Prom Night

Prom Night

Sinopse: “Um encontrava no outro o reverberar de seus ideais e sonhos, o que os tornou companheiros inseparáveis. Na noite tão simbólica da festa de formatura, ambos encontrariam a oportunidade perfeita para revelar seus sentimentos outrora nublados pela amizade.”
Gênero: Romance.
Classificação: 12 anos (consumo de álcool e linguagem imprópria).
Restrição: Sem restrições.
Beta: Alex Russo.



PROM NIGHT

O celular vibrou ritmicamente em sua pequena bolsa no mesmo instante em que ouviu seu pai lhe chamar, dando dois pequenos toques na porta para avisar que chegara. Sequer se deu ao trabalho de checar as horas. Sabia que seu acompanhante e amigo estava, como sempre, sendo milimetricamente pontual. Seus lábios, já perfeitamente pintados, apertaram-se quando um formigamento gostoso – reação antecipada de suas expectativas – se espalhou em seu colo descoberto. Analisou-se uma última vez pelo enorme espelho diante de si, ao fundo do closet, e soltou um suspiro a fim de estar preparada para aquela noite tão simbólica.
Partiu para o corredor logo em seguida, descendo as escadas com calma enquanto segurava com uma das mãos a barra do vestido – os saltos não eram seus melhores companheiros, mas sabia se virar com eles. No meio do caminho para o térreo, onde era esperada, pôde ouvir os murmurinhos de admiração de seus pais e irmã mais nova e deixou que um sorriso pequeno tomasse seus lábios, lisonjeada. Seus olhos, porém, firmaram-se na figura do rapaz diante de si assim que deixou o último degrau para trás. Segurar o suspiro na garganta fora uma reação involuntária, mas completamente justificada. estava indefectível, porém, de uma forma diferente do que estava acostumada em seu dia a dia. O smoking lhe caíra perfeitamente bem e dava à sua postura naturalmente altiva um ar maduro e extremamente atraente. Desconfiava de que não conseguiria tirar seus olhos dele por um segundo sequer naquela noite.
– Você finalmente está parecendo com o burguês desgraçado que é – sua primeira reação, porém, sempre seria implicar com ele. sabia, no entanto, decifrar o que o brilho específico em seus olhos significava e estava agraciado pela admiração que via neles, pois esta era mútua –, o que não significa que não esteja absurdamente lindo, é claro.
Os dois sorriram juntos e o rapaz se adiantou para pegar a mão livre da amiga, segurando os dedos quentes dela nos seus ligeiramente mais frios antes de se inclinar para beijar-lhe o dorso. Sua pele macia cheirava a pêssego e teria dado a seus lábios um rumo mais longo se seus pais não estivessem os observando atentamente. Voltou a arrumar a postura e deixou que seus olhos percorressem por inteiro, sentindo sua boca começar a secar. Deslumbrante seria um eufemismo para o quão divinal estava. O rapaz buscou de imediato em sua mente qualquer lembrança de um dia tê-la visto daquela forma, tão elegante e imponente, mas o modo como seu coração adiantou batidas, desastrado, lhe fez crer que aquela era mais uma das facetas de que teria o prazer de conhecer. Seus cabelos tingidos estavam presos em um penteado simples e seu rosto sempre tão esperto parecia naturalmente iluminado pela maquiagem profissional. O vestido por sua vez, parecia ter sido feito unicamente para ela, pois se moldava ao seu corpo bonito do busto ao início das coxas, de onde se alargava ligeiramente até tocar o chão. Os pequenos pontos brilhantes no tecido preto pareciam fazê-la cintilar por completo. engoliu em seco enquanto direcionava à ela o vistoso buquê de rosas brancas, as suas preferidas.
– Você está… Impecável, – disse, finalmente, levando seus olhos vidrados até os dela, que lhe sorriam em um misto de apreensão e lisonjeio. Era sempre diferente estar sob o olhar atento de , pois lhe fazia formigar a nuca enquanto um frio agradável se instalava em seu ventre –, e especialmente hoje parece que pode me matar a qualquer momento.
