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Sinopse: Chittaphon e sua melhor amiga terminam fingindo namoro para toda a internet depois que um vídeo de uma brincadeira boba entre eles viraliza. Agora, o difícil é não deixar seus sentimentos se misturarem por completo.
Classificação: 16 anos.
Gênero: Romance.
Restrição: Ten (Chittaphon) do WayV é fixo. Mark é citado como personagem secundário.
Beta: Alex Russo

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mordia o interior das bochechas e apertava os olhos enquanto contornava os olhos pequenos de Chittaphon com o delineador da marca de maquiagem com a qual assinara um contrato de patrocínio naquela semana. Um contrato de patrocínio… Soava até ridículo de tão surreal.
Em toda sua vida, nunca fora o tipo de pessoa que sabia qualquer coisa sobre visibilidade e a aquela estava sendo uma aventura, no minimo, intensa. Por sorte ou azar, não estava sozinha.
Tinha Chittaphon.
— Você ‘tá indo bem – o garoto murmurou, como se soubesse que ela precisava ouvir aquilo. E, bem, nem ficava surpresa que soubesse. Ele sempre parecia saber, e aquilo vinha desde muito antes de aquela história maluca de fingirem para toda a internet que eram namorados. Assim como os sentimentos dela por ele, vinha desde muito antes.
Ah, sim, estava sendo uma tortura para ela.
Veja, há cerca de cinco, seis meses, alguns de seus amigos filmaram e Chittaphon bêbados numa festa, discutindo – ou algo assim –, porque ela insistia que estava certa e ele errado sobre algo. Ele mordia a risada o tempo todo, porque gostava de vê-la brava, tão confiante e certa de si e, no fim, os dois caíram na risada. Como se tudo fosse uma grande brincadeira. estapeou o peito de Chittaphon, então ele a puxou para si e a abraçou forte, beijando o topo de sua cabeça enquanto ainda ria.
E, assim, se tornaram o casal goals de boa parte da população da internet. Exceto que, bem, não eram um casal.
Fingiam porque a visibilidade, os patrocinadores, lhes ajudava também, promovia suas imagens e, levando em conta o que faziam da vida, ter suas imagens em alta era importante. Chittaphon, dançarino independente, era tão talentoso, mas nada era fácil para qualquer um que decidisse não assinar um contrato de gerência com uma empresa, ou mesmo trabalhar com artes, o que também era o caso de . A garota era escritora, era o que sabia fazer, era o que amava fazer, e embora não tivesse quase nenhuma autoconfiança para nutrir sua própria imagem como devia, se vender para, assim, vender seus livros, sabia que era preciso. E estava tentando. Estava mesmo tentando, ainda que isso significasse fingir namorar seu melhor amigo, por quem era secretamente apaixonada.
Como disse, uma tortura. Estava sendo uma tortura para ela.
— É só que… Ugh, seus olhos são tão pequenos. É difícil contornar sem enfiar o lápis lá dentro…
— Está dizendo que eu sou o problema? – Chittaphon perguntou, arqueando as sobrancelhas naquele misto de diversão e desafio. Ele era bom naquilo, misturar duas emoções muito especificas no olhar e, assim, devastar por completo. Um grande idiota.
Ela riu nervosa.
— Sim. Seu rosto ‘tá todo errado – resmungou, implicante e Chittaphon riu, erguendo a mão e puxando de leve sua bochecha entre os dedos, rindo mais diante do resmungo alto que a garota soltou, batendo em sua mão para afastá-lo. – Garoto! Me deixa trabalhar! – esbravejou, e ele fechou os olhos, os apertando juntos como se, assim, declarasse greve a colaborar com ela, que apertou seu nariz por isso, o fazendo guinchar e pular da cadeira.
! – reclamou, indignado e ela riu alto. Ok, ele era um grande idiota, mas podia ser tão adorável também.
— Chittaphon, senta aqui – ela pediu, ainda rindo. – Preciso terminar. Temos que postar esse vídeo hoje.
— Não quero – ele retrucou simplesmente, cruzando os braços e empinando o nariz de maneira superior. revirou os olhos, mordendo um sorriso porque Chittaphon era muito como uma criança ás vezes: Se risse quando ele fazia malcriação, o estaria incentivando. – Você não ‘tá me tratando bem hoje. Meu rostinho lindo merece mais. – murmurou, com a certeza que só mesmo Chittaphon tinha para falar aquele tipo de coisa sem parecer ridículo. Ou, talvez, não parecesse ridículo para apenas porque ela estava arriada os quatro pneus por ele. Era um caso a se pensar.
