Sacrifício

Sinopse: Matar Alvo Dumbledore não devia ser difícil, afinal de contas.
Não para Victoria. A morte do professor e diretor de Hogwarts era somente outra tarefa confiada a ela, mais uma da sua lista de coisas a cumprir.
Não que a morte em si não fosse difícil. Era uma dor pra alguém, sempre era. Vic mesmo a conhecia de perto, vivera a dor na perda de sua mãe.
Mas a morte não é um fim. É um estágio. Nada termina, realmente. Da morte, sempre há um recomeço. Seja da esperança, da mudança. Ou somente da libertação da mente.
Gênero: Drama
Classificação: Livre
Restrição: Somente você é interativa.
Betas: Rosie Dunne

Sacrifício

Matar Alvo Dumbledore não devia ser difícil, afinal de contas.
Não para . A morte do professor e diretor de Hogwarts era somente outra tarefa confiada a ela, mais uma da sua lista de coisas a cumprir.
Não que a morte em si não fosse difícil. Era uma dor para alguém, sempre era. mesmo a conhecia de perto, vivera a dor na perda de sua mãe.
Mas a morte não é um fim. É um estágio. Nada termina, realmente. Da morte, sempre há um recomeço. Seja da esperança, da mudança. Ou somente da libertação da mente.

AGORA

– Você.
O professor apoiou-se pesadamente sobre um dos suportes da elegante estátua sobre astronomia que ocupava o centro da sala. Ela lhe sorriu, fazendo-lhe uma reverência curta, a varinha em riste.
– Eu.
– Achei que seria Draco. – Alvo Dumbledore entortou a cabeça de lado levemente, falando sem hesitar.
– Draco foi escalado. Mas não era essa a intenção do meu mestre.
– Ele queria torturá-lo. – adivinhou o professor. – Por conta de Lucius.
– Sim. E aquele vexame que fez o mestre passar no Ministério da Magia ano passado. – respondeu a jovem, simples. Alvo meneou com a cabeça uma vez.
– O garoto irá sofrer? – questionou. deu de ombros, demonstrando o quanto se importava com a integridade de Malfoy.

ANTES

– O que houve, Draco? Caiu da vassoura outra vez? – a menina debochou, encostando-se na cabeceira da cama do rapaz. Draco franziu o cenho, indiferente para a provocação.
– O que faz aqui, Snape? – questionou. A menina deu de ombros.
– Nossos pais estão numa conversa muito civilizada no andar debaixo. Não é para ouvidos infantis, segundo Lucius. Ele sabe que temos 16 anos e sabemos fazer magia, certo?
Draco não respondeu, preferindo ignorar a garota. Revirando os olhos para a chateação do rapaz, se jogou sobre a cama dele, permanecendo deitada de barriga para cima perto do fim do colchão, olhando para o teto.
Conhecia aquela casa como a palma de sua mão. Cansou de passar parte das férias na casa dos Malfoy, dividindo brincadeiras e brigas com Draco, desde crianças. Mesmo com a vida dividida entre a Inglaterra e a Bulgária, sentia que aqueles momentos e também aqueles que passava na casa estreita na Rua da Fiação eram mais parecidos com um lar do que qualquer outro em que já estivera.
– É a marca que tanto dói? – quis saber, sem olhá-lo. O rapaz bufou e ela revirou os olhos, sentando-se. – Vai me responder? Odeio me repetir.
– Já te falei que você é extremamente insuportável? – ele questionou, mas sua voz estava monótona e cansada. Ela levantou a sobrancelha.
– Draco. – chamou. O jovem Malfoy suspirou.
– É, é a marca que está doendo.
– É porque é recente. – comentou ela, puxando a manga do próprio suéter. Sua marca negra dançava sobre a pele, escura como o céu naquele momento. Baixou novamente a blusa e encarou o jovem. – Mas não é só isso que te incomoda, é?
– Ele vai me matar. – afirmou categórico. Mesmo assim, a voz tremeu ao fim da frase.
– Talvez. Pode ser que escolha seu pai. Afinal o fiasco foi dele. – a menina respondeu indiferente, voltando a se deitar.

