Duality

Duality

Sinopse: Os dilemas de ser manager do SuperM, amar seu trabalho e, ao mesmo tempo, sentir uma atração absurda por Lee Taeyong e sua inexplicável dualidade.
Fandom: SuperM
Gênero: Romance, ficção
Classificação: 18
Restrição: Lee Taeyong é personagem fixo.
Beta:  Rosie Dunne

Capítulos:

Capítulo 1

 

O backstage está tão quente que, enquanto eu corria, desviando das pessoas, dos cabos espalhados pelo chão e das caixas de som, eu me pergunto se tinha morrido e ido para o inferno. O show está prestes a começar, era o momento em que normalmente eu podia relaxar por pelo menos uma hora, mas quem disse que eu conhecia a palavra relaxar?
Eu seguro o blazer de camurça vermelho, que já devia estar no corpo de Taeyong, entre meus dedos com o cuidado que uma mãe segura um filho recém nascido, mas a minha vontade é de jogar a peça na cara daquele desmiolado.
Como é que ele esquece de colocar a roupa completa para o show?

Continuo minha corrida de obstáculos e, merecendo uma medalha, finalmente chego embaixo do palco onde os sete meninos já estão alinhados lado a lado sob uma plataforma, recebendo os últimos ajustes no equipamento.

– Um minuto, SuperM! – a voz de alguém da produção grita em algum lugar, mas está uma correria tão grande que é difícil identificar quem é.

Estou próxima o suficiente agora para ver a cara de desespero que se forma no rosto de Taeyong, quando ele olha ao redor atrás de algo. Sei que é a mim que ele procura no meio dos rostos mal iluminados ao seu redor, porque seus olhos assustados como um filhotinho abandonado ganham um brilho aliviado quando ele me vê caminhando em sua direção.

– Me desculpa, estava muito calor, eu… Me desculpa. – ele pede numa voz arrastada que oscila entre a inocência e a manha. Toda a raiva que eu estava sentindo minutos atrás, quando percebi que ele havia esquecido a peça de roupa no camarim se esvai. É simplesmente impossível ficar brava com Taeyong.

Seu cabelo tem um tom leve de roxo e está impecavelmente penteado para trás, deixando sua testa exposta. Um perigo para a minha sanidade.

– O que seria de você sem mim, hein? – chacoalho a cabeça para os lados, sentindo o coque em meu cabelo, que está preso por uma caneta, se desfazer aos poucos e cair sob meu rosto suado.

Apesar do meu tom repreensivo, perco vergonhosamente a batalha contra a vontade de sorrir. Ainda bem que ele já me conhece a tempo suficiente para saber que eu sorrio o tempo todo, o que ele não sabe é que a causa desse sorriso é ele.

Dou a volta em seu corpo ao mesmo tempo que ele estica os braços para trás. Por um segundo muito curto posso apreciar as veias saltadas que se destacam desenhadas por toda a extensão de seus braços, descendo até suas mãos, que estão cheias de anéis prateados. Mesmo na pouca luz do ambiente em que estamos é como observar uma quadro pintado a mão, mas não tenho tempo de olhar como eu gostaria.

Subo o blazer apressadamente por seus braços, mas tomando todo o cuidado necessário para não tocar sua pele, já que há muito tempo percebi o que seus toques podem causar em mim. Mesmo que não deviam causar. O viro de frente para mim sem muita delicadeza para ter certeza que a gola está perfeitamente alinhada assim como todo o resto, o que acaba fazendo surgir um bico quase imperceptível em seus lábios.

– Não faça essa cara. Depois nós conversamos sobre seu castigo por ter me feito correr até aqui feito uma doida. Eu quase caí e quebrei a perna – eu exagero e ele arregala os olhos assustado, caindo no meu drama. Sua expressão é tão adorável que eu sinto vontade de apertar sua cara até ele explodir.

Maldição de garoto fofo!

– Eu sinto muito, sabe que eu não seria nada sem você – Aquela frase poderia muito bem ser um flerte, mas vindo dele, com aqueles olhos enormes e aquela boquinha entreaberta que ele insistia em ficar passando a língua inconscientemente, soava mais como uma criança cheia de admiração pela irmã mais velha.

Maldição! Mil vezes maldição!

– Quinze segundos! – a mesma voz grita, e só quando me afasto com um passo para trás é que percebo que talvez eu estivesse próxima demais dele.

– Eu sei, mas eu não vou pegar leve – eu apenas sorrio de volta, já me afastando – Destruam naquele palco, meninos! – grito por cima do som ensurdecedor que começa a ser ouvido através da abertura que começa a se formar acima de suas cabeças, por onde a plataforma vai passar.

Todos olham por cima do ombro e abrem sorrisos diferentes para mim. Mark e Kai tem seus típicos sorrisos animados, que poderiam iluminar todo aquele lugar sem precisar de nenhum holofote; Taemin e Baekhyun compartilham sorrisos calmos e concentrados, como os incríveis líderes que são; Ten e Lucas sempre foram os mais tímidos comigo, com sorrisos e palavras contidas.

Mas antes da plataforma subir e sumir da minha vista, é o sorriso de Taeyong que mais me intriga. Sua feição muda tão rapidamente, que um arrepio desce por minha coluna em direção a um lugar que eu preferia que continuasse adormecido. Da água para o vinho. Da fofura inocente e pura, para um olhar intenso e arrebatador que despe meu corpo e me penetra até a alma, um sorriso cheio de segundas intenções, que me faz questionar se aquele é o mesmo Taeyong de segundos atrás.

Eu sinto meu interior esquentar.

– Conseguiu chegar a tempo? – escuto uma voz questionar alta e afobada ao meu lado e demoro alguns segundos para me dar conta de que é quem pergunta.

– Ah… Consegui. Quase enfiei o blazer pela garganta dele, na verdade – levanto o punho no ar, com meu melhor olhar ameaçador, ainda voltado para o lugar onde Taeyong estava a poucos segundos.

– Conta outra, – ela revira os olhos rindo e cutuca o meu ombro – Você não consegue ficar brava com ele. Não consegue nem dizer não para o garoto. Semana passada ele quase entrou numa entrevista de chinelo. Ontem ele dormiu na sua cama e você teve que dormir no meu quarto. Ele vive no mundo da lua e você nunca fala nada. Até fica pistolinha, mas é só ele te olhar com aquela cara de filhote que caiu do caminhão de mudança que você se derrete toda – eu aponto para ela, com a cara fechada, pronta para rebater, mas não tenho argumentos porque ela está certa – Nem se preocupe em negar, são apenas os fatos. Agora vamos, eu quero assistir o show.

me arrasta pelo braço por baixo do palco, desviamos de alguns pilares de metal que sustentam a estrutura gigantesca, até chegarmos a escadaria lateral que nos leva para fora daquele lugar claustrofóbico. Finalmente posso respirar aliviada.

Somos recebidas pelos gritos ensurdecedores da multidão de fãs, que vão ao delírio com a apresentação de I Can’t Stand the Rain, que abre o show do SuperM. As luzes dos holofotes piscam e iluminam o palco, indo até o céu de Los Angeles e eu fico encantada, boquiaberta, assim como em todo show.

Trabalho com eles faz mais de um ano e ainda me arrepio até a alma toda vez que vejo eles em cima do palco.

 

A chuva monta meu corpo e desce
A sede por você fica mais intensa

 

Meus olhos encontram Taeyong no meio da coreografia complexa e não desgrudam mais de seu corpo, enquanto a música estrondosa e a aura envolvente enchem todo o ambiente a minha volta, me desligando do mundo. Sua beleza sob as luzes me abala de forma singular. A forma com que ele se move, como se controlasse a batida da música com cada gesto e não ao contrário, faz os pelos da minha nuca se eriçarem.

É como admirar um ser divino.

 

Ela me fez mal, me deixou louco
Sem descanso, eu estou desejando você

 

A coreografia fez com que ele virasse de costas para a plateia por alguns segundos, consequentemente ficando de frente para onde nós estamos, quase atrás do palco. Sua expressão fez todo o ar dos meus pulmões sair num suspiro pesado, quase um gemido sôfrego, que para a minha sorte jamais poderia ser ouvido graças a música alta e os gritos enlouquecidos. Me sinto quase sufocar pela intensidade dos sentimentos que tomam conta do meu corpo.

 

Mais quente eu quero queimar, eu vou passar por isso por você
Eu não vou deixar pra lá
Torna-se um paraíso brilhante
Ah, sim, eu não suporto a chuva

 

Taeyong não era um ser divino, ele era um demônio.

Seu olhar faz com que arrepios se alastrem por toda a minha superfície e abalem até os meus ossos. É impactante. Poderoso. Algo em seus olhos é faminto, tão selvagem que suas íris me queimam e controlam meu corpo. Eu reajo inconsciente, pressiono minhas coxas uma contra a outra, meu interior lateja e estremece. Sinto meus mamilos túrgidos roçarem contra o sutiã e isso me faz soltar outro suspiro que agora tenho quase certeza que foi um gemido.
Um formigamento tão gostoso quanto perigoso desce pelo meu ventre até a minha virilha, me fazendo pulsar mais uma vez. Sinto minha calcinha ficar cada vez mais molhada. Minha frequência cardíaca acelerada faz o ar ser cada vez mais difícil de respirar. Uma gota de suor gelado escorre por minha espinha dorsal, em contraste com meu corpo que está fervendo.

A sanidade abandona minha mente, esqueço completamente a minha posição e enfio o profissionalismo em um dos lugares que estão latentes nesse momento, e todos os meus pensamentos são completamente depravados.
Taeyong dançando me seduz, magnetiza, enfeitiça. Algo tentador exala de cada respiração sua e me prende, me faz desejar estar perto o suficiente para sentir seu hálito quente em minha pele. Desejo tocá-lo como jamais desejei nada na minha vida. Quero sentir sua boca passeando pelo meu corpo, assim como quero me afogar em cada curva do seu.
Minha imaginação segue o despindo daquelas roupas, e me sinto morder o lábio inferior, para conter a vontade quase vergonhosa de devorá-lo. O imagino completamente entregue, tão excitado quanto eu estou nesse momento.
E então a música chega ao fim e com ela toda a minha fantasia. Recupero a racionalidade e a realidade me acerta como um tapa na cara. Me sinto ridícula.

O que eu estava pensando? Eu sou sua manager. Posso ser demitida. Ele é um idol mundialmente famoso e completamente inalcançável. Ele é quatro anos mais novo que eu. Ele é apenas um bebê.

– Amiga, você tá bem? Tá pálida, suando – grita em meu ouvido, por cima dos gritos escandalosos da plateia que agora reage ao grupo se apresentando. Me observa de perto com seus olhinhos preocupados – Quer uma água?
– Preciso de um descanso – meus olhos ainda estão vidrados na figura em cima do palco. Não consigo desviar o olhar. Sua pele brilhante de suor ainda me hipnotiza, mesmo que agora sua expressão seja mais suave. Ele é tão lindo que quase me causa dor física.

Taeyong performando me tira do eixo, ofusca meu raciocínio e a pior parte é que ele nem se dá conta disso, porque eu sou muito boa em esconder qualquer tipo de sentimento. Sem contar que eu tenho meu emprego para manter, meu profissionalismo ainda é mais forte que meu tesão. Ainda.

Meu Deus! Eu pareço uma adolescente na puberdade. Por tudo que é mais sagrado, eu preciso urgente transar!

 

Capítulo 2

Ainda com as pernas bambas, resolvo esperar o show terminar largada em uma das poltronas da sala verde, sob o pretexto de não estar me sentindo bem. A desculpa colou tão bem que acabei deixando até algumas pessoas preocupadas, o que teria pesado na minha consciência se eu não tivesse outra coisa ocupando ela completamente.

Passei no banheiro apenas para constatar que minha calcinha estava completamente arruinada. Enrolei e prendi meu cabelo novamente com a caneta, deixei a água fria em contato com meu rosto escorrer pelo meu pescoço, me acalmando aos poucos e agora estou buscando em minha lista de contatos uma forma de resolver meu problema de tesão acumulado.

É a única explicação plausível para eu estar tão descontrolada quando o assunto é Taeyong. Não é nenhuma novidade o que ele causa em mim desde a primeira vez que o vi performando com selvageria e depois tive que lidar com a dualidade de uma personalidade extremamente fofa fora do palco, mas jamais fui tão longe a ponto de ter aqueles pensamentos pecaminosos e acabar quase gozando em pé só de admirá-lo dançar.

Deslizo meu dedo pela tela do celular, lendo os nomes com cuidado. Quais eram minhas opções?

Yin Dongyul. Meio chinês, lindo, querido, bem sucedido, sempre disponível, muito carinhoso, talvez carinhoso além da conta. Sexo amorzinho demais. Estou precisando de algo com mais fogo.
Como se tivesse vida própria, minha mente vaga para a lembrança da forma como os olhos intensos de Taeyong pareciam pegar fogo em cima do palco minutos atrás. Será que eles queimavam daquela forma na cama também? Qual seria a sensação de tê-los explorando meu corpo, fervendo em desejo? Chacoalho a cabeça, afastando os pensamentos impuros e voltando minha atenção para a tela.

Park Banryu. Fotógrafo que, eventualmente, nos acompanhava em alguns shows. Charmoso, engraçado, inteligente, uma leve tendência a falar demais sobre si mesmo. O sexo era 7/10, o que para a situação atual seria mais que suficiente, se um fato importante não tivesse cruzado minha mente. Ele era virginiano. Tenho pavor a homens desse signo.

Rapidamente meu cérebro começa a traçar o mapa astral de Taeyong, que já conheço tão bem quanto o meu. Câncer com ascendente em escorpião, a dualidade em pessoa. Lua em leão, vênus em gêmeos, mas como nada é perfeito, tinha que ter marte em virgem…

Porque diabos estou pensando nisso? Foco, ! Pare de pensar no Taeyong e encontre alguém para transar.

Jason! O nome inglês se destaca no meio de tantos nomes coreanos. O amigo americano do Mark, que as vezes aparece nos shows aqui. Uma gracinha de pessoa, mas flertava comigo em todas as oportunidades que tinha. E até nas que não tinha. Bom de papo e melhor ainda de cama, de acordo com . Exatamente o que eu preciso nesse momento.

Abro o aplicativo de mensagens e digito rapidamente uma mensagem muito direta, deixando bem claro as minhas intenções. Mas, antes que eu possa pressionar o botão de enviar, a porta dupla da sala verde se abre e todo o ambiente silencioso muda drasticamente. Sete garotos entram, afobados, pingando suor, seguidos por algumas pessoas da equipe de produção.

– … acabou e aí eu não vi a garrafinha no chão, escorreguei e caí de bunda no pé do Ten – a voz brincalhona de Taeyong chega aos meus ouvidos.

Eu me levanto rápido, guardando meu celular no bolso da calça. Caminho em direção ao freezer, abasteço minhas mãos com 4 garrafas de água e 3 de energético, enquanto escuto o resto da conversa. Eles ainda exalam a energia extasiante do show.

– Vai ter vídeo desse tombo de todos os ângulos possíveis na internet amanhã, se prepara para ser zoado, Tae – Mark caçoa, se jogando no primeiro sofá livre que encontra e tirando os sapatos.

– Já deve ter, nunca duvide da rapidez do fandom – Baekhyun completa.

– E o pior é que eu vou ser zoado também, e nem tive culpa de nada. Só tava no lugar errado, na hora errada – Ten completa, abre alguns botões de sua camisa preta e eu desvio o olhar respeitosamente. Logo todos eles já estão largados lado a lado nos dois sofás em L no meio da sala.

– Você estava no lugar certo, na hora certa, ou minha bunda estaria doendo bem mais agora – Taeyong manda um beijinho no ar para ele que torce o nariz para o amigo.

É nesse momento que eu chego até eles com as garrafinhas empilhadas nas mãos habilmente. A conversa continua se desenrolando cada vez mais preguiçosa, denunciando o quanto eles estão exaustos. Entrego as águas para Taemin, Baekhyun, Jongin e Ten. Lucas, Mark e Taeyong preferem as bebidas energéticas. Depois de tanto tempo trabalhando com eles, eu já havia decorado as preferências de cada um para praticamente tudo.

, você filmou? – Mark pergunta para mim, mas eu apenas o questiono com o olhar, sem entender do que ele está falando – O tombo do Tae, diz que você filmou, por favor. Quero mandar no grupo do Kakao.

– Infelizmente não filmei, nem assisti ao vivo. Não acredito que perdi isso. Tomara que a tenha filmado – minha voz tem frustração genuína, porque eu queria muito ter visto isso para rir da cara dele depois.