— Pelo amor de Deus! – ela bateu o pé, o que arrancou uma risada estupidamente satisfeita do garoto. Ele adorava irritá-la, mesmo quando estava errado. Aliás, principalmente quando estava errado. Gostava de vê-la cheia de certeza, praticamente rugindo suas verdades porque, céus, ficava tão bonita assim.
Não que sequer imaginasse que fosse aquele o motivo de ele gostar tanto de tirá-la do sério, achava que era só coisa de melhor amigo idiota mesmo.
— Boa tarde… – a voz cantada de lhes tirou de sua pequena bolha particular de implicâncias e flertes, fazendo com que encarassem metade do corpo da amiga mais nova entrando no quarto. – ‘Tô atrapalhando?
— Não. Chittaphon já faz isso sozinho – retrucou, revirando os olhos e bufando, fazendo sinal para que a amiga entrasse no quarto de uma vez e só então ela obedeceu, sentando-se na ponta da cama, olhando de um para o outro.
— Você não devia chamá-lo de Ten? – perguntou, se referindo ao nome artístico do garoto, que apontou de para como se concordasse.
— É verdade, devia, devia sim! – concordou de pronto e revirou os olhos.
— Esse nome é ridículo. – retrucou simplesmente, olhando-o impaciente quando ele a encarou ofendido por suas palavras. – Você é um número, por acaso?
— Eu sou dez… Sabe, dez de dez… – ele revirou os olhos por ter que explicar. acabou rindo olhando de um para o outro.
— Meu Deus – murmurou, sem conseguir se conter e os dois lhe encararam com algo entre curiosidade e preocupação por isso. Ela sorriu sapeca. – Vocês estão realmente parecendo muito um casal. – a garota comentou, sorrindo satisfeita quando enrubesceu diante de suas palavras, assentindo algumas vezes olhando de um para o outro, como se analisasse algo e não houvesse notado a mudança de coloração no rosto da outra. – Eu gosto.
— Ai, sai daqui você também, garota… – resmungou, como se aquilo fosse a maior loucura que já ouvira. , é claro, não se moveu e ela rolou os olhos por isso. Estava cercada de pirralhos irritantes, céus. – O que você quer, hein? Desembucha logo.
— Nossa, quanta grosseria – resmungou, como se estivesse ofendida. Não estava, é claro. não se ofendia nem quando tinha que se ofender e, se por algum milagre terminasse de fato ofendida, passava tão rápido quanto chegava. – Eu só vim ver se vocês queriam pedir comida… – o tom cantado denunciava que de jeito nenhum ela estava ali por isso e o olhar cético de deixava claro que ela sabia, por isso revirou os olhos e desandou a falar, propositalmente rápido. – E queria ver se o casal influencer queridinho da internet tem ingresso pra festa de hoje, ‘tá esgotada, mas um DJ que o Mark gosta vai tocar e eu queria surpreendê-lo…
— Eu vou me apresentar. Levo vocês – Chittaphon murmurou, simples e o estapeou.
— Ela quer algo da gente, será que dá pra não ser fácil assim? – resmungou e o garoto riu, concordando e então pigarreando ao virar par encarar . – Você tem que me fazer uma oferta que eu não possa recusar… – a imitação descarada, e muito mal feita, de O Poderoso Chefão fez esconder o rosto nas mãos e gargalhar.
— Te mando nudes da sua falsa namorada. – piscou e arregalou os olhos para ela.
— Você não tem nudes meu!
— Feito. – Chittaphon ignorou, estendendo a mão para selar o acordo e fazendo a mais velha arregalar ainda mais os olhos.
— Chittaphon!
— Ten, pra você – ele rebateu, com uma notinha ligeiramente esnobe na voz fazendo querer estapeá-lo. Ridículo. – Podemos voltar ao trabalho agora? Você disse que tínhamos que postar o vídeo hoje.
— Agora ele quer trabalhar… – a garota resmungou por entre os dentes, desacreditada. – Você é ridículo, Chittaphon – fez questão de frisar o nome.
Ele riu, dando de ombros enquanto voltava a se sentar na cadeira giratória próxima a penteadeira de . olhou de um para o outro mordendo um sorriso para quão casal eram, de fato, e se levantou, pronta pra sair do quarto e deixá-los voltar ao trabalho.