AGORA

– Seu pai sabe? – Alvo perguntou, os cabelos brancos que estavam soltos nas costas sacudindo com o vento. No alto da Torre da Astronomia era impossível não ser atingido pelos ventos rápidos e gelados que antecediam o verão.
– Sobre Draco? – enrolou a jovem, dando de ombros – Sabe.
– E sobre você? – os olhos claros do homem estavam fixos na garota – Duvido que Severo Snape tenha conhecimento da sua presença aqui.
– Você pode duvidar o quanto quiser. Severo Snape nunca foi seu servo, professor. – respondeu, debochada. O homem negou com a cabeça.
– Ele fez o que fez sob minhas ordens. – disse.
– Ah, é? Ele deixou de impedir Dolores Umbridge por suas ordens? Ele tornou-se professor de DCAT para ensinar o que o Lorde das Trevas queria por suas ordens? – Snape riu, jogando a cabeça pra trás ligeiramente – Achei que você fosse um grande bruxo, diretor.
– Grande bruxo, você diz. Como seu mestre?
– Meu mestre é o maior bruxo de todos os tempos. – respondeu ela, de imediato. Alvo Dumbledore assentiu uma vez, virando seus olhos para baixo brevemente.
– E mesmo assim mandou uma adolescente fazer algo terrível.

ANTES

– Voto Perpétuo! – a garota brandiu a varinha em direção ao pai, mas o reflexo rápido de Severo Snape o fez murmurar Expelliarmus antes mesmo que ela completasse o movimento das mãos.
Sua varinha de olmo com interior de pena do rabo de uma fênix, de repente, estava segura entre os dedos do homem, que encarou a jovem com irritação.
– Nunca mais se atreva a levantar essa varinha na minha direção.
– Você fez um Voto Perpétuo! Onde estava com a cabeça? – questionou em tom alto. Estava indignada com a bobagem que o pai cometera.
– Já repeti milhares de vezes que você não deve ficar ouvindo a conversa alheia, . Se eu fechei a porta era porque não queria ser incomodado, ou ouvido. – respondeu ele, caminhando para dentro do quarto da filha até à cama, sentando-se na beirada. – Venha, sente aqui.
– Não quero me sentar.
.
A jovem revirou os olhos e voltou à cama, sentando-se ao lado do pai.
– Não consigo entender. Por que fez isso? Por que arriscar a própria vida?
– Você mesma não a arriscou, filha? – o homem questionou, colocando a mão de leve sobre o braço da mais nova. – Você é a que mais tem a perder, e arriscou tudo. Por quê?
– Pai, são situações completamente diferentes. – ela resmungou, deitando a cabeça no ombro do homem – Você simplesmente nem cogitou negar. Bellatrix é uma bruxa…
– Não a subestime. Filha, nunca a subestime. – alertou ele, inclinando-se para olhar seus olhos. Os dois dividiam aquele olhar, o lago negro que tornava impossível diferenciar a íris da pupila. Somente os cabelos que a menina herdara da mãe – longos e sedosos fios castanhos, quase louros. A jovem apenas o encarou, voltando em seguida a se apoiar no pai. – Bellatrix teria conseguido seu intento, de uma forma ou outra. Fazer o Voto Perpétuo apenas encurtou as coisas.
– Mas, pai…
, confie em mim. Minha vida não correrá mais risco do que a sua corre nesse exato momento. Agora me responda: por que aceitou a marca de bom grado?
– Não é como se pudéssemos dizer não a Vol- ao Lorde das Trevas. – corrigiu-se rapidamente. Suspirou. Não sabia ao certo se contava ou não toda a história. – E ele deixou-me entender que caso não o fizesse, você poderia estar em perigo.
– O Lorde das Trevas lhe persuadiu me usando como isca? – Snape bufou silenciosamente. Colocou um braço nas costas da filha e a abraçou firmemente, suspirando.
– Preciso que se cuide. Se ele lhe persuadiu, é provável que tenha alguma coisa em mente. Deve chamá-la para alguma tarefa em breve.
não respondeu. Não poderia, mesmo que quisesse. Voldemort já havia escalado a garota para uma tarefa. Talvez uma das mais importantes, tirando a tarefa de derrotar Harry Potter, sentia-se extremamente satisfeita em servir ao mestre. Afinal de contas, tudo o que lhe importava, além de seus ideais, era seu pai, e contanto que fizesse tudo corretamente, ele permaneceria vivo.
Com o que ela não contava era que Narcisa descumprisse a ordem direta do Lorde e resolvesse contar a alguém sobre a missão. Mesmo que Snape já soubesse do que se tratava, ela havia cometido traição contra o mestre, e se o nome de seu pai não estivesse envolvido, não hesitaria um segundo antes de contar o que sabia para Voldemort. Agora, com seu pai preso magicamente a um Voto Perpétuo… As coisas complicavam ainda mais.

