Lovable

  • Por: Queen B
  • Categoria: EXO | Kpop
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Sinopse: Eles eram amigos desde que se entediam por gente e, mesmo que houvessem crescido e se tornado estereótipos completamente opostos, aquilo nunca mudara. Seu amor sempre esteve presente e sempre estaria. Um amor tão forte que ultrapassava a amizade.
Só… Podia ser complicado às vezes.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: –
Beta: Alex Russo

era linda. E sabia.
Ela tinha a confiança do mais feroz dos predadores, que ignorava completamente qualquer ordem lógica que fosse levada em conta numa cadeia alimentar e se colocava no topo, mas aquilo em nada prejudicava a primeira impressão que a garota normalmente deixava, afinal tinha aquele charme.
O charme inegável e quase sobrenatural dela lhe tornava adorável mesmo com o humor ácido se tornando um exagero vez ou outra.
Até o pior de seus exageros era facilmente perdoado depois que ela ria como se tudo fosse uma grande brincadeira, a risada soando exatamente como o canto hipnotizante de uma sereia.
E, ainda que fosse louco por ela, ainda que talvez ele fosse parcial demais quando o assunto era sua vizinha, amiga, e paixonite secreta, aquele era o tipo de coisa que nem alguém que, por algum motivo maluco, lhe odiasse, poderia negar. Em contrapartida, no entanto, era seu completo oposto, tornando ridículo sequer imaginar os dois juntos. O problema nem era sua aparência, não tanto quanto sua falta de jeito, que lhe tornava um desastre ambulante, sempre propenso a causar o mais inusitado dos acidentes.
Ainda assim, ainda que ele tivesse certeza que a ideia dos dois juntos não era muito, se não um sonho distante, era no quarto dele que ela estava naquela tarde de sábado, brincando com a luneta estrategicamente posicionada na janela um instante antes de virar para encarar com uma expressão engraçada no rosto.
– Está apontando para o meu quarto. – ela apontou, fazendo o suor se instalar na nuca e testa do garoto, que engoliu a própria saliva. Ela sorriu, novamente com a postura de predador pronto para dar o bote. – Você estava me observando no meu quarto com isso, ?
era o típico nerd apaixonado por física e tudo que envolvesse ciências, a luneta fora um presente da irmã mais velha em seu último aniversário, um presente que ele, de fato, usava para o que devia e olhava as estrelas, estudava as constelações com o mesmo afinco que estudava as sardas no rosto de quando ela não estava olhando, porém ás vezes aquela paixão juvenil, que lhe tornava tão irracional, lhe vencia e o garoto mudava um pouco a posição da luneta, observando em seu quarto por poucos segundos antes de se sentir culpado e fechar as cortinas, lembrando a si mesmo que não tinha o direito de fazer aquilo. Ela não lhe dera permissão para olhar e ele devia respeitar, mas… Droga, ás vezes ele era só um garoto apaixonado, por alguém que nunca poderia ter.
– Não, é claro que não. – ele rolou os olhos, como se a ideia fosse absurda. era um péssimo mentiroso e, se não houvesse deixado o ego ferido falar mais alto, teria notado quão falsa era a afirmação, mas ao em vez disso acabou apenas por fazer uma careta decepcionada para o amigo.
– Outch. – murmurou, com o olhar vacilando entre zombaria e decepção. – Uma pena. Sei que não sou tão interessante quanto suas estrelas, mas estava começando a me sentir lisonjeada… – balançou a cabeça, colocando a luneta de lado enquanto se sentava na ponta da janela, ficando portanto com as pernas suspensas ao fazê-lo.
A janela de ficava exatamente de frente para a sua e sempre fora assim, portanto estavam acostumados a frequentar a casa um do outro, ainda que sua amizade parecesse tão disfuncional vista de fora. Quer dizer, era popular no colégio, era popular onde quer que fosse e, onde quer que fosse, a preferência de era passar despercebido, já que caso contrário era sempre vergonha que ele passava.
Mas não ligava pra nada daquilo. Ela gostava da popularidade, é claro, mas não ligava que fosse tão diferente dela, tão claramente oposto a garota de tantos jeitos. Ele era um bom amigo e aquilo bastava pra ela.
Ou, era o que ela achava, já que por algum motivo o modo como lhe arrancou a fantasia de ser observada por ele em segredo fez nascer um monstrinho roxo e mal educado dentro dela.
– Como se você precisasse disso. – rolou os olhos, tentando dar fim aquele assunto antes que lhe tirasse a mascara, o que, honestamente, nem devia ser difícil, já que, de novo, ele era um péssimo mentiroso.
– O que quer dizer com isso? – perguntou, franzindo brevemente o cenho e revelando sua desconfiança e incerteza quanto as palavras do amigo antes que se pusesse de pé, indo para perto dele na cama e jogando o corpo para trás ali. , que estava sentado na ponta do móvel, desviou o olhar para a garota tão despreocupadamente deitada no colchão onde ele dormia todos os dias, quase se esquecendo da pergunta dela enquanto era arrebatado por sua beleza.
– Que você já é popular o suficiente, ué. – disse por fim, dessa vez com sinceridade. Na cabeça de , ele não era lá muita coisa, e, com certeza, não o suficiente para chatear a garota por não nutrir interesse por ela, ainda que aquela parte fosse mentira. Ele, ainda que ela não soubesse, gostava sim da vizinha. Daquele jeito. – Não precisa se preocupar com mais um admirador no seu pé. Acho que um dos meus irmãos mexeu na luneta, já que, eles nós sabemos bem que são sim loucos por você. – ele deu de ombros, como se aquela fosse uma explicação um tanto obvia para a situação e, bem, era.
era o segundo mais velho entre os quatro filhos de seus pais. Sua irmã já saíra de casa, morava num apartamento no bairro vizinho e era cinco anos mais velha, enquanto os gêmeos estavam no auge de seus doze anos, nutrindo aquela paixão nada discreta pela vizinha que vivia no quarto de e invejando o mais velho por consequência.
Ah, se eles soubessem…
– Hm. – foi tudo que falou, soando pensativa, enquanto inevitavelmente sentia a decepção abraçar o monstrinho roxo em seu estômago, condescendente de um jeito no mínimo irritante.
Talvez fosse porque ela estava acostumada a ter tudo, porque todos caíam tão facilmente por ela e, o fato de ser diferente com houvesse simplesmente ferido seu ego.
Talvez fosse por ser diferente para ele, logo ele, que sempre lhe fez sentir esperançosa, de um jeito inexplicável.
Talvez, houvesse passado todo aquele tempo morando ao lado dele e vivendo dividida entre seu mundo e o dele imaginando, sem se dar conta, uma possibilidade diferente para o confronto daquele sábado a tarde, que agora ela só sentia culpa em já ter imaginado.
Talvez a friendzone só fosse um saco, o que fazia bastante sentido, especialmente para alguém como ela, nova demais naquele terreno tão frustrante e tão desanimador.