Me afasto até uma moça baixinha da produção, que me entrega uma pilha de toalhas brancas perfeitamente dobradas e eu jogo uma para cada um deles. Faço questão de acertar a cara de Taeyong quando jogo a dele, que me responde com uma carreta emburradinha que me faz querer apertar suas bochechas.

– Eu não tava me sentindo bem, então vim descansar um pouco antes de vocês me darem mais trabalho. – reclamo, mas eles sabem que não falo sério.

– Perdeu apenas o melhor show da turnê toda. – Baekhyun comenta, como quem faz pouco caso. Seu cabelo rosa está grudado em sua testa pelo suor, mas ele sorri orgulhoso e eu sorrio de volta, com o mesmo sentimento.

– Você diz isso todo show, Baek. – digo por cima do ombro, porque preciso me afastar mais uma vez para procurar a caixa de lentes que está em algum lugar da bagunça da mesa de maquiagem.
Sei que quando Taemin começa a piscar demais, ou manter os olhos fechados, protegidos da claridade com o braço como está fazendo agora, é porque as lentes de contato estão começando a incomodar. Então entrego a caixinha para que ele as retire, e ganho um sorriso pequeno e bonito como agradecimento.

– Dessa vez ele tem razão. – Kai completa, usando uma mão para se livrar dos suspensórios, e a outra secando a testa com a toalha, por baixo do cabelo cinza que pinga suor – Esse show foi uma coisa de outro mundo. Tudo estava vibrando. A energia das fãs estava extraordinária.

– E que tal dizer isso para elas? – Eu balanço o celular da companhia na frente deles, que logo entendem o que eu quero dizer. Mark e Lucas fazem uma careta, prontos para reclamar, mas eu levanto o dedo indicador com a minha melhor cara de repreensão antes que eles abram a boca – Sem fazer essa cara, gente. Sei que estão cansados, então é só uma livezinha para agradecer os fãs pelo show de hoje, dizer como se sentiram, e vocês estão livres. É coisa de 10 minutos e aí tem um banquete esperando para ser devorado por vocês no hotel, ok?

Não é como se eles tivessem opção, muito menos eu. Não faço o cronograma deles, apenas sou responsável por garantir que tudo seja devidamente cumprido, e ninguém é melhor nesse trabalho do que eu.

Abro o aplicativo, ajeito o celular numa posição que pegue todos eles, que se ajeitam mais próximos uns dos outros e quando Beak faz um sinal de joinha para mim, eu saio de cena e deixo o resto com o grupo. Apenas observo de longe, atrás das câmeras, junto com as outras pessoas da equipe. O carinho e devoção com o qual eles agradecem os fãs, mesmo estando esgotados e desejando mais que tudo ir pro hotel comer e dormir, é algo que faz meus olhos se encherem de lágrimas orgulhosas.

Eu amo meu trabalho. E amo esse grupo.

Taeyong permanece estranhamente quieto durante toda a live, mas quando ela acaba e a sala verde fica movimentada pelo pessoal que arruma tudo para irmos embora, e antes que eu sequer tenha a oportunidade de questionar se há algo errado, ele vem até mim. Me puxa pelo pulso até uma poltrona no canto mais afastado da correria.

– O que você tem? – Ele dispara as palavras apressado, como se quisesse perguntar aquilo há muito tempo.

Seus olhos grandes e brilhantes estão muito próximos e aguardam uma resposta com expectativa e preocupação. Não consigo raciocinar direito porque ele ainda está segurando meu pulso e seu dedo indicador se move minimamente, no que eu vergonhosamente considero um carinho que nubla minha racionalidade e faz meu interior implorar por mais contato.

– Hã?

– Você disse que não estava se sentindo bem. O que você tem? Está melhor? Quer ir ao médico? – A cada pergunta seus olhinhos piscam e crescem. Sua cabeça tomba levemente para o lado e ele solta meu pulso para correr os dedos pelo cabelo, jogando os fios bagunçados para trás.

– Ah, isso… – desvio o olhar por um segundo, tentando raciocinar rapidamente, o que é mais fácil agora que ele não está me tocando. Não posso simplesmente contar que quase desmaiei de tesão ao vê-lo dançar, então uso a mesma desculpa anterior e torço para ele não me conhecer bem o suficiente para saber que estou mentindo – Foi só uma tontura, nada de mais. Fiquei fraca pelo calor e por ficar correndo pra lá e pra cá por causa do show. Ainda mais quando um certo membro não colabora e vive esquecendo as coisas, me fazendo quase morrer do coração – eu cutuco seu peito, e ele abre um sorriso envergonhado que desestabiliza todo meu interior, porém nada demonstro – mas já estou bem, não se preocupe.

– Tem certeza?

– Na verdade, não. Mas vou ficar se você me comprar um Samanco¹. Estou com vontade de comer desde que saímos da Coréia.

– Esse é meu castigo por ter esquecido o blazer? – Ele pergunta, e eu inclino a cabeça sorrindo, desacreditada. Garoto audacioso.

– Vai sonhando que vai ser fácil assim. Isso é por ter se preocupado comigo, bonitinho – finalmente não resisto e acabo apertando sua bochecha, me levantando para voltarmos ao hotel.

Ele faz uma careta, não sei se para o meu ato ou para a apelido que uso sempre que quero implicar com ele – Seu castigo por ter me feito correr daquele jeito vai ser me fazer uma bela massagem.

¹ Samanco é um sorvete em formato de peixe, com uma casquinha de biscoito wafer por fora, recheado com sorvete de baunilha e um creme que pode ser sabor feijão vermelho, chocolate ou morango.

Capítulo 3

 

Quando descemos da van, em frente ao hotel onde estamos hospedados, me sinto confusa e exausta de tentar me entender. Preciso respirar fundo várias vezes no meu trajeto até o elevador e, quando finalmente chego, recuso educadamente o convite para comer, me despeço dos meus colegas de trabalho e me apresso para chegar ao meu quarto.

Jogo minha bolsa de qualquer forma em cima da única poltrona vermelha e vou em direção ao banheiro. Tiro minhas roupas, como se o ato fosse um ritual de exorcismo, para tirar de mim aqueles pensamentos sujos e me tranquilizar. O que claramente não funciona. Descanso a cabeça sob a ducha forte para lavar o suor e, quem sabe, a confusão da minha mente. As marcas de excitação ainda estão em meu corpo, escorrem pelas minhas coxas e, quando me toco, eu estremeço.

Saio do banheiro uma hora depois, enrolada no roupão branco e macio, uma das vantagens dos hotéis. Me jogo na cama enorme e perfeitamente arrumada, meus cabelos molhados logo tingem todo o tecido, mas eu não me importo, porque preciso fazer algo desesperadamente.

Meus dedos passeiam pelo interior das minhas coxas trêmulas e eu as aperto com força, querendo descontar ali minha frustração por precisar fazer isso sozinha, quando o causador de todo aquele tesão está em algum quarto muito próximo ao meu.

Afasto meus joelhos um pouco mais, abrindo o roupão e descobrindo meu corpo quente e úmido. Meus dedos começam a serpentear explorando toda a minha intimidade, já completamente molhada e sensível, e os primeiros calafrios começam a se espalhar por meu ventre.

Provoco a mim mesma, mas em minha mente as imagens são tão claras quanto sujas. Totalmente imorais. E todas elas envolvem Lee Taeyong. São seus dedos que eu imagino roçando meu clitóris com movimentos lentos e circulares como faço agora. Eu latejo e ergo o quadril, com um gemido que se desprende em minha garganta mas se perde em minha voz.

Fecho meus olhos, agora tendo a visão ainda mais perfeita de Taeyong com aquela expressão que me desperta uma excitação que nunca provei antes. Jogo minha cabeça para trás e minha boca se abre, minha garganta solta um gemido e eu estremeço, necessitada.

Uso meu dedo médio lambuzado com a lubrificação para tocar minha entrada, que pulsa, desejando por outra coisa. O gemido que eu solto agora é sofrido e se parece muito com o nome dele. Forço dois dedos até os introduzir inteiramente em mim, o mais fundo que posso chegar. Meu fôlego foge dos pulmões e o sentimento que me consome é latente. Inclino a cabeça para trás e deixo escapar um gemido muito mais alto dessa vez.

Movo os dedos lentamente em meu interior, em um vai e vem que me faz ansiar por mais. Mas sei que é um mais que não posso conseguir sozinha. Contraio meu interior ao redor dos meus próprios dedos, estocando com força, quase com raiva. Sinto o líquido quente escorrer pela minha mão e até o lençol. Levo minha mão livre até meu peito, e o choque térmico em meu corpo fervendo me faz estremecer. Quase consigo sentir como se fosse seu toque em minha pele, e minha mente se encarrega de imaginar as coisas imorais que ele faria com meus seios se estivesse ali. Só a imaginação já deixa meu interior em chamas.

Com os olhos revirando de prazer, mordo meu próprio ombro com força o suficiente para deixar uma marca, mas é necessário para abafar o gemido alto que eu sinto se formar em minha garganta quando o orgasmo se aproxima. Minhas coxas tremem violentamente, entre elas sinto meu íntimo pulsar numa nova sensação de espasmo maravilhosa. Minhas costas se arqueiam e meu corpo todo se tenciona, pronto para a descarga de adrenalina avassaladora que está por vir.

Então alguém bate na porta do quarto.

