The Light Princess

  • Por: Louise Blanco
  • Categoria: Heróis | Restritas
  • Palavras: 7189
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Sinopse: Milionária;
Princesinha de Gotham;
Presenteada com poderes pelos seus tios, Deuses do Olimpo;
Heroína.
O que mais a garota Wayne poderia querer? Clark Kent, obviamente.
E quando a digníssima Prince Wayne quer uma coisa, ela é um trator, que não para até que seu trabalho seja feito.
Da união do Cavaleiro das Trevas de Gotham com a Princesa Amazona, nasce a – completa doidinha, mas com um coração de ouro – Princesa da Luz, destinada, desde sua gênese, à grandeza e à transformação do mundo.
Gênero: Romance, Aventura, Ficção
Classificação: +18
Restrição: Apenas a principal é interativa.
Beta: Natasha Romanoff

Prólogo

Janeiro de 1998

Diana podia jurar que tinha um ímã para homens corajosos demais para o próprio tamanho. Em seus muitos anos de vida, já tinha se deparado com alguns desses espécimes, poucos, porém chamavam sua atenção verdadeiramente, a ponto de fazê-la interferir na situação. Na verdade, até o momento, Steve Trevor tinha sido o único.
Em uma de suas andanças pela cidade em que estava hospedada no momento, se deparou com um jovem tentando defender um senhor de idade de ser roubado na madrugada. Ele até conseguira dar tempo para o senhor se livrar e correr, no entanto, por conta disto, apanhou dos três caras que tentavam roubar o senhor.
Tentou simplesmente deixar
pra lá e seguir em frente, mas, antes que pudesse perceber, já tinha ido ao resgate do homem, afastando os babacas com alguns socos e levando o jovem para longe dali. Carregou-o sem dificuldade, mesmo que esse já estivesse quase inconsciente, até o hotel onde se encontrava hospedada. Subiu pelas escadas devagar e o levou pelo corredor até o seu quarto, colocando-o na cama ao entrar neste.
Respirou fundo, reparando que o rosto do jovem tinha alguns machucados mais profundos, pegou a caixa de primeiros socorros em um dos armários e começou a passar a gaze com álcool nos machucados dele. Mesmo desacordado, o desconhecido fez uma careta enquanto ela limpava seus machucados.
Depois de fazer um curativo nos machucados mais profundos, Diana o ajeitou na cama para fazê-lo descansar enquanto ela própria se deitava no sofá. Tamborilou os dedos sobre a barriga, o olhando de cinco em cinco segundos para checar se ele, ao menos, respirava.
Não satisfeita, suspirou e levantou-se para checar sua temperatura, constatando que ele estava quente, o que fê-la molhar uma toalha para apoiar na testa dele. Aproveitou para avaliar suas feições… Ele era bonito,
bem bonito, com certeza não era velho, deveria estar por volta de seus vinte e cinco.
Sentiu a cabeça pesar, estava preocupada com uma pessoa que nunca tinha visto antes e isso, por si só, a fazia sentir-se exausta. Na última vez em que havia se prestado àquilo, o tiro acabou saindo pela culatra.
Deitou-se novamente apenas após entender que já tinha feito tudo que estava em seu alcance e, com a cabeça girando, caiu no sono.
Assustada, Diana acordou na manhã seguinte, com a tosse do homem que tentava se levantar da cama.

