Oh My Ghost!

Sinopse: Sobre um amor que atravessa a eternidade – e uma fantasma do bem, que só tem uma missão: unir o coração desses dois.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Pode ser lida com qualquer pessoa
Beta: Alex Russo

Capítulos:

PARTE I
1

“We’re only getting older, baby, and I’ve been thinking about it lately, does it ever drive you crazy, just how fast the night changes?”
A mulher respirou fundo para deixar que a melodia, uma de suas favoritas em toda a vida, adentrasse em seus poros e agisse como o calmante que sempre parecia ser. odiava voar.
Veja bem, amava a sensação de estar distante da superfície, cortando os céus tal qual estrela cadente. Amava o avanço incrível que aquilo representava – fazia com que pensasse em seus avós, imigrando através dos mares durante meses. Mas também odiava, paradoxalmente, a sensação que lhe embrulhava o estômago sempre que estava dentro de um avião – ainda que a rotina como jornalista lhe colocasse sempre a cruzar o país. Apertando os fones de ouvido para que a música isolasse seus sentidos, não notou a outra que, um tanto sorridente, acenava para indicar que precisava tomar o lugar ao seu lado.
— Oi! – a expressão no rosto da mulher era risonha, tornando pequeninos seus olhos castanhos e tão bonitos, e algo no modo como ria fazia imaginar que provavelmente a deixara falando sozinha por alguns segundos constrangedores – Posso? – indicou a poltrona da janela, ao que a outra se levantou imediatamente.
— Me desculpa… – sorriu, levantando-se enquanto tirava os fones a fim de servir a mulher com alguma dose de boa educação agora que já passara a vergonha de ignorá-la.
— Imagina… – ela abanou as desculpas com um gesto gracioso – . – apresentou-se, alargando um sorriso. Havia alguma semelhança entre as duas, que ia além da estatura e dos cabelos castanhos que lhes alcançava o meio das costas. O modo como sorriam largo, dando uma chance à vida para que esta lhes desse uma boa surpresa em sua próxima curva, também era parecido.
. – a resposta veio com um sorriso aliviado. Aquilo também funcionava: ter alguém com quem conversar. Tanto quanto a música, era feito um calmante direto em suas veias… Não era frequente, contudo, visto que na maioria das vezes viajava sozinha e precisava dividir o espaço com estranhos.
, na verdade… – ela parou, antes de tomar o lugar que indicava sua passagem – Será que posso te pedir um favor? – segredou, o sorriso adquirindo um quê de constrangimento – Se importaria de trocar de lugar comigo?
— De poltrona? – a outra questionou, recebendo um aceno em concordância – Sem problemas! – sorriu, pulando para o assento da janela, deixando vago o do corredor para que se ajeitasse.
Muito obrigada! – agradeceu, sentando-se no espaço apertadinho da classe econômica. – Eu costumo enjoar, e aqui fica mais fácil de alcançar o banheiro… – explicou, com uma risadinha.
— Eu também não sou tão fã de aviões, não se preocupe. – a tranquilizou, feliz por ter alguém com quem matar aqueles poucos minutos apreensivos antes da decolagem.
— Ai… – suspirou antes de prometer, com um sorriso. – Pelo menos seguramos a mão uma da outra.
A conversa fluiu fácil, e não demorou até que soubessem o suficiente da vida uma da outra, para se surpreenderem com a afinidade tênue que se estabeleceu de pronto: em outra vida, talvez fossem melhores amigas. descobriu que era jornalista investigativa, tinha ascendência latina – o que ficava claro em seu gestual e sorrisos largos – e tinha um border collie chamado Ollie, que era sua família inteira. A outra, por sua vez, era formada em gastronomia e administrava com todo o coração um café charmoso que prometera conhecer em breve, era a maior fã de baladas dos anos 80 que já pisou na Terra, e era recém-casada com um cara incrível. .
O nome dele surgiu tantas vezes na conversa, que sentia quase como se já o conhecesse. Os dois haviam se conhecido durante uma viagem para a Tailândia, num roteiro quase cinematográfico: o buggy dela emperrou no meio do nada, e apareceu com aquele sorriso tranquilo que fazia todas as dores do mundo desaparecerem, salvando-a do aperto e roubando seu coração. Passaram uma semana intensa juntos, se apaixonaram tão rápido que seus corações poderiam doer, se não fosse uma feliz coincidência também Hollywoodiana: não apenas moravam na mesma cidade, mas residiam no mesmo bairro desde a infância.
Encararam aquilo como um sinal do destino, e dois anos depois estavam ali: Casados. Felizes. Viajando o mundo juntos – exceto por aquele dia. O primeiro em que não estava ao lado de para lhe acalmar com beijinhos nos nós dos dedos enquanto cruzavam os céus rumo a seu próximo destino.
Conforme prometido, as duas se deram as mãos com sorrisos cúmplices durante a decolagem.
E foi assim que a encontraram, depois que o avião caiu.

