Sinosijak

Sinosijak

Sinopse: Um acampamento de férias em Jeju é uma das tradições mais famosas de um dos colégios listados como os melhores da Ásia, é sua despedida e homenagem para cada turma que finaliza seu ciclo escolar no estabelecimento anualmente. Um acampamento de férias em Jeju pode ser tudo para mudar tudo.
Fandom: EXO
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: Sexo explicito. Contem elementos da cultura coreana, mas nada que impeça ou atrapalhe o entendimento da leitura por parte de quem não acompanha/curte kpop.
Beta: Alex Russo.

Capítulos:

Prólogo

Se ser adolescente por si só já não era exatamente uma caminhada no parque, ser adolescente e ter que se adaptar a uma cultura completamente diferente da qual se estava acostumado, especialmente depois de sofrer algo tão traumatizante quanto perder a mãe, era, definitivamente, muito pior.
sabia bem.
Oito meses depois que sua mãe morrera, sua vida já estava bagunçada o suficiente, porém o Brasil já não parecia um lar para seu pai, que saiu de sua terra natal, na Coréia do Sul, só para morar lá com a mulher que amava. Quando a oferta de trabalho em Seul surgiu, foi como se suas preces fossem atendidas e, ainda que a mudança não houvesse sido exatamente fácil para as garotas, as três filhas que ele tinha com a mulher, não era como se elas fossem privar o pai daquilo. Da chance de se afastar de tudo que lhe fazia lembrar tão vividamente da dor de perder o amor da sua vida.
As três já eram lembranças o suficiente, afinal. Lembranças vivas, falantes e das quais ele não podia se livrar. Aquilo fora um pensamento doloroso para toda a família no inicio, mas estavam superando.
Pouco a pouco, estavam superando aquela dor.
Já fazia alguns anos agora, desde que saíram do Brasil e seu pai comprara uma casa na Ásia e matriculara as três irmãs num colégio em Seul. Tudo lá era diferente, mas talvez, exatamente por isso, fosse exatamente o que precisavam. Algo completamente diferente para lhes fazer sentir outras pessoas, que não as três jovens desoladas que perderam a pessoa mais importante de suas vidas.
tinha um namorado agora, o vizinho, que, por acaso, era irmão adotivo do melhor amigo de . trabalhava por meio período num bar há algumas quadras de casa e tinha uma paixonite por um funcionário de lá, ex-aluno do colégio onde, das três, apenas ainda estudava. As outras duas já haviam se formado e até mesmo já saíra de casa.
Como a mais velha já havia começado a faculdade, ela nem mesmo continuava a morar com as irmãs e os pais na casa onde passaram a maior parte de sua adolescência, indo para lá apenas nos períodos de férias e pequenos recessos. Agora, morava no dormitório de sua faculdade, assim como seu namorado, enquanto planejavam comprar um apartamento para morarem juntos o mais breve possível. Já ainda não havia começado a faculdade e morava em casa com o pai e a irmã mais nova enquanto tentava encontrar a si mesma e descobrir o que queria fazer da vida, usando o trabalho num bar perto de casa e a paixonite por como distração para que o fato de ela se sentir tão perdida o tempo todo não lhe enlouquecesse de vez.
Do único jeito que garotas iniciando sua vida adulta sabiam fazer, elas estavam seguindo em frente. Do único jeito que parecia possível. Um passo de cada vez, um passo pequeno de cada vez.
estava bem em seguir naquela velocidade, em alimentar um amor platônico por seu melhor amigo e nunca realmente fazer nada a respeito, apesar das implicâncias de suas irmãs mais velhas. Estava bem daquele jeito porque era mais fácil não enlouquecer assim, dando passos bem pequenos, porque ainda estava aprendendo a andar. Sem sua mãe, ainda estava aprendendo a andar sem ela.
Mas, naquela manhã, enquanto voltavam de seu último dia de aula, – o melhor amigo em questão e, por acaso, também seu vizinho – mudara as regras do jogo sem que esperasse.
“Então, o que você acha de me ensinar?”, ele perguntara, arrancando uma risada igualmente nervosa e desacreditada da garota.
Ela odiava rir daquele jeito. Odiava soar quase como se transpirasse enquanto o fazia e pouca coisa era mais nojenta que transpirar por nervosismo. Especialmente para ela, que se esforçava tanto em parecer tão segura o tempo todo.
Mas que diabos, como podia simplesmente pedir aquilo a ela? Ou a alguém?
! – gritou, chamando sua atenção e a garota deu um pulo no lugar, virando para encarar a irmã mais velha. As três irmãs estavam na varanda da frente da casa onde moravam com o pai: estava deitada no móvel de madeira coberto por futtons brancos, com os pés sob o colo de , que estava sentada na ponta do móvel enquanto a outra, , andava de um lado a outro por toda a extensão da varanda, praguejando consigo mesma.
— O que foi? – perguntou a , assustada com o grito da outra. Julgara repentino, mas isso era só porque não ouvira todas as outras vezes em que ela lhe chamara, usando um tom de voz normal.
— O que você tem hoje, hein? – a mais velha perguntou, lhe encarando com desconfiança. – Os turnos de e no bar do Sr. Kang coincidiram a semana toda e vão coincidir hoje também. Ela está surtada e você está perdendo toda a diversão, aí, no mundo da lua. – gesticulou com a mão de para ela, que rolou os olhos.
Normalmente, adoraria passar horas implicando com e sua paixonite por simplesmente porque era, de fato, cômica. Aquela paixonite e o modo como a garota agia sempre que ele estava por perto ou até se tornava tópico de uma conversa, sempre terminando por se atrapalhar com alguma coisa.
— Não estou no mundo da lua. Mas fazer piada com e nem é difícil de verdade. Esse assunto já está me deixando entediada, isso sim… – ela retrucou, dando de ombros como se aquilo explicasse tudo.
— Tanto faz, eu… Por que é que você está no mundo da lua, hein?! – indagou, mudando o rumo da própria afirmação no meio do caminho, como se notasse que fazia justamente o que queria e permitia que a mais nova desviasse o assunto de si mesma.
era boa naquilo, desviar o assunto quando não queria ser o tópico da conversa, assim como era boa em trazer o foco para si mesma, mas tanto quanto eram igualmente boas em notar e não se deixar levar pelas articulações da mais nova. Infelizmente para ela.
virou para lhe encarar também, de repente abraçando para si a desconfiança de e rolou os olhos ao notar isso, se endireitando de modo a sentar nos futtons, olhando de canto do olho na direção do jardim da casa ao lado. Ás sextas, o jardim era responsabilidade de . Ele apareceria a qualquer momento para cuidar disso e ela estaria ali, falando dele como se fossem e .
Argh, droga. Logo estaria transpirando.
Ew.
— Não estou no mundo da lua. – mentiu, mesmo sabendo que seria inútil. Ela não tinha uma relação comum com suas irmãs mais velhas, elas eram mais que aquilo. Eram suas melhores amigas também e conheciam a garota melhor do que ninguém. Provaram aquilo, inclusive, ao lhe encarar de maneira descrente ao ouvir suas palavras e fazer a mais nova rolar os olhos, impaciente, antes de desviar o olhar para a casa ao lado novamente.
— É o ? O que aconteceu? – perguntou ao seguir seu olhar, não parecendo precisar de muito mais pra entender o que acontecia. – O que ele fez, hein?! – acrescentou a pergunta, que carregava agressividade inegável, o que era irônico, levando em conta que não era capaz de fazer mal nem a uma mosca se tentasse. Se tentasse.
O real perigo morava nos desastres que ele causava sem tentar.
Como quando sugerira que lhe ensinasse… O que, exatamente? fizera uma piada, uma piada que já fizera antes, mais de uma vez, sobre como ele não se divertiria tanto quanto os outros no acampamento de férias, já que todo mundo sabia que aquele tipo de coisa acontecia entre os alunos do Colégio de Artes de Seul, principalmente no acampamento de férias, e , bem, era péssimo com garotas. Era tímido e desajeitado e aquilo não era exatamente um afrodisíaco sexual.
Não para a maioria, pelo menos. adorava, mas aquilo era outra história.
Enfim, só fizera uma piada sobre isso. Sobre o jeito que ele era com as garotas. E, então, como resposta, ao em vez de só rir e demonstrar vergonha como sempre, ele perguntara: então, o que você acha de me ensinar? A ser bom nisso?
E aquilo soara tão sensual para ela, que era errado. Porque podia apostar que ele nem tentara.
Conseguiu apenas rir, estupidamente sem graça, antes que lhe visse chegar na entrada da rua onde moravam e gritasse, apressada em lhe informar que, junto com , conseguiram tornar possível que, finalmente, estivessem as três juntas no acampamento anual do colégio. Elas foram convidadas a participar como ex-alunas monitoras e organizaram todo seu calendário de modo a fazer aquilo dar certo.
E então chegou, surtando por e lá estavam elas agora, encurralando a mais nova para contar o motivo de estar no mundo da lua.
— Nada, só… – ela deu de ombros, tentando criar coragem para falar. – Ele disse uma coisa. Perguntou, na verdade. Mas… É loucura. Não posso concordar em fazer. – balançou a cabeça, como se dizer em voz alta fosse colocar um fim naquilo. Não ia. Especialmente quando dizia para suas irmãs, que, é claro, iam querer detalhes.
— Fazer o que? Sexo com ele? – riu da própria piada, porém a falta de resposta da mais nova e o modo como ela baixou os olhos, quase parecendo culpada, lhe fez tossir em meio a risada e arregalar os olhos. – Ele te perguntou se faria sexo com ele?! – quase gritou, tampando a própria boca em seguida, ao notar o que fazia.
arregalou os olhos e fez rapidamente que não.
— O quê?! É claro que não! – quase gritou também. – Qual o problema de vocês?! É o ! – reclamou, olhando um tanto quanto chocada dela para . Era a segunda vez, afinal, que uma das duas sugeria algo que em nada condizia ao garoto.
— Você está nos confundindo, . Sinais confusos, lembra? Já falamos sobre isso. – retrucou, rolando os olhos. – Não são só as suas palavras que falam. – o tom condescendente fez a mais nova rolar os olhos também, mordendo o lábio inferior e olhando pelo canto do olho para o lado, em direção a casa vizinha.
ainda não estava no jardim, mas não ia demorar muito. Se ela fosse mesmo falar, tinha que ser logo.
— Tudo bem, tudo bem. – cedeu, balançando a cabeça sem acreditar em si mesma.
Ia contar.

….

contara. E falar em voz alta só lhe fizera firmar ainda mais todas as pulgas que coçavam atrás da orelha por conta daquele assunto.
O que sugerira, o que queria dela, podia lhe entregar a oportunidade de ter do amigo o que sempre quisera, de ser para ele quem sempre quisera ser, mas também podia ser péssimo. Podia simplesmente terminar lhe dando confiança e ensinando coisas para ele usar com outras garotas. E seria obrigada a ouvi-lo contar tudo depois, feliz e grato.
Sabia que talvez levantar todas aquelas questões fosse pensar muitos passos a frente, mas não podia evitar. Não quando se tratava de . Ele era seu amigo também e era melhor tê-lo como amigo do que não tê-lo de jeito nenhum, como poderia acontecer caso algo desse errado se concordasse em fazer aquilo… Em lhe ensinar.
Céus.
Seria tão infinitamente mais fácil se toda vez que a palavra passasse por sua cabeça ela não sentisse aquele maldito arrepio alcançar sua espinha também.
Tanto quanto acharam que podia ser sim uma boa ideia, que era um jeito de mudar o relacionamento dos dois sem a pressão de um romance preto no branco e o medo que isso traria de estragar a amizade. Estariam fazendo algo juntos como amigos e não tinha porque aquilo terminar mal se sentisse o mesmo que , algo do qual as meninas tinham certeza, aliás. Elas acreditavam com veemência que também gostava de mais do que como amiga, e, talvez, ele só não houvesse notado ainda.
Ela não tinha tanta certeza assim. E estava enlouquecendo.
A noite, depois de passar o dia revirando aquilo na cabeça enquanto cumpria com suas atividades em casa, ela estava jogada em sua cama e ainda revirava aquilo na cabeça.
Céus, não… Não podia fazer aquilo. Não ia dar certo e era um risco grande demais… Certo?!
-yah? – a voz sussurrada lhe fez dar um pulo na cama, olhando em volta em busca do emitente e dando de cara com do lado de fora da varanda de seu quarto, com apenas a cabeça para dentro do quarto.
Ela rolou os olhos.
— Quer me matar do coração?! – perguntou, emburrada, ao abrir a porta para que ele entrasse no quarto. Ele sorriu amarelo e deu de ombros.
— Só chamei você. – se defendeu. – Está irritada? – ele perguntou, como se achasse graça da constatação enquanto se jogava despreocupadamente na cama da melhor amiga.
Aquilo era comum entre eles, aparecer na janela um do outro e matar tempo no quarto sem nenhum motivo aparente, mas a última conversa que tiveram ainda estava clara demais na cabeça de para que ela não se sentisse nervosa em vê-lo deitado onde ela dormia, com os olhos fechados e a aparência tranquila. Ela se sentou mais para a ponta da cama e respirou fundo, com os pés suspensos para fora do móvel.
— Você não é virgem, é? – perguntou, assustando , que abriu os olhos e arqueou as sobrancelhas em sua direção. – O que espera que eu faça? Digo… Se eu concordar em, hm, te ensinar – ela fez uma pausa para engolir em seco, com os olhos fixos nos próprios joelhos.
pigarreou ao entender que era a vez dele de falar. Que ela, enfim, havia terminado.
— Esquece isso. – murmurou, por fim. desviou o olhar para ele quando o garoto se sentou ombro a ombro com ela, mas agora era ele quem encarava os próprios joelhos. – Eu não sei por que falei aquilo. Não estava pensando e… – ele parou, dando de ombros e balançando a cabeça. – É pedir demais.
— Depende do que você está pedindo. – retrucou, desviando rapidamente o olhar quando virou para olhá-la, no instante em que ela falou.
Aquilo não era, em nada, típico deles: não conseguir olhar para o outro enquanto falavam, mas, bem, conversar sobre um ensinar o outro aquilo -seja lá o que exatamente fosse aquilo no contexto deles- também não era. Em nada.
— Eu… Estou pedindo que me ensine. – ele murmurou, olhando para ela enquanto falava dessa vez e finalmente lhe encarou de volta. Os dois prenderam o ar, mas não quebraram o contato visual ainda assim.
— O quê? Como… Como falar com uma garota? – ela perguntou, baixinho. Naquele dado instante, nem mesmo podiam ouvir os ruídos baixinhos dos eletrodomésticos ligados no quarto, como se o ar em volta deles formasse uma bolha estática lhes separando do resto do mundo, porque sabiam que aquele instante era importante. Que representava um passo em sua amizade que não seriam capazes de desfazer depois.
— Bem, sim. – murmurou, baixinho. estava prestas a assentir, pensando, com alivio, que podia fazer aquilo, que não era tão absurdo ou perigoso, quando ele continuou: – Como falar. Como, sabe… Tocar.
Bem, aquilo era absurdo.
E perigoso.
— Tocar? – repetiu, a voz falhando sem que ela pudesse evitar e a respiração de mudou de ritmo em resposta, seus olhos indo dos olhos para os lábios da garota. – Você… Quer que eu te ensine… Como?– te colocando pra fazer comigo?, ela quis acrescentar, com medo de descobrir se estavam na mesma página e finalmente quebrou o contato visual, desviando o olhar para os próprios joelhos outra vez. Não achava que podia pedir aquilo a ela e, mesmo assim, estava pedindo. Olhando para ela, não achava que seria capaz.
— Você é a professora. – ele riu fraco, ainda sem lhe encarar. – Acho que, essa parte, é você quem decide.
mordeu o lábio e os dois mergulharam em um novo silêncio.
Desde os onze anos, quando se mudara para Coréia e conhecera , vinha aceitando o que a vida lhe dava, nunca tentando pegar mais se aquilo representasse, o mínimo que fosse, o risco de sair magoada.
Porque perder sua mãe já fora mágoa o suficiente pelo resto de sua vida.
Estava, enfim, bem, vivendo daquele jeito. Ela nunca fora tímida, tinha muitos amigos no colégio, em sua rua, e sempre tinha um lugar aonde ir, uma festa, o que fosse. Ficava com garotos que lhe faziam sentir segura porque não lhe faziam sentir nada, e, sendo assim, não podiam lhe machucar, e era um modo eficiente de viver, de se proteger sem deixar de viver, especialmente quando a pessoa que, de fato, lhe fazia sentir algo nem sequer imaginava.
não achava ser capaz de fazer alguém sentir ou pensar as coisas que sentia e pensava quando ele estava em sua cabeça e ela gostava que ele fosse assim, tornava mais fácil, mais seguro, ser apaixonada por ele sem ter que fazer nada a respeito. Ao menos, não até estar pronta.
Estava pronta agora?
— Certo, hm… – ela respirou fundo, virando para lhe encarar novamente. lhe encarou de volta, com aquele olhar tão típico dele, que misturava inocência e confusão e sempre derretia a ponto de fazê-la concordar com o que quer que ele quisesse dela. A garota rolou os olhos e balançou a cabeça, virando o corpo de modo a se sentar de frente para ele. – Preciso saber quanto trabalho vou ter com você.
— Está dizendo que sim? – perguntou, arregalando levemente os olhos ao entender o que suas palavras significavam e mordeu o próprio sorriso.
Ele a tinha fácil demais e nem sequer imaginava.
— Preciso que me beije. Como beijaria uma garota de quem você gosta, preciso que… Que me beije. – ela gesticulou de modo a tentar disfarçar todo seu nervosismo.
abriu mais os olhos e a boca simultaneamente ao ouvir.
— Te beijar? – perguntou, surpreso. Ele sequer esperava que ela fosse concordar, quanto mais começar naquele momento. – Eu… Te beijar? – ele repetiu, como se esperasse que ela começasse a rir a qualquer momento e deixasse claro que estava brincando.
Ela não o fez, mas rolou os olhos como se achasse todo o auê que ele estava fazendo do pedido sem propósito.
— Bom, você quer que eu te ensine, não é? – ela retrucou, como se fosse obvio. – Preciso ver o que você sabe fazer. Quais são suas habilidades.
— Está me deixando nervoso. – ele reclamou e ela riu, quase o puxando para si ela mesmo e lhe beijando de uma vez.
era inacreditável, céus.
— Ajuda se eu fechar os olhos? – ela perguntou e ele suspirou, assentindo depois de um instante sustentando uma careta nervosa no rosto.
— Acho que sim. – murmurou e ela sorriu, como se aquilo já fosse um avanço muito grande e então assentiu, fechando os olhos. Assim que o fez, sentiu o nervosismo tomar cada parte de seu corpo e mente, xingando a si mesma por ter sugerido aquilo. Não poder vê-lo não lhe deixava ler o garoto e não ter nenhuma ideia do que ele estava pensando só servia para lhe fazer querer vomitar, um pouco mais a cada segundo que se passava sem nenhum movimento que ela pudesse notar.
Mas, então, de repente, aconteceu.
A testa de tocou a sua, repousando ali de modo que ela sentisse o calor que ele emanava penetrar seus poros e, em seguida, ele pousou os lábios sob os seus, pressionando-os contra eles com cuidado e quase pôde sentir a insegurança que ele parecia sentir também, não resistindo em abrir minimamente a boca e roçar os lábios aos seus, como se tentasse lhe fazer ver que tudo bem avançar, que tudo bem fazer o que ele quisesse. Aquele momento era dele. Ele podia fazer o que quisesse.
Devagar, sem que pudesse ser diferente tratando-se dele, a mão de alcançou seu rosto e os dedos triscaram em sua pele, numa lentidão e cuidado que julgou torturante antes que a mão dele, finalmente, rumasse para seus cabelos e os dedos torcessem nos fios, com a língua dele finalmente invadindo sua boca. sentiu o estômago queimar e segurou em seus cabelos também, retribuindo o beijo que ele iniciou.
Havia algo naquele ritmo que não era capaz de descrever, ele beijava num ritmo diferente de qualquer outro que ela já beijara, havia lentidão, mas intensidade na mesma proporção e quando finalmente pousou as mãos em seu peito, rompendo o beijo, a garota ofegava.
Ela levou um instante para abrir os olhos ainda assim, e, quando o fez, sorriu. lhe encarava nervoso, com expectativa lacerante e ela não conseguiu não sorrir diante daquilo.
— Acho que posso trabalhar com isso. – ela murmurou por fim, rindo fraco em seguida. – Você beija bem, . Não vai ser nenhum sacrifício te ajudar a ter a oportunidade de fazer isso mais vezes. – ela sorriu de maneira descontraída e ele riu envergonhado, passando a mão pelo rosto para disfarçar.
notou, é claro, mas fingiu que não.
— Vamos mesmo fazer isso? – ele perguntou o que vinha perguntando a si mesma desde o inicio daquele dia, quando ele sugerira aquilo pela primeira vez e soltou o ar, assentindo.
— Vamos. – falou, concordando com a cabeça. – Agora vai, sai daqui. Precisamos dormir e nos preparar para o acampamento. Saímos amanhã cedo, lembra? – murmurou e ele assentiu, se levantando. Ela se levantou também e o acompanhou até a varanda.
-yah? – ele chamou uma última vez, quando já estava com uma das pernas para fora da grade que escalara para subir até a varanda. Ela lhe encarou, esperando que ele falasse. – Isso não vai estragar as coisas entre nós, não é? Quer dizer… Se tivermos que nos beijar mais vezes ou… Sabe… Fazer outras coisas. As coisas não vão ficar estranhas? – perguntou, preocupado e ela mordeu o lábio, aproximando-se dele. Não podia prometer aquilo, mas agora que havia se permitido dizer sim a muito mais que ajudá-lo, mas também a possibilidade dos dois, não conseguia imaginar um jeito diferente de responder a pergunta, então respirou fundo e pousou as duas mãos nos lados de seu pescoço, subindo-as até seus cabelos em seguida, enquanto inclinava o rosto na direção do seu.
fechou os olhos de imediato e ela sentiu o coração palpitar com a visão, contendo com esforço a vontade de lhe beijar.
Não era aquele o plano.
— Ainda sou sua melhor amiga? – ela perguntou e ele abriu os olhos, encontrando-a olhando atenta em sua direção. Ele assentiu, com algo que ela não soube decifrar transparecendo em seus olhos. – Então, não. Se me prometer que vai ser sincero comigo o tempo todo enquanto fizermos isso, essa coisa de lições, se for sincero comigo como sempre foi, então posso prometer que as coisas não vão ficar estranhas.
— Não posso perder você. – ele murmurou, em tom de aviso, e ela sorriu.
Como se aquilo fosse possível.
— Prometa. – pediu.
— Eu prometo. Vou ser sincero.
— Então, eu prometo não ficar estranha.
Os dois sorriram e ele roubou um beijo em sua bochecha antes de lhe desejar boa noite, finalmente descendo até o jardim da casa da garota e correndo de lá para sua própria casa, permitindo assim que ela voltasse para dentro do quarto, se jogando na cama e fechando os olhos.
Ali, sem que ninguém pudesse vê-la ou julgar, levou os dedos até a própria boca, voltando de novo e de novo para o momento em que seus lábios se tocaram. Achava que podia prometer a aquilo, que nada mudaria, realmente achava, mas não podia negar a si mesma: Para ela, tudo mudaria. Prová-lo daquele jeito mudaria tudo.


01.

 


“Oh, meu Deus!
Eu disse que eu não tava bem,
Logo em seguida ela vem…
Me faz melhorar
Oh, meu Deus!
Eu quero me entregar também,
Por que ela me faz tão bem”
Oh, meu Deus – Projota

 

, definitivamente, não achava que podia cumprir a promessa que fizera a na noite anterior.
Beijá-la por si só bagunçara a cabeça dele como ele sequer achava que era possível. confiava em de olhos fechados, sempre a vira como uma amiga, sua melhor amiga, mas aquele beijo… Céus, aquele beijo bagunçara tudo que ele achava que sabia a respeito da amizade que os dois tinham. Porque, de repente, ele estava pensando nela daquele jeito e aquilo não podia ser bom. Ele não tinha chances com ela, conhecia há tempo demais para realmente se iludir com aquilo e tinha medo do que aconteceria caso continuassem, caso permitisse que ela continuasse a lhe ensinar de maneira tão, hm, física.
tinha medo que aquilo estragasse o que tinham e seu estúpido cérebro de homem bagunçasse tudo. Por isso, achava que tinham que parar. Mesmo que nem houvessem começado qualquer coisa direito.
— Sabe, isso…. Hm… – ele coçou, sem graça, a garganta, enquanto se preparava para falar. estava sentada ao seu lado no ônibus que lhes levava para o acampamento de férias em Jeju junto com o restante de sua classe e alguns ex-alunos convidados, incluindo os irmãos de ambos. Ela lhe encarou distraída. – Essa coisa de me ensinar… Não vai dar certo. – ele falou, atrapalhado e arqueou as sobrancelhas.
— Eu é que devia me preocupar com isso. – retrucou, soando igualmente confusa e desconfiada, e ele balançou a cabeça.
, somos amigos. – resmungou, tentando explicar seu ponto. – Eu acho que… Acho que as coisas podem acabar ficando estranhas e… Eu não sei. Quero evitar isso. Não quero estragar o que temos. – ele se esforçou para falar com firmeza e naturalidade, como se não conversassem sobre ela lhe ensinar ou não o melhor jeito de fazer uma garota cair em seus encantos.
lhe encarou como se não entendesse da onde aquilo saía.
— Eu prometi que não ia, lembra? – ela retrucou – Prometi que não ia ficar estranho desde que… – ela parou, estreitando os olhos, com a desconfiança invadindo seu semblante. – Tem alguma coisa que não está me contando, ?
Só que não paro de pensar em beijar você. E que isso me preocupa porque, bem… Se só um misero e estúpido beijo me deixou assim, o que vai acontecer quando você me ensinar mais coisas? Me fizer tocar em você? Eu vou pensar, sem parar, em tocar em você. E então, tudo vai ficar bagunçado e esquisito porque eu sou só o seu amigo desajeitado, que você decidiu ajudar depois de fazer uma piada maldosa e se sentir mal por isso, e você… Bem, você é você. Você é muita areia pro meu caminhãozinho e eu não consigo parar de pensar em beijar você. Faça as contas, : Perigo. Perigo. Perigo. MUITO PERIGO!
As palavras quase saíram de sua boca, porque ele prometera ser honesto e porque, acima de tudo, odiava mentir para ela. Sentir que estava escondendo algo de sua melhor amiga, mas céus… Como ia contar aquilo para ela? Que tinha medo do que aconteceria caso se permitisse vê-la como a mulher que era, a mulher incrível, experiente e excitante, mais do que como sua melhor amiga, que era sua melhor amiga?
Não dava. Não ia contar.
Decidido, apenas balançou a cabeça, desviando o olhar.
— Só acho que é perigoso. Não quero que os meus problemas idiotas tirem você de mim. – murmurou baixinho e ela riu, pousando a mão sob a sua no meio dos dois bancos em que estavam sentados.
. – chamou, bem humorada, fazendo com que ele virasse para lhe encarar. – Não é idiota ser inseguro. No seu caso, é um pouco estranho porque você é… – ela parou, rindo fraco. – Uau. Às vezes queria que você se visse como os outros te vêm. Ia parar de se sentir assim. Mas, como não pode, vou te ajudar fazendo com que mude o jeito que você se vê. Você só precisa de um pouco de confiança e podemos encontrar, juntos, um jeito de dar isso pra você. Nisso, eu sou boa.
— Você é. – foi obrigado a concordar, rindo fracamente. Ela tinha aquela coisa no olhar quando falava com ele, ele não sabia o que era, mas sempre lhe fazia sentir melhor e até lhe fazia acreditar nela. Era breve, o momento em que acreditava em todas as coisas boas que dizia sobre ele, mas era bom. Era um de seus momentos favoritos e se dizia capaz de tentar prolongar aquilo… Ele não era capaz de simplesmente dizer não aquilo. – Só me promete que não vai ficar estranho entre a gente? – ele, por fim, perguntou, olhando para ela por debaixo dos cílios e a garota balançou a cabeça, mordendo o próprio sorriso.
— Já te prometi isso. – ela murmurou. – Mas precisa cumprir a sua promessa também pra dar certo e não parece que você está fazendo isso. – ela acrescentou, cuidadosa. desviou novamente o olhar, culpado. Sabia que aquilo lhe entregava, mas não tinha importância. Odiava mentir pra ela. – Não tem nada que você queira me contar? – ela insistiu, no mesmo tom cuidadoso de antes e mordeu o lábio, desviando o olhar das próprias pernas para ela.
— Eu tenho medo que isso confunda a gente… Me confunda. – se corrigiu, balançando a cabeça. – Depois que a gente se beijou ontem… Foi… Eu… Isso meio que ficou na minha cabeça, sabe? O jeito que… Bom, o beijo. – tentou, desajeitado, explicar. lhe encarava com atenção, esperando que ele terminasse de explicar o que lhe agoniava tanto. – Foi um beijo incrível, . E eu tenho medo de pensar em você assim.
— Como uma garota que beija bem? – ela perguntou, confusa. deu de ombros, mesmo que não fosse exatamente aquilo. Ela estava chegando lá.
— Você sempre foi a minha melhor amiga e eu acho que eu me esquecia de ver você como… Sabe… – ele riu, nervoso. – Até ontem, eu não pensava em você desse jeito. E tenho medo do que pode acontecer com a gente agora que estou pensando.
, eu sou uma garota. Não sou boa em muitas coisas, mas nisso, eu sou. Eu beijo bem e sou boa de cama. Não quer dizer que você vá se apaixonar por mim ou que vá deixar de me ver como sua amiga por isso. Porque, pra você, antes de tudo, é o que eu sou. Sou sua amiga. – soou muito segura ao falar, o que não era surpresa vindo dela, porém junto com o tom sério de sua voz, o impacto era um pouco maior.
assentiu e suspirou, repassando suas palavras mentalmente. Aquilo podia dar certo. Céus, ele esperava que desse. Estava cansado de se sentir perdido e despreparado como um filhote, estava cansado de ver todo mundo tratar tudo sobre a interação com o sexo oposto como se não fosse nada quando, para ele, parecia tudo. Estava cansado de tudo sobre o jeito que as coisas acabavam sendo pra ele.
— Mas você está errada sobre uma coisa. – ele murmurou depois de um instante e voltou a lhe encarar, alheia ao que o garoto pensava. sorriu um pouco. – Você é, sim, boa em muitas coisas. Posso fazer uma lista pra você.
acabou rindo ao ouvir, lhe empurrando com os ombros.
— Vai ser sua tarefa de casa. – devolveu e ele gargalhou, lhe empurrando de volta.
— Minha primeira lição? – perguntou, fingindo comoção e ela riu, fazendo que não em seguida, mordendo o lábio inferior.
— Considere uma atividade extracurricular. – retrucou, humorada. – Na sua primeira lição, vamos falar sobre o seu beijo. – ela explicou e arregalou, surpreso, os olhos em sua direção.
— Meu beijo?! – sua voz saiu esganiçada e alta de um jeito esquisito, o que levou cor a se intensificar em suas bochechas e fez o garoto olhar em volta, tentando se certificar que ninguém lhe escutara. Por sorte, estavam todos distraídos demais conversando entre si, dormindo ou com fones de ouvido. – Você disse que eu beijava bem. – ele reclamou, num sussurro indignado e riu.
— Você beija, oppa. – retrucou, contendo a própria risada quando ele corou mais com o uso do termo, que, aliás, era apenas uma provocação. Ele era mais velho que ela por pouco mais de um mês e ninguém usava os termos de tratamento em situações como aquela.
, aliás, não os usava nem com as irmãs, que realmente eram alguns anos mais velhas que ela.
-yah. – reclamou, choroso pela vergonha e ela sorriu divertida.
— Foi um ótimo beijo. Muito gostoso mesmo, mas pode melhorar, dependendo da sua intenção. – ela explicou, como se não fosse nada demais. odiou a sensação que aquilo lhe passou: era, sim, algo demais.
— Minha… intenção? – ele perguntou, incerto. Honestamente, ele não tinha certeza se era seguro saber qual era exatamente a linha de pensamento dela.
assentiu, dando de ombros.
— Se você queria me deixar molhada com aquele beijo, , então temos muito trabalho pela frente. – ela retrucou, com simplicidade. – Foi um beijo doce, como você. Beijos doces são ótimos, mas não deixam uma garota molhada sem que haja um relacionamento e uma história por trás, sabe? Sentimentos? – ela explicou, lhe encarando por debaixo dos cílios para ter certeza que ele estava lhe acompanhando.
Sabendo daquilo, o que ela queria ao lhe encarar daquele jeito, fez que não.
— Você disse “molhada” muitas vezes.
— E você não quer ser capaz de deixar una garota molhada? – ela devolveu, se divertindo com o constrangimento de , que rolou os olhos, ciente daquilo.
-yah. – resmungou e ela riu, assentindo como quem cedia em seguida.
— Tudo bem, mas você precisa esquecer essa coisa de vergonha se quiser mesmo que eu te ensine isso. Porque vamos falar de sexo. Bastante. – ela avisou, dando de ombros em seguida, como quem não tinha mais nada a dizer.
fez uma careta.
— Então, minha primeira lição é como beijar? – perguntou, de repente decepcionado. Não com ela, mas em descobrir que não era tão bom assim naquilo. Ele achava que podia contar vantagem, pelo menos, naquele quesito.
— Não, -ah. Você sabe beijar, mas não sabe transformar um beijo em mais do que só um beijo. – ela explicou e ele fez um bico sem notar, tentando ignorar o embrulho de nervosismo no estômago por pensar no caminho que seguiam.
— Em minha defesa, você não sabe de verdade se eu sei. – retrucou, teimoso. – Foi só um beijo.
acabou rindo antes de assentir.
— Sim, sim, é verdade. – cedeu, concordando várias vezes com a cabeça. – Veremos mais tarde então. Em sua primeira lição. – murmurou, piscando para o amigo antes de levar os fones aos ouvidos e deixar sozinho para pensar no mais tarde.
Ele estava preocupado, nervoso, e o maior motivo daquilo era o fato de não poder esperar até o mais tarde.
Céus, o que estavam fazendo?

+++

tinha dois irmãos, mas nenhum de sangue. Não que ele soubesse, pelo menos. Não sabia nada sobre seus pais biológicos.
O garoto fora deixado na porta da casa de suas mães quando ainda era um bebê e não demorou muito para que a pouca curiosidade que tinha sobre as pessoas que lhe conceberam se transformar em algo próximo a rancor, que fazia algo tóxico se remexer dolorosamente dentro dele. Mas aquele não era o ponto.
tinha dois irmãos.
— Não acredito que vamos ter que dividir quarto. Me sinto com seis anos de novo. – reclamou enquanto entrava no quarto em que passaria o verão hospedado com e , que entraram logo depois dele.
Dividir quarto era, na verdade, uma prática corriqueira do acampamento, da qual já estava ciente, já que não era seu primeiro verão ali, mas não era como se ele fosse perder a chance de implicar com seus irmãos por isso.
rolou os olhos para ele.
— Pode ir, se quiser. Não é como se fizéssemos muita questão de você aqui – resmungou.
riu fraco olhando de um para o outro e jogou suas coisas na cama de cima do beliche. Quando dividiram um quarto em casa, anos atrás, ele ficara com a cama de cima do beliche e com a de baixo, enquanto ficara com uma cama de solteiro só para ele. Parecia óbvio e natural que optassem pela mesma formação agora.
Quando chegou a casa das Park -as duas mulheres que já eram casadas há mais de dez anos e criaram juntas e seus irmãos-, já haviam outros dois garotos ali. , que era filho do primeiro casamento de uma delas e, portanto o único que compartilhava o sangue com uma delas, era o mais velho dos três. foi adotado pelas Parks ainda bebê, pouco depois que foram morar juntas.
Na época, tinha quase dois anos e, poucos meses depois, foi deixado na porta delas, com pouco mais de um mês de vida.
Enfim, os três dividiram quarto por um tempo, por alguns anos, antes da reforma que foi feita para aumentar a casa em que os três garotos cresceram e construir mais quartos, para que cada um pudesse ter o seu.
— Não jogue coisas em mim dessa vez. – pediu, apontando para , que riu, muito como uma criança que obtinha prazer em admitir a própria culpa em algo. Quando eram mais novos, sempre subia para sua cama com vários brinquedos a fim de se distrair até estar sonolento e, quando o sono finalmente chegava, ele simplesmente os empurrava pra baixo, fazendo com que caíssem todos no mais velho. rolou os olhos para ele, puxando o celular do bolso ao se sentar na cama de baixo do beliche. – E então, vocês ainda querem ficar um tempo aqui ou vamos logo para a cachoeira?
— Cachoeira? – perguntou, confuso e encarou o mais velho, também sem saber o que fariam na cachoeira.
— Eles só disseram que íamos jogar “Capture a Bandeira”, mas ainda faltam horas pra termos que ir. – murmurou.
Tinha certeza, inclusive, que cachoeira nenhuma fora mencionada nas instruções a respeito daquela primeira atividade, mas não precisou falar aquilo. O semblante de denunciou antes que ele já entendera o motivo da confusão.
— Por um momento, esqueci que é a primeira vez de vocês aqui. As boas vindas na cachoeira são, na verdade, coisa dos alunos. A gente fica lá por algumas horas, alguém sempre leva uma caixa de som e soju… É divertido. – ele explicou, dando de ombros.
— Já está todo mundo indo pra lá? – perguntou e assentiu.
— Todo mundo costuma ir logo que chega, já que sempre temos o “Capture a Bandeira” no dia em que chegamos também.
— Bom, então… Vamos. – deu de ombros, se pondo de pé e assentiu, imitando sua atitude e se pondo de pé também.
— Eu vou daqui a pouco. vem me encontrar aqui. – murmurou quando os dois viraram para lhe encarar, como se esperassem vê-lo se pôr de pé também. Ele se esforçou para parecer casual, mas parecer casual não devia exigir esforço se não houvesse nada demais por trás de suas palavras e os garotos, é claro, notaram que havia.
— Aqui? Por quê? – interrogou, com uma das sobrancelhas formando um arco em seu rosto como expressão da confusão.
deu de ombros, desviando o olhar para o celular e desbloqueando a tela mesmo que não estivesse procurando nada em especial ali.
— Marcamos uma coisa. – murmurou, num fio de voz. Aquilo provavelmente lhe entregava, mas não podia realmente agir de outro jeito sabendo o que uma coisa significava.
— Aqui? – repetiu, com a mesma expressão resistindo em seu rosto.
deu de ombros outra vez e trocou um olhar desconfiado com .
— O que vocês dois marcaram aqui, ? – quis saber, soando muito como suas mães quando já tinham uma resposta em mente para o que perguntavam e a tal resposta não lhes agradava em nada.
fechou os olhos, apertando-os juntos como se aquilo pudesse fazer aquele momento se dissolver como se nunca houvesse acontecido.
É claro, não dera certo, e quando ele abriu os olhos seus irmãos ainda lhe encaravam da mesma forma, talvez ainda mais desconfiados do que antes.
! – gritou de repente, assustando os outros dois e pulando no beliche onde o irmão mais novo estava deitado. – Vocês dois estão transando?! – ele quase gritava ao perguntar e quase rolou os olhos para a animação exagerada, se não estivesse ocupado corando e empurrando o irmão de cima dele.
— O quê?! Não! – exclamou, assustado. – Não estamos! – ele repetiu, desnecessariamente alto quando lhe encarou com desconfiança humorada.
— O que vão fazer, então? – quis saber, ainda parado de pé no mesmo lugar de antes. Ele não era tão propenso a pulos e gritos quanto , mas não podia esconder um sorriso divertido.
Os dois mais velhos adoravam envergonhar .
— Nada demais, é só… Uma coisa. Não é da conta de vocês. – resmungou, incomodado e, é claro, constrangido.
riu.
— Tudo bem, mas usem camisinha. Eu não tenho idade pra ser tio ainda. – falou, pulando do beliche e apenas rolou os olhos, torcendo para que não responder fosse lhe ajudar a se livrar dos dois mais rápido. – Vamos, . – deu um tapinha no ombro do irmão para irem logo e devolveu o tapa, mais forte do que era realmente necessário, é claro. – Ai! – ele gritou.
riu e acenou para antes de sair andando na frente do mais velho, que rolou os olhos e foi atrás dele.
Uma vez sozinho, balançou a cabeça e voltou a encarar o celular. Por sorte, seus irmãos se distraíam um com o outro com muita facilidade para insistir em perguntar sobre , já que ele não achava seguro falar sobre agora. Ainda estava trabalhando em encontrar um meio termo entre vê-la só como amiga e vê-la como mulher.
Por ora, não podia dizer que estava indo bem.