+++

– Droga gente, ela vai ver vocês! – reclamou com os irmãos, que serpenteavam entre sua luneta e o olhar nu pela janela, bisbilhotando no quarto de . Era terça feira e ele estava sozinho em casa com os irmãos, já que naquele dia eles não tinham nenhuma atividade extracurricular para lhes cansar e tornar a noite mais fácil e seus pais estavam trabalhando, o que, basicamente, significava que cuidar das duas pestes com quem ele dividia o teto sobrara para .
não era exatamente a pessoa mais firme do mundo e seus irmãos sabiam daquilo, de forma que, sempre que os pais precisavam sair e lhes deixar sob os cuidados do mais velho, eles festejavam, fazendo o que bem entediam e ignorando as reclamações do outro, mas depois da última vez que estivera ali e vira a luneta apontando para o próprio quarto ele estava tentando evitar a todo custo que aquilo acontecesse de novo.
– Bom, alguém tem que correr atrás dela, já que você não faz isso. – Tristan murmurou, rolando os olhos impaciente para ele e arrancando um olhar ofendido de .
– Ei!
– Ela não vem aqui desde o sábado, cara! Pelo menos pra isso você era útil! – Nate, o outro gêmeo, murmurou e rolou os olhos, jogando desacreditado a cabeça para trás. Seus irmãos, com doze anos de idade, estavam lhe repreendendo com mais firmeza do que ele era capaz de fazer com eles.
Ridículo, para se dizer o minimo.
– Saiam dai antes que ela veja vocês. – ele pediu uma última vez aos irmãos, soando muito mais como quem implorava por clemência do que como quem ordenava algo aos irmãos mais novos e, como esperado, nenhum dos dois lhe levou a sério e ele rolou os olhos, sem se dar ao trabalho de reclamar outra vez.
Não ia adiantar mesmo.
– Olha, para de dar chilique. Ela nem está aqui. – Tristan, por fim, se solidarizou ao irmão, que estreitou os olhos em sua direção, embora não pensasse tanto em suas palavras. Quando ele tinha doze anos, lhe fazia entrar nas mais doidas enroscadas, mas não achava que era apaixonado por ela na época. Achava até que ela lhe irritava. Como seus irmãos já estavam cheios de amores pela vizinha? Com aquela idade?
– É, só estamos vendo se ela vai aparecer. – Nate concordou com a cabeça, embora sem virar para olhar para . Era ele quem estava em posse da luneta agora e sabia muito bem que, se bobeasse, Tristan tomaria de volta.
– Isso é pra olhar as estrelas. – reclamou, inutilmente. – Foi pra isso que Nahee me deu.
– Que bom que parece uma estrela então. – Nate riu, dando de ombros como se aquilo finalizasse a discussão e bufou na mais pura frustração. Pestes, era aquilo que aqueles dois eram.
– Ela apareceu! – Tristan exclamou, a voz subindo algumas oitavas graças a animação de ver a garota. – Entrou no quarto, fechou a porta e…
– Cala a boca! Ele não precisa saber o que… Uou! – Nam interrompeu a reclamação, inclinando-se sob a luneta e os dois garotos ficaram no mais perfeito silêncio, exceto pelo silvo de surpresa e admiração que soltaram ao mesmo tempo.
estreitou os olhos, desconfiado e se pôs de pé, seguindo até os dois para ver o que diabos havia lhes calado com tanta eficiência repentinamente. O garoto não sabia pelo que esperava, mas definitivamente não era pela visão de de costas, sem blusa e já desfazendo o fecho do sutiã, como se não soubesse que a janela estava aberta e teve certeza, se lembraria de agradecer depois por não ter congelado como normalmente faria, tampando os olhos das duas crianças ao mesmo tempo e ignorando suas tentativas de se desvencilhar dele e reclamações enquanto os arrastava pra longe da janela.