Capítulo 4

O susto é tão grande que um grito e um gemido se misturam em minha garganta, ecoando pelo quarto, ao mesmo tempo que meu corpo se impulsiona para frente, eu voo de cima da cama e eu caio de joelhos no carpete.
– Merda, merda! – praguejo aos sussurros, tentando raciocinar. Quantas vezes o meu tesão vai me fazer perder a cabeça hoje?
Alguns segundos se passam sem que eu saiba como reagir, novamente ouço as batidas na porta, agora mais desesperadas. Apenas me coloco de pé com dificuldade por causa das minhas pernas trêmulas do quase-orgasmo, seco o líquido que escorre entre elas com o roupão e o fecho adequadamente. Ajeito os cabelos úmidos da forma que consigo e abro a porta, pronta para resolver o problema, já que normalmente ninguém bate na minha porta a essa hora se não for para me entregar mais trabalho.
Porém a cena que eu encontro me amolece não apenas as pernas, mas também o coração. Taeyong está parado ali, vestindo um pijama azul e abraçando um travesseiro embaixo do queixo. Seu rosto, livre de qualquer resquício de maquiagem, parece triste e o cabelo roxo bagunçado em todas as direções despropositadamente deixa parte de sua testa amostra.
Ele é tão naturalmente magnífico que por um segundo eu esqueço como respirar.
– Eu não consigo dormir – seu sussurro é tão carregado de melancolia e eu o conheço tão bem, que nem peço para que ele se explique. Seguro seu pulso e o puxo para dentro do quarto sem pensar, conferindo se não há ninguém no corredor e fecho a porta logo em seguida.
O baque me desperta do transe de ver sua beleza tão de perto e eu lembro a situação em que me encontro. Olho para a minha cama, a mesma direção que ele olha, e vejo que os lençóis estão molhados e bagunçados. Ajeito meu roupão torto e pigarreio, o puxando para sentar na ponta seca da cama.
– Por que sua cama está toda molhada? – ele faz a maldita pergunta, na maior inocência e eu quase gaguejo para responder.
– Eu saí do banho tão exausta que deitei sem me secar direito e acabei pegando no sono – dou de ombros. A única parte verdadeira nessa frase é que eu deitei ali molhada, mas não é molhada da forma que ele imagina. – E você, por que está aqui de novo? – questiono mansa, me referindo a noite anterior, quando ele também apareceu no meu quarto no meio da madrugada porque não estava conseguindo dormir – Mesmo motivo?
– Uhm – ele afirma com um aceno tristonho, e afunda o rosto no travesseiro que ainda abraça. A cena me desperta uma vontade gigantesca de abraçá-lo até que toda essa tristeza suma, mas eu apenas me aproximo mais dele na cama, ficando de joelhos e afago seus cabelos num carinho protetor – Não quero preocupar ninguém, não é nada sério, só fico ansioso depois dos shows. Sei que cometi vários erros e amanhã todos eles estarão na internet, para o mundo todo ver. Não consigo parar de pensar nisso e aí não consigo dormir.
– E aí eu sou a primeira pessoa que vem na sua mente – brinco, parando o gesto e fazendo menção de me afastar, mas ele segura minha mão e coloca de volta em seu cabelo, me obrigando a continuar o carinho.
– Você tá sempre na minha mente, – ele diz, e não sei interpretar qual o sentido dessa frase, porque seu rosto está afundado no travesseiro.
Ao mesmo tempo que o odeio por isso, agradeço mentalmente, porque assim ele não pode me ver corar feito uma adolescente ao ouvir isso. Qual era o meu problema?
– Não adianta você se culpar pelos erros que já cometeu, Tae – digo, decidindo ignorar o que ele disse, pelo bem da minha sanidade, e partir logo para os conselhos – Ter sucesso em algo não significa não errar, e sim aprender com os erros e não repeti-los. Amanhã você assiste a sua performance, vê onde errou e se esforça para melhorar nisso para o próximo show. Eu assisto com você, se quiser.
Alguns segundos se passam até que ele levante o rosto do travesseiro e eu afasto minha mão. Seus olhos estão marejados, mas já não tem o toque melancólico de antes. Agora eles brilham em admiração e algo mais que nunca consigo saber o que é. É impossível ler Taeyong por inteiro.
– Às vezes eu esqueço que você é mais velha que eu, até eu precisar de um conselho, aí você joga toda a sua sabedoria na minha cara e eu me sinto uma criança de 7 anos fazendo drama – um suspiro frustrado escapa de seus lábios e ele desvia o olhar para o colchão.
Minha vontade é de voltar a fazer carinho em seu cabelo, mas sinto que o momento passou, então resolvo fazer o que faço de melhor, ou seja, provocá-lo.
– Mas você é uma criança de 7 anos – prendo a língua entre os dentes e cutuco a lateral de sua costela, ganhando um pulinho e um sorriso contrariado em resposta.
– Quando é que você vai me levar a sério?
– O dia que você for mais velho que eu. Agora deixa eu me trocar e eu já volto pra gente assistir alguma coisa até você pegar no sono e eu ter que invadir o quarto da no meio da madrugada de novo – sento na cama, pronta para levantar, mas ele me segura com um leve toque.
– O que é isso no seu ombro? – ele aponta e eu sigo seu olhar.
Meu coração erra uma batida por puro nervosismo quando encontro meu ombro descoberto pelo roupão frouxo e a evidente marca de mordida recém formada, vermelha e pulsante na minha pele.
Minha mente está totalmente esgotada de desculpas e eu não consigo pensar em nada, então ajeito o roupão e pulo para fora da cama, para longe de seu olhar suspeito.
– Não é nada. Eu já volto – corro até minha mala, pego uma calcinha e o primeiro pijama que encontro e me tranco no banheiro, sem nem respirar no processo.
Encosto na porta e meu joelhos quase falham. Aquele garoto fofo sentado em minha cama, quase chorando porque tem medo de cometer erros, é o mesmo ser beirando o demoníaco e inacreditavelmente poderoso que me fez quase perder a noção da realidade hoje, por mais de uma vez?
Era demais pra minha mente.
Visto o pijama que peguei, me xingando mentalmente por não ter prestado atenção nesse detalhe. O shorts de flanela xadrez é extremamente curto, quase deixando parte da minha bunda de fora. Normalmente o uso quando estou sozinha, ou com alguma amiga, mas jamais o escolheria para usar na presença de Taeyong, por puro respeito. Pelo menos a camiseta que eu peguei cobre a mordida no meu ombro.
Saio do banheiro e o encontro deitado em minha cama, todo encolhidinho, mexendo em seu celular. Vou até o frigobar que abasteci naquela manhã especialmente para casos como esse e pego dois iogurtes gelados, voltando para a cama, que agora já está quase seca. Sento ao seu lado, me encostando no amontoado de travesseiros no encosto da cama.
– Aqui, pra você se sentir melhor – entrego um dos iogurtes para ele, que me olha sem reação por um segundo antes de aceitar e abrir o maior sorriso.
– Como você sabia que eu…? – aponta para a bebida, chocado.
– Eu sou sua manager, é meu trabalho saber tudo que você gosta. Comprei hoje cedo depois que você apareceu aqui ontem e tudo que eu tinha para oferecer para te consolar era whisky – rio sem humor, repensando rapidamente meu hábito de beber. Retiro o lacre do meu iogurte, e começo a beber tranquilamente, enquanto procuro um programa específico na netflix.
– Então quer dizer que você sabe tudo que eu gosto, huh? – seu tom é sugestivo, mas eu evito olhar seu rosto, porque sei que ele deve estar com aquele maldito olhar intenso que me faz ter vontade de responder com um flerte que o deixaria completamente desarmado – Então é uma especialista em Taeyong.
– Eu não diria especialista. Tem muitas coisas sobre você que eu ainda não sei, mas eu adoraria descobrir. Te acho uma pessoa fascinante. – minha voz sai mais carregada de emoção do que eu pretendia, então trato de me corrigir de pressa – É para melhorar meu trabalho, é claro.
– Você me acha… fascinante? – ele pergunta com aquela voz inocente, que me faz acreditar que ele realmente não faz ideia do poder que tem.
Finalmente encontro o que estava procurando e aperto o play, usando os segundos de delay para encarar no fundo de seus olhos pela última vez naquela noite, querendo dizer tantas coisas.
Queria que existisse uma forma dele saber que é a pessoa mais sensacional que eu já conheci. Que não é apenas sua beleza fora do comum, mas sua personalidade, seu talento, carisma e esforço que o tornam excepcional e único para mim. Queria que ele soubesse que trabalhar com ele é uma honra, e que cada vez que o observo assim, de pertinho, com a cara lavada, roupa comum e sem câmeras ao nosso redor, eu fico ainda mais encantada pelo ser humano que ele é.
Desejo desvendá-lo, de todas as formas possíveis. Quero conhecer cada nuance de seu corpo e de sua personalidade. Meu olhar grita isso, meu interior se contorce aos berros por todos os sentimentos não ditos, mas as palavras que saem da minha boca são diferentes.
– Eu nunca disse isso. Você deve tá imaginando coisas, bonitinho – eu sorrio sapeca, colocando a língua entre os dentes e o vejo bufar. A abertura de Bob Esponja começa na mesma hora que ele me lança um olhar enviesado de canto de olho, mas não diz mais nada.
Permanecemos lado a lado em silêncio, encostados confortavelmente no monte de travesseiros, com os olhos vidrados no desenho e tomando iogurte. Parece uma cena boba, mas sei que significa muito para ele, e ele não faz ideia do quanto significa para mim também.
Nossos braços quase se encostam e conforme escorrego para ficar mais confortável, antes mesmo que o primeiro episódio chegue ao fim, sinto sua cabeça tombar em meu ombro. Chamo seu nome baixinho e quando recebo um ressonar profundo como resposta, sei que ele dormiu e me pego sorrindo para o nada.
Faz parte do meu trabalho cuidar dele, e se o que ele está precisando agora era de um ombro amigo, era isso que eu seria.
Sem me mexer muito para não acordá-lo, me estico sobre a cama para alcançar meu celular e mandar uma mensagem para .
“Amiga, posso dormir no seu quarto de novo? Taeyong agora resolveu que só consegue dormir na minha cama 🙄” Você às 11:49
“Infelizmente não vou poder te ajudar nessa, estou com visita 😏😏😏” às 11:52
“Sua safada! Você tá transando e me mandando mensagem? Como consegue?” Você às 11:53
“Claro que não, estou esperando ele sair do banheiro para gente transar de novo. Desculpa não poder te ajudar nessa, mas aproveita e dorme agarradinha nele. Eu sei que você quer” às 11:54
“Querer não é poder. O que eu quero mesmo é manter o meu emprego. Vou dar um jeito aqui, aproveite sua noite. Pelo menos alguém vai transar hoje, né?” Você às 11:56
“Você não transa porque não quer, tem um homem gostoso na sua cama agora mesmo” às 11:57
“Ocupe suas mãos com coisas mais importantes, tipo o pau do cara que está com você, e pare de me tentar, obrigada” Você às 11:58
Jogo o celular de volta no colchão, e com todo o cuidado do mundo tiro a cabeça de Taeyong do meu ombro e coloco sobre o travesseiro. Ele resmunga alguma coisa e eu me afasto, para avaliar minhas opções.
Posso dormir no chão, que pelo menos tem um tapete para a experiência ser menos humilhante, ou posso dormir na poltrona e acordar amanhã com a coluna de uma senhora de 87 anos.
Cubro Taeyong e me certifico de que ele está devidamente confortável, pego uma das cobertas, me enrolo como um casulo e escolho a poltrona como minha forma de tortura. Ela é grande o suficiente para eu caber em várias posições, todas desconfortáveis para dormir, mas pelo menos vou poder revezar.
Eu poderia até dormir na cama com ele, mas sinto que passaria de alguns limites do profissionalismo que ainda procuro manter. Sem contar que ele provavelmente se sentiria desconfortável de acordar amanhã e me encontrar ao seu lado na cama.
É melhor eu me colocar no meu lugar, o de apenas manager e amiga dele. E amigos não dormem juntos. Mas, amigos também não se masturbam pensando um no outro, amigos também não sentem o tesão inexplicável que Taeyong causa em mim.
É pensando nisso que eu adormeço, exausta. Não tenho tempo de sonhar, porque parece que no segundo seguinte, meu celular já está despertando anunciando um novo dia para o qual meu cérebro ainda não está preparado. Espreguiço meu corpo confortavelmente na cama, rolando para o lado e estico o braço para alcançar a fonte do barulho insuportável e colocar no primeiro dos três sonecas que eu uso toda manhã, sem abrir os olhos.
No entanto estranho quando algo macio bloqueia meu caminho, me impedindo de chegar até meu celular. Abro apenas um olho por pura preguiça e dou de cara com o rostinho lindo de Taeyong, a centímetros do meu. Agora meus dois olhos se arregalam tanto, que chega a doer os cantos ressecados pelo sono.
Nossos narizes estão quase se tocando, eu posso sentir sua respiração quente e suave bater contra meu rosto a cada ressonar. É magnífico. Seu calor me extasia e me aquece por dentro instantaneamente. O cheiro que emana de sua pele e invade meu olfato violentamente é irresistível. Minha respiração a essa altura já está descompassada e meus pensamentos caóticos, porque mais uma vez me encontro perdida na presença de Taeyong.
Tento me mexer minimamente, porque não quero acordá-lo, mas sinto que nossas pernas estão entrelaçadas numa bagunça sob as cobertas. A posição que estamos é tão íntima, que me desespera, me desarma.
Eu não sei o que fazer!
– Você não vai desligar o despertador? – a voz manhosa de Taeyong me desperta da minha bolha de aflição, mas minha reação é a pior possível. Eu dou um grito apavorado e me afasto dele, para o mais longe que a cama permite – O que foi?! – ele se assusta com meu grito e se apoia no cotovelo, desligando meu despertador e se voltando para mim, com os olhinhos pequenos e preocupados.
– Nós… A gente… Como eu vim parar aqui? – questiono exasperada. Enfio as mãos em meus cabelos rebeldes, que provavelmente se parecem com uma juba, e me odeio por deixá-lo me ver nessa situação.
– Aqui onde? Estamos no seu quarto – ele coça o olho com o punho e eu tenho vontade de socá-lo por ser extremamente fofo numa hora dessas. Ele não vê que estou tendo uma síncope aqui?
– Aqui na cama. Eu tinha dormido na… – aponto para a poltrona, me sentindo fora do ar. Não faz bem para o cérebro acordar dessa forma.
– Ah, na poltrona? Por que dormiu lá? Eu acordei no meio da noite e te encontrei toda torta, quase caindo no chão, aí te trouxe para cá. – explica na maior naturalidade, tombando a cabeça de volta no travesseiro. Ele parece tão confortável com toda a situação.
– Você me trouxe para cá?! – minha voz sobe algumas oitavas quando percebo o que está acontecendo – Por que fez isso?
– Porque eu não queria que acordasse com dor nas costas – se explica, num rugido baixinho graças a sua voz mais rouca que o normal. Um arrepio percorre meu corpo muito rápido, deitando todos os meus poros sensíveis. Ele se preocupou comigo? – Sem contar que fui eu que invadi sua cama, podia ter dormido do meu lado sem problema. Quando eu te trouxe pra cá eu ia voltar para o meu quarto, mas não encontrei o cartão para abrir a porta. Espero que não se importe, eu juro que dormi bem no cantinho, quase caindo da cama, não sei como fomos acordar desse jeito – ele gesticula para a parte inferior dos nossos corpos, que até poucos segundos estavam enroladas, e termina a frase corando.
O rosto de Lee Taeyong inchado pelo sono, com leves toques vermelhos nas bochechas pela vergonha, acaba de ser eleito a coisa mais linda que eu já vi em toda a minha existência.
– Eu não me importo – balbucio, balançando as mãos, tão sem jeito quanto ele nesse momento – dormi lá porque achei que você fosse se importar.
– Porque eu me importaria?
– Sei lá, acho que não temos intimidade o suficiente para… – nem chego a terminar minha frase sem jeito, Taeyong me interrompe com uma gargalhada, que o faz cobrir o rosto com as duas mãos. O encaro com a sobrancelha levantada. – Do que você tá rindo?
– Acha mesmo que não temos intimidade para dormir juntos? – Ainda gargalhando, ele puxa o braço que eu uso para me apoiar, e eu caio de volta entre os travesseiros. Mais uma vez, num curto período de tempo, eu estou muito próxima dele e isso tem consequências desastrosas para os meus sentimentos já confusos – Você já me viu chorar feito uma criança, ter crises de raiva ridículas e me desesperar por bobagem. Já me deixou dormir no seu colo, já me aconselhou, consolou e cuidou de mim melhor do que qualquer outra pessoa poderia fazer. Eu falo sério toda vez que digo que eu não sei o que seria de mim sem você, – sua mão, que já me toca, desce perigosamente para o meu pulso e agora posso dizer com toda a certeza que o que sinto é um carinho. Quando acho que não pode piorar, ele usa a mão livre para tirar uma mecha do meu cabelo que insiste em cair sobre meus olhos, e no caminho de volta, roça a ponta de seus dedos na minha bochecha. Seus olhos estão presos nos meus, e apesar de alheio aos efeitos que me provoca, é como se Taeyong pudesse perfurar a minha alma. É impossível controlar a explosão de sensações físicas que isso causa por todo meu corpo – Acho que temos intimidade para fazer muito mais que dormir juntos.

