Duality

Duality

Sinopse: Os dilemas de ser manager do SuperM, amar seu trabalho e, ao mesmo tempo, sentir uma atração absurda por Lee Taeyong e sua inexplicável dualidade.
Fandom: SuperM
Gênero: Romance, ficção
Classificação: 18
Restrição: Lee Taeyong é personagem fixo.
Beta:  Rosie Dunne

Capítulos:

Capítulo 1

 

O backstage está tão quente que, enquanto eu corria, desviando das pessoas, dos cabos espalhados pelo chão e das caixas de som, eu me pergunto se tinha morrido e ido para o inferno. O show está prestes a começar, era o momento em que normalmente eu podia relaxar por pelo menos uma hora, mas quem disse que eu conhecia a palavra relaxar?
Eu seguro o blazer de camurça vermelho, que já devia estar no corpo de Taeyong, entre meus dedos com o cuidado que uma mãe segura um filho recém nascido, mas a minha vontade é de jogar a peça na cara daquele desmiolado.
Como é que ele esquece de colocar a roupa completa para o show?

Continuo minha corrida de obstáculos e, merecendo uma medalha, finalmente chego embaixo do palco onde os sete meninos já estão alinhados lado a lado sob uma plataforma, recebendo os últimos ajustes no equipamento.

– Um minuto, SuperM! – a voz de alguém da produção grita em algum lugar, mas está uma correria tão grande que é difícil identificar quem é.

Estou próxima o suficiente agora para ver a cara de desespero que se forma no rosto de Taeyong, quando ele olha ao redor atrás de algo. Sei que é a mim que ele procura no meio dos rostos mal iluminados ao seu redor, porque seus olhos assustados como um filhotinho abandonado ganham um brilho aliviado quando ele me vê caminhando em sua direção.

– Me desculpa, estava muito calor, eu… Me desculpa. – ele pede numa voz arrastada que oscila entre a inocência e a manha. Toda a raiva que eu estava sentindo minutos atrás, quando percebi que ele havia esquecido a peça de roupa no camarim se esvai. É simplesmente impossível ficar brava com Taeyong.

Seu cabelo tem um tom leve de roxo e está impecavelmente penteado para trás, deixando sua testa exposta. Um perigo para a minha sanidade.

– O que seria de você sem mim, hein? – chacoalho a cabeça para os lados, sentindo o coque em meu cabelo, que está preso por uma caneta, se desfazer aos poucos e cair sob meu rosto suado.

Apesar do meu tom repreensivo, perco vergonhosamente a batalha contra a vontade de sorrir. Ainda bem que ele já me conhece a tempo suficiente para saber que eu sorrio o tempo todo, o que ele não sabe é que a causa desse sorriso é ele.

Dou a volta em seu corpo ao mesmo tempo que ele estica os braços para trás. Por um segundo muito curto posso apreciar as veias saltadas que se destacam desenhadas por toda a extensão de seus braços, descendo até suas mãos, que estão cheias de anéis prateados. Mesmo na pouca luz do ambiente em que estamos é como observar uma quadro pintado a mão, mas não tenho tempo de olhar como eu gostaria.

Subo o blazer apressadamente por seus braços, mas tomando todo o cuidado necessário para não tocar sua pele, já que há muito tempo percebi o que seus toques podem causar em mim. Mesmo que não deviam causar. O viro de frente para mim sem muita delicadeza para ter certeza que a gola está perfeitamente alinhada assim como todo o resto, o que acaba fazendo surgir um bico quase imperceptível em seus lábios.

– Não faça essa cara. Depois nós conversamos sobre seu castigo por ter me feito correr até aqui feito uma doida. Eu quase caí e quebrei a perna – eu exagero e ele arregala os olhos assustado, caindo no meu drama. Sua expressão é tão adorável que eu sinto vontade de apertar sua cara até ele explodir.

Maldição de garoto fofo!

– Eu sinto muito, sabe que eu não seria nada sem você – Aquela frase poderia muito bem ser um flerte, mas vindo dele, com aqueles olhos enormes e aquela boquinha entreaberta que ele insistia em ficar passando a língua inconscientemente, soava mais como uma criança cheia de admiração pela irmã mais velha.

Maldição! Mil vezes maldição!

– Quinze segundos! – a mesma voz grita, e só quando me afasto com um passo para trás é que percebo que talvez eu estivesse próxima demais dele.

– Eu sei, mas eu não vou pegar leve – eu apenas sorrio de volta, já me afastando – Destruam naquele palco, meninos! – grito por cima do som ensurdecedor que começa a ser ouvido através da abertura que começa a se formar acima de suas cabeças, por onde a plataforma vai passar.

Todos olham por cima do ombro e abrem sorrisos diferentes para mim. Mark e Kai tem seus típicos sorrisos animados, que poderiam iluminar todo aquele lugar sem precisar de nenhum holofote; Taemin e Baekhyun compartilham sorrisos calmos e concentrados, como os incríveis líderes que são; Ten e Lucas sempre foram os mais tímidos comigo, com sorrisos e palavras contidas.

Mas antes da plataforma subir e sumir da minha vista, é o sorriso de Taeyong que mais me intriga. Sua feição muda tão rapidamente, que um arrepio desce por minha coluna em direção a um lugar que eu preferia que continuasse adormecido. Da água para o vinho. Da fofura inocente e pura, para um olhar intenso e arrebatador que despe meu corpo e me penetra até a alma, um sorriso cheio de segundas intenções, que me faz questionar se aquele é o mesmo Taeyong de segundos atrás.

Eu sinto meu interior esquentar.

– Conseguiu chegar a tempo? – escuto uma voz questionar alta e afobada ao meu lado e demoro alguns segundos para me dar conta de que é quem pergunta.

– Ah… Consegui. Quase enfiei o blazer pela garganta dele, na verdade – levanto o punho no ar, com meu melhor olhar ameaçador, ainda voltado para o lugar onde Taeyong estava a poucos segundos.

– Conta outra, – ela revira os olhos rindo e cutuca o meu ombro – Você não consegue ficar brava com ele. Não consegue nem dizer não para o garoto. Semana passada ele quase entrou numa entrevista de chinelo. Ontem ele dormiu na sua cama e você teve que dormir no meu quarto. Ele vive no mundo da lua e você nunca fala nada. Até fica pistolinha, mas é só ele te olhar com aquela cara de filhote que caiu do caminhão de mudança que você se derrete toda – eu aponto para ela, com a cara fechada, pronta para rebater, mas não tenho argumentos porque ela está certa – Nem se preocupe em negar, são apenas os fatos. Agora vamos, eu quero assistir o show.

me arrasta pelo braço por baixo do palco, desviamos de alguns pilares de metal que sustentam a estrutura gigantesca, até chegarmos a escadaria lateral que nos leva para fora daquele lugar claustrofóbico. Finalmente posso respirar aliviada.

Somos recebidas pelos gritos ensurdecedores da multidão de fãs, que vão ao delírio com a apresentação de I Can’t Stand the Rain, que abre o show do SuperM. As luzes dos holofotes piscam e iluminam o palco, indo até o céu de Los Angeles e eu fico encantada, boquiaberta, assim como em todo show.

Trabalho com eles faz mais de um ano e ainda me arrepio até a alma toda vez que vejo eles em cima do palco.

 

A chuva monta meu corpo e desce
A sede por você fica mais intensa

 

Meus olhos encontram Taeyong no meio da coreografia complexa e não desgrudam mais de seu corpo, enquanto a música estrondosa e a aura envolvente enchem todo o ambiente a minha volta, me desligando do mundo. Sua beleza sob as luzes me abala de forma singular. A forma com que ele se move, como se controlasse a batida da música com cada gesto e não ao contrário, faz os pelos da minha nuca se eriçarem.

É como admirar um ser divino.

 

Ela me fez mal, me deixou louco
Sem descanso, eu estou desejando você

 

A coreografia fez com que ele virasse de costas para a plateia por alguns segundos, consequentemente ficando de frente para onde nós estamos, quase atrás do palco. Sua expressão fez todo o ar dos meus pulmões sair num suspiro pesado, quase um gemido sôfrego, que para a minha sorte jamais poderia ser ouvido graças a música alta e os gritos enlouquecidos. Me sinto quase sufocar pela intensidade dos sentimentos que tomam conta do meu corpo.

 

Mais quente eu quero queimar, eu vou passar por isso por você
Eu não vou deixar pra lá
Torna-se um paraíso brilhante
Ah, sim, eu não suporto a chuva

 

Taeyong não era um ser divino, ele era um demônio.

Seu olhar faz com que arrepios se alastrem por toda a minha superfície e abalem até os meus ossos. É impactante. Poderoso. Algo em seus olhos é faminto, tão selvagem que suas íris me queimam e controlam meu corpo. Eu reajo inconsciente, pressiono minhas coxas uma contra a outra, meu interior lateja e estremece. Sinto meus mamilos túrgidos roçarem contra o sutiã e isso me faz soltar outro suspiro que agora tenho quase certeza que foi um gemido.
Um formigamento tão gostoso quanto perigoso desce pelo meu ventre até a minha virilha, me fazendo pulsar mais uma vez. Sinto minha calcinha ficar cada vez mais molhada. Minha frequência cardíaca acelerada faz o ar ser cada vez mais difícil de respirar. Uma gota de suor gelado escorre por minha espinha dorsal, em contraste com meu corpo que está fervendo.

A sanidade abandona minha mente, esqueço completamente a minha posição e enfio o profissionalismo em um dos lugares que estão latentes nesse momento, e todos os meus pensamentos são completamente depravados.
Taeyong dançando me seduz, magnetiza, enfeitiça. Algo tentador exala de cada respiração sua e me prende, me faz desejar estar perto o suficiente para sentir seu hálito quente em minha pele. Desejo tocá-lo como jamais desejei nada na minha vida. Quero sentir sua boca passeando pelo meu corpo, assim como quero me afogar em cada curva do seu.
Minha imaginação segue o despindo daquelas roupas, e me sinto morder o lábio inferior, para conter a vontade quase vergonhosa de devorá-lo. O imagino completamente entregue, tão excitado quanto eu estou nesse momento.
E então a música chega ao fim e com ela toda a minha fantasia. Recupero a racionalidade e a realidade me acerta como um tapa na cara. Me sinto ridícula.

O que eu estava pensando? Eu sou sua manager. Posso ser demitida. Ele é um idol mundialmente famoso e completamente inalcançável. Ele é quatro anos mais novo que eu. Ele é apenas um bebê.

– Amiga, você tá bem? Tá pálida, suando – grita em meu ouvido, por cima dos gritos escandalosos da plateia que agora reage ao grupo se apresentando. Me observa de perto com seus olhinhos preocupados – Quer uma água?
– Preciso de um descanso – meus olhos ainda estão vidrados na figura em cima do palco. Não consigo desviar o olhar. Sua pele brilhante de suor ainda me hipnotiza, mesmo que agora sua expressão seja mais suave. Ele é tão lindo que quase me causa dor física.

Taeyong performando me tira do eixo, ofusca meu raciocínio e a pior parte é que ele nem se dá conta disso, porque eu sou muito boa em esconder qualquer tipo de sentimento. Sem contar que eu tenho meu emprego para manter, meu profissionalismo ainda é mais forte que meu tesão. Ainda.

Meu Deus! Eu pareço uma adolescente na puberdade. Por tudo que é mais sagrado, eu preciso urgente transar!

