Halloweenie

Halloweenie

  • Por: Sarah
  • Categoria: Kpop | Restritas
  • Palavras: 5622
  • Visualizações: 140

Sinopse: Eles eram um segredinho de Halloween; uma diversão quente de uma noite todos os anos com um sentimento muito maior escondido. Era hora de deixar as inseguranças de lado e optar pelo certo.
Gênero: Romance
Classificação: 18
Restrição: Cenas de sexo
Beta: Alex Russo


I like the taste of blood in my teeth
Eu gosto do sabor do sangue nos meus dentes
I’m a half-full honey baby know I gotta eat
Eu sou um mel meio cheio, eu sei que tenho que comer
[…]
You’ve never had a love like me
Você nunca teve um amor como eu
You’ve never hit a drug like me
Você nunca bateu uma droga como eu
Fuck like me
Fodeu como eu
She’ll never eat the butt like me
Ela nunca vai comer a bunda como eu
Only tricks for your ass it’s Halloween
Apenas truques para a sua bunda, é Halloween
Halloweenie ― Ashnikko

As pessoas já não saiam de casa durante à noite. Era fim de outubro e quanto mais o dia das bruxas se aproximava, mais perigosa a Transilvânia ficava. Ao menos para os humanos comuns, o quê não fazia muita diferença para o trio que protagoniza essa história. era uma bruxa, até então a última da linhagem pura e prestigiada dos Spellman. Era uma mulher bonita, com seus cabelos volumosos, olhar marcante e corpo curvilíneo não chegava nem perto de aparentar ter a idade que realmente tinha; os 118 anos lhe fizeram bem no fim das contas. O relacionamento com a família não era dos melhores, não gostava da pressão para que de casasse às pressas com , um bruxo do clã aliado, e tivesse herdeiros logo para preservar e continuar a linhagem pura da família. Sinceramente, ela não queria nem saber. Gostava da vida devassa que levava, colecionando casos rápidos e se divertindo em tempo integral, não queria se casar com alguém que não amava, muito menos ter filhos. E ainda não havia ninguém que sequer mexesse com o coração dela, era o que tentava dizer para si mesma. Era melhor tentar se convencer à apenas aceitar que existia a probabilidade de sentir algo por alguém não bruxo. Algo que era tão diferente dela.
era um jovem bonito há muitos anos. Não apenas pelos lábios cheios e olhos bem desenhados, mas também pela aura misteriosa que o envolvia; uma aura sombria. O sorriso era sublime, com um ar etéreo, e parecia esculpido por deuses, mas a alma carregava mais pecado do quê os deuses sequer sonhariam em ver. Alma? Ele ao menos tinha algo assim? Pensava que não, não se importava muito já que não tinha pretensões de morrer tão cedo. 145 anos não pareciam o suficiente por enquanto, mas quem sabe o dia de amanhã? Ao menos o confortava saber que se, por uma infelicidade, morresse poderia receber visitas de seu amigo íncubo, , no inferno. Ainda que a ideia da morte não lhe fosse muito recorrente era bom se precaver, mas não era isso que abrigava seus pensamentos. Acabara de acordar num quarto de hotel desconhecido com os lençóis brancos manchados de vermelho vívido e isso significava que poderia ter problemas. Não era mais 1890, ele não podia simplesmente sair dali e deixar a sujeira para trás. Rolou os olhos xingando seu eu da noite anterior por tanta empolgação com algumas bolsas de sangue e pela sujeira feita.
Infelizmente (ou não) era uma situação um tanto quanto comum para o não-tão-jovem vampiro. A solução era sempre a mesma, mas ele temia que ainda não tivesse se passado tempo o suficiente. Ele precisava sangrar. Forçar um machucado e uma encenação para dizer que o sangue ali era seu. Era difícil, não pela parte do machucado, é claro, em duas horas ele já estaria recuperado como novo, mas pela parte do sangue. Vampiros não sangravam como humanos, de fato não, mas havia Vitae em seus organismos. Não era, diretamente, a mesma coisa; Vitae era o subproduto do processamento do sangue adquirido. O sangue é filtrado na garganta e absorvido pelo corpo; Vitae é o combustível perverso que se forma durante o processo e, normalmente, não escorre através de cortes, mas ele podia controlar um “sangramento”. Rolou os olhos, tirou mais uma bolsa de sangue da mala e foi até o banheiro. Derrubou um pouco na pia e bebeu o resto, voltou ao quarto onde quebrou um copo apertando-o com a mão. Não foi o suficiente, então pegou um caco e enfiou com força em um pequeno corte já aberto. Voltou ao banheiro e abriu a torneira da pia, como se pretendesse lavar o sangue, mas apenas molhou o lençol branco agora manchando-o mais e enrolou na mão.
