Ritmo e Poesia

Ritmo e Poesia

Sinopse: Com pouco mais de uma década naquele ramo, podia-se dizer que Jay Park já vira de tudo. E já fizera de tudo também. Ele não era o tipo de artista que fugia de um desafio, ao contrário, aquele era o tipo de coisa que fazia seu peito inflar e os olhos brilharem.
E seu novo desafio era usar seu nome, seu próprio caminho, para inspirar outros. O meio escolhido acabou por ser um documentário, algo intimo e revelador, como todo o resto ao seu respeito. Para isso, no entanto, Jay precisava de uma parceria, alguém do ramo cinematográfico, alguém tão disposto a encarar desafios quanto ele e, assim, encontrar a poesia para seu ritmo.
Fandom: Jay Parl
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: Jay Park é o personagem principal masculino e é fixo. Há menções a sua carreira e outros membros da AOMG e da H1GHR poem vir a aparecer.
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

Prólogo

estava tão compenetrada em fazer a troca de lentes da câmera quando Jaebum adentrou o estúdio que sequer o notou.
Ele sorriu, observando-a enquanto se aproximava da mesa de som. Era a primeira vez que realmente a via mexer com a câmera e não achava que precisaria de uma segunda para criar afeição pela cena. Era mais do que apenas a sensualidade sutil que havia no quadro, não era só o modo como a alça de seu sutiã escuro aparecia ombro abaixo, ou os óculos de armação redonda encostavam-se à pele de seu nariz, nem o modo como ela mordia o lábio enquanto, cuidadosamente, posicionava a lente no lugar.
Era mais que aquilo tudo.
Toda a concentração e aparente propriedade de quanto ao que fazia lhe passava mais do que apenas o formigamento conhecido no estômago por presenciar uma mulher ser sensual sem realmente tentar. Era diferente, como o aconchego de ter certeza de algo que, até então, ainda lhe fazia coçar atrás da orelha e procurar pulgas na região.
Chamá-la para trabalhar com ele foi a escolha certa.
— Hora de trabalhar? – perguntou um instante depois, erguendo brevemente o olhar para o homem sentado um tanto quanto distante dela, de frente para a mesa de som. Ele notou que ela percebera, sim, quando ele entrara ali, diferente do que havia imaginado. A constatação arrancou outro sorriso de Jaebum, que sentiu algo se remexer dentro dele, em expectativa e êxtase, realmente se sentindo agradado com cada coisa que parecia perceber ao seu respeito por meio de suas atitudes e falas.
— Hora de trabalhar. – ele confirmou com um sorriso, rindo um pouco quando ela ergueu a câmera em sua direção, começando a filmá-lo.
— Fale sobre o que está fazendo enquanto faz. Não precisa explicar, só… O que quer que esteja pensando enquanto trabalha. – ela pediu e ele a encarou por cima da câmera por um instante, assentindo.
Normalmente, ele nunca faria aquilo, convidá-la para trabalhar com ele, como fez, em meio a uma conversa despretensiosa depois de transarem num quarto de hotel, fugindo da festa em que deveriam estar, mas Jaebum viu algo naquela garota. Ele se reconheceu no brilho que ela tinha nos olhos ao falar da própria profissão, como não acontecia com todo mundo.
Céus, ele mal conseguia lembrar a última vez que aquilo acontecera.
Ainda assim, sabia que chamá-la para filmar e co-dirigir aquilo, uma produção tão pessoal e para a qual ele tinha tantas expectativas, fora uma atitude, no mínimo, impensada. E podia dar muito errado.
As músicas na maior parte de seus projetos, álbuns e EPs, eram produzidas em seu estúdio em casa, já que era mais confortável para ele e, daquele jeito, não precisava se preocupar com coisas supérfluas como horários. Aquilo podia se tornar um problema naquele quadro. Seu novo projeto consistia em gravar um documentário mostrando todo o processo de produção de seu novo álbum, que ele queria que fosse o melhor e mais intimo de sua carreira, e era justamente ali que entrava: filmando e co-dirigindo a obra.
O detalhe, no entanto, era que a garota precisaria passar todo o período de gravação morando com ele, para que tudo ocorresse da maneira mais dinâmica possível e, novamente, questões de horários não fossem um problema. O outro detalhe era que os dois haviam transado quando se conheceram. E havia sido incrível. A química entre os dois era inegável e o fascínio parecia destinado a crescer cada vez mais conforme o tempo passasse com eles daquele jeito, trabalhando e vivendo juntos.
Tudo aquilo preocupava Jaebum; o trabalho que fazia com era importante demais para que ele sequer pensasse em arriscar misturar as coisas, porém, com ela, não arriscar sequer parecia uma opção. Tudo já começara misturado.
Observá-la se preparar para operar a própria câmera, no entanto, talvez houvesse começado a amansá-lo quanto a todos os riscos do que faziam. Porque havia aquele aconchego, o aconchego que aquecia seu peito e lhe dizia que, ainda que impensada, fora uma boa escolha.
— Vou revisar uma gravação que fiz há alguns dias. Estou com a sensação que falta algo nela. – explicou por fim, concentrando-se em olhar para câmera ao fazê-lo, antes de desviar o olhar para a mesa de som, buscando a faixa sobre a qual falava. – Em momentos assim, sempre prefiro deixar a música esfriar por algum tempo antes de voltar a insistir nela. Normalmente, dá certo.
Depois de falar, ele pôs a música para tocar, concentrando-se no que ouvia. Jaebum jogou o corpo para trás na cadeira, batucando nas próprias pernas e murmurando a letra da música baixinho, fechando os olhos e os apertando em seguida, quando a gravação parou.
Definitivamente, faltava algo.
— Acho que preciso colocar algo antes do hook. Alguma coisa que… – ele parou, estralando os dedos nervosamente, em busca de palavras que lhe permitissem explicar o que tentava fazer. – Não quero um verso a mais, entende? Estou pensando em algo na batida ou…
— Me fala sobre o hook. – pediu, lhe interrompendo e ele ergueu o olhar para ela outra vez, levando um instante para notar que ela apontava para a câmera, já que ele olhava para o rosto dela, e não para o objeto que o filmava. Jaebum balançou a cabeça e desviou o olhar para a câmera.
— O hook é um conjunto curto de versos que vêm antes do refrão. A batida começa a mudar nele, mas de maneira muito sutil, apenas o suficiente para que, quando o refrão chegar, o modo acelerado que a música passa a correr, não pareça desajustado. É como preparar o terreno para o clímax. – explicou, desviando o olhar para sua mesa de som, observando o fluir das ondas sonoras no monitor ao dar o play na música outra vez, fazendo sinal com a mão para o monitor com a passagem do hook, mostrando do que estava falando.
— Você vai descobrir. – ela murmurou, se referindo ao que ele achava estar faltando.
Jaebum assentiu, sem desviar o olhar da mesa de som.
— É, é só… Uma questão de inspiração, eu acho. Vou saber o que é quando vir.
De fato, era daquele jeito que costumava funcionar. Por mais frustrante que fosse, por mais fora de controle que aquilo deixasse as coisas para ele, não havia muito que podia fazer: A inspiração vinha quando vinha, com seus gatilhos sempre tão imprevisíveis.
— Você sabe o que rap quer dizer? – perguntou a depois de um instante, focando na câmera dessa vez, tentando chacoalhar da cabeça a impaciência e frustração que sempre lhe tomavam quando o processo criativo ficava difícil demais. fez que não. – Ritmo e poesia. Literalmente, é o significado da abreviação. Rap.
— Ritmo e poesia? – ele confirmou com a cabeça e sorriu, surpresa.
— Que foi? – Jaebum perguntou, sem deixar o sorriso passar despercebido.
A garota deu de ombros.
— Sempre achei que ritmo e poesia eram os fundamentos mais importantes de quase todo tipo de arte. No cinema, com certeza são. – ela explicou e Jaebum assentiu com um sorriso que foi incapaz de conter. Gostava de perceber o jeito que ela pensava, o modo como seus pensamentos se alinhavam de um jeito muito parecido com o que acontecia com os dele. Gostava de notar quão parecidos os dois eram.
— Eu acho que na música, em geral, também. Nas melhores músicas, mesmo sem o rap, o padrão parece ser esse. Ritmo e poesia. – ele murmurou, pensando sobre as palavras dela.
assentiu.
— Em tudo, na verdade. Se você é um artista, tem um pouco dessas coisas em tudo que faz, mesmo fora do trabalho.
— Está na sua alma. – Jaebum concordou, sorrindo junto com ela em seguida. Aquela garota era incrível. – Tem um toque de arte, da sensação constante de ritmo e poesia que vem com a arte, no jeito que a gente se veste, que falamos…
— Nas tatuagens.
— É como se todo o nosso sistema funcional fosse diferente. – Jaebum acrescentou – Acho que é por isso que existe tanto frenesi em cima da ideia de namorar um artista. Ritmo e poesia. – sorriu para a câmera, dessa vez perfeitamente ciente que o olhava através da tela.
O sorriso que Jaebum lançava a ela era muito especifico também; o sorriso cúmplice de quem partilhava um segredo, algo que ninguém mais jamais seria capaz de entender.
— Ritmo e poesia. – ela concordou, retribuindo o sorriso.
A piadinha suja que trocavam era sobre a noite na qual sequer deveriam voltar, não se a intenção ali era fazer aquela produção ocorrer da maneira mais profissional e simbiótica possível, a noite que acabava por ser, ironicamente, o momento que melhor descrevia o que discutiam ali, para ambos.
Não disseram para a câmera, mas era aquilo: Quando pensavam em ritmo, além de pensar em arte, em música e dança, pensavam no ruído de seus corpos se chocando juntos, de novo e de novo, naquela cama de hotel. E seria no mínimo ignorante dizer que não havia nenhum pouco de poesia naquilo.

 

 

Um.

— Me explica de novo, por favor. De um jeito que não pareça que você está indo morar com um cara que era pra ser só um caso de uma noite. – pediu enquanto, junto com , observava a mais nova encarando o próprio reflexo no espelho, limpando os resquícios do borrão que seu batom deixara no canto de sua boca quando o passou.
Ela rolou os olhos, passando a mão pelos cabelos até que a visão dos fios lhe agradasse.
— Eu já disse, é trabalho. – retrucou, tentando ela mesma não pensar naquilo da maneira que descrevera. Estava sendo um desafio, precisava admitir. – Ele está gravando um novo álbum, é um processo importante e ele quer transformá-lo em algo mais. A proposta é um documentário, um documentário com todo o processo de produção da obra, é bem interessante, na verdade. E eu acabei de terminar o curso de tratamento de imagem com o pessoal da Samsung, então o timing é perfeito.
— Certo, me deixa ver se entendi – pediu, erguendo os braços na frente do corpo, fazendo sinal para que esperassem. lhe encarou de maneira preguiçosa e riu, fazendo sinal para que ela seguisse em frente. sorriu, assentindo. – No fim do seu curso, seu professor gostoso te chamou pra sair. – começou e abriu a boca para lhe corrigir, mas ela foi mais rápida. – Ele te chamou pra sair. Ele esperou as aulas terminarem, quase um ano inteiro, e te chamou para sair. Você concordou, então foram a uma festa em que, por acaso, Jay Park, o Jay Park, também estava. – riu, como se estivesse realmente deleitada em falar aquilo.
rolou os olhos.
— Eu já disse pra vocês, naquela noite fomos a uma festa da Fundação Samsung e, aparentemente, Jaebum também…
— Jaebum. – repetiu, rindo ao lhe interromper. – Já estão se tratando pelo primeiro nome?
— Cala a boca. – ordenou, apontando para a mais velha, que riu outra vez.
—Tenho quase certeza que é “cala a boca, unnie” pra você. – corrigiu e não conseguiu conter a risada dessa vez, olhando dela para e balançando a cabeça.
— Vocês duas são ridículas.
As três garotas moravam juntas numa pensão em Seul, cada uma vinda de um lugar diferente do mundo para trabalhar ou estudar. , a mais velha delas, era francesa e trabalhava com um grupo de mulheres que vinha viajando pelo mundo a fim de examinar como e se o feminismo influenciava na vida das mulheres nas mais diversas culturas. Elas documentavam o que viam por meio de fotografias, textos e vídeos, a fim de, no final da jornada, juntar todo seu material e conseguir tirar dele um livro. O projeto era ganancioso, mas tinha as mulheres certas envolvidas e o apoio de grandes empresas chefiadas por mulheres também.
era britânica, nascida e criada em Londres, onde se graduara em moda. Depois de formada, conseguira uma das cinco vagas disponibilizadas para jovens estilistas do mundo todo pelos designers Steve J. e Yoni P., que trabalhavam juntos desde 2007 e, pela primeira vez, acolhiam novos profissionais para trabalhar e aprender com eles.
Enquanto isso, , a mais nova das três, era brasileira, porém fizera faculdade em Hollywood, o que era perfeitamente adequado, já que o maior monopólio de cinema do mundo vinha de lá. Ela poderia ter se estabilizado lá se quisesse, mas com o surgimento do curso com a Samsung, preferiu arriscar algo mais, algo do qual nunca se arrependeria. Hollywood era incrível, mas a qualidade audiovisual da Coréia do Sul era incomparável.
Mais do que estudo, conhecimento em suas respectivas áreas de trabalho, e experiência de vida por si só, no entanto, aquelas garotas ganhavam algo muito mais importante quando a vida lhes pôs na mesma pensão, dentre tantas, na capital sul-coreana: Elas ganhavam umas as outras, formando um laço tão forte e verdadeiro que podiam sim dizer que eram uma família. Eram um tipo de família também, aquelas três.
— Você não pode nos culpar, não fomos nós quem saímos com um cara e terminamos na cama com outro. – se defendeu e rolou os olhos.
— Não é bem assim. Hyun-ki me deixou na festa sozinha depois de receber uma ligação, que eu aposto ter sido da ex dele. Era só dela que ele falava a noite toda. Além, é claro, do quão incrível ele é, o cara acha que é perfeito. – rolou os olhos. – Jaebum me pagou uma bebida, conversamos um pouco, rimos bastante e o resto acabou acontecendo.
— E você vai morar com ele? Pra trabalhar? – concordou com a cabeça e balançou a dela. – Putain! Você vai ficar grávida. – ela gargalhou ao xingar em sua língua nativa, jogando o corpo para trás na cama.
Novamente, rolou os olhos.
— Eu sei separar as coisas, ok?! – reclamou – Sou perfeitamente capaz de ser profissional quanto a isso. E, mesmo se não fosse, usaria camisinha. – acrescentou a última parte bem baixinho, fazendo as amigas rirem.
acabou rindo também. Aquilo era uma mentira deslavada.
Na faculdade, ela tivera algum grau de paixonite por pelo menos três de seus professores. Chegou a sair com dois desses três.
era atraída por pessoas inteligentes, que falavam com propriedade a respeito daquilo que faziam e não se intimidavam com perguntas ou obstáculos. Inteligência e paixão eram, quase sem exceção, características possíveis de encontrar em todos os envolvimentos que a garota já tivera e, céus, Jay Park era o conceito daquelas duas coisas postos numa única pessoa.
Ela conhecia uma ou outra música dele, mas nunca realmente acompanhara ou pesquisara a fundo sobre o seu trabalho, até alguns dias atrás, quando terminara dando para o cara num quarto de hotel e, em seguida, sendo convidada para trabalhar com ele. Depois daquilo tiveram uma reunião a luz do dia, é claro, conversaram sobre a proposta do documentário de Jay Park e o tipo de trabalho que ela costumava fazer, concluíram que fazer aquilo juntos era como o casamento perfeito, mas bem, nada disso mudava o que os dois mais se esforçavam para ignorar: Haviam transado. Havia sido incrível, delicioso, e de jeito nenhum conseguiriam dizer que não pensavam em fazer aquilo de novo, e tentaram. vinha usando desculpas esfarrapadas e nada eficientes para convencer as amigas que conseguia fazer aquilo, aquele trabalho, simplesmente porque não conseguia encontrar dentro de si uma partezinha sequer que conseguisse colocar as palavras para fora: Não tinha vontade de dar para Jaebum outra vez.
É claro, porque aquilo seria outra mentira deslavada.
— Seu irmão vem hoje, não é? – perguntou de repente, observando enquanto terminava de fechar suas últimas bagagens, depois de acomodar cuidadosamente seu equipamento de filmagem ali. Eram tantas bolsas que era quase como se ela estivesse indo para outro país, mas a verdade é que aquilo se devia unicamente a sua profissão: Câmeras, tripés e rebatedores eram apenas a pontinha do iceberg.
— Vem sim. – ela murmurou, olhando o relógio ao se lembrar de Hansol. Ele já devia estar ali. – Está atrasado, inclusive.
— Como você conseguiu convencer a Sra. Choi a alugar um quarto para ele, aliás? – perguntou também. – Ela quase nunca deixa um homem se hospedar aqui.
— Eu disse a verdade, ué. – deu de ombros. – Falei que Hansol é meu irmão e não há qualquer motivo para ela se preocupar ou repudiar a presença dele. O garoto é um doce e mal deve ficar em casa, já que vem pra trabalhar e estudar.
— Ele também é cineasta? – perguntou e estreitou os olhos em sua direção, de repente desconfiada com tantas perguntas.
— Sim… – começou, olhando de uma para a outra sem mudar a expressão de desconfiança. – Hansol não é meu irmão de sangue, na verdade. Nós meio que nos adotamos em Hollywood, onde fizemos faculdade juntos. Ele é uma das pessoas mais doces que eu conheço e nos tornamos muito próximos durante o curso, mas quando vim para Coréia, ele optou por ficar lá, já que havia conseguido um estágio com um de seus diretores favoritos, porém agora que o estágio acabou ele decidiu vir. Consegui uma vaga para ele na próxima turma do curso da Samsung e… Por que estou contando isso tudo a vocês mesmo? – ela se interrompeu para perguntar, revelando de um jeito típico dela tudo que elas queriam saber e, ao mesmo tempo, procurando saber porque queriam saber.
— Porque sim, ué. – deu de ombros, enquanto, ao mesmo tempo revelava “A o achou bonitinho”, recebendo um travesseiro lançado direto em seu rosto por isso.
gargalhou.
— Você ficou interessada no Hansol?! – perguntou surpresa, porém, depois de um instante pensando naquilo, se deu conta que nem mesmo devia ser uma surpresa. Hansol era exatamente o tipo de . – Acho que ele vai gostar de você também. – murmurou, pensativa e rolou os olhos.
— Para com isso! – ordenou, praticamente grunhindo enquanto corava, se pondo de joelhos na cama para alcançá-la e estapear a amiga, que riu e recuou.
— Estou brincando, brincando. – mentiu, levando as mãos para o lado da cabeça como quem se rendia. Não estava brincando, achava mesmo que Hansol ia gostar dela e daria tudo para ver como a história dos dois se desenrolaria, mas tinha sua própria aventura para viver naquele momento. – Preciso ir, mas olha, quero que me mantenha informada sobre esses dois. – apontou para , encarando enquanto falava e a mais velha assentiu rapidamente.
— Com todo prazer. – riu. – Mas, ah, você tem que retribuir o favor e nos manter informada sobre a sua própria empreitada. – pediu em seguida e riu, prestes a retrucar que não teria nada para lhes informar porque ia ser tudo perfeitamente profissional, porém aquelas duas eram suas melhores amigas.
Não havia motivo para não ser completamente verdadeira com elas, então apenas riu e assentiu.
— Fechado. – murmurou, carregando suas bagagens para fora do quarto. – Eu falo com vocês de lá.
— Espera, você não vai esperar o seu amigo? O que a gente fala pra ele? – perguntou, arregalando os olhos como se a ideia de ter que falar com ele, ou, pior, explicar para ele onde estava fosse, no mínimo, constrangedora.
riu por isso.
— Ele está atrasado, não posso esperar mais. – ela falou, olhando no relógio outra vez. Logo ela estaria atrasada também. – Vou mandar uma mensagem para ele e marcar alguma coisa para outra hora, mas preciso ir.
— Boa sorte. – as outras duas falaram juntas e sorriu, realmente agradecida de ter duas pessoas tão incríveis lhe apoiando. Sua jornada na Coréia não seria nem um por cento tão incrível se não tivesse conhecido aquelas duas
— Vou sentir falta de vocês lá.
— Vamos sentir falta de você aqui também, mas agora vai pra não se atrasar. – murmurou, se pondo de pé para empurrá-la para fora do quarto. – Relaxa, não é uma despedida de verdade. Vamos nos ver o tempo todo. – murmurou quando hesitou em sair, rolando os olhos, impaciente. – Fala pra ela, .
— Temos o nosso grupinho também. – a outra lembrou, erguendo o celular. – Você vai poder nos mandar fotos exclusivas do seu amor.
acabou rindo ao ouvir aquilo, balançando a cabeça.
— Vamos almoçar juntas toda quarta. Usando rosa. – condicionou, referenciando o filme “Meninas Malvadas”. As quartas usavam rosa.
As duas garotas assentiram prontamente e voltou a lhe empurrar.
— Sai logo daqui!
riu, acenando ao finalmente obedecer e sair de dentro do quarto, seguindo até a porta de entrada da pensão, onde um carro enviado por Jaebum te esperava.
Era hora de sua nova empreitada.

