Heavens Feel

Sinopse: “Subiam as escadas na ponta dos pés e de mãos dadas. Não estavam mais cansados e agora Abra estava se sentindo mais valente do que nunca, sabendo que seu coração sempre estaria protegido e que ele exalaria a ela para sempre a sensação do paraíso.”
Gênero: Romance, Fantasia e Aventura
Classificação: livre
Restrição: Essa fanfic é um Spin Off de Chosen Blood. Apenas a pp é interativa e não há personagem principal.
Beta: Sharpay Evans

Ao chegar à mansão, Severo Snape carregava uma maleta de cor marrom amendoado e, como de costume, vestia preto. Mas, diferentemente da forma rigorosa usual de agir, naquele dia ele estava agindo de uma forma mais tranquila, afinal, finalmente havia chego a época do ano a qual ele particularmente mais apreciava. Em geral, durante as férias de seu trabalho como professor, a garotinha passava os dias junto ao pai em Cokeworth e naquele ano, não seria diferente.
E por esse motivo que Snape subia os poucos degraus que davam acesso direto à porta de entrada dos Malfoy, a fim de buscar a pequena garotinha que não via há meses.
Duas batidas foram o suficiente para que Narcisa Malfoy atendesse a porta, já que seu elfo doméstico estava ocupado com alguma tarefa junto a Lúcio Malfoy.
— Chegou cedo, Severo. – Narcisa foi a primeira a falar, casualmente, dando espaço para a passagem do bruxo, que a cumprimentou com um aceno de cabeça.
— Lúcio comentou que vocês teriam um evento importante com o ministro e perguntou sobre minha disponibilidade de vir mais cedo e ficar com as crianças.
Snape disse, enquanto caminhavam juntos ao hall de entrada e Narcisa lembrou-se sobre a conversa que havia tido com o marido mais cedo, concordando com a cabeça ao convidado.
— Fico feliz que tenha conseguido. Sendo assim, se não se importa, iria subir para me arrumar. – Disse, cordialmente, e Snape concordou com a cabeça. — Lúcio deu uma saída junto ao elfo. Mas você pode ficar à vontade, as crianças estão no quintal de trás, brincando como o de costume, como sabe.
— Obrigado, Narcisa, não se preocupe, irei até elas. – Severo deixou a maleta encostada sobre o pé da escada enquanto a Malfoy mais velha subia para seu aposento.
Como Snape já conhecia a casa das inúmeras outras vezes que estivera ali para buscar a filha, sabia exatamente como chegar à parte de trás dela onde as duas crianças se encontravam, e, ao chegar à porta aberta que dava acesso para o lado de fora, escorou-se sobre ela e parou para observar Eileen Malfoy brincar com o primo.
Snape observou as duas crianças correndo uma atrás de si, provavelmente em uma brincadeira de pega-pega. Ainda não haviam notado sua presença, dessa forma e Draco iniciaram uma corrida em direção aos arbustos que havia espalhados pelo lugar, eram bem parecidos com os que havia nos dois quintais da frente e, então, , assim que pôde, se escondeu do primo em um deles.
Tão esperta. Severo pensou e sorriu.
— Abadu, não tem graça. – Era o que Draco resmungava a procura da prima, enquanto prendia o riso.
Então, em meio à sua fuga para trás de outro arbusto, quando o primo se aproximava, foi que o viu.
— PAPAI. – A menina gritou animada, e Draco pulou para trás, assustado por ser pego de surpresa pela prima, que corria em direção aos braços do pai.
Severo abraçou a garota com firmeza e a soltou apenas quando ouviu o outro garotinho reclamar que estavam estragando a brincadeira. deu a língua e rapidamente voltou a correr em direção a Draco.

