Hey, Mr. Airplane

  • Por: Queen B
  • Categoria: iKON | Kpop
  • Palavras: 4087
  • Visualizações: 99
  • Capítulos: 4 | ver todos

Sinopse: Ela era sua melhor amiga no mundo tudo, a melhor pessoa que ele conhecia e a única que fazia seu coração bater mais rápido, mas, bem, ela também era a única que ele não podia amar.
Estar apaixonado e ser adolescente nunca foi fácil, mas ser um adolescente apaixonado pela namorada do melhor amigo pode tornar as coisas ainda mais complicadas, especialmente quando, para completar, ela está prestes a ir embora e ele precisa decidir: Contar o que sente e arriscar perder seus dois melhores amigos ou esconder seus sentimentos e passar o resto da vida se perguntando como seria?
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 14 anos.
Restrição: –
Beta: Alex Russo

Capítulos:

Piloto

segurava uma caixa de Pepero, comendo em meio às risadas que falhava em conter pelas brincadeiras bobas de e , que viam aquilo como perfeito incentivo pata continuar.
Aquilo era tão comum quanto era de se imaginar; a lanchonete em Ulleungdo, a ilha onde moravam, no interior da Coréia do Sul, era onde trabalhava no turno da noite nos fins de semana e sempre lhes recebia bem no fim da tarde durante a semana, depois que saiam do colégio, portanto virara hábito para os três passar o tempo ali, seja com seus outros amigos ou não.
Os três eram, afinal, como um só.
Ou, bem, costumavam ser.
Enquanto deslizava um pedaço de seu doce na boca de , se aconchegava melhor na cadeira apenas para evitar mostrar quão desconfortável de fato ficava em momentos como aquele, que pareciam inevitavelmente criar uma barreira entre eles.
Antes mesmo de entender qualquer parcela que fosse do conceito de amor, já sabia que amava . Que amava como um homem amava uma mulher e que, tudo de bom que já havia visto no mundo, queria que fosse dela. Mas também tinha as mesmas certezas e, mais do que , era munido de uma coragem que lhe dera de presente o relacionamento que hoje tinha com . Fora ele quem se declara e fora ele quem terminara como namorado da garota, dando a mais um motivo para esconder o mais fundo possível seus sentimentos.
Ainda que houvesse aquela partezinha dele que nunca deixaria de achar que talvez, só talvez, ele fosse melhor para ela. Que lhe fazia feliz, mas ele poderia fazer muito mais por ela, que, por mais que a conexão que ela tinha com seu amigo fosse incrível, inegável, com era ainda mais forte. Porque era o certo para ela e não ele.
Mas aquilo era só uma vozinha em sua cabeça, uma vozinha que ele estava constantemente tentando calar, como fez naquele momento quando o recheio do Pepero escapou e sujou a mão da garota. riu enquanto ela afastava a mão do próprio corpo, tentando evitar sujar a roupa e se levantou, pegando em outra mesa uma porção de guardanapo e usando para limpar a mão da garota.
– Obrigada. – ela sorriu para ele, que acenou com a cabeça como quem dizia que não tinha problemas antes de voltar a se sentar, respirando fundo assim que desviou o olhar para e os dois voltaram a conversar.
Podia ser tão idiota ás vezes, céus.
– Ah, qual é, é claro que não! Fala pra ela, -ah! – chamou a atenção do amigo, dando um tapa de leve na mesa para fazer com que ele focasse nele. – está louca! Disse que a Mulher Maravilha podia, com toda certeza, vencer a Feiticeira Escarlate numa luta!
– Ridículo. – rolou os olhos, como se o tamanho do absurdo naquelas palavras fosse tão obvio que chegasse a ser, de fato, ridículo. – Ela só acha isso porque não quer aceitar que alguém, algum dia, venceria a heroína favorita dela.
– Não, eu acho isso porque é verdade! É a Diana, pessoal! – retrucou, rolando os olhos depois de olhar de um para o outro e notar o ceticismo no rosto de ambos. – Vocês não sabem de nada.
e e se entreolharam e riram juntos, achando no minimo cômico a careta que a garota sustentava unicamente por ser contrariada e, de uma hora para a outra, foi capaz de deixar o próprio desconforto com o relacionamento de seus dois melhores amigos para trás, porque, bem, eles eram seus melhores amigos. E por mais que ele amasse , por mais que pensasse tudo que pensava em relação aquele triângulo, a verdade era que e faziam um ao outro feliz e, como amigo dos dois, devia ficar feliz por eles também. E ficava. Tentava.
– Achei eles! Falei que devíamos ter procurado aqui primeiro. – uma voz conhecida exclamou de trás dos três, da entrada do estabelecimento, e virou a cabeça bem a tempo de ver sua irmã mais nova se aproximar, sendo seguida por , e , o resto de seus amigos.
– Sempre estamos aqui. Não é como se houvesse muita coisa pra fazer nessa ilha. – deu de ombros com simplicidade quando seus amigos se juntaram a eles na mesa que dividiam, rolando os olhos quando notou o olhar de e sobre ela. – O que? – perguntou, desentendida. – Estou falando a verdade.
– Vamos sair daqui um dia. – tocou sua mão, sabendo muito bem que aquele era o maior sonho de sua namorada, que sorriu para ele e assentiu, desviando rapidamente em seguida. Rápido demais para que não notasse, assim como notou que, de repente, ela parecia tensa, colocando o cabelo para trás da orelha e voltando a pescar sua caixa de Pepero, levando o doce a boca.
– Sei disso, é obvio. – deu de ombros, como se não estivesse preocupada, porém o modo como engoliu em seco ao fazê-lo fez com que estreitasse os olhos, identificando certa culpa em suas atitudes. Ele não fazia ideia de porque se sentiria culpada, especialmente quando e sabiam de sua vontade de sair daquela ilhazinha há tempo demais e até compartilhavam dela, mas ela, claramente, se sentia culpada. Ele a conhecia bem demais para confundir. – E então? O que vamos fazer hoje à noite? – perguntou por fim, ansiosa para tirar o foco de si mesma enquanto desviava o olhar para seus amigos recém chegados.
– Hoje à noite nada, mas amanhã… – começou e fez uma careta, já imaginando o que viria. – Vamos beber! E na sua casa!
– Vocês prometem não comprar um bolo? E nem ovos? – perguntou, detestando a ideia de comemorarem seu aniversario. Ela não tinha nada contra festas e bebidas, mas definitivamente tinha algo contra comemorações de aniversários naquele momento, especialmente o seu. Vinha comemorando aniversários demais naquela ilha e, quanto mais os anos passavam, mais sufocada se sentia e naquele ano em especial a sensação não podia ser mais aterrorizante.
Era seu último ano no colégio, dali a poucos dias, aliás, terminaria aquela etapa de sua vida e, honestamente, nem tinha ideia do que seria dela quando aquilo acontecesse. E pensar naquilo, em como sua vida muito em breve parecia o escuro assustador e desconhecido, já seria aterrorizante o suficiente se não houvesse as escolhas também. Havia tantas decisões para ela tomar e, caramba, ela nem tinha ideia de como começar.
– Deixa disso, -yah. Você nunca mais vai fazer dezoito anos. – retrucou, sentada sob uma das pernas de mesmo que seu irmão reprovasse, olhando feio para os dois de tempos em tempos. O relacionamento de e não era segredo para ninguém exceto os pais dela, mas isso não mudava o fato de que morria de ciúmes, especialmente quando decidiam demonstrar tanto afeto em publico.
– E nem dezessete, ou dezesseis, ou quinze… – deu de ombros, como se não entendesse como aquele argumento era válido. – Realmente não quero comemorar todo esse stress da vida adulta chegando, obrigada.
– Tudo bem, você não precisa de bolo. Comemos sem você. – interveio como se não fosse nada demais e lhe deu um sorrisinho de escárnio, que ele retribuiu. – Só estou tentando satisfazer as suas vontades, não estou, -yah? – ele virou para encarar a amiga, que riu e assentiu, tentando disfarçar quão afetada fora pelo sorriso do garoto, por quem ela era secretamente apaixonada.
Ou nem tão secretamente assim. não fazia ideia, mas todos seus amigos sabiam e achava que o único motivo de ele não sentir o mesmo era o fato de ser estupidamente lerdo. Como se precisasse de alguém para lhe mostrar para que direção olhar. ”Ei, você já reparou na -yah? Formariam um belo casal”, um desconhecido diria e então ele finalmente notaria que, sim, formariam um belo casal.
e sua mente sonhadora gostavam daquela teoria, simplesmente porque parecia mais fácil do que se declarar para ele.
– As coisas vão se ajeitar, -yah. – interveio por fim, olhando nos olhos da amiga, que virou para lhe encarar assim que ouviu sua voz. Havia algo sobre os dois, afinal, um entendimento tão, mas tão único que nem mesmo e seu relacionamento amoroso com podiam superar ou entender. Era algo deles e deles. – Todo mundo sabe que você é grande demais pra essa ilha. Fica tranquila. – ele murmurou, sorrindo de lado no final e arrancando um pequeno sorriso dela também.
não teve duvidas ao ver o leve repuxar de seus lábios: Ela estava, sim, se sentindo culpada. Ele não tinha ideia do porque, mas estava. E desejou apenas poder perguntar de uma vez o que mais estava lhe incomodando, mas se ela não falara nem para , se até ele estava lhe fazendo sentir culpada, ainda que inconscientemente, ele sabia que aquele, sem duvidas, não era o melhor momento.
Ia torcer, apenas, para que o melhor momento chegasse logo.

Os tendões dos dedos de doíam quando ele finalmente repousou as mãos abertas nas coxas, se dando por satisfeito com a melodia que criara com o piano horas depois de ter iniciado a tentativa.
Seus músculos estalaram quando ele alongou os braços para frente e depois para trás, fazendo o mesmo movimento com o pescoço também enquanto respirava fundo. Estava exausto, mas tudo bem. Aquela era a exaustão mais gratificante que ele conhecia.
Naquele momento, sentado em frente ao instrumento que ele utilizava para compor naquela tarde, observou a bagunça que estava o cômodo que costumava ser o porão da casa onde vivia com sua família, mas em algum momento se tornara seu quarto.
Sua cama de solteiro estava desfeita, com roupas e papeis jogadas por cima das cobertas, e, no criado mudo ao lado repousavam mais papeis com suas composições, segurados por dois dos aviões em miniatura que adorava colecionar, os quais estavam espalhados por cantos aleatórios do quarto.
Ele tinha também um violão, recostado dentro da capa a uma das paredes, cobertas em sua maioria por pôsteres de bandas e super heróis, além de um toca discos e até um pandeiro.
Música, no fim das contas, era o que fazia o coração de pulsar, o que lhe dava propósito e ele se esforçava por aquilo como nunca nada lhe impulsionava a fazer. Era seu caminho, seu destino e cada vez que terminava orgulhoso de uma composição na qual passava horas – ás vezes até uma noite inteira – trabalhando, tinha mais certeza daquilo.
E seus pais sabiam daquilo também. Motivo pelo qual cederam para o porão da casa onde moravam para que ele usasse tanto de quarto quanto de estúdio, incomodados em vê-lo pegar no sono em cima do piano tantas vezes depois de passar horas ininterruptas trabalhando numa nova composição. Claro, eles sentiam orgulho do talento do filho e era por isso que continuavam a lhe incentivar, ainda que isso significasse ter uma casa sem porão mesmo com um quarto perfeitamente bom para o filho no andar de cima, porém o caso era que sempre se esforçava demais por aquilo, por sua música. Tanto que a exaustão física já se tornava como uma velha amiga para o garoto, que sempre recebia uma visita da mesma enquanto trabalhava tão obstinado em suas composições.
Ainda assim, com o porão como quarto e dores por todo o corpo, se sentia satisfeito de verdade consigo mesmo e com seu trabalho duro quando finalmente se jogou na própria cama, cantarolando baixinho a melodia tão nova, mas já tão querida para ele, que acabara de criá-la.
Pegou o celular que repousava, esquecido, num canto da cama e abriu a conversa com , lhe enviando um “oi” enquanto era abatido pela mesma vontade que sempre lhe tomava quando terminava uma música: Mostrar para . Ainda que ela não fizesse ideia que muitas das composições eram sobre ela, só parecia real quando compartilhava com ela.


