The Light Princess

Sinopse: Milionária;
Princesinha de Gotham;
Presenteada com poderes pelos seus tios, Deuses do Olimpo;
Heroína.
O que mais a garota Wayne poderia querer? Clark Kent, obviamente.
E quando a digníssima Prince Wayne quer uma coisa, ela é um trator, que não para até que seu trabalho seja feito.
Da união do Cavaleiro das Trevas de Gotham com a Princesa Amazona, nasce a – completa doidinha, mas com um coração de ouro – Princesa da Luz, destinada, desde sua gênese, à grandeza e à transformação do mundo.
Gênero: Romance, Aventura, Ficção
Classificação: +18
Restrição: Apenas a principal é interativa.
Beta: Natasha Romanoff

Capítulos:

Prólogo

Janeiro de 1998

Diana podia jurar que tinha um ímã para homens corajosos demais para o próprio tamanho. Em seus muitos anos de vida, já tinha se deparado com alguns desses espécimes, poucos, porém chamavam sua atenção verdadeiramente, a ponto de fazê-la interferir na situação. Na verdade, até o momento, Steve Trevor tinha sido o único.
Em uma de suas andanças pela cidade em que estava hospedada no momento, se deparou com um jovem tentando defender um senhor de idade de ser roubado na madrugada. Ele até conseguira dar tempo para o senhor se livrar e correr, no entanto, por conta disto, apanhou dos três caras que tentavam roubar o senhor.
Tentou simplesmente deixar
pra lá e seguir em frente, mas, antes que pudesse perceber, já tinha ido ao resgate do homem, afastando os babacas com alguns socos e levando o jovem para longe dali. Carregou-o sem dificuldade, mesmo que esse já estivesse quase inconsciente, até o hotel onde se encontrava hospedada. Subiu pelas escadas devagar e o levou pelo corredor até o seu quarto, colocando-o na cama ao entrar neste.
Respirou fundo, reparando que o rosto do jovem tinha alguns machucados mais profundos, pegou a caixa de primeiros socorros em um dos armários e começou a passar a gaze com álcool nos machucados dele. Mesmo desacordado, o desconhecido fez uma careta enquanto ela limpava seus machucados.
Depois de fazer um curativo nos machucados mais profundos, Diana o ajeitou na cama para fazê-lo descansar enquanto ela própria se deitava no sofá. Tamborilou os dedos sobre a barriga, o olhando de cinco em cinco segundos para checar se ele, ao menos, respirava.
Não satisfeita, suspirou e levantou-se para checar sua temperatura, constatando que ele estava quente, o que fê-la molhar uma toalha para apoiar na testa dele. Aproveitou para avaliar suas feições… Ele era bonito,
bem bonito, com certeza não era velho, deveria estar por volta de seus vinte e cinco.
Sentiu a cabeça pesar, estava preocupada com uma pessoa que nunca tinha visto antes e isso, por si só, a fazia sentir-se exausta. Na última vez em que havia se prestado àquilo, o tiro acabou saindo pela culatra.
Deitou-se novamente apenas após entender que já tinha feito tudo que estava em seu alcance e, com a cabeça girando, caiu no sono.
Assustada, Diana acordou na manhã seguinte, com a tosse do homem que tentava se levantar da cama.

– Você não deveria fazer esforço. – Avisou, ainda deitada, e o fez virar a atenção para si.
– Quem é você? – Enrugou a testa, a olhando por alguns segundos e voltando a tentar se levantar.
– Sua heroína. – Caminhou rapidamente até a cama para forçá-lo a continuar deitado. – Eu disse que não deveria levantar!
– Deveria, não deve.
Ela deu uma longa inspirada, buscando paciência, e aproveitou para reparar os curativos dele. Precisavam ser trocados.
– Tome um banho, vou encher a banheira para você e mandar o hosting do hotel trazer roupas. – Disse, caminhando até o banheiro do quarto.
– Achei que deveria ficar deitado.
– Por Hera – Parou no meio do caminho. – Quer me irritar?
Ele riu pelo nariz, gostando da expressão que ela fazia quando ficava impaciente.
A mulher continuou o seu caminho até o banheiro, ligou a torneira da banheira e voltou, partindo para o telefone fixo que lhe permitia falar com o funcionário do hotel.
– Você sabe quanto eu visto? – O homem perguntou, depois de um tempo, já acomodado na banheira.
– Tenho um bom olho. – Ela respondeu, deitada na cama, aguardando-o terminar.
Ele não demorou muito, apenas o tempo de se lavar e relaxar um pouco os músculos. Saiu com a toalha enrolada no quadril, mantendo o tórax descoberto e, apesar de não ser musculoso, tinha definição o suficiente para fazer com que Diana o admirasse por um instante ou dois.
– Onde estão as roupas? – Indagou, sentindo dor demais para reparar na mulher, que avaliava seu torço sem muita vergonha.
– O quê? – Respondeu, confusa, recobrando sua atenção.
– As roupas…
– Ah! Sim! – Se levantou rapidamente. – Aqui. – Entregou ao jovem, que voltou ao banheiro e colocou sua nova muda de roupas.
Quando retornou ao quarto, se direcionou à cama, obedecendo as ordens da outra, sentando-se para cuidar dos machucados.
– Você tem esse costume de trazer homens machucados para sua casa? – Perguntou, com um tom de riso, o que não era muito típico dele.
Diana parou um instante para observá-lo, estava com as pernas cruzadas como índio enquanto ela se encontrava de joelhos, em cima da cama, na frente dele.
– E você? Tem o costume de apanhar pelas ruas? – Respondeu, petulante, e voltou a tratar seus machucados.
Ele sorriu e não falou mais nada pelo resto do tempo em que ela cuidava dele.
– O gato comeu a sua língua? – Perguntou, assim que terminou.
No pouco tempo em que ele estava acordado, já tinha se mostrado muito falante e piadista.
– Sou um homem de poucas palavras.
– Hm… E esse homem de poucas palavras tem nome? – Sentou-se de frente para ele, ainda na cama.
Ele piscou algumas vezes, confuso, e respondeu:
– Bruce.
– Bruce o quê? – Continuou, olhando-o compenetrada e ele juntou as sobrancelhas.
– Você nã… Não importa.
– O Bruce é um pouco misterioso, não é? – Debochou, e ele riu pelo nariz. – O que pensou que estava fazendo ao entrar numa briga, sozinho, na madrugada?
Ele passou a língua pelos lábios e riu mais uma vez.
Aquela mulher tinha alguma coisa diferente.
– Eu não estava arrumando briga, eu estav… – Foi interrompido.
– Defendendo o senhor que estava sendo roubado. Eu vi. – Disse, como se fosse óbvio. – Mas você não é tão forte como imagina, por que não chamou a polícia?
– Porque a polícia não funciona. Até ela chegar… – Parou no meio da frase. – O senhor já estaria sem seus pertences ou até mesmo morto. Eu preferia ir no lugar dele.
Diana piscou algumas vezes e engoliu o seco, ele lembrava tanto Steve.
– Não teme pela sua vida? – Estudava cada parte de seu rosto.
– Não. – Foi simples. – Eu… – Se levantou da cama. – Você pode chamar um táxi para mim? – Diana enrugou a testa.
– Como?
– Preciso ir.
– Eu não vou te deixar ir nesse estado. Tenho certeza de que não está bem e de que não é o tipo de homem que se cuida e vai ao médico.
Bruce suspirou.
– É cárcere? – Perguntou, e pela primeira vez não estava com o sorriso, que ela o fazia ter, no rosto.
– É pagamento pelo trabalho e susto que me deu. Só sai depois de me dar a certeza de que está bem. – Ela aumentou um pouco o tom de voz e, com seu jeito petulante de ser, o fez ficar.

E foi essa a situação que a fez, alguns meses depois, se descobrir grávida. Tinha ficado pouco tempo com o homem, apenas alguns dias que não chegaram a completar nem um mês, mas acabou se redescobrindo depois daquilo, principalmente pela parte de ser mãe.
Infelizmente, apesar de ser ótimo como pessoa, Bruce não era um bom amante. Não em relação ao sexo, o sexo era maravilhoso, mas Bruce não conseguia se conectar de verdade.
Diana entendia isso, ele tinha seus demônios, assim como ela, também, tinha os dela. Ele tinha sido honesto, no entanto, desde o primeiro instante, quando percebeu que estavam se envolvendo – antes mesmo do primeiro beijo -, lhe contou que não era um cara para namorar; não contou o motivo, mas deu a entender que as circunstâncias da vida causavam isso.
Mas, apesar de Bruce dizer uma coisa, suas atitudes diziam outra e Diana nunca se sentiu tão bem e em paz como se sentiu com ele.

– Quantos anos você tem? – Ela perguntou, um pouco assustada, a voz um pouco mais alta por conta disso.
Ele riu.
Tinha acabado de elogiá-lo por ser um ótimo parceiro na cama e brincou que, com certeza, ele havia treinado bastante, mas Bruce tinha lhe respondido um: “não muito”, com uma cara bem culpada.
– Eu posso ser presa? – Abriu a boca, se fazendo de chocada e dando um tapa no ombro dele.
Bruce riu novamente, o riso com ela realmente se soltava fácil.
– Dependendo do estado. – A amazona abriu a boca, realmente chocada dessa vez.
– Tem menos de 21? – Se deitou de lado, observando as expressões do parceiro.
– 19? – Respondeu, em uma falsa dúvida, fazendo uma careta.
Diana gargalhou, incrédula.
– Por Hera! Eu vou me entregar à polícia.
– Quantos anos você tem? – Finalmente, devolveu a pergunta e foi a vez da mulher fazer a careta.
– Alguns.
– Alguns quantos?
– Não importa.
– Tão velha assim? – Ele zombou.
– Você nem imagina…

Ele, de verdade, não imaginava.

A amazona se viu perdida quando descobriu a notícia de que estava grávida.
Grávida!
Grávida e sozinha!
Diana sempre tinha sido autossuficiente, mas ela não sabia nada sobre criar uma criança e temeu por ela e pela criança em seu ventre.
Procurou por Bruce em todos os lugares, ela não sabia seu sobrenome, mas tinha contatos e acabou por descobrir quem era o jovem que tinha lhe tirado algumas noites de sono e, ademais, lhe deixado grávida.

Bruce Wayne.
Este, entretanto, havia desaparecido, desde dias depois que ficaram juntos. Aparentemente, depois que ele foi embora, ninguém mais teve notícias dele e o jovem já tinha sido dado como morto.
Como em poucas ocasiões na sua vida, Diana chorou. Chorou por não saber o que tinha acontecido com Bruce. Chorou por não saber o que iria acontecer com ela. Chorou por estar sozinha e nessa situação. E, então, buscou refúgio no único lugar que poderia… Temiscira.

