Missão Cupido

Missão Cupido

Sinopse: Kihyun não aguentava mais não ter um alguém para chamar de amor. Acreditando fielmente na história de seu melhor amigo, ele decide contratar um cupido depois de ver suas esperanças de engrenar um relacionamento no zero. Mal sabia ele que Min Yoongi viria a ser uma das melhores escolhas que já fizera em sua vida.

Gênero: Comédia Romântica
Classificação: +16
Restrição: Sem restrições
Beta: Thalia Grace

Capítulos:

Kihyun já não aguentava mais ver todos os feeds de suas redes sociais lotados de fotos de casais com textos super românticos e todas as coisas mais boiolas que podiam existir quando se trata de relacionamento. Mas não, o pobre Yoo não era amargurado e ficava postando que “na internet é só amor, mas a realidade é que o chifre não passa pela porta“, não, ele invejava mesmo todo aquela coisa porque era um solteirão.
E quando eu digo solteirão é 0 KM, sem relacionamento algum no auge dos seus 22 anos, com grande experiência na área de ver todos os seus possíveis relacionamentos enguiçarem antes mesmo de darem certo. Kihyun era o único de seus amigos que nunca havia namorado, mas essa parte nem era a pior.
Com um bom apelido de vela do grupo, além de ver suas redes sociais cheias de casais apaixonados, ele tinha que lidar com seus amigos todos em casal quando saiam juntos. Era de cair o fiofó da bunda.
E o coitado já havia tentado de tudo, desde de sites e aplicativos de relacionamento até correio elegante no Twitter, e adivinhem: nada. Kihyun tinha certeza que havia nascido para ser o tiozão solteiro que faz a piada do pavê no churrasco, o tio rico que os sobrinhos gabam ter para os amiguinhos. Mas isso lhe assombrava porque, não, não queria isso. Por mais louco que tudo possa parecer, o Yoo queria namorar, casar, ter filhinhos e ficar velhinho ao lado de alguém, igual a qualquer filme genérico de amor.
Mas suas esperanças morriam mais a cada bola fora em relacionamentos, as ficadas sérias não passavam disso e tudo só piorava porque parecia que todo mundo namorava, menos o Yoo.
— Você já ouviu falar do site de cupidos? — Minhyuk, seu melhor amigo quase irmão, perguntou como quem não queria nada.
— Quê? — O Yoo jurou que o Lee estava louco. Cupidos existiam?
— Você acha que eu consegui o J-Hope como? — Minhyuk perguntou rindo.
— É sério? — Kihyun perguntou com uma semente de esperança brotando em seu coração.
— Sim. — Minhyuk disse ficando mais sério para demonstrar que, sim, era verdade. — É um site onde você especifica tudo o que você procura numa pessoa e aí mandam um cupido pra te ajudar.
— Eles existem? — O Yoo arregalou os olhos.
— Sim, mas pouca gente sabe, é difícil acessar o site, mas eu te ensino. — O Lee contou. — Os cupidos vão atrás de pessoas que se encaixem nas suas especificações e fazem encontros rolarem, você pode até mandar o cupido ir junto com você pra te ajudar.
— E tem que pagar? — Kihyun era universitário. E veja bem, universitário não tem grana.
— Não. — Minhyuk sorriu. — É totalmente gratuito, os cupidos não precisam de dinheiro, eles precisam ajudar pessoas a encontrarem alguém para amar.
— E se eles não conseguem? — O Yoo perguntou curioso.
— Pelo que o meu cupido me contou, ele perde o cargo e passa a ser uma pessoa normal. — Minhyuk explicou. — E aí eles nunca vão conseguir ter um relacionamento e morrem sozinhos.
— Será que eu era um cupido e não lembro? — Kihyun se desesperou.
— Não, Kihyun… — Minhyuk riu. — Eles ficam marcados, perdem as asas e no peito fica uma cicatriz de coração partido.
— Que tenso… — O Yoo disse.
— Sim, mas vou te mandar o tutorial pra entrar no site, aí você decide o que fazer. — O Lee disse sorrindo.
Ok. Era estranho.
Kihyun mentiria se dissesse que não ficou curioso a respeito do site, mas com as esperanças de ter um relacionamento no zero, não tinha muita coisa a perder, só morria de dó do cupido que lhe atenderia.
