Dream

  • Por: Queen B
  • Categoria: EXO | Kpop
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Sinopse: O amor deles era como poesia, como uma possibilidade tão doce quanto o mais saboroso dos doces, a mais legitima das artes, o fogo pelo qual viviam, o sentimento que, enfim, fazia pulsar seus corações de artistas apaixonados.
E, bem, Deus sabe quão intensos podem ser os artistas com suas emoções.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: –
Beta: Alex Russo

Ao fim da apresentação, o casal ficou de pé e curvou o corpo para frente de maneira igualmente modesta e agradecida.
Aquilo acontecia toda semana, os aplausos e assobios exaltados todas as noites em que subiam ao palco e eles sempre terminavam com o coração cheio de alegria, ainda que os sorrisos tímidos não denunciassem.
ergueu para a mão fechada em punho e ela riu de leve, tampando a boca com uma mão enquanto, com a outra, dava um soquinho na mão do garoto, que era o máximo de cumprimento que acabavam por trocar depois de todas as suas apresentações naquele bar, tímidos demais para expressar em palavras a admiração e carinho, o encanto, que tinham um pelo outro.
Aquela altura, aliás, meses depois de sua primeira apresentação juntos, o que nutriam passava de só encanto, admiração. Eles habitavam o pensamento um do outro o tempo todo, habitavam seus sonhos e suas fantasias. Era, em sua mais pura definição, paixão.
Não que achassem que, um dia, seriam capazes de confessar, amando secretamente cada pequeno detalhe do outro. Como fazia enquanto observava se afastar, seguindo para a mesa onde seus amigos lhe esperavam.
, , e eram seus nomes.
era irmão de , eram gêmeos. Ele namorava , que era amiga de desde criança, enquanto e o irmão só chegaram à cidade há pouco tempo. O que não foi um problema para , que se apaixonou por ela assim que viu a garota, quando ela se mudou para a casa ao lado da sua.
, honestamente, chegava a se sentir até culpado por saber de tudo aquilo sem nunca ter lhe dito, mas não podia evitar. Ele reparava demais, observava demais e, enquanto era extremamente tímida, seus amigos sequer eram discretos. Algumas coisas, o próprio havia dito a ele, numa noite em que ficou no bar depois que seus amigos haviam saído e foi se sentar com apenas para lhe envergonhar, confessando que já o vira lhes observando e achava que ele gostava de .
entrou em pânico, arregalou os olhos e perdeu a voz, então riu, apontando para ele e falando: Eu sabia, eu sabia!
Depois disso, desandou a falar sobre , seus amigos e sua vida como se aquilo fosse normal e concluiu que ele era louco. O que fazia sentido, porque também era, no minimo, agitada. E nem precisou falar aquela parte para que notasse.
Teria sido ótimo se, depois daquilo, houvesse realmente tomado coragem para falar com , afinal o que fizera não fora muito além de tornar uma pessoa real para ele, alguém que não devia causar tanta apreensão ao garoto com a ideia de simplesmente falar com ela.
Obviamente, não deu certo.
se defendia com o pensamento de que havia algo sobre a mulher que ele via enquanto cantavam que seus amigos provavelmente não enxergavam também, como se fosse um tipo de laço secreto de artistas. parecia imprevisível para , que acreditava de verdade que ela guardava o mundo todo dentro de si e, que, a qualquer momento, terminaria transbordando da maneira mais linda possível. Como quando cantava.
Ele não sabia como estar perto de alguém assim sem se sentir nervoso, mesmo que, na verdade, sem que ele sequer imaginasse, pensasse praticamente o mesmo dele.
– Achei, de verdade, que minha intervenção fosse dar certo. – murmurava na mesa em que estava sentada com os amigos, observando-a olhar de longe na direção de , que agora conversava com o proprietário do bar, apertando sua mão e então se inclinando levemente para frente ao se despedir. – Achei que ele fosse falar com você depois que conversei com ele.
– Você não faz nada direito, . Isso nem é novidade. – retrucou e ele olhou desacreditado para ele, jogando-se por cima da mesa para estapeá-lo em seguida.
– Quando vai superar o fato de eu estar com a sua irmã, hein? – reclamou. – Esses ciúmes já estão me enchendo.
– Hm, que pena. – ironizou, rolando os olhos e imitou a atitude, embora, obviamente, não pelo mesmo motivo. – Realmente não me importo.
– Argh. – reclamou, suspirando. – Parem, vocês dois! E não quero saber de você falando com sobre mim novamente, . – apontou para o garoto, que bufou.