– Você não deveria fazer esforço. – Avisou, ainda deitada, e o fez virar a atenção para si.
– Quem é você? – Enrugou a testa, a olhando por alguns segundos e voltando a tentar se levantar.
– Sua heroína. – Caminhou rapidamente até a cama para forçá-lo a continuar deitado. – Eu disse que não deveria levantar!
– Deveria, não deve.
Ela deu uma longa inspirada, buscando paciência, e aproveitou para reparar os curativos dele. Precisavam ser trocados.
– Tome um banho, vou encher a banheira para você e mandar o hosting do hotel trazer roupas. – Disse, caminhando até o banheiro do quarto.
– Achei que deveria ficar deitado.
– Por Hera – Parou no meio do caminho. – Quer me irritar?
Ele riu pelo nariz, gostando da expressão que ela fazia quando ficava impaciente.
A mulher continuou o seu caminho até o banheiro, ligou a torneira da banheira e voltou, partindo para o telefone fixo que lhe permitia falar com o funcionário do hotel.
– Você sabe quanto eu visto? – O homem perguntou, depois de um tempo, já acomodado na banheira.
– Tenho um bom olho. – Ela respondeu, deitada na cama, aguardando-o terminar.
Ele não demorou muito, apenas o tempo de se lavar e relaxar um pouco os músculos. Saiu com a toalha enrolada no quadril, mantendo o tórax descoberto e, apesar de não ser musculoso, tinha definição o suficiente para fazer com que Diana o admirasse por um instante ou dois.
– Onde estão as roupas? – Indagou, sentindo dor demais para reparar na mulher, que avaliava seu torço sem muita vergonha.
– O quê? – Respondeu, confusa, recobrando sua atenção.
– As roupas…
– Ah! Sim! – Se levantou rapidamente. – Aqui. – Entregou ao jovem, que voltou ao banheiro e colocou sua nova muda de roupas.
Quando retornou ao quarto, se direcionou à cama, obedecendo as ordens da outra, sentando-se para cuidar dos machucados.
– Você tem esse costume de trazer homens machucados para sua casa? – Perguntou, com um tom de riso, o que não era muito típico dele.
Diana parou um instante para observá-lo, estava com as pernas cruzadas como índio enquanto ela se encontrava de joelhos, em cima da cama, na frente dele.
– E você? Tem o costume de apanhar pelas ruas? – Respondeu, petulante, e voltou a tratar seus machucados.
Ele sorriu e não falou mais nada pelo resto do tempo em que ela cuidava dele.
– O gato comeu a sua língua? – Perguntou, assim que terminou.
No pouco tempo em que ele estava acordado, já tinha se mostrado muito falante e piadista.
– Sou um homem de poucas palavras.
– Hm… E esse homem de poucas palavras tem nome? – Sentou-se de frente para ele, ainda na cama.
Ele piscou algumas vezes, confuso, e respondeu:
– Bruce.
– Bruce o quê? – Continuou, olhando-o compenetrada e ele juntou as sobrancelhas.
– Você nã… Não importa.
– O Bruce é um pouco misterioso, não é? – Debochou, e ele riu pelo nariz. – O que pensou que estava fazendo ao entrar numa briga, sozinho, na madrugada?
Ele passou a língua pelos lábios e riu mais uma vez.
Aquela mulher tinha alguma coisa diferente.
– Eu não estava arrumando briga, eu estav… – Foi interrompido.
– Defendendo o senhor que estava sendo roubado. Eu vi. – Disse, como se fosse óbvio. – Mas você não é tão forte como imagina, por que não chamou a polícia?
– Porque a polícia não funciona. Até ela chegar… – Parou no meio da frase. – O senhor já estaria sem seus pertences ou até mesmo morto. Eu preferia ir no lugar dele.
Diana piscou algumas vezes e engoliu o seco, ele lembrava tanto Steve.
– Não teme pela sua vida? – Estudava cada parte de seu rosto.
– Não. – Foi simples. – Eu… – Se levantou da cama. – Você pode chamar um táxi para mim? – Diana enrugou a testa.
– Como?
– Preciso ir.
– Eu não vou te deixar ir nesse estado. Tenho certeza de que não está bem e de que não é o tipo de homem que se cuida e vai ao médico.
Bruce suspirou.
– É cárcere? – Perguntou, e pela primeira vez não estava com o sorriso, que ela o fazia ter, no rosto.
– É pagamento pelo trabalho e susto que me deu. Só sai depois de me dar a certeza de que está bem. – Ela aumentou um pouco o tom de voz e, com seu jeito petulante de ser, o fez ficar.

E foi essa a situação que a fez, alguns meses depois, se descobrir grávida. Tinha ficado pouco tempo com o homem, apenas alguns dias que não chegaram a completar nem um mês, mas acabou se redescobrindo depois daquilo, principalmente pela parte de ser mãe.
Infelizmente, apesar de ser ótimo como pessoa, Bruce não era um bom amante. Não em relação ao sexo, o sexo era maravilhoso, mas Bruce não conseguia se conectar de verdade.
Diana entendia isso, ele tinha seus demônios, assim como ela, também, tinha os dela. Ele tinha sido honesto, no entanto, desde o primeiro instante, quando percebeu que estavam se envolvendo – antes mesmo do primeiro beijo -, lhe contou que não era um cara para namorar; não contou o motivo, mas deu a entender que as circunstâncias da vida causavam isso.
Mas, apesar de Bruce dizer uma coisa, suas atitudes diziam outra e Diana nunca se sentiu tão bem e em paz como se sentiu com ele.

– Quantos anos você tem? – Ela perguntou, um pouco assustada, a voz um pouco mais alta por conta disso.
Ele riu.
Tinha acabado de elogiá-lo por ser um ótimo parceiro na cama e brincou que, com certeza, ele havia treinado bastante, mas Bruce tinha lhe respondido um: “não muito”, com uma cara bem culpada.
– Eu posso ser presa? – Abriu a boca, se fazendo de chocada e dando um tapa no ombro dele.
Bruce riu novamente, o riso com ela realmente se soltava fácil.
– Dependendo do estado. – A amazona abriu a boca, realmente chocada dessa vez.
– Tem menos de 21? – Se deitou de lado, observando as expressões do parceiro.
– 19? – Respondeu, em uma falsa dúvida, fazendo uma careta.
Diana gargalhou, incrédula.
– Por Hera! Eu vou me entregar à polícia.
– Quantos anos você tem? – Finalmente, devolveu a pergunta e foi a vez da mulher fazer a careta.
– Alguns.
– Alguns quantos?
– Não importa.
– Tão velha assim? – Ele zombou.
– Você nem imagina…

Ele, de verdade, não imaginava.

A amazona se viu perdida quando descobriu a notícia de que estava grávida.
Grávida!
Grávida e sozinha!
Diana sempre tinha sido autossuficiente, mas ela não sabia nada sobre criar uma criança e temeu por ela e pela criança em seu ventre.
Procurou por Bruce em todos os lugares, ela não sabia seu sobrenome, mas tinha contatos e acabou por descobrir quem era o jovem que tinha lhe tirado algumas noites de sono e, ademais, lhe deixado grávida.

