ad redemptio

  • Por: M-Hobi e Eri Pinheiro
  • Categoria: Kpop | Restritas
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  • Capítulos: 2 | ver todos

Sinopse: Entre o céu e o inferno existe um meio fio que pode ser facilmente julgado como o resultado desta briga que perdura desde antes de Cristo. E como toda e conhecida guerra, é inegável a existência de soldados; neste caso, seres celestiais estão contra os seres advindos das tramoias do inferno. Mas viver nesse meio fio acaba por te tornar parte dos humanos, te oferece e amplia suas sensações e dúvidas. O que de fato é o bem e o mal? Seria o ser um humano o maior dos pecados?
Fandom: BTS
Gênero: Romance, Drama, Sobrenatural
Classificação: 18
Restrição: BTS fixo, Jung Hoseok é o principal.
Beta: Rosie Dunne

Capítulos:

“Concientemente, eu bebi o cálice envenenado”
ad redemptio by M-Hobi & Eri Pinheiro

 

 

Vaguei por tanto tempo
Estive infinitamente perdido
Foi você quem me guiou pelo labirinto
Você é minha luz e minha salvação
Esta chuva está acabando e agora eu não vou soltar sua mão
Heartbeat

 

Prólogo
A sensação que tomava seu corpo era diferente a cada vez que recebia aquele ser, que não podia chamar de humano, imortal e nada além de um demônio. Sentia como se seu coração pudesse bater – mesmo que isso fosse impossível, de forma ilustrativa: era quase que como os vampiros, congelada por dentro. Mas tinha aquela sensação e de alguma forma todas as suas extremidades também pareciam pulsar, era algo irreal até mesmo para a sua realidade. Diferente e peculiar para as histórias humanas, claro.
Achava que não poderia se surpreender a cada vez que Kartasi aparecia, sua forma humana sempre impecável e o olhar que a penetrava de forma acusatória a fazia sentir como se fosse a poeira mais fina em órbita, em ar, em planos. O que a deixava sempre questionando todas as certezas e incertezas, ele era um ser desprezível e mesmo assim sentia-se segura em sua presença. Há milênios tinham encontros casuais a cada um século e outro, ele era seu responsável e às vezes lembrava-se de que deveria ir ao meio-fio checar se tudo estava indo conforme o planejado.
E dentre todos os encontros que já haviam tido nos últimos séculos, Kartasi havia levado consigo um peso diferente para aquele. Ele podia sentir o que ela queria, não ouvia seus pensamentos, mas a forma frágil como sua afilhada se mantinha sempre em sua presença a deixava vulnerável e isso fazia com que seus pensamentos pudessem ser ouvidos por demônios poderosos como ele e suas sensações fossem emanadas para uns. Por tanto tempo havia ensinado a ela o controle e mesmo que reconhecesse que ainda era apenas uma menina naquele território, havia de concordar que o tempo estava passando e se não fosse pelo último ocorrido, uma medida mais drástica deveria ser tomada para que aprendesse.
Mas havia alguma outra medida mais drástica para que colocasse nos “eixos”? Ela ainda se sentia afetada pela cena que tinha presenciado alguns dias antes. Ver seu irmão de seleção ter sua alma levada para o inferno não era como ver as crianças brincando de cirandinha na aldeia. E ela se questionava arduamente se ainda precisaria ser testada novamente, se teria algo a mais para que se provasse imortal, para que tivessem certeza de que sua humanidade havia se esvaído como pó durante a passagem dos milhares de anos.
E como ela deveria se sentir menos humana quando passou sua vida mortal miserável e a imortal dentre todos eles? Ela sentia, ela via e sabia de tudo. O fator de ser um humano ainda era muito vívido em si, mesmo que passado tanto tempo e talvez ela nunca o deixasse morrer.
Quando viu o seu redor congelar em uma escuridão, sabia que seria a hora de ouvir a voz fria e incontestável de Kartasi. Os olhos negros que antes eram escondidos pelas orbes azuis totalmente humanas agora se mostravam firmes e cortantes em sua direção. O sentimento de submissão a atingiu e ela se ajoelhou como em um gesto de reverência. Mas o toque casto em seu ombro vindo da mão de dedos humanos compridos e finos a fez se levantar.