AGORA

– Eu me lembro de quando você chegou aqui. – Dumbledore comentou, movendo as mãos lateralmente ao corpo. Num reflexo rápido, aprendido nos diversos exercícios que Severo lhe aplicava durante as férias, moveu a varinha rapidamente no curso correto para completar o feitiço.
Expelliarmus!
A varinha nodosa saltou da mão do homem no instante que esticava a mão livre para o alto, alcançando a peça no ar. Apertou a varinha do diretor, e a guardou no bolso traseiro dos jeans, baixando a sua em seguida.
– Sem movimentos bruscos, diretor. Eu ainda estou sob o jugo da missão.
– Desculpe. – o homem murmurou, levantando as mãos vazias lentamente ao lado do corpo. – Como eu dizia, me lembro claramente do seu primeiro dia.
– Ser nostálgico não lhe ganhará tempo, diretor.
– Não estou querendo ganhar tempo, jovem Snape. Estou apenas recordando. Você devia passar frio em Durmstrang, porque chegou aqui encapotada de roupas.
A jovem deu de ombros, indiferente. O homem não tinha mais sua varinha, então era questão de tempo até que ela completasse a tarefa.
– Meu pai tentou avisar. Mas eu simplesmente não acreditei nele.
– Você nunca acreditou em ninguém, que não em você mesma. – Dumbledore sorriu, olhando para a noite escura depois das ameias.
– Não é do meu feitio. – concordou.
– Até mesmo quando bateu o pé em minha sala, avisando seu pai que não usaria o nome dele, e sim o de sua mãe.
– Selwyn por aqui é comum. Snape chamaria muita atenção, o que eu não gostaria de ter.
– Sim. Agora eu vejo. – ele assentiu, se movimentando com cuidado pelo espaço entre a escultura e a abertura das ameias. – Você já trabalhava para seu mestre àquela época.
– Desde que coloquei meus pés neste castelo. – a jovem bruxa cobriu a marca em seu braço com a mão, mesmo que ela estivesse por baixo do blusão da Sonserina que usava.
– Mas sua missão não era clara na época. – o professor palpitou corretamente. se limitou a assentir – Ah sim. Voldemort só resolveu agir porque Fudge não poderia mais ajudá-lo indiretamente. Antes, ele e seus seguidores tinham quase liberdade completa, já que Fudge estava embotado pelo medo e cego para as coisas mais simples. Agora… – o homem continuou mexendo os lábios, mas não havia mais som.
– Agora ele decidiu agir, e confiou a mim abrir as portas para seus próximo passos. – terminou por ele. Dumbledore levantou os olhos e encarou a menina.
– É nisso que acredita? Que ele confiou em você dentre todos os outros para ser seu braço direito? – o homem negou com a cabeça, os olhos fixos – Não seja tola, criança. Ele tem planos ainda maiores pra você. E para seu pai.
– Se eu cumprir a missão, meu pai permanece vivo. – respondeu ela, de imediato. Alvo sacudiu a cabeça.
– Sim. Mas não sem um destino já traçado.
– Meu pai não vai morrer! – gritou a menina, inconformada.
– Não, não vai. Pelo menos não agora. Mas não seja ingênua. Voldemort não poupará a vida de Severo Snape pelo prazer de sua companhia.
As palavras do homem causaram arrepios na jovem, que voltou a erguer a varinha.
– Chegou sua hora. – falou, decidida. Alvo sacudiu a cabeça.
– Você se parece com sua mãe.
– Você não conheceu minha mãe. – rebateu, franzindo o cenho levemente. Dumbledore sorriu.
– Na verdade a conheci, sim. Sienna Selwyn, descendente de um dos primeiros comensais, era uma jovem carismática e alegre, bem diferente de seu pai devo dizer. Eles se conheceram por acaso, e quando soube já estavam casados. Sienna engravidou poucos meses depois e, pelo que soube, temia pela sua vida por conta das atitudes de seu mestre.
“Por isso ela se refugiou na Bulgária, junto de seus antepassados. Queria garantir que você tivesse um futuro, algo em que acreditar. Apesar de seus esforços e preparativos, você veio prematura, dias antes da notícia de que a família Potter havia sido assassinada e que o Lorde das Trevas desaparecera. Seu pai, como você já deve saber, sofreu muito e mesmo parecendo contraproducente, decidiu permanecer na Inglaterra e dar aulas em Hogwarts. Sua mãe nunca aceitou o fato devidamente, e aos poucos a depressão corroeu toda sua juventude e sua vida. Quantos anos você tinha quando ela tirou a própria vida?”