 

Capítulo 2

Ainda com as pernas bambas, resolvo esperar o show terminar largada em uma das poltronas da sala verde, sob o pretexto de não estar me sentindo bem. A desculpa colou tão bem que acabei deixando até algumas pessoas preocupadas, o que teria pesado na minha consciência se eu não tivesse outra coisa ocupando ela completamente.

Passei no banheiro apenas para constatar que minha calcinha estava completamente arruinada. Enrolei e prendi meu cabelo novamente com a caneta, deixei a água fria em contato com meu rosto escorrer pelo meu pescoço, me acalmando aos poucos e agora estou buscando em minha lista de contatos uma forma de resolver meu problema de tesão acumulado.

É a única explicação plausível para eu estar tão descontrolada quando o assunto é Taeyong. Não é nenhuma novidade o que ele causa em mim desde a primeira vez que o vi performando com selvageria e depois tive que lidar com a dualidade de uma personalidade extremamente fofa fora do palco, mas jamais fui tão longe a ponto de ter aqueles pensamentos pecaminosos e acabar quase gozando em pé só de admirá-lo dançar.

Deslizo meu dedo pela tela do celular, lendo os nomes com cuidado. Quais eram minhas opções?

Yin Dongyul. Meio chinês, lindo, querido, bem sucedido, sempre disponível, muito carinhoso, talvez carinhoso além da conta. Sexo amorzinho demais. Estou precisando de algo com mais fogo.
Como se tivesse vida própria, minha mente vaga para a lembrança da forma como os olhos intensos de Taeyong pareciam pegar fogo em cima do palco minutos atrás. Será que eles queimavam daquela forma na cama também? Qual seria a sensação de tê-los explorando meu corpo, fervendo em desejo? Chacoalho a cabeça, afastando os pensamentos impuros e voltando minha atenção para a tela.

Park Banryu. Fotógrafo que, eventualmente, nos acompanhava em alguns shows. Charmoso, engraçado, inteligente, uma leve tendência a falar demais sobre si mesmo. O sexo era 7/10, o que para a situação atual seria mais que suficiente, se um fato importante não tivesse cruzado minha mente. Ele era virginiano. Tenho pavor a homens desse signo.

Rapidamente meu cérebro começa a traçar o mapa astral de Taeyong, que já conheço tão bem quanto o meu. Câncer com ascendente em escorpião, a dualidade em pessoa. Lua em leão, vênus em gêmeos, mas como nada é perfeito, tinha que ter marte em virgem…

Porque diabos estou pensando nisso? Foco, ! Pare de pensar no Taeyong e encontre alguém para transar.

Jason! O nome inglês se destaca no meio de tantos nomes coreanos. O amigo americano do Mark, que as vezes aparece nos shows aqui. Uma gracinha de pessoa, mas flertava comigo em todas as oportunidades que tinha. E até nas que não tinha. Bom de papo e melhor ainda de cama, de acordo com . Exatamente o que eu preciso nesse momento.

Abro o aplicativo de mensagens e digito rapidamente uma mensagem muito direta, deixando bem claro as minhas intenções. Mas, antes que eu possa pressionar o botão de enviar, a porta dupla da sala verde se abre e todo o ambiente silencioso muda drasticamente. Sete garotos entram, afobados, pingando suor, seguidos por algumas pessoas da equipe de produção.

– … acabou e aí eu não vi a garrafinha no chão, escorreguei e caí de bunda no pé do Ten – a voz brincalhona de Taeyong chega aos meus ouvidos.

Eu me levanto rápido, guardando meu celular no bolso da calça. Caminho em direção ao freezer, abasteço minhas mãos com 4 garrafas de água e 3 de energético, enquanto escuto o resto da conversa. Eles ainda exalam a energia extasiante do show.

– Vai ter vídeo desse tombo de todos os ângulos possíveis na internet amanhã, se prepara para ser zoado, Tae – Mark caçoa, se jogando no primeiro sofá livre que encontra e tirando os sapatos.

– Já deve ter, nunca duvide da rapidez do fandom – Baekhyun completa.

– E o pior é que eu vou ser zoado também, e nem tive culpa de nada. Só tava no lugar errado, na hora errada – Ten completa, abre alguns botões de sua camisa preta e eu desvio o olhar respeitosamente. Logo todos eles já estão largados lado a lado nos dois sofás em L no meio da sala.

– Você estava no lugar certo, na hora certa, ou minha bunda estaria doendo bem mais agora – Taeyong manda um beijinho no ar para ele que torce o nariz para o amigo.

É nesse momento que eu chego até eles com as garrafinhas empilhadas nas mãos habilmente. A conversa continua se desenrolando cada vez mais preguiçosa, denunciando o quanto eles estão exaustos. Entrego as águas para Taemin, Baekhyun, Jongin e Ten. Lucas, Mark e Taeyong preferem as bebidas energéticas. Depois de tanto tempo trabalhando com eles, eu já havia decorado as preferências de cada um para praticamente tudo.

, você filmou? – Mark pergunta para mim, mas eu apenas o questiono com o olhar, sem entender do que ele está falando – O tombo do Tae, diz que você filmou, por favor. Quero mandar no grupo do Kakao.

– Infelizmente não filmei, nem assisti ao vivo. Não acredito que perdi isso. Tomara que a tenha filmado – minha voz tem frustração genuína, porque eu queria muito ter visto isso para rir da cara dele depois.

Me afasto até uma moça baixinha da produção, que me entrega uma pilha de toalhas brancas perfeitamente dobradas e eu jogo uma para cada um deles. Faço questão de acertar a cara de Taeyong quando jogo a dele, que me responde com uma carreta emburradinha que me faz querer apertar suas bochechas.

– Eu não tava me sentindo bem, então vim descansar um pouco antes de vocês me darem mais trabalho. – reclamo, mas eles sabem que não falo sério.

– Perdeu apenas o melhor show da turnê toda. – Baekhyun comenta, como quem faz pouco caso. Seu cabelo rosa está grudado em sua testa pelo suor, mas ele sorri orgulhoso e eu sorrio de volta, com o mesmo sentimento.

– Você diz isso todo show, Baek. – digo por cima do ombro, porque preciso me afastar mais uma vez para procurar a caixa de lentes que está em algum lugar da bagunça da mesa de maquiagem.
Sei que quando Taemin começa a piscar demais, ou manter os olhos fechados, protegidos da claridade com o braço como está fazendo agora, é porque as lentes de contato estão começando a incomodar. Então entrego a caixinha para que ele as retire, e ganho um sorriso pequeno e bonito como agradecimento.

– Dessa vez ele tem razão. – Kai completa, usando uma mão para se livrar dos suspensórios, e a outra secando a testa com a toalha, por baixo do cabelo cinza que pinga suor – Esse show foi uma coisa de outro mundo. Tudo estava vibrando. A energia das fãs estava extraordinária.

– E que tal dizer isso para elas? – Eu balanço o celular da companhia na frente deles, que logo entendem o que eu quero dizer. Mark e Lucas fazem uma careta, prontos para reclamar, mas eu levanto o dedo indicador com a minha melhor cara de repreensão antes que eles abram a boca – Sem fazer essa cara, gente. Sei que estão cansados, então é só uma livezinha para agradecer os fãs pelo show de hoje, dizer como se sentiram, e vocês estão livres. É coisa de 10 minutos e aí tem um banquete esperando para ser devorado por vocês no hotel, ok?

Não é como se eles tivessem opção, muito menos eu. Não faço o cronograma deles, apenas sou responsável por garantir que tudo seja devidamente cumprido, e ninguém é melhor nesse trabalho do que eu.

Abro o aplicativo, ajeito o celular numa posição que pegue todos eles, que se ajeitam mais próximos uns dos outros e quando Beak faz um sinal de joinha para mim, eu saio de cena e deixo o resto com o grupo. Apenas observo de longe, atrás das câmeras, junto com as outras pessoas da equipe. O carinho e devoção com o qual eles agradecem os fãs, mesmo estando esgotados e desejando mais que tudo ir pro hotel comer e dormir, é algo que faz meus olhos se encherem de lágrimas orgulhosas.

Eu amo meu trabalho. E amo esse grupo.

Taeyong permanece estranhamente quieto durante toda a live, mas quando ela acaba e a sala verde fica movimentada pelo pessoal que arruma tudo para irmos embora, e antes que eu sequer tenha a oportunidade de questionar se há algo errado, ele vem até mim. Me puxa pelo pulso até uma poltrona no canto mais afastado da correria.

– O que você tem? – Ele dispara as palavras apressado, como se quisesse perguntar aquilo há muito tempo.

Seus olhos grandes e brilhantes estão muito próximos e aguardam uma resposta com expectativa e preocupação. Não consigo raciocinar direito porque ele ainda está segurando meu pulso e seu dedo indicador se move minimamente, no que eu vergonhosamente considero um carinho que nubla minha racionalidade e faz meu interior implorar por mais contato.

– Hã?

– Você disse que não estava se sentindo bem. O que você tem? Está melhor? Quer ir ao médico? – A cada pergunta seus olhinhos piscam e crescem. Sua cabeça tomba levemente para o lado e ele solta meu pulso para correr os dedos pelo cabelo, jogando os fios bagunçados para trás.

– Ah, isso… – desvio o olhar por um segundo, tentando raciocinar rapidamente, o que é mais fácil agora que ele não está me tocando. Não posso simplesmente contar que quase desmaiei de tesão ao vê-lo dançar, então uso a mesma desculpa anterior e torço para ele não me conhecer bem o suficiente para saber que estou mentindo – Foi só uma tontura, nada de mais. Fiquei fraca pelo calor e por ficar correndo pra lá e pra cá por causa do show. Ainda mais quando um certo membro não colabora e vive esquecendo as coisas, me fazendo quase morrer do coração – eu cutuco seu peito, e ele abre um sorriso envergonhado que desestabiliza todo meu interior, porém nada demonstro – mas já estou bem, não se preocupe.

– Tem certeza?

– Na verdade, não. Mas vou ficar se você me comprar um Samanco¹. Estou com vontade de comer desde que saímos da Coréia.

– Esse é meu castigo por ter esquecido o blazer? – Ele pergunta, e eu inclino a cabeça sorrindo, desacreditada. Garoto audacioso.

– Vai sonhando que vai ser fácil assim. Isso é por ter se preocupado comigo, bonitinho – finalmente não resisto e acabo apertando sua bochecha, me levantando para voltarmos ao hotel.

Ele faz uma careta, não sei se para o meu ato ou para a apelido que uso sempre que quero implicar com ele – Seu castigo por ter me feito correr daquele jeito vai ser me fazer uma bela massagem.

¹ Samanco é um sorvete em formato de peixe, com uma casquinha de biscoito wafer por fora, recheado com sorvete de baunilha e um creme que pode ser sabor feijão vermelho, chocolate ou morango.

Capítulo 3

 

Quando descemos da van, em frente ao hotel onde estamos hospedados, me sinto confusa e exausta de tentar me entender. Preciso respirar fundo várias vezes no meu trajeto até o elevador e, quando finalmente chego, recuso educadamente o convite para comer, me despeço dos meus colegas de trabalho e me apresso para chegar ao meu quarto.

Jogo minha bolsa de qualquer forma em cima da única poltrona vermelha e vou em direção ao banheiro. Tiro minhas roupas, como se o ato fosse um ritual de exorcismo, para tirar de mim aqueles pensamentos sujos e me tranquilizar. O que claramente não funciona. Descanso a cabeça sob a ducha forte para lavar o suor e, quem sabe, a confusão da minha mente. As marcas de excitação ainda estão em meu corpo, escorrem pelas minhas coxas e, quando me toco, eu estremeço.