“Compus algo novo hoje. Acho que gostei.”

Enviada ás 16h45.

Enquanto esperava por uma resposta, deixou que seu celular repousasse em sua barriga e pescou um de seus aviões em miniatura do criado mudo, movendo-o no alto de um lado para o outro, cortando o ar com o objeto.
A coisa toda com aviões começara quando ele ainda era muito novo, e um tio, irmão de seu pai, lhe deu seu primeiro aviãozinho quando voltou de uma viagem para o ocidente. Como a criança impressionada que era na época, ele achou simplesmente fantástico que uma coisinha como aquela houvesse levado seu tio para tão longe e então trazido de volta depois de um tempo.
Depois de todos aqueles anos, ele ainda tinha certo fascínio pelo meio de transporte, e, principalmente, pela possibilidade que ele estava sempre carregando consigo: De ir pra longe, de sair daquele interiorzinho esquecido na Coréia do Sul e conhecer algo novo, algo incrível.
Aquela era uma vontade que, entre outras centenas de coisas, ele compartilhava com . Ainda que ela tivesse a vida um tanto quanto mais conturbada que a dele, em casa e tudo o mais, ela sabia tanto quanto ele que, se havia alguém que lhe entendia, que entendia sua sede de sair daquela ilhazinha, era .
Quase como se soubesse que voltava a habitar seus pensamentos, pareceu tomar aquele como o momento perfeito para responder suas mensagens e ergueu o celular da barriga quando sentiu o aparelho vibrar em cima de si.


Já disse que orgulhoso é o meu favorito ?!

Recebida ás 16h56.
Me mostra!
Recebida ás 16h56

sorriu para a tela do celular, se pondo de pé e ignorando as dores pelo corpo enquanto buscava a letra finalizada e tirava uma foto para que a amiga visse. Ele costumava preferir mostrar as músicas para ela pessoalmente, quando podia tocar a melodia e cantar, mas depois de anos de insistência por parte da garota, ele lhe ensinara a decifrar partitura para que pudesse fazer exatamente aquilo e lhe mostrar as músicas assim que terminava, mesmo que não estivessem juntos. adorava compartilhar suas composições com ela, então o fato de ela gostar e se interessar tanto lhe alegrava de verdade, de forma que sequer fosse estranho para qualquer pessoa de fora que ela sempre fosse a primeira pessoa para quem ele queria mostrar as músicas quando conseguia terminá-las ou, ás vezes, antes mesmo disso.


Que incrível!

Recebida ás 17h03

Acredita que quase pude ouvir você cantá-la daqui? Tá a sua cara, uma das suas melhores!

Recebida ás 17h03

sorriu com a mais genuína felicidade para os elogios, sentindo-se, de fato, como se aquela fosse mesmo uma de suas melhores composições. Já estava verdadeiramente satisfeito com ela antes e agora, com o elogio de , parecia mais certo do que nunca de que fizera um bom trabalho.
Ele respondeu que também gostara da música, no fim das contas, e brincou que valera a pena ter entortado todos os músculos de seu corpo no processo, recebendo um bonequinho fazendo cara feia de , que perguntou em seguida se ele já havia tomado alguma coisa para a dor.
respondeu que tomaria mais tarde e a porta de seu quarto foi aberta em seguida, fazendo com que ele desviasse o olhar da tela do celular para entrando junto com .
– Finalmente terminou? – perguntou, surpresa de vê-lo na cama e não sentado em frente ao piano como passara todo o dia desde que chegara em casa da lanchonete, horas mais cedo.
– Sim. – ele sorriu, explicitando quão feliz estava, não só por ter finalizado a composição, mas pelo resultado final. – Ficou ótima.
– Como se você compusesse algo ruim. – rolou os olhos, sentando de frente para o piano e tocando melodias aleatórias enquanto sentava-se perto do irmão na cama, fazendo com que ele se sentasse em sua frente para que ela pudesse massagear seus ombros. soltou uma exclamação quando as mãos dela encontraram seus músculos doloridos, fechando os olhos e os apertando.
– Isso é verdade, você não compõe nada ruim. – concordou também e riu, rolando em seguida os olhos.
– É por isso que eu sinto tantas dores. – deu de ombros, xingando baixo pelo modo como o gesto fez pontadas atingirem seu corpo. Tanto quanto riram por isso, com o mais novo ainda dedilhando distraidamente o piano.
vivia dizendo que ele tinha talento para a música, porém não levava a sério. Ele vinha de uma família problemática demais para acreditar que podia, realmente, ter um futuro na música ou em qualquer coisa que denotasse que ele tinha, de fato, talento. A palavra por si só já lhe parecia estranha.
vivera até os quinze anos com seus pais, que eram ambos dependentes químicos e, por consequência, péssimos pais, até seu pai abandoná-lo sozinho com sua mãe, que durou um mês com o garoto antes de deixá-lo também. Ela fora embora enquanto ele dormia e, de algum jeito, conseguiu esconder aquilo dos amigos e do pessoal do colégio por algum tempo, mas com quinze anos ainda era só um garoto. Não tinha condições nenhuma de viver sozinho e logo precisou de ajuda, passando por altos e baixos dos quais odiava lembrar antes que seus amigos descobrissem a verdade e implorasse aos pais que o deixassem ficar com eles por algum tempo.
Agora, era praticamente um irmão para , ainda que seu relacionamento com houvesse se desenvolvido de forma diferente. O ponto, no entanto, era que, na cabeça de , não fazia sentido que ele tivesse potencial para qualquer coisa que exigisse carisma demais. Se nem seus pais lhe quiseram, o que uma agência de entretenimento ia querer com ele, afinal?
– Com quem está falando aí? – se esticou para olhar o celular de quando o aparelho apitou novamente com uma mensagem de e ele se esquivou, impedindo que ela visse, o que foi resposta o suficiente para a garota. Qualquer outra irmã acreditaria se tentasse dizer que era outra garota, mas não. Ela sabia muito bem que ele só tinha olhos para . – Qualquer dia desses, um de vocês ainda vai sair muito magoado. Se não todos os três.
– Concordo. – murmurou, entendendo sem dificuldades do que ela falava quando proferiu tais palavras. rolou os olhos.
– Você não tem que concordar com nada. – apontou para , antes de fugir dos dois se pondo de pé e pegando seu casaco jogado de qualquer jeito num canto da cama. – Vou dar uma volta. Se forem transar, por favor, não usem meu quarto. – pediu e sua irmã olhou feio para ele, com a cor atingindo em cheio suas bochechas lhe fazendo rir.
era o mais velho dos dois, mas tinha uma desenvoltura tão melhor que a sua para falar da maioria das coisas que, quando aquilo acontecia, ele não conseguia reagir de forma diferente.
– Você é um idiota, .
– O mesmo pra você, . – ele retrucou, piscando para a irmã antes de, por fim, colocar o celular no bolso da calça e sair de lá de dentro, deixando o casal sozinho e esperando esquecer as palavras da irmã sobre terminar magoado depois de uma volta sem rumo na noite fria de Ulleungdo, ainda que no fundo duvidasse daquilo.
As chances, afinal, eram que ela estivesse certa e ele estivesse destinado a um coração partido mesmo. Não que aquilo mudasse alguma coisa.
Infelizmente, não mudava.

Nota da Autora:
Sentiram minha falta? HAHAHA
Feliz de estar voltando a postar essa história e provando a mim mesma que nem só de sexo vive a Queen B HAHAHAHA
Espero que me acompanhem aqui! Digam o que acharam!
XX

 

Airbus A380

-ah! – exclamou, jogando-se no amigo para abraçá-lo depois de cumprimentar e , que passaram pela porta de entrada e deixaram os dois sozinhos em seguida. retribuiu o abraço, passando os braços ao seu redor e se deixando intoxicar pelo perfume doce da garota, que ele estava tão acostumado a amar. Tanto o perfume quanto a garota.
– Trouxe uma coisa pra você. – falou, com as mãos suando quando se afastaram e ele estendeu para a sacolinha com o avião de sua coleção que escolhera para lhe dar de presente de aniversário. Ele se esforçava para ignorar aquilo, o suor, assim como tentava ao máximo ignorar quão bonita ela estava naquela noite, fingindo não ter sido a primeira coisa que notara quando ela fora recebê-los no portão da frente de sua casa.
Era aniversário dela, fazia sentido que estivesse um pouco mais animada que o normal, mas aquilo não tornava nada mais fácil para , que só conseguia pensar em como era injusto que ela fizesse seu coração querer saltar do peito de maneira tão intensa e continuasse a beijar os lábios de outro.
– O que é? – perguntou, sorrindo animada enquanto abaixava o olhar para a sacola, arregalando os olhos ao notar o que estava lá dentro, tirando em seguida de lá o avião que estava acostumada a ver e admirar na coleção do amigo. – -ah! Eu não acredito! – ela colocou a sacolinha de lado, segurando o avião com as duas mãos, admirando o objeto.
– É um Airbus A380. – ele murmurou, apontando o modelo. – É, atualmente, o maior avião de passageiros do mundo, sabe? Cabe quase 900 pessoas e é… Sabe, gigante. Só não atinge um número maior de destinos de vôo porque certos aeroportos ainda precisam ampliar as pistas para recebê-lo. – contou, sentindo as mãos suarem cada vez mais enquanto falava, mas realmente queria dizer aquilo, ainda que se sentisse ridículo, queria, enfim, explicar porque escolhera aquele avião em especifico. estava acostumada a apenas admirar os aviões de sua coleção por serem o que eram, o meio de transporte que representava a conquista de distancias, mudanças, futuro, possibilidades, mas cada um era um, um tipo diferente, com um propósito diferente e aquele em específico era um dos favoritos de . Por causa de , é claro. – Achei que, se alguém precisava dele por perto, era você e não eu. Porque é você quem é incrível e grande demais pra maioria dos lugares e das pessoas. E quero que se lembre sempre disso, -yah. Que você é grande e incrível demais e nunca deve comprimir nada do que você é, seja por quem ou o que for.
olhou nos olhos de por um longo instante, sem que ele tivesse ideia do quanto suas palavras afetaram a garota, chegando em seu âmago de maneira intensa demais e fazendo com que ela reagisse da única maneira que pareceu fazer sentido reagir: Os braços jogados ao redor do amigo num novo e forte abraço e o rosto escondido na curva de seu pescoço, enquanto, simultaneamente, ela fungava para conter o choro.
– Eu amo tanto você. – ela murmurou, limpando as lagrimas que já escapavam no canto dos olhos antes de respirar fundo para que nenhuma outra seguisse o exemplo. – Amo demais você, . – ela murmurou, sorrindo triste para o amigo, que estreitou, confuso e desconfiado, os olhos.
– Está tudo bem? – perguntou, preocupado. Conhecia bem o suficiente para saber que não, saber que ela não chorava com aquela facilidade e algo, sem duvidas, estava errado.
A garota sabia daquilo tanto quanto ele, mas assentiu para a pergunta mesmo assim.
– Vem, vamos entrar. – lhe puxou pela mão, preferindo limitar a própria mentira ao aceno de cabeça de um instante atrás, que, ela sabia bem, sequer convencera de alguma coisa.