– Só estava tentando ajudar! – reclamou, mas ela manteve o dedo apontando para ele e a mesma expressão impassível no rosto. O garoto suspirou, assentindo. – Desculpa, desculpa. Mas eu só…
– Cara. – lhe interrompeu. – Depois de pedir desculpas, você não fala “mas”. Para aí.
– É o que eu sempre digo a ele. – murmurou e olhou feio para ela.
– Não gosto do jeito que vocês dois foram criados.
– Eu também não gosto do jeito que você foi criado, enxerido. – interveio, fazendo com que ele abrisse a boca em um “O”, como se o complô de seus amigos contra ele lhe deixasse ultrajado.
, ! Ainda bem que você chegou! Eles estão sendo maus comigo! – foi o que ele acabou por dizer, aproveitando a chegada da amiga, que voltava do banheiro feminino, sentando-se entre e .
– Ah, claro. Ela vai defender você. – rolou os olhos. – Jagi, se até a está contra você hoje, não é a que vai ajudar. – resmungou e concordou com a cabeça, apontando para .
– Ela está certa.
– Argh, eu odeio vocês. – reclamou e rolou os olhos, lhe ignorando ao empurrar para uma bebida colorida.
– Trouxe pra você. – murmurou, fazendo com que a amiga lhe encarasse desconfiada.
– O que é isso? – perguntou, aproximando a boca do canudo.
– Álcool. Para você finalmente sair do zero a zero com o . – foi direta, rolando os olhos quando empurrou o copo para longe, fazendo uma careta. – Ai, , você nem experimentou!
– Já bebi álcool antes. Não gosto. – devolveu, como se fosse muito simples e bufou.
– Mas vai te deixar corajosa.
– Eu não quero ser corajosa.
– Mentirosa. – murmurou, junto com e olhou incrédula para essa última por isso.
– Ei! De que lado você está?
– Da verdade, oras. – falou, rolando os olhos com simplicidade. – Tudo bem se não quiser beber, mas vai dizer que não quer ter coragem para falar com o ? Depois de todo esse tempo amando-o secretamente?
– Eu não amo ninguém. – reclamou, baixando, envergonhada, a cabeça.
– Bruna… – resmungou, impaciente.
, qual é. Você gosta dele. Não pode realmente esperar que a gente acredite no contrario. – insistiu e ela rolou os olhos, voltando a lhe encarar.
– Tá. E daí?
– E daí? ! – voltou a intervir, sem se conter, virando na cadeira para encarar a amiga. – Você vai mesmo fazer isso? Desperdiçar o sentimento por medo, vergonha? Amiga…
– Deus, por favor. – reclamou, impaciente. – Podemos parar de falar disso? Mesmo que, em algum momento, eu fale com ele, não vai ser hoje. Ele já está indo embora. – apontou para frente do estabelecimento, onde já estava de fato prestes a ir embora.
Como se sentisse o olhar, olhou em sua direção e corou, baixando a mão e desviando o olhar de imediato.
rolou os lhos.
– Eu nem vou falar nada sobre isso.
– Eles são fofinhos, deixa lá. – deu de ombros, abraçando a namorada. – As coisas vão acontecer se tiverem que acontecer. No tempo deles.
– Eu não levo tanta fé nisso, mas tudo bem. Que façam o que quiserem. – ergueu as mãos no alto, como quem se rendia e riu.
– Posso falar uma coisa?
– Vou te bater por isso? – perguntou e ele riu, travesso.
– Você não.
– Vá em frente. – deu de ombros e olhou feio para ela, que repetiu o gesto. riu outra vez.
está de mal humor hoje. – ele murmurou e estreitou os olhos para ele, esperando pelo resto. sorriu abertamente. – Devia ir para casa com o . Eu já o vi sem roupa, vai te fazer sentir melhor.
! – e reclamaram juntas, estapeando-o enquanto e riam. O garoto abraçou a namorada, puxando-a para parar de tentar bater em e beijando sua bochecha.
– Vamos?
! – ela o estapeou também e riu outra vez, com , que entre as provocações dos amigos, desviou o olhar novamente para a entrada do estabelecimento, vendo já do lado de fora, ajustando o violão dentro da capa para ir para casa.
Sem que ela tivesse tempo de desviar dessa vez, ele voltou a olhar na direção da sua mesa depois de fazê-lo e sorriu de leve, acenando timidamente para a garota, que imitou por reflexo, sentindo mil borboletas dançarem em seu estomago antes que ele desse as costas para ir embora, deixando-a sozinha com o suspiro pesado que soltou, por sorte sem que seus amigos notassem, já que estavam imersos em suas próprias implicâncias.
os ignorou, sentindo os resquícios do fogo que se acendia em seu estômago toda vez que sorria para ela.
Queria apenas ter coragem para falar com ele, mesmo que sem segundas intenções. Ficaria satisfeita em se tornar apenas sua amiga. achava que seu sentimento era tão intenso que, ás vezes, pensava que ele ficava melhor escondido, subtendido, como uma ideia que existia em sua cabeça, mas não tinha a menor pretensão de acontecer.