2

caminhava apressado pelo aeroporto, um buquê de girassóis na mão direita e o coração batendo um pouquinho mais rápido dentro do peito. O vôo de devia chegar em vinte minutos, e o sorriso que ameaçava nascer no rosto bonito do rapaz murchou um tantinho quando viu o painel que não trazia informações sobre o vôo. A expectativa se transformou em tensão quando o atraso de meia hora se tornou duas, e as informações da companhia eram vagas e imprecisas. E então veio o desespero, oprimindo seu peito com o peso de um Boeing, no instante em que as televisões do aeroporto passaram a exibir, ao mesmo tempo e sem dar chance para que qualquer um fugisse daquela tragédia, o plantão de notícias: o vôo 746 originado de Osaka rumo ao Seoul, havia caído em uma ilha do Pacífico. O buquê de flores amarelas, já judiado pelas mãos aflitas, foi ao chão, amassado sob o corpo do homem que caiu de joelhos com as mãos sobre a cabeça em um ato de desespero.
As horas seguintes foram as piores de toda a sua vida, e nem mesmo se recordava perfeitamente dos detalhes, nublados pelos olhos secos depois de tanto chorar. A falta de notícias era desesperadora, e nem toda a fé do mundo era capaz de acalmar seu coração, que chorava a falta de . De seu amor.
E então veio a lista. A lista dos sobreviventes, orientada pelo número dos assentos.
Os gritos desesperados dos parentes de outros passageiros se mesclavam a choros aliviados dos poucos que tinham a sorte de saber que seus entes queridos viviam. sentia seu peito doer pelo modo como o coração golpeava a caixa torácica em um desespero frenético, enquanto as mãos tremiam, procurando a cópia do voucher da esposa.
23D.
Sua estava salva.

3

sentia todos os ossos doerem.
Era como se estivesse ciente de cada nervo e articulação que se movimentava com dificuldade, e quando tentou gemer de dor foi apenas para se dar conta de que não podia. Havia algo em sua garganta. Os olhos se abriram aos poucos – aparentemente, nada em seu corpo funcionava tão facilmente, como deveria – e no instante em que eles se adaptaram à claridade, a primeira coisa que viu foi um buquê de girassóis.
A segunda, foi o corpo do homem que, deitado sobre uma poltrona que parecia desconfortável, dormia sobre o próprio braço. O corpo dele devia estar doendo também, céus! Tentou falar novamente, e aquilo disparou um alarme irritante em um aparelho ao seu lado, além de uma incômoda crise de tosse. O ato fez com que o rapaz se levantasse em um salto, e no instante em que os olhos dele caíram sobre os dela, viu tantas emoções correrem por seu rosto que por um instante pensou que ele fosse desmaiar.
— Oh, meu Deus… Oh meu Deus… – ele murmurava sem parar, aproximando-se da cama e plantando beijos molhados de lágrimas sobre a testa de , e todo o seu rosto. Algo na voz dele parecia muito familiar, embora lhe fizesse pensar em canções de ninar. – Meu amor, você está aqui. – ele chorava alto, o corpo inteiro acompanhando o choro convulsivo, enquanto a abraçava como se o mundo inteiro dependesse disso. – Minha .

4

— Céus, você está diferente!
Os olhos de se arregalaram, e ela soltou um grito mental que, aparentemente, podia ser ouvido pela mulher que, parada ao lado do buquê de girassóis, soltou uma gargalhada gostosa.
— Não me leve a mal, continua bonita! – ela continuou, e viu ali os mesmos olhos simpáticos da que conhecera no vôo que parecia ter acontecido há tanto tempo atrás. Talvez tivesse, ela não fazia ideia de que dia era, afinal – Eles só precisaram… Você sabe. – ela fez uma careta, esticando a face com as duas mãos. – Considerando seus ferimentos na queda, é um verdadeiro milagre, querida. – a tranquilizou, acariciando as pétalas da flor quase distraidamente.
“Como você entrou aqui? O que ‘tá acontecendo?” – as perguntas disparavam através do córtex de , indo diretamente até os ouvidos perceptivos de .
— Bem, alguém tinha que falar com você, certo? – sorriu, espirituosa. – Argh, ele tem colocado girassóis aqui todos os dias. Espero que você goste deles, tanto quanto eu… – o sorriso adquiriu um tom mais triste, dessa vez, que ela apressou em lavar do rosto.
“Quem é ele?” – perguntou mais uma vez, tentando ignorar o fato de que se comunicava telepaticamente com alguém, apenas por um momento. Voltaria àquilo depois. Primeiro precisava entender quem era aquele que a tratava como seu amor, sendo que nem mesmo conhecia seu rosto. Estaria ficando louca? O acidente mexera com sua cabeça?
, oras! – gargalhou, empoleirando-se sobre a mesa, ao lado do vaso de flores – Aish, você não entendeu nada… – suspirou, preparando-se para falar aquilo com tanta delicadeza quanto fosse possível – Eu morri, .
“O que? Você é…”
— Um fantasma. Espírito, como preferir. – ela interrompeu a outra, querendo ir direto ao ponto – Só não chame de alma-penada, por favor, eu ainda tenho algum orgulho.
, eu… Eu sinto muito” – lágrimas verteram dos olhos castanhos da mulher
— Oh, querida… Não fique assim. – ela sorriu, aproximando-se para um afago carinhoso no rosto da outra, que sentiu o toque como um calorzinho brando – Do lado de cá temos acesso a algumas informações privilegiadas, sabe? – segredou, no mesmo tom amistoso que se recordava de tê-la falando consigo no avião. Céus, não era justo! – Ninguém vai antes do seu tempo. E você tem uma missão a continuar. Uma que não cabia a mim cumprir.
“Do que você está falando?”, perguntou, inquieta, desejando mais do que nunca não ter um tubo enfiado em sua garganta, ainda que gritar com uma alma penada não fosse resolver seus problemas.
Hajima! – o riso de era quase etéreo, tilintando nos ouvidos de como um afago – Não se preocupe, eu vou estar com você… Quase como… Um anjo da guarda, certo? – rodopiou pelo quarto, feliz com seu novo título. sorriu.
Os olhos de se nublaram em confusão, e um som na porta do quarto fez com que ela desviasse os olhos de por um instante, deixando-os recair sobre a figura de que acabava de entrar, o casaco coberto de chuva e os cabelos pingando por todo lado. Ele sorriu, e foi como se todo o frio do lado de fora se dissipasse em um calor fraquinho – quase como quando a tocara.
Quando procurou novamente a mulher, ela já havia desaparecido, deixando em seus ouvidos apenas um sussurro afetuoso.
— Cuide dele, sim? Faça-o feliz.