Saio do banheiro uma hora depois, enrolada no roupão branco e macio, uma das vantagens dos hotéis. Me jogo na cama enorme e perfeitamente arrumada, meus cabelos molhados logo tingem todo o tecido, mas eu não me importo, porque preciso fazer algo desesperadamente.

Meus dedos passeiam pelo interior das minhas coxas trêmulas e eu as aperto com força, querendo descontar ali minha frustração por precisar fazer isso sozinha, quando o causador de todo aquele tesão está em algum quarto muito próximo ao meu.

Afasto meus joelhos um pouco mais, abrindo o roupão e descobrindo meu corpo quente e úmido. Meus dedos começam a serpentear explorando toda a minha intimidade, já completamente molhada e sensível, e os primeiros calafrios começam a se espalhar por meu ventre.

Provoco a mim mesma, mas em minha mente as imagens são tão claras quanto sujas. Totalmente imorais. E todas elas envolvem Lee Taeyong. São seus dedos que eu imagino roçando meu clitóris com movimentos lentos e circulares como faço agora. Eu latejo e ergo o quadril, com um gemido que se desprende em minha garganta mas se perde em minha voz.

Fecho meus olhos, agora tendo a visão ainda mais perfeita de Taeyong com aquela expressão que me desperta uma excitação que nunca provei antes. Jogo minha cabeça para trás e minha boca se abre, minha garganta solta um gemido e eu estremeço, necessitada.

Uso meu dedo médio lambuzado com a lubrificação para tocar minha entrada, que pulsa, desejando por outra coisa. O gemido que eu solto agora é sofrido e se parece muito com o nome dele. Forço dois dedos até os introduzir inteiramente em mim, o mais fundo que posso chegar. Meu fôlego foge dos pulmões e o sentimento que me consome é latente. Inclino a cabeça para trás e deixo escapar um gemido muito mais alto dessa vez.

Movo os dedos lentamente em meu interior, em um vai e vem que me faz ansiar por mais. Mas sei que é um mais que não posso conseguir sozinha. Contraio meu interior ao redor dos meus próprios dedos, estocando com força, quase com raiva. Sinto o líquido quente escorrer pela minha mão e até o lençol. Levo minha mão livre até meu peito, e o choque térmico em meu corpo fervendo me faz estremecer. Quase consigo sentir como se fosse seu toque em minha pele, e minha mente se encarrega de imaginar as coisas imorais que ele faria com meus seios se estivesse ali. Só a imaginação já deixa meu interior em chamas.

Com os olhos revirando de prazer, mordo meu próprio ombro com força o suficiente para deixar uma marca, mas é necessário para abafar o gemido alto que eu sinto se formar em minha garganta quando o orgasmo se aproxima. Minhas coxas tremem violentamente, entre elas sinto meu íntimo pulsar numa nova sensação de espasmo maravilhosa. Minhas costas se arqueiam e meu corpo todo se tenciona, pronto para a descarga de adrenalina avassaladora que está por vir.

Então alguém bate na porta do quarto.