O som gostoso da gargalhada dela foi o que o fez relaxar e lembrar que, apesar de toda a pompa que os envolvia naquela noite, ainda eram os mesmos e de sempre, os melhores parceiros de crime de todo o ensino médio e que, apesar de terem combinado de irem juntos ao baile de formatura, por fim, apenas por não terem outros interesses como pares, ambos intimamente sabiam que ninguém mais seria melhor companhia para um do que o outro. Era como as coisas entre eles funcionavam, desde sempre, ainda que nenhum deles verbalizasse tal encaixe que era tão explícito para os demais.
– Vocês já podem parar de flertar? – a irmã mais nova se pronunciou, em um tom um tanto impaciente e blasé, segurando uma câmera fotográfica analógica nas mãos, fruto de seu recente vício pela moda vintage – Queremos tirar fotos antes que vocês fiquem atrasados!
voltou a rir, enquanto olhou para a jovem Seri com certo choque, o que a fez rolar os olhos. Parecia tanto com a irmã mais velha que o impressionava.
– Você sabe o que essa palavra significa? – perguntou, apenas por implicância.
– Eu tenho doze anos, . Não sou mais criança – respondeu, levando a pequena câmera para a frente de seu rosto, querendo focar no casal –, agora façam uma pose e calem a boca! – obedecendo a mais nova, os dois se aprumaram e posaram o suficiente para esgotar o filme da máquina.
Em seguida, deixaram a casa sob as típicas recomendações maternas e paternas e as divertidas implicâncias de Seri, que os levaram aos risos em seu caminho para o modelo superesportivo da Mercedes que os esperava em frente à residência de . O veículo luxuoso, em uma pintura escura impecável, seria guiado pelo motorista da família de até a propriedade onde o baile aconteceria. O rapaz abriu a porta para a amiga, que se acomodou após cumprimentar o condutor, ao passo que tomava seu lugar ao lado dela.
– Achei que fosse entrar aqui e encontrar um balde de prata com champanhe importado – começou, olhando ao redor com ar de riso no momento em que o veículo fazia o caminho para fora de seu condomínio –, mas vejo que alguém deteve sua mãe.
riu enquanto usava seu celular para sincronizar o aplicativo para ouvir música.
– Se não fosse muito chocante para uma mãe tradicional oferecer álcool a dois jovens saindo do colegial, ela teria feito isso mesmo.
Ele respondeu com naturalidade e o mesmo tom divertido da amiga, que riu brevemente com sua resposta, mas logo voltou a tarefa inevitável de admirá-lo, aproveitando a pouca distância que os separava. Conseguia sentir de maneira ainda mais forte o perfume refrescante dele, que parecia lhe envolver em um abraço aconchegante e sedutor.
– Só que ela conseguiu fazer você se vestir como uma cópia do seu pai – os dedos de foram para a lapela em seda do paletó preto dele, deslizando por ali como que em um carinho despretensioso –, uma vitória e tanto para a Sra. .
Apesar de pertencerem ambos a famílias afortunadas e que faziam parte de um grupo seleto da sociedade sul-coreana, e não adotavam o mesmo estilo de vida de outros jovens de seu círculo social. O que significava que além de dispensarem as grifes mundialmente famosas e absurdamente caras e seus trajes formais, os dois insistiam em usar seus privilégios para focar nas carreiras de seus sonhos e em um engajamento político e social que buscava mudar as raízes opressivas das quais, inevitavelmente, se beneficiavam. Tal característica havia sido desde o início um motivo de admiração entre eles, além de ter os aproximado ao longo dos anos. Encontravam um no outro o reverberar de seus ideais juvenis que buscavam amadurecer dali em diante.
– Até que me caiu bem – sorriu, falsamente pretensioso, enquanto ajustava o paletó para fazer pose –, mas você… – a pausa se deu apenas para que ele voltasse a se extasiar na figura dela, levando uma das mãos para lhe tocar o queixo e delinear com o polegar o desenho perfeito de seu lábio inferior, em um carinho que ela recebeu de bom grado – Se eu te beijar agora, vou estragar seu batom?
gargalhou e tomou a mão dele na sua, entrelaçando-as.
– Provavelmente não – foi a vez dela de levar seus dedos até o rosto bem desenhado dele, contornando sua mandíbula atraente com o indicador –, essas maquiagens têm umas tecnologias interessantes, mas não vou te dar o prêmio final antes da hora.
Seu sorriso espertinho fazia seus olhos brilharem do jeito que amava, pois podia reconhecer ali algo que o instigava mais do que gostaria de admitir, o que o fez sorrir ainda mais abertamente, mantendo o tom que a amiga usava.
