquinhos? – perguntou e assentiu. – Solta de uma vez.
– Eu gosto de você.
– Claro que gosta, ! Eu sou sua melhor amiga e isso é a sua obrigação. – falou rindo. – Você já está tão bêbado assim que já ama todas as pessoas?
– Não, . Não gosto de você só como minha melhor amiga, eu gosto de você… de gostar mesmo. – falou sério e o sorriso de foi morrendo, pela surpresa da declaração. – Sei que não é a hora de falar disso, estamos numa boate comemorando meu aniversário, mas eu me sinto assim há bastante tempo e não aguento mais guardar só pra mim. Você pode não gostar de mim do mesmo jeito, eu entendo, mas eu precisava falar isso pra voc…
– Para de falar. – disse séria e se calou, olhando-a nos olhos, um pouco assustado pelo tom usado.

Capítulo 02 – Se já percebeu esse desejo em meu olhar…

Vou ser mais sincero e pra você me declarar. Sonho em ter você, deixa eu te amar…

– D-desculpa. – pediu prestes a se colocar de pé.
– Não ouse levantar essa bunda daí. – voltou a falar séria e começou a se questionar se tinha sido uma boa ideia falar com ela sobre aquilo, mas não levantou, permaneceu olhando para , que virou o resto da bebida e o encarou por um tempo antes de começar a falar com ele, num tom mais brando, mas ainda um pouco surpresa. – Realmente não é a hora e nem o local correto pra falarmos sobre isso, porque eu estou bêbada. E você também.
– Podemos conversar depois, se você quiser.
– Eu não sabia que você gostava de mim assim, Mausebär. – usou o apelido dado a e ele sentiu o corpo relaxar um pouco. – Desde quando?
– Desde que tínhamos quatorze anos. E percebi no jogo contra o Stuttgart, em que eu fiz um gol e você invadiu o campo e foi me abraçar. Naquele dia eu tive certeza que gostava de você mais do que apenas como minha melhor amiga.
– Aquele jogo foi ótimo. – falou, dando um sorriso saudoso. – Menos a parte em que eu fui convidada a me retirar.
– Tive que implorar pra que você pudesse voltar a frequentar meus jogos. – falou rindo. – Você era meu amuleto, tinha que estar lá.
– E você começou a gostar de mim do nada?
– Eu já gostava de você, mas não sabia que o que eu sentia não era apenas algo que amigos sentem. E quando eu me lesionei daquela vez, você não saia de perto de mim. Me acompanhava em tudo que podia, consultas, fisioterapia… Você sempre me tratou como prioridade, mesmo quando estava na Califórnia e a gente não se via. Eu sei que falar isso nesse momento não é o que você esperava ouvir, mas é que guardo há muito tempo e além de eu precisar falar, você também tinha o direito de saber. Desculpa por soltar essa bomba no meu aniversário e…
– Eu sei que eu provavelmente estou interrompendo alguma coisa muito importante aqui entre vocês, – Marius apareceu e olhou diretamente para . – mas estão te chamando, parece que tem um parabéns a ser cantado.
– Ah! – falou animada e ficou de pé. – Eu esqueci completamente dos parabéns!
– Parabéns? – perguntou confuso e ela o puxou pela mão.
– Sim! Com bolo e tudo mais. – respondeu ainda animada e soltou um resmungo em desaprovação. Odiava muito essas coisas.
– Meu aniversário nem é hoje, !
– E daí? Vamos comemorar hoje e na quinta. – deu de ombros, puxando na direção de uma das mesas que tinha um bolo não muito grande, e se virou para falar de forma que só ele ouviria. – Nossa conversa ainda não acabou.
– Achei que seria aniversário sem bolo. – Niklas brincou.
nunca deixaria isso acontecer. – resmungou em um tom derrotado e concordou com um aceno de cabeça e deu um sorriso convencido.
– Ei, pessoas! – ela falou mais alto. – Venham até aqui cantar parabéns para esse rapazinho bonito que completará vinte e cinco anos essa semana.
– Bonito dependendo de quem olha. – Thomas implicou, fazendo alguns dos amigos rirem. – Eu não vejo desse jeito.
– Invejoso. – respondeu a provocação do amigo dando um sorriso e os convidados se aproximaram para cantar os parabéns, deixando totalmente sem graça pela atenção toda direcionada a ele.

O bolo foi partido e dividido, o primeiro pedaço foi dado a (claro!) e logo se viu rodeado de abraços e brincadeiras dos amigos. se afastou, indo até o bar buscar mais uma cerveja antes de voltar para a pista de dança. Ainda era cedo, ela estava no fuso horário da Califórnia, mesmo depois de tantas horas de viagem e sua cabeça estava presa na conversa de minutos antes; a boate só fecharia às seis da manhã e pretendia sair dali apenas naquele horário.

– Você está fugindo de mim? – apareceu, trazendo outra cerveja para e ela aceitou, dando um sorriso em agradecimento.
Ele colocou um dos braços ao redor da cintura dela enquanto uma música que ele não fazia ideia do nome ou de quem cantava, estava tocando.
– Você estava sendo paparicado, eu vim dançar. – falou mais alto, aproximando o rosto para falar em seu ouvido.
– Vou fingir que acredito…
– Só não quero continuar aquela conversa agora, tá? Vamos aproveitar o seu aniversário, dançar, beber muito pra amanhã termos uma ressaca imensa e que nos faça prometer que nunca mais beberemos, mas será mentira, claro. Não estou em um estado sóbrio para ter esse tipo de conversa, você também não está, mas conversaremos sobre isso. Agora eu voltei de vez, temos tempo.
– Sem problemas. – respondeu e sorriu enquanto se movimentavam numa dança pouco condizente com o ritmo acelerado da música.
– Quantas pessoas sabiam?
– Todo mundo, eu acho.
– Então eu fui a única a não perceber?
– Talvez. – respondeu, ainda sem jeito, e se aproximou mais para falar em seu ouvido.
– Seus amigos espanhóis estão nos olhando lá de cima. E todos eles sabem, porque estão olhando com bastante expectativa. – falou e riu, mas sem olhar para o local em que os amigos estavam observando os dois. – Ah, eu adoro essa música!
– Você se tornou mais festeira depois de ir pra Califórnia. – falou alto, enquanto tomou o resto da bebida que tinha em seu copo.
– I love it when you call me señorita, I wish I could pretend I didn’t need ya, but every touch is oh, la, la, la; it’s true, la, la, la… Oh, I should be runnin’… – ela cantou animada, fazendo dar uma risada alta.
– Você é impagável, . – riu, erguendo num abraço e a girou no ar, enquanto ela ria e tentava cantar a música.
– Como eu senti sua falta. – falou por fim, abraçando .