Voltou ao telefone do quarto e ligou, mas ao invés de pedir por uma camareira pediu por algum socorrista usando sua melhor voz de desespero. Minutos depois abriu a porta do quarto para que um enfermeiro e a gerente do hotel entrassem. A mulher não parecia acreditar totalmente na história contada por ele ainda que o corte provocado fosse deveras feio. O soltou um falso grito de dor que chamou a atenção da gerente e, no instante em que os dois pares de olhos entraram em contato, apenas uma afirmação foi necessária: “Você acredita na minha história”. E então, ela acreditava. A mulher piscou os olhos algumas vezes e sua expressão mudou, agora demonstrando preocupação. Ele se permitiu sorrir quando o curativo terminou de ser feito e não levou mais que dois minutos para convencer os dois de quê estava bem e agora iria embora. As infinitas vantagens de vampiro e ter um pingo de controle sobre as mentes humanas… Assim que saiu do hotel colocou os óculos escuros e soltou uma gargalhada alta, estava feliz e vários fatores pareciam contribuir com isso; humanos eram extremamente fáceis de manipular, o dia não estava tão ensolarado (o que significava que não teria aquela sensação tão intensa de quê a pele queimava) e era outubro.
Outubro era o melhor mês do ano. Todos os anos a mesma viagem para a Transilvânia era feita, assumia a culpa de perpetuar o clichê de vampiros com a região, mas não havia nada que pudesse fazer à respeito sobre a festa anual de Halloween do Castelo Bran ser a melhor de todos os tempos. Achava cômicas as fantasias exageradas dos humanos para se caracterizarem como ‘monstros’, quando na verdade os monstros eram mais humanos do quê eles pensavam. Mas as fantasias e as bebidas não eram o principal motivo para que gostasse tanto assim de passar a data naquela região específica da Romênia. A culpa se dava toda à uma certa bruxa de um certo clã famoso; Spellman e haviam se encontrado diversas vezes durante o último século. As más línguas diziam que até mesmo tiveram um envolvimento amoroso cinquenta anos atrás, mas que, por exigências da família da bruxinha, foram forçados à separação. Os dois negavam veemente, alegavam que nunca passaram de “uns rolos de outubro” ainda que os corações pesassem pela mentira. Spellman na época sabia que não era para ser; não queria se contentar com migalhas, mas a família não permitiria que ela se envolvesse com alguém que não fosse de uma linhagem bruxa tão pura quanto a própria e ela ainda não estava pronta para enfrentá-los. O também não se sentia contente com a escolha, mas ao menos ainda tinham o acordo de sempre passarem os halloweens juntos. Ele preferia poder tê-la apenas por uma noite do quê não poder tê-la nunca. E as noites com ela sempre valiam à pena, o corpo do rapaz esquentava com as lembranças vívidas em sua mente do halloween anterior.


Just lay your head in daddy’s lap, you’re a bad girl (bad girl)
Apenas deite sua cabeça no colo do papai, você é uma menina má (menina má)
One, two, three, four
Um, dois, três, quatro
Hey, hey, I’ll let you walk all over me, me
Ei, ei, vou deixar você passar por cima de mim, mim
You know that I’m a little tease, tease
Você sabe que sou um pouco provocante, provocante
But I wanna pretty please, please
Mas eu quero muito, por favor, por favor
You know, you know, you know I’m crazy
Você sabe, você sabe, você sabe que sou louca
I just want to be your baby
Eu só quero ser sua garota
You can fuck me, you can play me
Você pode me foder, pode brincar comigo
You can love me or you can hate me
Você pode me amar ou você pode me odiar
Miss me, miss me
Sente minha falta, sente minha falta
Now you want to kiss me
E agora você quer me beijar
Bad Girl ― Avril Lavigne feat Marylin Manson