– Pelo menos isso quer dizer que haverá uma hora.
– Se você merecer…
– Ah, qual é – começou, aos risos, puxando o celular do bolso novamente, para que tirassem uma foto antes que chegassem ao destino final –, você sabe que eu sempre mereço.
A propriedade onde a festa aconteceria era grandiosa e consistia em um enorme salão principal, cercado por um extenso jardim bem cuidado, onde também era possível encontrar um pequeno lago artificial de águas cristalinas. No hall, a decoração se mostrava adorável em tons pastéis e primaveris, estendendo por toda a entrada espaços onde os formandos poderiam tirar fotos para eternizar sua noite especial. No enorme salão, o lustre de cristal rosé se destacava sobre as mesas espalhadas na lateral e ao fundo o palco estava pronto com todo o aparato para os discursos e homenagens que aconteceriam durante a celebração.
e seguiram de mãos dadas por entre as pessoas que já tomavam o interior do local, sorrindo e cumprimentando alguns conhecidos e colegas enquanto caminhavam em direção ao fundo do salão. Seus cargos como representantes do diretório estudantil do Instituto Sin-Ah de Educação, por dois anos consecutivos, lhes conferia o dever de fazer um breve pronunciamento, entre os tantos que dariam abertura à festa.
– Quem são vocês e o que fazem nos corpos de e ? – Johnny, o pitcher¹ da equipe de beisebol da escola, os parou no caminho, olhando para os amigos com uma expressão de choque um tanto cômica. Yeonji, sua namorada e membro permanente do decatlo acadêmico, estava ao seu lado em seu deslumbrante vestido verde – Vai me dizer que você está de salto por baixo desse pano brilhoso, ?
– Deixa de ser ridículo, Johnny! – a amiga o repreendeu, aos risos, após soltar Yeonji de um abraço amistoso – É um salto bem fino se você quer saber! – concluiu, levantando um pouco a barra do vestido apenas para mostrar suas sandálias pretas de salto finíssimo.
– Sorte a minha que esse vestido não tem uma daquelas fendas… – se intrometeu, falando baixo, apenas para provocar sua acompanhante, que precisou disfarçar os arrepios que vieram diante do sussurro tão próximo de sua pele descoberta.
– Você está deslumbrante, amiga! – Yeonji pôs fim à implicância juvenil dos demais, tocando a amiga no ombro e lhe sorrindo, parecendo radiante como nunca, na opinião de .
– Não mais que você! – garantiu, olhando para o casal em seguida – Vocês estão lindos! Se a gente tivesse um daqueles concursos de rei e rainha-
– Eu não viria pra essa merda nem a pau! – , estudante intercambista, surgiu entre eles, imediatamente se inteirando do assunto e apoiando seus braços nos ombros de e .
Os amigos se cumprimentaram e conversa engatou de maneira breve, pois logo os representantes do diretório foram chamados ao palco para o cerimonial de abertura que finalmente teria seu início. No palanque amplo e iluminado, acomodavam-se os diretores e a representação docente e discente. A direção deu início aos pronunciamentos de maneira mais formal, tecendo comentários sobre o desempenho dos estudantes e suas estatísticas louváveis, que não apenas mantinham, mas elevavam a reputação da Sin-Ah, que já se estabelecera há anos como uma das instituições mais notáveis ao enviar seus alunos para as três maiores e melhores universidades da Coreia do Sul. Os representantes dos professores destacaram suas parcerias com os alunos e os empenhos de todos os anos para atingirem seus objetivos, terminando com um discurso encorajador sobre carreira e formação cidadã. Em seguida, e se encaminharam ao púlpito sob os aplausos de seus colegas.
– É uma alegria e um enorme alívio poder estar aqui e confraternizar o fim de um ciclo tão importante para todos e todas nós. – começou, falando próximo ao microfone enquanto deixava que seu olhar vagasse por entre os tantos rostos conhecidos no salão – Durante os anos que compuseram este ensino médio, enfrentamos cerca de quinze horas diárias e ininterruptas de estudo, um currículo extenso e pressões pessoais, familiares, institucionais e, principalmente, de nossa sociedade. – com satisfação, sentiu colocar uma das mãos em sua lombar, como se lhe desse o apoio necessário para terminar – Como uma das representantes deste diretório estudantil, desejo que essa celebração possa ser o alento que precisamos, mas que, sobretudo, seja um marco daquilo que seremos daqui pra frente: cidadãs e cidadãos comprometidos com a mudança estrutural que devemos a nós mesmos como sociedade.