PARTE II
1

— Você sabe que isso é um hospital, não sabe?
precisou morder um sorriso no instante em que ouviu a música que saía do celular de , que se virou para ela com um sorriso arteiro.
Céus, fazia um mês que ela acordava todos os dias olhando para aquele rosto, e ainda não se acostumara àquela imagem… No começo, a presença dele ainda lhe provocava alguma estranheza. Ela queria colocar fim a toda aquela história, dizer que não era e que não eram um casal. Nos primeiros dias, ela tinha um tubo que impedia sua confissão, e talvez isso também fosse obra da tal força sobrenatural que agia sobre os dois, entrelaçando seus destinos. Quando recuperou sua voz, o ímpeto de dizer a verdade se fora. Era errado, e ainda sentia o peito doer quando pensava muito naquele assunto, mas a verdade era simples: tinha se apaixonado.
Apaixonara-se pela voz de , e pela forma como ele cantava baixinho todas as noites até lhe fazer pegar no sono. Pela risada dele, alta e fora de hora – e ele tinha muitos motivos para sorrir agora que ela abrira os olhos. Pelos girassóis, e o sorriso de dele toda vez que chegava com um novo buquê, presenteando-a com um novo sopro de vida. Apaixonara-se pelas histórias que ele contava, de como eram felizes. E naqueles momentos, era quase como se ela fosse, de fato, protagonista daquele romance.
— Nós estamos comemorando. – ele deu de ombros, a voz quase preguiçosa, e algo no timbre dele fazia com que ela se arrepiasse por inteiro. Era estranho, quando tentava racionalizar a situação, mas mesmo enquanto estava em coma era como se a voz dele lhe chamasse de volta. Lhe mantivesse viva.
Isso, e . Que não lhe dava um segundo de paz insistindo que era o destino deles ficar juntos.
Don’t go breaking my heart… puxou para perto por uma das mãos, não ligando para a pouca resistência que ela lhe ofereceu. Enquanto cantava, o estômago dela se revirou de uma forma gostosa, como ela não se lembrava de sentir até conhecê-lo. Era uma mistura de tranquilidade e euforia, e mesmo sem ter nome já se tornara seu sentimento favorito.
I couldn’t if I tried. revirou os olhos, rindo do contraste de suas vozes enquanto ele sorria como se a voz dela soasse angelical feito uma mistura de Mariah Carey e Whitney Houston. O que, definitivamente, não era a verdade.
Honey, if I get restless. – ele continuou, os olhos brilhando com uma alegria quase infantil. Estavam indo para casa. Depois de 74 dias de hospital, de pensar que perderia o grande amor de sua vida, de vê-la em sua pior forma, e se apaixonar novamente, até mesmo por seu novo rosto… Estavam indo para casa.
Baby, you’re not tha tkind… devolveu com um sorriso, aceitando o abraço dele e também o leve toque dos lábios dele em sua testa, respirando o cheiro que vinha dele e que hoje fazia parte das coisas que mais amava no mundo.
— Você está nervosa. – ele deu um de seus sorrisos doces contra a pele dela, e não sentiu necessidade de negar, como faria se fosse outra a situação, já que odiava sentir suas emoções expostas. Com não era assim, o que era uma ironia sem tamanho, visto que ele nem mesmo sabia quem ela era de verdade. Com ele tudo parecia fácil, mesmo que sua história parecesse um roteiro mirabolante e cheio de reviravoltas.
— Um pouco. – sorriu fraquinho, deixando que as mãos dele acariciando seus cabelos levassem para longe seus receios. Não era . Não vivera naquela casa. Não construíra seus sonhos ali com . Tinha um medo congelante de decepcioná-lo, e sabia quão possível aquilo era.
Como se lesse cada expressão dela, delineou com a ponta dos dedos todas as linhas do rosto da mulher, contornando-as com afeto até que toda a tensão se dissipasse. Sorriu, paciente e diligente como sempre, numa promessa muda de que ficariam bem. Até onde sabia, a esposa tinha algum tipo de amnésia episódica que a impedia de lembrar tudo sobre seu passado, e ele não queria apressá-la. Sabia o quanto tudo aquilo era confuso para ela, e tomara a decisão de deixar que a mulher desse o próximo passo, quando estivesse pronta para retomar a vida deles da forma como se lembravam. Não se importava, contudo: apaixonaram-se uma vez, e ele acreditava naquele amor o suficiente para saber que o fariam novamente.
— É a sua casa, baby, você vai ser feliz lá… – prometeu, examinando cada pedacinho do rosto dela como se estivesse diante da tela mais bonita do mundo. Parecia tão diferente, depois das cirurgias… Ainda assim, o que sentia ao olhar para ela ainda era um amor transcendental que o fazia acreditar piamente em seu coração. Ela era o amor de sua vida, e fim. – E se não for, nós podemos mudar de casa. – propôs, arrancando uma risadinha nasalada da mulher – Só… Só me deixa te fazer feliz de novo, meu amor…