Capítulo 5

Não há oxigênio suficiente no mundo para que eu possa disfarçar o quanto aquelas palavras me abalaram, e meu peito sobe e desce num suspiro profundo. Minhas pálpebras tremem quando enfrento a beleza em seus traços doces, me perdendo nos detalhes mais inocentes pelo que pareceu ser uma eternidade. Há tantas interpretações possíveis para sua frase, mas me perco em todas elas quando minha conclusão é sempre a mesma: eu quero tanto beijá-lo que meu peito chega doer.
O alarme do meu celular me desperta para a realidade mais uma vez, antes que eu acabe fazendo uma merda gigantesca. Me afasto gentilmente de seu toque e rolo para fora da cama sem lhe dar uma resposta. Sua frase continua ecoando pela minha mente quando dou a volta na cama e pego meu celular, desligo o despertador, respiro fundo e finalmente tomo coragem de voltar a encará-lo.
– É melhor você voltar para o seu quarto antes que os meninos acordem e deem falta de um membro fujão – uso meu tom profissional, mas há um sorrisinho brincando com o canto dos meus lábios e eu não consigo controlá-lo. Puxo as cobertas de cima de seu corpo, sob protestos e uma cara emburrada fofa que colabora para me desestabilizar – Vamos, Taeyong. O cronograma de vocês começa às nove, temos uma sessão de fotos e uma entrevista, e…
– Você está vermelha – ele se senta na beirada da cama e aponta para o meu rosto. Seu sorriso é brincalhão e posso jurar há algo orgulhoso em seu olhar.
– O quê?
– Eu te fiz corar – conclui feliz.
Quero que um buraco se abra e me engula.
– Aish! Não temos tempo para isso, vai pro seu quarto e acorde os outros. Eu tenho que me arrumar para trabalhar. Vai, vai – o empurro em direção a saída, mantendo meus olhos em nossos pés. Ele não oferece resistência nenhuma, até que estamos diante da porta.
– me chama baixinho, franzindo o cenho. Seus olhos novamente tem aquele brilho estranho que eu não consigo decifrar. A forma com que seus lábios brincam com meu nome, como se ele saboreasse antes de pronunciar, me hipnotiza. – Obrigado por cuidar de mim essa noite.
– Só estou fazendo meu trabalho, bonitinho – a minha frase o faz soltar o ar pelo nariz num suspiro, e vejo o brilho deixar seus olhos tão rapidamente que não consigo evitar me perguntar o porquê. O que aquilo significava? – Minha cama está sempre aqui quando não conseguir dormir. Agora vai – seguro seus ombros e o empurro para fora da porta, sem coragem de voltar a encarar seus olhos – Acorde o Baekhyun primeiro e diga que preciso falar com ele antes de sairmos. Obrigada. Bom dia!
Bato a porta sem esperar a resposta, porque sei que mais um segundo em sua presença e eu vou enlouquecer. Nunca, em todos os meus 28 anos de existência, eu me senti assim. Meu estômago está revirando, minhas mãos tem as palmas suadas, trêmulas e minha respiração está tão pesada que eu levo uma mão ao peito numa tentativa inútil de me acalmar. Eu estou uma bagunça.
Meu interior está mil vezes pior. Todos os meus neurônios estão em pânico, correndo de um lado para o outro. Já desistiram de tentar entender o que aconteceu e agora estão apenas surtando.
– Porra, Lee Taeyong! – praguejo sozinha, desencostando da porta.
Fecho meus olhos com força e me amaldiçoando por estar dessa forma. Preciso reagir, não posso perder a cabeça, tenho que trabalhar. Mas o que fazer quando meu trabalho é justamente com a pessoa que me faz perder a cabeça?
Um banho gelado e revigorante é o que ajuda a me preparar para aquele dia. Penteio meus cabelos e os deixo soltos para secar, enquanto procuro uma roupa confortável em minha mala. Minha maquiagem é tão simples quanto todo meu visual, e me arrumar leva menos de meia hora. Enrolo meu cabelo em um coque e prendo com uma caneta, já é como meu ritual. Saio do quarto alguns minutos antes das oito da manhã, conferindo a agenda do dia em meu celular e enquanto abro meu email no tablet para responder a infinidade de assuntos pendentes.
skin Profissional pronta para mais um dia sendo a melhor manager que o SuperM já teve!
Depois de um tempo nessa indústria é um fato inegável que nunca é uma boa ideia entregar o conceito “sejam espontâneos” aos membros do SuperM, a não ser que você espere que acabe em caos total, mas sessões de foto são sempre uma bagunça, então eu apenas observava a cena divertida pelo canto do olho, enquanto me esforçava para ouvir o que me falava.
– Pelo jeito a noite foi boa, huh? – É a frase que chega aos meus ouvidos, e só então percebo que eu nem mesmo a olhava.
Viro meu rosto em sua direção, abandonando a imagem de Taeyong subindo nas costas de Lucas, todo sorridente, enquanto vários flashs piscavam por todo lado. Suas sobrancelhas sobem e descem de forma sugestiva.
– Eu não sei do que você está falando – reviro meus olhos em resposta a suas sobrancelhas, querendo fugir daquela conversa ao mesmo tempo que quero desesperadamente desabafar com ela.
– Amanhã é nossa folga. Nós vamos sair e você vai falar sobre isso que você não sabe – como se pudesse ler meus pensamentos, ela toca meu ombro e diz – Quero todos os detalhes.
– Na verdade eu estava pensando em usar minha folga para alguma coisa mais interessante, antes que eu acabe fazendo algo que eu me arrependa – suspiro baixinho e meu olhos vagueiam novamente até Taeyong. A sessão em grupo acabou e agora eles estão vindo em nossa direção para se arrumarem para as sessões individuais.
– Acho que sua salvação acabou de chegar, então – aponta para a porta de entrada do estúdio onde estamos, a alguns metros. Levo alguns segundos para entender o que ela quer dizer.
– Jason, meu parceiro! – Mark passa por mim feito uma flecha, e eu acompanho com o olhar. Ele abraça cheio de intimidade o homem bonito que acaba de atravessar a porta.
Consigo escutar o click em meu cérebro.
Como um anjo que veio me salvar de fazer uma cagada enorme, Jason parece até brilhar quando cruza seu olhar em minha direção por uma fração de segundos. Eu nem mesmo cheguei a concluir a ação de enviar uma mensagem para ele na noite anterior, e agora ele aparece aqui como um enviado dos céus, vestindo uma bermuda jeans rasgada e aquela maldita regata que deixa claro que ele visita à academia regularmente.
– Limpa a baba, minha parceira me zoa, cutucando meu ombro e eu inclino a cabeça em busca de foco. Estou no meu ambiente de trabalho, preciso ser profissional.
– Aish! Não tem ninguém babando aqui, me respeita garota! – acerto seu braço com o tablet que eu carrego quase como se fosse uma parte de mim, mas meus lábios se abrem num sorriso quase aliviado.
Observo Jason disfarçadamente mais alguns segundos. Ele exala confiança e charme, típico cara que sabe que é bonito demais para o bem das mulheres presentes. Passa a mão pelos cabelos longos, jogando as mechas claras divididas ao meio para trás enquanto responde Mark com um sorriso. Novamente seus olhos encontram os meus e eu viro o rosto rapidamente, fingindo que não fui pega no flagra o observando.
O problema é que meus olhos desviam acidentalmente até os de Taeyong, que já estavam cravados em mim. Ele está em pé a alguns passos de distância e me observa por cima do ombro de Ten. Meu coração salta e dá uma cambalhota em meu peito, porque sei que fui pega no flagra por ele também. Suas narinas se dilatam e suas sobrancelhas se unem nem gesto muito sugestivo, mas ele desvia o rosto antes que eu possa identificar aquela reação singular.
Taeyong responde algo para Ten, com o maxilar destacado, o deixando ainda mais malditamente gostoso. Ele exala aquela aura perigosa, que só vejo em cima do palco, por um segundo e me pergunto se só eu percebo isso. Não basta a maquiagem pesada em seus olhos, a boina preta prendendo seus cabelos para trás, ele precisa parecer tão sexy quando está bravo?
Preciso parar de pensar essas coisas!
, minha querida – Jason me desperta dos meus pensamentos pecaminosos com seu sotaque carregado e eu quase o agradeço por isso.
– Jason, que surpresa! – cumprimento, abusando da minha simpatia, mesmo odiando a forma com que ele me chama. Quero dizer que não sou sua querida, mas apenas olho ao meu redor e não encontro mais ao meu lado, ela já está entre Taeyong e Ten, os levando para se trocar no camarim.
– Eu estava por perto e resolvi passar para cumprimentar o Mark e os meninos, e confesso que torci para ter a sorte de te encontrar também. Você está encantadora como sempre – ele pisca, flertador. Ele é atraente, mas seus flertes não me atingem tanto quanto eu finjo, para inflar seu ego masculino.
– Você tem meu número, se quiser me encontrar, é só mandar uma mensagem – é minha vez de piscar, devolvendo o flerte. Sinceramente sou melhor nisso que ele, mas não uso todo meu potencial porque sei que não preciso – Inclusive amanhã é minha folga, só a título de curiosidade, mas agora eu estou trabalhando, então com licença que preciso lidar com aquela bagunça – aponto para e Baekhyun, que quase se estapeiam por algum motivo no cenário onde ele vai tirar as fotos.
Na verdade eu não preciso lidar com nada, mas o flerte funciona melhor dessa forma. Me viro com um sorriso sedutor no rosto e sei que meu trabalho ali está concluído quando poucos minutos depois, quando ele ainda está no estúdio, recebo uma mensagem sua.
“Amanhã às 19 está bom para você? Vou te levar para jantar.” Jason (amigo do Mark) às 11:15
Estou resolvendo alguns detalhes da entrevista que o grupo terá à tarde por email, mas entre as palavras sérias que digito, abaixo a barra de notificação e respondo com um sorriso indecente.
“Perfeito. Estou hospedada no The Ritz e adoro comida italiana” Você às 11:17
De comida italiana eu gosto mesmo é de pizza, mas ele não precisa saber disso. O jantar é só um meio para um fim, e o fim eu espero que seja na cama dele, sem roupa.
– Hm, eu conheço esse sorriso, – se joga na cadeira ao meu lado, com um sorrisinho enviesado e cutuca minhas costelas – alguém vai transar.
– Você é assustadora às vezes – levanto as sobrancelhas, preocupada com o quão bem ela me conhece – Jason vai me levar para jantar amanhã.
– E você será a sobremesa.
– Se deus quiser! – levanto minhas mãos para o céu, num ato dramático que a faz gargalhar.
, Pilsoo está te procurando – uma das moças da equipe de maquiagem passa por mim rapidamente, deixando o recado e correndo terminar a maquiagem do próximo membro a fotografar.
– O dever me chama – me levanto num pulo e corro até onde Pil está, cercado de vários membros da nossa equipe.
Ele é o único ali que, de acordo com a hierarquia da SM Entertainment, é superior, praticamente meu chefe. Sua roupa social e cara fechada pode ser assustadora, mas depois que você o conhece melhor, ou descobre acidentalmente que ele é completamente apaixonado por gatinhos de patinhas curtas, nunca mais o vê da mesma forma.
Ele pede minha opinião sobre uma proposta de patrocínio norte americano que acabamos de receber, sei que confia em meu julgamento, então me coloco de corpo e alma na nossa discussão sobre os prós e contras do possível contrato. Quando terminamos ali ele sai para atender seu celular que não para de tocar, enquanto Mark, Taemin e Jason se juntam a mim. Ficamos conversando sobre qualquer amenidade enquanto as últimas fotos são tiradas.
O último a fotografar é Taeyong. Fico alheia a conversa quando o observo posar para a câmera. Lá está o Taeyong demônio novamente, aquele que exala confiança e faz meu corpo ferver internamente. Sua aura é etérea, surreal. Ele leva uma mão até o queixo, deixando o dedo indicador tocar seu lábio inferior num gesto quase indecente.
Sua expressão faz o interior de minhas coxas ficarem vergonhosamente úmidas e tudo isso acontece numa fração de segundos. Meu coração errou umas três batidas nesse tempo, mas ele se normaliza logo que sinto a mão de Jason tocar a base de minhas costas, e seus olhos esperarem pela resposta de uma pergunta que eu não ouvi.
– Hã?
– Perguntei se tem companhia para o almoço? Conheço um ótimo restaurante aqui perto – ele repete, sem nem se dar conta do porque eu estava distraída. Agradeço mentalmente por conseguir manter minha cara de paisagem mesmo quando meu interior está um completo caos.
– Oh, sinto muito, mas o horário de almoço das pessoas normais é meu horário de resolver assuntos pendentes do trabalho – levanto o tablet em meus braços e dou de ombros.
– Você nunca para de trabalhar?
– Só na minha folga, que acontece raramente, então gosto de aproveitar da melhor forma possível – disparo com uma sobrancelha levantada. Espero que ele seja esperto o suficiente para entender o que eu quis dizer.
– Adoro mulheres competentes. Nos vemos amanhã então – ele sorri de lado, sua mão faz um leve carinho em minhas costas antes dele se afastar e eu sorrio de volta, mas por dentro estou com vontade de torcer a cara para sua frase clichê.
Não posso, preciso transar com ele.
– Amiga, vem ver uma coisa, rápido! – aparece ao meu lado alguns segundos depois e puxa meu braço tão rápido que eu quase derrubo meu tablet no processo.
– O que foi, sua maluca? – questiono. Paramos em frente a tela do computador onde estão sendo mostradas as fotos que estão sendo tiradas alguns metros a frente.
– Eu estava acompanhando a sessão de fotos do Tae, e acabei de ver uma coisa muito interessante, saca só – ela procura algo entre as fotos enquanto fala e seleciona uma específica.
A foto que aparece na tela tem o efeito já conhecido de Taeyong em meu corpo, fazendo meus joelhos fraquejarem. Ela enquadra do seu tronco para cima, os primeiros botões de sua camisa de cetim estão abertos, seu rosto está perfeitamente moldado pela iluminação do estúdio, mas o que mais chama atenção é seu olhar.
Seus olhos não estão direcionados a câmera, e sim a algum ponto aleatório ao lado dela. Suas sobrancelhas estão juntas, baixas e ele tem um olhar ameaçador que eu nunca vi em seu rosto. É feroz, quase assustador, diferente de todas as expressões que já o vi fazer, de todas as faces que conheci. Aquele Taeyong é novo e eu sinto uma vontade enorme de desvendá-lo.
– Taeyong fazendo cara de bravinho, o que isso tem de mais? – Disfarço incrivelmente bem o quanto eu quero aquela foto impressa, colada em cima da minha cama, para ser a primeira coisa que eu vejo ao acordar e a última ao dormir.
– O que importa, minha querida amiga, é o que levou ele a fazer essa cara.
– Provavelmente o fotógrafo que pediu para ele fazer essa expressão.
– O conceito era soft sexy, o fotógrafo pediu para ele suavizar a expressão, mas ele estava muito ocupado olhando para o Jason com a mão em suas costas.
– O que?!
– Olhando não é a palavra certa, fuzilando com o olhar talvez expresse melhor o que eu vi. Essa foto foi tirada exatamente nessa hora, era para vocês dois que ele estava olhando e fazendo essa expressão – ela aponta para a cara dele na tela. Eu abro e fecho a boca várias vezes, buscando algo para dizer, mas meu cérebro está uma confusão cada vez maior.