Com a mesura, agradeceu aos colegas pelos aplausos e deu espaço para fazer seu discurso e sorriu para ele quando o rapaz segurou sua mão livre antes de começar.
– Gostaríamos de mais uma vez parabenizar a todas e todos por seus esforços nos últimos anos e frisar que nossos caminhos de agora em diante construirão nossas comunidades no futuro. – ele iniciou, dando continuidade à fala de , conforme tinham combinado anteriormente – É importante que a gente saiba que não importa para onde os resultados do Suneung² nos levarão, se é que eles levarão – seu adendo fez as pessoas no salão rirem –, afinal, nossas formações não dependerão apenas do que se aprenderá nas salas de aula da Universidade Nacional ou da Universidade Hanyang, mas da construção de caráter e de nossos compromissos com a justiça social. Por favor, aproveitem a festa – sorriu finalmente –, nós a merecemos.
Entre breves homenagens e a entrega de prêmios simbólicos a estudantes e professores, o cerimonial de abertura se encerrou sob aplausos e uma cabine de DJ tomou o lugar do púlpito, sendo rapidamente montada enquanto os vídeos comemorativos eram mostrados. Perfect Places preencheu o ambiente logo em seguida e procurou pelo sorriso aberto de por entre as pessoas na pista de dança, sabendo que o encontraria antes que ela começasse a cantar aquela que era uma de suas músicas favoritas. Segurando duas taças com drinques coloridos, a jovem caminhou em direção ao amigo, lhe entregando uma das bebidas enquanto começava a dançar e cantarolar bem diante dele.
I’m nineteen and I’m on fire – ela começou, olhando diretamente para ele com um sorriso divertido nos lábios enquanto deixava que ele envolvesse sua cintura com um dos braços –, but when we’re dancing I’m alright.
Com seus olhos conectados, voltou a sentir o mesmo formigamento se espalhar por seu colo, mas escolheu apenas aproveitar a sensação gostosa que ter tão perto lhe trazia. Sorriu novamente quando o sentiu apertar sua cintura com um pouco mais de força quando colou seus corpos o suficiente para ter segurança e equilíbrio para jogar a cabeça para trás e dançar, pois trazia-lhe enorme satisfação saber que o corpo dele também reagia, involuntariamente, ao seu.
Estavam naquilo – que comumente se chamaria de uma amizade com certos benefícios – por tempo suficiente para saberem que se gostavam e se sentiam atraídos um pelo outro, porém, sentimentalidades jamais tinham sido colocadas em jogo, ao menos não de um jeito romântico. Ambos se apoiavam incondicionalmente, pois se conheciam intimamente e partilhavam dos mesmos ideais e sonhos e tais fatos os unia em um enorme afeto. O que veio após – os toques, os beijos sem maiores intenções e também aqueles cheios delas, os carinhos íntimos e tudo que tangenciava isso – teve início sem qualquer planejamento e sem qualquer pretensão. Seria mentira, no entanto, caso negassem que seus corpos e seus corações já tinham se acostumado um com o outro e seus olhares, seus toques e, principalmente, suas reações enquanto dançavam juntos, não os deixava encobrir o óbvio.
Algumas músicas depois, Yeonji e Johnny e mais alguns de seus amigos se juntaram a eles para dançar e o jogador de beisebol se colocou entre o casal apenas para abrir seu paletó e mostrar-lhes o cantil de bolso que escondia ali no compartimento interno da roupa.
– Trouxe um ingrediente secreto pra melhorar os drinques – anunciou, entre risinhos breves, desenroscando a tampinha do recipiente de prata, com discrição –, vão querer? – a pergunta era retórica, é claro.
e apenas estenderam suas taças ao que Johnny despejou um pouco do líquido transparente nas bebidas feitas de champanhe sem álcool. Com o auxílio dos canudinhos, os dois misturaram as líquidos e se juntaram ao outro casal em um brinde animado, antes de voltarem a dançar e cantar, celebrando juntos em meio aos demais colegas.