morava sozinha com o irmão mais velho e sua mãe até pouco tempo, mas a doença da mulher, que sofria com um quadro grave de esquizofrenia, se agravara demais nos últimos meses e obrigara os dois irmãos a colocá-la numa casa de repouso, onde receberia os cuidados apropriados.
Desde então, o irmão da garota trabalhava turnos dobrados para sustentar a casa e continuar exigindo que ela focasse só nos estudos como sua mãe sempre quis de ambos. Não dava para os dois continuarem daquele jeito, mas ele podia, ao menos, exigir aquilo da irmã.
, ainda assim, dava um jeito de contribuir com as despesas de casa como podia, vendendo doces e salgados no colégio ou em grandes centros comerciais, ainda que, bem, grandes centros comerciais não fossem grande coisa em Ulleungdo.
Naquela manhã, acordou com um botão de rosa ao lado de sua cama, no criado mudo, e um bilhete de seu irmão lhe desejando feliz aniversário e avisando que ela teria a casa só para ela a noite caso quisesse chamar seus amigos, mas que não era para quebrar ou vomitar em nada.
Nada de surpreendente, levando em conta que, acima de tudo, seu irmão sempre foi um grande amigo e não ficou nenhum pouco surpreso quando ouviu a história da garota, no caminho para os fundos da casa, onde seus amigos já estavam sentados, alguns em cadeiras e outros no chão mesmo.
estava numa cadeira e sentado no chão, aos seus pés, quando e sentaram no chão também, mais perto de , que apontava para o casal enquanto falava:
– Eu posso apostar todas as minhas economias nisso, mas além de vocês dois, ninguém vai querer apostar comigo porque é óbvio! – exclamava, sob o olhar cético do casal e e se entreolharam, já imaginando o assunto sobre o qual falavam.
– Não tem nada a ver, cara, nós somos amigos. Nunca aconteceria. – retrucou, como se fosse loucura e, obviamente, sem notar como se esforçava para concordar com suas palavras sem demonstrar a decepção que elas lhe causavam.
rolou os olhos.
-yah e também já foram amigos um dia. Eu e
– É completamente diferente. – insistiu, lhe interrompendo. –
Somos amigos.
Apesar do tom da conversa, havia um sorriso relaxado em seu rosto, proveniente tanto da garrafa de vinho que dividia com os amigos quanto de sua calma e postura relaxada habituais.
– Isso não existe. – rolou os olhos, se intrometendo também. Pelo canto do olho, viu enrijecer brevemente pelo rumo que suas palavras davam a conversa, mas não ligou de alfinetá-lo também. Ele, melhor do que ninguém, sabia da verdade em suas palavras, afinal. – Não existe amizade entre homem e mulher sem que uma das partes, ou as duas, em algum momento pensem em como seria ter algo mais, um tipo diferente de relacionamento. – discursou sua opinião.
estreitou os olhos para ela, pensando em suas palavras por um instante.
– E o ? – apontou para o amigo, que mordeu o lábio, coçando a nuca antes de forçar um sorriso descontraído e lhe encarar.
-yah é linda. Não posso dizer que nunca pensei nela desse jeito. – brincou, arrancando gritinhos animados de seus amigos e rindo por isso antes de completar a brincadeira piscando para , que retribuiu a graça. Ela sabia tanto quanto ele, afinal, que a única garota na qual vinha pensando daquele jeito era outra, com quem infelizmente nada nunca seria assim tão simples. – Mas, sério, acho que vocês combinam muito mais.
– E todos nós concordamos. Isso não vale de nada?! – voltou a insistir e gargalhou, escondendo o rosto em uma das mãos por um instante.
Aigoo!* – reclamou, ainda rindo e não teve dificuldades para notar que ele estava envergonhado, o que lhe fez rir também.
– Pessoal, esquece isso. – murmurou, tentando ajudar o amigo, mas, impassível, fez que não entre uma golada e outra de vinho, apontando para a garota.
– Você estava quietinha até demais esse tempo todo… – murmurou, acusatório, antes de sorrir como uma criança aprontando. – Concorda com a gente, não concorda? Que vocês formariam um casal legal? – inquiriu, arqueando as sobrancelhas pra garota. – E isso ainda prova que -yah está certa! De fato, uma das partes sempre está imaginando algo mais!
– Não tem parte nenhuma imaginando nada. – retrucou, tentando parecer entediada mesmo com o suor nas mãos e o coração vergonhosamente acelerado.
– Ah, fala sério. – rolou os olhos, sem levá-la a sério. – Não dá pra acreditar que vocês nunca tenham imaginado como seria. Que, nem uma vez, imaginaram como seria experimentar. Ainda mais vocês dois, que são tão próximos. – ele desandou a falar, estreitando os olhos de um para o outro. – Aposto que já até flagraram um ao outro sem roupa. E é difícil não imaginar coisas quando isso acontece, não é?
Imediatamente, desviou o olhar, coçando a nuca sem graça e corou, fazendo com que batesse palmas e risse alto junto com os outros amigos.
-yah? – chamou, rindo de maneira provocativa. – Que cara é essa? Não foi você que disse que… Hm… Como foi mesmo? – fingiu pensar. – Não tem parte nenhuma imaginando nada? – imitou a voz da amiga, que olhou feio para ela.
– Para com isso! – reclamou, se esticando na cadeira para poder bater na amiga, que se escondeu atrás de em meio a risadas. Ele riu também, tentando afastar uma da outra.
– Você não está ajudando o seu caso, sabia? – ele riu, encarando , que rolou os olhos.
– Eu nem sequer sei por que vocês não param de falar nisso. – se defendeu, incomodada.
– Ah, isso é óbvio! – retrucou, apontando de um para o outro em seguida. – Queremos que vocês parem de ser teimosos e nos escutem, pelo menos uma vez na vida!
– E como exatamente quer que façamos isso, -ah? – resmungou, arqueando as sobrancelhas para o amigo em desafio, atitude da qual se arrependeu em seguida, quando o outro abriu um sorriso largo demais para ele.
– Não sei, mas acho que talvez, assim, só talvez… Se vocês tentarem algo, tipo, sei lá… Um beijo… – ele pausou apenas para olhar de um para o outro, como se checasse se era seguro falar. lhe encarava cético e estupidamente corada, então ele seguiu em frente. – Talvez possam entender. Sanar as duvidas, sabe? – olhou de um para o outro e arqueou as sobrancelhas antes de sorrir.
e , surpreendentemente, não retrucaram nada de imediato. A verdade, afinal, era que se não pensavam naquilo antes, na tal possibilidade da qual todo mundo insistia em falar naquela noite, depois de toda aquela conversa era impossível continuar ignorando-a. Os dois eram, afinal, homem e mulher, jovens solteiros que, de repente, se viam postos frente a frente com uma possibilidade sobre a qual nunca haviam pensado antes, mas bem, seria mentira dizer que agora não parecia, de fato, tentadora.
Timidamente, ergueu o olhar para , que mordeu o lábio antes de lhe encarar também.
– Estamos mesmo pensando nisso? – ela perguntou baixinho a ele, que acabou não conseguindo conter um sorriso para o tom inseguro da garota, um instante antes que ele se virasse e ficasse de joelhos no chão, de modo a alinhar seus rostos.
– Nossos amigos não sabem de nada na maior parte do tempo, mas até que essas coisas fazem sentido, não é? – ele murmurou, tocando seu rosto com a mão, e conseguiu apenas assentir, corada em todos os tons de vermelho por saber que todos lhes assistiam naquele momento. , aliás, se compadeceu a amiga e quase sugeriu que lhes deixassem sozinhos, mas só precisou olhar em volta para saber que seria em vão: Enquanto sorria empolgado para os dois, assistia com o queixo apoiado no ombro de , que segurava o próprio rosto nas mãos, também com os olhos vidrados no casal.
, no entanto, também olhava com humor para os outros, de modo que logo seu olhar encontrou o de e eles sorriram juntos, cúmplices daquela maneira tão própria dos dois.
os ignorou, sorrindo de maneira um tanto sapeca para , como se aquilo fosse apenas mais uma das brincadeiras que estava sempre fazendo com ela, obviamente alheio ao modo como o coração da garota parecia querer atravessar seu peito.
– Fecha os olhos? – ele pediu e ela assentiu, mas os manteve abertos mesmo assim. sorriu por isso e ela corou mais quando ele juntou suas testas, puxando o lábio inferior da garota com os dentes. –
– Eu não consigo fechar. – ela confessou baixinho e os dois riram juntos.
– Não vou beijar você de olhos abertos. – ele devolveu e tampou a boca de quando viu que o namorado estava prestes a interromper e falar alguma besteira, provavelmente reclamar da demora. Ele já conseguira o que queria, era hora de deixar os dois fazerem a parte deles.
, por fim, fechou os olhos, sentindo tremeliques intensos no estomago antes que a língua de invadisse sua boca, explorando curiosa antes de encontrar a língua quente dela, fazendo com que a garota levasse uma das mãos para seus cabelos por reflexo, sentindo os pensamentos pouco a pouco se dissolverem a uma poeira distante e sem sentido no fundo de sua mente enquanto uma das mãos de deslizava para sua nuca, o contraste de temperaturas levando um arrepio por seu corpo.
– Sabia que conseguiria. – ele, por fim, murmurou, com a boca ainda perto demais da sua para que fosse capaz de pensar com clareza, lhe roubando um último selinho antes de abrir os olhos. Seus olhos demonstravam quão aturdida ela estava e sorriu ao notar, satisfeito que o estrago que aquele beijo causara não fora unilateral. Ele só tinha a sorte de fingir melhor que ela, no fim das contas. – Fechar os olhos. – acrescentou, como se estivesse se explicando e ela riu, assentindo.
– Claro. – falou e os dois sorriram juntos antes de voltarem a rir, compartilhando de uma leveza que nem mesmo esperavam sentir depois de experimentar o que acabaram de experimentar, mas pela qual, honestamente, não podiam estar mais agradecidos.