– Nate, porra! – ele soltou bruscamente o garoto depois de ser surpreendido com uma mordida no braço. – Ela está sem roupa! Não é certo!
Para , não era certo de qualquer jeito e ele não tinha certeza se valia a pena tentar colocar algum juízo na cabeça daqueles dois desmiolados, mas não pôde segurar o argumento dentro de si, talvez até porque precisava lembrar a si mesmo daquilo também. Porque, honestamente, o lampejo das mãos pequenas das garotas livrando o próprio corpo do sutiã simplesmente não saia de sua cabeça e ele achava que definitivamente precisava lembrar. Não era certo olhar, não tinha sua permissão e só… Não era.
– Você não quer ver? – Tristan riu de maneira maldosa e já estava rolando os olhos antes mesmo que ele continuasse. – não gosta de ver mulher pelada! – berrou e arregalou os olhos, olhando por sob o ombro na direção da janela antes de virar e olhar feio para os dois garotos, lhes empurrando para fora do quarto.
– Vão fazer coisa de criança normal, pelo amor de Deus! – murmurou, barrando a entrada deles novamente no quarto com o corpo e os garotos arquearam a sobrancelha, como se perguntassem o que ele queria dizer com aquilo. bufou, impaciente. – Sei lá, vão ver Phineas e Pherb!
– Não queremos terminar fugindo de mulher pelada que nem você, bundão. – Tristan foi quem retrucou e ele rolou os olhos, sem acreditar que estava se permitindo discutir com aqueles dois.
– Saiam logo daqui! – ordenou, batendo a porta na cara deles, sem lhes dar tempo de responder.
Quando se viu sozinho, olhou na direção da janela e ficou imediatamente nervoso, com a visão de desfazendo o fecho do sutiã voltando a sua mente. Tentando convencer a si mesmo que só o fazia para fechar as cortinas e tirar aquilo de vez da cabeça, ele voltou a se aproximar da janela, andando como se estivesse num campo minado, devagar e incerto.
O garoto reposicionou a luneta, evitando que ela continuasse a apontar para o quarto de e, se fosse uma pessoa melhor, mais madura e correta, teria parado por ali, fechado as cortinas e saído de dentro da armadilha mortal que aquele quarto parecia se tornar, porém ainda era só , e, sem que pudesse evitar, desviou o olhar para a janela de .
O quarto parecia vazio e ele quase soltou o ar cedo demais, se não houvesse visto sair do banheiro do quarto em seguida, com os cabelos presos num rabo de cavalo alto, coisa para a qual ele deu menos de sua atenção do que normalmente faria simplesmente porque a garota tirou a toalha que adornava seu corpo, jogando-a de qualquer jeito na cama antes de se livrar também do rabo de cavalo em seu cabelo, jogando-o para os lados enquanto caminhava, completamente nua, em direção a janela.
arregalou os olhos, puxando a cortina com pressa para fechar e batendo o mindinho do pé na quina da escrivaninha ali ao lado ao pular para longe dali, terminando assim por segurar a perna num choramingo frustrado e pular num pé só até a própria cama, sem saber se foi bom ou ruim quando caiu com o corpo contra o colchão e a dor não foi intensa o suficiente para lhe fazer esquecer a visão do corpo desnudo de sua vizinha. Toda parte dela que seus olhos captaram no breve momento em que se permitiu olhar parecia muito bem gravada em sua mente, sem disposição para lhe deixar em paz tão cedo e jogou a cabeça para trás, apertando os olhos enquanto se esforçava para pensar em outra coisa e diminuir a própria culpa e vergonha.
Seu celular apitou no criado mudo ao lado da cama e deu um pulo de susto, pegando o aparelho sem ter certeza se queria ver o que tinha ali, especialmente depois de ver o nome de piscar na tela.
Ela lhe mandara uma mensagem.