Dezembro de 2002

Diana já havia voltado de Temiscira há dois anos, permanecera lá durante toda sua gravidez e durante os dois primeiros anos de vida de sua filha, Olivia – que agora tinha quatro anos -, mas decidiu que valia a pena voltar para o mundo de Bruce Wayne.
Mesmo que Bruce não estivesse mais neste, valia a pena tentar criar um mundo melhor, por ele e por sua filha, do jeito que ele tentava com suas pequenas ações.
– Não troca de canal! – Avisou, quando viu a filha tentar se aproximar do controle.
– Mas você não está vendo. – Olivia tentou.
– Estou escutando e você está pintando seus desenhos. – Apontou as folhas e os lápis de cor pelo chão. – Continue.
Com um bico, Olly continuou a pintar seus desenhos e Diana se aproximou do vaso ao centro da mesa, prendendo o riso com a expressão da filha.
– Depois de desaparecer por cinco anos e ser dado como morto, Bruce Wayne reaparece e diz que pretende fazer de Gotham uma cidade melhor através da Wayne Enterprises. – A repórter da TV falou, e o vaso de flores escorregou da mão da amazona, espatifando no chão enquanto, paralisada, ela via a foto do pai de sua filha na televisão.
– O que foi, mamãe? – Olivia perguntou, assustada. – Mamãe? – Chamou novamente, mas a mulher não se mexia.
Se levantou preocupada e caminhou até a mãe, mas, antes que pudesse alcançá-la, pisou em um pedaço de vidro do vaso que tinha escorregado da mão de Diana.
– Ai. – Disse, já com lágrimas nos olhos e a voz chorosa, foi só então que Diana acordou de seu transe.
– O que houve, minha filha? – A pegou no colo imediatamente, sentando-a sobre a mesa e examinou seu pé.
Graças aos deuses era algo superficial.
– Já não lhe disse para não chegar perto de vidro?
– Eu estava nervosa. Você não falava. – Se desculpou, em meio às lágrimas, e Diana se sentiu culpada.
– Sinto muito, meu amor. – Passou as mãos em seu rostinho. – Eu vou pegar o band-aid. – Falou, já caminhando em direção à cozinha. – Não saia daí. – A menina assentiu com a cabeça, já balançando os pezinhos e se esquecendo da dor.
Diana voltou com a caixinha de primeiros socorros e limpou o machucado da filha.
Olivia era seu bem maior e Prince não sabia até onde seus genes tinham alcançado a garota, ela não se machucava ou adoecia com facilidade, mas, até onde a semideusa sabia, era apenas isso – e estava ótimo assim.
– O que aconteceu com você? – Olivia perguntou, novamente.
Nunca tinha visto a mãe daquele jeito.
– Seu pai. – Respondeu, em um fio de voz.
Sempre tinha sido super sincera com a filha, que sempre fora esperta assim como ela em sua juventude, então não tinha motivos para mentir agora.
– O que tem ele? – Curiosa, analisou o rosto da mãe.
– Acho que ele está vivo. – Respondeu, olhando no fundo dos olhos da filha. – Mas isso não significa que vamos falar com ele.
– Por quê?
– Não falo com ele há anos. Não sei o que aconteceu, não sei se ainda é o homem pelo qual me apaixonei. – Diana suspirou.
– Você me deixa ir junto? Quando você for falar com ele… – A mais nova fez um novo bico e Diana sorriu, assentindo.
Como esperado, não foi difícil para a amazona conseguir um horário na agenda do Wayne e, na semana seguinte, se encontrava caminhando até a sala dele, com a filha em seu encalço.
– Senhorita Prince. – Ele comentou, assim que escutou o barulho da porta, sem levantar o olhar.
– Oi, Bruce. – Ela respondeu, fazendo o máximo que podia para controlar sua voz e a reação dele foi instantânea.
Bruce reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
– Diana? – Piscou algumas vezes, observando a mulher e ela deu um leve sorriso.
– Onde você estava, Bruce? – Os olhos dela se encheram de lágrimas. O homem travou no lugar, sem saber como agir. – Eu te procurei em cada canto dessa Terra, mas tudo que eu encontrava era a mesma coisa… Bruce Wayne estava morto.
Ele continuou parado.
Perdido.
Diana não havia mudado nada, um fio de cabelo sequer. E, agora, estava ali, na sua frente, chorando.
– Por Hera, Bruce, fale alguma coisa.
O homem só saiu de seu transe, parando de olhar para o rosto da bela mulher que quase tinha lhe feito desistir de tudo no passado, quando ouviu alguém tossir forçadamente. Olhou pela sala, procurando de onde vinha o som e reparou na mini figura ao lado de Diana, segurando em suas pernas.
Enrugou a sobrancelha, se levantando, observando os traços da menina. Ela tinha pequenos cachos na ponta dos cabelos e a boca rosada e fina, assim como Diana; os olhos, porém, lhe tiraram o ar. Sentindo o coração bombear mais rápido que o normal, avaliou as duas bolas verdes e expressivas que poderiam muito bem ser descritos como iguais aos de Martha, sua falecida mãe.
Bruce congelou novamente, dessa vez, olhando a menina, sentiu o coração bater ainda mais rápido só para desacelerar como se já não existisse depois, ao passo em que sua respiração ficava irregular. Piscou algumas vezes, tentando se concentrar, mas perdeu seu foco mais uma vez quando a menina lhe ofereceu um sorriso perfeito, assim como os que Diana lhe sorria, e o homem desmontou por alguns instantes.
A mais velha da sala, obviamente, reparou suas expressões um pouco preocupada, mas mandou a própria tensão embora quando o viu dar um indício de sorriso para a criança.
– Esta é Olivia. – Diana falou. – É nossa filha. Vou entender se não acreditar ou… – Foi interrompida por ele.
– Eu jamais duvidaria de você, Diana. – Ela assentiu, e finalmente caminhou para perto dele.
– Já não é mais um adolescente, não é? – Deu um sorriso, enquanto fazia um carinho no rosto dele e ele se permitiu sorrir junto dela. – Onde se meteu? – A preocupação em seus olhos poderia ser lida por qualquer um.
– Não importa mais.
Como se tivesse levado um choque, Diana se afastou dele.
– Como não importa, Bruce? – Passou as mãos pelos cabelos e parou de costas, se recusando a olhá-lo para dizer aquilo. – Tem ideia de como foi difícil para mim, grávida, achar que você estava morto? – Se virou de frente para ele de novo.
Bruce respirou fundo, não sabia o que falar ou como agir, nunca pensou que iria passar por aquilo. Por mais que em seu âmago almejasse uma família, se julgava incapaz de conseguir isso, mas agora ele era pai.
Observou a garotinha, que depois de notada começou a andar pelo escritório bisbilhotando tudo, completamente curiosa. Se lembrava de ser assim quando pequeno, perguntando a mãe o porquê de tudo. E, então, quando menos esperava, ela correu em sua direção, pulando em seu colo.
– Oi. – Pôs as mãozinhas nas bochechas dele, obrigando-o a olhar para si.
– Oi. – Se forçou a responder, depois de alguns segundos.
Não queria ser um babaca com a filha.
– Ah! Você fala? – Diana o cutucou.
– Diana, por favor. – Pediu, mas ela revirou os olhos.
– Vamos, Olivia. – Chamou pela filha, se encaminhando em direção à porta.
– Diana! – Chamou, um pouco exasperado, ainda com a filha no colo.
– O que é, Bruce? – Parou no meio do caminho.
– Podemos conversar sobre isso depois? Com calma. Por favor.
Ela suspirou.
Quando se tratava de Bruce, a mulher era só suspiros, seja de impaciência ou de prazer.
– Tudo bem. – Cedeu, ainda que frustrada. – Olivia. – Chamou novamente.
A menina se sacudiu para descer do colo do pai e este se agachou para pô-la no chão, sendo, mais uma vez, surpreendido por um beijo estalado e um abraço apertado. Instintivamente, ele correspondeu, alisando seus cabelos e beijando sua testa.
– Diana. – Chamou, quando ela já estava abrindo a porta da sala, a mulher parou para olhá-lo. – Vou vê-la novamente, certo? – Olhou para a filha e Diana não conseguiu não sorrir.
– Claro, Bruce. Vou deixar meu contato com a sua secretária.

***

Abril de 2004

O início não foi fácil. Bruce não fazia ideia de como agir ao redor da garota, do que fazer para se dar bem com ela ou agradá-la – e só os deuses sabiam o quanto ele queria agradá-la -, mas Olivia era uma criança esperta e suas atitudes falavam por si só.
Não demorou muito para as coisas se ajeitarem e Bruce passar a ser chamado de papai.
E, céus, como ele adorava ouvir aquilo.
Adorava ver a garotinha correndo pela casa, perguntando tudo, falante e fazendo toda a bagunça que ele nunca imaginou que deixaria alguém fazer.
Olivia, assim como Diana, tinha o homem nas mãos.
– Você vai fazer panquecas hoje, papaizinho? – Olly perguntou, sentada na bancada da cozinha da mansão Wayne.
Bruce olhou para ela e sorriu. Depois que ele havia contado que sabia fazer panquecas, porque tinha aprendido com sua mãe, a menina lhe pedia panquecas todo café da manhã. Se pôs na frente dela, apoiando os cotovelos na bancada, com a menina entre eles, e falou:
– Vou. – Era uma resposta simples, mas o sorriso que a acompanhava fazia o coração da menina se encher de felicidade. Ela amava o papaizinho desde o primeiro momento em que o viu.
O amor das meninas Prince pelo príncipe de Gotham, Wayne, era tão puro e real, assim como o amor dele para com elas.
Diana chegou para buscar a menina menos de uma hora depois e aproveitou para comer as famosas panquecas junto à filha. Eles ainda não haviam confirmado como ficaria a guarda da garota, mas, por hora, decidiram que ela passaria os finais de semana com Bruce – mais os dias da semana que ele estivesse livre.
– Não está atrasado para o trabalho? – Diana perguntou, ainda terminando de comer as panquecas.
– Um pouco, mas tenho coisas mais importantes em casa. – Passou as mãos pelos cabelos de Olivia e a menina lhe sorriu.
Pegou o paletó e vestiu, saindo da cozinha. Diana já tinha percebido que ele a evitava e ele sabia disso, mas não podia fazer muito… A mulher era cheia de perguntas que ele não podia responder e ele não sabia não ser transparente para ela. A única forma que tinha de encobrir quem era, era evitando-a, mesmo que isso não lhe agradasse.
– Quer que eu deixe vocês na escola da Olivia? – Ele perguntou, da sala.
– Não precisa. Combinei de sair com um amigo, ele vai passar aqui para nos buscar e nós aproveitamos para deixá-la na escola. – Bruce voltou para a cozinha imediatamente. – Você já está atrasado. – Sorriu cínica.
– Um amigo? – Perguntou, um pouco mais incomodado do que gostaria de estar.
– Sim. – Recebeu uma mensagem no celular logo após responder e desviou a atenção para descobrir quem era. – É ele. – Levantou o olhar e sorriu novamente. – Nos vemos no próximo fim de semana. – Ajudou a filha a descer da bancada e caminhou com ela, deixando Bruce para trás.
– Estarei livre já na quinta.
– Então nos vemos na quinta. – Respondeu, sem olhar para trás. – Tchau, Bruce.
Bruce respirou fundo, revirando os olhos e, ignorando o olhar acusatório de Alfred, saiu para o trabalho.

***

– Liga para ele. – Olivia pediu, impaciente com a demora do pai.
– Espera, minha filha. – Pegou o telefone e discou o número de Bruce, porém ninguém atendeu. – Ele não atende. Deve estar ocupado.
– Mas ele está atrasado. Liga pro trabalho dele. – A menina apontou o telefone com a mão e Diana revirou os olhos, escutando a risada de Donna – sua caçula – atrás de si.
Para a felicidade de Diana e de Bruce, Olivia tinha se adaptado rapidamente ao pai e ficado extremamente apegada a ele, mas às vezes – só às vezes – aquilo podia ser um verdadeiro saco.
A amazona tentou de novo, dessa vez com o número da secretária dele, em poucos instantes foi atendida.
– Giovanna, é Diana. – Falou, assim que a mulher atendeu.
Ah! Oi, senhorita Prince.
– Bruce está por aí?
Não, já saiu. Posso te ajudar com alguma coisa?
– Não. Apenas isso. Obrigada.
Não há de quê.
Diana colocou o telefone acima da mesa e se sentou no sofá, entre a filha e a irmã, enquanto ligava a televisão.
– Ele já saiu de lá. Já deve estar chegando. – Avisou, e a menina assentiu pouco conformada.
Menos de uma hora depois, o homem se fez presente na casa, pedindo desculpas pela demora e recebendo um petulante: “que isso não se repita” de sua filha.
Diana se despediu deles e voltou ao sofá, dessa vez prestando atenção no noticiário, já que antes estava apenas tentando distrair a filha.
Novamente, o vigilante que as pessoas vêm chamando de Batman agiu e ajudou a polícia a capturar dois assaltantes. – A repórter começou e Diana arqueou as sobrancelhas, recebendo instantaneamente um olhar de Donna.
Não era a primeira vez que ela ouvia falar desse Batman.
Mesmo sem imagens oficiais, algumas testemunhas afirmam já terem sido salvas por ele e alguns bandidos parecem aterrorizados.
A mulher piscou algumas vezes, se remexendo no sofá como se, de repente, ele fosse feito de agulhas.
– O que você está pensando? – Donna murmurou, analisando a irmã de cima a baixo.
Prince preferiu ignorar a irmã, somente se esticando para pegar o telefone e voltando a ligar para a secretária de Bruce.
– Desculpa te importunar novamente, Gio, é que o Bruce não chegou aqui até agora e a Olivia está reclamando. Faz muito tempo que ele saiu?
Ele saiu mais cedo hoje, senhorita Prince, por volta das quatro da tarde. Devo me preocupar?
– Não, não se preocupe. Vou ligar para o Alfred, ele deve saber.
Desligou e olhou o relógio.
9h13 da noite.
Por que Bruce tinha demorado tanto para buscar a menina se tinha saído cedo?