+++

— E ela vai ficar aqui? Pra trabalhar? – Simon, um dos amigos mais próximos de Jaebum e sócio em uma de suas gravadoras, perguntou enquanto assistia com humor o amigo se exercitar, fazendo flexões no chão de sua sala de estar de sua casa.
Com uma mão nas costas, Jaebum assentiu para ambas as perguntas, optando por não parar o que fazia para tal.
— Eu faço a produção da maior parte das minhas músicas em casa. – ele respondeu, como se aquilo fosse explicação o suficiente, rolando os olhos ao trocar o braço que descansava em suas costas e notar as sobrancelhas do outro arqueadas. – Faz mais sentido, cara. Ela vai acompanhar a minha rotina, os compromissos e o funcionamento do meu processo de produção também. E ela já fez esse tipo de coisa antes, é parte do trabalho dela, como dormir em locações ou sei lá. – acrescentou, tentando convencer o outro rapper que não havia nada demais. Honestamente, não esperava conseguir. Jaebum sequer vinha sendo capaz de convencer a si mesmo daquilo e o pensamento fez com que ele bufasse e rolasse no chão, desistindo das flexões para deitar de barriga para cima.
— Você transou com essa garota. – Simon retrucou, como se aquele fosse um argumento imbatível. Meio que era mesmo.
Jaebum podia dizer o que quisesse, mas aquele era um argumento contra o qual não podia brigar. Ele já dormira com outras garotas e fora capaz de manter alguma relação profissional antes, mas nada como aquilo, como ter a garota em questão vivendo sob o mesmo teto que ele. E, bem, havia outro detalhe, um que talvez fosse sua ruína, no fim das contas. Com as outras garotas, Jaebum não teve aquela vontade fumegante, quase uma necessidade, de experimentar a sensação de fazer outra vez.
— É, mas isso foi antes. Seremos profissionais agora. – murmurou mesmo assim. É claro, não soou tão convincente quanto gostaria, mas ao menos tentou.
Simon riu, mal acreditando em sua cara de pau.
— E você estava fazendo flexões um minuto atrás, com o peitoral a mostra, porque isso, de alguma forma, te torna mais profissional? – perguntou, a voz carregada de ironia fazendo o outro rir, sem conseguir se conter.
— Vai a merda, vai. – ordenou, ainda rindo e Simon riu também, balançando a cabeça antes de se pôr de pé.
— Boa sorte, Jaebum. Você vai precisar. – murmurou e o outro fez uma careta, rolando no chão uma última vez antes de se pôr de pé também.
— Não preciso de sorte. – reclamou. – A situação está sob controle, cara. De verdade.
— Aham. – o outro retrucou, pouco convencido, e, antes que Jaebum tivesse a chance de responder, ouviram o soar da campainha. Ele apontou na direção da porta e então para Simon.
— Vou vestir a camisa. Profissional, huh? – provocou, pegando a camisa que usava antes de começar a série de exercícios, agora jogada num canto no sofá.
Simon revirou os olhos.
— Ridículo, é isso que você é. – riu junto com o amigo enquanto lhe seguia até a porta, ficando um pouco atrás enquanto Jaebum abria e recebia a garota.
— Ei! – ele cumprimentou com um enorme sorriso no rosto, lhe abraçando em seguida, algo pelo qual ela ficou agradecida mesmo sem ter certeza se a proximidade era segura. Daquele jeito, pelo menos, não precisava falar nada enquanto tentava ignorar o estrago que a visão daquele sorriso lhe causara.
A vida seria mais fácil se Jaebum não tivesse um sorriso tão bonito.
— Ei! – ela riu quando ele se afastou e lhe encarou. – Obrigada por mandar o carro.
— Pensei que você fosse precisar de ajuda com os equipamentos. – ele murmurou, rindo em seguida ao ver o motorista ainda descarregando suas bagagens do porta-malas. – Parece que acertei, não é mesmo?
riu, levemente constrangida e Jaebum se pegou brevemente perdido na visão. Simon tinha razão: Ele precisaria contar não só com a sorte, mas com todos os acasos e qualquer que fosse o deus ou criatura sobrenatural que os olhava de cima se ia realmente viver sob o mesmo teto que aquela garota sabe-se lá por quanto tempo.
— Vou ajudar. – Simon interveio rapidamente, passando pelos dois e lançando a Jaebum um olhar que dizia o óbvio: Ele estava ferrado.
Ele rolou os olhos, ajudando a garota com as bagagens que ela segurava.
— Então, eu pensei em instalar as câmeras aqui, na sala de estar, e no seu estúdio. – dizia enquanto encostavam as bagagens ao sofá em formato de L no cômodo. – Quando for acompanhar você fora de casa, posso usar outra, mas cada caso é um caso. Eu só vou saber o que levar quando souber aonde vamos. – enquanto falava, desistiu de encarar Jaebum, abrindo uma das bolsas e tirando lá de dentro um tripé. – Posso começar agora a instalar tudo, se estiver tudo bem pra você.
Jaebum riu, assentindo sem conseguir evitar parecer admirado pelo quão transparente era a delimitação da dualidade dentro dela. As palavras saíam de sua boca numa simplicidade muito prática, lhe dando um aspecto quase mandão, porém havia o esforço óbvio que ela fazia para evitar seu olhar, contrastando de maneira quase cômica com o restante.
Se Jaebum era realmente tão bom em desvendar o que se passava na cabeça dos outros quanto ele achava que era, estava pensando em vê-lo sem roupa. Ele não a culpava nenhum pouco, já que sua situação não era assim tão distante para que fosse capaz de julgar. Por sorte ou azar, ele não sabia ainda, as lembranças estavam frescas demais.
Dope. – murmurou, de maneira típica dele, enquanto estendia as mãos para pegar o tripé que ela segurava, abrindo suas pernas e colocando-o cuidadosamente mais para o centro da sala, de frente para o sofá.
o observou em silêncio e só quando ele terminou se moveu para posicionar os outros dois tripés em cantos opostos do cômodo, o que o fez morder a risada. Conhecia aquele tipo de olhar, era um que ele usava muito quando alguém lhe oferecia ajuda e ele não tinha certeza se confiava na capacidade da pessoa.
— Eu nunca dei muita atenção ao processo de pré-produção da minha equipe quando vou filmar um MV, mas não acho que fiz errado, fiz? – ele deu um passo para trás, virando a cabeça para o lado para encarar o tripé e, ciente do que acontecia, riu.
— Está ao contrário. – apontou e ele arregalou os olhos, olhando dela para o tripé prestes a reclamar, certo que tinha feito o trabalho direito, porém gargalhou antes que ele fosse em frente e ele rolou os olhos, balançando a cabeça antes de rir junto com ela.
— Isso foi maldade. – reclamou e ela riu outra vez, assentindo.
— Eu sei, desculpe. – murmurou, mordendo a boca a fim de parar de sorrir. – Mas sei que você compreende. Também ia se preocupar se eu me oferecesse para te ajudar com seus equipamentos no estúdio.
Mesmo rindo, Jaebum foi obrigado a concordar com suas palavras.
Antes daquilo, se viram apenas duas vezes, em ocasiões completamente opostas entre si, porém parecia muito mais. Talvez fosse sua energia, eram energeticamente tão parecidos que a sintonia tão natural parecia fazer sentido, porque mesmo que não se conhecessem tão bem ainda, pareciam já saber que estavam destinados a descobrir uma quantidade monstruosa de coisas em comum.
— Não vou me arriscar a tentar ajudar com isso, então. – Jaebum murmurou quando tirou cuidadosamente uma das câmeras da bolsa e ela riu, concordando com a cabeça.
— Não vou reclamar.
Ele sorriu e desviou o olhar para a porta de entrada ainda aberta, já que Simon ainda estava do lado de fora com o motorista.
— Vou ajudar com o restante das coisas. – avisou por fim e assentiu sem desviar o olhar do que fazia, tão concentrada quanto se era possível estar enquanto posicionava a câmera no tripé. Jaebum sorriu uma última vez para a cena e correu para fora.
Aquela seria uma aventura e tanto.

Nota da Autora:
Oi, gente! Tudo bem?
Eu sei, eu ‘tô perdendo o controle da minha vida e essa coisa de quarentena não tá MESMO ajudando, eu sei, eu sei… Mas, vamos curtir o lado bom disso tudo, né? Tem muita fic pra ler! Yay!
Espero do fundo do coração que vocês curtam essa aventura que é Ritmo e Poesia, não esqueçam de me dizer o que acham, tá?
Mil beijos!

 

Dois.

 

— Você sabe o que rap quer dizer? – Jaebum perguntou a depois de um instante, focando na câmera dessa vez, tentando chacoalhar da cabeça a impaciência e frustração que sempre lhe tomavam quando o processo criativo ficava difícil demais. fez que não. – Ritmo e poesia. Literalmente, é o significado da abreviação. Rap.

Editando a primeira gravação que fizera com Jaebum algumas horas mais cedo, no inicio da noite, criara um afeto impensável por aquele trecho em especifico.
Céus, como não vira aquilo antes?
Ela era boa em identificar, durante a gravação, uma cena valiosa, mas só vira quão boa aquela era depois que passara os arquivos da maquina pro seu notebook e começara a editar. Trabalhar com Jaebum estava sendo, de fato, um desafio para todos os seus “eus”.
E mal começaram.
Além daquele conteúdo, já devidamente armazenado em seu notebook e pronto para edição, sequer havia gravado qualquer outra coisa com ele ainda.
— Puta merda, Jaebum… – ela reclamou baixinho, em português, enquanto rodava a cena mais uma vez. – Deus, aonde é que eu fui me meter?
Conseguia trilhar todo um rascunho de argumento para, pelo menos, começar a roteirizar aquele documentário só em cima daquele trecho da gravação. Havia tanta arte ali que ela sentia vontade de rir. Apostava que ele nem tinha ideia do que fizera.
? – a voz de Jaebum lhe fez erguer, surpresa, o olhar do notebook, notando então que a porta do quarto aberta permitia que a luz vinda do cômodo iluminasse o corredor parcialmente, chamando a atenção de Jaebum, provavelmente quando ele passara por ali para entrar ou sair do próprio quarto no meio da noite. – Achei que já estivesse dormindo. – ele se aproximou da porta, mas não ousou entrar.
não se importou com aquilo, fazendo sinal para que ele se aproximasse para que pudesse ver o que ela fazia.
— Acho que tenho a cena de abertura do seu documentário. – murmurou e Jaebum não foi capaz de continuar hesitante diante daquelas palavras, seguindo em sua direção.
— Já? – ele riu, surpreso. – A gente não gravou quase nada.
Ela assentiu, também rindo e Jaebum se sentou perto dela na cama para conseguir enxergar o material que ela tinha aberto no software de edição. deu o play quando ele o fez e os dois assistiram os dez segundos iniciais em tela preta e o título do documentário em letras brancas, cortando em seguida para o momento em que Jaebum desviava o olhar da mesa de som para a câmera e perguntava: Você sabe o que rap quer dizer?
já havia visto aquele trecho tantas vezes que não se importou em desviar o olhar da tela para o rapper sentado perto dela, sem querer perder qualquer lampejo de reação dele.
Jaebum não parou de sorrir em momento nenhum enquanto contemplava o vídeo, indo de expectativa a fascínio e satisfação de maneira tão clara, óbvia até, que ela não pôde evitar sorrir também.
— Eu pensei em colocarmos cenas suas na AOMG depois disso, fazendo o seu lance. – ela comentou enquanto ele assistia ao vídeo chegar aos últimos segundos.
Jaebum sorriu, virando para encará-la.
— Fazendo o meu lance? – perguntou, achando graça da maneira que ela falara. – O meu lance como CEO ou o meu lance como artista? Como artista, seria como rapper, dançarino ou cantor? – quis saber e ela gargalhou, sem acreditar no que estava ouvindo.
— Céus, como você é podre. – murmurou, balançando a cabeça e os dois riram juntos.
Jay observou enquanto ela salvava a edição feita no projeto, sentindo, com certeza, menos culpa do que deveria por se perder tão facilmente no modo como ela mordia o lábio, já sem os óculos que usava mais cedo. A única outra vez que Jaebum vira sem os óculos fora quando se conheceram, na festa da Fundação Samsung, mas pensar naquela noite quando estava ao seu lado numa cama era arriscado demais. Jaebum deixou, agradecido, que sua linha de pensamento se distanciasse daquelas lembranças, pensando em como os óculos contrastavam ainda mais a dualidade que, para ele, parecia tão clara nela.
A dualidade era comum entre os idols na Coréia, eles eram treinados desde o inicio de sua formação como artista para demonstrar uma personalidade completamente diferente no palco e em MVs, para, enfim, demonstrar toda uma facilidade em provocar que, muitas vezes, não tinham fora dos palcos, mas não era coreana e muito menos uma idol.
Aquilo só tornava a dualidade que Jaebum via nela ainda mais fascinante para ele. Era natural e muito mais interessante do que o velho clichê que combinava características fofas e sensuais na maior parte dos idols, ele a conhecera como uma mulher provocante, como toda a definição do conceito que ele tinha na cabeça quando pensava em sensualidade, porém o que viu depois, quando se reuniram a luz do dia para conversar sobre sua proposta de trabalharem juntos, não fora nada que lhe fizesse parecer com algo na linha do fofo, ao contrário talvez fosse algo tão excitante quanto o vestido curto e o batom vermelho da noite em que se conheceram. Jaebum vira uma mulher focada, completamente apaixonada por seu trabalho e genial. As pessoas, no geral, priorizavam outras coisas, mesmo quando diziam que não, mas quando se era artista era um tanto quanto diferente, priorizar qualquer outra coisa sequer era uma opção e descobrir que era uma artista, uma artista tão dedicada quanto ele, tornara igualmente mais fácil e mais difícil tê-la por perto.
Era, na verdade, como se tudo sobre ela respeitasse exatamente aquela proporção: Igualmente mais fácil e mais difícil. Era o que, enfim, a relação deles ia se tornando a cada pequeno momento que passavam juntos.
— Bom, para sua sorte, estarei o dia todo na AOMG amanhã e farei, basicamente, todos os meus lances. – ele murmurou depois de um tempo em silêncio, vendo a garota finalmente fechar o software de edição. Ela voltou a lhe encarar enquanto fechava o notebook e rolou os olhos para o sorriso largo dele. – Pode me filmar lá. Acho que conseguiremos umas imagens interessantes e o pessoal de lá vai adorar aparecer para câmera também, vai ser um dia produtivo.
— Se eu sobreviver ao seu ego, é claro. – ela retrucou e ele gargalhou, arrancando um sorriso dela, que observou com afeto o modo como seus olhos ficaram tão menores ao passo que ele ria aquele som ridiculamente excitante.
vira em algum lugar na internet, enquanto pesquisava uma coisa ou outra sobre o cantor, fãs se referirem a risada de Jay Park como “risada molha calcinhas” e, definitivamente, entendia do que falavam, cada vez mais.
— Meu ego não é tão mal, você vai ver. – ele murmurou enquanto a via se levantar e descansar o notebook na escrivaninha no canto do quarto. Quando ela virou para lhe encarar, arqueando as sobrancelhas como se não acreditasse, Jaebum sorriu, jogando o corpo para trás na cama, com as mãos atrás da cabeça. – É verdade, eu podia ter o ego muito maior, levando em conta o quanto sou incrível, sabe? – apoiou os cotovelos na cama ao falar, de modo a erguer a cabeça para lhe encarar, sorrindo largamente quando ela riu alto, jogando a cabeça para trás e balançando-a em seguida.
— Já chega, Jaebum, você está me sufocando, sai daqui. – empurrou seu pé para fora da cama e ele riu, se pondo de pé. Depois disso, no entanto, ele não se moveu e simplesmente ficaram parados ali por um instante, um de cada lado da cama. – Jaebum. – ela murmurou, segurando os cobertores que mantinham a cama feita entre os dedos, porém sem desviar o olhar dele.
Cada segundo daquele momento no qual adentravam parecia perigoso, como se andassem em corda bamba em direção a ponta de uma faca, porém, simultaneamente, a sensação fosse oposta aquela: prazerosa de maneira quase tangível.
— Tudo bem. – ele murmurou, mas continuou no mesmo lugar. Ela arqueou as sobrancelhas e ele coçou a nuca, desviando o olhar para os próprios pés e depois novamente para seu rosto, balançando a cabeça. – Boa noite, .
— Boa noite. – ela murmurou, o observando caminhar para fora do quarto em seguida, virando o corredor em direção ao próprio quarto.
Uma vez sozinha, ela caminhou até a porta e a fechou, só então soltando o ar que teve o impulso de prender quando ele deu as costas para sair do quarto, como se aquilo fosse impedi-la de fazer algo do qual poderia se arrepender depois.
Por ora, deu certo, mas ela não acreditava, honestamente, que aquela seria uma medida eficiente por muito tempo. Não se Jaebum continuasse rindo daquele jeito.

+++

— Você pode dar o play de novo? – Jaebum pediu, encarando brevemente e ela assentiu, abaixando-se para mexer na caixa de som perto dela, no canto da sala de treinamento onde estavam. Em seguida, ela voltou a focar no cantor, com a câmera empunhada para acompanhar seu ensaio, que já entrava na segunda hora aquela altura.
Naquela manhã, quando chegara ao prédio onde funcionava a AOMG, uma das duas gravadoras que levava o nome de Jay Park como sócio majoritário -o tão falado CEO-, assistira e filmara uma das reuniões que o cantor tivera com sua equipe, pontuando as datas de trabalho com as quais deveriam se programar dali em diante, incluindo os lançamentos que viriam dos artistas que trabalhavam com Jay na gravadora e seus compromissos com a Roc Nation também. O álbum no qual Jaebum trabalhava agora deveria ser lançado pela gravadora americana, já que lhe pareceu mais propicio manter sua equipe na AOMG focada nos artistas que entravam em cena agora, debaixo da asa da empresa, enquanto seu debut americano, logicamente, aconteceria com a intervenção da agência local de lá.
Jaebum, enfim, conduzira a reunião de maneira tão ridiculamente brilhante que tinha vontade de socá-lo por ser tão absurdamente bom em tudo. E ela teve mais provas daquilo depois.
Finalizando a reunião, o cantor consultou na produção de outros rappers da empresa, imagens que sequer ousou deixar escapar, adorando ver a mágica que Jaebum fazia nascer por detrás de sua câmera e, por fim, depois daquilo, foram para uma das salas de treinamento.
Jaebum havia se comprometido a algum tempo a participar da rodada de apresentações que a AOMG organizaria para uma festa que dariam dali a poucos dias, num iate, o que, incrivelmente, não surpreendeu . Levando em conta que Jay Park era o CEO daquela empresa, fazia sentido que as festas dadas por ela acontecessem em locações como aquela. Fazia sentido demais.
Era exatamente o tipo de coisa que se podia esperar dele, afinal.
Mas, apesar da linha de pensamento e de toda a brincadeira na noite passada a respeito do ego dele, enxergava com clareza e simplicidade que sua prepotência vinha com anos de trabalho duro e muito aprendizado e Jaebum parecia se esforçar para honrar aquilo: cada aprendizado que já tivera naquela vida, fazendo o que fazia. Ele era bom no que fazia e já passara da fase de incertezas, sabia que era bom e sua maior preocupação agora, além de manter a mesma qualidade musical a qual estava acostumado, era poder mudar vidas com aquele trabalho, passar uma mensagem positiva, da qual se orgulhasse.
Jaebum não dissera nada daquilo a ela enquanto gravavam, mas já dissera uma coisa ou outra aquele respeito em outras oportunidades, entrevistas e mini documentários, e , depois de ver alguns daqueles vídeos e conviver com ele, mesmo que sequer houvesse passado tanto tempo ainda, só podia, enfim, notar a verdade em tudo que ele dizia. Jaebum agia exatamente de acordo com o que pregava, nunca era só discurso e aquilo era raro demais para que não enchesse os olhos de .
Seria ótimo se não fosse tão perigoso, no entanto. Parecia que a cada instante descobria algo novo para se atrair a respeito do cantor e, levando em conta as circunstâncias, a única coisa que podia concluir era: Estava muito fudida.
— É claro que ele vai tirar a camisa. – gargalhou, quando Jaebum tirou a camisa já encharcada de suor, parando no meio do ensaio para tal. O cantor acabou gargalhando junto, apertando os olhos pequenos e balançando a cabeça antes de encará-la.
— Sei que não vai acreditar, mas eu faço isso quando estou treinando sozinho também.
— Eu acredito. – ela retrucou, mordendo uma risada e ele arqueou a sobrancelha em sua direção, como se perguntasse: o que é agora, hein? – Você é, obviamente, muito apaixonado pelo seu visual.
— Outch. – Jaebum reclamou, mas riu. – Eu não diria apaixonado, mas… Orgulhoso. – murmurou, depois de pensar por um instante, buscando a palavra que melhor descrevesse o jeito como se sentia a respeito do próprio corpo.
riu, concordando com a cabeça.
— Você é verdadeiro. Sobre tudo, o tempo todo, você é verdadeiro. – murmurou, com simplicidade e Jaebum sorriu para suas palavras, desviando o olhar de sua câmera para seu rosto. – Tudo que você faz, pensa e fala, reflete a pessoa que você aprendeu a ser e sente orgulho de ser. E ninguém pode te culpar por isso, por sentir orgulho. Você, na verdade, merece mesmo, o orgulho.
Jaebum riu fraco e desviou o olhar para o chão diante da fala inesperada da garota, não conseguindo evitar transparecer quão de surpresa fora pego e mais ainda: o quanto gostara de ouvir aquilo. O sorriso que, pouco a pouco, ganhava tamanho e firmeza no rosto de Jaebum não lhe deixou mentir enquanto coçava a nuca, erguendo o olhar um instante depois para seu rosto, depois para a câmera.
— Foi um caminho longo, ou eu chegaria aqui orgulhoso ou muito arrependido. Só fico feliz de ter feito escolhas que pudessem me permitir a primeira opção. – murmurou, da mesma maneira tipicamente honesta de sempre, com aquele tom mais humilde que sua voz sempre parecia assumir quando ele falava de algo mais sério.
— Quer dizer que acabou agora? Você chegou aonde queria? – perguntou, focando o olhar na imagem que sua câmera mostrava do cantor em pé a sua frente.
Jaebum se sentou no chão, ficando na mesma altura da garota sentada com as costas rente á parede.
— Bom, sim, eu cheguei a muitos lugares onde queria, mas não acho que acabei. – falou. – Ainda tem coisas que quero fazer, então não. Não acabei. Esse documentário não é uma despedida ou algo do tipo.
— O que você diria que é? – perguntou, sentindo aquele comichão conhecido no peito pela animação crescente que só o seu trabalho lhe fazia sentir com tanta eficiência, daquela vez por notar: Aquela era uma cena boa, valiosa.
— Inspiração. – Jaebum murmurou, depois de um instante em silêncio, ponderando. – Se tornou muito importante pra mim inspirar as pessoas que me seguem, passar algum tipo de mensagem positiva com o que eu faço e venho tentando fazer isso sem deixar que a autenticidade do meu trabalho, das minhas músicas, se perca. Acho que o documentário concretiza isso, tudo que venho tentando fazer, melhor do que qualquer outra coisa faria.
não respondeu, ciente que qualquer fala sua, naquele momento, serviria apenas para quebrar estupidamente o efeito que as palavras de Jaebum tiveram sob a cena, que ela poderia felizmente finalizar ali também.
Por sorte, no entanto, antes que ela realmente desligasse a câmera e declarasse que já tinha todo o material que precisava, Jaebum lhe deu um sorriso largo, ligeiramente envergonhado, como quem notara que toda a verdade dentro de si, de repente exposta, podia ser demais. não achou que era, mas céus, seria louca de dispensar aquele sorriso, que ela assistiu de trás da câmera como se fosse seu espetáculo favorito.

