Glory Days

Glory Days

  • Por: Jozy B, Queen B e M. Angeli
  • Categoria: EXO | Kpop
  • Palavras: 2923
  • Visualizações: 1521
  • Capítulos: 12 | ver todos

Sinopse: Elas pensavam que após o reality show, tudo ficaria mais fácil. Sim, vencer o programa da SM Entertainment era apenas o primeiro passo para conquistar o maior sonho de suas vidas, mas nada havia lhes preparado para todos os novos obstáculos a seguir.
De repente, o que elas achavam ser a parte mais difícil, já não parecia mais tão assustadora assim. Os preparativos para o debut pareciam não colocá-las mais perto de seus sonhos, mas sim mais longe dele. Cada dia sentiam-se menos capazes de fazer aquilo porque iniciar um grupo tão repentinamente com pessoas estranhas era problemático demais, mas agora precisavam descobrir como funcionar juntas para que os dias de glória finalmente te tornassem reais.
Classificação: +16
Restrição: Os garotos do EXO são fixos.
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

Prólogo

Seul, Coreia do Sul – SM Entertainment.

, você está apertando a minha mão. Me solta. ― pediu baixo para a amiga, após terem cumprimentado com educação duas mulheres que passaram ao seu lado.
― Eu estou nervosa, preciso segurar a mão de alguém. ― a outra argumentou, fazendo com que a mais velha revirasse os olhos. ― Nós não podemos ir embora?
― Não. ― , a terceira amiga e mais nova das três, respondeu de imediato, o que arrancou de um muxoxo de protesto. ― Ah, para de graça, não é como se essa fosse a nossa primeira vez aqui.
― Exatamente, não é a primeira vez que vamos contra as regras, e vamos a um lugar que não estamos autorizadas a ir. ― rebateu, tentando influenciar de alguma forma.
― Só escutei um monte de blábláblá, pode repetir, por favor? ― a mais nova debochou enquanto olhava pelo espelho da porta para dentro de uma sala que passaram em frente. ― Não é essa.
― Eu mereço. ― suspirou, acompanhando os passos das outras duas.
As três não deveriam estar ali, não naquela área da empresa pelo menos, já que era restrita a idols que já debutaram e estavam ocupados demais com seus ensaios e produções. Não podiam ser atrapalhados por trainees que, mesmo estando em treinamento para debutar a cinco anos, como era o caso de , e quatro, como era o caso de e , não sabiam se um dia iriam ou não debutar na grande SM Entertainment. Estar andando sozinhas por aqueles corredores era algo que ia contra uma das principais regras, que as três assumiram ter compreendido quando assinaram o contrato, ao entrarem na empresa. Por isso existia uma boa dose de medo sempre que pisavam ali sem estarem acompanhadas de alguém que tinha livre acesso aquela área. Mas, pensar que ir até ali valeria a pena porque poderiam encontrar seus ídolos em um daqueles corredores ou dentro de uma daquelas salas, fazia com que as três sentissem o medo diminuir um pouco e ser substituído pela excitação. Um pouco, não muito. O medo de serem pegas em flagrante fazendo algo errado nunca diminuía o bastante para fazer com que parasse de pedir para ir embora, repensasse toda amizade com aquelas duas garotas, e ouvisse uma voz em sua mente dizendo que aquilo era errado, mesmo que em algum momento fosse recompensada pelo sorriso de Kim Jongin. Se é que o encontraria naqueles corredores em algum momento.
― Viu? Nenhum deles está por aqui! Podemos ir embora? ― questionou, segurando no pulso de e a puxando para trás, impedindo-a de olhar a próxima porta. ― Por favor!
― Você parece um filhotinho assustado. ― comentou, rindo de , que tinha um bico incosciente nos lábios. ― Vamos embora, . Nós ainda temos que ensaiar a coreografia, e nem é como se pudéssemos ficar passeando por aqui.
― A eu sempre soube que era medrosa, mas você… ― a mais nova suspirou, fingindo surpresa e decepção enquanto encarava que ergueu uma sobrancelha.
― Quando foi que eu te deixei falar assim comigo? ― perguntou, se referindo ao tom completamente informal da mais nova. deu de ombros como se não se importasse com aquela pergunta ou aquela bronca disfarçada. E ela de fato não se importava.
― Quando nos conhecemos e você afirmou “não precisa me chamar de unnie, pode falar informalmente”. ― relembrou, sorrindo vitoriosa antes de piscar para a outra, que revirou os olhos.
― Às vezes o ser humano comete erros grandiosos. ― afirmou. ― Bom, de qualquer jeito, vamos embora. Vamos voltar para a nossa área e…
― Espera.
― Você me interrompeu? ― perguntou surpresa para , que gesticulou algo com suas mãos enquanto olhava para algum ponto atrás das outras duas, que estavam na sua frente.
― Aquele não é o Sehun Sunbae?
Foi questão de segundos para que tanto quanto olhassem para trás e arregalassem seus olhos quando avistaram o membro do grupo EXO, andando em sua direção. As três sentiram os corações acelerarem enquanto encaravam Sehun, que não notara os olhares que recebia porque estava distraído falando ao celular, a cabeça ligeiramente abaixada.
― Meu Deus! ― foi a primeira a falar alguma coisa. ― Eu preciso… Meu Deus! ― A garota exclamou, puxando a mão de para saírem correndo dali.
E elas saíram, literalmente, correndo dali.
corria o mais rápido que conseguia – e suas pernas trêmulas permitiam –, e seu coração estava muito mais do que acelerado. Ela não sabia o que deveria fazer, ou o que era o correto, em uma situação como aquela, então fez a primeira coisa que veio em sua mente quando viu Sehun, seu maior ídolo e paixão de fã, caminhar em sua direção. Mesmo que ele nem tivesse percebido a presença dela e de suas amigas naquele corredor.
, eu vou cair!
― Corre! ― ela pediu a , que mesmo que não quisesse, a seguia e corria junto com ela porque a puxava com força demais para que conseguisse se soltar de seu aperto. ― Meu Deus! Pra onde, ah, aqui! ― resmungou, virando para a esquerda no terceiro corredor que encontrou, agradecida pela ausência de pessoas naquela área.
Todos deveriam estar treinando ou fazendo algo mais importante do que indo atrás de idols, ou correndo deles, com certeza.
― Ele não está nos seguindo! E deixamos a pra tr…
― A ! ― quando saiu correndo, enquanto puxava a mão de , ela não calculou que iria ficar para trás. Assim como também não calculou que se virar de abrupto para trás naquele momento, faria com que seu corpo bloqueasse o caminho de que corria atrás de si.
― Que porra?! ― perguntou, perdendo o pouco de paciência que lhe restava quando sentiu seu corpo bater com força no chão duro. ― Eu cortei a minha boca, ! ― gritou irritada, sentindo o gosto de ferro em sua língua e um leve ardor em um canto específico no interior da boca. ― Você viu o diabo ou o Sehun? Sai!
― Desculpa! ― ) pediu, olhando para a amiga, que negou sua ajuda para levantar, e acabou o fazendo sozinha. ― Cortou demais?
― O suficiente e desnecessário para uma segunda-feira. ― a outra afirmou, ainda passando a língua no corte. ― Se você correu assim só porque o viu andando, imagina se um dia tiver que falar com ele. ― comentou enquanto encarava e via o nervosismo tão nítido no rosto da garota.
― Eu fiquei sem reação, ok?! Não é como se o encontrássemos todos os dias! E mesmo indo lá, e acreditando que, algum dia nós vamos encontrar um deles, eu nunca pensei que esse dia fosse chegar! E que ele fosse ser logo o primeiro! Tudo culpa da ! Eu vou matar aquela garota! Ah, eu vou! ― falou tudo de uma vez, descarregando um pouco da adrenalina que sentia.
Ela estava agitada, como sempre ficava quando tomava café. A diferença era que naquele momento ela estava agitada porque havia visto Sehun pessoalmente. E o café que não se ofendesse, mas existia uma imensa diferença entre os dois.
― Você não mata nem uma mosca. ― zombou. ― O que faremos agora? Vamos atrás da ou a deixamos pra trás? ― questionou, olhando de um lado para o outro para ver se ninguém aparecia por ali.
― A ideia de deixá-la para trás me agrada.
― Mas sabemos que depois vai ficar preocupada, andando de um lado para o outro se perguntando como ela está. Vamos logo atrás dela. ― afirmou, e assentiu com um movimento de cabeça sem nem pensar em discordar, afinal, estava sempre certa.
As três não se conheciam antes de entrarem para o programa de trainee da SM. E apesar de terem personalidades e posições muito diferentes, elas se deram bem e não demorou muito até que começassem a andar juntas. E naquele meio de competições, rivalidades e estresses diários, era bom, para cada uma das três, saber que ali dentro existia alguém que não a enxergava somente como rival ou até mesmo inimiga. Elas se respeitavam e se ajudavam, e só se criticavam quando era necessário ajuda. Eram críticas que só visavam o aperfeiçoamento daquela que estava insegura. E no fundo, tanto , e , sabiam que aquele treinamento só estava sendo mais fácil porque elas tinham aquela amizade, e juntas se sentiam mais fortes.
― Você acha que alguém a pegou? ― ) perguntou para , não deixando de pensar em nenhum segundo sobre o que poderia ter acontecido com a mais nova.
― Do jeito que a é, capaz dela ter ido falar com ele. ― respondeu, rindo da coragem e cara de pau que tinha.
― É, isso é bem a cara dela. ― concordou, também rindo. ― E voc-...
― Ah, encontrei vocês! ― suspirou, assim que encontrou as outras duas, quando elas viraram o corredor.
― Eu vou...
― Ah, eu também encontrei vocês!
e arregalaram os olhos quando ouviram aquela voz tão conhecida. Haviam assistido todos os episódios de Knowing Bros por ele afinal, ninguém menos do que Kim Heechul. Ele apareceu atrás de com os braços erguidos e um sorriso no rosto e a garota não conseguiu esconder o susto que levou com a aparição repentina atrás de si.
― Ai, que susto! ― ela gritou, virando para trás e olhando para o homem mais velho que a encarou surpreso com o tom usado.
! ― e gritaram em uníssono, repreendendo a atitude da mais nova que as encarou e entendeu que, mais uma vez, havia esquecido do filtro e da educação que seus pais lhe deram.
Annyeong hasimnikka.1 ― as três cumprimentaram o homem ao mesmo tempo, fazendo uma breve reverência em sinal de respeito e educação ao idol mais velho.
Era impossível que as três garotas não sentissem o coração acelerar ao estar diante de Kim Heechul. Ele fazia parte do grupo Super Junior, o grupo que e descobriram ter uma admiração em comum assim que se conheceram. não era tão fã de SuJu quanto as outras duas, mas já ouvira coisas demais a respeito de Heechul e os outros membros para não saber do grande sucesso que eles eram no país. E estar diante dele, que de certa forma era fonte de inspiração para elas que sonhavam em debutar um dia, era incrível demais para que seus corações continuassem batendo normalmente.
― Desculpa, nós já estamos indo. ― falou após alguns segundos em silêncio, e quase se arrependeu disso quando sua voz soou baixa demais. Mas alguém precisava falar alguma coisa, e ela sabia que não conseguiria falar nada, e, bem, seria melhor que não abrisse sua boca sem filtro. ― Fighting2! ― Ela o desejou, erguendo sua mão em punho fechado antes de segurar o pulso de e pegar o de quando passou pela menina.
As três passaram por Heechul, que continuou as encarando sem entender muito bem o que acontecera ali. Ele sabia, porém, que não tinha tempo para chamá-las e pedir por uma explicação, já que estava atrasado para o ensaio que teria com seu grupo, que já estava dentro de uma das salas no próximo corredor e, bem, elas já saíam às pressas daquele corredor.
― Fighting? ― perguntou depois de um tempo, quando elas já tinham tomado o cuidado de sair da “área proibida” e estavam chegando a onde era permitido ficarem, onde deviam ter estado o tempo todo.
― Era isso ou ficávamos lá olhando pra cara dele, e correndo risco da sair correndo de novo. ― explicou, respirando fundo e soltando o ar todo de uma vez tentando se acalmar e entender que elas haviam, de fato, encontrado Sehun e Kim Heechul no mesmo dia e em questão de minutos.
― Na verdade, eu achei que fosse desmaiar. ― afirmou, fazendo com que as duas a encarassem e risse de como a outra sempre parecia desesperada perto de homens. O que era bastante irônico, visto que ) possuía uma lista imensa de bias e estava sempre falando de idols masculinos.
― Vocês exageram nas reações. ― desdenhou, arrancando de um olhar ofendido e de um revirar de olhos.
― Sabe o que eu lembrei agora? Que eu vou te matar! ― gritou, avançando na direção da outra, que se escondeu atrás de , enquanto ria.
― Se você me matar, eu não vou poder te falar o que eu conversei com o Sehun Sunbae! ― murmurou, fazendo com que parasse e a encarasse desacreditada.
― Você está mentindo. ― apontou, vendo a mais nova erguer uma sobrancelha enquanto um sorrisinho debochado surgia em seus lábios. ― Você falou mesmo com ele?
― Eu… ― deu alguns passos, se aproximando de . ― Não sei muito bem. Talvez sim, talvez não… ― ela suspirou de forma teatral, o que fez com que desistisse das duas e as deixasse para trás enquanto caminhava em direção ao elevador. ― Talvez eu tenha falado pra ele que você só correu porque é do tipo de fã que não sabe reagir perto do ídolo, ou talvez eu tenha falado que você estava com dor de barriga. Não sei… Eu não me lembro.
― Eu vou te matar! ― gritou, não se importando com toda a atenção que atraiu para si, ignorando as cabeças que viraram em sua direção, e logo começando a correr atrás de , que corria e ria.
Implicar com era algo que fazia com uma maestria digna de prêmio. Algo que achava engraçado e por isso ria toda vez que via, mesmo que achasse infantilidade demais às vezes. Porém, eram em momentos como aqueles que elas se sentiam ainda mais próximas. Elas poderiam ainda não saber se um dia iriam ou como iriam debutar; se iriam seguir carreira solo, com outras pessoas ou se teriam a sorte grande de ser colocadas juntas no mesmo grupo, por isso eram gratas pelos momentos que tinham no presente. E eram ainda mais gratas por terem se encontrado e juntas estarem vivendo toda aquela fase intensa de trainee. E mesmo que elas se separassem, jamais conseguiriam esquecer o que viveram juntas nas salas e corredores daquela empresa.

Capítulo 01.

2 anos depois
Sala de treinos.
Seul, Coreia do Sul – SM Entertainment.

Já se passava das três horas da madrugada, mas com apenas um mês para o debut, o mais novo girl group da SM Entertainment se recusava a deixar o prédio antes de tudo ficar perfeito, especialmente quando, no dia seguinte, não teriam tempo para mais um ensaio. Agora só dali quatro dias.
A verdade era que, com tão pouco tempo faltando, a agenda do grupo estava mais do que lotada com tantos compromissos e photoshoots, fazendo com que tivessem pouco tempo para os ensaios da performance para o grande dia.
Elas não podiam errar, de forma alguma. A coreografia tinha que estar totalmente sincronizada e não havia espaço para falta de fôlego devido aos passos. Precisavam lembrar a coreografia, a letra, e de se mover de acordo com a melodia, e dos momentos certos para respirar, cuidando de não fazê-lo muito forte para não atrapalhar o áudio e tampouco se esquecendo de fazê-lo, pois prejudicaria suas vozes quando tivessem que cantar.
E tudo isso com salto alto nos pés, o que aumentava a dificuldade consideravelmente.
― Se meus pés falassem, eles estariam agora mesmo implorando por clemência. ― falou ao se deixar cair sentada no chão, jogando os sapatos longe para massagear os pés.
― E esses nem são ainda os sapatos do figurino, vamos ter que andar com eles pela casa durante toda a semana para que não machuquem durante a performance. ― respondeu, sentando-se ao lado de enquanto se deitava no chão do estúdio, os braços e pernas abertos e se deitou sobre ela, com a cabeça em sua barriga.
― Eu estou com fome. ― falou a mais nova, choramingando. ― Minha fome não permite que eu foque na dor dos pés.
― Comer, comer é legal. ― concordou de imediato, exausta depois de horas consecutivas de ensaio. Não aguentava mais ouvir a própria música ou cantá-la e o amor que tinha por ela estava no limite, prontinho para se esvair, mesmo que toda aquela sessão de ensaios fosse mais do que necessária. Aquele tipo de esforço e anseio por perfeição havia colocado todas ali, juntas, em um grupo. Não podiam desistir agora que faltava tão pouco, ou se permitir relaxar só porque o debut chegaria em breve. Sabiam disso, e justamente por esse motivo, estavam na empresa àquela hora, sem comer desde sabe-se lá por quantas horas. ― Lamén, eu comeria dois agora.
― Com carne, hum… ― até fechou os olhos, sentindo a barriga roncar com a fome e levando as mãos até ela. ― E coca-cola gelada.
― Eu comeria até a ração do meu cachorro agora. E eu não tenho um cachorro. ― respondeu, fazendo as outras, com exceção de ainda de pé, rirem. Essa última tinha as mãos na cintura, e ouvia o assunto impaciente.
― Já está tarde, nossa última refeição foi o almoço. Vamos para casa, comer alguma coisa e descansar para amanhã. ― tomou a frente, já se levantando e estendendo a mão para que fizesse o mesmo. ― Vamos ter que acordar cedo.
― Eu tomo banho primeiro! ― levantou em um pulo e sentou-se rapidamente.
― Segunda! ― gritou ela, e , a líder do grupo que sempre tratava as outras como filhas, revirou os olhos como se as duas fossem suas crias malcriadas, mesmo que ela fosse a primeira a mimá-las às vezes.
― Só se limparem a cozinha depois de comer. ― respondeu, e suspirou, insatisfeita porém conformada.
― Sempre sobra pra gente de qualquer forma. ― disse ela. Era o que ganhavam por não cozinharem. A vida no dormitório era feita de divisão de tarefas e a dela sempre caía em arrumar a cozinha, junto com , após comerem.
― Por que as duas sempre fogem na hora de fazer comida. ― observou.
― Ah, você deveria ficar bem feliz por isso. ― respondeu, já que era uma cozinheira terrível. Isso sem contar os claros problemas que ela tinha com sal, deixando a comida salgada demais, isso quando se lembrava de colocar sal. ― Não posso ser recompensada por não tentar cozinhar?
― Não. ― , e responderam em uníssono, fazendo com que a garota desse de ombros.
― Bom, eu tentei. ― disse ela, levantando-se com alguma dificuldade graças aos saltos e espreguiçando-se preguiçosamente, com o corpo doído após tantas horas dançando. E só de pensar que teriam que estar de pé as sete para o photoshoot ela já tinha vontade de chorar, mas não dava para chegar onde queriam sem nenhum esforço. Sabia que todas se sentiam tão cansadas quanto ela, mas se ninguém estava reclamando, ela que não seria a primeira.
― Então é só isso? Nós vamos ter só mais um mês de ensaio antes do debut e a coreografia está horrível! ― exclamou em tom rude, batendo um dos pés no chão, gesto que acompanhou com o olhar antes de se voltar novamente para seu rosto, com uma sobrancelha erguida. A atitude foi o suficiente para que e dessem um passo para trás, já imaginando o que viria a seguir. Todas ali se conheciam bem o suficiente para preverem as atitudes umas das outras com uma margem de erro minúscula, afinal de contas.
era uma grande cantora, tinha dedicação de sobra e um grande talento para dança, mas deixava a desejar como pessoa. Enquanto as outras se apoiavam e se ajudavam, era individualista e perfeccionista. Ela não aceitava erros porque dificilmente errava e constantemente usava isso como argumento para se colocar num patamar melhor que as outras, diminuí-las ao invés de repassar o que sabia para que todas crescessem como um grupo.
― Está todo mundo exausto, . ― a respondeu, juntando toda a paciência do mundo para soar diplomática quando o que mais queria era mandar para um lugar que ela não queria conhecer. não era do tipo que engolia desaforo, ou que evitava falar o que sentia, mas estar em um grupo exigia de todas ao limite e aquele era o de , que como líder do grupo precisava uni-lo independente das perdas pessoais, como, por exemplo, o fato de não gritar com para colocá-la em seu devido lugar. ― Mesmo que a gente continue ensaiando, nada de melhor vai sair hoje quando ninguém mais aguenta dar um passo.
― E ainda tem o shoot amanhã de manhã. ― lembrou, e concordou.
― Não podemos estar caindo de sono para as fotos. ― voltou a falar, e , sem nenhuma paciência, bufou.
― Também não podemos errar no palco no dia do debut. ― argumentou, e respirou fundo para se conter.
, é o segundo ensaio. Temos mais alguns. Dá um tempo.
― Mas não estamos boas o suficiente para parar ainda! ― voltou a discutir, não se dando por vencida. ― não consegue nem acompanhar uma droga de passo!
― E você acha que dançar mais uma vez com bolhas nos pés e um salto quinze vai ajudar?! ― a interrompeu, agora em defesa da mais nova, mas ergueu a mão para ela, fazendo com que recuasse, lhe obedecendo sem que ela precisasse falar nada.
chegou até aqui junto conosco porque é tão capaz quanto qualquer uma de aprender a coreografia até o dia certo, como fez todas as outras vezes. É o segundo ensaio, o primeiro usando os saltos. Está todo mundo cansado, com os pés machucados e com fome. Chega por hoje, já deu. ― decretou, dando o assunto por encerrado, mas, só para não perder o costume, não soube se calar diante da ordem dada pela líder do grupo.
― Nunca vamos chegar lá nesse ritmo! ― bateu o pé novamente, agora de forma quase histérica, e dessa vez não pôde se calar, erguendo a voz para falar com ela:
, você nem ao menos é a dançarina principal para julgar isso, então cala a boca.
― Esse é o problema! ― continuou independente disso. ― Você sempre as defende como se fossem bebês intocáveis!
― Nós não temos mais ninguém, precisamos cuidar umas das outras. ― argumentou ela. ― Se você não fosse tão desprezível, estaríamos cuidando de você também.
― Eu não preciso de cuidado, eu preciso que vocês não estraguem a minha oportunidade de debutar! ― ergueu a voz, e dessa vez, fez o mesmo:
Nossa oportunidade, . Você não seria ninguém sozinha. Você não teria música para cantar se não tivesse escrito e eu produzido. Não teria coreografia se não tivesse feito uma e você pode ter certeza que não é graças a sua simpatia que o grupo já tem fãs, que tornaram esse debut possível!
― Mas se não sou eu pra ficar no pé de vocês, nada teria saído, nem a droga da música! ― ela exclamou, seu rosto já três tons mais vermelho devido a irritação causada pela discussão.
― Não me lembro de precisar de você para compor quando éramos trainees individuais. ― respondeu, cínica. ― Mas cheguei aqui como todas as outras, que também não precisaram de você.
deu um passo a frente, pronta para gritar com mais uma vez, mas sentindo-se culpada pela discussão, veio a frente, colocando-se entre elas.
― Ensaiar mais uma ou duas vezes não vai custar nada. ― tentou aplacar os ânimos. ― Podemos fazer sem os saltos, só para relembrar como é e depois voltamos para casa. Ainda precisamos descansar, mesmo que um pouco, para o shoot amanhã.
viu, de canto de olho, olhar decepcionada para os saltos, chateada de ter que dançar mais uma vez, mas concordou ao invés de se opor. Como duas já o tinham feito, concordou também e jogou os braços para o alto.
― Não que isso vá resolver alguma coisa. ― resmungou, ainda insatisfeita, indo para o seu lugar e contou até três mentalmente para não gritar com mais do que já havia feito. Aquele era seu sacrifício como líder do grupo. Ela precisava se sacrifica, e repetiu isso como um mantra para não voar no pescoço de como queria fazer desde que haviam sido colocadas juntas em um grupo.
Assim como as outras, foi para o seu lugar e com o controle do som, deu play na música, que passou a soar alta apesar do horário, sendo oprimida apenas pelas paredes a prova de som. Apesar de toda a exaustão, se esforçaram para fazer tudo direito naquelas duas últimas vezes, mesmo quando ninguém realmente acreditasse que dançar mais duas vezes resolveria qualquer coisa depois de horas e horas dançando sem parar. Isso sem contar que ninguém mais se aguentava totalmente de pé.
Mas sem os saltos, e com certeza dançavam melhor e as parabenizou quando a música foi desligada mais uma vez.
― Foram ótimas, não é necessária uma segunda vez. ― falou, sorrindo para as duas, mas nem ao menos teve tempo de sorrir pelo elogio.
― Precisam dançar assim com os saltos. ― alfinetou, e se voltou para ela de imediato.
, eu juro por Deus que…
― É a última da noite. Vamos fazer do jeito que ela quer. ― interferiu mais uma vez, já calçando os saltos, e mordeu o lábio inferior para não discutir.
olhou chateada para a mais nova, sabendo o que todos aqueles comentários maldosos de estavam fazendo com ela. tinha sim dificuldade com as coreografias, e sabia disso, por isso se esforçava mais do que qualquer uma e por isso treinava sozinha sempre que tinha oportunidade. Ela dava o sangue para ser melhor, e sempre conseguia. Precisava de incentivo e não de alguém para diminuir todo seu esforço.
Com todas em suas posições, voltou a dar play, mas diferente do que havia sido dançar sem os sapatos, a dor nos pés fez com que se desequilibrasse ao ir para frente cantar sua parte. Ela até tentou se firmar, mas não teve tempo de recobrar o equilíbrio antes de cair sentada no chão, após torcer um dos pés.
! ― todas pararam imediatamente para socorrê-la quando a maknae segurou o tornozelo ao invés de se levantar rapidamente e parou a música enquanto tirava os saltos da mais nova, para ver se havia machucado.
Mas , é claro, apenas demonstrava insatisfação pelo ocorrido.
― É disso que eu estou falando! ― exclamou. ― Ela é simplesmente incapaz de fazer certo uma única vez!
― É o segundo ensaio, ! ― foi quem tomou a frente dessa vez, mesmo quando ela raramente se impunha por qualquer coisa, especialmente numa briga. Ela e script>document.write(Bruna), na maior parte das vezes, apenas se escondiam e abaixavam a cabeça, mas a cobrança e injustiça de fez com que até mesmo ela perdesse a paciência. Ela conhecia muito bem, sabia o quanto aquilo ia custar para ela. Sabia o quanto já se cobrava e como se sentiria por ter caído. Sabia também o que cada uma daquelas palavras rudes de custavam para sua autoestima e não podia permitir que a outra continuasse. ― Eu sou a dançarina, não você. E digo que todo mundo está muito bem para o segundo dia de ensaio. Se você tem mais facilidade para pegar a droga da coreografia, ótimo. Aproveite do seu dom e fique em casa no próximo ensaio porque eu tenho certeza que sem você cobrando e colocando todo mundo para baixo, iríamos muito mais longe! Se você não pode ajudar ninguém a melhorar, então pare de atrapalhar! ― gritou a última parte, surpreendendo a si mesma tanto quanto surpreendeu as outras, que não estavam acostumadas a vê-la se exaltar e impor daquela forma.
Fez-se silêncio na sala de ensaios, mas o movimento de tentando se levantar chamou a atenção dos demais.
― Machucou o pé? Está tudo bem? ― perguntou, tentando ajudá-la, e chutou os saltos para o lado, tentando demonstrar firmeza ao pisar no chão apesar da dor recém adquirida no tornozelo.
― Tudo bem. ― mentiu, mas nem foi tanto pelos pés. Sim, eles doíam, e agora seu tornozelo também, mas a vontade que tinha de chorar vinha muito mais do sentimento de culpa pela discussão iniciada por ela, por não conseguir acompanhar o grupo e por sentir, sempre, que estava atrapalhando as demais. ― Obrigada. ― sorriu para , tentando esconder as emoções.
― Já deu por hoje, vamos para casa. ― voltou a falar, e dessa vez nem mesmo tentou negar, dando aquele dia de ensaio por encerrado depois de tantas discussões, algumas o suficiente para que ficassem inseguras se perguntando se aquilo daria certo ou não.

+++

― Toma. – entregou uma bolsa térmica congelada para . – Coloca até a hora de sairmos.
― Não precisa. Não está doendo. – a mais nova garantiu, segurando a bolsa e suspirando.
não queria dar trabalho. Não queria que se preocupassem com a sua queda na noite passada, e nem com a leve dor que sentia em seu tornozelo. Ela sabia que a dor logo iria passar, era questão de tempo.
― Se você não colocar, eu coloco. – a líder avisou já parada atrás da bancada da cozinha do dormitório do grupo, para onde foi terminar de servir suco nos copos que separou.
resolveu não responder, ela conhecia o suficiente para saber do humor que ela tinha quando acordava e de como a mais velha ficava quando era contrariada. No fundo, era bom saber que o seu bem estar era importante para as outras, mas saber que o mesmo também era uma preocupação para as outras integrantes do grupo não a deixava tranquila ou contente. Fazia sentir como se fosse mais um problema em meio a tantos que já existiam naquela vida que estavam começando a levar.
ficou parada esperando até que terminasse de esticar a perna e apoiasse seu pé na cadeira que estava ao seu lado, viu quando a mais nova colocou a bolsa térmica em seu tornozelo e reclamou baixo do pequeno choque térmico que levou.
que estava na cadeira do outro lado da mesa, de frente para , sorriu para a garota. Ela sabia que era necessário que elas cuidassem e incentivassem umas as outras, afinal estavam em um grupo. E desde que ganharam o programa de debut da SM há dois meses, elas seriam a família que teriam. Precisavam se cuidar e apoiar. Uma precisava da outra. Ou tudo iria desandar e dar errado para todas.
― Bom dia. – desejou quando adentrou a cozinha, ainda com sono. Elas tinham ido dormir muito tarde na noite passada e levantaram muito cedo para o ensaio que fariam dali alguns minutos, sentir sono era normal e sabia disso. Ela sabia que estava tudo bem em estar com sono, mas se as outras meninas não reclamavam disso e já estavam na cozinha prontas para saírem, não seria ela que iria. reconhecia o seu lugar.
― Bom dia. – as três a responderam, uma atrás da outra, e sorriu indo ajudar , que estava pegando os copos com sucos e os pratos com sanduíches que fizera.
― Não precisa. – ) dispensou a ajuda da segunda mais velha, apontando com o queixo para o prato com um sanduíche e uma xícara com café. – Tome o seu café e coma o seu. – instruiu, deixando o prato e o copo de na frente da mais nova e voltando para a bancada para pegar o suco e sanduíche de e servi-la. – Eu não sei se ficou do jeito que você gosta. Sempre me enrolo na quantidade de água e do pó do café. – esclareceu.
― Obrigada. ― agradeceu, servindo um pouco de café em uma xícara.
― Cadê a ?
― Está se maquiando. – respondeu, vendo quando ) revirou os olhos.
― Se maquiando? Eles vão nos maquiar lá, não vão? – perguntou, ignorando o gelado da bolsa em seu tornozelo enquanto tomava seu café da manhã, sabendo que precisava comer alguma coisa, pois ficariam muitas horas tirando fotos e não sabia quando iria poder se alimentar novamente.
― Vão. – respondeu, olhando de para e suspirando quando só então notou o batom vermelho na boca da menina que ainda mexia o seu café com uma colher pequena. – O que a disse?
― Que ela iria se maquiar porque não iria sair de casa desarrumada. – repetiu as palavras da garota que era sua companheira de quarto.
― E o que mais? – a mais velha insistiu, sabendo que mais coisas haviam sido ditas. ― .
― Eu não quero ser fofoqueira. – murmurou, olhando para quando foi chamada, depois de hesitar em falar.
não queria causar intrigas entre as meninas. Não queria que brigassem por coisas que dizia no quarto que dividiam ou que ficasse parecendo que ela, a única chinesa do grupo, estava fazendo fofoca para separar as coreanas. Elas eram do mesmo país, tinham a mesma nacionalidade e deveriam ser amigas, não tinha o direito de fazer ou falar qualquer coisa que provocasse um desentendimento entre elas. Ela precisava se preocupar em só fazer o seu melhor e quando fizesse o seu melhor, teria que ser ainda melhor. sabia que ser o suficiente não bastava, por isso não podia desperdiçar seu tempo dedurando , que conseguia ser bem grosseira quando queria. Ela precisava usar seu tempo em ensaios, compondo músicas e fazendo tudo que lhe pedissem. precisava ser muito mais que a sua melhor versão, mesmo que isso, as vezes, a fizesse querer chorar, por não saber se era realmente capaz.
― Você não vai ser fofoqueira. Olha, ― suspirou, se sentindo do mesmo jeito que sentia todas as vezes que precisava arrumar alguma bagunça que fazia por ser tão individualista, sem muita paciência. – nós somos um grupo. Precisamos umas das outras. Eu preciso de você, da , da e até da . E vocês também precisam de mim. Estamos atrás do mesmo sonho e precisamos ser a força que a outra precisa. – a líder sorriu, levando sua mão até a de , apertando levemente. – Eu sei como a é. Sei o que ela é capaz de falar, então, eu preciso que, quando ela fizer ou falar alguma coisa que não seja legal, você me conte. Ela não pode ser grosseira com você por nenhum motivo, e nem te fazer pensar que merece menos por não ser coreana, ok?
― Ela não me desrespeitou. – garantiu. – só disse que iria se maquiar, que não sairia de casa desarrumada, pois poderia encontrar algum fã e não queria estar feia. E disse que não vai tomar café da manhã porque não quer estar gorda nas fotos. – soou o mais sincera e convincente que conseguiu, escondendo como se sentiu quando sugeriu que ela passasse bastante maquiagem para não assustar as pessoas que iriam encontrar no ensaio.
― Esse batom você passou porque quis, ou…?
― Eu quis passar. ― assegurou rapidamente, escondendo a pequena informação de que quem havia passado o batom em si enquanto dizia que a chinesa deveria colocar alguma cor em seu rosto.
assentiu com um movimento de cabeça, não querendo prolongar mais aquele assunto e nem querendo pressionar ainda mais. Ela conhecia cada uma das garotas, sabia quando e com quem podia ir até mais longe. E sabia que com tudo deveria ser feito com cuidado e que, naquele momento, fazer mais perguntas a garota não daria certo. conversaria com em outro momento, a sós.
O foco da conversa não demorou mais de um minuto para aparecer no batente da cozinha, atraindo a atenção de todas antes mesmo de chegar ali, já que os saltos que usava faziam barulho quando em contato com o piso. estava muito bem arrumada e maquiada. Suas roupas combinavam e lhe davam um ar de elegância, sua maquiagem muito bem feita realçava sua beleza, nem parecia que seria retirada dali em pouco tempo, pelos maquiadores do ensaio, seu cabelo não tinha um fio em pé e o sorriso que tinha nos lábios lhe dava um ar de superioridade.
― Bom dia! ― falou em alto e bom som, quase gritando. ― Já estão prontas?
― Estamos. ― a líder respondeu. ― Vai tomar café? ― questionou, como se não soubesse o que a outra havia dito sobre o café da manhã.
― Não, prefiro não comer nada antes das fotos. ― Respondeu, olhando para cada uma das garotas, Parando seu olhar na bolsa de gelo que estava no tornozelo da mais nova. ― Está com dor? ― perguntou, e só obteve um suspiro de . ― Um dia você se acostuma a dançar de salto. Deveria andar mais vezes com eles, sabe? Deixar esses tênis de lado e-
. ― a interrompeu, chamando a atenção da garota, que revirou os olhos já esperando pela defesa que a líder faria por . ― Por favor.
― Eu não falei nada demais. ― se defendeu, encarando quando ouviu um resmungo da garota, mas não soube identificar o que ela havia dito.
― Você nunca fala nada demais, . ― ) repetiu, suspirando em seguida e não transmitindo o cansaço que já sentia, mesmo nas primeiras horas do dia. ― Eu só quero que hoje não tenhamos nenhuma briga ou desentendimento, pode ser? Estamos indo fazer as fotos para o nosso debut, vamos gravar os nossos teasers de apresentação individual e em grupo. Estamos dando mais um passo em direção ao nosso sonho, e mesmo que tenhamos entrado nisso tudo como artistas solos, estamos em um grupo. Somos um grupo. Vamos deixar as nossas diferenças de lado. Vamos nos apoiar e dar o nosso melhor, tudo bem? ― perguntou, esperando receber uma resposta positiva de cada uma. Sorriu quando recebeu acenos positivos de todas, inclusive de . ― Nós ganhamos aquele programa porque somos capazes, somos muito boas no que fazemos e temos um futuro incrível pela frente. Muitos idols solos dizem que sentem falta de um companheiro ou de estar em um grupo, e aqui cada uma tem quatro companheiras. Nós somos cinco e seremos cinco para sempre, então, vamos apenas nos apoiar, aproveitar esse dia e dar o nosso melhor, ok?
― Nossa, você falando bonito a essa hora da manhã é até… Nossa. ― brincou, fazendo as meninas rirem e se sentindo bem por isso, notar que fez as mais velhas sorrirem.
― Acho que é a ansie... Espera. ― ) se interrompeu quando sentiu o celular vibrar no bolso traseiro da calça jeans que vestia. Deslizou o dedo pela tela do aparelho para desbloqueá-lo e leu a curta mensagem que Jang Jikyu, o manager do grupo, a enviou. ― Precisamos descer. Jikyunim já chegou e está nos esperando. Já são sete e cinco. ― a mais velha avisou, e todas se agitaram para descer.
bebeu rapidamente seu café, sabendo que precisava do líquido para ficar mais desperta durante o dia. tirou a bolsa térmica, e a entregou para ), que a deixou dentro da pia, bebeu o último gole do suco e pegou o pedaço de seu sanduíche para terminar durante o caminho. já estava indo para a porta de entrada e saída do apartamento quando saiu da cozinha e pegou sua bolsa e celular que estavam na sala, pegando também a bolsa de , que gritou que havia esquecido quando já calçava o par de tênis que deixou na sapateira que ficava no degrau antes da entrada do apartamento. também calçou seus pés e saiu do apartamento junto com , pegando seus tênis e não tendo tempo de calçá-los, pois o elevador já havia chegado no andar em que moravam e elas não tinham muito tempo.
As garotas riram de e , que enfiaram os pés de qualquer jeito dentro dos sapatos, e de como a líder quase não conseguiu entrar no elevador. A mensagem de Jang Jikyu chegou tão de repente, em um momento que elas nem se lembravam do manager, que assustou e deixou as cinco garotas aceleradas para desceram logo.
Não dando tempo de perceberem o sanduíche praticamente inteiro que largou em seu prato.

...

O lugar onde aconteceria o ensaio fotográfico não ficava tão longe do dormitório, por isso não levou mais de vinte minutos para que a van parasse em frente ao local e as cinco garotas descessem acompanhadas de Jinkyu que as esperou e ajudou com os saltos e os degraus do veículo.
― Chegamos. ― o manager informou, fechando a porta da van e observando as garotas que haviam parado ao lado dele. Jang gostou das garotas desde o primeiro dia em que as conheceu, em uma sala de reuniões quando foram assinar um novo contrato de compromisso com a empresa após o programa que ganharam. As cinco estavam bem acanhadas naquele dia, mas aos poucos, nos momentos em que tiveram que estar com Jinkyu, acabaram se soltando e mostrando que não eram tão caladas assim.
Ele sabia que ainda não tinha uma amizade com cada uma, o que ele queria, já que isso tornaria o trabalho mais fácil e menos “pesado” para ambos os lados. E mesmo sem conhecê-las perfeitamente, ele já tinha trabalhado com outros idols e sabia do nervosismo que sentiam diante de um novo comeback ou, no caso das meninas, diante dos trabalhos que as anunciaria para o mundo.
― Eu acho que vou vomitar. ― sussurrou, não baixo o suficiente para impedir que o único homem presente ouvisse.
― Antes me deixe te mostrar onde fica o banheiro. ― ele respondeu, fazendo com que a mais nova risse baixo, constrangida. ― Vamos.
Elas estavam no prédio que também pertencia a SM. Era o edifício onde eram tiradas todas as fotos de todos os grupos da empresa, quando o ensaio era interior. Quando as fotos precisavam ser tiradas em um cenário externo, cada grupo ia para um lugar que combinasse com o conceito que precisavam para as fotos depois que os detalhes burocráticos para uso do espaço estivessem devidamente tratados. Como as cinco garotas iriam fazer as fotos que as apresentaria oficialmente como membros do novo grupo da empresa, na parte da manhã elas tirariam as fotos, individuais e em grupo, naquele prédio, e na parte da tarde fariam as fotos externas em um lugar não muito longe dali. Jikyu quem explicou tudo isso para as cinco enquanto as guiava até uma das salas, que deveria ter três vezes o tamanho da sala de ensaio que tinham na empresa.
A sala era bem ampla, toda pintada em branco, com diversos tripés, softbox e tudo que era necessário para um ensaio fotográfico. Aqueles com certeza eram os melhores equipamentos existentes no mercado para fotografia e filmagem. O lugar era aquecido por um aquecedor central, impedindo que sentissem o frio que fazia na cidade. As cinco garotas encaravam o lugar com um brilho nos olhos, observando os profissionais conversando entre si, parecendo debater algo enquanto tinham revistas em mãos. E antes mesmo de serem apresentadas formalmente ao fotógrafo responsável pelo ensaio, Jikyu as levou até uma porta anexa, que ficava no fundo da sala branca, revelando a sala onde estavam as maquiadoras, cabeleireiras e figurinistas que iriam cuidar para que as cinco ficassem prontas para o ensaio.
― Oh, vocês chegaram. ― uma mulher de cabelo vermelho foi a primeira a ver as cinco garotas que não demoraram em se curvar para cumprimentá-la. ― Prazer, eu sou a Sun-Hee.
― Ela é a responsável pela equipe que vai arrumar vocês para as fotos, meninas. ― Jikyu explicou, sorrindo tanto para a mulher que trabalhava na empresa há vários anos igual a ele quanto para as cinco, que pareciam ainda mais nervosas desde que entraram no lugar. ― Ela vai cuidar de vocês.
― Ah, vou sim! ― Sun-Hee sorria, animada por finalmente encontrar os cinco rostos vencedores do último programa de debut da empresa. ― Agora você já pode ir, tchau. ― ela, literalmente, empurrou o manager para fora da sala. As garotas riram e não era como se Jang fosse ficar chateado, ele conhecia a mulher tempo demais para saber que ela não gostava que ficassem observando o seu trabalho. ― Eu já as conheço. Assisti ao programa e assumo que torci pra vocês desde que se tornaram um grupo.
― Obrigada. ― ) agradeceu, se curvando e levando as outras meninas a fazerem o mesmo.
― Não precisa de nervosismo, ok? Podem deixar que eu e minha equipe iremos cuidar de vocês. ― afirmou, não dando tempo para que as meninas respondessem. ― Pensei nas cores ideais para os seus cabelos, maquiagens e suas roupas!
E então, pelos próximos quarenta minutos, as meninas ficaram nas mãos de Sun-Hee e sua equipe que era composta por mais três cabeleireiras, duas figurinistas e outras duas que ficavam responsáveis somente pela maquiagem.
Tudo aquilo ainda parecia surreal demais para as garotas. Por vezes elas se pegavam encarando umas as outras, em um questionamento silencioso e mútuo se aquilo tudo era mesmo real ou se não passava de um sonho. E então alguém as oferecia uma peça de roupa para vestir ou passava um pincel com maquiagem em sua pele, e elas sabiam que era tudo muito real. E então a vontade de chorar vinha, mas elas se concentravam e se convenciam de que só fariam isso quando estivessem no dormitório, repensando todo o dia.
As cinco foram apresentadas ao fotógrafo de uma vez pouco depois.
O homem se chamava Dak-Ho, não deveria ter mais que a idade de Jikyu e não era de sorrisos fáceis. Mas, ele era muito bom no que fazia e muito educado também. Ele sempre sabia qual pose as cinco garotas deveriam fazer para a primeira remessa de fotos, que seriam as fotos em conjunto, e não gritou com elas pelos trinta minutos que ficou tirando foto das cinco. As vezes ele falava coisas que as fazia rir, e aproveitava para tirar fotos daquele momento. Em outros momentos ele pedia que elas movessem suas cabelos, braços e pernas até que estivesse tudo muito bem encaixado para a foto. E foi quando viram as fotos no monitor que apareciam as imagens capturadas pelas lentes da câmera profissional de Dak-Ho, que , , , e tiveram a certeza de que naquele dia teria as mais belas fotos que já tiraram em suas vidas.
― Minha mãe com certeza revelaria essas fotos e colocaria em todos os porta-retratos lá de casa. ― afirmou, olhando atenta para cada foto que passava no monitor, gostando de cada uma.
― A minha enviaria para cada parente. ― ) comentou rindo baixo junto com as meninas e Chul-Moo, o assistente de Dak-Ho.
― A minha choraria. ― garantiu, omitindo que ela mesma queria chorar enquanto via aquelas fotos de seu grupo. Seu grupo. Seu sonho agora era realidade, e isso era incrível.
― Antes de se trocarem, preciso de fotos individuais com esse figurino. Quem vai ser a primeira? ― Dak-Ho questionou após ajudar a arrumar uma das softbox, olhando para as cinco garotas e esperando uma resposta que não demorou a vir.
― Eu posso ir. ― se ofereceu, indo até o lugar indicado por Dak-Ho após não ouvir ou ver nenhuma ação contrária a sua ida como primeira para as fotos.
― Podemos assistir? ― perguntou baixinho a que não soube responder.
― Podem sim. ― Chul-Moo garantiu. ― Só não podem fazer barulho que distraia ele ou ela. ― explicou, vendo as quatro assentirem com movimentos de cabeça e sussurros de “tudo bem”.
era chata e as vezes não sabia respeitar os limites de cada uma das garotas, assim como parecia ainda não ter superado que estava em um grupo e não em carreira solo, mas era inegável o talento que ela tinha. Ela sabia cantar muito bem, não era atoa que era a segunda vocal do grupo, dançava perfeitamente e sabia como se portar diante de uma câmera. Ela não parecia nenhum pouco insegura enquanto Dak-Ho a fotografava, parecia ter nascido para aquilo. Para a fama.
Não que o seu talento pudesse anular seus erros com outras pessoas, mas os seus erros também não podiam anular o seu talento. E era isso que pensava enquanto a observava. Enquanto via virar o rosto na direção que Dak-Ho pediu, olhando para a câmera como se fossem velhas amigas, com intimidade e sem um pingo de insegurança. Sem um pingo da insegurança que sentia ao saber que logo estaria ali onde estava, diante de uma câmera, sozinha e tendo que fazer poses boas o suficiente para render material para a empresa.
sabia que era boa na dança e até quando cantava, ainda que na dança se sentisse ainda mais segura. E aquele era o problema, ela não estava ali para dançar. Estava ali para fotografar. E como competir com que parecia tão à vontade e familiarizada com a câmera enquanto ela não havia nem encontrando o seu ângulo perfeito para uma simples selfie? já havia ido ao banheiro duas vezes naquela manhã, uma no dormitório e uma ali onde estavam, e mesmo assim ainda não se sentia segura para as fotos. Se pudesse, não as faria.
― Ei, tudo bem? ― se assustou quando se aproximou silenciosamente, parando ao seu lado e fazendo a pergunta que lhe renderia uma resposta negativa caso fosse ser sincera. Caso ela fosse ser.
― Sim. ― respondeu, sorrindo minimamente ao ver o sorriso de . ― E com você?
― Tudo. ― As duas riram de como pareciam duas pessoas que acabaram de se conhecer e sem assunto em comum. ― Com frio na barriga? Porque eu ‘tô. ― confessou. ― Mas dizem que isso passa depois de um tempo, que iremos nos acostumar.
― Mesmo? ― perguntou, olhando para a amiga que encarava fazer seu trabalho tão perfeitamente.
― É o que dizem. ― deu de ombros, não querendo sustentar aquele assunto e deixar ainda mais nervosa. ― Você sabe que vai fazer tudo muito bem, não sabe? ― a encarou, sorrindo e tentando passar o máximo de confiança possível para a garota.
― Assim espero. ― murmurou. Ela queria ter a certeza que a mais nova tinha, queria ao menos acreditar, mesmo que minimamente, de que faria tudo certo.
― Você é tão boa quanto a , . Deveria acreditar mais em si mesma. ― sugeriu, e suspirou. Mas antes mesmo que ela pudesse responder, a voz de Dak-Ho soou firme pelo ambiente dizendo que havia acabado com , chamando pela próxima.
E precisou ir ao banheiro mais uma vez quando viu ir para o lugar de , e viu sua vez se aproximando.

+++

― Não deveríamos levar comida para o Siwon? ― Yesung perguntou, franzindo o cenho confuso quando se sentaram no refeitório do prédio da SM. Raramente usavam o refeitório, especialmente quando estavam gravando, já que o estúdio estava reservado e tinha espaço o suficiente para isso lá. Poucos artistas, na verdade, chegavam a usar o refeitório, sempre ocupados demais com ensaios ou gravações para comer. E, quando havia essa pausa, o faziam onde estavam, mesmo que fosse o chão da sala de ensaio.
Mas por algum motivo Heechul havia insistido para uma pausa e, principalmente, em fazê-la ali, o que deixava Yesung confuso e igualmente desconfiado. O que só piorou quando Baekhyun passou pela porta. Juntos eles eram capazes de derrubar o prédio.
― Heechul... ― Yesung falou, em tom de aviso, e o outro apenas o segurou pelos ombros para fazê-lo sentar de uma vez na mesa.
― Senta e come. ― falou apenas, sentando-se também para esperar Baekhyun que, de forma ainda mais preocupante, se junto a mesa em silêncio. Isso quando nunca na vida Yesung havia visto aquele garoto quieto. E juntos eram iguais crianças, quanto maior o silêncio, maior a merda. ― Você não pensou em Siwon na hora de comprar a comida.
― Eu posso... ― Yesung começou, mas foi rapidamente interrompido:
― Se falar dividir eu vou te descer a mão. Come logo. Padre Siwon se vira com seu próprio cardápio fitness.
E Heechul havia falado sem gritar. Novamente, preocupante, especialmente com Baekhyun junto.
― O que estão tramando? ― Yesung perguntou, assim que Baekhyun de fato se juntou a eles na mesa, e cínico como só ele, Baekhyun deixou o queixo cair, como se estivesse muito ofendido com a acusação.
― Como é que você pode pensar esse tipo de coisa de mim? ― colocou a mão no peito, falsamente perplexo, e Heechul riu antes de dar um tapa em seu ombro, forte o suficiente para fazer com que Baekhyun fosse a frente, também aos risos.
― Ya! Deixa de ser fingido! ― Heechul exclamou, agora sim alto o suficiente para ser considerado normal vindo dele, e Baekhyun colocou a mão em frente a boca por isso, praticamente se encolhendo para rir.
Mais uma vez, reação preocupante, mas Yesung não teve tempo de continuar a analisar a situação antes que Donghae entrasse praticamente correndo no refeitório, chamando atenção de todos ali ao atropelar um dos bancos, por pouco não indo para o chão também. Era assustador pensar que ele tinha trinta e quatro anos.
Baekhyun, rindo, escondeu mais uma vez o rosto nas mãos enquanto Heechul suspirava quase decepcionado.
― A descrição dele é tocante. ― Heechul murmurou, enquanto Donghae se desculpava com as poucas pessoas ao redor para voltar a correr. Donghae se juntou a mesa, e ergueu uma das mãos novamente para se desculpar, mas Heechul o impediu, puxando-o pela camisa para se sentar.
― Será que elas viram? ― cochichou ele, sentado entre Baekhyun e Heechul, que o olhou desacreditado pela pergunta
― Não, Donghae! ― ele falou de forma escandalosa, quase aos berros. ― Ninguém viu não, nem ouviu. Lá da Africa do Sul! Porque aqui na Coréia até o Siwon, lá no estúdio, deve ter escutado.
Rindo, Donghae estapeou Heechul que o estapeou de volta pela atitude, o que só fez Donghae rir mais.
― Mas porque é que nós chamamos ele mesmo? ― Baekhyun perguntou, também aos risos, e Donghae se virou para ele, falsamente ofendido.
― Ya! ― gritou, o estapeando também, enquanto Yesung ainda olhava confuso para os três.
― Alguém pode me explicar o que está acontecendo?
― Não! ― os três exclamaram juntos, então Baekhyun olhou ao redor e voltou a rir no instante seguinte.
― Já fomos notados, se a intenção não era que isso acontecesse... ― ele falou, voltando-se para frente, e Heechul jogou os braços pra cima.
― Ah, você jura? Eu nem imaginei isso quando o Donghae entrou destruindo metade do refeitório.
― Foi só um banco! ― Donghae respondeu, rindo, e Heechul ergueu a mão pra ele quando este fez menção de estapeá-lo mais uma vez.
― Para de me bater! ― gritou, ameaçando socá-lo, mas não o fez, deixando-o ali apenas com seu riso tipicamente escandaloso.
― Porque esse berro ajudou bastante mesmo. ― Baekhyun comentou. ― Quando foi que eu me tornei o mais quieto?
― Eu estou me perguntando o mesmo. ― Yesung respondeu, mas Donghae e Heechul já se voltavam para o outro.
― Ya! ― gritaram, juntos, e Baekhyun fechou os olhos enquanto ria.
― Você não é quieto, é cínico! ― Heechul corrigiu, voltando-se então para Yesung. ― E você, porque não está comendo?
― Por que só eu tenho que comer? ― Yesung perguntou, e Heechul pegou um bolinho de seu prato para colocar em sua boca.
― Eu também quero comer. ― Donghae falou e Heechul, apesar de fingir que não havia escutado, empurrou o próprio prato um pouco mais para a esquerda, em sua direção, e Donghae entendeu a deixa para dividir.
― Eu posso dividir com ele...
― Come. ― Donghae e Heechul falaram juntos, e Yesung bufou, contrariado. ― E posso saber por que estamos aqui, pelo menos?
― Pra você comer. ― Heechul respondeu, e Donghae, ao tentar rir, se engasgou com a comida, colocando a mão em frente a boca para evitar cuspir tudo para fora. Revirando os olhos, enquanto ria, Heechul deu tapinhas em suas costas, mas já havia desistido da missão que tinham ali, visto que a descrição havia ido embora há tempo demais.
― Tem certeza que ele não é o maknae? ― Baekhyun perguntou, referindo-se a Donghae, que levou um segundo para perceber que era com ele.
― Mentalmente, a gente sempre soube que tinha algo errado com ele. ― Heechul respondeu, e dessa vez, finalmente entendendo, Donghae parou o que fazia para se voltar para ele.
― Ya! ― gritou. ― Estão falando de mim?
― Não, do Siwon. ― Heechul mentiu, o empurrando de volta para o prato. ― Faz companhia ao Yesung, continua comendo.
― Pelo menos elas já foram embora. ― Baekhyun falou, após espiar por sob os ombros, e tanto Heechul quando Donghae, imediatamente, se viraram para trás a fim de verificar.
― Elas quem? ― Yesung perguntou, mas foi ignorado por um Baekhyun aos risos.
― Se eu soubesse que virariam tão rápido, teria dito antes só para que dessem de cara com elas. ― falou, gargalhando. ― Seria hilário.
― Mente satânica do mal. ― Heechul retrucou, apesar de rir também.
― Eu mesmo. ― Baekhyun retrucou. ― Podíamos ver o ensaio, invadir a sala.
― Depois do Donghae? Tenho até vergonha. ― Heechul respondeu, e todos imediatamente pararam tudo o que faziam para encará-lo, Donghae, inclusive, com os hashis na boca. Heechul riu. ― Está bem, está bem, mas vocês podiam pelo menos fingir que levam alguma fé em mim.
― Nunca. ― Yesung respondeu.
― Impossível. ― Donghae concordou.
― Só se eu quisesse morrer aos vinte e quatro. ― Baekhyun concordou, mas dessa vez Heechul nem perdeu seu tempo em fingir alguma reação próxima a ofensa, apenas dando de ombros ao invés disso.
― Vocês provavelmente estão certos. ― respondeu, voltando-se para Yesung em seguida. ― Você, come. Nós vamos indo.
― Mas aonde? ― Yesung perguntou, já que até agora ele era o único completamente alheio ao que acontecia.
― Lugar nenhum. ― Heechul respondeu, ao mesmo tempo em que Donghae simplesmente abria a boca para contar toda a verdade que não era pra ser dita:
― Espiar os ensaios do novo girlgroup da SM.
― Donghae! ― Heechul gritou, e Donghae pulou no exato momento em que este tentou chutá-lo por ter falado demais. ― Se fosse pra contar você não acha que eu já teria contato?
― A gente precisa mesmo levar ele? ― Baekhyun perguntou independente de achar graça, mas Yesung apenas os olhava perplexo.
― Eu não acredito que vão aborrecê-las antes de debutarem! ― exclamou, chocado, mas Heechul apenas fez um gesto com a mão, como quem dizia "não é nada demais, deixa pra lá".
― Não vamos aborrecê-las, só espiar o ensaio por mera curiosidade. ― devolveu, como se fosse óbvio, mas Yesung não deu qualquer indício de aceitar a desculpa.
― Elas são muito boas. ― Donghae comentou, antes que Yesung respondesse, então todos se voltaram para ele curiosos, se perguntando como ele havia obtido aquela informação. Donghae, sem entender o motivo daquilo, piscou duas vezes. ― O quê?
― Como você sabe? ― Heechul perguntou curioso, e Donghae o encarou como se o louco fosse Heechul, não o contrário.
― Ué, eu vi o programa. ― respondeu, como se não entendesse o motivo da pergunta. ― Você também viu. ― falou o óbvio, e Heechul riu ao perceber, só então, que Donghae estava certo.
― Elas estão ensaiando para o debut, vocês vão deixá-las mais nervosas do que já devem estar. ― Yesung interrompeu a conversa, e Heechul voltou a colocar as mãos na cintura.
― Eu não deixo ninguém nervoso! ― exclamou, quase ofendido. ― Sou engraçado!
― Ahn... ― Baekhyun parou por um instante, pensativo.
― Baekhyun! Era só para concordar! ― Heechul reclamou. ― Onde é que eu fui me enfiar?!
― Eu só estava pensando no Kyungsoo, ok?! ― se defendeu, antes de voltar-se para Yesung. ― O Kyungsoo conta?
― Acho que o Ryeowook quer me matar as vezes também... ― Donghae respondeu, antes que Yesung o fizesse, mas Heechul abanou a mão em sua direção.
― Ele quer matar todo mundo, relaxa. ― respondeu, e Donghae concordou com a cabeça, como se tudo fizesse sentido agora. ― Yesung, está tudo bem. Nós vamos nos apresentar, e pedir para ver o ensaio. Só isso. Não somos loucos também.
Donghae segurou uma risada debochada com a afirmação e Baekhyun nem tentou disfarçar, fazendo Yesung erguer uma sobrancelha.
― Ya! ― Heechul gritou para os dois, entre risos. ― Mais fé, por favor!
― Já falamos o que pensamos sobre ter fé em você. ― Baekhyun o respondeu, dando as costas para Yesung em seguida antes que terminassem todos por passar a tarde ali. ― Vamos logo. ― insistiu, e Heechul apenas olhou mais uma vez para Yesung, apontando para seu prato, antes de seguir o garoto, que já se afastava junto de Donghae.

...

― Eu só estou dizendo que a gente não pode ensaiar pra sempre em frente ao espelho! ― exclamou, e se deixou cair sentada no chão, ciente de que perderiam mais alguns minutos ali, discutindo com , como sempre.
Como todas, queria que o debut desse certo, o problema era que a garota simplesmente não conseguia fazer aquela coisa de ir com a maioria. O que não fosse do jeito dela, estava errado. E tudo bem, ela era boa, entendia do que estava falando, mas o que funcionava para ela nem sempre funcionava para todas e era justamente isso que faltava em . O senso de grupo, o senso de que precisavam umas das outras e que ajudar era melhor do que gritar para que todos a seguissem.
― Eu realmente não acredito que vamos ter que discutir isso de novo. ― murmurou, deixando-se cair no chão ao lado de enquanto a mais nova aproveitava o tempo para massagear o tornozelo, na esperança de que aquilo ajudasse a melhorar logo. Se alguém ali não tinha tempo para perder com aquilo, era ela. Precisava dar cem por cento nos ensaios, o que não podia graças a droga da torção. ― Ainda dói? ― perguntou, mas ela mentiu ao negar com a cabeça.
― Não, só acho melhor prevenir, sabe, pra melhorar logo. ― ela sorriu, então fez o mesmo, concordando com a cabeça.
― Oi, eu ainda estou falando! ― chamou a atenção de , estalando os dedos a sua frente e só então a garota ergueu o olhar em sua direção, casada de discutir.
― E eu estava tentando te ignorar.
... ― repreendeu, em tom de aviso, e ela bufou enquanto apontava em sua direção.
― Está vendo? ― tentou delatar para . ― Eu sou mais velha, ela me deve respeito!
quis, de verdade, soltar um palavrão, mas quando , baixinho, repetiu as palavras de , precisou conter o riso. espumou de ódio quando , mesmo sem ouvir nada, mordeu o lábio inferior para não fazer o mesmo e , imaginando o que havia feito, desviou o olhar para não rir também.
― Eu estou realmente muito perdida com vocês! Não acredito que minha carreira vai depender do que sair daqui! ― praticamente gritou, e contou até cinco mentalmente para não começar a gritar.
nunca foi uma pessoa calma. Muito pelo contrário, era simplesmente a rainha do deboche e as vezes se perguntava como havia terminado ali, tendo que ser a pessoa mais madura do grupo. Quer dizer, ela era madura, sempre havia sido, mas também era explosiva. O problema era que agora ser madura significava controlar aquele lado e testava ele ao limite todos os dias.
, ninguém aqui é totalmente amador. ― para a surpresa de , foi quem respondeu. ― Nós sabemos que não podemos nos acostumar com o espelho, ele não vai estar lá no dia...
― Exatamente! ― a interrompeu, e ela suspirou para não xingar.
― Deixe-a falar. ― pediu, e revirou os olhos enquanto também sentava, de frente para , tomando seu pé machucado para ajudar com a massagem. A mais nova agradeceu, e apenas concordou sem dizer nada para não atrapalhar a discussão.
― O espelho não vai estar lá no dia do debut, só que não teria um espelho na sala de ensaio se ele não fosse útil. ― começou, ainda sentada enquanto , de pé a sua frente, cruzava os braços com uma pose superior que, sinceramente, fez desejar muito poder estapeá-la. ― Nós precisamos ver primeiro o que estamos fazendo para arrumar a postura, para controlar as expressões, para saber se está visualmente bonito antes de nos livrarmos dele. Já conversamos sobre isso.
― Falta um mês! ― ela voltou a exclamar. ― Já está na hora de pararmos de dançar em frente a ele!
, acabou de lesionar o pé, dá um tempo. Não é hora de tentar aumentar a dificuldade e nem é como se o espelho atrapalhasse! ― interferiu, e então, imediatamente, se colocou de pé, como se alguém tivesse acabado de dizer que a culpa de tudo era dela, mesmo que ninguém estivesse vendo daquela forma.
― Eu estou bem, se for só por isso...
― Não é, . ― a cortou no mesmo instante e também voltou a se levantar.
― Eu ainda preciso do espelho. ― disse a chinesa. ― Em algum momento eu sempre começo a forçar demais a bunda pra trás. Parece que minha coluna vai dobrar.
― Eu ainda estou trabalhando com as expressões de líder de torcida feliz. ― retrucou, forçando um sorriso exageradamente feliz e dando uma piscadinha que fez as outras, com exceção de , rirem.
― Falta um mês, não era pra ninguém ter mais problema com isso.
― Vamos fazer assim, a gente promete ensaiar essas coisas sozinhas para melhorar logo se você parar de reclamar e deixar a gente ensaiar a música pelo menos duas vezes seguidas antes de interferir de novo com uma opinião que ninguém pediu, fechado? ― sugeriu e , dando-se por vencida, jogou os braços para o alto, mesmo que insatisfeita, antes de ir para o seu lugar, aguardando as outras para iniciar novamente a coreografia.
Com limitando seus movimentos ao máximo, mesmo sem deixar de acompanhar a coreografia, elas terminaram de ensaiar a performance, mais uma vez. Ninguém achava que já haviam atingido a perfeição ou que os ensaios feitos bastavam, mas era evidente para qualquer um que elas haviam evoluído muito, especialmente no quesito sincronismo.
Ouviram palmas, e se assustaram ao notar que já não estavam mais sozinhas.
Três pessoas espiavam pela janelinha da porta e bastou reconhecê-los para que todas, até mesmo , arregalassem os olhos. ficou branca como um papel, corou tanto que sua cabeça poderia facilmente explodir, deixou o queixo cair e , animada, bateu palminhas, o que fez com que as outras acabassem, por consequência, se voltando para ela enquanto Donghae ria e Heechul olhava divertido para a garota.
Quando percebeu que Donghae ria dela, fechou a cara em um bico, que ele imitou enquanto tentava se esconder atrás de , o que não funcionou já que era mais alta.
― É o Donghae. ― sussurrou para a mais velha, segurando-a pelos ombros. ― É o Donghae, é o Donghae. ― a chacoalhou de leve, e se esquivou reclamando, o que também chamou atenção.
― Eu já vi, ! ― exclamou, deixando a outra desesperada por ter seu nome falado daquela maneira, tão alto e no meio dos três.
― Ahn, tudo bem? ― Heechul perguntou, e quando notou que ele se inclinava para o lado em uma tentativa de espiá-la escondida, puxou para sua frente, mesmo que aquilo deixasse tudo ainda mais estúpido.
é Donghae utted ― explicou, e até esqueceu da vergonha para gritar com ela por ter contado.
! ― gritou, e se tivesse algo ali para jogar em , teria jogado. A mais nova apenas riu enquanto , um tanto quanto intimidada com a presença de Heechul, não sabia nem o que dizer. Não era a primeira vez que o via. Jamais se esqueceria do dia que simplesmente gritou "fighting" pra ele no meio do corredor, um onde não deveria estar, aliás, visto que era apenas trainee na época. Sempre teve uma admiração absurda por ele, quase teve um ataque do coração naquele dia e agora, para piorar, ele havia simplesmente aplaudido seu ensaio. Kim Heechul, quem ela só chamava de rei e Byun Baekhyun, sua cria perfeita, o segundo ser mais debochado de todos, que ela amava. E ela nem sabia se eles tinham visto só o ensaio ou também a briga.
, educação! ― foi quem a repreendeu por falar informalmente o nome de Donghae, já que ainda não encontrara a fala, e fechou a cara novamente, primeiro por ser repreendida por ela e depois por ser repreendida na frente deles.
― Não falei com ele, falei que ela é utted dele. O termo é esse, não usa sufixo ou prefixo. ― retrucou, mas rapidamente interferiu, odiando ser o centro das atenções.
― Um termo que você já pode parar de falar. ― a repreendeu também, chacoalhando novamente. ― Olha ela! ― implicou com a mais nova, e se esquivou de suas mãos.
, para com isso! ― exclamou, mas nem por isso saiu de onde estava, escondida atrás dela.
― Faz alguma coisa, está sendo mal educada. ― pediu, mas nada fez. Nenhum grito, nenhum palavrão, que ela falava o tempo todo, independente dos costumes, e ainda mais preocupante: não tentou assassinar por estar escondida e lhe cutucando.
quebrou, quebrou! ― gritou. ― É culpa do Heechul. ― explicou, rindo por antecedência antes mesmo de ser repreendida, porque sabia que seria.
! ― gritou, e a menina apenas riu mais.
Pelo menos ela tinha voltado a ser ela.
― Acho que estamos agindo como loucas. ― , ao lado de , sussurrou para ela, que imediatamente se voltou para a chinesa, chocada pela observação, mesmo tão óbvia. retornou com um sorriso encabulado, mas quem respondeu não foi ela.
― Com certeza. ― Donghae respondeu, antes que pudesse se controlar, e Heechul lhe estapeou por isso.
― Ei! ― gritou. ― Não precisa dizer assim também! ― o repreendeu, mesmo que risse junto com o mais novo. ― Elas estão nervosas! ― continuou, sem parar de rir.
― Ninguém notou. ― Baekhyun respondeu, também rindo assim que Heechul o encarou. ― Foi um ótimo ensaio! Foi um ótimo ensaio! Só foi isso que eu disse.
― Cínico. ― Heechul resmungou, revirando os olhos, mas Baekhyun sorriu muito satisfeito, como se ouvir aquilo mais uma vez no mesmo dia fosse um ótimo sinal.
― Obrigado. ― agradeceu satisfeito.
― Não acho que a intenção tenha sido soar como um elogio. ― respondeu, acanhada, e Heechul gargalhou junto com Donghae por isso, enquanto ela corava e Baekhyun lhe encarava desacreditado.
― Até você?! ― gritou, chocado, e ela encolheu ligeiramente os ombros.
― Desculpe.
― Não se desculpe, fez muito bem. ― Heechul lhe parabenizou. ― Com ele não é bom dar muita intimidade.
― Olha quem fala. ― Donghae resmungou, mas se fez de desentendido, olhando para o lado oposto a Heechul quando este se voltou para ele.
― O que você quis dizer com isso?!
― Hum? ― Donghae olhou para trás, fingindo que não era com ele, mas precisou desviar de mais um chute de Heechul por isso. ― A gente não ia elogiar o ensaio? ― perguntou, para fugir da discussão, e como se só então se lembrasse do motivo para estarem ali, Heechul se voltou para as meninas.
― Ótimo ensaio! ― elogiou animado, imitando em seguida um dos passos da coreografia, o que as fez rir.
― Já pegou a coreografia mais rápido que metade de nós. ― respondeu. Da forma como ela sorria, parecendo realmente alheia as outras, imaginou que o comentário não havia sido feito para ofender alguém especificamente, apenas em uma brincadeira com Heechul, mas bastou um rápido olhar para para saber que ela havia tirado conclusões diferentes.
Era incrível a capacidade de de ser desagradável até mesmo quando tentava exatamente o oposto, e antes que terminassem em outra discussão, agora quase "pública", optou por interferir.
― Ah, de girlgroup ele sempre pega, meu amor. ― respondeu, rindo quando Heechul começou a gritar pelo comentário. Previsível. E ela sabia, o acompanhava há tempo demais para saber.
― O que você quis dizer com isso?! ― perguntou, mas ela apenas continuou rindo enquanto Baekhyun lhe poupava o trabalho de responder.
― O óbvio. ― disse ele, e Heechul bateu o pé, inconformado.
― Ya! ― gritou mais uma vez. ― Por que foi que eu te chamei pra vir mesmo?!
― E viria com quem, com ele? ―Baekhyun perguntou, gesticulando com a cabeça em direção de Donghae, que ao invés de gritar também, como fazia o tempo todo, apenas deu de ombros. Provavelmente tentando parecer normal só porque sabia que uma das garotas era sua fã.
E isso também era típico dele.
― Eu sou uma ótima companhia. ― falou apenas.
― Ah, é. ― Heechul ironizou. ― Tão discreta que atropelou o banco quando tentávamos não ser notados.
― Ei, já estavam nos espionando desde o refeitório? ― perguntou, chocada, enquanto ria.
― Eu falei que eles estavam olhando! ― gritou ela, apontando para Baekhyun.
― Byun Baekhyun! ― Heechul o repreendeu por ter falado demais, e fazendo-se de desentendido, olhou surpreso para Heechul.
― O quê?! ― perguntou. ― Eu não fiz nada!
― Estavam mesmo nos espiando? ― também perguntou, curiosa e divertida. havia contado suas suspeitas no refeitório, assim que elas os notaram. E não havia demorado para notarem. A realidade era que elas passavam tanto tempo tentando achar alguém famoso ali, que encontrá-los no refeitório foi fácil. Já andavam o tempo todo olhando para os lados mesmo.
E justamente por esse motivo, era tão incrível pensar que eles também estavam espiando, que também estavam curiosos sobre elas quando as celebridades ali, evidentemente, eram eles. Era gratificante, por um lado, notar que já significavam alguma coisa, mesmo que tão pouco, mas também fazia com que a realidade batesse e trouxesse certo nervosismo ao peito de cada uma delas. Quer dizer, isso provava que as expectativas eram grandes e a responsabilidade, dessa forma, maior. Elas nem haviam debutado, mas as pessoas já esperavam algo, o suficiente para observá-las de longe e invadir os ensaios.
A única ali que não sentiu vontade de vomitar só de pensar nisso foi , sempre confiante demais, mas por sorte eles mesmos voltaram ao assunto, não permitindo que pensassem naquilo por muito tempo.
― Quem estava espiando? ― Heechul se fez de sonso, mas já dava pulinhos em um pé só.
― Estavam! ― gritou ela.
― Era apenas curiosidade, precisamos conhecer os grupos novos no nosso território. ― Baekhyun desconversou, sorrindo realmente satisfeito por sua resposta ter contornado a situação, mas não era como se qualquer um dos três ali tivesse muita moral fora dos palcos.
― Heechul já acompanhou todos os episódios do producer... ― Donghae dedurou, distraído, e só depois que Heechul gritou seu nome, notou o que havia feito.
― Donghae!
― Quê? ― se fez de desentendido, mas dessa vez Heechul não deixou para lá.
― PARA DE FAZER ISSO! ― gritou. ― TODO MUNDO SABE QUE ESTAMOS FALANDO COM VOCÊ! ― ele empurrou Donghae para trás de si, e enquanto ria, Donghae não se opôs, deixando para lá. ― O ignorem. ― pediu, mas encantada com Donghae rindo, voltou a cutucar que dessa vez se estressou, segurando a garota por um dos braços e trazendo-a para frente já que esta, até então, se escondia atrás dela. arregalou os olhos na direção de Donghae, antes de desviá-los rapidamente para o chão, envergonhada e corada.
― Awn. ― Donghae falou, entre risos, o que fez tentar voltar para trás de , sem sucesso já que ela praticamente a arrastou de volta.
― Como é que alguém consegue amar ele? ― Baekhyun perguntou, genuinamente curioso, e Donghae olhou pra ele muito ofendido.
― Eu sou legal! Mais legal que você. ― gritou. ― Diz pra ele! ― gesticulou em direção de , que poderia cair dura ali mesmo de tanta vergonha.
― Isso, diz mesmo. Eu estou curioso também, o que você viu nisso? ― Heechul também perguntou, recebendo um grito de Donghae em resposta.
― Diz que eu sou legal! ― ele insistiu, gritando mais uma vez com que olhou de um para outro quase desesperada.
― Não era vocês que iam falar? ― perguntou ao invés disso, dizendo qualquer coisa antes que simplesmente entrasse em um colapso. ― Elogiar a performance? ― tentou. ― A coreografia é minha e a música da !
― Sério? ― agora elas conseguiram a total atenção deles, dos três, que pararam o assunto interessados no que ela havia dito. suspirou aliviada. ― Coreografaram e também compuseram?
― É, por aí... ― respondeu, agora também um pouco tímida, mas eles apenas as admiraram por isso.
― Genial! ― Baekhyun exclamou, animado. ― Podemos ver o ensaio mais uma vez, do começo? Não estávamos aqui desde o começo.
― Claro! ― , e responderam juntas enquanto e berraram que "não".
Ele as encarou, e deu um passo para trás de , já que a puxaria de volta. De qualquer forma, a mais velha olhou feio para ela pela atitude e , entendendo bem a repreensão, fez um biquinho contrariado, mas acabou voltando o passo que tinha dado antes que a líder mostrasse os dentes.
― Olha, se o "não" for por vergonha eu já adianto que vai ser ótimo para se acostumarem a ter espectadores. ― disse Heechul, já se sentando de costas para o espelho sem ser convidado, pronto para assistir.
― Não tenho problema com espectadores no geral... ― murmurou, olhando em seguida para Donghae e desviando o olhar mais uma vez, deixando claro para qualquer bom entendedor que seu único problema, na verdade, era ele.
― Expulsamos o Donghae, não tem problema. ― Heechul o empurrou. ― Vai, sai, ela não te quer. Sabia que estava estranho aquele amor, já passou e ela está te mandando embora.
― Ya, ya! Me larga! ― Donghae se esquivou. ― Eu também quero ver!
― Você vai matar a menina de vergonha! ― Heechul retrucou, aos berros, e Donghae berrou também.
― Eu passo vergonha o tempo todo também, é normal! ― respondeu, fazendo os outros rirem.
― Ganhou um ponto por isso, pode sentar. ― Heechul o convidou, puxando-o de volta pela camisa e Donghae se sentou, sendo seguido por Baekhyun.
― Não olhem para mim assim, eu fui educado e perguntei. ― disse ele ao desviar o olhar para as garotas, fingindo uma educação que todos ali sabiam que não era lá do seu feitio, mas ninguém disse nada.
, decidindo que aquele era mais um momento para pensar pelo grupo, se voltou para . Ela também havia negado e a mais velha sabia de todas as suas inseguranças com a dança, ainda mais agora.
― Está tudo bem, podem ficar? ― perguntou, mas mesmo que quisesse negar, concordou com a cabeça, dizendo que sim. Não podia negar quando todas já haviam concordado. não se sentia confiante para dançar para um público normalmente, e com o pé machucado, sentia-se ainda pior, mas esperou que eles achassem que sua falta de habilidade, pelo menos, fosse apenas isso, culpa da lesão, e tentou se focar que ter um público, especialmente um tão intimidador, seria bom para acostumá-las ao palco.