– Você sabe que não precisa disso, . – a voz dele era suave, apesar de todo o contexto que estava levando para aquele momento. Não que não estivesse de acordo com tudo, mas achava tudo arriscado demais.. – Não vou…
– Me derreter em chamas como aconteceu com Kyo por não demonstrar submissão? – sua voz saiu com mais raiva do que o que estava acostumada. E não se atreveu a pensar que poderia ter repreendido aquele pensamento alto, precisava e queria falar. Kartasi que se virasse com seus modos humanos, afinal ela ainda se considerava e muito uma, com condições diferentes.
O viu reprimir qualquer vontade de repreendê-la. Achava curioso a forma como aquele demônio tão importante, e seguidor assíduo do senhor do inferno, podia ter tamanho controle em sua ira e não a machucava como fazia com os outros… Como fez com Kyo.
– Eu não machuquei Kyo. – ele disse e ela praguejou pelo seu momento de fraqueza que o permitiu reconhecer suas sensações. – Ele escolheu pelo livre arbítrio.
– A divindade é dona do livre arbítrio. – ela respondeu enquanto se recompunha, seu tom era acusatório para as palavras do outro. – E ele deveria ter subido…
– Se a alma dele não estivesse tão podre quanto o próprio inferno, com certeza teria subido ao paraíso. – e o tom dele era de obviedade.
– Uma alma apodrecida contra a própria vontade… – cuspiu as palavras enquanto caminhava lentamente pelas pessoas congeladas em meio aquela escuridão. “Leigos”, pensou; enquanto continuavam suas vidas arrumando aquela vila que iriam povoar, ela estava em um momento com o demônio.
– Quanto tempo a mais irá levar para você entender que nada é feito contra a vontade humana? – Kartasi respirou fundo e a encarou, deixando que as orbes azuis retornassem. – A alma de Kyo foi vendida, selada, domada pelo nosso único senhor. – e não pôde evitar revirar os olhos ao ouvi-lo falar sobre o Diabo com tanto orgulho.
– Ele não quis. – murmurou em resposta, a sensação do coração batendo forte novamente a tomou.
– Você está errada. O livre arbítrio escolheu. A divindade a qual você tanto gostaria de conhecer. – suas palavras para a mulher foram cheias de prepotência, não que ela não estivesse acostumada. – É redundante, querida… Kyo escolheu selar a alma dele com sangue, assim como escolheu a traição com aquele que tanto lhe deu.
– Lhe deu? – em um passo, como um vulto, estava a frente de Kartasi, furiosa. – Você fala assim porque acredita na revolta.
– E você não?
sentiu as palavras tocarem seu mais íntimo interior. Não se lembrava mais em que acreditava. Aliás, lembrava, acreditava no amor que tinha por seu irmão de alma que lhe foi tirado de forma cruel. Acreditava que nada era tão banal, mas que nada deveria ser levado a ferro e fogo, como se em verdade absoluta. Ela acreditava na indecisão, na dúvida. E acreditava no erro, principalmente depois de ter se deixado dar conta de que havia trocado sua mortalidade miserável pela imortalidade igual.
Mas Kartasi estava certo, afinal, o livre arbítrio fazia com que humanos – principalmente os miseráveis como ela – sentissem a necessidade da grandeza e era redundante como isso podia os guiar a qualquer decisão. Ela sabia disso, havia vivido esse cenário. sabia como era escolher selar-se no sangue em meio às chamas e depois se arrepender.
– Ele tem uma proposta a você. – Kartasi sentou-se no toco da árvore cortada e ajustou sua roupa, lembrando-se de que seria extremamente necessário manter a mesma pose de sempre e trazer as entrelinhas apenas se ela o questionasse diretamente cada uma delas.
– A minha alma já não foi vendida o suficiente para ele?
– Vendida, gosto desse termo, soa muito humano. – ele riu e parou no mesmo instante que recebeu o olhar cortante de . Às vezes se esquecia de que ela estava chegando ao seu nível extremo de poder, dentro do que lhe cabia como imortal, não daria qualquer fio de terra para entrar em uma briga com a mesma. Diferente dos outros demônios, Kartasi odiava conflitos físicos, por isso era bem reconhecido por sua capacidade “intelectual”.
– O que ele tem para mim? – desistiu e cruzou os braços em sua frente, não havia pelo o quê chorar, não tinha volta e aquilo tudo era o preço de sua decisão.