+++

sentia o suor incomodar, fazendo a ponta de seu nariz coçar enquanto deslizava pela região, obrigando a garota a desejar ter uma terceira mão só para ser capaz de limpar a região.
Ela organizava os novos exemplares na livraria em que trabalhava durante a semana, precisando usar a escada para alcançar as prateleiras mais altas, o que era péssimo. Ela era desastrada demais para escadas e prateleiras altas e se não amasse tanto estar rodeada de livros e CDs, com certeza estaria se perguntando porque fora conseguir um trabalho logo ali, numa livraria onde quase diariamente precisava reorganizar os livros para dar lugar aos exemplares novos.
Ela sabia, no entanto, que respirava arte e todo tipo de arte lhe fazia sentir feliz, em casa. Era por isso que gostava tanto daquele lugar, apesar das escadas e prateleiras altas.
O suor se alojando em seu nariz, no entanto, frustrava de verdade, especialmente naquele momento, nas pontas dos pés enquanto se esticava toda para colocar os livros nos lugares certos, sem conseguir limpar a pele como gostaria.
– Hyung! – uma voz conhecida soou lá de baixo, brigando com alguém, e gelou, abatida pela certeza que conhecia aquele timbre. – Só vamos embora, está bem?! Ela está ocupada! – o garoto sibilou, nervoso, e, se restavam dúvidas, foram todas embora quando o ouviu novamente.
Era , bem ali, aos seus pés enquanto seu nariz coçava ridiculamente e, sem pensar, a garota desviou o olhar para baixo, como quem atende a um chamado, o que, bem, acabou sendo uma péssima ideia no fim das contas.
perdeu o equilíbrio e, sem que pudesse prever ou impedir, estava caindo para trás, com um gritinho deixando sua garganta simultaneamente e morrendo apenas quando, ao em vez de ir ao chão, ela terminou nos braços de , que arregalou os olhos junto com ela.
Ele estava, claramente, tão surpreso com o próprio reflexo quanto ela.
Aigo! Isso parece um daqueles ensaios modernistas de casamento! – foi o amigo de , que sequer havia notado até então, que quebrou o silêncio, fazendo com que o garoto pigarreasse constrangido, olhando feio para ele antes de pôr no chão, lhe dando um sorriso amarelo.
– Me desculpe. Não tínhamos a intenção de te assustar. – pediu e ela assentiu, deixando claro que não tinha nenhum problema, embora suas bochechas vermelhas dissessem o contrário. Ora, pois o que quer que a coloração nas bochechas dela estivesse dizendo, as de diziam igual. , no entanto, estava tão entregue ao seu constrangimento que não notou. – Você se machucou? – lhe encarou preocupado e ela fez que não com a cabeça rapidamente.
– Não, hm, estou bem… Sem problemas. – murmurou desajeitada, sorrindo fraco pra ele enquanto limpava as mãos no avental. – Vocês precisam de ajuda para encontrar alguma coisa? Um livro? CD? – virou para encarar o amigo de , imaginando que seria mais seguro, já que não nutria por ele nenhum amor secreto.
queria encontrar você, na verdade. – riu e o outro bateu nele por isso. corou, concluindo que ele se daria bem com enquanto arrumava o cabelo atrás da orelha, desviando o olhar para os pés.
– Eu… Hm… O quê? – perguntou, tão sem jeito e constrangida que até a mais obvia das insinuações lhe deixou confusa. O garoto riu.
– Vocês são graciosos. – comentou, com humor e rolou os olhos, lhe batendo outra vez.
– Vamos embora. – reclamou entre os dentes. – Estamos atrapalhando ela.
– Mas você queria vê-la! – o outro soltou, como se, de repente, não entendesse mais nada do que estava acontecendo ali. Ambos, e , enrubesceram com as palavras e ele riu outra vez por isso. – Cara, só chama ela pra sair. – murmurou mais baixo para quando desviou a atenção deles, encarando os livros nas prateleiras baixas como se checasse se estavam alinhados corretamente, ainda que soubesse que estavam. Ela mesma os organizara, afinal.
hyung, por favor. – reclamou, agoniado pelo constrangimento enquanto sentia o coração martelar forte demais no peito por conta da sugestão que ele fizera antes, ainda que não esperasse que fosse segui-la.
Numa música, era muito mais fácil sorrirem um para o outro, era mais fácil até mesmo para acreditar que, talvez, só talvez, retribuísse aquele sentimento que acendia em seu peito toda vez que ele sorria. O sentimento que fazia a voz dele parecer para ela a mais bonita de todas. Quando terminavam o show, no entanto, eram apenas dois jovens tímidos demais para tomar a atitude que queriam, e, por mais que houvesse certa beleza no amor secreto que sentiam, na ideia que até conseguia apreciar de manter todo o sentimento subtendido, como uma ideia flutuando num canto de sua cabeça, de maneira charmosa e imaculada, ela não podia mentir quando o bolo em seu estômago lhe denunciava vergonhosamente: Queria demais sair com .
Aish! reclamou da resposta de , batendo em sua nuca. – Você é tão bobo ás vezes! Te digo uma coisa: Está perdendo tempo. Ela gosta de você. – o modo direto como falou fez com que corasse, mesmo sem estar olhando para os dois e ele riu de leve, notando e cutucando , apontando pra ela. – Cara!
– Nós já vamos, . Desculpe atrapalhar. – foi o que acabou por falar, acenando para a garota como se estivesse desesperado para sair dali e fazer com que o amigo parasse de lhe fazer passar vergonha. Ela sorriu e acenou para ele, sentindo o desânimo se alojar em seu estomago e envolver seus órgãos de maneira a lhe fazer suspirar pesadamente depois que os dois deixaram o estabelecimento, despejando-se no puff no canto da seção.
– Eu teria dito sim. – resmungou sozinha, fechando os olhos e então suspirando outra vez, desejando ser, pelo menos um pouquinho, mais como suas amigas e conseguir simplesmente falar para o que sentia.
Ah, como aquilo seria bom.