— Eu sei, eu sei, estou atrasada, mas tenho um bom motivo. – murmurava ao entrar no quarto. Ela estava atrasada, mas não tanto quanto era de se esperar, o que fez com que lhe encarasse com curiosidade. A garota sorriu como a raposa capturando sua presa costumava fazer nos desenhos animados e ergueu para ele o que escondia atrás do próprio corpo: Uma caixa ridiculamente grande de Pepero. – me deu como presente de boas vindas. Algo sobre estar orgulhosa e sentimental de finalmente estar aqui comigo. – deu de ombros, como se não entendesse muito bem aquela parte, e riu, ajudando-a a subir no beliche e observando com humor quando, em seguida, ela posicionou cuidadosamente a caixa com o doce entre eles.
— Aigoo, isso é tão injusto! Não quer trocar de irmão não? – ele perguntou, fazendo a garota rir enquanto levava o doce em formato de canudo a boca, fazendo que não para . Ele rolou os olhos. – segue sendo o mesmo chato de sempre com piadas constrangedoras.
— Qualquer piada é constrangedora pra você. – retrucou, rindo novamente ao se esquivar do tapa que ele tentou lhe dar por isso. – Ai, é verdade! E, não se engane, não mudou. Eu acho que está na TPM e ainda hoje deve chorar ou ter um ataque de fúria pelo motivo mais estúpido possível. Por isso, pretendo guardar um pouco desse doce para ela. – ela colocou a caixa de lado, recostada a parede. – E então? Vamos começar?
não pôde evitar desviar o olhar, desconfortável, diante da pergunta e do olhar incisivo de sua amiga. Céus, como podia ser tão fácil pra ela?
— O que você tem? – ela perguntou, arqueando as sobrancelhas quando ele ergueu novamente o olhar para ela e suspirou.
— É mais o que eu não tenho. – falou, fazendo uma careta quando ela continuou lhe encarando da mesma forma, esperando que ele continuasse. – Eu admiro a sua audácia. Você é incrível, -yah. Você age como se essas coisas não fossem nada e eu queria ser assim. Queria que não me fizessem sentir tão nervoso e ansioso, mas… – ele suspirou outra vez, baixando o olhar para o lençol branco da cama. – Quanto mais falamos sobre isso, mais distante essa ideia parece. Eu não acho que consiga não me sentir nervoso e ansioso quanto a isso.
— Ok, chega de falar então. – ela murmurou, como se a resposta para o problema fosse muito simples e ergueu, com receio, o olhar para lhe encarar. olhou em seus olhos sem falar nada por um instante e então balançou a cabeça, como se tentasse afastar um pensamento antes de engatinhar em sua direção, se aproximando até estar perto o suficiente para seus corpos quase se tocaram. – Eu vou mostrar pra você tudo o que precisa saber sobre transformar um beijo em mais do que só um beijo. – anunciou, com o rosto perto demais para que conseguisse reagir.
Ele só olhou para ela. E, honestamente, nem tinha certeza se a vira direito, tudo parecia confuso de repente. Seus sentidos se misturavam e tudo parecia quente ao seu redor antes mesmo que tocasse em seu rosto, triscando os dedos por toda a extensão de sua pele antes de deixar os dedos imiscuírem nos fios escuros do cabelo de , que só lhe encarou, provavelmente parecendo tão vulnerável quanto se sentia.
Ele não tinha ideia do que devia fazer. Já beijara antes, já chegara até um pouco mais longe também, mas aquilo era diferente. A posição em que estava, por si só, já era o auge da vulnerabilidade desde que pedira que ela lhe ensinasse, mas aquilo era apenas a pontinha do iceberg. O fato de ser ali era o que mais bagunçava sua cabeça, porque ela era sua amiga e era tudo que sempre fora. Até agora.
Naquele momento, era algo, alguém, para o que ele não estava preparado. Era como se houvesse, dentro da pessoa que ele sempre conhecera, alguém novo, sexy e intenso que ela só permitia que ele visse agora e ele não sabia se estava pronto para conhecer. Não sabia se havia uma parte nova, sexy e intensa dele mesmo para mostrar a ela em troca. E, ainda que aquele fosse exatamente o motivo de estarem ali, o fato de ele querer ajuda para descobrir se havia uma parte assim dele, se sentia pequeno e desajeitado, sem graça, por não saber como fazer aquilo sozinho, porque, de repente, ele só queria dar a algo parecido com o turbilhão de sensações que o invadiam naquele momento. Não sabia o que aquilo significava ou podia vir a significar, mas era o que queria.
— Você tem que fazer com que a pessoa com quem está não seja capaz de pensar em nada, mesmo que tente. Tudo o que importa é o momento. – falava baixo agora que seus rostos estavam tão próximos, ajoelhada na cama de modo a ficar ligeiramente mais alta que , que estava sentado. O modo como ela olhava para ele de cima enquanto mexia em seus cabelos e falava, aproximando o rosto do seu um pouco mais a cada palavra, quase não permitia que raciocinasse. Ele quase não sentia vergonha, porque quase não conseguia pensar em coisas tão supérfluas. Quase. O rubor que tomou seu rosto quando as unhas de rasparam em sua nuca, arrepiando-o sem que ele fosse capaz de se esconder provava que ainda existia um abismo incontestável entre o que ele sentia naquele momento e a capacidade de se perder completamente de qualquer linha de pensamento que lhe constrangesse. – Abaixar a sua voz e deixar que a sua boca experimente outras partes do rosto da pessoa antes de chegar a boca costuma ser um modo eficiente de fazê-la sentir quente. – acrescentou, de fato abaixando o tom de voz de maneira gradual e deslizando os lábios por sua testa, depositando um beijo delicado ali antes de descer por seu nariz, deixando que o nariz dela roçasse ao dele em seguida, quando seus rostos ficaram alinhados e ela olhou em seus olhos. – Você quer fazê-la fechar os olhos. Quando você faz a pessoa nos seus braços fechar os olhos, significa que ela cedeu. Que está pronta para sentir tudo que você quer fazê-la sentir. – falava baixinho enquanto explicava, a mão que arranhava sua nuca enroscando os cabelinhos da região enquanto a outra deslizava para um de seus ombros.
Os olhos de estavam só parcialmente abertos, algo que ele sequer notara até ouvir suas palavras e quase sorriu ao se dar conta daquilo, deslizando uma das mãos para a cintura de num instinto que não foi capaz de absorver também, não até sentir sua pele na mão, que estava aberta sob a blusa fina dela.
— Assim? – ele perguntou em seguida, ao vê-la fechar os olhos, como se o toque houvesse sido um golpe forte e inesperado, desarmando-a sem precedentes.
sorriu, sem abrir os olhos antes de inclinar o rosto para mais perto do seu, roçando seus lábios e então se afastando quando ele fez menção de iniciar o beijo.
— Experimentar com a boca outras partes do rosto… – ela repetiu o que dissera antes, beijando o canto de sua boca e então deslizando os lábios até sua orelha, mordiscando-a e arrancando um choramingo inesperado de . Ele quase engasgou ao ouvir o som, que fez sua garganta coçar e a cor invadir suas bochechas novamente, um instante antes de os olhos de encontrarem os seus e ele sentir a pele esquentar ainda mais sob o olhar dela, que, no entanto, ele não soube interpretar com clareza. Ela nunca o encarara daquele jeito antes, com as irís tão escurecidas, como o mar numa noite tempestuosa. Céus, a visão fazia com que sentisse tudo ao seu redor tão quente que a base de suas costas estava molhada de suor. – Fazê-la sentir quente. – murmurou, quase como se soubesse daquilo, embora num tom de voz diferente de antes. Como se perdesse o compasso.
— Assim? – ele perguntou outra vez ao ficar de joelhos no colchão, ficando mais alto que ela e, ainda segurando em sua cintura com uma das mãos, tocou seu maxilar com os lábios, beijando ali embaixo e fazendo fechar os olhos e murmurar algo em português, um instante antes de segurar nos cabelos de e fazê-lo parar o que fazia, finalmente moldando seus lábios.
A língua da garota alcançou a de sem nenhuma cerimônia ou tortura além do que ela já fizera antes, os dedos torcendo os cabelos dele. Os troncos dos dois foram de encontro quando moveram os joelhos para frente por reflexo, buscando uma proximidade que só notaram que buscavam quando já estavam ali, sentindo-a. A outra mão de alcançou a lateral do corpo dela e parou ali, a vários palmos de distância da linha de seu busto.
Ele queria subir, mas não achava realmente que tinha ousadia para tanto. Não tentou.
O beijo de não tinha pressa, não tivera da primeira vez e não tinha agora, mas era definitivamente quente. Quente de maneira precisa, como se ela soubesse muito bem o que estava fazendo, o que, aliás, não era novidade e, mesmo que ele nunca houvesse ousado acreditar estar preparado para aquilo, definitivamente não imaginara ser tão facilmente rendido, choramingando contra a boca dela outra vez quando a garota mordeu seu lábio inferior, numa menção quase imperceptível de romper o contato de suas bocas.
a segurou em seus braços e impediu que ela o fizesse, intensificando o contato de suas línguas e movendo com mais pressa a boca contra a dela, fazendo com que deslizasse uma mão para seu peito e o empurrasse de encontro ao colchão, sendo puxada por ele para ir junto ao mesmo tempo. As duas mãos de encontraram a parte de trás dos joelhos dela e puxaram as pernas de para baixo, de modo a fazê-la sentar em seu colo.
Outra coisa que ele só notou fazer quando já havia feito e as pernas dela já enlaçavam sua cintura. De repente, entendia com muita clareza o que dissera sobre só o momento importar. Sobre, enfim, parar de pensar.
Ele não estava mais corado.
apertou as pernas ao seu redor, tornando o contato de seus corpos algo explosivo, como se riscasse um fósforo enquanto voltava a torcer os dedos nos cabelos de , que apertou com mais força em sua cintura, soltando o ar contra sua boca pela atitude. se moveu em seu colo, tornando o contato de seus sexos impossível de ignorar e apertou mais seus corpos juntos, fazendo com que levasse uma das mãos para a base de suas costas, subindo por ali e apertando sua pele por cima da blusa fina antes que ela mordiscasse e sugasse seu lábio inferior, arrepiando-o. conseguiu prender o som tão peculiar que ela lhe fazia soltar no meio da garganta dessa vez, pois rompeu o contato de suas bocas, mantendo os olhos fechados mesmo depois que abriu os dele.
Ele esperou, de repente receoso de ter feito algo absurdamente errado. Esperou pelo que lhe pareceu uma eternidade antes de engolir em seco, colocando o cabelo dela pra trás.
Por favor, que não tenha sido horrível pra ela. Que o beijo não tenha sido horrível, por favor, ele implorava em sua cabeça ao chamar baixinho por ela, sentindo o coração martelar, totalmente arrítmico, em sua caixa torácica.
— Foi horrível? – ele perguntou baixinho, num receio quase palpável, quando ela abriu os olhos e riu fraco, sem parecer encontrar fôlego para fazer aquilo direito.
— Não, não foi horrível, . – garantiu, sorrindo minimamente antes de se afastar, descendo da cama e andando pelo quarto como se ficar parada fosse luxuoso demais para ela naquele momento. se perguntou se ela sentia as fagulhas que cresceram entre eles enquanto se beijavam queimar agora, como ele sentia. – Céus, não foi horrível mesmo. – ela sussurrou, provavelmente sem planejar que ele ouvisse, mas estavam sozinhos ali. ouviu. E quase sorriu com quão atordoada ela soara.
— Não, não foi. – ele concordou, descendo do beliche e fazendo com que ela desviasse o olhar em sua direção, aceitando sua caixa de Pepero de volta quando ele lhe estendeu.
Por um instante, nenhum dos dois foi capaz de falar nada e ficaram apenas parados de frente um para o outro, contemplando quão mais embaraçoso aquele momento parecia se tornar a cada segundo que se passava.
, então, respirou fundo, como se tentasse se forçar a tomar as rédeas da situação.
— Eu sei que você é inseguro, mas… – ela parou, respirando fundo outra vez. se sentia apreensivo e cheio de expectativa de maneira contraditória e intensa enquanto olhava para ela, esperando que as palavras saltassem de sua boca. – Quando eu disse que, caso quisesse me deixar molhada com um beijo, tínhamos muito trabalho pela frente… Talvez eu estivesse errada. Talvez não tenhamos tanto trabalho assim pela frente.
— Você está molhada? – ele perguntou, fazendo rir, tão surpresa quanto constrangida pela pergunta. acabou rindo também, como se de repente sentisse cócegas. Céus, era exatamente como se sentisse cócegas. Um espasmo incontrolável e desconfortável, carregado de pânico.
O que ele estava fazendo, hein?!
— É melhor irmos. – murmurou por fim, tentando desfazer o embaraço obvio entre eles.
Aquilo era estranho.
podia contar nos dedos quantas vezes vira constrangida desde que se conheceram e a cada vez que acontecia parecia ainda mais estranho.
— É. – concordou e assentiu, atitude que ela imitou, muito mais como se o fizesse para si mesma, antes de dar as costas, caminhando para fora do quarto. começou a segui-la, mas parou no meio do percurso e riu outra vez, como se apenas naquele momento absorvesse por completo tudo que acabara de acontecer. – Eu deixei você molhada. – riu outra vez, sem acreditar e parou de andar, ficando muda por meio segundo antes de rir junto com ele, balançando a cabeça quando o garoto lhe alcançou, parando ao seu lado.
— Você é inacreditável. – ela riu, parecendo, de fato, desacreditada. Ele riu também, passando um braço por seus ombros. olhou em seus olhos por um instante, como se soubesse de algo que ele não sabia, algo bom sobre ele, ou talvez sobre os dois, e então sorriu, alcançando a mão dele em um de seus ombros e segurando enquanto andavam.
já vira aquele sorriso em seu rosto algumas vezes e, Deus, nunca falhava em fazê-lo sentir bem.
Ela nunca falhava.

Nota da Autora:
Oie! Essa história tem sido um projeto delicioso de mergulhar a alguns anos agora e sempre fico feliz de compartilhá-la em novas plataformas e com novas pessoas. Espero que vocês gostem! Se puderem, deixem a opinião de vocês, tá?
Beijão!

 

02.

“Somos tão jovens, então
Nos arrependeremos só amanhã
[…]
Brindemos ao hoje, que nunca voltará
Levantem seus copos, para o céu
Nós gostamos de festejar”– BigBang

 

— O quê? Você quer colocá-la de guarda da bandeira, sem fazer nada o jogo inteiro? – soava surpreso, indignado, como se houvesse acabado de escutar a maior loucura que alguém já lhe dissera. – , isso é loucura!
— Eu sei o que estou fazendo, . E sou a capitã. – retrucou, puxando para trás de si, porém antes que realmente conseguisse esconder a irmã atrás do próprio corpo, a puxou de volta.
-yah. – ele reclamou, soando pedinte, quase como se choramingasse e riu baixinho. Aquela era, definitivamente, uma estratégia melhor para lidar com do que falar alto e chamá-la de louca. Não que qualquer uma das duas fosse funcionar. conhecia a irmã o suficiente para saber que ela só fazia o que queria, o que, aliás, era algo que as duas tinham em comum. O motivo de não intervir e falar coisa alguma mesmo sabendo ser o motivo da discussão era apenas o fato de nunca ter jogado “Capture a Bandeira” e, por isso, decidiu que não estava do lado de ninguém. E era divertido ser o cabo de guerra dos dois, especialmente quando mudava de estratégia tão drasticamente de uma hora pra outra e de maneira tão cômica. – é rápida, jagi. Ela devia ficar na linha de ataque para ajudar a conseguirmos a bandeira da equipe do … – ele murmurou manhoso, e rolou os olhos.
— Você não está com essa bola toda, Park. – resmungou, deixando claro que sabia o que ele estava fazendo.
suspirou.
— Vamos perder o jogo. – ele avisou, dando de ombros como se cedesse.
— Você quer apostar? – desafiou e fez uma careta de nojo quando ela se aproximou do namorado, falando algo em seu ouvido e fazendo com que a cor invadisse suas bochechas como resposta, é claro. Aqueles garotos coreanos tão fáceis de envergonhar eram uma graça.
— Jagi… – começou a falar quando ela se afastou para lhe encarar, mas parou no meio do caminho e riu, desacreditado e envergonhado. – Você é doida.
riu, virando para encarar o restante do grupo, focando primeiro em , que lhe encarava com diversão no olhar, o que fez com que a mais velha olhasse feio para ela, disparando sua fala antes que tivesse a chance de soltar alguma piadinha como as duas sabiam que ela faria.
, você e vão ficar com a bandeira na casa da arvore. A regra é que os participantes escolhidos para guardar a bandeira fiquem nas casas da arvore, que ficam mais ou menos a 50 metros uma da outra. A equipe de ataque de vai tentar encurralar vocês, então precisam ficar de olho para vê-los de longe e deixar a casa da arvore o mais rápido possível, ok? – ordenou, jogando para a bandeira vermelha que segurava. pegou no ar, arregalando os olhos para ela. – ! – gritou, ignorando-a e fazendo com que o garoto corresse para perto de , que riu.
— Frouxo.
— Todo mundo é frouxo quando noona está envolvida. – ele devolveu o sussurro. – Eu já a vi fazer correr e se esconder debaixo da mesa depois de vencê-la no vídeo game.
— Como se isso fosse desculpa. Todo mundo faz correr e se esconder debaixo da mesa. – retrucou e fez uma careta, insatisfeito por não poder retrucar. Ela riu. – Frouxo.
— Vamos lá! – gritou, impedindo que respondesse com o que quer que fosse, sendo obrigado a seguir para a casa da arvore em silêncio.
O “Capture a Bandeira” consistia numa disputa entre duas equipes para, obviamente, capturar a bandeira. Cada equipe contava com, no minimo, dois guardiões da bandeira, que deviam ficar na casa da arvore até ultima instancia enquanto os outros jogadores se dividiam em duas sub-equipes: uma parte deles se ocupava em defender o forte no chão e a outra em atacar o forte do inimigo e tentar conseguir a bandeira deles.
Quem conseguisse a bandeira do inimigo primeiro e a trouxesse em segurança para o seu território, ganhava.
Toda a equipe de ambos os grupos contava com uma pistola de tinta, que disparava um jato forte o suficiente para deixar a região atingida dolorida na manhã seguinte.
— Você gostou que ela te pôs aqui? – perguntou quando entraram na casa da arvore, que era surpreendentemente mais apertada do que parecia e ela lhe encarou, sem entender, antes de sentar ao lado dele no chão de madeira. – Você vai perder toda a ação.
— A correria? E as minhas roupas sujas de tinta? – ela retrucou, lhe encarando como se ele fosse louco. – Não é nenhum sacrifício me livrar disso.
— Você adora essas coisas. – foi a resposta que ele lhe deu e ela sorriu, balançando a cabeça. Não devia ser surpresa que ele lhe conhecesse tão bem, no entanto toda vez que algo acontecia e esfregava aquilo em sua cara, ela sorria. Sorria e sentia o coração aquecer de um jeito verdadeiramente bom.
— É, eu gosto. Mas o acampamento acabou de começar e você sabe como eu sou seletiva. Se acordar dolorida amanhã e houver algum jogo mais legal, não vou me perdoar. – ela deu de ombros, não dando muita importância ao que ele insinuava. – Além do mais, eu meio que estou torcendo pro outro time.
— O quê? Por quê? – riu, surpreso, virando para encará-la. A garota riu da reação exagerada, pousando o indicador na frente dos lábios como se pedisse segredo. rolou os olhos. – Não tem ninguém aqui. E eu não contaria, -yah ia ficar tão furiosa só de ouvir que terminaria me atacando, mesmo a culpa sendo sua.
riu, assentindo. Aquilo era bem verdade. era competitiva de um jeito um tanto maluco e aquilo lhe tornava invencível na maior parte das vezes, já que ela sempre queria ganhar, de modo que era muito fácil tira-la do sério em momentos como aquele, em meio a alguma competição. Embora adorasse irritar , no entanto, não era aquele o motivo de torcer pelo time de .
— A primeira pessoa que escolheu pro seu time foi a . Entre todo mundo, ele a escolheu primeiro pra jogar do lado dele.
— Ahn… Eles trabalham juntos, não é? – murmurou, confuso sob o olhar cheio de expectativa de , que bufou para suas palavras.
não entendia nada.
— Aish, ! é o melhor amigo dele! E tem o também! escolheu antes dos dois. – ela retrucou, impaciente. juntou as sobrancelhas, numa careta confusa e então abriu a boca num “O” no instante seguinte, como se finalmente entendesse o que queria dizer, o que a fez rir. Ele era adorável. – Agora imagina, eles vencem o jogo e quem ele vai abraçar primeiro? A primeira pessoa que escolheu pro seu time, claro! – enquanto falava, sorria de orelha a orelha, empolgadíssima, e riu fraco, balançando a cabeça.
— E se eles ganharem o jogo, vão ficar juntos? – ele perguntou, se divertindo com a linha de pensamento da amiga.
Ela deu de ombros.
— Estou confiante que vai ser um grande passo nessa direção. – respondeu. – Sabe, está no nosso sangue enlouquecer um pouco com essa coisa de joguinhos e, depois de ter sido a primeira escolha de , vai enlouquecer ainda mais. Vai ser um duelo de titãs, entre ela e a , mas, no final, preciso torcer pra , sabe, já tem um namorado.
— Eu realmente não vejo como uma coisa leva a outra. Quer dizer, como esse jogo vai juntar os dois? – insistiu e sorriu, apertando seu nariz entre os dedos e lhe arrancando una careta por isso. – Aigoo! !
— Ah, meu doce bebê. – ela murmurou em zombaria, rindo ao desviar do tapa que ele tentou lhe dar por isso. – Imagina só: leva a nossa bandeira em segurança para o território deles, o que lhes dá a vitória. A equipe dela enlouquece, todo mundo grita e se abraça e, é claro, parabeniza a . corre até ela e lhe abraça, os dois estão completamente entregues ao momento, ele a gira no ar e então tem uma troca de olhares quando ele a coloca no chão. Uma troca de olhar que vai ser tudo no que vão pensar quando deitarem a cabeça no travesseiro para dormir essa noite. – ela descreveu, extremamente orgulhosa e animada com o quadro que pintava.
— Então, a vitória deles nesse jogo decide todo o rumo do relacionamento de e ? – perguntou, soando como se fumaça saísse de suas orelhas depois de muito tempo tentando entender um enunciado muito complicado. assentiu e ele balançou a cabeça. – É quase uma teoria da conspiração. Odeio pensar que tudo tenha que ser tão calculado para que você possa estar com a pessoa que gosta.
— Ah, não. não sabe sobre o olhar, nem imagina. Ela arregalaria os olhos pra ele ou brincaria com os cílios como um personagem de desenho animado. – corrigiu rapidamente, movendo a mão na frente do rosto como se empurrasse algo dali e riu, observando-a. – Mas, não se engane, todo mundo calcula tudo quando se trata disso, de relacionamentos e tal. Precisa existir mais intimidade do que é possível ter no inicio de um relacionamento para que as pessoas parem de calcular. – explicou, suas palavras resultando num pensativo.
Os dois ficaram em silêncio por um instante e esticou as pernas, encostando as costas na parede de madeira e olhando, distraída, para o teto. Estava tentando, tentando de verdade, não pensar em beijá-lo. Não se deixar voltar para a sensação fumegante de seus lábios juntos, as mãos dele em seu corpo… Não estava sendo exatamente fácil.
sempre fora seu amigo e, embora gostasse dele mais do que uma amiga deveria gostar, sempre soubera lidar com aquilo. Manter a relação dos dois e o próprio coração fora de perigo nunca fora nada muito problemático, mas aquela coisa de ensiná-lo tornava tudo, no mínimo, arriscado.
Mas, em contrapartida, céus, aquele beijo… Como vivera tanto tempo sem aquilo? Como era possível pensar em qualquer coisa, que não aquilo? Ela só queria beijá-lo de novo. A garota vinha dizendo para si mesma que podia fazer aquilo, que desde que ele fosse sincero e transparente sobre o que estava sentindo em relação aos dois, ela ficaria bem e conseguiria administrar aquilo, afinal não era muito diferente do que já fazia, gostando dele em segredo há anos, mas céus… Aquela era uma mentira deslavada.
Antes, ela não tinha ideia do que estava perdendo, mas agora… Estava ferrada. Muito, muito ferrada.
— Você sabe? – perguntou de repente, fazendo com que ela virasse, perdida, para lhe encarar. – Do olhar. Sabe do olhar antes dele acontecer? Digo, quando é com você…
— Não. – ela respondeu, sem precisar pensar muito, no entanto, quando os olhos dele encontraram os seus ela achou que talvez estivesse errada. Porque aquele parecia exatamente com o momento do qual falavam.
engoliu em seco e quebrou o contato visual um instante depois, fazendo com que espelhasse o reflexo e engolisse a saliva também.
— Pedir que você me ensinasse deve ter sido uma das coisas mais corajosas que já fiz e, desde então, todo o resto parece envolver algum risco. Tudo entre a gente parece arriscado, como se eu estivesse, sabe, calculando tudo. – murmurou depois de mais um instante em silêncio e sentiu o coração martelar com força no peito, olhando pelo canto do olho em sua direção. O garoto não olhava em sua direção, distraído encarando o nada a sua frente. – Nunca me senti assim em relação a você antes. Eu tenho medo que… Que nunca passe. Que eu sempre precise calcular tudo pra falar ou estar com você porque já faço muito isso, sabe? Já calculo e penso demais e nunca precisei fazer isso com você antes.
sentiu um nó na garganta com suas palavras, com tantos pensamentos passando por sua cabeça ao mesmo tempo em que administrar sequer um deles pareceu impossível. Mas então, logo depois, passou.
Ela sempre tivera facilidade para ler e, naquele momento, não foi diferente. Sabia tudo sobre ele, como ele se sentia e, por consequência, como sua mente funcionava, de modo que não foi difícil traduzir e entender exatamente o que ele não estava dizendo a respeito do que dissera.
— Você confia em mim, -ah? – ela perguntou, por fim, a voz soando baixa, tranquilizadora e doce.
Ele virou para lhe encarar e assentiu, olhando em seus olhos por um instante.
— Confio.
sorriu e segurou sua mão, puxando-a e pousando em seu colo, segurando entre as suas.
— Então, deixe que eu me preocupe em calcular as coisas aqui, ok? – pediu – Sei que não acredita, mas realmente não é nenhum sacrifício estar na posição em que eu estou. É algo que qualquer garota em sã consciência ia querer fazer junto com você, então não se preocupe comigo. Se preocupe com você e em encontrar o que está procurando.
Enquanto falava, encarava suas mãos juntas a fim de evitar o olhar dele, que a garota sentia queimar sobre ela. inverteu a posição de suas mãos e usou o polegar para acariciar o espaço entre o polegar e o indicador dela.
— Me parece egoísta. Eu sei que estar comigo desse jeito não é exatamente a melhor coisa que já lhe aconteceu, mas -yah, eu quero que, pelo menos, seja bom. Quero que seja bom pra você. – murmurou e a garota quase riu do tamanho da ironia em suas palavras.
Céus, se ele soubesse…
— Não tem que se preocupar com isso.
— Mas…
-ah, não tem que se preocupar com isso. – ela repetiu, interrompendo-o. virou para lhe encarar e ela sorriu fraco, balançando a cabeça. – Você disse que confiava em mim, não disse? Então, confie. Confie quando digo que isso não é algo com o qual tem que se preocupar.
Mesmo que fosse responder depois disso, ele não teve a chance, já que uma gritaria se instalou lá embaixo e, no instante em que se levantou pra ver, apareceu, entrando esbaforida na casa da arvore.
noona! – pulou no lugar, se pondo de pé também e sorrindo. – Você conseguiu!
!
— Eu… Ah. O quê?! – a mais velha perguntou, sem fôlego. Ela apoiou as mãos nos joelhos, inclinando o corpo para frente enquanto tentava recuperar o ar que perdera, olhando desconfiada e exausta dele para . – Não importa! Eu… Ah… Preciso daquela bandeira. – gesticulou de maneira urgente, ainda soando ofegante enquanto encarava , que apenas arqueou as sobrancelhas em sua direção. bufou. – , eu derrubei, pelo menos, umas quatro garotos pra chegar aqui, inclusive , que recebeu uma mordida no ombro, então…
— Você mordeu o hyung?! – lhe interrompeu, surpreso, e as duas garotas olharam feio para ele, que deu um passo para trás, coagido.
se voltou para novamente.
conseguiu me parar e me levantou como um saco de batatas, aquele estúpido. É claro que o mordi, precisava chegar até vocês. E, agora, vou morder vocês também se precisar. – apontou de um para o outro como se segurasse uma faca na mão, o olhar maníaco realmente fazendo rir.
Céus, elas ficavam loucas em competições.
— Vai! – a mais nova, por fim, puxou a bandeira do bolso de trás de sua calça e jogou para a irmã, que pegou e lhe encarou assustada.
!
— Anda, !
olhou dela para a bandeira como se tentasse entender uma equação sem ter todas as informações e, bem, não era exatamente aquela a situação?
— Está me dando a bandeira?!
— Vai antes que a apareça! – ordenou, ignorando a pergunta para lhe enxotar dali e, ainda confusa, assentiu, dando as costas para sair e, um instante depois, olhando por sob o ombro de novo, de para .
— Por que…
— Vai! – os dois ordenaram, lhe interrompendo e fazendo sinal para que ela andasse logo, não dando muita escolha a mais velha se não correr dali, segurando firme a bandeira em uma das mãos.
Uma vez sozinhos, e se entreolharam e então riram, sem conseguir evitar achar graça da situação.
noona vai matar você. – avisou e fez que não, sorridente.
— Só se ela souber. – piscou para o amigo.
riu e balançou a cabeça, fazendo sinal para que descessem a fim de se juntar aos outros e lhe seguiu, acompanhando-o até o meio da confusão de tinta, correria e gritos.
O acampamento de férias havia, oficialmente, começado.

+++

Horas depois, após o toque de recolher do acampamento, alguns dos alunos e ex-alunos se reuniram no quarto que era dividido por , e .
Teoricamente, aquele era um acampamento escolar e o consumo ou posse de bebida alcoólica eram terminantemente proibidos, porém, em todo lugar, havia um grupo de pessoas que não estava nem aí para o teoricamente. costumava estar inclusa no tal grupo, é claro, e era justamente o grupo reunido aquela noite.
disse que falaria com para mim, mas eu não sei… Quão infantil é deixar o seu amigo falar com o carinha que você gosta por você? – Belle falava á garota, que, sentada ao seu lado na cama de , deu de ombros.
— Eu deixaria.
Belle era a irmã mais nova de e única amiga de em sua sala, além de , é claro. Não que só falasse com os dois, mas era apenas com eles que falava sobre o que importava de verdade. Eram em quem ela confiava de verdade.
Belle era apaixonada por , mas era tímida demais para falar, já que era mais nova que ele. fora da turma de no colégio, assim como , que vivia se oferecendo para ajudar a juntar os dois, embora Belle recusasse com a exata mesma frequência.
— Sério? – Belle perguntou, surpresa, e assentiu, dando de ombros como se não fosse nada demais.
não faz ideia do que você sente, Belle. Muito provavelmente nunca olhou para você direito, mais por respeito do que por qualquer coisa, já que é irmã de , mas se olhar, ele pode acabar se interessando também e, já que você não sabe como fazer com que isso aconteça, não tem porque não deixar ajudar. – deu de ombros, sem ver porque aquilo tinha que ser grande coisa.
Antes que Belle pudesse responder, no entanto, a voz de chamou a atenção das duas, reclamando de algo e elas resolveram se juntar de uma vez a rodinha no chão antes que sobrasse para elas.
estava de péssimo humor.
— E aí, vamos começar com isso ou o quê?! – perguntou quando elas o fizeram, fazendo uma careta ao erguer o olhar e notar sentado numa poltrona um pouco afastado deles. – O que você está fazendo aí?!
não costuma participar desse tipo de jogos. – murmurou pelo amigo, que, da poltrona, apenas observou enquanto ele o fazia. Iam jogar verdade ou desafio.
desviou o olhar para o loiro com traços inegavelmente bem desenhados, podendo facilmente ser confundindo com um príncipe ou algo assim e arqueou as sobrancelhas em sua direção.
— Por quê?
— Eu só… Não levo jeito pra esse tipo de coisa. É desconfortável. – foi quem respondeu, dando de ombros como se não fosse nada demais.
— Esse tipo de coisa?
— Beijar na boca por causa de um desafio num jogo ou fazer mais que beijar na boca. – murmurou o que parecia obvio para ela depois que a pergunta de pairou no ar por um instante e, coçando sem graça a nuca, assentiu.
rolou os olhos.
— Você é um bundão, oppa. – ela resmungou, direta como de costume e riu, tampando a boca para que a bebida não escapasse como quase aconteceu. lhe encarou com humor e ela o empurrou com o ombro, o que o fez rir e retribuir o empurrão, virando para observar rir também enquanto levava sua garrafa de soju a boca, sob o olhar ainda duro de .
é um chato, chato, chato! – concordou de maneira embriagada e os outros olharam com humor em sua direção, o que fez a garota rir e se encolher, escondendo o rosto atrás de , que era a pessoa mais próxima.
era, obviamente, quem mais bebera entre os jovens naquela noite e, desastrosamente, quem sempre terminava afetada pelo álcool mais rápido também. Nem precisava ter extrapolado tanto, no fim das contas, já que ia terminar mais bêbada que os outros de qualquer jeito.
— Outch. Esperava mais de você, . – encarou a garota como se estivesse muito ofendido e ela riu, olhando por cima do ombro de para ele. riu e se afastou dela, tentando impedir que ela continuasse a se esconder.
oppa! – reclamou, lhe estapeando o ombro em seguida e o outro riu, sem se deixar afetar.
— Por que não fala a verdade para o , hein? – quis saber, virando em seguida para encarar o garoto sentado na poltrona. – está muito decepcionada porque você não quer jogar. – falou e a garota gritou, assustando não só os dois, mas também o restante da roda, o que só piorou quando ela se jogou por cima de para tampar sua boca.
— Eu nunca disse isso!
— Como se precisasse. – retrucou, achando graça da cena. – , vem logo jogar. Você deve isso a , que está de péssimo humor por ter perdido o jogo pra você e a , que ganhou o jogo pra você. – listou, apontando as irmãs e assentiu enquanto olhava ultrajada para as duas, que, é claro, ignoraram.
— Anda logo. – ordenou e suspirou, assentindo e se pondo de pé para caminhar até os amigos, sentando-se de maneira ridiculamente elegante para quem estava sentando no chão. – Perfeito, agora, podemos começar? – olhou em volta, impaciente, depois que ele o fez e lhe estendeu a garrafa, indicando que sim, podiam.
agradeceu e girou impaciente a garrafa no chão, apontando de para quando ela parou.
pergunta para .
— Verdade! – anunciou antes mesmo que perguntasse e arqueou as sobrancelhas em sua direção enquanto a expressão de murchava visivelmente.
— Aish, -ah. – resmungou, decepcionado. – Assim não tem graça.
deu de ombros e bufou, refletindo por um instante quanto ao que perguntar.
— Okay… – ele sorriu de repente, os olhos demonstrando malicia enquanto esfregava as mãos uma na outra.
rolou os olhos.
— Lá vem…
— Shhh. Você está muito chata pra continuar falando. – lhe interrompeu, colocando um dedo na frente dos lábios da namorada, que, pega de surpresa, estapeou com força sua mão. apenas riu, voltando-se para . – -ah, você já beijou alguém dessa roda? – ele, por fim, perguntou ao irmão mais novo, que arregalou ligeiramente os olhos e os baixou para o próprio copo, levando-o a boca invés de responder.
riu junto com e , enquanto os outros se limitavam a exibir sorrisos divertidos.
— Não estamos jogando “eu nunca”, . – provocou, rindo fraco. – Quem foi, hein? Quem você beijou?
— Não foi essa a pergunta. – retrucou, corado, e riu outra vez.
— Aposto que foi a Belle.
— O quê?! – a garota engasgou, corando, muito mais por pensar aquilo do que pela possibilidade em si. observou a cena com divertimento, levando o próprio copo a boca. – Não fui eu, não!
— Vamos continuar, vamos. – empurrou a garrafa para que girasse. – não perguntou quem, perguntou se.
— Porque eu achava que não tinha acontecido de verdade! – o mais velho retrucou, falando alto graças a sua incredulidade. – Foi você, por acaso?
— Não é minha vez. – lembrou, o empurrando para que se afastasse e cutucando para que andasse logo, ignorando o olhar desconfiado do mais velho sobre ela no percurso.
para . – anunciou quando a garrafa parou de girar, rindo em seguida.
choramingou, abraçando os próprios joelhos e escondendo a cabeça no vão entre as pernas e o abdômen por um segundo, antes de encarar como quem pedia misericórdia.
A mais nova riu, adorando aquilo.
— Suponho que queira desafio?
— Aish. – ele resmungou baixinho, assentindo com a cabeça e apertando os olhos. riu outra vez.
— Park , eu te desafio a… – ela fez uma pausa, usando os dedos para alisar o queixo e riu depois de um instante em silêncio, quando teve uma ideia que julgou perfeita. – Invadir o quarto de um dos funcionários e roubar uma peça de roupa intima.
— Quero ir junto pra ver. – murmurou antes mesmo que respondesse o que quer que fosse e ele olhou feio para o irmão por isso.
— Não!
— Sim! – retrucou e olhou feio para ela.
— É meu desafio!
— Que eu propus! Vamos, oppa. – se pôs de pé e sorriu, se pondo de pé também.
bufou e os imitou.
— Odeio vocês. – resmungou.
Os três rumaram corredor afora o mais silenciosamente que conseguiram, tentando não acordar ninguém enquanto iam em busca da ala dos funcionários.
-yah? – chamou depois de algum tempo em silêncio e ela respondeu com um murmúrio distraído, dando a entender que estava ouvindo. – É verdade que você beijou o ? – perguntou, baixinho e lhe encarou, arqueando as sobrancelhas para a pergunta repentina.
Devia ter imaginado que não deixaria aquele assunto morrer.
— Não é minha vez. – ela repetiu o que dissera antes e rolou os olhos.
— Não estou perguntando pelo jogo. – retrucou. – Sempre tivemos que ficar de olho no . Sabe, cuidar dele… – ele virou para encarar , pedindo ajuda e o outro virou para encarar , coçando a nuca por um instante antes de falar.
— É muito fácil atingir , você sabe. – murmurou. – Eu e estamos acostumados a nos virar e cuidar de nós mesmos, mas é diferente. Nos preocupamos com ele.
— Certo. E… – fez sinal para que fossem direto ao ponto, olhando de um para o outro.
— Nos preocupamos com ele, exceto quando você está envolvida. Sabemos que você o protege, que podemos confiar. – assumiu. – E o que queremos saber é se algo mudou. Se precisamos começar a nos preocupar com você também.
— A gente sabe que com você tudo é muito simples, mas é diferente. As coisas podem ter significados diferentes para ele, como um beijo…
— Eu sei. – interrompeu , mordendo o próprio sorriso. Era fofo, o modo como cuidavam de . – Eu conheço , gente. Já sei de tudo o que estão me falando e… – ela parou, desviando o olhar. Não podia contar a eles do que estavam fazendo, não era um segredo seu para contar e seria uma maneira horrorosa de trair a confiança de . Também não podia dizer a eles a verdade sobre seus sentimentos pelo garoto, era arriscado demais. Se contasse algo assim para uma de suas irmãs, saberia, elas contariam, e, por isso, ela achava que o caso com ele e os outros dois era o mesmo. Contariam a ele se soubessem.
é meu melhor amigo e eu o amo. – ela disse, medindo as próprias palavras de um jeito que julgou odioso, mas não tinha escolha. Havia uma quantidade muito limitada de coisas que podia falar ali. – Eu nunca faria qualquer coisa que significasse arriscar perdê-lo. – finalizou por fim, olhando de um para o outro em busca de um sinal que compreendiam suas palavras.
Quando os dois garotos assentiram, ela assentiu também, e viraram em direção ao corredor a esquerda, finalmente entrando na ala dos funcionários.
— Entramos com ele? – perguntou a quando pararam em frente ao quarto que deveria entrar.
Ela fez que não.
— É mais seguro se esperarmos aqui. – murmurou e rolou os olhos, mas não respondeu, entrando de uma vez no quarto ao em vez disso.
encostou ao lado de na parede oposta a porta.
— A gente não te ofendeu, né?
— Não. – garantiu, sorrindo de maneira tranquilizadora para ele em seguida. – Estão cuidando do irmão de vocês. Eu sei como é.
assentiu e os dois ficaram em silêncio por um instante, antes que ele voltasse a falar.
— Vocês se beijaram mesmo assim, não foi?
virou para lhe encarar outra vez e sequer precisou pensar muito para saber que mentir não daria certo ali. Certa que não seria capaz de falar, ainda assim, ela apenas assentiu. assentiu também e a garota passou a bater os pés, nervosa com o silêncio que se seguiu.
Ele não ia falar mais nada? Depois de fazê-la confessar, ia simplesmente deixá-la no escuro quanto ao que estava pensando?
— Eu entendo ser do jeito que é. Entendo cada parte do que ele sente, sabe? Já fui assim e… – ele a encarou muito brevemente. – Ainda me sinto como ele às vezes. Era pior quando era mais novo, mas não é exatamente fácil agora e… – apertou os olhos, abrindo e fechando. – Só estou tentando dizer que é uma droga. Ele não tem motivos para se sentir assim, mas é perfeitamente compreensível que se sinta. Enfim, – ele deu de ombros, sorrindo fraco e passando a mão no rosto, coçando os olhos que fingiu não ver brilhar como se ele estivesse prestes a chorar. – Só espero que passe um dia, para ele. Que, o que quer que esteja acontecendo entre vocês, sirva para ajudá-lo a superar isso e entender que, faz sentido se sentir assim, mas ele não precisa. Não mais.
não conseguiu reagir de qualquer maneira depois que ele falou, achando tudo aquilo honesto demais e, definitivamente, inesperado também. Queria poder dizer algo que fosse fazê-lo sentir melhor, mas não achava que conseguiria. A única pessoa capaz era, ironicamente, .
— Eu espero que passe também. – ela murmurou por fim, a única coisa que poderia falar com total sinceridade.
lhe deu um sorriso fraco em resposta, mas não falou mais nada. Mesmo que fosse, logo em seguida saia afobado do quarto, fechando a porta e a segurando daquele jeito.
— Eu peguei. – abaixou a cabeça para que vissem a calcinha bege que ele usava como touca no cabelo. – Mas talvez tenha feito um pouquinho mais que isso.
— Talvez? – arqueou as sobrancelhas e o olhou como se pudesse matá-lo.
ainda segurava firme na maçaneta para manter a porta fechada.
— O que você fez?!
— Pegar a calcinha foi muito fácil, então eu amarrei as outras peças de roupa que encontrei todas juntas, mas acabei escorregando e caindo e fiz barulho e…
— Droga! – reclamou antes que ele continuasse, puxando o garoto da porta para que corressem de uma vez dali, com logo atrás.

Depois daquele desafio, o nível do jogo não mudou muito.
desafiara Belle a tirar a camisa de apenas com a boca, o que ela fez com sucesso e vergonha em mesma proporção. adorou e, é claro, não quis mais pôr a camisa depois disso.
fora desafiado por a roubar algo na geladeira da cozinha, no refeitório, em menos de quinze minutos, e conseguiu pegar uma latinha de refrigerante e o que sobrara do bolo que comeram mais cedo, no lanche. o achou exibido, mas ninguém ligou de verdade. Não era como se fossem esperar qualquer coisa diferente dela, irritada como estava.
para ! – anunciou depois de girar a garrafa em seguida e virou para encarar , que comia o bolo, no mesmo instante.
lhe encarou confuso.
— O que foi?
— Levanta a blusa um instante. – pediu, sério como se aquilo não fosse para o jogo e, acreditando nele, o fez, então derrubou a fatia de bolo que tinha em mãos em sua barriga. — -yah, te desafio a limpar a barriga de com a língua.
! – e reclamaram juntos, ambos corados de um jeito que julgou cômico, apontando de um para o outro em seguida.
— Não pode reclamar do desafio, ninguém reclamou.
concordou com a cabeça, acenando positivamente para suas palavras ao se aproximar de para ajudá-lo a passar a blusa pela cabeça, já que ela ficara presa no percurso.
— Todo mundo reclamou! – retrucou quando a camisa finalmente passou. – Só eu não reclamei e eu tive que correr até a cozinha, que é do outro lado do acampamento!
—Está reclamando agora. – retrucou, quase cantarolando e olhou feio para ela por isso. Junto com , ela riu e empurrou para frente, em direção a .
Os dois se encararam tão claramente encabulados que chegava a ser cômico.
— Acabamos logo com isso? – perguntou depois de um instante e o garoto assentiu com a cabeça, então ela se aproximou, andando tão devagar e cautelosa em sua direção que era como se pisasse num campo minado, tocando na cintura de com as duas mãos e então erguendo o olhar para lhe encarar como se perguntasse se tudo bem fazer aquilo.
O garoto assentiu.
respirou fundo e então se ajoelhou em frente a , aproximando o rosto do abdômen do garoto e tocando-o com a boca em seguida. se esforçou para esquecer que tinha uma platéia enquanto usava a língua para tirar o bolo do caminho, limpando o abdômen do garoto da melhor forma que pôde, raspando sem querer os dentes em sua barriga em algum momento e arrancando um grunhido baixinho de . Ela ergueu o olhar, assustada, em sua direção ao notar o que fizera e a visão do garoto naquele ângulo fez com que a garota corasse mais, afastando-se de uma vez e limpando a boca com as costas da mão.
Os outros assistiram a cena com expectativa e diversão em mesma proporção, batendo palmas quando se afastou e deu as costas, puxando a própria blusa das mãos de , que riu da irritação contida em seu olhar.
— O que? Você não se divertiu? – ele quis saber, como se estivesse muito surpreso e assustado com a possibilidade, recebendo um olhar feio do outro por isso. Como o bom cara de pau que era, riu outra vez. – A se divertiu, não se divertiu, ? – virou para encarar a garota, que lhe encarou de um jeito muito parecido ao que o outro fizera.
riu outra vez, voltando a se sentar na roda junto com os outros.
— Estressadinhos. – sussurrou, mais para si mesmo do que para os dois antes de girar a garrafa. – Uh, olha. pra mim. – ele fez uma careta, erguendo o olhar para a mais velha, que rolou os olhos.
— Paga dez aí. – ela deu de ombros, claramente tão sem idéias quanto sem paciência e rolou os olhos, se aproximando para falar algo em seu ouvido.
se jogou em cima das duas.
— Ei, não! Isso não vale, não vale! – gritou, irritado. – Não vale!
— Sai de cima de mim, garoto! – o empurrou com força, fazendo com que ele caísse a sua frente. Ele olhou feio dela para , voltando para seu lugar.
— Não vale!
— Cala a boca, . – reclamou, irritada. – Presta atenção, eu quero que você faça flexão. Tipo, umas dez. Com a Belle sentada em você.
— Anh… – virou para encarar Belle, surpreso com o desafio. – Sério?
— Eu não sou tão pesada. – Belle se defendeu baixinho e riu junto com , fazendo sinal para que andassem logo.
deu de ombros e se posicionou, então Belle se sentou cuidadosamente em suas costas. fez uma careta e se levantou, indo até eles.
— Assim não. – falou, puxando os pés de Belle, que deu um gritinho, sendo obrigada a se agarrar ao outro para não cair. riu e esticou suas pernas, fazendo com que ela terminasse deitada por cima de . – Assim. – sorriu, satisfeita com o próprio trabalho.
! – e Belle reclamaram juntos, porém não tiveram tempo para realmente continuar a discussão, já que, um instante depois, ordenava, impaciente, que andassem logo.
fez as flexões. Ou tentou.
Na sétima, ele desistiu e se jogou no chão, arrancando um gritinho de Belle, que saiu imediatamente de cima dele para lhe ajudar a levantar. Os outros riram e esticou uma das pernas, chutando .
— Fresco. – acusou quando o mais novo lhe olhou feio. – Belle nem é pesada. Aposto que consigo fazer com ela e a em cima de mim.
— Há! Eu duvido! – retrucou, sentando-se e apontando em sua direção. – Você só é um grande exibido.
— Bom, ele é grande. – retrucou, olhando pensativa de um para o outro e olhou feio em sua direção por isso. Ela riu, erguendo os braços perto da cabeça, como quem se rendia. – Não está mais aqui quem falou.
— Está sim! – devolveu, fazendo sinal para que andasse logo e se aproximasse. – Vamos, anda logo. Quero ver você conseguir. Mas não dez, quinze.
— Tudo bem. – deu de ombros e rolou os olhos enquanto assistia o namorado esticar o corpo no chão, abrindo as duas mãos de modo a apoiar o peso do corpo nelas antes de virar e encarar e Belle, paradas lado a lado. – Quando quiserem, garotas.
— Em posição de índio! Vão! – falou também e rolou os olhos, mas não respondeu. As duas garotas então se sentaram e, em meio a risadas dos outros, rolou os olhos outra vez.
— Testosterona é uma coisa desprezível mesmo. – murmurou, observando fazer o que se propusera a fazer com maestria, com Belle e sentadas em suas costas simultaneamente, brincando de “adoleta”, para completar o quadro.
Incomodado, esticou a perna e deu uma rasteira em quando esse já chegava perto de completar as quinze flexões solicitadas, arrancando um xingamento baixo dele e recebendo um olhar feio dos outros por isso. balançou a cabeça com os olhos levemente arregalados, como se não soubesse por que estavam todos olhando para ele.
— O que foi?
— Idiota. – retrucou enquanto as garotas voltavam para seus lugares, indo se sentar perto de novamente e puxando a garrafa da mão de no percurso para girar ele mesmo dessa vez. – Belle para .
Belle sorriu animada e bateu palminhas, arrancando uma risada e um sorriso de por isso. Embora o gesto tenha passado despercebido por Belle, não passou por , que, no entanto, fingiu que sim, rolando os olhos para a amiga e fazendo sinal para que ela andasse logo.
— Vai, desembucha. – murmurou, impaciente.
Belle ignorou, olhando em volta enquanto tentava decidir o que fazer e, por um instante, sentiu medo que Belle propusesse que ela fizesse algo com . Aquilo seria uma péssima ideia, especialmente levando em conta os passos tortos que seu relacionamento dava em meio a toda aquela coisa de ensinar e o fato de Belle não saber daquilo, mas saber dos sentimentos de por ele.
Por sorte, no entanto, Belle era melhor pessoa do que e não faria aquilo justamente por saber dos sentimentos da amiga por ele.
Não que esperasse realmente o que viria em seguida.
— Eu quero que beije o oppa – Belle murmurou, sorrindo quando tanto quanto franziram, surpresos, os cenhos. – mas, precisa arrancar um gemido dele antes. Só aí pode beijá-lo.
— Aigoo! – e exclamaram aos risos. – Isso merece uma trilha sonora adequada, por favor. – murmurou, pescando seu celular, que estava conectado a caixa de som que vinha sendo usada a noite toda no quarto, enquanto rolava os olhos, encarando Belle um tanto quanto desacreditada.
— O que fizeram com você, hein?
— Vai logo. – Belle murmurou, ignorando a pergunta e riu, se pondo de pé para seguir até , porém antes que fosse fez sinal para que ela esperasse, ajudando com a música.
rolou os olhos, sem notar quando desviou o olhar para a fim de observá-lo, mesmo que, aliás, ela também se esforçasse para não checar. coçava a nuca, tentando, justamente, não demonstrar reação nenhuma, embora ainda assim seu sorriso um tanto quanto sem graça não houvesse passado despercebido pelo irmão.
— Ei, você vem sempre aqui? – brincou com ao parar, de pé, em sua frente, quando os garotos finalmente puseram para tocar uma música, que ela não reconheceu de imediato, mas achou agradável. Ele riu, fazendo menção de se levantar, mas ela não permitiu, segurando em seus ombros e passando as pernas ao seu redor para se sentar em seu colo ao invés disso. – Relaxa. Eu meio que sei o que estou fazendo aqui. – ela murmurou mais baixo, puxando as mãos dele para si, incentivando-o a tocá-la e ele pousou uma das mãos em sua cintura, deslizando a outra timidamente em sua perna.
tinha tanta proximidade com quanto com , ou seja, pouquíssima, mas, diferente de , para quem ela nunca olhara daquele jeito, especialmente porque sua irmã sempre fora louca por ele, já atraíra sua atenção vez ou outra antes.
Ele era um homem lindo, honestamente.
A garota sempre achou tipos como ele, quietos na maior parte do tempo, atraentes. Aquilo era um tanto obvio, levando em conta seus sentimentos por , mas não era assim tão parecido com e ela sabia daquilo. parecia residir numa linha tênue entre a brutalidade e o cavalheirismo, de forma que era muito difícil saber o que esperar dele em momentos como aquele e, bem, a curiosidade sempre fora o ponto fraco de .
No fim das contas, talvez devesse até agradecer a Belle pela oportunidade, mas deixou para pensar naquilo outra hora, concentrando-se no que tinha que fazer.
inclinou o rosto em sua direção e puxou seu lábio inferior entre os dentes, deslizando em seguida os lábios para seu pescoço, onde deixou beijos tão molhados quanto quentes, fazendo fechar os olhos e apertar os lábios juntos por reflexo. Lembrou-se em seguida que o objetivo era, justamente, ele gemer, mas não teve coragem de ceder tão fácil ainda assim, segurando com mais firmeza na cintura de , movimento ao qual ela correspondeu movendo os quadris em sua direção, estimulando-o de maneira um tanto quanto direta demais.
mordeu o lábio e subiu mais a mão em sua perna, recebendo em seguida uma mordida no lóbulo, arrepiando-o inevitavelmente. continuou a movimentar os quadris em seu colo, raspando os dentes em sua mandíbula só para, em seguida, fechar os lábios sob a região, sugando-a e raspando simultaneamente as unhas por sua nuca, fazendo com que o garoto imiscuísse os dedos em seus cabelos, lhe obrigando a parar o que fazia enquanto colava suas testas, respirando com dificuldade. olhou em seus olhos, de repente sentindo o corpo quente demais e os pensamentos bagunçarem.
Estava tão quente a noite toda?
— Eu meio que entendo todo o ódio do por esse jogo agora. – murmurou baixinho e a garota soltou uma risada fraca, inclinando o corpo sob o seu e movendo a bunda diretamente contra seu pênis, que, era impossível ignorar, crescia consideravelmente em meio aquela brincadeira. soltou o ar devagar, gemendo, no entanto, apenas quando ela roçou seus lábios e fez menção de se afastar, segurando com um pouco mais de força em seus cabelos para trazer a garota de uma vez para si e completar a distância entre suas bocas.
Foi quem precisou conter o ímpeto de gemer dessa vez, segurando com mais força em seus cabelos enquanto retribuía o beijo intenso que começara, sentindo uma das mãos dele entrar por sua blusa e subir por suas costas, ambos quase esquecendo que tinham platéia, o detalhe voltando a mente apenas quando precisou procurar autocontrole para não livrar a garota da blusa como queria, rompendo o beijo ao em vez disso.
— Desafio completo. – ele murmurou, respirando fundo e espelhou a atitude, levando um instante para assentir e sair de cima do garoto, que se pôs de pé rapidamente quando ela o fez, apontando em direção ao banheiro quando os outros ergueram o olhar para ele e seguindo até lá sem falar mais nada.
mordeu o lábio, observando-o se afastar e então coçando a nuca, voltando para seu lugar e balançando a cabeça, tentando parar de se sentir tão atordoada.
— Fim do jogo? – perguntou, por fim, voltando a encarar seus amigos. Precisava de um banho. Gelado.
Na verdade, precisava e gostaria de um banho acompanhada, mas não achava que aquilo estivesse ao alcance, então um banho gelado ia ter que servir.
— Acho que já deu, não é? – riu e ela rolou os olhos.
— Bom, eu já vou. – avisou, olhando em seguida para , que assentiu.
— Te encontro daqui a pouco. – murmurou e a garota assentiu, finalmente saindo do quarto, soltando todo o ar quando o fez.
Puta merda.
Definitivamente, não precisava ir dormir excitada aquela noite.
Ela ia matar Belle.