Nota da Autora: Yayyyyyy! Mais um!!!!!!
Estão curtindo? Não esqueçam de me dizer, tá? Vocês também podem me encontrar no twitter como @ybsunlight! Beijão!

 

Três.

 

Advinha quem está aqui!, enviou no chat com suas amigas, junto com uma foto em que se podiam ver Simon Dominic parado, de pé, ao lado de Jaebum, atrás da mesa de som no estúdio do cantor, mexendo no equipamento.
Fazia horas, na verdade, que Simon chegara a casa de Jaebum acompanhado de Hari, solista da gravadora dos dois que faria uma participação na música em que eles vinham trabalhando, mas só naquele momento tivera tempo de pegar no celular. Entre filmar o trabalho dos três e ficar completamente fascinada tanto com o que faziam em especifico quanto com o talento de cada um, não sobrava muito tempo, mas ela jamais deixaria de compartilhar aquela visita com as amigas.
Mesmo que suas amigas não fossem, nem de longe, tão apaixonadas pelo estilo musical de Simon e Jaebum quanto , havia uma coisa ou outra a respeito de Simon Dominic que concordavam e respeitavam como verdade absoluta, uma delas era: Simon Dominic era um homem e tanto e merecia toda a admiração, especialmente por ser o único que peitava Jaebum como ele fazia.
Poucos minutos depois, respondeu: A própria definição do meme “dá vontade”, sim senhor! Tá bem alimentada, hein amiga?, arrancando uma gargalhada da mais nova, que respondeu com uma referência a outro meme, dizendo: Deus me livre, mas… Olha… Quem me dera.
Fazia uma semana que começara a trabalhar com Jaebum e toda vez que descarregava o material do dia em seu computador, ficava surpresa com o quanto já tinha armazenado, porém ainda assim sabia que, quando chegasse a hora de fazer a edição final e cortar cenas, ela sofreria, no mínimo, demais. Parecia que era fácil demais ver arte, inspiração e, principalmente, ritmo e poesia, no cotidiano profissional de Jaebum e adorava aquilo, adorava que ele houvesse transformado aquilo no cotidiano profissional dela também, mas céus, o tal “Deus me livre, mas quem me dera”, definia sua convivência com Jaebum da melhor maneira possível.
Uma tortura, para se dizer o mínimo, mas uma tortura da qual ela sequer conseguia pensar em abrir mão.
Na manhã daquele domingo, não ficou surpresa quando Jaebum disse que receberiam Simon e Hari em casa para trabalharem numa música. Aquela altura, já começava a se acostumar com a rotina incansável de Jaebum, que desconhecia qualquer conceito remotamente parecido com folga. Ela nunca trabalhara com alguém tão intenso, aquilo era um fato, mas estavam vivendo debaixo do mesmo teto justamente para que ela pudesse administrar aquilo da melhor forma possível e não era como se ela mesma não tivesse um pouco daquela intensidade quando o assunto era trabalho também.
Agora, já no fim do dia, os três haviam feito progressos nítidos em sua música e, por consequência, também o fizera com suas filmagens, e faziam uma pausa, foi quando, em meio a troca de mensagens com e , acabou se distraindo do que acontecia ao seu redor.
Isso, é claro, até Jaebum colocar um copo no banquinho a sua frente, onde ela descansava um dos pés, fazendo com que a garota erguesse o olhar para ele.
— O único motivo de a Hari ter vindo passar o domingo aqui, trabalhando, foi a promessa de soju. – Jaebum murmurou sob o olhar da garota, que não conteve uma risada ao ouvir, pegando o copo que ele deixara no banquinho para ela e erguendo em sua direção num aceno antes de beber um gole.
— Mas é claro! Não é porque vocês dois – Hari pausou a própria fala para apontar de Jaebum para Simon, sentando-se ao lado de no sofá simultaneamente. – são viciados em trabalho, que eu preciso ser também. Alguns são naturalmente incríveis, sabe? – fez charme, passando uma das mãos pelos ombros como se limpasse a poeira dali, num gesto conhecido mundialmente como melhor amigo daqueles que adoravam um deboche.
riu e apontou para Hari.
— A futura CEO de vocês, senhores. – murmurou, parabenizando a outra pela fala e Hari fez uma pequena reverência antes de apontar para a câmera, perguntando se podia ver o que ela filmara. assentiu, se aproximando para lhe mostrar sem precisar lhe passar a câmera e Jaebum riu fraco enquanto as observava, não deixando a atitude passar despercebida enquanto bebericava de seu próprio copo.
— Essa peça aí – Simon apontou para Hari enquanto se aproximava dos três, sentando-se no banco a frente de com uma perna de cada lado do móvel. – nós já conhecemos bem. Estou curioso é sobre você, -yah. – murmurou e a mais nova arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Sobre mim?
— Ah, sim. Isso eu também estou. – Hari concordou, esquecendo rapidamente do que assistia na câmera para se concentrar na garota encabulada ao seu lado. – Vai, conta.
— Anh… Contar o que? – ela perguntou, confusa, erguendo o olhar para Jaebum como se perguntasse o que estava acontecendo ali. Ele deu de ombros, indicando que sabia tanto quanto ela, embora o brilho de divertimento em seus olhos não a convencesse em nada do que ele tentava dizer.
— Espero que não se ofenda, mas eu vou ser direta, tá? – Hari murmurou, rolando os olhos quando tanto Jaebum quanto Simon viraram para lhe encarar ao ouvir, a apreensão obvia em suas expressões. – Você dormiu com Jaebum. Somos amigos dele, então sabemos. – ela se explicou quando viu o susto cruzar o rosto da outra ao descobrir que aquela informação não era tão secreta quanto imaginava. – E agora você mora aqui, e ele insiste que é só trabalho, mas Jaebum não é a pessoa mais confiável do mundo, então queremos saber de você… É só trabalho? – Hari perguntou, arqueando as sobrancelhas de maneira incisiva na direção da mais nova, tentando evitar que seus olhos escapassem dos dela.
— Por que você está usando o plural? – Simon interveio, tentando mudar de assunto antes que Hari constrangesse de verdade. Fazia uma semana que estava ali e ele não achava que ela ou Jaebum sabiam a resposta para aquela pergunta, de qualquer forma. – Eu nunca disse que queria saber isso.
— E o que você quer saber então, cara pálida? – a outra retrucou, tão afiada quanto já provara ser.
os observou com humor, deixando que se distraíssem com a própria discussão para que ela pudesse, enfim, se livrar daquela pergunta tão repleta de armadilhas.
— Você é agressiva demais, jagi, nossa… – Simon riu, empurrando o cabelo de Hari para trás de sua orelha ao lhe dar um sorrisinho que qualquer um ali conseguiria julgar apenas de um jeito: descarado. – Certas coisas, a gente descobre com mais facilidade se não perguntarmos diretamente. – piscou para a solista, que rolou os olhos em sua direção, levando o próprio copo a boca enquanto se esforçava para não demonstrar o que aquele sorrisinho de Dominic fazia com ela.
— Melhor ainda: certas coisas, vocês não descobrem, porque não é da conta de vocês, huh? – Jaebum interveio, enchendo o copo de todo mundo enquanto o fazia.
Simon sorriu para Hari, apontando para Jaebum como se dissesse eu não falei? e a garota rolou os olhos outra vez. Simon era simplesmente odiável quando estava certo.
— Tudo bem, quem liga para o Jaebum, não é mesmo? – ela voltou a focar em . – Como você veio parar na Coréia? Quer dizer… Você é brasileira, não é?
— Sim, eu sou brasileira. Baiana, na verdade. É um estado no nordeste do Brasil, o mais bonito do país, se quer saber minha opinião. – ela respondeu, a voz assumindo uma pontada de orgulho patriota difícil de não notar. Jaebum sorriu, esperando que ela continuasse quando Hari assentiu. – Anh… Com dezoito anos, fiz intercâmbio em Nova York e trabalhei como voluntária numa ONG de artes que fazia teatro com jovens carentes, sabe, da região do Bronx e arredores. Não foi nada ao nível da Broadway, mas foi uma experiência incrível e Julie Taymor assistiu a produção, nos conhecemos depois e conversamos bastante a partir dali, foi maravilhoso. Julie é uma diretora que sempre admirei e, além de ter me ensinado muito enquanto estive em Nova York, foi ela quem me pôs em contato com o pessoal da Califórnia e me ajudou a encaminhar tudo para que eu conseguisse me matricular lá e começar o curso aos vinte anos. Me formei em Hollywood, pela graça de grandes mestres do cinema, e, com o fim do curso, há um ano, consegui a vaga para estudar tratamento de imagem com o pessoal da Samsung… – ao finalizar seu relato, foi baixando o tom de voz de maneira gradativa, dando de ombros ao finalizar por completo, arrancando outro sorriso de Jaebum, dessa vez por notar quão apaixonada ela parecia durante todo o discurso, mesmo que tal paixão tenha se figurado numa timidez um tanto quanto surpreendente quando ela terminou.
— Uma vida dedicada ao trabalho. – Jaebum observou, sem conseguir se conter, com um sorriso estampando seu rosto. ergueu o olhar para ele e precisou morder o próprio sorriso quando seus lábios se repuxaram involuntariamente, sem perceber a troca de olhares que acontecia entre Hari e Simon simultaneamente. – Posso entender isso.
— Ah, se tem alguém que pode entender isso, é você Jaebum. – Hari retrucou, rolando os olhos para a obviedade nas palavras do rapper. – Isso tudo faz bastante sentido, porque até eu, que funciono muito melhor na frente das câmeras que atrás delas, te achei brilhante hoje. – Hari murmurou para , que sorriu timidamente ao ouvir, agradecendo baixinho por suas palavras. – Ainda na Bahia, quando você estava se preparando para seu intercambio ou até antes disso, você já sabia que era isso que queria fazer? Digo, que queria ser cineasta?
— Ah, não, naquela época eu só sabia que queria ficar longe de qualquer coisa que envolvesse matemática. – ela riu, lembrando-se de seu eu mais jovem, fugindo da matéria repleta de números como o diabo foge da cruz. – Costumo dizer que foi o cinema que me descobriu e não o contrario. Eu fui uma das diretoras da peça de teatro que fizemos em Nova York, quando conheci Julie, mas foi uma experiência completamente nova e diferente de tudo que eu achava ser capaz de fazer.
— Então foi mesmo, literalmente, o cinema que te descobriu. Através de Julie. – Simon murmurou em concordância as palavras da garota, que assentiu, voltando a sorrir. Era difícil pensar no modo como tudo se desenrolara em sua vida profissional e não sorrir. A garota sequer acreditava em destino, mas acreditava que, se aquilo existia, então era isso. Era exatamente o que acontecera com ela. – Eu soube desde muito novo que queria fazer rap. Ainda não sei se isso tornou as coisas mais fáceis ou difíceis.
— Não acredito que saber ou não o que a gente quer possa, realmente, tornar algo mais fácil ou mais difícil. – retrucou. – Tem uma série de outros fatores envolvidos, coisas que contam muito quando fazemos um caminho em direção a um objetivo, seja ele qual for. Existem garotas que sonham a vida toda em ser dançarinas ou modelos, por exemplo, mas coisas como oportunidades e padrões tornam esses sonhos tão distantes que nem elas mesmas acreditam que são capazes.
Diante da fala da mais nova, nenhum dos outros três encontrou palavras para falar o que quer que fosse, tão tomados pelo impacto do que significavam quanto se era possível estar e foi só depois de vários minutos que Hari quebrou o silêncio com uma risada fraca, apontando de para Jaebum.
— Se você deixar essa garota passar, eu juro que fico com ela. – avisou ao chefe, que riu e balançou a cabeça, preferindo não responder, certo que se tentasse fazê-lo terminaria dizendo algo como “de jeito nenhum”. A última coisa em sua cabeça, afinal, era deixar passar.
— E aí, você não vai ser o único solteiro, então fica esperto. – Simon murmurou, referindo-se a si mesmo e riu junto com Jaebum dessa vez, olhando de Simon para Hari.
Nenhum dos três falara nada muito direto a respeito do relacionamento de Simon e Hari o dia todo e também não havia nenhum tipo de anuncio publico a respeito, mas não foi realmente uma surpresa para ouvir aquilo. Ainda que nada explicito a respeito dos dois houvesse sido dito o dia todo, Simon chamara a garota de “jagi” mais vezes do que ela jamais imaginara ouvir a palavra sair da boca do rapper, isso fora o jeito muito especifico que os dois se encaravam. Era muito difícil confundir o olhar de pessoas num relacionamento quando se via um.
— Ok casal, chega de encher o saco. – Jaebum murmurou, rolando os olhos. – Vamos ouvir música, que tal?
— Só não quero ouvir nada de vocês, por favor. – Hari retrucou prontamente. – Estou cansada das vozes dos dois.
— Outch. E não se importa de ouvir nada seu? – Simon lhe encarou com humor e ela riu, lhe encarando como se ele fosse louco.
— Anjo, você já me ouviu cantando? – ela retrucou, como se aquilo explicasse tudo. – É impossível enjoar de mim.
— E você fala do meu ego… – Jaebum murmurou, empurrando de leve o pé de com o seu e ela mordeu a própria risada, olhando feio para ele por lhe fazer rir da solista sentada bem ao seu lado. – Acho que devíamos ouvir algo da . – Jaebum falou mais alto, chamando a atenção dos outros dois e Hari olhou surpresa para a garota ao seu lado.
— Espera, você também canta? – perguntou. – Vou começar a me sentir ameaçada de verdade.
— Eu quis dizer música brasileira, gênia. – Jaebum retrucou, rindo ao desviar da almofada que Hari lançou em sua direção ao ouvir.
— Idiota!
— Espero que não se importem, mas eu vou mesmo aceitar essa proposta. Toda essa conversa me deu saudades de casa. – murmurou, se levantando para mexer na mesa de som e, sorrindo satisfeito, Jaebum bebericou seu copo, observando Hari se levantar também em seguida, indo até a garota para ver o que ela colocaria. Simultaneamente, ele se jogou no sofá, que terminou vazio depois que as duas garotas saíram dali.
— Você tá muito fudido. – Simon murmurou com humor depois de um instante, quando Jaebum já estava até mesmo distraído com o próprio celular, ouvindo ao longe as duas garotas mudando a música de tempos em tempos, ainda tentando decidir juntas o que ouvir. Ao ouvir o amigo, Jaebum ergueu o olhar do celular e lhe encarou sem entender, arrancando um risinho do outro antes de acompanhar seu olhar, que rumou para as duas garotas dançando.
bebericava seu copo, rindo enquanto observava Hari imitar os passos que ela acabara de lhe ensinar, ainda sem notar que haviam ganhado a atenção de Jaebum em sua brincadeira ao som de Anitta, levando as mãos aos joelhos em seguida e dançando no ritmo da música, o movimento de seus quadris tornando impossível que Jaebum não desviasse o olhar para sua bunda e concordasse em pensamento com Simon: ele estava, de fato, fudido.
Se prepara vou dançar, presta atenção cantou em português junto com a música, mordendo o lábio e rindo enquanto dançava. – Cê aguenta, an an, se eu te olhar, descer quicando até o chão? sabia que Jaebum não sabia português e disse a si mesma que só por isso lhe encarou ao cantar aquele trecho da música, mas não era como se ele precisasse. Havia sensualidade exalando de tudo em e, levando em conta que ela fazia exatamente o que a música dizia e descia até o chão, não foi difícil para Jaebum imaginar o teor do que ela cantava.
Os outros dois soltaram gritinhos empolgados e riu antes de voltar a se pôr de pé, pescando seu copo da mesa para voltar a beber.
Simultaneamente, Jaebum se levantou e balançou a cabeça, tentando tirar da cabeça todos os pensamentos, no mínimo, inadequados a respeito daquela garota, que, além de tudo, era uma tortura extremamente constante, levando em conta que dividiam o teto e ela dormiria a distância de alguns passos aquela noite. O cantor se concentrou em servir soju para todo mundo, se sentindo novamente um adolescente por não conseguir evitar se perguntar quão idiota devia parecer naquele momento, sentindo-se tão sem jeito enquanto enchia o copo de ao finalmente se aproximar dela.
arqueou as sobrancelhas para Jaebum, olhando dele para o copo.
— Está tentando me deixar bêbada, Jay? – questionou, mordendo o próprio sorriso quando ele riu. Aquele riso, tão fácil de surgir, já era objeto de afeto de desde a primeira vez em que vira e, a cada novo riso como aquele, sentia tal afeição crescer.
— Jamais, estamos trabalhando, lembra? – retrucou, mas a verdade é que, naquele momento, o motivo de ela estar ali, naquele estúdio, na porra da casa de Jay Park, já estava distante demais para que continuassem a se importar e trabalho soava só como uma palavrinha inconveniente, que desejavam, mais do que tudo, poder simplesmente tirar do caminho e lidar depois.
— É claro. – ela riu, deixando que ele voltasse a encher seu copo depois de virar todo o conteúdo de uma vez, depois disso bebendo mais devagar ou terminaria realmente bêbada e de jeito nenhum confiava em si mesma bêbada sozinha com Jaebum, como sabia que ficaria quando Hari e Simon decidissem ir embora para curtir o próprio estado embriagado como um casal.
Céus, ela não confiava em si mesma sozinha com ele nem sóbria na maior parte do tempo.

