Break the Ice

Sinopse: Ela é uma lutadora, em um mundo em que a força física determina os vitoriosos e os perdedores. Ele é um músico, de alma mansa e sorriso fácil. Quando universos tão diferentes se encontram, é preciso aprender a ceder. A amar.
Fandom: SEVENTEEN
Gênero: Restrita
Classificação: +18
Restrição: Sexo explícito. Pode ser lida com qualquer pessoa.
Beta: Alex Russo



não se recordava de, algum dia, ter se sentido tão exausta. Era como se cada músculo, articulação e ligamento de seu corpo protestasse contra a verdadeira odisséia dos últimos meses, que culminara naquele fatídico dia. Como atleta, ela já havia passado por muitas dores – e nesse campo, aquelas que sentia na carne eram um tanto mais suportáveis do que as que tocavam seu ânimo, seu espírito – mas naquele dia algo parecia diferente. Era como se toda a adrenalina e foco que a carregaram até ali tivessem se dissipado com a vitória, deixando que enfim sentisse com cada célula de seu corpo os extremos a que se forçava. Ou talvez fosse apenas o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha com quem comemorar aquela vitória.
Não que estivesse, de fato, sozinha. Tinha seu treinador, sua equipe de preparadores físicos, uma família maravilhosa que mesmo a milhares de quilômetros se fazia tão presente. Tinha os fãs, uma companhia constante e que nem nos seus melhores sonhos ela teria imaginado. Tinha uma boa quantidade de amigos que no momento explodiam seu celular com mensagens exigindo uma comemoração à altura. À altura dela, the Panther, a mais jovem lutadora a disputar um cinturão do MMA.
Ignorando tudo aquilo, contudo, havia saído do ginásio e se enfiado no primeiro avião de volta para casa. Agora que finalmente chegara ao charmoso apartamento no centro da cidade, não podia compreender o motivo de tanta pressa para estar ali. Beirava o ridículo que se sentisse tão sozinha, simplesmente por não ter a sua espera aquele que sempre a recebia com as mãos sempre tão estupidamente geladas, e olhos capazes de aquecer seu corpo inteiro. Merda, era ridícula a falta que sentia de .
A mulher soltou a mala ao lado da porta, ignorando o fato de serem duas da manhã e ela ter vizinhos no andar de baixo, cansada demais para se importar. Dois passos para dentro da sala, e a visão do moletom vermelho virado do avesso sobre o encosto de uma cadeira chamou sua atenção e, fosse outra a ocasião, teria esbravejado pela casa. Naquele momento, contudo, a peça só parecia aumentar ainda mais a saudade que tinha dele, especialmente de quando a esperava na cama com um sorriso quase tão caloroso quanto o maldito agasalho. A ausência das chaves do carro penduradas detrás da porta, bem como o silêncio no ambiente – onde estivesse, haveria música –, eram provas suficientes de que estava sozinha em casa. sentiu um frio no estômago ao se lembrar da última conversa que tiveram pessoalmente, há algumas noites, quando disse uma série de coisas da boca para fora, ouvindo de volta um par de verdades doloridas que agora não tinham a menor importância.
O fato de o namorado não lhe acompanhar em nenhuma de suas competições já não deveria, àquela altura do relacionamento, ser um ponto de atrito entre eles. No início, se desgastava até as lágrimas, argumentando que aquilo era o equivalente a ela deixar de ir aos shows dele – como de fato ameaçava fazer, quando os ânimos se exaltavam demais – ao que o rapaz costumava retrucar que não havia muito mal que um baixo pudesse lhe causar e que, ao contrário dela, sempre retornava para casa inteiro.
Com o tempo, a mulher havia aprendido a respeitar sua decisão de, nas palavras de , ‘não se obrigar a ver sua namorada apanhando por livre e espontânea vontade’. Nos dias em que o humor estivesse elevado, argumentaria que quem deveria se preocupar com aquilo eram os parceiros de suas adversárias, e ganharia com isso um sorriso custoso daqueles lábios que, ela sabia, amavam derramar sorrisos e detestavam se abrir para discussões. Ela era a parcela implicante e causadora de problemas daquele duo, e sabia disso. também sabia, e a amava ainda mais por isso: havia algo na chama inquieta dentro de que combinava perfeitamente com sua quietude, e ainda que se apaixonar por alguém de um mundo tão diferente do seu tivesse um preço, na maior parte do tempo aquele era um valor pequeno a se pagar diante de todas as alegrias cotidianas que compartilhavam em uma vida lado a lado.