Nota da Autora:: Oiiiiiii! Voltei!
Dêm um alô se possível, tá? Tô sempre no twitter, meu @ é o @ybsunlight e eu juro que sou legal. Beijão!

 

03.

“Se toda arte se inspirasse em seus traços,
qualquer esboço viraria um quadro.” – Melim

 

e apoiavam os pés na cama debaixo do beliche, os corpos esticados de modo que pudessem enxergar , ainda dormindo, na cama de cima.
— Devagar! – reclamou num sussurro, puxando o braço de quando ele balançou o chantilly em spray que tinha em mãos antes de usar.
o olhou como se ele fosse louco.
— Não faz barulho. – retrucou, balançando novamente a lata para provar seu ponto e estreitou os olhos em sua direção, travando a mandíbula e fazendo sorrir de lado, convencido. Ele adorava quando estava certo e errado, mas não se gabou daquilo como normalmente faria, tentando focar em não acordar antes da hora. – Está com a pena? – perguntou ao irmão, que assentiu, erguendo a pena que tinha em mãos para lhe mostrar.
assentiu, mais para si mesmo do que para ele, um instante antes de apertar o pino branco na lata com o dedão, melando a mão de , principalmente os dedos, com o chantilly. Quando julgou ter usado chantilly o suficiente, dispensou a lata, jogando-a de qualquer jeito na cama de baixo e fazendo sinal para que assumisse e fizesse sua parte.
estendeu o braço e deslizou cuidadosamente a pena pelo rosto de , que torceu o nariz, fazendo uma careta para a qual precisou segurar o riso, fazendo sinal para que continuasse. Ele rolou os olhos por isso, empurrando sua mão para longe e deslizando a pena pelo nariz de , que apertou os olhos, finalmente erguendo a mão e batendo-a no próprio rosto, que terminou, obviamente, todo lambuzado de chantilly.
e caíram na risada juntos quando abriu os olhos, ficando vesgo para enxergar o nariz sujo e então erguendo a própria mão e notando-a toda lambuzada também.
— Aigoo! Waee?! – ele reclamou imediatamente, rolando na cama para esconder o rosto no travesseiro e terminando por sujar o travesseiro por isso, resmungando contra ele e erguendo novamente a cabeça. – Gente… – resmungou baixinho, erguendo a mão para passar no rosto e então fazendo uma careta para todo o chantilly entre seus dedos e espalhado em sua palma.
suspirou e sentou-se na cama para olhar para os irmãos, que ainda riam de maneira incansável, agora na própria cama e jogado no chão. O mais novo olhou de um para o outro e rolou os olhos, usando apenas um braço para descer da escada da cama até o chão, passando a mão lambuzada pelo cabelo de ao passar por ele em direção ao banheiro.
riu da cena e rolou os olhos, esticando a perna para chutar o pé do mais novo, mas ele já estava longe do seu alcance quando tentou e bufou por isso, se pondo de pé para entrar no banheiro e lavar o cabelo enquanto lavava o rosto e a mão.
— Idiota. – os dois murmuraram juntos, um para o outro, e riu baixinho em seguida por isso, seguindo para o boxe e tirando a camisa para não molhar ao colocar apenas a cabeça debaixo do chuveiro, passando os dedos pelo cabelo para tirar todo resquício de chantilly dali. – Você teria achado divertido se não fosse com você. – murmurou ao notar o bico que provavelmente nem percebera que fazia quando o mais velho deixou o boxe, pingando água do cabelo e molhando não só a si mesmo, mas o chão também.
lhe imitou com a voz afetada e riu, aproximando-se mais dele e balançando a cabeça propositalmente perto a fim de pingar água no mais novo, que fechou a mão em punho e fez menção de avançar em , que gargalhou ao recuar.
— Você não pode comigo, maknae. – provocou, utilizando o termo de maneira irônica antes de sair do banheiro e resmungou sozinho quando ele o fez, trancando a porta do banheiro para ir tomar banho sem que ninguém mais lhe importunasse.

Quando finalmente saiu do banheiro, com uma toalha ao redor da cintura, seus irmãos estavam distraídos, com um livro e com o celular, cada um em sua cama, mas ergueram o olhar para ele ainda assim, o que ele ignorou, vestindo suas roupas em silêncio.
Ele podia ter acordado com um humor melhor, se houvesse dormido o suficiente.
E, bem, se não houvesse passado tempo demais antes de dormir tentando, sem sucesso, apagar da cabeça a imagem – e, com ela, todas as sensações controvérsias ao seu respeito – de nos braços de , mas afastou o pensamento tão rápido quanto ele veio. Seria melhor se evitasse analisar demais tudo que aquela cena lhe fizera sentir e pensar.
— Ei, ei! – reclamou quando jogou, frustrado, duas de suas camisas em sua direção. – Quer se acalmar? O sino ia te acordar de qualquer jeito e é muito mais detestável que um pouco de chantilly no rosto, acredite.
não respondeu e trocou um olhar com .
? – o outro chamou, desconfiado e o mais novo olhou por sob o ombro em sua direção. – Tudo bem?
— As roupas estavam nas minhas coisas. São dele, não minhas. – se defendeu da acusação que achou estar implícita na pergunta do outro, mesmo que não estivesse e arqueou as sobrancelhas, colocando as camisas que jogara em sua direção de lado.
— Obrigado, hm… Eu acho. – murmurou, coçando a nuca e limpando a garganta. – Tem alguma coisa que você queira falar pra gente?
franziu o cenho em sua direção.
— Não…
— A gente sabe que você e a se beijaram. – interveio e arregalou um pouco os olhos, não conseguindo disfarçar o susto rápido o suficiente e apenas desviou o olhar, fazendo que não de costas para os dois.
— Não nos beijamos não.
— Ela disse. – insistiu e voltou a lhe encarar, incerto de como reagir àquela nova informação. suspirou. – Tem algo rolando entre vocês?
se remexeu no lugar, encarando o irmão mais novo enquanto esperava, junto com , que ele respondesse e olhou de um para o outro, balançando devagar a cabeça num não.
— Tem certeza quanto a isso? – insistiu, suavemente, e suspirou.
— Não, é… Quer dizer, sim. Foi só um beijo, não é nada demais. – deu de ombros, soando muito pouco convincente e não pôde evitar se perguntar como exatamente definiria os poucos beijos que trocaram até então. Nada demais soava, no minimo, mentiroso.
Céus, onde fora se meter?
— Mesmo? – perguntou – Porque, sabe, você pode falar. Somos nós, seus irmãos, aqui. Não é como se a gente fosse falar pra alguém. Não vamos.
sabia daquilo. O caso, no entanto, era que, qualquer que fosse o significado que sua relação com começasse a ganhar para ele, ainda não admitira nem para si mesmo, então não tinha o que falar, não sem contar o que levara aos beijos entre os dois e , definitivamente, não queria falar daquilo com eles. Não era como se sua insegurança fosse algo do qual se orgulhasse, não quando , seu irmão mais velho, tinha a desenvoltura perfeita com garotas, garotos, gente mais velha, gente mais nova, enfim, todo mundo e , bem, sequer se importasse em ter qualquer desenvoltura especifica, o que ele, honestamente, achava mais incrível ainda.
não tinha problema nenhum em ser do jeito que era e queria aquilo para si, mas parecia apenas um sonho distante e, entre outros, era aquele o motivo de ele não poder falar com os dois irmãos sobre aquilo.
— Mesmo. – ele murmurou por fim, olhando de um para o outro e tentando lhes passar alguma firmeza a respeito do que dizia. – é minha amiga e, sério, seria estranho. Nós provamos isso quando nos beijamos.
Seus irmãos não acreditaram nele e, no fundo, sabia, mas tentou não pensar naquilo, ficando satisfeito que, pelo menos, eles não houvessem mais insistido naquela conversa, sem saber que pensava na expressão em seu rosto quando cumprira o desafio de Belle de beijar na noite passada.
Aquela não era a expressão de alguém que realmente acreditava nas coisas que dissera agora.
— Bom, nós vamos tomar café. – murmurou um instante depois, se pondo de pé. – Você vem? Eles devem anunciar a programação para o dia no refeitório, de qualquer forma.
estava prestes a concordar com a cabeça, quando uma batida na porta chamou a atenção dos garotos, que desviaram o olhar para lá bem a tempo de ver uma fresta da porta ser aberta, com colocando parte do corpo para dentro em seguida.
— Ei! – cumprimentou os garotos, abrindo um pequeno sorriso. – Posso entrar?
e desviaram de imediato o olhar para , como se esperassem que ele respondesse e o mais novo fingiu não notar, focando em ao assentir. Ela olhou estranho de um para o outro e então entrou, fechando a porta atrás de si.
— Tudo bem? – perguntou, desconfiada e os dois mais velhos assentiram rapidamente, se pondo de pé e passando por ela para seguir até a porta.
— Vamos tomar café. Você e as garotas já comeram? – perguntou e assentiu.
— Elas ainda estão lá. – falou, vendo o namorado de sua irmã assentir antes de sair do quarto junto com , deixando-a sozinha com . desviou o olhar para e arqueou a sobrancelha, como se perguntasse algo. – E então…?
— O que? – ele perguntou, na defensiva e ela rolou os olhos por isso.
— Vai me dizer qual é o problema? – insistiu, fazendo com que coçasse a nuca, sem jeito. Não era surpresa que ela soubesse que havia um problema só de olhar para ele, ele costumava saber quando havia um com ela também, era algo que se devia ao tempo de amizade e convivência, mas naquele momento detestou aquilo.
— Eu não dormi bem, você sabe como eu fico quando bebo… – ele deu de ombros, tentando fazer pouco caso daquilo para poder mudar de assunto, mas apenas arqueou as sobrancelhas e ele se encolheu um pouco, fazendo uma careta envergonhada para a qual ela precisou conter um sorriso. – e me acordaram com uma pegadinha estúpida e tá tudo melado de chantilly. – ele apontou para a cama e não conseguiu continuar a conter o sorriso diante do bico e do tom choroso de sua voz, coisas que ele sequer fazia de propósito e, aliás, talvez por isso mesmo mexiam tanto com ela.
A garota seguiu até ele, erguendo a mão em sua direção.
— Vamos, vem comigo. Sei de algo que vai te animar.
olhou desconfiado para sua mão.
— O quê?
— Vamos, . – a garota rolou os olhos, impaciente. – Não me obrigue a agir como sua professora agora.
Ao ouvir suas palavras, engoliu em seco, principalmente porque grande parte dele quis, ironicamente, que ela o fizesse. Que agisse como a professora e ele mal acreditou naquilo. Não era pra ouvi-la dizer aquelas coisas lhe excitar, era?
— Certo, mas pra onde? – ele murmurou, pegando o casaco jogado em cima da cama para saírem, acompanhando até o lado de fora do quarto.
— Você vai ver logo. – ela respondeu simplesmente, pegando sua mão para guiá-lo.

Os dois ultrapassaram os limites do acampamento para subir a montanha que havia ali atrás, o que não entendeu muito bem até chegarem lá em cima. Parecia completamente sem propósito fazer aquilo e, honestamente, ele ainda estava cansado demais e de péssimo humor para apreciar qualquer parte da subida, mas tudo aquilo ficou para trás quando chegaram ao topo da montanha.
A visão dali era linda, para se dizer o minimo.
ficou sem fôlego ao ficar de pé ao lado de lá em cima, observando a magnitude da floresta em que acampavam daquele ponto e sendo quase imediatamente atingido por um sopro de paz, que veio ao constatar a própria pequenez diante do lugar, tão incrível, em que estava.
O garoto olhou de lado para e balançou a cabeça, sem acreditar no que ela fizera.
— Você é inacreditável. – ele riu, externando seus pensamentos e ela sorriu, virando para lhe encarar enquanto esperava que ele continuasse. balançou a cabeça, sorrindo fraco. – Você sempre sabe de tudo. Como pode sempre saber de tudo, -yah? – quis saber, fazendo a garota rir, se afastando para se sentar no chão, um pouco atrás de onde ele estava em pé.
a observou, mas continuou no mesmo lugar, sem querer se afastar da vista dali.
— Eu não sei de tudo, acredite. – ele ouviu falar. – Estava reparando nessa montanha desde que chegamos e perguntei a um dos funcionários daqui sobre ela. Ele deve ter achado que eu estava flertando com ele, porque foi bastante enfático pra falar dela, de como a visão era incrível e de como achava que era uma pena o colégio não ter agendado uma visita…
— Claro, porque seria muito inteligente trazer um bando de adolescentes pro alto de uma montanha. – interveio e ela riu, assentindo. Ao ouvir, ele sorriu sem que ela visse. – E você estava? Flertando com ele?
— Não mesmo. – ela respondeu quase imediatamente, sorrindo de leve quando voltou a olhar em sua direção. – Eu sempre me sinto melhor perto de lugares altos, principalmente desde que a mamãe morreu. É como se ficasse mais próxima dela. – falou mais baixo, como sempre fazia quando falava de sua mãe.
conhecia bem aquele tom.
odiava se sentir triste e, odiava mais ainda, demonstrar isso, portanto toda vez que se entristecia enquanto falava sua voz ficava mais baixa, como se assim pudesse esconder aquilo. Obviamente, tinha o efeito oposto, mas não achava que ela fazia aquilo conscientemente e suspirou, finalmente se afastando de onde estava para se sentar ao lado da garota.
— Sua mãe é parte de quem você é, . – ele falou – Ela sempre vai estar muito próxima a você porque está em você. Ninguém, nem nada, nunca vai tirar isso de você.
— Eu meio que tenho medo de mudar. – ela começou a explicar, virando para olhar em seu rosto enquanto falava. – Não sei se faz sentido, mas é como se eu pudesse acabar me afastando dela, do que me restou dela, se um dia mudasse. E morro de medo disso.
respirou fundo ao ouvir, puxando as pernas para se sentar em posição de índio, virando um pouco de lado para olhá-la melhor enquanto conversavam.
— Eu acho você ótima do jeito que é, então não me importo de verdade se você não mudar, mas sei que não vai querer ficar do mesmo jeito pra sempre, não é? – lhe encarou com amor quase palpável e ela sorriu um pouco, assentindo. sorriu também, colocando seu cabelo para trás da orelha. – Eu nunca perdi uma mãe, então vou falar com você da minha perspectiva, de alguém que tem duas mães, mas, no fundo, ainda sente como se nenhuma delas fosse sua de verdade. – avisou um instante antes de continuar. – Eu acho que, tudo que a sua mãe te ensinou, tudo que você lembra sobre ela, sempre vai estar com você de algum jeito. Acho que, mesmo que, um dia, daqui a muito, muito tempo, você a esqueça, do rosto dela, vai reconhecer o perfume que ela usava quando sentir, mesmo que não perceba na hora porque aquele perfume está te fazendo chorar. Ou a música favorita dela. Ou algo que ela costumava dizer, uma frase, uma palavra. Um olhar. Acho que você nunca vai perdê-la completamente.
não disse nada ao ouvir, recolhendo as pernas e abraçando-as enquanto apoiava a cabeça nos joelhos, virando para encarar o horizonte a sua frente e suspirou, passando os braços ao seu redor para lhe abraçar. era tão cheia de vida o tempo todo, mesmo que por esforço consciente, que quando ela expunha sua angustia, que tentava sempre empurrar para o mais fundo dentro de si mesma, não podia evitar se mostrar mais protetor.
— Eu só odeio que isso tenha acontecido. Eu amo a Coréia, amo vocês e sei que não teria nada disso se mamãe ainda estivesse viva, ás vezes penso nisso para tentar me consolar, mas… Eu sinto tanta falta dela. – confessou e apertou mais os braços ao seu redor, pousando a cabeça no topo da sua quando ela se aninhou mais em seus braços, escondendo o rosto em seu peito. – Tem tanta coisa que eu queria poder falar pra ela. Conversar, sabe? Queria tanto que ela me visse agora. – a garota ergueu o rosto para o amigo, que suspirou.
-yah… – murmurou, sentindo-se mal em ouvi-la soar tão angustiada. – Olha, se servir de alguma coisa, quero que saiba que pode falar comigo. Sobre o que quiser.
sorriu ao ouvir, com aquele olhar de quem sabia algo que ele não sabia e passou a mão por seu rosto.
— Eu te amo, -ah. – falou, sorrindo para ele, que sorriu de volta antes que ela se afastasse, se espreguiçando ao ficar novamente de pé, encarando o horizonte a sua frente. – , o que você disse sobre as suas mães… – a garota começou depois de um instante em silencio, olhando para ele por sob o ombro e desviou o olhar para os próprios pés rapidamente. continuou: – Eu nunca vou ser capaz de entender como se sente, mas acho que sei de uma coisa e outra, então preciso que escute quando eu digo que suas mães te amam. Você não é menos filho delas que , .
havia voltado a lhe encarar enquanto ela falava, mas desviou quando ela terminou e voltou a olhar para ele.
Ele sabia de tudo aquilo. No fundo, sabia. Assim como sabia que, se suas mães sequer desconfiassem que ele pensava daquele jeito, diriam aquilo quantas vezes fosse preciso, mas, ainda assim, ás vezes era difícil não pensar. Ás vezes era difícil demais não se sentir insuficiente, como um objeto de pena alheia e ele detestava aquilo, o que, aliás, era o principal motivo de ter começado aquela coisa de aulas com .
— Eu quero acreditar que tem sentido elas se sentirem assim ao meu respeito, mas -yah… – ele suspirou, parando de falar por um instante e apertando os olhos antes de jogar o corpo para trás, deitando-se onde estava. – Não consigo entender como qualquer um vá me escolher para qualquer coisa quando meus próprios pais, meus pais de verdade, não me quiseram.
tampou o rosto com as mãos um instante depois de as palavras saírem de sua boca, odiando notar a própria vulnerabilidade tão exposta. O garoto não viu, portanto, enquanto voltava a se aproximar dele, sentando-se um pouco atrás dele e puxando-o cuidadosamente para deitar a cabeça entre suas pernas, fazendo um cafuné em sua cabeça.
— Um dia, , você vai entender que merece sim o amor das suas mães. E dos seus irmãos. E meu. – ela sorriu ao finalizar e ele ergueu o olhar para encará-la, sorrindo um pouco também e assentindo, esperando que demonstrar acreditar em suas palavras fosse o suficiente para passar a, de fato, acreditar. Os segundos seguintes se seguiram com ambos em silêncio e fechou os olhos, relaxado daquele jeito. sempre fora sua companhia favorita, era fácil se sentir melhor, mais seguro, quando estava com ela e a garota fazia aquele tipo de coisa, pintava uma realidade melhor do que a que ele tinha com tanta certeza que quase conseguia realmente visualizar o que ela dizia. – Droga, não acredito que não tive a chance de te desafiar ontem. – resmungou de repente, fazendo com que ele risse, ainda que pensar na noite passada, inevitavelmente, trouxesse um desconforto para a boca de seu estomago.
— Pelo menos você se divertiu. – ele devolveu, abrindo os olhos em seguida e erguendo uma sobrancelha para a garota, que riu e balançou a cabeça.
— Bom, é, não é nada mal. – ela murmurou, pensativa e rolou os olhos, fazendo com que ela risse. – Está com ciúmes, -ah? – provocou, parecendo se divertir com a ideia e, novamente, ele rolou os olhos.
— Cala a boca, vai.
— Me obrigue, oppa. – ela riu novamente ao falar e acabou rindo junto, balançando a cabeça e fechando novamente os olhos, sem ver a garota morder o lábio enquanto lhe encarava deitado em seus braços. – Você é péssimo nisso. – ela murmurou por fim, fazendo com que ele voltasse a abrir os olhos, lhe encarando sem entender da onde surgira aquilo. rolou os olhos. – Quando uma garota diz “me obrigue” em meio a uma conversa como essa, você deve beijá-la. É meio que uma regra.
— Queria que eu te beijasse? – perguntou, piscando surpreso e ela riu, balançando a cabeça num não.
— Queria provar que você não sabe flertar. – disse com simplicidade, apertando o nariz do garoto entre os dedos e ele fez uma careta por isso, empurrando sua mão, sem conseguir, no entanto, evitar pensar que podia, sim, ter beijado ela. Claro, não pensara em fazer aquilo, mas agora que a garota falara, grande parte dele queria e odiou que não pudesse mais. Odiou que não sabia quando poderia, ou se poderia fazer aquilo de novo. Queria poder beijá-la sempre que quisesse, porém, se dando conta do rumo que seus pensamentos tomavam, ele balançou a cabeça, fechando novamente os olhos. – Não se preocupe, baby. Eu vou te ensinar isso também. – acrescentou quando ele nem achava que ela fosse voltar a dizer alguma coisa e não conseguiu conter uma risada para seu tom debochado, ainda que as palavras houvessem tido o efeito oposto em seu corpo, fazendo seu estomago revirar de ansiedade.
Aquela era outra lição lhe deixando preocupado, nervoso, e o maior motivo daquilo era, de novo, o fato de não poder esperar até o momento de aprender aquilo com ela.

+++

O jogo daquela manhã fora o futebol.
Quando e voltaram, a primeira partida já estava no final, portanto sequer participaram dessa, mas acabaram por entrar na segunda, quando , supostamente por acidente, chutou a canela de e os dois precisaram sair de campo. entrou no time de suas irmãs, onde estava antes e ficou no banco com os irmãos, já que não podiam substituir o jogador expulso.
O time de acabou vencendo as duas partidas mesmo assim, o que foi ótimo, já que depois dali almoçaram e então rumaram para a cachoeira e seria péssimo ter uma mal humorada arriscando afogar quem quer que cruzasse seu caminho por lá.
Estavam todos de bom humor, na verdade. O dia estava quente e a ideia de ir até a cachoeira e refrescar era, de fato, ótima.
! – se jogou ao lado do amigo na pedra onde ele se sentara, mais distante do pessoal, que se ocupava dos pulos mais exibicionistas possíveis do alto da cachoeira. , por exemplo, já pulava pela segunda vez, puxando consigo dessa vez, já que tudo que ela dizia quando chamavam era “já vou, já vou”, mas nunca saia do lugar.
-yah! – imitou o jeito que a amiga falara, rindo em seguida junto com ela e abraçando-a de lado simultaneamente. – Estou curioso sobre uma coisa. – ele murmurou em seguida e ela virou o rosto para lhe encarar enquanto ele falava. apontou primeiro na direção de e , que estavam abraçados dentro da água, depois para e , que conversavam com lá em cima, só olhando realmente para quando eram pegos um pelo outro olhando e precisavam desviar o olhar. – e são muito parecidos, pelo que eu estive observando e, bem, nós já tivemos prova o suficiente que e são completamente opostos. Eu não entendo porque logo o casal mais oposto deu certo primeiro.
— Ah, e são um mistério para todo e qualquer guru amoroso que você encontrar. – deu de ombros, seguindo seu olhar, porém sorrindo para a visão da irmã abraçada com o namorado, passando a mão pelo cabelo dele de modo a tirá-lo do rosto. – Ok, a verdade é que desperta o melhor lado dela. é uma pessoa incrível, muito sensível e muito empática e esses são lados dela que parecem ganhar mais força quando ela está com ele, o que só acontece quando existe muito amor num relacionamento.
— E quanto a noona e hyung? – perguntou, desviando novamente o olhar para o outro casal, achando fascinante ouvir sobre o jeito como via o amor se manifestar de maneiras diferentes com pessoas diferentes. E como ela gostava de falar daquilo. A feição de sempre parecia suavizar quando ela falava daquilo, do amor. Devia ser a coisa favorita dela no mundo.
— Acho que, quando eles permitirem, um tornará o outro mais forte, mais seguro. – murmurou, respondendo a sua pergunta, e ele assentiu, refletindo sobre a resposta.
— Mas isso não é o mesmo que despertar o melhor lado da pessoa? – perguntou depois de um instante em silêncio. – Quer dizer, todo mundo quer se sentir mais forte e mais seguro. Isso não está meio incluído no melhor lado de cada um? – explicou seu raciocínio, arrancando uma risada fraca, surpresa, de .
— Ah. – ela murmurou, como quem é posta de frente a uma perspectiva totalmente nova.
sorriu, orgulhoso de si.
— Estou certo e você errada? – perguntou, empolgado, e rolou os olhos.
— Não é pra tanto, cowboy. – riu, rolando os olhos em seguida pra careta que tomou o rosto de diante da negativa. – Você consegue ser tão bebê ás vezes. – comentou e ele riu, como se estivesse muito orgulhoso que alguém dissesse aquilo dele. riu por isso, sabendo que sim. – Acho que nós dois estamos certos, na verdade. Eu diria que amar, no geral, tem a ver com estar cercado de pessoas que provam que não somos apenas aquilo que demonstramos na maior parte do tempo. Que, quando sozinhas conosco, podem despertar nossos lados mais vulneráveis, como no caso de e , ou mais fortes, como no caso de e . É diferente de ver a pessoa como nossa metade, uma parte indispensável de quem somos, porque já somos inteiros e os melhores amores sabem disso, mas é gostoso porque esse tipo de amor desperta essas características pra gente para que possamos desperta-las pro mundo, como parte do nosso crescimento pessoal e tudo bem crescer junto de alguém. Não é dependência, mas sim cumplicidade, sabe? – encarou o amigo, corando levemente ao notar que ele já lhe encarava, com o mesmo olhar fascinado que ela acabara por não ver antes.
adorou ainda mais vê-la corada, sorrindo de leve e apertando uma de suas bochechas com o braço que antes estava ao seu redor, ignorando a própria vontade de lhe beijar.
— A pessoa por quem você se apaixonar vai ser a mais sortuda de todas. – ele murmurou, cheio de certeza mesmo que sequer houvesse pensado duas vezes antes de despejar algo que era muito mais um pensamento do que uma fala em si.
Foi a vez de corar, no instante em que absorveu o que havia, de fato, dito, e riu, se pondo de pé para a sorte dele, que ficou agradecido de ela não insistir no rumo para o qual ele, inconscientemente, teria levado a conversa.
— Não acho que você vá precisar se preocupar em dividir o meu amor tão cedo, -ah, pode relaxar. – ela lhe tranquilizou, estendendo a mão para ele. – Vem, vamos dar um mergulho.
— Te encontro lá daqui a pouco. – ele respondeu e ela fez bico, pedinte. Para fazer graça, ele imitou e ela rolou os olhos.
— É bom vir logo. – avisou, se afastando e seguindo até o ponto de onde todos estavam pulando em seguida.
assistiu a garota se despir das roupas que usava por cima do biquíni e coçou a nuca, engolindo em seco enquanto desviava o olhar. Os dois eram amigos a muito tempo, de modo que ele, como era de se imaginar, já vira de biquíni antes, mas nunca antes pensara em tocá-la como, sem que pudesse evitar, pensava agora. Ele se lembrou do modo como tocou a garota na noite passada e imaginou poder fazer o mesmo, talvez até ir mais longe e, céus, nem conseguia acreditar no quanto queria aquilo.Tentando se afastar do rumo que seus pensamentos seguiam, voltou a erguer o olhar, notando que sua amiga ria lá de cima, conversando animadamente com Belle.
Seria mais fácil se ela não fosse tão bonita.
É claro, ela sempre fora bonita, mas aquilo nunca foi uma realidade tão incomoda e xingou baixo, pensando de novo na péssima ideia que fora começar com aquela coisa de aprender o que estava aprendendo com ela.
O pior? Ele nem mesmo queria parar agora.
Talvez quisesse antes, depois do primeiro beijo quando se deu conta do quão arriscado aquilo podia ser, mas honestamente não queria mais, ainda que os ricos só aumentassem.
Olhando para ela daquela distância relativamente segura, queria tudo, menos parar.
— Há! Eu sabia que você estava a fim dela! – um grito, seguido de uma risada, chamou a atenção de , que levou a mão ao peito com o susto e corou antes mesmo de ver se jogar ao seu lado na pedra onde ele estava.
— O que… Hm… Do que você está falando, hyung? – ele perguntou, desajeitado, ao outro, que riu.
— Não adianta tentar esconder, garotinho. Eu sei de tudo. – deu de ombros, sorrindo largamente pela empolgação.
rolou os olhos.
— Se com tudo você quer dizer nada.
— Tudo. – insistiu, cruzando os braços e dando de ombros.
— Nada. – corrigiu, cruzando os braços atrás da cabeça para tentar manter uma pose indiferente, mesmo que fosse péssimo naquilo.
As chances dele naquela discussão, aliás, eram péssimas. era muitas coisas, mas bobo definitivamente não era uma delas e não ficaria surpreso de ele houvesse realmente percebido algo de diferente entre ele e .
— Tu. Di. Nho. – insistiu, falando pausadamente depois de estapear no meio da barriga para fazê-lo abrir os olhos e lhe encarar assustado. sorriu satisfeito depois de falar. – Vi o jeito que você olhou enquanto ela beijava ontem.
— Por que todo mundo fica falando isso? – resmungou, irritado. – Eu não olhei de jeito nenhum! Estava bebendo, do que importa as coisas que fazemos quando estamos bêbados? Eu ficaria desconfortável vendo qualquer beijo! – explodiu, fazendo rir, o que fez com que ele rolasse os olhos e terminasse por estapear . – Para de rir de mim!
— Ok, primeiro de tudo: Para de me bater. Agora eu sei mesmo de tudo. – riu, muito satisfeito com a situação enquanto puxava o braço de , que se soltou e cruzou, emburrado, os próprios braços. sorriu divertido, apertando sua bochecha. – Então, você gosta dela? Está rolando algo entre vocês ou você só quer que role? – desandou a perguntar, cutucando o ombro do outro, que olhou feio para ele por isso. – Vamos, me conta! Posso te ajudar!
— Achei que você soubesse de tudo. – retrucou simplesmente e imitou de maneira afetada. rolou os olhos. – , esquece isso, tá? Sua onisciência é uma farsa, eu não sinto nada por ela. – resmungou e foi a vez do outro rolar os olhos, segurando o queixo de para virar seu rosto para o seu.
— Olha bem para minha cara – ordenou e lhe encarou impaciente, já que com lhe segurando como fazia ele não tinha mesmo muita escolha. – Você acha que eu sou idiota?!
— Um pouco. – assentiu e rolou os olhos, soltando o rosto do mais novo.
, você estava quase babando quando cheguei, agorinha mesmo! Isso fora o jeito que você olha pra ela quando estão juntos, conversando e tal. Você gosta dela e, se quer saber a minha opinião, eu acho que ela gosta de você também.
— Eu não queria. – resmungou, ainda que muito mais por implicância do que por qualquer coisa. – E, sério, você não conhece a assim tão bem. Ou a mim. Não gosto dela e nem ela de mim, somos só amigos e…
— Amigos, amigos… – lhe interrompeu, movendo a mão em frente ao seu rosto como se imitasse com ela o jeito que falava. conteve a vontade de xingá-lo, empurrando sua mão para longe.
— Quantos anos você tem, hein?!
— Doze e meio. – o outro respondeu, dando de ombros como se fosse obvio e riu, escondendo o rosto nas mãos e balançando a cabeça. Estava sendo atazanado por um lunático, céus.
— Por acaso você gosta da Belle? – mudou a abordagem e o outro lhe encarou sem entender. – Porque eu já vi o jeito que você olha pra ela também.
— Bom, ela é bonita. – deu de ombros, falando com simplicidade que julgou odiosa enquanto desviava o olhar para e Belle, agora já dentro da água, brincando de “briga de galo” com e outra garota da turma. – Mas, não, não gosto dela. Não como você gosta da , de qualquer forma. – sorriu para o mais novo, que bufou.
— Eu não gosto dela!
— Eu acho que gosta. – retrucou, no mesmo tom tranquilo de antes. – E quer saber? Não sou só eu. , Yoona! – chamou as duas garotas que passavam em direção a água e elas viraram para lhe encarar ao ouvir, se aproximando ao ver fazendo sinal de maneira, no minimo, exagerada para que o fizessem.
Yoona era a única garota da sala de com quem ela ainda mantinha contato, já que acabaram por ir para a mesma faculdade e, além disso, ela era o tipo de pessoa que era extremamente difícil não gostar, até para . Ela namorava até poucos meses atrás e ninguém realmente sabia porque haviam terminado, os dois não falavam do assunto, que, claramente, ainda era complicado e doloroso para eles.
— O que vocês querem? – perguntou, olhando desconfiada de um para o outro e ergueu rapidamente os braços ao lado da cabeça, indicando que era inocente. Yoona riu, sentando-se ao lado de e bufou, sentando-se contrariada perto dela.
— Pesquisa de campo: e começou, apontando para – Se gostam? Não passa de amizade ou… ?
— Se gostam. – as duas responderam juntas, dando de ombros simultaneamente também e virou para encarar , apontando repetidamente para as duas.
— E, devo destacar, é irmã de ! Ela conhece a garota melhor do que ninguém! – falou, fazendo com que desviasse o olhar para , não conseguindo evitar esquadrinhar seu rosto em busca de alguma confirmação do que dissera, mesmo achando que evitaria aquilo a todo custo. Ela era leal a irmã, afinal, não simplesmente entregaria um segredo dela e nem mesmo achava que havia um.
Era ridículo, para se dizer o minimo, imaginar que sentisse qualquer coisa além de amizade por ele.
— Anh, não é bem assim. – interveio – é muito discreta quando gosta de verdade de alguém. Ela fala com toda simplicidade do mundo sobre querer sentar aqui e ali, se é que me entendem, mas eu não me lembro da última vez que ela falou sobre gostar de alguém, tipo gostar de verdade.
— Ok, obrigado por ser completamente inútil. – murmurou assim que ela se calou, rolando os olhos. – Vai, vai pro . – empurrou a garota, que chutou seus pés, ignorando-o ao focar em .
— O que eu sei é que ela valoriza demais a sua amizade, . E, se ela gosta de você, não vai dar o primeiro passo, porque jamais faria qualquer coisa que significasse perdê-lo. Sei que não é muito, mas é só o que eu posso falar com certeza. – ela lhe lançou um olhar de desculpas.
— Ela gostando ou não, todo mundo sempre quer ouvir um “eu te amo”. – Yoona interveio e desviou o olhar para ela, mesmo sem querer se entregar. A última coisa que queria era realmente confessar gostar de , especialmente quando nem sabia se o que sentia já havia chegado aquele patamar. – Gostar de alguém é bom, . É normal e saudável, faz bem tanto quanto faz bem saber que alguém gosta de você. Vocês dariam um casal incrível, mas não deve se prender ao que pode acontecer e só ao melhor jeito de lidar com o que você sente.
sorriu, abraçando a garota ao seu lado.
— Amo essa garota! – exclamou, animado e tanto quanto soltaram risadas fracas, balançando a cabeça. Se não existisse, definitivamente alguém teria que inventá-lo. Não que , jamais, fosse admitir aquilo em voz alta. Era bom que jamais soubesse que era assim tão importante. – Mas, sério, , ela está certa.
empurrou seu rosto para longe.
— Para com isso. Eu já falei que não gosto dela. – murmurou, tentando demonstrar indiferença.
— Ou simplesmente não sabe que gosta. –Yoona interveio. – Às vezes, outras pessoas podem perceber antes de você.
— Eu sei desde que vocês se conheceram. – rolou os olhos, com o mesmo ar impaciente característico dela antes de se pôr de pé. – Agora, sério, vamos pra água. Chega de encher o saco do com isso. – ela estendeu o braço para Yoona, que aceitou a ajuda para se levantar antes que encarasse , apontando em sua direção. – Você também.
— Mas eu quero ficar. – reclamou e os outros três rolaram os olhos. – Aigoo. – ele reclamou, chateado, quando não cedeu e fez com que ele se levantasse, puxando o garoto consigo para a água em seguida e deixando para trás.
O mais novo coçou a nuca e suspirou, cansado. Aquela conversa, para o seu azar, não sairia de sua cabeça tão cedo e, repassando mentalmente tudo que ouvira, sabendo que ainda o faria várias vezes durante o dia, desviou o olhar para a água, onde todos brincavam e riam entre si.
notou em seguida que ele olhava e jogou água em sua direção, fazendo com que o garoto desviasse o olhar novamente para ela e sorrisse ao notar seu sorriso, se levantando para seguir até lá quando ela fez sinal para que ele o fizesse.
Como se fosse capaz de dizer não a ela.

Nota a Autora:
Oieeeeeeeeee!!!!!!!! Desculpa pela demora pra att, andei meio enrolada, mas tá aqui! Espero que tenham gostado, e por favor me deixem saber! Beijão!

 

04.