—Ei! – Jaebum gritou, revirando os olhos para o andar trôpego do casal enquanto caminhavam na direção do carro de Simon, onde o motorista já esperava por eles, menos de trinta minutos depois que Simon ligara. Ele não morava muito longe. O casal virou para encarar Jaebum. –Juízo, vocês dois. – Jaebum apontou de um para o outro, voltando-se em seguida para o motorista. – Lee, me liga se precisar.
Hari gargalhou, apontando para Jay quando Lee assentiu.
— A gente está junto, Jaebum! Nada que possamos fazer juntos é errado, já você… – ela nem precisou terminar, rindo pelo nariz e estapeando o ombro de Simon para chamar sua atenção. – Jagiya, olha esse ridículo.
— Eu sei, jagi, eu sei… – riu, puxando a garota para dentro do carro e virando para encarar Jaebum depois que ela entrou. – Ela está meio certa, Jay. Siga o seu próprio conselho, sim?
Jaebum umedeceu os lábios, assentindo com esforço. De fato, sua tarefa era muito mais difícil que a deles.
— Farei meu melhor. – prometeu, recebendo um aceno de cabeça de Simon em resposta, um instante antes de ele entrar no carro. Lee acenou com a cabeça também e Jaebum deu as costas para o carro quando ele girou a chave na ignição, voltando para dentro de casa.
Depois de fechar a porta de entrada de sua casa, Jaebum seguiu para a sala de estar, onde estava sentada no sofá, com as pernas esticadas de modo que os pés descansassem na mesa de centro.
Jaebum respirou fundo. Nem que quisesse ele conseguiria ignorar o tamanho do impacto que aquela visão fora em sua mente embriagada.
era uma mulher linda e aquilo nunca passara despercebido á Jay Park, no entanto, com o álcool pairando de maneira traiçoeira sob seus sentidos olhar para toda a beleza de estava deixando Jaebum um tanto quanto tonto. Normalmente, quando estavam juntos, ele podia, com facilidade, se concentrar em outra coisa, porém aquilo era quando estavam trabalhando e a função dela era lhe filmar fazendo o que sempre fazia, focado em sua arte. Focar em sua arte e colocá-la em primeiro lugar não era nada novo para Jaebum, ele fazia aquilo a muito tempo, era bom em fazer aquilo. Podia até mesmo fingir que não era ela atrás da câmera enquanto trabalhavam, mesmo que nunca houvesse o feito. Aquilo parecia estúpido, já que a escolhera por um motivo e não tinha como tentar honrar aquilo se fingisse não vê-la como quem era enquanto trabalhavam.
O ponto, porém, nem era aquele. O ponto era que, agora, não tinha uma câmera entre eles. Nada para proteger Jaebum da beleza mortífera daquela garota, beleza que, inclusive, parecia apenas aumentar conforme os dias passavam.
Tudo sobre era belo e aquilo a fazia bonita do pior jeito para Jay: sua beleza era a mais profunda, real, e imutável possível. Ele tinha, ainda, a sensação latente de que ela continuaria bonita para ele com os olhos sujos de remela e o rosto amassado por dormir demais e aquilo não podia ser bom.
Ou, talvez, com sorte, aquela onda de reflexões a respeito de sua beleza fosse, unicamente, culpa do álcool. Com sorte.
— Você ‘tá bem? – perguntou, fazendo com que Jaebum piscasse, só então se dando conta que passara tempo demais lhe encarando e balançando a cabeça por isso, jogando-se em seguida ao seu lado no sofá.
— Estou bêbado. – riu fraco, como se aquilo explicasse tudo. No fundo sabia que não, mas torceu que sim ainda assim.
empurrou seu pé com o dela quando ele esticou as pernas e os pousou do lado dos seus na mesa mesinha de centro, abrindo um sorriso que foi imitado por seus olhos quando ele virou a cabeça para lhe encarar.
— Eu também.
Jaebum teve a impressão que nunca quis tanto enfiar a língua na boca de alguém e se remexeu no sofá, virando o corpo ligeiramente de lado para olhar melhor para ela, apoiando o cotovelo na parte do sofá onde encostava sua cabeça pouco antes e pousando a cabeça na mão.
— Acho que ficar bêbado com você não é nada seguro. – comentou, sorrindo quando ela sorriu também, com a cabeça encostada no sofá de modo que seu olhar encontrasse o teto. – Não consigo parar de olhar pra você.
riu ao ouvir, virando para encará-lo e mordendo o lábio, sentindo um desconforto na boca do estômago com o tamanho da intensidade que aquele momento parecia conter.
— Pelo menos, é o meu trabalho olhar pra você. Qual é a sua desculpa? – brincou, em provocação, e Jaebum arregalou os olhos, abrindo a boca como uma criança quando faz algo que não deve e não sabe como resolver a confusão. riu por isso. – Definitivamente, não devíamos mais ficar bêbados juntos.
— Lição aprendida. – ele concordou, rindo junto com ela.
balançou a cabeça.
— Eu odeio sua risada. – murmurou, ciente que o único motivo de estar dizendo aquilo com tanta tranquilidade era o fato de estar bêbada.
— O que? Por quê? – Jaebum perguntou, lhe encarando assustado e riu, balançando a cabeça quando um sorriso confuso surgiu no rosto dele, repuxando seus lábios de maneira adorável. Ela queria muito puxar sua boca entre os dentes.
— Sua risada é, tipo, excitante pra caralho. – ela falou, dando de ombros sobre o olhar surpreso de Jaebum. – Você não sabia? As fãs chamam de “risada molha calcinha” e eu, honestamente, não julgo.
Jaebum gargalhou ao ouvir, chegando até mesmo a pressionar a barriga com as mãos ao fazê-lo e rolou os olhos.
Rapper gostoso e detestável.
A reação da garota, obviamente, fez com que ele risse ainda mais.
— Elas dizem mesmo isso? – perguntou, surpreso, rindo outra vez quando assentiu e recebendo um tapa forte no peito por isso. Jaebum se inclinou para frente com um gemido e a garota arregalou os olhos, culpada ao notar que batera forte demais.
— Porra, desculpa. – riu, tocando seu abdômen por cima da roupa e alisando como fazia com um bichinho quando pisava em sua pata sem querer.
Jaebum olhou para sua mão em seu corpo e balançou a cabeça. Aquela garota ia enlouquecê-lo.
— Certo, hm… Devíamos nos preparar para dormir. – murmurou, se pondo de pé antes que fizesse alguma besteira, certo que faltava cada vez menos para isso.
— Tudo bem, tudo bem. – concordou, pondo os pés no chão, porém ainda sem se levantar, fazendo uma careta ao em vez disso. – Droga, estou tonta. – reclamou e Jaebum riu ao ouvir, estendendo a mão para lhe ajudar.
— Soju não é mesmo para todo mundo. – murmurou quando ela aceitou sua mão, puxando-a para ficar de pé.
— Meu amor, eu fui criada a base de Pitu, você não tem o direito de discutir tolerância alcoólica comigo. – a garota retrucou, a referência a bebida brasileira, no entanto, se perdendo no canto mais distante possível na mente de ambos quando, ao puxá-la, Jaebum fez com que seus corpos se chocassem e a proximidade tornou impossível que continuassem a manter qualquer autocontrole.
Qualquer pensamento um pouco mais racional parecia quase impossível de se conceber, na verdade e aquilo só piorou quando Jaebum imiscuiu os dedos nos cabelos de , juntando-os num bolo e inclinando o rosto em sua direção simultaneamente, fazendo com que ela fechasse os olhos, desejando mais do que tudo que ele enfiasse a língua em sua boca de uma vez. Jaebum roçou seus lábios e, de repente, estava ciente de tudo, de como seus troncos se tocavam de maneira tão torturante e tudo a respeito daquele momento parecia representar o calor em sua mais legitima forma, e, ao mesmo tempo, não estava ciente de nada. Tudo nela era apenas sensações: as mais intensas e implacáveis sensações, tomando-a num mar revolto que revirava seu estomago e a fazia torcer os dedos nos cabelinhos da nuca de Jaebum, inclinando seu rosto para o dele a fim de acabar de uma vez com a distância mínima que ainda resistia entre eles.
O contato de seus lábios, no entanto, durou muito menos do que ambos queriam e mereciam, o toque estridente do telefone fixo lhes interrompendo com uma brutalidade cruel, que fez soltar todo o ar de uma vez, rompendo o beijo antes mesmo que ele acontecesse de verdade, enquanto Jaebum xingava baixo, ainda perto demais para que resistisse a vontade de inclinar o rosto para o dele outra vez, buscando novamente o contato que lhe foi tirado muito cedo, mas o telefone ainda tocava, insistindo que desmanchassem o momento e voltassem a vida real.
Na vida real, aquilo não podia acontecer.
— Simon deve ter esquecido alguma coisa. – Jaebum murmurou, afastando-se da garota e respirando de maneira pesada, procurando dentro de si, em qualquer que fosse o nível de seu ser, a capacidade de voltar ao controle de suas próprias ações. – É melhor eu atender ou…
— Vai continuar tocando a noite toda. – assentiu, sem que ele precisasse terminar, o que foi ótimo, já que Jaebum não achava que já havia reencontrado sua capacidade de formar frases completas. – Sabe, você estava certo. É melhor a gente se preparar para dormir, então… Você, hm… Atende o Simon que eu… – ela piscou, balançando a cabeça. O que ia falar mesmo? Jaebum estava parado bem a sua frente, ao alcance de sua mão, e tão deliciosamente atordoado, céus…
— Vai subir e dormir? – Jaebum tentou ajudar e ela assentiu rapidamente, apontando em sua direção.
— Isso! –aumentou exageradamente o tom de voz, balançando a cabeça em seguida, ao se dar conta que o fizera. Não fora intencional. – Vou subir e dormir. – murmurou e Jaebum assentiu.
— Boa noite.
— Boa noite. – respondeu e ele a observou dar as costas, cambaleando em direção as escadas para o andar de cima, segurando com firmeza no corrimão para não perder o equilíbrio enquanto subia os degraus.
Quando ela sumiu de vista, Jaebum balançou a cabeça e seguiu até a cozinha, onde estava o telefone. Ia matar Simon.

Nota da Autora:
Oie!!!!!!! Mais um capítulo prontíssimo pra vocês!
Prometo tentar não demorar com o próximo! Beijão!

Quatro.

— E como está tudo entre vocês agora? Desde domingo? – perguntou depois que terminou de contar a história a respeito do pequeno deslize que quase cometeu no último domingo, beijando Jaebum.
Era quarta e, como de costume, ela tirara a tarde de folga para encontrar e , almoçar e conversar. Como não estava mais morando com as duas, era o dia que costumavam tirar para se encontrar e atualizar umas as outras a respeito de suas vidas.
— Estamos tentando deixar isso pra trás. Fingir que nada aconteceu e seguir em frente. Eu não quero abrir mão do trabalho e nem Jaebum quer que eu saia, então estamos fazendo o melhor que podemos desse jeito. – ela explicou, respondendo a pergunta de , é claro, sem incluir que estava fazendo um péssimo trabalho naquilo.
Até conseguia manter a pose para Jaebum, mas droga, como era difícil até mesmo olhar para ele sem se deixar entregar a todo tipo de pensamento inadequado ao seu respeito. Já era difícil antes, mas aquele momento no domingo, que ria maldosamente de seu esforço para não pensar ao seu respeito, tornara o peso da acessibilidade de Jaebum ainda maior.
Ele estava tão perto. E queria tanto também… Argh.
— Honestamente, não estou surpresa. – interveio, fazendo com que erguesse, apreensiva, o olhar para ela, pressentindo uma bronca. – Vocês já tinham dormido juntos uma vez quando decidiram trabalhar juntos e a atração era obvia. Era uma questão de tempo até isso acontecer e, se me permite dizer, é uma questão de tempo até acontecer pior. – ela falou, com um quê de impaciência na voz que deixava claro quão óbvio ela achava que era tudo o que estava dizendo.
— Não é bem assim. – choramingou, tentando se justificar. – Sóbria, eu tinha tudo sobre controle. Só não devia ter bebido…
, pelo amor de Deus. – reclamou, lhe interrompendo impaciente. – Essa é a desculpa mais esfarrapada que você podia usar. Eu já vi você bêbada, podia ter mantido o controle com algum esforço. – resmungou e abriu a boca para retrucar, mas foi mais rápida: – Era. Uma. Questão. De. Tempo. – repetiu, pausadamente, como se encerrasse a discussão e a mais nova bufou por isso, empurrando o prato para frente e deitando a cabeça na mesa.
Por mais que ela odiasse admitir, sabia o que dizia. Com ou sem álcool, algo daquela natureza parecia iminente, apesar de seus esforços.
— Eu só preciso transar. – ela resmungou, no mesmo tom chorão de antes. – No instante em que eu der pra alguém, isso vai passar. Meu coração mora na minha vagina, sei do que estou falando.
— Disso, eu não duvido. – apontou em sua direção, rindo ao concordar e a mais nova rolou os olhos, mas não retrucou. – Só não posso te ajudar. Não é como se eu estivesse tendo muita ação nesse departamento, diferente da nossa amiga aqui… – apontou com a cabeça na direção de e se endireitou no lugar de imediato, virando para encarar .
— O quê?! Com quem você está transando?!
— Eu?! Ninguém! – a outra retrucou, falando exageradamente alto e corando. estreitou os olhos em sua direção, sem acreditar e abriu a boca para retrucar, mas apontou em sua direção, lhe olhando bem séria para impedir. – Eu já disse umas trinta vezes que não tenho nada com o Hansol. Somos amigos.
— O Hansol?! – perguntou, rindo surpresa. – Eu não acredito!
— Não é pra acreditar, não é verdade!
— Na pensão, sempre que a não está comigo, está com ele, . Ás vezes eles ficam até tarde no quarto de porta fechada. A Sra. Choi vive resmungando sobre os dois…
, ela vai te expulsar de casa! – interrompeu para repreender, estapeando a amiga no braço e a outra lhe devolveu o tapa quase que imediatamente.
— Eu não estou transando com ele! – reclamou, corada.
— A Sra. Choi acha que sim… – provocou, falando mais baixo em seguida: – E, honestamente, mesmo que não estejam transando, o que eu acho que é uma mentira deslavada, é uma questão de tempo até estarem. Como com o Jay e a . – sorriu largamente, adorando poder implicar com as duas numa sentença só.
Simultaneamente, e rolaram os olhos, a mais nova jogando uma bolinha de guardanapo em .
— Me esquece, vai. – reclamou, voltando-se para . – O foco agora é a , que, aliás, devia saber que vou encontrar Hansol mais tarde e, mesmo que ela até consiga passar uma mentira, ele não consegue. De jeito nenhum. Ele vai entregar a verdade.
— Eu estou falando a verdade! Gente, eu juro! – reclamou, indignada que as amigas não acreditassem nela e as duas riram por isso, sem conseguir segurar.
— Tudo bem, vou mudar a pergunta. – murmurou, arqueando as sobrancelhas várias vezes para fazer graça enquanto jogava um braço por cima dos ombros da amiga, chegando mais perto dela. – Acredito quando diz que não está acontecendo nada entre vocês, mas será que não gostaria que estivesse? Hm, hm?
— Ai, sai daqui! – reclamou, lhe empurrando para longe enquanto tentava esconder o rubor em suas bochechas. Sem sucesso, é claro.
gargalhou.
— Ei, não estou aqui pra julgar. – tranquilizou a amiga, erguendo as mãos ao lado da cabeça como quem declara inocência. – Louca de tesão no astro do meu documentário, lembra? – apontou para si mesma, como se dissesse que não era exemplo nada. E, bem, não era mesmo.
— Não que isso não seja perfeitamente compreensível, levando em conta que o astro do seu documentário é Jay Park. – rolou os olhos, respirando pesadamente em seguida. – Eu não sei, gente. Eu e Hansol temos passado muito tempo juntos, é verdade, e nos damos muito bem, mas eu não sei mesmo. O meu trabalho já suga mais de mim do que eu sabia que tinha pra dar, então é complicado. – explicou, com dor de cabeça simplesmente por pensar naquilo. – Eu não sei se vale a pena tentar algo que não faço ideia se conseguiria e o Hansol é tão tímido que fazê-lo admitir sentir algo além de amizade, por si só é um desafio.
apertou a mão da amiga numa tentativa de consolá-la quando ela interrompeu as próprias lamentações, sentindo-se resmungona o suficiente para realmente continuar e balançou a cabeça, olhando de uma para outra.
— Vou deixar vocês com as lamúrias e voltar para o livro sobre o feminismo que estou escrevendo. – murmurou, desacreditada e recebeu olhares carregados de desprezo por parte de ambas as amigas, rindo por isso. – Estou brincando, brincando, mas… Qual é, gente. Abrir as pernas é bom, mas assim? Céus, eu nem me lembro da última vez que me senti assim.
— Isso é porque o seu coração não mora na sua vagina ou no fim de um arco íris. – interveio, apontando com a cabeça na direção de numa discrição propositalmente fingida e a outra rolou os olhos por isso, lhe empurrando com os ombros.
— Não, ele mora na conta bancária mesmo. – murmurou também e riu junto com ela, enquanto bufava para as duas.
— Embora isso não seja verdade, é mais inteligente do que viver como vocês. Com um cara que tenha a conta bancária gorda, ele está tão ocupado trabalhando e sendo o poderoso chefão que não tem tempo para todo esse drama. – deu de ombros, sorrindo como se aquilo fosse muito simples e riu, usando o indicador para sinalizar um não na frente do rosto da amiga.
— Teoria derrubada com sucesso por Jay Park, senhoras e senhores. – fez voz de locutor para falar. – O cara trabalha feito um viciado e, ainda assim, tem tempo de me enlouquecer.
riu ao ouvir, balançando a cabeça.
— Isso é porque Jaebum é um em um milhão, . – murmurou, se pondo de pé e as outras duas imitaram, seguindo com ela até o caixa para pagar pelo almoço. – Parabéns. Você ganhou na loteria. – deu um sorrisinho carregado de ironia, para o qual reagiu mostrando a língua, como a boa criança que era.

+++

pegou o trem até a cidade vizinha com Hansol para chegar até a loja de artigos da culinária internacional mais próxima a fim de fazer suas compras mensais, já que, onde quer que estivesse, jamais abriria mão de seu brigadeiro. Entre outras receitas brasileiras, é claro.
Os dois passaram a tarde juntos e ficou feliz em saber do quão bem Hansol estava se adaptando ao curso, embora houvesse ficado também decepcionada de não conseguir arrancar muito do garoto a respeito de . Ele estava ficando melhor em esconder as coisas e aquilo era uma droga para ela, mas foi divertido revê-lo depois de tanto tempo, ainda assim. E, mesmo sem novas informações a respeito do casal que ela já considerava seu favorito, concordava com a previsão de a respeito dos dois: Era uma questão de tempo até acontecer.
só não decidira o que pensar quanto a previsão da amiga a respeito de si mesma.
Quando voltou para casa de Jaebum, sentiu o mesmo peso que Mathias provavelmente sentira em Tropa de Elite quando o Capitão Nascimento lhe fizera segurar uma granada quando mal aguentava manter os olhos abertos: Um descuido e tudo ia pelos ares.
— Dia cansativo? – Jaebum perguntou, arqueando as sobrancelhas quando se sentou ao seu lado no sofá, mantendo, ainda assim, uma distância segura, sem esticar as pernas e por os pés na mesinha de centro também.
Ela deu de ombros.
— Dia bem normal, eu acho. – respondeu. – E você? Deu um tempo do trabalho para não prejudicar minhas filmagens? – arqueou as sobrancelhas para o cantor, que soltou uma risadinha.
— Eu reenceno meu progresso de hoje pra você. – prometeu e ela rolou os olhos.
— Sabotagem, Jaebum. Eu chamo isso de sabotagem. – falou, como se estivesse muito chateada, mas não pôde conter uma espiada pelo canto do olho quando o ouviu rir, mesmo que aquela visão sempre deixasse seu estomago revirando.
”Parabéns, você ganhou na loteria.”, ela quase pôde ouvir novamente a voz de , rolando os olhos. Detestava aquela risada.
— Eu estava pra pedir uma pizza, você quer? – Jaebum perguntou depois de um instante, tirando o celular do bolso e fez que não.
— Comprei leite condensado. – ela anunciou, se pondo de pé. – Vou fazer brigadeiro e, se você for esperto, vai preferir deixar a pizza pra outro dia e comer comigo.
— Nunca comi isso. – ele retrucou, fazendo uma careta. – Como vou saber se é bom?
riu um pouco ao ouvir, mordendo o lábio numa tentativa de conter sua língua de despejar para fora o que estava pensando, em vão. Quando viu, já estava dizendo:
— Porque é brasileiro e, pelo que eu sei, não é como se você não houvesse aprovado coisas vindas de lá antes.