O relógio estava prestes a dar as doze badaladas e dois corpos dançavam colados no grande salão, os braços do vampiro ao redor da cintura da bruxa que tinha suas mãos emaranhadas nos cabelos dele. As luzes trocaram de cor, o grande salão de festas agora tinha um tom vermelho. O rapaz sorriu revelando uma parte das presas e os olhos da garota brilharam com luxúria. Ela inclinou a cabeça para trás, deixando o pescoço mais à mostra numa provocação engraçadinha. Ele intensificou o aperto na cintura dela e passou os lábios na curva exposta do pescoço dela, arranhando de leve com as presas expostas, até alcançar sua boca e iniciar um beijo. Quente, necessitado, como sempre e ainda tinha algo à mais… Que eles não assumiriam e não conversariam sobre por enquanto. Quando o oxigênio se fez necessário o contato foi rompido, as mãos foram dadas e começaram a andar pelo castelo.
― Você pensou sobre a minha proposta do ano passado?
― É claro que pensei, era tentadora demais para só ignorar e você sabia que eu ia acabar cedendo. Mas e você, Spellman, pensou na minha?
A garota parou de andar no mesmo instante.
― Você sabe que não é simples assim, . Eu pensei, mas não quer dizer que seja possível, sinto muito.
Ele suspirou pesado e se pôs parado em sua frente, levou cada uma das mãos à um lado de seu rosto e então o levantou, para que os olhares pudessem se cruzar.
― Eu não vou mentir para você dizendo que me contento com isso e você sabe, ao menos é melhor que nada. Escolhi o seu quarto favorito do castelo e fiz o que me pediu para pensar sobre, mas se o clima acabou para você podemos subir até o telhado e ver a noite virar dia com algumas garrafas de bebida, o quê acha?
riu anasalado e recuperou a expressão de antes, com uma leve dor no coração. Naquele momento era impossível recusar para si mesma que era apaixonada pelo vampiro, por todo o cuidado que ele tinha nos momentos certos e pelo contraste em saber deixar as coisas mais ferais quando ambos queriam.
― Presta bem atenção porque eu não vou dizer isso de novo: eu senti sua falta o ano todo. Jamais seria maluca ao ponto de desperdiçar uma noite com você, . Ainda mais se tratando de uma noite como essa.
Um sorriso de lado surgiu em ambas as faces, as mãos se juntaram novamente e voltaram a andar pelos corredores do castelo se distanciando mais e mais da festa lotada de humanos que acontecia no primeiro andar. Era uma situação engraçada para o vampiro; aqueles mortais todos adoravam a ideia de uma festa de halloween no castelo que supostamente pertenceu ao Conde Drácula, mas esse conde sequer havia morado lá. A verdadeira ligação entre vampiros e o Castelo de Bran se dava pelo local ser, por vezes, sede das reuniões dos Nu Contează ― o clã que mais se aproximava da lei para os vampiros. conhecia o castelo bem até demais, não conseguia contar quantas vezes tivera de comparecer como júri para tais reuniões.
Chegaram, enfim, ao quarto e a porta foi aberta sem que nenhum dos dois a tocasse. entrou primeiro. Seus olhos brilhavam enquanto olhava para o interior do cômodo. A cama era gigante, a iluminação era baixa e sentado na cama estava . entrou logo em seguida e fechou a porta trás de si. Seguiu o olhar até o íncubo que encarava os dois recém chegados ali com uma expressão carregada de luxúria, os olhos brilhavam. Se recostou na porta e esperou que a garota tomasse uma iniciativa, que veio simples com o vestido de seda vermelho sendo tirado e jogado em um canto qualquer, revelando que aquela era a única peça que ela usava. Ela se colocou no meio do caminho entre os dois e os encarou, como se considerasse as opções, mas o íncubo não gostava de joguinhos, não tinha paciência o suficiente.
― Eu quero ver vocês dois primeiro. ― Disse enquanto se levantava da e se sentava em uma poltrona posicionada a uma certa distância. Num piscar de olhos as roupas haviam sumido e os olhos da bruxa inconscientemente desceram até a ereção do rapaz, que se recostou na poltrona e moveu a cabeça para ter uma melhor visão dos outros dois.
não esperou por muito tempo para dar o primeiro passo. Segurou Spellman pela nuca e iniciou um beijo como os que estavam acostumados; quente, enquanto a guiava para a cama. Em instantes a intensidade aumentava ainda mais e os beijos desceram para o colo e então para o seio já desnudo da loira. inclinou a cabeça para trás e no instante em que ousou abrir os olhos sentiu que explodiria. O vampiro continuava trilhando o caminho descendo por seu corpo e já a penetrava com o primeiro dedo enquanto o íncubo tinha uma das mãos fazendo movimentos de vai-e-vem no próprio membro. Ela gemeu alto e esticou o próprio braço em direção ao , que logo entendeu que intenção da garota era ser ela a estimulá-lo. A mão dela estava fria, o quê o fez se arrepiar e jogar a cabeça para trás.
Fechou os olhos na tentativa de focar-se apenas nos movimentos da bruxa em seu membro; Spellman por sua vez tinha dificuldade em manter a concentração enquanto a língua de entrava em si porque ele era bom. E como era. Ninguém sabia usar a boca como aquele vampiro. Enquanto a língua e os dedos do trabalhavam em conjunto não demorou muito para que chegasse ao clímax, dando um grito de prazer. Ela se sentou num pulo, ofegante, enquanto o olhava fundo nos olhos e logo o puxou para um beijo rápido. Ao fim do ósculo, ainda com as testas coladas permaneceram alguns segundos até que a respiração dela normalizasse. foi o primeiro a falar.
― Vai em frente. Sei que você o quer esta noite também. Só se lembra que ninguém te faz gozar como eu, ninguém, gatinha. ― Disse convencido e deu uma mordida leve no lábio inferior da garota utilizando suas presas, fazendo com que pequenas gotas de sangue saltassem dos lábios dele para os dele de onde ele limpou lentamente com a língua enquanto sorria.
Ela sorriu em resposta e se virou para o íncubo que a esta altura já estava sentado na cama próximo à eles. A garota se levantou e subiu no colo dele, passando uma perna de cada lado, enquanto o mesmo observava seus movimentos com um sorriso sacana no rosto. Spellman olhou de relance para o vampiro e percebeu que estavam os três completamente nús naquele momento. Um calor preencheu seu corpo e ela observou que enquanto começava a subir e descer no membro de , havia se posicionado ao seu lado com o próprio membro na altura de sua boca. Ela sorriu. A noite seria longa e muito proveitosa.