— Vocês me pegam lá no Mark ás 23h? – confirmou e Chittaphon ergueu o braço num sinal de legal, então ela assentiu e saiu de lá, lhes deixando sair e não chegando, infelizmente, a ouvir as palavras que dançariam no estômago de pelo resto da tarde, tão logo saíram da boca de Chittaphon:
— E você, baby , – ele soltou um risinho para o apelido ridículo que inventou assim que o deixou escapar – é dez de dez. – Piscou para ela, se ajeitando na cadeira para que ela, enfim, voltasse a maquiá-lo.

***
Chittaphon, ou Ten, havia acabado de se apresentar na Youth, a festa para a qual queria levar Mark porque um DJ que ele gostava ia tocar. Fora ovacionado e ainda não conseguia acreditar naquilo, em como, de repente, era tão conhecido e adorado. Quer dizer, ele trabalhava duro há anos para ser reconhecido em seu meio, e no fim, tudo que precisou foi ser visto tratando sua melhor amiga como sempre tratou? Aquilo era insano, e talvez devesse ser um pouco incomodo também, mas Chittaphon, por sorte, se sentia apenas agradecido.
Era muito difícil, aquele seu meio, e aceitaria ajuda que pudesse, mesmo que isso significasse fingir namorar , o que nem era sacrifício, visto que nem sequer passara a lhe tratar muito diferente do que já tratava antes.
Ele entrou no camarim que lhe disponibilizaram para a pré e a pós-produção da apresentação com uma garrafinha de água a meio caminho da boca, mas acabou por esquecê-la no caminho e simplesmente sorrir largo ao ver ali, esperando por ele. Ela não vestia nada demais, as mesmas calças escuras e jaquetas combinando de sempre, com a camisa de alguma de suas bandas favoritas, mas ainda assim, ou talvez justamente por isso, Chittaphon a achava tão bonita.
— E aí? – ele perguntou, tentando – e fracassando – não demonstrar quão ansioso estava para ouvir sua opinião, ainda que ela já o houvesse visto performar tantas outras vezes e até assistido seus ensaios. Era sempre diferente no palco, e uma apresentação era sempre diferente da outra também.
nunca falhava em ter algo novo pra falar sobre cada uma delas, e ele amava ouvir.
— Hm… – ela sorriu furtiva enquanto o observava se aproximar, sentando-se ao seu lado, as pernas esparramadas de modo que um de seus joelhos, frios pelo suor, esbarrasse no dela. – Minha parte favorita foi aquele giro. Eu não sabia que você ia acrescentar movimentos de hip-hop na dança – ela comentou, enfim, os olhos expressando a mesma surpresa alegre que suas palavras.
— Era surpresa – ele falou, sorrindo. – Ficou legal?
acabou sorrindo com a pergunta, tão adoravelmente genuína que nem parecia que ele dominava o palco com tanta habilidade poucos instantes antes.
— Ficou ótimo – ela murmurou, o observando levar a garrafa a boca e dar grandes goladas na água depois de sorrir e assentir, ligeiramente sem jeito como só parecia ficar com os elogios dela. Aquilo fazia com que a garota quisesse morrer um pouco, e imaginasse se talvez, só talvez, ele não se sentisse exatamente como ela a respeito daquilo. Deles.
Ela nunca passava muito tempo pensando naquilo, no entanto. Não parecia fazer sentido que ele gostasse dela. O que ela tinha a oferecer?
— A gente tem que voltar pra lá – ela avisou, fazendo com que Chittaphon voltasse a virar para lhe encarar. O corpo dele estava meio de lado no sofá, de modo que seu joelho empurrava um pouco o dela e seus olhos se alinhassem intensos aos dela. só não sabia se porque ele acabara de sair do palco e ainda recuperava o fôlego, ainda sentia todas aquelas emoções borbulhantes de quando estava performando, ou por outra coisa. – já mandou mensagens perguntando da gente. E Mark também.
Chittaphon, de inicio, apenas acenou com a mão, fazendo pouco caso de suas palavras.
— Eles têm um ao outro, eu garanto que não precisam da gente pra se divertir. – piscou para a garota, que riu nervosa. O corpo dele continuava estranhamente inclinado para o dela, tudo apontando em sua direção.
— E você pretende ficar aqui no camarim a noite toda? – ela questionou, um tanto acanhada e Chittaphon quase riu, mordendo a boca para se conter. Ela estava tão bonita, ele não conseguia lutar contra a coceira latejante que lhe fazia querer chegar mais perto, e mais um pouco, e então só mais um pouquinho… Seus rostos estavam tão próximos agora, as testas quase se tocando.