Capítulo 4

O susto é tão grande que um grito e um gemido se misturam em minha garganta, ecoando pelo quarto, ao mesmo tempo que meu corpo se impulsiona para frente, eu voo de cima da cama e eu caio de joelhos no carpete.
– Merda, merda! – praguejo aos sussurros, tentando raciocinar. Quantas vezes o meu tesão vai me fazer perder a cabeça hoje?
Alguns segundos se passam sem que eu saiba como reagir, novamente ouço as batidas na porta, agora mais desesperadas. Apenas me coloco de pé com dificuldade por causa das minhas pernas trêmulas do quase-orgasmo, seco o líquido que escorre entre elas com o roupão e o fecho adequadamente. Ajeito os cabelos úmidos da forma que consigo e abro a porta, pronta para resolver o problema, já que normalmente ninguém bate na minha porta a essa hora se não for para me entregar mais trabalho.
Porém a cena que eu encontro me amolece não apenas as pernas, mas também o coração. Taeyong está parado ali, vestindo um pijama azul e abraçando um travesseiro embaixo do queixo. Seu rosto, livre de qualquer resquício de maquiagem, parece triste e o cabelo roxo bagunçado em todas as direções despropositadamente deixa parte de sua testa amostra.
Ele é tão naturalmente magnífico que por um segundo eu esqueço como respirar.
– Eu não consigo dormir – seu sussurro é tão carregado de melancolia e eu o conheço tão bem, que nem peço para que ele se explique. Seguro seu pulso e o puxo para dentro do quarto sem pensar, conferindo se não há ninguém no corredor e fecho a porta logo em seguida.
O baque me desperta do transe de ver sua beleza tão de perto e eu lembro a situação em que me encontro. Olho para a minha cama, a mesma direção que ele olha, e vejo que os lençóis estão molhados e bagunçados. Ajeito meu roupão torto e pigarreio, o puxando para sentar na ponta seca da cama.
– Por que sua cama está toda molhada? – ele faz a maldita pergunta, na maior inocência e eu quase gaguejo para responder.
– Eu saí do banho tão exausta que deitei sem me secar direito e acabei pegando no sono – dou de ombros. A única parte verdadeira nessa frase é que eu deitei ali molhada, mas não é molhada da forma que ele imagina. – E você, por que está aqui de novo? – questiono mansa, me referindo a noite anterior, quando ele também apareceu no meu quarto no meio da madrugada porque não estava conseguindo dormir – Mesmo motivo?
– Uhm – ele afirma com um aceno tristonho, e afunda o rosto no travesseiro que ainda abraça. A cena me desperta uma vontade gigantesca de abraçá-lo até que toda essa tristeza suma, mas eu apenas me aproximo mais dele na cama, ficando de joelhos e afago seus cabelos num carinho protetor – Não quero preocupar ninguém, não é nada sério, só fico ansioso depois dos shows. Sei que cometi vários erros e amanhã todos eles estarão na internet, para o mundo todo ver. Não consigo parar de pensar nisso e aí não consigo dormir.
– E aí eu sou a primeira pessoa que vem na sua mente – brinco, parando o gesto e fazendo menção de me afastar, mas ele segura minha mão e coloca de volta em seu cabelo, me obrigando a continuar o carinho.
– Você tá sempre na minha mente, – ele diz, e não sei interpretar qual o sentido dessa frase, porque seu rosto está afundado no travesseiro.
Ao mesmo tempo que o odeio por isso, agradeço mentalmente, porque assim ele não pode me ver corar feito uma adolescente ao ouvir isso. Qual era o meu problema?
– Não adianta você se culpar pelos erros que já cometeu, Tae – digo, decidindo ignorar o que ele disse, pelo bem da minha sanidade, e partir logo para os conselhos – Ter sucesso em algo não significa não errar, e sim aprender com os erros e não repeti-los. Amanhã você assiste a sua performance, vê onde errou e se esforça para melhorar nisso para o próximo show. Eu assisto com você, se quiser.
Alguns segundos se passam até que ele levante o rosto do travesseiro e eu afasto minha mão. Seus olhos estão marejados, mas já não tem o toque melancólico de antes. Agora eles brilham em admiração e algo mais que nunca consigo saber o que é. É impossível ler Taeyong por inteiro.
– Às vezes eu esqueço que você é mais velha que eu, até eu precisar de um conselho, aí você joga toda a sua sabedoria na minha cara e eu me sinto uma criança de 7 anos fazendo drama – um suspiro frustrado escapa de seus lábios e ele desvia o olhar para o colchão.
Minha vontade é de voltar a fazer carinho em seu cabelo, mas sinto que o momento passou, então resolvo fazer o que faço de melhor, ou seja, provocá-lo.
– Mas você é uma criança de 7 anos – prendo a língua entre os dentes e cutuco a lateral de sua costela, ganhando um pulinho e um sorriso contrariado em resposta.
– Quando é que você vai me levar a sério?
– O dia que você for mais velho que eu. Agora deixa eu me trocar e eu já volto pra gente assistir alguma coisa até você pegar no sono e eu ter que invadir o quarto da no meio da madrugada de novo – sento na cama, pronta para levantar, mas ele me segura com um leve toque.
– O que é isso no seu ombro? – ele aponta e eu sigo seu olhar.
Meu coração erra uma batida por puro nervosismo quando encontro meu ombro descoberto pelo roupão frouxo e a evidente marca de mordida recém formada, vermelha e pulsante na minha pele.
Minha mente está totalmente esgotada de desculpas e eu não consigo pensar em nada, então ajeito o roupão e pulo para fora da cama, para longe de seu olhar suspeito.
– Não é nada. Eu já volto – corro até minha mala, pego uma calcinha e o primeiro pijama que encontro e me tranco no banheiro, sem nem respirar no processo.
Encosto na porta e meu joelhos quase falham. Aquele garoto fofo sentado em minha cama, quase chorando porque tem medo de cometer erros, é o mesmo ser beirando o demoníaco e inacreditavelmente poderoso que me fez quase perder a noção da realidade hoje, por mais de uma vez?
Era demais pra minha mente.
Visto o pijama que peguei, me xingando mentalmente por não ter prestado atenção nesse detalhe. O shorts de flanela xadrez é extremamente curto, quase deixando parte da minha bunda de fora. Normalmente o uso quando estou sozinha, ou com alguma amiga, mas jamais o escolheria para usar na presença de Taeyong, por puro respeito. Pelo menos a camiseta que eu peguei cobre a mordida no meu ombro.
Saio do banheiro e o encontro deitado em minha cama, todo encolhidinho, mexendo em seu celular. Vou até o frigobar que abasteci naquela manhã especialmente para casos como esse e pego dois iogurtes gelados, voltando para a cama, que agora já está quase seca. Sento ao seu lado, me encostando no amontoado de travesseiros no encosto da cama.
– Aqui, pra você se sentir melhor – entrego um dos iogurtes para ele, que me olha sem reação por um segundo antes de aceitar e abrir o maior sorriso.
– Como você sabia que eu…? – aponta para a bebida, chocado.
– Eu sou sua manager, é meu trabalho saber tudo que você gosta. Comprei hoje cedo depois que você apareceu aqui ontem e tudo que eu tinha para oferecer para te consolar era whisky – rio sem humor, repensando rapidamente meu hábito de beber. Retiro o lacre do meu iogurte, e começo a beber tranquilamente, enquanto procuro um programa específico na netflix.
– Então quer dizer que você sabe tudo que eu gosto, huh? – seu tom é sugestivo, mas eu evito olhar seu rosto, porque sei que ele deve estar com aquele maldito olhar intenso que me faz ter vontade de responder com um flerte que o deixaria completamente desarmado – Então é uma especialista em Taeyong.
– Eu não diria especialista. Tem muitas coisas sobre você que eu ainda não sei, mas eu adoraria descobrir. Te acho uma pessoa fascinante. – minha voz sai mais carregada de emoção do que eu pretendia, então trato de me corrigir de pressa – É para melhorar meu trabalho, é claro.
– Você me acha… fascinante? – ele pergunta com aquela voz inocente, que me faz acreditar que ele realmente não faz ideia do poder que tem.
Finalmente encontro o que estava procurando e aperto o play, usando os segundos de delay para encarar no fundo de seus olhos pela última vez naquela noite, querendo dizer tantas coisas.
Queria que existisse uma forma dele saber que é a pessoa mais sensacional que eu já conheci. Que não é apenas sua beleza fora do comum, mas sua personalidade, seu talento, carisma e esforço que o tornam excepcional e único para mim. Queria que ele soubesse que trabalhar com ele é uma honra, e que cada vez que o observo assim, de pertinho, com a cara lavada, roupa comum e sem câmeras ao nosso redor, eu fico ainda mais encantada pelo ser humano que ele é.
Desejo desvendá-lo, de todas as formas possíveis. Quero conhecer cada nuance de seu corpo e de sua personalidade. Meu olhar grita isso, meu interior se contorce aos berros por todos os sentimentos não ditos, mas as palavras que saem da minha boca são diferentes.
– Eu nunca disse isso. Você deve tá imaginando coisas, bonitinho – eu sorrio sapeca, colocando a língua entre os dentes e o vejo bufar. A abertura de Bob Esponja começa na mesma hora que ele me lança um olhar enviesado de canto de olho, mas não diz mais nada.
Permanecemos lado a lado em silêncio, encostados confortavelmente no monte de travesseiros, com os olhos vidrados no desenho e tomando iogurte. Parece uma cena boba, mas sei que significa muito para ele, e ele não faz ideia do quanto significa para mim também.
Nossos braços quase se encostam e conforme escorrego para ficar mais confortável, antes mesmo que o primeiro episódio chegue ao fim, sinto sua cabeça tombar em meu ombro. Chamo seu nome baixinho e quando recebo um ressonar profundo como resposta, sei que ele dormiu e me pego sorrindo para o nada.
Faz parte do meu trabalho cuidar dele, e se o que ele está precisando agora era de um ombro amigo, era isso que eu seria.
Sem me mexer muito para não acordá-lo, me estico sobre a cama para alcançar meu celular e mandar uma mensagem para .
“Amiga, posso dormir no seu quarto de novo? Taeyong agora resolveu que só consegue dormir na minha cama 🙄” Você às 11:49
“Infelizmente não vou poder te ajudar nessa, estou com visita 😏😏😏” às 11:52
“Sua safada! Você tá transando e me mandando mensagem? Como consegue?” Você às 11:53
“Claro que não, estou esperando ele sair do banheiro para gente transar de novo. Desculpa não poder te ajudar nessa, mas aproveita e dorme agarradinha nele. Eu sei que você quer” às 11:54
“Querer não é poder. O que eu quero mesmo é manter o meu emprego. Vou dar um jeito aqui, aproveite sua noite. Pelo menos alguém vai transar hoje, né?” Você às 11:56
“Você não transa porque não quer, tem um homem gostoso na sua cama agora mesmo” às 11:57
“Ocupe suas mãos com coisas mais importantes, tipo o pau do cara que está com você, e pare de me tentar, obrigada” Você às 11:58
Jogo o celular de volta no colchão, e com todo o cuidado do mundo tiro a cabeça de Taeyong do meu ombro e coloco sobre o travesseiro. Ele resmunga alguma coisa e eu me afasto, para avaliar minhas opções.
Posso dormir no chão, que pelo menos tem um tapete para a experiência ser menos humilhante, ou posso dormir na poltrona e acordar amanhã com a coluna de uma senhora de 87 anos.
Cubro Taeyong e me certifico de que ele está devidamente confortável, pego uma das cobertas, me enrolo como um casulo e escolho a poltrona como minha forma de tortura. Ela é grande o suficiente para eu caber em várias posições, todas desconfortáveis para dormir, mas pelo menos vou poder revezar.
Eu poderia até dormir na cama com ele, mas sinto que passaria de alguns limites do profissionalismo que ainda procuro manter. Sem contar que ele provavelmente se sentiria desconfortável de acordar amanhã e me encontrar ao seu lado na cama.
É melhor eu me colocar no meu lugar, o de apenas manager e amiga dele. E amigos não dormem juntos. Mas, amigos também não se masturbam pensando um no outro, amigos também não sentem o tesão inexplicável que Taeyong causa em mim.
É pensando nisso que eu adormeço, exausta. Não tenho tempo de sonhar, porque parece que no segundo seguinte, meu celular já está despertando anunciando um novo dia para o qual meu cérebro ainda não está preparado. Espreguiço meu corpo confortavelmente na cama, rolando para o lado e estico o braço para alcançar a fonte do barulho insuportável e colocar no primeiro dos três sonecas que eu uso toda manhã, sem abrir os olhos.
No entanto estranho quando algo macio bloqueia meu caminho, me impedindo de chegar até meu celular. Abro apenas um olho por pura preguiça e dou de cara com o rostinho lindo de Taeyong, a centímetros do meu. Agora meus dois olhos se arregalam tanto, que chega a doer os cantos ressecados pelo sono.
Nossos narizes estão quase se tocando, eu posso sentir sua respiração quente e suave bater contra meu rosto a cada ressonar. É magnífico. Seu calor me extasia e me aquece por dentro instantaneamente. O cheiro que emana de sua pele e invade meu olfato violentamente é irresistível. Minha respiração a essa altura já está descompassada e meus pensamentos caóticos, porque mais uma vez me encontro perdida na presença de Taeyong.
Tento me mexer minimamente, porque não quero acordá-lo, mas sinto que nossas pernas estão entrelaçadas numa bagunça sob as cobertas. A posição que estamos é tão íntima, que me desespera, me desarma.
Eu não sei o que fazer!
– Você não vai desligar o despertador? – a voz manhosa de Taeyong me desperta da minha bolha de aflição, mas minha reação é a pior possível. Eu dou um grito apavorado e me afasto dele, para o mais longe que a cama permite – O que foi?! – ele se assusta com meu grito e se apoia no cotovelo, desligando meu despertador e se voltando para mim, com os olhinhos pequenos e preocupados.
– Nós… A gente… Como eu vim parar aqui? – questiono exasperada. Enfio as mãos em meus cabelos rebeldes, que provavelmente se parecem com uma juba, e me odeio por deixá-lo me ver nessa situação.
– Aqui onde? Estamos no seu quarto – ele coça o olho com o punho e eu tenho vontade de socá-lo por ser extremamente fofo numa hora dessas. Ele não vê que estou tendo uma síncope aqui?
– Aqui na cama. Eu tinha dormido na… – aponto para a poltrona, me sentindo fora do ar. Não faz bem para o cérebro acordar dessa forma.
– Ah, na poltrona? Por que dormiu lá? Eu acordei no meio da noite e te encontrei toda torta, quase caindo no chão, aí te trouxe para cá. – explica na maior naturalidade, tombando a cabeça de volta no travesseiro. Ele parece tão confortável com toda a situação.
– Você me trouxe para cá?! – minha voz sobe algumas oitavas quando percebo o que está acontecendo – Por que fez isso?
– Porque eu não queria que acordasse com dor nas costas – se explica, num rugido baixinho graças a sua voz mais rouca que o normal. Um arrepio percorre meu corpo muito rápido, deitando todos os meus poros sensíveis. Ele se preocupou comigo? – Sem contar que fui eu que invadi sua cama, podia ter dormido do meu lado sem problema. Quando eu te trouxe pra cá eu ia voltar para o meu quarto, mas não encontrei o cartão para abrir a porta. Espero que não se importe, eu juro que dormi bem no cantinho, quase caindo da cama, não sei como fomos acordar desse jeito – ele gesticula para a parte inferior dos nossos corpos, que até poucos segundos estavam enroladas, e termina a frase corando.
O rosto de Lee Taeyong inchado pelo sono, com leves toques vermelhos nas bochechas pela vergonha, acaba de ser eleito a coisa mais linda que eu já vi em toda a minha existência.
– Eu não me importo – balbucio, balançando as mãos, tão sem jeito quanto ele nesse momento – dormi lá porque achei que você fosse se importar.
– Porque eu me importaria?
– Sei lá, acho que não temos intimidade o suficiente para… – nem chego a terminar minha frase sem jeito, Taeyong me interrompe com uma gargalhada, que o faz cobrir o rosto com as duas mãos. O encaro com a sobrancelha levantada. – Do que você tá rindo?
– Acha mesmo que não temos intimidade para dormir juntos? – Ainda gargalhando, ele puxa o braço que eu uso para me apoiar, e eu caio de volta entre os travesseiros. Mais uma vez, num curto período de tempo, eu estou muito próxima dele e isso tem consequências desastrosas para os meus sentimentos já confusos – Você já me viu chorar feito uma criança, ter crises de raiva ridículas e me desesperar por bobagem. Já me deixou dormir no seu colo, já me aconselhou, consolou e cuidou de mim melhor do que qualquer outra pessoa poderia fazer. Eu falo sério toda vez que digo que eu não sei o que seria de mim sem você, – sua mão, que já me toca, desce perigosamente para o meu pulso e agora posso dizer com toda a certeza que o que sinto é um carinho. Quando acho que não pode piorar, ele usa a mão livre para tirar uma mecha do meu cabelo que insiste em cair sobre meus olhos, e no caminho de volta, roça a ponta de seus dedos na minha bochecha. Seus olhos estão presos nos meus, e apesar de alheio aos efeitos que me provoca, é como se Taeyong pudesse perfurar a minha alma. É impossível controlar a explosão de sensações físicas que isso causa por todo meu corpo – Acho que temos intimidade para fazer muito mais que dormir juntos.