Durante a madrugada, depois de terminar um relatório que tinha pendente, puxou o tutorial de Minhyuk e foi tentar entrar no tal site. Era realmente um teste para fortes, era bastante complicado, quem era persistente passava. Guias e mais guias com links escondidos entre várias propagandas enganosas. Levou cerca de uma hora para dar de cara com o site todo frufru.
Se deu o trabalho de ler todo o termo de uso antes de começar seu cadastro. Não precisava de muito além de seu nome, um e-mail, senha e informações básicas. Ao final, havia uma sessão para selecionar tudo o que procurava em alguém. Kihyun não era exigente, não tinha nem porque, ele só queria alguém para dar carinho e ser sua maior companhia.
Assim que apertou o último botão, o site desapareceu e seu e-mail recebeu uma notificação de que seu perfil seria analisado antes de tudo. Kihyun riu nervoso, era só o que faltava não conseguir, seria mais uma derrota adicionada a sua vida. Tentou esquecer aquilo por hora e foi descansar, porque sua vida amorosa podia estar empacada, mas os boletos lhe avisavam que o financeiro não podia parar.
Kihyun era um jovem universitário, cursava seu último ano de publicidade e propaganda e fazia estágio numa agência no centro da cidade. Morava com seus pais e seu irmão mais velho num apartamento em um bairro bastante comum de Seul, a famosa família tradicional. Mas aí o Yoo mais novo tinha que destoar, tinha que ser a ovelhinha diferente. Kihyun era bissexual, beijava menininhas e menininhos, mas dentro de casa ainda estava dentro do armário porque: medo.
Kihyun não sabia bem se seus pais eram super de boa com a comunidade LGBTQIA+, então, não arriscaria sua pele e seu teto por causa de sua sexualidade. Mas seu irmão sabia, porque caiu na besteira de dizer que ouvia Troye Sivan e o achava muito gato para seus amigos quando estava ao lado de seu brother. Naquele dia, Kihyun achou que estava morto, mas seu irmão só disse: ata pô.
Por medo de tudo, Kihyun era um filho de ouro para seus pais, isso incluía ter sido um dos melhores alunos da escola durante seu colegial, notas máximas na faculdade depois de arrasar no vestibular, ter jogado basquete por anos para ver seu pai orgulhoso de seu garotinho, e ter aprendido a tocar piano porque sua mãe era uma apreciadora da música clássica e achava muito lindo o instrumento. Sim, Kihyun era um filhinho de ouro, o orgulho de seus pais, acha mesmo que ele tinha coragem de dizer que era bi? Nem, a coragem estava mais negativa que seu saldo bancário depois de pagar suas contas.
Felizmente, seus amigos eram completamente liberais. Aliás, eles foram responsáveis por corromper o garotinho de ouro Yoo Kihyun.
Lee Minhyuk lhe conhecia desde criança, moravam no mesmo prédio e a amizade já vinha completando praticamente uma década, este era o responsável por 99% de todas as loucuras que o Yoo já havia cometido. Mas era seu maior ponto de apoio também, Minhyuk era muito companheiro, então, mesmo que entrassem numa fria, entravam juntos. O Lee era dançarino em uma academia perto do estágio de Kihyun.
Son Hyunwoo era seu amigo desde o ensino médio, praticamente uma cópia do Yoo, aluno de ouro, presidente do grêmio estudantil, gênio em todas as matérias. Hyunwon era bastante pé no chão e sempre dava alguns choques de realidade em Kihyun quando ele precisava, não era à toa que estudava psicologia.
O trio se juntou logo no início do ensino médio, e com o tempo foi ganhando mais integrantes. Jung Hoseok, apelidado de J-Hope, namorado de Minhyuk, fazia direito e mesmo com pose de sério era praticamente um palhaço. Shin Hoseok, namorado de Hyunwoo, era estudante de enfermagem, mas estava sempre dançando junto com Minhyuk na academia. Jooheon e Changkyun entravam para a conta do grupo desde quando entraram na Jooheon cursava arquitetura, sorridente e bastante gentil, e o que dava mais trabalho durante os rolês por beber além da conta. Changkyun era seu namorado, o emo mais palhaço que existia no mundo, cursava design, mas trabalhava como tatuador. E também havia Hyungwon, bailarino e dono da academia onde Minhyuk dava aulas de dança. O Yoo jurava de pés juntos que Minhyuk já havia dado uns bons amassos com Hyungwon, mas preferia não comentar por medo de linchamento.