Os dois continuaram dançando pelo restante da noite, entre gargalhadas e idas ao bar e ao banheiro, cantando e improvisando danças que, se estivessem sóbrios, não fariam em público, até serem educadamente convidados a se retirar do local, porque a boate precisava fechar. Os convidados que foram embora despediram-se rapidamente deles na pista de dança, porque foi totalmente monopolizado por e ele não se importava nem um pouco.

– Vem Sam, eu te deixo em casa. – disse quando saíram e ela negou com um aceno.
– Vou pra casa da Laura.
– Sinto te dizer, mas ela foi pra casa do Daves.
– Ah, então esse Daves é jogador? – perguntou estreitando os olhos e ele riu, assentindo.
– Joga no Bayern comigo.
– Mas não precisa, Mausebär. Eu tenho uma chave de lá, é mais perto e vou ficar por aqui.
– Eu te deixo na casa dos seus pais.
– Você tá bêbado, não vou te deixar dirigir.
– Não sei como as coisas funcionam na Califórnia, mas aqui na Alemanha existe uma coisa chamada Uber.
– Então pode ir. Eu vou ficar por aqui mesmo.
– Eu te deixo na casa da Lau então. É perigoso andar sozinha pela cidade, homens existem e são péssimos.
– São. – disse rindo. – É aqui perto, mas eu aceito sua carona.
– Se não aceitasse, eu te levaria de qualquer forma. – disse rindo quando o carro que ele pediu pelo aplicativo parou à porta da boate.

O trajeto foi rápido, o apartamento de Laura realmente próximo da boate e logo o carro parou. Os dois se abraçaram demoradamente, mas não falaram nada. Não precisavam. deu um beijo na bochecha dele e sorriu para o amigo antes de descer do carro, entrando no prédio. E só então autorizou que o motorista arrancasse e seguisse pelo caminho até sua casa.

-x-

Munique, quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020

: Chego na sua casa daqui a pouco

encarou a mensagem recebida e deixou o celular sobre o sofá, indo até a cozinha conferir o que tinha de comer, antes de tomar um banho e se agasalhar. Tinha passado o dia no Bayern, estava cansado e podia jurar que ainda estava de ressaca desde sábado.
Ele sabia muito bem que estava indo para sua casa àquela hora para que pudesse ser a primeira a lhe desejar parabéns, como sempre fazia questão, mesmo quando estava na Califórnia – época em que ela dava parabéns nos dois fusos – e ligava para desejar os parabéns até mesmo antes dos pais dele.
Além da visita pelo aniversário, também sabia que queria terminar a conversa que tinham começado no sábado, mesmo que não estivesse sóbria, ela se lembra de tudo que foi dito naquela noite.
No domingo, os dois não conversaram, dormiram o máximo que puderam para descansar e aproveitando o frio intenso que fazia em Munique; durante a semana, tinha treinado muito e tinha começado a resolver as coisas para se instalar em Munique e começar a trabalhar e estudar de novo.
Quando ouviu batidas na porta, voltou a ficar nervoso. Ele já tinha falado como se sentia, mas não tinham, de fato, conversado e ele não sabia como ela se sentia a respeito dele e daquela declaração. Abriu a porta quando ouviu novamente as batidas e encontrou parada com uma sacola de papel pendurada no braço, um bolo pequeno em mãos e um sorriso imenso no rosto.
Estava totalmente enrolada em casacos, toucas, um cachecol, luvas e blusas e não demorou a entrar no apartamento aquecido e começar a se livrar dos três casacos grossos, das luvas, cachecol e touca, depois de colocar o bolo nas mãos de .

– Seja bem-vinda, häschen. – disse rindo e deu um sorriso ao se virar para olhá-lo.
– O bolo vai pra geladeira. E traz duas canecas quando voltar.

deu uma risada antes de lhe dar as costas e ir para a cozinha, deixou o bolo na geladeira, pegou as duas canecas e voltou para a sala, encontrando no sofá, enfiada sob o cobertor grosso e pesado que ele tinha deixado ali propositalmente. Ela tirou uma garrafa térmica da sacola, que provavelmente tinha chocolate quente, além de ter colocado quatro pacotes de marshmallow sobre o cobertor, um pacote de balas e outro de chocolate, que eram tão grandes quanto os de marshmallow.

– Você quer me matar de diabetes? – ele perguntou rindo quando se sentou ao lado dela.
– Eu não trouxe nada disso pra você, meu querido, é tudo meu.
– Corrigindo, você quer se matar com um pico de hiperglicemia? Na minha casa?
– Cadê as canecas? – perguntou ignorando e ele lhe entregou as duas canecas. esticou-se para pegar a garrafa térmica e serviu o chocolate quente nas duas canecas, entregou as duas a e fechou a garrafa com mais força do que precisava, mas não queria correr o risco de esfriar a bebida. – Eu não estou mais tão acostumada a sentir tanto frio.
– Lá na Califórnia é bem quente, não é? – perguntou e entregou a ela sua caneca de chocolate quente e assentiu.
– Nessa época, chovia um dia ou outro, mas é mais quente do que aqui, passa de quinze graus e tem sol quase sempre.
– Isso explica o bronzeado.
– Eu falaria “espera só até me ver de biquíni”, mas até o verão eu já estarei desbotada e pálida feito a Mortícia Addams. – brincou, fazendo rir. – E o verão é totalmente diferente. Eu ia à praia quase todo fim de semana e algumas vezes durante a semana.
– E como é lá? – perguntou curioso, mesmo que já soubesse, enquanto abria um dos grandes pacotes de marshmallow e pegava um punhado para jogar no chocolate quente.
– Bonito, ensolarado e com muita gente bonita também, mas as pessoas são um pouco… estranhas.
– Estranhas?
– É. Elas se abraçam e se tocam demais… eu sou muito alemã pra esse tipo de interação social. – falou, fazendo uma careta e riu. – Mas, num geral, conheci pessoas bem legais. Ainda que me importunassem muito pelo meu sotaque e pela forma como eu falo algumas coisas.
– Por exemplo…
– Um dia, eu estava ao telefone e uma colega chegou perto falando comigo e eu apontei para o telefone, pedi para que ela esperasse um pouco e sussurrei um “i’m engaged”. Ela saiu gritando toda animada que eu ia me casar! – falou rindo.
– Sério?
– Aham. Eu fiquei sem entender de primeira, mas depois que eu desmenti é que me explicaram quem eles têm uma forma diferente de falar quando estão ao telefone. Nós aprendemos o inglês da Inglaterra aqui na Europa, mas lá eles têm um jeito diferente e estranho de falar o idioma. – falou rindo. – Eu falava um monte de coisas que eles nunca falam.
– Eu prefiro o nosso inglês.
– É muito mais bonito. – deu um sorriso de lado e voltou a tomar seu chocolate quente. – Há muito tempo eu não tomava chocolate quente e só agora eu percebo quanta falta senti!
– E esse tá ótimo.
– Eu sei, eu que fiz. – piscou convencida. – Precisaremos de quantos até começarmos a ter aquela conversa que precisamos ter?
– Você é bem direta. – disse dando um sorriso sem jeito. – Por mim, nem precisamos esperar mais pra falar sobre isso.
– Acho que preciso terminar o meu e comer mais uns marshmallows.
– Eu já te falei como me sinto, mas queria saber como você se sente ao saber e como se sente sobre mim. – falou e suspirou antes de voltar a tomar seu chocolate, totalmente em silêncio.