— Não, só… – o suficiente para beijar você, ele queria acrescentar, mas honestamente, não tinha tanta ousadia quanto fazia parecer. Muito menos com ela, que o conhecia tão bem, e o desarmava tão fácil, e optou por não falar mais nada, obedecendo a vontade crescente que o tomava e inclinando o rosto para o seu, uma mão alcançando a nuca da garota, que sentiu um arrepio pelo toque gelado e fechou os olhos.
Por puro azar, ou pura sorte, no instante em que o fez, que fechou os olhos, a porta do camarim foi aberta e uma quantidade exorbitante de gente entrou lá, todas falando ao mesmo tempo, cumprimentando Chittaphon por sua apresentação, rindo das piadas que vieram por interromperem o casal e, céus, tanta gente, tanta coisa…
Chittaphon e levaram um instante para lembrar que precisavam ser legais com toda aquela gente, que alguns deles eram, inclusive, as pessoas que vinham lhe patrocinando e ajudando a consolidarem sua fama e visibilidade. Na verdade, levaram mais que um instante.
Deus, como queriam que ninguém houvesse entrado ali…

***
A vida de estava uma verdadeira bagunça.
Ela vinha evitando Chittaphon há quase dez dias, o que era tempo demais para eles, mesmo antes que fingissem namoro e, agora, com aquilo, era ainda mais problemático. Por uma série de razões, mas principalmente por conta de seus patrocinadores, que não saíam do pé da garota pela falta de conteúdo do casal. A internet já começava a especular se eles estavam brigados, se terminaram, se ele a traíra na festa da Youth – a última vez que haviam sido visto juntos –, tantos “se” que a cabeça de doía toda vez que pensava no assunto.
E piorava quando pensava no que Chittaphon poderia estar pensando, se estava especulando sobre ela também. Deus, o tamanho da bagunça que estava fazendo e ele nem chegara a beijá-la, de fato… Nunca imaginara que precisava de tão pouco pra entrar em pânico.
Quer dizer, não era como se pensasse muito de si mesma, mas tão pouco?!
— Aqui, toma – estendeu a amiga a panela recém refrigerada de brigadeiro, e uma colher limpa. – Já ‘tá bom pra comer.
agradeceu com um resmungo e praticamente abraçou a panela enquanto pescava um pouco de chocolate para si, fazendo a mais nova rir.
… – tentou, mordendo o sorriso quando a amiga lhe encarou miserável, com a colher dentro da boca. Era a primeira vez que via alguém triste comendo chocolate fora dos filmes. – Por que não me conta o que aconteceu?
— Por que eu não sei?! – o resmungo de soou tão choroso que só lhe fez sentir pior, grunhindo enquanto pegava mais chocolate na panela. – Quer dizer, no dia da Youth a gente meio que teve um momento no camarim depois da apresentação dele, mas foi tão rápido que… Ugh. Eu sei lá… – ela resmungava, de boca cheia, e limpou o canto de sua boca sujo de chocolate, lhe encarando com pesar.
— Um momento? – perguntou, buscando se concentrar, e concentrar a amiga, na raiz do problema. Talvez assim encontrassem também a solução dele e sairia daquele estado estagnado em que estava, e que estava lhe atrapalhando em todos os departamentos de sua vida, que se tornaram basicamente uma coisa só desde que a garota se tornara influencer.
— É – resmungou, desgostosa. – Ele ia me beijar, eu acho. Bom, na verdade eu sei. , ele ia me beijar… – ela choramingou, a linha de raciocínio se desenvolvendo conforme falava, e não ousou falar nada, não quando ela, claramente, parecia não ter acabado. Parecia só estar começando, na verdade. – Eu sou uma idiota, sabe? ‘Tô fugindo do garoto como o diabo foge da cruz desde aquele dia porque talvez, se algo que não aconteceu tivesse acontecido, tudo estaria bagunçado, mas estou bagunçado tudo ainda mais! Estúpida, estúpida, estúpida…
— Ok, chega! – puxou o braço de para que ela parasse de batucar com tanta violência na panela. – Você mais do que ninguém sabe que morar sozinha é um desafio e essa panela custou caro. Não a machuque – pediu, ignorando o resmungo desgostoso e inteligível que a amiga soltou para suas palavras. – Vocês nunca se beijaram? Com todo esse tempo fingindo que namoram? – ela perguntou, surpresa.