Daquela vez, contudo, as coisas eram diferentes para : aquela não era mais uma luta. Era a maior luta de sua vida, e no instante em que o juiz ergueu seu braço, consagrando-a vencedora, enquanto a multidão estremecia ao som de seu nome, ela buscou aquele par de olhos escuros e aconchegantes – olhos que, ela sabia, eram os únicos que conheciam a detrás da Pantera – e não os encontrou. não estava lá.
Com um suspiro inquieto e uma espiada nas horas, a mulher se livrou das botas encharcadas de chuva, finalmente tomando o moletom nas mãos com a desculpa de desvirá-lo do avesso, mas falhando ao se abraçar à roupa enquanto caminhava até o quarto, deixando que o tecido absorvesse uma lágrima solitária que escapou de seus olhos quando o medo de que talvez não voltasse para casa naquela noite tomou conta de sua mente exausta. Ao se deparar com a cama desarrumada de forma quase organizada – bagunçada do lado dele, intacta do dela –, fez questão de afastar aqueles pensamentos idiotas: logo estaria ali, e ela poderia aconchegar-se a ele, desalinhando a sua metade da cama. Livrou-se das roupas com alguns murmúrios doloridos, e cruzou o caminho até o banheiro da suíte na ponta dos pés para evitar contato com o chão gelado.
A mulher abriu o registro do chuveiro com um gemido pelo modo como seus músculos reclamaram diante da pequena força, que se transformou em um suspiro de satisfação assim que as primeiras gotas entraram em contato com a pele que parecia mais sensível que o normal. Fechando os olhos, desejou que a sensação de alívio e felicidade que sentiu no instante em que teve seu braço erguido ao final da luta criasse morada novamente dentro dela e, pouco a pouco, revivendo os meses de preparação e a caminhada que a levara até aquela vitória, sentiu-se novamente feliz. Quanto a , as coisas com ele se ajeitariam, ela sabia. Sempre se ajeitavam.
Não precisou de muito. O som das chaves largadas sobre a mesa, seguido do modo familiar como os passos ecoaram enquanto cobria a distância dali até o quarto foram o suficiente para que o coração de se acelerasse: ele estava em casa.
Talvez por ter respirado fundo vezes demais, no instante em que desembaçou o vidro do box com uma das mãos a silhueta de já estava ali, escorada no batente da porta. Os dois se encararam através do vapor que enchia o banheiro, e odiou o fato de sua felicidade vacilar diante do silêncio que se estendeu entre eles. Água quente ajudava com a dor, mas o olhar de … esse doía feito o inferno.
— Oi. – ele disse tão baixo que o som da água poderia ter se avultado sobre sua voz se não fosse o fato de estar acostumada demais àquele timbre, e ao modo como voltava sempre tão rouco depois de um show. O que era, honestamente, um espetáculo à parte do qual ela era a única espectadora.
— Eu ganhei. – respondeu, a voz soando tão falha quanto a dele. No seu caso, contudo, não havia como culpar outra coisa que não seus nervos à flor da pele que se tornavam ainda mais aflorados a cada passo do rapaz para dentro do banheiro.
— Eu sei. – suspirou, descendo os olhos para o chão por um momento, antes de erguê-los novamente na direção dela: sem palavras era uma novidade. Ele era, dentre os dois, aquele cuja sensibilidade e o sentimento se traduziam melhor, e aquele fato era tão raro que sentiu como se o ar se congelasse ao redor deles, servindo ao silêncio.
Sem desejar – ou conseguir – sustentar o olhar dele por mais tempo, desligou o chuveiro e levou uma das mãos até a toalha imediatamente, só voltando a encará-lo quando sentiu uma resistência e percebeu que ele segurava o outro lado do tecido.
— Eu quero ver. – a voz de era baixa e controlada e sabia o que ele reprimia ali: era repulsa e, ela se arriscaria a dizer, dor em sua forma mais pura. Do tipo que só se sente indiretamente, vendo o sofrimento de alguém que se ama. Curiosamente, era essa mesma dor que ela sentia ao ver o olhar ferido dele ao encará-la.