Bruce Wayne.
Este, entretanto, havia desaparecido, desde dias depois que ficaram juntos. Aparentemente, depois que ele foi embora, ninguém mais teve notícias dele e o jovem já tinha sido dado como morto.
Como em poucas ocasiões na sua vida, Diana chorou. Chorou por não saber o que tinha acontecido com Bruce. Chorou por não saber o que iria acontecer com ela. Chorou por estar sozinha e nessa situação. E, então, buscou refúgio no único lugar que poderia… Temiscira.

Dezembro de 2002

Diana já havia voltado de Temiscira há dois anos, permanecera lá durante toda sua gravidez e durante os dois primeiros anos de vida de sua filha, Olivia – que agora tinha quatro anos -, mas decidiu que valia a pena voltar para o mundo de Bruce Wayne.
Mesmo que Bruce não estivesse mais neste, valia a pena tentar criar um mundo melhor, por ele e por sua filha, do jeito que ele tentava com suas pequenas ações.
– Não troca de canal! – Avisou, quando viu a filha tentar se aproximar do controle.
– Mas você não está vendo. – Olivia tentou.
– Estou escutando e você está pintando seus desenhos. – Apontou as folhas e os lápis de cor pelo chão. – Continue.
Com um bico, Olly continuou a pintar seus desenhos e Diana se aproximou do vaso ao centro da mesa, prendendo o riso com a expressão da filha.
– Depois de desaparecer por cinco anos e ser dado como morto, Bruce Wayne reaparece e diz que pretende fazer de Gotham uma cidade melhor através da Wayne Enterprises. – A repórter da TV falou, e o vaso de flores escorregou da mão da amazona, espatifando no chão enquanto, paralisada, ela via a foto do pai de sua filha na televisão.
– O que foi, mamãe? – Olivia perguntou, assustada. – Mamãe? – Chamou novamente, mas a mulher não se mexia.
Se levantou preocupada e caminhou até a mãe, mas, antes que pudesse alcançá-la, pisou em um pedaço de vidro do vaso que tinha escorregado da mão de Diana.
– Ai. – Disse, já com lágrimas nos olhos e a voz chorosa, foi só então que Diana acordou de seu transe.
– O que houve, minha filha? – A pegou no colo imediatamente, sentando-a sobre a mesa e examinou seu pé.
Graças aos deuses era algo superficial.
– Já não lhe disse para não chegar perto de vidro?
– Eu estava nervosa. Você não falava. – Se desculpou, em meio às lágrimas, e Diana se sentiu culpada.
– Sinto muito, meu amor. – Passou as mãos em seu rostinho. – Eu vou pegar o band-aid. – Falou, já caminhando em direção à cozinha. – Não saia daí. – A menina assentiu com a cabeça, já balançando os pezinhos e se esquecendo da dor.
Diana voltou com a caixinha de primeiros socorros e limpou o machucado da filha.
Olivia era seu bem maior e Prince não sabia até onde seus genes tinham alcançado a garota, ela não se machucava ou adoecia com facilidade, mas, até onde a semideusa sabia, era apenas isso – e estava ótimo assim.
– O que aconteceu com você? – Olivia perguntou, novamente.
Nunca tinha visto a mãe daquele jeito.
– Seu pai. – Respondeu, em um fio de voz.
Sempre tinha sido super sincera com a filha, que sempre fora esperta assim como ela em sua juventude, então não tinha motivos para mentir agora.
– O que tem ele? – Curiosa, analisou o rosto da mãe.
– Acho que ele está vivo. – Respondeu, olhando no fundo dos olhos da filha. – Mas isso não significa que vamos falar com ele.
– Por quê?
– Não falo com ele há anos. Não sei o que aconteceu, não sei se ainda é o homem pelo qual me apaixonei. – Diana suspirou.
– Você me deixa ir junto? Quando você for falar com ele… – A mais nova fez um novo bico e Diana sorriu, assentindo.
Como esperado, não foi difícil para a amazona conseguir um horário na agenda do Wayne e, na semana seguinte, se encontrava caminhando até a sala dele, com a filha em seu encalço.
– Senhorita Prince. – Ele comentou, assim que escutou o barulho da porta, sem levantar o olhar.
– Oi, Bruce. – Ela respondeu, fazendo o máximo que podia para controlar sua voz e a reação dele foi instantânea.
Bruce reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
– Diana? – Piscou algumas vezes, observando a mulher e ela deu um leve sorriso.
– Onde você estava, Bruce? – Os olhos dela se encheram de lágrimas. O homem travou no lugar, sem saber como agir. – Eu te procurei em cada canto dessa Terra, mas tudo que eu encontrava era a mesma coisa… Bruce Wayne estava morto.
Ele continuou parado.
Perdido.
Diana não havia mudado nada, um fio de cabelo sequer. E, agora, estava ali, na sua frente, chorando.
– Por Hera, Bruce, fale alguma coisa.
O homem só saiu de seu transe, parando de olhar para o rosto da bela mulher que quase tinha lhe feito desistir de tudo no passado, quando ouviu alguém tossir forçadamente. Olhou pela sala, procurando de onde vinha o som e reparou na mini figura ao lado de Diana, segurando em suas pernas.
Enrugou a sobrancelha, se levantando, observando os traços da menina. Ela tinha pequenos cachos na ponta dos cabelos e a boca rosada e fina, assim como Diana; os olhos, porém, lhe tiraram o ar. Sentindo o coração bombear mais rápido que o normal, avaliou as duas bolas verdes e expressivas que poderiam muito bem ser descritos como iguais aos de Martha, sua falecida mãe.
Bruce congelou novamente, dessa vez, olhando a menina, sentiu o coração bater ainda mais rápido só para desacelerar como se já não existisse depois, ao passo em que sua respiração ficava irregular. Piscou algumas vezes, tentando se concentrar, mas perdeu seu foco mais uma vez quando a menina lhe ofereceu um sorriso perfeito, assim como os que Diana lhe sorria, e o homem desmontou por alguns instantes.
A mais velha da sala, obviamente, reparou suas expressões um pouco preocupada, mas mandou a própria tensão embora quando o viu dar um indício de sorriso para a criança.
– Esta é Olivia. – Diana falou. – É nossa filha. Vou entender se não acreditar ou… – Foi interrompida por ele.
– Eu jamais duvidaria de você, Diana. – Ela assentiu, e finalmente caminhou para perto dele.
– Já não é mais um adolescente, não é? – Deu um sorriso, enquanto fazia um carinho no rosto dele e ele se permitiu sorrir junto dela. – Onde se meteu? – A preocupação em seus olhos poderia ser lida por qualquer um.
– Não importa mais.
Como se tivesse levado um choque, Diana se afastou dele.
– Como não importa, Bruce? – Passou as mãos pelos cabelos e parou de costas, se recusando a olhá-lo para dizer aquilo. – Tem ideia de como foi difícil para mim, grávida, achar que você estava morto? – Se virou de frente para ele de novo.
Bruce respirou fundo, não sabia o que falar ou como agir, nunca pensou que iria passar por aquilo. Por mais que em seu âmago almejasse uma família, se julgava incapaz de conseguir isso, mas agora ele era pai.
Observou a garotinha, que depois de notada começou a andar pelo escritório bisbilhotando tudo, completamente curiosa. Se lembrava de ser assim quando pequeno, perguntando a mãe o porquê de tudo. E, então, quando menos esperava, ela correu em sua direção, pulando em seu colo.
– Oi. – Pôs as mãozinhas nas bochechas dele, obrigando-o a olhar para si.
– Oi. – Se forçou a responder, depois de alguns segundos.
Não queria ser um babaca com a filha.
– Ah! Você fala? – Diana o cutucou.
– Diana, por favor. – Pediu, mas ela revirou os olhos.
– Vamos, Olivia. – Chamou pela filha, se encaminhando em direção à porta.
– Diana! – Chamou, um pouco exasperado, ainda com a filha no colo.
– O que é, Bruce? – Parou no meio do caminho.
– Podemos conversar sobre isso depois? Com calma. Por favor.
Ela suspirou.
Quando se tratava de Bruce, a mulher era só suspiros, seja de impaciência ou de prazer.
– Tudo bem. – Cedeu, ainda que frustrada. – Olivia. – Chamou novamente.
A menina se sacudiu para descer do colo do pai e este se agachou para pô-la no chão, sendo, mais uma vez, surpreendido por um beijo estalado e um abraço apertado. Instintivamente, ele correspondeu, alisando seus cabelos e beijando sua testa.
– Diana. – Chamou, quando ela já estava abrindo a porta da sala, a mulher parou para olhá-lo. – Vou vê-la novamente, certo? – Olhou para a filha e Diana não conseguiu não sorrir.
– Claro, Bruce. Vou deixar meu contato com a sua secretária.