2

— Pronta?
A pergunta tinha o potencial para causar certo desespero, visto que não estava exatamente ‘pronta’ para nada daquilo. Toda a história de ver um fantasma, se tornar outra pessoa e viver a vida dela, ainda parecia muito surreal. Ao mesmo tempo, sentia algo tão diferente quando estava perto de , que era feito uma conexão sobrenatural unindo seus caminhos e suas almas. Bem, e era exatamente isso o que sua querida ‘alma penada’ vivia lhe dizendo.
Por isso, quando respondeu à pergunta, foi com um aceno repleto de expectativa. Porque ele lhe aguardava ao lado de uma porta amarelinha, o corpo inteiro pendurado com as malas trazidas do hospital, e um sorriso enorme preso no rosto. E quando ele sorria assim, cheio de carinho, era como se prometesse que tudo ficaria bem. E ficava.
— Bem-vinda à nossa casa. – ele abriu a porta, sem conter o sorriso gigante que tomou conta de seu rosto, transformando os olhos pequeninos em duas fendas pelas quais enxergava a mulher de sua vida.
entrou devagarinho, com o receio que era tão inerente a sua personalidade sempre que se tratava dos assuntos do coração. lhe observava com aqueles olhos sinceros cheios de expectativa, esperando a reação dela e respeitando seu espaço, seu tempo.
— É linda… – sorriu, observando cada pedacinho da decoração com um sorriso no rosto: a casa era ampla, mas tão aconchegante, e talvez isso se devesse em partes ao cheiro de que estava por toda parte. Havia flores por todos os lados e, é claro, um girassol na mesa de centro, saudando-a a uma nova vida.
Você é linda. – sussurrou baixinho, sob um sorriso, quando a abraçou por trás, encaixando o rosto no ombro da mulher. – Vem, tem alguém que quer te conhecer…
franziu o cenho com uma curiosidade genuína quando o rapaz saiu da sala, indo até o quintal. Quando voltou, agora acompanhado, ela pensou que seus olhos lhe pregavam uma peça ingrata. Ouviu um latido, aquele som que reconheceria em todo o mundo, e no momento seguinte caía de joelhos para receber nos braços seu companheiro de vida.
— Como…? – ergueu os olhos para , confusa e extasiada, porque era Ollie ali. Seu Ollie.
— Eu vi você conversando com a dona do canil onde ele estava… A dona faleceu no acidente e, bem… Ele precisava de uma casa. – deu de ombros antes de se agachar ao lado dela, acariciando entre o focinho do cachorro, que parecia também viver o melhor dia de toda a sua vida – Eu acho que ele gosta de você… – sorriu, aceitando que não teria muita atenção naquele momento – O nome dele é…
— Ollie. – completou, erguendo olhos úmidos para o rapaz, que nem esperava uma reação tão efusiva, abraçando-o mais apertado do que nunca. demorou um segundo para corresponder, pego de surpresa pelo gesto, mas quando o fez foi com o rosto enterrado no pescoço da garota e o coração batendo junto ao dela. – Obrigada. Muito, muito obrigada. – murmurou, sentindo uma alegria tão grande que fazia seu peito doer. Ergueu os olhos, deparando-se com aquelas íris escuras que carregavam galáxias inteiras, e viu sua imagem refletida ali. Naquele momento, foi como se pudesse se ver através dos olhos de , e o que via era algo tão bonito…
Seu olhar caiu até os lábios dele, e a mulher não conseguiu conter o impulso que a levou a se aproximar, alinhando sua boca à dele e respirando ali, tão perto que o calor dele fazia seu corpo inteiro se arrepiar. Ela queria beijá-lo. Por Deus, queria tanto. Mas ainda parecia errado, quando havia fotos de por todos os lados, e ela estava em uma casa que não era sua. Afastou-se, afagando os cabelos dele, e respirou fundo uma vez, sorrindo fraquinho antes de beijar os nós dos dedos da mulher, assegurando-lhe que esperaria. Esperaria por uma vida inteira, por ela.