“Da última vez que chequei, seus irmãos não pareciam tanto com você.”

 

Era o que o texto dizia, fazendo as bochechas de assumirem o mais intenso dos tons de vermelho enquanto ele baixava o celular ao seu lado na cama, raspando os dentes no polegar como sempre fazia quando ficava nervoso e envergonhado ao mesmo tempo.
lhe vira olhando no pior momento possível e, naquele momento, não tinha ideia do que aquilo podia desencadear, mas acreditou ser péssimo.

+++

estava na biblioteca do colégio, tão concentrado no livro que lia que sequer notou quando , de maneira tão atípica, entrou no cômodo. Ela não era de ir ali, na biblioteca, e muito menos era uma presença que deixava passar despercebida, porém conseguiu a proeza naquele dia, assustando ao sentar-se de frente para ele na mesa onde ele lia o interessantíssimo livro que lhe mantivera aéreo ao mundo ao seu redor na última hora.
? – ele perguntou, tão confuso com a visão que quase se esqueceu que havia lhe visto nua, do jeito mais inapropriado possível. Aquele era o motivo pelo qual ele vinha lhe evitando e, ele não sabia ainda, mas também era o motivo pelo qual ela estava ali, prestes a lhe confrontar.
– Ah, você se lembra de mim. – a garota murmurou, com falsa surpresa. – Achei que você tivesse, sei lá, perdido a memória. Ou se mudado. – ela deu de ombros, mas se até um desconhecido reconheceria a pitada de magoa em sua voz, não era que deixaria aquilo passar e, infelizmente, sabia muito disso, sentindo-se uma idiota por ser tão transparente.
– Eu… E-Estive ocupado. – ele gaguejou, sem jeito.
– Com o quê? – perguntou, jogando o tronco para trás na cadeira e cruzando os braços, provavelmente sem sequer se dar conta que parecia um policial interrogando um suspeito, completamente segura que o pegara na mentira. Claro, as bochechas de e seu tom estúpido de vermelho provavelmente haviam ajudado a lhe entregar.
– Hã… Coisas… Os gêmeos…
, você está mentindo. – resmungou, lhe interrompendo quando ele começou a gaguejar coisas desconexas. – Você é meu amigo e não tem o direito de sumir assim só porque me viu sem roupa, pelo amor de Deus! Você achou que houvesse o que em baixo delas? Algum tipo de dispositivo robótico? – ela soava impaciente, magoada e irritada e odiava quando ela soava daquele jeito, porque significava que estava chateada de verdade com alguma coisa e, como o perfeito idiota apaixonado que era, ele odiava lhe ver assim.
, eu juro que não estava espiando…
– Eu já entendi! – ela lhe interrompeu novamente, falando mais alto que o necessário e xingando baixo ao se dar conta disso. olhou envergonhado para os lados antes de lhe encarar novamente. – Você não me espia, eu sei, você já deixou isso perfeitamente claro. – ela abanou o ar, impaciente e estreitou os olhos em sua direção, parecendo só então entender o problema.
– Isso te chateia? – perguntou, fazendo a coloração tão comum a ele atingir as bochechas de , de repente corada como ele não se lembrara de já ter visto antes. – Você está corando. – não era uma pergunta, mas também não devia ser uma afirmação, levando em conta quão surpreso ele soava constatando o que seus olhos lhe mostravam.
– Não. – ela respondeu, ainda que soubesse tanto quanto ele que estava. Seu tom de voz diminuiu tão consideravelmente que era ridículo até continuar discutindo aquilo: Ela estava corada, sabia, e não estava nada feliz com aquilo. – Isso não importa. – ela balançou a cabeça, tentando desfazer o próprio embaraço. – O que estou tentando dizer é que não me importo, . Não me importo que você tenha visto, mas me importo que esteja fugindo porque viu. Não tem nada de muito assustador aqui e eu juro pra você que vou continuar vestida se…
, para! – ele reclamou, soando igualmente impaciente e envergonhado enquanto ela desandava a falar sobre a própria nudez sem o minimo de pudor. quase sorriu, se dando conta que as coisas pareciam ter voltado ao seu normal. Não era mais ela a envergonhada ali. – Tudo bem, tá? Eu passo na sua casa mais tarde, mas… Será que agora…
– Está me expulsando? – ela perguntou quando ele se interrompeu, olhando nervoso em volta. – Por quê? Por que isso é uma biblioteca e eu não sou muito silenciosa? – ela riu e ele balançou a cabeça, como quem dizia exatamente, fazendo a garota rir outra vez antes de puxar o livro que ele lia para analisar.
rolou os olhos.
– Fala de física. – ele resmungou ao notar a careta que ela fez para as palavras nas folhas e ergueu o olhar para ele.
– Você é doido por se interessar por essas coisas. – ela disse, lhe devolvendo o livro com uma careta e ele aceitou em silêncio, lhe encarando num misto de curiosidade e confusão, por algum motivo voltando a pensar no modo como ela resmungara ao falar sobre ele não lhe observar. Como se aquilo lhe frustrasse em proporções astronômicas. – Bom, pelo menos vai me construir um foguete um dia, não é? – ela voltou a lhe encarar, alheia a seus pensamentos. Quando o fez, no entanto, algo no olhar de provavelmente lhe denunciara, porque ela franziu o cenho, confusa. – O que foi?
– Eu não te observar te chateia? – ele repetiu o que perguntara antes e apertou os lábios, fazendo rapidamente que não, ainda que por algum motivo tudo nela parecesse tão pouco convincente quando o fez. – Por quê? – ele perguntou, ignorando sua negativa, já que a verdade era aparentemente o justo oposto.