+++

O suco gelado de laranja descia pela garganta de com toda a aprovação que era possível ter de seu paladar. Aquele fim de semana trouxera noites particularmente quentes e, enquanto esperava que chegasse para que pudessem começar seu número no bar do Sr. Lee não pôde resistir ao suco que era um de seus favoritos.
– Você devia experimentar álcool. De verdade. – murmurou e voltou a virar para encará-la, piscando confusa.
– Álcool não esquenta? – perguntou. – Sempre achei que esquentasse.
– Não para o calor, ! – interveio, rolando os olhos impaciente do outro lado da garota, fazendo com que virasse, sem entender, para lhe encarar.
– Mas eu estava pensando no calor. – murmurou, inocente e as duas amigas riram, sem conseguir se conter.
– Sério? Não está olhando para porta a cada cinco minutos por que… Sei lá, está ansiosa para ver alguém? , talvez? – perguntou, humorada e corou em todos os tons de vermelho, mordendo a parte interna das bochechas antes de colocar o canudo na boca e tomar o resto de seu suco, fugindo da conversa.
rolou os olhos, impaciente.
– Quando vai chamar para sair, hein? – quis saber e olhou de uma para a outra pensando no equilíbrio, no minimo, irritante que carregavam. Quando estava feliz, estava irritada, quando estava feliz, era quem estava irritada e, no fim das contas, sempre tinha que lidar com alguém irritada.
– Eu não sei como chegamos nesse assunto, mas não vou chamá-lo para sair. Se ele quisesse sair comigo, teria me chamado para sair como o amigo dele sugeriu. – deu de ombros, se dando conta da burrada que fizera apenas quando ambas as garotas, e , lhe encararam de olhos arregalados e expressões incrédulas.
– O quê?! – perguntou, como se houvesse deixado de fora uma informação muito importante. E ela deixara mesmo, mas era intencional. Passara muito tempo convencendo a si mesma que aquele incidente na livraria não fora nada demais, que, se para alguma coisa, serviu apenas para provar que não queria nada com ela e podia imaginar o esforço que precisaria fazer para convencer suas amigas daquilo também.
– Quando isso aconteceu? – perguntou também e bufou, resmungando exageradamente antes de encostar o rosto no balcão de madeira. – Fala, ! – a amiga lhe cutucou e ela resmungou, empurrando seu braço de volta.
Aish. – resmungou baixinho, suspirando antes de voltar a se endireitar na cadeira, olhando feio para as duas amigas por estarem lhe obrigando a passar por aquilo. – Vou contar, mas não foi nada demais e, por isso, não quero ouvir nenhum comentário estúpido sobre como somos um casal fofinho ou como vocês não podem esperar para que um de nós tome coragem para fazer alguma coisa. – avisou, apontando o dedo na direção das duas garotas, que assentiram obedientes, embora o humor em seu olhar provasse que o faziam muito mais por provocação do que por qualquer coisa.
rolou os olhos, fazendo sinal para que parassem antes de, por fim, começar a contar.