PARTE III
1

— Como foi no café? – perguntou, sentando-se de pernas cruzadas sobre a cama macia, sem causar qualquer movimento sobre o colchão – Céus, me diga que comeu a pavlova… – exclamou, apoiando o rosto nas mãos com um olhar sonhador. Se espíritos salivassem, sua boca estaria pingando!
— É claro que comi, você falou sobre isso a semana inteira… – riu enquanto se sentava na penteadeira, tirando os brincos e se preparando para limpar a maquiagem. Era seu primeiro dia de volta ao trabalho, o trabalho de , e ela sentia que tudo tinha ido tão bem que era quase surpreendente. Não era como se sentisse falta de seu antigo trabalho… Sentia falta de escrever, mas isso não estava abandonado. Na realidade, a mudança havia impulsionado um sonho antigo: trabalhava em um romance. Um sobre um amor que atravessava encarnações, e com um fantasma-cupido generoso e espirituoso. Talvez fosse colocado na categoria de “fantasia” nas livrarias, e guardaria em segredo seu lugar correto: biografias – A pavlova é deliciosa. E foi ótimo, todos foram muito queridos… Eles realmente adoram você. – sorriu, sabendo que deveria usar o passado. Mas não poderia, não com tão real, bem ali.
— Argh, como eu sinto falta deles! – a outra se jogou teatralmente sobre a cama – E da comida, céus, acho que é a parte mais ingrata de toda essa coisa de fantasma. – suspirou, fazendo rir – Se bem que… não. – completou, com um sorrisinho de canto.
— Nem comece! – a encarnada interrompeu, encarando a outra pelo espelho.
! – se sentou novamente, a voz soando uma oitava mais elevada – Ele é maravilhoso, quantas vezes eu vou precisar dizer? – continuou, emburrada. Queria tanto ver seu casal funcionando… Poxa, era a droga de sua missão no além-vida!
— Eu sei… – a outra respirou fundo, correndo os dedos pelos cabelos – Mas é estranho. – confessou, sem encarar a outra porque estranho mesmo era conversar com a finada esposa de seu atual marido sobre o fato de não conseguir ter nenhuma intimidade com ele.
— O que é estranho? Você gosta dele, ele é louco por você… – num segundo ela estava na cama, e no instante seguinte estava sentada ao lado de na penteadeira, encarando-a através do espelho.
— Ele é louco por você. – passou a prestar mais atenção nas próprias unhas, porque aquele assunto mexia com todas as suas inseguranças e lhe dava uma vontade enorme de chorar. Porque estava sim perdidamente apaixonada por , mas doía feito o inferno saber que ele sentia o mesmo. Por .
— Argh, pare de ser ridícula! – a outra lhe empurrou com os ombros, e o toque parecia uma brisa de verão à qual já se acostumara, e que hoje fazia seu coração se aquecer. Nutria por o tipo de apreço que poderia ter por uma irmã, e se hoje estava de pé sobre os dois pés era porque tinha o auxílio de um anjo da guarda. Ou talvez dois.
— É verdade. – devolveu, encarando a amiga com os olhos marejados. Numa situação normal, tentaria esconder seu sofrimento porque não era assim que gostaria que ninguém a visse. Ela era do sorriso solto e da palavra otimista, era fã de risadas e boas histórias. Mas era , ali. A única que sabia o que se passava em seu coração. A única que sabia quem ela era verdade.
, querida… – sorriu, segurando o rosto da amiga com delicadeza – ama você. Ama a mulher que está aqui, que o faz rir, que queima a comida de vez em quando, que canta desafinada com ele pela casa… – continuou, sorrindo largo a cada segundo ao ver os olhos de se abrandarem conforme as lágrimas escorriam por seu rosto. – Eu fui o caminho, e vou amá-lo por toda a eternidade. Mas você é o destino.
sentiu seu corpo envolvido em calor no momento em que a abraçou apertado, deixando que chorasse e lavasse da alma toda aquela insegurança enquanto assimilava aquela verdade que sentia com cada fibra de seu corpo e seu coração: era seu destino.
— Eu te amo, alma penada. – murmurou, com um sorrisinho, e sabia o quanto a outra ficaria frustrada porque seu beliscão não a fez pular.
— Você trate de ser feliz, ou eu não consigo ir pra luz! – protestou, fingindo-se de brava, antes de rir daquele jeitinho melódico, que enchia o ar de alegria – E eu também amo você. – sorriu para através do espelho, e ali no reflexo elas pareciam ser uma só. Um som no andar de baixo fez com que parassem, atentas, e um sorrisinho arteiro surgiu nos lábios da fantasma. – Desça logo, ele trouxe vinho, uhhhhh.
— Argh, sai daqui, agora você é adivinha? – revirou os olhos, tentando empurrar a outra do assento.
— Meu bem, eu sou uma fantasma, mais respeito com as minhas habilidades, por favor. – fez-se de ofendida, mimetizando a ação da outra – Não faça nada que eu não faria. – piscou, um segundo antes de desaparecer.