Kihyun sentia que tinha o grupo perfeito, mas se sentia distante quando o assunto era relacionamento, porque todo mundo ali tinha um amor, enquanto o Yoo estava largado às traças. Enquanto seus amigos beijavam bocas, ele beijava copos e abraçava garrafas, pobrezinho.
Mas parecia que finalmente iria dar certo no jogo do amor. A confirmação de que seu perfil havia sido aceito no site de cupidos chegou uma semana depois, com as informações básicas sobre onde estava se metendo e um aviso de que a qualquer momento seu cupido iria dar as caras.
Kihyun não levou o “qualquer momento” muito a sério, então foi bastante assustador quando estava saindo do box depois de tomar um banho quentinho e dar de cara com um rapaz com asas de anjo olhando para si com os olhos arregalados.
Seu berro foi mais alto do que os high notes da Melody, já era estranho dar de cara com um ser daqueles, estando pelado na frente do coitado era mais estranho ainda. E o rapaz se assustou também e gritou de volta.
— Cupido? — O Yoo perguntou depois de parar de gritar e analisar a situação.
— Não, chapeuzinho vermelho… — O rapaz respondeu no mais puro deboche. — Vim trazer estes doces para você, vovó…
— Corta essa… — O Yoo revirou os olhos, enrolando uma toalha em sua cintura.
— Sim, cara, sou teu cupido… Kihyun, não é? — O cupido respondeu. — Prazer, sou Min Yoongi, expert em encontrar relacionamentos, trago a pessoa amada em no máximo três dias.
— Três dias? — O Yoo arregalou os olhos.
— Sim, sou um dos melhores do site, você deu sorte. — O Min se gabou, tirando um celular do bolso. — Aqui diz que você é universitário, tem vinte e um anos e… — Parou um momento e fez uma careta. — Nunca namorou?
— Não. — O Yoo respondeu.
— Impossível… — O Min disse depois de analisar bem o garoto. — Mentiu no formulário, que coisa feia…
— Mas é sério. — Kihyun riu de nervoso.
— Como que… — Yoongi estava confuso, mas resolveu não insistir. — Procura alguém que seja carinhoso, fofo, gosta de jogar, assistir séries, que saiba cozinhar e seja bastante companheiro e pipipi popopo… Tem perfil em praticamente todos os aplicativos de relacionamento…
— Pula a parte vergonhosa, por favor… — Kihyun pediu.
— Ok. — Yoongi disse. — Bom, primeiro você vai colocar uma roupa, aí vou contar das regrinhas.
— Regras? — O Yoo perguntou já seguindo para seu quarto, queria mesmo se trocar.
— Tudo nessa vida tem regras. — O cupido disse seguindo o Yoo, não perdendo tempo em se jogar na cama do mesmo. — Uh, que macia…
— Tá, quais são as regras? — Kihyun perguntou enquanto se vestia, olhando confuso para o ser em sua cama.
— Guia informativo do cupido Min Yoongi. — A criatura começou. — Ninguém além de você me vê ou me ouve, a não ser que você queira que me vejam, por isso evite interações comigo quando estiver perto de pessoas.
— Você vai me seguir por aí? — Kihyun perguntou.
— Sim, eu vou seguir você para procurar seus pretendentes no seu círculo social para facilitar a sua vida amorosa. — Yoongi sorriu. — Bom, você não deve me tocar, isso é algo meu mesmo, não coloque um dedinho em mim.
— Tá… — O Yoo resolveu não questionar.
— Não deve falar de mim para ninguém. — O Min disse sério. — E por fim, eu não volto para o plano das nuvens enquanto não cumprir o meu trabalho aqui, então se você puder providenciar uma cama para que eu durma, eu vou ficar agradecido, caso contrário, você perdeu a sua. — Sorriu. — Alguma pergunta?
— Três dias? — Kihyun perguntou.
— Essa é a minha média, não passa de uma semana, é o meu máximo. — O cupido disse.
— Ah… É que eu sou meio ansioso… — O Yoo disse fazendo uma careta ao sentir algo grudar em sua testa, olhando no espelho e vendo a flechinha grudada ali enquanto o cupido ria ao fundo.
— Eu tava treinando minha pontaria. — Yoongi disse fazendo a flecha sumir dali. — Negócio fechado? — Estendeu a mão para o Yoo.
— Fechado. — O Yoo apertou a mão do cupido, esperando de coração não se arrepender daquilo.