I’m stunned to find a place we belong
Estou atordoado para encontrar um lugar que pertencemos
Who is your lover?
Quem é seu amante?
I couldn’t tell
Eu não poderia contar
When hell freezes over?
Quando o inferno congelar?
That’s when I’ll tell
Será quando eu disser
Who is your lover?
Quem é seu amante?
I couldn’t tell, when will this stop?
Eu não poderia contar, quando isso vai parar?
Transylvania ― McFly

Com os óculos escuros agora prendendo seus cabelos para trás, sacudiu a cabeça se livrando das memórias do outubro anterior e caminhando pelo saguão do Transylvania International Airport e suspirando fundo. O hotel onde se hospedaria era o mesmo do ano anterior, e do outro, e do outro, e do outro… Os olhos pesaram e ele os sentiu cheios de lágrimas, a cada ano ficava mais difícil. Não entendia por que tanta complicação, tantos impedimentos… Estava cansado de se esconder, de ter apenas uma noite por ano (e em ocasiões ainda ter que dividir com mais alguém, como no ano anterior). Sem a menor sombra de dúvida uma noite era melhor que nada, mas não era o suficiente; sem contar que a conversa de “a família quer manter o sangue puro do clã” sempre o magoava. Se sentia sujo, uma aberração, um monstro; se perguntava quando esse sentimento iria parar. Talvez de fato o fosse, mas não teve escolha, não pediu para ser transformado e ainda assim estava ali.
Se lembrou dos primeiros anos transformado, da falta de disciplina, da sede insaciável, de como havia sido duro se fiscalizar severamente durante décadas para se tornar alguém melhor e, agora, de fato o era. Tinha muito dinheiro ― vivera o suficiente para acumular uma boa fortuna ―, um bom status entre os vampiros ― já havia sido convocado algumas vezes para participar do clã Nu Contează, apenas recusara por não gostar de seguir tantas regras, estava bem apenas sendo júri em algumas reuniões―, uma boa educação e, modéstia à parte, era muito bonito também. E mesmo com todas essas qualificações ainda não se sentia o suficiente, ainda havia quem dissesse que ele era indigno de estar com uma Spellman. Merda, não era mais o século XVII! Essa porra de ideia de pureza de sangue era completamente ultrapassada (e preconceituosa, diga-se de passagem).
Respirou fundo e, com lágrimas nos olhos, tomou uma decisão. Este halloween seria um adeus.