Selwyn Snape encarou o professor Dumbledore com ódio nos olhos. Estava claro que ele não tinha pena dela, ou até mesmo consideração. A mão que segurava a varinha em riste tremeu rapidamente, e a apertou para firmá-la outra vez. Não podia perder tempo, hesitar ou qualquer coisa parecida.
– Não ouse falar da minha mãe. Não ouse! – bramiu irritada, ao passo que Dumbledore meneou a cabeça.
– Desculpe se a ofendi. Não era minha intenção. – respondeu, voltando a se movimentar calmamente pelo espaço – O que queria dizer era que você teve uma infância complicada, transitando entre cá e lá. Porquê?
– Porque o quê? – perguntou, se repreendendo mentalmente em seguida ao demonstrar interesse no falatório do velho.
– Por que não voltou para Londres e Hogwarts quando ela partiu, preferindo iniciar os estudos em Durmstrang e passar as férias por aqui?
– Durmstrang era o que ela queria. Mamãe queria que eu tivesse treinamento ampliado em Artes das Trevas.
– Mas ela não queria esse futuro pra você. – falou Alvo, de repente, quase interrompendo-a, como se esperasse que ela dissesse exatamente aquilo. Sentiu-se conduzida, enquanto o homem passeava de um lado a outro. movimentou-se ao redor da escultura e parou de supetão, tendo captado um breve movimento na plataforma logo abaixo de onde estava. Esperou durante alguns segundos, mas ao não ver nada, voltou seus olhos para o professor, que a encarava.
– Não. – respondeu, sinceramente – Mamãe queria que eu tivesse um futuro longe disso.
– E mesmo assim a colocou em uma escola que lida com as Artes das Trevas mais amplamente.
– Para que eu soubesse o que esperar. – falou, irritada por soar como uma justificativa. Completou: – Mamãe me queria preparada.
– E todos os anos que permaneceu tendo aulas em Durmstrang a prepararam para o que Lorde das Trevas está disposto a fazer? – o professor questionou, tendo chegado ao objetivo de toda aquela falação. não respondeu. – Vou tomar isso como um não.
– Não coloque palavras em minha boca. – protestou. Ele virou-se para ela outra vez.
– Então me diga. Está preparara para lançar contra mim a Maldição da Morte? – questionou, estacando no meio do espaço, diretamente à frente da jovem, os braços semiabertos. – Se sim, fique à vontade.
Naquele instante, ouviram a porta ao pé da torre bater, e passos começaram a subir as longas escadas. Dumbledore voltou a baixar os braços.
– Há outros?
– Sim.
– Como?
– Draco consertou o Armário Sumidouro na Sala Precisa. A cópia está na Borgin & Burkes. – respondeu, voltando a firmar a varinha em riste.
– Quantos passaram?
– Quantos quisessem. – o velho assentiu com a cabeça, dando um passo para trás. A movimentação ficou mais alta, mas antes que chegasse mais perto ele voltou a questionar.
– Draco? – a jovem deu de ombros, pouco se importando com o paradeiro do rapaz – Pobre criança. – falou, antes que Bellatrix irrompesse pelas escadas, os cabelos cacheados revoltos e sujos sobre a cabeça. Logo atrás Fenrir Greyback e Amico Carrow.
– Ora, ora. – a bruxa observou ambos os presentes na sala antes de sorrir – Vejo que a pequenina está querendo mostrar serviço. – tão rápido quanto se abriu, o sorriso se fechou e a voz se tornou gelada – Não é sua tarefa, Snape.
Seu sobrenome soou como uma maldição na voz de Bella. , apesar da raiva que sentia da mulher pelo simples fato dela existir, sorriu.
– Você ousa achar que sabe de todos os planos de meu mestre, Bellatrix?
Os presentes notaram o olhar fulminante que Lestrange lançou na mais nova, mas sabia que era um erro atacá-la. Virou-se para Dumbledore.
– Finalmente conseguiu o fim que merece, Alvo. – falou, sua voz falsamente delicada. Dumbledore meneou novamente a cabeça.
– Temos conceitos bastante diferentes de merecimento, Madame Lestrange. Mas de fato concordamos de que é o fim. – seu olhar fixou-se sobre , que sentiu as palavras pesarem dentro de si.
– Onde está Draco? – perguntou, quebrando o contato visual com o diretor.
– Mandei que ajudasse os demais. Alguns comensais têm alvos específicos aqui dentro.
– Vão torturar crianças?