— Dah – resmungou em resposta, levando mais chocolate a boca em seguida. Apostava que ganharia pelo menos uma acne com tanto doce, mas não ligava, não naquele momento. Precisava descontar suas frustrações de alguma forma e o chocolate era o alvo perfeito.
— Nossa – riu, surpresa e soltou um gritinho quando lhe beliscou o braço por isso. – Ai!
— Não ri de mim!
— Desculpa, desculpa… – resmungou, massageando o braço dolorido. – Do que você tem medo, afinal? Vocês ficam bem juntos, amiga, parece certo…
— Da mesma coisa que você, antes do Mark. – devolveu, interrompendo o discurso que sabia que viria. O discurso que, de um jeito ou de outro, já estava ouvindo há meses em todas as redes sociais. Eram o goals de qualquer internauta que se prezava, afinal.
O caso era que tinha medo da mesma coisa que : Do fim. Da dor.
Por que, tudo sempre acabava, não é mesmo?
— Ainda tenho medo disso – devolveu, baixinho, e ergueu os olhos para ela, ligeiramente surpresa. lhe deu um sorrisinho triste. – É uma luta diária, sabe? E a gente tem mais medo ainda quando, de fato, tem alguém que não quer perder. Antes do Mark, eu tinha medo da ideia de me apaixonar e tudo, de alguma forma, terminar. Tinha medo da ideia da dor, do fim. Depois que o conheci, que me deixei envolver por ele, a coisa toda piorou um pouco porque agora, de fato, tenho algo, alguém, a perder.
— Isso é… – fez uma careta, se interrompendo. – Péssimo. Era pra me fazer sentir melhor, ?! – perguntou, um tanto chocada com a mais nova, que soltou uma gargalhada irritantemente gostosa diante de suas palavras.
Ugh. detestava apaixonada e bem resolvida.
— Meu ponto é que você já tem o Chittaphon, amiga – retrucou, como se fosse muito simples – Em minha opinião, sempre foi ele. Antes mesmo de fingirem, e, se sempre foi ele, então você sempre teve uma razão para ter medo, sim? Sempre teve alguém que não queria de jeito nenhum perder. – assentiu, se dando conta que ela esperava uma resposta. assentiu também. – Seu medo não vai aumentar, mas vai continuar te congelando e impedindo que a parte boa de tê-lo aumente. Que você possa tê-lo por completo, sabe?
— Bom, foi Mark quem se declarou pra você, então acho bom que não esteja sugerindo algum gesto romântico ou algo do tipo, pelo amor de Deus – a mais velha retrucou, mal humorada – Provavelmente. – ela murmurou, adivinhando o que perguntaria diante do olhar impaciente que a mais nova lhe lançou. – Vou demonstrar resistência a qualquer coisa romântica e sonhadora que diga. Pra mim, o amor é uma grande baboseira que odeio nesse momento. Ativamente, odeio, com, tipo, todas as células do meu corpo.
— Dramática… – resmungou, o tom cantado lhe rendendo mais um beliscão. – Ai, ai, para! – a garota reclamou, empurrando novamente o braço da mais velha. – , você já o ama. Não pode ter mais medo disso porque é um fato. A questão agora é: Vai deixar que o medo de algo que não aconteceu, e talvez, com sorte, nem chegue a acontecer, continuar te congelando no lugar? Porque, amiga, existe uma chance, uma chance muito boa, de que você e Chittaphon não terminem nunca.
olhou em seus olhos, vendo uma sinceridade quase dolorosa neles e quis chorar. soava exatamente como o melhor amigo do mocinho numa comedia romântica, incentivando um gesto grandioso, romântico, e absurdamente maluco que nunca tentaria. Deus, que ódio!
— Você não tem como saber disso. – resmungou, enfim, com a voz embargada pelo choro que não segurava mais com tanto sucesso e lhe encarou com pesar novamente, o que odiou, mas sequer lhe julgava. Era digna daquilo mesmo.
— Nem você. – a mais nova finalmente respondeu, os olhos brilhando como os de Mark costumavam brilhar e se perguntou quando aquilo aconteceu, quando pegou para si tanto do garoto que amava, e se o mesmo podia acontecer com ela. Ela gostaria de ter a ousadia de Chittaphon, sua graça e garra. Sua capacidade de hipnose, e leveza… E nem lhe ocorreu que tudo aquilo vinha, ironicamente, do fato de Chittaphon confiar em si mesmo. Era o que faltava em , apenas aquilo. – Mas cada um acredita no que é capaz, não é? – cantou, se pondo de pé e seguindo em direção a cozinha, deixando sozinha no chão da sala de estar da melhor amiga com a panela de doce e uma vontade gigantesca de chorar.