Annyeong hasimnikka1.: Cumprimento formal coreano, algo próximo ao nosso “olá”.
Fighting2: Expressão coreana para desejar força e demonstrar apoio. Pode ser escrita como Hwaiting também.

Nota da Autora:
Olá, meninas!!!!!!!!!!!!!!!!!! Estamos muito felizes de finalmente compartilhar essa história. Espero que gostem pelo menos um pouquinho das nossas meninas e se sintam entretidas o suficiente acompanhando a jornadas delas. Beijão!
PS, twitter das 3 autoras aqui, ó: Bru, Jozi e Mayh.

 

Capítulo 02.

odiava aquela sensação.
Odiava quão exaustivo era aquilo, se sentir vários passos atrás de suas companheiras de grupo o tempo todo e, mais ainda, odiava não conseguir fazer aquilo passar, por mais que tentasse.
E, céus, ela tentava.
nunca se esforçara tanto, especialmente para não ficar para trás, quanto vinha fazendo desde que se tornara trainee da SM, há o que lhe parecia milhões de anos atrás, impressão que ela sabia ter apenas porque tudo, desde então, se tornara intenso demais para que o tempo continuasse a passar do mesmo jeito para ela. Não tinha mais tempo para metade das coisas que estava acostumada a fazer antes de entrar naquela vida, afinal.
Toda sua vida mudara, ela mudara.
Aquela experiência, como trainee e agora, se tornando de fato uma idol, mudara e vinha mudando cada dia mais, de inúmeras formas. O tamanho de seu esforço e dedicação era uma delas.
Antes daquilo tudo, das coisas que, basicamente, eram no que sua vida se resumia agora, ainda que odiasse se sentir incapaz ou insuficiente, ela estava bem com aquilo que não sabia fazer, como dançar. Ela simplesmente ignorava que aquilo era possível e levava a vida, mas agora… Céus, como dançar havia se tornado um problema.
Ela se garantia em sua posição no grupo, como rapper, mas, especialmente num girlgroup aquilo não era o suficiente e nem mesmo toda a lábia do mundo, algo que ela sempre tivera de sobra, lhe ajudaria a chegar onde precisava se não melhorasse naquilo, naquele pesadelo que era dançar. Odiava que aquilo houvesse se tornado uma necessidade, mas era justamente o que acontecera e era por isso que estava se sentindo tantos passos atrás das outras garotas em seu grupo.
Depois de terem passado a maior parte do dia ensaiando sua coreografia, juntas, lhes convenceu que precisava ficar mais tempo lá e treinar um pouco sozinha. não gostara da ideia e sabia, conhecia sua líder o suficiente para saber quão protetora ela se tornara com a mais nova, mas, ainda assim, ela insistira, afinal sabia que aquela era uma necessidade muito real: Ela precisava aprender a dançar. E direito.
Agora, horas mais tarde, já era praticamente madrugada e ela tinha certeza que dançar direito fora apenas uma ilusão que plantara em sua mente, porque aquilo era impossível. Pelo menos para ela.
Ela se sentia exausta e derrotada quando guardou suas coisas na mochila e deixou a sala de treinamento onde passara a maior parte de seu dia, fechando silenciosamente a porta para seguir em direção ao elevador, andando pelo corredor surpreendentemente bem iluminado para àquela hora da noite sem conseguir evitar as caretas de dor no percurso. Forçara seu tornozelo muito mais do que o recomendado naquele dia e até os passos mais leves doíam àquela altura.
estava prestes a apertar o botão do elevador para ir embora quando finalmente reparou num som de música distante, uma batida que ela nunca ouvira antes e lhe fez estreitar os olhos, virando para olhar por sob o ombro, procurando a origem do som.
A verdade era que fazia bastante sentido que houvesse mais idols ali aquele horário, treinar era tudo o que faziam, basicamente, e talvez nem fosse assim tão surpreendente que aquele fosse o motivo de o prédio da SM parecer um shopping, com as luzes sempre ligadas, tornando a passagem de horas diária fácil de ignorar, ou até esquecer. Ainda assim, praticamente pôde ouvir a voz de lhe recriminando enquanto seguia, curiosa, na direção do som.
Ela, obviamente, ignorou, preferindo dizer a si mesma que podia fazer aquilo, não era errado. Era uma idol agora e, quem quer que estivesse treinando até aquela hora como ela, na verdade nem precisava saber que ela estava espiando. Ia fazer aquilo de maneira rápida e discreta, ainda que isso contradissesse toda aquela parte sobre ser uma idol agora e aquilo não ser errado. ignorou o pensamento inoportuno, finalmente se encolhendo perto da fresta aberta da porta da sala de treinamento de onde vinha o som.
Era Kim Jongin ensaiando lá dentro, o Kim Jongin, dançarino principal do EXO, Kai, e… Seu utt.
Aquilo só podia ser carma por ter gritado por aí que Donghae era o utt de .
engoliu em seco, se encolhendo ainda mais no lugar e nem era como se ela já não fosse pequena, mal respirando enquanto encarava vidrada Jongin dançar. O garoto que ela sempre vira pela segurança da tela do celular, que, literalmente, sempre admirara de longe, estava bem ali, há uma porta de distância.
Que tipo de universo paralelo era aquele em que fora parar naquele dia? Sequer superara ter conhecido Heechul, Donghae e Baekhyun no mesmo dia, agora isso…
tinha certeza que não conhecia aquela música, talvez fosse nova. Soubera, vendo uma entrevista do grupo, que o EXO estava trabalhando no comeback, Jongin podia estar ensaiando justamente aquilo e… Céus. Será que aquela era a música do comeback?!
A versão que Jongin usava para ensaiar não tinha letra, tratava-se apenas da batida e, pelo que aprendera em seu tempo como trainee, achava que também não estava produzida por completo ainda. Devia ser, de fato, só o bruto, para ele se conectar com a dança. se perguntou se aquilo lhe ajudaria com a própria dança, o observando demonstrar graciosidade em cada mínimo passo que fazia, acompanhando a música como se nada mais existisse, apenas ele e a batida. Ela achou que devia ser incrível, estar tão conectado a música quanto ele parecia estar e, inicialmente sem perceber que o fazia, passou a imitar alguns dos passos que via Jongin fazer.
Tudo ia bem e ela achava que até conseguia acompanhar as batidas com mais facilidade daquela forma, deixando que sua penetração na mente e no corpo acontecesse de maneira natural e eficiente enquanto focava apenas em fazer o seu melhor para imitar os passos de Jongin, até que, bem, tudo desandou. tentou imitar um passo com giro que o garoto dera e acabou por esquecer que estava perto demais da porta para aquilo dar certo, de modo que tombou para frente e precisou apoiar todo o peso do corpo na porta, agora escancarada, chamando por consequência a atenção de Jongin, que olhou em sua direção.
Naquele momento, fez uma promessa: se pudesse apagar os últimos minutos de sua vida nunca mais deixaria de chamar as garotas de unnie ou de qualquer outro jeito que elas quisessem. Chamaria até de “Vossa Alteza” se aquilo apagasse aquele momento vergonhoso de sua existência. Ela se tornaria uma maknae ainda mais de ouro que o próprio Jungkook, precisariam inventar um novo termo só pra ela.
Caramba, caramba.
Ele. Estava. Olhando. Para. Ela.
Kim Jongin estava olhando para ela.
Precisava falar alguma coisa, fazer alguma coisa, qualquer coisa.
— Anh… Eu… Não… Não era pra você me ver – falou num fio de voz, dando as costas e apertando os olhos no mais puro constrangimento. Podia ter dito algo pior?!
— Ei, espera! – a voz de Jongin junto com a mão dele em seu braço, a puxando de volta, arrancou de um grunhido baixinho. Ele não demorou com sua mão na pele dela, e ela não demorou para abrir os olhos e encará-lo. – Como você entrou aqui?!
riu de nervoso com a pergunta.
— Eu trabalho aqui. – falou, rolando os olhos quando Jongin arqueou as sobrancelhas, como se não acreditasse nela. – É verdade, eu estou no grupo que vai debutar em um mês. Que ganhou o programa. – deu de ombros, ainda que normalmente se enchesse de orgulho e pompa para falar daquilo.
Naquele momento, ela nem sabia o que orgulho e pompa eram.
— Ah! – Jongin exclamou, como se as palavras dela houvessem sido o gatilho que faltava para ele se situar. Céus, ele era perfeito. estava entre desviar o olhar e se encolher de vergonha, o que nem era típico dela, e nunca mais parar de olhar para ele. – Eu vi alguns episódios. – ele falou, fazendo com que ela sorrisse amarelo enquanto via a expressão dele suavizar. Tão bonito. Ela achava que ia ter um derrame. – Por que… Por que estava me espiando? – ele perguntou, mais baixo dessa vez, sem demonstrar estar bravo, apenas confuso e curioso, como era típico dele e, por saber daquilo, corou.
Ok, talvez não só por saber daquilo. Também tinha que responder aquela pergunta.
— Estou tendo dificuldades com a minha dança. – confessou por fim, optando por ser sincera. Ele era um idol, afinal, ia entender. – Passei o dia ensaiando, mas sou péssima nisso. E não planejei espiar você, eu ia embora, mas ouvi a música vinda daqui e… – ela se interrompeu, sabendo que o que quer que falasse agora soaria errado.
A verdade, afinal, era que ela não devia mesmo estar ali e apenas baixou a cabeça, num pedido mudo de desculpas.
— Eu não posso deixar que escute a música que estava ensaiando, porque é a do nosso comeback e a gente não pode mostrar pra ninguém, mas podemos ensaiar a sua juntos, se quiser. Posso tentar te ajudar. – Jongin sugeriu, surpreendendo , que ergueu, surpresa, o olhar para ele. – Não tem tanto tempo assim que eu debutei, sei como está se sentindo.
— Você sempre foi um bom dançarino, definitivamente não sabe como estou me sentindo. – ela lhe corrigiu e Jongin riu, coçando o nariz e fazendo com que ela sorrisse para a visão. Aish, aquele nariz adorável.
— Eu não era bom em outras coisas. – deu de ombros, como se aquilo compensasse e lhe encarou de maneira cética, fazendo com que ele risse, envergonhado. – É sério.
— Jongin, eu já te vi cantar, já te vi dançar e já te vi fazendo rap. Você é bom em todas essas coisas e sempre foi assim. – ela retrucou, como se fosse óbvio e ele arqueou surpreso as sobrancelhas ao ouvi-la, o que fez com que a garota corasse, se dando conta do que dissera.
Droga, droga, droga.
— É fã do EXO? – Jongin perguntou surpreso, sabendo que, para ela ter visto ele fazer todas aquelas coisas o suficiente para ter uma avaliação feita a respeito de seu desempenho, ela precisaria ser uma fã, ter ido atrás daquele tipo de conteúdo.
deu de ombros, como se não fosse nada demais.
— Um pouco. Eu gosto do Chen. – murmurou, repreendendo a si mesma assim que as palavras saíram de sua boca. Ok, e quem perguntara?! ela responderia se fosse ele, se sentindo uma idiota.
E aquilo nem mesmo era verdade.
Claro, gostava do Chen, assim como gostava de todo o grupo, mas ele nem chegava perto de ser seu utt. Aquele era Jongin, porém ela não podia simplesmente dizer aquilo para ele, não queria que ele lhe tratasse diferente, que ficasse tímido ou o que quer que fosse.
Jongin assentiu, levando um instante para abrir outro sorriso.
— Ele é um ótimo cantor. – murmurou, como se aprovasse sua escolha e ela mordeu o próprio sorriso, assentindo. Será que podia ficar o resto da noite ali, em silêncio? Estava falando tanta besteira que, honestamente, achava que era o mais seguro. – Mas, sabe, choraminga bastante. Como é fã dele, você deve saber disso. – Jongin acrescentou em seguida, como se não fosse nada demais e riu, surpresa.
Ele estava tentando sabotar Jongdae?!
— Você também choraminga bastante. – ela retrucou, entrando na brincadeira e defendendo seu suposto ultimate. Jongin abriu a boca num “O” perfeito, demonstrando ofensa e incredulidade diante da acusação e arqueou as sobrancelhas, sabendo tanto quanto ele que o garoto estava prestes a fazer exatamente o que ela dissera: choramingar.
— Jongdae choraminga mais. – ele, por fim, falou, depois de fechar e abrir a boca várias vezes, pensando em como vencer a discussão e concordou com a cabeça, lhe encarando certa que nunca vira nada tão lindo quanto ele.
— Você não devia chamá-lo de “Jongdae hyung”? – questionou, pousando os dedos no queixo como se ponderasse e Jongin deu de ombros.
— Você não devia me chamar de sunbaenim? – retrucou e ela gargalhou, tapando a boca para se conter.
— Eu devia fazer muitas coisas. – murmurou, lembrando-se de todas as vezes que suas companheiras de grupo reclamaram por ela não usar nenhum termo de tratamento com elas, como de fato devia fazer. – Mas não contaria com isso se fosse você.
Jongin rolou os olhos, sem surpresas e ela sorriu satisfeita com a reação. Ele era exatamente como ela sempre imaginara que fosse.
— Vai, me mostra a coreografia antes que eu desista. – pediu, mudando de assunto e ela fez rapidamente que não. Ainda não perdera a noção a ponto de simplesmente dançar para Kim Jongin, afinal. Ela o considerava o melhor dançarino de sua geração, pelo amor de Deus.
— Você não precisa, é sério. Eu me viro.
— Qual é o seu nome? – Jongin perguntou de repente, se dando conta que não sabia e piscou, surpresa em notar aquilo também. Quase caíra com a cara no chão por estar espiando o garoto e nenhum dos dois pensou naquele detalhe: o nome dela.
. – ela se apresentou, com mesura, e Jongin rolou os olhos.
— Ela se recusa a me chamar de sunbaenim, mas fica aí, forçando os joelhos… – falou sozinho, fazendo com que ela risse. – Vamos lá, eu quero ver sua coreografia.
— Jongin, eu agradeço, de verdade, mas não… Não é uma boa ideia. Já passei vergonha o suficiente tendo que dançar para Heechul, Donghae e Baekhyun mais cedo…
— O Baekhyun viu? E eu não posso ver? – ele a interrompeu, desacreditado – ! Não é como se eu fosse o Chen!
Na verdade, meio que era.
— Jongin…
— Eu vou te ajudar. – ele insistiu, interrompendo-a outra vez. – Pelo menos tenta. Sendo honesto, o pior já passou. Os hyungs são muito piores do que eu. – falou, e, bem, precisava concordar. Jongin não era, em nada, como os garotos e ele não dissera aquilo, mas sua opinião, no fim das contas, seria muito mais útil que a deles.
suspirou, absorvendo que ia, de fato, fazer aquilo.
— Tudo bem. – cedeu, por fim, balançando a cabeça ao ver Jongin repuxar os lábios num sorriso tão genuíno e feliz que, céus, fora mesmo para ela? Depois de tanto tempo vendo aquele sorriso apenas em fotos e vídeos, parecia, no mínimo, absurdo que ele estivesse sorrindo daquele jeito bem na sua frente, especificamente para ela.

se jogou no chão, exausta, vários minutos depois. Ela não sabia quanto tempo passara ensaiando com Jongin, mas definitivamente fora bastante. Não que ela ligasse.
Naquele momento, vitória corria em suas veias e ela não se importava com nada além do mais incrível dos fatos: Havia conseguido. Fizera a coreografia inteira certa.
Claro, precisara de mais tentativas do que era capaz de contar para isso, mas acertara. Ela jamais reclamaria de , sua companheira de grupo e amiga tinha tanta paciência quanto devia caber num ser humano quando o assunto era repassar a dança com ela, mas Jongin conhecia truques que funcionaram infinitamente mais rápido com . Ele lhe ensinara em que instrumentos focar para estar sempre no tempo certo da música, entre outras coisas, como passos que ela julgava impossíveis e o garoto fora capaz de fazer parecer tão simples quanto ela jamais imaginara sequer ser possível.
— Sabia que você ia conseguir. – Jongin murmurou, sorrindo orgulhoso quando ela virou a cabeça para o lado, lhe encarando.
Naquela última tentativa, ela dançara sozinha, e ele ficara sentado, de olho em qualquer erro que ela pudesse cometer para avisar.
Ela riu, sem acreditar em nada a respeito daquela noite. Primeiro, espiara Jongin dançando sozinho a música secreta de seu comeback secreto, o que por si só já era incrível e agora terminara aceitando a ajuda dele com seus próprios problemas de dança e, de fato, chegando mais longe do que achava que era realmente capaz.
— Eu não. – ela confessou e ele sorriu, se pondo de pé em seguida.
— Vamos de novo. – chamou e ela fez uma careta, odiando a ideia.
— Cansada. – resmungou simplesmente, fazendo mais uma careta quando ele chutou um de seus pés. – Não quero. Já acertei uma vez, não posso ir pra casa dormir ao invés de abusar da sorte? – quis saber, fazendo com que ele risse.
— Só mais uma vez. – ele insistiu e ela bufou, se esparramando ainda mais no chão. Devia parecer ridícula, mas aquela altura fora privada do sono por tempo demais para que seus neurônios funcionassem direito. – Só para garantir que você pegou mesmo, vai. Não quer errar amanhã, quando for treinar com seu grupo. – ele tentou e ela fez que não depois de ponderar por um instante. Ou fingir ponderar.
Realmente não estava mais em condições para continuar, mesmo que quisesse. E uma parte dela até queria, só para não ter que se despedir, tão logo, de Jongin.
— Cansada. – ela reclamou outra vez, cruzando os braços e Jongin suspirou.
— Usa uma bota ortopédica pra dormir e vai acordar melhor amanhã. – ele murmurou, cedendo ao apontar para seu pé, fazendo com que ela arregalasse os olhos, surpresa. Sequer tinha comentado da torção no tornozelo e estava realmente se esforçando para evitar fazer careta enquanto dançava. Ou a noite toda desde que praticamente invadira a sala de treinamento dele.
— Como você… ?
— Eu falei que sabia como estava se sentindo, não falei? – piscou para ela, que riu e balançou a cabeça. Depois que ele saísse, ia se beliscar tanto que ficaria roxa.
— Obrigada, Jongin. – murmurou por fim, com um aceno de cabeça. – Por toda sua ajuda hoje.
— Sempre que precisar. – ele imitou seu aceno, seguindo em direção a porta depois de guardar suas coisas na mochila. – Vai ficar aí?
— Mais um pouco, sim. – ela concordou. – Boa noite.
— Boa noite. – ele respondeu e os dois se olharam por mais um segundo, sem falar nada. não fazia ideia do que ele estava pensando, mas quanto a ela, bem, só estava tentando absorver tudo que acontecera naquela noite, naquele dia. Uau. Tinha a impressão que ia gostar daquela coisa de ser idol. – Vejo você por aí, então. – Jongin, por fim, acrescentou, e ela assentiu, acenando para ele antes que o garoto por fim desse as costas e a deixasse sozinha na sala de treinamento.

Quando chegou em casa, já estava mais perto do horário em que teria que levantar do que qualquer coisa, mas ainda assim ela se sentia elétrica demais para dormir.
Não que fosse possível culpá-la, ela conhecera Jongin e, mais ainda, recebera ajuda dele com sua dança. Suas pernas estavam até mesmo um tanto bambas quando a garota entrou, o mais silenciosamente que pôde, no quarto que dividia com duas de suas companheiras de grupo, e . Ela já havia tomado banho e comido um sanduíche, de modo que estava pronta para deitar e dormir, exceto que, bem, tinha o caminho até sua cama, a cama de cima no beliche onde dormia naquele momento.
nunca estivera sozinha naquela jornada, desde os primeiros dias como trainee tivera aquelas duas consigo e dizia com toda a honestidade e tranquilidade do mundo: Havia muito pouco que não faria por elas, que eram as pessoas em quem mais confiava para trilhar aquele caminho com ela e não pôde conter um sorriso olhando de uma para a outra com a pouca luz da lanterna de seu celular, mesmo sabendo que, em poucos segundos, elas estariam lhe xingando e jogando coisas nela.
Dando de ombros e suspirando, desligou a lanterna do celular e pôs o aparelho de lado no móvel mais próximo. Ás cegas, ela fez seu caminho em direção a cama, soltando um gritinho um tanto exagerado ao pisar em falso, segurando-se na ponta da cama de para se manter de pé e rindo por seu grito ter desencadeado gritos vindos das meninas, que jogaram travesseiros, almofadas e até um despertador em sua direção, fazendo com que ela voltasse a gritar enquanto corria para ligar a luz.
— Ai! Sou só eu, só eu! – reclamou, erguendo as mãos para proteger o rosto e mordendo a própria risada com a onda de xingamentos que veio de ambas em seguida.
, que cacete! – reclamou, enquanto pousava a mão no peito, tentando desacelerar as batidas do coração daquela forma.
— Eu. Vou. Te. Matar. – avisou ao focar em , que arregalou os olhos, correndo para o lado oposto ao que estava parada quando se pôs de pé, tentando agarrá-la ao correr.
olhou de uma para a outra correndo pelo quarto e fez uma careta, apertando os olhos. Elas iam lhe deixar tonta e, tentando evitar aquilo, voltou a se jogar na cama, escondendo a cabeça debaixo dos cobertores para ignorar aquela bagunça e voltar a dormir.
— Chega, chega, chega! Tempo, tempo! – gritou, erguendo as mãos no ar de maneira um tanto desesperada e lhe encarou cética.
— Tempo? Quantos anos você tem, ?
— Doze, -ssi. – respondeu de maneira humorada e rolou os olhos.
— Posso saber que porra de animação é essa? – perguntou enquanto via a mais nova subir para sua cama. – Você passou a noite e o dia inteiro treinando, como não está exausta?
— Ah, eu estou. – garantiu, rindo fraco, porque sabia que por maior que fosse sua animação a dor que sentia nos pés e nas articulações dos joelhos não mentia: Ela precisava dormir. E logo. – Mas também estou animada! Consegui acertar a coreografia! E vocês nem imaginam quem me ajudou!
— Mesmo se o papa tiver te ajudado, não podemos ouvir essa história amanhã? – reclamou, sonolenta e desviou o olhar para o relógio que já pusera no lugar depois de jogar em quando ela gritou.
Eram 04h01 da manhã.
— Já é amanhã. – respondeu simplesmente e resmungou, jogando a cabeça para trás no travesseiro enquanto rolava os olhos, jogando para seus travesseiros e almofadas antes de jogar os dela própria em sua cama e voltar para lá.
— Quem te ajudou, ? – perguntou, desejando apenas acabar logo com aquilo para poder dormir.
— Jongin! – quase gritou, tapando a boca ao notar quão alto falara e rindo baixinho por isso.
arqueou as sobrancelhas e voltou a levantar a cabeça, abrindo apenas um dos olhos.
— Como?! – as duas perguntaram juntas, ainda sem saber o que pensar quanto aquela novidade e deu de ombros.
— Kim Jongin, sabem? Dançarino principal do EXO, namoradinho do Kyungsoo, a prefere chamá-lo de Kai…
— Espera. – lhe interrompeu, preocupada, enquanto absorvia tudo o que ouvira. Não achava nada seguro deixar sozinha perto de qualquer idol, honestamente. – Você não perguntou nada a ele sobre esse “namoro”, perguntou? – quis saber, fazendo as aspas com os dedos e fez que não.
— Não, senhora.
— Senhora é seu cu. – rolou os olhos e riu baixinho, sem conseguir se conter. Ainda queria socar por ter lhe acordado, mas se conhecera Jongin, ela não ia parar de encher as duas até contar a história. Era melhor acabarem logo com aquilo.
— Conta de uma vez, . – pediu, impaciente e , cínica que só ela, suspirou e assentiu enquanto sentava em posição de índio na cama.
— Bom, quando eu estava pra vir embora, ouvi um som vindo de uma das salas e fui espiar, então… Você teria feito o mesmo! – apontou para quando ela abriu a boca para reclamar, continuando em seguida, antes que a outra voltasse a tentar intervir: – Era Jongin, dançando a música secreta de seu comeback secreto. Eu acabei tropeçando e… É verdade! – ela reclamou quando até se revirou no colchão para lhe encarar com ceticismo.
— Você tropeçou? – perguntou, achando aquilo estúpido demais para ser verdade e rolou os olhos.
— O quê? Só você pode agora? – retrucou e grunhiu, ofendida, antes de se esticar na cama para poder estapear a mais nova, que riu e se encolheu para longe dela, fugindo do tapa. – , olha ela!
— Ei, eu digo olha ela! ! – reclamou ao ouvir e rolou os olhos, se segurando para não puxar as duas pela orelha e enfiar uma meia suja na boca de cada uma para ficarem quietas.
já se esforçava demais para manter a paciência quando causava alguma confusão entre elas, definitivamente não sobrava sequer um pingo para lidar com aqueles momentos de criancice das duas.
— Eu vou é dar na cara das duas. – murmurou, tentando conter a própria frustração e as duas mais novas pararam de imediato, indo cada uma para o seu canto. quase sorriu para a cena. Quase. – , termina a história. – ordenou, se aconchegando debaixo das cobertas e assentiu, voltando a contar.
Ela contou de tudo que Jongin lhe ensinara, os truques para a dança, e também contou sobre quão doce, educado e adorável ele era, exatamente como ela sempre imaginou. Quando terminou, a expressão das outras duas oscilava entre preocupação e alegria pela amiga.
— Eu fico feliz que tenha conhecido ele – falou primeiro, cuidadosa e, sem notar seu tom de voz inicialmente, assentiu. – Sei que o admira muito e imagino como deve estar se sentindo, especialmente depois de ele ter lhe ajudado tanto e você ter conseguido se encontrar na nossa coreografia, mas…
— Precisa tomar cuidado. – falou quando se calou e a mais velha ficou agradecida por isso. Odiava aquela parte, ser a chata que precisava manter todas focadas quase nunca era divertido. – O EXO tem um fandom grande e não precisamos que ninguém espalhe boatos falsos sobre vocês agora, estamos apenas começando e…
— Eu sei de tudo isso, gente. – interrompeu , rolando os olhos sem precisar de muito esforço para entender aonde elas queriam chegar. – Também sei qual é o meu foco e não é nenhum relacionamento romântico, mesmo que seja com Jongin. – acrescentou, sabendo que, embora elas não houvessem dito aquilo, pensavam. Suas amigas estavam preocupadas que começasse a fantasiar demais a possibilidade de ter um relacionamento com Jongin e bagunçasse as coisas para si mesma e para as outras. Ela não deixaria aquilo acontecer e queria deixar isso claro para elas.
Normalmente, gostava que se preocupassem e cuidassem dela, mas queria garantir que, naquele ponto, não precisavam.
Seu foco era o mesmo que o delas e não suportaria perder a confiança de suas amigas e companheiras de grupo, que davam tanto duro quanto ela por aquele sonho, por causa de algo que nem parecia possível. Ok, ela conhecera Jongin, ele fora legal com ela, mas um relacionamento era definitivamente muito mais do que ela achava ser possível acontecer com ele. Ficaria satisfeita se pudesse se tornar, pelo menos, sua amiga, mas se aquilo fosse se tornar um problema para seu grupo, nem pensaria duas vezes antes de descartar a ideia.
— Nem mesmo temos tempo pra isso agora, não é o mais urgente ou mais importante. – acrescentou, olhando de uma para a outra para ter certeza que entenderam e ambas assentiram, achando melhor dar o assunto por encerrado depois disso.
— Certo, então acho que… – parou, olhando com atenção para , que apenas sustentou seu olhar para provar que tudo que falara era sério e não da boca para fora. assentiu novamente, mais para si mesma do que para ela dessa vez, e então continuou: – Hora de dormir, então. Temos um dia cheio pela frente amanhã e é melhor que a gente descanse o máximo que pudermos agora. Para isso já não vai ser muito, mas a culpa é dela mesmo, então ninguém liga… – fez pouco caso, rindo quando lançou uma almofada em sua direção em resposta.
— Idiota. – acusou, rolando os olhos, mas a outra não respondeu, lançando sua almofada na direção do interruptor para desligar a luz ao invés disso.
suspirou e se aconchegou para dormir também, torcendo que sua exaustão vencesse a sensação de eletricidade que ainda reinava em seu corpo e lhe permitisse algum descanso.
Ela realmente precisava descansar, mas bem, sua mente tinha outros planos e, no instante em que fechou os olhos, se viu revivendo cada parte da noite desde que vira Jongin sorrir para ela pela primeira vez.
Não mentira para suas amigas, ia manter o foco, sua prioridade estava muito bem definida, porém não podia evitar reviver aquele momento e só se sentir, enfim, feliz que o houvesse tido.
Definitivamente, não podia.

+++

— Meu Deus. — comentou baixo, sentada no sofá de couro do estúdio.
— Ela é boa. — Yoo Young-jin, o produtor responsável pela produção do álbum de debut do grupo, elogiou , que não pôde ouvir porque estava na pequena sala de gravações do estúdio. A chinesa era o centro das atenções naquele momento, sua voz era o que todos ouviam através das caixas de som que estavam conectadas ao microfone a sua frente. E a nota alta que soltou, com uma facilidade admirável, deixara as outras quatro garotas e o homem surpresos. Surpresos por uma voz tão potente sair de um corpo tão pequeno.
— Ela é. — afirmou, com seus olhos fixos na figura da melhor vocal do grupo.
— No dia que eu fizer uma nota nessa facilidade… Eu nem sei. —, que estava sentada em uma cadeira entre a líder e o produtor, começou, mas se perdera no meio da frase, fazendo com que os outros rissem de algo que eles já esperavam da menina.
estava focada no que fazia, seus olhos alternavam entre a folha com a letra da música e o microfone a sua frente. Um fone, próprio para gravação, abafava os outros sons que pudessem existir ao seu redor, mesmo que a sala de gravação tivesse isolamento acústico. Tudo o que ela ouvia era o instrumental da música, não era lenta, e sim agitada o suficiente para que quem ouvisse sentisse vontade de dançar. As notas altas saíam do melhor jeito que a garota conseguia, em uma facilidade que não percebia por estar ocupada demais em se manter concentrada em se esforçar para dar o seu melhor. A chinesa sabia dar o seu melhor sempre em todas as gravações, ensaios e tudo que envolvesse o grupo. E por isso se esforçava tanto. Se esforçando ao ponto de sequer perceber quando uma nota alta saia de seus lábios com uma facilidade invejável, ou quando sua voz permanecia sempre no ritmo e no tom certo. Mas as outras pessoas notavam, e era por isso que , e estavam em pé, a aplaudindo quando ela terminou sua parte na música e olhou para o vidro em busca de alguma reação que indicasse se era preciso cantar novamente porque algum erro fora cometido. A chinesa riu quando viu as três garotas aplaudindo e dizendo coisas que ela não poderia ouvir, mas que conseguia entender ao olhar para seus lábios. Na verdade, as três não falavam nada de muito sofisticado, elas gritavam e comentavam quão boa a garota era.
— Pode vir. Você acabou. — A voz do produtor soou através dos fones e assentiu com a cabeça, retirando o equipamento para sair da sala de gravações e dar a vez para uma das outras garotas.
— Você foi incrível! — gritou, puxando a mão de que caiu sentada ao lado dela. — Me ensina, por favor. — pediu, abraçando a chinesa de lado.
— Ensina mesmo, porque a gritando ao tentar fazer nota alta é horrível. Meus ouvidos doem. — informou, fazendo careta e ignorando a língua que a mais nova a mostrou.
, pode ir. — pediu depois que Young-Jin organizou os tracks de gravação de perfeitamente em cima da batida da música. —Você foi ótima. — elogiou e piscou para a chinesa quando virou sua cadeira para olhá-la rapidamente antes de se voltar para o vidro da sala de gravações e ver adentrando o local e se preparando.
A música que estavam gravando naquele dia, era uma das três faixas que faltavam ser gravadas para completar a lista de nove músicas que fariam parte do álbum. A canção havia sido composta por e , que receberam ajuda de Yoo Young-Jin tanto em algumas partes da letra quanto no ritmo. Young-Jin além de produtor também era cantor-compositor e já havia trabalhado com diversos artistas da SM, sendo responsável por grandes sucessos como, por exemplo, Sorry Sorry do Super Junior. Ele era excelente no que fazia, e ninguém duvidava de seu potencial. Por isso, foi o primeiro a ser pensado quando tiveram que colocar algum produtor com as meninas que fariam parte do novo grupo da empresa, porque ele era muito bom no que fazia. E aquele grupo precisava ser um sucesso. Young-Jin não estava tendo muito trabalho com as garotas, na verdade, ele fazia muito pouco com elas. Desde o dia em que se conheceram, em uma sala de reuniões em que conversaram sobre o conceito que o grupo teria, as garotas sempre apareciam com letras de músicas já prontas, melodias cantaroladas e gravadas em seus celulares ou pensadas e explicadas para ele. As cinco garotas estavam dispostas a dar menos trabalho possível para o produtor, e estavam empenhadas em ajudar na produção do álbum. E Young-Jin já esperava isso delas, afinal, assim como tantas outras pessoas ele também acompanhou ao programa que elas fizeram parte, e assistiu quando , e compuseram a música da semifinal do programa, quando e coreografaram a música e quando fez seu rap tão bem que mais parecia uma profissional. Todas pareciam profissionais, por isso que era fácil trabalhar com elas. Porque elas não eram dependentes dele, eram independentes e sabiam onde queriam chegar. E Young-Jin sabia admirar pessoas que iam em busca de seus sonhos.
, — a chamou quando apertou o botão que interrompia a música nos fones de e emitia a voz de quem estava do lado de fora da sala de gravações. — prolonga só mais um pouquinho o “o” do último boy. —Instruiu, esperando e ouvindo atentamente a garota que quase fez o que foi pedido, quase. —Está do mesmo jeito. — Informou falando próximo ao microfone enquanto apertava o botão. — Sobe e desce a voz ainda no “o”. — A líder gesticulou com a mão quando cantou do jeito que pedira para a outra fazer. era exigente e ela sabia disso, e as outras garotas do grupo também. A sua exigência aumentava quando ela sabia que eram capazes de fazer algo melhor e mesmo assim entregavam o mediano. Ela sabia das responsabilidade que tinha como líder do grupo, envolvia muito mais do que manter na linha com as outras integrantes ou passar confiança para elas, envolvia também a obrigação de fazer com que elas produzissem o melhor. E ela sabia que elas eram capazes de fazer o melhor. — Mais uma vez. —Pediu após ouvir a nova tentativa, e ergueu o polegar quando a voz de soou do jeito que queria.
era sempre muito boa no que fazia e raramente precisava de dicas para melhorar, mas sempre que recebia alguma, ela fazia o que estivesse ao seu alcance para dar o seu melhor de acordo com a ajuda que recebeu. Ela se esforçava, mesmo já sabendo o talento que tinha, e estava sempre dando o seu melhor. Sempre o melhor. Porque ela sabia que era capaz de dar o melhor, ela sabia de tudo que podia fazer com sua voz ou seu corpo, e talvez fosse por isso que tivesse um ego tão alto. Mas, ela era boa e ninguém poderia negar isso.
— Mais uma vez. — quem pediu quando se perdeu em uma de suas partes, insatisfeita em como sua voz soara tão confusa para si.
— Não vamos elogiar, ela sabe que é boa. — comentou baixinho com que riu, observando voltar e sentar-se na cadeira que estava antes de ir gravar.
— Você foi bem. — quem elogiou, recebendo a atenção da garota que só sorriu e tirou o celular do bolso da calça, não dando tanta atenção para a dançarina que revirou os olhos e se arrependeu de ter sido educada.
, pode ir.
A parte de não era muito grande, e ela até era grata por isso. se garantia mais na dança e já havia provado que seu grande talento estava nos movimentos de seu corpo, e não em suas cordas vocais. Mas, ela sabia cantar e sabia fazer sua parte vocal nas canções. Sabia quando descer ou subir algum tom, afinar ou engrossar a voz, ir um pouco mais devagar ou rápido. Ainda não reproduzia notas perfeitas como e , mas sabia o suficiente para fazer sua parte muito bem feita. E estava sempre disposta a melhorar e não atrapalhar o grupo naquele quesito.
— Por que você gritou? — perguntou, apertando o botão rindo de como a voz da dançarina soou tão alta em uma parte que não deveria ser naquele tom.
– Tem exclamações aqui. – informou, olhando da folha com a letra da música para o vidro, vendo todos rindo de si.
– Ok, esqueça as exclamações. Sem gritos.
tentou aquela parte mais uma vez, dessa vez sem focar nas exclamações e sem gritar. Focou no que fazia, mas logo riu de si mesma quando precisou repetir a palavra “one” por doze vezes um pouco rápido e ficou parecendo que ela estava mastigando e não falando alguma coisa.
A parte das gravações de sempre eram as mais engraçadas, não que ela errasse muitas vezes, é que a garota sempre pensava coisas aleatórias que se encaixavam com as letras das músicas ou com sua voz em algum momento, e começava a rir. E mesmo sem saber aquilo, sua risada que fazia todos rirem, sempre servia para aliviar o clima e o cansaço de passarem tantas horas gravando dentro do estúdio.
As horas pareciam ir mais devagar quando entravam no estúdio de gravações, quando não conseguiam ver a luz natural do dia e tinham que ficar concentradas, até a exaustão, no que estavam fazendo. Mas, ao mesmo tempo, as horas também pareciam ir mais depressa e elas precisavam se empenhar em terminar a gravação do dia, mesmo que tivessem que abrir mão de refeições ou descansos. O material não poderia ser entregue com atraso, não havia tempo para erros.
Elas estavam no estúdio desde as nove horas da manhã, e os ponteiros do relógio já marcavam quase quatro horas da tarde quando terminou a sua parte e foi para a sala gravar a sua. e , as primeiras a gravarem a terminar, ainda estavam no estúdio e também não tinham se alimentado, mesmo que na teoria pudessem sair pois já haviam terminado suas partes na música. Mas, não podiam. Elas, assim como , ainda teriam que gravar outras partes com e , partes em que todas cantavam juntas, e cantar com a barriga cheia não era uma opção. A voz poderia soar diferente, a garganta poderia arranhar ou algum erro poderia ser cometido. E elas não podiam errar nas gravações. Teriam que esperar mais algumas horas para comer, por isso se contentavam com os sucos e café que Jang Jikyu, seu manager, as entregou junto com o café para o produtor.
, mais devagar. — pediu quando a mais nova cantou rápido demais, ultrapassando o ritmo da batida e até a voz de que lhe fazia fundo com outra frase da música.
era maravilhosa fazendo rap e isso ficou claro desde a sua primeira apresentação do no programa da empresa, quando ela ainda nem conhecia as garotas. Sua voz era firme e alta, nunca baixa e incompreensível. Ela conseguia colocar uma velocidade absurda ao falar suas palavras, e mais absurdo ainda era como todas as palavras soavam muito bem ditas e compreensíveis. No programa todos os jurados e produtores ficaram chocados com o talento da menina, e foi impossível não lhe dar a maior nota. Mas, além de uma rapper incrível, também era uma cantora muito boa. E ela agregava muito valor ao grupo.
— Espera aí. — pediu se levantando da cadeira, quando terminou sua parte na música. — Temos partes juntas, então vou gravar a minha parte aqui e gravamos as nossas também, tudo bem? — explicou e perguntou a mais nova que assentiu com a cabeça. pegou um dos fones que estava pendurado no gancho na parede. ficou ao lado de , informou a Young-Jin que estavam prontas e logo começou a ouvir a batida da música e as vozes das garotas.
também era rapper, assim como , mas ela tinha noção que não conseguia ir tão rápido quanto a mais nova. E por isso ela precisava se esforçar um pouco mais para acompanhar o ritmo da outra, e estava tudo bem. não via isso como uma falha, e sim como uma trabalho que a tornava uma artista melhor. Não que seu esforço em alcançar devesse ser exaltado, mas sim porque era algo que a tirava da sua zona de conforto e exigia mais de si. E gostava de alguns desafios.
Quando terminou sua parte, ela e começaram a gravar as frases em que cantavam juntas. Sempre que duas das meninas ou até mesmo todas elas tinham partes das músicas em que suas vozes apareciam juntas, elas gravavam juntas de fato e não uma de cada vez e depois juntava no programa de gravação. Young-Jin dizia que a harmonia ficava muito melhor quando as vozes eram gravadas juntas e não unidas no computador. E isso era verdade. Elas observaram isso logo no primeiro teste em que fizeram, suas vozes pareciam muito mais sincronizadas quando a gravação já era feita com todas do que quando a junção era feita na edição da música.
— Por que a xingou?! — perguntou no microfone quando apertou o botão, assustando as duas garotas que estavam concentradas em cantar uma parte importante e rápida e foram interrompidas pelas pergunta da dançarina.
— Que? — perguntou, tão confusa quanto .
— Você xingou!
Young-Jin, que sorria para a pequena confusão entre as meninas, colocou o último trecho gravado pelas duas. E só então elas perceberam que, em determinado momento, trocou uma das palavras e acabou falando um palavrão que não tinha encaixe nenhum com a música em si.
— Se não gostou da música era só falar. Não precisava xingar.
— Fica quieta. – respondeu a mais velha, e voltou a gravar com .
Palavras não foram mais trocadas, palavrões não foram mais ditos e as duas rappers terminaram suas partes na música. Restando apenas as partes em que as cinco precisavam gravar juntas.
A sala de gravações se tornou menor quando as cinco fizeram um círculo em volta do microfone que se tornou o centro das atenções. Todas estavam com fones de ouvido, suas folhas com a música quando o produtor deu start na música e começaram a ouvir o que tinham gravado até aquele momento.
E era em momentos como aquele, em que todas estavam reunidas para mostrar o que sabiam fazer de melhor, que suas diferenças eram esquecidas. Não importava quem era a mais velha ou a mais nova, quem era coreana ou chinesa, alta ou baixa. Quando estavam cantando, fazendo uma incrível e bela harmonia com suas vozes que combinavam tão bem, nada mais importava. Seus medos sumiam, e a certeza de que estavam fazendo a coisa certa aparecia. esquecia que era a única chinesa e que poderia ser expulsa do grupo a qualquer momento só pela sua nacionalidade, esquecia que sempre quis ser cantora solo e não integrante de um grupo, esquecia que deveria estar sempre se esforçando para alcançar as mais velhas, não ouvia as vozes que estavam sempre falando o quão incapaz ela era, e esquecia toda a pressão que sentia por ser a líder daquele grupo. Tudo era esquecido. Tudo se tornava pequeno, insignificante. O mundo parecia existir apenas com as cinco garotas e tudo estava bem. Elas se entre olhavam entre uma pausa e outra, sorriam e respiravam fundo antes de começarem a cantar uma nova parte. E tudo estava bem. Tudo estava bem porque mesmo que cada uma tivesse entrado no programa pensando em debutar solo, elas estavam juntas. Tinham umas as outras e jamais ficariam sozinhas. E aquilo era o que mais importava no final do dia, ainda terem umas as outras. Porque, afinal, elas eram um grupo. E mesmo que nenhuma delas nunca tivesse pensado que iria fazer parte de um grupo, estava tudo bem, porque todas eram muito talentosas. E elas só precisavam continuar juntas para alcançar tudo que quisessem.

Nota da Autora>: Oie! Mais um capítulo, yay!
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Beijão!

Capítulo 03.

— Você é a líder do grupo, . Você tem a obrigação de entrar comigo. — falou, em completo desespero. Seu tom era como súplica e ela nem negava. A garota a segurou pelo braço, e tentou mais uma vez. — … — choramingou, mas apenas puxou seu braço de volta, lentamente, como se dissesse para a garota soltá-la.
, no máximo minha obrigação é te aturar. — respondeu, fazendo com que jogasse a cabeça para trás em um novo choramingo. — E bem no máximo mesmo porque na verdade nem isso.
— Você tem sim. — insistiu, não aceitando a ideia de que teria que fazer aquilo sozinha, entrar sozinha na sala com os maiores responsáveis pelo seu grupo. Ela nunca havia sequer ficado sozinha com sua diretora. Uma mulher tão forte e poderosa que se sentia intimidada só de olhá-la. Parando para pensar, nunca ao menos havia trocado qualquer palavra com a mais velha. A mulher aparecia apenas quando tinha algum assunto muito sério para tratar sobre o grupo, seja ele bom ou ruim, e elas sabiam que a mulher agenciava toda a carreira delas, mas a viam pouquíssimas vezes, sendo Jang Jikyu o responsável por repassar informações e cuidar delas diretamente.
Mas então Jikyu tinha dado o recado de que a diretora, Park Mi-Rae, pessoalmente queria encontrá-la e depois de vomitar o café da manhã em nervoso, bom, ela estava ali, praticamente arrastada por , pois Jang Jikyu havia cometido o erro de não arrastá-la pessoalmente.
— Como líder e porque nos ama. — completou a fala de , o que foi ótimo visto que a outra já havia esquecido o que falara.
— Principalmente porque nos ama. — completou apenas, e concordou três vezes com a cabeça, como se aquela fosse a maior verdade já contada.
— Não sei de onde tiraram isso. — respondeu, dando de ombros como se fosse indiferente àquilo, exceto que não era e que tampouco enganava alguém com aquela atitude de tia má.
— Do fundo do seu coração sem fundo, mas sabemos que está aí. — devolveu, com convicção, e mais uma vez concordou.
— Em algum lugar. — falou a maknae.
— Escondido. — continuou.
— Bem escondido. — foi além, e olhou de forma repreensiva para ela.
— Ei! — apontou para , que sorriu largamente de forma cínica, enquanto juntava as mãos em frente ao rosto em um coração que , obviamente, ignorou, recebendo um bico em resposta. — Você a está ajudando a enrolar! — falou o óbvio e , só então se dando conta disso, deixou o queixo cair, em choque.
— Traidora! — exclamou, apontando a direção de , que olhou para baixo como se estivesse se sentindo culpada pelo que havia feito, exceto que, bom, não estava.
— São atitudes de uma mulher desesperada. — resmungou, antes de se voltar novamente para a mais velha. — … — tentou mais uma vez, mas a outra não vacilou.
— Eles chamaram você, . — insistiu, e suspirou profundamente.
— Mas é você a líder do grupo. — argumentou mais uma vez.
— Mas chamaram só você porque não é da minha conta. — explicou, mas era justamente esse ponto que não só não entendia, como também não aceitava. O que diabos poderiam querer só com ela e não com todo o grupo? Ou só com que era a líder?
— É da sua conta prezar pela imagem do grupo e eu vou destruí-la na primeira palavra.
— Você pode só não falar. — tentou, como se aquela solução realmente fizesse algum sentido. — Só sorria e acene. — a garota ergueu uma das mãos, igual a Rainha Elizabeth, para acenar suavemente para o nada. acabou rindo daquela bobeira, mas abaixou sua mão, recebendo de um bico contrariado. — Está bem, sorrir e acenar não, mas você pode só concordar com a cabeça mesmo. Tipo pra tudo.
— Mas e se eles forem me dar bronca por algo? — perguntou, e deu de ombros.
— Concorde também. Se algo deu errado a culpa é sempre sua mesmo, nenhuma novidade. — devolveu, e tomou de sua mão a revista que segurava somente para bater na garota com o pedaço de papel.
— Ya! — gritou, mas apenas riu de sua atitude enquanto , controlando suas filhas, tirou a revista da mão de , devolvendo-a para .
— Não me julgue, está bem! — se defendeu. — Eu disse que sorrir e acenar era melhor, especialmente com o seu rostinho bonito. Ninguém vai ter coragem de brigar com um rostinho tão bonito.
bufou.
— Dá pra expulsá-la daqui? — perguntou para , mas esta negou com a cabeça.
— Não. Quem tem que sair é você. — respondeu, e , novamente fazendo a sonsa, deixou o queixo cair enquanto voltava a rir.
— Mas … — tentou, mas a outra dessa vez a interrompeu, visto que já fazia tempo demais que estavam lá fora.
— Se não entrar eu vou te jogar lá dentro. — ameaçou, e fingiu cara de choro em uma última tentativa de sensibilizá-la.

— Ela não está brincando. — sussurrou para , mas alto o suficiente para que escutasse já que a intenção real não era realmente esconder a fala da mais velha.
— Não mesmo. — concordou, mas não era como de duvidasse disso, conhecendo a líder que tinha. — 1… — contou, e voltou a suspirar.

— 2…
Mais um choramingou de e , rindo, apenas deu um passo para trás, esperando o que vinha a seguir.
… — avisou, e ela não era o tipo que avisava mais de uma vez.
— Por favor, entra comigo. — pediu juntando as mãos em sinal de prece. —
— 3. — aproveitando-se da falta de bom senso de de pelo menos se afastar da porta após a ameaça de , a mais velha avançou em sua direção, fazendo recuar para trás o que só a deixou ainda mais perto. A garota literalmente encostou-se contra a madeira que separava as três das pessoas presentes naquela sala e tudo que precisou fazer foi girar a maçaneta, que , sendo , sequer pensou em segurar ou impedir.
Resultado: apenas não caiu sentada dentro da sala porque , a conhecendo bem o suficiente para saber o desastre que a garota era, a segurou antes que fosse ao chão, mas também, não dando a ela tempo de escapar, apenas fechou a porta assim que a empurrou para dentro, evitando que a garota fugisse.
encarou a porta fechada, e piscou duas vezes, ainda de costas para as pessoas ali presentes. Seu primeiro impulso, imediatamente, foi o de se jogar na porta para sair dali sem nem ver quem estava na sala com ela, mas sua mente gritou que aquilo seria ainda mais humilhante do que a forma como entrara na sala em si, fazendo com que ela tomasse coragem para finalmente se virar para frente, com um sorrisinho amarelo e constrangido que ela rapidamente escondeu ao se curvar em uma reverência, até mesmo um pouco exagerada, após juntar as mãos em frente ao corpo.
— Me desculpe pelo atraso. — ela disse, sem se levantar. — E por isso também. — completou, referindo-se a forma como fora literalmente jogada para dentro.
— Ah, não se preocupe com isso, querida. Foi quem te empurrou para dentro, não foi? — perguntou Jikyu, deixando um pouco mais tranquila por ouvir uma voz familiar. Mas bem pouco mesmo. Minimamente, para ser mais exato.
— Acho que “arremessou” se encaixa melhor. — murmurou, finalmente levantando o tronco, mas então congelou ao ver quem estava ali na sala. Ao lado esquerdo da diretora estava seu manager e, do direito, um segundo homem desconhecido, com ninguém menos do que Zhang Yixing do seu outro lado. O próprio Lay, do EXO. prendeu a respiração, e provavelmente arregalou os olhos visto que Jang Jikyu riu e Yixing deixou escapar um ar de sorriso que deixou sua covinha a mostra de forma no mínimo adorável. sempre amou covinhas, e teria vontade de tocá-la se tudo nele, mesmo com aquele sorrisinho, não emanasse poder. Uma aura ainda mais intimidadora do que a própria diretora.
nunca foi fã do EXO, mas os conhecia o suficiente por que era fã do grupo. Seu bias era o Sehun, mas tinha mais relação com a vontade que tinha de lamber a tela do celular sempre que o via ali do que qualquer outra coisa, já que não acompanhava o grupo o suficiente para algo mais do que aquilo. Mas ela conhecia Zhang Yixing. Como dançarina, conhecê-lo e admirá-lo era praticamente uma obrigação porque Lay dançando era de outro mundo. Kai era bom, muito bom. Igualmente genial, mas admirava Lay em maior intensidade, sempre espantada com forma como seu corpo se expressava e tudo que ele demonstrava quando dançava, ao ponto de ficar indignada com a falta de visibilidade que ele tinha dentro do EXO por ser chinês (de acordo com ).
— O quê…? — iniciou a pergunta, perplexa, e se voltou então para o manager, como se esperasse que ele a respondesse mesmo que, com isso, ignorasse completamente a pessoa mais importante da sala, sua diretora, sentada no meio da longa mesa de reuniões. Era uma sala longa, com piso de madeira e paredes brancas, com uma mesa retangular bem no meio. Park Mi-Rae sentava-se na ponta, com os outros três nos próximos lugares ao seu lado, um de frente para o outro, e tudo que Jang Jikyu fez foi gesticular para que se sentasse na outra ponta, há várias e várias cadeiras de onde os outros estavam, o que só a deixou ainda mais preocupada além de constrangida, mas a garota obedeceu.
— Como estão indo os ensaios para o debut? — a mulher perguntou, sem olhar para a garota enquanto ao invés disso concentrava-se nos papéis a sua frente. Não se importou em apresentar o homem desconhecido na sala ou mesmo Lay, apesar de o conhecer pela TV e fez a pergunta sem cumprimentá-la ou dizer ao menos um “oi”. Ainda confusa e com o coração prestes a sair pela boca, olhou para seu manager como se perguntasse se deveria responder a pergunta e quando o homem fez que sim, ela se voltou para a mulher, que ainda não lhe encarava.
— Hum… Bem? — respondeu, soando muito mais como uma pergunta, e somente então a mulher ergueu a cabeça, o que na verdade foi infinitamente pior para o nervosismo da garota.
— Isso foi uma pergunta? — ela quis saber, e negou três vezes com a cabeça, os olhos já novamente arregalados. — Soou como uma. — afirmou, e , três vezes novamente, concordou, recebendo mais um risinho de Jang Jikyu em retorno. — Certo. — a mulher apenas concordou, não soando muito feliz, e teve vontade de vomitar novamente, encolhendo-se um pouco mais na cadeira onde já estava encolhida.
— A gente não pode chamar a ? — tentou sussurrar para Jikyu, o que não funcionou já que o homem estava tão longe, obrigando-a a repetir mais alto. — Não podemos chamar ? — falou, e arrependeu-se no mesmo instante, assim que a diretora ergueu uma sobrancelha para ela.
— Precisa da líder do grupo para falar por você? — a mulher perguntou, e se era um teste, perdeu rapidamente ao responder sem pensar:
— Sim. — disse, imediatamente, mas quando Park Mi-Rae franziu o cenho, imaginou que fosse a resposta errada. — Quer dizer, não! Não! — mudou a resposta efusiva, e ao notar sua reação exagerada se deixou relaxar contra o encosto da cadeira, fingindo estar confortável quando evidentemente não estava. — Putf… — ela fez um estalinho com a boca, e riu nervosa, gesticulando como se aquela ideia, a de precisar de , fosse absurda. — Quem precisa da , ela é só… a Líder do grupo, né? Essa… Nem é a função dela, sabe, falar pelos outros… — quando se deu conta que aquilo soou muito como se estivesse debochando da diretora, voltou a arregalar os olhos, rapidamente abrindo a boca para se defender. — Quer dizer, eu… Ahn… Não foi…
. — Jang Jikyu a chamou, e a garota o encarou apavorada. — Para de falar agora, para. — pediu, apesar do leve sorriso em seu rosto, e a garota rapidamente se calou, concordando algumas vezes com a cabeça.
Foi então que, simplesmente, uma risada tomou conta do local. Não qualquer risada, uma gargalhada na verdade, e apesar de identificar o dono dela no mesmo instante, não soube dizer se isso deveria fazer com que se sentisse mais tranquila ou mais preocupada, afinal, era dela que ele estava rindo. Mordendo o lábio inferior, olhou minimamente para o lado, vendo Yixing se inclinar ligeiramente para a frente enquanto ria, em uma gargalhada tão verdadeira que até mesmo o fez fechar os olhos, colocando a covinha a mostra novamente. Ele era adorável, sua risada cativante e o som a teria feito rir se não fosse a vergonha que sentia por saber que ela era o motivo da gargalhada e acabou corando ao se afundar mais uma vez na cadeira.
— Eu… Fiz alguma coisa errada? — decidiu perguntar por fim, mas fez uma careta ao se dar conta de que sim, já que tinha falado todas as besteiras que podia por um dia inteiro. Não que não fosse falar outras. Vindo dela nem seria surpresa. — Quer dizer, antes de entrar na sala, pelo menos? — corrigiu, mas enquanto a diretora suspirava, o próprio Lay a respondeu.
— Não, não, só viemos fazer um convite. — explicou, e mesmo ainda constrangida, ela se voltou para ele, decidindo que entre ele e a diretora, preferia ele, mil vezes.
— Convite? — questionou, mas sua mente já perguntava se realmente poderia recusar qualquer coisa na presença de sua diretora que, para seu azar, foi quem continuou a explicação.
— Lay vai lançar seu EP solo, e será gravado também seu primeiro MV…
— Sério?! — exclamou animada, interrompendo a mulher sem se dar conta. — Finalmente! — falou, voltando-se para Lay para parabenizá-lo, mas quando ele voltou a rir, se deu conta do que havia feito e lentamente se voltou para a mulher com um olhar culpado no rosto. — Desculpa. — sussurrou, desistindo de falar qualquer coisa e até mesmo de explicar o motivo daquela reação exagerada, antes que se complicasse ainda mais. Só achava justo que Lay tivesse o reconhecimento que merecia, mas guardou o comentário para si. — Pode… continuar.
— Tem certeza? — a mulher ironizou, impaciente, e a garota concordou com a cabeça, prendendo os lábios em uma linha fina para tentar se controlar antes que os abrisse mais um vez. — Enfim… — a mulher finalmente continuou, e dessa vez a garota se controlou para não fazer mais nenhuma besteira. — Estão procurando dançarinos e estar em um MV com um integrante do EXO traria uma visibilidade ótima para o grupo, foi por isso que mostramos alguns de seus trabalhos para Lay e sua equipe que…
— Zhang Yixing me viu dançando? — ela interrompeu mais uma vez, deixando o queixo cair descrente. Quando, em um milhão de anos, imaginaria que um dos dançarinos que mais admirava estava vendo seus vídeos de dança? Chocada, dessa vez ela nem ao menos foi capaz de se dar conta de que havia interrompido a mulher de novo, mesmo depois que Park Mi-Rae suspirou pesadamente.
— Jang Jikyu… — a mulher gesticulou para que ele continuasse, e o manager se voltou para .
— Estão te convidando para participar do MV, . É um vídeo de dança, apenas, e estão te convidando para ser uma das dançarinas. — o homem falou, e a garota sentiu sua alma sair do corpo só para voltar saltitante no instante seguinte. Se não estivesse em uma sala de reuniões com sua diretora, provavelmente estaria aos berros e não sabendo o quanto poderia fazer ou dizer para evitar que de fato gritasse, a garota apenas congelou onde estava, sentindo-se tão feliz quanto quando ouviu seu nome durante o resultado das últimas votações do programa que a colocaram em seu grupo. Não importava quanto fosse insegura, ser reconhecida pelo seu trabalho, pelo que havia escolhido fazer de sua vida, sempre seria gratificante e, naquele momento, sentiu-se tão feliz por terem lembrado dela para gravar o MV que nem se importava se haviam cogitado seu nome só para trazer visibilidade ao grupo antes do debut. Haviam mostrado seus vídeos para Lay, afinal, antes de convidá-la, e se o convite estava acontecendo era porque haviam visto algo nela, certo? — ? — ele a chamou novamente, quando ela não disse nada, e só então a garota se deu conta de que esperavam uma resposta. — Sem gritar, só responde sim ou não. — seu manager falou, e ela teria rido ao notar o quanto ele já a conhecia mesmo em um período tão curto de tempo se ainda não sofresse os impactos do convite.
— Hm. — a garota concordou com a cabeça, ainda não muito confiante de abrir a boca, mas insatisfeita com uma resposta tão superficial, levantou-se da cadeira, apenas para poder reverenciá-los em agradecimento pelo convite. — Sim, sim, sim. — falou rapidamente, só depois voltando a se esticar. — Obrigada, pela oportunidade.
— Você fez um trabalho incrível. — Yixing elogiou, e ela repassou a frase mentalmente umas três vezes para ter certeza de que era mesmo para ela, que não estava entendendo errado. — Vou torcer por vocês no debut.
— Obrigada. — a garota reverenciou mais uma vez, agora diretamente em sua direção, e com a cabeça Lay repetiu o gesto educadamente. Todo o resto, dali para frente, pareceu uma névoa para , que repetindo mentalmente que seria uma das dançarinas do MV de Lay, não ouviu mais nada quando explicaram sobre ensaios e datas. Tudo em que conseguia pensar na oportunidade que estava tendo e que provavelmente morreria quando soubesse disso.

+++

— Ok, eu preciso de mais bolo. – declarou, se pondo de pé depois de, junto com , perder mais uma partida contra e .
Para comemorar o convite que a garota recebera para trabalhar com Yixing em seu novo EP, o grupo comprara uma torta e decidira fazer uma noite de jogos. Mesmo na desvantagem e perdendo com um placar vergonhoso quase todos os jogos propostos, estava se divertindo e quase conseguia se sentir menos ansiosa diante da responsabilidade que teria sendo a primeira do grupo a fazer um trabalho fora dele. Bem, quase.
era do tipo que comia quando estava ansiosa, mesmo que isso lhe deixasse culpada e lhe fizesse tomar atitudes das quais se arrependeria depois. Aquela altura, já quase não sobrava mais torta e enquanto a maioria das meninas comera uma ou duas fatias, estava indo para sua quinta. Não que ela não soubesse que dormir com aquilo dentro de si seria impossível. Se conhecia o suficiente para saber.
— Não! A gente ia ganhar dessa vez! – reclamou ao ver a garota se levantar, declinando uma próxima partida e arqueou as sobrancelhas em sua direção.
— Você não é tão ingênua assim, é?
— Eu estava sentindo! – choramingou e rolou os olhos, sem levá-la a sério, enquanto seguia em direção a cozinha.
Tanto quanto riram da careta que a mais nova fez, cada uma apertando um lado de sua bochecha enquanto se inclinava para a frente. rolou os olhos e esperou, quieta, que parassem. Ela podia fingir que não o quanto quisesse, mas tanto a garota quanto suas companheiras sabiam: Ela adorava aquele tipo de mimo e provocação, que, claro, vinham em grande dose por ela ser a mais nova.
— Talvez a gente deva deixá-las ganhar uma vez – murmurou para , baixo, porém não baixo o suficiente para que a mais nova, bem ao lado delas, não escutasse.
— Ya! – gritou, estapeando indignada o ar entre as duas mais velhas. – Não quero ganhar assim!
— Você é quem sabe. Mas eu não acho que tenha como você ganhar de outro jeito, então é melhor pensar bem, hein? – avisou, lhe encarando como se perguntasse se ela tinha certeza do que estava dizendo e estirou a língua em sua direção em resposta.
— Agora que a saiu, sei que vou ganhar. Ela estava me azarando. – deu de ombros como se fosse óbvio e , que voltava da cozinha naquele exato minuto, lhe encarou desacreditada.
— Ya! – reclamou, mesmo que não estivesse ofendida de verdade. e tinham uma mentalidade muito parecida em relação a maioria das coisas e uma, quase nunca, ofendia a outra em meio a brincadeiras como aquelas, as duas simplesmente se provocavam de igual para igual ao invés disso. O que era irônico já que, ao passo que eram tão parecidas em pontos como aquele, tinham gostos completamente opostos. – Você teve foi muita sorte de jogar comigo, maknae ingrata.
riu, porém não respondeu, chamando a atenção de ao tocar sua perna com os pés, tentando fazer com que ela olhasse para ela.
— O que é? – perguntou, com toda a falta de delicadeza de sempre. Não que ligasse, esperar delicadeza de , especialmente com ela, seria ainda mais estúpido do que esperar aquilo de .
— Unnie… Joga comigo? – chamou, fazendo manha e arqueou as sobrancelhas como se perguntasse se aquilo era sério enquanto e encaravam a mais nova desacreditadas e riu, já imaginando o que estava por vir.
— Você sabe que isso não é uma palavra mágica, não é? – respondeu, desprezando a atitude da mais nova, que fez uma careta por isso, ao mesmo tempo em que e levavam, juntas, as mãos ao peito, como se aquela atitude houvesse, de fato, sido uma ofensa gravíssima a existência de ambas.
! – as duas reclamaram juntas e arregalou os olhos de uma para a outra.
— Tá, tá. Eu jogo, nossa. – reclamou, enfiando o celular no bolso enquanto seguia em direção as outras três, sentando-se de frente para . – O que estamos jogando?
— Eu vou colar um adesivo na sua testa e… – começou a explicar, recebendo um olhar hesitante de , para o qual ela rolou os olhos enquanto batia palmas, animada. – Para de coisa. – ela murmurou, para as duas.
rolou os olhos, chamando a atenção de para si em seguida.
, é o seguinte. A vai colocar uma palavra na sua testa e você, obviamente, não pode vê-la. Pode ser um lugar, uma pessoa, uma música, um grupo… Qualquer coisa. – ela explicou, com assentindo conforme compreendia o que ela dizia. – Então, eu vou te dar dicas sobre a palavra pra você adivinhar o que é. É bem simples, na verdade. só é burra.
— Ya! – reclamou, sentando-se perto delas enquanto ria baixinho, tratando, no entanto, de esconder a risada assim que lhe encarou, surpresa. Ela nunca riu de algo que dissera antes.
— O que é? – reclamou, ácida, diante do olhar da mais nova, que deu de ombros e empurrou a cabeça de um pouco para trás ao usar mais força do que era realmente necessário para terminar de colar a palavra contra sua testa.
— Ai! – reclamou, lhe empurrando e deu de ombros, como se não houvesse feito nada antes de apontar para , fazendo sinal para ela começar.
respirou fundo e assentiu, desviando o olhar para , que arqueou as sobrancelhas, esperando que ela começasse de uma vez. não estava nada satisfeita de estar naquele grupo, nunca fora seu plano, mas estava começando a aceitar que, satisfeita ou não, era a realidade que tinha e precisava, pelo menos, tentar uma convivência suportável com as outras garotas. Honestamente, ela as achava bobas demais na maior parte do tempo, mas se ignorasse aquilo… Dava para suportar.
— Ok, Hm. Uma pessoa, um idol. – murmurou, dando sua primeira dica e deu de ombros, sem ter ideia de quem podia ser. Fora quem escolhera a palavra, a pessoa no caso, e aquilo não facilitava as coisas em nada para . A líder já falara algumas vezes dos idols que achava bonitos e tudo o mais, mas seria mentira dizer que se lembrava de qualquer um deles. Ou sequer prestara atenção enquanto ela falava.
— Lee Taemin? – ela perguntou, já que aquele foi o primeiro nome do qual se lembrou e riu ao lado de .
— Você está tão ferrada. – comentou, com humor. Se ela não estava indo bem naquele jogo com , que era sua melhor amiga e muitas vezes sustentava uma conversa com a mais nova só pelo olhar, piorou jogando com , que nunca realmente se dera ao trabalho de tentar conversar com as garotas e descobrir do que gostavam.
— Calada. – ordenou para ela, lhe olhando feio. – Nós vamos ganhar.
— Eu quero só ver… – riu, claramente desacreditada e rolou os olhos, estalando os dedos na frente de para que ela andasse logo e esquecesse de .
— Ei, não faz isso! Ela não é um cachorro! – reclamou e bufou.
, se você não andar logo eu vou revelar quem é… – ela avisou, impaciente, enquanto estendia a mão em direção a testa de , mas rosnou para ela antes que ela fosse em frente e arqueou as sobrancelhas para . – Então, você tem certeza sobre o que disse? – perguntou, irônica e bufou, escondendo o rosto nas mãos.
— Vou é desistir da . – disse simplesmente.
! – e reclamaram juntas e choramingou.
— Estou pensando! – esbravejou, irritada antes de desviar, novamente, o olhar para a testa de , assentindo, mais para si mesma que para sua nova parceira. – Ok, hm… Ele é, tipo, um rei. – disse, fazendo rir satisfeita, sabendo que aquilo não ajudaria em nada.
Confirmando suas suspeitas, estreitou os olhos, confusa.
— Não era um idol? – perguntou e bufou, virando com raiva para encarar , estapeando-a.
— Ai! – reclamou, lhe encarando assustada pela violência inesperada.
— Sua lerdeza está contaminando todo mundo! – reclamou simplesmente, voltando-se em seguida para . – Nós conhecemos ele!
arregalou os olhos, finalmente parecendo ligar os pontos diante das dicas da mais nova, que, apesar de não terem sido muitas, foram cruciais, especialmente levando em conta que quem escolhera a palavra.
— Kim Heechul! – ela gritou, apontando para e as duas gritaram juntas enquanto fazia careta, insatisfeita pela garota ter acertado. Não que nenhuma das duas houvessem ligado, comemorando juntas a vitória.
— Falei que ia ganhar. – estirou a língua para , que fez menção de puxá-la da boca dela, fazendo a mais nova se arrastar para se esconder atrás de rapidamente. riu, abraçando-a. Embora não falasse tanto, sempre se divertia muito com as garotas e naquela noite não estava sendo diferente. Enquanto via o fato de estar naquele grupo como uma punição ou algum tipo de empecilho para seu verdadeiro objetivo, achava que era uma bênção. Muitas coisas piores podiam ter acontecido, ela podia não ter ido muito a frente no programa, podia ter sido posta num grupo com pessoas horríveis, entre outras coisas e, portanto, era, realmente, muito agradecida por estar onde estava, com elas.
— Você é ridícula. – murmurou simplesmente e abriu a boca num ‘“O” perfeito graças ao choque, que, é claro, não era real. Aquela troca de elogios com a segunda mais nova era tão comum quanto possível, mas jamais perderia a chance de ser dramática e fazer graça. Fazer graça meio que era seu nome do meio.
— Você não é mais minha unnie favorita! – apontou na direção da garota, soltando uma piscadela para em seguida. A líder lhe encarou com descaso.
— Nem vou perguntar o que deu em você pra estar usando os honoríficos hoje. – murmurou ao invés de dar trela para a discussão das duas e a mais nova riu, assentindo como se estivesse muito satisfeita em saber daquilo.
— Só aproveita. – riu e a líder concordou, ciente que era mesmo o melhor a fazer.
— Vamos de novo? – sugeriu, para a surpresa de todas e assentiu de imediato, temendo que ela mudasse de ideia, pegando um papel para escrever.
vai adivinhar agora.
— Quando eu posso voltar? – perguntou, tentando espiar o que ela escrevia e lhe empurrou com o cotovelo.
— Nunca. Não se mexe em time que tá ganhando. – respondeu e lhe encarou com escárnio.
— E você está ganhando o quê, cara pálida? Experiência, né? – provocou e fez um muxoxo, como se aquilo houvesse sido muito desnecessário.
— Quis dizer que vocês duas não devem mexer no time de vocês… – desconversou, baixinho, apontando de para . – Eu só não quero a mesmo.
— Traidora! – reclamou, lhe estapeando e ela riu, apertando suas bochechas só porque sabia que a mais velha não gostava e, como esperado, gritou e lhe empurrou, fugindo dela. – Estúpida! Agora quem não te quer mais sou eu!
Antes que pudesse responder, ouviram a campainha e apontou para .
— Já que não está jogando, atende. – murmurou, antes de se virar para que prendesse o papel em sua testa.
, é claro, resmungou um pouco antes de ir, mas como ninguém lhe deu atenção, ela foi obrigada a se levantar e abrir a porta, mesmo que odiasse aquilo. Isso e, bem, qualquer coisa que envolvesse lidar com gente.
Por sorte, era apenas o manager delas do outro lado, que abriu um sorriso assim que a viu.
— A garota do momento! – exclamou e sorriu, tímida, enquanto fazia mesura para ele, dando espaço para que Jang Jikyu entrasse em seguida. – O que vocês estão fazendo? – ele perguntou enquanto seguia, junto com , em direção a sala, onde as outras ainda jogavam.
— Só jogando e comendo torta. – respondeu, dando de ombros e Jang Jikyu assentiu, acenando para as outras garotas, que deixaram o jogo de lado para se levantar e cumprimentar o manager, que apontou em direção ao papel preso a testa de .
— Simon D? – perguntou, divertido e virou para encarar .
— Simon D? Eu era o Simon D? – questionou, tirando o papel da testa e amassando a bolinha para jogar em , que riu e desviou, se escondendo atrás de , que lhe empurrou.
— Não abusa. – murmurou em tom de aviso, apontando para a mais nova, que recuou, focando-se em e apontando em sua direção.
— Você gosta do Simon D!
— Mas a nem o conhece! Como ela ia me dar dicas sobre ele? – rebateu e deu de ombros, indicando que aquilo não era seu problema. estreitou os olhos em sua direção, fazendo menção de avançar nela, mas lhe segurou e pigarreou, fazendo assim com que a líder se lembrasse do manager bem ali, sorrindo sem graça na direção do homem, que olhava divertido de uma para a outra.
— Bom, hm… Tenho uma surpresa. – Jang Jikyu começou, claramente animado a respeito de qualquer que fosse a surpresa. – Sei que já começaram a comemoração em casa mesmo, mas que tal se fizermos uma pequena excursão?
— Excursão? Pra onde? – perguntou imediatamente, curiosa o suficiente para se esquecer dos modos por um instante.
olhou feio para ela por isso.
— Não precisa se preocupar, Jikyu-nim. Nós não queremos incomodar. – ela murmurou rapidamente, balançando a cabeça e o homem fez gesto de pouco caso com a mão, deixando claro que não havia incômodo.
— Não é incomodo, -yah. Vocês precisam se divertir um pouco e o lugar pra onde quero levá-las vai contar como um tipo de aula também, já que em breve serão vocês no palco.
— No palco? Vamos a um show? – foi quem perguntou dessa vez, corando e se encolhendo quando virou para lhe encarar, mesmo que não lhe olhasse feio como ela esperava. , na verdade, fora pega de surpresa pela constatação da mais nova e agora estava curiosa pela resposta do manager, voltando a focar seu olhar nele.
O homem sorriu, sem graça.
— Acho que escapou. – riu. – A surpresa que eu queria fazer é justamente essa. Quero levá-las para o show da Red Velvet que acontece essa noite. – murmurou, arrancando reações diferentes de cada uma das garotas.
abriu um sorriso imenso e precisou tapar a boca com as mãos, enquanto sentia vontade de vomitar em meio a excitação e o nervoso que se misturaram dentro delas. também sorria, assim como e até mesmo , todas animadas com a ideia de ver um de seus grupos favoritos ao vivo.
— Bom, nesse caso… – riu, constrangida, e Jikyu riu também, fazendo sinal para que elas se dispersassem.
— Bom, vão. Vão se ajeitar. Espero aqui. – ele murmurou e elas assentiram rapidamente, seguindo para os quartos a fim de se trocar para o show.
Todas as garotas estavam felizes, animadas com a ideia de ir ao show da Red Velvet e vê-las ao vivo, inclusive , que, no entanto, acabou sendo a última a entrar no banheiro para tomar banho e, a cada minuto que se passava enquanto ela esperava, seu nervosismo aumentava.
Quando a garota entrou e deu de cara com o espelho, se viu enorme e horrorosa, sua mente distorcendo a visão de si mesma como sempre fazia e apertou os olhos, trancando a porta do banheiro e se abaixando em frente ao vaso.
Não se orgulhava de fazer aquilo, mas, pelo menos, lhe dava um pouco de segurança. E ela precisava de segurança se ia sair na rua aquela noite, ainda mais indo a um show da Red Velvet.
Precisava, de verdade, daquilo.