Capítulo 6

Sou salva pelo anúncio de que a sessão de fotos está finalizada e me ocupo em bater palmas e agradecer junto com o resto da equipe, sem pensar demais no que acabei de ver para não perder o foco das minhas responsabilidades. Tenho trabalho demais para me ocupar pelas próximas horas, mas é perceptível a distância que Taeyong mantém de mim, já que normalmente ele sempre arruma alguma desculpa para me incomodar mesmo que por alguns segundos quando estamos no mesmo ambiente.
Enquanto eles almoçam eu respondo os últimos emails da minha caixa de entrada. Faço uma videoconferência com alguns produtores que estão na Coréia, resolvo as pendências do nosso retorno a Ásia, que acontecerá em alguns dias, e, quando finalmente posso parar para comer, já está na hora de irmos para a entrevista da Glamour.
A correria se estende pelas próximas horas e eu mal tenho tempo de respirar. Quando a agenda do dia chega ao fim eu estou exausta, a caneta já não dá mais conta de segurar meus cabelos rebeldes que caem em mechas bagunçadas ao redor do meu rosto, meus pés latejam e preciso constantemente alongar minhas costas para não sucumbir a dor latente em meus ombros tensos, que desce até minha lombar.
Já é noite, mas diferente dos membros que podem finalmente descansar, eu ainda tenho trabalho a fazer. Me reúno com Pilsoo e alguns outros produtores no lobby do hotel, tenho minha agenda em uma mão e meu inseparável tablet na outra. Anoto tudo que preciso, faço meus comentários na discussão sobre as mudanças que precisam ser feitas no próximo stage que se estende por mais de uma hora. Quando finalmente terminamos, Pil ainda me pede para esperar.
Eu quero chorar, me jogar no chão e espernear. Não aguento mais, só quero descansar, mas tendo em mente que o dia seguinte será minha folga, eu respiro fundo e aguardo para saber o que ele quer conversar comigo.
– É sobre Taeyong. – Ele diz logo no começo e eu fico ainda mais tensa. Sua expressão é tão séria que eu sinto meu estômago revirar de ansiedade.
Será que ele descobriu sobre meus pensamentos impuros sobre Taeyong? É agora que eu levo uma bronca, sou humilhada pela minha falta de profissionalismo e, por fim, sou demitida do emprego que tanto amo?
– O que tem ele? – Dou meu máximo para não deixar minha voz vacilar e denunciar o quanto estou nervosa. Ainda bem que eu tenho muita prática com esse tipo de situação.
– Eu percebi que vocês estão bem próximos. – Seu olhar cai sobre mim, displicente. Continuo impassível por fora, mas internamente eu já cheguei a conclusão de que é isso, vou ser demitida, esculachada e esse é o último emprego decente que vou ter na vida. Vou ser conhecida como a assediadora de idols.
– Isso é ruim?
– Oh, não… – Para minha surpresa ele sorri suavizando sua expressão e se inclina um pouco em minha direção – Pelo contrário. Ele tem estado estranho nas últimas semanas, desde que a turnê chegou a América. Ele acha que disfarça bem, mas é evidente que tem tido problemas com ansiedade, até os outros membros já perceberam, mas conversei com Baekhyun e chegamos à mesma conclusão. A proximidade de vocês tem feito bem a ele, você é uma boa pessoa, um bom exemplo a ser seguido. Talvez essa amizade seja exatamente o que ele precise para colocar a cabeça no lugar.
As palavras levam algum tempo para fazer sentido. Ele não está me repudiando por estar próxima demais de Taeyong?
– Eu só dou alguns conselhos quando ele não parece bem, ele costuma me escutar – Dou de ombros, fingindo não me importar com o assunto.
– Ele te respeita e te admira, isso é evidente, e com razão. Quando eu a contratei como minha assistente, eu não tinha certeza que tinha feito a escolha certa, você era jovem e inexperiente, mas com o tempo você provou ser a melhor no que faz. Não é a toa que eu a promovi e você é praticamente meu braço direito agora – Agora ele ri, divertido.
Eu tenho problemas para acompanhar seu raciocínio. Ele está me elogiando?
– Eu só me esforço para fazer meu trabalho – Eu sorrio de volta, encolhendo os ombros sem jeito. Era inacreditável como eu conseguia disfarçar que meu interior estava uma zona.
– E faz muito bem. Caso não esteja claro, estou te parabenizando, não apenas pelo trabalho como manager, assistente e às vezes babá. Você se importa, conhece e cuida dos membros muito bem, isso faz toda a diferença. Confio em seu julgamento sobre o que está acontecendo com Taeyong, se achar necessário que a gente intervenha com ajuda profissional, sei que tomará a decisão certa. Apenas continue o bom trabalho, e aproveite sua folga amanhã, você merece – Ele se levanta, pronto para deixar o lobby.
– Muito, muito obrigado, Pilsoo-nim – Curvo meu corpo na reverência mais respeitosa que consigo em meio ao caos que está minha mente.
Receber elogios ao meu trabalho era, de longe, a melhor forma de me elogiar.
Nos despedimos e subo para meu quarto ainda meio anestesiada. Não sei se pelo alívio ou pela exaustão. Retiro a bolsa de meus ombros tensos e jogo sobre a poltrona vermelha, vou deixando uma trilha de roupas espalhadas pelo quarto até chegar ao banheiro, pronta para um banho relaxante de, no mínimo, três horas.
Deixo a água quente relaxar meus músculos, mas não consigo acalmar minha mente. Me sinto ridícula por passar tanto tempo pensando em Taeyong, como uma adolescente que não tem outra preocupação na vida além da sua paixonite impossível.
Lembro de seu olhar furioso na foto que me mostrou. Porque ele estava olhando daquela forma para Jason e eu? Não quero me precipitar e pensar que Taeyong tem qualquer tipo de sentimento por mim, mas o que aquela expressão queria dizer? E por que ele passou o resto do dia sem nem olhar na minha cara? Ele estava bravo comigo? Apenas pensar nessa possibilidade fazia meu peito se apertar dolorosamente.
Saio do banho com mais perguntas em mente do que quando entrei, mas sei que não vou encontrar resposta para elas. Quero apenas descansar, mas meu corpo não colabora, continuo sentindo dores musculares acumuladas de dias de trabalho intensos mesmo quando me jogo na cama ainda de roupão e permaneço olhando para o teto, fazendo o mínimo possível de movimentos.
– Não vai ter jeito, vou ter que apelar – Resmungo sozinha, fazendo um esforço imenso para levantar e ir até a poltrona. Pego um frasco de comprimidos na bolsa e quando estou prestes a buscar a água no frigobar, para me dopar de relaxante muscular e dormir deliciosamente até o dia seguinte, ouço alguém bater na minha porta.
Reviro os olhos tão forte que chega doer. Praguejo silenciosamente enquanto ajeito o roupão, pronta para abrir a porta com a pior cara possível. Se for mais trabalho eu juro que me demito.
É mais trabalho, mas é o meu tipo favorito de trabalho.
Taeyong, com cabelo molhado e bagunçado, denunciando que também acabou de sair do banho. Ele veste uma camiseta branca e uma calça de moletom larga demais para seu corpo. É tão simples e consegue ser estonteante de tão belo quanto é ele que veste.
– Nossa, você tá péssima – Suas sobrancelhas se juntam e ele pisca depressa. Ele costuma piscar assim quando está nervoso, mas porque ele estaria nervoso?
– Obrigado, Taeyong, mas eu tenho espelho e já constatei esse fato – Eu suspiro pesado – Eu só estou muito, muito cansada.
– Então, eu sou sua salvação – Ele passa por mim e entra em meu quarto sem nem pedir permissão. Não tenho nem tempo de ficar brava com ele pela ousadia, porque estou digerindo sua frase.
Você é a minha perdição, isso sim.
– Ei, como assim? O que você está fazendo? – Questiono ao vê-lo se jogar na minha cama – Você tá realmente está levando aquela história de ter intimidade a sério, né? Já tá achando que esse é seu quarto – Me sento ao seu lado, mantendo uma distância segura.
– Vim para pagar meu castigo – Taeyong diz, ignorando deliberadamente minha repreensão. Seus olhos estão escuros e intensos, tanto que não consigo manter o contato por muito tempo. A princípio não entendo o que ele quer dizer, mas sua pergunta seguinte esclarece minha mente – Você tem óleo de massagem?
– O que?!
– Você disse que meu castigo por ter esquecido meu blazer seria te fazer uma massagem, e acho que nunca te vi precisando mais de uma como agora, – Ele aponta para o frasco de relaxante muscular que ainda está em minha mão – então nem se atreva a negar.
– Mas…
– Você tem ou não óleo de massagem? Senão terei que pedir para o Taemin-hyung e…
– Eu tenho! – Minha voz sai esganiçada. Balanço as mãos no ar, apavorada com a ideia dele pedir isso ao Taemin.
Minha expressão deve estar hilária, porque consigo perceber que ele está prendendo o riso.
– Não precisa ficar assim, é só uma massagem – Ele ainda tem a capacidade de dizer, com a maior cara de inocente.
É oficial, vou entrar em combustão espontânea.
Minha vontade nesse momento é sair correndo e gritando pelo quarto feito uma maluca, mas tudo que faço é levantar da cama mais tensa do que nunca e buscar meu frasco de óleo de massagem no fundo da minha mala.
Não estou raciocinando direito. Taeyong vai me fazer uma massagem. Vejo seu olhar decidido e sei que ele é teimoso o suficiente para que eu nem tente tirar a ideia de sua cabeça. Sei que a ideia inicialmente foi minha, mas nem em um milhão de anos eu esperava que a atitude partiria dele. Agora, que está prestes a acontecer, eu não sei como proceder.
Volto para a cama me sentindo uma mistura ridícula de robô com cachorrinho acuado, entrego o óleo para ele e me sento ereta. Alguns segundos de silêncio tenso se passam enquanto sinto seu olhar deixar o rótulo da embalagem e pesar sobre mim.
– Prende o cabelo. – Sua voz grossa é uma ordem clara, tão firme que mal reconheço. Um arrepio desce pela minha espinha e serpenteia até minha virilha úmida.
Pego a caneta sobre o estante mais próxima, enrolo meus cabelos ainda molhados e prendo. Respiro fundo, de costas para ele, tentando me acalmar. Se estou assim agora, a hora que ele começar eu vou desmaiar.
Se recomponha, !
Quando me viro de volta para a cama, toda a calma que consegui reunir no curto espaço de tempo das minhas respirações se vai. Aquela deve ser a imagem do paraíso. Taeyong está sentado sobre os joelhos bem no meio da minha cama, seu tronco inclinado para trás, apoiado num braço que tem todas as veias saltadas na pele alva, enquanto usa o outro para levar o óleo até seu nariz e inalar a fragrância. A camiseta larga deixa parte da sua clavícula exposta e é o suficiente para que eu entre em surto interno.
Ele é tão gostoso que chega ser um pecado.
Com as pernas bambas e o coração batendo vergonhosamente rápido, caminho em sua direção e me sento de costas para ele, na beirada da cama. Espio por cima do ombro ele se aproximar ainda de joelhos, parar alguns centímetros longe de mim e estou pronta para agradecer mentalmente pela distância segura, mas nem tenho tempo de completar o pensamento.
Suas duas mãos agarram os lados do meu roupão na altura da minha cintura e me puxam para trás, me arrastando pelo colchão os centímetros que nos separam. Minhas costas se chocam suavemente contra seu corpo e todo o ar deixa meus pulmões ao que um arrepio intenso circula meu ventre.
Quando foi que aquele quarto ficou tão quente?
– Com licença, eu vou precisar… – Ele não completa a frase, e sua voz é quase sem jeito, mas suas mãos são muito seguras do que fazem quando tocam meu pescoço e afastam meu roupão o suficiente para deixar meus ombros de fora.
Engulo em seco, sentindo mais calor que antes. Inalo mais uma vez tentando respirar normalmente, mas é impossível. Sinto o líquido frio escorrer pela minha pele e o cheiro de baunilha toma conta do ar, anuviando minha mente e dando um toque místico a toda a cena.
Jamais vou esquecer o primeiro contato de suas mãos com a minha pele. O efeito é instantâneo e inebriante.
Diferente do que espero, ele não toca meus ombros. Suas duas mãos se fecham ao redor do meu pescoço de uma vez, os dois polegares tocando juntos o topo da minha nuca, os dois indicadores se juntando embaixo do meu queixo, e é a coisa mais extasiante que já senti. Sinto como se todo o quarto desaparecesse, fecho meus olhos de forma involuntária, a única coisa que existe no mundo é a pressão de sua mão escorregando lentamente pela extensão do meu pescoço até meu colo.
Ele repete o ato, e talvez seja minha imaginação nublada pela volúpia, mas sinto que cada vez que ele o faz, suas mãos apertam meu pescoço um pouco mais forte. Sinto surgir o desejo desesperador de tê-lo me enforcando daquela forma com outros propósitos muito menos puros que uma simples massagem.
Após dedicar tempo suficiente em meu pescoço para que eu já me sinta incrivelmente mais relaxada, ele desce suas mãos macias para meus ombros e um suspiro escapa sem a minha permissão. Seu toque tem a pressão certa, passeia pela minha pele deixando um rastro de destruição e calmaria. Dual, como tudo nele.
Minha pele parece estar prestes a entrar em combustão quando seus dedos seguem perigosamente até minha clavícula, delineando a borda do meu roupão frouxo. A sensação é tão boa que me sinto amolecer e novamente algo sai pela minha boca sem minha permissão, mas dessa vez se parece muito mais com um gemido.
– Você deveria se deitar, vai ser mais gostoso assim – Sinto sua respiração quente em minha nuca.
Não sei se ele faz isso de propósito, ou se não tem a menor consciência do que está causando em mim, mas a forma com que incendeia meu interior é suficiente para que eu apenas obedeça sem dizer nada.
Só quando me movo é que percebo o quão molhada está o interior das minhas coxas. Me viro na cama e deito de bruços, já sentindo todos os meus movimentos muito mais leves do que jamais senti. Um segundo longe de seus toques é suficiente para que eu sinta a falta que suas mãos incandescentes fazem. Me pego quase implorando por mais.
Afundo o rosto no colchão, mantenho meus olhos fechados o tempo todo, e não demora até que eu o sinta se posicionar ao meu lado. Dessa vez suas mãos determinadas sequer pedem permissão, ele apenas abaixa meu roupão até a metade de minhas costas com um único movimento. Mesmo que eu tivesse forças, jamais reclamaria, porque tudo que eu mais quero é me livrar daquela peça de roupa que me impede de sentir mais de seus toques.
Sinto mais óleo ser despejado em minha pele e, quando suas mãos me tocam, é como a primeira vez de novo. Nunca vou me cansar da sensação. É como ser tocada por uma nuvem eletrizante, que deixa um rastro de energia estática por onde passa, mas também relaxa cada célula em mim.
Ele explora as laterais do meu corpo, delineando minhas curvas expostas, sem pressionar minha pele para massageá-la. É como se ele estivesse apenas me acariciando. Uma espécie muito distinta de febre explode em meu interior e entra em erupção pelos meus poros, em forma de arrepios. Tenho certeza que ele pode ver claramente o que está causando em mim agora.
– Você se importa se eu…?
– Não – solto num sussurro, sequer esperando o fim da frase, porque quando ele para os movimentos e afasta as mãos do meu corpo, sou capaz de aceitar qualquer coisa para que ele volte a me tocar.
Ele solta uma risada pelo nariz, e num movimento inesperado ele senta no topo das minhas coxas, sem soltar seu peso sobre mim. Seus joelhos dobrados, colados as laterais do meu quadril, faz com que eu pressione uma coxa contra a outra. A excitação faz meu interior se contrair e mais do líquido quente sair de mim, escorrendo pela minha intimidade, chegando até o roupão abaixo de mim.
Taeyong debruça sobre mim, puxando ainda mais meu roupão para descobrir minhas costas. Está quase na base da minha lombar, meus seios estão totalmente descobertos do tecido agora, escondidos apenas porque os pressiono contra a cama. Nada disso importa, porque quando ele se inclina para deslizar as mãos da minha lombar até alcançar o topo das minhas costas, seu quadril encontra o meu. É impossível controlar o gemido abafado que sai pelos meus lábios.
É o ápice de todo o tesão que já senti até ali.
Num movimento involuntário, e quase imperceptível, acabo empinando minha bunda em direção ao seu quadril. É tão sutil quanto o som que sai de seus lábios, sequer posso saber se foi mesmo real. Sinto seu toque vacilar em minha pele por um momento, mas logo ele retoma o ritmo.
Cada vez que sobe massageando habilmente minhas costas, seu quadril roça perigosamente o meu. Cada vez que ele desce e se afasta, eu empino minha bunda em sua direção. Depois de algumas vezes, isso já parece muito uma provocação silenciosa. E é delicioso.
O silêncio do quarto me permite escutar sua respiração, e está tão descompassada quanto a minha. É apenas um mero detalhe em meio a toda a intensidade que nos cerca, mas é suficiente para arrancar toda a sanidade que me resta.
Meus sentimentos estão em total desordem. Todo meu interior grita por Taeyong.
Para me levar ainda mais a completa loucura, ele joga o quadril contra o meu num movimento tão certeiro e obsceno que mais um gemido escapa de mim. Seus movimentos são intoxicantes. Suas duas mãos sobem juntas, deslizando pelo óleo, até estarem ao redor do meu pescoço mais uma vez. Ele precisa quase se deitar sobre mim para fazer isso, minha boca se abre em um novo gemido sussurrado e eu elevo o quadril, necessitada.
É deliciosamente torturante. Faz minha intimidade pulsar tão forte que chega doer, sinto que posso gozar a qualquer momento só com aquela provocação indecente.
A onda de sentimentos é tão latente que, quando ele começa a descer ameaçando se afastar, eu viro meu rosto para o lado, sem abrir meus olhos e enfio meus dentes em meu ombro num movimento inconsciente e voluptuoso, mordendo por cima da marca que ainda nem havia sumido da noite anterior.
Seus movimentos param instantaneamente na metade do caminho. Sinto suas unhas pressionarem a carne da minha cintura possessivamente, mas num piscar de olhos ele se afastou. Não apenas parou de me apertar. Ele levantou completamente, saindo de cima de mim e da cama.
– Acho que você já está relaxada o suficiente – Sua voz sai urgente e rouca.
Percebo que sua frase não podia ser mais verdadeira quando tento me mover e meu corpo está mole demais para obedecer e reagir. Nem mesmo meu cérebro parece raciocinar direito.
Estou inteiramente relaxada, entorpecida pelo tesão que seus toques causaram em meu corpo. Consigo apenas virar o rosto em sua direção, encontrando seu olhar penetrante e feroz como nunca vi antes.
– Durma bem, – Ele sai pela porta tão rápido que nem consigo responder.
Os segundos se passam e a sensação permanece. Jamais estive tão relaxada em toda a minha vida, cada parte do meu corpo parece estar anestesiada, tanto que nem consigo manter meus olhos abertos. Rapidamente perco a consciência na mesma posição que ele me deixou, ainda com o roupão cobrindo apenas a parte de baixo do meu corpo.
Meu último pensamento antes de dormir é: Taeyong tem mãos de anjo.