Sua vida estava, terminantemente, uma bagunça.

***
olhou para o rotulo parcialmente rasgado da garrafa de vinho barato que tinha em mãos e fez uma careta, sentindo o estômago revirar. Só não sabia se por enjôo, pelo álcool, ou pelo nervoso, visto que estava no elevador e havia acabado apertar o botão para o andar de Chittaphon.
Ela nem mesmo sabia o que ia falar, Deus… Só podia estar ficando louca.
O porteiro do prédio já lhe conhecia, e ela estava na lista de livre acesso de Chittaphon, então não precisou avisar que estava lá, mas talvez houvesse sido mais seguro para todo mundo se houvesse avisado. Desse jeito, Chittaphon estaria preparado para o furacão que era batendo em sua porta bêbada e chorosa depois de dez dias o evitando. Céus, e ainda tinha aquilo. Fazia tanto tempo que não o via, que aquela altura, além de tudo, ela também estava com saudades.
Assim que chegou ao andar dele, balançou a cabeça, tentando parar de pensar ou desistiria e, bem. já estava ali. Se voltasse atrás a situação seria apenas ainda mais vergonhosa, por isso assim que alcançou a campainha do falso namorado, apertou com força o botão. Definitivamente mais decidida do que estava, mas ei, se fingisse o suficiente talvez se convencesse.
? – a voz de Chittaphon soou tão surpresa quanto seus olhos pareciam tão logo ele abriu a porta, e levou apenas um segundo para ele notar o vinho em uma de suas mãos e sua expressão assumir também certa preocupação. – Você ‘tá bem?
— Preciso que me escute. – ela ordenou, muito séria, enquanto empurrava o vinho contra seu peito, puxando de volta quando ele tentou segurar e entrando no apartamento. Confuso, e ligeiramente preocupado, Chittaphon fechou a porta logo depois, virando para encará-la.
— Estou escutando.
— Shiu! Fica quieto! – a garota bateu o pé, meio gritando, meio choramingando, e ele arregalou um pouco os olhos, levando as mãos ao alto como quem se rendia, tão adorável que ela quis chorar. Idiota, idiota, idiota. – Escuta Chittaphon, você é meu amigo, então não pode esperar que isso seja fácil, ou simples. Sabe que nada sobre mim é fácil ou simples. – Ela dizia, como se tivesse certeza que estava sendo clara, que ele sabia exatamente do que estava falando. Exceto que Chittaphon estava muito mais preocupado com o quanto ela bebera do que, de fato, raciocinando sobre suas palavras para acompanhar seu processo de pensamento. – Você é meu amigo, seu idiota! – ela voltou a se aproximar, pronta para estapeá-lo, mas esqueceu que ainda segurava a garrafa de vinho em uma das mãos, e ainda que Chittaphon houvesse erguido a mão, tentando impedir o estrago, não foi rápido o suficiente.
A garrafa voou da mão de , caindo atrás dos dois e fazendo com que ela soltasse um gritinho, pulando no lugar, de modo a pular direto nos braços do garoto, que mordeu uma risada ao abraçá-la.
— Tudo bem – ele murmurou, se esforçando para não deixar que ela notasse o quanto queria rir. Ela parecia furiosa demais para que aquilo fosse saudável. – Tudo bem, foi só… Ei. – ele se interrompeu, novamente preocupado, quando notou que ela chorava em seus braços, agarrando sua camisa com força em uma das mãos enquanto molhava tudo com as lágrimas. – , ei, tudo bem, não foi nada… – ele tentou se afastar para olhá-la nos olhos, mas a garota apenas o segurou mais forte, e ele se viu sem opções, que não apertá-la em seus braços, dando a ela o abraço que ela parecia precisar tanto. – ‘Tá tudo bem, meu bem… – ele murmurou, agora mais doce, afagando seus cabelos, sentindo-se péssimo em vê-la chorando daquela forma. Eram amigos, então claro, ele já lhe vira chorar daquele jeito antes, mas nunca gostou, e nunca gostaria.