, não… – murmurou, conhecendo bem demais tudo aquilo: ele passaria um bom tempo se martirizando diante de cada lesão que marcava sua pele, e naquele dia em especial ela receava que as marcas fossem feias o bastante para piorar a situação entre eles. Por isso puxou a toalha com mais força, até que ela se desprendesse dos dedos do namorado, para então se enrolar no tecido felpudo e sair do chuveiro abraçando o próprio corpo a fim de se proteger da intensidade daquele olhar. Era exaustivo ter que passar tanto tempo fazendo o papel da fortaleza, e precisar fazer aquilo também em casa.
— Eu preciso ver, . – a voz dele soava mais estável dessa vez, e seus olhos solicitaram uma permissão velada no instante em que segurou o punho da mulher com delicadeza, enquanto o toque frio de suas mãos parecia confortavelmente familiar ao retirar a mão da jovem que segurava a borda da toalha sobre o colo, fazendo com que o tecido caísse no chão ao redor de seus pés.
cobriu os seios com um dos braços, a atenção fixa no rosto que a analisava de modo inescrutável. Sentiu lágrimas se formarem enquanto descia o olhar por seu corpo denotando tudo o que mais atacava o íntimo de uma mulher: repulsa, desgosto, agonia. Estava claro que ele não gostava nada do que via.
tinha o maxilar travado enquanto avaliava cada uma das marcas e rasuras naquele desenho irretocável que era a mulher que amava: lábio inferior inchado, um corte feio no supercílio que, pelas horas decorridas desde o fim da luta, já apresentava um roxo escuro que pioraria nos dias seguintes. Ao menos tinham lhe poupado o olho, dessa vez. Demorou-se na região do flanco esquerdo, e não precisava olhar para saber o que ele via: um hematoma horroroso fruto de joelhadas insistentes de sua adversária, cena que provavelmente faria vomitar caso tivesse sido forçado a ver. A outra era conhecida por sua violência, e a Pantera por sua resiliência: suportara mais golpes do que qualquer outra lutadora de sua categoria seria capaz de aguentar, e a verdade é que estava surpresa por não ter uma costela quebrada, dada a dor pungente que sentia no local.
— Satisfeito? – perguntou, a voz embargada sob a amargura de seu tom. Ela gostaria imensamente de controlar as lágrimas, mas bastou que os fechasse os olhos para que o choro cortasse suas bochechas, misturando-se à água do banho.
ergueu o rosto, deparando-se com aqueles olhos que, de tão bonitos, pareciam sobrenaturais: os olhos de Pantera que hipnotizavam e amedrontavam as adversárias. Que alertavam sobre quão perigosa ela podia ser. Olhos que o conquistaram no primeiro ato, e que agora fitavam os seus com uma dor que lhe machucava muito mais do que a visão do estrago em seu corpo.
— Eu não acredito que fizeram isso com você. – levou uma das mãos aos cabelos desalinhados, atormentado pela imagem do sangue coagulado sob a pele namorada – Pelo amor de Deus, … Isso não é normal, porra! – exclamou, mordendo a face interna das bochechas para aliviar a agonia que dilacerava seu peito.
, para! – apesar das lágrimas que vertiam dos olhos da garota, não havia fraqueza na voz dela ao falar. – Olha pra mim! – pediu, um tom mais alto, ganhando a atenção dele, que voltou a analisar as lesões em seu rosto. – Não… Não pra isso. – meneou a cabeça, deixando o braço cair ao lado do corpo para se revelar por inteiro: nua de corpo e de alma. – Olha pra mim. – implorou, e a voz dela embalou os olhos do namorado por uma nova excursão através de suas curvas, passando pela forma como o sangue se destacava em seus lábios e indo aos seios enrijecidos de frio. – , eu sou tua mulher. – sussurrou, trazendo uma das mãos pele para a região marcada pelo hematoma, que ele tocou uma suavidade que a fez se arrepiar. – E isso não é só o que eu faço. – o tom dela era tão baixo quanto impactante, e podia sentir calor morno que parecia emanar dela, derretendo-o por inteiro. – Meu amor, essa é quem eu sou. – terminou, e feito encanto que se completava os olhos do homem buscaram os seus, repletos daquele calor que eles agora compartilhavam.
— Eu sinto muito. – admitiu, e conhecia seu homem o suficiente para saber o quanto aquilo lhe custava. Ele deu dois passos à frente, aumentando a tensão que ocupava todo o cômodo feito uma entidade invisível – Sinto muito não ter ido à luta, . Você sabe que eu não consigo… – tentou continuar, mas precisou desviar os olhos dela caso contrário se veria mais uma vez odiando a maldita profissão que a levava quebrada para casa todos os dias. – Eu não consigo ver isso. – confessou, por fim, sabendo que ela compreenderia.