— E lá vocês compram isso em qualquer lojinha de esquina? Em qualquer lugar? – Jaebum perguntou, fascinado, enquanto mergulhava sua colher novamente na panela cheia de brigadeiro.
sorriu, assentindo.
— É parte do nosso patrimônio. – falou, levando sua colher de volta a boca, o sabor tão familiar fazendo com que a garota sentisse um aperto saudoso no peito, sem conseguir evitar a nostalgia que lhe invadia por falar de casa, de repente ansiosa para ligar para seus pais e ouvir suas vozes, embora não achasse realmente que aquilo fosse resolver seu problema de saudades, muito pelo contrário.
— Sente falta de casa, não é? – Jaebum perguntou, sem precisar de muito para interpretar com clareza a expressão da garota. Ele conhecia aquele sentimento, afinal.
suspirou, concordando com a cabeça.
— Eu me acostumei a viver longe de casa, faço isso há muito tempo e, quando estou lá, é como se não fosse mais o suficiente, entende? É como se eu precisasse me encolher e encolher todos os sonhos que ainda tenho para estar lá. – confessou, sentindo um gosto amargo na boca pela culpa que sentia sempre que pensava naquilo. – Céus, isso é tão errado. Eu amo aquele lugar, é claro, e eu sinto saudades, então não sei por que disse isso… – balançou a cabeça, desejando poder voltar no tempo e nunca dizer o que tinha dito. Já pensara naquilo antes, mas não fazia ideia que a sensação seria ainda pior se realmente dissesse.
— Não é tão horrível assim. – Jaebum devolveu, simples como se realmente não visse nada demais na fala da garota, que lhe encarou quase desejando que o que quer que ele tivesse para falar amenizasse sua culpa. O problema de desejar sentir menos culpa, no entanto, era que o efeito quase sempre era o contrário. – Eu deixei Seattle pela primeira vez quando tinha, sei lá, dezessete ou dezoito anos. Até hoje, quando volto pra casa, nunca fico por tempo demais lá. Andar pelas ruas que andávamos quando ainda não tínhamos nada do que temos hoje, fazer as coisas que fazíamos quando nossos sonhos eram menores, isso não é pra ser bom. Não somos mais as mesmas pessoas e a ideia de voltar a um lugar que não nos oferece mais tudo que precisamos nunca vai ser satisfatória, apesar das boas lembranças. Não somos mais quem éramos quando vivemos essas coisas.
— Então, não se sente mal? – perguntou, raspando o chocolate mais endurecido no canto da colher com os dentes.
Jaebum desviou o olhar para a panela, ponderando sobre a pergunta antes de respondê-la.
— Não. Eu acho que tudo bem sentir que o primeiro lugar que chamamos de casa não oferece mais toda a esperança que fazia antes. – ele murmurou, voltando a olhar em seus olhos e mordeu o lábio, tentando evitar prender o ar e parecer tão completamente envolvida por aquele homem quanto, cada dia mais, realmente estava. – O mundo todo é a nossa casa, . Pessoas como nós sempre vamos sentir amor, respeito e gratidão por nossas histórias, pelo lugar onde nascemos e onde começamos a nos moldar a quem somos hoje, mas acho que seria muito estranho conhecer tantos lugares, lugares onde podemos crescer tanto profissionalmente, e ainda assim querer voltar pra casa e viver pra sempre lá.
Jay Park era realmente um em um milhão.
Depois de ouvi-lo, era tudo que conseguia pensar, sentindo a garganta fechar com uma vontade perturbadora de chorar, vontade que lhe fez perceber uma verdade que era, ao mesmo tempo, temida e um alivio: Estava na TPM.
Quando sua menstruação estava para descer, ela sempre ficava desejosa de chocolate e era por isso que, em sua cabeça, fora uma ideia perfeitamente razoável ficar em pé num trem por pouco menos de uma hora apenas para comprar leite condensado e comer brigadeiro de panela. O tesão também era um sintoma comum daquela época do mês, assim como o drama excessivo, e, bem, levando em conta o evento de domingo e o choro que subia em sua garganta naquele exato momento, a garota achava que podia marcar os dois com um “X” de “feito” em sua listinha de proezas para conquistar quando os hormônios dominam seu corpo.
Notar que estava na TPM naquele momento, no entanto, acabou piorando ainda mais toda a tempestade de emoções que pareciam querer transbordar para fora dela e, antes que pudesse notar e muito menos prevenir, estava chorando. Tinha certeza que de raiva mais do que de qualquer coisa, mas estava chorando.
, o que… – Jaebum arregalou os olhos, dando a volta na mesa que os separava para se aproximar da garota, tomando a colher que ela segurava debilmente ao lado do corpo para abraçá-la. – Meu Deus, desculpe. Eu não queria…
— Eu odeio você. – ela reclamou em meio ao choro, interrompendo sua fala para bater no ombro do cantor, que acabou rindo por isso.
— Desculpe. Eu não devia ter dito nada. – murmurou, recebendo outro tapa no ombro e mordendo a boca para conter uma nova risada enquanto mantinha uma das mãos firme na frente do rosto, escondendo o choro que insistia em cair contra sua vontade. – Desculpe.
— Pare de pedir desculpas. – ela reclamou, tirando a mão do rosto para lhe encarar e, com um sorriso, Jaebum pôs seu cabelo para trás.
— Des… – começou, mas se interrompeu ao notar o que fazia, balançando a cabeça e tentando pensar em outra coisa para falar. – Se serve de alguma coisa, eu não acho que você vá ter que voltar pra casa tão cedo. A não ser que você queira, é claro. Acho que o seu talento vai te permitir chamar qualquer lugar que escolher de casa.
não conseguiu conter um sorriso para as palavras ao ouvir, balançando em seguida a cabeça.
— O que você disse antes me fez sentir melhor, de verdade. – ela murmurou, limpando os últimos resquícios de lágrimas do rosto antes de olhar em seus olhos. – Você é uma pessoa muito inspiradora, Jaebum. Eu sempre tive consciência de todos os privilégios que obtive na vida e da injustiça que eles representavam, mas esse em especial, o de trabalhar com você, não me faz sentir culpada. Talvez eu sinta culpa depois por não sentir culpa agora, mas não importa. Trabalhar com você me inspira e eu acho que, em grande parte, é pelo quanto você demonstra acreditar no meu trabalho. Você é, no mínimo, um gênio e eu falo isso para quem for, sem qualquer problema, e ter escutado você falar como se fossemos iguais foi um presente para o qual eu não estava pronta, mas sério, não tem que se desculpar. Eu meio que me dei conta que estava na TPM um instante antes de começar a chorar, então uma coisa juntou a outra e… – ela se interrompeu, rindo quando ele riu fraco também, escutando-a falar da TPM.
— Você é uma mulher estonteante, . – ele falou, apertando de leve sua bochecha e se afastando, sentando-se na bancada e batendo no espaço ao seu lado para que ela se sentasse também. Ignorando o alarme que começava a soar, ainda baixinho, em sua cabeça, o fez. – Eu sei que quando as pessoas dizem estonteante, normalmente não estão de frente para uma mulher tentando não chorar por causa de sua TPM, mas estonteante é uma visão que nos tira o norte e é um bom momento pra descrever você assim. Eu gosto de quão verdadeira você é, de como você nunca fala nada se não for completamente sincera, até quando é brincadeira e eu gosto da sua paixão pelo seu trabalho. Eu falo que somos iguais porque somos, porque nos sentimos do mesmo jeito quanto a tudo, tudo que importa. É por sermos iguais que sei o que estou falando quando digo que vai ficar tudo bem. Qualquer que seja o lugar no qual você decida ficar, vai ficar bem. – ele abriu um pequeno sorriso e passou um dos braços por seus ombros, abraçando a garota de lado. – E, por mais que a sua TPM diga o contrário, você está bem agora também. – riu, fazendo-a rir também.
Ali, nos braços de Jaebum, no entanto, a garota não pôde evitar pensar que não, não estava assim tão bem e erguer o olhar para lhe encarar só serviu para deixá-la ainda mais certa daquilo. Jaebum estava tão perto que quase sentia sua presença pesar sob ela. E sabia, para o seu azar, que aquela atração não era obra só de sua TPM.
Estava terminantemente fudida.
— Odeio desapontá-lo, mas acho que isso não é tão verdade assim. – ela murmurou quando ele desviou o olhar, podendo apostar que, se não pensava, pelo menos sentia o mesmo que ela.
Jaebum riu ao ouvir, afastando-se da garota para se pôr de pé, estendendo a mão para ajudá-la em seguida.
— Vem, a gente guarda o restante do chocolate pra amanhã. – murmurou, mas ela fez que não, achando mais seguro se pôr de pé sem a ajuda do cantor.
— É melhor eu fazer isso sozinha. – murmurou, arrancando uma risada do cantor, observando-o guardar a panela com o restante do chocolate na geladeira antes de se aproximar e voltar a passar o braço por seus ombros, lhe abraçando novamente.
— Eu sei que você também está atraída por mim. – murmurou, fazendo com que a garota arqueasse as sobrancelhas em sua direção.
— Também? – riu e ele imitou, coçando a nuca e desviando o olhar, o que a fez rir mais, esperando que ele voltasse a falar.
Jaebum balançou a cabeça.
— Você acha que vai passar? – ele perguntou por fim, voltando a encará-la. – Digo, é claro que eu sei por que não podemos fazer nada a esse respeito agora, mas o que estou perguntando é… Você acha que se a gente continuar ignorando, fingindo que não, vai passar?
pensou um pouco a respeito de suas palavras antes de responder. Nunca havia realmente pensado sobre aquilo, se passaria. Ela vinha concentrando-se em não abrir as pernas para o cantor outra vez, nunca chegando a realmente pensar se poderia parar de se esforçar em algum momento.
— Não sei. – ela respondeu por fim, sem acreditar que estavam conversando abertamente sobre a atração que sentiam. Céus, Jaebum ia lhe enlouquecer antes que terminassem de filmar aquele documentário. – Eu estava pronta para dizer que torço que sim, mas nem sei mais quão verdadeiro isso seria, então só…. Não sei. – repetiu, dando de ombros e afastando o braço de Jaebum de seus ombros quando chegaram ao corredor dos quartos.
Jaebum respirou fundo, assentindo. Ele torcia, sim, por uma resposta mais clara, mas não podia culpá-la pela que recebera. Era exatamente o que ele sentia.
— Bom, boa noite. – ele murmurou, seguindo até a porta do próprio quarto. achou ridiculamente irônico como terminaram parados de frente um para o outro quando ele o fez, notando a crueldade que era estar, literalmente, a distancia de um corredor do cantor a noite inteira.
— Boa noite. – ela respondeu por fim, abrindo a porta do próprio quarto para entrar, porém só realmente seguindo para dentro do cômodo quando Jaebum abriu a própria porta também.

Nota da Autora:
Oie!!!!!!!!!! Decidi atualizar a fanfic semanalmente durante a quarentena, vamo ver se dá certo HAHAHA
Por favor, deixem a opinião de vocês! È mega importante pra mim!
Beijão!

Cinco.

 

ria com a câmera posicionada em sua frente na mesa, um mini tripé mantendo-a estável entre a garota e Jaebum, que almoçava e fazia graça para a câmera simultaneamente, brincando com o fato de ter se recusado a parar de filmar para comer quando adentraram o refeitório da AOMG.
— Sério, eu não sei por que não está comendo… Nessa época do mês você só se alimenta de chocolate? – Jaebum perguntou, inocente como uma criança que questiona como a barriga de uma mulher grávida ficou tão grande, sem conseguir realmente imaginar uma criança ali.
lhe encarou com falso desprezo.
— Eu como normalmente – resmungou. Ele assentiu, pouco convencido.
— Desde que seja comida processada e que faça mal pro seu corpo – retrucou. Ela lhe encarou ofendida, se perguntando quão obvio era aquilo. Ela realmente comia muito mal quando estava menstruada, mas não esperava que Jaebum notasse. – Vai, come um pouco. – Jaebum empurrou o prato para a garota, que fez uma careta para o cheiro forte do tempero exagerado da Coréia, empurrando o prato de volta para o cantor.
— Se jogar essa coisa fedorenta na minha cara de novo, eu vou vomitar – reclamou, arrancando uma risada do cantor. Ele levou o lamén com caldo de osso de vaca a boca, soltando um murmúrio de prazer ridiculamente exagerado em seguida, numa forma de provocar a garota, que rolou os olhos.
— Você não está grávida, não é? – ele arregalou um pouco os olhos, como se só então a possibilidade passasse pela sua cabeça. – Quanto tempo tem que a gente transou, um mês? Dois meses?
— Jaebum! – ela reclamou, tampando a lente da câmera com a mão e desligando-a, lhe encarando desacreditada. Ele riu ao notar o que fizera. – Seu idiota! Até onde eu sei, grávida não menstrua. E eu tomo anticoncepcional, então cala a boca – reclamou, sem notar que fazia bico até Jaebum imitar, claramente se divertindo muito em tirá-la do sério.
— Você fica mais divertida quando está um poço de hormônios – provocou, mas ignorou. Decidiu que não respondê-lo era o melhor jeito de fazê-lo parar de falar besteira, concentrando-se em ligar a câmera novamente.
Naquela manhã, ela assistira e gravara enquanto Jaebum gravava uma música com Gray, que se tornou uma de suas favoritas mesmo que ela houvesse escutado apenas uma vez, além de ter conseguido também um pequeno depoimento de Gray, que, em meio a brincadeiras, deixou claro sua admiração por Jaebum enquanto profissional, dando a , inconscientemente, um novo material para se apaixonar e envolver, já imaginando como incluiria aquilo nas versões que já começara a editar do documentário.
Aquele trabalho era tão fácil quanto prazeroso e mesmo que odiasse se dizer agradecida por algo que sabia que merecia, estava agradecida a Jaebum pelo convite que ela duvidou ser sério vindo depois do sexo.
Quão bom seria se Jaebum contribuísse também e falasse de algo que ela pudesse usar, além de seu obviamente péssimo humor.
— Como é mesmo o nome da música que você gravou hoje? – ela perguntou, tentando direcioná-lo ao que queria.
— El Tornado? – Jaebum perguntou, vendo-a assentir. – Ah, sim. Estou animado com ela. O pessoal da EA Sports entrou em contato querendo trabalhar junto para promover o novo jogo da FIFA e, como nós sempre estamos compondo ou produzindo algo por aqui, muitas vezes sem nenhum destino, ficamos muito animados em concordar e pareceu obvio que esse seria o destino de El Tornado depois que a examinamos. Era perfeito.
— É, eles gravaram uma música pra FIFA, blá blá blá… – Simon interveio, sentando-se ao lado de Jaebum na mesa, fazendo com que virasse a câmera para ele. – Jogando, eu sou melhor e os dois sabem.
Jaebum gargalhou ao ouvir.
— Claro, porque eu jogo melhor sem um controle – retrucou. – Sabe, num campo? E nem vamos mencionar outros esportes, como o basquete…
— Cala a boquinha, cala. – Simon lhe interrompeu e o outro soltou uma de suas risadas características, do tipo que sempre vinha com facilidade e continha tamanha sinceridade que desarmava quem quer que fosse, em qualquer contexto. Exceto Simon, que rolou os olhos para ele, voltando-se para . – Escuta, é meu aniversário no fim de semana e a festa vai ser numa boate perto daqui. Você está convidada, ok?
ergueu o olhar da câmera para Simon e sorriu, assentindo.
— Eu prometo tentar dar um jeito de fugir do cativeiro do Jaebum para comparecer – brincou e Simon riu.
— Contanto que não tenha que voltar meia noite para que sua roupa não vire uma abóbora ou algo assim.
— Era a carruagem que virava abóbora, gênio – Jaebum corrigiu. Riu novamente sob o olhar inquisitivo que recebeu tanto de quanto de Simon por saber aquele detalhe a respeito do conto de fadas sobre o qual brincavam. – Que foi? – ele perguntou, ainda rindo enquanto olhava de um para o outro.
Simon rolou os olhos.
— Você é esquisito – deu de ombros, como se aquilo explicasse tudo e o outro fez um gesto com a mão, declarando pouco caso de suas palavras antes de se voltar para , apontando em sua direção ao falar:
— Eu te dou a noite de folga se topar dançar uma música comigo na festa.
Diante da proposta, arqueou as sobrancelhas em sua direção. Era a segunda vez num período muito curto de tempo que ele falava sem qualquer pudor em frente à câmera a respeito daquilo, seja lá o que fosse ou como podiam denominar aquilo, aquele flerte incessante entre eles. sabia que Jaebum confiava que ela simplesmente editaria aquilo para fora, afinal em nada contribuiria com a proposta do documentário, mas o ponto nem era aquele: Saber que tinha, armazenadas em vídeo, as provocações de Jaebum fazia algo coçar e se revirar dentro dela de um jeito até então desconhecido.
— Podemos negociar isso – ela murmurou. Acabou por dar de ombros, como se não fosse nada demais, quando diante de sua reação, Jaebum apenas sustentou seu olhar.
Simon olhou de um para o outro e riu.
— Ok, meu trabalho aqui está feito e eu acho que estou sobrando, então… – ele foi completamente ignorando pelos dois e riu novamente por isso, deixando-os sozinhos na mesa.
mordeu o lábio, balançando a cabeça. Ambos sabiam, e muito bem, de todos os motivos para não cederem ao tesão estupidamente intenso que sentiam, mas em momentos como aquele tudo aquilo parecia tão bobo. Céus, se queriam tanto, que mal podia fazer?
— É uma má ideia – ela murmurou, baixo, mais para si mesma do que para Jaebum, que concordou mesmo assim.
— Eu sei – falou. “Mas eu quero tanto”, seus olhos diziam e não teve qualquer dificuldade para ler, certa que os dela diziam a mesma coisa também.
— Que porra a gente vai fazer, Jaebum? – ela perguntou, de repente cem por cento certa que, como dizia, era realmente só uma questão de tempo até que estivessem entregue a sua crescente libido com vontade restrita apenas um ao outro.
Como resposta, Jaebum riu, balançando a cabeça e passando a mão na boca, causando outra revirada violenta nos sentidos da garota sentada a sua frente.
— Eu não acho que tenha muito que possamos fazer – ele murmurou, dando de ombros antes de voltar a focar na garota. Olhou em seus olhos ao continuar. – Exceto, talvez, ir a festa de Simon no fim de semana e dançar uma música juntos.
— Mesmo sabendo que é uma péssima ideia? – ela arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse se ele queria mesmo arriscar aquilo. Jaebum mordeu o lábio, coçando a nuca e alongando os braços para trás.
— Principalmente por isso.

+++

estava acostumada a passar noites em claro ou, nas em que dormia, fazê-lo por apenas três, três horas e meia. Começara na faculdade, quando tinha sempre um projeto em paralelo, algo que precisava conciliar com os estudos e logo se conformou que aquela seria sua sina para o resto da vida, que vinha junto com a profissão.
A rotina de trabalho com Jaebum seria exaustiva para qualquer outro, alguém que fosse sequer uma grama menos dedicado não aguentaria, mas ela fora treinada para aquele tipo de coisa. Naquela noite, Jaebum só descansou quando finalizou todos os ajustes na música que faria a promoção do novo jogo da FIFA, mesmo que sequer houvesse notado mais cedo que havia algo ajustável nela e, depois disso, quando ele se deu por satisfeito com o resultado de seu trabalho, foi a vez de não descansar até estar satisfeita com o próprio trabalho.
A montagem podia ser um trabalho ingrato e ela sabia daquilo como ninguém, sequer sendo capaz de contar quantas vezes teve vontade de jogar o computador na parede ao longo de sua carreira. Muitas vezes, a garota preferia entregar aquela parte do trabalho para um montador de confiança, alguém que houvesse escolhido se especializar naquilo em especifico e sentisse o coração vibrar em alegria e não em ódio nos momentos mais ingratos do processo de edição, quando nada saía como o desejado, mas aquele documentário era um projeto em que ela queria ter toda autonomia possível e, além de Jaebum, não permitiria que ninguém desse qualquer passo que pudesse ser dado por ela em sua criação.
Lá para as três e meia, quando a noite estava tão escura que, espiando pela fresta de sua cortina, tudo que a garota conseguia ver era um breu intenso e as luzes da cidade pareciam distantes demais, cedeu ao cansaço e optou por pausar seu trabalho antes que terminasse danificando as idéias que tinha para a edição no inicio da noite, já um tanto quanto bagunçadas quando finalmente fechou o software. Ainda assim, ficou inquieta e rolou na cama por vezes demais para continuar tentando dormir, se pondo de pé e terminando por sentar numa cadeira perto da janela, pescando seu celular na escrivaninha ali perto e deslizando a barra de rolagem por sua lista de contatos.
Fazia um tempo que não ligava pra casa.
Pelo menos, quando ficava acordada até tarde, conseguia falar com sua família sem que acabasse por ser madrugada para eles. No inicio, antes de adaptarem ao fuso horário, já atendiam ao telefone imaginando o que de tão horrível acontecera para alguém ligar tarde da noite, esquecendo-se que o tarde da noite no Brasil era meio de tarde na Coréia.
— Oi, mãe – acenou, sorrindo para a tela quando a imagem de sua mãe apareceu, quando a ligação foi finalmente atendida.
! – sua mãe murmurou do outro lado, acenando de volta. – Que saudades, meu amor! Como você está?
sentiu os olhos encherem da água, como sempre acontecia quando falava com sua família desde que deixara o Brasil, mas se esforçou para sorrir e ignorar ainda assim.
— Estou ótima – ela respondeu. – Estava editando um material e me dei conta que era uma ótima hora para ligar. Você está no escritório?
— Estou, meu amor. Acabei de sair de uma reunião, na verdade – sua mãe respondeu, checando o relógio. – Mas não é madrugada ai? , você devia estar dormindo.
— É, tem muito tempo que eu não me lembro como é dormir uma noite inteira. – a garota respondeu, fazendo careta para a carranca da mulher mais velha. – Estou bem, mãe! Estou na casa do Jay Park, onde te falei que ficaria por algum tempo, lembra? Pra trabalhar no documentário?
— Ah, sim, claro. Como eu pude me esquecer? – sua mãe rolou os olhos, deixando claro que não mudara de ideia quanto ao fato de achar aquilo uma loucura. Não que ela achasse exatamente “ok” morar numa pensão repleta de desconhecidos, mas lhe agradava, pelo menos, que a Sra. Choi relutasse em aceitar homens na residência. Não lhe agradava em nada saber que saíra de lá para morar com um astro da música. imaginava o que ela diria se soubesse como e Jaebum se conheceram. – Como é esse garoto? Respeitoso, pelo menos? – perguntou e teve que rir, concordando com a cabeça enquanto mordia a boca e, com ela, todas as piadas que lhe vinham a mente simultaneamente.
— Muito profissional, mãe, não se preocupe.
— Mas ele não é grosso, é? – sua mãe perguntou de imediato ao ouvi-la, preocupada. – Você sabe, nós somos o povo mais caloroso do mundo e eu fico muito preocupada com a sua adaptação vivendo num lugar onde a cultura é tão diferente…
— Mesmo que eu tenha saído do Brasil há quase dez anos, não é? – a garota lhe interrompeu, achando graça de toda aquela preocupação. Parecia que, para sua mãe, ela nunca iria crescer. – Relaxa, mãe. Eu estou bem aqui. E Jaebum é americano, então está mais próximo da minha cultura do que da cultura coreana. Estou bem acolhida.
— Eu me preocupava menos com você quando estava em Hollywood, acredite se quiser – sua mãe retrucou, contrariada. riu, desejando poder apertar suas bochechas, como costumava fazer sempre que a voz dela assumia aquele tom. – Ah, meu amor, sinto tanto a sua falta… – sua mãe murmurou, parecendo pensar o mesmo que ela.
O sorriso de assumiu um aspecto mais triste sem que ela pudesse evitar, pensando na conversa recente que tivera com Jaebum a respeito de suas saudades de casa.
— Eu também sinto, mãe – respondeu, balançando a cabeça quando os dedos de sua mãe se aproximaram da tela, alisando a imagem da filha. – Como está tudo aí? E o papai?
— Ah, não. Eu é que quero saber de você – sua mãe retrucou, fazendo uma careta para a tentativa de mudar de assunto da garota, que riu.
— Jogo da pergunta? – sugeriu.
O jogo da pergunta era algo que sua mãe lhe ensinara quando ainda era criança e, basicamente, consistia em responder a pergunta da outra com sinceridade e detalhes, da forma, enfim, mais clara possível, no entanto, a resposta tinha que bastar para o assunto ser finalizado, ao menos durante o jogo. Não havia direito a réplica ou a uma pergunta conseguinte. Sua mãe sempre dissera que era importante respeitar o quanto o outro estava disposto a dividir de sua história e refletir bem sobre tais informações antes de expor uma opinião, que era exatamente sobre o que o jogo era.
— Certo, eu começo – sua mãe concordou. – Você está se alimentando bem?
gargalhou ao ouvir a pergunta, sem acreditar que sua mãe ia mesmo desperdiçar o jogo com aquilo.
— Não essa semana, estou menstruada e você sabe como fico nesse período. Tenho comido muita fritura e chocolate, mas meu apetite vai voltar ao normal quando passar, assim como a minha disposição para correr – respondeu, sincera como havia aprendido que precisava ser quando jogavam aquilo. – Você está dormindo com o papai de novo?
! – sua mãe exclamou, olhando assustada em volta para ver se havia alguém por perto para ouvir a conversa. riu, esperando que ela respondesse. – Mais ou menos. Eu e o seu pai estamos ambos solteiros outra vez e faz anos que isso não acontece, de vez em quando a gente se sente sozinho e… Você sabe – deu de ombros, sem achar que sua filha ia querer ouvir mais detalhes a respeito daquilo.
Tão satisfeita pela consideração quanto desacreditada pela resposta, rolou os olhos.
— Tome cuidado – pediu, mesmo sabendo que replicar a resposta não era permitido no jogo. Não deixaria que aquilo impedisse que desse aquele conselho a sua mãe.
Quando ela e seu pai se divorciaram, a garota ainda era uma criança e crescera vendo os dois mergulharem em outros relacionamentos, outros casamentos, que, com o tempo, se desgastaram e terminaram também. Só para que terminassem pulando na cama um do outro sempre que tinham vontade, como se fossem novamente adolescentes. só torcia que sua mãe fosse esperta e não terminasse apaixonada de novo. Seu pai era muitas coisas e, com certeza, o melhor pai que poderia ter pedido, mas nunca foi um bom marido, para nenhuma de suas esposas.
— Você está transando com Jay Park, não está? – sua mãe finalmente fez sua pergunta. tossiu alto, arregalando os olhos surpresa.
— Como você… ?
— Sou sua mãe, boba. Eu sei de tudo – a mais velha respondeu, rolando os olhos como se aquilo fosse obvio. – Tome cuidado – repetiu o conselho que recebera e rolou os olhos.
— Eu não estou dormindo com o Jay – retrucou. – É complicado. A gente não se conheceu na entrevista de trabalho, mãe. Houve uma festa antes disso e nós ficamos… Foi só depois disso que falamos sobre nossas profissões e ele sugeriu a reunião, pensando na possibilidade de trabalharmos juntos e então eu vim parar aqui, na casa dele – explicou, esperando que sua mãe não precisasse de mais para entender qual era o seu ponto ali.
Por sorte, ela não precisou.
— Ah, … – sua mãe riu, balançando a cabeça. – Em que confusão você se meteu, hein?
— Eu que o diga – a mais nova suspirou. – Não aconteceu mais nada entre a gente desde então, mas existe uma atração, mãe. Eu sempre fui muito boa em priorizar a minha carreira, mas com ele… Argh… É muito mais difícil com ele.
— É claro que é – sua mãe riu, sem surpresa. – Minha filha, eu sempre te chamei de “coração de gelo” por uma razão que sempre admirei, mas também sempre torci que um dia alguém aquecesse o seu coraçãozinho e garantisse que você não tivesse que ficar sozinha pra sempre. Eu não sei se isso é só tesão ou algo mais, mas quero que fique atenta para descobrir, está bem? – pediu, olhando-a de maneira bem séria.
assentiu.
— Eu sei, mas espero que entenda que não posso prometer fazer a escolha que espera quando descobrir essa resposta, ok? – retrucou, conhecendo sua mãe. Ela sabia que não só sua mãe, mas seu pai também, sempre se preocupou com sua mania de independência e falta de predisposição para uma vida a dois, mas conhecia a si mesma o suficiente para saber que não tinha como prometer a eles que aquilo mudaria agora, independente do grau de sentimentos que pudesse ter por Jaebum agora ou no futuro.
— Ah, acredite, eu sei disso e sei muito bem – a mais velha retrucou, rindo ao fazê-lo.
— Boa noite, mãe. Vou dormir agora – a mais nova murmurou, se preparando para finalizar a ligação enquanto voltava para a cama com o celular em mãos.
— Boa noite, meu anjo – a outra respondeu. – Tome cuidado, mas não muito, ok? – aconselhou, fazendo rir antes de mandar um beijo para sua genitora, finalmente encerrando a ligação e colocando o celular de lado no criado mudo, se encolhendo debaixo das cobertas para dormir.