 

“Me fale quando estiver pronto para ir
Me ame porque eu gosto e quero você
[…]
Apenas desça seus dedos pelas minhas costas
Vá em frente e sinta meu corpo” – Tiffany Young

, vem cantar também! – a voz amimada de fez com que erguesse o olhar do celular, onde jogava distraída.
Era inicio da noite e estavam na sala de jogos do acampamento, junto com e outras garotas da turma, a maioria delas se divertindo em explorar a falta de dotes que tinham para a música ao se ocupar de cantar no karaokê instalado ali.
Do sofá onde estava, a mais nova arqueou a sobrancelha para a irmã.
— Anh… Não, obrigada.
— Ah, qual é! Você canta muito melhor que todo mundo aqui, vem logo! – chamou também e fez uma careta, se esparramando no sofá a fim de demonstrar sua falta de vontade.
— Estou jogando… – resmungou, chorosa e as duas se entreolharam e seguiram até ela, cada uma puxando a mais nova por uma perna, fazendo com que ela gritasse de susto, tentando se agarrar ao sofá para não cair, o que não deu muito certo, é claro.
No fim das contas, ela foi ao chão, levando consigo as almofadas que compunham o assento do sofá.
— Mas que porra, gente! – reclamou em português enquanto se punha de pé, jogando uma almofada em cada uma, fazendo as mais velhas rirem enquanto desviavam. – Odeio vocês. – bufou, com raiva, ainda usando seu idioma nativo enquanto bloqueava o celular e guardava no bolso de trás da calça. Para , o idioma coreano nunca expressaria sua raiva e frustração com a eficiência que o brasileiro fazia, de modo que estava constantemente xingando e utilizando outros insultos em português, o que não era realmente um problema com suas irmãs, porém, bem, em se tratando das outras pessoas com quem convivia, suas discussões sempre acabavam ganhando um tom cômico.
— Vai, vem logo. – as garotas lhe puxaram, ignorando seus resmungos e reclamações. – E desfaz a cara de dor de barriga ou eu não te conto da conversa que tive com . – ordenou, fazendo com que lhe encarasse pelo canto do olho, tentando identificar se ela estava ou não blefando. rolou os olhos. – Por que eu mentiria, ?
, manda ela me contar. – fez bico, voltando-se para a outra irmã, que lhe encarou de maneira cética.
— Você está um pouco grandinha demais pra isso funcionar, querida. – retrucou e bufou, puxando o controle do karaokê de sua mão para escolher uma música ao em vez de insistir naquela conversa, mesmo se mordendo por dentro graças a curiosidade.
não simplesmente inventaria aquilo para implicar com ela, mas tão bem quanto sabia daquilo, sabia que ela não simplesmente contaria agora. A parte de “implicar com ela” entrava justamente ali, mas era tão teimosa quanto qualquer coisa, portanto seguraria a vontade de insistir o máximo possível, usando o controle do karaokê para deslizar na lista músicas, a fim de escolher uma para cantar.
— É a cara dela, essa coisa de achar que ainda é uma criança. – murmurou para e imitou de maneira afetada.
— Sou mais nova que vocês.
— Criança que quer sentar no amiguinho não é mais criança, . – retrucou, impaciente, e gargalhou alto, tampando a boca por isso e fazendo olhar em volta, tentando garantir que ninguém mais ouvira. riu baixinho, orgulhosa de si mesma, e puxou o controle de volta para si a fim de escolher ela mesma uma música.
bufou, jogando os braços pro alto.
— Por que diabos você me fez sair do celular, então?
— Porque eu esqueci como você era chata, sai daqui sai. – empurrou a mais nova para longe, mas antes que ela realmente voltasse para o sofá onde estava antes, lhe puxou de volta e ela suspirou.
— Tão perto, mas tão longe… – resmungou chorosa, desviando o olhar para o sofá só para terminar por fazer uma careta, tanto de susto quanto de insatisfação, quando segurou seu queixo para fazer com que ela lhe encarasse.
— Presta atenção. – ordenou. – Hoje quando estávamos na cachoeira, chamou a mim e a Yoona enquanto conversava com . Estavam falando de você.
— Anh… Falando o quê? – coçou a nuca, desajeitada enquanto tentava não demonstrar quão forte seu coração martelava no peito naquele momento.
— Pelo que eu entendi quando me juntei a eles, estava tentando fazer admitir que gosta de você. – arqueou as sobrancelhas para a irmã, como se a desafiasse a manter a pose agora e rolou os olhos, mordiscando a pele do dedão enquanto fazia sinal para ela andar logo, mesmo que aquilo lhe entregasse. Não era como se já não soubesse do que se passava dentro dela, afinal de contas. Ela conhecia sua vida toda.
— E… ?
— Obviamente, não admitiu, mas você o conhece, ele se entrega sem precisar realmente admitir qualquer coisa. – deu de ombros, como se não houvesse acabado de dizer, basicamente, que gostava dela. – Tentei não admitir nada por você também, mas não acho que isso tenha sido um problema. teria dificuldades para acreditar que você gosta dele mesmo se você estivesse, tipo, na frente dele, falando isso.
— Bem observado. – murmurou também. – Nunca vou entender como ele foi ser tão inseguro. Até parece que nunca viu um espelho.
— Ele tem seus motivos. – murmurou simplesmente, não querendo entrar naquele âmbito. Ela sabia muito bem, afinal, porque ele era inseguro, mas não queria falar daquilo, odiava aquilo. Ainda que soubesse que tudo que passara fora o que o levara até ali, até ela, desejava que ele não tivesse tido que passar por nada, que sentir as dores que sentira e ainda sentia. Ela daria tudo por isso.
— Enfim – murmurou – Nós o encorajamos a tomar alguma atitude a respeito dos próprios sentimentos, mas não dá pra ter certeza se ele vai fazer alguma coisa, já que ele ainda parece estar tendo problemas para aceitar o que sente, então talvez você devesse dar um empurrãozinho.
não respondeu, pegando novamente o controle da mão de para escolher uma música e fazendo com que as duas olhassem em sua direção, esperando algum tipo de reação.
Quando não obteve, chutou, impaciente, sua canela.
— E então? O que vai fazer? – perguntou, rangendo os dentes enquanto lhe encarava assustada, resmungando ao levar a mão para a perna.
— Cantar no karaokê? – ela retrucou, encarando a irmã como se ela tivesse algum problema e bufou, arqueando as sobrancelhas em sua direção enquanto esperava que ela reformulasse sua resposta. resmungou. – É mais complicado que isso, gente. Eu e … Estou ensinando, vocês sabem, hm, coisas, a ele. Ele já está numa posição vulnerável demais para que fazer qualquer coisa pensando mais em mim do que nele pareça certo.
— Você é uma peste na maior parte do tempo, mas quando decide ser certinha, nossa, Deus me livre. – resmungou, olhando-a com desprezo e sorriu de leve para suas palavras, lhe mostrando a língua quando sua irmã sustentou a mesma expressão no rosto. – Sério, , você não vai fazer nada?
— Eu vou continuar fazendo o que disse a ele que faria. – deu de ombros, encarando a televisão a sua frente. – Vou ajudá-lo com seus problemas de confiança como puder e, se isso o trouxer pra mim, então ótimo, mas se não, eu só… Eu já estou acostumada a ser amiga do , vou sobreviver.
Se suas irmãs iam responder, não tiveram tempo, pois no instante seguinte o ranger da porta da sala de jogos onde estavam chamou a atenção das garotas, que viraram bem a tempo de ver o próprio entrar lá, acompanhado de seus irmãos e alguns dos outros garotos das três turmas.
— Ei! Vão cantar?! – foi o primeiro a gritar, se jogando entre elas e abraçando e ao mesmo tempo. lhe empurrou com uma cotovelada. riu da cena, estapeando no percurso, e mordeu o próprio sorriso para a cena, se permitindo deixá-lo escapar apenas quando ele lhe encarou e acenou timidamente em sua direção com a cabeça.
vai, na verdade, mas não consegue escolher uma música. – falou, abrindo um sorriso empolgado em seguida. – Ei, por que você não a ajuda?
— Por que ele? – perguntou, sem entender, enquanto puxava a namorada para si, olhando feio para , que riu. rolou os olhos, beliscando de leve a costela do namorado.
— Por que ele sabe de tudo, Channy. – deu de ombros, como se não fosse nada demais e franziu o cenho, encarando-a como se ela fosse louca.
— O ? Você tá doida? – perguntou, fazendo os outros rirem enquanto olhava feio em sua direção. – O quê? Não faz sentido. – murmurou diante da reação do outro e lhe empurrou do caminho, se aproximando de .
— Para sua informação, eu sei mesmo de tudo. – retrucou, lhe lançando um olhar convencido antes de passar um braço pelos ombros de . – Inclusive, sei que vai me deixar escolher a música para ela.
— E por que eu faria isso? – ela devolveu, lhe encarando desconfiada. não sabia de tudo, mas sem dúvidas sabia que confiar em era sempre um risco. Naquele momento, ela, honestamente, não sabia se queria tal risco.
— Ah, qual é, . Eu sei de tudo. – ele insistiu, lhe olhando pedinte ao usar o apelido que apenas suas irmãs usavam e virou para encarar ao ouvir, estreitando os olhos em sua direção. A mais velha apenas deu de ombros, se fazendo de desentendida. sacudiu pelos ombros, chamando sua atenção de volta para si. – Por favor!
— Ai, ai, para com isso! – reclamou, empurrando-o para longe. – Não vai escolher nada! Você é agressivo e malvado! – ela reclamou, fazendo bico e ele imitou, embora não para fazer graça e sim por ter sido a única atitude que ele foi capaz de ter inicialmente, perante as suas palavras.
riu dos dois.
— Pelo menos o tem bom gosto pra música, . – tentou consolar a amiga, que olhou feio em sua direção.
— De que lado você tá, hein? – ela perguntou, fazendo com que o amigo erguesse os braços ao lado da cabeça, em rendição. Ela voltou-se para . – Sai daqui! Eu vou escolher sozinha!
— Tá, mas escolhe essa. – selecionou a música que queria sem tirar o controle da mão da garota, correndo para longe dela e se escondendo atrás de um instante depois. arregalou os olhos e pausou a música antes que ela, de fato, começasse.
! – reclamou enquanto estapeava o garoto para que saísse de perto de , o que fez rir, quase satisfeita. Ela ainda queria bater na peste ela mesma.
— Qual é o problema com essa música? – interveio, olhando da TV para . – Eu gosto.
Ela rolou os olhos, virando-se novamente para a TV. Honestamente, também gostava da música, mas não queria dar o gostinho a .
— Eu não. – ela mentiu, cruzando os braços. – E sou tímida. Não quero cantar pra todos vocês. – acrescentou, fazendo suas irmãs rirem, ambas de maneira irônica.
olhou feio para as duas.
— Você dizer que é tímida é a mesma coisa que a dizer que não é lerda. – murmurou e assentiu, concordando. riu fraco por isso, balançando a cabeça.
— Qual é, -yah, eu já vi você cantando essa música várias vezes enquanto me ajudava com a louça lá em casa. – murmurou também e arregalou os olhos, como se aquela revelação fosse a mais incrível que já houvesse escutado.
fechou os olhos e respirou fundo por isso, já imaginando o que viria.
, seu melhor amigo, acha que você deveria cantar! – puxou para perto de , que ergueu o olhar para e lhe encarou, no mínimo, irritada. Ele sorriu, fingindo não notar. – Você devia cantar pra ele!
— Eu nunca disse que ela devia cantar pra mim. – retrucou, baixinho e deu de ombros.
— O que você disse não importa. – retrucou e se afastou de para buscar uma cadeira, colocando-a não muito distante de .
— Vai, senta aqui. – ela chamou , que rolou os olhos, mas foi.
— Isso é ridículo. – ele murmurou junto com , que se perguntava, ao mesmo tempo, o que fizera para merecer aquilo. Odiou se perguntar aquilo, porque a verdade era que ela era tão peste quanto . Fizera muitas coisas para merecer aquilo, porém, a cada minuto que se passava, mais pensava em fazer quando aquilo acabasse.
Ia se vingar de todo mundo ali, a começar de . Ou talvez , já que seria mais fácil com ela, levando em conta que dividiam um quarto.
— Tudo bem. – ela murmurou, ansiosa para acabar logo com aquilo. – Só pra você saber: a culpa disso é sua, então depois não reclame. – ela apontou para , que abriu a boca para retrucar, mas fechou novamente quando ela fez menção de mover o dedo em sua direção, suspirando e assentindo.
— Anotado.
se esticou para falar baixinho perto do ouvido do namorado quão bonitinhos os dois eram e sorriu, assentindo e murmurando de volta que esperava que eles transassem de uma vez e parassem de frescura. rolou os olhos para a escolha de palavras, mesmo não podendo evitar concordar.
—Ok, vamos lá. – roubou o controle da mão de , substituindo-o pelo microfone e então se afastando, fazendo sinal para que os outros dessem espaço para eles também.
rolou os olhos por isso, mas tentou não discutir, focando na tela da TV, buscando se concentrar em não perder a deixa da música.
estava morto em sua mão.

Yeah, yeah [Sim, sim]

I got this vision in my mind [Eu tenho essa visão na minha mente]

You got me sinning with desire [Você me tem pecando com desejo]

You got my heart on double time [Você faz meu coração acelerar]

And Im not putting out this fire[E eu não estou apagando esse fogo]

tinha, de fato, uma voz incrível, poderia ter entrado pro ramo se quisesse, mas ela não nutria nenhuma paixão pelos palcos, gostava de cantar enquanto fazia suas atividades diárias, vivia momentos corriqueiros, enfim. Não tinha vontade de trabalhar fazendo aquilo, embora não pudesse negar: Gostava de ser o centro das atenções.
Podia dizer o contrário quantas vezes quisesse, porém nada mudava a verdade, que brilhava em seus olhos em momentos como aquele. Ela poderia dominar um palco com toda facilidade do mundo, mas ficava satisfeita em dominar apenas a sala de jogos do acampamento.
Enquanto lhe assistia, coçou a nuca, desviando o olhar brevemente. Ele se lembrava de cantando trechos aleatórios da música vez ou outra, mas não lembrava como o conjunto funcionava junto. Além do mais, ela vivia cantando funks brasileiros que, segundo ela, eram muito piores que músicas como aquela. Ele, realmente, não vira nada demais naquela música até então.
Era tão ingênuo.

Call me anytime that you want [Chame a qualquer momento]</strong

Send for me you know I’ll come over [Peça por mim e eu virei]

Hit me when you’re ready to go [Me toque quando estiver pronto pra ir]

Que se dane, já estava na merda mesmo, foi o que a garota pensou enquanto cantava, caminhando até e decidindo que, se ia fazer aquilo, faria direito. Ela se aproximou dele, inclinando o corpo sob o seu e então dispensou o microfone para cantar o trecho seguinte perto de seu ouvido:

Love me ‘cause I like and I want ya [Me ame porque eu gosto e quero você]

Ooh put put put, put it on me [Ooh, coloque, coloque, coloque isso em mim]

acabou sorrindo ao vê-lo corar, embora não o culpasse. Aquele trecho não podia ser mais explicito e ela conhecia o suficiente para esperar por uma reação como aquela, embora isso também não a houvesse impedindo de continuar.
This woman, woman, woman, woman, woman wants youbad… [Essa mulher, mulher, mulher, mulher, mulher quer tanto você….] – ainda sem o microfone, cantou aquele trecho tamborilando os dedos no peito do amigo, que desviou o olhar para sua mão, ainda descendo por seu tronco, até encontrar o cós de sua calça e segurar na abertura por onde passava o cinto.
Ela olhou em seus olhos e se sentiu quente ao torcer os dedos ali. teve a impressão que só aquele momento, aquela breve troca de olhar entre os dois, foi o suficiente para fazer seu corpo esquentar mais do que qualquer cara com quem já havia estado fizera.
Inevitavelmente, imaginou se, em meio a toda aquela coisa de ensiná-lo, terminariam avançando mais sinais e realmente transando.
Como seria? Só de pensar naquilo, a garota sentia o corpo inteiro se revirar em excitação, e mordeu o lábio, tentando focar na música antes que terminasse se perdendo.
apoiou um dos pés na ponta da cadeira e inclinou a cabeça para trás enquanto cantava, o cabelo fazendo uma verdadeira bagunça em seu rosto quando ela tombou a cabeça para frente em certo momento da música.

(I want you over my skin) [Eu quero você sob a minha pele]

‘Cause I like it when you touch me [Porque eu gosto quando você me toca]

(I dont know where to begin) [Eu não sei por onde começar]

Do nasty things and you dont judge me[Faço coisas sujas e você não me julga]

(Say it again and again) [Diga isso de novo e de novo]

You got that something that undoes me [Você tem essa coisa que me desfaz]

(I want you over, over, over, over and over) [Eu quero você em cima, em cima, em cima, em cima, em cima]

Ao finalizar aquele trecho, a garota pulou para longe dele antes de continuar, soltando uma piscadela na direção dos amigos para fazer graça antes de se voltar para novamente, andando em sua direção enquanto cantava:

Theres nothing wrong with being bad [Não tem nada de errado em ser má]

You know thats what you like about me [Você sabe que é isso que você gosta sobre mim]

Just run your fingers down my back [Apenas desça seus dedos pelas minhas costas]

Go ‘head and feelup on my body [Vá em frente e sinta meu corpo]

Se aquela fosse outra realidade, se não fosse, bem, , muito provavelmente teria até agradecido a ele por ter escolhido a música perfeita. Ela amava aquela música, mas não escutara desde que chegaram ao acampamento e, naquele momento, enquanto cantava para , não podia evitar pensar em como ela dizia absolutamente tudo que ela diria, se achasse seguro dizer.
Não era. Nem seria tão cedo, mas tudo bem.
Daquela forma, estava dito.

havia acabado de tomar banho, mas ainda sentia a temperatura de seu corpo elevada como se não houvesse o feito. Tudo por causa daquela droga de ideia de de colocá-la pra cantar mais cedo.
Naquele momento, a garota estava sozinha no quarto que dividia com suas irmãs e mordia o lábio, encarando a própria mala como se o objeto fosse, na verdade, uma cobra, sibilando pra ela. Bom, não a mala especificamente. encarava o vibrador dentro dela, que puxara do fundo da mala, onde estava escondido antes, mas não tivera coragem de fazer muito mais.
já usara aquilo, óbvio, assim como já passara da fase de ter vergonha daquilo, ou de qualquer relação sexual que já tivera, mas não levara o, hm, brinquedo para o acampamento pensando em realmente usá-lo lá, mas sim para não correr o risco de seu pai encontrar enquanto ela estava fora de casa. Ninguém precisava daquele tipo de constrangimento, mesmo quando o fato de não ser virgem não era exatamente um segredo.
Mas, céus, seu corpo inteiro coçava daquele jeito tão especifico. Ela sabia que só havia um jeito de resolver aquilo, mas droga, no acampamento? Correndo o risco de suas irmãs chegarem a qualquer momento?
Aquilo parecia demais até pra ela.
-yah?! – a voz de seu melhor amigo chamando por ela naquele mesmo tom baixinho de sempre fez pular de susto, soltando a parte superior da mala em cima de seu conteúdo simultaneamente, desviando o olhar para a porta.
. – murmurou, soando mais atordoada do que gostaria, o que fez seu amigo franzir o cenho, confuso, enquanto entrava no quarto, fechando a porta atrás de si. Ela limpou a garganta, tentando despistá-lo e desfazer o próprio susto. – O que… Hm… Você tá fazendo aqui? – ela perguntou, coçando a nuca enquanto via o garoto se jogar na cama de .
olhou estranho em sua direção.
— Por que parece que você estava fazendo algo errado antes de eu entrar? – perguntou, curioso e ela piscou, lhe encarando com confusão ensaiada.
— Não sei do que você tá falando. – murmurou com simplicidade – Já é tarde, você não devia estar no quarto? – voltou a tentar distanciar a conversa do quase flagra que sofrera pelo amigo.
noona e hyung queriam ficar sozinhos. – fez uma careta, que imitou, não precisando de maiores explicações.
— Experimente dividir uma parede com ela. – resmungou baixinho, movendo o corpo como se tentasse espantar a corrente de nojo que passava por ele e riu, conseguindo imaginar aquilo com mais clareza do que gostaria. Ele ficou em silêncio por um instante, parecendo pensativo, e lhe encarou curiosa, se arrastando para sentar na cama de sua irmã com ele, recostando-se a parede. – O que foi? – perguntou, fazendo com que ele virasse para lhe encarar, claramente pego desprevenido pela pergunta.
— Anh… O quê… Hm… Nada? – se atrapalhou para falar e acabou por apertar os olhos, constrangido, quando arqueou as sobrancelhas em sua direção como resposta. – Não sei se quero falar. – ele confessou, num fio de voz e ela riu, tocando seu joelho.
— Quando você vai superar isso, -ah? Eu estou, literalmente, te ensinando como levar uma garota pra cama. – murmurou, com aquela simplicidade típica dela em assuntos como aquele e coçou a nuca, constrangido, enquanto baixava o olhar para as próprias pernas. – Vai, me fala.
— Só… noona parece realmente gostar de, hm, estar com hyung? – a afirmativa de soou muito mais como uma pergunta e precisou morder o próprio sorriso ao notar isso, assentindo enquanto esperava que ele continuasse. O garoto pigarreou. – Eles estão juntos há algum tempo, então acho que faz sentido, eles se conhecem bem, mas… Existem caras que não são tão bons nisso. Não importa quanto tempo passe. – coçou a nuca, olhando brevemente para , e então desviando como se a atitude pudesse cegá-lo. tinha certeza que havia mais diversão do que devia em seu olhar e apertou os olhos com força, balançando a cabeça. Ás vezes, queria poder apertar todinho e então beijá-lo até ficar sem ar. – Eu não quero ser assim, sabe. Eu quero, hm…
— Fazer direito? – adivinhou quando se calou e ele olhou para ela pelo canto do olho, assentindo enquanto enrubescia. Ela mordeu o lábio, balançando outra vez a cabeça antes de usar o elástico em seu pulso para fazer um rabo de cavalo no cabelo. , definitivamente, não estava lhe ajudando com toda a coceira que estava sentindo. – Bom, você quer treinar? – perguntou, como se não fosse nada demais enquanto virava de frente para ele na cama, fazendo com que corasse ainda mais intensamente, virando para lhe encarar.
— O-o… O quê? – ele perguntou, quase engasgando com as letras no percurso. – Está sugerindo que a gente transe?
— Bom, íamos chegar lá em algum momento… – ela começou a falar, sem conseguir se conter, mas terminou por rir quando ele arregalou um pouco os olhos. – É brincadeira, brincadeira! – ela riu mais, fazendo com que ele rolasse os olhos. – Não estava sugerindo isso, exatamente. Só, você sabe, que me beijasse um pouco e a gente testasse os seus instintos. Poderíamos ver no que você pode melhorar. Eu prometi te ensinar, não foi? – enquanto falava, gesticulava e dava de ombros, tentando passar segurança e, por saber que era ali, ela sabia que estava dando certo, mas céus, achava que estava enlouquecendo.
Olha o que estava sugerindo, pelo amor de Deus!
— Acha que isso é mesmo seguro? – perguntou depois de um instante. – Digo, pra gente… Pra nossa amizade.
— Já fizemos algo parecido. Daquela vez no seu dormitório. – ela deu de ombros, coçando a nuca. – Mas, ei, se você não quiser…
— Não! – interveio, falando rápido demais para não terminar corado e , novamente, precisou morder o próprio sorriso. – Quer dizer, é… Hm… Eu acho que tudo bem. – ele murmurou baixinho e ela sorriu, assentindo.
— Tudo bem, então. – ela falou e ele assentiu, virando de frente para ela também. Por um instante, os dois apenas se encararam e acabou rindo fraco, estendendo a mão para tocar o rosto do amigo. – Ok, que tal se eu fizer o primeiro movimento? – perguntou, olhando em seus olhos.
— É… Hm… Melhor. – concordou, assentindo enquanto falava baixinho, naquele tom que derretia tudo dentro de e fazia seu estomago revirar simultaneamente.
— Só… Lembra que não tem uma receita, tá? As pessoas descobrem o que funciona experimentando, é assim com casais também. – ela murmurou antes de qualquer coisa, sentindo que devia falar aquilo. – E, bem, em minha opinião, a sua preocupação em fazer direito já quer dizer muito. Você só precisa prestar atenção na pessoa com quem está e vai perceber todos os sinais, ok? Eu juro, eles estão todos ali.
assentiu, sem desviar os olhos dos seus e fez o mesmo, mais para si do que para ele, antes de finalmente inclinar o rosto em direção ao seu, segurando com uma mão na nuca do garoto enquanto fechava os olhos, roçando seus lábios com o coração pulsando ridiculamente forte antes de, finalmente, invadir sua boca com a língua.
O beijo começou lento, cuidadoso como já notara se tornar típico dela quando estava com ele, mas aquele ritmo não se sustentou por muito tempo ainda assim. Quando parou de joelhos, com o corpo perto demais de , ele se viu subindo uma mão por suas costas, puxando levemente a blusa junto no percurso.
sentia o corpo estupidamente quente por onde a mão dele passava antes mesmo que pousasse a outra em seu joelho, pegando-a de surpresa e enviando pequenos choques elétricos por todo seu sistema nervoso, fazendo a garota vibrar e se revirar por dentro mesmo com tão pouco. Não era como se , realmente, precisasse de muito para conseguir alguma reação dela, mas pensar nisso fez a garota se lembrar do propósito daquilo, daquele beijo, rompendo o contato de seus lábios para falar, porém sendo pega de surpresa pela recusa de , que a puxou de volta para si antes que ela realmente conseguisse, juntando os cabelos da garota num bolo em seus dedos e, num movimento que não seria capaz de explicar, colando o corpo ao dela, fazendo com que ela agarrasse em seus cabelos também.
Com ambos de joelhos na cama, os corpos colados enquanto o beijo ganhava mais e mais intensidade, achou que podia simplesmente entrar em combustão e não seria surpresa, mordendo o lábio do garoto e soltando o ar contra sua boca, tentando, com todas as suas forças, oxigenar seu cérebro para que fosse capaz de pensar direito, sem notar a própria mão deslizando para o peitoral do amigo até que ele desviasse o olhar para lá, fazendo com que ela imitasse. Suas unhas afundaram no abdômen de por cima da blusa e desviou o olhar dali para seu rosto, vendo-o morder o lábio como resposta.
Ela encarou a própria mão novamente.
Não pensara em fazer aquilo.
Céus, estava perdendo o controle. Era ali, ela precisava se concentrar. Não estava com qualquer um.
— Você pode tocar também. Se quer saber como se sai, então tem que tentar. – ela puxou a mão dele mais para cima em sua perna e segurou com mais força na pele descoberta, que parecia mais quente onde apenas a ponta de seus dedos alcançavam, perto demais da pele coberta pelo short curto. – Eu vou deixar se quiser tirar minha roupa também. – ela falou baixinho perto de seu ouvido quando sentiu a outra mão dele voltar a subir por suas costas, puxando levemente sua blusa junto no percurso, quando ela deslizou os lábios por seu pescoço e ele olhou em seus olhos.
-yah. – murmurou baixinho, naquele tom choroso que ela conhecia bem. Ele sempre falava daquele jeito quando ela sugeria algo que os dois sabiam não ser a ideia mais inteligente, mas, é claro, queriam ainda assim.
quase riu do quão bem aquilo se aplicou ali, puxando as mãos dele para a barra de sua camisa.
— A gente vai saber quando for a hora de parar. – murmurou, mesmo que não estivesse tão certa quanto aquilo. Honestamente, sequer pensar em parar, naquele momento, parecia absurdo.
desviou o olhar de seu rosto para as próprias mãos em sua blusa e então novamente para o rosto dela, assentindo e puxando o pano devagar para cima, o jeito como pareceu um tanto hipnotizado pela visão da pele desnuda da garota enquanto o fazia esquentando-a por inteiro e precisou apertar as pernas juntas, satisfeita que o modo como estava sentada lhe permitisse, pelo menos, isso.
Estava tão excitada, céus.
Quando, por fim, terminou de despi-la da blusa, ele puxou a garota para si e levou uma das mãos para trás de um de seus joelhos, fazendo com que ela dobrasse a perna no percurso e terminasse sentada em seu colo, apertando os dedos contra sua nuca enquanto retribuía o beijo que ele iniciara, sentindo o tronco praticamente desnudo indo direto de encontro com a pele firme do amigo, que ela se viu também atacando por dentro da blusa, sem realmente pensar a respeito do que fazia.
Aquele beijo expressou a vontade mais intensa de ambos, tornando seus toques mais firmes, urgentes, seus corpos mais quentes e o movimento de seus corpos juntos muito menos calculado do que antes, com fazendo soltar o ar contra sua boca ao se mover em seu colo, porém sendo novamente segurada nos braços dele ao tentar romper o beijo. No fundo de sua mente, portanto, tinha alguma noção que já ultrapassaram mais sinais do que era seguro, mas o fundo de sua mente era, definitivamente, um lugar distante demais em sua cabeça para que ela se importasse, apertando mais as pernas ao redor do garoto quando ele apertou o fim de suas costas em uma das mãos, chegando perto demais do cós de seu short para que ela ignorasse, esfregando-se a num reflexo excitado que fez com que ele gemesse baixinho contra sua boca, mordendo ele mesmo o lábio inferior dela dessa vez.
— Eu quero… Quero beijar você – ele começou a falar, a voz falhando enquanto ele evitava lhe encarar, soltando as palavras num sopro de honestidade impulsivo e tão excitado quanto excitante. – Em todo lugar.
sentiu o estomago revirar de maneira ainda mais intensa dessa vez, assentindo ao lhe encarar.
— Então beije. – murmurou – Beije o meu corpo como se estivesse beijando minha boca.
puxou seu lábio inferior entre os dentes em resposta, mas não voltou a beijá-la, abaixando a cabeça invés disso e mergulhando o rosto no pescoço da garota, beijando-a entre o pescoço e a clavícula e fazendo com que jogasse a cabeça um pouco para trás, rolando os olhos.
Era muito, mas muito injusto que ele houvesse escolhido, imediatamente, um dos pontos mais erógenos de seu corpo, puta que pariu.
Estava cada vez menos certa quanto àquela coisa de “saber quando fosse a hora de parar”.
… – ela acabou chamando baixinho, num reflexo que sequer viu chegar antes que o chamado excitado simplesmente escapasse por seus lábios quando ele fechou os lábios sob o decote de seu sutiã e chupou a região, tão bem que simplesmente não achou que era possível voltar a raciocinar direito aquela noite.
Talvez justamente por isso, por conta daquele exato pensamento passar por sua cabeça, como se fosse um desafio ou alguma brincadeira de mau gosto com o universo, ouviu a porta ser forçada em seguida, antes que suas irmãs gritassem lá de fora para que ela abrisse a porta, fazendo com que pulasse para longe de .
— Puta merda. – ela sussurrou, olhando da porta para o amigo, que arregalou os olhos em sua direção.
— O que a gente faz? – ele sibilou num sussurro e ela balançou a cabeça, tentando raciocinar. Nem mesmo se lembrava de ter visto trancar aquela porta, mas céus, que bom que ele o fizera.
— Você… Hm… – ela respirou fundo, tentando fazer com que o oxigênio chegasse mais rápido para seu cérebro para que ela pudesse pensar direito. – Vai para o banheiro, . Fica lá que eu vou distrair elas e você sai pela janela, ok? – ela murmurou, apontando para o banheiro. – Vai e eu… Eu te encontro lá fora num instante.
— Tudo bem, mas se veste. – ele lhe empurrou sua blusa de volta e rolou os olhos, assentindo e fazendo sinal para que ele andasse logo enquanto vestia a blusa.
Depois que o fez, respirou fundo e finalmente abriu a porta para as irmãs, torcendo para não parecer tão culpada quanto, de repente, se sentia.
— Por que você estava trancada, hein? – perguntou assim que passou por ela para entrar e rolou os olhos, contendo a vontade de fazer alguma piadinha sobre onde a irmã estava antes dali. Ela não devia nem mesmo saber daquilo afinal.
— Acabei de sair do banho. – ela deu de ombros e arqueou as sobrancelhas em sua direção, tocando em seu rosto e piscando, confusa.
— Você está suada.
— O quê? – perguntou, olhando de para e então estendendo a mão para tocar o rosto da mais nova também, porém lhe estapeou e empurrou sua mão para longe antes que ela o fizesse.
— É verão, tá quente! É claro que eu suei! – resmungou, falando rápido demais graças ao nervosismo e lhe encarou desconfiada.
— Você está estranha. – murmurou, olhando em volta no quarto. – Ei! Por que a minha cama está toda bagunçada, hein? – olhou da cama para , que arregalou os olhos.
Porra, eles estavam na cama de ?! Mas que porra?!
— E eu que sei?! – ela quase gritou, a voz saindo muito mais afinada do que o normal. – A cama é sua.
— Eu não deixei assim. – insistiu, virando em seguida para encarar , de repente confusa. – Deixei?
deu de ombros.
— Sei lá. – falou, fazendo menção de seguir em direção ao banheiro. correu em sua frente ao notar isso.
— Anh, esqueci uma coisa ai! – gritou, entrando no banheiro e fechando a porta atrás de si antes que qualquer uma das duas pudesse responder.
— Ah, meu Deus, eca! – gritou do lado de fora e apertou os olhos numa careta. O que, pelo amor de Deus, ela viu agora?! – Você estava se masturbando, não é? No banheiro? Por isso está suada! Ai, meu Deus, eca!
! – reclamou também e deu graças a Deus que já havia conseguido escapar do banheiro.
Ele, definitivamente, não precisava ouvir aqueles gritos.
abriu uma fresta da porta do banheiro para encarar as irmãs mais velhas.
, não julga. Você estava dando que eu sei. – apontou para a mais velha, que arregalou os olhos. – O quê? Você acha que eu não reconheço um orgasmo quando vejo um? – acrescentou, debochada, sob seu olhar, e então virou para . – E você, não julga também não. Devia era seguir o meu exemplo, isso sim…
— Que nojo, ! – gritou, empurrando a porta do banheiro para fechar na cara da irmã, que não se conteve e riu, tampando a boca em seguida e trancando a porta do banheiro antes de seguir até a janela para escapar por ali e encontrar .
O garoto esperava por ela de pé ali perto, recostado a uma arvore, e trocou o peso do corpo de um pé para o outro de maneira nervosa quando a viu se aproximar.
— Foi difícil? – perguntou, sem jeito, quando ela chegou perto o suficiente para ouvir e riu, fazendo que não com a cabeça.
—Acredite, você não quer ouvir sobre isso. – respondeu simplesmente, fazendo sinal para que fossem de uma vez. – Vem, vou com você até o seu dormitório. – ela murmurou e ele concordou com a cabeça, seguindo até ela para que andassem lado a lado em direção ao dormitório que ele dividia com os irmãos.
Os dois passaram a maior parte do caminho em silêncio e nem mesmo tentou desfazer aquilo, ciente que, depois de tudo que fizeram e sentiram há pouquíssimo tempo, ficar em silêncio era, no minimo, o que a mente de ambos exigia.
— Posso contar uma coisa? Um segredo? – , por fim, perguntou, quebrando o silêncio e fazendo com que ela desviasse o olhar para o seu, assentindo. respirou fundo, voltando a olhar para frente. – Tudo que eu falei antes da gente, hm… – ele coçou a nuca, sem graça. – você sabe.
— Sei. – ela riu baixo e ele acabou rindo um pouco também por isso.
— Era tudo verdade, mas eu… Eu acho que já vim atrás de você no seu dormitório torcendo, ainda que inconscientemente, que algo assim acontecesse.
— Algo tipo você precisar fugir pela minha janela? – a garota riu e ele fez o mesmo, balançando a cabeça, corado. – Ah, -ah! – apertou uma de suas bochechas, sorrindo. – Não tem que corar perto de mim. Sou só eu.
— Eu sei, -yah. – ele sorriu, virando para olhar em seus olhos a fim de fazer com que ela realmente visse que ele, de fato, sabia. – Eu amo você por tudo que faz pra me fazer sentir mais a vontade e mais confiante. Muito mesmo.
— Ei… – ela lhe abraçou de lado, roubando um beijo em sua bochecha – É bom que ame mesmo, mas não estou fazendo nada demais. Eu sou sua amiga, é parte da minha função. – riu e ele riu também, balançando a cabeça.
— Como você não enlouquece com isso? – perguntou, parando de andar para virar de frente para ela, já a poucos passos da entrada de seu dormitório. Ela lhe encarou sem entender. – Eu sei que somos amigos, eu sei, mas… A gente acabou de se beijar pra caramba, . Como… Como isso não te enlouquece? – ele gaguejou, atordoado pela própria impaciência consigo mesmo, por não conseguir ser daquele jeito, e pelo fascínio por ela conseguir.
— Como não misturo as coisas. – ela murmurou, mais para si mesma do que para ele, enquanto absorvia o que ele tentava dizer, mordendo a própria risada em seguida. Se ele soubesse…
— Sim! – murmurou, parecendo não notar que o murmúrio dela fora apenas um pensamento alto. – Você disse pra eu confiar em você e eu confio, juro, mas me enlouquece que você lide com tudo isso, tudo que estamos fazendo, com tanta tranquilidade quando… Quando, sei lá, , acho que o que estou tentando dizer é que eu não consigo mais pensar em você como pensava antes de tudo isso e… Eu te amo, você é minha amiga, eu sei de tudo isso, mas não consigo mais olhar pra você sem querer te beijar e, ao mesmo tempo, eu me sinto um merda porque nada disso parece estar te afetando como faz comigo e…
— Ok, ok, , respira! – o interrompeu, espalmando as mãos em seu peito e sorrindo quando ele voltou a focar nela, como se saísse de um transe. – Você precisa entender que não tem nada nem remotamente ruim pra mim no que estamos fazendo. Eu quero te ajudar, quero que você se sinta confiante porque isso é importante, porque você é incrível e quero que perceba isso, mas… Caramba, você é incrível, seu idiota! É claro que eu não me importo em beijar você, em deixar que me toque ou tocar você.
— Mas… A gente é amigo. – ele insistiu, baixinho – Isso não te preocupa?
— Um pouco. – ela confessou, rindo fraco e enlaçando seu pescoço com as mãos que antes estavam em seu peito. – Mas, vai saber, talvez a gente acabe por descobrir algo que nunca imaginamos a respeito da nossa amizade. Talvez o quão forte ela é signifique mais do que a gente sempre pensou que significava. – ela deu de ombros, ignorando o modo como a própria pulsação acelerara por falar e pensar naquilo. Céus, como aquilo seria bom. – Vai ficar tudo bem com a gente. Eu nunca faria nada que significasse o contrario.
— Não posso ficar sem você.
— E não vai. – ela garantiu, sorrindo novamente quando ele assentiu e pareceu relaxar um pouco, abrindo um pequeno sorriso. – E… ? – chamou, quando ele se afastou, pronto para seguir para o dormitório. Ele virou para lhe encarar. – Você pode me beijar quando sentir vontade. – soltou uma piscadela em sua direção e ele sorriu fraco, corando, e fazendo com que ela sorrisse também por isso.
Ele acenou para ela e deu as costas, seguindo em direção a porta de seu dormitório. observou e já estava prestes a dar as costas quando ele parou com a mão na maçaneta e correu até ela, trazendo a garota para seus braços e juntando seus lábios sem que ela esperasse, fazendo com que ela apertasse os dedos em sua nuca por reflexo, abrindo passagem para sua língua ainda que o beijo não houvesse durado muito.
— Boa noite, -yah. – ele murmurou, sorrindo ao vê-la ainda de olhos fechados quando ele rompeu o beijo, pousando os lábios brevemente em sua testa antes de se afastar, sorrindo para ela quando a garota abriu, surpresa, os olhos para vê-lo já de volta a porta do dormitório, com a mão na maçaneta.
acenou e ela imitou, um tanto atordoada, enquanto o observava entrar e fechar a porta atrás de si, finalmente deixando-a sozinha para absorver o que acabara de acontecer.
Caramba.
Acontecera mesmo?

 

 

05.

“Se a vida é por um fio
Valeu pra quem já viu
Seu jeito de tocar o coração” – Marcelo Jeneci