 

Kihyun tinha em sua mente desde bem criança que um cupido era um anjinho pequeninho e rechonchudo, com asas e um arco e flecha, que voava o tempo todo, mas com a chegada do seu cupido particular, ele percebeu que praticamente tudo o que imaginava era mentira. Yoongi parecia um daqueles adolescentes bonitinhos que faziam vídeos pro Tik Tok e se vestiam como emos, a única coisa que diferenciava eram as asas cheias de penas que Kihyun se perguntava se eram de galinha.

Depois de ter sido apresentado ao cupido de uma forma bem atrapalhada, ele não imaginou que fosse tão difícil fingir que o bichinho não existia. E o para seu azar, ele era pior do que cola, era obrigatório que o cupido lhe seguisse para todos os lugares e não era como se ele ficasse quietinho, o Min era muito tagarela e Kihyun não conseguia deixar o garoto no vácuo. Por isso, não estranhou os olhares confusos para si enquanto caminhavam pelas ruas movimentadas da cidade enquanto Kihyun ia para o trabalho. Não era comum ver alguém conversando com o nada enquanto caminha por aí.

— Você só tá rodeado de gente comprometida, difícil… — O cupido comentava aleatoriamente.

— Como você sabe? — Kihyun perguntou.

— Na minha visão aparece um tipo de perfil das pessoas com as definições dela… — O cupido explicou. — Seu chefe, por exemplo, tem uma amante, dá pra você usar isso como um motivo para pedir um aumento no teu salário mixuruca.

— Deuses… — O Yoo arregalou os olhos, preferindo nem comentar sobre aquilo.

— Deuses mesmo, porque seu chefe tá caindo aos pedaços, não sei nem se a pipa ainda sobe sem um viagra. — Yoongi disse.

E foi nessas que Kihyun começou a entender que seu cupido era um idiota. O Min não tinha filtros, ele dizia o que queria na hora que queria, goste você ou não. O Yoo não ligava de fato, afinal, era uma experiência nova estar ao lado de um cupido e ele ter passe livre para descobrir informações sobre as pessoas como um hacker, mas tinha medo de aquilo acabar lhe encrencando de alguma forma.

O primeiro dia com o garoto parecendo um chiclete no sapato, Kihyun conclui algumas coisas:

1. Yoongi não calava a boca um minuto sequer, ele tinha que comentar sobre tudo e mais um pouco porque parecia que a língua não podia ficar dentro da boca.

2. O cupido tinha uma personalidade forte, era muito debochado e reclamão, além de odiar ser ignorado, o que tirou a concentração de Kihyun várias vezes durante o dia.

3. Por baixo da crosta chata e reclamona, havia um garoto fofinho que se derretia todo por causa de um gatinho que viu na rua e teve que parar para dar carinho e falar com voz fofa como se fosse um neném.

Agora, quando Kihyun disse reclamão, ele não estava brincando. Yoongi reclamou da bagunça de seu quarto, do trajeto demorado de sua casa até seu estágio, do metrô até sua faculdade e de como sua aula era um tédio. O Yoo queria cair no soco com o cupido.

— Seu círculo social é péssimo, Yoo, como quer que eu te arrume alguém? — O cupido perguntou.

— Não sei, será que é por não saber que eu contratei você? — O Yoo perguntou como se fosse óbvio.