riu sozinha, encarando o local onde antes estava até escutar os passos de no corredor, o que a forçou a limpar as lágrimas do rosto.
— Ei, baby… – ele chamou, escorando o ombro direito à porta. Quando se virou em sua direção, um sorriso largo tomou conta dos lábios do rapaz, e o modo como a luz no final da tarde refletia sobre o rosto dele lhe dava uma aparência ainda mais angelical. Por Deus, ele era lindo! –
Eu podia jurar que você estava conversando com alguém… – franziu o cenho, com uma risadinha confusa.
— Estava no telefone. – mordeu um sorriso culpado, levantando-se e andando até ele para um abraço. a envolveu com os braços e apoiou o queixo sobre sua cabeça, devido à diferença de altura entre eles, o que a fez sorrir. Adorava aquilo.
— Isso, – ele retirou a mão esquerda detrás das costas, colocando entre eles um buquê de girassóis – é pelo seu primeiro dia de volta ao trabalho. – fez um carinho delicado no rosto da mulher, que se derreteu em sorrisos ao aceitar as flores – Como foi? – questionou, como se não tivesse lotado o celular dela de mensagens preocupadas durante todo o dia.
— Foi ótimo, me entupi de pavlova… – deu um sorriso que arrancou uma gargalhada do rapaz. a puxou para dentro do quarto, sentando-se na cama e a mantendo entre as pernas enquanto contava cada detalhe do dia no café, enquanto ele bebia cada palavra com avidez, amando vê-la feliz – E o seu dia, como foi? – perguntou, correndo os dedos pelos cabelos do rapaz, bagunçando-os de forma adorável.
— Está melhor agora. – ele sorriu, os olhos fechados sob o carinho dela, colocando-se de pé com muito custo porque não queria sair dali. – E prestes a melhorar ainda mais, porque eu trouxe pizza.
— Ahhhh, por que não avisou antes? – estapeou seu braço com um sorriso, pulando em suas costas assim que o rapaz se virou. sorriu, fazendo com que ela se encaixasse melhor com um impulso, e desceu as escadas até a sala como se aquilo não fosse esforço algum – Argh, olha esse cheiro…
— Ollie vai comer antes de nós. – riu, assim que chegaram e avistaram o cachorro rodeando a mesa de onde vinha o cheiro delicioso da pizza quentinha.
— Ei, garoto! – desmontou das costas do homem, e atraiu o cachorro para perto – Esse não é pra você, meu amor… – afagou o pelo do cachorro, sorrindo – Yay, pepperoni! – sorriu grande ao abrir a caixa de papelão e se deparar com a oitava maravilha do mundo – Onde está o vinho? – perguntou, olhando pela sala até ver o olhar confuso no rosto dele. Oh merda..
não pareceu se dar conta do deslize, e foi até a cozinha buscando uma garrafa de vinho chileno.
— Isso era pra mais tarde… – coçou a nuca, parecendo até um pouquinho constrangido, o que era raro e fez um sorrisinho nascer nos lábios da mulher.
Ele era tão adorável…
— Eu digo que é pra agora. – ela faiscou um sorriso na direção do rapaz, que meneou outra cabeça, sem outra alternativa senão servir duas taças – Obrigada. – sorriu de novo, desta vez através do cristal da taça – Nós deveríamos brindar?
— A você. – propôs, erguendo seu copo e aguardando que ela fizesse o mesmo.
— A nós dois. – corrigiu, e o sorriso nos lábios dele se alargou tanto que o coração dela passou a bater tão rápido que era como se pudesse sair do peito a qualquer instante. Os dois tomaram o primeiro gole com os olhos presos um ao outro, sentindo mesmo tipo de formigamento tomando conta de seus corpos e esquentando cada partezinha deles, feito mágica.
Talvez não estivesse louca. Talvez fosse seu destino ser feliz com ele. Talvez ele a amasse, de verdade. Ela, .
… – chamou baixinho, respirando fundo para controlar os próprios sentimentos para que estes não embargassem sua voz – Eu sou muito feliz por ter você. – confessou o que achava que não dizia o suficiente, e o rapaz se aproximou um tantinho mais, como se precisasse mesmo ouvir aquilo de perto, ter certeza de que era real.
segurou o rosto dela com carinho, como se cada detalhe que redescobria todos os dias o fizessem o cara mais sortudo do mundo por amar tanto aquela mulher. E foi justamente por conta daquele olhar que parecia enxergar o que havia dentro dela, vê-la de verdade, que cedeu ao que sentia com cada fibra de seu corpo, cobrindo a distância que faltava e o pegando de surpresa ao beijá-lo pela primeira vez. Demorou um segundo para que os lábios de se abrissem, mas quando o fizeram se encaixaram aos dela com perfeição, moldando-os em um beijo lento, cheio de saudade e descoberta.
O que sentiram naquele gesto era tão inexplicável, que não poderia ser categorizado como um beijo. Não quando parecia um encontro de almas, que se amavam e se reencontravam depois de toda uma vida.
Naquela noite, não fizeram amor. Descobriram-no.