e se ajeitaram na cama de seu irmão, e estão na sala de TV e eu pus na sua cama. – informava quando voltou para a sala de estar da casa de , horas mais tardes.
As brincadeiras se seguiram por quase toda a noite até que os amigos estivessem exaustos demais para manter os olhos abertos, precisando cada um encontrar um canto para deitar na casa de . dormiu antes de todos, por isso teve que carregá-lo até o quarto de .
Depois de todo mundo ter se instalado da melhor maneira possível, ainda não se sentia sonolento. Fisicamente exausto de carregar e ajudar os outros com sua embriaguez, porém sua mente continuava acesa quando ele se sentou ao lado de no sofá, jogando o corpo para trás e suspirando de maneira pesada.
– Estou feliz que tenha gostado. – ele murmurou, apontando para o avião que ele lhe dera quando chegou e, agora, a garota segurava nas mãos. Ela abriu um pequeno sorriso e viu, novamente, certo lampejo de culpa em sua expressão.
– Ei, o que você tem? – ele perguntou, o tom preocupado fazendo com que fungasse antes de se jogar em seus braços, escondendo a cabeça na curva de seu pescoço enquanto chorava baixinho contra sua pele. Ainda mais preocupado e igualmente surpreso, passou os braços ao seu redor, pousando a cabeça no topo da sua. – -yah…
– Preciso confessar uma coisa. – ela murmurou, afastando-se para lhe encarar enquanto limpava os cantos dos olhos, mesmo que ainda chorasse. abriu a boca para impedir, dizer que ela não precisava falar nada agora simplesmente porque não queria continuar a vê-la chorar, mas não permitiu, passando em sua frente. – Você sabe como… Como eu sempre quis sair de Ulleungdo, não sabe? – começou e o garoto assentiu, então ela assentiu também, como se precisasse daquilo para ir em frente. – Recentemente, um dos programas de bolsa, em Seul, para os quais me inscrevi… Um desses programas… – ela mordeu o lábio, nervosa, e puxou o ar profundamente antes de continuar. – Me enviaram uma resposta, .
-yah… – passou uma mão pelos próprios cabelos, sentindo o ritmo de sua pulsação falhar enquanto entendia o que a garota estava dizendo. – Você passou?
Puxando o ar o mais fundo que conseguiu, assentiu, levando a imitá-la e puxar o ar também, sentindo-se incapaz de absorver a tempestade de sentimentos que lhe tomou em seguida. Sabia que aquele era o sonho de e, caramba, falaram tantas vezes daquilo, em ir embora dali, mas… Ainda assim, parecia tão irreal.
sentia a mais genuína das felicidades pela garota, certo que ninguém merecia aquilo como ela e ninguém queria aquilo como ela, porém, ainda assim, pensar num futuro, próximo demais, em que não lhe veria mais diariamente, em que a garota não estaria mais ao alcance de uma caminhada, lhe causava uma tristeza acida demais também. A tristeza, é claro, vinha acompanhada da culpa, porque ele sabia que não devia sentir aquilo e acabou apenas balançando a cabeça antes que um sorriso nascesse em seu rosto, ao mesmo tempo em que seus olhos voltavam a se encontrar.
parecia tão assustada naquele momento, insegura de um jeito que lhe deixava quase irreconhecível e tudo que quis ao notar isso foi lhe garantir que estava tudo bem. Que ela podia ir, que devia ir. Era o que ela merecia, afinal.

– Isso é incrível, -yah. – ele a interrompeu assim que a garota começou a falar e ela piscou, surpresa.
– É? – perguntou, mordendo, insegura, o lábio. – , eu estou com tanto medo. É o que eu sempre quis, mas agora que aconteceu parece tão assustador. Eu amo tanto todos vocês, e, por mais que eu queira sair daqui, a vida que eu levo aqui é a única que eu conheço…
-yah. – lhe interrompeu, sorrindo de maneira doce para o medo da garota. Aquilo, de alguma forma, só lhe tornava ainda mais incrível, ainda mais . – Você lembra o que eu te falei sobre o avião? – perguntou, assentindo quando ela o fez também. – Você merece muito mais do que Ulleungdo jamais vai poder te oferecer. Sabe disso, não sabe? – sorriu para ela, tentando lhe encorajar a concordar e, timidamente, ela assentiu. Ele imitou, satisfeito. – Tem que saber… Tem que saber que é incrível. E que isso, essa bolsa, é incrível também. É uma coisa boa que apareceu pra você e tem que aproveitar, -yah.
abaixou os olhos e puxou as mãos de para seu colo, segurando entre as suas e fazendo com que ele desviasse o olhar para suas mãos entrelaçadas também, de repente tomando ciência do momento e ficando imediatamente nervoso. Estavam próximos demais naquele sofá, e já haviam bebido tanto vinho…
– Você já contou a alguém? – ele perguntou, apertando os dedos nos dela e sorrindo quando ela lhe encarou. – Já contou a alguém que vai começar a incrível jornada do resto da sua vida? – quis saber, brincalhão, e ela riu fraco por isso, fazendo que não em seguida.
– Só meu irmão sabe. Abrimos a carta juntos. – ela murmurou, suspirando e balançando a cabeça em seguida. – Aigoo! Estou com tanto medo de contar a , -ah. – ela confessou, recebendo um pequeno e triste sorriso de antes que ele acariciasse seu rosto, colocando seu cabelo para trás da orelha simultaneamente. jamais seria capaz de decifrar aquele sorriso, mas sentiu no fundo de seu âmago a melancolia que ele carregava.
– Ele te ama. – murmurou por fim, fazendo um esforço impensável para dizer aquilo sem deixar transparecer o quanto partia seu coração pensar na verdade naquelas palavras: amava . , seu melhor amigo, era namorado de . E a amava. E, ainda assim, não conseguia fazer aqueles sentimentos por ela simplesmente irem embora. Droga, como era difícil! – Acho que, por mais difícil que vá ser para ele, se importa demais com a sua felicidade para deixar que isso, o quão difícil vai ser para ele, te impeça. Ele tem um coração verdadeiramente bom, -yah. – murmurou, tentando convencer a si meso que ele também se importava demais com a felicidade de seus dois melhores amigos para se colocar, de alguma forma, no caminho dela ou estragá-la. E, por isso, jamais poderia dizer a o que sentia.
– Ah, … – suspirou, derrotada, se encolhendo em seus braços enquanto escondia a cabeça na curva de seu pescoço, fazendo com que o amigo passasse os braços ao seu redor, permitindo que ela se aninhasse contra ele. – Crescer é tão difícil. Eu não entendo porque tem que ser tão difícil. – ela resmungou baixinho e ele sorriu, beijando o topo de sua cabeça.
– Precisamos aprender de algum jeito. – murmurou, apoiando a cabeça no topo da sua. – Mas tudo bem, -yah. Vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem. – garantiu enquanto a garota fechava os olhos, se permitindo adormecer no encalce de seu abraço, onde era seguro.

Nota da Autora:
Oi, amores! Repostar fic em andamento é uma loucura, eu esqueço, mas to tentando ahahaha me perdoem e não desistam de mim!!
O que estão achando de Hey mr. Airplane? Me deixem saber?
Prometo que em breve tem mais!
Xx

Nem muito jovem, nem muito velho

– Nosso último dia de aula é amanhã. – foi à primeira coisa que disse quando se sentou no espaço vago ao seu lado no banco. Ela não soava pesarosa, nem triste, mas de certa forma soava sim como se houvesse perdido algo. E ainda estivesse muito confusa para lidar com aquilo. – Depois de amanhã, acabou a escola. Pra sempre. E, é… Tipo… A coisa mais assustadora que já me aconteceu. Vocês se sentem assim também? – ela perguntou, virando para encarar os dois garotos sentados perto dela.
Primeiro , seu namorado desde sempre, o cara com quem ela experimentara tudo e então , com quem ela tinha aquela conexão ridícula de tão intensa. A pessoa que ela mais confiava em todo o mundo. Aqueles dois eram, sempre foram, tudo de melhor que ela conhecia, as melhores sensações que já provara, os melhores momentos que já vivera e agora, mais do que nunca, precisava deles. Precisava tanto deles que chegava a ser assustador, porque ela nem mesmo sabia como se apoiar neles naquele momento.
– Seria estranho se não nos sentíssemos, não é? – , por fim, respondeu, pegando uma de suas mãos para segurar nas suas e entrelaçando seus dedos em seguida, fazendo com que desviasse o olhar para as mãos dos dois juntas inevitavelmente, com um gosto metálico na boca, pelo qual, é obvio, sentiu-se culpado, desviando o olhar para as pessoas indo e vindo em sua frente. Estavam na única estação de trem da região, que, aliás, até mesmo ficava fora dos limites da ilha de Ulleungdo. Mesmo sendo tão longe, no entanto, a estação sempre fora um dos destinos favoritos para os três, que sempre gostaram do pressagio que a ida e vinda constante dos trens parecia representar.
Havia três formas de sair de Ulleungdo: Pelo mar, como faziam a maioria das pessoas que saiam diariamente para trabalhar e acabavam fazendo a travessia por tempo demais; voando de avião, mas os vôos costumavam ser caros demais, então era raro e, bem… Havia a ferrovia.
A estação de trem só ligava a ilha às cidades mais distantes, de modo que, no caso de travessias diárias, viagens de barco continuavam a ser a opção mais viável, mas ainda assim, ainda que na maior parte do tempo a estação não recebesse tantos passageiros indo e vindo, ela tinha um lugar especial no coração dos três amigos.
– Eu me lembro da primeira vez que viemos aqui. Acho que tínhamos doze ou treze anos, você, jagiya, trouxe nós dois e disse: Um dia, vou pegar um trem desses e ir embora. sorriu nostálgico ao voltar a falar, fazendo com que desviasse novamente o olhar para ele, observando enquanto o amigo era atingido pela lembrança. – Foi quando eu descobri que também queria ir embora um dia. E é, no minimo, louco porque chegamos ao ponto final da vida que levamos aqui e não temos a menor ideia do que vamos fazer agora… Se, sabe, a criança que éramos quando dissemos pela primeira vez que íamos deixar essa ilha um dia estava certa, mas… – deu de ombros. – Precisamos acreditar que vamos ficar bem, no fim das contas. Acreditar é tudo que nos resta.
Quando recebeu a mensagem de para encontrá-los lá, imaginou que ela já havia contado a sobre a bolsa, que fosse algum tipo de passo que ela precisava dar para se despedir da ilha, mas entendeu que não sabia de nada ainda depois que ele dissera aquilo. entendeu também que estava se sentindo tão merda naquele momento quanto , ainda que por motivos diferentes.
Enquanto tinha seu caminho bem traçado a sua frente, mas de repente parecia paralisada, tornando impossível de segui-lo, estava perdido justamente porque não havia caminho nenhum a sua frente. Assim como não havia caminho nenhum a frente de , que respirou fundo, sentindo-se como se levasse um soco no estomago enquanto se dava conta daquilo.
– Querem saber o que eu acho? – perguntou, fixando o olhar em um dos trens que partia, imaginando dentro de um deles. Ela provavelmente pegaria um avião para Seul quando aceitasse a bolsa, mas, ainda assim, a sensação de despedida não era muito diferente. – Acho que -yah vai embora primeiro. De Ulleungdo, digo. Acho que ela vai estudar muito e terminar tendo muito sucesso no que decidir fazer da vida quando for. – desviou o olhar para a amiga brevemente e ela abriu um pequeno sorriso para ele, se permitindo sentir reconfortada pela fantasia de para o futuro, ainda que soubesse muito bem que a sensação não ia durar muito. Todo o medo e incerteza não parariam de lhe atormentar tão cedo, tinha certeza. – Acho também que, um dia, vai jogar futebol pela Coréia do Sul. Ou filmar outras pessoas jogando futebol, mas definitivamente algo que não lhe mantenha preso dentro de um escritório.
– E você? – perguntou a ele, curioso para saber como se imaginava naquele futuro otimista.
– Num estúdio, como sempre. – deu de ombros. – E, um dia, nós vamos nos reencontrar. Vamos nos lembrar de todas ás vezes que viemos aqui e, sabe, sentir orgulho das crianças que sempre souberam que o lugar delas não era nessa ilha. Talvez num bar perto do estúdio onde eu estiver trabalhando ou, por acaso, numa ferrovia exatamente como essa, mas do outro lado do mundo, mas… Mesmo que tudo mude agora, que a gente perceba um ao outro sumindo de vista, acho de verdade que, não vamos sumir de vista para sempre. Talvez -yah e … – ele riu – mas eles são os membros desgarrados do grupo, convenhamos.
– Você é incrível. – riu também, em meio às lágrimas, enquanto abraçava o amigo, que sentiu se jogar por cima dos dois em seguida, o que lhe fez rir.
– Não tem como a vida querer manter um trio como o nosso separado pra sempre, fala sério, vocês não podem achar mesmo isso. – ele retrucou, olhando com falsa ofensa para os amigos antes de lhes afastar. – Eu vou pegar um lanche pra gente e vocês… Por favor, acreditem em mim, tá? Vai ficar tudo bem. – murmurou ao se pôr de pé e os dois amigos apenas assentiram, observando abraçados enquanto se afastava, sem ter ideia do que ele pensava. Sem sequer imaginar que, na verdade, tinha tanta certeza quanto eles do que dizia.
Na verdade, se sentia tão assustado quanto .
Ele pensava em como era difícil entrar para a indústria da música e se perguntava se tinha o que era preciso dentro de si, assim como se perguntava se aquele reencontro do qual falava com tanta certeza aconteceria mesmo. E se seria bom, se ele teria superado os sentimentos por e poderia, finalmente, ficar única e sinceramente feliz pelos dois amigos, supondo que eles terminariam juntos, o que era uma incerteza gigantesca naquele momento, que devia estar matando os dois.
Mas, no fim das contas, aquilo eram só perguntas, perguntas que só o tempo seria capaz de responder e que não fariam bem nenhum a ninguém agora. Portanto, ele continuaria pensando naquele futuro, naquele futuro que pusera lágrimas nos olhos de e acalmara o coração inquieto de . E torceria para tudo ficar bem, seguindo aquele script ou não.