***

Abril de 2004

O início não foi fácil. Bruce não fazia ideia de como agir ao redor da garota, do que fazer para se dar bem com ela ou agradá-la – e só os deuses sabiam o quanto ele queria agradá-la -, mas Olivia era uma criança esperta e suas atitudes falavam por si só.
Não demorou muito para as coisas se ajeitarem e Bruce passar a ser chamado de papai.
E, céus, como ele adorava ouvir aquilo.
Adorava ver a garotinha correndo pela casa, perguntando tudo, falante e fazendo toda a bagunça que ele nunca imaginou que deixaria alguém fazer.
Olivia, assim como Diana, tinha o homem nas mãos.
– Você vai fazer panquecas hoje, papaizinho? – Olly perguntou, sentada na bancada da cozinha da mansão Wayne.
Bruce olhou para ela e sorriu. Depois que ele havia contado que sabia fazer panquecas, porque tinha aprendido com sua mãe, a menina lhe pedia panquecas todo café da manhã. Se pôs na frente dela, apoiando os cotovelos na bancada, com a menina entre eles, e falou:
– Vou. – Era uma resposta simples, mas o sorriso que a acompanhava fazia o coração da menina se encher de felicidade. Ela amava o papaizinho desde o primeiro momento em que o viu.
O amor das meninas Prince pelo príncipe de Gotham, Wayne, era tão puro e real, assim como o amor dele para com elas.
Diana chegou para buscar a menina menos de uma hora depois e aproveitou para comer as famosas panquecas junto à filha. Eles ainda não haviam confirmado como ficaria a guarda da garota, mas, por hora, decidiram que ela passaria os finais de semana com Bruce – mais os dias da semana que ele estivesse livre.
– Não está atrasado para o trabalho? – Diana perguntou, ainda terminando de comer as panquecas.
– Um pouco, mas tenho coisas mais importantes em casa. – Passou as mãos pelos cabelos de Olivia e a menina lhe sorriu.
Pegou o paletó e vestiu, saindo da cozinha. Diana já tinha percebido que ele a evitava e ele sabia disso, mas não podia fazer muito… A mulher era cheia de perguntas que ele não podia responder e ele não sabia não ser transparente para ela. A única forma que tinha de encobrir quem era, era evitando-a, mesmo que isso não lhe agradasse.
– Quer que eu deixe vocês na escola da Olivia? – Ele perguntou, da sala.
– Não precisa. Combinei de sair com um amigo, ele vai passar aqui para nos buscar e nós aproveitamos para deixá-la na escola. – Bruce voltou para a cozinha imediatamente. – Você já está atrasado. – Sorriu cínica.
– Um amigo? – Perguntou, um pouco mais incomodado do que gostaria de estar.
– Sim. – Recebeu uma mensagem no celular logo após responder e desviou a atenção para descobrir quem era. – É ele. – Levantou o olhar e sorriu novamente. – Nos vemos no próximo fim de semana. – Ajudou a filha a descer da bancada e caminhou com ela, deixando Bruce para trás.
– Estarei livre já na quinta.
– Então nos vemos na quinta. – Respondeu, sem olhar para trás. – Tchau, Bruce.
Bruce respirou fundo, revirando os olhos e, ignorando o olhar acusatório de Alfred, saiu para o trabalho.