– Você precisa trazer um herdeiro da família Min para nós, não importa em que ano ou qual e muito menos quantos. – Kartasi se levantou e posicionou-se próximo a um garotinho parado entre a escuridão pegando uma maçã no chão. – O pecado não será julgado por grau. Apenas leve-o até nosso único senhor e terá sua liberdade em troca para viver sua imortalidade como… – respirou odiando proferir o que viria a seguir. – um qualquer.
– Não esconda as entrelinhas. – parou ao seu lado, os dois olhavam para o garoto. – O que irá me custar se eu não conseguir? Milênios tentando?
– A última geração vai ser daqui dois mil anos com Min Jongie. Se não conseguir até ele, então terá de descer e sentar-se ao lado dele. – Kartasi a olhou ladino, sabia que não seria difícil convencê-la e por pouco sentiu muito por isso.
pressionou os olhos pensando friamente em suas opções. Se descesse ao inferno perderia o restante de si que ainda tinha e viveria no mausoléu envolto por sangue, pecados, chamas e a angústia dos erros. Mas sua liberdade tão ansiada não era algo de tamanha inveja, ela seria apenas liberta daquele selo e poderia vagar pela terra entre os humanos como uma deles. Não teria a perda do que havia ganhado com a imortalidade, mas estaria livre do inferno. Seria 100% dona de si.
Olhou para o garoto, sabia que ele era o primeiro da linhagem dos Min que Kartasi mencionou. Era uma criança angelical, como poderia o induzir ao pecado e corromper sua ida ao paraíso? Ela seria egoísta a esse ponto?
… – Kartasi a trouxe de volta de seus pensamentos. – Pensa melhor.
Ela sabia que ele não a apoiava sobre a questão de viver por si, sozinha e perambulante pelo mundo. Mas também não a queria ver sofrer, era sua afilhada, cuidava dela desde que fora selada. E aquele olhar negro que ela possuía quando decidia-se por completo em suas escolhas o assustava.
assustava até o mais assustador dos demônios do Diabo.
Sem uma palavra sequer ela usou de sua força imortal para cortar o pulso direito com a própria unha afiada. Kartasi não se deixou titubear e apenas virou-se em sua direção, assumindo sua forma natural para que aquele acordo fosse selado diante de um mandamento diabólico. não se assustava mais e tomada pela esperança estendeu seu braço cortado o ouvindo rosnar como um cão.
– Não há volta. Seu débito será cobrado.
E dito isso, Kartesi avançou em sua direção com ferocidade, levando seus lábios direto ao sangue. Não doeu, não ardeu, apenas sentiu que mais uma parte de si havia morrido.
Nem mesmo a claridade que retornou e o barulho das pessoas trabalhando naquela vila a fizeram recuperar o quente em si de pouco antes daquele encontro. Exceto por uma presença, por um olhar fixo em sua direção.
Ela não soube o reconhecer, não saberia dizer o que era, mas tinha certeza de que ele sabia o que ela era e havia visto tudo. Da carruagem ao seu lado não parava de sair mais homens devidamente bem vestidos como ele e pálidos, de peles completamente brilhantes e de aparência saudável. Mas nem mesmo o mais alto deles era tão ou mais bonito que ele, nem possuía o olhar penetrante.
sentiu uma leve tontura e piscou rapidamente diversas vezes, quando conseguiu manter os olhos bem abertos novamente pôde ver que ele estava a centímetros de distância e que a acompanhava no chão. Era a primeira vez que tinha aquela reação ao fazer algum tipo de selo com Kartasi. Seu sangue com fluidos diferentes continuava correndo.
Quando se deu conta e tocou no braço do homem em sua frente, sentiu um choque entre os dois corpos e o viu se esquivar com certa pressa. Ela demorou a raciocinar, mas quando ele abriu os lábios e proferiu “Você está sangrando” ela entendeu bem o que ele era.
Não era necessário que se apresentasse, a beleza dele dizia tudo, esquivar-se de seu toque foi a resposta final e o olhar penetrante que emanava paz era sua certeza. Ele era o anjo caído que todos os seres não humanos comentavam e a julgar pela sua necessidade e proposta do Diabo, seria seu concorrente pela liberdade. É claro que seu trabalho não seria fácil.
Um anjo caído iria lutar por seu retorno ao céu e ela seria sua maior inimiga, lutando por sua liberdade.