– Por que… o que? – ela perguntou baixinho, com medo da resposta. Honestamente, também estava com medo do rumo que aquela conversa tomava, mas não conseguia parar.
– Por que te chateia? Que eu não te observe como você achou que eu fazia? – ele perguntou, conseguindo soar alto e claro de maneira a surpreender até a si mesmo.
No fundo, achava que sabia a resposta e não via como ia gostar de ouvir aquilo, ouvir que era uma questão de ego. Que ela estava tão acostumada a ter todos que ter logo , que nem era nada demais, se negando a fazer parte da porcentagem imensa de admiradores que carregava consigo, era no mínimo frustrante. Fazia sentido para ele. E o pior é que, na verdade, ele fazia sim parte da tal porcentagem.
– Não é isso, é que… – começou a falar, mas parou no meio do caminho. Ela não era boa naquilo, se explicar. A garota costumava ter muito mais facilidade em pedir satisfações do que em dar e naquele momento em especial a característica se revelava como uma faca afiada ameaçando a quem quer que se aproximasse. Era o cumulo do clichê, afinal: O único cara de quem ela sempre imaginou que poderia gostar nutria absolutamente nenhum interesse nela e, se tinha algo que odiava, era o que não podia ter. – Por que você não espiou? – ela perguntou, erguendo o olhar novamente para ele, sem transparecer muita coisa além de curiosidade e, talvez, certa melancolia.
– Por… Por quê? – repetiu a pergunta e assentiu, mordendo incerta o lábio.
– Eu sei por que as pessoas gostam de mim. Sei que tem a beleza e o charme e tudo o mais, mas eu queria saber porque… Você sabe… Porque não? – provavelmente não era a intenção dela que soasse como uma pergunta no final das contas, mas a garota estava tão atrapalhada e insegura quanto jamais vira e, ainda assim, a pergunta lhe pegou completamente de surpresa.
Ela queria saber por que ele não lhe queria?
– Está me perguntando o que há de errado com você?! – a voz dele subiu uma oitava, mesmo que ele houvesse conseguido apenas repetir a pergunta dela, sem ter ideia de como lhe responder, especialmente quando… Bem, quando o motivo pra aquela pergunta nem era real. apenas assentiu e pigarreou, esbugalhando os olhos numa reação mal calculada. – Não tem nada de errado com você, . – falou, não suportando a ideia de simplesmente listar os defeitos dela ou o quer que fosse a loucura que ela tinha em mente. – Eu só… A gente se conhece desde criança. Eu acho que… Acho que nunca pensei em você desse jeito. – ele mentiu, muito mal, diga-se de passagem.
pareceu ponderar sobre suas palavras por um instante, antes de negar com a cabeça, inconformada.
, você me viu sem roupa e sumiu por quase uma semana. Não me culpe se não acredito nessa história. – ela retrucou de maneira bastante simples e objetiva e o garoto bufou. Estava odiando aquela conversa e achava que se ela lhe pressionasse um pouquinho mais iria chorar de desespero.
. – ele praticamente implorou, surtindo, no entanto, o efeito oposto do desejado nela, fazendo a garota se inclinar pra frente na mesa, aproximando seus rostos.
Para , afinal, o fato de ele estar implorando fazia mais sentido se ele estivesse escondendo algo.
Talvez, quem sabe, que estivera mentindo o tempo todo e gostava sim dela.
– Não vou me chatear, . Fala. – ela pediu, soando quase como se estivesse ansiosa para ouvir o que quer que ele tivesse para dizer.
sentiu o temido desespero alcançar suas entranhas com o pedido que, em conjunto com o sorriso que ela tentava conter, pareceu denunciar que ela sabia mais do que parecia declarar. Talvez ela finalmente o houvesse pegado na mentira.
– Por que você está insistindo tanto nisso?! – ele perguntou, com um suspiro pesado que não disfarçou em nada seu desespero, que parecia de fato prestes a se manifestar em lágrimas.
– Porque eu gosto de você! – o desespero é, enfim, correspondido quando ela quase grita, arrancando de um arregalar completamente chocado de olhos, pelo qual ela não o culpou, arregalando os dela também ao se dar conta do que dissera e tampando simultaneamente a boca.
No instante seguinte, eles eram só olhar, provavelmente, de fato, fazendo a troca de olhar mais intensa de suas vidas e perdendo o ar no percurso, ambos presos numa tempestade interna intensa demais enquanto seus corpos e mentes tentavam simultaneamente lidar com o que as palavras da garota fizera com ambos.
– Isso não pode ser verdade. – foram as, impensadas, palavras que saíram da boca de um instante depois. abriu a boca para retrucar, mas ele balançou a cabeça antes que ela fosse em frente, lhe freando. – , você não gosta de mim. Você só acha que gosta porque eu não sinto o que todo mundo sente por você, mas… – ele balançou a cabeça outra vez, com um único pensamento lhe guiando: Não havia nada nele para gostar. – Está errada. Não é possível que goste de mim, isso nem faz sentido, .
– O quê? – pareceu verdadeiramente confusa diante de suas palavras, mas ele sequer notou, se pondo de pé.
– Preciso ir. – resmungou, quase tropeçando no pé da mesa para sair do encaixe entre sua cadeira e o móvel.
, espera, eu…
– Não, está bem?! – o garoto interrompeu a amiga de maneira abrupta, quase desesperada. – Chega disso, dessa conversa e dessa loucura. Você não gosta de mim e eu preciso ir. – ele murmurou, urgente, antes de desfazer o aperto da mão dela em seu braço e dar as costas, saindo da biblioteca o mais rápido que suas pernas permitiam, deixando para trás uma confusa e um tanto assustada.