As garotas chamaram mais atenção do que era esperado chegando ao show, sendo reconhecidas por algumas pessoas, que sequer foram discretas nas tentativas de fotografá-las sendo guiadas por seu manager até suas poltronas. O alvoroço lhes pegou completamente de surpresa e, quando se sentaram, elas se entreolharam, suas expressões oscilando entre fascínio e excitação.
— É tão estranho que já tenha quem ligue pra gente – foi quem comentou e assentiu várias vezes com a cabeça, enfatizando que estava pensando a mesma coisa, o que sequer era realmente surpresa. As duas estavam pensando a mesma coisa quase o tempo todo.
— É melhor irem se acostumando, garotas. – Jikyu comentou também, sorrindo enquanto olhava de uma para outra. – Em breve, serão vocês no palco, lotando estádios como esse.
— Não… – as duas murmuraram juntas, de maneira tímida, enquanto balançavam os braços na frente dos corpos, enfatizando que não achavam que eram capaz de fazer aquele sucesso. Sucesso tipo Red Velvet.
— É pra isso que estamos treinando, ué. – interveio, com uma simplicidade que só podia vir de alguém tão confiante quanto ela. – Vamos ser ainda maiores que a Red Velvet um dia.
Diante de uma afirmação tão ousada, Jikyu não pôde disfarçar o olhar de surpresa e as outras garotas apenas riram, fazendo pouco caso da certeza de , a qual, com certeza, não compartilhavam. Até mesmo riu de suas palavras, na verdade e revirou os olhos, mas não disse mais nada. Jikyu acabou rindo também, embora não tanto de quanto da reação das outras.
— Gosto do jeito que você pensa, -yah. – parabenizou com um aceno de cabeça, achando errado demais punir ou desmerecer a garota por ser confiante e ter alguma noção do próprio talento, ainda que fosse típico de exagerar naquilo as vezes.
Jikyu e as garotas acabaram não tendo tempo de continuar a conversa, já que logo em seguida o jogo de luzes no palco chamou a atenção deles, indicando que o show começaria.
As garotas haviam acabado de lançar seu segundo EP e, como esperado, ele era sensacional. Tudo no trabalho do grupo evidenciava seu talento e o arranjo perfeito que eram juntos, o tipo de encaixe e harmonia que nem todos os grupos tinham, mas, para a Red Velvet, não faltava nenhum pouco. , que fora a primeira das meninas a se interessar por ouvir as músicas da Red Velvet, realmente não conseguia pensar em sequer uma música delas, daquele EP ou de qualquer outro lançado antes, que não valesse a pena ouvir e mal podia esperar para vê-las lançarem um álbum completo, como mereciam.
Pouco a pouco, as outras garotas passaram a gostar do grupo também e até mesmo criar certa admiração maior por uma integrante.
Aquela coisa de bias.
Enquanto assumia Seulgi como bias, com Wendy não muito atrás, era fã de Joy, uma das vocalistas principais do grupo. Já tinha um fraco por Irene, que, assim como ela, assumia a posição de líder. achava Yeri, a maknae, fofa, mas se mantinha indecisa entre ela e Seulgi, se recusando a declarar uma ou outra como bias. também gostava de Joy, mas não admitia de verdade. Ela, na verdade, achava o termo bias infantil e nunca diria ter um, em qualquer grupo. Não que as outras ligassem, toda aquela pose ia embora quando elas davam de cara com algum idol e elas já haviam notado aquilo, portanto não davam a mínima para as tentativas de de parecer descolada.
— Elas não vão cantar Happiness? – acabou perguntando, baixinho, a , mesmo que não quisesse, enquanto assistia as meninas do Red Velvet se despedirem depois de se apresentarem com Ice Cream Cake. Ela não gostava de ter que perguntar qualquer coisa a mais nova, ou lidar com ela no geral, mas quando o assunto era aquele, idols, músicas e tudo o mais, sempre sabia a resposta. Ela se orgulhava de ser uma fangirl muito bem informada, por mais bobo que achasse que aquilo era. Além do mais, elas estavam tendo uma noite agradável, em que todas as cinco estavam se dando bem e até valorizava aquilo, sabendo quão raro era.
negou com a cabeça.
— Elas não colocam essa em todas as setlists, só em algumas. A Yeri entrou no grupo depois do debut, então ela, obviamente, não tinha espaço nessa música. Mesmo elas tendo apresentado algumas versões com a Yeri em shows, a música acabou perdendo popularidade, em comparação com as outras, em que todas as cinco tinham alguma participação. – explicou e Jikyu assentiu, intervindo também:
— A Yeri é muito querida pelas fãs mesmo tendo entrado depois, o que não acontece sempre. Entrada e saída de membros depois do debut costumam ser um problema para a popularidade do grupo na maioria dos casos. – ele disse e as duas garotas assentiram. – Agora, a segunda parte da surpresa…
— Jikyu-nim, você já fez demais! – reclamou, constrangida, quando notou o que ele dizia e as outras garotas assentiram também.
— Estamos muito felizes de ter vindo aqui hoje, não precisa de uma segunda parte – murmurou também e Jikyu sorriu, olhando de uma para a outra. Ele já trabalhara com muitos grupos, todos dedicados, mas não conseguia pensar em nenhum que lhe passasse aquela sensação que aquelas cinco garotas passavam. Havia algo, um fator X, sobre elas que lhes tornava únicas e merecedoras de toda e qualquer vantagem que ele pudesse lhes oferecer enquanto manager do grupo.
— Não se preocupem, não é grande coisa – falou, mesmo sabendo que elas pensariam diferente. – Além do mais, elas já devem estar esperando por vocês, se insistirem em recusar a surpresa vão parecer mal educadas…
— Esperando por nós? – interveio, desconfiada. – O que… Do que… Quem…
— A Red Velvet! – praticamente gritou diante do transe da líder, fazendo Jikyu rir junto com e cutucou a bochecha de , que parecia paralisada no lugar.
— Anh… A deu defeito de novo. – ela murmurou e deu um peteleco no nariz da líder ao virar de frente para ela, tendo sua mão empurrada para longe em meio a xingamentos. riu.
— Consertei! – comemorou, rindo ao fugir de outro tapa da mais velha – Agora, vamos. Quero conhecer a Red Velvet.
… – choramingou, lhe puxando pelo braço quando ela fez menção de sair na frente. – Por favor, seja educada. – praticamente implorou e os outros riram, tanto do pedido quanto da expressão de ofensa – obviamente falsa – que tomou o rosto de .
— Eu sou um amor! Jikyu-nim, fala pra ela! – pediu, virando para encarar o manager, que fez sinal para que elas lhe seguissem ao invés de responder.
fez uma careta, insatisfeita, mas lhe seguiu, com bem atrás dela, de olho em cada movimento da mais nova a fim de garantir que ela não faria nenhuma besteira típica dela, com aquele jeito perigosamente sem filtro que ela tinha .

— Yeri! – ainda com a porta do camarim fechada, as meninas puderam ouvir o grito e se entreolharam, sem falar ou concluir coisa alguma antes que Jikyu abrisse a porta e Irene acenasse para ele lá de dentro, se pondo de pé do sofá onde estava sentada, claramente ignorando Wendy gritando e correndo pelo camarim, atrás de Yeri.
— Jikyu-nim, que bom te ver! – ela murmurou, abraçando o manager antes de fazer uma pequena mesura para as garotas. – Olá! Sou a Irene, vocês devem ser as meninas do Glory Days, certo?
Antes que alguma delas pudesse responder ou sequer ficar devidamente admiradas com a beleza de Irene, um baque seguido de um grito chamou a atenção de todos no recinto. Yeri ria com uma mão na barriga e foi preciso muito pouco para que entendessem que, correndo atrás dela, Wendy tropeçara e caíra de cara no chão.
— E é por isso que eu nunca vou dar bola pra suas brincadeiras bobas. – resmungou para , que lhe mostrou a língua em resposta.
— Ai, meu Deus! – Irene e Jinkyu gritaram ao mesmo tempo, correndo para socorrer Wendy.
As outras cinco se entreolharam incertas. O que deviam fazer agora?
— Ah, relaxem. Só mais um dia com a Red Velvet… – Joy surgiu do banheiro, precisando apenas de um breve olhar na direção da rodinha que se formava ao redor de Wendy, ainda caída, muito mais por drama do que por ter se machucado de verdade, para entender o que acontecia. – Não é nada demais. – garantiu, fazendo sinal para que as cinco garotas entrassem e, quando fizeram, fechando a porta atrás delas.
— Acho que é seguro dizer que você se preocupou com a maknae errada. – sussurrou para , que olhou feio para ela pelo comentário e, também sussurrando, interveio:
— Acho que definitivamente não é seguro juntar as duas no mesmo cômodo.
Embora pensasse a mesma coisa, olhou feio para também pelas palavras, aproximando-se, sem jeito, de onde Jinkyu estava, ajudando Wendy a se levantar.
— Está tudo bem? A gente pode te ajudar? – perguntou, preocupada, e Wendy fez que não.
— A não ser que queira matar essa maknae enviada do inferno pra mim, não precisa se preocupar. Eu me vingo dela depois. – murmurou, lançando um olhar duro a Yeri enquanto seguia em direção ao sofá para se sentar. A mais nova apenas riu e estirou a língua em sua direção.
— Mas… Espera aí, a Yeri não acabou de se vingar de você com aquela máscara de monstro que usou pra te assustar quando você entrou no banheiro? Você tinha… Sei lá, sujado ela de pasta de dente enquanto ela dormia outro dia, não foi? Isso foi vingança também ou…? – Seulgi questionou, confusa, e, por só notá-la naquele momento, arregalou um pouco os olhos, desviando o olhar para a garota sentada junto com Joy no sofá. Meu Deus, ela era ainda mais linda do que se lembrava. – Meu Deus, minha cabeça até deu um nó. – ela fez uma careta, levando a mão para o couro cabeludo e apertando os olhos. – Vocês sabem que isso nunca vai acabar se sempre forem se vingar uma da outra, não é?
— Anh, meio que é o propósito da coisa – Wendy respondeu junto com Yeri e Seulgi ergueu as mãos para o alto, desistindo de discutir com as duas.
— Eu fui manager delas por um tempo, -yah. – Jinkyu contou para a líder do Glory Days, sorrindo enquanto olhava do grupo que costumava ser sua responsabilidade para o que assumira recentemente. – Estava presente quando Yeri entrou para o grupo. Foi um momento tocante.
— Ah, se eu pudesse voltar no tempo naquele dia… – Wendy comentou, pensativa e Yeri apareceu, de surpresa, ao seu lado.
— Teria me recebido como a rainha que eu sou?
— Rainha dos maknaes implicantes, só se for. – Wendy rolou os olhos, empurrando-a para longe e se voltando para , que era a mais próxima no seu campo de visão. – A de vocês também é chata assim?
, é claro, corou ao notar que a pergunta estava sendo feita para ela e riu ao seu lado, lhe empurrando para frente com uma cotovelada. olhou feio para ela, virando-se em seguida parar encarar Wendy.
— Eu a trocaria por Yeri a qualquer momento. – murmurou e, claramente sem acreditar o pouco que fosse em suas palavras, riu, junto com e até mesmo .
— Você ficaria muito solitária sem mim, nem vem. – retrucou com simplicidade, aproximando-se da mais velha e piscando em sua direção. Ela rolou os olhos por isso, mas optou por não responder, decidindo que, quanto menos bola desse para , melhor.
, no entanto, não hesitou em falar no lugar dela:
pode até ficar solitária, mas nossa, eu ia adorar. Sinto vontade de chorar só de pensar na paz. – comentou e olhou feio para ela, lhe empurrando pelos ombros. devolveu o empurrão e Wendy olhou com humor de uma para outra.
— Ya, maknae – ela chamou, apontando para – Seja boazinha com as suas unnies, sim?
acabou não conseguindo conter uma gargalhada ao ouvir e as outras riram junto, pensando no quão inusitada era aquela ideia.
— Nós, maknaes, vamos dominar o mundo. – Yeri retrucou, piscando para , que riu e assentiu.
— Só precisamos do número do Seungri-shi. Ele ia adorar entrar nessa. – acrescentou e Yeri soltou um gritinho, batendo palmas e correndo até . Wendy rolou os olhos e escondeu o rosto nas mãos, ironicamente, ao mesmo tempo em que o fazia.
— Tem duas dela agora – resmungou, insatisfeita e riu ao ouvir, vendo as duas mais nova conversarem baixinho e rirem como se fossem amigas de longa data.
Jinkyu balançou a cabeça, decidindo intervir:
— Garotas, as meninas do Glory Days vão debutar em pouco tempo e eu trouxe elas pro show de vocês essa noite porque são um dos grupos favoritos delas. Pensei que, talvez, fossem ter conselhos pra dar a elas nesse momento, já que passaram por isso e sabem melhor do que ninguém o que elas estão sentindo, toda a tensão e tudo o mais.
Irene assentiu e estava prestes a abrir a boca e falar, porém antes que o fizesse, Joy interveio:
— Evitem ir dormir antes de todo mundo. Tem sempre alguém pra ter uma ideia desnecessária e lambuzar o seu rosto enquanto você dorme… – ela olhou pelo canto do olho para Wendy ao falar e ela riu, levando sua garrafa de água a boca ao invés de responder de imediato.
— Isso acontece muito entre vocês, não é? – perguntou, sem que pudesse se conter e terminou por fazer uma careta quando lhe puxou para trás, olhando feio para ela. As garotas apenas riram, concordando.
— Em minha defesa, foi no mesmo dia que eu fiz com a Yeri. As duas estavam tão bonitinhas dormindo juntas… – apertou os dedos perto do rosto, com uma expressão fofa – Eu tive que estragar. – deu de ombros, fazendo as meninas do Glory Days rirem enquanto Wendy e Yeri rolavam os olhos.
— Ok, garotas, mas eu não acho que esse seja o tipo de conselhos que Jinkyu se referiu. – Irene interveio, rolando os olhos antes de se voltar para , que estava pouco atrás dela. Perto de Irene, se sentia pequena e incapaz, mesmo que fosse até mais alta que a outra. Tinha a ver com a experiência que ela, obviamente, não tinha e com a aura de magnitude de Irene. Era difícil não se sentir pequeno. – Você é a líder, não é? – perguntou e a outra assentiu, tímida. Irene respirou fundo, tomando a liberdade de se aproximar um pouco mais dela antes de continuar. – Vão ter dias que a pressão vai te fazer sentir como se o mundo inteiro estivesse apoiado nas suas costas e você vai se sentir impotente, mas mantenha a cabeça erguida. Lembre-se que elas te escolheram por uma razão e vocês, todas – ela se interrompeu para olhar em volta, em direção as outras garotas do grupo de . – são uma família agora. Não se esqueçam disso, porque vão passar muito tempo juntas e dependerão umas das outras para tudo no que diz respeito ao grupo de vocês. É, literalmente, uma por todas e todas por uma.
Diante de suas palavras, nenhuma das garotas teve coragem de falar coisa alguma por um instante, absorvendo o breve, porém intenso, discurso da líder do Red Velvet, que a cada dia que se passava se tornava mais e mais um modelo para outras mulheres de sua idade e mais jovens.
— Obrigada. – finalmente falou, baixinho, tomada pelo impacto das palavras da mais velha. – Você é realmente incrível, Irene-nim. Nós a admiramos muito, todas vocês – ela fez uma pequena mesura, olhando brevemente para as outras garotas também.
— Ya! Vocês vão se sair bem – Wendy falou, abrindo um sorriso para as garotas. – Fighting!
— Fighting! – as outras responderam também, em uníssono, e, também juntas, fizeram uma pequena mesura para elas.
Satisfeito, Jinkyu sorriu, caminhando até a saída com o celular em mãos.
— Eu volto num instante. – murmurou para , que assentiu e o observou sair. Wendy bateu palmas quando ele o fez, chamando atenção das outras, que encararam seu sorriso largo com desconfiança:
— Agora vamos falar do que realmente importa – sugeriu, excitada – Vamos contar pra vocês todas as fofocas da SM, tudo que precisam saber sobre todos! Venham, sentem!
As meninas encararam como se perguntassem se podiam e, sorrindo, ela assentiu, indo sentar-se perto de Wendy também para ouvir o que ela tinha para falar e, assim, a conversa se seguiu, em meio a risadas divertidas e incrédulas com tudo que Wendy contava, tão satisfeita em fazê-lo quanto as garotas em ouvir.
Naquela noite, enfim, as garotas se permitiram deixar um pouco de lado o peso de tudo que as afligia a respeito da vida que começavam agora como idols e simplesmente se divertir como jovens, com outras jovens, fofocando e rindo. Sabiam que não duraria muito tempo, mas bem, pelo menos por ora, era uma sensação realmente incrível.

Continua…

Nota da Autora:
Olá!!!!! Estamos muito felizes em notar a quantidade tão incrível e inesperada de views na fic, esperamos continuar a conquistar vocês com a história e que nos digam sempre a opinião de vocês também!! Além daqui, vocês sempre podem nos encontrar no twitter, as 3 autoras são as: @ybsunlight, @loeykwon e @love4jeonjk!
Esperamos que tenham gostado, tá? Beijão!

 

Capítulo 04.

sorriu educadamente para a staff antes de a mulher sair da sala, tentando não demonstrar o surto interno que estava enfrentando desde que saíra de trás do biombo usado para a troca de roupa. Era um figurino simples, short jeans branco, tão curto como sempre e cintura alta. Uma blusa justa no corpo, por dentro do short, meias arrastão, outra meia preta alta até o meio da panturrilha e tênis preto. Nada absurdo, mas a garota se sentia sufocada com aquela blusa tão agarrada, ainda mais com a gola alta. Não tinha problema com a gola na verdade. Após anos como trainee, conseguir dançar por horas usando roupas quentes e golas era primordial, mas com tudo tão pequeno e justo, a gola parecia contribuir com a sensação de sufoco.
O problema, na verdade, nem era a roupa em si, mas seu corpo, como ficou nela. A outra dançarina, tão magrinha, não tivera problemas. Nem ficara tão justo na garota na verdade, que tinha duas vezes mais coxa e seios. A menina não passou mais de um minuto com a roupa, ficou perfeito, ela tirou e apressada devido a outros compromissos, foi embora. Mas era óbvio que justo ela, que tinha pavor de fazer qualquer coisa sozinha, teria que ficar sozinha com a staff porque as meias arrastão simplesmente não passaram nas suas coxas, provando que ela precisava começar outra dieta para ontem e evitar ganhar músculos na região das pernas também, de preferência. Mudar os exercícios porque não havia entrado nas meias de tamanho único.
Olhando para os dois lados, mesmo ciente de que não tinha ninguém ali, a garota seguiu na ponta dos pés até a porta, como se estivesse fazendo algo muito errado. Não havia de verdade uma porta ali, era uma espécie de corredor largo, com quatro salas cheias de araras de roupas, sapatos espalhados e biombos para troca de figurino. Eram salas destinadas a isso, afinal, e além delas, ali tinha apenas outras duas com portas realmente, um escritório e ateliê e outra que funcionava como um enorme closet. Os idols não tinham acesso a nenhuma delas, apenas as pessoas responsáveis pelos figurinos, ou por criá-los.
Após se certificar que as outras pessoas ali estavam entretidas em outra sala, conversando alto o suficiente para não escutá-la, pegou o telefone. A staff havia ido atrás de meias que servissem nela, enquanto os rapazes que fariam parte do MV junto com ela, se trocavam na primeira sala. Decidiu que era seguro então colocou e em uma chamada de vídeo, ignorando que acordar naquele horário, no único dia em que não teriam todas que acordar cedo, fosse praticamente suicídio. Depois lidava com o ódio.
Mas após ambas as chamadas serem recusadas depois de tanto tempo chamando, ela respirou fundo, tentando uma segunda vez. agora recusou, mas já era o bastante para saber que havia acordado a garota, então ligou de novo, mesmo que tenha sido necessário três tentativas para que atendesse.
… ― a garota falou num resmungo do outro lado da linha, e a dançarina suspirou aliviada por um instante, antes de começar o ataque histérico que só soou ainda mais histérico quando ela tentou controlar a voz para não falar muito alto e chamar a atenção das pessoas nas outras salas:
― É uma emergência! ― exclamou aos sussurros, e quando murmurou qualquer coisa inaudível, pôde até mesmo imaginá-la do outro lado esfregando os olhos para tentar mantê-los aberto após passar quase a noite inteira ensaiando sozinha. ― Você não podia ter uma emergência um pouco mais tarde? — perguntou, conhecendo a amiga bem o suficiente para saber que era apenas mais um surto aleatório.
! ― a garota reclamou, bufando em seguida. ― Argh, cadê a ?
― Ah, você quer que eu acorde a as sete da manhã? — ironizou, descrente. — Muito inteligente, mas vou adorar ver isso. Acordo, com prazer. ― debochou, mas o riso que soltou em seguida indicava que ela já havia acordado.
― Argh, te odeio às vezes. ― respondeu , uma clara mentira que não enganava ninguém, e riu outra vez.
― Odeia nada, ridícula.
… ― apenas choramingou outra vez, e agora a outra desistiu de lhe negar a atenção.
― O que é? Se escondeu no banheiro porque encontrou algum idol na sala de figurinos? — perguntou, preguiçosa, e imaginou que estava se cobrindo com o telefone próximo ao ouvido, revirando os olhos por isso. só tinha feito aquilo uma vez, e já havia sido suficientemente humilhante para querer repetir. — Eu me recuso a sair da cama pra te buscar.
! Eu estou tentando dormir! ― do outro lado da linha, escutou reclamar e pelo gritinho que soltou em seguida, com certeza havia arremessado nela um travesseiro.
― Foi a ! — protestou, com um grito, e respondeu no mesmo tom:
― Fala com ela lá fora!
― Mas ela quer falar com você também… — agora falou em um muxoxo enquanto , impaciente, batia um dos pés freneticamente no chão, esperando que elas parassem de falar para poder contar o caso com as meias.
― Só existo depois das dez. — respondeu ao invés disso, sua fala soando baixa e abafada, provavelmente após se esconder também, embaixo de um travesseiro.
― É uma emergência! — gritou, tentando chamar a atenção das duas, e só então se voltou para ela outra vez.
― Qual emergência? Se for besteira eu nem vou te matar porque a mata.
, desliga o viva voz! — gritou, provando seu ponto, e sussurrou para um “viu?” antes de responder do outro lado:
― Ela quer falar com você!
― Gente! Meu problema. — ressaltou, mas ainda não estava muito inclinada a dar atenção.
― Fala mais tarde. — devolveu a mais velha, fazendo choramingar.
― Mas é agora o problema! — tentou mais uma vez.
― Mas o que vocês têm contra o meu sono?! — voltou a reclamar, e agora riu por isso, fazendo com que decidisse simplesmente soltar de uma vez o que tinha acontecido.
― Eu não entrei no figurino! ― exclamou, agora alto demais, e tapou a boca com as duas mãos com o susto que havia tomado pela própria atitude, derrubando o celular no chão por isso. ― Ai, droga. ― resmungou para o aparelho no chão, mas ao invés de recolhê-lo de uma vez, foi na ponta dos pés até a porta, encolhida, temendo que todas as pessoas do andar tivessem escutado. O local agora estava mais silencioso do que antes, mas torceu para que o motivo fosse qualquer outro que não o fato de terem se calado após ouvir seu grito. Xingou a si mesma mentalmente, mas voltou para o lugar inicial, pegando o aparelho outra vez para, aos sussurros, voltar a falar. ― Eu não entrei no figurino. ― repetiu, como se fosse possível que depois daquele escândalo, elas não tivessem escutado.
― Deu pra te ouvir, . Até lá do Japão. ― respondeu, também aos sussurros, e riu quando resmungou.
― Derrubou o celular no chão, não derrubou? — perguntou, e ela suspirou insatisfeita.
― Derrubei.
― Previsível. — concordou, mas pelo menos agora tinha a atenção das duas.
― Mas o que houve? — perguntou, agora até mesmo mais perto, e deduziu que ela havia se aproximado de . — Elas não tinham suas medidas?
― Sim, eu estou vestindo a roupa, mas estão justas demais! — explicou. — E fica pior quando compara com a outra dançarina.
— Mas por que é que você está se comparando com alguém? Você não tem que se comparar com ninguém. — respondeu, mas apesar de soar como uma repreensão, entendeu que ela quis dizer, da sua forma, que era única.
― Eu nem preciso ver pra ter certeza de que você ficou gostosa enquanto a outra dançarina só ficou igual a todo mundo, comum. — retrucou, mas não se deu por vencida.
― Gorda. — corrigiu, e viu as duas na sua frente revirando os olhos, mesmo que não estivessem ali.
― Gorda a tua cara, . — retrucou, e a garota bufou.
― Eu não entrei nas meias tamanho único! — explicou, aumentando um pouco o tom de voz sem notar.
, nem devia existir meias tamanho único. — a respondeu. — As pessoas não são de um tamanho só pra fazerem uma roupa de um só tamanho e falar que cabe em todo mundo.
― Concordo com tudo que a disse. — aprovou, e riu simplesmente porque concordar com em momentos como aquele era basicamente típico de todo mundo que conhecia . Era ela quem sempre sabia o que dizer.
, por exemplo, ia sobrar horrores nessa meia. — comentou, e se fez de ofendida para gritar:
― Ei! — protestou, mas já retrucava a primeira coisa que lhe veio em mente, mesmo que a intenção não fosse realmente que elas escutassem.
― Melhor sobrar do que não passar…
, manda foto. — pediu e suspirou novamente.
— Vamos ser humilhadas. — resmungou, fingindo insatisfação, e concordou.
— Mas a gente pode dar na cara dela com a foto até que ela entenda que está bonito.
— Isso, manda a foto! — também concordou agora, depois do argumento da maknae, e mais uma vez acabou rindo. Sabia que iam incentivá-la, e sabia que era sincero por parte delas, que realmente achavam que ela era linda porque se algo estivesse realmente errado, também diziam. Nunca para colocá-la para baixo, mas para fazê-la melhorar, mas nada disso mudava a forma como ela pensava ou se sentia, especialmente quanto ao próprio corpo. Ela não gostava daquele corpo, não gostava da forma como parecia inchada perto das outras meninas, todas tão pequenas e magrinhas enquanto ela parecia tão fora do padrão. E ela sabia que era horrível que existisse um, ela era também sempre uma das primeiras a dizer palavras de apoio para meninas que não se sentiam bem da mesma forma que ela, mas falar era muito mais fácil do que fazer e acabou por se sentir mal também por ter ligado. Ela sempre tinha aquele medo de parecer reclamar só para receber elogios, mas naquele momento, precisava desabafar.
― Cadê a foto? ― insistiu quando a garota não respondeu nada, ainda pensando no que faria, mas acabou então colocando o celular no viva voz para abrir a câmera e tirar uma foto em frente ao espelho, mostrando o figurino como um todo. Sem olhar direito a foto, a enviou para o grupo que tinha com as meninas, mesmo que este incluísse também e e que nenhuma delas entenderia o porque daquilo mais tarde.
― Pronto. — avisou após enviar e por um segundo, fez-se silêncio, enquanto as meninas buscavam a imagem.
— Quisera eu que uma roupa ficasse feia assim em mim. — murmurou, como se não falasse com ela ainda.
— Quisera eu ter esses peitos. — concordou, e suspirou. Elas sempre lhe davam apoio, não era surpresa, mas ela queria que aquilo ajudasse de verdade. Talvez ajudasse a reconhecer que não tinha nada a fazer além de aceitar que estava fora do padrão, mas não fazia com que se sentisse bem com isso, ou aceitasse a si mesma por estar fora dele. No máximo fazia com que parasse de reclamar, para que parassem de elogiá-la. Ela não se sentia confortável com si mesma, ficava sem graça e desconfortável quando diziam que era a visual do grupo e na maior parte das vezes que a elogiavam, achava que era alguma brincadeira. Tinha sim momentos que se achava bonita, especialmente após uma produção para subir no palco, após mudar o cabelo, com roupas incríveis, mas sem maquiagem e sendo somente ela, tinha dificuldade de aceitação.
— Você sabe que não mentiríamos, . Você está incrível, é incrível. — falou. — Ninguém é igual a ninguém. Padrões não deveriam existir. Você tem pernas de bailarina e peitos que as mulheres literalmente pagam pra ter. O erro foi da figurinista que não fez o trabalho dela em medir direito suas pernas e fazer uma meia ao invés de arrumar uma de tamanho único para poupar o trabalho. O seu corpo é perfeito do jeito que é, confie mais nele.
queria mesmo confiar, tanto quanto elas, mas apenas concordou sem dizer nada, tentando encerrar o assunto ali mesmo. , como boa entendedora, pegou sua deixa, e mudou rapidamente de assunto enquanto se perguntava se, por acaso, a staff havia de fato ido fabricar novas meias.
— Você vai precisar de mais confiança pra conquistar o Sehun. — brincou a maknae e, como de costume, conseguiu fazer com que ambas rissem. Se todas tinham uma função no grupo, aquela era a de , quebrar qualquer clima tenso e fazer com que as outras rissem, nos piores momentos enquanto a de era apenas surtar mais do que as outras. Isso quando ela entendia, obviamente.
— Eu acho que vai precisar ser homem pra conquistar o Sehun. — respondeu, e a gargalhada que soltou foi um pouco mais alta que o normal.
— Não queria dizer que concordo, mas concordo. – falou a mais nova, ainda entre risos, e franziu o cenho, sem conseguir visualizar aquilo muito bem.
— Mas de onde vocês tiraram isso? — perguntou, formando a imagem de Sehun em sua mente, mas isso não ajudou. Ela tinha claro crush em Sehun porque ele, bom, era Sehun. Alto, bonito, musculoso e para ela, pelo menos, parecia másculo.
— Ele só tem amigas mulheres.
— O EXO é mulher?
— Não, idiota. Fora do EXO.
— Eu não estava falando sério, !
— Ah, vindo de você a gente nunca sabe.
— Ei! — reclamou, e as outras riram. — É sério, por que acham isso? — insistiu. — Esse argumento foi preconceituoso. — falou com um biquinho contrariado.
— Eu só acho, ué. – falou. — E eu acompanho mais o EXO do que você. Você só acompanha o Sehun.
— Ele é meu bias!
— A gente não está julgando, só falando que talvez ele possa preferir meninos.
— Sehun não prefere meninos.
— Você pode investir, e ai a gente descobre. — sugeriu. — Nenhum homem hetero em sã consciência diria não pra esse rostinho.
— Você sabe que não é como se eu fosse simplesmente invadir uma sala com ele pra bater um papo, não é?
— Até porque quem faz isso é a . — devolveu, e riu. Pensava exatamente nisso quando falou aquilo, e repetiu a fala com a voz afetada.
— Pelo menos eu o conheci enquanto você fica se escondendo do Sehun.
— Eu posso apresentar. — uma terceira voz falou ao entrar na sala, e pulou no lugar com o susto, virando-se abruptamente enquanto sentia seu coração vir a boca. Zhang Yixing em pessoa estava ali, e a garota não teve tempo de controlar a expressão antes de lhe encarar com os olhos arregalados e as bochechas certamente coradas ao extremo após ser flagrada fofocando sobre Sehun por ninguém menos do que seu companheiro de grupo. Se não estivesse tão surpresa e envergonhada, provavelmente teria tido uma crise de risos. Uma sem som, porque havia perdido também a voz, mas não foi capaz nem de se mover em meio ao pânico.
— Ela quer! — respondeu depois de alguns segundos, e pulou novamente de susto simplesmente porque já havia se esquecido das amigas no viva voz. Ela olhou para o aparelho como se pudesse matar com força do olhar através da linha telefônica, mas a risada que Lay soltou teve um maior poder sobre ela, fazendo com que se voltasse para ele mais uma vez. Suas bochechas coraram ainda mais em vê-lo rir, mas não era exatamente vergonha e sim o fato dele ser totalmente adorável fazendo aquilo, especialmente na sua frente. desconhecia a existência de um idol que não tivesse um sorriso totalmente apaixonante e Yixing claramente era um dos primeiros naquela lista.
— É sério, eu posso fazer. Ele nem precisa saber que é porque você gosta dele.
— Não! — exclamou com um gritou muito mais alto do que o necessário, fazendo Yixing rir novamente ao cobrir a boca com a mão, xingando a si mesma por ter feito aquilo novamente. — Não. — repetiu, em tom de voz mais baixo agora. — Eu não gosto.
— Gosta sim! — exclamou imediatamente, e riu enquanto pensava em formas de matar a garota dolorosamente assim que voltasse para o dormitório.
— Cala a boca, maknae! — a repreendeu, levando a maknae apenas a rir.
— Ajuda, também, né. — saiu em apoio a , mas o riso que ela tentava prender deixava claro que o fazia por pura obrigação, o que levou a um bico insatisfeito.
— Eu estou ajudando. — respondeu, inabalável. — ganha um date e mata nossa curiosidade sobre a sexualidade do Sehun.
! — e gritaram ao mesmo tempo agora por ela ter dito aquilo na frente de Lay, que poderia muito bem contar ao outro o que foi dito apesar de estar rindo aparentemente, sem se importar.
— O quê? — fez a desentendida, e deixou o queixo cair com a insolência.
, afoga ela com o travesseiro! — pediu, e o grito que soltou do outro lado deixou claro que havia pelo menos tentado de fato.
— Não, não afoga! – Yixing pediu, sacudindo as mãos em um “não”.
— Lay falou pra não me afogar! — exclamou, mas gritou novamente em seguida e imaginou que a tinha atacado outra vez.
— Maknae abusada. — resmungou, insatisfeita.
— Eu estou tentando te arrumar o Sehun! — se defendeu a mais nova.
— Não tente! — voltou a exclamar.
— Nem eu posso tentar? — Yixing perguntou também, e o encarou espantada.
— Principalmente você! — exclamou, ao mesmo tempo que gritava “pode”. — Sai daqui!
— Se eu sair, você vai ficar sozinha com o Lay!
— Lay sunbaenim! Para de ser mal educada!
— Então para de gritar comigo ou eu não vou mais ajudar!
— Ninguém quer a sua ajuda! — e gritaram juntas, e , para fazer pirraça, simplesmente desligou o telefone então, fazendo com que mais uma vez arregalasse os olhos, agora olhando de Yixing para o aparelho com certo desespero ao se pegar sozinha com ele na sala.
— E… eu… Uhm… — a garota gaguejou, sabendo o que dizer ainda menos do que normalmente sabia depois de toda aquela cena que havia causado. Yixing abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas a staff finalmente voltou, entrando apressada na sala e deixando a ponto de abraçá-la de felicidade.
— Oi, consegui… — começou, se calando ao vê-lo ali. — Ahn!
— Já estou de saída. — Lay explicou, e a mulher concordou, voltando-se para como se nem o tivesse visto ali. Ele acenou para a garota, e bateu com a cabeça na da staff ao tentar se curvar para reverenciá-lo, já que a mulher havia, em algum momento, se abaixado para medir suas coxas.
— Meu Deus, desculpa! — pediu, tentando tocar a cabeça da mulher como se aquilo fosse ajudar em alguma coisa, mas tentando se esquivar a mulher apenas caiu, o que a deixou ainda mais desesperada por agora tê-la também derrubado. — Ai, ai, nossa, desculpa! — tentou oferecer ajuda para que ela levantasse, mas a mulher o fez sozinha, o que levou a crer com toda a certeza do mundo que ela a odiava por não ter entrado no figurino que ela havia feito.
— Eu acho melhor eu ia agora né? — Lay se pronunciou, e em agonia com o tamanho da vergonha que já havia passado, ela concordou.
— Por favor. — quase implorou, e ele riu mais uma vez.
— Então tchau, sem acenar. — disse ele, enquanto mentalmente ela cavava um buraco bem fundo onde se enfiar. — E conversamos sobre aquilo depois.
— Não! — exclamou, mas ele já havia saído. — Volta aqui! Não! — a garota tentou seguí-lo, mas a mulher a segurou no lugar com um olhar duro, fazendo com que a garota imediatamente congelasse no lugar, engolindo um resmungo. — Desculpa… — murmurou, baixinho, não vendo outra escolha além de ficar ali planejando a morte lenta de sua maknae.

+++

— Bom, pelo menos você sobreviveu ao primeiro dia. — murmurou, passando a mão no ombro de como forma de consolá-la depois que ela contou, com a mesma histeria que lhe era costumeira, os detalhes daquela manhã com Yixing e o resto da equipe que trabalharia com ele na gravação do MV. Naquele dia, a garota fora chamada para fazer apenas a prova do figurino, mas não era como se não fosse encontrar um jeito de passar vergonha, sendo ela, mesmo antes das gravações ou até mesmo dos ensaios.
Ela sempre conseguia fazer aquele tipo de proeza.
— Não graças a infeliz da . — retrucou, olhando de canto do olho em direção a mais nova, que concentrou-se em comer, fingindo não notar. rolou os olhos por isso. — Cara de pau. — resmungou baixinho.
As três garotas estavam no refeitório da SM, já que e teriam que encontrar Young-jin em pouco tempo para gravar algumas de suas partes para o novo CD, e estava ali desde cedo por conta do MV de Yixing. Fez sentido que as três almoçassem juntas antes que voltasse para o dormitório e as outras duas fossem gravar. Embora fossem um grupo de cinco, a verdade era que a proximidade daquelas três era muito maior e era inegável para qualquer um que observasse. Elas realmente gostavam de passar todo tempo que podiam juntas, era como se parecesse, enfim, certo.
— Vocês duas me cansam. — rolou os olhos e tanto quanto imitaram o gesto, embora não por deboche. Era muito mais como um reflexo natural, que é claro, haviam adquirido da mais velha. Viviam fazendo aquilo, aliás, de passar uma para a outra suas particularidades. — E não façam essa cara pra mim. Eu faço essa cara pra vocês! — acrescentou, apontando o dedo para elas e empurrou seu dedo para longe.
— Vocês precisam parar de surtar e reclamar por tudo que eu faço e, com vocês, eu quero dizer a . — reclamou e arqueou as sobrancelhas em sua direção, prestes a retrucar. continuou como se não notasse. — Eu sou incrível, sou tipo a luz desse grupo. Faço as coisas acontecerem pra vocês…
— Menos, , bem menos. — retrucou, lhe interrompendo. As vezes, precisavam baixar a bola da maknae, embora soubessem que ela não acreditava realmente nas próprias palavras. Não completamente, pelo menos. Só não era típico dela deixar passar aquele tipo de comentário quando lhe vinha a cabeça. Ou qualquer comentário. Se havia algo que não tinha as vezes, era filtro.
— Até porque, eu não preciso de nada pra me acontecer. Eu aconteço a mim mesma. — interveio, assentindo também e arqueou as sobrancelhas em sua direção pela fala peculiar. Era, na verdade, o tipo de coisa que só falaria e, se dando conta disso, ela riu. — Para. — reclamou com , que riu também e voltou a rolar os olhos diante daquilo.
Ela amava muito aquelas duas, mas era difícil acreditar que elas realmente lhe faziam alguém melhor. As vezes era difícil acreditar até mesmo que elas tinham mais que doze e quinze anos.
— Só estou dizendo que se não fosse pela minha “cara de pau” — fez as as aspas com os dedos ao voltar a falar — então nossa vida seria muito mais chata. Por exemplo, daquela vez que a gente esbarrou no Heechul quando era trainee…
— Ah, nem me lembra disso, por favor. — lhe interrompeu, balançando a cabeça. — Ainda não superei que a primeira coisa que eu disse pra ele, na vida, foi “fighting”. Aish, eu odeio você as vezes, .
riu ao ouvir, dando de ombros.
— Pelo menos você disse alguma coisa. Isso foi corajoso, mostrou seu espírito de liderança, de…
— Para de puxar o saco. — lhe interrompeu e fez uma muxoxo por isso, insatisfeita. balançou a cabeça, voltando-se para em seguida. — E então, você, pelo menos, está animada para o início das gravações? Porque, sabe, é uma chance incrível, , mas você precisa curtir também. Se Yixing chamou você, é porque sabe que é boa. Não pode deixar seu nervosismo ou a preocupação com besteira estragar isso.
— Minha aparência não é besteira. — retrucou, mesmo que aquele não fosse o ponto. Sabia que era daquilo que estava falando quando dizia que ela se preocupava com besteira, mas realmente se incomodava com aquilo e era difícil se divertir ou se sentir bem dançando desde que entrara para aquela coisa de entretenimento. A pressão era muito maior e, ainda que fosse boa naquilo, dançando e criando coreografias, era difícil fazê-lo com tranquilidade para uma platéia quando não conseguia se desligar do desgosto que sua própria aparência lhe causava. Aquilo tudo era uma droga e não era besteira para ela.
— Sua aparência é perfeita. — interveio e virou para lhe encarar, os olhos pequenos ficando ainda menores enquanto ela sentia um gosto amargo na boca, sabendo que estava prestes a chorar. Odiava falar daquilo porque realmente não parecia haver nada que pudesse fazer para se sentir bonita, para acreditar no que suas amigas diziam, exceto aquela coisa… Aquela coisa da qual não se orgulhava em nada, mas parecia ser a única na qual podia se apoiar. E sabia o quanto decepcionaria suas amigas se contasse a elas, o que só lhe fazia querer chorar ainda mais. Argh. — Só queríamos que você pudesse se ver pelos nossos olhos. Você é linda, . Muito, muito.
não disse nada, não sentindo que precisava e apenas assentiu diante das palavras da maknae, sentindo um orgulho descomunal da mais nova enquanto puxava uma das mãos de e segurava entre as suas. Em contrapartida aos momentos em que se perguntava como podiam ter a idade que tinham com atitudes por vezes tão bobas, aqueles eram os momentos em que se sentia abençoada de ter duas almas tão boas como melhores amigas, duas pessoas por quem faria tudo porque sabia que elas fariam, nada mais, que o mesmo por ela. E aquela troca valia mais do que tudo.
desviou o olhar, fungando para não chorar e as outras duas se juntaram num coro de insatisfação pela reação enquanto lhe abraçavam ao mesmo tempo, apertando o corpo de entre elas.
— Não chora! A gente te ama! — falavam juntas e acabou rindo por isso, lhes abraçando de volta da melhor forma que pôde naquela posição.
— Eu amo vocês também. — disse baixinho, com a voz embargada. — E acho que estou na TPM. Deve ser isso. — ela disse, limpando os cantos dos olhos e rindo quando as outras duas se afastaram de imediato diante de suas palavras. — Idiotas.
— Eu sou é precavida, isso sim. Não tenho medo de muita coisa, mas definitivamente tenho medo de vocês duas na TPM — retrucou, apontando dela para , já que o ciclo das duas costumava sempre coincidir. lhe mostrou a língua.
— Como se você fosse muito melhor. Você saiu do nosso grupo uma vez porque a gente estava falando do Hanbin!
— A estava me provocando! — retrucou, apontando para a outra, que riu, sem culpa.
— Estava mesmo. Não é como se você nunca tivesse feito isso antes. — retrucou simplesmente e lhe mostrou a língua, mas não retrucou. Nem podia. Se tinha uma coisa que ela amava fazer com as mais velhas, era provocar.
— É verdade, a gente tem que tentar te atingir como pode… — concordou e abriu a boca num “O”, numa ofensa tão falsa quanto sabe-se lá o que.
— Mas eu sou a mais nova! Me atingir é errado e injusto!
— Você é errada e injusta. — devolveu com simplicidade e abriu a boca para retrucar, porém, de maneira repentina, desviou o olhar para a entrada do refeitório e arregalou os olhos. — , o EXO!
— Ah, tá, porque eu vou, com certeza, acreditar nisso agora… — resmungou em resposta, achando no mínimo estúpido a tentativa de sua líder de lhe enganar e bufou, virando a cabeça de para que ela visse que os garotos do EXO realmente haviam acabado de entrar. arregalou os olhos, quase engasgando com o ar. — Meu Deus, , o EXO!
— Dah. — e resmungaram juntas, mas sequer notou, olhando completamente hipnotizada os quatro garotos que adentravam o refeitório juntos. Baekhyun, Jongdae, Jongin e Kyungsoo, conversando distraídos enquanto costuravam entre as mesas, provavelmente para seguir em direção aquela na qual estavam acostumados a se sentar.
era uma fã devota do grupo, sabia muito sobre a história deles, como grupo, e muito sobre a carreira de cada um separadamente também, embora mais de uns do que de outros e ainda assim conseguia ficar chocada com a beleza deles toda vez que os via. Caramba, eles eram muito lindos. Estavam vestidos de maneira simples, largada até, mas aquilo de maneira nenhuma afetava a beleza dos garotos que considerava “os visuais da nação”.
Ela ia ter um derrame.
A garota já conhecera Baekhyun e Jongin, em ocasiões separadas, e agora, além dos dois, Jongdae e Kyungsoo também estavam lá, fazendo seu coração quase sair pela boca. não achava que ia sobreviver quando o dia que topasse com todos os nove juntos finalmente chegasse. Ah, mas não ia mesmo.
— EI, é o girlgroup novo! — Baekhyun gritou de repente, apontando na direção das garotas e arregalou os olhos ao mesmo tempo em que o fazia, cada uma desviando o olhar para um lado de maneira, no minimo, ridicula. rolou os olhos para o que considerou ser a visão mais estúpida que já tivera, vendo Jongdae e Kyungsoo olharem para Baekhyun como se ele fosse louco. Baekhyun fez uma careta. — Heechul é mais legal que vocês. — reclamou simplesmente e, de onde estava, quase riu, se não estivesse tão nervosa. Os músculos que teria que mover para rir ou até mesmo sorrir pareciam congelados naquele momento.
— Jongin meio que está acenando pra você. — ela murmurou, esticando o braço para cutucar , que ergueu o olhar em meio ao susto de ouvir aquelas palavras, bem a tempo de ver Jongin lhe encarar de maneira divertida, virando para murmurar algo no ouvido de Chen em seguida.
— Aigoo… — choramingou, contendo o ímpeto de deslizar para debaixo da mesa sabe-se lá como enquanto se lembrava da última – e primeira – vez que encontrara com Jongin. Ele fora adorável, exatamente como ela sempre imaginou que ele, de fato, fosse, mas aquela não era a parte específica na qual pensava naquele momento. dissera a Jongin que gostava de Chen. E ele devia estar dizendo aquilo para Chen naquele exato momento.
— Eles estão vindo pra cá, estão vindo pra cá — resmungou, alarmada e choramingou mais, o que fez com que, tanto ela, quanto a mais velha virassem para olhar na direção da maknae, confusas com aquela reação. amava o EXO e não era conhecida por ser tímida, mesmo lidando com artistas consolidados como eles, porém naquele momento parecia tão nervosa que estava, realmente, quase chorando.
— Tem algo que a gente devia saber? — perguntou, preocupada, a maknae, porém, antes que ela pudesse responder os garotos já haviam se aproximado da mesa.
— Meu novo girlgroup favorito! — Baekhyun exclamou assim que chegaram, sorrindo abertamente e corou pelo elogio enquanto se esforçava para sorrir e se controlar, já que, aparentemente, era a única ali com algum resto de sanidade para isso. Sorte que Chanyeol não estava lá.
— Baekhyun-nim! — murmurou, se pondo de pé para reverenciá-lo, fazendo mesura para os outros membros também em seguida. — Anyounghaseyo! — cumprimentou, soando mais atrapalhada do que realmente gostaria, mas ignorou aquele detalhe.
Os garotos devolveram a mesura, educados como de costume e Baekhyun perguntou em seguida se podiam se sentar com elas. estava quase ficando roxa, sem conseguir respirar e nervosa como sempre ficava diante de qualquer idol, portanto foi quem assentiu, notando que teria que continuar no controle da conversa ali. E elas haviam voltado a ter doze e quinze anos outra vez…
-ssi, é um prazer conhecê-la. -yah falou de você quando nos conhecemos. — Jongin murmurou quando se sentaram e não conseguiu não olhar para ele, ouvindo o modo como ele dissera “-yah” soar de novo e de novo em sua mente, achando que poderia, muito bem, explodir de amor naquele exato momento. -yah, -yah, -yah… — -yah? — Jongin chamou, fazendo com que seu estômago revirasse antes que ela erguesse novamente o olhar para ele e dessa vez até mesmo deixou o nervosismo de lado para encarar sua maknae com humor. Nunca vira tão sem jeito e aquilo era, no mínimo, engraçado, precisava admitir.
— Hm? — ela disse baixinho, lhe encarando quase amedrontada e Jongin sorriu doce, apontando com a cabeça para Jongdae, sentado ao seu lado.
— Gostaria de conhecer o Jongdae hyung?
— Hyung? — ela perguntou com humor antes que pudesse filtrar as próprias palavras, sem conseguir evitar se lembrar de como ele evitara propositalmente o termo ao se referir ao membro mais velho quando conversaram anteriormente.
Jongin mordeu o lábio e balançou a cabeça, com Chen olhando curioso de um para o outro, assim como e .
— Sunbaenim pra você. — Jongin retrucou, por fim, e não pôde evitar uma risadinha antes que Jongin apresentasse formalmente os dois.
olhou para sem entender o que acontecia.
— Por que ele está apresentando os dois? — sussurrou a pergunta enquanto via uma corada assentir para o que quer que Chen dizia. — E por que ela está tão estranha?
deu de ombros, deixando claro que sabia tanto quanto ela e Baekhyun sorriu para as duas, sem deixar passar a expressão de confusão delas.
— Jongin foi quem sugeriu que a gente viesse até aqui falar com vocês, porque a ia gostar de conhecer o bias dela… — Baekhyun explicou, apontando para Chen e conversando e franziu o cenho, como se aquilo fosse a coisa mais maluca e sem sentido que já ouvira.
— Mas não era o K… Ai! — ela se interrompeu para reclamar quando a mais nova chutou sua canela, olhando feio em sua direção. lhe encarou da mesma forma, sem entender nada do que acontecia, mas , que não deixava passar nada, precisou conter uma risada, assentindo para Baekhyun.
— Sim, é verdade. Foi muito doce da parte do Jongin sugerir isso. — murmurou, sorrindo para o mais novo em seguida e ele lhe reverenciou com a cabeça de maneira educada e contida. Eles eram tão educados que, se fosse , ia querer estapear cada um deles. existia para ser agressiva com coisas fofas.
— E então, quando é o debut de vocês? — Jongdae perguntou, voltando-se as outras garotas e olhou de lado para , sem precisar realmente dizer nada para que a mais nova fosse capaz de traduzir sua expressão: Queria uma explicação detalhada sobre a mentira que contara para Jongin mais tarde.
— Pouco menos de um mês. — contou, baixinho, e Jongdae assentiu, sorrindo educado.
— Está indo bem com a dança? — Jongin perguntou a mais nova, que fez uma careta com a menção daquilo que considerava seu trauma, muito mais por reflexo do que de caso pensado e Jongin riu por isso. — Se quiser, podemos ensaiar juntos outra vez. Quando tem tempo?
— Anh…
— Ela tem tempo amanhã. De manhã. — murmurou quando a mais nova gaguejou e olhou com humor para as duas, se divertindo em vê-las trocar de papel. O que um utt, ou dois, não fazia…
— Fechado, então. Ás 5h? — Jongin perguntou e assentiu, ainda tímida demais para o que qualquer um estava acostumado vindo dela e Baekhyun apontou em sua direção.
— Você estava mais falante da última vez que te vi. — comentou e riu, batendo palmas animada. olhou feio para ela.
— O quê? Alguém precisava falar. — devolveu simplesmente — É engraçado que você, logo você, esteja fazendo o meu papel.
— Não estou fazendo o seu papel. — retrucou, lhe olhando como se ela fosse louca. — Só pode haver uma você. Graças a Deus. — acrescentou e rolou os olhos para a piadinha que considerou extremamente sem graça, lhe empurrando de lado. devolveu o empurrão e rolou os olhos para as duas.
— Se comportem, por favor. — sibilou para elas, que mal absorveram o “por favor” apenas pelo tom de voz da garota. Kyungsoo riu por isso, tampando a boca em seguida e guinchou com a visão, olhando pedinte para , que rolou os olhos. — Quieta.
— Mas ele é tão bonito, eu preciso falar — insistiu, chateada, e arqueou as sobrancelhas para ela.
— Acabou de falar.
— Não, falar pra ele! — reclamou, apontando na direção de Kyungsoo, que arregalou um pouco os olhos, só então entendendo que falavam dele, e Baekhyun riu por isso, junto com Jongdae. Jongin olhou a cena com certo carinho, que só notou, achando no mínimo fofo. E loucura da parte de mentir para ele dizendo que outro membro era seu bias.
— Ah, vá em frente, por favor… — murmurou, irônica, para a maknae que lhe mostrou a língua, virando para encarar Kyungsoo. Ele era mesmo muito bonito, céus.
— Kyungsoo sunbaenim, — começou, tímida agora que ele olhava para ela. — Você é muito bonito.
Kyungsoo sorriu surpreso diante da afirmação, balançando a cabeça como se negasse e quis chorar de amor, balançando a cabeça num sim e fazendo com que ele risse, acenando em agradecimento. riu junto com e Baekhyun da cena e Jongdae resmungou, empurrando as costelas de Kyungsoo.
— Ya, use suas palavras!
— Ya, fique quieto. — Kyungsoo resmungou em resposta e Jongdae rolou os olhos.
— Você nunca diria isso pro Minseok hyung. — reclamou e Kyungsoo riu, como se aquilo fosse óbvio.
— Você não é o Minseok hyung.
— Waeee! Não diria isso pro Jongin também! — Jongdae insistiu e Kyungsoo arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse se ele lhe conhecia, pelo menos, um pouco.
— Jongin-ah! — Kyungsoo chamou e o mais novo, que havia se distraído comendo, virou para lhe encarar, alheio a conversa dos dois. — Fique quieto.
— Aigoo! Eu não fiz nada! — Jongin retrucou e riu, decidindo que o EXO era mesmo cria do SUJU, o seu grupo utt. Eles eram para ela, basicamente, o que o EXO era para e quanto mais tempo passava com eles mais a garota notava quanto os dois grupos tinham em comum.
Kyungsoo apenas riu, sem culpa, diante da reclamação de Jongin, e voltou a comer. precisou conter o ímpeto de bater palmas, como se assistisse a um espetáculo, já que tudo que eles faziam lhe parecia exatamente com aquilo.
, temos que ir. — murmurou ao checar o celular e notar as horas, arrancando um muxoxo triste da outra, que se levantou mesmo assim. — Você vai ensaiar com o Jongin amanhã, não faz essa cara. — sussurrou para ela quando se aproximou da mais nova, que engoliu a careta e riu um pouco por isso.
— Vocês já vão? Mas por quê? — Baekhyun reclamou, insatisfeito e Jongin encarou da mesma forma, fazendo com que seu coração pulasse uma batida e a garota mordesse o lábio, desviando o olhar.
— Temos que gravar, mas a pode ficar. — murmurou, segurando no lugar e ela olhou desesperada na direção da líder por isso. Ela ia lhe deixar sozinha ali? Com quatro membros do EXO?
— Não posso não — sussurrou, olhando para com cara de choro, porém antes que a líder tivesse a chance de se compadecer com ela, interveio:
— É claro que pode, você não tem mais compromisso hoje. — murmurou, como se fosse muito simples, voltando-se para Baekhyun em seguida. — O bias dela é o Sehun, tchau! — murmurou, puxando consigo ás pressas, antes que tentasse lhe atacar e só teve tempo de ver Baekhyun rir descrente enquanto pedia para confirmar o que a mais nova dissera e, envergonhada, ela o fizera. olhou na direção de , preocupada em deixá-la sozinha com os garotos, e então suspirou, olhando para .
— Não é melhor a gente trazer ela com a gente?
— Não, deixa ela se divertir, vai. — retrucou, impaciente, puxando-a para o elevador e logo perderam e os outros de vista.
balançou a cabeça, ainda preocupada.
— Se ela passar vergonha, vai culpar você e eu vou deixar. — avisou e a mais nova deu de ombros, sem se importar. vivia lhe culpando, mas a verdade era que o difícil era ela não passar vergonha. estava acostumada.

+++

sentia sua cabeça doer, latejar. Seus olhos marejados deixavam sua visão turva, o que fazia com que as luzes da cidade parecessem embaçadas. O vento frio atingia a pele de seu rosto, a única parte descoberto pela calça jeans, o casaco grosso que usava e o capuz que tinha em sua cabeça. Alguns fios de seu cabelo balançavam graças ao vento, mas nada daquilo realmente importava para si. Ela estava preocupada com outras coisas. Coisas mais importantes e que envolviam outras pessoas, que aprendera a amar ao longo dos meses.
Ela não queria estar no terraço do prédio da empresa naquele horário, quase quatro horas da manhã. queria estar em sua cama descansando após um dia cansativo de ensaios, ou reunida com as suas meninas ensaiando um pouco mais, ou vendo algum filme ou falando sobre os sonhos que tinham e que costumava a aumentar a cada dia que se passava e as aproximava da data oficial do debut do grupo. Mas, estava ali. E deveria deixar o terraço em alguns minutos, não porque iria para o dormitório, e sim porque voltaria para o estúdio de gravações. Ela tinha que continuar e continuava a fazer mudanças em todas as músicas que já haviam gravado. Afinal, era para isso que a líder do grupo havia deixado as garotas irem embora e ficou na empresa: para fazer alterações como fora pedido por Young-Jin que a avisou que os superiores haviam ouvido todas as músicas que o grupo gravou, e solicitaram que mudanças fossem feitas.
Na verdade, solicitaram que tivesse suas partes reduzidas em cada uma das músicas. Segundo o produtor, os superiores acharam errado que a chinesa tivesse tanto ou mais espaço que as coreanas. Aparentemente, por ser chinesa, deveria cantar menos e deixar que as outras cantassem mais. O que na opinião de , era injusto demais. A garota tinha uma voz linda, fora escolhida como vocal principal do grupo quando ainda participavam do programa que as escolheu como o novo grupo da SM. Não era justo que tivesse o seu talento diminuído por ter nascido em outro canto do mundo. Era errado.
E odiou tanto quando ouvira aquilo de Young-Hin horas mais cedo. Odiou cada palavra dita pelo produtor, até o seu pedido de desculpas que a garota não conseguiu definir se fora verdadeiro ou não. De repente tudo lhe pareceu tão falso, que não sabia mais em que ou no que confiar. Por isso, gritou. Gritou após passar sua mão por seu rosto, tirando de sua pele as lágrimas que molharam sua face. gritou porque precisava extravasar aquele sentimento ruim de algum jeito. Ela precisava se aliviar antes de voltar para o dormitório, antes de contar para as meninas que tinham dois dias para regravar todas as músicas. Antes de contar para que ela precisava cantar bem menos do que o planejado.
Deus, como contar para a garota que seu talento seria diminuído só porque ela não nascera na Coréia?
A voz de soou pelos fones que tinha conectado ao celular após passar todas as músicas gravadas para o aparelho. acreditou que se ouvisse as canções repetidamente, iria conseguir encontrar os lugares perfeitos para fazer as mudanças, e poderia ir logo para casa. Mas, ela sabia que não estava conseguindo encontrar os lugares perfeitos porque seu coração não concordava com aquela atitude que teria de ter. Puxou os fones de seus ouvidos pelo fio, se recusando a ouvir a voz tão suave de fazer uma nota perfeita, enquanto sua mente pensava em um jeito de diminuir sua participação no álbum do grupo.
gritou mais uma vez, dessa vez tirando o capuz de sua cabeça e abrindo os braços. Ela precisava respirar fundo, mas acontece que todo ar lhe parecia pouco.
– Gritar sempre alivia. — A garota se assustou com a voz que ouviu, virando rapidamente para trás, com seu coração acelerado e seus olhos arregalados. — Ah, desculpa, não quis te assustar. Desculpa.
O recém-chegado se desculpou, movimentando as mãos que não eram o foco da atenção de que não demorou muito para reconhecê-lo. As luzes que iluminavam o terraço do prédio lhe ajudaram a reconhecer o garoto, que mesmo com o cabelo bagunçado, como se tivesse passado seus dedos ali, e a ausência de maquiagem, fora fácil saber que era Chanyeol. Park Chanyeol. Membro do EXO, sunbaenim de , que se curvou rapidamente para ele.
– Boa noite. — desejou, mesmo sabendo que aquela não era uma boa noite para si.
E mesmo que tivesse ficado nervosa em todas as vezes que encontrou com outros idols na empresa, ou até mesmo quando três deles inventaram de assistir ao ensaio de seu grupo, naquele momento diante de Chanyeol, não ficara nervosa. A tristeza e decepção que sentia eram grandes demais para lhe permitir ficar envergonhada diante do garoto. Ela só queria dormir e acordar sabendo que tudo foi um sonho, mas como sabia que aquela era a sua realidade ficaria satisfeita tendo um lugar para ficar sozinha e chorar.
– Ei, não, não precisa ir só porque eu cheguei. — Chanyeol avisou, dando dois passos em sua direção e parando quando ela também parou. — Desculpa, só… Não precisa ir. Espera, você estava chorando?! — Sua voz soou mais alto do que o normal, fazendo-o xingar a si mesmo por ter sido tão invasivo. Mas é que os olhos vermelho da garota e a feição abatida denunciava o choro. — Desculp…
– Para de pedir desculpas. — o interrompeu, achando um pouco de graça no jeito atrapalhado de Chanyeol que sorriu ao colocar as mãos nos bolsos da calça jeans que usava. — Já estava indo embora de qualquer forma, tenho que voltar pro estúdio.
– Voltar? Olha, eu sei que gravar é importante, mas a mente precisa descansar um pouco. Sabe, relaxar. — Aconselhou, e riu baixo e fraco. Se Chanyeol a conhecesse, saberia que aquela risada nada mais era do que uma máscara para o choro que subiu como um nó na garganta de .
– Eu não posso relaxar. Preciso fazer alterações nas músicas do álbum, em todas as músicas. — Explicou, virando o rosto e mordendo o lábio inferior, segurando o choro que subira muito mais rápido.
– Não pode fazer as alterações amanhã? — Park questionou. Ele sabia como era ter a sensação de dar sempre o seu melhor para reafirmar o seu lugar na empresa, e como nunca era demais as horas intermináveis que passavam dentro do estúdio de gravações ou das salas para ensaios, mas Chanyeol também sabia que descansar era preciso. Ninguém teria o seu talento ou carreira jogados no lixo se descansasse por algumas horinhas, era necessário. Ou o corpo e a mente não aguentariam. Afinal, ninguém é de ferro. — Você pode voltar amanhã e…
– Não, eu não posso! Amanhã eu já tenho que voltar com as meninas pra regravar tudo! — o interrompeu novamente, dessa vez quase gritando. Ela não queria ter que falar dos seus problemas para um desconhecido, afinal, mesmo que Chanyeol fosse famoso, ele e não eram amigos, mas é que tudo estava tão preso dentro de si, que fora impossível não colocar um pouco para fora. — Elas já precisam saber quais partes irão cantar e o que irão fazer. Eu preciso terminar todas as alterações antes do amanhecer.
– Mas porque regravar tudo? Ficou tão ruim assim? — Ele perguntou confuso, vendo a menina se virar, dando as costas para ele enquanto andava em direção ao muro do terraço. Chanyeol a seguiu, tendo cuidado para se aproximar e parar ao lado dela, observando de perto passar as mãos pelo rosto para esconder o choro que não conseguiu mais segurar. — Quando eu disse que gritar alivia, é verdade. Sempre me sinto mais leve depois de gritar. Ou de conversar. Não sou bom em conselhos, mas sou um bom ouvinte. Você pode só falar, e eu te escuto. Ou, podemos só ficar no silêncio e você não fala sobre o que está acontecendo.
– Aparentemente, ‘tô excluindo uma integrante do meu grupo só porque ela é chinesa. — falou baixo, passando a ponta da língua em seus lábios enquanto seu olhar ia na imensidão que se tornava a cidade quando observada dali de cima.
– Ah, isso nunca é bom. — Chanyeol suspirou, sabendo o quanto aquele assunto, da diferença de tratamento entre coreanos e chineses poderia ser doloroso. Ele mesmo ainda se recuperava do último golpe que seu grupo sofrera com a saída da maioria dos grupos chineses, e sabia que os outros membros do grupo também carregavam a dor da partida e sempre carregariam, tanto os que ficaram quanto os que se foram. Era tudo tão injusto. — Pediram que você diminuísse as parte dela em todas as músicas?
– Sim, e isso é tão injusto. — afirmou o que passava em sua cabeça. — é a vocal mais talentosa do grupo, não é atoa que é a nossa vocal principal. Só ela sabe fazer notas tão perfeitas. Quando ela canta parece um anjo, você precisa ouvir. Mas, de repente, parece que nada disso importa só porque ela nasceu lá e não aqui. — A garota respirou fundo, sentindo a raiva lhe tomar, fechando seus olhos por alguns segundos antes de virar seu rosto e encarar o garoto ao seu lado. — Já se sentiu incapaz? Como se todo o poder que você tivesse não passasse de uma simples ilusão? Na verdade, é uma ilusão. Afinal, do que adianta eu ser a líder senão posso definir o que as integrantes do meu grupo irão fazer? Não é contraditório? Acho que eles só escolhem os líderes dos grupos, pra não ter que lidar com essas situações. Quero dizer, pra que perder meu tempo indo lá e dizendo que não quero tanto a voz dela, se posso mandar uma de suas amigas fazer isso?
– Junmyeon-hyung também fez as mesmas perguntas há uns meses. — Chanyeol suspirou, apoiando seu antebraço no muro e encarando a menina que lhe parecia tão apreensiva por uma saída daquela situação. — Ele disse que era errado e que nacionalidade não deveria definir talento. Hyung chorou em alguns momentos, então te digo que está tudo bem chorar. Ele gritou também, e foi com ele que aprendi que gritar alivia. — Sorriu, tentando ser o mais amigável e compreensível possível. — Você faz parte do novo grupo, certo? Assisti alguns episódios do programa, e o Baek comentou sobre ter visto o ensaio de vocês. Vocês são boas.
– Obrigada. — sorriu, dessa vez de verdade e de orgulho. Era fácil sorrir quando elogiavam seu grupo e suas meninas. Era natural.
– Ainda vão acontecer muita coisa com vocês. Coisas boas e ruins, mas se continuarem juntas vão superar. — Ele garantiu, e quis tanto ter aquela certeza que Chanyeol parecia ter.
– As vezes me pergunto se sou mesmo a líder certa pra elas. Estou desesperada desde que o Young-Jin-nim me falou sobre as músicas. Só penso em fugir e deixar tudo pra trás. — Suspirou, puxando as mangas do casaco e segurou o tecido entre seus dedos e as palmas de suas mãos. — Não me acho capaz de cuidar das quatro, principalmente quando abre a boca e é tão boa em desmotivar as outras. Sinto que devo falar alguma coisa, mas ao mesmo tempo acho que não devo porque não posso ser grossa com ela só pra proteger as outras. Afinal, ela também faz parte do grupo. E também é talentosa. Mesmo que seja tão chata na maior parte do tempo.
– Baek também sabe ser chato quanto quer, e eu também. — Chanyeol riu, e o olhou acabando por sorrir com a risada dele.
não é chata-legal, ela só é chata-chata.
– Acabou de me chamar de legal? — Perguntou erguendo uma sobrancelha, rindo um pouco mais quando viu revirar os olhos.
– Chamei o Baekhyun de legal.
Baekhyun? — Chanyeol se virou de costas para o muro, se apoiando nele quando cruzou os braços na frente de seu corpo e encarou . — Já são amigos?
– Está com ciúmes? — Ela quem ergueu uma sobrancelha.
– Não, sei que sou mais legal que ele. — O garoto deu de ombros, forçando um bico de birra nos lábios o que fez rir. — Uma risada. Você deveria rir mais vezes.
– Eu rio. — se defendeu, logo suspirando. — Só é difícil ficar rindo quando sinto que estou sendo cúmplice em destruir o sonho de alguém.
– Você não está destruindo o sonho de ninguém. É que…
Chanyeol foi interrompido quando se assustou com seu celular vibrando no bolso da frente do moletom que usava. Ela pegou o aparelho, vendo as notificações de mensagens e estranhando que ainda estivesse acordada àquela hora quando parecia tão exausta e pronta para dormir quando foi embora com as meninas.
abriu o grupo de conversa que tinha tinha com as meninas de seu grupo em um aplicativo de mensagens, suspirando e quase revirando os olhos enquanto lia as duas mensagens da dançarina que ligou o capslock.
. — resumiu o problema, respirando fundo enquanto bloqueadva a tela do aparelho e o guardava novamente. — Ela resolveu levar o ensaio pro dormitório, e não deixa as outras dormirem devido ao som alto.
– Você precisa ir. — Chanyeol completou, e ela só afirmou com a cabeça. — Está vendo? Elas precisam de você e confiam em você pra resolver as coisas. Olha, eu não sei como é ser líder de um grupo, mas depois de alguns anos com o hyung, aprendi que dá pra falar sério sem ser grosso e perder a razão, sabe? Se a pisa tanto na bolsa como você disse, está tudo bem ter uma conversa séria com ela. Você é a líder, mesmo que não se ache capaz. Mas, elas te acham. Elas te elegeram pra esse cargo, e é porque confiam em você. Então, sabe, só faz o que você julgar certo. Não deixe que ela desmotive as outras, vocês são um grupo. E precisam ficar unidas.
– Irei tentar. — suspirou, sorrindo grata para o garoto que sorriu de volta. — E, você disse que não era bom em dar conselhos.
– As vezes eu me esforço. — Chanyeol deu de ombros, olhando para frente fazendo uma pose de exibido fazendo rir.
– Então, obrigada pelo seu esforço. Mas, agora eu preciso ir. — Ela afirmou enquanto colocava o capuz de volta em sua cabeça e o encarava. — E, ah, a propósito me chamo .
– Eu sei, te reconheci. Bom, eu me chamo Chanyeol. — Se apresentou, e riu mais uma vez antes de afastar-se do garoto e ir em direção a porta do terraço. Ele a acompanhou com os olhos, e viu um pouco de si na menina. Lá no começo de sua carreira, Chanyeol não sabia muito bem o que fazer, agora ele sabia, havia descoberto e esperava que também descobrisse como fazer as coisas que precisavam ser feitas. E pelo pouco que ele vira da garota quando assistiu ao programa em que ela fora colocada em um grupo com as outras, deu pra perceber que não é do tipo que desiste fácil. — Ei! — A chamou, tendo toda a atenção de que se virou para encará-lo. — Baek ainda é o mais legal? Eu te dei bons conselhos!
– Boa noite, Chanyeol-nim.
Ela o deixou sozinho no terraço, indo embora enquanto ria da pergunta do garoto e acenava um tchau com a mão que ergueu. Chanyeol acabou rindo junto, olhando ao seu redor quando se viu sozinho. Ele tinha ido até o terraço para respirar ar puro após um dia cansativo de ensaio e de horas tentando escrever algum rap decente.
No final, sua ida até ali acabou sendo muito mais do que respirar ar puro. E ele estava bem com isso, esperava ter sido útil.
E foi.