Seis.

A parceria de Taeyang e G-Dragon, Good Boy, era, além de uma das músicas favoritas de , uma das poucas que lhe esquentava o sangue ao assistir apresentações ao vivo também, mas ela tinha certeza que aquilo se devia ao desempenho de Taeyang, que sempre fora motivo de alvoroço.
Estava errada.
Descobriu aquela noite, vendo Jaebum dançar a música com seus amigos durante a festa de aniversário de Simon. Tinha, no fim das contas, tanto a ver com a música, a letra, quanto tinha com qualquer outra coisa e não devia ser realmente surpresa que o efeito de Jaebum sob ela, há muito, já houvesse superado o de sua antiga paixonite, tão completamente fora de seu alcance. Jaebum, aliás, estava mais dentro de seu alcance do que devia ser considerado certo, levando em conta as circunstâncias.
Ao fim da música, Simon, que vinha ao lado de Jaebum em direção ao balcão onde e Hari estavam recostadas lhes assistindo, abraçou a namorada, murmurando algo em seu ouvido simultaneamente.
— Simon! Você dança bem! – murmurou ao lhe abraçar, quando ele virou para cumprimentá-la. Tanto Jaebum quanto Hari riram e Simon lhe encarou como se estivesse muito ofendido pelo tom de surpresa em sua voz.
— Muito obrigado, -yah – ironizou, fazendo-a rir antes que Hari se esticasse para murmurar algo em seu ouvido, recebendo um aceno e um sorriso antes que ele a arrastasse consigo para longe dos olhos dos outros dois.
riu outra vez.
Não fazia muito tempo que chegara, estivera na pensão antes de ir e, por isso, nem mesmo fora para a festa junto com Jaebum.
Mesmo tendo chegado a pouco tempo, no entanto, já se sentia levemente embriagada, com Hari se encarregando de manter o copo da garota sempre cheio, com a desculpa que ela devia se divertir e parar de pensar demais, já que estavam numa festa. tentou argumentar, mas foi impossível fazê-lo sem ouvir a voz de sua mãe no fundo de sua mente “tome cuidado, mas não muito”.
Ela tomava mesmo muito cuidado.
— Eu não sabia que você gostava do BIGBANG. – Foi o que a garota disse quando virou para encarar Jaebum, que estendeu o braço ao lado de seu corpo para pegar o copo que o barman lhe estendia de trás do balcão onde a garota estava recostada.
— E quem não gosta? – devolveu, levando alguns instantes para puxar o braço de volta, sem querer realmente se desfazer da proximidade que obtiveram no percurso anterior.
sorriu, acenando em concordância com suas palavras.
— Eu fico curiosa a respeito das suas inspirações. – murmurou, observando enquanto ele recostava o corpo ao seu lado, perto do balcão. se esforçou para ignorar o calor que a proximidade lhe causou, observando enquanto Jaebum bebia de seu copo antes de voltar a falar. – O 2PM e o BIGBANG debutaram com um intervalo de dois anos, então mesmo que o BIGBANG tenha sido alguma inspiração pra vocês como grupo, não pode ter sido a maior parte dela, como foi para a maioria dos outros grupos por aí. E, depois disso, quando você lançou sua carreira solo, suas inspirações pareceram fugir ainda mais do tipo de música que qualquer grupo costuma lançar…
— Ei, ei – Jaebum lhe interrompeu, rindo com um brilho de diversão no olhar. – É melhor falarmos sobre isso quando você tiver uma câmera nas mãos. É trabalho e não estamos trabalhando hoje.
mordeu o lábio, concordando com a cabeça mesmo ainda obviamente contrariada e Jaebum riu outra vez por isso.
— Estou nervoso também.
— Não estou nervosa – ela retrucou, virando para lhe encarar como se aquilo fosse loucura. Jaebum arqueou as sobrancelhas em sua direção e ela suspirou, sabendo que seria impossível convencê-lo daquilo. Ou a ela mesma, mas aquela era uma batalha que já aceitara ter perdido. Pelo amor de Deus, a garota tentara arrastar uma de suas amigas, que Simon nunca tinha visto na vida, para aquela festa só para que lhe impedisse de abrir as pernas para Jaebum. – Por que estamos nervosos? – ela perguntou, mesmo com receio da resposta.
Diante da pergunta, o sorriso de Jaebum murchou um pouco.
— Estamos protegidos quando estamos trabalhando, temos outro foco, mas hoje… Não tem nada que nos impeça de nos concentrar na atração que combinamos de ignorar – Jaebum foi direto, falando com a simplicidade que sempre parecia vir junto com a transparência já comum a ele. Como sempre, revirando tudo dentro de no percurso. – Estou errado? – Jaebum arqueou as sobrancelhas para o olhar contrariado da garota, que riu.
— Eu só gostaria de parecer tão relaxada quanto você quando estou nervosa – ela retrucou, dando de ombros. Ele riu, erguendo o copo como se aquela atitude pudesse explicar sua tranquilidade. Ciente de que podia, riu outra vez.
— Estou aqui a mais tempo do que você, . Estou bebendo a mais tempo do que você – ele respondeu e ela piscou, erguendo o próprio copo em sua direção e então o levando a própria boca, bebendo a maior parte do conteúdo de uma só vez.
Jaebum lhe observou pedir mais um copo, recebendo uma arqueada de sobrancelhas quando a garota lhe pegou encarando, mas aquilo não o intimidou e o cantor continuou a sustentar seu olhar. levou o copo a boca, intimidada, porém impelida a não quebrar o contato visual ainda assim e, um instante depois, Jaebum balançou a cabeça.
Seria uma noite longa.

Em algum momento, Hari puxara Simon, Jaebum, e outros amigos de Simon para brincar de “eu nunca” num dos poucos lounges com sofá na festa.
— É como se eu estivesse fazendo, sei lá, dezesseis anos e não trinta e quatro – Simon comentou. Hari servia os copos de todos e olhou feio para ele pelas palavras.
— Você começa – ordenou. Ele abriu a boca, ofendido, para retrucar, mas ela não permitiu. – Por ter debochado do jogo e por ser o mais velho – piscou para o namorado, sorrindo de lado e fazendo com que ele rolasse os olhos.
— Tanto faz – deu de ombros, parando para pensar em algo para falar. Os outros esperaram. – Eu nunca… usei brinquedos na hora do sexo – Simon falou depois de um instante deliberando quanto ao que dizer.
gargalhou, tampando a boca para que a bebida que acabara de ingerir não escapasse e os outros lhe encararam com curiosidade e diversão. Ela mordeu o lábio ao notar, limpando a boca com as costas da mão e olhando brevemente para cada um dos rostos lhe encarando.
— Achei que fossemos começar devagar – ela explicou, levando o copo a boca e bebendo um gole.
Os outros gargalharam e ela observou chocada Simon apontar em sua direção, indicando que era sua vez.
— Espera, ninguém mais fez isso? – olhou novamente de rosto em rosto. – Argh. Nem você? – ela encarou Jaebum, que arqueou as sobrancelhas para a insinuação em suas palavras. gargalhou, tampando a boca, ao se dar conta de como aquilo soara. — Não foi o que eu quis dizer! – ela se corrigiu imediatamente, balançando a cabeça. – É que você é o único aqui, além de mim, que não é coreano e eu até posso entender que eles não tenham experimentado essas coisas por isso, mas você…
— Ok, agora você disse o que não quis dizer antes – Simon murmurou quando a voz da garota morreu. Ela riu, levando o copo a boca como uma desculpa para não responder.
Jaebum riu também.
— Esse tipo de coisa requer alguma confiança e eu nunca tive um relacionamento sério. Acabei me privando de uma coisa ou outra nesse departamento – deu de ombros, como se não fosse nada demais. Para ele, não era mesmo. Jaebum sempre priorizara sua carreira e aquilo nunca fora um fardo, mas sim algo que fazia com naturalidade e prazer, já que era a coisa mais importante em sua vida. As coisas das quais abdicou, não o fez com muito pesar, certo que, se tivesse que tê-las, teria mais tarde, quando fosse a hora.
— Vai, sua vez – Hari apontou para , que assentiu, fazendo sinal para que ela esperasse enquanto pensava no que falar.
— Eu nunca… – começou, mordendo o lábio. – Beijei uma garota.
Em meio a reclamações, os garotos beberam e Hari sorriu, cumprimentando a amiga com um highfive.
— Vai, você – Simon puxou a bochecha da namorada, que lhe deu uma cotovelada na costela para fazê-lo parar.
— Eu nunca… – Hari parou, pensativa. – Estive no Brasil.
— Ei! – reclamou, ofendida. – Achei que estivéssemos do mesmo lado aqui.
— Ah, não querida, meu propósito ainda é o mesmo – a cantora devolveu com simplicidade, sorrindo satisfeita quando, rolando os olhos, a outra levou o copo a boca. – Quero ver você ficar bêbada essa noite.
fez uma careta para suas palavras.
— Isso é desprezível – reclamou, apontando para o garoto do outro lado de Simon, cujo nome ela não sabia. – É sua vez, eu acho.
O garoto assentiu, parando para pensar e, enquanto ele o fazia, Jaebum desviou novamente o olhar para . Era quase palpável como toda a super proteção que a garota vinha erguendo ao próprio redor sempre que estavam juntos e precisavam ignorar a atração obvia que sentia parecia, pouco a pouco, ceder e se desfazer sob seus olhos, a cada novo gole de soju que ela ingeria. Jaebum sabia, e muito bem, que aquilo não podia ser seguro, não para o seu trabalho juntos, mas toda vez que seus pensamentos seguiam naquela direção, ele ouvia também uma vozinha em sua cabeça dizer “não estavam trabalhando”.
Não estavam mesmo.
E ela estava tão linda.
Céus.
— Ei, pode beber também! – Simon desviou Jaebum de seus devaneios, apontando seu copo e ele olhou confuso dele para o copo. – Woo disse que nunca transou coma alguém de outro país – murmurou. Jaebum olhou desacreditado para Woo antes de balançar a cabeça e beber do seu copo, só então desviando o olhar para , quando achou que ninguém mais lhe encarava.
Ela abriu um sorriso fraco e ergueu o copo, levando-o a boca mesmo que já houvesse bebido sua dose. Jaebum passou a mão pela boca e balançou novamente a cabeça, desviando o olhar.
Ele já dissera que aquela seria uma noite longa?

….

Depois de mais algumas rodadas, o suficiente para que todos se sentissem confortavelmente bêbados, Hari puxou para dançar, lançando a Jaebum um olhar de aviso que o fez rir. Na língua de Hari, ela dizia que ele devia ir atrás delas logo se quisesse que algo acontecesse com ou outro cara ia passar em sua frente, Jaebum sabia, mas tanto quanto sabia daquilo, e sabia que queria ir também, não sabia se devia.
Bom, realmente não devia. Era justamente por isso que não tomara nenhuma atitude a noite toda, afinal de contas, mas… Por mais disciplinado que Jaebum fosse em relação a maioria das coisas, apesar de muitas vezes passar a imagem contraria, definitivamente não era em relação aquilo, a ela.
Jaebum acabou indo atrás delas.
jogava os braços para o alto e cantava junto com Hari de maneira um tanto quanto divertida quando ele se aproximou, por isso sem notá-lo inicialmente. O cantor não se importou, enfiando as mãos no bolso, entretido observando-a da distância que estava, ainda que só para terminar sorrindo junto com ela quando a garota girou no lugar e virou de frente para ele, fazendo com que seus olhares se encontrassem.
— Ei! Você não me deve uma dança? – ela riu, aproximando-se dele e Jaebum riu também, acenando com a cabeça e segurando-a pela cintura quando ela pareceu propensa a perder o equilíbrio.
era, definitivamente, fraca demais quando o assunto era bebida. Não que dizer aquilo a ela fosse adiantar alguma coisa, ela não aceitaria e ele sabia bem daquilo.
— Eu tenho quase certeza que é o contrario – ele murmurou no mesmo tom descontraído que ela usava, sorrindo para a careta que ela fez ao ouvir suas palavras.
— Eu acho que você está certo – ela murmurou, piscando pensativa. – Uma pena, se quer saber minha opinião. Podíamos dançar como fazemos no Brasil.
Jaebum riu. Tinha quase certeza que a linha de pensamento dela estava um tanto quanto bagunçada, mas ele não devia estar muito atrás, já que conseguia acompanhá-la.
— Se você me ensinar, ainda podemos – ele respondeu um instante depois.
olhou em seus olhos de maneira surpreendentemente intensa. Despreparado, Jaebum prendeu o ar, sentindo pousar uma das mãos abertas em seu peitoral, desviando o olhar para a região e então de volta para seu rosto. O álcool já se infiltrava em seu sangue a tempo demais para que ele fosse aguentar muito mais daquela tensão que crescia tanto entre eles, não conseguindo parar de pensar em enfiar a língua em sua boca.
— Você está um pouco distante demais – murmurou, puxando-o para mais perto pelo pano da camisa. Jaebum encaixou melhor a mão em sua cintura, permitindo-se ser puxado. – No Brasil, toda proximidade ainda é pouco. Nós dançamos bem perto – ela acrescentou, deslizando a mão, agora novamente aberta em seu peito para cima, até seu pescoço, que envolveu, raspando as unhas levemente na região.
Jaebum conteve o ímpeto de fechar os olhos e lhe puxou pela cintura, fazendo com que seus corpos trombassem, mas não se importou com aquilo, segurando-a perto.
— Assim?
— Quase – ela retrucou, virando de costas sem realmente se afastar ao fazê-lo e Jaebum deslizou a mão de sua cintura para sua barriga, abrindo-a ali de modo a encaixar seus corpos com suavidade, terminando com qualquer espaço que ainda resistisse entre eles àquela altura. – Eu gosto mais desse jeito. – ela murmurou, levando uma das mãos para trás a fim de alcançar a perna atrás da sua. – Pode me acompanhar, Jaebum?
Ele abriu um sorriso ao ouvir, enfiando o rosto em seu pescoço de modo a inspirar na região, raspando propositalmente os dentes em sua pele no percurso.
— Dançar meio que é o que eu faço pra viver, – murmurou perto de seu ouvido. – Acho que te acompanhar não vai ser um problema.
riu ao ouvir, sentindo-se inevitavelmente desafiada por suas palavras, movendo os quadris de um lado a outro enquanto voltava a alcançar seu pescoço com uma das mãos, enrolando os dedos em seus cabelinhos da nuca e deslizando o corpo para baixo enquanto lhe encarava, fazendo questão de tornar o momento o mais lento possível, de modo que Jaebum pudesse sentir o deslizar de sua bunda por toda a região entre suas pernas antes que ela descesse, indo até o chão e então virando de frente para ele, voltando a subir e arrancando um sorrisinho de Jaebum pela provocação.
Sorrisinho que, aliás, nem começava a descrever quão enlouquecido ele se sentia com a visão, voltando a puxá-la pela cintura, dessa vez colando completamente seus corpos enquanto pousava uma das mãos em seu quadril, enfiando uma perna entre as suas para poder guiá-la enquanto dançavam, usando a outra mão para juntar seus cabelos num bolo e novamente inspirando na pele de seu pescoço, deslizando os lábios por toda a região antes de encontrar um de seus ombros, raspando os dentes na região e então deslizando para sua clavícula, arrepiando a garota por completo antes que ela segurasse em seus ombros e o afastasse, olhando ofegante em seus olhos.
— Não pode me acompanhar? – ele provocou.
Ela riu, umedecendo os lábios enquanto tentava pensar com clareza.
E se estragassem tudo? E se aquilo, ainda que fosse tudo que ela mais queria e tudo no que conseguia pensar, fosse a pior das idéias?
— Quais são as chances de não nos arrependermos disso? – ela perguntou, num só fôlego. A região entre suas pernas queimava e ela queria, mais do que tudo, provar a boca de Jaebum, sentir na língua o mesmo gosto fervente que sentira quando ele beijou seu pescoço e ombros, mas precisava daquele último empurrãozinho. Se conhecia o suficiente para saber que precisava, afinal era como sua mãe vivia dizendo: Ela tomava cuidado demais.
— Pouquíssimas – Jaebum respondeu, respirando rápido. – Quer parar?
— De jeito nenhum. – ela respondeu, puxando o cantor para si de modo a juntar de uma vez seus lábios.