– Seu rosto está machucado. – Diana passou a mão pelo machucado no canto da boca homem. – O que houve?
– Me cortei fazendo a barba.
– Estava fazendo a barba com uma espada? – Perguntou, incrédula, já que o corte não era pequeno e estava bem magoado.
Bruce riu.
– Não é para tanto.

– O que foi? – Bruce perguntou, após o suspiro pesado da mulher nua ao seu lado.
– A gente, um dia, vai conversar sobre o que você fez no tempo que ficou longe? – Passou a mão por algumas cicatrizes em seu dorso e foi a vez dele de suspirar, tirando a mão dela dali.
– Não é importante, Diana.
– Essas cicatrizes não fazem parecer que foi alguma coisa sem importância. – Ela ia recomeçar, mas, bom, pelo menos em momentos como aquele, ele sabia o que fazer para distraí-la.

– Alô, Alfred? – Indagou, assim que os toques pararam.
– Sim, senhorita Prince. Algum problema?
– Bruce está? Não estou conseguindo falar com ele.
O homem do outro lado da linha hesitou por um instante.
– Patrão Bruce precisou fazer uma viagem de emergência.
– Quando ele volta?
– Infelizmente, não sei, senhorita.

Podia jurar que essa viagem tinha acontecido na mesma época que a notícia de Batman em Metrópolis havia aparecido.
Suspirou ao pensar na despedida deles, anos atrás, a necessidade de ser a mudança que Gotham City precisava era algo que sempre estava em suas poucas conversas mais profundas.
Determinada a descobrir a verdade, caminhou até seu quarto, sendo seguida pela irmã, e, no fundo do closet, apanhou pela caixa que colocou dentro da bolsa.
– Por que está pegando o laço? – A adolescente pareceu surpresa. – Acha que Bruce tem alguma coisa a ver com isso?
– Não sei. – Murmurou, entredentes. – Mas se tiver, vou descobrir. Você vai ficar aqui e me aguardar voltar.
Donna abriu e fechou a boca algumas vezes, como um peixe – ou um atlantis, zombou internamente -, até ter coragem de falar:
– Não estou aqui para ser treinada? – Continuou seguindo a irmã pela casa. – Seria lógico se me deixasse ir com você para… – Parou de falar, ao receber um rude olhar da mais velha.
– Não se trata de um treinamento, Troy. – O uso de seu sobrenome indicava que ela não estava para brincadeiras. – É do pai da minha filha que estamos falando.
– E do homem pelo qual você é apaixonada.
– Donna! – A voz, apesar de baixa, bradou forte o suficiente para fazer a garota se encolher e sentar no sofá. – Não saia daqui. – Mandou mais uma vez.
Desceu para a garagem do prédio e entrou no carro, que raramente usava, a caminho da mansão Wayne. Não demorou muito para chegar ao seu destino e logo foi liberada para entrar no local.
Estacionou o carro, tirou a caixa de dentro da bolsa e entrou na mansão, já sendo recepcionada por Bruce e Olivia – que comia uma barrinha de chocolate.
– Aconteceu alguma coisa? – Fechou a porta atrás dela.
– Você é o Batman? – Indagou, sem rodeios, paciência não era uma de suas virtudes.
Bruce vestiu uma expressão parecida com a de sua irmã minutos antes, mas logo tratou de rir e secou até algumas falsas lágrimas no canto dos olhos.
– Batman, Diana? – Riu pelo nariz. – Batman é só uma historinha que a máfia usa para assustar outros criminosos e desencorajar a concorrência.
Diana revirou os olhos para o que ela julgava ser o teatrinho do homem. Impaciente, abriu a caixa que segurava abaixo do braço, retirando o que tinha dentro.
Olivia, sentada no sofá, soltou um: “oh-oh”. E Prince, sem esperar a reação da parte dele, o laçou.
– Você é o Batman? – Perguntou, novamente.
Antes que pudesse sentir, a resposta saltou de sua boca:
– Sou. – Piscou algumas vezes, tentando entender o que havia acontecido. – O que…?
– Este é o Laço de Héstia, ele força as pessoas a revelarem a verdade. Lutar contra ele é doloroso e inútil.
– Não pode mentir. – Olivia disse, rindo baixinho.
– Por que não foi sincero comigo?
– Eu estou em uma missão para salvar Gotham. Não tenho tempo para distrações ou… – Parou, tentando se controlar, mas sentindo a corda ao seu redor esquentar. – Da última vez que você entrou na minha vida, quase me fez desistir de tudo por você.
A mulher segurou a respiração por alguns instantes, mas recomeçou:
– O que você fez durante esses anos que ficou longe?
– Treinei para ajudar a salvar Gotham. – Respondeu, de forma simples, e Diana forçou ainda mais o aperto do laço.
– Treinou o quê? Com quem? – Perguntou, entredentes.
– Quando nos conhecemos, eu já estava na minha jornada ao redor do mundo para encontrar um método de salvar Gotham, minha cidade, a cidade que meus pais amavam, mas eu não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Eu sabia que não conseguiria só com a Wayne Enterprises, meu pai tentou esse caminho e falhou. E ele era um homem muito melhor que eu. – Respirou fundo, sentindo a garganta secar. Odiava falar sobre seus pais. – Pouco tempo depois de te encontrar, conheci um homem, quase do mesmo jeito que te conheci. Seu nome era Ra’s Al Ghul e ele entendeu meu desejo por salvar a minha casa e me disse que conhecia um lugar onde eu encontraria a força para trazer as mudanças que eu almejava. Na Liga dos Assassinos.
– Liga dos Assassinos? – Diana o interrompeu. – Que diabos é isso, Bruce? Um clube de motoqueiros? – Arqueou uma das sobrancelhas e Bruce não pôde evitar sorrir ao escutar a gargalhada de Olivia.
– Uma organização secreta milenar que preza pela manutenção da ordem no mundo. São responsáveis pelo colapso de quase todas as grandes civilizações na história, Roma, Babilônia, Alexandria, a peste negra… Quando a Liga acha que a sociedade está se autodestruindo, eles a queimam para eliminar os maus elementos e garantir nova sociedade purificada.
– Por Hera, Bruce, você entrou para um culto de fanáticos genocidas? É isso que você veio fazer em Gotham?
– É lógico que não, Diana. – Respondeu, irritado.
Irritado pela série de perguntas.
Irritado por estar sendo obrigado a revelar coisas que pensou que levaria para o túmulo.
Irritado por ter que falar aquilo na frente de Olivia.
E irritado por ser tão difícil ao ponto de Diana se ver iminente a amarrá-lo para conseguir respostas.
Olhou para a filha antes de continuar, mas logo abaixou o olhar; não queria que ela se assustasse com a história.
– Eu jamais faria isso. Ra’s virou meu mentor e amigo. Me treinou por cinco anos, ensinando a controlar o meu medo e usar o medo dos meus inimigos contra eles, me transformando em um exército de um homem só. Eles queriam que eu fizesse isso com Gotham, mas eu não mato, não sacrifico a vida de ninguém além da minha. Fazer isso seria me transformar naquilo que meus inimigos representam e cuspir na memória dos meus pais.
– Então, como você está aqui? Eu não conheço essa Liga, mas assumo que não lidem muito bem com rejeição.
– Eles realmente não lidam. Ra’s era o líder, quando rejeitei sua filosofia, ele me prendeu e me torturou. Tentou fazer uma lavagem cerebral em mim… – Bruce fechou os olhos, como se lembrar daquelas coisas fosse doloroso demais. – Colocava inocentes em uma arena, amarrados e indefesos, e, junto, criminosos para atacá-los, com a promessa de liberdade caso o fizessem. E me jogava no meio, me forçando a matar para salvar os inocentes, para que eu entendesse sua visão. Mas eu nunca matei. Não importava o quão difícil estava ou a minha desvantagem, matar não era uma opção. Felizmente, consegui impedir a morte de qualquer inocente.
– Tocante, mas você ainda não respondeu minha pergunta. Como está aqui? – Ele suspirou.
– Eu estava chegando lá. Você queria saber, então estou te contando tudo. Não seja impaciente, não é como se eu fosse ir a algum lugar. – Se mexeu, fazendo referência ao laço em volta de si. – Durante meu treinamento, eu me envolvi com a filha mais velha de Ra’s, Talia. – Sentiu o laço apertar ainda mais seu corpo e fez uma pausa.
Diana ergueu uma de suas sobrancelhas, o desafiando a continuar.
– Nos apaixonamos. – Disse, devagar, e escutou Olivia expressar um som surpreso. Quando a olhou, ela tinha as duas sobrancelhas arqueadas, olhando, confusa, dele para a mãe. A necessidade que ele tinha de se explicar ficou mais forte de repente. – Não fazia sentido fugir dela enquanto eu achava que tínhamos o mesmo objetivo. Depois da minha traição ao pai dela, ela ficou dividida. Seu pai tinha sua mente, eles compartilhavam a mesma convicção, mas eu tinha seu coração. Eventualmente, o coração venceu e ela me ajudou a fugir.
– E essa Talia? – Diana perguntou, sem conseguir se conter.
Olly riu baixinho, mas colocou as mãos na boca quando um olhar da mãe a repreendeu.
– Eu não sei. Durante minha fuga, eu sabotei as instalações da Liga, diminuindo sua capacidade de causar danos a qualquer lugar, especialmente a Gotham. No meio ao caos, Ra’s… – Piscou algumas vezes para se concentrar. – Ra’s acabou morrendo. Talia traiu a Liga, mas me culpa pela morte dele. Ela desapareceu, não a vejo há mais de um ano.
Diana afrouxou o laço, deixando-o se libertar. O homem esfregou um pouco os braços doloridos pelo aperto e se sentou no sofá, passando as mãos pelo cabelo.
– E você? – Ele perguntou. – É uma amazona, não é? – Perguntou, fazendo a mulher franzir a testa.
– Como sabe?
– A Liga tem registros de milhares de anos sobre todas as civilizações do planeta, incluindo o lado místico. Eu já desconfiava de algumas coisas e os registros apontavam duas possibilidades, amazonas e atlantis. Como nunca te vi respirando embaixo d’água ou falando com peixes, assumi que fosse o primeiro. E agora teve isso. – Apontou o laço na mão dela. – Aliás… você não estava brincando quando disse que era mais velha. Segunda Guerra Mundial? – Ele arqueou as sobrancelhas.
Diana mordeu o lábio inferior, aquilo trazia à tona assuntos que ela preferia não rever.
– Quantos anos você tem?
– É indelicado perguntar a idade de uma dama. – A amazona murmurou, enrolando o laço.
– Oitocentos. – Foi Olivia que respondeu, causando um olhar assustado no pai.
– Quanto ela sabe?
– Tudo. Inclusive sabe que eu também sou uma ótima nadadora graças ao meu tio. – Bruce franziu o cenho. – Poseidon. – Tive meu passado escondido pela minha mãe, então minha relação com Olivia sempre foi baseada em transparência. Não gosto de segredos, Bruce. – Ele se levantou e caminhou para perto dela.
– Aprendeu isso com Steve Trevor? – Viu o rosto dela adquirir um tom furioso no mesmo instante.
Antes que pudesse raciocinar, recebeu um soco na boca do estômago que o fez voltar a se sentar no sofá. Longe dela.
Olivia arregalou os olhos, pulando do sofá imediatamente e, com o mesmo olhar repreendedor que a mãe tinha lhe dado minutos antes, se colocou na frente do pai de braços abertos. Respirou fundo algumas vezes, ainda de cara fechada para a mãe, e cruzou os braços.
– Não vai bater no papai! – Pareceu pensar por alguns instantes e saiu da frente do homem. – Se bem que… – Começou, pensativa. – Ele te traiu. Pode bater sim, vai. – Abanou a mão da mãe para o pai, como se a incentivasse.
– Eu traí? – Bruce riu e juntou as sobrancelhas.
Com o olhar mais insolente possível, ela se virou para o pai e disse:
– Talia.