***

– Liga para ele. – Olivia pediu, impaciente com a demora do pai.
– Espera, minha filha. – Pegou o telefone e discou o número de Bruce, porém ninguém atendeu. – Ele não atende. Deve estar ocupado.
– Mas ele está atrasado. Liga pro trabalho dele. – A menina apontou o telefone com a mão e Diana revirou os olhos, escutando a risada de Donna – sua caçula – atrás de si.
Para a felicidade de Diana e de Bruce, Olivia tinha se adaptado rapidamente ao pai e ficado extremamente apegada a ele, mas às vezes – só às vezes – aquilo podia ser um verdadeiro saco.
A amazona tentou de novo, dessa vez com o número da secretária dele, em poucos instantes foi atendida.
– Giovanna, é Diana. – Falou, assim que a mulher atendeu.
Ah! Oi, senhorita Prince.
– Bruce está por aí?
Não, já saiu. Posso te ajudar com alguma coisa?
– Não. Apenas isso. Obrigada.
Não há de quê.
Diana colocou o telefone acima da mesa e se sentou no sofá, entre a filha e a irmã, enquanto ligava a televisão.
– Ele já saiu de lá. Já deve estar chegando. – Avisou, e a menina assentiu pouco conformada.
Menos de uma hora depois, o homem se fez presente na casa, pedindo desculpas pela demora e recebendo um petulante: “que isso não se repita” de sua filha.
Diana se despediu deles e voltou ao sofá, dessa vez prestando atenção no noticiário, já que antes estava apenas tentando distrair a filha.
Novamente, o vigilante que as pessoas vêm chamando de Batman agiu e ajudou a polícia a capturar dois assaltantes. – A repórter começou e Diana arqueou as sobrancelhas, recebendo instantaneamente um olhar de Donna.
Não era a primeira vez que ela ouvia falar desse Batman.
Mesmo sem imagens oficiais, algumas testemunhas afirmam já terem sido salvas por ele e alguns bandidos parecem aterrorizados.
A mulher piscou algumas vezes, se remexendo no sofá como se, de repente, ele fosse feito de agulhas.
– O que você está pensando? – Donna murmurou, analisando a irmã de cima a baixo.
Prince preferiu ignorar a irmã, somente se esticando para pegar o telefone e voltando a ligar para a secretária de Bruce.
– Desculpa te importunar novamente, Gio, é que o Bruce não chegou aqui até agora e a Olivia está reclamando. Faz muito tempo que ele saiu?
Ele saiu mais cedo hoje, senhorita Prince, por volta das quatro da tarde. Devo me preocupar?
– Não, não se preocupe. Vou ligar para o Alfred, ele deve saber.
Desligou e olhou o relógio.
9h13 da noite.
Por que Bruce tinha demorado tanto para buscar a menina se tinha saído cedo?

– Seu rosto está machucado. – Diana passou a mão pelo machucado no canto da boca homem. – O que houve?
– Me cortei fazendo a barba.
– Estava fazendo a barba com uma espada? – Perguntou, incrédula, já que o corte não era pequeno e estava bem magoado.
Bruce riu.
– Não é para tanto.

– O que foi? – Bruce perguntou, após o suspiro pesado da mulher nua ao seu lado.
– A gente, um dia, vai conversar sobre o que você fez no tempo que ficou longe? – Passou a mão por algumas cicatrizes em seu dorso e foi a vez dele de suspirar, tirando a mão dela dali.
– Não é importante, Diana.
– Essas cicatrizes não fazem parecer que foi alguma coisa sem importância. – Ela ia recomeçar, mas, bom, pelo menos em momentos como aquele, ele sabia o que fazer para distraí-la.

– Alô, Alfred? – Indagou, assim que os toques pararam.
– Sim, senhorita Prince. Algum problema?
– Bruce está? Não estou conseguindo falar com ele.
O homem do outro lado da linha hesitou por um instante.
– Patrão Bruce precisou fazer uma viagem de emergência.
– Quando ele volta?
– Infelizmente, não sei, senhorita.