O clima não ficou pesado e nem incômodo, mas, ainda sim, estava apreensivo, sabia que aquela conversa definiria o futuro da amizade dos dois e duvidava que as coisas ficariam da mesma forma que sempre tinham sido. Haveria, agora, uma medição de palavras e assuntos, ela pensaria mais no que diria e no que não diria a ele.
Em uma hipótese remota, ela podia se declarar apaixonada e os dois viveriam uma história de filme, mas duvidava – e muito – disso. não era de guardar palavras e sentimentos, ele sempre viu como ela se portava com os caras de quem gostava e quando saía com eles. Era direta, se gostava, falava; se não gostava, também falava e não ficava enrolando.
encarou a caneca vazia por um tempo, pensando no que falaria e em como falaria. Não podia, simplesmente, jogar um amontoado de palavras em , precisava considerar o sentimento dele e a amizade dos dois. Amizade de infância. Ela não queria perder aquilo, aquela cumplicidade, confiança e amor que construíram durante todos aqueles anos. Era , seu Mausebär, o cara que fazia tudo por ela e por quem ela fazia tudo. Perder aquela amizade era impensável, mudar a forma como se comportam um com o outro, menos ainda.

– Eu fiquei meio chocada com a informação. Primeiro, eu achei que estava muito bêbada e entendendo tudo errado, mas você realmente falou e não era brincadeira. Eu fico feliz por ter seu amor, porque você é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheço, sei que você tem um coração de ouro e é uma boa pessoa. E ser amada por alguém assim é o sonho de todas as pessoas.
– Obrigado. – agradeceu sem jeito.
– Pensei muito sobre tudo isso. Sobre o que eu realmente sinto e não sei explicar. Quando eu fui te contar que ia estudar na Califórnia, eu também queria ter falado outra coisa, mas não soube como e nem se eu devia falar. Eu chorei o voo quase inteiro, pensando que tinha perdido a chance de dizer que gostava de você, porque nem coragem para escrever eu tive, mas achei que passaria. Por bastante tempo, eu achei que tinha passado e que eu tinha, na verdade, confundido achando que era um tipo de amor, mas era apenas o medo de ir embora sozinha. Só que agora eu não tenho certeza. – suspirou.
– Você…
– Deixa eu terminar, por favor. – pediu. – Namorei com o Ed por quase três anos, ele tinha um ciúme absurdo de você, achava que nossa amizade era “muito mais do que só amizade” e quando nós terminamos no ano passado, ele disse que era claro que você e eu somos feitos para ficar juntos e parece que só nós dois não percebemos. Eu não achava que ele tinha razão, jamais imaginei que você podia gostar de mim, mas o término não me fez sofrer como deveria. E no sábado você falou aquilo… fiquei pensando se eu estava com medo naquela época ou se era outra coisa. Eu não quero te perder, , mas não é justo, com seu sentimento e com a nossa amizade, te manter perto de mim se eu não puder corresponder do mesmo jeito.
– O que você quer dizer com isso, ? – perguntou temeroso pela resposta que receberia.
– Significa que eu estou te deixando totalmente livre para escolher como vai lidar com tudo isso que eu falei. – respondeu, mordendo o próprio lábio. – Eu não posso dizer com certeza o que eu sinto, porque nem eu sei. E isso mostra que não é a mesma coisa que você sente. Eu não quero que você se sinta obrigado a conviver comigo, se quiser parar de gostar de mim e todas essas coisas.
, eu gosto de você desde que nós tínhamos quatorze anos, já se vão onze anos e nem você passando todo esse tempo longe fez isso mudar ou diminuir.
– Mas antes eu não sabia e você podia, sei lá, ter esperança de que eu podia corresponder.
– E ainda tenho. – deu de ombros, com um pequeno sorriso nos lábios. – Você disse que não sabe o que sente com certeza, talvez um dia você descubra que gosta de mim do mesmo jeito.
– Mas pode ser que eu não descubra nunca.
– Uma chance em duas, eu vou arriscar.
– Não quero que você fique preso a uma coisa que pode não acontecer.
, se eu conhecer alguém que me faça parar de sentir o que sinto por você, vou saber que não era pra ficarmos juntos mesmo. E a mesma coisa se você encontrar alguém que te faça feliz, eu vou sofrer um pouco, é claro, mas vou ficar feliz por você estar feliz. Eu mentiria se dissesse que não queria uma chance de te fazer feliz, mas não posso te obrigar e não quero desgastar nossa amizade. Eu não quero te perder, . Eu fui capaz de lidar com tudo que aconteceu na sua vida sentimental. Você teve pouco tempo pra pensar no que realmente sente, então, quando souber, você fala. Eu não vou a lugar algum.
– Devia, porque eu não sei se posso corresponder ao seu sentimento.
– Tudo bem, enquanto nenhum de nós descobre, eu continuarei aqui. – sorriu sincero e pegou a mão de , beijando o dorso. – Mas, agora, eu quero mais chocolate.
– Folgado. – riu, debruçando-se para pegar a garrafa térmica e colocar mais chocolate nas canecas. – Liga a televisão e vamos achar alguma coisa pra assistir.
– E o folgado ainda sou eu… – ele brincou e se esticou para pegar o controle da televisão para procurar por alguma coisa.
Parou em uma reprise do “The Voice” e os dois ficaram assistindo àquilo, enquanto trocavam comentários sobre as apresentações dos participantes, como se ambos fossem especialistas e entendessem algo sobre música além de cantarem no chuveiro.
Faltando cinco minutos para a meia noite, levantou do sofá, alegando que ia ao banheiro, na volta passou pela cozinha e ficou por lá até que poucos segundos faltassem para a meia noite e entrou na sala cantando parabéns, segurando o bolo que tinha buscado, e fez sorrir. , definitivamente, era sua pessoa favorita no mundo.

