Noise

Sinopse: Entre as suas crises existências, a Srta. Strak ouvia as vozes lhe chamando de assassina.
Gênero: Drama
Classificação: +16
Restrição: Aspectos sobre doenças mentais sutilmente.
Beta: Blair Waldorf

“Somos feitos de manias, essa é a verdade. Começa com as mexidas de cabelo, com o ato de esconder o rosto após o choro, com o balançar dos pés sem parar, até alguém reclamar, com mordidas involuntárias nos lábios, e como se não bastasse, roer as unhas freneticamente. Parece inofensivo. E aumenta. Mais, e mais manias. Até que chega o momento, em que, você percebe que começa a distorcer sentimentos e emoções. Parece normal, é claro. E não é. Aí você se depara que começou a romantizar as próprias dores. E você percebe o quão doloroso e frustrante pode ser”.

— Outubrar.

 

[TW: doenças mentais].

 

“Assassina”.

A voz em sua mente lhe lembrava do seu pior pecado –, o de ceifar a vida de alguém.
Stark se considerava uma assassina – indiretamente, milhares de pessoas morreram pelas armas que ela criou, e diretamente, ela matara Peter Potts com suas próprias mãos –, enquanto encarou o frasco de remédios que sua mão suja de sangue estava segurando.
Abriu o frasco –, e engoliu a pílula – ela precisava que o barulho em sua cabeça acabasse, e jogou o frasco em um canto qualquer do banheiro, enquanto tentou lavar o sangue seco em suas mãos.

Assassina.

Ele estar vivo, ela relembrou em sua mente, porém os gritos em sua mente se tornaram insuportáveis a cada segundo que passava.
Assassina, monstro, assassina…

>

Barulho.

“Você é uma assassina, sua cretina”, aquela voz assustadora lhe causou arrepios na espinha.
Ela encarou-se no espelho – a imagem refletida sorria de forma irônica.
Aquele era seu pior inimigo, ao qual sempre falava a verdade, apesar de acreditar piamente que havia bondade em seus olhos, entretanto, ela sabia que seus pecados a levavam ao fundo do poço.
Os olhos vítreos, impiedosos e gelados que refletiam o terror dos seus atos abomináveis, e a lembrança, que tentava enterrar no fundo de sua mente.
E então delírio lhe tomou conta dos seus atos – lembrava-se da faca no abdômen dele, dos olhos esbugalhados pela surpresa, enquanto o sorriso psicótico se desfazia em uma expressão de aquele ao não era esperado por ele, afinal ela nunca quis machucar ninguém, mas assim o fez, porém ela sabia que estaria morta, se não tivesse o feito.
Seu instinto de autopreservação lhe gritou naquele momento –, sentiu o mundo girar – e a sensação de embrulho em seu estômago se fez presente, enquanto o enjoo tomava conta de si e dava espasmos violentos em seu corpo.

Assassina.

Ela se jogou no chão, enquanto as mãos estavam ensanguentadas.
E novamente, aquela sensação de solidão, havia lhe dominando.
E de novo, ela tinha sangue em suas mãos.
Sentiu que estava falando com alguém, e além de si mesma, e ouviu o alvoroço – enquanto as lágrimas trafegavam pelo seu rosto, e sentiu os barulhos que a irritavam em sua cabeça se tornarem cada vez mais altos, e enlouquecendo lentamente nos poucos segundos que restava de sanidade.
Fique firme, por favor! Ela pediu silenciosamente para si.
Certa vez, ouviu de alguém: Cada um sabe das batalhas que vence dentro de si, e ela lembrava de cada batalha, e quão desgastante era lutar contra aquele seu lado que desejava intimamente apagar as vozes de sua cabeça.
Seus demônios estavam a consumido lentamente, e os sentimentos estavam tomando conta de si, e aquilo a fazia chorar toda vez enquanto pensava.
Lembrou-se de seu pai, Howard, e queria sentir-se como criança, assim como em sua mente: A lembrança a dominou, e então uma alegria por rever o pai que lhe sorria enquanto ela tocava alguma sinfonia de Bach, e as várias vezes que dormiu na cama dele esperando a chegada de alguma viagem para a Europa, então, a lembrança do policial lhe dando a notícia que seu pai morrera num acidente trágico de carro.
Que ele jamais iria voltar da maldita festa de negócios.
Ela perdeu o pai — a única pessoa que amou em toda a sua essência —, e os olhos escuros se fecharam ao se lembrar da perda da mãe, ou melhor, abandono que a mesma sofreu com apenas quatro anos enquanto a lembrança de Maria deixando para trás ela e o pai, e seguindo em frente com o amante, e ela lembrou-se das coisas que aprendeu.
Que jamais deveria confiar em ninguém, além de si mesma. Stark aprendeu da pior maneira possível para uma adolescente de 17 anos, que as pessoas sempre iriam apunhalá-la pelas costas.
Lembrou-se de Amélia — então, os olhos esbugalhados dela enquanto o sangue empava a roupa da mais velha —, das lágrimas, dos gritos de desespero por perder sua única família após perder o pai.
Apenas restava Amélia em sua vida.
Lembrou-se de Steve: “Ao mesmo tempo em que sou dramática, e supervalorizo as coisas, também sou eu quem diz: vamos deixar para lá”, e de como sua voz soou morta por dentro, enquanto os olhos dele estavam confusos pelas palavras.
Ele era bom demais para ela – a Stark sabia disso, Steve merecia alguém melhor, uma pessoa que não tivesse fodida por seus traumas do passado, e que muito menos, era instável como uma granada.
De como agiu com ele, e então, chorou ao se lembrar das besteiras que disse, todavia, ela fez para ele se afastar.
Ela não tinha como suportar a carga psíquica de estar com alguém, e não queria que ninguém sofresse com seus ataques.
Chorou. O que estava fazendo? Os olhos dela se fecharam, e imaginaram as coisas que ela fez com Steve – as coisas que disse, das dizer palavras frias, e fizeram e todos aqueles momentos em que ela esteve ao lado dele, e principalmente a dor –, os lábios se franziram, enquanto os sons estavam insuportáveis.
Então, o futuro que ela desejava: Steve estava em todos eles.
Grito. Desespero. E medo, ela jamais fora capaz de manter ninguém ao seu lado –, seu medo de machucar virou seu pior defeito, afinal, ela não tinha como aguentar, além de si mesma.
Então, barulho novamente.

Assassina.

Em algum momento, a porta foi derrubada, em algum momento, ela estava chorando no chão do banheiro, com seus demônios levando o que restava da sua sanidade a loucura.
Ela sentiu as mãos quentes ao lado do braço enquanto era carregada, e ouviu o ruído de alguém gritando, mas os barulhos em sua mente estavam lhe entorpecendo lentamente, enquanto a lembrança da pílulas que tomara para acabar com o bendito barulho estavam caindo pelo chão – sentiu o hálito conhecido, e água lavando as suas mãos, enquanto o sangue escorria pelo ralo da cozinha, e as palavras que não faziam sentido ao passo em que a mente estava repleta de barulho.
Então, os olhos azuis lhe observando enquanto secava as lágrimas em seu rosto com os dedos, e a preocupação visível naquele olhar fez desejar que ele não se preocupasse com ela — as mãos lhe segurando, enquanto o beijo cálido lhe causou um frenesi por todo seu corpo, e o choro estourou.
— Estou aqui. Se acalme.
E pela primeira vez em horas, ela ouviu a voz dele, e os lábios tremiam enquanto ela jogou-se em seus braços, e sentiu o cheiro de frescor vindo do corpo dele.
— Estou aqui, Stark. Fique calma.
A voz de Steve Rogers acalmava a tempestade que se instalava em seu corpo, e o choro dominou todo o seu coração, e as vozes eram silenciadas em sua mente, e a única que desejou ouvir foi a dele.
Steve Rogers afugentava os seus demônios, e aquele momento ela sentiu apenas que aquilo importava, além dos cálculos de física e seus robôs
Mas, será que poderia ficar com aquela sensação para sempre?
Pela primeira vez em anos, ela não fazia ideia do que iria acontecer dali em diante.
— Estou aqui.
Todavia, por enquanto, ela apenas queria ouvir a voz de Steve.

Nota da autora: Sem nota.

Nota beta: Lysse, eu queria te dar os parabéns por essa short. Apesar de ela ser bem curtinha – queria mais – , você soube trabalhar muito bem o desenvolvimento dela e, passar para nós leitores, cada sentimento da personagem, eu amei muito e espero poder ler muito mais coisas suas <3.