Podia jurar que essa viagem tinha acontecido na mesma época que a notícia de Batman em Metrópolis havia aparecido.
Suspirou ao pensar na despedida deles, anos atrás, a necessidade de ser a mudança que Gotham City precisava era algo que sempre estava em suas poucas conversas mais profundas.
Determinada a descobrir a verdade, caminhou até seu quarto, sendo seguida pela irmã, e, no fundo do closet, apanhou pela caixa que colocou dentro da bolsa.
– Por que está pegando o laço? – A adolescente pareceu surpresa. – Acha que Bruce tem alguma coisa a ver com isso?
– Não sei. – Murmurou, entredentes. – Mas se tiver, vou descobrir. Você vai ficar aqui e me aguardar voltar.
Donna abriu e fechou a boca algumas vezes, como um peixe – ou um atlantis, zombou internamente -, até ter coragem de falar:
– Não estou aqui para ser treinada? – Continuou seguindo a irmã pela casa. – Seria lógico se me deixasse ir com você para… – Parou de falar, ao receber um rude olhar da mais velha.
– Não se trata de um treinamento, Troy. – O uso de seu sobrenome indicava que ela não estava para brincadeiras. – É do pai da minha filha que estamos falando.
– E do homem pelo qual você é apaixonada.
– Donna! – A voz, apesar de baixa, bradou forte o suficiente para fazer a garota se encolher e sentar no sofá. – Não saia daqui. – Mandou mais uma vez.
Desceu para a garagem do prédio e entrou no carro, que raramente usava, a caminho da mansão Wayne. Não demorou muito para chegar ao seu destino e logo foi liberada para entrar no local.
Estacionou o carro, tirou a caixa de dentro da bolsa e entrou na mansão, já sendo recepcionada por Bruce e Olivia – que comia uma barrinha de chocolate.
– Aconteceu alguma coisa? – Fechou a porta atrás dela.
– Você é o Batman? – Indagou, sem rodeios, paciência não era uma de suas virtudes.
Bruce vestiu uma expressão parecida com a de sua irmã minutos antes, mas logo tratou de rir e secou até algumas falsas lágrimas no canto dos olhos.
– Batman, Diana? – Riu pelo nariz. – Batman é só uma historinha que a máfia usa para assustar outros criminosos e desencorajar a concorrência.
Diana revirou os olhos para o que ela julgava ser o teatrinho do homem. Impaciente, abriu a caixa que segurava abaixo do braço, retirando o que tinha dentro.
Olivia, sentada no sofá, soltou um: “oh-oh”. E Prince, sem esperar a reação da parte dele, o laçou.
– Você é o Batman? – Perguntou, novamente.
Antes que pudesse sentir, a resposta saltou de sua boca:
– Sou. – Piscou algumas vezes, tentando entender o que havia acontecido. – O que…?
– Este é o Laço de Héstia, ele força as pessoas a revelarem a verdade. Lutar contra ele é doloroso e inútil.
– Não pode mentir. – Olivia disse, rindo baixinho.
– Por que não foi sincero comigo?
– Eu estou em uma missão para salvar Gotham. Não tenho tempo para distrações ou… – Parou, tentando se controlar, mas sentindo a corda ao seu redor esquentar. – Da última vez que você entrou na minha vida, quase me fez desistir de tudo por você.
A mulher segurou a respiração por alguns instantes, mas recomeçou:
– O que você fez durante esses anos que ficou longe?
– Treinei para ajudar a salvar Gotham. – Respondeu, de forma simples, e Diana forçou ainda mais o aperto do laço.
– Treinou o quê? Com quem? – Perguntou, entredentes.
– Quando nos conhecemos, eu já estava na minha jornada ao redor do mundo para encontrar um método de salvar Gotham, minha cidade, a cidade que meus pais amavam, mas eu não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Eu sabia que não conseguiria só com a Wayne Enterprises, meu pai tentou esse caminho e falhou. E ele era um homem muito melhor que eu. – Respirou fundo, sentindo a garganta secar. Odiava falar sobre seus pais. – Pouco tempo depois de te encontrar, conheci um homem, quase do mesmo jeito que te conheci. Seu nome era Ra’s Al Ghul e ele entendeu meu desejo por salvar a minha casa e me disse que conhecia um lugar onde eu encontraria a força para trazer as mudanças que eu almejava. Na Liga dos Assassinos.
– Liga dos Assassinos? – Diana o interrompeu. – Que diabos é isso, Bruce? Um clube de motoqueiros? – Arqueou uma das sobrancelhas e Bruce não pôde evitar sorrir ao escutar a gargalhada de Olivia.
– Uma organização secreta milenar que preza pela manutenção da ordem no mundo. São responsáveis pelo colapso de quase todas as grandes civilizações na história, Roma, Babilônia, Alexandria, a peste negra… Quando a Liga acha que a sociedade está se autodestruindo, eles a queimam para eliminar os maus elementos e garantir nova sociedade purificada.
– Por Hera, Bruce, você entrou para um culto de fanáticos genocidas? É isso que você veio fazer em Gotham?
– É lógico que não, Diana. – Respondeu, irritado.
Irritado pela série de perguntas.
Irritado por estar sendo obrigado a revelar coisas que pensou que levaria para o túmulo.
Irritado por ter que falar aquilo na frente de Olivia.
E irritado por ser tão difícil ao ponto de Diana se ver iminente a amarrá-lo para conseguir respostas.