– Você conhece essa música? – perguntou um tempo depois, reconhecendo a introdução de Turn, canção da banda britânica The Wombats. estava em seus braços e se remexeu em seu abraço ao negar, mas se moveu no ritmo da guitarra inicial enquanto o esperava continuar – Sempre penso em você quando escuto. Preste atenção na letra. – finalizou, e o que parecia ser um sorriso com certa timidez tomou seus lábios.
Os arrepios se espalharam pelas costas da jovem no momento em que ele terminou e buscou seus olhos, que a encaravam intensos, porém, extremamente gentis. Havia uma neblina levemente alcoólica entre eles, mas não era difícil ultrapassá-la para decifrar suas expressões e reações. Quando o refrão chegou, sorriu amplamente e quis beijá-lo imediatamente, mas pacientemente esperou que continuasse a cantar olhando em seus olhos, sem desviar deles por um segundo sequer.
I like the way your brain works, I like the way you try to run with the wolf pack when your legs are tied. – ele cantarolou, segurando seu rosto com suas mãos, agora quentes o suficiente para fazer os olhos da jovem se fecharem brevemente, em deleite pelo carinho. Aquelas frases cantadas, escritas por outra pessoa, eram o início e o fim do que sentia por , de sua admiração pelo esforço dela em mudar sua realidade e a dos outros, até a forma como o sorriso dela o fazia se sentir, o revirando de dentro para fora – I like the way you turn me inside and out. I like the way your turn.
sorriu abertamente quando sibilou um “eu também” em resposta ao trecho da música que cantara e não pôde evitar unir ainda mais seus corpos enquanto a canção continuava. Delicadamente, ele percorreu as bochechas dela com os polegares antes de se aproximar para deslizar a pontinha de seu nariz no dela, fazendo-a suspirar. O carinho persistiu enquanto a música terminava e assim que outra começou, o rapaz entrelaçou seus dedos nos dela e a convidou para sair dali.
Carly Rae Jepsen embalava a pista de dança enquanto o casal deixava a agitação para trás e eram abraçados pela brisa refrescante e acolhedora que era típica às noites de primavera. Suas mãos unidas balançavam tranquilas entre seus corpos, mas seus corações estavam agitados, tamborilando um ritmo de expectativa duplicada. Havia muito que queriam dizer, mas assim como eram extremamente bons em debates políticos pela unificação pacífica das Coreias e em oratórias filosóficas hegelianas, eram na mesma medida iniciantes em assuntos românticos e na arte milenar de falar sobre sentimentos e amor, especialmente por negligenciarem tal área em prol de seus outros interesses, mais urgentes, em suas teimosas opiniões.
– Sabe – começou enquanto ainda caminhavam de maneira incerta até às margens do lago artificial –, quando meus pais me enviaram à Sin-Ah para estudar, prometi com convicção que não me envolveria, de maneira alguma, com os filhinhos da elite que sabia que estudavam na instituição e que iria focar cem por cento nos estudos sem falar com ninguém. – a risada breve de veio junto da sua, julgando a bobice de sua promessa anterior – Eles tinham recusado a minha oferta de estudar em uma escola mais popular, pra ter outras experiências de coletividade e tudo mais – ela suspirou por um momento, como se escolhesse as palavras certas para continuar –, mas agora, depois de tudo, sinto uma enorme vontade de agradecer a eles por terem feito essa escolha. – parou, já às margens do lago, cujas águas cintilavam de maneira adorável as luzes espalhadas pelo jardim ao redor, e ficou de frente para o rapaz, que a encarava, sereno – Não por causa do ensino, ou qualquer coisa relacionada a isso. Você sabe, não é?
O sorriso pequeno de lhe mostrou que ele sabia, antes mesmo que o rapaz acenasse afirmativamente com a cabeça.
– Johnny e Yeonji fizeram os meus dias muito mais leves – ela continuou, olhando para o céu e sorrindo, com um torrencial de memórias passando em sua cabeça –, e ter raiva do mundo com o é mil vezes melhor do que fazer isso sozinha, mas… – sua pausa se deu para que voltasse a olhar para o rapaz em sua frente, ainda sorrindo. Os cabelos dele, antes milimetricamente arrumados com o spray fixador, agora estavam um pouco desordenados, resultado das danças e de suas próprias mãos passando por eles de vez em quando, assim como as mãos dela, e isso dava a um ar ainda mais charmoso – A diferença que você fez é ainda mais forte pra mim. Principalmente porque eu achei que a minha jornada ia ser bastante solitária e… Não foi.
sorriu, aproximando-se dela e tocando seus ombros desnudos com carinho.