— Oshe, grosseria, eu hein… — Yoongi disse fazendo uma careta. — Quem tá solteiro não bate com o que você procura, e quem bate com o que você procura namora ou é casado…

— Eu tento aplicativos de relacionamento por isso. — Kihyun disse.

— E funcionaram? — Yoongi perguntou, observando o rapaz arrumar várias almofadas ao lado de sua cama com alguns cobertores.

— Nada além de algumas fodas aleatórias. — O Yoo suspirou fundo.

— De virgem nem o signo, interessante. — O cupido comentou. — Por isso o senhor comprou um vibrador? — Perguntou como quem não queria nada.

— Q-Que? — O Yoo perguntou confuso.

— É, ali ó… — Yoongi apontou a caixinha do vibrador escondida na estante do rapaz. — Mas normal, fica calmo, sei que todo mundo tem suas necessidades sexuais e tal…

— Tu não tem uma versão com filtro na fala, não? — Kihyun estava roxo de vergonha, sentindo algo acertar sua testa novamente.

— Deixa de ser besta, é normal, já falei. — Yoongi suspirou, se levantando e puxando a flecha que havia jogado na testa do rapaz. — Deixa eu ver seus aplicativos de relacionamentos.

— Invasão de privacidade? — O Yoo disse confuso.

— Kihyun, eu praticamente sou um hacker, facilita meu trabalho. — O Min estendeu a mão, e o Yoo meio derrotado entregou o celular. — Vamos ver como você flerta.

— Vou pedir um lanche pra jantar, você quer? — Kihyun perguntou.

— Com bacon? — Yoongi perguntou. Kihyun jurou que o Min mudou instantaneamente naquele momento, como se o Yoo tivesse quebrado uma casca grossa onde estava a personalidade forte do Min e descoberto um miolo fofo, mas decidiu não comentar.

— Com bacon. — O Yoo confirmou, já saindo do quarto para usar o celular de sua mãe para pedir, já que ela quem acumulava cupons de descontos nos aplicativos de comida, deixando Yoongi sozinho mexendo em seus aplicativos de paquera.

Yoongi era um dos melhores cupidos do site, ele vinha de uma família de cupidos, e consigo não foi diferente quando nasceu. A realidade paralela onde vivia só lhe mantinha conectado com o mundo real através do site contratante.

Ser cupido não era de fato a coisa mais legal do mundo, Yoongi não gostava tanto assim, sua vida seria basicamente fazer as pessoas encontrarem suas almas gêmeas, enquanto sua vida amorosa não seria todo esse conto de fadas. Haviam regras no reino dos cupidos e Yoongi odiava cada uma delas. O casamento só era permitido entre um cupido homem e uma cupido mulher, a homossexualidade não era permitida pois os cupidos necessitavam que fossem gerados novos cupidos para que a vida continuasse perfeita.

Só que Yoongi era um zero à esquerda. Depois de começar a trabalhar de fato como cupido, o Min percebeu que talvez não fosse hetero como tinha que ser, as cupidas não lhe interessavam e, bem… O contrário acontecia com os cupidos, o Min só conseguia se sentir atraído por homens. E tudo desmoronou quando se apaixonou por um de seus amigos e se deu conta de que nunca poderia viver o que realmente queria, nunca poderia de fato ser quem era.

Yoongi não tinha ideia do que aconteceria se acabasse se assumindo, não tinha nenhuma história do que acontecia com cupidos homossexuais por ser algo totalmente proibido. Tinha medo do que poderia acontecer consigo só de pensar em contar a verdade sobre si, já que ninguém falava sobre aquilo de forma alguma. Toda vez que era contratado para atender alguém homossexual, sua cabeça ia longe pensando que devia ser muito legal poder se assumir e viver sem esconder seus verdadeiros sentimentos até certo ponto, tinha consciência de que até mesmo na realidade dos humanos havia homofobia.

— Tô pensando em como vai ser pesado comer um lanche essa hora da noite, mas minha vontade fala mais alto. — Kihyun disse voltando ao quarto, encontrando Yoongi em sua cama ainda mexendo em seu celular.

— Kihyun, que descrição é essa nos seus perfis? Você só piora sua situação. — O cupido riu.