ϟϟϟ

Quando a noite pairou sobre a mansão e as estrelas puderam ser vistas, as duas crianças já estavam cansadas o suficiente para que logo depois de um banho, aconchegarem-se em suas camas. Como ainda eram pequenos e os pais reconheciam o apego que um tinha pelo outro, dividiam o mesmo quarto e, portanto, não era de se surpreender que os primos – que nessa época podiam facilmente ser considerados como irmãos – durante noites de tempestades, aterrorizavam-se com trovões e, por isso, juntavam as duas camas para passarem a noite lado a lado, conversando em sussurros durante horas para que o medo passasse, e quando enfim dormiam, com frequência tinham os mesmos sonhos. As crianças, afinal, eram primas e passavam tempos juntos mais que qualquer outros naquela casa.
Contudo, naquela noite foi diferente. Logo que Draco chegou ao quarto e deitou-se, não tardou para pegar no sono, mas permanecia inquieta sobre sua cama, na esperança de ainda ver seu pai antes de dormir.
— Ainda não dormiu? – Snape, como se houvesse lido os pensamentos da garota, adentrou ao quarto dos dois bruxinhos.
— Só depois que você me contar uma estória. – falou de forma manhosa e sentou-se sobre a cama, coçando os olhos como um sinal que, apesar da inquietação, indicava que o sono estava chegando.
— Garotinha muito esperta! – Snape sorriu e sentou-se na ponta da cama. — O que quer ouvir?
pensou por alguns minutos, mesmo que não fosse necessário, já que o que queria ouvir estava na ponta de sua língua.
— Como mamãe e papai se conheceram. – Pediu empolgada, e Snape encostou a cabeça sobre a parede sorrindo, pois sabia exatamente que sua filha pediria isso. A menininha que estava cada vez mais parecida com sua mãe, durante todo tempo que ela ia crescendo era essa a história a qual mais pedia para ouvir, não importava quantas vezes ele já havia contado.
Era nítido que havia herdado muito traços de seus pais, como os cabelos perpetuamente brancos de sua mãe e os olhos extremamente pretos de seu pai, porém, esses não eram frios e vazios como os dele, na verdade, os de exalavam um total calor.
Mas a característica mais evidente da menina era a que compartilhava de ambos os pais: a sua curiosidade. Snape tinha certeza que a pequena se tornaria uma bruxa inteligente e talentosa, pois, desde o início, era o tipo de pessoa que tomava iniciativa em tudo que fazia.
Foi então que Snape, assim que a garota se aconchegou novamente em sua cama, contou a história ao qual sabia que tanto ele quanto ela sabiam de cor. Não demorou muito para os olhinhos pequeninos da menina logo se fecharem assim que Snape estava terminando de contar. Severo, então, se levantou cautelosamente, cobrindo a filha melhor e quando estava prestes a sair do quarto, a voz fina falou:
— Papai? – Ela estava sonolenta.
— Hum? – Disse, sussurrando ainda de costas.
— Dói muito perder quem você ama? – A pergunta, a princípio, soou confusa para Snape e então entendeu que a filha perguntara sobre sua mãe. Foi aí que Snape sentiu uma certa pontada em seu coração, lembrando da primeira vez que sentiu uma dor tão forte quanto nunca pensou que sentiria na vida. A dor da perda de quem ele amou.
— Dói sim, querida. Dói na alma e é o tipo de dor que nunca passa, apenas ameniza, mas que sempre será lembrada. – Snape respondeu, virando-se e concordou com a cabeça, como se houvesse entendido e deitou novamente, dessa vez para dormir. Mal sabia a garotinha que Snape não falava de sua mãe e sim do único alguém ao qual, por mais que não fosse correspondido, ele amou de verdade.