Neol hyanghan majimak
É hora de eu dar-lhe
Nae mameul jul sigan
Os últimos pedaços do meu coração
Uriga saranghan jachega areumdawotda
O fato de que nos amamos é bonito
[…]
It’s a beautiful pain
É uma bela dor
Neoreul bonaejuneun Il
Deixando você ir
Nae ane nal jugigo
Eu tenho que me matar dentro
Nunmul samkimyeo
Engolir minhas lágrimas
Usgo inneun gamyeoneul sseune
E colocar uma máscara sorridente
Oh nan
Oh, eu sou
I’m a beautiful
Eu sou um belo
Ani bigeophan liar
Não, um covarde mentiroso
Beautiful Liar ― VIXX LR

O Castelo Bran já começava a encher de pessoas e as observava do topo da escadaria que dava para o salão principal. Ele tinha os cabelos penteados expondo um undercut que o deixava com um ar ainda mais sexy, trajava uma camisa preta com alguns botões abertos e uma calça justa da mesma cor. Os detalhes ficavam por conta dos acessórios; brincos de argola, uma gargantilha preta, vários anéis, um cinto e um pequeno piercing na cartilagem da orelha. Tudo parecia combinar com um jovem que estava em uma festa para aproveitar a noite mais assombrada do ano, exceto sua expressão distante. Era péssimo em disfarçar insatisfação, devia admitir, mas deu seu melhor quando avistou uma figura conhecida entrando pela enorme porta do grande salão. usava um longo vestido de alcinhas tão escuro quanto a noite com alguns pontos que brilhavam conforme a luz os atingia e uma (grande) fenda lateral; brincos pequenos adornavam suas orelhas e um colar com uma presa prateada pendia sobre seu pescoço e caminhava e. Assim que pregou os olhos no acessório o riu anasalado, se fosse qualquer outra pessoa usando ele acharia ridículo, mas como era ela achou engraçadinho o suficiente para merecer uma piadinha assim que estavam próximos o suficiente.
― Achei que os Spellman só usassem jóias que são relíquias puras de família… Ou existiu algum vampiro que foi digno o suficiente pra estar na linhagem? Tô precisando aprender com ele qual o segredo.
A bruxa revirou os olhos.
― Não tem nada de relíquia nessa jóia, . Comprei pensando especialmente num certo vampiro que eu gosto… Além do mais, algumas regras dessa família já estão muito antiquadas e eu não tenho mais nenhuma intenção de seguir.
Ele arqueou uma sobrancelha tentando entender se ela estava falando sobre o quê ele imaginava ser, mas preferiu não se torturar com falsas esperanças. Ao invés disso, decidiu seguir firme com seu posicionamento ainda que não fizesse a menor ideia de seus planos.
― Tanto faz… Tudo que eu quero que você siga agora é o corredor de sempre e me leve junto, claramente.
― Mas já? Não quer nem aproveitar a festa antes?
― A única festa que me interessa essa noite é a que fazemos sozinhos, Spellman.