Capítulo 1

Onde minha dor está
Me deixe respirar
Meu tudo, meu sangue e lágrimas
Não tenho medo, eu estou cantando
Eu estou assumindo
Você deveria saber
Você não pode me segurar, pois sabe que sou um lutador
Eu com prazer afundo no abismo escuro como breu
Encontre-me e eu vou sangrar com você
On

 

A música estava muito alta, mas não era como se todos ali não estivessem acostumados. Pelo contrário, adoravam a sensação de liberdade oferecida por aquele ambiente, como se o pecado fosse algo divino apenas ali. Sem julgamentos, sem o ar puro da sobriedade, sem responsabilidade. Mas naquela noite em específico não estavam ali para se divertir, precisavam encontrar Min Jongie a qualquer custo antes que algo a mais desse errado. Antes que perdesse a paciência que lhe restava e voasse com pelo mar, a jogando para ser devorada viva por qualquer demônio que a quisesse e gostasse de carne podre. Obviamente aquele desejo dele era só pela tortura que a causaria, era impossível matar uma imortal.
Estava difícil para o grupo de controlar a imortal estagiária de Lúcifer, ela parecia muito bem decidida a complicar com o trabalho deles de proteger a vida e as virtudes de Min Jongie. Assim como fizera por anos a fio com todas as gerações anteriores do rapaz. E não era só que tinha pensamentos tortuosos quanto ao que fazer com ela, também não via a hora de poder se livrar de de qualquer maneira. E ele o faria no momento que viu o corpo da mulher parado no bar logo a frente de onde estavam, se não fosse por lhe segurar pelo pulso.
estava apostando com um grupo de desconhecidos quanto conseguia beber de tequila sem ficar bêbada – pobres humanos, ela estava em uma experiência de imortalidade a tanto tempo que não sentia mais efeito de nada em seu corpo. O que fazia com que revirasse os olhos para a cena, tantos milênios, tantos séculos que se conheciam, e ele ainda a achava humanamente patética. Sempre previsível e tentando demonstrar uma personalidade forte, quando na verdade sabia que ela estava em um ciclo de sofrimento sem fim pela solidão e perturbação. Mas não que ele se importasse – ou pelo menos não acreditava se importar.
O que o deixava intrigado de uma forma que nunca saberia explicar.
Não demorou muito para que a dita imortal sentisse a presença de seres celestiais, a sensação de calmaria que eles emanavam por onde passavam era algo que chegava a incomodar a sensação infernal que ela carregava. Afinal, era um ser vendido ao inferno próximo a seres criados no céu.
– Olha só se não estou na companhia dos meus anjinhos! – a voz da mulher era alta o suficiente para que ouvissem e ela nem sequer virou para olhá-los.
E eles odiavam o fato de que compartilhavam da mesma habilidade dela de sentir quando estavam perto ou o que pensavam – conseguiam captar o que ela tinha em mente pelas sensações causadas pelos pensamentos. sentia como se fosse uma trapaça, porém o que ele poderia reclamar? Não era mais ouvido pelo céu e não teria como pedir ao Diabo que limitasse o que havia dado a ela como presente por selar sua alma à casa dele.
– Se soubesse que viriam teria guardado dinheiro para apostar tequila com o . – finalmente se virou e deu alguns passos parando de frente com que estava no meio dos outros dois. – Cadê o nosso caçula? – perguntou procurando entre eles.
– Nem em uma vida mortal chegaria perto de você novamente. – o rapaz esbravejou.
– Ah, faça-me o favor, ! – gargalhou. – Até hoje tenho curiosidade de saber como foi a sessão de lavagem da alma. Coitado… ele gostou tanto daquela experiência, lembro bem de ter sentido o que estava emanando naquele corpo…
O tom debochado sempre presente na voz de dava vontade de arrancar os olhos em . Não sabia como um ser poderia ser tão cheio de si e tão irritantemente patético, ela poderia ser uma imortal de milênios, mas ainda assim era como todos os humanos. Era um ser mínimo.