e Jaebum não se beijaram no caminho de volta para casa. Jaebum se ocupou de acariciar seu pulso de maneira discreta, suave até, subindo o carinho de tempos em tempos por seu braço e arrepiando , que já se sentia quente demais para que aquela expectativa fosse, de algum jeito, saudável. Como os dois beberam muito mais do que o recomendado para qualquer um, no entanto, dispensar o motorista não fora possível e, portanto, a expectativa sequer era opcional.
Por sorte, a casa de Jaebum não ficava muito longe da boate onde Simon comemorava seu aniversário e logo estavam novamente sozinhos, com mordendo os lábios já quase sem nenhum resquício de batom enquanto observava Jaebum trancar a porta de casa.
— O que foi? – Jaebum perguntou ao virar de frente para ela, ainda relativamente distante da garota. estava encostada a parede, ainda no corredor da entrada, assim como ele, porém a pelo menos dois passos de Jaebum.
Ela olhou dele para a porta que o cantor acabara de trancar, ainda podendo ouvir o som característico do trinco.
— Eu poderia dirigir a porra de um filme pornô com você – ela falou, ciente que aquela sinceridade bruta era, em grande parte, culpa do álcool, mas não se importava. Também por culpa do álcool, claro.
Jaebum sorriu de lado ao ouvir, caminhando em sua direção no que só pôde deduzir ser a câmera lenta mais cruel do mundo. A região entre suas pernas coçava e implorava por atenção, de modo que a pressa lhe tomava cada vez mais.
— Meu cachê é um pouco caro – ele murmurou mais baixo ao parar de frente para ela. Os corpos quase se tocando, o ar quente que penetrava entre eles parecendo transmitir a eletricidade que dominava cada centelha de pele de ambos. – E eu teria algumas exigências.
— Tipo… ?
— Minha co-estrela teria que ser brasileira – ele falou, seu tom de voz diminuindo enquanto o cantor inclinava o rosto na direção da garota, que, com a boca entreaberta, praticamente esperando por ele, precisou conter o ímpeto de fechar os olhos. – Você já dirigiu algo que também estrelou? – ele perguntou, tocando devagar um de seus joelhos, de modo a afastá-lo do caminho. apertou mais a boca entre os dentes, desviando o olhar para seguir o movimento de sua mão, abrindo as pernas da garota para se encaixar entre elas, puxando o vestido longo dela para cima ao enlaçar uma de suas pernas na cintura.
— Eu não sou atriz, baby – ela respondeu simplesmente, sorrindo de maneira quase doce, como se explicasse algo a alguém mais novo e leigo, o que o fez sorrir fraco, insinuando a pélvis em direção a sua.
— Então, acho que teria que ser pra valer – ele deu de ombros, deslizando os dedos por seu pescoço até a linha de seu maxilar, desenhando-o só para terminar erguendo seu queixo para que ela lhe encarasse. – O que acha?
— Posso chutar que você tem talento… – ela murmurou, como se ponderasse. – E definitivamente tem o visual também. – acrescentou, olhando-o de cima a baixo e arrancando uma risada fraca do cantor, que segurou sua nuca e finalmente deu um jeito na distância entre os dois, invadindo sua boca com a língua sem cerimônias.
apertou seus ombros nas mãos, abrindo mais a boca para ele, e então subiu as mãos até seu pescoço, raspando as unhas ali só para terminar soltando o ar contra a boca de Jaebum quando ele desceu as mãos de sua cintura até sua bunda, espalmando-a e impulsionando o corpo da garota para cima de modo a fazer com que ela passasse a outra perna ao seu redor também, terminando ainda colada a parede, porém com as duas pernas ao redor da cintura de Jaebum.
Ela podia senti-lo tão perto daquele jeito.
— E então, diretora, o que eu faço? – Jaebum perguntou, parando de beijá-la para deslizar os lábios por seu rosto e corpo, usando a língua para atiçar toda a região de seu pescoço, subindo uma das mãos cada vez mais entre suas pernas e mordiscando seu decote antes de desviar o olhar para seu rosto, erguendo uma sobrancelha. – A câmera está desligada – Jaebum acrescentou, como se lembrasse a garota de algo.
Ela lhe encarou desacreditada diante da insinuação.
— Você não está, realmente, sugerindo filmar isso, está? – ela perguntou em meio a respiração desregular, com os dedos tocando um dos botões da camisa social que Jaebum vestia.
— Honestamente? – Jaebum questionou. A garota arqueou as sobrancelhas em sua direção. – Eu não tenho ideia do que vai acontecer amanhã, mas sei que, hoje, hoje vai ser bom, . Me parece uma boa ideia poder guardar isso.
riu, balançando a cabeça e desviando o olhar para o conjunto de câmeras posicionadas, cada uma num tripé, na sala de estar, depois novamente para o homem a sua frente, lhe encarando com expectativa no olhar.
— Certo – ela murmurou, mais para si mesma do que para ele, sentindo um novo tipo de excitação, adrenalina, correr em suas veias. – Me põe no chão, Jaebum. Se vamos fazer isso, faremos direito – murmurou. Ele deslizou devagar as mãos de sua bunda para sua cintura, ao mesmo tempo em que ela desfazia o nó das pernas na cintura dele.
Depois de colocá-la no chão, Jaebum encarou a garota com uma interrogação no olhar, como se esperasse que ela, de fato, lhe dirigisse. Notar aquilo fez com que ela sentisse o estômago revirar novamente, sentindo o corpo quente tomado por aquela coceira, tão especifica quanto irremediavelmente deliciosa.
— Eu quero que se sente no sofá e espere por mim lá. – Ela apontou o ponto no sofá onde ele devia se sentar, seu olho treinado captando que, ali, ele ficaria exatamente de frente para a câmera do meio mesmo com tanto álcool atrapalhando a oxigenação de seu cérebro. Jaebum fez menção de seguir até lá, porém antes que fosse, o puxou de volta, trazendo o cantor para si e invadindo a boca dele com a língua, segurando seu queixo em uma das mãos ao fazê-lo. Jaebum segurou em sua cintura e teria prendido a garota novamente contra a parede se ela não houvesse espalmado seu peito antes, rompendo o beijo e afastando seus corpos. – Agora que você começou a brincadeira, vai ter que ser paciente – avisou, olhando em seus olhos.
Ele sorriu de lado, puxando seu lábio inferior entre os dentes.
— Contanto que você termine gozando no meu pau – murmurou, se afastando a fim de seguir em direção ao ponto que ela mostrara antes e, dessa vez, permitiu.
A garota mordeu o lábio quando ele se sentou, arqueando as sobrancelhas em sua direção como se perguntasse se fizera direito e então seguiu até as câmeras, ajustando a altura de cada um dos tripés e então iniciando a gravação, ficando atrás da câmera do meio para analisar a imagem. Mordeu o lábio novamente quando Jaebum, que estava de cabeça baixa, mexendo distraído no próprio joelho, ergueu o olhar para a câmera, encarando-a através da lente.
— Desabotoa a blusa – ordenou de onde estava, apertando as pernas bem juntas, sentindo a calcinha incomodar tanto que quase enfiou a mão por dentro do vestido e se livrou da peça. Sabia, no entanto, que aquele incômodo só se tornaria mais urgente depois que o pano saísse do caminho. Não era exatamente dele que vinha.
Jaebum desabotôo, um a um, os botões de sua blusa, livrando-se da mesma em seguida e voltando a erguer o olhar para a câmera, erguendo a sobrancelha num olhar que dizia muito sem que o cantor precisasse abrir a boca: O que ela estava esperando?
desviou o olhar da câmera e focou em Jaebum, em cada parte dele, tão estupidamente gostoso, sentado ali, esperando por ela e balançou a cabeça. Foda-se, aquela seria a filmagem mais sincera que já fizera, foi o que a garota pensou enquanto se livrava dos saltos. Finalmente seguiu até Jaebum, que assistiu o caminhar da garota só para terminar agraciado com ela passando uma perna de cada lado de seu corpo, sentando-se em seu colo.
As mãos do cantor subiram por suas pernas, levando seu vestido junto no percurso e ela fechou os olhos, sentindo seu toque esquentar toda parte dela que alcançava enquanto os lábios de Jaebum subiam por seu pescoço também, em direção ao maxilar, onde ele raspou os dentes, causando uma revirada intensa no estômago de , que se viu movendo os quadris de forma a estimular o membro que já sentia crescer embaixo de si. Jaebum apertou os olhos e soltou o ar de maneira entrecortada em resposta, estendendo o controle da situação para numa bandeja e, não ousando deixar a oferta passar, ela repetiu o movimento de seus quadris, ainda que aquilo torturasse tanto a si mesma quanto ao cantor. Deslizou os dedos até a nuca de Jaebum, onde apertou, afundando-os na pele antes de tocar suas testas, permitindo que ele mordiscasse seu lábio inferior só para enfiar a língua em sua boca um instante depois, segurando em seus cabelos e arrepiando-a inteira com a atitude.
O movimento de em seu colo dessa vez não foi calculado, sequer intencional, muito mais urgente e impulsivo e fez a ereção de Jaebum quase doer, causando uma agonia crescente e fumegante em seu corpo antes que ele apertasse os dedos em seus cabelos com um pouco mais de força. Ela apertou mais as pernas ao seu redor, gemendo baixinho e voltando a se esfregar ao cantor.
Jaebum mordeu sua boca em resposta, parando de beijá-la para baixar as alças de seu vestido, deslizando-o para baixo até que a peça fosse apenas um pano enrolado em sua cintura, baixando então os olhos para seu tronco desnudo.
— É uma pena que sua câmera esteja perdendo essa visão – ele murmurou, desviando o olhar de seus seios para seu rosto com um sorriso de lado. – Seria um frame e tanto.
— Bonitinho da sua parte opinar, mas eu sei o que estou fazendo – ela retrucou simplesmente. Ele sorriu mais, adorando o tom faltando uma nota para o arrogante dela, segurando seu queixo em uma das mãos e enfiando a língua em sua boca enquanto, com a outra, ele acariciava seu mamilo, parecendo não ter qualquer dificuldade para encontrar o ritmo certo.
Já haviam feito aquilo antes, afinal. Seus corpos não eram exatamente novidade e, ainda que não fossem admitir em voz alta, não era como se houvessem esquecido o que aprenderam sobre como agradar um ao outro.
— Ah, sabe? – Jaebum riu, como era típico dele. amaldiçoou o dia em que confessara a ele o tesão que sua risada lhe causava, apertando as mãos em seus ombros ao senti-lo impulsionar a pélvis para cima, em sua direção. – É bom ouvir isso.
sorriu em meio aos esforços para conter seus gemidos, puxando os cabelos no fim da nuca do cantor entre os dedos e empurrando o rosto de Jaebum para trás antes de voltar a beijá-lo, inclinando o corpo sob o seu e raspando as unhas em sua barriga num ritmo um tanto inconstante antes que sua mão finalmente alcançasse o botão de sua calça. Cuidou dele e logo depois do zíper em meio aos beijos cada vez mais quentes que trocavam, suas línguas cuidando de manter seus corpos quentes e prontos.
Ele passou o vestido da garota por cima de sua cabeça, tirando o pano do caminho de uma vez e, sem conseguir se conter, se esfregou outra vez ao cantor depois de tirar sua calça do caminho, achando o volume que sua cueca denunciava, no mínimo, convidativo, ainda que só para terminar gemendo com a própria atitude. Jaebum xingou baixinho também, livrando-se da cueca ele mesmo ao fazê-la parar, segurando sua cintura em uma das mãos, e a garota mordeu o lábio para a visão do cantor segurando sua ereção para que ela sentasse, se pondo novamente no chão para deslizar a calcinha entre as pernas, livrando-se da última peça em seu corpo sob o olhar atento de Jaebum, que quase salivou notando a excitação da garota imitar o caminho de sua calcinha, lambuzando a parte interior de suas coxas.
Jaebum torceu, sem que pudesse se conter, que aquela não fosse a última vez deles. Precisavam fazer de novo, porque, céus, o tanto de coisa que ainda queria fazer com aquela garota…
o esfregou em sua entrada de maneira minuciosa ao se posicionar novamente em cima do cantor e terminou gemendo junto com ele enquanto finalmente descia sob seu pau, segurando as mãos de Jaebum para trás, ao lado de sua cabeça.
Ele mordeu o lábio ao lhe encarar, sem conseguir evitar a expressão pedinte.
Ela ia mesmo lhe impedir de tocá-la?
não respondeu, mesmo conseguindo decifrar com facilidade a pergunta em seu olhar, optando por repetir o movimento em seu pau ao em vez disso, inclinando o rosto para o seu e roçando seus lábios até que Jaebum estivesse novamente de olhos fechados. Ainda assim, ela não o beijou, puxando seu lábio inferior entre os dentes e então descendo para seu pescoço, deslizando beijos quentes por toda a região até alcançar o inicio de seu peitoral, deixando uma mordida na região antes de finalmente soltar uma das mãos de Jaebum, o que ela só fez para poder se apoiar em seu ombro, movimentando-se mais rápido em seu colo, mas ele não reclamou mesmo assim.
Com a mão livre, o cantor puxou uma de suas pernas, segurando embaixo de seu joelho para ajudá-la com os movimentos, deslizando em seguida a mão até sua cintura, olhando em seus olhos enquanto ela sentava cada vez mais forte em seu pau, ambos enchendo o cômodo com os sons de seu prazer.
tinha certeza, enquanto descia no membro do cantor, que não havia afrodisíaco mais eficiente que o olhar que Jaebum lhe lançava naquele momento. Todo o corpo da garota parecia queimar, mas céus, era tão bom.
Em dado momento, Jaebum pousou as palmas das mãos sob as coxas da garota, de modo a segurá-la sentada no lugar e gemeu ao sentir o membro dele parado em seu interior, rebolando no lugar e resfolegando quando ele passou a atiçar um de seus mamilos com a língua, enlouquecendo-a com facilidade demais para ser certo e, como se aquilo não bastasse, Jaebum ainda impulsionou a pélvis para frente, tirando de qualquer capacidade de pensar direito com as novas estocadas, deliciosamente mais violentas, impulsionando, por consequência, o corpo da garota para frente, em direção ao seu.
O calor parecia não parar de subir, cada vez mais intenso, mais enlouquecedor para ambos e Jaebum juntou os cabelos da garota num bolo, lhe puxando para si e moldando seus lábios. pôde sentir o peitoral firme do cantor contra os seios e desceu contra o pau dele, arranhando sua pele simultaneamente.
Céus, como ele era gostoso.
Suas línguas se moviam com pressa e seus corpos também, num compasso igualmente enlouquecedor e delicioso, de modo que, em dado momento, não tinham mais forças para realmente beijar um ao outro como se devia, apenas respirando de maneira sôfrega contra a boca um do outro enquanto Jaebum explorava o corpo da garota em seus braços com as mãos.
sentiu contínuos arrepios enquanto ele o fazia, sem ousar desfazer o ritmo em que se movimentava no colo do cantor ao se dar conta: Ia gozar e, satisfeito em notar o corpo da garota cada vez mais teso, fugindo do controle racional dela, Jaebum levou a mão até a região entre suas pernas, tocando seu clitóris com a mesma propriedade da qual se lembrava, enquanto beijava seu pescoço. Sentindo fisgadas fortes pelo corpo enquanto apertava os olhos, ela se apoiou firmemente nos ombros de Jaebum para continuar a descer em seu membro, respirando de maneira cada vez mais pesada enquanto ele roçava os lábios por toda a região de sua clavícula, voltando a juntar seus cabelos numa mão e fazer com que a garota tombasse a cabeça para trás, distribuindo beijos e mordidas por toda a região de seu pescoço antes de trazer seu rosto de volta e mordiscar seus lábios. Suspirando, arranhou a nuca do cantor, que a mordeu novamente em resposta.
— Goza pra mim – ele murmurou, a voz soando rouca em meio ao ar rarefeito que os rondava, tornando tudo tão quente que achou que fosse explodir. Ou talvez fossem as palavras dele, sopradas com certa crueldade, de tão excitantes, para ela.
Ela sequer precisou responder, assentindo e mordendo o lábio enquanto se permitia entregar a sensação formigante que subia por todo seu corpo, fazendo suas pernas tremerem, bambas, e sua pulsação acelerar. Jaebum então enfiou a língua em sua boca e estocou uma, duas, três vezes antes de se derramar dentro dela também, entrando no mesmo estado entorpecido em que ela estava.
As câmeras ligadas, de algum modo, passaram pela cabeça de e a garota se encolheu nos braços de Jaebum, escondendo a cabeça em seu peito. Sabia que, depois, quando não estivesse gozando também, ia querer admirar a visão que era Park Jaebum gozando.
— Como diretora… – ela começou, ofegando ao erguer, exausta, o olhar para encarar o rapaz, no qual ela ainda estava sentada. Ao notar isso, a garota se remexeu, gemendo um pouco enquanto o ajudava a retirar seu membro de dentro dela. Suado e exausto também, Jaebum a encarou, esperando que ela continuasse. – Acho que você leva jeito pra coisa. Pode fazer sucesso.
Jaebum riu ao ouvir, não conseguindo não soar cansado mesmo assim e aquilo quase fez com que voltasse a se encolher em seus braços.
— Meu amor, sucesso é o meu nome do meio – ele piscou para ela, que riu, fazendo com que ele risse também. – Qual é, você já devia saber. Não está me filmando a toa, huh? – acrescentou em provocação e, rolando os olhos, ergueu uma das mãos e tampou sua boca.
— Fica quieto – resmungou, cansada. – Estou exausta demais pra lidar com você se gabando quando eu fiz todo o trabalho. – resmungou, como se estivesse muito mais chateada do que realmente estava e Jaebum gargalhou, optando por não falar o que estava pensando.
“Da próxima vez, ele lhe compensaria pelo trabalho”. Exceto que não sabia se haveria uma próxima vez e, honestamente, nem sabia quão seguro era a ideia, até mesmo continuar pensando na ideia. Foi fazer exatamente aquilo que os levara a transar naquele sofá, afinal de contas.
Mas, bem, no fim das contas, Jaebum só saberia a resposta para aquela pergunta mais tarde.

Nota da Autora:
Oi, mores! Desculpa a demora pra att! Estava afundada em especiais, tudo culpa do FOFIC AHAHAH De qualquer forma, tá aqui att dupla pra vocês. Espero que tenham gostado.
Me digam, tá?
Beijão!

 


Sete.

Sun Ju-kyung, mais conhecido como Ugly Duck, era um dos rappers da AOMG com quem Jay mantinha uma relação de fato boa. Os dois chegaram até mesmo a lançar um álbum juntos, o debut de Sun Ju-kyung na empresa, Scene Stealers, arrecadara uma quantia impressionante, para um primeiro álbum.
Quanto mais conversava com o rapper, mais sentia segurança a respeito de sua nova teoria sobre Jaebum: Tudo que Jay Park tocava, virava ouro.
Não que Ju-kyung, o Ugly Duck, não merecesse o crédito pelos próprios méritos também. Ele era um bom rapper, tinha a velocidade adequada e um bom flow, mas aquilo não lhe serviria a notoriedade que ele tinha hoje em qualquer empresa, sem Jay Park constantemente lançando colaborações com o artista e buscando abrir espaço para o nome de Ugly Duck. Ugly Duck, enfim, nem mesmo lançava trabalhos solos com a mesma frequência em que fazia participações em músicas de outros artistas de seu meio e, tanto quanto achou aquilo curioso, a constatação, em conjunto com o depoimento do rapper para o documentário de seu amigo e chefe, só serviu para que admirasse ainda mais o império que Jay vinha construindo desde que fundou a AOMG. Ela até mesmo recordou, em meio aquelas reflexões, de ter visto Kwon Hyuk-woo, o Loco, falar numa participação num programa de variedade coreano que “era um Jay Park wannabe”.
De repente, podia ver todo o conceito por trás daquilo, que realmente se tornava nada menos que uma expressão.
— Eu posso entrar agora? – Jaebum perguntou de repente, chamando a atenção de e Ju-kyung, fazendo com que os dois desviassem o olhar para a porta, equipada com isolamento acústico assim como o resto do estúdio onde gravava o depoimento de Ju-kyung.
Se esgueirando em uma fresta minima da porta, se podia ver apenas a cabeça de Jaebum, que olhava ansioso de um para o outro e Ju-kyng riu, ao passo que rolou os olhos e resmungou.
— Jaebum! Como você é chato! – reclamou, como se estivesse muito mais chateada do que realmente estava com a interrupção. nem mesmo costumava deixar Jaebum de fora das gravações, mas nem todos os artistas pelos quais ele se responsabilizava ficavam tão a vontade em dar depoimentos ao seu respeito com ele assistindo.
Ju-kyung, diferente dos outros que depuseram de algum modo para o documentário até então, definitivamente ficava inseguro em falar de Jay para uma câmera com ele assistindo e a filmagem fluiu melhor depois que expulsou Jay do estúdio. Teria fluído ainda melhor se ele não houvesse os interrompido tantas vezes, curioso demais para ver como estava ficando tudo.
— Me deixa ver – ele pediu, ignorando suas reclamações enquanto observava checar a filmagem em sua câmera. Se sentou ao seu lado no sofá de onde ela filmava Ju-kyung pouco antes, e a garota conteve o ímpeto infantil de tirar o instrumento de seu alcance, permitindo que ele assistisse o que filmou, passando a câmera para ele mesmo que normalmente fosse preferir segurar o objeto consigo, afastando-se para começar a guardar o restante de seu material de filmagem na mochila.
Aquilo não era normalmente.
Não fazia tanto tempo assim que os dois haviam transado, em meio a um deslize tão estúpido quanto delicioso, no sofá do cantor, e vinham evitando qualquer proximidade desnecessária, mantendo as coisas tão normais quanto possíveis mesmo que formalidade não fosse típico de nenhum dos dois. Visto de fora, era cômico, mas, bem, de dentro, tão necessário quanto desesperador.
tivera esperanças, ainda que ilusórias, que, depois daquela noite, fosse conseguir tirar Jay de seu sistema e então tudo seria mais fácil, mas a verdade era que, mesmo sem ver o material filmado naquela noite, o sex tape dos dois, ela não conseguia tirar aquilo, cada parte de tudo que fizeram, da cabeça. O que era pra servir como uma forma de aliviar a vontade, ajudá-los a tirar aquilo, aquele tesão estupidamente intenso de seus sistemas, servira apenas para liberar a represa e deixá-los ainda mais desejosos daquilo, do atrito de seus corpos e da queimação deliciosa que vinha com ele.
— Eu… Hm… Vou indo – Ju-kyung murmurou, enfiando, sem graça, as mãos nos bolsos enquanto caminhava em direção a saída do estúdio. sorriu, com um brilho de diversão no olhar enquanto olhava dele para Jaebum, que riu e acenou para ele, sem desviar o olhar da câmera.
Ju-kyung não precisou de mais, deixando o estúdio num pulo depois disso e acabou realmente rindo com isso, balançando a cabeça e desviando o olhar novamente para Jaebum, que sorriu, olhando dela para a câmera em suas mãos.
— Fez um ótimo trabalho – elogiou e ela sorriu de leve, assentindo. Sabia daquilo, não deixaria Jaebum chegar perto da câmera se não estivesse satisfeita com as imagens que obtivera. – E tinha razão. Ele nunca falaria essas coisas na minha frente. Não com tanta naturalidade.
assentiu, arqueando de leve as sobrancelhas e mordendo o lábio, segurando a própria resposta arrogante. Jaebum estreitou os olhos em sua direção por isso.
— O que foi? – perguntou e ela riu, balançando a cabeça. Estava passando muito tempo com ele, definitivamente. – Diz – ele insistiu e ela deu de ombros, concordando com a cabeça.
— No que diz respeito ao meu trabalho, costumo ter razão. Não precisa ficar surpreso – ela deu de ombros.
Ele gargalhou, levando uma mão a barriga.
— Isso soou muito como algo que eu diria – comentou, ainda rindo. assentiu, sem sequer tentar discordar.
— Você está começando a me intoxicar. Ew – fez uma careta de nojo, sacudindo o corpo como se pudesse se livrar daquilo daquela forma. Ele apenas riu novamente, desviando o olhar para a câmera a fim de assistir outra vez a gravação de Ju-kyung. balançou a cabeça diante de sua atitude. – Eu não devia deixar você ver os depoimentos. Já tem ego demais.
— Ei, não foi você que disse outro dia que tudo bem eu ter confiança em mim mesmo? Que eu merecia isso? O orgulho? Por conta de tudo que eu conquistei e ainda conquisto… – ele foi falando, lembrando-se de uma conversa que tiveram algumas semanas atrás, em uma sala de treinamento da AOMG.
— Não me lembro disso. – ela mentiu descaradamente, rindo junto com ele em seguida. Instantes depois, em meio ao cessar de suas risadas, os dois não desviaram o olhar. sentiu aquele comichão familiar no estômago, um que Jaebum despertava com facilidade demais e mordeu o lábio.
Céus, estava tão ferrada.
— Hm, bom… – Jaebum pigarreou, se pondo de pé e coçando a nuca, tão afetado por aquele breve, e talvez até esquisito, momento, quanto ela. – É melhor a gente ir. Ainda precisamos passar em alguns lugares para deixar tudo preparado para a festa no iate amanhã.
assentiu.
No dia seguinte, aconteceria a tão aguardada festa da gravadora no iate, impondo, como em todos os seus eventos, todo o luxo e modernidade que a AOMG vinha representando desde que fora fundada
não tinha certeza ainda de como se sentia em relação aquilo, àquela festa, e nem mesmo de qual era o grau do alivio que sentia por saber que, dessa vez, Hari não poderia lhe embebedar. Todos os deslizes cometidos pelo casal, afinal de contas, contaram com algum teor de álcool no sangue de ambos, o que, pela lógica, tornava menos provável que fossem se deixar levar se não bebessem.
No fundo, no entanto, aquilo ainda não lhe deixava tão tranquila quanto gostaria. Estava mesmo segura, só por estar sóbria?
Se sim, então porque, naquele momento, quando seus ombros esbarraram enquanto saíam ao mesmo tempo do estúdio e seus olhares se encontraram como consequência, ela desejou que Jaebum simplesmente lhe prendesse contra a parede e enfiasse a língua em sua boca?
Por que, diabos, ela estava pensando em dar para ele se, sóbria, estar com ele e trabalhar com ele, era totalmente seguro?