+++

– Sei que nos formamos amanhã, mas sério… Vocês se sentem adultos? – perguntou enquanto ajudava e a recortar os enfeites que seriam postos na parede do ginásio, que os sete jovens ficaram responsável por decorar para a celebração de sua formatura, na manhã seguinte.
Horas mais cedo, eles tiveram sua última aula, e, ainda que a ficha sequer houvesse caído para os jovens, eles já estavam trabalhando nos preparativos para o evento que tornaria tudo ainda mais real: Sua formatura.
– Claro que não, não somos adultos ué. – respondeu, rolando os olhos para a pergunta estúpida do outro, que lhe encarou com confusão no olhar.
– Então, o que somos? Por que, definitivamente, não somos mais crianças há muito tempo, mas agora, não sei se ainda podemos dizer que somos adolescentes. – ele devolveu, expressando o pensamento que pesava em sua cabeça como uma pedra no sapato.
franziu o cenho, parecendo pensar sobre a pergunta por um instante antes de passar a mão pelos cabelos e resmungar.
– Aigoo, ! – reclamou e o outro riu. – Não me venha com perguntas difíceis agora. Terminei o colégio, não a faculdade.
– Não somos mais tão jovens, mas também não somos velhos o suficiente para nos considerar adultos. É confuso. – , que prestava atenção na conversa dos amigos enquanto preparava o mixtape da festa de celebração da formatura na manhã seguinte, interveio. – Acho que a fase adulta vai chegar para cada um de nós em momentos diferentes. Para alguns, como que chegou até a morar sozinho por um período, talvez até já tenha chegado.
– Ou -yah. – apontou para a garota, concordando com o que dizia e ele assentiu.
– Definitivamente não você. – retrucou em tom de brincadeira para enquanto tentava não pensar demais sobre suas palavras. Se sentia tudo, menos uma adulta e, de alguma forma, estava prestes a ir para longe demais de casa em alguns dias.
– Ei! – reclamou, procurando alguma coisa para jogar na garota como se aquilo fosse ser argumento o suficiente na discussão boba dos dois e riu, se escondendo atrás de quando um lápis voou em sua direção. – Eu posso ser adulto.
– E deve, mas isso não quer dizer que você é. – deu de ombros como se não fosse nada demais e riu enquanto olhava feio para ele.
– Nem você!
– Ah, até parece. – gargalhou, interrompendo a discussão dos dois. – é, disparado, o mais maduro nessa sala.
– Obrigado. – acenou com a cabeça para ela antes de olhar convencido para , que rolou os olhos.
– Não acho. – empinou o nariz, apenas para não dar o braço a torcer e todos na sala riram por isso.
– Cala a boca, . – retrucou, cutucando o ombro de em seguida. – Nem tão jovens, nem tão velhos? – perguntou, com a frase se repetindo em sal cabeça desde que pronunciara.
– Supostamente, é a melhor fase da vida. – ele deu de ombros, virando para olhar para os outros amigos em seguida. – Pessoal, estou tão assustado quanto vocês, de verdade, mas caramba, olha só onde a gente já chegou. Terminamos o colégio, agora vamos fazer tudo que sempre quisemos fazer. Sabe… É a nossa hora. – tentou animar os amigos e apontou para ele depois que terminou.
– O Sr. Maturidade, senhoras e senhores. – brincou e ele a puxou para si, bagunçando seus cabelos e arrancando um gritinho da garota enquanto lhe abraçava, propositalmente com força exagerada. – ! – ela reclamou, lhe empurrando e ele riu, deixando que ela se afastasse de seu encalço.
– Certo… Digamos que seja a nossa hora… – virou para encarar o irmão em seguida, voltando ao que ele dissera antes. – O que acontece quando não temos a menor ideia do que fazer com ela?
– Ah, por favor, responda isso! – pediu também, apontando para a garota e olhou divertido de um para o outro.
– Eu pareço a Oprah pra vocês? – quis saber, rindo quando recebeu uma série de reclamações dos amigos. – Ok, ok, calem a boca! – rolou os olhos – Não tenho qualquer embasamento cientifico para dar ao que estou dizendo, mas acho, de verdade, que tudo passa. E que isso vai passar também. Toda essa incerteza e confusão que estão matando a gente… Vão passar. – deu de ombros, numa tranquilidade que chegou até a assustar seus amigos, situação que normalmente lhe faria, pelo menos, sorrir de lado, mas não naquele momento. vinha repetindo tanto aquelas coisas para si mesmo que não parecia capaz de encontrar humor para brincar com a situação agora. – Tenho tanta certeza quanto vocês do que vou fazer a partir de agora, mas não posso fazer nada quanto a isso. Ainda sou muito jovem para ter certeza das guinadas que a vida vai dar e de como tudo pode acabar, mas já sou velho o suficiente para saber que, de um jeito ou de outro, vamos acabar bem.
– Temos a mesma idade e eu não sei disso. – interveio, cruzando os braços como se não aceitasse de jeito nenhum suas palavras, o que fez os amigos rirem ao mesmo tempo em que lhe cutucavam e estapeavam pela inconveniência. Ele riu. – Ai, ai, não me batam! É verdade! Como ele sabe disso?
– Porque, apesar de você ser um pé no saco, você tem o melhor coração desse ginásio, . – rolou os olhos, estapeando sua nuca. – Todos vocês têm e precisamos acreditar que coisas boas acontecem com pessoas boas.
– Você é incrível, cara. – murmurou, dando um tapinha no ombro de , que acenou com a cabeça, como se não fosse nada. nunca tinha noção, afinal, do tamanho da dimensão que as coisas que falava costumavam tomar para seus amigos, de modo que nunca se dava o valor que tinha também.
– Espera, mas como eu posso ter o maior coração aqui e todo mundo também? – interveio e ergueu, desacreditado, o olhar para ele, que soltou uma risadinha. – Desculpe? – tentou, não conseguindo ainda assim fugir do tapa que levou em uma das pernas, já que estava sentado e ele de pé.
– Acho que -ah está precisando comer pra parar de implicar tanto. – observou e concordou.
– Vamos. – puxou o amigo, que rolou os olhos.
– Só porque eu nunca recuso comida. – murmurou, sendo puxado para fora do ginásio por .
– Apostam quanto que eles estão transando? – murmurou depois que os dois saíram e bateu nele, que riu. – Ai! Vai dizer que não estava pensando a mesma coisa?
– Contanto que coloquem alguma coisa na boca dele, não me importo. – murmurou também e apontou para ela como quem dizia: exatamente, antes que os outros decidissem fazer uma pausar para comer também.
No fim das contas, e terminaram sozinhos no ginásio, já que eram os únicos que não estavam com fome o suficiente para ir também. Inicialmente, o silencio reinou entre os dois, exceto pela música que pôs para tocar em seguida.
– Você falou com ? – ele perguntou para depois de mais um instante e ela fez que não, lhe encarando culpada.
– Ainda não.
– Está com medo? – ele perguntou, simples como se não houvesse nada demais naquilo, no fato de ela ter medo, e suspirou. era bom naquilo: Em fazê-la sentir que tudo bem sentir o que quer que ela estivesse sentindo e arrancar as informações dela.
– Não tenho ideia de como ele vai reagir. – ela murmurou, dando de ombros. – E nem sei se… – ela se interrompeu e arqueou as sobrancelhas, se pondo rapidamente de pé e seguindo até a garota, ficando de frente para ela.
-yah? – chamou, desconfiado e ela desviou o olhar, suspirando quando segurou em seu queixo, fazendo com que ela lhe encarasse. – Está pensando em não ir? É isso?
– Tal… Talvez. – ela gaguejou, igualmente envergonhada e triste. Porque queria ir, no fundo sabia que queria de verdade ir, mas… Será que conseguiria morar tão longe? Longe de todos os seus amigos, de ?
– Eu não entendo. – franziu o cenho, soltando devagar seu queixo. – Achei que isso fosse tudo que você sempre quis.
– E é, , mas tem tanta coisa a se pensar, sabe? – ela soltou, suspirando em seguida, demonstrando sua frustração. – Não sei se estou pronta. Se sou capaz.
– Bom, então temos um problema, porque eu tenho certeza de ambas às coisas. – retrucou, fazendo com que ela rolasse os olhos, prestes a resmungar qualquer coisa em resposta, mas não permitiu. – , eu não conheço ninguém mais corajosa do que você. Ninguém que mereça mais isso do que você, então, baby, só… – ele se interrompeu, suspirando.
Como ia dizer a ela para não ter medo quando ele próprio passara a vida toda escondendo dela tudo que sentia por ela por medo? Medo de toda a confusão de causaria, mas, ainda assim, medo.
No instante seguinte, por ironia do destino ou de quem fosse, a música que vinha das caixas de som conectadas ao notebook de mudou para Last Dance, do BigBang e quase sorriu ao ouvir. Ele podia não saber como falar o que tinha que falar, mas achava que os cinco membros do maior grupo de Kpop da atualidade sim.
– Vamos dançar. – puxou a garota para mais perto, pegando-a desprevenida e fazendo com que ela posicionasse as mãos de maneira correta para uma dança lenta em seu corpo num reflexo impensado.
. – riu, sem acreditar no que estava fazendo quando. – Eu nem sei dançar direito, fala sério.
– Nós somos jovens demais para saber qualquer coisa direito, -yah. – ele rolou os olhos, começando devagar a mover os pés de um lado para o outro, fazendo com que se esforçasse para acompanhar seus movimentos.