– Eu nunca esqueço da primeira vez que nos falamos. – começou a relembrar, com os olhos nos dela, observando de perto a forma como eles brilhavam em direção aos seus, fato que deixava seu coração ainda mais agitado – Você entrou na sala do conselho nos últimos minutos para se inscrever como representante e tinha corrido o caminho inteiro até o prédio administrativo só para não deixar que um cargo importante como de representante dos alunos fosse ocupado por alguém que não fosse pensar em todos. – imitou sua voz, fazendo-a rir, envergonhada pelas tantas gafes que cometera naquele dia – A sua cara quando percebeu que pensávamos iguais sobre o diretório e sobre tantas outras coisas foi tão hilária que eu não vou esquecer nunca.
! – ralhou, empurrando-o de leve enquanto ele soltava uma risada breve.
– Só que – ele continuou, sua voz ficando mais séria dessa vez, fazendo par a seus olhos expressivos –, eu nunca te contei sobre como o meu coração se comportou naquele dia, dali em diante e em todas as vezes que a gente conversou, que te vi discursar, falar sobre seus sonhos e sobre qualquer coisa que te desperte paixão. – sorriu, levando uma das mãos para afastar os fios que começavam a se desprender de seu penteado e que caíam sobre seus olhos – Eu sempre soube que te admirava, mas… Não sei dizer em que momento passei a gostar tanto de você.
sequer era capaz de continuar a ouvir a festa ao fundo ou captar quaisquer outras coisas que não fossem o rapaz em sua frente, declarando-se no cenário mais clichê possível. Se soltassem fogos naquele momento, saberia que estava em algum remake de filme norte-americano, o que seria péssimo para sua reputação – ela odiava filmes clichês, pior se fossem norte-americanos –, mas com de protagonista, sabia que aceitaria de muito bom grado qualquer roteiro.
– Nem eu – sua risada veio fora de hora, incrédula, de quem não sabia muito bem como responder. Ele ainda era melhor em oratória que ela, afinal –, mas de uma coisa sei e com certeza – quando seus olhos espertinhos voltaram, nem precisou esperar para sentir os braços dela envolvendo o seu pescoço para saber o que viria a seguir –, é que esse é o momento perfeito pra você retirar o seu prêmio final.
Os dois sorriram juntos enquanto ficava nas pontinhas dos pés e a erguia ligeiramente pela sua cintura tão bem marcada pelo vestido. Seus narizes se roçaram em um carinho conhecido, mas não menos eficiente em fazer suas nucas se arrepiarem. Seus lábios se uniram várias vezes antes de fazer aquilo do jeito que queria desde o momento em que colocou os seus olhos nela naquela noite. Ela sorriu uma última vez quando o rapaz a apertou em seu abraço e deleitou-se em seu beijo doce e cálido, que fora somente seu tantas outras vezes, mas não por tempo o suficiente para que seu coração se acostumasse e parasse de acelerar com tanta veemência. O que a impedia de sentir-se tão patética era o fato de sentir, com seus troncos juntos, o coração de bater igualmente acelerado. Sua constatação a fez sorrir durante o beijo mais uma vez.
Perderam a noção do tempo entre a troca de carinhos e terminaram sentados no banquinho de madeira polida que estava decorado com um portal de flores, às margens do lago tranquilo. Estavam abraçados e descansava sua cabeça no ombro do amigo que segurava uma de suas mãos, vez ou outra levando-a até seus lábios para deixar beijinhos castos em seus dedos. Seus corações estavam tranquilos, mas ainda havia algo que precisava falar.
– O que você acha que vai acontecer de agora em diante? – sua pergunta era ampla, mas havia uma resposta específica que gostaria de ouvir.
levantou os ombros antes de responder verbalmente.
– Johnny vai para a Universidade Nacional, porque é impossível que ele não seja selecionado para o time universitário de beisebol – ele começou, apostando o futuro à espreita de seus amigos –, Yeonji vai poder escolher, então é possível que fique com Johnny? quer ir para a K-ARTS³ e – parou, olhando para a jovem ao seu lado, que ergueu o rosto para encará-lo de volta –, bom, nós temos uma concorrência desumana para todas as Faculdades de Direito.