***

Outubro de 2005

Era madrugada quando Bruce chegou à casa de Diana. Ele já tinha lhe enviado uma mensagem dizendo que queria vê-la, o que fez a mulher ficar preocupada. Sabendo que ela estaria lhe aguardando na sala, deu dois toques na porta do apartamento.
– O que houve? – Diana juntou as sobrancelhas, enquanto fechava a porta sem tirar os olhos dele.
Bruce não lhe respondeu. Ao menos não do jeito que ela pensou que ele responderia.
Em segundos, tinha sido imprensada contra a porta e a boca do homem tinha coberto a sua. Diana suspirou, se agarrando aos cabelos dele.
Eles tinham combinado que aquilo não aconteceria mais, a mulher não queria ser só mais um dos casinhos que ele tinha para manter a fama de playboyzinho. Mas ali, com os beijos dele em seu pescoço e a mão apertando todos os lugares de seu corpo do jeito que só ele sabia, era fácil esquecer o tratado.
Recobrando um pouco de sua consciência, ela o afastou de si. Respirou fundo, ainda grudada na porta, enquanto olhava o homem à sua frente com a respiração tão descompassada quanto a dela.
Wayne riu, já sabendo o que viria, quando a viu estender um dedo para ele, completamente séria.
– Inferno. – Diana resmungou, fechando os olhos e esfregando o rosto com as mãos. – A gente combinou, Bruce. – Voltou a apontar o dedo para ele.
Bruce voltou a sorrir e deu de ombros.
– Por que combinamos uma coisa tão idiota? – Olhou para ela com uma falsa expressão confusa e um sorriso ladino, mas a mulher continuou séria. – Diana… – Voltou a se aproximar dela.
– Não! – Ela estendeu a mão para lhe afastar.
– Droga, Diana. Pare com isso. – Ela negou com a cabeça.
– Se você quer sexo, tem um monte de mulher por aí se matando para conseguir uma noite na sua cama.
– Se eu quisesse sexo com elas, estaria com elas. No plural, você sabe. – Deu de ombros.
A amazona abriu a boca, indignada, e levantou a mão para meter um tapa naquela cara linda dele, mas Bruce segurou seu braço e lhe puxou para um novo beijo e ela se repreendeu por ser tão dada a ele.
– Não quero ninguém além de você. – Sussurrou, com o nariz colado no dela, quando terminaram o beijo.
– Pare de falar sandices. – Reclamou, mas ele negou com a cabeça.
– Casa comigo.
Diana arregalou os olhos.
– Como? – Perguntou, completamente confusa.
A boca dela caiu no chão ao ver o homem ajoelhar na sua frente e tirar uma caixinha de seu bolso.
– Bruce, o que está fazendo?
– Casa comigo. – O homem falou, mais uma vez, e lhe mostrou o anel dentro da caixa preta.
O casal, entretanto, foi interrompido por um gritinho fino. No início da escada, Olivia, que já os acompanhava há bastante tempo, não conseguia se conter ao ver o pedido.
Como qualquer criança, o sonho da menina era que seus pais ficassem juntos, porém, indo contra tudo que prezava, Diana sempre mentira dizendo que aquilo não acontecia. Não era por mal, a mulher só não queria que a filha criasse expectativas em cima de uma coisa que ela não sabia se iria acontecer.
A garotinha, entretanto, sempre fora esperta e sabia que seus pais tinham alguma coisa. Ela conseguia sentir no ar e sempre mandava umas letrinhas quando estavam reunidos – principalmente quando tinha a ajuda de Donna.
Olly colocou a mão na boca quando percebeu que tinha gritado e atraído atenção para si, mas ao ver o riso no rosto do seu pai, acabou por sorrir também.
– Eu sabia! – Apontou para eles e fez uma dancinha engraçada.
Diana acabou por rir também.
Por Hera, aquela garota deveria estar dormindo, eram quase quatro da manhã.
– Você vai aceitar ou não? – Olivia enrugou a testa e colocou as mãos na cintura ao ver que a mãe ainda não tinha respondido.
Bruce riu e completou:
– Vai ou não?
Diana mordeu o lábio inferior enquanto sorria e se jogou em cima do homem, que caiu deitado no chão.
Olivia se juntou à bagunça instantes depois, se jogando por cima dos pais e gritando o quanto estava feliz.

N/A:Oi, oi, tudo bem?
Espero que vocês gostem, tem meu insta por aí (eu acho) e lá vocês conseguem ver o dreamcast, roupas usadas no capítulo etc.
Mas não desistam, porque daqui a pouco o cu cai da bunda e o parquinho começa a pegar fogo!!!
Então, meninas, esse início será meio “lento” para vocês conhecerem a história da personagem, de onde ela veio etc., já que a linha do tempo foi mudada e Olivia/você é uma personagem totalmente nova.
Beijocasss :*
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Capítulo 1

Agosto de 2006

se encolheu junto ao pai.
Em todos aqueles anos, ela nunca teve que ficar longe da mãe. Nunca. Diana sempre esteve ao redor de sua filha, a enchendo de beijos e paparicando enquanto lhe ensinava algumas valiosas lições.
Até a noite anterior. Noite em que o Olimpo tinha convocado a filha de Zeus para uma importante missão rumo ao Tártaro.
A garota fungou enquanto se apertava mais ainda ao mais velho e Bruce sentiu seu coração ficar pequeno.
— Meu amor, eu não estou aqui com você? — perguntou enquanto fazia um carinho nela.
— Mas e se ela se machucar? — Algumas lágrimas escorreram pelo rosto da criança.
— Sua mãe? — Bruce juntou as sobrancelhas como se aquela ideia fosse algo impossível. assentiu. — Mas ela não é a Mulher Maravilha? — indagou num sussurro e a filha assentiu mais uma vez. — Ela nunca vai se machucar! É uma super-heroína muito, muito forte. — Arqueou as sobrancelhas e cutucou a barriga da menina quando ela deu um leve sorriso.
— Mas você se machuca. — Voltou a se preocupar com um biquinho.
— Ah, mas é porque eu não sou fortão que nem sua mãe. Ela é a Mulher Maravilha, eu só sou o Batman. — Balançou os ombros com uma faceta que beirava o desdém para si mesmo.
— O Batman é muito forte — constatou e o pai riu.
— Então a Mulher Maravilha deve ser muito maravilha mesmo, não é? — Acariciou o rosto da filha, que concordou com um balançar de cabeça.
— Mas e se vocês dois não estiverem aqui? — O bico voltou a aparecer.
Bruce deu um leve sorriso e se virou de costas para a filha para alcançar uma caneta na primeira gaveta de seu criado-mudo. Feito isso, puxou a mão dela e desenhou um círculo.
— Quando eu era pequeno, tinha medo também… — confessou, continuando a desenhar. Depois do círculo, veio um quadrado. — Meu pai sempre falava que não era necessário, porque ele sempre estaria comigo. — fez um bico, olhando do pai para o desenho de um triângulo que, agora, ele fazia em sua mão.
— Mas o vovô Thomas não está mais aqui. — Piscou confusa.
— Vou chegar lá, meu amor.
Começou a desenhar um escudo na mão da pequena. Em silêncio, ele terminou aquele desenho e deu um sorriso paternal para ela, assim como o que os seus pais lhe davam.
Wayne deu um leve suspiro, se preparando para a história que iria contar.
— Esse círculo — rodeou a caneta por cima da forma — representa amor, infinito e unidade. Aquilo que começa e acaba em si mesmo. É nosso coração. — A mais nova assentiu, completamente atenta às palavras do pai. — O quadrado está ligado à racionalidade. Ordem, estabilidade, pensamento analítico… Perfeição. É a nossa cabeça. — Bateu a caneta contra a própria testa. — O triângulo significa harmonia… Sobre como esses dois — apontou para o quadrado e para o círculo — devem estar em perfeito equilíbrio. — Sorriu, fazendo uma pausa.
— E esse aqui? — Curiosa, a garotinha mostrou o escudo ali presente.
O mais velho puxou a mão da menina de volta e desenhou um W em meio ao escudo. Com os olhos focados no desenho na mão dela, finalizou:
— O escudo é nossa família. Os Wayne. E ele quer dizer que, não importa onde você esteja ou onde eu esteja, mesmo que seja muito longe, se seu coração e sua cabeça estiverem em equilíbrio, nós estaremos com você.
Tinha sido o suficiente.
Pelo resto da noite, ficou encarando o desenho em sua mão, completamente alheia a tudo, se concentrando no que aquilo realmente representava e significava. Antes de adormecer, ela desviou o olhar para o pai, dando um singelo sorriso seguido de um: “obrigada”. Sabia que o homem não gostava muito de falar sobre seus pais, então imaginava que aquilo era algo importante.



Fevereiro de 2007

apoiou o queixo na mão, sentada na mesa de madeira bem escura e rústica disposta no grande gramado da Mansão Wayne, enquanto via a tia correr a toda velocidade ao redor de Diana para tentar lhe acertar com um soco.
Às vezes parecia que alguém estava gozando da sua cara… No dia anterior, fora obrigada a ir com a mãe até o Olimpo, alguma coisa sobre Zeus desaparecido por tempo demais — não sabia por que era obrigada a ir, mas não podia se envolver em nada —, agora tinha que vê-la treinar sua tia e ficar sentadinha bebendo uma limonada sem graça. Bom, a limonada não era sem graça, na verdade, era muito boa, mas aquela situação toda era um saco.
— É só isso que consegue fazer? — a semideusa desafiou.
Donna achou que a irmã tinha se distraído o suficiente para levar um soco, mas Diana apenas desviou, segurando o cotovelo da caçula e chutando-a nas costas para fazê-la cair de cara no chão.
Um movimento rápido demais para os olhos pouco apurados da garota de apenas nove anos, que apenas viu quando a tia riu, se virando e segurando a mão da irmã para levantar.
— Ei, Raminho. — Acenou, correndo até ela para se servir de um pouco de limonada.
— Oi. — A mais nova suspirou e a outra sentou-se sobre a mesa, de forma a apoiar os pés no banco, entre as pernas da sobrinha.
— Donna, vem! — Diana gritou, mas esta apenas ergueu as duas mãos para fazer um T acima da cabeça.
— Vai fazer mais limonada — gritou de volta, sem precisar olhar para saber que a irmã estava bufando. — A daqui acabou. — Levantou a jarra.
— Abusada. — Prince se aproximou, tomando a jarra da mão dela.
— O que foi, hm?
— Por que tem poderes e eu não? — Vendo a demora da tia em responder, continuou. — Mamãe não me deixa fazer nada. É um saco.
— Ela tem medo de você se machucar. É sua mãe.
— Mas papai não tem poderes e… — Parou de falar ao ver o mesmo T de segundos antes nas mãos da tia, dessa vez direcionado a ela.
— Você é muito nova ainda.
— Não venha com lorotas, Donna. Mamãe treina desde que tinha cinco anos.
— Mas sua mãe tem poderes.
— Não importa também. — Cruzou os braços, empurrando o copo em cima da mesa, atenta ao vê-lo deslizar até a borda e cair na grama. — Mesmo se tivesse, sei que ela não deixaria. Eles não me deixam nem fazer uma aula de defesa. Só sei as coisas que o vovô Alfred me ensinou por pena.
— Vai chegar um tempo que não vai caber a ela fazer decisões sobre a sua vida. Use esse tempo com sabedoria e curta sua vida fora do mundo dos heróis, porque, acredite em mim, você vai sentir falta.
— Duvido. — Voltou a apoiar o queixo na mão, dessa vez, porém, com o cotovelo sobre a coxa esquerda da tia, só para vê-la reclamar da sensação incômoda e responder que, se podia levar tiros, podia aguentar um cotovelo.
Troy revirou os olhos mediante à petulância da sobrinha, que se recusava a lhe chamar de tia a não ser que quisesse alguma coisa, rindo ao ter certeza de que Diana e Bruce teriam muito trabalho com ela futuramente.
Ah, sim! Ela podia jurar pelos deuses que seria a adolescente mais atrevida que existira na face da Terra e seus pais estariam muito encrencados caso ela fosse atrevida o suficiente para conseguir a atenção dos deuses.



Janeiro de 2009

O mundo todo parou, desacreditado, para ver a aparição do Superman. Os canais televisivos, de todo o mundo, noticiavam sobre o homem que tinha conseguido impedir a colisão de dois trens com a própria força, mas logo tinha ido embora sem dar pistas de quem era.
Semanas depois, ele voltou a aparecer, dessa vez impedindo um prédio de cair usando sua visão de raio laser e sopro congelante. As pessoas ficaram ainda mais surpresas com a sua força e, querendo apaziguar os corações, este aceitou dar uma entrevista.
— Quem ou, melhor, o que você é? — a mais nova repórter do canal, Lois Lane, questionou.
— Sou kryptoniano, venho de um planeta chamado Krypton. Meus pais me enviaram para a Terra porque meu planeta foi destruído pela própria estrela — respondeu com um leve sorriso.
— Há quanto tempo isso aconteceu? — Lois perguntou novamente.
— Meus pais biológicos me enviaram como um recém-nascido já faz dezenove anos. Cheguei aqui ainda bebê e fui acolhido por meus pais adotivos terráqueos.
— E todos em Krypton eram como você?
— Bom, na verdade, os kryptonianos são, basicamente, bem parecidos com os terráqueos. A diferença era o nosso Sol. O Sol de Krypton era vermelho, então todos os cidadãos eram pessoas normais como você, mas, por alguma razão, o Sol amarelo da Terra se torna energia extra para mim e, consequentemente, me dá poderes.