Olhou para a filha antes de continuar, mas logo abaixou o olhar; não queria que ela se assustasse com a história.
– Eu jamais faria isso. Ra’s virou meu mentor e amigo. Me treinou por cinco anos, ensinando a controlar o meu medo e usar o medo dos meus inimigos contra eles, me transformando em um exército de um homem só. Eles queriam que eu fizesse isso com Gotham, mas eu não mato, não sacrifico a vida de ninguém além da minha. Fazer isso seria me transformar naquilo que meus inimigos representam e cuspir na memória dos meus pais.
– Então, como você está aqui? Eu não conheço essa Liga, mas assumo que não lidem muito bem com rejeição.
– Eles realmente não lidam. Ra’s era o líder, quando rejeitei sua filosofia, ele me prendeu e me torturou. Tentou fazer uma lavagem cerebral em mim… – Bruce fechou os olhos, como se lembrar daquelas coisas fosse doloroso demais. – Colocava inocentes em uma arena, amarrados e indefesos, e, junto, criminosos para atacá-los, com a promessa de liberdade caso o fizessem. E me jogava no meio, me forçando a matar para salvar os inocentes, para que eu entendesse sua visão. Mas eu nunca matei. Não importava o quão difícil estava ou a minha desvantagem, matar não era uma opção. Felizmente, consegui impedir a morte de qualquer inocente.
– Tocante, mas você ainda não respondeu minha pergunta. Como está aqui? – Ele suspirou.
– Eu estava chegando lá. Você queria saber, então estou te contando tudo. Não seja impaciente, não é como se eu fosse ir a algum lugar. – Se mexeu, fazendo referência ao laço em volta de si. – Durante meu treinamento, eu me envolvi com a filha mais velha de Ra’s, Talia. – Sentiu o laço apertar ainda mais seu corpo e fez uma pausa.
Diana ergueu uma de suas sobrancelhas, o desafiando a continuar.
– Nos apaixonamos. – Disse, devagar, e escutou Olivia expressar um som surpreso. Quando a olhou, ela tinha as duas sobrancelhas arqueadas, olhando, confusa, dele para a mãe. A necessidade que ele tinha de se explicar ficou mais forte de repente. – Não fazia sentido fugir dela enquanto eu achava que tínhamos o mesmo objetivo. Depois da minha traição ao pai dela, ela ficou dividida. Seu pai tinha sua mente, eles compartilhavam a mesma convicção, mas eu tinha seu coração. Eventualmente, o coração venceu e ela me ajudou a fugir.
– E essa Talia? – Diana perguntou, sem conseguir se conter.
Olly riu baixinho, mas colocou as mãos na boca quando um olhar da mãe a repreendeu.
– Eu não sei. Durante minha fuga, eu sabotei as instalações da Liga, diminuindo sua capacidade de causar danos a qualquer lugar, especialmente a Gotham. No meio ao caos, Ra’s… – Piscou algumas vezes para se concentrar. – Ra’s acabou morrendo. Talia traiu a Liga, mas me culpa pela morte dele. Ela desapareceu, não a vejo há mais de um ano.
Diana afrouxou o laço, deixando-o se libertar. O homem esfregou um pouco os braços doloridos pelo aperto e se sentou no sofá, passando as mãos pelo cabelo.
– E você? – Ele perguntou. – É uma amazona, não é? – Perguntou, fazendo a mulher franzir a testa.
– Como sabe?
– A Liga tem registros de milhares de anos sobre todas as civilizações do planeta, incluindo o lado místico. Eu já desconfiava de algumas coisas e os registros apontavam duas possibilidades, amazonas e atlantis. Como nunca te vi respirando embaixo d’água ou falando com peixes, assumi que fosse o primeiro. E agora teve isso. – Apontou o laço na mão dela. – Aliás… você não estava brincando quando disse que era mais velha. Segunda Guerra Mundial? – Ele arqueou as sobrancelhas.
Diana mordeu o lábio inferior, aquilo trazia à tona assuntos que ela preferia não rever.
– Quantos anos você tem?
– É indelicado perguntar a idade de uma dama. – A amazona murmurou, enrolando o laço.
– Oitocentos. – Foi Olivia que respondeu, causando um olhar assustado no pai.
– Quanto ela sabe?
– Tudo. Inclusive sabe que eu também sou uma ótima nadadora graças ao meu tio. – Bruce franziu o cenho. – Poseidon. – Tive meu passado escondido pela minha mãe, então minha relação com Olivia sempre foi baseada em transparência. Não gosto de segredos, Bruce. – Ele se levantou e caminhou para perto dela.
– Aprendeu isso com Steve Trevor? – Viu o rosto dela adquirir um tom furioso no mesmo instante.
Antes que pudesse raciocinar, recebeu um soco na boca do estômago que o fez voltar a se sentar no sofá. Longe dela.
Olivia arregalou os olhos, pulando do sofá imediatamente e, com o mesmo olhar repreendedor que a mãe tinha lhe dado minutos antes, se colocou na frente do pai de braços abertos. Respirou fundo algumas vezes, ainda de cara fechada para a mãe, e cruzou os braços.
– Não vai bater no papai! – Pareceu pensar por alguns instantes e saiu da frente do homem. – Se bem que… – Começou, pensativa. – Ele te traiu. Pode bater sim, vai. – Abanou a mão da mãe para o pai, como se a incentivasse.
– Eu traí? – Bruce riu e juntou as sobrancelhas.
Com o olhar mais insolente possível, ela se virou para o pai e disse:
– Talia.