Trick or treat, he wants a piece of me […]
Travessuras ou gostosuras, ele quer um pedaço de mim
You know me, queen of Hallowee-ee-ee-een
Você me conhece, rainha do halloween
I’m a ghost in the shee-ee-ee-eets
Eu sou um fantasma nos lençóis
Creepy on my bed squea-ea-ea-eak[…]
Assustadora, a minha cama chia
Blood on the ceiling, pick him out my teeth[…]
Sangue no teto, pegue-o pelos meus dentes
Monsters under my bed go ooh
Monstros debaixo da minha cama dizem ooh
Get a little Halloween head like ooh
Dê um pequeno oral de halloween como ooh

Ela sorriu de lado e segurou a mão do rapaz. Seguiram o caminho tão conhecido em passos rápidos, mas que para pareciam mais lentos que já dera. Quando abriram a porta nem um minuto se passou até iniciarem um beijo quente como sempre faziam, mas dessa vez algo parecia diferente, a bruxa conseguia sentir, e definitivamente estava. fora delicado como nunca ao descer as alças e tirar vestido dela, distribuindo selares por todo o caminho de maneira carinhosa e com um ar de despedida que ela não conseguia entender. Deitou-a na cama e tirou as próprias roupas devagar.
Ficou por cima da garota enquanto voltavam a se beijar e as mãos de ambos percorriam os corpos trilhando caminhos já conhecidos e estimulando-se incontáveis vezes. Num giro inverteu as posições, se colocando por cima do vampiro e direcionando os beijos para o pescoço dele enquanto sua mão já estimulava o membro deste. Desceu a trilha de beijos já tão conhecida até finalmente acomodá-lo em sua boca, brincando com a língua e arrancando gemidos e arfadas do rapaz que não demorou muito a se desfazer em sua boca. Ela voltou a beijá-lo e deixou que ele invertesse as posições voltando a ficar por cima, mas o chamou e impediu quando percebeu que ele ia fazer o mesmo que ela.
― Não. Eu preciso de você dentro de mim agora, sem enrolação. Forte e fundo do jeito que só você faz.
Foi o suficiente para seus olhos brilharem num tom vermelho e seu corpo todo pulsar. Não deixou que ela esperasse mais e a penetrou da maneira como ela queria, ambos soltaram um grito. Os corpos se moviam em sintonia, rápidos, com força, os gemidos altos e desconexos ecoavam pelo quarto quando, mais uma vez, ela o chamou pelo nome para fazer um pedido.
! ― Ele parou e a olhou nos olhos, preocupado, receoso de ter feito algo errado. ― Não, não para! Eu só… Hmm… ― A bruxa parecia reunir seu último resquício de sanidade para falar, mas ainda assim era difícil. ― Eu quero que você me morda.
― O quê??? Sem chance. Você sabe que eu posso me descontrolar, a marca nem sempre some e se eu perder o controle…
― Eu quero a marca. E eu sei as reações que sangue te causa, eu quero te dar isso. E eu confio em você.
Pensou um pouco e saiu de dentro dela, recebendo um grunhido de descontentamento em resposta, e se sentou ao lado da garota na cama.
― Se sentir que estou perdendo o controle, promete que vai fazer o quê for preciso pra me fazer parar?
Ela assentiu enquanto se levantava e ficava por cima dele, descendo lentamente enquanto se encaixava nele. Segurou o rosto do rapaz entre as mãos e o beijou mais uma vez enquanto rebolava lentamente, arrancando um gemido dele e então assentiu com a cabeça, indicando que ele podia começar. direcionou a boca até o ombro de e deixou um selar demorado antes de deixar que suas presas a perfurarem a pele. Assim que o sangue chegou aos seus lábios ele arfou. O corpo todo entrou em êxtase, parecia queimar, parecia flutuar, sentiria que explodiria a qualquer momento… Mas não queria correr esse risco, deu tudo de si para se controlar e manter a calma, enquanto a bruxa ainda subia e descia em si e arranhava suas costas. Ambos extasiados pela sensação.