estava aprendendo muito com .
Sobre muito, relacionamentos, o amor, enfim, sobre pessoas no geral, mas, principalmente, sobre si mesmo, sobre a própria e sobre os dois, juntos.
Parecia que, desde o dia em que se beijaram pela primeira vez, no quarto dela, cada momento que passavam juntos vinha com algo novo, algo especial. Claro, estar com sempre fora bom, ela era a melhor amiga de , mas aquele não era o ponto. Estar com ela, além de bom, passara a ser uma experiência, sempre intenso e sempre inesquecível.
sentia que podia recitar palavra por palavra de tudo que ela dissera para ele desde que chegaram ao acampamento, como se fosse poesia.
Naquele momento, estava na casa da árvore em que ficaram durante o “Capture a Bandeira”, no primeiro dia do acampamento, sentado encostado a uma parede, enquanto, a sua frente, estava sentada encostada a outra, ambos com as pernas esticadas de modo que seus pés quase se tocassem, rindo juntos em meio às tentativas de de ensinar a flertar.
Ele estava aprendendo muito com ela, mas aquilo, no entanto, ainda estava sendo um problema.
— Eu não vou falar isso, é ridículo. – reclamou pelo que lhe pareceu a enésima vez e a garota rolou os olhos.
— Mas todo mundo fala, ! É ótimo pra quebrar o gelo! – insistiu, de maneira impaciente e ele lhe encarou de maneira cética. Não dava para acreditar que ela quisesse que ele simplesmente tentasse dizer algo como “você vem sempre aqui?” sem se sentir estúpido.
— Ótimo pra levar um fora também. – resmungou, fazendo a amiga bufar, frustrada.
, flertar nem é tanto sobre o que se fala. Tem a ver com confiança, você só tem que demonstrar, realmente, achar que está falando a melhor coisa que aquela pessoa vai ouvir a noite toda. Melhor ainda, tem que demonstrar que você é a melhor pessoa de quem ela vai ouvir algo a noite toda. – explicou, impaciente e rolou os olhos, tão impaciente quanto ela.
— Então, é inútil me ensinar isso. Eu nunca vou ser capaz de fazer uma garota pensar isso. – deu de ombros e não disse nada por um instante, lhe encarando em silêncio enquanto se perguntava como aquilo era possível, como era possível que ele pensasse aquilo.
não teve coragem de encará-la para tentar interpretar aquele olhar, desejando poder simplesmente retirar o que dissera ao invés disso. Odiava como soara tão complacente consigo mesmo. Ele queria, mais do que tudo, ser confiante, fora por esse motivo que pedira ajuda a para inicio de conversa, mas sequer acreditava que aquilo era possível e aquilo talvez fosse o que mais lhe incomodava. Ele queria algo que sequer acreditava ser possível, era o que ele mais queria.
— Não faz isso. – murmurou, chamando sua atenção de volta para si e o garoto ergueu o olhar para lhe encarar. Ela lhe encarava com angústia preenchendo os olhos. – Sei o que está pensando. Não faz isso.
— Você sabe? – ele retrucou, mais azedo do que gostaria, mas não pôde se conter. – Como pode saber? Você não é assim, . Você é tudo, menos insegura e não é como se pudesse entender. Eu sei que acredita que só palavras são o suficiente, que se eu disser a mim mesmo que eu sou sim bonito e capaz, então eu vou passar a acreditar, mas não é assim. Não é mesmo assim.
— Eu sei que não. – ela murmurou, num fio de voz, e observou em silêncio enquanto ela se arrastava para sentar ao seu lado, não sendo capaz de interpretar a expressão no rosto da amiga dessa vez. – Você se lembra daquele cara com quem eu estava saindo há uns três anos? No inicio do nosso ensino médio? – questionou e, um tanto confuso, assentiu. Ele não lembrava o segundo nome dele, mas conseguia visualizá-lo, dar um rosto a pessoa, ainda que de maneira meio borrada graças a memória fraca. Ele era mais velho que eles, um pouco mais velho que e também e manteve seu relacionamento em segredo justamente por isso, só e Belle sabiam dos dois e nem mesmo eles aprovavam, mas era teimosa. Ela passou meses com o cara mesmo assim e, pior, assistiu sua melhor amiga completamente apaixonada por um cara que era tão, mais tão ruim pra ela. Absolutamente tudo o que compunha uma pessoa tóxica podia ser encontrado nele. – Bom, eu transei com ele. Ele foi o meu primeiro. – ela falou, um tanto distante, porém ainda com aquela simplicidade típica dela. sempre fazia parecer que era capaz de falar sobre todo e qualquer assunto.
ficou surpreso em ouvir aquilo. Ele nunca realmente pensara sobre a primeira vez dela, com quem havia sido ou como havia sido, mas não esperava que com ele. Não esperava que houvesse chegado a tanto. era tão nova na época.
-yah, ele? perguntou baixinho, sentindo-se péssimo pela amiga mesmo antes de ouvir o restante da história. Ela riu fraco e puxou sua mão para seu colo, segurando-a entre as suas.
— Eu não era tão esperta naquela época. E gostava dele. – deu de ombros, como se aquilo explicasse tudo. Para o seu eu de quinze anos, fora razão o suficiente, afinal de contas. – Havia uma coisa sobre ele. Kasper fazia muitos jogos comigo, ele bagunçava a minha cabeça e me fazia acreditar que não estava me esforçando o suficiente para o que tínhamos dar certo. Eu ainda era uma criança, é claro que aquilo não daria certo, mas… – ela deu de ombros, a voz morrendo enquanto ria sem muito humor. – Ele dizia que gostava de mim, mas que eu ainda agia como criança ás vezes e aquilo não podia acontecer. Dizia que aquilo atrapalharia a gente e eu não queria que aquilo acontecesse, afinal gostava tanto dele. E adorava o fato de que ele tivesse me escolhido, o que soa muito estúpido agora. Ele me escolher… – ela cuspiu as palavras, distraída com as lembranças do relacionamento e se ocupou apenas de ouvir, olhando para suas mãos juntas. Não achava que tinha a capacidade de olhar para seu rosto agora, ouvindo sobre tudo que aquele homem desprezível lhe fizera sentir. – Aquilo não devia me fazer sentir especial, aquilo só era errado e esquisito. Ele não tinha o direito de me escolher, não é assim que relacionamentos devem funcionar. Não é assim que você se apaixona, escolhendo… – ela rolou os olhos, pensando em quão estúpida seu eu do passado era antes de balançar a cabeça, tentando se concentrar em relatar para o que era sua intenção relatar desde o inicio. – Meu ponto é que tudo no nosso relacionamento era extremamente errado, eu fui manipulada do inicio ao fim. Quando nós transamos, eu odiei tudo. Só queria que ele parasse, queria chorar, mas não podia, não queria que ele brigasse comigo ou dissesse que eu não estava me esforçando outra vez, porque eu estava. Estava me esforçando tanto…
-yah, você não tem que me falar isso. – ergueu o olhar para ela ao lhe interromper, sentindo o peito apertar por flagrá-la limpando uma lágrima que escorria em seu rosto.
— Não, tudo bem. – ela sorriu, lhe encarando brevemente e quis abraçá-la. era tão forte. Como ele nunca soubera daquilo? Como ela fizera para superar? A garota era tão confiante, cheia de vida o tempo todo… Como… Como… Porque alguém faria qualquer coisa daquele tipo com alguém como ela? Havia tantas perguntas em sua cabeça que ele começava a sentir vertigem. – Eu não me importo de falar, já faz muito tempo. Está tudo bem agora. – ela lançou um sorriso mais firme ao amigo, que não respondeu de imediato, sentindo-se pequeno e impotente por só agora estar descobrindo que sua melhor amiga passara por tanta coisa.
— Suas irmãs sabem? Na época, alguém… Alguém fez alguma coisa?
— Bom, quando ele dormiu, eu fugi. Cheguei em prantos na casa de Belle e, é claro, depois disso ela não teve outra opção se não contar tudo. Explicou aos pais sobre o meu segredo e eles ligaram para meu pai, que foi me buscar na casa dela com e . Os três me abraçaram e choramos juntos por muito, muito tempo, depois que os pais de Belle explicaram para meu pai o que estava acontecendo. e escutaram escondidas, eu me lembro de tê-las visto encolhidas perto da porta do escritório da mãe de Belle. Belle ficou comigo o tempo todo, me abraçando e me fazendo beber água, já que eu não parava de chorar. – ela explicou, lembrando-se com clareza de tudo a respeito daquela noite. – Mas o meu ponto é que, depois disso, eu fiquei devastada. Fiquei alguns dias sem ir pra escola, lembra?
— Suas irmãs disseram que você estava doente. – murmurou, lembrando-se vagamente de ter passado algumas semanas sem ir para escola. – Elas disseram que você estava com catapora e, como eu não havia tido, as minhas mães não me deixaram ir ver você. Me lembro de ter odiado aquilo. – ele fez uma careta, arrancando um sorriso fraco de , que balançou levemente a cabeça, apertando suas mãos juntas.
— Eu nem levantava da cama se não me obrigassem. Não queria comer, não queria fazer nada – ela contou, passando o polegar por cima da mão de , acariciando-a. – Kasper destruiu toda confiança que eu tinha em mim mesma, ele vinha fazendo isso desde a primeira vez que disse que eu era linda e parecia mais velha, e quando me levou pra cama… Bem, foi como a gota d’água. E não importava quantas pessoas dissessem que eu era linda, jovem e forte, que eu ia superar aquilo. Não importava quantas vezes minhas irmãs diziam que me amavam, eu não me sentia amada. Ou bonita. Ou forte. – dizia, fazendo o peito de voltar a se apertar diante de suas palavras. – É um processo diário, . Acreditar na gente. Não é fácil e não acontece de uma hora pra outra, nem acontece só porque outra pessoa, alguém que a gente confia, disse algo legal sobre a gente. Eu sei. – o ênfase dado pela garota a palavra fez o nó na garganta de apertar ainda mais e, sem conseguir mais ouvir aquilo sem reagir, ele a puxou para si e apertou a garota em seus braços, abraçando-a com força, esperando poder fazê-la sentir todo o amor que ela merecia através daquele abraço.
— Eu odeio que você tenha tido que passar por isso. – ele murmurou baixinho, com a cabeça dela escondida em seu peito, o queixo apoiado no topo dela. – Eu te amo, -yah. Eu sabia que você era forte, conheço a dor de não ter um pai, ou, bem, dois, – ele riu da própria piada idiota e rolou os olhos, limpando as lágrimas que escaparam enquanto se abraçavam. – mas a verdade é que você é muito mais forte do que qualquer coisa que eu tenha imaginado.
— Eu fiz terapia por alguns meses. – ela contou, permitindo que lhe aninhasse entre as pernas dele, deitando a cabeça em seu peito e voltando a esticar as pernas. – Papai, , e Belle, me ajudaram muito. Foi um período difícil, , mas é passado. E, quando me deitei com um garoto pela segunda vez, eu tinha absoluta certeza de que era aquilo que eu queria. Assim como em todas as outras vezes depois disso. – riu, fazendo rolar os olhos para a piada fora de hora, mesmo que, na verdade, ele estivesse feliz em ouvir aquilo. estava imensamente feliz que era exatamente como era, sabendo quão pior as coisas poderiam ter terminado. – Não faça essa cara, estou falando sério. – ela acrescentou, rindo outra vez e riu também, beliscando-a de leve.
— Você nem está vendo minha cara.
— Mas te conheço, sei que cara está fazendo. – ela falou como se fosse obvio. – O que eu quero dizer é que, parece que não, mas eu sei sim como é sentir as coisas que você sente, . E como é difícil superar todas elas. Mas quer saber o que eu fiz? – ela ergueu o olhar para encarar , que baixou o seu para ela também, permitindo que seus olhos se encontrassem. – Eu me descobri. Descobri tudo que era capaz de fazer, tudo que queria fazer e tudo que precisava fazer. E acredite em mim, baby, não vale a pena deixar que nada te impeça de descobrir e fazer essas coisas, porque nada, nada no mundo, é tão bom quanto acreditar que podemos fazer algo. Que, no fim das contas, somos só gente. E gente não tem que ter medo de gente, nós somos todos iguais, sentimos igual e não tem nada que o outro possa fazer que deva nos impedir de acreditar na gente, porque o outro não é melhor que a gente. Ninguém é.
passou um longo instante em silêncio ao ouvi-la, não conseguindo, no entanto, desviar o olhar o seu. podia tornar tudo tão simples que não se surpreenderia se, só por tocá-lo, ela lhe fizesse sentir leve como uma pluma. Ela era tão, mais tão incrível, doce e verdadeira, simples e boa, genuinamente boa. Forte. E ele sentia que podia continuar com aquela lista por dias, meses.
O garoto sentia, de fato, o coração leve como se houvesse estado por tempo demais debaixo da água e ela lhe puxasse para fora, permitindo que ele respirasse de novo. Que puxasse o ar puro para dentro e colocasse para fora a água que machucava tanto seus pulmões.
Ele simplesmente não conseguia parar de olhar para como se ela fosse a coisa mais bonita que ele já vira, certo que, naquele momento, era exatamente o que ela era. A coisa mais linda, verdadeira, forte e talvez até divina que ele já vira. queria falar tudo aquilo para ela, queria que ela soubesse tudo que ele pensava dela, mas não achava que conseguiria, não era exatamente bom com as palavras, e pensou em beijá-la, fazê-la sentir o que ele estava sentindo, todo o amor que transbordava em seu peito, mas a verdade é que, mesmo ela tendo dito que ele podia fazer aquilo quando quisesse, o simples pensamento fazia seu coração martelar forte no peito e as bochechas corarem, de modo que ele teria precisado de mais tempo para realmente ir em frente com aquilo. Ele acabou não tendo aquele tempo, já que em seguida seu telefone tocou no bolso, lhe assustando antes que ele o puxasse dali, surpreso ao ver que suas mães tentavam fazer uma chamada de vídeo com ele.
— São minhas mães. – murmurou, olhando brevemente para antes de se voltar para o celular e ela fez sinal para que ele atendesse, deitando-se junto com de barriga para baixo em seguida, com ele estirando o braço com o celular para que os dois aparecessem na tela quando atendeu. – Oi, mães!
-ah, querido! Que saudades da sua carinha! – Suran, uma de suas mães, falou, sendo a única a aparecer na tela quando ele atendeu. – , querida, oi! O que vocês dois estão aprontando, hein? – olhou com um sorriso saudoso de um para o outro e os dois sorriram também.
— Só conversando. Estamos com tempo livre. – explicou, sem querer dar nenhum detalhe sobre sua conversa. Ele se sentia culpado de precisar ou mesmo querer esconder qualquer coisa de suas mães, mas não podia evitar sentir aquilo a respeito de sua conversa com . Tudo a respeito daquela conversa era pessoal demais, pesado demais e algo que, enfim, ele preferia que fosse só deles. – Onde está a mamãe?
— Bem aqui, bem aqui! – sua outra mãe, Yara, gritou, aparecendo de repente na tela e fez uma careta para o grito, arrancando uma risada divertida de . – O que foi? Só estou feliz de te ver. – ela murmurou diante da careta do filho mais novo. – Como está tudo aí? E seus irmãos? Não estão aprontando nada, estão? Eu vou mandar um email para a escola para checar assim que terminar de corrigir as provas. – ela avisou, apontando o dedo de um para o outro e rolou os olhos.
Sua mãe era professora de história em uma universidade muito famosa em Seul. Não era fácil ser filho de uma professora de história, ela sabia de tudo.
— Está tudo bem, mãe. e estão bem também, provavelmente estão na cachoeira ou na sala de jogos agora. Ou, bem, pode muito bem estar no quarto, ele gosta muito de ficar jogado na cama – deu de ombros.
— Ah, não, ! Não deixe seu irmão desperdiçar o verão na cama, por favor! – Suran reclamou ao ouvir, focando em em seguida. – -yah, por favor, ajude o com isso. Não suporto essa mania do , argh!
— Tudo bem, Suran-shi! – garantiu, curvando a cabeça para frente como se fosse fazer uma reverencia, já que deitada como estava, não podia de fato fazer uma.
— Seria só mais uma coisa na qual ela estaria me ajudando, de qualquer forma. – acrescentou baixinho, muito mais para si mesmo do que para qualquer uma das outras três na conversa, de modo que foi inevitável fazer uma careta de desgosto quando uma de suas mães perguntou o que ele dissera. – Não disse nada. – mentiu, dando de ombros e arqueou as sobrancelhas em sua direção, como se perguntasse se aquilo era sério.
deu de ombros, numa expressão típica de: vai que cola.
? –Yara insistiu, agora desconfiada e Suran rolou os olhos.
— Yara jagi, deixe as crianças. Se tiver algo para nos dizer, ele vai dizer. – ela olhou de soslaio para a tela, na direção do filho, que coçou a nuca e desviou o olhar. lhe beliscou por isso, fazendo sinal para que parasse de se entregar. – Já fizemos o que queríamos e ligamos pra checar se ele estava bem, agora vamos deixá-lo curtir as férias como prometemos fazer.
— Mas Suran-ah, ele é o mais novo… – a outra tentou se justificar, suspirando ao receber um olhar duro de sua esposa por isso. – Tudo bem, tudo bem. Divirtam-se aí, queridos. Se cuidem e, se precisarem de qualquer coisa, nos liguem. Vamos correndo. – avisou, se despedindo e rolou os olhos antes de se despedir também, dizendo que as amava antes de, por fim, desligar.
Quando o garoto pôs o celular de lado, deitou no chão da casa da arvore e fez o mesmo, virando de lado para lhe encarar. sorriu quando seus olhares se encontraram, fazendo com que ela sorrisse também, mesmo que não soubesse por que estavam sorrindo.
— O que foi? – ela quis saber, curiosa.
deu de ombros, o que pareceu um tanto cômico com ele deitado daquele jeito.
— Você é bonita. – ele riu e ela riu do modo bobo como ele dissera aquilo.
— Você também.
riu ao ouvir, estendendo o braço e tirando o cabelo da garota do rosto, fazendo-a fechar os olhos quando passou a acariciar seu rosto em seguida. era tão bonita. Eles poderiam passar o dia todo ali e ele não ia reclamar, certo que nada lhe deixaria mais satisfeito do que poder simplesmente olhar para ela e, pelo menos naquele momento, nem mesmo ligou para o modo como aquilo soava. Só sabia que gostava de estar com ela, de tudo sobre ela e aquilo era o suficiente, por ora.
Antes que pudesse realmente pensar sobre o que fazia, sequer se dando conta do impulso que guiava seus movimentos, inclinou o rosto em sua direção e roçou o nariz ao dela, fazendo com que estendesse o braço para tocar sua cintura por reflexo, aproveitando o carinho que ele fazia nela com o nariz antes que o garoto beijasse o canto de sua boca, fazendo com que ela apertasse os dedos em sua cintura por cima da roupa, respirando de maneira falhada contra seu rosto antes que , por fim, lhe beijasse.
O encontro de suas línguas não veio acompanhado do nervosismo costumeiro de , envolto apenas pelos instintos de ambos, que não trataram aquele momento como uma tentativa de chegar a algum lugar, uma aula ou o que quer que fosse. Era só um beijo, só uma demonstração do sentimento que, dia após dia, crescia em seus peitos e imiscuiu as mãos nos cabelos de ao mesmo tempo em que ele a puxava mais para perto, de modo a entrelaçar suas pernas.
Ainda assim, foi um beijo completamente inocente, que eles finalizaram com uma série de selinhos antes que ele roçasse novamente seus narizes, exatamente como fizera antes de beijá-la. E desejou continuar fazendo aquilo pelo resto da vida, beijando-a com tranquilidade e experimentando deixar que aquela sensação quente, gostosa e terna dentro dele lhe dominasse e agisse por ele, deixar que tudo acontecesse sem que precisasse pensar tanto.
Sabia que não poderia, que logo os pensamentos voltariam a encher sua mente e deixá-lo nervoso e ansioso como de costume, e, talvez por isso, fez o seu melhor para aproveitar o tempo que lhes restava naquela bolha de tranquilidade. Seja quanto tempo fosse.

+++

Quando chegou ao gramado onde seus colegas estavam todos reunidos, acompanhados dos professores e instrutores do acampamento, se preparando para mais alguma atividade promovida pela viagem de férias, ele sentia as costas doerem.
As costas de doíam porque ele pegara no sono na casa da árvore onde estava com há pouco mais de uma hora. Não fazia parte dos planos deles simplesmente passarem a tarde dormindo, muito menos ali, mas depois da conversa que tiveram tudo estava, ao mesmo tempo, leve e pesado de um jeito que nunca sentira antes. Eles terminaram abraçados, concentrados na respiração um do outro, até que, finalmente, pegaram no sono.
Depois disso, foram cada um para seu dormitório tomar banho para encontrar os outros, mas acabou se distraindo com um joguinho no celular e levando tempo demais para sair do dormitório e encontrar o resto da turma.
, controla o seu namorado, por favor?! – resmungava quando chamou o amigo com a mão e ele seguiu até onde ela estava, perto de , e .
— Tudo bem, mas você precisa admitir que ele não está errado. – retrucou e lhe fuzilou com os olhos, se esticando para estapeá-la e fazendo com que lançasse um olhar confuso para . O que estava acontecendo ali?
meio que insinuou que queria tirar a roupa do e agora ela está morrendo de vergonha. – a garota explicou, aos sussurros e assentiu. estava, definitivamente, passando muito tempo com .
— E qual é o jogo de hoje? – ele perguntou, mas antes que pudesse responder, um dos instrutores chamou sua atenção, lhe estendendo um revolver vermelho e fazendo com que o garoto olhasse assustado do revolver para o mais velho, que rolou os olhos.
— Saberia se não estivesse atrasado. – respondeu simplesmente, empurrando o revolver contra seu peito e obrigando a segurá-lo. Só ao fazê-lo, descarregando para olhar por dentro, ele notou que o revolver estava carregado com pequenas bolinhas coloridas.
— O jogo é parecido com o Capture a Bandeira, o intuito é, basicamente, o mesmo. Mas vamos usar um colete que muda de cor quando é atingido pela tinta. Quando ele mudar de cor, significa que fomos capturados pelo outro time e agora pertencemos a ele. O time que encontrar a bandeira primeiro, ou capturar o líder do outro time, ganha. – explicou ao notar encarando as bolinhas no revolver com sua expressão tipicamente confusa e ele olhou dela para o revolver, assentindo e colocando as bolas de volta no lugar.
— Entendi. – murmurou – Já separaram os times?
— Não, os coletes foram distribuídos de maneira aleatória, e, quando colocarmos eles vão assumir a cor que representa o nosso time. O líder é escolhido depois, eu acho. – deu de ombros, vestindo o próprio colete e lhe imitou, observando os outros fazerem a mesma coisa.
Logo ele viu um mar de coletes se tornarem rosa neon, enquanto outra parte deles, tão grande quanto, se tornava azul, também num tom propenso a causar fortes dores de cabeça.
— Olha, , estamos em times diferentes. – observou, apontando seus coletes e estreitou os olhos em sua direção enquanto as pessoas ao redor dele começavam a se dissipar, juntando-se com os times correspondentes.
— Graças a Deus, que sabe que eu te mataria se você continuasse muito perto. – ela disse simplesmente e ele riu, balançando a cabeça e a mão, como se fizesse pouco caso de suas palavras.
— Não foi o que eu quis dizer. – falou. – Quero sugerir uma aposta: Se eu ganhar, você tem que tomar alguma atitude a respeito do
— Eu não tenho que fazer nada! – exclamou, ultrajada, falando mais alto do que era necessário, de modo a chamar atenção das pessoas ao redor e arqueou as sobrancelhas em sua direção. , obviamente, se encolheu ao notar o que fizera. – Eu não vou apostar nada com você, Park. – ela resmungou, por fim, rolando os olhos.
— Nem se eu disser que deixo você pintar meu cabelo se eu perder? – ele retrucou, fazendo com que ela lhe encarasse desconfiada. – Da cor que quiser. – acrescentou, sabendo que seria difícil para a garota resistir aquilo.
adorava poder colorir os cabelos, os dela eram prova daquilo, assim como adorava também fazer maquiagem, mexer com figurinos, enfim. Ela gostava de toda aquela coisa do visual e aquilo não era segredo para ninguém, de modo que sabiam que , provavelmente, tinha uma cor em mente para o cabelo de cada um ali justamente para oportunidades como aquela. Mas, bem, o que estava na balança… não sabia se aceitaria se fosse ela e apostava que ela também estava, no minimo, incerta. Os dois eram muito parecidos, em termos de personalidade.
— Não. – decidiu por fim, porém seu tom era baixo e nenhum pouco firme. arqueou as sobrancelhas em sua direção outra vez, como se perguntasse se ela tinha certeza e a garota mordeu o lábio, grunhindo. – Aish! Não podemos apostar outra coisa? – ela reclamou, lhe encarando pedinte e ele riu.
— Ok, eu posso ser mais direto. Se eu ganhar, você tem que beijar o hyung na boca e confessar o que sente por ele. – devolveu e a garota soltou um gritinho de horror, tapando a boca em seguida.
, sorrateira que só ela, aproximou-se de e sussurrou algo em seu ouvido, fazendo a garota corar e encarar a irmã mais nova insegura e ansiosa ao mesmo tempo. assentiu, lhe incentivando, e trocou o peso do corpo de um pé para o outro, curioso.
— Certo, mas se eu ganhar… – começou, olhando insegura de para e depois para , se encolhendo um pouco sob o olhar desconfiado que recebeu da mais velha. – Se eu ganhar, eu posso pintar seu cabelo, suas unhas, depilar suas pernas e te vestir num vestido da . E você vai ter que desfilar! Pra todo mundo! – soltou de uma vez e arregalou os olhos, fazendo que não.
— De jeito nenhum! Não, não, não! – exclamou, não falando mais rápido apenas porque o choque que a proposta lhe fizera sentir retardara sua fala. – Nunca!
— Jagi. – interveio, aproximando-se do namorado. – É por uma boa causa, e, você não vai perder. – ela disse baixinho e arregalou, ofendida, os olhos.
— Vai sim! E você está no meu time, !
— Desde que você nasceu, . – retrucou, impaciente, e a outra fez bico, sem realmente notar que o fazia. fazia bastante aquilo também, segundo , e ele sorriu sozinho ao notar. – Estou tão no seu time que quero que perca esse jogo estúpido para ganhar o que realmente importa. – acrescentou e lhe encarou com raiva por não poder retrucar.
— Insuportável. – acusou por fim e rolou os olhos, intervindo outra vez:
— Ok, apostado. – ergueu a mão para que apertasse e ela respirou fundo antes de finalmente o fazer, de repente tão nervosa que tinha medo de começar a tremer do nada.
, você está no meu time. – chamou, aproximando-se deles e pulou de susto por isso. olhou em sua direção e acenou para ela, sorrindo um pouco. – Uma pena, . – murmurou, apontando para seu colete e ela sorriu fraco, assentindo.
— Sim, sim. – disse, desajeitada e riu, puxando consigo para saírem dali. Quando o fizeram, virou para encarar , pálida feito papel. – , o que eu fiz?! E se eu perder? Não posso simplesmente beijar ele, não posso…
— Beijar e confessar o seu amor. – corrigiu, rindo quando lhe encarou, no minimo, irritada. – Credo, não me olhe assim. Só estou falando.
— Chega de falar. Vamos jogar. E vencer! – ela avisou, apontando o dedo na direção da mais velha, que empurro o dedo dela pra longe antes que formassem uma roda com o restante do time para discutir estratégias e eleger um líder.

….

— Você quer ficar quieto?! – reclamou, puxando a cabeça de para trás e fazendo com que erguesse o olhar do rabisco que fazia em sua mão, sentada ao seu lado na cama do garoto. – A tinta não machuca, Park.
— Mas coça! – reclamou, num resmungo para o qual rolou os olhos, lhe imitando de maneira afetada e fez menção de levantar da cadeira para reclamar, tendo as mãos de alcançando rapidamente seus joelhos, impedindo.
— Você apostou, jagi. – ela lembrou e ele resmungou, frustrado, enquanto se jogava de volta no lugar.
apenas rolou os olhos quando ele o fez, voltando a passar a tinta por seu cabelo enquanto arqueava as sobrancelhas, olhando dos três para , que imitou sua expressão, com o mesmo olhar divertido que ele. Os dois sempre se divertiam muito mais do que devia realmente ser justificável assistindo os mais velhos em momentos como aquele.
— Sabe, você devia parar pra pensar no motivo de eu ter apostado. – comentou de repente, mas não se moveu do lugar para o fazer. Como ele estava de olhos fechados, não notou, mas todos os olhares foram para seu rosto naquele momento, esperando que ele continuasse. – Eu me importo com você, . Sei que gosta do hyung e só inventei essa aposta pra você ter uma desculpa pra falar com ele. É uma pena que eu tenha perdido, mas devia pensar sobre isso.
fora escolhida como líder de seu time, sua desempenho no último “Capture a Bandeira”, claramente, ainda dando o que falar entre seus colegas, enquanto, ironicamente, foi escolhido como líder do outro time. fora uma escolha surpreendente, já que, apesar de ele ser bom em jogos no geral, era, no minimo, esquisito imaginá-lo como líder e falaria aquilo sem qualquer peso na consciência se perguntassem, mesmo que estivesse falando, justamente, de seu irmão mais velho. Um mero detalhe que não realmente mudava nada.
provara aquele ponto, aliás.
Ela não ganhara o jogo, não. Ela, como líder, ganhara o jogo capturando o líder do outro time, o que lhe rendeu dez pontos extras, para a próxima atividade recreativa proposta pelo acampamento.
— Eu não vou simplesmente não pintar o seu cabelo, se é isso que quer. – murmurou depois de vários instantes e rolou os olhos, arqueando as sobrancelhas para a irmã como se perguntasse se aquilo era sério. deu de ombros.
— Tudo bem, mas pelo menos fala com hyung. – insistiu e a garota descolorindo seu cabelo mordeu o lábio. Nem , nem ninguém ali precisaram de muito para saber que ela não queria aquilo, mas que não saberia como negar o pedido a depois de tudo que ele dissera. – Não precisa falar que você gosta dele, só fala alguma coisa. Demonstra interesse. – o mais velho deu de ombros ao acrescentar e fez uma careta, olhando de para como se pedisse ajuda, o que foi uma péssima ideia.
Elas meio que concordavam com e aquilo ficou bem claro pelo olhar de ambas.
pode até sentir a mesma coisa e só não agir porque você não demonstra o que sente. – murmurou, cuidadosa, dando de ombros em seguida e engoliu em seco, encarando o couro cabelo de enquanto pensava a respeito e olhou pelo canto do olho para sem realmente pensar sobre o que fazia enquanto isso.
sabia que seus sentimentos por sua amiga mudavam, um pouco mais a cada dia, no fundo não tinha como realmente negar aquilo e ele sabia, porém de repente as palavras de pareciam lhe atingir com mais força do que ele podia realmente esperar.
Desde que desabafara com ela, quando e quase flagraram os dois no dormitório delas, ele vinha lidando até bem com aquilo, escutara tudo o que dissera e colocava em prática os conselhos que ela lhe dera. Confiava nela e, se ela dizia que ia ficar tudo bem, ia ficar tudo bem, mas ele não podia realmente ignorar aquilo. A possibilidade, ainda que mínima, de não ficar.
E se aquelas lições mudassem tudo entre eles, para sempre? E se ele terminasse, de fato, apaixonado por ela? não achava que existia qualquer possibilidade de, um dia, ela retribuir um sentimento como aquele vindo dele.
Aquela era, justamente, a diferença entre eles e e . Ele apostava que gostava de também e, de repente, se sentiu frustrado e cansado. Será que não via que só estava desperdiçando tempo?
Ela podia estar com a pessoa que gostava ali, se só… Se só fizesse alguma coisa.
— Não, não pode não. – murmurou por fim, balançando a cabeça como se encerrasse o assunto e ergueu o olhar para ela, balançando a cabeça também antes de jogá-la para trás, suspirando de maneira pesada.
— O que foi? – virou para lhe encarar, confusa com sua atitude e ele balançou rapidamente a cabeça, certo que nem se quisesse saberia como responder aquilo. Eram coisas demais, no fim das contas. Todas relacionadas a ela, mas ainda assim, coisas demais, que ele ainda não entendia o suficiente para simplesmente compartilhar.
— Ok, agora a gente só espera. – murmurou mais alto, referindo-se ao cabelo de , que estava todo dividido, com a tinta já agindo por toda sua extensão. O mais velho ergueu o olhar para ela, não precisando realmente falar algo para que soubesse o que ele pensava e a garota suspirou. – Eu vou pensar, .
Ele assentiu, parecendo decidir que, por ora, aquilo era o suficiente e então estendeu as pernas para , jogando os pés em seu colo.
— Agora, você, pinta minhas unhas. – ordenou, movendo os dedos do pé de maneira exagerada para chamar sua atenção e a garota arqueou as sobrancelhas na direção dele.
— Você está gostando disso de um jeito quase preocupante. – avisou e riu, sentando-se ao lado de , levando consigo uma sacola com esmaltes e o resto do material de manicure.
— Eu cuido de um pé e você do outro. – sugeriu e assentiu, permitindo que a irmã abrisse a sacola entre as duas.
— Eu também quero! Posso fazer as mãos? – interveio e olhou de para , depois para , rolando os olhos, porém sem discutir. – O me ajuda.
— Eu não quero fazer isso. – fez uma careta para a ideia, mas ignorou, já lhe puxando na direção de onde estava sentado, numa cadeira giratória perto da ponta da cama de , onde e estavam sentadas, cada uma com um de seus pés no colo. – , eu disse que não quero. – resmungou quando ela fez com que ele se sentasse ao lado de , puxando uma cadeira para se sentar do outro lado.
— Para de reclamar, vai ser divertido. – retrucou simplesmente, puxando uma das mãos de para começar e suspirou, assistindo o que ela fazia antes de imitar, sem ter muita ideia se estava indo, de algum jeito, bem.
— Já vai se acostumando. – murmurou, de repente, e ergueu o olhar para lhe encarar ao notar que era com ele. – Com as garotas, a gente perde toda e qualquer discussão. – acrescentou e abriu a boca, prestes a retrucar que não era assim com , que nem mesmo tinham um relacionamento do tipo que acontecia coisas como aquela, porém antes que realmente falasse, a porta do quarto foi aberta.
parou na entrada, arqueando as sobrancelhas para a cena que via: na cadeira giratória, com quatro pessoas ao seu redor, fazendo suas unhas, enquanto seu cabelo assumia uma coloração que lembrava muito algodão doce.
nem precisou passar muito tempo olhando pra notar a interrogação em seu olhar, rindo baixinho e desviando o olhar novamente para a mão do irmão mais velho.
— Vocês não deviam estar aqui. – , por fim, murmurou, entrando no quarto e fechando a porta enquanto focava o olhar nas garotas, que, realmente, não deviam estar ali. Não era permitido que garotas ficassem no dormitório dos garotos ou vice-versa, mas não era como se alguém, realmente, ligasse pra aquela regra.
O segredo, afinal, era não ser pego.
— Não quer ajudar? Pode depilar as pernas do , se quiser. – murmurou ao invés de discutir aquilo e arqueou as sobrancelhas em sua direção, como se perguntasse se era sério, ou, bem, se ela sabia com quem estava falando, o que fazia mais sentido vindo de , mas então, um instante depois, como se sua mente desse um estalo, ele sorriu.
— Com uma gilete?
— Não, não, não! – interveio imediatamente, puxando os pés de volta e lhe xingou por isso.
— Eu borrei, !
— O não vai me tocar com uma gilete! – avisou simplesmente, ignorando-a completamente e riu por isso.
— Eu hein, só estava tentando ser útil. – deu de ombros, rindo baixinho quando o olhar dos outros quatro rumou para seu rosto, com uma única expressão representada no rosto de todos: Deboche. – Tudo bem, vou ler meu livro e fingir que não estão aqui. – murmurou, puxando o livro que estava debaixo de seu travesseiro e rumando para a cama de , já que a sua estava ocupada.
— Você é um bundão, . – resmungou e riu, estreitando os olhos e desviando o olhar para a bunda de , fazendo rolar os olhos para a atitude que era, na verdade, típica dela.
— Acho que a bunda dele é bem gostosinha, na verdade. – ela retrucou, piscando para , que entrou na brincadeira e devolveu a piscadela.
Novamente, rolou os olhos e riu por isso, voltando a focar na mão de .
Em pouco tempo, no entanto, alguma outra piadinha fez com que voltasse a puxar os pés e estragasse o trabalho das garotas, o que irritou ao ponto de ela se levantar para estapear o namorado, que correu para fugir dela, com logo atrás para fazê-lo parar para que ela terminasse seu trabalho.
riu e desviou o olhar para , que ria também, sorrindo para ele quando seus olhares se encontraram, um instante antes de voltarem a desviar o olhar para os outros três, que ainda corriam pelo quarto. olhou para o rosto de cada um ali, e suas irmãs, seus irmãos, e sorriu sozinho, de repente sentindo o coração aquecer de um jeito quase irracional, mas que, para ele, fazia todo sentido: Era sobre se dar conta da sorte que tinha por ter terminado exatamente ali, na família das Park, podendo chamar de melhor amiga e conviver com todas aquelas pessoas, que, não mentiria se perguntassem: Amava tanto…

Nota da Autora:
Oiiiii!!!!!! Dois capítulos de vez, uhu!!!!!!! Pelo menos pra alguma coisa meu bloqueio tá servindo HAHAHA Então, meninas, estão gostando? Em breve Sinosijak vai ganhar trailer e eu ‘tô tão ansiosa pra ver, ces nem sabem! HAHAHA
Aproveitar, aliás, e deixar o link da playlist da história aqui. Contem todas as músicas mencionadas em todos os capítulos escritos! Espero que gostem! Dêm um alô, tá?
Beijão!

06.

“Seu rosto é algo entre
Inexpressividade e um sorriso de criança
Essa arriscada diferença de temperatura
Serei capaz de lidar com você?” – EXO

Naquele acampamento, a noite da fogueira acontecia de um jeito um tanto diferente do tradicional. Pelo que suas irmãs explicaram para , muito embora acontecesse uma fogueira tradicional, com pessoas sentadas ao redor do fogo, assando Marshmallows e cantando músicas, ela costumava acontecer apenas no final do verão, quando o dia de voltar para casa estava chegando.
Antes disso, eles tinham uma fogueira diferente, com um palco e uma linda e grande fogueira nele, assim como outras, menores, fogueiras em toda a extensão do local onde acontecia a festa da noite da fogueira, que além das fogueiras, contava também com uma pista de dança e muitas mesas, para todos os alunos, professores e outros funcionários.
— Boa noite, pessoal! – gritou, fazendo uma careta para o modo como sua voz soara propagada pelo microfone que segurava e desviou o olhar para suas irmãs, praticamente escondida junto com atrás da cortina e segurando-a pelo braço, de modo a impedi-la de sumir lá dentro como gostaria. – É a noite da fogueira, yay! – acrescentou em seguida, abrindo um largo sorriso que logo se tornou uma careta.
A garota virou para encarar a irmã mais nova, pedindo por socorro. Ela era boa em muitas coisas, mas aquilo, falar com o público e demonstrar carisma e animação, definitivamente não era uma delas.
rolou os olhos, arrastando junto consigo enquanto se aproximava para pegar o microfone com a irmã e resmungou, chorosa, enquanto tentava se encolher atrás dela. Como era a mais alta das três, aquilo obviamente não dera certo e, novamente, rolou os olhos.
— Eu só queria lembrar vocês duas que a intenção é que o dê o show e ninguém aqui – apontou de uma para a outra – passe vergonha no processo. – resmungou, empurrando para antes de pigarrear e aproximar o microfone da boca para falar:
— Não queremos tomar muito da noite de vocês, estamos tão ansiosas por alguma diversão quanto vocês, por isso seremos breves, ok? – prometeu por fim – Estamos aqui hoje para anunciar uma apresentação de dança, beleza, carisma e estilo que vocês nunca mais irão esquecer! Ela é estonteante, gente, sério. – não conteve uma risada ao falar e escondeu o rosto nas mãos ao ouvir, ao passo que ria. respirou fundo. – Que rufem os tambores, e, com vocês, senhoras e senhores, Park Chaeolyna!
— Chaeolyna, sério? – resmungou de trás das cortinas, com a mão tapando a saída de som do microfone preso como um aro em sua cabeça, enquanto encarava desacreditado.
Ela fingiu não notar.
, aliás, estava adorável naquela noite, usando um dos vestidos de sua namorada, saltos emprestados de , unhas dos pés e das mãos pintadas, e o cabelo naquele tom de roxo que lembrava algodão doce. De fato, adorável.
— Vamos, garota, não seja tímida! – chamou outra vez, piscando para a platéia e sorrindo, então seus colegas de turma começaram a bater palma e gritar “Chaeolyna, Chaeolyna” de novo e de novo, fazendo-a rir, surpresa.
Não esperava que fossem realmente entrar na brincadeira, mas, ei, aprovava o entusiasmo.
, enfim, estalou os dedos e uma música animada começou a tocar, um instante antes que ele invadisse o palco, desfilando com uma determinação e segurança totalmente novas até para ele mesmo, que parou no centro do palco, de costas para o público, e rebolou duas vezes no ritmo da música, arrancando gritinhos animados de seus colegas, então as garotas deram as mãos e saíram as pressas dali, deixando que ele cumprisse o resto de sua pena, por perder a aposta com , sem que ninguém ficasse em seu caminho.
Depois do desfile, ainda fez um discurso, falando sobre quão honrado se sentia em ser Chaeolyna naquela noite, já que todas as mulheres em sua vida eram admiráveis e ele nunca cansaria de dizer aquilo ou tentar fazê-las ver tal coisa com atitudes também. pontuou ter ciência do quão o mundo era difícil para mulheres apenas por serem mulheres e o quanto gostaria de mudar aquilo, pois odiava tal injustiça, antes de, por fim, lembrá-las de sua força e de quanto amor cada uma guardava dentro de si e espalhava por aí, de seu próprio jeito. Após garantir que todas as mulheres lhe ouvindo falar naquela noite acreditavam quando ele dizia que eram capazes de fazer qualquer coisa, o garoto finalmente deixou o palco, só conseguindo trocar de roupa, no entanto, um pouco mais tarde, depois que seus colegas cansaram de tirar fotos, tanto dele sozinho quanto com ele, selfies e coisa do tipo, como se Chaeolyna fosse alguma celebridade.
Exibido como era, , é claro, adorou e rolou os olhos em meio às risadas, sentada com , , Yoona e numa mesa.
— Eu não sei por que ainda me surpreendo. – comentou, assistindo se despedir dos colegas de maneira empolgada, mandando beijos para todos antes de finalmente seguir para o dormitório a fim de trocar de roupa. – É claro que ele ia se divertir se exibindo.
— Bom, é o . Esperar algo diferente dele seria estúpido. – murmurou e os outros assentiram, então ele apontou na direção oposta a onde eles olhavam, assistindo se afastar em direção ao dormitório para se trocar. Era para que ele apontava, andando insegura na direção de , que estava sentado com Belle numa mesa mais distante. – Ela vai falar com ele!
— Finalmente. – murmurou, sorrindo animado enquanto descansava o queixo nas mãos, assistindo enquanto perguntava se podia se sentar com e Belle, que sorriram e concordaram de imediato, como era de se esperar dos dois.
rolou os olhos e empurrou os braços de para que ele saísse daquela posição, estralando os dedos na frente do rosto de para chamar sua atenção também.
— Parem com isso! – reclamou – conversou com ela e fez com que ela se sentisse mal por ter ficado tão feliz em perder a aposta, convencendo-a que ela precisava fazer alguma coisa em relação ao . Se vocês ficarem olhando, vão atrapalhar.
— Mas a gente está tão longe! – reclamou – Eu quero ver, -yah. Quero ver, quero ver, quero ver… – começou a cantarolar, balançando a cabeça de um lado para o outro e pulando na cadeira.
lhe beliscou, tentando fazê-lo calar a boca e pulou mais forte no lugar, soltando um grito exagerado antes de encarar o outro.
— Mas que porra!
-yah disse pra não olhar. noona vai ver e ficar envergonhada, deixe-os em paz. – murmurou simplesmente e fez bico, incomodado, olhando de um para o outro.
— É hyung pra você. – reclamou, cruzando os braços e afastando sua cadeira da cadeira do mais novo, tentando ampliar a distancia entre eles.
rolou os olhos.
. – murmurou simplesmente.
hyung. – insistiu e sorriu, tanto pela intervenção feita por quanto porque a discussão idiota, de fato, distraiu de e . Não que não quisesse saber como a conversa entre os dois estava indo, louca para olhar por sob o ombro e dar uma espiada, mas morria de medo de atrapalhar também, especialmente levando em conta que era de que falavam ali. Qualquer passo em falso e, pronto, tudo estava perdido. Sua irmã era ainda pior que .
— Bom, eu quero falar de outra coisa com vocês. – ela murmurou antes que realmente cedesse e espiasse, inclinando o corpo para frente na mesa, focando em Yoona e , sentados lado a lado. Eles não eram mais um casal há alguns meses, mas ninguém realmente falava sobre aquilo ou sabia o que acontecera, como ou porque terminaram. não conseguia imaginar que aquilo fosse durar muito tempo. Eles combinavam demais para ficar separados para sempre e costumava estar certa sobre aquilo. – Sobre flerte.
— Flerte? – Yoona perguntou, abrindo um sorriso – Divertido.
— Lá vem… – resmungou baixinho, desgostoso e riu, mandando que ele ficasse quieto antes de voltar a focar nos outros dois.
— Eu quero saber o que vocês fazem quando precisam flertar com alguém. – murmurou, apontando de um para o outro e fez uma careta, intervindo:
— Ei! E eu? Não quer saber de mim?! – perguntou, indignado e virou para lhe encarar.
— E você flerta? – perguntou, com descaso, fazendo com que ele abrisse a boca num “O”, como se estivesse ainda mais indignado depois daquilo.
oppa! Vocês não respeitam mais os mais velhos, não? – olhou dela para e rolou os olhos.
— Vou considerar isso um não. – disse simplesmente, virando-se novamente para Yoona e um instante depois. – E então? Quais são as “jogadas” de vocês?
— Hm… – Yoona parou para pensar, acariciando levemente o queixo com os dedos e abriu um pequeno sorriso, olhando dela para .
— Tem algo que eu me lembro que Yoona fazia – começou, fazendo com que a garota virasse, surpresa, para olhar em sua direção.
— O que?
— É… Sabe… Quando você queria… – ele se calou, rindo de maneira tão envergonhada quanto maliciosa e sorriu, olhando deles para , que rolou os olhos para seu olhar animado, o que ela ignorou. Ele devia ficar feliz de ter uma amiga que era, praticamente, um guru amoroso. E nem estava tentando dessa vez. Ao menos, não com os dois, seu foco era . Provavelmente seria o verão todo.
— Ela enfiava as mãos na sua calça? – quis saber, fazendo com que os outros quatro virassem ao mesmo tempo para lhe encarar simultaneamente. riu dos olhares, no mínimo específicos, que recebeu. – O quê? Dizem que funciona.
— Dizem? – arqueou as sobrancelhas e ele deu de ombros, desviando o olhar. amassou seu guardanapo e jogou nele por isso. – Você começa a dizer algo interessante, o que é raro, e então cala a boca e se faz de envergonhado. É disso que devia ter vergonha.
— Shiu. Eu quero saber o que a Yoona costumava fazer. – respondeu simplesmente, soltando uma risadinha típica dele – sonsa, para se dizer o mínimo, antes de se voltar para , que encarou Yoona como se pedisse permissão.
Ela deu de ombros.
— Estou tão curiosa quanto eles, na verdade. – falou – Não me lembro de fazer nada especifico.
— Você se sentava do meu lado no sofá de noitinha, quando costumávamos ficar sozinhos em casa, e fazia carinho no meu joelho até eu olhar pra você – ele disse, sem desviar os olhos dos dela – E, quando eu olhava, sorria e suspirava, encostando a cabeça no meu ombro sem dizer nada. Então, quando eu te abraçava de lado, você passava uma das pernas por cima das minhas e dizia no meu ouvido o que queria.
— E o que ela queria? – perguntou, olhando para os dois praticamente sem piscar e tapou o rosto com uma das mãos enquanto ria da reação do mais velho.
! – reclamou – Você atrapalhou o momento dos dois.
— Não… Não teve momento… – Yoona fez que não, desajeitada, enquanto coçava a nuca, fingindo não estar lembrando todas as vezes que fizera justamente o que dissera. lhe sorriu de maneira solidária, sem ter muita dificuldade para adivinhar no que ela pensava.
Se, ao menos, houvesse um jeito de ganhar dinheiro com aquela coisa de ser guru do amor.
— Eu só quero saber o que ela dizia. – reclamou – É claramente a melhor parte da história. Quer dizer, depois da segunda ou terceira vez que ela começasse com a mão no meu joelho, eu já saberia o que ela quer, mas esperava até ela dizer… Quero saber o que ela dizia!
— Eu gostava do conjunto todo, . – retrucou, rolando os olhos. – Era a “jogada” dela. Foi isso que perguntou. Além do mais, ela não dizia sempre a mesma coisa.
— Uh, então era literalmente o que ela queria fazer? Tipo, na hora? – perguntou, sorrindo empolgado enquanto olhava de um para o outro e Yoona resmungou de vergonha, empurrando pelo rosto.
— Mas por que essa pergunta, afinal? Quer saber como conseguir sexo? – ela perguntou, focando em – Porque nunca achei que fosse o tipo de coisa no qual precisa de ajuda.
— A não ser… – interveio, sorrindo enquanto olhava de para . – Você está tentando conseguir sexo pro , é isso? – quis saber, sorrindo largamente quando abriu a boca em choque.
— Hyung! – reclamou, estapeando seu ombro. – Não tenho nada a ver com essa conversa!
quase riu ao ouvir, considerando que, bem, aquilo não era exatamente verdade.
— Ei, não me bate! – reclamou, apontando para . – Controla seu oppa, . – murmurou, rindo da careta que ela fez para o termo. – Ele é mais velho que você… – cantarolou e rolou os olhos, ameaçando jogar outro guardanapo em sua direção.
fez uma careta para sua atitude, desviando o olhar.
— Normalmente, não tenho mesmo – ela murmurou para Yoona, focando nela e agindo como se não houvesse dito nada. – Mas estou longe de casa e conheço todo mundo aqui há tempo demais. É estranho pensar em flertar com qualquer um aqui. – explicou, mesmo que não fosse verdade. O motivo daquela conversa era , é claro. Ele se recusava a tentar flertar, com ela ou qualquer uma, e por isso tinha que tentar abordagens diferentes.
Yoona fez que não.
— Besteira, -yah! Ás vezes, a pessoa certa está onde você menos espera – murmurou, olhando pelo canto do olho para , atitude que não passou despercebida de .
Ela sabia de algo que não sabia?, a garota se perguntou, olhando de um para o outro.
coçou, sem graça, a nuca, mantendo os olhos presos a mesa.
— Não acho que -yah esteja, de fato, procurando a pessoa certa. – murmurou, desconversando a insinuação de Yoona, que sabia que percebera. Não era típico dela não perceber.
— Bom, então pode ser com você. – Yoona retrucou, direta demais para que ele não arregalasse os olhos minimamente, contendo o ímpeto de puxar a cadeira um pouco para trás, intimidado pelo rumo da conversa. mordeu o sorriso, olhando dele para Yoona, que continuou. – Vocês são amigos, se conhecem bem. Não vejo porque possa dar errado, sabe. É só diversão.
— Sexo é divertido. – concordou, ponderando – Ei, vocês podiam tentar a “jogada” da Yoona.
— Sim! – bateu palmas, muito animado de repente. – Vamos fazer agora, uma demonstração! – pegou o celular, abrindo o aplicativo de vídeos.
— O que você está fazendo, ? – perguntou, olhando dele para o celular e o garoto deu de ombros.
— Procurando algo para o fingir estar assistindo, sabe, pra fazer a coisa da Yoona.
— Eu acho que eles preferem fazer isso sozinhos. – Yoona retrucou.
— E quem liga para o que eles preferem? – retrucou também, lhe encarando como se ela fosse louca antes de estender o celular para , que o pegou só para depois bufar e devolver, imediatamente, o aparelho para o mais velho.
— Isso é pornô!
— Achei que fosse servir pra deixá-los no clima…
, a gente não vai transar. – rolou os olhos, falando como se aquilo fosse óbvio. – Eu agradeço a sugestão, mas não. – ela focou em Yoona, tentando contornar aquela conversa. Maldita hora em que fora envolver mais gente naquilo.
— Sei que pode parecer estranho agora, mas você pode se surpreender. – Yoona insistiu, dando de ombros – Foi assim comigo e o da primeira vez. – murmurou, surpreendendo . sorriu ao vê-lo sorrir também, quase mandando ela mesma que os dois fossem para o quarto de uma vez.
— Vocês tiveram sorte. – deu de ombros. – Não quer dizer que vai ser assim com a gente e não queremos arriscar. – murmurou, com assentindo logo em seguida.
Aquilo não era completamente verdade, para nenhum dos dois, mas um não sabia o que o outro pensava e nenhum dos dois pretendia falar, ainda que, nas circunstâncias em que estavam, com aquela coisa de aprender e ensinar, no fundo sentissem que a chegada daquele momento era iminente.
Só não sabiam o que pensar a respeito. Ainda.
— Bom, vocês é quem sabem. – Yoona deu de ombros – Mas é uma pena que não queiram arriscar, poderia ser bom.
— Verdade. – murmurou também, se pondo de pé em seguida. – Vou pegar uma bebida. Alguém quer?
— Vou com você. – Yoona murmurou, se levantando e fez uma careta, olhando dos dois para os outros dois, ainda sentados.
— De repente, parece que vou terminar ficando de vela se for com vocês ou se ficar aqui. – murmurou, olhando de Yoona para , que lhe mostrou a língua ao invés de discutir. espelhou o ato. – Vou dar uma volta. – decidiu por fim, se pondo de pé, e puxou sua mão antes que ele se afastasse.
— Uma dica: Se ficar de vela te assusta tanto assim, sabe quem procurar – apontou com a cabeça na direção de Belle, que deixara e conversando sozinhos e estava de pé agora, no canto da pista de dança, com vergonha demais para realmente dançar como os outros ali faziam.
seguiu seu olhar e rolou os olhos, empurrando seu rosto antes de se afastar, sem responder. riu, acenando para ele e logo depois para Yoona e , que seguiram juntos em direção a mesa de bebidas.
lhe encarou e balançou a cabeça ao encontrá-la já olhando em sua direção, mordendo o lábio.
, não. – choramingou, sabendo o que ela ia sugerir. – Eu não sou bom nisso.
— Ninguém nasce bom nisso, . – retrucou, rolando os olhos. — O caso é que flertar é necessário se você quiser chegar em algum lugar com alguém. Não vai adiantar se eu te ensinar todas as outras coisas e não isso, que é, tipo, o primeiro passo de qualquer relacionamento.
— Mas eu não sei fazer. – ele choramingou e ela rolou os olhos.
— Para de frescura. Podemos ir dançar, que tal? – ela sugeriu, sabendo que ele era muito melhor naquilo do que ela. Talvez, afinal, se o colocasse num ambiente no qual ele se sentia mais a vontade, tudo fluísse melhor naquela outra parte também.
— Dançar? – ele perguntou, olhando dela para a pista, tão confuso quanto desconfiado. – E no que isso vai ajudar pro que você quer de mim?
— Você pode flertar enquanto dança, ué. – ela murmurou, se pondo de pé e estendendo a mão para ele, que, mesmo ainda incerto, suspirou e aceitou. – Eu vou te ensinar. – ela piscou, puxando o amigo para a pista de dança.
sequer desconfiava, mas toda vez que ela falava daquele jeito, que ia ensiná-lo, sentia um arrepio subir por seu corpo e gelar toda a região de sua coluna, de modo que ele precisou morder o lábio e balançar a cabeça enquanto se deixava ser arrastado pela amiga em direção a pista de dança.