— É claro que não está, seu idiota! – ela resmungou, o afastando finalmente, jogando-se no sofá, exausta e ainda chorosa. Chittaphon permaneceu no lugar, preocupado que se aproximar fosse apenas deixá-la ainda mais agitada. Lhe deixava frustrado não saber o que fazer, especialmente quando, com , ele se orgulhava de sempre saber o que fazer, mas caramba… Nem entendia o que estava acontecendo ali. – Por que você é tão idiota, Chittaphon?! – ela resmungou, erguendo os olhos vermelhos pelo choro para ele. – “Ai, eu sou dez, eu sou…” Você é um mísero dois! E olhe lá! – Chittaphon, primeiro, quis rir da tentativa de imitar sua voz, depois novamente do comentário sobre ele ser um dois e balançou a cabeça, fazendo um biquinho.
— Um dois? Tão pouco? – ele questionou, o tom de chateação tão claramente falso fazendo grunhir e lhe lançar a primeira almofada que encontrou próxima a si. O garoto a segurou no ar e riu, se aproximando. – Meu bem… – ele tentou pegar sua mão, mas ela fugiu do contato, olhando para o lado oposto onde ele estava, por birra. Chittaphon mordeu uma risada. – O que você tem, hein?
— Eu ‘tô apaixonada, seu ridículo! – ela enfim berrou, o empurrando pelo peito. – ‘Tá satisfeito?! É isso que queria ouvir?! Eu ‘tô apaixonada por você! Eu não queria ‘tá, Chittaphon, mas eu ‘tô, ok?! O que é que eu posso fazer… – ela choramingou e, principalmente chocado, Chittaphon se aproximou cuidadoso. Ele não se deu tempo de absorver as palavras, a declaração, ou formular algum pensamento, simplesmente porque ela estava em prantos ali, e aquilo era muito mais urgente.

— Sai de perto de mim! – ela gritou, se levantando e ele ignorou, dando mais um passo em sua direção. Abriu a boca para falar, mas a garota ergueu a mão em sua direção, fazendo sinal para que parasse, enquanto levava a outra mão para a boca, tampando-a. – Sai! – reclamou abafado e quase atropelou Chittaphon para passar por ele, correndo em direção ao banheiro mais próximo, que, por sorte, ela já conhecia bem o suficiente.
Chittaphon passou apenas uma fração de segundo parado ali, sem reação, antes de correr atrás dela, batendo forte na porta do banheiro quando a encontrou fechada. Merda, que tipo de bêbado se tranca sozinho no banheiro?!
! Me deixa entrar! – ele pediu, esmurrando urgente a porta. Nenhuma resposta. – !
Cada vez mais agoniado, o garoto continuou a esmurrar a porta, de novo e de novo, até que finalmente abriu. Ela estava pálida e claramente ainda não terminara o que fora fazer ali, segurando o estomago com a expressão claramente dolorida. Chittaphon suspirou e entrou no banheiro com ela, segurando seu cabelo longe do rosto enquanto a garota voltava a se ajoelhar em frente ao vaso sanitário, jorrando tudo de tóxico que fazia seu estomago doer tanto lá dentro.

Quando terminou no banheiro, Chittaphon lhe convenceu a tomar banho e vestiu com uma de suas roupas, carregando-a em direção a sua cama logo depois. se encolheu nas cobertas e choramingou, o puxando pela calça quando ele se levantou, avisando que ia deixá-la dormir.
— Fica – ela pediu, a voz arranhada depois de tanto vomitar e o garoto suspirou, assentindo e então mergulhando nas cobertas junto com ela, que virou de frente para ele em seguida. – Você… Você não é um dois – ela resmungou e ele sorriu pequenininho, assentindo e agradecendo antes de beijar sua testa, fazendo-a fechar os olhos.
— Dorme, meu bem.
obedeceu e manteve os olhos fechados, a respiração pouco a pouco encontrando o ritmo mais pesado, que a levava direto para o mundo dos sonhos, deixando Chittaphon sozinho naquela realidade, observando os traços bonitos dela e, só então, deixando escapar um sorriso alegre, vitorioso.
Ela estava apaixonada por ele. Ela também estava apaixonada.

Na manhã seguinte, se sentiu horrível antes mesmo de abrir os olhos. Seu estômago doía e a cabeça também, de modo que quando abriu os olhos e a claridade lhe atingiu ela quis chorar, os apertando fechados outra vez e revirando na cama.
Foi quando sentiu o cheiro, o cheiro de Chittaphon.