Assim como todos os alunos e alunas da Sin-Ah, e almejavam uma vaga em qualquer uma das três maiores e mais renomadas universidades sul-coreanas: a Universidade Nacional de Seul, a Universidade da Coreia e a Universidade Yonsei. Dependendo da carreira que sonhavam, uma era mais desejada que a outra. Para os esportistas, por exemplo, a Universidade Nacional era o objetivo maior, pois eram onde se concentravam os atletas que competiam internacionalmente e que faziam carreiras mais célebres, principalmente em esportes olímpicos. No caso de e , Yonsei era a meta derradeira, pois fora o berço dos juízes, procuradores, diplomatas e até candidatos a presidência que ambos mais admiravam. A concorrência era feroz em todas, mas Yonsei era certamente a porta mais estreita, pois quase todos os jovens progressistas que sonhavam com uma carreira no Direito buscavam uma vaga por lá.
O que não sabia era que uma dessas vagas disputadas já possuía o nome de .
A jovem se remexeu ao seu lado, de modo que pudesse se sentar e ficar de frente para ele novamente. O paletó de estava em seus ombros, protegendo-a da brisa que esfriava conforme a noite avançava. O cheiro do perfume dele a rodeava de forma ainda mais concreta, nublando seu sentidos e raciocínio, a obrigando a suspirar para ordenar os pensamentos e contar a ele o que soubera na manhã daquele dia, quando sua mãe entrou em seu quarto para lhe contar a novidade como um presente de formatura.
– Eu preciso contar uma coisa.
Seus dentes se prenderam em seu lábio inferior, cujo batom desbotara ligeiramente, contendo mais um suspiro e observando a curiosidade serena nos olhos escuros de .
– Recebi o resultado de Yonsei essa manhã.
Soltou de uma vez, mas não a compreendeu de imediato, ficando alguns segundos em silêncio antes de indagá-la.
– Quais resultados? Eles só enviam as cartas de admissão no início do verão, não? – sua expressão era genuinamente confusa.
– Sim, mas… Você sabe que mamãe é professora na instituição e-
O rosto de se iluminou em compreensão logo em seguida e um sorriso enorme tomou conta de seu rosto bonito. Seus olhos chegaram a se tornar pequenas fendas brilhantes e sentiu seu coração se expandir no peito.
! Isso é incrível! – ele levantou e a abraçou, balançando-a em seus braços – Como sua mãe não estava gritando isso pela casa quando cheguei mais cedo? – voltou a olhá-la, segurando-a pelos ombros.
– Pedi pra que ela não contasse. Queria eu mesma fazer isso.
Apesar de estar um pouco envergonhada pela evidente ação imprudente de sua mãe em recorrer a colegas da instituição para saber os resultados da filha antes da hora, não conseguiu controlar o próprio sorriso ao ver tão eufórico pelo seu feito, pois esse sim fora sem qualquer influência de sua mãe ou qualquer outra pessoa de sua família.
, eu… Nossa! Eu sempre soube que você conseguiria, meu amor! Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço, não tenho dúvidas. Meus parabéns, de verdade!
Obviamente, parou de ouvi-lo no momento em que a palavra amor saiu de seus lábios tão confortavelmente. Às vezes, por implicância ou pura brincadeira juvenil, eles usavam apelidos carinhosos ou típicos de casais um com o outro, mas era a primeira vez que a chamava daquela forma, sem qualquer sombra de zombaria ou espertice.
– O que houve? – o rapaz notou sua expressão aérea e a encarou, calando-se em seguida.
– Você me chamou de quê?
Se não estivesse completamente afetada pelo momento, gargalharia para o modo como as bochechas e orelhas dele se tornaram rosadas. engoliu em seco antes de responder, ligeiramente envergonhado, mas nem um pouco arrependido. Havia sido extremamente espontâneo de sua parte, afinal.
– Você não gostou? – devolveu a pergunta e soltou um riso nervoso, aproximando-se dele novamente para tocar suas bochechas quentes antes de deixar um beijo rápido em seus lábios.
– Gostei tanto que acho que posso me acostumar com isso – respondeu em um sussurro, que fez um arrepio gostoso percorrer as costas de antes de se espalhar por sua nuca –, mas… Como vamos fazer isso daqui em diante?
sorriu, compreensivo.