– Você precisa dormir.
– Se você não falasse, eu nem ia saber disso. Gênia. — respondeu que mordeu o lábio inferior e abaixou a cabeça. A mais velha respirou fundo, passando as mãos por seu rosto antes de jogar o corpo pra trás, no encosto do sofá. — Desculpa, eu só… Sono. — Se desculpou menos de cinco minutos quando percebeu a resposta que deu a .
– Tudo bem. Hoje as gravações acabam, ai você vai poder descansar. — sorriu, no fundo sentindo pena do estado em que se encontrava.
Quando chegou ao dormitório após a conversa que teve com Chanyeol no terraço da empresa, teve que lidar com que não tinha entendido que quando deixavam a empresa e iam pra casa, era pra descansar. Depois da conversa, que se tornou uma pequena briga, foi para o quarto que dividia com e e ao contrário das duas, não dormiu. Ela ouviu novamente as músicas que precisavam ser modificadas, e menos de três horas depois já estava voltando para a SM com as coreanas, deixando no dormitório ainda dormindo. E quando voltou para o dormitório com as três, já quase uma hora da manhã, precisou conversar com sobre a ligação de Yoo Young-Jin, e de toda a situação. E lá se foi mais uma noite sem dormir, a culpa que sentia junto com a tristeza ao ver chorando quando contou que os superiores queriam diminuir sua participação nas músicas, era pesado demais. Doloroso demais.
– Como ela está? — perguntou quando voltou para a sala, levando consigo uma xícara de café para que, apesar de não gostar tanto assim da bebida, estava de pé graças a cafeína.
– Chorou durante horas, até dormir. — suspirou, segurando a xícara com cuidado e olhando as duas amigas após dar um gole na bebida. — Ela acha que não é boa o suficiente, e que por isso pediram que suas partes fossem reduzidas. Não quer acreditar que só pediram isso porque ela é chinesa.
– Eu também me culparia. — confessou, e tanto quanto sabiam que era verdade. Na verdade, as três fariam o mesmo que se estivesse sendo colocada de lado e ouvissem que sua nacionalidade era o motivo. A verdade, é que a situação de excluir alguém com talento por causa do lugar onde nasceu é tão absurda, que é mais fácil se culpar e achar que não tem talento o suficiente.
– Eu não sei muito bem o que fazer, me sinto de mãos atadas. Preciso que me ajudem com isso, ok? Não sei, só não a deixem pensar que a culpa é dela. Vou tentar alguma coisa.
– Pode deixar. — afirmou e sentiu que um pouco do peso que sentia havia sido aliviado, é que compartilhar os seus problemas com e lhe dava a sensação de que tudo iria ficar bem.
– Posso conversar com o Lay-sunbaenim e pedir pra ele chamar a e…
– Melhor não, ela vai achar que o convite só veio por sua causa. — A mais velha a interrompeu, sorrindo diante da sugestão da dançarina. — Só continue sendo você e eu sei que a vai ficar melhor.
– E desde quando você está com essa intimidade toda com o Lay? Quer até pedir favores.
– Não tem nenhuma intimidade. — encarou depois que revirou os olhos, jogando uma almofada na cara da maknae que foi rápida em segurar. — Só pensei nisso porque poderia fazer bem a .
– Hm, sei. Tá bom. — desdenhou, arrancando um grunhido de que se não fosse pela próxima frase dita por , teria dado um tapa na cabeça da mais nova.
– Encontrei o Chanyeol-nim noite retrasada. Ele foi ao terraço da empresa quando eu estava lá gritando. E…
– Noite retrasada? E você só conta isso agora?!
quase derrubou a xícara de café quando jogou nela a almofada que jogou em si instantes antes, olhando do objeto para a mais nova que lhe soprou um beijo.
– Ele te pegou gritando? Você é maluca pra ficar gritando sozinha? — perguntou confusa, não entendendo o porque da mais velha ficar gritando pro vento.
– Eu estava estressada com tudo isso e…
– Estou pronta, já podemos ir. — interrompeu quando apareceu na sala, vindo do corredor dos quartos acompanhada de que estava a um passo atrás. — Atrapalhei alguma coisa?
– Sempre.
– Não. — respondeu junto com , olhando para mais nova que deu de ombros. — ? Podemos ir?
– Sim. — A chinesa respondeu baixo, mais baixo que o seu normal, e isso foi o suficiente para que suspirasse mais uma vez.
– Bom, já sabem né? Eu e vamos para o estúdio, depois encontramos com vocês na sala de ensaios. — Se levantou, deixando a xícara na mesinha de centro pegando a máscara que usaria para sair de casa. Mesmo que a empresa não fosse tão longe do dormitório e ainda fosse cedo demais para encontrarem alguém que as reconhecesse no caminho, ela só queria reduzir a zero a possibilidade de alguém falar consigo e ver perfeitamente a sua cara de sono e cansaço.
– Acho que vamos ficar até mais tarde ensaiando, precisamos ver os passos novos de todas as coreografias, e sabemos como algumas são devagar em pegar os passos.
– Cala a boca, . — pediu sentindo sua paciência ir embora antes das oito horas da manhã.
A situação já estava merda o suficiente, ninguém precisava da arrogância e ar de superioridade de .
– É a verdade. Nós precisamos de passos novos agora que os vocais foram alterados nas músicas. Temos menos de um mês para aperfeiçoar o que já estava ruim, e decorar os novos passos! Não podemos perder tempo! Se precisar virar a noite ensaiando, nós vamos! A ainda nem se recuperou do pé, quem garante que ela vai saber fazer a coreografia certa?! — gritou tudo de uma vez, soando tão insensível para as outras três. Principalmente para que respirou fundo, antes de gritar de volta.
– Cala a boca, ! Pelo amor de Deus, cala a boca! — Apertou a máscara em sua mão, assustando todas que nunca a tinham visto gritar daquele jeito. — A situação já é toda uma merda, para de piorar! Todas nós sabemos que precisamos alterar algumas coisas nas coreografias, afinal precisamos ir de acordo com as alterações nas músicas. Mas isso não é o fim do mundo! Fim do mundo é termos que regravar tudo porque uma de nós não é coreana! Se for pra ficar falando merda e desmotivando todo mundo, é melhor ficar calada!
– Você sempre as defende! — gritou de volta, não se deixando intimidar com o tom de . não podia ter um debut fracassado porque as outras quatro eram péssimas dançarinas, isso era o que ela pensava.
– E sempre irei! E se você vai ficar sempre as ofendendo, e me ofendendo, me avisa que eu vou pessoalmente até a Park Mi-Rae-nim e peço a sua retirada do grupo.
– Você não teria coragem. — afirmou, sentindo, pela primeira vez desde que entrara no grupo, um sentimento que identificou como medo. Não medo de , mas da atitude que a líder poderia ter e que prejudicaria na empresa.
, qual é a sua posição no grupo? — perguntou com um tom que qualquer um entenderia como um pedido, ou uma ordem.
– Rapper principal. — Respondeu, olhando para a mais velha que não a encarava de volta.
, qual a sua posição?
encarava enquanto perguntava as outras integrantes, observando o olhar da outra ganhando um brilho a mais.
– Vocalista principal. — sussurrou e suspirou, quase pedindo que e parassem com aquilo, mas não tivera tempo para isso.
, qual a sua posição?
– Dançarina principal e… Visual. — Ela murmurou a última parte, não querendo dizê-la mas sabendo que, provavelmente, se não falasse seria com ela que iria brigar.
, me diz, qual é a sua posição? — Perguntou e mesmo que quisesse dar um tapa na fuça de , continuou onde estava e esperou pela resposta que não demorou a vir.
– Vocal.
– E eu sou rapper e a líder, porque vocês me elegeram pra isso. E se esse cargo não serve pra muita coisa, acho que para alguma coisa ele deve servir. — afirmou, odiando ter que falar daquele jeito com qualquer uma das meninas, mas já estava tão cansada de e de seu jeito arrogante, que era preciso abaixar um pouco a sua bola. — E se você continuar assim, eu tenho certeza de que a direção vai levar o meu pedido em consideração. Você não é a dançarina principal, não é quem monta as coreografias ou comanda os ensaios, suas sugestões só são aceitas quando entendemos que podem ser o melhor para o grupo em algum aspecto. Porque é isso que nós somos, , um grupo. E mesmo que você odeie isso, precisa aceitar e superar. Estamos há um passo do dia do debut, se acha que não consegue conviver em grupo, seja sincera e nos avise. Nós não estamos aqui para te atrapalhar, então, não nos atrapalhe. — finalizou, respirando fundo antes de colocar as alças da máscara atrás de suas orelhas, cobrindo a parte inferior de seu rosto com a peça. — Eu e estamos indo para o estúdio. Vocês vão ensaiar. , — olhou para a dançarina que ergueu o rosto para ela. — você vai dirigir o ensaio. Monte e faça o que quiser com a coreografia, pense nos passos que achar melhor. Se precisar de ajuda, você fala com a e a , ok? Se precisar.
– Ok.
– Dê suas sugestões, quando pedir. — falou pra . — Estou sem paciência hoje, então, colabora. Vamos, .
esperou até que estivesse ao seu lado para que pudessem deixar o dormitório. Sua cabeça latejava, a dor era causada pelo estresse e pelas noites não dormidas. A dor na cabeça, e seus olhos ardendo indicavam que seu corpo começava a reagir a pressão que era fazer parte de um grupo. Mas, não tinha tempo para cuidar de si naquele momento. Ela precisava cuidar de , , e até . Ela precisava cuidar do grupo em que era líder, mesmo que isso significasse deixar sua saúde de lado.

Nota da Autora:
Oie! Decidimos atualizar a história semanalmente durante a quarentena, bom, né?! Espero que estejam gostando! Por favor, comentem!
Xx.

 

Capítulo 05.

— Como dormir cedo, se estou tão nervosa! — gritou, jogando-se sobre no sofá, com a cabeça no colo da mais velha e as pernas para cima, chacoalhando-as. Tudo que fez foi empurrá-la para sair de cima, derrubando no chão sem piedade. — Ai! — gritou de novo, tão escandalosa quanto só ela era quando estava empolgada com qualquer coisa.
— Para de gritar, pelo amor de Deus! — gritou de volta, fazia meia hora que andava pela casa, de um lado para o outro, esmurrando as pessoas e falando rápido o suficiente para que ninguém fosse capaz de entender, nem mesmo as rappers do grupo que, em teoria, não deveriam ter dificuldade.
Isso porque ninguém havia deixado que ela chegasse perto da cafeína.
— Eu estou nervosa! — voltou a gritar, chacoalhando as pernas para cima novamente, mas agora dali onde estava, no chão mesmo.
— Ah, jura? Ninguém notou. — respondeu, sentando-se ao lado de com uma bacia de pipoca.
— Por que ela você não agrediu também?! — perguntou, sem diminuir o tom ou se importar em pôr as pernas para baixo, e revirou os olhos para ela.
— Ela não está gritando. — devolveu de forma simples, mesmo que não estivesse irritada de verdade. — Cala a boca, . — pediu para a outra, que mesmo assim não parou de gritar ao finalmente se sentar, no chão:
— Eu poderia ter quebrado o pé e tchau pré-debut amanhã! — devolveu, tão dramática quanto sempre, o que obviamente não afetou as demais.
— Se tivesse quebrado o pé a gente podia te dopar e ai você parava de gritar.
— Que horror, . — respondeu, rindo, enquanto deixava o queixo cair, fingindo estar totalmente ofendida o que nem de longe estava, afinal, conhecia sua líder o suficiente para saber que era tudo da boca para fora. era a primeira a colocar a mão no fogo para ajudar qualquer uma delas, mesmo que jamais fosse admitir isso. Se perguntassem, na verdade, ela diria totalmente o contrário, mas todas sabiam que era mentira.
— Se eu tivesse me machucado, teriam que pôr a no meu lugar!
— Pelo menos a quase não fala. — provocou, rindo enquanto colocava um punhado de pipoca na boca, e se voltou para ela.
— É o quê?! — gritou . — Eu te defendo dela, sua ingrata! Por que sempre que a abre a boca, é para ser má!
— Mas ela é má no tom de voz baixo. Já ajuda. — retrucou também, e quando riu, se inclinou em sua direção, enchendo a mão de pipoca na tentativa falha de enfiá-las simultaneamente na boca das duas. Desastrada como habitualmente, claro, não deu certo, e terminou por afogar com a pipoca e socar o nariz de . Imediatamente, a garota se colocou de pé, rindo, porém pronta para fugir. Sabia que estava perdida se a pegassem agora, mesmo sendo sem querer.
! — as duas gritaram ao mesmo tempo, mas a garota já estava no corredor do dormitório, onde se enfiou no primeiro quarto e trancou a porta de imediato, evitando a surra que levaria de e se elas juntassem contra ela. E elas iriam.
— Tenho que desligar. — ela ouviu, e então virou-se para dentro do quarto, só então notando que estava ali, no telefone, mas de costas para ela. — Não, tudo bem. — continuou a garota, seu tom de voz claramente embargado, o que imediatamente chamou a atenção de . — Mãe, eu tenho mesmo que desligar. — insistiu, passando uma das mãos pelo rosto e não precisava ser um gênio para saber que ela estava limpando as lágrimas. estava chorando, e algo dizia a que não era apenas saudades de casa. já não tinha mais a mesma confiança de antes em sua voz, graças ao pedido dos produtores, e sentia uma grande necessidade de descer soco em todo mundo sempre que a via daquela forma, cabisbaixa em algum canto ou sempre que respondia baixo e sem vontade para as perguntas que lhe faziam. foi de uma das mais falantes para justamente aquela que se esconde. se perguntava quantos outros idols não se escondiam pelo mesmo motivo. A indústria era horrível, e ela só queria que existisse alguma forma de trazer de volta a confiança de .
Assim que a chinesa desligou o telefone, se voltou para com um sorriso no rosto, mas seus olhos vermelhos não permitiam que ela mentisse sobre o que tinha acontecido de fato.
— Minha mãe. — riu, fingindo não ser nada demais. — Ela sempre me faz chorar. — transferiu a culpa, mas , ao invés de responder, se sentou a sua frente, limpando uma lágrima que ainda escorria por seu rosto.
— Você é incrível, sabia? — falou, sorrindo para a outra. — Nunca deixe que te digam o contrário.
— Não é o que você está pensando. — desmentiu, mas seu choro lhe contrariou e em um segundo, as lágrimas desciam novamente, deixando um tanto quanto desesperada.
, não chora… — a garota pediu, mas abriu os braços para a chinesa mesmo assim, independente de não gostar muito de abraços. Ela podia não gostar, mas sim, e nem passou por sua cabeça lhe negar isso naquele momento. Ela só queria que a outra parasse de chorar, e acreditasse em suas palavras quando lhe dizia que estava tudo bem, e que ela era boa, a melhor vocalista daquele grupo, mas ela mais do que ninguém sabia que não era assim tão fácil. — , . — a chamou, e a segurou delicadamente pelos ombros a fim de fazer com que a outra lhe encarasse. — Você lembra a primeira coisa que eu disse pra você, quando nos conhecemos? — perguntou, e sorriu fraco ao se recordar daquele dia, tão perfeitamente quanto se recordava.
— Que minha voz era incrível. — respondeu, fazendo com que meneasse positivamente com a cabeça.
— Ela é incrível. E eu não te conhecia naquela época, não tinha motivo nenhum pra mentir pra você, assim como também não estou mentindo agora. Você é incrível, a vocalista principal do grupo e nós somos em cinco. Não tinha porque te escolher para isso se não fosse. O problema da SM é orgulho, porque não aceitam que alguém de fora seja tão incrível. E isso é horrível, é tão horrível, ainda pior que se te desmerecessem por não ser boa porque na verdade, eles querem esconder o seu talento por preconceito, mas você não pode deixar que vençam te pondo para baixo, ou deixando que eles passem por certos te vendo triste. Prove que estão errados em fazer isso, mostre o quão incrível você é e o que eles estão perdendo em te esconder. Eu juro, , eu juro que você é boa o suficiente para se sobressair independente da quantidade de linhas, que você é boa o suficiente para que as pessoas escutem sua voz e perguntem porque diabos não te dão mais linhas, mas você precisa ser forte, e tão determinada quanto eu sei que você é, e então a SM vai ser obrigada a te engolir. E nós vamos te apoiar porque é o que mais queremos, mas precisamos que você fique firme. — mais uma vez, limpou uma de suas lágrimas, sorrindo em seguida. E, dessa vez, o sorriso que recebeu em retorno foi um pouco melhor, quase satisfeito, fazendo com que ela suspirasse aliviada, e contente, por ter tido algum retorno. sabia que confiança não se adquiria de uma hora para a outra, e a confiança que tinham levado de teria que ser gradativamente reconstruída, mas ela ficava feliz em contribuir, mesmo que fosse um pouquinho a cada dia.
— Obrigada, . — falou, e negou com a cabeça, como se não fosse nada demais.
— Nha, eu que vou te agradecer quando chutarmos a bunda dessa gente preconceituosa. Vai ser lindo quando clamarem por você. E então eles vão ter que te dar uma carreira solo, igual fizeram com o Yixing, pra compensar toda a bagunça e o tempo que levaram o escondendo. Você vai ver, vai ser maior que todas nós.
— Eu não quero ser maior, eu só… Quero poder realizar meu sonho, como uma igual. — ouvir aquilo da garota partiu o coração de em vários pedacinhos, e ela também quis chorar, mas ao invés disso se obrigou a sorrir para animar a outra. precisava mais daquilo agora do que de lágrimas.
— Você vai, eu sei que vai, . — afirmou, com convicção. — Pode não ser nesse álbum, mas após nosso debut, quando você brilhar, eles vão se arrepender da escolha, você vai ver.
— Eu espero.
— Pode esperar. E nós vamos estar aqui gritando por você, como um fanclube perfeito. , , , ! — ergueu um dos braços, chamando pela chinesa como se fizesse parte de uma torcida esportiva, e , rindo, a estapeou por isso.
— Boba. — resmungou, mas não ligou muito pra isso.
— Awn, um sorriso? Sem mais lágrimas?
— Sem mais lágrimas. — a chinesa concordou, então sorriu largamente, satisfeita, antes de pegar a outra pela mão, obrigando-a se levantar.
— Já que acabamos com o choro, vamos para a sala, aproveitar a falta de . — brincou, e a estapeou novamente por isso.
! — a repreendeu, e riu.
— Era só brincadeira, vamos aproveitar a pipoca que a fez, já que ninguém vai dormir de ansiedade mesmo. — retirou o que disse, mesmo secretamente sendo verdade.
— Com isso jamais discordaria. — riu, e se deixou ser arrastada para fora, mas ao contrário do que esperavam, não havia ninguém na sala onde as havia deixado.
— Ué. — falou, assim que chegaram juntas lá, mas mesmo lerda como só ela, levou apenas um segundo para que se lembrasse que estava fugindo, e que nunca, jamais, alguém deveria ignorar as vinganças de , que só podiam ser ainda piores se juntasse com o talento da maknae para fazer travessuras e, bom, havia provocado as duas ao mesmo tempo.
Sem pensar duas vezes, soltou a mão de e deu as costas para correr, mas já era tarde demais. Ouviu o grito de antes que pudesse vê-la, e correu na direção contrária, dando de cara com para isso.
— Desculpa, desculpa, desculpa! — gritou, mas antes que pudesse desviar, já pulava em suas costas, as pernas agarrando sua cintura enquanto as mãos lhe tampavam os olhos. — , eu vou cair! — gritou, entre risos, andando de uma lado para o outro desengonçada e totalmente cega, mas a maknae não deu muita importância. — ! — tentou de novo, enquanto sem entender nada apenas ria e , satisfeita com a cena, apenas empurrou para o sofá, que ao cair terminou por cima de , que acabou sendo obrigada a soltar seus olhos.
— Sai de cima, sai de cima! — gritou, mas ao invés disso se arrastou um pouco mais para cima, cobrindo a maknae com seu corpo para esmagá-la. — Cabelo, cabelo, eu estou comendo cabelo! — voltou a gritar, tentando cuspir os fios de que estavam por toda parte de seu rosto. — ! — implorou por ajuda, erguendo uma das mãos, mas a mais velha estava mais preocupada em rir da situação. — Éramos um time!
é meu time agora. — respondeu, encarando com um olhar significativo.
— Agora? — perguntou, e arregalou os olhos, pronta pra se levantar simplesmente por já saber o que a esperava agora.
— Totalmente! — concordou.
— Cócegas! — ambas gritaram juntas antes de se jogarem por cima das outra duas, e até tentou fugir, primeiro levantando-se e depois tentando rolar para o lado e cair do sofá, mas a agarrou pelo pescoço, usando o corpo de para sua proteção, o que também não deu muito certo.
— Sai, sai! — gritou, entre gargalhadas, enquanto a atacava e , por sua vez, cuidou de puxá-la para longe da maknae, ou pelo menos o suficiente para que pudesse trabalhar nela também.
— Pensei que fossemos amigas! — gritou para , tentando se livrar dela, mas também foi totalmente em vão, até porque não fazia questão nenhuma de proteger a mais nova, ocupada demais em se livrar das mãos da mais velha.
! — voltou a gritar, tentando segurar as mãos da líder, mas seus olhos fechavam quando ela ria e isso dificultava o trabalho em grande escala. — Eu preciso respirar, para, para! — tentou novamente, enquanto também gritava, na sua orelha, mas elas só pararam quando a porta foi aberta em um baque alto o suficiente para espantar a todas elas. gritou, e com o pulo derrubou do sofá, deixando-a literalmente de pernas para cima. e , apesar do susto, se reuniram pra rir da mais velha enquanto já pensava em todas as formas dolorosas de tortura que usaria para se vingar, mas aproveitando-se da distração da chinesa, a segurou pelos ombros, jogando-a para cima de antes de correr para longe.
No final, não era apenas no chão, mas também , que não foi segurada a tempo por e a própria , que caiu depois que a puxou consigo. foi dois segundos depois, quando escorregou no tapete e terminou literalmente aos pés de , a responsável por abrir a porta àquela hora da noite.
— Mas que beleza, hein. — falou, o tom de voz arrastado e debochado, nada típico mesmo para ela, e as quatro, imediatamente, entraram em alerta.
— Você cheira a álcool. — torceu o nariz, levantando-se e, nada discretamente, segurando o nariz com uma das mãos para evitar o cheiro. — Você bebeu?
— Parabéns, gênio. — devolveu, mais desagradável que o normal.
— Você saiu para encher a cara nas vésperas do nosso pré-debut?! — exclamou, horrorizada, e deu de ombros.
— É só um pré-debut. — retrucou a recém chegada, como se fosse nada, arrancando exclamações surpresas e espantadas de todas elas ao ouvi-la.
um pré-debut?! — devolveu, dando dois passos a frente. O tom de voz tão perigosamente ácido que ninguém mais ousou se meter, independente de todas quererem fazer isso nem que fosse para pegar pelos cabelos e encher de tapas. Mas ao invés disso, apenas deram um passo para trás. já tinha sangue nos olhos o suficiente por todas elas. — Eu vou te dar uma chance só de desfazer o que disse.
— Ela não merece, pega ela! — gritou, sem se conter, e olhou feio para ela por isso enquanto colocava uma das mãos em frente ao rosto para segurar uma risadinha. , para a sorte dela, preferiu ignorar. Ou talvez o ódio fosse tanto que ela nem tivesse escutado.
— Vocês são ridículas. Sério. — falou, debochada, e cambaleante de tão bêbada, se deixou cair no sofá. — Não é um debut, então é só um pré-debut.
— Vai ter gente lá para nos assistir, de qualquer forma! Vão estar nos avaliando para saber se valemos ou não a pena de debutar! — exclamou, já exaltada, mas isso não fez diferença para que apenas riu. foi para cima dela, e saiu da frente no mesmo instante para abrir espaço, louca para ver aquilo, mas interferiu e, sem dizer nada, gesticulou para que voltasse ao lugar. queria arrancar os cabelos de com os dentes, mas obedeceu porque, definitivamente, podia ser pior se quisesse.
— Nós concordamos que iríamos cedo para a cama, que descansaremos para o dia de amanhã. — questionou e soltou uma meia risada.
— Vocês prometeram. Não eu.
— O grupo decidiu, e você ainda faz parte dele. — respondeu a ela, o ódio bem claro no seu tom de voz. Ódio o suficiente para que qualquer um se calasse, até mesmo , mas o álcool estava contribuindo para sua coragem extra.
— Mesmo que a gente não goste. — sussurrou para as outras, mas revirou os olhos ao escutar.
— Eu estou bêbada, não surda. — observou, bufando em seguida.
— Não é como se ela estivesse mentindo. — devolveu e, mais uma vez, interferiu, erguendo uma das mãos para que elas se calassem.
— Eu não vou discutir com você assim, agora. Eu me recuso a discutir com alguém que não vai lembrar amanhã. Agora você vai pra cama, e eu acho bom que acorde disposta ou eu juro por Deus, , que você vai se ver comigo. — ameaçou, mas a outra apenas riu novamente, o que levou a travar a mandíbula antes que terminasse agredindo de verdade a garota. — Eu não vou falar de novo.
— Eu sinceramente não sei o que você pensa. — falou, finalmente levantando-se do sofá. — Você é a líder do grupo, não nossa manager. Você não pode fazer nada contra mim, não pode pedir que me tirem do grupo…
vai comer o cu dela com farinha. — cantarolou baixinho para , que não podia concordar mais, surpresa com a coragem da outra.
— Aguardo ansiosamente. — respondeu, mas se ouviu, as ignorou com maestria.
— Então é sobre isso que se trata? — perguntou, puxando de volta quando esta, dramaticamente, tentou passar por ela para sair da sala. — Você está com medo da minha ameaça então decide provar assim que eu não posso fazer nada? Você quer estragar a nossa primeira chance com um público por causa de orgulho? Eu estou te avisando, se você estragar nosso pré-debut amanhã você vai conhecer um lado meu que ninguém viu ainda, .
… — se pôs a frente, falando tão suavemente como só ela podia fazer. tinha uma voz poderosa, e controle o suficiente sobre ela para usar o tom que quisesse, e isso incluía os mais amenos quando uma briga estava prestes a se iniciar. — Como você disse, ela não está em condições, é o álcool falando e não adianta discutir agora.
— Isso, escute-a agora porque é o único momento que ela tem pra falar. — e com aquele comentário, tudo aconteceu tão rápido que em um segundo, estava no chão e ninguém sabia dizer quem havia agredido a loira, não quando e , simultaneamente, foram para cima dela. Ninguém viu quem foi, mas o som do tapa foi tão claro quanto a visão de sentada no chão, os olhos arregalados e assustados e uma das mãos sobre a bochecha.
— Se você falar isso de novo, eu quebro o seu nariz! — ameaçou e , por mais que quisesse ela mesma ter dado aquele tapa, se viu simplesmente perdida no meio de uma confusão grande demais para lidar. Por um lado, merecia uns tapas porque, independente de sua condição atual, ser escrota era algo que ela fazia muito bem mesmo sóbria. E novamente ela havia errado em beber daquela forma, escolha que ela tomou sóbria também, mas agressão dentro do próprio grupo era simplesmente demais. Faltavam poucas horas para o pré-debut e nunca antes o grupo esteve tão desunido, tão bagunçado e tão prestes a desabar quanto estava naquele momento.
— As duas, para o quarto, agora. — ela falou, simplesmente, enquanto sua cabeça parecia prestes a explodir, desesperada pelo que estava acontecendo e, pior, por ter que ser a responsável em consertar aquilo.
— Você sabe que ela mereceu! — retrucou, ainda exaltada.
cala a boca e vai para o quarto! — ordenou, agora perdendo a paciência com ela também, mas a outra ainda encarava com ódio. — , vão. As duas.
E para evitar mais brigas, pegou pelo braço e a arrastou consigo, antes que e também terminassem aos socos enquanto , por sua vez, estendia a mão para ajudar a se levantar.
estapeou sua mão, recusando-se a ter ajuda.
— SAI DE PERTO DE MIM! — gritou, agora totalmente furiosa. — Eu não preciso de nenhuma de vocês! Eu sou grande, sozinha, eu sou grande!
— Você é uma bêbada insuportável, isso sim. — a respondeu, trincando mais uma vez os dentes porque não existia nada no mundo que ela odiasse mais do que gente bêbada, mas se obrigou a engolir aquele ódio para lidar com ela. Precisava, antes que colocasse tudo a perder. — . — chamou, e a chinesa lhe encarou. — Eu resolvo aqui, vai para o quarto, durma com e .
— Mas…
— Pode ir, eu resolvo. Descanse. — insistiu.
— Isso, vai lá. Descansa pra não tocar no microfone… — antes que terminasse de falar, a puxou com tanta força pelo braço, para levantá-la, que a garota gritou.
— Cala a sua boca e eu não vou avisar de novo. — a ameaçou, mas apenas gargalhou, como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo.
— Cala a sua boca e eu não vou avisar de novo. — repetiu, com a voz afetada, e suspirou. Não podia matar uma integrante do grupo as vésperas do pré-debut.
— Tem certeza que não precisa mesmo de ajuda? — perguntou, vendo a ameaça iminente.
— Não, eu prefiro que você vá. — a garota concordou, após suspirar, mas a chamou novamente quando deu as costas, fazendo com que se voltasse novamente para as duas. — , ela está bêbada. — avisou, esperando que isso bastasse. — Seu talento é grande demais para que as palavras de uma bêbada rancorosa tirem isso de você. Não deixe que tirem.
concordou, com um sorriso, mas teve a impressão de ver ainda uma pequena lágrima escorrer de seu rosto. E ali, mais uma vez, quis matar , por ter tirado o sorriso tão verdadeiro que haviam conquistado há minutos atrás, mas novamente, com uma enorme perda pessoal, fez o que devia fazer, como líder, e ao invés de jogar no chão e deixar que se virasse, seguiu com ela para o quarto, porque, como líder, precisava se garantir que tudo fosse dar certo no dia seguinte.

+++

Jang Jikyu trabalhava como manager há pouco mais de dez anos. Já tinha trabalhado com girlgroups, boygroups, artistas solos e idols que em algum momento focaram na atuação além da música. Isso sem contar às vezes em que precisou cuidar dos trainees e ficou com alguns deles até que se tornaram idols de sucesso. Todos esses anos como manager, trabalhando e tendo que cuidar de diversas pessoas, homens ou mulheres, deram a Jang muito mais do que amigos, afinal ele passava mais tempo com os idols do que com a sua família e era normal que criasse um relacionamento tão sólido com cada um deles, lhe deram também a incrível capacidade de saber quando algo estava errado sem que precisassem lhe contar.
E foi isso que Jikyu notou quando fora buscar as cinco garotas no dormitório às oito horas da manhã. Alguma coisa estava muito errada. Não era só o silêncio em que elas estavam, tinha alguma coisa a mais. As garotas não se olhavam, não se comunicavam entre si e nem ao menos pareciam estar na companhia da outra. Jang se sentiu buscando cinco garotas que ainda faziam parte de um programa em que competiam uma contra a outra. Mas o homem sabia que elas não competiam mais, que agora faziam parte do mesmo grupo e que naquela manhã estavam indo pra empresa para a apresentação pré-debut que influenciaria no debut em si.
— O que aconteceu? — Jikyu perguntou quando fechou a porta da van preta. Ele ainda não tinha se sentado, ficara de pé próximo à porta tendo altura o suficiente para observar o rosto de cada uma das garotas que estavam sentadas nos bancos que eram distribuídos em três fileiras de três assentos.
— Recriamos o UFC, foi lindo. Você precisava ter visto. — quem respondeu, fazendo o manager erguer as sobrancelhas sem saber ao certo se tinha mesmo entendido o que a garota falou em tom baixo.
Jang quis perguntar se ela estava brincando, mas a falta de sorriso nos lábios da garota e o silêncio das outras quatro, fez com que uma luz vermelha acendesse na cabeça do manager. Algo estava muito errado.
— Nós…
— Erros, Jikyu-nim. Erros foram cometidos. — interrompeu , mesmo que essa não fosse a sua intenção, dando aquele assunto por encerrado. Mas tanto a líder quanto o manager sabiam que precisavam conversar sobre o que aconteceu. Jang precisava saber de tudo o que acontecia com o outro, fosse coisa boa ou ruim, e foi por isso que ele olhou para e afirmou:
— Nós vamos conversar sobre isso.
só assentiu com a cabeça, virando o rosto para a janela ao seu lado e suspirando. Jikyu sentou-se no banco da ponta da primeira fileira, por isso ele não tivera tempo para ver o olhar que trocou com , nem em como fechou seus olhos com força. Ou quando puxou a máscara branca que usava um pouco mais pra cima e abaixou ainda mais o boné, escondendo seu rosto e querendo se isolar do mundo, querendo se desligar do que acontecia ao seu redor para que a dor de cabeça que sentia diminuísse pelo menos um pouco. A dor que a ressaca lhe causava sempre que exagerava na bebida.

A apresentação aconteceria no teatro do SMTOWN, no mais novo prédio da empresa. SMTOWN, mais conhecido como “espaço cultural da SM”, ficava no COEX Artium e era um prédio de seis andares, com diferentes espaços. A promessa de dar aos visitantes um olhar sobre a experiência real dos artistas era cumprida em cada sala e lugar do local. No SMTOWN Studio em que era possível assistir filmagens e gravações em formato virtual, ou no SMTOWN LIVErary café que além de jukebox, livros e café, também tinha doces e sobremesas de alguns grupos da SM. O lugar era todo muito bonito e organizado, pensado para fazer com que todos se sentissem ainda mais próximos dos artistas.
No entanto, nem a beleza do lugar fora capaz de fazer com que as cinco garotas comentassem entre si sobre o que observam ao seu redor. Naquele dia, o prédio estava fechado especialmente para elas, para o pré-debut delas, por isso as cinco poderiam observar cada pequena coisa e imaginar que em breve suas fotos que estariam na parede que tinha fotografias dos idols da empresa, mas tudo que elas faziam era seguir Jang em silêncio.
Por se tratar de um pré-debut, sem público ou gravação, elas não precisavam usar os figurinos oficiais ou roupas que combinassem umas com as outras, só era necessário que usassem os saltos altos que faziam parte do vestuário que teriam futuramente. E por isso, quando Jang as guiou até a parte detrás do palco e lá encontraram duas mulheres e dois homens, os saltos foram a primeira coisa que receberam das mulheres que as ajudaram a abotoar as sandálias. Os homens foram os responsáveis pelo equipamento dos microfones sem fio e de mão.
E menos de vinte minutos depois, após breves testes com os microfones, e os fones de retorno que foram devidamente colocados em seus ouvidos, sem as máscaras no rosto que colocaram antes de sair de casa, bonés e toucas, elas estavam quase prontas para subir ao palco do teatro e se apresentarem.
Quase porque mesmo que os equipamentos estivessem funcionando, os saltos bem seguros em seus pés e as letras e coreografias das músicas estivessem gravadas em suas mentes e em seus corpos, , , , e não se sentiam prontas. Estavam inseguras, tinham medo do que poderia acontecer, pensavam que talvez ainda não merecessem aquele pré-debut, ainda não merecessem subir em um palco para uma apresentação.
Todas estavam despreparadas, mesmo que tivessem tido dias e dias de muitos ensaios. As cinco garotas precisavam de palavras de apoio, de incentivo, mas Jikyu já havia saído pra ir para o lugar em que as assistiria junto com mais quatro pessoas, e agora as cinco estavam sozinhas. Estavam novamente nas presenças umas das outras, dessa vez equipadas para subir ao palco e se apresentarem, no fundo sabendo que só o equipamento não era o suficiente. Porque sentiam que não tinham o essencial: o apoio uma da outra.
E todo mundo sabe o que acontece com um grupo sem união: Ele cai. Desmonta. Se desfaz.
As cinco garotas prenderam a respiração quando subiram no palco do teatro, e a causa não foi o tamanho do local. E sim as quatro pessoas que faziam companhia a Jikyu na sétima fileira de cadeiras de estofado avermelhado. Elas reconheceram não só o produtor musical que as ajudou na produção do álbum, mas também Chung-Hee o maior diretor da empresa e que só havia tido contato com as meninas na reunião de assinatura dos contratos. Park Mi-Rae a diretora que gerenciava o grupo também estava lá, bem ao lado do senhor Hee, com uma das sobrancelhas arqueadas. Na outra ponta da fileira, estava Kim Junmyeon, o líder do grupo EXO, com um sorriso no rosto em uma tentativa de acalmar as garotas que os enxergava graças à luz branca e forte que estava sobre eles enquanto todo o resto do teatro estava muito mal iluminado com as luzes baixas.
— É ela… – murmurou tão baixo e sem o microfone próximo aos lábios, que apenas que estava ao seu lado que ouviu o que mais lhe pareceu um resmungo. E mesmo que a mais nova tivesse ficado curiosa e até preocupada, ela sabia que não podia começar ali uma conversa com a dançarina. Por isso, procurou rapidamente pela mão de e segurou dois de seus dedos, apertando levemente querendo passar alguma segurança para a outra. Segurança essa que nem ela mesma sentia.
— Se apresentem, por favor. — Park Mi-Rae pediu, usando um microfone também sem fio e de mão.
— Olá, nós somos o Glory Days! — As cinco falaram em uníssono, lembrando-se de sorrir o mais largo que conseguiram e abaixando-se logo depois para um cumprimento que serviu para lhes permitir uma respiração profunda.
E mesmo que todos ali as conhecessem, fosse porque assistiram ao programa, no caso de Junmyeon, ou porque trabalhava com elas ou esteve na reunião dos contratos, as cinco precisaram se apresentar individualmente. Cada uma falou seu nome e sua posição no grupo, sempre com um sorriso nos lábios e uma postura ereta e que significasse educação e respeito. Mudar o peso do corpo de seus pés não era permitido, muito menos olhar para baixo ou gaguejar. Elas precisavam ser firmes desde o começo.
O primeiro toque da primeira música tocou exatos cinco segundos após a diretora ter autorizado que o grupo começasse a apresentação. E foi ali, naquele exato momento, que tudo começou dar completamente errado.
As letras e coreografias não foram esquecidas, mas erros grandiosos foram cometidos. Erros que nem se as cinco pessoas que as assistiam quisessem ignorar, conseguiriam. O primeiro erro foi tão pequeno comparado aos outros, que em determinado momento todos já se perguntavam se era possível piorar. E era. Era possível piorar porque as cinco garotas que subiram naquele palco e disseram fazer parte de um grupo, cantavam as músicas do grupo e dançavam as coreografias feitas pelas integrantes do grupo, não pareciam um grupo. Não precisava ser especialista para notar a desunião que existia em cima daquele palco. Elas não se olhavam direito, e nos momentos em que deveria existir interação entre elas, os olhares eram desviados. Os passos das coreografias que não eram finalizados corretamente, e os esbarrões que aconteciam sempre que precisavam trocar as posições mais a disputa que parecia ocorrer entre a dupla principal do vocal, não eram nada quando somados e comparados à tensão e peso que existia entre as cinco garotas. E aquele peso, aquela tensão e clima de completa desunião que existiam por causa dos emocionais e dos psicológicos abalados desde a noite anterior, faziam com que as cinco pessoas que as assistiam quisesse cada vez menos esperar até que a apresentação chegasse ao final.
Mas, esse momento não demorou a chegar. Só foi preciso que esbarrasse em mais uma vez, para que Park Mi-Rae levanta-se da cadeira e gritasse para que os técnicos de áudio parassem com a música e os técnicos da iluminação iluminassem o palco por completo.
— Alguém pode me dizer o que está acontecendo?! — A diretora gritou, e nem fora preciso o uso do microfone para que todos ouvissem e entendessem o que ela estava falava. – Vocês chamam isso de apresentação?!
As cinco garotas que ainda estavam assustadas demais com o grito inicial, se reuniram novamente no meio do palco e formaram uma fileira. Todas queriam abaixar suas cabeças e saírem dali o mais rápido possível, elas sabiam que a apresentação não estava sendo muito boa, sentiam que erros estavam sendo cometidos, mas o ato de interrompê-las, o grito e o olhar acusatório da diretora as fizeram pensar que estavam muito pior do que pensavam.
— Se isso for o melhor, então já podemos cancelar os contratos e o debut. – Chung-Hee informou como se o seu pensamento não fosse grande coisa, mas ele era. Cancelar os contratos e o debut seria o mesmo que cancelar a maioria dos sonhos daquelas cinco garotas, e mesmo que sentisse vergonha de toda aquela situação que demonstrava a sua incompetência como líder, ela precisava fazer alguma coisa. E foi por pensar em salvar os sonhos das outras quatro garotas, que ela falou.
— Sinto muito. – Se abaixou, pedindo desculpas e permaneceu com sua cabeça abaixada por alguns segundos, vendo as outras seguirem seu gesto pouco antes de se levantar. – Estamos nervosas, mas sabemos que isso não é justificativa. Cometemos erros, e pedimos mais uma chance para mostrarmos que…
— Cometeram erros? Se reunirmos cinco trainees de nossa empresa, eles fazem melhor. – Park rebateu, interrompendo a líder do grupo que se sentia contra a parede. – Vocês tiveram dias para ensaiar. Ou melhor, vocês ensaiam desde que o programa terminou! Há uma sala de treinos só pra vocês! Um estúdio só pra vocês treinarem e produzirem suas músicas! Investimos diariamente em vocês! – A mulher gritava, encarando as cinco garotas que mesmo a distância podiam observar a sua face ficando vermelha. A diretora não queria saber de desculpas, ela queria respostas que justificassem aquela vergonha que não poderia ser chamada de apresentação. Mas, Mi-Rae não teria justificativa simplesmente porque não havia. As garotas sabiam que a mulher não aceitaria uma briga no grupo como resposta. – Vocês sabiam desde o começo que não trabalhamos com artistas de baixo nível! As cinco assinaram um contrato conosco, nos prometeram o seu melhor e até disseram que fariam parte dos melhores grupos que temos! Vocês realmente acham que é com essa coisa medíocre que vão ir para o nosso nível mais alto? Eu quero uma resposta!
pulou com o grito da mulher, agarrando a mão de que estava ao seu lado. Não era mais medo que lhe tomava, era vergonha, constrangimento, decepção consigo mesma, tristeza e uma série de sentimentos e sensações ruins. Incapaz, também se sentia a se via como uma incapaz naquele momento. Mas, ela não era a única. As cinco garotas, cada uma delas, se sentiam sem qualquer capacidade fosse para responder a diretora ou para provar que poderiam fazer melhor do que aquilo que apresentaram nos últimos trinta minutos.
— Eu entendo o nervosismo de vocês. – Junmyeon falou, seu tom de voz baixo em contraste com o tom usado pela diretora. A mulher o encarou de lado, voltando a sentar-se na cadeira e respirando profundamente. – Também ficamos bem nervosos no nosso pré-debut, – ele sorriu. E se fosse outro momento, teria surtado e achado extremamente fofo o jeito com que Kim se referiu aos seus membros se fossem um. – mas, preciso dizer que não é seguro deixar que isso tome conta de vocês. Sabemos e vimos a capacidade de vocês, mas é preciso controlar o nervosismo.
Suho finalizou sabendo que não tinha muito que falar, não na frente dos superiores que pareciam tão bravos com as cinco garotas que o lembrava de seus membros. Kim sentiu-se empático com cada uma das meninas, afinal ele também já tivera seus primeiros dias na empresa e o pré-debut do EXO que lhe fizera vomitar de nervosismo. Manteve-se atento ao olhar daquelas garotas, e quase se levantou de onde estava para ir até elas quando observou , a chinesa do grupo, levantar o rosto para segurar as lágrimas que estavam prontas para sair de seus olhos e , a maknae, passar rapidamente a mão por sua bochecha para tirar dali as lágrimas que não conseguiu segurar por muito tempo. Suho também observou que , a segunda vocal do grupo e uma das que mais cometeu erros durante a apresentação, abaixou a cabeça pareceu suspirar. Viu morder o lábio inferior, e também viu levanto o microfone até a boca, mas logo desistindo e só se abaixando em um pedido de desculpas.
E mais uma vez, as outras quatro integrantes seguiram o movimento da líder e se abaixaram também. Kim ouviu o suspiro pesado que a diretora soltou ao seu lado, antes de virar o rosto para olhar a mulher que se levantou.
— Dez dias. Nos veremos novamente em dez dias, e saberemos se vamos ou não cancelar tudo. – Park deixou que sua voz imponente soasse pelo ambiente, observando as cinco garotas que ainda estavam com a cabeça e o tronco abaixados lhes pedindo desculpas. O que as garotas não sabiam, no entanto, era que o motivo principal de Mi-Rae estar com tanta raiva da apresentação mal sucedida é o que Suho havia dito: todos sabiam da capacidade que as cinco tinham de fazer algo melhor, até a própria Mi-Rae. – Até lá, todas as atividades de divulgação que faríamos estão suspensas. Afinal, não podemos divulgar um grupo que não sabemos se irá debutar.
A diretora saiu do teatro acompanhada do diretor Chung-Hee que não demorou mais do que dois segundos para se levantar e seguir a mulher. Hee não tinha muito que falar sobre a apresentação do Glory Days, ele confiava e trabalhava com Mi-Rae há anos para saber que ela já entendera que ele não se preocupava no que seria feito para que os artistas da empresa ficassem perfeitos, ele só queria que eles ficassem. Ele só queria os lucros, nada além disso.
Yoo Young-Jin saiu logo depois, deixando Junmyeon e Jikyu sozinhos onde estavam sentados, ambos observando as cinco garotas que ainda se desculpavam. E mesmo que Suho quisesse conversar com cada uma delas, especialmente com a líder do grupo, ele sabia que naquele momento elas precisavam voltar para o dormitório e pensarem sobre o que havia acontecido naquele teatro.
E todas foram levadas para o dormitório na mesma van preta em que Jang as buscou, mas precisou ficar no veículo por mais um tempo com um manager após a saída das outras quatro. Porque mesmo que o grupo tivesse fracassado na apresentação, Jikyu ainda era o manager e ainda precisava saber o que tinha acontecido entre as garotas. Agora, mais do que nunca, ele precisava saber o que havia acontecido para que tudo desse tão errado.

O silêncio que insistia em tomar conta do dormitório era angustiante para quem estava acostumado em encontrar aquele ambiente sempre tão barulhento. e já estavam deitadas em suas camas no quarto que dividiam. A chinesa usava uma roupa mais folgada e revivia cada detalhe daquele dia que ainda nem tinha chegado a sua metade e parecia irreal demais pra si. , por outro lado, ainda usava as roupas que escolheu pela manhã, e estava deitada porque estava dormindo em um sono profundo graças aos dois comprimidos que tomara para sua dor de cabeça. Havia usado a força do remédio como desculpa para dormir e não ter que falar com ninguém, e nem sentir a vergonha que lhe tomava junto com o nó na garganta, que indicava a sua vontade de chorar.
e também estavam em suas camas, e mesmo que sentissem que precisavam conversar e falar sobre o que acontecera, nenhuma das duas sabia como fazer isso. Porque assim como , elas também repassavam aquele dia em suas mentes e também achavam tudo surreal demais. Não era aceitavam que todas tivessem ensaiado tanto e batalhado tanto para chegar onde estavam pra fazerem uma apresentação tão bosta como a que fizeram. Mesmo que seus emocionais e psicológicos estivessem bagunçados, e elas não tivessem falando umas com as outras, deveriam ter sido profissionais.
E, por último, estava na cozinha. Sentada em uma das cadeiras da mesa de refeições, repassando em sua mente não só a apresentação em si, como também os gritos da diretora, o deboche do diretor, as palavras de conforto de Junmeyon e a conversa que tivera com Jikyu e que durou mais do que ela imaginou. A cabeça da garota parecia que iria explodir, enquanto seu coração batia tão acelerado que não sabia mais o que fazer para se acalmar, respirar fundo não estava funcionando. E sua mente não lhe ajudava quando reproduzia perfeitamente a imagem do palco. Palco em que tudo deu ainda mais errado. Palco em que ela e suas companheiras de grupo, demonstraram não ser um grupo. Palavras ditas pelo manager do grupo que ouviu sobre a briga da noite anterior. E ao contrário do que pensou quando começou a relatar tudo para Jang, não se sentia mais leve após ter dividido com alguém o peso da situação que viu acontecer na sua frente. O peso ainda estava lá, apertando seu coração e a deixando tão desesperada quanto à apresentação em si.
Mas, sabia que precisava se acalmar. Não dormia direito há dias seguidos, seu corpo pedia por descanso e sua mente também. Mesmo que estivesse estressada, chateada, decepcionada e até com raiva, ela precisava se desligar do mundo. Por isso, levantou-se e colocou uma quantidade razoável de água na chaleira e esperou até que a água fervesse para que pudesse lhe preparar um pouco de chá de camomila.
O barulho da chaleira quando a água ferveu fez com que e saíssem do quarto para ir até a cozinha, a mais velha atrás da mais nova que não precisou de muitas palavras para convencê-la de que precisavam ir ver se quem fazia o barulho era .
— Ei. — sorriu entrando na cozinha, olhando para que a encarou após colocar um pouco de açúcar no chá. – Chegou agora?
— Quase. – Respondeu, levando a xícara até os lábios antes de dar a volta na ilha e voltar para a cadeira que ocupava antes. – Aconteceu alguma coisa? Quero dizer, alguma outra coisa? – arrumou, olhando de que se sentou na cadeira do outro lado da mesa a sua frente e para que continuava de pé na porta da cozinha.
— Não, não. — a mais nova negou, sorrindo fraco para a líder, que suspirou. – Pensei que seria bom se ficássemos juntas nesse momento, então chamei a para te fazer companhia.
sorriu diante da atitude da mais nova, e não se surpreendeu. sempre fora do tipo que tenta acalmar a todos ao seu redor, sempre fazendo piadas para que todos rissem ou mostrando apoio diante de dificuldades. E mesmo que e não tivessem brigado entre si, era visível que a dançarina tinha algum rancor da líder que havia lhe mandado calar a boca na noite anterior.
— Seu pé está doendo? – perguntou, olhando para o pé da mais nova que negou rapidamente. – Coloca gelo, você se esforçou hoje.
— Vou colocar. – sorriu, virando o rosto para encarar que estava atrás de si e suspirou. Seus gestos não passaram despercebidos nem por que a acompanhou com o olhar, e nem por que deu de ombros e continuou em silêncio. – Nós vamos dar um jeito. – a afirmação veio em tom baixo, soando trêmula em meio à voz que não emanou nenhuma certeza. Era como se estivesse fazendo uma pergunta, ao invés de uma afirmação. – Vamos conseguir fazer uma apresentação melhor. Vamos mostrar pra eles, pra ela, que valeu a pena nos contratar. E que não ganhamos o programa em vão.
— Vamos sim. — a respondeu, sorrindo o mais segura possível para a maknae que retribuiu o sorriso e assentiu com a cabeça. A mais velha não tinha tanta certeza assim que tudo iria se resolver. nem sabia por onde começar a resolver todos os problemas que existiam dentro do grupo, mas ela precisava acalmar a outra garota de alguma forma. Afinal, mesmo com incertezas e tão perdida, ainda era a líder do grupo e as meninas ainda precisavam dela.
— Nós precisamos falar com a e a . Especialmente, com a . – falou depois de ter ficado em silêncio desde que chegara com , atraindo a atenção da mais nova e da mais velha. — Fomos horríveis hoje, eu entendo o surto da diretora. — a garota suspirou pesadamente, como se repassasse novamente a coreografia em sua cabeça. — O clima estava tão pesado, todo mundo estava tão nervoso e depois de ontem ainda, com os ânimos tão… — ela parou, sem saber que palavra usar para descrevê-las, mas balançou a cabeça, igualmente decepcionada e irritada. – foi irresponsável. Ela sabia da apresentação, e todas estávamos ansiosas demais, não justifica ter bebido. O que ela fez ontem mexeu com todo mundo, o que falou desmotivou todo mundo e ainda se atrapalhou com metade dos passos que ela já sabia. O erro que ela cometeu…
— O erro não foi só dela, . — a interrompeu, encarando-a e suspirando também enquanto deixava a xícara com o chá em cima da mesa, passando as pontas dos dedos pela alça da peça de porcelana. – Todas nós erramos. Tanto ontem quanto hoje. Aconteceram coisas que não deveriam ter acontecido, fomos todas irresponsáveis e nada profissionais.
— O que você quer dizer com isso? – arqueou as duas sobrancelhas, entendendo muito bem que a líder não falava apenas de errar a coreografia embora não soubesse o motivo disso. Em sua mente tudo estava bem claro. Todas haviam cometido erros durante aquele dia, durante aquela performance, mas a fonte de todos eles ainda era . Era sempre , aliás, a fonte de todos os problemas do grupo, desentendimentos e crises de autoestima alheia, mas não foi muito difícil, mesmo para , enxergar no rosto da líder ao que ela se referia, bastou apenas um olhar sugestivo. simplesmente era boa naquilo. – Espera, isso foi uma crítica ao que aconteceu ontem depois que a desdenhou da ? Depois do que ela falou da ? — perguntou, ligeiramente ofendida. Agressão não era a solução e ela entendia isso, mas ela estava tão cansada de que sinceramente, aquele tapa foi o auge de sua relação com ela desde o início, de longe o melhor momento. Não aguentava mais a atitude arrogante, não aguentava mais a garota desdenhando de todas, maltratando a maknae, maltratando a ela e pior, a forma como falou de depois de tudo. — Ela mereceu aquele tapa, e se continuasse falando coisas como aquela eu não me importaria em quebrar o nariz dela. – explicou, gesticulando com a mão e não gostando nenhum pouco quando viu suspirar e fechar os olhos, apenas para abri-los segundos depois. – Você está mesmo defendendo a ?
— Não estou defendendo ninguém. Só não concordo com nada do que aconteceu nesse dormitório ontem, e nem com a apresentação que fizemos. – falou, soando tão impaciente que quase se encolheu olhando de uma para a outra, sabendo o fim que aquela conversa poderia ter se tratando das duas, tão igualmente orgulhosas. – A errou ao sair e beber quando combinamos que iríamos descansar para a apresentação. Errou em chegar bêbada, falar o que falou e fazer o que fez. Ela errou quando atacou que só queria acalmar os ânimos, em tocar na ferida alheia e pisar em cima. Mas isso não dá a ninguém o direito de bater nela. Agressão…
— Ah, espera! – riu ao interrompê-la, em uma mistura de nervoso pelo rumo da conversa e de deboche, fazendo com que suspirasse mais uma vez. não costumava ser a pessoa mais calma do mundo, assim como , mas ela lutava para controlar todos os seus impulsos pelo bem do grupo. Aquela atitude, aquela reação da dançarina, apenas serviu para deixá-la ainda mais impaciente e até mesmo irritada com a situação, pois mais uma vez tinha que ser a líder e não a pessoa que como todas também se exaltava. Ela tinha sempre que ser a superior pelo bem maior, mas ninguém parecia se importar em fazer o mesmo por um segundo e aquilo lhe esgotava, lhe magoava, e naquele momento, não poder devolver o tom também causava uma pontinha de irritação, mesmo sabendo que não era o momento. – Então, ela pode beber e agredir os outros verbalmente? — continuou, aproveitando-se do silêncio breve de . — Temos que aceitar tudo e bater palmas pra ela? Isso não tem sentido! Você sabia que quando eu entrei no quarto da , depois de correr de você e da , eu a encontrei chorando enquanto falava com a mãe no celular? E quer brincar de adivinhar qual era o motivo do choro? – Desdenhou, falando tudo rápido demais e alto demais, como sempre fazia quando estava agitada, mas aquilo nunca incomodou tanto , que suspirou mais uma vez. – estava chorando porque a gestão resolveu menosprezar o talento dela! E sabe o pior?! Ela estava realmente acreditando que era incapaz! Eu me esforcei pra fazê-la sorrir de novo! Ai quando eu consigo, pronto! A chega e estraga tudo, e estar bêbada foi só um detalhe porque sabemos que os comentários maldosos são o tipo de coisa que ela faz mesmo sóbria. Um dia , outro eu, mas ? Como alguém tem coragem de fazer mal a ela? E ainda mais depois de tudo? Agressão pode não ser a solução, mas ninguém nunca na vida mereceu tanto uns tapas pra ver se acorda. Alguém precisa acordar a para que ela pare de pisar nos outros porque eu estou cansada de aguentar calada as atitudes dela!
— Em nenhum momento eu disse que devemos aplaudir as atitudes da . Eu só acredito que violência não vai nos levar a lugar nenhum, . – respirou fundo, encarando a dançarina que a olhava de volta. E esse era o ponto que sabia que iriam chegar: a uma briga. e sempre foram muito parecidas quando estavam estressadas. E pior do que quando suas TPM’s vinham juntas, era quando ambas estavam chateadas com alguma coisa e começavam a cuspir o que lhes incomodava. Tanto quanto nunca poupavam palavras para se expressar, e nem deboche, e era aí que a situação ficava ainda pior. Porque tanto uma quanto à outra, odiava quando outros usavam deboche com elas da mesma forma que amavam usar com os outros. – Eu sei que toda a situação das músicas mexeu com a , assim como também mexeu comigo e com vocês. Mas continuo achando que mesmo que a
— Mesmo que ela seja ridícula em falar desse assunto e machucar os outros, está tudo bem? Porque se for nem termine. – interrompeu mais uma vez, agora aumentando o tom de voz propositalmente. – Nada vai me tirar da cabeça que ela mereceu o que houve, ! Não foi só hoje, não foi só a , é todo mundo desde o começo aguentando as merdas da em silêncio e alguém precisava fazer alguma coisa já que falar com ela não adianta!
— Então, se uma de nós fizer algo que irrite a outra, é aceitável receber um tapa?! – quem interrompeu dessa vez, chegando o corpo pra frente e apoiando a mão na mesa, sua respiração acelerada junto com seu coração. Não sentia raiva, mas detestava saber que acreditava que ela defendia quando era tão escrota com as outras, especialmente quando sempre as defendeu de e não, nunca fingiu ou aceitou que estava tudo bem. – Eu sei o quanto a pode ser ridícula. Acredite em mim, eu sei! Ela já me disse coisas horríveis, e nem por isso saí dando na cara dela, . — foi erguendo o tom de voz enquanto falava. — Violência não resolve nada, caso contrário o mundo não estaria do jeito que está! errou, e todas nós sabemos disso, mas, pra mim, ainda não parece justificável receber um tapa na cara! – se exaltou no final, finalmente explodindo e assustando que se encolheu na cadeira que estava sentada. soltou o ar pela boca, odiando aquele tom mesmo o tendo usado há pouco também. – Eu já fiquei irritada com a também, assim como já fiquei com você, com a e até com a ! Mas isso não me deu o direito de dar um tapa na cara de qualquer uma de vocês!
, não foi apenas uma intriga. A gente engole merda dela todo o santo dia sem fazer nada, nunca! Ela humilha todas nós, pisa em nós, não nos desentendemos com ela por causa de besteiras do cotidiano, ela nos humilha, é cruel. São situações totalmente diferentes! — exclamou, ainda defendendo seu ponto de vista. Concordava que nada deveria ser resolvido na agressão, mas tinha gente que merecia uns tapas, como . — Nós tentamos sempre nos motivar, mesmo quando erramos ou quando está dando tudo errado! Nos apoiamos, menos ela que faz questão de jogar todos os erros na nossa cara. Nós nunca pisamos na ferida da outra, e você não pode dizer que já pisamos em uma sua, , mesmo quando você esqueceu a sua parte do rap no programa e nos tirou alguns pontos consideráveis! – apontou, recebendo um olhar com olhos arregalados de e um suspirar pesado de , mas irritada, não se deu conta de que tinha acabado de fazer exatamente o que não devia com o comentário. Sua intenção era expor que todos erravam e tudo bem, acontece. Ela errava coreografias e caia tropeçando no próprio pé o tempo todo mesmo sendo dançarina e se culpava por isso, mas as meninas a apoiavam e diziam que estava tudo bem da mesma forma como todas apoiaram no dia em que errou também. Ninguém a criticou, ninguém gritou e ninguém ficou bravo porque podia ser qualquer um. Era isso que ela queria dizer, mas tudo que conseguiu foi magoar uma ferida que ainda estava aberta em , desde aquele dia. – toca onde dói, ela fala do nosso talento e acha que pode fazer isso só porque erra menos do que as outras! E você nunca faz nada sobre isso, . – apontou. – Você só pede pra ela parar, mas logo tudo volta ao normal com as palavras ácidas dela! Não aguentei escutar o que ela falou da , foi cruel demais. E também não aguento mais ela nos diminuindo o tempo todo. Não vou me desculpar pelo tapa. Você pode ficar com raiva de mim por isso, mas eu não retiro o que eu fiz!
— Eu não quero que você se desculpe. – afirmou quando a interrompeu, mantendo o olhar fixo na dançarina que, se percebeu o olhar brilhoso e marejado da mais velha, não deixou transparecer. – Não quero que você se desculpe por algo que não se arrepende. Ou será uma desculpa vazia. Eu não estou com raiva de você por causa do tapa. – Suspirou, olhando rapidamente para a mais nova que abriu a boca para falar alguma coisa, mas não teve tempo, pois continuou – Acho que fiquei mais decepcionada porque sempre pensei que poderia contar com você quando as coisas apertassem. Pensei que seria você quem me ajudaria a acalmar os ânimos e manter tudo sob controle. Mas, aparentemente, eu esqueci que você não tem muita paciência e nem sangue de barata. E está tudo bem. Você tem o direito de ficar com raiva diante de alguma situação, é normal do ser humano. – olhou para a sua xícara de chá já esquecido, sorrindo fraco para o objeto antes de erguer o olhar e observar as duas garotas que estavam a sua frente. se manteve quieta, mas sinceramente, o tom novamente ameno de apenas a deixou mais irritada. E as palavras também. Ela era boa em pensar no grupo como um todo. Ela tentava, de verdade, achar sempre um meio termo sempre. O problema era , e apenas jogou na sua cara que ela não conseguia fazer exatamente o que tentava fazer o tempo todo. Tudo isso porque defendeu das palavras rudes da colega que decidiu aparecer bêbada as vésperas da primeira grande performance. – E sobre a minha liderança, e o fato de eu só pedir para que pare com as implicâncias, eu concordo com você. Também acho que não faço um bom trabalho como líder, e até me pergunto o que as levou a me eleger pra esse cargo. E peço desculpas por todas as minhas falhas, que eu sei que são muitas. – Respirou fundo antes de se levantar e deixar ir deixar a xícara na pia. – Mas, não se preocupem. Eu vou pensar em um jeito de resolvermos essa apresentação ridícula que fizemos, e vamos mostrar o nosso valor daqui dez dias.
… — tentou chamá-la, mas ainda se sentia mais irritada do que culpada. E justamente essa irritação que fazia com que ela visse algumas palavras daquele discurso como drama desnecessário. era a melhor líder e única líder daquele grupo, ninguém estava tentando dizer que ela não desempenhava muito bem o seu papel.
— Agora, eu preciso ir para a empresa. Preciso começar a tentar consertar alguns erros que cometi. – interrompeu , que tinha a face molhada por lágrimas. Ela sorriu para a mais nova, tentando lhe passar a certeza de que sabia do que estava fazendo mesmo que não soubesse. Para todas era tão óbvio que era a mais capaz de todas elas, que nem passava pela cabeça das mais novas a possibilidade de que não se reconhecia como uma boa líder, mas ela não se reconhecia. Para , ela não era a pessoa de pulso firme que o grupo precisava. – E mesmo que a apresentação hoje tenha sido péssima, não duvidem do talento de vocês, sim? Vocês são incríveis e capazes de conquistar o mundo.
sorriu fraco olhando de uma para a outra, logo passando por que ainda estava próxima a porta e saindo da cozinha. A líder não demorou a deixar o apartamento, demorando apenas o suficiente para pegar seu boné e uma máscara no quarto.
O silêncio voltou a tomar conta do dormitório, o silêncio exterior. Pois dentro das quatro garotas que permaneceram no apartamento, tudo estava um caos e suas mentes gritavam.
continuava sentada na cadeira enquanto encarava que ainda encarava o ponto atrás da pia que ocupou há alguns segundos. A maknae se perguntava se não apenas a apresentação fora real, mas se aquela briga havia mesmo acontecido ou se tudo não passava de um pesadelo. E até pensou em pedir que a beliscasse para acordá-la, mas soube que tudo fora real quando viu a dançarina deixar a cozinha a passos firmes e apressados.
sentia muita raiva, e vontade de chorar ao mesmo tempo por sentir raiva. Mas, seu orgulho não permitia que as lágrimas saíssem de seus olhos. Sem dizer uma palavra, ela foi para o quarto que dividia com a mais velha e a mais nova, fechando a porta atrás de si e logo se jogou em sua cama, se cobrindo. precisava ficar sozinha para refletir sobre o que havia feito. Sabia que não estava errada sobre , mas assim que passou por ela se perguntou se tinha mesmo necessidade de ter gritado tanto.
– Você acha que… – sussurrou, não tendo tempo de completar a frase quando passou ao seu lado voltando para o quarto que dividiam. Suspirou, sabendo que a resposta para a sua pergunta era negativa. Nada iria ficar bem.
e saíram do quarto assim que começaram a ouvir os gritos de e , parando no corredor que dava para ver a cozinha e dali observaram tudo que aconteceu. Ouviram tudo, cada palavra. quem segurou o pulso de a impedindo de ir até as outras três, e jamais admitiria que escolheu ficar ali para ouvir tudo que e tinham a dizer. E voltou para o quarto quando os gritos acabado porque já havia ouvido o suficiente. Porque a vergonha e a culpa que sentia dentro de si eram o bastante para lhe fazer chorar no banheiro que tinha no quarto, enquanto repensava se merecia mesmo estar no grupo. Porque talvez fosse por isso que sempre quis ser cantora solo: porque ela sabia que era uma bomba perto de outras pessoas. Uma bomba que causava tragédias antes mesmo de explodir. E, no fundo, ela sentia medo do dia em que explodisse.
permaneceu parada no corredor pensando se iria falar com ou não. Procurando dentro de si alguma palavra que consolasse tanto a ela quanto a mais nova. Porém, decidiu voltar para o quarto dois minutos depois de tanto pensar. A chinesa não tinha as palavras certas pra dizer para a mais nova, ela só tinha culpa dentro de si. Culpa por dar tanto trabalho as suas companheiras de grupo e por precisar que elas a defendessem de problemas que a sua nacionalidade causava. também sentia culpa. Culpa por ser tão fraca, um alvo fácil para acusações e por ser chinesa. começou a se culpar por ser quem era, e isso era muito pior do que qualquer outra coisa.
A culpa tomava as cinco garotas, as fazendo ter pensamentos que as afastava ainda mais uma das outras. E mesmo que cada uma tentasse pensar em algo que pudesse salvar o grupo, nunca chegavam a nenhuma ideia que fosse realmente boa o suficiente. O que elas não percebiam e não perceberiam nem tão cedo, pelo menos não enquanto a culpa e o nervosismo tomassem conta de seus sistemas, é que só conseguiriam pensar em alguma coisa para salvar o destino do grupo quando voltassem a ser exatamente aquilo: um grupo.