PARTE IV

acordou com o sol se esgueirando através das cortinas, e se apressou em esticar a mão até a mesa de cabeceira para checar as horas: 10h14, e ela não era capaz de se lembrar da última vez que passara tanto tempo apenas se espreguiçando na cama. Bem rápido, contudo, a sensação gostosa deu lugar a curiosidade, quando se viu sozinha sob os lençóis. Como se respondesse a seus questionamentos – naquela leitura de mentes que ainda a impressionava, não importa quantas vezes acontecesse – deparou-se com um bilhete na caligrafia bonita de , pousado sobre o travesseiro que carregava o cheiro dele.

“Fui comprar umas coisas, volto já.
Amo você.”

A mulher deu um sorriso pequenino, sentindo o coração borboletear dentro do peito, porque isso era daquelas coisas que não aconteciam na vida real. Não na sua vida, pelo menos. Exceto pelo fato de que sim, aconteciam. E estava ali todos os dias para lhe provar que um amor seguro, mágico até, era possível. E, céus, era delicioso!
Demorou-se no banho por tempo suficiente para que, enquanto encenava sua melhor performance de Hairspray, ouvisse uma risadinha baixa vinda da porta, anunciando a presença do marido.
-ah! – exclamou, batendo na água do chuveiro como se isso fosse capaz de molhar o rapaz – Há quanto tempo está aí? – perguntou, sentindo as bochechas corarem de leve enquanto fechava o registro do chuveiro, espremendo os cabelos molhados para livrá-los da maior parte da água.
— Por favor, não pare… Estava ótimo, baby. – os olhos dele eram sinceros, mas seus lábios traziam um sorriso debochado, que logo se transformou em gargalhada aberta quando a mulher saiu do chuveiro, enrolando-se na toalha felpuda que ele lhe estendia com a maior cara lavada, para então lhe mostrar a língua – Bom dia. – ignorou o gesto, abraçando-a apertado apenas para correr a pontinha do nariz bonito pela linha da mandíbula de , beijando seus lábios por fim.
Hmm, bom dia. – ela ronronou, deixando-se abraçar porque aquele era o nível de resistência que tinha a Lee . – O que foi comprar?
— Se troca, e vem pra sala. – ele sorriu largo, deixando com uma expressão confusa enquanto saía do banheiro – Ou não se troca… – deu de ombros, deixando uma piscadinha antes de descer as escadas de dois em dois degraus.
riu sozinha, desembaraçando os cabelos com os dedos enquanto revirava as gavetas em busca de uma roupa. Vestiu-se e então fez o que pedira, juntando-se a ele na sala, apenas para se surpreender com uma nova forma de paraíso.
— Argh, eu já disse que amo você? – ela suspirou, saltando os dois últimos degraus quando viu a mesa de café da manhã lotada de pães, bolos e doces – muitos deles da própria loja de , da sua loja – e flores. Muitas flores, por todo lado.
— Hoje não. – ele sorriu, levando a garrafa de café até a mesa, abraçando a mulher apertado em seguida.
— Estamos comemorando algo e eu estou esquecendo? – ela franziu o cenho, perguntando contra a pele do rapaz, aproveitando para aproveitar a mistura de perfume e sabonete que exalava dali, fazendo seus sentidos se aguçarem da presença dele.
— Faz cem dias que você saiu do hospital… – beijou sua testa, examinando seu rosto com um carinho inexplicável, e que revirava seu interior todinho. sentiu seus olhos se turvarem com algumas lágrimas de emoção e gratidão, e uniu seus lábios aos dele mais uma vez, entregando-se a um beijo apaixonado, que buscava dizer tudo o que muitas vezes não deixava explícito com palavras. Justo ela, tão afeita à escrita… Quando o assunto era do coração, as letras lhe fugiam.
— Obrigada por cada um deles. – agradeceu baixinho, e o rapaz sorriu. Um daqueles seus sorrisos que era sinônimo de paz, porque era esse o tipo de pessoa que era : que ilumina o ambiente com o brilho que carrega nos olhos, e no coração também.
— Eu não quero te fazer chorar… – limpou as lágrimas dela com os polegares cuidadosamente – Vem, vamos comer. – puxou a mulher para que se sentasse ao seu lado, e comeram entre sorrisos, conversas bobas e cheias de carinhos, até que estivessem satisfeitos. – Hm, tem mais uma coisa… – ele se remexeu na cadeira, fazendo se empertigar, atenta.
— Ai, meu Deus… Você vai me fazer chorar. Eu sei que vai. – enterrou o rosto nas mãos teatralmente, ouvindo-o rir. Quando ergueu os olhos, lhe estendia um envelope. Abriu-o com cuidado, deparando-se com duas passagens de trem, de Seoul para Jeju. –
… – ergueu os olhos, com um sorriso brilhando neles.