— Uau. — deixou o queixo cair ao ver o homem, que acenava para se despedir das câmeras.
— O quê? — Bruce perguntou, toda sua atenção estando, ainda, na TV.
— Ele é bonito.
Como se tivesse sido atingido por um soco, Bruce se virou para a filha imediatamente, sentindo a respiração ficar um pouco mais pesada que o normal.
O quê? — A voz saiu um pouco esganiçada.
— O Superman é bonito — ela repetiu e fez Diana, que ajudava Dick com o dever de casa, gargalhar.
— Desde quando você tem idade para achar algum garoto, que não seja o papai, bonito? — Bruce continuou desacreditado.
— Aparentemente, desde hoje. — Deu de ombros.
— Também acho, . Um pedaço de mau caminho — Donna concordou, fazendo Bruce lhe olhar desacreditado. — Você tem um bom olho. — Estendeu a mão e trocaram um high-five.
Bruce piscou algumas vezes, tentando absorver a conversa entre e Donna sobre Superman ser forte e gostoso e, dessa vez, ouviu a risada de Dick — sentado à mesa — atrás de si.
— Você deveria estar me ajudando, não compactuando com isso, Richard — o chamou pelo verdadeiro nome e o menino franziu o nariz.
— Dick. — Foi incisivo. — Ela não me obedece mesmo, o que adianta?
— Eu sou mais velha, você que tem que me respeitar — disse, ainda do sofá, se virando para ele.
— Que eu saiba, dez é menor que quinze. — Dick arqueou as sobrancelhas para ela.
— Eu cheguei primeiro na casa, adotado — ela respondeu de prontidão.
Donna reprimiu uma risada enquanto Diana repreendia a filha, mas Dick apenas abanou a mão enquanto ria.
Naqueles dois anos morando ali, ele já tinha se acostumado com os desaforos da menina e, inclusive, gostava deles, dizia muito sobre a personalidade dela.



Dezembro de 2011

— Vocês estão dando fermento para essa garota? — Shayera enrugou a tez ao ver a adolescente entrar na casa e Diana riu.
tirou os sapatos perto da porta, a meia já na entrada da sala — tacando-as para trás só para, no instante seguinte, ter que voltar e arrumar, graças aos gritos da mãe —, a mochila ficou ao pé do sofá e ela em cima dele.
— Oi, tia Shay.
— Não me chame de tia, garota — ameaçou-a com a Massa, semicerrando os olhos, causando-lhe o riso.
Era irônico… De um lado, Donna insistia que devia chamá-la de tia; de outro, Shayera fingia ameaçar lhe espancar cada vez que ela pronunciava a palavra.
— Vai ter reuniãozinha? — a mais nova desdenhou e Shay semicerrou os olhos.
— Sim e você deve ficar longe da caverna, bonitinha. — Cruzou os braços, sabendo que o desdém da menina era pura irritação por não poder participar daquilo.
achava injusto, por falta de palavra melhor.
Era injusto que tivessem que se reunir ali e ela não pudesse ver nada, era injusto não ter poderes, era injusto ver sua tia e seu irmão adotivo trabalhando na Torre dos Titãs enquanto o mais excitante que ela tinha na vida era tentar hackear o computador do pai com tutoriais, nada bons, da internet.
Todo mundo tinha a vida perfeita dos filmes de super-heróis. Seus amigos a invejavam por ser filha da Princesa Amazona, mas o que adiantava afinal? No fim, ela não podia, ao menos, saber o que eles estavam fazendo.
Aos poucos, o resto dos integrantes da Liga da Justiça foram chegando e ela, obviamente, além de Shayera, só viu seu tio J’onn; estes eram os únicos dois membros permitidos a ter convívio com a garota.
No fim do dia, ficara sabendo que os pais sairiam em missão na manhã seguinte, o que, pelo menos, significava que Dick lhe ajudaria a treinar algumas manobras de defesa.
Dormira ansiosa por causa disso e no dia seguinte teve o irmão e a tia, Donna, inteirinhos para si.
Dick, ao contrário dos pais, não achava certo o fato de ser totalmente indefesa sendo, declaradamente, a filha de uma das super-heroínas mais conhecidas, por isso sempre arrumava um jeito de tirar uma casquinha dele.
Dois dias depois, a casquinha foi um pouco demais e o mais velho negou prontamente seu pedido, mas a garota não sabia desistir.
— Richard, por favorzinho, por favorzinho, por favorzinho! — Juntou as mãos na frente do rosto como numa prece.
— Não vai rolar, — respondeu, pegando a mochila e ela fez um biquinho.
Dick só era chamado de Richard por duas razões: quando fazia alguma coisa errada — vindo de Bruce e Diana — e quando queriam alguma coisa dele — este vindo de . Na maioria das vezes, o ganhava num piscar de olhos, já que, apesar de ser respondona, era um amor de criança, mas dessa vez era diferente.
— Eles não estão em casa, Richie! — Continuou implorando, usando os olhinhos verdes contra o irmão. — Nunca vão saber.
— Alfred está em casa.
— Eu finjo que estou no meu quarto.
— E se ele te chamar? Além disso, Donna está na Torre.
— Então fala que vai me deixar na casa de alguma amiga. E Donna é inofensiva. — começou a dar um sorriso, sabendo que estava ganhando aquela batalha. — Eu vou ficar quietinha. Prometo. — Mostrou o dedo mindinho para ele e ele fez cara de choro, já mostrando o próprio.
— Vai fazer sua mochila. Rápido. Não vou te esperar. — A menina correu para o próprio quarto e voltou com a mochila já na mão. — Você já tinha feito? — deu um sorriso levado, confirmando com a cabeça e Dick riu.
Desceram a escada devagar e logo tratou de deixar a cara emburrada, o irmão tinha lhe aconselhado a não parecer animada. Dick avisou a Alfred que estava indo para a Torre e que deixaria a irmã na casa de uma amiga da escola, então partiram.
— O que ela está fazendo aqui? — Foi a primeira coisa que escutou quando chegou com a irmã na Torre. E é claro que a pergunta veio de Donna.
— Ela queria conhecer. — Dick deu de ombros, soltando a mão da mais nova, mas a olhando com firmeza e mostrando o mindinho pela promessa que tinha feito.
— Seu pai sabe disso? — foi Hank que perguntou dessa vez.
— Claro — Fez uma pausa. — Que não. E ele me mata se descobrir, então conto com vocês para me ajudar a supervisioná-la — disse, olhando para todos os presentes, incluindo a própria namorada, Estelar — ou Kory —, não tinha entendido ainda qual era o nome da mulher.
— Eu não vou pagar de babá — Ravena falou entediada e saiu, voando para perto da janela.
— Eu não vejo problema. Adoro a — Estelar falou, dando a mão para a cunhada.
— Eu também não — Dawn disse e se juntou a Estelar para mostrar o prédio à menina, mesmo recebendo uma olhadela esquisita por isso.
Desde que descobrira que Dawn já havia saído com o irmão, não conseguia ser totalmente amigável a ela. Ainda que soubesse que Kory não se importava, estava do lado de Hank — o novo namorado de Dawn —, que achava aquela situação, no mínimo, incômoda.
— Nem eu — Donna falou, mas se sentou no sofá. — Não é a minha bunda que vai ser chutada quando Diana descobrir.
— Não. Eu que vou chutar sua bunda na sala de simulação, Troy — desafiou.
Garth, até então sentado no canto da sala, riu.
— Ah, sim, Raminho. Igual fez ontem, né? — Gargalhou da cara da sobrinha.
— Estou mais forte hoje. — Jogou os cabelos e Donna riu.
— Te vejo mais tarde na sala de treino, coisa chata. Na de simulação você não vai entrar nem tão cedo — avisou, imitando, debochadamente, a revirada de olhos que a mais nova deu.
— Viu, Rachel? Só você que é chata — disse, fazendo careta para a azaratiana.
Óbvio que no fim das contas as duas se deram bem, pois ambas eram azedas quando queriam e sempre tinham resposta na ponta da língua. Dick foi o que mais sofreu com isso.