***

Outubro de 2005

Era madrugada quando Bruce chegou à casa de Diana. Ele já tinha lhe enviado uma mensagem dizendo que queria vê-la, o que fez a mulher ficar preocupada. Sabendo que ela estaria lhe aguardando na sala, deu dois toques na porta do apartamento.
– O que houve? – Diana juntou as sobrancelhas, enquanto fechava a porta sem tirar os olhos dele.
Bruce não lhe respondeu. Ao menos não do jeito que ela pensou que ele responderia.
Em segundos, tinha sido imprensada contra a porta e a boca do homem tinha coberto a sua. Diana suspirou, se agarrando aos cabelos dele.
Eles tinham combinado que aquilo não aconteceria mais, a mulher não queria ser só mais um dos casinhos que ele tinha para manter a fama de playboyzinho. Mas ali, com os beijos dele em seu pescoço e a mão apertando todos os lugares de seu corpo do jeito que só ele sabia, era fácil esquecer o tratado.
Recobrando um pouco de sua consciência, ela o afastou de si. Respirou fundo, ainda grudada na porta, enquanto olhava o homem à sua frente com a respiração tão descompassada quanto a dela.
Wayne riu, já sabendo o que viria, quando a viu estender um dedo para ele, completamente séria.
– Inferno. – Diana resmungou, fechando os olhos e esfregando o rosto com as mãos. – A gente combinou, Bruce. – Voltou a apontar o dedo para ele.
Bruce voltou a sorrir e deu de ombros.
– Por que combinamos uma coisa tão idiota? – Olhou para ela com uma falsa expressão confusa e um sorriso ladino, mas a mulher continuou séria. – Diana… – Voltou a se aproximar dela.
– Não! – Ela estendeu a mão para lhe afastar.
– Droga, Diana. Pare com isso. – Ela negou com a cabeça.
– Se você quer sexo, tem um monte de mulher por aí se matando para conseguir uma noite na sua cama.
– Se eu quisesse sexo com elas, estaria com elas. No plural, você sabe. – Deu de ombros.
A amazona abriu a boca, indignada, e levantou a mão para meter um tapa naquela cara linda dele, mas Bruce segurou seu braço e lhe puxou para um novo beijo e ela se repreendeu por ser tão dada a ele.
– Não quero ninguém além de você. – Sussurrou, com o nariz colado no dela, quando terminaram o beijo.
– Pare de falar sandices. – Reclamou, mas ele negou com a cabeça.
– Casa comigo.
Diana arregalou os olhos.
– Como? – Perguntou, completamente confusa.
A boca dela caiu no chão ao ver o homem ajoelhar na sua frente e tirar uma caixinha de seu bolso.
– Bruce, o que está fazendo?
– Casa comigo. – O homem falou, mais uma vez, e lhe mostrou o anel dentro da caixa preta.
O casal, entretanto, foi interrompido por um gritinho fino. No início da escada, Olivia, que já os acompanhava há bastante tempo, não conseguia se conter ao ver o pedido.
Como qualquer criança, o sonho da menina era que seus pais ficassem juntos, porém, indo contra tudo que prezava, Diana sempre mentira dizendo que aquilo não acontecia. Não era por mal, a mulher só não queria que a filha criasse expectativas em cima de uma coisa que ela não sabia se iria acontecer.
A garotinha, entretanto, sempre fora esperta e sabia que seus pais tinham alguma coisa. Ela conseguia sentir no ar e sempre mandava umas letrinhas quando estavam reunidos – principalmente quando tinha a ajuda de Donna.
Olly colocou a mão na boca quando percebeu que tinha gritado e atraído atenção para si, mas ao ver o riso no rosto do seu pai, acabou por sorrir também.
– Eu sabia! – Apontou para eles e fez uma dancinha engraçada.
Diana acabou por rir também.
Por Hera, aquela garota deveria estar dormindo, eram quase quatro da manhã.
– Você vai aceitar ou não? – Olivia enrugou a testa e colocou as mãos na cintura ao ver que a mãe ainda não tinha respondido.
Bruce riu e completou:
– Vai ou não?
Diana mordeu o lábio inferior enquanto sorria e se jogou em cima do homem, que caiu deitado no chão.
Olivia se juntou à bagunça instantes depois, se jogando por cima dos pais e gritando o quanto estava feliz.

N/A:Oi, oi, tudo bem?
Espero que vocês gostem, tem meu insta por aí (eu acho) e lá vocês conseguem ver o dreamcast, roupas usadas no capítulo etc.
Mas não desistam, porque daqui a pouco o cu cai da bunda e o parquinho começa a pegar fogo!!!
Então, meninas, esse início será meio “lento” para vocês conhecerem a história da personagem, de onde ela veio etc., já que a linha do tempo foi mudada e Olivia/você é uma personagem totalmente nova.
Beijocasss :*
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