– Onde está Jongie? – tomou a frente, mais um passo após os que havia dado e seria possível se fundir nela. Mas mesmo com toda a aproximação estava tomando cuidado para não tocá-la ou ter queimaduras.
– Não sei se perceberam, mas eu dei folga a vocês. Deveriam me agradecer.
E os centímetros viraram milímetros quando ela disse aproximando mais seu rosto no do outro; seus saltos a deixavam na altura exata de e pouca coisa mais baixa que os outros dois. sorriu satisfeita quando viu bufar e se afastar, o medo de se encostar nela pelo mínimo de tempo possível era enorme. E ser temida era o que mais alimentava seu ego.
era uma imortal com a alma pertencente ao inferno, todos os outros daquele grupo – os três e mais quatro que ela concluiu que deveriam estar procurando por Jongie – eram anjos. Eram seres celestiais que estavam brigando pelo retorno ao paraíso, enquanto ela queria finalizar com o Diabo o seu “contrato de trabalho”, como acostumou a chamar. Eram literalmente opostos e ela tinha em seu corpo todo o poder e trejeitos doados pelas chamas ardentes do inferno, portanto, tudo o que fosse divino deveria queimar em contato com ela e vice e versa.
O que às vezes a fazia pensar que poderia ser interessante, principalmente quando anjos como os do grupo de eram tão lindos e hipnotizantes daquela forma. Era algo que testaria o poder de controle de qualquer um. Perguntava-se como o todo poderoso Senhor havia tido a ideia de criar seres tão lindos como seus anjos. Aquilo era assustadoramente sem sentido para ela que os olhava com sede de pecar.
– Eu consigo sentir seus pensamentos daqui… – retomou sua pose cheio de si e proferiu, buscando a fraqueza dela. – Mas não vou te chamar de suja, isso vai te alimentar mais ainda e eu não sou bom o suficiente para não querer que você se foda.
hesitou em sua pose por um instante, era outro fato que ela odiava sobre o contexto de sua vida. Não podia ter os pensamentos lidos por ninguém; conseguia acessar os dos humanos mortais, mas os seus eram acessados através de suas sensações por anjos e demônios – mesmo que ela pudesse fazer o mesmo com anjos, ainda odiava sua falta de privacidade. Havia aprendido a controlar a sua própria barreira, como Kartasi a ensinara, mas às vezes a intensidade podia ser tão forte que deixava brechas e em momentos iguais aquele ela era desvendada – como sentindo que ela estava sexualmente atraída por ele, com o desejo mais carnal possível, que chegava a apavorá-lo.
O sorrisinho de canto do rapaz bateu de frente com a feição séria dela, ele queria rir mais, mas antes que tentasse rebater suas palavras com mais provocações, tomou controle da situação.
– Novamente, onde está Jongie, ? – sua voz grossa e nervosa causava o mesmo efeito em toda vez que ela o escutava esbravejar. Céus, por que ele tinha que ser um anjo?
– Credo. Ele está se divertindo, diferentemente do que faz quando está com vocês. – ela o respondeu com desdém, ignorando a sensação que havia despontado. – Vocês realmente deveriam me agradecer pela folga de hoje. – levou as mãos para a cintura.
– Onde ele está, ? – dessa vez a perguntou no mesmo tom grosso de , mas isso não causou efeito algum na mulher. Os dois poderiam facilmente se matar que nenhum sentiria pena do outro.
Por um momento, sem abaixar a guarda, passou a se questionar onde estava Min Jongie. Nem ela conseguia sentir sua presença ou escutar seus pensamentos mais. Checou a hora no relógio em seu pulso e respirou fundo, estaria encrencada se em dez minutos não encontrasse o garoto. O ponteiro marcava que estavam 10 minutos distantes das três da manhã, o horário em que seres sobrenaturais advindos das tramoias do inferno saíam em caça. Se ela estivesse fora de seu ambiente protegido seria uma presa fácil e teria de passar horas lutando, mesmo que não fosse um ser elegível para a morte. Aquilo era apenas cansativo e podia ser muito perturbador até mesmo para ela.