Capítulo 2

Novembro de 2013

se lembrava perfeitamente da primeira vez que implorou ao irmão mais velho para levá-la à Torre dos Titãs com ele. Na época, ela tinha acabado de completar treze anos — o que foi usado como desculpa. Tinha sido difícil, mas havia conseguido.
Eles sempre tiveram medo, principalmente Dick, do pai descobrir, já que Bruce tinha sido incisivo ao dizer que não queria envolvida com esse mundo de super-heróis, pelo menos não por enquanto. Diana lhe apoiou nessa decisão e Dick tinha em sua mente que, se Diana dissesse algo, aquele algo era uma coisa certa a se seguir. E é claro que tinha o fato de que ele mesmo se puniria caso algo acontecesse com a irmã mais nova.
Até aquele dia muita coisa tinha mudado. Membros que entraram e saíram, mas, durante esses dois anos, nada tinha dado errado.
Até aquele dia.
jogou-se na cadeira de frente para o painel de controle, depois de empurrar o herói esverdeado para fora desta, e Garfield murmurou o quanto ela era abusada, já que aquele era o trabalho dele e ela sempre fazia questão de tomar. Minutos depois, Cyborg entrou e acenou para os dois, Mutano acenou com a cabeça, mas resmungou:
— Está atrasado, sabia?
— Achei que o Dick fosse o chefe — Victor rebateu prontamente e ela sorriu.
— Sou a chefe quando o Dick não está. — Piscou e foi a vez do herói de sorrir.
Estava esperando a resposta certeira que Ravena, ao canto da sala, queria lhe dar, quando sentiu o edifício tremer, arregalou os olhos e não precisou apertar o botão de alerta para fazer o irmão aparecer, quase que instantaneamente, ao seu lado.
— Você está bem? — perguntou, analisando-a do fio dos cabelos até a ponta dos pés.
— Estou. O que foi isso?
Dick se abaixou para verificar o painel ao lado deles, começando pelas câmeras de segurança.
— Achei que você estivesse verificando as câmeras. — Gar aproveitou para implicar.
— Achei que fosse a chefe. — Victor se juntou.
— Não é hora para brincadeiras — Dick rosnou.
— Lince se infiltrou no prédio.
— O quê? Pra quê? Ai, meu Zeus, Richie, papai vai descobrir.
Dick bufou.
— Não temos tempo para pensar nisso agora, . O negócio é te deixar em segurança. Ravena já está lá. — Apertou o comunicador no ouvido e olhou para o canto da sala, notando que a azaratiana tinha sumido. — Mutano, Cyborg, vão. — Apontou na direção do elevador e os dois seguiram.
Fechou o sistema do painel com a digital e puxou a irmã pela mão, correndo até o elevador dos fundos com ela.
— Vou te colocar no cofre. Aconteça o que acontecer, não saia de lá até segunda ordem. Me escutou? — perguntou e ela anuiu.
Observou o irmão digitando um código no painel do elevador e falando seu nome.
— Eu já deixei seus comandos salvos, a senha é 0527. Só saia daqui caso eu mandar! — Tirou o comunicador do ouvido e colocou no dela.
Sentiram mais um tremor e Dick olhou impaciente para a contagem do elevador.
Assim que chegaram ao tal cofre, ele a empurrou para fora do elevador e, com mais um: “fique aí”, fechou as portas para ir de encontro aos parceiros.
reparou o lugar onde estava… Era realmente um cofre. E o irmão nunca tinha a levado lá ou, sequer, mencionado o lugar, provavelmente era para aquele tipo de situação.
Suspirou preocupada, não com ela, com o irmão. Eles sempre foram parceiros de crime, mesmo que aquilo fosse um pouco contraditório, e não conseguia evitar ficar preocupada toda vez que sabia que ele estava trabalhando como Robin.
Fez careta ao ouvir Ravena gritando pelo microfone e abaixou o volume.
Mutano, a Estelar.
? — Ouviu a voz de Dick.
— Oi.
Está tudo bem aí?
— Você acabou de sair. Relaxa! A Estelar está bem?
Toma conta de você. — praticamente rosnou e ela revirou os olhos. — Qualquer coisa me grita.
— Ok.
Mesmo preocupada e ouvindo alguns comandos dos Titãs uns com os outros, tentou ficar calma. Apesar de nunca ter estado perto dessas situações, eles passavam por isso quase todos os dias, sabiam lidar com esse tipo de coisa. Sentou no chão e pegou o celular no bolso para se distrair com algum joguinho bobo, mas minutos depois escutou uma explosão.
Ninguém falou nada no comunicador. Se levantou no mesmo instante e andou até uma das paredes, tentando ouvir alguma coisa. Nada.
— Dick — chamou, mas não obteve resposta. — Dick. — Nada de novo. — Estelar? Ravena? Mutano?
Nós estamos bem — Cyborg que respondeu. — Mesmo que você não tenha perguntado por mim. — Aproveitou para brincar com ela e sorriu ao escutar sua risada. — Por que diabos ela está indo para o terceiro… — A comunicação foi encerrada novamente.
. , está me ouvindo?
— Sim.
Sai do cofre. Sai do cofre agora. Você sabe sair? — Dick inquiriu, mas não obteve resposta. — !
— Estou colocando a senha — respondeu e ele assentiu mesmo que ela não pudesse ver. Aquilo indicava que ela já tinha digitalizado a mão. — E esperando o elevador — disse para si mesma.
Antes do elevador chegar, sentiu o prédio tremer mais duas vezes, o que indicava mais duas explosões, mas continuou parada de frente para o elevador. Dick tentou falar alguma coisa, mas a comunicação estava falhando e ela ignorou, vendo as portas do elevador começarem a abrir.
— Dick, qual andar? — perguntou no comunicador, mas não conseguiu retorno.
Não conseguiu, ao menos, xingar o irmão. No instante seguinte, foi arremessada para trás.
Sentindo o corpo esquentar e tremer, voltou a si, procurando o causador daquilo e encontrando Lince lutando com Mutano. Transformado em um gorila, o herói deu três socos nas costas da mulher, mas teve que se esquivar quando ela o ameaçou com as garras.
Robin apareceu instantes depois, mas, na busca de alcançar a irmã, acabou sendo pego por Lince. A vilã o segurou pelo pescoço com um dos braços e o puxou até o canto da parede. Robin usou as mãos para impedi-la de forçar mais o braço contra seu pescoço.
— Você, bonitinha. — Apontou para com o braço que não apertava o herói. — Se não quiser que seu irmãozinho morra hoje, vem aqui.
A garota engoliu em seco e deu um passo à frente, o corpo começando a tremer mais uma vez por saber que a mulher sabia que Robin era seu irmão.
, nã… — Robin tentou dizer, mas Lince apertou mais o braço em seu pescoço.
olhou assustada para Mutano. Onde estavam os outros?
— Não, não! — Lince disse, olhando para Mutano. — Nada de transformações. Você sabe que minhas garras têm veneno, certo? — Trouxe a mão para perto do rosto de Robin. — Eu só quero a garota e tudo fica bem.
— Você não vai levar ela! — Robin tentou mais uma vez.
Tirando as mãos do braço dela, tentou dar uma cotovelada em sua barriga, mas isso lhe deu espaço para apertar ainda mais o pescoço do jovem.
sufocou um grito ao ver o irmão perder as forças e apagar enquanto a mulher não parava de lhe enforcar. Sentiu aquela tremedeira novamente e, no instante seguinte, seu punho estava de encontro a face de Lince, que caiu desacordada.
A amazona parou, respirando pesadamente e apertando os olhos como forma de compreender o que tinha acabado de ocorrer. Olhou para a distância que havia percorrido e depois para sua mão, depois para Mutano, que a olhava com a boca aberta.
— O quê…? — ele começou, mas ela não prestou atenção.
A Wayne se ajoelhou e deu dois tapas na cara do irmão, chamando seu nome e medindo sua pulsação. Mordeu o lábio inferior, preocupada com o fato de ele não acordar, mas aliviada por vê-lo respirando.
— O que eu faço, Garfield? — perguntou para Mutano, mas ele continuou parado no mesmo lugar, ainda chocado com a performance da menina.
Agradeceu aos céus quando Cyborg apareceu na sala.
— Onde você estava, Victor? Que merda! — perguntou, segurando a cabeça do irmão no colo.
— Fazendo contato com a Liga. — Se abaixou perto dela, pegou as algemas no cinto de utilidades de Robin e andou até Lince para prendê-la.
— Todo mundo?
— Kory estava evacuando os civis e Ravena estava tentando impedir que o prédio caísse. Quem apagou a Lince?
— Eu.
— Como? — Arregalou os olhos para ela.
— Não sei. — Deu de ombros. — Ligou para Liga?
— Liguei.
— E…?
— Seu pai não sabe de nada. — A garota sorriu, sentindo pelo menos uma vitória. — Ainda. — Fez careta, sentindo a vitória escorrer por entre seus dedos. — J’onn está vindo supervisionar você.
ferrada.
— Sim, você está.
Não demorou muito para J’onn chegar e dar um olhar acusador para a garota. Ela não devia estar onde estava, ok, mas, se ela não estivesse, era provável que o cenário fosse pior e ela tivesse sido levada.
A princípio, implorou para o tio não contar o acontecido aos pais, mas ele se mostrou irredutível quanto a isso, então ela pediu ajuda para aliviar pelo menos o lado do irmão. J’onn aceitou, visto que ela realmente tinha razão, o cenário poderia ser bem pior se ela não estivesse com os Titãs.
Ele também prometera lhe ajudar a entender o que quer que tivesse acontecido enquanto estavam naquele cofre, mas sabia que isso não seria tão fácil… Entender o que aconteceu significaria levá-la à Torre de Vigilância e, agora mais do que nunca, tinha certeza de que seus pais não iriam querê-la por lá nem tão cedo. Cyborg, porém, ficou de passar as gravações a J’onn.
Quando chegaram em casa, Bruce já estava lá, assim como Diana e um garoto que fez Dick e sussurrarem entre si, perguntando se era conhecido. Não era.
Diana deu o olhar mais severo que Dick já tinha recebido e ele abaixou a cabeça.
— Mãe — começou, mas ela não o deixou continuar.
— Corta essa de mãe. Onde você estava com a cabeça? — Dick não respondeu. — A sua irmã poderia ter morrido. Você sabia que era isso que queriam fazer? Pegá-la para chantagear seu pai…
Em respeito à sua antiga família, Dick não gostava de chamar Diana e Bruce de mãe e pai. A única pessoa que ele permitia usar palavras como: “pai”, “mãe” e “irmão” com ele era . No entanto, em horas como aquela, quando estava encrencado — quando tinha feito alguma merda —, as palavras vinham demonstrando o tom de respeito. Bruce e Diana que tinham cuidado dele desde seus treze anos, querendo ou não, eles eram seus pais.
— Mãe, a culpa não é dele — interpelou.
— Fica quieta.
— Não. Até o tio J’onn concorda que, se eu não estivesse com ele, teria sido levada.
— Eu mandei você ficar quieta. — Diana elevou a voz e a menina se encolheu um pouco. Diana nunca gritava.
— Não vou. — Inflou as narinas, deixando aquele sentimento de injustiça tomar conta de si novamente. — Não vou deixar você brigar com ele por algo que nós dois fizemos.
— Ele é o mais velho. Você é uma criança!
— Não sou criança. Tenho quinze anos.
— E isso torna você muito adulta, não é?
— Richard começou como Robin antes disso, mas eu não posso fazer porra nenhuma.
, olha a boca.
— Isso só acontece porque vocês a mimam demais — o garoto que não conhecia se pronunciou e ela arqueou as sobrancelhas, se virando para ele.
— Quem é você, afinal? — o perguntou.
— Damian Al Ghul ou Wayne se preferir. — Sorriu sarcástico.
Al Ghul.
Al Ghul ou Wayne.
sentiu a cabeça rodar e a perna bambear, se lembrando da história que ouvira seu pai contar, quando ainda era uma criança, sobre ter se apaixonado por uma tal Talia.
Talia era filha de Ra’s Al Ghul. Isso fazia dela uma Al Ghul, certo?
E o que a mãe falara… Você sabia que era isso que queriam fazer? Pegá-la para chantagear seu pai… Por que precisariam dela para chantagear o pai justo agora?
— Ah não, não, não, não, não — dizia sem parar.
Seu pai não falou nada.
Justo seu pai.
Era dele que ela e Dick esperavam a bronca, não de Diana.
Bruce só ficava quieto quando tinha uma espécie de demônio por perto, ficava atordoado demais para conseguir falar. Ou quando brigava com Diana. Algo a fazia pensar que, aquele dia, eram as duas situações.
— Muita coisa para o mesmo dia. — Sentou-se no sofá, deixando algumas lágrimas caírem de nervoso. — Primeiro eu descubro que alguém quer me matar, depois poderes e agora um irmão? Um irmão da mesma organização que estava tentando me matar?
— Pera aí. Poderes? — Diana perguntou confusa.
bufou.
Claro que ela ia se preocupar com aquilo.
correu cerca de quatro metros em uma velocidade que chega perto da normal de Flash e se iguala com a sua — J’onn que, já tendo visto o vídeo, respondeu Diana. — Ela também deu um soco que apagou Lince.
— Vou matar Hermes! — Diana levou as mãos à cabeça e andou de um lado para o outro esbravejando. — Você sabia disso? — a mãe perguntou furiosa.
— Fiquei tão surpresa como você. Na verdade, nem sei como fiz. — Deu de ombros.
A bronca acabou depois daquela notícia. Diana ficou mais preocupada com o fato da filha, agora, ter poderes. já era abusada demais sem poderes, imagina com eles.
Bruce não estava com paciência para aquilo e, no meio da confusão, apenas caminhou em direção ao portal da sala, parando no meio do caminho para dizer:
— Não vai adiantar ficar nervosa agora. A única coisa que podemos fazer é treiná-la e ensiná-la a ter modos. — sorriu e fez careta ao mesmo tempo. — Afinal, com poderes ou não, esse dia era inevitável.
Voltou a fazer seu caminho para fora da sala, mas ao dar mais um passo, trombou em alguém.
.
Ela tinha feito de novo.
A menina olhou para os próprios pés confusa, mas logo retornou a atenção ao pai.
— É isso? Você simplesmente vai embora depois da bomba? Por Zeus, a gente precisa conversar! — Cruzou os braços, mas Bruce não lhe deu muita atenção.
— Conversaremos depois, . Com os ânimos mais calmos. — Desviou dela e completou seu caminho.
— E ele ainda me encheu o saco com aquele papo de usa camisinha — Dick soltou, por fim, com a voz afetada.