tinha certeza de que ouviu alguém gritando seu nome, mas não se virou ou ao menos parou para olhar quem era. Ela andava com pressa, de cabeça baixa enquanto mordia o lábio inferior, precisava chegar o mais rápido possível no estúdio. Mas, como sempre acontece quando queremos chegar a algum lugar, o estúdio parecia muito mais longe do que de fato era. Os corredores pareciam maiores, a empresa parecia ter mais gente naquele dia e todos pareciam encarar . Ela sentia como se todos os olhares estivessem em sua direção, em si. sentia que os cochichos que ouvia eram sobre a apresentação feita por ela e suas meninas, a terrível apresentação. Todo mundo já deveriam estar sabendo do fiasco que elas foram, é claro, e deveriam estar se perguntando se a empresa iria mesmo lançar um grupo tão ruim. Afinal, se foram tão ruins na apresentação pré-debut o quão ruins conseguiriam ser em um show? E mesmo que quisesse rebater todas aquelas criticas que sabia que estar rolando pela empresa, ela não podia. Porque ela mesma se questionava como a empresa poderia debutar um grupo que não sabia o básico: ser um grupo, e que naquele momento nem parecia um.
tinha um turbilhão de sentimentos e sensações dentro de si antes mesmo da apresentação, desde a noite anterior, e tudo se agravou e ficou ainda mais intenso após a sua briga com . Seu coração estava muito mais pesado e dolorido. Fazer uma apresentação ruim havia sido péssimo, a briga da noite anterior tinha sido um erro gigantesco, mas nada se comparava a ouvir tudo que ouvira de . Saber o que a dançarina pensava de si, que lhe julgava tanto, era ainda pior. Porque era muito mais do que uma integrante do grupo que era líder e fazia parte, era uma de suas melhores amigas.
A porta do estúdio finalmente entrou no campo de visão de antes que as lágrimas, que tornavam sua visão turva e ardiam seus olhos, caíssem e molhassem sua face. Ela digitou a senha que destrancava a porta e a fechou o mais rápido possível, pedindo baixinho que ninguém pensasse em usar aquele estúdio pelas próximas cinco horas, no mínimo.
E então, foi ali, sozinha dentro do estúdio de gravações, que chorou tudo que vinha guardando desde o final da apresentação. O ar parecia mais denso a menina que o choro se intensificava e seu corpo tremia, as lágrimas escorriam em uma velocidade e facilidade absurda. O boné e a máscara foram retirados no exato momento em que a garota sentou no chão e abaixou a cabeça, apoiando sua testa nos joelhos. chorava abraçada a si mesma, buscando naquele ato algum conforto que lhe desse força para ir confortar de forma eficaz as meninas que precisavam de si. Mas, não era o bastante. O escuro do estúdio lhe dava a sensação de segurança, como se estar ali sozinha fosse bom. Afinal, sem ninguém por perto ela poderia abaixar sua guarda e colocar para fora de si tudo que lhe pesava, mas mesmo chorando e tendo um alívio pequeno, ainda não se sentia bem. O peso, a dor e a angústia por não ser boa como líder e ser uma rapper que esquece a letra da própria música, se misturava com a sensação de estar sozinha, sem ninguém ao seu lado, nem mesmo as integrantes de seu grupo. E aquela era o pior tipo de dor, a dor da solidão.
– Olá… – A voz receosa e baixa do garoto não foi ouvida por que estava imersa demais em seu próprio mundo, sem eu próprio choro. Mas o barulho dos suspiros e da respiração acelerada da garota foi ouvido por ele que olhou ao redor em busca da origem do som. Chanyeol arregalou os olhos quando enxergou sentada no chão do estúdio, encostada na parede enquanto abraçava a si mesma. Ele fechou a porta atrás de si, usando somente a claridade do monitor para lhe ajudar a dar alguns passos em direção à menina sem cair. – Ei, -yah? – A chamou, notando que ela não se moveu nem para encará-lo. – Ei.
– Vai embora, por favor. – ela o pediu, após reconhecer a voz e saber que agora estava na companhia de Chanyeol. – Preciso ficar sozinha. – Suspirou, balançando a cabeça ainda sem erguê-la, tentando segurar um soluço e falhando.
– Eu não posso te deixar sozinha. – Park afirmou, sentando-se no chão ao lado de , ficando virado de frente para ela que ainda não o encarava. – , você está tremendo.
– Vai passar. Eu não quero conversar, por favor. – respondeu, apertando seus joelhos e tendo toda a atenção de Chanyeol que observou como seus dedos ficaram brancos com o movimento.
– Então, só respira fundo e conta até três comigo, ‘tá bem? – Ele pediu, respirando fundo indicando como a garota deveria fazer. – Vamos lá, prometo que vai te ajudar.
E o imitou, se juntando a Chanyeol tanto nas respirações profundas quanto na contagem. Prenderam a maior quantidade de ar que conseguiram, soltaram de forma lenta, contaram até três repetidamente e repetiram todo o processo até que o corpo da menina parasse de tremer, o choro cessasse e o ar lhe parecesse menos pesado. Chanyeol permaneceu em silêncio, não perguntando o que havia acontecido ou nada do tipo. Afinal, ele imaginava o porquê da garota estar ali, sozinha, e chorando. Junmeyon havia contado aos membros do EXO sobre a apresentação das garotas quando eles perguntaram sobre, e mesmo que o líder tivesse dito que elas estavam bem nervosas, Chanyeol e os outros entenderam o que Suho queria dizer. Alguma coisa tinha dado muito errado.
– O que veio fazer aqui? – perguntou depois de alguns minutos em silêncio, olhando para o garoto ao seu lado pelo pequeno espaço que havia entre seu braço e sua coxa, enxergando apenas as pernas esticadas no chão de Chanyeol. – Me seguiu?
– Mais ou menos. – confessou. – Te vi passando com pressa, o Baekhyun te chamou e você não olhou. E eu já tinha que vir buscar um pendrive aqui, então…
– Ah, então foi ele quem me chamou. – suspirou, fechando novamente os olhos. – Ouvi alguém me chamar, mas não consegui olhar pra ver quem era. Vou me desculpar com ele depois.
– Nah, não precisa. Baek já está acostumado a ser ignorado, fazemos isso sempre. – Deu de ombros, rindo baixo e querendo ter sido capaz de fazer a garota ao menos sorrir. – Fiquei sabendo da apresentação. – soltou, não conseguindo continuar indiferente a tudo aquilo, aquela situação. Ele tinha tanta coisa para dizer a , tantas coisas que lhe confortassem e fizesse a garota entender que aquele mundo do entretenimento às vezes exigia demais, mas que estava tudo bem cometer alguns erros.
– Fomos horríveis. Você precisava ter visto. – afirmou, rindo baixo em total nervosismo, vergonha e tristeza. – Nem parecíamos um grupo. A diretora estava certa… Aquilo nem parecia uma apresentação. – suspirou mais uma vez, esticando suas pernas no chão enquanto manteve sua cabeça baixa, ainda sem coragem de encarar o garoto ao seu lado.
– Aconteceu alguma coisa antes da apresentação? – Chanyeol balançava suas pernas, deixando de encarar a menina ao seu lado quando a viu passar as mãos no rosto. Ele olhou pra frente, não querendo fazer com que se sentisse ainda pior tendo toda a sua atenção nela.
– Tivemos uma briga no dormitório. Uma briga feia. – contou, evitando os detalhes e mordendo o próprio lábio inferior quando tudo voltou em sua mente como uma avalanche de memórias, que ela queria tanto que fizesse parte de um pesadelo que iria despertar dali alguns minutos. – foi grossa com a , mais uma vez. Mas dessa vez ela pegou pesado demais, então a e a se envolveram e… Foi péssimo.
– Briga antes de apresentação nunca é bom. – Ele quem suspirou dessa vez, encostando sua cabeça na parede atrás de si e encarando o teto do estúdio. – Mas, isso não define vocês. Essa briga, essa apresentação… Vocês são maiores que isso.
– Ah, somos? – perguntou, não podendo evitar o riso de descrença que lhe escapou. – Era uma apresentação importante, muito importante. E não soubemos ser o básico: um grupo. Não fomos profissionais, deixamos que nossas emoções tomassem conta de tudo. Além, é claro, da briga que tivemos antes. E por mais que tenhamos sido incríveis no programa, isso já é passado. Eles não vão nos dar o debut se ficarmos fazendo mer…
– Sim, passado. Lugar onde essa apresentação também já está: no passado. – Chanyeol a interrompeu, não querendo ser grosseiro ou desrespeitoso, mas é que ouvir a garota falar com tanta raiva de algo que não definia a ela e nem a seu grupo, o incomodou. – Erros são cometidos, -yah. E está tudo bem.
– Não está. Nós não podemos errar. – ela rebateu, virando o rosto e o encarando pela primeira vez desde que Chanyeol a encontrara ali. – Nós temos que ser perfeitas.
– Não existe perfeição. E os acertos só surgem depois de muitos erros. Foi assim comigo e com os meninos, e com vocês não será diferente. – Park respirou fundo, evitando e controlando a vontade de tomar o rosto de para tirar de sua pele a lágrima que saiu de seus olhos. – Vocês foram incríveis no programa, chegaram até a final e ganharam, mas você se lembra de quantas vezes vocês erraram ao longo do programa? Quantas broncas receberam? Quantas vezes os jurados diziam que vocês ainda não estavam prontas e até duvidavam da capacidade de vocês? E vocês conseguiram, ganharam o programa e agora estão aqui, indo em direção ao debut.
– Eu não as sinto mais ao meu lado. – sussurrou, fechando seus olhos e os abrindo segundos depois. – Eu sinto que as decepcionei, porque eu me decepcionei. Não me sinto capaz de orientá-las, porque não sei o que fazer. Eu não consigo nem ao menos falar uma palavra de conforto. Deixo que elas briguem e uma desmereça as outras. Eu não sou firme como deveria ser.
– E está tudo bem se sentir assim. Sim, está. – Ele reafirmou quando viu que iria dizer algo, a impedindo antes mesmo que um som saísse de seus lábios. – -yah, olha… Eu não posso te dizer que tudo vai ficar bem de hoje pra amanhã. Está tudo muito recente, vocês estão magoadas e decepcionadas. Todos vocês, eu aposto. Mas, eu posso te dizer que tudo vai ficar bem. Vocês vão se entender depois que cada uma tiver tirado o seu tempo pra si. E juntas irão aprender a ser um grupo, e vão fazer uma apresentação incrível. Você não pode se cobrar tanto.
– Eu sou a líder do grupo, Chanyeol-nim. Elas precisam de mim.
– E você precisar estar bem e forte pra cuidar delas. – Park afirmou, vendo a menina suspirar. – Você não pode carregar o mundo inteiro nas costas, assim como eu não posso te falar que tudo vai ser sempre mil maravilhas. Depois de tanto tempo nesse meio, eu aprendi que erros e situações difíceis são mais normais do que o esperado, mas que está tudo bem. Se chegamos até aqui é porque já passamos por muitas coisas. E se já passamos por muitas coisas, isso quer dizer que somos fortes. E como eu sei que esse é um momento difícil, e você disse que está se sentindo sozinha… – Ele se mexeu um pouco, sorrindo quando viu lhe encarar com uma sobrancelha erguida curiosa sobre o que ele faria. – Você pode segurar a minha mão se quiser.
– Que?
– Depois de um tempo eu também entendi que melhor do que segurar a mão de alguém, é ter alguém segurando a nossa mão. Entende? – ele a perguntou, estendo sua mão para a garota que o encarou enquanto pensava em tudo que acabara de ouvir. – Aish! Eu não estou te pedindo em casamento!
– Até porque eu não aceitaria. – rebateu, sorrindo pela primeira vez depois que toda confusão começou. – Eu vou aceitar só porque estou muito sensível no momento. – Explicou, ganhando uma risada do garoto que assentiu com a cabeça e observou a mão de ir de encontro a sua. A mão da menina era menor que a de Park, mas juntas, quando seus dedos se entrelaçavam e se fechavam, pareciam perfeitas. – Obrigada. – Ela o agradeceu, olhando se suas mãos para o rosto do cantor que ainda sorria.
– Está tudo bem. – Chanyeol apertou a mão de , sorrindo ainda mais largo e quase pulando no lugar em que estava sentado quando uma ideia surgiu em sua mente. – Ei! Quer meditar?
– Meditar?! – perguntou realmente confusa em como Chanyeol conseguia ser tão aleatório?
– É, eu vi que meditar ajuda a acalmar.
– Chanyeol-nim…
– Vamos tentar. Eu sempre quis, mas nunca consegui, não no dormitório. – deu de ombros, se virando e ficando de lado para , sem soltar sua mão. – Ei, podemos parar com as informalidades, né? Já somos amigos, não?
– Somos? – ela o perguntou quando também ficou ao seu lado, ambos com as costas encostadas na parede enquanto suas mãos os ligavam.
– Não somos? Bem, eu já te vi chorando duas vezes, e na primeira vez você estava gritando sozinha. Acho que isso já é uma amizade, não? Ou você chora e- Ai!
– Vamos meditar! – mandou depois de dar três tapas no braço do menino que se encolheu. – Silêncio. – pediu quando Park tentou falar alguma coisa.
fechou os olhos antes de Chanyeol que a observou por alguns segundos, olhando desde o perfil do rosto da menina até suas mãos unidas no chão do estúdio. E mesmo que ele não entendesse muito bem, um sentimento quentinho percorreu o seu corpo e o fez sorrir. Talvez fosse a sensação de dever cumprido, de ter feito com que a menina parasse de chorar e se sentisse mais tranquila, talvez. E mesmo que meditação exigisse que esvaziássemos nossas mentes e não pensássemos mais em nada, não conseguia parar de agradecer, mesmo que mentalmente, a presença do cantor. Pelo encontro repentino e pela mão que segurava a sua, é que naquele momento enquanto o mundo parecia estar inteiro em cima de si, era bom ter alguém ao seu lado. Era bom ter alguém segurando a sua mão, lhe impedindo de cair mais uma vez.
A meditação não durou muito mais que dois minutos, já que Chanyeol não conseguia esvaziar a mente e precisou mostrar a um vídeo que encontrou na noite passada. Não era um vídeo sobre um assunto sério e que traria a paz mundial, mas as quedas e a facilidade absurda que os pinguins tinham em cair parecia algo surreal demais para o garoto que riu durante todo o vídeo, e logo em seguida abriu outro sobre o mesmo assunto.
Os dois riram juntos em diversos momentos, sendo suas risadas o único som dentro do estúdio de gravações. A risada de Chanyeol era tão engraçada que fazia rir. Ele estava tão animado com os vídeos que ela o ouviu e prestava atenção no que Park falava. Mas, no fundo sabia o que Chanyeol estava fazendo, ela sabia desde o começo. Desde quando ele entrou no estúdio e a pediu para respirar fundo, quando falou todas aquelas palavras que ainda vagavam na mente da garota, quando ofereceu a sua mão e disse que seguraria a dela. sabia o que ele fazia, e era grata por isso. Grata a ele. Porque mesmo que não tivesse contado sobre tudo o que aconteceu, dado detalhes de toda a situação, Chanyeol estava ao seu lado a fazendo pensar em outras coisas. Fazendo com que a menina risse de vídeos de pinguins caindo, enquanto sua mão segurava a dela e seus dedos ficavam tão bem entrelaçados sem a chance de se desencaixarem. E tê-lo ao seu lado naquele momento, fazia com que sentisse o conforto que procurava quando entrou naquele estúdio. Sentia uma calma e uma leveza que não sentia há um longo período de tempo, e por isso pedira, em silêncio, que tudo aquilo durasse por mais algum tempo.
pediu, mentalmente, que Chanyeol continuasse ao seu lado segurando a sua mão e a fazendo rir por um tempo, é que ele estava certo… Às vezes é bom ter alguém segurando a nossa mão.
E também pediu que tanto quanto as outras meninas parassem de odiá-la logo, é que mesmo que fosse bom ter alguém segurando a sua mão, queria segurar as mãos de suas quatro companheiras de grupo.

Nota das Autoras:
Oi, meninas!!!!!!! Passando só pra agradecer muito os comentários nas atualizações anteriores! Iremos responder todos com calma, prometemos! Esperamos que continuem aqui e comentando também, por favor!
Xx

Capítulo 06.

— Pode falar, . — quase ria quando finalmente quebrou o silêncio.
A maknae estava sentada em uma das cadeiras perto da mesa da cozinha, assistindo enquanto a líder lavava a louça e praticamente enlouquecendo , que vira pelo canto do olho todas as oitenta vezes em que abriu a boca para falar com ela, porém fechou novamente no último instante, sem realmente falar nada.
, que esperava uma fala impaciente e talvez até raivosa, ainda assim não se sentiu menos intimidada pelo tom relativamente tranquilo de sua líder. Os últimos acontecimentos pesavam tanto em sua consciência que não vinha sendo capaz de processar qualquer sentimento além de culpa e medo.
O que aconteceria com elas agora, afinal? estava preocupada com o destino de seu grupo, se conseguiriam superar aquilo, e se sentia ainda menor, mais assustada, que o normal, mas, talvez até mais, se preocupava com sua relação com e , com a amizade que tinham, que ela tanto prezava. não sabia o que faria se perdesse aquele grupo, aquela chance de debutar, mas sabia menos ainda o que faria se, junto com aquilo, perdesse também suas melhores amigas. A ligação que tinha com e era mais forte do que a que tivera com qualquer amizade surgida anteriormente e não sabia o que faria sem aquilo.
— Eu… Queria falar com você. — ela coçou a nuca, sem jeito, e olhou por sobre o ombro em sua direção enquanto terminava de guardar os últimos pratos que lavara e secara.
— Eu sei disso, ué. — murmurou, soando genuinamente confusa. costumava ser mais direta que aquilo, afinal. — O que você tem?
— Eu te devo desculpas. — finalmente soltou, respirando ruidosamente em seguida. — O que eu… Eu e a fizemos foi errado, eu sei disso, e eu odeio brigas, . Odeio causar qualquer tipo de incômodo e queria poder apagar aquela noite, que nos causou tantos problemas. Eu entendo agora que não agi certo e… Bom, eu vou me desculpar com a também. Precisava falar com você antes, mas eu vou…
— Não precisa. — a voz de quase fez pular na cadeira onde estava, virando junto com para olhar na direção da vocalista, que se aproximou das duas a passos incertos. odiava demonstrar aquele tipo de incerteza, as meninas sabiam e vê-la fazê-lo fez se sentir ainda mais nervosa e trocar o peso do corpo de um pé para outro. respirou fundo. — Quer dizer, concordo com você, não foi legal e eu definitivamente preferia não ter apanhado. Mas falei umas coisas bem horríveis e, talvez… — ela mordeu o lábio, se interrompendo e arqueou as sobrancelhas, incrédula. Ela ia dizer o que achava que ia? — Eu posso ter merecido.
piscou, abrindo um pouco a boca graças a surpresa, definitivamente sem esperar por aquilo, e desviou o olhar, tentando mascarar a própria reação. , obviamente, estava se esforçando muito naquele momento e sabia que agir como se aquilo fosse o maior absurdo de todos não ia ajudá-la em nada.
— Bater em você, tendo sido ou , foi errado. Não devemos entrar no mérito do que você merecia ou não, porque ninguém aqui é juíza, então mesmo que você tenha dito coisas ruins também…
— Eu estraguei tudo. — lhe interrompeu, balançando a cabeça. Mesmo que estivesse sempre reclamando pela líder estar constantemente defendendo as mais novas, daquela vez ela não achava que merecia que ela entendesse seu lado também e lhe defendesse. Estava errada e fim. — Na verdade… Espera um segundo — pediu, dando as costas e saindo da cozinha antes que ou pudessem falar qualquer coisa.
A mais nova olhou na direção de , confusa, e a líder apenas retribuiu o olhar. Estava confusa também. De todas elas, afinal, era a última de quem ela realmente esperava ouvir um pedido de desculpas.
Logo, no entanto, antes que ela pudesse concluir alguma coisa a respeito da atitude de , a garota voltou, trazendo consigo e , ambas confusas.
— Está tudo bem? — perguntou, embora “bem” não fosse a palavra que nenhuma delas fosse escolher para descrever como andava a situação no dormitório.
não respondeu, encarando como se esperasse que ela o fizesse e sentiu o estômago revirar enquanto olhava de uma para outra, se afastando de para sentar-se a mesa. Estava mais magoada com do que irritada depois que a discussão finalmente se encerrou, mas ainda assim, mesmo que não sentisse que as coisas estavam bem entre as duas, sentia falta da mais velha, de sua melhor amiga.
— Eu devo desculpas a todas vocês. Estava vindo procurar a e a já estava aqui com ela então… — se calou por um instante, apontando entre as garotas, que lhe encararam compenetradas, esperando ouvir tudo que ela tivesse para falar. — , me desculpe por tudo que eu falei pra você. Eu sei que te magoei e foi errado, não… Não devia ter dito nada daquilo. — ela disse para sua companheira de quarto, baixando a cabeça e, por isso, não viu quando a outra balançou a dela, como se dispensasse o pedido.
— Não precisa se preocupar. — murmurou, ainda que houvesse realmente ficado magoada quando disse o que disse. Estavam todas passando por um momento tão difícil agora, com aquele obstáculo imenso lhes fazendo duvidar de seu sonho, que não fazia sentido para culpar umas as outras e remoer as feridas. Já havia tristeza o suficiente, angústia o suficiente, pelo futuro, lhes rondando para que deixassem o passado lhes afetar daquela forma também.
negou com a cabeça.
— Preciso sim. — insistiu — Sei que não sou a pessoa mais fácil do mundo, que exijo muito de vocês as vezes e que devem me odiar, mas a verdade é que está certa quando diz que fomos colocadas no mesmo grupo e temos que entender que, sem apoiar umas as outras, não vamos chegar a lugar nenhum.
“Devo desculpas a vocês” e estava certa”? Tudo aquilo vindo de , num único momento? Ninguém conseguia acreditar ou sabia como reagir e até levou um instante para encontrar as palavras para responder .
— Você tem razão, não vamos. — ela concordou com a cabeça. — O pré-debut provou exatamente isso. Você não errou sozinha, . Todas erramos. Todas devemos desculpas umas as outras. Não estou dizendo que devem pedir desculpas agora, porque devem fazer isso quando realmente sentirem que precisam, que é necessário dizer que sentem muito por tudo, mas, em algum momento, precisam. Todas precisam pedir desculpas umas as outras, inclusive eu. Ainda preciso melhorar muito como líder e sei disso. Eu podia, e devia, ter feito mais por nós. Quando a diretora falou aquelas coisas e eu não consegui rebater, não consegui falar o que devia ter dito, que vocês valiam sim a pena, eu…
— Ninguém teria feito diferente no seu lugar. — murmurou baixinho e olhou de uma para outra, depois desviou novamente o olhar para a mesa a sua frente também. Ela sabia que também precisava se desculpar, mas não conseguia porque, como disse, não seria sincero, não com . E quando a própria , bom… Não se sentia pronta nem para encará-la ainda. — Todas precisamos melhorar, mas estamos apenas começando. Vamos conseguir se fizermos isso juntas, se não desistirmos. — olhou de para as outras garotas, que assentiram minimamente para suas palavras, demonstrando concordar. , no entanto, não o fez e lhe encarou por um instante, triste e sem saber o que falar para tentar trazê-la de volta, apagar a mágoa que lhe dominava tão profundamente por conta de toda a situação.
— Eu peço desculpas também. Eu acho que deixei minhas emoções tomarem conta de mim depois que eles decidiram reduzir meu espaço no álbum e isso pode ter me atrapalhado na apresentação, então acho que prejudiquei vocês e isso não foi justo…
— Não, não faz isso. — finalmente falou, ainda que não para pedir desculpas, como as outras faziam. — Nada do que aconteceu é culpa sua. De todas nós, sim, mas não sua.
As outras concordaram rapidamente e respirou fundo, inspirando e segurando o ar até sentir a cabeça pesar de maneira característica, que foi quando ela expirou, soltando todo o ar de uma vez.
— Então, vamos nos concentrar na próxima apresentação agora. Vamos treinar e nos esforçar ainda mais e vamos conseguir. Porque temos talento, merecemos isso, a gente só precisa…
— Aprender a ser um grupo. — completou quando ela se calou, rindo sem humor em seguida. — Principalmente eu.
— Você só precisa entender que há jeitos melhores de ajudar as outras a chegar ao nível que precisamos chegar do que pressionar e depreciar. — murmurou, baixinho. Ela não criticava, como poderia parecer no tom errado, mas falava com gentileza, tentando realmente explicar o que estava fazendo errado. — Eu sei que não sou tão boa dançarina quanto devia, longe disso, mas o caso é justamente isso: Eu sei. Se você só apontar as falhas que já sabemos ter, não vai estar realmente nos ajudando a melhorar e vamos acabar prejudicando você também, mesmo sem querer. Eu juro que não quero, quero que consigamos isso. É o meu sonho também.
— E o meu. — sussurrou baixinho e tanto quanto levantaram as mãos, incluindo a si mesmas no discurso da maknae, que olhou para as três, e então novamente para , como se perguntasse se tudo bem para ela.
nunca admitiria aquilo em voz alta, mas uma pequena parte dela, quase inexistente, até achou bonitinho o modo que a mais nova lhe encarou, com aquela interrogação no olhar e nenhuma petulância.
Por fim, ela assentiu, mas não disse mais nada. Não seria ela, no fim das contas, se realmente pedisse desculpas outra vez. Nenhuma das cinco garotas, na verdade, falou mais nada.
Não eram bobas, não estava tudo bem e o ar pesado em volta delas provava justamente aquilo: Saber que precisavam melhorar, e que estavam dispostas a tentar, não significava que já conquistaram a vitória e eram o grupo que precisavam ser para debutar juntas.
Aquele era apenas o primeiro passo de uma jornada, no mínimo, complicada. Por tudo que estava em jogo, no entanto, elas tentariam.
observou curvar o corpo para se despedir antes de dar as costas, seguindo em direção ao próprio quarto pouco antes de , que o fez depois de negar precisar de alguma ajuda na cozinha. foi a terceira a deixar a cozinha, mas não perguntou ou disse nada. Ia se esforçar e fazer seu melhor pelo grupo, como sempre fizera, mas seria mentira dizer que havia deixado para trás o ressentimento pela briga com a líder e, por ora, ela só precisava de espaço. Havia sentimentos demais dentro dela, com os quais a dançarina ainda não sabia como lidar e decidiu que o melhor a fazer, por enquanto, era não fazer nada. Manter sua distância.
, no entanto, não saiu da cozinha e, mesmo tendo dito que não precisava de ajuda, ficou lá e lhe ajudou a limpar o cômodo, ainda que sem conversar. sorria para ela de vez em quando, enquanto limpavam, como se tentasse lhe garantir que estava tudo bem, que, enfim, o pior já passara e estavam caminhando para a solução de seus problemas. Era o que membros mais velhos faziam pelos mais novos, no fim das contas, porém conhecia o suficiente para saber que ela, sem dúvidas, estava tentando convencer a si mesma daquilo também. E não estava fazendo exatamente um bom trabalho.

+++

sabia que não podia estar ali, que deveria ter ficado no dormitório com as meninas, mas também sabia que precisava ir até ali. Precisava, principalmente, da companhia da pessoa que sempre encontrava quando ia até aquela casa simples e pequena. O tamanho da casa nunca importou de fato, nem o bairro sempre com pouca iluminação ou a distância que precisava percorrer para chegar até ali sempre que saía do dormitório, no final tudo aquilo era compensado quando passava pela porta de entrada e via a pessoa que era o real motivo da sua ida até ali.
— Ei. — sorriu quando passou pela porta, já calçando o par de pantufas que sempre ficava guardado para si no pequeno armário próximo a porta de entrada. A sala estava um pouco bagunçada, nada fora do normal e do conhecimento da cantora que revirou os olhos diante das almofadas no chão, as garrafas de soju na mesinha de centro ou das embalagens de comidas, arrumando as almofadas em cima do sofá e pegando as garrafas e embalagens para jogar no lixo da cozinha local onde demorou alguns minutos também arrumando a bagunça. A cantora lavou as louças que estavam sujas na pia, pegou água na geladeira e se serviu em um copo de vidro que quase foi para o chão quando sentiu suas mãos apertarem sua cintura ao mesmo tempo em que um assopro foi dado contra a sua nuca, que estava exposta graças ao rabo de cavalo que fez em seu cabelo. – Krystal!
— Olá. — A outra sorriu, ainda parada atrás de , envolvendo o corpo da cantora com seus braços e deixando um beijo no pescoço da mais nova, que se encolheu com o arrepio que sentiu. O arrepio que sempre sentia quando os lábios de Krystal tocavam sua pele. – Senti saudades.
— Também. — Respondeu, sentindo o coração se acalmar do susto quando virou o rosto para encarar Krystal e ter um beijo roubado. Um beijo tão breve, mas capaz de mexer consigo de um jeito ridículo até. – Tenho uma coisa pra te contar.
— Uh, é mesmo? E o que é? – Krystal questionou após dar um beijo na bochecha de e soltá-la, indo na direção da geladeira e procurando algo dentro do eletrodoméstico.
— Falei com as meninas. — falou, sorrindo e se encostando na pia que ficara atrás de si quando se virou para observar a outra, suspirando e sentindo seu coração aliviar um pouco mais do que já tinha aliviado após ter falado com suas companheiras de grupo, é que compartilhar toda a sua vida com Krystal sempre lhe arrancava suspiros de alívio. Porque compartilhar sua vida e todas as suas experiências com a outra, fazia com que se sentisse leve. — Pedi desculpas por toda a confusão que causei na noite passada, por tudo que falei e…
— Você se rebaixou assim? — Krystal a interrompeu, erguendo uma sobrancelha totalmente incrédula com a atitude da outra.
— Eu errei, Krys. — justificou sua atitude, sentindo algo dentro de si se revirar quando Krystal revirou os olhos e retirou a tampinha da garrafa de soju. — Não agi certo quando desmereci a e…
? – a mais velha a interrompeu novamente, soando ainda mais descontente com a forma com que se referiu a chinesa de seu grupo. — Você errou sim, mas foi quando pediu desculpas. Parabéns, agora você deu o aval pra elas pisarem em você sempre que quiserem.
— Que? Não, elas não são assim. — explicou, logo mordendo o interior de suas bochechas quando percebeu que havia defendido suas quatro companheiras de grupo de Krystal. — Desculpa, só… Elas não pisam em mim. — suspirou, dessa vez de nervosismo e tristeza.
conheceu Krystal quando ainda tinha seis anos de idade, morando em uma pequena casa em Busan, bem ao lado da casa que Krys e seus pais se mudaram. Mas a amizade começou mesmo no dia que caiu da bicicleta na frente da calçada da casa de Krystal, que sempre fora dois anos mais velha. Naquele dia, Krystal ajudou a pequena chorona a se levantar e até a chamou para andar de bicicleta juntas, quem sabe assim a mais nova se sentisse mais segura e parasse de cair. A partir daí as duas se tornaram uma só, onde estava tenha a certeza de que Krystal também estaria e vice-versa. Dividiram, aprenderam e viveram muitas coisas juntas. Compartilharam experiências e os conselhos sempre eram dados pensando no melhor da outra. Elas se amavam de verdade, muito, intensamente. Viveram fases importantes de suas vidas juntas, e mantinham a promessa de que ficariam pra sempre juntas, até o dia em que Krystal deixou Busan aos dezesseis anos. Krystal deixou com a promessa de que se encontrariam dali algum tempo, mas que seria em um lugar lotado de fãs porque Krystal seria uma grande e renomada cantora. acreditou e desejou boa sorte a melhor amiga, querendo tanto que Krystal realizasse seu sonho que segurou o choro da despedida e só permitiu que as lágrimas molhassem seu rosto quando ficou sozinha em seu quarto.
também deixou Busan aos dezesseis anos, foi pra Seul com a cara e com a coragem. Seria mentira falar que não procurou pelo rosto de Krystal pelas ruas, ou que sempre pensava na melhor amiga que não dera notícias desde que deixou a cidade que se conheceram. Agradeceu aos céus quando passou no processo seletivo da SM, se tornou trainee da agência e entrou para o programa de debut. É que com a mente ocupada com coisas que a deixava mais perto dos palcos, poucos eram os momentos em que pensava em Krystal e em como a mais velha estava vivendo o seu sonho.
O reencontro aconteceu na fase final do programa, em um dos episódios em que tiveram um público presente e Krystal estava no meio das mais de duzentas pessoas. reconheceu o rosto de Krystal mesmo à distância, mesmo que a mais nova estivesse em cima do palco e a mais velha no meio da platéia, e teve de se segurar para não ir até a melhor amiga de infância e abraçá-la, dizer o quanto sentiu a sua falta. E mesmo que nunca tenha dito em voz alta, talvez a presença de Krystal tenha sido o principal incentivo para que fizesse a sua melhor apresentação no programa aquele dia.
Números de celular foram trocados e o reencontro não demorou a acontecer. Foi quando soube que a Krystal que estava a sua frente, vestindo só roupas pretas e com o cabelo tingido de vermelho, não era a mesma Krystal que conheceu na sua infância e a deixou em Busan há alguns anos. A mais velha tinha mudado, e jamais saberia opinar se fora para melhor ou para pior, a saudades que sentia de Krystal não a deixava perceber o quão drásticas haviam sido as mudanças. A amizade pareceu renascer, como se nunca tivessem se separado, como se suas mãos tivessem permanecidas unidas por todos aqueles anos. As diferenças agora gritavam, mas amava tanto Krystal que não se preocupava com nada daquilo. E passou a se importar menos ainda quando a sua até então melhor amiga, a beijou em uma noite chuvosa e confirmou o que vinha pensando há alguns dias: que o seu sentimento por Krystal havia mudado. Naquela noite, teve a sua primeira experiência sexual. E foi como ela sempre idealizou: com a pessoa que amava e a amava de volta.
E agora, namorando com Krystal e tendo cada dia mais certeza dos seus sentimentos pela mais velha, detestava quando a mais velha a olhava com aquele olhar de reprovação. Doía.
— Você me disse que às vezes parece que elas se unem pra te fazer perder a paciência, ou isso é mentira? — Krystal a interrogou, erguendo uma sobrancelha e cruzando os braços na frente de seu corpo, esperando por uma resposta, que veio como um aceno negativo. — Então, você comete um erro e já pede desculpas? É claro que agora elas vão usar isso a favor delas e vão pisar em você. – completou, não deixando que falasse o que quer que fosse falar quando abriu a poça para fazê-lo. – Porque é isso que acontece nesse meio, : as pessoas pisam umas nas outras e jogam os erros em cima de quem não tem culpa! Você nem as conhece direito, o que garante de que irão fazer o mesmo quando errarem com você? Você realmente não mudou nada.
E era naquele momento, diante das palavras rudes de Krystal, que se sentia diminuída e com vergonha de si mesma. Ela sabia que a mais velha só queria o que era melhor pra si, e por isso doía tanto quando a decepcionava.
— Desculpa. — pediu, abaixando a cabeça e olhando os próprios pés, xingando internamente a si mesma pelo erro que cometeu e por ter pensado que era uma boa ideia ter feito o que fez. Krystal estava certa, não conhecia , , e . Não sabia se podia contar com as desculpas das garotas se fosse o contrário, não sabia se poderia confiar nelas. Mas sabia que podia confiar em Krystal, e era por isso que sempre fazia de tudo para mantê-la ao seu lado. — Vou me manter firme, você está certa.
— Claro que estou. — Krystal se aproximou, deixando a garrafa de soju na pia e segurando o rosto da mais nova entre suas duas mãos. — Eu quero o seu bem, a sua felicidade.
— Eu te amo. — se declarou, sorrindo por sempre gostar de como o sorriso de Krystal se tornava mais largo quando ouvia aquelas três palavras que tinha um significado e uma verdade muito grande, ao menos para a mais nova.
— Eu também, amor. Eu também. – sussurrou, poucos segundos antes de beijar , que sentiu que todos os seus problemas haviam sumido quando sentiu os lábios de Krystal tocarem os seus.
O beijo não durou tanto quando gostaria, graças ao celular de Krystal, que pegou o aparelho xingando quem estivesse a ligando. Mas logo sorriu quando viu o nome de E’Dawn, o namorado de HyunA, uma amiga que Krystal fez em Seul logo depois que chegou na cidade, e atendeu ao garoto com muita educação e simpatia. E mesmo que não quisesse, ela sentia uma pontinha de ciúmes em relação aos dois, é que Krystal sempre parecia tão à vontade quando falava do casal e nunca queria que estivesse em sua casa quando os recebesse, que era impossível não pensar um monte de coisas.
— E’Dawn está vindo nos buscar. – avisou, dando um breve beijo nos lábios de e franzindo o cenho quando viu a mais nova suspirar. – O que foi?
— Não posso ir. Você sabe, só posso sair com as meninas e com…
— Vocês ainda não debutaram, . Não é como se cada pessoa de Seul reconhecesse o seu rosto, é só uma saída. — Krystal rebateu impaciente e revirando os olhos mais uma vez quando a mais nova apenas mordeu o próprio lábio inferior. —Eu não acredito que não vai sair comigo só porque empresa não deixa.
— Não posso, Krys. Você sabe disso.
— Ok, tudo bem. — Krystal se afastou, não falando mais nada ao deixar sozinha na cozinha e ir em direção ao seu quarto para se arrumar.
Não havia chances ou possibilidades de Krystal dispensar uma saída com seus amigos para ficar com , que sempre escolhia seguir ordens. E sabia disso, infelizmente, e por isso foi para a sala e sentou-se no sofá, esperando pela mais velha, que estava se arrumando para encontrar o casal de amigos dali alguns minutos.
Eram em momentos como aquele que as diferenças entre a Krystal do passado e a Krystal do presente ficavam em evidências, é que a Krystal do passado entenderia que precisava abrir mão de algumas coisas para realizar seu sonho. Enquanto a Krystal do presente parecia disposta a dificultar a realização do sonho de .

Era uma sorte que já tivesse pego a coreografia do MV de Lay no primeiro ensaio, pois naquele estava particularmente distraída. Era uma sorte também que Lay não tivesse chegado ainda, pois os dançarinos estavam focados em repassar passos que causavam mais dificuldade, tirar dúvidas e repassar posições e tempo da música. Era sorte porque tinha certeza, teria o mesmo desempenho ali que havia tido na performance horrível de pré-debut, não conseguia esvaziar a mente e saber que todos a estavam julgando em silêncio e com cochichos não ajudava a garota a se sentir mais confortável. Foi a primeira a pegar a coreografia, mas ninguém estava pedindo ajuda a ela mesmo que todos olhassem para ela vez ou outra. O fiasco da performance havia se espalhado muito rapidamente, ninguém entendia o que ela estava fazendo ali, ou supunham simplesmente que era para aumentar a popularidade do grupo antes do debut, não porque ela era boa. E sabia que era.
podia contar nos dedos as coisas sobre si que lhe traziam segurança, mas sua dança sempre foi uma delas. No entanto, no momento, ela não se sentia capaz de dar o seu melhor naquilo porque sua mente não estava no seu melhor momento. Não para aquilo, dançar uma música alegre e pré-determinada. Não se sentia disposta àquilo depois de tudo.
Ela ainda não tinha se desculpado com , mesmo ciente de que deveria. Não porque se arrependia, mas porque havia feito isso, porque estava disposta, pela primeira vez desde que foram postas em um grupo, a ser um grupo, e agora era ela quem estava estragando. sabia que precisava mudar isso, precisava conversar com também e dar uma chance, mas tinha tanta mágoa da garota que toda e qualquer atitude “boa” de lhe fazia querer revirar os olhos. Ela havia chegado naquele ponto em que nada que pudesse fazer, limparia a imagem que tinha dela, o ressentimento. Sequer cogitava pedir desculpas por ela e sim pelo grupo, porque precisavam daquilo para que todas ficassem bem de verdade e para que pudesse também de desculpar com . Era sempre em , na verdade, em quem mais pensava. Daquela briga sim, se arrependia.
, como sempre, estava fazendo seu papel. sempre fazia seu papel, sempre se dedicava a elas, sempre fazia tudo que estava ao seu alcance independente das perdas pessoais que sofresse no percurso. Se precisasse abaixar a cabeça pelo grupo, ela abaixava mesmo que isso fosse destruir seu orgulho. Se precisasse defender mesmo esta estando errada para o bem do grupo, ela faria. E estava fazendo o que qualquer bom líder faria, mas gritou com ela por raiva de . Pior, agora ela via que falara demais, que lembrou o pior momento delas antes no reality, o pior momento de e, basicamente, fora a própria com ela. Seria até cômico a forma como pagara a língua se na verdade não fosse tão trágico, se não estivesse ainda brigada com a líder e se ainda não conseguisse ao menos encará-la direito pelo que havia dito. Disso sim, se arrependia, mas tão envergonhada, nem sabia como resolver o problema. Estava apenas o empurrando dia a dia, fazendo tudo que era necessário, mas não era o suficiente, o clima ainda afetava o grupo, a performance, e agora afetaria aquela oportunidade de gravar com Zhang Yixing também.
Céus, o homem tinha uma aura incrível para dança, fazia com que tudo fosse tão assustadoramente natural que os outros dançarinos, inclusive ela, tivessem medo de chegar muito perto. Ele a havia elogiado no primeiro ensaio e agora ela estava com o estômago revirando de nervosismo em cogitar a possibilidade de ele ter com ela a mesma reação que a diretora havia tido. Não suportaria, não mais isso. Estava quase torcendo para que ele realmente não viesse só para que não tivesse que passar por isso. E pelo que ouvira sobre ele, bom, Lay jamais se atrasava a não ser que tivesse um motivo realmente importante. Iria torcer para que tivesse.
Mas bastou o pensamento para que ele aparecesse e apenas não suspirou decepcionada porque, junto com ele, Sehun entrou na sala. “Apenas” Sehun. , sem que pudesse evitar, se engasgou com a própria saliva em meio ao susto e apenas não buscou um lugar para se esconder porque sua mente imediatamente se apagou enquanto arregalava completamente os olhos.
Sehun conseguia a proeza de ser ainda mais bonito que Lay, e se vestia tão bem que a única vontade dela era a de se recolher em sua insignificância. A garota olhou para os dois lados, e procurou imediatamente um lugar onde se esconder, mas era uma sala de ensaio, apenas quatro paredes e um espelho. Isso sem contar as bolsas no chão, mas tinha certeza de que não cabia dentro de nenhuma delas no momento.
A garota já queria fugir apenas de Lay, imagina dançar agora na frente de Sehun também. E foi justamente esse pensamento que trouxe o pânico de volta. Ela ia errar a coreografia e passar vergonha não só na frente do Lay, mas também de Sehun, que era só seu bias do grupo. “Só”.
A garota colocou a mão em frente a boca quando uma risada nervosa escapou, ela sempre ria nas piores situações porque ria quando estava nervosa e naquele momento fez tudo o que poderia fazer, no caso, fingir que não estava vendo nenhum dos dois. Era inútil porque foi a primeira pessoa para quem Yixing olhou quando entrou e com certeza havia notado que ela encarava a dupla, mas não se importou em fazer muito sentido, ela só precisava urgentemente se esconder de Sehun.
Podia esperá-lo entrar, e então sair correndo. Em sua cabeça, aquela era uma ótima alternativa, então ela imediatamente trabalhou no plano enquanto tentava, o mais discretamente possível, ficar de costas para os dois, mesmo quando todos já os cumprimentavam.
-yah! — Lay a chamou, e dizer que ela quis morrer era pouco. Tentou ignorar, simplesmente. Se fazer de surda já que a sala não era assim tão grande para que ela não o escutasse, especialmente quando não falava com mais ninguém, mas ele a chamou de novo, mais perto, e entrou novamente em pânico por isso, se virando muito lentamente apenas pela possibilidade dele estar realmente se aproximando.
E ele estava. Literalmente arrastando Sehun pelo braço, mas ele estava.
— Lay e Sehun Sunbaenim. — ela se curvou duas vezes, uma para cada um, que fizeram o mesmo em retorno. E que ninguém perguntasse de onde ela tirara a voz porque a garota não tinha ideia. Inclusive, soou muito mais como um resmungo do que um cumprimento de verdade. Se Lay sozinho já a intimidava, com Sehun então, ela estava perdida. Sentia o coração pronto a pular do peito e nem ao menos conseguiu encarar o maknae do EXO.
somente acompanhava o grupo por , não nutria por eles nem 1% do amor que tinha por Super Junior ou outros grupos, mas Sehun era tão bonito que sequer parecia humano. Ela não sabia nada sobre ele praticamente, apenas isso, que ele era bonito demais para que sua existência não a deixasse constrangida, especialmente quando já se constrangia tão fácil.
Ela definitivamente precisava sair dali. Aquele era o momento em que ela passava a maior vergonha do mundo para fugir, mas fugia mesmo assim e depois ligava para e para que elas rissem dela por ter fugido sem nem disfarçar que estava fugindo. E ela nem lembrou que estava brigada com e que o clima estava estranho até para falar com . Ela só queria correr, literalmente.
gesticulou para frente, como se dissesse que precisava ir embora, mas Lay simplesmente abraçou Sehun de lado, pelo pescoço, e o gesto fez com que ambos entrassem na frente dela, impedindo a passagem que estava livre entre os dois até então. Yixing tinha um sorriso divertido no rosto, como se soubesse exatamente o que estava fazendo, e quase quis socá-lo por isso, quase, porque mal conseguia formular palavras, que dirá fazer aquele tipo de coisa.
— Falei pro Sehun que uma das dançarinas do MV era fã dele e ele quis dizer oi! — Lay disse, olhando para Sehun que apenas abaixou a cabeça por um instante, como se tivesse tão constrangido quanto ela com a situação.
— Foi por isso que eu entrei arrastado. — comentou baixinho, como se a intenção fosse que apenas Yixing escutasse, mas também pôde ouvir, corando imediatamente por isso. Pior do que ter Sehun ali era saber que ele estava ali contra sua vontade e que ela era o motivo.
— Diz oi. — Lay o cutucou, sem parar de sorrir enquanto olhava para ela, e Sehun o obedeceu.
— Oi. — respondeu, curvando-se novamente em direção garota, mesmo que já o tivesse feito. Por educação, fez o mesmo outra vez.
— E.. eu… preciso ir… — gaguejou, sem qualquer outro plano além de sair dali, e Lay cerrou os olhos, confuso.
— O ensaio nem começou. — respondeu, e suspirou, lembrando-se só então desse detalhe. Ela não podia sair.
— Eu… hum… — tentou formular outra desculpa, mas apenas deixou que seus ombros murchassem porque não tinha outra desculpa, era isso. Ela olhou mais uma vez para Sehun, brevemente porque a beleza dele tão absurda apenas deixava a garota ainda mais nervosa, mas sentiu como se ele tivesse notado a súplica em seu olhar: “Pelo amor de Deus, me deixa sair daqui”.
— Já conheci todo mundo. Posso ir agora? — Sehun perguntou, e não conseguiu esconder a empolgação com a possibilidade, concordando com a cabeça imediatamente sem pensar no quão rude aquilo poderia ser.
Mas Lay, fingindo não notar, fez um biquinho.
— Mas você não ia ver o ensaio? — perguntou para o maknae, que pareceu tão surpreso quando ela com aquela novidade.
— O quê?! — Sehun e disseram juntos, o que fez Yixing rir como se fosse a maior piada do ano. Ele estava claramente se divertindo com o constrangimento dos dois. Até , lerda com era, podia notar.
— É só um ensaio. — Lay gesticulou para frente com uma das mãos, como se dissesse que aquilo não era nada, mas , falando sem pensar sobre o que dizia, o respondeu de imediato.
— Eu sinto que você não o trouxe por nada. — falou, mesmo que jamais fosse dizer algo assim tão diretamente para ele e Sehun. Era óbvio que não era por nada, mas fingir que não entendeu era definitivamente a melhor solução. E ela perdeu a opção.
— Eu o trouxe porque você disse que queria conhecê-lo. — Lay explicou, satisfeito, e Sehun fechou os lábios em uma linha fina, como se estivesse se perguntando como poderia fugir daquela conversa tanto quando a própria se perguntava.
— Eu tenho certeza que disse o contrário. — devolveu rapidamente, mas Lay riu sem se importar com isso.
— Mas disse que ele era seu bias. — lembrou, fazendo com que a garota corasse ainda mais por aquilo ser dito na frente do próprio Sehun.
— E você disse que ele não precisava saber desse detalhe. — respondeu mais baixo, e Lay fez uma careta.
— Ah, ops. — falou, como se somente então se lembrasse disso. — Mas você não concordou mesmo. — justificou, e deixou o queixo cair ao encará-lo.
— Exatamente! — exclamou, sem que pudesse se contar.
— Normalmente as pessoas gostam de conhecer seus bias. — Lay tentou em um muxoxo, e bufou, inconformada.
— Eu gosto de evitar passar vergonha. Tipo essa conversa. — a garota voltou a controlar o tom de voz, e desviou o olhar para Sehun que agora tinha ambas as mãos nos bolsos, desconfortável e com as bochechas tão coradas quanto as de , se possível.
— Hyung, você não deveria começar o ensaio, já que chegou atrasado? — Sehun tentou salvá-la, e se deixou suspirar aliviada.
— Por culpa de quem? — Yixing devolveu para o maknae, que olhou de forma sugestiva para Lay como se não quisesse dizer em voz alta que não queria estar ali apenas para não constranger ainda mais a garota.
— Já fomos apresentados. — tentou também. — Deveríamos começar os ensaios agora.
— Sim, ensaios. — Sehun concordou. — E eu posso voltar para o dormitório.
— Você precisa sair mais, passou a noite jogando vídeo-game. — Lay criticou, mas Sehun apenas deu de ombros.
— Eu gosto de vídeo-game.
— Você sabe jogar vídeo-game, ? — Lay perguntou, e a garota nem pensou duas vezes em negar.
— Não! — respondeu rapidamente, na esperança de que negar terminasse a conversa, já que não teria mais qualquer coisa em comum.
Mas Lay não parecia muito motivado a isso.
— Sehun pode te ensinar. — tentou, e os dois arregalaram os olhos.
— O quê? — novamente, responderam juntos em meio ao choque, e Lay voltou a rir. — Vocês já têm ótima sintonia.
— É desgosto na verdade. — Sehun respondeu, recebendo um beliscão de Lay por isso.
— Ai!
— Sehun, isso foi rude! — Lay o repreendeu, ignorando seu protesto.
— É desgosto de você, não dela! — Sehun devolveu, e Lay concordou como se aquela opção fosse melhor.
— Ah, está bem… — falou, só então percebendo que deveria, na verdade, ser ofensivo a ele. — Não, espera!
. — Sehun se voltou para ela, e a garota imediatamente prendeu a respiração. — Posso te ensinar a jogar se quiser. — sugeriu e a garota se engasgou com o nada, colocando a mão em frente a boca e tossindo duas vezes por isso. Ela negou com a cabeça imediatamente, não conseguindo nem cogitar aquela possibilidade, quando Sehun sussurrou — Ele só vai nos deixar ir quando conseguir o que quer.
— Ei, eu ouvi! — Lay protestou, mas Sehun o ignorou.
— Ótimo.
— Tudo bem, é uma… boa ideia! — a garota os interrompeu para concordar, murmurando em um tom três vezes mais baixo que o normal. Ela só queria acabar com aquilo tanto quanto Sehun, que sorriu satisfeito.
— Ótimo, marcamos depois! Tchau. — ele tentou se afastar rapidamente, dando o assunto por encerrado, mas ao invés disso Yixing o puxou de volta e Sehun resmungou algo inaudível em reclamação.
Contrariado, o mais novo tirou o celular do bolso e desbloqueou a tela, entregando-o para digitar seu número de telefone. Ninguém precisou dizer nada para que entendessem o que Lay queria. A garota aceitou o telefone, e digitou o número, errando os dois últimos dígitos propositalmente antes de devolver, sem ousar encará-lo.
Sehun estendeu a mão para pegar o aparelho mais uma vez, mas ao invés disso, quem o pegou foi o próprio Yixing.
— Vai chamar se eu apertar pra discar? — perguntou e , suspirando, estendeu a mão de volta, pegando o celular novamente para consertar os números errados.
O próprio Lay salvou o número quando tentou devolver o telefone a Sehun.
— Agora sim pode ir. — Lay voltou a dizer, entregando de volta o telefone a Sehun antes de dar dois tapinhas em seu ombro. O mais novo olhou feio para ele, mas se despediu de antes de finalmente se afastar e ela respirou aliviada, quase esquecendo-se de que Lay permanecia a sua frente. — Não foi tão ruim assim… – ele começou, e ela lhe encarou totalmente chocada.
— Não?! — interrompeu Lay quase aos berros e nem pensou no que fazia quando simplesmente o estapeou nos ombros. Ele acompanhou o gesto, olhando para seu ombro atingido, mas ela apenas cruzou os braços, contrariada. Não era como se tivesse doido de qualquer forma.
— As pessoas costumam gostar de conhecer seus idols! — ele repetiu em sua defesa, mas ela não aceitou o argumento.
— Eu disse que eu não!
— Mas o Sehun é legal. — Lay tentou de novo, mas ela se recusou a descruzar os braços.
— Você não! — ela retrucou, bufando para demonstrar seu descontentamento. — E ainda é um péssimo cupido!
— Não sou não! — fingiu estar ofendido, e decidiu que já havia passado, e muito, da hora de encerrar aquele assunto.
— Olha, tem todas essas pessoas esperando o ensaio… — se fez de desentendida, e como se somente então se desse conta de todo o atraso, ele arregalou os olhos, fazendo a rir da desgraça alheia depois de toda a vergonha que ele a fez passar.
— Oh my gosh! Desculpa! — ele pediu, voltando-se para os dançarinos enquanto ia para seu lugar, colocando novamente o bico no rosto mesmo tendo achado totalmente adorável o tom de suas desculpas.
A apresentação, entre ela e Sehun, havia sido um fiasco, mas pelo menos toda a vergonha que sentiu serviu para uma coisa: Fazer com que esquecesse o fiasco que estava sua vida com as meninas, pelo menos pelo tempo necessário para não estragar também aquele ensaio. Seria péssimo quando chegasse em casa e não tivesse para quem contar tudo aquilo? Sim, mas não teve tempo para pensar sobre o assunto.
Pelo menos, não pelas próximas horas que se seguiram de ensaio.

+++

vinha dizendo a si mesma que tudo ficaria bem agora que todas pediram desculpas, mas, ainda que quisesse, nem ela conseguia acreditar naquilo. Conhecia tanto quanto muito bem e nenhuma das duas era exatamente fácil, ia levar um tempo e ela não queria ficar tão ansiosa por pensar naquilo, mas não podia evitar. odiava brigas, discussões e conflitos no geral e, por ela, já teria prendido as duas, uma na outra, e lhes obrigado a conversar e se entender.
Infelizmente, não achava que sobreviveria a ira das duas se realmente tentasse aquela proeza. Triste.
De qualquer forma, com as coisas esquisitas como obviamente estavam com o grupo, os ensaios não estavam sendo tão produtivos quanto elas, todas, precisavam que fossem, levando em conta que estavam na fase do, literalmente, agora ou nunca quanto ao debut e todas as cinco garotas vinham conseguindo praticar muito mais sozinhas do que juntas. O que seria ótimo, se elas não fossem um grupo.
, enfim, odiava tudo a respeito daquilo, de como as coisas vinham acontecendo nos últimos dias, desde o incidente no dormitório na noite antes do debut, exceto aquilo, o que acontecia naquele exato momento e começava a, ela ousava dizer, se tornar quase cotidiano em sua vida: Os ensaios com Jongin.
Nunca, nem quando foi admitida na SM como trainee, imaginou realmente ter algum tipo de relacionamento, amizade, com os garotos de seu grupo favorito. Claro, ela sempre imaginou conhecê-los, vê-los de perto e trocar algumas palavras, um evento único que seria muito provavelmente inesquecível, mas aquilo, ensaiar com Jongin sua própria coreografia toda semana, de maneira quase rotineira, aquilo nem em um milhão de anos ela conseguiria imaginar. Jongin se provara ainda melhor, mais incrível, mais doce e prestativo com os grupos mais novos, com ela, do que ela sempre imaginou, ele era melhor em absolutamente todos os quesitos e os ensaios com ele talvez fossem exatamente o que estava lhe impedindo de enlouquecer de vez.
— Está cada vez melhor. – Jongin elogiou quando a música parou e soltou todo o ar de uma vez só, arrancando uma risada do garoto, que estendeu o braço e baixou o volume do rádio antes de continuar. – Senta um pouco. Você merece um descanso.
obedeceu sem reclamar, mesmo sabendo que sua mente, já inquieta, fervilharia de um modo, no mínimo, incômodo quando seu corpo desacelerasse. Ela estava dando tudo de si desde que começaram aquele ensaio, realmente usando a dança para se exaurir dos pensamentos, e agora já começava, inevitavelmente, a sentir as consequências. Seu corpo inteiro formigava e logo estaria doendo também.
— O que foi? – a garota perguntou, recostada a parede enquanto, do outro lado da sala, recostado a outra parede, Jongin lhe encarava pensativo.
— Você não está bem. – ele murmurou, falando com uma certeza simplória, como se não houvesse nenhuma forma de convencê-lo do contrário porque ele sabia a verdade e coçou atrás da orelha, desviando, desconfortável, o olhar. Sabia que era expressiva, ela não tinha filtro e normalmente falava o que vinha na cabeça, mas quando não estava bem, como ele dissera, se calava e ficava difícil arrancar uma palavrinha que fosse da garota. Ela não estava fazendo muitas piadas ou sequer falando qualquer coisa naquele dia, nada além do que lhe era perguntado. Qualquer um notaria a diferença. – Quer conversar? – Jongin perguntou um instante depois, e ela ergueu o olhar para lhe encarar, negando devagar com a cabeça. Tinha medo de soar como uma criança imatura, despreparada, se realmente se queixasse com alguém sobre sua situação, sobre tudo que estava sentindo, e definitivamente não queria que ele lhe visse daquela forma. Ela já se sentia assim na maior parte do tempo com ou sem briga, sempre vários passos atrás de suas companheiras de grupo, tudo só parecia piorar e ela não via como expor aquela sensação que julgava tão humilhante poderia ajudar.
Além do mais, entre suas companheiras, nem mesmo achava ser quem estava na pior situação.
vinha se dedicando muito aos ensaios para o MV de Yixing também, que era onde ela estava naquela manhã. podia imaginar que, apesar de toda sua vergonha e dos surtos recorrentes, ela estava feliz de poder se distrair um pouco dos problemas do grupo fazendo aquilo, sozinha, o que, é claro, era bom. Era bom que tivesse algo para lhe ajudar a não enlouquecer, assim como ela própria tinha, mas era péssimo que aquele fosse um privilégio apenas das duas. se preocupava com , e até , e principalmente com também. Se ela e , que tinham alguma válvula de escape estavam tensas, imaginava como elas estariam, como a líder, sua amiga, que sempre lhes priorizava estaria…
Jongin, por sorte, apenas assentiu.
Inicialmente.
Ele ainda parecia pensativo enquanto lhe encarava e aquilo preocupou , que se manteve encarando toda e qualquer coisa, que não ele.
— Sabe, a dança pode te ajudar a extravasar, mas vai passar depois de um tempo. E mesmo que você passe o dia dançando, que se sinta exausta quando se deitar pra dormir, se algo estiver incomodando demais em sua mente ou seu coração, dificilmente isso vai ser o suficiente para te garantir uma noite tranquila de sono. Você não vai conseguir se desligar, acredite, eu sei.
engoliu a saliva, evitando seu olhar por mais um instante antes de finalmente virar a cabeça em sua direção.
— Eu não vou dormir tranquila de qualquer jeito, isso não me preocupa. – ela murmurou, dando de ombro como se estivesse muito certa do que dizia e ele arqueou as sobrancelhas, demonstrando certa preocupação com o tom de sua voz.
— Você matou alguém? – quis saber e ela acabou rindo fraco por isso, o que fez com que ele sorrisse, minimamente satisfeito por ter desfeito, ao menos um pouco, a tensão que envolvia a garota. A que Jongin conhecera era falante, cheia de vida e divertida, porque ela parecia se sentir bem, segura, a respeito do caminho que percorria, apesar de qualquer coisa, mas não era aquela que estava em sua frente agora. Junmyeon contara no dormitório do que acontecera no pré-debut de seu grupo, então ele só podia imaginar que tinha a ver com aquilo, que o acontecido realmente balançara o grupo, mas, por mais que quisesse, não podia ajudar se não quisesse ajuda, se não quisesse se abrir a respeito daquilo tudo.
— Ah, isso resolveria os meus problemas… – a garota retrucou, sorrindo com um nó na garganta e soube que, se continuasse falando ou pensando naquilo, ia chorar e, definitivamente, não queria chorar. Não ali, não na frente dele. – A gente pode falar de outra coisa? Por favor?
Jongin assentiu rapidamente, tentando pensar em algo para falar, qualquer coisa, que pudesse desfazer a expressão dolorida no rosto dela.
— Ok, tive uma ideia. – ele murmurou, ajustando as pernas de modo a se sentar em posição de índio, apoiando uma mão em cada perna, com as costas eretas. – Você é fã do EXO, certo? – ele questionou e ela assentiu, fazendo com que ele sorrisse, assentindo em seguida. – Então. Vou te dar uma oportunidade única, algo que ninguém mais, nenhuma fã, nunca, teve ou vai ter a chance de fazer. Você pode me perguntar qualquer coisa a respeito de nossa história, me pedir para desmentir ou confirmar qualquer boato e eu vou responder. Com sinceridade.
piscou, pega completamente de surpresa pela proposta que, é claro, fez seu coração pular no peito.
— É sério? – quis saber, desconfiada e maravilhada ao mesmo tempo e ele riu, assentindo.
— Eu juro. – murmurou e ela sorriu de orelha a orelha, como uma criança com brinquedo novo. Jongin riu, fazendo sinal para que ela começasse. – Vai, pode perguntar.
— Anh… Algum de vocês é gay? – ela perguntou a primeira coisa que veio a cabeça e Jongin lhe encarou surpreso, rindo junto com ela quando a garota escondeu o rosto nas mãos, balançando a cabeça como se tentasse desfazer, apagar os segundos anteriores. – Desculpa, você não tem que responder isso, que horror…
— Sabemos dos shipps. Entendo que esteja curiosa. – ele riu, como se não fosse nada demais, e ela riu também, tirando as mãos do rosto para lhe encarar, sem conseguir evitar sorrir mais o vendo rir. Jongin era tão bonito que nem era justo. – Não, ninguém em nosso grupo nunca falou ou demonstrou ter interesse em garotos. – ele, por fim, respondeu e mordeu o lábio, contendo a vontade de replicar com um “nem o Sehun?” enquanto assentia.
— Vocês já têm alguns anos de carreira e só dois de vocês tiveram relacionamentos assumidos todo esse tempo. Vocês realmente não namoram? – perguntou ao invés disso e Jongin riu outra vez.
— Você tem curiosidades muito específicas. – brincou e ela corou, fazendo que não e balançando as mãos na frente do corpo como se aquilo fosse enfatizar que não, aquilo não era verdade.
— Eu estou sendo invasiva, não é? Desculpa, eu…
— Não, eu disse que podia perguntar qualquer coisa. – ele retrucou, lhe interrompendo e sorrindo. – Nós todos já saímos com garotas desde que o EXO debutou, mas nem todo mundo teve relacionamentos sérios. Como no meu caso e no de Baekhyun, nós namoramos pessoas que também eram famosas, foi mais fácil para a mídia “expor” esses relacionamentos, mas, depois de um tempo, a gente aprende uns truques.
— Algum de vocês está com alguém agora? – acabou por perguntar diante de sua resposta, sem realmente pensar pelas palavras antes de despejá-las para fora, com os olhos vidrados em Jongin, que fez que não.
— Eu, não. – murmurou, balançando a cabeça logo em seguida. – Digo… Não. Nenhum de nós.
— Jongin. – ela reclamou – Você prometeu.
Ele riu, assentindo.
— Ok, tem razão. Nenhum de nós está com ninguém agora, mas Junmyeon tem uma paixonite por uma de nossas staffs. Não diga a ele que eu contei, você é uma garota, pode fingir que descobriu sozinha. E Jongdae está livre, pode ficar tranquila quanto a isso. – revelou e riu, concordando com a cabeça, ignorando o comentário sobre Jongdae e arrancando outro sorriso de Jongin, que ela perdeu por estar ocupada tentando se conter.
— Fechado, mas você vai ter que mostrá-la pra mim depois. – condicionou e ele assentiu rapidamente, então mordeu o lábio por um instante, pensando no que mais perguntar. – Ok, tenho outra. Os óculos que vocês usam às vezes, vocês realmente têm problema de visão ou é só como acessório?
— Eu, Baekhyun, Kyungsoo, Sehun e Chanyeol sim. Os outros não. – ele respondeu e ela assentiu, então Jongin ficou quieto, esperando por mais.
estreitou os olhos em sua direção.
— Vocês guardam segredo uns dos outros? Ou… Sabe, todo mundo sabe tudo da vida de todo mundo? – perguntou, já que eles moravam juntos há muito mais tempo que ela e as meninas e as coisas, profissionalmente falando e em termos pessoais, de amizade, pareciam dar certo para eles.
não podia evitar ficar curiosa quanto à dinâmica deles.
Jongin deu de ombros.
— Não aconteceu de cara, mas hoje somos próximos o suficiente pra não precisar nos preocupar com essas coisas. Especialmente com Baekhyun em casa, sempre notando tudo a respeito de todos e usando contra a gente, segredos se tornaram algo dispensável entre nós. E, eu não me lembro se isso já foi um problema, mas hoje definitivamente não é. Torna tudo mais fácil, na verdade. Se você mora com mais oito, cinco, sete, quantas pessoas for, é melhor que confie nelas. – ele deu de ombros e , inevitavelmente, pensou em seu próprio grupo.
Existiam segredos entre elas. Talvez nem tantos entre ela, e , mas com e … Ela nem mesmo sabia como era a vida das outras duas fora da SM, o que faziam, com quem andavam, quem lhes dava forças para continuar tentando conquistar aquele sonho… Aquilo era um problema. Elas realmente só se tratavam como colegas de trabalho e a união necessária entre elas estabelecia que aquilo, de jeito nenhum, ia lhes levar onde precisavam.

— Vocês já brigaram entre si? Algo sério, tipo três de vocês ficaram sem se falar e o clima pra trabalhar ficar péssimo ou… – se calou quando Jongin arqueou as sobrancelhas, a expressão do garoto sendo o suficiente para que a garota notasse estar revelando muito mais do que planejara sobre o próprio problema também. A mais nova acabou, inevitavelmente, se encolhendo um pouco, desconfortável de novo enquanto desviava o olhar e Jongin coçou a nuca, pigarreando enquanto esticava as pernas, parecendo pensar a respeito da pergunta quando ela voltou a lhe encarar.
— Nós tivemos muitos problemas no início, principalmente nos preparativos para o debut, como todo grupo tem, mas aprendemos que, se o nosso propósito é o mesmo, brigar não tem sentido. Somos mais fortes juntos, e, assim, a gente meio que realmente se tornou um só. – riu, sabendo que soava clichê, levando em consideração que o EXO carregava consigo o lema de “somos um”.
sorriu fraco, assentindo e puxando as pernas para si, abraçando-as e deitando o rosto nos joelhos, pensativa. De repente, sentia o mesmo nó de antes voltar a se manifestar em sua garganta e um gosto horrível na boca, como se estivesse prestes a vomitar. Ela, realmente, não sabia se seriam capazes de fazer o que eles fizeram. E estava com muito, muito medo.
— Vai dar tudo certo, -yah. – Jongin murmurou, como se lesse seus pensamentos e a garota apertou os olhos, limpando o canto deles em seguida, se esforçando para não chorar enquanto assentia, mas foi em vão quando os olhos de Jongin absorveram o que acontecia com ela e o garoto foi rapidamente até ela, lhe abraçando de lado sem falar nada e, dessa vez, não conseguiu conter o choro. Se sentiu estúpida e tentou seu melhor para fazer parar, mas droga, não estava sendo fácil. – A gente duvida de tudo no início, principalmente de nós mesmos e qualquer turbulência parece o fim, mas vocês são talentosas. Ganharam o programa e isso já é muito. O que quer que esteja acontecendo, vão superar, eu garanto. – ele murmurou, de maneira pacificadora e ela ergueu o olhar para lhe encarar, quase como se perguntasse se ele tinha certeza e, sem que ela realmente precisasse o fazer, Jongin assentiu.
— Não somos como vocês. Não somos próximas como devíamos ser e é complicado, a convivência…
— Vocês estão só começando. – Jongin lhe interrompeu, abrindo um pequeno sorriso a fim de lhe passar segurança e , inevitavelmente, sentiu-se amolecer com ele sorrindo tão perto, ainda lhe abraçando, algo que só então ela pareceu ser capaz de absorver. O abraço de Jongin era quente, confortável e tão pacificador quanto um abraço podia ser. – Sei que ainda estão entre trancos e barrancos agora, mas vai melhorar. Vão se encontrar, como um grupo, logo. Todo mundo passa por isso, sério.
— Você acabou de dizer que nunca tiveram nenhuma briga séria…
— Eu disse que aprendemos. – ele corrigiu, lhe interrompendo outra vez. – E vocês vão aprender também. Eu garanto que vão, tá? – murmurou e ela apenas assentiu, passando a mão pelo rosto para limpar o choro, que começava a lhe envergonhar mais a cada instante. Ela queria tanto não ter feito aquilo… – Que tal se a gente continuar o jogo outro dia? Acho que você precisa de um tempo agora. – Jongin sugeriu e ela assentiu, então ele se pôs de pé, lhe estendendo a mão para ajudá-la em seguida.
aceitou rapidamente, sorrindo quando ele esquadrinhou seu rosto como se procurasse garantir que ela estava bem. Não estava, mas ia ficar. Era aquilo que queria passar para ele.
— Eu vou beber uma água, acho. – ela murmurou, colocando, sem jeito, as mãos nos bolsos e ele assentiu.
— Quer companhia? – perguntou e ela fez que não.
— Não precisa, obrigada. – murmurou e ele assentiu, então ela acenou, sem jeito, antes de sair às pressas da sala, apertando os olhos, sentindo o choro voltar assim que ficou sozinha no corredor.
Estava com muito, muito medo.

Nota da Autora:
Olá, pessoal!!!!!!!! Tentei fazer bonitinho semanalmente, mas as ultimas semanas foram loucas pra mim, acabei atrasando, desculpa. De qualquer forma, aqui estamos de novo!!!!!
Espero que tenham gostado da att! Se quiserem entrar em contato conosco, aqui estão nossos @ no twitter, nossas redes sociais mais usadas hihihi:
Bru: @ybsunlight
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Mayh: @love4jeonjk
É isso! Por favor, comentem e nos deixem saber se estiverem acompanhando/curtindo a história, vai significar muito!
Beijos!

Capítulo 07.

deu sorte de não ter ninguém eu seu quarto quando voltou dos ensaios, pois pôde se jogar na cama e se revirar de um lado para o outro agoniada, sem ninguém para lhe perguntar o motivo. Talvez, na verdade, bem lá no fundo, o que estivesse faltando era justamente alguém com quem compartilhar o momento. Normalmente, teria fugido para o banheiro para ligar, gritar com e , mas não podia ligar para nenhuma das duas e por esse motivo estava ali, se contorcendo em agonia pelo dia mais humilhante da história.
A garota suspirou, e parou de barriga para cima, encarando a cama de cima do beliche com os braços abertos. Oh Sehun tinha seu telefone. Só isso. Oh Sehun tinha seu telefone e como se somente isso já não fosse motivo o suficiente para gritar, tinha aquele detalhe um tanto quanto desesperador de que ele tinha pedido seu telefone literalmente obrigado por Yixing. Zhang Yixing tinha obrigado Oh Sehun a pedir seu telefone.
E ela iria gravar um clipe com Zhang Yixing.
E tinha conversado com Oh Sehun.
começou a rir, desacreditada. Era desespero. Repetia aquela cena lamentável tantas vezes em sua mente que não tinha nem espaço para surtar pelo debut. Não dava para entrar em surto por suas coisas ao mesmo tempo, por sorte, ou já tinha enlouquecido.
Ouviu a maçaneta da porta se mexer, e levou as duas mãos à boca imediatamente, tentando controlar o riso. manteve seu olhar na cama sobre sua cabeça, e fechou os lábios em uma linha fina sem tirar as mãos que se mantinham sobre eles. Se fosse , talvez fosse melhor fingir estar dormindo, mas ela não pensou sobre isso no momento.
Por sorte, no final, era , e a garota parou na porta, olhando para com o cenho franzido enquanto esta fingia que não estava acontecendo nada. A dançarina lentamente tirou as mãos da boca, mas sentindo o olhar de sobre ela, não se moveu mais do que isso.
— Ficou louca? — perguntou, sem dificuldade em notar o comportamento estranho da amiga, mas lhe encarou como se não entendesse o motivo da pergunta.
— Uhm? — perguntou, virando-se para que agora caminhava até a cama ao lado, de . A mais nova se sentou ali, com as pernas cruzadas sobre a cama, mas desviou o olhar rapidamente, ainda sem jeito com a maknae.
E não tinha ideia de como aquilo havia acontecido. Quer dizer, havia brigado com , não com , mas o clima na casa, em geral, ainda estava tão estranho que aquele pedido de desculpas de parecia uma alucinação coletiva.
Sem se dar conta, balançava os pés impaciente. Parecia absurdo ter ao seu lado e não surtar sobre o que havia acontecido. Parecia absurdo deixar que a discussão com interferisse também na amizade entre as duas. Não deveria interferir.
se virou novamente para a maknae, que permanecia sobre a cama lhe encarando, como se apenas esperasse algo. Como se soubesse que tinha algo para contar e tentava se conter. Por birra, fechou a boca novamente, com um biquinho que fez rir.
— Fala. — a mais nova insistiu, não podendo deixar de comparar aquela cena com a que tivera com há alguns dias, impaciente perto da líder ponderando se podia falar ou não. estava fazendo exatamente a mesma coisa.
— Não quero dizer nada. — mentiu, mordendo uma das bochechas por dentro da boca, e a mais nova mais uma vez apenas esperou. E não levou nem dois minutos para desistir de fazer silêncio. Ela costumava ser quieta apenas com estranhos, com os conhecidos era mais do tipo que falava demais e aos berros. — Dei meu telefone para Oh Sehun. — falou de uma vez, e pulou de susto com o grito que recebeu de em resposta, também assustada com aquela afirmação.
— O quê?! — perguntou a mais nova, chocada, e apenas concordou com a cabeça, acreditando naquilo tanto quanto a própria maknae.
— Isso mesmo que você ouviu. — repetiu apenas, sem encontrar palavras para continuar explicando. Quando se lembrou no momento, no entanto, voltou a esconder o rosto com as mãos, sentindo as bochechas corarem de novo. Ela nunca antes quis tanto matar alguém quanto quis matar Yixing.
— Isso mesmo? Isso mesmo? Você não vai jogar isso em mim e esperar que eu me contente com “isso mesmo”, ! — praticamente gritou, e no instante seguinte, já pulava na cama de , chutando suas pernas pra fazê-la sentar. — !
— Para, para! — pediu, sentando-se as pressas para que a outra parasse.
— Me conta direito! — insistiu, e a dançarina apoiou a cabeça em uma de suas mãos, mas franziu o cenho ao notar as olhos ainda levemente avermelhados de .
— Você estava chorando? — perguntou, inclinando-se para frente a fim de analisar melhor os olhos da amiga, preocupada.
— O quê? — perguntou, confusa e ao mesmo tempo surpresa por ter notado.
— Seus olhos. — explicou, e encarnou sua atriz interior para revirar os olhos.
— Seria ótimo se fosse isso e não rinite. — mentiu, surpreendendo a si mesma por ter saído tão fácil. A maknae costumava ser péssima com mentiras, mas porque odiava mentir. Qualquer mentira lhe fazia remoer em culpa por horas, mas era a primeira oportunidade decente de conversa que tinha com em dias e ela não queria estragar aquilo chorando mais. Ela queria que tudo voltasse ao normal e não desperdiçaria aquela chance mesmo que se culpasse por mentir depois.
— Já tomou antialérgico…? — começou, fugindo sem querer do assunto inicial, mas pulou no lugar novamente quando voltou a gritar:
! — a garota chamou, e riu da reação da dançarina, sempre tão fácil de assustar. — Como assim passou seu telefone para o Sehun? Me explica!
— Ele pediu. — respondeu simplesmente, ainda contando o ocorrido em parcelas como se não fosse nada demais mesmo que também estivesse aos surtos.
E aquela afirmação, de fato, chocou , que levou uma das mãos até a boca quando seu queixo caiu em espanto.
— Ele não é mesmo gay? — perguntou, chocada, e dessa vez foi obrigada a rir.
— Yixing o obrigou a pedir na verdade. — complementou, e jogou os braços para cima como se tudo então voltasse a fazer sentido.
— Ah, então ele é gay. — afirmou, fazendo com que risse mais uma vez.