– Feliz aniversário, Mausebär, você merece o mundo e vai conquistar. Eu te amo e sou muito feliz por ter você na minha vida. Você está, oficialmente, velho. – o abraçou, quando terminou de cantar os parabéns.
– Você faz vinte e cinco daqui uns meses, idiota. – resmungou enquanto o apertava em um abraço que tentava suprir os últimos anos de parabéns dados pela internet.
– É, mas você é mais velho que eu. – falou rindo, sem soltar o abraço.
– Então você deveria me respeitar. – se pronunciou quando , finalmente, o libertou do abraço sufocante. – Esse bolo é de quê?
– Chocolate com morango. Eu que fiz.
– Você não sabe nem ferver água pra fazer chá!
– Com todo respeito, , vai se foder. – ralhou, fazendo gargalhar. – Experimenta.
– O bolo ou ir me foder?
– Os dois. Panaca. – resmungou, fazendo rir e a abraçar de lado, lhe dando um beijo no rosto.
– Obrigado, . Eu te amo e sou muito feliz por sermos amigos e por ter você na minha vida. Você sempre se esforç… – começou a falar e foi interrompido pela ligação da mãe, que ele não demorou a atender e colocar no viva-voz. – Fala, segunda pessoa a me dar parabéns.
– Não é possível que já te deu parabéns!
– Já. – respondeu alto e rindo. – Desculpa, Konrad, eu não posso perder o costume.
– Você está ai? – o homem perguntou surpreso. – Quando chegou?
– No sábado. Achei que esse menino tivesse te falado!
– Não falou! Venha almoçar aqui no fim de semana!
– Pode confirmar minha presença. não está convidado, porque deveria ter contado da minha volta há tempos!
– Pai, o senhor ligou pra me dar parabéns. Lembra que hoje é meu aniversário e eu só mereço amor e carinho. – se pronunciou e tirou o telefone do viva-voz.

observava a expressão feliz de ao falar com a família. O sorriso dele era grande e os olhos brilhavam enquanto ouvia as palavras doces de seus pais e irmãos. Mais de vinte anos vendo aquele sorriso quando ele falava com a família e nunca se cansava. era o ser humano mais lindo que ela conhecia, não apenas pela beleza exterior, mas por dentro, pelo coração, pela alma. Ela deu um sorriso e o envolveu em um abraço, que o pegou de surpresa, fazendo seu sorriso aumentar.

Capítulo 03 – Sou seu confidente, não vai ser pecado…

Seu melhor amigo virar namorado. Pode ser estranho, mas vai perceber o quanto eu gosto de você…

observava atentamente os papéis em suas mãos. Estava cansada, mas precisava terminar de preencher os relatórios dos pacientes antes de encerrar oficialmente seu dia de trabalho. Tinha aula bem cedo e mal sairia de lá, já teria uma sessão de terapia em grupo no hospital.
Estava em Munique trabalhando e estudando há quase três meses, e seria apenas a segunda vez que conduziria a terapia em grupo, esperava continuar, tinha gostado muito da primeira vez que tinha feito aquilo.
Ainda que ainda fosse trainee, estava se saindo bem e tinha seus próprios pacientes fora da terapia em grupo. Trabalhava com pacientes de doze a dezesseis anos e, apesar de serem pessoas em uma fase complicada, vinha sendo uma boa experiência, tanto os atendimentos quanto a terapia em grupo.