— Meu amor… – o sorriso de iluminou seus olhos, e parou por um segundo para admirar a beleza da mulher, que se fazia notar apesar de tudo. – Eu não estou machucada. – meneou a cabeça, diante do olhar descrente dele. – Isso não é nada. Eu tô feliz, , tão feliz! – deu vazão à comemoração que não tivera após a luta, arrancando dele um sorriso custoso, mas que quando veio aqueceu todo o corpo da mulher, de dentro para fora. Era esse o efeito que Jeon tinha sobre ela, e também foi o que fez com que desse um passo a frente, encostando a testa à dele com uma das mãos sobre o rosto anguloso do namorado, inspirando o cheiro conhecido de perfume, fumaça e álcool que emanava dele sempre que retornava de um show.
— Eu senti sua falta. – murmurou, os olhos cerrados e o coração finalmente se livrando do aperto que sentia toda vez que ela saía para lutar, e que só ia embora quando a tinha de volta inteira, em uma só parte. – Deus, como eu senti sua falta… – repetiu, e seus lábios roçaram os de àquelas palavras, fazendo com que ela os umedecesse com a ponta da língua, antes de moldar sua boca à dele com uma mansidão felina, dissolvendo com paciência cada linha de preocupação no rosto que amava de todo o coração.
A mão de , que antes tocava sua cintura machucada, encontrou um caminho prazeroso até os cabelos molhados da mulher. sentiu cada poro se arrepiar no trajeto que ele tocara, e deixou que sua língua fosse mais incisiva contra a dele em resposta, implorando que o homem deixasse de lado os receios e a beijasse como ela desejava. Como o desejava.
Tão logo se viu correspondida, deixou que ele tomasse o controle do beijo, aprofundando-o com a ajuda da mão que a segurava pelos cabelos, encaixando seus lábios aos dela com perfeição. As mãos de buscaram a barra da camiseta de e, enquanto deslizava a peça para cima, ela deixou que suas mãos passeassem pelo corpo do namorado, amando o grunhido baixo que ele emitiu em sua boca ao sentir as unhas dela em sua pele.
— Amor… – suspirou, assim que sua camisa foi ao chão, tentando ignorar a agitação que já fora capaz de despertar dentro dele com tão pouco. Segurando-a pelo queixo, ele deixou que seu polegar tocasse delicadamente o lábio inferior de , que estremeceu não pela dor, mas pelo modo incrivelmente atraente como os olhos dele não saíam de sua boca. – Eu vou te machucar… – murmurou, e a mulher não precisou pensar antes de buscar os lábios dele, mordendo o inferior com volúpia, de modo a deixar claro que aquela era a menor de suas preocupações. – , porra… – a voz dele veio tão rouca e tão grave que fez a namorada se contorcer ao som, desejando mais do que tudo ter a vibração da voz de quando ele dizia seu nome a lhe atingir bem onde mais precisava dele.
o conhecia bem o bastante para saber os motivos que o levavam a manter as mãos onde estavam, controlando-se como ela jamais seria capaz de fazer, por isso não respondeu de pronto. Tomou uma mão de entre as suas, guiando-a até o meio de suas pernas e assistindo com prazer ao modo como a respiração dele se tornou mais pesada e seus olhos se fecharam quando os dedos finalmente encontraram sua entrada úmida, que nada tinha a ver com a água do banho que ainda escorria por sua pele.
—Você nunca me machuca… – sussurrou, introduzindo um dedo dele em sua intimidade. O gesto fez estacar por um momento, mantendo no rosto uma expressão indecifrável, antes ser vencido pelo gemido que escapou dos lábios dela quando ele curvou levemente o dedo, fazendo com que estremecesse de prazer. – – gemeu, sustentando-se nos ombros dele enquanto sentia a respiração arfante do namorado em seu pescoço, arrepiando-a dos pés à cabeça pelo modo como os dedos dele continuavam imóveis dentro dela, preenchendo-a sem de fato a estimular da maneira como mais desejava. Era feito estar à beira de um precipício, quando a menor brisa seria capaz de fazer com que caísse.