Quando terminou, exatamente como imaginou, sua observação sobre o que não deviam falar foi completamente ignorada e tanto quanto estavam comentando sobre quão fofo era o casal e brigando para ser madrinha de um casamento que, obviamente, jamais existiria.
! – a voz de chamou de algum lugar atrás dela e a garota quase pulou da cadeira com o susto, engolindo em seco antes de virar e sorrir amarelo para ele. O garoto devolveu o sorriso, mostrando os dentes alinhados e fazendo seus olhos parecerem ainda menores enquanto fazia sinal para que ela se aproximasse.
Estava na hora de se apresentarem.
– Tenho que ir. – limpou o suor das mãos na saia, se pondo de pé enquanto tentava não se sentir tão nervosa. Seu estômago estava tão quentinho, céus, até a ponta dos dedos formigava… Tudo por causa daquele sorriso, que lhe fazia sentir como se o corpo inteiro sorrisse também.
, espera. – puxou seu braço antes que ela fosse e a garota olhou feio para a amiga, já lhe amaldiçoando pela piada que sequer saíra de seus lábios ainda. , no entanto, lhe surpreendeu ao agir contra todas as expectativas, falando algo um tanto quanto diferente do que imaginava. – Sei que você acha que é brincadeira e implicância quando colocamos o que vocês dois têm ou são em pauta, mas não é. Nós só acreditamos de verdade que pode se tornar algo muito maior, que vocês dois… Que vocês dois realmente estão destinados e precisam agarrar essa chance. Não é todo dia que se tem a potencial alma gêmea posta em sua vida de maneira tão obvia. – piscou para a amiga, que fez uma careta para a intensidade inesperada de suas palavras e assentiu, mais para se livrar daquele momento do que por qualquer coisa, seguindo até onde preparava os instrumentos junto com a banda que os acompanharia.
Ela cumprimentou todo mundo e sentou no banquinho de sempre.
– Tudo bem? – perguntou ao se sentar no banco perto dela e a garota mordeu o lábio, observando sua postura com a qual já estava ridiculamente familiarizada aquela altura. Ela olhou em seus olhos e então admirou seus traços, o formato do nariz, dos lábios e o maxilar. Não tinha como saber se era sua alma gêmea, não tinha como saber nem mesmo se aquela coisa de alma gêmea existia, porém por algum motivo, enquanto olhava para ele, as palavras de ressoavam, de novo e de novo, em sua cabeça, de modo que ela precisou de um instante para assentir, constrangida.
– Tudo sim. – respondeu devagar antes de colocar o cabelo para trás da orelha.
sorriu e ela imitou o gesto num reflexo, respirando fundo em seguida e se concentrando em ajustar o microfone a sua altura enquanto a banda começava a tocar a música que haviam escolhido para aquela noite.

예쁘네 오늘도 어제만
Você está linda, assim como estava ontem.
아니 오늘은 더 예뻐졌네
Não, você está mais bonita do que estava ontem.
이런 말을 할 때마다 너는
Quando eu digo algo assim…
못 들은 척 늘 딴 얘기를해
Você sempre muda o assunto e finge não ouvir nada…

Havia um sorriso discreto na voz de enquanto ele cantava, um que em nada atrapalhava a melodia e seus olhos se moviam de maneira coerente, ora na platéia assistindo o casal, ora em , que sorria com cordialidade toda vez que seus olhos se encontravam.
Na música, afinal, ela era segura, ela sabia como agir, quem ser. E qualquer um podia notar isso quando ela assumiu a música, hipnotizante como a mais bela das mulheres. vivia dizendo aos amigos, afinal, que ela parecia uma deusa cantando e, para ele, não havia definição melhor.

어젠 너무 좋은 꿈을 꿨어
Eu tive um sonho muito doce ontem
지금 말해주긴 간지러워서
Porque estou muito tímida,
말하기 싫어
Não quero te dizer agora
그리고 이런 건 말하면 안 된대
E também não é muito bom dizer a alguém sobre esse tipo de sonho
다신 꾸지 못하는
Sonho que não posso nunca mais ter
너무 기분 좋은 꿈
Que foi muito doce
나는 니가 꼭 그런 거 같은데
Acho que você é exatamente como o sonho.

movia a cabeça levemente de um lado para o outro, como se embalasse a si mesmo enquanto ela cantava, envolvido pela beleza que ela parecia emanar. Outra comparação que talvez funcionasse para enquanto estava no palco era a ideia da sereia, todo o conceito de enfeitiçar pelo canto, pelo menos.
achava que ela enfeitiçava sim, mas a diferença dele para a platéia que lhes assistia, todos tão encantados quanto ele, era que o feitiço passava para eles quando a musicava terminava. Para , não.
Aquilo continuava com ele enquanto assumia a música e cantava a parte dele e continuaria depois, assim como já estava com ele há muito mais tempo. Desde a primeira apresentação.