vinha desviando bem de todas as tentativas de de realmente ensiná-lo qualquer coisa sobre flerte, pelo menos, até uma música do grupo Wonder Girls começar.
Era uma das favoritas de , com uma pegada diferente da maioria das músicas lançadas por girlgroups coreanos, havia certas notas que lembravam o aspecto musical latino e, talvez por isso, gostava tanto. Fazia com que ela se lembrasse de casa.
, enfim, levou um instante para se entender com aquela música e o melhor modo de dançarem, o que fez com que lhe encarasse divertida. Não era tão bom dançando, mas de uma coisa sabia: Os latinos gostavam de proximidade, do calor de dois corpos juntos e suas músicas eram feitas, justamente, para proporcionar aquilo.
— Demonstre confiança, sorria como se soubesse o que está fazendo mesmo que não saiba. É como pôquer, você não tem que ter certeza de nada, só demonstrar. – ela falou, sem que ele tivesse tempo para reagir antes que a garota puxasse uma de suas mãos para o ponto mais baixo em sua cintura, envolvendo os dedos em sua blusa e puxando-o para perto.
engoliu em seco.
-yah…
— Você não sabe o meu nome. – ela interrompeu o resmungo do garoto, que suspirou e apertou os olhos, parecendo aceitar que teriam mesmo que fazer aquilo.
Quando ele voltou a encarar a garota, ela sorriu e assentiu em incentivo, tentando fazê-lo tomar alguma iniciativa.
— Eu só… Só pergunto o seu nome? – o garoto gaguejou, não muito certo de como, exatamente, tomar a iniciativa que precisava.
deu de ombros.
— Você pode começar com um elogio. – ela murmurou, de repente com uma ideia em mente. pegou as duas mãos de e segurou nas suas. – Pode falar que sou bonita, por exemplo. Mas deve falar como se fosse algo que precisa, com urgência, dizer. Algo que está te deixando muito inquieto e que precisa botar pra fora logo. – falou e o garoto assentiu, pouco a pouco absorvendo suas palavras.
— Podemos não ser personagens, então? – ele perguntou, puxando uma das mãos de volta e coçando a nuca. – Quer dizer, eu posso… Posso ser eu e você ser você?
— Quer flertar comigo? – perguntou, surpresa, no instante em que entendeu o que ele estava pedindo.
deu de ombros, claramente envergonhado enquanto soltava a outra mão da sua também.
— Eu vou me sentir idiota se tiver que perguntar o seu nome – explicou.
chegou a abrir a boca para dizer que podia inventar outro nome, mas acabou apenas mordendo o lábio e assentindo como se entendesse. Ela não sabia porque fizera aquilo, não fora uma atitude pensada, mas, de repente, lhe deixara preocupada. Bastante.
Era como se estivesse fazendo algo errado, admitindo para si mesma que queria tê-lo flertando com ela, sem personagens, e, mais ainda, permitindo que o fizesse quando havia outra solução para o problema dele.
De qualquer forma, não teve muito mais tempo para pensar sobre aquilo, já que, em seguida, lhe puxou para mais perto, desfazendo a distância entre eles. A garota foi pega completamente de surpresa pelo modo como ele encaixou a perna entre as suas e colou suas testas, o ar quente de sua respiração indo de encontro ao rosto dela simultaneamente.
-yah… – começou, naquele tom manhoso que ela já ouvira tantas e tantas vezes. Ele sempre conseguia conseguir o que queria dela quando falava daquele jeito e quis socá-lo por jogar tão baixo, tão logo. – Você é tão bonita… – a voz dele foi baixando gradualmente e, quando restava apenas o silêncio entre eles, o garoto corou.
sentiu o ar travar na garganta, mal absorvendo o rubor na pele de e, definitivamente, mais afetada do que esperava pelo elogio. Não foram as palavras, apenas, mas talvez o jeito como ele olhou para ela, como se… Como se… Como se estivesse fascinado.
— Agora sorria pra mim, sorria como se estivesse muito feliz de ter, finalmente, podido dizer isso. – ela murmurou, pigarreando quando notou quão robótica sua voz soara, como se só estivesse ali, com ele, parcialmente. Quão irônico era que, na verdade, o que acontecia era justamente o contrário?
se via muito mais entregue a do que esperava estar e, bem, nem era como se ela não soubesse dos sentimentos que nutria por ele.
obedeceu e sorriu, não um sorriso forçado ou um provocativo, típico de situações de flerte, mas aquele sorriso que ela sempre amara ver nascer em seu rosto, que tornava seus olhos ainda menores e parecia a representação mais genuína de uma felicidade honesta.
— Eu estou feliz. – ele garantiu. – Não acho que você escute isso o suficiente. Todo mundo assume que você sabe que é bonita, por causa de quão confiante você é, e eu concordo, mas não acho que não deva dizer por isso. Eu só… Só nunca soube como, ou sabe, se era certo. – ele deu de ombros, fazendo com que lhe encarasse confusa diante da ultima parte de sua confissão.
— Se era certo?
— Bom, é… Nós somos amigos. – ele se explicou, baixinho.
— E por isso mesmo você devia saber que pode me dizer tudo que quiser. – rolou os olhos, dando um peteleco na testa do amigo como forma de repreendê-lo.
Em seguida, dois riram juntos.
— Acho que saímos do papel, não é?
— Não estávamos interpretando nenhum papel, estávamos? – a garota devolveu a pergunta e coçou o nariz, assentindo sem tirar a mão do rosto ao virar para lhe encarar.
— O que eu faço agora, então? – ele perguntou, um instante depois. – Quer dizer… Sobre o flerte?
— Outra abordagem. – sugeriu, fazendo sinal para que ele voltasse a se aproximar quando a música mudou, agora para uma mais lenta. – Dessa vez, vamos precisar dos personagens.
— Vamos? Por quê? – perguntou, deixando escapar uma nota impensada de insatisfação em sua voz, o que fez com que ele corasse e precisasse morder o próprio sorriso. Era gostoso imaginar que ele quisesse, de fato, flertar com ela e apenas ela, mas era definitivamente mais seguro evitar o pensamento.
— Por que nós temos alguma intimidade, . Flertar comigo é um bom treino, mas você precisa de um desafio, para ganhar confiança. – explicou e riu baixinho, desviando o olhar.
— Você é ingênua, . – murmurou, fazendo com que ela arqueasse as sobrancelhas. Ele sorriu de maneira um tanto arteira quando voltou a encará-la. – Você é um desafio e tanto.
mordeu o lábio, perdendo a fala por um instante enquanto as palavras se instalavam dentro dela, procurando aconchego num coração agitado demais para que aquilo fosse dar certo.
Para , o desafio, definitivamente, era . Um pouco mais a cada dia que passavam naquele acampamento.
— Não acredito que está flertando mesmo comigo. – riu, tentando desfazer o embaraço, seguido de uma tensão muito especifica, que se instalara entre os dois. Da última vez que olharam um para o outro do jeito que se olhavam agora, afinal de contas, terminou sem blusa e os dois ultrapassaram sinais demais, talvez até mais do que, naquele momento, deviam.
— Eu estou? – ele riu também, surpreso, e olhou feio para o garoto por isso.
— Não sabote a própria performance, . – repreendeu e ele riu outra vez ao assentir, lhe arrancando um sorriso frouxo, do tipo que nem que ela quisesse conseguiria morder e segurar. Do tipo que ele lhe arrancava com uma frequência preocupante.
— Bom, foi um flerte sincero. – ele murmurou e ela sorriu, apertando seu nariz entre os dedos, não só porque adorava fazer aquilo, mas porque não podia simplesmente beijá-lo naquele momento, como gostaria de fazer.
— É o melhor tipo. – garantiu, fazendo com que ele sorrisse outra vez.
— Então… Isso quer dizer que acabou? Nunca mais vou precisar fazer isso? – perguntou, de repente muito animado com a ideia e riu, balançando a cabeça.
— Eu não contaria com isso se fosse você. – murmurou simplesmente, puxando o garoto pela mão em seguida. – Vem, vamos pegar algo para comer e eu vou te ensinar outra coisa que garotas gostam.
— O quê? – perguntou enquanto se deixava ser arrastado por ela.
— Massagem. Nos pés. – piscou para o amigo ao lhe encarar por sob o ombro, abrindo um sorriso largo em sua direção apenas para fazer graça.
lhe encarou de maneira cética.
— Você podia só pedir de uma vez ao invés de inventar isso. Você nem é boa fazendo massagem, pra me ensinar algo. – retrucou e ela riu, concordando com a cabeça.
— Tudo bem, então você me ensina. – decretou e, sem que nenhum dos dois pudesse evitar, pensaram no quão o significado daquela palavra havia se ampliado para ambos desde que pedira que ela lhe ensinasse.
Que aventura estavam vivendo.

+++

achou que era de madrugada quando acordou na manhã seguinte, estava escuro e quentinho de um jeito que fazia parecer pecado pensar em, de fato, levantar da cama.
Mas isso foi só até ela se dar conta que não estava sozinha. Ou na própria cama.
Havia um braço sob seu corpo, prendendo-a no lugar e precisou fazer um verdadeiro malabarismo para girar no lugar e virar a fim de verificar o rosto da pessoa adormecida ao seu lado sem que ela deixasse de estar adormecida. Quase suspirou de alivio ao notar que era , um vestido e, pouco a pouco, as lembranças da noite passada voltaram.
Você é um desafio e tanto, ele dissera e ela queria rir do tamanho da ironia que era aquilo. Ah, se ele soubesse…
De qualquer forma, os dois fizeram um prato com alguns doces e salgados da festa e rumaram para o dormitório dele, onde fizera nela a massagem que a garota tanto queria depois de comerem, e, depois disso, colocaram um filme para ver pelo celular de um dos dois e acabaram pegando no sono.
O filme era mesmo uma droga.
estava prestes a tirar o braço de de cima de si para se levantar quando a porta do banheiro foi aberta e, por reflexo, ela fechou os olhos e se encolheu, pensando apenas que não devia estar ali, o que lhe causou um pânico um tanto irracional. Balançando a cabeça para si mesma, ela abriu os olhos, espiando por cima do peito de e dando de cara com um só de toalha.
abriu a boca para falar, tentar alertá-lo de sua presença antes que ele tirasse a toalha, mas não foi rápida o suficiente e, no instante seguinte, estava tampando os olhos e gritando depois de um vislumbre, desnecessário e indesejado, da bunda branca de .
Como resultado, também gritou, correndo para buscar a toalha e se esconder na outra extremidade do quarto, agachado ao lado da cama de . Os dois acabaram por acordar tanto quanto , que demoraram um segundo para entender o que acontecia, mesmo com os outros dois ainda gritando.
— Que droga, o que você está fazendo aqui?! – perguntou, irritado, e rolou os olhos.
— Obviamente, ficando traumatizada para o resto da vida. – resmungou. – Que porra, !
— Ei, é o meu quarto! – o outro retrucou, jogando inclusive uma almofada em , que apesar de ter acordado com os gritos, apenas se revirou na cama, tentando voltar a dormir, ainda alheio ao que acontecia. – Por que ela está aqui, ?!
, nós a vimos ontem quando viemos pro quarto depois da festa. – resmungou, sonolento, enquanto sentava na cama, esfregando os olhos. – Os dois estavam dormindo, então nós decidimos não acordá-los e fomos dormir, lembra? – encarou o irmão, que estreitou os olhos de um jeito cômico.
— A lembrança te deixa bravo? – provocou pela expressão no rosto dele, sem conseguir se conter, rindo e se escondendo debaixo da coberta quando ameaçou lançar um sapato em sua direção.
Aparentemente, não tinha mais nenhuma almofada por perto.
— Vai se vestir. – ouviu reclamar e não ousou se livrar das cobertas até cutucar sua costela, colocando a cabeça para dentro da coberta em seguida.
— É seguro. – murmurou, sorrindo e ela sorriu um pouco também, sem mostrar os dentes. – Ele foi se trocar no banheiro.
assentiu.
— Acho que peguei no sono. – ela murmurou, em tom de desculpas, já que, ainda que nunca fosse admitir em voz alta, sabia que estava mais certo do que ela naquela situação. Estavam no quarto dele, afinal.
sorriu novamente, balançando a cabeça como se aquilo não fosse nada.
— E dormiu bem?
assentiu e ele voltou a sorrir, satisfeito, puxando a coberta de cima dos dois em seguida e a garota suspirou, sonolenta, enquanto se alongava, agora sentada na cama.
Quando já se pusera de pé e estava prestes a fazer o mesmo, foi que notaram olhando, desconfiado, na direção deles.
— Tudo bem com você, oppa? – perguntou ao garoto, que era, basicamente, a única pessoa com quem ela realmente usava os honoríficos.
— Vocês dois estão transando? – ele perguntou, direto demais para que não piscasse, surpresa.
— Hyung! – reclamou antes que pudesse realmente falar alguma coisa e lhe encarou como se perguntasse o motivo do surto.
— É uma dúvida legitima. – resmungou simplesmente, um instante antes de se voltar para , que fez que não.
— Não estamos…
— Mas vão? – lhe interrompeu para perguntar e, antes que ela ou pudessem responder, saiu do banheiro, encarando como se ele fosse o rei dos burros ou algo semelhante.
— Isso não é óbvio? – murmurou e rolou os olhos, empurrando a coberta de maneira exagerada, justamente, para enfatizar que estava completamente vestida. rolou os olhos. – Pode não ter acontecido ainda, mas vai.
— Cala a boca, . – reclamou junto com , se pondo de pé e calçando as sandálias ao mesmo tempo em que o amigo seguia até o banheiro.
rolou os olhos depois que ele o fez, focando em .
—É, esse é mesmo o argumento perfeito para convencer as pessoas do seu ponto de vista. – ironizou e bufou, impaciente.
— Nós já não falamos sobre isso? – reclamou – Eu não vou fazer nada que possa causar o fim da nossa amizade. Ele é importante demais, achei que já tinham entendido disso.
interveio, fazendo com que ela desviasse o olhar para ele. – Acredito em você, mas não acho que possa controlar. E nem ele pode.
— Porque eles se gostam. – resmungou, impaciente também. – Não sei quantas vezes vou ter que dizer…
— Não tem que dizer nada, ninguém pediu que dissesse nada. – interveio ao sair do banheiro, assustando os outros três, que viraram ao mesmo tempo para lhe encarar. – Eu entendo que se preocupem comigo, que queiram cuidar de mim, mas eu diria se precisasse de alguma coisa, como já prometi várias vezes que o faria, mas não preciso. não é uma ameaça, não vai me machucar, somos amigos, como sempre fomos.
… – tentou falar, suspirando pesadamente, porém não permitiu, lhe interrompendo antes que ele fosse em frente com a frase:
— Eu sei, hyung. – murmurou, parecendo realmente saber, o que quer que fosse que ia falar, sem que ele realmente o fizesse. se sentia uma intrometida naquela conversa, mesmo que, de certa forma, o assunto fosse ela e achou melhor ficar em silêncio. parecia saber o que estava fazendo e, daquela vez, não precisava de sua ajuda. – Eu sei que dou trabalho, que sou do tipo que se machuca facilmente e sei de todos os meus complexos, sei que isso fez com que vocês tomassem mais cuidado comigo a vida toda, mas eu e , isso é… – ele se interrompeu, olhando para por um instante. A garota não conseguiu reagir, apenas lhe encarando de volta, mesmo que na verdade fosse magnífico vê-lo se impondo de maneira tão segura e quisesse bater palmas para ele. – É um pouco demais falar sobre agora. – murmurou, mais baixo, e engoliu em seco por reflexo.
Não esperava por aquilo.
— Então, tem algo acontecendo mesmo entre vocês? – perguntou, olhando de um para o outro, e bateu em sua nuca por ele, fazendo com que ele olhasse feio para o irmão antes de se afastar dele.
rolou os olhos, prestes a abrir a boca para responder, mas o fez, sem realmente precisar dela dessa vez.
— As coisas estão diferentes entre a gente, mas isso é tudo que posso, que consigo, dizer a vocês agora. – disse, suspirando como se houvesse tirado um peso enorme dos ombros em falar aquilo e imaginou como devia estar sendo para ele guardar aquele segredo, sobre o que vinham fazendo.
Ela não falava sobre aquilo com suas irmãs porque sentia que o segredo não era dela, não cabia a ela falar, mas, bem, o segredo era de e ela o conhecia o suficiente para saber porque ele não falava para seus irmãos: Ele já se sentia inferior a eles sem que soubessem que precisara pedir ajuda a sua amiga para lidar com as garotas, piorou se soubessem. Ainda que odiasse que ele se sentisse daquela forma e odiasse entender, entendia.
— Tudo bem. – murmurou por fim, assentindo como se entendesse. Talvez até entendesse, ainda que não por completo, já que não tinha todas as informações. Os instintos de sobre não costumavam errar. – Estamos aqui, se precisar.
— Eu sei. – assentiu, ainda falando com a firmeza que claramente lhe exigia algum esforço para surgir, e fez uma careta ao notar isso, o que fez sorrir levemente com a visão. – Quero dizer… Obrigado.
— De nada. – respondeu, sorrindo levemente, como fizera e se arrastou o mais silenciosamente que pôde até a porta, tentando não continuar a atrapalhar o momento dos três.
— Tchau, . – murmurou, de maneira irônica ao notar o que ela fazia e a garota bufou por isso, olhando feio em sua direção. riu fraco e virou para encarar . – Vai, leva ela na porta.
rolou os olhos, mas fez o que ele mandou, acompanhando para fora do dormitório.
— Tudo bem? – perguntou depois de um instante em silêncio do lado de fora e suspirou, virando para lhe encarar.
— Acho que sim. – sorriu fraco para ela – Eu não planejava falar que as coisas mudaram entre a gente, me desculpe por não te avisar nada ou sei lá…
, são seus irmãos. – ela lhe interrompeu, balançando a cabeça. – Você pode falar o que quiser pra eles.
— Eu nunca tinha falado desse jeito com eles antes. – murmurou, coçando a nuca antes de voltara encarar , com um novo, mais firme, sorriso no rosto.
Ela sorriu também.
— Você se saiu bem.
— Eu me sinto bem. – confessou e sorriu ainda mais ao ouvir, sentindo que poderia apertá-lo no mais forte dos abraços naquele momento por ouvi-lo dizer aquilo. estava começando a entender a própria dimensão e ainda que aquilo fosse só um pequeno passo na direção certa, queria chorar de alegria.
Ele estava conseguindo, eles estavam conseguindo.
— Me sinto bem por você. – ela respondeu e ele sorriu, puxando-a para si e envolvendo a garota num abraço, fazendo com que ela passasse os braços ao seu redor de imediato, sorrindo contra seu peito quando ele pousou a cabeça no topo da sua, mesmo que por pouco tempo. Logo, se afastou para encarar a amiga. – Vamos à cachoeira mais tarde? O dia está bonito. – sugeriu, desviando o olhar para o céu azul em cima de suas cabeças e apertou os olhos ao fazer o mesmo, assentindo para sua pergunta um instante depois.
— Fechado. – sorriu, estendendo a mão fechada em punho para que desse um soquinho e sorrindo satisfeita quando ele o fez. – Te vejo mais tarde.
— Fechado. – ele murmurou, assentindo e finalmente desceu os dois degraus do dormitório dele, seguindo em direção ao seu próprio.
Precisava lidar com suas próprias irmãs agora.

Nota da Autora:
YAYYYYY CHEGUEI!!!!!!!
Não sei se tem real alguém lendo a fanfic, eu tenho 0 comentários e não sei o que as visualizações podem significar, mas é isso kakakaka me contem se estiverem aqui, por favor!!!!!!!
Beijo e até a próxima!

07.

“Você diz que não,
Mas na hora da emoção,
Pouca pausa e sensação
Se descobre, se liberta…” – Clau

— Tira, tira, tira! – gritava em meio aos pulinhos desesperados que dava, com o braço estendido na direção de , que ria.
— Se você ficar quieta, eu tiro.
! – ela reclamou e ele arregalou os olhos, como se perguntasse o que diabos ela queria que ele fizesse. Era exatamente o que ele perguntava, aliás, e tinha certeza que ela sabia, era o tipo de coisa que ganhavam com tantos anos de amizade: A capacidade de saber.
Os dois haviam escapado para a cachoeira aquela tarde, como combinaram de fazer, porém acabaram não ficando lá muito tempo. Pouco depois de chegarem e brincarem um pouco na água, foram surpreendidos pela chegada de um dos funcionários do acampamento, acompanhado de uma das professoras deles – a própria definição de casal inusitado – e precisaram fugir antes que pudessem ser vistos.
Eles passaram a maior parte do caminho de volta para o acampamento rindo, conversando baixinho como sempre fizeram, e rindo, porém quando já estavam perto dos dormitórios, um pombo passou voando e terminou por despejar suas fezes no braço de , que agora gritava para que tirasse aquilo dela.
— Fica quieta! – ele reclamou enquanto ela choramingava, balançando o braço sem parar durante todo o tempo e ela apenas choramingou mais em resposta, apertando os olhos quando ele usou a camisa para limpar seu braço. vestia apenas o calção de banho e o biquíni e shorts, já que não tiveram tempo de realmente colocar suas roupas ao sair ás pressas da cachoeira para evitar serem pegos. – Pensa pelo lado bom, as coisas sempre podem ser pior do que são, de fato. – ele tentou consolar a amiga, que lhe encarou como se aquele fosse o maior absurdo que já ouvira.
— E como, exatamente, isso poderia ser pior? Se esse pombo estúpido houvesse despejado, sei lá, sêmen, em mim? – reclamou e deu de ombros, como se aquela fosse realmente uma possibilidade. rolou os olhos. – Eu preciso de um banho. – choramingou e riu, abraçando-a de lado e beijando o topo de sua cabeça enquanto arrastava a amiga para seu dormitório, já que estava muito mais perto do que o dela e não achava que aguentaria continuar ouvindo a garota choramingar por muito tempo.
Quanto mais rápido ela se lavasse, melhor.
estava se sentindo realmente bem naquele dia, desde que se impusera na conversa com seus irmãos mais cedo, coisa que ele nem achava ser capaz de fazer, e ir a cachoeira com fora divertido também. Enquanto durara, pelo menos.
Os dois discutiram as mesmas besteiras de sempre e quase se sentiu de novo como se nada do que vinha acontecendo entre eles realmente houvesse acontecido. Exceto que ele estava menos ansioso, como se começasse a entender o que vivia dizendo a ele: Nem ela, nem ninguém era, de fato, melhor do que ele e não havia motivos para se sentir intimidado, como ele se sentia noventa por cento do tempo. Ele acreditava agora, quando ela falava que não estava lhe julgando, mesmo que ele fizesse aquilo consigo mesmo o suficiente pelos dois, o ponto era que: Ela não estava. Ele entendia isso agora e o pensamento lhe fazia sentir infinitamente leve.
sempre confiara em , de olhos fechados, sem que mais nada importasse, em qualquer circunstância, mas o problema nunca fora aquele. O problema nunca fora ela, era ele, sempre fora. condenava todo e qualquer pensamento que tinha e, para ele, tudo sobre si mesmo estava errado, mas aquilo começava a mudar e, a passos pequenos, ele caminhava para ver tudo aquilo que vivia dizendo sobre ele, para se ver pelos olhos dela e de todas as outras pessoas que gostavam dele, que se importavam com ele.
— Você pode tomar banho aqui. – ele murmurou, por fim, quando entraram no quarto, seguindo para o banheiro para checar se não havia mesmo mais ninguém lá.
estava tão aflita para se livrar de qualquer vestígio de fezes de pombo que ainda sentisse residir em seu corpo que correu para o chuveiro assim que entraram no banheiro, ligando-o e se livrando agoniada dos shorts, parecendo esquecer , bem ali, por um instante.
Ainda que soubesse que devia, que era o certo, não conseguiu desviar o olhar de imediato.
era tão linda.
sempre soubera daquilo, porém não fazia tanto tempo assim que ele constatara o que era obvio para outras pessoas, outros caras: o lado mais atraente e irresistível dela, o lado mulher e, fazia menos tempo ainda, que se vira desperto para o corpo de sua melhor amiga. Ela era incrível, cada parte dela, e achava que, agora que deixara aquela atração latente por ela, por seu corpo, se manifestar, ela nunca ia passar, só crescer. Mais e mais.
— Eu vou… Anh… Procurar algo pra você vestir? – não tivera a intenção de perguntar e fez uma careta ao notar como soara, fazendo com que expulsasse a água do rosto para focar em lhe encarar.
Quando seus olhares se encontraram, prendeu o ar por reflexo e sentiu as bochechas esquentarem, sabendo que agora ela sabia o que ele pensava.
E estavam de novo naquele território, tão novo quanto excitante e igualmente perigoso, preocupante. Naquele instante, todo vestígio do que sentira na cachoeira, a respeito de serem exatamente como antes do acampamento, desaparecia e ele podia até mesmo sentir adrenalina correndo em suas veias, acelerando sua pulsação.
mordeu o lábio e desviou o olhar para a porta, depois novamente para o rosto do amigo, assentindo muito lentamente para suas palavras, como se, de alguma forma, aquilo pudesse mudar o significado de sua atitude.
Antes que realmente tivesse tempo de dar as costas e fazer o que dissera que faria, no entanto, ao seu minimo sinal, se manifestou novamente:
— Espera – murmurou, pigarreando ao notar quão baixa sua voz soara – Pode procurar depois. – falou, sob o olhar incerto de , que engoliu a saliva diante de suas palavras.
-yah… – ele se calou no meio da própria fala, sem ter realmente algo concreto para dizer enquanto assistia a garota desligar o chuveiro, caminhando em sua direção.
Ao parar em sua frente, pousou a mão em cima da sua, sob a porta, e a empurrou para fechá-la, trancando-a em seguida.
— Vem pro chuveiro comigo. – pediu, olhando-o nos olhos e corou, coçando a nuca e desviando o olhar para o teto, claramente sem jeito.
— Isso não… Não é… Não deve ser uma boa ideia. – murmurou, desajeitado ao voltar a encarar a amiga, prendendo o ar por reflexo.
arqueou as sobrancelhas.
— Achei que houvesse pedido por isso – murmurou – Queria que eu te ensinasse isso também, não é? Como tocar uma garota?
Ele queria. E, mais do que isso, queria tocá-la, especificamente ela, porém havia tanta coisa em sua mente, tanta coisa lhe fazendo hesitar diante da possibilidade. Havia a amizade dos dois, que sabia já estar mudando independente do que ela dizia, a promessa de ser sincero que ele fizera a ela e não achava que conseguia cumprir simplesmente porque não sabia como ser sincero a respeito de algo que sequer entendia e, bem, havia outra coisa, outra coisa que lhe deixava tão hesitante: Como podia tocá-la sem ter certeza que daria a ela todo o prazer que gostaria de dar?
— Eu… Eu acho que sim – ele falou, baixinho, expressando quão inseguro se sentia sobre aquilo e sorriu doce, não deixando aquilo passar despercebido. Não que esperasse algo de diferente dela.
Não deixar algo passar despercebido, aliás, era a especialidade dela.
— Vou mostrar como deve fazer – ela garantiu, puxando-o consigo de volta para o chuveiro e trocou o peso do corpo de um pé para o outro, respirando de maneira pesada enquanto a observava ligar novamente o chuveiro, um instante antes de voltar a virar para encará-lo. – Eu gosto de te ensinar, . Eu não sei como isso vai te fazer sentir, não quero ofendê-lo, mas é excitante pra mim. Cada parte do que fazemos, pra mim, é excitante. – garantiu.
entendeu que ela tentava lhe tranquilizar a respeito da insegurança que ela sabia que o amigo sentia, entendeu o que ela queria que ele soubesse: Não precisava se preocupar tanto, porque ela não estava numa posição indesejada. Gostava de estar ali, fazendo o que faziam.
Ele quase sorriu sozinho diante de suas palavras, do cuidado que havia nelas, com a intenção de transparecer apenas o suficiente para aplacar, o pouco que fosse, sua hesitação, mas sorrir ainda exigiria que estivesse menos nervoso do que estava. Muito menos.
— Solta pra mim? – pediu, virando de costas para ele e desviou o olhar para o nó da parte de seu biquíni, corando outra vez ao pensar em, de fato, desatá-lo. assentiu, mais para si mesmo do que para a amiga, já que ela estava de costas para ele, e ergueu as mãos para fazer o que ela pediu.
deslizou uma das mãos em suas costas, até seu biquíni, sem conseguir não experimentar a sensação de tocar sua pele quente com tanta liberdade, e lhe encarou por sob o ombro, inflamando seu peito pelo modo intenso como o fez. Sem desviar o olhar do seu, desatou de uma vez o nó do biquíni da garota, que o puxou para si a fim de tirar a peça de roupa de uma vez, um instante antes de virar de frente para , puxando o garoto pelo pescoço e moldando seus lábios. segurou imediatamente em sua cintura, sentindo a língua quente da garota encontrar a sua, beijando-o daquele jeito tão enlouquecedor, de repente muito ciente dos seios dela colados ao seu peitoral desnudo enquanto terminavam debaixo do chuveiro, com a água jorrando sob suas peles.
suspirou contra a boca de enquanto se beijavam e ele se viu segurando seus cabelos em um bolo, apertando-os no dedo enquanto intensificava mais o beijo, cada vez mais inflamado por cada pequena atitude da garota, que apertou seus cabelos nos dedos também, retribuindo o beijo na mesma intensidade antes de rompê-lo, respirando ofegante contra o rosto do melhor amigo. sentiu o estomago revirar pelo gesto, a água que penetrava entre eles sequer chegando perto de ser o suficiente para aplacar o calor que invadia o garoto, ciente demais da garota que segurava em seus braços, lhe encarando com olhos intensos e completamente hipnotizantes.
— Num momento assim, seus toques devem ser precisos, quentes e precisos. – ela começou a falar, a voz soando baixa enquanto puxava a mão de de sua cintura mais para cima, pousando-a a menos de uma palma de distância de um de seus seios. – Nos seios, o toque nunca deve ser muito agressivo. Com carinho. – instruiu enquanto, devagar, deslizava os dedos na direção de seu mamilo, pressionando-o do jeito que ela dizia, devagar.
— Assim? – perguntou baixinho, assistindo-a suspirar numa demonstração muito honesta de aprovação, o que era resposta o suficiente, mas ainda assim, ela assentiu.
— Você pode voltar a me beijar se quiser. Ou beijar outra parte do meu corpo. – ela disse, baixinho.
engoliu em seco, corado outra vez mesmo que seus pensamentos corressem numa velocidade muito menor do que antes, entorpecido pelo momento, pelo que faziam.
— Anh… Outra parte?
— Onde quiser. – ela concordou, assentindo e olhou em seus olhos, depois para seu pescoço, sua orelha e sua clavícula, então os ombros. Era difícil demais saber que parte dela queria experimentar primeiro. – Não precisa pensar muito. Você vai ter tempo de tocar e beijar onde quiser. – acrescentou em seguida, tocando gentilmente seu queixo para fazer com que ele voltasse a olhar em seus olhos. levou a mão que ainda estava em seu seio para a dela, embaixo de seu queixo, contornando seus dedos com os dele antes de puxar a mão dela até perto de sua boca e beijar seus tendões, um por um, só para, em seguida, puxá-la pelo pescoço e voltar a moldar seus lábios.
jogou imediatamente os braços ao seu redor e sentiu um solavanco no peito por perceber que acertara. deu dois passos para frente e prendeu contra a parede, fazendo com que ela apertasse os dedos em sua nuca, gemendo contra sua boca e se lembrou imediatamente do que ela dissera sobre tocar seus seios “nunca agressivo, com carinho”. Ele não estava lhe tocando lá agora, mas seu peitoral pressionava o dela e imaginou se não estava lhe machucando, se afastando para encará-la.
— Desculpe. – pediu, corado, e ela sorriu.
— Você não fez nada de errado – garantiu – Foi um gemido bom.
Aquilo fez com que ele corasse ainda mais, é claro.
o puxou pela nuca outra vez e lhe beijou, com delicadeza, porém muito brevemente, logo em seguida deslizando os lábios por seu pescoço e até seu peitoral, beijando sua pele molhada pela água, que ainda caía sob eles. apertou os olhos, sentindo pequenos choques espalharem ondas de eletricidade onde a língua dela encostava, seguida por um arranhar de dentes surpreendentemente gostoso, que o fez ranger os dele enquanto apertava sua cintura, puxando-a pelo queixo para erguer o rosto dela para o seu, beijando-a novamente em seguida.
A garota suspirou baixinho contra a boca de , que manteve o movimento de suas bocas num ritmo constante enquanto alcançava novamente um de seus seios, deslizando o dedo por toda a extensão, quase que apenas triscando, antes de voltar a pressionar o mamilo. queria que sentisse sua devoção, mesmo que ele sequer soubesse quão intensa ela era até aquele momento, até estarem, de fato, fazendo aquilo, e sentiu o solavanco familiar no peito outra vez ao se dar conta que estava indo bem, quando ela arranhou seu peito e passou uma das pernas por sua cintura, apertando seus corpos juntos.
Imagens demais surgiram na cabeça do garoto com o atrito de seus corpos juntos e ele apertou com mais força os dedos nos cabelos da garota, que mordeu sua boca, rompendo o beijo para respirar ofegante contra sua boca. fez menção de puxá-la para si outra vez, mas ela recuou, lhe impedindo.
— O que você está fazendo com os dedos… – ela começou, resfolegando e seguiu seu olhar, direcionado a sua mão em seu seio e logo depois de volta para o rosto dele. – Faz com a língua. – pediu por fim e piscou, absorvendo o pedido.
Aquela era, de fato, uma das tantas imagens que surgiram na mente dele um instante antes, em meio ao atrito de seus corpos, mas nunca achava que aquele tipo de coisa aconteceria. As imagens que esquentavam seu corpo e bagunçavam a circulação de seu sangue quando se beijavam.
Por fim, o garoto levou as duas mãos até a bunda de sua amiga, usando-as para impulsioná-la para cima e fazer com que ela passasse, não mais uma, mas as duas pernas ao seu redor, o corpo colando novamente a parede, ao lado da torneira do chuveiro. deixou que apertasse as pernas ao seu redor e apoiou uma das mãos em sua cintura, antes de finalmente fazer o que ela pedira e colocar seu seio na boca.
gemeu alto demais, apertando os cabelos de entre os dedos quando a língua dele encontrou seu mamilo e, tomando aquilo como incentivo, o garoto continuou o que fazia, contraindo a língua abaixo de seu seio antes de fechar a boca sob ele, lambuzando-o com a língua segundo os movimentos dos dedos dela em seu cabelo, guiando-o. Para , os sons que ela soltava eram como música, atiçando-o também e quando o garoto ergueu o olhar para ela, assistindo pousar uma das mãos na parede, em busca de apoio em meio aos gemidos, ele sentiu sua ereção doer e clamar por atenção, com apertando ainda mais as pernas ao seu redor, como se também sentisse.
-ah… – ela soltou, bem baixinho, em meio a outros resmungos inteligíveis e resmungou contra sua pele ao ouvir, desistindo de continuar fazendo o que ela pedira para enfiar a mão por dentro de seus cabelos, alcançando sua nuca. Ele moldou novamente seus lábios, agindo em nome apenas de seus impulsos, aos quais correspondeu movendo a língua contra a sua e se esfregando contra sua intimidade, mesmo que só para terminar soltando o ar contra a boca do garoto.
-yah – murmurou, em tom de aviso, um instante depois, quando ela repetiu o movimento e a garota olhou em seus olhos, as irís mais escuras do que o normal não passando despercebidas para , que respirou fundo, tentando raciocinar. –Talvez estejamos indo longe demais. – ele sussurrou por fim, a voz falhando e mordeu o lábio, segurando em seu peito para pôr os pés de volta no chão.
Quando entendeu o que ela queria, lhe ajudou, mesmo que aquilo lhe deixasse exposto demais, hm, entre as pernas.
— Você está… Está duro? – perguntou, desviando o olhar para a região que de repente era o centro de sua conversa antes mesmo que respondesse e ele corou outra vez, limpando a garganta.
— Talvez estejamos indo longe demais. – repetiu simplesmente ao invés de responder sua pergunta, sabendo que não era necessário.
mordeu o lábio, levando um instante para responder.
— É bem natural, sabe. Digo, estar excitado… É bem natural. – murmurou, dando de ombros. – Eu também estou. – falou, puxando a mão dele um segundo depois, pousando-a no fim de sua barriga, como se quisesse dar a ele a chance de ir em frente e sentir apenas se realmente quisesse. – Não estou dizendo que precisamos transar agora, mas há outras coisas que podemos fazer. Coisas que você ia gostar de experimentar, eu acho.
— Está dizendo isso só porque está excitada e não quer parar? – ele ousou brincar e riu por isso, puxando-o novamente para perto pelo cós de seu calção de banho.
— Talvez – soprou a palavra em sua direção, abrindo um sorriso malicioso, que logo se alargou de maneira muito mais divertida quando ele corou. – Você quer parar? – perguntou, agora séria, e entendeu a importância daquela pergunta sem que fosse preciso muito mais que aquilo.
O que quer que fosse acontecer em seguida, dependia dele. De sua resposta. Ele não queria sentir como se estivesse fazendo algo errado ou algo do qual pudesse se arrepender demais, portanto evitou pensar muito, ciente de que aquilo seria sua ruína, e optou apenas por ser sincero, negando com a cabeça para a pergunta de sua melhor amiga.
Não, não queria parar.
— Me beija de novo – pediu em resposta, sua voz soando tão desejosa quanto sequer se lembrava de já ter escutado, sentindo o estômago revirar de ansiedade por isso e voltando a segurar em sua cintura quando ela deu outro passo em sua direção.
roçou os lábios aos dela por um instante, assistindo a amiga fechar os olhos diante de sua atitude, gemendo baixinho quando ele apertou mais sua cintura, ao mesmo tempo em que finalmente invadia sua boca com a língua. apertou os dedos de uma mão em sua nuca e, com a outra, puxou a mão de para dentro da única peça de roupa que ainda vestia, fazendo com que ele tocasse sua intimidade. nunca havia tocado ninguém de maneira tão intima, de modo que ficou agradecido de ter a mão de sob a sua, guiando seus movimentos. Ele, realmente, não queria fazer nada errado. Queria que ela se sentisse bem.
A garota guiou seus dedos até sua entrada e suspirou baixinho quando, sem sua ajuda, os usou para penetrá-la, sentindo coisas demais ao notar quão molhada ela estava. Parecia que ele nunca havia estado tão próximo a ela e, mesmo que fosse ele lhe tocando e não o contrário, achava que estava, definitivamente, tão entregue quanto ela parecia estar enquanto gemia baixinho por ele, aprovando seus movimentos. Com a mão livre, o garoto baixou a roupa dela, deslizando o biquíni por suas coxas e fazendo com que esfregasse uma na outra, ajudando-o a fazer com que a peça chegasse aos seus pés.
Ele ergueu o olhar para o rosto da garota e engoliu em seco, tomado pelo quão bonita ela parecia naquele momento. tinha certeza: nunca esqueceria aquela visão, seu rosto molhado pela água que ainda penetrava entre os dois, os cabelos grudados em sua testa e pescoço e os olhos intensos demais para que ele fosse capaz de descrever. Tudo que ele sabia, de fato, era que nunca antes se sentira tão completamente entregue a um olhar como naquele momento.
Quando o puxou para si, agarrando-o pela nuca a fim de moldar seus lábios outra vez, segurou imediatamente em sua cintura, a intensidade do toque e do beijo dela o inflamando sem precedentes enquanto o garoto a prendia, novamente, contra a parede. gemeu baixinho em sua boca com a atitude, mas nenhum dos dois rompeu o beijo dessa vez.
Sem realmente dar atenção ao destino que as mãos de tomaram quando deslizaram de sua nuca para mais baixo em seu corpo, mordeu levemente a boca da amiga, um segundo antes de permitir que suas línguas se encontrassem outra vez, sem parar em momento nenhum o que fazia com os dedos.
Sem fôlego e com as testas coladas, os dois respiraram ofegante um segundo depois e só então baixou o olhar, a tempo de ver as mãos de terminando de desfazer o nó de sua roupa, baixando-a, deixando o garoto apenas de cueca antes de lhe roubar um selinho, descendo os beijos para seu pescoço e então espalhando mais no inicio de seu peitoral.
apertou os olhos, mas não os manteve muito tempo fechados dessa vez, sentindo voltar a posicionar mão por cima da sua em sua intimidade, de modo que seus dedos livres alcançassem seu clitóris, incentivando-o estimular a região com gentileza, com os dedos por cima dos seus inicialmente.
— Não estou exatamente em condições de ensinar agora, mas nunca esqueça o clitóris. Nunca. – ela murmurou, de maneira falha, e os dois riram em seguida, ironicamente de maneira tão falha quanto o jeito que ela falara.
A voz de , tão rouca e entregue, por si só já mexera com mais do que ele era capaz de explicar, ou mesmo esperava, mas vê-la rir em seguida fez com que ele sentisse cada parte de si em chamas, estando completamente entregue ao momento que compartilhavam debaixo daquele chuveiro ao beijá-la outra vez. retribuiu o beijo com fervor, exatamente como fizera todas as outras vezes, movendo a língua contra a sua e só parou quando sentiu a garota entrar uma das mãos em sua cueca, lhe surpreendendo ao envolver seu membro na mão.
-ah, não… – murmurou baixinho, pedinte, quando ele fez menção de se afastar, interrompendo os movimentos em sua intimidade. Ele não sabia como reagir, sentindo fisgadas demais no corpo enquanto ela continuava a fazer movimentos de vai e vem em seu membro, tornando a respiração dele mais e mais falha. – Confia em mim. – ela pediu, puxando sua mão de volta para dentro dela e gemendo quando seus dedos voltaram para onde estavam antes, depositando um selinho molhado em seus lábios.
Fazendo exatamente o que ela pediu, permitiu que continuasse os movimentos, encostando a cabeça no azulejo frio do banheiro para gemer, com gemendo baixinho também diante dos movimentos que ele não ousou parar dentro dela. Em meio ao ruído da água, intenso o suficiente para que as respirações pesadas e gemidos sôfregos dos dois passassem despercebidos além do espaço que ocupavam, o casal seguiu entregue as sensações que experimentavam juntos, ambos cientes, em algum lugar em sua mente, da linha que aquilo significava cruzar em sua amizade, porém cientes também que nada nunca parecera tão certo entre eles.
puxou para si outra vez, implorando que ele não parasse e avisando estar perto um instante de enfiar a língua em sua boca, acelerando os movimentos em seu membro também e arrancando sons muito mais característicos do amigo, que, entregue, só assentiu para suas palavras depois que ela rompeu o beijo e, mesmo assim, o fazendo apenas como desculpa para puxá-la de volta para si.
Suas línguas se moviam com muito mais pressa agora e o modo como seguravam o corpo do outro era o suficiente para mostrar que haviam entrado em compasso e, naquele ritmo, fariam a visita que tanto ansiavam ao paraíso juntos, em meio aos movimentos fervorosos que proporcionavam, em sincronia, um ao outro.
concluiu que a sensação de ter lhe masturbando era completamente diferente da sensação de fazer aquilo ele mesmo e, sem dúvidas, infinitamente melhor. O toque das mãos dela era diferente, claro, mas aquele sequer era o maior motivo. Era o conjunto todo, na verdade. O toque, os beijos, o modo como ela respirava perto demais de seu rosto enquanto lhe tocava, fazendo com que seu peito desse solavancos mais intensos a cada instante e se sentisse entregar, sem precedentes, a cada parte de tudo que ela lhe fazia sentir.
Era, enfim, ela.
Tudo ao seu redor sumiu e, por um instante, até ficou embaçada em sua visão turva, enquanto ele gozava, mais forte do que se lembrava de já ter feito e com certeza teria corado pelo pensamento se estivesse em condições de raciocinar de maneira lógica o suficiente para que aquilo acontecesse. Ainda assim, foi só e apenas um instante. Ele jamais poderia se deixar perder de vista num momento como aquele e, logo, ela era tudo que ele via novamente, tomando cada parte de todos os seus sentidos.
Graças ao próprio clímax, mal sentiu quando se derramou em sua mão, mas ele teve a impressão que, mesmo dali a dias, seria capaz de descrever a sensação de ter chegando ao ápice em seus braços, jogando a cabeça para trás e gemendo talvez alto demais para o que era seguro, mas nenhum dos dois sequer pensou naquilo àquela altura. estava completamente hipnotizado pela visão estonteante de sua melhor amiga tendo um orgasmo, o que, em meio ao próprio orgasmo, achou ser absolutamente tudo o que já vira e achara bonito embalado num único momento, numa única pessoa.
Céus, como gostava dela.
Normalmente, pensar naquilo traria de volta aquela onda de pânico que vinha se acostumando a associar a sua melhor amiga, a todo nervosismo e ansiedade que ela lhe fazia sentir, mas diante das circunstancias em que se encontravam, se agarrando aos resquícios de seu clímax intenso, achou que gostar dela nunca fez tanto sentido. Estava ferrado, porque não via como ela podia retribuir o sentimento, mas céus, como não gostar dela?
Por sorte, sua capacidade de raciocinar o que quer que fosse estava violentamente afetada naquele momento e nem sua insegurança, tão constante, foi capaz de arrebatar tudo de mais intenso que ele sentia naquele momento, passando os braços ao redor da amiga para abraçá-la quando ela encostou a cabeça em seu peito e lhe abraçou primeiro.
— Você parece cansado. – ela soltou, com uma risadinha, e ele riu fraco também, concordando.
— Você também. – devolveu – Isso significa que eu fui bem?
mordeu o lábio, com uma expressão divertida no rosto enquanto fingia pensar sobre o assunto, e então assentiu com a cabeça.
— Você foi bem. – declarou por fim – Merece uma soneca. – piscou, e riu, assentindo em agradecimento mesmo que não estivesse realmente surpreso que ela soubesse que ele pensava em deitar e dormir. Estranho seria se ela não soubesse.
— Muito obrigado. – murmurou, divertido e ela inclinou a cabeça para frente, como quem dispensa o gesto de agradecimento.
— Só… Cinco minutos? – acrescentou, pedinte um segundo depois e sorriu, assentindo mesmo que a ideia de se deitar houvesse tomado sua mente menos de um minuto antes.
podia lhe ensinar muitas coisas, mas nem ela seria capaz de lhe ensinar a negá-la qualquer coisa.
— Cinco minutos – concordou por fim, colocando o cabelo da amiga atrás da orelha e lhe roubando um beijo. Não um selinho, ele jamais seria capaz de encostar os lábios aos seus e não se deixar levar pelo contato, mas um beijo de verdade, um beijo no qual fez o seu melhor para expressar o carinho, amor, e devoção que tinha pela garota em seus braços.
Só esperava que fosse o suficiente para ela entender, porque , definitivamente, não era bom com palavras.