+++

Quando e tinham 15 anos.

– Não acredito que deixei você me convencer que isso seria divertido. – resmungava depois de dez minutos sentada na grama da casa de , que era seu vizinho e grande amigo.
– Você reclama demais, -yah! – riu, relaxado e ela rolou os olhos por isso, pegando um punhado de pipoca do balde que ele preparara para aquela noite. , de fato, não entendia o que poderiam tirar de bom daquilo: Sentar na grama para olhar o céu estrelado e esperar por algum fenômeno que, segundo , seria a coisa mais incrível que veriam na vida.
duvidava que houvesse algo que valesse deixar grama entrar em sua roupa e fazer sua pele coçar de maneira tão incomoda.
– Só acho que isso vai ser um saco. E já estou arrependida. – ela retrucou, por fim. não lhe levou a sério, lhe estendendo um par de binóculos e pegando um punhado de pipoca do balde em seguida. – Pipoca é pra ver filme, sabe? Não pra ver as estrelas, . – ela implicou e ele riu, empurrando sua cabeça de leve.
– Você sempre sai pra ver as estrelas com os caras, não enche.
– Bom, a gente não vê as estrelas de verdade… – a garota irrompeu numa gargalhada quando lhe jogou um pouco da pipoca que tinha em mãos, olhando feio para ela. – Eu posso te ensinar! Vai ser mais divertido que isso, aposto. – ela virou de lado na grama, ficando de frente para o amigo, que riu de maneira exagerada, tentando disfarçar o embaraço pela oferta.
Ainda que tivessem a mesma idade, era mais experiente que ele, que podia contar nos dedos de uma mão com quantas garotas já havia estado e, ainda assim, nunca nem chegara a ir muito longe com nenhuma delas. também não, mas ele achava que sim, ainda que evitasse pensar sobre aquilo, sobre a ideia dela com outros caras. O pensamento, afinal, sempre fazia um monstrinho verde crescer dentro dele e esmurrar toda parte que conseguia alcançar em seu interior, lhe amaldiçoando por ser tão estúpido e não fazer as coisas direito com , o que era péssimo porque ele ainda estava naquela fase de fingir para si mesmo que não sentia nada por ela.
– Para de ser chata. – , por fim, murmurou, posicionando os binóculos nos olhos e fazendo rir antes de imitá-lo, olhando para o céu com um sorriso arteiro no rosto, ainda pensando na proposta que fizera, sem pensar, a .
Até que não seria mal, afinal…
Os dois ficaram em silencio por alguns minutos, observando o céu e escutando o barulho discreto do vento enquanto pegavam punhados de pipoca do balde e comiam, até que, em dado momento, seus dedos se encontraram no balde e desviou o olhar para ele, que fez o mesmo um instante depois, arrancando um novo sorriso arteiro dela.
– Repensando sobre as aulas? – ela provocou e ele rolou os olhos, lhe empurrando pelo ombro. Ela devolveu o gesto e, rindo, os dois começaram uma guerrinha com as pipocas, só para, no final de tudo, uma coisa nova acontecer. Não planejada, mas no minimo interessante.
Em meio às brincadeiras, terminou por cima de , rindo junto com ela enquanto lhe fazia cócegas, ficando fascinado pela beleza dela enquanto ela se revirava embaixo dele, rindo e lhe estapeando para que ele parasse.
Até que gritou, apontando para o céu e empurrando o garoto de cima dela.
– Olha, rápido! – ela berrou e virou, assustado, para olhar para o céu, arregalando, surpreso, os olhos ao ver uma estrela cadente cruzar o véu estrelado que cobria a imensidão acima de suas cabeças naquela noite. – É uma estrela cadente, ! Faz um pedido!
– Na verdade, não é estrela cadente, não. Estrelas cadentes costumam ser um pedaço de meteoro. Está passando pela superfície terrestre agora e vai cair e se perder em algum ponto do universo…
, cala a boca! – lhe interrompeu e ele riu, olhando culpado para baixo. – Só faz um pedido antes que ela suma! Prometo que vai se realizar! E daí você vai ter que aceitar que é sim uma estrela cadente!
– Tudo bem, tudo bem. – ele riu, voltando a encarar o céu, vendo a estrela cadente parecer, de fato, cair, sumindo de suas vistas.
“Desejo a ”, foi no que ele conseguiu pensar, surpreendendo a si mesmo antes de virar para encarar a garota ao seu lado, que sorria lhe observando.
– Pediu? – quis saber e ele só assentiu, olhando para ela com a mais pura admiração e, sem duvidas, o mais intenso dos amores. Porque agora ele sabia.
Aquele impulso absurdo que fora o desejo, afinal, provara o que ele vinha fingindo não saber: Estava apaixonado por .