종일 아른거리는
Sonho, sobre o qual fiquei pensando todo o dia
너무 기분 좋은 꿈
Que foi muito doce
그게 바로 너
É você

fez pequenos “hmms” enquanto cantava, sons que, para ele, soaram como o mais perfeito dos encaixes e ele desviou o olhar para ela sem que pudesse se conter, sorrindo junto com a garota quando seus olhares se encontraram. Parecia que ali, naquela troca de olhares, havia todo o encanto, amor e carinho disponível no mundo e a platéia cochichava sobre o belo casal que eles formavam, enquanto os dois se inclinavam para o microfone ao mesmo tempo, ainda olhando enfeitiçados nos olhos um do outro ao cantar juntos o próximo verso.
우리 둘 너무 잘 어울린대 (As pessoas dizem que somos um casal muito fofo) – sorriram de maneira cúmplice, quase como se soubessem o que sua platéia conversava baixinho e as amigas de riram sozinhas, pensando no tamanho da ironia que era o modo como tudo mudava quando a música acabava. – I know, she knows (Eu sei, ela sabe) cantarolou a frase em inglês, sorrindo sozinho enquanto jogava a cabeça para trás ao esticar a última palavra numa nota deliciosa e sorriu observando, sentindo um arrepio passear por seu corpo inteirinho por ouvi-lo no idioma estrangeiro, a voz se acentuando de maneira tão perfeita daquele jeito.
사실 내가 봐도 그래 (Eu, na verdade, também acho ) – ela, por fim, cantou e acabou não conseguindo conter a risada. Aquela letra era ridiculamente certa para os dois e ele baixou a cabeça, segurando no microfone com uma das mãos enquanto ela sorria para a cena, sentindo o coração aquecer na mais intensa das maneiras.
Gostava tanto, tanto dele… Céus.

Ao fim da apresentação, exatamente como em todas as outras vezes, o casal se cumprimentou de maneira tímida e cada um seguiu seu caminho. O peito de estava aquecido de um jeito delicioso mesmo assim, e ela pediu licença a seus amigos para tomar um ar.
Sempre ficava feliz quando cantava, mas naquela noite em especifico algo pareceu diferente. Talvez fosse aquela música, em conjunto com as palavras de e o modo como tudo soou tão certo junto, lhe fazendo sentir tão sonhadora que chegava a ser perigoso, mas, pelo amor de Deus, tinha como ser diferente?
Aish, é claro que não tinha.
? – a voz conhecida fez com que um arrepio brincasse em seu estomago, fazendo com que ela virasse para ver caminhar em sua direção enquanto o coração palpitava sem explicação. Bom, nenhuma explicação além daquela de sempre: Sua paixão secreta. – Posso… Posso falar com você? – ele pareceu nervoso ao falar, enfiando as mãos nos bolsos ao chegar perto da arvore onde ela se encostava.
O jardim nos fundos do bar era bonito mesmo á noite, com a grama verde sempre bem aparada, as flores colorindo tudo e as arvores tornando a paisagem tão relaxante quanto era possível ser. Olhando a garota encostada a uma das arvores, pensou que ela era exatamente o que faltava para tornar aquele jardim o mais lindo de todos.
– Hm… É… Claro. – ela colocou o cabelo para trás da orelha, como ele já notara que ela fazia sempre que estava nervosa. Notar o gesto arrancou um sorriso de , enquanto ela apenas lhe encarava com expectativa.
Aquilo era tão raro, pedir para falar com ela.
– Eu… Você se lembra de ? O meu amigo daquele dia na livraria? – questionou e sorriu divertida ao se lembrar do acontecido, assentindo enquanto ele enrubescia levemente, o que achou tão, mais tão lindo que desejou poder provar ao menos seu abraço. – Hm… A gente teve uma conversa naquele dia e ele vem me enchendo sobre isso por que… Hm… Ele acha que gosto de você. E que você gosta de mim. – ele falou rápido demais, embolando as palavras e apertou os olhos por isso, soltando um aish baixinho, como se estivesse muito frustrado consigo mesmo por conta da própria atitude. – Não era exatamente assim que eu planejava falar com você.
– O que… O que exatamente você planejava falar comigo, ? – a garota perguntou, agora nervosa.
O tom fez com que voltasse a lhe encarar, quase como se sentisse mais tranquilo por não ser o único nervoso. Ou aquilo ou finalmente notara que o nervosismo dela era o bom sinal e que tudo que todos diziam era verdade: O sentimento não era só dele e tudo que lhe faltava era coragem, porque ela gostava sim dele.
– Você gostaria de sair comigo? – ele, por fim, perguntou e se não estivesse tão ocupada sentindo o coração martelar com tanta força no peito que quase podia sair de lá, teria notado sem dificuldades o nervosismo escorrendo de sua voz.
O nervosismo, no entanto, não durou muito, já que ela não conseguiu conter um sorriso para suas palavras, assentindo quase que imediatamente.
– Sim. – respondeu e sorriu também ao ouvir, a simples e pequena palavra lhe fazendo sentir o mais feliz dos homens.
Finalmente, finalmente conseguiu: Ia sair com ela.