나이가 들어서 나
(Eu envelheci)
어른이 되나 봐요
(Acho que me tornei um adulto)
왜 이렇게 불안할까
(Por que estou tão ansioso?)

– Acho que nunca odiei tanto essa música. – comentou, certa que fizera de propósito. Talvez não aquela música tocando naquele exato momento, mas definitivamente o silencio proveniente dele assim que começaram a dançar. Ele queria, afinal, que ela prestasse atenção à letra. Aquela letra estupidamente estúpida.
riu ao ouvi-la.
– Eu odeio que esteja se sentindo tão pequena quando é tão grande, mas eu entendo você, . – ele murmurou, olhando em seus olhos daquele modo tão único, tão típico dele, que fazia parecer que ele sabia de tudo que estava por vir, de modo que era impossível não acreditar no que quer que ele tivesse para falar e, suspirando pesadamente, a garota aproximou-se mais dele, deitando a cabeça em seu peito e permitindo que ele lhe guiasse enquanto dançavam.

사람들은 오늘도
(Hoje de novo, pessoas)
과거에 머물고
(Ficaram no passado)
세상은 나 없이도
(O mundo sem mim)
잘 돌아가네요
(Continua a girar apenas bem)

– Eu entendo, de verdade, que ache que esse mundo é grande demais pra você, entendo que esteja com medo e que ache mais fácil viver aqui e fazer tudo do jeito que sempre fez, que dizer adeus é difícil, mas muitas vezes dizer adeus é necessário também, meu amor. – disse para a amiga, colocando seu cabelo para trás da orelha e acariciando sua bochecha quando ela voltou a erguer o olhar para lhe encarar.
Por um instante, tudo que foi capaz de fazer foi admirá-la, se ver completamente envolvido pela beleza da garota que tanto amava, que ele sabia, era a melhor que ele conheceria, e que, ele sabia também, era sua alma gêmea. Ainda que nunca chegassem a comprovar aquilo, quão certos e incríveis podiam ser juntos, ele sabia.
– Eu sou jovem demais para isso, -ah. – ela murmurou, chorosa e fungou em seguida, incomodada com o próprio tom de voz. – Sou jovem demais para estar dizendo tanto adeus.
– Você é jovem demais para se conformar em viver nessa ilhazinha pelo resto da vida por medo de dizer adeus, -yah. – ele retrucou, sem que parassem de dançar em momento algum. – E é velha demais para não saber disso. – acrescentou, beijando sua testa antes de pousar a cabeça no topo da sua, abraçando-a e só embalando seus corpos juntos, sem se preocupar mais em seguir nenhum passo especifico de dança.

아직은 어려서 나
(Ainda sou jovem, então eu)
철이 안 드나 봐요
(Acho que ainda sou imaturo)

– Eu vou sentir tanto a sua falta. – chorou, lhe apertando no abraço enquanto pousava a testa contra o peito do amigo, chorando. – Vou sentir tanto a sua falta, -ah.
sabia, de todas as outras vezes que chorara em seus braços, que a única coisa pior que vê-la chorar era senti-la tremer enquanto o fazia, lhe apertando forte demais como se ele fosse o único apoio palpável que ela ainda era capaz de sentir e tê-la fazendo exatamente as mesmas coisas naquele momento partiu o coração do garoto, que pousou a cabeça no topo da sua e suspirou pesadamente, apertando os próprios olhos enquanto tentava ignorar o quanto vê-la daquela forma acabava com ele.
– Você é a maior luz dessa ilhazinha, -yah. – ele murmurou, com ela ainda escondendo a cabeça em seu peito. – Mas está na hora de você iluminar o resto do mundo.
Ao ouvir, só chorou mais, lhe abraçando com mais força por reflexo e suspirou, afastando-se para fazer com que ela erguesse o rosto para ele, limpando as lágrimas que molhavam-na e sorrindo triste para ela antes de beijar sua testa, logo depois fazendo o mesmo com a ponta de seu nariz.

모든 게 처음이라 서툴고
(Tudo era uma primeira vez para mim, eu era tão desajeitado)
설레이기만 해
(Eu estava animado)
그 시절 기억들이
(As lembranças desses tempos)
아직도 꿈만 같은데 난
(Ainda parecem um sonho)

Com ambos os rostos molhados pelas lágrimas e a proximidade tornando-se incontestável, a respiração quente de ambos parece se misturar de maneira perigosa demais quando juntou a testa a de , deixando que seus dedos deslizem por todo o desenho do rosto dela.
Ele não era mais assim tão jovem, mas também não era velho o suficiente para aquilo, para não deixar que aquela proximidade mexesse com ele, revirando seu âmago da maneira mais intensa e borbulhante possível, de modo que inclinar o rosto para o seu foi um reflexo que, por sorte, não correspondeu.
. – ela murmurou, limpando a garganta se afastando com um passo para trás.


[…]
너와 이 노랠 들으며

(Eu vou ouvir essa música com você)
마지막 춤을 출 거야
(E dançar pela última vez)
이 순간을 기억해
(Lembre-se desse momento)
언제까지라도
(Até qualquer momento; Apenas uma última dança)

O olhar de pareceu dolorido quando encontrou o seu e ele precisou respirar fundo várias vezes antes de passar a mão pelo rosto, balançando a cabeça.
– Desculpe. – foi o que ele terminou por sussurrar, engolindo em seco. – Eu não queria…
– Tudo bem. – lhe interrompeu, balançando a cabeça enquanto tentava fingir não ter ficado tão atordoada pelo momento quanto ele. Seus olhos, no entanto, não tinham tanta maestria em mascarar sua confusão, que parecia ainda mais clara para qualquer um ver com as lágrimas repousando nos cantos das irís da garota. – Acho que nos deixamos levar pelo momento.
– Acho que sim. – concordou, enfiando as mãos nos bolsos da calça enquanto mordia a parte interior das bochechas, sentindo a garganta quase arder para gritar o que sentia por ela.
Ainda assim, se conteve, e, no instante seguinte, seus amigos voltaram em meio a risadas e piadas aleatórias para o ginásio, não parecendo notar nada de errado enquanto abraçava a namorada e murmurava algo em seu ouvido, algo para o qual ela sorriu e concordou com a cabeça antes que se despedissem dos amigos, avisando que tinham que ir.
desviou o olhar para no último instante, quando já abriam a porta do ginásio para sair de dentro dele e, um instante depois, saiu, deixando o garoto com a sensação de que ela levara consigo parte de seu coração, se não todo ele.

Nota da Autora:
Oie!
Faz um tempão, eu nem lembrava que tava repostando essa história gente, desculpa HAHAHA Espero que a att tenha valido a pena, prometo que capricho na próxima, ok?
Me deixem saber se estiverem lendo e até a próxima!
Xx.

Even when the night changes

– Boa sorte, cara – murmurou, com um tapinha no ombro de quando chamaram por ele no palco montado no ginásio do colégio. lhe agradeceu com um aceno de cabeça e respirou fundo, se pondo de pé e seguindo até lá.
Ele fora votado orador da turma e, bem, chegara a hora do discurso. Mal podia acreditar.
Depois de cumprimentar os professores, coordenadores e diretores em cima do palco, ele se aproximou do pódio com o microfone e o ajustou para a sua altura, acenando timidamente para os colegas de classe, recebendo gritinhos empolgados como resposta e rindo fraco por isso.
Estava todo mundo ali.
Todas as pessoas que levaram todos eles até aquele momento, as famílias de todos… Todo mundo, exceto a família de .
Mas, depois de muito tempo se sentindo um merda por isso, aquilo não foi um problema. Porque agora ele tinha uma família nova e o simples pensamento lhe fazia sorrir, voltando a olhar na direção de seus amigos.
passara tempo demais se sentindo um merda por ter uma família de merda, por nunca ter tido de seus pais o suporte que eles deveriam lhe dar, mas aquilo era passado agora. Os pais de lhe deram um teto quando ele era um jovem de quinze anos rebelde e desajustado e, junto com os amigos dos garotos, com , principalmente, lhe transformaram em quem era hoje. Alguém de quem, enfim, podia sentir orgulho.
– Ontem mesmo, um amigo meu disse que não somos mais tão jovens, mas também não somos tão velhos. E é bem confuso, o que, aliás, ele também disse. – o garoto, por fim, começou, olhando brevemente para , que sorriu igualmente surpreso e envergonhado enquanto apoiava o queixo nas mãos, inclinando-se para frente na mesa enquanto esperava pelo resto. respirou fundo, assentindo, mais para si mesmo do que para qualquer um, antes de continuar. – Mas a verdade é que vamos tomar algumas decisões erradas agora. E que não tem nenhum problema nisso, porque ainda não sabemos de tudo. Caramba, mal sabemos de qualquer coisa, então, se não sabemos de nada, por que não errar? – deu de ombros, parando por um instante e olhando em volta, para seus colegas de classe, como se lhes desafiasse a responder, sorrindo em seguida para o silêncio. – Essa é a hora de fazer coisas das quais podemos nos arrepender, é a hora de tentar, de arriscar. Talvez a gente descubra que estávamos errados e não nascemos para o que imaginamos a vida toda, que existe outra coisa incrível esperando por nós, talvez a gente descubra que acertamos e estávamos desde o inicio fazendo a coisa certa, mas, o fato é que ainda somos muito jovens para deixar um erro nos parar, caso ele venha, e, definitivamente, velhos demais para travar e não tentar por medo de errar. Então, seja lá o que vocês estejam pensando em fazer… – ele riu, certo que estava prestes a terminar o discurso da pior maneira possível. – Só façam.
As palavras vieram seguidas de uma gritaria no minimo exagerada, vinda especialmente de seus amigos, que batiam palmas, batiam na mesa, gritavam seu nome e assobiavam de maneira exagerada enquanto ria e balançava a cabeça, envergonhado, cumprimentando as pessoas ao seu redor com apertos de mão antes de deixar o palco.