– Doutora, preciso desabafar. – ouviu uma voz e ergueu os olhos, encontrando parado à porta, fazendo cara de triste. – Minha melhor amiga é obcecada por estudar e trabalhar e esqueceu de mim!
– Talvez ela não tenha se esquecido de você, apenas tenha deixado para fazer os relatórios que precisa de última hora. – respondeu em tom divertido e deu um sorriso. – Senta, eu estou quase acabando.
– Espero que esteja mesmo. – falou, aproximando-se e sentou na cadeira indicada.
– Posso saber o motivo de você ter saído de sua casinha e vindo até aqui?
– Porque não te vejo há mais de vinte dias e senti sua falta. – respondeu sincero e deu de ombros. – Você já teria feito o mesmo se não estivesse estudando e trabalhando feito uma doida.
– Você podia ter mandado uma mensagem avisando que viria, eu já teria feito tudo isso.
– Eu mandei, mas você não viu. – falou, tirando o próprio celular do bolso e abriu o WhatsApp para mostrar as mensagens enviadas.
– Algum de nós dois tem que trabalhar. – respondeu rindo. – Nossos filhos não vão se sustentar sozinhos até terem, pelo menos, dezoito anos.
– Eu estou guardando dinheiro também, pode ficar tranquila. – respondeu em tom divertido. – E pelo tanto que você anda trabalhando, não preciso me preocupar, vai ter dinheiro para sustentar todas as nossas crianças por umas cinco gerações.
– Eu… estou empolgada, ok? Me deixa. – reclamou, voltando a escrever seus relatórios e ele sorriu ao observar a concentração da amiga.
– Você fica tão bonitinha parecendo gente grande. – implicou, depois de um tempo em silêncio apenas observando-a escrever, quando estava quase terminando o último relatório.
– Tem momentos que eu queria ter sido matriculada em outra Nursery, porque eu nunca teria te conhecido e evitaria que eu sentisse essa imensa vontade de te socar. – falou olhando para , que riu.
– Você não aguentaria viver sem mim, häschen. – piscou, dando um sorriso convencido. – Mas eu estou mesmo te atrapalhando?
– Eu já acabei, Mausebär.
– Você vai fazer alguma coisa no sábado?
– Não que eu saiba, por quê?
– Estou sentindo sua falta indo me ver jogar. – confessou, tímido. – E é o último jogo em casa na temporada.
– Isso é um convite? – ela perguntou, levantando as sobrancelhas e cruzou os braços na frente do corpo. – Porque se for, vai ter que ser muito mais convincente.
– Eu pago a pizza a noite.
– O que te faz supor que eu vou ao jogo e ainda fico pra passar a noite?
– Eu não disse pra você passar a noite. Você pode comer e ir embora. – respondeu, dando um sorriso debochado.
– Ainda não me convenceu.
– Estou te convidando, porque você é minha melhor amiga e eu quero que você esteja presente pra torcer por mim de perto depois de tanto tempo.
– Eu não vou vestir a camisa do seu time, sinto muito. – falou, dando um sorriso, fazendo sorrir junto.
– Só não usa uma do Dortmund.
– Contra quem vocês vão jogar?
– Freiburg.
– Que horas?
– Três.
– Estarei lá. – respondeu, dando um sorriso e se levantou, depois de colocar os relatórios nas devidas pastas e colocando-as na gaveta.
Pegou a própria bolsa e os dois saíram do consultório, seguindo pelo corredor que os levaria para fora do hospital. acenou em despedida para a recepcionista, que deu um sorriso sugestivo ao vê-la saindo com , e os dois foram para o estacionamento, na direção em que o carro dele estava.
– Faremos alguma coisa agora?
– Não. – falou fazendo uma careta. – Amanhã tenho treino cedo.
– Você não precisava ter perdido tempo vindo até aqui só pra isso, podia ter falado na mensagem mesmo, Mausebär.
– Eu queria te ver, , senti sua falta. – deu de ombros e sorriu. – E nunca é perda de tempo quando envolve você.
– Fofinho. – apertou a bochecha dele e ele a afastou.
– Para com isso. – resmungou.
– Então, já que você não quer fazer nada e já me viu, vá embora e avise quando chegar.
– Se você quiser saber se cheguei, me manda uma mensagem. – falou fingindo um tom desaforado e rolou os olhos, envolvendo o tronco dele com os braços e ele a abraçou de volta.
– Dependendo do resultado do jogo, o que você acha de irmos a um pub?
– Você está me convidando pra sair? – fingiu um tom de surpresa afetada e riu.
– Depende do seu desempenho em campo. – afastou-se um pouco, apenas para olhá-lo.
– Eu acho a ideia excelente. Se ganharmos, cancela a pizza e vamos a um pub. Se perdermos ou empatarmos, pizza e um filme lá em casa.
– Ganharmos nada. Se o seu time vencer, será de bom tom você sair pra comemorar. Se perder ou empatar, também. – deu de ombros. – Vocês já foram campeões mesmo.
– Como sempre. – provocou.
– Deixe de ser ridículo.
– Oito campeonatos seguidos, . Oito.
– Eu te odeio e você está proibido de falar comigo eternamente.
– Pub. Sábado.
– Feito. – resmungou e voltou a abraçar . – Obrigada por vir me ver e desculpa ter sumido, esses dias têm sido meio complicados por aqui.
– Tudo bem, . – falou e a apertou em seu abraço. – Sei como é ter uma rotina corrida e tudo mais, mas senti sua falta e precisava vir te ver.
– Você é um lindo. – disse antes de se pendurar no pescoço de e lhe dar um beijo demorado na bochecha e o soltou. – Nos vemos no sábado. E… Espera, como eu vou entrar?
– Deixo seu nome com o pessoal da organização, seu passe vai ficar no portão de acesso onde as famílias ficam. Bem perto do campo.
– Ainda bem que não é o meu time, porque atrás do Favre eu ia acabar presa por matar aquele idiota.
– Vá de carro, por favor.
– Pode ter certeza.
– Então nos vemos no sábado, princesa.
– Eu serei a louca gritando com você.
– Ou por mim. – piscou, fazendo rolar os olhos. – Só… não invade o campo, certo?
– Não posso garantir. – falou rindo e deu um sorriso, antes de abraçá-la de novo e lhe dar um beijo no rosto.
– Sábado, três horas.
– Estarei lá.
– Tá de carro?
– Metrô.
– Deixo você em casa.
– Não vou recusar essa oferta maravilhosa.

-x-

: Você vem mesmo?
: Já estou aqui
: Dentro da Allianz?
: Vou pro aquecimento daqui a pouco
: Daqui a pouco eu vou pro meu lugar, primeiro vou comprar uma cerveja
: Não fique bêbada, você vai dirigir de volta pra casa.
: Cala a boca e vá pro aquecimento, !

deu um sorriso quando recebeu a mensagem e deixou o celular de lado, indo calçar as chuteiras, porque precisava mesmo ir para o aquecimento. Há oito anos ele não tinha presente em um jogo seu, queria fazer um bom jogo e, quem sabe, até mesmo um gol.
Quando subiu para o aquecimento, procurou por no local em que ela ficaria, mas não encontrou. Ela ainda deveria estar comprando a tal cerveja e tentando evitar, a todo custo, estar no estádio do Bayern. Não sabia se tinha sido uma boa ideia que ela ficasse tão perto do campo, não que ela fosse fazer alguma coisa que lhe desse problemas, mas vindo de torcendo por ele, era sempre bom ter um pouco de receio, porque ela era bem… ativa quando o assunto era futebol.

– Presta atenção no que você tá fazendo, tapado. – Joshua Kimmich implicou, empurrando com o ombro e o despertando dos pensamentos. – Ela ainda não entrou, então foca no aquecimento antes que o Flick apareça pra te xingar e te cortar do time que começa.
– Lina vem?
– Como sempre. – Kimmich respondeu dando de ombros.
– Vocês podem aquecer e conversar, sabiam? – Hermann Gerland, o primeiro assistente técnico, se aproximou dos dois e falou sério.

Os dois assentiram e foram se juntar aos demais companheiros e pararam de conversar, focando no aquecimento para o jogo de dali alguns minutos. Do outro lado do campo, o time do Freiburg fazia o mesmo, enquanto as arquibancadas começavam a encher.
Quando os jogadores se encaminhavam aos vestiários, viu mexendo no celular e parecia muito concentrada no que estava fazendo, então resolveu não mexer com ela naquele momento, passou direto a caminho do vestiário.
Eles não tinham mais falado sobre aquele assunto. Continuavam agindo da mesma forma um com o outro, com as mesmas brincadeiras e conversas, se tratavam do mesmo jeito e ele duvidava que algum dia voltariam a falar sobre, mas, pelo menos, nada entre eles tinha mudado.
Quando saíram do túnel, agora para iniciarem a partida, olhou na direção em que estava e piscou para ela, dando um sorriso tímido e mandou um beijo, desejando boa sorte num sussurro que com certeza ele não ouviu. Os times se cumprimentaram, os lados foram escolhidos e o jogo começou.
Aos dezessete minutos do primeiro tempo, Robert Lewandowski abriu o placar para o Bayern de Munique, depois de começar a jogada na lateral do campo, uma troca de passes entre outros quatro jogadores até que a bola caísse nos pés do imbatível Lewandowski. Os torcedores explodiram de alegria com o chute bem colocado do polonês. Os jogadores correram para comemorar juntos e no retorno do time para seu lado do campo, ela ganhou um sorriso amplo de .

– Ai meu Deus! Ele sorriu pra mim! Ele sorriu pra mim! – ouviu uma garota comentar perto dela e deu uma risadinha disfarçada do êxtase da garota ao falar sobre e uma possível demonstração de carinho dele.