Sorriu amarelo para os três homens em sua frente, já buscando encontrar Jongie sem muitos alardes. Tamanho era o seu problema naquele momento. Havia perdido o controle da situação e mesmo que isso fosse basicamente seu trabalho, havia entrelinhas. E perder Jongie quase às três da manhã era uma entrelinha da primeira camada.
, pode deixar que eu vou levar o garoto pra casa a salvo. Sem nenhum arranhão. – o olhar dele a dizia que ele sabia que havia perdido Jongie. – Folga pra vocês, é isso! Até mais.
Não teve muito tempo para raciocinar, quando se virou e se preparava para mover-se entre a multidão de humanos naquela pista de dança, sentiu o impacto do próprio corpo contra o chão. Esbravejou sentindo seu tornozelo queimar e tinha certeza de que mandaria o anjo que se atreveu a cair em cima de si direto para o inferno. As entrelinhas na vida de eram muitas e aquela era mais uma. Era o meio termo entre ser uma humana e ter sua alma selada com o que, peculiarmente, chamavam de “Capiroto” – ela achava isso muito engraçado, inclusive.
Puxou a perna e sentiu sua cabeça pesar, a dor que aquela queimadura lhe causava a fazia perder todo o sentido e se descontrolava. Descontrolada ela não conseguia filtrar, ouvia tudo e todos, dos mais quietos aos mais falantes e todos os ruídos, e isso era perturbador. E estava ouvindo naquele momento os gritos de quem corria assustado de um lado para o outro, de quem só estava pensando e todos os movimentos dos seres humanos alheios ao que de fato era tudo aquilo, que queriam sair daquele lugar invadido por milhares de seres não humanos.
Olhou para cima e viu a abertura no teto, logo reconhecendo toda a situação. Eram demônios de guerra buscando problemas e aterrorizando a todos antes do horário permitido que saíssem da escuridão. Em cima dela teria caído uma lasca do concreto, mas alguém a havia empurrado e quando olhou para a direção oposta de seu tornozelo que estava começando a se curar, observou uma asa prata sutil e pequena. Era um anjo, mas ela nunca o tinha visto por ali.
Não que ela fosse morrer naquele acidente, mas se sentiu lisonjeada e um pouco do que havia lhe sobrado de humanidade gritou mais alto e a fez se levantar para tirar a parte da pedra que estava em cima daquelas asas.
– O que está acontecendo?
Ouviu a voz de mais um dos amigos de e reconheceu o mais novo do grupo deles, , coberto por poeira e preocupado com a situação. Olhou em sua direção e o viu pressionar os olhos, ajudando a se levantar enquanto se acostumavam com o pó no ar.
– Invasão, demônios que não tem o que fazer da vida inútil deles saindo antes da hora. – o respondeu irritado olhando em seu relógio.
– Mas o que eles querem justo aqui?
Não percebeu quando pensou na pergunta, apenas verbalizou e se deu conta quando todos a olharam por um tempo como se ela fosse um nada e depois de segundos a encararam como se tivesse dito algo absurdo.
E até poderia ser, a depender do leitor daquela situação.
– E o que demônios fazem, ? – a pergunta retórica de demonstrava sua irritação enquanto ele batia na própria roupa.
– Eu sei o que eles fazem, imbecil. Mas a questão é que aqui é muito exposto – disse varrendo o olhar no local. – e por mais que os humanos não tenham visão de asas, olhos endemoniados e afins, como se explica que esse teto caiu?
Revirou os olhos e novamente tornou a encarar o local que agora já estava vazio. O que era suspeito.
– Não consegue escutar ele? – ignorou toda sua repulsa e a questionou. – Ou sentir?
– Nada. – bufou. – Mas eu to sentindo esse calor infernal, vocês não?
Os garotos se olharam e por um momento queriam rir.
– De duas, uma: ou você está sentindo esse calor porque não para de ter pensamentos pecadores com . – , que ela não viu de onde veio, disse sarcástico. Ele estava sentindo bem o que emanava dela quando olhava para o amigo.