– O que preocupa você?
suspirou de forma sonora novamente.
– Você vai estar comigo na Yonsei, não vai?
O coração de acelerou novamente ao perceber que não queria ficar longe dele, mas seu sorriso para ela continuou o mesmo.
– Independente dos resultados das admissões, não vou deixar de estar com você. Não vou a lugar algum, .
Mesmo com sua garantia confiante, a jovem voltou a se remexer no lugar.
– Mas você sabe que ser admitida para Yonsei significa que poderei escolher entre as outras, certo? Yonsei requer a maior nota, então-
– Ei – ele chamou com carinho, interrompendo-a para deixar um beijo leve em seus lábios –, vamos ficar juntos. Eu prometo, sim? Somos parceiros, não somos? – sorriu novamente, aproximando seus rostos para beijar a pontinha do nariz dela – O que posso fazer pra provar pra você que vai ficar tudo bem? – olhou-a nos olhos, vendo ali novamente o mesmo brilho sonhador que tanto mexia com ele, pois via refletir muito de si mesmo naquelas íris conhecidas – Quer ser minha namorada? Assim… Só por garantia? – sussurrou, com a voz divertida como se lhe contasse um segredo de criança.
rolou os olhos, mas não conteve a risada. Deveria cancelar o pensamento anterior sobre os clichês, pois um pedido assim não deveria ser considerado nada convencional no que tange namoros em qualquer lugar do mundo. Por isso amou tanto ouvir aquilo de uma forma tão específica, que era tão a cara deles, especialmente por mesclar a implicância e a diversão na mesma medida.
– Parece uma uma excelente garantia, Sr. – sorriu, arrumando a gravata borboleta que ainda estava ornando a gola de sua camisa branca –, mas gostaria de saber quais vantagens novas isso me garante.
deixou um riso breve escapar, mas não teve tempo de captar se era um reflexo nervoso ou espetinho, pois ele logo tocou suas costas, por baixo do paletó, subindo os dedos de sua lombar até a parte descoberta pelo tecido, deixando um rastro de arrepios para trás.
– Levando em consideração que nossos benefícios anteriores eram bem avançadinhos – debochou, fazendo-a rir –, creio que sou todo seu de agora em diante. Se você for toda minha, é claro.
sorriu de maneira furtiva e sentiu sua nuca esquentar.
– Parece justo. Onde eu assino? – inclinou-se para ele ao responder, levando os braços para envolver o pescoço do rapaz com leveza.
– Você só precisa me beijar para aceitar, o que acha? – sorriu para ela, abraçando-a mais firmemente.
Com uma última risada, percebeu que tocava Zayn no salão e achou o momento extremamente propício. Pensou, enquanto os lábios de tocavam os seus com um pouco mais de intensidade, que os dois deviam cantarolar Tonight enquanto finalmente saíam dali e deixavam a festa para trás, para que começassem a celebrar seus futuros – juntos, é claro – da melhor forma possível.


“So love me
(Então me ame)
Like we don’t have tomorrow
(Como se não tivéssemos o amanhã)
Like there’s no time at all, love
(Como se não houvesse tempo algum, amor)
Love me like tomorrow’s
(Como se o amanhã)
Never gonna come
(Nunca fosse vir)”

¹Posição de arremessador ou lançador no beisebol, considerado o principal jogador no esporte, por ser o responsável por iniciar todas as jogadas.
²Principal exame de admissão em universidades da Coreia do Sul, como se fosse um ENEM.
³Sigla para Korea National University of Arts.

Nota da Autora: Essa fanfic é inspirada no enredo criado pela @neoctx em thread no Twitter e como eu fiquei inspiradíssima ao ler, ela gentilmente me permitiu usar seu plot e escrevi com muito carinho para que fosse a segunda estória da minha NCT/WayV Short Series, cujo objetivo é escrever uma shortfic pra cada membro. A estória com o Jaehyun já foi publicada e pode ser lida por aqui.
Prom Night tem uma playlist bem especial e vocês podem acessá-la aqui.
Espero que tenham gostado! Deixo meu agradecimento especial à @neoctx, e às minhas meninas Clara, Jozi, Ju e Bru, por terem surtado comigo e me incentivado a continuar a escrever (e a assumir o Doyoung).
Para acompanhar meus escritos, é só participar do meu grupo no Facebook, clicando aqui.