Ok, pode pensar que foi pra você sim.

Aos trinta e sete minutos e meio do primeiro tempo, foi a vez de Serge Gnabry ampliar o placar, novamente com participação de na jogada, estava pela lateral e passou a bola para Thomas Müller, que enxergou o companheiro livre e passou a bola. O chute não foi forte, por isso enganou o goleiro do Freiburg e entrou no canto direito.

– Agora ele piscou! Nem acredito que o piscou pra mim! – a mesma garota comentou em tom afetado e absolutamente apaixonado, quando passou e piscou para .

O primeiro tempo terminou com aquele placar de 2 a 0 para os donos da casa, e os jogadores foram para os vestiários conversando. comprou outra cerveja e voltou para seu lugar pouco antes do segundo tempo recomeçar.
Aos trinta e quatro minutos do segundo tempo, Joshua Kimmich interceptou o contra-ataque do Freiburg, avançou um pouco da linha de meio campo e viu sozinho, passando pelas costas do zagueiro adversário e lançou o camisa dezoito, que correu sozinho, tirou o goleiro do lance e tocou para o gol vazio, aumentando o placar para o Bayern de Munique.
Ele celebrou perto do gol e teve que se conter para comemorar ali, sozinha, e não pular no campo para correr até ele para comemorar junto o gol marcado. Jamais imaginou que comemoraria tanto um gol do Bayern de Munique em toda sua vida, mas estava ali, na Allianz Arena, gritando e comemorando pelo gol que tinha feito.
O time voltou para que o Freiburg desse a saída de bola e se virou na direção de , que tinha um sorriso imenso no rosto e sorriu de volta na mesma intensidade, voltando a piscar, o que fez a garota que estava perto de ter um pequeno surto, achando que, novamente, aqueles galanteios eram para ela.

– Fez o gol da namorada? – Robert Lewandowski perguntou quando se aproximaram e deu um sorriso, sem responder.

Aos trinta e nove minutos do segundo tempo, mais um gol para o time da casa, dessa vez dos pés de Thomas Müller, depois de Robert Lewandowski chutar a bola em cima do goleiro do Freiburg e voltar nos pés do meia, que bateu para o gol sem chances de defesa.
Quatro a zero.
foi substituído aos quarenta e um minutos do segundo tempo, e em seu lugar, entrou o croata Ivan Perišić. Quando estava a caminho do banco após a substituição, voltou a piscar e esticou a mão para encostar na de , que estava bem perto do banco de reservas, entrelaçando os dedos aos dela rapidamente, mas não falaram nada, apenas sorriram um para o outro e logo foi tomar seu lugar.
Aos quarenta e quatro minutos, Perišić sofreu pênalti e Robert Lewandowski converteu a cobrança, fazendo o seu segundo gol na partida, o quinto e último gol dos donos da casa. Alguns minutos depois a partida foi encerrada e sinalizou que esperaria por no estacionamento.

– Você é a namorada do ? – ouviu antes de sair do local em que estava.
Era a fã apaixonada quem tinha falado. Ela olhava séria para , quase que com raiva.
– Não sei o que responder sobre isso. – respondeu educada e a garota apenas assentiu, saindo de perto e indo para o estacionamento esperar por .

caminhou para fora do estádio, rumo ao estacionamento, acompanhando a euforia dos torcedores pela vitória elástica do time e ficou encostada no carro esperando por , que provavelmente concederia alguma entrevista antes de sair do estádio, se é que não seria sorteado para o doping pós jogo.
Alguns torcedores ainda estavam à espera de uma foto ou um autógrafo, de qualquer dos jogadores que saísse, e a garota da arquibancada também estava ali, mas não incomodou e nem mesmo foi falar com ela, apenas ficou esperando.
Muitos jogadores tinham saído do estádio, depois de tirarem fotos e distribuírem autógrafos aos fãs que os esperavam. Um tempo depois, apareceu caminhando totalmente despreocupado e descontraído, conversava com Kimmich e os dois riam de alguma coisa que tinha sido dita.
Os dois pararam para tirar fotos com um grupo de torcedores e quando foi a vez de tirarem fotos com a garota da arquibancada, ela falou algo que fez Kimmich dar uma risada alta, disse alguma coisa e uma foto foi tirada antes dela sair de perto dos dois e eles se separarem, já que Kimmich seguiu até o próprio carro. caminhou mais um pouco, mas parou um pouco distante, abriu um sorriso e os braços, num claro convite para que fosse abraçá-lo.
E ela assim fez.
Correu pela curta distância e pulou nos braços dele, envolvendo o pescoço de com os braços e ele a ergueu no ar, em um abraço apertado.

– Você jogou muito bem hoje. Parabéns, Mausebär! – falou, abraçando da forma mais apertada que conseguia.
– Você é meu amuleto. – falou e colocou no chão, mas sem soltá-la.
– Eu quis entrar em campo pra te apertar depois do gol.
– Eu imaginei. E fiquei com medo de você fazer isso. – confessou rindo. – Aquela última menina que foi tirar foto comigo e com o Josh me perguntou se somos namorados.
– Ela estava do meu lado, suspirou por você o jogo inteirinho. E, no final, me perguntou o mesmo. – disse rindo.
– Eu falei que somos.
!
– O que você falou?
– Que não sabia o que responder sobre. – deu de ombros e sentiu-se esperançoso ao ouvir aquilo.
– Claro que você é! – falou se fingindo de ofendido. – Nós já até fazemos planejamento financeiro pros nossos filhos.
– Anda logo, vamos passar na sua casa antes de irmos aproveitar a nossa noite.
– Ainda tá cedo, linda. – falou, colocando os braços ao redor dos ombros de e os dois seguiram lado a lado até o carro.
– Dirige, eu não quero correr o risco. – entregou a chave do carro.
– Eu corri por quase noventa minutos, eu até fiz um gol e você quer que eu dirija? – fez drama.
– O carro é automático, pode ficar tranquilo, você não fará muito esforço. – piscou e tomou seu lugar no banco do passageiro.

A casa de era razoavelmente perto da Allianz Arena, então rapidamente chegaram ao destino, e permaneceram por lá durante um bom tempo, enquanto escolhiam o local para o qual iriam comemorar a vitória do dia. E convenceram Daves e Laura a se juntarem a eles. Não conseguiram falar com Niklas e ele estava lesionado, além disso, como a namorada ainda estava em Frankfurt, ele não se prestaria ao papel de “segurar vela”.
Os quatro combinaram de se encontrar na porta do local – a mesma boate em que comemorou seu aniversário – e juntos entrariam para se divertir. Se não conseguissem que fosse ali, procurariam outro lugar e se divertiriam. A ida da casa de até a casa de foi de forma animada, com ao volante enquanto os dois conversavam e cantavam as músicas que tocavam no rádio do carro.