+++

respirou fundo, com os olhos grudados na imagem que o espelho refletia. Suas mãos suavam e o coração batia forte no peito enquanto ela esquadrinhava a visão que tinha do próprio rosto, procurando algo fora do lugar.
Já trocara o batom, o penteado e até a roupa por vezes demais enquanto esperava o horário que marcara com . Se sentia tão nervosa que podia chorar, céus.
Faltava menos de cinco minutos agora para a hora que marcaram e um nó se formava em sua garganta antes de ela finalmente desistir e sair da frente do espelho, caminhando até a janela do quarto bem a tempo de ver o carro conhecido de chegando. Seu estomago embrulhou conforme o nervosismo crescia e ela respirou fundo, observando enquanto saia do carro, respirando fundo enquanto encarava a fachada da casa onde morava com os pais e então tirava do celular o bolso da calça, olhando nervosamente para a tela.
imaginou se ele checara as horas tantas vezes quanto ela naquele dia e, por reflexo, desviou o olhar para o próprio relógio, sorrindo. era extremamente pontual.
Ele mordeu o polegar, desbloqueando o celular, então balançando a cabeça e guardando-o de volta no bolso, respirando fundo antes de erguer o olhar e encontrar o de da janela, direcionado a ele. Os lábios de ambos se curvaram, tomados pelo impulso de sorrir que o encontro de seus olhares causou e sentiu algo dentro de si sacolejar, olhando para ele e constatando de novo quão gostava daquele garoto.
Se existia alguém no mundo com quem gostaria de poder compartilhar cada visão de beleza que tivera, cada sentimento bom que já experimentara, acreditava que esse alguém era . Acreditava naquilo toda vez que o via sorrir e, naquele momento, com o sorriso dele direcionado a ele, a ninguém mais além dela, por motivo nenhum além dela, sua certeza foi o mais firme dos suportes que teve.