— Se ele teve oportunidade de pedir seu telefone e só pediu obrigado, ele é gay. — a maknae justificou. Para ela soava absurdo que qualquer homem hétero rejeitasse com aquela carinha de boneca.
— Não foi bem assim… — tentou explicar, e lançou a ela um olhar um tanto quanto irônico.
— Bom eu não sei como foi porque você não me conta! — exclamou, lhe tacando um travesseiro que pegou no ar.
— Ei!
— Me conta, !
— Está bem, está bem! — ergueu as duas mãos em frente ao rosto, em sinal de paz, quando pegou outro travesseiro. Apenas quando a maknae o baixou, é que a garota finalmente explicou o ocorrido àquela tarde, com Yixing atacando de cupido. E um péssimo cupido.
Quando terminou, apenas ria sem parar, jogada na cama e se aproveitou do travesseiro jogado nela um pouco antes para agredir a mais nova algumas vezes.
— Para de rir, foi triste! — gritou, sem parar de bater na menina com o travesseiro. — ! — gritou mais uma vez, quando a mais nova não parou.
— Eu oficialmente amo o Yixing. — a garota afirmou, secando algumas lágrimas que caíram de tanto rir.
! Você está do lado de quem?! — reclamou, e ela apenas riu mais uma vez.
— Do lado dele, com certeza. — ela voltou a rir, recebendo mais uma travesseirada. — Ai! — reclamou, mas não deixou de rir mesmo assim. — Ele arrastou o Sehun até você e o obrigou a pedir seu telefone. Melhor que isso, ainda garantiu que você passasse o número certo! Eu amo o Yixing, fato. Amo demais.
— Você ama o Kai. — observou apenas para ser implicante e fez careta como sempre fazia quando o chamava pelo nome artístico.
— Jongin. — corrigiu e deu de ombros.
— Que seja. — retrucou, e quando lhe mostrou a língua, fez menção de puxá-la, fazendo com que a mais nova lhe guardasse novamente na boca rapidamente. Ambas riram disso no segundo seguinte, mas mesmo depois disso, nenhuma das duas parou de sorrir.
— Eu senti falta disso. — confessou, ainda sorrindo para que concordou com a cabeça imediatamente.
— Eu também. – admitiu. Mas não satisfeita apenas com aquilo, continuou. Não parecia certo meias palavras com . Ela era sua pessoa, sua primeira amiga no programa e com certeza a pessoa mais próxima dela que já havia tido. — Desculpa, por deixar aquela bagunça toda afetar a gente. Desculpa por me afastar e desculpa se eu fui idiota com você. O que aconteceu entre mim e tinha que ficar só entre a gente.
amava as duas, tanto quanto sabia que também amava, e . Eram as três contra o mundo e qualquer coisa entre elas sempre ia afetá-la. Nenhum problema entre e seria um problema só das duas e não ia ficar bem enquanto as duas não estivessem bem, mas sabia também que não devia pressionar a conversar com a líder. Aquela conversa, aquele momento, tinha que ser das duas, ou adiantaria tanto quanto as desculpas da que não serviu para melhorar o clima da casa. Enquanto as duas não estivessem bem, também não ficaria, mas guardou aquele sentimento e aquelas palavras para si, mesmo que doesse.
— Está tudo bem. — ela sorriu, no momento satisfeita por ter pelo menos de volta. O resto podia se ajeitar depois e aquele já era um passo. — Estamos bem?
— Estamos bem. — concordou, tão aliviada quanto por aquilo, mas esquivou-se para trás assim que viu a maknae abrir os braços. — Só estamos bem se você não me abraçar!
…! — a mais nova gritou, feliz e animada, e ignorou seus protestos ao se jogar sobre ela. odiava abraços, e por isso mesmo adorava distribuí-los a ela.
— Ahnnnnn…. Sai! — gritou, mas não deixou de rir com jogada em seus braços. — Chega, chega, já abraçou.
— Te amo, você sabe, não sabe? — perguntou, erguendo apenas a cabeça para falar enquanto fazia um bico contrariado.
— Sei, sei, e também te amo, mas me solta. — resmungou, e fez uma careta ao soltá-a finalmente.
— Chata. — xingou, e a imitou com a voz afetada antes de respondê-la.
— É você. — retrucou, mas ambas voltaram a rir no segundo seguinte.
Nada estava realmente bem, elas sabiam. O debut estava mais longe do que nunca, o clima na casa era horrível e a pressão cada dia maior, mas aquele pelo menos era um passo para que tudo melhorasse. O debut podia ser incerto, mas se estivessem juntas, pelo menos, seriam mais fortes para enfrentar qualquer coisa que viesse a seguir.

++++

O som estava bem alto, e isso impedia que qualquer um escutasse as respirações pesadas e aceleradas das cinco garotas que ensaiavam há horas. , , , e estavam dentro daquela sala de ensaios desde as seis horas da manhã, e os ponteiros do relógio que ficava pendurado na parede, em cima do imenso espelho que tomava toda a parede, já marcavam quase cinco horas da tarde. Todas estavam cansadas, exaustas, mas sabiam que não podiam parar. Nada estava perfeito e ainda tinham muitas coisas para corrigirem. Posturas para arrumar, passos para conseguirem fazer de forma correta e precisam saber como controlar suas respirações que estavam fora de controle, saindo ofegantes demais por cima da música. Tanta coisa para arrumar, e nada parecia estar dando certo. Nenhuma das cinco garotas enxergava um jeito de organizar tudo aquilo, elas sabiam o que deveriam fazer, é óbvio, mas não conseguiam se comunicar para consertar os erros. Estavam cansadas, exaustas pelas tantas horas de ensaio, e mesmo que tentassem não conseguiam pensar positivo sobre o grupo. Tudo estava dando muito errado. E mesmo que as cinco não tivessem trocado uma palavra desde a hora que acordaram, que não fosse sobre coreografias e músicas, todas pensavam a mesma coisa: o debut estava cada vez mais incerto, mais longe.
— Tá, e se trocar essa parte por algo assim? — perguntou, quebrando o silêncio após ter dado pause na música que precisava ter a coreografia corrigida. A líder demonstrou os passos que pensou, tendo a atenção das quatro companheiras de grupo, inclusive a de que fora quem coreografou aquela música e era a responsável pela dança do Glory Days. — Esquece, não encaixa com a parte que antes. — suspirou frustrada, tirando o boné que usava e o colocando novamente após passar a mão em seus cabelos.
— Espera, e se… — pediu, repetindo o passo que vinha antes do que deveria ser substituído, reproduzindo logo em seguida o passo que mostrou, sem nem precisar pedir que a líder repetisse, fazendo uma mudança mínima para que o passo encaixasse com o que viria depois. — Todo mundo consegue? — Perguntou, olhando para as quatro que assentiram e começaram a reproduzir os passos. A dançarina sorriu quando viu que todas estavam em total sincronia com o passo novo, o que estava faltando quando faziam o anterior. E teria batido na mão de em uma forma de parabenizar a líder pela ideia e juntas comemorariam o feito, como sempre faziam quando juntas conseguiam pensar em algo para a melhora do grupo, mas isso só aconteceria se elas não estivessem brigadas e sem se falar.
— Vamos com a música agora? — quem sugeriu, logo dando play na música desde o início e correndo para o seu lugar.
As cinco garotas acompanharam a música tanto a coreografia que agora tinha passos novos quanto com as vozes, e agora tudo parecia muito bem encaixado. Os passos que antes pareciam desconexos e soltos agora tinham ligação, a confusão que acontecia em determinada parte da dança não existia mais, suas respirações continuavam pesadas e só iriam melhorar com descanso, mas não tinham tempo para descansar e por isso agradeceram por pelo menos conseguirem controlar mais o ar agora que tinham uma dança com grau de dificuldade menor.
— Uh! Agora foi! — comemorou, não conseguindo segurar a felicidade em conseguir fazer toda a coreografia que para si era a mais difícil de todas. Mas que não tinha reclamado antes para evitar causar mais problemas a suas companheiras.
— Graças a Deus, eu já estava começando a ficar com ódio dessa música. — suspirou, sorrindo e vendo suas companheiras de grupo sorrirem para si no reflexo do espelho. Só não conseguiu ver o sorriso da mais velha que tinha uma máscara cobrindo a metade de seu rosto, enquanto o boné cobria a outra metade e deixava apenas seus olhos a mostra. E detestava não saber o que a mais velha pensava ou como ela se sentia, detestava sentir tão longe de si.
Elas repetiram aquela música mais três vezes, até terem certeza de que haviam conseguido sincronia tanto no vocal quanto na dança. E se empenharem em melhor as outras músicas também, alterando coreografias enquanto se esforçavam para controlar suas respirações. E mesmo que conseguissem algum avanço, que ficassem em sincronia nos passos novos e que suas vozes se encaixassem tão bem nas canções, a verdade é que a falta de comunicação entre as cinco, o que de certa forma sempre fora um escape diante de tanto trabalho, fazia falta. As piadas de , a risada escandalosa de , o revirar de olhos e ironia de , a voz baixa quando dava opinião sobre alguma coisa e até as palavras ácidas de faziam falta. Era impossível focarem só no ensaio, nas músicas e nas danças, quando não se sentiam a vontade umas com as outras. Quando não olhavam para o rosto da outra e via ali alguém que poderia confiar ou conversar, elas estavam com medo. A insegurança as tirava dos trilhos, as deixavam cegas para o que poderiam fazer, as deixavam assustadas e coagidas. E não saber se poderiam conversar sobre o problema com a outra, porque ela também estava vivendo aquele problema, só deixava pior o clima que estava tão pesado. As cinco tentavam ser profissionais enquanto tentavam não deixar que seus problemas pessoais afetasse o grupo, mas não estava dando certo. Porque elas já estavam afetadas, muito.
— Eu…
— Olá! — O grito de Baekhyun ecoou junto com o barulho da porta batendo contra a parede quando o garoto a abriu e empurrou com brutalidade, assustando as cinco garotas que se viraram para o lugar de onde viera o barulho enquanto gritavam pelo susto. — Nossa.
— Ai, garoto! — reclamou primeiro, com a mão no peito como se aquilo fosse acalmar seu coração que batia tão acelerado pelo susto. — O que você quer? — perguntou mal humorada. Odiava receber sustos, ainda mais em momentos tão delicados como aquele em que tudo o que sentia era medo, medo de tudo que poderia acontecer.
. — a chamou com um tom de repreensão, e a mais nova se virou para a líder.
— Ele que me assustou. — resmungou, fazendo um pequeno bico de birra e sorrindo pequeno quando viu a mais velha revirar os olhos. E mesmo que não tenha dito mais nada sobre seus modos, sabia que a líder tinha sorrido por sua causa e que não iria lhe dar uma bronca, afinal, ela nunca conseguia. E pensar que havia dado um sorriso por sua causa, fez sorrir ainda mais.
— Baek chegou primeiro, aish! — Chanyeol surgiu com Yixing ao seu lado, parando ao lado de seu companheiro de grupo que chegara antes deles dois, dando um tapa no menor que o olhou convencido.
— Parece que suas pernas grandes não servem pra nada, dongsaeng.
— Eu vou…
— Garotos, finjam educação. — Junmeyon chegou bem a tempo de segurar os ombros de Chanyeol e puxá-lo para longe de Baekhyun que estava prestes a levar uns tapas. — Olá, meninas. Ah, não, não precisa. — informou tarde demais, pois as cinco já haviam se curvado para o líder do EXO.
— Ei, porque só se curvaram pra ele? — Byun perguntou, soando ofendido, enquanto apontava de seu líder para as meninas.
— Só porque ele é líder? Isso não quer…
— Estavam ensaiando? — Yixing interrompeu as reclamações de Park e Byun, recebendo olhares que ignorou facilmente enquanto mantinha sua atenção nas cinco garotas que assentiram com um movimento de cabeça. — Ainda falta muito?
— Um pouco. — quem o respondeu, escondendo que na verdade ela sentia que ainda faltava muita coisa pra arrumarem antes de acabar com o ensaio do dia.
— Desculpa interromper. — Suho pediu, sorrindo educado enquanto olhava para cada uma das meninas, demorando um pouco mais na líder que parecia escondida atrás da viseira de seu boné e da máscara. Junmeyon suspirou porque sabia o que aquilo significava, o que usar um boné e uma máscara após ou durante um momento difícil significava. Ele sabia como era sentir tanta vergonha de si mesmo a ponto de se esconder de todos, até mesmo de seus companheiros de grupo. — Mas, viemos chamá-las para um passeio.
— Passeio? — quem perguntou, falando pela primeira vez desde que os três garotos chegaram.
— Não é bem um passeio porque não vai ser nada ao ar livre e essas coisas, mas…
— Vamos ao boliche! — Baekhyun praticamente gritou ao interromper Suho que o encarou e riu ao vê-lo imitar o movimento que é feito ao arremessar uma bola de boliche em direção aos pinos. — E nós vamos ganhar, é claro, mas estamos convidando vocês por…
— Não podemos. — respondeu, atraindo para si os olhares de suas companheiras de grupo e dos garotos. Era realmente estranho que ela, logo ela, fosse a primeira a negar uma saída. E, principalmente, uma saída com o EXO. — Temos que ensaiar para a apresentação. — completou, suspirando e forçando um sorriso que não enganou e que sabiam o que mais nova estava fazendo.
— Vocês precisam de uma pausa, um descanso. — Chanyeol afirmou, apontando para as cinco como se estivesse falando o óbvio. — Estão aqui desde que horas?
— Algumas horas. Mas, ainda temos…
— Vocês precisam descansar. — Yixing interrompeu , não querendo soar rude ou nada do tipo. Ele só sabia o quanto era importante descansar e distrair um pouco a mente. — Se ficarem só ensaiando durante horas, vão ficar cansadas e não vão conseguir nenhum progresso. O corpo não vai mais funcionar de um jeito que as ajude, pelo contrário, só vai piorar.
— Isso, nosso chinês tem razão. — Baek concordou com o outro, colocado seu braço pelos ombros de Lay que riu fazendo com covinhas adoráveis surgissem em seu rosto, o que fez com que quisesse apertar sua cara. Ela sempre queria apertar pessoas fofas, e mesmo que ainda estivesse constrangida pelo jeito com que Yixing a jogou pra cima de Sehun, era impossível não sentir vontade de apertar a cara do chinês. — Tá decidido, vocês vão descansar conosco! Também ensaiamos o dia inteiro, e estamos nos dando o boliche como recompensa.
— Recompensa? — perguntou sua voz soando mais alta que o esperado, e isso fez com que suas bochechas ficassem vermelhas quando todos olharam em sua direção.
— Sim, recompensa. — Byun confirmou, sorrindo para o jeito adorável que a menina ficava quando tinha tanta atenção em si. — E vocês não podem recusar um convite feito pelos seus sunbaenims, é falta de educação. — argumentou, orgulhoso como se tivesse usado o melhor e maior argumento do mundo.
— Nós já falamos com o Jang Jikyu-hyung, ele vai com a gente e nosso manager também. — Junmeyon informou querendo tranquilizá-las de alguma forma, e convencer também. — Os meninos já foram para o dormitório se arrumar, e estamos indo também.
— Nós…
— Não aceitamos não como resposta. — Yixing interrompeu , que suspirou por saber o quão insistente o homem conseguia ser. — Não vamos sair daqui sem uma resposta positiva. — Deu de ombros, cruzando os braços e sorrindo quando viu no rosto de que ela sabia que ele falava sério.
— Isso, não iremos! — Chanyeol encostou-se na parede ao lado da porta, bem ao lado de Lay, cruzando também seus braços. Baekhyun imitou os outros dois, ficando ao lado de Park enquanto Suho ria e balançava a cabeça, sempre parecendo orgulhoso de seus membros.
— Vocês querem ir? — se virou para as meninas, ficando de costas para os garotos e olhando para suas companheiras de grupo. — Eu sei que temos que ensaiar, vocês também sabem, mas vocês querem ir ao boliche com eles?
— Por mim está tudo bem se não formos, eu nem sei jogar. — foi a primeira a responder, dando de ombros e não surpreendendo as outras quatro que sabiam que a chinesa iria negar e pensaria nos ensaios.
— Eu também não sei, então… — deu de ombros, e tanto quanto encararam em busca de uma resposta. Afinal, todas as quatro sabiam o quão fã dos meninos a mais nova era, até mesmo que nunca demonstrou querer saber tanto dos surtos de , mas sabia do amor que a maknae tinha pelo grupo. Elas sabiam que ter um momento de lazer com os garotos seria algo mágico para .
— Nós podemos ir com eles e continuamos o ensaio quando voltarmos, o que vocês acham? Ou acordamos mais cedo amanhã para ensaiarmos mais. — respondeu, percebendo que se sentira pressionada. — Eles estão certos, precisamos descansar um pouco. Quem sabe assim, com a mente mais leve, conseguimos pensar em coreografias melhores, uh?
— Por mim tudo bem. — respondeu, sendo seguida pelas outras que confirmaram com um movimento de cabeça e sorriram.
— Ok, nós vamos. — quem deu a resposta aos garotos, sentindo seu coração acelerar ao saber que iria jogar boliche com o grupo que sempre foi fã. — Mas, vamos nos arrumar antes.
— É claro. Tenho uma reputação, não posso ser visto com vocês suadas assim. — Baekhyun brincou e fez careta, fazendo com as cinco garotas rissem pela primeira vez em algum tempo.
— Estar ao nosso lado também será uma honra pra você. — rebateu, deixando o garoto sem outra reação a não ser abrir a boca e encará-la incrédulo, enquanto era puxado para fora da sala de ensaios por seus três companheiros de grupo.
— O hyung sabe onde é o boliche, ele vai levá-las. Até mais! — Junmyeon as informou antes de sair da sala, rindo do mais novo e de seu drama.

Aquela era a primeira vez que as meninas pisavam no Pierrot Strike, por isso olhavam ao seu redor com bastante atenção. A decoração do ambiente já se mostrava diferente desde a entrada até as escadas que tinham detalhes em neon nos degraus, mas era dali da recepção do segundo andar do local, enquanto calçavam os sapatos próprios para o boliche que as cinco observavam as pinturas nas paredes. Pinturas feitas com tintas neons em diversos tons de verdes, laranja, azul, amarelo e branco, que brilhavam por conta da luz negra. Era tudo muito bonito e limpo. E as poucas pessoas que andavam pelo segundo andar, que descobriram ser a área vip do local, pareciam estar se divertindo.
— Será que vamos demorar aqui? — perguntou a que estava de pé ao seu lado, ambas já tinham terminado de calçar os sapatos e esperavam as outras.
— Não sei, acho que sim… Porque? — ergueu uma sobrancelha, observando como a outra parecia nervosa com aquela pergunta.
— Nada, só… Deixa. — suspirou, apertando o celular e começando a pensar em um jeito de conversar com Krystal quando saísse dali. Sua melhor amiga e namorada não havia gostado de saber que estava saindo com as meninas de seu grupo, e muito menos que teriam os garotos do EXO como acompanhantes. E mesmo que tivesse lhe explicado que era uma espécie de recompensa pelo esforço do ensaio, Krystal ainda parecia com raiva e tinha parado de respondê-la.
— Você está sentindo alguma coisa? — perguntou, se virando para encarar melhor a menina em busca de algum machucado aparente.
— Não, eu ‘tô bem. — afirmou, estranhando o cuidado que recebia da líder. Que cuidava de todas as meninas isso era fato, mas ter o cuidado da líder em si, assustara um pouco que sempre se julgou auto suficiente demais para ser cuidada por suas companheiras de grupo.
— Podemos ir? — perguntou, encarando e que assentiu e andou na frente das outras em direção às pistas. — Aconteceu alguma coisa?
— Eu não sei. — respondeu a mais nova que andava ao seu lado, ainda observando e sentindo que a pergunta da outra não fora em vão. — Mas, não se preocupa com isso! Hoje estamos aqui para o seu dia de glória com seus idols, aproveite. — Piscou para a mais nova que suspirou.
— Acho que vou vomitar. — confessou baixinho, e riu.
Os sofás que ficavam próximos às pistas do boliche também ficavam brilhantes por conta da luz negra, assim como as bolas que estavam em seus devidos lugares e os pinos que pareciam coloridos em azul claro ao invés de brancos.
Os nove garoto do EXO estavam espalhados no sofá que ficava na direção da segunda pista do canto, eles conversando entre si e pareciam distraídos enquanto esperavam pelas cinco garotas que tentaram assustá-los, mas tiveram seus planos arruinados por Baekhyun que as viu chegando.
— Olá, Glory Days! —sorriu.
— Ah, vocês chegaram! Ah, não precisa. Hoje somos amigos! — Junmeyon se levantou para cumprimentá-las com um aperto de mão, impedindo que as cinco os cumprimntasse de maneira formal. — Hoje não teremos formalidade alguma.
— Isso, ou vou me sentir jogando com meus chefes. — Chanyeol explicou, fazendo com que alguns rissem e outros revirassem os olhos de sua comparação ridícula.
— Acho que sou o único que ainda não as conhece, certo? — Minseok perguntou, se aproximando das meninas para apertar suas mãos, sorrindo diante das vencedoras do programa que ele tentou assistir a todos os episódios.
— Ele fica escondido, por isso não estava conosco nas outras vezes. — Baekhyun explicou, abraçando o mais velho pelos ombros, fazendo caretas atrás de Minseok que obviamente não viu, mas sabia o que o mais novo fazia tanto pelos risos baixos das garotas quanto por conhecê-lo tão bem.
— Você parece um anjo. — soltou ainda o encarando, precisando falar o que sempre pensava quando olhava para Minseok fosse por fotos ou vídeos, e que ficava ainda mais forte agora que o encarava.
— Ah, obrigado.
— Essa é um pouco cega, ela acha o D.O bonito. — Chanyeol apontou, recebendo um tapa de Kyungsoo que Park não reparou estar ao seu lado.
— E essa não é normal, ela tem o Donghae-hyung como ultimate. — Byun apontou para que arregalou os olhos e deu dois passos para trás quando teve toda atenção em si, quase pisando no pé de que a segurou impedindo que caísse.
— Sério? — Yixing perguntou, franzindo o cenho e encarando a dançarina que queria fugir naquele momento.
— O da é o Jongdae. — Jongin falou parecendo muito mais um resmungo, fazendo um biquinho adorável para falar e deixando Kim surpreso.
— Sério?! — Chen encarou a mais nova, e já estava quase se juntando a no plano de fuga.
— Nós vamos ficar falando dos nossos bias ou vamos jogar? — perguntou, tentando desviar a atenção dos garotos.
— Quem é o seu bias? — Park quem perguntou, erguendo uma sobrancelha para a outra que riu e negou com a cabeça.
— Vocês estão com medo de perder pra gente? — ergueu uma sobrancelha, olhando Baekhyun que sempre fazia uma cara engraçada toda vez que a chinesa o surpreendia com alguma fala.
— Eu acho que sim. — afirmou, sentindo-se grata por não ter que continuar falando de seu ultimate ou bias. Ou acabaria falando de uma vez por todas que na verdade, sim, ela amava Jongdae, mas seu utt era Jongin. Sempre fora.
— Eu gosto delas. — Kyungsoo sorriu.
— Temos que nos separar em dois times. Podemos fazer as mais novas contra os mais velhos. — Baekhyun sugeriu, sorrindo de forma maldosa enquanto esfregava suas mãos e fazendo alguns rirem.
— Ah, não. — Jongin resmungou, sabendo que se fosse assim acabaria ficando no time com Chanyeol, Kyungsoo e Sehun e que mesmo que ele e Park fossem bons em jogos, os outros dois não eram.
— Não quero fazer conta não. — Chanyeol reclamou, se referindo a trabalheira que provavelmente daria para que fossem divididos daquela maneira.
—E se a e o Yixing escolhessem os times? — sugeriu, achando mais fácil os chineses escolhendo os dois times do que fazer os mais novos contra os mais velhos.
Jokempô. — Minseok orientou, e não foi preciso um pedido ou muito mais do que dez segundos para que todos estivessem quase formando um círculo em volta de Zhang e que logo ergueram suas mãos para frente. — ganhou.
. — A chinesa escolheu sua líder após ter ganho de Lay, sorrindo para a mais velha que foi para o seu lado sem demora.
— Sehun. — Yixing escolhera o mais novo de seu grupo, vendo o garoto revirar os olhos quando caminhou para o seu lado já sabendo o que o chinês pretendia fazer. E não foi surpresa para ou Sehun quando Yixing a escolheu após ter escolhido Junmyeon.
E mesmo que tivessem jogado jokempô e decidido que os chineses quem iriam escolher os times, em algum momento os escolhidos começaram a opinar sobre quem deveria ser o próximo integrante do grupo. Gritos começaram a ser ouvidos quando Baekhyun, Jongin e Chanyeol começaram a reclamar por não terem sido um dos primeiros a serem escolhidos, enquanto Minseok que também era um dos últimos, só ria. Byun perguntava como e Yixing eram capazes de cometer aquele grande erro em deixá-lo para o final, Jongin resmungava enquanto tinha os braços cruzando, um bico nos lábios e gesticulava perguntando porque não tinham o escolhido ainda, e Chanyeol dizia que os dois times estavam perdendo um incrível e grande jogador de boliche. E talvez, apenas talvez, tenha sido exatamente por saberem do ego de Park e por gostarem de vê-lo irritado que Sehun e Kyungsoo convenceram Yixing a escolhê-lo como o último integrante de seu time após ter escolhido Jongdae.
Depois de vários minutos e muitos gritos, os dois times estavam decididos. estava com , Junmyeon, , Jongdae, e Minseok. Enquanto Yixing tinha Baekhyun, Chanyeol, Jongin, Kyungsoo, Sehun e .
— Agora que já temos os times, precisamos saber qual será a punição para o perdedor. — Baekhyun sorria ao lado de Yixing, encarando o outro time.
— A sua punição, no caso. — o respondeu, dando de ombros e deixando que os garotos vissem um pouco de seu lado confiante, o que já era normal para as meninas que morava com ela.
— Vocês têm o Junmeyon o Minseok, e eles são péssimos. — Chanyeol apontou, e os outros dois riram sabendo que o mais novo estava certo; eles eram péssimos em todos os jogos.
— Vocês têm a . — apontou, vendo a amiga olhá-la ofendida. — Desculpa amiga, mas é a verdade.
— Eu vou te bater, maknae abusada. — estreitou os olhos para a outra que lhe mandou um beijo no ar.
— Isso! O time que perder leva um tapa dos ganhadores! — Baekhyun gritou como se tivesse tido a melhor ideia, mas logo recebeu alguns tapas em sua cabeça e tentou se defender. — Ei!
— Elas são garotas! Não podemos bater nelas! — Kyungsoo deu mais um tapa, encarando o mais velho que na maior parte do tempo parecia mais infantil que o maknae do grupo.
— Podemos bater só nos homens do grupo. — arrumou sua sugestão, dando de ombros.
— E se o perdedor pagar toda a conta no final? — sugeriu, vendo alguns pensando sobre e outros logo gesticulando como se fosse algo fácil demais.
— Já sei! — Jongdae se pronunciou após ouvir tudo o que falavam e pensar em alguma punição boa, mas que não fosse tão pesada para as meninas. — E se o perdedor fizer um vídeo dançando uma música que o ganhador escolher?
— Música do EXO ou do Glory Days? — questionou um pouco confusa.
— Tanto faz. O ganhador escolhe a música. Pode ser nossa, de vocês ou de outro grupo. — Jongdae explicou melhor, sorrindo, com um brilho tão lindo que nunca parecia abandonar seus olhos.
— Todo mundo de acordo? — Junmeyon perguntou, e todos responderam que sim.
Quatorze pessoas juntas podem fazer muito barulho, e o barulho poderia ficar ainda maior quando essas pessoas faziam parte do EXO e do Glory Days. Todos eram competitivos demais em jogos e, por isso, sempre acabavam gritando quando faziam strike, derrubavam muitos ou poucos pinos, ou em alguns casos, nenhum pino. Os dois times estavam empenhados em ganhar o jogo, e mesmo que a punição fosse algo bobo e sem gravidade, ninguém queria ter de cumpri-la. Era por isso que uns gritavam com os outros, pedindo mais atenção na jogada, um arremesso melhor, ou até mesmo que trocassem de jogador porque um deles parecia empenhado em ajudar o outro time e não o seu. Os managers de ambos os grupos, que se mantiveram distante desde que chegaram com seus idols no lugar, se aproximaram quando o jogo começou, trazendo consigo algumas comidas e bebidas para todos. E não existia no mundo, lugar melhor para assistir aquela disputa senão onde os dois managers estavam: sentados no sofá, vendo o desespero e competitividade dos quatorze jogadores tão de perto.
Entre uma jogada e outra, eles aproveitavam para dar dicas uns aos outros, tirar fotos dos outros, gravar pequenos vídeos que ficariam na galeria de seus celulares e que mais tarde poderiam ser compartilhados em um grupo no aplicativo de mensagens que sugeriram criar quando acabassem com o jogo.
As conversas eram descontraídas, envolviam tantas risadas que vinham acompanhadas de tapas na pessoa do lado ou abraços, que quem estava de fora também queria fazer parte. O clima era bom, era leve. Era tudo o que as cinco garotas precisavam depois de dias tão difíceis. O boliche as faziam se comunicar muito mais do que haviam feito no ensaio horas atrás, elas conversavam, se ajudavam e até riam umas com e das outras. Se abraçavam quando alguma conseguia uma pontuação alta, e até implicavam com que estava no time adversário, sendo também a única mulher no time de Yixing, e que mesmo gostando de estar ali com o chinês e os outros, preferia estar com as garotas. É que mesmo com tantas diferenças e brigas, as cinco já estavam acostumadas a serem um grupo. Um grupo meio perdido naquele momento, é verdade. Mas ainda assim, cada uma delas já estava acostumada a estar ao lado das outras quatro.
— Você só precisa derrubar um pino, só um. — Baekhyun lembrou a , fazendo massagem nos ombros da menina, que respirava fundo enquanto observava o único pino de pé no canto do final da pista.
— Vamos te expulsar do grupo se você acertar esse pino! — informou, parando ao lado da mais velha que a encarou.
— Não dá ideia pra ela. — Chanyeol pediu, ficando na frente de que ficou ainda mais nervosa por saber que contavam com ela para ganharem o jogo. — Estamos precisando de uma dançarina, te acolhemos.
— Lembra que ela falou que você é ruim. — Jongin falou baixo para , mas não baixo o suficiente para que não o escutasse.
— Jongin!
— Deixem a jogar. — Yixing pediu, tirando Chanyeol, Jongin e Baekhyun de perto da menina, vendo fazer uma careta para ele.
— Não gosto mais de você. — sussurrou.
não era a melhor no jogo, e isso estava claro desde o começo. A menina quase caira três vezes no piso, escorregando naquele chão. Ela jogava a bola com muita força, quase quebrando o piso e fazendo muito mais barulho que o necessário. Não fez nenhum strike, e sempre ria quando errava. Mas, era a sua vez de jogar. E ela precisava se concentrar em acertar aquele pino que decidiria o placar final do jogo que estava com uma diferença mínima de dois pontos.
A dançarina respirou fundo e se concentrou. Os segundos que levaram até que a bola atingisse o pino pareceram infinitos, mas os gritos dos companheiros de time de vieram tão rápido quanto a velocidade da luz.
— Vocês vão ter que dançar, uuuuh! — Baekhyun fez careta e zombou do outro time, que ria. Porque mesmo que o time de tivesse perdido, era impossível não rir da comemoração do time de Yixing. Chanyeol dava cambalhotas de um lado para o outro, Baek dançava de um jeito que com certeza não lhe daria nenhum troféu, Sehun e eram segurados por Yixing que forçava um abraço a três enquanto Kyungsoo ria e comemorava discretamente.
— Vamos escolher a música! — Baekhyun gritou quando parou de dançar, tirando do bolso seu celular e se aproximando de seu grupo que se concentrou na escolha da música para a punição.
— Podemos fazê-la limpar o dormitório sozinha por um mês? — perguntou para que riu junto com Junmeyon e os outros garotos que estavam em seu grupo.
— Um mês é muita coisa, podem ser duas semanas… — sugeriu, ganhando um aceno positivo da mais nova.
— Nunca gostei dela mesmo. — deu de ombros.
— Vocês precisam aprender a perder. — as respondeu enquanto ria das meninas, observando rir junto de seu time. Sentia falta da dançarina, e mesmo que estivessem brigadas e que as palavras de ainda ocupasse sua mente, ela sentia saudades dela. Da amizade que tinham. E mesmo com a distância e todo aquele clima entre as duas, sempre ficava feliz ao ver rindo e feliz como ela estava naquele momento.
— Escolhemos. — Yixing informou, mas foi o sorriso de Baekhyun e a risada alta de Chanyeol que fizera os outros entenderem que, provavelmente, iriam dançar uma música ridícula. — Mas, queremos acrescentar um detalhe: a coreografia deve ser feita com a velocidade aumentada.
— Que? — Jongdae perguntou com os olhos arregalados.
— A música vai estar três vezes mais rápida. — Kyungsoo quem avisou, parecendo se desculpar com os perdedores.
— Eu te odeio. — falou para que lhe soprou um beijo, como a mais nova fizera após tê-la acusado de ser uma jogadora ruim.
A música escolhida foi “Sorry Sorry” do Super Junior, a coreografia não era tão difícil em ritmo normal, mas quando acelerada se tornava bem difícil. Difícil o suficiente para provocar alguns tropeços, risadas de quem os assistia, esbarros durante a dança e respirações ofegantes no final. Os vídeos da dança ficaram ainda mais engraçados agora que podiam ver com atenção o desempenho do grupo perdedor, e todos riram enquanto os assistiam. O tal grupo no aplicativo de mensagens fora criado naquele momento, afinal, todos queriam aqueles vídeos em seus celulares. Fotos e vídeos daqueles dias começaram a ser compartilhados, apelidos engraçados foram colocados nos contatos e após os managers pagarem a conta das comidas e bebidas, todos caminhavam em direção a saída, o estacionamento, ainda comentando sobre aquele tempo que passaram juntos.
Afinal, havia sido muito bom aquele momento que passaram juntos.
— Você está melhor? — Jongin se aproximou de sem fazer barulho, caminhando ao lado da menina que o encarou, entendendo ao que ele se referia.
— Um pouco. Conversei com a e nos acertamos. — sorriu, feliz tanto pela sua amizade com quanto pela preocupação que Jongin demonstrara ter consigo mais uma vez. Nunca pensou que um dia fosse conseguir falar um “oi” para Jongin, e agora tinha a preocupação dele consigo. Isso era demais.
— Logo vai estar tudo bem. — o dançarino garantiu, sorrindo e deixando que um silêncio confortável os cercasse. Um silêncio que não precisava ser interrompido, suas presenças eram o bastante.
E enquanto e Jongin andavam lado a lado, , e conversavam com Junmeyon, Minseok, Kyungsoo e riam de Baekhyun que soltava piadinhas o tempo todo.
— Você não vai mesmo falar quem é o seu bias? — Chanyeol perguntou quando ficou ao lado de , tendo a atenção dela que riu dele e de sua curiosidade.
— Isso é tão importante assim? — questionou, recebendo um aceno positivo como resposta. — Pois, pra mim não é. — deu um leve tapa na testa do cantor que a olhou incrédulo, vendo-a avançar na direção dos outros que acabaram ficando três passos a sua frente.
que estava estava pouco atrás, acabou vendo a cena, mas não teve tempo de processar qualquer pensamento sobre e Chanyeol porque Yixing apareceu ao seu lado. O chinês segurava Sehun pelo braço, ficando no meio entre a garota e o maknae.
— Então, vamos marcar um dia? Qual o melhor para você? — Zhang perguntou, encarando que demorou alguns segundos para entender ao que ele se referia, mas logo entendeu quando viu Sehun fazer uma careta.
— Hyung… — Sehun resmungou, sentindo o braço de Yixing prendê-lo ao seu lado pelo pescoço, não querendo ter aquela conversa e constranger ainda mais com a insistência do chinês.
— Estou ocupada. Estamos focadas na apresentação e…
— Vocês não ensaiam vinte e quatro horas durante os sete dias da semana. — Ele respondeu, erguendo uma sobrancelha e respirando fundo. — Tá, então eu escolho. No próximo domingo.
— Que?! — e Sehun perguntaram juntos, assustados com a data que estava tão próxima.
— As sete horas. Eu levo você, só pra garantir. — Apontou para a garota que só não choramingou porque não tivera tempo, afinal Zhang a deixara para trás quando saiu andando com Sehun que ainda resmungava.
— Eu… — A garota falou sozinha, encarando os dois que antes estavam ao seu lado, se perguntando se tudo aquilo fora real ou fruto de sua imaginação.
— Droga! Para a van. — Jang Jikyu ordenou apressando seus passos até o veículo que, assim como a van que Min Dak-ho usara para levar os garotos, estava em uma das vagas do estacionamento.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou ao manager que abriu a porta e dava a volta no carro indo até o banco do motorista, completamente impaciente.
— O que houve? — Chanyeol questionou a Dak-Ho, o manager de seu grupo, e tudo o que recebeu foi um suspiro do homem que evitou xingar.
— Descobriram que vocês estão aqui. Há fãs do lado de fora.
A resposta do homem fez com que todos ficassem em silêncio, aflitos com o que aquilo poderia lhes causar.
Todos sabiam o que acontecia quando grupos femininos e masculinos eram vistos juntos. Na verdade, todos sabiam o que a mídia publicava e as pessoas pensavam e começavam a falar quando viam homens e mulheres juntos. Dificilmente pensavam que era um grupo de amigos, e naquele meio em que viviam… Era óbvio o que todos pensariam, diriam e publicariam; que todas as meninas do Glory Days estavam namorando com alguns meninos do EXO. Ou, que pelo menos algumas delas estavam de caso com alguns deles. E muito mais do que saber o que as pessoas pensavam, eles também sabiam o que aconteceria quando fãs os vissem juntos. As meninas receberiam ódio por parte das fãs dos meninos.
Mas não foi apenas o nervoso do que aconteceria que fez com que todos se encarassem antes de entraram em seus respectivos carros, e sim a curiosidade: como haviam descoberto que eles estavam ali?
O local era de confiança, os meninos já tinham ido ali várias e várias vezes, tanto sozinhos quanto com outros amigos e amigas e ninguém nunca soubera nada… Mas naquela noite a informação fora vazada. E eles queriam saber por quem.
Afinal, somente os quatorze integrantes dos dois grupos e seus managers sabiam do passeio. Além, é claro, da gestão da empresa. Mas vazar aquela informação e criar um tumulto em cima daquilo não seria bom para a SM, então não havia sido ninguém da gestão que falara sobre a saída dos dois grupos.
Então, como as pessoas ficaram sabendo? Como as fãs descobriram de algo que era um segredo? Como a informação vazou? Os meninos não suspeitavam de nenhuma das garotas, é claro que não. E nem elas suspeitavam deles ou umas das outras, óbvio que não.
Porém, , que sentou-se no banco de trás da van, encostada na janela, suspeitava de alguém.
E quando o veículo saiu e ela viu a quantidade de pessoas do lado de fora do estabelecimento, todas com celulares e câmeras apontados na direção dos dois veículos que saíram um atrás do outro, pediu aos céus que suas suspeitas não fossem confirmadas. Que não tivesse sido Krystal quem vazou a informação que a menina lhe passara em uma mensagem enviada mais cedo.
O problema é que as suspeitas de estavam corretas.

Nota das Autoras:
Oi, meninas!!!!!!!! Mais um capitulo, yay!
Adoramos esse, essa cena do boliche é tudo nos nossos coraçõezinhos HAHAHA Espero que tenham gostado também!
Queremos aproveitar e agradecer a todas pelos comentários que têm deixado na história, a gente lê tudo e morre de amor toda vez. Por favor, continuem dizendo o que estão achando, tá?
Beijo!

 

Capítulo 08.

A SM soltara uma nota poucas horas depois do incidente no boliche, destacando, principalmente, que nenhum dos membros do EXO estava, de qualquer maneira, amorosamente envolvido com alguém. No geral.
A gestão da empresa acrescentou ainda que, tanto os garotos quanto suas futuras rookies, estavam completamente focados em trabalhar para ser o melhor tipo de artistas que poderiam e o acontecido naquela tarde se tratara apenas de um ato de gentileza do grupo mais velho para com as novatas em sua empresa.
leu a tal nota, pelo menos, umas três vezes antes que as palavras se misturassem em sua cabeça e ela precisasse jogar o celular para longe enquanto se esparramava na cama de , que lhe pareceu muito mais acessível que a sua, que, para começar, exigia que ela subisse uma escada. Não ia fazer aquilo até que fosse estritamente necessário, ou seja, até que aparecesse no quarto e lhe obrigasse, muito provavelmente aos chutes.
O que diabos fora aquele dia?
As coisas começaram típicas, sob controle, de certa forma. Ela sabia o que esperar do ensaio, até o EXO, literalmente, invadir e lhes encurralar para que saíssem juntos.
E o boliche, céus… nem mesmo sabia que parte daquela tarde cumpria com mais eficiência o propósito de lhe fazer querer esconder o rosto no travesseiro e deixar que o objeto contivesse todo seu surto, que mal cabia dentro dela. As últimas mensagens no chat que Baekhyun criara com os membros dos dois grupos enquanto ainda estavam no boliche eram dele próprio, contando que Heechul estava bravo por não ter sido convidado para o boliche, e, é claro, fazendo piadas por isso. Chanyeol e Sehun se juntaram as brincadeiras de bom grado e apenas leu, desacreditada, as mensagens.
Aquilo tudo era, no mínimo, surreal.
Quer dizer, o boliche, todos os vídeos, as fotos… Daquilo para a confusão na hora de ir embora, em conjunto com a nota que a empresa sentira a necessidade de soltar a respeito do ocorrido e Baekhyun fazendo piadas? Heechul, Kim Heechul, reclamando por não ter sido incluso num passeio com elas? Como devia se sentir? Feliz, triste, assustada? Ela achava que quebrara. Honestamente, achava que parara de funcionar porque não conseguia mais processar o que quer que estava sentindo.
De fora, se ainda fosse apenas uma fã e não estivesse, literalmente, envolvida na situação, acharia triste que fosse assim tão necessário frisar que os garotos do EXO não estavam num relacionamento e as fãs não tinham com o que se preocupar porque, bem, e daí se estivessem? Não deviam ficar felizes por eles? Por não estarem sozinhos? Se apaixonar não era bom? Fãs não deviam desejar coisas boas para seus ídolos?
Era o que, normalmente, ela pensava quando notícias como aquela tomavam conta da internet, mas agora, sendo uma das personagens protagonistas de toda a narrativa, ela nem conseguia pensar. Era surpresa que ainda lembrasse o próprio nome.
Quer dizer… Lembrava, não lembrava?
… — o resmungo de fez com que ela espiasse por sob o ombro, provando que sim, ela lembrava o próprio nome. A líder lhe sacudiu, tentando fazer sair de sua cama e a mais nova apenas se encolheu mais, fechando os olhos como se não fosse tarde demais para fingir estar dormindo. — , você tem uma cama. — resmungou novamente, rolando os olhos sem que a mais nova visse quando esta sequer demonstrou ouvir suas palavras, jogando-se sentada no canto da cama e pondo os pés da mais nova em seu colo apenas para ter onde sentar de maneira confortável.
Diante da atitude da mais velha, lhe espiou novamente e acabou sorrindo um pouco antes de voltar a fechar os olhos, ainda empenhada em fingir estar dormindo.
voltou a revirar os olhos em resposta. A maknae sequer era discreta, céus.
— Eu sei que você está acordada. — murmurou e se sentou na cama por tempo suficiente apenas para se deitar de modo diferente, dessa vez com a cabeça no colo de e não mais os pés. — Está tudo bem?
— Eu não sei. Estamos encrencadas? — a mais nova quis saber, acabando por revelar para ela mesma também qual sentimento se sobressaia entre tantos fervilhando dentro dela: o medo.
E se a SM decidisse que não valiam a pena, que só estavam causando problemas ou algo assim?
— Não, não fizemos nada de errado. — garantiu, sorrindo para lhe tranquilizar. — Essas coisas acontecem, sabe? Um funcionário pode ter vendido a informação, ou alguém que passava… — deu de ombros e assentiu, de fato mais tranquila com as palavras da líder.
Se dizia que estava tudo bem, ela acreditava. E nem era só porque adoraria uma desculpa para parar de associar aquele dia a qualquer sentimento negativo, mas porque era sua líder e, principalmente, sua amiga. Confiava nela, confiava de olhos fechados.
E, claro, adoraria uma desculpa para parar de associar aquele dia a qualquer sentimento negativo. Não se esqueceria daquela tarde, de nenhuma parte dela, e era infinitamente melhor não ter que usar um “apesar de” ou “era uma pena que…” ao falar dela.
— E você? Tudo bem? — perguntou a líder depois de um tempo em silêncio, porém antes que ela realmente respondesse entrou no quarto, olhando brevemente de uma para a outra e então seguindo em direção a própria cama. Lá, a dançarina pescou o próprio celular de dentro dos lençóis, concentrando-se em usar o aparelho de escudo contra as duas garotas, ou, bem, especificamente.
acabou por apenas dar de ombros para a pergunta de , sem jeito para falar qualquer coisa depois da chegada da dançarina.
fez uma careta para o clima pesado que se instalou imediatamente no quarto, odiando aquilo. Se alguém lhes dissesse que em algum ponto da construção de sua carreira sua amizade ia ficar abalada aquele ponto, as três jamais acreditariam. Quão irônico.
— Viu a nota da SM sobre o boliche? — perguntou a , que ergueu minimamente o olhar, parecendo buscar confirmação de que era com ela e então, quando entendeu que sim, assentiu. mordeu o lábio, olhando dela para . Queria gritar com as duas e lhes fazer ver quão estúpida era toda aquela situação. — disse que não estamos encrencadas. Está tudo bem. — ela acrescentou pouco depois e olhou dela para , que se viu assentindo sob o olhar demorado da dançarina, que parecia esperar justamente por isso. então assentiu também, sorrindo minimamente para as duas antes de voltar a focar no celular, fazendo com que a mais nova murchasse imediatamente.
Aquelas duas eram tão difíceis.
Antes que ela pudesse realmente se concentrar em tentar pensar numa nova pergunta para fazer, algo que obrigasse as duas mais velhas a interagir, seu celular vibrou em sua barriga e deu um pulo no lugar, sentando-se e assustando , que lhe encarou como se ela fosse louca.
— O que foi? — perguntou, observando concentrada no aparelho telefone. A mais nova olhou de para seu celular, sentindo o coração martelar forte no peito. Pela barra de notificação, a garota notou que recebera uma nova mensagem, mas, diferente do que estava acostumada, não era uma mensagem num grupo e sim num chat particular. Jongin lhe mandara uma mensagem. Kim Jongin. — , que foi?! — perguntou outra vez, diante da expressão estatelada da mais nova encarando o celular, com também erguendo o olhar do próprio celular para encarar a maknae, que sequer notou. Jongin lhe enviara uma mensagem, em particular. Não dizia nada demais, só que ele vira a nota da empresa e achou horrível e de mal gosto. Ele também perguntava como elas estavam, mas o caso era que: ele perguntava a , especificamente. Eram coisas que ele podia ter dito no grupo recém criado, mas dissera a ela, sozinha.
não seria capaz de responder. Simplesmente não seria, ela ia ter um derrame antes mesmo de lembrar como fazia para desbloquear o celular.
! — reclamou também, arremessando seu travesseiro na direção da mais nova, que soltou um gritinho e apertou o celular contra o peito, como se estivesse com medo que ele escapulisse e acabou sorrindo diante da cena, achando até fofo, em certo nível, o modo como a mais nova apertara os olhos enquanto protegia o celular.
— Ai! — ela finalmente recuperou a voz, olhando feio de uma para a outra enquanto saía dali, rumando para a própria cama, onde, no momento, pareceu mais seguro. — Olha aqui, isso foi grosseiro. — ela apontou para ao reclamar, a meio caminho de sua cama e riu, subindo as pressas quando a dançarina tentou lhe puxar pelo pé.
, é sério. — reclamou e a mais nova virou para lhe encarar, quase se encolhendo simultaneamente. — Aconteceu alguma coisa?
— Não. — a mais nova retrucou. Contar que Jongin enviara uma mensagem até era uma boa ideia, ia fazer e , pelo menos, reconhecerem que estavam vivendo o mesmo exato momento e se juntarem para algo, ainda que fosse implicar ou encher de perguntas. O problema era que eram perguntas que a mais nova não saberia responder e talvez, naquele momento, nem quisesse. Ela queria sentir tudo que havia para sentir a respeito daquilo, de Jongin estar lhe enviando mensagens em particular, antes de sentir coisas a respeito do que suas amigas teriam a dizer sobre a situação.
— Maknae — reclamou também, se contorcendo para poder lhe encarar na beliche de cima. — Não mente.
abriu a boca num “O”, demonstrando ofensa diante da acusação.
— Não estou mentindo! Recebi uma mensagem inesperada, só isso. Nada sério, eu juro. — ela retrucou, rolando os olhos diante dos olhares céticos das duas mais velhas. — Eu jurei! Jurei, vocês sabem que eu não juro a toa!
— Você nos contaria, não é? — perguntou e lhe encarou incerta, esperando que ela continuasse. — Se algo grave acontecesse, você contaria, certo? Mesmo a gente… — mal se falando, ela não precisou completar para que entendesse e a mais nova assentiu.
Contaria.
É claro que contaria, sequer entendia a possibilidade de não contar, de não procurar apoio nas duas pessoas em quem mais confiava no mundo.
A mensagem de Jongin, no entanto… Era diferente. Não era algo grave, ela podia, pelo menos por ora, guardar pra si.
Com toda lentidão do mundo depois de as outras duas assentirem de volta para ela, desviou o olhar para seu celular, desbloqueando-o como se fosse uma bomba que ela tinha medo de acionar por engano. E se ele houvesse se arrependido e apagado a mensagem antes mesmo de ela abrir, afinal?
Quando viu que não, ele não apagara coisa alguma, sentiu o coração acelerar outra vez, quase choramingando sozinha apenas por notar a foto de perfil do cantor no aplicativo. Ela nunca vira aquela foto antes.
Droga, queria chorar de amor.
A garota, por fim, respondeu ao dançarino que estava tudo bem, exceto pelo clima esquisito no quarto, com e praticamente sem se falar. Jongin não estava online, então não respondeu de imediato e, ainda que se sentisse ansiosa enquanto esperava, foi impossível não ficar incomodada também, com o silêncio reinando entre as três garotas. Aquilo não combinava nenhum pouco com elas, de repente parecia que se sentiam desconfortáveis demais no próprio quarto e aquilo era péssimo.
— A gente podia ver um filme mais tarde. Posso chamar e também. — sugeriu, baixinho, diante do silêncio tão pesado e sufocante.
— Anh… — coçou a nuca, sem jeito. Ela não queria passar horas vendo filme com o restante do grupo, ainda que entendesse que a intenção de era positiva, que ela só queria reaproximar o grupo e transformá-las, bem, num grupo. , no entanto, não se sentia pronta nem mesmo para encarar a líder e conversar direito com ela, quanto mais aceitar mergulhar de cabeça naquele projeto “ser um grupo”.
— Não dormi bem noite passada, acho que prefiro ir dormir cedo hoje, . — interveio diante do gaguejo da dançarina, não precisando de muito mais para entender que ela não estava nenhum pouco inclinada a aceitar a sugestão da maknae. — E você também devia. Temos muito trabalho essa semana, muitas horas de ensaio e é bom aproveitar todo tempo que temos disponível para descansar.
fez uma careta, mas não respondeu, olhando de uma para a outra, e então para seu celular. Não sentia sono e duvidava que fosse sentir tão cedo, com aquela atmosfera pesada lhe fazendo sentir culpa mesmo que não fosse culpa dela. simplesmente detestava conflitos e detestava mais ainda quando eles chegavam, com sua grandeza tão incômoda, e se colocavam bem entre as pessoas que amava, lhes obrigando a levantar barreiras desprezíveis entre si.
Seu celular vibrou em seguida, fazendo, novamente, o ritmo de seu coração mudar e balançou a cabeça para si mesma, o desbloqueando e dizendo para si mesma que aquilo era estúpido. Jongin era seu amigo, ela devia se acostumar a falar com ele por mensagens ou o que fosse. Devia parar de agir como se fosse morrer toda vez que o celular vibrava.

Outch. Achei que o clima ia melhorar depois do boliche. Não serviu nenhum pouco pra criar assunto entre elas? — Recebida ás 18h38.

A nota da SM foi meio que um banho de água fria e nem tivemos tempo. disse que não estamos encrencadas, mas foi o suficiente para criar uma nova tensão e nos lembrar também que já estávamos tensas antes. — Enviada ás 18h40.

desviou o olhar para as duas garotas outra vez assim que respondeu o dançarino, observando cada uma entretida com o próprio celular também. Se perguntou se aquilo poderia ser considerado algum tipo de tributo ao MV da Taylor Swift, “The Story of Us”. O orgulho permite apenas olhadelas de cantos opostos do cômodo e, assim que a outra pessoa olha de volta, o olhar é desviado como se o encontro de suas expressões pudesse significar um crime seríssimo ou algo do tipo.
A garota bufou. Elas nem mesmo gostavam da Taylor Swift, fala sério.
— O boliche foi divertido, não é? Ainda não acredito que a acertou o pino, sério… — ela começou a falar, empolgada, mas logo se calou, vendo que as outras duas mal olharam em sua direção e soltaram apenas resmungos baixos e pouco compreensíveis em resposta a suas palavras. — Jongin me mandou uma mensagem. — ela finalmente soltou, quase rolando os olhos quando as duas viraram para lhe encarar ao mesmo tempo.
— No privado? — perguntou e assentiu, olhando de uma para a outra e então de volta para o celular, virando a tela para que elas vissem mesmo que não fossem enxergar o conteúdo da conversa de tão longe.
— Ele leu a nota. Queria saber como estávamos. — explicou.
— Que fofo. — comentou, olhando timidamente na direção de em seguida. Ela não sabia o que falar, não estando brigada com a líder. Se fosse só ali, era uma coisa, mas ela não sabia como se comportar com presente, devia desculpas a ela e sabia disso, sabia que era a culpada de todo aquele clima horrível entre elas, mas desde a briga levantara a guarda e não sabia mais como fazer para abaixá-la, para que fosse possível, enfim, as três serem as três de novo. Como antes.
— Disse a ele que está tudo bem? — perguntou a , sentindo-se tão mal quanto pela situação que sabia que estava ajudando a causar, apenas assentiu, murchando outra vez depois que a líder assentiu e desviou o olhar.
Então, era aquilo. Nenhum assunto era bom o suficiente para que as duas realmente esquecessem que estavam brigadas.

Sinto muito. Pelo menos elas estão te tratando normalmente, não é? Talvez só precisem de um tempo para se entender também. — Recebida ás 18h46.

quase riu quando viu a resposta de Jongin. O que, exatamente, era “normalmente”, naquela realidade? Porque, naquele momento, a vida naquele quarto parecia tudo, menos normal.

Eu acho que sim. Na verdade, elas se recusam a conversar comigo com a outra presente porque isso criaria uma conversa aberta, entre nós três, e aparentemente a ideia é o pior pesadelo delas. — Enviada ás 18h46.

Depois que respondeu Jongin, rolou os olhos. Queria muito sair do quarto e prender e sozinhas ali. Mesmo que ela precisasse dormir no sofá, aquelas duas fariam as pazes de novo.
Pena que fazer aquilo seria assinar seu atestado de óbito.

Parece uma droga, -yah. — Recebida ás 18h48.

assentiu para a resposta do garoto, prestes a colocar o celular de lado, pensando em realmente ir dormir cedo como sugerira, porém notou que ele estava digitando algo e esperou, sem realmente seguir nenhuma linha de raciocínio que surgia em sua cabeça enquanto o fazia. Que dia, senhoras e senhores, que dia…

Eu voltei pra SM há algumas horas, na verdade. Estava treinando um pouco mais e pensei em você. Se o clima está tão ruim, não quer vim me encontrar? — Recebida ás 18h49.

O que quer que a garota estivesse esperando, não era aquilo. Demorou um pouco para que ela sequer absorvesse que, de maneira completamente aleatória e inesperada, Jongin estava lhe chamando para matar tempo com ele e se distrair, como se o EXO inteiro já não houvesse tentado aquilo por elas mais cedo. Jongin era inacreditável.

Não se preocupe comigo, vou ficar bem e, além do mais, não quero te atrapalhar. Você já faz muito me ajudando com a minha própria coreografia, não é certo tomar mais do seu tempo. — Enviado ás 18h50.

não queria falar aquilo, é claro. Ela queria concordar em ir, mas sabia que era o certo a fazer. Incomodar, no geral, já não era uma de suas coisas favoritas, ela sequer conseguia imaginar como reagiria se terminasse, realmente, incomodando um dos membros de seu grupo favorito. Ou pior, o seu membro favorito de seu grupo favorito. O seu Jongin.

Ah, eu já acabei, não vai me atrapalhar. Ia gostar de te ver, na verdade. — Recebida as 18h50.

Assim que leu a nova mensagem, sentiu o coração acelerar e rolou na cama, escondendo o rosto no travesseiro para conter um gritinho. Ele ia gostar de vê-la?! Ah, meu Deus! Aquilo estava mesmo acontecendo?!

Digo, sei que a gente já se viu hoje, não quis dizer que… Sei lá. Só achei que você pudesse estar precisando de um amigo. Alguém de fora de toda a confusão. — Recebida ás 18h50.

pescou o celular quando ele vibrou, jogado de qualquer jeito no colchão depois que ela sentiu a necessidade de surtar como a criança que nunca deixaria de ser e sorriu outra vez ao ler a nova mensagem, relendo as duas últimas pelo menos umas cinco vezes sem motivo nenhum além do quentinho que elas lhe causavam no peito.
Aquilo era tão… Jongin. Era exatamente como ela sempre o imaginara e, argh, inacreditável. Ele era inacreditável.
— Eu vou na SM. — ela informou, num impulso, a suas duas melhores amigas, enquanto, segurando o celular, descia a escada que dava para o chão do quarto.
— O quê? Por quê? — perguntou, sem entender e deu de ombros.
— Estou muito agitada pra dormir. Acho que vou treinar um pouco mais. — falou, sem ter certeza de porque não estava falando a verdade. Talvez toda a estranheza delas estivesse começando a lhe afetar, mas evitou pensar naquilo naquele momento. Queria preservar o quentinho que Jongin lhe fizera sentir, visto que as coisas no dormitório estavam um caos e ela realmente devia aproveitar o quentinho enquanto o tinha.
— Tudo bem, mas… — murmurou, olhando dela para sem saber o que mais devia falar. Normalmente, era aí que a dançarina entrava e dizia para que ela precisava se dar um descanso ou algo do tipo. — vai encher o saco pra treinarmos o dia todo amanhã, você sabe. Tem certeza que não quer ficar e descansar agora?
— Não, ela tem razão quanto a mim, mesmo que eu odeie isso. — retrucou, dando de ombros. — Eu sempre preciso treinar um pouco mais.
… — acabou realmente intervindo dessa vez, odiando ouvir aquilo e ter que se segurar. — Você é boa, a é uma idiota. — ela retrucou, rolando os olhos quando notou o fazer. — O quê? Ela é.
— Não precisamos disso, . Não precisamos de mais brigas e xingamentos. — murmurou, tentando falar calmamente para que a mais nova não se sentisse atacada. — A gente tem que se entender com essa coisa de ser um grupo e isso não vai acontecer se todo mundo não colaborar. Todo mundo precisa colaborar.
— Tanto faz, . Não é como se fosse mentira. — rolou os olhos, sentindo o estômago revirar de maneira agressiva por ter que ouvir defendendo para ela outra vez. — Olha o que ela tá fazendo com a , ela devia querer descansar, não treinar. Tivemos um dia cansativo. — acrescentou e se encolheu, sentindo-se péssima por causar aquela discussão entre as duas quando nem estava mesmo indo treinar.
Droga, devia ter dito a verdade.
— Gente, tudo bem. — ela interveio, coçando a nuca quanto as duas mais velhas viraram para lhe encarar. — Eu realmente não vou conseguir dormir se ficar aqui, de qualquer forma. É melhor eu ir e fazer algo de útil do que só ficar a noite toda rolando na cama sem conseguir pegar no sono, ok? — murmurou, ficando satisfeita quando as duas assentiram. — Ok. — murmurou então — Por favor, não briguem mais.
Nenhuma das duas ousou reagir ao pedido com algo diferente de um aceno de cabeça e julgou que aquilo seria o melhor que teria. Com sorte, quando ela saísse cada uma viraria para o seu canto e não se falariam mais pelo resto da noite.
— Boa noite. E se cuida. — murmurou para a mais nova e assentiu, agradecendo antes de acenar e sair do quarto, só então voltando a desbloquear o celular e enviar para Jongin a última mensagem da noite: Estava a caminho.

encontrou Jongin no terraço da SM, de pé de costas para ela, distraído com os braços apoiados na sacada enquanto observava o céu escuro da noite de Seul.
Ela não se aproximou de imediato, tomando um segundo para apreciar a visão que lhe acometeu.
Caramba, era Kim Jongin, o Kai do EXO. admirava tanto aquele homem, a pessoa que sempre viu nele, que chegava a parecer uma piada de mal gosto, sem propósito algum além de fazer seu coração errar algumas batidas, que ela estivesse ali agora, com ele.
— Jongin-ah. — ela finalmente murmurou, mais baixo do que gostaria, mas não podia evitar. Era uma imagem e tanto, aquela a sua frente.
-yah, oi! — Jongin sorriu ao virar para olhar em sua direção e acabou por piscar, atordoada. Talvez fosse o modo como a lua o iluminava naquele momento, mas achava que nunca o vira tão bonito antes. — Está com fome? Eu peguei uns sanduíches lá embaixo antes de vir treinar, ia comer quando falei com você, mas achei que seria melhor te esperar… — o dançarino sorriu com educação e certo orgulho da própria atitude, fazendo sorrir junto antes de assentir.
— Claro, estou sempre com fome. — brincou, rindo junto com ele em seguida.
Os dois acabaram por se sentar lado a lado, rente à parede oposta a sacada, optando por preservar o acesso a vista do céu estrelado.
— Sabe, você está melhorando nessa coisa de dança. Foi bem com a coreografia do Super Junior no boliche. — Jongin comentou e ela riu, lhe encarando como se ele houvesse dito o maior absurdo de todos.
— Ninguém foi bem com a coreografia do Super Junior.
Jongin acabou rindo, concordando com a cabeça.
— Bom, pra velocidade…
— Puxa saco! — a garota lhe interrompeu para acusar, o empurrando de leve com os ombros e, rindo envergonhado de um jeito adorável, ele lhe empurrou de volta. estava passando por coisas demais, com os conflitos internos de seu grupo interferindo no trabalho e abalando todas elas num nível perigoso, estava sempre treinando e Jongin se sentia bem em ter se encaixado na rotina da garota de alguma forma, ainda que normalmente não fizesse aquele tipo de coisa. Aquela garota lhe cativara um pouco demais.
— Vocês se divertiram hoje? — ele perguntou depois de um tempo em silêncio, com ambos ocupados comendo. assentiu imediatamente.
— Sim! E estávamos precisando… — ela sorria quando começou a falar, mas ao se calar tinha uma careta, quase um bico, preenchendo o rosto. — É uma pena que e ainda estejam brigadas. Teria sido ainda melhor.
— Imagino que sim, mas elas vão se entender e, quando isso acontecer, podemos sair todos juntos de novo. — Jongin retrucou, buscando lhe fazer sentir melhor e a garota assentiu, abrindo um pequeno sorriso em agradecimento antes de voltar a comer. — E, ei, todas vocês são fãs do EXO ou… ?
— Ah, as meninas gostam do grupo, mas não como eu. — deu de ombros, demonstrando cautela ao explicar. Não queria ofendê-lo, ou fazer parecer que as meninas não os admiravam também. — Sabe, eu acompanho vocês desde o debut, eu acho. Elas gostam muito do trabalho de vocês, é claro, mas é, tipo…
-yah, tudo bem. Eu entendi. — Jongin riu, lhe interrompendo e ela corou ao sorrir, assentindo e desviando o olhar. — Então, você é uma EXO-L.
— Sou. — ela riu, corando novamente enquanto concordava com a cabeça. Jongin, que achou a cena adorável, também sentiu o peito encher de orgulho com a confissão. Considerava uma amiga e isso era um fato, vinham passando tempo demais juntos para que ele não considerasse e optasse por manter aquela rotina, mas foi sem igual a forma como acendeu seu coração ouvi-la confirmar que, sim, fazia parte de seu fandom. Aquilo era muito bobo?
Jongin sabia que a maioria dos idols normalmente erguiam barreiras e se tornavam muito mais contidos quando descobriram que alguém com quem conviviam de alguma forma era fã, fã ao ponto de utilizar o nome do fandom e tudo o mais, mas ele não via as coisas daquele jeito. Apesar de, inegavelmente, as fãs criarem expectativas a respeito de como seus ídolos realmente eram, eram raras as vezes em que não acertavam e, de uma forma ou de outra, ele era grato demais pelo amor incondicional para se importar com aquilo. Elas, mesmo quando se surpreendiam com os garotos agindo de maneira diferente do esperado, lhes davam todo amor e apoio possível e não havia preço que pudesse ser posto naquilo.
— E é todo mundo como você imaginou? — ele, por fim, perguntou, voltando a lhe encarar e assentiu, sorrindo mais ao fazê-lo.
— Exatamente como eu imaginei. Exceto que sempre achei que Kyungsoo e Minseok eram lindos, mas nossa… Lindos nem chega perto. — ela murmurou, balançando a cabeça enquanto se lembrava dos dois garotos que pareciam anjos de tão perfeitos. — Eles brilham, não brilham? Quer dizer, parece que eles brilham…
— Brilham? — Jongin perguntou, rindo surpreso diante daquela afirmação. Já ouvira muitas coisas a respeito de si mesmo e de seus membros, mas que brilhavam…
— É. Como os vampiros em crepúsculo, quando o sol bate… Sabe? — ela explicava como se fosse realmente sério, mas parou e fez uma careta ao notar o olhar divertido que Jongin lhe lançava, abanando o nada entre eles. — Esquece. Você não entende.
— Tudo bem — Jongin cedeu, erguendo as mãos ao lado da cabeça, como quem se rendia. — E dos outros? O que achou, mais algum vampiro?
acabou rindo da piadinha, soltando um resmungo pelo constrangimento enquanto lhe empurrava de lado.
— Baekhyun é uma peste, nenhuma novidade aí. Chanyeol também. — ela foi enumerando com os dedos, sem ter ideia da ansiedade que crescia no peito de Jongin enquanto o fazia. — Junmyeon me lembra a , ele é tão responsável e ama tanto vocês… — ela sorriu ao encarar Jongin, que sorriu também, concordando. — Eu imaginei isso também, aliás.
— Você nos conhece bem. — ele concordou, lhe incentivando a continuar.
Ela riu e fez uma pequena reverência como agradecimento.
— Hm… Yixing me surpreendeu um pouco, na verdade. Ele é mais engraçado do que eu imaginei. — confessou e Jongin riu, surpreso.
— Yixing, engraçado?
— Sim, ué. Quando conversamos por telefone e ele disse que apresentaria a ao Sehun, foi bem engraçado. — ela assentiu, parecendo muito como uma criança que dizia “foi sim, foi sim” ao fazê-lo. Jongin sorriu para a cena.
— Ele não é engraçado quando tenta. — o dançarino murmurou, pensativo e concordou com a cabeça, apontando em sua direção.
também! — exclamou, muito animada em notar a semelhança. — Parando pra pensar, acho que e Yixing fariam um casal interessante… — ela alisou o queixo, pensando a respeito e Jongin balançou a cabeça, contendo a risada.
— Achei que ela gostasse do Sehun.
gosta de fugir, isso sim… Ei, espera, quem te disse isso? — ela perguntou ao se dar conta do que ele dissera, já que em momento nenhum contara a Jongin que tinha qualquer tipo de atração por Sehun e não lembrava de terem tocado no assunto no boliche também.
— Anh… Ninguém? — Jongin retrucou, se atrapalhando, e apenas arqueou as sobrancelhas em sua direção, esperando que ele se entregasse. O dançarino deu de ombros, desviando o olhar. — Yixing comentou quando perguntei por que queria tanto levar o Sehun no ensaio outro dia… — ele não pareceu feliz em confessar, fazendo um bico que provavelmente nem notou que fazia quando terminou de falar e precisou conter o ímpeto de lhe apertar inteiro, mordendo o próprio sorriso.
não liga muito pra vocês, na verdade. — ela explicou, rindo quando Jongin lhe encarou com uma careta, no mínimo, cômica. — Sem ofensas.
— Claro. — ele resmungou, desgostoso, e ela riu.
— O que eu quis dizer é que ela não liga muito pra vocês, portanto, não tem um bias, só acha o Sehun bonito. — deu de ombros, ocultando que na verdade a amiga “tinha vontade de lamber Sehun inteiro”, como ela mesma dizia.
— Bom, com qualquer um dos dois, espero que dê certo, se algo acabar acontecendo. — Jongin deu de ombros e assentiu, indicando que ela também, de repente realmente fantasiando um relacionamento entre e Yixing, certa que quando comentasse isso com a mais velha ela, no mínimo, lhe xingaria. Especialmente se acrescentasse que Jongin concordava, o que é claro, não deixaria de fazer. De repente, estava até ansiosa pra isso. — Falando no Sehun… E ele? É como você imaginava? — o dançarino perguntou depois de um instante em silêncio e mordeu o lábio, ponderando.
— Eu… Hm… Não sei? — murmuro, sem nenhum orgulho de si mesma por isso. O garoto arqueou as sobrancelhas em sua direção e ela riu, corando outra vez. — Sehun é muito quieto. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre ele.
— Bom, você vai ter tempo depois. Vão se ver novamente. — Jongin deu de ombros, como se não fosse nada demais, embora, para fosse. Ela ainda sentia o estômago revirar de ansiedade e excitação toda vez que lembrava que, sim, veria os garotos do EXO de novo, talvez até com frequência. Ele continuou encarando e só então ela pareceu entender o que ele queria com aquela conversa, sobre eles serem ou não como ela imaginou, e acabou rindo por isso.
— Eu o imaginava exatamente assim, Jongin — ela finalmente revelou e os lábios do garoto se repuxaram num sorriso tão bonito que ela precisou conter o ímpeto de sorrir junto, sentindo seu interior todo tremer. Ela não revelara muito ainda, mas a fala por si só já soara como um elogio para Jongin, que não pôde evitar o sorriso. — É engraçado, na verdade. — ela riu — Porque sempre achei que você era assim, exatamente como tem demonstrado ser, doce, prestativo e cuidadoso… Mas, ao mesmo tempo, parece que todas essas coisas se destacam em você muito mais do que realmente parecia possível. E já parecia muito. — ela riu ao falar, como se realmente achasse o fato engraçado, mas se calou, chegando até a perder o fôlego quando seu olhar encontrou o de Jongin.
Nem se tentasse seria capaz de decifrar o olhar dele naquele momento, pega de surpresa pela intensidade de suas íris lhe encarando e levou um instante até mesmo para se lembrar de corar, colocando o cabelo atrás da orelha, constrangida e Jongin mordeu o lábio, desviando o olhar também como se só então se desse conta do que fora aquele momento, tão breve quanto intenso.
— E Chen hyung? — Jongin perguntou depois de um instante, buscando um modo de quebrar o silêncio e só então se dera conta que não falara dele. Quando a garota virou para lhe encarar novamente, não parecia ter absorvido suas palavras por completo, então ele continuou. — Ele é seu utt, não é? Agora que o conhece, ainda o escolheria?
Sem pensar muito, abriu um sorriso largo e assentiu. Claro, o fez porque, quando pensava em “seu utt”, não pensava em Jongdae e sim em Jongin, só se dando conta que ele não sabia daquilo depois, o que, normalmente, teria feito com que ela risse. Normalmente.
Naquele momento, tudo que fez foi desviar o olhar outra vez, sentindo o estômago revirar sem motivo. Fazer com que Jongin acreditasse naquilo, que ela escolheria Jongdae sem hesitar agora que o conhecia, nunca fora algo premeditado e agora que fizera, ela não sabia muito bem o que pensar.
— Jongdae também é como imaginei. — ela disse por fim, quando finalmente encontrou uma forma de quebrar o silêncio, dando de ombros. — Eu sou uma boa fã. Já sabia o que esperar de vocês. — deu de ombros, cheia de si, embora a atitude fosse muito mais para fazer graça do que por qualquer coisa, sorrindo quando Jongin realmente riu antes de concordar, virando para lhe encarar e sorrindo para ela.
— Me parece que você é. — sorriu junto com ela e logo os dois voltavam a empurrar um ao outro com os ombros, se distraindo com outro assunto pouco depois e passando horas a fio conversando no terraço, contando histórias e rindo juntos, de fato aproveitando a companhia um do outro como os grandes amigos que, a cada dia que se passava, vinham se tornando.
precisava daquilo, precisava de verdade, e só se deu conta disso quando se levantaram para ir embora, sentindo um quentinho no coração por ter tido uma noite tão agradável em meio a tantos conflitos em seu grupo. Aquilo lhe ajudaria a continuar, ela sabia. E sempre seria grata a Jongin por isso, seu utt.