+++

A noite, avistou sentada lado a lado com Belle nos balanços do parquinho instalado na área externa do acampamento, perto das casas das arvores. Embora ele já houvesse visto, de longe, o parquinho infantil, ele nunca realmente fora até lá e nem pensava em ir, pensamento que lhe fez rir enquanto seguia até lá.
As coisas que fazia com ele…
— Sabe, eu acho até que foi bom. Desse jeito, você pode esquecer essa ideia de fazer o que seus pais querem que faça e focar no que realmente quer. – dizia quando ele se aproximou, sorrindo em seguida, quando o notou. – Oi.
— Oi. – ele murmurou no mesmo tom baixo, quase manhoso, que ela usara. Nenhum dos dois calculou o tom de voz que escapou de suas gargantas, embora o alvoroço que causou no interior de ambos quase fizesse parecer o contrário.
— Oi, . – Belle acenou, desgostosa, para o amigo, que não conseguiu deixar passar o desânimo dela enquanto se colocava no meio das duas, entre os balanços.
— O que houve, Belle-yah? – o garoto perguntou e ela suspirou pesadamente, fazendo um muxoxo enquanto desviava novamente o olhar. suspirou, estendendo a mão e apertando uma das suas.
— Belle-yah não vai conseguir ingressar na Yonsei. Não para o curso que os pais dela queriam. – explicou pela amiga, lançando a um olhar pesaroso. – Os pais dela ligaram hoje cedo. As notas do vestibular chegaram. – ela explicou em seguida e engoliu em seco diante daquela última informação, não podendo evitar imaginar se suas notas também haviam chegado, mesmo que pensar naquilo lhe fizesse sentir, no mínimo, egoísta.
— Sinto muito. – murmurou, baixinho. – Mas ouvi o que -yah disse, Belle. Acho que ela está certa. Pelo menos agora você vai poder focar no que realmente quer fazer. – acrescentou, cuidadoso.
não conhecia o tipo de pressão com o qual Belle lidava em casa, suas mães não eram daquele jeito, elas faziam o melhor que podiam para, de fato, apoiar suas decisões, mas aquilo não queria dizer que não conhecia nenhum tipo de pressão. Ele fazia aquilo, toda a pressão, o suficiente consigo mesmo sozinho, graças a suas tantas inseguranças. O que odiava, no entanto, era que Belle se esforçasse tanto, de um jeito tão prejudicial para ela própria, para chegar aonde outras pessoas queriam que ela chegasse, sem nunca colocar as próprias vontades em primeiro lugar.
— Eu não sei se isso me faz sentir muito mais tranquila, na verdade. – Belle respondeu, suspirando em seguida. – Nem sei o que quero. Sempre fiz tudo tentando alcançar o objetivo dos meus pais e agora que falhei nisso, eu… – sua voz morreu e ela resmungou de maneira inteligível, escondendo o rosto nas mãos e choramingando contra elas.
se arrastou no balanço para abraçá-la de imediato e suspirou, alisando suas costas enquanto tentava consolá-la também, decidindo ficar em silêncio. era definitivamente melhor naquela coisa de falar para fazer as pessoas se sentirem melhor do que ele e, se ela não estava falando nada, ele definitivamente não tentaria,
— Não tem que ser algo ruim, baby. – murmurou para a amiga um instante depois, ao se afastar para lhe encarar. – Você poder focar em si mesma e descobrir o que realmente quer não deve ser ruim. Você é boa em muitas coisas, vai encontrar seu caminho. – garantiu, usando o polegar para limpar as lágrimas da amiga, que suspirou e assentiu, segurando o choro.
— Acho que sim. – ela murmurou, não conseguindo evitar soar chorosa mesmo claramente se esforçando para tal e se sentiu mal por ela, cutucando-a gentilmente.
— Ei – murmurou, chamando a atenção da garota, que virou para lhe encarar por sob o ombro. – Estamos todos nos sentindo assim, Belle-yah. Estamos todos assustados e confusos, sem saber o que fazer ou como fazer, mas acho que é pra nos sentirmos assim mesmo. Tudo está mudando, é assustador, mas… Vamos conseguir. Mesmo que pareça que não e mesmo que as coisas não aconteçam do jeito que imaginamos que aconteceriam, vão dar certo. – disse, o mais encorajador que pôde, ainda que não achasse que fosse muito.
Ele, na verdade, odiava pensar sobre aquilo, sobre o futuro tão obviamente incerto que tinham pela frente, porém não era hora de pensar nos próprios receios e preocupações. Aquilo não ajudaria ninguém naquele momento.
— Acho que sim. – Belle suspirou, assentindo e respirando fundo como se aquilo pudesse obrigá-la a absorver tudo que dissera, se pondo de pé logo depois. – Eu vou dar uma volta, ok? – murmurou, olhando dele para . – Preciso de um tempo sozinha. Para, sabe… Pensar. – explicou e os dois assentiram silenciosamente, lhe observando se afastar em seguida, os deixando sozinhos no parquinho.
Depois que perderam Belle de vista e tomou seu lugar no balanço, os dois ainda ficaram em silêncio por um bom tempo, abalados pelo choque de realidade que fora o que aconteceu com Belle. Enquanto estavam no acampamento, sequer vinham pensando na vida lá fora, no futuro ou em qualquer coisa, era como se o tempo houvesse parado para eles, mas a verdade era que os dias continuavam a passar e, logo mais, teriam que lidar com aquilo: o temido e incerto futuro.
Ter aquela realidade posta em sua frente como acontecia, fez , no mínimo, engolir em seco e sentir as mãos suarem.
— Não foi algo ruim. – murmurou por fim, baixinho e desviou o olhar para a garota, que respirou fundo. – Isso ter acontecido com ela não foi ruim, ela não pode passar a vida toda fazendo o que os pais querem, . Não foi ruim. – falou, balançando a cabeça num sim como se quisesse convencer a si mesma daquilo também.
— Não foi. – concordou, de maneira mais tranquila, tentando apaziguar o nervosismo da amiga, que voltou a lhe encarar, agora como se pedisse para ele repetir aquilo, para sanar suas dúvidas existenciais que, de repente, gritavam alto demais em sua mente. – Eu realmente acredito no que falei, -yah. As coisas vão se ajeitar do melhor jeito possível, como têm que ser.
— Queria que meu pai houvesse me criado para ser um pouco mais como você. – confessou baixinho, fazendo com que ele lhe encarasse surpreso. Ela sorriu ao notar seu olhar. – É fascinante que você esteja tão tranquilo em relação a tudo isso.
balançou a cabeça, como se aquilo não fosse nada em resposta. Para ele, não era mesmo. Suas mães sempre fizeram de tudo para que ele e seus irmãos realmente acreditassem que aquele não devia ser um momento desesperador, que deviam tomar suas decisões com toda paz de espírito possível, de forma que sempre foi fácil para os três garotos não se desesperar por aquilo, o que era, é claro, irônico. Havia tão pouco que não desesperava .
— Seu pai faz o melhor que pode por vocês – ele retrucou, empurrando de leve o nariz da garota, que franziu o rosto em resposta. Ele riu. – Vai dar tudo certo, -yah. Para todos nós.
— Sim, eu acho que sim… – ela murmurou, pensativa – Mas não está com nenhuma vontade de ligar pra suas mães e descobrir se suas notas também chegaram? – ela perguntou um instante depois, mordendo o lábio e riu, concordando com a cabeça.
— Morrendo. – confessou e riu junto com ele, lhe empurrando pelo ombro. sorriu e lhe empurrou de volta. – Vamos ligar juntos? – sugeriu e assentiu rapidamente, voltando a sorrir também.
— Amanhã. – declarou e ele assentiu, sorrindo também.
Eram sorrisos demais mesmo em meio a ansiedade que assolava seus corações e aquilo era bom, era como encontrar um pequeno abrigo, seguro e quentinho, em meio a uma tempestade muito intensa.
A noticia de Belle mudava tudo para o que ela estava preparada, mas no fim das contas era justamente o que ela precisava e acreditava, precisava acreditar, que seria assim com eles também, mesmo com todo o medo que, inevitavelmente, sentia. Ao menos, em meio ao medo e a toda aquela confusão de sentimentos, medos e reviravoltas, tinham aquele momento, aqueles sorrisos, enfim, tinham seu lugar seguro em meio a tempestade.
Tinham Jeju.

+++

— Ok, pai. Vou ter que desligar agora, é a vez do ligar para as mães dele – virou o telefone para que seu pai visse sentado do outro lado, mesmo que a intenção dele fosse, justamente, fugir de sua câmera daquela forma e, sem jeito, acenou para o pai da garota. riu e virou o telefone de volta para si. – Amo você!- murmurou, acenando para o pai antes de desligar.
olhou feio para a garota quando ela lhe estendeu o telefone e ela apenas riu outra vez.
— Seu pai me dá medo, -yah. – reclamou, o que ela achou realmente hilário. Assim como a ideia de qualquer pessoa ter medo de seu pai.
— Papai gosta de você, -ah. Depois de tantos anos, seria insistir no inútil não gostar. – ela deu de ombros, como se fosse obvio. E era mesmo, para ela. Ainda que a ideia de que o melhor amigo de sua filha caçula fosse um garoto não houvesse sido exatamente agradável no inicio, quando o homem viu que não tinha como lutar contra os dois, simplesmente aceitou que seria, basicamente, parte da família. – Vai, liga de uma vez. Quero saber as suas notas. Só aí podemos comemorar. – ordenou, apontando o celular que ele segurava e fazendo sinal para que ele andasse logo.
Os dois jovens haviam subido novamente o topo da montanha que ficava fora dos limites do acampamento, atrás de sua extensão, de onde decidiram ligar para seus pais naquela manhã e acabar de uma vez com toda sua ansiedade a respeito de suas notas. Embora houvesse dito na noite passada que aquilo não lhe deixava nervoso e, normalmente, não deixasse mesmo, naquele momento o garoto queria vomitar todos os órgãos para fora. A ideia de encarar o futuro, de repente, parecia tão assustadora quanto ele jamais imaginara.
ligara primeiro e, enquanto ele se escondia para que o pai dela não visse que ele estava lá também, a garota recebeu seu veredicto e, bem, ele era ótimo. Suas notas foram esplêndidas e conseguiria ingressar na Universidade de Seul exatamente como queria, por isso estava extremamente feliz e qualquer um podia notar aquilo, mesmo diante das tentativas inúteis da garota de se conter enquanto esperava que descobrisse os próprios resultados também.
Ele rolou os olhos diante de seu olhar impaciente que, em nada, condizia com o sorriso que ela não conseguia morder para longe.
— Você pode ficar feliz, . Conseguiu o que queria.
A garota rolou os olhos ao ouvir.
— Coisa nenhuma. Não posso ficar feliz porque não consegui nada ainda. – ela retrucou, fazendo com que uma ruga de confusão surgisse entre as sobrancelhas de . rolou os olhos por isso. – O que eu quero é ir para a faculdade com você, . Então ligue logo para suas mães e pare de enrolar. – ordenou, com pressa.
sorriu por suas palavras e tampou o rosto em seguida, grunhindo em meio a vergonha e o nervosismo. Céus, e se não passasse? O que ia fazer?
Suas mães sempre disseram que aquilo não seria um problema, mas caramba, de repente, a simples possibilidade lhe deixava em plano e pensar em todas as possibilidades de explorar o inesperado, como elas sempre sugeriram que ele fizesse caso seus planos não dessem certo, não ajudava em nada. Na verdade, aquilo parecia irritante e sem propósito naquele momento.
-ah! – quase gritou em meio a impaciência, tomando o celular para si e o garoto arregalou os olhos, reclamando e indo em sua direção para impedir que ela fosse em frente e ligasse ela mesma para suas mães, mas já era tarde demais. Quando alcançou , ela já havia ligado e tudo o que ele pôde fazer foi puxá-la alguns passos para trás, já que a correria lhes levara perto demais para a ponta do penhasco. – Ai! – ela reclamou, rindo, quando quase caíram.
— Engraçadinha. Você ia cair em cima de mim. Eu tinha que falar “ai”. – ele retrucou e ela riu, tocando sua barriga com os dedos.
— É, você até que parece ser confortável. – murmurou, como se refletisse sobre o assunto, porém antes que pudesse responder, soltou um gritinho e virou o telefone para o rosto dele. – Elas atenderam, atenderam! – gritou, assustando o garoto, que pegou o telefone de sua mão por reflexo, dando de cara com suas duas mães na tela dele, lhe encarando confusas.
-ah? – Yara foi quem perguntou primeiro, com Suran estreitando os olhos atrás dela e não soube dizer se ela o fazia por estar sem os óculos ou para realmente demonstrar desconfiança.
acenou, sem graça, para as mães.
— Oi. – murmurou, desconcertado. – Como vocês estão?
— Ora, em casa. Fazendo as coisas de sempre porque somos adultas e férias não existem para nós. – Yara deu de ombros e Suran fez uma careta para sem que ela visse, fazendo com que ele sorrisse. Conhecia aquela careta, Suran fazia sempre que queria dizer que a outra mãe estava numa fase hormonal especifica, aquela que tirava toda a paz da casa. – E você como está? – Yara finalmente perguntou também e riu baixinho de onde estava, distante do celular exatamente como fizera quando ela ligara para o pai.
— Estou com medo de responder. – ele confessou, olhando dela para a tela do celular, e Suran riu enquanto Yara fazia uma careta, como se não houvesse entendido.
— O quê? Com medo? – perguntou, como se aquilo não fizesse nenhum sentido. – E desde quando você tem motivo pra isso, hein?
— Isso nunca o deteve antes, jagi. – Suran retrucou, tomando o celular na mão de sua companheira, que lhe seguiu enquanto ela caminhava pela casa a fim de continuar a participar da conversa. – -ah, como pode ver, sua mãe está um pouco indisposta hoje. Quer ligar outro dia ou… ?
— Não fale assim, ele vai achar que não queremos falar com ele. – Yara sibilou em resposta e Suran rolou os olhos, virando para lhe encarar.
— Tenho certeza que ele sabe que só estou tentando protegê-lo.
— Protegê-lo? não precisa de proteção de mim, Suran! – Yara reclamou, indignada, e riu, decidindo intervir antes que esquecessem dele ali.
— Eu posso ligar outra hora…
— Não! – quase gritou enquanto corria para aparecer na tela, impedindo que continuasse e tanto ele quanto suas mães olharam assustados em sua direção. – Olá! – ela acenou, de repente apressada, para a tela e, confusas, as duas mulheres imitaram sua atitude.
— Oi, -yah. – Suran acenou, a confusão estampada em seu olhar fazendo a mais nova corar e olhou com diversão para a cena, quase se esquecendo do motivo para ter interrompido tão avidamente a tentativa dele de finalizar a ligação pouco antes.
— Suran-shi, as notas de algumas das pessoas da nossa turma começaram a chegar. Hoje mesmo liguei para o meu pai e descobri que minha matricula pode ser efetuada a qualquer momento, então imaginamos se… – ela se calou, virando para encarar pedindo ajuda e, engolindo em seco, ele tomou coragem para perguntar:
— Mamãe, será que chegou alguma coisa pra mim em casa?
O que veio em seguida foi uma troca de olhar aparentemente tensa entre as mães do garoto, deixando-o ainda mais tenso. Ele estendeu o celular para que segurasse e limpou as mãos na calça, sentindo o suar se acumular na região.
— Na verdade, chegou sim, querido. – Suran abriu um sorriso, finalmente respondendo a pergunta do garoto, mas por algum motivo, aquilo não lhe fez sentir mais tranquilo. sentiu como se seu sorriso fosse condescendente demais e ficou ainda mais nervoso, encarando-a impaciente. Suran respirou fundo. – Recebemos sua nota e… – ela encarou Yara, parecendo pedir ajuda e respirou fundo, trocando o peso do corpo de um pé para o outro.
Será que elas podiam só falar de uma vez?
— Você foi ótimo nas provas, ! – Yara gritou, batendo palmas e o sorriso de Suran se alargou enquanto ela pulava com o celular, fazendo com que a tela tremesse. Aturdido, olhou delas para , parecendo preso em um transe que lhe impedir de absorver aquilo direito. Ele passara?
— Quer dizer que ele vai para a Universidade de Seul? – foi quem perguntou, esperando por uma confirmação mais clara para comemorar também e as duas mulheres do outro lado assentiram, confirmando em meio a mais gritinhos e pulos animados.
— Se for a decisão dele sim, mas… – Suran sorriu de orelha a orelha, olhando de para Yara – Temos mais novidades!
— O-o quê? – perguntou baixinho, meio no automático.
— Como um presente surpresa, eu e mamãe fizemos uma coisinha pra você… – Yara começou, quase cantarolando as palavras – Você se lembra daquela oficina de teatro oriental que sempre amou? Eles viajaram para países ocidentais e fazem turnê com aspirantes…
— Sim… – ainda no automático, concordou. Ele ainda não conseguia entender porque estavam falando daquilo, mesmo que já quase pulasse ao seu lado também, claramente entendendo o que acontecia muito antes dele. Não que aquilo fosse surpresa.
— Eles abriram novas inscrições logo depois que suas aulas terminaram e, em segredo, nós o inscrevemos! – Suran gritou o final da frase, fazendo arregalar os olhos e tossir, feliz que segurasse o aparelho porque, de repente, ele achava que ia tombar para frente e vomitar, se vendo tomado por uma vertigem intensa e nauseado.
— Vocês o que? – ele perguntou, atordoado – Como… Por que… Eu… Quem faria uma coisa dessas?! – ele perguntou, atrapalhado – Eu não sou ator!
— Mas pode ser, se quiser, ora. – Yara retrucou, rolando os olhos como se aquilo fosse obvio. – E eles concordam, . Você foi convocado, então se quiser ir, pode ir! Nós vamos preparar tudo pra você se disser que sim…
— Não, espera. – ele interrompeu a mãe, balançando a cabeça e virou, preocupada, para lhe encarar. sabia que aquilo era para ser uma coisa boa, mas de repente, seus pensamentos pesavam como se um monstro de uma tonelada sentasse em sua cabeça e roubasse para si todo o oxigênio lá dentro, lhe impedindo de pensar com clareza. Estava em pânico, assustado e em pânico. – Eu não… Não… – ele simplesmente balançou a cabeça, sem conseguir concluir o pensamento e olhou pedinte para enquanto se afastava do celular, sumindo da vista de suas mães, que voltaram seus olhares, preocupados, para .
A garota arregalou os olhos, levando um instante para conseguir reagir e tomar a frente.
precisa de um tempo para absorver isso, mas está tudo bem – finalmente falou, tentando tranquilizar as duas mulheres na tela do celular que ainda segurava, vendo pelo canto do olho o amigo andar de um lado para o outro, parecendo ter dificuldade até mesmo para respirar. estava tendo uma crise de ansiedade. – Ele vai ligar pra vocês depois, tudo bem? – murmurou para as duas, que, preocupadas, assentiram.
-yah – Suran chamou quando a menina estava prestes a finalizar a ligação, impedindo que ela o fizesse e lhe encarou com pesar e impaciência misturados. Ela sabia que a mulher estava preocupada e sentia muito por isso, mas naquele momento precisava mais dela do que elas e só queria finalizar aquela ligação de uma vez para ajudá-lo. – Cuida dele, por favor. E avisa pra gente quando estiver tudo bem.
assentiu assim que ela falou e não esperou mais, finalizando a ligação e guardando o aparelho no bolso enquanto corria na direção de , o abraçando o mais apertado que pôde.
— Sinto muito não ser forte o suficiente para fazer isso do jeito certo, mas se eu te apertar o suficiente você vai se acalmar. Sua pulsação vai desacelerar e vai ser capaz de pensar e respirar direito. – ela murmurou enquanto o apertava em seus braços e praticamente desabou nela seguida. só notou que ele chorava quando caiu de joelhos com ele em seus braços, apertando os olhos e a boca para não chorar também. – Está tudo bem, meu amor. Está tudo bem. – ela murmurou, o mais tranquilizadora que pôde – Prometo a você que está tudo bem. – continuou dizendo, sem parar de apertá-lo em seus braços.
Não pararia até que ele acreditasse em suas palavras.

08.

“Inspire profundamente
Até que os dois lados do seu coração estejam entorpecidos
Até que machuque um pouco
E expire ainda mais
Até que pareça não ter mais nada dentro” – Lee Hi

já vira ter crises de ansiedade antes, já o ajudara em momentos como aquele antes, mas de jeito nenhum ter alguma familiaridade com aquela situação a tornava mais cômoda. Ainda era difícil, ainda fazia seu peito doer quase tanto quanto o dele e seus olhos arderem por conta do choro que ela se esforçava para não derramar.
Quando se sentiu bem outra vez, quando pôde respirar direito e suas lágrimas secaram, ele não quis falar do assunto e respeitou, então os dois voltaram para o acampamento. Ela queria, muito, dizer a ele que tudo ficaria bem, que acreditava nele e que ele podia fazer o que quisesse, que o caminho dele não devia ser decidido com base em nada além da vontade de seu coração, mas tinha medo que falar do assunto sem que ele o fizesse primeiro só fosse piorar as coisas.
Além do mais, havia aquela vozinha dentro dela fazendo perguntas incessantes desde que receberam a noticia também, impedindo que ela fosse capaz de absorver aquilo direito. O que aconteceria agora? Os dois seguiriam rumos separados? Ele faria faculdade com ela algum dia? Quanto tempo até lá? Será que se passassem algum tempo separados ele ia se apaixonar por outra? Que ia esquecê-la?
E a lista seguia interminável…
Assim que chegaram ao acampamento, no entanto, notou que havia algo errado. se preocupou que ele fosse perguntar o que havia acontecido, mas aparentemente tinha tanta experiência em lidar com em momentos como aquele quanto ela e foi capaz também de entender o olhar de negação que ela lhe lançou assim que ele se levantou para se aproximar os dois.
Ao invés de perguntar o que aconteceu, como ela temia, o que dissera foi:
— Eu e estamos querendo ir à praia. Querem vir?
E foi assim que os quatro foram parar, escondidos, na praia mais próxima. As praias de Jeju eram lindas e aquilo não era realmente surpresa para nenhum deles, mas mesmo assim foi difícil não perder o fôlego ao se sentarem juntos sob uma toalha para observar o mar e o dia ensolarado que se arrastava de maneira lenta.
não falou muito na primeira hora que passaram lá e embora risse das palhaçadas que não deixava de fazer, achou que apenas uma parcela muito pequena daquelas risadas parecia verdadeira. Ela se sentia triste só de olhar para ele e odiou aquilo.
Não era para a noticia que recebera ser ruim, ao contrario era ótima. Era uma oportunidade incrível para uma aventura incrível, que apenas acrescentaria experiências na vida dele, que o ajudaria a se descobrir muito mais do que seria capaz de fazer sozinha num acampamento de verão. Ele era um dos melhores dançarinos que ela conhecia e podia aprender a atuar se realmente quisesse, podia fazer aquilo, ela sabia que sim, mas droga… Era simplesmente horrível que ele se sentisse tão aterrorizado com a ideia, de modo a ter absoluta certeza que não, não podia.
— Querem dar um mergulho? – perguntou, olhando de para , que fez que não enquanto, junto com , observava a mais velha se levantar, com já de pé, esperando por ela.
— Talvez mais tarde. – murmurou quando virou para lhe encarar e a mais velha assentiu devagar, levando um instante para dar as costas e seguir, de mãos dadas com o namorado, em direção ao mar.
inspirou profundamente enquanto os observava rir e brincar na água e, depois de um instante, expirou, olhando em volta. Seus olhos ardiam e ela queria chorar, mesmo ciente que aquilo não seria de grande – nenhuma, mais especificamente – ajuda, não podia evitar, ainda assim. sempre tivera poder demais sob ela e aquilo nunca fora o segredo mais bem guardado, de modo que quão emotiva ela ficava por saber como ele se sentia, e o quão horrível era o tal como, era até esperado, no fim das contas. Não que isso lhe consolasse. Ela, na verdade, odiava porque lhe tirava a concentração do que realmente importava: Garantir que ficasse bem.
— Eu prometo que vou falar sobre isso quando entender o que estou sentindo e o que realmente penso sobre isso tudo – falou de repente e desviou o olhar para ele, mas o garoto não lhe encarava. Ele olhava para frente, porém com o olhar distante demais para que se pudesse dizer que ele realmente enxergava alguma coisa. – Sei que está preocupada, mas eu só…
— Tudo bem. – garantiu quando a voz dele morreu, pousando muito devagar, hesitante, a mão sob seu joelho. – Não se preocupe comigo. Estou aqui quando estiver pronto. – prometeu e ele assentiu, então ela desviou o olhar outra vez, focando na capa do violão de , um pouco atrás dos dois na toalha.
Antes que realmente absorvesse a ideia que surgia em sua mente, pousou a mão sob a sua, acariciando os dedos dela com os dele e a garota desviou o olhar para suas mãos juntas, depois para seu rosto. Queria muito falar tudo o que estava pensando, mas que tipo de especialista ela era? Até onde sabia, podia muito bem terminar piorando tudo.
— Amo você. – ele murmurou por fim, baixinho, e finalmente olhou em seus olhos, fazendo com que ela sorrisse um pouco, assentindo e apertando suas mãos juntas.
— Eu sei. – garantiu, esperando arrancar um sorriso dele dessa forma, ficando satisfeita quando conseguiu e se encolhendo para mais perto dele, que passou um braço ao seu redor, lhe abraçando. – Quer ouvir um pouco de música? – sugeriu por fim, embora não estivesse realmente segura sobre aquilo ainda. Ela só sentia que precisava fazer algo, qualquer coisa.
— Se você for cantar, sim. – ele respondeu, fazendo com que ela sorrisse. Gostava que sua voz o agradasse tanto porque cantar sempre fora algo que ela gostava de fazer e pensar que aquilo fazia bem para quem estava por perto, ouvindo, era bom também, especialmente levando em conta que não o fazia para qualquer um e só para as pessoas mais próximas, com quem realmente se sentia a vontade.
— Fechado, então. – ela piscou para o amigo, virando para buscar o violão atrás deles, retirando-o cuidadosamente da capa para posicioná-lo no colo. Não era tão boa tocando, mas achava que dava para o gasto, pelo menos.
nem precisou pensar demais quanto a qual música cantar, seus dedos correndo pelas cordas do violão como se soubessem qual melodia tocar antes mesmo de o pensamento se concretizar em sua cabeça e, hesitante, a garota ergueu o olhar para . Queria muito não estar piorando as coisas, mas seguiu seus instintos, sabendo que agora, de qualquer forma, era tarde demais para voltar atrás:

숨을크게쉬어봐요 [Inspire bem fundo]
당신의가슴양쪽이저리게 [Até que os dois lados do seu coração pareçam entorpecidos]
조금은아파올때까지 [Até que machuque um pouco]
숨을더뱉어봐요 [E então expire ainda mais]
당신의안에남은게없다고 [Até você sentir
느껴질때까지 [Como se não houvesse mais nada dentro]

sabia que, na teoria, aquilo atrapalhava seu desempenho cantando, mas mesmo assim fez o que a letra dizia e inspirou profundamente, depois expirou, entre os tempos da letra, encarando e o incentivando a fazer o mesmo. Como se buscasse sua aprovação, ele o fez, sem desviar o olhar do seu, e sorriu fracamente para ele, continuando a cantar:

숨이벅차올라도괜찮아요 [Tudo bem se você ficar sem ar ás vezes]
아무도그댈탓하진않아 [Ninguém vai te culpar]
가끔은실수해도돼 [Tudo bem se você errar ás vezes]
누구든그랬으니까 [Porque qualquer um pode]
괜찮다는말 [Mesmo que “tudo bem”]
말뿐인위로지만 [Sejam apenas palavras]

Aquela musica era muito especial. Em cada parte de sua existência, toda sua essência, desde a letra, ao compositor, a toda sua história em si, aquela música carregava sentimentos reais demais, uma beleza dolorosa impossível de negar e era, enfim, incrível. Especial e incrível.
Enquanto cantava, soube que havia escolhido a música certa, que ela falaria tudo que a garota vinha querendo dizer desde que finalizaram a ligação com as mães dele. Era justamente aquilo, afinal. Sabia que dizer que estava tudo bem ainda era muito pouco, que não tinha, sozinha, a capacidade de fazê-lo ver aquilo, mas era o que podia fazer e era, portanto, o que faria. Queria, afinal, de contas, que entendesse que tudo bem, tudo bem pensar tudo que ele estava pensando, sentir tudo que estava sentindo e até mesmo terminar fazendo a escolha que, no futuro, pareceria errada. Porque nada era errado agora, ele ainda era jovem e podia fazer o que quisesse, podia experimentar vários caminhos sem qualquer pressa. Ainda tinha muito para viver.
Era o que ela queria dizer a ele.
Concentrada na música, em olhar, ora para o violão para trocar as notas que seus dedos faziam, ora para , que lhe assistia com um olhar muito especifico, que expunha sua vulnerabilidade mesmo que ele não quisesse, acabou não vendo e se aproximarem, notando-os apenas quando sua irmã lhe abraçou pelos ombros, cantando junto com ela as estrofes seguintes:

남들눈엔힘빠지는 [Mesmo que os outros pensem que suspiros]
한숨으로보일진몰라도 [Levem sua força e energia]
나는알고있죠 [Eu já sei]
작은한숨내뱉기도어려운 [Que você teve um dia difícil o suficiente]
하루를보냈단걸 [Para soltar um pequeno suspiro]
이제다른생각은마요 [Agora, não pense em mais ninguém
깊이숨을쉬어봐요 [Suspire de maneira profunda]
그대로내뱉어요 [Apenas deixe sair, desse jeito]

não conseguiu continuar depois disso, simplesmente porque fez o que, em meio a canção, ela pedia e suspirou, tão profundamente que, quando soltou o ar, os olhos do garoto encheram de lágrimas e ele precisou esconder o rosto nas mãos.
Ela olhou em volta, buscando, preocupada, o olhar de , que fez que não para o desespero quase palpável na expressão da garota, que temia ter tornado tudo ainda pior.
—Você foi bem. – ele formou as palavras, sem deixar o som sair ao falar, ocupando-se de passar uma mão pelas costas de , que abriu os braços quase que de imediato quando rumou em sua direção, lhe abraçando.
— Me desculpa, eu… Eu… – se interrompeu, balbuciando as palavras em meio ao choro enquanto virava para encarar seu irmão. – Eu não queria chorar, eu…
— Ei, tudo bem. – lhe interrompeu, sorrindo um pouco ao falar. – Pode chorar, se quiser. Se não quiser, então sorria. Seja o que for, estamos aqui. Não tem nada de errado em sentir o que está sentindo.
soluçou e assentiu, então limpou as lágrimas em seu rosto, agora que elas já pareciam descer numa velocidade muito menor.
— Quer voltar para o acampamento? – foi quem perguntou, de maneira dócil. – Você precisa se permitir sentir tudo que está sentindo, . Sem medo ou julgamentos e se acha que vai ser melhor, mais fácil, fazer isso sozinho, então voltamos e você pode ficar sozinho um pouco. Só vai ser capaz de entender o que está acontecendo com você se realmente se permitir sentir, se der a si mesmo o tempo e espaço que merece. – ela não mudou o tom de voz, porém havia certa nota de firmeza, característica dela, presente em sua voz quando falou dessa vez.
só assentiu, levando um instante para engolir a saliva e arriscar falar novamente.
— Eu não queria estragar o dia de vocês, a gente pode voltar aqui depois? Outro dia? – perguntou e sentiu o coração apertar, certa que não havia ninguém no mundo como ele, capaz de despertar tanto amor nela quanto ele.
— Sim, quando você quiser. – prometeu, vendo e concordarem também.
— Traremos e também. – acrescentou e assentiu, sorrindo fraco ao concordar. – Vai ser divertido arrastar o pra água, não vai? – sorriu, cutucando o mais novo, que concordou, sorrindo também.
sentiu-se satisfeita olhando para os dois e se levantou para ajudar a arrumar as coisas para irem embora.
— Ele vai ficar bem. – disse, baixinho, quando estavam distantes o suficiente e lhe encarou, assentindo.
—Sim. – murmurou, olhando dela para , que ria de algo que dizia, apertando as mãos umas nas outras, ainda tomado por uma parcela dos sintomas físicos da ansiedade. – Ele só… Precisa entender o que está sentindo pra lidar com isso, como você falou. – ela disse por fim, voltando a encarar a irmã, que esquadrinhou seu rosto enquanto parecia tentar decifrar sua fala.
—O que aconteceu para ele ter essa crise? Vocês estavam juntos, não estavam?
— Sim, foi… – parou, hesitando. sequer contara para e ela não sabia se podia, se seria certo, contar para qualquer outra pessoa antes dele. – Podemos falar disso depois? – pediu por fim, encarando a mais velha, que assentiu e apontou as toalhas na areia, para que lhe ajudasse a tirá-las dali para irem embora logo.

+++

Deitada no chão do dormitório que dividia com suas irmãs, se sentia exausta. Sua cabeça pesava tanto que ela sequer se lembrava como era não tê-la doendo como doía, mantendo os olhos fechados enquanto ouvia, ao longe, suas irmãs discutirem para ver quem ia tomar banho primeiro. Começava a ficar cada vez mais tarde e elas se preparavam para dormir, embora não achasse que fosse realmente conseguir chegar a tanto.
Ela estava ansiosa demais para dormir e a ansiedade quase nunca vinha sem um péssimo humor para acompanhar, o que, bem seria ruim o suficiente se as vozes de suas irmãs, em tons específicos demais para que ela ignorasse, não denunciassem o pior: não era a única tomada por aquele humor, no mínimo, azedo.
Aquilo piorava ainda mais as coisas.
Para , sempre fora fácil encontrar seu próprio ponto de paz quando suas irmãs não estavam presas no mesmo estado horroroso de mal humor que ela, mas em momentos como aquele, em que ela não era a única querendo colocar um travesseiro sob a cabeça e desaparecer, ela se via simplesmente sem esperanças e tomada de maneira violenta por cada parte do conceito de mal humor. Como naquele momento.
— Será que dá pra uma de vocês ir de uma vez na porra do banheiro?! – levantou a voz para reclamar, impaciente. Por ela nunca fazer aquele tipo de coisa, levantar a voz e demonstrar uma irritação tão ácida, suas irmãs acabaram ficando sem fala, lhe encarando em silêncio e resmungou por isso, escondendo o rosto nas mãos e grunhindo alto contra as palmas.
Sem que ela visse, as mais velhas se entreolharam novamente.
— É o . Ela está preocupada com ele. – murmurou, fazendo sinal para que seguisse com ela em direção a mais nova e afastou as mãos do rosto, assistindo enquanto as duas se sentavam lado a lado no chão, perto de onde estava deitada.
— O que houve? – perguntou, puxando cuidadosamente a cabeça de para seu colo e fazendo cafuné. não fazia muito aquele tipo de coisa, dar carinho e tudo o mais, sabia, por isso gostava tanto quando ela fazia e parte da sensação do peso apertando seu peito se dissipou só com aquilo.
— É… Eu liguei pro papai mais cedo. Passei na faculdade. – contou e suas duas irmãs arregalaram um pouco os olhos, surpresas em ouvir uma boa noticia diante do péssimo humor da mais nova, e então lhe abraçaram, de um jeito esquisito já que estavam sentadas e deitada, mas não reclamou, lhes abraçando de volta do mesmo jeito esquisito.
— Que ótimo, ! Parabéns! – falou, sorrindo. – Sabia que você ia conseguir. Eles seriam loucos de não querer você.
— Estou orgulhosa. – murmurou também, acariciando levemente um lado de sua bochecha e sorrindo para ela, que sorriu de volta.
Aquilo era mesmo bom, incrível e um alivio, diante do nervosismo que lhe tomava até o último dedo do pé antes de falar com o pai, porém ela mal aproveitara a sensação até então, nenhuma parte dela. As coisas não estavam acontecendo como ela esperava e, embora estivesse muito feliz, como só então notava estar, estava tão preocupada com outros detalhes que aquilo, a sua conquista pareceu muito menor. De repente, ela odiou aquilo. E notar aquilo acabou lhe fazendo pensar em novamente, mas não do jeito esperado, como se ele fosse o culpado por ela não estar sendo capaz de saborear a própria vitória. Ela pensava em como queria que ele sentisse aquilo também, que constatasse que só recebera noticias boas e que, qualquer que fosse o caminho que decidisse seguir, seria bom. Ele ficaria bem.
, por que está se sentindo mal se passou? Qual é o problema? – perguntou, cuidadosa e a mais nova voltou a focar nela, desviando-se das próprias reflexões. – não passou?
Aquilo faria sentido, levando em conta a crise que ele tivera, mas apenas fez que não antes de se sentar direito, sabendo que agora era tarde demais para voltar atrás. Ia ter que contar tudo sobre o motivo de ter tido uma crise de ansiedade naquela manhã.
— Ele passou – garantiu, suspirando pesado em seguida. – Ele passou na faculdade e também foi convocado para uma turnê com um grupo de teatro que viaja com um espetáculo por países do Ocidente. A inscrição dele foi feita em segredo, suas mães contaram tudo hoje quando ligamos. meio que surtou, eu não sei, ele não conseguiu explicar o que estava sentindo ou pensando, só…
— Teve uma crise – adivinhou quando se calou, dando de ombros levemente e assentiu, sem conseguir não fazer uma muxoxo triste enquanto falavam daquilo.
— Só queria que ele fosse capaz de ver que isso é bom. Que é uma oportunidade incrível e que ele é merecedor disso. – confessou, suspirando e suspirou também, colocando o cabelo da mais nova para trás.
— Garotos são complicados. principalmente, mas ele tem você, sei que vai ajudá-lo a ver tudo isso. – piscou para a irmã, que assentiu e respirou fundo.
— E não é como se fosse muito tempo também, são apenas seis meses – ela acrescentou, baixinho, muito mais para si mesma do que para as irmãs, que não precisaram de muito para entender o restante do problema. Aquela parte, aliás, incomodava ainda mais porque elanão conseguia não sentir como se fosse errado, pensar e se preocupar do jeito que ela estava fazendo, mas não podia evitar. E odiava sentir que seus sentimentos eram errados e não deviam estar ali.
— Com certeza. Ele ainda pode voltar e fazer faculdade com você – concordou, fazendo com que a mais nova lhe encarasse com mais expectativa do que gostaria. Ela não gostava de querer ser confortada por preocupações que lhe pareciam tão egoístas, mas céus, como queria. – Nada tem que mudar, . Vocês ainda vão poder se falar o tempo todo por mensagem e ligações e o tempo passa tão rápido…
— Não vai perdê-lo, especialmente se for sincera com ele e contar o que realmente sente. – falou, sorrindo para a mais nova, que mordeu o lábio, sentindo o coração bater mais rápido apenas por pensar na possibilidade. No fundo, em alguma parte dela, acreditava naquilo, acreditava que se contasse a ele,tudo seria como num filme e seus sentimentos seriam correspondidos, ele iria embora sabendo que tinha seu coração e voltaria para ela pouco depois, pronto para lhe dar o ele, mas… E se não fosse? E se tudo acabasse sendo completamente diferente daquilo, se a amizade deles acabasse e tudo ficasse diferente se ela dissesse? Tudo já estava tão diferente, já mudara tanto entre eles que, especialmente depois de ter provado tanto dele quanto nunca imaginou realmente acontecer, simplesmente morria de medo de arriscar.
— Eu falo com ele quando ele decidir o que fazer, não antes – decidiu por fim, balançando a cabeça. Ela ainda duvidava, aliás, que fosse realmente falar o que sugeriu que dissesse, mas aquele era apenas um detalhe. E não queria ser nenhum tipo de fator na decisão do amigo, queria que ele fizesse o que seu coração lhe dissesse para fazer, sem mais, nem menos. – Mas e vocês? Meu humor ficar tão ruim pode ser raro, mas o de vocês não muda sem motivo também. O que houve?
— TPM – levantou a mão ao responder, dando de ombros como se fosse muito simples. No caso dela, era mesmo e riu por isso, voltando-se em seguida para , que desviou o olhar e engoliu em seco, coisas que, na sequência, só podiam significar que ela se sentia culpada.
e se entreolharam, de repente preocupadas.
, o que você fez? – foi quem perguntou, num tom que as duas conheciam bem. Embora fosse a mais nova, ás vezes, precisava de mais cuidados, era desastrada e se metia em situações, no mínimo, inusitadas e, quando ela era flagrada pelas outras duas, era aquele tom que costumava usar com ela.
Algumas coisas simplesmente não mudavam.
— Gente, foi um desastre! Eu estava jogando bola com e Belle, então se juntou a nós e… E… Ele chutou a bola alto demais, aquele ridículo, e insistiu que eu tinha que ir buscar, o que eu não sei como, mas acabou acontecendo. Eu pulei o muro e me acompanhou, fomos procurar a bola na floresta aqui atrás e, é claro, em algum momento eu caí, não seria eu se não caísse e…
, respira. – ordenou, lhe interrompendo e apertou a mão da irmã, inspirando para que ela imitasse. estava falando tão rápido, e oscilando tanto ovolume de sua voz simultaneamente que as garotas tiveram medo que ela entrasse em curto circuito. – Você caiu, ok. Mas não estava sozinha, posso assumir que te ajudou, certo?
— Sim, mas o fecho do meu colar estava quebrado! – choramingou, alto demais, e as outras duas fizeram uma careta por isso. se encolheu, só então notando o que fizera. – Desculpe.
— Você perdeu seu colar? – perguntou, assumindo que aquele era o motivo de sua irritação, ainda que ter levado uma queda, no meio do nada, na frente de fosse um motivo perfeitamente compreensível também.
— O colar que a mamãe me deu. – assentiu, ainda mais chorosa. – ainda me ajudou a procurar um pouco, mas não conseguimos achar.
— Ok, tudo bem. Mamãe não vai ficar brava, a gente pode procurar outra vez. Agora mesmo, tá bom? – sugeriu, se pondo de pé e as outras duas imitaram um segundo depois.
olhou, preocupada, para a janela, em direção ao céu cada vez mais escuro.
— Agora? – questionou, olhando de para a janela. Sabia da importância daquele colar, fora o último presente que ganhara da mãe delas e a garota nunca o tirava do pescoço, provavelmente por isso o fecho estivera quebrado por sabe-se lá quanto tempo e ela terminara perdendo ao tropeçar na floresta, mas já estava muito tarde. não conseguia imaginar que as três, sozinhas, no meio da noite estariam seguras na floresta e muito menos que conseguiriam encontrar o colar que não conseguira encontrar a luz do dia.
— É, , agora. – retrucou simplesmente, olhando feio para a mais nova, que levou as mãos ao alto como quem se rendia.
— Tudo bem. – falou, seguindo até seus sapatos para calçá-los, um instante antes de virar e encarar . – Mas, que fique claro, eu vou querer saber absolutamente tudo que aconteceu entre você e essa tarde. – apontou a irmã, que, obviamente, corou ao assentir.