— Eu acho muito boa. — O Yoo se defendeu.

— “Muito se limita quem se descreve.” — Yoongi disse debochado.

— É filosófico, eu acho bonito. — Kihyun disse com cara de tacho.

— É horrível e espanta todo mundo, ai ai, além de cupido, eu tenho que dar uma de designer de descrição de aplicativo de paquera. — O Min disse revirando os olhos.

— E você acha que vai encontrar o amor da minha vida nesses aplicativos? — Kihyun perguntou confuso.

— Não, quase certeza que não, mas aumenta a chance de encontrar a pessoa mais rápido. — Yoongi disse todo concentrado. — Vamos mudar essas fotos também, tem que chamar a atenção.

— Por acaso você fez algum curso sobre como melhorar perfis desses aplicativos? — Kihyun perguntou.
— Não, mas tenho experiência na área depois de atender várias pessoas. — Yoongi disse todo pomposo. — Olha só. — Mostrou o celular todo feliz.

— Você me descreveu. — O Yoo disse depois de ler tudo.

— É por isso que se chama descrição, cabeça de bagre. — O Min disse o óbvio.

— Eu acho que é por isso que as pessoas são espantadas, a realidade tão na cara não dá certo. — Kihyun disse deitando-se ao lado do cupido.

— E você quer que a pessoa se iluda numa mentira e depois descubra toda a verdade? — O Min perguntou, mas seus olhos estavam bem focados no celular.

— Não, mas… — O Yoo fez uma careta. — Tá, você tem razão. — Se deu por derrotado, estava cansado demais para discutir sobre aquilo.

— Eu sempre tenho razão. — Yoongi sorriu vitorioso. — Hm… Te arranjei um date pra amanhã depois do teu estágio.

— O quê? — Kihyun arregalou os olhos completamente confuso.

— A menina se chama Luda, ela é da sua faculdade. — Yoongi contou.

— Você tem que entender que eu preciso de tempo pra tomar coragem pra ir a um encontro… — O Yoo disse num tom bravo.

— Eu não tenho a vida toda, não, Kihyun, eu tenho que manter minha estatística excelente no site. — O Min disse sério. — Vai buscar o lanche enquanto eu crio um papo pra você continuar com a menina, anda.

— Isso é loucura… — Kihyun comentou antes de sair do quarto.

Yoongi era ligeiro, ele não perdia tempo quando se tratava de arranjar encontros para quem lhe contratava, ele normalmente não acertava de primeira, mas as pessoas não tinham que se encontrar com muitas outras para encontrarem a metade de sua laranja.

Quando Kihyun estava de volta com os lanches, Yoongi puxou o seu pacote, entregou o celular para o rapaz e mandou ele conversar com a garota enquanto matava sua fome. Porém, óbvio que Yoongi ficava de olho nas mensagens que os dois trocavam e aconselhava como o Yoo podia seguir na conversa. E foi aí que Kihyun se deu conta de que Yoongi talvez não fosse tão ruim assim, e que tinha um lado bobão que fazia piada o tempo todo e até fazia com que se distraísse sem querer do celular só pra ouvir a piada ruim do cupido.

— Acho que ela dormiu, não me responde mais… — O Yoo disse deixando o celular de lado, olhando para o cupido parecendo cair de sono. — Vamos dormir também.

— Estou morto, daqui eu não levanto. — Yoongi dramatizou.

— Levanta sim, é só deitar na cama que eu fiz pra você e aí você pode dormir a noite toda. — O Yoo falou de dentro do banheiro enquanto escovava os dentes.

— Mas sua cama é tão macia, uma das melhores em que já me deitei… — O Min disse praticamente pegando no sono ali, estava exausto.

— Eu escolhi ela justamente por isso. — Kihyun disse voltando ao quarto, rindo do cupido parecendo apagado em sua cama. — Tem sorte de eu ser bonzinho, senhor Min…

O Yoo apenas cobriu Yoongi e apagou a luz, deitando-se na cama que havia feito ao lado da sua com as almofadas e cobertores, não era o melhor lugar do mundo, mas também não era o pior. E assim adormeceu, desejando que o encontro do dia seguinte desse certo.