Capítulo 7

Meu primeiro pensamento quando acordo é: Taeyong não tem apenas as mãos, ele é um demônio completo.
Só isso explicaria o que ele fez comigo na noite anterior. Aquilo não foi humano. A forma com que suas mãos me deixaram entregue, amoleceram meu corpo a ponto dele fazer o que quiser comigo. Como tudo que minha mente conseguia pensar era em formas dele nunca mais parar de me tocar, eu era praticamente escrava de seu toque.
Onde eu estava com a cabeça? Como vou encará-lo depois disso? É isso, eu enlouqueci de vez.
– Ahh! – solto um gemido, pressionando os punhos contra meus olhos. Meu corpo se debate no colchão como uma criança fazendo birra. A facilidade com que me movo, sem dor alguma, é apenas um lembrete de que aquela foi a melhor massagem que já recebi em toda a minha existência.
Confiro as horas em meu celular e já é perto do meio dia. É assustador perceber que dormi por quase doze horas, sendo que estou tão acostumada com uma rotina que jamais me permite mais que seis horas de sono por noite e nem mesmo nas minhas folgas eu consigo dormir mais que isso.
Aquela massagem fez milagres em mim.
Ignoro as mensagens do trabalho e respondo apenas as pessoais, entre elas me chamando para almoçar e Jason confirmando nosso jantar a noite.
Jason!
Por um momento eu esqueci que havíamos combinado de sair hoje. Esqueci completamente que meu plano é transar hoje para esquecer Taeyong, e agora pensando dessa forma, a ideia me parece muito errada.
Estou usando Jason? Não posso me dar ao luxo de me importar. Depois da noite anterior, sinto que se eu chegar perto de Taeyong vou acabar atacando o menino. Estou descontrolada.
Desço para encontrar para almoçarmos juntas, mas meus pensamentos ainda estão longe. Mais especificamente na forma com que o quadril de Taeyong se chocava contra o meu sem pudor algum. Ele tinha consciência do que estava fazendo? Estávamos nos provocando mesmo, ou era apenas coisa da minha mente pervertida e Taeyong ainda é puro demais para entender o que eu esfregar minha bunda nele significa?
– Conheço essa cara – é a primeira coisa que diz, quando nos encontramos no lobby do hotel – Sua mente está quase explodindo, posso ver a fumacinha saindo pelos seus ouvidos.
– Argh! – Não consigo nem responder de forma decente, apenas tampo meus ouvidos com as mãos por um segundo e faço uma careta, é quase um pedido de socorro.
– Não precisa nem esperar chegarmos ao restaurante, pode começar a desabafar pelo caminho mesmo – ela encaixa seu braço ao meu, e nós saímos no hotel atrás de um lugar para almoçarmos.
Demoro alguns segundos para começar mas, quando as palavras saem de mim numa enxurrada, eu quase choro. De alívio e ao mesmo tempo de desespero, porque falar em voz alta torna tudo ainda mais real. Conto cada detalhe sórdido que consigo me lembrar, não apenas porque é minha melhor amiga e confio nela com a minha vida, mas também porque sei que ela é tão pervertida quanto eu e jamais me perdoaria se eu deixasse qualquer coisa de fora.
– É, amiga… você tá fodida – é sua conclusão, após meu longo monólogo.
– E nem é da forma boa – choramingo, terminando minha sobremesa que não tem mais um gosto tão bom, porque meu interior está amargo da conversa. – O que eu faço?
– Acho que você tem duas opções. Ou transa com ele ou pede demissão.
– Você diz como se as duas coisas fossem muito simples. De qualquer forma eu acabo na merda. E outra, não é como se ele quisesse transar comigo também. Fala sério, é do Taeyongie que estamos falando.
, você precisa parar de tratá-lo como uma criança. Taeyong é um homem, um extremamente fofo, mas tem vontades e desejos como qualquer outro. Você não pode negar que o que ele fez com você ontem deixa claro que ele te quer tanto quanto você o quer.
– Eu não acho que ele tenha feito de propósito…
– Ah, não se faça de ingênua que não combina com você! Sai dessa zona de negação e apenas aceite! Taeyong esfregou o pau em você ontem para ver se você acorda para o fato de que ele quer te foder gostoso. O que você vai fazer sobre isso? – ela se inclina em minha direção, esperando uma resposta. Eu recuo em reflexo e pisco rapidamente.
– Vou transar com o Jason!
– Nããão! Você é burra?!
– Sou inteligente o suficiente para não arriscar meu emprego num caso de tesão acumulado que eu sei que não vai dar em nada. Só a massagem dele já me deixou abalada dessa forma, não posso me responsabilizar pelo que vai acontecer se chegarmos a transar. Vai que eu tenho um orgasmo e morro?
– Seria um bom jeito de morrer, admita – ela provoca e eu caio na gargalhada, me sentindo incrivelmente mais leve.
– Seria, mas não estou pronta para morrer. Ainda tem tanta coisa que eu quero fazer, eu ainda nem transei com o Park Seojoon – apoio o queixo em minha mão, olho pela janela com olhos sonhadores e em seguida explodimos em outra gargalhada alta demais para o ambiente.
Saímos do restaurante com o humor um pouco melhor e passamos em uma loja para comprar a roupa certa para o jantar dessa noite. Como ela não consegue me convencer a cancelar meu plano, se contenta em me ajudar a escolher o vestido vermelho que destaca as curvas do meu corpo, mas não revela muito.
Possuídas pelo espírito do consumismo, acabamos comprando lingeries e maquiagens que não precisamos, mas concluímos que merecemos. Voltamos para o hotel no meio da tarde, cheias de sacolas de diversas lojas.
– Eu devia estar descansando e não batendo perna por aí, já estou cansada de novo – reclamo.
– Que tal uma hidromassagem para relaxar? – as sobrancelhas de brincam, subindo e descendo em seu rosto bonito.
– Você tem uma banheira de hidromassagem no seu quarto? – pergunto abismada – Por que não tenho no meu?
– No meu não, mas tenho o cartão de um quarto que tem. Não questione. Apenas me siga, vamos! – novamente ela sai me arrastando pelo braço.
Com o passar do tempo, aprendi que, quando se trata de , não adianta questionar, é melhor apenas aceitar e deixa-la te arrastar pra onde quiser. Subimos para o andar superior ao nosso e entramos em um quarto um pouco mais luxuoso, e incrivelmente mais bagunçado que o meu. As roupas jogadas em cima da cama denunciam o dono do lugar.
– Por que diabos você tem acesso ao quarto do Baekhyun?
– Porque eu gosto da banheira de hidromassagem daqui, então ele deixou o cartão comigo para eu aproveitar minha folga nela – ela da de ombros, indo em direção ao banheiro com tanta naturalidade que eu me questiono se ela já esteve ali antes.
– Desde quando você e o Baek são próximos assim? – a sigo e espero enquanto ela liga as torneiras para encher a grande banheira branca, que ocupa metade do banheiro chique.
– Desde o show em Tóquio, no começo da turnê, lembra? Foi quando Seojun e eu terminamos, e o Baek me encontrou bebendo e chorando no terraço do hotel. Achei que ele fosse me demitir ou sei lá – ela começa a despejar os sais de banho na água, despreocupadamente – mas ele só sentou do meu lado e bebeu comigo. No fim da noite estávamos os dois muito bêbados e fomos parar num templo budista em Asakusa, mas fomos expulsos porque estávamos rindo muito alto de uma estátua do Buda. Ele me ajudou tanto naquela noite que eu jamais vou agradecer o suficiente, e depois disso nos tornamos inseparáveis.
– Como é que eu nunca soube disso?
– Porque você nunca perguntou. Nós temos uma amizade discreta.
– Bem discreta mesmo, faz tanto tempo e eu nunca sequer reparei que vocês são tão próximos.
Nos despimos e entramos na água borbulhante. O cheiro dos sais de banho de capim limão impregna meu olfato, o efeito esfoliante relaxa meus poros e nós aproveitamos uma hora imersas em espuma até o pescoço. Estou de olhos fechados, no entanto minha mente está escancarada para as informações que acabei de receber.
e Beakhyun são amigos, muito mais próximos do que eu imaginava, e conseguiram esconder isso durante todo esse tempo. Será que Taeyong e eu conseguiríamos fazer o mesmo? Mas eles eram apenas amigos, e eu não sei se conseguiria me aproximar ainda mais de Taeyong sem perder o último fio de sanidade que me resta.
Quando o horário vai se aproximando das sete, eu já estou vestida e impecavelmente maquiada para meu encontro. Meu corpo exala um cheiro maravilhoso que os sais da hidromassagem deixaram, meu cabelo está sedoso e comportado e, sinceramente, transpiro confiança. Não vejo a hora de transar até perder todas as minhas forças.
– Uau! Assim você me deixa até sem palavras para te elogiar – Jason me recebe na porta do hotel com um sorriso galante. Seu cabelo loiro está penteado para trás e ele usa uma camisa social branca dobrada até os cotovelos, uma calça preta e sapatos caros. Ele segura minha mão e leva até os lábios, num beijo rápido – Nunca a vi mais encantadora.
– É porque até hoje você só me viu trabalhando, com o cabelo preso e a cara de cansada – eu brinco, o acompanhando para dentro do carro de luxo que ele dirige. Aquele carro era dele? Uau!
– E mesmo assim você conseguiu capturar minha atenção desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você. Você está magnífica – ele liga o motor e o ronco faz meu coração saltar – Espero que esteja com fome, reservei um dos melhores restaurantes de Los Angeles para a gente.
– Faminta, mas sinceramente estou mais interessada na sobremesa – respondo com uma levantada atrevida de sobrancelha, mantendo meus olhos no caminho que fazemos. Sei que a frase teve o impacto que eu esperava quando ouço sua risada sórdida preencher o interior do carro e sua mão repousar na parte exposta da minha coxa, próxima ao meu joelho.
Fico aguardando a sensação que isso vai causar em meu interior, afinal o toque é claramente erótico e cheio de segundas intenções, mas meus hormônios não dão sinal algum de vida.
Chegamos ao restaurante e agradeço mentalmente por ter me arrumado tão bem. O lugar parece realmente caro, e tenho a confirmação do nível quando recebemos o cardápio e eu vejo o preço dos pratos. Se eu comer tanto quanto costumo, vou a falência nesse lugar.
Então Jason é um daqueles caras ricos que adoram esbanjar?
– Você gosta de vinho? – ele pergunta, enquanto examina a carta de vinhos do lugar. Quero responder que não entendo nada de vinhos e prefiro whisky, mas preciso manter a pose.
– Tinto, por favor. Confio na sua escolha.
Ele escolhe uma garrafa que eu nem me atrevo a ver o preço, e enquanto comemos a conversa se desenrola facilmente. Ele é muito bom com as palavras e melhor ainda com os flertes que trocamos a noite toda. Está tudo se encaminhando exatamente para onde eu quero.
A comida é fantástica, mas o ambiente chique com o qual não estou acostumada é meio sufocante, então agradeço quando o jantar finalmente chega ao fim. A garrafa de vinho já está para baixo da metade, peço licença para ir ao banheiro e no caminho percebo que minhas pernas estão um pouco bambas pela quantidade de álcool que ingeri.
Respiro mais aliviada quando chego ao cômodo vazio, mais chique do que qualquer banheiro que já estive antes. Confiro minha imagem no espelho e, tirando minhas bochechas coradas, ainda está tudo em seu devido lugar, mas ao mesmo tempo sinto que há algo muito errado. Algo muito importante está faltando e eu não consigo saber o que é.
Pego meu celular para ver as horas e vejo a barra de notificação cheia de mensagens. A maioria é de Taeyong.
Meu coração dá um salto em meu peito antes mesmo de decidir se devo abrir ou não. Aquela devia ser uma noite onde eu não devia sequer pensar nele, devia estar focada em Jason e em transar com Jason, mas no momento em que vejo o pequeno ícone da foto de Taeyong em meu celular, não consigo pensar em mais nada.
Minha curiosidade me vence e eu abro o aplicativo de mensagens.
, você tá ocupada?” Taeyong às 19:31
“Se estiver ocupada tudo bem, só me avise, preciso muuuuito falar com você” Taeyong às 19:46
“Porque não está nem visualizando minhas mensagens? Aconteceu alguma coisa? Você tá brava comigo? Eu fiz algo de errado?” Taeyong às 19:50
“Sei que é sua folga mas eu preciso de você. É urgente” Taeyong às 19:59
Meu coração afunda em meu peito a cada mensagem que eu leio. Minha preocupação quase me sufoca e meus dedos falham ao discar seu número tão rápido que eu nem tenho tempo de pensar no que estou fazendo. Taeyong jamais me mandaria uma mensagem falando que é urgente, se não fosse realmente urgente.

Capítulo 8

? – Sua voz baixinha está quebradiça quando ele atende a chamada.
– Tae? O que aconteceu? – falo com urgência, apertando o celular contra minha orelha e me apoiando no mármore da bancada do banheiro.
– Desculpa te incomodar na sua folga, sei que a última coisa que você quer é me ver hoje, mas… eu… – escuto um fungar do outro lado da linha. Ele está chorando? – Argh!
– Ei, calma. O que foi? – tento manter minha voz mansa, porque não quero deixá-lo pior, mas já me sinto desesperada por dentro.
– Eu to na sala de prática e acho que me machuquei. Eu não sei… eu só… , eu… – ele soluça, sem conseguir completar nenhuma frase – Você pode vim aqui? Por favor – seu pedido choroso é tão triste que eu simplesmente não tenho como negar. Minha mente dá um giro de 360 graus.
– Eu to meio longe agora, mas… – eu preciso de menos de um segundo para me decidir, já praticamente correndo para fora do banheiro – Você consegue aguentar uns minutos?
– Uhm.
– Então me espera. Respira fundo, eu já chego aí – desligo o celular já me aproximando da mesa. Jason já está de pé, pronto para irmos, mas meu semblante esbaforido deve deixar claro que algo está errado.
– O que houve?
– Surgiu uma emergência, vou precisar que me leve de volta ao hotel – nem espero sua resposta para começar a caminhar em direção a saída.
– Está tudo bem?
– Preciso me certificar de que vai ficar – meu coração não se acalma de jeito nenhum, mesmo eu tentando respirar lenta e profundamente, então minhas palavras saem afobadas. Tudo que penso é em Taeyong chorando, machucado, e algo muito ruim se revira dentro de mim.
– Vamos ter que remarcar nossa sobremesa então – ele ainda tenta flertar, mas eu já não tenho clima nenhum.
– Vamos. O jantar estava maravilhoso, mas sem a sobremesa o encontro fica incompleto – me esforço para sorrir, e parece o suficiente para convencê-lo. Tão previsível.
Sua mão permanece em minha coxa enquanto ele dirige de volta para o hotel, muito mais devagar do que eu gostaria. Apesar do carinho que seu polegar me faz, e de suas frases bem planejadas para me distrair, não consigo acalmar meu interior. Retribuo educadamente, mas é tão vazio que me sufoca mais que o ambiente do restaurante onde estávamos.Tudo está se revirando dentro do meu estômago por causa da ansiedade e as vezes preciso me concentrar para não colocar o jantar todo para fora naquele banco de couro caríssimo.
– Eu sinto muito por ter que acabar com nosso encontro tão cedo – declaro, ao chegarmos a entrada, pronta para sair do carro.
– Tudo bem, minha querida – ele se solta de seu cinto e se inclina em minha direção. Seu cotovelo se apoia no meu banco e ele afasta uma mecha do meu cabelo, com o rosto muito perto do meu – Sua companhia valeu minha noite. E não precisamos terminar com o placar zerado.
E então ele me beija. Eu já estava esperando, vi todos os sinais claros de sua aproximação. Seus lábios macios capturam os meus num movimento sensual e eu o correspondo por poucos segundos. E é só isso. Sinto fisicamente seus toques, e eles são bons, mas não despertam absolutamente nada em mim.
– Eu preciso mesmo ir – me afasto rápido, assustada ao perceber que ele não me desperta nem mesmo tesão – Boa noite, Jason, e obrigada pelo jantar.
Tropeço para fora do carro, pouco me importando com isso agora. Já perdi tempo demais ali. Quase corro para a sala de prática improvisada no primeiro andar do hotel, retirando minha sandália e passando a carregá-la nas mãos quando chego ao corredor vazio, para facilitar meus passos. Quando abro a porta sem me importar em bater, todo meu ar some, como toda vez que o vejo.
Taeyong está sentado no chão, com as pernas esticadas pelo piso de madeira, encostado no espelho que cobre uma das paredes do cômodo claro. Seus olhos se abrem e quando me vê, ele desvia o olhar e agarra um dos tornozelos.
– Ei, o que aconteceu? – pergunto com muito mais urgência do que deveria. Me aproximo como um raio, me ajoelhando de qualquer jeito ao seu lado. Meu vestido enrola alguns centímetros, deixando minhas coxas amostra, mas não me importo com isso agora porque ele parece tão frágil que toda minha mente só consegue pensar em como cuidar dele.
– Você veio… – ele solta um suspiro e parece tão surpreso e aliviado, que eu quase fico ofendida.
– É claro que eu vim, oras. Você disse que precisava de mim, que tinha se machucado. – afasto suas mãos do tornozelo e o toco, com todo o cuidado que posso. Levanto sua calça de moletom até o joelho, expondo a pele alva e impecável, procurando por algum machucado – Que tipo de manager eu seria se não viesse?
– Ah – escuto um suspiro resignado, e quando o encaro ele desvia o olhar mais uma vez. O conheço o suficiente para saber que tem algo errado, e não parece ser apenas o machucado.
– O que foi? – questiono firme. Desamarro seu tênis e o retiro delicadamente, sem mover sua perna, mas ele não parece se importar com meus movimentos.
– Você veio só por isso? Só porque é minha manager? – a pergunta me atinge tão forte que, se eu não tivesse ajoelhada, provavelmente cairia. Pisco nervosamente e preciso engolir o bolo que se forma em minha garganta antes de conseguir responder.
– É claro que não. Vim porque você é meu amigo e eu me importo com você, mas também é meu trabalho. Eu hein… Aonde dói? – tento mudar o rumo da conversa, mas ele não parece disposto a colaborar.
– Então faria isso por qualquer um dos membros?
– Por que está me perguntando isso? – finalmente nossos olhares se encontram, e o dele está repleto daquilo que nunca consigo identificar por completo, mas é tão intenso que me aprisiona ali.
– Me responde, por favor. Você abandonaria um encontro para ajudar qualquer um dos outros membros? Você cuidaria deles como cuida de mim? – subitamente eu solto seu tornozelo e caio sentada ao lado de suas pernas. Meu cérebro dá um estalo dolorido.
– Como você sabe que eu estava em um encontro? – permanecemos nos encarando em silêncio por tempo o suficiente para que meu cérebro já tenha trabalhado em várias teorias, mas odeio cada uma delas – Taeyong, como você sabe disso?
– Eu… Eu… – ele tenta se mover para responder, mas com outro estalo pior ainda eu percebo e eu sinto meu corpo ser lançado em um buraco escuro ao perguntar:
– Seu tornozelo não tá machucado de verdade, né? – uso meu tom mais sério, para que ele nem pense na possibilidade de mentir. Taeyong não consegue mentir quando nossos olhares estão conectados tão intensamente, então ele nega com a cabeça e eu solto o ar com força, bufando – Você estragou meu encontro de propósito?!
– Não é o que você tá pensando.
– Porra! Eu achei que algo sério havia acontecido, eu fiquei tão preocupada que eu vim correndo desesperada até aqui, Taeyong. Eu nem me dei ao trabalho de explicar para o Jason o porquê de eu estar abandonando o nosso encontro depois dele pagar um absurdo naquele jantar para mim – eu começo a me afastar e meu rosto deve estar se contorcendo numa careta de desgosto, porque eu odeio o sentimento que está se formando dentro de mim. Sinto um gosto horrível em minha boca. – Para quê? Para descobrir que você mentiu para mim?!
– Era o único jeito de fazer você vir, , me desculpa – sua voz sai desesperada. Seus olhos ficam vermelhos, e ele os aperta com força, daquele jeitinho adorável que ele faz quando está nervoso, mas nesse momento eu só consigo ficar com raiva por ele ser assim.
– Eu não acredito nisso. Achei que fossemos amigos, mas amigos não mentem, nem enganam um ao outro… Você passou de todos os limites interferindo na minha vida pessoal dessa forma. – bufo mais uma vez, com muito mais raiva do que pretendia. O Taeyong que eu conheço jamais faria aquilo, então porque ele fez? – Você estava fingindo chorar naquela ligação também? Parabéns, você é um ótimo ator, eu caí direitinho – me levanto furiosa, pronta para ir embora.
Nada daquilo fazia sentido, o que só colaborava para eu ficar cada segundo com mais raiva. Minha cabeça parecia querer explodir, o efeito do vinho ainda está presente em meu sistema.
– Não! – ele agarra meu pulso e me para no meio do caminho, mas eu sequer consigo encará-lo. Sou eu que estou a beira de me desfazer em lágrimas agora e me odeio tanto por isso – Eu não estava fingindo, eu… , eu…
– Não precisa se explicar, eu não quero ouvir. Eu não acredito mais em você, Taeyong. Me deixa ir, por favor – minha voz quebra dolorosamente nas últimas palavras, denunciando as lágrimas que eu tento prender.
Sinto seu aperto deixar meu braço e eu fujo de sua presença tão rápido que esqueço minha sandália lá, mas não olho para trás. Só quero sumir daquele lugar, mas sei que não tenho para onde ir, então sou obrigada a voltar para o meu quarto. Consigo segurar minhas lágrimas enquanto corro pelos corredores do hotel, ignoro as pessoas pelo caminho, até eu fechar a porta atrás de mim e então eu desabo.
Me jogo na cama e choro por tudo que me sufoca. Choro de soluçar por toda a confusão na qual minha mente está presa, por não conseguir encontrar uma saída dessa situação, mas acima disso tudo, sufoco meus gritos no travesseiro por não conseguir mais negar que estou completamente apaixonada por Taeyong.
tem razão, me fazer de ingênua não combina comigo. Sempre enfrentei meus problemas de frente, nunca fugi ou neguei que eles existiam. Não posso continuar mentindo para mim mesma e fingindo que não estou vivendo esse sentimento esmagador. Taeyong finalmente conseguiu fazer eu chegar ao meu limite.
E dói. Dói tanto, como eu não sentia doer há muitos anos. Talvez ter fingido que não doía por tanto tempo só fez tudo ser ainda pior agora, porque tudo estava acumulado em meu peito me impedindo de sequer respirar sem me partir ao meio.
Eu não me apaixonava fazia muito tempo e era exatamente por aquele motivo. Machucava demais para aguentar, mas estar apaixonada por alguém que eu sei que jamais vou poder ter, tornava a dor em meu peito insuportável.
As lágrimas continuam caindo sem controle, meus pensamentos estão a um passo muito curto de perder a racionalidade, e antes que isso aconteça eu abro o frigobar e pego a garrafa de whisky quase pela metade. O primeiro gole é ruim, mas depois dele é como beber água.
Eu não consigo mais aguentar isso. Não tenho forças para continuar fingindo dia após dia que cada pequeno detalhe dele não tem um efeito devastador em mim. Não posso mais negar que o desejo de todas as formas existentes, o tempo todo, até quando não estou embriagada pelo tesão que ele me causa.
E sei que jamais vou tê-lo, de nenhuma forma.
Amo meu trabalho, mas amo mais a minha saúde mental, e é pensando nisso que abro um documento no word em meu notebook e regado a whisky barato, lágrimas descontroladas e soluços dolorosos, começo a digitar minha carta de demissão.