– Ou é porque você já é um ser do inferno mesmo e está sendo chamada pelo seu mentor. – completou.
e rapidamente cruzaram o olhar, ela, por sua vez, nenhum pouco envergonhada e ele totalmente indiferente com aquilo. Nada muito fora do padrão deles desde que se conheceram há milênios atrás. O olhar foi tão rápido quanto o impacto que todos ali sentiram ao serem jogados longe, cada um voando pelo ar e caindo em locais diferentes. O pior ficou para que teve seu corpo atravessado em uma viga, sendo perfurada na altura do estômago.
Ela não sentia tanta dor, mas era incômodo ter algo atravessando seu corpo. Diferente de que com o impacto na parede que foi lançado teve sua asa cortada na base, aquilo sim doía e se ele soubesse qual era a sensação de estar no inferno, diria que era uma dor infernal. e caíram um em cima do outro no fundo do bar, com diversos cacos de vidros das garrafas quebradas coladas em seus corpos. Enquanto e haviam alcançado a altura do mezanino, caindo em cima de mesas.
Enquanto tentava sair daquela viga, usando sua força para tentar quebrá-la, viu uma figura esguia, de pernas finas e rosto muito pálido, alto como se fosse impossível, se aproximar dela. Sua espinha ferveu quando em sua memória encontrou quem era aquela pessoa. Viu que não estava sozinho, seu grupo de soldadinhos também esguios mantinham atenção nos anjos que estavam, aos poucos, acordando.
– Eu não sabia que demônios simpatizavam com anjos, . – sua voz era melódica e quem não conhecesse Carlisle diria que era um anjo.
– E eu não sabia que ainda era moda entradas dramáticas… – ela rebateu. – E eu não sou um demônio, Carlisle. – completou se sentindo ofendida. Sabia que ele fazia aquele comentário para irritá-la.
– Sua alma já está tão condenada e vendida que eu não diria isso se fosse você.
Enquanto proferia suas palavras, Carlisle se aproximou mais e com uma facilidade absurda tirou a viga do lugar, puxando-a pelo corpo de . A mesma urrou com a sensação forte que aquilo lhe deu e desprevenida caiu no chão.
– O que você quer fora do inferno? – o questionou se levantando, seu humor estava chegando ao nível sombrio.
– Você. – ele sorriu cínico. – Lúcifer te deseja tanto lá embaixo e eu nunca vou entender o porquê dele querer alguém que teve uma vida tão miserável. Alguém tão fraco.
– Entendi… – riu, assumindo sua pose mais debochada. – Então quer dizer que você está com inveja? Demorou muito para descobrir que eu sou tão solicitada assim pelo senhor das trevas… As notícias lá embaixo correm mais lentas que as cartas do meio fio.
– Não, sua tola! – ela o viu perder um pouco da compostura com tal acusação e permaneceu com o sorriso debochado no rosto. – Eu sempre soube que você falharia até a última geração Min. – Carlisle deu alguns passos na direção contrária, parando em cima do anjo que havia ajudado na primeira vez que ela fora atacada. – Então decidi vir pessoalmente lhe comunicar que é meu objetivo que você falhe mais uma vez, quero te ver lá embaixo para poder cuidar de você, diferente do que Kartasi faz.
– Você realmente acha que eu tenho medo de você, Carl? – se aproximou lentamente dele, já sentindo seu corpo firme novamente e sem feridas.
O tom de deboche vindo de irritou o outro profundamente, o que o fez levantar-se em uma velocidade incomum, segurando-a pelo pescoço, suspensa no ar.
– Você é fraca, . É pífia. – riu maléfico apertando o pescoço da mesma. – Eu sei que seu coração não bate mais – enfiou a mão livre dentro do peito da mesma, apertando o órgão. -, mas ele ainda sente. – sorriu satisfeito ao vê-la se contorcer. – Você ganhou muito com a imortalidade, mas continua sendo uma humana patética. – puxou ela mais para perto e a colocando no chão, ainda com a mão firme em seu pescoço, disse em seu ouvido: – Marque bem minhas palavra quando digo que irá conhecer o inferno comigo.