Capítulo 5

Não há oxigênio suficiente no mundo para que eu possa disfarçar o quanto aquelas palavras me abalaram, e meu peito sobe e desce num suspiro profundo. Minhas pálpebras tremem quando enfrento a beleza em seus traços doces, me perdendo nos detalhes mais inocentes pelo que pareceu ser uma eternidade. Há tantas interpretações possíveis para sua frase, mas me perco em todas elas quando minha conclusão é sempre a mesma: eu quero tanto beijá-lo que meu peito chega doer.
O alarme do meu celular me desperta para a realidade mais uma vez, antes que eu acabe fazendo uma merda gigantesca. Me afasto gentilmente de seu toque e rolo para fora da cama sem lhe dar uma resposta. Sua frase continua ecoando pela minha mente quando dou a volta na cama e pego meu celular, desligo o despertador, respiro fundo e finalmente tomo coragem de voltar a encará-lo.
– É melhor você voltar para o seu quarto antes que os meninos acordem e deem falta de um membro fujão – uso meu tom profissional, mas há um sorrisinho brincando com o canto dos meus lábios e eu não consigo controlá-lo. Puxo as cobertas de cima de seu corpo, sob protestos e uma cara emburrada fofa que colabora para me desestabilizar – Vamos, Taeyong. O cronograma de vocês começa às nove, temos uma sessão de fotos e uma entrevista, e…
– Você está vermelha – ele se senta na beirada da cama e aponta para o meu rosto. Seu sorriso é brincalhão e posso jurar há algo orgulhoso em seu olhar.
– O quê?
– Eu te fiz corar – conclui feliz.
Quero que um buraco se abra e me engula.
– Aish! Não temos tempo para isso, vai pro seu quarto e acorde os outros. Eu tenho que me arrumar para trabalhar. Vai, vai – o empurro em direção a saída, mantendo meus olhos em nossos pés. Ele não oferece resistência nenhuma, até que estamos diante da porta.
– me chama baixinho, franzindo o cenho. Seus olhos novamente tem aquele brilho estranho que eu não consigo decifrar. A forma com que seus lábios brincam com meu nome, como se ele saboreasse antes de pronunciar, me hipnotiza. – Obrigado por cuidar de mim essa noite.
– Só estou fazendo meu trabalho, bonitinho – a minha frase o faz soltar o ar pelo nariz num suspiro, e vejo o brilho deixar seus olhos tão rapidamente que não consigo evitar me perguntar o porquê. O que aquilo significava? – Minha cama está sempre aqui quando não conseguir dormir. Agora vai – seguro seus ombros e o empurro para fora da porta, sem coragem de voltar a encarar seus olhos – Acorde o Baekhyun primeiro e diga que preciso falar com ele antes de sairmos. Obrigada. Bom dia!
Bato a porta sem esperar a resposta, porque sei que mais um segundo em sua presença e eu vou enlouquecer. Nunca, em todos os meus 28 anos de existência, eu me senti assim. Meu estômago está revirando, minhas mãos tem as palmas suadas, trêmulas e minha respiração está tão pesada que eu levo uma mão ao peito numa tentativa inútil de me acalmar. Eu estou uma bagunça.
Meu interior está mil vezes pior. Todos os meus neurônios estão em pânico, correndo de um lado para o outro. Já desistiram de tentar entender o que aconteceu e agora estão apenas surtando.
– Porra, Lee Taeyong! – praguejo sozinha, desencostando da porta.
Fecho meus olhos com força e me amaldiçoando por estar dessa forma. Preciso reagir, não posso perder a cabeça, tenho que trabalhar. Mas o que fazer quando meu trabalho é justamente com a pessoa que me faz perder a cabeça?
Um banho gelado e revigorante é o que ajuda a me preparar para aquele dia. Penteio meus cabelos e os deixo soltos para secar, enquanto procuro uma roupa confortável em minha mala. Minha maquiagem é tão simples quanto todo meu visual, e me arrumar leva menos de meia hora. Enrolo meu cabelo em um coque e prendo com uma caneta, já é como meu ritual. Saio do quarto alguns minutos antes das oito da manhã, conferindo a agenda do dia em meu celular e enquanto abro meu email no tablet para responder a infinidade de assuntos pendentes.
skin Profissional pronta para mais um dia sendo a melhor manager que o SuperM já teve!
Depois de um tempo nessa indústria é um fato inegável que nunca é uma boa ideia entregar o conceito “sejam espontâneos” aos membros do SuperM, a não ser que você espere que acabe em caos total, mas sessões de foto são sempre uma bagunça, então eu apenas observava a cena divertida pelo canto do olho, enquanto me esforçava para ouvir o que me falava.
– Pelo jeito a noite foi boa, huh? – É a frase que chega aos meus ouvidos, e só então percebo que eu nem mesmo a olhava.
Viro meu rosto em sua direção, abandonando a imagem de Taeyong subindo nas costas de Lucas, todo sorridente, enquanto vários flashs piscavam por todo lado. Suas sobrancelhas sobem e descem de forma sugestiva.
– Eu não sei do que você está falando – reviro meus olhos em resposta a suas sobrancelhas, querendo fugir daquela conversa ao mesmo tempo que quero desesperadamente desabafar com ela.
– Amanhã é nossa folga. Nós vamos sair e você vai falar sobre isso que você não sabe – como se pudesse ler meus pensamentos, ela toca meu ombro e diz – Quero todos os detalhes.
– Na verdade eu estava pensando em usar minha folga para alguma coisa mais interessante, antes que eu acabe fazendo algo que eu me arrependa – suspiro baixinho e meu olhos vagueiam novamente até Taeyong. A sessão em grupo acabou e agora eles estão vindo em nossa direção para se arrumarem para as sessões individuais.
– Acho que sua salvação acabou de chegar, então – aponta para a porta de entrada do estúdio onde estamos, a alguns metros. Levo alguns segundos para entender o que ela quer dizer.
– Jason, meu parceiro! – Mark passa por mim feito uma flecha, e eu acompanho com o olhar. Ele abraça cheio de intimidade o homem bonito que acaba de atravessar a porta.
Consigo escutar o click em meu cérebro.
Como um anjo que veio me salvar de fazer uma cagada enorme, Jason parece até brilhar quando cruza seu olhar em minha direção por uma fração de segundos. Eu nem mesmo cheguei a concluir a ação de enviar uma mensagem para ele na noite anterior, e agora ele aparece aqui como um enviado dos céus, vestindo uma bermuda jeans rasgada e aquela maldita regata que deixa claro que ele visita à academia regularmente.
– Limpa a baba, minha parceira me zoa, cutucando meu ombro e eu inclino a cabeça em busca de foco. Estou no meu ambiente de trabalho, preciso ser profissional.
– Aish! Não tem ninguém babando aqui, me respeita garota! – acerto seu braço com o tablet que eu carrego quase como se fosse uma parte de mim, mas meus lábios se abrem num sorriso quase aliviado.
Observo Jason disfarçadamente mais alguns segundos. Ele exala confiança e charme, típico cara que sabe que é bonito demais para o bem das mulheres presentes. Passa a mão pelos cabelos longos, jogando as mechas claras divididas ao meio para trás enquanto responde Mark com um sorriso. Novamente seus olhos encontram os meus e eu viro o rosto rapidamente, fingindo que não fui pega no flagra o observando.
O problema é que meus olhos desviam acidentalmente até os de Taeyong, que já estavam cravados em mim. Ele está em pé a alguns passos de distância e me observa por cima do ombro de Ten. Meu coração salta e dá uma cambalhota em meu peito, porque sei que fui pega no flagra por ele também. Suas narinas se dilatam e suas sobrancelhas se unem nem gesto muito sugestivo, mas ele desvia o rosto antes que eu possa identificar aquela reação singular.
Taeyong responde algo para Ten, com o maxilar destacado, o deixando ainda mais malditamente gostoso. Ele exala aquela aura perigosa, que só vejo em cima do palco, por um segundo e me pergunto se só eu percebo isso. Não basta a maquiagem pesada em seus olhos, a boina preta prendendo seus cabelos para trás, ele precisa parecer tão sexy quando está bravo?
Preciso parar de pensar essas coisas!
, minha querida – Jason me desperta dos meus pensamentos pecaminosos com seu sotaque carregado e eu quase o agradeço por isso.
– Jason, que surpresa! – cumprimento, abusando da minha simpatia, mesmo odiando a forma com que ele me chama. Quero dizer que não sou sua querida, mas apenas olho ao meu redor e não encontro mais ao meu lado, ela já está entre Taeyong e Ten, os levando para se trocar no camarim.
– Eu estava por perto e resolvi passar para cumprimentar o Mark e os meninos, e confesso que torci para ter a sorte de te encontrar também. Você está encantadora como sempre – ele pisca, flertador. Ele é atraente, mas seus flertes não me atingem tanto quanto eu finjo, para inflar seu ego masculino.
– Você tem meu número, se quiser me encontrar, é só mandar uma mensagem – é minha vez de piscar, devolvendo o flerte. Sinceramente sou melhor nisso que ele, mas não uso todo meu potencial porque sei que não preciso – Inclusive amanhã é minha folga, só a título de curiosidade, mas agora eu estou trabalhando, então com licença que preciso lidar com aquela bagunça – aponto para e Baekhyun, que quase se estapeiam por algum motivo no cenário onde ele vai tirar as fotos.
Na verdade eu não preciso lidar com nada, mas o flerte funciona melhor dessa forma. Me viro com um sorriso sedutor no rosto e sei que meu trabalho ali está concluído quando poucos minutos depois, quando ele ainda está no estúdio, recebo uma mensagem sua.
“Amanhã às 19 está bom para você? Vou te levar para jantar.” Jason (amigo do Mark) às 11:15
Estou resolvendo alguns detalhes da entrevista que o grupo terá à tarde por email, mas entre as palavras sérias que digito, abaixo a barra de notificação e respondo com um sorriso indecente.
“Perfeito. Estou hospedada no The Ritz e adoro comida italiana” Você às 11:17
De comida italiana eu gosto mesmo é de pizza, mas ele não precisa saber disso. O jantar é só um meio para um fim, e o fim eu espero que seja na cama dele, sem roupa.
– Hm, eu conheço esse sorriso, – se joga na cadeira ao meu lado, com um sorrisinho enviesado e cutuca minhas costelas – alguém vai transar.
– Você é assustadora às vezes – levanto as sobrancelhas, preocupada com o quão bem ela me conhece – Jason vai me levar para jantar amanhã.
– E você será a sobremesa.
– Se deus quiser! – levanto minhas mãos para o céu, num ato dramático que a faz gargalhar.
, Pilsoo está te procurando – uma das moças da equipe de maquiagem passa por mim rapidamente, deixando o recado e correndo terminar a maquiagem do próximo membro a fotografar.
– O dever me chama – me levanto num pulo e corro até onde Pil está, cercado de vários membros da nossa equipe.
Ele é o único ali que, de acordo com a hierarquia da SM Entertainment, é superior, praticamente meu chefe. Sua roupa social e cara fechada pode ser assustadora, mas depois que você o conhece melhor, ou descobre acidentalmente que ele é completamente apaixonado por gatinhos de patinhas curtas, nunca mais o vê da mesma forma.
Ele pede minha opinião sobre uma proposta de patrocínio norte americano que acabamos de receber, sei que confia em meu julgamento, então me coloco de corpo e alma na nossa discussão sobre os prós e contras do possível contrato. Quando terminamos ali ele sai para atender seu celular que não para de tocar, enquanto Mark, Taemin e Jason se juntam a mim. Ficamos conversando sobre qualquer amenidade enquanto as últimas fotos são tiradas.
O último a fotografar é Taeyong. Fico alheia a conversa quando o observo posar para a câmera. Lá está o Taeyong demônio novamente, aquele que exala confiança e faz meu corpo ferver internamente. Sua aura é etérea, surreal. Ele leva uma mão até o queixo, deixando o dedo indicador tocar seu lábio inferior num gesto quase indecente.
Sua expressão faz o interior de minhas coxas ficarem vergonhosamente úmidas e tudo isso acontece numa fração de segundos. Meu coração errou umas três batidas nesse tempo, mas ele se normaliza logo que sinto a mão de Jason tocar a base de minhas costas, e seus olhos esperarem pela resposta de uma pergunta que eu não ouvi.
– Hã?
– Perguntei se tem companhia para o almoço? Conheço um ótimo restaurante aqui perto – ele repete, sem nem se dar conta do porque eu estava distraída. Agradeço mentalmente por conseguir manter minha cara de paisagem mesmo quando meu interior está um completo caos.
– Oh, sinto muito, mas o horário de almoço das pessoas normais é meu horário de resolver assuntos pendentes do trabalho – levanto o tablet em meus braços e dou de ombros.
– Você nunca para de trabalhar?
– Só na minha folga, que acontece raramente, então gosto de aproveitar da melhor forma possível – disparo com uma sobrancelha levantada. Espero que ele seja esperto o suficiente para entender o que eu quis dizer.
– Adoro mulheres competentes. Nos vemos amanhã então – ele sorri de lado, sua mão faz um leve carinho em minhas costas antes dele se afastar e eu sorrio de volta, mas por dentro estou com vontade de torcer a cara para sua frase clichê.
Não posso, preciso transar com ele.
– Amiga, vem ver uma coisa, rápido! – aparece ao meu lado alguns segundos depois e puxa meu braço tão rápido que eu quase derrubo meu tablet no processo.
– O que foi, sua maluca? – questiono. Paramos em frente a tela do computador onde estão sendo mostradas as fotos que estão sendo tiradas alguns metros a frente.
– Eu estava acompanhando a sessão de fotos do Tae, e acabei de ver uma coisa muito interessante, saca só – ela procura algo entre as fotos enquanto fala e seleciona uma específica.
A foto que aparece na tela tem o efeito já conhecido de Taeyong em meu corpo, fazendo meus joelhos fraquejarem. Ela enquadra do seu tronco para cima, os primeiros botões de sua camisa de cetim estão abertos, seu rosto está perfeitamente moldado pela iluminação do estúdio, mas o que mais chama atenção é seu olhar.
Seus olhos não estão direcionados a câmera, e sim a algum ponto aleatório ao lado dela. Suas sobrancelhas estão juntas, baixas e ele tem um olhar ameaçador que eu nunca vi em seu rosto. É feroz, quase assustador, diferente de todas as expressões que já o vi fazer, de todas as faces que conheci. Aquele Taeyong é novo e eu sinto uma vontade enorme de desvendá-lo.
– Taeyong fazendo cara de bravinho, o que isso tem de mais? – Disfarço incrivelmente bem o quanto eu quero aquela foto impressa, colada em cima da minha cama, para ser a primeira coisa que eu vejo ao acordar e a última ao dormir.
– O que importa, minha querida amiga, é o que levou ele a fazer essa cara.
– Provavelmente o fotógrafo que pediu para ele fazer essa expressão.
– O conceito era soft sexy, o fotógrafo pediu para ele suavizar a expressão, mas ele estava muito ocupado olhando para o Jason com a mão em suas costas.
– O que?!
– Olhando não é a palavra certa, fuzilando com o olhar talvez expresse melhor o que eu vi. Essa foto foi tirada exatamente nessa hora, era para vocês dois que ele estava olhando e fazendo essa expressão – ela aponta para a cara dele na tela. Eu abro e fecho a boca várias vezes, buscando algo para dizer, mas meu cérebro está uma confusão cada vez maior.