– Eu vou tomar banho, porque eu preciso de mais tempo pra ficar bonita do que você, que vai demorar cinco minutos pra se arrumar e vai sair daqui bem maravilhoso. – falou quando entraram em sua casa e rolou os olhos, antes de deitar-se no sofá e pegar o controle para ligar a televisão.

Mentalmente, enquanto tomava banho, repassava o dia que tiveram juntos depois de tantos anos: o bom jogo que tinha feito, a pergunta da torcedora, a dúvida sobre como responder, respondendo a mesma coisa com muita facilidade e tranquilidade, os dois rindo e conversando como sempre tinha sido.
sabia que deveria ter respondido “somos apenas amigos”, porque é a realidade, mas o que queria mesmo ter respondido era que sim, eles eram namorados. E, quando a garota fazia comentários sobre , sentiu um certo incômodo ao ouvir. Ela conhecia e sabia bem o que era aquele incômodo que ela odiava sentir, por ser totalmente irracional. Ciúme. E não era ciúme de enquanto seu melhor amigo. Ela não tinha pensado em nada daquele assunto desde a conversa que tiveram, não teve tempo para fazer isso, mas parecia que seu subconsciente tinha pensando – e muito – a respeito.
Lavou os cabelos e seguiu para o quarto, secou os fios para não sair com eles molhados e correr o risco de pegar uma pneumonia. Depois de deixar os cabelos secos, foi procurar uma roupa para o dia chuvoso e frio, em plena primavera, de Londres e que servisse para saírem para uma boate.

– Você está linda. – falou sorrindo quando entrou na sala e ele a viu.
– Correção, eu sou linda.
– Linda e bem humilde. – brincou, fazendo sorrir.
– Podemos?
– Não vai me elogiar e dizer que eu também estou lindo? – perguntou, fazendo cara de sentido, e ela deu uma risada.
– Quanta necessidade de atenção, você n…
– Sem análises, doutora . – interrompeu e deu um sorriso brincalhão para ele. – Vamos comemorar a vitória do nosso time.
– É verdade, o BVB ganhou hoje. Um verdadeiro milagre.
– Eu estava falando sobre o Bayern, .
– Então é o seu time, Mausebär. – retrucou e os dois saíram para pegar um Uber, à mercê do vento gelado e da iminência de uma chuva que não tardaria a cair.

-x-

– Além de quase todos os outros homens que estão nesse local, não tira os olhos de você. – Laura falou alto no ouvido de enquanto as duas dançavam na pista da boate. – Vocês já se resolveram?
– Não.
– E pretendem?
– Não sei.
– Vou roubar sua amiga um pouquinho. – Daves apareceu falando alto e abraçou Lauren pela cintura, que sorriu para .
– Ela é toda sua. – respondeu e os dois saíram de perto dela, indo dançar juntos pela primeira vez naquela noite. foi até o bar e se debruçou sobre o balcão para ter a atenção do barman. – Oi, eu quero uma cerveja, por favor.
– Desistiu do Jack? – ela ouviu uma voz e se virou, encontrando .
– Desisti, ele não me ama de volta e me dá muita dor de cabeça. – brincou e entregou uma nota para o barman.
– Sei como é. – deu um sorrisinho de lado. – Quer dançar?
– Achei que eu ia precisar te arrastar pra dançar comigo.
– Já podia ter feito isso, mas estava ocupada demais dançando com a Lauren e deixando todos os homens desse lugar babando por vocês.
– Agora eu sou toda sua. – piscou, tomando um gole grande da cerveja.
– Ainda bem. – estendeu a mão e ela aceitou, para que os dois caminhassem até a pista de dança.
– So you wanna play with magic? Boy, you should know whatcha falling for. Baby, do you dare to do this? cantou com a música da Katy Perry, que tinha sido remixada de forma diferente da versão original.
– Are you ready for, ready for, a perfect storm, perfect storm? ‘Cause once you’re mine, once you’re mine, there’s no going back. – cantou de volta, envolvendo a cintura dela com um dos braços e ela deu um sorriso.
– Você conhece essa. – falou alto no ouvido dele, que assentiu.
– Conheço, porque você fez um bilhão de vídeos num show que você foi! E essa música tocava no rádio o tempo inteiro. – falou no ouvido de e ela riu.

Os dois continuaram dançando aquela música e as outras cinco que se seguiram, além de uma em espanhol, que cantou inteira, fazendo uma interpretação que fez rir e os dois se divertiam dançando e cantando, inventando coreografias totalmente ridículas que não fariam se estivessem totalmente sóbrios.