+++
Foi preciso uma viagem de carro até Incheon, que era a cidade portuária mais próxima de Seul, para chegar até o iate aonde aconteceria a tão esperada festa da AOMG dali a poucas horas. Não levou muito tempo, mas era péssima em fazer qualquer coisa num carro em movimento, sempre acabava enjoada e optou por tirar um cochilo no percurso até o porto, já que passara a maior parte da noite acordada, filmando enquanto Jaebum trabalhava na produção de mais uma música.
— Caralho… – a garota soltou, em português, em meio a um suspiro, quando desceu do carro e deu de cara com a vista do porto de Incheon, sem nem notar o barco luxuoso que lhes aguardava inicialmente. Fazia tempo demais que não ia a praia e, tendo sido criada em um lugar como Salvador, era impossível que seu peito não se apertasse de saudades em momentos como aquele.
Jaebum lhe encarou com curiosidade, como se perguntasse o que ela queria dizer e a garota apenas riu, balançando a cabeça. Definitivamente, não seria ela a explicar os xingamentos brasileiros para o cantor. Ou, pelo menos, não tão logo.
— Jaebum! Finalmente! – o grito chamou a atenção dos dois, que viraram bem a tempo de ver Simon acenando do outro lado do porto, enquanto Hari pulava e gritava. riu, sorrindo e acenando de volta para a garota antes de pegar a câmera, atitude que Jaebum observou em silêncio, sorrindo quando ela ligou o aparelho, apontando-o em sua direção.
— Vamos trabalhar? – ele chamou, como resposta a atitude, e ela apenas arqueou as sobrancelhas por cima da câmera, como se perguntasse o que ele estava esperando.
Estava pronta, afinal.
No que dizia respeito aquilo, ao seu trabalho, no fim das contas, estava acostumada a estar pronta. Sua segurança nos resultados de tantos anos de estudo, combinados com o talento que ela sabia que tinha, podia parecer arrogante para a maioria das pessoas, mas nunca pareceria assim para alguém como Jay. Ele entendia e pensar naquilo lhe fez sorrir, curvando ainda mais os lábios quando encarou o cantor pela lente da câmera e notou que ele também sorria ao desviar o olhar, apontando na direção do iate e começando a falar sobre o evento, para situar seus futuros espectadores, enquanto caminhavam até lá.

— E como está indo o documentário? – Simon perguntava quando aproximou-se discretamente, sem que ele ou Jay notassem. Depois da passagem de som, que também filmou, ela precisou trocar de câmera e colocar a que estava usando até então no carregador, no único quarto do iate.
O barco era enorme, exatamente o tipo de ambientação na qual fazia sentido acontecer uma festa da AOMG, a própria representação de modernidade de seu tempo. Não era a toa, afinal, que aquela gravadora era tida como o âmbito mais exclusivo, mais desejado, entre os artistas da Coréia do Sul. Todos queriam ser parte daquilo que a AOMG era e ninguém podia realmente ser responsabilizado por aquilo.
Enquanto filmava o inicio da festa, já com uma nova câmera em mãos, só podia concluir aquilo: Ninguém podia, mesmo, ser responsabilizado por querer ser parte daquilo, daquela realidade que a AOMG vendia.
Ela filmou as pessoas ali com alegria e satisfação que, sabia, só o tipo certo de material lhe fazia sentir. Aquilo, a AOMG, o que estava fazendo com Jay Park, era o tipo certo de material.
Hari se apresentava naquele momento, e os dois CEOs da gravadora conversavam perto do bar, assistindo a performance daquela que consideravam um dos maiores trunfos da empresa. havia feito o caminho mais longo do quarto no andar de baixo até lá, de modo a capturar toda imagem que podia considerar válida na hora da montagem final daquele documentário e, quando finalmente chegou próximo o suficiente dos dois para ouvir sua conversa, não ousou interromper. Não quando Simon perguntava justamente aquilo para Jaebum.
Qual seria, afinal, a resposta que ele teria para aquela pergunta? Como, na visão de Jay Park, estaria indo aquele documentário?
Ela nunca se importara tanto com o feedback daquele que documentava em sua arte.
é brilhante – Jaebum respondeu, com simplicidade. – Ela sabe o que está fazendo tanto quanto eu sei o que faço quando subo no palco, produzo ou componho uma música e tem metade do tempo de carreira – ele riu ao acrescentar.
Simon riu também, assentindo.
— Ela parece ser – concordou. – A montagem de tudo, está ficando como você imaginou?
— Melhor – Jaebum confessou. não conseguiu não sorrir ouvindo aquilo. Não era o tipo de coisa, afinal, que se esperava ouvir de Jay Park. Alguém, fazendo melhor do que aquilo que ele idealizou? – Aquela ideia maluca que eu tive, depois de uma noite com ela, de chamar ela pra trabalhar comigo no que, sem dúvidas, é um dos projetos mais intensos e pessoais da minha vida, simplesmente foi… – ele parou, rindo enquanto refletia sobre o que dizia e balançando levemente a cabeça. – Foi tipo destino. Tinha que ser ela.
— Destino? Tinha que ser ela? – Simon repetiu, rindo com certo deboche. Jay revirou os olhos antes mesmo de virar para encará-lo e notar seu sorrisinho, no minimo, podre. – Nunca ouvi você falar nessas coisas.
— Essas coisas nunca me pareceram conceitos reais – ele deu de ombros, em momento nenhum deixando para trás a simplicidade explicita em cada uma de suas falas, o que contrastava de maneira, no minimo, interessante com sua fala. Não que tudo sobre Jay Park já não fosse absurdo de tão interessante. – Agora, talvez, comecem a parecer.
sorriu outra vez e precisou morder a boca para parar, se perguntando se devia mesmo estar ali, ouvindo aquela conversa. Provavelmente não… Podia estar perdendo imagens valiosas para seu documentário, mas como evitar? Como simplesmente dar as costas com Jaebum falando aquelas coisas?
— Uau – Simon riu, surpreso. – Não tinha ideia que seus sentimentos por ela já fossem tão intensos.
— Não por ela, por…
— Tá, tá – Simon interrompeu Jay com uma risada, claramente sem acreditar no que ele tentava dizer. – É como você se sente a respeito do trabalho dela, eu sei, entendi. Mas, Jay, ela é exatamente como você e, você sabe tanto quanto eu, seu trabalho é o que você é – acrescentou, olhando nos olhos do mais novo por um instante.
Jaebum desviou o olhar, optando por não responder enquanto o MC contratado para a festa assumia o microfone depois que a apresentação de Hari terminou, começando a introduzir a última atração da noite: Jay Park.
Os artistas da empresa faziam pequenos números aquela noite, um tipo de “gostinho” do que viria dali a alguns meses, com seu projeto de turnê, que, começaria como um experimento, na Ásia, e então, com sorte, seria expandida pelo resto do mundo. Particularmente, estava ansiosa para ver aquilo dar certo.
De qualquer forma, depois que Jay Park finalizasse a rodada de apresentações de seus artistas, um DJ continuaria dando a festa um background musical a altura, bebidas continuariam sendo servidas e o iate, é claro, em movimento.
A festa só acabaria de fato quando chegassem do outro lado da costa, provavelmente na manhã seguinte.
— É minha deixa – ele murmurou, ao invés de responder a insinuação de Simon. sentiu o coração martelar no peito, dando um passo para trás para se afastar dali, ainda um tanto atordoada diante daquela conversa, que nem mesmo devia ter escutado.
Se Jaebum já não estava bagunçando sua cabeça antes…
— Boa sorte – Simon riu, vendo Jaebum se afastar e só então desviando o olhar para assistir Hari se aproximar dele com um sorriso. Ele sorriu também, lhe abraçando quando ela se aproximou. – Você foi incrível.
— Como sempre – ela retrucou, como se fosse óbvio. riu fraco, balançando a cabeça e se afastando dali antes que fosse flagrada onde não devia. Jay ia se apresentar e, como diretora de seu documentário, ela não devia e nem podia perder aquilo, aquelas imagens.
Era hora de focar no que estava ali para fazer, afinal, e não na bagunça que ouvir aquela conversa entre Simon e Jay fizera com ela.

Hulk Hogan era uma das músicas de Jaebum que mais gostava, junto com aquelas que a garota vinha presenciando a produção durante o processo de trabalho de ambos. Tinha a ver com, principalmente, a sensação que a música lhe passava quando ouvia.
Por mais profissional que a garota fosse, ela tinha aquela coisa, simplesmente inevitável, com as sensações. Acontecia com o cinema também, às vezes filmes que deixavam a desejar em uma série de quesitos técnicos mexiam com ela simplesmente pelo que lhe fazia sentir, pelas sensações.
Hulk Hogan não exatamente deixava a desejar em quesitos técnicos, ao contrário, talvez eles colaborassem tanto para suas sensações quanto todo o resto, mas o fato era que aquele era o motivo de gostar tanto da música: lhe fazia sentir algo, lhe levava a experimentar realidades diferentes. Havia algo a respeito do conjunto de clichês do mundo do hip hop que davam forma e volume a letra da canção, algo além da narração única que os MVs de Jaebum vinham ganhando, na roupagem recente e inegavelmente mais agradável a olhos treinados, tendo em vista seus trabalhos mais antigos.
Jay Park, enfim, vinha trabalhando para alcançar um tipo diferente de público através da estética de seus MVs tanto quanto através da produção e letra das músicas em si. Era inegável e, na opinião de , majestoso, já que ele o fazia tão perfeitamente e Hulk Hogan traduzia justamente aquilo tudo.
Naquela noite, no entanto, tivera o deleite de se surpreender, novamente, com as habilidades de Jaebum, assistindo pela primeira vez uma apresentação ao vivo da música. Se já gostava de Hulk Hogan antes, agora então…
É claro, fazia todo sentido ele cantar aquela música numa festa da AOMG, levando em conta que ele até mesmo mencionava a empresa na letra, enaltecendo o estabelecimento exatamente com a imagem, na qual ele e seus colegas sempre trabalharam para que o lugar tivesse, que era constantemente reproduzida: Era a empresa dos melhores, dos inovadores, dos que ficavam, enfim, acima do ordinário, como o próprio nome dizia.
estava cada vez mais certa da verdade naquelas palavras e, sentada na proa do barco, acompanhada apenas pelo vento frio da noite no oceano e pelo som das ondas, que faziam seu percurso noturno de maneira calma, a garota assistia, novamente, em sua câmera, a filmagem que fizera de Jaebum cantando, ao vivo, Hulk Hogan.
Não tinha como o áudio ficar perfeito devido às condições de filmagem, mesmo que ela houvesse usado a filmadora e não uma câmera de mão, a DSLR, que normalmente usava para gravações externas e possuía até uma qualidade de imagem melhor. Para filmar, especialmente numa festa como aquela, no entanto, a DSLR seria a escolha errada e, por mais que a filmadora fosse pesada e, não apenas seus ombros, mas seu pulso também, já doessem pelo esforço de segurá-la nas posições certas a noite toda, estava satisfeita de ter feito a escolha certa.
Mesmo sem o equipamento certo para captar o áudio, ou talvez justamente pela falta dele, fizera um bom trabalho em captar a atmosfera do que era estar numa apresentação de Jay Park. Os olhos das pessoas brilhavam, elas pareciam saber que aquele era um daqueles momentos para se guardar, intensos em cada aspecto, enquanto dançavam e cantavam junto com Jaebum e, na ponte que ele fizera de Hulk Hogan para Mommae, os olhos de também brilharam e ela também sentiu tudo aquilo, assim como sentia de novo enquanto assistia ao vídeo.
Claro, para ela, não tinha a ver só com o show, com estar presente numa performance de Jay Park. Era sobre trabalhar com ele, cada parte daquilo que estava fazendo toda vez que apontava a câmera para ele, certa que, a imagem que captaria, qualquer que fosse, era sua definição particular de arte. Como Jaebum era, num todo.
— Você vai congelar aí – ela ouviu falarem. Ergueu surpresa o olhar, bem a tempo de ver Jaebum se aproximar dela com uma manta em mãos, sentando-se ao seu lado no deque do iate e pondo o tecido por cima dos ombros da garota, que se encolheu.
— Não está tão frio – ela retrucou, embora não fosse totalmente verdade. Estava sim. Ela só estava distraída demais com as filmagens para se importar com aquilo até então.
Jaebum sorriu, desviando brevemente o olhar para a câmera em suas mãos e, sorrindo também, acompanhou seu olhar.
— Quer ver como ficaram as filmagens? – perguntou, já sabendo que ele queria. Jaebum assentiu e ela pôs, cuidadosamente, a câmera em seu colo, dando o play em seguida para que ele visse o vídeo que ela já vira mais vezes do que podia contar. Com a cabeça quase encostada no ombro de Jaebum, também se concentrou em assistir as imagens, mesmo tendo visto tudo tantas vezes.
Estava tão orgulhosa daquele trabalho que, podia apostar, ainda veria de novo e de novo, de qualquer forma.
— Incrível – Jaebum murmurou baixinho, muito mais para si mesmo do que para a garota, que sorriu mais, sentindo um quentinho no peito.
— Hm? – quis saber, fingindo não ter escutado só para ouvir de novo, mesmo ciente do quão infantil era aquilo.
Jaebum riu e balançou a cabeça, ainda sem virar para lhe encarar e não teve certeza se ele entendeu sua intenção. Normalmente, caso houvesse o feito, ele pelo menos lhe lançaria um olhar de deboche, afinal.
— Isso… Você… – ele riu outra vez, virando para encará-la com um sorriso largo enquanto assentia de novo e de novo. – Você é incrível. Isso está incrível.
— Foi você quem fez isso – ela retrucou, sorrindo também. – Eu só captei.
— Não acho que qualquer um conseguiria – ele insistiu. – Não como você fez.
conhecia Jaebum a pouco mais de um mês agora e podia dizer com certa tranquilidade que não era típico dele dizer aquilo, o que só lhe dava total certeza da sinceridade em suas palavras e ela não conseguiu não sorrir enquanto lhe encarava de volta. Não se importou nem mesmo em tentar esconder, sabendo que o que via no sorriso, nos olhos, de Jaebum, era o mesmo que ele via nos dela naquele momento: admiração, a mais genuína admiração pela mais genuína paixão que o outro, claramente, nutria por aquilo que fazia.
— Quero que você dê um depoimento pro documentário também – Jaebum pediu de repente, quando ela desviou o olhar para o mar, sentindo-se leve enquanto observava o mar escuro lhes transportar de uma costa a outra. virou novamente para lhe encarar, arqueando as sobrancelhas como se tentasse decifrar quão sério ele falava. Jaebum não teve dificuldades para entender aquilo. – É sério. Você está recolhendo depoimentos de pessoas que trabalham comigo, conhecem a minha rotina e sabem quem eu sou, mas a cada dia que passa, você se torna exatamente isso também. E ninguém vê as coisas como você, então… – ele se calou, como se aquilo fosse o suficiente. Para expressar seu ponto, era. Para convencer , no entanto…
— Eu não me expresso bem na frente das câmeras, Jaebum – ela retrucou, quase como se pedisse desculpas. Se aprumou em seguida, odiando o próprio tom. – Você me contratou para outra coisa.
— Você está recolhendo depoimentos dos meus colegas de trabalho e amigos – ele insistiu, como se não precisasse dizer mais. – É isso que você é. As duas coisas.
suspirou, não dizendo nada simplesmente porque sua fala pareceu se perder em algum lugar dentro dela enquanto remoia aquilo. Amigos.
Soou diferente do que ela imaginou.
Levando em conta toda a tensão sexual que vinha se acumulando entre os dois desde que fora morar com Jaebum, e mais o fato de realmente terem transado há apenas alguns dias, era de se imaginar que usar aquele termo, em relação aos dois, soasse falso, como se não fosse o suficiente para descrever a aventura que vinham vivendo morando sob o mesmo teto, mas, incrivelmente, não foi assim que pareceu. Nem de longe.
Pareceu certo.
Ouvir Jaebum dizer que eram amigos pareceu corriqueiro, como algo ao qual ela podia se acostumar a ouvir sempre como se não fosse nada demais, porém, ainda assim, por ser a primeira vez que ele de fato dizia aquilo, não deixou de lhe causar reações mais físicas também, lhe fazendo sentir as pernas amolecerem um pouco e as puxou para si, abraçando o próprio corpo e repousando o queixo nos joelhos.
— Eu acho que sei ligar… – ele começou a falar, enquanto mexia na câmera. desviou, apreensiva, o olhar para ele, que sorriu. – Eu sei – garantiu, como se tentasse tranquiliza-la.
rolou os olhos, desviando outra vez o olhar para o mar ao invés de responder. Ela realmente não era boa naquilo e odiava admitir não ser boa em algo tanto quanto ele e mordeu o lábio, levando um instante para falar o que quer que fosse mesmo sentindo, não só o olhar de Jaebum, mas também a lente da câmera, sob si.
— Eu acho você incrível – murmurou por fim, virando para encará-lo e vendo o cantor sorrir por trás da câmera. Ela balançou a cabeça, lembrando-se em seguida que não devia falar “com” ele, mas sobre ele. Era assim que um depoimento funcionava e ela trabalhava com cinema há tempo o suficiente para estar familiarizada com aquele tipo de detalhe, mas era diferente quando se via como o objeto filmado e não mais como quem controlava a produção, manuseando a câmera. – Todo dia, desde que conheci Jaebum, tenho a sensação que descubro algo novo sobre ele. E sobre mim. Tenho muito em comum com ele, a mesma paixão por aquilo que faço, o mesmo desespero de todo artista, porque sabe que não é uma questão de querer fazer o que faz, mas de precisar. De, tornar aquilo que faz, tudo o que, enfim, o artista é. Nós e nossa obra somos uma coisa só e Jaebum parece ter total ciência disso enquanto produz, compõe e apresenta suas músicas em grandes e pequenos eventos. – ela mantinha o olhar fixo a sua frente enquanto falava, mas virou novamente para encarar o cantor antes de finalizar, fazendo certo esforço para olhar para a câmera e não para ele. Não tinha ideia do quão difícil aquilo podia ser, até então. – Jaebum é autêntico em cada parte de seu trabalho e poucas coisas são tão inspiradoras quanto isso. Talvez por isso tudo que ele faz funcione tão bem, quem sabe? – deu de ombros, sorrindo minimamente. – A inspiração é algo poderoso.
Jaebum repuxou os lábios em outro sorriso, ainda maior, e baixou a câmera, com um brilho de diversão no olhar, fazendo rolar os olhos enquanto chutava de leve seus pés para o lado, pegando a câmera de volta para si.
— Cala a boca – resmungou, fazendo com que ele risse.
— Eu não disse nada – retrucou, devolvendo o chute em seus pés.
rolou novamente os olhos, mas não respondeu.
Os dois ficaram em silêncio por um instante, antes que Jaebum voltasse a surpreender , passando um braço por seus ombros e lhe abraçando de lado. Ela lhe encarou com desconfiança e ele riu outra vez, bagunçando seus cabelos. lhe estapeou por isso, empurrando-o para longe.
— Ai! – ele riu de maneira exagerada, se deixando cair para trás, terminando deitado na proa do barco e chutou uma de suas pernas, balançando a cabeça. Jaebum riu, virando a cabeça para olhar em sua direção. – Gosto que me chame de Jaebum.
— É o seu nome – ela retrucou, lhe encarando como se não entendesse o que ele queria dizer. No entanto, em sua mente, a voz de soava, repetindo a mesma piada que ela já fizera antes sobre o fato de ela usar seu primeiro nome, quando pouca gente o fazia, revelar muito.
— A maioria das pessoas me chama de Jay. Gosto que use meu nome verdadeiro – ele explicou sentando-se, apoiando os braços nos joelhos de maneira relaxada ao o fazer. – Soa diferente.
Ela riu fraco, optando por assentir devagar ao invés de realmente tentar responder, sem ter ideia de como deveria fazê-lo caso tentasse. Pouco depois, os dois mudaram de assunto, soltando risadas fracas em meio a conversa que mantiveram por horas, falando de todo tipo de coisa com a naturalidade que a companhia do outro parecia, cada vez mais, passar a lhes conferir. Criavam um laço de verdade ali, independente de todo o flerte e toda a tensão sexual, que não seria ingênua para sequer imaginar que se dissolveria agora. Porque ainda sentia algo forte toda vez que olhava para ele.
E ela sabia o que acontecia quando sentia coisas fortes demais a respeito de um homem.