Quase imperceptivelmente, ela moveu os quadris para frente e então para trás, testando a sensação e gemendo baixo pelo quão delicioso era sentir os dedos dele escorregando contra sua intimidade. Ela buscou os lábios de , e o modo como a língua dele envolveu a sua fez com que se contraísse, apertando os dedos dele em seu interior, e aquilo foi feito romper a última amarra que ainda ligava o rapaz ao que restava de seu autocontrole: os dedos de assumiram o controle, tocando-a tão bem quanto ele fazia nos palcos, encontrando notas e acordes secretos que se traduziam feito música conforme ela gemia para ele, chamando seu nome. Também como uma canção, sentiu construir seu prazer até o momento em que a melodia cessa apenas para preparar a descida, o refrão, o ápice. E naquele momento, enquanto seu corpo inteiro formigava diante da onda de prazer que a envolvia, a música dele curava cada uma de suas feridas.
sustentou o corpo da namorada por alguns segundos, beijando os cabelos molhados de enquanto ela respirava profundamente, a testa apoiada ao ombro dele até que sua mente deixasse de flutuar e ela procurasse os lábios dele para um beijo lento, embriagado de sentimento. Ele era cuidadoso ao beijá-la, agora, segurando seu rosto entre as mãos como se ela fosse a coisa mais preciosa em todo o mundo. E, naquele instante, era exatamente assim que ele fazia com que se sentisse.
— Eu amo você… – ela soprou entre os lábios dele e partiu o beijo, afastando-se ligeiramente e dando espaço para que admirasse aquele sorriso como ele devia ser apreciado: não havia nada em todo o mundo que fizesse o coração da mulher bater tão descompassado quanto aqueles sorrisos íntimos, que lhe entregavam tanto de . Era como espiar bem dentro de seu coração e, nesse caso, ela tinha a grata surpresa de se enxergar do outro lado.
— Eu te amo mais. – ele passou as mãos suavemente pelos braços da namorada, acalmando sua pele arrepiada de frio. – Vem deitar, deixa eu cuidar de você. – pediu, pegando a toalha esquecida no chão e cobrindo o corpo de com ela antes de abraçá-la enquanto cobriam o pequeno trajeto até o quarto.
se sentou na ponta da cama com de pé diante dele e se ocupou de secar pacientemente cada parte do corpo dela, mantendo os olhos em cada pedacinho de pele que se revelava, tentando não demonstrar em suas expressões o quanto cada machucado lhe agredia. Ao terminar, abraçou a mulher pela cintura, descansando a cabeça em seu corpo e perdendo o sorriso brando que surgiu nos lábios de quando ela passou a correr delicadamente os dedos pelos cabelos dele, até se sentar sobre seu colo e tomar os lábios dele entre os seus mais uma vez.
, você precisa descansar… – ele começou, sentindo a própria tensão crescente no instante que a namorada começou a movimentar os quadris sobre ele, pressionando seu centro contra o volume que se anunciava entre suas pernas.
— Depois. – assegurou, voltando a beijá-lo e não reprimindo um sorriso quando as mãos do rapaz seguraram com mais força em suas pernas. – Eu preciso de você, amor… – o pedido murmurado em seus lábios foi o necessário para que se rendesse, enfim. Ele também precisava dela.
O rapaz se levantou mantendo em seu colo e, quando a deitou na cama, precisou tirar um minuto para admirar a visão: tinha a pele arrepiada e as bochechas ruborizadas de prazer, a boca entreaberta e pronta para soltar um gemido. A força que a mulher emanava era um dos motivos pelos quais se apaixonara por ela, mas nada, absolutamente nada, o excitava mais do que vê-la completamente entregue, rendida por sua própria vontade.
Ele tirou os jeans, e quase riu do sorriso nos lábios de quando ela se apoiou nos cotovelos para observá-lo se despir: ela fazia parecer que era ela quem tinha algo pelo que ser grata, quando era ele quem tinha ao seu lado a mulher mais incrível do mundo inteiro. tombou a cabeça para trás no instante em se abaixou, deixando beijos pela face interna de suas pernas, até enfim encontrar a região que, ele pôde sentir mesmo antes que seus lábios a tocassem, era tão, tão quente. No momento em que a língua dele tomou o espaço que seus dedos antes ocupavam, o corpo de se arqueou dolorosamente: ele a beijava ali com a mesma intensidade com que fazia tudo o que mais amava e aquilo, por si só, era excitante o suficiente para que a mulher precisasse se agarrar aos lençóis.