– Alguns deles não são mais crianças, Alvo. – Bella debochou, voltando-se para a mais nova. – Se é, então, sua missão, faça! Mate-o!
– Bellatrix. – a voz de seu pai, de repente, soou baixa e contida, mas pareceu ressoar em cada canto do topo da torre e em seus ossos. Todos os olhos se voltaram a ele, mas não se atreveu a virar-se. – Contenha-se.
– Você jurou, Severo. – ela lembrou-lhe. sentiu a espinha gelar e as mãos tremeram sem controle à vista de todos.
– Severo… – Dumbledore falou, num tom baixo e quase suplicante. O ar travou na garganta da jovem bruxa tanto pela imagem do professor, que de repente se mostrava cansado e exposto, quanto pela mão de seu pai, gelada, apertando seu braço logo abaixo do ombro. Discretamente ele puxou-a para o lado, tirando-a do caminho, ao mesmo tempo em que erguia a própria varinha minimamente. – Por favor.
Sem tempo para hesitar, ou para que qualquer outro presente fazer qualquer comentário, Severo Snape girou a varinha nos dedos e sussurrou. Se sua filha não estivesse exatamente ao seu lado, não teria lhe ouvido.
Avada Kedavra!
O corpo do diretor ficou mole ao ser lançado no ar. Os cabelos misturaram-se à barba quando sua cabeça ricocheteou, e em menos de um segundo ele voava para fora da Torre da Astronomia, desaparecendo após as ameias.
Sem perder tempo, nem mesmo para confirmar se ele caíra no pátio ou se ficara preso em alguma gavinha ou gárgula do castelo, Snape agarrou o braço da filha e a puxou em direção às escadas. Ao descer para o patamar debaixo, jurou ter visto uma sombra, mas seu pai continuou puxando-a para baixo, e ao pé da torre, para fora.
Atravessaram os cômodos do castelo sem correr, mas a passos rápidos e firmes. Qualquer um que se colocava em seu caminho era estuporado por ele próprio ou por outro comensal. Ao saírem para o gramado, Bellatrix gargalhou ao assistir o fogo tomar conta da Cabana do Hagrid, gritando em comemoração, ouvindo as respostas de outros sádicos.
No mesmo instante que de repente se lembrava de algo importante e passava a mão na parte traseira dos jeans à procura da varinha do diretor e não a encontrava, os gritos indignados de Harry Potter eram ouvidos por todo o lugar.
Seu pai a empurrou para que continuasse caminhando e parou ao virar-se. ignorou o comando silencioso e parou alguns passos depois, procurando em todos os bolsos atrás da varinha.
– Revide, seu covarde! Revide! – Potter gritou quando Snape combateu outro de seu feitiço. – Sectum-
– Não, Potter! – seu pai gritou, assustando-a brevemente. Encarou os dois. Harry estava caído após ter o feitiço outra vez combatido, e Snape caminhava até ele lentamente, uma mão na varinha e outra nas vestes negras. – Você ousa usar meu feitiço contra mim, Potter? Sim, eu sou o Príncipe Mestiço. – disse, lentamente. Então voltou a se levantar e correu os olhos pelo gramado até a filha.
Se afastando do jovem eleito, Snape se aproximou da menina e a agarrou novamente pelo braço, voltando a correr com ela pelo gramado em direção aos portões. Do lado de fora poderiam aparatar, e assim estariam livres.
, apesar de tudo, se lembraria em detalhes daquele momento quando tudo acabasse.
O pai mantinha um aperto firme em seu braço quando Harry o chamou de covarde outra vez. Soltando a filha, ele virou-se brevemente para lançar um feitiço que deteria o rapaz de segui-los pelo campo. , ainda correndo, ouviu quando o corpo do bruxo adolescente bateu no chão, e pode ouvir seu gemido quando o ar lhe escapou dos pulmões.
Foi a última coisa que ouvira ali. Já havia passado dos portões e estava virando-se para procurar o pai, que vinha dois ou três passos atrás, quando uma mão gelada e de unhas compridas e sujas agarrou-lhe o pulso. Antes que Snape chegasse à filha, Bellatrix aparatou, arrastando a jovem consigo.
O professor de poções tinha certeza absoluta de qual era o destino de Lestrange, e mesmo que tivesse outro lugar em mente, para onde iria com a filha ao fim de tudo aquilo, amaldiçoou-se quando aparatou. Reapareceu na Mansão dos Malfoy, com toda aquelas pedras acinzentadas e granito preto.