– Vou pegar alguma coisa pra beber. – falou, se afastando e a seguiu com o olhar.
– Se você não aproveitar a ajuda que eu vou te dar, , eu desisto! está totalmente na sua. – Lauren falou, aparecendo do nada, ao ouvido de e ele a encarou.
– Não sei o que fazer.
– Só aproveite a música que vai tocar. É simples. – Lauren falou séria.
– Que música?
– Você vai saber quando tocar. – Lauren respondeu e se afastou de , que ficou sozinho por alguns minutos, quando retornou munida de duas garrafas de cerveja e entregou uma a .
– Daves e Lau sumiram. – falou alto no ouvido dele, fazendo questão de se aproximar, colocando a mão livre ao redor do pescoço dele.
usou a mão livre para envolver a cintura dela enquanto fingiam dançar a música que tocava.
– Foram se agarrar em algum canto, provavelmente.
– E eu aqui atrapalhando sua vida. – falou, tomando um gole da cerveja.
– Ou eu a sua.
– Que nada. – respondeu dando um sorrisinho e bebeu outro gole da própria cerveja antes de voltar a falar. – Imagino que sua fã de hoje tenha ficado com ciúmes, ela estava achando que aqueles olhares e sorrisos eram pra ela.
– Talvez fossem. – respondeu provocativo e afastou o rosto para olhá-lo.
– Ela bem queria mesmo.
– Tá com ciúmes?
– Não sinto ciúmes, . – respondeu dando de ombros. – Ela pode ficar com você, se quiser.
– Ela é bonitinha, quem sabe? – ele brincou. – Vai que…
– Vai que o quê? – perguntou erguendo uma das sobrancelhas e tirou um dos braços que estava no pescoço de para cruzá-los em frente ao próprio corpo.
– Nada, princesa. – lhe deu um beijo demorado na bochecha e a apertou um pouco mais em seu abraço.
– Sai daqui. – respondeu de má vontade tentando afastá-lo e ele deu uma risada.
– Que lindinha, com ciúmes… – falou em tom zombeteiro e voltou a tentar afastá-lo, mas ele a segurou perto de si, afastando apenas o rosto para que pudesse olhar a cara de birra que ela fazia e rir. Em um timing perfeitamente arquitetado por Lauren, outra música começou e ele deu um sorriso.
– One kiss is all it takes, falling in love with me. Possibilities. I look like all you need… –cantou junto com a voz de Dua Lipa, que começava a soar pelo local.
– Talvez você só precise dar um beijo nela mesmo, vai que vocês se apaixonam e vivem, sei lá, felizes para sempre? Vou adorar ser a madrinha do casamento e dos filhinhos de vocês. – falou de má vontade.
sorriu ao ouvir o tom e reaproximou o rosto do dela, recitando a outra estrofe da música em seu ouvido, repetindo o refrão e soltou um suspiro pesado, fechando os olhos enquanto o ouvia cantar. a mantinha perto de si, a dança não condizia nada com o ritmo da música, mas não era como se eles se importassem com isso, ou se tivessem percebido.
– I just wanna feel your skin on mine, feel your eyes do the exploring. Passion in the messages when you smile. Take my time. It’s something in you lit up heaven in me, the feeling won’t let me sleep, ‘cause I’m lost in the way you move, the way you feel… – ele cantou ainda no ouvido dela, antes de afastar seu rosto para cantar o refrão olhando em seus olhos. – One kiss is all it takes, falling in love with me. Possibilities. I look like all you need…
… – resmungou sentindo a respiração de muito perto de seu rosto.
Ele repetia o refrão com aquelas palavras que soavam verdadeiras demais e olhando diretamente em seus olhos. Ele passou a língua pelos próprios lábios, para umedecê-los, sem parar de observar o rosto de e ela acompanhou todo o movimento. Era tentador. Tentador demais. E ela não sabia se queria mesmo resistir àquilo.
– See wonderland in your eyes, might need your company tonight… – ele cantou, aproximando mais ainda o rosto do dela, até que seus lábios roçassem. Ela voltou a soltar um resmungo.
… – soltou de forma inaudível, pelo volume da música, mas não hesitou quando junto os lábios aos dela.
Ela também queria beijá-lo.
Os lábios se tocaram novamente, mas não houve demora para que se entreabrissem e os dois se beijassem de verdade. O beijo era lento, um beijo com sentimentos que haviam sido suprimidos e refreados por muito tempo. E de descobertas que nem mesmo se imaginava que podiam ser feitas.
Depois de algum tempo se beijando, os dois se separaram em busca de ar. Ela tomou um gole da cerveja que começava a esquentar em suas mãos e ele fez o mesmo com a dele.
não demorou a beijá-lo de novo.
E de novo.
E de novo.

– Eu queria te beijar a noite inteira. – confessou quando se separaram, depois de se beijarem pela enésima vez.
– Você pode me beijar pela vida inteira se quiser, schatz. – falou em seu ouvido.
– Então me deixa começar a vida inteira agora. – respondeu, fazendo rir antes de tomar os lábios dela para mais um beijo.

Os dois ainda estavam na pista de dança, não faziam ideia se Daves e Laura continuavam ali ou se já tinham ido embora, não faziam ideia da hora e nem do que estava tocando mais. Naquele momento, parados no meio da pista, a única coisa que queria saber era da boca de na sua, das mãos dele tocando seu corpo e que suas próprias mãos pudessem tocá-lo também; queria apenas aproveitar aquele momento que só tinha vivido em seus sonhos e que, de verdade, era um infinito de infinito de vezes melhor.

– Vamos embora? – perguntou quando separaram os lábios e ela assentiu.
– Mas de Uber, porque não temos condições de dirigir.
– Você está sem condições de dirigir mesmo, , nós já viemos de táxi. – falou rindo.
– Cala a boca, . – resmungou encarando os lábios dele e controlando a vontade de voltar a beijá-lo, e saiu puxando até a saída da boate.

Já passava das quatro da manhã, estava frio, tinha chovido e logo estava com a jaqueta de e com um dos braços dele sobre seus ombros. O trajeto até a casa dela demorou pouco mais de quinze minutos e logo os dois estavam confortáveis no interior imóvel, com o aquecedor ligado, e foi para a cozinha, depois de largar os saltos pela sala. Precisava beber alguma coisa quente antes de ter coragem de tirar aquela roupa para tomar um banho.

– O que você tá fazendo? – perguntou entrando na cozinha, apenas de calça jeans e meias.
– Você vai ficar doente, vá vestir uma blusa.
– Eu quero tomar banho, estou suado demais pra vestir algo limpo e ir dormir.
– Leva a roupa e se veste no banheiro pra não pegar vento e acabar doente.
– O que você tá fazendo? – repetiu a pergunta.
– Chá.
– Pra amenizar a ressaca de amanhã?
– Pra esquentar um pouco antes de tirar essa roupa.
– Não precisa de chá pra isso, princesa. – falou dando uma risadinha e se aproximou, colocando um braço de cada lado do corpo de , a encurralando contra a ilha da cozinha e aproximou o rosto do dela.
– Jesus Cristo, , sai daqui. – falou dando uma risada pelo nariz e o puxou para um beijo.
E depois para outro.
E mais outro.
– Parece que eu só precisava de um beijo pra te fazer apaixonar. – brincou quando, finalmente, se separaram.
– Eu não precisava de beijo pra isso. – respondeu sincera.
– Pois é, princesa, não é pecado você me deixar ser seu namorado, você sabe o quanto eu gosto de você. – falou, acariciando o rosto dela e deu um sorriso.
– Isso é um pedido de namoro? – perguntou, envolvendo o pescoço dele com os braços e lhe deu um selinho demorado.
– Talvez. Se você quiser.
– Talvez eu queira.
– Então, talvez seja melhor a gente começar a vida inteira se beijando. – falou e ela assentiu, dando um sorriso antes de voltar a beijá-lo.

Nota da Autora: Cá estou eu com mais uma fanfic de jogador de futebol, essa finalizada, porque eu tenho zero controle da vida e eu adoro um jogador. Eh isto.
Espero que tenham gostado e já tem mais fanfic de jogador de futebol minha por aqui, porque eu vivo pra ser feita de trouxa por esses homens.
Aqui tem o grupo do Facebook e aqui o do WhatsApp.
Vocês também podem me seguir nesse perfil do Instagram ou no Twitter (mas aqui eu só surto por futebol, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais).
Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar.