Our Kind of Love

Our Kind of Love

Sinopse: Levou um ano inteiro, quatro intensas estações, mas eles finalmente entenderam; Ás vezes, sua alma gêmea pode ser quem menos imaginam.
Fandom: Jay Park
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: –
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

OUTONO.


“‘Cause when I be out with other chicks I be thinking ‘bout you
And when you be out on dates you be texting me too
Telling me to come pick you up when he drop you off
I pray to God he ain’t breaking you off”

Do lado de fora do imponente restaurante cinco estrelas, apertou a jaqueta quentinha de couro por cima do vestido que adornava seu corpo. O vestido não era uma de suas roupas favoritas, mas quando Rupert, o inicialmente adorável europeu que lhe levara para jantar, revelou o destino que planejara para seu encontro, a garota não teve muita escolha, especialmente naquela época do ano. Em São Paulo, as noites eram frias em maio. Ainda que o Brasil fosse um país tropical, para o padrão dos naturais dali, havia sim dias frios.
, que nascera e crescera na Bahia, com praias aonde o olho alcançava, achava o clima da capital paulista um dos maiores desafios de sua adaptação desde que se mudara, há pouco mais de um ano. Mas, bem, tudo por seu trabalho, por seu sonho; não havia futuro para uma cineasta recém formada em Salvador, por mais que ela quisesse.
E, bem, as coisas não estavam indo de todo ruim ali. Tinha suas amigas, com quem finalmente realizava o sonho de conviver diariamente, dividindo um apartamento simplesinho próximo a Santana, tinha seu irmão gêmeo, que embarcara naquela loucura com ela, já que também se formara em cinema, e o emprego na maior emissora do país, e, mesmo com a saudade diária do resto de sua família, estava bem. Tanto quanto podia.
As coisas eram mais simples quando estava na faculdade e, em noites frias em meados de outono, não saía em encontros com caras europeus. Em casa, tivera seu primeiro namorado, e as coisas terminaram tão rápido quanto começaram, visto que sequer aconteceram por qualquer uma das partes realmente gostar do outro. Tinha a ver com a pressão dos amigos e tal.
Ela terminou por descobrir uma coisa ou outra sobre si no processo. Ela tinha um tipo de cara: os que pareciam inofensivos, dóceis e cativantes como cachorrinhos. Anjos, como suas amigas diriam, mas havia um contraste que tornava a interseção um pouco mais restrita que simples caras bonzinhos: gostava, não, ela precisava se sentir estimulada, inspirada. Quando conheceu Rupert, o achou adorável, mas engraçadinho também, e imaginou se não era aquilo, se o amor tranquilo que sempre idealizou não se resumia a simples sentimentos mornos não tão estimulantes quanto tudo aquilo que sua imaginação fértil sempre pintou.
Resolveu, portanto, dar alguma corda ao pobre coitado europeu, aceitando sair para jantar com ele, só para ser tomada por uma decepção tão fumegante quanto crescente ao decorrer da noite. Primeiro, o fato de ele, realmente, ter levado a garota a um restaurante como aquele, onde nem era preciso conhecê-la tanto assim para saber que a garota dificilmente se sentiria a vontade. E não se sentiu mesmo. O fato de Rupert ter tentado, o tempo todo, lhe explicar coisas que já sabia, basicamente distorcendo todo assunto sobre o qual a garota tentava falar a fim de lhe ensinar algo, não exatamente ajudou muito.
A noite foi um desastre.
Enquanto esperava pelo ex-pretendente, que fora buscar o carro no estacionamento no subsolo do estabelecimento, a garota maltratava o lábio inferior, com a conversa com aberta no aplicativo de chat do celular. Ainda não havia mandado coisa alguma, mas céus, queria tanto. E o infeliz estava online, lhe testando em cada partícula. Puta merda.


“Hoje foi um fiasco. Me pega em casa em uma hora?”

A pior parte, é que nem era a primeira vez que aquilo acontecia. Vergonhosamente, já resgatara a garota depois de encontros ruins outras vezes. Vergonhosamente, ele sempre ia bem demais na missão de salvar sua noite nessas ocasiões. Claro, todas as coisas eram vergonhosas apenas para . Ela duvidava que sentisse qualquer vergonha de ambas as coisas.
Os dois não tinham nada, oficialmente. Eram bons amigos, e ficavam sempre que tinham vontade. Sua relação se tratava de um casinho sem maiores pretensões, mas bem, com pretensões ou não, se provava cada vez mais está fugindo do planejado.


“Combinado.”

A resposta de veio ao mesmo tempo em que uma buzinada singular, na sonoridade especifica do celta simplesinho que Rupert dirigia, soou, chamando a atenção de , que ergueu a cabeça só para encontrar um sorriso do motorista europeu, direcionado a ela. Forçou um sorriso para ele e guardou o celular de volta na bolsa pequenininha, seguindo em direção ao carro.
— Desculpe, era uma das garotas que moram comigo — ela murmurou assim que entrou, sorrindo novamente para o ruivo ao seu lado, no banco do motorista. — Ela queria saber se ainda vou demorar. Parece que teve um problema, preciso ir pra casa.
— Poxa, que pena. Eu estava pensando em te convidar pra subir no meu apartamento, te mostrar aquele quadro que te falei…
— Poxa — respondeu, com falso pesar, quando ele se calou, esperando que ela repensasse a desculpa pra ir pra casa. Apreciava a tentativa, seu ego agradecia até, mas em que ponto ele imaginou que aquele houvesse sido um bom encontro, afinal de contas? — Hoje realmente não dá. — acrescentou, em tom de desculpas. Queria ser mais direta e só dizer que não havia sido um bom encontro, mas ela não era exatamente boa em despejar verdades que sabia, a outra pessoa não receberia exatamente bem, não em situações como aquela, então optou por ser evasiva.
— Tudo bem. — Rupert cedeu, forçando um sorriso compreensivo que fez sentir uma pontada de irritação. Ele estava desapontado porque ela não quis ir à casa dele no primeiro encontro? não era exatamente puritana, caso se sentisse bem com alguém, realmente não tinha problemas em fazer o que tinha vontade, seja quando fosse, mas, ser julgada por não querer? Isso a irritava. — Vou levar você pra casa.
Tudo que ela fez foi acenar com a cabeça em agradecimento, se despedindo sem qualquer toque, quando, enfim, Rupert estacionou em frente ao seu prédio alguns minutos depois. Depois que o celta do europeu sumiu de vista, optou por sentar ali mesmo, no degrau em frente ao prédio onde morava, para esperar por . Havia roupas suas na casa dele, portanto decidiu que era mais fácil que suas amigas só soubessem que passou a noite com quando, de fato, já o houvesse feito e não antes.

Com ao seu lado, no banco do passageiro do Jeep que era o xodó de , ele se sentia o mais ridículo dos homens. Droga, ele estava tão aliviado de ter recebido aquela mensagem, era ridículo.
Toda vez que saia num encontro, ficava daquele jeito e odiava se sentir daquele jeito. Paranóico, imaginando se seria daquela vez que ela não voltaria para ele e finalmente encontraria alguém de quem gostasse mais. Ele sabia, no entanto, que aquele tipo de pensamento era o exato oposto de toda a premissa do que tinham, que era pra ser algo casual e simples, e justamente por isso odiava tanto. E por ser vergonhoso, claro.
Já fazia alguns meses que as coisas se arrastavam daquele jeito entre eles. Começaram como amigos, com aquela admiração mútua graças ao modo como se relacionavam com seus trabalhos, e depois da primeira transa, numa festa de um amigo em comum, não quiseram mais parar. Eram bons naquilo e seu acordo pareceu transparente o suficiente para dar certo. Ou quase.
O fato era que os dois se gostavam, se divertiam juntos e o sexo era incrível, mas não eram tudo com que o outro sempre sonhou. Ou qualquer coisa próxima disso, frequentemente, aliás, faziam o outro rolar os olhos e perder a paciência inclusive. Não eram, enfim, o que o outro idealizava num amor e sabiam bem disso, portanto decidiram que fazia sentido levar as coisas daquele jeito: Sexo sem compromisso e nenhum envolvimento até encontrarem alguém com quem, de fato, fossem querer se envolver.
Exceto que já estavam envolvidos. Obviamente, não era um plano a prova de falhas.
Lá estavam eles, afinal de contas, disputando as fritas que vieram de acompanhamento do lanche que compraram um instante antes, no drive trough do primeiro restaurante fast food que encontraram em seu caminho. jantara num restaurante que, apesar das inúmeras estrelas, servia porções pequenas demais e estava faminta quando chegou pra lhe buscar, de forma que a primeira coisa que fez, ao entrar no carro, foi pedir que ele passasse no fast food mais próximo.
— Porra, me erra, ! Eu ‘tô com fome! — reclamou, estapeando a mão do cantor quando ele tentou surrupiar mais um punhado de fritas e ele riu, conseguindo roubar ao menos duas ainda assim, levando a boca e dando um sorriso aberto a garota em seguida.
— Eu paguei, amor.
— Não pedi pra você pagar, gracinha. — a garota devolveu, pondo tanto sarcasmo no apelido carinhoso quanto ele fizera e riu outra vez, aproveitando o sinal vermelho para segurar o rosto da garota em uma das mãos, lhe roubando um beijo.
— Eu queria as fritas. — retrucou, como se fosse muito simples, um instante depois e não conseguiu conter uma risada quando ele sorriu aberto em sua direção outra vez, o empurrando para prestar atenção na estrada em seguida.
— Nem sei por que te mandei mensagem. — murmurou, mais pra si mesma do que para o homem, que deu de ombros com sem se deixar afetar pelo comentário, lançando uma piscadela em sua direção antes de fazer o retorno que lhes deixaria na rua onde ficava o prédio onde morava.
Ela sabendo ou não, o motivo de tê-lo procurado depois de seu péssimo encontro, precisava admitir: estava feliz que ela fizera. Se sentia mais ridículo ainda por aquilo, mas céus, estava feliz, aliviado até. Não lhe perdera ainda.

 

INVERNO.


“I got a million things to do
A million things to prove
A million things to lose
But I’m riding next to you baby”

A chuva forte que se fazia enxergar pela janela preenchia o peito de de maneira satisfatória. Era daquilo que ela precisava; receber o inverno como ele merecia, com a chuva caindo do lado de fora e trazendo consigo a brisa fria típica do fim do mês junino, um dos seus favoritos do ano. É claro, ficava ainda mais saudosa de casa naquela época, visto que as festas juninas do nordeste eram infinitamente melhores que as que aconteciam em qualquer outra parte do país, mas aquele era um revés com o qual tinha que viver e, depois da semana que tivera, estava feliz em poder apenas ficar sozinha em casa e descansar debaixo de sua manta favorita. Junho nem era para ser um mês difícil para ela, a programação na emissora em que trabalhava costumava não ser difícil de administrar, mas com a produção fora de época de um longa no qual trabalhou como assistente de direção, sua agenda apertou dolorosamente nos últimos dias.
Naquele momento, ela observava em silêncio enquanto e terminavam de se arrumar pra sair, as três instaladas no quarto da mais velha no apartamento que dividiam.
, irmão mais velho de , e namorado de , ia conhecer , o namorado de , – que por acaso também era irmão de – naquela noite. Os quatro jantariam juntos, respeitando todos os esforços de e para tornar aquela noite o mais casual possível, de modo que a pressão não fosse tanta em cima do pobre coitado do .
Normalmente, não hesitaria em se juntar aos outros quatro no jantar, apenas pelo prazer de ver seu gêmeo se borrar de medo de , mas seu trabalho a sugara o suficiente nos últimos dias para que só quisesse ficar jogada, assistindo TV sem pensar em nada. Queria, é claro, ter algumas garrafas de Soju para acompanhá-la na missão, mas o estoque de casa havia acabado e de jeito nenhum ia sair para comprar. Preferia comer miojo e tomar refrigerante.
, se puder filmar a coisa toda… — sorriu com falsa inocência quando lhe encarou desacreditada por suas palavras — Por favor.
— Por que você é assim? — quem reclamou — é seu irmão!
Era verdade. Mas também era por isso mesmo que implicava, era seu dever como irmã. E sua diversão também.
— Sabe, se você chamar o não precisa ficar de vela e vai poder ir… — começou, recebendo um olhar feio de por isso — Que foi?
já está nervoso o suficiente.
— Quase me convenceu — implicou, rindo diante do olhar ligeiramente irônico que lhe lançara — Mas, infelizmente, eu ‘tô mesmo cansada. Vou ficar jogada no sofá vendo filme até estar com sono o suficiente para ir pro quarto dormir.
— Sozinha? — arqueou uma das sobrancelhas e imitou sua expressão, sem falar nada. A mais velha rolou os olhos por isso. — Maldita hora que fui te ensinar a fazer isso. — reclamou sozinha, fazendo a mais nova rir. Fora quem ensinara a erguer apenas uma das sobrancelhas, antes disso a garota erguia sempre as duas juntas. Um fato tão cômico quanto inútil.
— Ah, mas eu duvido — interveio, fazendo as outras duas desviarem o olhar em sua direção, lhe observando cobrir os lábios com um batom clarinho, para só então voltar a falar — Não me chamo se a não chamar o . Ou ele não aparecer aqui por conta própria.
rolou os olhos enquanto ria, concordando.
— Eu chamo quando quero transar, é muito simples, sabe? Não quero transar hoje, então, nada de . — a mais nova devolveu, sorrindo numa ironia ligeiramente irritante para as duas mais velhas, que, ainda assim, não lhe levaram a sério.
— Nem você acredita nisso. — retrucou, admirada com a cara lavada da amiga, que mordeu uma risada, num esforço ridículo para manter a pose. Com aquelas duas, nem querendo conseguia manter qualquer pose. Era transparente de forma patética. — Vocês se gostam, . Qualquer um vê.
A mais nova desviou o olhar e balançou a cabeça num desdém ensaiado, mas pouco acertado. O modo como seu estômago revirou num friozinho suspeito diante das palavras de dizia tanto quanto a pose fracassada de superioridade perante a possibilidade, afinal.
No instante seguinte, o celular de vibrou ao seu lado na cama e ela pescou o aparelho, vendo que lhe marcara numa publicação no Instagram, e, curiosa, a garota desbloqueou o celular para ver o que era. Acabou rindo ao notar que se tratava de um meme idiota sobre sexo, brincando com uma situação pela qual já haviam passado.
— Meu ponto exato. — praticamente cantarolou sua satisfação ao se jogar ao lado de para espiar seu celular e descobrir do que se tratava a notificação que a mais nova acabara de receber.
riu e lhe empurrou pra longe, se pondo de pé em seguida.
— Larga de ser ridícula, . — resmungou, acabando por rir junto com a outra, que se levantou em seguida, ajeitando o vestido no corpo. — Vocês não vão se atrasar, não? Onde é que o tá, hein? — perguntou em seguida, olhando de uma para a outra e rolando os olhos pelo olhar carregado de diversão que recebeu de ambas em resposta. — Nem comecem. — a mais nova acrescentou, em tom de aviso, e as duas riram.
— Vamos com , na verdade. E ele já está aí embaixo, tchau … — cantarolou depois de uma olhada breve no celular, puxando pelo braço em seguida. A mais velha riu e acenou para , que revirou os olhos, seguindo-as para fora do quarto.
costumava morar com as três logo que ele e se mudaram pra lá, mas o local era apertado demais para quatro pessoas e, bem, ele não era exatamente um santo para aguentar três TPMs sem reclamar. Quando surgiu uma vaga no apartamento que um de seus amigos dividia com outro colega, ficou feliz em ir, embora se desse bem com e também. Bem até demais até, visto que agora namorava .
— Boa foda! — gritou antes que batesse a porta e enquanto arregalava os olhos de um lado, rindo, arregalava do outro, xingando . A mais nova acabou por rir mais escutando de maneira distante a discussão das outras duas, seguindo em direção a sala de estar do apartamento e se jogando no sofá, pescando ao mesmo tempo o controle da TV a fim de buscar algo para assistir.

Lá pela metade de Beleza Americana, um filme que já vira inúmeras vezes e, por isso, podia se dar ao luxo de não prestar muita atenção, a garota ouviu a campainha soar, lhe obrigando a pausar o filme e se levantar, não exatamente empolgada para abrir a porta. Imaginava que era algum vizinho querendo algo emprestado, afinal não estava esperando ninguém.
Quando abriu a porta e deu de cara com ninguém menos que ali, no entanto, acabou rindo. ia adorar aquilo.
— murmurou humorada. — O que está fazendo aqui?
O rapper abriu um sorrisinho de lado diante de seu tom de voz, erguendo o saco transparente de embalagem que trazia consigo. Soju.
riu, deliciada, e deu espaço para que ele entrasse.
A culpa era unicamente dela mesmo. Fizera um comentário em uma rede social sobre quão emocionalmente frustrada se sentia por não ter soju na geladeira quando queria tanto beber e comemorar jogada no sofá o fim da semana mais exaustiva de sua vida. Sim, ela era exagerada assim.
— Eu não postei por sua causa — avisou quando o rapper passou por ela e ele riu, concordando com a cabeça.
— Claro que não.
Ele não acreditava nem por um segundo, e sabia tanto quanto ele, rolando os olhos e seguindo de volta para a sala de estar enquanto ele ia até a cozinha, se ocupando de guardar as garrafas na geladeira, voltando em seguida para sala, com apenas duas em mãos.
E fazia tudo.
— Não vou transar com você hoje — ela avisou também ao aceitar a garrafa que o rapper lhe estendeu. Ele riu ao se sentar com ela no sofá, colocando os pés estirados da garota no colo para que ela não precisasse sentar direito.
— Nem se eu fizer todo o trabalho? — provocou, arrancando uma risada que veio quase como um espasmo de , praticamente pulando pra fora da garota sem que ela tivesse a chance de impedir. Céus, ele era ridículo. apenas o chutou em resposta, arrancando outra risada de , que apertou seu pé nas mãos. — Eu não vim aqui pra transar, besta.
— Você é besta, besta — retrucou, de maneira claramente muito madura e riu outra vez. Ela podia ser tão espirituosa quanto ele e aquilo sempre rendia discussões tão sem propósito quanto divertidas entre os dois, porém a verdade era que nunca haviam brigado pra valer. Talvez, sim, porque não tinham um relacionamento de verdade e sua intimidade era muito mais física que qualquer coisa, mas não achava que era aquilo.
Não era como se só conversassem sobre sexo, ou apenas flertassem. Eles se entendiam bem demais, na verdade, e, ainda que ele não pretendesse admitir em voz alta nem tão cedo, a garota era uma das poucas pessoas que conseguia fazê-lo repensar atitudes ou pensamentos. detestava admitir que estava errado, mas vivia admitindo para si mesmo que ela estava certa e ele não tanto.
De novo, não que ele fosse, algum dia, admitir aquilo em voz alta, mas representava muito para si, mais do que achava. Havia muito dela em si, e muito dele nela também, e aquela troca significava tanto pra ele quanto o sexo incrível. Bom, talvez mais, afinal lá estava ele, sem, nem minimamente, qualquer esperança de transar com a garota naquela noite, lhe levando garrafas de Soju e fazendo massagem em seus pés enquanto viam Beleza Americana. não gostava muito daquele filme, mas gostava de como ficava compenetrada vendo filmes como aquele, que ele julgava um saco, mas ela classificava como arte muito mais que produto. Ele era um artista também, então entendia. Quando se era sincero, completamente sincero, em sua arte, apreciadores eram uma consequência bem vinda, mas não necessária. Era o caso dos cineastas e escritores nos quais se inspirava tanto quanto dos rappers que inspiravam e, bem, era o caso dos dois também.
— As filmagens terminaram? — perguntou quando , enfim, desviou o olhar da televisão para pegar sua garrafinha, engolindo uma golada generosa da bebida alcoólica que tanto desejara. A garota desviou o olhar para ele, sorrindo ao concordar.
— Finalmente — murmurou, o alivio em sua voz arrancando uma risadinha de , que apenas lhe encarou, esperando pelo resto. — Juro pra você, um dia, eu vou trabalhar apenas na pré-produção. Ser assistente de direção é o pior castigo, nossa — enquanto reclamava, alongava os braços, arrancando um sorriso pequenininho de , que nem sabia por que sorria, na verdade. Só havia algo estupidamente agradável naquilo, em assisti-la desabafar sobre o trabalho enquanto buscava aliviar os nós de tensão instalados no corpo.
— Você é tão boa em obedecer quanto em mandar, mas não nasceu pra nenhuma das duas coisas — , que sabia do que se tratava o trabalho de um assistente de direção e da necessidade de ambas qualidades naquela função, murmurou, como se fosse muito simples.
arqueou as sobrancelhas em sua direção, com uma pontada tão odiosa quanto crescente de curiosidade lhe atingindo.
— E eu nasci pra quê? — despejou a pergunta, e sorriu sem reservas ao lhe encarar.
— Pra criar, . Você nasceu pra criar.
Suas palavras tanto quanto o encontro de seus olhares, o sorriso de refletindo naquele que nascera nos lábios de , acabaram por trazer mais um daqueles momentos em que diziam muito, sem falar coisa alguma. Sequer precisavam abrir a boca, na verdade. Era doce, doce demais para o que tinham, para tudo que insistiam em dizer que consistia o relacionamento deles, mas tão bom.
Nenhum dos dois era corajoso o suficiente para tentar tecer descrições claras o suficiente a respeito do que sentiam em momentos como aquele, em que se despiam de máscaras e barreiras e apenas se permitiam aproveitar cada parte daquela sensação gostosa de ter o outro notando e apreciando o que havia de mais verdadeiro em si. Tinha que bastar, portanto, os olhares e sorrisos, mais sinceros que qualquer coisa que pudessem tentar falar.
Bastava, por ora. Na brevidade do momento.
, enfim, soltou um risinho de nervoso e voltou a chutar de leve.
— Nasci mesmo. E sabe do que mais? — o encarou por baixo dos cílios, sorrindo de lado enquanto lhe encarava atento, esperando para ouvir seu plano — Ainda vai ver meu nome encabeçando grandes roteiros, . Premiados. E livros também. Tudo que a minha inspiração quiser. — murmurou confiante, e sorriu diante tanto de suas palavras quanto do sorriso que veio depois, com um delicioso ar de simplicidade tomando o semblante do rapper quando concordou com a cabeça.
— Acredito nisso.
Talvez até acreditasse mais do que , era capaz de ver aquilo o tempo todo e não só quando ela era elogiada, como acontecia com ela. E esperava que aquilo melhorasse, que ela passasse a não precisar da validação dos outros tanto quanto ainda precisava e fosse capaz de ver quão talentosa realmente era.
— Bom, agora volta com essa massagem aí… — esfregou o pé na mão do rapper, que riu e lhe arqueou as sobrancelhas.
— E por que eu faria isso? Você já disse que não vai dar pra mim hoje… — ele se calou quando arregalou os olhos e chutou seu peitoral, apenas porque a gargalhada que irrompeu de sua garganta não deixou muito espaço para falas.
— Você é um merdinha, .
— E você é uma gracinha, amor. — ele retrucou, a ironia em sua voz fazendo com que revirasse os olhos outra vez, apenas para rir novamente um instante depois, quando ele o fez. Aquela leveza era ingrediente antigo do relacionamento dos dois, ainda que em algum momento a apreensão tomasse seus corações e lhes deixasse preocupados quanto ao tamanho de seus envolvimentos um pelo outro, coisa que nem esperavam. De forma alguma.
Tanto quanto achavam que não eram o certo um para o outro, valorizavam um pouco demais sua liberdade e aquilo era um motivo tão bom quanto qualquer outro para continuarem a se esforçar tanto em ignorar a evolução obvia de seus sentimentos. Tinham muito que fazer, muito que provar, e muito que perder, mas… Caramba, tinham também aquela vozinha que crescia e praticamente pulsava dentro deles, pedindo tanto que dessem uma chance ao sentimento. A voz meio que ficava mais forte e urgente em noites como aquela, no finalzinho de junho, em meio ao frio especifico e bem vindo do inicio do inverno.

 

PRIMAVERA.


“Cheap shot, caught me when I wasn’t looking for you
Shots in the dark, got me following your heart
Cheap shot, got me taking cheap shots
Why are you taking cheap shots?”

Era uma manhã quente, relativamente atípica daquela estação do ano, visto que era a época em que a brisa costumava viajar os céus e tornar o clima mais fresco. A primavera era um período agitado tanto para quanto , já que, como ambos trabalhavam com entretenimento e arte, os preparativos para os lançamentos de verão costumavam estar sempre a todo vapor durante aqueles meses. Seria até difícil se verem, se, bem, não soubesse exatamente quão bons eram em aliviar o stress daquele período de agitação em seus trabalhos juntos. Alguns sacrifícios valiam à pena.
O rapper perdeu alguns bons minutos debaixo da água gelada logo que acordou, levando mais tempo do que o normal debaixo do chuveiro com a intenção apenas de aproveitar a sensação refrescante da água naquela temperatura indo de encontro a sua pele. Parecia, afinal, o jeito perfeito de despertar por completo e começar o dia.
Sua caixinha de som, numa prateleira no quarto, logo começou a tocar uma das tantas playlists que adorava criar, o alertando para o fato de que ela já havia acordado e decidiu sair de uma vez dali. O homem prendeu a toalha a cintura sem se preocupar em secar o corpo de maneira menos superficial, saindo do cômodo anexado a sua suíte e encontrando sentada em sua cama, mexendo no próprio celular. Seu corpo estava coberto apenas da cintura para baixo pelo cobertor e, ainda que já houvesse visto a garota nua outras vezes, algo na sensação de intimidade terna que acometeu em vê-la daquele jeito, naquele momento, o fez sorrir um pouco.
A garota ergueu o olhar assim que o ouviu se aproximar e sorriu também, o rosto marcado pelo tempo em excesso de sono naquela noite, ou bem, naquele inicio de dia. Os dois haviam dormido pouco durante a noite, mas bem, já passava da uma da tarde agora.
— Bom dia — ele murmurou, pescando o celular na ponta da cama ao chegar perto o suficiente para tal e o encarou, ainda parcialmente molhado, com apenas a toalha adornando o corpo e achou a visão tão deliciosa, que não foi capaz de conter a vontade de chegar mais perto, engatinhando em sua direção. O cobertor deixou de cobrir seu corpo com a mesma eficiência que fazia um instante antes e foi capaz de ver que ela vestia novamente a calcinha da noite anterior, o que não o surpreendeu de verdade. Ela não gostava de dormir sem calcinha.
Pensar naquilo fez com que se perguntasse quantas manias da garota já havia memorizado e passado a tratar com tamanha naturalidade.
— ‘Tá geladinho. — a garota comentou, satisfeita, ao encostar a cabeça no abdômen do rapper, que soltou um risinho, olhando-a por sob o aparelho celular, que apesar de ter desbloqueado para checar se havia algo importante de seu trabalho que precisasse de sua atenção, não tinha sequer uma parcela da concentração de . Não com uma das mãos de brincando esperta com a borda de sua toalha. Ele a conhecia, e se conhecia, o suficiente para saber aonde aquilo ia parar.
— Eu acabei de tomar banho. — ele explicou, ainda que não precisasse, e a garota concordou com a cabeça.
— Sei disso. — falou, erguendo o olhar pra ele. — ‘Tá cheirando bem também.
Ele arqueou a sobrancelha, daquele jeito tão descarado quanto simplório dele, como se, de alguma forma, aquilo fosse o suficiente para minimizar o impacto que ele sabia que causava. Exceto que, bem, não queria minimizar coisa alguma. o conhecia bem o suficiente para saber.
— A água tava boa. — ele murmurou, só para mantê-la falando também e ficou de joelhos na cama, passando as mãos por seu pescoço. baixou as dele, precisando de toda centelha de força de vontade que havia em si para não apertá-la pela cintura quando sentiu os seios empinados da garota contra o próprio peitoral.
— Devia ter me chamado. — ela devolveu, enfim, os olhos rentes aos seus. Os braços dela estavam apoiados em seus ombros, mas não o envolviam como quando se beijavam. E havia algo incrivelmente gostoso sobre aquilo, sobre as provocações que levavam sempre ao mesmo lugar e vinham dos mais variados jeitos, inflamando-os num grau tão delicioso quanto ridículo, em cada pequena, e aparentemente indiferente, atitude. — Nos divertiríamos mais.
— É? Como? — questionou, baixando o olhar quando ela o fez, assistindo os dedos da garota encontrarem o encaixe de sua toalha e desfazê-lo, fazendo com que o tecido felpudo caísse entre eles, na pontinha da cama. Nenhum dos dois se importou em terminar de empurrá-lo para fora do caminho.
— Bom, pra começar, eu teria beijado você. Eu beijo bem. — disse, a simplicidade em sua voz fazendo rir simplesmente porque soou muito como ele mesmo. O rapper se calou, no entanto, tão logo quanto os lábios de tocaram a tatuagem em seu pescoço, trilhando em seguida para seu peito, cobrindo partes da tatuagem que ele tinha ali também. Céus, aquilo era bom. — Não beijo? — ela ergueu o olhar para ele ao passo que sua mão alcançava o membro do homem, envolvendo-o e apertando de leve antes que os dedos deslizassem livremente por sua extensão, sua unha o arrepiando sem precedentes ao triscar na região também. Inferno, ela fazia aquilo tão bem que chegava a ser ridículo.
deixou o celular cair de qualquer jeito ao lado dela na cama e apertou a cintura desnuda da garota, olhando em seus olhos.
— Beija, baby. Eu devia ter te chamado. — ele, enfim, concordou e sorriu, olhando em seus olhos. Adorava quando jogavam e se provocavam mesmo que nenhum dos dois nunca fosse capaz de dizer não, mas céus, era tão diferente quanto delicioso o jeito que a inflamava quando era fácil daquele jeito.
— Bom garoto — ela zombou, e ele riu fraco, observando-a se afastar e puxar o elástico que vivia em seu braço, usando-o para prender o cabelo num coque.
— Só pra você, hm? — ele devolveu, não podendo evitar assegurar a própria marra, e foi a vez dela de rir. Aquilo era tão típico dele, quis enfiar a língua em sua boca e beijá-lo até seus pulmões doerem pela falta de ar.
— Só pra mim. — ela concordou quando terminou com o cabelo, puxando seu lábio inferior entre os dentes e então voltando a beijar as tatuagens em seu pescoço, clavícula e peito, como se ter algo dele “só para si” não lhe revirasse do jeito mais delicioso possível. — Sabe de uma coisa? — questionou, recebendo apenas um resmungo sem muita firmeza do homem. — Você deveria fazer outra tatuagem. Uma secreta. — ela acariciou sua glande com o polegar e sentiu um arrepio alcançar sua espinha, fazendo seu estômago revirar de maneira tão violenta quanto deliciosa.
— Secreta? — perguntou, a voz tremendo e denunciando quão entregue ele já estava. Será que ia demorar muito para ela colocar na boca de uma vez?
— Uhum, só pra mim — a garota concordou, dobrando as pernas em seguida, de modo a pôr o rosto rente ao pênis do rapper, que quase riu, de puro nervoso. E nem se importou quando entendeu o que ela sugeria: uma tatuagem na virilha ou algo do tipo, ela não se importava, desde que apenas ela pudesse ver. Inferno, a verdade era que não dava a minima, estava pronto para ser apenas dela há mais tempo do que era capaz de admitir, ainda que aquilo fosse apenas provocação, uma brincadeira com a intenção apenas de levá-los aonde queriam.
— Ok, tenho uma ideia — ele retrucou, completamente ciente que não era o momento para aquilo, mas não pôde ligar menos. Ela começara, afinal de contas. — Namora comigo e eu faço uma tatuagem secreta. Só você vai poder ver.
arqueou as sobrancelhas, sustentando seu olhar por um instante, esquadrinhando seu rosto em busca de qualquer vacilo e, quando não encontrou, riu – de nervoso – e balançou a cabeça.
— Cala a boca, — retrucou, ignorando o martelar forte em seu peito ao se concentrar no que já começara, realmente fazendo calar a boca ao cobrir sua glande com os lábios, e apertou os olhos, soltando o ar enquanto encontrava as cegas os cabelos da garota, torcendo os dedos nos fios e bagunçando seu coque ao passo que a língua ágil dela deslizava por sua extensão, não mais se atendo a sua glande. não se importou, ainda que fosse típico dela estapear sua mão e afastá-la de si, ainda abalada pela proposta que fizera um instante atrás, e se ocupou de molhá-lo com a própria saliva, e então lamber onde molhava.
viu a cabeça da garota se mover toda vez que ela ia mais fundo, buscando colocar tanto dele quanto era capaz na boca, e arrancando xingamentos falhos e desordenados do rapper, que ousou se perguntar se fora tão gostoso assim da última vez que ela fizera aquilo.
Provavelmente sim, ela era estupidamente boa naquilo.
O rapper torceu os dedos tatuados nos fios de cabelos presos pelo elástico, os bagunçando ainda mais, mas sequer teve tempo de ligar, visto que ele fez, com aquela atitude, com que ela afundasse mais em sua ereção, ajudando-a a lhe engolir inteiro só para terminar xingando baixo e gemendo ridiculamente entregue quando ela o fez. Ele ainda deslizou a mão esquecida na cintura da garota um pouco mais para cima, alcançando um de seus seios e estimulando o mamilo exatamente como já sabia que gostava, buscando estimulá-la o minimo que fosse e devolver pelo menos um pouco do fogo que ela fazia crescer e queimar tudo dentro dele. Como se fosse pouco, o quão bem a boca macia de o cobria e provocava, a língua brincando com o membro pulsante, a garota ainda ergueu o olhar para ele, que apertou mais forte em seu seio em resposta, arrancando um gemidinho da garota, que raspou os dentes em seu pênis no processo, fazendo outro arrepio alcançar a espinha de , que achou que explodiria logo.
E mal haviam começado, fala sério.
— ele resmungou, em tom de aviso e a garota apenas afundou seu membro outra vez na boca em resposta, o modo como a glande alcançou lá no fundo em sua garganta dessa vez arrancando outro xingamento do rapper, que segurou mais forte em seus cabelos, empurrando-a ainda mais fundo e, dessa vez, ela o estapeou de verdade, afastando sua mão de si.
Com a garota beijando sua glande, a língua despejando saliva por toda a região para depois tomar de volta para si, o arrepiando por inteiro, voltou a gemer entrecortado, sentindo que podia explodir a qualquer momento.
Não resistindo em estocar em sua boca algumas vezes, puxou um instante depois o rosto dela para longe de seu membro, derrubando-a deitada na cama. riu e passou a língua pelos lábios, olhando em seus olhos numa provocação cínica enquanto o fazia, abrindo as pernas para o rapper quando ele veio por cima dela, puxando o lábio da cineasta entre os dentes.
— Se você me prender, eu chuto seu pau. — ela avisou quando segurou seus pulsos por cima da cabeça e ele riu, beijando sua bochecha com um cinismo que teria feito com que ela revirasse os olhos, se, ao mesmo tempo, não esfregasse ligeiramente a própria ereção em sua calcinha. sabia muito bem o que a atitude queria dizer, uma forma no minimo baixa de provar que não, ela não o chutaria coisa alguma.
— Eu sei do que você gosta. — ele a tranquilizou, soltando seus pulsos e piscando para ela enquanto levava as mãos para sua calcinha, deslizando-a por entre suas pernas. Ao fazê-lo, não foi capaz de evitar desviar o olhar para a região desnuda, inchada e deliciosamente molhada. Sua boca secou e teria, não tinha duvidas que teria, mudado seus planos e enfiando o rosto entre suas pernas para sentir seu gosto, se não houvesse agido antes e o puxado pela ereção.
— Então, o que ‘tá esperando? — ela questionou, e riu, puxando a mão dela dali e deslizando apenas a cabecinha para sua entrada.
— Você pedir. — retrucou e ela riu, surpresa ao notar que ainda era capaz de se surpreender com os golpes estupidamente baixos de . Ainda rebolou, movendo-se embaixo dele de modo a tentar trazê-lo de uma vez para si, mas apenas puxou o quadril para trás e a garota resmungou, jogando desacreditada a cabeça para trás.
Filho da puta, foi o que pensou, forçando um sorriso irônico para o homem pairando irritantemente gostoso sobre si.
— Baby… — ela chamou, não se importando em deixar escapar uma nota a mais de sarcasmo na voz ao chamá-lo, raspando as unhas no rosto do rapper. — Mete gostoso em mim, mete? — pediu, enfim, não tendo tempo para sequer se sentir vitoriosa diante de quão rápido ele deslizou para dentro dela, tão fundo e tão gostoso, que, puta merda, a garota foi capaz apenas de jogar a cabeça para trás, apertando as pernas ao seu redor simultaneamente.
E, com a voz tão irônica quanto pedinte da garota ainda soando em seus ouvidos, junto com a onda de gemidos que seguia as novas investidas do rapper, ele meteu gostoso, exatamente como ela pedia.
apertava as pernas ao seu redor, o incentivando com as unhas curtas em seus ombros e a vagina o apertando em si toda vez que ele investia, de modo a fazer gemer perto de seu ouvido, só para sorrir descarado quando o empurrou pelo peito e inverteu as posições, de modo a ir por cima, descendo tão gostoso em seu pau que o homem foi capaz apenas de admirar a magnitude da mulher em cima de si. Ele sabia que adorava ficar por cima, e honestamente, ainda que gostasse de tê-la rendida, havia algo estupidamente quente no modo como ela descia sobre seu pau quando ficavam naquela posição, e se ocupava, sem qualquer problema, de estimulá-la e deixar que fizesse o que gostava, e céus, o que fazia tão bem.
Uma das mãos de encontrou o clitóris inchado de e a outra subiu para seu seio, fazendo com que não fosse mais capaz apenas de soltar o ar de tempos em tempos, gemendo manhosa e, porra, adorava ouvi-la naquele tom. Enquanto ela deslizava uma das mãos pelo peitoral do homem, ele sorriu e tão logo desistiu daquela posição também, sentando-se e a puxando mais para si pela cintura, de modo a limitar um pouco a profundidade dos movimentos da garota, mas nenhum dos dois ligou, não com ele ainda lhe estimulando o clitóris e com passando a rebolar gostoso em sua cabecinha, escondendo o rosto em seu pescoço em meio a queimação que começava a acometer suas pernas pelo esforço. Não ousou, ainda assim, parar, descendo mais devagar no pau do homem apenas para rebolar novamente quando sua bunda encontrou as bolas dele.
O rapper mordeu o lábio, num esforço penoso para se segurar quando o corpo todo clamava que soltasse de uma vez, que se entregasse ao auge daquela sensação, que, céus, ele não queria adiar. Conhecia bem demais para querer, mas precisava ver se derramar antes, simplesmente precisava e puxou o lábio inferior da garota entre os dentes, descendo em seguida e trilhando beijos quentes por seu pescoço enquanto estimulava seu clitóris com gentileza ridiculamente contrária a todo o resto. se encolheu e retesou em seus braços e ele soube que ela estava próxima, sentindo-a escorregar sem o menor cuidado contra seu membro enquanto buscava se entregar a sensação quente que pairava sobre ela, ameaçando lhe tomar por completo. Buscando ajudá-la, continuou a lhe beijar, morder e chupar onde alcançava, só para terminar se derramando dentro dela no instante seguinte, ao passo que ela gemeu urgente e o rapper sentiu o dedo explorando sua intimidade encharcar.
Se encararam um instante depois e riram juntos, entregues a leveza que sempre lhes acometia depois que gozavam tão forte, e ajudou a sair de cima de seu membro, beijando-a devagar nos lábios antes de inverter as posições, fazendo com que ela deitasse onde ele estava antes e então se pondo de pé.
— Estou te chamando pro banho agora. — ele avisou, olhando-a exausta e deliciosa nua em sua cama, como já vira inúmeras vezes, mas sempre lhe acometia daquele jeito tão bom. riu, o encarando preguiçosa por um instante e então se pondo de pé, concordando com a cabeça.
— Estou indo. — respondeu enfim e ele riu, dando as costas para seguir em direção ao banheiro, com a garota logo atrás de si.
Por ora, os dois esqueceram a proposta de , que, no entanto, ainda viria a assombrar mais tarde. Brincariam com novas propostas, das quais fugiriam, mas não por muito tempo, porque, afinal, não dava para esconder, ou fugir: Ainda que fingissem que não, ou que realmente acreditassem em qualquer coisa diferente daquilo, os dois eram um do outro. Se algo “era pra ser”, no fim das contas, era exatamente aquilo.
Eles descobririam logo.

 

VERÃO.


“I like my girls just like I like my honey; sweet
A little selfish
I like my women like I like my money; green
A little jealous
‘Cause I’m a beautiful wreck
A colorful mess, but I’m funny
Oh, I’m a heartbreak vet
With a stone-cold neck, yeah, I’m charming”

A estação mais quente do ano reunia muitos aspectos contrários, a exemplo da sua própria chegada: o verão se iniciava quando o ano se aproximava de seu fim, as pessoas começavam a preparar suas resoluções e planos pro ano seguinte e a atmosfera mudava de um jeito revigorante. Era como se tudo pudesse acontecer dali em diante, motivo pelo qual aquela era a época do ano favorita de .
Ainda que, num país tropical, fosse difícil ter tanto apreço assim pelo verão, a garota nutria um carinho esperançoso pela estação, simplesmente por conta daquela atmosfera, daquela sensação tão revigorante, que prezava tanto, de que tudo estava prestes a mudar. Mesmo quando tudo estava bem, a sensação de não ter ideia do que aconteceria em seguida, e que, no próximo verão, estaria num lugar completamente diferente do que estava agora era mais estimulante do que qualquer coisa.
E a garota não sabia ainda, mas teria a prova daquelas crenças naquele dia. Era final de dezembro, o primeiro final de semana do verão, e com a passagem do natal, seus amigos aproveitavam também para já começar as festividades de boas vindas ao novo ano, que, naquele ano, cairia num domingo. Era perfeito, portanto. Começavam as celebrações na sexta a noite e só no domingo terminavam.
rejeitou um bônus generoso para isso, e a chance de trabalhar nas coordenadas da virada do ano na Paulista, porém bem, aquele era seu feriado favorito e aquelas eram suas pessoas favoritas. O bônus podia esperar pela próxima ocasião.
— Você ‘tá com aquela cara de novo — se aproximou, estendendo para a garota uma garrafinha de soju e fazendo com que ela piscasse, ligeiramente confusa, diante de suas palavras. — De mocinha de filme na cena final, apreciando como tudo terminou bem e coisa e tal. — ele explicou, fazendo-a rir enquanto se sentava ao seu lado.
— Acho que preciso beber. — ela retrucou, levando a garrafinha a boca. lhe observou em silêncio, a mente cheia de um jeito um tanto incomodo. Ver introspectiva daquele jeito quase inquietante, honestamente, lhe fazia sentir um pouquinho melhor, porque não era incomum que, quando aquilo acontecia, seus pensamentos estivessem alinhados. E o cantor estava pensando nela.
Há alguns meses atrás, pedira a garota em namoro numa brincadeira durante o sexo e, ainda que houvessem tratado a coisa toda como brincadeira na época, volta e meia se via lembrando daquilo. Em como teria sido se ela houvesse aceitado seu pedido. Será que tanta coisa mudaria, realmente?
não saía num encontro há meses, e também não via outras garotas a mais tempo do que lembrava, mas a possibilidade pairava sobre eles, como um desastre iminente, apenas esperando o momento de se chocar a eles e prendê-los nos escombros, provavelmente em pontos tão distantes que não voltariam a ser o que eram. não ligava de não voltar, mas ligava se aquilo significava perdê-la.
— Ei, casal, chegou. — avisou, colocando a cabeça para fora, na varanda onde os dois estavam sentados no futton que fizera questão de comprar e colocar ali fora, acostumada a morar em casas e agora, vivendo pela primeira vez em um apartamento, não se deixaria perder a relação tão boa que tinha com o ar livre. Nenhum dos dois teve tempo de xingar pelo termo usado, já que ele voltou para dentro tão rápido quanto apareceu, os obrigando a se levantar e seguir até o interior do apartamento.
, e já se sentavam numa rodinha, com servindo pequenos copos de doses para cada um, com copos em frente aos lugares vazios, onde os outros três deviam se sentar, também.
— Uau, , eu não sabia que estava fazendo quinze anos hoje — brincou, irônico, e olhou feio pra ele por isso.
— Vamos jogar “eu nunca”, para de ser chato e vem logo. — ela ordenou e o mais velho rolou os olhos, mas obedeceu mesmo assim, sentando-se entre e enquanto se sentava no lugar que sobrou, de frente para ele, entre e . — Ok, , você começa. — apontou depois de servir os copos de todos e arregalou um pouco os olhos.
— Eu?! Por quê?! — perguntou, indignado e riu enquanto dava um sorrisinho, sabendo muito bem ser o motivo de estar agindo daquele jeito. E, é claro, adorando.
— Sentido anti-horário, ué. — foi quem respondeu, apontando o sentido no qual o jogo devia correr com ar de obviedade. resmungou, insatisfeito ainda assim.
— Eu nunca fiz nada. — resmungou baixinho e tanto quanto arquearam as sobrancelhas diante de suas palavras. O mais novo corou e riu.
Isso você já fez. — devolveu e rolou os olhos.
— Fala qualquer coisa. — interveio, tocando seu ombro e o garoto suspirou, olhando fixamente para o próprio copo por um instante, pensando no que falar.
— Ok. — ergueu o olhar, focando em — Eu nunca transei com alguém com meus pais na mesma casa.
arregalou os olhos diante de suas palavras, completamente ciente do ataque pessoal nelas.
— Como você sabia disso?!
— Eu também estava em casa, . — retrucou, arrancando risadinhas dos outros enquanto ela ainda o encarava um tanto chocada.
— Mas eu não fiz barulho!
— Você pode não ter gritado, mas fez barulho sim. — retrucou e arregalou ainda mais os olhos, o encarando um tanto atônita diante da insinuação.
! — reclamou, fazendo o irmão rir, apontando para seu copo.
— Bebe logo.
— Espera, mais ninguém vai beber? — a garota perguntou, olhando tão chocada quanto antes em volta e seus amigos lhe lançaram olhares que dividiam pedidos de desculpas e o humor que não eram capazes de conter. Desacreditada e incomodada, levou o copo a boca, fazendo uma careta para a queimação intensa que a vodka causou ao descer rasgando por sua garganta.
— Eu nunca… — começou, erguendo o próprio copo e olhando de maneira inquisitiva para cada um na roda apenas para fazer graça. — Nunca transei com ninguém amarrado. — olhou para , que rolou os olhos.
— Quem sabe outro dia, amor. — retrucou, sem ligar de soar pouco convincente e fez uma careta desgostosa para os dois.
— A gente vai mesmo continuar nesse assunto? — perguntou, desconfortável e riu, estendendo a mão e bagunçando seus cabelos. A garota fez uma careta por isso, resmungando ao afastar sua mão.
, então, encarou como se esperasse por algo.
… — chamou, desconfortável também e os outros olharam de um para o outro, curiosos. pareceu confusa.
— O que foi?
— Você tem que beber. — ele apontou para o seu copo e tossiu, olhando tão chocado quanto incomodado de um para o outro enquanto e riam entre gritinhos animados. sorria com humor contido, apenas.
?! — perguntou, como se esperasse por uma explicação e riu mais por isso.
deixa a sua irmã prendê-la, e você fica aí de cu doce comigo…
— Garota! — direcionou para a namorada o mesmo olhar tão chocado quanto indignado que antes direcionava para a irmã e apenas riu, sem o menor arrependimento, enquanto fazia sinal para seguir com o jogo. O mais velho concordou com a cabeça.
— Eu nunca… — parou pra pensar — Mandei nudes por engano.
— Argh. — reclamou, cutucando para que ela bebesse, e a garota riu ao obedecer, recebendo um olhar curioso de por isso. o estapeou. — Se eu quisesse ver os peitos dela, já teria visto sem precisar do celular. A culpa disso é sua! — apontou o mais velho, que recebeu outro tapa por rir.
empurrou o braço dela para que parasse.
— Tá, tá, já entendi — soltou um risinho, sem realmente ligar para a bronca e quando rolou os olhos, por implicância, acrescentou: — Mas você tem que admitir, ela tem belos peitos. — devolveu e apontou em sua direção.
— Foi o que eu disse!
rolou os olhos.
— Não quer dizer que a gente queira ver.
balançou a mão em frente ao rosto de , fazendo pouco caso das palavras da amiga.
— Besteira. Eu não ligo de ver, pode mandar sempre que quiser, — piscou para a amiga, que riu e piscou de volta. rolou os olhos.
— A gente pode continuar? — reclamou, querendo na verdade acabar logo com aquilo, ou, pelo menos, ficar embriagada o suficiente para não sentir vergonha com aquele assunto.
— Vamos. — riu, fazendo sinal para que ela fosse em frente, já que era sua vez agora e a garota bebeu sua dose antes mesmo de pensar no que falar, apenas para criar coragem.
Os outros riram por isso, voltando a encher seu copo enquanto ela, enfim, falava.

Algum tempo depois, o grupo estava confortavelmente embriagado, rindo concentrados em outro jogo, tão imaturo quanto o anterior, ou talvez mais: Verdade ou desafio.
havia se esquivado de qualquer desafio por, pelo menos, três rodadas e quando tentou outra vez, os amigos se juntaram para reclamar, obrigando-a a aceitar o desafio dessa vez. Foi desafiada a se vingar de pela nude que recebera sem querer lhe enviando uma também e depois de uns bons minutos reclamando, finalmente cedeu e foi ao banheiro tirar a foto e enviar para a amiga, que passou o resto do jogo lhe lançando cantadas idiotas, apenas pelo prazer de envergonhar a amiga, é claro.
Um pouco depois, porém, a garrafa indicou que devia desafiar e ele sentiu um formigamento muito especifico quando olhou em seus olhos, bem ali, em sua frente.
— E então? — a garota quis saber, arqueando as sobrancelhas com um brilho apenas parcialmente embriagado nos olhos. No geral, aquele brilho sempre estava ali mesmo. Sempre hipnotizando .
Ele soltou um risinho nervoso assim que uma pequena parte dele se deu conta do que faria e olhou da garota para os outros, as melhores amigas dela, , que ele conhecia há tanto tempo que era quase um irmão, e , o irmão de . Riu nervoso outra vez.
— Namora comigo – desafiou, enfim.
arqueou as sobrancelhas, surpreso, e também. abriu um sorriso surpreso, zombeteiro e empolgado, tudo ao mesmo tempo, enquanto encarava a irmã com curiosidade. Mas não viu nada disso. Ele só olhou para , que ficou branca feito papel por uma fração de segundo, e depois riu, tão nervosa quanto ele havia feito pouco antes.
— … Tá? — ela não parecia saber o que dizer exatamente, mas sabia o significado do que queria dizer e não precisou de muito para notar isso, abrindo um sorrisinho de lado.
— Tá. — forçou uma simplicidade que agora só lhe parecia cômica levando em conta quão nervoso estava de repente. Ele devia beijá-la agora? Continuar ignorando todo mundo ali, olhando pra eles? Será que seus amigos não podiam simplesmente falar alguma coisa? Lhes lembrar que estavam ali, mesmo que na verdade ninguém tivesse esquecido?
— Então, vocês são namorados agora? — foi quem perguntou, olhando de um para o outro. Os dois riram juntos, porque a pergunta soou como algum tipo de brincadeira com muito pouca lógica, mas também porque soou tão excitante. Causou uma coceira deliciosa em seus âmagos, porque parecia uma ideia divertida, meio maluca sim, mas certa. Muito certa.
— Finalmente, eu diria — brincou. riu outra vez, lhe estapeando sem desviar o olhar de .
— Você me deve m anel, — avisou, apenas parcialmente brincando. O homem gargalhou, apenas acenando com a cabeça no lugar de respondê-la. Em seguida, seus amigos também estavam rindo, lhes parabenizando e rindo porque aquilo, aquele desfecho, era bem típico deles mesmo.

estava bêbada, sabia disso, porém toda vez que pensava naquilo, se sentia sóbria: Era namorada dele. Estava namorando .
Não conseguia parar de rir na verdade, exceto pelo breve período em que adormeceu nos braços dele depois de dançar um pouco com e quando se cansaram do jogo. lhe carregou para seu quarto e colocou na cama, e foi aí que acordou, rindo assim que o notou tirando os sapatos e a jaqueta para deitar com ela. Rindo porque estavam namorando.
— Oi, namorado — a voz cantada da garota o fez rir também, pedindo que ela chegasse para o lado enquanto puxava as cobertas para se deitar com ela.
— Namorada — ele cumprimentou, arrancando outra risada da garota.
Ridícula, ela era ridícula. Bom, os dois eram, então estava tudo bem.
— Há! Você pediu! — ela o cutucou com os indicadores, fazendo graça como se houvesse ganhado algo. riu, puxando suas mãos para que parasse e fazendo com que ela passasse os braços por seu pescoço, abraçando sua cintura em seguida.
— E você aceitou — ele retrucou com simplicidade, deixando claro que podia até ser um idiota, mas ela também era. apenas riu outra vez, jogando uma das pernas por cima do namorado, que riu e jogou uma das pernas por cima dela também. Ficaram meio presos, numa posição perfeitamente confusa e confortável.
? — ela chamou, um tantinho mais baixo. Ele a encarou, esperando que falasse. não usava muito aquele tom, inegavelmente vulnerável, então o deixou atento. — Faz uma coisa para sua namorada? — o sorriso arteiro veio ao mesmo tempo em que o brilho nos olhos dela aumentou, por isso não soube muito bem ao que estava reagindo quando riu alto, abrindo um sorriso largo instantes depois, quando o som jubiloso cessou.
— O que?
— Canta uma música pra mim.
— Tipo, o que? Uma música pra ser a nossa música? — seu tom de brincadeira até tentou, mas não disfarçou a verdade de quem estava adorando todas aquelas baboseiras de casal tanto quanto fingia desprezar.
gargalhou, concordando imediatamente com a cabeça.
— Isso, perfeito! — quase gritou, empolgada, e arregalou os olhos tampando sua boca.
— Todo mundo já foi dormir, fala baixo — reclamou, e a garota revirou os olhos, estapeando sua mão. Fala sério, uma festa de três dias e na primeira noite estavam indo dormir antes mesmo de o sol nascer… Ridículo. revirou os olhos, como se soubesse no que ela estava pensando, e fez sinal para que ela ficasse quieta. — Vou cantar agora.
obedeceu e ficou quieta, esperando. Logo a voz doce de tomou o quarto, cantarolando baixinho a letra de uma música que já escutaram algumas vezes juntos, e que gostavam tanto.


I like my girls just like I like my honey; sweet
A little selfish
I like my women like I like my money; green
A little jealous
‘Cause I’m a beautiful wreck
A colorful mess, but I’m funny
Oh, I’m a heartbreak vet
With a stone-cold neck, yeah, I’m charming

As palavras que pareciam contar muito deles levaram a uma pequena viagem pelas lembranças e a garota se encolheu para mais perto do namorado, sem conseguir se conter. continuou a cantar, com a voz meio arrastada pelo sorriso que rasgou seu rosto, enquanto a abraçava, pousando o queixo no topo da cabeça dela.
Precisaram de um ano inteiro, mas finalmente chegaram lá. Era pra valer agora e parecia mais certo do que nunca.
Era perfeito.

FIM

Nota da Autora:
Oiiii!!!!!!!!!!!!! Tudo bem?
Escrever essa fic foi tão gostosinho, af. Espero que tenham gostado, eu amo esse casalzinho bobo e apaixonado af. Tudo pra mim! Me digam o que acharam, tá?
Beijos e até a próxima!
Xx.