Dias atuais

Por algum motivo, enquanto encarava, entediado, o teto do próprio quarto, era daquele dia que lembrava. Talvez tivesse algo a ver com a declaração inesperada e completamente errada de .
Provavelmente tinha.
Aquilo não parecia entrar na cabeça de de um jeito que fizesse sentindo, não importava o que ele fizesse. Para ele, não tinha nenhum motivo ou lógica para aquelas palavras terem, de fato, saído da boca de ou mesmo chegado a se formar em algum lugar em sua mente e era naquilo que ele pensava quando Nahee, sua irmã mais velha, bateu suavemente na porta do quarto, colocando a cabeça para dentro.
– Posso entrar? – ela perguntou ao irmão ao notá-lo deitado na cama e, dando de ombros, ele permitiu. Nahee o fez, fechando a porta atrás de si e aproximando-se da cama onde ele estava deitado. – Você não parece bem, . – murmurou, sentando-se na ponta do móvel e recebendo um olhar impaciente do irmão. – Quer me contar o que houve? – ela quis saber, puxando delicadamente a cabeça dele para seu colo, passando a fazer cafuné em seus cabelos enquanto suspirava.
Não, ele não queria contar o que houve, mas conhecia o suficiente a irmã mais velha para saber que ela não iria lhe deixar em paz até que ele o fizesse, portanto decidiu acabar de uma vez com aquilo e falar o que estava lhe incomodando. contou para Nahee toda a conversa que tivera com na biblioteca há alguns dias, recebendo um suspiro pesado da mais velha quando acabou.
– Sabe, quando você era mais novo, com, sei lá, oito ou nove anos, todos os seus amigos estavam naquela fase de se vestir como super herói, sabe? Todos queriam ser o Batman, o Super Homem, ou qualquer outro… – Nahee começou a contar, arrancando de um olhar minimamente curioso enquanto ele esperava pelo resto da história. – Todos, exceto você. Lembro que, no Halloween, fomos comprar fantasias e você não queria nenhuma de super herói que lhe mostrávamos. Então, mamãe te perguntou se você não gostava de nenhum super herói. Você disse que sim, de todos. – ela falou, parecendo reviver a memória, com o olhar distante e até um pouco dolorido. – Perguntei qual era o problema, então, e você disse que não queria se vestir como eles porque não achava que havia nada de super em você. E que nunca seria escolhido para ter super poderes, em qualquer universo.
– Bom, ainda é verdade. – foi o que saiu da boca de ao ouvir, embora a risada desgostosa que o garoto soltou denunciasse que a lembrança doía nele também. Ele não se lembrava daquele dia, de nada sobre aquele Halloween, mas se lembrava de nunca ter tido nenhuma fantasia de super herói, por escolha própria. Ouvir na voz dolorida de sua irmã, no entanto, lhe fez sentir um pouco mal pela criança sem nenhuma auto-estima que fora.
– Nunca foi verdade, . – Nahee retrucou, acariciando seu rosto. – Você é, e sempre foi, incrível. Eu não sei por que tem tanta dificuldade em ver isso, mas eu não tenho. E também não. É você e só você que está sabotando a sua felicidade aqui, será que não vê? – a irmã lhe encarou cansada. – Não tem nada de absurdo em gostar de você. Não é errado e não é uma questão de ego, mas sim de ela ver quem você é. E eu acredito, de verdade, que ela veja. Que depois de ter passado tantos anos em sua companhia, sendo uma das poucas pessoas com quem você se sentia a vontade para ser você mesmo, ela tenha visto quão incrível você é.
– Nahee…
– Não, não me venha com Nahee. – a mais velha lhe interrompeu quando ele tentou lhe cortar. Simplesmente não acreditava naquilo e ela podia ver aquilo em seus olhos. Doía nela, inclusive, ver. Seu irmãozinho merecia mais. Inclusive um pouco de confiança, caramba. – Você vai pensar direitinho sobre o que estou te falando, vai me prometer que vai e então vai falar com . Resolver essa situação.
– Nahee, pode ter qualquer um. – resmungou, tentando fazê-la ver quão louco aquilo parecia enquanto, exaltado, se sentava, ficando de frente para a irmã. – Por que logo eu?
– E por que não você, ? – Nahee devolveu a pergunta, lhe desafiando a dizer o que havia de tão errado assim com ele para que não fosse uma boa escolha.
O garoto riu, sem humor.
– Nahee, ela é especial. Ela é especial pra caralho e eu sou um esquisito. – ele murmurou, tentando fazê-la ver o que ele via. – Não vê como parece incomum e errado?
– Vocês dois são pessoas, . Ela não é melhor que você e nem você é melhor do que ela, e vocês são melhores amigos, passaram a vida toda juntos e mesmo que ela tenha feito vários outros amigos, sempre esteve aqui por você, não esteve? – ela retrucou e ele bufou, assentindo. Nahee quase sorriu diante da expressão de criança insatisfeita que tomou o rosto dele. – Pois bem, -ah. Dê um voto de confiança a ela e se permita ser feliz. Não se sabote tanto, hm?
Novamente, ele assentiu sem desfazer a expressão e dessa vez Nahee riu, segurando seu rosto entre as mãos e beijando sua testa.
– Amo você, -ah.
– Eu também amo você. – ele resmungou baixinho e ela sorriu, se pondo de pé.
– Vou fazer compras com a mamãe. Quer que eu traga algo pra você? Uma camisa de super herói, quem sabe? – arqueou as sobrancelhas para ele ao se aproximar da porta e o garoto riu, erguendo o olhar para ela.
– Você é ridícula.
– Vou considerar isso um sim. – ela piscou, dando as costas e fechando a porta atrás de si antes que ele respondesse.
bufou e jogou o corpo para trás na cama novamente assim que ela o fez, ouvindo novamente as palavras da irmã em sua cabeça.
“Ela sempre esteve aqui por você, não esteve?”
E, bem… Ela sempre esteve mesmo.