….

No fim das contas, nem precisou inventar nenhuma forma mirabolante de distrair as garotas de falar sobre como normalmente faria. Estavam na floresta no meio da noite, afinal. Tudo representava algum tipo de distração, as vezes até macabro demais, inclusive.
Elas tinham apenas a lanterna de seus celulares disponível para iluminar seu caminho na floresta e, o breu, em conjunto com cada minimo barulho, desde seus passos, pisando em gravetos e cascalhos vez ou outra, até o vento por si só, tornavam o cenário, no minimo, de causar arrepios.
Naquele momento, as três garotas tentavam enxergar em meio a escuridão, olhando especialmente para o chão, já que dissera que não haviam ido mais longe do que o ponto em que estavam agora, porém aquela não estava sendo uma tarefa exatamente fácil. Nem de longe.
— Argh, eu não vejo nada. – reclamou, frustrada, enquanto se afastava das duas mais novas para se aproximar da arvore em frente a elas com o celular, se abaixando para olhar ao redor dela e rapidamente se arrastou para perto de , segurando no pulso da mais nova, que rolou os olhos e puxou o braço de volta, mesmo que na verdade não conseguisse parar de olhar em volta, mais aflita do que gostaria de admitir.
— Achou? – perguntou, impaciente e virou para olhar feio para ela.
— Claro, eu só adoro ficar mexendo na terra no meio da noite. – retrucou, ácida e rolou os olhos enquanto resmungava baixinho, olhando em volta. – Fica quieta você também. Não acredito que veio parar no meio do mato com o cara que você gosta e só serviu pra cair e perder o colar. – reclamou, desacreditada.
! – reclamou, falando alto demais e tampando a boca por isso, o que fez com que as outras duas lhe encarassem de maneira curiosa pelo gesto. Timidamente, tirou a mão da boca e deu de ombros. – É meio perigoso alertar os outros que estamos aqui, não é? Quer dizer, vai saber quem vai estar aqui, no meio da floresta, a essa hora da noite…
— Nós, procurando o seu colar. – respondeu, como se aquilo fosse muito simples. – Não tem mais ninguém aqui. É proibido entrar nessa floresta, não se pode caçar, não se pode acampar…
— Então tem animais? Tipo… Ursos? – perguntou, olhando, preocupada, em volta e não conseguiu conter um risinho, mesmo não estando no melhor dos humores. Duvidava que se houvesse perdido qualquer outra coisa sequer estaria ali, mas estavam falando do colar que a mãe delas lhe dera de presente, do último presente que ganhara dela antes de a mulher morrer. Tanto quanto sabiam da importância daquele colar, e as três sempre foram assim, fariam tudo umas pelas outras. Sempre foi e sempre seria assim.
— Tão perto do acampamento, provavelmente não. – , por fim, tranquilizou a irmã, que assentiu e voltou a se concentrar na busca pelo colar, chutando cascalhos aqui e ali antes de se abaixar para procurar na terra como as outras duas faziam.
detestou o silencio que se seguiu.
A verdade que, com falando, elas pelo menos se distraíam dos outros sons, muito mais incômodos e assustadores que a voz da garota. Isso fora a mente de , que, por si só, estava barulhenta demais para que ela realmente apreciasse tanto o silêncio quando achou que faria.Mesmo que não quisesse, pensava sobre , sobre o que ele estaria pensando e o que decidiria, o que lhe levava a outra série gigantesca, cruel e cansativa de perguntas.
Suspirando, olhou de uma para outra, buscando em sua mente algo, qualquer coisa para falar e preencher o silêncio que, de repente, parecia pesar tanto.
— As coisas evoluíram de algum jeito, pelo menos? – perguntou, por fim, a , que lhe encarou confusa, sem entender inicialmente o que ela queria dizer. rolou os olhos, sem surpresa. – Entre você e o , . As coisas evoluíram?
corou.
— A gente só tem conversado. – murmurou baixinho, quase como se estivesse se defendendo.
— Sobre… ? – questionou, arqueando as sobrancelhas e deu de ombros.
— Eu sei lá, tudo? – respondeu, soando muito mais como uma pergunta e fez uma careta por isso, coçando a nuca. – Por que a gente tem que falar disso? Eu não fico perguntando do que vocês conversam com e
— Sexo. – as duas responderam juntas, ainda que não fosse completamente verdade. Só conheciam muito bem a irmã para deixar passar a oportunidade de envergonhá-la. Encabulada, desviou o olhar e, é claro, não respondeu, fazendo as outras duas rirem.
— Mas sério, … A gente vai ter que bater a cabeça de vocês dois uma na outra ou o que, hein? – perguntou, rindo da careta que a outra fez ao lhe encarar. – Vai, é só dizer que quer. A gente chama os garotos e aposto que conseguimos organizar tudo direitinho e fazer isso acontecer.
apenas lhe mostrou a língua em resposta, se recusando a respondê-la e riu por isso, voltando a se concentrar na busca e se afastando da arvore onde procurava, chutando a grama e os cascalhos por onde passava, buscando sentir algo com o pé, o que é claro, não deu certo.
, para. – ordenou de repente e, confusa, a garota parou com o pé a meio caminho da grama, virando para encarar a irmã mais velha.
— Que foi?
— Estou ouvindo algo.
— Ah, não se preocupe. São as vozes na sua cabeça, como você ainda não se acostumou? – a mais nova brincou, sem conseguir se conter, voltando a chutar os cascalhos e bufou, se pondo de pé e segurando-a pelo braço para fazê-la parar.
— Quieta. – sibilou e rolou os olhos, mas obedeceu, esperando que ela escutasse o que quer que queria escutar.
— Tem alguém vindo! Tem alguém vindo! – foi quem gritou, correndo para se esconder atrás de , que lhe estapeou e tampou sua boca com uma das mãos. Aquilo não impediu de manter os olhos arregalados e, em qualquer outra circunstância, estaria rindo da cena sem qualquer culpa, mas naquele momento um arrepio de medo subia por sua coluna e lhe impedia até mesmo de falar.
Era isso, elas iam morrer. E ela ainda ia morrer uma covarde, quando encontrasse sua mãe ela puxaria tanto sua orelha que seria uma surpresa se ela continuasse em seu corpo depois, honestamente.
Ao longe, caminhando na direção delas, se via uma silhueta, iluminada apenas pelo celular das meninas e os empurrou para o chão de modo a tirar a luz, que basicamente denunciava sua localização, da equação. Não deu muito certo, já que as luzes acabaram apontando para cima, na direção dos rostos delas ao mesmo tempo em que a pessoa, quem quer que fosse, se aproximava mais e a silhueta ganhava uma forma mais definida, fazendo as três se abraçarem e gritarem enquanto abaixavam as cabeças e apertavam os olhos bem fechados, sem querer ver o rosto de seu assassino.
— Meninas! – a voz conhecida chamou e uma onda de alivio, seguida de um constrangimento sem tamanho, tomou o corpo das garotas, fazendo com que se soltassem umas das outras rapidamente, erguendo, encabuladas, o olhar para ver se aproximar. – Achei ter ouvido as vozes de vocês.
— O que você está fazendo aqui? – perguntou, se aprumando e limpando a roupa mesmo que ela não estivesse realmente suja, ao passo que as outras duas buscavam os celulares do chão.
— Estava procurando isso aqui. – ergueu a mão sob a lanterna do celular de para que ela iluminasse o colar que ele segurava, o colar dela. arregalou os olhos e soltou um gritinho, surpresa.
— Meu colar! Não acredito que achou! – exclamou, jogando-se, sem nem mesmo pensar a respeito da própria atitude, nos braços de para abraçá-lo como agradecimento. e se entreolharam, surpresas com a atitude tanto de quanto de .
— Deu pra ver como você ficou chateada por perdê-lo. – deu de ombros, como se não precisasse realmente agradecê-lo, mas o jeito satisfeito como ele sorria deixava claro que ele estava feliz de tê-la agradado também e adorou ver aquilo. Nunca tivera absoluta certeza a respeito dos sentimentos de por sua irmã, nunca foi capaz de decifrá-lo de verdade, embora sempre houvesse achado que os dois ficariam bem juntos se experimentassem, mas agora parecia claro: gostava de . E não podia estar mais satisfeita em notar aquilo. – Vocês estavam procurando, não estavam? – ele olhou de para as garotas em seguida, de repente sem graça, como se só então se lembrasse das outras duas ali e riu enquanto arqueava a sobrancelha.
— Estávamos. – respondeu, de maneira divertida. – Mas gosto mais assim, você achou e agora não estamos mais sozinhas nessa floresta.
— Você estava com medo. – riu, encarando a irmã com humor, já que não era do tipo que demonstrava medo ou agia como se estivesse num filme de terror, o que elas claramente fizeram.
também riu.
— Ela quem gritou mais alto. – murmurou baixinho, mesmo ciente que aquilo não impediria que as outras duas ouvissem, e riu junto com .
rolou os olhos.
— Não tem como você reconhecer meu grito, não somos tão íntimos assim. – retrucou simplesmente, deixando claro que não acreditava nele e apenas riu, fazendo sinal para que as três garotas passassem em sua frente para irem embora dali e as três obedeceram e seguiram dois passos a frente de , fazendo junto com ele o caminho de volta para o acampamento.
— Eu não gritei mesmo mais alto, não é? – sussurrou para , que fez que não.
— Foi definitivamente a . – murmurou e ela concordou, satisfeita. , é claro, reclamou e tentou intervir, mas nenhuma das duas ligou, ignorando-a e sorriu satisfeita quando virou para olhar por sob o ombro, em direção a , prestes a reclamar delas. A discussão continuaria tão ávida quanto possível o caminho inteiro até o dormitório, o que era típico delas, mas satisfazia ver feliz, com seu colar de volta e conversando e rindo, tão abertamente, com o cara de quem gostava.
Ela estava certa quanto aos dois: Eles, definitivamente, ficavam bem juntos.

09.

“Ai, amor
Será que tu divide a dor
Do teu peito cansado
Com alguém que não vai te sarar?”– AnaVitória

Não devia, realmente, ser surpresa que fora parar do lado de fora do dormitório de quando não conseguiu dormir á noite. Ela era sua melhor amiga e ele estava acostumado a correr para ela em momentos de confusão, aquilo não era novidade, mas, de alguma forma, naquela noite a sensação era diferente. Devia ter a ver com tudo que causara aquelas mudanças entre eles, sabia, mas aquilo não mudava que ainda era estranho. Ele se sentia seguro com e quase completamente a vontade – se não fosse por ele mesmo, que nunca realmente se permitia sentir daquele jeito sem “quases” –, mas tudo ficara diferente depois do primeiro beijo e aquilo era inegável.
Parecia que, toda vez que estava com ela, voltava naquele ponto, mesmo que já houvessem falado daquilo e ela houvesse sido capaz de fazer parecer algo tão pequeno. Era difícil ver a pequenez da situação quando suas mãos suavam tanto, não só pela ansiedade crescente por conta de sua indecisão a respeito de que caminho seguir quando o verão acabasse, mas por estar indo atrás dela no meio da madrugada também.
Simplesmente pensar em vê-la vinha sendo o suficiente para fazer sua pulsação acelerar, o garoto começava a notar.
Limpando as mãos nas calças de moletom, ele se aproximou da janela do quarto, tentando enxergar algo lá dentro. e suas irmãs provavelmente estavam dormindo e acordar apenas era possível, porém improvável, mas aquelas coisas sequer passaram pela cabeça de quando ele bateu os dedos, devagar, no vidro da janela, depois de novo, mais rápido.
Quando ouviu um barulho dentro do quarto e enxergou um vulto, com uma das meninas parecendo se levantar, ele se abaixou, se escondendo embaixo da janela.
Então, sim. Era aquilo que ele faria, caso acordasse a pessoa errada. Estava resolvido.
? – o sussurro fez com que ele erguesse o olhar novamente, vendo olhando para baixo da janela, em sua direção. suspirou de alivio.
— Ainda bem que acordei você. – murmurou, fazendo uma careta quando ela arqueou as sobrancelhas e ele absorveu o que dissera. – Quis dizer, você e não as suas irmãs. Ainda bem que acordei você e não elas. Você…
— Espere aí. – ela murmurou, lhe cortando e sumindo dentro do quarto em seguida. se afastou da janela, trocando o peso do corpo de um pé para o outro enquanto respirava fundo, ansioso novamente.
Seu dia fora complicado, repletos de altos e baixos mesmo que ele mal houvesse saído do quarto desde que chegou da praia. Não precisava sair do quarto ou sequer de outra pessoa para que os altos e baixos existissem, afinal estava tudo na cabeça dele. A confusão que pesava tanto em sua cabeça e lhe deixava a ponto de enlouquecer não estava em nenhum outro lugar, só ali. Porque ele precisava tomar uma decisão e não sabia o que fazer.
— Desculpe te acordar. – ele falou, enfiando as mãos nos bolsos do moletom quando viu se aproximar, e ela balançou a cabeça, indicando que não havia problema, antes de se sentar sob a madeira que elevava o dormitório, ao lado do amigo.
— Eu não estava dormindo. – confessou. – Não estou conseguindo.
— Nem eu. – respondeu e os dois ficaram em silêncio, respirando em ritmos diferentes, pensando e se perguntando coisas muito parecidas. – , eu não sei o que fazer. Eu sempre gostei daquele grupo de teatro, sempre, eu os assistia sempre que estavam na Coréia. Minhas mães me levavam para todos os espetáculos e eu sempre gostei de dançar, quando eu era mais novo as aulas eram minha parte favorita do dia, mas… Isso significa que eu sou bom o suficiente pra fazer algo tão grande, algo tipo participar de um espetáculo deles? – a voz de oscilou enquanto ele falava, o que acontecia principalmente quando algo lhe chateava e, bem, toda aquela situação lhe chateava.
suspirou, pegando sua mão e puxando para o próprio colo, segurando entre as suas.
— Eu gosto de cantar, gosto de verdade. Só porque eu gosto, significa que eu possa tornar isso a minha vida, minha carreira ou, ao menos, uma experiência única e grandiosa? – perguntou e sorriu fraco ao olhar de lado para ela, sem precisar de muito para entender o propósito da pergunta.
— Sim, você pode. – disse, sabendo que era o que ela esperava ouvir. Ela sabia que podia, mesmo que não quisesse. – Mas somos diferentes, -yah…
— A única diferença entre nós é que você se recusa a acreditar que pode fazer isso, . – retrucou, lhe interrompendo e segurou seu rosto entre as mãos, fazendo com que ele virasse para lhe encarar, olhos nos olhos. O ar travou na garganta de quando ele o fez e o garoto soube que era mais um daqueles momentos sobre os quais estava refletindo pouco antes, um daqueles momentos em que ela lhe bagunçava com facilidade quase humilhante. – Você pode fazer isso.
— Mas não era o nosso plano. – ele insistiu, tirando a mão dela do próprio rosto, mesmo que não houvesse desviado o olhar de imediato. Levou um instante para, de fato, abaixar a cabeça e suspirar pesadamente, pisando com mais força na grama embaixo de seu calçado. – A gente ia fazer faculdade juntos.
— Ei, eu vou ficar bem. – murmurou, tranquilizadora, e virou para lhe encarar bem a tempo de vê-la coçar o canto do olho, sorrindo de maneira muito provavelmente mais triste do que gostaria. O garoto a conhecia o suficiente para saber que odiava sorrir daquela forma, triste. Ela odiava demonstrar sentir o que não sentia, especialmente quando estava triste e precisava ser forte.
E odiou que ela achasse que precisava ser forte agora, com ele. Tanto quanto gostava de tê-la como um porto seguro, gostava de ser o dela, afinal.
-yah…
— São só seis meses, . – o interrompeu quando ele tentou intervir, odiando aquilo, toda aquela conversa. Parecia que, a cada minuto que se passava com eles ali, a realidade se tornava mais dura: o certo a fazer era ir. E, no fundo, era até o que ele queria, sabia daquilo também, mas que droga… Havia e… Nem era só ela. Era o medo implacável que ele ainda sentia, que sentia só de pensar no que poderia acontecer durante aqueles seis meses, naquela viagem. E se tudo desse errado? E se ele fosse péssimo e estragasse tudo? Por outro lado, no entanto, e se ele não fosse? se arrependeria pelo resto da vida e sabia disso, assim como já se arrependia de várias coisas, oportunidades, vontades, das quais se privara pelo mesmo motivo: insegurança, medo. – Vamos ficar bem, eu e você. Temos anos demais como vantagem para realmente deixar que, alguns meses acabem com a gente, com o que somos, sim? – ela murmurou, mais firme, porém com certa suavidade ainda assim.
respirou fundo, apoiando os cotovelos nas coxas enquanto escondia o rosto nas mãos, soltando o ar contra as palmas em seguida.
Acreditaria nela, acreditaria que, talvez, a distância não arruinasse o que tinham, se tudo já não estivesse tão diferente, se os sentimentos que ele tinha por ela já não estivessem tão completamente bagunçados.
— Você jura? – perguntou, por fim, ao virar para encarar a garota, num impulso de vulnerabilidade que sequer viu chegando. – Jura que, não importa o que aconteça no fim do verão, eu não vou te perder? – pediu, sem desviar o olhar em momento nenhum, em nenhuma palavra, nenhuma sílaba. De repente, havia tanta intensidade no momento que a ideia de desviar o olhar parecia, no minimo, errada.
— Eu juro. – falou, firme, sorrindo um instante depois, um sorriso mais convincente que o último que dera, se não fosse ali. Ele lhe conhecia bem demais para que até aquele sorriso, no qual ela claramente se esforçara mais, lhe enganasse. – Faça o que achar que deve, , o que quiser. Não sou um fator determinante para sua escolha, estarei aqui de todo jeito. – murmurou e acabou soltando um riso escasso ao ouvir, balançando a cabeça.
Se ela soubesse…
-yah. – sorriu para a amiga, lhe encarando com mais divertimento do que tentava, mas não podia se conter. O jeito que ela pensava ainda lhe fascinava ás vezes, lhe fascinava que ela soubesse tanto, mas não houvesse notado como o poder que tinha sob ele só aumentava, dia após dia, naquele acampamento. – Você sempre vai ser um fator determinante em minhas escolhas, especialmente nas mais importantes, como essa.
tentou, mas morder o próprio sorriso não escondeu o brilho que surgiu em seus olhos e, tomado pelo ímpeto e uma coragem que só podia se dever a madrugada, que era famosa por tornar as pessoas mais valentes e menos preocupadas, o garoto se inclinou na direção dela, apoiando uma mão em sua nuca e colando suas testas, os olhos focados nos dela e apenas nos dela até que, por fim, os fechasse. Foi aí que lhe beijou.
Os dedos do garoto se infiltraram nos cabelos dela ao mesmo tempo em que ele entrava com a língua em sua boca, alcançando a dela e beijando-a devagar, com carinho e cuidado, amor. Mesmo com uma das mãos de alcançando seu braço e segurando ali, na curva do cotovelo, não havia dúvida alguma: o controle daquele beijo era dele e a garota de olhos fechados apenas se entregava ao momento, ao que quer que estivesse sentindo enquanto experimentava ter as rédeas daquele momento, daquele beijo.
A única outra vez que ele fizera algo parecido fora quando se beijaram na casa da arvore, no dia que ela lhe contara da história de sua primeira vez e a sensação ainda era totalmente nova para ele, porém igualmente boa também e quando finalizou o beijo, deixando dois, três, selinhos na boca da garota, ele acabou sorrindo. lhe fazia sentir tão diferente de como se sentia o tempo todo, tão bem, tão pronto.
Ele tinha certeza que quando voltasse para seu dormitório e deitasse a cabeça no travesseiro, voltaria a se sentir ansioso e levaria horas para pegar no sono – se pegasse –, mesmo que se agarrasse o máximo que pudesse àquele momento, àquele beijo, para se sentir tão em paz, tão capaz, quanto se sentia naquele exato momento, enquanto esperava sua amiga abrir os olhos para encarar os dele, que quase sorriam sem que seus lábios tivessem o trabalho de acompanhar.
sorriu e lhe roubou mais um selinho.
— Você vai ficar bem. Vão ser seis meses incríveis, você vai adorar – murmurou e ele riu, balançando a cabeça.
— Eu não decidi nada ainda. – retrucou, lhe roubando outro beijo quando ela abriu a boca para retrucar. – E nem vou decidir agora, -yah. Estamos trabalhando nisso há semanas e você já deve ter notado, eu não sou o caso mais simples do mundo.
— Definitivamente não. – a garota retrucou, com um risinho que o fez rolar os olhos antes de empurrar sue rosto para trás, suspirando pesadamente instantes depois, quando as risadas cessaram e ele soube que, naquele momento, não lhes restava nada para fazer exceto se despedir para tentar dormir pelo menos um pouco.
— Eu ainda acho que não vou conseguir dormir. – confessou por fim e sorriu, batendo nas próprias pernas como se pedisse que ele deitasse ali. Diante do gesto familiar, arqueou as sobrancelhas.
— Se eu dormir no seu colo, você não vai conseguir dormir. Principalmente aqui fora, está frio, -yah. – retrucou e ela assentiu.
— Tudo bem, então. – falou, levantando-se e estendendo a mão para ele. – Vem comigo.
lhe encarou sem saber se devia por mais alguns instantes e ela bufou, chutando de leve sua perna para que ele andasse logo, então suspirando, ele o fez. Se até o fim do verão, ela lhe ensinasse a lhe dizer não, aquilo sim seria uma surpresa.

-yah, eu não devia estar aqui – reclamou depois que precisou praticamente lhe obrigar a deitar em sua cama para dormir lá com ela. – noona vai matar a gente de manhã.
—As vezes acho que você tem mais medo da minha irmã do que do meu pai. – riu e ele lhe encarou como se não entendesse porque devia ser diferente.
noona é assustadora. – retrucou, como se fosse muito simples, e ela riu, virando-se de frente para ele na cama e roubando um beijo em seu nariz.
— Fecha os olhos. – pediu em seguida, acariciando sua bochecha enquanto ele passava um dos braços em volta de sua cintura. – Vou cantar para você dormir. – ela murmurou quando ele a obedeceu, fechando os olhos.
não respondeu, esperando para ouvir a voz que tanto gostava. pigarreou e ele precisou conter o ímpeto de abrir os olhos, realmente preocupado que terminassem de acordar ou , ainda que conhecesse as duas melhor do que ele e soubesse até onde poderia ir sem acordá-las.


Ei, ‘cê não sabe a falta que faz
Será que teus dias tão iguais?
Eu me pego pensando

Ai, amor
Será que tu divide a dor
Do teu peito cansado
Com alguém que não vai te sarar?

Eram raras as vezes em que a garota cantava em seu idioma nativo e, ainda que não entendesse as palavras, tinha um apreço sem tamanho pelos momentos em que ela o fazia. Sua voz soava diferente, doce de um jeito que, por si só, era quase como receber um abraço. podia ouvir a vida inteira, mas acabou não se contendo, curioso.
— O que quer dizer? – quis saber, interrompendo a amiga quando ela já estava prestes a cantar o próximo trecho e ela sorriu, sem parar em momento nenhum o carinho que fazia em seu rosto, o gesto por si só fazendo com que o garoto se sentisse sonolento e relaxado.
— Que, ainda que eu não possa resolver tudo pra você, sempre vou estar aqui. Sempre, sempre e sempre. – ela explicou, sem realmente traduzir e não ligou que ela não houvesse traduzido. Gostou daquela explicação, que acabou sendo o suficiente para ele.
assentiu e voltou a fechar os olhos, juntando mais o corpo ao da garota de modo a se acomodar melhor em seu abraço, inspirando em seu pescoço e recostando a cabeça ali, mesmo que, na verdade, fosse mais alto que ela e aquilo fosse tornar a posição esquisita e desconfortável em algum momento. Por ora, estava bom.
— Continua. – pediu, por fim, baixinho a garota, que beijou o topo de sua cabeça e sorriu, assentindo sem que ele visse também antes de obedecer.


Meu amor
Eu vivo no aguardo
De ver você voltando, cruzando a porta

Pararara

Ei, diz pra mim o que eu quero escutar
Só você sabe adivinhar
Meus desejos secretos

+++

! Para de ser covarde! – reclamou, rolando os olhos, quando o outro correu para longe dos veados que devia ajudar a alimentar. – Anda, volta aqui! Professora!
— Estou assustado! – reclamou também quando tentou chamar a professora para denunciá-lo, dando outro passo para trás quando um dos veados amontoados perto de , que segurava as folhas que deviam usar para alimentá-los, aproximou-se do mais baixo. – Sai, sai!
Os alunos que estavam por perto riram da cena e notar que tinha uma platéia fez erguer o olhar e corar, arrancando um sorriso de Belle, que estava junto com e , segurando ela mesma folhas para alimentar os veados também. riu, olhando dela para .
— É como ver alguém se apaixonar pelo cão Pateta. – comentou com , que assentiu e Belle olhou feio para os dois.
não é tão bobo. – o defendeu, estirando a língua quando arqueou as sobrancelhas em sua direção por defendê-lo. – Só estou falando. Ele não é.
— E como é que você sabe disso, hein? – insistiu e ela rolou os olhos, desviando o olhar e voltando a prestar atenção na comoção que o outro causava, como se sua amiga não houvesse perguntando nada.
Naquele dia, a atividade recreativa do acampamento envolvia uma visita a uma reserva florestal, algo próximo aos safáris que as pessoas visitam na África, por exemplo, porém menor. Os animais naquela região eram de porte muito menos grandioso e, portanto a mobilização feita para manutenção da reserva também era menor, com necessidade de muito menos funcionários.
Os alunos, exceto por , é claro, estavam descobrindo ainda que os veados eram animais surpreendentemente amigáveis, de modo que estavam se divertindo com a tarefa de alimentá-los. Eles haviam sido divididos em duplas, alguns trios, e cada equipe ficara responsável por cerca de seis ou sete veados. Estavam todos indo bem. De novo: Exceto .
— Vamos nos concentrar nos nossos. – sugeriu, estendendo um pouco de planta para um dos veados, que lhe ignorou, farejando os pés das garotas. Ele bufou por isso. – Eles me odeiam.
— Não te odeiam. – retrucou, rindo enquanto fazia carinho na cabeça do veado. – Só gostam mais da gente.
rolou os olhos, lhe encarando com escárnio.
— Bom, então os alimente. – retrucou, já que segurava as folhas no alto, dando uma por uma, muito lentamente, aos animais ao seu redor. – Pare de provocá-los, .
— Eu não estou! – ela riu, puxando a folha de volta quando um dos veados tentou morder. Tanto quanto Belle olharam feio para ela dessa vez e a garota fez bico. – É que eles são tão fofinhos…
— Ok, Branca de Neve. – Belle rolou os olhos, puxando a folha de sua mão para dar ao veado que ela, basicamente, enganara pouco antes, fazendo carinho em sua cabeça enquanto ele comia.
! – gritou de repente, voltando a chamar atenção dos outros enquanto corria do veado que lhe perseguia quase trotando, provavelmente achando aquela a mais divertida de todas as brincadeiras as quais já foi apresentado e riu da cena, desviando o olhar para o irmão mais velho bem a tempo de vê-lo balançar a cabeça e esconder o rosto nas mãos, claramente frustrado.
Quem quer que tivera a ideia de colocar e para trabalhar em dupla era um gênio, sem mas.
, dá a planta pra ele comer! – gritou, impaciente, e jogou o monte verde que ainda segurava para o veado, que apenas desviou, sem demonstrar qualquer interesse na planta enquanto dava voltas ao redor de , guinchando no percurso também. acabou rindo junto com os outros dessa vez. – Quer saber, esquece. – murmurou, muito mais para si mesmo do que para , antes de dar as costas e se concentrar em alimentar sozinho os outros.
— Ei, não! – reclamou, empurrando o rosto do veado para fazer com que ele se afastasse. – ! Não me deixa aqui sozinho!
riu do pedido desesperado, mas ignorou, mantendo-se de costas para ele enquanto alimentava os veados ao seu redor. bufou, frustrado, e continuou sibilando para o veado perto dele, tentando fazê-lo se afastar.
— Não acredito que estou com pena dele. – reclamou, balançando, desacreditado, a cabeça enquanto olhava de para , que riu e apertou uma de suas bochechas.
— Você é uma graça, -ah. – riu e ele balançou a cabeça, voltando a focar nos veados dos quais tinham que cuidar, tentando alimentá-los, mas nenhum deles dava atenção para , que bufou.
— Seria mais fácil se eles ao menos olhassem para mim.
— Não se culpe, -ah. – Belle interveio, rindo – Sua concorrência é um pouco pesada demais pra você. – deu de ombros, apontando de si mesma para e o garoto rolou os olhos, empurrando seu rosto para longe em resposta.
— Odeio vocês. – resmungou, se afastando para buscar uma garrafinha de água e molhar a garganta, o que não chegou a fazer apenas porque quando passou por trás de , ainda tentando fugir do veado que lhe perseguia, o animal deixou o garoto de lado para trotar em direção a , que observou, surpreso, enquanto ele se aproximava.
— Eu? – perguntou, apontando surpreso para si mesmo, ainda que não esperasse realmente nenhuma resposta do bichinho, que farejou seus pés enquanto se abaixava, fazendo carinho em sua cabeça.
assistiu a cena com certo choque.
— Que tipo de bruxaria… ? – sequer conseguiu finalizar a pergunta, tamanha sua surpresa, enquanto se aproximava de , mantendo, ainda assim, uma distância segura do veado ao fazê-lo. – Por que ele veio atrás de você? – quis saber, a pontada de incômodo em sua voz fazendo erguer os olhos para ele e arquear as sobrancelhas.
— Está com ciúmes? – perguntou, desconfiado. – Você estava morrendo de medo dele há meio minuto.
— Não estava com medo. – o outro retrucou, não soando nenhum pouco convincente. apenas rolou os olhos, preferindo nem responder enquanto se aproximava dos dois, entregando um punhado de pequenas cenouras para .
— Toma. – entregou, fazendo sinal para que ele ajudasse a alimentá-lo e saindo dali em seguida. rolou os olhos, observando desacreditado o outro se afastar.
— Seu irmão é um inútil, -ah. – reclamou para o mais novo, que voltou a arquear as sobrancelhas em sua direção enquanto pegava uma das cenouras em sua mão, segurando-a para o veado filhote morder.
— Não era você quem estava fugindo dos veados enquanto ele fazia todo o trabalho? – questionou e abriu a boca num “O”, como se a acusação lhe fizesse sentir ofendido e chocado. duvidava das duas coisas. – Vai, me dá mais uma. – pediu quando o veado terminou com a primeira cenoura e lhe estendeu outra, que ele estendeu para que o veado comesse, o que ele fez imediatamente.
-ah, já que estamos aqui… – começou a falar enquanto se abaixava, mas deu um pulo para trás quando o veado virou, como se fosse em sua direção. – Fica aí. – sibilou, apontando para o bicho, que virou e voltou a se concentrar na cenoura que lhe estendia. O mais novo encarou com divertimento.
— Você não acabou de dizer que não estava com medo?
— Ei, quieto, não foge do assunto. – retrucou e lhe encarou com confusão, já que o outro não havia iniciado assunto nenhum para que ele pudesse fugir.
— Eu não fugi, mas agora acho que devia, não é? – retrucou e fez um gesto de descaso com a mão em resposta a sua especulação.
— Só queria perguntar da . – o mais velho deu de ombros, como se não fosse nada demais e quase riu da ironia daquele “só” no inicio da frase. era tudo, menos um “só”. – A gente falou do assunto uma vez e eu imaginei que fosse vir me pedir ajuda quando estivesse pronto para admitir que gostava dela, mas não veio. Ainda não está pronto? – perguntou, baixo e ficou agradecido que ele pelo menos usasse o tom de voz certo para aquele tipo de conversa.
— Não gosto dela. – mentiu simplesmente. Ele não era bom mentiroso e sabia daquilo, por isso apenas torceu que não fosse tão bom em notar aquele tipo de coisa quanto ele fazia parecer que era ou o mais velho definitivamente perceberia que ele estava mentindo.
— Ok, não está pronto. Entendi. – ele murmurou, provando que não tinha qualquer sorte e ele rolou os olhos, mas não respondeu, torcendo que ignorar fosse fazê-lo calar a boca, mesmo duvidando daquilo. – Sabe, , tudo vai mudar no fim do verão. Eu não sei quais são os planos de vocês para o próximo ano, se pretendem ir para a mesma faculdade ou o que, mas devia pensar nessas coisas. O tempo está passando e ele não vai parar enquanto você fica aí, remoendo o seu medo. Se gosta dela, devia falar de uma vez.
não contara nem para seus irmãos a respeito do grupo de teatro ainda, por isso foi impossível não encarar com certo choque diante de suas palavras.
Na verdade, fazia sentido que ele pensasse aquelas coisas mesmo sem saber os detalhes do dilema com o qual sofria, afinal ele já passara pela fase de deixar o colégio, ainda que não tivesse nenhuma garota envolvida na época provavelmente também achou que tudo mudaria sem que ele estivesse pronto ou pudesse controlar qualquer parte da situação, mas quando pensou aquelas coisas já era tarde demais. Sua expressão anterior, a de surpresa, já havia lhe entregado.
— Vão para faculdades diferentes? – perguntou, diante de sua expressão, e apenas fez que não, com medo de abrir a boca e despejar todos os detalhes de seu impasse, que não pretendia compartilhar com ninguém tão cedo, especialmente com . – Bom, o que quer que seja, minha opinião ainda é a mesma: Fala com ela. Se não acredita em mim e acha que eu não entendo nada, então converse com . Ele vai ter conselhos pra te dar.
? – perguntou, surpreso, enquanto olhava em volta, buscando o outro. estava com Yoona, rindo enquanto alimentavam alguns veados juntos. – Ele e Yoona… Você sabe o que aconteceu? – ele perguntou ao virar para encarar , a mente dando um estalo antes mesmo que assentisse.
— Sim, eu sei. – disse simplesmente. – Mas não vou te contar nada. Se quiser saber, converse com . – acrescentou e não precisou que ele explicasse para saber o porque daquilo. Ele não podia simplesmente perguntar a se quisesse saber, teria que contar porque queria saber e falar daquilo com lhe obrigava a admitir, para si mesmo e para os outros, o que realmente sentia por sua melhor amiga.
, infelizmente para , era mais esperto do que fazia parecer na maior parte do tempo.
— Tudo bem. – deu de ombros, como se não fosse nada demais. – Não me importo.
não insistiu, mesmo que, claramente, não acreditasse nele. era esperto o suficiente para saber que ele não acreditava, mas se deu por satisfeito que ele, pelo menos por ora, não insistisse no assunto.
Antes que pudessem falar sobre qualquer outra coisa também, o veado que alimentavam guinchou e correu dali, se afastando deles. o acompanhou com o olhar, sua expressão denunciando confusão e surpresa simultaneamente.
— Sua mãe deve tê-lo chamado. – murmurou, dando de ombros e virou para olhar para , genuinamente acreditando em suas palavras. É claro que riu no instante em que notou isso, fazendo o mais novo rolar os olhos.
— Idiota. – acusou e apenas riu mais, fazendo sinal para que ele se levantasse e os dois seguiram em busca de água, que era o plano inicial de antes que o veado filhote lhe parasse. – Olha, hyung, sobre a , eu sei o que acha que sabe e eu não estou confirmando nada com esse pedido, mas… Não fala sobre isso com ninguém. – pediu, baixinho, enquanto abriam as garrafas de água que pegaram e arqueou as sobrancelhas para ele.
— E com quem eu falaria? – retrucou, sorrindo divertido em seguida. – A própria , talvez?
— Hyung… – choramingou assim que ele falou, fazendo o outro rir.
— É brincadeira, . Eu não vou falar. – murmurou, tentando lhe tranquilizar. – Mas acho que o fato de você se importar se digo ou não diz bastante coisa, hm? – falou simplesmente, se afastando antes que pudesse responder e, uma vez sozinho, o garoto bufou, balançando a cabeça.
Odiava quando estava certo.

Algum tempo depois, os alunos se reuniram no refeitório da reserva para fazer um lanche. estava novamente com suas amigas, e Belle, mas não falava muito, remoendo, contra a própria vontade, a conversa com na cabeça. Vez ou outra, ainda, o garoto desviava o olhar para e Yoona, sentados com e em uma mesa mais distante, e continuava a se perguntar o que acontecera entre eles.
O acampamento, inegavelmente, aproximara os dois, que praticamente não se falavam mais desde o fim de seu namoro e, diante da própria situação, não podia evitar temer que terminasse de forma semelhante com caso decidisse ir naquela viagem com o grupo de teatro. Claro, ele e não namoravam e as chances de ela retribuir seus sentimentos eram quase nulas, mas ainda assim ele temia. Não queria ter que esperar até o próximo verão para estar próximo dela de novo, não queria perder o que tinham.
— Você está quieto. – a garota murmurou de repente, chamando sua atenção e coçou a nuca diante de seu olhar incisivo, fazendo, devagar, que não.
— Impressão sua. – mentiu, mesmo ciente que aquilo era inútil. Mesmo que ele fosse bom naquilo, o que ele nem mesmo era, não era como se ela não lhe conhecesse o suficiente para saber quando ele mentia.
— O que você tem? – quis saber, arqueando as sobrancelhas e Belle olhou de um para o outro, também esperando pela resposta de , que corou.
— Nada. – resmungou baixinho, quase soltando um suspiro de alivio quando um de seus professores limpou a garganta e bateu palmas, tentando chamar a atenção da turma. O garoto ainda sentiu o olhar de sob ele por mais alguns instantes, mas ignorou mesmo assim, concentrando-se no que quer que seu professor tivesse para falar.
— Pessoal, é o seguinte: Fomos informados da chegada de uma tempestade e, discutindo com os funcionários da reserva, concluímos que voltar para o acampamento agora seria colocar todos vocês em risco e, por isso, precisaremos passar a noite aqui.
O burburinho que veio em seguida, com tanta gente falando ao mesmo tempo e chegando a tantas conclusões diferentes arrancou uma careta de , que já foi arrebatado por uma onda intensa o suficiente de nervosismo ao ouvir a noticia. Uma tempestade era tudo que ele não precisava, céus.
— Parece que voltamos a escola por um momento. – Belle resmungou e riu ao seu lado, concordando. não demonstrou nenhuma reação, limpando o suor das mãos na calça.
Céus, ele odiava tempestade. Odiava, odiava, odiava… Pior ainda: Tinha pavor de tempestade e nenhum orgulho ou firmeza em admitir aquilo.
—… Os garotos vão montar suas barracas lá fora e as garotas aqui dentro, já que não temos espaço no refeitório para todos. Vocês podem pegar as barracas disponíveis com a Sra. Jung, que estará distribuindo as barracas e passando instruções para a noite. Depois que montarem a barraca, iremos distribuir algumas tarefas caso haja necessidade, portanto trabalhem rápido e trabalhem direito, pessoal. Vai ser uma noite longa. – a voz do professor voltou a se sobressair em meio ao burburinho depois que a Sra. Jung, outra professora do colégio, usou seu apito para silenciar os jovens claramente agitados. O que quer que ele estivesse dizendo antes, em meio ao burburinho dos alunos, não fez menção de repetir mesmo diante do silêncio que se seguiu, dando as costas ao terminar de falar e acenando com a cabeça, num pequeno agradecimento, para a Sra. Jung.
— Ele odeia que ela tenha mais poder que ele. – Belle comentou, olhando para os dois professores e assentiu em concordância.
— A Sra. Jung é, tipo, o espírito animal que toda garota devia ter. Eu adoro como ela intimida todo mundo sempre com esse apito pendurado no pescoço. – comentou e riu, seguindo seu olhar em direção a Sra. Jung.
A Sra. Jung era a professora de educação física do colégio, uma das poucas em Seul, já que aquela profissão era, principalmente na Coréia, exercida por homens em sua grande maioria. A mulher era realmente assustadora quando queria, mas era, no geral, uma ótima professora. O equilíbrio perfeito entre a firmeza e a compreensão necessárias para quem escolhia aquela profissão.
— Vou devolver o prato e pegar logo uma barraca pra gente. – Belle avisou a , que assentiu rapidamente.
— Eu te ajudo a montar. – murmurou e a outra acenou em agradecimento antes de se afastar. pescou o próprio copo e o levou a boca, bebericando seu suco antes de virar para encarar , que arqueou as sobrancelhas diante de seu olhar, especifico demais para que ele deixasse passar. sempre soube de seu, hm, medo de tempestades, já que aquele era um pavor que lhe acompanhava desde criança, desde muito antes de ele ter qualquer pudor que lhe fizesse querer esconder o medo.
— O que foi? – quis saber, arqueando as sobrancelhas.
— Com quem você vai dividir a barraca? – a garota devolveu a pergunta e ele deu de ombros, olhando em volta.
, eu acho. – murmurou o que lhe pareceria mais provável em qualquer outro momento. Qualquer outro porque, naquele momento, estava com uma garota da antiga turma dele e, se conhecia o irmão o suficiente, eles já deviam estar fazendo planos para aquela tempestade inesperada. acompanhou seu olhar em direção a e arqueou as sobrancelhas para o amigo, que deu de ombros. – Eu disse que acho.
— Bom, então tá, mas… – pôs seu copo de volta na mesa, desviando o olhar do amigo por um instante antes de colocar o cabelo atrás da orelha e voltar a encará-lo. – Se você ficar sozinho, posso te visitar de madrugada. –sugeriue não precisou de nenhum tipo de insinuação muito mais explicita para entender a insinuação, enrubescendo ao fazê-lo, é claro.
Ele podia apostar que o motivo daquilo, daquela conversa e daquela sugestão, era muito mais preocupação com ele do que de fato interesse em qualquer outra coisa, mas ainda era ali e ela era boa naquilo, em insinuar e deixá-lo daquele jeito, preso em suas palavras e no significado por trás delas. E, bem, no fundo, se fosse sincero: Seja lá qual fosse o motivo, ele nunca negaria uma visita dela e sabia daquilo.
— Eu acho que eu também. – confessou, num sussurro, e ela sorriu, roubando um beijo no canto de sua boca antes de se levantar.
— Vejo você mais tarde, -ah. – piscou, afastando-se em seguida e ele suspirou, deitando a cabeça na mesa muito mais para fazer graça quando ela olhou por sob o ombro do que por qualquer outra coisa. Ela riu e balançou a cabeça, dando as costas de uma vez e seguindo em direção a onde Belle estava, já com os itens para montar a cabana em mãos.
Em uma coisa, concordava com seu professor: Aquela seria uma noite longa.