já estava em pé no mezanino e assim que se recompôs viu Carlisle sussurrar algo no ouvido de que se debatia contra ele, até ele desaparecer como um pó preto junto de seus outros seguidores. caiu de joelhos e com a cabeça baixa; sentia o que ela estava pensando, sentia o medo emanado por ela e de alguma forma aquilo lhe causou um certo burburinho interno – como se estivesse preocupado.
, veja se ela está bem. – pediu ao amigo que já se colocava em pé ao seu lado.
– O que? Eu? Desde quando ajudamos ela? – o mesmo questionou enquanto batia em sua roupa preta para conter o pó.
– Somos seres celestiais, não negamos ajuda… – resolveu dar a primeira desculpa que pensou e quando ouviu o pensamento do outro, respondeu antes mesmo das palavras saírem: – E eu vou atrás de Carlisle com os outros, ele é o responsável pelo sumiço de Jongie.
E não teve muito que dizer, viu abrir suas asas negras e voar para fora dali sendo seguido pelos outros. Muita a contragosto desceu e caminhou em direção à que ainda permanecia na mesma posição. Conforme se aproximava ele sentia o medo que emanava dela. Consigo mesmo pensou que a melhor coisa para si era não poder ler seus pensamentos; ela viveu por milênios, viu muito e passou por muito, sua mente deveria ser muito perturbada.
O que ele escondia de todos os amigos, inclusive. enxergava de forma diferente às vezes; se conheciam há mais de dois mil anos, passaram muito tempo na corrida para mandar gerações Min para o céu ou inferno e pôde ter tempo para entender um pouco mais da imortal – chamada por muitos seres de estagiária de Lúcifer. Achava trágico como sua história se desenhou e muitas vezes não a via como ou que a tinham como um demônio da pior espécie. Ela era, em seu ver, uma pessoa condenada demais por bem pouco.
Se aproximou por completo e resolveu tirar a própria jaqueta jeans para envolvê-la, criando uma película que o impossibilitasse de qualquer contato de pele com pele.
– Por que está fazendo isso?
se assustou com a forma sutil de de se aproximar, era a primeira vez em anos que um anjo a ajudava de alguma forma. E ela nem se deu conta de como estava vulnerável, o permitindo sentir os seus pensamentos aterrorizados por conta do medo que emanavam.
– Eu sou um ser celestial, . – respondeu quase que parecido com
– Mas eu não sou humana para você ter a obrigação de me ajudar. – ela sentiu a mão dele por cima da jaqueta jeans em seus ombros, lhe dando forças para se levantar.
– Você é muito mais humana do que pensa, . – revirou os olhos com a própria fala. Podia simplesmente ajudá-la e sair dali.
Ela parou por uns instantes, digerindo o que ouviu e como estava sendo tratada. Ergueu a sobrancelha e o olhou duvidosa.
– Tá, o que é isso? Você nunca foi tão ruim comigo, mas também nunca foi legal assim… – questionou e quando ele ia responder fez um sinal de silêncio com a mão, ouvindo um barulho de choro e sentindo a presença de alguém. – Ah, merda, Jongie!
a viu sumir como um vulto e ficou no lugar parado, olhando para os lados. Quando ouviu o mesmo que ela seguiu para a mesma direção, a encontrando no corredor que levava ao banheiro embaixo do mezanino, sendo ameaçada por Min Jongie com uma faca. Ele queria rir no primeiro instante que viu a cena, mas se conteve ao pensar no do desespero do garoto.
– Ele viu tudo. Só não me pergunte como. – foi tudo o que ela disse olhando rapidamente para trás.

Nota da Autora
M-Hobi: Olá!!
E aqui estou com mais uma fanfic neste projeto incrível. Desta vez tenho companhia para escrever com nosso OT7 – e Hobi como principal, claro. Espero que vocês gostem!
Para me encontrar é só dar um alô lá no instagram/mhobiautora.

Beijus de luz.

Eri Pinheiro: Hey, armys! Aqui estoy com a minha primeira fic no fofic. Uma parceria com a linda e talentosa da M-Hobi.

Estamos trazendo um projetinho com os lindos do BTS em que estamos nos empenhando bastante. Espero que vocês gostem e aproveitem a leitura!