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nunca tinha xingado tanto uma pessoa quanto havia xingado mentalmente Zhang Yixing na última hora. Um encontro, com Oh Sehun, e para jogar vídeo-game? Quem diabos marcava um encontro para jogar vídeo-game? Aquilo era tão idiota que só podia vir deles e acontecer com ela, definitivamente. E pior que aquilo só o fato de ter contado para sua maknae. Precisou contar, estava surtando, não conseguiria não compartilhar mesmo que tentasse, mas obviamente não ajudou. Apenas riu, enquanto gritava, e gritou ainda mais por isso enquanto ria o dobro. Um círculo vicioso que só piorou quando, assim como prometido, Lay realmente veio, em carne e osso, buscá-la. Isso como se o prédio da SM, onde seria o desastroso encontro, não fosse há menos de dez minutos a pé dali.
E ela ainda nem estava pronta. Normalmente não se arrumava para ir até o prédio da SM, era só o prédio da SM e ia lá para trabalhar e ensaiar. Agora, um encontro deveria mudava as coisas, mas por outro lado, era para jogar vídeo-game e ela nem sabia se fazia sentido se arrumar.
para de se olhar no espelho, está ótimo, e Lay está na porta te esperando! — entrou no quarto apressada. Ela havia convencido a se arrumar no final, sob o argumento de que Sehun estava sempre muito bem arrumado, mas ela ainda achava muito pra jogar vídeo-game e de menos para um encontro de verdade. E ela nem sabia se podia mesmo chamar aquilo de encontro já que as partes envolvidas estavam sendo obrigadas a isso.
— Ah não, eu não vou. Desisto. — saiu de frente do espelho e se jogou sentada na cama, fazendo arregalar os olhos e ir até ela para puxá-la para ficar de pé novamente.
que parte do “Lay está na porta te esperando” você não entendeu? Ficou louca?!
— Foi ele que me enfiou nisso para começar! O que eu vou fazer sozinha com o Sehun, pelo amor de Deus?!
— Conversar? Jogar vídeo-game? Ou vocês podem se juntar para xingar o Lay, ou falar de moda. Você está linda, ele também vai estar. É isso.
, ouvindo só a última parte da fala, olhou para baixo, pra si mesma.
— Está demais, né? Vou trocar de roupa. — falou a dançarina, em uma mistura de insegurança e também a procura de um pretexto para matar ainda mais tempo.
! — a puxou pelo braço novamente, a impedindo de fazer isso. — É só um camisetão, porque estaria demais?! — a mais nova gritou, ainda rindo do desespero da outra. era excessivamente dramática, mas isso divertia a maknae na maior parte do tempo.
— Então está de menos? — perguntou. Vestia um camisetão até metade das coxas com um short por baixo apenas por questões de segurança, meias até o joelho e coturnos.
! — gritou, e a outra fez bico.
— Para de gritar comigo! — gritou também, a estapeando, mas acostumada apenas devolveu.
— Então para de ser besta! — gritou novamente, entre risos, mas antes que a respondesse, entrou no quarto.
— Alguém pode me explicar porque o Yixing está na nossa porta?
— Ele está esperando a . — explicou a ao mesmo tempo que respondia “porque ele é um idiota”, e nem se tocou de que não deveria falar com porque estavam brigadas. A resposta saiu sozinha, antes que ela pudesse analisar.
— Vocês têm um encontro? — perguntou, tão perplexa que assim como , simplesmente esqueceu que não estavam se falando. A única que não deixou de notar, claro, foi , que segurou o sorriso que ameaçou vir por isso.
— Com o Sehun. — mesmo respondeu, quando apenas bufou inconformada.
— Então por que o Lay que está na porta e não o Sehun? — confusa, quis saber, enquanto em sua cabeça perguntava para si mesma como aquilo estava acontecendo e ela não sabia.
— Eu já disse. — respondeu, mal humorada e desanimada, e franziu o cenho pela atitude, imaginando que fosse para ela e não para o encontro literalmente forçado. Ela não sabia dessa parte. — Ele é um idiota. — explicou, mas agora apenas deu de ombros, recusando-se a continuar a conversa já que a outra demonstrou não querer tê-la. Ou pelo menos, ela deduziu assim. não ajudou, mesmo que não tivesse notado.
O assunto morreu novamente, e voltou a se jogar sentada na cama. a encarou confusa, se perguntando se ela não deveria sair já que Yixing estava na porta, mas não disse nada enquanto olhava de uma para a outra, ainda mais confusa que ambas, querendo saber o que aconteceu. Elas estavam respondendo uma a outra, por que pararam?
, por sua vez, simplesmente não reparou em absolutamente nada.
— Yixing, na porta? — acabou falando para a maknae quando ninguém moveu um passo, e despertou em um pulo, agarrando pelas mãos para arrastá-la para fora.
— Vamos, eles estão te esperando!
— Não quero que esperem! — resmungou, tentando se manter sentada e mentalmente decidiu que arrumaria uma forma de sutilmente, perguntar sobre aquilo para . Como estava saindo em um encontro sem querer sair para o encontro? Estava curiosa, claro que estava. Sempre contaram tudo uma para outra e repentinamente, ela não sabia de nada. Sentia falta da dançarina, e de saber sobre ela, suas trapalhadas, mas bastou lembrar da resposta atravessada que recebeu há pouco para desistir de perguntar. Apenas deu as costas, e foi para sua cama enquanto ainda arrastava para a porta.
— Vou pedir para ele entrar, e te arrastar pessoalmente! — ameaçou, e muito bem ciente de que eles realmente fariam isso, tanto Yixing em arrastá-la e em pedir que o fizesse, imediatamente arrumou a postura e caminhou ela mesma até a porta, abrindo-a rapidamente para passar mesmo que, em seguida, tivesse entalado na porta da frente antes de abri-la. Ela lançou a um olhar de “pelo amor de Deus, tenha piedade”, mas a maknae apenas riu um tanto quanto debochada, se perguntando o que deveria fazer agora quando já estava na porta.
— O que houve com ela? — perguntou, e somente então se deram conta de que não estavam sozinhas na sala. A chinesa lia um livro sentada sobre o sofá.
— Ela tem um encontro. — respondeu ao mesmo tempo que dizia “ decidiu que me odeia”.
— Ahn? — perguntou, confusa, e chacoalhou a cabeça.
— Nada, te explico depois que ela sair. — a maknae olhou para a dançarina, como se dissesse que estava na hora, mas apenas fez bico.

— Ele já está ai, . Vai logo. — a maknae insistiu, mas quando não se moveu, simplesmente abriu a porta sem lhe dar tempo de fazer nada e, literalmente, a empurrou para fora, fazendo com que a garota praticamente despencasse nos braços de Yixing, que se preparava, com um dos punhos erguidos, para bater novamente a porta.
Lay sem pensar no que fazia, automaticamente envolveu a garota com os braços, a impedindo de cair e enquanto arregalava os olhos ao tê-lo tão perto, literalmente a centímetro do seu rosto, batia a porta atrás de si, provavelmente temendo a fúria da dançarina que certamente voltaria para matá-la por isso. A maknae lhe conhecia tão bem, mas naquele momento não teve psicológico nem para ouvir o trinco sendo passado na porta quando , prevenida, a trancou por dentro.
Tão rápido quanto caiu sobre Lay, no entanto, se afastou, com as bochechas queimando tanto quanto as dele, que olhou para cima coçando a nuca enquanto ela olhava para baixo, tentando se esconder embaixo do cabelo com as pontas rosa. Céus, tinham ficado tão perto. Perto como ela nunca esperou que ficaria. Seu coração estava na boca, sentia com se ele literalmente estivesse batendo em sua garganta, pronto para sair, mas em sua mente ela só tinha a visão dele, tão perto, e do quão bonito ele era. Por que tinha que ser tão bonito? Isso não ajudava.
— Ahn… Desculpe. — ele falou quando ela simplesmente não fez nada. Nada além de ficar parada ali e só então a garota notou que aquela reação não estava ajudando.
Será que ela conseguiria, alguma vez na vida, sobreviver a um dia sem passar vergonha? Ele nem tinha que se desculpar, foi ela que caiu em cima dele!
— Eu que… Ahn… — ela começou, e obrigou-se a encará-lo quando notou que falava ainda olhando para baixo. Quando corou ainda mais em ver que ele também tinha corado, apontou para a porta, usando como desculpa para olhar para ela também, não para ele. — Foi , ela… — transferiu a culpa, mas gaguejou mais uma vez, constrangida, enquanto repassava mais uma vez a cena em sua mente. Ele era a pessoa mais linda que ela já tinha visto, definitivamente. — Ela me empurrou. Eu… Ahn… — quando notou que não terminaria a frase, somente suspirou e se voltou mais uma vez para frente, desistindo do diálogo já que apenas se humilhava mais com ele. — Desculpe. Eu que cai.
— Queria fugir né? — ele perguntou, agora rindo, e concordou apesar de encarar o chão mais uma vez. — Tudo bem. — falou ele, tranquilo, e se permitiu suspirar mais uma vez, tentando acalmar o coração. Estar na presença de Lay costumava até ser tranquilo. Ela era o tipo de pessoa que se constrangia até mesmo com sua sombra, mas algumas pessoas eram fáceis de lidar, ou porque lhe acalmavam ou porque lhe provocavam e criavam aquela necessidade de discutir ou retribuir e quando via, já tinha um diálogo fluindo sem que ela se lembrasse de ter vergonha. Lay costumava fazer os dois, mas naquele momento, não estava ajudando muito. Ela só conseguia pensar que ele era muito bonito. — Eu esperava por isso, sabe…
— Que eu caísse por cima de você?! — ela respondeu sem pensar, esquecendo-se da vergonha para encará-lo surpresa apenas para o segundo baque da noite quando ele riu. Mas em sua defesa ela era a louca de todos os sorrisos bonitos. Amava uma risada escandalosa, mesmo que a dele não fosse, era apenas bonita, e ela fez um bico, inconformada como se ele não tivesse o direito de rir daquela forma depois de tê-la deixado constrangida. Isso porque fora ela quem simplesmente caiu nos braços dele e não o contrário.
— Claro que não! Que fugisse! — se defendeu rapidamente, gesticulando para frente a fim de que ela começasse a andar e a garota obedeceu, mesmo que contrariada. — Mas vou agradecer a mais tarde.
— Vou socar a mais tarde. — respondeu mal humorada, e olhou feio para ele quando Yixing controlou mais uma risada.
— Vai ser legal, eu prometo. — disse ele enquanto saiam do apartamento. não havia se preocupado em se esconder por trás de uma máscara ou chapéu. Não era famosa ainda para se lembrar de fazer esse tipo de coisa, mas Lay usava uma jaqueta com capuz e subiu a máscara em seu pescoço para a boca assim que saíram do prédio. Ela deveria ter feito o mesmo, provavelmente não seria muito legal que a vissem saindo com um estranho, mas eram apenas quinze minutos até a SM qualquer coisa, ele era um segurança. A estava literalmente escoltando até lá de qualquer forma.
— Um encontro forçado. Vai ser lindo. — ironizou, realmente preocupada com o desfecho daquilo. Tinha tudo para dar errado.
— Sehun só é tímido. — Lay devolveu, e ela soltou uma meia risada nasalada, literalmente chocada com aquele argumento.
— E eu não pareço tímida pra você?! — levantou a voz, o encarando, e Lay fechou os lábios em uma linha fina ao ponderar sobre o assunto.
— Ahn, é… — concordou e ela suspirou antes de se lamentar.
— Vai ser tão desconfortável.
— Mas eu juro que ele é legal! – Lay exclamou, acelerando dois passos para ficar na frente dela, andando de costas para isso. — E prometo que depois disso, não forço mais nada. A não ser que peçam ajuda.
— Eu te odeio. — ela respondeu apenas, e ele riu outra vez enquanto deixava que ela o alcançasse e voltassem a andar lado a lado.
— Odeia nada. Estou te ajudando.
— A passar vergonha, e eu nem preciso de ajuda pra isso. — ela retrucou imediatamente. E ele não pôde negar.
— Não mesmo. — Yixing riu, levando a mão até a boca quando o fez, e ela o encarou chocada, mesmo que não devesse ser surpresa ele notar algo tão óbvio. — Desculpa. — pediu, mas ela já o estapeava uma vez, fazendo com que ele se encolhesse enquanto ria pelo gesto. — Ai!
— Você é mais ridículo que a . E eu nem pensei que fosse possível. — falou, tão lerda que nem notou ter simplesmente agredido Zhang Yixing, mesmo que tivesse sido tão leve.
— Vou levar como um elogio porque você ama a . — ele respondeu simplesmente, e ela repetiu com a voz afetada.
— Mas eu não amo você, então não foi um elogio.
— Só que também não odeia então pra mim foi um elogio. — ela o encarou, de canto de olho, e ele sorriu por isso. olhou feio, mas precisou segurar um sorriso também com a covinha tão fofa e aparente em seu rosto. — Aish, te odeio sim. — falou, mais para si mesma do que para ele, porque ele era tão adorável que mesmo sendo chato ela queria colocá-lo em sua prateleira imaginária de idols mais fofos do mundo todo ao lado de Park Jimin.
Yixing riu, mas não respondeu de imediato, pois já entravam no prédio da SM. respirou fundo, nervosa por estar lá, mas esqueceu-se disso assim que Lay voltou a implicar com a garota, fazendo com que esquecesse para onde ia até que estivesse, literalmente, na porta do estúdio reservado para o EXO.

sabia que mataria para estar ali, mas ela mataria para não estar. Aquilo havia, simplesmente, sido constrangedor desde o primeiro segundo. Desde que Lay simplesmente abriu a porta e largou lá dentro, sozinha.
Sehun era a definição de dualidade, claramente. E tanto quanto Yixing estavam certos, ele era tímido quando não estava no palco. Mas ela também era, então vinte minutos depois e tinham trocado quatro palavras. Não era um silêncio confortável. Estavam sentados um do lado do outro realmente jogando vídeo-game, era isso. Só isso.
Estavam no estúdio do EXO. Aparentemente, eles tinham um só para eles. Tinha puffs por toda parte, uma televisão enorme, o vídeo-game, computadores e muitas aparelhagens de estúdio nas quais não sabia mexer. Era um lugar agradável, um lugar onde seria divertido se reunir com os amigos para comer e jogar conversa fora, mas, bom, ela e Sehun claramente não eram amigos e já olhava para o celular pela milésima vez, cogitando pedir socorro para alguém a fim de sumir dali. Sentia-se mais constrangida a cada minuto e depois de tomar tanta água a fim de se ocupar com algo, agora também precisava ir ao banheiro, mas estava com vergonha de dizer isso a ele.
Pior encontro da vida, e ela nem tinha tido muitos para comparar.
— Aquela porta a esquerda é um banheiro. — Sehun quebrou o silêncio, e o encarou surpresa por isso, perdendo o jogo mais uma vez. Era sempre ela que perdia e os obrigava a parar, o que também não ajudava no constrangimento, especialmente quando se desculpava, corada e ele mais uma vez dizia que não precisava se desculpar.
— Ahn, eu… — ela olhou da tela para o controle, rindo de nervosismo quando notou que perdera. — Desculp…
— Tudo bem. — ele respondeu. E sabia que ele tinha uma expressão séria normalmente, mesmo que não fosse tão sério assim, mas estar na presença dele enquanto ele mantinha aquele semblante no rosto era igualmente assustador e intimidador, especialmente quando estavam tentando jogar vídeo-game e ela não parava de estragar o jogo. — Eu posso te esperar, se quiser. — ele continuou, ainda sério, e ela apenas o encarou com confusão.
— E… esperar o quê? — ela perguntou, em meio fio de voz porque ele ainda não a encarava, mas quando ele finalmente olhou em sua direção definitivamente não foi mais fácil. Era surpreendente que existisse no mundo alguém tão bonito, mas a seriedade em seu rosto, céus. Ela queria fugir dele.
— Enquanto você vai ao banheiro. — ele explicou, e ela estreitou os olhos.
— Ahn? Como… — ela começou, mas chacoalhou a cabeça quando se deu conta de que perguntaria como ele sabia sobre sua vontade de ir ao banheiro, o que basicamente lhe denunciaria. — Por que está dizendo isso?
— Você bebeu toda a água. — ele respondeu, olhando para a bancada onde tinha uma caixa com garrafinhas de água e sentiu as bochechas esquentarem por isso. Ela tinha bebido toda a água e ele tinha notado. Claro que tinha, ela bebeu tudo e ele provavelmente teria ficado com sede em algum momento.
Caramba, ela tinha acabado com toda a água. E quis morrer por isso.
— Ahn… — ela deixou o queixo cair, chocada e ao mesmo tempo constrangida, como nunca. Sehun, quando notou, ergueu as duas mãos em frente ao rosto, chacoalhando-as como se dissesse que estava tudo bem.
— Não tem problema. — ele disse rapidamente, após notar que realmente havia parecido uma repreensão. Ele disse em tom de repreensão, e condenou-se por isso. — Eu… Só… Você bebeu muita água e parecia inquieta, achei que poderia querer… — ele se interrompeu, e não se sentiu melhor em saber que ele havia notado tudo isso, mas não conseguiu verbalizar nada para dizer no momento. Mentalmente, sua cabeça apenas trabalhava em palavrões destinados a ela mesma. — Eu estava tentando… ajudar, eu acho. O banheiro é ali, sabe… Se quiser. Mas só precisa ir se quiser, é… — ele se atrapalhou também, voltando a olhar para televisão, e se o silêncio antes não era constrangedor o suficiente, agora era de sufocar.
— Está tudo bem. — foi a vez dela de falar, enquanto pensava se levantava ou não. Precisava ir ao banheiro. E poderia aproveitar para usar o celular e pedir socorro para alguém. Mas seria estranho realmente ir e confessar que ele estava totalmente certo sobre suas observações. decidiu que não iria, podia aguentar um pouco mais, mas ao invés de ficar quieta e voltar a jogar, se levantou, simplesmente porque sua cabeça trabalhava de um jeito estranho.
E como prova, quase levou a mesa quando se levantou.
— Ah, desculpa! — exclamou, tentando segurar a mesa para que não caísse, mas Sehun já tinha agido mais rápido, segurando a mesa em reflexo ao mesmo tempo que ela e terminaram apenas por bater suas cabeças uma na outra. Os dois gritaram um “ai” e ao mesmo tempo, soltaram a mesa para levar suas mãos até a cabeça.
A mesa caiu, e apavorada em meio a vergonha e confusão do que havia feito, nem se deu ao trabalho de dizer nada dessa vez. Não tinha como simplesmente melhorar a situação e tão aleatória quanto era possível, a garota simplesmente deu as costas para ele, com as duas mãos ainda na cabeça, e praticamente correu para o banheiro, tropeçando no percurso e morrendo um pouco mais ao notar que ele a encarava pelo espelho, segurando o riso graças àquela bagunça toda que ela havia provocado.
Assim que entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si, respirou fundo, esquecendo-se até que estava apertada para pegar o celular escondido em uma das botas.
riria disso até o próximo mês, ela sabia, mas chamou a maknae para desabafar mesmo assim.
, POR DEUS, ME AJUDA!” – enviou no chat privado com a amiga, tão desesperada quanto se sentia. – ISSO É UM DESASTRE ME AJUDA!” – enviou novamente, quando a mais nova não lhe respondeu de imediato, e iniciou um spam repetido o nome da garota mil vezes, esperando que o barulho da notificação fizesse com que ela aparecesse. , , , , MAKNAE MALDITA APARECE, !”

, enlouqueceu? O que foi?” – ela respondeu finalmente, mas isso não foi o suficiente para que respirasse aliviada.

isso é um desastre!” – ela escreveu, finalmente desligando o caps lock, e resumiu rapidamente os acontecimentos lamentáveis da noite. , é claro, mandou mil figurinhas de idols gargalhando horrores. – isso é sério”.

é o Sehun! Ele convive com o EXO, você não é nada perto do que ele passa com o Baek. Ele provavelmente riu achando fofo”

“Não foi fofo, foi vergonhoso!”

a quanto tempo você está no banheiro? Isso sim vai ser estranho”. — Assim que digitou, arregalou os olhos. Ela definitivamente estava há mais tempo lá do que o necessário para fazer xixi.

“Ah, droga”
“Você vai me ajudar ou não?”

“Mas o que você quer que eu faça?”

“QUE ME TIRE DAQUI É ÓBVIO! QUE DESCULPA EU DOU?”

 

ele é legal. Só sai desse banheiro!”

“Não!”

 

“Vou desligar o celular”

não se atreva! Eu juro que te mato”

“Tchau…”

!!!” — mas a maknae já não recebeu a mensagem e arregalou os olhos.

— Eu vou matar ela. Eu vou ser obrigada a…
? Tudo bem? — Sehun perguntou, e só então ela se deu conta de que falava sozinha dentro do banheiro, em voz alta, e se calou imediatamente, esquecendo-se até mesmo de respondê-lo que sim. — ? — ele perguntou de novo, devido ao silêncio, e ela se xingou novamente. Deveria ter se calado após respondê-lo e não antes.
Como podia ser tão estúpida?
— Ahn, sim. Eu… Já vou. — gaguejou, mas olhando novamente para a tela do celular, notou que o grupo feito por Baekhyun com o resto do EXO e o Glory Days subiu no chat, com seu nome no meio, e o abriu para ver o que diziam.
Alguém havia perguntado sobre Sehun, e então Yixing simplesmente respondeu que ele estava em um encontro com ela. Assim, para que todo mundo lesse.
Depois de matar , mataria Zhang Yixing. Era isso.
Sem pensar duas vezes, abriu um chat privado com ele e assim como havia feito com , já iniciou a conversa em caps lock.

“EU TE ODEIO, OFICIALMENTE”

“O quê?” — ele respondeu imediatamente, e urrou por conseguir imaginar perfeitamente a risada dele enquanto falava aquilo. Imaginou até mesmo o sotaque chinês adorável, mas quis socá-lo por isso.

“Eu só te odeio”

“Mas o que eu fiz?”

“E você ainda pergunta?”

“Eu te arrumei um encontro com o seu bias”

“Um encontro humilhante! Não temos assunto!”

“Podem falar sobre vídeo-game”

“Mas eu não sei jogar vídeo-game!”

“Ah, isso é um problema”

“Eu já tinha te dito isso!” — ela respondeu, e se ele tivesse ao seu lado, certamente tinha gritado com ele.

“Posso mandar o Baek para te resgatar”

“O Baek? Ficou louco? Eu quero um resgate e não passar mais vergonha!”

“Mas só o Baek sabe jogar vídeo-game”

suspirou, mas não respondeu nada no primeiro instante. Um resgate era tudo que ela queria, mas não o Baek. E, ironicamente, conseguia se sentir confortável na presença de Lay, nem que fosse graças a vontade de socá-lo.

“Você me enfiou nessa, você vai vir”

“Mas vai estragar o encontro”

“E o Baek não estragaria?!”

“Ah”

“Eu estou te esperando. Cinco minutos”

“Como sabe que eu estou há cinco minutos dai?” não sabia, nem ao menos tinha pensado nisso, mas revirou os olhos quando ele, com seu comentário, acabou se entregando.

“Agora eu sei. Cinco minutos” — respondeu apenas, antes de bloquear o celular e finalmente se permitir ir ao banheiro.

já estava tão na merda que nem se importou em esperar no banheiro até que Lay chegasse. Já ia ficar óbvio para Sehun que ela estava fugindo dele de qualquer forma quando Yixing falasse que foi chamado por ela, então pior que isso não tinha como ficar.
Mas ela subestimou o poder de Zhang Yixing, obviamente. Se arrependeu de tê-lo chamado assim que escutou sua voz do lado de fora.
— Não acredito que a deixou se esconder de você no banheiro. — Lay caçoou, rindo em seguida e a garota passou as duas mãos pelo rosto, literalmente desesperada. — Você é péssimo com encontros.
— Você queria que eu fizesse o quê? Arrombasse a porta? — ouviu a resposta vindo do outro, e choramingou enquanto olhava para a janela. Estava sentada no chão, de costas para a porta, mas se não estivesse tão no alto, certamente teria tentado pular. Nem mesmo entalar na janela seria tão humilhante.
— Podia bater para saber se ela está viva? — Lay sugeriu, mas seu tom de voz sugeria que estava se divertindo as custas do amigo. — Seria educado.
— Dar espaço também é. Ela se trancou lá porque quis. — Sehun respondeu, mas apesar de soar quase arrogante ou até mesmo agressivo, entendeu tudo o que sempre quis dizer sobre ele. Sehun falava como se ele não tivesse noção do que dizia, ou de como suas palavras soavam para quem não o conhecia. Ele era prático, e falava o que vinha a mente sem qualquer filtro. Ele não julgava, só dizia o que pensava e como não via maldade, também não via motivo para forçar qualquer tom de voz mais suave. Suas palavras saiam de forma séria, e se tornavam assustadoras, mas ele não parecia ter noção disso. Ou do quanto era intimidador graças ao que fazia. Ela se identificava, na verdade. Tanta gente já tinha brigado por ela por se sentir ofendido quando na verdade não estava entendendo nada. Sehun parecia o tipo tão confuso quanto ela, mas a garota ainda não se sentia a vontade em ficar sozinha junto com ele. Sua falta de confiança não permitia e Sehun era bonito demais para não constranger os seres ao redor só por existir.
— Ela estava com vergonha. — Lay insistiu, e ela jogou os braços para o alto. Ele parecia determinado em envergonhá-la. — Você tinha que dizer que está tudo bem.
— Eu falei isso várias vezes hoje.
— Eu posso ouvir, está bem? — perguntou, por fim, sem se conter, mas arrependeu-se assim que ouviu a voz de Yixing do outro lado em retorno.
— Então sai dai. — e ela soube, naquele exato momento, que toda aquela conversa humilhante tinha exatamente o objetivo de fazê-la sair dali. E ela caiu.
não queria sair, queria o sangue de Zhang Yixing, mas precisaria abrir a porta para isso de qualquer forma. Contrariada, finalmente levantou-se para abrir a porta, saindo de lá sem ter coragem de encarar nenhum dos dois na sala depois de toda aquela conversa.
— Não foi difícil, está vendo? — Lay perguntou, e ela não conseguiu controlar a expressão raivosa quando o encarou, recebendo um bico em retorno. — Eu vim ajudar, lembra? Amigo.
— Tenho pena dos inimigos. — Sehun respondeu, e foi obrigada a concordar imediatamente. Não sentia raiva de verdade, mas não podia negar que uns tapas ele merecia.
— Nunca pensei que fosse possível torturar alguém com simpatia, mas de repente isso faz muito sentido. — respondeu a Sehun, que suspirou como se entendesse exatamente ao que ela se referia.
— Tenta morar com ele. — devolveu, e precisou colocar uma das mãos em frente a boca para rir.
— Estão se entendendo! Isso é ótimo! — Lay comemorou, como se não fosse o assunto em pauta.
— Nosso ódio por você no momento é o único combustível. — retrucou, mas tudo o que ele fez foi dar de ombros.
— Ótimo, usem. — respondeu, sentando-se em um dos sofás, e tanto quando Sehun o encararam como se tivesse algum problema. Lay, por outro lado, parecia bem confortável, olhando para a tela do vídeo-game.
— Você só vai ficar ai parado? Não foi pra isso que eu te chamei. – ela perguntou, mesmo que sequer soubesse o que deveria esperar.
— Você o chamou? – Sehun perguntou, e ela imediatamente se arrependeu de ter aberto a boca.
— Lógico, porque eu viria? – Lay perguntou, e Sehun revirou os olhos.
— Não é como se você não fosse inconveniente. – devolveu, e Lay sorriu de forma que, com certeza, pensava ser traiçoeira, mas soou mais como uma criança adorável, mostrando as covinhas, e quis agredi-lo novamente por ser tão fofo mesmo quando estava sendo insuportável.
— Ah, então eu estou sendo inconveniente? – Lay perguntou, e Sehun deixou o queixo cair, ficando imediatamente sem fala. Foi quem o salvou.
— Foi você quem criou tudo isso chamando de encontro. Então sim, é. – a garota retrucou, e Sehun fez sinal positivo em agradecimento, o que Yixing, por sorte, não notou.
— Eu queria ajudar. – respondeu, num muxoxo.
— Não ajude. — Sehun e responderam juntos, levando o outro a formar um bico, novamente, adorável.
Por fim, estar com os dois sem a pressão de um encontro, acabou sendo divertido, mais do que poderia admitir. Apenas voltaram a jogar vídeo game, mas Lay era tão ruim quanto ela nisso, recebendo alguns comentários debochados de Sehun. E riu, primeiro por ter alguém fazendo Lay “sofrer” como merecia e segundo porque descobriu também que Sehun era muito mais legal do que parecia, e que tinham sim muitas coisas em comum. A timidez era uma delas, então não existia qualquer possibilidade daquele encontro sair, pelo menos não com a pressão de ser um encontro, pois sem ela e com o amigo do lado, tudo fluiu bem o suficiente para que perdesse completamente a noção do tempo.
Aquilo terminou com os dois a levando para seu dormitório, mas não foi constrangedor, não mais. Apesar de ter passado a noite atacando Lay com ajuda de Sehun, acabou criando simpatia por ambos.

Nota das Autoras:
Oie!!!!!!!! Mais um, yay!
O que acharam desse? Comentem!!
Beijos!

 

Capítulo 09.

Aquele lugar era incrível. Era uma pena que se sentisse miserável demais para aproveitar.
Da primeira vez que estivera no museu da SMTown, se lembrava de ter se sentido tão maravilhada, fantasiado um verdadeiro conto de fadas, desde seu período de trainee, até o debut de sucesso que imaginou, que sempre imaginou, ter. Agora, olhava em volta com certa melancolia, se perguntando por que a realidade tinha que ser tão diferente da fantasia.
sempre quisera ser cantora, amava cantar, aquilo lhe fazia sentir em paz, capaz, como nada mais fazia. Ela se sentia forte, boa. Ela sempre soube que era o que queria fazer pelo resto da vida.
Deus, como as coisas mudaram.
Claro, ela sempre soube que não seria fácil, mas céus, nunca imaginou que seria tão difícil. Que se sentiria tão cansada, tão sozinha e tão insuficiente.
Jurava, jurava de verdade, que estava fazendo seu melhor, e droga, aquilo era deprimente, porque parecia pouco demais. Parecia que ela nunca chegaria onde precisava, que seus esforços nunca se provariam o suficiente, mesmo sendo tudo que ela tinha para dar.
Encarando as fotos de seus sunbaenims expostas por todo o lugar, assim como outros artigos que referenciavam seu sucesso, sua arte, parecendo tão mais novos que ela, suspirou. Nunca chegaria aonde eles chegaram. Havia um certo brilho nos olhos daqueles artistas, uma certa confiança em seus sorrisos, que não se achava capaz de imitar, nem se quisesse. Ela não se sentia grandiosa, não se sentia uma artista, como todos eles, os membros do Super Junior, Shinee, EXO, f(x), Girls Generation… Todos eles, claramente eram. não se sentia nada com eles.
Desde o programa, seu espírito parecia mortificado por cada pequena coisa que lhe acontecia, cada palavra que ouvia sobre como precisava melhorar tanto, ou pior, quando fazia tudo perfeitamente bem, quando era excepcional, e mesmo assim, recebia olhares de desaprovação, como se estivesse tentando a toa. Como se fosse muito errado que ela tentasse, porque não era como eles. Nunca seria.
não era coreana.
Ainda que tentasse ignorar, sabia que o fato de ser estrangeira, ainda que tão oriental – céus, tão humana – quanto qualquer outra jovem tentando alcançar o mesmo sonho que ela, sempre representaria um empecilho para sua carreira na Coreia, sempre faria com que lhe olhassem como se fosse menos que os outros lá.
Aquilo podia ser tão cansativo.
— Ei, Glory Days! — o quase grito atrás dela lhe assustou, e deu um sobressalto no lugar, virando para ver ninguém menos que Byun Baekhyun acenando antes de caminhar em sua direção.
Corou imediatamente, colocando o cabelo atrás a da orelha e desviando o olhar para que ele não visse suas bochechas vermelhas. não tinha certeza de porque estava corando, talvez porque… Bem, Baekhyun era imprevisível. Era difícil não imaginar que estava prestes a passar vergonha sempre que ele aparecia.
— Baekhyun-nim! — ela cumprimentou, educada, com uma pequena reverência, que ele imitou com um olhar divertido no rosto.
-yah! — imitou o jeito alarmado que ela falara e ela riu, levemente constrangida. — Céus, esse lugar me dá arrepios — Baekhyun fez uma careta, olhando em volta — O que está fazendo aqui?
deu de ombros, sem querer expor toda melancolia que estar naquele lugar, que antes lhe fazia tão bem, estava lhe causando.
— Por que te dá arrepios?
Baekhyun deu de ombros.
— Eu não sei, é estranho. Transforma a gente, os artistas da SM, em… Sei lá, algo diferente. Como se fossemos algo inalcançável, algo incomparável, sabe?
— É exatamente o que eu sinto vindo aqui hoje. — confessou, rindo junto com ele logo depois. Nenhuma das duas risadas tinha muito humor. — Eu não consigo não me sentir intimidada olhando todas essas fotos, tudo que vocês fizeram…
— Exatamente. — Baekhyun lhe cortou, deixando claro que entendia. — Eu acho tudo isso uma droga. Faz parecer que foi tudo perfeito do início ao fim pra gente, e não foi. Nem é. A gente passou por tanta merda, , todos nós… O EXO e o Super Junior perderam membros, o SHINee lida com péssimas distribuições, promoções, desde o início de sua carreira, as garotas… Caramba, acho que você sabe melhor do que eu como pode ser difícil ser parte de um girlgroup aqui na Coréia. Especialmente se você não for da Coréia.
— Eu não…
— Tudo bem. — Baekhyun lhe cortou outra vez, sorrindo um pouco — Perdi três grandes amigos, caramba três irmãos, por que a SM e a Coréia, em geral, nunca foi justa com estrangeiros. Você não precisa fingir.
acabou abrindo um sorriso triste, e cansado, diante de suas palavras. Sem saber, Baekhyun tirou um peso grande demais de seus ombros, lhe fazendo sentir tão aliviada, só por se permitir acreditar em suas palavras. Acreditar quando ele dizia que não precisava fingir com ele. estava, verdadeiramente, cansada de fingir, de agir o tempo todo como se tudo estivesse bem para que tudo ficasse bem para os outros, porque… Bem, e ela? Quando tudo ficaria bem para ela?
— Eu sinto muito.
— Lute, ok? — Baekhyun retrucou, depois de um instante em silêncio, olhando compenetrado uma foto de seu grupo em sua formação original. De quando eram doze. — Vai sentir vontade de desistir, mas… Lute, . Você é muito talentosa.
sentiu vontade de chorar, erguendo a cabeça e encarando o teto enquanto tentava se conter. Toda aquela conversa, aqueles sentimentos… Aish. Se ela soubesse o que aquilo faria com ela, achava que não teria sequer se inscrito no programa.
— Eu… É melhor eu ir. — ela murmurou, passando a mão pelos cantos dos olhos e teria dado as costas, apressada, se Baekhyun não houvesse falado antes.
— Espera, não. — ele chamou, fazendo uma careta culpada quando ela lhe encarou. — Não vai, não.
— Baekhyun-nim…
— Se você for, vai chorar. E eu vou ter causado isso. — ele murmurou o óbvio. — Não vou conseguir dormir sabendo que te fiz chorar. — a voz dele assumiu um tom mais leve e ela conseguiu rir fracamente, balançando a cabeça.
— Eu não sei porque, mas… Não acredito em você. — retrucou, fazendo um bico zombeteiro, que ele imitou para fazer graça. Os dois riram verdadeiramente dessa vez, e o som soou diferente de tudo que se lembravam, trazendo para ambos uma sensação surpreendentemente acolhedora, como se encolher nas cobertas e adormecer confortavelmente depois de um dia de praia.
— Vai, deixa eu te mostrar o lado bom. — ele insistiu, estendendo a mão para a garota. estreitou os olhos, olhando da mão bonita estendida para ela para o rosto tão singular de Baekhyun, ponderando. Ela devia estar no dormitório logo, não podia passar muito tempo fora, especialmente quando tinham ensaio bem cedo no dia seguinte, mas… Era a primeira vez que realmente se sentia animada em fazer algo, animada de verdade, em tanto, tanto tempo.
— Não vai me sequestrar, nem nada assim, não é?
— Eu sou um idol, tenho uma imagem a zelar. — Baekhyun retrucou como se fosse óbvio, sorrindo largamente em seguida. — Prometo. Não vou te machucar.
riu e concordou, finalmente aceitando sua mão.

….

ria tanto que sua barriga doía, batendo palmas de maneira exagerada quando Baekhyun terminou sua, bem, única, versão de Red Flavor, da Red Velvet. Aquele garoto pequenininho, de traços tão ridiculamente bonitos, tinha um dor, e ela não estava falando de cantar, ou dançar: Baekhyun era um tipo de guru do humor, melhorando o humor de toda e qualquer pessoa que lhe desse a chance de tentar.
se sentia outra pessoa, quase esquecendo de tudo que vinha lhe deixando tão miserável.
Quase.
— Você desafinou um pouco, mas de resto… — ela fez uma careta, sinalizando um “arrasou” apenas para arrancar de Baekhyun aquela expressão chocada que lhe divertia tanto. Estavam no anfiteatro onde as meninas haviam feito sua primeira – e fracassada – apresentação de pré-debut, brincando de, basicamente, estragar músicas de outros artistas. Baekhyun estava indo tão bem naquilo que chegava a ser irônico que ele, de fato, ganhasse a vida cantando e dançando num palco.
Por falar em palco, era estranho estar ali. se lembrava com desgosto de cada detalhe daquele dia, de seu pré-debut. Ela não imaginou que fosse conseguir estar ali tão tranquilamente, mas Baekhyun, inacreditavelmente, transformara aquele lugar em só mais um lugar, e não mais numa lembrança viva do dia mais horroroso da vida de , que ela, carinhosamente apelidara como “o início do desastre”.
— Eu não desafinei, não! — ele retrucou. Dançara de maneira ridícula, isso ele admitia, mas desafinar? Não, Baekhyun não desafinava, não importava o que o idiota do Chanyeol dissesse por aí. — Vai, quero ver você fazer a high note da Joy melhor que eu.
arqueou as sobrancelhas com o desafio.
— Ah, quer mesmo? — provocou, vendo-o se sentar de frente para ela no canto do palco, em posição de índio. Ele assentiu, com a mesma expressão desafiadora.
sorriu, satisfeita, e sem qualquer dificuldade, cantou a parte da main vocalist da Red Velvet, alcançando a nota alta da garota com maestria e arrancando uma careta de Baekhyun, que, é claro, só tratou de fazê-la para esconder a expressão um tanto embasbacada que tinha no rosto um minuto antes.
— Você é ridícula. Não quero mais ser seu amigo. — resmungou, como se estivesse muito ofendido, empurrando-a com o pé e quase caiu para trás, o empurrando de volta apenas depois de apoiar as mãos atrás de si, no chão.
— E quem disse que somos amigos, hein? — retrucou, rindo em seguida quando Baekhyun pousou a mão no peito e abriu a boca de maneira exagerada. se jogou sob ele, pedindo desculpas quando ele virou a cara, num drama tão fajuto quanto seu pedido de desculpas e logo os dois voltaram a rir, se afastando novamente. Ela o encarou com um sorriso quando ele puxou o celular do bolso, concentrando-se em responder alguma mensagem que chegara ali.
Ok, então uma coisa ou outra boa, realmente boa, era possível em meio ao caos que estava sua vida. Precisava se lembrar de agradecer a Baekhyun por lhe lembrar daquilo.
— Ei, eu preciso ir. Ensaio com os meninos. — ele fez uma careta, se pondo de pé e imitou, arrumando a roupa no corpo e calçando os sapatos.
— Então, nunca fica mais fácil, não é? — ela retrucou, notando que nem Byun Baekhyun, membro de um grupo renomado como o EXO, tinha a graça de uma brisa calma naquela vida.
Ele sorriu fraco, dando de ombros.
— Um dia de cada vez, pequeno gafanhoto. Um dia de cada vez. — murmurou, de maneira enigmática e, bem, cômica, vindo dele.
riu de leve.
— Não sou gafanhoto. — murmurou, o acompanhando para fora do anfiteatro. — Preciso ir também, mas ei… Obrigada, Baekhyun-nim.
— Pode me chamar só de Baekhyun. — ele deu de ombros, sorrindo de leve pra ela. — Ou Oppa.
mordeu uma risada diante da possibilidade de chamá-lo de oppa e assentiu, despedindo-se em seguida. Cada um foi para seu canto, com o coração infinitamente mais leve do que quando chegaram e tão, tão satisfeitos por isso.
Que sorte deram, de se encontrar ali.

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entrou no alojamento na ponta dos pés, exatamente como uma fugitiva e sequer saberia dizer o motivo disso se lhe perguntassem. Ela costumava não fazer qualquer sentido com muita frequência e aquele era um exemplo.
Yixing e Sehun a deixaram em frente ao seu dormitório antes de irem, e apesar de todo o desconforto inicial, a noite acabou sendo divertida depois que o chinês se juntou a eles. Claro que perdeu todas as partidas de video-game que tentou jogar, mas isso era apenas um detalhe. Ela queria gritar com alguém e contar sua noite detalhadamente, mas ao mesmo tempo tentava se esconder para que ninguém fizesse insinuações. Era inútil se parasse pra pensar, afinal, a maknae era justamente a pessoa que faria daquilo uma tortura e ao mesmo tempo era justamente quem estava procurando para contar tudo.
Assim que chegou ao quarto, no entanto, parou na porta, lembrando-se de . Não queria que o clima estranho com a mais velha estragasse a noite que havia tido, então decidiu que entraria e se estivesse lá, pegaria seu pijama com a desculpa de tomar um banho antes de deitar. Chamava por mensagem para que esta lhe encontrasse em algum canto para conversarem.
Mas por sorte, quando entrou, apenas estava lá e a maknae, tão ansiosa quanto ela, pulou rapidamente do beliche, subindo na cama de e sentando-se ali com as pernas cruzadas em posição de índio.
— Conta, conta. — pediu, rapidamente, e imitou sua posição ao sentar-se de frente para a mais nova.
— Não deveria te contar nada depois daquela ceninha no banheiro. — , emburrada, se fez de difícil e revirou os olhos apesar de estar rindo.
— Vai logo, você está louca pra contar. — insistiu, e apenas cruzou os braços, juntando mais os lábios como para exemplificar que não os abriria para nada. — Então tá, não conta. — fez menção de levantar, e imediatamente agarrou seus braços, fazendo com que a amiga voltasse a sentar rapidamente.
— Tá, tá! — gritou, e se ajeitou para voltar a ouvir. — Bom, não foi nada demais na verdade…
— Você saiu com o Sehun, ! Toma vergonha nessa cara!
— Mas só jogamos video-game! — exclamou, mas sabia que estava certa. Seu coração quase saindo pela boca era a prova disso. — Eu perdi todas as vezes, obviamente. Passei muita vergonha…
— Também obviamente. — completou, e até pensou em estapeá-la por isso, mas desistiu. Realmente era óbvio. Novidade seria o dia que ela sairia de casa e conseguisse voltar sem pagar um só mico.
— Derrubei uma mesa, acabei com toda água e fiquei meia hora no banheiro enquanto esperava o Yixing, que eu chamei para o encontro.
— Espera, você o quê?! — perguntou quase aos berros, mas se jogou para trás em seguida, gargalhando.
— A culpa foi sua que não quis me ajudar! — gritou, a empurrando com os pés.
— Ai você simplesmente convidou o Yixing para o seu encontro?
— Aquilo não era um encontro, era um desastre completo! Pelo menos depois que o Lay chegou nós conseguimos realmente socializar como pessoas normais. — a garota suspirou, verdadeiramente aliviada. — É mais fácil lidar com ele do que com o Sehun. Não que os dois não sejam bonitos ao ponto de deixar qualquer um constrangido, mas o Lay não tem cara de quem vai te matar com o olhar. — exemplificou, enquanto ouvia com um sorrisinho irônico no rosto que não foi capaz de perceber. — E a lerdeza dele também é engraçada, e fofa. — continuou. — E não dá pra ficar com vergonha de alguém que você quer matar. — sorriu, como se não tivesse feito praticamente um discurso sobre o chinês, e segurou o riso por isso.
— Uhm… — falou a maknae, em um tom ligeiramente malicioso que fez estreitar os olhos.
— O quê?
— Você parece mais animada em ter saído com o Yixing do que com o Sehun. — explicou, e deixou o queixo cair como se estivesse muito ofendida com a insinuação.
— De onde você tirou isso? — perguntou, verdadeiramente confusa. A garota realmente não tinha se dado conta daquilo. — Nada a ver, . — riu debochada, mas não a levou a sério.
— Só disse verdades.
— Que são verdades só na sua cabeça. — retrucou a dançarina, que se calou em seguida quando a porta do quarto se abriu no instante seguinte. Era , obviamente. Aquele quarto também era dela, mas sentindo-se imediatamente desconfortável, mordeu o lábio inferior, não disposta a continuar o assunto agora que a líder havia aparecido. , vendo a reação da garota, deixou seus ombros murcharem, chateada com o que haviam se tornado.
Só queria que as três pudessem voltar a ser o que eram antes.
, você sabia que a … — a mais nova começou, dando início a um plano arriscado de tentar juntar as duas novamente, mas simplesmente pulou de onde estava, se colocando de pé no segundo seguinte.
— Eu vou pegar minhas roupas e ir pro banho. Temos que levantar cedo amanhã e eu estou cansada. — desconversou, evitando o que quer que a maknae fosse dizer.
— Mas você nem terminou de me contar como foi o encontro. — insistiu, mas apenas deu de ombros, ignorando completamente a presença de que de costas, trocava de roupa para ir dormir também.
— Está tarde, conversamos amanhã. Pode dormir, não precisa me esperar com a luz acesa. — falou, pegando suas roupas exatamente como havia planejado antes e saindo rapidamente do quarto.
Mais uma vez, suspirou chateada e decepcionada com aquela atitude. A mais nova encarou , tentando ler em sua expressão qualquer coisa referente a , mas tudo o que a líder fez foi dar de ombros.
— Não liga pra isso. Não é culpa sua. — falou simplesmente, deitando-se em sua cama de frente para a parede, dando o assunto por encerrado mesmo duvidando que fosse ser capaz de simplesmente dormir. Não quando tudo estava daquele jeito.

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Alguns dias eram mais difíceis que os outros, e sabia disso, mas aquele em especial estava quase insuportável. Estava sendo, em especial, um daqueles dias em que o mundo parecia girar tão rápido que tudo ficava bagunçado e confuso, mesmo que as horas parecessem passar tão devagar, o que acabava sendo contraditório de certa forma. Restava uma hora para o final daquele dia, o fim daquelas vinte e quatro horas, mas tudo ainda estava intenso e sufocante demais. Principalmente, aquela sensação tão pesada que tomava conta de todo o interior de há dias, e que ficava muito pior em dias como aquele.
Em dias como aquele, o indicado era que ficasse em sua cama, na proteção de suas cobertas, quieta. Mas, não podia se dar esse luxo e por isso, passou o dia inteiro na empresa. Chegou às seis horas da manhã, e ficou três horas na sala de ensaios de dança. E logo se enfiou no estúdio de gravações e dali só saiu naquele momento, às onze horas da noite. E mesmo tendo ensaiado todas as coreografias e ter cantado todas as músicas de seu grupo – tanto as suas partes quanto as das meninas – aquela sensação ainda lhe dizia que tinha feito tudo aquilo em vão, porque nada daquilo mudaria o fato de que era capaz de esquecer seu rap que ela mesma havia escrito, e que passar o dia na empresa não a tornaria uma boa líder. Os problemas do grupo não se resolveriam com um dia intenso de ensaios, e sabia disso, sentia isso. Aquela sensação também lhe dizia que ela não conseguiria resolver nada. Afinal, não tinha pulso firme o suficiente pra isso.
Os corredores da empresa estavam praticamente vazios, mas isso não significava que era a única ali. Ela sabia, todo mundo sabia, que os artistas iam embora altas horas da madrugada, isso quando não dormiam por lá. E até pensou em dormir por lá, o sofá do estúdio não era tão desconfortável assim, mas não levara roupa para tomar banho quando o dia amanhecesse e precisasse ter mais um dia intenso de ensaios. Por isso, planejou passar a noite ali em outro dia.
– Espera! – segurou as portas do elevador quando ouviu o grito que, com certeza, ecoou por todo o andar. – Obrigado. – Chanyeol agradeceu quando entrou na caixa de metal, passando a mão no cabelo que com a corrida para pegar o elevador fora parar em sua testa.
– De nada. – ela o respondeu, apertando o botão do térreo e fechando os olhos, incomodada com a claridade que existia ali dentro, xingando-se por ter se esquecido de pegar o boné quando deixou o dormitório pela manhã, encostando-se na parede fria e colocando as mãos nos bolsos do moletom que usava.
– Tudo bem? – Park perguntou, franzindo o cenho para a aparência tão pra baixo da garota. Ele sabia que o grupo de estava passando por um momento difícil, uma fase que logo passaria – era o que ele acreditava. E que, muito provavelmente, a garota passara o dia na empresa, ensaiando e ensaiando. Mas, não era só o cansaço que estava visível nos ombros baixos e o suspiro cansado que dera, nem a tristeza que uma fase difícil criava, parecia ter alguma coisa a mais. – Passou o dia aqui?
– Sim. – o respondeu, respirando fundo, não querendo somente ter mais ar em seus pulmões, mas suspirar também era uma tentativa de espantar a ardência tão característica que sentiu em seus olhos. – ‘Tô cansada, só isso. – sorriu minimamente, ou pelo menos tentou.
­ – Percebi. – ele apontou e riu baixo e fraco, é claro que o garoto havia notado, seu cansaço, estava evidente. – Já jantou? – ela assentiu. – E comeu sobremesa?
– Não posso me encher de doce ou de besteiras, você sabe… Dieta. – respondeu em um resmungo. Aquela ideia de dietas e corpo perfeito era uma das coisas que menos gostava na indústria em que trabalhava, como se um corpo “perfeito” existisse e como se isso fosse de fator importante para mostrar o talento de alguém. Essa ideia de corpo perfeito de nada servia, a não ser, é claro, para bagunçar o psicológico e a autoestima de tantas pessoas ao redor do mundo.
– Conheço um lugar que vende uma torta de sorvete muito boa! – Chanyeol afirmou, parecendo empolgado com o tal lugar e a tal torta, que pelo sorriso que tinha no rosto do garoto deveria ser mesmo muito boa. – Podemos ir lá. – Convidou, mas tudo que fez fora sorrir em agradecimento, virando-se para encará-lo quando saíram do elevador e chegaram ao térreo da empresa.
– Obrigada, mas preciso ir para o dormitório. Preciso tomar banho e depois ensaiar mais um pouco antes de dormir. Boa noite e aproveite a torta. – curvou-se já se despedindo dele, e logo se assustando quando Park correu e ficou na sua frente, bloqueando seu caminho e a olhando tão de perto.
– Chanyeol-ah… – suspirou, sabendo o que viria pela frente. Sabendo da insistência do garoto.
– Eu aposto que você passou o dia inteiro aqui na empresa e que só está indo embora agora. Que se alimentou muito mal e que não é só cansaço que sente. – apontou, não recebendo nenhum aceno ou palavra como resposta, mas sabendo que tinha razão no que falava. – Você precisa respirar -yah. Respirar ar puro, leve, sem todo esse peso que tem na empresa e que provavelmente tem lá no seu dormitório com as meninas, já que ainda devem estar brigadas.
– Quem te disse que ainda estamos brigadas? – tentou, mudando o peso do corpo de um pé para o outro, mordendo o lábio inferior e suspirando mais uma vez quando o cantor a sua frente ergueu uma sobrancelha.
– Porque eu não as vejo juntas como antes? E quando os garotos comentam sobre vocês lá no nosso dormitório é como se fosse cantoras solos e não um grupo, ou amigas.
E mesmo que não tivesse a intenção e não tivesse pensado em nada além de responder a pergunta da garota, Chanyeol havia falado coisas pesadas demais. Havia tocado em algo que mexia com ultimamente, mexia demais e não de um jeito bom. Ela sentia saudades de sua amizade com , e até a sua com que, querendo ou não, fora afetada no processo. sentia saudades do que eram e tinha tanto medo de saber o que se tornariam, de ter a certeza que, provavelmente, seriam o que estavam sendo naqueles últimos dias: companheiras de grupo e pessoas que dividem a mesma casa, apenas isso.
– Nós podemos conversar, se você quiser. Não precisa ficar sozinha por aí, -yah. – Park falou, olhando para o rosto da garota que olhou para os lados e até para o chão, antes de voltar a encará-lo. – Nós somos amigos, lembra? E como amigo, estou te convidando para comermos um pedaço de torta de sorvete em uma noite estrelada de Seul.
– Não tem estrelas no céu essa noite. – o respondeu, e ele deu de ombros, indo para o seu lado e passando o braço por seus ombros.
– Mas, tem uma aqui do seu lado. – Park piscou e fez uma careta, o empurrando e desfazendo o abraço de lado.
– Não preciso ouvir esse tipo de coisa a essa hora da noite, não mesmo.
Então, o deixou para trás, mas não por muito tempo, pois Chanyeol a alcançou com uma breve corridinha. Ele ria da careta que a menina fez para a sua idiotice, e mesmo que tivesse sido empurrado e o chamasse de idiota toda vez que ele tentava fazê-la afirmar que ele era sim uma estrela, Park estava feliz. Afinal, não negou o convite de irem comer a tal torta de sorvete.

O céu não estava estrelado e nem completamente sem estrelas, havia algumas brilhando na imensidão escura, e conseguia ver isso pela janela aberta da porta ao lado do carona. No final das contas, nem ela e nem Park estavam certos. O vento frio tocava sua pele, e seus olhos às vezes se fechavam quando se permitia aproveitar o momento.
– Ah, não. – Resmungou, olhando para dentro do carro, na direção de Chanyeol que riu. voltou sua cabeça para dentro do automóvel, ficando ereta no banco, olhando do rádio para o cantor que dirigia.
– Viu? Uma estrela. – apontou convencido, cantarolando junto com a música de seu grupo que começara a tocar no rádio, batendo os dedos no volante, mas logo parando quando a música foi parou de tocar porque havia desligado o rádio. – Ei!
– Atrapalhou o meu momento de relaxar, Park. – deu de ombros, voltando a apoiar os braços na porta do carro e o queixo em seus braços.
– Você parece aqueles cachorros que colocam a cabeça pra fora da janela e ficam felizes com o vento. – comentou, rindo orgulhoso da comparação que fizera. Chanyeol era tão bobo e tinha mais certeza disso cada minuto que passava ao lado do garoto. – Só falta a língua pra fora.
– Você realmente me comparou a um cachorro? – perguntou, erguendo a sobrancelha e virando o rosto para encará-lo, vendo-o assentir. – Porque eu aceitei mesmo vir com você? Ah, pela torta que você vai pagar.
– Eu vou pagar?! – fingiu indignação, é claro que seria ele quem iria pagar. Não porque pensava que deveria ser o homem quem pagava tudo, mas porque fora quem convidou para ir comer a torta e não o contrário. – E você só aceitou por causa da torta? Fala sério, sabemos que é porque eu sou incrível e você queria passar mais tempo ao meu lado.
– Abre a porta, eu vou descer. – pediu, fingindo indignação como Chanyeol havia feito, ouvindo a risada alta do garoto mais uma vez, e acabou sorrindo.
– Você sabe que falei sério quando falei que poderíamos conversar, certo? – Park perguntou, após alguns poucos minutos em silêncio, virando o volante para fazer uma curva, logo olhando para , que ainda estava observando a rua do lado de fora, de canto de olho e vendo a menina assentir com um movimento de cabeça.
– Eu não quero ter que perder minhas amigas só pra ser a líder. – suspirou, voltando a sentar-se direito no banco, permitindo-se cruzar as pernas como índio, ficando mais a vontade. – Não quero ter que me tornar apenas a líder que fazer tudo pelo grupo, e não ser uma boa amiga. E bem, eu não posso arriscar perdê-las para uma posição que não ocupo tão bem assim.
– Você não precisa ser apenas a líder. Ser líder não quer dizer deixar de ser amiga. – Park apontou, olhando pelo retrovisor lateral, deixando que o motorista detrás o ultrapassasse. Ele nem estava com tanta pressa mesmo. – Por exemplo, o Junmeyon-hyung é o líder do EXO, e nosso amigo. Conversamos sobre tudo com ele, tanto eu quanto os garotos, ele é nosso irmão. E mesmo que às vezes, ele, como líder diga ou faça algo que um de nós não gosta ou que não agrade a todos, a nossa amizade continua. Porque, no fundo, sabemos que ele faz o que faz para o bem do EXO, do nosso sonho. – compartilhou, sorrindo quando viu a loja tão conhecida por si. Procurou por uma vaga em frente à loja, estacionando o carro diante do estabelecimento que não era tão chamativo e nem ficava no centro de Seul. – Essa briga pode ter sido uma das primeiras que tiveram e vão ter, mas não deixe que isso te faça pensar que ser líder quer dizer que não possa ser amiga das meninas ou vice-versa. Dá pra ser as duas coisas ao mesmo tempo. E mesmo que, às vezes, você faça ou diga algo que elas não concordem de primeira, elas também vão fazer ou falar algo que você não concorde de primeira. Vocês precisam conversar. Já pensou em chamá-la para conversar? – olhou a menina ao seu lado quando retirou o cinto de segurança.
– É a , ela vai falar comigo quando se sentir a vontade. Se ficar a vontade pra isso um dia. – também retirou o cinto.
– Claro que vai. – Park garantiu, sorrindo confiante. – Briga é algo normal, -yah. E as vezes só serve pra fortalecer ainda mais a relação. -yah te ama, você a ama, vocês se amam! Ela vai falar com você, tenho certeza, e tudo vai ficar certo. E logo vão estar se falando, rindo e fazendo tudo que garotas fazem quando são amigas.
– Obrigada, assim espero. – riu da forma com o garoto disse “tudo que garotas fazem quando são amigas”, quando se lembrou de quando ela e acordaram com chantilly na cara. Sentindo saudades de tudo aquilo, e acabou pedindo internamente que o cantor estivesse certo. – Bom, chegamos então?
­– Ah, sim. É aqui. Antes, preciso que me prometa uma coisa. – chamou a atenção de que já estava pronta para sair do carro, e que o olhou com uma expressão de confusão. – Precisa me prometer que não vai falar o endereço daqui pra ninguém. Essa torta é o meu segredo que agora só você sabe. Então, se você falar pra alguém eu vou saber e…
– Tá, tá, prometo. – o interrompeu, revirando os olhos para o jeito como Park estava tratando aquele assunto, como se tivesse lhe contado a receita da paz mundial. – Isso é sério?! – perguntou quando viu o cantor erguer o dedo mindinho e oferecê-lo.
– Seríssimo. – a respondeu, entrelaçando seu dedo ao de e sorrindo, mostrando suas covinhas que quase tiraram da menina a vontade de estapeá-lo por ser tão idiota. Quase. – Ai!
– Se essa torta não for tão boa assim, eu vou te dar outro. – prometeu, abrindo a porta e saindo do carro antes de Chanyeol que, mais uma vez naquela noite, correu atrás da garota para alcançá-la.

– Diz se não é a melhor torta de sorvete que você já comeu na sua vida? – Park perguntou, e mesmo que quisesse implicar e dizer que não, o incrível sabor de chocolate geladinho que tinha em sua boca não a permitiria falar uma mentira tão grande assim.
­– É maravilhosa mesmo. – elogiou quando terminou de engolir a porção que tinha na boca, logo cortando outra, sentindo o olhar do garoto em si e nem se preocupando em olhá-lo de volta para mandar parar com aquilo. – Quer uma foto? – perguntou, olhando-o e o encontrando a encarando. passou a mão no rosto, colocando para trás os fios de cabelo que soltaram do rabo de cavalo e iam para sua face com o vento.
– Só se eu puder mostrar para o mundo como a sua cara ‘tá suja de chocolate. – riu, tirando o celular do bolso e mirando-o para que deixou o pratinho com o pedaço de torta no chão e empurrou as mãos e o celular de Chanyeol para longe de si. – Sorria! Diga X! Ai!
– Para! – pediu e repetiu o pedido mais algumas vezes, e em todas sendo ignorada por Park que estava achando graça do bico emburrado que a garota tinha nos lábios. Ele de fato tirou algumas fotos de , todas tremidas e sem foco algum, afinal, ela o empurrou e tentou afastá-lo de si a todo o momento. Mas ficara satisfeito com as fotos, e principalmente, com o sorriso que a garota exibia após tê-lo empurrado pela última vez e voltado a comer seu pedaço de torta.
– Aqui. – Chanyeol pegou um guardanapo que tinha ido junto com os quatro pedaços de torta que comprou, e sem pensar muito, o aproximou do rosto de e passou no canto da boca dela. Limpando o sujo de chocolate, tão concentrado em limpar a pequena sujeira que não reparou que aquele gesto poderia ser interpretado de outra forma. E descobriu que tinha feito algo além, quando sentiu seu coração errar uma batida quando seus olhos deixaram o canto sujo da boca de e encontrou os olhar assustado da cantora.
Ela que estava tão sem reação como Park naquele momento.
– Obrigada. – o agradeceu quando Park soltou o guardanapo, passando ela mesma outro papel em seus lábios, constrangida pelo momento e pensando o que havia acontecido, mas não pensando muito e nem deixando que sua mente viajasse demais procurando mil significados para aquele gesto.
Então, cada um voltou a comer seu pedaço de torta, se deliciando com o gelado e o gosto incrível do chocolate, no caso de , e o de maracujá, no caso de Chanyeol.
Eles estavam sentados no meio de uma velha quadra de basquete que ficava do outro lado da calçada, de frente para a loja onde compraram a torta. A iluminação no local não era a melhor, e não havia tanto movimento na rua também, o que dava a eles certa segurança e não o deixava com medo de serem reconhecidos. não queria que a SM precisasse lançar outra nota explicando a relação entre o Glory Days e o EXO.
Aquele local, a loja de tortas e a quadra, era o lugar que Chanyeol ia quando queria pensar sobre a vida, tudo ou sobre nada. Era o seu canto de fuga. Era onde ele ia para relaxar e se desligar do mundo enquanto comia a melhor torta que já provara em sua vida, daquele exato jeito que estava com : sentado no meio da quadra que sempre estava vazia naquele horário. Park nunca tinha levado ninguém até ali, nem seus companheiros de grupo, nenhumas das garotas com que já saiu, e nem sua irmã, estava sendo a primeira. E aquilo não tinha um propósito romântico ou nada do tipo, ele só queria que ela sentisse o mesmo que ele sentia quando estava ali: leveza. Que o peso de ser uma artista saísse de seus ombros, que as responsabilidades fossem esquecidas e os medos também, que deixasse de carregar o mundo nas costas. Que ela se permitisse não sentir nada, ou se permitisse colocar tudo para fora.
– Então, porque não me conta como foram seus dias? – sugeriu, juntando o prato e os hashis que usou para comer a torta para jogá-los no lixo depois, olhando para que ainda terminava o seu pedaço de torta.
– Bom, meus dias não tiveram nada demais. – o respondeu, olhando-o e sentindo certa necessidade em falar sobre a apresentação de dias atrás. O pré-debut acontecera há alguns dias, e ainda não tinha falado com ninguém sobre a desastrosa apresentação em voz alta, e sentia que precisava. Precisava externar o que sentia sobre o ocorrido, e jamais falaria sobre com uma de suas companheiras de grupo. Jogar em uma das meninas a frustração que sentia, estava fora de cogitação. – Mas, posso falar sobre a nossa apresentação? Como me senti?
– Com certeza.
Chanyeol se virou de frente para ela, dando a toda a sua atenção e silêncio para que falasse o que quisesse o quanto quisesse. E ele, a ouviu. E viu uma parte do peso que tinha em seus ombros, saindo.
Ela falou sobre tudo. Desde o nervosismo para a apresentação, a pequena brincadeira que tivera com , e , e da chegada de . E, principalmente, da briga e de como tudo pareceu ficar de pernas para o ar bem na sua frente. E então, da apresentação em si. De como se sentiu sem chão e de mãos atadas. Dos gritos da diretora e da decepção que viu nos olhos de cada um. E mesmo sem querer ou por já estar acostumada a decepcionar os outros, procurou algum traço de decepção no semblante de Park e tudo que encontrou foi compreensão. E pouco menos de um minuto após ter falado sobre a apresentação e o aperto que sentia no peito, ouviu Chanyeol lhe contar como se sentiu na apresentação pré-debut e de debut de seu grupo.
E dali em diante os dois não pararam mais de falar e ouvir.
contou como foram os dias após a apresentação e como tudo estava sendo, ouviu conselhos de Park que dizia que ela precisava ter calma e um pouco mais de fé em si mesma e em suas companheiras de grupo, que logo tudo iria se resolver e dali uns dias estariam rindo de tudo aquilo. Chanyeol também contou sobre seus dias, desde os ensaios e toda a preparação para o comeback do EXO que aconteceria em breve, e para deixar o clima mais leve, contou também das brincadeiras que ele e os meninos faziam no dormitório. Até mostrou uma foto sua com Baekhyun sorrindo ao lado de um Kyungsoo adormecido que tinha o rosto todo sujo de pasta de dente – e que bateu em Byun e Park quando acordara.
Falaram sobre compor músicas, como cada um escrevia seus rap’s, coreografias difíceis e sobre seus companheiros e companheiras de grupo. E em algum momento, deixaram de falar do trabalho e falaram de suas vidas pessoais. De como viviam antes de entrarem para a empresa, como conciliaram os estudos com a fase de trainee e até mostraram fotos de suas famílias um para o outro. Ficaram surpresos quando descobriram alguns gostos em comum, riram quando compartilharam experiências vividas e ainda estavam rindo da última história que Chanyeol contou quando o cantor se levantou em um pulso, assustando que não entendeu o que havia acontecido.
– Chanyeol-ah? – o chamou, franzindo o cenho ao vê-lo pedi-la para esperar e indo em direção ao carro preto que estava estacionado em frente à loja. o assistiu abrir o porta-malas após atravessar a rua, e ainda com o cenho franzido em confusão o observou tirar dali de dentro uma bola e fechar o porta-malas. – Porque você…
– Vem, vamos jogar. – estendeu a mão para a garota que o olhou, e se levantou com a ajuda dele.
– Você sempre vem jogar aqui? – o perguntou, pegando os pratos e hashis sujos que usaram e os colocando dentro da mesma bolsa plástica que receberam da loja, os entregando a Chanyeol que pediu e os levou até a lata de lixo.
– Às vezes. Na maioria das vezes só venho pensar mesmo. – deu de ombros, jogando a bola no chão e logo a batendo, começando a driblar a bola, tendo a atenção de em si. – Vamos apostar?
– Apostar? – ergueu uma sobrancelha, soltando o cabelo e o prendendo novamente em um rabo de cavalo, dessa vez bem firme para que não se soltasse e atrapalhasse sua visão. – Quem perder paga outro pedaço de torta? Melhor! Quem perder, pagar um pedaço de torta para os dois grupos.
– Um pedaço de torta para cada uma das suas meninas e cada um dos garotos? – Park verificou a proposta, sorrindo quando assentiu e tirou o moletom para amarrá-lo na cintura. – Fechado.
– Dez cestas?
– Dez.
Chanyeol sempre foi conhecido por sua família e seus amigos por ser alguém bem competitivo, até seus fãs sabiam disso, mas naquela noite ele deixou aquela competitividade de lado. Não se importou tanto em ganhar aquele jogo, e nem se esforçou tanto assim para fazer as tais cinco cestas. Pelo contrário, ele jogou o suficiente para que o placar fosse a favor de , mas sem tanta diferença, é claro. E muito melhor do que vê-la feliz ao ganhar dele enquanto ria do cantor e dizia que poderiam jogar outra rodada, era perceber que estava exatamente do jeito que ele quis que ela ficasse quando a levou até ali: leve.
E enquanto estava concentrada em percorrer a quadra e chegar até a cesta do lado de Chanyeol, não percebia que algo estava diferente: o mundo não parecia girar mais rápido e nem as horas estavam devagar. Pelo contrário, o mundo e as horas pareciam ter parado, e os problemas deixaram de existir. E o único peso que sentia naquele momento, era o peso da bola de basquete quando a segurava por alguns segundos antes de arremessá-la na cesta e gritar por mais um ponto marcado.
E mesmo tendo gastado com tantos pedaços de torta que pagou como punição por ter perdido, Chanyeol não deixava de sorrir enquanto dirigia de volta para levar até o dormitório dela e em seguida ir para o seu.
Park até pensou em implicar com a garota que sugeriu que precisavam ir embora depois de vários pontos marcados, vários gritos de comemoração e as tortas compradas antes que a loja fechasse… Mas, desistiu quando viu cantarolando uma música que ela mesma inventara sobre vitória, enquanto retirava de dentro das sacolas com os pedaços de tortas os pequenos panfletos da loja. Enquanto retirava os panfletos para que ninguém descobrisse onde ficava a loja que vendia a torta favorita de Chanyeol, para manter o segredo do garoto a salvo.
– Se precisar se afastar de tudo um dia, e não pensar em nada enquanto come uma torta de chocolate, é só me falar que podemos voltar lá. – Falou, observando retirar o cinto de segurança e descer do carro quando chegaram na frente do dormitório que ela morava com as meninas.
– Obrigada. – ela o agradeceu, sorrindo, segurando as bolsas com os pedaços de tortas para as suas meninas e fechando a porta do carro atrás de si. – Boa noite, Chanyeollie, e obrigada mais uma vez.
Park sorriu, assentindo com um movimento com a cabeça, sentindo uma leveza em seu interior e uma felicidade por ver diferente do que estava quando a encontrou no elevador. Por vê-la sorrindo e sem aquele ar de cansaço e tristeza.
– Boa noite. – a desejou de volta e esperou até que tivesse entrado no prédio em que ficava o seu dormitório, até que ela estivesse em segurança, e então saiu dali em direção ao seu dormitório.
No final das contas, não precisaram das estrelas no céu para que tivessem uma noite agradável. Tiveram a companhia um do outro, um basquete com jogadas engraçadas e incorretas, e muitos sorrisos e risadas. Tiveram a companhia do outro e isso foi o suficiente.
No fundo, esperavam que tivessem outras noites como aquela.

Nota da Autora:
Oie! Pedimos desculpas pela demora com essa última att, prometemos tentar ser mais rápidas da próxima, ok? Esperamos que tenham gostado! Nos deixem saber!
Xx.