— Eu pensei em te levar pra Tailândia, porque foi onde a conheci. – ele explicou, colocando as mãos sobre as dela – Mas além de não querer pisar em um avião tão cedo… – respirou fundo, por um momento se recordando dos dias trevosos que passara por conta de uma aeronave. – Eu quero que essa viagem seja um começo, pra nós dois. – os olhos dele prendiam os dela durante o tempo, e sentiu que as lágrimas corriam por seu rosto sem parar, porque havia muito significado naquilo. Em buscar um novo destino. Uma nova partida.
Talvez fosse o sobrenatural agindo mais uma vez – nunca mais duvidaria de entidades mágicas agindo sobre o destino dos mortais –, mas ela sentiu que não poderia mais esconder a verdade dele. queria um recomeço, e podia ser loucura de sua cabeça, uma loucura que colocasse tudo a perder… Mas também podia ser um sinal.
… – ela respirou fundo, reunindo coragem de lugares improváveis para deixar que as palavras a seguir fluíssem – Tem algo que eu preciso te contar… – de olhos fechados, começou seu relato.
Contou sobre ter conhecido , sobre a troca dos assentos e a queda do avião. Falou ainda sobre os dias no hospital, e como a voz dele parecia um chamado distante para que voltasse à vida, e como quis contar a verdade ao despertar. Confessou ter se apaixonado, perdida e irremediavelmente, e como cada minúcia daquele sentimento era real, a despeito de toda a mentira em que o envolvera. A única parte que deixou de fora, foi a presença de , porque não parecia certo falar dela a ele… Durante todo o tempo, as mãos de se mantiveram nas suas, e quando abriu os olhos, deparou-se com o rosto dele lavado de lágrimas e tão, tão sereno, que ela não compreendeu de pronto.
— Eu não acredito que a senhorita ia me deixar de fora da história! – a voz de fez com que os dois se sobressaltassem, e buscou o rosto de imediatamente, mas ele não parecia surpreso.
— Você prometeu não aparecer… – ele cerrou os olhos, massageando as têmporas, apenas para abri-los em seguida, olhando surpreso para , porque não era para ela estar vendo ali. A não ser que aquilo fosse uma espécie de delírio coletivo ou folie à deux, certo? Tinha de ser…
— Pra ninguém me dar os créditos do meu trabalho? – cruzou os braços, enfezada, antes de dar uma risada melodiosa da expressão no rosto dos dois. – Eu fiz bem meu papel de agente dupla, não fiz?
… – murmurou, vendo a reviravolta mais inesperada se desenrolar bem diante de seus olhos. – Você sabia? – perguntou, sentindo o coração martelar forte dentro do peito, e quase parar ao vê-lo concordar – Desde quando?
— Não faz muito tempo… – ele explicou, traçando círculos com os polegares no dorso das mãos dela, aliviando o próprio nervosismo. – Algo me dizia que… Que não era ali. Mas ao mesmo tempo era a mulher que eu amava, e eu… Eu estava tão confuso. – suspirou, relembrando as noites de agonia em que não sabia se traía um amor antigo, com um que criara raízes em seu coração – E então, uma noite, apareceu. – tinha os olhos sobre a amiga, que fez um gracejo como se chegasse feito salvadora da pátria – E eu pensei que estivesse enlouquecendo, mas ela disse que… Que se fora. E que era você o meu amor, o meu destino.
chorava de alívio e de surpresa, e quando sentiu os lábios de nos seus foi como se o beijasse pela primeira vez. Sem culpa. Sem segredos. Sem máscaras. Eram apenas e . Almas destinadas a uma eternidade juntos.
De nada! – exclamou, chamando a atenção para si mais uma vez, mas o tom indignado não combinava com o sorriso em seu rosto – Vocês me deram trabalho, mas minha missão está cumprida. – piscou, com toda a sapequice que lhe era peculiar – Oh, Deus, a luz já está aparecendo… – colocou uma das mãos diante do rosto como se estivesse sendo cegada por uma claridade insuportável, e o casal se ergueu, expressões preocupadas ocupando seus rostos – É brincadeira! – riu, revirando os olhos, e os dois mimetizaram o gesto. Céus, ela era impossível… – Mas esse é meu adeus, vocês vão ter que se virar sozinhos agora. – sorriu, os olhos carregados de nostalgia, dessa vez – Sejam felizes, meus queridos. Eu estarei olhando por vocês. – prometeu, abrindo os braços para receber seus dois protegidos, que choravam de gratidão, e tanta, tanta saudade.
O calor de demorou a deixá-los, dissipando-se no ambiente junto da presença dela. Quando se foi, deixou para trás o aroma de girassóis, e a certeza de que sua missão estava cumprida: eles seriam, por fim, felizes para sempre.

Nota da Autora:
Ahhh, Oh my Ghost…
Essa história é um presente especial pra minha querida geminha, um amor doce e quentinho ao coração – como ela merece. Farei minha vez de , sempre por perto e desejando o melhor pra ela, que é esse anjo na Terra.
Espero que tenha gostado! Me conta nos comentários! <3
Beijinhos, Belle.