A situação de ter um novo irmão era algo que custava a aceitar. Não que fosse ciumenta, Zeus sabia que ela fora super receptiva com Dick, mas Damian era simplesmente odioso, parecendo mais uma criatura do Mundo Inferior, que reagia a rugidos e instintos, do que um humano propriamente dito.
Ela tentava, entretanto, assim como Dick… Tentava com todas as forças ignorar que o garoto era filho de uma criminosa, que parecia um bicho do mato, que tratava até mesmo Alfred mal.
Tentava porque seu pai havia lhe implorado, afinal, Damian era seu filho também e tentava porque Diana havia lhes obrigado a fazê-lo.
Mais insatisfeita ainda estava Diana… Já não bastasse todos os problemas que vinham com a sua vida de heroína e do seu marido ex-playboyzinho, sua criança vinha com a história de ser uma velocista.
Oh, por Hera, ela mataria alguém.
Um alguém bem específico.
Independente de ser seu irmão mais próximo e preferido, Hermes não tinha o direito de fazer o que bem entendesse com sua filha, dando-lhe poderes, ou seja lá o que, sem perguntar sua opinião sobre isso. Por isso, a mulher fez questão de prestar uma visita ao Olimpo, sendo, à contragosto, acompanhada por uma muito saltitante.
Se estivera ali duas ou três vezes, era muito. De fato, tinha pouquíssimo contato com a parte paterna dos parentes da mãe. Por essa razão, ao contrário da mãe, estava totalmente animada com a ideia de revê-los depois de tanto tempo, principalmente sabendo que poderia ter ganhado mais poderes de alguns deles.
A primeira pessoa, ou deusa, que Diana encontrou foi Héstia, sua tia. Como sempre, a mulher tinha lhe tratado como uma igual, sendo cordial e rendendo sorrisos e elogios, tanto para ela quanto para sua filha.
A amazona tentou não ser impaciente, cumprimentando quem falava com ela e ignorando os maus olhares.
Com em seu encalço, fez seu caminho à sala de papiros, onde acreditava que encontraria seu irmão Hermes, mas foi interrompida no meio do caminho.
— Irmãzinha. — Escutou e procurou de onde vinha a voz.
— Apolo. — Revirou os olhos quando o encontrou.
— Senti sua falta. Faz tempo que não vem aqui. — Sorriu falsamente.
Apolo virava esse ser sarcástico e hostil quando se sentia ameaçado. Diana, sinceramente, não fazia ideia do porquê ele se sentir daquela maneira, mas apenas relevava. No fim das contas, ele a ajudava quando era necessário e a respeitava, mesmo não indo tanto com a cara dela; e a recíproca era verdadeira.
— Essa é sua cria? — Continuou e desviou o olhar de Diana para .
— Pare de ser tão odioso, Apolo. — Sua gêmea, Artemis, apareceu momentos depois.
— Oi, minha irmã. — Diana sorriu.
— Oi, Diana. — Lhe abraçou. — Uau, como está grande! — Se atentou a e a abraçou de lado. — A última vez que lhe vi ainda batia na minha cintura. — sorriu para a tia. — O que fazem aqui?
— Mamãe veio matar o tio Hermes — contou e Artemis vincou as sobrancelhas, gargalhando logo após.
Qualquer um sabia que Hermes era o irmão mais próximo de Diana. Eles sempre se viam, seja para bater papo, seja para a entrega de alguma mensagem. Seria sandice achar que Diana poderia fazer algo contra seu irmão.
— Quase isso. — A amazona soltou entredentes.
— O que houve? — Apolo perguntou.
— Aparentemente, agora corre tão rápido quanto eu.
Apolo riu ao ver que a irmã não tinha se agradado daquilo.
— Hermes deu-lhe poderes sem te consultar, certo? — Artemis compreendeu. — Ele provavelmente está na sala de papiros. O vi chegar ainda agora. Vá até lá.
— Irei, minha irmã — disse, recomeçando a andar e lhe seguiu.
— Tchau, irmãzinha. — Ouviu Apolo dizer, mas lhe ignorou.
Artemis, assim como Diana imaginou, estava certa… Lá estava Hermes, na sala dos papiros, agachado, procurando algo no meio de toda confusão que ele mesmo fazia.
— Hermes! — Diana o chamou com a voz um tom mais alto.
O homem se levantou rapidamente com o susto.
— Por que sinto que estou encrencado? — perguntou com uma careta.
riu, adorava o tio.
— Deu velocidade a ? — Apontou para ele.
— Eu? — Arregalou os olhos, colocando a mão no peito dramaticamente. — Jamais faria isso! — Agachou novamente em meio aos papiros.
— Hermes! — Diana gritou.
— O quê? — Olhou para ela, entediado.
— Não estou brincando.
— Nem eu. Na verdade, estou tentando trabalhar. — Apontou os papiros. — Sou mensageiro dos deuses, sabia? — Sorriu e balançou um dos papiros para ela. — Inclusive tenho uma mensagem para você. — Fez um papiro aparecer em sua mão e jogou na direção da irmã. — Estava perdido na minha bagunça, então está atrasado.
Diana desenrolou o papel e leu a mensagem:

Dei velocidade a . Te amo, irmãzinha. Beijos.

A mulher tacou o papiro de volta no irmão, lhe acertando na cabeça.
— Não estou para suas brincadeiras, Hermes. Quem lhe deu o direito de fazer isso?
Hermes se levantou, ficando sério pela primeira vez.
— Eu, Diana. Sou um deus, posso fazer o que quiser.
— Não com a minha filha.
O velocista revirou os olhos.
— Diana, é minha sobrinha, eu queria fazer algo por ela. Sinceramente, a maioria aqui não a considera parte da família, mas eu e tia Deméter consideramos e, vendo seu desejo por ser como você e o pai, lhe concedemos a velocidade e a força.
sorriu para o tio.
— Deméter também está envolvida nisso? Exijo que desfaçam essa façanha.
— Uma vez dado, não pode ser tomado. Você, como semideusa, deveria saber disso. — O tom era um claro puxão de orelha e Diana bufou. — Julgamos com sabedoria o suficiente para lidar com isso. — Se aproximou da irmã e da sobrinha, a olhando nos olhos. — Você também deveria confiar nela. Aliás… — Se virou para . — Foi bom tê-la trazido. Hefesto fez algo para ela.
— Por Hera, até mesmo Hefesto? — Diana praguejou e Hermes deu de ombros.
— Vamos! — Hermes puxou pela mão.
— Vamos aonde, Hermes? — Diana perguntou, parada de braços cruzados.
— Você eu não sei. Eu e iremos até Hefesto.
Hermes foi ignorando os protestos de Diana durante o caminho e cochichando com a sobrinha sobre como ela era chata. Obviamente, Diana escutava e isso a fazia praguejar ainda mais. Quando chegaram à oficina de Hefesto, já tinha as bochechas doloridas de tanto rir.
— Diana, minha irmã. — A saudação brilhou em Hefesto e ele correu, meio manco, para abraçá-la.
— Não quero papo com você, Hefesto. Soube que está contribuindo com essa loucura de dar poderes a — respondeu, mas abraçou o irmão mesmo assim.
— Não estou dando poderes, apenas complementos. — Riu.
Hefesto caminhou até uma das prateleiras em suas enormes estantes e alcançou uma caixa, levou-a até a mesa, tirando a tampa e chamando pela sobrinha, que foi até ele imediatamente.
Apoiando-se na mesa para ver o conteúdo, deixou seu queixo cair, tirando o conteúdo para fora.
Uma tiara e dois braceletes.
De imediato, vestiu-se das peças e virou para a mãe, imitando a pose que ela sempre fazia. Diana revirou os olhos, mas acabou por rir.
tirou a tiara da cabeça e a observou. Era parecida com a de sua mãe, afinal, toda tiara era igual, mas tinha algumas pequenas diferenças… A cor era mais clara, uma espécie de prata bem reluzente e vivo, e a ponta da tiara, ao contrário da de Diana, era para cima e, no lugar da estrela, tinha uma pedra de cristal. Ela analisou sorrindo, tinha adorado!
— É igual a de mamãe? — perguntou e não precisou falar que se referia à função para que o tio percebesse.
— Claro que não! Acha que eu ia te dar qualquer porcaria? — Fingiu estar ofendido e riu. — Ela é feita de ouro branco e junto aos braceletes vão fazê-la ficar invisível.
arregalou os olhos.
— Sério mesmo?
— Sim! Quer testar? — perguntou e a garota assentiu animada.
O ferreiro dos deuses ajudou a menina a colocar os braceletes da forma correta, ajustou a tiara na cabeça dela e deu as instruções: bater um bracelete no outro e os passar pela tiara; assim a menina o fez.
— Funcionou? — indagou não sentindo nada diferente.
— Bom, eu não estou te vendo — Hermes comunicou.
— Oh, meu Deus! Mãe?
— Não, também não estou vendo. E não me agrado disso. — gargalhou e pulou em Hefesto, o abraçando no pescoço e lhe dando um susto, já que este não conseguia vê-la.
— Ok, e como faço para voltar ao normal? Não quero ficar invisível para sempre. — Gargalhou e os tios riram da gargalhada contagiante dela.
— Mesmo processo — respondeu e ela o fez.
— Oh, meu Zeus! Isso é & legal.
Hefesto sorriu com a empolgação dela.
— Fico feliz que tenha gostado.
— Gostar? Eu & Obrigada, tio. — O abraçou de novo.
— Não acredito que deixei de ser o tio preferido — Hermes reclamou, cruzando os braços.
— Você nunca foi — respondeu rindo e fez o tio arregalar os olhos.
— Vou arrancar a velocidade que lhe dei a base da porrada. — Correu até ela, que deu um gritinho e, antes dele perceber, passou correndo por ele.
Bom, era claro que conseguia ver a sobrinha correndo, fosse qual fosse a velocidade, afinal de contas, fora ele quem lhe abençoara com tal, mas tinha sido pego desprevenido.
— Ela aceitou bem esse negócio de velocidade, não é? — Colocou as mãos na cintura, olhando os irmãos.
Não demorou muito para ele correr atrás dela e, minutos depois, uma ofegante e descabelada e um Hermes sorridente passaram pela porta.
— Enchi ela de porrada — o deus disse cheio de si e gargalhou, quem os conhecia sabia que a porrada dele na garota tinha sido cosquinha.
Se dando por vencida, Diana aproveitou o pouco tempo que tinha para curtir sua família e tinha sido um dia divertido. Estava prestes a partir, quando foi interrompida por Apolo.
— Como eu sei que lhe irrita, aproveitei para presentear também. — Sorriu para a irmã, enquanto mexia nos cabelos da sobrinha. — Nada demais — desdenhou falsamente. — Apenas cura acelerada para se meter em quantas presepadas quiser.
Diana fechou os olhos e respirou fundo, concentrando-se para não pular no pescoço dele.
— Que Hera me dê paciência, porque, se me der forças, eu mato você. — Apontou o dedo na cara de Apolo, mas este apenas riu.
— Obrigada. — deu de ombros e o abraçou rapidamente.
Apolo sorriu.
— Viu? Ela gostou.
Mas Diana novamente se preocupava com o quanto a filha podia ser audaciosa e acabar se matando por se achar invencível.
Apolo, por outro lado, não tinha feito aquilo apenas para irritar a irmã. Óbvio que era um ótimo bônus irritar Diana, mas bem, no fim, assim como ele se preocupava com Diana em segredo, também se preocupava com a sobrinha. Sabendo que agora entraria nesse mundo de super-heróis, queria ajudá-la de alguma forma, lhe deixar mais segura.



Depois que Diana & aceitou a nova condição da filha, admitiu que ela precisava de um treinamento, deixando Dick encarregado de tal.
Tinha sido & difícil para a menina no início. O fato é que, como sempre pensou que aconteceria, por mais que adorasse ter sido mimada pelos pais, aquilo tinha lhe estragado. A pior parte, entretanto, foi Damian tacando isso na cara dela sempre que podia.
Até o dia que ela lhe provou que não era tão fraca quanto ele pensava.