Bellatrix havia sido rápida, e quando Severo enxergou o cômodo, precisou amaldiçoar-se duas vezes mais pela sua incompetência. Se tivesse mantido a menina sob seu aperto o tempo inteiro, e deixado de se preocupar com o garoto Potter, ela estaria ao seu lado milhares de quilômetros dali, e não sob o aperto gelado de Lord Voldemort.
– Snape. Que bom que veio. – o lorde falou em sua voz baixa e com aparência asmática. Severo quase podia jurar que ele sorria. – Bella me colocou a par dos acontecimentos dessa noite. Tem algo à me contar?
– Alvo Dumbledore está morto. – afirmou com veemência, mesmo que seu coração estivesse apertado pela simples visão da filha sob o jugo do mestre. sempre teve fobia a cobras e aranhas, e sentia um pavor paralisante ao notar Nagini enrolando-se em suas pernas, sibilando satisfeita.
– Sim. – o Lorde assentiu, movendo a varinha em sua mão num gesto amplo, mas também muito perto do corpo de sua filha. Severo reprimiu um agonizar. – Quero saber, Severo, se você irá me servir bem.
– Eu já não o faço, milorde? – perguntou, ficando completamente imóvel. fechou os olhos apertados, e então os abriu bem, olhando para o pai. O homem não se atrevia a desviar os olhos de Lord Voldemort, mas sentia a queimação dos olhos da filha sobre si.
– Preciso que você prometa. Jure a mim agora que permanecerá fiel aos meus comandos, agindo sob minhas ordens e somente minhas.
Snape hesitou por milésimos, instantes esses em que seus olhos dançaram em direção à filha. sabia o que aconteceria, e acenou com a cabeça. Queria que o pai aceitasse. Fizera tudo aquilo para que Severo Snape permanecesse vivo, e era exatamente isso que iria acontecer.
Nada de suas confabulações tratava da própria vida, afinal de contas.
– Eu juro. – respondeu o pai, firmando os olhos sobre o Lorde das Trevas. – Servirei a ti, somente a ti, e permanecerei fiel aos teus comandos. – falou.
Naquele instante, quase se pode ver Lord Voldemort sorrir. Com um sibilar ele pediu que Nagini se afastasse. Quando a cobra liberou as pernas de , a garota foi empurrada a frente, preenchendo assim o centro do salão principal. Vários Comensais da Morte permaneciam aos arredores, amedrontados demais para fazer qualquer barulho e se fazer notar.
– Você sabe, então, a punição para aqueles que não cumprem suas missões, dadas sob perfeito escrutínio de escolha.
Enquanto fixava os olhos no pai, de costas para o Voldemort, repassava as palavras de Dumbledore em sua mente.
“Você nunca acreditou em ninguém que não você mesma”.
“Você é a que mais tem a perder, e arriscou tudo”, dissera o pai.
Ouviu os murmúrios de sua mãe, distantes e baixos, enquanto ela lhe cantava uma canção de ninar.
Todos aqueles sons se misturaram às últimas palavras que ouviria. Em suas costas, o Lorde das Trevas movimentou a varinha de maneira rebuscada, falando em voz alta:
Avada Kedavra!
Enquanto a última memória de Selwyn Snape era a do rosto de seu pai tomado pela dor, Severo Snape se obrigou com todas as forças a se manter completamente imóvel enquanto sua amada filha caía ao chão, completamente sem vida, rapidamente esquecida.
Precisou conter-se com todas as suas forças para não se jogar sobre a menina e chorar sua morte, como nunca fizera pela esposa. Precisou apertar-se internamente para que o riso debochado de Bellatrix, que armara tudo aquilo, não lhe irritasse a ponto de colocar tudo a perder ao lançar-lhe pelos ares com uma maldição como Cruciatos.
Mesmo que dentro de Snape tudo estava perdido, tomou uma decisão baseada no olhar determinado de sua menina e no menear de cabeça leve que ela lhe dera segundos antes. Ali, lhe disse que estava tudo bem se ela se fosse, desde que ele lutasse por ela depois. E Snape lutaria.
Colocaria todas as suas forças, nem que lhe custasse a vida, em combater o Lorde das Trevas que lhe arrancou tudo – Lilian, Sienna e agora . As três mulheres que conquistaram espaços imensos em sua vida, tiradas pelo Lorde das Trevas, duas diretamente e uma indiretamente. Ele nunca perdoaria.
E sabia exatamente o que deveria fazer para que Voldemort fosse derrotado.
Precisaria ajudar Harry Potter em sua jornada.