— Amor, por favor… – pediu, puxando os cabelos do rapaz de leve, apenas o suficiente para ver a boca dele brilhando pelo quão molhada ela se entregava a ele. Ela não precisou completar para que a compreendesse: precisava senti-lo. Precisava dele dentro dela, tomando-a e clamando-a sua. Sem nunca tirar os olhos dela, ele continuou seu caminho ascendente pelo corpo da mulher, correndo a língua pela área machucada em seu abdome e fazendo com que estremecesse ao fechar os lábios ao redor de um mamilo, enquanto se alinhava à entrada dela, umedecendo-se com a sua excitação.
— Você é linda… – murmurou contra os lábios dela, deixando que suas línguas se encontrassem e provasse seu gosto de forma tão excitante que fez seu interior se contorcer em expectativa – Tão linda, … – completou, entrelaçando seus dedos aos dela e cerrando os olhos antes de finalmente investir contra a entrada da mulher, arrancando de um gemido aliviado pela dor de tê-lo por inteiro.
Ainda que suas pálpebras pesassem e ela desejasse cerrar os olhos de prazer, se forçava a mantê-los bem abertos: ela amava o modo como o suor se formava na testa de , e o fato de que ele mordia os lábios para controlar os gemidos sempre que ela se contraía ao seu redor. Adorava as veias que se distendiam em seu pescoço, e os olhos dele que sempre buscavam os seus, fodendo sua mente muito mais do que fazia com seu corpo.
Cada investida dele era profunda, lenta, como se não houvesse nada de que ele ousasse deixar de explorar. E então, sem prepará-la para o que estava por vir, mergulharia em um ritmo intenso que a levava aos limites da loucura pelo quão perfeitamente conhecia seu corpo e seu prazer. Sexo com era música, e sabia aproveitar o show.
Notando que ele não duraria muito caso continuassem naquela posição, a inverteu tão rápido que só se deu conta disso quando já estava sentada sobre ele, sem que tivesse saído de dentro dela por um segundo sequer. O sorriso felino nos lábios da mulher denunciava o que estava por vir, e sentia que poderia gozar só com o pensamento: naquele momento ela era a Pantera, e ele sua presa. Sexo com era luta, e sabia reconhecer uma vencedora.
— Eu quero que você olhe. – a voz dela era firme, em nada parecendo a menina entregue que ele via enquanto a tocava até que gozasse. Agora ela era mulher, sua mulher. E faria dele o que quisesse. – Eu quero que olhe pra mim.
E olhou. Mais que olhar, admirou a forma como os quadris dela dançavam, subindo até que ele saísse quase completamente de dentro dela, apenas para cair novamente sobre ele, matando-o de prazer com quão apertada ela se fazia para recebê-lo. gemia, levando a mão aos cabelos enquanto cavalgava sobre ele, dando a uma visão espetacular de seus seios, que ela envolvia com as mãos. Um sorriso largo se abriu no rosto da mulher ao perceber que não prestava mais atenção às suas lesões, apertando sua cintura sem receios e, por mais que estremecesse de dor, aquele sentimento era mais libertador que o sexo em si.
… – a voz dele se parecida mais com um grunhido, e a garota se deitou sobre ele, acelerando os movimentos do quadril enquanto sentia seu próprio corpo se aquecer de maneira espetacular, numa mistura poderosa de dor e prazer. mordeu os lábios, dando suas próprias investidas ancorando as mãos nas coxas da mulher, até se derramar dentro dela com o rosto enterrado em seus cabelos.
desabou sobre ele, e demorou algum tempo até que um dos dois se movesse. iniciou um carinho leve em seus cabelos, e o sorriso nos lábios dela surgiu de modo involuntário. Passado o ápice do desejo, ele podia novamente ver cada um dos machucados no corpo de . Naquele momento, contudo, o sorriso dela lhe parecia mais importante que todo o resto.
— Eu sinto muito orgulho de você. – murmurou, a voz tão rouca que algumas sílabas se perderam no processo. Aquela era a maior declaração de amor que poderia desejar e, naquele momento, depois da maior conquista de sua vida e tendo os braços de para chamar de casa, ela era a mulher mais feliz em todo o mundo.
— Eu também te amo.


NOTA DA AUTORA:
Ai, Break the Ice… <3 Eu tenho um carinho tão grande por esse plot, que tinha muito medo de não conseguir traduzir todas as emoções que imagino pra esse casal. Esse pp é muito meu amorzinho, então espero de verdade que tenham curtido! Qualquer crítica ou comentário é muito bem vindo! Me deixem saber o que acharam! Muito obrigada por ter ficado até aqui, e até a próxima! Beijinhos, Belle.