Tanto quanto idealizaram aquele encontro por tanto tempo que, quando finalmente chegou, a frustração foi, no mínimo, arrebatadora.
Estavam desconfortáveis naquele restaurante, chique demais para o que qualquer um dos dois estava acostumado e, enquanto se perguntava por que não foram ao bar do Sr. Lee, se amaldiçoava justamente por não tê-la levado lá. Achou que precisava impressionar a garota, mas sequer conhecia os pratos que serviam ali e, honestamente, ia ter que andar a pé por pelo menos uma semana por gastar todo seu dinheiro ali.
Ele passava por lá quase diariamente, no caminho para a loja de instrumentos musicais onde trabalhava durante a semana e, de fora, o lugar sempre pareceu tão bonito. Dourado e hipnotizante.
nunca havia imaginado que fosse tão gelado, ou que as cadeiras fizessem a bunda doer.
Comer no estabelecimento fora esquisito, como se fingissem ser o que não eram, e o silêncio que tomou a mesa enquanto o faziam tornou tudo ainda pior e mais constrangedor, de modo que ambos terminaram igualmente cabisbaixos quando saíram de lá, mesmo que o ar fresco da noite até fosse reconfortante. Enquanto caminhavam em direção ao estacionamento, desviou o olhar ao píer, praticamente em frente ao restaurante e sorriu, imaginando os shows de rua que aconteciam lá naquele momento. ia gostar deles.
Estúpido, estúpido, estúpido, pensou, concluindo que era pra lá que devia tê-la levado.
Suspirando de maneira pesada, desviou o olhar para , que fazia menção de abrir a porta do carro, mas parou sob seu olhar.
– Quer ir ao píer um pouco? – ele perguntou, surpreendendo a garota e a si mesmo.
Sabia que amava artes e tudo derivado dela tanto quanto ele, mas honestamente tinha medo de acabar apenas piorando as coisas. E se aquele jantar houvesse sido tão horrível para ela, que aparentemente odiava lagosta, assim como ele descobrira odiar, que fizera a garota concluir o pior dele?
Céus, ele provavelmente havia passado a impressão errada e, quanto mais pensava naquilo, mais nervoso se sentia.
Por sorte, no entanto, terminou por assentir para o convite, sentindo o coração encher de expectativa outra vez.
Talvez não tivesse que ser horrível, afinal.
Talvez pudesse dar certo. Aquele encontro. Os dois.
Seguiram lado a lado em direção ao píer e, quanto mais se aproximavam, melhor se sentiam, ouvindo músicas e risadas vindas do local, que estava cheio de jovens aproveitando as atrações, que iam de danças impressionantes até pinturas a óleo realmente graciosas. não conseguiu não encarar tudo encantada e sorriu por isso, terminando feliz que ela não fosse acabar tendo uma noite miserável.
– Quer uma casquinha? – perguntou, aproximando-se da barraquinha e assentiu, coçando sem graça a nuca. Ela sorriu por isso, pensando no quão caro devia ter sido o jantar que eles nem mesmo apreciaram de verdade. – Já sabe aonde me trazer da próxima vez. – ela piscou, sem realmente refletir sobre a brincadeira. Não até o sorriso de se alargar, fazendo com que as bochechas dela assumissem uma coloração chamativa de vermelha, se dando conta do que dissera.
baixou o olhar para os pés por um instante, mordendo o sorriso, como se tentasse conter a alegria repentina que lhe invadia e parecia querer transbordá-lo.
– Desculpe a noite horrível. Eu acho que queria impressioná-la por que… Eu meio que gosto de você. – ele confessou por fim, a voz soando baixinha e tímida. A música que vinha do pequeno show que uma garota de aparência pequena e adorável fazia sobressaindo-se a qualquer outra manifestação artística naquela noite, embalando o modo como o coração de acelerou.
– Acho que funcionou. – ela riu, por fim, colocando o cabelo atrás da orelha ainda com as bochechas avermelhadas. – Você não precisava, sabe? Estou impressionada agora, no meio do píer, mas… Mesmo se não estivesse, você não precisava. – ela murmurou, sem graça.
Céus, porque não conseguia só dizer que sentia a mesma coisa? Parecia que tinha o dom de complicar até a mais simples das coisas. ”Eu também sinto isso, , era só o que precisava ter dito.
sorriu, com uma sensação boa no peito mesmo que não houvesse recebido a resposta pela qual torcia e tomou coragem para abraçar seus ombros, trazendo-a para perto de si enquanto atravessavam o caminho tomado por artistas mostrando seu talento, seja ele qual for, seguindo para o píer. encostou a cabeça em seu ombro e passou um braço por sua cintura, com as bochechas ainda vermelhas e respirou fundo.
Ele acabara de dizer que gostava dela, estavam andando abraçados. Porque ela não conseguia dizer também? Ela sabia que gostava dele.
Os dois pararam mais afastados das apresentações, onde podiam ver o mar e, ainda assim, ouvir ao longe os sons tão típicos da arte, que lhes faziam sentir tanta paz. continuou abraçando a garota e ela torceu que ele soubesse o que ela queria dizer, que, mesmo que ela por algum motivo fosse envergonhada o suficiente para nem mesmo conseguir dizer o obvio, ele houvesse percebido. E tudo bem para ele que ela não dissesse.
Ela torceu muito por aquilo, sentindo-se tão bem em seus braços quanto nunca se sentiu antes e suspirou, sorrindo e escondendo a cabeça em seu pescoço quando ele começou a cantarolar baixinho junto com a música, que mudou para a mesma que eles cantaram no bar do Sr. Lee na última semana.

예쁘네 오늘도 어제만큼
(Você é linda, como era ontem)
아니 오늘은 더 예뻐졌네
(Na verdade, você está ainda mais linda)

A garota sorriu de orelha a orelha ao ouvir, porém ao em vez de se aprumar para cantar junto com ele, como estava acostumada a fazer, virou o corpo de lado e roubou um beijo em sua bochecha, fazendo com que o garoto olhasse surpreso e embaraçado para ela. A garota sorriu mais por isso.
– Eu meio que gosto de você também. – confessou por fim e sorriu, segurando seu rosto em uma das mãos e moldando seus lábios, levando centenas de borboletas dançantes ao estomago da garota, que lhe abraçou pela cintura.
A música continuou a soar distante de um lado e, do outro, o mar era uma visão incrível, de tirar o fôlego, para a qual os dois não poderiam dar menos atenção, finalmente mergulhando um no outro como sempre sonharam em fazer. Vistos de fora, eram a fotografia perfeita.
E, bem, vistos de dentro também.

FIM

 

Nota da Autora:
Oie!!!!!!
Essa fanfic foi inspirada no MV da música “Dream”, da Suzy e do Baekhyun! É outra que eu sempre gostei muito, mas nunca soube porque. Acho que ela traduz muito do meu amor por tudo que é doce e tudo que é arte, então… HAHAHA
Espero que tenham gostado também! Me digam o que acharam, tá?
Beijão!