+++

Nahee fora passar o fim de semana com a família e perdera a paciência com quando, depois de sua conversa, ele não fizera nada, decidindo agir ela mesmo em nome da felicidade do irmão.
, é claro, queria matá-la por isso.
Tudo começou quando seus pais inventaram de sair para jantar e dançar com os vizinhos do lado, os pais de . Eles iam aproveitar a presença de Nahee em casa e pedir que ela ajudasse a cuidar dos gêmeos naquela noite, já que sabiam muito bem o tipo de filhos que tinham e como, de jeito nenhum, dava conta deles sozinho. Aquilo já tinha sido provado por vezes demais
Nahee, no entanto, explicou que tinha planos para a noite e sugeriu que chamassem para ajudar, já que ela era amiga de e, além disso, os gêmeos gostavam dela também. achou péssimo, quis intervir, mas não conseguiu pensar num argumento que fosse funcionar contra a cara ridiculamente lavada que Nahee sustentava e acabou apenas por assistir enquanto ela lhe montava uma armadilha mortal, envolvendo , sua casa sem nenhum adulto responsável e os gêmeos, aquelas duas pestinha que pareciam existir para azucrinar .
O desastre que ele imaginou, no entanto, pareceu ter sido evitado quando os quatro se sentaram para ver um filme na sala de TV e o silencio reinou entre eles. Não só o filme podia se ouvir alto e claro por todos os cantos do andar inferior da casa, como também o som do vento e de cada eletrodoméstico ligado enquanto viam o filme.
Pouco tempo depois, os gêmeos pegaram no sono e ajudou a colocá-los na cama, ainda que não estivessem se falando, situação para a qual ela perdeu a paciência assim que saíram do quarto que as duas crianças dividiam, puxando o amigo consigo para o quarto dele.
– Esquece o que eu disse. – ela murmurou, fechando a porta depois que ele passou por ela. estreitou, confuso, os olhos, porém antes que pudesse abrir a boca para perguntar o que quer que fosse, ela já estava falando outra vez. – , se as coisas vão ficar estranhas assim entre a gente, eu não gosto de você, tá bem? Esquece que eu disse que gostava. Vamos deixar isso pra trás. – ela praticamente implorou e ele riu, sem humor.
– Não é assim que funciona.
– Você nem acreditou quando eu falei, ! – ela retrucou, impaciente. – Não vai ser tão difícil assim pra você esquecer, vai?
não respondeu, observando o modo como ela trocava o peso do corpo de um pé para o outro, parecendo emanar nervosismo enquanto, simultaneamente, mordia o lábio. Ela nunca emanava nervosismo, não até colocar na cabeça que gostava dele. Até aquela conversa maluca que tiveram na biblioteca.
Céus, aquilo era loucura, não era?
não podia simplesmente gostar dele, podia? Eles eram amigos a tanto tempo e ela sempre pareceu tão, mais tão inalcançável, tão melhor que ele, que tudo que ele conhecia…
– Por favor, . – ela pediu novamente, quase chorando em suplico. – Eu não entendo porque não acredita em mim, mas se não acredita, se saber disso vai deixar as coisas assim entre nós, então…
– Como você pode não entender? – ele lhe interrompeu, fazendo com que estreitasse os olhos, parecendo levar um instante para entender a pergunta. continuou antes que ela tentasse responder. – , é só olhar pra você! É só olhar pra você e depois olhar pra mim. – ele começou com a voz firme, alta e segura, mas no final soou triste. Soou triste porque queria, apesar do modo como vinha agindo, queria mais do que tudo acreditar quando ela dizia que gostava dele. Queria não achar que aquilo não podia ser mais absurdo, mas… Era tudo que ele conseguia pensar.
. – chamou, a voz soando como se só então a ficha caísse para ela. Num reflexo, ele ergueu o olhar para a garota, que sorria sem reservas, de modo tão repentinamente feliz que pareceu, no minimo, fora de contexto com a discussão que tinham ali. – É por isso que não consegue acreditar em mim? – ela perguntou, aproximando-se do amigo de modo a segurar as duas mãos dele nas suas. – Acha que eu não posso gostar de você por que não acha que é bom o suficiente, não é? – ela parecia certa do que dizia e soube ao ouvir que discutir era inútil, baixando o olhar.
sorriu mais por isso, mesmo que na verdade fosse triste quão destruída estava a auto-estima dele, levando o garoto a realmente pensar uma coisa daquelas, tão absurda aos olhos de . Ainda assim, sorrir fora a única maneira como ela conseguiu reagir.
Porque, no fim das contas, podiam resolver aquilo. Ela não precisaria insistir para que ele esquecesse que ela gostava dele, ela gostar dele não tinha que ser um problema… Caramba, aquilo queria dizer que ele gostava dela também.
– Olha pra mim, -ah. – ela pediu, com delicadeza e, engolindo em seco, ele ergueu o olhar para ela. – Eu gosto de você. Do exato jeitinho que você é. – murmurou, levando uma das mãos para seu rosto e usando o polegar para acariciar sua bochecha, sorrindo para ele. – Consegue acreditar em mim?
– Eu não vejo por que. – ele respondeu, sincero. – Não tem nada em mim pra você gostar, -yah…
. – ela riu, como se achasse aquilo o maior absurdo que ele era capaz de reproduzir. – Você é a minha definição de amor. De todo e qualquer sentimento bom. Você merece o amor, é naturalmente o tipo de pessoa que atrai isso. Que atrai tudo de bom que a vida puder oferecer para alguém. Se um de nós dois tem que ficar em duvida quanto à reciprocidade do sentimento que digo ter por você, esse alguém sou eu. Porque você é quem é infinitamente melhor que eu, quem é a melhor pessoa que eu conheço. A melhor pessoa de todo esse mundo.
– Não seja louca. – ele reclamou, rindo envergonhado e ela riu também antes de segurar em sua nuca e puxar seu rosto para si, finalmente moldando seus lábios.
segurou por reflexo em sua cintura, sentindo o funcionamento de todo seu corpo corresponder ao dela, parecendo entrar em sincronia com a garota antes mesmo que suas línguas entrassem em contato e ele, finalmente, puxasse a garota para mais perto.
– Acredita em mim agora? – ela perguntou, rompendo o beijo rapidamente para lhe encarar e riu.
– Acho que você está louca. – murmurou com simplicidade. – Mas não vou reclamar mais.
– Já é alguma coisa. – ela riu também, voltando a beijar enquanto prometia a si mesma que lhe faria ver o que ela via nele. Que mostraria a quão incrível ele era.

FIM

 

NOTA DA AUTORA:
Oie!
Essa história surgiu, primeiro, como algo completamente diferente, mas acabou ganhando tanta vida sozinha e fora dos planos iniciais que não seria certo não dar a ela um espaço só dela, então fiz o que tinha que fazer HAHAHAHA
Eu gosto MUITO dela, de verdade e espero que tenham gostado pelo menos um pouco também! Por favor, comentem, tá?
Beijão!!!!!!!!!!