Nota da autora: OLAAAAA! *aparece disfarçadamente como se não tivesse ficado 87 anos sem atualizar* Espero que não tenham tido um treco de curiosidade nesse tempo que fiquei sumida, e que não tenham desistido de mim kkkkkkk Enfim, quem apostou que era tudo uma armadilha do Taeyong estava certo, mas porque será que ele fez isso *analise*. Nos vemos no próximo capítulo, que sai muito em breve, prometo!

Capítulo 9

 

Quando acordo na manhã seguinte me sinto destruída, como se estivesse vivendo a pior ressaca da minha vida. E olha que já tive mais ressacas do que consigo lembrar. Sei que não é por causa da bebida, eu nem cheguei a terminar a garrafa de whisky que já estava pela metade.
Sinto meu coração em pedaços e sei que esse é o causador de todo o sofrimento físico que estou sentindo. O documento com minha carta de demissão escrita ainda está aberto em meu notebook e eu sinto vontade de voltar a chorar, mas sei que não posso. A decisão está tomada e não vou voltar atrás.
Engulo o choro, tomo o banho mais melancólico da minha vida e me arrumo para trabalhar, completamente no automático. Finalmente cheguei ao ápice da exaustão física e mental, me sinto uma sacola plástica. Vazia, apenas deixando o vento da rotina me levar.
É nosso último dia em Los Angeles, nosso voo para Coreia do Sul parte às 14 horas, e até lá eu preciso me certificar de que todos os detalhes estão em ordem. Mesmo com a demissão em mente, não deixo nada passar e continuo dando meu melhor no meu trabalho.
– Achei que fosse te encontrar radiante essa manhã, mas você parece um zumbi atropelado. O que houve? – questiona ao nos encontrarmos na sala de reuniões do hotel.
Os outros membros da equipe começaram a chegar e logo o SuperM estará aqui também. Logo ele estará aqui também.
– A noite não saiu como o planejado. Só isso. – Desconverso, não porque não quero contar a ela, mas porque não tenho forças. Sinto que se eu reviver as memórias da noite passada vou cair no choro mais uma vez.
– Como não? Achei que fosse acabar a noite tirando o atraso gostoso, ou no mínimo dormindo fofinho.
– Porque eu dormiria fofinho com o Jason? Não consigo nem imaginar. – Minha cabeça está latejando e eu só quero parar de falar.
– Não com o Jason, com o Taeyong – ela explica como se fosse óbvio, mas não é.
Não consigo entender o que ela quer dizer com aquilo, e não tenho tempo de perguntar porque Pilsoo entra logo em seguida, com todos os membros do SuperM logo atrás, dando início a reunião que dura mais tempo do que posso suportar.
Meus olhos evitam Taeyong a todo custo, mas minha visão periférica consegue captar que ele está tão mal quanto eu, mesmo que tenha uma máscara cobrindo metade da cara.
O conheço tão bem assim?
Não posso pensar nisso agora.
Ajudo Pilsoo com os recados que precisam ser dados a respeito do nosso voo, reforço sobre os cuidados que devemos ter no aeroporto, as sasaengs e as possíveis informações que vazaram. Recito o cronograma de cada membro do grupo de cabeça, sem nem precisar verificar na minha agenda, e me sinto orgulhosa quando não vacilo ao falar o de Taeyong, mesmo que não tenha coragem de o encarar.
Quando terminamos ali, ainda temos muito que resolver. Sigo com Pilsoo e a equipe de segurança para uma sala separada e só sou liberada a tempo de arrumar minhas malas para partirmos. Faço tudo no automático, sem conseguir manter meus pensamentos organizados e, às vezes, deixando algumas lágrimas teimosas escaparem.
Durante o embarque, Taeyong parecia ainda pior. Finalmente pude olhá-lo de longe, sem que ninguém percebesse, escondida pela enorme equipe que me cercava. A máscara continuava em seu rosto, mas não escondia seus olhos inchados e suas olheiras profundas.
Eu não podia me permitir ficar com pena, mas porque meu coração doía tanto por saber que ele não estava bem?
Só quando finalmente estamos dentro do avião, com os cintos de segurança devidamente apertados é que eu consigo perguntar o que ficou martelando minha mente durante toda a manhã.
– O que você quis dizer com aquilo, ?
– Oi? Do que você tá falando? – ela está sentada na poltrona ao meu lado, com sua postura calma e inabalável.
– Sobre eu terminar a noite dormindo fofinho com o Taeyong, sendo que você sabia que eu tinha saído com o Jason – falo baixinho, para não correr o risco de alguém mais ouvir nossa conversa.
– Ah – ela sorri, compreendendo – Achei que fosse mais esperta e já tivesse entendido. Eu dei uma ajudinha para o Taeyong ontem.
– Você o quê?! – minha voz se eleva, chamando atenção de algumas pessoas ao nosso redor. Para minha sorte os membros do SuperM estavam muitas poltronas a frente – Você o que, ? – pergunto num sussurro dessa vez.
– Ajudei o Taeyong a te salvar daquele babaca, oras – ela dá de ombros – Ele não te contou?
– Contou o quê? Eu não estou entendendo nada. Ai, minha cabeça! – reclamo, apertando minhas têmporas, pronta para explodir.
– Quem não tá entendendo agora sou eu. Quando eu e o Beak convencemos o Tae a te ligar ontem, jurei que ia terminar tudo bem. Como foi que acabou com vocês dois com essas caras de choro? – ela coça o queixo, e eu pisco demoradamente, entendendo cada vez menos.
, eu estou cada vez mais confusa. Você vai me explicar exatamente o que aconteceu ontem, porque você ajudou o Taeyong a estragar meu encontro e como diabos o Baekhyun está envolvido nisso tudo. Agora! – eu me inclino sobre a divisória de nossas poltronas e meu tom é baixo e ameaçador, mas ela não se abala. Nunca vi nada abalar aquela mulher.
– Ok, ok! Agora sai para lá, ta invadindo meu espaço pessoal.
– Você? Falando sobre espaço pessoal? A pessoa que vive cutucando e arrastando os outros pelo braço pra lá e pra cá.
– Você quer ouvir a explicação ou não? – ela me empurra sem força, arqueando a sobrancelha – Muito bem, tudo começou ontem depois que você foi se arrumar para o seu encontro e eu continuei aproveitando aquela hidromassagem maravilhosa. O Baekhyun chegou do ensaio e nós começamos a conversar sobre…
– Espera! Ele chegou e você estava na banheira dele?
– Meros detalhes… – faz pouco caso – Se continuar me interrompendo eu não conto mais nada – ela ameaça eu me calo, fazendo uma nota mental de perguntar para ela depois até onde vai essa amizade deles – Como eu ia dizendo, ele chegou e começou a falar sobre como o Taeyong estava estranho o dia todo. Não conseguia se concentrar no ensaio, parecia triste e distante. Eu perguntei se podia ser por sua causa e expliquei que você ia ter um encontro com Jason naquela noite. Nós ficamos teorizando como duas velhas fofoqueiras, até que chegamos a conclusão de que deveríamos intervir e no mínimo ajudar Taeyong. Nós encontramos ele sozinho na sala de prática e o menino parecia um lixo, . Ele estava a beira de uma crise de ansiedade. Dava para ver que ele estava prestes a desabar no choro enquanto dançava, e nem precisamos de muito esforço para que ele desabafasse com a gente.
Ela faz uma pausa irritante e eu preciso me controlar muito para não perguntar logo o que aconteceu de uma vez. Odeio aquele suspense. Odeio não saber o que sentir. Odeio saber que Taeyong estava daquela forma.
– E? – não resisto a perguntar, mas ela me repreende com o olhar.
– Nós estávamos certos, como sempre. Eu e o Baek somos melhor que uma equipe do FBI para descobrir as coisas. Ele estava triste por causa de você, sim, mas não era só isso. O Jason almoçou junto com ele e os meninos naquele dia, e o Tae nos contou que escutou sem querer uma conversa onde o Jason falava sobre você. Sobre a mulher que ele ia comer fácil no dia seguinte, e mais um monte de coisas horríveis que eu prefiro nem repetir. Coisas realmente nojentas, .
– O quê? – a palavra escapa da minha boca, por pura surpresa. parece já esperar essa reação, então nem se importa e apenas continua.
– Taeyong passou o resto do dia fritando dentro daquela cabecinha, se perguntando se devia te contar ou não. Se era certo interferir na sua vida daquela forma e o que você ia pensar dele, se ia acreditar nele ou não. Ele disse que não queria que você saísse com alguém que falasse aquele tipo de coisa sobre uma mulher, nem que te tratasse daquela forma, porque você merece ser tratada como a mulher única que você é. Palavras dele. – levanta as mãos num gesto defensivo, com um sorrisinho travesso nos lábios – O fato é, Jason no fim das contas é um grande babaca e não merecia nem por um segundo a sua companhia, muito menos transar com você. É aí que as coisas ficam mais complicadas, – ela coça a testa, fechando os olhos por um momento – Quando Tae nos contou tudo isso, você já estava a caminho do seu jantar com o Sr. Babaca. Quando a gente disse isso a ele, o pobrezinho começou a chorar. Ele até fingiu que não e a gente fingiu que não viu, mas não podíamos ficar sem fazer nada. Então bolamos um plano, convencemos ele a te ligar e inventar que tinha torcido o pé dançando para que você voltasse.
– Então foram vocês!
– É óbvio. Acha mesmo que aquela mente inocente é capaz de mentir e enganar alguém dessa forma? Achei que você conhecesse melhor o Taeyong que tem – ela ri da minha cara. Eu realmente devo estar com cara de pateta agora. Não consigo acreditar que briguei com ele daquela forma e nada foi culpa dele. O acusei de ter fingido chorar na chamada quando o choro e a tristeza eram verdadeiros. – Ele ainda levou um tempo para aceitar. Tentou pensar em outra forma porque não queria te enganar, disse que você provavelmente não ia abandonar seu encontro só por causa disso, mas a cada segundo ele ficava pior. Meu coração se parte só de lembrar. – Outra pausa dramática pra ela apertar as duas mãos sob o coração, fazendo um bico. Eu continuo chocada demais para esboçar qualquer reação – Até que finalmente ele aceitou, mas pediu que a gente deixasse ele fazer aquilo sozinho. Foi quando nós desejamos boa sorte para ele e voltamos para o quarto. Tínhamos certeza que você abandonaria qualquer coisa para cuidar dele, e até apostamos como acabaria a noite. Beak apostou que vocês acabariam dormindo agarradinhos porque o Tae é muito lerdo, e eu apostei que a noite acabaria em putaria total porque eu sabia o quanto você estava precisando transar.
– Nenhum dos dois ganhou essa aposta – digo, com a voz carregada de pesar.
– É, eu percebi quando vi os dois horríveis essa manhã. Como foi que tudo deu tão errado? Nosso plano era infalível.
– Eu não deixei ele se explicar – falo de uma vez, sentindo o peso da culpa nos meus ombros – Entendi tudo errado, fiquei com raiva por ele ter estragado meu encontro de propósito e acabei brigando com ele. Meu deus, eu me sinto horrível.
– Você brigou com ele depois de tudo o que ele fez? Você não tem coração?
– Eu não sabia – me defendo, num tom choroso. Me sinto tão ridícula.
– Bom, agora você sabe. Quando pousarmos, resolva esse mal entendido. Não suporto mais ver vocês dois tristes. Agora me deixe dormir, eu não descansei nada essa noite – ela coloca os fones de ouvido e ignora qualquer outro questionamento que eu possa ter.
Preciso lidar com meus pensamentos a mil e meus sentimentos em erupção, sozinha. Então era isso que ele quiser dizer com “era o único jeito de fazer você vir”? Taeyong tentou me ajudar, me salvar de sair com um cara babaca e tudo que eu fiz foi duvidar de suas intenções. Ele não me enganou, não mentiu pra mim e mesmo assim eu o tratei tão mal.
No fim das contas eu também fui uma babaca com ele.
Lembro da cara de choro que ele tentava disfarçar e me sinto um monstro. Como foi que eu não percebi? Eu sou uma pessoa horrível, ele não merecia ouvir nada daquilo.
Levanto minha cabeça o máximo que o assento do avião permite e o consigo ver apenas o topo de ser cabelos, agora quase brancos. Sinto uma vontade desesperadora de ir até lá, o abraçar e pedir perdão por ter sido uma completa idiota.
O que faço agora? Só pedir perdão não parece o suficiente.

Capítulo 10

 