ϟϟϟ

Draco escutou a movimentação em seu quarto e quando abriu os olhos, viu a prima fechar a porta delicadamente enquanto saia dele. A inquietação tomou conta do menininho e, então após vestir as pantufas que estavam à beirada de sua cama, resolveu seguir a garotinha, não demorando muito para encontrá-la caminhando sorrateiramente pela mansão.
Decidiu que não deixaria que ela o visse, por isso andava passo por passo com cautela, até que viu a prima, ainda no andar de cima, chegar a uma das salas de estar e abrir a porta que dava acesso à pequena estufa com sacada da Mansão. Não sabia qual tinha sido o momento e nem onde a ela havia conseguido o que segurava em mãos, porém sua curiosidade falava mais alto e por isso foi até ela.
— O que é isso? – Ele questionou, levando a mão ao pote de argila que puxou, fazendo cara feia.
— Uma coisa e fui eu que achei. – Ela mostrou a língua para o primo.
— Me deixe ver. – novamente, Draco tentou pegar e o repeliu.
— Não, você vai estragar. – Resmungou, e Draco franziu o cenho.
— Não vou, não.
— Vai sim!
— Não vou. Mas também não quero mais essa coisa aí. – Draco resmungou, cruzando os braços e viu a prima dar de ombros enquanto apanhava algumas pétalas de rosa branca e colocava-as dentro do potinho. — “…Ele assobiará meu som favorito. E ouvirá meu chamado à distância…”
— O que você está fazendo? – Draco questionou, curioso, enquanto seguia a prima que caçava mais e mais pétalas.
— Xiu, está atrapalhando. – Resmungou, mas Draco permaneceu insistente. Então parou em frente ao primo e rolou os olhos. — Ok, se você quer mesmo saber, estou invocando um feitiço de amor verdadeiro. Ele se chama Amas Veritas e li em um grimório antigo que achei na biblioteca de papai. – deu ombros e continuou a pegar mais pétalas de outras flores da estufa. — “Será maravilhosamente corajoso. Saberá montar em uma vassoura de primeira e com perfeição. E transformar luzes em um cervo…”
— Pensei que você nunca quisesse se apaixonar – Draco tornou a interromper, quando chegaram próximo à sacada.
— Essa é a questão. Estou escolhendo características muito específicas, então o homem dos meus sonhos nunca irá existir, e se ele não existe, nunca morrerei de amor. – Rolou os olhos enquanto Draco percebia a luz do luar refletir diretamente na prima, que agora havia parado de pegar pétalas e segurava o pote em direção à lua que estava cheia naquele dia. — “Sua forma preferida será um raio… E ele terá um olho verde… e o outro avelã.”
Ao final da frase, assoprou as pétalas do pote em direção à lua.
— Como fez isso? – Draco perguntou, perplexo, vendo que as pétalas, que antes estavam no pote, agora flutuavam em direção à luz incandescente da lua.
— Já lhe disse. É um feitiço e isso é magia – sorriu.
— Isso nunca funcionará – Draco provocou, mesmo que no fundo sentisse que talvez aquilo um dia realmente acontecesse e, por alguns minutos, permaneceu ao lado da prima observando aos poucos as pétalas sumirem de suas vistas.
Subiam as escadas na ponta dos pés e de mãos dadas, não estavam mais cansados e agora estava se sentindo mais valente que nunca, sabendo que seu coração sempre estaria protegido e que ele exalaria a ela para sempre a sensação do paraíso. Quando chegaram novamente ao seu quarto, Draco e entrelaçaram os dedos mindinhos e prometeram solenemente nunca contar sobre aquilo a ninguém, e eles guardavam bem os segredos um do outro.

Fim

N/A: Espero de coração que vocês tenham gostado de ler um pouquinho sobre a pequena Abra. Essa oneshot foi baseada em um livro/ filme que eu gosto muito, por isso há trechos e falas que estão presentes nele!
Inclusive, o feitiço que a Abra fez é quase o mesmo que há no filme. Foi feito apenas algumas modificações para se adequar com o enredo da fic!
Caso tenham interesse, o livro/filme se chama “Da magia a Sedução” e eu SIMPLESMENTE amo ele, pois além de ser voltado para o mundo bruxo também, relembra minha infância!
Me deixem saber o que acharam, estou curiosa. Vejo vocês em breve e Malfeito, feito.