Durou o suficiente para que chegassem ao ápice juntos e caíssem exaustos na cama; um ao lado do outro. Foi nesse momento que o choque de realidade do quê acabara de acontecer atingiu o vampiro em cheio. Ele se levantou rapidamente com as mãos tremendo e a respiração acelerada e começou a se vestir, atraindo o olhar confuso de sobre si. Ele estava nervoso, não devia ter concordado com isso. Podia viver com o fato de saber que realizaram um rito significativo para os seus que a bruxa talvez não soubesse metade da importância, mas não sabia se podia lidar com o risco que correu de tê-la transformado, ou pior, a matado. Uma lágrima teimou em escorrer pelo seu rosto enquanto terminava de abotoar a camisa e ele não foi capaz de limpar rápido o suficiente para que passasse despercebida.
que porra você tá fazendo?
― Indo embora. Eu… Eu… Eu não consigo mais.
― Como assim não consegue mais, você não sente mais nada por mim?
― É claro que sinto, porra! E é por isso que eu tô indo embora. Eu achei que conseguiria lidar com isso, mas não deu ok? Uma noite por ano não tá bom, . Eu não quero só isso, eu não quero só sexo e você sabe. Você sempre soube, inferno! Eu jamais te pediria pra ir contra sua família, mas eu não aguento mais ser um segredinho e me perguntar o que tem de errado comigo quando o erro é a porra dessa fixação por “linhagem bruxa pura” que seus pais têm. Eu não quero mais me sentir assim. Ainda mais depois do quê a gente acabou de fazer eu não sei se você sabe, mas…
― Os vampiros costumam morder seus parceiros quando estão perto do clímax na primeira noite juntos depois do casamento, um rito antigo que seus ancestrais acreditavam unir as almas… Ou o equivalente a isso. Eu sei.
― Você não tá fazendo sentido, porra. Por que me pediu pra te morder se já sabia então?
― Eu te disse. As regras da minha família são ultrapassadas e eu cansei de seguir. Uma noite por ano não tá bom pra mim, eu também não quero só isso, .
Ele ainda estava confuso, mas não conseguia segurar o sorriso que involuntariamente surgiu em sua face.
― Então…???
― Esse é meu jeito de dizer que eu quero que os boatos a respeito de nós deixem de ser só boatos.
― Então você quer estar comigo?
― É você quem tá pedindo! ― Respondeu divertida, dando um riso.
― Eu tô falando sério, ! Todos os dias do ano? Caralho você acabou de me pedir pra fazer uma coisa que cria uma conexão de almas, isso é tipo… Pra sempre. Pra sempre é muito tempo, você tem certeza? E a sua família??
― Todos os dias do ano. Todos os anos. Pra sempre. É muito tempo, mas todo o tempo não seria o suficiente. Eu quero estar com você sim! Eu pensei muito em como dar um jeito na minha família e a solução pra convencer aqueles cabeças ocas é a mais simples: justificar que a linhagem da família fica ainda mais forte com um híbrido de vampiro e bruxa na sucessão. Eles vão adorar a ideia e se não gostarem não me importo, não tenho mais medo de enfrentar alguns velhotes.
― Então você também pensou em filhos? Não é nenhum tipo de pegadinha, né?
― Pensei sim, mas daqui uma centena de anos. Quero aproveitar todo o tempo com você, já disse. Só tenho uma condição.
― Qual???
― Os nossos Halloweens tem que continuar sendo aqui. É uma coisa nossa, não quero deixar que caia no esquecimento.
―Condição aceita, não precisa falar de novo.
Os dois sorriram e correu para abraçá-la com todo o carinho que possuía dentro de si. O beijo mais doce foi trocado ali entre os dois.
― Eu amo você. Me desculpa te fazer esperar tanto tempo até criar coragem de fazer a coisa certa.
― Tá tudo bem, nós temos todo o tempo do mundo agora e é isso que importa. Eu também amo você, minha rainha do Halloween.
E então trocaram mais um beijo. O mais sincero de todos, o início de um pra sempre.

I’m not afraid, anymore
Eu não estou mais com medo
I’m not afraid
Eu não estou com medo
Forever is a long time
Pra sempre é muito tempo
But I wouldn’t mind spending it by your side
Mas eu não me importaria de passar ao seu lado
Carefully we’ll place our destiny
Cuidadosamente nós fomos colocados no nosso destino
You came and you took this heart, and set it free
Você veio, pegou esse coração e o libertou
Every word you write or sing
Cada palavra que você escreve ou canta
Is so warm to me, so warm to me
São tão quentes para mim, tão quentes para mim
I Wouldn’t Mind ― He Is We