 

Capítulo 10.

estava encolhida, abraçando as próprias pernas desde o instante em que a primeira música do álbum MADE, do BIGBANG, começara a tocar. Era bem comum que ela e reagissem assim ao grupo, na verdade, eram o que era chamado de sad stan, porém estava a um passo do exagero naquele momento.
Quando decidiram fazer uma pausa no trabalho de produção do álbum, que vinham fazendo desde bem cedo naquele dia, pusera o MADE para tocar e se esparramou no sofá que dividia com a líder, jogando os pés sob o colo dela esperando uma reclamação, que, no entanto, não veio. fez apenas um muxoxo, mas nem foi pela atitude da maknae tanto quanto foi pelo BIGBANG em si, o que obrigou a focar todas as suas energias no grupo que tinham com as outras meninas do grupo, surtando sobre o BIGBANG por lá.
É claro, foi brutalmente ignorada pelas outras três e nem ao menos estava com o celular em mãos. Bufou, colocando o celular de lado também e tocando o rosto de com o pé para chamar sua atenção – com o ponto extra de implicar com ela ao mesmo tempo. A mais velha virou para lhe encarar com os olhos vermelhos, como se estivesse prestes a chorar.
Aquilo foi o suficiente para assustar , que se sentou direito de imediato, lhe olhando um tanto assustada.
, o que foi? — perguntou, tocando o ombro da mais velha, que suspirou.
— Ok, acho que.. Acho que aconteceu uma coisa — ela mordeu o lábio inferior, parecendo culpada e triste, e assustando ainda mais . — Acho que o Jiyong passou Siwon, .
arregalou os olhos, ficando sem fala por um instante.
Jiyong, mais conhecido como G-DRAGON, era o bias de no BIGBANG, e fazia parte de sua trindade, uma invenção das garotas para classificar os bias mais importantes. A trindade de era formada por: Jongin, como utt e, portanto, em primeiro lugar, seguido por Taeyang, também do BIGBANG, e em segundo lugar, e, em terceiro, Yesung, do Suju. A de costumava ser: Siwon, como utt, seguido de Jiyong e Min Yoongi, do BTS.
Agora… Bem.
— Agora? Tipo, agora mesmo? — questionou, de repente preocupada que pudesse ser parcialmente culpada por aquele acontecimento tão, hm, impactante. Honestamente, ela não sabia o que pensar. G-Dragon era praticamente o rei do K-Pop, fazia sentido, levando em conta que adorava uma realeza, mas… Poxa, Siwon. gostava dos dois casais, é isso.
suspirou, fazendo que não em seguida.
— Eu ando evitando ver qualquer coisa do BIGBANG por causa disso, mas agora, ouvindo o álbum, eu acho que… Acho que…
— Então, foi agora. Ah, meu Deus, eu fiz isso! — exclamou, lhe cortando um tanto desacreditada, levando a mão a boca e rolou os olhos, lhe estapeando.
— O idiota do Jiyong fez isso — retrucou, fazendo rir, já que ela, uma rookie, acabara de chamar o rei do k-pop de idiota. E, honestamente? era tão boa naquilo de xingar os outros que fazia você acreditar. Se houvesse qualquer outra pessoa naquela sala, ela concordaria que Jiyong era mesmo um idiota.
— Você está em boas mãos, de qualquer forma… — tentou consolar e apenas resmungou qualquer coisa inteligível, decidida a não ver o lado bom da coisa. Ao menos, não naquele momento, se sentindo péssima pelo pobre coitado do Siwon.
— Tomara que um dia eu seja utt de alguém e, aí, me troquem depois de um tempo. Eu mereço — resmungou e riu outra vez.
— Na verdade, acho que a vai ser a utt mais trocada do nosso grupo. Ela é a mais bonita, então vai chamar a atenção primeiro, mas conforme forem conhecendo as personalidades…
— Está falando que a não tem personalidade de utt? — lhe cortou, divertindo-se com a insinuação da mais nova, que deu de ombros.
— Só de pessoas peculiares, como ela. — murmurou, quase acrescentando que ela, definitivamente, seria utt do Yixing, mas se conteve. Se entrasse naquele assunto, ia acabar contando do encontro de com Sehun, e imaginava que ia querer lhe comer viva se soubesse daquilo. Odiava aquilo, mas precisava dar espaço as duas e deixar que se entendessem sozinhas. Torcer para que se entendessem. Mas… Argh. Que se dane também. — Unnie, posso perguntar uma coisa? — murmurou, fazendo estreitar os olhos em sua direção.
— Levando em conta que você me chamou de unnie, eu acho que devia negar.
— Você e a vão se entender em algum momento, não vão? — quis saber, ignorando a resposta da mais velha, que suspirou.
Como podia dizer a maknae, que, aquela altura, honestamente não sabia? E como podia não dizer? Ela nunca mentiria para , não importa se fosse líder ou não, antes de tudo eram amigas, melhores amigas, e gostava daquilo, de ser a mais nova, até certo ponto. Odiava que mentissem para ela para tentar lhe proteger das coisas.
respirou fundo, como se tentasse pegar de volta o ar que soltara um instante antes, sentindo que precisava dele, de repente. Como odiava aquilo, aquela briga, aquela situação péssima… Tudo.
— Eu espero que sim — ela murmurou, fazendo que não quando abriu a boca para intervir. — , eu quero, é claro que quero, mas no momento eu só posso torcer. Não sei direito como resolver isso ainda.
suspirou, desgostosa, mas assentiu, concordando, e deram aquele assunto por encerrado. Ambas se sentiram triste que não saberia que o utt de agora era Jiyong e não mais Siwon, mas por sorte, não passaram muito tempo pensando naquilo.
No instante seguinte, abriam a porta do estúdio, chamando a atenção das duas garotas, que baixaram o som de imediato, com medo de estarem atrapalhando algo do lado de fora, sem se lembrar do isolamento acústico do estúdio.
Eram Baekhyun e Jongin.
Inevitavelmente, sentiu o coração acelerar quando seu olhar encontrou o de Jongin. Pensou naquela conversa sobre utt que estavam tendo um segundo antes e quase riu. Taeyang que lhe perdoasse, mas ele não tinha chances contra Jongin. Seu corpo estava tendo pequenos faniquitos simultâneos naquele momento, só de olhar pra ele, e achou que nunca se acostumaria com a sensação.
— Glory Days, e aí?! — Baekhyun praticamente gritou, escandaloso como sempre enquanto puxava Jongin para dentro consigo e fechava a porta. — Jongin queria ver vocês.
— Ei, a ideia de vir aqui foi sua! A ideia foi dele… — Jongin tentou se defender, apenas para acabar corando diante do sorriso divertido que as garotas sustentavam em sua direção. — Eu só concordei porque alguém precisa garantir que o Baekhyun não vai se comportar mal — ele se defendeu, cabisbaixo. Baekhyun lhe estapeou, o encarando ofendido.
— Eu nunca me comporto mal! Sou um sunbaenim legal, vim ver se nossas rookies queridas precisam de algo…
— Sério? Você veio? — perguntou, soando pouco convencida e ele deu de ombros, indo sentar-se entre ela e e chamando Jongin para se sentar também. Tímido, o garoto se sentou na ponta do sofá, perto de .
— Para a sua informação, eu vim, sim! Chanyeol comentou que vocês estavam trabalhando demais e, quando falamos que precisávamos vir aqui, ele disse que devíamos checar se estavam por aqui também. E se estavam bem. — deu de ombros, mesmo tendo certeza que Chanyeol dissera para fazer aquilo discretamente. e não precisavam saber daquela parte, além do mais, não era como se ele ou Chanyeol fossem íntimos daquela palavra, discretamente.
O sorriso pequeno que não conseguiu segurar diante de suas palavras, passou despercebido por Baekhyun, mas não por ou por Jongin e os mais novos sorriram também por isso.
— Vocês saíram juntos outro dia, não foi? Ele chegou em casa com um monte de torta, ficamos surpresos — Jongin comentou. arregalou os olhos, lembrando-se de quando também chegara com tortas para todas no dormitório. Ela não fazia ideia que aquilo tinha a ver com Chanyeol.
— Vocês estavam juntos naquele dia?! — ela perguntou, um tanto chocada, a amiga, que desviou o olhar, sentindo-se encurralada.
Jongin respondeu por ela.
— Estavam! Chanyeol disse que foram num lugar de tortas secreto, que ela o fez prometer que não levaria ninguém, nunca, lá…
— Ei, isso é mentira! — interveio, apontando em sua direção. — Chanyeol-nim mentiu, foi ele quem me fez prometer!
— Só o Jongin não sabia disso. — Baekhyun rolou os olhos, como se fosse óbvio. — É a cara dele fazer esse tipo de pedido. E mais ainda mentir sobre.
assentiu várias vezes, apontando para Baekhyun como se tentasse dar ênfase a suas palavras e riu, adorando ver sua líder tão esbaforida. Aquilo era, no mínimo, engraçado, já que nem de longe era do tipo que perdia a pose tão facilmente.
— Chanyeol-nim devia vir também, pra ver ele mesmo como a tá — murmurou, tão arteira como de costume. Baekhyun fez uma careta maldosa e engraçada, finalmente acompanhando a linha de raciocínio dos outros.
Vergonhosamente, corou.
— Você está louca, querida — tentou desconversar, mas a gargalhada gostosa que Jongin soltou provou que estava perdida. Se nem Jongin estava caindo em seu papo…
— Pensando bem, -yah e Chanyeol formariam um casal bem bonito — Baekhyun opinou tão descarado quanto , se não mais. — Ele faz o seu tipo, -yah?
— Ele é o bias dela — contou ao mesmo tempo que quase gritava “não!”, tentando impedi-la.
— Não é, não — retrucou. — Meu bias é o Jongdae.
revirou os olhos, sabendo muito bem porque ela dissera aquilo. Dessa forma, afinal, a mais nova não podia simplesmente lhe desmascarar sem esperar que fizesse o mesmo com ela e contasse que, na verdade, seu bias também não era Jongdae coisíssima nenhuma, e sim Jongin, que, por acaso, estava bem ali.
— Vocês duas têm o mesmo bias? Isso não é um problema? — Jongin perguntou, curioso e deu de ombros.
é um problema — retrucou, mal humorada, recebendo um tapa no braço por isso. — Ai!
— Educação! — ralhou. Novamente, rolou os olhos, lhe imitando de maneira afetada.
— Olha, -yah, você devia mesmo focar no Chanyeol, porque a bias do Jongdae é a . Aliás, do Jongdae e do Jongin. — Baekhyun riu arteiro, se esquivando quando Jongin tentou bater nele.
— Eu nunca disse isso! Eu nunca disse, -yah! — ele murmurou, tentando convencê-la que aquilo era mentira do outro, como se o estrago já não estivesse feito. Naquele momento, sentia que estava derretendo inteirinha, podia sentir seu corpo todo amolecer, corada.
— O quê? Ela gostou, olha a cara dela — Baekhyun se defendeu, apontando para , que corou ainda mais e balançou a cabeça, sem jeito e sem fala, fazendo rir.
— Ela gostou por causa do Jongdae — implicou, estirando a língua para Jongin, que deu de ombros, se fazendo de superior.
— Só a parte sobre ele é verdade mesmo.
apontou para Baekhyun, tentando tirar a si mesma de foco antes que estivesse berrando a plenos pulmões que seu bias era sim Jongin e ela não estava nem aí para Jongdae. O que nem era verdade, Jongdae era legal, e ela, como EXO-L, queria o bem dele, claro, mas medidas exageradas eram adotadas em momentos de desespero.
— Ya, Baekhyun! E quem é a sua bias, hein? — quis saber, arrancando gritinhos animados dos outros dois pela virada no jogo.
— Ah — Baekhyun riu, desviando o olhar, sem graça de repente. sorriu divertida e Jongin o cutucou para falar logo, enquanto arqueava as sobrancelhas, curiosa também.
— Baekhyun-nim?
— Hm… ? — soou muito mais como uma pergunta, mas o rubor intenso em suas bochechas deixava claro que não era pra ser uma. Baekhyun era biased e a informação arrancou gritinhos animados de e .
— Sabe, vocês são os primeiros biaseds do nosso grupo — comentou. — E são o EXO! Agora eu tô um nojo — riu, fazendo os outros três rirem também.
— Ya, espera um instante — interveio um segundo depois. — Quantas vezes você já viu a -yah?
— Anh… Quando conheci vocês, no ensaio que invadimos, no boliche e… — Baekhyun se interrompeu, arregalando os olhos e abrindo a boca num “O” enquanto apontava para , entendendo onde ela queria chegar.
— Te peguei!
— Eu me perdi — Jongin fez uma careta, confuso. riu.
— Baekhyun encontrou em algum outro momento — ela explicou. — Ele acabou de se entregar.
— Está apaixonado! — fez graça, falando de maneira exagerada e Baekhyun revirou os olhos, lhe encarando como se fosse doida.
— Eu nunca disse isso — ele retrucou, revirando os olhos. — Jongin, fala pra ela.
— Eu não, você mentiu sobre mim também. Eu nunca disse que a era minha bias.
— Ya, supera isso — Baekhyun reclamou, abanando o ar entre eles e empurrando tanto Jongin quanto pra longe por consequência. o estapeou para que parasse e Jongin revirou os olhos.
— Supera você.
quis morrer diante do biquinho, no mínimo, adorável que Jongin fazia ao falar. Ugh, garoto ridículo de perfeito.
— Baekhyun, tem que pedir a permissão da se quiser cortejar a avisou, apontando para , que abriu um sorriso largo imediatamente e assentiu, murmurando um “tem mesmo” e fazendo Jongin rir. Gostava do jeito das duas, de sua sincronia e de como parecia fácil lhes arrancar um sorriso genuíno.
— Cortejar? Estamos em 1920, por acaso? — ele retrucou, falsamente assustado e fez que não.
— 1820 — corrigiu. — Você está um século adiantado.
— E eu tenho uma lista de condições pra deixar você cortejá-la — avisou. — é muito preciosa, merece cuidados especiais. E nós merecemos muitas recompensas por lhe conceder esse imenso favor… — falou, rindo junto com e arrancando outra revirada de olhos de Baekhyun.
— Eu não vou cortejar ninguém, nem sei o que essa palavra significa.
— É por isso que não vai ter nossa permissão — deu de ombros. assentiu também, empinando o nariz assim como ela fizera. Baekhyun abriu a boca num “O”, como se estivesse muito ofendido, puxando Jongin para si.
— Então, eu também não dou permissão pra ninguém cortejar o Jongin — avisou, arrancando um bico involuntário de .
Para sua sorte, saiu em sua frente para responder.
— Ninguém pediu para cortejá-lo.
— Ninguém pediu para cortejar a também — Baekhyun retrucou, como se fosse muito simples, e bufou diante do olhar pouco convencido das duas garotas. — O que?! Eu só a achei legal.
— Isso é óbvio, ela é perfeita — revirou os olhos, como se fosse muito simples, mas era bem suspeito da parte dela falar aquilo. Para ela, todas as suas meninas eram perfeitas. — Sobre o que vocês falaram, afinal?
— Ah, isso não é da sua conta — ele retrucou, rindo satisfeito diante da careta que fez para suas palavras. — Desculpe. A verdade é que eu não sei se ela gostaria que eu falasse, ela estava bem triste naquele dia. — ele se explicou e sentiu algo murchar dentro de si, imaginando triste pelo que quer que fosse. E, levando em conta os últimos acontecimentos, nem precisava de muito para imaginar o porque, o que só lhe fez sentir pior, pior e culpada. Aquela briga com , tanto quanto a situação anterior com , havia estragado tudo. Argh.
— Então, hm, por que não paramos de falar sobre essas besteiras e vocês mostram pra gente no que estão trabalhando? — Jongin interveio, mudando de assunto diante da expressão triste das duas garotas, apontando para mesa de som. levou um instante para absorver e lhe encarar.
— Mas é só o nosso rap. E não está pronto.
— Podemos ajudar — Jongin deu de ombros. estreitou os olhos, não querendo ser indelicada, mas imaginando como. Eles não eram da vocal line?
— Na verdade, Jongin é da rap line também — murmurou, como se soubesse no que ela estava pensando e Baekhyun apontou para ela.
— A sabe de tudo, acho que quero biar ela também. — brincou, arrancando uma risada da mais velha, que não pôde evitar corar ainda assim.
— Tarde demais, você já se comprometeu com a e, além do mais, se decidir trocá-la, vai ser expulso do nosso fandom. A única que pode ser trocada aqui é a . — apontou para a mais velha, que reclamou, é claro.
Os meninos não faziam ideia do que aquilo queria dizer, mas aparentemente era algo muito engraçado para elas, o que acabou os divertindo também. Era difícil, afinal, não sentir certa satisfação em vê-las se divertindo por si só, mesmo com implicando com Baekhyun e avisando que estava de olho nele, enquanto mexia na mesa de som para colocar o rap delas para tocar.
Jongin observou em silêncio enquanto a garota mexia na mesa de som e, quando o rap delas finalmente começou a tocar, ele não pôde deixar de sorrir. Elas eram muito boas. Havia, ainda, certa agressividade que em nada combinava com o jeito doce e brincalhão da garota na maior parte do tempo, mas era, definitivamente, um contraste interessante e, particularmente para ele, definitivamente cativante. Jongin ficou olhando para a garota durante a maior parte da música, e só não notou porque estava distraída demais acompanhando as batidas, preocupada que houvesse algum erro grotesco no trabalho de produção das duas garotas e os outros dois fossem notar. Aquilo seria vergonhoso.
— Eu gostei! — Baekhyun murmurou assim que terminou, tentando imitar o jeito que falara em sua parte e se levantando em seguida, empolgado. — Me deixa tentar, me deixa tentar, eu acho que consigo! — pediu, já quase seguindo em direção a cabine de gravação, se não fosse Jongin, que o segurou antes que ele fosse.
— Hyung, eu acho que é melhor deixarmos elas trabalharem em paz agora — o mais novo retrucou, preocupado com a aparência um tanto nervosa das duas. Ele se lembrava bem como era ser um novato prestes a debutar, afinal. Todo trabalho ainda parecia pouco.
— Mas eu quero…
— A está ensaiando a dança com a no andar de cima. — avisou depois que seu celular apitou e ela deu uma checada, a mensagem das duas avisando chegando no momento mais propício possível e Baekhyun estreitou os olhos.
— Não sei por que você está falando isso.
— Estou falando pra deu de ombros. — O celular dela descarregou e estamos só com o meu.
— Hm, sei…
— Hyung, vamos — Jongin riu, o puxando pelo braço. — Eu esqueci algo lá em cima.
Baekhyun assentiu.
— Tudo bem, vamos subir. porque o Jongin esqueceu algo. — retrucou e o mais novo rolou os olhos, o puxando consigo e acenando para as duas garotas, que acenaram de volta, os observando sair.
— Bom… Isso foi…
— Eu acho que nunca vou me acostumar. — comentou quando se calou, sem saber como descrever aquele encontro com os garotos. — Estamos mesmo fazendo isso, . Estamos num grupo de kpop, trabalhando pra debutar. Na SM. Na empresa do EXO. Do Shinee. Do Super Ju…
— Não fala deles — pediu, lhe interrompendo e riu, concordando. — Vai, vamos trabalhar.
assentiu, concordando que já haviam passado muito mais tempo do que deveriam “descansando”. Era hora de voltar ao trabalho, levando em conta que ainda tinham muito pela frente.

+++

— Obrigada. – agradeceu e pegou a garrafa de água que lhe estendia, sorrindo para a companheira de grupo que estava realmente se esforçando no lance de trabalhar em grupo.
ainda tinha alguns momentos de individualismo, é claro, mas estava dando o seu melhor para deixar de ser assim. Ajudava suas companheiras de grupo e dormitório de um jeito que era único, só seu. Ela não esperava que as meninas pedissem sua ajuda ou muito menos se oferecia para ajudá-las, pegava e fazia o que estava ao seu alcance sempre que percebia que sua ajuda era necessária. Fazia tudo em silêncio, procurando não chamar atenção e nem deixar que as outras percebessem que estava ajudando-as. Mas, é claro que as quatro garotas percebiam quando estava lhes ajudando, e por isso sorriam discretamente percebendo, pouco a pouco, as pequenas mudanças no comportamento da terceira mais velha do grupo.
— Podemos ir ao cinema mais tarde, lançou um filme que parece bem interessante. – sugeriu, deixando de olhar a tela do celular que segurava para encarar as companheiras de grupo.
Todas estavam sentadas no chão da sala de dança que usavam para os ensaios, tirando dez minutos de descanso do treino que durava mais de dez horas. Estavam naquela sala desde as sete horas da manhã, e tinham estado ali no dia anterior inteiro, precisavam e mereciam dez minutos de descanso. As pernas doíam, a cabeça de cada uma começava a doer só de ouvir mais uma vez cada uma das músicas que gravaram para o álbum de debut, e o corpo pedia por alguns minutos de pausa. Ensaiar a dança era tão cansativo quanto ensaiar a parte vocal, porque não se tratavam apenas de movimentos. Tinha a parte da respiração que deveria ser controlada para que não atrapalhasse a voz, os saltos altos e finos que deveriam ficar equilibradas em cima e tinha também os cabelos que deveriam ser controlados para não lhes cobrir o rosto em algum momento. Tudo deveria ser muito bem ensaiado, calculado, e aos poucos estavam aperfeiçoando cada pequena coisa. Estavam ficando orgulhosas do progresso que estavam fazendo, mesmo que aos poucos.
— Vou ter que dar uma passada no estúdio depois, mas vocês podem ir – respondeu, erguendo um pouco o rosto para olhar por debaixo da aba do boné que usava, sorrindo fraco para a maknae que não conseguia ver a sua tentativa de sorriso graças a máscara que a líder usava.
— Você precisa sair um pouco daquele estúdio – a mais nova suspirou. Olhou para que apenas assentiu com a cabeça, e voltou a mexer no notebook que usavam para tocar as músicas do ensaio, que estava em seu colo. suspirou, percebendo e sabendo que não era só pra ir ao estúdio que rejeitava o convite do cinema, e pior: sabendo o porquê da líder ficar tanto tempo trancada no estúdio de gravações ultimamente.
também sabia e isso a fez suspirar, abraçando os próprios joelhos apoiando sua testa neles. Aquele clima era horrível, pesado demais, deixava duvidas demais. Mas, a pior parte era a saudade que sentia de sua amizade com e o arrependimento de ter dito algumas coisas na hora da raiva. Nada se comparava aquilo.
— Meninas.
— Jikyu-ssi. – e cumprimentaram o manager ainda se levantando do chão, sendo seguidas pelas outras três que junto com elas formaram uma fileira e se curvaram para o manager. – Que bom vê-lo por aqui… – parou de falar, se interrompendo, e todas voltaram a se curvar quando, junto com a maknae, perceberam que a diretora responsável pelo grupo, por elas, adentrou a sala de treinos logo atrás do manager. – Sunbaenim.
— Olá – a mais velha respondeu as cinco garotas, curvando-se minimamente para elas e observando , e retirarem as máscaras e bonés que usavam para olhá-la. – Ensaiando? – questionou, indo para o sofá que quatro lugares que tinha do outro lado da parede, de frente para o espelho imenso, seus saltos batendo no piso e ecoando pela sala em um tom que dava agonia as cinco garotas que já estavam quase tremendo de nervosismo. Afinal, não era normal receberem visitas da diretora durante os ensaios, aquilo nunca havia acontecido antes, e por isso estavam com o coração tão acelerado e apertado. Com um pressentimento ruim.
— Sim, estamos dando o nosso melhor – a respondeu, a voz firme em nada combinando com a tremedeira que sentia em seu corpo.
— Bom, espero que seja o suficiente – Min-Rae respondeu, sentando-se no sofá de quatro lugares que ficava na parede oposta a que tinha o imenso espelho para ensaios. Colocou sua bolsa de couro preto ao seu lado e ergueu uma sobrancelha logo em seguida. – Tudo bem?
— Sim – a respondeu, curvando-se. Queria sair daquela sala e diante do olhar da diretora o mais rápido possível.
— Vou assistir ao ensaio de vocês. Mas, vamos esperar por outra pessoa que vai assistir junto comigo – comunicou, pegando seu celular dentro da bolsa e focando sua atenção no aparelho.
As cinco garotas engoliram em seco tanto em expectativa pelo o que a mulher acharia dos avanços que elas julgavam tão importantes, quanto com medo de quem poderia ser a tal pessoa. Será que seria o outro diretor que assistiu a apresentação desastrosa que fizeram? Ou, algum idol já debutado e que poderia dizer no que as meninas poderiam melhorar? Não sabendo as respostas e sentindo-se tão perdidas e aflitas, encaram o manager que silabou um “tudo bem” e permaneceu ao lado da porta da sala. E respiraram fundo não só uma ou duas vezes, mas diversas vezes. O suor escorrendo por seus rostos, tanto pelas horas de ensaio quanto pelo nervosismo. As pernas doendo pelos minutos em pé, eretas, e o coração a mil de ansiedade.
Um toque na porta fez com que as cinco garotas olhassem para a entrada da sala, observassem atentamente quando Jikyu abriu a porta e Young-Il se curvou para ele e adentrou a sala.
ergueu uma sobrancelha, franzindo o cenho ao reconhecer a garota que tinha a sua idade e que ao contrário do que se lembrava, agora tinha os cabelos na cor roxa e não preta.
— Não é a… – murmurou para que estava ao seu lado, observando a trainee se aproximar da diretora que a recebeu com um sorriso jamais visto pelas cinco. A não ser é claro, quando ganharam o programa há alguns meses.
— Vocês já a conhecem, mas, essa é a Young-Il. – Min-Rae apresentou a trainee como se fosse realmente necessário, como se as seis garotas não se conhecessem e nunca tivessem se visto. – Como o debut do Glory Days não é certo e nada é garantido, nem a formação do grupo, chamei Young-Il para assistir ao ensaio de vocês comigo. Afinal, nunca sabemos o que o dia de amanhã nos reserva, e Young-Il precisa conhecer alguma coisa do grupo que poderá debutar.
– Sim. – a respondeu, sentindo o gosto de ferro na boca e um embrulho forte no estômago. Era o medo e o susto por diante de algo que não esperava, e que nunca esperou. Sabia que a diretora poderia ser rígida e que o não aperfeiçoamento do grupo comprometeria o debut e todo o resto, mas jamais esperou ver Young-Il na sua frente como a escolhida para ficar no lugar de uma de suas meninas. Deus, depois que Glory Days foi formado ainda no programa, nunca cogitou a possibilidade de outra pessoa substituir uma das garotas.
E ouvir da diretora responsável pelo grupo que aquela possibilidade existia e que já tinha até alguém para substituir uma delas, doeu como um chute certeiro no estômago em cada uma das cinco garotas que engoliram em seco e tentaram disfarçar o medo que lhes tomou. Tentaram.
– Olá – Young-Il as cumprimentou, curvando-se para as cinco que curvaram de volta ainda atônitas e sem saber o que fazer diante da ameaça que a trainee oferecia.
Young-Il era muito boa no que fazia, tanto na dança quanto no canto, e de quebra ainda falava três idiomas fluentemente: inglês, japonês e chinês, além do coreano. A garota não ganhou o programa porque estava no outro grupo e não receberam votos o suficiente do público para ganharem a competição. Mas, Young-Il era maravilhosa e tinha tudo para ser uma artista brilhante. Recebeu elogios da própria BoA ainda no programa. Se debutasse, talvez se tornasse uma das melhores artistas da empresa.
– Podemos começar? – a diretora perguntou, e as cinco assentiram e logo caminharam pela sala. Cada uma pegou seu microfone, sabendo que a diretora queria uma apresentação completa, com dança e canto.
e formaram uma fileira mais atrás, esperando que terminasse de colocar a música para que ficassem em três, enquanto e ficavam na frente. Uma não cobria a que estava atrás de si, formando um W e permitindo que a diretora, Young-Il e Jikyu vissem todas as cinco perfeitamente.
A música começou dois segundos depois que deu play e correu para o seu lugar, a batida tomou o lugar da sala. Então, a apresentação começou e as cinco garotas tiveram que, além de regularizar a respiração, focar na coreografia e em não trombar umas nas outras, em não cometer erros e em não decepcionarem a diretora que as observava tão atentamente, também tiveram que se esforçar para engolir o nó que sentiam em suas gargantas e as lágrimas que por vezes tornaram turva suas vistas.Estavam assustadas, amedrontadas. Sentindo-se ameaçadas. Mais do que nunca, não tinham certeza de nada. E nada poderia descrever o que sentiam naquele momento.
O som dos aplausos ecoou pela sala quando , , , e curvaram-se diante da diretora ao terminarem de apresentar cada uma das músicas que fizeram para o álbum de debut do grupo. Apresentaram tudo, desde as músicas mais agitadas e coreografias difíceis e empolgantes, antes as mais calmas e que não tinham coreografias. Preocuparam-se com cada pequena coisa, principalmente com as respirações, as batidas dos raps e as notas altas. Foram sincronizadas do melhor jeito que conseguiram. E mesmo que não fossem dizer em voz alta naquele momento, estavam orgulhosas do que tinham feito. Era notável a melhoria que tiveram, qualquer um poderia ver que os dias e as horas de ensaios estavam valendo a pena e que…
– Bom, mas não o suficiente – Min-Rae apontou, encarando as cinco garotas a sua frente e vendo cada uma delas respirando fundo, cansadas da apresentação, suadas e parecendo prestes a cair diante de si. – Houve algumas melhorias no vocal, e até na dança, mas nada maravilhoso. Normal, apenas. – quase deu de ombros, quase. – Olho pra vocês e ainda vejo as cinco garotas que fizeram aquela apresentação desastrosa, mesmo depois de dias e com tantos ensaios. A diferença é pequena, quase nula. Nada me parece bom o suficiente para me tranquilizar sobre o debut de vocês, ou para tranquilizá-las. Ainda falta algo.
— Desculpa. – as cinco pediram, curvando-se, mesmo sentindo que não deveriam estar pedindo desculpas. Afinal, estavam orgulhosas do que tinham apresentado, do progresso que sentiram que fizeram e de… Quando seriam boas o suficiente?!
– No programa vocês pareciam mais animadas com o debut, responsáveis. Agora parece que se acomodaram, relaxaram. – continuou, colocando o celular dentro de sua bolsa e segurando as alças da mesma, encarando as cinco mais uma vez: – Ficaram deslumbradas com o gosto da fama? Por isso deixaram tudo que prometeram de lado? Esqueceram-se da promessa que fizeram aos seus fãs?
– Não. – respondeu ainda curvada assim como suas companheiras de grupo que, assim como ela, sentiam novamente aquele sentimento agudo de incapacidade. O mesmo que sentiram após a apresentação pré-debut.
– Eu sei que esse mundo pode ser incrível, e que brilha os olhos de qualquer um. Mas, vocês ainda não debutaram. Suas músicas ainda estão apenas em nossos computadores, não foram lançadas. Seus fãs podem dizer que esperam por vocês, mas eles podem esquecê-las caso outro grupo faça o debut no lugar do Glory Days – afirmou, como se lhes desse um conselho. Um conselho que doía em cada uma das cinco garotas, e até mesmo em Young-Il que se sentia mal por vê-las ouvindo tudo aquilo. Mesmo não estando no grupo e querendo debutar, a trainee sabia reconhecer quando via esforços e um trabalho bem feito, e ela tinha visto isso nas meninas. Estava triste por elas. – Deveriam focar mais em vocês e menos nos garotos do EXO. Eles já possuem uma carreira estável e admirável, vocês não. – levantou-se do estofado, sendo seguida por Young-Il, encarando as cinco ainda curvadas a sua frente. – Espero que encontrem o que falta até o dia da apresentação oficial.
Min-Rae saiu da sala de ensaios acompanhada de Young-Il e Jikyu, antes mesmo que , , , e erguessem seus troncos e ficassem eretas. O que só aconteceu quando o barulho da porta sendo fechada ecoou pela sala, chamando a atenção das cinco garotas que estavam imersas demais em seus pensamentos. E na sensação de humilhação.
E em silêncio se encararam, buscaram umas nas outras alguma resposta ou consolo diante daquilo tudo. Não conseguindo verbalizar o que sentiam ou alguma ideia que poderia dar a elas uma luz do que fazer, não conseguiam porque nem estavam pensando direito. A indireta sobre o EXO atingiu a todas, especialmente a , , e . E a fala da diretora sobre o brilho nos olhos causados pela fama atingiu . Cada uma fora atingida de um jeito intenso.
Não sabiam o que fazer. Estavam perdidas. Vendo a si mesmas diante do abismo. E mesmo que estivessem em cinco e na mesma situação, cada uma sentiu falta de um abraço apertado e um conforto. E sabiam que não teriam isso naquele momento, porque uma estava pior que a outra. E não tendo nada que pudessem fazer ou dizer, ainda em silêncio, se viraram para o enorme espelho da sala de ensaios. Engoliram o choro e quem não conseguiu limpou os cantos de seus olhos rapidamente. Respiraram fundo. Colocaram a primeira música para tocar e voltaram a ensaiar. Ignorando as dores físicas e emocionais que sentiam.

+++

Foi quem, dessa vez, acabou ficando até mais tarde para ensaiar. Ou quem sabe, outras delas também estivessem ali no prédio ainda, em outra sala. As palavras da diretora ainda ecoavam na cabeça da dançarina e ela sabia que não era a única a se sentir péssima com isso.
O problema era que, basicamente, tinha uma forma um tanto quanto peculiar de lidar com a ansiedade e os problemas. Quando estava nervosa, ela comia, mesmo que não fosse o tipo de pessoa que podia se dar o luxo de descontar as frustrações na comida.
já não gostava do próprio corpo nem mesmo com a dieta em dia, imagina fora dela, mas o tempo que deveria ter usado para ensaiar ela simplesmente usou para comer porque não conseguia se controlar. E por sempre se odiar por isso, pela falta de determinação em controlar seus impulsos, ela terminava por simplesmente comer mais.
Seu jantar foi uma porção que valia por pelo menos três dias de sua dieta e ela nem conseguia sentir culpa enquanto comia porque amava demais fazer aquilo. O problema, é claro, vinha depois, quando ela se sentia cheia e inchada, não que isso a tivesse impedido de fugir para o refeitório entre cada música para atacar todos os tipos de doces. Precisava controlar a ansiedade de alguma forma, afinal, para conseguir se concentrar na dança depois. Ou pelo menos era essa a desculpa que ela dava para si mesma.
Quando passou a ter vergonha de voltar ao refeitório, sentindo-se julgada pelos funcionários porque, no fundo, sabia que já era hora de parar, ela saiu para comprar alguns bolinhos. Comprou para todas as meninas em um novo impulso louco, mas quando chegou e comeu todos, se deu conta de que apenas usou aquilo como desculpa para comprar mais para si mesma.
Por fim, quando finalmente se deu conta do que fazia, como se até então não estivesse em seu juízo perfeito, a garota terminou jogada no chão do banheiro, sentindo-se o pior lixo de todos enquanto se obrigava a pôr para fora tudo que tinha comido, pensando que aquele descontrole só provava que ela tinha algum problema na cabeça, que era louca ou algo do tipo, e que por isso seria ela a substituída. Motivos, afinal, não faltavam, não é mesmo?
era uma boa cantora, mas era mil vezes melhor. era uma boa dançarina, mas também era sensacional. coreografava as músicas do grupo, mas não era como se a SM não pudesse colocar um coreógrafo de verdade para cuidar daquilo. Ou não era como se não pudesse substituí-la naquilo também, ela era incrível em tudo. E, além disso, não era como se o grupo estivesse dando certo de qualquer forma. As meninas tinham uma dificuldade absurda com as coreografias. Isso só provava que ela estava errando e aquele era só o começo.
tinha agredido outra integrante do grupo, tinha iniciado uma briga. Ela estava brigada com ninguém menos do que sua líder e tudo bem, sabia que jamais lhe prejudicaria ou lhe denunciaria para a diretora, mas era evidente que o clima que ela a havia causado com aquela briga estava destruindo todas as outras.
não acrescentava nada realmente inédito no grupo. Suas melhores qualidades poderiam ser facilmente substituídas e para ajudar, ela ainda era a pessoa mais atrapalhada do mundo.
Todos aqueles pensamentos dolorosos fizeram com que a dançarina se sentisse enjoada mais uma vez, e nem precisou forçar nada para que vomitasse mais uma vez. Com certeza, já tinha colocado para fora tudo o que havia comido, mas isso não fez com que ela se sentisse mais leve, muito pelo contrário, porque não era apenas o peso por tudo que havia consumido. Era o peso emocional, era a pressão do debut que parecia cada dia mais inalcançável e junto com tudo isso tinha a culpa que ela sentia por estar mais atrapalhando do que ajudando.
— Você é tão patética — a garota falou para si mesma, em voz alta, e limpou as lágrimas que escorriam de seu rosto. Tinha ficado até mais tarde para ensaiar, mas por fim não fez nada de útil. Ela apenas comeu de forma descontrolada para, em seguida, se jogar ali para vomitar e chorar. Ela era, definitivamente, patética. E nem estava fazendo nada para mudar isso. Sempre fugia em todas as oportunidades para descontar o medo na comida e chorar porque não era digna de absolutamente nada.
Sentindo mais lágrimas caírem, a garota acabou rindo. Ela não conseguia controlar seus impulsos alimentares nem para manter o foco em um mísero ensaio. E pior, talvez sua única qualidade de verdade fosse ser bonita, mas ela estragava isso em não conseguir manter a droga do peso. Quer dizer, sua vida estava uma merda, tinha perdido uma das melhores amigas, seu grupo estava indo de mal a pior, mas pelo menos tinha conseguido passar o dia sem comer, até a diretora aparecer e ela praticamente zerar os estoques do refeitório. Agora tinha que se preocupar em ser patética E gorda.
E parecia tão ridículo se preocupar com o peso e com a dieta quando tudo estava tão ruim para elas… Mas se ela não conseguia manter o foco em ser uma boa cantora e nem em ser a melhor dançarina, podia pelo menos manter a aparência, mas nem isso.
não sabia dizer quanto tempo passara ali, mas entre enjoar devido aos pensamentos deploráveis sobre si mesma, enjoar pela culpa e simplesmente se obrigar a por para fora tudo que havia ingerido, ela decidiu finalmente levantar e voltar para o dormitório, especialmente porque, já se sentindo novamente ansiosa, tinha medo de terminar novamente no refeitório porque comer era o que ela fazia sempre que começava a pensar demais.
Ela nem ao menos se olhou no espelho antes de sair dali, sabia que estaria no mínimo péssima. Sentia-se péssima. Sentia-se esgotada física e mentalmente. Sentia-se ainda enjoada, ligeiramente tonta, e provavelmente mais branca do que papel. Nem precisava olhar seu reflexo para saber.
Estava frio, mas ela sentia calor e soava por baixo do agasalho. O vento gelado era quase um alívio para seu corpo, mas ela sabia que não deveria ser. Ela não estava bem, só não sabia dizer o que daquilo era causado pelo seu emocional destruído e o que era causado por ela mesma depois de comer demais e forçar tudo para fora.
chegou ao dormitório em dez minutos. Não era tão tarde ainda, então ela torceu para que não tivesse ninguém lá. Quer dizer, sempre tinha, mas ela torceu para não encontrar ninguém até que conseguisse chegar em seu quarto. Ela precisava de um banho para tirar aquela sensação de sujeira. Precisava escovar os dentes para se livrar do gosto ruim na boca e tinha esperanças de se sentir melhor pela manhã. Pelo menos melhor fisicamente para voltar aos ensaios, mas todos os seus planos foram por água abaixo quando encontrou na cozinha, vestindo roupas de ensaio enquanto pegava um copo de água. Provavelmente se preparando para sair de casa. A dançarina tentou passar despercebida, mas bastou um rápido olhar para que saísse da cozinha e se apressasse em direção a assustada.
Provavelmente a garota estava ainda pior do que esperava.
, o que houve? — ela perguntou, alarmada, mas negou com a cabeça, forçando um sorriso.
— Está tudo bem, só vou dormir um pouco.
— Dormir às oito horas? — questionou, como se quisesse fazer confessar que não estava tudo bem, afinal, era cedo demais para dormir, especialmente depois do esporro que tinham tomado mais cedo. Todas estavam ensaiando a sua maneira, fosse dança ou canto, mas todas estavam fora. — você está muito pálida, sente-se um pouco. Quer água? Não… Você comeu?
— Eu estou bem, — ela respondeu, agradecendo mentalmente pelo cheiro de vômito, aparentemente, estar apenas em seu nariz, ou em sua mente. — Só estou cansada, não tenho dormido tanto quanto deveria, perdendo noites para ensaiar. Talvez esteja na hora de dormir melhor e quem sabe amanhã tenha um melhor rendimento também por isso — falou, mas de alguma forma, dizer uma frase tão longa acabou lhe deixando meio sem ar e, consequentemente, ligeiramente tonta. A garota se apoiou nas costas do sofá, esperando que não notasse nada, mas a maknae arregalou os olhos, seguindo em sua direção para apoiá-la.
! — exclamou. Em outras ocasiões, chamaria , mas a mais velha sequer estava em casa e ela não tinha idéia do que deveria fazer para cuidar da mais velha. — O que você tem? Eu vou ligar para alguém e…
chamou, tomando o controle da situação ao segurar a outra pelos ombros. — Eu estou cansada, treinei demais e dormi de menos. Talvez também não tenha me alimentado tão bem quanto deveria, mas isso tudo vai passar depois que eu tomar um banho, comer algo e dormir. — garantiu. — Por favor, não fale disso pra ninguém. Não precisamos que elas ainda estejam preocupadas comigo só por causa de um cansaço. Todas estamos cansadas. Mais preocupação não vai ajudar.
— Você… tem certeza que é só isso? — perguntou, relutante, mas normalmente as pessoas cuidavam dela, não era ela que cuidava dos outros. Ela não sabia o que fazer quando era os outros que estavam doentes. Ela não sabia o que tomar para ajudar, ela não sabia o que dizer, o que fazer, e se odiou um pouco naquele momento por isso, mas não conseguiu pensar em nada além de simplesmente confiar em , afinal, ela era uma das que cuidava das outras em situações como aquela.
— Eu tenho — garantiu , forçando um sorriso mesmo que sua visão já começasse a ficar turva.
— Se você não melhorar, promete que vai buscar ajuda? Não… eu fico. Eu fico e se precisar de ajuda, eu…
, vai ensaiar. Você não vai se sentir mais segura ou confiante amanhã se não fizer isso. Só cuide da sua saúde, ok? Não esqueça de comer como eu que em troca prometo que se piorar, eu ligo e peço ajuda.
suspirou, sem muita certeza de que estava fazendo o certo ao concordar com , mas concordou mesmo assim, recebendo outro sorriso de incentivo.
— Vai ficar mesmo bem, né? — quis saber, e mais uma vez concordou.
— Vá ensaiar, eu vou tomar um banho.
Sem esperar uma resposta, deu as costas para a amiga e reuniu toda a força que ainda tinha para seguir para o banheiro sem vacilar, trancando-se ali. Fisicamente, ela sabia que estaria melhor no dia seguinte. Mas quanto ao resto, não podia prometer nada. Só podia torcer que, no próximo dia, alguns daqueles fantasmas não decidissem acordar junto com ela pela manhã.

Nota das Autoras:
Oi, meninas!!!!! Tudo bem?
Desculpa por não estarmos atualizando mais com tanta freqüência, mas o tempo deu uma diminuída. Estamos fazendo o melhor que dá, tá bom?
Queremos dedicar esse capítulo a Gaby, a linda que comenta em todos os capítulos e sempre nos faz sorrir lendo. Obrigada por tudo, Gaby! Espero que continue por aqui!
Continuem lendo e comentando, meninas! Beijão!

 

Capítulo 11.

não estava tendo um dia muito bom.
Na verdade, desde o fatídico momento em que a diretora decidira assistir ao ensaio de seu grupo, nenhuma das garotas estava bem. A pior parte é que, além de toda a insegurança, todo o medo por si própria, também estava muito preocupada com suas amigas. Com principalmente.
Quer dizer, tudo aquilo, toda a pressão, o medo e todo o resto, estava de fato tomando proporções físicas e mexendo com a saúde delas também. não estava mais apenas preocupada e triste, mas com raiva, porque, céus, odiava ver quem amava em situações como aquela e amava muito, muito mesmo, as outras meninas do grupo.
, você perdeu a deixa outra vez.
Jongin lhe tirou de seus devaneios, abaixando o volume da música e se pondo de pé. Ele estava lhe observando sentado ao lado da caixa de som na sala de prática, lhe observando errar mais vezes do que já fizera em qualquer outro ensaio e sequer parecer notar que o fazia, presa num estado preocupante de torpor e tristeza.
piscou, levando um instante, ainda assim, para focar no idol. Jongin já debutara, era parte de um grupo de sucesso e… Céus, como ele conseguira?
Ela só queria chorar.
Toda vez que olhava para ele, se lembrava da voz repreensiva da diretora lhes acusando de ter perdido o foco, de estar perdendo tempo com EXO, e se sentia tão culpada. Mas, que escolha tinha? Jongin estava sendo, provavelmente, a maior ajuda com a qual ela podia contar para reparar o que vinha fazendo de errado e melhorar sua dança, que era sua maior dificuldade. E, bem, ele era um bom amigo também. Ela não queria ter que se afastar dele, não quando precisava tanto de um amigo.
Por fim, a garota deixou que seu olhar encontrasse o dele, sentindo o coração mais apertado do que nunca, e Jongin precisou de apenas uma fração de segundo para notar que ela estava prestes a chorar, abrindo a boca num “O” e correndo para ela, lhe abraçando.
— Tudo bem você perder a deixa, eu não estava brigando… — ele tentou reverter a situação e acabou rindo em seus braços, se afastando dele um segundo depois e fazendo que não, balançando a cabeça e limpando, simultaneamente, o canto dos olhos. Ela não chegara realmente a chorar, a reação de Jongin, tão típica dele, parando pra pensar, não permitiu.
— Talvez seja melhor eu ensaiar sozinha hoje — murmurou. — Juro, não é você, eu só… Não estou muito bem.
— Eu já percebi isso — ele retrucou, como se não entendesse porque ela sentia a necessidade de explicar o óbvio. quase sorriu. — Não vou te deixar sozinha estando tão triste. Podemos parar e conversar, se quiser — ele acrescentou. Secretamente, ficou agradecida. Não queria parar, não pretendia aceitar tal sugestão, mas estava aliviada que ele não houvesse optado por realmente deixá-la sozinha. Ela não queria ficar sozinha, tinha medo do que sua cabeça, seus pensamentos tão traiçoeiros, frutos do terror psicológico pelo qual vinha passando, fariam consigo.
— Eu realmente preciso ensaiar — negou sua sugestão.
Depois de esquadrinhar seu rosto com os olhos por um instante, procurando algum indício de que devia insistir em pararem, Jongin assentiu.
— Tudo bem. — concordou por fim, voltando a se afastar para ligar o rádio e, quando ele deu as costas, respirou fundo, buscando forças que sabia não ter mais, e mantendo os olhos fechados por alguns instantes. Estava exausta, tanto psicologicamente quanto fisicamente, mas não podia pensar naquilo agora. Precisava ensaiar, precisava melhorar.

Havia um espelho grande ocupando a parede em frente aos dois, de modo que Jongin podia ficar atrás da garota, observando melhor seus passos para corrigir, e ainda assim ser visto por ela, caso ela precisasse, em algum momento durante a coreografia, observar o modo como ele fazia algum movimento específico. Os dois sempre ensaiaram daquela forma, mas , realmente, não estava bem naquele dia.
Ela parecia se esquecer do espelho, parando constantemente para olhar para ele e então se atrapalhando mais ainda quando voltava a se concentrar em tentar fazer os movimentos, já que havia perdido a deixa para o movimento que ainda estava tentando entender. Movimento que Jongin sabia que ela sabia, ela conhecia muito bem aquela coreografia, e estava indo muito bem em cada um dos ensaios que tiveram antes daquele, mas naquele dia… Céus, havia algo muito errado.
, chega. Nós vamos parar — Jongin decidiu, falando com firmeza o suficiente para que a garota apenas encolhesse os ombros e desviasse o olhar. E aquilo nem era típico dela. — Pode decidir se vamos sair e fazer alguma coisa pra você tentar distrair a cabeça, ou se vamos ficar aqui e falar sobre o que quer que tenha acontecido, mas não vamos continuar enquanto você estiver assim.
sentiu coisas demais enquanto ele falava. Queria gritar e chorar, mas sabia que se tentasse gritar, apenas choraria e, se chorasse, não pararia tão cedo. Seus olhos já estavam inchados por ter chorado a noite, por horas até pegar no sono, e a última coisa que precisava era piorar aquilo. Nem maquiagem resolveria seu problema e ela já tinha problemas demais, de modo que acabou por apenas encarar o garoto, apática, sabendo que ele esperava uma resposta, mas sem confiar em si mesma o suficiente para abrir a boca e tentar falar o que quer que fosse.
Jongin suspirou e aproximou-se dela, segurando em seu queixo com a ponta dos dedos, de modo a fazê-la lhe encarar e , tão quebrada depois de seguidas quedas, nem conseguiu reagir a proximidade. Ou admirar quão bonito ele era. Ela só o olhou com o mesmo semblante triste de antes.
— Vou te levar num lugar comigo, tá bom? — ele murmurou. — Prometo que vai te fazer bem. É meio que proibido ficar triste lá. — ele acrescentou em seguida, lhe lançando um sorrisinho secreto que, em qualquer outro momento, teria feito imaginar que estava tendo um derrame. Naquele, ela sequer reagiu, e Jongin lhe puxou pela mão para fora da sala de treino.

acabou, realmente, soltando uma risada fraca quando adentrou, lado a lado com Jongin, um fliperama quase vazio e ele sorriu orgulhoso por isso.
— Falei! Não dá pra ficar triste aqui — ele murmurou, sorridente. Ela acabou sorrindo mais um pouco com isso, não conseguindo não se deixar levar pela aparente felicidade dele em pensar que a fizera, de fato, se sentir melhor. — O que quer jogar primeiro?
não fazia ideia. Ela nunca sabia o que fazer primeiro naquele tipo de lugar, com tantas opções.
— O que você quiser, eu acho — murmurou, lhe encarando meio em dúvida. Jongin soltou uma risada gostosa, lhe puxando pela mão em direção aos jogos. — Já sei, vamos pro basquete! Quem fazer mais cestas, ganha um pedido. Pode fazer a qualquer momento, qualquer coisa, e o outro tem que concordar. — Jongin sugeriu, enquanto a arrastava. Ele estava claramente empolgado e aquilo, ainda que minimamente, animou um pouco também.
Ela lhe deu um sorrisinho.
— Minhas meninas diriam pra você não confiar tanto em mim assim — retrucou.
Jongin sorriu mais, satisfeito em vê-la fazer uma piada. Era a primeira do dia, mas ele estava decidido a não deixar ser a última.
— Mas eu confio. Vem, vamos — e a puxou para frente da cesta de basquete.
A mão de formigou um pouco sob a dele, enquanto ela ainda escutava sua voz ressoar em sua cabeça, repetindo de novo e de novo que confiava, sim, nela, e lhe fazendo sentir melhor com muito pouco. Tão rápido quanto o pensamento veio, no entanto, ela se lembrou do olhar duro da diretora sobre si, lhe julgando e repreendendo por perder tempo com o EXO. Seu semblante murchou outra vez, fazendo com que ela olhasse triste na direção de Jongin, que não viu, ocupado em acionar a máquina para começarem a jogar.
— Jongin, eu não devia estar aqui…
— Você precisa de uma pausa, — Jongin retrucou, virando para lhe encarar assim que ela falou. — Eu disse que confio em você, então, pode confiar em mim também agora? E tentar se divertir um pouco? — quando a garota hesitou, ele virou para lhe encarar melhor, os olhos tão comumente gentis caindo sob ela como um abraço. — Eu sei como você está se sentindo. De verdade, eu sei. Eu já passei por isso, não foi fácil pro EXO e nem é agora, depois de perdermos três dos nossos membros. Eu sei como é, e entendo que você não queira falar, mas me deixa pelo menos tentar fazer você se distrair. Por favor — ele pediu, o olhar intenso sob o dela impelindo a concordar, assentindo devagar com a cabeça.
— Tudo bem — murmurou. — Mas, vou te avisando, eu sou boa de basquete, huh? — ela apontou em sua direção, arrancando um sorrisinho de Jongin quando lhe roubou a bola para tentar fazer as cestas primeiras. — Se prepare para me dever um pedido, Jongin-ah.
Em meio aquela competiçãozinha inventada por Jongin, realmente se sentiu melhor. Não notou de imediato, mas acabou se divertindo, e o que começou com uma frequência maior de sorrisos pequenos, terminou com risadas divertidas e ondas muito menores, controláveis, de pensamentos, nada como as enxurradas tempestuosas de antes.
Jongin era muito melhor naquilo, no basquete, e fez um drama absurdo por ele ser mais alto, alegando que aquilo era uma injustiça sem igual e, daquele jeito, ela não podia mesmo vencer. Então, sugeriu um revanche, que Jongin topou apenas por ela estar de fato mais animada, e os dois foram jogar um derivado de “guitar-hero”.
Naquele jogo, era a melhor que conhecia e sabia disso, comemorando como uma criança quando ganhou de Jongin três partidas seguidas. Na terceira, ele já havia pegado o jeito do jogo que jogava pela primeira vez naquele dia, mas errou, propositalmente, algumas notas cruciais. E decidiu que valeu a pena quando fez uma comemoraçãozinha exagerada ao serem lançadas suas pontuações.
— É, acho que vou ficar te devendo um pedido — ele comentou, coçando a nuca. Ela riu, concordando satisfeita. Jongin sorriu. — Sorvete? — sugeriu.
— Não vou gastar meu pedido agora — ela retrucou, imediatamente. Ele riu, assentindo.
— Estou oferecendo. Fora da aposta. — devolveu. assentiu, murmurando um “então, sim” e o acompanhando para fora do fliperama.
Os dois foram para a sorveteria ali em frente, sentando-se numa mesa escondida bem no fundo, depois de pegarem seus sorvetes. Ambos usavam máscaras e bonés, além de casacos escuros, de modo que era preciso olhar direito para reconhecê-los, e por sorte, conseguiram evitar que olhassem. Para fazer graça, Jongin ainda montou uma pequena barreira na mesa com os cardápios, inclinando o rosto de modo a se esconder ali, incentivando a fazer o mesmo em seguida.
— Pronto, agora estamos protegidos — murmurou, arrancando um pequeno sorriso de , que colocava um pouco de sorvete na boca enquanto ele falava. — Quer saber de uma coisa legal?
— Hm?
— Ninguém pode nos ver escondidos aqui. E ninguém nos reconheceria mesmo se visse também — ele começou, sob o olhar que lançava, ora para ele, ora para seu sorvete. — Isso quer dizer que, se a gente quiser, podemos falar o que quisermos, sobre qualquer coisa. É completamente seguro.
— E o que você quer falar? — perguntou, sabendo muito bem o que ele estava fazendo. A intenção dele não era falar nada, mas sim fazer com que ela falasse. Ela só não sabia se estava, exatamente, disposta a falar sobre o que acontecera com a diretora. Só de pensar, voltava a se sentir miserável e estava realmente gostando de não se sentir daquele jeito, pra variar.
— Estou muito chateado com Chanyeol. Ele comeu a última barrinha de proteína que tinha em casa hoje e fui eu quem comprei — Jongin contou, parecendo de fato, chateado. quis apertá-lo. Voltava a sentir aquela necessidade de surtar por cada pequena coisinha que ele fazia, coisa que, mais cedo, passava longe da garota.
— Você devia contar para o Junmyeon — ela murmurou, fazendo como ele e tratando aquele assunto com muita seriedade.
Jongin abriu um pequeno, e travesso, sorriso.
— Na verdade, só ele e o Baekhyun vão estar em casa hoje. Então, eu pedi pra entregar uma pizza pros dois.
— Essa é sua vingança? Uma pizza? — questionou, um tanto chocada e Jongin deu de ombros.
— Eles vão ser obrigados a sair da dieta.
acabou rindo fraco por isso, concordando com a cabeça, indicando que entendia seu ponto, enquanto colocava mais sorvete na boca. Por um instante, nenhum dos dois falou nada, e realmente se sentiu segura, protegida, apenas trocando um olhar ou outro com Jongin enquanto aproveitavam sua sobremesa gelada.
— Posso compartilhar algo também? Enquanto estamos protegidos? — ela perguntou, baixinho, e Jongin assentiu, sem querer demonstrar que aquilo era grande coisa e afugentá-la. — Não sei se vou conseguir fazer isso. A coisa toda de debutar e me tornar uma idol.
Jongin desviou o olhar do sorvete para seu rosto, lhe encarando com atenção.
— Você não quer mais?
— Quero — a garota assentiu. — É tudo que eu quero, mas… Não acho que sou capaz.
— Bom, eu acho — Jongin retrucou, muito certo do que dizia. — Na verdade, já que estamos protegidos aqui, acho que devo reformular… Eu tenho certeza.
E não conseguiu não sorrir, olhando para Jongin como se ele fosse a coisa mais linda que ela já vira, sem parecer perceber a forma tão idêntica aquela, que ele também lhe olhava. Ali, protegida e escondida, na companhia de Jongin, ela quase se sentiu bem de novo. Quase acreditou e compartilhou da certeza de Jongin, porque, céus, se era capaz de conseguir um olhar como aquele de alguém como ele, então… Bem, do que não era?!
Claro, “quase” nunca era o suficiente. Seu coração ainda pesava tanto, mesmo encolhido e apertado desde a conversa com a diretora, mas… Caramba. Ele tinha certeza. Aquilo já era tanto para , que simplesmente sorriu. Por ora, não quis mais pensar naquilo, ponderar se adiantava de alguma coisa que alguém acreditasse nela, porque não tinha como ser produtivo.
Por ora, se satisfez em sorrir para Jongin, e tê-lo sorrindo de volta para ela, sob os cardápios que lhes escondiam, em sua pequena bolha de proteção e segurança. Por ora, aquilo era tudo.

+++

estava na sala, esparramada no sofá com praticamente jogada por cima. Não que a dançarina estivesse satisfeita com a posição, mas tinha desistido de gritar e brigar em algum momento. não respeitava espaço pessoal e aquilo nem era novidade. Só restava aceitar e chorar internamente.
e estavam na cozinha, separada da sala apenas por um balcão, e as duas tentavam fazer alguma coisa diferente de lámen para comer. Todas eram péssimas na cozinha, mas haviam decidido cuidar da saúde e aproveitar o tempo livre para uma refeição decente.
O dormitório estava cheirando a queimado na verdade, mas as duas já gritavam o suficiente uma com a outra para que e pensassem em se intrometer. Elas ficariam com a louça, tinham feito um acordo entre si.
, não dá pra tirar a farinha de uma receita que pede farinha! — exclamou, mas acabou rindo mesmo que fosse de raiva.
e se entreolharam, elas conheciam aquele riso, mas nenhuma delas disse nada.
— Mas farinha é tão saudável quanto o lámen! — exclamou, inconformada.
— Já tentou fazer lámen sem o lámen? — debateu, deixando a outra completamente confusa com a pergunta, sem entender que a líder estava tentando dar um exemplo sobre a ideia absurda de excluir a farinha.
— O quê? Como assim?
— Exatamente! — tomou aquilo como resposta, mesmo não sendo. — Não tem como fazer isso sem farinha.
— A gente pode tentar e ver no que dá — deu de ombros. Amais velha só suspirou, a ignorando e despejando farinha na bacia.
Mas o problema foi a quantidade que despejou, e segurou a língua para evitar fazer algum comentário, obrigando-se a lembrar que o clima entre ela e ainda não era dos melhores.
Pelo menos pensou o mesmo que ela, e fez o comentário mesmo assim.
— Eu tenho certeza que você colocou mais farinha do que a receita pede — comentou. , que já sabia daquilo, bateu um dos pés no chão, impaciente.
— Foi culpa sua!
— Mas você quem despejou!
Um gritinho fanho vindo do quarto fez com que todas se calassem, e imediatamente olharam para o corredor onde ficavam os quartos. Até mesmo e pararam o que faziam, se perguntando o que diabos deveria ser aquilo.
— Quando foi que adotamos um gato? — perguntou confusa, mas um estrondo seguido por um novo miado fez com que pulasse do sofá.
— Gato? Quando adotamos um rinoceronte? — perguntou, ainda olhando na mesma direção.
— Não sei vocês, mas eu acho que rinoceronte não mia — devolveu, mas nem teve tempo de xingar ninguém antes que aparecesse correndo, soltando vários outros miados e ruídos estranhos pela garganta. A garota estava descabelada, vestia a blusa pela metade e o short do avesso, enquanto apontava desesperadamente para o corredor.
— Ba… ba… ba… — ela começou, sem conseguir completar a frase, e como em uma cena de desenho animado, todas a encararam imediatamente, olhando sua boca como se tentassem fazer leitura labial para entender o que ela queria dizer já que a voz não saia.
— Batman? — tentou, mesmo que aquilo não fizesse qualquer sentido, mas ela somente disse a primeira coisa que veio em sua mente e , como sempre agressiva demais, a estapeou. — Ai!
— Por que o Batman estaria no quarto?! — a dançarina perguntou.
— Você disse que adotamos um gato! — se defendeu, segurando o braço atingido mesmo que não sentisse dor.
— Ah, porque adotar o Batman faz muito mais sentido mesmo! — a dançarina gritou, e as duas acabaram rindo daquele diálogo ridículo, enquanto gesticulava impaciente.
— Fala! — , agoniada, praticamente gritou. suspirou, tentando encontrar ar para começar de novo.
— Ba-ra-ta — silabou. olhou imediatamente para baixo enquanto arregalava os olhos. riu, antes mesmo da reação das duas, simplesmente por já esperar aquilo.
— Volta lá e mata isso agora antes que ela corra para o meu quarto! — a líder gritou, mas colocou a mão no peito em seguida, assustada com a possibilidade. — E se ela já foi pra lá? VOLTA E MATA AQUELE MONSTRO AGORA!
, na tentativa de falar, soltou mais meia dúzia de miados que ninguém entendeu, mas também ninguém se perguntou o motivo daquilo, todas mais preocupadas com a barata no quarto que a garota dividia com .
— Sério que vocês estão assim por causa de um inseto? — perguntou, com expressão enojada. Mesmo que estivesse mais calma e até paciente com as outras ultimamente, certas coisas nunca mudariam porque simplesmente faziam parte dela. Quando , e a encararam, espantadas com o comentário, a garota deu de ombros enquanto ria, já esperando pelos próximos gritos.
— Aquilo não é um inseto! É um monstro! — berrou, enquanto encarava a companheira de quarto como se ela também fosse um ser das trevas.
— E ela voa! — falou com um rangido agudo, e arregalou os olhos imediatamente.
— É O QUÊ? — gritou, enquanto imediatamente se abaixava atrás de um sofá. — E você deixou pra dizer isso só agora?!
soltou mais alguns chiados, tentando dizer, rápido demais, que já tinha explicado isso, mas ninguém entendeu. Ela levou a mão até a garganta, finalmente preocupada ao notar que não estava daquela forma por medo da barata nojenta. Ela simplesmente não conseguia falar.
A chinesa deixou o queixo cair, espantada, e tentou avisar as outras, mas discutia com sobre matar o inseto enquanto ria e olhava para os lados desconfiada. abriu a boca novamente, mas suspirou preocupada quando nada saiu.
— Eu voto na pra matar a barata junto com a opinou, levantando a mão como se precisasse de permissão para falar. Ela ainda não encarava a líder, mas falou mesmo assim, porque matar o monstro voador no momento era a prioridade e precisavam de um plano eficiente. , para provocar, jogou na dançarina escondida uma bolinha de papel e a garota gritou, saindo de onde estava com um pulo e sumindo no sofá choramingando. A maknae gargalhou, e , quando notou que era apenas uma pegadinha, urrou irritada, abaixando-se para pegar todas as almofadas do sofá para jogar na maknae que apenas ria enquanto escondia o rosto. — RIDÍCULA!
— Ah, cala a boca — a maknae respondeu, sem parar de rir. urrou novamente.
— ME RESPEITA, EU SOU SUA UNNIE!
— “Me respeita, eu sou sua unnie” — repetiu com a voz afetada.
lhe encarou raivosa, mesmo que não sentisse raiva de verdade.
— A BARATA, . AGORA. — gritou, e a menina ergueu as mãos em sinal de rendição. A líder apontou para o corredor, o caminho que ela e deveriam seguir, e revirando os olhos, as duas foram. — Não voltem aqui sem um cadáver, estão me ouvindo?! Ninguém vai jantar se eu não ver esse cadáver.
— Era pra ser uma ameaça? Me soa como um presente — murmurou baixinho para . Até ela acabou rindo. era realmente ruim na cozinha, assim como todas elas.
— Eu ouvi isso, Lobato! — ralhou.
— Eu não disse nada! — mentiu, sua voz já soando longe, no quarto. não falou mais, mas antes que desse as costas para voltar para a cozinha, ergueu as mãos, as chacoalhando no alto como se tentasse chamar a atenção. e , ainda na sala, a encararam em confusão.
— O quê? — perguntou, e a garota apontou para a própria garganta já que não conseguia falar. — Não parece um bom momento para brincar de mímica — a dançarina respondeu, mas já estreitava os olhos, juntando as peças do que havia acontecido.
— Eu quero brincar, me espera! — gritou, do quarto, mas sua fala virou mais um grito em seguida, agora de susto. — Achei! — se referiu ao inseto. — Joga veneno, joga veneno! — continuou gritando, para , enquanto disparavam inseticida pela casa.
— FECHA ESSA PORTA PELO AMOR DE DEUS! — voltou a se encolher atrás do sofá, mas ainda olhava para , que soltou um suspiro triste.
— V… voz… — falou, de forma falha e arrastada, e negou com a cabeça. Aquilo foi o que faltava para que arregalasse mais uma vez os olhos. Aquilo só podia ser brincadeira. Elas não podiam ter tanto azar assim.
— Por favor, me diz que você não está sem voz! — exclamou, e isso chamou a atenção da dançarina que espantada, se ergueu imediatamente, também se esquecendo da gritaria que e faziam no quarto para matar a barata. Um estrondo soou alto, seguido por um grito de . Qualquer um que passasse próximo dali pensaria que estavam tentando pôr o dormitório abaixo, mas nenhuma das três na sala parecera notar.
mesmo queria responder que não dava pra dizer que não tinha voz se estava sem voz, mas no momento, não conseguia abrir a boca sem soltar um ruído fanho ou um miado, então apenas negou com a cabeça.
A dançarina não disse nada, apenas se deixou cair sentada no sofá, desacreditada, se perguntando por que diabos tudo estava dando tão errado. , se sentindo a beira de um ataque nervoso, suspirava para tentar se controlar. Era coisa demais para que ela conseguisse lidar com tudo.
— V… você… — ela começou, ia perguntar se sabia a causa, mas terminou apenas por negar. Aquilo não ia ajudar, precisavam fazer algo para que a voz voltasse, mas ela não tinha ideia nenhuma de como resolver. — Me diz que é brincadeira — acabou pedindo apenas, mas negou, decepcionada consigo mesma.
— Conseguimos! — gritou, voltando para a sala correndo feliz com uma papel higiênico na mão e a barata morta em cima.
— Joga isso fora, , que horror — reclamou, ciente de que só queria ouvir mais gritos de e .
Quando nada aconteceu e viram os três rostos abatidos na sala, até mesmo a maknae deixou o riso morrer.
— O que foi? — perguntou, mas ninguém respondeu. riu sozinha, de nervoso. trabalhava em todas as possibilidades possíveis para ajudar a voz de ao mesmo tempo que pensava no que fazer para remanejar todos os vocais e coreografia para poupar a voz da menina, sem saber se o melhor era descansar a fala para que voltasse logo, ou forçá-la porque remanejar tudo exigiria não só um tempo que elas não tinham, como também ainda mais esforço, sendo que elas não estavam dando conta nem do que já ensaiavam há dias.
Sempre souberam que fazer o debut seria difícil, mas ninguém esperava aquilo.

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Quando contaram a seu manager sobre a voz de , ele não demorou a aparecer para buscá-la e levar no médico. As meninas se prontificaram para ir junto e, mesmo lá, na sala de espera, a ansiedade e medo não passavam por nada. Quando, enfim, Jang Jikyu trouxe de volta para as meninas, ela parecia péssima, com uma sombra de preocupação no rosto combinando com as camadas escuras que cobriam os rostos das outras também.
Não devia ser surpresa quando Jikyu, enfim, contou o motivo da voz de ter falhado, mas não fez as meninas se sentirem melhor ainda assim: Puro stress. Era temporário, e, se repousasse, descansasse sua voz, e bebesse bastante água, logo estaria bem outra vez, mas… Bem, não era um bom momento pra pensar em descansar.
Horas mais tarde, elas acabaram concordando que não dava para ficar paradas ou iam enlouquecer e rumaram para o prédio da SM a fim de ensaiar sua coreografia. Se as coisas estiveram ligeiramente mais leves por um breve instante que fosse antes do incidente da barata, agora estavam absurdamente tensas. Ninguém falava na sala de ensaio, apenas a música energética de seu debut enchia o ambiente, vez ou outra acompanhado da voz baixa de ou , corrigindo algum erro das outras e até o ar parecia pesar, como se estivessem cercadas da mais traumática estática, que lhes envolvia e sufocava terrivelmente.
Não estava sendo o mais produtivo de seus ensaios, estavam tensas demais para fazer aquilo direito e sabiam, mas aquela altura não havia opções e continuaram mesmo assim, de novo e de novo, reiniciando a música a cada vez que ela terminava de maneira tão automática que, bem, o que aconteceu em seguida não devia ser surpresa. Ou causar um surto tão iminente.
Mas, hm, havia a estática e tal.
Em meio ao processo de reposicionamento, do final da música de volta para o início, cada uma das garotas estava presa em seu próprio mundinho, alimentando seus medos, de modo que não reparavam tanto quanto deviam no que acontecia a sua volta e a consequência acabou sendo o esbarrão em efeito dominó que lhes fez empurrar umas as outras e quase irem todas ao chão. E então, começaram as acusações, brigas e reclamações.
Estavam com tanta raiva, há tanto tempo, sofrendo golpe atrás de golpe, a válvula de escape proporcionada diante do primeiro grito foi tão bem vinda. Teria se tornado um problema, uma bomba fadada a explodir e não deixar sobreviventes, mas bem, por sorte, elas foram interrompidas antes disso.
— Sabe, isso já aconteceu com o EXO várias vezes. Eles sempre riem — a voz imponente fez as meninas pularem de susto, virando, encabuladas, para olhar em direção a porta. E foi aí que ficaram brancas feito papel, completamente esquecidas da discussão de segundos atrás enquanto encaravam o homem que, mais do que qualquer um, tornara possível que estivessem ali. Elas e todos os outros grupos da SM. — Parando pra pensar, todo mundo — ele riu, erguendo uma mão enquanto parecia pensar alto, citando os idols de sua empresa que já haviam feito aquilo, o esbarrão em efeito dominó, e optado por rir ao invés de discutir. — Red Velvet, Super Junior, Shinee…
Bom, todos eles já debutaram, foi o que pensou, se obrigando, no entanto, a apenas reverenciar o homem, junto com o restante das garotas. Estava uma pilha de nervos e aquele era, provavelmente, o pior momento para conhecer Lee Soo Man, o fundador da SM, mas bem, já começava a aprender que o timing nunca estava do seu lado. Lee Soo Man estava ali e, aparentemente, ali ficaria.
— Soo Man-nim, nós…
— Glory Days, eu sei, querida — Soo Man interrompeu , abrindo um sorriso que enrugou todo seu rosto enquanto finalmente entrava na sala, fechando silenciosamente a porta atrás de si. — Acha que eu não vi o programa? — ele riu, divertido. — Eu até tinha minha aposta. — ele falou, abrindo um sorriso secreto enquanto apontava na direção das meninas, que ficaram um tanto chocadas com a confissão, abrindo a boca de maneira abobalhada e gaguejando enquanto tentavam pensar numa resposta lógica para dar ao homem.
A verdade é que elas só conseguiam pensar em se beliscar, duvidando que aquilo estivesse mesmo acontecendo. Estavam sofrendo tantos golpes ultimamente que parecia haver algo de muito errado ali, naquele cenário. Seus cérebros não eram capazes de simplesmente aceitar que Lee Soo Man não só estava ali, falando com elas, lhes elogiando. Quer dizer, quando havia sido a última vez que ouviram um elogio?!
— Muito obrigada — falou, mas não soou muito firme. Nem poderia, era o fundador da SM bem ali, na sua frente. Até ela tinha limites.
Soo Man fez um gesto com a mão, dispensando o agradecimento.
— Quando vai ser o debut, hm?
acabou rindo, nervosa, diante da pergunta, e levou uma cotovelada de por isso, o que lhe fez pular no lugar, resmungando pela atitude da dançarina. Soo Man sorriu, gostando da breve espontaneidade das duas garotas e arqueando uma sobrancelha para a mais nova, que corou e pigarreou.
— Nós… Hm… Ainda não sabemos se vamos debutar — outra cotovelada — Soo Man-nim.
assentiu, satisfeita, e massageou a costela com uma careta.
Soo Man olhou de uma para a outra novamente e riu.
— Bom, eu sei — deu de ombros, como se fosse óbvio. As cinco garotas se entreolharam sem ter certeza do que deviam tirar daquilo. Estavam mais atordoadas do que nunca. — Sabe, a diretora de vocês… Ela é meio exagerada. Fala o que acha que precisa para obter os resultados que deseja, mas confie em mim, se a levarem muito a sério, vão enlouquecer.
Novamente, riu de nervoso, e dessa vez nem pôde lhe repreender, já que reagiu igual. Soo Man acabou rindo também, olhando para as duas garotas e apontando de uma para a outra em seguida.
— Gostei de vocês — revelou, virando em seguida para encarar . — Você é a líder, certo?
Um tanto intimidada, assentiu, levando um instante para encontrar sua voz e proferir qualquer palavra que fosse.
— Sim, senhor nim.
— Bom, eu acho que está fazendo um bom trabalho. Mas estão muito tensas — ele murmurou, sorrindo para as outras em seguida. — Eu estava assistindo vocês.
— Anh… Hm… Obrigada. — agradeceu, sem jeito. — Nossa vocalista principal está sem voz, na verdade, e nós estamos tentando praticar como podemos, mas pode ser complicado. Não é nosso melhor dia — se apressou em explicar, apontando . Soo Man assentiu, ficando em silêncio por um instante, olhando para cada uma das meninas.
— Se uma de vocês está indisposta ou debilitada, não devem ensaiar. Precisam ser um grupo, todas uma coisa só — ergueu o indicador enquanto falava. — Vocês não parecem tanto um grupo hoje. No programa… No programa vocês pareciam. Não muito, mas, definitivamente, mais do que hoje.
Aquilo atingiu as garotas como um soco. Justamente porque era verdade lhes atingiu como um soco, um soco certeiro e fatal.
Nenhuma das garotas teve coragem de falar nada, nem mesmo , que, como líder, sabia que devia, e elas só encararam Soo Man desgostosas, mas ele sorriu mesmo assim, um sorriso encorajador.
— Vocês se conhecem bem? — ele perguntou. — Sabem qual a coisa favorita umas das outras, no mundo inteiro? — perguntou, e ninguém respondeu, porque, bem, ninguém sabia. Talvez , e , mas… Àquela altura, tudo estava muito diferente. Nem elas tinham segurança de responder o fundador da empresa, não mais. — Se querem ser um grupo, precisam se conhecer. Se entender.
se empertigou no lugar e olhou para as outras garotas, se perguntando se um dia se sentiria a vontade para falar com elas sobre sua vida pessoal. Sobre Krystal. Tudo aquilo… Parecia tão distante.
— Estamos muito ocupadas e tensas com o debut, não… Conversar não tem sido nossa prioridade — , enfim, murmurou, fazendo um esforço sobre-humano para soar firme.
Soo Man assentiu, indicando que entendia.
— Bom, deviam aproveitar hoje e conversar um pouco, então. A vocalista — ele apontou na direção de , que se encolheu um pouco e lhe arrancou um sorriso fraco por isso. — pode escrever. Façam perguntas, brinquem de verdade ou consequência, eu não sei… Mas se permitam conhecer umas as outras. Acho que é o que precisam.
As garotas apenas assentiram e fizeram outra reverência para o homem, que tomou aquilo como suficiente para se despedir, lhes desejando boa sorte e garantindo que ainda eram sua aposta antes de, enfim, dar as costas. As garotas não souberam dizer se o ar pesou menos ou mais depois que ele saiu, mas algo, definitivamente, mudou.
sentia vontade de chorar, mas de alívio, com a ficha finalmente caindo: Alguém via seu talento, seu esforço. Alguém achava que iam conseguir. E não alguém, mas Lee Soo Man, o homem que fundara a SM. Que tornara possível o debut e sucesso de tantos outros idols.
Ele acreditava nelas.
— Jogo da verdade? — , enfim, sugeriu, encarando as garotas com um sorriso pequeno, sem mostrar os dentes. Ela queria ser capaz de manter o espírito de força, encorajamento, que Soo Man lhes passou enquanto estava ali e, mesmo incerta, fez seu melhor.
Logo, as cinco garotas estavam sentadas numa rodinha no chão, usando a capinha do celular de uma delas como substituta para a garrafa normalmente usada naquele jogo. Elas falaram sobre tudo, seu amor pela música, sua família, seu primeiro amor, primeiro beijo, os idols favoritos… Tudo. E, inacreditavelmente, aquilo ajudou.
As garotas riram, se abraçaram, estapearam e brincaram. E começaram a dar passos maiores, sem que percebessem, em sua travessia para se tornar um grupo. Um grupo de dias gloriosos.