já estava farta.
Por Zeus!
Damian era o pior irmão que existia no mundo. Ela se perguntava como uma criança, visto que ele só tinha dez anos, poderia ser tão arrogante e narcisista.
A garota sabia que Dick tentava ao máximo apartar a briga dos dois, já que ela também não era do tipo que levava desaforo para casa, mas até o super-gente-boa-Dick-Grayson não aturava o garoto.
Seus pais haviam lhe pedido para ter paciência com o garoto, dada a criação que ele teve, e tentava… Jurava que tentava… Com
todas as suas forças, afinal, ele era seu irmão mais novo.
Mas já não aguentava mais.
Caminhou até a sala de treinamento, já encontrando os irmãos lá e sorriu, dando um beijo em Dick. Não tinha lhe visto o fim de semana todo, pois ele estava em missão, inclusive fora a razão pela qual havia perdido a paciência… Não ter Richard ali era um verdadeiro desafio quando se tratava de Damian.
— Você está atrasada — Damian implicou, fazendo-a revirar os olhos.
— Oi para você também, Damian.
— Não comecem, por favor, eu tive um final de semana cansativo — Dick pediu quase chorando. — Preciso de paz.
— Com esse garoto você pode encontrar tudo, menos o que está relacionado a paz — alfinetou e o irmão mais velho lhe olhou acusadoramente. — Ok. — Levantou as mãos na altura da cabeça.
— Os dois. — Dick apontou para eles. — Vinte voltas ao redor da casa. — Apontou em direção à porta.
saiu logo, quanto mais rápido começasse, mais rápido terminaria, e riu quando, já no corredor, ouviu o irmão gritar: “sem trapaça, ”; ela tinha dado uma de espertinha algumas vezes usando a velocidade entregue por seu tio. Damian, como sempre, tinha algo a reclamar:
— Eu não preciso disso. Já sou treinado.
— Não perguntei o que você precisa, Damian — Dick respondeu, já saindo da sala para observar o aquecimento dos irmãos.
O treinamento da garota Wayne, e de Damian, era dividido em duas partes: segunda, quarta e sexta-feira, musculação para obter resistência física; terça, quinta e sábado, simulação de luta, com mãe, pai ou irmãos, para melhorar suas habilidades.
Como era uma segunda-feira, depois de correr, voltaram à sala de treinamento e fizeram a série de exercícios que Bruce tinha os estipulado.
— Muito cansada? — Dick se abaixou do lado da irmã.
tinha acabado de completar a série e se jogado no chão que, naquele instante, parecia feito de plumas de ganso.
— Não. — Negou, balançando a cabeça com um sorriso.
— Vai dar umas porradas no saco então. — Apontou o saco de areia pendurado no canto da sala e ela obedeceu.
— E as luvas?
— Sem luvas. — Sorriu maldoso e a menina fez um bico.
— Dick, por favor, vou ferrar minhas mãos. Não estou acostumada com isso ainda — choramingou e o irmão revirou os olhos, tacando as luvas para ela em seguida.
— Mimada. Como sempre. — Damian se intrometeu.
— Não é porque você nasceu naquele antro de psicopatas, sendo treinado desde que tinha três dias de vida que todos são obrigados a serem assim. Felizmente eu tive uma infância saudável — devolveu, mas Damian não gostou do que ouviu.
— Cala a sua boca. Tudo que você pensa que tem foi dado nas suas mãos, não lutou por nada. Não vejo como uma pessoa fraca como você chegaria perto de se tornar uma super-heroína. Você é uma fraude, .
Tinha sido a gota d’água.
jogou as luvas no chão e, como um raio, correu em direção ao irmão, lhe acertando com um soco na barriga que o fez cair com alguns metros de distância.
A garota, entretanto, ainda não parecia satisfeita e Dick arregalou os olhos, correndo até a irmã ao ver que esta andava em direção a Damian de novo.
! — Se pôs no meio deles. — Acabou.
Ela não escutou, desviou dele e tentou continuar seu caminho. Richard lhe surpreendeu por trás, puxando os braços da menina. Lhe deu uma rasteira que fê-la cair no chão, ao passo que prendia suas mãos atrás das costas.
— Eu disse que acabou, — falou em seu ouvido. — Eu vou te soltar e você vai para o seu quarto se não quiser me chatear, okay? Deixa que com o Damian eu me entendo. — A resposta dela não chegou, o que o fez torcer um pouco seu braço direito. — Okay? — perguntou novamente e ela bufou.
— Ok, Richard — respondeu e Dick a soltou.
A menina se levantou do chão, ainda olhando furiosa para o irmão mais novo, saiu da sala e foi para seu quarto.
Dick observou Damian limpar algum sangue que tinha saído por sua boca e suspirou. provavelmente tinha acertado o baço do garoto. Caminhou até ele e lhe estendeu a mão.
— Consegue ficar de pé? — Damian assentiu, agarrou a mão do irmão e se levantou.
Dick caminhou com ele até uma cadeira e o colocou sentado, o menino respirava devagar.
— Está satisfeito? — inquiriu e o outro arqueou a sobrancelha. — Você conseguiu despertar o pior de . Nunca…
Nunca na minha vida a vi tão furiosa a ponto de perder o controle sobre suas palavras e ações. — Foi até o frigobar pegar água para o garoto, que o escutava atento. — Sabe… A pode ser bem respondona e cabeça quente, mas ela é também uma das pessoas mais doces que eu conheço e está se esforçando muito para fazer isso — apontou para o pirralho — Dar certo. Você é o irmão mais novo dela e ela preza por isso.
Richard lhe estendeu a garrafa e se calou, esperando o garoto dizer alguma coisa, mas ele permaneceu calado.
Era a merda do filho do Bruce Wayne, praguejou em mente.
— Eu tenho certeza que sua vida não foi fácil até chegar aqui. Também foi para mim e, na verdade, foi que me ajudou a superar. Não aguentaria ter passado pela morte dos meus pais se não fosse por ela. Todo mundo precisa de um amor para curar feridas e a foi o meu. O que eu quero dizer é que… — Suspirou. — Todos têm problemas, eles podem ser diferentes, mas ainda estão aí e você não tem o direito de ser um babaca por conta dos seus. — Puxou o garoto pelos ombros. — Vamos. Precisamos ver o que ela arrebentou dentro de você. — Riu pelo nariz.

Devido ao episódio entre os irmãos mais novos, a saída principal foi afastá-los. Ambos precisavam de disciplina para coisas diferentes, entretanto, e claramente não conseguiriam estando juntos.
A primeira solução que Diana encontrou foi de mandar a filha à Temiscira. Sabia com toda a certeza que lá, além de estar segura, receberia o melhor treinamento possível, mas a garota não pensava do mesmo jeito.
Não.
A ideia de ficar longe de sua família não lhe agradava nem um pouco.
Treinar com Kara, a prima de Clark Kent, o Superman, na Torre de Vigilância da Liga era o que podiam fazer, já que Donna havia simplesmente sumido do mapa e Dick se ocupava em treinar Damian. Era legal, adorava aquilo e, por esse motivo, os treinos sempre eram trocados por conversas, o que, no fim, não fazia surtir efeito na vida da Wayne.
Só assim que entendeu que, por um bem maior, precisaria se afastar, mas, mesmo concordando, ainda não lhe era agradável.



chegou a Temiscira com a pior das caras, fazendo sua avó e suas tias fingirem ofensa por ela não estar contente em estar lá, porém, com algumas semanas, a menina já tinha se acostumado à nova fase.
Bom, mais ou menos…
Se achava difícil o treinamento com os irmãos, o que teve em Temiscira era o que chamaria de tortura ao ponto de perder as contas de quantas vezes saíra quase inconsciente de seus treinamentos.
Ao contrário de sua mãe, sua vó, Hipólita, não era do estilo superprotetora. Para ela, os fins justificam os meios, e se a menina queria ficar forte e saber se defender sozinha, precisava passar por aquilo com a cabeça erguida.
A única que lhe dava um desconto era sua tia-avó Antiope, uma guerreira de alta patente que tivera seu coração amolecido pela sobrinha desde que esta nascera. Era ela quem cuidava de depois das lutas e se intrometia quando achava que já tinha sido o suficiente.
Até o dia que não a deixaram se intrometer.

já tinha apanhado pelo que diria ser suficiente. Jogada no chão, sabendo que se respirar não fosse automático estaria morta, ouvia a vó gritar a todo instante: “levante-se”.
Ultimamente, todas as suas lutas eram com a avó, já que a mulher dizia que as outras amazonas pegavam leve com a menina, não deixando que ela mostrasse seu potencial. Pela movimentação e pelos berros de Hipólita, ela saberia dizer que sua Antiope estava tentando salvá-la, mas a líder das amazonas não deixou.
— Até quando vai protegê-la, Antiope? Desse jeito, ela nunca se tornará uma mulher de verdade. Levante-se, ! — O ouvido da menina chegava a zumbir com os gritos da avó. — Quando precisar salvar alguém, é assim que vai ficar? No chão? — A avó chegou bem perto dela e sussurrou: — Que tipo de heroína você será se desistir? Enquanto descansa seus restos no chão, alguém mata o seu irmão.
De repente, se sentindo leve demais, se levantou, na verdade, voou e com as suas últimas forças desceu com um soco sobre o escudo da avó, fazendo-a ser amparada por algumas de suas tias. Tudo que a garota pensava era que, finalmente, tinha feito a avó calar a boca e, novamente, seu corpo atingiu o chão, dessa vez inconsciente.

Tirando suas lutas, seus dias eram basicamente tranquilos, cercados por aulas de idiomas — que aprendia desde sempre — e treinos.
Óbvio que os treinamentos compunham grande parte do seu dia, mas com o tempo virava apenas um costume, a não ser quando era alguma data importante, como o aniversário de sua mãe, seu irmão ou o próprio… Naquele ano, ela só tinha estado junto com a família no aniversário do pai.

Deitada na cama, mordeu o lábio inferior, tentando segurar o choro. Podia ser bobo, ou até infantil, mas, desde que se reunira com a sua família, nunca tinha passado seu aniversário longe deles, sem eles. Escutou o movimento fora de seu quarto, ela tinha que levantar, mas ignorou, queria poder ignorar todo aquele dia. Fingia que não, mas era uma menina muito sensível.
! — Ouviu alguém chamá-la e bater na porta.
— Oi — respondeu com a voz elevada, porém fraca.
— Vamos! Sua vó está chamando.
— Já vou — informou enquanto se levantava.
Se levantou para cumprir sua rotina, estudar a história das amazonas — sua avó tinha a obrigado a tal —, idiomas, comer, treinar, comer de novo, treinar mais uma vez e dormir.
— Merda — resmungou, chutando uma parte do tronco enquanto treinava sua resistência sozinha. — Droga de aniversário. — Deu mais um chute. — Droga de vida.
— Pare de murmurar. — Escutou uma voz forte, quase como um trovão, e arregalou os olhos.
Quando treinava sozinha, procurava ir para o canto mais afastado da ilha, visto toda loucura que vivia ali. Gostava de ficar sozinha de vez em quando e isso, provavelmente, lhe custaria a vida, já que demoraria um pouco até que seu pedido de ajuda fosse atendido.
— Quem está aí? — perguntou, se pondo em posição de guarda.
— Eu. — Observou o homem musculoso, de barbas e cabelos brancos, sair de trás de uma das árvores.
Os olhos de arregalaram-se mais ainda porque ela conhecia bem aquele homem. Nunca tinha o visto pessoalmente, mas…
— Você… — começou, mas estava chocada demais para terminar.
— Eu? — Arqueou uma das sobrancelhas com um ar risonho.
— O que está fazendo aqui? — indagou exasperada, a voz rouca e um pouco elevada.
O outro apenas deu de ombros, tratando o fato como se fosse algo sem importância.
— Vovó sabe que você está aqui?
— Sua vó não é essa santa que se pinta. — Riu.
— Por Zeus!
— Eu. — Riu de novo.
— Todos no Olimpo estão te procurando! Oh, céus! Você é realmente um irresponsável.
— Isso é jeito de falar com seu avô?
Foi a vez dela de dar de ombros.
— Você não pode exigir muita coisa — disse com desdém e ele riu assentindo.
— Sobre o que estava reclamando? — Cruzou os braços e a menina suspirou.
— É meu aniversário e eu estou presa nessa ilha. — Encostou as costas na árvore e escorregou até sentar no chão.
— Eu também ué.
— Você está porque quer!
— E você não?
negou com a cabeça.
— Estou obrigada, porque preciso treinar.
— No fim das contas, está porque quer. — Zeus balançou os ombros novamente. — Você quis seguir os passos dos seus pais, não foi? — ela confirmou com um acenar de cabeça. — Os fins justificam os meios.
revirou os olhos dessa vez, porque aquilo era exatamente o que sua avó costumava dizer e ela costumava odiar.
— Mas eu queria estar com a minha família hoje. — Passou os dedos pelos olhos, limpando algumas lágrimas.
— E você não está? — Ele arqueou as sobrancelhas.
— É diferente. Não é minha mãe, meu pai, meu irmão… Ninguém até agora se lembrou que é meu aniversário. — Zeus caminhou para perto dela e se sentou ao seu lado.
— Eu me lembrei. — Passou o braço pelos ombros da menina.
— Você lembrou porque eu falei.
— Não. Lembrei porque já sabia. Por que acha que, de todos os dias, resolvi conversar com você justo hoje? — As sobrancelhas mexeram de um jeito convencido e ela revirou os olhos mais uma vez, fazendo-o rir. — Sua avó não liga para essas coisas, é um problema dela. Chama de trivialidades.
balançou a cabeça, concordando com o avô.
— Mas eu estou aqui. — Sorriu. — Então, feliz aniversário. — Deu um beijo em sua testa e logo se pôs de pé. — Vamos. — Estendeu a mão para a garota. — Vou lhe ajudar com o treinamento.
aceitou a mão do avô, sorrindo e se colocando de pé também.

No fim, o treinamento daquele dia acabou sendo divertido e, quando a menina voltou ao seu quarto, suas tias Eurora, Antiope e Carline lhe aguardavam com um pequeno bolo e grandes sorrisos.
O resto de seus dias na ilha foram tranquilos e, quando ela se sentia muito para baixo, o avô sempre surgia para conversar com ela — o que a levava crer que ele estava sempre a observando.