, , ! – gritou assim que o amigo lhe encontrou, junto com os outros, num canto nos fundos do colégio, onde costumavam ir para matar a aula.
Depois do discurso, ainda precisou cumprimentar vários colegas de classe, professores, enfim, gente demais. Ele sequer achava que fizera aquilo direito, mas todo mundo parecia realmente fascinado com tudo que ele dissera e não tinha certeza do que sentir em relação aquilo. Não estava exatamente acostumado.
– Eu. – respondeu a , rindo sem graça em seguida. – O que estamos fazendo aqui? – quis saber, sentando-se no chão perto de e beijando sua bochecha, sendo imediatamente abraçado pela garota.
– Estou orgulhosa de você. – ela sussurrou, arruinando a tentativa de de tirar o foco de si mesmo e de seu discurso, mas ele não pôde se importar menos. Ela estava orgulhosa dele. A garota que ele amava estava orgulhosa dele e não achava que podia haver sensação melhor.
– Você foi ótimo, cara. – murmurou também, fazendo com que ele sorrisse ao lhe encarar. Ainda que tivessem a mesma idade, tinha razão quando dizia que era o mais maduro ali e, mais ainda, sempre foi o maior exemplo para . Mais do que o pai de , que ele admirava muito também e que o criara como seu próprio filho, mais do que qualquer um. Ele era como seu próprio irmão mais velho e nunca seria capaz de explicar quão extasiado ficava de ouvir um elogio vindo dele.
– Obrigado, cara.
– Então, eu tenho uma dúvida. Se eu quero fazer uma coisa, eu devo… – começou a falar, mas parou, arqueando as sobrancelhas para de maneira zombeteira. – Fazer?
– Argh, idiota! – lhe estapeou, desacreditada. – Não estrague o momento, .
– Ah, poxa! Mas isso é o que eu sei fazer de melhor!
– Está aí algo no qual concordamos. – Joziane retrucou, rindo quando ele olhou feio para ela e lhe puxando para se sentar com os amigos também. Logo estavam todos numa rodinha, meio apertados, já que a intenção de esconderijos e corredores desertos nunca é abrigar de maneira confortável sete pessoas, mas tudo bem.
Era a última vez que fariam aquilo, afinal de contas.
– Não, mas falando sério agora. – murmurou, chamando a atenção dos amigos para si outra vez. – Você foi ótimo, cara. De verdade. Acho que todos nós precisávamos ouvir aquilo.
– Sim, precisávamos. – concordou, abraçando com mais força em seguida e desviou o olhar para os dois, notando imediatamente algo de diferente ali. estava mais sério naquele dia, mais afetuoso e não parecia ser só pela formatura. Se fosse, ele estaria muito mais como . – -yah tem novidades também.
Ele sabia.
Fazia sentido agora.
– O que foi? – virou imediatamente para encarar , que sorriu sem graça.
– Eu… Hm… – coçou a nuca e riu fraco, arrancando um sorriso de , que não foi capaz de tirar os olhos dela até que ela erguesse os dela e seus olhares se encontrassem, sorrindo triste para ele. Os dois eram bons amigos e aquilo nunca mudaria, mas seria mentira dizer que as coisas não estavam diferentes desde o dia anterior, quando quase se beijaram no ginásio. – Consegui uma bolsa para estudar literatura em Seul.
– Uau, -yah! Isso é incrível! – Joziane exclamou, jogando-se na amiga para abraçá-la. – É o que você sempre sonhou!
– É sim. – ela sorriu, realmente agradecida pelo entusiasmo de Joziane, que logo deu lugar para que os outros lhe abraçassem e parabenizassem também. – Então… Eu… Hm… Vou embora em uma semana. – ela contou, fazendo com que piscasse e lhe encarasse surpreso, sem que pudesse evitar.
– Já? – murmurou e ela lhe deu um sorriso triste ao lhe encarar, fazendo com que ele imediatamente balançasse a cabeça. Era errado demais permitir que ela se sentisse triste por aquilo. – Isso é incrível, . Logo você vai estar conhecendo tudo que sempre sonhou.
– É, acho que sim. – ela murmurou, sorrindo minimamente e suspirou, desejando poder falar mais, mas sabia que não era uma boa ideia. Não naquele momento, quando haviam acabado de se formar e estavam se despedindo do colégio no qual passaram praticamente toda sua vida, onde se tornaram o que eram hoje. Já devia ter coisas demais bagunçando a cabeça de naquele momento e ele terminou apenas por sorrir da maneira mais encorajadora que conseguiu.
– É, é o que eu ganho por me apaixonar por uma garota boa demais pra Ulleungdo. – murmurou, fingindo tristeza e riu, beijando o canto de sua boca.
– Vou sentir falta de vocês. – ela murmurou em seguida, se encolhendo nos braços do namorado, sem notar como o encaixe do corpo dos dois naquele momento partia tão intensamente o coração de . – Vou sentir muito a falta de vocês.
– A gente também vai, -yah. – Joziane sorriu para ela, puxando sua mão para o colo e segurando entre as suas. – Mas ainda podemos visitar vocês. Ou, quem sabe, talvez eu consiga minha bolsa também e podemos até morar juntas em breve. – sorriu para a amiga, que espelhou o ato.
– Isso seria bom.
– Seria sim. – Joziane assentiu com a cabeça e suspirou em seguida.
– Sabe do que estamos precisando? – perguntou e os amigos viraram, desconfiados, para olhar em sua direção. – De uma festa! A gente precisa sacudir essa melancolia e entender que uma coisa boa aconteceu conosco, caramba! Terminamos o colégio, quem tinha esperanças de chegarmos aqui?!
– Você ter chegado aqui é, definitivamente, uma surpresa. – retrucou por implicância e ele olhou feio para ela, que riu. – É brincadeira, -ah. Eu acho, na verdade, que você deu uma ótima ideia.
– Na minha casa então? Ás 21h00? – ele virou para encarar os outros, checando se estavam de acordo. – Vou chamar todo mundo, precisamos de uma última loucura com o pessoal daqui. – riu e Joziane balançou a cabeça, chocada consigo mesma por ter deixado aquele garoto roubar seu coração. – Já volto! – roubou um beijo da garota ao seu lado e então se pôs de pé, correndo para fora dali antes que ela pudesse reclamar, fazendo com que todos os olhares voltassem para ela.
– Que? – ela perguntou, corada, enquanto se encolhia no lugar e foi o primeiro a rir.
– Falei que eles estavam transando! – exclamou, muito animado por estar certo e rolou os olhos.
– Não seja rude. – reclamou e ele fez bico, para o qual ela riu antes de segurar seu rosto entre as mãos e lhe roubar um selinho. engoliu em seco e coçou a nuca, desviando o olhar deles.
– Como isso aconteceu, Jozi-yah? – perguntou, virando para encarar a amiga, tentando focar em qualquer coisa, que não e .
– Acredito que você esteja familiar com o conceito de sexo, -ah. – ela resmungou, arrancando gritinhos dos outros e uma risada contida de , que arqueou as sobrancelhas, fazendo com que ela corasse e desse de ombros. – Estamos vendo no que dá.
– Muito inteligente. – ironizou e olhou feio para ele, que riu e voltou a lhe abraçar. – É verdade, jagiya. Eles deviam ter tido uma conversa sobre isso…
– Tivemos. E decidimos que vamos ver no que dá. – Joziane lhe interrompeu, dando de ombros. – Já temos coisas demais para decidir agora pra isso ser um problema também, então… Bem, vamos aos poucos. ainda precisa entender o que sente por mim e, se for o mesmo que eu, então, bem, vamos lidar com isso da melhor forma possível. Se não for, também.
– Viu, -ah? Eles tiveram uma conversa. – puxou os cabelos do namorado, que lhe beliscou em resposta, fazendo bico como se estivesse muito magoado pela zombaria. A garota apenas riu, sem levá-lo a sério. – Estou feliz por vocês, Jozi-yah. Tenho certeza que vai dar tudo certo.
– Eu também. – ela riu ao confessar. – Realmente tenho um pressentimento bom quanto a isso.
olhou de uma para a outra e então para seus outros amigos, que observavam enquanto as duas conversavam e sorriu, sendo abraçado em seguida pela irmã, que ele abraçou também.
No fim das contas, apesar de tudo, também tinha um bom pressentimento. Seus amigos eram as melhores pessoas que ele conhecia e o garoto tinha certeza: Iam todos terminar muito bem.