Capítulo 6

Sou salva pelo anúncio de que a sessão de fotos está finalizada e me ocupo em bater palmas e agradecer junto com o resto da equipe, sem pensar demais no que acabei de ver para não perder o foco das minhas responsabilidades. Tenho trabalho demais para me ocupar pelas próximas horas, mas é perceptível a distância que Taeyong mantém de mim, já que normalmente ele sempre arruma alguma desculpa para me incomodar mesmo que por alguns segundos quando estamos no mesmo ambiente.
Enquanto eles almoçam eu respondo os últimos emails da minha caixa de entrada. Faço uma videoconferência com alguns produtores que estão na Coréia, resolvo as pendências do nosso retorno a Ásia, que acontecerá em alguns dias, e, quando finalmente posso parar para comer, já está na hora de irmos para a entrevista da Glamour.
A correria se estende pelas próximas horas e eu mal tenho tempo de respirar. Quando a agenda do dia chega ao fim eu estou exausta, a caneta já não dá mais conta de segurar meus cabelos rebeldes que caem em mechas bagunçadas ao redor do meu rosto, meus pés latejam e preciso constantemente alongar minhas costas para não sucumbir a dor latente em meus ombros tensos, que desce até minha lombar.
Já é noite, mas diferente dos membros que podem finalmente descansar, eu ainda tenho trabalho a fazer. Me reúno com Pilsoo e alguns outros produtores no lobby do hotel, tenho minha agenda em uma mão e meu inseparável tablet na outra. Anoto tudo que preciso, faço meus comentários na discussão sobre as mudanças que precisam ser feitas no próximo stage que se estende por mais de uma hora. Quando finalmente terminamos, Pil ainda me pede para esperar.
Eu quero chorar, me jogar no chão e espernear. Não aguento mais, só quero descansar, mas tendo em mente que o dia seguinte será minha folga, eu respiro fundo e aguardo para saber o que ele quer conversar comigo.
– É sobre Taeyong. – Ele diz logo no começo e eu fico ainda mais tensa. Sua expressão é tão séria que eu sinto meu estômago revirar de ansiedade.
Será que ele descobriu sobre meus pensamentos impuros sobre Taeyong? É agora que eu levo uma bronca, sou humilhada pela minha falta de profissionalismo e, por fim, sou demitida do emprego que tanto amo?
– O que tem ele? – Dou meu máximo para não deixar minha voz vacilar e denunciar o quanto estou nervosa. Ainda bem que eu tenho muita prática com esse tipo de situação.
– Eu percebi que vocês estão bem próximos. – Seu olhar cai sobre mim, displicente. Continuo impassível por fora, mas internamente eu já cheguei a conclusão de que é isso, vou ser demitida, esculachada e esse é o último emprego decente que vou ter na vida. Vou ser conhecida como a assediadora de idols.
– Isso é ruim?
– Oh, não… – Para minha surpresa ele sorri suavizando sua expressão e se inclina um pouco em minha direção – Pelo contrário. Ele tem estado estranho nas últimas semanas, desde que a turnê chegou a América. Ele acha que disfarça bem, mas é evidente que tem tido problemas com ansiedade, até os outros membros já perceberam, mas conversei com Baekhyun e chegamos à mesma conclusão. A proximidade de vocês tem feito bem a ele, você é uma boa pessoa, um bom exemplo a ser seguido. Talvez essa amizade seja exatamente o que ele precise para colocar a cabeça no lugar.
As palavras levam algum tempo para fazer sentido. Ele não está me repudiando por estar próxima demais de Taeyong?
– Eu só dou alguns conselhos quando ele não parece bem, ele costuma me escutar – Dou de ombros, fingindo não me importar com o assunto.
– Ele te respeita e te admira, isso é evidente, e com razão. Quando eu a contratei como minha assistente, eu não tinha certeza que tinha feito a escolha certa, você era jovem e inexperiente, mas com o tempo você provou ser a melhor no que faz. Não é a toa que eu a promovi e você é praticamente meu braço direito agora – Agora ele ri, divertido.
Eu tenho problemas para acompanhar seu raciocínio. Ele está me elogiando?
– Eu só me esforço para fazer meu trabalho – Eu sorrio de volta, encolhendo os ombros sem jeito. Era inacreditável como eu conseguia disfarçar que meu interior estava uma zona.
– E faz muito bem. Caso não esteja claro, estou te parabenizando, não apenas pelo trabalho como manager, assistente e às vezes babá. Você se importa, conhece e cuida dos membros muito bem, isso faz toda a diferença. Confio em seu julgamento sobre o que está acontecendo com Taeyong, se achar necessário que a gente intervenha com ajuda profissional, sei que tomará a decisão certa. Apenas continue o bom trabalho, e aproveite sua folga amanhã, você merece – Ele se levanta, pronto para deixar o lobby.
– Muito, muito obrigado, Pilsoo-nim – Curvo meu corpo na reverência mais respeitosa que consigo em meio ao caos que está minha mente.
Receber elogios ao meu trabalho era, de longe, a melhor forma de me elogiar.
Nos despedimos e subo para meu quarto ainda meio anestesiada. Não sei se pelo alívio ou pela exaustão. Retiro a bolsa de meus ombros tensos e jogo sobre a poltrona vermelha, vou deixando uma trilha de roupas espalhadas pelo quarto até chegar ao banheiro, pronta para um banho relaxante de, no mínimo, três horas.
Deixo a água quente relaxar meus músculos, mas não consigo acalmar minha mente. Me sinto ridícula por passar tanto tempo pensando em Taeyong, como uma adolescente que não tem outra preocupação na vida além da sua paixonite impossível.
Lembro de seu olhar furioso na foto que me mostrou. Porque ele estava olhando daquela forma para Jason e eu? Não quero me precipitar e pensar que Taeyong tem qualquer tipo de sentimento por mim, mas o que aquela expressão queria dizer? E por que ele passou o resto do dia sem nem olhar na minha cara? Ele estava bravo comigo? Apenas pensar nessa possibilidade fazia meu peito se apertar dolorosamente.
Saio do banho com mais perguntas em mente do que quando entrei, mas sei que não vou encontrar resposta para elas. Quero apenas descansar, mas meu corpo não colabora, continuo sentindo dores musculares acumuladas de dias de trabalho intensos mesmo quando me jogo na cama ainda de roupão e permaneço olhando para o teto, fazendo o mínimo possível de movimentos.
– Não vai ter jeito, vou ter que apelar – Resmungo sozinha, fazendo um esforço imenso para levantar e ir até a poltrona. Pego um frasco de comprimidos na bolsa e quando estou prestes a buscar a água no frigobar, para me dopar de relaxante muscular e dormir deliciosamente até o dia seguinte, ouço alguém bater na minha porta.
Reviro os olhos tão forte que chega doer. Praguejo silenciosamente enquanto ajeito o roupão, pronta para abrir a porta com a pior cara possível. Se for mais trabalho eu juro que me demito.
É mais trabalho, mas é o meu tipo favorito de trabalho.
Taeyong, com cabelo molhado e bagunçado, denunciando que também acabou de sair do banho. Ele veste uma camiseta branca e uma calça de moletom larga demais para seu corpo. É tão simples e consegue ser estonteante de tão belo quanto é ele que veste.
– Nossa, você tá péssima – Suas sobrancelhas se juntam e ele pisca depressa. Ele costuma piscar assim quando está nervoso, mas porque ele estaria nervoso?
– Obrigado, Taeyong, mas eu tenho espelho e já constatei esse fato – Eu suspiro pesado – Eu só estou muito, muito cansada.
– Então, eu sou sua salvação – Ele passa por mim e entra em meu quarto sem nem pedir permissão. Não tenho nem tempo de ficar brava com ele pela ousadia, porque estou digerindo sua frase.
Você é a minha perdição, isso sim.
– Ei, como assim? O que você está fazendo? – Questiono ao vê-lo se jogar na minha cama – Você tá realmente está levando aquela história de ter intimidade a sério, né? Já tá achando que esse é seu quarto – Me sento ao seu lado, mantendo uma distância segura.
– Vim para pagar meu castigo – Taeyong diz, ignorando deliberadamente minha repreensão. Seus olhos estão escuros e intensos, tanto que não consigo manter o contato por muito tempo. A princípio não entendo o que ele quer dizer, mas sua pergunta seguinte esclarece minha mente – Você tem óleo de massagem?
– O que?!
– Você disse que meu castigo por ter esquecido meu blazer seria te fazer uma massagem, e acho que nunca te vi precisando mais de uma como agora, – Ele aponta para o frasco de relaxante muscular que ainda está em minha mão – então nem se atreva a negar.
– Mas…
– Você tem ou não óleo de massagem? Senão terei que pedir para o Taemin-hyung e…
– Eu tenho! – Minha voz sai esganiçada. Balanço as mãos no ar, apavorada com a ideia dele pedir isso ao Taemin.
Minha expressão deve estar hilária, porque consigo perceber que ele está prendendo o riso.
– Não precisa ficar assim, é só uma massagem – Ele ainda tem a capacidade de dizer, com a maior cara de inocente.
É oficial, vou entrar em combustão espontânea.
Minha vontade nesse momento é sair correndo e gritando pelo quarto feito uma maluca, mas tudo que faço é levantar da cama mais tensa do que nunca e buscar meu frasco de óleo de massagem no fundo da minha mala.
Não estou raciocinando direito. Taeyong vai me fazer uma massagem. Vejo seu olhar decidido e sei que ele é teimoso o suficiente para que eu nem tente tirar a ideia de sua cabeça. Sei que a ideia inicialmente foi minha, mas nem em um milhão de anos eu esperava que a atitude partiria dele. Agora, que está prestes a acontecer, eu não sei como proceder.