Depois de quase dez horas de tortura dentro daquele avião, nós finalmente pousamos em solo sul coreano. Estava frio, nublado e até mesmo o ar ali era diferente da América. Eu finalmente me sentia em casa.
Para prolongar meu desespero, nós chegamos a Incheon no fim da tarde e eu preciso esperar até o dia seguinte para conseguir conversar com Taeyong, porque seguimos separados para Seul, ele teria o resto do dia de folga enquanto eu teria que ir direto para a sede da SM garantir que tudo havia saído como o planejado na viagem.
Enquanto o tempo passa tão lentamente que chega a ser irritante, aproveito para pensar em formas de me redimir pelas coisas horríveis que disse e por ter machucado aquele coraçãozinho.
Segui minha rotina de trabalho normalmente na manhã seguinte, fazendo um pequeno desvio no caminho entre meu apartamento e o prédio da SM Entertainment apenas para passar em três lojas de conveniência até eu achar o que eu precisava.
– Bom dia, senhorita . Espero que tenha feito uma boa viagem. Aqui estão os documentos que você me enviou para imprimir e você tem uma reunião com o senhor Lee Soo Man e a equipe administrativa às dez – Minha secretária baixinha me cumprimentou assim que eu cheguei. Pego a pilha de documentos, agradecendo e sigo para a minha sala.
A primeira coisa que percebo é que no topo das folhas impressas está a minha carta de demissão e minha mente se enche de perguntas novamente.
Mesmo se eu me desculpar com Taeyong, não posso voltar atrás em minhas confissões internas. Eu estou apaixonada por ele e não tenho mais como negar. Assumir esse sentimento pra ele já é outra história. Sou sua manager, vai completamente contra meus princípios profissionais me envolver emocionalmente com qualquer um dos idols da empresa, mesmo num cenário impossível onde ele corresponda aos meus sentimentos.
Sem contar o escândalo que seria se isso fosse a público. Podia até mesmo acabar com a carreira dele e eu jamais me perdoaria por ser responsável por isso.
Não acho que eu consiga continuar trabalhando e convivendo com ele normalmente tendo essa certeza em meu coração, mas também não sei se estou disposta a abrir mão do meu tão amado emprego por causa disso.
Depois dessa situação, como vai ficar nossa relação? Ele vai me perdoar? Ah, céus, onde eu fui me meter? O que devo fazer?
Sem saber como proceder, deixo minha carta de demissão no canto da mesa pra eu lidar mais tarde e me preparo para a reunião com O Chefe. Lee Soo Man é o fundador da SM Entertainment e estar na sua presença numa sala de reuniões não é brincadeira. Preciso revisar os relatórios dos nossos shows na América antes de apresentá-los e isso ocupa minha mente até que a reunião comece.
Passamos horas trancados dentro daquela sala. Eu era uma das poucas mulheres na equipe, então fazia um esforço descomunal para não transparecer o quão intimidada eu ficava na presença sufocante de tantos homens engravatados. Por fim, concluímos tudo com êxito e adiantamos alguns tópicos sobre os compromissos seguintes.
Shows, fan meetings, comebacks e premiações futuras ocupam minha mente enquanto eu volto para a minha sala, mas assim que atravesso distraidamente a porta, tudo some, porque Taeyong está parado ao lado da minha mesa, com toda sua aura devastadora.
Seus olhos encontram os meus por uma fração de segundos e eu sinto todo o meu interior virar um completo caos.
– Você não pode se demitir! – dispara com uma pontada de desespero, se aproximando de mim num piscar de olhos, me encurralando contra a porta. Eu recuo em reflexo e minhas costas batem contra a madeira. Só então eu percebo que ele segura minha carta de demissão entre seus dedos, que parecem tremer. Nossos olhares se encontram novamente e ele parece desesperado – , por favor, não faz isso.
– Taeyong, eu…
– Não, me escuta. Eu sei que você me odeia agora, provavelmente nunca mais quer ver minha cara e sei que o que eu fiz foi muito errado. Vim aqui justamente pra me desculpar. Eu nunca devia ter me intrometido na sua vida daquela forma. Foi errado pensar que nós tínhamos intimidade a esse ponto e eu me deixei levar. Não vai mais acontecer, eu prometo. – ele se aproxima mais um passo, pressiona uma das mãos contra a porta bem ao lado da minha cabeça e eu ouço o papel ser amassado. Seu rosto está tão próximo ao meu que tudo que eu consigo pensar é em como ele é lindo, mesmo prestes a chorar. – Me perdoa, ou nem precisa me perdoar, mas por favor, não peça demissão por minha causa. Você é incrível, nasceu para esse trabalho, é a melhor manager que o SuperM poderia ter, é competente e dedicada, os meninos te amam e eu…
– Ei – diante de suas palavras cada vez mais rápidas e desesperadas, levanto meus dedos até seu rosto e toco suas bochechas. É a coisa mais preciosa que já segurei em minhas mãos, então meu toque é delicado e meus polegares acariciam sua pele com calma. Ele se cala, ao mesmo tempo que se assusta com o movimento repentino e meu sorriso crescente – Respira – peço mansa, e continuo o carinho até ele parecer um pouco mais tranquilo. As pontas dos meus dedos estão na raiz de seu cabelo macio e eu preciso de muito controle para não afundar minhas mãos ali.
– Me desculpa.
– Se você falar isso de novo, eu juro que te expulso dessa sala a pontapés – brinco, com um sorrisinho e ele arregala aqueles olhos enormes. Meu coração dá uma cambalhota dentro do meu peito, porque ele é a coisa mais fofa do mundo. – Quem precisa me perdoar é você, Taeyong. A me contou o que realmente aconteceu naquela noite. Ela me contou que a ideia foi deles e que você só estava tentando me ajudar. Eu fui uma idiota por não acreditar em você, mesmo te conhecendo e sabendo que jamais faria algo para me magoar de propósito. Eu nem te ouvi e disse tantas coisas horríveis que fico envergonhada só de lembrar. Você me salvou e eu fui precipitada, cruel, te magoei e vou entender se você nunca mais quiser olhar na minha cara, mas por favor, não se culpe por ter o coração mais precioso que eu conheço.
Nossos olhos continuam conectados conforme ele ofega em surpresa pelas minhas palavras. É nesse momento que chego a conclusão que chamar Taeyong de fofo chega a ser uma ofensa, porque ele está muitos níveis acima da fofura convencional. Ele merece seu próprio adjetivo e não consigo nomear de nenhuma forma melhor do que simplesmente Taeyong. Ele é o ápice de toda fofura do mundo nesse momento.
– Então você sabe?
– Sei.
– E não me odeia?
– Seria impossível eu te odiar mesmo que por um segundo, Taeyong, mesmo que eu tentasse com todas as minhas forças – minhas palavras saem carregadas com todos os sentimentos que não posso revelar, enquanto meus dedos se arrastam perigosamente para perto de seus lábios.
– Então porque você escreveu isso? – seus olhos magoados se desviam rapidamente para o papel amassado em sua mão e quando voltam a me olhar sinto um impacto tão forte, que toca o fundo da minha alma como nunca senti antes, e eu simplesmente não sou capaz de mentir.
– Por que eu não consigo mais manter o profissionalismo perto de você – mesmo que não seja o motivo completo, não é mentira. Meu coração se aperta no peito quando vejo seus olhos se nublarem em confusão, tentando entender o que aquilo quer dizer. Minhas mãos escorregam dolorosamente para longe de seu rosto e eu me afasto, caminho em direção a minha mesa, esperando até eu estar de costas para terminar minha confissão sem que ele visse meu rosto corado – Não posso continuar sendo sua manager se tenho vontade de te beijar cada vez que eu te vejo.
Prendo a respiração após dizer isso e eu nem sei o porquê. Não sou uma adolescente inexperiente que nunca falou sobre seus sentimentos e suas vontades para um cara, mas é assim que me sinto ao me confessar pra Taeyong. A expectativa de não saber como ele vai reagir é a pior parte, e os segundos que se passam após minha frase são torturantes.
Espero alguma zoação de sua parte, uma resposta debochada ou até mesmo um fora suave para não magoar meus sentimentos. O que eu não esperava, de forma alguma, era sentir os braços de Taeyong circulando minha cintura de forma tão firme e seu corpo encostando suavemente ao meu. Estávamos tão colados que eu podia sentir seu coração batendo descontroladamente, quase como um reflexo do meu, mas era sua respiração ofegante próxima ao meu ouvido que mais denunciava seu estado alterado.
– Eu preciso que você repita o que acabou de dizer – sua voz é o sussurro rouco mais sexy que já ouvi na vida, e ao completar ele soa extremamente fofo – Preciso ter certeza que ouvi direito.
Todo o ar deixou meus pulmões no segundo em que ele me abraçou, então não sou capaz de proferir uma única palavra em resposta. Sou feita de uma explosão ardente de sentimentos nesse momento, forte demais pra deixar espaço para meu cérebro pensar em outra coisa.
– Por favor, – ele quase implora. – Diz mais uma vez que quer me beijar, porque só assim eu vou saber que é real.
Seus braços se apertam mais ao redor e eu recupero um pingo de consciência com o ato. Estar envolta em seus braços é a sensação mais confortável que já tive o prazer de sentir e me encontro incapaz de mentir mais uma vez. Não tenho mais forças para fingir.
– Cada parte de mim – começo lentamente, tão baixo que ele só pode ouvir porque estamos colados – cada célula do meu corpo, deseja desesperadamente te beijar como se não houvesse amanhã, Taeyong. E isso é tão forte dentro de mim que eu sinto que vou enlouquecer se continuar perto de você sem sentir que gosto tem sua boca. Você queria saber se é real – solto um suspiro, seguro uma de suas mãos e levo até meu coração para que ele sinta exatamente o que está causando em mim naquele momento. Estou prestes a ter um ataque cardíaco. Fecho meus olhos antes da última confissão – Isso é a coisa mais real que eu já senti.
Não tenho tempo para pensar nas consequências da minha confissão, porque os braços de Taeyong se soltam do nosso abraço e antes que eu me pergunte se ele vai se afastar, o que ele faz é girar meu corpo até estarmos frente a frente. Tudo vira uma bagunça quando suas mãos puxam meu rosto em direção ao seu e ele cala tudo ao meu redor com um beijo avassalador, que me faz perder todo o juízo que me restava.
Esperei tanto por isso e agora que está finalmente acontecendo parece um sonho, faz meu coração frenético perder o ritmo e quase rasgar meu peito.
O primeiro toque dos nossos lábios é como uma explosão se propagando no vácuo. Tudo fica silencioso ao meu redor. Suas mãos seguram meu rosto com firmeza e ainda assim seu toque é delicado, nossos lábios apenas se encostam, mas existe um desejo tão intenso que torna o gesto quase violento. Eles se encaixam com uma facilidade que jamais imaginei sentir e meu corpo se torna instantaneamente pequeno demais para o que estou sentindo.
Nem mesmo sei se existe um nome para descrever o que sinto.
Uma mistura de ansiedade desesperadora com uma calmaria que vai até a alma. Faz cada célula do meu corpo vibrar a ponto de me fazer ficar trêmula sob suas mãos e ao mesmo tempo relaxa, tranquiliza meu corpo e minha mente. É eufórico e sereno. É pura dualidade. É Taeyong.
Ele deixa o primeiro beijo em meus lábios e se afasta minimamente. Repete o gesto mais uma vez, fazendo toda a explosão de sentimentos renascer e minhas pernas fraquejarem, e se afasta mais uma vez. Nunca passando disso, é quase como se pedisse permissão para ir em frente, como se esperasse que a cada nosso selar, eu pudesse mudar de ideia e me afastar, mas o que eu quero, e quero tanto que chega a doer, é beijá-lo até esquecer meu nome.
Então sou eu que tomo a atitude de subir minhas mãos pelo seu peitoral e cruzá-las atrás de sua nuca, deixando claro que eu não quero que ele se afaste. Nunca mais, se depender de mim.
Minha língua toca seu lábio inferior, deslizando de um lado para o outro enquanto nossas respirações se misturam, saboreando, degustando a sensação de tê-lo tão entregue com um simples ato. Suas mãos deslizam de meu rosto e se embrenham em meus cabelos, firmes, e o gesto simples é tão gostoso que me desarma por um segundo e deixo um suspiro escapar. É a brecha que ele encontra pra assumir o controle.
Ele repete o que fiz com a língua, a diferença é que quando é ele fazendo, parece extremamente sedutor e erótico. Em resposta ao fogo que começa a queimar na minha virilha, eu capturo sua língua entre meus lábios e a chupo pra dentro da minha boca, dando início a um beijo de verdade.
Sua língua desliza sob a minha em movimentos voluptuosos, se enrolam com intimidade, como velhas conhecidas. Nossos lábios dançam juntos de forma provocativa, entre suspiros pesados e gemidos contidos. Os arrepios que se alastram pela minha pele anuviam meus pensamentos, entorpecem meus sentidos do resto do mundo e me fazem questionar se aquilo é mesmo real.
Meu corpo reage a cada estímulo e eu me pressiono cada vez mais contra o seu. Cravo minhas unhas em seus ombros quando em um movimento indescritível ele prova que sua boca é muito mais habilidosa do que jamais cheguei a imaginar.
O som de nossas respirações se torna cada vez mais alto, mas nós afastamos os lábios apenas para buscar o oxigênio necessário para continuar aquele ato maravilhoso que nenhum dos dois quer interromper. Ele chupa novamente meu lábio inferior e eu aceito de bom grado o ritmo intenso que nosso beijo tomou.
Sinto seu corpo se inclinar na direção do meu, atrás de mais contato, mas já estamos colados então preciso pender minha coluna para trás. Subo minhas mãos até sua nuca atrás de algum apoio e finalmente enfio meus dedos em seus cabelos macios como tanto desejei, os puxando com força. Em resposta, suas mãos agarram minhas coxas e num movimento habilidoso ele me coloca sentada em cima da mesa. Ouço algo cair no chão, mas não poderia me importar menos.
Ele tem uma facilidade tão grande pra levantar meu corpo que é desesperador, só não tanto quanto senti-lo se encaixar entre minhas pernas, nos deixando numa posição tão perigosa quanto deliciosa.
Nossas cabeças se movem ritmadamente, por vezes travando uma batalha pelo controle daquele beijo avassalador, que fica cada segundo mais intenso. Suas mãos sobem pelas laterais das minhas coxas e eu desejo com todas as forças estar sem a calça jeans que me impede se sentir seu toque, mas não de apreciar a forma com que ele as aperta, cravando as unhas por onde passa.
Seus dedos quentes invadem minha camisa larga, me fazendo gemer contra sua boca. Seu aperto em minha cintura é tão certeiro que me faz querer pressionar minhas coxas uma contra a outra instintivamente e como seu corpo está entre elas, impedindo que isso aconteça, eu só o puxo para ainda mais perto.
Seu quadril agora está colado entre as minhas pernas abertas, e mesmo com duas camadas de roupa nos separando, posso sentir que ele está tão dolorosamente excitado quanto eu. Me sinto latejar, molhada. Ondulo meu corpo atrás de mais contato contra sua ereção e suas duas mãos se cravam em minha bunda, me ajudando nos movimentos cada vez mais indecentes.
Então o telefone toca, tão alto e inesperado que me faz dar um pulo assustada. Separamos nossos lábios tão ofegantes quanto um corredor de maratona, mas continuamos muito próximos, sem a menor capacidade de nos afastarmos.
Maldito seja Alexander Graham Bell por inventar o telefone e interromper esse momento.
Procuro a fonte do barulho irritante em cima da mesa, mas demoro para perceber que foi isso que derrubamos no meio do beijo. Taeyong se abaixa entre minhas pernas e pega o aparelho do chão, estendendo para que eu atenda, mas continuando ali, com a cabeça entre meus joelhos.
– S-sim? – atendo com a voz afetada.
– Srta. , os emails que me pediu para mandar para a Yomiuri Giants sobre a reserva do Tokyo Dome não estão sendo entregues. Liguei lá e eles ficam me passando de uma pessoa para a outra e não consigo falar com o responsável. – minha secretária diz, mas eu escuto apenas algumas palavras soltas porque minha atenção está voltada para outra coisa.
Enquanto ela fala, Taeyong tem suas duas mãos espalmadas nos meus joelhos e distribui beijos por toda a parte interna de uma das minhas coxas ainda abertas, mas mantém seus olhos ardentes presos aos meus. Eu ofego alto por puro prazer quando ele chega perigosamente perto da minha intimidade, mas para minha sorte, a mulher do outro lado da linha acredita ser por outro motivo.
– É, eu também fiquei indignada com a má administração deles – ela diz.
Taeyong arrasta seus lábios pelo meio das minhas pernas, e agora é hora de amaldiçoar Jacob Davis, o criador da calça jeans que naquele momento me impede de sentir a boca de Taeyong onde eu mais queria.
– Sem contar que me trataram mal porque eu sou só a secretaria.
– Sacanagem – deixo escapar, mas a palavra manhosa é direcionada ao que Taeyong está fazendo comigo naquele momento. Novamente tenho a sorte do meu lado, ou uma secretária muito inocente, quando sou interpretada.
– Também achei. Acho que vai ter que ser a senhorita a ligar lá e confirmar tudo com eles, sinto muito – ela faz uma breve pausa e parece falar com outra pessoa, mas eu nem mesmo posso confirmar que ela estava falando comigo até agora – Ah, a senhorita está aqui para vê-la, vou mandá-la subir.
– O quê?! – eu grito e quase acerto o rosto de Taeyong com meu joelho – Digo, claro. Pode mandar a subir, sim – falo com a maior ênfase que posso, olhando sugestivamente para Taeyong para que ele se afaste, mas seu rosto se ilumina num sorriso divertido. – Estou aguardando.
Desligo o telefone e solto um suspiro tão alto que sai muito parecido com um gemido. Taeyong finalmente se levanta, mas continua entre minhas pernas, me devorando com seu olhar.
– Você precisa ir, a tá subindo – eu tento empurrá-la pelos ombros, mas ele segura meus dois pulsos e prende meus braços atrás do corpo e então beija meus lábios mais uma vez.
Sou pega de surpresa e quando fecho os olhos, já acabou. É tão rápido, mas me causa sensações tão devastadoras, que consomem todo meu interior a ponto de me deixar sem reação por alguns segundos. Só quando ele já está na porta, pronto pra ir embora, é que eu me lembro de algo importante.
– Ei, espera – o chamo. Corro até minha bolsa e retiro de lá o iogurte de um litro que comprei naquela manhã e me apresso em entregá-lo – Comprei como forma de me desculpar pelo que aconteceu, mas o pedido de desculpa não saiu como eu esperava.
– Nem se você tivesse me dado uma fábrica de iogurte teria sido melhor que esse pedido de desculpa – ele abre um sorriso tímido e lá está a boa e velha dualidade que me enlouquece.
Segundos atrás ele estava com a cara enfiada entre as minhas pernas, sendo o maior sacana e me provocando enquanto eu precisava atender uma ligação. Agora ele está sendo a criatura mais fofa que já conheci, com as bochechas coradas e um sorriso pequeno.
– Vai logo – o empurro em direção a porta, mas me sinto toda sem jeito após sua declaração. Talvez eu até esteja tão corada quanto ele, mas não dou tempo dele perceber.
Segundos após ele sair, entra pela mesma porta, com o maior sorriso sugestivo que já vi em seu rosto.
– Taeyong saiu daqui com um iogurte de um litro e um sorriso abobado no rosto, o mesmo que está nos seus lábios nesse momento. Desembucha.