+++
estava bêbado.
sabia que sua embriaguez era o motivo para ele estar se permitindo parecer triste naquele momento, enquanto seus ex-colegas de classe parabenizavam pela bolsa e, os que já haviam estado em Seul, lhe davam dicas quanto aos lugares que devia ir e tudo o mais.
também estava bêbado e não achava que as coisas terminariam bem aquela noite se ele continuasse aceitando cada cerveja que lhe estendia e brindando com o amigo.
Ainda assim, era exatamente o que estava fazendo.
– Sabe, eu sei que esse sempre foi o sonho dela e sei que deveria estar feliz por ela e, não me entenda mal, eu estou, mas…. – se interrompeu, suspirando pesadamente. – Vai ser tão difícil dizer adeus.
também suspirou ao ouvir, jogando a cabeça para trás e resmungando mais alto do que o que deveria entrar nos limites do inadequado, porém não pôde evitar e, honestamente, não se importava tanto assim. Não naquele momento, com uma quantidade perigosa de álcool no sangue.
– É uma droga. – resmungou por fim, tão vago quanto era capaz de soar, no entanto ergueu o olhar novamente no instante seguinte e viu rindo junto com e Joziane enquanto dançavam juntas. Parecia, de verdade, que cada parte do sorriso de lhe fazia sentir dor, e ele não precisou pensar muito para saber porque: Ela estava indo embora. Logo não veria mais aquele sorriso. – É realmente uma droga.
suspirou, assentindo.
– Sempre posso contar com você para me entender. – deu um tapinha no ombro do amigo, que riu com escárnio, sem conseguir se conter. virou para lhe encarar e suspirou outra vez, notando a melancolia que assolava também. – O que vamos fazer sem ela, -ah?
quase riu diante da pergunta, certo que era quem menos sabia daquilo e, ao mesmo tempo, quem mais sabia também. Vinha desejando ter mais do que tinha de a vida toda e, a vida toda, estando fadado a ter apenas sua amizade, porém só sua amizade ainda significava tanto para ele, tanto… Como ia ficar sem aquilo?
– Eu realmente não sei, . – murmurou para o amigo, sincero. – Ela vai ficar bem, pelo menos. Ela nasceu para sair daqui, cara.
– Nasceu sim. – concordou, embora odiasse concordar com aquilo. – Saber disso só não torna nada mais fácil.
– Infelizmente.
Os dois ficaram em silencio por mais um instante antes que se levantasse, avisando que ia ao banheiro. Sem prestar muita atenção, assentiu, desviando, inevitavelmente, o olhar para outra vez depois que o amigo saiu. Ela ria enquanto fazia Joziane rodopiar pela sala, antes que roubasse a garota de seus braços e decidisse, portanto, que era hora para mais uma cerveja, aproximando-se de onde estava sentado e roubando seu copo para um grande gole.
Ela parecia elétrica naquele momento, sua embriaguez fazendo com que parecesse tão genuinamente alegre, leve como se tudo que estava lhe afligindo não fosse mais um problema. Como se, de fato, o medo houvesse passado e ela tivesse certeza: Podia fazer o que quisesse. Podia conquistar o mundo assim como conquistara o coração de . Sem nem se esforçar.
– Eu estou bêbada! – ela murmurou, rindo e colocando o indicador na frente dos lábios em seguida, como se pedisse segredo a , que riu.
– Eu também. – confessou, com um sorriso relaxado. – E é só por isso que estou dizendo que amo você agora, -yah.
– Você não disse que me ama. – ela franziu o cenho, virando para olhar para os lados de maneira adoravelmente confusa e riu fraco por isso, puxando sua mão e fazendo com que ela voltasse a virar de frente para ele, olhando em seus olhos pequenos e nada lúcidos.
– Eu amo você, -yah.
Ao ouvir, mordeu o lábio, lhe encarando com certa tristeza no olhar antes de sentar-se ao seu lado no sofá, apoiando a cabeça em seu peito. A embriaguez sempre foi capaz de deixar frágil, de modo que qualquer pequena coisa que fosse mudava seu humor numa velocidade absurda.
Exatamente como naquele momento.
– Não estou bêbada o suficiente pra ouvir isso. – reclamou e riu novamente, sem muito humor dessa vez, enquanto lhe abraçava de lado, pousando uma mão por cima dos cabelos da garota encolhida em seus braços. – Está tudo acontecendo tão rápido, -ah. Eu me sinto tão confusa. – ela reclamou, soando como uma criança inconformada, ainda que igualmente triste, o que devia ser culpa do álcool em seu sangue.
– O que te deixa confusa? – perguntou, segurando com os dedos na ponta do queixo da garota e puxando-a para lhe encarar, sorrindo sem conseguir evitar para o bico que ela não devia nem notar que sustentava.
– Tudo, . Estou deixando para trás a única vida que eu conheço e você não tem ideia do quão assustador é fazer isso. Em algum momento, vou perder também e ele é tudo que eu sempre conheci. Tudo que eu sei sobre o amor, sobre ser de alguém, ter alguém ou ser alguém para alguém, aprendi com ele. – ela reclamava com voz de choro e, quanto mais falava, mais afundava o coração de , que coçou a nuca, prestes a murmurar qualquer coisa na tentativa de fazê-la sentir melhor, mas ela foi mais rápida, afastando-se de seu abraço para lhe encarar melhor. – E ainda tem você, -ah. Meu melhor amigo. Meu… Meu . – ela fungou, balançando a cabeça e fazendo com que o ritmo da respiração de falhasse. Aquilo pegara o garoto desprevenido, sem duvidas.
– Eu estou aqui, -yah. – deu de ombros, como se não entendesse o que tinha a ver com o problema e, de fato, não entendia.
apenas balançou a cabeça, parecendo decidir que o que quer que fosse, não valia a pena dizer.
– Eu só vou sentir sua falta. – ela contornou. – Você sempre cuidou tão bem de mim, sabe? Não sei se vou saber cuidar tão bem de mim sozinha.
– Você vai aprender, amor. – ele murmurou em resposta, beijando o topo de sua cabeça e fazendo com que ela passasse os braços ao seu redor, lhe abraçando com força antes que ele se afastasse, de repente com uma ideia em mente. – Sei de algo que vai te fazer sentir melhor. – murmurou, puxando-a a para se levantar também e, confusa, quase tropeçou quando o fez.
, o que?
Ele não respondeu, aproximando-se de onde estava e fazendo sinal para que ele cortasse a música, o que levou o amigo a se aproximar, confuso, dele.
– Cara, o que foi?
– Quero cantar uma música. Me empresta o seu violão? – pediu e, confuso, assentiu, fazendo sinal para que ele esperasse enquanto se afastava correndo para buscar o instrumento. sentou-se nos degraus que davam para o andar de cima da casa e lhe procurou com o olhar, sorrindo quando ela acenou para ele.
Nenhum dos dois notou voltando do banheiro, enfiando as mãos no bolso enquanto acabava por ficar num canto mais afastado, já que as pessoas se aglomeraram rápido ao redor de assim que lhe estendeu o violão, cortando em seguida a música. Se não houvesse bebido tanto, talvez até mesmo sem ver não teria feito o que fez em seguida, mas ele bebera e achava que não estava ali, de modo que as palavras que saíram de sua boca saíram impensadas, destinadas a se tornar o inicio de seu maior arrependimento daquela noite na manhã seguinte.
– Ei, pessoal, desculpa atrapalhar, mas não seria uma festa do colégio sem alguém me estendendo um violão, não é? – riu, referindo-se ao fato de acabar sempre com o violão na mão, cantando alguma coisa, nas festas dadas por alguém do colégio. – Vou dedicar essa para a minha garota favorita. – apontou para , sentada na escada e a garota riu, escondendo o rosto nas mãos antes de abrir uma fresta entre os dedos para olhar para , que riu antes de se sentar no banco que empurrou para ele, concentrando-se em tocar o violão em seguida.
Qualquer um teria dificuldade para acertar as notas e até mesmo a posição do violão depois de ingerir a quantidade de álcool que ingerira, porém não ele. Aquele garoto, afinal de contas, tinha a mais intensa das relações com a música, de modo que cada instrumento que sabia tocar se tornava praticamente parte dele quando ele tocava e a conexão era inegável.
dedilhou com perfeição o violão e sua voz se aperfeiçoou a música, como sempre, perfeitamente.

Going out tonight
(Saindo hoje a noite)
Changes into something red
(Ela veste algo vermelho)
Her mother doesn’t like that kind of dress
(Sua mãe não gosta desse tipo de vestido)
Everything she never had, she’s showing off
(Tudo que ela nunca teve, está exibindo)
sequer precisou do primeiro verso para reconhecer a música, sorrindo enquanto o coração era inundado pelas mais intensas sensações.
Sentiu-se triste, nostálgica e feliz ao mesmo tempo, perdida na lembrança da primeira vez que ouvira aquela música, que se misturava com a lembrança de todas as vezes que cantara para ela, provando-se tão incrível, tão único e tão… Tão .

Driving too fast
(Dirgindo rápido demais)
Moon is breaking through her hair
(A luz da lua cai sobre seu cabelo)
She’s heading for something that she won’t forget
(Ela está indo em direção a algo que não esquecerá)
Having no regrets is all that she really wants
(Não ter arrependimentos é tudo que ela quer)
Enquanto cantava, mesmo que ele estivesse numa cadeira, longe demais para que pudesse tocar na garota, sentia-se exatamente como em todas ás vezes que ele lhe abraçava: acolhida. Ela se sentiu incrível como só ele era capaz de fazê-la sentir, sempre que o flagrava olhando para ela, distraído, porém com tanto carinho…
– Eu vou sentir tanta falta dele. – resmungou baixinho, com a voz embargada pelo choro enquanto , que se sentara ao seu lado, lhe abraçava.
– Ele vai sentir muita falta sua também, -yah, acredite em mim. – ela murmurou para a amiga, que choramingou baixinho enquanto deitava a cabeça em seu ombro.
vivia fazendo aquilo, movendo mundos e fundos para fazê-la se sentir melhor sempre que estava triste e lhe apoiando e fazendo ir em frente e fazer as coisas que precisava, que queria, mas tinha medo. Ela nunca encontraria ninguém como ele, ninguém que fosse cuidar dela como ele fazia, que se importasse como ele se importava e, quanto mais pensava naquilo, mais triste ela se sentia.

We’re only getting older, baby
(Estamos apenas envelhecendo, baby)
And I’ve been thinking about it lately
(E eu estive pensando sobre isso ultimamente)
Does it ever drive you crazy?
(Te enlouquece?)
Just how fast the night changes
(Quão rápido as noites mudam?)
amava aquela música. Era uma das suas favoritas desde a primeira vez que escutara, porém naquele momento duvidava que ouvi-la fosse, algum dia, doer tanto quanto doía agora. Porque, de fato, as coisas estavam mudando rápido demais e ela não conseguia parar de se sentir assustada.
Naquele momento, as lágrimas desciam por seu rosto mesmo que passasse as mãos pelas bochechas, tentando inutilmente limpar. A cada palavra, cada frase, que cantava, soava exatamente como se ele lhe entendesse mais do que ninguém, o que nunca foi novidade entre os dois, mas, naquele momento, era tudo que ela podia querer e nem mesmo sabia se chorava por tristeza, alivio, saudades antecipadas ou o que quer que fosse.
Talvez tudo junto.
Fazia sentido, levando em conta como seu choro se intensificava mais a cada instante.

Everything that you’ve ever dreamed of
(Tudo que você já sonhou)
Disappearing when you wake up
(Desaparecendo quando você acorda)
But there’s nothing to be afraid of
(Mas não há nada a temer)
Even when the night changes
(Mesmo que as noites mudem)
It ill never change me and you
(Nunca irá mudar a mim e a você)
Bastou os olhos de olhos caírem sobre para que ele errasse uma nota, parecendo acordar para o que fazia. E para o quão errado era.
Baixou a cabeça para o violão e respirou fundo, de repente podia jurar que estava suando frio e o chão aos seus pés parecia se mexer, mas ele não parou de tocar, esforçando-se para continuar e não desafinar enquanto cantava, sentindo a culpa fazer surgir um gosto metálico em sua boca. Aquilo não estava certo.
E, enquanto cantava os últimos versos da música, foi tudo o que pôde concluir, que aquilo, definitivamente, não estava certo e ele se sentiu como se estivesse traindo , colocando o violão de lado e se pondo de pé com as duas mãos apoiadas no banco assim que acabou a música, coçando a nuca e olhando em volta.
estava abraçando e beijando o topo de sua cabeça quando ele lhe viu novamente e detestou que a cena houvesse feito seu peito afundar tão profundamente, engolindo o gosto metálico em sua boca e seguindo até onde estavam apenas porque sua irmã já havia lhe notado olhando e fazia sinal para que ele se aproximasse.
Tudo que queria fazer era sair o mais rápido dali, honestamente.
– Você foi ótimo, -ah! – elogiou, abraçando o irmão e ele sorriu, bagunçando seus cabelos quando ela permitiu que ele saísse do encalce de seu abraço. olhou sem jeito de para em seguida e o amigo sorriu para ele, de maneira obviamente mais ácida do que o normal.
– Gostei da música, . – elogiou e sorriu sem graça, agradecendo com um aceno de cabeça.
Merda, aquilo era tão, mas tão errado.
Existia um motivo para ter mantido segredo a respeito de tudo que sentia por todos aqueles anos e era . era uma pessoa boa, boa de verdade, que não merecia passar por confusão nenhuma por causa dos sentimentos errôneos de , que queria mais do que tudo poder apagar aquilo. Apagar aquela noite, tudo aquilo.
– Eu precisava ouvir isso. – murmurou, sorrindo sem reservas para , parecendo completamente alheia a tempestade em sua cabeça e se perguntou por um momento como ela podia não saber. Como diabos, depois de todo aquele tempo, e com tudo que sabiam um do outro, ela podia não saber daquilo? Do que ele sentia por ela? – -ah parece sempre saber o que fazer por mim, mesmo quando nem eu sei. – riu, de fato sentindo-se infinitamente mais leve enquanto ainda sorria na direção de .
Ela se sentia como se finalmente respirasse de novo, depois de muito tempo debaixo da água. Sentia esperanças e parecia inundada de coragem.
– É, ele parece sempre saber mesmo. – murmurou, pousando o queixo no topo de sua cabeça e fazendo com que desviasse o olhar, tentando a todo custo ignorar o modo como seu coração sempre afundava quando via algo como aquilo. Como qualquer demonstração de afeto entre os dois parecia acabar tanto com ele.
era namorada de e, caso não fosse mais quando estivesse indo embora, estaria indo embora e precisava aceitar aquilo de uma vez por todas. Ela nunca seria dele.
– Sabe, eu não estou me sentindo muito bem. – comentou, limpando a garganta e coçando a nuca. – Vou pra casa.
– Mas já? ! – reclamou e ele sorriu para ela, beijando sua bochecha.
– Se cuida e cuida do . – pediu. – Vejo vocês amanhã.
Por fim, acenou para os amigos e lhes deu as costas, costurando entre as pessoas em direção a saída e só quando se viu fora da propriedade dos pais de dando a si mesmo o direito de sentir toda a frustração por toda aquela noite que quase transbordava dentro dele.
Estava tudo infinitamente errado, puta merda.