Volto para a cama me sentindo uma mistura ridícula de robô com cachorrinho acuado, entrego o óleo para ele e me sento ereta. Alguns segundos de silêncio tenso se passam enquanto sinto seu olhar deixar o rótulo da embalagem e pesar sobre mim.
– Prende o cabelo. – Sua voz grossa é uma ordem clara, tão firme que mal reconheço. Um arrepio desce pela minha espinha e serpenteia até minha virilha úmida.
Pego a caneta sobre o estante mais próxima, enrolo meus cabelos ainda molhados e prendo. Respiro fundo, de costas para ele, tentando me acalmar. Se estou assim agora, a hora que ele começar eu vou desmaiar.
Se recomponha, !
Quando me viro de volta para a cama, toda a calma que consegui reunir no curto espaço de tempo das minhas respirações se vai. Aquela deve ser a imagem do paraíso. Taeyong está sentado sobre os joelhos bem no meio da minha cama, seu tronco inclinado para trás, apoiado num braço que tem todas as veias saltadas na pele alva, enquanto usa o outro para levar o óleo até seu nariz e inalar a fragrância. A camiseta larga deixa parte da sua clavícula exposta e é o suficiente para que eu entre em surto interno.
Ele é tão gostoso que chega ser um pecado.
Com as pernas bambas e o coração batendo vergonhosamente rápido, caminho em sua direção e me sento de costas para ele, na beirada da cama. Espio por cima do ombro ele se aproximar ainda de joelhos, parar alguns centímetros longe de mim e estou pronta para agradecer mentalmente pela distância segura, mas nem tenho tempo de completar o pensamento.
Suas duas mãos agarram os lados do meu roupão na altura da minha cintura e me puxam para trás, me arrastando pelo colchão os centímetros que nos separam. Minhas costas se chocam suavemente contra seu corpo e todo o ar deixa meus pulmões ao que um arrepio intenso circula meu ventre.
Quando foi que aquele quarto ficou tão quente?
– Com licença, eu vou precisar… – Ele não completa a frase, e sua voz é quase sem jeito, mas suas mãos são muito seguras do que fazem quando tocam meu pescoço e afastam meu roupão o suficiente para deixar meus ombros de fora.
Engulo em seco, sentindo mais calor que antes. Inalo mais uma vez tentando respirar normalmente, mas é impossível. Sinto o líquido frio escorrer pela minha pele e o cheiro de baunilha toma conta do ar, anuviando minha mente e dando um toque místico a toda a cena.
Jamais vou esquecer o primeiro contato de suas mãos com a minha pele. O efeito é instantâneo e inebriante.
Diferente do que espero, ele não toca meus ombros. Suas duas mãos se fecham ao redor do meu pescoço de uma vez, os dois polegares tocando juntos o topo da minha nuca, os dois indicadores se juntando embaixo do meu queixo, e é a coisa mais extasiante que já senti. Sinto como se todo o quarto desaparecesse, fecho meus olhos de forma involuntária, a única coisa que existe no mundo é a pressão de sua mão escorregando lentamente pela extensão do meu pescoço até meu colo.
Ele repete o ato, e talvez seja minha imaginação nublada pela volúpia, mas sinto que cada vez que ele o faz, suas mãos apertam meu pescoço um pouco mais forte. Sinto surgir o desejo desesperador de tê-lo me enforcando daquela forma com outros propósitos muito menos puros que uma simples massagem.
Após dedicar tempo suficiente em meu pescoço para que eu já me sinta incrivelmente mais relaxada, ele desce suas mãos macias para meus ombros e um suspiro escapa sem a minha permissão. Seu toque tem a pressão certa, passeia pela minha pele deixando um rastro de destruição e calmaria. Dual, como tudo nele.
Minha pele parece estar prestes a entrar em combustão quando seus dedos seguem perigosamente até minha clavícula, delineando a borda do meu roupão frouxo. A sensação é tão boa que me sinto amolecer e novamente algo sai pela minha boca sem minha permissão, mas dessa vez se parece muito mais com um gemido.
– Você deveria se deitar, vai ser mais gostoso assim – Sinto sua respiração quente em minha nuca.
Não sei se ele faz isso de propósito, ou se não tem a menor consciência do que está causando em mim, mas a forma com que incendeia meu interior é suficiente para que eu apenas obedeça sem dizer nada.
Só quando me movo é que percebo o quão molhada está o interior das minhas coxas. Me viro na cama e deito de bruços, já sentindo todos os meus movimentos muito mais leves do que jamais senti. Um segundo longe de seus toques é suficiente para que eu sinta a falta que suas mãos incandescentes fazem. Me pego quase implorando por mais.
Afundo o rosto no colchão, mantenho meus olhos fechados o tempo todo, e não demora até que eu o sinta se posicionar ao meu lado. Dessa vez suas mãos determinadas sequer pedem permissão, ele apenas abaixa meu roupão até a metade de minhas costas com um único movimento. Mesmo que eu tivesse forças, jamais reclamaria, porque tudo que eu mais quero é me livrar daquela peça de roupa que me impede de sentir mais de seus toques.
Sinto mais óleo ser despejado em minha pele e, quando suas mãos me tocam, é como a primeira vez de novo. Nunca vou me cansar da sensação. É como ser tocada por uma nuvem eletrizante, que deixa um rastro de energia estática por onde passa, mas também relaxa cada célula em mim.
Ele explora as laterais do meu corpo, delineando minhas curvas expostas, sem pressionar minha pele para massageá-la. É como se ele estivesse apenas me acariciando. Uma espécie muito distinta de febre explode em meu interior e entra em erupção pelos meus poros, em forma de arrepios. Tenho certeza que ele pode ver claramente o que está causando em mim agora.
– Você se importa se eu…?
– Não – solto num sussurro, sequer esperando o fim da frase, porque quando ele para os movimentos e afasta as mãos do meu corpo, sou capaz de aceitar qualquer coisa para que ele volte a me tocar.
Ele solta uma risada pelo nariz, e num movimento inesperado ele senta no topo das minhas coxas, sem soltar seu peso sobre mim. Seus joelhos dobrados, colados as laterais do meu quadril, faz com que eu pressione uma coxa contra a outra. A excitação faz meu interior se contrair e mais do líquido quente sair de mim, escorrendo pela minha intimidade, chegando até o roupão abaixo de mim.
Taeyong debruça sobre mim, puxando ainda mais meu roupão para descobrir minhas costas. Está quase na base da minha lombar, meus seios estão totalmente descobertos do tecido agora, escondidos apenas porque os pressiono contra a cama. Nada disso importa, porque quando ele se inclina para deslizar as mãos da minha lombar até alcançar o topo das minhas costas, seu quadril encontra o meu. É impossível controlar o gemido abafado que sai pelos meus lábios.
É o ápice de todo o tesão que já senti até ali.
Num movimento involuntário, e quase imperceptível, acabo empinando minha bunda em direção ao seu quadril. É tão sutil quanto o som que sai de seus lábios, sequer posso saber se foi mesmo real. Sinto seu toque vacilar em minha pele por um momento, mas logo ele retoma o ritmo.
Cada vez que sobe massageando habilmente minhas costas, seu quadril roça perigosamente o meu. Cada vez que ele desce e se afasta, eu empino minha bunda em sua direção. Depois de algumas vezes, isso já parece muito uma provocação silenciosa. E é delicioso.
O silêncio do quarto me permite escutar sua respiração, e está tão descompassada quanto a minha. É apenas um mero detalhe em meio a toda a intensidade que nos cerca, mas é suficiente para arrancar toda a sanidade que me resta.
Meus sentimentos estão em total desordem. Todo meu interior grita por Taeyong.
Para me levar ainda mais a completa loucura, ele joga o quadril contra o meu num movimento tão certeiro e obsceno que mais um gemido escapa de mim. Seus movimentos são intoxicantes. Suas duas mãos sobem juntas, deslizando pelo óleo, até estarem ao redor do meu pescoço mais uma vez. Ele precisa quase se deitar sobre mim para fazer isso, minha boca se abre em um novo gemido sussurrado e eu elevo o quadril, necessitada.
É deliciosamente torturante. Faz minha intimidade pulsar tão forte que chega doer, sinto que posso gozar a qualquer momento só com aquela provocação indecente.
A onda de sentimentos é tão latente que, quando ele começa a descer ameaçando se afastar, eu viro meu rosto para o lado, sem abrir meus olhos e enfio meus dentes em meu ombro num movimento inconsciente e voluptuoso, mordendo por cima da marca que ainda nem havia sumido da noite anterior.
Seus movimentos param instantaneamente na metade do caminho. Sinto suas unhas pressionarem a carne da minha cintura possessivamente, mas num piscar de olhos ele se afastou. Não apenas parou de me apertar. Ele levantou completamente, saindo de cima de mim e da cama.
– Acho que você já está relaxada o suficiente – Sua voz sai urgente e rouca.
Percebo que sua frase não podia ser mais verdadeira quando tento me mover e meu corpo está mole demais para obedecer e reagir. Nem mesmo meu cérebro parece raciocinar direito.
Estou inteiramente relaxada, entorpecida pelo tesão que seus toques causaram em meu corpo. Consigo apenas virar o rosto em sua direção, encontrando seu olhar penetrante e feroz como nunca vi antes.
– Durma bem, – Ele sai pela porta tão rápido que nem consigo responder.
Os segundos se passam e a sensação permanece. Jamais estive tão relaxada em toda a minha vida, cada parte do meu corpo parece estar anestesiada, tanto que nem consigo manter meus olhos abertos. Rapidamente perco a consciência na mesma posição que ele me deixou, ainda com o roupão cobrindo apenas a parte de baixo do meu corpo.
Meu último pensamento antes de dormir é: Taeyong tem mãos de anjo.