Tudo ao seu redor cheirava a Chittaphon e bastou constatar aquilo para abrir os olhos outra vez, a claridade não mais lhe incomodando tanto simplesmente porque tinha algo mais urgente em mente agora: as lembranças da noite passada.
Seus berros, o vinho… Deus. Meu Deus, meu Deus…
se levantou quase num pulo e foi obrigada a soltar um resmungo dolorido pela dor de cabeça por isso, sentindo o assoalho frio tocar os pés descalços como um alivio pequeno, mas gracioso, em relação a todas as coisas desprezíveis que sentia. Seguiu devagarzinho a procura de Chittaphon, olhando de maneira furtiva em volta e terminando por enrubescer fortemente quando a voz dele soou bem atrás dela, ao passo que as mãos dele alcançavam seus ombros:
— Bom dia, meu bem – o som cantado fez com que ela pigarreasse, pulando para longe dele.
— Garoto! – reclamou e ele sorriu pequenininho.
— Acho que a gente precisa conversar, não é? – sua postura relaxada em nada tranquilizou , que assentiu minimamente, aceitando a mão que ele lhe estendeu.
Chittaphon guiou a garota até a sala e se sentaram no sofá. O cheiro forte de desinfetante atingiu os sentidos de assim que se sentou e ela olhou em direção ao lugar onde derrubara o vinho na noite anterior. Estava tudo limpo.
Se sentiu péssima, imaginando quão tarde Chittaphon fora dormir, ou quão cedo precisara acordar, por causa dela… Argh.
— Desculpa – ela murmurou baixinho. – Pela bagunça, me desculpa – ela explicou quando ele não pareceu lhe acompanhar de imediato. Ela fizera muita burrada nos últimos dias, mesmo.
— Vai pedir desculpas pelas coisas que disse ontem também? – ele questionou, cuidadoso, e precisou olhar em seus olhos por apenas uma fração de segundo para entender que havia uma resposta certa para aquela pergunta. Não a que daria se não o encarasse antes, aliás. A garota fez, devagar, que não e Chittaphon sorriu. – Ótimo – murmurou, puxando as mãos dela para seu colo, fazendo um carinho em seus dedos, olhando deles para seus rostos. – Por que eu sinto a mesma coisa.
engasgou, no minimo chocada, e logo tossiu, a garganta seca lhe incomodando, e Chittaphon lhe estendeu rapidamente uma garrafa de água que tinha ali perto, e ela sequer vira. Agradeceu e bebeu um grande gole, levando um instante para voltar a encará-lo ainda assim.
— Você tem certeza? – ela perguntou, incerta, e ele assentiu, completamente certo.
— Absoluta.
quis chorar, mas também quis tanto se jogar em seus braços de uma vez, ter o final feliz que tanto queria. Que até achava que talvez, só talvez, merecia.
— Temos que contar a verdade, então. – ela acabou por murmurar – Para o público.
Chittaphon sorriu pequenininho.
— Que verdade? – questionou, e, novamente, pareceu que havia uma resposta certa para aquela pergunta também.
até tentou morder o sorriso, mas seu corpo inteiro coçou para que o deixasse escapar e ela se viu simplesmente sorrindo para ele, como se fosse fácil, como se fosse só respirar.
— Sobre como terminamos juntos.

e Chittaphon encaravam, nervosos, a tela de seu celular, no tripé montado na sala de estar dele. Haviam acabado de contar a verdade sobre seu relacionamento para o publico, como tudo realmente acontecera, e liam as perguntas e comentários a respeito de tudo com as mãos suando e coçando pelo nervoso.
“Mentir não foi legal, mas quem liga? O importante é o amor.”
“Parece até uma fanfic, meu Deus. Eu os amo ainda mais agora.”
E, o favorito de ambos, o primeiro que lhes fez rir, e enfim dissipar todo o nervosismo que tomava seus corpos:
“Isso quer dizer que finalmente vamos ver vocês se beijarem agora?”
— Eu acho que… Sim? – Chittaphon riu da confusão de ao responder aquela pergunta, e então a trouxe para si, continuando o que começaram há dez dias e não tiveram a chance de terminar. Do jeito certo, dessa vez. Com seus sentimentos escancarados um para o outro, deram, enfim, seu primeiro beijo.


FIM
Nota da Autora:
Dedico essa história a minha amiga querida, Carol! Obrigada por toda a inspiração sempre, minha linda! Te amo!
Pessoal, espero que tenham curtido ler tanto quanto eu curti escrever – e reler! –. Me digam o que acharam, tá?
Beijão!