Capítulo 7

Meu primeiro pensamento quando acordo é: Taeyong não tem apenas as mãos, ele é um demônio completo.
Só isso explicaria o que ele fez comigo na noite anterior. Aquilo não foi humano. A forma com que suas mãos me deixaram entregue, amoleceram meu corpo a ponto dele fazer o que quiser comigo. Como tudo que minha mente conseguia pensar era em formas dele nunca mais parar de me tocar, eu era praticamente escrava de seu toque.
Onde eu estava com a cabeça? Como vou encará-lo depois disso? É isso, eu enlouqueci de vez.
– Ahh! – solto um gemido, pressionando os punhos contra meus olhos. Meu corpo se debate no colchão como uma criança fazendo birra. A facilidade com que me movo, sem dor alguma, é apenas um lembrete de que aquela foi a melhor massagem que já recebi em toda a minha existência.
Confiro as horas em meu celular e já é perto do meio dia. É assustador perceber que dormi por quase doze horas, sendo que estou tão acostumada com uma rotina que jamais me permite mais que seis horas de sono por noite e nem mesmo nas minhas folgas eu consigo dormir mais que isso.
Aquela massagem fez milagres em mim.
Ignoro as mensagens do trabalho e respondo apenas as pessoais, entre elas me chamando para almoçar e Jason confirmando nosso jantar a noite.
Jason!
Por um momento eu esqueci que havíamos combinado de sair hoje. Esqueci completamente que meu plano é transar hoje para esquecer Taeyong, e agora pensando dessa forma, a ideia me parece muito errada.
Estou usando Jason? Não posso me dar ao luxo de me importar. Depois da noite anterior, sinto que se eu chegar perto de Taeyong vou acabar atacando o menino. Estou descontrolada.
Desço para encontrar para almoçarmos juntas, mas meus pensamentos ainda estão longe. Mais especificamente na forma com que o quadril de Taeyong se chocava contra o meu sem pudor algum. Ele tinha consciência do que estava fazendo? Estávamos nos provocando mesmo, ou era apenas coisa da minha mente pervertida e Taeyong ainda é puro demais para entender o que eu esfregar minha bunda nele significa?
– Conheço essa cara – é a primeira coisa que diz, quando nos encontramos no lobby do hotel – Sua mente está quase explodindo, posso ver a fumacinha saindo pelos seus ouvidos.
– Argh! – Não consigo nem responder de forma decente, apenas tampo meus ouvidos com as mãos por um segundo e faço uma careta, é quase um pedido de socorro.
– Não precisa nem esperar chegarmos ao restaurante, pode começar a desabafar pelo caminho mesmo – ela encaixa seu braço ao meu, e nós saímos no hotel atrás de um lugar para almoçarmos.
Demoro alguns segundos para começar mas, quando as palavras saem de mim numa enxurrada, eu quase choro. De alívio e ao mesmo tempo de desespero, porque falar em voz alta torna tudo ainda mais real. Conto cada detalhe sórdido que consigo me lembrar, não apenas porque é minha melhor amiga e confio nela com a minha vida, mas também porque sei que ela é tão pervertida quanto eu e jamais me perdoaria se eu deixasse qualquer coisa de fora.
– É, amiga… você tá fodida – é sua conclusão, após meu longo monólogo.
– E nem é da forma boa – choramingo, terminando minha sobremesa que não tem mais um gosto tão bom, porque meu interior está amargo da conversa. – O que eu faço?
– Acho que você tem duas opções. Ou transa com ele ou pede demissão.
– Você diz como se as duas coisas fossem muito simples. De qualquer forma eu acabo na merda. E outra, não é como se ele quisesse transar comigo também. Fala sério, é do Taeyongie que estamos falando.
, você precisa parar de tratá-lo como uma criança. Taeyong é um homem, um extremamente fofo, mas tem vontades e desejos como qualquer outro. Você não pode negar que o que ele fez com você ontem deixa claro que ele te quer tanto quanto você o quer.
– Eu não acho que ele tenha feito de propósito…
– Ah, não se faça de ingênua que não combina com você! Sai dessa zona de negação e apenas aceite! Taeyong esfregou o pau em você ontem para ver se você acorda para o fato de que ele quer te foder gostoso. O que você vai fazer sobre isso? – ela se inclina em minha direção, esperando uma resposta. Eu recuo em reflexo e pisco rapidamente.
– Vou transar com o Jason!
– Nããão! Você é burra?!
– Sou inteligente o suficiente para não arriscar meu emprego num caso de tesão acumulado que eu sei que não vai dar em nada. Só a massagem dele já me deixou abalada dessa forma, não posso me responsabilizar pelo que vai acontecer se chegarmos a transar. Vai que eu tenho um orgasmo e morro?
– Seria um bom jeito de morrer, admita – ela provoca e eu caio na gargalhada, me sentindo incrivelmente mais leve.
– Seria, mas não estou pronta para morrer. Ainda tem tanta coisa que eu quero fazer, eu ainda nem transei com o Park Seojoon – apoio o queixo em minha mão, olho pela janela com olhos sonhadores e em seguida explodimos em outra gargalhada alta demais para o ambiente.
Saímos do restaurante com o humor um pouco melhor e passamos em uma loja para comprar a roupa certa para o jantar dessa noite. Como ela não consegue me convencer a cancelar meu plano, se contenta em me ajudar a escolher o vestido vermelho que destaca as curvas do meu corpo, mas não revela muito.
Possuídas pelo espírito do consumismo, acabamos comprando lingeries e maquiagens que não precisamos, mas concluímos que merecemos. Voltamos para o hotel no meio da tarde, cheias de sacolas de diversas lojas.
– Eu devia estar descansando e não batendo perna por aí, já estou cansada de novo – reclamo.
– Que tal uma hidromassagem para relaxar? – as sobrancelhas de brincam, subindo e descendo em seu rosto bonito.
– Você tem uma banheira de hidromassagem no seu quarto? – pergunto abismada – Por que não tenho no meu?
– No meu não, mas tenho o cartão de um quarto que tem. Não questione. Apenas me siga, vamos! – novamente ela sai me arrastando pelo braço.
Com o passar do tempo, aprendi que, quando se trata de , não adianta questionar, é melhor apenas aceitar e deixa-la te arrastar pra onde quiser. Subimos para o andar superior ao nosso e entramos em um quarto um pouco mais luxuoso, e incrivelmente mais bagunçado que o meu. As roupas jogadas em cima da cama denunciam o dono do lugar.
– Por que diabos você tem acesso ao quarto do Baekhyun?
– Porque eu gosto da banheira de hidromassagem daqui, então ele deixou o cartão comigo para eu aproveitar minha folga nela – ela da de ombros, indo em direção ao banheiro com tanta naturalidade que eu me questiono se ela já esteve ali antes.
– Desde quando você e o Baek são próximos assim? – a sigo e espero enquanto ela liga as torneiras para encher a grande banheira branca, que ocupa metade do banheiro chique.
– Desde o show em Tóquio, no começo da turnê, lembra? Foi quando Seojun e eu terminamos, e o Baek me encontrou bebendo e chorando no terraço do hotel. Achei que ele fosse me demitir ou sei lá – ela começa a despejar os sais de banho na água, despreocupadamente – mas ele só sentou do meu lado e bebeu comigo. No fim da noite estávamos os dois muito bêbados e fomos parar num templo budista em Asakusa, mas fomos expulsos porque estávamos rindo muito alto de uma estátua do Buda. Ele me ajudou tanto naquela noite que eu jamais vou agradecer o suficiente, e depois disso nos tornamos inseparáveis.
– Como é que eu nunca soube disso?
– Porque você nunca perguntou. Nós temos uma amizade discreta.
– Bem discreta mesmo, faz tanto tempo e eu nunca sequer reparei que vocês são tão próximos.
Nos despimos e entramos na água borbulhante. O cheiro dos sais de banho de capim limão impregna meu olfato, o efeito esfoliante relaxa meus poros e nós aproveitamos uma hora imersas em espuma até o pescoço. Estou de olhos fechados, no entanto minha mente está escancarada para as informações que acabei de receber.
e Beakhyun são amigos, muito mais próximos do que eu imaginava, e conseguiram esconder isso durante todo esse tempo. Será que Taeyong e eu conseguiríamos fazer o mesmo? Mas eles eram apenas amigos, e eu não sei se conseguiria me aproximar ainda mais de Taeyong sem perder o último fio de sanidade que me resta.
Quando o horário vai se aproximando das sete, eu já estou vestida e impecavelmente maquiada para meu encontro. Meu corpo exala um cheiro maravilhoso que os sais da hidromassagem deixaram, meu cabelo está sedoso e comportado e, sinceramente, transpiro confiança. Não vejo a hora de transar até perder todas as minhas forças.
– Uau! Assim você me deixa até sem palavras para te elogiar – Jason me recebe na porta do hotel com um sorriso galante. Seu cabelo loiro está penteado para trás e ele usa uma camisa social branca dobrada até os cotovelos, uma calça preta e sapatos caros. Ele segura minha mão e leva até os lábios, num beijo rápido – Nunca a vi mais encantadora.
– É porque até hoje você só me viu trabalhando, com o cabelo preso e a cara de cansada – eu brinco, o acompanhando para dentro do carro de luxo que ele dirige. Aquele carro era dele? Uau!
– E mesmo assim você conseguiu capturar minha atenção desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você. Você está magnífica – ele liga o motor e o ronco faz meu coração saltar – Espero que esteja com fome, reservei um dos melhores restaurantes de Los Angeles para a gente.
– Faminta, mas sinceramente estou mais interessada na sobremesa – respondo com uma levantada atrevida de sobrancelha, mantendo meus olhos no caminho que fazemos. Sei que a frase teve o impacto que eu esperava quando ouço sua risada sórdida preencher o interior do carro e sua mão repousar na parte exposta da minha coxa, próxima ao meu joelho.
Fico aguardando a sensação que isso vai causar em meu interior, afinal o toque é claramente erótico e cheio de segundas intenções, mas meus hormônios não dão sinal algum de vida.
Chegamos ao restaurante e agradeço mentalmente por ter me arrumado tão bem. O lugar parece realmente caro, e tenho a confirmação do nível quando recebemos o cardápio e eu vejo o preço dos pratos. Se eu comer tanto quanto costumo, vou a falência nesse lugar.
Então Jason é um daqueles caras ricos que adoram esbanjar?
– Você gosta de vinho? – ele pergunta, enquanto examina a carta de vinhos do lugar. Quero responder que não entendo nada de vinhos e prefiro whisky, mas preciso manter a pose.
– Tinto, por favor. Confio na sua escolha.
Ele escolhe uma garrafa que eu nem me atrevo a ver o preço, e enquanto comemos a conversa se desenrola facilmente. Ele é muito bom com as palavras e melhor ainda com os flertes que trocamos a noite toda. Está tudo se encaminhando exatamente para onde eu quero.
A comida é fantástica, mas o ambiente chique com o qual não estou acostumada é meio sufocante, então agradeço quando o jantar finalmente chega ao fim. A garrafa de vinho já está para baixo da metade, peço licença para ir ao banheiro e no caminho percebo que minhas pernas estão um pouco bambas pela quantidade de álcool que ingeri.
Respiro mais aliviada quando chego ao cômodo vazio, mais chique do que qualquer banheiro que já estive antes. Confiro minha imagem no espelho e, tirando minhas bochechas coradas, ainda está tudo em seu devido lugar, mas ao mesmo tempo sinto que há algo muito errado. Algo muito importante está faltando e eu não consigo saber o que é.
Pego meu celular para ver as horas e vejo a barra de notificação cheia de mensagens. A maioria é de Taeyong.
Meu coração dá um salto em meu peito antes mesmo de decidir se devo abrir ou não. Aquela devia ser uma noite onde eu não devia sequer pensar nele, devia estar focada em Jason e em transar com Jason, mas no momento em que vejo o pequeno ícone da foto de Taeyong em meu celular, não consigo pensar em mais nada.
Minha curiosidade me vence e eu abro o aplicativo de mensagens.
, você tá ocupada?” Taeyong às 19:31
“Se estiver ocupada tudo bem, só me avise, preciso muuuuito falar com você” Taeyong às 19:46
“Porque não está nem visualizando minhas mensagens? Aconteceu alguma coisa? Você tá brava comigo? Eu fiz algo de errado?” Taeyong às 19:50
“Sei que é sua folga mas eu preciso de você. É urgente” Taeyong às 19:59
Meu coração afunda em meu peito a cada mensagem que eu leio. Minha preocupação quase me sufoca e meus dedos falham ao discar seu número tão rápido que eu nem tenho tempo de pensar no que estou fazendo. Taeyong jamais me mandaria uma mensagem falando que é urgente, se não fosse realmente urgente.